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Brasil sustentável

Perspectivas dos mercados de petróleo, etanol e gás



BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo, ETANoL E gÁS

Índice
Apresentação Principais condicionantes das trajetórias de preços Projeções e cenários para a oferta e a demanda Petróleo e etanol: variáveis que afetam o comportamento no mundo Brasil: rumo ao alinhamento internacional olhando à frente: o que muda até 2020 Visão de futuro: o que esperar após 2020 Desafios e oportunidades 01 04 20 26 32 42 44 47

Imagem da capa: Agência Petrobras de Notícias



Apresentação
A série Brasil Sustentável propõe um novo desafio ao gerar mais um estudo de suma relevância sobre o mercado energético. Certos da correlação de forças que se desenhou globalmente em torno das descobertas e produção de petróleo, gás e etanol, a sétima edição da série, Brasil Sustentável Perspectivas dos mercados de petróleo, etanol e gás, traz uma análise aprofundada e projeções densas sobre oferta, demanda, crescimento e impacto da indústria de combustíveis na economia mundial até o ano de 2020. Após percorrer temas complexos nos seis estudos anteriores – com análises e perspectivas sobre os setores habitacional, energético, de consumo, industrial e agroindustrial, além de um especial sobre a Copa do Mundo 2014 –, a Ernst & Young Terco se une mais uma vez à FGV Projetos para uma nova reflexão: mergulhar no entendimento de uma indústria geradora de grandes riquezas aos países detentores das maiores reservas, produção, tecnologia e política estratégica ao seu desenvolvimento. E o momento não poderia ser melhor. Ao anunciar ao mundo as novas descobertas de megarreservas de petróleo em águas ultraprofundas na camada do pré-sal, o Brasil mudou de posição no ranking dos grandes players globais. Tendo isso em mente, a meta deste trabalho foi ir além de projetar qual o cenário que o final desta década nos reserva – inclusive em relação à formação de preços. Sempre considerando riscos, adversidades, políticas, desafios e oportunidades impostas nesse setor. Tamanha imersão nos trouxe, além de profundo conhecimento sobre essa indústria, algumas surpresas em relação ao real efeito que as descobertas do pré-sal trarão sobre o conjunto da economia do País. Ou sobre quão atrasados (ou não) estamos em relação à prática e ao investimento na ampliação da produção e comercialização do etanol. Para sistematizar a análise e realização de projeções, a equipe técnica da FGV Projetos – tendo como coordenador Fernando Blumenschein – desenvolveu o Modelo Integrado de Projeções Energéticas (Mipe), que consiste em um framework conceitual, técnico e computacional aplicável a diversas

uma economia relativamente aberta. Finalmente. Esses drivers perpassam por aspectos técnicos (ampliação da oferta física). mas cujas dinâmicas não poderiam ser mais diferentes entre si: os EUA. Em um contexto de incerteza. pudemos ainda identificar os drivers cuja variabilidade terá mais impacto para cada um dos mercados analisados. antes de mais nada. simular trajetórias e gerar intervalos plausíveis para os preços dos energéticos analisados. no qual os preços dos combustíveis seguem uma lógica determinada mais por políticas internas do que pela conjuntura internacional. e o Brasil. O último capítulo do estudo traz. além de incluir um panorama do que se acredita ser relevante para os mercados de energia no período pós-2020. organizados de acordo com os seguintes tópicos: • • • • Infraestrutura e gargalos logísticos marco regulatório Volume de investimentos Execução de projetos de capital internacionais de petróleo e etanol. mercadológicos (medidas de eficiência e substituição energética). em tópicos. econômicos (potencial de crescimento e cenário cambial) e político-institucionais (políticas energéticas nos EUA e Brasil). foi possível integrar e sistematizar as informações reunidas. resolvemos dar ao tema especial espaço e considerações. a reflexão e a tomada de decisão para empresas e governos que queiram atuar com seriedade nesses mercados. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. servir de apoio básico para o entendimento. A ambição final deste estudo é. Neste sentido. outra meta deste trabalho foi identificar alguns dos principais drivers ou condicionantes das trajetórias futuras de preços dos energéticos em questão e modelar as estruturas causais de acordo com as quais os cenários prospectados para tais drivers se refletem nas projeções de preços. Assim. como também o comportamento dos mercados nacionais cujas interações estruturam a oferta e a demanda global por energéticos. • • • • • • Déficit de Capital Humano Preocupação socioambiental Inovação tecnológica Desafios e custos operacionais conteúdo Local Falta de regra tributária específica Um dos objetivos deste estudo foi compreender não somente as dinâmicas de preços mundiais. selecionamos dois mercados nacionais. A outra intenção foi discutir as interações entre os mercados de diferentes energéticos. Assim. tendo em vista efeitos de substituição e complementaridade. escopos e mercados. ETANoL E gÁS situações. Por meio desse modelo. Como o pré-sal se mostrou o grande evento novo para o Brasil. identificamos e analisamos os 10 maiores desafios do pré-sal. optamos por focar nos mercados . de forma a identificar e modelar com maior profundidade os pontos de contato e efeitos cruzados entre mercados. e nos mercados brasileiros de gasolina e etanol hidratado. análises sobre pontos críticos e de atenção para que as novas descobertas se transformem em reais oportunidades ao País. onde os preços ao consumidor seguem as trajetórias dos mercados internacionais de commodities.

e torna exponencialmente mais difícil garantir a robustez do modelo frente a eventos aleatórios. A partir dessas considerações. o usuário deve estar ciente dos fatores não incorporados pelo modelo. os resultados de um modelo de longo prazo. um movimento de manutenção tática delas. de forma a acompanhar a evolução das condições de mercado. como o Mipe. de forma a não ser tomado de surpresa caso tais elementos se tornem relevantes. oriundos de choques transitórios. pelo contrário. mas em termos de distribuições de probabilidade. Acima de tudo. pode ocorrer tanto uma extração mais acelerada. Justamente por tais eventos parecerem inverossímeis. de forma a poder representar fontes de incerteza no modelo. e também o comportamento dos mercados nacionais cujas interações estruturam a oferta e a demanda global por energéticos metodologia utilizada: como funciona o mipe O Mipe é um sistema dinâmico. Ou seja. com dinâmicas próprias. o que gera uma intrincada estrutura de incentivos. Assim. ou. Ou seja. nas quais o modelo é simulado milhares de vezes (com realizações diferentes dos parâmetros estocásticos). É importante manter em mente a camada de abstração entre o modelo e os fenômenos que este estudo tem por objetivo representar.Um dos objetivos foi compreender as dinâmicas de preços. o mercado de açúcar). devem ser reestimados e recalibrados periodicamente. deve-se ter em mente a parcela de simplificações. Em particular. os mercados de energia são sujeitos a efeitos de curto prazo. inerente a qualquer exercício de projeção ou análise prospectiva. existe risco de modelagem. cujas consequências podem se prolongar indefinidamente. já que nesse mercado deve-se levar em conta suas ligações com outros mercados globais de commodities (no caso da cana. Trata-se de um modelo estocástico – os parâmetros podem ser definidos não deterministicamente. é referente à irreversibilidade da tomada de decisões. que podem envolver taxas de variação ao longo do tempo. Este é implementado em uma plataforma que utiliza algoritmos de Runge-Kutta de quarta ordem para solucionar simultaneamente as equações e que permite a execução automatizada de análises de sensibilidade. Os mercados de energia são afetados por efeitos de curto prazo. omissões e restrições de escopo que são necessárias para elaborar qualquer modelo capaz de produzir resultados. chamada histerese. reduzindo as reservas. Esta característica dos mercados. são de dificil incorporação a modelos estatísticos. o próprio exercício de modelagem causal e probabilística traz à tona a questão da possibilidade de “cisnes negros” ou eventos raros de alto impacto – tais como a crise financeira de 2008 e os choques de petróleo da década de 1970. no qual as interações entre variáveis ou parâmetros são representadas por meio de equações. . e o próprio exercício de modelagem da estrutura causal e de atribuição de probabilidades traz à tona a questão da possibilidade de “cisnes negros”. de forma a obter intervalos de confiança para as variáveis de interesse. Outro ponto relevante é que elevações de preços que viabilizem fontes mais custosas aumentam simultaneamente os lucros dos produtores tradicionais de petróleos leves. Considerações similares valem para o etanol. Além disso.

Rumo a 2020. eletricidade para diversos fins. São eles: 1 • Ampliação da oferta de petróleo: No período 2004-2010. Assim. a oferta de petróleo no mundo tem se mantido relativamente constante. ETANoL E gÁS Principais condicionantes das trajetórias de preços Drivers: determinantes dos preços até 00 O consumo de energia. entre outros) é insumo básico para a produção e comercialização de qualquer bem ou serviço e representa um dos principais grupos de despesa das famílias. . as sucessivas inovações nos processos de prospecção. em um patamar próximo a 80 milhões de barris/dia. 2 • Ampliação da capacidade produtiva de etanol: O consumo de etanol como combustível automotivo vem se ampliando desde a década de 1980 a uma taxa de 5. deverão se tornar comercialmente viáveis. perpassa toda atividade humana. gerando ganhos substanciais de retorno energético e reduzindo a pegada de carbono da produção de biocombustíveis. os subsídios à produção de etanol têm funcionado como garantia de competitividade em face da gasolina e do etanol importados. No entanto. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. A energia comercializável (combustíveis para transporte e aquecimento. entre outros. no entanto. Novos processos de produção de etanol. as trajetórias dos preços do petróleo e etanol nos mercados internacionais irão sofrer influências diversas. Este levantamento selecionou sete condicionantes que terão influência determinante sobre a precificação desses combustíveis. desenvolvimento e produção estão possibilitando a identificação de novos e mais profundos reservatórios de petróleo e gás natural no Brasil. a projeção de trajetórias futuras para os preços de energéticos é de evidente interesse para consumidores e produtores.4% ao ano nos Estados Unidos.6% ao ano no Brasil e de 13. no Golfo do México e na Costa da Guiné. em suas diversas formas. Com a implantação de mandatos que fixam a proporção de mistura na gasolina. 3 • Políticas de subsídios à produção de etanol: Em alguns países.

em função da deterioração dos fatores que garantiram a ascensão e manutenção da moeda ao status de reserva de valor ao longo do século XX. 6 • cenário cambial: A manutenção do dólar como moeda franca do comércio internacional vem se mostrando crescentemente frágil. Esta seção busca contextualizar cada um dos drivers em termos de relevância e apresenta as premissas e cenários adotados em relação à trajetória futura de cada um. há uma garantia de mercado e os subsídios ficam caracterizados como apoio às condições locais de produção e barreira adicional ao etanol importado.A intensidade energética vem se reduzindo em razão de melhorias na eficiência da energia. Ou seja. incluindo-se aí o petróleo. quanto maior esse crescimento. gerando incentivos para a substituição de fontes de energia. O crescimento econômico também se traduz em maior renda para as famílias. 4 • Medidas de eficiência e substituição energética: A intensidade energética vem se reduzindo em razão de melhorias na eficiência da energia. substituição de combustíveis e mudanças em indústrias intensivas. substituição de combustíveis e mudanças em indústrias intensivas. mais energia é demandada pelas empresas para viabilizar uma maior produção de bens e serviços. 5 • Potencial de crescimento macroeconômico: A evolução da demanda por energéticos é fortemente atrelada ao crescimento macroeconômico. viabilizando um maior consumo de combustíveis. eletricidade e outros usos de energia. . A necessidade de ganhos de eficiência energética conjuga-se com os objetivos de segurança energética e de redução das emissões. Acredita-se que a perda de valor do dólar responda por uma fração dos aumentos de preços de commodities no mercado internacional. 7 • Política de preços: A atual política de estabilização real dos preços internos e derivados de petróleo não repassa variações consideradas transientes e reduz efetivamente a exposição da economia nacional a choques nos preços internacionais do petróleo. Confira a seguir uma análise detalhada de cada um desses fatores.

têm custos elevados.029. utilizando sondas de elevado desempenho. computadores de alto desempenho e aplicação de técnicas avançadas de processamento de dados. desenvolvimento e produção.4 1.4 400 200 160.1 1980 1990 2000 2009 Fonte: BP Statistical Review of World Energy 2010 . no Golfo do México e na Costa da Guiné.200 Opep Não-Opep 1.000 800 600 425. mas permitem maior economia em outras fases de desenvolvimento dos campos. que recentemente permitiram a identificação de reservatórios de petróleo e gás natural em águas ultraprofundas no Brasil. em um patamar aproximado de 80 milhões de barris/ dia. por meio da utilização de novos instrumentos. a oferta total de petróleo no mundo tem se mantido relativamente constante. ETANoL E gÁS Ampliação da oferta de petróleo Ao longo do período 2004-2010. têm sido introduzidas sucessivas inovações nos processos de prospecção. o avanço tecnológico é o que direciona as possibilidades de ampliação da oferta potencial. com capacidade Evolução das reservas e da produção mundial de petróleo Produção (milhões de barris/dia) 40 35 30 26 25 20 15 10 5 0 1980 25 36 30 31 Opep Não-Opep 34 33 24 1990 2000 2009 Reservas (bilhões de barris) 1. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Nessa linha. Desde a década de 1990. Essas tecnologias. a exploração e o desenvolvimento em águas ultraprofundas estão consolidando um novo padrão tecnológico de prospecção de petróleo e gás natural.2 0 324. Além disso.

000 metros de profundidade total. seja por uma revisão do método utilizado em estimativas anteriores. A oferta potencial de petróleo também tem aumentado por crescimento de reservas. O consumo de derivados médios (como diesel) e leves (como gasolina) tem aumentado recentemente. areias petrolíferas. Para esses fins. com maior valorização no mercado. além de campos de petróleo pesado em países do Oriente Médio). Também passarão a ser crescentemente relevantes a produção na camada pré-sal do Brasil e a ampliação da produção do Iraque. e conversão de carvão em combustíveis líquidos (CTL). seja por se haverem subestimado os recursos iniciais existentes na jazida. Fontes de mercado hoje estimam ser necessário um adicional de produção de 9 bilhões de barris/ano para atender à expansão de demanda até 2020. essas duas formas de crescimento das reservas não devem ser tão substanciais no futuro. enquanto se reduz o consumo de derivados pesados (como óleo combustível). No entanto. condiciona a oferta futura de petróleo e a estrutura de refino que deverá atender à demanda de combustíveis líquidos. gradualmente. o crescimento futuro da demanda tende a ser atendido. por volumes crescentes de petróleo pesado (como as areias petrolíferas do Canadá e o petróleo extrapesado da Venezuela. hoje limitado a cerca de 35% do volume presente nos campos. na sigla em inglês). A terceira forma de crescimento das reservas é por meio do avanço tecnológico no processo de recuperação do petróleo existente.Fontes de mercado hoje estimam ser necessário um adicional de produção de 9 bilhões de barris/ano para atender à expansão de demanda até 00. petróleo extrapesado. tornando necessário o aumento da capacidade de conversão nas refinarias. A qualidade do petróleo. Uma característica comum a todas as novas fontes de petróleo na próxima década será o seu elevado custo de produção. gas-to-liquids “GTL” e coal-to-liquids “CTL”) – conversão de gás natural em combustíveis líquidos (GTL. condição técnica para ampliar a oferta de derivados leves. Com o aperfeiçoamento dos métodos de avaliação. É praticamente consenso que todo o petróleo “barato” já foi Produção mundial de petróleo por qualidade Ultraleve Leve 2% 3% 3% 3% 3% 4% 29% 28% 25% 26% 25% 24% Médio 56% 56% 58% 57% 59% 58% Pesado 13% 1998 13% 2000 14% 2005 14% 2007 13% 2008 14% 2009 Fonte: ENI World Oil and Gas Review 2010 . principalmente sua densidade e teor de enxofre. a composição da oferta futura haverá de incorporar também o petróleo não convencional (recuperação ampliada. de perfuração de até 10.

000 metros) das Bacias de Santos. . Grandes investimentos nos campos do pré-sal estão programados para até 2020. US$ 53. Estima-se um total superior a US$ 250 bi para o desenvolvimento da produção de petróleo e gás natural. BG. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. O desenvolvimento da camada pré-sal estabeleceu uma nova condição para o Brasil no mercado internacional de petróleo e gás natural. ampliando suas reservas e duplicando a capacidade de produção até 00. A Petrobras e demais operadoras consideram opções (como bases de apoio. assim como também sua segurança. terminais oceânicos e centros de operação remotos) para garantir apoio logístico e operacionalidade à produção. Entre os investimentos divulgados estão: Petrobras. A operação sob tais condições geológicas deve necessitar um número maior de unidades de produção em cada campo.500 a 3. Repsol YPF. ETANoL E gÁS O desenvolvimento da camada pré-sal estabeleceu uma nova condição para o Brasil no mercado internacional. ampliando suas reservas provadas e duplicando a capacidade de produção até 2020. US$ 14 bi.4 bi (2011-2015). US$ 30 bi. Novas fronteiras com o pré-sal A descoberta de novas jazidas de petróleo em águas ultraprofundas (lâmina d’água de 1. O desenvolvimento de infraestrutura de transporte do petróleo e do gás natural à distâncias de cerca de 300 km da costa está entre os principais desafios a serem vencidos ao longo da década. Campos e Espírito Santo abriu uma nova fronteira para a indústria de petróleo e gás natural. incluindo toda a infraestrutura de transporte.

Release intitulado “BG Brasil recebe chairman do grupo e anuncia investimentos de US$ 30 bilhões no país”.9 Exploração e Produção de Hidrocarbonetos no Brasil Blocos Exploratórios Bacia da Foz do Amazonas Bacia do Amazonas Bacia do Pará-Maranhão Bacia de Barreirinhas Bacia do Ceará Bacia de Sergipe-Alagoas Investimentos anunciados. . -Assessoria de imprensa da BG Group .4 bi Petrobras Bacia de Campos 30 bi BG  Bacia do Paraná Bacia de Santos PRÉ-SAL 14 bi Repsol YPF -Investimento referente ao período de 0 .05. divulgado em  de março/0. em US$ Bacia de Camumu-Almada 53.

Usinas mistas (85% do total) têm Evolução da produção e das exportações de etanol Total do Brasil. a área cultivada com canade-açúcar tem crescido 4. o etanol é utilizado Nos Estados Unidos. No período. beneficiado por crescente produtividade (tanto na fase agrícola quanto na fase industrial) e pelo substancial mercado interno.6% ao ano no Brasil e de 13. sendo atualmente de cerca de 7 milhões de hectares. cujo cultivo ocupa uma área plantada de 28 milhões de hectares. Entre 1975 e 2006.49% ao ano e o da produtividade industrial. em bilhões de litros Produção 30 25.77% ao ano.4% ao ano nos Estados Unidos. o crescimento na produtividade agrícola tem sido de 1.15 0 1997 2000 2005 2010 0. Nos dois países. O etanol de cana-de-açúcar do Brasil tornou-se um combustível competitivo.3% ao ano.7% ao ano.60 15.77 Fonte: ÚNICA . ETANoL E gÁS encontrado. de 3.23 2. A possibilidade de escolher entre dois subprodutos (etanol ou açúcar) permite ao produtor brasileiro desenvolver a melhor estratégia em função dos preços esperados do açúcar e do etanol no mercado internacional e no mercado local. o crescimento da produtividade foi de 2. e que tecnologias de incorporação e recuperação de reservas continuarão requerendo altos investimentos e elevados custos de produção. tanto na mistura com a gasolina quanto como combustível.95 Exportações 1. Produção de etanol em crescimento O consumo de etanol como combustível automotivo vem se ampliando desde a década de 1980 a uma taxa de 5. o etanol é produzido a partir do milho – utilizando 20% da produção de milho e podendo passar a 30% nos próximos anos –.40 25 20 15. que são os principais produtores e consumidores.59 10 5 0.0 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. No período de 1975 a 2006.40 15 10.

seus custos de produção determinam os preços e o padrão da concorrência no mercado internacional. Embora os mandatos ganhos substanciais no que se refere sejam direcionadores dos ao retorno energético. O cronograma original fixa. definindo sua escolha em função do custo de oportunidade entre as duas alternativas. incluindo algumas com alta produtividade agrícola. parte do governo dos EUA. os ganhos de produtividade em relação investimentos não estão seguindo aos métodos atualmente adotados. Assim. Uma penalidade incide sobre as empresas de petróleo caso a oferta de etanol de celulose não atenda ao volume previsto no mandato. como o Brasil é o principal exportador de açúcar. a flexibilidade para produzir etanol ou açúcar. esperam-se de 2007. o equivalente a cerca de 60% de segunda e terceira geração deve do consumo atual de petróleo se tornar comercialmente viável. como os fundos disponíveis para energia fertilizantes. trazendo ganhos energéticos. à quantidade investimentos e promovam o de biomassa necessária como financiamento por garantir a venda matéria-prima e à necessidade de do produto.Até 00. à medida que a produção em larga escala se mostrar comercialmente viável. levando-as a financiar a construção de plantas de etanol de celulose. apesar Tais tecnologias trazem substanciais dos incentivos substanciais. para 2022.3 bilhões de litros de etanol de celulose. com a crise de 2008. que de biocombustíveis em relação dispunham de maior apoio por ao seu nível atual. Vale lembrar que. sendo objeto de . No entanto. como o painço. Os principais processos de segunda geração envolvem a produção de etanol a partir de celulose e lignina. o etanol de segunda geração tem o potencial de se tornar um dos principais componentes da matriz energética em nível mundial. o mandato de 4. o ritmo previsto pelos planos que envolvem a fermentação de e mandatos fixados pelo Energy açúcares extraídos de plantas Independence Security Act alimentícias. Acredita-se que tais processos reduzirão substancialmente limpa foram orientados para projetos a pegada de carbono da produção de energia eólica e solar. mas. daquele país. Estima-se que o potencial produtivo do etanol de celulose dos EUA No fim da presente década. Mandatos envolvendo a oferta de etanol de celulose exigem que as empresas distribuidoras misturem volumes determinados do produto à gasolina. Os EUA atualmente lideram a pesquisa e desenvolvimento comercial de tais processos.74 milhão de litros de etanol de celulose. a produção de biocombustíveis por meio de processos de segunda e terceira gerações deve se tornar comercialmente viável. Esse atraso levou a EPA (Agência de Proteção Ambiental do governo dos Estados Unidos) a reduzir o volume do mandato estabelecido para 2010 e 2011 para 1. corresponda a 11 milhões de barris a produção de etanol e outros biocombustíveis por meio de processos de petróleo equivalentes (boe) por dia. elementos estruturais presentes em todas as espécies vegetais disponíveis. insumos de origem fóssil.72 e 1.

