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Segredos de um Desejo

(The Corporate Raider's Revenge) Charlene Sands

Nada pode deter a vingança de Evan Tyler, magnata da indústria de hotelaria. Quando aparece a oportunidade de se tornar íntimo de Elena Royal, filha de seu maior concorrente, ele não perde tempo. Evan não planeja apenas arrancar os segredos de sua família. Ele também deseja desfrutar cada segundo de sedução! No entanto, quando o romance acaba, Evan se vê forçado a escolher entre consumar sua vingança ou continuar com Elena. Seria possível ter os dois?

CAPÍTULO UM
ELENA Royal deu um gole em sua segunda taça de sexo na praia, uma bebida com vodca e suco de pêssego, percebendo mais uma vez a ironia da situação. Sexo na praia? Era exatamente o que deveria estar fazendo agora, em sua lua-de-mel. Em vez disso, estava sentada, sozinha, num banco do bar do Wind Breeze Resort. Enquanto colecionadores catavam exemplares de folhas de palmeira mais adiante, ela dispensava os olhares galantes dos homens no bar ao ar livre e bebia para esquecer seu sofrimento. Deveria estar casada neste momento. Com Justin Overton, o canalha que a convenceu de que a amava, e não a sua conta bancária. Ao descobrir, no dia do casamento, que o noivo não tinha um pingo de honestidade, dispensou-o, abandonando-o e aos convidados que estavam prestes a chegar. Sim, deixou Justin no altar, mas deixou seu coração ali também. Não sendo mais a garotinha ingênua de 26 anos que acreditava em amor romântico para a vida inteira, Elena estava arrasada, seu ego ferido. Fora destroçada e ainda sentia resquícios de culpa e um aperto no coração. Viera a um hotel escondido de Maui na esperança de não ser reconhecida como filha do magnata da Costa Oeste, Nolan Royal. Precisava fugir. Precisava de paz e descanso. Precisava de tempo para reavaliar sua vida. Passara as últimas três semanas na praia, nadando, lendo e descansando. Isso a estava enlouquecendo. A luz da meia-noite lançava seu clarão sobre a gigantesca piscina. Adiante, as águas havaianas acariciavam a areia e ondas gentis ecoavam com um suave murmúrio. Sob o sapé da barraca do bar, ela terminou a dose, indecisa quanto a tomar ou não outra antes de retornar à solidão do quarto. A soberba noite de junho a envolvia em uma atmosfera calma. Não fossem os ventiladores, o ar a deixaria sufocada. — Deseja outra bebida? — perguntou o barman, para depois olhar duramente para um dos galanteadores que permanecera lá afastado dela. Elena sorriu. Joe, o barman, assumira a tarefa de protegê-la ao perceber que ela não se comportava como outras solteiras que se mostravam ansiosas para deixar o bar acompanhadas por um desconhecido. — Melhor não. Ainda não acabei este. O som de um mergulho na piscina a fez desviar os olhos da taça. O banhista desaparecera no fundo das águas em um mergulho perfeito, sua sombra se movimentou à luz da lua até que finalmente sua cabeça surgiu na superfície. A água escorreu de seus cabelos longos e negros, macios como seda, revelando ter ombros largos como os de um atleta olímpico. Elena se surpreendeu encarando-o. Quando ele a notou, devolveu um olhar com seus olhos negros e penetrantes. O coração de Elena bateu mais rápido. Saber que estava sendo observada fez com que calafrios percorressem seu corpo de alto a baixo, uma sensação diferente de tudo o que experimentara antes. Ela abriu os lábios num sorriso. O nadador não devolveu o sorriso, mas um leve arquear de sobrancelha lhe serviu como resposta. Elena sentiu o corpo aquecer. Seu ventre foi despertado por um calor inesperado enquanto observava o exuberante homem sair da água com uma graça à altura de sua estrutura física. Prendendo a respiração, ela o observou afastar as gotas d'água dos ombros, ondular os cabelos e enrolar uma toalha ao redor da cintura. Fitou-a de novo, com 2

olhos bastante sugestivos. Elena sentiu o coração disparar na expectativa da aproximação, o que a surpreendeu, pois prometera não se envolver com homens pelos próximos dez anos. Envolvera-se com homens mentirosos e enganadores que faziam juras de amor eterno, mas estavam apenas interessados em garantir para si uma fatia do Royal. Justin fora mais esperto. Ela se deixara enganar facilmente pelo seu charme e votos de amor eterno. Até que seu pai passasse a investigá-lo. Elena descobriu, em uma fração de segundo, que Justin Overton não era o poderoso consultor financeiro que afirmara ser ao conhecê-lo na Europa, seis meses atrás, e sim um ex-estudante relapso à beira da falência. Olhou mais uma vez na direção da piscina. O homem misterioso desaparecera. Assim como viera, fora embora. Elena suspirou e balançou a cabeça. Melhor assim. Ao menos a atração súbita que sentira provou que ela não estava totalmente morta por dentro e reacendeu brasas ainda não inteiramente apagadas. — Algum problema, senhorita? — perguntou Joe, enxugando um copinho de uísque, com olhos fixos nela. — Nada, não, Joe — respondeu, com um rápido sorriso de culpa, percebendo que o sexo na praia ficaria restrito à bebida que brilhava sob a palhoça de bambu, no fundo de sua taça. A MISTURA DE licor de pêssego, vodca e sucos de fruta da noite anterior explodia em sua cabeça agora pela manhã. Nunca bebera muito, preferia uma taça de vinho ou um bom champanhe. Agora pagava o preço com uma ressaca que repercutia como um martelo. Estava num pedaço de praia afastado, sentada numa cadeira de praia listrada, bebericando café preto e observando o mar através dos óculos escuros de armação dourada. Nem Yves Saint Laurent conseguia protegê-la do sol para impedir o franzir dos olhos e a dor de cabeça. Elena fechou os olhos e torceu para que a brisa levasse embora seu enjôo. — Você se importa se eu ocupar parte desta propriedade? — Uma voz grave de homem a fez abrir os olhos de repente, enquanto outra cadeira surgia a seu lado. Quando Elena olhou para cima, viu o homem misterioso da noite anterior sorrindo para ela por trás das lentes de seus óculos Ray-Ban. Usava uma camisa leve desabotoada, com mesclas verdes e negras, e um calção de cor escura. A camisa ondulava ao vento, abrindo-se o suficiente para que pudesse ver o corpo musculoso que despertara seu interesse na noite anterior. — Esta praia é uma mansão sem dono — respondeu, bebericando o café. Ele se sentou e esticou as pernas bronzeadas. — Sem dúvida a paisagem é deslumbrante. Elena concordou com a cabeça, olhando para o horizonte, até perceber que ele a podia estar elogiando. Virou-se para o homem, mas a expressão do seu rosto não dizia nada. Ela percebeu que o estranho a olhava por trás das lentes de vidro metálico dos óculos. — Obrigado por me alugar parte de sua faixa de areia. Meu nome é Ty — falou. — Elen... hum... Laney — disse, feliz por não ser preciso dizer o sobrenome e esforçando-se para não revelar o nome. Apenas seu pai e a melhor amiga a chamavam pelo apelido de infância: Laney. Bebericou o café. — Gostou do Sexo na Praia noite passada, Laney? Ela sentiu um calor subir pelo corpo quando ele mencionou sexo. Era um homem muito atraente, e sua voz segura e bela não destoava da imagem. — Ahn... sim, gostei da bebida, e isso não é da sua conta, caso a pergunta tenha duplo sentido. — Não tem — disse rapidamente. — Eu a vi ontem no bar. — Não sou lá de beber muito. 3

postada no bar. E. então? Ela abanou a cabeça. mas Nolan abafara os rumores. Sempre fico no Wind Breeze quando estou por aqui. Parece que temos isso em comum. — Quer dizer. ler um pouco. — Qual é a sua idéia? Evan se levantou. se não ilegais. notando seu biquíni. franca. Recuperar-me do fim de um relacionamento. Só de pensar na maneira como os olhos azuis esfumaçados dela o observaram na noite passada. tirou a roupa que cobria a sunga e segurou a mão dela. Nolan Royal. O dinheiro fala mais alto.sua linguagem corporal seria capaz de subjugar qualquer homem. O rival de Evan no setor hoteleiro. E Evan quase reconhecia os méritos de Nolan ao ter conseguido manter a imprensa afastada do caso. intrigada. depois de passá-lo para trás na compra de um hotel que vinha tentando efetuar há dois anos. analisando-o com olhos de puro desejo. no entanto. ao menos nebulosos. QUANDO SE recostou na cadeira. Evan nem mesmo se via capaz de reconhecer o valor que tinha ao proteger a filha. Evan ainda sentia o golpe intencional e desonesto de Royal. Mas como Nolan Royal se transformara num verdadeiro transtorno para ele. Queria que Nolan pagasse pelo que fizera. O que o excitava ainda mais era perceber que ela aparentemente não se dava conta da própria beleza . vim aqui para relaxar. — Mais ou menos isso — disse Ty. Nossa. cadeia de hotéis do sul dos Estados Unidos. oferecendo propina a jornalistas inescrupulosos para que deixassem a história morrer. Hollywood fervilhava com as notícias do rompimento. Perdera dois anos de vida e uma boa fatia de receitas futuras graças a Nolan Royal. o velho soubera esconder suas pegadas. O homem se recostou na cadeira e observou as ondas quebrando na praia. — Ficar sem fazer nada não é do seu estilo. Imaginou que viesse aqui para se recuperar do escândalo que causou ao deixar o noivo esperando-a no altar. Ao sair da piscina. — Quer se desentediar? Elena arqueou as sobrancelhas. Evan se virou para Elena. Quase. — Com um pouco de trabalho junto. encolhendo os ombros. fora surpreendido por aquela loura lindíssima. — Pelo visto. Não que estivesse interessada. Evan não possuía uma única prova material de que Royal recorrera a meios. tinha apenas uma filha e ela normalmente era discreta. Aí Evan percebeu quem ela era.Ele sorriu e o personagem misterioso sumiu por um segundo. ao adquirir a The Swan's Inn. Disse a si mesma estar apenas puxando conversa para passar o tempo. — Você está de férias? — perguntou Elena. — Vamos nadar. ficar sem fazer nada. as pessoas obedecem a ele. não. E mesmo não sendo famosa. querendo saber se estava sozinho na ilha. — Também não é do meu. ela era linda. — Está entediada? — Estava. 4 . até nos mais vagabundos tablóides. Reconheceu-a de algumas fotos que vira. Evan Tyler a olhou por inteiro. Elena Royal. sentia o sangue ferver. noite passada — respondeu. de um vermelho vivo que não bastava para cobrir totalmente os seios fartos e as curvas sinuosas do corpo dela. o fim do relacionamento da herdeira milionária estava em todos os jornais do país. Agora Evan estava disposto a se vingar.

Mas Ty prometera que não fariam nada entediante. Uma injeção de calor semelhante ao provocado pelo Ono Popus atravessou o corpo dela. Acabou descobrindo que ele a seguira intencionalmente da Califórnia. Não demorou que se apaixonassem e logo ficassem noivos. Laney gostava da espécie de acordo silencioso que os levara a evitar mencionar sobrenomes ou assuntos pessoais que estragassem o tempo que estavam juntos. seu pai permitira três meses de folga para que estudasse e viajasse pela Europa com a câmera. Laney. — Porque minha boca continua queimando. mas a decepção amorosa tinha lhe tirado completamente o ânimo. Elena concluiu que Ty fazia bem ao seu ego avariado. quando tudo o que desejava era ser fotojornalista. em seu aniversário de 12 anos.. mas Ty deu um jeito de conseguir uma mesa de canto na varanda que dava vista para a cidade histórica atulhada de turistas. O estabelecimento era conhecido pelo Ono Pupus.LANEY GOSTOU tanto do banho de mar com Ty que. Laney pensara conhecer Justin até que seu pai desconsiderou as prevenções dela e colocou investigadores na cola do noivo. Provando o hambúrguer. fingindo um interesse comum por galerias de arte e pelo interior da França. e ela. mas Elena acabou conhecendo Justin Overton num pequeno café francês. Caminharam pela rua após o almoço. ingênua. Jante comigo esta noite. A atenção de Ty recaiu sobre os lábios de Laney. — Prometo que não comerá mais Ono Popus. não encontrou um motivo para dispensar o convite. na rua Front. Eram os melhores modelos para a câmera e ela tirava fotos de pessoas e eventos desde que seu pai a presenteara com a primeira Cannon. um hambúrguer recheado com molho teriyaki. Uma bela e irresistível distração. Quando a trouxe de volta ao Wind Breeze. — Serei obrigada a comer mais Ono Popus — disse. esperando que fosse esquecer o assunto. Mas Elena não estava procurando romance. há catorze anos. Estava ali para se recuperar dos danos emocionais. Ty interveio e a fez experimentar algo um pouco mais excitante. com uma voz sensual e grave: — Gostaria de testar aquele seu limite. Justin fora cortês e carismático. quando ele a convidou para almoçar.. Elena se disse satisfeita. Por que não se permitiria jantar com um homem interessante? Por que não se permitiria mais do que jantar com ele? Toda a vida seguira as convenções. Laney adorava observar pessoas. outra iguaria típica. Pouco antes de se casarem. Ela pediu Kahuna. conversando amenidades. um restaurante de comida típica de Maui. asas de galinha apimentadas a ponto de fazer escorrer lágrimas e cair o céu da boca. Elena não era do tipo que espera sentada. E onde é que estava agora? Ela fora convencida pelo bem-intencionado pai a entrar para a administração dos hotéis Royal após a faculdade. mas uma distração que fosse não faria mal. Almoçaram no Moose McGillycuddy. Ela viera até este hotel afastado para fugir do assédio da imprensa e das lembranças que a perseguiriam se tivesse permanecido em Los Angeles após o fiasco do casamento. — E acrescentou com um sussurro excitante: — Mas não posso prometer nada quanto à sua boca. Ela o achou interessante. ela o observava comer Kalua Pig. Evan a acompanhou até a recepção e falou ao seu ouvido. engraçado e surpreendente. em Lahaina. Normalmente Laney odiava multidões e evitava lugares que comportavam mais gente que um show dos Stones. com um sorriso curto. E "nada entediante" foi o que ofereceu. porque aquilo seria o máximo a que se arriscaria por ora. Depois de comer as asinhas apimentadas de aperitivo. 5 . Pareciam ter muito em comum. disse a si mesma. Estudante de fotojornalismo. um sanduíche de carne de porco desfiada com recheio de repolho e cebolas sautèe. Quando se mostrou disposta a pedir uma simples salada de frango. Então. O lugar estava completamente lotado.

preciso saber. Graças a Justin. Ev. Teria de pensar muito antes de acrescentar este hotel à cadeia Tempest. deixando o carro na entrada.. Dirigia pela costa de Maui em direção ao Paradise. Precisando de uma reforma gigantesca. Vem trabalhando para ele de sol a sol nos últimos anos. Preciso de informações para ontem. Para mim.. Se os hotéis dele estão passando por problemas financeiros. Ele deu uma olhadela para o relógio e depois lhe lançou um olhar caloroso e insinuante. aquela situação mudaria à noite. — Elena Royal — perguntou Brock rapidamente. Que tal? Estou aqui atolado de trabalho e você tomando banho de sol numa ilha deserta com uma linda mulher! Evan entrou com o Porsche alugado na rua que levava ao hotel fechado e estacionou. Ligue quando tiver detalhes. praia e mar quando a desilusão a estava consumindo? — Se depois eu descobrir que você tem mulher ou namorada. Evan desligou o telefone e saiu do conversível. um hotel arruinado. Elena se questionou se deveria mesmo jantar com Ty. Ela é a filha única de Nolan Royal. 6 . — Não faz parte do meu destino. Pelo desejo que havia nos olhos dele. E seja ousada. Elena agora não podia confiar nos outros. é tudo a mesma coisa. Pretendo descobrir se eles têm fundamento. Ótima vista. Boa localização. partira seu coração e a fizera passar por tola. — DESCUBRA TUDO O que puder a respeito de Elena Royal. — Pelo que sei. O que é que você pretende? — Ela é obrigada a conhecer os negócios do pai. minha missão vai ser tentar descobrir. Homem algum a faria passar por isso de novo. Posso garantir. vou pessoalmente atrás de você para arrancar sua cabeça e colocá-la numa bandeja de prata — disse.descobriram que Justin era um vigarista interessado no dinheiro dos Royal. rede de hotéis arduamente adquirida pelos Tyler. Brock. tudo bem. mas potencialmente lucrativo. tanto quanto é possível a um membro da família Royal. enterrado até a cabeça de trabalho. Evan falava ao celular com o irmão. Ty a deixou parada ali. — Exato. brincando. — Ela é uma coisa. rumores sobre os Royal estão se espalhando há meses. Brock — disse. A gargalhada de Ty ecoou pela recepção do hotel e seus olhos se encheram de um brilho de admiração. Enquanto estiver aqui. Ele a enganara. — E. com o término do casamento. Mas por que não se divertir um pouco.. em vez de ler um monte de livros ou fingir aproveitar céu. ela é invisível. O que você poderia querer descobrir sobre ela? — Ela está aqui na ilha. — Alguém tem que trabalhar. imóvel. Vi a foto dela em algum lugar. muito menos um estranho que acabara de conhecer na praia. ela sempre se manteve afastada dos holofotes. — E. mas não muito. — Não vejo problema em misturar prazer e trabalho. Teve um pressentimento imediato.. — Pego você às 20h. divertindo-se com a imagem do mais novo de seus irmãos sentado atrás da mesa. — Olha. — Verei o que posso descobrir imediatamente. Sou solteiro. — Então. deixar-se levar e aproveitar o tempo que lhe restava ali. Exceto agora. Por dois segundos. Ela aprendera a proteger o coração. Nós nos conhecemos e ela não sabe quem eu sou. Prepare-se para se divertir. Janto com você.

pensou. — Ah. — Obrigada — disse. 7 . Ela parecia estar mais alta. curvando-se sobre ela e pressionando os lábios contra os dela. como o do néctar tropical da ilha. abraçando-a. vestindo um terno preto e já com todos os detalhes a respeito de Elena Royal. ele sabia dizer se Elena estava agindo para provocá-lo ou se de fato era mais tímida do que havia suposto. Evan estava de banho tomado em seu chalé no Wind Breeze. curvando-se nos quadris e descendo até acima dos joelhos. — Usando um vestido como esse. Evan ajeitou a gravata de seda cinza. às 19h45. O tecido preto rendado abria-se num decote profundo e Evan observou seu colo imponente e a forma como o vestido envolvia sua cintura. Fora cortejada por um canalha e ele quase conseguira um lugar na família Royal. Ela fora mesmo ousada. entrando no estabelecimento para fazer uma visita na companhia do atual dono. seus olhos chegavam quase à altura dos dele graças às sandálias com saltos de dez centímetros. Ela reagiu envolvendo-lhe o pescoço com os braços e comprimindo a boca contra a dele com mais força. — Isso — respondeu. mas Evan não pôde se segurar. Faria com que ela não tivesse um minuto de tédio em sua companhia. Nos últimos meses.Sem carregador. O gemido ofegante que Elena deixou escapar o excitou ainda mais. Ele entrou na sala de estar do chalé. Tinha respostas rápidas e um raro senso de humor. Isso mostrava que a idade fizera bem ao ricaço do mundo hoteleiro. Nolan ficara preocupado. fazendo um aceno de cabeça. Teve de admitir que a vida daquela mulher não fora fácil. Havia inteligência fina nos olhos dela. — Pareceu meio envergonhada. meio tímida. louros e ondulados caindo sobre os ombros. — Obrigada de novo. inclinando o rosto e roubando-lhe um beijo vigoroso. pegando uma bolsinha de festa e se virando. expondo inteiramente as costas. enfiando-os calmamente no bolso. — Entre um pouco. — Acabar com o quê? Parecia genuinamente surpresa. olhos fixos nela: — Muito bom. não conhecera mulher que despertasse mais seu interesse que Elena Royal e não pretendia deixá-la escapar. Evan entreabriu-lhe a boca e tocou-lhe a língua. — Nossa! O elogio a fez sorrir. Evan intensificou o beijo. Sentindo a virilidade agitar-se. e seu corpo de encontro ao dele provocava uma impressão agradável. Evan bateu à porta do seu chalé e seu queixo quase caiu quando Elena surgiu. — Quando se virou. com um tom rosado nas bochechas e um fulgor de expectativa nos olhos. penteou o cabelo e apanhou uma série de preservativos de uma caixa fechada na cômoda. Preciso pegar minha bolsa. Precisamente às 20h. Por Evan. você deveria saber que não estava falando do quarto. com mais desejo agora. Naquela noite. Aproximou-se lentamente: — Vamos acabar com isso de uma vez. descobrindo a verdade um pouco tarde demais. — É quase como estar em casa — respondeu Laney. — Estou aqui há quase um mês. ela ficaria daquele jeito a noite toda. brincando sobre as ancas torneadas e fazendo com que Evan desejasse descobrir mais. seus cabelos longos. Mas seria impossível negar que senti-la nos braços era perfeito. o tecido rendado descia até o último vestígio de pudor. foi contra a vontade da filha e pôs investigadores na cola do sujeito. Os lábios dela possuíam um sabor doce.

o coração de Elena dispara novamente. pretendia obter informações confidenciais sobre os hotéis Royal e sobre qualquer dificuldade por que pudessem estar passando. depois lhe segurou a mão e a conduziu para fora do chalé antes que acabassem indo para a cama. num sussurro arquejante: — Bom. Ela agitou as mechas onduladas e falou. onde as únicas fontes de iluminação eram as tochas nativas e a lua. mas por conta daquele homem chamado Ty. tentando convencer-se de que estava bem depois da traição de Justin. seu pai queria não apenas que aprendesse o ofício. não do Ono Pupus. neste caso. Informações. Conseguira o que desejara e agora não tentaria o destino ao questionar o obtido.Evan deu um passo para trás e olhou em seus fantásticos olhos azuis. No momento em que os lábios de Ty tocaram os seus. Elena se permitiria viver o momento com um homem que sabia exatamente onde este tipo de coisa terminava. Gosto de homens de palavra. Sem revelar a identidade. Laney o surpreendeu também e isso era difícil de encarar. Mas Laney jamais conseguira amar os hotéis. não sairíamos deste quarto. Evan não gostava de surpresas. mas torcendo para que algo ou alguém a tirasse do estado de tristeza. O som das ondas quebrando na praia podia ser comparado ao das batidas do seu coração. Suspirando. Jantaram no terraço da cobertura. decidiu que não se negaria aquela oportunidade de esquecer o passado. Tentara. Precisava sempre estar no controle. Ela estava solitária e abatida. Nada mais importava agora. Ty a levou a um restaurante discreto de frente para o mar. — Diria que até agora vem conseguindo. — Também prometi que não ficaria entediada. seus nervos repuxavam e ela se sentia verdadeiramente viva. foi ótimo que tenha prometido. Não com a câmera ao alcance da mão e inúmeras imagens à espera de suas fotografias. CAPÍTULO DOIS Os lábios de Laney ardiam agora. Sendo a única herdeira do Royal. 8 . Sua reação intensa e imediata a Elena Royal não era apenas sexual — e isso o desagradava. Seu corpo se agitava. sem que soubesse realmente disso. Laney pensava no ensinamento que seu pai sempre repetia: Tenha cuidado com o que deseja. A noite estava quente e abafada. Laney. Então aquele misterioso homem atraente atravessa seu caminho e. mas também que fosse capaz de amá-lo tanto quanto seu pai o amava. Mas não deixaria que o detalhe atrapalhasse as buscas por seu objetivo. exaltado. de repente. Você continua a me surpreender. Elena tirou os braços que lhe envolviam o pescoço. Tocou os lábios nos dela. e por isso se sentia decepcionada. Elena deixaria a ilha dentro de dois dias para voltar a casa e passar um tempo com o pai. Ty. cujos beijos espontâneos acrescentaram um novo sentido à palavra ousadia. — Se não tivesse prometido levá-la para jantar. Elena teve toda a atenção de Ty enquanto banqueteavam-se com bandejas de frutos do mar e bebiam champanhe. Ty? Por um momento Evan se esqueceu do motivo que o levara a cortejar a rica herdeira de coração partido. A morna brisa havaiana redefinia o penteado do seu cabelo e o rearranjava num novo estilo enquanto o carro esporte de Ty seguia pela rodovia costeira. mas não conseguia sentir o mínimo de paixão pelos negócios.

Mas ela não queria saber. obrigada" estava satisfeita de saber tão pouco sobre ele. Ela adorava a força de seu toque e o fato de não precisar pensar em nada quando estava com ele. os amigos. Seu pai argumentara que ela estava há muito tempo isolada. Quando pensava que iriam diretamente para o resort. E você? Fica quanto tempo? — Acho que acabo de estender minha estadia por mais dois dias — falou Ty. Ele lhe deu um beijo no pescoço. Ty se levantou. deitando a cabeça em seus ombros. pegando-a pela mão. Laney se ergueu e o seguiu até a pista de dança. Foi uma das poucas vezes em que Laney concordou com ele. e foi subindo assim até o queixo. Sentia-se feliz só de estar nos braços de Ty. Um homem que conseguia transformar um simples encontro numa festa particular no topo de um restaurante possuía necessariamente conhecimento. — Vamos dançar. um grupo de músicos substituiu os dançarinos. Laney se arrepiou toda. seus dedos descendo até o bumbum. Evan planejava ficar mais dois dias. Já era tempo de parar de lamber as próprias feridas e encarar a situação. Por ela. percebia que ele a fitava com um brilho intenso nos olhos. — E depois? — Minha agenda está cheia. fosse qual fosse seu ramo de trabalho. com o corpo latejando por dentro e sentindo claramente o crescente desejo de Ty. Laney acabara por concordar. ela permitiu. a família. Ela bebia e. colando tanto seus corpos a ponto de Laney quase perder o equilíbrio. passar um tempo com meu pai. Ty a 9 . Moviam-se para um lado e para o outro. "não diga" em sua relação com Evan. Uma parte de Laney queria saber tudo sobre esse homem que ela conhecia apenas como Ty. Esqueceria tudo o que havia entre ela e Ty antes de voltar para a realidade e o mundo dos negócios. enquanto suas mãos acariciavam-lhe as costas. Laney instituíra a política do "não pergunte. Sabia que ele deveria ser bemsucedido. Quando Evan a tomou nos braços. passando a tocar canções românticas. depois outro. sempre tentando convencê-la a voltar para casa. dinheiro e poder. — Não agüentava mais esperar para tê-la nos braços novamente — sussurrou ele em seu ouvido. O Wind Breeze Resort era um hotel de elite. beijando-a.Após o jantar. mais cautelosa. Não sei exatamente aonde a empresa vai me mandar em seguida. mas outra parte. dançando colada e sentindo seu corpo roçar o dela. sempre que lançava um olhar para Ty. — Nem eu. cujos movimentos exóticos e ondulações deixaram Laney ainda com mais disposição. Após dançarem uma série de músicas que os deixaram sem fôlego. seguindo mais o ritmo de seus próprios corpos do que o da música. — Mais dois dias. preocupado. Não queria se ver envolvida com nada que a fizesse lembrar minimamente de Justin Overton. — E depois vai para onde? — Para casa. Laney voltou toda a sua atenção para Ty. seus lábios quase lhe tocando a boca. a parte que dizia "não quero mais nenhum homem na minha vida. Quando o espetáculo terminou. — Quanto tempo você fica na ilha? — perguntou ele calmamente. o grupo seletíssimo de clientes do terraço assistiu a uma apresentação com tambores e dançarinos havaianos. saíram do restaurante Top Reef. Apoiou-se nele. Seu pai lhe ligava diariamente.

