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DISCIPLINA AFRODESCENDENTE NO MARANHÃO

Adalberto Conceição da Silva (Zumbi Bahia)1 José Alípio Assis dos Santos Filho2 Resumo O presente artigo tem a pretensão de suscitar a informação sobre a criação da disciplina Práticas Corporais Afrodescendentes no curso de Licenciatura em Educação Física, outorgado por uma instituição acadêmica na cidade de São Luís do Maranhão visando, também, contribuir para a construção de novas reflexões, de modo a estimular a análise sobre a efetivação das leis de reparação na esfera curricular dos cursos de formação de professores. É essencial afirmar que educadores, educandos e todos os segmentos da comunidade escolar atualmente enfrentam incitações na busca de um novo paradigma para a educação que reconheça a inserção social de negros, índios, asiáticos, homossexuais, ciganos e pessoas com deficiências, de maneira participativa, democrática e compartilhada; que imponha o respeito às diversidades, por meio, de políticas públicas, com vistas à reparação concentrada para restabelecer às tendências históricas que conferiram a diversos grupos sociais, uma posição de desvantagem, particularmente, nas áreas da educação e do trabalho. E, dessa maneira, a escola de modo geral e, em particular, a instituição de ensino superior consiga se fazer multicultural, interretnica, antirracista e plural. Estamos em frente às significações que torna patente, atributos de ação referente ao indivíduo de ascendência africana para construir/reconstruir sua identidade, nas mais diferentes ambiências humanas rumo à formação efetiva da cidadania. E assim, a educação superior cumpra o seu papel e, atinja o ápice dos seus fundamentos básicos. Daí a necessidade de fomentar análises e/ou reflexões que revelem as iniciativas de uma instituição superior, voltadas para uma educação além das disciplinas, concernente às políticas educacionais das relações etnicorraciais, no enfrentamento ao conjunto dos temas que caracterizam a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, atualmente, retificada pela Lei nº. 11.645/08 e consubstanciada pela Lei nº. 12.288/10 (Lei do Estatuto da Igualdade Racial). Palavras-chave: Educação. Inclusão Social. Ações Afirmativas. Reparação educacional. Abstract This article purports to raise information about the creation of the discipline practices of African Descent in Body Degree in Physical Education, awarded by an academic institution in the city of São Luís do Maranhão in order to also contribute to the construction of new thinking, to stimulate the analysis of the effectiveness of laws in the sphere of repair curriculum of training courses for teachers. It is important to state that educators, students and all segments of the school community now face incentives in the search for a new paradigm for education that recognizes the social integration of blacks, Indians, Asians, homosexuals, gypsies and people with disabilities, in a participatory manner, democratic and shared, which requires respect for diversity, by means of public policies with a view to compensation concentrated to restore the historical trends that have given the various social groups, a disadvantage, particularly in the areas of education and work. And in this way, the school generally and in particular the institution of higher education can make multicultural interretnica, anti-racist and plural. We are in front of meanings that makes patent attributes of action for the person of African descent to build / rebuild their identity in different ambiences human towards the formation of effective citizenship. And so, higher education to fulfill its role and reach the pinnacle of their fundamentals. Hence the need to foster analysis and / or reflections that show the efforts of more than one institution, aimed at an education beyond the disciplines, the educational policies concerning relations etnicorraciais, in facing up to all themes that characterize the history and AfroBrazilian Culture and African, now rectified by Law no. 11.645/08 and substantiated by Law no. 12.288/10 (Law of the Statute of Racial Equality). Keywords: Education. Social Inclusion. Affirmative Action. Repair of education. ______________________
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Profº. Esp. Docência do Ensino Superior. Titular da Disciplina Práticas Corporais Afrodescendentes – Faculdade São Luís. E-mail: zumbibahia@yahoo.com.br 2 Profº. Me. Coordenador do Curso de Educação Física Licenciatura da Faculdade São Luís e Membro do Laboratório de Estudos e Lazer da UNESP - Rio Claro – São Paulo. E-mail: alipiofilho@facsaoluis.br

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geralmente considerada inferior e o segundo que significa separar. sem a ingenuidade e desconhecimento das realidades geográficas. no Brasil. consequentemente sem se submeterem a qualquer punição. corporificado em referenciais às vezes ultrapassados e fundamentados nas condutas conservadoras na forma de pensar a sociedade.o racismo e a discriminação. que muitas das vezes são movidos por posturas subjetivas e/ou objetivas. ela sofre um impacto até que seja assimilada por uns e submetida a refutações por outros passando. o que leva a agirem com desprezo a qualquer obrigatoriedade legislada. não é diferente. uma opinião formada sem reflexão . políticas. nas mais diversas formas de expressão. por exemplo. as questões socioafroculturais eram e são. Na esfera educacional. livre de obrigação. negando que o país seja um dos detentores de maior diversidade cultural e racial do mundo. outrora sugeridos. que induzem a disseminar concepções equivocadas sem considerar.1 INTRODUÇÃO A lei é “um conjunto de regra advindo da prescrição escrita outorgada por uma autoridade soberana de uma determinada sociedade e que impõe a todos os indivíduos a obrigação de submeter-se a ela sob pena de sanções”. na maioria das escolas exista uma ineficiência na ministração das leis que regem o ensino nacional. mas que deveriam ser problematizadas sob a estrutura de temas que seriam ensinados na abrangência de todas as disciplinas. 10. pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. entre as etnias. Como um exemplo mais específico se pode mencionar a Lei nº.693/03 que busca refletir a composição étnica da nação em respeito ao multiculturalismo a que está sujeita tentando minimizar o preconceito . Na mesma proporção. pressupõe-se que pela falta da fiscalização e monitoramento. a partir desse conhecimento propor a sua recriação e transposição educacional. principalmente. a partir daí. quando chega ao âmbito do conhecimento de toda a sociedade. Porém. especificamente. onde o primeiro significa um conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças. as suas pedagogias essenciais. a forte presença africana. 2 . se evidencia que esta não é levada muito a sério.que significa um conceito antecipado sem fundamentação. tecnológicas. dissimuladamente. no tocante aos temas transversais. Entende-se que é necessário produzir iniciativas na formação acadêmica. atingidas por uma inoperância em forma de silêncio. socioeconômicas. a delinear caminhos que podem levar a exposição de insatisfação dos oposicionistas. cultural. religiosas e etnicoculturais de cada região da África e do Brasil. e. Tal realidade é ressaltada no modo de proceder com os novos paradigmas educacionais em torno do que deveria ser ensinado e apreendido em cada etapa da vida estudantil. formar grupo à parte por alguma característica.. étnica. o que concorre para a isenção da aplicabilidade de temáticas tão significativas à formação dos cidadãos. étnicos e culturais afrodescendentes. geralmente. religiosa etc. possibilitando conhecer mais profundamente os aspectos educacionais. Fatos estes. porque ainda se trata a cultura brasileira como se fosse uniforme. focada nos afrodescendentes. Na verdade. históricas. também. buscando fomentar graduações e pesquisas de caráter histórico-identitário. principalmente. respeitando as diversidades. não misturar.

fica transparente. E. voltada para o ensino obrigatório do conjunto dos temas que caracterizam a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. para a formação docente baseada em princípios de equidade. que passado oito anos (2003/2011).394. de gênero e outros (SANTOS. 79-A e 79-B. incentivará as instituições de ensino superior pública e privada. é obrigatório o estudo da história geral da África e da história da população negra no Brasil. 11. com as escolas de educação infantil. 3 .2 INCLUSÃO AFRODESCENDENTE Uma das iniciativas de inclusão afro-educacional no Brasil. núcleos e centros de pesquisa.desenvolver programas de extensão universitária destinados a aproximar jovens negros de tecnologias avançadas. assegurado o princípio da proporcionalidade de gênero entre os beneficiários. ao que parece. por consequência da alteração da Lei nº. no Brasil. privados e comunitários. referente à Lei nº. ainda não foram efetivadas a rigor de sua ordem expressa. de compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização. com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas. 3 AÇÕES POSITIVAS DE REPARAÇÃO É notório que nas últimas décadas. muito se tem discutido a respeito da implantação de ações para proporcionar à população afro-brasileira. Mas. a referida Lei na maioria das unidades escolares. ensino fundamental. 35). a: I . nos últimos anos. que é estabelecido nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional. decorrentes de motivos raciais. 2003). 26-A.639 de 9 de janeiro de 2003. que prevê na Seção II . II . denominada “Ações Afirmativas” .medidas especiais e temporárias. nos diversos programas de pós-graduação que desenvolvam temáticas de interesse da população negra.11. III .10.resguardar os princípios da ética em pesquisa e apoiar grupos. sem prejuízo da legislação em vigor. com a sua execução plena no que determina os conteúdos dos artigos acima mencionados. foi apontada pelo Caderno de Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura AfroBrasileira e Africana (MEC. onde declara que “nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio. de 20 de dezembro de 1996”. espontânea ou compulsoriamente. que passou a vigorar acrescida dos arts. nos estabelecimentos de ensino públicos. IV . por meio dos órgãos competentes. 2004. prescrições importantes conforme o Art. observado o disposto na Lei nº. preconiza nos devidos termos do Art. uma inserção efetiva em espaços como as universidades e setores do mercado de trabalho.394/96.Da Educação. ainda. 9. retificados pela Lei nº. garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento. atualmente. Luiz Inácio Lula da Silva.incorporar nas matrizes curriculares dos cursos de formação de professores tema que incluam valores concernentes à pluralidade étnica e cultural da sociedade brasileira. étnicos. 9.estabelecer programas de cooperação técnica. tomadas ou determinadas pelo estado. religiosos. de tolerância e de respeito às diferenças étnicas. 13: O Poder Executivo federal. p. oficializado pelo projeto aprovado no Congresso Nacional e sancionado pelo então Presidente da República. o Sr. ensino médio e ensino técnico. por força do efeito de ações positivas de acesso. bem como.645/08 e pelo Estatuto da Igualdade Racial de 20 de julho de 2010. públicos e privados.