 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Além disso. De modo abrangente. Entretanto. como Brasil. nos quais a sua política de subsídios tem relativamente menor impacto no mercado internacional. . bem como ao crescente reconhecimento político de que o etanol importado será necessário para atender à demanda futura. A política de subsídios ao etanol teve início na década de 1970. a produção na região é incipiente em comparação com os grandes produtores. China e Índia. ETANoL E gÁS investimento nos grandes países produtores de etanol. graças a isso. No entanto. estimados em cerca de € 2. muitos acreditam que a tendência durante a próxima década envolverá a gradual redução dos subsídios. a política comercial da União Europeia restringe a importação de biocombustíveis com uma tarifa de proteção ao etanol de 45% ad valorem (conforme o valor). utilizou-se apenas 44% da capacidade de produção de etanol da União Europeia (de 5 milhões de toneladas). diante da frágil situação econômica e fiscal dos EUA.14/litro também contribui para garantir a competitividade do etanol de milho em face do produto importado. os subsídios à produção nacional de etanol têm funcionado como garantia de competitividade em face da gasolina e do etanol importado.8 bi em 2008. Isenções a impostos especiais de consumo. com a implantação de mandatos fixando a proporção de mistura à gasolina ou cotas para os diversos tipos de etanol. Além disso. Nos Estados Unidos. um conjunto de subsídios federais e estaduais fornece incentivos ao longo da cadeia de valor do etanol. contemplam o etanol produzido em vários países-membros. a União Europeia concede subsídios a investimentos em capacidade de produção que incluem tecnologias para a fabricação de etanol de segunda geração. há uma garantia de mercado e os subsídios ficam caracterizados como apoio às condições locais de produção do etanol e barreira adicional ao etanol importado. em média. 30% mais barato. e hoje estima-se que. uma tarifa de importação de US$ 0. o etanol produzido nos EUA seja. por falta de matéria-prima. Entretanto. em 2008. Ao mesmo tempo. Políticas de subsídios à produção de etanol Em alguns países.

No Brasil. no consumo global de energia. processo que está sendo intensamente disputado por várias empresas e deverá ser concluído em 2020. que deverá ganhar parcelas expressivas do mercado. cuja bateria é carregada pelo motor a combustão. a eletricidade passou de 5. Boas perspectivas para o carro elétrico híbrido A energia elétrica vem ocupando parcela crescente no consumo de energia.5% para 16. equivalente ao consumo atual somado dos Estados Unidos e da União Europeia. entre 1980 e 2008. A introdução do veículo elétrico puro depende de redução no custo da bateria. . no consumo global de energia. ou . a uma taxa de crescimento de 0. no período 1971-2008.. ocorreu uma redução de 32%.35% ao ano.6% do total.Entre 90 e 00. As duas inovações indicam uma transição fundamental no modelo de negócios do setor. Medidas de eficiência e substituição energética A intensidade energética (i.6% ao ano. Nos países da OCDE. da aplicação de medidas de eficiência energética. Estima-se que diferenças na estrutura de produção respondam por quase 50% da variação de intensidade energética industrial entre países. ou 1. bem como de diversos fatores exógenos que incluem desde o modelo de urbanização (distância entre moradia e trabalho) e clima (necessidade ou não de climatização) até estrutura de produção (existência ou não de empresas intensivas em energia). A introdução do veículo elétrico terá início com o carro elétrico híbrido de tomada (PHEV na sigla em inglês). ocorreu uma redução de 3%. Duas inovações devem ter efeito decisivo na ampliação da eletrificação na década de 2011-2020: a rede elétrica inteligente (smart grid) e o veículo elétrico. o uso da eletricidade passou de 11% para 22% do consumo total de energia. Essa redução é diferenciada em cada país em função da estrutura econômica. o volume de energia utilizado para gerar uma unidade de Produto Interno Bruto) vem se reduzindo em razão de (1) melhorias na eficiência energética. equivalente ao consumo atual somado dos Estados Unidos e da União Europeia. O PHEV combina um pequeno motor a combustão interna com um motor elétrico. Como consequência. entre 1970 e 2009. (2) substituição de combustíveis e (3) mudanças em indústrias intensivas em energia.35% ao ano.e.

No Brasil. tornando inevitável o recurso às importações. em 2025. países como a França. entre 1990 e 2006. No Japão o país de maior redução. Foram concedidos e de redução das emissões. No período 1973-2007. e medidas contínuas têm sido aplicadas para desvincular o consumo de energia do crescimento econômico. Biodiesel: um mercado em expansão O biodiesel é um combustível derivado de óleos vegetais ou gordura animal que pode ser misturado ao óleo diesel em proporções variáveis. o biodiesel é consumido desde 1991. Como no etanol. como na União Europeia. a eficiência é um tema de segurança energética. Para isso. Na Alemanha.75% do mercado aos biocombustíveis em 2010. a expansão do mercado de biodiesel passa pela determinação mandatória dos níveis de mistura ao óleo diesel e por incentivos à aquisição de veículos. gerando créditos federais a fabricantes incentivos substanciais não somente que produzissem automóveis capazes à adoção de medidas de eficiência de funcionar com combustíveis e tecnologias de redução do consumo. bem como em países que subsidiam os combustíveis e em países produtores de petróleo. apesar de uma diretiva de 2003 estabelecer uma parcela de 5. prevê-se uma intensificação das No setor de transportes. as metas as principais são o carro elétrico de consumo de etanol não são híbrido de tomada (PHEV). que vinham sendo implementadas pelo padrão Cafe (Corporate Average Fuel Economy) a uma taxa de crescimento de 2. Nos EUA. em decorrência principalmente de medidas de eficiência energética. as metas governamentais. será necessário promover ganhos de eficiência de 3% a 6% ao ano no período 2016-2025. e 42 utilizam a soja como matéria-prima. esse indicador sofreu uma redução de 32%. o etanol mandatórias. Ainda assim. 5% e 20% (indicadas por B2. estão sendo intensificadas para que haja alinhamento com a meta da Califórnia de redução. no entanto. Nos países da OCDE. A participação da agricultura familiar na produção de biodiesel tem sido objeto de política diferenciada por parte do governo federal. há 48 usinas de biodiesel em funcionamento. uma vez que não há e o biodiesel. Isso explica a intensidade mais elevada nos Estados Unidos. ou 2. como também à substituição de fontes de energia. Dentre estas. B5 e B20) para aplicações similares às do óleo diesel. essa redução não foi uniforme. na União Europeia há um déficit de 20% da produção. Na União Europeia.2% ao ano. de forma energética conjuga-se com os a atender às metas mandatórias de objetivos de segurança energética consumo de etanol. É importante também considerar a intensidade energética do setor industrial. o consumo do setor industrial ficou constante. Também explica a menor intensidade demandada por economias com elevada tributação do consumo. bem como por subsídios à produção. enquanto o PIB do país duplicou. Recentemente. principal produtora e consumidora mundial. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. alternativos. Ademais. ETANoL E gÁS O preço dos combustíveis e a tributação têm efeito negativo sobre a intensidade energética. competência para definir parcelas de mercado aos países-membros. Áustria e Holanda fixaram metas mandatórias. Alemanha. . das emissões a 40%-50% do nível de 2016.3% ao ano. No entanto. geralmente 2%. a vendas de veículos E85 (85% de necessidade de ganhos de eficiência etanol e 15% de gasolina).

adotaram-se premissas de maior incerteza e menor crescimento médio. Esta publicação reflete a premissa de que os anos até 2015 serão marcados pela retomada do crescimento econômico. De fato. geopolítico ou mesmo de disponibilidade energética. Do ponto de vista da economia mundial. a manutenção do dólar como moeda franca do comércio internacional vem se mostrando crescentemente frágil. por outro lado. Talvez a principal questão envolva os níveis históricos de endividamento público e privado da economia americana. Para o final desta década. Este estudo não tem como objetivo modelar ou analisar em detalhe as trajetórias macroeconômicas para o futuro. sejam estes de caráter cambial. em função de limites físicos e financeiros à expansão global. que expôs a vulnerabilidade do sistema financeiro mundial. viabilizando um maior consumo de combustíveis. até então considerada por muitos inabalável e destinada a se perpetuar. Potencial de crescimento macroeconômico A evolução da demanda por energéticos é fortemente atrelada ao crescimento macroeconômico. em função dos evidentes limites físicos e financeiros à expansão continuada do mundo em desenvolvimento no ritmo atual. Globalmente.Os efeitos que ocorrerão caso tal demanda não possa ser integralmente atendida. A trajetória de crescimento delineada em anos anteriores. acoplados a uma expansão sistemática da base 1. adotaram-se premissas de maior incerteza e menor crescimento médio. Assim. o crescimento econômico se traduz em maior renda disponível para as famílias. optamos por basear nossas análises nos cenários prospectados pelo Fundo Monetário Internacional em seu World Economic Outlook. . ou seja. retornando gradualmente ao seu patamar précrise. Por um lado. mais energia é demandada pelas empresas para viabilizar uma maior produção de bens e serviços.Para o final desta década. Cenário cambial Um aspecto relacionado. em função da deterioração dos fatores que garantiram a ascensão e manutenção dessa moeda ao status de reserva de valor ao longo do século XX. um aumento percentual do Produto Interno Bruto de uma economia acompanha um aumento correspondente da demanda por energéticos1. mantendo as condições inalteradas. foi abruptamente interrompida por uma das maiores crises financeiras da história. diversos estudos indicam que a elasticidaderenda do consumo energético é próxima a 1. Considerou-se que tal trajetória representa o “potencial de crescimento”. mas distinto. são abordados na seção seguinte. a tendência mais provável na ausência de choques continuados. eletricidade e outros usos de energia. ou seja. da trajetória de crescimento macroeconômico é o cenário cambial. o fim da última década foi especialmente turbulento. e seus reflexos sobre a atividade econômica possível.

sendo necessário um ajuste cambial. ETANoL E gÁS monetária (moeda fiduciária e crédito) cujos reflexos sobre os índices de inflação.8051 Política de preços Para finalizar o elenco de drivers analisados. sendo possível abstrair da análise os efeitos inflacionários.0 1.5 1. a estrutura de demanda pela moeda brasileira ainda tem fragilidades e é excessivamente exposta a incertezas e a especulações. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. a evolução do mercado brasileiro de combustíveis é prejudicada no comportamento do real vis-à-vis a moeda americana.5 2. possuidor de particular relevância nesse mercado. Taxa de câmbio R$ / US$ .0 3. mas cujos impactos são de grande magnitude e se refletem muito além das suas consequências imediatas. os preços estão denominados em valores constantes de 2010.5 Out/02 3. Entretanto.Comercial Compra . Além disso. Desta forma. A atual política de estabilização real dos preços internos e derivados de petróleo não repassa variações consideradas transientes e reduz efetivamente a exposição da economia nacional a choques nos preços internacionais do petróleo. junto da evolução da economia brasileira. incluindo o petróleo. que deve ser considerada como um driver à parte. Essa política se evidencia em momentos de elevação rápida dos 1.Média 4. têm sido sistematicamente mascarados. originada nos EUA).5 3. Embora a perda de valor do dólar no âmbito mundial. tenha se refletido em uma tendência geral de valorização do real desde o pico histórico de 2002 (interrompida esporadicamente por choques de confiança – tais como.0 2.6672 0.8451 Jan/95 Fev/11 Fonte: Banco Central do Brasil BCB/Boletim . ironicamente. o cenário que se apresenta para a próxima década é de incerteza e potencial volatilidade. de acordo com certos pesquisadores.0 0. a própria crise financeira. há correntes segundo as quais o presente patamar de valor do real é incompatível com o nível de exportações desejável para um crescimento econômico robusto a longo prazo. selecionamos um exemplo que é específico do mercado nacional de combustíveis. Neste estudo. Acredita-se que a perda de valor do dólar responda por uma fração substancial dos aumentos de preços de commodities no mercado internacional.

como o papel da estabilização de preços no esquema mais amplo das políticas econômicas do governo. Em tal regime. mas também é influenciado por outras considerações. a possibilidade de que. Fonte: U. Considerou-se. a Petrobras efetivamente passaria a agir como um price-taker em um mercado competitivo. margens de transporte e comércio e ajustando os preços internos de acordo com as variações nas cotações internacionais. Energy Information Administration – Gasoline and Diesel Fuel Update & Agência Nacional de Petróleo – Anuário Estatístico 2011 Jul/01 Jan/05 Jan/10 Jan/11 . o ano no qual tal transição de regimes se iniciará foi identificado como sendo o parâmetro mais relevante. Dentro das análises e simulações realizadas. O nível de descolamento dos preços internos dos derivados do petróleo tem implicações significativas sobre os mercados energéticos nacionais. Preço da gasolina ao consumidor (julho de 2001=100) Brasil Estados Unidos 250 200 176. o preço permanece estável. de forma que a trajetória futura dos preços do petróleo e derivados para o mercado brasileiro depende criticamente das premissas adotadas sobre o comportamento da Petrobras.S. É possível observar que o preço da gasolina nos Estados Unidos – país que não pratica o controle de preço – segue trajetória aproximadamente paralela à dos preços internacionais da matéria-prima.3 88.8 150 120. Este comportamento é desvinculado dos preços internacionais (em função da viabilidade política e financeira de continuar assumindo esses custos). neste estudo. como ocorreu em diversos momentos da década passada. preços no Brasil e nos EUA em julho de 2001 = 100. elevando-se em períodos de crise. durante a presente década.5 100 97. preços. elevando-se em períodos de crise. o preço da gasolina segue trajetória aproximadamente paralela à dos preços internacionais.1 83. ocorra uma transição rumo a um regime de preços mais compatível com a realidade internacional.5 50 157. estipulando um mark-up necessário para cobrir custos tributários. Já no Brasil.2 Índices de preços normalizados.Nos EUA. enquanto o preço observado no Brasil permanece relativamente estável.

O estudo designou as possíveis trajetórias para cada driver. eliminação até 2020. de forma que a plausibilidade dos cenários deve ser considerada de forma isolada para cada driver. Mundo: A partir de 2016. Brasil: Incorporação do pré-sal aquém do previsto. Brasil: Incorporação do pré-sal ligeiramente além do previsto. B e C). Incorporação acelerada do etanol de segunda geração. Cenário A Cenário extremo: com variáveis abaixo da taxa histórica. Vale notar ainda que os cenários A e C representam . Cada driver é considerado como um grupo de variáveis independentes das demais. caracterizadas por meio de três cenários: um baseline e dois extremos (referidos aqui como A. incorporação insuficiente para atender à demanda projetada. ampliação 5% inferior à projetada no cenário B. ampliação 20% a 50% superior à projetada no cenário B. Cenário extremo: com variáveis acima da taxa histórica. B Cenário baseline: com variáveis semelhantes à taxa histórica. Cenário C Mundo: para recompor capacidade ociosa. Políticas de subsídios à produção de etanol Redução de 1/3 até 2015. incorporação passa a atender à demanda projetada. Cenário Mundo: Mesmo com fontes novas (pós-2016). Em 2020 Mundo: 25 bi/ano EUA: 75 bi/ano Brasil: 60 bi/ano Redução de 1/3 até 2015 e de 2/3 até 2020. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Brasil: Incorporação do pré-sal conforme previsto. ETANoL E gÁS Cenários assumidos Ampliação da oferta de petróleo Ampliação da capacidade produtiva de etanol Falta de investimentos. Sem reduções.

Brasil deve ter alta anual entre 4% e 5%. Crescimento acelerado de 5% ao ano no mundo e de 3% a 3. 30% no Brasil).20 ). Transição de regimes a partir de 2011. os extremos de uma gama de diversas possibilidades. elaborados de forma a ser consistentes com as projeções quantitativas e qualitativas reunidas acima.66 ).5% do consumo de combustíveis no mundo (4.60 a 1. Etanol alcança: 4% do consumo de combustíveis no mundo (5% nos EUA. Transição de regimes a partir de 2015.9 e substituição energética Potencial de crescimento macroeconômico Cenário cambial Política de preços da Petrobras Carros elétricos até 2020: 4 milhões (3 mi nos EUA). e de 2% nos EUA. Não ocorre transição de regimes. : Iguais à taxa histórica. .5% nos EUA. Carros elétricos até 2020: 8 milhões (6 mi nos EUA). Este estudo não pretende produzir afirmações categóricas em relação aos valores máximos e mínimos que qualquer indicador ou variável possa alcançar nos anos futuros. Estagnação ou crescimento de até 1% ao ano no mundo e nos EUA. Abaixo da taxa histórica.71 a 1. no Brasil. Carros elétricos até 2020: 5. 25% no Brasil). alta de 4% ao ano.7 mi nos EUA).5% ao ano. Patamar próximo à média pós-2003 (R$ 2.5% nos EUA.00 a 2. 35% no Brasil). Acima da taxa histórica. crescimento no Brasil em torno de 3% ou 3. Patamar próximo ou inferior ao atual (R$ 1.1 milhões (3. Recuperação pós-crise (FMI) Crescimento médio de 3% ao ano de 2016 a 2020 no mundo. Etanol alcança: 3. Patamar projetado pelo mercado (R$ 1.78 ). Etanol alcança: 3% do consumo de combustíveis no mundo (4% nos EUA.

podem ter por meio das quais os efeitos desses menor impacto. por meio do qual foi possível realizar projeções e obter cenários consistentes. etc. Por exemplo. e longo prazo nesta década. devem ser considerados mais relevantes e ser acompanhados com mais atenção pelos stakeholders e tomadores de decisão. capítulo busca identificar e analisar cuja evolução a médio prazo está 8 3 89 % da produção mundial associada a um grau de incerteza as cadeias de transmissão Petróleo relativamente baixo. Etanol Oferta 40% 20% 0% 1980 Conhecendo as cadeias de transmissão % do consumo mundial 57 34 9 Pib Mundial 24 3 73 . % do consumo mundial drivers se refletem em impactos 22 3 75 do que parâmetros econômicos. econômicos. ETANoL E gÁS Projeções e cenários para a oferta e a demanda O que determina a dinâmica dos preços? Drivers (Institucionais. podemos afirmar que o impacto de um driver sobre um dado mercado depende não somente da sensibilidade da oferta e Àreas geográficas Tendo identificado e analisado os demais mas também Brasil demanda àquele driver. foi utilizado o Mipe (Modelo Integrado a graus de incerteza bastante altos. medido dessa forma. dentre esses drivers. Assim. afetam os mercados de forma menos 55 37 8 sistêmica. mas que estão associados % da produção mundial Para quantificar tais cadeias. podemos identificar quais. que sobre a oferta e demanda. trajetórias verossímeis e intervalos de confiança probabilísticos em relação aos preços dos energéticos estudados no período 2011-2020. Demanda Participa 100% 80% 60% Em cada um dos mercados analisados. tecnológicos. este parâmetros físicos e técnicos. Esses resultados são Preço alcançados por meio de uma análise segundo a qual a variação de cada driver em separado – mantendo os demais constantes – se traduz em um intervalo de variação de indicadores selecionados.0 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. países EUA analisadas (Resto do Mundo) sete principais drivers dos preços do intervalo de variação considerado de energéticos que atuarão a médio aceitável para o mesmo. físicos.) de Projeções Energéticas).

além de maior exportador de etanol). Em 2020. como visto anteriormente. econômicas e políticoinstitucionais. destacamos três áreas geográficas: os Estados Unidos (maior produtor e consumidor mundial de etanol. deve cair para 18% do consumo global. deve atingir 5% da produção e 4% do consumo mundial % da produção mundial 55 37 8 ETANOL % do consumo mundial 57 34 9 PIB MUNDIAL 0 24 10 20 3 30 40 50 60 70 80 90 73 100 . De forma a sistematizar essa complexidade. além de maior consumidor mundial de petróleo) e o Brasil (segundo maior produtor e consumidor de etanol. cada mercado é modelado no Mipe por meio de componentes separados de oferta e demanda. cuja interação causa as variações de preços. O que determina a dinâmica dos preços? Sabemos que os mercados nacionais e mundiais de energéticos são substancialmente interconectados e. A terceira área corresponde aos demais países do mundo. impactados por diversas variáveis técnicas. Para ilustrar as possibilidades decorrentes de tal análise desagregada. Um dos objetivos deste estudo é compreender não somente as dinâmicas de preços globalmente. como também o comportamento dos mercados nacionais cujas interações estruturam a oferta e demanda global por energéticos. Áreas geográficas analisadas Situação atual EUA Brasil Demais países % da produção mundial 8 3 89 PETRÓLEO % do consumo mundial 22 3 75 Em 2020.