Virando-se para Ty. Ela puxou seu paletó Armani e ele se livrou das roupas enquanto mantinham as bocas coladas. Ty evitando tocá-la para não acabarem envolvidos num acidente. Ele prometera entretê-la e estava cumprindo a promessa. Ele se inclinou e beijou sua boca. depois o outro. Os gestos pareciam naturais e educados. mas isso não impedia que cada célula do seu corpo reagisse com profundo desejo. Ainda assim. Viera ao resort isolado para se curar. Laney não era tão ousada assim. retribuindo o avanço de seus lábios com beijos quentes e molhados. as coisas ficaram um tanto loucas. 10 . Laney já estava a caminho de uma colisão de grandes proporções. pensou. Laney riu ao ajeitar o vestido. enquanto Ty tentava se recompor abaixo da linha da cintura. Ty baixou a cabeça e beijou-lhe um seio. acariciava seus cabelos ou pegava em sua mão. Ty a imprensou contra a porta e a beijou de um jeito que a fez esquecer-se de si mesma. Laney abriu a porta com as costas. seu braço a envolvendo. Tomaram cappuccino e escutaram o som sensual de um saxofone baixo. abafando as palavras. mas não se importava. Aqui e ali. Laney lhe tirou a gravata e ele abaixou sua saia. — Podemos ir? — Ele não esperou pela resposta. pernas trêmulas e o coração começando a bater acelerado. Ele soltou um suspiro de alívio e. renovar-se e retomar sua vida. Viver o momento tem suas vantagens.. Quando deu por si. — Então me mande embora. Não ainda. — Você é tão bonita. Uma onda de calor lhe subiu pelo corpo. piscando os olhos. com tanta generosidade e avidez. não conseguia dar boa-noite a Ty agora. não importa o que você decida. Nunca desejara um homem tanto assim. mordiscava o pescoço dela. a não ser pela calcinha fio-dental preta. quando um segurança do estacionamento se aproximou. Ela gostou quando Evan lhe deu a opção. segurou-o pela gravata de seda e o puxou para dentro do quarto. daquele ponto em diante. Laney — disse. Laney estava nua. calmo. Seguiram para casa em completo silêncio. sua boca tomando e sugando a ponta eriçada. fazendo carícias circulares. Os toques galantes dele despertavam seus sentidos de tal modo que Laney achava que não conseguiria evitar jogar-se sobre ele. as bocas abertas se encontrando com aflição. Pareciam combinar. Laney o desejava. Correu as mãos pelos cabelos de Ty. no estacionamento do Good Sax. mas sem conseguir dizer nada. mas de fato não havia escolha. Ty se levantou e a pegou pela mão com um olhar de quem parecia saber exatamente o que queria.surpreendeu indo até um enfumaçado bar de jazz chamado Good Sax. Ty sentado ao lado dela.. Laney pensava o mesmo dele. Agora estava do lado de fora do seu chalé olhando para Ty. Ela não fazia o tipo que freqüentava festas e os tablóides sensacionalistas jamais se importaram com ela — até que o fiasco do casamento trouxe o escândalo e a fofoca para o seio da família Royal. De peito nu e bronzeado. — Nunca faço esse tipo de. agarrou-lhe a nuca e apertou o corpo contra o dele. Ele a acariciou em todas as partes do seu corpo que podia tocar sem correr o risco de ir parar na cadeia. Deixando algum dinheiro sobre a mesa. tomando-a nos braços e beijando-a até fazê-la quase perder a razão. Ty se virará subitamente. QUASE FIZERAM amor sobre o capo do Porsche. apesar de se conhecerem muito pouco. ela sorriu. — Ainda estarei aqui amanhã. Jamais conhecera um homem mais bonito física e intelectualmente. tocando-lhe o cabelo com os lábios. E Laney o tocara também. Voltaram à razão minutos depois. Ao chegarem ao carro. clarear as idéias.

a cabeça indo de encontro à porta. Laney admirou sua ereção. querida. aumentando ainda mais sua entrega. Laney se sentiu tonta e embriagada — e mais excitada do que nunca em toda a sua vida. Ele avançou pela sala. Depois. Ela refletiu um tempo e depois fez que sim. uma de cada vez. Pouco antes que Ty colocasse o preservativo. os ombros. guiando. o suor cobria sua pele e seu corpo rijo se contraía enquanto Ty se lançava dentro dela uma última e gloriosa vez. Laney chegou ao limite de sua paixão atingindo um clímax que fez tremer todo o seu corpo.a até que achasse o ritmo. Ela abriu as coxas. estaria ronronando alto. querendo-o inteiro. Ela nunca se sentira tão ousada ou exposta. atravessou o corredor e foi até o quarto. e a ajudando a se despir da última peça de roupa. conquistando as dobras de pele sensível. Deu beijos rápidos e precisos ao longo de suas coxas até onde ambas se juntam. Ty acaricioulhe os bicos com os polegares. sua língua avançando e explorando-lhe a intimidade úmida. fazendo-a liberar curtos gemidos de prazer. O cabelo lhe caía sobre o corpo. com os braços apoiados na cama até que alcançasse o prazer e se jogasse sobre ela. Você. tirando-lhe as sandálias. Ele gemeu com um prazer profundo e sem amarras. Laney se virou de lado para encará-lo. Com o dedo. seus corpos e pernas entrelaçados. Suas mãos então subiram e Ty a segurou pela cintura para mantê-la firme. Ele recobrou o fôlego antes de pôr-se de lado. cabeça apoiada na mão. nós nem ao menos sabemos os sobrenomes um do outro. Prometo. os olhos aprofundando-se dentro dos dela. ele a tomou nos braços. inchados agora graças a seus beijos apaixonados. Quando estava prestes a explodir de prazer antes dele. porque não queria responder a nenhuma pergunta. — Ousadia. Laney cavalgou-o ainda mais rápido. Ty a puxou para perto e seus corpos se encaixaram. — Conforme prometido. ele desceu-lhe a calcinha pelas coxas. Lentamente. não. ela o puxou para cima de si. — Você está bem? Se ela fosse um gato. — Você me terá. inteiramente nua de corpo e espírito. Ty parou na hora certa. 11 . — Eu quero você. Apanhando seus seios com as mãos em concha. — Ty. Mas o olhar elogioso de Ty lhe dava coragem. beijando-a com os lábios que acabaram de possuí-la. Imaginei que quisesse manter sua privacidade.— Ty — sussurrou. onde a colocou na cama. Levantando-se. Então ele a trouxe para baixo de si. Laney segurava seus cabelos crespos com as mãos enquanto Ty continuava excitar seu corpo. Daqui a um minuto. ele contornou a linha de seus lábios. e a tocou aí. — Geralmente as mulheres fazem mais perguntas que apresentador de programa de auditório ao conhecer um homem. O som despertou algo selvagem dentro dela. tirando rapidamente a calça e a roupa íntima. percebendo seu desejo. Mas como é que você sabia? Ty deu de ombros. Laney se movia para cima e para baixo. — Certamente não estou entediada. — Pensei que você quisesse as coisas assim. seguindo a maré da paixão. querendo mais. A barba crescida no rosto dele arranhava o interior de suas coxas. Ty se curvou para beijá-la antes de rolar de lado e deitar de costas. Ty ajoelhou-se. Ele se mexeu mais firme dentro dela. Laney — sussurrou. — Eu quero. deitando-se de costas na cama. Ele agarrou-lhe os braços. e investiu mais forte dentro dela.

— Apenas em sua traição. eu — disse. Penteando os cabelos para trás com os dedos. olhando para o azul do mar e falando ao telefone.Não pergunte. Laney não queria pensar nos motivos disso agora.. isto é bom. Eu. Encostou-se no beiral da porta.. — Prossiga — falou Evan. Ty recostou-se na cama e riu. fico feliz. mas não deu certo. puxando as coxas para ele.. não sabia que os problemas estavam aumentando. — Ajudou. — Laney deixou escapar um suspiro. Era exatamente o que Evan queria ouvir. — Querida. Precisava se barbear. TERMINADO O banho. 12 . — Alivie-se do peso. — Laney balançou a cabeça. Deixou o cômodo úmido e caminhou até o ar fresco do quarto principal. pai. Ty não parecia nem um pouco incomodado. Caminhou até ela e a abraçou por trás. roubos e todo tipo de coisa. Evan pegou uma toalha felpuda da prateleira do banheiro de Laney e a enrolou na cintura. Ele administra uma grande empresa e as coisas estão um caos. Ou sim? Seja como for. acho que vamos precisar de uma segunda vez. pela cintura. É um problema atrás do outro: incêndios. Peço desculpas por não estar aí com você agora. Quer pessoas confiáveis a seu lado. eu acho que já estou preparada. Ty a encontrou na varanda privativa. querida. Também sinto saudades. misturando prazer e trabalho ali na ilha. acariciando-lhe os seios. Muito. Não. Agora a pressão sobre ele é alta. que mal lhe cobria as nádegas torneadas.. Não se tratava disso. beijando a pele macia logo acima dos ombros. mas. Usava a camisa que ele vestira na noite anterior. Afinal. estou me sentindo um pouco melhor agora. sei que estou por aqui há quase um mês. onde a deixara dormindo. não responda. duplicando seu prazer noite adentro. — Se a ajudei de alguma maneira. eles fizeram um sexo arrasador e Ty a fizera passar pela melhor experiência amorosa de sua vida. E ele protagonizou uma segunda investida. No caso. — Sim. encaixando-se confortavelmente antes de explicar. fixou os olhos na barba de dois dias. — Você é muito perceptivo. — Sim. Ty sentiu algo de instintivo se agitar dentro dele. noiva. Ao admirá-la. — Não sou casada ou. — Mas gostei de tê-lo conhecido. — Claro que vou voltar para casa em breve.. Ty a beijou novamente. inclusive o suspiro que deu ao desligar o telefone.. Evan ouviu toda a conversa. Laney jamais teria imaginado entregar-se tão completamente a um estranho — um homem lindo e misterioso que nunca mais veria depois de deixar a ilha. — Continuava mordiscando seu pescoço. Quem quer que você seja. calma. observando o corpo dela se mover ao falar ao telefone. Ele vestiu uma calça e depois foi até a varanda. Mas também precisava de outra coisa. falhas mecânicas. Não estava exatamente com o tempo livre esta semana. mas o visual de "pirata" estava acabando com ele. — Problemas? Laney fez que sim. ouvindo o que Laney dizia. — Ainda assim Laney achou que lhe devia uma explicação. Vim à ilha para esquecer meu ex-noivo. suas mechas louras roçando o queixo dele. — Que tipo de caos? — Ah. Não pensava muito nele ultimamente. Quer dizer. Eu o amo também. — Ela relaxou o corpo nos ombros dele. Ela não estava mais na cama. — Ele está perdendo dinheiro. Ele afastou o cabelo dela e a beijou na nuca. até se sentirem exaustos. eu era noiva. — É o meu pai.

Assim. E isso significava um obstáculo a menos quando Evan agisse para tentar comprá-los. Sou uma fotojornalista. Brock. Trent e Evan levaram adiante a cadeia de hotéis e o Tempest os transformara em multimilionários nos primeiros quatro anos de operação. morava na Flórida e aproveitava a aposentadoria. Está ficando velho e o estresse está cobrando seu preço. Mesmo sabendo disso. brincando na água e se expondo ao sol 13 . — Não. Evan apalpou-lhe as nádegas. criando três filhos sozinha. — Tudo o que quero é tirar fotos. flertando com as ondas e um com o outro. A lembrança daquele dia ainda o perseguia. sabendo que seu legado continuará. — Divirta-me. aspirando a luz do sol em seus cabelos e sussurrando em seu ouvido: — Tenho algumas idéias de como diverti-la. seus filhos trataram de garantir que não ela sentisse falta de nada. há cinco anos. Evan não conseguia se sentir muito infeliz com o fato de os hotéis de Nolan Royal estarem passando por dificuldades. obrigada por me escutar. Ela se virou. trazendo-a para si e lhe dando um beijo longo e preguiçoso. MAIS TARDE naquela manhã. Ultimamente tenho apenas contribuído para aumentar suas preocupações. em vez de ajudá-lo. Meu pai trabalhou duro a vida toda. pensando na própria mãe e na forma brutal como seu pai morrera. Não tinham muito dinheiro naquela época. Meu Deus. mas agora ela vivia bem. mesmo assim Rebecca Tyler seguiu em frente. — Como você pode ajudá-lo? Ela deu de ombros e suas nádegas se agitaram contra o corpo dele. na verdade. como ele poderia resistir àquela tentação? Pegando-a pela cintura. quando ele se aposentar poderá ficar tranqüilo. — E o que você quer? Ela se entusiasmou com o mesmo tipo de paixão que Ty vira antes quando ficara excitada. — Ty.— Acho que ele realmente precisa de mim. fizeram um passeio despreocupado pela praia. passou o resto da manhã distraindo Laney Royal e apreciando cada minuto da diversão. Eram verdadeiros os rumores de que os hotéis de Nolan Royal passavam por sérios problemas. mas falar sobre o meu pai agora não é exatamente o que quero. abraçando-o e fixando os belos olhos nele. Satisfeito com a informação que acabara de adquirir. — E não é o que você planeja fazer? Laney balançou a cabeça. Uma mulher com quem pudesse se relacionar depois que voltassem ao continente. — Sou tudo o que ele tem. Vendi alguns de meus trabalhos para revistas e quero continuar a fazer isso. Não quero que a empresa quebre ou seja vendida. Não é o mesmo desde que minha mãe morreu. — É compreensível — disse Ty. Ty descobrira o que desejava. Apesar de Rebecca Tyler nunca ter pedido nada. Ty estava começando a desejar que Elena Royal fosse outra mulher. E agora me quer ao seu lado. Por ora. Ele não leva meu trabalho a sério. Não se interessa por nada do que faço fora do trabalho. Mas papai acha que é um passatempo. Foi um golpe duro para todos nós. Ela passou os dedos por sua barba crescida. Evan a puxou para perto. — Não tenho certeza se posso. mas não posso partir o coração dele. — Laney deu de ombros. desesperançosa. Mas o que ele quer de fato é que eu esteja mais presente nos negócios e alivie um pouco o peso que está sentindo.

Não se esqueça da câmera. cochilando em sua cama. Ele escutava bastante e não fazia muitas perguntas. Nunca tivera um caso passageiro antes e provavelmente não teria outro. Laney adorava o senso de humor de Ty. A água jorrava de todos os lados. porque se lembrava de que também tinha um. Sem que ela pudesse perceber. — Querida. Além disso.até que seus estômagos acusassem fome. para sua alegria. mas Ty era tudo aquilo de que precisava — quando estava precisando. Laney entrou no enorme banheiro. Às 9h. E traga algumas peças de roupa com você. Apesar de ter cuidado para não revelar sua identidade. Era certamente o maior que o hotel tinha a oferecer. nem opinava. Comeram o almoço preparado pelo resort na varanda e depois se banharam na jacuzzi. — Vamos. Ty tinha aquela expressão nos olhos e Laney sabia que fariam amor mais uma vez. disse: — Vista-se. preenchendo inteiramente a mão com a firmeza dele e retornou o olhar inocente enquanto sete jatos d'água os molhavam. Laney perguntou: — Por quê? Aonde vamos? — Para a casa do sol. querida. Duas horas mais tarde. Pela manhã. que caso passageiro poderia se comparar àquele? Encontrara o homem perfeito para ajudá-la a se livrar da decepção amorosa. Você apertou corretamente todos os botões. suas mãos percorrendo certos lugares que o sol jamais alcançaria. Quando ele a encostou contra o mármore frio da parede do banheiro. nu. tendo em mente uma única coisa. — Parece que deixei tudo certinho aqui. no topo da cratera Haleakala. — Que acha do encanamento aqui? — perguntou com uma expressão inocente ao aproximar-se. todo o humor desapareceu. Ty entrou no chuveiro. completamente assombrada com a paisagem diante dela. Laney tomou sol. Passaram o resto da tarde no quarto de Ty. contudo. percebeu que ele não gostava de perder. Laney falou um pouco mais sobre o dilema que enfrentava com relação ao pai. Com o corpo satisfeito e a mente clara. Laney se achava vinte quilômetros acima do nível do mar. À noite. Confusa ainda do sono. Das formas mais deliciosas. beijando-a rapidamente. Laney venceu Ty no buraco por cinco partidas a duas e. comendo pizza fornecida pelo serviço de quarto e bebendo cerveja. Mas seu vôo estava marcado para a noite do dia seguinte. À tarde. Algo que Laney aprendera era que não havia nada de inocente em Ty. Ou talvez passar um pouco mais de tempo com ele antes de dizer adeus. o som ecoando pelo mármore italiano. revestido de mármore do chão ao teto. Laney sentia poder seguir em frente e deixar as dores para trás. Quem imaginaria que o belo desconhecido não se importaria de escutar sobre seu amor pelo fotojornalismo e sobre o pouco interesse que tinha pelos negócios do pai? Voltaram à cama no quarto de Ty e fizeram um amor lento e vibrante. sim. Ty a acordou cedo e. Então Ty levou Laney até o seu chalé. — Ty lhe deu um tapinha nas nádegas e um puxão de brincadeira em seu cabelo. ela precisou tirar o creme e Evan ofereceu seu chuveiro. Tirou 14 . passearam pela praia à luz da lua e tomaram banho de piscina. não acha? Moveu a mão para cima e para baixo e Ty murmurou. Apenas uma pequena parte dela desejava algo mais com Ty. Ty passou o protetor pelo corpo dela. do outro lado do Wind Breeze. uhm. A área do chuveiro tomava sozinha metade do cômodo. Conhecia todos os movimentos certos e Laney adorava absorver todo aquele vasto conhecimento. o homem misterioso. Ela o apanhou por baixo da cintura. Levante. achou que abrir-se com Ty era fácil.

Ty então retomou controle. como se fosse um tesouro. seu coração muito partido e sua autoconfiança muito abalada para tanto. querida. Ty lhe deu um beijo sonoro nos lábios e. Nunca estive aqui. Ela sabia que fizera ótimas fotos e que precisava agradecer a Ty por isso. ela soube que ele estava pensando o mesmo. — Isto é incrível. Laney recusou o convite. 15 . Laney tirara apenas fotos que não exigiam esforço ou pesquisa. — Tenho que concordar — disse ela. uma experiência que Ty insistiu que ela tivesse antes de deixar a ilha. De um destes mirantes se podiam avistar todas as cinco ilhas. de tão bem que conhecia o corpo dela. disse algo bastante misterioso. Ty a levou a um clímax instantâneo. como o homem misterioso que sempre fora. beijando-a na ponta do nariz. Depois de ter abandonado Justin no altar. Jogaram-se na cama apressadamente. antes de descer a montanha de bicicleta. — Achei que gostaria. Na segunda vez. segurando um lençol de seda sobre o peito. Ao voltarem ao Wind Breeze.. Laney percebeu que aquelas seriam suas últimas horas com ele. desceram novecentos metros a cratera do vulcão em bicicletas robustas. ela sabia que não havia futuro para eles. colocando-a de costas.. olhando para o relógio. Laney não queria perder tempo jogando conversa fora. Esta descoberta realizara todos os seus sonhos. Ele estava certo. Laney estava certa de que jamais conhecera um amante melhor. parecida com as da lua e arredores. percorrendo 16 quilômetros e parando apenas nos mirantes. Talvez para sempre. tomando-o com a boca e levando-o ao limite. Deixou-a sentada na cama. — E a vista de onde estou não é nem um pouco pior. antes de colocar o capacete de volta. Ao se envolver neste caso. Mas não a fazia chorar. A paisagem é impressionante — disse. Mas eram os olhos dele que ela queria mesmo captar. o amor foi lento e prolongado como um último adeus. a excitava. corpos ardentes e carícias frenéticas os deixaram ofegantes. Ty foi cuidadoso. a fazia gargalhar. disse a si mesma. Então. ela não conseguiria colocar fé num relacionamento por um bom tempo. — Você foi uma grande surpresa para mim. dando-lhe o tempo necessário para que Laney acertar as contas com o final de semana que passaram juntos. Não havia espaço em seu coração nem mesmo para tentar passar por aquilo de novo. pondo suas pernas nos ombros dele e levando ambos a uma rápida e furiosa satisfação em questão de segundos. Foi então que Laney tirou uma fotografia de Ty segurando o capacete e vestindo uma esquisita malha alaranjada. Graças a Justin Overton. fitando-a com lamento nos olhos.várias fotografias da cratera de dois milhões de anos. Mas isto. Ty. para que Laney tirasse algumas belas fotografias. quando Ty se sentou. cabelo desarrumado e caindo sobre o rosto. Seus beijos foram longos e lentos e ele acariciou seu corpo com sutileza. pensando no significado daquelas palavras. Ao perceber o brilho nos olhos de Ty. Depois Laney lhe retribuiu. Usando capacete e proteção externa para proteger-se do frio. Ty a arrepiava. Bocas famintas. percebendo a hora e oferecendo uma carona para o aeroporto. Deram-se adeus ali mesmo.

Pouco antes do inferno. Estivera lidando. Preciso manter contato. não. — Preston Malloy surgiu por trás dela. Nolan Royal acreditava em longevidade e em manter seu hotel de renome no topo do ranking. Agora aqueles momentos especiais pareciam ter acontecido há milênios. mas o império continuava vivo. por não tê-lo ajudado mais quando parecia precisar. puxando-a para perto. — Desculpe-me. — Ele sabe. Preston sorriu. contara o apelido a outra pessoa. Lágrimas escorreram dos olhos de Laney ao tocar a grama fresca plantada sobre seu lugar de descanso. — Ah. — Eu sei. Não vou desapontá-lo de novo". Não gostaria de vê-la se culpando por não ter estado com ele quando morreu. como se o gesto de afeto de alguma maneira fosse trazê-lo para mais perto dela. — Imaginei que a encontraria aqui. Ele construíra um império de prestígio com base nesta premissa. do pai e da melhor amiga a chamassem de Laney. Ele sempre gostara das flores simples. Laney jamais permitira que Preston ou qualquer outra pessoa além da mãe. Em meses. "Não se preocupe. — Tomarei conta de tudo agora — prometeu. Apesar da intimidade que desenvolveram ao longo dos anos. a única pessoa a quem confiava informações confidenciais. Era dez anos mais velho do que ela. Os hotéis haviam sido assolados por uma onda de azar ou. intencionalmente sabotados. numa praia ensolarada. Preston Malloy.CAPÍTULO TRÊS UM mês depois. Ainda assim. — Vim apenas para me certificar de que você está bem. vigorosas e acesas. Laney se ergueu para encará-lo. controlando os negócios e coordenando os preparativos para o funeral. muitos hotéis Royal ao longo do continente enfrentaram problemas. — sussurrou. Seu pai estava perplexo. Laney ajoelhava-se para pôr cravos na sepultura do pai. papai. numa seção particular do cemitério. Não é de admirar que seu pai valorizasse as qualidades de Preston e 16 . mas se transformara em seu porto seguro ultimamente. Agora o homem morrera. Laney fez o juramento de mente e espírito. ele ficara aliviado ao vê-la. com a tensão e a pressão dos prejuízos nos negócios sem ela. —Você veio aqui diariamente desde o enterro. confiando no seu braço direito. numa época da vida em que realmente estava precisando de um amigo. cinco dias atrás. Era a única beneficiária das possessões do grupo Royal e agora tudo caíra sobre ela. Quando Laney voltara para casa depois da longa estadia na ilha. que ficava ao lado do de sua mãe.. Nunca superara a culpa das últimas semanas por não ter sido mais forte. furioso e frustrado com o fato de tantas coisas darem errado em tão pouco tempo. Elena. fitando a placa de bronze do túmulo. tradicionais. — Outro problema com o Royal? Preston a abraçou. Assegurara ao pai que manteria os hotéis em pleno vigor — e faria isso.. papai. pior. ela prometera ao pai que trabalharia duro para ajudar a recolocar as coisas no lugar. por não ter sido a pessoa que ele queria que fosse. — Ficarei bem. numa ilha. um botão que florescesse por muito tempo. apesar do crescimento das novas cadeias. de um jeito ou de outro. Nós já conversamos sobre isso. — Hoje. — O que houve? — perguntou. Quero que meu pai saiba que estou aqui.

Laney ficou em casa. sua sala. dobrando a cabeça contra o conforto da cadeira acolchoada. — Tinha? — Laney não estava certa de que fora sempre assim. Ele não conseguiu chegar vivo ao hospital. Seu pai não lidara bem com os problemas. Ela achava que se sentiria melhor depois do descanso. Colocaria de lado seus próprios interesses para honrar o juramento feito a ele. Fitou os documentos sobre a mesa do pai falecido — que era a sua mesa agora — na sede empresarial do grupo. — Ele sempre soube que você o amava. pensando que as horas trabalhadas e a falta de apetite haviam contribuído para o desmaio. Muitos acreditavam que algo ou alguém o chateara a ponto de causar o infarto. Durante o resto do dia. Devia aquilo ao pai. sentado a sua mesa. Olhando para a sepultura. Laney suspirou com grande pesar.sua amizade. trabalhara distraidamente ao lado do pai e pela primeira vez compreendeu as dificuldades que a empresa enfrentava. — Também quero isso. Sentada na gigantesca cadeira giratória de couro estofado. Laney trabalhou dia e noite ao longo de três semanas e começara a seguir uma boa pista. Todo o sistema de reservas caiu durante metade do dia. com sua agenda cheia de reuniões naquela tarde. Gostava de coisas espaçosas. mas. — Que mais agora? — sussurrou. fazendo círculos com a cabeça para se livrar dos nós de tensão. sentia-se pequena. e morreria instantaneamente. Laney sempre suspeitara do desejo do pai de que ficassem juntos. O pai insistira para que não voltasse ao trabalho até que se sentisse melhor. O pai era um homem grande. — Gostaria de ter podido estar lá para segurar a mão dele nos últimos instantes. nada surgira nesse sentido. Ela recusou atenção médica. ela secou as lágrimas com um lenço. até que desmaiou de cansaço. Gostaria que você reerguesse os hotéis Royal. Não se preocupe. com mais de 1. 17 . Laney não fora trabalhar naquele dia ou nos dias anteriores. Ao perceber o estresse no rosto do pai. Agora ele se encarregara de outra tarefa árdua: cuidar de uma filha em luto. — Não será preciso. a cabeça doente e o corpo tenso. fechando os olhos. suspeitando haver algo por trás dos contratempos súbitos e inesperados. Ele tinha muito orgulho de você.80 metro e o corpo de um jogador de futebol americano. colada ao The Royal Beverly Hills. Desde que chegara de Maui. provocando ao Royal perdas excessivas em futuros lucros no verão. Preston apertou os ombros dela. Ela massageou a testa e esticou o pescoço. — Gostaria que você batalhasse pela empresa. Pode contar comigo. seus sonhos eram todos grandes. Elena. mas a fraqueza e a fadiga permaneceram. Sua cadeira. Três dias depois. — Espero que sim. Pesar e culpa encheram-na de desespero. apesar de terem jantado a sós diversas vezes. sua mesa. LANEY DESLIGOU O telefone lentamente. — Um problema de informática em San Diego — murmurou. Nolan Royal sofreria o ataque cardíaco. a dor se espalhando ao pensar que deixara o pai morrer desacompanhado. diminuta. — Sabe do que ele gostaria agora? Ela fez que não. a dor a impedindo de pensar no que quer que fosse. Mais tarde contaram a Laney que seu pai tivera um péssimo dia. Laney agradecia a Deus que seu pai tivesse Preston como assistente executivo. Ele sorriu e beijou seu rosto. Laney lhe prometera que descobririam o que causara os azares que arranharam a reputação do Royal. Preston. Mas não sei se posso fazer tudo sozinha. — Laney balançou a cabeça.

Laney jamais tivera um papel realmente importante nos negócios. Acho que preciso checá-lo pessoalmente hoje. quando chegar. Laney se encolheu por dentro.Quando Preston entrou na sala. Preston se preocupava apenas com seu bem estar e tinham de passar horas juntos. Tê-lo ali para avaliar idéias e soluções davam-na a confiança de que precisava. — Não. precisava tomar decisões sozinha. ele estivera sempre ao lado dela. A última coisa de que precisava no momento era complicar a vida ainda mais. De repente. acompanhando a brincadeira. Laney o observou sair. Preston era um símbolo de competência e eficiência.. Laney. olhando para o relógio. E. tenho certeza. Você sabe como me achar se precisar de qualquer coisa. Ele fora bastante explícito em seu desejo de ter um encontro a sós anos atrás e ela não queria encorajar nada de novo. Você é quem manda. e passarei a você as informações que descobrir na viagem. — Julia. Andava estressada e cansada. mas jante comigo amanhã à noite. Sempre que Preston estava fora do escritório. apoiando os braços na mesa. durante e depois da faculdade. — Pode ser. O dia mal começara. pressenti isso. — Está na hora de fechar? — perguntou Elena. São só dois dias. Preciso de minha melhor amiga agora mesmo. não. Apesar de ter trabalhado para o Royal antes. E. — Ah. Raios de sol se infiltravam na sala da cobertura. ela se via com as mãos no VOlante. Culpa do estresse. dá para cortar a tensão com uma faca por aqui. — Seu pai não gostaria que ficasse tanto tempo sozinha. que prenunciava um dia úmido de julho pela frente. Preston. ela se inclinou para a frente na cadeira. — Nem parece — disse Elena. satisfeito. — Se acha que é necessário. — Não vou desmaiar de novo. Estava sendo ridícula. — Tenho reuniões o dia todo. — Não tenho comido muito ultimamente. Planejava estar de volta amanhã pela manhã. em paz. — Acho. Jantar? Laney hesitou. — Exato. olhou para o número e atendeu imediatamente. Vestindo um terno leve que se adequava perfeitamente a suas formas e realçavam seus olhos azuis. Os empregados não estão exatamente felizes por me verem tomar o lugar deixado 18 .. muitas vezes. — Tudo bem — concordou Laney. Não nos falamos muito esta semana. Preston fez que sim. — Ouvi falar do problema nos computadores de San Diego. — Agora vou embora. — Ligarei — disse ele. — Tudo bem.. Você deve ir. ajudando-a de todas as maneiras possíveis. trazendo o calor da manhã. Além disso. Preston sorriu. não exatamente sorrindo. Tem algo de errado com o meu estômago. Precisamos descobrir o que causou o problema e garantirmos que não ocorra novamente.. Quando seu celular tocou. Como você está? Ainda sem comer? — Não consigo. mas se preferir que eu não vá. Cuidarei da fortaleza. é meu dever fazer você comer alguma coisa. — Ligue-me amanhã. poderia contar com sua ajuda. Você parece estar precisando de uma folga. acredite. mas dizia a si mesma que tudo fazia parte do pesar pela perda. cumprindo a palavra dada diante da sepultura de seu pai. Porque nós vamos comer uma ótima refeição amanhã à noite. graças a Deus. sentiu-se um pouco melhor. até Laney sentir-se mais confiante quanto ao seu papel na empresa. Permitindo-se mais um instante de relaxamento. Você nos deixou assustados quando desmaiou naquele dia. Sua dedicação nas últimas semanas era um presente de Deus. fechando a porta. Ele lhe lançou um sorriso afetuoso e encorajador.

