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SOBRE O COMPLEXO DE ÉDIPO E A CONSTITUIÇÃO HUMANA EM FREUD Ivan Ramos Estêvão Uma das questões mais polêmicas na leitura

da teoria freudiana é a possível incompatibilidade existente entre dois níveis do discurso de Freud: a interpretação, centrada no indivíduo, e a metapsicologia, uma universalização das teses psicanalíticas. George Politzer apresenta esta provável dubiedade discursiva como uma das principais críticas à teoria psicanalítica. Reconhece o mérito do distanciamento entre este novo saber e as psicologias clássicas, sobretudo no que diz respeito a técnica da interpretação, a qual opera através do resgate do indivíduo, permitindo assim que a psicanálise, num primeiro momento, saia do âmbito de abstração das teorias anteriores. Porém, segundo ele, a construção da metapsicologia seria simplesmente um retrocesso às técnicas de análise superadas1. Outros autores, embora não exatamente dessa forma, também se dão conta desta dificuldade: Hyppolite critica essa cisão conceitual que lhe parece contraditória2 e Paul Ricœur diz que a Psicanálise, em seu início, ou seja, no manuscrito do Projeto para uma Psicologia Científica, se apresenta como uma teoria “energética” praticamente isenta de qualquer questão hermenêutica que, no entanto será – como ele o vê –, o fio condutor d’A Interpretação dos Sonhos3. Vemos nessa tese a concepção de um Freud sujeito a rupturas que ocorreriam justamente entre os dois textos citados. Embora o autor sustente que Freud ainda traz, nos seus textos seguintes, resquícios de “energisismo” positivo4.
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“Há duas maneiras de utilizar a ‘narrativa’ do sujeito. Pode-se dasarticulá-la através da abstração e do formalismo e projetá-la de um ou de outro modo na vida interior. É a atitude da psicologia clássica. A segunda consistirá em utilizar os dados psicológicos como o simples contexto do sentido que procuramos: reconhece-se aqui a atitude da psicanálise. Daqui resulta uma conseqüência muito importante para a atitude do próprio psicanalista: não pode apresentar hipóteses de estrutura. Não tem o direito, dado o verdadeiro caráter da sua atitude, de utilizar mecanismos; é um fato que a psicanálise nos orienta para uma psicologia sem vida interior”. POLITZER, G., Crítica dos Fundamentos da Psicologia, tomo I. Trad. C. Jardim e E. L. Nogueira. Lisboa: Presença, 1975, pg. 138. HYPPOLITE, J., apud MONZANI, L. R., Freud, O Movimento de um Pensamento. Campinas: Editora da Unicamp, 1989, pg. 69. “Les écrits de Freud se présentent démblée comme un discours mixte, voire ambigu, qui tantôt énonce des conflits de force justiciables d’une énergétique, tantôt des relacions de sens justiciables d’une herméneutique. (...) ce discours mixte est la raison d’etre de la psychanalyse”. RICŒUR, P., De l’interprétation. Paris, Éditions du Seuil, 1965, pg. 76.

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Todo o capítulo VII do Interpretação. Só em 1915 ele volta a usar o termo em O Inconsciente onde define pela primeira vez sua idéia de metapsicologia: “Proponho que. quando tivermos conseguido descrever um processo psíquico em seus aspectos dinâmico.2 Monzani retoma esta polêmica concluindo que “a interpretação produz teses que a explicação (metapsicologia) fundamenta”5.. topográfico e econômico.) Oú l’on comprend que l’énergétique passe par une herméneutique et que l’herménetique découvre une énergétique”. S. “A questão não é qual deve ser a estrutura e o funcionamento do aparelho psíquico para que essa interpretação seja possível. se aceitarmos esta concepção. Rio de Janeiro: Imago. Segundo o vocabulário de Laplanche e Pontalis. Carta 84 in Obras Completas. B. 113. 