vigentes livros didáticos. o sistema de cotas de acesso às universidades (BRASIL. 38). Todas estas leis. complementa.3% entre pretos e pardos. asiáticos. era conduzido e tratado nas escolas como mero “folclore”. com isso. em torno de 50. a Lei nº. índices confirmados pela PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (IBGE. 69). E.639/03. nas áreas da educação e do trabalho. até então. distante da obrigatoriedade. apesar de sua presença na população brasileira ser demograficamente expressiva. em Durban na África do Sul. dentre outras providências normatizam cotas de acesso ao ensino superior a negros. p. a Lei nº. embora esta promoção não condiga com a realidade escolar dos afrodescendentes. 10. Na concepção de Soares (1999.645/08. que. começou um novo desafio revestido de incertezas. além da apreensão sobre a pedagogia ou prática educativa que deveria ser adotada para ministrar tais conteúdos a esse significativo e numeroso segmento populacional que. contextualizada por Candau (2002. com distinção. ainda. voltadas para reverter às tendências históricas que conferiram a grupos sociais diversos. que a escola vive uma tensão por ignorar a diversidade e. em especial. particularmente. uma quantidade de estabelecimentos de ensino que. estão confirmadas quando o Brasil assinou o acordo de “Ações Afirmativas” no ano de 2001. bem como. padroniza e apaga as diferenças. novas 4 . assevera que são políticas públicas de reparação. 5º da Constituição Federal de 1988. do movimento social negro brasileiro. 2007). bem mais. entenderem que tratamento igual não significa tratamento uniformizante. em projetos eventuais sobre o negro valorizando. ainda. a sensibilidade de alguns professores. acredita que esta tensão só estará totalmente superada quando educadores(as). O conjunto de ações afirmativas para as populações negras inclui: a defesa das populações quilombolas (Art. subentende que a escola precisa transformar-se em uma instituição preocupada com as novas exigências. mas por outro lado. Rocha (2004). 1998). “a crise da escola tradicional é o resultado da crise moral da sociedade”. que foi não ter a garantia em que às leis que preconizam as políticas públicas de reparação seriam realmente cumpridas. p. a defesa do direito de expressão religiosa dos cultos de matriz africana.7. que desrespeita. Tal decisão provocou retratar. isto. preconceito e racismo (Art. em conformidade com os. índios. a Lei nº. estudantes de escolas públicas e pessoas com deficiência. e neste caso. revestidos de influências maléficas e demoníacas. a conquista de luta de muito tempo. acaba empurrando uma quantidade cada vez maior de alunos(as) para o fracasso escolar e. ainda. se acrescentaria os demais segmento escolar. Pressupõe-se que ninguém discorda que uma das funções da escola seja a de promover uma educação significativa na construção e na valorização de um mundo verdadeiramente plural. salvo o esforço de algumas organizações nãooficiais comprometidas com a cultura afro-brasileira. 229 da Constituição Estadual Maranhense). erradamente. as Leis de combate às práticas de discriminação. passaram a converter o disposto nas leis. 11. 68 das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988 e o Art. uma posição de desvantagem. a condição do ser escravizado e disseminando a história da África pelo viés dos episódios do “Tarzan” e das mazelas da pobreza e/ou pela ótica do apartheid sul-africano.716/89) e. que declara que os negros no Brasil estão cultural e socialmente excluídos. acima designadas. que se arriscavam em estimular tímidas discussões de relações etnicorraciais e. isto é.Ressaltando a importância de ações tomadas neste sentido. E. alunos(as) e comunidade.