Nossos dias de universidade não estão tão longe assim. não sabem. Laney retirou os olhos da pilha de relatórios sobre a mesa quando ouviu alguém bater na porta da sala. Tem certeza de que está bem? — Eu.. Iremos até a praia e comeremos em paz. era a pessoa a quem todos se dirigiam. o que é praticamente nada. Julia. E. Ambas tinham uma queda por um defensor do time universitário. Laney. relaxadas. Devia ser essa a razão de não se sentir em paz com ela mesma. mas não tenho almoçado nos últimos dias. — Uma imagem das duas na faculdade. Laney se levantou imediatamente. mas a levarei para almoçar ainda esta semana. Apenas levará algum tempo. no entanto. querida. UMA HORA mais tarde. A primeira coisa em que ela pensou foi que Ty estava lindo. bem. em sua sala? Laney engoliu em seco e arregalou os olhos sem acreditar no que via. — Mal posso esperar — disse. Sozinha à noite. deixe-me levá-la para almoçar hoje.. Jamais fora tão espontânea ou desinibida quanto fora 19 . Suas suspeitas eram infundadas até o momento.. surpresa. Julia riu. Aquela voz grave e sensual remetia a noites românticas de sexo ardente. A maioria pensa saber mais do que eu. torcendo pelos Trojans. Laney deu um suspirou de alívio. — Laney torcia para que isso acontecesse. — Por que todo mundo está tentando me fazer comer? — Porque estamos preocupados com você. — É este terremoto em minha vida.. então. ao mesmo tempo em que cicatrizavam as feridas do relacionamento desfeito e da morte do pai. Passar o tempo com ela sempre a ajudava a esquecer seus problemas. Não os deixe controlá-la. Apenas estavam acostumados a receber ordens de seu pai. — Eu estou administrando. desligando o telefone e se sentindo bem melhor. A última palavra era a dela. — Não. surgiu como um clarão na mente de Laney. — Muitos já trabalhavam aqui quando eu vinha vender chocolates para levantar recursos para projetos da escola. Não queria assustar a melhor amiga. Julia era a única pessoa que realmente a entendia. parar de pensar em negócios. — Oi. — Conheço esse tom. pegava-se pensando nele e sorria com a lembrança do caso quente. a porta se abriu e um homem entrou. A menção de comida fez seu estômago embrulhar. mas tomara o controle de modo muito repentino. Você não está bem. — Tudo bem. Você sempre sabe como me animar. — Obrigada. agitado e curto que tiveram. Passei tempo suficiente em sua casa nos últimos dias para ver o que você tem comido. — Ainda tenho uma ou duas palavras animadoras de reserva. A segunda coisa foi que estava feliz em vê-lo. — Sei que está. Antes que pudesse reagir.pelo meu pai. Laney resmungou. De verdade. melhor amiga. — Laney não admitia que talvez algo pior estivesse se passando com ela. — Parece ótimo — respondeu Laney com sinceridade. Ty? O homem misterioso estava ali. Não esquecera os dias gloriosos que passaram juntos no mês anterior. Provarei a eles que sei o que estou fazendo. Seu pai ficaria orgulhoso. agradeço o convite. É difícil conseguir o respeito deles. Ela se formara em administração e tinha uma boa base. Passara por uma montanha de dor e transtorno recentemente. estou. Você precisa sair desse escritório. E quer saber? Devem saber mesmo. — Então. em sua casa de Brentwood. a mesma risada de menina da época em que estudaram juntas numa escola particular.

Ally. Elena? — Que foi. Ty a ajudara a atravessar um momento muito negro de sua vida. — Explicarei depois. Tudo bem.com ele. Elena. Gostaria de poder fazê-lo esperar até mofar. Ty. — Ele não tem um. Ty a puxou para perto. ir — disse Laney. estou.. o homem misterioso. Era a mesma pessoa! Laney fechou os olhos.. E ele retribuiu o olhar. Olhou-o nos olhos. 20 . beijando-a suavemente nos lábios. — O que você faz aqui? — Vim vê-la. Tyler? Ty. mas Ty pusera a secretária para fora da sala. seus olhos abertos em profunda preocupação. — Laney ficou olhando para ele. Royal não precisa de você no momento. avise que chegarei um pouco atrasada para o compromisso das dez. saboreando aqueles lábios quentes e aquele odor familiar que tinha o poder de acendê-la. sentindo o pânico se aproximar. abismada. — Ty se virou para encarar a secretária. — Então ela foi até sua agenda na mesa para olhar. Ela não pôde evitar um largo sorriso. tampouco seu jeito autoritário. Laney saiu de trás da mesa e deu alguns passos na direção de Ty. —Afastei-me da mesa por um momento e. Sabia sobre a reunião das lOh e a Julia. na verdade. A srta. Como você está? — Eu. porém. Nunca pensei que veria você novamente. Fechando os dedos ao redor dos dela. — Diga a Evan Tyler que espere. Com um aceno de cabeça.. Lembrava de ter mordiscado aquele pescoço e de receber toda a sua atenção. seu coração batendo acelerado. não. — Mas como sabia onde me encontrar? Ele sorriu ao se aproximar.. era. Ela quis ter pedido a Preston que ficasse para a reunião.. Soube de seu pai. — Não tinha em mente fazer isso. por favor. — Você conhece meu pai? Como? — Peço desculpas. — Não. tentando aliviar o desespero de Ally.. a reunião seria adiada com a entrada de Ty na sala. ou melhor.. Ally olhou por sobre os ombros de Ty. Beijou-o de volta com uma entrega completa e ficou ofegante quando suas bocas se separaram.. que vestia um terno preto com o colarinho aberto. Ally. Aquele gesto criou um formigamento que subiu pelo braço dela. — Ah. Ty se aproximou. — Mas seu compromisso das lOh é com ele — disse Ally.. E. — Segure minhas ligações. Foi como se um raio a atingisse. — Sua secretária irrompeu na sala. Ally? — Eu explico. Era uma pedra no sapato dos Royal e contribuíra para o estresse do pai nos últimos meses ao revelar o desejo de comprar a empresa. sua expressão estava marcada pelo arrependimento. — Laney desviou os olhos de Ty para dar uma ordem à secretária. Evan Tyler. Laney franziu a testa. Laney suspeitava que Evan Tyler fora o homem que importunou seu pai a ponto de causar-lhe um infarto.. Quando Ty a olhou nos olhos. aquele mesmo brilho que a fazia pensar que Ty gostava do que via. lançando um olhar para Ty. — Ty... Laney jamais ouvira aquele tom de voz vindo de Ty antes. O brilho estava ali. Por sorte. Vira o nome agendado e sentira um frio na barriga. claro. Laney percebera que teria de encará-lo um dia. — Ty? Então percebeu.. confusa. pegando-a pela mão. — Não seja boba — disse Elena. O dia era hoje. Laney reagiu imediatamente. — Pode voltar para sua mesa agora.. — Pode. Quando descobriu que aquele era o último compromisso na agenda do pai antes do ataque cardíaco. um raio havaiano.

. ele nunca chegou a saber. Você era bonita. Faria o que fosse para conseguir seu objetivo. — Isso é questionável. Tampouco se desculpou. — Meu plano original era jogar na cara de Nolan que estivemos juntos na ilha. E o que mais sentia. Fora enganada. bebendo para esquecer a dor. Laney. Laney apertou a barriga. Ouvi falar de seus métodos brutais. Não contei a ele. Ele me trapaceou num negócio pelo qual eu vinha batalhando por dois anos. Laney. — Vim aqui para dar meus pêsames. Quando saí desta sala ele estava sorrindo. eu pensei. um pilantra esnobe. Não tente negar. não foi? À medida que o choque se dissipava. como fora tola. Todo o seu corpo ardia com a humilhação. era ele ter destruído a única lembrança boa a que podia se segurar durante o período de recuperação pela perda do pai. mas isso que você fez tem que entrar para o livro dos recordes. Laney se levantou da cadeira. você.. Laney teve vontade de atirar nele o vaso Waterford que possuía sobre a mesa. não usou? Fale a verdade. ah. Ah. querida. — Vejo que você é modesto também. Laney se jogou na cadeira. Evan Tyler não discutiu. observando a surpresa dela. trapaceada por um insensível. além do fato de haver dormido com o inimigo. corpo trêmulo.— Ah. — Você sabe que foi a última pessoa a ver meu pai vivo. o homem responsável pelo ataque cardíaco do pai. dane-se.. Você contou a ele que dormimos juntos. Levada pela ira. Laney recuou. Ela devia ter parecido uma ovelha perdida do bando. Ty a encarava. Ele ignorou o deboche. — Querida? Você está brincando? Você é Evan Tyler! Você. Já que você não me reconheceu. — Você me usou da maneira mais deplorável! Usou-me. se é capaz. Dispensou-me em cerca de dez minutos e estava feliz por ter feito isso. estava sozinha e me olhava como se eu fosse o último homem do planeta. — Seu pai não era um santo. — Laney. 21 . abismada. recusando-se a se submeter ao canalha por mais um segundo que fosse. escute.. — Seu canalha sem coração. e Evan Tyler surgiu para matá-la. — Você se aproveitou de mim. Sabia quem eu era o tempo todo lá no Wind Breeze. Ah. Não me sentia exatamente simpático com relação aos Royal quando a vi no bar do Wind Breeze. mas desistiu de tentar ficar em pé. balançando a cabeça. não foi? Você queria comprar o hotel e estava disposto a tudo.. esperando para ser comida pelo lobo mau. Elena tremeu com tanta violência que precisou apoiar-se na mesa. Estava certa disso agora. — Você provocou o ataque cardíaco dele! — De jeito nenhum. Era verdade. Mas não.. apertados: — Sabia. usando a mesa como uma barreira contra Evan Tyler. — Desgraçado. não! Diga que não é verdade. pois suas pernas pareciam derreter. — Laney fechou os olhos para afastar aquela lembrança vivida. Abriu os olhos. Ela o fitou de cabeça erguida. E eu caí como um patinho nas suas mãos. — Sou seu compromisso das lOh. Queria levá-lo a nocaute e arrastá-lo da sala pela dor que a fizera passar. não sabia? Os lábios de Evan Tyler se estreitaram. — Você está mentindo. Da minha situação. controlando a fúria por um momento. a fúria ganhava corpo. — Querida — repetiu. meu Deus! Ele apenas se deixou ficar ali.

admito que você apenas confirmou minhas suspeitas sobre o Royal. Laney o encarava duramente. 22 . — Ty foi até a porta e se virou para olhá-la nos olhos. Você sabe e eu sei. Bloqueei estas lembranças. — Quero o que já queria. Você me usou para conseguir informações. Despertar o inimigo. se está dizendo a verdade. — Você tinha um plano. — Muita gentileza sua me lembrar disso. sua boca abrindo-se num sorriso malicioso. — Jamais acreditarei em você. suspirou com impaciência. — Droga. — E que sirva de registro: lembro-me de tudo o que aconteceu na ilha.— E você acha que acredito em você? — É verdade. Laney. o que o teria feito mudar de idéia? Evan a olhou nos olhos. Percebendo que sua cabeça continuava a vacilar. Depois. Laney. a arma que você planejava usar contra meu pai. sem pensar no belo rosto e na verdade do que Ty lhe dizia. Estou oferecendo uma maneira de salvá-los. Tomou fôlego e se sentou em sua cadeira. — Você deu as informações por vontade própria. ponto — disse Ty. Os hotéis estão perdendo dinheiro. Laney. Ty ironizou a afirmação. — Ty permanecia firme. olhou para sua boca. Já a vi nua meia dúzia de vezes. Vão falir se você não fizer nada rapidamente. — Você. Fim da reunião. — Não. mantendo o queixo erguido. Seu pai não conseguiria salvá-la e duvido que você chegue perto disso. Qualquer um que fizesse uma pesquisa saberia que os hotéis estavam enfrentando problemas. — Minha resposta é não. É um fato. Eu era a carta em sua manga. Pode ir embora. Sabia dos problemas no Royal. Chame-me Evan. — Estou no ramo hoteleiro. — Não seja tola. Certo? Então. recusando-se a lhe dar mais alegria do que a que já tivera. — Mas isso não impediu que você me fizesse perguntas. lutando para controlar a raiva. — O que você quer? Evan sentou-se numa cadeira diante da mesa. Mas você não pode negar que passamos um ótimo tempo juntos na ilha. — Nunca ouvi você reclamar. Voltarei. — Deixo a proposta em cima da mesa. Laney fechou os olhos um pouco. aquele olhar quente a teria deixado em brasa. — Você não foi feita para gerenciar esta empresa. Você me fez mudar de idéia. Os olhos negros de Evan ganharam um brilho severo. do começo ao fim. — Quem está mentindo agora? Laney se acalmou. — Você queria acabar com ele. Ela tinha certeza de que tudo o que Ty falava era mentira. Laney não queria pensar sobre aquilo. sr. o que não acredito. Não é nada pessoal. Evan abanou a cabeça como se ela fosse uma garotinha na escola que não conseguia entender um simples problema matemático. — Você me seduziu para consegui-las. Laney respirou fundo e franziu a testa. Comprar os hotéis Royal. — Escute. — Não me diga o que posso ou não fazer. Mas agora tudo o que Laney sentia era desprezo. Antes. Ela fez que não. — Ela passa por dificuldades. Mas não faz diferença. — Não consigo lembrar. Ty não tentou convencê-la do contrário. Jamais venderei a empresa. Tyler. os olhos focados nos dela. sem se mover.

Nem mesmo quando fugi do casamento e de Justin. — Diria. — Temo que a situação seja bem ruim. os braços apoiados na cadeira.. Estava tão ocupada com os preparativos. — Você não deu uma mordida ainda. Uma amizade de longa data exigia que tudo fosse dito em detalhes. Inclinando-se para a frente. Este sempre fora o café à beira-mar preferido delas. — Ela riu. abster-se antes do casamento. e. Julia tentou esconder a expressão de espanto.. quê? Laney empurrou o prato de lado. — Eu e você. mas não tem certeza? — Estou com todos os sintomas. Laney. fazendo quatro linhas irregulares surgirem em sua testa. droga. no chuveiro. a gente teve muito cuidado das outras vezes. Nós nos protegemos. Era de pensar que estava comendo por dois. ahn. O enjôo. Desta fez a pobre da Julia não conseguiu esconder o espanto. — Então. com o planejamento do casamento e em passar tempo com as madrinhas que ela e Justin decidiram passar as últimas semanas antes da cerimônia afastados. — E eu já terminei. Você vai dizer a ele? Laney balançou a cabeça. Suas sobrancelhas castanho-avermelhadas se arquearam. mas nenhuma palavra saiu dela. Estavam sentadas numa café à beira-mar numa tarde de sábado. Odiava pensar em Justin. você não estava comendo por dois. — O. Linhas que ela costumava evitar de todas as maneiras. Estômago apertado. concorrente do pai. o fato de que estou atrasada. Quando pequenas. tentando achar algo positivo para dizer. Julia se afundou ainda mais no assento de costas alto. se o bebê fosse dele. Ela tomou um antiácido: algo que ajudava a passar o enjôo e outras emoções tremulantes. ainda. sem piscar.CAPÍTULO QUATRO LANEY observava Julia atracar-se com uma pilha de batatas fritas e devorá-las uma a uma. Ela colocou de volta na mesa a Coca-Cola Diet que estava prestes a beber. — Julia lançou a vista para o mar. Laney olhava para o sanduíche vegetariano e se perguntava se conseguiria comê-lo. a falta de apetite e. o que aconteceu? Quer dizer. Nunca me senti assim antes. pensou Laney. — Mas eu pensei que você e Justin haviam decidido.. Mas ambas sabiam que o caso não tinha esperança. — Minha nossa.. — Não. O rosto de Julia empalideceu. — Julia pegou seu lanche cheio de queijo cheddar derretido e comeu-o todo. houve uma única vez. ela falou com a voz baixa: — Você acha que está grávida. Não tivera relações sexuais com ele nas semanas que antecederam o casamento. — Então Laney contou à amiga toda a história sobre o tempo que passou no Wind Breeze Resort e sobre o homem misterioso que acabara por descobrir ser um canalha. Acredite. como pode ter acontecido? — Bem. Olhou para a amiga tentando sorrir. Laney fechou os olhos por um momento e colocou a mão sobre o estômago. — Acho que estou grávida. costumavam recostar-se e imaginar serem rainhas de uma ilha — comendo 23 . Eu estava. Ela contou tudo. — Eu sei. Os dois homens a enganaram. Agora Laney poderia acrescentar Evan Tyler à lista dos homens que preferia esquecer. Jules. estou tão chocada quanto você. Julia abriu a boca.

Tenho que me manter focada. não consegui falar. tinha o apoio da melhor amiga nesse ponto. Não há a menor dúvida quanto a isso. Acredite. Felizmente. e o pai? — Realmente não suporto pensar nele. sei que vai. afirmara que o problema nos computadores do hotel de San Diego não voltaria a ocorrer. Julia concordou com a cabeça. — Laney deu um tapinha na barriga com mão protetora. Móveis e carpetes novos foram estragados. Aquela parte de sua vida não mudara. — Tudo bem. — Eu sei. por favor. — Desculpe.. — Por que você não me contou isso assim que voltou de Maui? — Não sei. naquela mesma semana. Julia fechou os olhos. — Ninguém jamais dirá que você é egoísta. — Qual a gravidade da situação? — perguntou ele. posso entender. o que você está pensando em fazer agora? — Nada. — Laney se recostou na cadeira. — Laney. MAIS TARDE.. além de nós duas. — Você pode ter um bebê com que se preocupar. quando a situação me forçar a tomar uma decisão. ninguém sabe de nada. E isso é importante também. —Acabo de saber que houve uma inundação no The Royal Phoenix. Não posso deixar. Promete que deixa? — Prometo. Durante o jantar deles na outra noite. Parecia algo trivial. querida. Laney. — Já decidi. A criança era inocente e receberia todo o amor que ela pudesse dar. fechando os olhos e agradecendo aos céus por existirem melhores amigas. e egoísta. feche a porta. Sempre quis ter filhos. com uma calma que Laney desejava possuir em sua caótica vida. Se estivesse grávida. Foi ele provavelmente quem levou meu pai a ter o ataque cardíaco. É tão insensível quanto se pode ser. depois do que passou com Justin. Lidarei com ele mais tarde.. Amarei esta criança.. — Ela inclinou levemente a cabeça. Então. Os lábios de Julia se torceram ao pegar a mão de Laney. Não vou fazer nada. — Até agora. tenho que administrar uma empresa. Mas é que com tudo acontecendo ao mesmo tempo no Royal e depois. o homem misterioso. vou preparar para você o maior chá-de-bebê. não fora nada trivial. Mas.fartamente. — O tempo que passara com Ty. não abandonaria a nova vida que crescia dentro dela. — Não posso me preocupar com isso agora. — Bem ruim. Preston tinha boa cabeça para os negócios e se transformava em seu salva-vidas nos momentos em que as águas se agitavam. Todo o primeiro andar acabara de passar por reformas. Fora glorioso. com a morte do meu pai. O gerente do Phoenix diz que foi o rompimento de um cano 24 . Mas não real — nada fora verdadeiro. Tomara caras medidas adicionais para que passassem a ter um sistema de apoio para as reservas em todos os hotéis. Laney aprovara a requisição imediatamente. Você queria se apegar àquelas lembranças e. Agora Laney estava feliz por poder confiar em Julia. E quero que permaneça assim. quando for o momento. mas. A empresa de seguros não está muito feliz com todas as reclamações que registramos este ano. Você deve se preparar para enfrentar uma batalha. — Ah. Laney esfregava a testa marcada pela tensão quando Preston Malloy entrou na sala. tomando bebidas exóticas. com o mundo a seus pés — e compartilhavam seus segredos mais íntimos.. Guardar os segredos uma da outra. Esperou até que ele se sentasse para lhe dar a notícia. Tomarei conta do bebê.. — Preston. é o que fazemos sempre.

que daqui a oito meses estaria segurando seu próprio bebê indefeso nos braços. papai — sussurrou. mas não podia fazer desaparecer a dor pela morte do pai. Significava dizer que Evan Tyler era o pai da criança. — Eu conto — disse. tenho hora marcada com. — Mas me ligue se souber algo mais sobre o Phoenix. Visitara seu ginecologista e ele confirmara suas suspeitas: os testes de gravidez que fizera recentemente em casa não eram falsos. Estranho como isso era verdadeiro em seu caso. — Não se preocupe. Ela queria sentir a mesma coisa. Independentemente do que fosse.defeituoso. Vou tomar conta de tudo. a deixou abalada novamente. deu meia volta para acrescentar: — Achei ótimo nosso jantar àquela noite. Talvez ele não tenha sido um pai perfeito. Ela dirigiu pela estrada em estado de choque. pode também ter sido responsável por sua morte. — E que sirva de registro: você está fazendo um excelente trabalho aqui no Royal. Saber que aquilo era realidade. seu pai diria. o humor de Laney foi de ruim para péssimo. Eles dois seriam uma família. — Tudo bem. Laney amaria esta criança. Laney estava mesmo grávida. — Teremos trabalho duro para pôr o lobby e a recepção funcionando novamente. Preston se levantou. Acredite. O bebê deveria nascer na primavera seguinte. é algo que não posso perder. Elena. Você sabe como meu pai tinha orgulho daquele lobby principal. trouxe uma tristeza insuportável. O pai e a mãe estavam mortos agora e o despertar da consciência de que estava sozinha no mundo. Pensava estar lidando bem com aquilo e realmente esperava que a gravidez se confirmasse. Laney concebera a criança. Esperava muito dela. mas na verdade Laney sentia como se toda a cadeia de hotéis estivesse desmoronando ao redor dela. as mãos presas ao volante.. Uma vida por uma vida.. Pode contar comigo. Preston sorriu. virando-se para sair. Quando seu estômago nauseado resmungou com fome ela soube que não estava realmente sozinha. sim? Estarei em casa à noite. com sinceridade. Depois. — Obrigada — disse Elena. Poucas semanas antes de seu pai morrer. Laney deixou a estrada no Sunset Boulevard e dirigiu para casa. Um bebê crescia dentro dela. não o deixaria lidar com essa bagunça sozinho se não fosse muito importante. O bebê dela. Três horas mais tarde. agradecida pelo apoio incondicional de Preston. O médico a alertara de 25 . pronta para mergulhar na banheira e depois tentar comer alguma coisa. Você vai estar por aqui à tarde? Laney suspirou. — Eu também. darei uma olhada. todo o impacto da situação a atingiu com uma força avassaladora. com a morte de sua mãe. Estou rezando para que nenhum objeto artístico tenha sido destruído. É tudo o que sei até o momento. E o mais estranho ainda era que Nolan Royal jamais veria a criança. Lágrimas brotaram em seus olhos. Era como se. ele houvesse dedicado todo o amor que sentia a Laney. Elena. Encomendou pessoalmente esculturas e obras de arte para combinar com o ambiente. exceto por alguns parentes. Laney as enxugou rapidamente para clarear a vista. Estava com seis semanas de gravidez. mas também a amara muito. bem. mas quando o médico anunciou que ela estava grávida. porque Evan Tyler. — Sinto saudades. — Vou ajeitar tudo. o pai. — Farei isso com certeza — disse ele. E esperava de Laney o mesmo tipo de devoção. — Não.

Vamos a algum lugar calmo onde possamos conversar. Não duvidaria de nada. — Claro que eu estou agindo emocionalmente. Um homem como Evan Tyler tinha como obter as informações de que necessitava. — Que há de errado com você? — Acabei de lhe dizer. — Você está agindo emocionalmente agora. — Você me seguiu? — perguntou. Laney. Laney teria de obter aquelas respostas o quanto antes. — Laney.. — Não estou sendo ridícula. E ela não pôde evitar as perguntas de rotina do seu médico sobre o pai da criança aquele dia — perguntas sobre o histórico médico que não saberia responder.. Parece que ambos 26 . Laney fez que sim. Laney teria se transformado numa cachoeira de lágrimas. quando um homem saiu do carro usando jeans claros e uma camisa de algodão branco de mangas enroladas. Evan aproximou-se dela. Manteve as mãos afastadas. intrigada. — Evan. segundo Julia. garganta seca e apertada. deixe-me em paz. Dê uma volta de carro comigo. — Não permitirei que compre o Royal. por favor. saia da minha propriedade. Tentaria livrar-se do enjôo sozinha. Ele lhe dera uma receita para a náusea. Ela apertou o botão do controle remoto do portão e colocou o carro na garagem ao mesmo tempo em que outro carro parava à entrada de sua casa. — Você precisa escutar a razão. por favor. Se tocasse nela. Os lábios de Evan se apertaram.que deveria manter mente e corpo saudáveis. Foi pura coincidência. Se você acha que isso não me deixa emotiva e lamentando ter um dia colocado os olhos em você. Observando com curiosidade. Laney saiu do carro. — E eu quero falar com você a respeito dos hotéis Royal. — Sr. — Não.. então. fechando a porta. — Ei! Acalme-se. — Laney não perguntou como ele conseguira seu endereço. é algo mais. Por um segundo seu coração acelerou — lembranças de passeios casuais em uma praia do Havaí a tomaram. Tyler. Não temos nada para conversar. — Duvido. Precisava se alimentar. Ela não aprendera isso em primeira mão? Ele entortou a boca. em se tratando dele. mas isso apenas mostrava o pouco que ela realmente sabia sobre o homem que um dia chamara de Ty. Mais uma vez ela lutava contra as lágrimas. que é isso. então não tomara ainda nenhuma pílula. — Você faz isso comigo. como se aquilo fizesse todo o sentido do mundo. sr.. mas. Laney queria pôr sua mão protetora sobre a barriga trêmula. mas Laney odiava tomar remédio. Suas emoções estavam próximas demais do limite. mal conseguiu dizer: — Botas? — Nasci no Texas. felizmente. Não seja ridícula. Foi até a entrada da garagem. — Não. Você está pálida como um fantasma. apertando os olhos por causa do sol do final da tarde. curiosa com o carro esporte prateado que aparecera do nada. Meu pai acabou de morrer! E você foi a última pessoa a vê-lo vivo. mas não ousou. Quero saber exatamente o que você disse ao meu pai naquele dia. Tyler de novo? Ela o irritara e sentia uma satisfação infantil com isso.

em sua varanda. — Aquele era o seu papai. — Apanharei você às 20h. bebê — sussurrou. Arrancou a imagem de seu corpo flexível e suave de sua cabeça antes que seu pulso disparasse e a temperatura subisse. — Não fale — avisou Trent. O que não queria era ter um colapso emocional diante de Evan Tyler. Pensei que tínhamos concordado em celebrá-lo no próximo mês. quando você completasse. Depois planejava cair na cama. Apanhara raros relances daquele homem quando ele a fitou. Em vez de estar pensando em como fazê-la assinar na linha pontilhada. Royal. Entrou no elevador e subiu até seu apartamento na cobertura. Todas as vezes que pensava nela daquele jeito. mãe. — Bem. Laney o viu ir embora sentindo-se mergulhada em um mar de emoções. pensamento fixo em Laney Royal. enquanto seus irmãos mal deram um sorriso forçado. Ainda estava chateado quando abriu a porta do apartamento e foi recebido pela mãe e pelos dois irmãos. 27 . Deu uma olhada para os seus irmãos. Precisava de uma refeição sossegada e um banho de água quente. jante comigo amanhã e responderei a todas as suas perguntas. Ele fez um sinal positivo com a cabeça. Já que agora não é uma boa hora para você. ela não suportava vê-lo. — Não me referia a você — falou. seu corpo faiscava como fio desencapado. Não estava preparada para falar-lhe ainda do bebê. Evan queria a empresa dela. Seu estômago apertava. descobriu que não seria nada mal se viessem alguns benefícios paralelos com o negócio. com raiva por que ela estava pensando que ele irritara seu pai a ponto de ele ter um ataque cardíaco. piscando um olho. Evan desligou o motor. E não usarei minhas botas. — Seus irmãos me fizeram vir de Saint Petersburg para fazer uma surpresa para você. o estômago roncando com fome de novo. na Flórida. mãe. Você se esqueceu do próprio aniversário. mas depois de passar aquele tempo com ela. na melhor das hipóteses. E quando não estavam relaxando. interrompendo sua rotina de trabalho e permitindo que gozasse momentos de puro relaxamento. Não podia deixá-lo vê-la daquele jeito. Flashes do homem que conhecera no Wind Breeze não paravam de infiltrar-se em seus pensamentos. Havia alguma coisa surpreendente na srta. Ela curara o tédio dele no Wind Breeze. Estava finalmente com fome. depois passou a mão pelo rosto: — Incrível o tipo de gente que o porteiro deixa entrar hoje em dia. saiu do carro e bateu a porta. Talvez fosse apenas o desafio que ela representava para ele. — É sempre bom vê-la. Sua mãe sorriu abertamente. Estavam sob a sombra da tarde. Evan? — perguntou.. Laney hesitou. mas precisava desesperadamente saber se estava por trás do ataque do coração sofrido por seu pai. — Tudo bem. Curvou-se para dar-lhe um beijo.. saindo e entrando debaixo das cobertas. pronto para tomar a empresa que seu pai conseguira com trabalho duro. amanhã à noite. os olhos castanhos pestanejando. pegou a pasta. o que não aconteceu com freqüência estes dias. Desejara que fosse ao menos metade do homem que conhecera naquela ilha. — Estive ocupado. EVAN ENTROU na garagem subterrânea do Tempest de Los Angeles e estacionou em seu espaço particular. Eu me encontrarei com você para um rápido jantar de negócios. estavam excitados. Depois caminhou para sua mãe. com expressão quase triste. Droga. com taças de champanhe nas mãos. Acreditava que tinha alguma culpa na morte do pai.queremos algo. Mas. pensava em como conseguir levá-la para a cama de novo. ele era um homem de negócios frio. aqui.