1994.. Vol. 284. pg. 10 FREUD. e PONTALIS.. ibidem. é dedicado a esse tema e a busca pela constituição do homem atravessará praticamente toda a obra. 1970 ss. . VI.. Freud faz suas primeiras menções ao termo em duas cartas à Fliess8 e depois em 1901 no livro Psicopatologia da Vida Cotidiana9. pp. J. Id. mas sim esta outra: se essa interpretação é correta. LAPLANCHE. Vol. uma das questões que surge – como veremos – é saber se há realmente a possibilidade de que a metapsicologia seja universal... Grifos do autor. antes de continuar. “metapsicologia” seria o “termo criado por Freud para designar a psicologia por ele fundada. Vol. 1970 ss. Rio de Janeiro: Imago. FREUD.208.. Idem.. considerada na sua dimensão mais teórica”7. S. ib.. MONZANI.309. São Paulo: Martins Fontes. Psicopatologia da Vida Cotidiana in Obras Completas.. pp. 5 6 7 8 9 FREUD. S. 4 “(. passemos a nos referir a isso como uma apresentação metapsicológica”10. I. quais são os supostos e as hipóteses teóricas que são exigidos para o funcionamento e a estrutura do aparelho psíquico”6? Não haveria nem ruptura nem continuidade. op. XIV.. Ora. cit. Rio de Janeiro: Imago. esclarecer o que entendemos por metapsicologia. 75. Desde os primeiros textos freudianos é possível perceber uma preocupação mais ampla do que o tratamento para as patologias que estuda. pp.369. pg. 114. J.. 1970 ss. pg.. Convém. O inconsciente in Obras Completas. O manuscrito do Projeto para uma Psicologia Científica (trabalho publicado postumamente mas escrito em 1895) seria uma tentativa de pensar um funcionamento geral da psique humana. Vocabulário da Psicanálise. pg.

A. tiramos uma questão: é possível. Isso posto. textos estes que são conhecidos como Artigos Sobre Metapsicologia... a metapsicologia é uma forma de pensar o homem universal. Sua obra caracteriza-se por uma obstinada insistência em expor o conteúdo repressivo dos valores e realizações supremos da cultura”12. 1970 ss. Eros e Civilização..) [que] desfazem a tradição predominante do pensamento Ocidental e sugerem até o seu inverso.253. Suplemento Metapsicológico à Teoria dos Sonhos in Obras Completas. 1958. Cabral. segundo Monzani. Eles levam a crer que podemos tomar a metapsicologia enquanto a teoria que surge do material clínico – em consonância com a formulação de Monzani – e que busca um modelo de constituição humana. que está. ou seja. O grifo é nosso. Freud escreve uma série de artigos dedicados a “esclarecer e levar mais a fundo as suposições teóricas sobre as quais um sistema psicanalítico poderia ser fundado”11. indutivamente. à fundamentação teórica. brota o material que deve levar. enfim. Disso. e nenhum dos seus textos nos diz o contrário. então como pode se dar a passagem do individual ao universal.. pg. Nesse sentido. Rio. podemos pressupor que há de fato uma alteração no paciente entre o início e o fim de um processo analítico. H.. S. em Eros e Civilização.3 Em 1915. por sua vez. 38. o metapsicológico e o interpretativo. que é do trabalho interpretativo que. e se o método analítico funciona é possível formular as 11 FREUD. Se tomarmos como premissa que o que Freud apresenta é notadamente o material presente nas sessões clínicas. esclarece a postura freudiana que predomina nos textos sociais e metapsicológicos: “Sua teoria contém elementos (. pp. se o que temos no divã da clínica – locus onde ocorre a interpretação – é um paciente com representações próprias e é justamente o fato de serem interpretações próprias do indivíduo que permitirá a compreensão dos processos psíquicos? Estes registros. de outro modo. Rio de Janeiro: Imago. 12 . no campo metapsicológico. Zahar. partir deste plano individual e alçar o conhecimento daí advindo ao plano universal? Pensar esta questão não tem sido freqüente nos escritos psicanalíticos mas podese deduzir que a resposta inicial seria afirmativa pois. deve-se pensar que uma vez que a interpretação está na qualidade de “produtora de teses”. operam constantemente num jogo entre o singular e o universal. a condição humana. estaria inviabilizado o tratamento clínico. Trad. MARCUSE. Marcuse. Esta alteração é um indício de funcionamento do método. necessários um ao outro na construção do campo psicanalítico.

