PÁGINAUM

VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL
Notas dos depoimentos de Davide Prosperi e Julián Carrón no Dia de Início de Ano dos adultos e dos universitários de CL. Mediolanum Forum, Assago (Milão), 1° de outubro de 2011
Edward Hopper, Manhã em Cape Cod, 1950.
NOVEMBRO 2011 I

de toda a Itália e do exterior). a certa a pena recomeçar. Espírito Criador ficialmente) o quanto as razões dadas eram decisivas para desafiar o mundo. e todos mos defendendo. porque. digamos. 26 de agosto de verificação da fé. apresentando O senso agosto: “Talvez seja preciso deixar de perguntar ‘de que religioso. uma razão que resiste aos assaltos do nosso tempo. CL. Portanto. onde a irredutibide modo justo” (Bento XVI. padre Carrón lançou a todo o movimento lado está CL?’. Tivemos çarmos juntos este ano. no conjunto? Como pode a razão reencon. tiveram que admitir. a colocou sem meias palavras a Então seguinte: por uma concepção questão radical de o que significa experiência cristã pode ser sufihoje estar diante da urgência do ciente para determinar uma posipositivista? bem de um povo: “É preciso tornar ção e um juízo integral sobre a rea abrir as janelas. mas justamente os demais. como disse ou por outro. devemos olhar de novo a vastidão alidade.coisas que nascem da nossa experiência eram suficiento.uma experiência. está apenas com CL” o grande desafio deste ano: o senso religioso como (Noi. um a questão é aprevalecer. capaz de suscitar uma uma estratégia diversa. contentando-nos com as razões de uma posição última. E antes ainda fomos provocados pelo panfleto intitulado As forças que mudam a história são as mesmas que mudam o coração do homem. isso se realiza? Como encontrar a saída no meio da até os jornais laicos. pena recomeçar. Precisamos relembrar as razões pelas quais vale a tes para expor uma posição original diante de todos. porque nos obrigou a nos interrogarmos (não superÓ vinde. lítico”. Mediolanum Forum.Notas dos depoimentos de Davide Prosperi e Julián Carrón no Dia de Início de Ano dos adultos e dos universitários de CL. para recome. como se tivéssemos medo de ir em profundidade. o Único capaz de dar uma resposta a ela. E do mundo. corresponder ultimamente a ela. Mas foi bom que isso tenha acontecido. 22 de setembro de 2011). temos necessidade desse questionamen. dominado. Ou social. De fato. mas sobretudo se. Assago (Milão). pois. Essa irrecomo juízo sobre a realidade é capaz de suscitar uma dutibilidade não é estratégica. que coloca em perigo seriamente a esperança de um povo. de início. pedido ao Único que pode verdadeiramente dar uma resposta à altura da nossa espera. dominado – como disse o Papa – por uma concepção positivista? Essa hipótese foi logo submetida à prova durante as eleições administrativas da primavera. “o que temos de mais caro”. il popolo di Dio. como o fez trar a sua grandeza sem cair no irracional? Michele Smargiassi no jornal La Repubblica de 26 de No último dia 26 de janeiro. mas nasce de um juízo II NOVEMBRO 2011 JULIÁN CARRÓN Todo início carrega consigo sempre uma espera. Por isso. . mais do que verificar se os critérios com os quais olhamos as que nunca. 37). p. um critério diferente. como sobre todo federal.assaltos do nosso tempo. vendo vibrar em nós essa espera. La Repubblica. humanidade plena. tanto mais ficaremos conscientes de que não podemos. ficou evidente para todos. 1° de outubro de 2011 humanidade plena. Alguém. por nós mesmos. Berlim. O que quer dizer que a fé vivida 2011. estamos aqui porque vale (um critério. altura teríamos que optar por um mento alemão na semana passada. “porazão que resiste aos critérioou “mais político”). antes ou dedurante sua viagem à Alemanha. A fé vivida como juízo de tudo – essa circunstância. discursando no Parla. Discurso ao Parlamento lidade da nossa posição sobre política. desde sempre. que não é um partido. E nós lhe somos gratos por isso. interpretou isso como se faltasse algo. Mas como o resto. uma véssemos acrescentado um outro E. tivemos que Perguntemos a nós mesmos o significado de nos verificar se permaneciam de pé as razões do que estaencontrarmos aqui (nós. embora não entendendo bem de vastidão. o céu e a terra e aprender a usar tudo isto o resultado nós o vimos no Meeting. tivemos que entrar no DAVIDE PROSPERI mérito (e certamente não nos poupamos). a espera de um homem adulto torna-se pedido. no início deste gesto suplicamos ao Espírito. ou não? Nós optamos por assumir esse risco. A resposta é que hoje. política. antes imersos numa grande confusão. O Papa. Depois do Meeting. porque estamos para se poder viver – nós.onde vem essa posição. Quanto mais identificarmos qual é a natureza da nossa espera. Mas se titrabalho. critério deve o Papa na Alemanha. então. presentes em Milão. ao contrário. era preciso acressobre a realidade é numa grande crise econômica e de centar outro.

procurando fazer de modo que cada um tire da própria história e da própria cultura a parte melhor. Paolo Franchi. em que uma amizade misteriosa com gente de todos os credos.). verdadei- ramente todos. menos caduca. pela primeira vez. apenas lamentam (não ouvimos um único juízo novo de esperança).net de 29 de agosto: “O Meeting tem uma longa – e hoje consolidada – tradição de abertura.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM Escritório à noite. livres e. Numa temporada que parece marcada por uma guerra de todos contra todos. o Meeting marcou um novo passo. Ao invés. e é isso que nos torna livres. ilsussidiario. mais viva” (“Io. sobre o que nós somos. editorialista do jornal Corriere della Sera. E isso não fomos nós que dissemos. ou melhor. 1940. aqueles que esperavam isso ficaram deslocados.. o Meeting do Cairo) é um ponto educativo para toNOVEMBRO 2011 III .. 29 de agosto de 2011). Na situação de total incerteza em que todos. nasceu do reconhecimento de que a experiência que se viu (não nos esqueçamos de que em outubro de 2010 se realizou. relativista. a mesma incerteza do mundo. sem que ninguém precise colocar em risco a própria alma. Porque essa é a única resposta que podemos esperar fora de uma concepção como essa que estamos descrevendo. uma experiência de certeza que não é determinada pelas circunstâncias – positivas ou negativas – mas é fruto de uma posição original em relação à realidade. no centro do Meeting de Rímini esteve a busca das coisas que podemos e devemos fazer juntos. também dignos de crédito. talvez olhando com o canto dos olhos a qual poder nos teríamos juntado.net. a certeza de si (. muitos esperavam encontrar no Meeting a mesma confusão. Vimos em muitas ocasiões: uma nova ideia de ecumenismo. Este ano. vi spiego perché ho sbagliato a non andare a Rimini”. porque viram um juízo diferente. escreveu no site ilsussidiario. tão feroz quanto improdutiva. portanto.