Mais tarde jantaram no The Palm. meu filho mais velho. ao seu redor. e nenhum estava disposto a constituir família. Não completou a frase. Sua mãe ergueu o copo. ouvi dizer que você finalmente vai fazer um cruzeiro — disse Trent. Brock e Trent ecoaram o desejo de feliz aniversário e ambos ergueram as taças. Eu ficava enjoada todos os dias pela manhã. — Ah. — Estou trabalhando num negócio que vai elevar o Tempest a uma categoria inteiramente nova. e a situação começava a parecer com aquela de quando eram crianças e acusavam uns aos outros. — Tomou um gole da bebida e depois deu um sorriso melancólico. que olhou para Trent. — Trent você sabe que seu irmão tem 32 anos. — Suspirou. e nenhum deles queria olhar a mãe diretamente nos olhos. — Não mesmo..Brock foi até ele para entregar-lhe uma taça de champanhe: — Você está arriscando a própria vida. Os três pegaram a deixa dela e se sentaram também. querido. um afamado restaurante de Los Angeles.. todos em idade de casar. — Se você está dizendo. Não podia condená-la.. — Ah. Ele sabia o que significava entrar numa conversa com a mãe sobre filhos e casamento. Os médicos se preocupavam com a perda de peso. Estou sabendo que você está trabalhando duro. Sempre acontecia isso quando pensava nos tempos em que o marido estava vivo. — Contei que a filha de Larissa Brown vai ter outro filho e que seu filho está se casando no próximo outono? — Acho que não sabíamos disso — disse Brock —. mãe. Evan. Rebecca piscou e acenou com a cabeça. Estou fazendo as malas. com todas aquelas atividades a bordo e viagens. quase nunca tinha fome. parecendo um pouco cansada. mas todos sabiam no que estava pensando. Mas você foi o que nasceu mais facilmente. depois se sentou numa espreguiçadeira. Vinha dando indiretas há anos. Nunca se incomodara em ser o mais velho e ajudar a mãe a criar Trent e Brock. Não tinham remédio para enjôo como há hoje. — Sim. — É. seus olhos com um brilho distante. Feliz aniversário. 28 . — Vocês três já me deixam muito orgulhosa. Ev? Evan abanou a cabeça e manteve a boca fechada. mudando de assunto.. mas agora Rebecca queria mais emoção em sua vida. Evan? Trinta e três? Evan entortou a boca. tomando um gole da champanhe. Diz que não sabe o que estou perdendo. Rebecca fez um sinal com a mão para os filhos. — Você me deu muita preocupação antes de nascer. Mas seu aniversário é hoje. Todos os meus filhos nasceram com dois anos de diferença. apontando dedos. E recorria a Evan. dando a Evan o melhor presente de aniversário de todos: um alívio das indiretas da mãe. — Lembro do dia em que nasceu. Partimos em duas semanas. Não parece fazer tanto tempo — disse ela. Larissa me convenceu a ir com ela. — Para Evan. Tinha três filhos. — E agora é o cabeça de uma grande empresa. Trent foi o primeiro a falar: — Quantos anos você está completando hoje. Vocês têm um negócio em pleno crescimento com o Tempest. Evan olhou para Brock. Trent continuou perguntando sobre a viagem da mãe. mas Ev é o mais velho — falou Brock. sabíamos. Só esperava que. ih! Não tenho vergonha de admitir que farei 60 anos no próximo mês e vocês sabem disso.

esperava ansiosamente pela disputa. Caricaturas de celebridades que freqüentaram o restaurante estavam nas paredes e todas as vezes que Rebecca entrava ali. Na verdade. Foram apenas os quatro e Evan queria que fosse assim. Também era responsável por novas aquisições. Mas Evan queria mais. mas teriam se livrado de seu principal concorrente. de San Diego a Hollywood e São Francisco. sendo o melhor negociador dos três. 29 . encontrava novos desenhos nos "murais vivos". Colorado e Arizona enquanto Evan mantinha o controle de todos os hotéis que tinham na Califórnia. Este era mais o estilo de Brock. Em breve adicionariam o Maui Paradise à sua cadeia. Queria a cadeia Royal. Precisava apenas convencer Laney a ver as coisas do seu ponto de vista amanhã à noite. Era o local preferido da mãe para comer em Los Angeles. Ele e Trent administravam os hotéis Tempest no Texas. não apenas o Tempest teria mais destaque nacional. Não era de ir a festas nem de se expor em público. Se pudesse adquiri-la negociando com Laney Royal.conhecido pela especialidade da casa — as gigantescas lagostas de Nova Scotia — para comemorar o aniversário de Evan. Novo México.

casaquinho azul e saia que deixavam claro que iria a uma reunião de negócios e não de lazer. 30 . exatamente às 20h. haviam-se dirigido à praia e seguiam para o norte pela linha costeira. E quando desceu ainda mais para avaliar sua blusa de botão e o colo. penteado para trás. — Fico feliz em vê-la. — Suavizou o tom. A gafe normalmente a teria incomodado a noite toda. Evan alcançou sua mão. Ele não era confiável. apenas riu. certo. — Deseja um vinho? Champanhe? Ela olhou para o frigobar lotado e depois para ele. Trataria aquele jantar com Evan como negócio rotineiro e só. dispensando o chofer e abrindo a porta para ela. Recebeu um olhar de admiração de Laney. — Disse isso aparentando sinceridade. Faça uma pausa.. Laney disse a si mesma para ter cuidado. Seu elogio a atingiu em cheio. Vestia um terno cinza-ardósia de corte italiano. — Não era a minha intenção. seu cabelo com gel.CAPÍTULO CINCO LANEY puxou o cabelo para trás e o prendeu com um grampo à nuca. Esperava poder agüentar o jantar com ele esta noite. Olhou por sobre seus ombros e viu a limusine preta esperando lá fora. Sua cabeça estremeceu ao vê-lo analisando sua boca. Não seria enganada novamente. — Quero lembrar-lhe que será um jantar de negócios. Laney.. Laney se sentou no branco de trás enquanto fechava a porta. Usou poucas jóias. encontrando seus olhos com um relancear quente antes de descer até os lábios. Mas Laney se rebelou contra ele. parecendo a fantasia perfeita de qualquer mulher. — Isto não é uma boa idéia. mas naquela noite resolveu inverter a situação e fazê-lo sentir-se desconfortável. — Então vamos fazer uma parada rápida na minha cobertura e. — Eu sei. Ou que o som de sua voz só trouxesse boas lembranças. não a repugnava. Antes que se desse conta. — É uma ótima idéia. a maneira suave como a mão dele cobria a sua. só de pensar em comida ficava enjoada. Evan. Ele não se ofendeu. — Você está linda. mas precisava obter algumas respostas dele. com uma fina camada de barba por fazer em seu rosto e sem botas de caubói. Um arrepio de intenção sexual percorreu o corpo dela. Esse era o plano até que atendeu à batida na porta da frente. — Acho que preferiria as botas de caubói. — Não. — Soltou-se na mão de Evan e fechou a porta. O coração de Laney batia mais forte. — Você tem trabalhado muito. Seu estômago a incomodava de novo. Voltou-se quando estavam de saída. Jantaremos sem pressa e conversaremos. Evan pôs uma das mãos às suas costas para conduzi-la até a limusine. Evan examinou seu cabelo e as mechas louras que prendera numa cadeia de prata. e viu Evan de pé ali. obrigada — falou rapidamente. — Vamos acabar com isso de uma vez. exceto pelos brincos de diamante que fora de sua mãe. Ela odiava o fato de que seu toque. Seu olhar correu até o rosto dela. — Tudo bem. Vestiu um conjunto preto. Comera pouquíssimo aquele dia. Percebeu que estava malvestida para o que quer que fosse que Evan tivesse em mente. apanhando seus dedos com os dele. Você não pode evitar.

Evan sorriu. — Deixe que me preocupe com isso. Quando chegaram ao restaurante à beira-mar. o maitre. pontos de luz iluminavam as ondas que rebentavam na praia.. A mulher com aquele corpinho sexy e belos olhos. apelaria agora para seu lado emocional.— Não. Serviu uma taça de vinho para ela e depois para si mesmo. E como ela poderia ser diferente? Mas Evan descobriu que era muito diferente do pai. Falaremos de negócios depois de comermos. O que fazia sua tarefa ainda mais complicada. E não estou falando apenas de seu corpo sexy. Mas não para falar de negócios. — Gostaria que você não me lembrasse de nada que falei ou fiz em Maui.. — Isto é excelente. Em sua campanha para extrair informações dela. Que havia de errado com ela? — De que você tem medo. Tentara convencê-la com a lógica. Ostras frescas e um bom vinho tinto esperavam por eles. Estrelas cintilavam mais acima. Ela era a filha mimada. Laney estava orgulhosa por conseguir segurar-se diante de tipos suaves. Evan recostou-se no banco acolchoado de couro. — Houve um tempo em que você não precisava comemorar nada para beber comigo. O ar fresco do verão entrava pelas portas do quintal. alguém em quem jamais deveria confiar. belos e atraentes como Evan Tyler. Apesar de tudo. — Que há de errado? Sei que você adora ostras. o que o surpreendeu. Ambos a machucaram. — Está perfeito. acabou descobrindo que gostara de passar aquele tempo com ela na ilha. ao fundo do restaurante. empurrando a taça de vinho e o prato de ostras sem ao menos olhá-los. Encarava-o como se uma língua de fogo fosse sair de sua boca a qualquer momento. Sei o que está por baixo dele. Foram logo levados a uma mesa de canto que ele reservara para a noite. parecia preocupado. — Não? Como pode saber com certeza? — Eu tenho certeza — disse. — Sabe. — Há algo de errado com o vinho. Obrigada. você não precisava ter se escondido num terninho de trabalho.. — Sabichona. sr. mas Evan possuía a distinção de ser talvez o responsável pela morte de seu pai. Queria seus hotéis e Elena não suportava olhar para ele. Nós comemos algumas no. obrigada. tinha raciocínio rápido e senso de humor. — Claro. EVAN quis odiar Elena Royal. — Pare! — Ela ergueu a mão e cobriu os olhos. diga isso enquanto o carro segue a 80 quilômetros por hora e eu não posso pular dele. — Aquele não era você. Evan. riquinha e cheia de vontades de Nolan Royal. Quando o garçom se aproximou. mas estou com fome. Laney? — Podemos apenas falar de negócios? — disse. — Antes de fazermos os pedidos? Desculpe-me. Evan. Lá fora. Tyler? Ou com as ostras? Posso assegurar 31 . A PRINCÍPIO. Evan não era nada melhor que Justin Overton. Não estou comemorando nada. Mas estava longe de ser uma donzela histérica. querida. Tudo bem? Ele estreitou os olhos. Para ela.. e inteligência para acompanhar. orgulhosa de ter conseguido franzir a testa. Evan a conduziu pela mão ao interior do estabelecimento. A cor sumiu do rosto de Laney no momento em que seus olhos toparam com as ostras. Evan deu uma risada. — Espero que aprovem — disse Bradley. Era ao mesmo tempo o pai de seu filho e um inimigo. azuis da cor do céu.

não. — Deu um curto sorriso para ele.... mas não estou com muita fome. — Vai falir se os hotéis não pararem de sugar todo a sua reserva de dinheiro. Os olhos de Laney se arregalaram e ela abanou a cabeça. Veremos se não consigo fazer a moça mudar de idéia. E agora você admitiu que está sob o mesmo tipo de pressão. — Estresse. Pelo amor de Deus. Não tocou na comida. — Se você me permite fazer o pedido — disse Evan. Evan o escutou lançando olhares rápidos para Laney. Seus hotéis estão afundando. — Você perdeu peso. — Laney. mas Evan as percebeu e algo fez seu coração saltar.. Não sabia em quem confiar além de você.. encarando-a com grande interesse desta vez —. Você está pensando que a situação é pior do que realmente é. — Sugeriria a salada de camarão com molho de lagosta — falou o garçom. mas você. sem molho. — Por isso estou aqui. Evan. — Até onde sei. Livre-se deles enquanto pode.. você é que está por trás dos contratempos do Royal. senhor. Chega de ficarmos brigando. pronto. Evan.que são da melhor qualidade. Ele não gostaria de ver sua saúde abalada. — Eu sei. E não gostaria de vê-la falir. — Não. — Não estou falindo. Evan sorveu a bebida. Tudo está como eu planejei. Tudo bem? Disse. — Sim. tudo está perfeito. Evan a observou se servir de uma porção. — Por favor. Você quer 32 . Evan. Evan. Sei mais do que você pensa sobre seus problemas. O garçom recuou. O garçom abriu um sorriso e começou a listar os pratos da noite. Seu pai estava desesperado para salvá-los. Tenho certeza de que preferiria vendê-los a ver a reputação arruinada. Laney olhou o excelente vinho. parecendo sentir-se insultado. Não que não esteja bem. Laney ergueu a cabeça. — As coisas não estão tão ruins. — Evan provou do vinho para acalmá-lo. — Não. Lágrimas apontaram nos olhos dela. — Eu não. Laney. Laney. — Comerei apenas uma salada. Para livrá-la de todo o estresse. — Seu pai não gostaria de ver seus hotéis falirem... Ela arfou. Por isso a chamou para perto dele. Ele estava sob enorme pressão. — Beba um pouco de vinho. Estou passando por muito estresse ultimamente. — Você só faz aumentá-lo — disse Elena.. A salada chegou com uma cesta de pães sorridos e Laney parou de falar enquanto o garçom as colocava sobre a mesa. Tentou bravamente escondê-las. Enquanto ainda valem alguma coisa. Laney. o peixe-espada grelhado deles é o melhor. — Não me diga que você está de dieta — disse Evan quando o garçom se afastou. Seu rosto empalideceu ainda mais quando o garçom começou a fazer descrições detalhadas. que preenchia dois terços do cálice. — Salada? — Evan cocou a cabeça. escute.. Evan relanceou os olhos para o garçom: — Traga-nos duas porções de peixe-espada. Irá relaxá-la. só uma salada simples. — Talvez você não saiba de tudo. calma. Laney olhou na direção do quintal. não. — Acho que vamos fazer nossos pedidos agora. parecendo muito interessada na praia.

Laney imaginava a reação do pai. Preston aumentara a segurança nos hotéis e a convencera a contratar um investigador particular para ir até a raiz do problema. Mas seu pai tinha uma carta na manga que ninguém conhecia. eu acho que você quer realmente ouvir o que tenho a dizer. após o jantar. Virou o rosto dos pratos fumegantes. Tinha uma informação que poderia arruinar o orgulhoso sr. E isso significava que o Tempest perdera a batalha. Olhava pela janela observando a paisagem iluminada pelo luar ao se dirigirem para sua casa. bastante formal. de modo que não fosse obrigada a lidar com o exame minucioso de Evan. Não confiava nele. Era muita coisa para lidar agora. Clayton Swan. depois de concluído o negócio. Swan pessoalmente e gastaram uma grande soma de dinheiro tentando convencêlo a vender o hotel para o Tempest. Evan não dissera nada de extraordinário. Se necessário. Seu estômago traidor não parava quieto. — Adeus. Laney levou um bocado de salada à boca. Sentou-se no banco traseiro da limusine. não estaria jantando aqui comigo. trabalharia dobrado para encontrar as causas dos problemas nos Royal. por ora. Mostrou seu ponto de vista. — Obrigada pelo jantar. E agradeceria se me contasse a verdade. — Não estou certa sobre até que ponto posso confiar em você. Evan praguejou baixinho. E mesmo enquanto Evan falava aquelas palavras bem-ensaiadas para ela. Não lhe falaria sobre o bebê. Laney queria crer que sim. algo pessoal que poderia comprometer a integridade de sua família. Mas foram novamente interrompidos pela chegada do garçom. — É tudo. Sabia jogar duro se houvesse necessidade de salvar algo que prezava. — Não poderia trair os desejos de seu pai. Laney — disse Evan quando o motorista parou à entrada de sua casa. obrigado — respondeu Evan. O que Laney não sabia era o tanto de coação — se é que houve alguma — que fora utilizado. — Sim. Era melhor não vê-lo até que fosse absolutamente necessário. Mas preciso saber o que aconteceu naquele dia entre você e meu pai. Sua cabeça dava voltas. — Se você realmente acreditasse nisso. Evan. batatas ao alho e creme de espinafre à frente deles. Fizera-lhe uma promessa solene. — Está tudo conforme o desejo do senhor? — perguntou o garçom. emendando os desmentidos dele. Mas Nolan Royal subira na vida pelo modo mais difícil. A mistura de cheiros fez a boca de Evan salivar. Mastigou-o como se realizasse um grande feito. LANEY NÃO acreditava em Evan Tyler. Não. E se havia uma coisa que Laney sabia sobre Evan Tyler era que ele detestava perder. Podia ser que seu pai houvesse apenas feito uma melhor oferta. apresentou ao pai uma proposta honesta e estava disposto a negociar. 33 . encerram-se nossos negócios — falou. Queriam expandir os negócios e o Inns cabia perfeitamente em seus planos.os hotéis a este ponto. O motorista abriu a porta e ela deu um sorriso fingido para Evan Tyler antes de sair. mas a chegada da comida teve outro efeito sobre Laney. Evan. Suas táticas não eram as mais corretas. Generosamente oferecera uma vaga de consultor a Nolan Royal na empresa. Fora um encontro normal de negócios entre ele e Nolan Royal aquele dia. Jantaram várias vezes com o sr. Ela fizera uma pesquisa e descobrira que Evan e os irmãos tentavam adquirir o Swan's Inns há muito tempo. Pôs dois pratos de peixe-espada. — Não desisti. — Não venderei. Laney estava certa de que isso ajudaria a reverter a situação. certo. Laney percebia que ele mascarava o desprezo que sentia pelo seu pai. Com ele.

Logo que seus pés tocaram o tijolo da entrada. Você devia ter comido algo lá no restaurante. molduras com fotografias em preto-e-branco. — Sei — disse ele. Mas não teria dito o que era de verdade. Evan entrou no banheiro e apanhou uma toalha do armário. Seus olhos se abriram. Não deixavam margem para dúvidas. houve? — Você desmaiou. coloridas e sépia. Uma criança.. a vista do Pacífico do topo da 34 . dando tapinhas em seu rosto. e paredes pintadas de rosa profundo. Laney.. Não conhecera a verdadeira Elena Royal. Se não houvesse desmaiado. não conseguia discutir com ele. — Laney. depois relanceou os olhos pelo quarto cheio de objetos femininos. Volto já. — Mas que é isso? — Evan estava ao lado dela. Ao fechar a torneira e sair do banheiro. Então. seguir. tomando-a nos braços e abrindo a porta com um chute. entrar. — Fique quieta. Nelas.. fixando-lhe um olhar preocupado. Molhou-a sob a torneira e depois a torceu para livrá-la do excesso de água. não teria descoberto. A caixa estava no fundo do lixo. ela olhou para ele. — Não. Os olhos de Laney estavam fechados quando entrou no quarto e se sentou em sua cama. iniciais voltadas para ele. — Obrigada — disse. Rapidamente. EVAN NÃO demorou a encontrar o quarto dela. Apanhou-a pelo braço e a guiou até a porta de entrada da casa. Evan observou a caixa por um bom tempo.. Ele a segurou pelos ombros e a deitou gentilmente de volta. sentiu uma vertigem. Nas últimas vezes em que a vira.. Suas fotos contavam sua história melhor do que ninguém. Colocou-lhe a toalha fresca e úmida sobre a testa. Evan percebeu o olhar plácido dela.. Vai ficar bem num instante. Seu pai não reconhecera seu talento.. algo que viu deixou-o pasmo. convidei. Droga..... Tentou recuperar o equilíbrio. Conhecia seu corpo intimamente e sabia que perdera peso também.. Você não está em condições de levantar-se ainda.. como se estivesse sem ânimo. acorde. Suas pernas vacilaram e ela ficou tonta. Laços e babados. o. a casa em estilo campestre tinha cômodos arejados e espaçosos. — Isto é agradável. — Fitou os olhos negros de Evan por meio segundo e depois tudo escureceu. depois abriu a porta. Um teste de gravidez de farmácia. Ele sabia que era algo mais. Laney estava grávida. ao lado da pia de mármore. mas ao virar-se na direção da porta quase caiu de borco. Quando afinal ela pensava contar-lhe? Sentiu a raiva subir. — Que droga. retornou e fitou dentro do lixeiro. — Laney — falou. daqui. — Posso. — Estou bem — disse.. parecia pálida. Levou-a para dentro e deitou-a numa cama king size. lutava apenas para manter-se de pé. Evan mal conseguia acreditar.. Com a cabeça confusa. — Que hou. suave. mas foi pior. seus olhos se arregalando ao tentar sair da cama. muito diferente da saudável e bronzeada Laney que conhecera no Havaí. Ele tinha o direito de saber. — Não precisa ficar aqui. a. Rodeara-se do que mais amava.. Endireitouse.. Fixou os olhos na única fotografia que reconhecia. Pegou a bolsa dela e procurou pelas chaves. Não ouvira os relatos de gravidez da sua mãe para reconhecer os sintomas quando estavam bem debaixo de seus olhos? Como pôde ter deixado passar aqueles sinais? Laney quisera convencê-lo de que era estresse. tudo fez sentido..

— Tem certeza? — O médico confirmou. — Você me viu duas vezes desde então e não me disse nada? Laney se sentou na cama e cocou a cabeça. mas se sentou assim mesmo. O filho não é seu. — Imagine só essa — murmurou. Evan zombou de sua recusa. — Sete semanas. ela tentou levantar-se mais uma vez.. Precisava me adaptar à idéia de que você era o pai. — Vou casar-me com você. — Claro. — Droga. Ela permaneceu sentada. teremos uma cerimônia simples e. depois fez que sim com a cabeça. preocupado com o bebê. Este gesto falava mais do que uma dúzia de testes de gravidez. mas se manteve firme. Laney? Medo. estivera noiva e prestes a casar pouco antes de conhecê-lo. Era o pai? Afinal de contas. Precisava discutir o assunto em detalhes com ela.. — Sente. É uma criança. Num reflexo. Com um olhar de pânico. Laney revirou os olhos. Desmaiar estava fora de cogitação. — Ficou louco? Não vou casar com você. ao mesmo tempo. Evan. As mandíbulas de Evan travaram. Evan fez as contas. Laney sabia o que ele estava perguntando. Ele puxou ar pela boca. Laney. — Eu falo pelos dois. — Tudo bem. A mulher dele. — Sente-se. — Ei! — Laney ergueu a mão num sinal de pare. Tudo bem por ele. provavelmente com medo de levantar-se e desmaiar de novo. O bebê dele. É de Joe. — Quando? Há quanto tempo você sabe? — Fui ontem pela manhã. não está. — Não é negociável. Laney estivera com ele exatamente sete semanas atrás.cratera Haleakala. — Referia-me a você. — Não é negociável? — Um brilho quente de cólera perpassou sua expressão. velho e casado Joe. culpa e derrota transpareceram em seu rosto. Lembra dele? Evan levou as mãos aos quadris. Tão logo consiga organizar tudo. — Não estou pronta para falar sobre isso. levou a mão à barriga. Bela tentativa. — Você está grávida. — De quanto tempo? — perguntou Evan bruscamente. — Apontou para a cama. Ele viu suas pernas oscilarem um pouco. refreando a cólera crescente. depois saltou da cama e andou de um lado a outro para dispersar o excesso de energia. Não é uma idéia. era garçonete do Wind Breeze e nunca tirava os olhos de cima dele. mas ele a impediu. Evan soltou uma metralhadora de palavrões. 35 . Vamos falar sobre isso. o garçom. Laney ficou de pé. Tessie. — Sobre o bebê? Seus olhos saltaram. — Estava tentando adaptar-me à idéia. Porém. naquela ilha. Ele estava vermelho e irritado. O bom. e as lembranças o tomaram. — Quando você me diria? — Dizer o quê? Ele aspirou. eu menti. Deitou a cabeça no travesseiro. A adrenalina bombeava em suas veias como o fogo assolando uma floresta.

Se você não aceitar isso. Salvei empresas à beira da falência e dei vida nova a elas. — O inferno teria de gelar antes. Casando-se comigo. Você está carregando minha criança. Ambos somos responsáveis por isto. — Ela lhe lançou um olhar seco. Vou dar um nome a esta criança. era o que teria. Laney. — E você vai casar comigo. — Você está livre. — Evan tinha certeza disso agora. Ele rebateu o olhar. Agora. sabia que o via como o inimigo responsável por todos os seus problemas do momento. estreitando os olhos. Afinal. Laney. — Você faria qualquer coisa para pôr as mãos na cadeia Royal. Portanto. Laney franziu a testa. — Deixe-lhe dizer uma coisa. suas mãos estiveram em mim. Evan apostaria seu último tostão que ela não estivera com outro homem durante o tempo em que estivera na ilha. querida. abanou a cabeça e olhou para ele.— Não negue. não teria admitido ser ele o pai. E certificar-me de que você vai cuidar-se até o nascimento dela. Laney. não venha me acusar. Se ela queria uma disputa de vontades. posso garantir que seus hotéis vão falir e não será bonito de ver. Passaram muito tempo na cama por aqueles dias. não? — Caso não se lembre. ao menos meia dúzia de vezes. — Ela cruzou os braços sobre a barriga. Ao menos fora honesta quanto à data. O filho é meu. — Minha resposta é não. Caso contrário. É por isso que o Tempest venceu competidores valorosos. Carne da minha carne. — Estou disposta a assumir totalmente a responsabilidade. Por todo o meu corpo. E você sabe muito bem que não se trata dos hotéis. Se não fosse. — Nem ao menos sugira que não tomarei conta desta criança! — Prove. você quer ou não quer salvar os Royal? 36 . Você não sabe onde está pisando. ela não teria ficado com aquele olhar de pânico no rosto quando descobrira a verdade. Meu filho terá o meu nome e minha proteção.

Ele prometeu tirar os Royal da ruína financeira. Apesar de não ter-se convencido. no vestíbulo do fórum de Beverly Hills. Você mantém plena posse dos Royal. Evan seguiu todos os trâmites. convencido. ele tem um lindo irmão. Se me permite bancar a advogada por um segundo. uma pessoa para desempenhar o papel de padrinho ou madrinha na cerimônia civil. — Mas talvez o preço seja muito alto. bonito e. — Se você gosta do tipo alto. olhe para ele. Não admitiria que ela o expulsasse da vida da criança. Ele não tem nada mais a ganhar. sussurrando em seu ouvido. Julia abanou a cabeça solenemente. Estava usando um conjunto de três peças: paletó preto. E aceitou suas condições para o contrato pré-nupcial. moreno e musculoso. ainda que fosse apenas no papel. Não é exatamente qualquer um.. quase melancólica —. apesar de sua tenaz insistência e alegações de que não desistiria. — Diabo é a palavra certa aqui. Laney concordou com a cabeça enquanto passava os olhos pelo corredor de entrada. Laney olhou para Trent e deixou escapar uma risada. mas com o enjôo. observando Evan apertando as mãos de seu irmão Trent. Evan e Laney concordaram em ter. querida. Laney e sua equipe fizeram de tudo para tentar solucionar o problema.. Laney sabia que não podia mais lidar sozinha com a situação. acho que tudo o que ele quer é participar da vida da criança. É um homem bonito. Como acréscimo. Além do mais — disse Julia. e Trent foi o irmão que ganhou no sorteio. incluindo mostrar-lhe o portfólio. 37 . camisa branca e gravata de seda cinza. — Você está fazendo isso pelo bebê. Pensou muito sobre o assunto e finalmente concluiu que criar uma criança sem o pai não seria certo. Evan aparecendo toda noite a sua porta e pilhas de trabalho acumulado. — Laney. Não poderia negar a seu filho uma família. Você está dando legitimidade a ele e salvando a empresa de seu pai ao mesmo tempo. Resistira a suas propostas diárias e especializara-se em dizer não para ele.CAPÍTULO SEIS DUAS semanas depois. Julia a abraçou. currículo como administrador de hotéis e balanços financeiros. Queria salvar os hotéis Royal. Dane-se. — Não acredito que me casei com ele. e eu tenho um pressentimento de que as coisas vão acabar dando certo para você. Elena precisava honrar o juramento feito ao pai. inteligente e centrado. Não poderia imaginar este dia sem Julia a seu lado. A decisão de Laney fora mais fácil. — Fora apresentada a Trent pouco antes da cerimônia. Chegara do Texas para o casamento e iria embora naquela noite. Parecia arrojado. — Quem não gostaria de um homem com coragem suficiente para usar um chapéu de caubói em plena Los Angeles? Mas Laney achava Evan o mais bonito dos dois. — Não sei. cada um. houvera outro grande prejuízo no Royal desde que descobrira sobre o bebê. Laney segurava um buquê de gardênias em uma das mãos enquanto com a outra se segurava a Julia como se fosse uma banhista se afogando agarrada a um salva-vidas. De alguma maneira. Evan conseguiu convencê-la de que casar-se com ele resolveria seus problemas.

Agora. Nosso casamento é a única fusão no momento — Evan piscou para Laney —. Meu Deus. Evan respondeu mais algumas perguntas. Carros de quatro emissoras de televisão estavam parados na rua.. Fotos foram tiradas e repórteres correram até eles. E depois. o pai de minha mulher faleceu recentemente. não conseguia parar de pensar se Evan não estava realmente por trás dos problemas do Royal. fico feliz em dizer. não foi um segredo. Laney o observava lidar com a multidão de repórteres.. No fundo. conduzindo Laney até a limusine.. Agora. A última coisa que esperava era um batalhão de repórteres do lado de fora do fórum no dia de seu casamento. disse: — Acho que vocês já sabem tudo o que queriam. mas estarei na administração. O noivado dela com Overton foi um equívoco. Evan protegeu Laney daquela loucura e logo Trent e Julia os ladearam. Não queríamos desonrar sua memória com um casamento pomposo. não podemos viver um sem o outro. — Parou para colocar a mão dela na dele e fitar seus olhos. — O que o casamento significa para os hotéis Tempest? — Você classificaria este casamento como uma fusão de empresas? — Como você e Elena se conheceram? — Sra. Como poderia confiar em Evan Tyler. com relação aos hotéis. mantendo a compostura. — Onde será a lua-de-mel? — perguntaram vários repórteres ao mesmo tempo. Por que a pressa do casamento? — Minha esposa não fará declarações — disse Evan. — Evan sorriu. se me dão licença. — . Controlava a situação com polidez e desembaraço. Laney lhe apertou a mão tanto quanto podia.Laney sabia que ele era um sólido empresário. Seu estômago estava nervoso novamente. Mas não pensava que acabaria casando com ele. protegendo-a do assédio. Um repórter mais ousado perguntou: — Por que a cerimônia civil foi secreta? — Em primeiro lugar. poucos meses atrás a senhora era noiva de outra pessoa. minha esposa mantém a posse de cem por cento dos Royal. apesar de que o Tempest e os Royal operarão separadamente. foram rodeados por uma multidão de fotógrafos e repórteres. Era culpado pela sabotagem da empresa? Casara-se com o inimigo? Ter um filho dele complicara sua vida de muitas maneiras. Com certeza Nolan Royal merece nosso respeito. com charme e inteligência. Meu escritório avisou todos vocês da cerimônia. Acho que isso diz tudo. Decidimos casar agora porque. Engoliu em seco. Por fim. Tyler. diria? Ela o mataria ali mesmo se fizesse isso. Laney se virou para Evan com os nervos à flor da pele. juntamente com ela. ele não diria a todo mundo que estava grávida. 38 . mas desta vez a perturbação era menos por conta do bebê do que pela percepção do que acabara de fazer. Laney e eu nos conhecemos algum tempo atrás. Uma vez sentados ao lado de Julia e Trent e havendo o motorista arrancado com o carro. enquanto os repórteres faziam uma enxurrada de perguntas. — Esteja preparada e sorria — disse em tom de precaução e. — Sem comentários a esse respeito. Evan pegou em seu braço com firmeza.. o homem com quem trocara juramentos hoje? Ao SAÍREM do cartório. antes que Laney pudesse entender a confusa declaração. Planejo desempenhar um papel central na administração do Royal. temos uma lua-de-mel pela frente. — Responderei por nós dois.