Freud inicia seus estudos no campo da psicologia com Charcot. sendo sua primeira expressão a teoria do trauma apresentada em Novos Comentários sobre as Neuropsicoses de Defesa. Ora. em representações singulares. A primeira delas é a evolução da noção de normal e patológico. O Mal-Estar na Civilização in Obras Completas. Ao que parece. Nesse momento. Entre os Novos Comentários e os Três Ensaios. por ser aplicado de maneira singular. . S. por qualquer período de tempo.4 hipóteses teóricas. XXI. O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança. suas perspectivas de desfrutar dessa felicidade. todos temos um inconsciente. Nesse texto podemos notar uma aproximação entre as pessoas normais e as neuróticas. é que Freud retoma com maior afinco a questão da etiologia. sem conhecer restrições das pulsões [instintos]. esse empreendimento obriga Freud – à revelia de seus mestres – a colocar a sexualidade como fator chave no surgimento de uma neurose. deve todo o tempo ser posto à prova e ele é quem sustenta o arcabouço teórico. Isso implica supor a universalidade do recalque uma vez em que todo sonho detém um significado manifesto (consciente) e um latente (inconsciente). onde os mecanismos encontrados nas analises dos neuróticos serve de material para a compreensão do significado dos sonhos – inclusive dos “normais”. cabe lembrar. podemos compreender melhor porque lhe é difícil ser feliz nessa civilização. Na realidade. o homem primitivo se achava em situação melhor. Com a modificação de sua teoria das 13 FREUD. que a definição de neurose de então é o desejo recalcado que tenta vir à tona através do sintoma. através da observação dos fenômenos histéricos à luz da hipnose. eram muito tênues. todos sonhamos. Vol. 1970 ss. Em contrapartida. 105. Freud publica A Interpretação dos Sonhos. Será que a universalidade do recalque não implicaria na universalidade da neurose? Se saltarmos para um texto muito posterior perceberemos que talvez seja esse o caminho trilhado por Freud: "Se a civilização impõe sacrifícios tão grandes. na França. mas também à sua agressividade.. Alguns pontos dentro da teoria freudiana podem ser analisados para que se busque a resposta à nossa questão. logo."13. Somente em 1905.. tratase de elucidar uma patologia e o trabalho é quase todo voltado para a busca da etiologia da neurose. Mas. Porém esta visão acarreta o fato de que o método. Rio de Janeiro: Imago. Uma das teses freudianas desse livro é “todo sonho é uma expressão de desejo". com os Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. pg. não apenas à sexualidade do homem.

esse dualismo será o motor do indivíduo. apesar desses dois promissores caminhos. Freud utiliza-se do mesmo estratagema para expor suas teses: no primeiro. No MalEstar. seria preciso uma investigação sobre as influências que recebe – uma epistemologia freudiana – e tentar entender se trabalhava dentro do moldes de la science francesa ou da wissenschaft alemã.. recalque esse que implica na neurose coletiva. mas. entre o normal e o patológico. é importante. O Futuro de uma Ilusão.5 pulsões. Monografia de Iniciação Científica. pode ser um caminho frutífero para se compreender a relação entre singular e universal em Freud uma vez em que o “patológico” diz respeito ao individual. Não há possibilidade de sujeito que não implique na “patologia”. ou seja. Mas.. de 1930 e Moisés e o Monoteísmo. I. o já citado O Mal-Estar na Civilização. Nesse caso. Em todos eles. . enquanto o “normal” está ligado ao âmbito universal. A análise dessa evolução. ao campo da clínica. antes de nos perguntamos pela veracidade dessa afirmação. apresenta dois costumes que lhe chamam a atenção nas tribos primitivas: a adoração de um totem – que poderia ser um animal. atravessam grande parte da obra e. Psicologia de Grupo e Análise do Ego. Freud postula uma novo dualismo pulsional. Eles se caracterizam pela utilização de conceitos psicanalíticos para explicar fenômenos coletivos e de massa. São eles Totem e Tabu. saber qual sua idéia de ciência. aqui o normal e o patológico parecem se fundir. de 1927. A cultura só será possível com o recalque de uma certa gama de desejos. Em troca desse recusa de satisfação pulsional. Isso porque a noção de ciência remete ao universal. opondo as pulsões de vida (Eros) às pulsões de morte (Thanatos). vegetal ou uma força da natureza e que não poderia ser morto a não ser em cerimônia especiais – e a proibição de relações 14 ESTEVÃO. Uma segunda possibilidade de focar nossa questão é através da pretensão de cientificidade buscada por Freud. Se ele se coloca enquanto produtor de uma ciência. principalmente quando concebida à maneira positivista. 2000. parecem cruciais para a sua compreensão.. de 1921. positiva. Sobre o complexo de Édipo o Universal e o Singular na obra de Freud. R. sabemos que Freud escreveu cinco textos onde arrisca fazer incursões em outras áreas que não a psicologia. Em consonância com nosso trabalho anterior14. o “normal” é a neurose. apresentada em Além do Princípio de Prazer. Como pode-se perceber. por outro lado sua formação prévia é notadamente germânica. os indivíduos adentram a cultura e ganham uma parcela de segurança em relação aos seus iguais. nessa medida. de 1913. optamos por um terceiro. Sabemos que Freud desenvolve seus estudos sob influência francesa. de 1939. Ora. São Paulo.