por uma questão psicológica. e não sabia este ano voltou ao Meeting duas vezes e disse à tele.dentro” do episódio de João e André (L. o adulto passou e passou Itália alguns dos seus estudantes universitários para também o primeiro jovem.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM dos: o reitor da universidade egípcia Al-Azar.uma razão assim? citam curiosidade? Quando fazem emergir no real a presença de uma realidade inexplicável: o Mistério. a certa altura. não possuía. Os ficou bloqueado. e rar o Meeting. Ou. as duas coisas juntas. que é o que verdadeiramenUma razão capaz de reconhecer o real em toda a te atrai”. cristão que a também o voto que nos fez o presiÉ justamente o contrário: a certeza razão realiza a dente Napolitano quando. se aquilo de que mais precié fazer com que todos pensem como próprio desvelar-se samos para viver (junto com o ar que nós. Marta Cartabia mim a questão. É em virtude Evidentemente não se trata de uma dade que sentem em volta. Mas do pensamento moderno. 227). somente isso. nas cozinhas. 24 de há uma Presença que domina a realidade: se a razão agosto de 2011). E aí ficou clara para que caminha”. O Mistério como realidade presente. Ou melhor. Vimos todos esses não reconhece essa Presença dentro jovens. Ao longo começamos lembrando que “o coração da nossa proIV NOVEMBRO 2011 . uma insegurança que traram como a experiência cristã responde ao drama o primeiro. p. uma razão livre. história de um povo e o outro era apenas um amigo. é cia na qual acreditamos poder viver. É tamos dizendo. Esse. era o Sergio Marchionne [diretor executivo da Fiat]. Daí. Para o segundo jovem. Num país que fala demais. mas carregam que nasce e se realiza za que todos vimos em Rímini. Entende-se assim por que Dom Permitam-me contar um fato que aconteceu co. É um passado o buraco. que dava para o abismo. o cume tinha des. E de novo pensamos no depois descobri que o primeiro era filho do adulto. num tempo de incerteza.se tinha a força para isso. possível viver assim?. ainda.cristão.razão realiza a sua natureza de abertura para o próprio na completa a relação da razão com a realidade. sob o sol nos estacionamenUma razão capaz da realidade. consideramos a reação de era só aquele buraco que dava para o abismo. reagindo a esses fatos. Carrón nos didade. Há um afeto. justamente por esse cristão. Giussani. belo lugar para vir” (Entrevista ao TgMeeting. “Fixar como presença as coisas presentes” emerge algo que excede. tor. de reconhecer mostra sobre os 150 anos da subsiPor isso. essa gente faz. Ao passo visão: “Me interessa a qualidade dessa gente que está que para o primeiro jovem a realidade era o buraco e aqui.Giussani diz que “o problema da inteligência está todo migo neste verão e que me esclareceu aquilo que es. que veem o sua profundidade zão afetiva. embora sua profundidade nasce e se realiza no acontecimento sem ser mensurável. ficou travado. Durante um passeio pela montanha. o livres de qualquer poder. dia 26 de janeiro deste moronado e ficara aberto um buraco de mais ou me. no fundo. uma autossuficiêncisamos focar nisso. tanuma grande vontade de construir. desvelar-se de Deus. encontro sobre “A Itália unida. na razão fica bloqueada. Onde buscar essa certemundo em que vivem. ao inaugué um laço afetivo com a verdade. que faz. disse: “Não deixem de isso. É a simplicidade da o pai. o pai que estava ali com ele e que havia ultraação. nos realiza. por da trilha estavam na minha frente um adulto e dois exemplo. É gente verdadeira. talvez mais arrojado. com Giuliano Amato. a realidade e Maria Bocci. E nós predo acontecimento segurança de si. pode nos tornar sua natureza de carregar. mas que esse anseio de certeza se respiramos) é uma razão capaz de rede Deus torne contagioso. te perguntamos: onde nasce e como se realiza disse: “Quando é que essas coisas são presença e sus. conhecer o real em toda a sua profunRecentemente. perguntou a Savorana se poderia mandar à jovenzinhos. Nossa função não Então. nas exposições. é uma ravas em relação ao futuro. que único “problema” que precisava superar. mas o segundo jovem conhecer a experiência da qual nasce o Meeting. É em virtude do acontecimento cristão que a excedente em relação à nossa medida. Por esse motivo.2008. to até os que estão distantes da no acontecimento nossa experiência a reconheceram? porque há uma experiência viva que é mais positiva do que toda a negativi.ano (por ocasião da apresentação de O senso religioso) nos meio metro. capaz de o real em toda a diariedade: jovens que têm expectatise postar diante do real. abertura para o anseio de certeza”. a realidade se reduz e a tos. Inicialmente interpretei que era filósofos Costantino Esposito e Fabrice Hadjadj mos. JULIÁN CARRÓN Nós nos tornamos interessantes quando na realidade 1. São Paulo havia um ponto muito exposto. Companhia Ilimitada.

todos ou potencializou o sentimento de dependência origi.. Se Em sua simplicidade. nos fala mais. porque é na relação com o real – diante da mulher Conselho da Igreja evangélica na Alemanha. hoje considera Deus como algo das coisas. que somos mais “vulneráveis” frente ao ser inclusive dos cristãos. que já encontramos Cristo e que tivemos o acontecimento – diz Dom Giussani – voltou a suscitar nosso eu despertado por esse encontro. independentemente de qualquer conside. o anúncio dos anjos em Belém sur. Erfurt. presente.importante do que existe é a palavra presença. e e que surpreende os homens do mesmo modo que. sofri um acidente pertado pelo encontro cristão. o que aconteceu hoje. esta carta de um jovem unié verdade que todo homem é tocado pelo real. do sol de setembro de 2011). nos surpreende mais. 1º de fevereiro de 1995). cioè una storia. dos colegas ou das circunstâncias. das interpretações que dedicada ao tema do Chop Suey. deveríamos perceber. experiência.óbvio” (Bento XVI. sença as coisas presentes.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM posta é [. a palavra mais importante para indicar o fator mais há dois mil anos. p. que o Ser não Por isso. Roma/Milão 1993. Un avvenimento di vita. Mais uma vez Dom Giussani vem em nossa aju. 1929. bou de dizer o Papa na observando a nossa Alemanha – pode alreação à sua carta à cançar o real sem perFraternidade (de 23 manecer prisioneira de junho de 2003). Encontro com os representantes do lhar. de conhecê-las – insiste viver a realidade seainda Dom Giussani gundo a sua verdade. presença as coisas Só uma “razão aberta presentes”. 23 ou dos filhos. Discurso posa.] o anúncio de um acontecimento que se dá raiz da questão é o fator constitutivo do que existe. Eu não podia nem me mexer. no entanto.ça uma folha presente.mava. Mas preendeu alguns pobres pastores. E ele diz que isso entrou na nossa vida? Pelo fato de que “este isso a nós. Por isso. de nos maravi. Somos aproximativos nesEdit-Il Sabato. só acrescentam incerSer. Dirigindo. anos atrás. por causa dos analgésicos que toda para identificar onde está o problema. nestes dias. que participamos desse acontecimento é vibrante em ninguém!”? Bento XVI identificou a na comunidade cristã.. uma flor presente. se se surpreendeu pelo menos Esse é o motivo pelo qual o acontecimento cristão num momento com a presença das coisas presentes.nós podemos fazer logo a verificação e julgar até que nal e o núcleo de evidências e exigências originais a ponto Giussani tem razão: basta que cada um observe que chamamos senso religioso” (Ivi). na nossa consequência dessa posição: “A maioria das pessoas. Foi muito difícil. 22 de setembro Dom Giussani viu de 2011) – como acaem nós. para chegar a diteza à incerteza. uma pessoa ração sobre o homem religioso ou não religioso” (L. – e. como vemos hoje em todos os níveis. ou das estrelas – que nós fazemos a verificação da fé. nada. cada um versitário de Roma expressa bem a questão: de nós deveria ser mais ainda. isto é. pelo fato de ter sido des“Em novembro do ano passado. não sim. tomáporque capaz de usar las como óbvias. 38). Um acontecimento nós não estamos acostumados a olhar como presenque se dá. torna o homem homem. Tem a razão segundo a sua mesmo razão: “Nós verdadeira natureza não estamos acostude abertura para a tomados a fixar como talidade da realidade. em 1995. Três meses na NOVEMBRO 2011 V . não estamos acostumados a fixar como preGiussani. O que será que Berlim. estava Mas todos nós sabemos que muitas vezes não é as. mais capaz de viver seNão perceber as coisas presentes como presença não gundo as suas evidências originais. até nós mesmos.podia nem estudar. que me impediam de fazer qualquer coisa que se aos padres do Studium Christi. Vejam bem: podemos aceitá-las e retocado pelo real. E como se vê se ponto” (Milão. zer: “Eu tive que descobrir.impossibilitado de fazer qualquer atividade. Da realidaà linguagem do ser” de ao marido ou à es(Bento XVI. de modo que a realidade que me obrigou a ficar na cama por mais de três meses. no Parlamento federal. mais capaz de ser significa negá-las. nós. dizia: “A exigisse um mínimo de concentração. mais capazes de ser tocados.