Laney sabia. Ela não esquecera as noites quentes que passara com ele no Wind Breeze. Por que fez isso? Evan pôs uma das mãos em seu joelho e sorriu. Estavam sentados à mesa reservada para quatro de um aconchegante restaurante do Santa Monica Boulevard. A última coisa de que Laney Royal precisava era ser estigmatizada. mas guardava sua ira para quando estivesse a sós com Evan. Sabia que apareceriam aqui. Brindaram. Evan sentara do outro. Dane-se. — Desculpe-me.. — Se mexerem com você ou com o Royal. à sua linda esposa. No mínimo. depois arfou ao perceber o quanto aquilo devia ter soado terrível aos ouvidos do irmão de Evan. Laney? — Sim.. nossas mães eram muito amigas. — Desde quando éramos bebês. Evan. — Ev tem uma reputação no mundo dos negócios de ser. Ela fora loucamente atraída 39 . Trent insistiu para que celebrassem com estilo e Laney não teve coragem de recusar a gentil proposta. provocando o efeito oposto. Laney não conseguiria livrar-se dela sem chamar a atenção de Julia e Trent. É uma boa coisa que gostamos uma da outra enquanto crescíamos. Parabéns. querida. estirando as longas pernas. Trent quebrou o silêncio sufocante quando perguntou a Julia: — Há quanto tempo vocês duas são amigas? Julia sorriu ao olhar para ela e os nervos de Laney se acalmaram. Cada vez que ela olhava para o lado dele. e ao pequeno bebê que em breve me chamará de tio Trent. E era exatamente por isso que não podia acreditar que não houvesse criado dificuldades para o pai no dia em que ele morreu. Pôs a mão em seu joelho novamente. seus olhos estavam postos nela. E estava abismada com suas táticas autoritárias hoje. Laney usava um conjunto marfim de duas peças: um casaquinho de tailleur e uma saia que ia até os joelhos. estarão mexendo comigo. — Desculpas aceitas — disse imediatamente Evan. Julia riu. pelo que vejo. acalmando-a. Laney fervia em segredo. depois deram goles nas bebidas. As desculpas eram para Trent. Sua amiga tinha aquele efeito sobre si e naquele instante mesmo apreciava o conforto representado pela presença dela. agora grudada na dela. Não deveria ter dito isso. Laney estava ciente de que Evan a olhava. — Ao meu irmão. Julia ergueu sua taça de champanhe também enquanto Evan e Laney ergueram as taças borbulhantes que Evan pedira para eles. e agora ele se aproveitava de seus joelhos expostos. — Brutal? — Laney cortou. TRENT ERGUEU uma taça de champanhe. Trent se recostou no banco de frente para ela. Um silêncio desconfortável se seguiu. Fizera de tudo para evitar isso após o fiasco de seu casamento com Justin. Dê seu recado em alto e bom som. — Primeira regra dos negócios. Enquanto Julia sentara de um lado. — Que recado? Evan roçou a mão no alto de suas coxas e fez os pensamentos dela se embaralharem. simples e de bom gosto para o casamento civil. Laney. mas lá estava Evan distorcendo suas intenções. E hoje Evan convidara de propósito a imprensa. não é.— Você ligou para as emissoras. depois para ela. poderia tê-la avisado da presença dos repórteres. lançando-lhe um olhar sombrio e entrelaçando os dedos nos dela. primeiro olhando para Trent. Eu ia dizendo que Ev é conhecido por ser firme e obstinado. — Nós realmente não tivemos escolha. Ele não é de se deixar enganar. Trent sorriu. — Vocês dois formam um casal unido pelos céus.

Está numa fria no momento. — Olhou de relance para Trent e Julia. cortinas. bem-vinda à família. Pedira filé mignon com todas as guarnições e graças às pílulas contra a náusea que resolvera tomar. Evan se inclinou. Foi um dia longo.por ele e ele fora o bálsamo necessário para curar seu coração partido. — Que há de errado? — Evan perguntou. permaneçam e terminem o bolo e o café. Parecido com o que o ocorria entre Laney e seu novo marido. de bom gosto. Havia um tom progressista ali. aqui estava. Laney conseguiu comer metade de uma fatia. Se apenas pudesse permitir-se a liberdade de dispensar suas prevenções. Evan torceu os lábios. — Claro que sim — disse Trent. Laney tentou consolar sua amiga: — Eu estou bem. para o anel de quatro quilates em formato de pêra que Evan lhe colocara no dedo durante a cerimônia civil. mantendo a leveza do tom. — Está na hora de irmos para casa. — Obrigada. Trent. 40 . Apertou a mão de Evan. desmentindo as palavras seguintes. — Parabéns. Levarei Julia para casa. —Não se preocupe conosco. Agradeço a você dois. Farei o mesmo por você um dia. Ev. exceto pelos móveis necessários. solene. Eu agradeço. O olhar divertido de Trent lhes disse a todos o que pensava da idéia. Para começarem juntos a vida de casados. o Tempest era conhecido pela mobília lustrosa. Se apenas pudesse olhar para ele e não duvidar de suas intenções. ouvindo Trent e Julia conversar enquanto ignorava o marido. estou feliz que tenha sido meu padrinho. comer um pouco não foi uma tarefa tão árdua. — Nada. Mas ela aprendera sua lição tanto com Justin quanto com Evan e não seria enganada novamente. Quando ela afastou o prato. Evan a acompanhou para fora do restaurante. casada com ele e carregando seu filho. pondo seu guardanapo na mesa. querida. Laney se sentou calmamente durante a maior parte do jantar. Onde os Royal eram conhecidos pelo calor nas cores. As obras de arte eram modernas. LANEY OLHOU de relance para baixo. olhando ao redor do luxuoso apartamento de cobertura de Evan no topo da torre do Tempest. os quartos convenientemente austeros. Depois que Laney e Julia se abraçaram e disseram-se adeus. com certeza. — Tratarei de mamãe quando ela voltar do cruzeiro. As duas cadeias de hotéis eram tão diferentes quanto o dia e a noite. Ela estava ciente de que ele reparava em todas as suas mastigadas durante a refeição. mas o pesar se mostrou em seus olhos. carpetes e no charme antiquado. ela pensou tê-lo visto pela última vez. Agora. — E Laney. Evan analisou o resto deixado por ela e pareceu aliviado por ter ingerido metade da comida. pensou ela. nada lhe escapando. Quando ele saiu de seu quarto naquele último dia. Tenha calma com Evan. Trent pedira um bolo de casamento que o confeiteiro trouxe pessoalmente à mesa. — Então se inclinou e beijou-a. O contraste entre os hotéis Royal e de Tempest consistia na decoração. com a mobília envernizada e escura contra o branco imaculado das paredes. — Trent olhou para Julia. estilo contemporâneo e quartos arejados. se você concordar. juntamente com votos de felicidade. Julia sinalizou com a cabeça. A mesma coisa de sempre — disse. O gesto de consideração a surpreendeu mesmo que mal pudesse acreditar que estava casada agora. preocupada: — Você parece um pouco cansada. — Por favor. Nossa mãe vai arrancar-lhe o couro por não lhe contar sobre o casamento. Julia. Não havia nada frívolo ali. Mas então seu estômago se revoltou e ela levou a mão à barriga. tentando soar humorada. Julia interveio.

seus dedos espalhando-se para apanhar a base de seus seios. — Apenas para deixar claro. Esperava que se comportassem como uma família. Você é minha esposa agora. 41 . — Sua voz era rude e baixa. — Ele inclinou a cabeça e baixou a boca para tomá-la em um profundo. — Represento metade desta parceria. e de confiança. Contudo. — Não é algo ruim. — E o que você teria dito? — Que não gostaria de ver minha imagem no noticiário. Laney. Apenas não pregue outra peça como fez com os jornalistas hoje. seus olhos brilhando com ardor. — Isto será somente provisório. Evan abanou a cabeça. — Você se ofereceu para salvar os hotéis Royal. será por consentimento mútuo. fazendo-lhe lembrar as coisas que fizera com ele e que desejava tanto esquecer. O bebê precisará de um quintal. Evan tinha gosto de uísque e de poder. — Se o fizermos. Evan. — Apenas disse a verdade. — Nós nos mudaremos o mais rápido possível — acrescentou Evan. — Minha casa de Brentwood tem um quintal. Você poderia terme informado sobre seus planos. O casaco se abriu à frente para expor as conchas de marfim parelho por baixo. seus mamilos enrijecendo com a carícia suave. seus lábios habilmente se misturavam aos dela. roçando os polegares neles preguiçosamente. Quando Evan parou o beijo e olhou em seus olhos. Pode me mostrar meu quarto? Evan respirou fundo e ela teve uma grande satisfação ao vê-lo desapontado. Evan agitou a cabeça. estudando seu rosto de perto. Como seria fácil fazer-se presa de seus olhos escuros e penetrantes. observando-a com atenção por trás do copo. Não gosto de surpresas. piqueniques aos domingos e uma vida de conto de fadas? Esperava que tivessem mais filhos? Laney casou com Evan para que sua criança tivesse um nome legítimo e dois pais que a amassem.Evan colocou uma das mãos em suas costas e guiou-a para mais adiante na sala de visitas. a cabeça de Laney girou por um momento. — Beijando minha nova esposa. trazendo-a para perto. em pé. — Evan sorveu sua bebida. Afastou-se de seu braços. seu belo rosto e seu lindo corpo. Nós precisaremos de mais espaço. Como seria fácil esquecer quem ele era e como a usara e manipulara. Casou com Evan para que ele pudesse estancar os prejuízos dos Royal. Ele abriu os três botões do blazer dela. — Você me obrigou a casar por chantagem. servindo-se de uísque no bar. Você sabia como eu estava desesperada. Ele acariciou seus mamilos. Mas Laney não poderia esquecer. Evan pôs no balcão o copo e aproximou-se. E ela poderia dizer o mesmo. Família? Laney tremeu por dentro. Isto é um casamento. Laney se entregou ao beijo. — Eu já lhe expliquei por que fiz isso. — Luto pelo que quero. — O que você está fazendo? — sussurrou. Nunca se esqueça disso. Casou com ele para honrar o juramente feito a seu pai. não estava certa de que a união duraria mais que o primeiro ano. Evan fez círculos com as mãos ao redor dela. E eu aceitei. — Estou cansada e preciso de descanso. O contrato pré-nupcial tomou conta desta parte. com passeios no parque. lento e vagaroso beijo. isto não é uma parceria de negócios. — É muito pequena para uma família. Evan claramente casara apenas por causa do bebê. querida — disse ele. criando sutis choques elétricos que se dispersavam através de seu corpo.

— Deixe que eu me preocupo com minha lua-de-mel. Sua vida se transformara drasticamente nos últimos meses. também. mano. Laney não se sente bem. — Não. não quero a equipe dele. — Obrigada. Andava para trás e para a frente. A única coisa a que se apegava com alguma alegria no coração era ao bebê que carregava. teve de enfrentar o fato de que ela era uma mulher casada agora. — Brock. Está descansando no momento. ela fechou a porta. Entre em contato com Landon. Brock. E. Deveria viver com o marido. — Não chateou. EVAN DEITOU de lado o paletó e o colete do terno. com todo o conforto a que estava acostumada. mas a lembrança de Laney dormindo em sua cama que o levava a desabotoar a camisa e arregaçar as mangas. isso mesmo.. — Embora quisesse dormir na sua própria cama aquela noite. Ofereça a seu amigo o que for preciso. Brock hesitou. eu não queria chateá-lo. — A equipe de segurança de Landon é a melhor. Evan não aceitaria as coisas de outra maneira. — Ele se virou e quando saiu de seu campo de visão. Apenas se certifique de entrar em contato com Landon. — Descanse um pouco. não é mesmo? — Quando você me viu não ser sério em relação aos negócios? — Sim. que está fazendo no telefone comigo? Você não casou com uma linda loira hoje? Não é esta sua noite de núpcias? Ou a lua-de-mel já acabou? Não era o ar abafado do verão que o fazia suar. Laney o seguiu pelo corredor. mas você e eu sabemos como foi crescer sem nosso pai. mas sabia de antemão que não emplacaria o argumento. com um visual magnífico. observando tudo rapidamente. — Sim. 42 .— Coloquei suas coisas no quarto principal. ei. Diga-lhe de minhas preocupações com os Royal e peça-lhe para me ligar amanhã. — Onde você dormirá? Evan desencostou-se do umbral e riu como se estivesse realmente achando graça. As estrelas cintilavam acima. Quero andar com isso o mais rapidamente possível. arremessando-os numa espreguiçadeira da varanda. Precisamos de alguém para cavar fundo na infraestrutura dos Royal. sem ele. — É este. Desta vez Brock falara com franqueza. Lembre dos favores que já lhe fez. Ele parou para inclinar-se contra o umbral da porta de um quarto enorme. — Ainda não consegue olhar para sua cara? Não houve zombaria na pergunta de Brock e Evan sabia que não era um sarcasmo. Brock deu um assobio baixo e longo. Quero que Landon supervisione isso pessoalmente. — Estou certo de que este casamento não estava nos planos dela. Evan pegou seu copo e sorveu o uísque. a cidade abaixo ainda zunia com o tráfego do final de tarde. se for preciso. E na demanda. Tentou convencê-lo de que seria melhor para ela viver em sua própria casa. Isto é. legal. Não seria fácil adaptar-se. Cara. Laney. Ela passou por ele e entrou no quarto. Virou-se para ele. Não há a mínima possibilidade de que meu filho venha ao mundo sem que esteja a seu lado. falando com seu irmão Brock no viva-voz. depois tirou a gravata. — E nem a paternidade. — Você está levando isso a sério. — Entendi. por falar nisso.. Não estava nos meus.

Mas não esta noite. Laney parecia melhor do que ele imaginara. ligada a ele por deveres conjugais. ela se mexeu. querida. — Beijou sua nuca e. Nunca dormira com uma mulher sem dormir com ela. Terminou sua bebida pensando em Laney e em como deveria estar. Mas o irritou bastante. esparramada sobre os lençóis. Espero que as coisas dêem certo para você. começou massageando seus ombros. Não era alguém que se deixasse derrotar facilmente. — Você não para de me perguntar isso. — Vão dar — disse Evan. — Sim — ela respondeu. tudo estava sossegado. Laney era sua esposa. Ev. vestindo uma camisola azul de seda.. em seguida. ficando apenas de cueca. — Que diabo — disse ele. Evan retirou as mãos de seus ombros. metade fora das cobertas. ela não estava dormindo. Ele refreou seu crescente desejo. Pensei que você estaria dormindo. casado com. 43 . Evan foi até seu lado da cama e deitou-se cuidadosamente. seu cabelo loiro derramado sobre o travesseiro. — Difícil relaxar depois do dia que eu tive — disse ela. Quando entrou no quarto. depondo o copo. — Não quero dormir com você. Ele sorriu.. Depois que ele e Brock finalizaram seus planos. — Você quer dizer depois de casar com o inimigo? Evan continuou a esfregar-lhe os ombros. sua voz sumindo —. corpo querendo satisfação. — O que você está fazendo? — sussurrou.E pretendo estar com ele durante toda a sua vida. e Evan teve que deixá-la intocada em sua noite de núpcias. Evan observou o céu da noite quente de verão. Só quando ele ouviu seu ressonar. Ele manteve a voz baixa. permitindo-lhe o sono de que necessitava. Você está muito tensa. Quando se virou para encarar suas costas e respirar o persistente cheiro de gardênia que tinha em seus cabelos mais cedo. cuidando para não acordá-la. incentivado por seus pequenos gemidos. o inimigo. Por seu casamento e pelo bebê. Depois que desligou o telefone. resoluto. — E obrigado. sua voz mais branda agora. as palmas das mãos coçando para tocar mais nela. metade dentro. Precisava sentir-se confortável na cama e aceitar seu destino. A ironia não lhe escapou. entrou no apartamento e tirou a roupa. as pernas delgadas. Deixou a varanda. você quer. Laney vai ter que aceitar isso. — Apenas relaxe. seu corpo deliciosamente curvado na cama. — Sim. Então. seu irmão acrescentou mais uma coisa: — Parabéns. mas Laney precisava descansar esta noite.

— Também não é exatamente uma aventura para mim.CAPÍTULO SETE LANEY abriu os olhos. permitiu-se a clara lembrança de fazer amor com ele em Maui. o desejo vivo e penetrante perpassou sua expressão. a cueca de marinheiro que usava casava perfeitamente com suas nádegas. Mas não podia esquecer quem ele era. Por alguma razão. as mãos roçando aquelas costas aprumadas e fortes e descendo mais para baixo para resvalar em um rígido traseiro. na varanda. Tomado de músculos pelos vastos ombros. — Nunca me sentirei em casa aqui. Evan apoderou-se do lençol e puxou-o lentamente de suas mãos. puxando o lençol sobre si para cobrir a camisola. o lugar não era familiar. ele tirava o fôlego dela. — A idéia não foi minha. cabelo despenteado e com uma sombra de barba no rosto. Desarrumado. volto para casa. — Não posso aceitar isso. Lembrou-se de como já o sentira. querida. Estava na cama de Evan Tyler. — Você ainda não percebeu. Eles tinham calor e química. dormi muito bem. expondo-a. meu Deus. seus olhos encontrando com os dela.. ah. bebendo café. Evan se virou. coçando a cabeça. Uma onda de calor selvagem e indesejável subiu-lhe pelo corpo. Evan depôs a xícara de café e aproximou-se dela. temendo que seu desejo acendesse o dela própria. Através de sua mente embaçada de sono. — É preciso. sua pele brilhava contra o pano de fundo das paredes nuas. E agora tentavam fingir que tudo era normal. — Você dormiu bem? Laney virou a cabeça na direção de uma grande janela que ia do chão ao teto e dava vista para o Beverly Center. Laney tremeu. — Eu. No Tempest Hotel. Laney admirava sua forma física. Casara-se com ele. Livrou-se das cobertas e levantou-se. Então começou a massagear as têmporas. — Foi uma droga de noite de núpcias. então correu os dedos pelos cabelos. No que depender de mim. os acontecimentos das últimas 24 horas surgiam em flashes. Laney fez que sim com a cabeça. Laney saíra da cama. Evan ficou de costas para ela. Ela balançou a cabeça. Passara a noite de núpcias com um homem com quem jamais se teria casado. — É como será de agora em diante. — Isso é estranho. Evan se aproximou para tocar-lhe os ombros e trazê-la para mais perto. 44 . Laney. na verdade. observando o dia amanhecer.. Esperava que os tempos de enjôo houvessem acabado. corpo e alma. Você está em casa. Arfou rapidamente. Um homem que provavelmente nunca dormira ao lado de uma mulher sem terem relações sexuais enlouquecedoras ao longo da noite. Por um segundo. Um homem em quem não confiava. A avidez se acendeu em seus olhos. Ah. Ela não conseguiria negar sua atração por ele. É para o. — O café-da-manhã será lá fora. Seu rosto franco. As pílulas para náusea estavam funcionando. o comentário dele lhe ferira o orgulho. A enorme cama em que se encontrava quase a engolia.

a selvageria desesperada se fora. tomando-a em um beijo forte e esmagado. — Foi uma mentira. Laney apertou os olhos. beijou-a com ânsia e desabrida paixão. Então. MINUTOS DEPOIS. Depois. Não lhe deu tempo para pensar. Ela se sentiu derreter com seu beijo e sussurrou com prazer. Ele enfiou os dedos sob as alcinhas de sua camisola e desceu-as pelos braços. Casou com o inimigo. arremetendo lentamente. e movia-se imaginando o saxofone tocar e seguindo os movimentos fluidos de Evan. mas agora ela apenas saboreava as inebriantes sensações criadas por Evan. beijou seus lábios e passou as mãos por toda parte. Ele se curvou para beijar seus lábios e. Coração disparado e corpo trêmulo.Evan lhe cobriu a boca com a sua. sim. que Laney não foi forte o suficiente para evitar. sua paixão avassaladora arrastando-a e levando-a para longe. O ritmo agradável e lento criado por eles se comparava aos sons do jazz que escutaram no Good Sax. Ela arfou e rompeu o beijo. Mas não estou arrependido. o calor de seu corpo e a memória das noites selvagens na ilha. Seja ousada. Laney apartou as pernas e o recebeu. depois inspirou bruscamente. Evan se sentiu muito bem sob as mãos dela. — Menti. suave. seu corpo traindo seu coração. substituída por um ritmo que falava de muitos dias e noites por vir. — Sou ousada. Evan Tyler era tudo o que uma mulher poderia desejar em um homem. Laney afundava e se reerguia. 45 . Laney — disse ele. Ela se recusou a mostrar qualquer hesitação ou constrangimento. — Ah. —Ty. Havia uma diferença em sua maneira de fazer amor agora. Naquele exato momento. mas não conseguia. cabeça baixa. — Não esqueci. Casei com você. em seguida. Evan apanhou-lhe a cabeça com ambas as mãos e olhou em seus olhos. Passeou os olhos sobre o corpo dela. seduzida por sua boca perita. Segurou o tecido de sua camisola pela bainha e puxou-a com um rápido movimento. Quando a deitou sobre a cama. baixou mais ainda para colar reverentes beijos em seus seios. deixando-a completamente exposta. O material mal aderiu. tentando-a e incitando-a até que "aaahs" de prazer e retorcidos pedidos de mais lhe escaparam da garganta. atordoada por perceber até onde sua mente fora. Mas nunca vou confiar em você. Você é um mentiroso. Ela devolveu o beijo livremente. achou o marido absolutamente irresistível. ela foi de bom grado. permitindo-lhes a ambos absorver o efeito demolidor da conexão. — Sou seu marido agora. — Como isso é bom. ao pensar nisso. seus corpos ondulantes e totalmente em sintonia um com o outro. Sua mente racional lutava para manter o controle. A pouca força que ela reunira foi imediatamente esquecida quando lhe apartou os lábios e suas línguas se acasalaram. Mas se sentia da mesma forma. Seus repuxos aprofundavam-se. Fisicamente. Laney não respondeu. Moveu-se dentro dela. arrepiando as pontas de seus mamilos. Evan a levou à beira da satisfação. suas mãos destras e a boca perfeita explorando seu corpo com movimentos lentos e conscientes. Ele lhe abarcou a cabeça. Sua ereção de seda roçou-lhe a barriga. depois cutucou a ponta úmida de sua feminilidade. — Veremos quanto a isso. seu corpo se juntou mais ao dela. Confie em mim. Laney pôs as mãos sobre seu peito nu para afastá-lo. querida. — Nós tivemos algo lá na ilha — sussurrou. e ela o acompanhou. mas o sentimento de satisfação que experimentou com o latejar interior atordoou-a. Teria de lidar com a culpa. preenchendo-a.

em todos os aspectos. Ainda tinham o gosto dele. — Todo seu interesse se resume a concluir o negócio. Intenso prazer registrou-se em seu rosto. eu nunca disse que queria seu coração. encorajador. Ele a enganou e manipulou. a raiva tirando-a da cama. Rajadas proporcionadas espiralavam para baixo e um senso de realização se apoderou dela como uma serpente que estivesse enrolada sobre si e finalmente se desenrolasse. A culpa a devorava. O pulso de Laney acelerou. seu corpo fervendo de raiva. Evan. Laney respirou. seus olhos escuros e perigosos. — Desgraçado — falou entre dentes. Ele soltou uma dúzia de palavrões na direção do teto. rosto e chama por conta das acusações. depois a confrontou. Por um momento. querida — sussurrou ele. seu rosto queimando em fúria. e recorreu à chantagem para casar-se com ela. recriminou-se pela parte que desempenhara ali. — Permita-se. Evan a olhou bem nos olhos e falou calmamente: — Quero que o nosso bebê venha ao mundo com dois pais para amá-lo. erguendo-lhe o corpo. Evan. Evan poderia ter sido responsável pela morte do seu pai. Ela reconheceu o momento em que ele se deixou ir. pôs a camisola olhou para ele. você só queria os meus hotéis. E. Laney? Ela apontou o dedo. — Do que você está falando. infelizmente. Isso significa dormir com seu marido. Não sou nada mais para você além de um negociação! Você não tem alma. ruidosamente. Acalme-se. Mas quando Evan saiu de cima dela e esparramou-se a seu lado. trazendo-a com ele de novo.preenchendo-a. — Laney. Comprimiu os lábios. colocando a mão gentil sobre seu ventre. seus olhos se encheram de lágrimas. renunciando ao seu poder e à sua força por aqueles breves momentos apenas. Nunca. Você pode conquistar meu corpo. Não negue. Fazer o trabalho. Mas nunca meu coração. o comentário dele atingindo-a com mais força do que teria podido imaginar. — Você é minha mulher agora. Evan se levantou da cama.. mas seu estômago parecia em queda livre. Permaneceu nu e toda a sua glória. é o que represento agora. Você e eu. uma bruta necessidade que suscitou um gemido de satisfação. — Você. você está apenas interessado na conta do balanço financeiro. — Claro que queria consumar o casamento. Os ingressos de Evan aprofundavam-se. olhos quentes. Evan Tyler. Trêmula. — Não. Confusa e bombardeada pelos hormônios. — Estou falando sobre sua armadilha! Tudo o que você queria era consumar o casamento. Sou uma conta para você. onde o bebê deles crescia. Agora. Evan rolou de lado até ela. Laney saboreou o fato de ter-lhe proporcionado tanto prazer. permitindolhe curtas aspirações de ar. droga. Ela prendeu as pernas em torno de sua cintura e observou a pura força e potência em seu rosto quando se endireitou para permitir-lhe um completo e potente clímax. Evan! Porque agora eu sei. Nós fizemos amor há dois minutos. Laney fumegava. Com o corpo saciado. acreditaria nisso. — E não tenho a menor idéia do que você está falando. agitando a cabeça. Pôs os braços ao redor dela. Mais uma maneira de assegurar seu lugar na vida de meu filho. Laney não conseguiria segurar mais. reabastecendo sua resolução. — Apontou para os lençóis desarrumados.. — Laney. Ele balançou a cabeça. Levantou-se rapidamente. — Em se tratando de qualquer outro homem. 46 . Mas não com você. Jamais acreditarei em você. repousando sobre as costas para mirar o teto. Os olhos de Laney se arregalaram ao dar-se conta daquilo. Quando vai entender isso? Estamos casados.