ou seja. ser um Édipo visto nos fatos. A. Vol. No entanto certos textos cruciais de Freud fazem pouca menção a esse conceito de Édipo (como foi percebido por alguns comentadores) o que nos remeteu a duas possibilidades distintas: haveria em Freud o que se pode chamar de Édipo "empírico" e um Édipo "constitutivo" ou "estrutural". O Desligamento. Em todos os outros textos veremos situações similares. pp. Vários trechos desses textos parecem corroborar com essa hipótese. 24. O movimento que Freud faz nestes textos.. Mezan e Bleichmar falam. portanto. Irène Cubric. Diehl. Freud percebe que estes comportamentos surgem de forma similar em crianças e que eles estão diretamente ligados às relações com os pais. intimamente ligado a Édipo.. Daí. São Paulo. Temos então uma hipótese: Freud faz esse salto. O Futuro de uma Ilusão. 1989. E. outro que seria desenvolvido até 1923 e o último que surge em textos de 1931. Imago. Vol. do singular para o universal através da analogia e o conceito de que se utiliza para tanto é o complexo de Édipo. Essa terminologia (empírico e estrutural ou constituinte) é encontrada em alguns comentadores. pg. BLEICHMAR. ou seja. pp. é possível supor que Freud se permita assim. 155. Porto Alegre. XIII.. No caso de Mezan. pp. Introdução ao Estudo das Perversões: Teoria do Édipo em Freud e Lacan. 1984. 72-85. de três tempo do Édipo. 1970 ss. 1994. haveria um Édipo até 1910. Bleichmar também indica os mesmos tempos e chama esse primeiro de "Édipo do mito". Trad. Artes Médicas. o segundo de o "Édipo estruturante" e por fim haveria o "Édipo organizador dos dois sexos"17. F. 9. pg. 156-158. Segundo André Green. O Complexo de Édipo. Como a psicanálise compreende o singular. Psicologia de Grupo e Análise do Ego. XXI. GOLDGRUB. 17 18 . Vol. O. A Totem e Tabu. esse salto16. S. Vide: FREUD. trad. Rio de Janeiro: Imago. Os costumes dos povos primitivos reproduzem em outra escala o conceito de complexo de Édipo. Freud parece articular com freqüência a clínica com a cultura por meio desse conceito de “complexo de Édipo”.. na realidade. 59. Moisés e o Monoteísmo. Já Goldgrub é quem faz uso do Édipo empírico supondo que Freud apenas percebera o Édipo na clínica e em si mesmo. no campo experimental mas não poderia pensá-lo na teoria. Ática. pg. 56-58. H. empírico18. Nos principais textos metapsicológicos como em seus textos sociais. ele parte de um exemplo coletivo e encontra um exemplo singular clínico que é análogo ao primeiro. 15 16 GRENN. “há um fio juntando essas obras. em busca de seu fundamento antropológico”15. XXIII. in Obras Completas. Vol.6 sexuais entre membros do mesmo totem. XVIII. buscando o salto entre universal e singular parece ser analógico.