para que se possa ter um ponto de partida e de chegada.8% de pretos e pardos que marcam presença no curso superior. 73): “como nas outras esferas da vida social. 79). Desenvolver uma prática educativa afrobrasileira. 1989. em particular. Esta preferência ganha um caráter negativo quando Barcelos (1993). apesar de obter um número elevado de alunos negros. provocam condenações na esfera educacional. 5 . Com referência a esta questão. amarelos. onde 97. pp. uma proposta de educação que leve em conta a pluralidade de culturas. “ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia”. Faz-se necessário tomar a consciência da revitalização dos costumes e valores afro-brasileiros. mas que eles resultam da falta de respeito nas relações humanas em que são impostas a divisão. realizada no Estado de São Paulo. dos exemplos utilizados. Em linhas gerais. 9-18). dos preconceitos. o Estatuto da Criança e do Adolescente. “as pesquisas sobre oportunidades educacionais têm encontrado trajetórias escolares diversas para indígenas. evidenciando desvantagens para estes últimos. sem maiores distorções e/ou vulgarização. filhos de trabalhadores. baseado em dados. planejar como a temática será viabilizada. do racismo e do sexismo. congrega um contingente elevado de pessoas da etnia africana. caracterizado como mais lento e acidentado” (Rosemberg. pp. conforme explica Fúlvia Rosemberg (1998. nem sempre está presente na mesma escola frequentada pelos brancos. também da PNAD. quais as tendências pedagógicas que serão aplicadas.formas de organização do trabalho e com a inclusão efetiva do componente negro e suas influências na formação do variado mosaico cultural brasileiro. (1996. redundando em maior índice de reprovação e atraso escolar do que aquele observado entre os brancos”. de valores. no acesso à escola e no ritmo de sua progressão. E conclui que a escola pública da região Nordeste. tomando como referência a pesquisa de Franco (1983. que em sua maioria são negros. pensar na fomentação de cursos de capacitação para os profissionais da docência. p. p. assim como frequentam escolas de pior qualidade. à dominação e o grau de superioridade de uns sobre os outros. as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. como bem define Freire. Sendo assim. que indica um resultado. pretos e pardos. de tempos e de ritmos não se deve limitar apenas em introduzir na prática educativa. As suas práticas ferem a Constituição da República Federativa do Brasil. Preconceito e racismo estes. novos conteúdos e novos materiais didáticos. Arroyo (1996. São fatos sociais que ainda são explicados como se fizessem parte da natureza. pois a escola pública é basicamente constituída pela população empobrecida. desde a taxa ampliada do analfabetismo até os 2. p. esfacelam a dignidade e por muito tempo faz da escola campo fértil para as suas reproduções. os negros (pretos e pardos) são também penalizados no plano da educação: enfrentam maiores dificuldades de acesso e permanência na escola. A rede pública. com recursos didáticos inovadores. 36). que traumatizam a alma. As terríveis consequências advindas de preconceitos e práticas racistas sobre o indivíduo negro. 42-50) nos diz que uma visão menos normativa da escola deve entendê-la como um espaço de vivência de todo tipo de aprendizagem que os(as) alunos(as) obtêm como consequência de estarem sendo escolarizados e socializados.1% dos negros frequentam preferencialmente o ensino público. a hierarquia. brancos. como também. das relações sociais entre os(as) alunos(as). Ela também deve levar a uma análise da linguagem dos(as) professores(as). afirma que os negros apresentam os piores indicadores educacionais.