Vou vestir-me e ir para o escritório. — Sentem-se ambos. respirando profundamente. E sua única família de verdade. — Fechou os olhos por alguns instantes. Tentou ignorar a dúzia de fragrantes gardênias flutuando em vaso com água no centro da mesa. e acalmou-se. Mas fizera o que precisava fazer pelo bem da criança e o legado do pai. onde uma mesa fora arrumada para dois e um generoso caféda-manhã a aguardava. ovos. Na verdade. Laney não queria que problema algum afetasse esta criança. Não poderia culpá-lo por se sentir traído. Laney cruzou os braços sobre a barriga e ficou olhando pela janela até ouvir Evan tomar banho. presunto e bacon.relaxe. vestir-se e sair. — Você se casou com ele.. Preston vinha sendo seu porto seguro ultimamente. fique — disse Laney. estando em constante conflito com o pai do bebê. — Hesitava à porta. — Abanou a cabeça e perguntou. — Atravessou o espaço entre eles rapidamente e apoiou as mãos sobre a mesa. Laney fez um gesto para que a secretária entrasse. — Tinha minhas razões. — Por quê? O remorso tomou conta dela. Ally. — Vou deixar a bandeja aqui e permitir que volte a. — Fiz-lhe chá de ervas. Nada era mais importante para ela do que ter uma gravidez saudável. após uma rápida batida na porta. Sentou-se. Tirou os olhos da mesa quando Preston entrou com certa sisudez em seu belo rosto. — Não. apoiá-la e mantê-la sã quando o pai morreu. Laney não se desculpou nem deu explicações. Tome o café-da-manhã. — Você esqueceu que ele foi a última pessoa a ver seu pai vivo? Quem sabe o que disse para levar Nolan ao ataque cardíaco? Ally entrou carregando uma bandeja. Fora um presente dos deuses. — Obrigada. vestiu-se e dirigiu-se ao escritório dos Royal. O bebê precisava de alimentação e ela de renovar as energias. Laney não queria pensar nas dolorosas acusações de Preston a Evan Tyler. e ambos se sentaram em cadeiras viradas para sua mesa. Depois. — Elena. por favor. A secretária e assessora pessoal do pai também cuidara dela desde que ele falecera. — Vá. curiosos e cautelosos. um gesto de proteção ao inocente bebê que seria o centro de sua vida em breve. — Desculpe-me — disse. Preston. Às 10H. Obra de Evan. — E o chef Merino lhe mandou seus bolinhos de nozes prediletos. inclinou-se para ela. Confiara nele para guia-la. Logo a luz do verão derramou-se na varanda sombria e Laney terminou a refeição rapidamente. Tinha um império hoteleiro para administrar. optando por melões e frutas menores. Em pouco mais de um mês suas razões seriam claras. 47 . Parecia que seu casamento fora o destaque do jornal da noite e as fofocas sobre os hotéis Royal esfriaram. olhou para Preston. Não merecia sua gratidão. não posso acreditar. Agradecida pela interrupção. Ally colocou a bandeja com chá e bolinhos sobre uma mesa lateral. dando enorme força a Laney durante os tempos difíceis. mas ela não poderia dar-lhe crédito pelo gesto gentil. tomou banho. ainda que. Quero falar com vocês. tinha as mesmas dúvidas sobre o homem com quem casara.. — Ótimo. Foi até a varanda. que não parecia satisfeito. Descansou a mão sobre o abdome. absolutamente incrédulo. seus olhos azuis cheios de acusação. É exatamente o que preciso agora. todo o pessoal do escritório entrou para dar os parabéns. fosse mais fácil dizer do que fazer isso. sem dúvida.

olhando para ele. Apanhou um bolinho e deu uma mordida. O som da voz autoritária de Evan sobressaltou-a. que mostravam-se atordoados. — O q.. — Terminamos esta conversa mais tarde. o que mais podemos pensar? Que outro motivo teria para casar-se com Evan Tyler? Preciso lembrar-lhe de que ele está de olho nesta empresa há muito tempo? — Vou ajudar minha esposa a reerguer a empresa. minha mesa será entregue hoje. — Queria dar uma palavrinha com meu marido. procurando as palavras certas. por favor. seus belos olhos azuis acessos em brasa. Preston contraiu os lábios. Ally sorriu. não é. — Parabéns. Evan já vira homens ciumentos. Nolan Royal fora de um poder 48 .. Evan. pôs os olhos nos dois funcionários. tentando acalmar a ira que começava a despontar. Ally. Preston deu também seus parabéns. Laney estava de pé. — Claro — disse Ally. Evan admirou seu comedimento. Evan sorriu para Laney e. Ainda se ressentia da tática utilizada por ele pela manhã. você não acha. — É. Preston se levantou: — Elena. antes de sair da sala. Por favor. Possuía mais características do pai do que ela mesma sabia.. ao lado dela. — Nunca banque o patrão comigo de novo quando eu estiver com meus empregados. Ele entrou na sala e veio para trás da mesa. certo. Evan amava a sagacidade de Laney. Ele era um excelente manipulador e agia como ninguém entre quatro paredes. providencie para que seja colocada ao lado direito da de minha esposa. Claramente Preston Malloy não gostara nem um pouco da presença de Evan no Royal. — Elena.— Sei que os dois devem estar confusos e completamente perdidos com. ah. — Divido meu tempo entre o Tempest e os hotéis Royal agora.. querida? Preston se encolheu. com meu casamento — começou. surpreendendo todos na sala. também. Laney se levantou e fitou-o nos olhos. fechando os olhos. Precisava ter mais cuidado com o marido. mas Malloy parecia igualmente frustrado e na defensiva. apertando a mão de Evan. — Mas posso assegurar-lhes: não cheguei ao fundo do poço. o que está acontecendo aqui? — O que está acontecendo aqui — respondeu Evan. querida? Laney relanceou os olhos sobre os documentos em sua mesa. Não esperava ver Evan até a noite. Ganharia sua confiança à medida que a empresa começasse a lucrar novamente. — Precisamos pôr os Royal para funcionar sem problemas antes de termos nossa lua-de-mel. — Olhou para Preston e Ally... é que Laney e eu trabalharemos em equipe a partir de agora. em seguida. que você está fazendo aqui? — perguntou Laney. — Você quer dizer enfiando goela abaixo suas exigências. — Estava apenas mostrando minhas idéias. depois olhou para Evan. Sozinha. Evan percebeu que teria de lidar com empregados desconfiados pelas próximas semanas. Odiava que houvesse se casado com Laney. apoiando as mãos sobre a mesa e inclinando-se para falar ao homem de confiança de sua esposa —. Tinha raciocínio rápido e afiado. Laney olhou para ele e sussurrou: — Você está de mudança para minha sala? — Será melhor. Mas chegara à conclusão que tinha tanta culpa quanto ele. — Colocou a mão sobre o ombro de Laney e olhou em seus olhos.

nunca disse que queria seu coração". 49 . Os dentes dele roçaram suavemente sobre os lábios dela. mais a imaginação dele voava. Desejava-o fisicamente. mas ela lançara um desafio. dentro ou fora do quarto. Quero que as pessoas saibam com quem estão lidando. Tinham responsabilidades com relação ao bebê e a eles próprios. E parecia tão sedutora no seu terninho listrado que abraçava todas as suas curvas. sua esposa. De modo algum Laney Tyler. — Você não tem o direito legal de estar aqui. formando um "v" mais abaixo. Queria Laney. lembrava-lhe de onde seus lábios haviam começado a agir pela manhã. Ela era sua esposa e ele levara o casamento a sério. "Laney. E ele mentira. Evan Tyler era um homem do tipo tudo ou nada. De agora em diante. Não após o sexo alucinante que fizeram pela manhã. Quanto mais ela tentava não parecer sexy. À blusa branca feita sob medida. abrindo-os de forma que pudesse enfiar a língua para dentro da boca. e aceitaria seu desafio e faria o melhor para fazê-la mudar de idéia. nada passa por você sem vir a mim primeiro. Sua rápida ingestão de ar excitou-o ainda mais. Ela apertou os olhos.considerável até que a idade o abatera e o desgosto pela morte da esposa amolecera seu coração. sua voz interior a lembrava da frase de Evan. Ela deixou escapar um pequeno ruído de prazer. Estou ciente de todos os motivos por que se casou comigo. sabia? Evan jogou sua cabeça para trás e riu. Então curvou a cabeça para dar-lhe um longo beijo preguiçoso. — Já está jogando o acordo pré-nupcial na minha cara? Eu pensei que deveriam passar-se mais de 24 horas para isso. toda ela. Não podia esconder o fato. iria repeli-lo. — Também.

podia dizer honestamente que trabalhavam bem em equipe. — Um homem com problema no coração foi levado ao hospital queixando-se de dor no peito por ter pensado que o hotel estava em chamas. encharcados. Olhou para fora da janela durante um tempo e. em seguida.CAPÍTULO OITO — PENSEI que esses ataques aos hotéis parariam a partir do momento em que me casasse com você — disse Laney. Laney entortou os lábioís. tentando entender tudo aquilo. — Não só estou como tenho certeza disso. administravam muito bem em dupla. Embora cumpra sua missão todas as vezes. Trabalharam juntos. lado a lado. toda a semana anterior e. o que você acha? Quais dos meus concorrentes ganhariam mais com os problemas em nossos hotéis? Evan abanou cabeça. — É simplesmente horrível. folheando os relatórios sobre sua mesa. — Laney mordeu o lábio. — Você só pode estar brincando. por ora. depois que superou o ressentimento por tê-lo no leme ao lado dela. Mantinha a sensação de que em breve puxaria o tapete debaixo dos pés dela. estreitando os lábios. — Haverá ações legais — disse ele em tom de frustração. Todos tiveram de agarrar seus pertences e sair. Lealdade à empresa era o mais importante para ele. Ele tem um sexto sentido para estas coisas. apertando os olhos. Tudo ficou inundado. Tinha um jeito de saber em quem podia confiar. seus dentes repuxando-o com preocupação. seu marido tomara as rédeas do Royal e ela já vira diferença na forma como os hotéis estavam funcionando. querida. Meu pai se orgulhava de sua equipe. a cabeça girando. — Confie em mim. Este último atentado ao The Royal San Francisco só serve para mostrar que eles são descarados. — Então. Evan relanceou os olhos para ela da mesa ao lado. uma semana mais tarde. — The Royal San Francisco tem uma reputação impecável. Mas. — E se eu lhe dissesse que os Royal estão sendo sabotados de dentro? E se dissesse que alguém está fazendo isso aqui mesmo? Laney se levantou. — Eu trabalho rápido. — O gerente em São Francisco disse que o sistema de alarme contra incêndio entrou em curto-circuito — disse Laney. Três andares foram envolvidos. — Laney — disse Evan. Ele deu alguns passos para ficar cara a cara com ela. No 50 . — Code? — Laney sacudiu a cabeça. Contratei o melhor profissional do mercado para fazer a investigação. Parece que saiu direito de uma revistinha de agente secreto. Hóspedes despertaram em seus quartos às 3h quando os pulverizadores entraram em funcionamento. Os hóspedes. — As queixas neste caso foram as piores que tivemos. Vou descobrir. — Ninguém é como Code Landon. Ainda não confiava nele. — Então. Evan. — E eu lhe disse: temos nosso próprio investigador. Codly Nash Landon não é personagem de quadrinho. coração acelerado. estão determinados e não têm medo de minhas habilidades. — Você não pode estar falando sério. Isso é negócio. mas não tão rápido. — Você está sendo ingênua. encarou-a com uma expressão sóbria. Alguém ganha se os Royal perdem. acrescentou: — Nós temos isso em comum. Tinha que admitir. Evan sorriu. Esse é o maior erro deles. — Não acredito em você.

Sou paciente. mas depois daquela primeira manhã da vida amorosa. Ela não via aquele olhar muitas vezes. saindo do chuveiro nu. Sua outra mão apalpando-lhe as nádegas enquanto sua língua afagava-lhe a boca até que ficasse úmida e pronta para derreter-se nele. vou cuidar de tudo. — Você tem problemas maiores. exceto pela toalha enrolada na cintura. o brilho sério nos olhos suavizou-se ao perceber-lhe a genuína preocupação. Ele a tentara todas as noites no apartamento. Via-o barbear-se e vestir-se. sua resistência vencida. Está comendo bem. chegando por trás dela para tirar o grampo de prata que prendia seu cabelo. o doce tom de voz. gotas de água escorrendo de seu espesso cabelo escuro para os ombros perfeitamente esculpidos e o peito amplo. querendo-o com o mesmo sentido de urgência. exceto por receios de ser pega por alguém que entrasse. É impossível acreditar que uma pessoa seja responsável por todos esses problemas. — Não podemos. — Você sabe o que eu quero — sussurrou Evan em seu ouvido. respiração dificultada. — Ela pensou em todos os argumentos contra aquilo. Laney quase conseguia acreditar que realmente se importava com ela. sentiu-o pulsar com necessidade. descansando. Evan. Cada ocorrência até agora se deu em um local diferente. o problema é meu. — Ela soltou um desmaiado protesto. Você está saudável. — Sobre a mesa? — perguntou Evan. — Já estamos fazendo — disse ele resolutamente. tudo é feito para parecer acidental. — Mas estamos no escritório. Dormiram juntos durante toda a semana. — E nós estamos no comando. — Não se preocupe — disse ele —. Agora que se sentia mais ela mesma. Vira seus rápidos olhares para ela do outro lado da sala esta semana. aguardando o momento certo para atacar. Evan não fizera mais que beijá-la antes de dormir à noite. — Ele a afagava. Suas mãos subiram pelo cabelo. quase sem conseguir suportar seu toque excitante. — No chão? No 51 . seus dedos provocando requintados formigamentos no corpo de Laney. lembraram-lhe muito do homem com quem estivera no Wind Breeze. — Quero você agora. mas quando o fazia. Laney fitou em seu olhos e questionou-o num sussurro: — Problemas maiores? — Seus lábios tocaram os dela novamente e seus braços a envolveram.entanto. Evan tocou sua bochecha. Evan era como uma pantera perseguindo sua presa. seus dedos acariciando sua coxa. Todas as manhãs encontrava-se sozinha na cama dele. os dedos abrindo caminho. Através de sua calça. A mão em seu rosto. Evan raramente lhe permitia ver este lado dele. deixava-a nervosa. — Você também quer. a forma como reagia quando lhe tocava acidentalmente e como inspirava seu perfume quando ela entrava na sala. — Ah — gemeu ela. Laney tremeu e fechou os olhos. Mas minha paciência tem limites. Retirou o olhar de seu cabelo para mirá-la profundamente nos olhos. O problema é que Laney estava igualmente pronta para atacar. Laney. e fazer tudo que um marido tem o direito de fazer na frente da esposa. pensando por que não sentia mais que um pouco de alívio por seu marido não havê-la tocado. espremendo-lhe o corpo. mas sempre que o fazia. — Em última análise. achava a tentação que propunha difícil de evitar. Beijou-a e ela respondeu com um pequeno gemido. Ela largou um suspiro perturbado e balançou a cabeça. Quando os lábios finalmente se descolaram. correndo agilmente. — Querida — disse ele. incitando-a na junção de suas pernas. Correu a mão sob a saia. Ele a acariciou. Mergulhou a mão por baixo da calcinha e pressionou os dedos sobre o montículo de carne macia. espalhando as trancas.

— Pensou bem. Não podia negar a ambos o prazer por que ansiaram toda esta semana. querida. seus olhos negros reluzindo. — Pssss. seu casamento com Evan fora o maior erro de sua vida. Evan a fitou por dois segundos antes de entender. — Ultimamente. ela sussurrou desesperadamente: — Tranque a porta. Haviam batizado sua mesa com uma pressa louca para encontrar completude e. Mas não posso passá-lo com você. parece que esse é seu apelido para mim. o cabelo perfeito. Ele a ignorou e apertou sua mão. seguindo sua própria natureza. — Eu tirei. Laney não o queria com ela hoje. "Você esquece que ele foi a última pessoa a ver seu pai vivo? Quem sabe o que ele disse para provocar o ataque cardíaco de Nolan?". Em recusar-se a dar-lhe este prazer. Não se sentia bem daquele jeito havia muito tempo. o paletó e a gravata alinhados.sofá? Diga-me. Mas não poderia fazê-lo. Com a respiração entrecortada. para certificar-se de que ninguém ouvira. — Seu sorriso foi simples e rápido. — Sabichona. Laney hesitou. Tire o resto do dia de folga. quando Evan a agarrou pela mão. Em dizer não para ele. — Tranquei-a dez minutos atrás. Era muito difícil resistir ao marido. Evan não decepcionou. Ela engoliu em seco. Levo você. — Sim. — Pensei que já tivesse me mostrado. — Para quê? — indagou. — Vamos lá. E não quero me atrasar. Ter relações sexuais com ele nunca fora o problema. para as outras salas. Tenho tempo só de ir para casa. — OLHAREI PARA aquela mesa com carinho de agora em diante — disse Evan.. — disse ela. — Não se atrasará. Como poderia planejar o futuro com um homem em que não confiava? Desceram juntos de elevador e ao chegarem à garagem subterrânea. — Ela abriu os botões da blusa rapidamente e ele a ajudou com o seu cinto. E culpa. Era uma atitude clássica de Evan. Laney sentia um 52 . Eram os demais aspectos de suas vidas que lhe traziam grande preocupação. enquanto Laney tinha certeza de que estava parecendo um objeto arrastado por um gato.. Sempre que ele a tocava. mirando a mesa. Ela deu uma olhadela para o relógio. No fundo. usurpando a felicidade de curta duração que encontrara com o marido. As perseguidoras palavras que Preston dissera dias antes surgiram em sua mente. relanceando os olhos ao redor. ela pensou em vingança. — Você tem uma consulta com o médico. Laney seguia para seu próprio carro. Não podia evitar o calafrio que perpassava seu corpo cada vez que achava ter traído o pai ao casar-se com Evan. Parecia tão arrumado depois do selvagem encontro sobre a mesa. nunca soubesse a verdade. suas mãos trabalhando arduamente para despirem-se um ao outro. — Para onde? — Quero mostrar-lhe uma coisa. Talvez. Tinha dúvidas que continuavam a confundi-la. Talvez. tomar um banho e trocar de roupa. Essas mesmas perguntas a flagelavam todos os dias. — Venha comigo — disse. Laney estava muito envolvida para incomodar-se com o fato de que ele planejara aquilo.

Estou fazendo o que posso para alimentar-me direito e descansar. — Quero ter este bebê. concordaram em postergar a paternidade por vários anos. Às vezes. Virou-se e começou andar para seu carro. — Evan a envolveu com os braços e trouxe-a para mais perto. Ela se virou. — Ele se afastou o suficiente para abrir um espaço entre eles. Evan curvou o corpo ao redor do dela e pôs a palma da mão em sua barriga. Ele deu três longos passos e apanhou-lhe o braço. deitados na cama. realmente gostava do marido. ver aquela vida nova dentro dela pela ultrassonografia fez que aflorassem todos os seus instintos maternos. também. Esperara o tom autoritário e firme. Fizera perguntas ao médico e permanecera ao lado de Laney o tempo todo. LANEY ESTIVERA trabalhando por três horas na manhã seguinte quando Evan entrou na sala. — Com 150 batimentos por minuto. é saudável. — Havia um tom de alívio em sua voz. mas continuou com a mão em sua barriga.. Deu de ombros: — Talvez você deva mesmo conhecer o médico. os ângulos agudos de seu maxilar suavizando-se ao liberar-lhe o braço. Nunca esperaria ver esta expressão desarmada em seu rosto ou ouvir um pedido pacato vindo de sua boca. Em vez de disposta a expulsá-lo da sala aos chutes. E depois do dia que compartilharam ontem. Durma um pouco. Evan. Ele afastou o cabelo dela de lado para beijar-lhe a nuca. Aparentemente sabia que não poderia forçar mais. — Gostaria de ir com você. ouvindo-lhe os batimentos cardíacos. Laney pensou que isto seria o mais próximo que jamais chegaria de pedir-lhe permissão. Evan. — Ou filha — acrescentou ela. E se tentasse com muito empenho. Vinha dividindo seu tempo entre Tempest e Royal ultimamente.. Ele se sentira totalmente abismado hoje. após fazer amor. Mesmo quando era noiva de Justin. 53 . Planejara isto para um futuro distante. Laney franziu a testa. — Foi emocionante ouvir os batimentos cardíacos. tudo parecia perfeito. Laney.momento de pânico antes de o desejo tomar conta. O hálito de Evan aquecia-lhe a garganta. o frio remorso se estabeleceu. e Laney ouviu seu sorriso às costas —. É meu bebê também. — Ou filha — repetiu. E agora. condenando sua falta de autocontrole. Nunca pensou que se tornaria mãe tão rápido. — Nosso filho. Esperara por uma exigência. Mas agora. O bebê crescia dentro dela. — Não tente intimidar-me. sua mão lhe irradiava calor sobre o estômago. — Ei — disse ele. talvez até conseguisse convencer-se de que não estava apaixonando-se por ele. — Evan? — Tudo bem. diria que o bebê vai bem aí dentro. exceto pelas náuseas do primeiro trimestre... — Não precisa — disparou por sobre os ombros. a força de suas pernas encobria as dela e sua ereção a cutucava por trás. Lágrimas minaram dos olhos dela. — Uhm. seria de esperar que ela estivesse feliz em vê-lo. O médico confirmou isso e. vendo a imagem borrada do filho. não foi? — Laney repousava a cabeça no ombro de Evan e suspirou. MAIS TARDE naquela noite.

sabe que Ally tem algumas questões em seu passado que não a habilitam a tornar-se exatamente uma santa. Foi criada por uma mãe solteira e elas mal se falavam. pernas cruzadas. o rosto queimando de raiva. que Laney percebera quando ele entrara na sala. sem tirar os olhos dela. invadindo a vida pessoal de Ally. Meu pai lhe deu uma chance 14 anos atrás. — Pode apostar que é o ponto. mas tudo bem. depois o encarou novamente. Não acredito que Ally tenha qualquer coisa a ver com isso. Ally se esforçou para chegar à faculdade e eu sei que tirava boas notas. secretária pessoal de meu pai. um pouco mais sério que isso. Irritara-se com Evan. mas não sabotaria a empresa. — Ela foi pega roubando uma vez. — O quê? Um pacote de chicletes do supermercado? — Não. — Que pergunta idiota. Sentia-se como uma asquerosa intrusa. Evan passou por ela para abrir sua mala. Nunca se arrependeu. O brilho caloroso de seus olhos. Sacou uma pasta de arquivo e ergueua. Talvez tivesse feito algumas coisas em sua juventude de que se envergonhava. quando encontrara o arquivo. — Duvido muito. Laney não ouvira falar do incidente do roubo.— Você foi longe demais dessa vez! — Laney se levantou da cadeira e rodeou sua mesa. — Esse não é o ponto. desapareceu. — Ally teve um infância difícil. Muito justo. Toda a fraternidade menos umas poucas garotas certinhas foram parar na cadeia. deixo a suspeita de lado. Pelo amor de Deus. Evan se curvou sobre a mesa. — Não. Evan parou. Quer ou não quer salvar os hotéis Royal? Laney cruzou os braços sobre a barriga. — Se você viu isso. como quando acreditara nele na ilha. Estava sozinha. Seus lábios se apertaram. Lançou-lhe um olhar frio e duro. Ela pode ter-se aproveitado disso. foi pega em uma boutique de luxo enchendo a bolsa de roupas. A mulher que está no Royal há catorze anos! A mulher que me levava pela mão para almoçar na cantina quando meu pai estava muito ocupado. Do que você está falando? Laney passou por ele para fechar a porta. mais do que com qualquer outra coisa. ao que parecia. Os pais pagaram as fianças e elas foram liberadas. Ela se tornou indispensável. Talvez fosse só seu marido que abusasse da confiança alheia. — Estou falando de investigar Ally! Ally. Agora. A mulher que me deixou chorar em seu ombro quando minha mãe morreu e ficou comigo durante dias a consolarme. Não tente livrar-se lançando acusações sobre mim. Laney estreitou os olhos. A mulher que tem sido como uma irmã para mim aqui no Royal durante estes últimos meses. por atentado ao pudor. Dessa vez não era uma travessura de universitários. — Ele abanou a cabeça para admoestá-la por ter esses sentimentos. — Ela foi presa na época da faculdade. Ela protegia os Royal como um cão de guarda. seu tom era o de um furioso sussurro. — Laney. vou morder a isca. Evan. — E você andou xeretando esta manhã. se você puder explicar os grandes depósitos feitos nas contas bancárias dela nos últimos seis meses. — Não li tudo. — Como você descobriu? — Você deixou sua pasta em sua mesa ontem. Ela me contou tudo. — Não conseguiu. — Certo. Ele confiava nela. mas ainda tinha fé em Ally. certo? Ainda não confia em mim? — Um tique moveu a mandíbula de Evan. Evan. Você não confia em mim. 54 . — Ela estava em férias de verão. — É exatamente meu ponto.

Ele se encaminhou para a porta. — Gostaria que você se organizasse de modo que tivesse alguns dias de folga no fim de semana. Ela sabe de coisas que eu aposto que até os diretores presidentes daqui não sabem. Evan a trespassou com um olhar amargo. Cada vez que ela pensava que eles estavam a fazer progressos em seu casamento. Laney o fitou. — Por que faria isso? — perguntou Laney. — Deve haver uma explicação para isso. não é? Você prefere confiar em uma empregada que esconde segredos a em seu próprio marido. se você quiser salvar esta empresa. Evan se afastou da mesa e apanhou sua maleta. — Engraçado. Eu sei qual é seu salário. tem de estar disposta a crer em algumas coisas que você não quer. Ally fez três grandes depósitos na conta bancária dela recentemente. — Mas Ally? — Laney mordeu o lábio e suspirou. mas não o suficiente para fazer essas depósitos com recursos próprios. O coração de Laney batia com pavor. Evan fazia algo que lhe dava motivos para duvidar dele. — Ela esteve próxima de seu pai durante anos. — Eu ainda não acredito. Não acredito em coincidências. Os problemas no hotel começaram aproximadamente na mesma época do primeiro depósito. 55 . Não poderia ser.— O quê? — Você me ouviu. — Está na hora de você conhecer minha mãe. Bastante decente. Ele estava certo. — Querida. Ela fechou os olhos. Laney. chocada com a mudança de assunto.

só o necessário. sra. E quando finalmente concordei em casar com ele. cheias em lugares que só ele conhecia. Ela não falara muito com ele desde seu encontro no escritório. — Bem. Evan piscou em seu espanto. Então sua mãe transferiu a atenção de Laney para ele. no sofá de sua casa. Tyler. — Querida. mas Evan planejava modificar isso o mais rapidamente possível. que ele arranjou tudo rapidamente. sentada perto de Laney. parecia suave e totalmente feminina. Tudo aconteceu tão rápido — disse Laney. Evan riu. — Estou fazendo frente a minha querida amiga Larissa com filhos casados e com crianças e bebês a caminho. o ar-condicionado zumbindo ao fundo. Agora. cobrindo bem sua expressão de atordoamento. — Acho que acabei demorando muito para concordar com o Evan. mas concordara com esta visita quando dissera ser o sexagésimo aniversário de sua mãe e que a queria com ele. — Ah. sentada com sua mãe no sofá com motivos de rosas.CAPÍTULO NOVE — ESTE é o melhor presente de aniversário que podia ter imaginado — disse sua mãe. irritada e distante. — Já me desculpei por isso. Laney baixou a cabeça ligeiramente. Não nos conhecíamos muito bem. em um condomínio para aposentados. — Desculpe-me. teria dito que estava ficando louco. antes que.. Meses atrás. Sua mãe não sabia que Laney não queria fazer parte da vida dele ou de sua família. Ele teve certeza de que sua esposa saboreava qualquer dor que pudesse infligir-lhe. antes que você pudesse mudar de idéia? — perguntou ela. então. Evan concluiu que levá-la nesta viagem só poderia ajudar a sua causa. parecendo um pouco embaraçada. vocês se conheciam muito bem para conceber meu neto. relanceando um olhar para ele com aqueles bonitos olhos azuis —. sim. acho — disse ela. Sua cor voltara e a combinação de calor da Flórida com gravidez dava um saudável brilho a seu corpo. Laney piscou. — Sabia tudo o que queria saber sobre Laney — disse ele. Rebecca cobriu a mão de Laney com a própria mão e deu as boas-vindas. E não deixaria algo menor como a desconfiança 56 . — Nós nos conhecemos em Maui. Evan. Não queria que sua mãe sofresse pensado ter sido deliberadamente deixada de fora da cerimônia de casamento. se alguém lhe dissesse que se casaria com um filho a caminho e planos de tentar "acertar-se" no casamento. Suas emoções relativas a ele eram um pingue-pongue: um dia excitada e ansiosa. Evan obtivera permissão de um médico de Laney antes de viajar a Saint Petersburg em um avião fretado para o sexagésimo aniversário da mãe. Sua mãe tinha uma forma de falar as coisas que deixava a família de queixo caído às vezes. — Uma nova nora e um neto ao mesmo tempo. Havia muita tensão no escritório para que pudessem acertar-se no casamento. seu objetivo era claro. Apesar de irritá-lo diariamente com suas dúvidas e falta de fé nele. Mas você ainda está no congelador por ter-se casado sem me dizer. mãe. fazia-o faminto por ela todas as noites.. mais pela sua mãe do que por ele. Evan não poderia negar sua intensa atração por ela. mãe. Mas Laney tinha um bom coração. Mas agora. no dia seguinte. Aqueles olhos azuis o destruíam e suas formas femininas. recolhendo imediatamente um lampejo de ira de sua esposa.

Vocês terão mais privacidade lá. Em seguida. serei vovó Rebecca. Onde planejava seduzir sua bela mulher. LANEY SE inclinou contra a porta fechada. — E vocês se deram bem — concluiu a mãe dele com um aceno de cabeça. sim. Evan fitava o chão. Na verdade. compreensiva. Tyler. Era evidente que sua mulher lutava entre dizer a verdade absoluta e tentar pintar sua união como um mar de rosas para a sogra. No tempo certo. desejandolhe boa-noite também. você deve estar cansada depois do vôo — disse a mãe dele. Não conseguiria mirar os olhos de Laney. sua mãe deu um tapinha suave na mão de Laney. eu o amava até a loucura. mas ela só fez que sim com a cabeça. Não queria ver o olhar de piedade em seu rosto quando conhecesse a verdade. — Evan. — Eu estava de férias lá e. — Por favor. Teria uma merecida felicidade em sua vida. — Ainda que pareça bastante saudável. Tornar-se uma avó. Evan já lhe contou? Laney relanceou os olhos para ele. — Obrigado. não contou. Vovó Rebecca — disse Laney. Laney riu. Rebeca teria um neto. relutante em ceder o filho a uma mulher não tão apaixonada pelo seu filho mais velho. Os olhos de Laney lampejaram de curiosidade. — Você parece estar surpresa com isso. Finalmente. Não agora. ahn. E sua mãe se levantou também. para seu alívio. Rebecca Tyler estava agora em seu elemento e emocionada por recepcionar Laney em sua casa. A alegria e o prazer desbragado estavam registrados no rosto de sua mãe desde o momento em que chegaram. Nós não conseguíamos mantermo-nos afastados um do outro. — Tudo bem. Deixarei que o próprio Evan lhe conte. Amanhã é seu grande dia. Morreu muito de repente. Quando conheci o pai de Evan. sra. foi amor à primeira vista. Laney fechou os olhos por alguns instantes. chame-me de Rebecca. Evan foi até onde estava a mãe. Mas 57 . Evan não antecipara este lance de sua vida. Evan conseguira recuperar o tempo perdido. — Sim — disse Laney a sua mãe.de sua esposa com relação a ele atravancar seu caminho. — Ah.. — Não. Tivemos um bom casamento durante o curto tempo que durou. estava. mantendo esta parte de sua vida guardada consigo. Descanse um pouco também. — Obrigada. mas pelo menos a mãe se beneficiaria do casamento e do bebê a caminho.. por que não leva Laney para o seu quarto. Poderia ser uma bela de uma megera. — Gostei. Mas lembrou do belo som do seu riso quando estavam na ilha. Em breve. Casamos depressa e nunca nos preocupamos com isso. som estranho para os ouvidos de Evan ultimamente. testando-o em voz alta. sobrancelhas arqueadas. Não sabia o que esperar da mãe de Evan. Então lhe colocou a mão nas costas e escoltou Laney para o quarto. Fiquem com o quarto de hóspedes na saída do corredor. — Ela é uma mulher encantadora. é algo para comemorar-se! Evan beijou sua mãe no rosto e sentiu prazer ao ver Laney abraçá-la. — Tenho certeza que contará. Laney se levantou. — Eu entendo. fazer 60 anos não é grande coisa. — Bem. Ah. mãe. quando não tinha tanta prevenção com relação a ele. Evan se virou.