) Se o destino nos comove somente porque poderia ser o nosso – porque o oráculo lançou a mesma praga sobre nós antes de nascermos. O que tenho em mente é a lenda do Rei Édipo e o drama de Sófocles que traz o seu nome”19. Vol. ib. Ele não se limita a analisar o mito de Édipo: busca também em Hamlet. mas que deve ser procurado na natureza particular do material sobre a qual aquele contraste é exemplificado. 276-277. a explicação somente pode ser no sentido de que seu efeito não está no contraste entre o destino e a vontade humana.). É o destino de todos nós. Id.. 278. é o que permite pensar este salto. na obra maior da psicanálise.. 20 21 . Mas.. de Shakespeare. uma vez em que uma única obra é partilhada por uma multidão de pessoas... como isso se dá? Ao dizer que a capacidade de comover é “profunda e universal” o autor sugere que a literatura. talvez. Para Freud.. este algo é o complexo de Édipo e a prova é a literatura. Vimos que é apresentado. Se a obra de Sófocles tem efeito ainda nos dias de hoje é possível supor que algo do que se sentia naquela época se mantém.. (..7 Nosso primeiro trabalho tratou de tentar entender esse primeiro momento do complexo de Édipo na qualidade de empírico. A Interpretação dos Sonhos in Obras Completas. O que Freud lança como pergunta é: como uma obra de arte de mais de dois mil anos pode causar efeito ainda hoje.. 19 FREUD. S. propõe Freud. pp. pg. 280-282. como sobre ele. a mesma questão e encontra o mesmo dilema que descobre ocorrer com seus pacientes21. ainda que sucintamente. dirigir nosso primeiro impulso sexual no sentido de nossa mãe e o nosso primeiro ódio e o nosso primeiro desejo assassino contra nosso pai”20. Esta formulação explica algo quanto à concepção de universalidade da teoria. ib. Essa descoberta é confirmada por uma lenda da antigüidade clássica que chegou até nós: uma lenda cujo poder profundo e universal de comover somente pode ser compreendido se a hipótese que apresentei no tocante à psicologia das crianças tiver validade igualmente universal. é uma representação dos nossos desejos mais profundos. “Se Oedipus Rex comove um auditório moderno não menos que o grego da época.. Rio de Janeiro: Imago. Id. IV. aqui representada pelo mito de Édipo. 1970 ss. A Interpretação dos Sonhos: “Estar apaixonado por um dos progenitores e odiar o outro é um dos constituintes essenciais do acervo de impulsos psíquicos (. pg. em outro âmbito social completamente diverso daquele no qual foi escrita? Porque ela. mesmo que sucintamente formulada.

Freud tende a minimizar os efeitos dos fatores externos sobre a constituição do indivíduo... Freud percebe o complexo em si mesmo. 45. cit. MONZANI.. MEZAN.. 4. 1989. num texto de importância indiscutível no corpo da obra freudiana como o é o Três Ensaios sobre Sexualidade. Freud: A Trama dos Conceitos. visto seus textos anteriores. É neste segundo em que Freud diz pela primeira vez sua suposição de que o Édipo seja universal: “Verifiquei. em 1905. pg. uma das cartas à Fliess. o apaixonamento pela mãe e ciúmes do pai. O primeiro esboço é encontrado no “Rascunho N”. somente em 1910. Carta 71. Daí à dizer como e porque ele é universal é outra história. pgs. e agora considero isso como um evento universal do início da infância (. pgs. Com 22 23 Id. minimiza completamente a incidência dos fatores externos? Como conciliar o fato de que. o conceito é nomeado. nesse instante. e nem sequer recebe este nome”. percebe em seus pacientes e encontra o mesmo na literatura. em Um Tipo Especial de Escolha de Objeto Feita pelos Homens. 34 e 35. Id.)”22. 133 e 136 respectivamente. Com o abandono da teoria da sedução. e ocasionalmente pode ocorrer sem qualquer auxílio por parte da educação’. É importante notar que o complexo de Édipo de então é universalizado pela literatura enquanto uma fato empírico. Nenhuma menção é feita do conflito edipiano correspondente à fase fálica. que lhe confere alcance universal. Freud não tem elementos para precisar a natureza da ação destas circunstâncias limitando-se a indicações vagas sobre os ‘preceitos morais’ e sobre as ‘exigências culturais da sociedade’. que ele é universal mas não que é constitutivo. Ib. Chama a atenção tanto de Mezan23 quanto de Monzani24 que. nem das fantasias tecidas ao redor do Complexo de Castração. Monzani conclui que Freud. Constata-se.8 Mas este é o único material que ele nos apresenta que serve para a compreensão de sua concepção de universal na noção de complexo de Édipo.. “A implantação desses sentimentos se deve em boa parte à educação. 24 25 . De momento. 258. como demonstraremos no Cap. o conflito edipiano é localizado na puberdade. e mais tarde na carta 71. a questão do Édipo aparece de forma apenas marginal.. já sabia da importância conceitual do Édipo porém haveria uma espécie de hiato entre prática clínica e teoria: O Édipo ainda não se encaixava na teoria apresentada no texto em questão: “Como entender e salientar o papel do drama edipiano numa teoria que. de reconhecer a função estruturante do Complexo de Édipo” e “Nesta altura. E. pg. até este momento. que. só podem emergir das malhas teóricas da segunda tópica. também no meu caso. Esta passagem mostra quão distante estava Freud. praticamente. mas ‘na realidade este desenvolvimento é determinado organicamente e fixado pela hereditariedade. o complexo de Édipo é central com o postulado teórico de que os fatores externos são insignificantes?”25. op. O desenvolvimento da pesquisa demonstrou que esse hiato se deve a impossibilidade de articulação entre o complexo de Édipo empírico e a teoria da sexualidade presente nos Três Ensaios.. R.