Por isso. em particular. o que não invalida a conclusão de que o petróleo. não traduzem com a mais alta precisão seus reais tamanhos. é claro que as estimativas de reservas dos países da Opep. embora a Opep continue respondendo por uma fração elevada da produção mundial. Desta forma. como principalmente à substancial capacidade ociosa. ETANoL E gÁS Oferta Historicamente. trazendo consigo uma perigosa dependência de petróleo importado. de retardar movimentos de redução de preços. é um recurso finito. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. os swing producers foram capazes em diversos momentos de controlar os preços no mercado internacional.e. a Arábia Saudita.. se e quando encontradas. conforme divulgadas pelas petrolíferas e países produtores. ou. serão de petróleo de menor qualidade e maior custo de produção. entre outros. ao menos. De fato. o cenário que se desenha para o médio e longo prazo é qualitativamente distinto. é inegável que as novas reservas. Mundialmente. tal como o gás natural. . o que pode ocultar a ocorrência de picos em países produtores. posteriormente a Opep e. Mesmo que tal opacidade não oculte um cenário de falta imediata de recursos. a dinâmica dos preços de petróleo tem sido influenciada pelo poder de mercado exercido por países referidos como swing producers (i. as reservas provadas. quatro décadas após o pico da produção americana de petróleo diante da possibilidade de que alguns países produtores estejam atravessando seu próprio pico. o comportamento da oferta de petróleo no Mipe é modelado de forma essencialmente Peak Oil: incerteza crescente sobre os limites físicos da produção Entende-se por peak oil o momento no qual a produção de petróleo em uma dada região atinge seu máximo histórico. Entretanto. Graças não somente ao seu expressivo market share. Novas descobertas ou tecnologias de recuperação podem prolongar a vida útil dos recursos ou gerar “picos sobrepostos”. quando o declínio da produção nacional se mostrou inexorável. capazes de ampliar ou reduzir rapidamente a produção): primeiro os EUA. podem trazer erros de somatória. Essa foi a constatação nos EUA durante a década de 1970. deve-se supor que a oferta futura de petróleo será mais pulverizada e insuficiente para permitir a formação do massivo excedente de capacidade que viabilizava a atuação dos swing producers no passado.

a partir a dinâmica da sua curva de oferta herbicidas. dos custos de produção. por ser a saber. ocasionando e político-institucionais (políticas e o açúcar. características EUA. Em Etanol Gasolina que as fontes de petróleo mais físico-climáticas da região produtora. em função da Em contraste. o fator considerado como mais baratas são exauridas e repostas entre outros). tem (cujos derivados – fertilizantes. definida essencialmente por fatores e as políticas de subsídios ao etanol foi possível modelar a dinâmica exógenos. sejam técnicos (tecnologia combustível. no Brasil. econômicos relevante é a capacidade. Adicionalmente. o preço do petróleo expansão de capacidade e custos uma fonte renovável de energia. há uma elevação no custo de produção. Preço relativo inexorável da curva de oferta para da produção de etanol nos EUA a direita. Participação nas reservas de petróleo 100% Não Opep 80% 60% 40% Opep Oriente Médio 20% 0% Opep sem Oriente Médio 1990 2000 2009 1980 Fonte: BP Statistical Review of World Energy 2010 aíses Mundo) 89 75 8 competitiva. À medida de produção. de difícil extração. especialmente nos Preço efetivo da Preço efetivo da contraste. de acordo com os preços um deslocamento paulatino mas agrícolas e energéticas). por parte pela incorporação de fontes de mais (custos de insumos. share do Etanol share da Gasolina 9 . optamos por aumento ou não da capacidade total. o etanol.À medida em que as fontes de petróleo mais baratas são exauridas e repostas pela incorporação de fontes de mais difícil extração. mão de obra de grande parte das usinas. independentemente do e no resto do mundo. diesel e óleo combustível da observação de que as reservas dissociadano volume de produção do Mercado Brasileiro– são amplamente utilizados em Mecanismo de ajuste mais baratas são aquelas que são ou incorporação de capacidade. o custo de produção e outras despesas operacionais) direcionar sua produção entre o etanol marginal se eleva. ou seja. de produção. focar em dois desses fatores. e todas as atividades agroindustriais) de Gasolina e Etanol Combustível primeiro descobertas e exploradas. No âmbito relativos dessas duas commodities.

o preço no mercado interno é reajustado pari passu. o preço é mantido constante. Sendo o Brasil um mercado relativamente fechado no que se refere ao álcool. Assim. no presente estudo. ou seja. mais os preços praticados no final da década estarão próximos em relação aos de hoje em dia. comercialização e carga tributária). ETANoL E gÁS Embora os mercados mundiais de petróleo e etanol tenham uma estrutura essencialmente competitiva. a política de preços dos derivados tem impactos substanciais também sobre o mercado de etanol. Tal política é modelada. muitos acreditam que a longo prazo tal política não é sustentável e deverá ser relaxada gradualmente mais cedo ou mais tarde. Em particular. sejam esses originados de questões legais ou do próprio mercado. em função do diferencial entre as cotações interna e internacional do produto. Como veremos adiante. no Brasil. como também de priorizar o mercado externo de etanol em relação ao nacional. como discutido anteriormente. os produtores de etanol dispõem não somente da opção de produzir açúcar. Embora tal regra de decisão tenha sido mantida ao longo das condições bastante diversas que o mercado enfrentou ao longo na última década. o timing dessa transição é um dos fatores que determinam em que medida o mercado brasileiro se alinhará ao internacional até 2020. em muitos países eles são fechados e controlados por monopólios. quanto mais essa mudança de regime for adiada. por meio de uma regra de decisão na qual a Petrobras controla o mark-up do preço da gasolina. o governo implementa uma política de preços para os derivados de petróleo cujo objetivo nominal é “proteger” os consumidores da volatilidade do mercado internacional. Caso o preço internacional se desvie de forma a fazer com o que o mark-up saia do “intervalo aceitável”. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. o diferencial entre o preço praticado internamente e o “preço justo” ditado pelo mercado internacional (ajustado para diferenças em margens de transporte. Enquanto esse mark-up permanece dentro de um intervalo considerado “aceitável” (estimado a partir das séries históricas). . Especificamente.

Assim. uma vez que a gasolina no Brasil conta também com uma proporção substancial (20% a 25%) de etanol anidro em sua mistura. elasticidade-PIB e elasticidade-preço. a demanda por combustíveis no setor de transportes é crescentemente impactada pela interação entre o consumo de gasolina e de etanol – especialmente devido à crescente adoção dos motores flex. como também diferenciais de custo de manutenção ou outros aspectos). impactada apenas pelos ganhos de eficiência energética. caracterizando um modelo de substituição quase perfeita. Demanda Os dois energéticos estudados têm como principal destino o consumo no setor de transportes – o petróleo na forma de derivados como a gasolina. terão impactos sobre a demanda por combustíveis em todas as suas formas2. a demanda por quilometragem da crescente frota flex se traduz em uma demanda pelo combustível com menor preço efetivo no momento em questão. elasticidade-PIB e elasticidade-preço.O grau de importância que o etanol possui como energético no Brasil não tem paralelo em nenhum outro país na atualidade. apesar de relevante e expressivo. Entretanto. à medida que novas práticas e tecnologias são desenvolvidas e que antigas medidas são postas em uso. Como visto anteriormente. sua dinâmica de demanda é essencialmente atrelada à do diesel. também como função dos ganhos de eficiência energética.O consumo para outras finalidades (como aquecimento e indústria química). bem como automóveis movidos a GNV (gás natural veicular). o óleo diesel e o querosene de aviação. O biodiesel é produzido essencialmente para consumo da frota nacional. sendo resultado de um processo histórico no qual confluíram fatores político-institucionais (o programa Pró-Álcool). das quais a mais premente. Idem para o consumo da frota não flex. o mercado de etanol ainda está em um estágio inicial. . razão pela qual não se considerou esse combustível de forma desagregada. A tecnologia flex permite ao motorista escolher o combustível com preço efetivo mais baixo (possivelmente contabilizando não apenas a eficiência energética. Assim. a demanda por etanol hidratado.O consumo de outros combustíveis derivados de petróleo é modelado de forma linear. de acordo com misturas fixadas por leis e resoluções federais. é a eletrificação da frota. o grau de importância que o etanol possui como energético no Brasil não tem paralelo em nenhum outro país na atualidade. tem um comportamento mais linear e foi modelado de forma simplificada. qualquer eventual aumento da participação da gasolina reduz. Os ganhos de eficiência energética que se esperam. e o produto se insere em um portfólio crescente de alternativas energéticas. Como dito na Apresentação. o etanol como combustível ou como aditivo. dos automóveis restantes movidos apenas a gasolina ou a etanol. o impacto desse poder de substituição sobre o mercado de etanol é parcialmente amortizado. bem como a base agroindustrial já existente). 2 . Assim. No resto do mundo. de modo que esses dois combustíveis recebam especial atenção3. mercadológicos (os altos preços relativos do petróleo e derivados no país) e técnicos (o grande potencial físico e tecnológico nacional para o cultivo de cana-de-açúcar. ou seja. no futuro próximo. mas simultaneamente aumenta (embora em escala menor) a demanda por etanol anidro. No Brasil. 3 . sendo resultado de um processo histórico. um dos objetivos do estudo é iluminar essa interação. por um lado.

esse movimento de escalada começará a se arrefecer. E aquelas referentes à formação de preço especificamente no Brasil serão detalhadas no próximo capítulo. um crescimento econômico ainda dependente do petróleo. e uma expansão de oferta incerta e concentrada no período pós-2015. Petróleo no mundo: rumo a um novo patamar de preços A primeira variável de interesse a ser analisada é o preço do petróleo no mercado internacional (medido em US$ de dezembro/2010 por barril do óleo West Texas Intermediate). De 2017 em diante. na qual os preços dos combustíveis ao consumidor são administrados e sujeitos à influência direta do governo e da Petrobras. . o preço do petróleo tende a subir continuamente já a partir de 2011. Em função desses fatores. acompanham as trajetórias dos mercados internacionais. os preços dos derivados de petróleo. bem como do etanol. dentro do âmbito do estudo. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. em contraste. O gráfico de dispersão ao lado representa a gama de diferentes trajetórias geradas pelo Mipe para o preço do petróleo no período 2011-2020. A cada ano. após a execução de um grande número de simulações. serão tratadas nas próximas páginas. isolamos quatro variáveis de interesse. Como visto. referentes à precificação dos combustíveis no mundo. ETANoL E gÁS Petróleo e etanol: variáveis que afetam o comportamento no mundo Como discutido anteriormente. correspondentes às diferentes trajetórias dos energéticos nos mercados brasileiro e mundial. movimentos incipientes e insuficientes de substituição e eficiência energética. o mercado do petróleo nesta década será marcado pela interação entre uma demanda crescente. máximo e mediano dentre todos os valores obtidos nas simulações daquele ano e representa os mesmos no gráfico. o Brasil é uma economia relativamente fechada. o modelo calcula os valores mínimo. à medida que a maior parte das novas reservas entrar em operação e que as medidas de substituição e eficiência energética finalmente começarem a alinhar a demanda desejada à oferta viável. Nos EUA. Desta forma. Duas delas.

os seis demais fatores são mantidos constantes. B e C são definidos para cada driver (ver página 18). Em cada gráfico apenas o driver em questão varia.7 Cenário de preço do petróleo no mercado internacional Em US$ 140 Alta estimada de 2010 a 2020 130 35% a 60% no preço médio (US$ 120 a 134 por barril em 2020) 134 Máxima 127 Mediana 120 Mínima 120 110 109 107 105 100 90 89 Impacto dos principais drivers no mercado de petróleo Em US$ Cenário A Cenário B Cenário C 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 Potencial de crescimento 150 140 130 120 110 100 90 80 Eficiência e substituição 143 150 140 130 120 110 100 90 Ampliação da oferta 150 141 140 130 120 110 100 90 80 134 129 127 129 114 129 119 2010 2020 80 2010 2020 2010 2020 Trajetórias do preço de petróleo nos cenários A. .

pode-se afirmar que a crescente indisponibilidade de “oferta barata” de derivados de petróleo será um fator limitante para o desenvolvimento de praticamente todas as economias. Estima-se. Em consequência. por ano). em ordem decrescente: o potencial de crescimento econômico (respondendo por um range de variação de US$ 28/barril em relação ao cenário baseline). a inclusão de medidas de eficiência e substituição (range de US$ 21/barril).0% 1. ETANoL E gÁS Entretanto. para 2020. Nota-se que. Esse hiato será maior em alguns países.0% 2. Restrição de oferta de petróleo em relação ao crescimento do PIB mundial Real Hiato EUA 3. Consequências macroeconômicas do novo regime de preços Com base em evidências econométricas robustas e na experiência dos choques de petróleo da década de 1970. a característica de escalada e posterior estabilização dos preços é equivalente em todos os casos ilustrados. embora os intervalos factíveis para esses drivers tragam incerteza à trajetória. como o Brasil (hiato de 0.5% 1.0% 0. o que impedirá um recuo dos preços de volta ao seu patamar anterior.0% 3.0% 4.p. e a ampliação da oferta (US$ 7/barril). o patamar de custo de produção dos novos barris será muito superior ao disponibilizado pela oferta atual. Estima-se que tal restrição se traduzirá em um hiato de 0.p.0% 2011 2015 2020 0% 2011 2015 2020 0% 2011 2015 2020 . Dentro desse intervalo de trajetórias.0% Demais países 5.52 ponto percentual em relação ao crescimento potencial do PIB mundial a cada ano ao longo do período 2011-2020.0% 4.5% 0% Brasil 5. sabe-se que o papel do petróleo como principal fonte de energia primária no mundo se traduz em uma significativa sensibilidade do crescimento econômico ao preço de mercado desses energéticos.0% 2.5% 2.0% 2.0% 1. por ano).0% 1. e menor em outros. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. um preço médio 35% a 60% superior do que a média registrada em 2010 em termos reais (US$ 120 a 134 por barril). os drivers de maior impacto individual são.42 p.61 p.0% 3. como os EUA (hiato médio de 0.

53. verificar uma do Resto retração mundo convertida em incremento de oferta efetiva.2020 como essas. mas economicamente inviáveis dentro dos patamares de continuarão sendo o maior consumidor individual.4% Evolução regional e mundial do consumo e produção de petróleo Projeta-se que o consumo mundial de petróleo em Em paralelo. que até 2020 expandirá em 77% Quadro 22 em relação a 2010. que levarão o Brasil a produzir quase 5% Produção e consumo oferta e custos de produção crescentes delineado acima. como dia.2% 4. A expansão do petróleo mundial.7% Oferta 92.7%preço projetados.Estima-se para 00 um aumento no preço do petróleo de 35% a 0% em relação à média registrada no ano de 00 (US$ 0 a 3 por barril).5% É importante ressaltar que.3% expansão de capacidade não será integralmente desenvolvido deve.0% Oferta Demanda reservas de petróleo fisicamente acessíveis. Os EUA. reduzirão 50.2% 29. Quadro 19 – Produção e consumo de petróleo no mundo . em geral. representando um crescimento total de cerca de 2% o pré-sal brasileiro. como o Brasil. 20. com EUA 9. O mundo de produção das novas reservas incorporadas. mas ainda seu consumo de petróleo em 15% no período. passará a Brasil representar 4% do consumo mundial em 2020.2020 3. com os elevados custos uma expansão de 29% na sua demanda. havendo na sua demanda.7% EUA Brasil Resto do mundo 3. a 37. países em desenvolvimento. por exemplo.1% 78. serão necessárias para compensar no consumo de petróleo ocorrerá principalmente em a redução de reservas em várias áreas produtoras.3% com uma participação de quase 18%. Esse baixo crescimento é consistente a oferta efetiva do país.9% Demanda 17. Incorporações substanciais com o cenário de restrições de de etanol no mundo . . que. a expansão na produção ocorrerá 2020 seja de aproximadamente 85 milhões de barris/ principalmente em novas fronteiras petrolíferas.

9% Demanda Cenário de preço do petróleo no mercado internacional Resto do mundo Em US$ 140 Oferta mundial Alta estimada de 2010 a 2020 130 Real aíses 120 Hiato no preço médio (US$ 120 a 134 por barril em 2020) 35% a 60% 92. alcançando 2 milhões de boe/dia. não está 143 dimensionada para atender a essa 140 nova demanda.0% Potencial de crescimento Entretanto.7 bilhões de litros/ano.Produção e consumo de petróleo no mundo . o resto do mundo (países fora EUA e Brasil) passa a consumir 50% do etanol produzido. as metas (mandatórias 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019Brasil 2020 37.2020 29. a estrutura produtiva do150 etanol. 2010 2020 2010 2020 ou 177. globalmente. a expansão da capacidade de produção do etanol (range de US$ 53/boe). Essa nova demanda irá gerar uma expansão na capacidade de produção ao redor do mundo.7% 3. em países 114 110 exportadores. além da competição com a produção de alimentos. o 80 80 consumo de etanol crescerá até 2020.3% 150 140 130 120 110 Ampliação da oferta 20.2% ou não) adotadas em grande parte Resto do doImpacto dos principais drivers no mercado de petróleo mundo desenvolvido envolvem mundo Em US$ o crescimento substancial do Oferta Cenário A Cenário B consumo desse energético até Cenário C 2020. o cenário que se desenha é de crescente descompasso entre oferta e demanda. 90 90 . Até então. o preço médio real do boe (barril de Eficiência e substituição 53. valor 109 99% a 154% maior do que o atual. EUA 9. um volume 148% superior ao consumido em 2010.7% 150 141 140 130 120 110 134 129 127 129 119 100 100 Evolução do consumo e produção de etanol Em função da crescente substituição de fontes fósseis de energia. 129 como a disponibilidade de terra 120 adequada ao cultivo. Os drivers de maior impacto sobre 105 o range de cenários possíveis para o mercado mundial de etanol são: 107 100 político-institucionais discutidas anteriormente é que parte Quadro 22 significativa do consumo de Produção e consumo de etanol no petróleo passe a ser substituída 90 pelo consumo de energéticos 89 alternativos.4% Etanol no mundo: a escalada de uma 110 fonte alternativa 2015Um dos objetivos das medidas 2020 petróleo equivalente) de etanol deve variar de US$ 292 a US$ 374.2% 4. mundo . Em 2020.2020 3.3% Demanda 50.5% De fato.1% 134 Máxima 127 Mediana 78.7% 30 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. ETANoL E gÁS EUA Brasil 17. 120 Mínima o potencial de crescimento econômico (responsável por um range de US$ 78/boe). com uma consequente escalada dos preços. e a sua expansão 130 enfrenta limites físicos e geopolíticos. e a trajetória dos subsídios a esse energético (US$ 47/boe). À medida que países com demanda incipiente por etanol passam a obter uma fração de sua energia a partir dessa fonte. dentre os quais um dos principais candidatos é o etanol. 100 Embora se espere um grande ganho 90 de produtividade industrial com 80 a introdução do etanol de segunda 2010 2020 geração. tal ganho só ocorrerá no fim da década.

após a execução de um grande número de simulações. . máximo e mediano dentre todos os valores obtidos nas simulações daquele ano e representa os mesmos no gráfico. Trajetórias do preço de etanol nos cenários A. A cada ano.3 Em US$ 400 Cenário de preço do etanol no mercado internacional Alta estimada de 2010 a 2020 350 99% a 154% no preço médio (US$ 332/boe em 2020) 374 Máxima 332 Mediana 300 292 Mínima 250 218 200 195 171 150 147 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 Impacto dos principais drivers no mercado de etanol Em US$ Cenário A Cenário B Cenário C Potencial de crescimento 450 400 350 300 250 200 150 100 Ampliação da oferta 450 Subsídios ao etanol 450 386 349 308 400 350 300 250 200 150 370 349 318 400 350 300 250 200 150 100 365 349 318 2010 2020 100 2010 2020 2010 2020 O gráfico de dispersão acima representa a gama de diferentes trajetórias geradas pelo Mipe para o preço do etanol no período 20112020. Em cada gráfico apenas o driver em questão varia. o modelo calcula os valores mínimo. B e C são definidos para cada driver (ver página 18). os seis demais fatores são mantidos constantes.

estreitando o intervalo de mark-ups aceitáveis. A cada ano. Como consequência. será necessário realizar uma transição para um regime no qual os preços no Brasil acompanhem mais de perto aqueles praticados pelo mercado internacional. após a execução de um grande número de simulações. o timing da transição (responsável por até R$ 0. tal intervalo tem sido bastante amplo. em 2020. Os principais fatores que determinarão o momento no qual essa tendência de transição de políticas se traduzirá em variações nos preços são. a gasolina no Brasil pode alcançar um preço médio de R$ 2. em ordem decrescente: a trajetória de valorização da moeda brasileira em relação ao dólar (responsável por um range de até R$ 0. Acredita-se que. o preço da gasolina no Brasil tende a ser mantido constante enquanto o mark-up em relação ao mercado internacional se mantiver dentro de um intervalo “aceitável”.52/litro) e o potencial de crescimento econômico. ou seja. representando desde uma queda de 1% até um acréscimo de 41%.49 a R$ 3. preço da gasolina no País acompanha mercado internacional Como visto nos capítulos anteriores. De forma condizente com o cenário descrito acima.99/litro). o modelo calcula os valores mínimo.46/litro). máximo e mediano dentre todos os valores obtidos nas simulações daquele ano e representa os mesmos no gráfico. Durante os últimos anos. ilustrando a tendência de que os preços sejam pressionados em direção a valores compatíveis com o novo patamar do mercado internacional. principalmente o brasileiro (responsável por R$ 0. mais cedo ou mais tarde.53/litro. esses intervalos representam uniformemente variações de elevação em relação aos preços atuais da gasolina. ETANoL E gÁS Brasil: rumo ao alinhamento internacional Rumo a 00. O gráfico de dispersão ao lado representa a gama de diferentes trajetórias geradas pelo Mipe para o preço da gasolina no período 2011-2020. .3 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo.