Abanou a cabeça. Caminhava ao redor do quarto. Laney insistiu com mais firmeza. Ele chegou mais para perto. E está muito longe para ouvir seus gemidos. não exatamente empurrando-o. Conte-me. Ela colocou uma das mãos em seu peito. Laney o mantivera afastado durante toda a semana. seu rosto empalidecendo enquanto mantinha o olhar fixo no dela. sua pele cintilava à penumbra do luar. — Você disse que queria a minha confiança. Um pouco. — Evan — suspirou. — Talvez não. Evan tinha um corpo rígido. depois recuou. — Estou. Ele apoiou ambas as mãos em cada um dos lados dela. Evan deu de ombros. mantendo a mão firme. querida. — Passa a ser. Ela arfou suavemente. uma capa protetora blindando-a contra a perigosa e iminente tempestade. irritada com suas dissimuladas manobras. Laney suspirou profundamente. — Esse não é o seu nome — sussurrou. 58 . A depender dele. Reuniu cada partícula de sua força de vontade. — Estamos na casa de sua mãe. despindo-se como se fosse a coisa mais natural do mundo. cada uma mais emocionante que a outra. Mas isso vai me ajudar a compreendê-lo melhor. Ele desligou a lâmpada e aproximou-se dela. — Você ainda não confia em mim. fazendo-a gritar de prazer todas as vezes que faziam amor. — Preferia quando você me chamava de Ty. Seu tórax exposto. — Beijou-lhe a garganta e as pernas de Laney quase vacilaram. mas agora Laney se agarrava firmemente a suas inibições. Ele poderia muito bem ser um demônio. tirando o relógio e colocou-o sobre a mesa de cabeceira. Evan conhecia todos os atalhos do seu corpo e desbravava-os sem pena. — Agora não é a hora. Algo cintilou em seus olhos. — Quero saber. Fizeram sexo em uma dúzia de posições diferentes. prendendo-a às folhas da porta. Laney não conseguia olhar para outro lado. — Por favor — disse. Não podia negar. Reparta comigo esse tanto de sua intimidade. esculpido como uma estátua de atleta de bronze. os dois arderiam em chamas esta noite. Evan. — Minha mãe tem sono profundo. — Minha mãe não me gerou da escória do inferno. como se repassasse uma lembrança dolorosa. tirando a camisa e arremessando-a de lado. querida. amorosa e acolhedora. tão marcadamente bonito com fogo nos olhos e um olhar de pura avidez no rosto. Um erro. vestindo apenas a calça preta com cinto desafivelado. A respiração de Laney ficou presa apenas por observá-lo despir-se sem o mínimo pudor. deslocando-se com graça e agilidade. A boca de Laney secou como areia ressecada pelo sol. Evan a fitou por um longo momento. — Não. Seria tão fácil ceder a ele e aceitar o prazer que oferecia. Sempre ficara bem à vontade perto dela. embora soubesse que não era do tipo de homem que aceitaria recusas por muito tempo. Evan arregalou os olhos por um instante. mas com força suficiente para mostrar-lhe que falava sério. — Conte-me sobre seu pai — falou por puro desespero. quando você diz. Seus músculos se retesaram e a pele dela quase queima de calor.achou Rebecca Tyler gentil.

Conforme explicava. mas me responda uma coisa — disse ela. Abriu os olhos e testemunhou o aceno de compreensão dela. Evan fez um rápido aceno com a cabeça e ela sabia que dera o passo definitivo para saltar o abismo. Estava tão feliz. tão distraído do seu entorno a caminho de casa. que estavam sobre sua barriga. pôs as mãos sobre as dele. Meus irmãos também sofreram. Podia imaginar a terrível culpa que ele carregava por dentro. — Por causa do bebê. Você se transformou em alguém importante e imagino que tenha dado uma boa vida para sua mãe. que quando a bola caiu de sua luva e rolou para o meio da rua. — Não diga mais nada. Evan. Ela esperava e escutava pacientemente. Compreendia até mesmo por que a chantageara. — Sei que foi duro para todos vocês. sem dizer nada. Laney o compreendia melhor agora. Evan esfregou a nuca lentamente. Finalmente. — Bem? — Fico feliz por ter-lhe contado também.Laney apelou a ele em silêncio. esfregando-a levemente. — Você não pode culpar-se. Continuou com uma voz arranhada. Mas agora ela via apenas diante de si aquele garoto assustado e cheio de culpa. Era horrível pensar na cena. — Minha mãe vai lhe dizer que meu pai era um herói. Evan admitiu que não estaria vivo hoje se seu pai não tivesse corrido em sua direção para salvá-lo com um empurrão. — A vida da minha mãe nunca mais foi a mesma. Por fim. — Ela está feliz. Laney. Você não pode consertar o que aconteceu. pondo-o em segurança. forçando o casamento. Seu sorriso de encantamento foi cortado pelo poder arrasador do beijo dele. Ergueu um pouco os lábios. falando no quarto escurecido: — A verdade é que sou responsável pela morte de meu pai. ignorou os gritos de advertência do pai e correu para apanhá-la. Teve de lutar toda a sua vida para criar três meninos sozinha. pegando-lhe a mão e colocando-a em seu estômago. Ela lhe envolveu o pescoço com os braços e tocou os lábios nos dele. Laney cedeu em seguida. Eu lhe tirei a vida. — Ainda posso ouvir a batida. Evan erguia cercas a seu redor para evitar que as outras pessoas o conhecessem. Não foi culpa sua. John Tyler morrera com o impacto. presa do aroma e dos sabores deliciosos do doce e 59 . Queria saber e eu lhe contei. quando um caminhão o atropelou. para impedir que se aproximassem. seu toque era uma doce carícia. — Tudo bem. tão certo quanto se houvesse disparado uma bala através de sua cabeça. — Já escutei todas as banalidades possíveis — disse com expressão fria. Evan ficou colado a ela por um longo tempo. Tomou-lhe as mãos nas suas. — É o que os pais fazem. o coração de Laney ficou apertado pelo garotinho de 10 anos que pegara uma bola de basebol na arquibancada durante um jogo em que os Rangers saíram vencedores. — Diga-me que não faria o mesmo pelo seu filho ou filha? Diga-me que não trocaria sua vida pela da sua criança? Evan fechou os olhos. Fornecem o necessário e protegem suas crianças. depois o guinchar dos freios e meus próprios gritos de horror. Laney o olhou profundamente nos olhos. — Evan abriu a mão sobre a barriga dela. Dirá que se orgulhava dele e que não teria desejado que fosse outro de forma alguma. Laney se aproximou dele. Compreendia por que orientara sua vida inteira para a obtenção de sucesso. — Fico feliz que tenha me contado — sussurrou em seu ouvido. — Então.

medo ou dúvida. felizes por deixarem seus corpos saciados relaxarem de encontro ao outro. Os filhos de Larissa enfrentavam Evan.viciante desejo. de fazer tremer a terra. Esta noite faria amor com o marido sem reservas. cruzando as enseadas que envolviam as cinco ilhas que compunham Fort DeSoto Beach em um barco que os Tyler alugaram e posteriormente brigaram para comandar. Laney refutou esta afirmação em silêncio. Laney fitou Rebecca. Sentia-se mais perto dele do que nunca. Não estava certa de que queria o amor de Evan ou se 60 . Larissa. E seguramente depois da noite em que fizeram amor. caindo de costas com toda a força. Aikman. Laney conheceu então Brock. Apenas os instintos rápidos o salvaram de tomar uma pancada na cabeça. Brock piscou o olho para ela e quase foi atingido pela bola que Evan jogou contra ele. Já estiveram na água. E se estivesse errada? E se apenas lhe aumentara a dor e a culpa por conta de suas acusações? Sentimentos tenros por ele a tomaram e Laney tomou a decisão de abandonar suas incertezas. com empuxos lentos e lapidadores até que ela alcançou um clímax explosivo. Laney colocou todas as dúvidas sobre ele de lado. Laney deu uma risada rápida e sentiu os olhos de Rebecca sobre si. Quando de pé. acomodando-a gentilmente. mas como poderia decepcionar uma mulher tão doce? — Nossa relação é muito complexa — disse. de temperamento forte e competitivos. Ele queria o bebê. Evan a tomou nos braços e levou-a para a cama. permitindo a ela definir o ritmo. Com os olhos expectantes de Rebecca ainda sobre si. — Você faz meu filho feliz — disse ela. Acusara-o inúmeras vezes de ter causado a morte do pai. com Evan abandonando o comando em pequenos graus para permitir que Laney visse suas vulnerabilidades. jogando futebol americano. depois rolou de lado e plantou-lhe um rápido beijo na boca. a melhor amiga de Rebecca. conseguindo fazer um sinal afirmativo. Haveria tempo suficiente para isso. provocou: — Da próxima vez. gastaram longo tempo nos braços um do outro. Amanhã. imersa em dúvidas. Levantara-a e colocara-a sobre si. ambos em silêncio. Sentou-se debaixo de um enorme guarda-sol em Fort DeSoto Beach. Era um homem inclinado ao mando. Virou-se para ela e sorriu. seu olhar quente incentivando-a enquanto Laney o tinha por inteiro. irmão mais novo de Evan e chegou à conclusão que todos os três homens eram deliciosamente bonitos. A criança significava mais para ele do que ela poderia ter imaginado e Evan fora persistente. divertindo-se com seus irmãos e os outros homens. estava dando uma oportunidade para você impressionar sua esposa. Laney testemunhava um lado diferente dele hoje. — O amor sempre é. Ele mergulhou para apanhar a bola e realizou um incrível encaixe. Serena. Fora chantageada para casar e nunca acreditara que Evan realmente gostava dela. de frente para a costa do Golfo do México com sua sogra. — Ei — disse Brock com um encolher de ombros brincalhão —. A COMEMORAÇÃO DO aniversário de Rebecca foi o que Laney dificilmente teria esperado. Laney sabia que tinha de dar uma resposta. Seu corpo ainda zumbia por conta da maneira como fizera amor com ela na noite passada. Trent e Brock na areia. Brock lançou uma bola em espiral em sua direção e Evan correu dando pontapés na areia. E depois. tente lançar a bola dentro dos limites. e sua filha. Rebecca deu uma palmadinha suave em sua mão e sorriu. cautelosa. lento e pouco convincente com a cabeça.

mas calculava ter apenas algumas semanas de sobra para usar roupas normais. Ela usou sandálias com salto de cinco centímetros que machucaram seus pés com o passar da noite. Para surpresa de Rebecca. uma dúzia de outros amigos se juntaram à celebração. era iluminada por uma distante lua cheia. em Bayboro Harbor. A pulsação de Laney acelerou. um curador lhes ofereceu um tour. Torcia para que gostasse. que a lembrava do emaranhado nos lençóis da noite anterior. bem? — Estou bem — respondeu. — Como está se sentindo. Mas vai estimar aquela cópia porque está incrível e porque foi você quem lhe deu. apertando-os. A cena. seus lábios demorando-se no ponto logo abaixo do lóbulo da orelha. a cabeça de Laney rodou com o tom grave dele. Aspirou o cheiro almiscarado de sua colônia. — Muito amável da sua parte. A mãe de Evan parecia saborear cada momento de seu aniversário. e fez que sim com a 61 . Depois do jantar. Laney se lembrou de trazer algo elegante na mala. apresentando as mais famosas obras do surrealista. — É uma de minhas fotos favoritas. Quando o celular de Evan tocou. — Minha mãe gostou muito do presente que você deu a ela — sussurrou Evan em seu ouvido quando ficaram a sós um momento. Todos vestidos para a ocasião. Rebeca alegou que não vira o suficiente seus filhos. Laney fechou os olhos por um instante. Beijou-lhe a garganta. bebendo refrigerante e água mineral com gás do copo dela. rindo com os amigos da família. Laney não podia acreditar que era uma Tyler agora e se adequaria à família. Evan. Mais tarde naquela noite. Laney sorriu e um calor se propagou através de seu corpo. em viagem pela Europa. antes que tivesse de reunir um guarda-roupa novo. as rugas do rosto estavam aprofundadas. — Que tipo de problema? — Alguém invadiu sua sala.ele era capaz desse tipo de afeto com relação a alguém que não fosse de sua família. Alarmada. — Houve outro problema no Royal. mas Laney notou um brilho a mais em seus olhos e um orgulho evidente em sua voz quando Rebecca apresentou Laney como mais novo membro da família. numa sala privada preparada para a ocasião. jantaram no Dali Museum. Meses antes. Evan permaneceu ao lado de Laney a noite toda. zombando dos irmãos. ele franziu a testa e apanhou-o em seu bolso. Suas emoções divididas. os membros masculinos dos Tyler em smokings e as mulheres em vestidos longos. um pouco confusa. Depois suspirou com desgosto. Laney tirara uma foto da torre Eiffel de dentro de uma sala no terceiro andar de um edifício antigo. Afastou-se um pouco. Ela se orgulhava do trabalho e esperara que Rebecca apreciasse seus esforços também. Felizmente. todo com roupas de grávida. por assim dizer. Quando voltou até ela. — Obrigada. — É uma festa muito bonita. Haviam planejado ficar todo o fim de semana e voar para casa na segunda-feira. e Laney concordou com a afirmação. — Minha mãe gosta de todas as formas de arte. captando a vista através da frágil moldura da janela. de costas para ela e tudo o que podia ouvir eram palavras murmuradas enquanto falava ao telefone. um blusinha de alça com renda branca. como se os Tyler e os Royal não tivessem sido concorrentes. Ele concordou com a cabeça. Devemos pegar um vôo o mais cedo possível amanhã de manhã. um estudo de contrastes entre o opulento e o humilde na cidade francesa.

62 . a traição de um empregado na sede do Royal doía dentro do seu coração. — Isso significa que nosso plano funcionou.cabeça.

falaram intencionalmente muito alto perto da recepção. — Você está dizendo que não teve uma boa impressão da mim no dia em que nos conhecemos? Porque. Conheço suas famílias. no dia em que tivera o ataque cardíaco. tiveram de correr de volta para Los Angeles. Ralph Blanton. Deixaram escapar o nome da Agência Landon inúmeras vezes perto das salas da gerência. sua expressão estóica mascarando sua óbvia preocupação. Exceto no meu caso — ironizou. contida. se preparou. Evan sorriu e Laney olhou para frente. Sabia exatamente quando a equipe de segurança fazia as rondas. Evan recebera instruções de Code Landon para vazar o fato de que todos os funcionários estavam sendo investigados. — Há apenas cerca de meia dúzia de executivos que tinham a chave-mestra das salas da cobertura. exceto Laney. para o intrincado desenho no interior da porta do elevador. quem quer que tenha protagonizado a invasão já desaparecera." Evan ouvira palavras semelhantes de Nolan Royal no dia de sua reunião. Estava certo de que uma pessoa organizara a sabotagem dos hotéis em questão. Ela tem todas as chaves. admito que achei você atraente. Não havia melhor maneira de dizer isso. Pouco antes da viagem. exceto pelo segurança suplementar que Evan pusera ali tarde demais. Laney concordou com a cabeça. tomando o braço de Laney e guiandoa na direção do elevador da sede do Royal. poderá ser sua última chance. Laney apertou o botão do elevador com força. descansava e trocava de turno. Eles subiram até a cobertura e.CAPÍTULO DEZ A SINCRONIA foi um horror. minha lembrança é bem diferente. mas seu poder de persuasão finalmente venceu. — Porque aí você acredita em todo tipo de incriminação. Ninguém sabia disso. Laney se virou para ele. É ainda tão difícil de acreditar — disse Laney. uma pista. — Tenho trabalhado ao lado dessas pessoas há anos. Você era a distração que eu 63 . Era domingo de manhã e o prédio estava deserto. quando saíram. — Tudo bem. Evan gastara trinta minutos interrogando os homens de plantão na noite anterior. Tivera dificuldade para fazer com que Laney concordasse. vendo sua mulher estabelecer vínculos com os novos parentes e aproveitando sua companhia em cima e fora da cama. na esperança de que alguém ficasse nervoso e cometesse um erro. — E Ally. em vez de gastar o resto do fim de semana com sua família. — Meu pai me disse uma vez: "Sempre cause uma boa primeira impressão. algo que ajudasse a apanhar o responsável. — Quem quer que fosse. Eles pararam no elevador e olharam ao redor. Assim. Então. Quando ouviram o alarme. Mas Evan precisava de uma aresta. — Tenho de acreditar que era alguém que sabia movimentar-se pelas salas lá de cima — disse Evan. querida. — Alguém está amedrontado — disse ele. encomendaram ao melhor homem da equipe de segurança de Landon a instalação de um novo sistema de alarme na sua sala. ele próprio e o chefe da segurança. Evan não esperara que a armadilha funcionasse tão rápido. — Porque você acha difícil supor o pior das pessoas. seus filhos.

Não estava sendo fácil para ela. olhando em volta com uma expressão preocupada. Não que fosse encontrar alguma coisa. Tivera de desfazer-se do código na noite passada. Ele resmungou contra as palavras usadas por ela. totalmente surpreso com o bater estrondoso de seu coração. — Estou procurando Elena. — Ela virá mais tarde hoje. Ela revirou os olhos e abanou a cabeça. Mas isso nunca teria acontecido se soubesse quem você é. Evan trouxe a cabeça dela para seu ombro e manteve-a ali por um longo tempo. NA SEGUNDA-FEIRA de manhã. — Você pode me dar uma lista de todos os que têm uma chave e partiremos daí. saiu imediatamente. Tivemos um caso quente. — Posso até imaginar. Não gostava de Malloy e estava certo de que a recíproca era verdadeira. — Isto é difícil para mim — disse ela desnecessariamente. e pronta para dar um passeio alucinante no Tyler Express. A garota solitária e inconsolável. respirando o aroma de flores frescas de seu xampu. — Laney cruzou os braços sobre a barriga. Ele lhe segurou a mão e caminharam para a sala. querida. Laney entrou em seguida. apenas esperando para passar informações valiosas sobre a empresa que você planejava tomar de assalto. Laney acenou positivamente com a cabeça e virou-se em seus braços. — Tenho arrepios só de pensar que alguém entrou aqui. Pode não ser Ally. Com a tentativa inútil de esconder um franzir de testa. Evan queria protegê-la de mais estresse. mas Laney insistira em tomar parte nisto. Evan pressionou sua boca macia com um beijo. Estão trancados no cofre. — Um dia. Como podemos detê-la antes que cause mais problemas para os hotéis? Evan veio por trás e envolveu-a com os braços. Entrou à frente e digitou os números no teclado escondido na parede para desligar o alarme. depois confirmou com a cabeça: — Sim. Há algo em que possa ajudá-lo? Malloy abanou a cabeça. observando o executivo. — Não sabemos ao certo quem é a pessoa. Evan viu quando Malloy tomou conhecimento dele. protegendo-a. sentado na cadeira de Nolan Royal. e se perguntou sobre seu relacionamento com Laney. Mas sua esposa contara bastante com ele logo após a morte do pai e Malloy a socorrera. Vasculharam a sala em busca de algo fora do lugar. Colocou-lhe a cabeça sob o queixo. A porta fora fechada e bloqueada pelo chefe da segurança. Evan pensava diferente. Vou pesquisar todos os arquivos pessoais em meu escritório no Tempest. — Tyler Express? Nem tanto. Preston Malloy entrou na sala de Laney segurando um arquivo na mão. Não podia condená-la por isso. puxando-a para si. Você com certeza me enganou. — Aparentemente quem arrombou. Seus olhos se arregalaram e ela soltou uma pequena risada. mas Evan providenciou para que um novo estivesse no lugar naquele mesmo dia. checaram arquivos e pastas nos armários. — Eu sei. Os Royal eram dela e representavam uma maneira de manter a memória e o legado do pai vivos. — Ah — disse ele aproximando-se. 64 . Mas pelo menos uma coisa boa saiu de tudo isso: você pode subir no Tyler Express quando quiser. mais tarde. Evan se recostou no assento.precisava para me ajudar a esquecer Justin. eu vou lhe dizer qual era a impressão que tive de você. sem mexer nos arquivos. — Tem certeza? Laney fez uma pausa.

— Vou esperar para falar com ela. Estou com os relatórios que ela solicitou. — Virou-se para sair, mas parou a meio caminho da porta e encarou Evan. — Sabe, conheço Elena desde que era uma adolescente. Sempre foi equilibrada. Nolan sentia muito orgulho das realizações dela. Evan arqueou as sobrancelhas. — Como de fato deveria. — Mas, por tudo no mundo, não consigo entende por que se casou com você. Evan se inclinou para a frente, ajeitando alguns arquivos, depois fitou os olhos de Malloy, contendo a raiva crescente. — É o que duas pessoas geralmente fazem quando estão esperando um bebê. Valeu a pena revelar a verdade para ver a expressão de espanto no rosto dele. Malloy entortou a boca como se tivesse mordido uma fruta azeda. — Um... bebê? Evan manteve os olhos fixos nele. — Foi o que eu disse. Malloy apoiou as mãos sobre a mesa. Inclinou-se. — Elena não teria chegado tão perto de um rival nos negócios. Sabia que você estava tentando roubar a empresa bem debaixo do nariz do pai dela. A menos, claro, que não soubesse quem você era. Se bem me lembro, nunca se encontrara com você pessoalmente. — Meio difícil conceber um filho dessa maneira. Malloy percebeu o que acabara de dizer e ruborizou. — Ela não sabia quem você era, não é? Você mentiu para ela e a seduziu. Você faria de tudo para ter esta empresa. Evan se levantou e olhou para ele. — Não admira que tenha tido uma cerimônia de casamento secreta — disse ele com satisfação. — Você deve ter ido à caça logo após a ruptura dela com Overton. — Malloy, o que é que o irrita tanto? Que eu tenha me casado com a filha de Nolan Royal ou que não seja você que esteja administrando a empresa em uma grande sala? A paciência de Evan estava por um fio. As acusações de Malloy feriam seus nervos, em parte porque havia alguma verdade nelas e, em parte, porque não conseguia tirar Laney da cabeça. Não queria que Malloy, ou quem quer que fosse, lembrasse a ele que abusara da confiança de Laney para vingar-se de Nolan Royal. — Nolan se reviraria no túmulo caso soubesse que a filha se casou com você. Ele não confiava em você. Expulsou-o do escritório naquele dia e disse para nunca mais voltar. A primeira impressão dele a seu respeito foi precisa, um gato selvagem sem escrúpulos, e nada que você dissesse ou fizesse o teria feito mudar de idéia. Evan ouvira exatamente essas palavras de Nolan Royal naquele dia, mas ele as dissera com um sorriso no rosto antes de mostrar-lhe a porta da rua. Se acreditasse realmente que fosse o culpado de sabotar os hotéis, o homem não teria sido nem um pouco gracioso. Poderia ter sido uma encenação, mas Evan não acreditava nisso. Royal adorara ter interrompido a reunião e dissera basicamente a Evan que preferiria ser atingido por um raio a vender os hotéis. Deixara claro o que pensava e a frase "gato selvagem sem escrúpulos" fora dita não tanto com desprezo, mas com uma pitada de admiração. Interessante como Malloy conhecia os detalhes da conversa. — Minha esposa valoriza sua fidelidade — começou Evan com voz estável e controlada —, e sua amizade. Não a desiluda. Não lhe devo explicações, mas lhe digo uma coisa. Pretendo descobrir quem está tentando minar esta empresa, portanto fique fora do meu caminho. Malloy apanhou o arquivo que deixara de lado. — Deixe-o aí. Analisarei os relatórios com minha esposa quando ela chegar. Malloy jogou o arquivo sobre a mesa e saiu. 65

Cinco minutos depois, enquanto Evan revisava os relatórios financeiros deixados por Malloy, Laney entrou na sala. O coração de Evan reagiu. Um aroma puro e doce de flores seguiu sua entrada na sala. Penteara o longo cabelo ondulado para baixo, usava um vestido leve, perfeitamente moldado a suas curvas exuberantes, ligeiramente esvoaçante nos quadris, e brilhantes jóia amarelas ao redor da garganta e dos pulsos. Resumindo: ela tirou o fôlego dele. — Oi, linda. Ela ficou parada sob a porta. — Olá. Trocaram olhares como dois adolescentes bobos e desajeitados. Laney piscou. Evan limpou a garganta. Sua mente vagou para longe do trabalho e dos problemas do momento. Ultimamente, sempre que ela estava por perto, ele se distraía pensando em fazer amor com ela, acariciar sua pele macia e suave, beijar aqueles lábios pontudos e perder-se profundamente dentro dela. Evan sentia que ela estava começando finalmente a confiar nele. Mas se lhe contasse suas mais recentes suspeitas, ela se afastaria dele, sem dúvida. Precisava mantê-la no escuro até que tivesse certeza dos fatos. — Gostou de ter dormido até tarde esta manhã? — perguntou. Ele acordara cedo após uma suave noite de beijos leves e abraços. Laney ficara muito preocupada com o arrombamento e ele não a pressionara. Esta manhã pensara poder sanar a situação, fazendo um amor vagaroso com ela, mas Laney estava esgotada, física e emocionalmente. Observara o sono dela por longos minutos, surpreso ao descobrir-se feliz com aquilo. Quando a beijara na testa antes de sair, ela olhara para cima com uns olhos orvalhados e tão sexy, precisou controlar-se para não puxá-la para si e tirar-lhe toda a roupa. — Uhm... Foi bom, mas você deveria ter-me acordado. Evan mantinha certa distância. Precisava ir ao Tempest esta manhã e Laney representava uma tentação muito grande. — Se tivesse feito isso, ambos teríamos chegado tarde hoje. Laney articulou um silencioso "ah". Depois sorriu, seus olhos azuis reluzindo. — Vou ao Tempest agora. Mas estou de volta na hora do almoço. Quero mostrar-lhe uma coisa. — Acho que já sei o que é. — Laney olhou para a mesa e suas sobrancelhas se arquearam. A mente de Evan voltou ao dia em que fizeram aquele sexo louco e apimentado sobre a mesa. Caminhou até ela e levantou-lhe o queixo com o dedo. Depois, beijou-a. Seus lábios tinham um gosto doce e sua boca colava-se à dele, fazendo-o desejar não ter negócios urgentes a conduzir em sua empresa. — Você tem uma mente suja, querida. Seus lábios se curvaram para cima: — Isso é o que você queria. — Eu sei — disse ele com uma piscadela. — Estarei de volta ao meio-dia. Então partiu para conduzir pessoalmente algumas investigações. EVAN APANHOU Laney pontualmente ao meio-dia. Assim como da última vez, fizera mistério sobre o que lhe mostraria. Mas desta vez não havia consultas médicas nem interlúdios sexuais para interrompê-lo. Tomou-lhe a mão e a tirou do escritório antes que tivesse oportunidade de discutir qualquer assunto de trabalho com ele. Isso não era nada típico de Evan Tyler. Os negócios sempre vinham em primeiro lugar para ele. — Onde você está me levando, Evan? — Sentada em um Cadillac Escalade de quatro portas, novinho, que ele adquirira recentemente para ser o carro da 66

"família", Laney não podia fazer nada, a não ser deixar-se arrastar pelo ar pensativo dele. Ela fizera um comentário passageiro sobre a segurança do bebê e o fato de que seu carro esporte não era apropriado para crianças, e na semana passada, ele saíra e comprara este robusto SUV. — Basta segurar firme, querida. Estamos quase lá. Evan desceu a Sunset na direção da praia, depois virou numa rua residencial e estacionou o carro à entrada de uma extensa casa azul-claro, de um andar, com acabamento branco. — O que acha? Ela olhou para a casa, depois para ele. — Sobre o quê? — A casa. Tem cinco quartos, uma sala de leitura, uma enorme sala de estar e no quintal já tem um teatrinho. É um castelo de princesa, mas se tivermos um menino, vamos transformá-lo num forte ou algo assim. Laney imaginou uma filha vestida numa roupa de princesa, rosa, com babados, em seu castelo, ou um filho no traje de camurça empunhando uma faca de plástico. — Você já tem tudo planejado, não é? Evan fez um aceno esperançoso com a cabeça. — Há uma pré-escola aonde se pode ir a pé. E a casa fica a uns oitocentos metros da praia. — É bonita, Evan. Era exatamente o que imaginava quando era uma garotinha sonhando em casar e constituir família. — Se você já a comprou, terei de estrangulá-lo com minhas próprias mãos — disse ela, sem sorrir. Falava sério. Estava cansada de ver Evan tomando decisões pelos dois. Se resignara-se ao casamento, ele teria de aprender a aceitar sua participação na base de cinqüenta por cento a cinqüenta por cento. — Juro a você que não comprei. Mas a corretora já está lá dentro, esperando para nos mostrar a residência. — Tudo bem, vou dar uma olhada. Momentaneamente, as dúvidas de Laney com relação a Evan desapareceram. Não comprara a casa sem lhe dizer. Era um começo. Mas desistir de sua própria casa e mudar-se para uma que ambos compartilhariam era um passo gigantesco. Significava estabilidade. Significa solidariedade. Significa... juntos para sempre. Laney não tinha certeza se estava pronta para tanto. — A casa só estará à venda amanhã. Mas está vazia. Se você adorá-la, faremos uma oferta irrecusável. Laney não conseguiu rir da piada de Evan. Seu coração acelerava com emoções conflitantes. Saiu do carro olhando hesitantemente para a casa. Evan tomou sua mão e eles caminharam lado a lado pela trilha de tijolos. — Se você não se identificar com a casa, continuaremos procurando — disse ele. Parte da tensão foi aliviada. Pelo menos havia uma rota de fuga, caso precisasse. Embora tivesse certeza de que amaria a casa, não tinha certeza se dar esse passo agora seria a coisa certa a fazer. Ela ainda tinha reservas quanto ao seu casamento. Amélia Lopez, a corretora, cumprimentou-a comum aperto de mão e um sorriso. — Espere até você ver a cozinha. É uma obra de arte, mas com uma atmosfera caseira. E Laney teve que concordar. Adorou a cozinha espaçosa, com ambiente para café-da-manhã e que dava vista para um imenso quintal. Sorriu ao ver o lúdico castelo de princesa com uma porta levadiça que descia sobre um estreito fosso de espuma. Correram o resto da casa, cada cômodo sendo único e na verdade... perfeito 67

Laney olhou para Evan. Evan parecia mais relaxado do que ela vinha se mostrando ultimamente. Preciso de tempo para pensar. a corretora olhou para Evan esperando uma resposta. com visual bronzeado e saudável. Descalço. — Claro. então. Não me importo que tome uma bebida de verdade. — O que você acha? — perguntou. porque logo não será capaz de caber em nada que não contenha elástico no meio. Laney reparou que ele usava na mão esquerda o anel de casamento em ouro branco que pertencera ao pai. — Daremos uma resposta — disse ele à corretora quando saíam —. Suspirou fortemente. Sabia estar brincando com fogo. NAQUELA NOITE. comigo. Evan lhe tocava o coração das mais surpreendentes formas. Quanto a isso. Deixou cair a mão sobre a coxa dela e encarou-a com sinceridade. Espero termos uma boa procura. teria de agradecer a Julia por convencê-la a comprar o vestido de alcinha Donna Karan. Às vezes. — Preciso de algum tempo para pensar sobre isso — disse ela à sra. um presente dado pela mãe no outro dia e que ela sabia o quanto significava para ele. Quando preciso. — A decisão é da minha mulher — disse. — Use-o enquanto é tempo.. Era um homem que sempre tinha o que queria. — O que precisaria fazer? — continuou Laney. tomava decisões que eram geralmente acertadas. — Mas você não tem certeza se quer morar ali. que mal cabiam no corpete. Estava mais acessível. Evan teve o seu papel. 68 . — Foi feito para você — dissera. — Você está tentando corromper-me? — Conseguiria? — Claro que sim. Entraram no Escalade e Laney deu mais uma olhada para trás antes de partirem. mas ainda não podia fazer uma escolha tão importante sem meditar sobre o assunto. Ele baixou o garfo e sorriu. Obrigado por mostrar a casa com antecedência. Era um lado dele que ela raramente via. Como seu olhar cintilara sobre os seios mais cheios. mais disposto a compartilhar. você não teria que fazer muito esforço. — É ela que tem de gostar. Nesse vestido. Lopez.. Evan aceitou todos os seus comentários sobre os quartos.para uma nova família. — É realmente uma excelente casa. Laney apreciou sua paciência. concordando com a cabeça. — Não há de quê. — Tome todo o tempo que for necessário. assim que minha esposa se decidir. em uma fração de segundo. não esperaria muito tempo para decidir. — Você não precisa beber água quando estivermos juntos. — Era o que pensava — disse Evan. Laney apreciou sua atitude. — Há muita coisa envolvida. Laney vira o brilho de apreciação em seus olhos esta manhã quando entrara na sala. Olhou para ela. A casa só irá à venda amanhã. uma das mãos agarrada ao volante e a outra controlando com precisão a marcha. Quando o tour chegou ao fim. Pôs o dedo na ferida e ela não podia negar. vestindo jeans desbotado e uma camiseta regata branca. que tentava não demonstrar sua decepção. — Você pode fazer as mudanças que achar necessárias. se fosse vocês. Laney preparou uma salada de frango com um prato de frutas frescas e eles jantaram calmamente na varanda da cobertura de Evan.