Rio de Janeiro: Imago. As relações com os pais podem aqui ocupar um lugar mínimo.. Vol. a hereditariedade como alicerce fixando o desenvolvimento da sexualidade no campo puramente orgânico e minimizando a função da educação o que "eqüivale a dizer que os fatores externos. junto a outros entraves à sexualidade. No máximo servirá de catalisador. ganhou-se tempo para erigir. Ora. O seu papel [da educação] (e incluindo aí as relações inter-humanas) é praticamente nulo. enfim. quaisquer que sejam. 1970 ss. Nesse momento. 29 . O que cabe nessa teoria da sexualidade é um Édipo enquanto eliciador da neurose mas a pretensa universalidade cai por terra. desde a infância. no caso. Um segundo fator também impede essa articulação. XIV. digamos. entretanto. não há lugar para uma articulação com o Édipo. os órgãos genitais28. amortecida. Por aqui já podemos vislumbrar o papel secundário que Édipo desempenha nesse texto"26.. Isso porque ele considera que as pulsões. 228. S. pg. como já havia sido assinalado na Interpretação. a barreira do incesto. no caso. Se o que caracteriza a primeira fase da organização sexual da criança é o auto-erotismo. sua mãe e/ou seu pai. 232. MONZANI.9 isso. ligam-se as zonas-erógenas. a criança poderá fazer escolhas de objetos total. Cf. nos Três Ensaios. na qualidade de parentes consangüíneos. Nada mais.. ou seja. não podem afetar em nada seu desenvolvimento intrínseco. Id. Freud só nos deixa antever uma relação com objetos parciais. para que assim se integrem os preceitos morais que excluem expressamente da escolha objetal. são "pulsões parciais". pg. Só que aí Freud afirma: "Sem dúvida. pg. Com o adiamento da maturação sexual... Se a hereditariedade ocupa o papel de constitutivo. mas não será fundamental para o desenvolvimento da sexualidade. LAPLANCHE & PONTALIS. as pessoas amadas na infância"29. ib. na fase auto-erótica. FREUD. ou seja. terão influência no que diz respeito ao desenvolvimento da neurose ou perversão.. mesmo que sucintamente. o caminho mais curto para o filho seria escolher como objetos sexuais as mesmas pessoas a quem ama. 37-38. "As pulsões parciais funcionam primeiro independentemente e tendem a unir-se nas diversas organizações libidinais"27 e.. com uma libido. pg. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade in Obras Completas.. Somente com os processos que acontecem na puberdade é que as pulsões convergem para uma zona erógena. 26 27 28 Cf. Freud apresenta. 402. na latência as pulsões eram parciais e eram direcionados para objetos parciais.