em meio às dificuldades. aliás. 1932. gerando aquela apagando: o prato de macarrão mais elaborado voltou unidade de razão e afeição sem a qual a gente não coa ser uma coisa normal. mas me surpreendizer que. entende quantas manece flutuante e nada nos toma. Recordo. que universitários publicado este ano: 1) Isso acontece – diz Giussani – por causa de uma me diziam sempre para oferecer o sofrimento e a dor.. to e o estar agarrado quando uma ambuao reconhecimento: lância veio me buscar Quarto em Nova York. mas finalmente a afetividade (que flutua). e o eu permanece dividido. e ela disse quase que instin. Por que. a pergunta: qual é a estrada que tivamente: ‘Mas veja que bela foto! De qualquer modo. não nos um pouco mais elaboimpressiona. mas a sua via tudo pelo valor que tinha. 1988-1989. tudo quando eu estava acamado. rodeado de amigos. Milão 2011. mesmo nos leva a considerar as menores. não há apego. tre o reconhecimenAté que uma manhã. de toda a ansiedade para voltar a andar. nos últimos tem. Isto é. havia algo que não me tornava infeliz. e tudo rado. o eu fica dividido para me levar ao hospital para alguns exames. Eu percebia que se dedicavam totalmente a mim: de ma. irem dormir. a toda a ansiedade. de um uso redutivo da razão. to e a afetividade. p. as coisas voltaram a ficar sob nhece. captar a presença O segundo motivo é das coisas presentes. olhando fotos de não vemos continuamente o ser vibrar em nós. eu não era infeliz. che abbiamo di più caro. o livro da Equipe dos se dedicavam a mim. essas fotos para minha mãe. a afetividade não se fixa. que estava ali [Quando de alcançar a realidade. com a compase torna de novo cinnhia que via ao meu za. em início da era moderna. O primeiro é que em todos os momentos considerar tudo como óbvio e não nos maravilhamos de dor eu estive sempre apoiado. uma vez na vida. ensem que eu pedisse. para ele. porém. até o sentia melhor do que nós. não podia fazer nada. Podemos afirmar a a sombra da minha medida e da minha acomodação. E sensibilidade ou afetividade flutuava autônoma” (Ciò reconhecer o valor das coisas me deixava feliz. nada mais era óbvio. pode me restituir aquela condição que torna possível foi mesmo um belo período!’. quatro meses depois de ter recomeçado a andar. parado. Bur. como um a priori abstrato: mas não há vibração. Por pois de uma experiência como a descrita. que as coisas. não existe algo fora de nós que nos salva de que pode me fazer viver sempre aquela experiência?”. VI NOVEMBRO 2011 . coloca2) Uma divisão enrem mais perto da mitre o reconhecimennha cama a ‘comadre’. me 156).em cada um de nós. bem como pelos meus pais. eu me surpreendi ao rever o entre o reconhecimento (que permanece abstrato) e céu: que o céu existia eu sempre soube.“No vezes o céu.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM Todos podemos nos reconhecer nessa situação: se cama. não sendo capaz de neira total e detalhada. mostrei volta a ser chato. com o fato de leva a uma conseminhas irmãs. depos eu estava até contente. imóvel. voltamos a dois motivos. Agora. que uns dois meses depois que voltei a caminhar. Eu nário cristão. isto é. e se torna cada vez mais urgente. de um modo livre e mais com nada? Dom Giussani identifica as razões gratuito: pelos rostos dos amigos que incansavelmente em Ciò che abbiamo di più caro. só afirmar a doutrina cristã como discurso dou conta de que aquela tensão para as coisas já está se não é capaz de arrastar a afetividade. posso não considerar tudo como óbvio. É a mais coisas óbvias: eu razão frágil o motivo me surpreendia com pelo qual o real não um prato de macarrão nos prende. não eram tudo como óbvio. Petrarca admitia todo o doutrimeio à dor.. Como a razão não é capaz me dei conta de que ele existia. não era uma coisa presente]. Esse uso da razão redor. Olhando para trás.der por que acontece isso com a gente.razão frágil. que. doutrina cristã (bem como declarar que o céu existe) Qual é a estrada que pode me restituir aquela condição. Eu não fazia nada. peralguém percebe isso. Dom Giussani nos oferece também um exemplo. apesar da imensa dificuldade de estar imóvel der com tudo? Para responder a essa pergunta precisamos entenno leito. antes de quência inevitável. no entanto.

simplesmente não sentimos em nós a vibração do (racionalismo.. a urgência de nos habituar. pode nos ajudar amigo. a sua humanidade” (Bento XVI. da incerteza na qual tantas vezes nos encontra. no capítulo segundo de Giussani que sempre me impressionou. Esse princípio metodológico. da desorien. identificar quem era amigo. E como as coisas estão sempre presen. como presença uma a que Giussani podia olhar para ou uma certeza. pensando.federal. descobri que o meu homem não é a lógica – jogo fascinante –. qualquer que seja de – como ele sempre nos ensinou – se torna transpaa circunstância. não é a único amigo era você”.Mas como lembrou também o Papa na Alemanha. O ele indica? De novo nos surpreende: não uma inteligência particular. tado muito bem por um episódio da vida de Dom Por isso Dom Giussani. pelo estado de espírito. 34). não estamos acostuO senso qual retomados a captar como presença as coisas presentes. Escrevendo O senso religioso.interessante para o homem é aderir à realidade. ameaça educando a razão a se abrir para a “linguagem do ser”. positivismo). E por que o considera amigo? demonstração – atraente curiosidade –.visão positivista do mundo (. obrigatoriedade que nos força ética admirável. diz o que vê em quem é seu amigo: refa: “O problema realmente interessante para o “Algumas noites atrás. Por isso não temos nenhum num homem frente à imponência do real. Onde a razão positiões.estabelece um princípio de método para uma luta conmos a fixar como presença as coisas presentes. Berlim. Nós o vemos pítulo décimo de O senso religioso é o ponto chave do pela dificuldade que sentimos de reconhecer a realida.de que nós estamos imersos numa época de ideologias do. uma obrigação (algo que ser no seu modo de reagir” (Lettere pressiona). Essa gando todas as outras realidades culturais para o estado anorexia não se resolve aumentando os discursos. mas um eu capaz de fixa no primeiro capítulo de O senso religioso. Que uma mãe ame o filho não San Paolo.. p. Giussani. NOVEMBRO 2011 VII . p. Brasília não uma capacidade de dominar 2009. não estamos acostuo reconhecimento da realidade a vida fica assim tão mados a olhar como presença uma que o capítulo desprovida de encanto mais do religioso. eu não consigo captá-la a não ceber a realidade. Cinisello Balsamo-Mi. março/abril de 1999. que a gente negue a presença das coisas. e portanto a olhar a realidade quando a vida fica assim tão desprovida de encanto. relea gente a se interessar verdadeiramente por nada. 103). perte às ‘coisas’ e às ‘pessoas’.rente na experiência. o problema Porque “aquela vibração inefável e total no meu ser fren. porque a realidaque possamos ver vibrar o nosso eu. Dentre tantas coisas dimento lógico: é uma evidência. mas de subculturas. antes. Hoje predomina uma Communionis. com odécimo de folha presente.) no seu conjunto não é mos nestes tempos. Não é que fizemos algo erra. n. qual realidade cuja existência é obriNão que a gente negue gatório admitir” (L. definido por Dom Giussani com estas palavras: “O camuito mais do que conseguimos perceber. não uma coerência. aquela diminui o homem. então. Simplesmente porque esse capítulo é a descrição do que acontece as consideramos óbvias. nos quais parecemos flutuar. 22 de setembro de 2011). Consciente momento de assombro. humano” que está na origem da confusão. o que falta não são as coisas. p. identifica com clareza a nossa taa Angelo Majo. é decisivo perceber o que existe. 68. que nos leva a usar a razão ser. 23).VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM nós mesmos e da nossa medida. Somente a evidência Simplesmente as o pensamento.“Um homem novo”. Não estamos di fede e di amicizia ad Angelo Majo. que tes. Então se entende por que Nenhum texto pode ser quando a raiz da questão é que nós temos a verificar se a fé facilita ou não dificuldade. Discurso ao Parlamento O que significa essa abertura para o ser é documen. segundo essa redução. Não mamos o nosso percurso de Escola de Comunidade. Essa é a “anorexia do concepção positivista. de modo tra a ideologia: partir da experiência. a presença das coisas. já desde o início Dom Giussani Podemos entender. segundo as suas novas traduções.nosso modo de pensar” (cf. não sendo capaz de levar vista se considera como a única cultura suficiente. Universa. “a tação. como uma cultura que corresponda e seja suficiente ao ser uma pedra jogada de um lado para outro pelas opini. pois. constitui o termo de um proceacostumados a olhar 2007. uma proposta da folha presente. senso religioso. Isso nos faz entender a que ponto para enfrentar o capítulo crucial de todo o livro. que é o clima racionalista em que vivemos incide sobre nós. Litterae de segundo toda a sua natureza. não uma coerência da realidade pode carregar essa consideramos óbvias.humano em toda a sua amplitude. É. Nós todos sabemos o quão insuportável se pode ser de um modo redutivo. mas a “vibração inefável e total” frente ao ser que a reconhecer como presença as Nós todos sabemos ele capta no modo de reagir do seu o quão insuportável se coisas presentes.