0 2.53 Máxima -1% a 41% 3.8 2.0 2.49 Mínima Impacto dos principais drivers no mercado de gasolina Em R$ Cenário A Cenário B Cenário C Câmbio 3.5 2.8 2.8 2.6 3. Em cada gráfico apenas o driver em questão varia.5 3.4 2.0 2.4 3. a transição de regimes inicia-se em 2011.4 no preço médio (R$ 2.2 3.6 Variação estimada de 2010 a 2020 3. No cenário A.33 Cenários de preço da gasolina no Brasil Em R$ 3.0 2. os seis demais fatores são mantidos constantes. e. em 2015. no cenário C.2 3. .5 2.6 2.96 2.0 3.6 Potencial econômico 3.6 2.4 3.6 2.49 a 3.96 Mediana 2. no cenário B.5 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2. B e C são definidos para cada driver (ver página 18).8 2.0 Ano de transição* 3. não ocorre transição.6 3.8 2.8 2.0 2.2 3. *Refere-se à política de preços da Petrobras.4 2.53 por litro em 2020) 3.4 3.5 3.8 2.4 2.2 3.6 2.5 2010 2020 2010 2020 2010 2020 Trajetórias do preço da gasolina nos cenários A.0 2.

a capacidade dos fornecedores de etanol de ditar preços se torna bastante limitada: apesar de a produção de etanol ser bastante sazonal.03/litro.3 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. sendo que o primeiro é. após a execução de um grande número de simulações. sujeita a eventos agrícolas e ao seu próprio switching com o açúcar. o custo do etanol ao consumidor acaba por ser substancialmente mais impactado pelas variações de preços da gasolina do que o contrário. Esse descolamento entre a cotação nacional e a internacional faz com que o mercado consumidor brasileiro se torne progressivamente desinteressante para o produtor local. as oscilações de preço tendem a ser temporárias. O gráfico de dispersão ao lado representa a gama de diferentes trajetórias geradas pelo Mipe para o preço de etanol no período 2011-2020. A cada ano. Isso faz com que os mercados fornecedores de ambos os combustíveis sejam pressionados em direções opostas. de fato. o etanol poderá alcançar um preço médio de R$ 1.31/litro. para o equilíbrio no qual os seus preços efetivos sejam iguais. os dois drivers de maior impacto sobre o range de cenários possíveis são.37 a R$ 2. o mais importante para o mercado de etanol (responsável por um range potencial de R$ 0. revertendo para a trajetória de equalização de preços relativos. em 2020. enquanto que o câmbio é responsável por um range de R$ 0. representando desde uma queda de 13% a um aumento de 29% em relação ao seu valor atual. bem como um incremento na participação desejada da gasolina. Como consequência. Dado que o preço da gasolina é fundamentalmente determinado por fatores político-institucionais. a trajetória do preço do etanol ao consumidor no Brasil é relativamente estável. como uma redução no da gasolina) gera uma redução na demanda por aquele combustível. a oferta por esse combustível se comporta de forma inelástica ao preço e. o modelo calcula os valores mínimo. . Sendo o preço do etanol tão fortemente dependente do preço da gasolina. Assim. o timing da transição de políticas da Petrobras e o câmbio. com a crescente participação da dessa frota no market share do setor. máximo e mediano dentre todos os valores obtidos nas simulações daquele ano e representa os mesmos no gráfico. ocorre um efeito de equalização de preços efetivos: por exemplo. vis-à-vis às exportações.28/litro). ETANoL E gÁS Etanol deve seguir câmbio e políticas da Petrobras A frota flex oferece ao consumidor a possibilidade de substituição quase perfeita entre etanol e gasolina. em consequência.22/litro em 2020. não somente um aumento no preço do etanol. igualmente. Em terceiro lugar aparece a ampliação da capacidade produtiva de etanol. Assim. cuja variação corresponde a um range de R$ 0. um aumento do preço relativo do etanol (ou seja. Em particular.

.62 1.69 em 2020) 2. a transição de regimes inicia-se em 2011.62 1.88 3.1 2.4 3.8 2.03 Máxima 1.4 2.62 2.6 Ampliação da oferta 3.0 2010 2020 2010 2020 Trajetórias do preço de etanol nos cenários A.54 1. Em cada gráfico apenas o driver em questão varia.35 Em R$ 2.9 1.0 1.9 1. os seis demais fatores são mantidos constantes.0 2.59 1.3 Câmbio 3. e.8 2.5 1.4 1.93 3.6 2.8 1.6 1.0 1.37 Mínima Impacto dos principais drivers no mercado de etanol Em R$ Cenário A Cenário B Cenário C 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 Ano de transição* 2.7 1.6 1. B e C são definidos para cada driver (ver página 18).3 1. não ocorre transição.7 1.69 Mediana 1. no cenário C. em 2015.52 1.0 1.4 1.6 Cenários de preço do etanol no Brasil Alta estimada de 2010 a 2020 de 7% em média no preço médio (US$ 1.57 1.60 2010 2020 2.6 2.76 1.5 1.68 1.2 3.0 1. No cenário A.4 3.8 1. no cenário B.2 3. *Refere-se à política de preços da Petrobras.4 1.

o gás deverá ter sua utilização ampliada com a entrada em operação dos campos do pré-sal e a extensão das redes de distribuição do produto. a oferta total de gás natural no Brasil foi 61. dos quais 45% foram produzidos no país. Em 2010. No período 2000-2010. a produção local cresceu a uma taxa de 5% ao ano. no quadro de um contrato de 20 anos entre os dois países que deve ser renegociado em 2019. as importações da Bolívia aumentaram a uma taxa de 16% ao ano. quando se estima que a produção de gás natural .7 milhões de m³/dia. ETANoL E gÁS Gás natural: um mercado em expansão O gás natural deve tornar-se um participante mais relevante na oferta de energia no Brasil ao longo das próximas décadas. Ao mesmo tempo.3 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. 43% importados da Bolívia e 12% importados na forma de gás natural liquefeito (GNL) de Trinidad e Tobago e da Nigéria. Associado em grande parte à produção de petróleo.

no Brasil será de 176 milhões de m³/dia. Em fase de ampliação.Do gás natural comercializado pelas distribuidoras (50 milhões de m³/dia). a Sul com 10%. Rio de Janeiro (15 milhões de m³/dia) e Bahia (4 milhões de m³/dia). nos Estados de São Paulo (49%) e do Rio de Janeiro (15%). A conexão das redes de gasodutos das regiões Sudeste e Nordeste por meio do Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste) deve ampliar o consumo na região Nordeste. que dispõem de rede de distribuição significativa. Rio de Janeiro e Bahia. os principais consumidores são os estados de São Paulo (16 milhões de m³/dia). ficando a região Nordeste com 18%. Ao longo da década 2010-2020. sendo em parte queimado. devem entrar em operação o campo de Mexilhão (de gás não associado). cuja demanda foi comprometida ao longo da década de 2000 por falta de disponibilidade do produto. e de Camarupim. A maior parte das reservas (68% do total) e do gás natural produzido (80% do total) é de gás associado ao petróleo. por fim. na Bacia de Santos (70 bilhões de m³ de reservas e produção de 10 milhões de m³/dia). O setor industrial é o maior consumidor (26 milhões de m³/dia). Do gás natural comercializado pelas distribuidoras (50 milhões de m³/dia). os principais consumidores são os Estados de São Paulo. A região Sudeste consome 70% do gás natural do país. enquanto se produz petróleo. na Bacia do Espírito Santo (produção de 10 milhões de m³/dia). Regulação da ANP estabelece que a queima não pode exceder 3% da produção. o que prioriza a implantação de infraestrutura de escoamento do gás natural nos sistemas de produção do pré-sal. principalmente na região Sudeste (70%). Já o consumo do setor residencial é relevante nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. a rede de . além dos campos a serem desenvolvidos na camada pré-sal. Cerca de 13% do volume de gás natural produzido é utilizado para consumo próprio da Petrobras. por falta de infraestrutura de escoamento. ampliando ainda mais o poder de negociação do Brasil em relação à Bolívia.a região Norte com 2% e.

com consumo de cerca de 3 milhões de m³/dia. O setor industrial terá um consumo de 50. com maior recurso às térmicas.7 milhões de m³/dia (30% do total). Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que. Essa ampliação da oferta viabiliza novas oportunidades ao gás natural no período. em especial nos setores industrial e de transportes. Os Estados Unidos eram um grande importador do produto (115 bilhões de m³ ao ano.3 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. O desenvolvimento da produção do gás de xisto nos Estados Unidos evidencia essa dinâmica ao modificar as condições de demanda e preço no mercado global de gás natural. O gás natural veicular (GNV) teve um consumo de cerca de 7 milhões de m³/dia. o consumo total de gás natural será de 169 milhões de m³/ dia. ETANoL E gÁS distribuição dos demais Estados ainda atende principalmente aos setores industrial e de geração elétrica.6 milhões de m³/ dia e a geração elétrica deverá consumir 15. organizado em torno a Bacia do Atlântico e da Bacia do Pacífico. A cogeração (produção de vapor e de energia elétrica). tem avançado no setor de serviços e tende a concorrer com as distribuidoras de energia elétrica.9 milhões de m³/dia. a geração elétrica consumiu cerca de 16 milhões de m³/dia. em 2019. Por essa razão. com uma interface no Oriente Médio. em que poderá ser utilizado na cogeração. Em 2010. a cogeração industrial atingirá 4. O consumo de GNV será de 10.7 milhões de m3/dia. muitos investimentos em usinas de . na geração de energia elétrica em horários de ponta e no transporte coletivo. com previsão estimada de crescimento nas próximas décadas. em média. ao longo do período 1990-2008). O desenvolvimento de cadeias de gás natural liquefeito (GNL) em grande parte dos países produtores está dando dimensão global a um mercado de características regionais.

as empresas produtoras devem adotar a liquefação do gás natural embarcada (GNLE) em unidades flutuantes. desse modo. com 25 trilhões de m³) dispõe de capacidade de 77 mtpa (milhões de toneladas/ano de GNL). Ao longo da década. Por causa da distância em que se encontram da costa. A oferta de GNL do Qatar (3a reserva mundial. antes desenhados para atender ao mercado dos Estados Unidos. construídos ao longo da década 2000-2010. a partir das quais o produto será enviado por metaneiros (navios de transporte de gás natural) para unidades de regaseificação situadas na costa do Brasil ou exportado. . No Brasil. as empresas produtoras devem adotar a liquefação do gás natural embarcada (GNLE) em unidades flutuantes. atenuar sua dependência em relação à Rússia) e a demanda por gás natural para eletrificação pelos países produtores de petróleo do Oriente Médio. liquefação de gás natural nos países produtores realizados recentemente visavam. mas ainda há muita incerteza quanto ao volume passível de extração e aos custos de produção. o mercado dos Estados Unidos. estima-se que a produção de gás natural nos campos a serem desenvolvidos na camada pré-sal corresponda a 20% da produção de petróleo. novas áreas de produção de gás de xisto poderão ser exploradas tanto na União Europeia quanto na Rússia e na Ásia.Por causa da distância em que se encontram da costa. podendo ser negociada também a compra de GNL de outros países produtores de gás natural. particularmente. para a União Europeia e para a chamada Bacia do Pacífico (Ásia e Oceania). A produção do gás de xisto do País está sendo desenvolvida por várias empresas e deve atingir 88 bilhões de m³ em 2009. Isso deve provocar uma reorientação dos fluxos de GNL. A estratégia de transição a ser adotada por esse país deverá integrar a concorrência com outros fornecedores que atendem à União Europeia (que poderia. novas unidades de regaseificação deverão se instalar ao longo da costa do Brasil. Com o início da operação de liquefação na camada pré-sal.

0 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. ETANoL E gÁS OS DRIVERS CENÁRIOS DE Importância dos drivers nos mercados de petróleo. gasolina e etanol Petróleo/Mundo Etanol/Mundo Potencial Econômico Subsídios ao Etanol Ampliação da Oferta de Etanol 1º 2º 3º Petróleo/Mundo US$/barril 140 130 120 110 107 100 90 Potencial Econômico Substituição Ampliação da Oferta de Petróleo Etanol/Mundo US$/boe 400 134 127 120 350 300 250 200 150 374 332 292 Mediana Mínima e Máxima 195 147 2015 2020 89 2015 2020 2010 2010 .

.7 Etanol/Brasil 2.8 2.59 2. PREÇO Gasolina/Brasil Câmbio Ano de Transição Petrobras Potencial Econômico Etanol/Brasil Ano de transição Petrobras Câmbio Ampliação da Oferta de Etanol 1º 2º 3º R$/litro 3.69 Alta de 7% até 2020.96 Alta de 18.3 2010 2015 2020 R$ 1.03 Preço médio da gasolina no Brasil: R$ 2.6 3.53 R$/litro 2.57 1.2 3.69 1.9 1.4 3.6 1.5 1.1 2.4 Preço médio do etanol no Brasil: 1.0 2.5 2015 2020 2.96 1.8 1. 1.5 2010 2.49 1.0 1.37 2.6 Gasolina/Brasil 3.7% até 2020.

ETANoL E gÁS olhando à frente: o que muda até 2020 No panorama até 00. Os preços médios da gasolina não devem começar a se elevar de forma sistemática antes de 2015 e. A velocidade com que essas mudanças no panorama internacional se refletirão no mercado brasileiro de combustível será modulada. que. A tendência mediana é de alta de apenas 7. puxado pelo descompasso entre o crescimento da demanda e a incorporação de novas reservas.0% até 2020. Essa trajetória começa a se amortecer apenas a partir de 2017. podem não se alterar durante o período inteiro. alta dos preços e favorecimento das fontes renováveis Os anos até 2020 reservam substanciais mudanças de panorama para os mercados internacionais de energéticos. as cotações médias do petróleo e do etanol no mercado internacional devem alcançar altas medianas. respectivamente. Tal arrefecimento não se mostra provável para o mercado de etanol nesse horizonte. Isso gera uma barreira para que o preço do etanol siga as cotações mundiais. de 43. tendo uma alta mediana de apenas 18. Tais trajetórias podem ser afetadas por diversos condicionantes. pela política de preços da Petrobras e pelas variações cambiais. conforme a matriz energética mundial passa a favorecer fontes renováveis. terão custo de produção médio muito superior ao das fontes atuais. ou até mesmo a registrar quedas.9% até 2020. apontando para um novo equilíbrio viabilizado pelas novas fontes. de fato. entretanto.1% e 125. De fato. O preço do petróleo tende a subir continuamente já a partir de 2011.7% até o fim do período. ocasionando uma escalada de preços cujo fim não parece estar à vista. antes de tudo. o preço tende a ficar estável e depois acompanhar a gasolina na sua escalada pós-2015. dependendo das pressões da demanda. a demanda por esse combustível tende a permanecer à frente da oferta. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Em função desse cenário. sendo que cada um dos sete .

são também de alto impacto.4 ponto percentual para o PIB brasileiro em 2020. . mesmo sendo sujeitos a menor incerteza. Conforme visto anteriormente. tais conclusões não se justificam. e não o refino e a agregação de valor. Adicionalmente. Por fim. o que é um valor significativo. e em terceiro lugar no mercado brasileiro de gasolina. a trajetória dos subsídios ao etanol. que a importância das exportações de petróleo para a economia brasileira crescerá moderadamente em termos absolutos. durante a próxima década. Em função disso. ocupando os dois primeiros lugares nos mercados de gasolina e etanol. Finalmente. que em 2010 foram de US$ 16.As exportações geradas pela exploração no pré-sal terão um impacto positivo de apenas cerca de 0. A análise. se supusermos que. que aparece como o principal condicionante para os mercados mundiais de petróleo e etanol. o consumo interno de petróleo do Brasil crescerá expressivamente até 2020. Isso é verdadeiro caso a indústria continue enfatizando a produção e exportação de petróleo bruto. Esse volume corresponderá a receitas de US$ 27. no horizonte aqui analisado. Em relação ao panorama nacional de forma geral.8 milhões em 2010) como principal categoria de exportação. Em particular. Os condicionantes de caráter mais técnico. Entretanto. mostra ser um driver de relevância para a evolução dos preços mundiais deste combustível. especialmente nos EUA. levando em conta o crescimento do Produto Interno Bruto do País ao longo da década. Impactos do pré-sal sobre a exportação de petróleo Em função dos vultosos investimentos sendo realizados na sua exploração. não se espera que o petróleo suplante o minério (US$ 30. há quem acredite que o pré-sal terá impactos expressivos sobre o perfil exportador e econômico do Brasil. que alcançarão o fim da década representando apenas cerca de 600 mil barris/dia em 2020. as exportações geradas pelo pré-sal terão um impacto positivo de apenas cerca de 0. a expansão da produção no pré-sal será apenas parcialmente revertida em exportações.9 bilhões/ano. e pode até decrescer em termos relativos. mas representa apenas um crescimento de 73% em relação às exportações de petróleo bruto do País. mantendo as condições inalteradas.2% das exportações totais em 2020. como a ampliação da oferta e a implementação de medidas de eficiência e substituição. ponto percentual para o PIB brasileiro em 00. drivers considerados no início do estudo tem diferentes graus de impacto sobre os mercados analisados. as exportações do País crescerão a um ritmo igual à sua média histórica (1991-2010). assim. dá destaque ao potencial de crescimento econômico.9 bilhões mencionados acima) corresponderão a 5. Vê-se. então em 2020 as receitas de exportação do petróleo (os US$ 27. o câmbio e o ano de transição de regimes da Petrobras são os drivers de maior destaque.1 bilhões.

o presente estudo não se compromete com nenhuma das duas posições. Retorno energético determina fontes sustentáveis no longo prazo Embora o cenário pós-2020 envolva um maior grau de incerteza. De acordo com tais analistas. optando por um “caminho do meio” baseado nas evidências físicas. e principalmente os EUA. Alguns autores da corrente do peak oil apostam em cenários drásticos de insuficiência energética. Infelizmente. a história mostra diversos exemplos de situações nas quais tecnologias de alto potencial de lucro ou benefício social não foram capazes de se sobrepor a posturas arraigadas e redes de incentivos perversos. de forma que os cenários de insuficiência crônica geram suas próprias soluções. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. as pressões econômicas sempre geram incentivos ao desenvolvimento de novas fontes de energia a baixo custo. porque passa ao largo da intermediação do sistema de preços e fornece um parâmetro de engenharia que pode ser . ou retorno energético. serão incapazes de reinventar sua estrutura energética de forma a se adequar às novas condições de preços de forma suave. deve-se esperar um aumento na relevância do conceito de energy return on energy investment (EROEI). ETANoL E gÁS Visão de futuro: o que esperar após 2020 Na literatura sobre o futuro dos mercados de energia. Em outro extremo. Primeiramente. é possível traçar algumas conclusões claras em relação aos fatores de maior relevância nesse horizonte de tempo. Trata-se de um indicador de interesse. Como explicação. Desta maneira. existe uma corrente de pensamento marcada pelo “otimismo tecnológico”. como também para as relações de poder. estrutura geopolítica e segurança alimentar de forma global. tecnológicas e econômicas. o EROEI consiste na razão entre a energia despendida para obter certo recurso e a energia obtida na sua utilização. Em tais projeções. o mundo. existe amplo espaço para contradições e visões discordantes. com graves consequências não somente para o crescimento econômico e continuidade do investimento.

a análise tradicional de viabilidade econômica de recursos deve ser substituída pela análise de EROEI. Em um cenário em que tecnologias como o plug-in hybrid têm relevância na composição da frota. De fato. e é alta a probabilidade de que continue a valer. que passa a ser substancial. Por exemplo: • Uma baixa elasticidade-preço a curto prazo (indisposição das famílias e empresas em reduzir seu consumo de energia . um cenário nos quais os preços de energéticos se mantenham elevados por um tempo prolongado ou indefinido pode gerar diversos efeitos sobre o perfil do consumo que causam impactos macroeconômicos além do modelo isoelástico. deve-se verificar com mais detalhes a estrutura do feedback entre o crescimento econômico e a demanda por energia. Do lado da demanda. até o momento. o principal fator à vista no período pós-00 é a eletrificação da frota de automóveis. portanto. essa hipótese tem se mostrado historicamente válida. integrando a demanda por combustíveis automotores à demanda geral por energia. estimado para uma dada tecnologia de aproveitamento de um recurso energético específico. os combustíveis fósseis e renováveis passam a ser substitutos parciais da energia elétrica e. como também pelas regulações relevantes. que passa a ser substancial. excluindo momentos de restrição artificial da oferta. Esse feedback.Do lado da demanda. particularmente à medida que ocorre a eletrificação da frota. o principal fator à vista no período pós-2020 é a eletrificação da frota de automóveis. a demanda por eles passa a ser afetada pelo EROEI das tecnologias de produção de eletricidade. com uma curva de demanda com proporções constantes e sem efeitos de cortes abruptos. Restrições na oferta podem limitar o crescimento Na análise pós-2020. foi representado por um modelo isoelástico. Nesse sentido. que permite identificar as fontes de energia com maior potencial para serem física e tecnicamente sustentáveis a longo prazo. isto é. À medida que os combustíveis fósseis se tornam escassos e a estabilidade de preços de insumos deixa de ser um dado.