arrastando-a para dentro do apartamento. O vestido se enrolou até as coxas e Evan percebeu. espalhando 69 . Em segundos. alcançou o interior de suas coxas em segundos. — Você está tentando corromper-me. O safado. — Mas também não quero ser despejado. ela estava com o zíper aberto. O quarto estava muito longe para suas necessidades. Não precisava perguntar o que ele queria. Evan afastou o prato e arrastou a cadeira para trás. Evan abriu seu sutiã e levou a boca até eles. enquanto manuseava habilmente o outro. Ela se afastou um pouco para sussurrar: — Pensei que você fosse o dono do prédio. Adoro isso.mas àquela noite não estava importando-se. — Primeiro. teria de fazer? — Apenas sentar-se e permanecer lindo desse jeito. — Bela cor — disse. Então ele lhe massageou o peito do pé. achatando seus mamilos com a língua até que ele gemesse em voz alta. Sentia-se despreocupada e um tanto imprudente. bem onde as tiras das sandálias apertaram ao longo do dia. — Que mais. amarelo-canário. ah. Ela estava apaixonada por ele e o sentimento não ia embora. Evan colocou aquele pé sobre o relevo de sua crescente excitação. — Evan.. querida.. Ele agarrou-a pelos pulsos e levantou-a.. a posição do outro incendiava todo o corpo dela. — Pouquíssima coisa. — Ah. — Que foi? Você não gosta de massagem no pé? — perguntou inocentemente. beijando-a na boca. — Elas são. Os dedos de Evan encontraram o centro de suas coxas e ele a acariciou o suficiente para levá-la à loucura. As mãos de Laney percorreram seu luxuriante cabelo negro. como é bom. depois parou e puxou seu vestido de volta para baixo. beijando. Arquejando e sem fôlego. — Tirou uma. — Não quando quero alguma coisa. Outro gemido escapou dos lábios dela e os efeitos de seu estonteante toque sensual subiram pelas pernas para aquecer o ápice de sua coxas.. Subindo as mãos pelas suas pernas e puxando a cadeira onde Laney estava para mais perto. pressionou os lábios ali. Evan tinha algo a ver com isso. deixando-as cair de suas mãos. Friccionava-os. Laney inclinou a cabeça para trás. sem o vestido e no chão. Ele a beijou novamente. revelando o peito musculoso. Sabia o que era. Mordeu o lábio e observou Evan espalhar seu feitiço sobre os pés. — Laney tinha tomado a iniciativa e uma emoção de excitação atravessou seu corpo. tomando um pé em uma das mãos suavemente e passando a outra pelos seus dedos. puxando seu lábio inferior com os dentes. Enquanto ele expulsava a tensão de um pé. trazendo-as ao colo. ela lhe tirou a camiseta por sobre a cabeça. dando-lhes beijos quentes e molhados. — Ele pôs os braços em tomo dela e beijou-a com paixão suficiente para incendiar o hotel inteiro. Meneou o corpo para baixo e a agarrou pelas pernas. Depois a outra. você tem que se livrar das sandálias. — Você não perde tempo. Ele deixou os pés dela e inclinou-se para frente. Imediatamente. Laney não conseguia manter a concentração. maravilhado. porque queria o mesmo. friccionando-o. fazendo círculos acariciantes. — Ah — disse ele.

Evan se levantou para beijá-la. Vai dar-nos uma idéia do que nos aguarda. — Há outras maneiras. tremendo com tanto prazer que não conseguia conter os gemidos de êxtase que lhe escapavam da garganta. Descobriu. então. Ela explodiu num orgasmo que a quebrantou por inteiro. lançou-lhe um olhar de sofreguidão. endireitando os fios que embaraçara minutos antes. o corpo ainda pulsando graças à perícia dos toques dele. O futuro. o sabor de seus lábios era o da paixão deles e estavam deliciosos para lançar seu corpo em outra espiral ascendente. Evan a mirava com uma luz em seus olhos que ela nunca testemunhara antes. Evan rolou para o lado e a aninhou em seus braços. Laney fechou os olhos e sentiu o calor familiar e a perfeição de tudo aquilo. Faria o necessário para confiar nele. Todas as terminações nervosas vibraram com eletricidade. ofegante. Gostava da maneira como aquilo soava também. mexendo-se sob ele até não poder agüentar nem mais um segundo. a expressão de completude em seu rosto. — Você se importaria de mostrá-las para mim? Ela correu a mão pelo cabelo dele. Quando abriu os olhos. — O quê? — perguntou Laney. Ela abanou a cabeça. Não se permitiria pensar de outro modo. Seu marido. erguendo o corpo. sôfrego. estar apaixonada por ele. um homem destinado a ser o melhor em qualquer desafio que aceitasse. segurando sua cabeça enquanto ele a incitava e atormentava. beijando-lhe o umbigo reverentemente. Evan deu-lhe um abraço apertado.. cobertos de músculos. com ele. Evan se levantou. e quando ela se arqueou ainda mais. Laney arqueou o corpo e Evan aproveitou a deixa para descer o rosto pelo seu tronco. — Você diz quando eu estiver grande como uma geladeira? Ele confirmou com a cabeça. Quando voltaram à Terra. descendo mais até tomá-la em sua boca quente e úmida. Em seguida. Ela respirava em breves tragos de ar e Evan continuava seu exercício. — Quero isso também — disse. Quando a penetrou. Ela abriu apressadamente seu zíper e puxou seu jeans para baixo. abrindo-lhe as coxas com suas pernas. — Gostei da maneira como isso soou. pronta para recebê-lo. com suas proezas sexuais de entorpecer a mente.. seu peito perto o suficiente para ser freneticamente beijado por ela. Os olhos de Evan arregalaram-se com malícia. sorriu para ele. 70 . Seu coração se encheu de alegria com a idéia de que amava o pai do seu bebê.os dedos. Evan pressionou fundo uma última vez e ela testemunhou seu clímax surpreendente. Latejava freneticamente. Laney acariciou seu queixo. seus braços fortes e bronzeados. — Quero ficar dentro de você — sussurrou ele. olhando profundamente em seus olhos. Agora Laney estava feliz com isso. Eu. suas mãos abarcando seu rosto. enquanto ela também atingia outro pico de prazer. lindo. deu-lhe pinceladas impiedosas com a língua. Ela navegou o mar de sua paixão avassaladora. — Não. — Usarei de toda a minha moderação. apoiados no chão ao lado de sua cabeça. — Não quero nem pensar em quando não pudermos fazer isso. Ele a levantou. Laney sorriu profundamente e descansou a cabeça sobre seu ombro. — Você. deslumbrante. gracioso e imponente.

E isso era o que mais a preocupava. 71 .

Estava furiosa com ele por envenenar a amizade dela com Preston. Pegou-lhe a mão. Sei que ele mentiu para você quando se conheceram e que a chantageou para que casasse com ele. Sabia que deveria 72 . mais que isso. Preston. — Não. Queria contar a você do meu próprio jeito. — Não tive tempo de falar com você sobre o arrombamento da outra noite. uma covinha apareceu. Contou até três. — Bom dia. — Como você descobriu? — Seu marido estava ávido para me contar. — Ando ocupado. — Desculpe-me. Na placa de bronze na porta dizia Diretor Presidente. Elena fechou os olhos. Mas eu compreendi tudo. Bateu à porta e não esperou pela resposta para entrar. Se está chateado com alguma coisa. lembrava-lhe uma versão mais nova do pai. Parecia sempre saber como acalmá-la. Laney sorriu.CAPÍTULO ONZE NA manhã seguinte. quando ele levantou os olhos da mesa. — Não tivemos tempo para conversar ultimamente. Ninguém trabalhava mais duro que Preston Malloy. Elena. Você se casou com um homem que pode ter matado o seu pai. A expressão no rosto de Preston relaxou e ele se levantou para vir sentar na quina da mesa. — Não quero simpatia. defendendo Evan. a amizade deles estava estremecida. Sentou-se de frente para ele. Aprecio o seu trabalho na empresa. como poderia não estar chateado. torcendo para que a raiva excessiva não destruísse os sentimentos afetuosos que tinha pelo marido. Finanças. Em muitos detalhes. que ficava apenas duas portas depois da sua. Bonito e alinhado. Está grávida. — Eu sei. Laney foi até a sala de Preston. Mas desde que casara com Evan. e ela queria muito retomar esse aspecto de sua amizade. — Oi — disse ela. Como sempre. — Que você estava realmente apaixonada pelo mais ferrenho concorrente da empresa? Que um não conseguiria viver sem o outro? Aquela declaração dele à imprensa foi uma piada. Sei por que fez isso. — Não foi chantagem — disse ela. você não confia em mim como antes. sem formalidades. Você esteve presente em momentos muito difíceis de minha vida e se comportou como um amigo muito querido. Deus sabe por quê. — O que você me diria? Estava de pé agora e ela percebeu que mascarava a raiva com uma expressão tranqüila. mas por fim a paciência deu lugar à fúria. — Quero que saiba que não teria conseguido ocupar o lugar do meu pai se você não houvesse me ajudado. era a imagem da eficiência. Preston aspirou o ar demoradamente. perto dela. Ela arfou. Era um especialista em resolver problemas e se transformara num trunfo para o seu pai desde o primeiro dia. — Elena. Seu tom ferido a magoou. — Ele não tinha o menor direito de fazer isso. estimo sua amizade. Ele sorriu. mas. mas Preston era muito mais que isso para ela. — Procurei ser. Eles tiveram este tipo de relação franca. Não tem sido fácil para você. percebendo sua postura rígida. gostaria de saber. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo. Só quero deixar as coisas claras.

sua raiva pela traição de Evan confundindo sua cabeça. o que você está fazendo aqui? Estou tento uma reunião privada com Preston. mas isso se aplica à empresa de seu marido. — Ele a pressionou. Laney fechou os olhos. — Pensei que vocês gostariam de saber que nós tivemos um outro acidente. depois olhou para Preston. — Vocês podem trocar cabeçadas sem mim. Elena. Você e eu sabemos que nossos concorrentes têm espiões. falando brandamente: — Não foi bem assim. — Evan. Nosso Diretor Presidente de gerenciamento está ameaçando deixar o Royal. Preston pressionando pela amizade e Evan pelo casamento. — Elena podia ver a expressão de Evan ao dar a notícia a Preston. Talvez dera a Evan mais crédito do que ele merecia. Você realmente confia em seu marido a ponto de descartar a possibilidade de que esteja por trás disso? Laney fitou Preston. — Responda a pergunta dele. — Pessoalmente não acredito que seja ninguém que trabalhe no Royal. E odeio dizer. Seu pai não teria concordado com esse tipo de tática. Laney se levantou para encará-lo. Não se alinharia com nenhum deles. Se não estivesse desesperada para salvar a empresa e saber quem é o sabotador. — Aparentemente ele costuma escutar a conversa dos outros. Conheço o tipo. Havia muito ego e muita testosterona na sala para seu gosto. — Aposto que sim. Os aparelhos de ar-condicionado pifaram em todo o hotel. mas ele agarrou seu braço. voltou os olhos para Preston. segurando a maçaneta da porta. — É péssimo saber que estamos todos sendo investigados. Elena. não teria concordado. Passou por Evan. E estou furiosa que lhe tenha contado sobre a gravidez. Mas Preston não teria concordado. querida. A umidade é capaz de sufocar 73 . Preston. Laney sentiu uma fisgada no estômago ao ouvir a notícia. que aguardava a mesma coisa. — Ele fez isso. admito. O Tempest é um de nossos maiores concorrentes. — Responda à pergunta dele. Mentiu para você e a engravidou. Talvez seu filho ficasse melhor sem Evan em sua vida. Casou com ele por conta do bebê e por acreditar que tinha capacidade para reerguer a empresa. E inúmeros outros estão descontentes de ver seus bons nomes questionados. E a opinião dele valia muito para ela. Talvez não devesse ter deixado as emoções tomarem o lugar do bom senso. — Evan estava no vestíbulo da sala de Preston. Enchera-se de ambos. Faziam daquilo uma competição na qual ela preferiria não ter-se envolvido. — Preston disse a ela. Hesitou. que parecia momentaneamente aturdido. — Eu sei. — Ele adorou ter falado. No The Royal Dallas. Você confia em mim? Laney observou os olhos duros e inflexíveis de Evan enquanto ele esperava pela sua resposta. gentilmente a impedindo de sair. Estou de saída. — Você está dizendo que ele não deu em cima de você intencionalmente? É claro que ela tinha pensado a mesma coisa de Evan inúmeras vezes. "Ty". Você sabe como é quente no Texas esta época do ano. soltando o braço. — Isso mesmo.dizer-lhe a verdade agora. mas tinha dificuldades de admitir como fora ingênua e idiota com seu homem misterioso. Os dois homens obstinados a puseram na linha de tiro. — Em Dallas? — perguntou ela. Evan a enfurecia e ela se perguntava por que aceitara sua chantagem. Tendo-a segura. Relanceou os olhos para Preston. Esse tipo de coisa não ajuda a criar lealdade nos funcionários. sua mente agitada.

— Queria ver a expressão mo rosto dele quando contasse. — Laney. — Preston. — Pode apostar que sim. cale-se! — Depois seus olhos fuzilaram Evan. você não vai gostar do que tenho para lhe dizer. naquele irritante tom controlado de voz. — Ele viu o prazer malicioso na sua. — Estou calma. Não acabei tudo o que tenho para dizer-lhe. E você envenenou a minha amizade com ele. mas está sendo uma dor de cabeça para os gerentes. — Tudo bem. descrente. — Não se preocupe. Preston é mais do que um empregado. sente-se. para começo de conversa.uma pessoa. — Acalme-se. Ela cruzou os braços sobre a barriga e se recusou a obedecer. Estamos tentando acomodá-los. lançando a Ally. — Eu queria provocá-lo. se não por outro motivo. Laney se acalmara o suficiente para levantar-se e repreendê-lo." Bateu a porta e afundou na cadeira. que tentava em vão esconder um amplo sorriso. com um tom controlado que reservava para os rivais nos negócios. Evan se aproximou e Laney não gostou do jeito determinado que transparecia em seu queixo. um olhar que dizia: "Não se atreva a perguntar nada. Pelo bem da empresa. e ninguém conseguia exterminá-lo. — Estarei em minha sala. Laney não podia acreditar. e ainda falta muito. Ela sacudiu um ombro: — Isso é óbvio. Era como se um vírus nocivo infectasse um hotel. Laney. Você traiu minha confiança. seu rosto empalidecera consideravelmente. — Eu disse não. ao passar por sua mesa. 74 . Ela revirou os olhos. — Volte a fita para mim e me diga do que você está falando. — Laney — começou calmamente. Agora ele está com raiva e magoado. ótimo. seu sangue fervendo. É meu amigo. — Você conseguiu. enfurecendo-a ainda mais. — Mesmo? Nunca teria imaginado. Estou cuidando do caso. obrigado. — Vou checar o que está acontecendo — propôs. Evan fechou e trancou a porta. Quando voltou a olhar para Preston. Laney abanou a cabeça. depois outro. Mandei uma equipe lá para investigar. E traiu minha confiança ao mesmo tempo. Mas vou logo avisando. — Você não tinha o direito de contar a Preston sobre a minha gravidez. — Contei a ele sobre sua gravidez de propósito. Ele respirou fundo e depois continuou. EVAN A deixou sozinha por dez minutos antes de entrar na sala: — Precisamos conversar. Calma o suficiente para perceber o quanto venho agindo errado. Essa disputa entre vocês tem que acabar. — Evan permaneceu firme. E acho bom nenhum dos dois me incomodar pelo resto do dia! Laney deixou a sala de Preston e se dirigiu à sua. Os hóspedes estão todos exigindo o dinheiro de volta e recolocação em outros hotéis. — Como você pode confiar neste sujeito? — Preston dirigiu a frase a Laney como se Evan nem ao menos estivesse na sala. — Posso lidar com isso — insistiu Preston. abanando a cabeça. Evan abanou a cabeça.

Minha aposta é que seu pai entendeu tudo.. 75 . — Malloy disse algo outro dia que me fez pensar. Você não é um perito em linguagem corporal. depois ele escondeu a expressão. Evan. depois de seu casamento fracassado. — Seu amigo contratou todos os gerentes dos hotéis em questão. — Mas as ocorrências nos hotéis começaram meses antes. Prestara serviços inestimáveis a seu pai. Os gerentes que contratou tinham todos um passado questionável e ele deve tê-los comprado para provocar os problemas nos hotéis. Ela segurou as lágrimas. ele estava sorrindo de uma maneira convencida e se comprazia em me chamar de gato selvagem. precisamente. Ele esteve lá. Não estava chateado ou se sentindo frustrado. Sabia o que seu pai me dissera. Levantou-lhe o queixo com o dedo e fitou intensamente dentro de seus olhos. Ele supervisionou a contratação de muitos empregados de alto nível. sim. Minha aposta é que se ressentiu de seu pai ter colocado todo o controle da empresa em suas mãos. antes de seu pai ter o ataque cardíaco. Preston estava a um passo de tornar-se presidente. Ela fechou os olhos. Se tinham um passado questionável. E não vou. Laney. mas não conseguia processar as palavras. Não conhece Preston como eu. Arrasada. Quando conversei com seu pai no dia em que morreu. — O quê? Como Preston me traiu? — Se meu palpite está certo. Malloy repetiu essas exatas palavras para mim. Laney apontou o dedo para ele. Cheguei a essa conclusão depois de pensar muito. analisou toda a papelada e encontrou Preston Malloy no fundo da pilha quando tudo foi finalmente descoberto. Laney. — Você não sabe disso. mas não significa que soubesse de nada. Laney. Confuso porque não havia determinado o problema em Dallas. não sabia se podia confiar nele.— Eu não traí você. — Não! Nem se atreva a sugerir que. Não há problema nos aparelhos de ar-condicionado de Dallas. Sabia porque viu seu pai depois de minha reunião com ele. Ele apagou as pegadas. Foi momentâneo. Tudo faz sentido para mim agora. Minha suposição é que um de seus concorrentes fechou um acordo com ele para fazer despencar o preço dos Royal. Ele. Era ele o tempo todo. ele está por trás da sabotagem. — Você está interpretando isso como quer. criminoso? — Estamos investigando. — Querida — disse no tom que usava no quarto. o coração de Laney quase parou. — Você não tem provas. Não se permitiria acreditar em nada daquilo. Suas recentes ações contradiziam tudo em que ela acreditava. — Não quero. não é? Por que Preston faria algo tão.. Trabalhando aqui. Malloy a convenceria a aceitar a proposta. Ele estava pedindo demais dela. Inventei isso para ver a reação de Malloy. devem ter ido fundo para encobri-lo. Descobriu que Malloy sabotara a companhia. Nenhuma evidência. Ouvia o que Evan falava. Ela endureceu. Vi pânico e confusão por um minuto em seu rosto.. o qual reavivava lembranças íntimas e doces do relacionamento de ambos. E quer saber? Ele não recebeu a notícia como você. Dividida entre os sentimentos fortes que nutria por ele e o desejo de nunca mais deixar-se enganar. Evan suavizou o tom. Aproximou-se dela com uma expressão meiga nos olhos. Parecia confuso. — Você não quer acreditar. — Não estou sugerindo.. mas eu vi. — Preciso que você acredite em mim. mas Landon é muito bom no que faz.

segurando-a como se fosse uma boneca e fazendo seus lábios formigarem com o calor intenso de sua boca habilidosa. Estou grávida. Eles podem esperar. — Ótimo. — Você parece ter tanta certeza. desejando muito acreditar nele. hoje não. Preciso falar algo com você e não é sobre trabalho. Laney pegou a bolsa e disparou para fora da sala. — Talvez foram acidentes de verdade ou Malloy estava fazendo testes. — Você está feliz? 76 . uma voz dentro dela dizia. não leve isso a mal. — Você me conhece muito. — É bem óbvio. nós vamos ter um bebê. não entre em parafuso tentando acabar esses relatórios antes de eu chegar aí. Coma alguma coisa comigo. Quer dizer. a melhor luz. lembra? — Lembro. Evan fez que sim com a cabeça. sorvendo seu Merlot. prometo. Para a minha casa de campo em Brentwood. penetrando fundo em sua alma. o desmaio e a falta de apetite recentemente. até que a realidade voltou a ela. Evan lhe tomou o rosto nas mãos e inclinou-se para dar-lhe um leve beijo. mas isso é fabuloso! Pensei que poderia estar. Não conseguia pensar direito com Evan olhando fundo nos olhos dela. havia muito em que meditar. Laney se livrou dele.. Ally. mas você casou numa pressa. Pegou o celular e ligou para o escritório. uma expressão preocupada nos olhos. — Oi. Era o que Laney queria. Ela mordeu o lábio inferior. apanho você dentro de uma hora. Laney pegou câmera e equipamentos e colocou-os no carro. depois que fizeram os pedidos. Pode ser que Malloy tenha pensado tudo sozinho. Você tem tempo para um jantar comigo hoje. Laney encontrou consolo tirando fotos. Tudo bem. Mas. sentavam-se num restaurante italiano perto do escritório. De todo o coração. Por favor.. estou oficialmente concedendo-lhe uma folga pelo resto do dia. Caminhou pela praia com a câmera a tiracolo. Precisava esfriar a cabeça. não. — Mesmo? Conversa de mulher? Há quanto tempo. — Ah. — Tenho uma tonelada de relatórios para fazer. Ela fitou dentro dos olhos dele. Além disso. Só para alguém que a conhece tão bem quanto eu. ASSIM QUE chegou à casa. você está sempre adiantada no serviço. aliviando a mente. — Você não vai tomar vinho — perguntou Ally. Mas acreditar nele significaria acusar um amigo querido e alguém em quem confiara durante toda a vida adulta de crimes terríveis. é Elena. Havia uma alegria genuína em seus olhos. Dirigiu quilômetros pela Pacific Coast Highway e pegou a estreita estrada de duas pistas que levava a Point Dume Beach. Acredite no seu marido. procurando o melhor ângulo. Não sabemos quem fez os primeiros esboços da ideia. De repente. cedo. Pouco depois. mas a deixou ir. Elena. — Vamos até a raiz do problema. tirando fotos da paisagem. Laney se recusava a acreditar que Ally tivesse alguma coisa a ver com os problemas nos Royal. Confie nele. Significaria que Preston Malloy causara o ataque cardíaco do seu pai. — Não. É fim de mês. Não me procure. — Vou para casa. Ally.Evan encolheu os ombros. querida. Queria dizer que eu e Evan. não é? — Na verdade. Meus investigadores estão trabalhando várias horas para compreender os fatos. E. E. Pode contar comigo. É justamente sobre isso que quero falar com você. seja como for.

Ultimamente tenho pensado que não vale a pena. subiu até seu conjunto de salas na cobertura. seguindo de volta para o elevador. com as luzes apagadas. — Seu pai se perdeu muito tempo atrás. Partia seu coração vê-la apaixonada pelo homem errado. Elena. olhou para cima e viu Evan entrar correndo com dois seguranças. — Sim. — Elena. bloqueando a passagem. De verdade. Estou dizendo que preciso manter-me na surdina de agora em. Achou a agenda. Eu sei o quanto você está me pagando. Elena. cuidando para desligar o novo alarme. não sabia que você estava aqui. Ouviu a voz de Preston por trás da porta fechada da sua sala. Julia queria fazer um chá-de-bebê para ela e precisavam combinar os detalhes. essa conversa? Deve ter soado mal se você a pegou no fim. claro. Ele confiava em você. enquanto eu estava ao lado dele. Então passamos finais de semana e feriados nos lugares mais maravilhosos. arrasada ao dar-se conta da verdade. o coração batendo apressado. Fui eu! E o que recebi em troca de meus esforços? — Você tinha uma ótima colocação na empresa. Ela e Ally passaram juntas por muitas dores de cotovelo e Laney não podia esconder a verdade dela. Mas um murmúrio a assustou e ela se virou. Em estado de choque. Você tinha a lealdade do meu pai. Tonta por um momento. depois 77 . Laney entrou no seu. religou o alarme e fechou a porta. Ally? Há alguém especial em sua vida no momento? — Sim. É estranho o que o amor faz com a gente. E não pode provar nada. Você se vendeu a um concorrente. Por quê. Preston? — Por que o quê? Ah. Sim. As salas daquele andar estavam vazios. naquele momento. Ele o amava como a um filho. Ainda não. eu não sou assim. Mas ele é casado. Ele viaja muito e quer que vá com ele. — Evan estava certo. Deu uma olhada para ela no chão. Era você o tempo todo. Elena. Preston. caindo no chão. É caro para mim. — Vou chamar a polícia! — Saia da minha frente! — Ele a empurrou e ela bateu contra a parede. eu me apaixonei por ele. Laney descobriu que tinha sorte por haver encontrado Evan Tyler. — Os hotéis estão perdendo dinheiro por todos os lados. mas posso assegurar que. Ah. Sempre o mais alto nível.— Com relação ao bebê. — Chega! Você já me mentiu o suficiente. o respeito de todos. — E você.. — Laney consolou Ally. Ela abanou a cabeça. Elena encarava Preston. E meu pai. abismada.. estou apaixonada também. Laney ergueu a mão. E eu permiti que ele depositasse dinheiro na minha conta para despesas com as viagens e roupas.. cuidando dos mínimos detalhes. apanhou-a. Colocou você no comando de uma empresa que você não tinha a menor idéia de como gerir. E ali. mas não posso garantir que irão vendê-los. E você abusou dela! — Você está delirando. Elena. ajudando-o a construir seu império. Laney abriu a porta. — Eu entendo. — Você é uma mulher de sorte. Então. Laney deixou Ally no estacionamento-garagem da sede do Royal e estava prestes a ir embora quando percebeu que esquecera a agenda na sala. — Você o ama? — perguntou. direta. Preston desligou o telefone. fazendo com que os Royal chegassem ao mais alto nível. Elena.. — E com seu lindo marido? — Com ele a história é outra. Após o jantar. sim.

Há tempos. — Então quer dizer que você mentiu também. Seremos ousados. — Ei. — Ele não merece sua preocupação. querida. Preston foi escoltado para fora da sala. — Acho maravilhoso. — Não. — Não é por isso que estou chorando. — Querida. Lágrimas rolaram pelo rosto de Laney. Estou bem. — Ah. Disse que eu poderia conquistar seu corpo. — Ai. — Vou levá-la de volta ao Wind Breeze para uma lua-de-mel de verdade. você e o bebê teremos uma ótima vida. Quero aquela casa. E depois. 78 . — Você vai pagar por isso. também amo você. Laney. Acho que desde quando a vi sentada no bar do Wind Breeze. Evan. Ele soltou Preston e se endireitou. convicta. Seus olhos ficaram negros de ódio. também quero isso. Queria você.agarrou Preston pelas lapelas e o empurrou contra a parede oposta. — Isso é tudo? — Tudo? Pensava que você ficaria furioso comigo. — Levem-no lá para baixo. É um criminoso e temos todas as provas necessárias para jogá-lo na cadeia. Mas antes há uma casa azul com acabamento branco e um castelo de princesa no quintal que nós precisamos comprar. Evan. Grande erro. Eu amo você. mas não machucada. porque eu estava apaixonado por você. — Querido.. — Teremos. descobri que nunca seria feliz até que você me amasse. sim — concordou Laney. Laney. juntos. — Quites? — Laney fingiu estar brava quando na verdade estava explodindo de alegria.. . — Tem certeza de que está bem? — S. Mas é difícil ter raiva da mulher que se ama.. Estava completamente caído por você. Com o coração apertado por Preston.. ele sempre cumpria. não chore. E prometo que não ficará entediada.. percebendo que estava aturdida. Lembra quando disse que lhe contaria o que pensei quando a vi pela primeira vez? Minha primeira impressão foi a de que você era a mulher mais bonita que já vira. mas nunca o seu coração. Quero que comecemos nossa vida lá. Estou chorando porque não acreditei em você. porque sabia que quando Evan Tyler prometia alguma coisa. brincando também. sim. Você me amava e não admitiu. Vamos descobrir quem pagava pela sabotagem e ele vai responder pelo crime também. Acho que agora estamos quites. eu estou bem — gritou Laney. Antes mesmo de saber quem você era. — Tem certeza? — Tenho. — Fiquei. Os hotéis estão fora de perigo agora. Não confiei em você e o tempo todo você era inocente. Quando ouvi isso. É um fato.. Senti raiva. Vou ligar agora mesmo para a corretora. quando nos casamos. — Evan. levará séculos para que cheguemos perto de estarmos quites. A polícia está a caminho. você me propôs um desafio. Finalmente poderia oferecerlhe o que ele mais queria. Mas não confiava em você. Você é meu futuro agora. sua completa crença e confiança. Eu. Evan foi até ela e curvou-se para tirar o cabelo de cima de seus olhos. é? Esse é mais um desafio? — perguntou ele. querida.

FIM 79 .