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(C) hiperbólica, para elevar o mundo dos seres insignificantes.

INSTRUÇÃO: O poema abaixo será utilizado para (D) simples, porém expressiva no uso de metáforas resolver as questões 1 e 2. para definir o fazer poético do eu-lírico O apanhador de desperdícios (Manoel de Barros) poeta. Uso a palavra para compor meus silêncios. (E) referencial, para criticar o instrumentalismo técnico Não gosto das palavras e o pragmatismo da era da informação fatigadas de informar. digital. Dou mais respeito 2) Considerando o papel da arte poética e a leitura do às que vivem de barriga no chão poema de Manoel de Barros, afirma-se que: tipo água pedra sapo. (A) informática e invencionática são ações que, para o Entendo bem o sotaque das águas poeta, correlacionam-se: ambas têm o mesmo valor na Dou respeito às coisas desimportantes sua poesia. e aos seres desimportantes. (B) arte é criação e, como tal, consegue dar voz às Prezo insetos mais que aviões. diversas maneiras que o homem encontra para dar Prezo a velocidade sentido à própria vida. das tartarugas mais que a dos mísseis. (C) a capacidade do ser humano de criar está Tenho em mim um atraso de nascença. condicionada aos processos de modernização Eu fui aparelhado tecnológicos. para gostar de passarinhos. (D) a invenção poética, para dar sentido ao desperdício, Tenho abundância de ser feliz por isso. precisou se render às inovações da informática. Meu quintal é maior do que o mundo. (E) as palavras no cotidiano estão desgastadas, por isso Sou um apanhador de desperdícios: à poesia resta o silêncio da não comunicabilidade. Amo os restos 3) Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta como as boas moscas. pernambucano, sobre a função de seus textos: Queria que a minha voz tivesse um formato “Falo somente com o que falo: a linguagem enxuta, de canto. contato denso; falo somente do que falo: a vida seca, Porque eu não sou da informática: áspera e clara do sertão; falo somente por quem falo: o eu sou da invencionática. homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na Só uso a palavra para compor meus silêncios. míngua. Falo somente para quem falo: para os que 1) É próprio da poesia de Manoel de Barros valorizar precisam ser alertados para a situação da miséria no seres e coisas considerados, em geral, de menor Nordeste.” importância no mundo moderno. No poema de Manoel Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário: de Barros, essa valorização é expressa por meio da (A) a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala linguagem: do autor deve denunciar o fato social para (A) denotativa, para evidenciar a oposição entre determinados leitores. elementos da natureza e da modernidade. (B) a linguagem do texto não deve ter relação com o (B) rebuscada de neologismos que depreciam tema, e o autor deve ser imparcial para que seu texto elementos próprios do mundo moderno. seja lido.

REVISÃO - LITERATURA (ENEM)

(C) o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do leitor. (D) a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para todos os leitores. (E) a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer o leitor. 4) O trecho a seguir é parte do poema “Mocidade e morte”, do poeta romântico Castro Alves: Oh! eu quero viver, beber perfumes Na flor silvestre, que embalsama os ares; Ver minh'alma adejar pelo infinito, Qual branca vela n'amplidão dos mares. No seio da mulher há tanto aroma... Nos seus beijos de fogo há tanta vida... –– Árabe errante, vou dormir à tarde À sombra fresca da palmeira erguida. Mas uma voz responde-me sombria: Terás o sono sob a lájea fria. Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o inconformismo do poeta com a antevisão da morte prematura, ainda na juventude. A imagem da morte aparece na palavra: A) embalsama. B) infinito. C) amplidão. D) dormir. E) sono. 5) No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo. “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele

de Carlos Drummond de Andrade: A DANÇA? Não é movimento. servindo como elemento de comunicação e afirmação do homem em todos os momentos de sua existência.. dobrava e repicava pelos mortos e pelas vitórias... Quando se fez a abolição completa.. cantos.... Carga muito pesada pra mulher Esta espécie ainda envergonhada.... que mais se aproxima do que está expresso no poema é: A) a mais antiga das artes..... súbito gesto musical.. no éter pairamos. No solo não.. num momento....... É concentração.. E) propõe a criação de um novo lirismo.. um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida (Drummond) II.. em linguagem de dicionário. Esse fenômeno denomina-se intertextualidade. para os fins secretos da criação. precário e eterno. precário e eterno” D) “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos” E) “o indivíduo passa a outro indivíduo. com ritmo determinado por instrumentos musicais. por sobre o mistério das fábulas. perene estar. força.. comemorando a volta da Princesa Isabel. C) a manifestação do ser humano. Quando se decretou o ventre livre dos escravos. A definição de dança.. cheia daquele feitiço. Memórias póstumas de Brás Cubas.. nele amaríamos ficar. Um estar entre céu e chão. C) falta de criatividade.. quem repicou foi João. às escondidas. E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivíduo e. João repicou por ela. B) oposição de idéias..... “Um dia começou a guerra do Paraguai e durou cinco anos.. novo domínio conquistado....... C) propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico... ao seu desenvolvimento intelectual e à sua cultura.. 9) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante..... diretor.. emoções etc. B) não poderia tocar os sinos pelo retorno do Império..feitiço. Onde a alma possa descrever suas mais divinas parábolas sem fugir à forma do ser... Quando nasci um anjo esbelto Desses que tocam trombeta..) A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo está transcrita na alternativa: A) “o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas” B) “era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça” C) “Era bonita. 7) Leia o poema de Manuel Bandeira: Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e [manifestações de apreço ao Sr.. se o Império retornasse.. E) tocou os sinos pelo retorno do Império... para os fins secretos da criação” 6) O texto abaixo foi extraído de uma crônica de Machado de Assis e refere-se ao trabalho de um escravo. . proclamada pelos abolicionistas que vieram libertá-lo. ruídos... anunciou: Vai carregar bandeira.... João repicava e dobrava.. podemos afirmar corretamente que o poeta: A) critica o lirismo louco do movimento modernista.(Adélia Prado) Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade.. fresca. que o indivíduo passa a outro indivíduo. da humana graça natural. passos e movimentos desconcertados. B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os limites físicos. formada por uma seqüência de gestos... Quando nasci.(Chico Buarque) III.. D) negação dos versos. Um dia proclamou-se a República. 8) A questão abaixo refere-se ao poema “A dança e a alma”.. Com base na leitura do poema. B) critica todo e qualquer lirismo na literatura. Leia: I. saía das mãos da natureza... onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado..... Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. D) propõe o retorno ao lirismo do movimento romântico. João é que repicou.. quando ocorriam fatos ligados à Abolição.” (Machado de Assis... em relação a Carlos Drummond de Andrade. A dança – não vento nos ramos: seiva. C) tocou os sinos pela República.. visto que era escravo. D) o conjunto organizado de movimentos do corpo. por: A) reiteração de imagens. D) tocava os sinos quando ocorriam fatos marcantes porque era costume fazê-lo...... repicaria pelo Império. possibilitando ao homem a liberação de seu espírito... Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim.” A leitura do texto permite afirmar que o sineiro João: A) por ser escravo tocava os sinos.. por conseqüência.... Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o [cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas ..

quando muito – encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações. por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão. evitando que sobre ele caia a escuridão. motores furiosos. e estende mais o braço. (Mário Chamie) (D) Vou contar para vocês um caso que sucedeu na Paraíba do Norte com um homem que se chamava Pedro João Boa-Morte.22/08/1993. aos utensílios que dormem na fuligem. (. planta no ar. em último caso. quadrinhos. continuei firme onde estava. é . (D) criar o belo. com a terceira luz na mão. d1. Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e.. lavrador de Chapadinha: talvez tenha morte boa porque vida ele não tinha. risquemos fósforos repetidamente. (João Cabral de Melo Neto) (C) Medir é a medida mede A terra. vária várzea. (C) denunciar o real. talvez pensando assim: se esse caboclo pode agüentar tudo isso sem gemer. a despeito da náusea e do horror.) Apesar do horror e da náusea. por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? (. tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer. lavra duro campo. mesmo. um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor: “Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quatorze anos. comecei a escrever romances. c3 (E) e1. medo do homem. e3 13) “Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. 12) O poema Descrição da guerra em Guernica traz à lembrança o famoso quadro de Picasso: Entra pela janela o anjo camponês..E) ausência de recursos. é a conta menor que tiraste em vida. e2. 10) Em muitos jornais. enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. encontramos charges. os seus olhos rurais não compreendem bem os símbolos desta colheita: hélices. (B) permitir o sonho. ilustrações. Se não tivermos uma lâmpada elétrica. propícia aos ladrões. em suas memórias. muito cerco. como uma árvore a chama do candeeiro. Veja um exemplo: Jornal do comércio . aos assassinos e aos tiranos. e1. (Ferreira Gullar) (E) Trago-te flores. a lavra. é acender a sua lâmpada. Sim. por extensão. Nem largo nem fundo.. segurar a lâmpada. acendamos o nosso toco de vela ou. adulto. (Álvares de Azevedo) (B) Essa cova em que estás Com palmos medida. O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é: (A) Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida. (E) fugir da náusea. a2. numa época de atrocidades e injustiças como a nossa..) Desde que.) Neste texto. Solo de Clarineta. – restos arrancados Da terra que nos viu passar E ora mortos nos deixa e separados. É de bom tamanho.” (VERÍSSIMO. Podem ser relacionadas ao texto lido as partes: (A) a1. c1 (D) c1. (Machado de Assis) 11) Érico Veríssimo relata. inspirados nos fatos noticiados. a3 (B) f1. (Carlos de Oliveira) Uma análise cuidadosa do quadro permite que se identifiquem as cenas referidas nos trechos do poema. fazer luz sobre a realidade de seu mundo. Mas o que o escritor quer. É a parte que te cabe deste latifúndio. d1 (C) e1. À sombra de uma cruz. e escrevam nela – Foi poeta – sonhou – e amou na vida. como um sinal de que não desertamos nosso posto. da literatura: (A) criar a fantasia. c2. minucioso. Érico. habituado aos interiores de cereal.