no Japão. atingindo sua viabilidade da mesma. pode vir a ter consequências substanciais sobre o planejamento e reestruturação da matriz energética mundial no longo prazo. ou por meio de mudanças culturais em resposta a preços acima de certo patamar – por exemplo. o desastre nuclear de Fukushima. dada uma mudança suficientemente duradoura nos preços de energéticos. Por um lado. tais adaptações têm um precedente histórico. como se verifica pela sucessiva substituição de fontes na matriz energética mundial ao longo dos séculos. eventos recentes têm trazido substanciais incertezas em relação à oferta futura de energia e seu custo. uma alta elasticidade-preço a curto prazo (opção por reduzir drasticamente o consumo de energia) pode inviabilizar a produção de uma substancial fração da economia. ETANoL E gÁS mesmo diante de preços elevados) pode reduzir o valor agregado da produção e a renda disponível. efeitos de longo prazo se tornam relevantes. • Tendo em vista a estabilidade histórica já mencionada. As preferências dos consumidores são radicalmente alteradas. Por outro lado. diminuindo o consumo de outros bens e a capacidade de investimento da economia. criar as condições para um mercado sustentável de energia renovável. governos e consumidores consigam gradualmente romper as amarras (tecnológicas. Entretanto. políticas e psicológicas) que os mantêm dependentes de recursos fósseis e. seja através da introdução de novas modalidades de transporte e produção. Por outro lado. e tal conjuntura pode se manter desfavorável por mais longo prazo. é razoável crer que os preços nunca chegarão . BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. o mais provável é que as empresas. a instabilidade geopolítica no Oriente Médio põe em xeque uma grande parte da capacidade produtiva de petróleo. No entanto. • a patamares tais que efeitos como os descritos sejam ativados. Nesse contexto. transferindo demanda por bens de consumo para o comércio eletrônico. dessa forma. aumentando as pressões de demanda na direção de outras fontes. Finalmente.

podem ser de 50 bilhões a 100 bilhões de barris. como a Petrobras e as grandes multinacionais. As atividades de exploração e produção devem atrair investimentos superiores a US$ 250 bilhões em dez anos. A complexidade da operação de extrair petróleo a até 7 mil metros abaixo da superfície d’água. ou mais. O início da exploração das jazidas na camada pré-sal das Bacias de Santos. nesse mercado. alcançada pela primeira vez em 2006. cifra que inclui infraestrutura e transporte. Mas há quem acredite. composta de centenas de empresas com foco no desenvolvimento de novas tecnologias e de milhares de fornecedores de serviços. como dito nos capítulos anteriores. o Brasil está diante da possibilidade de se tornar um dos grandes produtores mundiais. mas sim o desenvolvimento de uma indústria de alta tecnologia – com fornecedores globais localizados no Brasil e com capacidade de suprir de forma abrangente demandas complexas e sofisticadas dentro e fora do segmento de petróleo e gás – e a chegada de um conjunto de profissionais capacitados em grandes projetos e novas tecnologias e padrões técnico-ambientais . podemos afirmar que o maior legado do pré-sal para o Brasil não é o petróleo em si ou a acumulação de mais reservas. Campos e Espírito Santo deu outra dimensão à indústria de petróleo e gás local. que os gastos globais possam atingir US$ 1 trilhão. Os reservatórios do pré-sal. como também empresas nacionais de menor porte. mas com grandes desafios De país que comemorava a autossuficiência de petróleo. exige a participação de uma ampla cadeia de valor. com grande repercussão no mercado internacional. já que o Brasil. em distâncias que podem chegar a 300 km da costa. Isoladamente. hoje. equipamentos e insumos para alimentar tanto as gigantes do setor. segundo previsões feitas com base nos resultados da perfuração de mais de 30 poços. oferece as maiores oportunidades para a indústria petrolífera mundial em alto-mar.7 Desafios e oportunidades Pré-sal: promessa de riqueza.

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Jazidas no pré-sal
Campos descobertos até 1984 Campos descobertos de 1984 a 2001 Campos descobertos de 2002 a 2005 Campos descobertos de 2006 a 2009 Novas descobertas - confirmadas ou não confirmadas

ESPÍRITO SANTO

Profundidade da água do mar 400 m 1.000 m 2.000 m 3.000 m

RIO DE JANEIRO

Baleia Franca 12 Jubarte 1 18 Nautilus Baleia Azul
11 17

Itaipu

10

Wahoo

SÃO PAULO

BACIA DE CAMPOS
Águas rasas

Lula (ex-Tupi)
15

Corcovado 1 Panoramix
13

19 20 9

Parati 2 Macunaíma 22
7 4 21

3

Iara

Libra e Franco
ma ríti ma cia ba da ite Lim

Bem-te-vi
5

Carioca Iguaçu 16 8 Guará
14

6 Júpiter Carioca Nordeste

Caramba

Azulão

BACIA DE SANTOS

Águas ultraprofundas

Fonte do mapa: Localização estimada a partir de mapas da Brasil Energia - Bacia de Campos e Bacias de Santos, Paraná e Pelotas

9

NOME
1 2 3 4 5 6 7 8 9

DATA jan/01 jun/05 jul/06 set/07 jan/08 jan/08 mai/08 jun/08 ago/08 set/08 nov/08

BACIA Campos Santos Santos Santos Santos Santos Santos Santos Santos Campos Espírito Santo Espírito Santo Santos

BLOCO BC-60 (Par que das Baleias)

OPERADOR Petrobras (100%) Petrobras (65%) Petrobras (65%) Petrobras (45%) Petrobras (80%) Petrobras (80%) Petrobras (66%) Petrobras (45%) Petrobras (65%) Anadarko (30%) Petrobras (100%)

PARTICIPANTES Petrobras BG (25%), Partex (10%) BG (25%), Galp Energia (10%) BG (30%), Repsol YPF (25%) Galp Energia (20%) Galp Energia (20%) Shell (20%), Galp Energia (14%) BG (30%), Repsol YPF (25%) BG (25%), Galp Energia (10%) Devon Energy (25%), EnCana (25%), Maersk (20%) Petrobras

RESERVAS ESTIMADAS ( BARRIS) n/d n/d 5 a 8 bi 2 a 6 bi n/d 5 a 8 bi 3 a 4 bi 3 a 4 bi 3 a 4 bi 300 mi 1,5 a 2 bi (inclui Baleia Franca) 1,5 a 2 bi (inclui Baleia Azul) n/d

JUBARTE PARATI TUPI CARIOCA CARAMBA JÚPITER BEM-TE-VI GUARÁ IARA

BM-S-9 BM-S-11 BM-S-9 BM-S-21 BM-S-24 BM-S-8 BM-S-9 BM-S-11 BM-C-30 BC-60 (Par que das Baleias)

10 WAHOO 11 BALEIA AZUL

12 BALEIA

FRANCA

nov/08

BC-60 (Par que das Baleias)

Petrobras (100%)

Petrobras

13 PANORAMIX

jan/09

BM-S-48

Repsol YPF (40%)

Petrobras (35%), Woodside Petroleum (12,5%), Companhia Vale do Rio Doce (12,5%) Amerada Hess (40%), Petro bras (20%) Petrobras (60%) BG (30%), Repsol YPF (25%) Anadarko (33,3%), Maersk (26,7%) Petrobras (35%), Oil and Natu ral Gas Corp. (Índia) (15%) Propriedade da União Propriedade da União BG (30%), Repsol YPF (25%) BG (25%), Partex Brasil (10%)

14 AZULÃO 15 CORCOVADO-1 16 IGUAÇU 17 ITAIPU 18 NAUTILUS 19 FRANCO 20 LIBRA 21 CARIOCA

jan/09 abr/09 abr/09 jan/10 jun/10 mai/10 out/10 jan/11 fev/11

Santos Santos Santos Campos Campos Santos Santos Santos Santos

BM-S-22 BM-S-52 BM-S-9 BM-C-32 BC-10 (Parque
das Conchas)

ExxonMobil (40%) BG (40%) Petrobras (45%) Devon (40%) Shell (50%)

5 a 10 bi n/d n/d n/d n/d 4,5 bi 7,9 bi n/d n/d

2-ANP-1 RJS Petrobras (100%) 2-ANP-2 RJS Petrobras (100%) BM-S-9 BM-S-10 Petrobras (45%) Petrobras (65%)

NORDESTE

22 MACUNAÍMA

Fonte da tabela: Compilação de dados feita pela FGV Projetos a partir de informações obtidas junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Petrobras e demais companhias do setor

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capazes de serem molas propulsoras de novas empresas de capital intelectual intensivo no século XXI.

Dependência dos recursos naturais
Uma preocupação comum a países que descobrem uma grande riqueza natural – a de se tornarem excessivamente dependentes dessa riqueza sem que os benefícios revertam para a maioria da população e outros setores econômicos – tem sido compartilhada por entidades de mercado, órgãos reguladores e pelo governo federal. Diversos elementos do framework legal e regulatório da indústria envolvem questões como essa com o objetivo de capturar e alavancar os benefícios do pré-sal para o País. De qualquer forma, apesar dos esforços do governo brasileiro para garantir que a atividade se desenvolva de forma sustentável na era do pré-sal, há muitos gargalos que precisarão ser enfrentados. Todo setor submetido a rígidas regulamentações impõe às empresas de sua cadeia produtiva grandes desafios de organização e gestão para manter suas operações e o seu ritmo de crescimento. Em ambientes complexos, como o criado pelo marco regulatório

da indústria de petróleo e gás no Brasil, vai-se exigir cada vez mais de operadoras e fornecedores um bom preparo para conhecer os riscos envolvidos na atividade e dar conta de atender ao aumento da demanda de produtos e serviços. Adicionalmente, é necessário entender que, para que a promessa de riqueza e de grande desenvolvimento socioeconômico se cumpra, imensos desafios precisarão ser enfrentados. Desafios no campo tecnológico, de infraestrutura e logística, legislação (marco regulatório), tributos, capital humano e de captação de investimentos, como detalhado nas páginas seguintes.

Radar de desafios críticos
Para uma melhor visualização dos imensos desafios que acompanham as oportunidades do pré-sal, nossos analistas desenvolveram, com base em nossos estudos e na consulta a fontes de mercado, um radar com os dez principais desafios do pré-sal diante da promessa que esse projeto representa para o País. Os desafios mais próximos do centro do radar são aqueles que os

imensos desafios precisarão ser enfrentados. o alicerce principal do desenvolvimento do País. analistas entendem como sendo os mais relevantes a serem superados pelo Brasil e os players desse mercado. sua economia e seu povo. Radar: Os dez principais desafios do pré-sal Conteúdo Local Legislação tributária Déficit de Capital Humano Preocupações socioambientais Volume de investimentos Sustentabilidade Questões Legais e Financeiras Gestão e Operações Infraestrutura e gargalos logísticos Tecnologia Marco Regulatório Inovação tecnológica Projetos de capital Desafios e custos operacionais . Sustentabilidade envolve questões ambientais e de responsabilidade socioeconômica. Dada a complexidade e magnitude dos desafios. supply chain e tecnologia. de fato. enquanto o grupo de questões legais e financeiras abrange o arcabouço regulatório. por sua vez. O radar é dividido em quatro seções: Sustentabilidade. estão cobertos pelas seções Tecnologia e Gestão e Operações. Questões Legais e Financeiras. de Tecnologia e de Operações. bem como aspectos financeiros e relativos a investimentos. esperamos que a representação exponha de forma sintética uma visão gerencial dos imensos desafios que o Brasil deve manter em seu radar para que essas riquezas se tornem. Os desafios de operação.Para que a promessa de riqueza e de grande desenvolvimento socioeconômico se cumpra. logística.

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Déficit de capital humano
O déficit de mão de obra qualificada é um dos grandes gargalos da atividade. O número de técnicos e engenheiros especializados de que o País dispõe – ou que formará nos próximos anos – não é suficiente para dar conta das demandas geradas com o grande volume de investimentos direcionados à exploração e produção no pré-sal. Uma das consequências mais imediatas é a vinda, em massa, de profissionais estrangeiros. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, desde 2006 o número de pedidos de autorização de estrangeiros para trabalhar no País vem crescendo ano a ano.

Em 2010, 56.006 foram autorizados a trabalhar no Brasil, contra 42.914 em 2009. Do total das autorizações concedidas no ano passado, 53.441 foram de caráter temporário, com permanência no País de até dois anos. O setor de petróleo e gás é o principal demandante dessas autorizações, geralmente destinadas a profissionais especializados na supervisão de montagem de equipamentos e com a missão de comandar o trabalho, por exemplo, em navios-sonda, usados para perfuração de poços em alto-mar.

Ingresso de estrangeiros qualificados deve dobrar
Os pedidos vêm aumentando nos últimos anos não só para a atividade de exploração e produção, mas também de construção de refinarias, portos, estaleiros, obras de infraestrutura. A tendência é que o ingresso de estrangeiros dobre em uma década, introduzindo um novo perfil de imigrante no País: o do profissional altamente qualificado e originado de diversos países. No caso do setor petrolífero, as embarcações e plataformas já

O número de técnicos e engenheiros de que o País dispõe não é suficiente para dar conta das demandas geradas com o volume de investimentos direcionados para o pré-sal.

vêm tripuladas do exterior, com centenas de profissionais que precisam obter autorização para ingressar no Brasil ou trabalhar como embarcados, offshore. Hoje já há mais expatriados do que brasileiros nas plataformas. Vale lembrar que a capacidade média de cada plataforma é de 100 a 150 pessoas – sendo que empregam entre 200 e 300 profissionais (por conta dos diferentes turnos de revezamento). Já estamos a ponto, inclusive, de questionar a necessidade de flexibilizar a legislação que incide sobre esses trabalhadores, matéria de projeto de lei em tramitação no Congresso que exige percentuais mínimos de brasileiros em várias etapas de produção nas plataformas.

planejamento. Por exemplo, quando expiram os vistos de profissionais sem os quais o trabalho não pode prosseguir, pode-se levar meses para conseguir novos vistos, o que traz o risco de paralisação da produção. Além disso, é preciso que a companhia se certifique de estar pedindo o visto certo, sob o risco de levar multas pesadas. Existem vários tipos, como o visto para assistência técnica, transferência de tecnologia, para especialistas que permanecerão embarcados sem poder ir ao continente (a não ser direto para aeroporto) e até vistos permanentes para diretores, executivos e outros profissionais com poderes de gestão. Os vistos marítimos/offshore são expedidos às centenas de uma vez, o que exige iniciativas coletivas para facilitar a burocracia.

Questões fiscais e previdenciárias específicas
Há questões fiscais e previdenciárias que precisam ser observadas e aplicadas às características peculiares da indústria de petróleo e gás. No que diz respeito aos expatriados, por exemplo, o primeiro passo é a determinação da data de caracterização da residência fiscal no Brasil, que depende da natureza do visto concedido ao estrangeiro e de sua presença física no País.

Visto é ponto crítico
As empresas que estão trazendo essa mão de obra de fora se deparam com várias questões em relação à concessão de autorização de visto de trabalho que precisam ser olhadas com cuidado e exigem assessoria especializada e muito

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Uma vez residente fiscal, o estrangeiro estará sujeito às mesmas obrigações tributárias de um brasileiro, como, por exemplo, Declaração de Imposto de Renda e Carnê-Leão, etc. Os portadores de visto permanente ou temporário com contrato de trabalho tornam-se residentes fiscais a partir da data de entrada no País, enquanto que os portadores de visto temporário sem vínculo empregatício com empresa brasileira tornam-se fiscalmente ativos apenas após 183 dias de permanência física no País (consecutivos ou não) em um período de 12 meses.

Assim, muitos estrangeiros vêm de países com os quais não há tratado ou acordo, o que encarece os processos de transferência desses profissionais. Além do imposto sobre a renda, é comum o pagamento de contribuições sociais em duplicidade, tanto por parte do empregado quanto do empregador. Em contrapartida, em se falando Previdência Social, o Brasil possui 25 acordos previdenciários aprovados, que permitem o pagamento das contribuições em apenas um dos países (origem ou destino, dependendo da localização do profissional no momento da aposentadoria), sem prejuízo dos benefícios garantidos ao segurado. Nesse sentido, o Acordo Multilateral Ibero-Americano é o mais recente, firmado entre o País e a Bolívia, o Equador e a Espanha.

Bitributação – ponto de alerta
Facilitar a vinda de estrangeiros não basta para resolver o “apagão” de mão de obra. Ao lado disso, uma questão deve ser equacionada com urgência: a bitributação da renda desses trabalhadores, que ocorre quando dois ou mais países entendem ter o direito de tributar um mesmo rendimento. Atualmente o Brasil possui tratados internacionais para evitar a dupla tributação com 29 países, e registra reciprocidade de tratamento fiscal com os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, com o objetivo de minimizar a bitributação.

como minimizar a sobretaxa?
No caso de profissionais oriundos de países com os quais o Brasil não possui tratado ou acordo, a bitributação provavelmente ocorrerá. Para evitar que a sobrecarga tributária recaia sobre o estrangeiro ou seja absorvida pela empresa, o planejamento das transferências deve antever as

é preciso capacitar profissionais brasileiros. se a transferência ocorrer entre países signatários de Acordo de Totalização. Leis trabalhistas próprias Apesar de os empregados offshore serem regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).Nos próximos anos. Alojamento coletivo gratuito e adequado ao seu descanso e higiene. Apagão de mão de obra A questão do capital humano na atividade de petróleo e gás deve ser avaliada não apenas pelo ponto de vista legal – ou seja. como também sob a ótica da urgente formação de novos profissionais. as universidades terão de formar mais engenheiros. serão jovens. . geólogos e profissionais de TI. para evitar o alardeado “apagão” de mão de obra. para transferência de conhecimento. as universidades terão de formar mais engenheiros de petróleo. Pagamento em dobro das horas de repouso e alimentação que eventualmente foram suprimidas. em razão da penosidade da prestação de serviços. Quando isso não é possível. Devemos pensar se já não é hora de desonerar fiscalmente a entrada no país de novas tecnologias. pois esta deverá ser entregue às autoridades previdenciárias do país de destino no ato da transferência. Ainda assim. de perfuração. as políticas mais praticadas pelo mercado são as de tax equalization. Se a proposta das atividades no pré-sal é o desenvolvimento socioeconômico do País. serão profissionais jovens. necessidades do negócio.811/72 – que disciplina o regime de trabalho desses profissionais – estabelece regras e benefícios específicos aplicáveis a essa categoria de trabalhadores: Além disso. • • • • • • Alimentação gratuita.811/72. que • Pagamento do adicional de trabalho noturno. o que aumenta o risco de acidentes. a partir dos aspectos imigratórios. podem aumentar os custos da transferência para o empregador. podem dificultar e/ou aumentar os custos da utilização de mão de obra estrangeira –. de acordo com a Lei n° 5. mecanismos que visam remediar ou evitar que o excesso de tributação prejudique o expatriado. a Lei n° 5. seguidas pelas de tax protection. o empregado não poderá permanecer embarcado por período superior a 15 dias consecutivos. 20 ou 15 anos. trabalhistas. previdenciários e tributários. com pouca experiência. de meio ambiente. Transporte gratuito para o local de trabalho. o empregador/empregado deve solicitar a documentação pertinente à Previdência Social de seu país de origem com antecedência. Por outro lado. engenheiros navais. e Aposentadoria especial por tempo de serviço em 25. o que pode aumentar o risco de acidentes. Ainda assim. geólogos e profissionais de TI. Daí a importância de trabalhar com os estrangeiros. Já em relação às contribuições previdenciárias. Repouso de 24 horas para cada turno de 8 horas on shore e para 12 horas trabalhadas em regime off shore. por meio da supressão da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Nos próximos anos.

o Brasil entra para o rol dos maiores produtores de petróleo do planeta. proveniente não apenas da queima de combustível fóssil em uma escala mais ampla. Em consequência. Embora esse aumento possa limitar a participação do Brasil em campanhas globais pela redução da emissão desses gases. além de ser uma novidade tecnológica – a partir disso. Enquanto grande parte da atenção acerca desse marco está ainda com foco no âmbito econômico e tecnológico. Da mesma forma. mesmo com todos os cuidados que possam ser tomados . ainda não se sabe se as instalações existentes para o tratamento de resíduos e efluentes irão comportar o volume adicional a ser gerado pelas operações relacionadas ao pré-sal. ETANoL E gÁS Preocupação socioambiental É difícil falar de pré-sal sem falar em sustentabilidade. essa preocupação ainda parece não ter entrado no rol das prioridades. as sérias questões que deveriam ser vistas como prioritárias para impedir graves problemas socioambientais permanecem em um plano secundário.5 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Porém. A possibilidade do aumento das estatísticas relacionadas a acidentes ambientais também deve ser avaliada. pequenos deslizes podem acarretar grandes desastres ambientais. como também do crescimento acelerado do número de empresas e negócios que se instalarão no mercado brasileiro visando a novas oportunidades de negócios. O aumento da movimentação econômica em decorrência da enorme quantidade de petróleo na camada pré-sal é claramente perceptível tendo em vista que. a partir dessa descoberta. é provável o aumento da geração de gases de efeito estufa. as pesquisas e regulamentações voltadas para questões socioambientais ganham um tom de urgência. A exploração do petróleo na camada pré-sal é complexa.