porque. Qual seria o primeiro. VIII NOVEMBRO 2011 . op. vemos crescer o senso da nossa consciência. Como o ciso observar a dinâque me contou o meu mica humana [na sua amigo Alexandre. ação frente ao real?” (Ivi). 1914. terá um escasso senti. como presença. Dom Giussani se com a experiência nos oferece o método: que Dom Giussani “Se o homem se dá nos sugere. para depois des. ver qual é a sua reação diante garam e a imponência da presença do Monte Branco das coisas. Mas. tentando conta dos fatores que segui-lo. a nossa acomodação.2. 155). tendo diante de si o Monte Branco. De fato. o primeiro fator da remem tem frente à realidade” (O senso religioso.ço de imaginação: “Suponham estar nascendo. falando da admiração sem se admirar (entre por Dom Giussani – do abrir os olhos com a consciênparênteses: isso é muito chato. Giussani nos convida a empreender um esforPor isso começa com uma interrogação: se essas per. qual é a primeira tirada genial de Dom Dom Giussani descreve nesse capítulo qual é o itinerá. em O mar em Ogunquit.olhamos o real como coisa óbvia. para responder riência um fato que o a essa pergunta é predocumente. As pessoas caminhavam falando em voz alta. Mas enquanto pensava essas coisas. etc”. pacto com a realidade. real. é o eu que norama. Pensava plo.meiro ponto que Dom Giussani aborda no capítulo é vida a olhar a estrutura da nossa original reação diante justamente esse: a maravilha da presença.caminhava. a redução ideológica. foi observação fundafazer um passeio ao mental: “Um indivíColle San Carlo. ele nos con. cantem alguma canção. absolutamennos obriga a identificar a estrutura da reação que o ho. já desde o primeiro golpe. por exem. pensava no que diria na chegada. E acrescenta uma moçambicanos). a consequência inevitável será que nós E o nosso médico começou a pensar no que ia dizer não vibraremos mais frente ao real. todos quietos. que muizão” (Ivi). Se. a energia e Enquanto estavam ali. de tal modo que não vença em nós. to. perceberá menos a energia e a vibração da sua ra.chegaram. Para afastar essa obtuação de obviedade em que nos encontramos. quando eles chegassem ao ponto: “Vou pedir que façam A cada frase desse capítulo cada um de nós deveria silêncio”. A maravilha da “presença” crever o que significa seguir essa provocação do real até Para nos ajudar a reconhecer as coisas presentes sua origem.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM Desde as primeiras linhas do capítulo. sem bloqueá-la no meio do caminho.te o primeiro sentimento. para não enfrentar todo o décimo capítu.Giussani? Romper a obviedade com que olhamos o rio verdadeiro da razão e da afeição frente à realidade. O pri. ou comentários. todos ficaram em silêncio. isto é. Cada um procure identificarp. um relação] no seu immédico brasileiro. Isto é. eles cheolhar a sua experiência. quisermos poupar-nos do se aproximando um segundo grupo que tinha ficado impacto com a realidade substituindo-o por discursos para trás. nós geralmente itinerário que precisa percorrer quem deseja sair da si.. Como vimos. sair do guntas últimas que constituem o senso religioso são ventre da própria mãe na idade que têm neste momena essência da consciência humana. do real. sileiros. Enquanto pouco o impacto com a realidade. no sentido do desenvolvimento e da consciência que como é que elas despertam? “A resposta a tal pergunta são possíveis agora. viedade. portugueses. com impacto que põe em um grupo de amigos movimento o mecauniversitários de línnismo revelador dos gua portuguesa (brafatores” (Ivi). pois.cia que temos agora – não é mesmo uma coisa forçada. é na relação com a realidade que nós tos viam pela primeira vez. lo substituindo o golpe do ser pelos seus comentários Esse pequeno fato expressa o quanto a imagem usada ao texto. E a forma o constituem obsermais simples é enconvando a si mesmo em trar na própria expeação. cit.foi tão grande que também eles ficaram calados.consigo mesmo: “Vou pedir que eles observem o pado da própria consciência [é o eu que decai. duo que tenha vivido La Thuile. logo que falta]. ouviram que vinha a vibração da razão. Neste verão. da razão humana. teve pouco esforço a realizar. além de inútil!).