parece ser impossível para Freud articular o complexo de Édipo com sua teoria.. Por esse dois motivos (a importância dada à hereditariedade e à teoria das pulsões parciais na latência). um hiato entre a teoria e a prática psicanalítica. pg. "os efeitos do complexo de Édipo sobre a estruturação do sujeito são descritos em termos de identificação: os investimentos nos pais são abandonados e substituídos por identificações"31. Logo. e PONTALIS.10 Aqui temos um vislumbre do que poderia ser a entrada do complexo de Édipo mas Freud se esquiva. embora menos intimamente. O período de latência substitui o complexo de Édipo. 228. . essa hipótese nos leva à acreditar que ocorre não necessariamente um abandono da hereditariedade mas um afastamento de modo a que ela deixe de ocupar a posição de constitutivo do humano. J. 235.. ib. Mas ele é diluído na latência que é determinada organicamente. Mas como ela poderia ter uma relação objetal se antes e durante a latência tem pulsões parciais voltadas para objetos parciais? A influência do Édipo não escapa a Freud. Se a maturidade sexual fosse numa idade anterior. B. nosso objetivo é tentar entender como e porque Freud coloca o conceito de complexo de Édipo como constitutivo do humano. Há. Isso só nos parece possível através das noções de ideal de ego e superego. LAPLANCHE. como apresenta Laplanche e Pontalis. a apresentação da chamada segunda tópica. quando há uma modificação teórica tal que implique na sobreposição de fatores externos (a saber. Supomos então que essa modificação teórica só será possível à luz da noção de identificação quando. Se o Édipo estrutural implica na relação com pais para a formação do indivíduo enquanto ser humano. nos parece necessário 30 31 Id. pg. nestes protótipos [incestuosos]"30. ou seja. Além disso. em O Ego e o Id. As páginas finais do terceiro ensaio são dedicadas aos desejos incestuosos: "Não pode haver dúvida de que toda e qualquer escolha de objeto se baseia. ou seja. Para tanto. tentar entender o caminho traçado por Freud para que o complexo de Édipo ocupe o estatuto de constitutivo do humano. nossa hipótese de pesquisa é que o complexo de Édipo constitutivo em Freud só pode surgir dentro de um campo bem específico. Com isso em vista. Consequentemente. J.. cultural. é o momento em que há a primeira articulação do Édipo constitutivo com a teoria. não haveria modo de a criança não se apaixonar por seus progenitores. aqui os desejos incestuosos são apenas um reflexo do desenvolvimento sexual hereditário. ao que parece. Assim. Cf. os pais) sobre os fatores internos (pulsões e componentes hereditários). parece-nos de maior valia continuar esse estudo agora numa segunda etapa.

o poder tirânico da figura paterna.. OBJETIVOS: Dado a extensão do primeiro tema. enfim. não é possível abarcar por completo dentro do prazo de um projeto de mestrado. De certa maneira.. O Édipo é universal pois ele funda a 32 “Para explicar a persistência do complexo de Édipo nas gerações subseqüentes seria preciso admitir que a tendência incestuosa dos filhos banidos. o mito da horda primeva dá o estatuto que vinha sendo reivindicado na prática pelo complexo de Édipo. É uma espécie de transmissão hereditária desse momento inicial da cultura (e Goldgrub chama atenção para o caráter lamarckiano dessa idéia32) que vai determinar todo o modo de ser humano. sentimentos e atos inerentes a essas circunstâncias. pg.. E. a noção de um complexo de Édipo constitutivo aparece aqui. convém escolher uma parte do tema. Isso implica em traçar também a evolução da teoria pulsional até o advento do Édipo constitutivo. Goldgrub. teriam se transformado em traços genéticos transmitidos hereditariamente – uma tese tão lamarckiana como a explicação do tamanho do pescoço da girafa pela localização dos brotos das folhas no alto das copas. pela primeira vez. 43. achamos pertinente acompanhar o desenvolvimento dessa noção até seu suposto abandono pois é justamente essa brecha que nos parece ser ocupada pelo Édipo constitutivo. Tendo em vista que nossa primeira pesquisa levantou os motivos da não qualidade de constitutivo do complexo de Édipo até 1910. 33 Id. compreender no todo da obra como ocorre a passagem do singular para o universal. o comentador afirma que Freud volta com “excesso de bagagem em sua incursão pré-histórica”33: o mito da horda primeva é simplesmente uma hipótese acerca da origem da cultura humana. desejos. Ib. colocando como principal causa a concessão que Freud faz à hereditariedade.42. Por esse motivo.11 passar por algumas etapas. pg. quando há a apresentação da segunda tópica supondo que a hereditariedade ficaria relegada a segundo plano nesse momento. A leitura de Totem e Tabu parece indicar que Freud tenta articular esse Édipo empírico a noção de hereditariedade. o parricídio.” Cf. .. Se após o abandono da teoria da sedução Freud faz uma minimização dos fatores externos no que diz respeito a sexualidade infantil e está disposto a supor uma influência da hereditariedade no desenvolvimento libidinal e de escolha de objeto. ao buscar o encaixe devido do complexo de Édipo. Este projeto divide-se em quatro etapas: a primeira um estudo do provável abandono da noção de hereditariedade em Freud até 1923. o remorso e a introjeção da proibição.