• Desafios e soluções A partir desses desafios. compensações com medidas de desenvolvimento socioambiental e pesquisas para o crescimento de energia renovável são bemvindas. em um cenário de crescente importância de temas socioambientais. Na sequência. outros projetos e ações ganham destaque. é possível citar a necessidade de desenvolver estudos com vistas a compatibilizar os objetivos mundiais de redução de gases de efeito estufa com o aumento da produção de petróleo nacional e o número de companhias petrolíferas atuando no País. Avaliação mais profunda dos riscos de acidentes ambientais e de segurança. melhoria no sistema educacional e investimentos em inovação científica e tecnológica. agências do governo e comunidades. além de ser uma novidade tecnológica – a partir disso. quando se fala em meio ambiente. ele deve ser considerado prioritário na matriz de investimentos da empresa. A definição da porcentagem dos lucros que serão destinados para o Fundo Social – instituído pelo governo federal com o objetivo de destinar parte da renda arrecadada pela exploração do petróleo a uma poupança de longo prazo. Investimentos para evitar acidentes sempre levam em conta a matriz risco versus impacto. É fundamental saber se o fundo terá uma regulamentação e uma administração que permitam que isso aconteça. e o desenvolvimento de um sistema que permita o monitoramento e controle sobre emissões e geração de resíduos por toda a cadeia de suprimentos. ações urgentes devem ser tomadas. contar com uma cadeia de fornecedores que atendam a critérios de sustentabilidade é questão crítica. já é uma realidade na indústria do petróleo mudar esse foco para a avaliação prioritária da proporção do impacto. também já é uma tendência mundial e é um caminho que pode favorecer a todos: governo. mas não devem ficar só no papel. Por exemplo. é necessária a definição de uma Política de Investimentos pelo Comitê de Gestão Financeira. Entre elas. estar na contramão dessa nova corrente é um risco que não deve ser assumido pelo País. como: O fortalecimento do modelo de parcerias efetivas com stakeholders. .A exploração do petróleo na camada pré-sal é complexa. cujos dividendos devem ser usados para redução da pobreza. mesmo que a probabilidade de esse evento acontecer seja muito pequena. pequenos deslizes podem acarretar grandes desastres ambientais. se o impacto associado a um determinado risco for imenso (como o acidente da BP no Golfo do México). Para isso. Nesse sentido. como ONGs. para evitá-los. Independentemente do risco associado. que terá sua composição e funcionamento determinados pelo Poder Executivo. Afinal. Nesse sentido. No entanto. • • • A estruturação do redimensionamento das atuais instalações de tratamento de resíduos e efluentes. Também ainda não foi regulamentada a forma de utilização do dinheiro constituinte desse fundo. iniciativa privada e partes interessadas. mas que ainda não se encontra em atividade.

que são exigidos como parte do licenciamento de qualquer instalação de grande porte potencialmente poluidora. deve-se buscar a sua priorização em um sentido de urgência. ser estendido à toda a cadeia envolvida no processo. Falando mais especificamente do Fundo Social. é indispensável integrar fatores sociais e de saúde nos chamados Estudos de Impacto Ambiental (EIA). Tal regulamentação também deve prever a impossibilidade do uso desses recursos para ações que não estejam voltadas ou que pouco tenham a ver com a compensação dos impactos socioambientais gerados pelo pré-sal. além dos ambientais. os riscos sociais e de saúde do trabalhador. corretamente e no tempo adequado. todas as questões acima. Finalmente. Os Estudos de Impacto Socioambiental e de Saúde ajudam a prever. com o objetivo de viabilizar o destino desses recursos ao saneamento dos problemas socioambientais reais advindos da exploração do pré-sal. tratando-as com igual relevância à que as questões econômicas envoltas nesse cenário exigem. deve urgentemente. ETANoL E gÁS Este já é um conceito presente em todas as operadoras de petróleo e que. Apesar da grandeza dos desafios percebidos para que a exploração do pré-sal seja conduzida de forma sustentável e da dificuldade de implementação das ações necessárias para superá-los. é de extrema importância e urgência a regulamentação de uma Política de Investimentos. Muitas multinacionais já vêm adotando esse modelo. Deixá-las para depois pode tornar-se tarde demais. . de forma a garantir que estaremos abordando.5 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. principalmente do ramo do petróleo. e indicam medidas compensatórias que podem ser iniciadas até mesmo antes do início da operação das novas instalações petrolíferas.

E outras seguem essa mesma tendência. esses reservatórios apresentam um tipo de rocha diferente. que anunciou recentemente investimentos expressivos no desenvolvimento de um centro de inovação tecnológica. robôs submarinos e um complexo de válvulas e instrumentos eletrônicos que controlam o fluxo dos poços –. responsável pela corrosão do aço que reveste os equipamentos.com. Por isso. Embora a indústria de petróleo offshore envolva estruturas imensas – como plataformas e navios com guindastes capazes de levantar toneladas de tubos.O pré-sal combina um cenário de déficit de capital humano com operações sofisticadas em locais extremamente remotos e hostis. algumas já se anteciparam e montaram laboratórios no País. existe um segundo grande desafio tecnológico. há todo um investimento no desenvolvimento de materiais mais resistentes. que será implantado no Rio de Janeiro.br) seção “Energia e Tecnologia” . Por sua natureza plástica. como as realizadas pelo seu Centro de Pesquisas (Cenpes). a Petrobras tem investido em pesquisa científica e tecnológica. formada por carbonatos. empresa de referência mundial na operação em águas profundas. Pesquisa científica avança Para enfrentar esses obstáculos. o sal pode prender a coluna de perfuração e fazer com que o poço se feche. que.petrobras. que já inauguraram seus centros de pesquisa no Brasil. como a Schlumberger. Há ainda a dificuldade de atravessar 2 km de sal para chegar a esses reservatórios. por essa razão. uma vez combinado com a água. O pré-sal combina um cenário de déficit de capital humano com operações sofisticadas em locais Fonte: Petrobras (site www. depois das peculiares características geológicas da camada pré-sal. sondas. É o caso da BP. mais heterogênea e instável do que as encontradas nas perfurações em camadas póssal. Outro grande desafio é o fato de o petróleo extraído do pré-sal vir acompanhado de alto teor de dióxido de carbono. forma ácido carbônico – este. com as quais a companhia está mais familiarizada. e a partir dos programas em parceria com universidades e instituições de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de todo o País. que está relacionado à área de tecnologia da informação (TI). Inovação tecnológica Extrair e produzir o petróleo localizado na região do pré-sal é um desafio considerável até mesmo para a Petrobras. Mas há uma série de serviços e equipamentos de alta tecnologia que precisarão ser fornecidos por grandes companhias de petróleo internacionais que participam da operação. Um exemplo são as empresas de OFS – Oifield Services –. Além de localizados a uma profundidade muito maior. Também para elas o pré-sal apresenta um desafio de inovação e. além de danificar o aço usado na operação*.

Nesse contexto. a exemplo de ASP (sigla para Application Service Providers). mas pode-se dizer que todas se referem a um ambiente colaborativo. etc. Isso porque. Depois. a adoção de melhores práticas tecnológicas se torna ainda mais relevante. ETANoL E gÁS extremamente remotos e hostis.). ao monitorar a operação em tempo real. Smart Fileld. No ambiente do pré-sal. entre outras –. vários agentes da cadeia (operadores. gerenciamento em uma era digital A indústria de petróleo e gás sempre coletou e gerenciou informações. sísmica. Data Centers. B2B e Virtual Reality Centers. Além disso. a integração colaborativa e o monitoramento das operações em tempo real consistem em grandes desafios para a indústria. consolidouse um novo conceito de gestão da informação e de serviços. em um ambiente colaborativo com base na gestão do conhecimento. Smart Oil. vemos uma clara sinalização dessa tendência. a empresa digital de petróleo e gás passou a ser capaz de agregar todas as fontes de dados. Já a partir do ano 2000. agências e governos). que foi a adoção de uma visão integrada na avaliação dos reservatórios. por meio de uma intensa instrumentalização para medição. dependendo do caso. Os especialistas utilizam diversas nomenclaturas para definir esse conceito – DOFF (Digital Oilfield of the Future). Inteligent Oil Field. Enquanto nos anos 80 a ênfase foi no tratamento aprofundado de domínios específicos de forma não integrada (poços. interconectado e monitorado em tempo real de forma inteligente. é importante destacar que esse conceito transcende o limite de cada organização. muito se tem falado do conceito de uma indústria digital de petróleo e gás. Na última década. mas por muito tempo isso foi feito em silos e de forma estática. fornecedores. Ao analisarmos a evolução da tecnologia na indústria. pode-se estabelecer uma arquitetura tecnológica compatível com a complexidade da operação. auxiliado por ferramentas tecnológicas que viabilizam a criação de times virtuais que compartilham melhores práticas. inclusive aquelas .0 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. tendo em vista que um ambiente colaborativo integrado e interconectado em tempo real deve incluir. os anos 90 reservaram uma profunda mudança.

que parta de um modelo de ambientes colaborativos locais para uma organização com múltiplas redes integradas nas dimensões de processos. permitindo a tomada de decisão rápida independentemente de onde estejam fisicamente os ativos e os técnicos que os gerenciam. como também deve-se atuar com foco nos processos e na gestão do conhecimento. agências. tendo como objetivo criar uma rede de colaboração. não apenas os aspectos tecnológicos são importantes como viabilizadores. Nesse contexto. com base em um BPCC – Business Process Competence Center. cultura e indivíduos conectados em uma grande rede colaborativa deve ser a base de sustentação para um sistema de Gestão do Conhecimento. a adoção de comunidades virtuais de prática e conhecimento tem sido um elemento-chave no desenvolvimento tecnológico das empresas e das operações por elas lideradas. . fornecedores e todos os agentes econômicos envolvidos. devem ser consideradas customizações específicas para atender a questões culturais e operacionais. papéis. conhecimento e trabalho colaborativo. Por fim. etc).Acessar qualquer coisa a qualquer tempo e de qualquer lugar: esse é o desafio de tecnologia da informação para a indústria. O objetivo é criar um ambiente de rede de colaboração de todos e entre todos (incluindo parceiros externos. O próximo grande desafio é fazer com que este ambiente se estenda a cadeia como um todo. fator crítico de sucesso para a indústria. O foco deve estar nas mudanças requeridas em pessoas. definindo com clareza fluxos. todo o aparato de tecnologia. processos. para obter uma visão completa em tempo real de seus projetos. processos e organização. mas a tendência é que isso acabe reunido em centros globais de operações remotas que tenham a incumbência de acompanhar múltiplas operações. Nessa linha. departamentos. de tal forma que se possa alavancar e compartilhar o conhecimento. Deve-se ter como base uma detalhada abordagem de BPM (Business Process Management). À medida que tais processos começam a abranger operações globais. culturas. torna-se necessária uma jornada de transformação. externas à sua operação. e não mais de indivíduos para indivíduos. de forma a garantir a aderência e a participação efetiva dos indivíduos dessa rede de colaboração. Em síntese. responsabilidades e indicadores de performance para os projetos. A experiência confirma que os processos devem ser o elemento central do conceito da empresa digital de petróleo e gás. Acessar qualquer coisa a qualquer tempo e de qualquer lugar: esse é o desafio de tecnologia da informação para a indústria. integrando o compartilhamento amplo da informação de forma segura entre empresas. Em muitos casos são criados centros locais de suporte para determinada operação.

percebe-se. mas com destaque especial para o setor de petróleo e gás –. De um lado. deve-se dar atenção especial à previsibilidade. em um primeiro momento. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. os acionistas passaram a ser mais críticos e a exigir melhorias no retorno sobre os investimentos e na adoção de políticas que levem à redução dos riscos e à maior transparência. Mesmo com a curva de recuperação econômica da crise de 2009 em “W” nos Estados Unidos (caracterizada quando uma economia entra em recessão. mas volta a desacelerar) e a de estagnação em “L” feita pela Europa (tipo mais severo. emerge por um curto período. existe uma demanda ainda não atendida pelos produtores de commodities e fornecedores de recursos naturais em geral. Se somarmos a esses custos crescentes nos insumos diversos da cadeia os demais custos relacionados ao “fazer negócios no Brasil”. . o que tem elevado o custo dos principais ativos ligados a projetos de capital. que precisa ser gerenciado e remediado de modo a se garantirem os retornos esperados pelos acionistas quando da decisão de investimento no País. Podemos observar esses elementos de custos sob algumas dimensões: custos estruturais do segmento no Brasil Commodities em alta O mercado local de petróleo e gás está inserido dentro de um contexto maior de superaquecimento por conta de commodities como o aço. ETANoL E gÁS Custos operacionais em foco À medida que um número cada vez maior de empresas investe no Brasil – seja em qualquer indústria. chegamos a um dos pontos de maior preocupação e foco de atenção dos gestores. dos resultados das corporações. a partir do declínio do panorama econômico mundial e. controle e busca de redução dos custos associados a esses projetos. também conhecido como depressão). a formação clara de efeitos inflacionários junto aos elementos de custo dessa indústria. Aliado a isso. Uma vez que os projetos de capital na indústria de petróleo compreendem uma relevante parcela dos gastos das empresas. por consequência. confiabilidade.

Nesse contexto. que parece ser um problema global da indústria. dado que o consumo de petróleo e derivados apresenta um comportamento histórico de inelasticidade em um curto-médio prazo diante das crises econômicas. Mão de obra especializada Além das commodities. Pressão por preço Argumenta-se que uma segunda rodada de esfriamento econômico mundial poderia trazer os preços a patamares mais reduzidos. é possível pensar mais em um cenário de estabilização do que de redução sistêmica dos preços. Por exemplo: o custo diário de uma sonda para águas rasas é calculado. que requererem profissionais mais capacitados a operá-las. aumentaram a um ritmo superior a 20% CAGR (sigla em inglês que representa taxa de crescimento anual). mas também é resultado de mudanças no grau de sofisticação das novas soluções tecnológicas. além do prolongamento e expansão das áreas brownfield em diversas localizações do Oriente Médio. Esse aumento é motivado não apenas em decorrência da escassez de profissionais. os custos de pessoal especializado – sejam os de nível superior. de outro. como engenheiros.Um desafio é o amadurecimento dos profissionais e sua proximidade com a aposentadoria. como no caso da Arábia Saudita e pelas limitações estruturais de vários produtores secundários. e. as empresas enfrentam pressões crescentes para conter custos como resultado de inúmeros fatores. A consequência disso é o encarecimento significativo de ativos críticos na cadeia de exploração e produção. Já no mercado internacional. Outro desafio. é o amadurecimento dos profissionais e sua proximidade com a aposentadoria. sendo que esse valor quase dobra quando destinada para a exploração em águas profundas. o mercado consumidor de petróleo continua pressionando a demanda. o preço do barril estabilizado em um patamar constantemente acima dos US$ 80/bbl continua a viabilizar uma série de novos investimentos em áreas greenfield no Brasil. até os técnicos. o que torna crítico a formação de novos colaboradores e a transição de gerações. o que torna crítico para os players desse setor a formação de novos colaboradores e a transição de gerações sem perder a experiência e o conhecimento desenvolvidos. na costa oeste africana e no sudoeste da Rússia. No entanto. nos últimos cinco anos. hoje. a margem excedente de produção dos grandes produtores continua apertada. mas não de menor importância. em torno de US$ 250 mil. como soldadores e especialistas em automação – também são um desafio. O ambiente operacional tornou-se mais . já que.

mas ainda não completamente equacionado. de fato. No momento que decide investir no Brasil. em 2007. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. equipamentos e serviços acarreta. atingir os objetivos de longo prazo. gerando maiores custos. os desafios e custos decorrentes dos sistemas de prevenção e remediação passam a se destacar. O vazamento no Golfo do México trouxe lições sobre prevenção e a necessidade de respostas rápidas perante incidentes – expondo a realidade das dificuldades técnicas em lidar com vazamentos em grandes profundidades. devemos agregar a toda a cadeia o Custo-Brasil. apesar das imensas oportunidades. podemos afirmar que o estabelecimento de cotas de produção local de insumos. um segundo elemento agregador de custo. precisam estudar em profundidade as opções que podem gerar menos impactos em seus custos. um regulamento voltado para a segurança operacional das instalações marítimas de exploração e produção. custos dos insumos brasileiros da cadeia de fornecimento Avaliando o cenário brasileiro. demandando diversos ajustes por parte das operadoras. e por conta de mudanças em marcos regulatórios e pressões por minimização do risco ambiental. Adicionalmente. e não menos importante. seja pela falta de economias de escala nos fornecedores. no curto prazo. no Brasil. as empresas percebem que. Levando em consideração a carga tributária local. ETANoL E gÁS complexo. os custos cambiais e demais custos indiretos (ex: gargalos logísticos e necessidade de treinamento para a mão de obra). já tão amplamente discutido. Qualquer que seja o elemento gerador. é importante destacar que os custos adicionais de curto prazo desse modelo se somam aos custos estruturais de uma indústria que já passa por um processo de forte inflação setorial. a adição de custos. A ANP já havia implementado. a Petrobras) passa pela criação de um framework legalinstitucional que tem como um dos pilares a lei do Conteúdo Local. em um primeiro momento. impondo desafios físicos em função do “óleo fácil” estar cada vez mais escasso. onde a indústria se move cada vez para águas mais profundas. o saldo resultante é uma grande pressão dos gastos. Sem entrar no mérito se o framework vai. A fiscalização de seu cumprimento ganhou ênfase em 2010. custos-Brasil em geral Finalmente. pela necessidade de se diluir os investimentos em ampliação da produção local ou ainda pela necessidade de se amortizar os gastos com P&D necessários ao desenvolvimento de soluções para o pré-sal. notamos. A decisão de se desenvolver uma indústria local inovadora capaz de atender às demandas das grandes IOCs (International Oil Companies) e da NOC (National Oil Company – no caso. Decisões como localização da empresa e de .

a otimização dos custos logísticos. c) Inclui as obrigações por abandono. . Nesse sentido. 0. a otimização dos processos para redução de custos de pessoal e administrativos. 5. revisões e recuperações de reservas provadas]. depletação e amortização (b) outras despesas (c) custos de exploração e desenvolvimento (d) . muitas empresas buscam a otimização de processos e inserção de controles mais robustos como forma de controlar os crescentes custos – em vez de adotarem medidas de cortes. 2008 5. o uso de tecnologias que sejam efetivas e o compartilhamento de recursos – bem como o uso de centro de serviços compartilhados – estão entre algumas das ações que as empresas podem executar para aliviar a pressão sobre a rentabilidade de seus negócios. . . seus fornecedores têm impacto na formação dos custos logístico e tributário. . . que contempla dados de 100 empresas a partir das demonstrações arquivadas na SEC. d) Calculado como [custos de aquisição de ativos não provados.5 . que devem ser analisados de forma integrada.3 2006 0. 3.5 Fonte: Ernst & Young Global E&P Benchmarking Study 2010. A própria estruturação societária pode levar a diferenças na tributação de pessoal e de custos financeiros.9 2007 . b) Inclui impairments. . ser seletivo e buscar otimizá-los. . 2009 . . que devem ser analisados de forma integrada. Considerando as perspectivas de crescimento em toda a cadeia do petróleo no Brasil. . . extensões. Não considera o efeito de reservas provadas adquiridas. Após a avaliação dessas variáveis. US$ por boe 2005 custos de produção (a) despesas de exploração depreciação. 7. 5. custos de exploração e desenvolvimento e obrigações de abandono do ativo] dividido por [descobertas.9 .Decisões como localização da empresa têm impacto na formação dos custos logístico e tributário. a regra natural deve ser entender a razão da necessidade dos gastos. . a) Inclui impostos sobre produção.9 5. 7. custos de transporte e gastos gerais e administrativos relacionados com a produção. .

aprimoraram-se as regras até então em vigor – por meio da Cartilha do Conteúdo Local. exigiram-se mais detalhes dos compromissos mínimos assumidos. e que tivessem como foco a preservação do interesse nacional. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. os que apostam no risco da desindustrialização do setor por meio da importação de bens e serviços. Esses certificados têm validade de quatro anos. o governo federal já deixava explícito seu objetivo de estabelecer diretrizes para a indústria de petróleo e gás. A partir da Sétima Rodada. esse é um tema que tem gerado polarizações no mercado – em especial. o que reduziria a competitividade dos projetos. caso a variação . ETANoL E gÁS Conteúdo Local Desde a promulgação da Lei do Petróleo (Lei 9. A ANP. De um lado estão os que alertam para o risco de a lei defender uma reserva de mercado. foram definidos valores mínimos e máximos. entre as operadoras e os fornecedores. por orientação do governo federal. incluiu nos contratos de concessão o destaque para o uso de equipamentos e serviços de origem nacional nas etapas de exploração. O processo de comprovação do cumprimento do Conteúdo Local requer que os fornecedores certifiquem seus produtos e serviços por meio de Certificados de Conteúdo Local emitidos por empresas credenciadas pela ANP. e. regulamentado pela ANP.478/97). quando também era considerado na pontuação das ofertas dos licitantes. a promoção do desenvolvimento e a ampliação do mercado de trabalho e da competitividade do parque industrial brasileiro. de outro lado. criada no Programa de Mobilização da Indústria Nacional (Prominp) – e definiu-se o Sistema de Certificação de Conteúdo Nacional. A exigência de um patamar mínimo ocorreu ainda a partir da Quinta Rodada de Licitações. desenvolvimento e produção de petróleo e gás. Por sua vez.