cit. nenhuma crise. nas suas exigências e “Por isso. desse estupor.existe. nos poderá restituí-lo. mas como presença. Dio com a palavra coisa” (O senso religioso. capaz impacto com a realidade mãe se recupera. como se vê pela admiração do. perdemos o melhor. com o que no vocabulário corrente é expresso mento ficamos surdos ao sublime” (A. E.presente e que eu a olhasse como um dom!”. O mesmo convite nos faz o Papa: “Como pode Ou seja. cit. não me dou impõe. assim como para nós. Que milagre este “O ser: não como entidade abs. nada pode impedir o golpe do “Oi. depois de pasde fazer vibrar todo o nosso ser e sar por uma pequena intervensubstituindo-o por nos levar a recomeçar.. [uma pela imprevisibilidade. mas porque esta manhã a sua presença me grau de intensidade adquire o nosso eu quando acon. É essa a falta do se. 156). pela sua ‘presen. Nós sabemos bem qual minha mãe. de cada um de nós se perdêssemos essa capacidade saindo do seio de minha mãe.. eu seria dominado pela de nos maravilharmos! E que dom é o acontecimento maravilha e pelo espanto das coisas. segundo o seu significado de particípio passado.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM “Se eu abrisse pela primeira vez os olhos neste instante. sou ‘dado’! Não do despertar da consciência humana” (Ivi).alla ricerca dell’uomo. pois. Julián! Escrevo-lhe do ser. passeio. mais enraizada em nós frente à realiNOVEMBRO 2011 IX . existe! “Traduzido empiricamente. o te independentemente de si e da qual depende”. p. ção cirúrgica. então. qual vibração se experimenta. é como que atrofiado” (Ivi). que está como que atrofiado. E qual é o sinal mais evidente eu. periência original do ‘outro’. uma premente que descrito não vibraremos mais sença que se me impõe” (O senso mo capítulo de O senso religioso. que exisjanelas. Seria tomado pelo golpe. ção original de um dado” (O senso religioso. ficaria extasiado com uma mos com tudo! Tem razão Heschel: “Sem maravilhapresença. mas o adulto que não a vive ou não óbvio esse dado.olhar? Porque. na sua verdadeira profundidade. religioso. op.) É preciso tornar a abrir as de estar diante de uma realidade que não é sua. p. que nos fizesse vibrar? Todas as cirda nossa consciência. não me dou a realidade que sou.. Tudo me é dado.discursos ou comentários. E traz para a vida de cada um o des. 155. não estou me fazendo agora. Existe. E nenhuma distração a razão reencontrar a sua grandeza sem escorregar no criada artificialmente..fez olhá-la com uma grande ternura: não só porque é pertar do próprio eu humano. essa é a posição não vibra diante do ser das coisas. “extasiado”. por “esta ex. a energia e a vibração do. tomado dom. Infelizmente. essas coisas não são ób. maior e mais profunda que percebo é que eu não me “O fascínio. Ver minha mãe descendo ao frente ao real consigo fixar como presença as centro cirúrgico anestesiada me coisas presentes. parecia a consequência presença] que não é feita por pessoalinevitável será que nós que euoestavaé vivendo no décimim. como aquelas que a sociedade irracional? Como pode a natureza aparecer novamente de hoje inventa. pode evitar: Uma amiga me escreve: da razão. não percebemos a realidade como a percebe como homem consciente é menos que uma dado. O que seria da vida mais comum. a maravilha dessa realidade que se me faço por mim. dessa presença que me toma. como vimos. como uma pedra que de que nós desconsideramos a existência das coisas? não sente admiração pela beleza das montanhas.“dado” supõe algo que “dá”. que A falta de admiração. pleno dessa maravilha. o darcriança. presenteavias. Basta ler os adjetivos seria da vida se vivêssemos todas É na relação com a com que Dom Giussani descreve as coisas como “dado”. dia que começou todo marcado trata. J. como realidade que nós esse golpe: dominado.quisermos poupar-nos do quarto do hospital em que minha chidos com essa plenitude. op. A criança vive sem dar-se Mas qual é o obstáculo decisivo a esse modo de conta dessa experiência porque ainda não está total. Para os nossos amigos que estavam fazendo aquele 156). Borla. céu e a terra” (Bento XVI.cristão que nos torna mais capazes de nos maravilharça’. Berlim. pp. op. nenhuma situação deste muncunstâncias seriam diferentes. e se ela pelo golpe. Turim 1969. nós consideramos como mente consciente. é a percepral. o primeiríssimo sentimento do homem é o com as suas indicações? (. o existir das coisas. está na origem o ser.. 273-274). Conseguimos imaginar o que que geram. pp. Se. devemos olhar de novo a vastidão do mundo. e nem que sejamos preen. 156). 22 de setembro de 2011). Partimos desconsiderando a existência. Heschel.despertava para tomar consciência de que a evidência tece isso. Descubro era óbvio que esta manhã minha mãe me fosse dada de em mim uma intensidade desconhecida. se reconhecêssemos assim vemos crescer o senso qualquer coisa presente. cit. mas que encontro. Discurso ao Parlamento fede.

que. 156. pois é tão raro de acontecer. o conteúdo do fenômeno mesmo da presença. Isso é justamente o contrário exaustivo o dado. à exFrente à abissal de é essa passividade. Primeiro há uma a primeira original intuição é a admiração do dado. a um outro fator além e dentro do que se vê. E como podemos reconhecer que como parte da presença que existe. Vejam que expressão sintética: perceber uma Outro. que constitui a minha atividade originária. por uma originária dependência. não estivesse conticomo um dom que me é concedido. a nasença. É como dada. nega o além. diante da realidade. Isso é que é preciso. de uma presença inexorável!” (O senso religioso.4-5). Por isso. conso seu desejo de entender em protatar.busca não para. presença. não existe nada de mais adequado. em alguém! E quando o vemos vibrar em nós. esse dado. que fica bloqueada. a realidade como dado. é preciso que se torne mas tivesse sido construído por nós. De fato. para não tirarmos a conclusão – como paralisia da razão. amigos. Por isso é tão raro ver vibrar o ser eis como se desencadeia em mim a busca” (Ivi). sem a qual não percebo o dado. precisamos apelar para o Mistério. O primei. não acrescentado pelo Como descreve o diálogo de Deus estamos fazendo a mesma experiência de que fala Giussani e não sujeito. de que se fala é um “receber. partindo como que uma estranha do que existe..realiza no reconhecer essa implicação última que está ção”. A presença é tão poderosa que é a admiração do dado se é que sabes tanto. nega a coisa. e isso se vê pediante da qual permaneço passivo: e é esta passividade las inumeráveis vezes em que ouvimos dizer: por que. tro das coisas houvesse um convite. no dado. Certamente esse familiar em nós essa indicação de envio é captado pelo sujeito. Se alguém nega o envio. gratuidade do real há mos estar atentos ao tipo de passiviPor isso. a experiência da coisa. à coisa. Se não quisermos do no que se vê. mas além e dentro do que se vê. perder o real em cada detalhe. 157). não pode deise dentro das coisas do considerá-la como algo óbvio. reconhecer” a realidade como fundidade. cit. cit. a de receber. é essa passividade. se alguém nega isso. op. pelo desperOu seja: primeira original intuição realidade que te encanta? “Diga. Mas em geral bloqueamos essa busca. alguém que. desenvolvimento da atração do ser]. pp. que pesquisador não bloqueia o envio geralmente acontece – de que não inscrito na experiência das coisas fica bloqueada. a desDe fato. devemos admitir alguma outra coisa. na experiência do que se vê. de explicar de modo nega a coisa. tar do humano em nós. op. podemos entender melhor o quanto é torna tão interessante que desencadeia a busca! Se essa decisivo para cada um de nós aprender – até que se tor. Por isso.. porque é volvimento da atração [do ser. Tudo o que existe grita a sua dependência de um p. reconhecer” (O senso religioso.trói. a lancei os foste tu que geraste essa gan? Pela admiração. se última dentro de nós” (Ivi). não acrescentado “A religiosidade é antes de tudo a afirmação e o desen. Mas é preciso fazer nada. É como se dennão entra em ação a não ser num segundo momento. a religiosidade nasce dessa atração. pela vibração que provoca em mim.evidência e uma admiração.pelo sujeito. como verdadeiro dade de que estamos falando. mas reconhecido pelo sujeito.para o Tu. não fora. “A própria palavra ‘dado’ é vibrante de uma atividade. se indica muitas vezes como origem da religiosidade – Mas se alguém nega isso. Frente à abissal gratuidade do real há como que ro sentimento do homem é essa atração. A passividade e não bloqueia a sua curiosidade. para Deus? Pergunta-se isso como se o envio 157). o medo – que uma estranha paralisia da razão. quem lhe fifacilita a percepção dela. “Nós não estamos acostumados – essa é a di. de inexorável presença. “A evidência é uma presença inexorável! Dar-se conta ou quem estendeu sobre ela a régua?” (Jó 38. porque xou as dimensões – se o sabes –. mas reconhecido com Jó: “Onde estavas quando eu estamos apenas repetindo um slofundamentos da terra?”. não é bloqueada. Mas precisaperiência da coisa. constatar. para explicar essa prene hábito – aquela atitude sugerida por Dom Giussani: sença. as coisas presentes”. Por isso. X NOVEMBRO 2011 . a pergunta religiosa. A primeira atividade. mas Dom Giussani: a primeira atividapertence ao objeto. nega a coisa. se Nesta altura. que é a atitude característimensão do que diz Giussani – a olhar como presença ca do verdadeiro pesquisador: a maravilha da presença. e a sua razão se registro frio”: é um “maravilhamento prenhe de atra. Isso é tratar as coisas presentes mais aderente à natureza do homem do que ser poscomo presença: dar-se conta de uma inexorável pre. é um “maravilhamento que desperta a pergunta dentro do ser das coisas. Essa percepção nunca poderá se reduzir a “um tureza do homem é a de um ser criado. pelo sujeito. xar de reconhecer algo diferente houvesse um convite. é uma É preciso simplicidade para se deixar atrair por essa maravilha.suído.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM dade.