supomos ser possível realizar a segunda etapa que tratará da evolução do conceito de complexo de Édipo e suas implicações com hereditariedade o que terá procedimento semelhante à primeira etapa. por último. encontramos o termo Civilização ao invés de Cultura. Disso. Já a terceira etapa trabalharemos basicamente com a segunda tópica e o porque de sua formulação. A primeira etapa se dividiria na leitura de textos selecionados de Freud até 1923 (e dos comentadores) e do levantamento de dados durante um período de quatro meses e à seguir tentar responder se a noção de hereditariedade fica relegada a segundo plano após 1923.12 cultura34. Sabemos. estamos falando de uma parte da Cultura. deixamos dois meses para levantar a evolução da noção de identificação. que há um distinção fundamental entre esses dois termos. podemos colocar como segunda etapa a evolução do complexo de Édipo após sua nomeação em 1910 e como se dá essa ligação com a noção de hereditariedade. 34 Na tradução da Edição Standard Brasileira. Assim. porém. . preferimos manter o termo Cultura no lugar de Civilização tal qual Freud o fez. A Cultura remete ao universal. Enfim. ou seja. CRONOGRAMA Levando o prazo de dois anos para a conclusão da pesquisa supomos ser possível realizar cada uma das quatro etapas acima citadas durante um período de seis meses. sempre achamos o termo Kultur no lugar de Zivilisation. transmitido não pelo gens mas pela identificação. No original em alemão. trabalhamos com a noção de coletividade que implica na existência de outras coletividades. Por isso. Uma terceira etapa consistiria em tentar perceber o porque do surgimento da segunda tópica e sua ligação com a noção de narcisismo e identificação e. tentar responder como e porque o complexo de Édipo passa a ser constitutivo do humano nesse momento. Tendo em mãos este material. mais dois meses para a evolução do conceito de narcisismo e por fim dois meses para tentar responder a pergunta formulada. Pode haver várias culturas mas todo homem está inserido numa. a Civilização não. Já o termo Cultura diz respeito a condição humana e serve para todos os homens. Quando nos referimos a Civilização. que é a que vemos trabalhando. o objetivo de nossa pesquisa é justamente saber em Freud quais as mudanças teóricas que permirtem Freud abrir mão da noção de hereditariedade para poder colocar o complexo de Édipo em seu lugar.

Narcisismo: uma Introdução. O que será feito é a leitura minuciosa e análise dos conceitos. o capítulo VII da A Interpretação dos Sonhos. fato que pode acontecer durante o desenrolar da pesquisa. os textos de referência serão a tradução argentina da Editora Amorrortu. Análise de uma Fobia em um Menino de Cinco Anos. Além do Princípio de Prazer. O Mal-Estar na Civilização e Moisés e o Monoteísmo. tentaremos fazer uma análise estrutural buscando responder com ela as questões acima formuladas. . Trata-se de uma pesquisa no campo conceitual e a metodologia adequada é a análise textual. guardamos o seis meses finais para juntálos e buscar responder porque o complexo de Édipo passa a ser constitutivo do humano na obra de Freud. Ou seja. Obviamente alguns desses textos podem ser acrescidos ou substituídos por outros que demonstrem maior adequação em relação às questões formuladas. com os dados todos coletados. METODOLOGIA: A pesquisa irá se desenvolver no campo exclusivamente teórico utilizando como material os textos da obra de Freud e os seus comentadores que buscaram pensar o que é pertinentes ao tema. Para este estudo foram selecionados alguns textos iniciais: Extratos dos Documentos dirigidos a Fliess. apesar de ter utilizado a edição Standart brasileira – reconhecidamente deficiente –. Totem e Tabu. quais suas articulações com a segunda tópica e os destinos da noção de hereditariedade. O Futuro de uma Ilusão. O Ego e o Id. Quanto à Obra de Freud.13 Enfim. Três Ensaios sobre a Sexualidade. tentando sempre precisar quando e porque o autor os utiliza e quais seus pressupostos. Psicologia de Grupo e Análise do Ego. cotejados com os volumes disponíveis da nova tradução francesa das Œuvres complètes. Psicopatologia da Vida Cotidiana.

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