a capacitação de recursos humanos. do índice de conteúdo local se mantenha dentro do limite de 10% a maior ou menor. gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos na área do pré-sal e em áreas estratégicas. Nessa linha. que introduziu o regime de Partilha de Produção para a exploração e produção de petróleo. As ações da ANP e do governo federal têm por objetivo incrementar a participação de fornecedores de bens e serviços nacionais nos projetos de exploração e no desenvolvimento da produção de petróleo e gás natural – impulsionando o desenvolvimento tecnológico. mantendo com a ANP a responsabilidade pelo estabelecimento de regras. dados indicam que a exigência de Conteúdo Local vem permitindo a uma ampla cadeia de fornecedores nacionais capturar os benefícios advindos dos investimentos efetuados nas etapas de exploração e desenvolvimento. a geração de emprego e renda no Brasil. Considerando os investimentos já comprometidos nos projetos atuais. e incentivando ainda a participação de empresas de pequeno e médio portes nas oportunidades apresentadas pelo segmento. fazendo com que a indústria se mobilize em torno de uma proposta de seletividade dos itens a serem submetidos ao processo de certificação. A grande expectativa. é pelos percentuais mínimos a serem exigidos no edital da 11a Rodada de Licitações. os anunciados para o pré-sal e pós-sal e a expectativa de . neste momento.As ações da ANP e do governo federal objetivam incrementar a participação de fornecedores de bens e serviços nacionais nas etapas de exploração e desenvolvimento. não trouxe novidades em relação ao Conteúdo Local.351/2010. O novo marco regulatório estabelecido pela Lei 12. A necessidade de certificação agregou um novo custo ao produto nacional.

eficiência dos processos produtivos e disponibilidade de recursos humanos. Segundo estudo da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). Portanto. escala para aquisição de matériaprima sem intermediários. Para tentar resolver essa questão de limitação. o BNDES lançou recentemente um programa de apoio à cadeia de fornecedores de petróleo e gás. fusão. acesso a tecnologia de ponta. entre outros. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. apenas 15% das empresas brasileiras fornecedoras para essa indústria tinham faturamento anual superior a R$ 100 milhões – sendo caracterizadas pelo BNDES como empresas de médio e grande portes. consolidação. ampliação e modernização da capacidade produtiva. cujo ímpeto por ampliação do volume de negócios pode estar sujeito a condições limitantes como: disponibilidade de capital de giro. perfil para obtenção de financiamentos. pequenas e médias empresas. aquisição e internacionalização da cadeia de fornecedores. ETANoL E gÁS continuidade das rodadas de licitações da ANP. 85% dos fornecedores são compostos por micro. surgem riscos emergentes que preocupam concessionários. Um deles se refere à capacidade dos fornecedores nacionais em prover produtos e serviços competitivos em âmbito internacional e no volume da demanda esperada. capacidade gerencial. financiamento do capital de giro . entidades governamentais e a indústria em geral. que pretende financiar projetos de implantação.

Quando se considera a possibilidade de ampliação da cadeia de fornecedores para a indústria de petróleo e gás. surge também o risco decorrente de que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento não resultem em incremento na participação no mercado. com receita superior a R$ 90 milhões. pequenas e médias empresas vai depender do desenvolvimento de alianças com companhias de maior porte que possam se comprometer com a obtenção dos recursos junto ao BNDES. A primeira barreira a ser transposta é o cadastramento como fornecedor. desenvolvimento e inovação. Nesse aspecto. e suporte a atividades de pesquisa. ampliação e modernização da capacidade produtiva. Como tem importantes funções técnicas e de apoio terceirizadas. pela formação de mão de obra especializada. uma vez que não há garantias atreladas a esses aportes. a Petrobras desenvolveu metodologias de avaliação e seleção das empresas interessadas em tornar-se fornecedoras da companhia. estima-se uma demanda na ordem de 68 . o que aumenta o número de oportunidades para as empresas que melhor se prepararem. desenvolvimento e inovação. o acesso ao financiamento para a maioria das micro. por exemplo. Vale citar que algumas das ações aplicáveis no processo de enquadramento das empresas às exigências de qualidade impostas pela Petrobras podem incluir desde a solução para uma pendência relativamente simples. que consolidaria um Plano de Desenvolvimento de Fornecedores. as condições impostas por seu maior comprador – a Petrobras. por outro. a indústria nacional está se movimentando intensamente para atender ao aumento da demanda de bens e serviços. surgem outros fatores potencialmente inibidores como. Se. todo esse critério de seleção e contratação de fornecedores e prestadores de serviços faz com que empresas locais de porte pequeno ou médio tenham de cumprir requisitos variados simplesmente para estar cadastradas como fornecedores potencialmente aptos para uma determinada função. como visto anteriormente. é compreensível que o fôlego das pequenas e médias empresas nacionais sempre seja reduzido em comparação às grandes companhias internacionais. E essa preparação passa. ou ainda a estruturação de um Programa de Benefícios compatível com determinado tipo de prestação de serviços. Apesar do esforço que isso pode requerer de algumas empresas. repassando recursos do financiamento aos seus fornecedores e subfornecedores. O programa prevê ainda a existência de uma empresa-âncora. Há escassez de recursos em boa parte dos elos da cadeia produtiva. tais exigências podem ajudá-las a orientar ações na direção de uma operação mais segura e bem gerida. o aperfeiçoamento de mecanismos de gestão – como o de Gestão Orçamentária ou o de Gerenciamento de Custos –. Apesar da disponibilização de financiamento para suporte a atividades de pesquisa. como obter um documento faltante. por um lado. até a criação de programas de treinamento da força de trabalho. diante da perspectiva de inúmeras oportunidades de negócios. Ou seja. Ainda segundo o levantamento da Onip. O momento não poderia ser mais oportuno. que pretende financiar projetos de implantação.O BNDES lançou recentemente um programa de apoio à cadeia de fornecedores.

Não só engenheiros são necessários.9% 70 60 50 40 30 20 10 0 2000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 57.3% 57. em 185 categorias profissionais. impulsionada pela redução de oportunidades nos países mais afetados pela crise econômica de 2008. Enquanto aqui se formou 1. em 2010.9 engenheiro para cada 10 mil habitantes. Esse déficit parece se confirmar pelas oportunidades que têm sido abertas para a mão de obra qualificada estrangeira.70 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo.5% 71. na China a relação é de 13. profissionais com esse grau de instrução passaram a ser 96% do contingente de estrangeiros.1º trimestre 2011 Investimento Previsto Nacional Total Investimento Realizado Total Nacional 74. Entre estes. Isso seria uma ótima notícia. ETANoL E gÁS milhões de homens-hora de engenharia até 2020.3% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Meta ICL ICL Realizado 80% 80 Fonte: PROMINP – Programa de Mobilização da Indústria Nacional . 80% eram de níveis técnico e superior ou equivalente. Isso se torna ainda mais preocupante se compararmos estatísticas sobre a quantidade de engenheiros formados no Brasil com outros países emergentes. de 16. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que houve um incremento de 50% nas autorizações concedidas a estrangeiros entre 2007 e 2008. para atender ao Plano de Negócios da Petrobras do período 2009-2013. tanto em nível técnico como superior. em preparar mão de obra na velocidade e com a especialização requerida por esse mercado. mas também profissionais de nível técnico – o Prominp previu a necessidade de capacitação de 207 mil pessoas.0% 68. não fosse também um risco a ser mitigado: a capacidade das instituições de ensino. na Coreia do Sul. Indicador de Conteúdo Local .4 e. E.4.

levando a um desnecessário cenário de desalinhamento na indústria. Esse cenário gera certa instabilidade jurídica e obriga as empresas a buscarem esclarecimentos junto às autoridades fiscais. com vigência até 2020. importantes para se calcular os impostos. as empresas do setor usam métodos diferentes de contabilidade. Embora muito já tenha sido feito desde o fim do monopólio da Petrobras sobre a exploração e a produção. há anos. No caso do ICMS. Isso porque. em 1997. Para estas operações de importação. o que ainda não existe no País. como por exemplo. entretanto. e deixam muitas lacunas. por exemplo. muito ainda se tem a fazer para atingirmos uma condição de ambiente regulatório evoluído. a definição de critérios contábeis para a atividade. suspende a cobrança de impostos federais. Talvez o maior dos vácuos legislativos tributários esteja relacionado.Um setor com características peculiares como o de petróleo e gás deve trazer em seu contexto uma estrutura clara de regras tributárias específicas. As leis vigentes se detêm mais nos modelos de contrato. com base em experiências internacionais. aos impostos indiretos. em um grande esforço de interpretação da lei. a especificidade da indústria. também existe um tratamento especial para . o que ainda não existe no País. Um setor com características peculiares como o de petróleo e gás deve trazer em seu contexto uma estrutura clara de regras tributárias específicas. é urgente definir as regras tributárias de forma a oferecer transparência aos empresários e potenciais investidores. Entre as regras tributárias voltadas para o setor de petróleo e gás estão as normas para admissão temporária de bens e equipamentos da indústria – Repetro – que. Para lidar com essa situação de vácuo legal. um exemplo clássico dessa carência de definições é o tratamento a ser dado na prestação de serviços offshore. faz com que as empressas acabem por não utilizar potenciais créditos fiscais a que teriam direito. ligada à falta de detalhamento legislativo. se trava uma grande discussão quanto ao local da prestação de tais serviços e qual município faria jus ao recebimento do crédito tributário. pagamentos de royalties e outras participações da União. principalmente no que se refere à carga tributária. Falta regra tributária específica Para que a indústria de petróleo e gás no Brasil se desenvolva com sustentabilidade. No caso do ISS.

ou seja. Os próprios estados nunca aceitaram a desoneração do Repetro e muitos – inclusive o Rio de Janeiro. Atualmente. É também de suma importância que empresas instaladas no País busquem alinhamento com governos e suas entidades representativas. Ambiente inseguro Embora o incentivo fiscal do Repetro seja um dos principais pilares da indústria no Brasil. na maioria dos casos. o que resultou em uma cobrança reduzida do ICMS para a admissão temporária de bens destinados à produção e. Até hoje. ou R$ 100 bilhões. Mas não foi somente na admissão temporária que a indústria e os estados se debateram. até hoje a principal âncora da indústria – tiveram este item como um dos mais relevantes em sua pauta por mais de uma década. A situação reforça a demanda por gestão de risco e uma boa gestão fiscal.7 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. já se tem um alinhamento com os estados. geram insegurança jurídica. o que a colocaria em situação de desvantagem perante o fornecedor estrangeiro. mas sempre evitando a geração de contingências fiscais que possam aumentar ainda mais seus custos de produção. o cuidado com a questão tributária se torna ainda mais importante. Apesar de o Repetro também alcançar os produtos fabricados localmente – que em seguida são exportados e reimportados com os mesmos benefícios daqueles fabricados no exterior – a indústria local sempre se ressentiu de um potencial resíduo tributário da etapa anterior à cadeia fabril. além de muita burocracia. O vazio legislativo de um lado. reduzido ou isentado em alguns Estados. o excesso de tributos e a alta carga tributária de outro. ele vem sendo intensamente questionado vis a vis o desenvolvimento da indústria local. Nesse cenário de intensificação da atividade de fusões e aquisições envolvendo grandes volumes de recursos financeiros. no local de origem da produção. gerando insegurança para os investidores. na isenção para aqueles destinados à fase de exploração. considerando os impostos indiretos gerados dentro da cadeia de fornecedores. ETANoL E gÁS o ICMS. Um estudo recente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) questiona esse incentivo que teria levado o Brasil a perder R$ 25 bilhões em impostos nas compras das operadoras entre 2005 e 2009. como forma de proporcionar alguma tranquilidade aos investidores. estados como o Rio de Janeiro lutam para instituir a cobrança do ICMS sobre a extração. . o que contribui para um ambiente de insegurança. como se lá houvesse algum tipo de transferência de propriedade. de forma a atuar reativa ou preventivamente.

Sabe-se que a tendência da indústria brasileira de petróleo para os próximos anos é de aumento dos investimentos feitos pelas parcerias entre empresas privadas e pela própria estatal. está diante de um grande desafio: expansão da infraestrutura e eliminação dos gargalos existentes. Hoje. consequentemente. podemos tomar como base a realidade nacional. principalmente se considerarmos que a infraestrutura logística brasileira possui sérios gargalos. De forma a ilustrar os gargalos de escoamento. mas de uma decisão conjunta com a Petrobras e o governo. um aumento da produção de petróleo. Provavelmente. Essa distância de localização dos blocos de exploração representa uma situação inédita no mundo. o que se torna preocupante. com respeito à logística. tal decisão não partirá unicamente de agentes privados. o transporte rodoviário concentra aproximadamente 90% das cargas . Percebe-se que a indústria brasileira de petróleo. gerando.Os gargalos de infraestrutura – evidenciados pela problemática no escoamento da produção – revelam a importância que a logística exerce sobre a indústria de petróleo. materiais e equipamentos. É fato que o crescimento da produção e do consumo de combustíveis requer um esquema logístico considerável. Os gargalos de infraestrutura – evidenciados principalmente pela problemática no escoamento da produção – revelam a importância que a operacionalização da logística exerce sobre a indústria de petróleo. Infraestrutura e gargalos logísticos A grande distância da costa (distância média atual de 150 km para aproximadamente 350 km) e a maior profundidade da exploração são algumas das dificuldades que terão de ser superadas para viabilizar a produção na área do pré-sal. e que exigirá soluções inovadoras de logística para operar o transporte de pessoas. em que parcela expressiva das projeções de crescimento depende diretamente da utilização do modal rodoviário – uma solução que não atende aos interesses econômicos da indústria nem aos interesses ambientais da sociedade.

diante do crescimento que o País vem apresentando. Tal temática faz florescer inúmeras questões relacionadas a uma melhor utilização de diferentes modais. acarretando custos adicionais e novos desafios regulatórios. ferrovias e hidrovias. assinada pelo governo recentemente. Outro fator de grande relevância para a indústria de petróleo e gás está relacionado aos resíduos que demandam uma atenção especial por serem altamente poluentes. A dificuldade para operar o transporte de pessoas. Entre esses desafios destaca-se a logística de transporte desse resíduo aos centros de tratamento. exigirá da indústria responsabilidades ainda maiores. Existem poucos dutos em operação – cerca de 10 mil km –. A Política Nacional de Resíduos Sólidos. Embora o modal dutoviário possua as menores tarifas de transporte – além de ser considerado um dos mais seguros –. Soma-se a isso a problemática relacionada à tancagem. Infraestrutura A montagem da infraestrutura logística de petróleo no downstream brasileiro obedece ao modelo utilizado na formação da indústria . muitas vezes distantes da área de produção. sendo que a maior extensão está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. a necessidade de expansão da utilização dos diferentes modais e a logística reversa de resíduos são apenas alguns desafios a serem enfrentados por essa indústria com soluções inovadoras de logística. como os sistemas de dutos.7 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Se pensarmos nas extrapolações. ETANoL E gÁS de etanol nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. cuja disponibilidade atual é insuficiente para a demanda que se projeta para os próximos anos. ainda hoje pouco explorados no Brasil. materiais e equipamentos. chegaríamos a 2020 com transtornos significativos nas principais vias de escoamento. ainda é insuficiente no Brasil.

Ou seja. onde a montagem da indústria de petróleo foi liderada pela iniciativa privada. Historicamente. Assim. entre os quais destaca-se o fato de o Brasil não ter descoberto grandes reservas até a década de 1970. As conexões das refinarias ou dos terminais portuários . no Brasil essa responsabilidade foi atribuída ao Estado. colocando-se o investimento público como elemento central. O processo logístico no downstream inicia-se em cada uma das refinarias existentes no País. e que se caracterizou pela forte presença do Estado na formação do parque industrial por meio da criação de estatais. onde a montagem da indústria de petróleo – incluindo sua infraestrutura logística – foi liderada pela iniciativa privada. de onde seguem para bases de distribuição secundárias ou para clientes finais como postos de abastecimento. mas sim em conjunto com a implementação da infraestrutura do Brasil como um todo. percebe-se que a montagem inicial da infraestrutura logística da indústria brasileira de petróleo não evoluiu conforme as suas necessidades. Outros fatores também contribuíram para essa realidade existente na indústria brasileira de petróleo. Assim. no Brasil essa responsabilidade foi atribuída ao Estado. Com isso. diferentemente dos Estados Unidos. a localização de uma refinaria implica um processo logístico extremamente complexo. fazendo com que a ponta da cadeia logística estivesse posicionada primordialmente no litoral. nacional como um todo. grandes consumidores e atacadistas. a indústria brasileira de petróleo segue o mesmo modelo de industrialização tardia adotado no desenvolvimento dos países da América Latina. o desenho logístico brasileiro foi montado em função do refino do petróleo importado principalmente por via marítima. sistemas de transporte e planejamento de dimensionamento de rede. que envolve bases de abastecimento. os produtos são transferidos e armazenados nas bases de distribuição primárias. Das refinarias.Diferentemente dos Estados Unidos.

No caso da estrutura portuária. A ampliação do parque de refino nacional. ETANoL E gÁS brasileiros até os consumidores finais são influenciadas pelas dimensões do País e. Esse desenho logístico complexo apresenta oportunidades significativas de análises de localização e otimizações dos custos de transporte. é fundamental para agregar valor à indústria petrolífera.7 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. definida a partir de área de influência com o mercado consumidor. já que se trata da etapa de processamento da commodity. tanto na distribuição de derivados como no abastecimento das refinarias. para a qual a Petrobras reserva investimentos substanciais para os próximos anos. e em todo tipo de atividade de apoio offshore e marítimo. sua cadeia logística. Outros segmentos – como o de refino e comercialização de combustíveis – também vão exigir grandes aportes de recursos em modernização e construção de novas refinarias. Uma empreitada como a da exploração da camada pré-sal – com a participação de mais de 60 companhias de petróleo (entre brasileiras. hoteleiro e imobiliário. Hoje. a sua ampliação depende também de investimentos na malha rodoviária e ferroviária e na desburocratização e agilidade das operações. estrangeiras. rodovias. além da própria Petrobras) e a perspectiva de duplicação da atual produção nacional de petróleo e gás em poucos anos – exige investimentos em ampliação de portos e aeroportos. o Brasil conta com 13 refinarias – das quais são 11 da Petrobras –. sendo que quase todas foram construídas há mais de 40 anos e projetadas inicialmente para processar petróleo leve importado principalmente dos países . nos setores naval. ferrovias e dutos.

ou de administração voltada para a integração de todos os negócios existentes na cadeia de abastecimento. associados às necessidades nos próximos anos. o Brasil precisaria estruturar melhor sua matriz completa de transportes. Diversos setores industriais e de serviços – metal-mecânico. árabes. São os aportes nesse setor que vão permitir ao País oferecer produtos com maior valor agregado. etanol e gás esbarram nos limites impostos pela infraestrutura nacional. responsável por assegurar o cumprimento de todos os procedimentos de segurança e avaliar os pontos sensíveis de todas as operações. Portanto. O conceito de supply chain. A grande movimentação de pessoal e equipamentos – muitas vezes com o envolvimento de terceiros – impõe o desafio da gestão de contratados e fornecedores. eletroeletrônico. surge na área de supply chain a necessidade de desenvolver estratégias ou modelos operacionais que trabalhem a eficiência da cadeia de suprimentos por meio de uma abordagem sistêmica que vise aumentar a capacitação dos fornecedores locais.A gestão de riscos é um dos desafios da área de supply chain. O planejamento e a visibilidade das demandas e dos fluxos de materiais também são fundamentais para o bom andamento das operações. Em suma. Os baixos aportes nas décadas passadas. incrementar seu conteúdo tecnológico. com oferta mais concentrada nas regiões Sul e Sudeste. entre outros – compõem a sua rede de valor. Só assim vai conseguir reduzir custos logísticos da ordem de 11. no Brasil. dada sua extensão territorial: existem menos de 8 mil km de dutos instalados. como diesel e gasolina com menos enxofre. Nesse contexto. A gestão de riscos ampla e efetiva também pode ser atribuída à área de supply chain. um desafio na cadeia produtiva que se impõe e que não depende de grandes estruturas físicas é o de planejamento e organização. principalmente em uma atividade em que a indisponibilidade de insumos requeridos pode gerar custos e estresses operacionais de grandes dimensões. Em se falando de gás. Supply chain A cadeia produtiva de petróleo e gás é abrangente e heterogênea. o gás necessita de uma rede física de gasodutos de transporte que. responsável por assegurar o cumprimento de procedimentos de segurança e avaliar pontos sensíveis de operações.5% do PIB – superior aos 8. inclusive relativos a questões ambientais. químico. Para que se torne comercialmente viável. As necessidades de investimento em infraestrutura no Brasil são mais do que urgentes. espera-se que a regulamentação de lei específica incentive investimentos na construção de gasodutos. diversificar suas áreas de atuação e torná-los competitivos em escala global. configurando uma cadeia de suprimentos verticalizada e multissetorial. . destinando maiores investimentos para portos e ferrovias. remontam a um quadro em que as perspectivas de um crescimento econômico sustentável na indústria do petróleo.5% dos Estados Unidos. seria apropriado para dar respostas já no momento em que a atividade está voltada para a instalação e a exploração. ainda é muito pequena.

que entrará em vigor nas futuras licitações. a atratividade para investidores nacionais e estrangeiros e. de um lado. pelo tamanho das reservas. sem licitação (por meio de cessão onerosa de direitos). válido para os antigos contratos.7 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. A alegação do governo para mudança é a necessidade de a União se apropriar de uma parcela significativa do petróleo do pré-sal. as atividades são realizadas por conta e risco da empresa concessionária. No sistema de concessão. evidentes nas novas regras. Viés nacionalista O maior controle do Estado e o viés nacionalista. entre outras coisas. À União ela paga royalties. que é dona das instalações e de toda a produção. pela necessidade de desenvolver a cadeia nacional de fornecedores de bens . se justificam. para levar o País a um novo patamar de desenvolvimento socioeconômico. em quantidade suficiente para ressarcir suas despesas. Pelas regras do sistema de partilha. as empresas contratadas assumem os riscos das atividades e obtêm como pagamento uma parte da produção (óleo-lucro) e fazem jus a uma outra parcela denominada “custo-óleo”. segundo o governo. a companhia será a operadora de todos os blocos de exploração. bônus de assinatura e outras participações governamentais. o usufruto das riquezas por toda a sociedade. por outro. a União poderá contratar diretamente a Petrobras para produzir em determinadas áreas no pré-sal no limite de até 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural. O ”óleo-lucro” é partilhado entre os participantes do investimento e a União. nos quais terá participação mínima de 30%. ETANoL E gÁS Marco regulatório As recentes descobertas da camada pré-sal foram consideradas relevantes o suficiente para exigir a criação de um novo ambiente regulatório para garantir. Pelo modelo de partilha. Vencem as licitações as empresas que oferecerem a maior contribuição percentual à União de “óleo-lucro”. Além disso. Foi com esse objetivo que o governo propôs a mudança do sistema de concessão para o de partilha da exploração e produção nas áreas do pré-sal.