) andava léguas e léguas a pé. A importância do poeta é que ele torna mais viva a linguagem.. Tinha uma memória de prodígio”. adaptação) O que deu ao verso de Drummond o caráter de inovador da língua foi (A) o modo raro como foi tratado o “futuro”. é isso: ver o seu texto em letra de forma..) Havia sempre rei e rainha. nos seus contos.Bocejos e moscas. O seu BarbaAzul era um senhor de engenho de Pernambuco. Poesias) Na cena retratada no texto. (C) a flexão pouco comum do verbo “cheirar” (gerúndio). E era um acontecimento para a meninada. Recitava contos inteiros em versos.” (B) “Em certos casos. pensa Margarida.. o azul convida os meninos.” (José Lins do Rego. resultando em anarquia e falta de seriedade.) que. (B) “Havia sempre rei e rainha. como notas explicativas”. em protesto contra a monotonia da aula. Considerando-se esse aspecto... (C) “Era uma grande artista para dramatizar... (E) decorre da morosidade da aula. e forca e adivinhações. como uma edição viva das histórias de Mil e Uma Noites (. intercalando pedaços de prosa. vindo com as caravelas.. disse Silvia Plath.Sem fim é a aula: e nada acontece. (. na seguinte passagem: (A) “O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco”. a cesta de papel é melhor ainda. (. 15) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. Tinha uma memória de prodígio. (B) inovadora. pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional. ‘Textos guardados acabam cheirando mal’. Carlos Drummond de Andrade escreveu um dos mais belos versos da língua portuguesa com duas palavras comuns: cão e cheirando. . a cesta de papel é melhor ainda. na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causa da predominância de elementos primitivos e pagãos. mas não deve se prolongar muito. Se ao menos. acaba bem. deu testemunho das dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? guardar ou jogar fora?” (Moacyr Scliar) Nesse texto. com esta frase. (. (B) a referência ao cão como “animal de estimação”. quanto parece sugerir que esse processo. 24/05/1988. Sou bravo. pelo autor.) era uma grande artista para dramatizar. Em certos casos. (E) o emprego do artigo indefinido “um” e do artigo definido “o” na mesma frase..” (E) “ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. de engenho a engenho. (C) moralizante. (E) “Recitava contos inteiros em versos. pelas janelas altas. Um cão cheirando o futuro (Entrevista com Mário Carvalho. (E) negativa. é correto afirmar que a visão apresentada pelo texto é: (A) ambígua. Menino de engenho) A cor local que a personagem velha Totonha colocava em suas histórias é ilustrada. o sentimento do tédio: (A) provoca que os meninos fiquem contando histórias. O período de maturação na gaveta é necessário. (D) preconceituosa. O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. 17) Leia o poema de Oswald de Andrade: Brasil O Zé Pereira chegou de caravela E preguntou pro guarani da mata virgem ― Sois cristão? ― Não. lentas como quem vai inventando preguiçosamente uma história sem fim. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa. negros e índios – pouco contribuíram para a formação da identidade brasileira.” (C) “O período de maturação na gaveta é necessário” (D) “Mas o que o escritor quer. A ideia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida na seguinte frase: (A) “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa. como notas explicativas. o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária..” 14) Eu começaria dizendo que poesia é uma questão de linguagem. nada. (D) a aproximação não usual do agente citado e a ação de “cheirar”. mesmo.) Os rios e as florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com o Paraíba e a Mata do Rolo. (B) leva os alunos a simularem bocejos... criando a expectativa de algum imprevisto mágico. (D) “Andava léguas e léguas a pé. pois mostra que as três raças formadoras – portugueses. (. como uma edição viva das Mil e Uma Noites”. representando de modo positivo apenas o elemento europeu.. impedindo até mesmo a distração ou o exercício do pensamento. se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse por outra! (Mário Quintana. apesar de tudo. em contraste com o movimento acelerado das nuvens e das moscas. sou filho da Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu ― Sim pela graça de Deus Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval. intercalando pedaços de prosa. (C) acaba estimulando a fantasia. e forca e adivinhações”. pois critica tanto índios quanto negros. Folha de SP. pois retrata a formação do Brasil como incoerente e defeituosa.isso: ver o seu texto em letra de forma. 16) Pequenos tormentos da vida De cada lado da sala de aula.. (D) prevalece de modo absoluto. as nuvens desenrolam-se. sou forte. ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. nos seus contos.