Desta feita. Para tanto. Então. muito pior que correr este risco seria não exercer a funcionalidade. que não tiveram transmissão de conhecimentos acerca de tais temáticas no seu curso de graduação. ficar inerte a uma situação. em pouco tempo. apoiada no item II do art. para que se pudesse ter corpus teórico e prático propiciando. conforme ao que dispõe as regras convencionais que norteiam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a pesquisa e a extensão são aliados à qualidade obtendo como consequência a excelência acadêmica proporcionando a valorização do aluno. Estava patente que seria necessário se tomar consciência da revitalização dos costumes e valores afro-brasileiros.br>. 6 . o debate e o avanço sobre elementos pedagógicos de promoção da igualdade etnicorracial. ante as exigências dos padrões educacionais em vigor e. pioneira. não mediu esforços para criar e incorporar a disciplina Práticas Corporais Afrodescendentes ao Curso de Educação Física Licenciatura. Acesso em 10 de jun. até então. isto é. de 2011). assim. além disso. na ambiência da mencionada faculdade. a qualificação. a lograr como consequência à descaracterização. que é. se defende argumentando que não existe material didático acessível nas bibliotecas escolares . todavia. em sala de aula.e. principalmente. sem passar por nenhuma advertência.13.facsaoluis.o que não confere a realidade . 4 EM CONSONÂNCIA COM AS LEIS DE REPARAÇÃO EDUCACIONAL No Estado do Maranhão e. numa iniciativa. se tornando um produto banal que tende a ser desvalorizado e. em consonância com as leis que recomendam as políticas públicas de reparação educacionais. planejá-los como conteúdo curricular viabilizado tecnicamente. já existe uma Faculdade que possui dez anos sendo um referencial na produção do conhecimento. dispôs a preocupação em desenvolver uma prática educativa afro-brasileira. e precisa ser enfrentado urgentemente. sem maiores distorções e/ou vulgarização tendo como convicção o grande desafio. formando futuros profissionais engajados com as novas transformações da sociedade e do mundo globalizado. Por conseguinte. na vanguarda de ações implementadoras em relação às leis anteriormente citadas. no Estado do Maranhão. obrigado a se converter em um sistema mais fragmentado. simplesmente sob a égide das nossas raízes culturais. pensou na fomentação de uma disciplina de capacitação específica para os profissionais envolvidos com a docência. Daí se definiu as tendências pedagógicas que seriam aplicadas. que vem observando. o fato da lei não ser executada curricularmente. onde o ensino. instalada. que determina: “incorporar nas matrizes curriculares dos cursos de formação de professores temas que incluam valores concernentes à pluralidade étnica e cultural da sociedade brasileira” resolveu elaborar uma alternativa que viesse suprir a ausência de questões etnicorraciais na formação acadêmica. a maioria dos professores quando passam a justificar a falta de aplicabilidade dos conteúdos sobre História e Cultura AfroBrasileira e Africana. do Estatuto da Igualdade Racial. ou seja. se corre o risco de vir a ser consumida e adaptada de qualquer maneira. ao longo do tempo. A disciplina práticas corporais afrodescendentes. entende-se que colocar em execução as leis que determinam políticas públicas de reparação. vem sendo aplicada composta de 72 horas/aulas e possui os seguintes conteúdos: (Disponível em < http://www.

grupos culturais afrobrasileiros e outras instituições da sociedade civil. por sua vez. sem fins lucrativos. o que deveria ser feito era criar meios de garantir a efetivação das leis que regularizam as políticas de reparação afrodescendentes. se livrando do ‘medo’. assim. mas nem sempre fiscaliza ou garante a efetuação do contido nas bases legais. O caderno das diretrizes curriculares nacionais para educação das relações etnicorraciais e o ensino de história e cultura afro-brasileira. africana e indígena (CNE. O Officina Affro sustenta um trabalho pedagógico comunitário. seja reexaminada. cobrando e monitorando as suas prospecções e estabelecendo prazos para que cumpram os termos dispostos. Diante destas representações. Diante deste indicativo. Origens das práticas corporais afrodescendentes. Práticas corporais afrodescendentes e indígenas e sua aplicabilidade na escola.