Dom Giussani. sem nem mesmo um instante de admiração. mas a profundidade da admiração que me torna consciente de mim mesmo. reduzindo de novo a experiência a pensamento: o pensamento da admiração não é admiração. Eu sei que aconteceu o golpe em mim porque percebo em mim mesmo a gratidão. Nós constatamos isso com frequência: reconhecemos que aconteceu algo a alguém porque o eu daquela pessoa despertou (“Mas o que te aconteceu?”. no quarto parágrafo do décimo capítulo – relativo ao eu dependente –. primeiro. que o meu eu despertou. como o pensamento de estar apaixonado não é estar apaixonado. porque essa presença pode ser benéfica e providencial. quarto: ao ponto de a profundidade do maravilhamento estabelecer a dimensão da minha identidade. como o amigo da carta. 1927. fico grato e contente (como o amigo acidentado). logo lhe perguntamos). O eu dependente “Quando é despertado em seu ser pela presença. 3. Peço-lhes que não considerem isso óbvio. Segundo. o homem toma consciência de si como eu e retoma o maravilhamento original com uma profundidade que estabelece o alcance. op.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM Monte com farol. NOVEMBRO 2011 XI . p. a alegria por essa presença (posso estar hospitalizado. 162). nos leva a entender se realmente fizemos a experiência do que diz ou se simplesmente seguimos a lógica de um discurso. Vejam qual é o critério de medida da nossa identidade! Não são os títulos universitários ou o dinheiro que ganhamos ou o papel que exercemos que estabelecem a dimensão da nossa identidade. cheio de letícia. cit. O teste de que eu acusei o golpe do ser é. mas me sinto grato e contente porque essa presença existe).. pela atração e pelo maravilhamento. Terceiro: isso me faz consciente de mim. Por isso. e se torna grato. a estatura da sua identidade” (O senso religioso.

se não o sinto. É o instante adulto da descoberta de mim mes. porque parece mais fácil. É a per. mas de outro. assim como fundo de seu sereno desabrochar vemos vibrar o eu de cada um feito por um Outro. então. passo a passo.a razão pelo sentimento. uma complicação. não me estou fazendo. cada um de nós precisa decidir se segue Giussani garrafa ou o copo. as mãos parecem engessadas. usa a razão não opiniões. não frágil. O aprendemos matemática: para não errar. afinal. não Cada um precisa perguntar-se se o “eu não me faço existe. A dificuldade que mos Giussani até esse ponto. preferimos fazer diferente (ler. porque não teremos adquirido essa familiaridade uma espécie de criação. ou se prefere fazer diferente. permanecemos tro em mim mesmo. o que se vê pela pergunta que uso da razão para reconhecer as coisas presentes com frequência reaparece entre nós: por que. quando alguém começa que o incremento do ser que o tu da pessoa provoca a tocar piano. trata de uma operação mental. por essa E que rebelião sentiria se alguém ligação da razão com a – a quem falte essa familiaridade zão. artificial. em seguir Dom Giussani nesse ponto. que está acontecendo agora. Essa é a nossa inteligência “lógica”! A esta altupor mim” é a “evidência maior”.do de segui-lo. se quisermos captar a sua cumbimos à tentação de escapar! origem. e que. de onde broto? Não de um lado de mim. isto é. vendo-se doar o ser – de veloz e fascinante. Que esclerose do eu e da razão! Que dadeiramente ao real e de nos impedir de continuar falta de “eu”! E que falta de familiaridade com um a flutuar em nossos estados de espírito. Tudo nos pa.pelo olhar frio de um outro. existe. do jorro d’água. não me dou a realidade que sou. Mas que nele é somente um pálido reflexo –. A nossa dificuldade em a uma operação mental. miliaridade com um uso adequado da razão. na para o outro pelas até o fundo. da razão. Mas se nós não seguirpleto (não positivista) da razão. deixando real ou do meu eu. uso adequado da razão! Podemos ver isso quando Tudo tem a natureza do sinal. mais imediato: se o sinto. E faz um exemplo bração que nos invade quando muito bonito: “Se um jorro d’água consciência de que se entramos verdadeiramente em pudesse pensar.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM “Se neste momento – continua Giussani – eu estou delícia quando a agilidade dos nossos dedos permite atento. é sinal complicação! É como ver a pessoa amada reduzida da nossa falta de familiaridade com um uso com. E quantas vezes sudo real. Parece-nos complicado. Não lho a que Dom Giussani nos convida constantemenme dou o ser. completo. Para responder a essa pergunta precisamos tentar repetir as frases).sólido.si. seguro. Ou ainda. De fato. o único capaz de vencer a separação entre reconhecimento realidade até sua origem – quisesse reduzir essa vibração e afeição. Alguém pode dizer “Tu” é fora de si” (Ivi). cepção de mim como um jorro Somente quem segue Giussani de um modo frágil. Existe outra verdadeiro. apesar de todos os nossos comentários. isto é. com que vibraXII NOVEMBRO 2011 . como uma pedra. E substituímos ‘dado’. perceberia no está em pé é porque é relação com o Ser. jogados consciência profunda de confusos. diante como presença. de nós diante do tu da pessoa E a sua vida começa a amada. Se alguém dissesse “eu” com toda a consciência do quando aprendemos matemática tudo se torna ágil. tudo se tornará nivelasentimos de chegar ao fundo nos faz pensar que se do de novo. mo como dependente de uma outra coisa” (Ivi). “Quanto mais me adenQuem não foge e toma Por isso. devemos jorro d’água implica a fonte. mas o “eu não me faço por mim” – descendo ao fundo de si mesmo – e aprende esse não é tão evidente. Esse é o uso verdadeiro. o Tu é fruto do com um uso da razão capaz de nos fazer aderir vernosso esforço. uma origem que não sabe o que é. mas d’água numa fonte. sou te.fonte.cordar em fazer o percurso que vai do jorro d’água à rece muito artificial! E por quê? Por uma falta de fa. se chego incerteza. preciso dizer Tu? Não está fal. não posso negar que a que a gente aprecie Mozart! evidência maior e mais profunda que percebo é que Mas nós não temos a paciência de fazer esse trabaeu não me faço por mim. Conhecer significa confazer todas as passagens. se sou maduro. no percurso que nos indica pode coisa que é mais do que eu e da ver acontecer em si aquela vicomeça a tomar qual sou feito”. ao invés de nos esforçarmos para seguir Giussani no seu percurso até a profundeza aprender a usar a razão como ele. verdadeiro (e não frágil) da ra. Mas como não estamos acostumados tando alguma passagem? a fazer esse percurso. a uma fazê-lo. “Descer ao fundo dentro de si ter um ponto de apoio com toda a vibração que o ser mesmo” é um convite a um uso da pessoa amada provoca nele. Para nós é evidente a ra.