Hoje. e serviços. Royalties ainda em discussão Uma das questões regulatórias mais polêmicas relacionadas ao petróleo e ao gás natural da camada pré-sal é o critério de distribuição da receita arrecadada com a exploração dentro do novo modelo de contrato de partilha de produção. incumbida de representar a União nos consórcios e comitês operacionais a serem criados para gerir os diferentes contratos de partilha – de forma a garantir a maior remuneração possível ao Estado –. (o nome foi definido no pacto que publicou o novo marco). Há uma forte pressão de políticos representantes de Estados que não produzem petróleo para que os royalties provenientes das atividades no pré-sal não privilegiem os Estados produtores. que o sistema fosse mais atrativo ao capital estrangeiro. os blocos apresentavam alto risco e baixa rentabilidade. cuja missão é destinar parte dos recursos prioritariamente ao combate à pobreza. os riscos da operação seriam menores. não o será até a questão de distribuição de royalties tratada no item a seguir seja equacionada. a Pré-Sal Petróleos S. e por ser o cenário atual diferente do observado em 1997. ao contrário. então. à educação de qualidade e à inovação científica e tecnológica. mas sejam distribuídos .. e também o Fundo Social.A. a Petrobras se encontra mais capitalizada e detém parte da tecnologia necessária para a produção nos campos do pré-sal (a outra parte está em desenvolvimento ou terá de ser introduzida por outras empresas). O novo marco regulatório criou ainda uma nova estatal. Era necessário. As regras de repartição dos royalties integram projeto de lei em tramitação. quando se optou pelo contrato de concessão. Naquele momento.A. incumbida de representar a União em consórcios a serem criados para gerir contratos de partilha.O novo marco regulatório criou ainda uma nova estatal. a rentabilidade maior. e aparentemente. que vai se chamar Pré-Sal Petróleos S. numa conjuntura em que o preço do barril do petróleo estava mais baixo e a Petrobras não dispunha de recursos para investir. Até o fechamento desta edição o modelo de contrato de partilha que regulamentará as operações à luz do novo marco regulatório ainda não havia sido publicado.

5% Repartidos entre todos os Estados do País 30% Municípios produtores . 6% para municípios produtores. porém. a distribuição se daria da seguinte forma: 25% para Estados produtores. 22.5% para os Estados produtores e 30% para os municípios produtores. Estados e municípios produtores ou confrontantes (com litoral de frente para os campos) e União ficam com a maioria dos recursos – 40% para a União. criando um cenário significativo de maiores responsabilidades para a empresa e a União. tabela dos royalties 3% para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.5% do total é repartido entre todos os Estados do País. E o Brasil sozinho não dispõe desses valores. ETANoL E gÁS por igual entre todos. ainda em discussão (até o fechamento desta edição). A necessidade de atrair capital para uma empreitada que requer investimentos superiores a US$ 250 bilhões pode se tornar mais difícil em um sistema menos atraente para os investidores extrangeiros. O risco de que esse sistema venha a quebrar os Estados produtores. 19% para a União. Não será uma tarefa fácil para uma única companhia coordenar tantos recursos humanos. o fato de a Petrobras atuar como operadora única dos blocos também é alvo de constantes discussões. Pela lei atual 40% União Na proposta acertada entre os governadores e o ex-presidente Lula 19% União 25% Estados produtores 6% Municípios produtores 3% Municípios afetados pelas operações de embarque e desembarque 44% Todos os entes da Federação (22% para Estados e 22% para municípios) 3% Ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas 22. Apenas 7. como Rio de Janeiro e Espírito Santo. e os 44% restantes repartidos entre todos os entes da Federação (22% para Estados e 22% para municípios). 3% para municípios afetados pelas operações de embarque e desembarque. Na proposta acertada entre os governadores e o então governo Lula.5% Estados produtores 7. uma vez que esses Estados perderão uma parte de suas receitas. Pela lei atual.0 BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Além das preocupações acima. técnicos e logísticos. é grande.

mas baixo custo de financiamento. Volume de investimentos Segundo dados do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019. é a possibilidade de financiar novos projetos a partir do seu próprio fluxo de caixa. a escala de investimento necessária para suprir a demanda energética do Brasil chegaria a US$  trilhão nos próximos dez anos. expansão e modernização da capacidade de refino e do setor petroquímico do País. sobretudo para as empresas locais e fornecedores parceiros de menor porte instalados no Brasil. . incluindo a exploração e o desenvolvimento dos recursos do pré-sal. O cenário aqui descrito impressiona pelos números. Entretanto. As inúmeras empresas que já integram e as que pretendem integrar a cadeia de fornecedores saem a campo em busca de financiamento para cumprir as demandas.Segundo dados do Ministério de Minas e Energia. exposição baixa aos riscos e um ambiente regulatório transparente e estável. a questão do financiamento e o acesso ao capital têm papel fundamental na discussão. Essa modalidade pressupõe um projeto economicamente viável. o setor no Brasil deverá atrair volumes adicionais de investimentos que se aproximam do PIB de vários países. entre os desafios a serem superados para levar adiante os projetos de investimento e atender às diferentes necessidades do setor. por exemplo. cerca de 70% do investimento necessário deverá ser dedicado ao petróleo e gás. a escala de investimento necessária para suprir a demanda energética do Brasil é enorme. o que deverá representar uma quantidade ainda mais expressiva de oportunidades para o setor de petróleo e gás do País nos próximos anos. a começar pelas cifras correspondentes aos recursos necessários para financiar as suas atividades. O project finance. Trata-se de um modelo customizado. com estimativas próximas de US$ 1 trilhão para os próximos dez anos. Desse montante. além de investimentos em expansão da rede de transporte e distribuição de combustíveis. Com as descobertas do pré-sal. do Ministério de Minas e Energia. Como financiar o pré-sal A indústria de petróleo e gás envolve números gigantescos. Mas a grande questão é: onde conseguir tais financiamentos e quais são os mais eficientes? Project finance pode ter baixo custo de financiamento Existem algumas modalidades que podem se adequar aos planos de investimento de empresas de diferentes portes e especialidades. de estruturação complexa.

várias delas de caráter tecnológico. que estabelece um fluxo de caixa. ou captação. ETANoL E gÁS Seria adequado. no exterior. Caixa Econômica Federal (CEF). as empresas precisarão se dedicar ao trabalho . com valor financeiro menor. As transações são de vários tipos: empresas de capital estrangeiro que compram empresas brasileiras estabelecidas no País. focados na cadeia de petróleo e gás. apresenta baixa burocracia para liberação. Esse tipo de investimento envolve a compra de participação acionária em empresas de grande potencial de crescimento. Fundo da Marinha Mercante (FMM). e companhias nacionais que adquirem brasileiras. Entre os exemplos de negócios realizados em 2010 estão duas governança em primeiro lugar Seja para fazer transações ou obter financiamento – especialmente nas modalidades de project finance e private equity –. Private equity profissionaliza a gestão Uma segunda forma de funding. como o financiamento de capital de giro. Esse contrato. é por meio dos fundos de private equity. é a garantia de que a instituição financeira precisa para estruturar o recurso. a um fornecedor da Petrobras que acaba de fechar um contrato no valor médio de R$ 500 milhões para fornecer determinados equipamentos e que. disponível em bancos comerciais. ou ainda outras de capital estrangeiro com atividades no Brasil. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. Linhas tradicionais são mais caras Outras duas formas mais tradicionais são as linhas de financiamento de curto e de longo prazo. por exemplo. setor e podem ter um papel importante no fortalecimento da cadeia de fornecedores. A segunda. porém o custo das taxas cobradas pela instituição financeira é alto. é o financiamento obtido junto a instituições financeiras públicas e agências multilaterais de fomento. familiares. sem a qual não há como movimentar esse setor tão dependente de investimentos em larga escala. No Brasil. empresas de capital estrangeiro estabelecidas fora do Brasil ou com operações em território nacional. com o estabelecimento de métodos e processos transparentes que deem tranquilidade e confiança ao parceiro ou investidor. como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os fundos de private equity devem aumentar sua participação nesse Fusões e aquisições devem continuar A definição do conteúdo local pelo marco regulatório do pré-sal e a maior entrada de capital nessa atividade provocaram um aumento no número de fusões e aquisições visando principalmente a cadeia de fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços do setor. Esses fundos podem ter papel ativo na gestão das empresas e atuam como alavanca ao seu desenvolvimento. existem atualmente fundos de private equity setoriais. ajudando a consolidar o mercado nacional de petróleo e gás. de governança corporativa. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Atende às necessidades mais imediatas. O êxito na captação de recursos. A modalidade pode ser interessante para pequenos e médios fornecedores e prestadores de serviços da Petrobras que sejam empresas de capital nacional. precisa fazer investimentos na produção. A primeira. vai depender fundamentalmente do preparo e estrutura das companhias envolvidas. para cumprir a demanda. entre outros.

1º trimestre 2011 financiamento. as empresas precisarão se 80 70 60 50 40 30 57.0% Investimento Previsto Nacional Total Investimento Realizado Total Nacional ICL corporativa. próximos anos fará aumentar em seus portfólios os serviços 0 0% 40% da subsidiária no Brasil da ainda mais esse movimento.Seja para fazer transações ou obter Indicador de Conteúdo Local .9% 68.5% 71. requeridos dentro da cadeia. 74.1 bilhões) e Programa de Mobilização da Indústria Nacional Local.3% 80% 70% 60% 50% 40% 30% grandes aquisições envolvendo Estima-se que o volume de recursos produzir bens localmente ou acelerar 20 20% capital proveniente da China. que deve ingressar na indústria o processo comprando empresas 10% As chinesas Sinopec10 Sinochem e de petróleo e gás no Brasil nos já estabelecidas aqui e que tenham compraram. (outubro/2010) . operado pela norueguesa pré-sal têm a opção de investir Statoil (por US$ 3 bilhões). 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2000 companhia espanhola Repsol Para cumprir a regra do Conteúdo Fonte: PROMINP – 40% do (por US$ 7. dedicar ao trabalho de governança Realizado Meta ICL que dê tranquilidade e confiança ao investidor. no Brasil em plantas fabris para Fusões e aquisições no setor de Petróleo e Gás no Brasil 25 35 30 20 Downstream 25 Combustíveis alternativos Outros Número de transações 15 15 10 5 5 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 0 20 25 Número de transações Upstream Fonte: Herold M&A Transaction Database. IHS Herold Inc. as empresas estrangeiras campo Peregrino.3% 57. respectivamente. na Bacia de que querem atuar na cadeia do Campos.

e a obtenção dos resultados previstos será fundamental para garantir e manter a confiança do mercado. gerenciar a complexidade de projetos de capital será um desafio de crucial importância. Limitações de capital humano O atual déficit de mão de obra especializada para a entrega de projetos é uma realidade da indústria. Engenharia. A entrega bem-sucedida dos projetos deverá. conforme já abordado em profundidade em capítulos anteriores. impactar o valor de mercado de algumas empresas. BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. levando a estimativas precária de custo e cronograma. geram uma maior pressão sobre os fornecedores de toda a cadeia (EPCs. Entre as questões a serem equacionadas. diversos projetos podem sofrer com o escopo de trabalho e planos mal definidos. estão: execução dos projetos de capital estão colocando mais pressão e atribuindo mais responsabilidades às suas contratadas. diversas empresas enfrentam o desafio de identificar “recursos de projetos” que tenham experiência suficiente para atender às necessidades desses megaprojetos. que já enfrentam dificuldades de obtenção de recursos. o que gera desafios ainda maiores à execução desses projetos. a capacidade de as empresas preverem com maior precisão os custos e o cronograma de entrega dos projetos torna-se um diferencial competitivo. A partir de deficiências de recursos nas áreas de Engenharia e Controle de Projetos. Consequentemente. Desta forma. mais do que nunca. nesse contexto. . aos novos projetos e à obrigatoriedade do Conteúdo Local. Neste sentido. Controle de custo e cronograma Em uma época em que relatórios transparentes e tempestivos destinados aos conselhos de administração e acionistas sobre os projetos são cada vez mais minuciosamente analisados. as empresas responsáveis pela Confiabilidade e desempenho dos fornecedores As deficiências de capital humano. ETANoL E gÁS Projetos de capital bem-sucedidos As oportunidades do pré-sal deverão atrair investimentos significativos para toda a indústria e. torna-se crítico superar gargalos e questões limitadoras ao cumprimento desses projetos. somadas à escala.

levando a erros de previsões. geralmente exigindo a emissão de atualizações revisadas de mercado. controles e sistemas padronizados estes. Com isso. Tecnologia. Considerações críticas de supply chain devem ser parte integrante das fases iniciais de elaboração de qualquer projeto. Questões como o acesso à infraestrutura e gargalos existentes nas instalações são subestimadas. Gestão de Compras e Construção. Soma-se a isso contratos com remuneração e recursos insuficientes para a gestão de pleitos. cujas operações ultrapassam fronteiras operacionais desafiadoras e são tecnicamente mais complexas. a falhas na consideração de todos os aspectos logísticos necessários para a sua viabilização. A combinação de novas tecnologias. garantindo menor grau de retrabalho e um cronograma mais bem estruturado e que atenda a todas as fase de execução.Uma das oportunidades de causar um impacto positivo sobre o ciclo de vida de um projeto é durante seu planejamento inicial – fase que antecede até mesmo o investimento de recursos. Conformidade legal e regulatória Uma definição pouco clara das responsabilidades legais entre a proprietária e a empreiteira em relação à obtenção de licenças e autorizações pode levar a atrasos nos projetos. as competências. ficando impossibilitados de atender aos megaprojetos de forma ideal. necessários para reduzir a pressão sobre os contratados e conquistar sinergias globais. Alteração de escopo e gestão de pleitos Diversas alterações de escopo surgem de projetos mal elaborados. etc. abordagem holística de um modelo stage-gate para avaliar o progresso do projeto e permitir que as decisões sejam tomadas de forma embasada conforme o projeto avança em seu ciclo de vida. cronograma e gestão de riscos. A implantação de uma estrutura abrangente do ciclo de vida permite aos responsáveis por tomar decisões ter conhecimento adequado sobre o investimento necessário para as fases seguintes do projeto. E isso é particularmente verdadeiro para as empresas de petróleo e gás. novas geografias.). investimentos multibilionários de capital e governança multipartidária significa que esses projetos exigem elevados níveis de asseguração de custo. partindo de sua elaboração até a fase operacional. levando a problemas de interface com a engenharia e o processo de construção propriamente dito. muitas identificam falhas em processos. Entretanto. Uma das mais relevantes oportunidades de causar um impacto positivo sobre o ciclo de vida de um projeto de capital é durante seu planejamento inicial – fase que antecede até mesmo o investimento de recursos. Aspectos logísticos Diversos projetos não alcançam os objetivos esperados devido Gestão eficiente de projetos Uma das maneiras mais eficientes de gerir a complexidade dos projetos de capital é conduzir uma . Consistência de entrega A maior complexidade dos projetos e a pressão sobre as cadeias de fornecimento estão forçando as empresas a rever suas metodologias de gestão. faz-se necessário dar maior atenção às obrigações legais e regulatórias para garantir o total cumprimento dos requisitos regulatórios. Estimativa econômica Problemas em conseguir uma boa estimativa econômica são a causa de prejuízos em diversos projetos. Nesse sentido. os processos e os sistemas de diversos deles não atendem a todas as exigências necessárias.

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otavio mielnik e Rafael Kaufmann Apoio: gabriel Naumann. A reprodução deste conteúdo.º andar Jardim São Luiz CEP: 050-900 +55  573-7 Rio de Janeiro | RJ Centro Empresarial Botafogo Praia de Botafogo.3º andar Botafogo CEP: 359-900 +55  373 9500 Belo Horizonte | MG Rua Antônio de Albuquerque. na totalidade ou em parte. º. 5 Bloco B . 30 Torre I .  0º e º andares Funcionários CEP: 30-00 +55 3 33 00 Blumenau | Sc Edifício California Center Rua Doutor Amadeu da Luz. 1189 . º e º andares BRASIL SUSTENTÁVEL PERSPEcTIVAS doS mERcAdoS dE PETRóLEo. 300 . Raíza Adler e Rodrigo dias Equipe Ernst & Young Terco Sócio de Consultoria: carlos Assis Sócia de Impostos: Elizabeth Ramos Diretor de Consultoria: Alexandre Rangel Diretora de Consultoria: Tânia Beyda Colaboradores: Luiz claudio campos.  Ala B .995 3º.Quadra D- CEP: 75-5 +55  3 00 Fortaleza | cE Centro Empresarial Iguatemi Avenida Washington Soares.  ° andar Boa Viagem CEP: 500-350 +55  30-00 Salvador | BA Edificio Guimaraes Trade Av. Tancredo Neves. é permitida desde que citada a fonte.0º andar Moinhos de Vento CEP: 9030-000 +55 5 30-5500 Recife | PE Edifício Empresarial Center III Rua Antônio Lumack do Monte. 3 . ETANoL E gÁS Brooklin Paulista CEP: 057-000 +55  305-0000 Condomínio São Luiz Avenida Presidente Juscelino Kubitschek.5º ao 7º e 0º andares Itaim Bibi CEP: 053-900 +55  573-3000 Centro Empresarial de São Paulo Avenida Maria Coelho Aguiar.Sala 0 Setor Oeste . 55 º andar . 00 ° andar –Conjunto 0 Centro CEP: 900-90 +55 7 3 700 Brasília | dF SHS .5º ao 10º e 13º andares Torre II .3º andar Botafogo CEP: 50-00 +55  09 00 Edificio Argentina Praia de Botafogo. São Paulo | SP Avenida Nações Unidas.º andar CEP: 703-000 +55  0 000 campinas | SP Galleria Corporate Avenida Doutor Carlos Grimaldi. . 70 3° andar .Sala 3A Fazenda São Quirino CEP: 309-90 +55 9 33 0500 curitiba | PR Condomínio Centro Século XXI Rua Visconde de Nacar.Conjunto A Bloco A . 5º.Quadra 0 . Juliana mello e carlos martins Esta é uma publicação do Departamento de Comunicação e Gestão da Marca da Ernst & Young Terco Brasil.17º andar Pituba CEP: 0-0 +55 7 350-9000 goiânia | go Edifício Vanda Pinheiro Avenida República do Líbano.Edifício Brasil  Sala 05 . Paula Quental e Roseli Loturco Diagramação: Alexandre Rossetto e Alexandre Rugério Infográficos: mario Kanno Revisão: João Hélio de Moraes Desenvolvimento de conteúdo e coordenação técnica: Ernst & Young Terco e FgV Projetos Equipe FgV Projetos Diretor do projeto: césar cunha campos Supervisor: Ricardo Simonsen Coordenador do projeto: Fernando Blumenschein Modelagem e análise: diego Pozo.Lotes  e  . . 55 Sala 50 Cocó CEP: 0-3 Projeto e direção editorial: mitizy olive Kupermann Edição: clarissa Wahl Apoio editorial: michele gassi. Fabricio Andreatti. 0 º andar Centro CEP: 00-0 +55  3593 0700 Porto Alegre | RS Centro Empresarial Mostardeiro Avenida Mostardeiro.

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