África berço da humanidade e do conhecimento. haveria de rever o que poderia chamar de suas “disfarçadas atitudes”. seria importante designar o Instituto Como Ver – Officina Affro. Manifestações afro-brasileiras e sua contribuição na área motora. conclui-se que. aprender a cumprir os deveres e saber usar os direitos que norteiam os princípios básicos da existência e. determina: Os sistemas e os estabelecimentos de ensino poderão estabelecer canais de comunicação com grupos de Movimento Social Negro. lei se cumpre”. percussão. atenção às supostas violações sujeitas a penalidades. por meio de curso de iniciação à informática. durante o ano todo. que faculta aos integrantes do grupo e à comunidade em geral o estudo e a compreensão teórica da realidade social e da questão do negro na sua totalidade. uma instituição de arte e educação. com a finalidade de buscar subsídios e trocar experiências para planos institucionais. presume-se que seja obrigação da escola se encarregar das primeiras bases na qual conjugam os conhecimentos. montagem de espetáculos e oficina de música percussiva. Promove o estímulo à leitura. Também se emprega o material cênico e instrumental para interagir com as disciplinas da educação básica e. variavelmente. da ‘vergonha’ e/ou da incompetência. Africana e indígena e lembrar que “lei não se discute. valendo-se da sua forma de conhecimento abrangente. embora a sua real atribuição. Influência das práticas corporais afrodescendentes na sociedade ao longo dos tempos. Desenvolvimento histórico destas práticas. gravidez prematura e doenças sexualmente transmissíveis. 03/2004). ainda. entretanto. onde as culturas negras são os próprios materiais didáticos. 5 CONCLUSÃO A educação na atualidade passa por um processo que sofre modificações cotidianamente e. A maior parte dos professores. é nela que se deveria em totalidade. como núcleo de apoio e aplicação aos estudos e saberes de influência africana e afro-brasileira. confecção de instrumentos musicais da cultura maranhense. as possíveis rejeições frente à temática História e Cultura Afro-Brasileira. que a sociedade se atribui de deliberar. fazendo valer a normatividade empreendendo. sustentada na consecução de orientações voltadas para uma educação além das disciplinas. realiza-se um trabalho socioeducativo na prevenção do uso de drogas. ao longo de 27 anos de existência. 7 . cursos de dança afro-brasileira. planos pedagógicos e projetos de ensino. capoeira.

M. São Paulo: CEDES. se revestindo das clássicas lamentações do profissional docente. São Paulo: Fundação Carlos Chagas. n. É de suma importância investigar. V. __________. e cria uma disciplina afrodescendente. está cumprindo o seu papel. Pedagogia da autonomia. Acesso em 10 de jun. BARCELOS. C. torna-se imperativo”. In: Educação e sociedade. Ministério da Educação. sobretudo. Brasília. 86. analisar a inserção do ensino de história e cultura de ascendência africana. educação e cultura(s): questões e propostas. 1997. BRASIL. L.br>. nº. sem a fascinação pelo efeito das formas estéticas e/ou longe de uma postura ultrapassada de simples saudosismo. 1996. HOUAISS. até agora. Esperase que haja instituições de ensino superior. 2002. em se aplicar o ensino de temáticas afro-brasileiras. Brasília: MEC. quando percebe que a maioria dos professores quando justificam a falta de aplicabilidade dos conteúdos sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Disponível em <http://www. M. 6 REFERÊNCIAS ARROYO. Sociedade. RJ: Vozes. P. ressignificar os novos paradigmas e reconstruir o seu fazer pedagógico com a ousadia e a coragem de reformular e aceitar a educação na sua contemporaneidade.facsaoluis. saberes necessários à prática educativa. “Áreas críticas e distorções do ensino de 2º grau no Município de São Paulo”. 2011. São Paulo: Saraiva. plural e antirracista. A. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais/Secretaria de Educação Fundamental. M. 98. 8 . e reconhecer que “disseminar saberes e preservar tradições. 12. Cortez. __________.B.L. G. neste instante.htm>. considerando uma pedagogia multirracial. na tentativa de suprir um quadro.288 de 20 de julho de 2010.br/ccivil_03/_Ato20072010/2010/Lei/L12288. por meio de um estudo etnicocultural. jun/mar. Estatuto da Igualdade Racial. CANDAU. de nível superior. Cadernos de Pesquisa. 18 ed. In: CANDAU. Disponível em < http://www. (org.gov. especificamente. 2004. de 2011. ano 25. 2001. o que na verdade impede. neste contexto. 1993. inclusive. São Paulo: Paz e Terra. In: Revista de educação da AEC. n. Ementários. Brasília: MEC/SEF. profissionais da docência que se volte a desconstruir as suas concepções equivocadas. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. FRANCO. Secretaria Especial de Política da Promoção de Igualdade Racial: diretrizes curriculares nacionais para educação das relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. M. sai na frente.). Multiculturalismo e educação: a construção de uma perspectiva. 14. que nos são próprias e. Lei nº. 1983. 1996. Acesso em 14 jun. mais profundamente.planalto.P.A instituição acadêmica apontada. deficitário no Maranhão. até então. V. Educação e desigualdades raciais no Brasil. Assumir nossa diversidade cultural. 1998. __________. Rio de Janeiro: Objetiva. Petrópolis. É relevante concordar que este é um desafio que os estabelecimentos de ensino de todos os níveis e modalidades precisam enfrentar sem prescindir. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988. FREIRE.

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