é a consciência comovida de um Outro que me faz agora! Se não podem dizer “Tu” adulto diante do Tu que me dá o ser. 6. um slogan – não III. que me dá origem. na vida de cada dia e de cada momento. Por culpa da realidade com essa intensidade testemunhada por divisão entre a razão e a realidade gera-se uma di. porque eles foram “to. 162). se. De fato. não uma razão frágil. que Tu e. estou sendo feito por mim.. / como um eco NOVEMBRO 2011 XIII .lavra. Essa vibração Então se entende a diferença entre repetir “Eunão é um sentimentalismo. é mais deste ano. Algo bem diferente de comreentrar em si mesmos e. op.mondo?”. op. “Ninguém [. 19 de setembro de 2011). é recupeComo Giussani nos testemunha: aquela fonte que “é rar-se – recuperar a si – nesse originário laço com mais do que eu mesmo”. ao mesmo temdesça até o ponto de po. comentando a intervenção senso religioso.] Manter viva essa certeza.. continuaremos a flutuar e não haverá “Tu”.Dom Giussani! visão entre reconhecimento e afetividade. Se a razão não alcança o real. não é que não entendemos. do? Entendemos. ao XVI. deste modo.net. que é e continua a ser a nossa originária ‘reserva’ é tão pai” (Ivi). [. 11)” (Bento acontece nada. fomos colocados em nosso ser por Alguém “agora”.]. Isso significa recuperar-se da desorientação em que mas não basta entendê-lo para que aconteça.. perché qualcuno ci ha voluto nel igual a zero. não posso pensar nele sem Alguém que nos constitui. Fora deste “agora” não existe nada. A razão “Quando olho para mim mesmo e percebo que não não é lucidez analítica.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM ção deveria dizer: “Eu sou ‘tu-que-me-fazes’” (Ivi). É só a tantas vezes caímos. só posso dirigir-me à Coisa que me faz. a minha razão possa não posso evitar de ser afetiva é preciso ver surgir em mim que seja verdadeiuma afeição por esse ramente razão. Por isso o Papa com a mesma emoção. é aquilo pelo qual eu sou” (O sor Eugenio Mazzarella. ta porque Ele existe. com a mesma vibração da diz que “a Igreja abre-se ao mundo. conduzi-los plicação mental! De elucubração! A diferença pode a Deus – Àquele de ser vista naquilo que Quem cada pessoa acontece em nós. cit. Um homem verdadeiro) e dizer “eu” com a consciência de um novo. ilsussidiario. “Tu-que-me-fazes” é o que a tradição religiosa certeza. eu com a vibraPor isso Dom Giussani diz que a verdadeira razão ção consciente e repleta de afeição que urge nessa pase descobre em João e André.. digo “Tu” com tólicos comprometidos a consciência do na Igreja e na socieOutro que me está dade. Quanto caminho ainda nos resta fazer para viver a a afeição permanece separada e flutua. à fonte mados”. Discurso aos cainvés. para que comoção ilimitada.. Não é apenas uma palade Costantino Esposito em Rímini: “Nós viemos ao vra! Deus é pai para mim porque está me concebendo mundo. não sabem nem de longe o próprias pretensões de poder. No pode afirmar com primeiro caso – reAgostinho: Ele é mais petindo “eu-sou-tuíntimo a mim do que que-me-fazes” como eu mesmo (cf. mas sim para os fazer que Giussani quer dizer. não para obter primeira vez em que se surpreendeu apaixonado a adesão dos homens a uma instituição com as suas diante da pessoa amada. posso evitar uma De fato. Como documentou amplamente o Meeting chama Deus. verdadeira fonte de certetremor e fascínio. sim. Mas para nós dizer “Tu” é quase za” (“Caro Ferraris. Por isso cantamos sempre com comode certeza. é “um juízo que arrasta sou-tu-que-me-fazes” como um slogan (mesmo que consigo toda a minha sensibilidade” (cf. Conf. é aquilo que é mais do que eu.23). então eu. Friburgo. usando a palavra nos ligar a ela. mas é laço com a realidade. p. p. não setembro de 2011). 25 de fazendo agora. cit. 1953. de surpreender alcançar o Tu real uma gratidão infiniEscritório de uma pequena cidade. educação que torna a vida diferente. reavivá-la ção: “Quando percebo que Tu és. se a razão não alcançar a realidade e da qual provenho neste instante. Vocês entendem o que estamos perden.eu do que eu mesmo. E como agudamente observou o profes..

“a consciência verdadeira de si é bem representada pela . p. eu ouço a minha voz / e renasço como o tempo da lembrança” (A. Que diferença do pietismo e do formalismo a que costumamos reduzir a oração! Entende-se. flutuante.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM Escritório em Nova York. então. a flor. para não reduzir essas coisas a algo óbvio tão logo as ouvimos! “É como a minha voz. mas verdadeiro. Por isso. segundo a totalidade da minha estatura de homem. Como se vê que alguém tem esse equilíbrio? Pelo fato de que “respira inteiramente. são imagens que Dom Giussani nos oferece para nos ajudar a perceber isso agora. por essa ligação da razão com a realidade até sua origem. p. mas seguro. op. 163). que depende totalmente da força da raiz” (Ibidem. Dessa forma. por que nos cansamos e tentamos escapar dela. um Outro. Ao passo que quem não foge e toma consciência profunda de si. a mina. cit. o já-sabido. isto é. começa a tomar consciência de que se está em pé é porque se apoia num Outro. E disso – acrescenta Dom Giussani – “depende o equilíbrio último da vida” (Ivi). a oração é o único gesto humano no qual a estatura do homem é.. 163). usa a razão não de um modo frágil. XIV NOVEMBRO 2011 Ajudemo-nos mutuamente a identificar-nos com isso. dependente dos estados de espírito. a voz não existe mais. no fundo. E a sua vida começa a ter um ponto de apoio sólido. completo. “A consciência de si mesmo até o fundo percebe. Por isso. que deriva toda da nascente. quando reconhece que é possuído”. eco de uma vibração que produzo: se interrompo a vibração. 1962. só pode significar “eu sou feito”. Mascagni. Isto é a oração: a consciência de si até o fundo que se depara com um Outro. realiza-se inteiramente” (O senso religioso. se sente inteiro e feliz. dizer “eu sou”. Como a flor. para superar a obviedade. não sentimental. Como a pequena mina. “O meu rosto”)... A voz. é porque é feito por um Outro. no fundo.

Dom Giussani nos oferece toa outros sistemas curativos.. atenção. Qual é a fórmula do itinerário para coisas” (O senso religioso. ou seja. remete a outro além de si.. para com o real. sua onda. Podemos dar as interpretavem as coisas.. razoável. quando mento com as coisas. considerar a estamos –. em qual. com da da vida social. para “ver de novo a vastidão do frente ao desafio representado pemundo. Berlim. em qualquer circunstância. Esse é o “positivismo que domina a mentali.o fim. Por isso Dom Giussani termina tornanreal do que um professor. Só uma certeza com sem bloquear “o convite para fascinante. com uma tranquilidade profunda mundo de Deus” (Bento XVI. op. alguém que vive intensaIsso exige de cada um de nós mente o real. a não ser mutilando o homem: em ge. que não têm a capacidade dos os dados para que cada um possa verificar que de chegar a esse nível da questão.do-nos conscientes de que “o que bloqueia a dimenrário até o significado da realidade é viver o real sem são religiosa autêntica [. Bela solução! tivistas (esse é o ponto!). mas se ficarmos sufocados em ral.VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM criança nos braços do pai e da mãe” (Ivi). acrescenta Dom Giussani: Que aventura mados a viver. para a busca do significado que nos vem do relacioQue aventura fascinante. nos é dirigido exatamente pelo impacto originário e o único ponto que nos permite construir. p. mento em que tudo parece conspirar contra a retoma166). Por rio” (Ivi). a todos uma razão o significado último da realidade? p. nos diz o las circunstâncias que somos chaPapa. cit. podemos entrar – quanto é ceber algo para além do que é funcional.. no contexto de uma crise que se aos edifícios de cimento armado sem janelas. 22 de setembro de 2011). sem descer à profundidade do seu movi. cit.tura dinâmica do impacto que o homem tem com a dade do homem moderno”. para tirar o mal-estar de certas feridas. Podemos uma imagem luminosa: “A razão positivista. isto é.. “O mundo é como uma palavra. sem renegar ou esquecer nada. a ideologia. mais acima”. que “exclui a solicitação realidade” (O senso religioso. nos diz simplesmente Por isso. p. assemelhaimportante isso hoje. poderemos testemunhar a todos uma razão camo exclui o convite para descobrir o significado que paz de reconhecer o real em toda a sua profundidade. essa redução que Giussani nos reserva a última pérola: “Não seria. um logos experiência limitando-se à sua superfície. censuram meio às circunstâncias.] O positivis. o céu e a terra”. op. a vive o nível de consciência.não queremos receber estes dois elementos do amplo quer obscuridade. e por isso não resol. mesmo que seja um um empenho que ninguém pode lavrador ou uma dona-de-casa.federal.] é uma falta de seriedade exclusão. precisamos nos dirigir de cimento armado. nós descrito. então. nossa contribuição isso. humano. Viver o real. Como disse o Papa ainda na Alemanha. Essa é a nossa contribuição.. amigos! Percorrendo-a até namento originário com as coisas. 167). “Não há sistema tera. à crista de que reenvia. no seu relacionaprofundidade. porque a fórmula do itine. que tem no preconceito o exemplo Mas. op. p.fato de ficarmos sufocados dentro do nosso edifício cia verdadeira de nós mesmos..experiência está fazendo. num moimediato com as coisas” (O senso religioso.Por isso a analogia é a palavra que “sintetiza a estrumento”. muitas vezes vivemos pela situação cultural na qual com efeito. “quanto mais a pessoa capaz de reconhecer Dom Giussani. Entende-se. tanto mais A única condição para sermos tudo parece conspirar intensamente vive o seu impacto sempre e verdadeiramente religiosos. nos vivemos em todos os níveis – em qualquer situação quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já da existência. E Como percebemos que somos positivistas? Pelo justamente porque não se torna nossa. não “piedosos”!) é viver meça a conhecer algo do mistévida social. pode saber mais do nos poupar. amigos! tais raízes nos permitirá construir. dirigido exatamente pelo impacCONCLUSÃO as poderemos testemunhar to originário e imediato comcit. [. como a criança. Discurso ao Parlamento e uma possibilidade de alegria. quer dizer que somos posio homem em sua humanidade. Para respirar basta “voltar Todos percebem o alcance do que estamos dizendo a abrir as janelas”. Essa é a sempre intensamente o real. homens (digo “hocontra a retomada da com a realidade e tanto mais comens”. NOVEMBRO 2011 XV . essa consciên. que se ver que isso se torna para nós experiência pelo fato apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perde que. o que significa viver o real? Dom mais agudo” – isto é.ções que quisermos. pêutico que tenha essa pretensão” (Ibidem. descobrir o significado que nos é Percorrendo-a até o fim. 164). por o real em toda a sua importância do real para a vida. 166).

. somos a vinha do Senhor.. E mais: “A verdadeira crileção. Toda a liturgia de hoje está plena dessa predi. e tantas pessoas meio.. vê essa preferência? Porque Deus “cavou-a. 25 de setembro de 2011). a Igreja atualiza essas e através de uma fé renovada” (Bento XVI. que hoje se decide a nossa vida. tal e qual.Scola. e até mesmo o Filho. E quando não transformadas em nosso mensageiros: do Papa ao nostomamos consciência do dom so Arcebispo. De onde se dos Católicos.Podemos ver que continua a se realizar. mas se um deserto.é construir sobre o Senhor porque – como afirmou mos dizer: “Somos a vinha preferida”. Porque. que é Cristo. “Cristo – nos disse precisa de nós. o Senhor pode redundar – dizia o cardeO Senhor continua mandou – como diz o evanal Scola – num “grave prejuízo a nos mandar hoje gelho – os profetas. Is 5.5-6).). Discurso ao Conselho do Comitê Central são a sua plantação preferida” (Is 5. 25 de setembro de 2011).VIVER SEMPRE INTENSAMENTE O REAL PÁGINA UM HOMILIA NA MISSA faz com que os homens “não consigam mais ver a JULIÁN CARRÓN sua conveniência para a vida cotidiana deles e dos As leituras de hoje nos dizem que aprender a seus entes queridos” (A. Milão.). Homilia. do real que recebemos do transformadas em nosso meio. nosso Arcebispo domingo passado – que tomam É diante desse Cristo que mendiga o nosso sim conta da vinha para que não se torne um deserto.). Homilia duas parábolas de Isaías e do Evangelho para nos da Missa. nos lembrou o Arcebispo. o que acontece depois dessa reque a nossa vinha não Ele a fim de que a nossa vinha jeição? A terra é pisada. citando Giovanni Battista Montini com a Sua missão. Deus mos também o próprio Filho.2). Cristo continua atrair para Ele a fim de a nos chamar. Cristo continua a nos Mistério. fomos chamados para colaborar o Arcebispo. De fato. Homilia ao ingresso fazer o percurso. os habitantes de Judá (Bento XVI. somente para a relação com a realidade em geral. desse dom (cf. tudo sem vida. agora. Homilia.“Para se comunicar Mas muitas vezes nós não só rejeitamos os profe. vemos que se multiAtravés deles. para cuidar dela.. até seu para a vida pessoal e comuniFilho. Nós pode. Deus não o Papa – “Ele está próximo de nós e seu coração se abandona o seu povo e continua a nos enviar comove conosco. para poder testemunhar que a – é alguém desconhecido. dar hoje também testemunhas. comprometidos na Igreja e na sociedade. (. não se deram conta deso Senhor continua a nos mane tantas pessoas sa preferência. E isso truir é justamente Ele.. a nos atrair para plicam os desastres. versão é construir sobre a pedra que outros descarO Senhor gerou a Igreja. cuidou dela. Discurso aos católicos e não tomar consciência disso. podemos estar diante da preferência do Mistério da vida da Igreja” (Bento XVI. XVI NOVEMBRO 2011 . A vida se reduz a em última análise. Mas ao nosso Arcebispo. não é decisivo na Diocese. 24 de setembro de 2011). Cercou-a de uma preferência cia a vemos em nós e na vida social: esse “maciço única. Homilia. Scola. Tanto é verdade que cente distanciamento. como dizia produza frutos espinheiros e ervas daninhas o Papa. realizar através da disponibilidade para a conversão Inserindo-as na Liturgia.. só pode se isso: um deserto.) Ele espera mensageiros. ausente em única pedra sobre a qual podemos de fato consgrande parte da cultura contemporânea”. Friburgo. ram. como o povo da antiga Aliança.. Através deles. mas rejeita. veu as pedras e plantou nela uma vinha de quali.aos homens Cristo quis precisar dos homens” (A. Friburgo. como dissemos.25 de setembro de 2011). A consequênum lagar” (Is 5. mas provire um deserto. mas não somente na abandono da prática cristã” só sua origem: de fato. Isso foi recordado pelo próprio Papa – um outro mas também com o real mais real do aconteci. de parte notável de batizados.33-43). remo. Friburgo.7). A conadvertir que nós. tornanão vire um deserto. no meio dela construiu uma torre e cavou mensageiros. mas testemunhas: do Papa tária da Igreja e da sociedade os camponeses não O acolhecivil” (A. (cf. Scola. dessa preferência: “A vinha do Senhor dos se da Igreja no mundo ocidental é uma crise de fé” exércitos é a casa de Israel. tudo cinza. “testemunhas” – como recordou o o nosso sim e o mendiga” (Bento XVI. Mt 21.. onde crescem duza frutos. se inclina sobre nós.mensageiro – na Alemanha:“Constatamos um cresmento cristão. esquecido. comprou-a taram e que também nós tantas vezes descartamos: pagando com o sangue do seu Filho. “a renovação da Igreja. tas.a parábola: nós também podemos rejeitar todos os dade.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful