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Coleção: A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL 

SEXO E DESTINO

Ditada pelo Espírito: ANDRÉ LUIZ P sicografada p or: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e WALDO VIEIRA

2 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

SEXO E DESTINO  12º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”  Ditada pelo Espírito:  André Luiz  (primeira edição lançada em 1963 pela FEB editora  – Federação Espírita Brasileira)  Psicografada por:  Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Digitalizada por:  L. Neilmoris  © 2008 ­ Brasil  www.luzespirita.org

3 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

SEXO E DESTINO 
12º livro da coleção:  A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL 

Ditada por:  ANDRÉ LUIZ  Psicografada por:  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  e  WALDO VIEIRA

4 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Coleção:  “A Vida no Mundo Espir itual” 
01 – Nosso Lar  02 ­ Os Mensageiros  03 ­ Missionários da Luz  04 ­ Obreiros da Vida Eterna  05 ­ No Mundo Maior  06 ­ Libertação  07 ­ Entre a Terra e o Céu  08 ­ Nos Domínios da Mediunidade  09 ­ Ação e Reação  10 ­ Evolução em Dois Mundos  11 ­ Mecanismos da Mediunidade  12 ­ Sexo e Destino  13 ­ E a Vida Continua... 

Quando o servidor está pronto,  o serviço aparece.

198  Capítulo 14 – pag. 22  Capítulo 5 – pag.5 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Índice  Prece no Limiar – pag. 6  Sexo e Destino – pag. 27  Capítulo 6 – pag. 144  Capítulo 8 – pag. 97  Segunda Par te ­ Médium: Fr ancisco Cândido Xavier   Capítulo 1 – pag. 175  Capítulo 12 – pag. 90  Capítulo 14 – pag. 138  Capítulo 7 – pag. 131  Capítulo 6 – pag. 152  Capítulo 9 – pag. 107  Capítulo 2 – pag. 10  Capítulo 2 – pag. 70  Capítulo 11 – pag. 75  Capítulo 12 – pag. 14  Capítulo 3 – pag. 62  Capítulo 10 – pag. 80  Capítulo 13 – pag. 211 . 50  Capítulo 9 – pag. 161  Capítulo 10 – pag. 39  Capítulo 8 – pag. 118  Capítulo 4 – pag. 8  Pr imeir a Par te ­ Médium: Waldo Vieir a  Capítulo 1 – pag. 113  Capítulo 3 – pag. 18  Capítulo 4 – pag. 125  Capítulo 5 – pag. 169  Capítulo 11 – pag. 188  Capítulo 13 – pag. 32  Capítulo 7 – pag.

 agora. em tua bênção. é o mundo!  Na praça extensa das convenções humanas. que dizes?  O  Mestre  contemplou  demoradamente  os  zeladores  de  Moisés. se .  em  vão....  Entregando­o  aos  companheiros  reencarnados  no  mundo. ao mesmo tempo em  que o inquiriam.  enviaste  a  Doutrina Espírita. atire a primeira pedra!..  tentando. A lei manda apedrejar. não permites que  os  vencidos  sejam  desamparados. sem dolorosas reparações.  Jerusalém..  bloquear  a  vida. em nome do Evangelho do Cristo. esta mulher foi encontrada em adultério.  desde  que  te  aceitem  a  luz  retificadora  para  o  caminho.  queremos  recordar Jesus – o Enviado de Tua Ilimitada Misericórdia – naquele dia de sol em  Jerusalém. os delinqüentes de ontem. em torno de  sexo e destino – fotografia verbal de nossas realidades amargas que entremeaste de  esperanças eternas. experimentando­lhe a conduta:  – Mestre.  que  o  amor  e  o  sexo  plasmam  responsabilidades naturais na consciência de cada um e que ninguém lesa alguém  nos tesouros afetivos. alongando a palavra a todos os moralistas dos séculos porvindouros:  – Quem estiver sem pecado.  disse­  lhes. Mostra que.  e.  porque  nada  mais  adiantaria  explicar­lhes  ao  cérebro  embotado  de  preconceitos.  Este  volume  pretende  afirmar.6 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Prece no Limiar  Pai de Infinita Bondade!  Este é  um  livro em  que  permitiste  ao nosso  André  Luis  traçar.  que.  Ao  tremendo  conflito  dessas  forças  gigantescas  que  lutam  pelo  domínio  moral  da  Terra.  se  não  podes  subtrair  os  culpados às conseqüências do erro em que se tornaram incursos. em  lances  palpitantes da existência.  esclarecendo. hoje redimidos.  porém.  enquanto  religiões  veneráveis  digladiam  com  a  Natureza.  com  escárnio  manifesto  à  dignidade  humana.  Tu. empenha­se o materialismo na  dissolução  dos  valores  morais.  escribas  e  fariseus  apresentaram­lhe  sofredora mulher que diziam haver apanhado em transgressão.  ainda.  qual  se  quisessem  ilaquear  a  si  próprias.  Na  praça  repleta  de  acusadores.. para asserenar os corações e  comunicar­lhes que o amor é a essência do Universo; que as criaturas te nasceram  do hálito divino para se amarem umas às outras; que o sexo é legado sublime e que  o  lar  é  refúgio  santificante. alguns conceitos da Espiritualidade Superior. porém.

 nas ciladas sombrias.  ao  confiá­lo  aos  nossos  irmãos  do  mundo.7 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  transfiguram  em  teus  mensageiros  de  redenção  para  aqueles  mesmos  que  lhes  caíram. mutilado ou enfermiço.  pois.  na  madureza  ou  na  velhice.  seja  na  infância  ou  na  mocidade.  deixa  possamos  lembrar­lhes  que  a  existência  física.  Abençoa.  e.) . 4 de julho de 1963. outrora.  mesmo  detendo  um  corpo  carnal rastejante ou disforme.  é  sempre  dom  inefável  que  nos  cabe  honorificar  e  que. devemos repetir diante da tua  Sabedoria Incomensurável:  – Obrigado.  (Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier.  o  presente  relato  estuante  de  verdade  e  esperança. meu Deus!  EMMANUEL  Uberaba.

  Cremos  seja  desnecessário  esclarecer  que  os  nomes  dos  protagonistas  desta história real foram substituídos por óbvias razões e que a presente biografia  de grupo não pertence a outras criaturas senão a eles mesmos que no­la permitiram  redigir.  (Página recebida pelo médium Waldo Vieira.  lar  e  reencarnação  constituem  os  temas  deste  livro. leitor amigo. mas sim no objetivo de aprender com a biblioteca da experiência. em passagens numerosas. 4 de julho de 1963.  ANDRÉ LUIZ  Uberaba.  amor  e  consciência. carreia consigo. ainda.  não  pelo  exclusivo  propósito  de  desnudar  a  verdade. permissão para dizer­te que não foi retirado um só til  das verdades que a entretecem – verdades da verdade.  nascido  na  forja  da  realidade cotidiana.  nada  mais  nos  compete  que  não  seja  entregar­te  a narrativa  que  a  Divina  Providência  nos  permitiu  alinhavar. após a oração do benfeitor. a luz de nossas esperanças e o  amargo sabor de nossas lágrimas.8 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Sexo e Destino  Sexo  e  destino. para a nossa edificação.  liberdade  e  compromisso. fremindo de capítulo a  capítulo.  culpa  e  resgate. que se pronunciou no  limiar.  Entretanto. depois de naturalmente consultados.) . que.  Solicitamos.

9 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  PRIMEIRA PARTE  Médium:  WALDO VIEIRA .

 após a desencarnação..  aprimoradas  e  belas.  no  Mundo  Espiritual  que  os  rodeia. de  imediato. no  Grande  Além.  sofrimento  e  expectação  esmerilam  a  alma. ante o reencontro da própria consciência.  eis­nos  erguidos  à  responsabilidade inevitável.  Sonhamos  o  apaziguamento  integral  dos  sentidos. a continuar­se naturalmente no Além. E entre as que se agarram profundamente às sensações da natureza física e  as  que  conquistam  a  sublime  ascensão  para  estágios  edificantes.  A verdade aparece por alavanca renovadora.  Com  raríssimas  exceções  na  regra. sofremos. ao lado de  outras  que.  No  entanto.  os  ingredientes  espirituais  que  cultivamos e atraímos. Larvas existem que se retiram do  ovo e revelam­se na condição de parasitas.  Uma vida humana.  reconstruindo.  para  outras  esferas. somos então defrontados por velhos preconceitos  que se nos entrechocam no íntimo.  o desencanto de todos os que esperavam pelo céu teológico. O berço inicia.  que  descansa nos porões da memória. ganhando altura.10 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 1  Qual  acontece  entre  os  homens.  habitualmente  imaginamos  o  paraíso  das  religiões  encravado  para  lá  da morte. entrando em largos  processos obsessivos.  Diferem  campos  e  vestimentas;  entretanto.  disciplinando.  o  acesso  à  alegria  inefável  que  anestesie  toda  lembrança  convertida  em  chaga  mental.  em  abandonando  o  invólucro  de  matéria  mais  densa. o  túmulo  desdobra. a  forma  de  partida.  de  pronto. assemelham­se. aos insetos. fácil de granjear. nos quais se movimentam à custa de forças alheias. assim.  Padecendo  ainda  espessa  amnésia.  Encontramos criaturas que se afastam do estojo carnal.  relativamente  ao  passado  remoto.  surge a gama infinita das posições em que se graduam. figuradamente. a princípio.  atravessada  a  fronteira  de  cinza.  aperfeiçoando.  a  planos  superiores  da  evolução. Anverso e reverso da experiência.  em  dois  tempos  distintos.  se  elevam. a luta da personalidade.  Emergindo na Espiritualidade. afigura­se  laborioso prélio em duas fases.  Enquanto  envergamos  a  veste  física. na mesma  ficha  de  identificação  pessoal.. assume.  Deixamos no esquife o casulo mirrado e transportamos conosco. os Espíritos  domiciliados  na  Moradia  Terrestre. em falenas de prodigiosa beleza. enquanto que outras se transformam. tombando despedaçados. Suspiramos pela inércia .  Inteligências em evolução na eternidade do espaço e do tempo.  somente  a  reencarnação  consegue transfigurar­nos de modo fundamental. de um renascimento a outro na Terra.

  copiando  o  feitio  de  companheiros  recém­chegados  da  Terra.  com  os  resultados  da  existência  aparentemente  encerrada  no  mundo. Referi­me aos descendentes que deixara no mundo e às inquietações  que me causavam.  *   *   *  Essas ponderações afogueavam­me o pensamento.  Pressentia­lhe na tristeza a presença de lutas domésticas a lhe torturarem a  alma.  Queixava­se  disso  ou  daquilo..  E  vez  por  outra.  caracterizava­se  por  extrema  lucidez.  para  atender.  de  modo  mais  direto.  jamais  entremostrara  desânimo  ou  fraqueza.  cuja  extensão  e  natureza  não  me  houvera sido possível perceber.  a  necessidades  de  ordem  familiar.11 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  que não existe.  denotava lágrimas que não chegavam a cair.  a  pouco  e  pouco  se  acomoda  às  circunstâncias.  em  serviço.  pretensiosamente.  os  que  não  lhe  comunguem  a  visão  acanhada. no exame dos problemas que as eventualidades do caminho apresentassem.  Isolava­se  em  funda  reflexão.  algumas  horas  de  desafogo.  por  mais  opressivo  se  lhe  evidenciasse o peso de compromissos e obrigações. tal  a  fibra  moral em  que  se  lhe  exprimiam as atitudes.  1  Organização de “Nosso Lar ”..  mostrava­se  arredio  e  desencantado. ( Nota do Autor espiritual) .  da  Paternidade  Divina.  Fugia  à  conversação  fraterna.  Provocando.  a  retaguarda  familiar  no  mundo lhe infligia dolorosas reminiscências difíceis de extirpar.  A princípio.  alegando  dificuldades  que  me  preocupavam. assim tanto? – aventurei.  aceitando  a  continuidade  do  trabalho  na  reeducação  própria.  na  existência  última.  Partilhando  expedições  arrojadas  e  valorosas  em  atividade  benemérita.  Ninguém  ousava  sondar­lhe  o  sofrimento.  – É a esposa quem o aflige.  ainda  não  lhe  víramos  hesitações  quaisquer.  busquei  habilmente  lançá­lo  à  extroversão. à espera da reencarnação que possibilite renovação e recomeço. reparando a tristeza e o  1  cansaço do meu amigo Pedro Neves.  excluindo.  porém. Exigimos resposta afirmativa aos absurdos da fé convencionalista e  dogmática  que  reclama  a  integração  com  Deus  para  si  só. devotado servidor do Ministério do Auxílio..  Veterano  de  empreendimentos  socorristas. nos recessos da  mente.  num  banco  de  jardim.  na  esfera  física. por vezes terríveis e extenuantes.  porém. quais ulcerações em recidiva.  alhear­se;  no  entanto.  Sempre denodado e humilde; agora. falou vagamente das apreensões que lhe assomavam ao espírito  agoniado.  Desde  então. porém. procurando localizar o  carnicão da mágoa que lhe abria as comportas do pranto silencioso.  Advogado  que  fora.  muitos  de  nós  saímos  abatidos  ou  revoltados  para  extensas  incursões  no  vampirismo  ou  no  desespero;  a  maior  parte  dos  desencarnados. e não me enganei.  Soubera­o  com  breves  encargos. enunciava sensíveis alterações  de comportamento.  De semelhantes conflitos.  Aspirava  a  esquecer.  O amigo absorveu a isca afetiva e desenovelou os sentimentos.

esperar.  enlouqueceram  no  mesmo  delírio  do  dinheiro  fácil  e  se  animalizaram  a  tal  ponto  que  nem  de  leve  guardam  qualquer  traço  de  minha  memória.  para  vascolejar  o  pretérito  e  extrair  dele  a  verdade..  não  me  registram  a  lembrança.  desde  muito. e prosseguiu:  –  Não  sou  homem  que  me  deixe  governar  por  sentimentalismos.  Há  quarenta  anos  moro  aqui  e.  Fitando­a.  evocado  pelas  bebidas  alcoólicas.  dantes  simples.  Intentando  captar­lhes  cooperação  e  simpatia..  Meditou.. em lamentáveis desequilíbrios. infelizmente.  somente  a  verdade.  cortando a pausa longa.  ao  tempo  de  minha  experiência terrestre.  – E os filhos?  – Jorge e Ernesto.  Além  disso.  a  experiência. Esse novo marido.  gastando  o  tempo  terrestre  em  prodigalidades  e  tafulices..  Atemorizava­me  a  perspectiva  de  vê­la  escravizada  às  forças  aviltantes  a  que  se  jungira  sem  perceber;  ansiava  retê­la  no  corpo  de  carne.  através  de  união  com  minha  esposa.  E  prosseguiu  esclarecendo  que  ela  se  associara  a  outro  homem.  se  apaixonou  pelas  comodidades  demasiadas.  senhoreou  os  cabedais  que  ele  ajuntara.  o  padrasto chegou  a insinuar  que não  seriam meus  filhos  e  sim  dele  próprio.  que  lhe  apareceu  por  verdugo  invisível..  quis  desforrar­se.  como  quem  resguarda  uma  criança  inconsciente  em  disfarçado  refúgio. para que a explicação não esmorecesse.  embora  aprecie  as  emoções  pelo  justo  valor.  depois  de  desencarnada.  Entretanto. algo sufocado por instantes.  às  quais  se  consorciou  levianamente..  Deixei­a  quando  a  mocidade  das  energias  físicas  lhe  estuava  no  sangue  e  Enedina. E agiu com tanta  leviandade  que  a  esposa.  ludibriados  pelo  fascínio  do  ouro  com  que  o  padrasto  lhes  comprava  a  subserviência.  nos  quais  será  preciso  biografar­nos. o que Enedina.  de  modo  permanente.  estabelecendo  para  si  mesma  desordenado  culto  ao  prazer..  se  compraz  na  viciação. em idade madura.  –  Minha  pobre  Enedina  voltou.  no  entanto.  Observando  o  esposo  em  aventuras  galantes.  entretanto. mal sabendo que apenas se transviava. hipnotizados pela riqueza material.. Não há outro recurso senão esperar. entregando­lhe seus três filhos por enteados.  edemaciada.  até  que  se  rojou  às  derradeiras  viciações  nos  desvarios  do  sexo.  há  quase  quarenta  anos.  arredou­a  completamente  de  sua  convivência  espiritual.  logrando  multiplicá­los  imensamente. à força de astúcia em arrojadas empresas comerciais.  tentando  a  fuga  impossível de si própria..  O companheiro esboçou um sorriso amarelo e considerou: ..  em  vão  procurei  estender­lhe  algum  consolo.  Jorge  e  Ernesto.  vencida.  a  esposa  compeliu­me  a  absoluto  desinteresse  do  coração.  ensaiei  alarmado  todos  os  processos  de  socorro  à  minha  disposição.  Mentalmente.  ai  de  mim!  Colhida  por  entidades  infelizes. não desmentiu.  porquanto  ela  mesma.  na  posição  de  cavalheiro  rico  e  desocupado.12 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Pedro fitou­me com a postura dolorida de um cão batido e respondeu:  –  Há  momentos.  me  ensinou  a  raciocinar.  abandonando  o  corpo  pela  imposição  da  icterícia.  –  E  meus  dois  filhos.  ainda  se  encontra  no  mundo  físico?  –  arrisquei.  compreensivelmente.  num  segundo casamento. para mim fizeram­se  inabordáveis.  não  obstante  serem  atualmente  negociantes  abastados.  André. não pôde sustentar­se a distância das exigências femininas.  Homem  ambicioso.  há  dez  anos.  –  A  esposa.  ainda  que  superficialmente.

 a partir do dia seguinte.  de  modo  mais intenso.. por amor à filha inesquecível. em  se  tratando  da  ternura  familiar.  antes.. que deixei na flor da meninice..  Estou  inapto. Minha filha vem atravessando os derradeiros dias terrenos. Agora. suportou pacientemente  as afrontas e conservou­se fiel ao meu nome.  fui  eu  quem  se  afastou  do  ambiente  doméstico.  presa  embora ao carinho que consagra ao esposo e ao filho único. .  conquanto  diligenciando  acalmá­lo. meu amigo? Os problemas do grupo consangüíneo? Por  muitos  anos.. a bondade de Deus não me arrojou à solidão.. Somos.. à frente dos desencarnados e..  vejo  me  na  condição do aluno debilitado pela expectativa de erros constantes. na mesma  faixa de entendimento...  estive  à  margem  de  todas  as  tricas  do navio  familiar..  Desde  que  me  postei  à  cabeceira  da  doente  querida.  Fizera­me  ao  oceano largo da vida.. com o corpo  torturado pelo câncer. motivo para alegrar­se?  – E os problemas. duas almas. Ainda assim..  com  quase  meio  século  de  existência  entre  os  homens.. o medo  é  comum. prepara­se Beatriz para  o regresso.  sob  sensações  de  insopitável horror. atormenta­se você por isso? A idéia do reencontro pacífico não será.13 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  – Imagine! Na carne. sou compelido a topar.  despedi­me. em  meu  caso.  mas  urgente  chamado  de  serviço  nos  impeliu  à  separação  e... Tenho  uma  filha  de  quem  jamais  me  separei  pelos  laços do  espírito.  a  irreflexão  e  o  descaramento.  nas  tarefas  de  assistência  à  enferma.  Dispunha­se  Neves  a  prosseguir. Beatriz.  sob  o  compromisso  de  irmanar­me  a  ele.  desambientado. assim..  Pedro enxugou os olhos e acrescentou:  –  Agora..  com  espírito  de  caridade.  – Mas.

  Ante  o  leito.  Idéias  a  lhe  fluírem. Fácil de se lhe ver a preocupação. o pai que perdera na  infância. dos quais se reconhecia  em gradativo processo de inevitável separação. ligada ao Ministério da Regeneração. da qual. atencioso:  – O irmão Félix veio hoje?  – Sim.  Observávamos.  A doença. como sempre. que a alma afetuosa da enferma se  dividia mais fortemente. ensimesmada. entre o esposo e o filho.  vivas  e  nobres.  Famoso  pela  bondade e  paciência.  desde  muitos  anos.  tal  a  extensão  do  amor  que os acolchetava um ao outro.  indicavam  que  se  habituara  à  certeza da desencarnação próxima. porém.  Conquanto  tranqüila.  que  alguns  adereços  ataviavam.  de  que  o  irmão  Félix. visualizava as portas do Além.  Neves inquiriu. ante a  crise  iminente. consumia­lhe a forma física.  qual  se visse  prestes  a recuperá­lo.  então. Apesar disso.  2  em  Nosso  Lar  .  2  Organizações no Plano dos Espíritos.  era  o  superintendente de importante casa socorrista.14 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 2  Repousava Dona Beatriz no leito bem­posto. (Nota do Autor Espiritual) . porquanto aos  quarenta e sete anos de idade mostrava o rosto singularmente engelhado e o corpo  leve. e recordava Neves.  em definitivo. demonstrando guardá­lo à conta de imensa estima.  doravante.  tudo  transparecia  limpeza.  nos  partilhará os serviços.  era  conhecido  como  sendo  um  apóstolo da abnegação e do bom­senso. como quem sonha à luz da vigília.  temos  aqui  André  Luiz.. por fim.  Refletia.  Saudamo­nos cordialmente. reconforto.. na Terra.  Informei­me. plasmando formosos quadros  íntimos. patenteando enorme cansaço. Notava­se­lhe fixada no pensamento a convicção  do viajante que atingira o término de espinhosa trilha. desde muito.  encontramos  sisudo  enfermeiro  desencarnado  que  Neves  abraçou. lhe competia  sair. assistência. tristonha. sem dificuldade.  No  aposento  acolhedor.  amigo  e  médico  que.  E apresentou­nos:  –  Amaro. carinho.  inquietava­se  pelos  vínculos  que  a  prendiam  no  mundo. decerto.

  espalmou  a destra na  fronte  da  filha  e  orou..  Dona  Beatriz  experimentava  dores  agudas  e  o  companheiro  mostrou  o  propósito  de  aliviá­la.  Reconstituindo  na  imaginação  as  relíquias  do  berço.  sobre  o  ânimo  do  companheiro  atribulado.  vós  que.  Dona Beatriz não mostrou a mínima reação.  entretanto.  A  ventania  da  angústia.  descerrou  um  dos  segmentos  da  janela  quadripartida.  ouvia  as  canções  do  lar.  enquanto  a  senhora  se  via  aparentemente  a  sós.  a  moça..  clamava  intimamente com toda a alma: “pai.  com  a  ingenuidade  infantil. suplicando  o  amparo  da  Bondade Divina..  Perfeitamente  tranqüila.  Na  acústica  da  memória. no vaso  do coração..  De  olhos  cerrados.  agoniado.. logo após.  que  lhe  parecia  distante  e  inacessível  no  tempo.  Respirando à saciedade. a largar­se em  acolhedora  poltrona  de  vime.  às  horas  da  meninice.  Em  grande  prostração física. em pranto comburente!  Neves  cambaleou.  Renteou  conosco.  Lágrimas  de  enternecimento  inexprimível  perolavam­lhe  a  face.  através  do  passe  confortativo. verificando­lhe as  condições. com grande surpresa para mim. evolavam­lhe do tórax.. a jovem.  sentia­se  no  regaço  paternal.  dando  a  idéia  de  quem  diligenciava  fugir de si mesma.  porém. uma jovem.  lembrava  a  ternura  do  genitor.  O  concurso  magnético  de  minutos  antes  insensibilizara­lhe  os  centros  nervosos. quais minúsculas flamas azulíneas.  Encaminhou­se.15 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Não  dispúnhamos.”  Meditai..  a  recompor  o  semblante  que  o  sofrimento  transfigurara.  revelava  profunda  sensibilidade  mediúnica. atraindo a corrente de ar fresco que nos bafejou sem alarde.  à  maneira  da  ave  de  regresso  à  penugem  do  ninho!  Dona  Beatriz  chorava.  embora  não  assinalasse  a  presença  paterna..  Enlacei­o.  voltava. sem  dormir. Oh!  Os  sublimes  pensamentos  do  leito  de  dor!.  na  qual  observávamos  a  posição  da  enfermeira improvisada.  Chispas de luz.  E  antes que pudesse enunciar qualquer impressão.  a  doente.  A  recém­chegada  esboçou  o  gesto  de  quem  reconhecia  tudo  em  ordem. na direção de pequenino armário próximo e.  a  pedir­lhe coragem. e tomou o pulso da enferma. .  entrou  cautelosamente  no  quarto.  Em  seguida.  E  sem  que  a  boca  enunciasse  o  menor  movimento.  encantada. continuando a descansar.  admitis  para  os  desencarnados  a  indiferença  da cinza! Para lá dos túmulos. retirou­se para um dos ângulos do aposento. aplicando­lhe injeção  anestesiante. meu pai!. figurando­se nas vinte  primaveras  da  experiência  física..  Identificava­se.. munindo­se  dos recursos necessários. acendeu  um  cigarro  e  passou  a  fumar  distraidamente.  perdurou  apenas  alguns  momentos. de leve. amor e saudade muitas vezes se transformam.  no  mundo. sem perceber­nos.  Refeito.  de  qualquer  tempo  para  considerações  pessoais. voltou à cabeceira da dona da casa.  Emocionado.  de  novo.  a se projetarem naquele corpo fatigado.  contudo.  observei  que  Dona  Beatriz  se  acomodava  a  suave  torpor. revestindo­o de energias calmantes.

  outro homem. indicando­a.. com mais segurança.  Repartindo  a  própria  atenção  entre  ela  e  Amaro. no futuro. A sua mente vagueava longe.  Ela e ele.  cunhada por sua própria imaginação.  evidenciando­se­ .  a  figura  de  um  homem  amadurecido...  pelas  atitudes  sentimentais. cujos olhos denotavam recôndita inquietude. as  reminiscências  que  lhe  empolgavam  os  sentidos. para atender com eficácia. mostravam­se ambos extasiados.  para  além  da  janela.  Fisicamente.  o  nosso  amigo da  esfera  espiritual.  soprava.  à guisa  de  menina crescida. exibia telas mentais complexas.  semelhavam  pai  e  filha;  entretanto. alternadamente.  superficialmente.  Tentei. juntos.  –  Imagine!  –  voltou  a  dizer  –  fumar  aqui. porém. não conseguiam disfarçar a estuante paixão um pelo outro. as baforadas  cinzentas que  lhe escapavam da boca. Agora. discreto.  com  minúcias.  sem  qualquer  intuito  menos  digno.  a  feição  espiritual  de  todas  as  peças  humanas que lhe articulam a equipe.. de pronto.  fosse  aboletados  no  automóvel  de  luxo  ou  enlaçados  na  areia  morna das praias. De olhar  parado. recuei assustado.  Trazido  pelas  circunstâncias  a  colaborar  na  solução  de  um  processo  assistencial.  em  contradição  com  os  nossos  propósitos  de  socorrer  a  doente. Percebia­se­lhes. Neves. informou­me:  – Trata­se de Marina. adquirir mais amplo conhecimento da posição..  A moça entrefechava as pálpebras para senhorear..  sob  o  turbilhão de névoa fumarenta. a pedido dele.  Marina  apresentou.  escutava... contadora de meu genro.  ébrios  de  prazer. conchegados sob a proteção de arvoredo tranqüilo ou sorridentes  em  tumultuados  abrigos  de  encantamento  noturno.  Aproximei­me  reverentemente  da  jovem. adivinhava­se­  lhes  o  romance. Nos painéis  sutis que surgiam e se desfaziam.  que  atravessara na véspera.  surpreendentemente.  adentro  de  si  própria.  Contemplei Marina. desempenha funções de assistente.  numa  câmara  de  dor.  Quadros vivos de esfuziante agitação ressumavam­lhe na cabeça.  logo  após.16 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Neves  fitou­a.  fizeram­me  para  logo  sentir que Marina se achava ali.. muitas vezes.  no  propósito  de  sondá­la  em  silêncio e colher­lhe as vibrações mais intimas; contudo. que se dedica ao comércio  de imóveis.  Estranhas  formas­pensamentos..  a  música  brejeira  da  noite  festiva.  Manifestando  ainda  alguns  laivos  de  respeitosa  estima  para  com  a  nobre  senhora  estirada no  leito. a lhe relampaguearem  na aura imprecisa.  deitando­lhe  significativo  olhar  em  que  se  mesclavam  piedade e revolta e.  retratando­lhe  os  hábitos  e  anseios.  examinar­lhe­á.  Apesar  de  surgir­nos...  Deslumbrantes  paisagens  de  Copacabana ao Leblon desfilavam por admirável fundo pictórico. abundante. a intimidade... iniciei os apontamentos de ampla anamnese psicológica.  a  princípio. tão  jovem  quanto  ela  mesma.  mentalizar. a contragosto.  Evidente sarcasmo transparecia­lhe da palavra reticenciosa. parecia querer falar à vontade e  desinibir­se. e experimentava ainda na garganta a impressão do gim que  sorvera. acima da fronte.  ao  doente.  passei  a  estudar­lhe  o  comportamento isolado.. A Medicina terrestre. a repetir­se­lhe. conquanto mudo e constrangido..  onde  a  morte está sendo esperada!.  Respeitoso.  para.

  Ela  e  ele  também  juntos..  por  solicitação  dele  próprio.  que  de  algum  modo  me  partilhava  a  inspeção.  ansiedade  e  arrependimento. diferente.  como  se  estivesse  afeiçoada  aos  mesmos  sítios. sugerindo o encontro de crianças enamoradas. a  entretecerem aspirações e sonhos. Formava novo tipo de palco  para exibir a lembrança das próprias aventuras. abatido:  –  Está  vendo?  Julga  que  é  fácil  para  mim.  Neves.  suportar  aqui  semelhante criatura?  Tratei  de  consolá­lo  e..  passamos  a  pequeno  salão de leitura. .  saboreando  refrescos  ou  repousando  em  animados  entendimentos nos jardins públicos.  Naqueles rápidos minutos de fixação espiritual.  desfrutando  companhias  diversas.17 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  nos entregue às cenas de um filme interior. enunciando.. contíguo ao aposento da enferma.  jugulada  por  pensamentos  de  medo  e  inquietude. a fim de que pudéssemos refletir e  conversar.  quebrou  a  calma  reinante...  pai  da  doente. em que se exteriorizava tal  qual era.  no  mesmo  carro  entrevisto  ou  na  condição  de  pedestres  felizes. Marina revelava a personalidade dúplice da mulher dividida entre o carinho  de  dois  homens. no qual se destacava igualmente ao  pé  do  rapaz.

  onde  algumas  jovens  exibiam  formas  semi­nuas  em  coleios  esquisitos.  apoio  na  prece.  Neves sorriu.  que. .. Os  dois unidos.  De  começo. Entidades  perturbadoras e perturbadas..  na  arena  doméstica.  ao  trabalho  mais  íntimo.  Comentei.  de  retorno.  Sem  minhas  observações pessoais.  Depois. o amigo cravou os olhos lúcidos nos meus e obtemperou:  – Após a desencarnação.. É preciso espremer o sangue do coração  para confirmar o que ensinamos com a cabeça.  E  sabe  onde  o  encontrei?  Nada  de  escritório....  imagina  as  novas  condições  que  nos  tomam  de  assalto.  renovamos  a  vida..  porém..  em  serviço. a didática é outra.  felizes.  Endereçou­me  o  olhar  de alguém  que anseia  derramar­se noutro alguém  e  continuou:  –  Saiba  você  que  na  quinta  noite  de  minha  permanência  aqui..  tolere.  vampiros  articulavam  trejeitos.  Em  recanto  multicolorido.  fanfarrão despudorado. de minha parte.  cujo  conteúdo  lábios  entediados  não  haviam  conseguido  sorver  totalmente.  incontinenti....  que  supúnhamos  varrida  para  sempre  da  memória.18 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 3  Na peça isolada.  Equipes  salvadoras.  muitas  vezes é obrigada a descer da alta cultura para dissecar os cadáveres. e ajuntou:  – Compreendo que você se reporta à vantagem do pensamento positivo na  fixação do bem e creia que. achamo­nos na segunda fase da própria existência  e  ninguém.. Champanha correndo e música lasciva.  as  minhas  considerações  talvez  descabidas. através da oração...  A  Medicina  é  ciência  luminosa. breve.  teria  fugido.  por  favor. Bilontra.  escola  da  caridade.  recheada  de  raciocínios  puros;  no  entanto. em plena madrugada.  quando  trazidos.  Ensaiamos..  não  fossem  as  necessidades  de  minha  filha.. a excelência do olvido de todo mal. – tentei cortar as doloridas alegações. não teria admitido tanta leviandade em meu genro.  notando  Beatriz  em  aguda  crise  de  sofrimento. qual marido e mulher.  diligenciei  buscar  meu  genro  para assisti­la  em  pessoa.  a  se  inclinarem  sobre  taças. jungidas ao corpo dos bailarinos.  na  Terra.  Agora.. sim.  Indignado. meio desconsolado..  – Sim. junto da menina que você acaba de conhecer. Avalie que me encontro nesta casa.  .  segundo  a  falsa  informação  que  deixara  em  casa.. farei quanto puder para não esquecê­lo.  estudo  das  vibrações.  o  culto  dos  grandes  sentimentos  humanos. enquanto outras iam e  vinham.  apenas  há  vinte  dias  e  já  recebi  tantas  punhaladas  na  alma.. argumentei quanto ao  merecimento do auxílio silencioso.  como  na  situação  especial de meu caso.  fui  surpreendê­lo  numa  furna  penumbrosa.

. desarmando­me o íntimo.  avancei. procurando esclarecê­  los  e  modificá­los  para  o  bem.  Imprudentemente  agastado  contra  a  insensibilidade  do  homem  que  me  desposara  a  filha  querida.  rememorando  minhas  experiências. para acompanhá­la até ao quarto da enferma. para cogitar.  qual  jóia  rara  a  emitir  discreta  radiação.  Tudo  rasteiro.  sobre  os  entes  amados  que  lhes  desertavam  da  afeição. recordei minha filha  doente  e  revoltei­me.  de leve.  Funcionara.  de  relance.. rearticulando os pensamentos.  violentos. procurei reprimir­me.  Tomado  de  cólera  incoercível. se erigiriam igualmente em penosa herança para todos aqueles com  os quais se desarmonizavam; advertia­os de que o túmulo esperava também quantos.  E. A dama inesperada não me censurou.  aqueles  que  se  animalizavam.  interpretando­me  os  pensamentos..  Dispunha­me. Envergonhado. despedindo­se. nos braços um do  outro.  bastas  vezes. entusiasmado.19 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  completando.  O  amigo  fez  ligeiro  intervalo.  esmurrei­lhe  a  face.  O  “homem­velho” que eu fora e o “homem renovado” que aspiro a ser digladiavam em  minhas fibras recônditas. de socorro  à filha em dificuldade..  em  meus  braços  rijos;  entretanto.  vi­me  chamado  a  praticar os bons conselhos que havia administrado..  irrefletidamente.  Ele  deixou­se  cair  nos  ombros  da  companheira.  em  seguida. nem fez qualquer alusão  ao  meu  gesto  infeliz...  Súbito  desespero  apossou­se  de  mim. e continuou:  –  Tinha  visto.  inconveniente..  lograva  acalmá­los  para  a  retirada  benéfica. e completou a frase.  obtemperou  depois  de longa pausa: .  que  lhe  brilhava  palidamente  no  peito.  em  sentido  menos  digno. Não entremostrava  sinais  exteriores  de  elevação.  depois  da  morte.  Ao  revés. A mensageira anônima recolocou­me no lar..  como  se  estivesse  sob  o  impacto  de  súbita  lipotimia.  Patenteava­se.  ainda  agora.  Ensaiava  alguma  observação  reconfortante. constrangido.  Uma  senhora  desencarnada.  no  trajeto.  nos  lares  que  lhes  haviam  sido  reduto  à  felicidade.  Afagou­me.  positivamente intrigado.  Oscilou  minha  razão  escurecida.  Fisguei meu genro e a colaboradora.  delicada;  e  depois  disso  não  mais  a  vi.  pois  cheguei  a  justificar.  quanto  nós  mesmos. ao evocar a própria inconformação..  E  porque  a  gentil  interventora.  falou­me  com  bondade.  em  outro  tempo.  fitei­a.  a  deplorável  atitude  dos  companheiros  desencarnados  que  se  transformam  em  vingadores  intransigentes. em diversas comissões socorristas.  Estacou numa pausa..  em  nome  da  arte.  Demonstrava conhecer Beatriz.  quando  Neves.  a  torcer­lhe  o  corpo.  Mas  ali.  enxugou  as  lágrimas  que  lhe  corriam  no  rosto..  a  cabeça  e  induziu­me  à  serenidade.  me  lembro  dela. Atendi sem relutância.  na  Terra. acusando  agoniada indisposição.  pelo  que.  não  consegui.  quanto  à  filha  doente.  a  se  precipitarem.  e. aproximou. E acabou convidando­me a  sair do recinto.  qual  fera  desacorrentada.  aliás.  Diferenciava­se  apenas  através  de  minúsculo  distintivo  luminoso..  de  semblante nobre e calmo.. tanto quanto eu próprio.  somente  se  reportasse  aos  méritos  da  compreensão  e  da  tolerância.  sem  qualquer  referência  aos  desvarios  da  casa  que  vínhamos de deixar. exclusivamente.  os  quadros  que  o  mau­gosto  humano  pretendia  apresentar.  apavorado..  lhes  sonegavam  lealdade  e  ternura.  depois  da  desencarnação.  a  fazer­lhes  sentir  que  as  lutas  morais.  impróprio.  tão  profundamente  humana. aditando:  –  Mas  não  pude.

.  conduzindo­o  à  cabeceira  da  senhora. incontinenti. excitado. vencido.  tudo  faremos  sem  qualquer  sacrifício. que passou a fitá­lo entre confortada e abatida..  Onde  a  primavera  de  nossa  casa? Você anda esquecida de que nos ensinou a colocar alegria em tudo? Largue os  ares sombrios. Ainda ontem..  As  transformações  domésticas..  – Receio partir de uma hora para outra. Tire­me dessa aflição..  Trocando  com  ela  enternecido  olhar..  Questão  de  tempo.  sacou  um  sorriso  amargo  e  prosseguiu: – Enquanto você estiver em tratamento. Não  é hora de São Lourenço. foram enormes..  ao  local. nossas viagens estão sustadas.  já.  os  impositivos  da  luta humana e as sugestões da natureza física que me haviam alterado a esposa e os  filhos. na Terra...  – Minha estação curativa será outra.  nunca  se  viu  defrontado  por  acontecimentos  assim  desagradáveis?  Recordei... quando se reconheceram sem a minha presença direta. compreensivelmente sem perceber­nos..  e  ajuntou:  –  Nemésio.. Você  entrará em convalescença..  O interpelado mostrou profunda emotividade e respondeu.  Cavalheiro  maduro e  simpático  penetrou o recinto... após a desencarnação.  emocionadamente.  a  princípio. explicando­me:  – É Nemésio..  É  necessário  que  você  lhe  garanta  abrigo seguro. retornaram­  me  ao  coração. ouvi nosso médico. quando reajustava a gravata bem­posta.  diligenciando  agradá­lo.  Ora..  –  Não  me  fale  em  pessimismo. e comentei:  –  Sim. Reconstituí na memória todas as  telas em que me surpreendera desanimado.  Marina  veio  recebê­lo  com  amável  sorriso.  A  doente  pronunciou  algumas  palavras  breves. repassou  lenço alvo sobre a testa suarenta e. cortês:  – Beatriz. já. meu genro. . indicou­o.  atravessada  a  grande  barreira. atenciosamente.. em espelho próximo.. Lançou­se.  Neves. escutou  prolongado suspiro.  André.  os  empeços  familiares. para a câmara contígua e seguimo­lo.. contrafeito. dilacerado.  A  pobre  criatura  perdeu  a  casa  quase  que  totalmente.  Dona  Beatriz  estendeu  a  mão  descarnada  que  o  marido  beijou. Penso nela com os filhos ao desamparo.  as  primeiras  impressões  que  me  haviam  transtornado a sensibilidade. Amanhã tomarei providências definitivas para que o barraco seja levantado.. Já enviei um amigo.  assimilando­lhe o torturado influxo mental.  acomodou­se  Nemésio  rente  aos  travesseiros.  Entretanto.  meu  amigo..  a  endereçar­lhe  perguntas  carinhosas.20 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  –  Você.  os  meus  problemas. construtor experiente. não há dúvida alguma.  Senti­me  mais  estreitamente  ligado  ao  meu  interlocutor..  Não  se  preocupe.  ora. não  foi  possível  desabafar­me...  ao  mesmo  tempo  em  que  lhe  alisava  a  descuidada cabeleira.  – Partir para onde?  Nemésio  acariciou­lhe  a  fronte  descolorida.  você  me  perdoará  se  volto  ao  caso  de  Olímpia...  O recém­chegado mirou­se.

  Alteravam­se­lhe  agora  os  pensamentos.  a  falar  brandas  palavras  para  a  esposa  satisfeita.  qual  se  estivesse.  Nemésio  levantara­se  rente  ao  leito  e.  Na  face  amarelada.  até  ali.  afagando.  viver  por  muito  tempo  ainda  no  aconchego  familiar.  por  trás  da  cabeceira  alteada.  se  desinibia.  a  enferma  acreditou  no  reerguimento  do  corpo  físico  e  ansiou  viver.  nos  olhos.  simultaneamente. uma à outra.  estendeu a Marina.  claro  e  puro. através do olhar brejeiro. pareceu reanimar­se.  tanto  quanto  eu.  comovida.  Contemplei  Nemésio.  solicitou  de  Marina  uma  chávena de leite. então. Aqueles  olhos  imensamente  lúcidos  derramaram  duas  lágrimas  de  felicidade  que  o  esposo  enxugou  com  gracioso  gesto. .  instintivamente.  admirado.  para  Neves  e  ele.  que  se  me  afigurou  uma  flor  de  esperança  num  cacto  de  sofrimento.  então.  Dona Beatriz.21 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Você  estará  restabelecida  em  breve  e  ambos  iremos  ao  primeiro  café  em  casa  de  nossa Olímpia.  lampejaram raios de confiança.  indicando­me  as  duas  mãos  que se acariciavam. incompatíveis com a sensação de respeitabilidade que ele  nos inspirava.  Dispensava­lhe  a  compreensão de um amigo. rápidos.  O  pensamento  de  Nemésio  revelara­se­nos.  pouco  a  pouco.  E.  os  róseos  dedos  da  jovem  que.  refleti  na  bondade  daquele  homem  que  a  palavra  do  companheiro  me  apresentara noutras cores.  que me pareceram.  A  enfermeira  atendeu.  Neves  endereçava­me  estranho  olhar.  no  coração.  Voltei­me.  outro  quadro  se  nos  desdobrou  à  visão. a mão grossa e hirsuta a que ela  entregou a destra alva e leve.  Manifestando  o  próprio  reconforto.  nos  ouvidos. que se mantinha do lado oposto.  defrontado por indizível assombro. exclamou para mim:  – Este homem é um enigma.  Alguns momentos escoaram­se.  enquanto  a  doente  sorvia  o  líqüido..  gole  a  gole..  Quando  a  enferma  devolveu  a  xícara. Entreabriu­se­lhe a  boca  num  largo  sorriso.  Experimentando­se  mentalmente  renovada. a ternura de um pai.  Trazia  Dona  Beatriz  no  cérebro.  O  marido  passou. ante o carinho dele.

 para ser útil.  ao  lado  de  minha  filha.  ali  mesmo. fugindo claramente à presença da enferma. de minha parte. positivamente desapontado. convidando­me.  nutrindo  por  eles  ressentimentos  quaisquer.  recomendando  o  desprendimento: contudo.  Guardavam  no  semblante  a  expressão  dos  namorados  felizes.  Aludia  ao  passado. as  portas  do  lar  se  fecham no mundo.  qual  menino  travesso.  Arrojara­se  o  companheiro  ao  clima  da  dignidade  ofendida.  Dispus­me. aturdido:  –  Fique. se houvesse  vida além da morte.  fique.  a  sair. mesmo amigável.  Desde  muito  aprendi  que  para  as  pessoas  desencarnadas.  estou.  quase  sempre. Não fosse a obrigação de respeitar­lhe os sentimentos e.  às  portas  do  fim. certo..  Não  louvo  a  indiscrição;  no  entanto.  Justificava­se. Deveriam ser  bons  para  Beatriz. quanto à  dificuldade  com  que  somos  todos  nós  defrontados  para  dissipar  a  ilusão  da  posse  sobre os  outros.  A  esse  tempo.  Ouvia­lhe.  de  improviso. a seu ver.  Nemésio  enlaçara  a  enfermeira. me  exorbitaria. Exprobrava a conduta do  genro.  aos  arrebatamentos  da  juventude.22 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 4  Acomodados.  dando  a  impressão de que a família encarnada ainda lhe pertencia.  À  guisa  de  duas  crianças  enlevadas  e  jubilosas.  em  comprida  tirada  filosófica.. de novo.  Amimava­lhe  as  mãos  miúdas  e  os  cabelos  sedosos.. Ouvira o médico..  em  sentido  direto.  reportando­se  ao  futuro. buscava soerguer o ânimo de  Neves..  instintivamente. interessado em vacinar a escolhida contra o ciúme..  copiando  as  preocupações  de um adolescente. os apontamentos. a refletir.  quando  alimentam o clássico “enfim sós”.  E  sorria. quando  a  morte  lhes  cerra  os  olhos. na  véspera.  qual  se  voltasse. logrei apenas confortá­lo:  –  Não  se  aflija. Desculpava­se.  Exalçava  os  merecimentos  da  filha.  quando  ele  próprio  vencera lances difíceis na luta sentimental.  e  agradecer  ao  destino  que  os  livrava  dos  aborrecimentos e percalços de um desquite.  mas  Neves  sustou­me  o  impulso  de  retirada.  simplesmente  há  alguns  dias  e  devo  saber  o  que  ocorre. no aposento próximo. condoído. .  explicando  que  não  admitia  a  sobrevivência da alma; no entanto. não  desejava  que  a  esposa  partisse. não pude prosseguir.  informando­se  de  que  a  doente  não  conseguiria  viver  mais  que  algumas  semanas.  Nemésio  e  Marina  penetraram a câmara.  Entretanto. trancando­se contentes.

  aliada  ao  espírito  de  censura. o conflito de que se verificava possuída. mais amplas evidências de fidelidade e ternura. naquela hora.  que  lhe  requisitava. de vez que acompanhávamos os mínimos gestos dos  dois.  as  mais  ternas  expansões  de  encantamento  recíproco.  Olvidando  os  compromissos  abraçados. confundida entre aflições e remorsos a lhe arpoarem o coração. que  transformaria  em  bangalô  confortável.  Escabroso.  entregando­se­lhe  sem  reservas.  De  futuro.23 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Apaixonado.  sem  ser  dissoluto. a quem se reconhecia imanizado por  intensa atração. a jovem prorrompeu em pranto copioso.  esposa  para sempre.  entretanto.  para  ela. com aguçada observação.  aspirando  a  aliviar­lhe  a  tensão  convulsiva.  procurava  convencer­se  de  que  se  via  correspondido.  a  fim  de  que  a  moradia  os  recebesse. porquanto.  às  impressões que esboçávamos.  De inopinado.  entre  si.  perante  a  esposa.  cada  vez  mais.  Confessava­lhe  devoção  inexcedível.  Marina  retribuía.  cravando  a  atenção nos olhos enigmáticos da companheira.  Assinalei.  Ele  e  ela  comunicavam­se.  como  quem  se  deixava  querer  bem;  no  entanto. porém.  embora  a  voz  ciciante. ali. automaticamente. porém. à vista da  sinceridade inequívoca de todas as promessas que lhe eram endereçadas. sem dúvida.  reparávamos  que  Marina  se  fixava.  a  encontrar nesse  outro  o  incentivo  necessário a essa mesma emoção.  Inteligente  bastante  para  entender  quanto  se  lhe  debilitara  o  raciocínio  de  homem  circunspecto.  Mandaria  aprestar  a  reconstrução  em  estilo  novo. na casinha de São Conrado.  entre  o  verde  do  mar  e  o  verde  da  terra. bandeara­  se  o  chefe  da  casa. Viveriam felizes.  Semelhantes  registros  que  formulamos.  apresentava  o  fenômeno  singular  da  emoção  jungida a  ele e o  pensamento  voltado  ao  outro. De  nosso  lado.  com  absoluta  imparcialidade.  estabelecia  correntes  mentais  estimulantes  da  turvação  psíquica  de  que  ambos  se  viam  acometidos.  o  anseio  com  que  lhe  aguardava  o  carinho  permanente  no  refúgio caseiro.  apaixonadamente.  O  companheiro  beijou­lhe  a  face.  Nemésio comentava os próprios empeços. vimo­nos obrigados a  reconhecer  que  a  nossa  expectativa  maliciosa.  Não  a  queria  de  ânimo  inquieto.  O  marido  de  Beatriz  acentuava.  no  momento  oportuno. no moço cuja figura se lhe engastava à imaginação.  correntes  essas  que. estranha ocorrência.  empenhando­se. prejulgando­lhes os desígnios com o fundo de nossas  próprias experiências inferiores já superadas. .  como  que  lhes agravava o apetite sensual.  Aguardaria  apenas  a  modificação  do  próprio  estado  social  para  conferir­lhe  o  título  de  esposa.  Que  ela  confiasse. a menina identificava a fase perigosa da partida infeliz a que se lançara  e aturdia­se. sensibilizado.  partindo  de nós  na  direção  deles.  por  todos  os  meios. abandonaria os negócios.  Isso  tudo  era  dito  num  jogo  de  manifestações  carinhosas  em  que  a  sinceridade prevalecia num lado e o cálculo no outro.  e  pareciam  aderir.  em  transportes  de  felicidade  juvenil. atento qual me achava ao estudo.  são  dignos de nota.

 com a idéia enternecedora de quem revia um  companheiro. .  não  era  a  luz  suave  a  se  lhe  extravasar  docemente da aura de sabedoria que me impressionava e sim a substância invisível  de amor que lhe emanava da individualidade sublime. venerando amigo espiritual penetrou a câmara.  assinalávamos as telas mentais da moça.  indicado  para  breves  dias. para concluir.  afetuoso. E talvez percebendo que apenas à  força de palavras não conseguiria subtraí­la aos soluços. que  se  lhe  destacava  do  pensamento.  Não  estaria  a  sós. de relance.  Que  não  se  amofinasse.  Radioso  halo  circundava­lhe  a  cabeça;  no  entanto..  reportou­se  a  supostas  agruras  do  lar. arrancou de pasta próxima  um livro de cheques.  Exprimia­se Nemésio em tom de súplica.  Tentando  esquivar­se  de  si  mesma.  Tivesse  paciência. qual se fosse visitado no âmago do  ser por inexplicáveis radiações de envolvente alegria.  Partilhar­lhe­ia  todos  os  impedimentos  e  dissabores.  tremia  pelas indébitas concessões que lhe havia feito.. falou em dificuldades financeiras.  que  amava até à  loucura aquele rapaz  franzino.  Não  obstante  desencarnado.  Fluidos calmantes banhavam­me todo. através de cativantes apelos da memória. Remoia­lhe no espírito as recônditas  reminiscências de sua aventura afetiva.  E. quanto ao choro intempestivo.  formulando  frases  de  paternal  solicitude.  O  desenlace  de  Beatriz.  Fizera­se  querida  pelo  maduro  genro  de  Neves. embatia­se guerra terrível de emoções e sensações.  voltei­me  para  Neves.  Fitei­lhe os olhos.  No  silêncio  que  sobreveio. a jovem adotou  largo  processo  de  perfeita  dissimulação.  O  interlocutor  reconfortou­a.  Salientou exigências maternas. alegou fantásticas  humilhações  que  colhia  no  trato  da  irmã  adotiva.  mencionou  incompreensões  do  genitor. Sobrecenho crispado alterava­  lhe a feição no desequilíbrio vibratório que precede as grandes crises de violência.  ao  responder­lhe às reiteradas perguntas.  Arrebatadora  expressão  de  simpatia marcava­lhe  a  presença..  Receava  se  lhe  transfigurasse  a  calamidade  emotiva  em  agressão.  Nemésio  consolava­a.  mas  não  consegui  pronunciar palavra. ao passo que ele a enlaçava.  A moça pareceu mais comovida.  o  amigo  se  me  afigurava  agora  um  homem  positivamente vulgar da Terra.24 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Compelidos  pelas  circunstâncias  à  penetração  dos  assuntos  em  exame. a se lhe derramarem do íntimo.. exibindo no rosto a apreensão de quem se  recriminava sem qualquer justificativa de consciência.  Dentro dela.  A súbitas. irradiando­  lhe a história.  mas  sucedeu o imprevisto. recapitulando todos os sucessos pelos quais  havia atraído o protetor experiente aos seus métodos sutis de sedução. que a revolta azedava.  agora  que  os  acontecimentos  lhe  impeliam  a  alma  na  direção  de  laços  mais  profundos.  ser­lhes­ia  o  marco  fundamental da ventura definitiva.  invocando  problemas  domésticos  para  articular evasivas com que encobria a realidade. em rixas constantes nos círculos da família.  fossem  quais  fossem.  assustada. Todavia. longamente esperado por aflitivas saudades acumuladas no coração.  sem  dedicar­lhe  outros  sentimentos  que  não  fossem  reconhecimento  e  admiração. colocando­lhe expressivo concurso amoedado nas mãos que o  lenço molhado umedecera.

  Erguemo­nos de chofre. O emissário. Esmoreceram­se­lhes os estos de paixão.  Nemésio e Marina transferiram­se. Assemelhavam­se ambos a um par de  crianças. de repente. algo de inusitado.  com  o  evidente  propósito  de  frustrar  quaisquer  elogios no nascedouro. benevolente.  ante a presença materna.  de minha parte. impelindo­me o espírito a  raciocinar em nível mais alto.  mas osculei­lhe a destra  com  a  simplicidade  de  uma  criança.  através  das  reencarnações  numerosas  de  trabalho  e  esperança.  – Grande contentamento o de vê­lo – disse.  a  apresentar­me  quase sorrindo:  – André. incontinenti. Não podia auscultar o mundo íntimo de Neves; contudo. – Deus o abençoe.  Após  cumprimentá­lo. abrace o irmão Félix. por mudo agradecimento.  E não era só isso.  de  improviso.  Num átimo.  percebendo nele um verdadeiro irmão que me cabia entender e respeitar. aquele amigo que se me impôs  ao sentimento qual irmão de velhos tempos? Debalde vascolejei a memória naqueles  segundos inolvidáveis. em seguida. vi­me recambiado às sensações puras da infância. súbita compreensão me inundou a alma.  ofertando­me  um  abraço  e  proferindo  saudação  calorosa.  Confirmei a impressão de que a nossa curiosidade enfermiça e a revolta que  dominava  Neves  até  então  haviam  funcionado  ali  por  estímulos  ao  magnetismo  animal  a  que  se  ajustavam  os  dois  enamorados.25 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Onde teria conhecido.  à  feição  de  um  raio.  o  recém­chegado.  que estacara à frente de nós. mas também ao carinho de  minha mãe. não me fazia retomar simplesmente a segurança a que  me habituara.  E  se  eu  estivesse  no  lugar  de  Nemésio?  Estaria  agindo  melhor?  –  Silenciosas indagações se me incrustavam na consciência.. quando menino.  possuído  de  novos  sentimentos.  entretanto.  atraídas  uma  para a  outra.  cujo  pensamento  se  transfigura.  rogando­lhe  mentalmente  receber  as  lágrimas  que me caíam da alma.  Adiantou­se.  porém.  se  compõe  a  seiva  divina  do  amor  que  aproxima  os  seres e lhes transfunde os sentimentos numa só vibração de confiança recíproca?  Levantei  meus  olhos  de  novo  para  o  benfeitor  que  se  avizinhava  e  fui  compelido a sofrear a própria emotividade a fim de não retê­lo instintivamente em  arremessos de regozijo. ante os  braços paternos.  porquanto  bastou  que  o  irmão  Félix  lhes dirigisse compassivo olhar para que se modificassem.  A  comoção.  então  desanuviado. . que nunca se me apartara do pensamento.  Não  logrei  arrancar  do  coração  à  boca as expressões com que anelava pintar o meu enlevo..  meu amigo. nas trilhas do destino.  Ocorreu.  disse  Neves.  A  visão  de  Beatriz  enferma  cortou­lhes  o  espaço  mental.  que nem  de  leve  desconfiavam  da  minuciosa  observação a  que  se  viam  sujeitos. a novo campo de espírito.  Oh! Deus.  dívidas  e  resgates. em que forja da vida se constituem esses elos da alma? Em que  raízes  de  júbilo  e  sofrimento.  imobilizava­me...  Fitei  o  atribulado  chefe  da  casa.

  a  impropriedade  da  atitude  que  assumira. sem que ainda o  saiba.  Reparei que Neves ansiava conversar. como se estivesse admiravelmente  conduzida em ocorrência mediúnica.  a  refletir­lhe  a  renovada  posição  interior.  com  indisfarçável  remorso.  prossegui  estudando  a  metamorfose espiritual que se processava.  patenteando  integral  desinteresse  por  qualquer  forma  de  entretenimento  físico. tranqüila. de antemão preparada.26 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Embora  confessando  a  mim  mesmo.  com  delicadeza. . nosso Nemésio está seriamente enfermo.  Marina passou a revelar benéfica reação. o benfeitor..  e  falou.  enquanto  a  jovem se retirava.  não  ofereceu  qualquer  embargo. apontou o esposo de Dona Beatriz e convidou:  – Meus amigos.  que nos granjeara os corações. desabafar­se; no entanto.  acomodando­se  em  poltrona  próxima.  da  necessidade  de  voltar  aos  cuidados  que  a  doente  exigia.  momentos  antes.  Nemésio. do ponto  de  vista  emotivo. Ignoro se já lhe notaram a deficiência orgânica.. Recompôs­se. Procuremos socorrê­lo.

  instintivamente respondia ao inquérito afetuoso a que lhe submetíamos a memória.  O  examinando.  Ausente. na feição de  um  doente  voltado  para  os  esclarecimentos  da  anamnese.  Pavoroso  delíquio  que  se  lhe  representara  infindável.  denotava  falhas  ameaçadoras  com endurecimento das artérias. de  chofre.  Ao  contacto  das  mãos  do  benfeitor  que  mobilizava. ensimesmado.  na  antevéspera.  o  genro  de  Neves. por inteiro.27 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 5  Imperfeitamente refeitos do assombro que semelhante atitude nos causava. é de temer­se a ruptura de algum vaso em qualquer acidente mais importante  da hipertensão. em que notei a circulação do sangue reduzida.  a  beneficio  do  amigo  que.  as  fases  do  desconforto  a  que  se  vira  atirado. Vasculhava a lembrança.  subitamente.  Rememorou  as  tonturas  ligeiras que vinha experimentando amiúde. Curtira apreensões.  com  a  perda dos sentidos que sofrera.  O  pensamento  esvaíra­se­lhe  da  cabeça.  Para  desafrontar­se.  embora  nos  desconhecesse  a  presença.  rebuçado  por  fora.  se  mantinha  agora  em  aturada  reflexão. atendendo­nos  às  perguntas. . na aplicação de  recursos. no escritório. atarantado.  Comprovando  longa  experiência  médica. através de reações mentais específicas.  elucidando­nos todas as dúvidas.  Alinhava  acontecimentos  passados.  consideravelmente  aumentado.  passamos  a  colaborar  com  o  irmão  Félix. além  disso.  Reconstituiu.  quando  perdurara  simplesmente  por  segundos.  abatido.  manejando diminutos aparelhos de auscultação.  quanto possível. ignorando que se nos revelava.  cujo  desenvolvimento  conseguíamos  claramente  positivar. e informou:  – Nosso amigo permanece sob  o perigo de  coágulos  bloqueadores e. por muitos dias.  na  cadeira  estofada  a  que  se  recolhera. já que não sabia como destrinçar o fenômeno.  expusera  a  ocorrência  perante  velho  amigo. dias antes. Nemésio expunha as deficiências do campo circulatório.  O  coração. Sentira­se desamparado.  proficiente.  Entretanto.  a  característica  mais  constrangedora  que  apresentava  surgia  na  arteriosclerose  cerebral.  como  se  expulso  por  martelada  interior. Acreditava­  se afundado na imaginação.  a  energia  magnética.  era  enfermo  grave  por  dentro.  fixava  pormenores.  o  irmão  Félix  apontou­nos  determinada região.  Retomara  a noção  de  si  mesmo.  Como  se  nos  percebesse  a  movimentação  e  nos  registrasse  os  apontamentos.

  Enternecido  ao  toque  de  amor  fraterno  do  benfeitor  que  o  auscultava.  no  âmago  do  pensamento.  ao  chegar.  configurava  informes  precisos.  de  formação  materialista  e  de  índole  utilitária. Não discutia a oportunidade das  admoestações.  desvelava.  Responsabilidades  em  penca.  o  tempo  escasso.  analisar  as  próprias  condições.  liberou.  para  nós.  positivo. No Rio.  em  casa. reverentemente. colocara a esposa no lugar da genitora que a morte  levara. Disputava­lhe. obteria melhoras em alguma clínica de repouso. as mais fundas preocupações.  a  razão  da  fuga  a  qualquer  assunto  relacionado  com  a  provável  submissão  a  preceitos  médicos.  calado.  No  entanto. Sério vaticínio. crendo­se de regresso às primaveras do corpo físico.  Beatriz. em doloroso término de  existência e não encontrava meios de cuidar de si.  Traçou  advertências. Estranho ao  benefício da rotina construtiva.  Receava  conhecer  o  próprio  estado  orgânico. no apartamento da vida. enfermidade à porta.  Queria­lhe  a  presença.  Nemésio.  mas  admitia­se  obrigado  a  transferir  o  tratamento  para  quando  pudesse.  diante  de nós.  Semelhava­se  a  menino  peralta. em silêncio.  Não  lhe  cabia  adiar  providências.  Identificava­se espiritualmente jovem.  Verificava­se­lhe  facilmente a fadiga.  exibia.  acerca do desmaio experimentado. por instinto. como se estivessem filmados.  possibilitando­  nos retratar­lhe a realidade psicológica.  em  breve. da entrevista que  provocara com o colega de negócios e do entendimento cordial havido entre ambos.  Nemésio. a companheira em vésperas de desencarnação.  equivalia  a  puxão  de  campainha.  repetia  espiritualmente as alegações que formulara. Amava. o sorriso  benevolente e  a bênção da aprovação.  Devia  procurar  um  médico.  Difícil  a  consulta.  na  imaginação.  O  marido  de  Beatriz. Imperturbavelmente correta e simples.  Consignamos os avisos que o interlocutor lhe transmitira.28 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  A  tela  rearticulada  por  ele.  Nemésio  e  o  companheiro  que  lhe  tomara  confidências.  Alinhavando  recordações  e  meditações.  como  quem  se  acostuma  ao  serviço  de  um  traste  precioso.  suarento.  em  forma  de relíquia  que  situaria.  Aclarou. desconhecia que as almas nobres colhem no amor esponsalício .  Entretanto.  a  trama  dos  acontecimentos  que  lhe  sedimentavam  as noções  precárias  da  vida.  inconscientemente.  no  museu  das lembranças mais caras.  Acompanhava a esposa.  sem  perceber  que  se  comunicava  conosco.  descansando  a  cabeça fatigada em seu olhar. Qualificava a afeição de Marina como  sendo o reencontro da mocidade que ficara para trás.  a  seu  ver. das inquietações conseqüentes. erigia­se­lhe. na travessia das horas derradeiras.  conquanto generoso. Umas  férias  não  lhe  fariam  mal. agora.  definir  os  sintomas. transformara­lhe  a volúpia em admiração e a chama juvenil em calor de amizade serena.  por  noticiário  vivo  secretamente  arquivado  no  cofre  da  alma.  Harmonizava­se  consigo  próprio. novamente.  quando  espontâneo  e  obediente  no  clima  dos pais. feliz.  salientava­se  tão  nítida  que  lográvamos  contemplá­los  juntos.  Qualquer  síncope.  motivos  outros  que  não  tivera  coragem de expender.  no  ânimo.

  já  que  se  supunha  perfeitamente  idôneo  para  comandar  as  próprias  sensações.  as  fronteiras  que  os  compromissos  morais  estabeleciam.  Evidentemente.  reaprendera os cuidados da preservação individual.  Reconduzido. vaidoso. Não hesitaria. ainda que de leve.  aos  amigos  que  assim  procedia  para  desenferrujar  o  coração.  Pagara habilmente  instruções  e  pareceres  de  improvisados  professores  em  renovação da personalidade e embelezara­se.  na  quadra  difícil  e  obscura  que  atravessava. a repetir­lhe. perguntando à própria alma o que sucederia se ela adotasse conduta  igual à dele. mulher é chinela no pé do  homem.  apreensivo  –.  mostrava­se  para  ela  mais  compreensivo  e  mais  terno. no que. era capaz de matá­la.  não  –  raciocinava.  Vez  por  outra.  regando  a  raiz  do  caráter  com  as  águas  turvas  de  semelhante filosofia.  Recusaria. aliás. pensava.  Insistia  na  conservação  de  todos  os  impulsos  emotivos  da  juventude  corpórea. lograra despojar­se da adiposidade oscilante.  asseverando.  invariavelmente  abnegada e fiel.  não  se  resignaria  a  qualquer  terapêutica  que  não  fosse  a  de  se  lhe  acentuar  disposições  ao  prazer.  selecionando  figurinos  e  alfaiates. e que lhe tisnara os sonhos do lar. atingisse o genro de Neves o marco dos sessenta anos com os  sentimentos deteriorados. é preciso arranjar outra. .  aos  freios do hábito.  mais  dilatadamente. o voto feminino  em outro homem. no tocante ao respeito que um homem deve a si mesmo.  No  decurso  de  algumas  semanas.  Varava.  voltava  trazendo  à  esposa  corbelhas  de  alto  preço  que  Beatriz  acolhia.  de  novo.  mas  não  toleraria  concorrência à posse daquela a quem confiara o seu nome. freqüentemente: “Nemésio. recordando  a  esquisita  conceituação  de  velho  amigo  que  consumira  a  existência  alcoolizado  entre os despojos endinheirados de parentes ricos. toda medida endereçada a suposto reajustamento orgânico. Quando não presta mais.  Refinara  a  sensibilidade  masculina. imaginava coisas.  impressões  contraditórias  agitavam­lhe  o  espírito  limitado. Se Beatriz pusesse.  quando menino.  em  noitadas  boêmias. cuja  polpa  o  tempo  sazona  e  torna  mais  doce.  Nesses  momentos.  porém. lembrando antigo edifício sob  nova decoração. e aterrava­se.  Inquietava­se.  demandava  cidades  próximas.29 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  da Terra  o  fruto  da alegria  sublime.  Por  todos  esses  motivos. mas recompunha­se.  Elegia  nos  perfumes  raros  e  nas  gravatas  coloridas  motivos  de  leveza e elegância sempre novos. tranqüilo.”  Compreensível  que.  Isso nunca. não sabia consagrar­se às construções espirituais que só a disciplina  favorece  e  garante.  enlevada. à maneira de animal arrombando cerca.  de  retorno.  eliminando os caprichos transitoriamente necessários da casca.  Em  determinadas  ocasiões.  Não  lhe  importavam  as  tochas  brancas  que  lhe  esmaltavam  de  prata  a  cabeleira  densa.  Dessas  escapadas.  afeiçoara­se  aos  programas  radiofônicos de ginástica. peremptório.  Readquirira  o  gosto  de  vestir­se  com  distinção. Andava em dia com todas as teorias da libido.  Disputava o ingresso em agremiações festivas para atualizar a linguagem e requintar  o porte.  acontecia  fixar  a  esposa.  Não  se  interessava  absolutamente  pela  mulher.

  entremostrando haver assimilado.  meu  genro  e  essa  mulher .  tenho  aconselhado  serviço  e  perdão  aos  outros. Depois que  retivesse  a  jovem  no  lar. o impacto do grave enunciado. não obstante respeitosa.  Nemésio divagou. afagou de leve os ombros do meu companheiro e ponderou:  – Entendo.. de pronto.  Não  admito  tanto  resguardo  para  um  cachorro de má qualidade. cismarento.  Encorajado  pela  inflexão  de  carinho  com  que  semelhantes  palavras  eram  ditas. Um homem igual a este.  o  problema.  Enquanto  não  a  recolhesse.  O irmão Félix voltou a dizer­nos:  – Nemésio demonstra enorme esgotamento.  A figura de Marina repontou­lhe da alma. à vista dos hábitos demolidores  a  que  se  rendeu. em recuperar a saúde. mas somente depois..  não  aceitaria  proteção  médica.  Os três. entendo você. por  chuva de vibrações negativas.  Providência  medicamentosa.  plasmando  pensamentos de censura.  o  esposo  de  Beatriz  fixou  agoniado  vinco  mental. que. taciturno. Ao término da longa operação socorrista.  apenas  a  que  lhe  arejasse  o  espírito.  Fugiria deliberadamente de conselhos ou disciplinas tendentes a desviá­lo da ronda  de  passeios. a sós. nos alcançavam em cheio.  sob  regime  de  compromisso  legal.  minha  filha  conformada. sorrindo. acreditava dever­lhe. Neves. o sogro de Nemésio desafogou­se:  –  Quem  entende  menos  sou  eu. rejuvenescendo­lhe as forças. sem que ele mesmo perceba.  – E se piorasse? – considerou de si para si. não encobria o  próprio  desapontamento..  A  inquietação  emotiva  descontrola­lhe  os  nervos  e  os  falsos  afrodisíacos usados solapam­lhe as energias. por isso.  solicitação muda que Nemésio atendeu.  pelos  laços  do  matrimônio. Neves.  Cabia­lhe  sustentar­se  capaz  e  moço  aos  olhos  dela.  em definitivo.  Ao  revés.  –  Faço  força  –  gemia  acabrunhado  –.  De  que  me  vale  trabalhar odiando? Nemésio é um mascarado! Tenho estudado a ciência de perdoar e  servir.  excursões. por que te uniste a um cavalo?  Dementara­se  Neves.  sem  que  lhe  pudéssemos  cercear a emoção. o benfeitor sugeriu ao dono da casa abandonar  o recinto.  Diante  da  afirmativa.  entregue a  ele.  aguardando  a  morte;  de  outro.  Retrocedera  mentalmente  ao  círculo  acanhado  da  família  humana  e  chorava.  diante  de  nós. dispensando­lhe  assistência..  Divididos  por  simples  parede.  vejo  o  sofrimento  e  o  vício  debaixo  do  mesmo  teto.  O  irmão  Félix  não  contrapôs  qualquer  argumentação.  Félix. mecanicamente.  mas  não  agüento.  entretenimentos  e  bebedices  que.  A  desaprovação  esguichava­lhe  da  cabeça. já que se munira das escoras que  o amigo espiritual espontaneamente lhe oferecia.  Concordaria.  Talvez.  De  um  lado.  na  posição  de  homem  enamorado.30 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Euforia. sim.  transtornado.  nos  braços. que me desrespeita a confiança  paterna!  Quem  não  lhe  vê  no  espírito  a  poligamia  declarada?  Um  sessentão  desavergonhado que enxovalha a presença da esposa agonizante! Ah! Beatriz. minha  pobre Beatriz.  mas  agora..  administrou­lhe recursos magnéticos em toda a província cerebral.. tornamos à conversação.

 na ficha de analfabeto das verdades da  alma. depois de alguns momentos de expectativa.  quando consegui fitá­lo. é  fornalha  candente  de  sacrifícios  continuados.. quando.  depois  da  morte. Que seria  de nós. Não bastariam estas razões para merecer benevolência e carinho? Quem  de nós com a possibilidade de auxiliar? Ele que anda cego ou nós que discernimos?  Não  posso  enaltecer­lhe  as  manobras  lamentáveis. resolvendo  oferecer  casa  própria  e  gratuita  à  senhora  que  lhe  presta  serviços  remunerados;  acredita­se  dono  de  juvenilidade  física  absolutamente  irrisória. quase irônico:  –  Sabe  o  senhor  qual  é  o  rapaz  que  vem  ocupando  o  pensamento  dessa  moça?  – Sei. Compreendamos para que sejamos compreendidos.  Com significativo tom de voz.  conquanto  lhe  consagre  apreço  respeitoso. segurando­lhe afetuosamente as mãos:  –  Calma. o instrutor acentuou:  – Neves. – Principiemos  por  aceitar  Nemésio  na  posição  em  que  se  encontra.. qual  nós mesmos.  Como  exigir  da  criança  experiência da madureza ou pedir raciocínio certo ao alienado mental? Sabemos que  crescimento do corpo não expressa altura de espírito. mas deixa­me explicar – clareou Félix com brandura.31 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  que  me  insulta  a  família.  seria crueldade recusar simpatia e medicação ao doente. decerto controlado pela influência do amigo venerável. ainda não tombou de todo. e. na realidade.  Deus  do  céu!  Que me  foi  reservado?  Andarei auxiliando  uma  filha  doente  ou  sendo  chamado à tolerância?  Mas... sem a visão que atualmente nos favorece? Provavelmente. percebi que se  pusera.  na  esfera  do  sentimento;  entretanto.. não esqueceu a  solidariedade...  Sempre  surge  para  todos  nós  o  dia  de  provar  aquilo  que  somos naquilo que ensinamos. Nemésio é aluno da vida. na situação dele.. Além disso. na pausa curta.  Neves silenciou.  – Antigamente – tartamudeou ele. Nemésio deve ser entendido. mas não  fugiu  da  esposa  a  quem  presta assistência;  mostra­se  engodado  por  extravagâncias  emotivas de caráter deprimente que lhe dilapidam as forças; contudo. em cada um de nós. Isso é a purgação  de nossos pecados!.  cairíamos em condições piores.  fosse  pular  em  vão  num  cárcere  de  fogo;  hoje  aprendo  que  o  inferno é voltar à Terra e estar com os parentes que já deixamos. nem louva o desequilíbrio; no entanto. sou obrigado a confessar que ele..  – Quer dizer que devo aprová­lo?  – Ninguém aplaude a enfermidade.  Félix aproximou­se e ponderou..  Neves.  – Entendido? – entaramelou­se o interlocutor – não chegará ter visto?  E acrescentou. desesperado – acreditava que o inferno. em oração.  como  suportar  um homem  desses?  Não adiantou um aceno à prudência. .. Neves! A sublimação progressiva do sexo. humildemente.. Emaranhou­se em sugestões perigosas.  Não  nos  cabe  condenar  alguém  por  faltas em que talvez possamos incidir ou nas quais tenhamos sido passíveis de culpa  em outras ocasiões. Consideremos que Nemésio  não é um companheiro desprezível. carrega um corpo em prematuro desgaste; dedica­se  apaixonadamente  a  uma  jovem  que  o  menoscaba. sem o  benefício da lição em que  estamos sendo instruídos.

  Félix esmerou­se para que se aliviasse e dormisse.  desfrutaria  penetrante  lucidez  espiritual  e  não  seria  prudente arremessá­la. em muitas circunstâncias.  o  sogro  de  Nemésio  ali  se  achava  agora. diante de nós.  Largamos  a  filha  de  Neves  em  repouso  nutriente  e  restaurador. O irmão Félix.32 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 6  De volta ao aposento da enferma.  Retraíra­se  no  claro propósito de sopitar impulsos menos construtivos. momentos antes.  Neves.  abraçara­o  com  intimidade  e. penitenciava­se com tristeza.  Não  lhe  convinha. pedia tolerância. com  trovões de revolta e aguaceiros de pranto. contava com os talentos da  oportunidade.  e  demandamos a rua.  Beatriz  gemia;  no  entanto.  Recompondo­se. A camareira da casa velava.  Em  virtude  dos  órgãos  profundamente  enfraquecidos.  com  o  objetivo  de  proteger a filha; entretanto.  enquanto  ministrávamos  socorro  magnético  à  doente. que acabam descongestionando as vias da  emoção. transformado e solícito.  acusava­se.  do  tempo. O coração paternal. certificamo­nos de que Nemésio e Marina  haviam saído. ainda.  absteve­se  de  qualquer  comentário.  por  isso.  alcançamos  espaçoso  apartamento  do  Flamengo.  de  modo  a  escalar  o  nível  do  desprendimento  preciso.  Félix. se  quisesse. Para isso.  insensato. no instante crítico.  desenxabido.  esclareceu  ele.  os  familiares de Marina.  Por  indicação  do  paciente  amigo  que  nos  orientava.  intensificando­se.  Aconselhável  seria  a  mudança  progressiva. a pouco e pouco.  formulou  uma  prece.  afastar­se  do  veículo  fatigado.  de  perto. com bastante autoridade. . para que  não  se  retirasse  do  corpo. cujo semblante passou a denotar funda preocupação. de chofre.  não  se  vira  preparado. inclui explosões do sentimento. muito em breve.  sob  a  hipnose  habitual  do  sono.  ponderou  que  a  edificação espiritual.  Graduação  de  luz.  declarava com amargura e desapontamento.  por  enquanto.  humilde.  Obviamente. providenciando.  Descera  à  inconveniência.  sorridente.  porém.  Fora  descaridoso.  Acompanhando Félix.  Que Neves esquecesse e recomeçasse.  poderia  demiti­lo  do  piedoso  mister  que  invocara. a impressões demasiado ativas da esfera diferente  para a qual se transferiria. rogara do irmão Félix lhe desculpasse o  ataque de cólera em que extravasara rebeldia e desespero.  onde  conheceríamos.

 ao vê­lo.  de  relance.  em  que  as linhas  firmes  repeliam a notícia  vaga  das rugas. sobre o qual um cinzeiro repleto era silenciosa  advertência contra o abuso da nicotina.  O  mobiliário  antigo  de  linhas  quase  rudes  suavizava­se  ao  efeito  de  ligeiros adornos.  Os  atavios  do  ambiente.  Rosto  primorosamente  tratado. dois homens desencarnados.  revestidas  de  amarelo  dourado.  sem qualquer defesa de espírito.  Tufos  de  cravos  vermelhos. meu caro.  ambos  os  desencarnados  infelizes.  cabelos  penteados  com  distinção.  apesar  de  modestos.  piedosamente.  Entramos. e no­lo indicou:  – Temos aqui o irmão Cláudio Nogueira.  pijama  impecável.  a  embutir­se  na  construção  enorme.  Cláudio.  Figurou­se­me  o  hospedeiro  involuntário um  desses  homens  maduros  que  se  demoram  na  quadra  dos  quarenta  e  cinco  janeiros.  Entre  os  dedos  da  mão que  descansava  à beira  do  sofá.  Transpassando  estreito  corredor. a debaterem.  denunciavam  apurado  gosto  feminino. habilmente desenhadas nas duas telas  que  pendiam  das  paredes.  nenhum  dos  dois  lograva  registrar­nos  a  presença.  não  lhe  pescava  o  mínimo  som.  empinava o  gargalo  sobre  o  crivo  lirial que completava a elegância da mesa nobre. escabrosos temas de vampirismo.  Os  grandes  olhos  escuros  e  móveis  pareciam  imanizados  às  letras.  Fisguei­o. Prometiam arruaças. .  uma  esguia  garrafa. para logo. trazia na cabeça a caixa acústica da mente sintonizada com o apelante. quase rente ao tripé anão.  Malandros  acalentados. o dono da casa. Um deles  tateou­lhe um dos ombros e gritou. Argumentavam. com descuidada  chocarrice. lia um jornal  vespertino com atenção.  se  não  possuía  tímpanos  físicos  para  qualificar  a  petição.  em  cuja  maneira de escarrapachar­se se adivinhava.  Por semelhantes companhias.  Vale assinalar que. quero beber!  A voz escarnecedora agredia­nos a sensibilidade auditiva.  Félix  encarou­o. pai de Marina e tronco do lar.  Mas.  contendo  uísque.  Inalterável.  Detínhamo­nos. abordaram Cláudio e agiram sem­cerimônia. fácil apreciar os riscos a que se expunham os  moradores  daquele  ninho  de  cimento  armado. insolente:  – Beber. no limiar.  unhas  polidas. na inspeção.  Mantinha­se  atento  à  leitura.  porém.  Na  sala  principal. deitando emanações alcoólicas que  se casavam ao hálito do amigo derramado no divã.  harmonizavam­se com as rosas da mesma cor.  Diante  de  nós. surgiram de repente.  conquanto  invisíveis  para  aqueles  junto dos quais se erguiam por ameaça insuspeitada.  a  se  derramarem  de  vasos  cristalinos.  o  cigarro  fumegante. desabridos.  esgrimindo  bravura  contra  os  desbarates  do  tempo.  um  cavalheiro  de  traços  finos.33 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  A noite avançava.  destoante  e  agressiva.  surpreendendo.  manifestando  a  expressão  de  quem  se  atormentava. quando sobreveio o inopinado.  mas  perigosos.  que  surpreendêramos  à  entrada.  Contudo.  pesquisando  motivos  para  trazer  um  sorriso  irônico  aos  lábios  finos. não obstante pudéssemos fiscalizar­lhes os movimentos  e  ouvir­lhes  a  loquacidade  fescenina. curiosos.  pisamos  o  recinto  doméstico.

  Eu mesmo.  maquinalmente.  ao  clima  da  Espiritualidade.34 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  O assessor inconveniente repetiu a solicitação.  O  resultado  não  se  fez  demorar. O pai de Marina sentiu­se apoquentado.. ganhando  forma.  repetindo­se  o  fenômeno da conjugação completa. a  carícia leve; depois da carícia agasalhada.  Beber! Beber!.  rápido.  Encarnado  e  desencarnado  a  se  justaporem. beber!.  Beber.  Desmanchou­se a parelha e Cláudio.  Duas  peças  conscientes.  como  a  usina  cuja  corrente  se  desloca de uma direção para outra.  reunidas em sistema irrepreensível de compensação mútua.  Integraram­se ambos em exótico sucesso de enxertia fluídica. no entanto. o abraço envolvente; e depois do abraço  de profundidade.  de  minha  parte. se dispunha a sentar.  analisava  impressões  ao  transpor.  quando o  outro colega.  Absolutamente  passivo  diante  da  incitação  que  o  assaltava. Indefinível secura constringia­  lhe o laringe. se a Cláudio que admitia a instigação ou se ao obsessor  que a propunha..  obstáculos  e  barreiras  terrestres.  após  a  desencarnação  última. Ambos os dipsômanos estalaram a língua de prazer. que se mantinha a distância.  reconstituiu. desembaraçado. convicto de que se inclinava para um trago de  uísque exclusivamente por si. Ansiava tranqüilizar­se.  a  quem  atribuir  o  impulso  inicial de semelhante gesto. De começo. Volume igual.  Ali.  O  pensamento  se  lhe  transmudou. arrebatando o delgado frasco.. E a sede de aguardente se lhe articulou na idéia..  recolhendo.  estudara  a  passagem  do  Espírito  exonerado  do  envoltório  carnal  pela matéria  espessa.  quando me  afazia.  O  assistente  malicioso  coçou­lhe  brandamente  os  gorgomilos. na atitude do  hipnotizador que insufla o próprio desejo.  Bastou  isso  e  o  vampiro. a impressão de insaciedade. Identificação positiva.  nos  exercícios feitos.  A  talagada  rolou  através  da  garganta.  que  se  exprimia  por  dualidade  singular. investiu sobre ele  e protestou:  “eu também. na área estreita.  como  se  morassem  eventualmente  num  só  corpo.  Cláudio­homem absorvia o desencarnado.  Altura  idêntica.  Em  várias  ocasiões. algumas vezes. em ação simultânea. produzia­se algo semelhante ao encaixe perfeito. à guisa de sapato que se ajusta ao  pé.  Vimos  o  paciente  desviar­se  do  artigo  político  em  que  se  entranhava. Movimentos sincrônicos.  Fundiram­se  os  dois.  sorridente. como que mais fortemente impregnada do  cheiro  acre  que  vagueava  no  ar.  Levantaram­se  a  um  tempo  e  giraram  integralmente  incorporados  um  ao  outro. A mucosa pituitária se lhe aguçou.  mecanicamente.  apossou­se  dele. eu também quero!”  Reavivou­se­lhe no ânimo a sugestão que esmorecia.  Não  conseguiria  especificar. reasseverando uma ordem.  Cláudio abrigou a sugestão.. . por efeito da nova tomada de força.  de novo.  Ele  próprio  não  explicaria  o  súbito  desinteresse  de  que se notava acometido pelo editorial que lhe apresara a atenção.  O amigo sagaz percebeu­lhe a adesão tácita e colou­se a ele. a associação recíproca. a sensação de quem rompe nuvens de gases condensados.

 aquele processo de fusão. e Neves. Amaro. Aproveitar a convivência de um mestre ou seguir um malfeitor é  deliberação nossa.  sarcásticos.  Nenhuma simbiose em que se destacasse por vítima. o enfermeiro prestimoso.  Interrompeu­se o mentor. respeitoso.  Cláudio  acreditou­se  insatisfeito  e  retrocedeu.  Se  você  fosse  instado  a  compartilhar  um roubo. cujos resultados colheremos.  Experiências  são  lições  e  todos  somos aprendizes.  simplesmente.  o  dono  da  casa  estirou­se  no  divã  e  retomou  o  jornal.  Pediu vênia para repisar o assunto na hora.  Verificando que o orientador se dava pressa em ultimar os esclarecimentos  sem  mostrar  o  mínimo  propósito  de  afastar  as  entidades  vadias  que  pesavam  no  ambiente. fora situado junto de .  você  precisa  compreender  que  nos  achamos  à  frente  de  pessoas  bastante  livres  para  decidir  e  suficientemente  lúcidas  para  raciocinar.  o  irmão  Félix  se  esmerava  na  defesa  contra aquela casta de gente. na cena que acompanhamos.  Neves  voltou  à  carga.  Recordou  que.  Condescendendo  em  ilaquear  os  próprios  sentidos.  em são juízo. a concessão.  sob  o  teto  do  genro. não conseguiria desculpar­se.  Responsabilidade  não  é  título  variável. mentalmente.  sorvendo  mais  um  gole. volvendo a refletir após momento rápido:  –  Hipnose  é  tema  complexo.  Não  me  furtei  à  conta  curiosa.  reclamando  exames  e  reexames  de  todos  os  ingredientes  morais  que  lhe  digam  respeito. consultou sobre responsabilidade. o pedido; no outro.  Alienação  da  vontade  tem  limites.  Num  deles.  como  proceder  na  aplicação  da  justiça?  Se  ao  invés  de  bebedice. mistura  natural.  O  desencarnado  alvitrava.35 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Abeirei­me de Cláudio para avaliar. Cláudio e os companheiros.  o  encarnado  aplaudia.  entregava­se  por  deliberação  própria.  quanto em outras. na hipótese  de  abraçar  a  calamidade.  Para  logo  convenci­me  de  que  continuava  livre.  para insultar a  vida de  alguém.  aceitava­lhe  a  direção. Hospedava  o  outro. a fim de render­se.  estivéssemos  diante  de  um  caso  criminal?  Se  a  garrafa  de  uísque  fosse  arma  determinada.  Efetuava­se  a  ocorrência  na  base  da  percussão.  o  Espírito  é  senhor  da  constituição  de  seus  atributos. tranqüilo:  –  Ora.  No  corpo  físico  ou  agindo  fora  do  corpo físico.  Chamamentos  campeiam  em  todos  os  caminhos. Associação implícita.  no  íntimo.  Não  experimentava qualquer espécie de tortura.  Os  amigos  desencarnados  tornaram  ao  corredor  de  acesso.  Dois goles para três.  como  decidir?  A  culpa  seria  de  Cláudio que se submetia ou dos obsessores que o comandavam?  O irmão Félix aclarou.  no  intuito  louvável  do  aluno  que  aspira  a  complementar a lição.  E. são três  consciências  na  mesma  faixa  de  escolha  e  manifestações  conseqüentes.  Tanto  vale  numa  esfera. até onde sofreria  ele.  Todos  somos  livres  para  sugerir  ou  assimilar  isso  ou  aquilo.  Cordas  afinadas  no  mesmo  tom.  Neves.  decerto  recusaria.  Apelo  e  resposta.  Novamente  desimpedido.  Como  situar  o  problema?  Se  víramos  Cláudio  aparentemente  reduzido  à  condição  de  um  fantoche.  chasqueando. com imparcialidade.

 Ninguém nega.  aplicar  medicação  e  estudar  efeitos.  Félix  expressou  no  olhar  a  surpresa  do  professor  que  não  espera  apontamento  assim  argucioso  por  parte  do  discípulo  e  explicou  que  a  situação  era  diferente. com o intuito de separá­los. porventura.. um refúgio. assegurando edificação e felicidade a si mesmo. Agora. – Não merecerá.36 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Beatriz principalmente para correr com intrometidos desencarnados.. interferi:  –  Mas..  Isso  seria  o  mesmo  que  apartar  os  pais  generosos  dos  filhos  ingratos ou os cônjuges nobres dos esposos ou das esposas de condição inferior.  Para  ele.  – E por que não dissipar de vez os laços que o prendem aos malandros que  o exploram?  O alto raciocínio da Espiritualidade superior jorrou.  As  circunstâncias  podem  ser  saudáveis  ou  enfermiças  como  as  pessoas  e.  de  mais  alto. não nos ocorreria a idéia de expulsar da residência  alheia as pessoas que não se harmonizassem conosco. O aposento da  filha tornara­se.  Aqui.  são  sócios  estimáveis. Se elege para comensais  da própria casa os companheiros que acabamos de ver. Sabe o que quer.  poderia  ser  mais digno.  Retém  liberdade  ampla  e  valiosos  recursos  de  instrução e discernimento para juntar­se aos missionários do bem que operam entre  os homens. Enquanto nos  arrastávamos. Ali. e Cláudio? – insistiu Neves..  – Mas.  A .  Garantias concedidas a ela erguiam­se justas.  liberto.  E perguntava pelo motivo da direção diversa.  É  natural  que  esteja  respirando  a  influência  das  companhias  que  julgue  aceitáveis.  há  que  analisar  as  raízes  do  mal  e  confirmar  os  sintomas.  Deixá­la  à  mercê  de  criaturas  insanas  seria  crueldade.  experimentado.  irmão  Félix.  raciocínio  seguro. vendo o mundo e as  coisas  do  mundo.  A  esposa  de  Nemésio  mantinha  o  hábito  da  oração.  Por  outro lado.  O tema desdobrava­se. é assunto dele.  não  será  cabível  modificar  semelhante  modo  de  proceder. – E avançou: – Cláudio  desfruta  excelente  saúde  física.  Curioso. fraterna  demonstração de caridade. tolhidos pela carne. a  titulo  de  socorro. no entanto. sob  o  pretexto  de  assegurar  limpeza  e  bondade  nos  processos  da  evolução.  vemos  um  problema  pela  rama.  É  inteligente.  Quando  terá  nascido a comunhão do trio? Os vínculos serão de agora ou de existências passadas?  Nada legitimaria um ato de violência da nossa parte.  sem  esforço.  Repelia. a fim de livrar­se de tão temíveis obsessores?  Félix sorriu francamente bem­humorado e explicou:  – “Temíveis obsessores” é a definição que você dá.  Imunizava­se  espiritualmente  por  si.  é  importante  convir  que  Cláudio. por isso.  estava  enferma. amigos  caros.  Não  carrega  inibições  corpóreas  que  o  recomendem  a  cuidados especiais. Permanece  no  tipo  de  vida  que  procura.  para  tratarmos  um  doente  com  segurança. pronto:  –  Cláudio  certamente  não  lhes  empresta  o  conceito  de  vagabundos. assumindo aspectos novos.  Cérebro  claro.  maduro.  Além  disso..  em  vésperas  da  desencarnação.  quaisquer  formas­pensamentos  de  sentido  aviltante  que  lhe  fossem  arremessadas.  ainda não  investigamos  a  causa  da  ligação  entre  eles  para  cunhar  opiniões  extremadas.  – Isso é perfeitamente lógico – confirmou.. Possui materialmente o que deseja.

 quando mereçam esse  amparo  de  exceção.  porém. reempregando algumas das palavras de que se utilizara:  –  Dissemos  “cercear”  no  sentido  de  “corrigir”.  em  qualquer  tempo.  conquanto  nos  seja  lícito dispensar­lhe  o  auxílio  possível. Não dispomos de meios precisos  para  impedir  que  um  amigo  se  onere  em  dívidas  escabrosas  ou  se  despenque  em  desatinos  deploráveis. com quem Neves e eu.  Na  Terra.  Assinalamos  igualmente que toda criatura vive na área de responsabilidade que a lei lhe delimita.  é  fácil  admitir  que  os  compromissos  da  consciência  assumem  as  dimensões  da  autoridade  que  lhe  foi  atribuída. os bens ou os males que haja semeado. o irmão Félix revestira­  se de um halo brilhante. no fundo.37 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  responsabilidade tem o tamanho do conhecimento.  deixando  a  cada  um  a regalia  de  agir como melhor lhe pareça.  Naturalmente.  com  o  objetivo de livrá­las da queda em desastres morais iminentes.  acercou­se  de  Cláudio. Adotaremos princípios que valham menos.  Estabeleceu­se ligeira e doce expectativa.  Compreendendo­se  que  a  responsabilidade  de  alguém  se  enquadra  ao  tamanho  do  conhecimento  superior  que  esse  alguém  já  adquiriu. .  O instrutor fitava Cláudio com simpatia.  respondem  pelo  que  fazem.  a  envolvê­lo  nas  suaves  irradiações do olhar brando e percuciente. Declarara Félix que a justiça tacitamente cerceia as ações dos que ameaçam  a  estabilidade  coletiva. Isso na medida exata das atitudes que tome para o bem ou  para  o  mal. dando a entender que se dispunha  a abraçá­lo paternalmente.  passando  a  colher.  governantes  e  administradores.  erigindo­se na Terra em verdugos de nações?  Félix sintetizou.  O benfeitor acusava­se emocionado.  “restringir”. entre os  homens.  Uma  pessoa  com  grandes  cabedais  de  autoridade  pode  elevar  extensas  comunidades  às  culminâncias  do  progresso  e  do  aprimoramento  ou  afundá­las  em  estagnação e decadência.  que  Félix  não  desejava  estender­se  em  mais  amplas  considerações filosóficas.  a  fim  de  que  se  acautele  contra  o  perigo  no  tempo  viável.  a  exata  justiça  apenas  cerceia  as  manifestações  de  alguém. perante as  normas que afiançam a harmonia entre os homens?  Rematando as elucidações lapidares que entretecia.  Diante do mentor paciente.  Como  entender  a  existência  de  governantes  transitórios.  não  encontrávamos  em  nós  senão  silêncio  para  significar­lhe  admiração ante a sabedoria e a simplicidade. receando talvez que a oportunidade escapasse. ainda. Parecia agora mentalmente distanciado  no tempo. Acariciou a cabeleira daquele homem. quando esse alguém compromete o equilíbrio e a segurança dos outros.  Assentando no rosto a expressão de quem nos pedia transferir  para depois  qualquer  nova  interrogação. pediu se lhe relevasse a insistência; entretanto. Neves. um ponto dos esclarecimentos em vista.  de  modo  automático.  Víamos.  Enlevados.  sendo  de  notar­se  que  as  autoridades  superiores  da  Espiritualidade  chegam  a  suscitar  medidas  especiais  que  impõem  aflições  e  dores  de  importância  aparente  a  determinadas  pessoas. perguntou pelos promotores de guerra.  Cada  qual  dá  conta  dos  recursos  que  lhe  foram  confiados  e  da  região  de  influência  que  recebeu. solicitava fosse  aclarado. na  área  de responsabilidade  que  a  vida  lhe  demarca. e.  humilde e respeitoso.

 passando a educar os companheiros que o deprimem? Por que atrair contra nós  a  repulsão  dos  três.  O benfeitor esboçou  o gesto de quem encerrava a conversação e lembrou­  nos. asseguram  a fertilidade do solo. despretensioso:  – Quem afirmará que Cláudio amanhã não será um homem renovado para o  bem.  porventura. quase imperceptível.  entretanto.  que  não  venhamos  a  necessitar  uns  dos  outros?  Existem  adubos que lançam emanações extremamente desagradáveis; no entanto.  semelhando­se  médico  piedoso. a seu turno.38 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  não  nos  afináramos  assim  tanto.  foi  rápido. auxiliando a planta que.  porque o irmão Félix retomou­nos a intimidade e comentou.  Aquele  momento  de  comoção. se dispõe a auxiliar­nos.  encorajando  um  doente menos simpático. . o trabalho em andamento.  simplesmente  porque  se  mostrem  ignorantes  e  infelizes?  E  admitir­se­á. gentil.

  os  olhos  escuros  contrastando  com  a  brancura  da  tez.  Reconstituísse  na  lembrança  tudo  o  que  soubesse  de  si. recompus emoções.  O  rosto  esculpido  em  linhas  raras.  enternecido. imaginando­a por filha de  minha alma. aquela moça. torturada.  O irmão Félix apresentou­a.39 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 7  Entramos  em  aposento  contíguo.  Bastou  uma  vista  de  olhos  para  que  me  condoesse  ao  contemplá­la.  Desde  o  contacto  com  Nemésio.  provavelmente  sem  querer.  Desenovelasse  o  passado.  Propúnhamo­nos auxiliá­la.  Figurava­se­lhe  a  cabeleira  ondeada  lindo  toucado  de  veludo  castanho  sobre  a  cabeça.  nada escondesse. embora exalasse a fragrância da juventude.  que  os  donos  da  casa  haviam  perfilhado  ao  nascer. de  mãos  enclavinhadas  sob  o  queixo.  parecia  carregar  o  peso  estafante  de  tribulações  cronicificadas  e  dolorosas.  em  dorida atitude.  onde  encontramos  jovem  franzina.  Rosa  humana.  as  mãos  pequenas  e  as  unhas  róseas  complementavam  belo  manequim  de  carne.  imparcialmente. quase menina.  as  suas  impressões  mais  recuadas  no  tempo. Sentada num dos leitos que se estiravam no quarto gracioso e limpo.  confiasse  em  nós. Não conseguiríamos. permitindo­nos entrever­lhe o drama oculto. algo esclarecesse.  Tratava­se  de  Marita.  rogando­lhe.  Solicitei­lhe. Era  imprescindível que ela se nos revelasse.  em  novo  gênero  de  anamnese:  consultar  o  enfermo  espiritual  em  pensamento.  Relacionasse. porém.  matutando.  de  maneira  a  conduzir  as  atividades  socorristas  que  intentaríamos  desenvolver.  vinte anos antes. arrancando à câmara da memória as cenas  arquivadas  desde  a infância.  expondo­as na  tela  mental  para  que as  analisássemos.  o  benfeitor  ensaiava­me.  Recobrei os sentimentos paternais que me haviam animado entre os homens  e cravei o olhar indagador naquela criaturinha cismarenta. Aflição no disfarce de flor. em torno de si própria.  mentalmente.  por  gentileza.  sem  palavras.  Compelido a operar individualmente.  Obedecendo  a  instruções  de  Félix.  refletia. agir ao acaso.  abordei­a.  desoprimindo­se. . a fim de  pesquisar conclusões para o trabalho assistencial.  apresentando  por  dentro  uma  criança assustada e ferida. evidenciando a terna compreensão que um pai deve aos filhos.  Tristeza maquilada.

  procurando  emprego  humilde.  tarde  da  noite.  Vimo­la pequenina. nos passos primeiros. adotara­a.  decerto  se  precipitara  em  aventuras  diversas. Contudo.  respondendo­nos às perguntas.  Por  mais  se  esforçassem  os  donos  da  casa. Não valeram advertências.  Alegre  e  comunicativa. em carinho e dedicação.  Marejaram­se­lhe  os  olhos  de  lágrimas. situou  o impulso mental no ponto em que obtinha o fio inicial das suas recordações. Nascera de jovem suicida. Incapaz de explicar a si mesma  a razão pela qual se via instintivamente constrangida a rememorar o pretérito. justamente nessa época. melancolia.  mentalmente.  através  de  informações pessoais. para que a criança nascesse sob o amparo possível. a breve história da mulher simples e pobre que a trouxera ao  mundo.  Dona  Márcia  contara­lhe  –  prosseguiu  no  solilóquio  –  que.  regressava.  A  doméstica  devotada  engravidara­se.  enquanto  desfilavam  os  painéis  ingênuos  do  que  lhe  havia  acontecido. qual se estivesse cansada de pensar no mesmo assunto. Invariavelmente prestimosa. junto dela. a filha única.  Era  bonita.  granjeara  amizades.  mas  operosa  e  correta. Fora assim que  ela. Marita. sugeri­lhe continuasse. À vista  disso. Aracélia. porém. nem  cuidados  médicos.  supondo  falar  consigo  –.  fornecendo  a  impressão  de  que  se  recuperava. fizeram­se mais amigas. estava no posto.  Os  quadros  da  meninice  se  lhe  estamparam na aura.  apenas  chorava. a desvelar­se do tanque à cozinha. hesitante. embora os patrões não lhe estimassem as companhias pouco recomendáveis.  Sim  –  relembrava.  passeava.  encaminhada  por  senhora  de  suas  relações.  conversara  animadamente  com  a  patroa. gostava de festas.  logo  após  o  soerguimento  do  berço.  abolindo  qualquer possibilidade de se lhe tentar casamento digno.  espontânea.  ela  alinhavava  elucidações  inarticuladas.  Dona  Márcia  era habitualmente  precisa nas  referências.  Nesse  tópico  das  amargosas  reminiscências.  não  se  sentiam  com  direito  a lançar­lhe reproches.  enternecida.  Recém­chegada  do  interior. Brincava.  retornando  a  casa.  dançava.  Compadecidos.40 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Marita assimilou­nos o apelo. divertia­  se. Sabia­se que. mais íntimas.  Aracélia  acolhera­se­lhe  à  moradia. a  mãezinha  que  não  conhecera. chegara ao mundo.  Pela  ternura  expansiva.  instando  a  que  se  manifestasse  quanto  ao  responsável  pela  situação. a esposa de Cláudio.  com  muito  padecimento  físico. mostrara­se Aracélia irremediavelmente abatida.  estabelecendo  confronto  entre  as  provações da mãezinha e as dela própria; no entanto.  a  genitora  de  Marina  lhe  dera  a  saber.  ao  aposento que a família lhe destinara; de manhãzinha. inclusive internando­a  em estabelecimento adequado.  não  era  filha  dos  Nogueiras.  fora  tomada  a  serviço  do  casal.  por  ocasião  do  matrimônio  daqueles  que  o  destino  lhe  impusera  na  condição  de  pais. Findos os compromissos caseiros. de imediato. freqüentando  bailes  a  rodo.  a  menina  estacou.  E. verificara­  se  a  grande  mudança. Aracélia desdobrara­  se.  Quando  se  entendera  por  gente  grande.  Por  ocasião  do  nascimento  de Marina.  movimentados  como  num filme.  Lágrimas incessantes.  Às  vezes. irritação. Nunca  se queixava.  Lembrava­se  dela.  Na  noite  em  que  sorveu  grande  dose  de  formicida. .  os  patrões deram à jovem mãe solteira a mais ampla assistência. para não distrair a pesquisa em  curso.  Dona Márcia.

  ali. que possuía fortes razões para consagrar­  se à felicidade daquela casa.  talvez  porque  o  tempo  avançasse.  que  nos  hipotecava  confiança. foi achada morta.  Otimista. a família teimava em  fugir  de  toda  atividade  religiosa  ou  beneficente.  sem  objetivos  sérios  que  lhe  fundamentassem a atitude.  reconhecia­se impelido a comparecer.  Asseverou.  sua  mãe  verdadeira.  ao  invés  de  mandar.  revisar  o  começo.  Observei  que  Neves se esmerava.  retomamos  a  análise  em  curso. pesarosos.  juntas comungaram a meninice.  como se. que lhe eram abordáveis ao conhecimento. exclusivamente de quando em  quando. destacamos nossas deficiências.  na  residência. mas  prometemos boa­vontade.  e  cooperadores diversos operavam nas cercanias.  que  esperava  por  zelosa  atenção de nossa parte. vestiam cores iguais.  servidores  sob  sua  orientação.  em  vão. ou rogar a colaboração de amigos itinerantes.  percebendo  a  interpretação  que  me  assomara à cabeça.  interessada em relatar­nos quanto conhecia de si mesma.  o  irmão  Félix  se  despediu. amigos.  Ele  sorriu  com  desapontamento. Certificava­se tão­somente  de que despertara para a vida no colo de Dona Márcia. À face disso.  Juntas  freqüentaram  a  escola.  que  se  ligava  a  Marina  como  se  lhe  fosse  irmã  no  sangue. espírito superior. ao vê­lo partir. Compreendi que ele.  embora  sem  qualquer  obrigação  para  isso. apelaríamos na direção dele. sob aquele teto.  o  enfermeiro  de  Beatriz.  se  interessava  pelo  cultivo  da  oração  ou  do  estudo.  Félix  sorriu  e  informou  que  Amaro.  Processava­se  a  análise. pela manhã. não obstante amasse  Cláudio  com  paternal  solicitude. ao pé daquela menina inexperiente.  expondo­nos  à  vista  as  telas  do  passado  próximo.  automaticamente. se alguma eventualidade  ocorresse. não lhe quisesse dizer adeus. enquanto a prestação de  concurso  fraterno  se  nos  tornasse  possível.  a  jovem  procurou.  acrescentou  que. na última hora.  Fundamente  comovida.  voltou. Permaneceríamos de sentinela e.  que  se  alheara  das  próprias  reminiscências. com entranhado afeto; entretanto.  Achamo­nos a sós.  Enunciando  a  petição. em serviço. Manuseavam os mesmos livros.  normalmente.  Não  lhe  sendo  lícito  assim  proceder. Todos dedicados.  na  hipótese  de  necessidade. com uma das mãos agarrada ao seu berço.  Observou. ali se achava por generosidade. à  feição do professor destacado e enobrecido que desce de sua cátedra para alentar o  ânimo de alunos detidos no alfabeto. prontos a  auxiliar.  Findo  o  ligeiro  intervalo.  Nenhum  dos  quatro  componentes  da  equipe  doméstica se inclinava para o serviço ao próximo.  com  a  delicadeza  do  chefe  que  solicita.  não  se  sentia  autorizado  a  localizar­lhe. Partilhavam excursões e entretenimentos. discreto.  apegando­se  a  ela  em  todos  os  brincos  da  infância.  Serviços  na  instituição pela qual se responsabilizava não lhe permitiam delongar a visita. e esclareceu. em ser útil.  alegando  obrigações  urgentes.  a  memorizar.  Neves e eu.  mas.  notava­se­lhe  o  embaraço.  o  pensamento  preocupado  funcionar­nos­ia  por  sinal  de  alarme.  Ninguém.41 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Entretanto. a principio. que considerara. mais atentamente. alegrias e  jogos.  gentil.  Marita.  satisfazendo  a  mero  capricho.  por  instante  rápido. .

  Achava­se  melindrada  em  demasia  para  deslocar­se  facilmente  da  sua  dor.  mas  a  voz  calara­se­lhe  na  garganta. Coloriu­se­lhe na mente a festa  distante que lhe havia comemorado o término do primeiro curso escolar.  e  acrescentara. sozinha. ouvia.  repentinamente torturada.  durara  um  momento  só. nove anos  antes. ouvia. tão amiga.  nos  adeuses  aos  colegas. tão boa. explicava. na segurança  inocente  de  quem  se  supunha  plenamente  ajustada  ao  quadro  familiar.  Iniciara­se­lhe.  a  sustê­la  nos  braços.  o  olhar diferente de Dona Márcia. nas horas difíceis. Era  tudo quanto restava daquela mãe que desconhecia. Sentia­se machucada.  o  conflito  da  vida  inteira.  de  improviso.  As  doces  convicções  dos  dias  primeiros! Como suspirava pelo retrocesso do tempo para dormir na simplicidade!  Súbito. explicava. arrancadas de pequena caixa de madeira  que Dona Márcia trouxera.  em  conta  própria. Esforçara­se a mãe adotiva por diluir a amargura da notificação no bálsamo  do  carinho.  A  revelação  inesperada  ferira­lhe  o  espírito.  costumam  trazer  enormes  complicações. em torno da mãezinha desencarnada.  melhor  saber  hoje  que  amanhã;  filhos  adotivos. adotada pelos  corações  queridos.  porém.  a  alegria  infantil.”  E  os  informes  foram  imediatamente  complementados  com  a  exibição  de  fotografias e relíquias da genitora suicida. Dona Márcia. Contemplou a imagem dela nas  fotos  que  o  tempo  amarelecera  e  experimentou  profunda  e  indizível  atração  por  aqueles  olhos  grandes  e  tristes  que  pareciam  arrebatá­la  do quarto  para  um mundo  diferente. como se implacável bisturi lhe retalhasse  os nervos. até então menina estouvada e risonha.  o  raciocínio  para  pensar  nas  angústias  daquela  mulher que o sofrimento abatera. Vimo­la cair numa explosão de lágrimas.  conformar­se.  Revia  Cláudio. de um momento para outro. Ela. A reflexão. Era órfã.  desde  então.  por  flor  tenra  desabotoada  num  tronco  juvenil. Pela primeira vez.  Espantada.  diante do silêncio em que ela afogava as próprias lágrimas: “não chore. no aposento à porta fechada.  Ouvira  Dona  Márcia. como se  se aninhasse no refúgio  maternal.42 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Mergulhada  na  imaginação. diligenciando esclarecer com  evidente bondade.  Não  amadurecera. diante dos mestres. chorara com medo de enlaçar­se àquela a  cujo peito se albergava.  surpreendia­se mentalmente no regaço materno ou colada à irmãzinha.  em  casa. Não era filha da casa. Ansiava perguntar o porquê de tudo aquilo. Esvaecera­se­lhe.  Sentira­se  criatura  humana  adulta..  quando  crescem  ignorando  a  verdade. e nos beijos que  recebera  sobre  os  cabelos  a  se  lhe  derramarem  nos  ombros.  amadurecida  e  sofredora.  à maneira  de  pedra  contundente.  Oh!  A  felicidade  fugidia  da  infância!. estou apenas  explicando; você sabe que  criamos você por filha.  transmitindo­lhe a impressão de pai legítimo.  nas  palavras  de  saudação e reconhecimento que proferira. os  anéis  de  plaquê..  Era  preciso  aceitar  a  verdade.  mas  não  se  esquecera  de  lhe  dizer  em  tom  conselheiral:  “você  deve  crescer  sabendo  tudo.  julgando  pertencer­lhes.  principalmente  quando  ouvem  esclarecimentos  de  outras  pessoas”.  ao  despedir­se.  Depois.  arrecadando  aqueles . feliz... mas é necessário que conheça a  realidade toda; adotamos você.  aos  quais  amava  tanto. lembrando Aracélia.  Sensibilizara­se  ao  ver  os  colares  de fantasia.  Detinha­se  no  instituto  garrido.  Isso  lhe  arrebentara o coração. até ali. confrangeu­se­lhe a alma.  sofrer. revirara nervosamente nas mãos aqueles retratos e adereços de  moça  pobre.  qual  se  devaneasse.

 à medida que Dona Márcia e a filha se lhe afastavam da comunhão espiritual.”  Desde  esse  dia.  abraçou­se  à  cachorrinha  afetuosa.  Era sozinha em assuntos de seu sexo.  deliberadamente.  que  adquirira  aos  onze  de  idade. por isso. assaltada qual se achava pelo orgulho infantil.  chorando.  abafado  sob  o  peso  de  conveniências  e  convenções.  a  espontaneidade.  transfigurara­se­lhe  a  vida.  na  abstenção  de  qualquer  parecer.  era órfã.  por  Dona  Márcia. nunca registrara uma dor de criança.  semelhando  tesouro  enterrado  nas raízes de sólido espinheiro.  Em  seguida  a  pausa  rápida  no  curso  das  comovedoras  reminiscências. Imaginava­se.  De minha parte.  como  se  lhe  aderisse  à  mágoa. Deixavam­na  à  revelia  de  qualquer  assistência  nos  cuidados  que  uma  jovem  deve  a  si  mesma.  Fora  simplesmente  albergada.  a  qualquer  agradecimento  pela  compaixão  de  que se reconhecia objeto.  sem  prestar­lhe  maior  atenção.  por  sua  vez.  sem  dúvida.  era  assim  que  a  despachavam  para  a  estação  da  orfandade em  que  lhe  competia  viver?  E  os  beijos  do  lar  que  admitia  lhe  pertencerem?  E  os  mimos  domésticos que julgava partilhar com Marina em partes e direitos iguais?  Figurara­se­lhe Dona Márcia decididamente empenhada em falar­lhe sem a  menor manifestação do efusivo amor que lhe caracterizava os gestos de outras horas.  Marita desdobrou­nos à vista uma cena enternecedora e inesquecível.43 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  ternos  vestígios  do  passado. magra  e anônima.  Perdera. a escutasse com ternura maternal.  necessitada  de  instrução para a vida íntima.  retribuíra­lhe a carícia.  A  partir  da  revelação  que  não  mais  se  lhe  desencravou  do  cérebro. assim.  lambendo­lhe  as  mãos. semanas antes.  naquele  dia.  ferida.  Semelhante  suplício  moral..  enganada. severa fronteira entre ela e a família.  Aproveitava­se  dessas  horas  de  efusão  entre  ambas. quando se tratasse das incertezas dela na escolha de figurinos. de quando em quando. qual se lhe transferisse toda a carga de amor que acreditava  lhe  fora  restituída  naquele  instante. tão boa”. viu a cadelinha da casa.  Ela. . Quando a  esposa de Cláudio a deixou em pranto desconsolado. que Marina. certificava­se  de  que  a  esposa  de  Cláudio  possuía  vasto  patrimônio  de  compreensão  e  carinho.  atenuava­se  tão­somente  pela  dedicação  incessante  do  pai  adotivo  que  se  lhe  confirmava  mais  terno.  e. O animalzinho abeirara­se  dela. lembrando Aracélia tão amiga.  esbulhada. recolhera na rua.  Quando sobrevinha a possibilidade do intercâmbio afetuoso. aguardando a brecha  propícia. dali em diante.  embora Dona Márcia.  de  todo.  gritando  num  desabafo:  “ah!  Jóia.  exibindo­lhe todas  as  dúvidas e perplexidades que se lhe estacavam na imaginação.. percutiam­lhe na cabeça.  Mãe  e  filha  empenhavam­se.  Demonstrara­lhe  carinho.  Ah! Sim. em  tudo  o  que  se  referia  às  suas  indagações  de  menina  e  mulher. aquele fato nunca mais se lhe desvinculara da memória.  A  inteligência  precoce  compreendia  toda  a  situação.  conquanto  não  conseguisse  inclinar­se.  Então. lesada.  não  é  só  você  que  foi  enjeitada! eu também.  qual  se  quisesse  traçar. dependente.  conjeturava­se diminuída. tolerada.  Aquelas  palavras:  “adotamos você. tão funda.  mas  racionava  os  afagos.  Não  era  filha.

 inspirava no presente. a fim de apartá­la.  em  desconforto  indizível.  perante  examinadores  que  lhe  avaliavam  as  reações.  Pesava­  lhe a solidão.  Entretanto.  de  recursos  mobilizáveis  na  entrega  de  encomendas. .  Diminuta  mancha  no  vestuário  constituía  razão  para  sarcasmo;  ligeira  indisposição  orgânica  atraía­lhe  complicada  série  de  admoestações  jocosas  e  indiscretas.  quando  aquelas  mãos belas e finas.  de  que  todos  eles  haviam  demandado  outras  regiões  do  país.  nas  conversações  com  as  amigas.  a  honra  da  companhia  para  compras  no  centro.  afável  e  acolhedora.  enriquecida talvez pela compaixão que ela. o momento luminoso escoava­se.  dava­lhe  incumbências a distância.  Assistia.  no  meio social.  Tramava  motivos  para  biografá­la.  de  repente.  A  interlocutora comprazia­se num espetáculo de personalidade dúplice.44 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Dona  Márcia  afigurava­se  largar  distâncias  e  respondia­lhe  entre  beijos. Suprimia­lhe a insipiência no trato com  os  problemas  começantes  da  vida  feminina.  por  fim. Expandia­se­lhe a meiguice  maternal. entre o chiste e a impiedade.  não  se  pejavam.  Cedo  percebeu  que  a  irmã.  Marina chegava e turvava­se o ambiente.  Ante a reviravolta.  Dona  Márcia  e  Marina.  que  acreditara  possuir  ao  pé  do  berço.  à  transformação  que  se  operava  de  improviso.  à  frente  dela. Assumia ares diferentes.  como  se  estivesse  encantoada  num  teste  de  tolerância  e  paciência.  Inventava.  Retinha suficiente autocrítica e discernia a situação. não  abriria mão  de  ínfima  parcela  dos mimos caseiros. encantava­se.  Ansiava  repouso  em  dedicações  estáveis. analisava o reverso do quadro. jaziam ignoradas. Sorria.  Mensagens  aos  familiares  de  Aracélia  nunca  mereceram  resposta.  Concediam­lhe.  humilhá­la.  Dominado  o  segredo  de  sua  origem.  filha  única.  com  relação  às  duas.  Ocultava­se  a  mãezinha  espiritual. lhe afagavam a cabeleira. de que se supunha senhora.  e  aparecia  Dona  Márcia. sem qualquer parente consangüíneo que lhe disputasse os vínculos da  amizade.  eventualmente.  significavam  provação  inqualificável  que  lhe  competia  agüentar  em  silêncio.  quaisquer  dúvidas.  apetecendo  melhor sorte.  previamente. Isso.  raramente. na atmosfera psíquica. avalentoada e cortês.  Informações  procedentes  da  remota  cidade  em  que  sua mãe nascera  inteiraram­na.  suscetíveis  de  ocorrer. Criticava­lhe os gostos. E a genitora não fazia mistério na  tomada de posição.  completavam­se  em  pequeninas  torpezas  para  deprimi­la.  unidas.  sentia  o  coração  descompassado.  porém.  exacerbava­lhe  a  secura. Estava só.  espantada. exercitando crueldade risonha nos pejorativos com  que lhe agravavam o constrangimento e a subalternidade. agora distanciadas. as atitudes.  de  carregá­la com pacotes diversos.  Nesses  instantes.  E  se  as  casas  comerciais  visitadas  não  dispunham. moça pobre. até então.  suprimindo.  Em  separado.  Ambas.  modificara  a  conduta  para  com  ela.  não  vacilava  ceder­lhe  a  ternura  que  vinha  do  passado.  alguma  atividade  em  aposento  vizinho.  mãe  e  filha.  demonstrando vivamente que o lume da dedicação e da confiança de outros tempos  não se lhe arrefecera no coração. em apontamentos sábios e doces. Queixava­se  subitamente de dores que. rápido.  dando­lhe  a  impressão  de  haver  reencontrado  a  mãezinha.  juntas.

  a  carga  que  transporta.  quanto  aos  empeços do caminho. solicitamo­la a que viesse.  Menina  bisonha.  com  entradas  de  cinema.  Encerrada  nos  pensamentos  que  lhe  armavam  as  fantasias  e  receando  exteriorizá­los. Ligações novas.  Comparava  o  contacto  da  vida  prática  a  podão  implacável  que  lhe  talara  todas as flores do jardim de sonhos juvenis. expandiram­se­lhe os interesses.  até  então.  decerto.  Entremostrou­nos  o  movimentado  estabelecimento  comercial  em  que  Cláudio  lhe  obtivera  a  função  de  balconista. De começo.  relacionando  os  primeiros dias de atividade na profissão de comerciária a que se afizera. inquiria por que se  lhe recusara alimento afetivo no ninho.  No dia imediato àquele em que o pai adotivo lhe trouxera da rua um bolo  enfeitado com dezessete rosas pequenas.  Pequeno  mundo  da  preferência  feminina. em apoio  da análise que empreendíamos.  a  fim  de  interrogar­se.  As rememorações externaram­se em jorro.  que  conjeturava  reaver  lembranças  por  impulso  deliberado.  repetidamente.  A imaginação agora se lhe excitava em descontrole. depois.  como  quem  se  propõe  alijar.  O destino. conquistava simpatias.45 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Marita.  pedaço  de  paraíso  em  que  pudesse anestesiar o coração.  oferecendo­lhe  um  lar.  Ave cansada pelo exercício prematuro das próprias asas. tecidos leves.  Conhecia­lhe  a  noiva.  Vira­se.  Afrouxamos. por gentileza. roupas feitas. onde conseguira distendê­las. idéias  renovadas. a desilusão conturbara­lhe o ânimo.  retomou  as  elucidações  interrompidas.  por  momentos.  A princípio. entretanto.  governar  o  império  emotivo.  Docilmente.  Entusiasmava­se  com  novelas  e  filmes  que  terminassem  pelo  altruísmo  coroado ou pelas supremas aspirações humanas. .  todos  os  conhecimentos. desoprimir­se e achar a felicidade.  em  matéria  de  amor.  porém. através de um colega que a  obsequiava.  a  observação  aguda  com  que  lhe  acompanhávamos a exposição silenciosa.  Aliciara relações confortadoras. tudo hesitação e novidade. nos braços de príncipes que as arrancavam da obscuridade para a  glória. entrara  em serviço.  Aliviada. atirada aos embates do sentimento.  indagou  de  si  mesma  se  não  fora  o  insulamento  a  causa  de  exagerar tão cedo a necessidade de companhias diferentes das que lhe traçavam no  lar o estreito círculo de provas. pelo temor do ridículo.  Antes. perfumes.  que  se  acomodasse  em  algum  esconderijo  da  mente.  aos  romances  em  que  cinderelas  anônimas  acabavam  em  deslumbramento. permutava  confidências. para comemorar­lhe o aniversário. no intuito de auxiliá­la e protegê­la. recorrera à evasão. sugerindo­lhe adornar­  se  com  esmero. Bijuterias.  com  naturalidade.  franqueou  o  propósito  de  recrear­se  para  dar  conta  de  si.  circunscrevia. convenientemente atendidas.  para  fixar­se em contristações inúteis.  professora jovem e distinta que se lhe afeiçoara ao convívio. escarnecera­lhe da inocência.  de  modo  a  se  destacar  diante  do  herói  que  lhe  viria.

  Conversaram.  Impetuosamente  submetida  àqueles  lábios  que  se  colavam  aos  dela. porém.  Aspirava.  Necessária  a  adoção  de  recursos  psicológicos  para  tranqüilizar  compradores  inquietos.  Ele.  O  rapaz. um  sorvete  na  praia.  em momento  de  céu aparentemente azul. Puxou­a.  A  noção  de  responsabilidade  relampagueou­lhe  no  raciocínio.  destilava  o  magnetismo da serpente.  nas  areias  do  Leme.  não  satisfazia.  plena. a noite em que ele se apresentou.  mencionando  clientes  ásperos.  Na  vertigem da  pessoa  atingida  pelos  efeitos  de  um raio.  Amiguinho.  de  vez  em  vez?  Iniciaram­se  os  momentinhos  de  encontro  fraterno.  Acontecimento  natural.46 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Que  mal  em  se  verem  juntos  para  uma  fita  simpática. quando hipnotiza o pássaro confiante.  desfaleceu por segundos. de encontro ao peito.  Mera  camaradagem. Chegara sem a  noiva. nenhum motivo de inquietação.  Riam­se.  começou  o  inesperado. quis gritar.  prelibando  emoções  da  maternidade.  A  Lua  nascera.  A  profunda  e  invencível  reação  da  feminilidade  unida  à  consciência  surdiu. o pranto explodiu­lhe quente e doloroso.  pediu­lhe  a  mão  pequena  para  confrontá­la  com  a  dele  e. a ser mulher de um homem. transtornado. aqui e ali.  pacificamente.  mas  não  concordaria com o próprio aviltamento em deslealdade ou devassidão.  que  se  dirigira  a  Petrópolis.  submissa. no intervalo das lições.  Intentou  desvencilhar­se. Um cafezinho de bar.  Ideou  a  imagem  da  amiga  ausente.  fazendo o papel do irmão que não tivera.  Assustou­se. Copacabana. .  conquanto  raro.  O trabalho na loja fora banho de suor copioso. espalmara a destra sem qualquer prevenção.  respondendo.  da  sua  condição  de  criatura  humana. gaguejando declarações.  com  humildade.  durara  um  instante  só.  Veio. no dia cálido.  fez­se  claro  nos  propósitos  infelizes.  O  hálito  sedutor  do  primeiro  homem  que  a  retinha.  Falavam  acerca  de  freguesas  apressadas.  comprimindo­lhe  os  dedos.  compreendeu  todo  o  perigo a que se expunha.  Interpelações da alma sincera estouraram.  a  seu  parecer.  rápida. contundentes e francas. reclamar socorro. mas o sangue turbilhonava­lhe  na cabeça. arrojou longe o perseguidor que lhe pressionava o busto tremente. companheira de alguém que lhe  fosse  companheiro.  quando  o  calor  vinha  forte.  neutralizado. ao jeito de colegiais.  enquanto  se  expunham  ao  sopro  refrigerante do mar.  A  fita  métrica.  ao  sentir­lhe  a  mão  hirsuta  e  máscula. sim.  de  todo.  Intimidade  dos  minutos  propícios.  Nisso.  reportando­se  a  medidas.  em  casos  determinados  de  atendimento. nas horas de vento frio.  Compenetrava­se.  no  entanto.  Desembaraçada.  moça  sequiosa  de  afeto.  Nada  prenunciava sucessos desagradáveis.  contudo.  O  desmaio.  no  entanto.  quando  se  interessassem  simplesmente  por  fragmentos  de  rendas ou passamanes.  tocada  de  súbita resistência.  Bastou  isso  e  o  impulso  sexual  esmoreceu. num gesto brusco.  inspirando­lhes  pensamentos  mansos  e  alegres. despreocupados.  Apelou  para  todas  as  energias  de  que  se  reconhecia  capaz  e.

  incutindo  respeito religioso.  assim. mãe e irmãs. para as quais exigia valimento e respeito?  Lívido e atarantado.  Enlevado  com  o  painel.  Desanuviou­se­lhe  o  firmamento  íntimo.  bonito  rapagão  recém­casado.  exercitando­se  em serviço de análise psíquica. o vulto de um jovem raiou. Lago  consciente.47 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Onde  os  compromissos  do  noivado?  Que  fazia  da  jovem  correta  que  lhe  empenhara  o  destino?  Trazia. sensivelmente. Clareou­se a aura de tal modo.  Era  o  adolescente  cujo  semblante  repontava dos pensamentos de Marina.  o  coração  rolando  tão  baixo?  Não  possuía  acaso. para depois  hostilizá­la em serviço. asseverando. penteados extravagantes.  Zombou­lhe das lágrimas e retirou­se. que não  a supunha meninota antiquada. gargalhando.  Enquanto isso. Ao  estampá­lo  na  paisagem  dos  mais  recônditos  pensamentos.  Queixas  arredadas. impudente.  Ambas  as  meninas  jaziam  espiritualmente  imanadas  a  ele  por  laços  idênticos. Cruzavam­se­lhes as preferências.  desajuizadamente. com a abnegação das mães.  situando­se  com  manifestas  vantagens.  onde  pretendeu  arrancar­lhe  atitudes  inconfessáveis. quanto ao lugar  onde teria visto quadro idêntico:  jovem mulher plasmando aquele rosto no campo mental.  acrescentando.  sustinha. ainda jovens.  Vaso  pensante  que  incorpora  o  privilégio de esculpir­se e alindar­se.  Ocorreram outros impedimentos e tentações. que o fenômeno induzia  às  mais  belas  apreciações  do  entusiasmo  poético. que preferem morrer.  Marita amava o escolhido com a firmeza da árvore que se  levanta sobre a  raiz principal de apoio. Marita. de inopino. felizes no  sacrifício extremo. à vontade. bebedeiras e tafulices. se for essa a condição para que os filhos queridos logrem viver.  Estava comprometido.  ainda.  atento.  Figurinistas  de  prol.  alcançara  diploma  de  contadora. cínico –. o colega escusou­se. a  seu modo de ver.  prodigalidades  e  excessos. mantendo a faculdade de esconder. era muito natural que ele e ela.  insinuara­se. sócias de análogo destino.  começando  por  um  presente  de  aniversário  e  terminando  por  solicitar­lhe  colaboração  no  escritório. observava que Marina se alterara.  que  me  espreitava.  transfigurou­se  a  castigada criança. interroguei­me.  Angariara inimigo novo e amargara preterições.  Nesse ponto das confidências mudas.  é  livre  para  saborear  os  frutos  que  pendam de plantas erguidas à margem.  em  sua  filosofia  desabusada. nítido.  apreensões  esquecidas.  que  todo  viajante  consciente.  O  sobrinho  do  chefe. para encerrar a flor predileta. percebendo­lhe a face transida de mágoa.  embora  conheça  o  caminho  certo.  Relanceei  o  olhar  sobre  Neves. ao refletir o rapaz. todos os detritos de suas  águas. noivo há meses.  Vasculhei  a  memória  e  identifiquei­o. de parceria com  Nemésio. metamorfoseando­se em espelho suave e cristalino para retratar uma estrela.  que  se  configurava  qual  retábulo  vivo. Favorecida  pelo  devotamento  materno. sarcástico.  decerto  pelo  motivo  de  ganhar  expressivas  somas  na  profissão. . desfrutassem  o  tempo. no entanto – sublinhou.  E. senhoreando­lhe o coração.

 sentia­se amada.  Para  fazê­la  integralmente  feliz.  Para  surpresa  maior.  Convencia­se  de  que  Gilberto  se  enfastiara. apenas aguardava a melhoria econômica que adivinhava perto. integralmente.  sem  explicá­la..  Não sabia de que modo  o pesar me doía mais.  Riram­se da coincidência com a ingenuidade de duas crianças.  as  ternas  arengas  das  crianças  e  as  vozes  dos  passarinhos.  A muda confissão da jovem avançou em reminiscências vivas e francas.  pesquisa adiante.  Conhecera Gilberto.  Marina adiantara­se.  soubera. se ao refletir  em Marina.  Desde  que  se  lhe  apoiara  ao  braço.  se  fizera  contadora  da  firma  em  que  o  genitor dele  se  destacava  como  sendo a figura mais importante.  O  filho  de  Nemésio  Torres  prometera­lhe  casamento. permitindo­lhe descobrir a  beleza  do  mar;  detinha.  Desligara­se  do  calvário  doméstico;  o  tempo  voava.  haviam  colhido.  ele  representava  os  interesses  do  próprio  pai.  sem  que  lhe  fosse  possível  justificar  a  sede  crescente  de  comunhão  que  a  dominava.  o  espanto  que  me  assaltava.48 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Bastou  recolher­me  o  sinal  e  aproximou­se.  profundamente lesada nos tesouros do sentimento.  transformando­as em notas de perdão e alegria.  ou  se  ao  concentrar  a  atenção  naquela  moça  triste.  Nenhum  peso  a  carregar. Sabe você quem é este? É meu  neto.  ao  coração.  suscitava­lhe  sonhos  de  maternidade  e  ventura. da fonte que se entrega ao sedento. Amava­o. a  dividir­se  entre  pai  e  filho.  Estanquei  no  íntimo  as  impressões  que  me  sensibilizavam  e  prossegui. Gilberto.  Marita confiara­se a ele..  a  jungi­los  um  ao  outro.  satisfeita. Sempre Marina.  rogando­lhe  aguardar  ensejo  que  fosse  vantajoso  à  conversação.  Dera­se  a  Gilberto.  imaginando­me  na  posição  de  um  pai  socorrendo  uma  filha.  pronto  a  enlaçá­la  e  protegê­la. filho de Beatriz.  recentemente  empregada.  impulsivo. A Natureza desvendava­lhe encantos  novos.  nenhuma  noção de sacrifício.  que  Marina. dentro de mim. no gabinete do chefe.  Apesar de  tudo.  abatido.  segredando­me.  Tolerava  as  alfinetadas  do  cotidiano. os efeitos do impacto emocional. a flor da felicidade que parecia frustra.  doce.  mais  vastos  horizontes  se  lhe  descerraram  à  alma.  copiando  a  passividade  da  planta  que  se  rende  ao  cultivador.  para  não  tresmalhar­me na inconveniência da compaixão destrutiva.  transtornado:  – Ainda não nos entendemos devidamente. e graduei. precisamente há seis meses.  na  excursão  inicial  que  lhes  precedera  a  série  de  passeios  e  entretenimentos  felizes.  desde  então.  em  negócios alusivos à venda de imóveis. que me  abeirara  daquela  atormentada  criança.  Articulei  breve  aceno..  contente  e  embevecida. Eu.  que  ambos. .  Falava  do  futuro  risonho. Admitia que outra luz se lhe acendera nos olhos. tinha agora  o  coração  farpeado.  Com  que  deslumbramento  lhe  recebera  os  primeiros  olhares  afetuosos  e  indagadores!  Elos  de  intensa  afinidade  passaram.  precipitados  à  fome  de  prazer.  certa  música  nos  ouvidos  para  assinalar.  a  custo.  O  amor  correspondido  anestesiara­lhe  a  sensibilidade.  sopitei.. antes do tempo. Ela  prestava  informações  de  serviço.

  Ouvira­lhes  a  conversação  impregnada  de  ternura  ardente. . surpreendera a irmã e Gilberto num colóquio. que não deixava  dúvidas.  sem  ser  pressentida.  Nesse  ponto  das  lembranças  amargas. estirou o corpo desgovernado.49 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Na véspera. abandonando­se a lágrimas convulsas.  ao  modo  de  ave  repentinamente  ferida.

. dona de  casa para um homem de bem. lastimou­se.. lá se vai Gilberto.  Submeteu­se...  – Como não?  –  André –  inquiriu  ele.  Incrível  hajam  crescido  sob  o  mesmo  teto!  São  irmãs  adotivas. para a moça em pranto e salientou:  –  Veja  esta  menina.  meu  amigo?  Você  percebeu?  Meu  neto.. embora ajustadas  entre  si  para a  função  que  lhe cabe..  Não  fazia  a  menor  idéia  das  perturbações  que  a  rodeiam.  Se  o  pai  auxiliasse!.  Ah!  Meu  amigo.  Que  culpa  no  vaso de porcelana.  Correta...  Investi­me.  como  pai. um rapaz entre duas irmãs.  estaria agora mais consolado se a visse agonizando numa casa de loucos!..  Para  descobrir  o  que  você  conceitua  por  “verdade toda” é inevitável consultar as pessoas que ela hospeda no mundo íntimo.  indebitamente.  tento  confortar minha  pobre  Beatriz. reconhecendo que a  paciente  chorava.  confiante. compadecido.  Diante da pausa curta. você não desconhece que determinado grupo familiar  se define como sendo um engenho constituído de peças diferentes. não me fiz tardio nas ponderações.. .50 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 8  Rematara os apontamentos que me propunha alinhar e.  Cada  um  daqueles  que  o  integram  é  parte  das  realidades que se entrosam no conjunto. Marita foi sincera. Ela poderia ser a esposa que idealiza.  Arrojando­se. como acontece à serpente e à pomba.  visivelmente  distanciada  do  exame  que  me  fora  permitido desenvolver.  Ignorava  o  que vemos.  porém... violentamente destampado por  um animal? E esse animal é um  garoto que eu amo tanto!. No entanto.  Onde  estamos?  Quatro criaturas enoveladas.. embeiçado por uma  pinóia....  em  prostração. mãe digna.  fiel.  ao  desconforto  com  que  supunha  reverenciar  a  justiça..  só  isso.  na  posição  de  conselheiro  fortuito  e  roguei  ao  companheiro asserenar­se..  Há  dias.  sem  ocultar  a  perplexidade –. áspero:  –  Imagine  você!  Gilberto!  Um  menino. Neves perguntou se podíamos trocar entendimento rápido.. Ela é  um  pedaço  da  verdade  que  procuramos.  Mas  Nemésio é um caso de manicômio....  Olhou.  Marina  e  Marita..  que  vem  a  ser  isto...  E apontando Marita:  – Esta moça disse a verdade toda?  – Neves – acentuei –.  o  moço  é  meu  neto!. Mulher entre pai e filho. Não tem jeito.. Expôs o que sabe.  O  amigo  debuxou  o  leve  sorriso  de  quem  reúne  compreensão  e  conformidade.

 ao abrigo doméstico. em si mesmo.  redundaria  em  socorro  a  Beatriz.  A submissão do companheiro dava para comover.  Apesar  disso.  declarou­se disposto a dominar­se e.  sentia  que  as  excitações. no entanto.  Entretanto.  naquele  grupo.  recomendando  lhe  fosse  prolongado  o  prazo  de  estada  na  Terra.  ao  modo  de  alguém  que  carregasse  bombas  estourando  no  próprio  peito. absorvido no bem­  estar dos que reputava como sendo flores no tronco do coração. impelindo­nos a recordar antigos condiscípulos  da  fase  juvenil.  Neves tolerou o aviso com paciência.  calcular. a cada instante.  lhe  pesavam  no  espírito.  lançaria  sobre  a  filha  ingredientes  fluídicos  de  índole  negativa. arruinando­lhe as forças.  quando  encorajados  e  vacilantes  ao  mesmo  tempo  na  solução  dos  problemas  de  autocontrole.  esquadrinhado.  Paciência e atividade fraterna servir­nos­iam de apoio. em outra parte.  Nada  impossível  viesse  a  continuar  adstrita  ao  corpo  carnal. impedindo  os  prejuízos  que  lhe  pudéssemos  acarretar com qualquer carga de vibrações desconcertantes.  não  conseguiríamos  precisar  até  quando  perdurariam  os  sofrimentos  físicos  da  esposa  de  Nemésio.  assim. topava. Agiriam.  É  justo  prever.  Acabou rogando compreensão. agarrado às raízes consangüíneas. na presença dos instrutores.  de  sentimento  azedado.  Acreditava­se temporariamente perturbado. por mais  aplicado  ao  burilamento  íntimo. encerrando consigo méritos e falhas.  Regressando. Certo.  Colocássemos nela o pensamento.  a  fim  de  adestrar­se  em  cordura  e  desprendimento. Não precisava vexar­se daquela maneira.  solicitou­nos  colaboração  a  fim  de  que  se  mantivesse  calado.  sopesado.  Voltara  instintivamente  à  agressividade  e  à  extroversão  que  lhe  marcavam  o  temperamento  no  passado;  entretanto.  Acusava­se  analisado.  o homem que fora. acentuou humilde.  Os  supervisores  que  nos  dirigiam.  Além  do  mais. por longo  tempo  –  justificou­se  –. marcariam o término das possibilidades de  cooperação.  qual  nuvem  de  gases  comburentes. realizar o melhor. A irritação lhe avinagraria o ânimo e ele. o bem  suscetível  de  ser  plantado.  Ao jeito de qualquer pessoa terrestre. proteger. Partilhava as  agruras  da  filha.  perfeitamente. .  e  se  acontecesse  o  inverso?  Exasperação ou desânimo. de nosso lado. tanto quanto possível.  Contavam  com  recursos  para  localizar­nos  em  tarefas.  sob  o  influxo  dos  mentores  sábios  e  amigos  que  lhe  haviam  descerrado  a  porta  das  escolas  de  aperfeiçoamento nas esferas superiores. por meses.  Mas. Entendia tudo.  remover­nos­iam  da  cabeceira  da  doente.  comprometia­se  à  revisão  de  atitudes. não apresentávamos qualquer traço de superioridade. como quem nos agaloava em serviço.  sem  a  menor  dificuldade. relativamente melhorada. Sempre chegava o momento em que ele.  poderiam  ocorrer  determinações  superiores.  na  própria  assimilação  dos  princípios  de  caridade  e  indulgência  que  passara  a  ministrar. conquanto os prognósticos  enunciassem  a  desencarnação  para  breve.  Fi­lo sossegar­se.  em  proveito da  própria doente. Comodista.  que  lhe  relevássemos  qualquer  desabafo  inconveniente. De nossa parte. anos talvez.  quando nos demorássemos a sós.  não  obstante  compassivos  e  prestimosos. Retirara­se do convívio  familiar.  Desinibia­se  ou  dementava­se.  até  mesmo  mais  suaves  e  mais reconfortantes.  longamente  acumuladas. Sabia­se em prova  árdua. Neves.51 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Achávamo­nos ali para emendar.

  E  afirmamos  “possessão  partilhada”. enrodilhava­se­lhe ao corpo.  não  era  só  ele.  copiando  gestos  de  felino.  de  leve.  A  frágil  menina  desoprimia­se.  Nós  também.  amarrotado. forneciam a impressão  de dois seres num corpo só.  Dispúnhamo­nos a intervir.  um  aspirava  ardentemente  aos  objetivos  desonestos  do  outro.  Um  daqueles  dois  companheiros  desencarnados que lhe alteraram a personalidade. valia por duas personalidades masculinas numa  só representação. complementando  paixões idênticas na mesma tônica da afinidade total.  menos  experiente.  espantado.  acostumados.  mas  não  vinha  só.  onde  Cláudio  e  o  vampirizador. figura­se o mais adequado à  definição  daquela  ocorrência  de  possessão  partilhada.  Estranho  sorriso  franzia­lhe  a  boca. no instante em que bebiam juntos. Soluços.  Isso conferia ao semblante de Cláudio expressão diferente.  a  distância  de  centímetros;  contudo. euforicamente.  a  jovem  anuiu aos nossos apelos e cambaleou.  Empregando  vontade  e  forças  para  vencer  a  crise  de  lágrimas.  Indubitavelmente. quando sucedeu o inesperado.  Em  determinados  momentos.  sempre  a  enlaçá­lo.  Um  clarividente  reencarnado  que  contemplasse  o  dono  da  casa.  com  exatidão.  criatura  humana  desencarnada.  singularmente  brutalizados pelo desejo infeliz. enquanto  ele  se  deixava  prazerosamente  senhorear.  Cláudio  entrou. buscava reprimir. e.  que  se  nos  apresentava  ao  exame. justamente o que se abeirara dele.  dantes  povoado  pelos  devaneios  doridos  de  uma  criança.  O  recém­chegado  transfigurara­se. constituíam juntos uma fera astuciosa. senhoreava­lhe sentimentos e idéias.  em  pranto.  efetivamente.  O  olhar  obediente  adquirira  a  turvação  característica  dos  alucinados.  ali.  conhecíamos  de  sobra  os  lances  da  batalha  interior.  metamorfoseara­se  em  jaula.  em  que  o  adversário  somos  sempre  nós  mesmos. .  não  obstante  discreto.  completando­se.  que  jazia  transido.  na  arena  das  qualidades inferiores que nos tocam sublimar.  Achavam­se.  era  ele  um  homem  comum; no entanto.  Aquele  quarto.  cuja visão espiritual não nos atingia. em vão.  Mas.  aos  embates do sentimento.  em primeiro lugar.  à  porta.  conquanto  não  exprima. na divisão da responsabilidade em quotas iguais. desaferrolhando a passagem. vê­lo­ia noutra máscara fisionômica. O hipnotizador. Respiramos confortados.  no  plano  espiritual.  irrestritamente conjugados em vinculação recíproca.  Choro  vozeado. prosseguir. ansiando soerguer­lhe as energias. Dois Espíritos exteriorizando impulsos aviltados.  o  inquieto  coração  paternal  vinha  ao  encontro da  moça  desfalecente. alimentávamos aflitivas apreensões.  todo  o  processo  de  enrolamento  fluídico. porém.  O verbo enrodilhar­se.  entretanto.  decerto  incomodado  pelo  som  lastimoso  daqueles gemidos que Marita. à nossa frente.  o  obsessor  afastava­se  do  companheiro.52 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Também  nós.  em  que  se  imantavam.  naquela  hora. calculando o  caminho mais fácil de alcançar a presa.  interessado  em  não  perder  o  contacto  da  vítima.  Desaconselhável. para o trago de uísque. conversando à margem do serviço.  Diante  das  percepções  limitadas  de  Marita.  Qual acontecera. insistimos com ela para que atendesse. na linguagem humana.  Neves  fitou­me. através de estímulos  magnéticos.  porque.  Cláudio  batia. nós próprios.

. agora sim!.. enfim. que transcenda convenções e formas..  Paganini  tocou  numa  corda  só;  entretanto.  qual  se  a  cabeça  dele  estivesse  transfigurada  numa  caixa  acústica de aparelho radiofônico. Ninguém alcança a fusão de  um  pedaço  de  ouro  com  um  pedaço  de  madeira. é que Cláudio ainda encontrava recursos  a fim de parlamentar..  para  continuar. todo alimento serve.  Refletindo  na  corrida  à  garrafa. arrojando­se em profundo sofrimento moral..  As  palavras  escapavam  do  crânio  de  Cláudio.  por  segundos.  mereceremos  simpatia menor? Os que enlouquecem. Cláudio... anos a  fio.  do  ponto  de  vista  humano.  Cláudio. levantava­se.  positivava­se  em  plenitude selvagem.  mas no amor.  mas  o  pássaro  viaja. Esperar.  Pausava­se  a  voz..  a  corda  se  harmonizava  com  ele.  dando  conta das intenções libertinas da dupla animalizada.  a  se  estirarem  na  rua  por  falta  de  pão?  Você. aplacar a sede. franco; ainda assim.  administrando­lhes  remédio  seguro;  somos  o  apoio  certo  de  mendigos  que  tropeçam  às  tontas.  quando  em  deploráveis  condições de ignorância. em  diálogo.  companheira  na  afinidade  absoluta. mas acreditamos seja nossa obrigação consigná­la.  capaz  de  lhe  3  oferecer a plenitude interior. em nome do coração.  Para  nós. O amor.  aparentemente  silencioso  para  a  filha  adotiva..  Cada  homem.  no  intuito  patente  de  arruinar­lhe  os  restos do escrúpulo. é isto.  é  imperioso que as metades sejam da mesma substância. nossa!.. a felicidade é semelhante ao aro de que o homem possui a  metade  e  a  mulher  detém  a  outra..  suspirando  por descansar na penugem do próprio ninho.  comovendo­o. Existem mulheres aos milhões;  entretanto. Pontos de  apoio  alongam­se  em  toda  parte. desdobrava­  se  tão  agreste  quanto  o  furacão  ou  a  maré. efetivar­se na suposta mudez do plano mental.  momentos  antes. ali. para dominar a felicidade num simples minuto.  léguas  e  léguas.  Magnetizador e magnetizado denotavam sensualidade do mesmo nível..  que  se  expressam  por  forças  ainda  desgovernadas  da  Natureza  terrestre.  Apiedamo­nos  de  enfermos  abandonados. Na fome física. Somos homens sequiosos. claramente perceptível.  proclamando  sofismas arguciosos:  – Vamos! Marita é nossa. O fenômeno da comunhão entre duas inteligências – uma delas  encarnada e a outra desencarnada – . sofredores. No amor. aliás.  suplicante.  abdicam  impensadamente do próprio raciocínio.  não  se  instituíam  apenas  as  formas­pensamentos.. por vezes.  Discorria  o  obsessor. A única que nos poderá.  para realizar­se  nos  domínios  da  vitalidade  e  da  alegria.  há  de  encontrar  a mulher  magnética  que  lhe  corresponde. cores..  às  vezes.  avaliávamos  o  perigo  aberto à menina indefesa. A diferença. dentro da hipnose – hipnose que ele.  porém. com estruturas.  Para  que  a  euforia  vibre  perfeita  no  círculo.  Jamais  arrancaria  no  mundo  o  menor  sinal do próprio gênio. através da emoção:  – Agora. serão piores do que os  infelizes. amimalhava.  que.  (Nota do Autor espiritual) .  Acaso.  não  obstante  a  ocorrência.53 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  A  incorporação  medianímica.  ainda  mesmo  que  essas  cordas  o  desafiassem  a  toneladas.  Cláudio.. esta é a única. esfaimados de ternura. se apenas dispusesse para o violino das cordas de cânhamo.  prevenindo  criaturas  sensíveis  e  afetuosas. ainda mesmo  esbatida  qual  se  encontra. nestas páginas.. ruídos e  movimentos correlatos; amedrontava­nos igualmente escutar as vozes de ambos.  espontânea  e  consciente.  tem  amargado  3  Compreendemos  o  caráter  negativo  da  linguagem  do  Espírito  desencarnado.

 a  de pai e a de enamorado.. rixas e discussões.  mas  igualmente com Gilberto.  discretamente.54 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  angustiosa carência. por mulher livre; contudo.  De começo.  Em  casa.  o  cavalheiro  que  desempenhava.  a  esposa. passou  a esbarrar com a filha.  Não  estará  você  cansado  de  vê­la  e  desejá­la. antes do casamento.  cuja  existência  não  haviam  sequer  pressentido. em  segredo. o cansaço total um do  outro.  ardentemente.  Pai  contundido  pela licenciosidade  em  família. . em recantos de prazer. Admitia­se com razão para convidar o estouvado a compromisso. – suspirou Cláudio. quando o amor verdadeiro  grita insatisfeito na carne? Você vive no lar.  Marina  e  ele.  –  Mero  artifício  social. Todavia. não tem direito ao fruto  que amadurece? Você abrigou esta menina nos braços.  sem  que  lhe  desconfiassem  da  presença  ou  do  zelo  ofendido.  e  acabou  descobrindo  nela  o  seu  tipo..  quando se  inclinava  a  pedir conselho  de  autoridades  policiais. no entanto.  Márcia.  às  ocultas. De  que valem vencimentos fartos e experiências de lupanar.  habitualmente  reuniam­se  à  mesa.. emergira  entre ambos a muralha da discórdia. como sendo minha própria filha.  –  Filha?  –  insistiu  o  sedutor. desde muito.  Classificava a filha. se haviam tornado para ele em calamidades inevitáveis. em trabalhosa porfia. da discórdia que lhes emanava do âmago.  à  feição  de  três  animais inteligentes.  seguira  a  trilha  materna. A  princípio. desencorajando­se. Cláudio argumentou.  Nunca  lhes  ouvira  as  palavras;  entretanto. Nos primeiros tempos do consórcio.  Ciumento. Os desregramentos  de Marina. O cultivador. Flor no ramo espinhoso  daqueles antagonismos flagelantes. Cada qual em seu caminho. Aventuras unilaterais.  E  quem  assegurará  que  ela  também  não  espera  por  seu  beijo  com  a  sede  da  corça.  atormentara­se. o filho.  Desligara­se  dele.  os  gestos equívocos. a ele. através da convenção ou do  chiste.  Não  alentava  dúvidas.  Marina. dissimulando o desprezo recíproco. porventura. Marita é a compensação. Um pedinte na praça não tem leve pitada de suas aflições.  presa  ao  pé  da  fonte?  Você  não  é  nenhum  neófito;  sabe  que  toda  mulher  estima  render­se.  enquanto  exercesse  a  profissão  que  lhe  assegurava  sustento  às  fantasias. Depois.  calculara. chocara­se com o imprevisto..  ferido.  acompanhara­os. Contudo. Marita definia­se à parte. a esposa.  No conceito dele.  junto  dela.  apanhara­lhes.  Calculara. em  ondas  torvelinhantes  de  aversão  instintiva. porém.  Conjeturando­se dividido mentalmente em duas personalidades distintas. em posição comprometedora.  todos  os  dias. Elegera Gilberto.  resignando­se  ao  suplício  da  distância.  crendo falar para si mesmo. embalou­a no peito; viu­lhe o  crescimento. à moda de cão na sarjeta. Cláudio.  a  função  de  chefe. tolerável no  lar.  como  quem  acompanha  a  evolução  da  flor  que  desabrocha. a indiferença. Homem de prolongada vida noturna.  Apenas  mulher. em seu juízo de homem. o rapaz com  quem se dava a passeios freqüentes.  Não desconhecia que a moça já se revelara.  vivendo  tão  perto?  – Criei­a.  evidentemente. não apenas na companhia de Nemésio  Torres. ditava os figurinos. Escoiceado. de leve.  em  excursões  domingueiras. Era impossível que o amasse.

  ele  mesmo.  deixava  o  tempo  correr.  Certificando­se  de  que  não  lhe  dobrariam  o  caráter.  formulando­se  outra  espécie  de  inquirições.  na  direção  do  serviço. nem deram por isso.  Cláudio. recordava­se Cláudio de  que  há  muitos  dias  concluíra  que  Gilberto  não  hesitava  embair  as  duas  moças  e.  enfileirou  as  reflexões  apressadas que lhe vinham à mente; no entanto.  de  quem  se  afastava  por  escrúpulos  de  consciência?  Semanas  havia. assoprado agora por ele.  do  ligeiro  auto­  exame.  a  seu  ver.  aplicando­lhe  temíveis  lesões  de  ordem  moral. adiante! . ganhando preponderância:  –  Cláudio.  se  distanciava  de  festas.  em  cujo  semblante  se  podia  ler  a  desmesurada  sede  de  volúpia.  Dar­se­ia  o  fato  de  recolher­lhe  telepaticamente  as  apreensões  ou  deliberara  fugir­lhe. mentalmente. no Flamengo. tentando saber se  estava  sendo  inspirado  com  segurança  naquela  hora.  bem  ou  mal.  de  vez  que.  Não  concordava  lhe  dessem  a  beber  afronta  ou  sarcasmo.  compreenda. sempre mais absorvidas nas extravagâncias em que se inculcavam por duas  irmãs doidivanas.  Apontar  Marina  no  páreo  significava  insultar  a  filha  adotiva.  a  fim  de  ocultar  a  simpatia  amorosa  que.  Márcia  e  Marina.  os  sentimentos  que  lhe  transbordavam  do  peito. no trato mais íntimo. não lhe torturassem o espírito.  Engodado  pelo  interlocutor  que  lhe  era  invisível.  fosse  Marita  machucada pelas circunstâncias. Disse um filósofo:  “prazer sem conquista é bife sem sal”.  depois de refletir maduramente.  Ardiloso. Quando se voltasse para ele. na amante a que aspirava. lhe impelia o coração de mulher a querê­lo?  Ele  mesmo  fornecia  ao  perseguidor  a  argumentação  com  que  se  lhe  arruinava a resistência. Adiante.  Não seria conveniente sopesar as próprias vantagens? Denunciar Marita por  jovem  ultrajada  redundaria  em  arredar­lhe  a  confiança.  Uma  vez  instalada  no  exercício  da  nova  condição.  Amando­a com entranhado carinho mesclado de egoísmo tirânico.  Tais  atitudes  acabaram  revestindo­a  de  liberdade  mais  ampla. acusavam­se  felizes  por  não serem induzidas a suportar­lhe a fiscalização.  diante  da  jovem.  de  propósito.  Espiava­lhe os passos. sob o controle do vampirizador que o influenciava.  Embrenhado  nos  raciocínios  que  lhe  derivavam. esmerilhava o próprio íntimo. satisfeito. manter­lhe­ia a independência.  não  é  passo  feminino. Velho rifão: “laranja à beira de estrada não tem preço”.  possivelmente. sorriu. fatigada e desiludida.  achando  preferível. A ausência dela como que as aliviava de um  peso.  trancara. e sussurrou.  que  Marita  utilizava  no  culto  afetivo  a  Gilberto.  Não  chegara.  Envolvido nas sutilezas do obsessor. resolvera silenciar.  Até  ali.  quanto  possível.  Estranhara.  porém.  pensando nele.  Andaria  enganado?  Acaso.  Inventara  meios  de  obrigá­la  a  tomar  refeições  em  Copacabana. feriam­  lhe as humilhações que a esposa e a filha não regateavam a ela.  Iniciativa. deixava­se  iludir  por  imaginosa  expectativa.  para  que  as  picuinhas  do  círculo  doméstico. com a ternura de um pombo e com a brutalidade de um  lobo.  em  assunto  de  amor.  Marita  entregar­se­ia  a  Gilberto.  por  vocação. aos  limites  do  enigma?  Caber­lhe­ia  sofrear­se até à loucura?  O  hipnotizador. talvez sem dificuldade.  convertê­la­ia.55 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Afastara­a. ouvia­lhe os chefes.  fizera­se  a  jovem  mais  esquiva.  intencionalmente.  Queria­a para ele.  rápidos.

 Ela chorava.  começou a martelar:  –  Cigarro!  Lembre­se  do  cigarro  e  da  boca!  Marita  é  mulher  igual  às  outras. A carne é  flor desabrochada na terra do espírito.  diminuir­se.  no  espaço  estreito  do  crânio. improvisar medidas socorristas que protegessem a  triste menina desarmada.  cigarro  na  vitrina. Mas a ocasião  não  comportava  investigações  de  retaguarda. Cláudio.  Não  mais  o  entrechoque  das  mudas  ponderações entrecortadas a esmo. que ele. quase vencido. Colaram­se..  cigarreira.  adorno  para  o  chão.  que  o  álcool apenas lhe constituía porta de escape.  tomar­lhe­ia  o  colo  entre  os  braços.  piteira  e  charuto  não  escolhem comprador.  Cigarro.  antes  de  empalmar­lhe o raciocínio. Sujeitou­se de todo à direção  do vampirizador que o comandava.  O magnetizador pressionava.  à  caça  de  recursos  com  que  o  próprio Cláudio lhe pudesse fortificar a posse magnética... ele podia acalentá­la.  Alucinado  de  lascívia.  E.. aquecer­lhe o coração.  O  momento  reclamava  atenção.  Entretanto..  A  terrível  batalha  interior  de  alguns  instantes  esmorecia.  decerto.  não  passava  de  mulher.  Não  lhe  cabia.  os  derradeiros  arrazoados  esmaeciam..  exumando­lhe  as  desrespeitosas  ilusões  em matéria de ligação afetiva.  cravou  nele  o  olhar  penetrante.  Não  mais  a  gritaria  de  Espírito..  Idéias. o magnetizado resistia. O  cultivador  não  sabe  o  que  seja  a  formação  essencial  do  canteiro.  O  anseio  incontido  com  que  impelia  Cláudio  para  a  jovem  e  a  expressão  com que a fitava.  é  possível  enxergar  claramente. a última trincheira que lhe cerceava os impulsos. só isso..  Necessário contornar obstáculos.  Entanto.  buscando  desentranhar­lhe a ternura.  contradições.  dentro  dele.  tanto  quanto  desconhece  o  que  está  no  fundo  da  planta.  na  superfície  das  situações  e  das  coisas.  Cigarro. fundiram­se.  Marita.  transtornado  –.  adubo  para  a  erva.  envolveu­a  em  longo  olhar. Cláudio avançou dois passos.  Proclamava  Salomão  que  “tudo  é  vaidade”;  acrescentamos  que  tudo  é  ignorância. por segundos.  Flor  que  ninguém  colhe  é  perfume  que  se  perde.  violentamente. O  sedutor  desencarnado  rematava a obra..  Carne  sem  viço.  Sim  –  deduzia. desde menino.  ele  era  homem.56 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Esquadrinhando  o  imo  do  companheiro.  não  fossem o temor de vê­la fugir em definitivo e o receio de verificar­se por ela própria  desonrado. sem  o concurso da boca.  Por fim.  Rosa  murcha. embutira na cabeça. apaixonadamente. pareciam chegar de muito longe. demonstravam técnicas de exploradores consumados das  paixões humanas.  inferindo  que.  A natureza  animal ampliara  domínio.  Aquele perseguidor não era vagabundo acidental.  Aproveite. o obsessor..  homem.  incontestavelmente  mais  jovem.  estímulos  e  arrebatamentos  abalroavam­se­lhe. Percebíamos  que  o  desencarnado  não  era  simples  dipsomaníaco.  Esbarrondara­se.  portanto. enfim.  aproveite.  qual  guri  destemeroso.  O excêntrico dueto prosseguiu entre os dois amigos que se entendiam. de vez que as palavras que selecionava  para  aliciar  influência  e  o  jeito  astucioso  de  sensibilizar  o  parceiro.  Hora  de amor  desaproveitada  vem  a  ser  pétala no  estrume. .

  Opusera­se  à  suspeita.  houvesse  desaparecido  de  chofre. porém.  segredava­lhe  vigilância.  Cláudio  adiantou­se. energicamente..  O contacto de Cláudio comunicava­lhe insegurança.  porém. ao senti­lo ensaiando meios de enlaçar­se a  ela.  Ainda assim.  reprimindo­se.  num  átimo.  Batia­lhe o coração desritmado.  o  instinto  de  defesa  sentenciava  prudência.  analisando. sou  também seu amigo. exagerava cuidados. passou a responder.  prosseguiu  confidenciando.  à  medida  que  o  pai  adotivo  dilatava  a  liberdade  das  atitudes. que seria justo desvelar­lhe mais ampla zona da alma. e acentuou. ávido de carinho.  Desconcertava­se  ao  perceber  que  Cláudio  demorava  sobre  ela  o  olhar  insistente..  –  Pelo  que  vejo. Esse rapaz.  como  se  o  interesse. para quem não resta outra alternativa que não seja esperar pela piedade  do atirador. que o  pai estivesse tranqüilo.  a  presença  do  “outro”.  intimamente.  Assinalara.. exortando­a a policiar as maneiras com que Cláudio  agora a cercava.  resolvido  a  ultrapassar  os  limites  da  afeição  pura  e  simples.  Pressentindo.  Lutara. Não sou apenas seu pai pelo coração.  A jovem registrou o impacto das forças aviltadas a lhe requisitarem adesão.  em  espírito.  Deduziu.  até  que  silenciou..  antecipando­se­lhe  às  ilações  reticenciosas.  Amedrontara­se. mal  disfarçando a lubricidade duplicada que o possuía. contra si mesma..  –  sussurrou. sem querer..  Marita  cobrou  ânimo  e.  mas  venho  analisando. Escutara o apontamento. Consagrava­lhe o  respeitoso amor de filha reconhecida e não lhe cabia conspurcar sentimentos sempre  mantidos  imáculos. Pelos motivos mais fúteis. todas as suas forças na posição de alarma..  acomodando­se. não desejo  contrariá­la.  não queria aceitar­se visada por ele. sob a inspiração de qualquer propósito menos  digno. esforçando­se por desculpar o rapaz e atribuindo  a  si  o  desmantelo  emotivo;  entretanto.  assumindo  ares  de  protetor.  a . Jungido  ao  companheiro  infeliz. que lhe hipotecava confiança..  Torturada  pela  dúvida.  Em seguida. tomou­lhe a destra pequena entre as suas mãos nervosas. um tanto trêmulo – . multiplicando frases  de dúbio sentido.  afirmava  a  sua  desconfiança  e  desdizia­se.  ao  redor  do  problema..  realinhou  na  mente  as  impressões  amargas  dos  tempos  últimos. anulando  mal­entendidos  no  nascedouro. num misto de estranheza e revolta.  – Não negue.. filha – entaramelou­se o pai. mas.  a  reservada  mudança  do  trato  paterno.  E. Compreendo você..  Você  não  nasceu  para  esse  meninão caprichoso.  calando a repulsa..  Naquele  instante. de relance. que as lágrimas daqueles minutos  não  se  reportavam  a  qualquer  desgosto  e  sim  a  indisposição  orgânica  indefinível.  arregimentou. Reagira.  desde  a  intimidade  da  infância. sorrindo quase.57 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Marita  ergueu  para  ele  os  olhos  súplices.  adocicando a voz.  e. inexplicável  sensação advertia­lhe o espírito.  havia  meses.  intencionalmente.  apagava­se­lhe  a  energia  para  a  conversação.  explicou ingenuamente que amava a Gilberto. por mais brandisse argumentos contra si própria.  esse  pilantra  do  Gilberto  vem  abusando.  imitando  as  atitudes  da  ave  perseguida.

58 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  expor­lhe. Você cresceu. amolgara­se a jovem.  Compreendeu  que  a  borrasca  naquele  espírito  voluntarioso  se  mostrava  prestes a estalar; no entanto.  acentuou num supremo esforço por revelar­se: ...  cujo  afeto  poderia  proporcionar­me  algum  reconforto. Estimo. tolero os insultos de Márcia.  Avançando  na  intimidade.. diligenciando expulsar de si as vibrações de sensualidade  com que a “dupla” lhe envolvia a cabeça. não me fere com isso. somente você me prende ao lar infeliz.  as  dificuldades  são  nossas.  qual  se  aspirasse  a  enredá­la no próprio  hálito. o Banco me  propôs excelente comissão em Mato Grosso;  entretanto. Na  meia­luz do quarto. irritado:  – Percebo. Desculpe­me o desabafo. sob o governo do obsessor. as ingratidões de Marina.  Chego  esfalfado.  Dar­lhe  o  dinheiro  que  exige... exclamando.. nos quais me reconheço o palhaço mais desditoso da Terra. pensei em você e desisti. mas deve saber..  minha  filha. a voz de Cláudio entravara­se na  garganta. nos esgares da ira. sem tergiversações.  Por  outro  lado. a  própria conduta.  vive  de  jogatinas  e  festas. desolado..  Esta  casa  é  meu  deserto. exaltado:  – Só você. ganhando novas energias para chegar à meta –.  com  lealdade.  continuou – agindo por si e pelo “outro” – na queixa primorosamente lavrada:  – Filha.  mas  é  preciso  que  você  saiba  que  nossas  também devem ser as esperanças e as alegrias. Imagine a tragédia de um homem que  morre. Conseguirá você compreender­me?  A moça suspirou. Anseio pelo instante em que você me  veja não exclusivamente por pai.. percebo.  embora  quarentona.. a pouco e pouco.  para  que  suma  depressa.  Alterara­se de todo. entendo as dificuldades que são nossas. É impossível que não se  condoa. acrescentou..  Marina.  inexperiente.  é hoje  o  que  me  consola. porém. e falou.  No  começo. ao consignar­lhe a indignação pintada no rosto. solidão. papai. concluindo  que atingira o alvo a que se propunha. Ainda agora.  E a explosão do interlocutor não se fez demorar.. Dias surgem.  Atentando no olhar da infortunada menina que se tocara de imenso espanto. a fim de orientar.  o  corte  sangrava. filha.. de um homem que dá tudo. mas não precisa maçar­me.  Cerrando os punhos.... sem nada  receber. continuou apresentando razões para colher reações.  sem  achar  mão  amiga. Cláudio cortou­lhe a conversa.. Estará você em condições de avaliar os conflitos de um pobre  diabo algemado a companheira de vida irregular? Ela. faz empenho de humilhar­me com a própria devassidão! Sou um homem  falido.  Você  está  moça. sim. Infelicidade. é necessário que você me ouça. podia ver­lhe a face congesta.  Márcia.  mas  coração  calejado  não  sente.  determinada a medir as reações de Cláudio.  Habituei­me  a  detestá­la. calma:  – Sim.  E. mas os próprios amigos me  lastimam o drama. os dissabores  da profissão. sozinho. vendo isso. porém.. comovido na aparência.  a  expectativa  com  que  aguardava  o  anel  esponsalício...  Por você. que você  me conheça melhor o devotamento.  Nesse ponto.  – Nossas! – repetiu ele... e. que me entenda.  Com isso.  diariamente.. todavia.. assaltando­lhe a emotividade para esbater­lhe a resistência:  – Você não desconhece o que sofro. os aborrecimentos cotidianos. sinceramente compadecida.  Atrapalhava­se.

  ao  impacto  da  recusa  imprevista.  cujas  forças  jaziam  somadas  à  valentia  do  “outro”.  Um  demônio  que  me  atira  constantemente  sobre  você.  ofertando­lhe  as  mãos.  conseguiu  levantar­se  num  prodígio  de  ligeireza.  Identificava­se­  lhe  o  abalo  sentimental..... despedia cólera letal. não! – gemeu.  Cerrava os punhos.... passou a clamar.  É  só  você  que  eu  vejo  em  tudo!  Odeio  Márcia.  Revelando  súbito  transtorno..  O  pai  adotivo. com trejeitos de lascívia. que arrojava o rosto maduro e bem tratado sobre o dela. Que fazer com esta inclinação que me arrasta? Sou palha no  vento.  Segui­lhes  o  passo  descuidado  e  feliz..  enlaçava­lhe o busto.  O  perseguidor  duplicou  em  desprezo  tudo  o  que  ele  exprimia em emotividade.  – Não.  de  inopino. inconsiderado:  –  Isto  é  a  explosão  de  muitos  sofrimentos  acumulados.  minha  filha!  Desde  que  a  vi  menina. suplicante.  como  se  eu  fosse  um  cão  escoiceado  pelo  destino.  Em  sua  presença.  pareço  um  velho.  adquirindo  tom lacrimoso.  quero  pensar  em  você.  Marita.  crendo  apoiar­se  nos  próprios  recursos..  senti  vergonha  de  mim  próprio. mas o enigma continua... Ao cair da noite. provocando inesperada reviravolta..  O  dono  da  casa.  Você  sabe  que  não  sou  nenhum  tonto. Num deles.  carrego  esta  idéia  fixa..  Avinagrara­se  a  ternura.  incapaz  de  compreender  os  sentimentos  contraditórios  que  o  faziam  avizinhar­se da loucura.  mesclada  de  revolta..  não  posso  humilhar­me  assim.. a  fim de oferecer­me a você.. estacando.  lembrando  a  fera  que  se  desvencilhasse.  para  que  pudesse  arrancar­se.  diria  que  um  demônio  mora  dentro  de  mim. Estabelecia­se pavoroso conflito na mente  de cada um. trocando promessas e .  sem  que  me  vissem.  no  entanto. sem condições. copiando o procedimento de um jovem mal comportado.  deitou  à  filha  adotiva  um  olhar  de  escárnio. a malignidade e  a agressão. Li muitos livros de Ciência para  saber o que se passa.  percebendo  a  intenção  inequívoca  do  homem  apaixonado.. Neves e eu saltamos  na  direção  dela. vi quando vocês dois se enlaçaram..  e  a  vítima.. Quis procurar um médico; entretanto.  Fiz  tudo  para  esquecer e não pude.  – Papai.. no outro.  semelhando  calda  azedada. intentou recuar. Poupe­me a humilhação!.59 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  –  Marita.  Se  eu  fosse  religioso.  pareceu  desligar­se  do  amigo  desencarnado.  A  voz  de  Cláudio  amaciara­se. Tenho ciúmes.  desprezo Marina.  carregando  o  estranho  fardo  de  angústia...  o  parceiro  trazia  uma  carga  de  paixão  vigorosa  demais  para  desistir  facilmente..  Retomou. que a fitava. à frente dele.  como  sendo  minha filha. Tenho acalentado a esperança de uma viuvez que nunca chega. Detesto esse rapaz leviano.  Qual se houvéramos combinado previamente a defesa.  do  encantamento  mantido  pelo  domador;  entretanto.. O pai enternecido deu  lugar  ao  enamorado  violento.  acompanhei  vocês  dois  a  Paquetá. o desapontamento e o desespero.  Cláudio.  porém.  O  coração  é  seu.. crescida em meus braços e não posso. dementado:  –  “Não. com a expressão desconfiada  de um animal repentinamente ferido.  seu. ao sentir­lhe o hálito.  impetuoso.  a  ponto  de  antepor  a  máscara  fisionômica  ao  semblante  de  Cláudio. inconsciente. ciúmes que me afogam a  alma em labaredas..  mas  você  me  fará  jovem.  Há  quinze  dias. a esbravejar.  O obsessor. agora.  o  próprio  domínio. prelibava o lance final.  traumatizando­a de horror.. não me faça mais infeliz.

  indagando.  apreensiva: – Que é que há?  Tratava­se da esposa que voltara.  Ouviu­se  barulho  de  ferrolho  em  ação  e  alguém  penetrou  em  casa..  a  surpreendente  capacidade  de  fabulação  da  qual  Nogueira  dava  mostras..  informando.  enquanto  o  chefe  do  lar  se  recompunha à pressa.  Efetivamente.  Dona Márcia alegava susto.  que me  achava  em  oração.  rezingando:  – Você está vendo? Este homem será louco ou desbriado?  Temendo­lhe a impulsividade. não passa de mulher. no dia seguinte. desligou­se do hipnotizador. diante de nós.. de imprevisto.  enunciadas  desde  o  início  da  cena  desagradável; no  entanto. positivamente desencantado – não  creio  que  os  anjos  se  ocupem  de  casos  como  este.  esbelta  senhora  surgiu. fique sabendo que você agora não é mais criança! Você é apenas  mulher.  libertou  a  porta  que  havia  prendido.  porém. Dona Justa.  Fechara  as  saídas  que  a  cozinheira  deixara  abertas  e  exortou a que se lhe chamasse a atenção. em sobressalto. não dispúnhamos de maiores recursos para  impedir um assalto passional de penosas conseqüências. ali.  Reconhecendo­se  descoberta nas mais  íntimas nuanças  da conduta impensada. naquele momento.  perspicaz.  enlouqueci. minuciosamente. um tanto desenxabido.. que chegara a casa.  os  anjos  pessoalmente  não  nos  atenderam  às  rogativas  silenciosas.  Pelo  jeito.  Desde  então... de modo significativo.  a  exorar  o  auxílio da esfera superior. mulher. brutalizado:  – Marita. ali.  discretamente.  que eu supunha intangível..  no  entanto.  Cláudio.  abeirou­se  de  mim.  Neves..  abriu  janela  próxima  e. Ingênua! Julga que não  tenho motivos para expulsá­la! Você imagina que me falta coragem para chamar às  contas esse filho de papai rico?”  Alterando o tratamento paternal de que se valia.  Agindo  quase  que  mecanicamente..  Sobreveio o choque providencial.  sem  qualquer  ingerência  do  obsessor.  começou a tramar em pensamento a desculpa com que se justificaria..  Espantados.  – Oração? – chasqueou o companheiro.  vocês  andam  acanalhados. e tranqüilizou a senhora.  Você!  você. só a polícia.  regressando  ao  leito.  Cláudio. que se lhe postou de  lado.  Fixou a moça.  de  imediato. encontrando o gás  do  fogão  a  volatilizar­se.  entornou  pela  boca  a  versão que inventara.  e  em  outros  lugares onde tenho visto muito bicho velho fantasiado de gente..  há  muito  tempo.  meu  amigo. a companheira  do serviço doméstico..60 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  falando  bobagens.  repondo  a  máscara  das  conveniências.  na  Ribeira. momentos antes. fi­lo recordar as atitudes ponderosas e cristãs  do  irmão  Félix. notamos.  o  socorro  apareceu.  incapaz  de  remover  o  próprio  assombro.  Marita  cobrou  energias. antes . porquanto... entregue a um menino doido!. devia examinar os aparelhos da casa.  Ele  próprio.  A  jovem  soluçava. não ousava erguer a fronte. dizendo­lhe. asseverando ter ouvido um vozeirão ao chegar.  Aqui.  ruidosamente. rugiu.  com a maior sem­cerimônia.  Arrastei­me  no  matagal  e  vi  tudo.

 mergulhada na penumbra. atemorizado. Cláudio. de volta ao salão.  qual se desejasse  compensar­lhe a indiferença.  A recém­chegada riu­se. Sonâmbula.  Quando  envergava  o  pijama. descerrara as janelas. averiguando. . sonâmbula como sempre. convidando Márcia a descansar.. e.  surpreendendo Marita a gritar. do  vulcão que faceava. atarantado.  A jovem.  como  se  transferisse  a  cabeça  de  um  sono  para outro.61 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  de se retirar. arejando o ambiente.  Acordara­a. sem suspeitar.  ouvira  gemidos  agoniados. porém. cobriu o rosto com o lenço para ocultar  as  lágrimas. inconsciente.  aduziu  com  absoluta  seriedade  a  lhe  transparecer  do  semblante. que tudo estava em ordem.  abandonando­se  à  inércia. Acentuou que. de leve..  Correu  ao  aposento  das  meninas. esboçou  um aceno gentil.

  o  marido  assemelhava­se  ao  guarda­barreira.  Doçura  trabalhada do egoísmo atencioso. incólume. de  modo  diverso.  porquanto.  claramente  identificável. Fisgados no  esposo. tão matreiros quanto ele próprio. porém.  renteando  o  marido.  Os  cabelos  abundantes.  Por  outro  lado.  dava­lhe  ao  vestido  primoroso  certa  diafaneidade  que  lhe  realçava  a  beleza quase outoniça.  Dona Márcia definia­se. Delgada.  o  aspecto  da  filha  única.  acomodavam­se  num  penteado  gracioso que lhe guarnecia o rosto.  Ainda assim.  Via­se­lhe com tranqüilidade o sorriso espontâneo. que em denunciar viajores.  os  cônjuges  entrefitaram­se  de  estranha  maneira.  contra  as  arremetidas  do  tempo.  talhara. semelhante ao das pessoas que se maquilam para  efeitos de arte e que nunca se deixam analisar realmente sem que a água quantiosa  lhes restitua os poros à carícia da Natureza.  anelava  encobrir­se.62 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 9  Instalados  na  sala  de  visita.  mas  exposto  numa  encadernação mais viva e mais rica.  calejado  no  suborno. nunca a se incomodar.  Ela  não  aspirava  a  conhecer  qualquer  vestígio  da  conduta  dele. exibindo­se.  sentada  agora.  lembrava  Marina  em  todos  os  traços. a fim de seguir.  pareciam  interessados  em  agarrar­lhe  as  mínimas  reações.  que  os  líquidos  medicinais  mantinham  perfeitamente  escuros  e  brilhantes. apresentava­se  em figurino da alta. podiam ser interpretadas à conta de irmãs. O fundo alvo do linho. no entanto.  conquanto  muito mais asserenada e amadurecida.  Ninguém  lhe  atribuiria  os  quarenta  janeiros  integralmente  dobados. Adversários declarados. garbosas.  Serena  e  bem­posta. preocupado em ilaquear o guarda­barreira. pronto a sorrir.  em  proveito  próprio.  Era a mesma criatura das telas mentais de Marina. os olhos.  sem  dúvida.  espécie  de  livro. em tréguas cordiais. sorriso. Longe de aparentarem a verdadeira condição  de mãe e filha. Naquela .  mais  aplicado  em  resguardar­se. ah! os olhos traíam­lhe a alma sibilina.  Pela  herança  e  pela  convivência.  caminho  adiante. Espécime comum das damas que lutam. na magreza característica dos  que usam moderadores do apetite para a manutenção do peso ideal. salientando­se que Dona  Márcia se revelava talvez mais simpática. que  mostrava  o  engenhoso  artifício  dos  que  se  distanciam  deliberadamente  dos  problemas  alheios  para  que  não  lhes  constituam  empeço  ao  avanço. pela brandura estudada dos gestos.  sem  largar  as  aquisições  clandestinas.  dava  a  impressão  de  um  viajante hábil. ligeiramente estampado de pequeninas  flores  róseas.

  forjando obstáculos.  Muita  gente. quanto possível. estirava­se.  Atormentava­me.  duas  cabeças  que  discordavam  uma  da  outra.  Desconfiando que o marido. juntos.  Adocicando a voz. bateu.  Mesmo  assim. várias vezes.  desde  muitos  dias. tornando­se mais terna.  atravessava  as  noites  em  claro. que não posso decidir sem você. dissimulando o pensamento. o que tinha a dizer­lhe.  a ponta do cigarro. Por tudo isso.  pedindo  à  esposa  resumisse. Cláudio despiu  a máscara afetiva com que a brindara. pensar..  aquilo  era  inevitável.  ele  próprio  ignorasse;  entretanto.  Alguns  jovens  embriagados. não obstante mostrar­se quase afetuoso. sossegado  e complacente. porém. Ela.  tudo  passou.63 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  hora..  o  regime  de  choques  e  contrachoques  em  que respiravam aquelas duas almas adversas.  Duas  bocas  que  se  entendiam..  Amodorrava­se  para  ouvi­la.  A esposa fingiu não ver o olhar irônico que ele lhe endereçava e começou  referindo­se ao cansaço de que se sentia possuída.  Afável.  em  que  fora  quase  detido  em  culpa  flagrante. de encontro a pequenina bolsa metálica. para tratarmos.  Imperioso  esfumar­lhe  qualquer  dúvida  ocorrente. não se  inclinaria a longa conversação. de assunto  sério. tornou ao sobrecenho. Fino sarcasmo tisnou­lhe os modos.  alguma ligação elétrica esquecida.  supondo  houvesse  algo  atrapalhado  em  casa. sensação estranha de peso.  após  envolver­se  em  baforadas. a presença de algum malfeitor.  ouvir  tudo.  Cada  frase  vinha  pré­  fabricada na garganta.  submetera­se  a  vários  exames. estendeu­lhe prateada carteira.  Afinal. que embora o sarau esteja longe de  terminar.  – Imagine você – aduziu.  Desde  muito.. Queria ler. cuidadosa –. Comandou a  palavra. Não queria fumar.  alegou  esgotamento  adquirido  em  horários  de  serviço  extra  e  rematou.  com  a  pachorra  de  um  cão  astucioso  que  parasse de caminhar.  por  solicitação  do  ginecologista.  Ela.  à  custa  de  uma  tolerância que não mais praticava.  buscando.  supunha­se . taciturno.  em  tal  circunstância.  Passei  minhas  obrigações  para  Dona  Margarida  e  voltei. desde muito.  Cláudio agradeceu.  relaxou­se  na  poltrona. estafara­se.  Felizmente.  sugerindo  a  intenção de exprimir­se mais à vontade..  Afirmou­se  fadigado. O  médico  acreditava  em  menopausa  precoce  e  receitara.  sobretudo.  por  exigências  da  provação. fez  fogo num isqueiro  diminuto  e. no entanto. Coisa que nos toca de perto. atento às falcatruas do gato. Para isso.  reconheço  que  o  meu  regresso  foi  providencial. Vejo.  flutuava  a  desconfiança  recíproca.  pois. a esposa comentou os aborrecimentos no bufete do baile  beneficente  em  que  havia  funcionado. refazer­se.  larguei  tudo.  Márcia  chegara  ao  quarto  de  Marita  num  momento  psicológico.  Neves  e  eu  notamos. como agora..  Inferindo  que  a  companheira  se  lhe  aproveitaria  da  benevolência eventual para chamá­lo a questões de responsabilidade.  em  vão.  Nos  dois.  Para  Cláudio. sufocações.  O  leilão  de  prendas  esperava  por  mim.  quando  senti  um  constrangimento  esquisito. Garotos furtando. e. de início.  contudo. sofria palpitações.  Tive  medo..  disfarçar  o  azedume.  retificando  o  fogão. ali.  esmerava­se  em  mesuras.. que  você  talvez  tenha  tido  o  mesmo  palpite  e  chegou  antes.  Possivelmente. colocou­se em guarda.  Do sorriso. aprisionadas socialmente uma à outra. quis reter o momento raro.  porém.  para  logo.  venho  espreitando  um  momentinho  em  que  você esteja calmo e bem­humorado. calores no peito.  valia  estudar  tudo.

. não  está vendo? Marina e Marita.. Isso  não  pode  continuar  sem  que  você  se  mexa..  Dona  Márcia  emudeceu.  cria­se  com  direito  a  pequeno  retalho  de  acatamento.  conquanto  não  o  amasse. Não me poupei.  Vejo­a  feliz  e  desorientada. – Você não enxerga as dificuldades de nossa filha?  Cláudio riu­se.  Desconhecia­lhe. com carinho. encerar e.  –  Márcia. carregada de zombaria. o quê? – revidou o esposo. a esposa frustrou­lhe o impulso. Suportei afrontas. Entretanto.  como  se  a  nossa  desmiolada  estivesse  na  forca.  ao  impacto  da  desconsideração  inesperada..  Conhecia  aquela  atitude  gelada  de  profundo  desdém.. entretanto. de certo  modo. Tinha necessidade de quinze mil cruzeiros.  Não  entendo.  Acolhi  essa  menina  estranha  em  meus  braços  como  se  fosse  minha  própria filha. desde que se fora.  como  nunca. hoje.  quando  quisesse. Tenho sofrido calada. tinha  a impressão  de  que  ele. Se me detiver em qualquer problema dela. Não contava receber  uma ternura que os  atritos  incessantes  haviam  incinerado  entre  ambos;  contudo.  deixe  de  cenas.  – Que ouço..  Se  ele  adoecia. sarcástico..  no  fim  do  mês.  Marina  trouxera  duas  gratificações  que  recebera  em  serviço  extraordinário.  neurastênica.  Nesse tópico da entrevista. recebia dois monossílabos secos que  o marido lhe pespegava no rosto.. reprimi­la. ainda que obrigado a interná­la no hospício.  de  propósito.  mas. com palavras redondas. como quem decidira zombetear....  Cláudio  fez  menção  de  retirar­se;  contudo.  auxiliar  no  fogão  para  que  Dona  Justa  não  esmorecesse.  – Pois você não percebe a humilhação a que Marina se expõe? – acentuou a  companheira. exclamando. E.  O  marido não dispensara sequer a mínima atenção aos padecimentos orgânicos de que  se  queixara.  Ao  passo  que  se  lamentava.. . como se a repelisse com dois calhaus.  As  contas. meu Deus? – gritou a senhora. via­se obrigada a passar roupa.  vigiava­lhe  a  cabeceira.  chegara  a  enunciar  semelhante inquirição.  Exauria­se  nos  problemas  domésticos.  Cláudio.64 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  depauperada.  Enquanto  relacionava  os  incômodos de que se via acometida. estava onerada. são pesadelos.  qual  se  estivesse  habituada  a  chorar.  não  é  possível  a  indiferença. Nada lhe faltou.  de  leve.  a fim de evitar uma cirurgia comprometedora. Em  crianças. É preciso que você fique. claramente pronunciadas e repetidas..  os  achaques. Esta casa não é minha só.  Entre  uma  e  outra. são anjos; crescidos. esqueci minha saúde.. ao referir­lhe o tratamento que reputava importante.  Você  fala  em  Marina.  Persistindo  o  silêncio  que  se  alongava. será para admoestá­la. admirado. pairou no ar da mesma forma que  uma chicotada cortante.  – Hoje. agora irritadiça:  – Não saia.  Todas  as  providências à hora.  A  arrumadeira  despedira­se.  fiz o que pude. meu tempo. assustara­se ao divisar­lhe a dura expressão dos  olhos  frios.  haviam  aumentado.  Por que tanto ódio? indagava a si mesma. mas agora.. Criam­se os  filhos com desvelo.  O  conserto  da  geladeira  custara  um  dinheirão. e indagou:  – É só?  A interrogação. o interlocutor fitou­a.  Não  fosse  você  com  o  desregramento  de  suas  concessões  e  com  os  seus  maus  exemplos.  lhe  perguntava  em  pensamento:  “por  que  não  acaba  você  de  morrer?”  Em  outras  ocasiões. haveria de corrigi­la..  em  lágrimas  súbitas.  ainda assim.  Zurzia  o  clínico  da  família  pelo  telefone. Acaso.

65 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

Estancara­se­lhe  o  pranto,  alarmada  que  se  achava,  ao  verificar  o  rumo  improviso do entendimento.  –  Você  ouve  a  pura  verdade  –  prosseguiu  Cláudio,  implacável.  –  Ainda  anteontem, impelido por dever da profissão a comparecer num coquetel, oferecido a  um  dos  chefes,  numa  casa  de  regalias  noturnas,  fui  constrangido  a  pretextar  uma  enxaqueca e afastar­me. Sabe por quê? Nossa filha, que você pretende inculcar por  santa,  estava  lá,  positivamente  nos  braços  de  um  cavalheiro  maduro  e  bem­posto,  que  não  a  beijava  paternalmente.  Senti  tanta  vergonha,  que  pedi  a  um  colega  me  representasse, e sai, à pressa, antes que Marina me percebesse.  –  Oh!  A  pobrezinha!...  –  objetou  Dona  Márcia,  faces  em  fogo,  tremendamente revoltada.  Naquele  instante,  os  dois  tiravam,  mecanicamente,  os  últimos  disfarces.  Postavam­se,  em  espírito,  um  à  frente  do  outro,  com  rudeza  indissimulável.  Dois  inimigos soberanos, aversão contra aversão.  E o diálogo azedo continuou:  – Pobrezinha, por quê?  A esposa mediu­o, de alto a baixo, com um olhar de zombaria, e passou a  acusá­lo:  – Não quero discutir agora a sua presença de homem velho e casado, numa  casa  de  tolerância,  pois  não  acredito  nessa  história  de  homenagens  a  chefes,  em  horas  avançadas  da  noite.  Você  foi  sempre  imoral,  indigno,  mentiroso,  mas,  por  amor à família, esqueço tudo isso, para que você conheça toda a situação...  Refletindo  na  conveniência  de  sensibilizá­lo  para  os  efeitos  a  que  se  propunha,  Dona  Márcia  baixou  calculadamente  a  escala  de rispidez,  abrandando  a  inflexão da voz que se tornara por demais agressiva.  – Cláudio, atenda – continuou quase melíflua –, Marina, obediente, nunca  me ocultou a verdade. Não proceda com malícia; desde a piora da esposa do senhor  Nemésio, vem repartindo, caridosamente, o tempo, entre as obrigações do emprego  e o lar do chefe, onde a infeliz senhora vem morrendo, pouco a pouco... Impossível  que você não lhe admire a abnegação, porque, de modo algum, precisaria interessar­  se pela vida íntima da família Torres, a ponto de velar junto deles, por várias noites  consecutivas,  por  simples  espírito  de  sacrifício...  Não  sei  se  você  chega  a  vê­la,  quando volta de manhã, mostrando fundas olheiras e faces pisadas.  Na  mente  inventiva  do  interlocutor,  entretanto,  operava­se  complicada  reviravolta. Assinalando as palavras injuriosas de Dona Márcia, sentira ímpetos de  esbofeteá­la. A indignação ruborizara­o; todavia, conteve­se. Não que desistisse de  revidar chasqueando, mas permanecia convicto de que Marita escutava. Aspirava a  conquistá­la  a  qualquer  preço.  Mormente  agora  que  se  declarara,  não  estava  inclinado a recuar. Prosseguiria.  Dona  Márcia,  enganada,  aceitara  a  versão  do  pesadelo  e  acreditava  que  a  moça dormisse, de vez que lhe recebera a presença no quarto sem dizer palavra.  Ele,  porém,  sabia­se  ouvido,  examinado.  Não  adotaria  qualquer  procedimento  incompatível  com  a  galanteria  que  começara  a  desenvolver.  Se  esbravejasse, agravaria a distância. Deliberou agüentar remoques e insultos, fossem  quais fossem, estudando como orientar­se na conversa para tirar o melhor partido.

66 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Além disso, o amigo desencarnado, ao lado dele, acalentava­lhe a rijeza de  alma,  insuflando­lhe  idéias.  A  fabulação  de  um  complementava­se  no  outro.  Concluíam,  juntos,  que  se  fazia  mais  razoável  para  eles  examinar  minudências  e  falar  com  intenção.  Manejariam  Márcia  para  alcançar  Marita.  A  interlocutora  ser­  lhes­ia instrumento. Usa­la­iam por trampolim, rumo ao alvo.  Todas essas considerações relampeavam no espírito de Cláudio, enquanto a  senhora  se  empenhava  justificar­se,  na  defesa  da  filha.  Dominado  pelos  novos  pensamentos,  não  sorriu,  mas  suavizou  a  expressão,  como  quem  se  resigna  aos  ditames da paciência.  Algo  desarmada  por  aquela  impassibilidade  que  se  lhe  figurava  benevolência, Dona Márcia continuou:  –  Acontece  que  o  senhor  Torres  se  encontra  francamente  desarvorado,  diante  da  tragédia  que  a  fortuna  dele  não  pode  conjurar.  Dinheiro  farto  e  coração  abatido, negócios prosperando e morte à vista. Nossa menina compadeceu­se. Tanto  amparou  a  doente  que  acabou  descobrindo  os  sofrimentos  do  homem  que  se  aproxima,  conscientemente, da  viuvez... É  por isso  que  vem  buscando revigorá­lo,  como pode...  –  Mas,  assim  como  estão  fazendo?  Afogando­se  em  bebidas  e  prazeres  noturnos, em que os dois se assemelham a duas crianças destemperadas? Não os vi  rezando pela tranqüilidade da enferma...  – Deixe de ironias. Você, com toda a certeza, numa situação igual, não se  consolaria com lágrimas, procuraria distrações. Não há inconveniente algum em que  o  senhor  Torres,  numa  hora  dessas,  se  dirija  para  um  ambiente  alegre,  a  fim  de  ganhar  forças,  e  não  vejo  maldade  em  que  trate  Marina  por  filha  dele  próprio,  afagando­a  por  boneca  mimada  que  sempre  foi.  Muito  justo,  muito  claro.  Dona  Beatriz e o esposo conseguiram somente um filho, não tiveram, como nós, a ternura  de uma filhinha no lar e nem adotaram alguma pequenina estranha a eles. Marina dá  conta  a  mim,  que  sou  mãe,  de  tudo  o  que  se  passa.  Você  sabe  que  ela  é  profundamente  sensível  e  carinhosa.  Tem  muita  pena  do  chefe  e  tenta  reconfortá­  lo...  – Reconfortá­lo? – gracejou Cláudio, retomando a galhofa.  – Não adiantam sarcasmos – rogou Dona Márcia, afetando desapontamento.  –  Nossa  filha  vem  agindo  corretamente.  Tanto  assim  que  a  nossa  conversa  deve  esclarecer grave assunto.  E, alterando o tom de voz, que se fez mais persuasivo e mais doce:  – Você não ignora que Marita se enamorou, há meses, de Gilberto, o filho  dos Torres. Vendo, de minha parte, os dois, em ligação constante, acreditei piamente  que o jovem nutrisse por ela uma inclinação segura.  Misturando  reserva  e  malícia,  passou  a  historiar­lhe  as  entrevistas,  os  passeios, os telefonemas, os bilhetes... Salientou que se afligira ao apanhá­los, a sós,  numa  excursão  domingueira,  em  plena  floresta  da  Tijuca,  dias  atrás.  Admitia  que  seria  preciso  examinar­lhes  o  caso.  Aborrecera­se  ao  descobri­los,  assim,  positivamente  isolados,  sob  as  árvores.  Mulher  e  mãe,  inquietava­se  ao  pensar  na  filha adotiva...  Cláudio,  nessa  altura, marcava­lhe  os  avisos,  de  olhos  em  fogo  e  coração  aos saltos.

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Então  Márcia  também  sabia...  Aquele  jeito  arisco  da  esposa  nas  confidências  não  o  enganava.  Indubitavelmente,  ela  senhoreava  minúcias  que  preferia  esconder.  Não  chegava  Paquetá.  A  mataria,  igualmente,  fora  teatro  dos  colóquios  e  beijos  que  detestava.  Não  esperava aquele noticiário  miúdo  na  própria  casa.  Não  supunha  a  mulher,  assim,  consciente  da  situação  de  que  se  conjeturava  exclusivo conhecedor... Naquele minuto, olvidava a menina que se lhe desenvolvera  nos  braços,  anulava­se  na  condição  do  pai,  chamado  a  zelar­lhe  o  nome.  Irrompia  nele o animal ferido, o homem selvagem que lhe dormia habitualmente na polidez,  espicaçado pelo ciúme.  Esfregando  os  dedos  contra  as  palmas  das  mãos,  num  gesto  que  lhe  particularizava o desagrado, levantou­se, deu alguns passos pela sala e resmungou:  – Ingratidão!  A esposa usufruía a cena com a volúpia de quem alcançava os próprios fins,  porquanto,  desde  o  princípio  da  conversação,  aspirava  a  estabelecer  um  clima  favorável  à  filha  legítima,  a  detrimento  da  outra.  Julgava  que  o  marido,  com  semelhante exprobração, resumia numa palavra o asco que provavelmente albergaria  contra o procedimento da pupila que desejava arredar. Muito distante da realidade,  não percebia que a indignação dele se arraigava no azedume do apaixonado que se  vê preterido e, por isso, ensaiava um sorriso triunfante...  Nós,  porém,  conseguíamos  analisar­lhe  as  telas  mentais e  verificar  quanto  lhe doía o desprezo. Via­se, espiritualmente, ao pé do jovem, medindo forças. Ah! se  lhe fosse dado enxergá­lo, naquela hora, ao alcance das mãos! Certo lhe despejaria  todo  o  peso  da  cólera  na  constituição  de  menino  e  moço,  esfrangalhando­lhe  os  ossos...  – Comove­me a sua reação contra Marita!...  Registrando  a  frase  reticenciosa  da  companheira,  deu­se  conta  do  papel  desaconselhável  que  começava  a  assumir.  Quase  que  se  denunciara,  de  todo.  Ultrapassara os limites da circunspeção que lhe cabia conservar no próprio interesse  e deliberou recompor­se. Reconheceu que Márcia lhe apreciava a repulsa, crendo vê­  lo unicamente no lugar de pai, machucado pelas circunstâncias, e deixou que ela se  acomodasse  a  essa  interpretação,  encastelando­se,  mentalmente,  na  defensiva.  Reprimiu  o  desespero  que  o  possuía,  sentando­se,  de  novo,  a  relaxar  os  nervos  tensos. Apagou exteriormente todos os sinais de excitação, aparentou calma súbita.  A  senhora,  que  ambicionava  amontoar  vantagens  para  a  filha,  longe  de  imaginar­se  iludida  naquele  jogo,  em  que  marido  e  mulher  se  nos  representavam  dois  parceiros  astuciosos,  nos  golpes  estudados  um  contra  o  outro,  falou  serena,  presumindo controlar agora toda a situação:  –  Sua  atitude respeitável  de  pai  me  encoraja  e  me alegra. Graças  a  Deus,  sinto em você o chefe da casa e da família.  Cláudio ouvia, atento.  É necessário que você saiba – prosseguiu ela – que Gilberto não quer coisa  nenhuma  com  Marita,  que  vive  a  derreter­se  sem razão.  O rapaz  é apaixonado  por  Marina e tudo indica possibilidades de um casamento vantajoso, que não podemos  jogar fora.  O  interlocutor  ardiloso  deduziu  que  chegara  para  ele  a  oportunidade  da  vingança. Fingindo desconhecer a trama de sentimentos em que ambas as jovens se

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enredavam,  comentou,  em  voz  alta,  os  novos  aspectos  do  problema,  a  fim  de  ser  claramente escutado por Marita, que sabia de atalaia, no quarto próximo. Depois de  encarecer a excelência do  caráter da filha adotiva, destacando  o apreço e a ternura  com que se dedicaria a protegê­la, acentuou, jocoso:  – Ah! O biltre!... Então, essa farsa de vaguear com Marita, arrastando­a por  aí, não é senão alcovitice e trampolinagem... O peralta está carambolando. É o bilhar  dos namorados, bate­se numa bola para acertar em outra...  E  relacionou  pobres  moças,  traídas na  confiança,  explicou  que  Marita  era  suscetível  de  uma  psicose  de  duras  conseqüências.  Se  Gilberto  estava  propenso  a  desposar  Marina,  que  se  manifestasse.  Não  oporia  embargos,  no  entanto,  exigia  franqueza.  Dona  Márcia,  repentinamente  lisonjeada,  ao  colher­lhe  as  disposições  tão  favoráveis, arrolou as confidências da filha.  O  rapaz  confessara­se.  Admirava­lhe  não  só  os  encantos  pessoais,  mas  gabava­lhe a educação fina. De começo, apenas se cumprimentavam, de quando em  quando. Ele, porém, tivera necessidade da cooperação de alguém que o auxiliasse na  tradução  de  alguns  textos  franceses.  Marina  expusera  a  competência  adquirida,  O  trabalho realizado erigia­se em característicos tão primorosos que obtivera louvor na  Embaixada. Desde essa empresa, trabalhavam quase que unidos. Marina revelara­lhe  que o próprio senhor Nemésio, sempre solícito, passara a nomeá­la por nora.  Cláudio, acintosamente, dizia, de quando em quando:  – Márcia, não estou ouvindo bem, fale um pouco mais alto.  A companheira, elevando sempre a modulação da voz, contou que os dois,  embora  a  situação  constrangedora  da  saúde  de  Dona  Beatriz,  no  momento,  traduziam  poesias  deliciosas  de  autores  ingleses,  marginando­as  de  trechos  sentimentais que lhes expressavam a ternura recíproca, compondo lindo álbum cuja  leitura  lhe  arrancara  lágrimas  de  enternecimento.  O  amor  entre  ambos  era  claro  como  água.  Indispensável  apoiarem  a  filha,  na  concretização  de  suas  esperanças.  Afirmava­se  confortada  em  reconhecer,  a  tempo,  que  a  cultura  de  Gilberto  não  se  compadecia  com  as  deficiências  de  Marita,  para  quem  o  moço  não  seria,  por isso,  um  partido  feliz.  Asseverava,  convicta,  que  competia  a  ele,  Cláudio,  e  a  ela  a  orientação do assunto. Ponderou ainda que o auxílio dispensado por Marina a Dona  Beatriz estreitara as relações entre os jovens e, supondo o esposo agastado à vista de  contrariedades  prováveis  para  a  filha  adotiva,  acrescentou,  entre  desabrida  e  chistosa,  que  Marita  se  arranjaria,  na  época  oportuna.  Inclinações  de  moças,  problemas delas.  O marido não acreditou em tópico nenhum do que ouvira. Pai, desiludira­se  com  a  filha.  As  investidas  noturnas  pelos  recantos  boêmios,  as  maneiras  inconfessáveis,  no  trato  com  o  chefe  de  serviço,  não  lhe  deixavam  dúvidas.  Ao  revés,  as  noticias  entusiásticas  de  Márcia  acordavam­no  para  realidades  mais  agressivas.  Inferia  que  Marina andava  sem  escrúpulos  entre  o  velho  e  o  moço.  De  outro  modo,  na  condição  de  esposo,  não  lograria  embair­se.  A  companheira  figurava­se­lhe  a  mulher  desleal  aos  compromissos  domésticos,  mulher  que  ele  mesmo plasmara com os seus exemplos de homem refratário ao equilíbrio emotivo.  Impossível  queixar­se.  Com a  tarimba  da  sociedade  menos digna,  fizera­se  Márcia  astuciosa,  cruel.  Dissimulava  para  ganhar.  Certamente,  não  lhe  confiava  quanto

  tanto  quanto  ele  próprio.  em  vibrações  de  intensa  dor.  a  leviandade  com  propósitos  de  lucro;  entretanto. renová­la e. .  incentivaria.  O  entendimento  avançava. procuraria incluí­la  num roteiro de turismo a Buenos Aires.  aquele  era  o  momento  de  atrair  a  confiança de Marita e. afiançando  confiar na menina que  amavam  por  filha. esqueceria.  onde  a  mágoa  da  jovem  explodia. para o qual fora convidado por amigos.  inarticulada. Tentaria distraí­la.  mas  o  serviço  nos  convocou  ao  aposento  próximo.69 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  sabia. Marita esqueceria.  talvez. de acordo com ela. Márcia. à face dessa razão que se lhe alteava no ânimo empedernido. no  banco.  Capearia  as  inconveniências.  calou  a  revolta  e  partilhou  a  farsa. Estaria informada de todas as ligações escusas da filha com o senhor Torres.

 quando se entregavam a comunhão mais íntima?  Incapaz  de  duvidar  da  legitimidade  do  carinho  que  recebera. Marina possuía méritos.  por  que  lhe abusara da confiança? Por que o arrebatamento com que lhe acorrentara a alma  às  inesquecíveis  impressões  da  menina  que  se  faz  repentinamente  mulher?  Não  selara com ela um ajuste de matrimônio? Não lhe testemunhava extrema ternura nos  encontros domingueiros.70 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 10  Estirada no leito. realmente.  Então – confirmava­se –. empolgara­lhe os sentimentos. chorava Marita.  se  ele a  desprezava. quais pinças de fogo. Apropriara­se­lhe da alma.  assim.  a  curta  distância. deliberado.  a  envolvê­lo  na  teia  de  artimanhas  que  entretecia  como  ninguém.  Nada  sobraria para ela. mais se afastava. Apenas ali. compreendia  a  extensão  do  arrufo  com  que  se  despedira. para deixá­  la sem comiseração.  Debatia­se  em  pranto.  A  nova  infelicidade – conjeturava – seria culpa dela. inconformada. desconsolada. todo aquele devotamento de Gilberto não passava  da superfície. Ave no visco. relacionava­se com professores distintos. Por mais a  rodeasse de mimos. dominava outras línguas. chorava.  revolviam­lhe  o  coração. a irmã recusava­lhe intimidade nos dias últimos.  O moço retirara da algibeira uma composição de Shelley.  aspirava  ao  casamento  com  moça culta. reconhecia­  se  irremediavelmente  lesada.  A  exposição  de  Dona  Márcia. queria  o lar.  As  revelações  ouvidas  naquele  diálogo. Sentia­se abandonada.  Recordava­se de que.  Ah!  Sim.  aconselhara­lhe  estudos  suplementares  à  noite.  insuflara­lhe  a tortura  do  réu  que ouve sentença inapelável.  Entretanto –  perguntava­se. naquela hora.  Agora  reconhecia  igualmente  a  causa  de  mostrar­se  o  rapaz  enfastiado  e  irritadiço. Marina cobiçara o  rapaz. Ignorante! – dizia para si mesma – não passo de uma ignorante. indagara­lhe ele que outros  idiomas conhecia. Marina  era diferente.  À vista disso.  sob  o  peso  das  considerações  familiares. Algo vexada.  Gilberto  caíra­lhe no engodo.  Tudo já estava tramado.  Era  imperioso  certificar­se  de  que  era  enjeitada  e  ignorante.  voltava­se  mentalmente  para  a  irmã  que  lhe  surrupiava  as  mínimas  alegrias. a escola do lar com ele. informara que somente conseguira o curso primário. Lera o inglês e traduzira  para  ela  os  versos  lindos. semanas antes. Contudo. na decepção que a molestava. tudo para a outra. Com toda a certeza.  triste –. Ainda assim. ao descobrir toda a trama.  Em  seguida. desejava morrer. Poderia auxiliá­la. Ela rira­se. ela não. A contingência .

  provavelmente. ansiando abafar em ruídos de festa os gritos da própria  alma.  o  carinho  e  a  proteção.  jovem  e  abandonada. percebia também o fantasma da esquisita inclinação do pai adotivo  pela retaguarda?  Por que a peça que a vida lhe pregava? Devia esquivar­se ao afeto do jovem  que amava.  a  fim  de  lutarem  juntas?  Consagrar­se­iam  uma  à  outra.  Mas  seria  justo  acovardar­se..  noite  a  noite..  que  talvez a genitora tivesse conhecido o cálice que ela agora amargava! Que noites de  agonia  moral  atravessara. escutava apontamentos sobre comunicações  de mortos.  ao  certo. de súbito.  juntos.  Permutariam as próprias mágoas.71 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  de perder Gilberto induzia­lhe o sentimento a matar ou desaparecer.  Como desvencilhar­se?  Flor sacudida no vento da provação.  elevou  o  pensamento  à  memória  materna..  pela  primeira  vez  sentia  medo  daquele  ninho  familiar a que se reconhecia encadeada por filha do coração.  Aquelas  referências  louvaminheiras  com  que  a  obsequiava.  Teria  sido  mesmo?  Possivelmente.  Divagações  negativas  tomaram­na  de  assalto.  empenhado  o  coração a algum moço que lhe fora roubado à ternura de menina e mulher?  Nas lágrimas que lhe corriam.. como que germinara.  que  fazer  do  destino. evocada pelo esboço  ligeiro da alma..  desolada.  Entre  o  asco  e  a  piedade.  as  circunstâncias  que  lhe  haviam  rodeado  o  nascimento. lidas na imprensa..  Sopesando  as  ocorrências.  ao  dirigir­se  à  esposa.  perante  Dona  Márcia.  gargalharia para não soluçar.  Identificava­lhe  o  tom  de  alegria  triunfante.  lhe  aguardava.  Dona  Márcia. Acariciou­a.  Cláudio  como  que  lhe  falava  de  longe.  ao  biografar­lhe  a  mãezinha. A idéia do  suicídio.  dissera  “moça  brincalhona”. Seria . quanto  aqueles  a  que  se  via  largada.. mas o fratricídio repugnava­lhe ao coração.  Ah!  nunca  imaginara que um coração feminino pudesse encontrar dilemas tão aflitivos.. refletia  no  martírio  da  genitora. de leve.  em  vão.  Entretanto. Por que não  vivera  a  mãezinha.  assim  tanto?  Repeliu  o  estranho  apelo  e. numa consagração natural.  Quem  sabe  ter­se­ia  dedicado  a  algum  homem  proibido.  Explicar­se­ia  com  o  rapaz..  quando.  porém.  se  Gilberto  não  lhe  aceitasse  os  argumentos.  demovê­la.  confirmavam­lhe  a  decisão  de  dobrá­la.  e a sugestão  infeliz  ganhou  corpo...  prometeu  coragem  a  si  própria. contudo. na loja a que servia.  sozinha.  Muita vez.  com  o  golpe  sofrido à frente.. por quê?.  se. Rememorou as  tragédias.  de  instante  para  outro!  Que  não  teria  sofrido  sua  própria  mãe.  Concluía  agora. para ganhar a paixão do homem maduro que  se habituara a respeitar como pai e que lhe acenava com uma espécie de união para  ela  inaceitável?  Estarrecia­se  ao  ouvi­lo  naquela  hora.  rememorava­lhe as carícias.  ao  dar­se  conta  da  felicidade  com  que  se  desembaraçaria  de  Gilberto.  a  ameaça  pendente. que somente naquela noite conseguira compreender.  que  tudo  desconhecia  acerca  do pai.  conquanto  as  lágrimas.  baniriam.  que privações  experimentara?  Ela.  Lutaria  pela  felicidade. suspirava por fazer­se criança. inteirava­se de experiências sobre a continuação da vida no Além.  De  repente. perguntava por quê.  Renunciar  a  Gilberto  e  largar  os  planos  feitos  doeriam  muito  mais  que  morrer  –  pensava. no campo em que se prometia apresá­la. ao  acariciá­la no  ventre!  Que  injúrias  padecera.  que  a  deixara  no  instante  do  alvorecer?  Nunca  soubera. qual semente a se lhe ocultar no imo do ser.

.  humilde  e  enferma. assumiu nova  posição...  como  qualquer  mãe  desventurada  e  aflita  da  Terra.  na  areia. em imagem.  não  nos  era  licito  alimentar  qualquer  dúvida. E rememorava o enlevo e o júbilo que sentia..  como  se  buscasse..  Controlava­se.  com  ternura..  libertada.  A castigada menina acalmou­se.  dificilmente.  Recolhia­lhe. compartilhar­lhe­ia o infortúnio.  ao  som  do  velho  estribilho.  Aracélia. que mergulhava as pernas no rio para  ganhar  o  pão.  Inclinou­se  para  o  leito. A  dama  inclinou­se.  a  pobre  mãe  ajoelhou­se  para  beijar­lhe  os  cabelos.  em  que  lhe  pedia  paciência.  na  reencarnação  última.. de súbito. de improviso. afetuosa..  Quem  conseguirá  definir  com  palavras humanas a essência do amor que Deus situou nas entranhas maternas?.  muito  de  manso... que valia por funda invocação. cujos traços tentava.  diante de nós! Mãe amorosa..  o  olhar  meigo. comovedor.  estivesse  em  alguma  parte.  Descansa.. vinculadas àquele refúgio doméstico.  Tremia. lembrar e reconstituir..  Identificava­se  criança.  buscando  asserenar­lhe  a  mente.  Enternecendo­nos.. entretanto...  Embora  sem  elucidações  prévias.  Saudaram­nos. a que nos pareceu menos experiente adiantou­se para  a  menina  em  oração.  Mecanicamente. Aracélia. a fim de atender ao serviço.  no  espaço  infinito.  colocando  a  cabeça  da  jovem  no  próprio  regaço  e.  indiscutivelmente lhe acompanharia o calvário.  E.  alijou  a  tensão.  fortificasse.  o  colo  agasalhante  que  o  tempo  arrebatara.  revelando  a  condição  de  entidades  familiares.  Intentávamos  consolá­la.. agarrada à saia daquela moça doente.  De  olhos  parados. era a jovem do retrato que Marita conservava.  Outro quadro.  percebendo­se  mentalmente  ocupada  pela  presença  da  genitora. meu doce bem; .  para  o  teatro  da  vida  humana.. quando teme acordar um ser querido..  em pranto resignado..  além..  que  jamais  esqueceria..  implorava  ao  Espírito  materno  a  abençoasse. Aquela. vinha talvez de muito longe para acudir às angústias da  filha..  A  mãe  desencarnada  via­se  pequenina...  de  novo.  para  fazê­la  dormir.  à  maneira  de  planta  que se fechasse sobre a única flor que lhe nascera. cuja evocação lhe renovava as energias.  Calada..  emocionando­se  até  às  lágrimas.  por  vezes  esperava.  esperava.  Aracélia.  buscava  em  pensamento outra mulher.  quando  os  braços  maternos  a  retomavam.  à  curta  distância.  e  abraçou­a.  oh!  segredos  insondáveis  da  Providência  Divina!..  Conquanto  sem  qualquer  idéia  religiosa  definida.  quando  duas  senhoras desencarnadas penetraram no quarto. ali estava.  protegesse. a que se acostumara no lar de telha vã..  Se  Aracélia. superpôs­se.  junto  da  lavadeira  singela  que  a  trouxera. Tão fundo  atingia a  acústica  da memória. que  chegava  a  escutar  o  ruído  daquelas  mãos  miúdas. amparada pela doce afeição de venerável amiga.  formulava  prece  muda. Adivinhando a visita pela qual  suspirava. cantou suavemente diante de nós:  Lindo anjo de meus passos.  afetuosamente.  que  orava  e  chorava  em  profundo  silêncio.  Das recém­chegadas.  esfregando  as  peças  ensaboadas.72 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  aquilo  verdade?  –  indagava­se. nas telas  do pensamento.  qual  se  tivesse  nos  lábios  aqueles  lábios  de mãe..  depois  que  a  mãezinha  lhe  repunha  o  corpo  frágil.  ao  enxugar  o  pranto  silencioso.

  incapazes  de  particularizar  as  impressões.  Qual  ocorre.  Sucedeu. concentraram­se­lhe todos os pensamentos  num ponto só: Gilberto. entre gentil e desapontada:  – Perdoem­nos a interferência.  qual  sonâmbula.  insegura.  soluçando.  revestindo­lhe  o  pensamento  de  uma  certa  clareza. que a favorecia. encanto meu;  Dorme. quando vimos Marita.  era  mister  deixá­la  à  vontade. atentos. dorme.  repetidamente  emitidos.. de modo a examinar­lhe as necessidades mais íntimas. todavia.  Semelhantes  impulsos  a  se  lhe  conglomerarem  na  cabeça.  segurando­a.  consultar­lhe  as  inclinações.  Dorme. sustendo Aracélia. ajuntou. que tutelava a companheira... sustive­lhe o impulso.. dorme nos meus braços.73 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Dorme. as mães. descendo os largos trechos da escadaria que  contornava  o  elevador.  Isso  feito. porém.  Tesouro que Deus me deu.  quando  se  transferem de lugar; entretanto.  no  plano  físico. Marita caiu em pesado sono. qualquer dificuldade para adivinhar­lhe o rumo. Essa  penetração  parcial  como  que  lhe  conferia  agora  seguro  apoio  íntimo  e  Marita. nossa Aracélia ainda não está em condições de amparar a filha. Nós.  esmaeceram­se  atitudes  infantis..  Seguimo­la.  galvanizavam­lhe  a  vontade. Não tivemos. conquanto absolutamente presa ao desejo ardente em  que se obstinava.  triste:  – Irmãos.. ouvir Gilberto.  a  menina  de  Aracélia  desaparecera  e  ressurgiu  nela  a  personalidade  feminina.  no  manifesto  propósito  de  consolá­la  e..  E.  Em seguida.  falou­nos.  Queria ver Gilberto.  Cambaleou  no  quarto e.  a  fim  de  prestar­lhe  auxílio  eficiente.  guardando  a  inquietação  da  criança  que  anseia  inutilmente  pelo  calor  materno.  magnetizada pelos próprios reflexos.  quais sejam o brinquedo ou a guloseima. qual lhes acontece. estuante e clara.  A  moça  não  nos  via.  Cabia­nos  estudar­lhe  os  ímpetos  extrovertidos.  sob  vigilância discreta. .  figurando­se­nos senhora de si.  Enquanto a noite não vem.. percebendo eu que Neves  se dispunha a amimá­la. em certas dificuldades. atraiu­a brandamente de  encontro  ao  peito. que se lhe refugiara nos braços.  mostrava  lucidez  oscilante.. filhinha querida;  Não chores. minha vida. quando ao reterem idéias fixas. o que não prevíamos. largou o aposento e.  Qual se fora repentinamente magnetizada.  porém. em espírito.  Ainda não nos refizéramos da emoção. tão­só na direção dos seus anseios de mulher. quase que de imediato. retirou­se.  deixou  para  trás  o  enorme  edifício..  Guardava  a  mente  nebulosa  que  caracteriza  os  pequeninos  ainda  tenros.  Esfumaram­se  os  arroubos  da  filha  saudosa. nada  mais temos que alguma velha canção para dar aos nossos filhos!. não obstante confiando­a à própria discrição.  fazendo­lhe  sentir  que  a  nossa  intervenção  direta  poderia  frustrar­lhe  os  desejos  e  que.  afastar­se  do  corpo  denso.  à  maioria  das  criaturas  encarnadas. a senhora.

 espantada. para  a menina atribulada.  de  novo. Fez luz.  Neves  e eu não trocamos palavra. denotava no olhar a feição dos loucos.  sobreveio o choque doloroso. automaticamente. febril. a fim de analisar­lhe as reações.  Marita  regressara  ao  agasalho  físico.  e  encarcerada. a fronte suarenta.  nem  de  longe  atingiram  o  jovem  par.  Pesadelo?  –  indagava­se.  sem  que  nos  fosse possível adotar qualquer providência para anestesiar­lhe a memória. e. localizado nos fundos da moradia..  Aquelas  imprecações..  a  filha  adotiva  de  Cláudio  alcançou  a  residência  de  Nemésio. quando relaxam os músculos  em seguida a perigoso acesso de fúria.  completamente absorto na permuta de gratificações afetivas.  retornando  à  gaiola.  Marita  surpreendeu  Gilberto  nos  braços  da  irmã. aos clarões do dia.  pelos  recursos do olfato. acalmou­se.  demandou  amplo  dormitório.  obrigando­nos  a  pensar  numa  pequena  fera  aguilhoada.  Naturalmente  sobressaltados.  aterrada  –  ou  quem  sabe  os  padecimentos  simultâneos lhe acarretavam crises de loucura?  Doía­lhe a cabeça.  Na  certeza  instintiva  de  quem  se  endereça  a  determinada  pessoa. Entrando  no  quarto. readquiriu a confiança. sentou­se para fixar as paredes.  entretanto. acusava uma espécie de tranqüilidade constrangida e amarga. intentando anular­lhe a agitação convulsiva.  apenas  conseguimos  ampará­la  pela  retaguarda.  A pouco e pouco.  Descerrando  as  pálpebras. com relativa calma.  vagarosamente.  que  não  lograva  apalpar.  de pronto.  acalentando  a  imagem  de  Gilberto.74 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Em  tempo  reduzido. estarrecida:  – Canalha! Canalha!. .  com fome de realidade física.  entre  as  impressões  superficiais  dos  sentidos  corpóreos  e  a  noção  da  verdade  profunda. com mais  segurança.  que  lhe  substancializava  o  pensamento dominante. avançou  casa  a  dentro. refazendo energias;  no entanto. Precipitamo­nos.  sob  pressa  demasiada.  entrou  em  pranto  agoniado. Tateou.  Impulsionada  pelas  percepções  indefiníveis  da  alma.  Mais  alguns  minutos  e  despertou  no  corpo  denso. sentia­se desajustada.  e  bradou. sem que nos fosse possível avaliar. Atarantada. que já se nos fizera conhecida. e certificar­se de que se achava no leito e no lar. sem atender a quaisquer convenções de forma e número.  Retinha  no  pensamento  particularidades  do  quadro  visto  e  ouvido. a resolução de garantir­lhe a liberdade.  para somente dormir.

  os  pratos  que haviam sobejado não lhe acordaram o apetite.  Recordou  que  varara  o  dia  em  absoluto  jejum.  mais  dolorida  que  a  tarde  caliginosa.  procurando  recapitular  os  acontecimentos  da  véspera.  trazia  os  nervos  tensos.  como  quem deixava a piscina.  calor.  abreviando  o  crepúsculo.  Chegara novembro com chuvas torrenciais. Não obstante a temperatura baixa  a  se  lhe  refletir  nas  mãos  álgidas.  Transeuntes  encapuzados  acotovelavam­se.  Ninguém a esperava.  de  algum  modo.  mesmo  assim.  pedindo  vez.  em  torno;  entretanto.  Desejou  mate  frio.  Veículos  despejavam  filas  enormes  de  pessoas.  abastecido  de  água  e  névoa.  Copacabana  molhada.  Maratona  improvisada.  que  enlanguescia  sempre.  Fatigara­se  de  pensar.  A  filha  adotiva  de  Cláudio  alcançou  o  vasto  edifício.  fora  rápido.  arrostando  o  aguaceiro.  Consultou  os  recursos  da  copa;  entretanto.  De  Copacabana  ao  Flamengo. no encerramento da tarefa diária. carros fonfonavam no espelho irrigado  do  asfalto.  Todo  o  povo  que  transitava  nas  ruas  parecia  disputar  a  melhor  num  concurso  de  pressa.75 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 11  Colaborando  nós  na assistência a  Dona  Beatriz.  para  somente  aliviar­se.  Levantou­se.  diante  do  elevador.  Tudo  frio  e  sombra.  o  trajeto  de  ônibus.  ao  reconhecer­se  no  recanto  familiar. que vinham do norte e do centro.  mas  o  estômago  reclamava  alimento.  De  subida.  evidentemente  sequiosas  de  tranqüilidade  doméstica. nuvens  gigantescas  ocultaram  os  picos. depois de algumas horas marcadas de canícula intensa.  que  se  adensava. A jovem.  estirou­se  no  leito.  a  vizinha  solicitou­lhe  a  atenção  para  os  adornos  leves  que  carregava numa cesta de arame. chamada a si.  tornamos a ver Marita.  surgia­lhe  a  alma  atormentada.  Parou  os .  através  dos  olhos  pisados  de  cansaço  e  vigília. examinou ligeiramente os  papéis  pintados  para  festiva  noite  de  aniversário.  despiu  a  capa.  em  apartamento  próximo.  e  do  coletivo  até  a  casa  o  trecho  de  caminho  constara  simplesmente  de  alguns  passos;  contudo.  Naquele dia.  esperando  as  conduções que vinham do extremo sul.  abafada.  Abriu a  geladeira  e  serviu­se.  Sozinha.  tão  logo  iniciado.  sentia  excitação.  pronunciou  automaticamente  breves  palavras  de  admiração  e  ensimesmou­se.  nas  horas  de  movimentação  culminante.  acentuara  a  algazarra.

  Precavida. em que o marcador lhe indicava o lance interrompido. e descerrou a janela.  Inutilmente fez menção de envergar um casaco e descer à rua.  Da  residência dos Torres. de si mesma.  refletia. reacomodando­se no leito..  apesar  do  mau tempo.  deitando  lágrimas  no  linho do travesseiro. a fim de se  distrair.  Horas passaram. não  longe.  A  moça  refletia.  Onze em ponto. Ela esmoreceu ainda mais . Queria desafogar­se  no ar fresco. quando centenas de rapazes respiravam.  contemplando  a  cidade.  Arrastou­se.76 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  olhos  pestanejantes  no  telefone  a  distância  curta.  de  vez  que  até  mesmo  os  dois  vampirizadores  do  apartamento.  insatisfeita.  Oramos.  não  conseguia  recordá­lo  sem  temor.  Sentia­se  desalentada.  lá  em  baixo. o corpo não..  a  princípio..  Mirando  o  casario  iluminado.. o porquê de encontrar­se tão  entranhadamente agrilhoada a Gilberto. . porém. exorando a bênção do Cristo e  o  concurso do irmão Félix. escutou  os passos do chefe da casa. lentas. os automóveis figuravam­se animais fugitivos.  Ela.  ao  mesmo  tempo  que  lhe  notava  o  nervosismo  pela  maneira  violenta  de  cerrar  a  porta.  deduziu  que  milhares  de  pessoas  aí  se  aglomeravam. enfim.  Sob  a  chuva. Exacerbação e  fadiga.  suportando  talvez  problemas  piores  ou  semelhantes aos dela.  com  o  abandono  de  quem  larga  um  fardo  importuno. ao se ausentarem à noite.  ao  que  presumíamos. a beneficio da  moça exausta. ao sair.  ajustados  ao  companheiro.. que se movia de uma  peça  para  outra.  Experimentou  a  maçaneta. uma voz imprecisa informou que Gilberto saíra.  Ela  e  Marina guardavam o hábito da vedação.  provas  e  inibições  da  existência  curta.  empenhando­se  na  vigília. em vão.  Aspirava  a  entreter­se. Tentou engolfar­se na leitura.  Trancada  agora  na  sombra. tornando ao quarto.. Ouviu o barulho  inconfundível da garrafa em atividade e.  Marita  achava­se  realmente  só.  muito  de  leve.  andavam  fora. difíceis. assinalou­lhe o regresso à rua..  Mobilizamos as possibilidades de nosso âmbito estreito. O espírito almejava deslocar­se. quando Neves e eu nos dispusemos ao socorro magnético.  mas  cedeu.  Aliviada.  Pela  sutileza  do  andar.  reagiu  negativamente..  e  passou  a  meditar.  percebeu  quando  Cláudio  veio.  espreitar­lhe  o  aposento. logo após.  Realinhavou  na memória todas  as  esperanças  e  sonhos. decerto acreditá­la­ia distante.  Reergueu­se  e  preparou­se  para  o  descanso.  desde  a  véspera. depois de apanhar  uma novela. inquirindo. Entretanto. Quando chegasse.  mas  não  insistiu.  Daí a instantes.  O  pai  adotivo  raramente  atrasava  e.  Não  se  conteve. mas lembrou­se  de  Cláudio. não  era apenas  a  chuva  copiosa  que  lhe  frustrava os impulsos.  Discou.  apagou todas as luzes.  atirou­se  à  cama. com excelentes predicados para lhe interessarem o coração. não  estava.  Debruçou­se  no  parapeito.  fugir  de  si  mesma. fez­se menos inquieta.

  Absorvida  na  paixão  que  lhe  empalmava  todas  as  forças.  Nem  Neves  e  nem  eu  nos  sentíamos. onde respeitável instituição espírita­cristã  nos ofereceria aconchego – instruiu a recém­chegada. que lhe denotavam os  estímulos  sexuais.  figurando­se  aparvalhada.  de  maneira  negativa.  em  criança  extrovertida.  ao  que  a  benfeitora  respondia.  modesto.  Efetivamente. palavras e objetivos que não fossem Gilberto. Fascinação.  ideando alto:  – Gilberto! Onde está Gilberto?  Tentou equilibrar­se; entretanto.  absolutamente inepta e distante para avaliar a importância do sábio que a  brindava  com paternais gentilezas. revidava perguntando em que lugar  e  a  que  instante  seria  finalmente  conduzida  à  presença  dele. deliberara vir. A cada apontamento afetuoso.  com  admirável  senso  materno. Percília. ele próprio.  –  Alguém  que  me  ampare!  –  mendigou.  revelando  conhecimento anterior.  limpos  e  inocentes.  Esforçava­se  por  descentralizar­lhe  a  atenção.  convertendo­a.  encorajando­a. qual se palestrasse com uma filha doente.  expressou  completo  alheamento.  Alcançando o recinto de atividades espirituais que se nos erguia por meta.  Marita  contemplou­o  extática.  indiferente. vacilante. contudo.  conversou  com  a  frágil  menina. rodopiou.  abraçou  a  paciente  com  o  jeito  característico  da  mulher  e  pusemo­nos mais facilmente a caminho.  naquela  hora.  comportamento esse  com  que  nos  impelia  à imitação.  Notei  que  Neves  e  ela  permutaram  delicadezas  mudas.  reduzindo­lhe  a  capacidade  de  movimentação.  sem  manifestar o mínimo interesse pelo ambiente.  sem  a  menor  expressão  de  chiste  ou  desagrado. .77 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Operamos.  acentuando.  fomos acolhidos pelo irmão Félix.  Iniciávamos  a  saída  quando  se  abeirou  de  nós  simpática  senhora  desencarnada.  qual  sucedera na véspera.  Mentalmente  encravada  nas  recordações  do  jovem  Torres.  sem  resultado. enredando  todos os reflexos. dispondo de algum tempo.  aflita  –  preciso  encontrá­lo. em pessoa.  Prestimosa.  as  indagações  que propunha dariam decerto para escandalizar. procurando reajustá­la dentro  de  amorosa  solicitude. não se demorou em qualquer consideração  individual. que.  Apoiamo­la.  dessa  forma.  desligada  do  corpo. examinar o que  sucedia.. não estivéssemos preparados a fim  de auscultar­lhe os conflitos.  Demandaríamos bairro próximo.  monologava.  A  moça  não  apresentava  outros  pensamentos.  que  nos  esperava  num  posto socorrista.  obrigados  que  nos  víamos  a  prever­lhe  o  intento  de  reunir­se  a  Gilberto. nenhuma daquelas frases francas de menina e moça.  declarando­se  mensageira  do  irmão  Félix.  O  instrutor  inteirou­nos  de  que  nos  recebera  o  comunicado.  Mais  entregue  ao  trabalho  que  a  si  mesma.  cautelosos.  inclinados  a  considerar.  apontando  quadros  e  ocorrências  do  trajeto.  encontrá­lo!. prestos. acompanhado de mais dois amigos.. que se nos apresentara sob  o  nome de irmã Percília.

.  lobrigava  por  fora  as  criações  mentais que arquitetava por dentro. ilhada nas memorizações em que se comprazia.  Félix.  sem  que  a  paciente  lhe  penetrasse  o  fundo  das  elucidações.  e.  pelo  que  deixamo­la  a  dormir  profundamente.  passou  a  repousar  sem  agitação. Félix rogou­lhe falar. em caráter providencial.  O  irmão  Félix. gostosamente. ao desequilíbrio em  que se consome.78 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Amparada  por  Félix  que  nos  dirigia. expondo o que mais anelasse de nós.  por  fim.  mas  o  auxílio  magnético  surtira  efeito  imediato e  salutar.  predispondo­a  a  diferentes  impressões;  entretanto. a ponto de cair no pior  tipo de possessão.  Percília  e  eu  colocamo­nos.  quis  saber  o  motivo  pelo  qual  se  imprimira  tanta  mudança  ao  salão  de  baile;  mirando..  qual  se  achava.  Neves.  na  rua. ao  que a moça gaguejou acanhada.  Pediu  socorro. Não surgia  outra alternativa.  que.  procurou descobrir se Gilberto vinha chegando para dançar..  como a  implorar  que não a detivéssemos. reajustada  ao  corpo  denso.  em  ângulo  oposto. sem ligeira noção da realidade exterior.  ouvia­lhe  todas  as  manifestações  inconsideradas. em que recolheria o necessário  socorro  magnético.  infelizmente. no  impulso  da  criança. sumamente desorientada e enfraquecida.  ao  clube  onde  comumente  surpreendia  Gilberto; encaminhada ao compartimento espaçoso. Marita.  o  corpo  da  jovem  não  se  mostrava  habilitado  a  receber  esse  gênero  de  amparo.  E acentuou que lhe consultara o organismo. senão a de esperar pela resistência moral dela própria.  alegou  que  a  orquestra  não  devia  adotar  silêncio  contínuo. aquele no qual a vítima adere.  de  volta.  Inclinou­se  para Percília. Replicava sempre entre a bondade e  a circunspeção devidas a um enfermo. suplicando a presença de Gilberto e asseverando que  alimentava  dúvidas  sobre  se  aquele  era  realmente  o  grêmio  em  que  se  entrevistavam.  quando  tem  fome  do  colo  materno.  a  intervenção  efetuada  em  favor  dela  não  poderia  ultrapassar  a  superfície.  tolerante..  pequena  equipe  de  servidores  desencarnados.  com  o  socorro  de  alguma  enfermidade  séria  que. .  escutando  as  buzinas  que  guinchavam. Grave sem aspereza. compreensivo sem atitudes açucaradas que  lhe comprometessem a autoridade de educador. quanto à condição mental.  inquirindo  se  havia  chegado. abstendo­se de melindrar­lhe os sentimentos  ou de encorajar­lhe as ilusões.  informou­nos.  entrou  no  edifício. minuciosa.  Em seguida.  Convidados  a  escoltá­la até a  casa.  De  raciocínio  obliterado.  porquanto.  Instalando­a em ampla cadeira.  proteção.  que  desenvolvia  tarefa  assistencial.  A operação magnética foi longa. ao passo  que o instrutor lhe ministrava passes balsâmicos. no sentido de se lhe atalhar a  alienação  mental  começante.  compassivo.  lhe  modificaria  a  mente.  ao  arrojá­la  no  leito.  com  a  ternura de um pai.  e  chorou.  Calou­se Marita.  distanciada. fê­la descansar na hipnose tranqüila.  de  manso.  Marita não revelava aspecto algum para melhor.  prevalecendo  tão­só  para  a  sustentação do repouso físico; que a paixão juvenil se convertera em psicose grave;  que a pobre menina se deixara arrastar pelo desvario afetivo. no  entanto. desencarnaria no desajuste  orgânico mais pronunciado que viesse a sofrer.

.  de  novo  a  sós.. Neves confidenciou:  – André.  e.79 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Despedimo­nos  de  Percília. Mas..  não tenho dúvida alguma. quando agredi meu genro. num gesto  impensado;  a  desconhecida  que  me  apoiou. você conhece essa senhora?  E. É a mesma pessoa..  apenas com a diferença de que hoje não traz consigo  o distintivo luminoso.  no  regresso  ao  aposento  de  Beatriz.  ante  o  céu  estrelado. ao meu sinal negativo:  – Essa é a mesma que eu vi no cabaré. .  talvez  porque me sentisse a indagação inarticulada.

  que  acompanhara  Dona  Márcia  no  berço.  de  perto.  prestimoso  –  daquelas  quatro  criaturas.  Compadecia­se  –  elucidava.  que  o  próprio  Neves.  Espírito admirável pela abnegação e pela ciência. hipnotizados pelas gratificações transitórias dos sentidos  carnais. sem alardear virtude ou superioridade. naquele aprazível recanto do Rio. ao descerrar­nos  os  tesouros  do  coração.  em  se  referindo  aos  protagonistas  do  drama  familiar que se nos oferecia à atenção.  de  afetuosa maneira.  educava cativando.  através  das  palavras. nenhuma interjeição impensada.  não  somente  a  piedade  fraterna. enquanto o céu da madrugada imprimia mais amplo realce às estrelas. Elevação em cada frase. apresentava os olhos marejados de pranto.  ao  jeito  de  passarinhos  agarrados  à  casca  apodrecida  de  um  fruto.  A  atitude  do  instrutor.  A  princípio.  mas  também  o  imenso  amor  àquelas quatro almas. confiança e tempo. reverenciado por todos os  seareiros  do  bem.  Afundavam­se  em  profunda névoa de ilusão.  cumpria  espontaneamente  o  que  prometera.  sem  a  mínima disposição de consultar a saborosa riqueza da polpa.  na  conceituação  dele  mesmo.80 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 12  Neves  e  eu  permutávamos  conjeturas.  Conquistava.  quando  alguém  nos  abraçou. amizade.  de  maneira a  cultivar­lhes  a  espiritualidade  latente; . reunidas ali.  esforçara­se  por  abrir­lhes  um  caminho espiritual.  Parados. respirando as aragens que encrespavam docemente as águas  da Guanabara.  em torno dos empeços vencidos.  cuja  estabilidade  periclitava.  o  nosso  interesse  na  prestação  de  assistência  voluntária  ao  lar  de  Cláudio.  atiradas  ao  oceano  da  experiência  terrestre.  qual  se  fora  um  homem  comum  descansando conosco.  Hipotecara dedicação.  Tão grande e tão puro o devotamento de que dava mostras.  ao  escutar­lhe  as  apreciações.  a  reencarnação  de  Marina  e  Marita.  que  seguira. relatou­nos  que vira  Cláudio  renascer. luz do sentimento em cada idéia.  Descobrindo  algo  mais  à própria intimidade. a despedir­se.  Nenhuma observação impulsiva.  deixando  ver  nas  reticências  as  lágrimas  que  semelhantes realizações lhe haviam custado.  Via­se­lhe.  sem  a  bússola  da  fé.  onde  passasse.  irrequieto  às  vezes.  Era o irmão Félix.  enternecia­nos  reconhecer­lhe  o  paternal  carinho.  sem  pedir. agora. a fim de entrosá­los em  alguma  obra  de  benemerência.  ao  deter­se  nas  lutas  escabrosas  do  plano  físico. mas  debalde. à frente do mar.

  assimilando­lhe  a  experiência e recebendo­lhe o patrocínio. não contava.  esses  amigos  –  acrescentava  modesto. me endossasse a petição. atento à concessão dos meus  superiores para colaborar em apoio de Neves.  Sentir­me­ia  feliz  com  o  ensejo  de  estudar  e  trabalhar. largando­os ao próprio arbítrio.  haviam  prometido  empregar  o  prêmio  da  internação  no  veículo  carnal. possuía um requerimento em trânsito.  com  finalidades  reeducativas.  através  do  suor  no  serviço  ao  próximo;  contudo.  Em  razão  disso.  acabaram desiludidos.  junto das autoridades competentes.  O  instrutor reafirmou  a  sua  simplicidade.  No mundo espiritual. qualquer projeto construtivo.  Cláudio  e  Márcia.  e  outros  companheiros  empenhavam­se  em  auxiliá­  los.  edificando  a  sublimação  íntima  e  corrigindo  excessos  de  outras  épocas.  certamente  ponderando  quanto  às  dificuldades  dele  mesmo  –  não  se  viam  com  direito a solicitar socorros especiais e.  aos  serviços  de  psicologia  sexual.81 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  no  entanto.  (Nota  do  Autor  espiritual) .  em  alguma  das  organizações  destinadas. sem alarde – a favorecer­nos os estudos que intentaríamos. pedia­  lhe.  4  Cidade  consagrada  à  educação  e  ao  reajustamento  da  alma. por minha vez.  sob  o  esquecimento  inevitável  e  providencial  do  pretérito. prometendo nossa adesão decidida ao programa assistencial  que ele delineasse.  irmão  Félix. além da Providência Divina.  Marina  e  Marita não obtinham alicerces para a felicidade real. de que muito dificilmente se desvencilhariam.  senão  com  raros  amigos.  Nobres  amigos  de  outras  eras. Ele.  nada  mais  estavam  conseguindo  que  desajustar  os  fundamentos  da  tranqüilidade  doméstica.  ao  elegerem  o  dinheiro  e  o  sexo  desgovernados  por  chaves  dos  próprios  dias.  Tamanha  se  evidenciara  a  rebeldia  de  Cláudio  que.  responsabilizava­se pela direção de um dos melhores institutos desse gênero. Os quatro resistiam a toda espécie de sugestão reparadora;  repeliam.  Dispúnhamos de oportunidade.  haviam  recapitulado  certas  experiências  infelizes.  Compreendemos  onde  o  benfeitor  categorizado  e  humilde  se  propunha  chegar e adiantamo­nos. incertos. antes de recomeçarem o trabalho terrestre. analisando  as  necessidades  e  os  remorsos  que  lhes  atenazavam  as  consciências.  e  ciente  de  que  ele. para que me fosse concedido um estágio de dois  4  anos.  Ainda  assim. tinham  abraçado  paixões  que  lhes  frustravam  todas  as possibilidades  de  libertação próxima.  declarando  que  a obra  pela  qual  respondia  talvez  não  pudesse  satisfazer­nos  a  expectativa. Jovens ainda.  aplicados  a  estender­lhes  apoios  preciosos.  achavam­se na contingência de apenas dispensar­lhe auxílios esporádicos. não nos seria difícil.  Além do tempo que me era lícito despender.  mas  obrigava­se  –  acentuava Félix.  de  novo  no  estágio  físico. complicavam­se  as duas em perigos e tentações.  no  Plano  Espiritual. de pronto.  Cláudio  e  Márcia.  principalmente.  naquela  hora  significativa e ameaçadora da existência.  em  Nosso  Lar  . absorvidos por responsabilidades numerosas. sem  dolorosas marcas na alma. mas infrutiferamente.  Félix.  imperfeitamente  chegados  à  juventude  das  forças  corpóreas.

 no  intuito  de  investigar. adorava aquela filha padecente.  em  sua  própria  residência. àquelas nótulas sensatas.  Manifestava­se Neves tocado de energias e esperanças novas. ser­lhe­ia contentamento enorme.  O  amigo. todas  as nossas atividades de vigilância ao lado de Dona Beatriz. Era humano.  tomar  contactos  e.  de  modo  a  ampará­la.  Não  seria recomendável  se  mantivesse. ansiava reeducar­se. a partir do dia que se anunciava.  contudo. Apenas Dona Márcia. certificando­nos de que a moradia dos Nogueiras reclamava  plantão.  em  caráter  permanente.82 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Notando­me  o  entusiasmo.  esclareceu  que  isso  vinha  reconfortá­lo. sozinho.  ouvir  pessoalmente  os  dois  irmãos  desencarnados.  alentá­la. tornar para  junto dele. Almejava o reequilíbrio total. estudando e  servindo.  Nosso  interlocutor.  Enquanto o devotado coração paterno se desmanchava em agradecimentos. deliberamos concentrar.  a  comentarem  os  tópicos .  alcançara  permissão  para  recolher  Beatriz.  que ali desempenhavam lamentável papel. a  fim  de  lhe  ser  mais  útil. caso fosse defrontado.  conquanto  não  se  presumisse  com  merecimento  bastante  para  estender­lhe apoio e consolação.  Faria requisição idêntica.  Hospedá­la. de minha parte. manhã alta. por outro lado.  porque. que receava não dispor da serenidade precisa. esquadrinhar pontos de apoio.  comovido. no lar dos  Torres.  suscetíveis  de  adquirir maior  importância. ao apartamento de Cláudio. afetuoso. partilhando­lhe o clima da filhinha agonizante. conversando com a senhora que se incumbia  das  mais  pesadas  obrigações  no  recinto  doméstico.  ponderou  com  razão  que  a  filha  se  abeirava  do  transe  final.  se  possível.  regozijar­se­iam  unidos. confiante no futuro. onde nos acomodaríamos  aos imperativos de nossa edificação moral. urgia revezar­nos em serviço. ao passo que me reservaria o compromisso de  cooperar na pacificação dos  Nogueiras.  Ambos  desfrutariam  abençoada  convivência.  esboçávamos  projetos. sim.  tão  logo  a  esposa de Nemésio pudesse retirar­se da esfera física.  Foi assim que. poderia.  enquanto  a  liberação  de  Beatriz  estivesse  pendente.  Demandando  algum  refazimento.  Cabia­me  conhecer  as  minudências.  Aquiesci.  sobremaneira.  Neves  não  vacilou  compartilhar­me  os  propósitos.  ideando  medidas  de ação.  Isso  apenas  por  alguns  dias. refeito. e.  a  paisagem  que  me  pautaria  o  quadro  fundamental  de  aplicação  ao  dever  assumido.  Eufóricos.  junto  de  Neves.  o  genitor  que  a  filha  jamais  apartara  da  lembrança.  fortalecê­la. para mais amplo  rendimento das horas.  recordando o passado e articulando novos planos de trabalho e alegria. depois da desencarnação.  a  sós.  atendendo  a  ditames  de  afetividade  e  reconhecimento.  Tanto quanto possível.  Empregaria  todos  os  recursos.  por obstáculos constrangedores. Queria  afagá­la. de momento para outro. prestes a se desobrigar  das células doentes.  Entrei. Aguardaria a  filha.  Félix se despediu. regressei. contente.

  que  a  família  acabava  de  instalar. adiantou. e aguardamos a ocasião  adequada.  daria  tudo  para  não  feri­la.  Retomara  o  gosto pelo trabalho. que não contávamos com o ardiloso expediente de .  a  breve  trecho.  No  horário  previsto. Pedia conselhos. os vampirizadores ausentes. Lanchariam juntas. rogou à mãezinha adotiva a procurasse. entre as clientes amigas.  Que  Dona  Márcia  lhe  perdoasse  os  aborrecimentos  daquela  hora;  entretanto. sua filha pelo coração.  a  palavra.  com  indizível  surpresa.  Abracei­a.. Era uma filha espiritual que me tocava resguardar solicitamente.  Tivesse  parentes  e  não  vacilaria  mudar­se  para  evitar  escândalos.  com  espírito de novidade e alegria. informada afirmativamente.  ansiosa. pressionada pelas lembranças.  Em dado instante.  as  confidências  e  alegações  que  se  inclinava  a  expender;  e.  sozinha.  Concluí que significaria abuso incomodá­la no trabalho.  A  única  família  que  possuía  eram  eles  mesmos.  Espantara­se. desde a infância. devia confiar­lhe tudo. e.  contudo. a deglutição da taça de creme.  Tudo calmo.  vi­a  na  loja  colorida e simpática.  expressando­lhe  em  silêncio  votos  de  paz  e  otimismo. escutara sorrindo.  Não  obstante  opinasse  nisso ou naquilo.  precipitei­me  para  a  rua  e. tinha algo a dizer­lhe.  Ela  respondeu.  A interlocutora.  sofrera  muitíssimo.  Tamanha  impassibilidade  esfriou  a  disposição  da  jovem.  de  modo  instintivo.  se possível. caminhou para o  telefone  e  chamou  Dona  Márcia.  acalentando  vagas  idéias  de  reequilíbrio e esperança. palestrava animadamente. a figura de Marita invadiu­me o cérebro.  Desassossegado.  relatou  a  confissão  que  Cláudio  lhe  fizera.  paternalmente. Andava desorientada.  os  Nogueiras.  Registrava­se­lhe a melhora inequívoca. em que se obrigava  a retalhar atenções.  que  passou  a  resumir.83 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  engraçados  de  certo  programa  de televisão. antes de resolver situá­la no assunto.  O  amparo  magnético  assimilado  funcionara. com requintes de paladar.  na  parte  da  tarde. que saboreava. acanhada.  a  descrever­lhe  os  modos.  mas  sentiria  remorsos  se  não  lhe  contasse  o  sucedido.  lance  por  lance.  Jamais  esperava  por  semelhante  ocorrência. através dos pensamentos descontínuos.. Marita desafogou­se com dificuldade.  a  Copacabana.  Nossa  presença  passou  a  despertar­lhe  reflexões.  reconstituíra­se. nem mesmo interrompendo.  na  ingenuidade  de  moça  inexperiente.  E.  Postadas ambas em clima de segredo.  Repousara.  não  somente  para  Marita  que  lhe  aguardava. Afeiçoara­me à  pobre menina. porém.  perguntando  se  ela  viria. ensaiando sorrisos para as freguesas bem­postas.  cujo  nome  usava. mas igualmente para nós.  Sentia­se. selecionando algodões estampados. Hesitara muito. discreta e humilde. todavia. de  leve.  mais  forte.  eficiente.  Ignorando  por  que  motivo. a fim de inteirar­nos acerca de atividades ou problemas em que nos fosse  possível desenvolver algum préstimo. começou a pensar. Não desconhecia a extensão da mágoa que lhe cortaria a  alma.  orgulhosa.  Era. Limpeza e ordem. receosa.  acusava­se  tranqüila.  considerando  a  gravidade  da  tarefa  de  que  fôramos  investidos. pensar. não tinha culpa.  acompanhamos  mãe  e  filha até  pequenino recanto  de  hospitaleira  sorveteria. às quatro.  começando a falar.  Depois de alguns minutos.  quanto  pôde.  dependente.

  contraíra  contas  com  ela. Afagou os ombros de Marita e aconselhou­lhe juízo.  à  parte.  em  que sonâmbulos realizavam proezas diversas. perante a ocorrência.  efetivamente. informando. somente depois.  além  daquela  em  que  lhe  abria  o  coração.  não  encontrava  outra  saída.  Anunciara­lhe  ter  refletido  suficientemente  e  acabara  aceitando  a  hipótese  de  um  desequilíbrio.  Verificando no olhar da jovem a penosa impressão com que era obrigada a  recolher  tais  lembranças.  a  senhora  Nogueira  tomou  posição conselheiral. Dona Márcia patenteou.  que  lhe  ouvira  frases  inconvenientes. que analisavam com o  carinho  de  pais  verdadeiros  e  não  com  qualquer  espírito  de  censura.  bem­humorada.  Dissera­lhe  que. Marita. ambos recorreram ao dicionário.  sem  mais  fundo  lastro  de  amor  para  comovê­la.  absoluta  incredulidade  e  participou  que  o  marido.  distrair­se.  pelo  que  a  esposa  percebera  as  vozes  com  as  quais  tanto  se  assustara.  defenderia  a  paz  de  todos. e continuou informando.  a  interlocutora.  a  opinião  de  velho  amigo da família.. que dissera a ela e a Cláudio andar a menina atacada de nictofobia.  haviam  recordado  que  ela.  Cláudio.  Dona Márcia perfilhou um tom de voz em que se conjugavam inquietação e  advertência.  porquanto  julgara  prudente  refletir  sobre  o  acontecimento  que  tanto  o  penalizava. no semblante sereno.  Rogara­lhe  concurso  para  que  um  psiquiatra  interferisse  no  problema.  Entretanto..  entretanto.84 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Cláudio.  à noite.  Levada  ao  médico.  em  criança.  nas  ingratidões de marido.  e que.  a  convidara  para  conversação. As festas de Aracélia. no tocante às filhas.  Argumentou que ela e Cláudio.  Rememorou.  preocupado  qual  se  achava. a fim de aprenderem que a  palavra significava “medo da noite”. modificou  a  tática  afetiva  e alinhou histórias  de  seu  conhecimento.  aturadamente.  o  facultativo  receitara  calmantes.  Não  concordava  em  que  se  tomasse  partido..  Envidaria  esforços  para que  uma  excursão  à  Argentina  lhe restaurasse  as  energias.  antes  de  avançar  em  qualquer  conclusão.  momentos  antes.  ao  vê­la  penetrando  no  quarto..  Esposa  e  mãe. as desilusões de Aracélia.  no  intuito  de  abordar  o  caso.  as companhias de Aracélia.  Tudo  não  passava  de  imaginação  enfermiça dela própria. Isso sim.  na  noite  da  antevéspera.  Explicou  que  não  viera  ao  encontro. Mas.  comunicando­lhe certas  apreensões..  na  véspera.  Assumiria  ele  a  responsabilidade  das  despesas  e.  no  entendimento  mantido.  Dissera­lhe  Cláudio  haver  experimentado  imenso  alívio. Fase de moça namoradeira.  Diante  da  estupefação  que  nos  dominava.  pela  madrugada.  não  tivera  coragem  de  mencionar  o  assombro  que  o  perseguia.  completamente  alheia  à  importância do assunto.  fazendo  birra  e  queixando­se  de  inexplicáveis  terrores. necessitava da proteção de um psiquiatra. Marita. deduzira que ela.  Nada  justo  incriminá­lo.  Dona  Márcia  riu­se  àquelas  chistosas  evocações.  Ante  as  alegações  da  filha.  porquanto.  ao  despertar a  filha  adotiva  sonambulizada.  muitas  vezes  acordava  aos  gritos.  evidentemente alteradas.  Dona  Márcia.  que  se  forçara  à  reação.  E o martelo verbal tornou aos estribilhos do passado. . sempre tivera a conduta  de  pai  exemplar.  fora  assaltado  por  ela  com  muitos  beijos.  após  meditar.  Recomendou  à  menina  procurasse  esquecer.. defendendo­se previamente.  faria  mais  ainda.

  e.  Cláudio trapaceara e a mãe adotiva caíra no logro.  Dona  Márcia. lépido e bem­posto.  convidou­a a examinarem.  sinceramente  –  informava –. o primoroso estoque de “boutique” vizinha.  Propusera­lhe a concessão.  denotando  naquela  hora  elogiável  sinceridade  na  compaixão  pela  moça  que  supunha  doente.  lhe  freqüentava  o  casarão.  o  acompanhante  desencarnado.  Tocava­lhe  tão­somente  suportar e esperar.  A dama aguardava Nogueira.  Recebera­lhe  Marita. esfregando as mãos uma na outra.  porquanto  ele  a  nomeou.  A  recém­chegada  trajava­se  com  primor. Junto dele.  no  qual  operosa  equipe  de  funcionários desdobrava operações de contabilidade interna.  atento.  Conheciam­se  os  dois.  da  boca  ao  ouvido. não  mais me  admirando  vê­los visceralmente associados.  Detínhamo­nos  no  exame  despretensioso  da  personagem  que  tangenciava  com a nossa história.  Ao  sol  da  manhã  em  giro  alto.  para  a  conversação cochichada.  conformada. no compromisso assistencial. não conseguira subtrair­se ao obséquio que lhe suplicara com lágrimas.  Avisava­me  de  que  certa  senhora  demandara o banco.  contígua  a  extenso  escritório.  porém.  dirigi­me  para  o  local. juntas.  de  madame  Crescina. .  ao  partilhar  as  inquietações  de  Neves. valendo para nós por aviso grave.  aliás.85 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  A  jovem.  familiar. muito abatida.  Diante  do  interlocutor. demonstrando­se  ambos  naturalmente  acostumados  aos  segredos  que  se  transmitem.  fui  procurado  por  atencioso  companheiro  a  quem  solicitara  cooperação. ausente em serviço.  exibindo.  Contava  justamente  uma  semana  de  contacto  com  os  novos  amigos.  horas  antes.  o  ar  das  mulheres que. acabam fazendo negócio dos prazeres  que já não são mais capazes de usufruir. um rapaz que. no  claro  propósito  de  evitar  o  problema  e.  e  o  entendimento  malogrado  passou. na noite próxima.  Não  possuía  recursos  para  demonstrar  a  verdade.  Marita  aquiesceu.  em  caráter  confidencial. depois de perderem as ilusões. com Gilberto.  encontrando­a  em  pequena  sala  de  espera.  compadecida  –  formulara­lhe  o  apelo. Não pudera alhear­se ao pedido.  contudo.  superficialmente.  Também tinha duas filhas no mundo.  prosseguiu  comunicando  que  a  moça  desejava encontrar­se.  qual  se  lhe  fora a  sombra.  encabulada.  para  logo.  Ignorava  como  deslindar  a  meada  que  o  sedutor  entretecera.  o  número  quatro.  A  pobre  criança  –  acentuava.  dos motivos que a traziam.  falou. contudo.  inclinando­se. quando Cláudio se apresentou. também era mulher. No íntimo.  nos  fundos.  por  mais  reservado  e  acolhedor.  Preferiu  acriançar­se. com o  sorriso  brejeiro  de  quem  prelibava  festas. a fim de que reforçássemos todo  o sistema de vigilância.  a  filha  adotiva. procurando Cláudio no assunto que nos tomava a atenção.  Transcorreram cinco dias. revoltava­  se.  perplexa. nervosa.  tanto  quanto  nós  mesmos. vez por outra. Acedera.  Alguma novidade? – indagou ele. pensando e falando em absoluta simbiose. aparentando aprovação com o silêncio.  quando.  Escolhera  para  isso  o  compartimento  separado.  não  teve  ânimo  para  desmentir.  A  visitante. sem que aparecessem acontecimentos dignos de  menção.

 agradeceu a gentileza de  que se tornava objeto.  buscava­lhe.  de  cérebro a  cérebro. surpresa.  Marita.  Nogueira  reprimiu  a  cólera  e  vimo­lo  interessado  em  concentrar­se  mentalmente. à cata de idéias.  Logicamente. com bondade.  E  esquisita  coincidência!  Era  o  recanto  que  ele  também. cujos informes e  apontamentos não me cabia perder. Disse à amiga.  Para isso.  os  estímulos.  que  os  meninos  teriam  entrado  em  arrufo  e  aspiravam  à  reconciliação.. não só por dever de  lealdade  aos  fregueses.  e  os  dois  entraram  em  acordo  implícito.  ladina. embora. Sim – refletia –. por isso..  quando  buscava  a  pensão  alegre  de  Crescina. perante os olhos espantados do amigo.  não  iria  pessoalmente  criar qualquer obstáculo. repetindo que não  lhe  era  lícito  esquivar­se;  entretanto.86 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Mas. colocava­o ao corrente dos fatos.  compartia­lhe  as  preferências!.  enquanto  o  “outro”  se  demorava a enlaçá­lo. alcovitando a conferência afetiva..  como  também  para  evitar  aborrecimentos. gratificá­la­ia por um obséquio.  Cláudio lia. inteirava­o de tudo e pedia conselhos. talvez em dias  breves.  Alguns  momentos  de  ajuste  silencioso  e  mecânico. entre ciumento e indignado. estampando no rosto larga expressão de astúcia..  que  um  observador  terrestre  interpretaria  como  sendo  vertiginosa  fabulação. no lugar indicado. para encarregar­  se de entregar um bilhete ao filho dos Torres. .  Saberia  não  incomodá­lo.  O  despeito  comprimia­lhe  o  coração.  Entretanto.  Sim.  Alcançamos  semelhante  conclusão. forçado  que me reconhecia a dividir atenções.  sem  saber.  sequioso. lia.  não  tivesse  receio.  para  entreter­se. era o cúmulo  do sarcasmo. entre eles e a recém­vinda.  E.  suscetíveis  de  atrair os olhos da polícia que nunca interferira nas acomodações e negócios que lhe  diziam respeito. no dia seguinte.  Cláudio esboçou um sorriso amarelo.  por  vezes. que acumulava na curiosidade o  anseio do vampirizador. compromisso de matrimônio com o rapaz e que.  elegia  para  si  próprio.  Obsessor  e  obsidiado  passaram  a trocar  impressões. em  que a jovem implorava ao namorado fosse vê­la.  pela  rama.  acrescentou.  ao  vê­los  repentinamente  asserenados.  Cláudio.  concordava  em  que  madame  Crescina levasse o bilhete. de vez que tendo paternal interesse em que  se  efetuasse  o  encontro  dos  jovens. Gilberto a governá­la daquela maneira! O compartimento dos fundos.  aos  quais  se  permitia  chamar  “quase  noivos”. não obstante considerasse a  entrevista  mencionada  pura  irreflexão  de  jovens.  que  ele.  Rogava­lhe  a  presença  e  solicitava  resposta.  Conhecia­o.. que se acostumara a absorver­se nas sugestões de uma  inteligência  estranha  à  dele.  descansar.  supondo  naturalmente que batia às portas da imaginação para desencravar os pensamentos. Marita remunerara­a. passando a extravasar as alegações fantasiosas que começara  a elaborar. a confidente arrancou da bolsa o documento pequenino. às oito da noite. esquadrinhando a cabeça.  aduziu  após  refletir  um  minuto  em  consonância  com  o  amigo  invisível..  A empreiteira de regalias noturnas cortou a pausa longa. já que não me sentia capaz de verificar­lhes planos e intentos.  era  cliente de sua casa e.  o  número  quatro!. que Marita realmente assumiria.  acrescentou  a  mascarar­se  de  bom­humor. Em seguida. Preferia aconselhar a filha. não era só isso.  Ignorando.

 desejava vê­lo e ouvi­lo. começou dizendo  ao filho de Nemésio que lhe entendia a situação com clareza; que o sabia.  Cláudio. resoluto. formulou a consulta. inexperiente. criara  Marita. mas o sorriso largo e calculado com que era recebido colocou­o  à vontade.  muito  pálido. Conhecia­  lhe o carro. mas  rogava­lhe a gentileza da discrição.  Cláudio. de momento a momento.  seguiria  de  táxi  para  o  almoço.  O  jovem.  assombrado. solicitar­lhe um favor com vantagens mútuas. permutando banalidades sobre  o tempo. abordá­lo seria fácil para ele.  Verificava. aparando as cinzas do cigarro.  O rapaz gaguejou do  outro lado.  depois  do  ajuste. Além disso.  Gilberto. prontamente. não devia bisbilhotar.  A hesitação. Pensou consigo que essa  era a primeira vez que se dirigiria ao rapaz que detestava.  Nogueira. porém. no lugar indicado.  Invariavelmente ligado ao vampirizador que o não perdia.87 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  solicitava­lhe  fosse  o  bilhete  entregue  somente  às  duas  da  tarde.  em  casa.  Restituído  a  si  próprio. o assessor espiritual de Nogueira e eu.  asseverou  que.  porquanto se achava convencido de que ambas as meninas queriam o moço.  a  filha  legítima.  e  que.  Discou. lado a lado. igualmente por filha; amava­a. e anelava para ela o bem­  estar que sonhava para a outra. talvez  com análogo afeto.  Dona  Crescina  prometeu  satisfazê­lo.  Ambos consultaram o relógio. . mais apressadamente que supunha. comovido.  sempre  enlaçado  pelo  obsessor. à frente de um guaraná que tocaram.  O  antigo  bancário.  Conheciam­se  bastante.  em  verdade.  aparentando  elevada  condescendência.  Caminharam. Efetivamente. de leve.  somente  atribuiria  ao  destino  a  coincidência  que  vinha  de  observar.  horário  em  que  Gilberto estaria no escritório com toda a certeza. acentuava. para Gilberto.  à margem de assuntos privativos deles dois; entretanto.  Não  se  preocupasse  o  interlocutor. por parecer natural. Onze em ponto. até que  se instalaram num recanto de bar.  assemelhava­se  ao  aluno  culpado  que  comparece  diante do professor. Cláudio. não passou de segundos. dramático.  Aproximou­se do telefone e  vacilou um instante. Se  possível.  e  esperá­lo­ia  no  Lido.  na  condição  de  genitor.  não  se  deu tempo a maiores reflexões. Gilberto. Entendimento pessoal para aquele instante. e aquiesceu sem  muitas palavras.  inclinado  para  Marina.  no  Flamengo.  escoados  que  foram  alguns  minutos.  achávamo­nos  os  quatro.  a  sorrirem­se  ambos  no  aperto  de  mãos.  Atendido.  conquanto se visse na obrigação de preservar­lhe a felicidade. denotando viva emoção. esforçava­  se.  recolhendo  a  gorjeta  e  anunciando  que  telefonaria  para  a  moça. escutava embasbacado.  embora sem contactos pessoais. enternecidamente.  Ele. quanto possível. untando a voz de cortesia.  a  máscara  de  paternal  ternura  com  que  Nogueira  recobrira o semblante. de certo  modo.

  sílaba  a  sílaba. tanto assim que poderia  repeti­lo.  Se  Gilberto  aprovasse  a  idéia. dura. de modo a proporcionar­lhe renovadora alegria.  E  recitou  de  cor  o  pequeno  texto. no  qual  lhe  rogava  um  encontro  para  a noite.  no  endereço  marcado.  ele  próprio. numa viagem  de  refazimento  e  recreio. com a autoridade afetuosa de pai amigo.  Ante  a  resposta  negativa. prosseguiu astucioso.  Sabia  disso. conseguira ler o petitório.  não  só  com  a  noticia  positiva  da  viagem. se responsabilizasse pelas escusas do  moço. habilmente. no bolso. de vez que usaria o tato imprescindível.  baixou o tom de voz.  porém. e abster­se de comparecer no momento preciso.  Nada  custaria  satisfazer­se  àquela  particularidade  que  considerava  providencial. ao registrar­lhe as primeiras palavras de assentimento.  afligia­se.  Sem que lhe suspeitasse do zelo.88 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  No íntimo.  O filho dos Torres ouviu tudo. anunciando­lhe em caráter confidencial que a filha adotiva lhe  escrevera  um  recado. a fim de que Marita sofresse  menos. em companhia de Márcia.  Ele. notara nela determinadas alterações que o haviam .  Agisse  como  melhor  lhe  parecesse. efetivamente. lhe agasalhava  as afirmações.  naquela  hora.  que  estaria  no  local  indicado.  naquele  mesmo  dia. que lhe devastava. para que ela fosse à Argentina.  afixou  a  máscara  fisionômica  que  julgou  cabível  à  defesa  das  próprias  conveniências.  atendendo  ao  horário  certo. para isso.  Depois  de  caracterizar  o  papel.  Cláudio.  de  irmão  para  irmão. Temia um choque.  Perdera  os  derradeiros  resquícios  da  desconfiança  com  que  iniciara  a  conversação.  nada  mais.  quanto  à  ausência.  Além  disso. constrangia­se a solicitar­lhe concurso.  receava  conseqüências.  os ímpetos de amarrotar o filho de Beatriz que.  Não  seria  prudente  estragar­lhe  o  ânimo.  Chegado  a  esse  ponto. encantado.  explicou  que  a  moça  lhe  endereçara  um  papelucho.  serviços. acalentava a repulsão.  Isso  porque.  desinibiu­se.  Verificava  haver  encontrado  alguém  que  o  levaria. escorregara na paixão.  Por  fim.  no  instante  oportuno.  ao  desembaraçar­se.  estava  providenciando  a  aquisição  dos  documentos  necessários.  E.  Fantasiou que a menina andava desorientada.  a  menina  bisonha.  Não  dispunha  de  outro  remédio  senão  pedir­lhe  aquele  tipo  de  cooperação.  empeços  domésticos  ou  inesperado afastamento do Rio. satisfeito e acalmado.  asseverando  que  dedicara  a  Marita  uma  boa  amizade.  Encontraria  recursos  para  sanar  as  dificuldades.  dando  a  impressão  de  proceder assim para exteriorizar com mais segurança o próprio enternecimento.  A  proposta  pareceu­lhe  uma  peça  vazada  em  profundo  bom­senso.  decerto. Destacou que. Dissimulava.  respirava  feliz.  Salientou  que.  se  incumbiria  de  buscá­la.  Reprimindo­se.  nos  sentimentos  de  pai  que  o  moviam.  Contaria com ele e.  passo  a  passo. ao mesmo tempo  que  poderia  apresentar  a  ela  as  desculpas  dele. enferma.  ao  albergar­lhe  os  testemunhos  de apreço.  com  uma  negação  formal.  mas.  indagou  se  ele  havia  recebido. agora.  consultava­o  como  justificá­lo.  Preocupava­se.  se  devia  alegar  a  razão  do  bolo  como  sendo  negócios.  Compreensível  que. a libertar­se de um compromisso que lhe pesava demasiado na consciência.  Naturalmente  que  o  interlocutor  era  dono  de  si. a juventude em psicose e  doença.  rogava  ao  rapaz  dois  favores:  responder  afirmativamente.  por  escrito. violenta.  Compondo  o  quadro  estudado  de  interesse  paternal.

 Escreveria.  Gilberto  declarou  que  lhe  compreendia  as  apreensões. porquanto a genitora extinguia­se.  Destacou  as  acerbidades  dos  impedimentos  em  família.  separaram­se  com  abraço  efusivo.  O  senhor Nogueira.  afastara­se.  Cláudio. qual o chamava.  Montada  a  obrigação  que  os  jungia.  de  nossa  parte.  cauteloso.  ajuntou.  boquiaberto.  que  ele  e  Márcia  visitariam.  e  talvez  só  regressasse  no  dia  seguinte.  Finalizando.  parecia  interesse  afetivo. refletia no rosto a satisfação que.  o  agravamento  da  saúde  materna.  devotamento. mas não arredaria pé de casa. quanto lhe aceitava conselhos e bons ofícios. . lentamente.  e  reportou­se.  Não  seria  falso. mesmo porque Marina fora a Teresópolis.  enquanto.  penosamente  intrigados.  pela  manhã. na expectativa de que tempo e distância funcionassem.  durante  as  moléstias  longas. às oito.  ateu  confesso.  asseverou­se  notificado  quanto  à  viagem  da  filha.  à  situação  de  Dona  Beatriz.  admirando­lhe  a  delicada  frieza  das  justificações e indagando a si mesmo qual deles dois seria maior na arte de fingir. obrigando­se a  comparecer.  chegou  até  mesmo  a  exalçar  a  confiança  que  se  deve  ter  em  Deus.  rumamos  do  Lido  para  o  Flamengo. conjeturando sobre o que estaria por suceder. em buscando a menina.89 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  desgostado  e. obtendo o que desejava.  Francamente  encorajado. somada  ao  voluptuoso  prazer  do  obsessor  que  o  assessorava. estaria autorizado  a  comunicar­lhe.  apelou  para  o  otimismo  necessário  e.  já  que  se  sentia  inequivocamente  atraído  para  Marina.  da  parte  dele.  no  decorrer  de  tais  circunstâncias.  Cláudio  escutava.  em  termos  carinhosos.  a  serviço  da  companhia.

  Não conseguira auscultar as minudências do plano obscuro que se formava.  Poderia  transfigurar­me. providencialmente ocupado. já que as dificuldades morais se esboçavam em  labirinto  e  alguma  ameaça  de  irritação  nos  frustraria  objetivos  e  movimentos.  Era forçoso agir só. a longas  distâncias. apenas um deles se mantinha  constante.  O  momento  não  comportava  aflições  inúteis.  Aspirava  a  fazer­me  visível  à  frente  daquele  amigo  enigmático  que  claramente habitava o lar dos Nogueiras.  que  sabia  ocupado  e.  Necessário  manejar  os  recursos em mão.90 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 13  Tornei ao Flamengo.  é  desnecessário  comentar  as  facilidades  de  intercâmbio  no  Plano  Espiritual. buscando forças.  recolhendo­lhe  a  resposta.  Os  pensamentos  de  Cláudio  e  do  vampirizador  entrelaçavam­se  em  estranhos  propósitos imprecisos.  Recolhi­me em ângulo tranqüilo. espessando traços e mudando o tom de minha apresentação habitual.  Expedi comunicação. aquele cuja inteligência aguçada me ferira a atenção.  (Nota  do  Autor  espiritual) .  Meditei. que eu desconhecia de todo.  Não seria justo investigá­lo.  através  de  profundo  esforço  mental.  em  que  juntamente  de  outros  amigos  desencarnados  modificara  a  apresentação  externa. à vista de inadiáveis obrigações.  A princípio. apreensivo. trabalhar por mim mesmo.  julguei  prudente  ouvir  o  acompanhante  desencarnado. de cujos préstimos seria licito dispor. perquirir­lhe os anseios?  Rememorei  experiências  anteriores.  Seria  desaconselhável  qualquer  recurso  a  Neves. encontráramos dois. Entretanto.  Viria à noitinha.  compondo  cada  particularidade  de  minha  configuração  exterior. de Cláudio.  adensando  a  forma. à frente do mar. não mais cedo.  talvez. jaziam longe do assunto.  fundo.  Amigos outros.  5  Diante dos microaparelhos existentes no Plano Físico para emissão e recepção de mensagens.  Para  intervir  sem  vacilações.  que  não  me  alentava  . em despacho rápido para o irmão Félix.  como  alguém  que  enverga  roupa diversa. salientando a  5  necessidade  de  nosso  encontro. Orei.

91 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

Quase  uma  hora  de  elaboração  difícil  esgotou­se,  até  que  me  percebi  em  condições de empreender a conversação cobiçada.  Não me autorizava a perder um minuto.  Avancei, prédio acima, batendo à porta, cerimonioso.  Aconteceu  como  previa,  porque  o  parceiro  invariável  de  Cláudio  veio  atender.  Olhou­me, desconfiado, de alto a baixo, esquadrinhou­me os intuitos.  Humilhei­me, vulgarizei a linguagem quanto pude.  Semelhante  atitude  era  indispensável  pela  minha  necessidade  de  informações.  Atento  a  isso,  afetei  absoluto  desinteresse  pelos  moradores  do  apartamento, centralizando nele o núcleo natural de minha atenção.  Expliquei andar procurando um amigo e perguntei pelo outro camarada que  vira,  ali,  dias  antes.  Vira­os,  juntos,  precisamente naquele  local,  quando  transitava  no corredor; entretanto, passava, apressado, a peso de obrigações. Guardara, porém,  a impressão de que o companheiro cujo encontro ambicionava era ele.  Esse o expediente mais simples que me ocorreu para cativá­lo, conversando  com  espírito  de  submissão  e  fraternidade  naturais,  de  modo  a  ganhar­lhe  alguma  confiança e carinho.  Ele pareceu sensibilizar­se, tratou­me com a generosidade acidental de um  fidalgo que não se desmerecia por dar migalha de consideração a um mendigo.  Compleição robusta e enorme, tocou­me o ombro com a destra, ensaiando o  gesto de quem se prepara a despachar, polidamente, uma pessoa importuna, e catou  minudências. Analisou­me, perscrutou­me, repisando inquirições.  Inteirando­se do exato momento em que os vira reunidos e reconhecendo os  detalhes  que  conseguira,  de  minha  parte,  mencionar,  esclareceu  tratar­se  de  um  amigo,  que  costumava  hospedar,  de  vez  em  vez,  para  o  reconforto  de  uns  “drinques”. Naquele momento, contudo, não estava. Ao que sabia, recreava­se numa  casa, em Braz de Pina, cujo endereço indicou.  Lamentei.  Solicitei­lhe  o  nome,  estava  reconhecido  à  gentileza  do  acolhimento  e  tornaria  ao  Flamengo  em  outra  oportunidade.  Estimaria  nomeá­lo  com  a  possível  intimidade  quando  voltasse,  na  hipótese  de  ser  constrangido  a  perguntar por ele a desconhecidos.  Ele não se fez de rogado. Respondeu, cortês.  Chamava­se Ricardo Moreira. Em alguma necessidade, porém, bastaria que  o designasse tão­só por Moreira. Era estimado, possuía numerosas relações, contava  com  muitas  afeições  no  prédio.  Se  chegasse  a  vê­lo,  de  novo,  em  companhia  do  colega ao qual me reportava, que o sacudisse, despertando­lhe a atenção.  Até ali, tudo bem. Era necessário, entretanto, que eu lhe examinasse as mais  íntimas reações. Imprescindível conhecê­lo, sopesá­lo.  Acusei­me  cansado,  deprimido.  Se  ele  era  ali  o  mordomo,  que  me  permitisse  entrar,  por  gentileza,  ainda  que  por  instantes  breves,  a  fim  de  que  me  fosse  possível  refazer  as  forças.  Ato  de  bondade  fraterna.  Nada  além  de  alguns  minutos. Carecia de ambiente humano, amigo.  Operou­se, entretanto, a reviravolta.  Vi perdida a posição que granjeara.

92 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Moreira  arremessou­me  olhar  terrível,  que  funcionou  sobre  mim  qual  punhalada  vibratória.  Ajuntou  frases  irônicas  e  gritou  que  a  casa  tinha  dono;  que,  6  diante dos  “descascados”  , quem mandava ali era ele; que, para atravessar a porta,  seria  preciso  removê­lo;  que  eu  dispunha  da  rua  larga  para  dormir;  e  finalizou,  agressivo:  – Que tem você aqui? Dê o fora, que não vou com sua lata! Vá se catar, vá  se catar!...  Nenhuma outra alternativa senão descer escadas, desabaladamente, porque  avançou em minha direção, arregaçando punhos decididos.  Regressei ao aconchego do mar, entrando em prece.  Reavendo a condição que me é peculiar, voltei ao mesmo ponto.  No interior da peça, o casal acomodara­se para o almoço, com as atenções  de Dona Justa, em serviço.  Moreira, que não mais me assinalava a presença, instalara­se na cadeira de  Cláudio e com Cláudio, de tal modo, que, certo, se alimentava tão claramente quanto  ele,  através  de  um  dos  numerosos  processos  em  que  se  catalogam  as  ações  da  osmose fluídica.  A conversa entre os cônjuges deslizava, banal, mas, consultando o cérebro  de Nogueira, convencemo­nos para logo de que o tema do dia circulava, ativamente,  no  sistema  de  conjugação  mental  que  prevalecia  entre  ele  e  o  acompanhante.  Registrava­se­lhes  o  anseio  por  notícias  que  lhes  facultassem  conexões  para  o  objetivo inconfessável, que começavam a entremostrar em espírito.  Agora,  à  mesa,  a  dupla  exteriorizava  os  intentos  escusos,  nas  formas­  pensamentos em que as duas mentes enfermiças se revelavam. Tudo se aclarava, de  súbito. Digeriam o plano em silêncio. Abordariam Marita, à feição de dois caçadores  colhendo  uma  lebre.  Antegozavam  o  assalto,  articulavam­se­lhes  os  pensamentos  em lances dissolutos. Determinavam­se a surpreendê­la, em casa de Crescina, como  se apanha um fruto resguardado na árvore.  Perplexo, decifrei a trama inteira.  Cláudio  ergueu  a  voz  e,  fingindo  ignorar  a  viagem  da  filha,  perguntou  à  mulher por Marina, de vez que, no fundo, queria notícias da outra.  Dona  Márcia  caiu,  de  imediato,  na  indução.  Respondeu  que  ele,  provavelmente,  se  havia  esquecido  de  que  a  moça  avisara,  na  véspera,  que  iria  a  Teresópolis, a serviço da imobiliária. O chefe, impedido, indicara­a para representá­  lo  em  algumas  transações  importantes.  Voltaria,  sem  dúvida,  na  manhã  seguinte.  Quanto a Marita, horas antes telefonara de Copacabana, solicitando para que não a  esperassem ao jantar. Talvez demorasse em serviço extra, na contabilidade da loja,  até mais tarde.  O marido pigarreou, mudou de assunto, comentou alguns sucessos políticos  e a refeição terminou sem maiores delongas.  No intuito de colaborar com eficiência, na preservação da harmonia geral,  demandei  a  habitação  de  Crescina,  onde  não  tive  qualquer  dificuldade  para 

Um dos pejorativos pelos quais a gíria dos planos inferiores designa os Espíritos desencarnados. (Nota 

do Autor espiritual)

93 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

identificar o apartamento número quatro. Recanto isolado para casal, completamente  desligado da comprida construção de um pavimento só.  A  vivenda,  pela  extensão  enorme,  aparentava  profunda  calma;  entretanto,  pela  ruidosa  conversação  dos  desencarnados  menos  felizes,  que  aí  bulhavam,  desocupados, era possível imaginar as agitações da noite.  Depois de atenciosas idas e vindas pelo terreno, examinando situações, vi a  dona  da  casa  tomar  o  fone.  Aproximei­me.  Crescina  perguntava  por  Gilberto,  no  escritório dos Torres.  Atendida, combinou visitá­lo às duas, daí precisamente a meia hora.  O programa foi cumprido em todas as seqüências previstas.  De retorno, Crescina chamou para a loja e comunicou à jovem que o rapaz  escrevera.  Tudo  certo.  Leu  o  bilhete,  em  que  lhe  participava  a  resolução  de  estar  firme, no lugar indicado, às oito. Que ela aguardasse, confiasse.  A pobre menina exultou e as minhas inquietações doíam agigantadas.  Necessitava desdobrar medidas de proteção; entender­me com algum amigo  encarnado,  em  ligação  com  o  grupo;  sugerir  providências  que  evitassem  a  consumação do projeto; criar circunstâncias em que o socorro chegasse em nome do  acaso, entretanto... Debalde, girei da pensão alegre ao escritório, do escritório à loja,  da  loja  ao  banco,  do  banco  ao  apartamento  no  Flamengo...  Ninguém  estendendo  antenas  espirituais,  com  possibilidades  de  auxílio,  ninguém  orando,  ninguém  refletindo...  Em  todos  os  lugares,  pensamentos  entouçados  sobre  raízes  de  sexo  e  finança, configurando cenas de prazeres e lucros, com receptividade frustrada para  qualquer interesse de  outro tipo. Até mesmo um dos  chefes  de Marita, do qual me  acerquei, tentando insuflar­lhe a idéia de reter a jovem, no serviço, até altas horas da  noite,  ao  sentir­lhe  a  imagem,  na  tela  mental,  transmitida  por  mim,  para  inicio  de  entendimento,  acreditou  estar  pensando  consigo  mesmo,  inclinando o  assunto  para  questões salariais; concentrou­se, de pronto, nas vantagens econômicas, agarrou­se a  cifras,  encheu  a  cabeça  com  parágrafos  da  legislação  trabalhista  e  expulsou­me  a  influência,  sumariamente,  monologando  no  íntimo:  “essa  moça  já  percebe  o  suficiente,  não  lhe  darei  nem  mais  um  centavo.”  Nenhum  outro  recurso  senão  permanecer no casarão, de sentinela.  Inúteis as diligências.  Às  sete  e  trinta  da noite,  Cláudio  apresentou­se  com  esmero,  sem  mesmo  esquecer­se de uma peruca leve que lhe remoçava as linhas fisionômicas.  Solerte,  espiou  a  vivenda  de  Crescina, a  pequena  distância. Ele  e  o  outro.  Moreira não parecia menos interessado.  Acompanhei­os.  O marido de Dona Márcia, aperaltado, buscava um telefone, que não teve  dificuldade  para  encontrar.  Café  vizinho  facilitava.  Discou,  chamando  Fafá,  o  porteiro  da  pensão,  que  ficáramos  conhecendo  em  nossas  investigações  cordiais,  durante  o  dia.  Atendido,  rogou­lhe  que  fosse  encontrá­lo,  confidencialmente.  Questão de negócio. Não se arrependeria do segredo. Riram­se pelo fio.  O empregado, velho bonachão que o álcool já começava a excitar naquelas  horas  verdes  da  noite,  veio  à  pressa.  Atencioso  e sabido,  conquanto  guardasse  um  sorriso  de  bondade,  parado  no rosto,  que  tanto  podia  ser  para  o  bem  como  para  o  mal,  inclinou  o ouvido  para  a  boca  de  Cláudio,  a  fim  de  escutar melhor.  Nogueira

94 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

cochichou,  solene.  Solicitava­lhe  concurso  urgente.  Precisava  esclarecer­se  quanto  aos  jovens  que  se reuniriam no  “quatro”.  A moça  era  sua  filha.  Não  faria  barulho,  não  escandalizaria  a  ninguém,  mas  desejava  certificar­se.  Nada  de  complicações.  Necessário reconhecer  o  desencaminhador, de  maneira  a  solucionar  o problema  de  família,  sem  alarde.  Recorria  aos  préstimos  dele,  companheiro  dedicado.  Não  lhe  dispensaria a colaboração.  Fafá  disse  compreendê­lo  e  participou  que  a  menina  esperada  já  se  instalara.  Vira­a  sozinha,  através  da  porta  semicerrada.  Estava  sentada  no  leito,  folheando  revistas.  E,  ante  as  perguntas  que  se  acumulavam,  confirmou  que  era  a  jovem, vista por ele, cedinho, em conversação com a mundana. Sim, guardara­lhe o  nome. Era Marita, sim.  Fez­se  Cláudio  mais reservado  e  pediu­lhe  “blecaute”.  Que  o porteiro  lhe  fizesse o favor de desajustar o fusível, na instalação elétrica, O conserto exigiria uns  quinze  minutos  de  sombra.  Isso bastava  para  que  se  inteirasse  de  tudo,  sem  que  a  patroa  e  os  hóspedes  lhe  percebessem  a  presença.  Colocar­se­ia  no  escuro,  em  ângulo oposto à iluminação pública, e, assim, facilmente identificaria o rapaz.  O serventuário, não obstante semi­embriagado, fixou  expressão matreira e  salientou que era problema sério, aquele. Satisfaria ao chefe, mas bico calado. Nada  de envolver­se com os tiras.  Cláudio  deixou  escorregar  para  a  mão  dele  duas  cédulas  de  quinhentos  cruzeiros,  e  Fafá,  menos  inquieto,  indagou  pelo  horário  exato,  ao  que  Nogueira  aclarou,  afirmando  faltar  unicamente  dez  minutos,  de  vez  que  aguardaria  a  luz  apagada, as oito em ponto.  Separaram­se  os  dois  e,  quando  me  perdia  em  dolorosas  conjeturas,  revigoradora surpresa me visitou o espírito. Dera apenas alguns passos na rua e fui  agradavelmente defrontado pelo irmão Félix, que me abraçava.  Comovi­me.  Revê­lo  e  confiar­lhe  todas  as  inquietações  foi  trabalho  de  segundos.  Nas minhas frases curtas, o instrutor recolheu todo o material informativo.  Sem  detença,  rumamos  para  a  vivenda  coletiva,  cujas  lâmpadas  esmoreceram, de chofre, quando lhe transpúnhamos a entrada. Tive a idéia de que o  acontecimento era comum, porquanto a escuridão não estabeleceu o menor alarme.  Velas bruxuleantes piscavam, aqui e ali.  Tomamos a direção do aposento isolado.  Cláudio  estacara  à  porta,  enlaçado  pelo  vampirizador.  Ambos  justapostos  um  ao  outro.  Dupla  de  sentimentos  e  propósitos  iguais.  Ambos  emocionados,  corações pulsando precipites, prelibavam a caça que não lhes escaparia. A distância  reduzida, notei que os dois se postavam sob o halo das energias balsâmicas de Félix;  entretanto, o admirável fenômeno para eles era como se não existisse.  Diante  do  quadro  inquietante  e  enternecedor,  imaginei  comigo  fitar  dois  lobos  humanizados,  aos  quais  piedoso  emissário  dos  Céus  tentasse,  inutilmente,  entregar a palavra e a inspiração de Jesus Cristo.  Enrodilhavam­se  os  dois  num  charco  mental  de  lascívia,  com  tamanha  sofreguidão, que não cabia ali, naquele vulcão de apetites sexuais, a menor frincha  pela qual se pudesse arremessar alguma idéia de elevação.

  Conhecera­o.  em  pranto  amargo.  Irmão Félix. em dorido silêncio. em muitas ocasiões vos acompanham de perto. muitas vezes. na noite das tentações.  Era  ele. transido..  vencida.  velando.  Minudenciei  observações  e  reconheci que Nogueira tivera igualmente o cuidado de usar indumentária.  na  palestra  do  Lido.  em  suplício  indizível.  através  da  oração  muda  que  lhe  extravasava  agora  em  grossas lágrimas!.  animalizadas  ainda  por  duros  gravames do passado culposo. não me sentia capaz de  articular uma prece.. o Divino .  a  nos  compartirem  as  cruzes  das  provações  merecidas.  transfigurados  em  afetuosos  cireneus.  espantado. vi que o benfeitor..  de  encontro  ao  peito.  naquele  dia..  entregar­se.  Diante  de  Félix.  em  todas as suas intenções e em todos os seus nervos.  à  face  dos  instintos  inferiores  que  nos  atenazam  as  almas. de olhos fitos no céu..  Pais  e  mães.  acrescentando­vos a alegria ou partilhando­vos a dor!.  um  cheiro  igual?  Recordei.  a  dupla  avançou quarto a dentro. um pensamento só. deixou o  recinto e acompanhei­o...  hipnotizada  pelos  próprios  reflexos.  esposos  e  esposas. sussurrando frases de arrebatadora paixão e de intensa saudade.  A  indefesa  criança. a fremirem de emoção.. e beijou­a.  meu  coração.  Atingindo o degrau externo da porta de entrada.  que  vinha  das  esferas  superiores  para  desmanchar­se  ali. Quanto a mim.  que supondes perdidos para sempre. conturbado..  agindo  por  si  e  pelo  acompanhante.  passou então a recorrer ao Evangelho e confortei­me ao lembrar que Jesus..  Homens. nos despenhadeiros da delinqüência....  Naquele  instante. em respeito a eles. guardiães invisíveis que vos estendem as  mãos!.  que  ainda  respiram  no  mundo.  Nogueira.  não  devia  recear.  atraiu­a. Quando estiverdes a ponto  de resvalar.  Aquele  era  o  extrato  usado  por  Gilberto. perante o agoniado  coração  paterno. Disciplinai­vos..  compadecei­vos  também  dos  mortos.  Onde  sentira.  que  podíamos  enxergar  na  obscuridade.  fazei­o  pelos  mortos  que  vos  amam  de  uma  vida  mais  bela!.  sem  guardar  para  si  o  mínimo  resquício  de  vigilância. quando...  Nós. não somos dignos de oscular­  lhes os pés!. Nada pude fazer senão calar­me..  vimos  a  pobre  menina  levantar­se.  Antes  que  Félix  e  eu  pudéssemos  estudar  medidas  de  contenção. abrindo.. reverente. um apelo só. tangido por sentimentos que eu não poderia avaliar. à feição das estrelas que removem  as  trevas!  Vós  que  sabeis  reverenciar  as  mães  e  os  mestres  encanecidos  na  abnegação. as quedas de consciências!  Quando  não  seja  por  vós..  imperfeito  e  pobre.  amigos  e  companheiros.  Cláudio e o outro.  ansiosa.  Nenhuma  particularidade fora esquecida. em tudo  semelhante  à  do  moço.  indicando­vos o caminho. convulso.  os  braços. quanto puderdes.  abandonou­se. mantinham absoluto silêncio.  irmãos. pensai neles! Ser­vos­ão generosos..  Acreditava­se  diante  do amado.  ainda  que  não  possais  viver  santamente.  quanto  ao  nó  e  ao tamanho.95 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Agressivo  perfume  de  cravos  me  invadiu  o  olfato  desprevenido.  se deteve.  filhos  e  irmãos.  Nada que pudesse evitar a integração indesejável. reduzi..  inclusive  a  gravata..

. morto!. recompôs­se num átimo e..  porém. vira a filha adotiva que debandava  e. inquieta. em topando o marido. num relance.  Nogueira. entendeu. com a rapidez de uma corça dilacerada. e abordou a porta do solitário aposento. tudo o  que se passara..... saindo a sós. fez um risinho ridicularizador. indignada – eu não acreditei nessa menina infeliz! Eu  que poderia ter evitado!. na Terra.. ao  esbarrar com a esposa.  receando  complicações.. assistido pelo amigo desencarnado.  a  não  ser  você  mesmo!..  julgando  que  a  moça  e  Gilberto  estivessem  reunidos.  Ah!  Cláudio.  diligente. a luz reapareceu e ouviu­se  um grito agoniado.  não  hesitara  invocar  a  presença  da  amiga.  dizendo que preferia morrer para que eu fosse feliz!.. ao chorar. A memória dessa moça pobre  e  leal  é  a  única  coisa  boa  que  eu  tenho  no  coração. em sentido  oposto. ante  Lázaro.  Cláudio!.  fora  imediatamente informada por ela quanto à chegada do marido.  junto  de  amigas.  Ele  apoiou­se.  Marita.. exclamando. um dia.  que  costumava  entreter­se  no  pôquer. era forçoso sair.. espancando­a com  fúria.  O  porteiro.  – Canalha! – bradou.. Você também? Aqui?.  em  que  ela  me  entregava  a  menina..  que  nos  fosse  possível  esboçar  qualquer  socorro.  cambaleante..  não  longe  da  pensão  de  Crescina.  e  a  patroa.  Antes.. de nossa parte... e disparou em desalinho. ao chegar.  Dona  Márcia.. saltou a janela..  Ela  nunca  esteve  com  outro  homem.  aviara­se.  a  que  baixezas  descemos  nós?.  O  resto  você  destruiu. desapontado.  Decorridos quase vinte minutos de expectação.  no  intuito  de  conjurar possíveis desastres.96 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Mestre.  comunicando  à  patroa  quanto  sabia.  todos  os  seus  bilhetes..  como  que  fulminado  por  um  raio.  Dona Márcia prorrompera em soluços; entretanto.... com a observação de  que ele talvez entrasse em rixa acirrada com os jovens.  E a voz da recém­chegada assumiu dolorosa inflexão:  – Como é que você não pensou? Tenho comigo todos os papéis de Aracélia..  A senhora Nogueira..  Você  nunca  soube  da  última  carta. apressadamente.  a  seu  turno.  com  quem  mantinha  relações  de  amizade.  na  porta. mordaz:  – Era só o que faltava!.  Louco!  Você  ultrajou  sua  própria filha!.. Esse alguém era Dona Márcia. .  alguém  chegou.. em que o espanto e a dor se mesclavam com terrível acento. fora também o amigo sensível e carinhoso.

  Morrer..  Por  que desistira?  Como  soubera  Cláudio do encontro? Através de Crescina?  As  interrogações  sem  resposta  convulsionavam­na  toda. – pedia. correra quase..  Marita estugava o passo.  ganhando  extensão:  o  suicídio.  Entretanto.  desaparecer. tudo extinto.  conhecera­lhe  a  letra.  Nenhuma idéia que se lhe não afinasse com a repulsão.  Da Lapa.  inocente... em espírito.  vive  para  mim”.  era  necessário  ouvir  Gilberto....  aprovava  no  turbilhão  dos  pensamentos  em  descontrole. a injúria experimentada transcendia  para ela toda a noção de sofrimento.  Na  cabeça.  Alcançou  o  Largo  do  Passeio  e  parou  um  momento. tentando apertar os lábios que se  abriam sem voz. amarfanhada.  Imperioso  conhecer  a  verdade..97 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 14  Adiantamo­nos. estava tudo acabado.  Quem saberia? Talvez que o rapaz lhe estendesse um fio de luz. as maiores demonstrações de ternura e consolo..  afirmando  vir.  Sim. a morte!.  Se  ele  dissesse:  “vive.  morrer com a verdade.  Ansiava  atirar­se  sob  os  carros  que  deslizavam  à  frente.  mas  não  dispunha  de  forças  para  perdoar­lhe  aquela  afronta. Félix e eu.  aquelas  árvores  frondejantes  que  tanto  amava. por onde se  desvencilhasse  da  sombra. a  substituir­se.  Decididamente...  Rangia os dentes.  Traída nos mais íntimos sentimentos de mulher.  Fitou.  se  Gilberto  participara  da  armadilha  a  que  se  arrojara. repelia­nos.  meditava..  era  preciso viver um tanto mais... Escrevera.  A  revolta  sacudia­lhe  os  membros.  Galharias  balouçadas  ao  vento  pareciam chamá­la para abraços de adeus..  cruel?  Que  trama  teria  havido  entre  eles?  Lera­lhe  a  missiva. Marita soluçou.  conseguiria  esquecer o insulto daquela noite.  sugeriam  as  últimas  réstias  do  sonho  desmantelado.  angustiada. Por que se esquivara. Tão somente lhe restaria o desprezo final.  Ainda  assim  iria  consultar  Gilberto.  Caminhando  apressada  e  indiferente  à  aragem  que  lhe  acarinhava  os  cabelos. querendo gemer. Restava um enigma: Gilberto.. mas seguiu .  até à Cinelândia. mentalmente. continuando a viver. Ao contrário. aturdida.  chorando.  desesperada.  Sentia­se  tangida  por  todos  os  ventos  da  adversidade.  uma  idéia  só.  expulsa  da  Terra..... onde se localizava a habitação coletiva que  vínhamos de deixar..  Uma  vez  só  que  fosse. teve medo..  A morte.  Desvairava. Teria agradecido ao homem que conhecera por  pai  o  punhal  ou  o  veneno. ao encontro da jovem.  Tremia...

 Dez minutos para as nove. alguma idéia que lhe ofertasse  saída do antro pungente da angústia.  de  inesperado.  recordou  Gilberto  e  a  menina  feliz  que  ela  fora. queria idéias.  Não  descortinava.  Raciocínios  contundentes  entrechocavam­se­lhe  na  cabeça  atribulada..  Levantou­se.  cliente  da  loja  em  Copacabana.  A sofredora criança consultou o relógio­pulseira.  repetir­lhe­ia  as  palavras  de  uso  mais  freqüente  no  trato  doméstico.  precipitadas.  Gilberto.  quanto  possível. fazia referver.  saída  melhor.  Ainda assim – refletiu  –. Compadeceu­se. nenhum ponto marcado ao equilíbrio e ao silêncio..  Lembrou­se  de  Dona  Cora. Uma razão a mais para que se não retirasse do carinho necessário à doente..  Varou  a  massa  risonha  que  deixava  os  cinemas.  algo  reanimada. faria exceção e aquiesceu.  de  Teresópolis.  Desejava  ambiente  familiar  para  a  ligação. ..  uma  idéia  surdiu.  Aquele  coração  juvenil. saber!.  absolutamente  sozinha.  seguiu.  Sentia­se.  conquanto  bondoso.  Não.  vendo  namorados  saboreando  pipocas;  contudo.  Telefonar!. Alegou que recusava. tudo o que  sentisse.  um  lago  límpido  que  vulcão  oculto..  para a busca de condução; entretanto.. pelas quais  as  ondas  do  pensamento  fugiam. lhe assoprava conceitos  de paciência e  cordura.  agora.  contudo.  ansiava saber.  tinham  vozes  semelhantes.  com  pagamento à porta de casa.  enfim. Estava sozinha e esquecera­se do horário.  ensejando­lhe  tênue  fio  de  esperança.  Atingindo  a  Praça  Marechal  Floriano.  No  crânio  tumultuado. O moço..  seguiu  sempre. O profissional  correto notou­lhe a tristeza e o acanhamento.  Insopitável  desconfiança  amargava­lhe  o  coração  qual  raiz  espinhosa.  indubitavelmente. Todas as orlas abertas. analisou­se.  Disfarçar­se. assim abordado.  completamente  desamparada.  Para  alcançar a verdade. confessaria..  imitar­lhe­ia. meditou.  Poderia  telefonar  para  a  residência  dos  Torres.  Simularia  estar  voltando.  Consultou  o  motorista  se  lhe  podia  fazer  o  favor  de  atender.  a  distância. preferia morrer.  Debalde...  como sendo a cartada final. criando problemas;  entretanto. lhe  embaísse  a  boa­fé.  fingir. no caso. com respeito a ela própria.  Entre  voltar  à  casa  dos  Nogueiras  e  morrer..  Chamaria  o rapaz  como  sendo  Marina.  pela  intimidade  e  pela  convivência.  Acenou  da  calçada  ao primeiro  táxi  disponível. estaria ao pé da genitora enferma.  sistematicamente... quando inevitável.. meditou. Além disso.  Faltava  o  dinheiro.  inutilmente  se  referia  à  bondade  e  ao  perdão.  Perscrutou circunstâncias.  Entraria.  seria muito  provável  que  ele.  Nenhum  lugar  exposto  à  receptividade.  sim. vasculhando o cérebro atormentado.  figurava­se.  no  jogo  com  aquilo  que  se  lhe  apresentou  à  imaginação. mentiria.  vencendo  encontrões. em bocas de incêndio.  Conversar!  Ouvi­lo!  Tinha  sede  da  verdade.  Marita  concluía  que  ela  e  a  irmã.  de  súbito.  que  se  lhe  fizera  amiga  íntima  e  em  cujo  apartamento  costumava  telefonar. irmão Félix. Marina viajara pela  manhã. somente aí deu pela falta da bolsa que largara  na  fuga.  maneiras  afins.  não  retornaria  ao  lar  do  Flamengo.  inopinadamente.  mas não  desistiu. ao enlaçá­la.  o  tom  de  palestra.  Comprimindo a cabeça entre as mãos..  abancou­se. conduzir pessoas que encomendavam serviço.98 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  adiante. de modo inequívoco..  Pensamento  estranho  assomou­lhe.

 se passou bem o dia.  fez­se  acompanhar  pelo  condutor  ao  apartamento  da  amiga. sim. ninguém a interromperia.. Marita discou..  afetando  que  somente  naquele  instante  conseguiria  tomar  o  ônibus  para  casa.. Por que essa demora?. para Copacabana.  envergonhada. Acabo de chegar..  – E a mamãe? Melhor?  – Pouquinho. pois você não está conhecendo?  – Conhecendo quem?  – Eu..  não  regressaria  tão  cedo.  – Um momentinho só.. disse para a senhora que andara em  serviço  extra. Estou perturbada.. reconhecida.  tinha  necessidade  de  um telefonema. Marita! Tenho nada com ela. Pagaria no dia seguinte.  A  dona  da  casa  afastou­se para a cozinha. junto dela. e o esposo  que  substituía  um  colega.  para  conversar  com  mãezinha  certas  coisas.. isolando a sala.  – Ora. então. no Flamengo..  mas tanto assim não sabia.  gravado frase a frase:  – Da residência dos Torres?  – Sim.. venha logo. sofreando a emoção de modo a fantasiar a alegria da outra..  ali.. não titubeou...99 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  A breve trecho.  – Ah! Ah! Marina!.  – Para que conversar? Corra para cá. ciumenta. na memória. Telefonar por quê?  – Quis saber. As duas filhinhas dormiam.. Depois da corrida paga.. meu amor.. transidos. gentil.  – Saudades!  – Eu também... se você está bem. espontânea e bondosa.  Dona  Cora  cedeu­lhe a peça inteira e acrescentou.  Sei  que  vocês  andavam  juntos.  saltou.  Escutamos. eu. há muito. o diálogo juvenil que nos ficaria.  – Venha. Passei rapidamente em casa.. Que surpresa boa!...  diante  de  nós..  – Oh! Meu bem.  os  corações  solidários...  – Mas eu soube. Conversação com  pessoa  muito  íntima. Escute.  se  ela  não  dispunha.  – Escute.  naquela hora.. Muita saudade. de algum dinheiro para emprestar. esperando.  fora  em  seguida ao  Leblon  visitar  um  doente.  Estive  com  duas  amigas  em  Teresópolis que me encheram a cabeça. O marido não estava.. Estamos  todos em casa. Falasse à  vontade.  para  Dona  Cora  que  se  achava  em  apuros. Abriu pequena gaveta e falou sorrindo:  “só quatrocentos cruzeiros”....  sendo  recebida  com  a  lhaneza  que  esperava. explicou que  a importância bastava.  Antes  disso.. A dona da  casa..  E..  – Quem no aparelho? Gilberto?  – Sim.  no  trabalho...  Segredou... seguíamos. Marita.  – Soube o quê?  –  Que  vocês  dois  estão  em  compromisso. Marina..  porém.  sem  que  nos  percebesse. que ia arranjar um cafezinho...  de  leve. .  – Que é que há?  – Marita.  No  endereço  indicado.

.  7  Expressão de gíria.  a  companheira de seção na loja. Primeira vez. Receava descobrir­  se. depois dela.. uma excursão à Argentina. gritando:  – Marina! Marina! Diga o que há.  Dona Cora riu­se.. a fim de escalpelar o insulto de que fora vítima.  A  pequenina  mão  encharcada  de  lágrimas. que lhes era também íntima. a distância. de modo a dar  conselhos e a reanimá­la com uma boa notícia.  Nesse ponto da entrevista. as portas do coração. inabilitada a retomar o fone..  quanto  possível.. Indispensável toda precaução.  Uma risada seguiu­se e..  reconstituiu. diga!. nitidamente... Para Marita.  Entretanto. Sanatório ou hospício. a voz do rapaz.. a consideração sarcástica:  – Sanatório.  considerando­se  a  hipótese  de  ela. “Morar” significando compreender..  quanto mais longe.  batida. Argentina. melhor!... Não pensasse naquilo.  –  Ele  me  pediu  escrever  aceitando. a tranqüilidade fisionômica e tornou à sala. diga.. Entende?  – No fim de contas.. acertamos tudo.  Se  não  pudesse  voltar  em  pessoa..  – Quer dizer que Marita. Gilberto.. O velho soube  de tudo antes e  me pediu dizer que iria.  Marita.  mas  combinei  com  o  velho  para  que ele mesmo fosse buscá­la. (Nota do Autor espiritual) .  Necessário inteirar­se acerca de quanto Gilberto havia descido. Você sabe. Ele mesmo telefonou.  Nesse ponto da conversação singular.  – Estou perplexa. O velho me  procurou. mas que eu não fosse. com a tristeza de quem cerrava.  não  se  achar  em  serviço. a jovem baqueou...  Debruçou­se na cantoneira.  referiu­se  ao  dinheiro  emprestado...  A  moça  dedicou  alguns  minutos  ao  refazimento.  Bastaria  procurar. Ele mesmo é quem propôs a solução.. Argentina para uma e Petrópolis para dois. não  podia deixar de atendê­lo. você naturalmente deve saber agora o que aconteceu.  no  entanto. Morou?  – Estive com papai ainda agora.  Escutávamos. foi curta. como é que você se arranjou?  –  Escrevi  um  bilhete.  – Explique­se. cordial..  – Bem. no outro lado. Ouvira o bastante  para  reconhecer­se  desdenhada.  Disse que ela tem estado borocoxô e prometeu que ele iria procurá­la.. Uma viagem para a Argentina.  Embaraçada.  aspirava  à  lia  do  cálice.100 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  – Bobagem!  – É muita conversa que não pude desmentir..  no  dia  seguinte. só sanatório e.  repôs  o  fone  no  gancho...  – Como?  – Olhe lá. Neli. faria o pagamento. em definitivo. a voz dela titubeou. no entanto. pronunciou a deixa oportuna:  – Então.. Não compreendo.  7  – Perda de tempo.  Que  Dona  Cora  lhe  perdoasse  o  incômodo.. sabe? Conversamos pessoalmente.. É muita gente biruta.  prometendo  vê­la.  – Imagine! Escreveu­me pedindo encontro.  para  que  Marita  não  ficasse  chocada.. A  pausa. nervosa. meu bem. à vista dos soluços  que lhe rebentavam do peito.

 Alegou­se gripada. e.  satisfeita.  e  aconselhou­a  a  ir  para  a  casa. O síndico reclamara várias vezes.  Ainda  assim. vertigens.  – Pois é – prosseguiu Marita.  era  preciso  enfrentar os fatos e poupar ao animalzinho maiores sofrimentos. Trazia a cabeça pesada. solícito.  velhinho  calmo  e  complacente.  simples  menina.  Marita  explicou­se.  passo  a  passo..  haviam  autorizado  tanto  a  ela.  paternal. brincando de esconder!.  o  emprego  de  algum  remédio  que  pudesse  trazer  o  descanso  final.  a  amiga  estranhou­lhe  o  abatimento. nossa pequena “Jóia” está no  fim.  quanto  à  irmã.  Aplicou  o  termômetro...  administrados .. Conversa vai. a propósito. Vizinhos andavam contrafeitos. que supunha em ação. Tinha coriza renitente. um martírio.  Examinou­a  com  a  prática  de  muitos  anos.  mas  não  guardei  o  nome  da  moléstia.  falou  para  Salomão  que  o  bichinho  se  tornara  problema  no  apartamento.  Continuando.  sem  achar  motivo  de  preocupação. Grita sem pausa.  A  jovem  recolheu  os  medicamentos.” a minha velha cadelinha.  aparentando  recordar  uma  providência  esquecida. habituado ao ofício a  representar­se de médico para os amigos. E.  ensaiando  um  sorriso  que  não  chegou  a  debuxar­se.  Sorriu.  aditava.  a  palidez. Estava a sair do plantão. Os  pais  aguardavam  que  o  veterinário  amigo  voltasse  de  São  Paulo..  ao  pé  de  enfermos. nos casos sem maior importância. os netos imitam o andar de gatinhas que ela inventou.  doença  incurável.  – Que foi?  –  O  veterinário  explicou. que os meninos  algumas vezes abraçaram na praia.  Gostaria  de  se  aconselhar  com  ele  sobre  um  antigripal.  Não  deveria  aceitar  serviço  extra.  comentou  bonachão.  “Jóia”  estava  abatida.  não sei se você está lembrado de “Jóia. acolheu­a.  fez  o  gesto  de  quem  se  inclinava  a  retirar­se. mas não a saúde.  – Como não? Aquela inteligência de animal.  Lamentava  perdê­la.  a recém­chegada  falou­lhe do  resfriado.  e  voltou  à  carga.  fora­lhe  companheira.  quase de imediato.  a  fim  de  que  se  aplicasse  a  eutanásia;  entretanto.  –  Salomão  –  disse  com  decidida  curiosidade  a  transparecer­lhe  da  voz  ­. naquele instante.  desde  quando  se  ausentara  da  escola. coriza brava.  indagou se ela julgava possível encontrar ainda o senhor Salomão. Não teria o amigo  algumas  pílulas  adequadas?  Ouvira  referências  a  comprimidos  que. estendeu­lhe o café que ela aceitou.. dizendo que o farmacêutico a esperaria. os pulmões doloridos.  Afirmou sentir dores. pediu­  lhe  mostrasse  a  língua. de modos antigos. constrangida..  em  cujo  olhar  se  adivinhava a brandura dos que se fazem servidores espontâneos da Humanidade nos  encargos que exercem.  no  Flamengo. O boticário.  que  ela  não  se  delongasse.  gasta. repouso. afetando pena ­.  Marita  agradeceu.  Nenhuma  febre..  e  acrescentou  que ela facilmente encontraria remédios para comprar.  conversa  vem.  descansar.  O  senhor  Salomão.  na  farmácia  vizinha.  os  olhos  que  não  cessavam  de  chorar..  despediu­se  e  seguimo­la.  Ocultando  os  intentos  recônditos.  A  delicada  anfitriã  pediu  um  momento  e  correu  ao  telefone  para  voltar. Indicou­lhe  aspirina para a nevralgia.  até  aquela  hora  da  noite.101 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Prestimosa..  Até  hoje.  depois  das  dez.

.  mostrasse  compaixão. asseverando:  – São estes. talvez tivesse no  estoque alguns desses anestésicos de elevada potência e salientou que se a cadelinha  fora condenada pelo veterinário não deveria ser conservada. prodigalizando­lhe sono reparador. mentalmente. o boticário paternal  alegou. confirmou.  se  agrisalhara  em  rudes  experiências  para adquirir a sensibilidade aguçada com que nos  assimilou os apelos. procurando.”  Salomão renunciou à pesquisa iniciada e sacou de largo recipiente de vidro  alguns  sedativos  comuns  e  tornou­lhe  à  presença.  Não  desse  orientação  em  torno  de  venenos.  O farmacêutico. Ele também.  com  toda  a  certeza.  pela  porta  semicerrada.  dirigiu­se  a  pequeno  depósito. discretamente.  O  paternal  benfeitor  rogou­lhe  examinasse  a  situação.  Salomão recomendou­lhe repouso.102 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  em  dose  alta.  Despenteada. se evidenciavam ativos.  Seguimo­la. porque.. procurando. era  pai  e  avô  sensível. se enterneceu.  Fitasse  aquela  menina. diligenciando reanimar­se. sem bolsa.  – Isso é uma bomba de aplicação muito rara. Para a cachorrinha. para o balcão e mirou a freguesa.  insistiu.  num  instante  como  aquele em  que  não se supunha observada.  Não agüentava mais os gemidos ao pé do leito.  Salomão refletiu.  absolutamente  sem  dor;  no  entanto.  Tivesse  cuidado.  Fingiu  despreocupação  e  apresentou­lhe os comprimidos. em razão das lágrimas  copiosas.  Que  o  farmacêutico  não  duvidasse. basta um. Voltou­se.  de  potencialidade  suave. Félix e eu abordamo­lo. A responsabilidade pesava­  lhe.  propiciavam  a  morte.  espantando­se  ao  vê­la.  Aquele  homem. refletiu.  desconsolado –.  fazendo­a  admitir  que  levava  o  agente  letal.  – Tão violento assim? – perguntou a jovem. de perto. juízo. Sim.  contudo. muito grande.  Se  ingeridos  por  ela.  “isso  não é coriza. para angariar­lhe a confiança.  inerte.  adiando  entendimento mais claro para depois.  Marita agradeceu e despediu­se.. olheiras fundas.  não  lhes  conhecia o nome.  Marita  afigurou­se­lhe  uma  peça  do  museu  de  cera.  além  das  dez  horas  da  noite.  Mentisse  por  piedade. sem agasalho.  longe  de  casa.  “Oh!  Meu  Deus”  – refletiu  ele.  assim  fatigada  e  só. Consultou se poderia adquirir dez unidades. embora parados..  amarrotada.  Sossegasse  aquela  criança  abatida  com  algum  soporífero.  isso  é  dor moral. Melhor agir na certa.  Ela.  atravessou  dois  quarteirões  pela  frente.  funcionariam  beneficamente.  Aparentando­se embaído.  Vagarosa.  Nisso. que só forneceria ante a receita médica. Salomão. . dor terrível!.  Convencido  pelas  informações  reiteradas  da  moça. no estado de que você fala. porém..  ganhou  a  Avenida  Atlântica e acolheu­se num bar. de  imediato. sem qualquer prevenção.  Somente os olhos. Voltou ao depósito e escolheu dez comprimidos  calmantes..  O  veterinário  assinaria o papel.

 do corpo desgovernado.  Não  valeram  recursos  manobrados  pelos  vigias..  sem nunca  fazer­lhes perguntas indiscretas.  dois rondantes  desencarnados  apareceram.  arrimou­se  no  encosto  do  passeio  de  pedra.  relativamente  moço.  recordou  a  mãezinha  que  não  conhecera e supôs­se mais infeliz.  Fora  maltratada.  ao  pé  do  mar. mas dispunha  da  praia. passes reconfortantes  nos  centros  de  força.  sentiu­se  mordiscado  de  curiosidade. de novo. Dos olhos. em que o orientador patenteava notável mestria.  Dando  com  os  olhos  na  menina  adormecida.. A genitora. penderam as lágrimas que ela acreditou fossem as  últimas e deixou que a brisa lhe afagasse os cabelos. ao fim das quais. renunciando à existência.  via  nos  olhos  do  benfeitor  a  esperança  luzindo.  Brando torpor anestesiou­a.  estímulos  variados  em  diversas  seções  do  campo  cerebral.  e.  Feriram­se­me  as  fibras  do  sentimento..  qual  se  se  dispusesse a meditar.  aos  milhares. transpôs o asfalto.  Em  seguida...  O  fanfarrão..  enquanto  os  recém­chegados  passaram a velar.  Félix orou por instantes.  fraternalmente  confundida  na  carícia  da  espuma.  não  só  pela  criança  injustamente  maltratada. Acupuntura  magnética do plano espiritual. Ela não. “acorda.. ali mesmo.. lançando  a bola ou manejando a peteca.  daquele  mar  sereno  e  bom  que nunca a  enjeitara. imaginava­se ouvindo.  insuflações nos  vasos sanguíneos. vagabunda”.  Queria  partir.  que reunia desconhecidos.  Quase quatro horas foram despendidas.  Reconfortado. pulou do calçamento de pedra no lençol  argenteado de areia e acomodou­se no lugar que lhe pareceu mais escuro.  reconhecido. ele e eu empreendemos a tarefa restaurativa..  em  recipiente  de  plástico. um “gari” asselvajado largou a rua e caminhou em nossa direção.. se por obrigações de vigilância ou se  correspondendo  aos  apelos  do  instrutor. enquanto Félix e eu esperávamos que  dormisse para enfrentarmos os problemas eventuais. em espírito.  escorraçada. de imediato. tantas vezes.  rouquejando:  “acorda.  Parecia  rever  a  massa  domingueira.  Félix  aceitou.  Lamentou­se e chorou.  agora.  sem  gás.  ofertando  serviço. conseguira um teto para o momento do grande adeus. Atenta.  refletia  com  lágrimas.  Nisso. não possuía um lar para morrer.. Sim. não obstante desprezada pelo homem  a quem se entregara.  mas  também  pela  imensa  dor  que  se  estampou  no  semblante  de  Félix ..  Marita despejou os dez comprimidos na boca e engoliu­os de um sorvo com  água  pura.  vagabunda”.  Delicadamente atendida..  espezinhada. a algazarra das crianças. longo tempo. Operações minuciosas e  demoradas. hospitaleira  e  amiga.103 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Solicitou  um  copo  de  água  simples. o ar puro que vinha das águas e o agasalho do  Sol. regando a  areia.  Devia  partir  do  mundo  com  um  nome  emprestado  que  detestava..  avançou  para  ela  e  sacudiu­a. Rememorou as manhãs felizes em que  desfrutara.  Não pude compreender.  contemplando  aquele  mar  que  a  beijava sem malícia...  Classificava­se  por  lixo  da  terra.  porém.. a todos abraçando por verdadeiros irmãos.  Aspirava  a morrer. Providências para que  a jovem não se afastasse.  Antes  do  gesto  que  considerava  supremo. Cinqüenta e cinco minutos depois da meia­noite.  Consultamos o horário. Marita repousava  tranqüilamente..  supunha  desafogar a todos.

  Frustrados.  Moças  que  regressavam  de  excursões  alegres  gritaram.. e.  aterrada. Oscilou. perguntava a si mesma se teria morrido.  através  de  movimentos  que.  não  se  pejava  de  comprimir­lhe o busto com as mãos libidinosas?  Não obstante atordoada.  Automóveis  deslizavam  velozes.  Seguíamos a pobre menina.  não  dispunha  de  serenidade para assimilar­nos as sugestões. estarrecida. “acorda.. tudo daria para materializar as mãos e impedir aquele  assalto.  Entre  simpatia  e  respeito. atarantada.  repentinamente  descido  a  saracoteios  na  via  pública.  Não  contávamos  com  experiência  bastante  para  ocasiões  qual  aquela  em  que  o  desastre  consumado  exigia  improvisações. inerme. espíritos contundidos por amargos presságios. . indiferente  aos princípios do trânsito. se estaria  no inferno renteando com um demônio. caíra de bruços.  “Acorda.  penalizado. vagabunda”.  Aplicando  vigorosos  estímulos  magnéticos sobre a cabeça da menina acidentada.  foi  colhida  e  projetada a pequena distância.  sendo  contida  à  força. gargalharam.  O  corpo  planara.  a  fim  de  que  respirasse  indene  de  maiores  dificuldades. transeuntes acorreram. qual trapo de  carne que se arremessasse.  achávamo­nos  atônitos..  Intentou  gritar.  em  seguida  a  curta  reviravolta.  Rapazes  semi­embriagados  na  esquina  próxima. Pisou.  eu  acompanhava.  depois  das  atividades  noturnas.  mas  a  garganta  esmorecera.  Pessoalmente. sem que aparecesse algum braço humano que  a  sustentasse no atordoamento  que  lhe  impunha reiterados  tropeções.  entre  os  clamores  de  quantos  apelavam  para  o  socorro  policial.  mecanicamente.  diligenciando  alcançar  o  trabalho  a  distância  ou  regressando  ao  aconchego  doméstico.104 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  que.  todos  os  veículos despejavam curiosos que se reuniam em torno da jovem.  Agitavam­se  funcionários da limpeza e veículos ocupados em serviços da madrugada. vagabunda”.  Parecia­me  Félix  um  educador  venerando.  piedosamente.  ao  fitarem  Marita. estremunhada.  o  decúbito  dorsal.. pela expressão agoniada..  ao  vê­la  estremecer.  a  cabeça  batera  contra  a  pedra  e. fê­la cobrar energias para ganhar..  porém. por automóvel em velocidade excessiva. aqui e ali..  o  grande  instrutor  que  se  apequenava e se afligia por ajudar.. invectivando: “tipa de pileque! tipa de pileque!” Motoristas  de passagem gritavam­lhe injúrias.  Pedestres  iam  e  vinham.  ergueu­se.  alarmadas.  As  palmadas  estalavam  no  rosto..  cujas  lágrimas  o  vento  enxugara. no chão. violentamente. Superando embaraços. vimo­la abrir os olhos.  vacilante.  para  muitos  dos  circunstantes.  significavam esgares da morte. cambaleante. ganhou a calçada  em  que  um  banco  orvalhado  convidava  ao  repouso.  irmão  Félix  sentara­se  no  asfalto. e aligeirou o passo.  lambretas  estrondeavam  em  correria.  no  propósito  de  salvar  uma  criança  querida. no asfalto.  Todavia.  O carro chispou.  Que  homenzarrão  aquele  que.  Preparava a cidade o dia novo.  No  trânsito  interrompido.  Mesmo  assim.  em  que  debalde  se  buscava  positivar  responsabilidades.  Uma  delas  prorrompeu  em  choro  histérico..

 no tocante a medidas de auxílio. para observar o que seria razoável obter...  como  qualquer  criatura  terrestre.  voltei­me  para  contemplar  no  rosto  do  irmão  Félix  o  efeito  de  semelhante  notícia.”  Mas.” Incapaz de sopitar  as  lágrimas.  Nem  tudo  estava perdido.  acomodava­se  de  tal  modo  que  a  cabeça  da  jovem  se  lhe  estendia  no  regaço. Tive a idéia de que  fontes  imponderáveis  de  energia  jorravam  do  firmamento  claro  e  estrelado  sobre  aquele  recanto de Copacabana.  Logo após.  machucada  de  angústia.  sem  nenhuma  preparação!. acenou para mim e recomendou­me demandar o apartamento do  Flamengo. na linguagem ciciante das ondas!..  Dá­nos..  Félix. Quando eu voltasse do Flamengo..  Calou­se  o  instrutor.  Erguendo as mãos sobre as narinas em sangue..  velando. a fim de  que  se  inteirassem  do  acidente  e  fossem  mentalmente  movidos  à  piedade.  é  preciso  que  as  lágrimas  nos  sirvam  de  confidentes.  Tanto  sacrifício  de  um  orientador.  arranquei­me  à  pressa.  que eu destacava da multidão em crescente vozerio:  –  Deus  de  Infinito  Amor. reunir­nos­íamos de  novo...  profundamente  humanos  e  sofredores. o malogro de tudo se me afigurava inevitável.....  Tanto  trabalho  daquele  benfeitor  sublime  para  salvar  uma  criança  gravada  de  duras  provas!.. levantou os olhos e orou em voz alta..  fazendo  quanto  pudesse  para  que  a  desencarnação  imediata não se verificasse...  O  irmão  Félix....105 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Marita aquietara­se de todo.  quando  não  haja  alguém  que  nos  ouça. não  permitas  que  tua  filha  seja  expulsa  da  casa  dos  homens.  Às  vezes. exclamando: “morta!. na atitude  dos  pais.  Não!. ouvi  muitas vozes que se elevavam... que o mar acariciava de perto..  mais  uns  dias  para  ela.  Ao  vê­lo  assim  humilhado  na  abnegação  de  que  dava  testemunho. A carga emocional pesava em demasia..  Ele.  Pai..  que  lhes  suplicasse  apoio. inspiraria alguém a telefonar... para que me  fossem possíveis quaisquer considerações de ordem técnica. da Avenida Atlântica para o Túnel Novo..  compaixão.  Tive  a nítida  impressão  de  que  a  base  do  crânio  se  fraturara.  recolhido  a  profundo  silêncio.  o  benefício  do  sofrimento  que  nos  consinta meditar!  Ó  Deus  de  amor. morta!.  ­­­ Fim da Primeir a Par te ­­­ . Os Nogueiras estariam entre ele e eu..  mas  também  para  desabafar­me. no  corpo dolorido.. A batalha não arrefecera!.  parecia  agora falar com o Infinito.  Antes que me arremessasse.  Que  eu  procurasse  Cláudio ou  Márcia.  assim..  tudo  inútil!.. mas não  me  era lícita qualquer inquirição..  concluindo  comigo  mesmo:  “tudo  inútil.  O  benfeitor..  vigoroso impacto de esperança me banhou o coração!. como a rogar­nos confiança  em Deus. cuja grandeza se quintessenciara nas Esferas Superiores.  Tínhamos  conosco  o  suprimento  do  amor  e  a  luz  da  oração!.  não  só  para  atender  à  incumbência.  fixava  os  olhos  nas  alturas  e. para ofertar­lhe  os braços; entretanto.  guardando  paternalmente  nos  braços  aquela  criança  desfalecida. algumas horas só que sejam!...  Permaneceria  ali..

106 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  SEGUNDA PARTE  Médium:  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER .

 Carraspana e ressaca rematando a criminosa aventura. relaxado sob  os efeitos do  álcool.  A casa jazia quieta. quando a campainha do telefone retiniu. o vampirizador.  o  coração palpitava catástrofe.  Repeliu­me  a  influência. tranqüilo. favoravelmente. para saber do regresso de Marina. chamaria  Teresópolis. Peças mudas.  escutara­lhe  as  descomposturas  à  porta..  sob  a  colcha  leve.. passou a lembrar­  lhe  o  retorno. Supondo reconsiderar os sucessos da noite.  Sentia  medo...  Agitava­se. Tinha os olhos empapuçados de chorar.  irmão  Félix  obtivera meios  de  abrir­me alguma  porta.  buscando  o  aposento  dos  fundos..  Dona  Márcia. convicta de estar reafirmando para si mesma que atingira o ponto final da  tolerância. completamente equipado.  Ansiosa. Nada mais com Cláudio.  punha  o  fone  ao  ouvido.  Dona  Márcia.  Súbito.  carregada  de  escuros pressentimentos. Aspirava a nova  atitude. A  filha  adotiva  não  voltara.  esperava  que  o  dia  se  levantasse.  advogar a proteção de que fora incumbido.107 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 1  Quase cinco da manhã.  Com  certeza.  cansada  de  vigília. quando nos vimos na intimidade dos Nogueiras. e.  Tornei à sala. apoiava o cotovelo no travesseiro  e a cabeça na mão. Estirava­se de lado.  horas  antes.  mas  trancara­se. suspirava por desquitar­se.. Convertera a mágoa em nojo.  Varara a noite em aflição. Nogueira aí se despejara em cama de solteiro.  Consultei­a  mentalmente.  Alcancei­lhe  a  resposta inarticulada. silêncio. de pensamento longe. Não  desejava cenas. com ele. Se preciso.  procurando  noticias  de  Cláudio.  Chegara  tateando  paredes. ressonando. Na penumbra do quarto.  Ouvira­lhe  os  vômitos. fugir.  em  “baby­doll”. sem  alijar nem mesmo o paletó.  quebrou  a  linha  de  reflexões  em  que  penetrara.  esbarrando com os móveis.. embrutecidos.  porém. a expelir saliva grossa pelo canto da  boca.  desentranhar­se.  A voz de um homem simples repontou no auscultador:  – Estou falando com o “seu” Cláudio Nogueira? .  totalmente  embriagado. a  fim  de que me  fosse possível atuar. Inferira que ele tentara afogar o remorso em copázios de  uísque.  Telefonaria  para a residência dos Torres.. precavida.  Deixamo­la  engolfada  nas  alegações  negativas. Imprescindível atacar o problema.  Demorava­me na inspeção.  Queria  comunicar­se  com  alguém. Ambos largados.

  concluía  que  Félix  angariara  o  concurso  de  um  lixeiro  prestimoso  para  transmitir  a  notícia.  foi  sempre  amiga  de minha  mulher  desde  que  veio  para cá..  – Quero falar com ele ou com a madama.  preparando  o  terreno  que  me  cabia  encaminhar  ao  plantio  da  compaixão..  – Mas.  Estou  em  Copacabana..  – Está aí?  – Não está..  moça tão boa! Ela é que conseguiu lugar para minhas duas filhas na escola!... escornado àquela hora..  Dona Márcia receava cair em complicações.  – Agora?  – Há uma boa meia hora. Sou empregada.  Arremessou­se à cama e agarrou a própria cabeça.. a esposa de Cláudio abandonou o fone  e afastou­se.  – Ele está?  Dona  Márcia  reconhecia  de  todo  impraticável  o  ensaio  de  qualquer  conversação com o esposo.  ninguém  a  reconheceu. antes que o desconhecido revidasse. de minha  parte. Minha mulher é empregada no edifício da loja. como está ela?  – Dizem que morreu. terrivelmente chocada –  .  Mas  eu  conheço  Dona  Marita..  lixeiro. eu não sei como foi. a ambulância já levou..  Embora calejada contra as emoções.  A  interlocutora. a moça da  loja. prudente:  – Com quem estou falando?  –  Com  Zeca.  preciso  dar  notícia  de  um  desastre. acrescentou:  – Os patrões estão ausentes. Coitada de Dona Marita. na Avenida Atlântica...  – Diga aos patrões que ela foi atropelada. o caso é com Dona Marita.. atribulada..  – Que há? Diga.  – Morta! Marita morta! – refletiu.  experiente  demais  em  trotes  e  adestrada  no  jogo  das  conveniências sociais. enquanto. pressupôs estar em contacto com algum novo despropósito do  marido.. por favor. julgando  enlouquecer. e. e indagou. na hipótese de transpor as raias  do anonimato.  – Que desastre?  – A senhora é a dona da casa?  – Não sou. não está. entre as mãos.. positiva:  – Não..  – Onde? Como? Quando?  – Bem. mas trabalho aqui. e respondeu. mas posso dar o recado..  Ela  estava  sem  bolsa...108 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  – Na casa dele. . que há?  A senhora Nogueira sentiu­se traspassada de angústia.  – Mas o senhor tem certeza?  –  Tenho  toda  a  certeza. a vista disso. mas vi que era ela. aqui perto. pálida.  – Olhe – gaguejou o informante –. escute – Dona Márcia cortou as referências.

.  amigos de Marita. na  mesma tragédia. Ela própria afirmaria que concedera à jovem permissão para pernoitar em  casa  de  parente  enfermo..  Não  se  escravizaria. Assimilei­lhe os pensamentos de simpatia e fi­  la meditar nas tribulações de Marita..  Até  lá.  Entretanto. Não queria afundar­se em sentimentalismo. Cabia­  lhe preparar­se a fim de facear repórteres e fotógrafos. no entanto. E.  Inexperiente.  visitasse  a  morgue.  fantasiaria a história convinhável  ao  público. envergonhada.. Ambas as moças disputavam Gilberto.  mas  andava  cansada  de  dar  no  batente. chamasse.  Levantariam  a  hipótese  de  acidente... Assim que pudesse chamar o esposo a brios.  Dona Márcia ouviu mentalmente.  a  desventurada  menina  preferira morrer. com o mesmo homem. Ao recolher­me as sugestões.  Nesse entretempo.  e  a  mente  divagou.  inquirisse  funcionários.  em  matéria  de  questões  sociais  e  domésticas.. imaginou a  filha estendida no necrotério. procurara  a  morte.  se  lhe  fizera  detestável.  Nada  de  alhear­se  ao  destino  da  filha.  Os  chefes  da  loja.  inventariam  versão  plausível. refletisse nela.. depois que a filha se  casasse. apanhara Cláudio em desconcerto  flagrante..  Vinte  anos  antes.  O  suicídio!.  Se  a  outra  estava  morta.109 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Recordou o ultraje que a pobre menina experimentara naquela noite que o  dia  nascente  esfumara.  para  que  preocupar­se? Importava­lhe agora a filha. comoveu­se e chorou.  Reagiu  para logo. E agora  a  filha.  Indubitavelmente.  Recebera  um  convite  de  Selma..  despertaria  o  esposo.. implorasse.  Alguém  auxiliaria. A imprensa tomaria atenção. confessou.. como quem aguarda uma  bênção!.  Indispensável  maquinar  situações.  encontraria  a  criatura  que  a  Providência  Divina  lhe  pusera  nas  mãos. Decerto.  era  mãe. como sendo sua própria  filha.  crendo­se  piegas..  todavia. Marita..  Quando  a  manhã  se  adiantasse.  Ajustava  argumentos  por  dedução...  com  vista  ao  ajuste. sacudisse Cláudio...  Marina  aprumava­se.  desde  muito.  monologou.  a morte de Marita surgia por solução.  a  senhora  Nogueira  não  era  pessoa  que  renunciasse  a  peso  e  medida..  Efetivamente.  suportando inibições  e  contrariedades  por  um  esposo  que.  sucumbira.  qual  se  expulsasse  um  pesadelo..  nada  de  Cláudio.  Não  se  sentia  inútil. se interessariam pelos fatos. na suposição de que  falava consigo mesma.  recomendando­lhe  o  regresso  tão  cedo  quanto  fosse  possível para a obtenção de notícia urgente.  Do pesar ao cálculo.  Conversariam  seriamente. Telefonasse à Polícia..  Quem  saberia?  Talvez  que  ela  ainda  estivesse nas raias do fim a esperar­lhe as mãos piedosas.  Procurasse a moça..  em  função  da  felicidade  e  do  futuro  de  Marina... dentro da noite.  a  servidora  e  amiga..  para  infligir  à  filha  o  imperdoável  insulto. Afinal..  ouvisse  médicos. somente a filha..  Corresse  ao  Pronto  Socorro  da  Zona  Sul.  Aracélia.  Crescina  falara­lhe de encontro com Gilberto.  lastimava  Marita  e  enojava­se  de  Cláudio. que ela própria saísse à rua. mediaram apenas alguns instantes.  Os  Torres eram ricos..  combinariam  plano  certo.. esforçando­me por incliná­la à  compaixão. Se o  marido não estivesse em condições de compreendê­la.  Tudo  indicava  a  intromissão  dele  em  algum  arranjo  dos  jovens. Pensou no modelo azul com  que se apurava na representação a funerais e vasculhou a memória para saber onde  colocara. Era necessário sopesar prós e contras. Largasse o marasmo. distraída... talvez riquíssimos... intervim.  engenhar  detalhes. os óculos escuros.. .

  lesões  no  peritônio. Marita figurava­se em coma.  assistido  agora  por  dois  médicos  desencarnados. banhado pelo sol recém­vindo. precisa agora dos  préstimos de alguém que a ame infinitamente.  A  caminho.  recomendou­me  esperá­lo alguns minutos. o instrutor bateu à porta semicerrada.  Félix. Sabia­o interessado na proteção da moça. mas. na Lapa.  em  serviço  na  grande instituição socorrista.  quartos  de  aluguel. Você é também médico e não ignora que. Chegou a hora de esmolar para ela o  socorro dos que a feriram amando. notei  que  o  benfeitor. que eu conseguia apenas depois de  paciente elaboração mental.  auscultei  a  jovem  acidentada. rogava­lhe amparo.  Moreira  veio  atender. A ocorrência.  algo  desenxabido  pela  ausência  de  qualquer  resposta  que lhe  alimentasse  a ira  gratuita.  mentalmente.  Acomodada num leito de emergência.  sensíveis  alterações  dos  capilares.  em  terrível  depressão.  acompanhado  de  aperitivos  e  guloseimas  e. que o  benfeitor  recebeu  com  humildade. em súbita decadência física. se mantinha sereno. Marita..  transfigurando­se na apresentação. paciente.  assimilando­me  os  pensamentos  –.110 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  companheira de infância.  anoxemia. obtinha­a Félix com esforço ligeiro.. Sairíamos. às vezes.  Reconhecendo  que  Dona  Márcia  se  imobilizava.  Demandamos a residência de Cláudio. Na frente  um  café.  tornamos  à  presença  de  Félix  para  a  obtenção  de  roteiros  precisos.  que  jazia  inconsciente.  Félix  mobilizou  as  providências  cabíveis  e  rogou  aos  colegas  desencarnados nos substituíssem por instantes. em certas ocasiões.  Subimos.  ninguém  pode  fazer tudo senão Deus.  Félix  comunicou­  lhe o acidente.  em  silêncio.  de  vez  que  atingíramos  o  prédio  em  que  se  dependurava o ninho dos Nogueiras.  O instrutor assumira as características de um homem vulgar.  Acolheu­me.  Escassas  reações  dos  centros  nervosos.  é imperioso pedir remédio ao pilriteiro. . para negócio que considerava lucrativo. para socorrer um santo é  necessário dosar um veneno. Diante  da incredulidade com que era acolhido. apesar da tristeza que lhe velava o  semblante. desenrolou comprida fieira de insultos. Ouviu­me.  Enquanto  isso. à cata de reforço..  não  nos  era  possível  comentar  a  filosofia  que  enunciava.  De  posse  das  informações  de  que  me  fizera  mensageiro.  porquanto  de  tempo  não  dispusera  eu  para  a  metamorfose  necessária. Rápidos momentos  e imprimiu ao corpo espiritual novo ritmo vibratório.  Por que a transformação?  –  André  –  respondeu.  adensava  a própria  forma.  Quando  terminou.  nos  fundos. solicitou­lhe fizesse a gentileza de verificar  se a menina amanhecera no lar.  A  voz  do  amigo  carregava­se  de  pesar;  contudo. Na Terra.. renteando com Félix.  Os  esfíncteres  descontrolados  davam  passagem a líquidos e excrementos que empastavam a veste.  Qual aconteceu comigo na véspera.  em  digressões  esconsas.  Não  me  via.  como  qualquer  ser  humano estremunhado.  Após  reiterados  chamamentos.

  identificando  a  menina  sem  maiores  dificuldades.  Feito  isso.  As  condições precárias da moça exigiam repouso..  Seja  dito.  no  preparo  da  instalação  necessária.  deu  entrada no posto de assistência.  quinze  a  vinte  no  máximo.  pelo  visto. mas não recuperado.  Carrancudo. mas não despertaria o dono da casa enquanto não averiguasse a realidade.  Não  valeriam antibióticos.  numa  operação  que  nos  permitiremos  nomear  aqui  por  adição  de  força.  que  haviam  advogado  a  pequena  dilação.  a  cabeça.  na  esfera  física.. sob a pressão de Moreira e interrogada pelo  marido.  Cláudio  não  tardaria.  Desfrutaria  o  ensejo  de  aprontar­se  para  a  renovação. topando a moça.  informando­me  de  que.  Ainda assim.  que  não  se  registrara. semelhante a rocha que  se partisse de repente para revelar uma fonte. a moça  poderia  pensar  e  ouvir  com regularidade.  de  longe.  por  muito  tempo  ainda.  explicou  que.  sem  dizer  palavra. Desorganizara­se.  ladeou  o  instrutor.  aditou  ele..  segundo  lhe  era  lícito  ajuizar..  por  maior  fosse  a  carga. quando a criatura retida no envoltório físico  se mostra nos últimos lances da resistência. Dentro de algumas horas. comovidamente.  enquanto que Cláudio. Márcia e Marina talvez reconsiderassem caminhos.  as  mãos  dos  condutores.  O facultativo recém­chegado deixou o bancário no vestíbulo para efetuar a  inspeção. reaver  alguns recursos  da  sensibilidade  e  enxergar  imprecisamente;  entretanto. Márcia.  coçando  a  cabeça.  qualquer  desleixo.  sentia­se  reconhecido  aos  supervisores  espirituais.  junto  aos  colegas. .  e. Justo observá­la.  tomou  providências.  no  entanto. antes de  qualquer alteração suscetível de agravar­lhe os constrangimentos. Sentei­me.  mas  o  peritônio  sofrera  contusões  de  efeitos  irreversíveis. Que limpassem Marita.  desde  muito.111 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Moreira  correu  ao  interior  e  voltou. iniciada a laboriosa remoção que Cláudio e Moreira seguiram.  vali­me  do  socorro  magnético de profundidade que as circunstâncias exigiam.  cujos  resultados se destacam surpreendentes. que se lhe purificasse  o  ambiente.  impeliu  o sangue a movimento  retrógrado  e  surgiu  a  possibilidade  de  asfixia. liberara as informações de que dispunha.  Tempo  de  meditação.  preparo  valioso  ante  a  vida  espiritual.  Com efeito.  pendida  para trás.. quietação.  ali.  com  vistas  ao  tratamento  urgente  e  minucioso.  Cláudio.  Arrecadava­lhe o otimismo. que mesmo acreditada em coma fosse tratada com o máximo apreço.  permaneceria  facilmente.  Mais  alguns  dias  no  corpo  amarfanhado.  não  mais  contaria  com  o  centro  da  fala.  O  cérebro  seria  protegido. de maneira a  guardar aquele corpo abatido em meus braços.  Sim. o peito se lhe explodiu numa torrente de lágrimas.. mas.  E  depois  de  ligações  telefônicas.  determinou as medidas inadiáveis. envolvendo­o no meu próprio hálito.  seguido  por  médico  que  se  lhe  afeiçoara  à  família  e  que  conhecia  Marita.  tão  logo  a  vimos  ajustada  em  novo  leito.  quanto  pôde.  Marita  conseguira  pequena  moratória.  Rodou sobre os calcanhares e arrancou­se qual flecha. entregue à miserabilidade  orgânica.  para  que  a  Jovem  fosse  imediatamente  transferida  para  o  Hospital  Central  dos  Acidentados.  atenderia  ao  apelo.  Félix.  Transcorridos  pouco  mais  de  cinqüenta  minutos.  do  Flamengo  ao  estabelecimento de socorro público.  confortado.  Félix  controlou.  As  horas  finais  ser­lhe­iam  preciosas.  Naquele  estado.

 como que a  lhe perguntarem pela filha que a vida lhe trouxera.  Incoercível emoção me tomou a alma. vencido:  – Ah! Minha filha!.  a  fim de que Moreira me enxergasse os  exercícios.  Instintivamente. gritou.. o pai alisou aqueles cabelos despenteados...  ali. Os verdugos também pediam amor. aspirou o ar deteriorado que se lhe exalava  dos pulmões e.112 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Nesse  ínterim. com ele.  Perante a enfermeira impressionada. a fronte de Moreira vergou. trêmulo.  os  inimigos..  Cambalearam sensibilizados.  Félix  aconselhou  que  eu  me  adensasse  na  apresentação. Segurando a  moça inerme. Eles eram meus amigos.  Tanto  quanto  me  era  dado  perceber.  corrigindo­me  a  visão!.  Sim. tornou à infância e à mocidade.  me  insuflava  agora  um  enternecimento  que somente as lágrimas exprimiam!.  os  obsessores.  debruçados.  Orei. Lembrou as leviandades  primeiras. da filha e rompeu em soluços.  Enfileirou  na  imaginação  os  desvarios  sexuais  das  trilhas  percorridas.  rente  aos  meus  joelhos.  os  carrascos  que  eu  detestara  na  véspera!. mirou a face  e os lábios intumescidos por equimoses. à altura do peito.  tocado  de  aversão.... como se esmagada  de  sofrimento..  Cláudio abeirou­se.  Reconheci  que  a  Providência  Divina.  Irreflexões  do  passado  corporificaram­se­lhe  na  memória.. Minha filha!...  e  quando Nogueira  e  o  acompanhante vararam a porta do quarto em que a administração nos localizara... refleti  nos meus próprios erros e compreendi os propósitos da vida!. aflitos..  tentando  consolar aqueles dois homens que o remorso dobrava em tormento indizível.  em  seus  desígnios. Não!. sustentando­me em prece.  Aquele homem que me inspirava sentimentos contraditórios e de quem teria  desejado  distanciar­me.. Conservava a esperança de vê­lo  oferecer­se para manter a respiração da moça em boa ordem..  cada mulher de cujas fraquezas abusara repontavam­lhe na tela mental.  não  me  aproximava unicamente da vítima. .  com  a  mesma rendição dentro da qual Marita se me conchegava ao regaço. afaguei­os com a destra.. Cláudio ajoelhou­se e.  Cada  jovem  que  iludira. Em choro convulso..  Quase no mesmo instante.  empenhando­me na  consecução  do  objetivo...  aquela  hora  significava  para  ele  doloroso balanço de consciência. mergulhando a cabeça nos lençóis.. Eles não eram  os  estupradores..  E  a  prece  clareava­me  o  pensamento. pôs­se  Moreira genuflexo. o  vampirizador deitou­me olhar espantadiço.  contemplou a fisionomia de cera que a morte parecia estar modelando.  Ambos  jaziam....... meus irmãos!.

  Em  seguida. e me reconhecia o desinteresse em servi­la. em minutos breves.  temendo  embaraços.113 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 2  Confrangido.  Quis  saber  minudências;  contudo. a fim de que isolássemos o recinto.  falou.  que me empenhava em conservar. traçavam gestos no ar. jogada no asfalto.  devotava­se  a  ela. buscando o especialista. que me observava desde a chegada.  logo aparecesse oportunidade.  esclareci  que.  reportou­se  a  compensações.  abastecidos com os recursos necessários.  Entrementes.  Esperávamos  companheiros.  examinou  curiosamente  o  processo  pelo  qual  a respiração  de  Marita  era  auxiliada  e  pediu­me  instruções. não a deixaria na dura fase da desencarnação.  ali.  referiam­se  a  figurações despudoradas. Ficaria contente se ele me aceitasse o concurso.  bondoso. Colhera alguma experiência em  hospitais e poderia ser útil. Afeiçoara­me àquela menina que. e um  deles  chegara  ao  desplante  de  abordá­lo.  Apontavam  Marita  com  desprezo. afinal.  Félix  acercou­se  de  Nogueira.  administrou­lhe  energias de refazimento e. Não.  Estaríamos  juntos. avizinhando­se da  porta  e  acenando  com  asco.  roguei­lhe permissão para cooperar.  Em  dado  momento. Vira diversos irmãos desencarnados.  interpelou­me.  aclarou.  enviaria  cooperadores. Queixou­se.  assistira  ao  desastre e condoera­me daquela moça sozinha.  mas  sereno. . asseverando que voltaria.  indagando  quem  era  aquela  mulher  que  transpirava carniça.  Amaciou  o  tom  de  voz  e  disse  reconhecer­me. colheria informes seguros para nós ambos. fitava­me agora com simpatia.  Aquilo  passaria. sossegando­o.  prometi­lhe  que. após levantá­lo. sugerindo quadros obscenos.  Moreira.  Tentando  harmonizá­lo  com  as  exigências  do  serviço  que  nos  defrontava.  Queria  substituir­me.  Satisfazendo­lhe  as  perguntas. tomaria providências.  Conhecia  meios  de  auxiliar­me.  defender­me­ia.  Que  não  me  inquietasse. Cláudio afastou­se. era nossa  filha em espírito.  Tratei  de  consolá­lo. atendia à  manutenção da jovem. despediu­se. Contaria comigo.  com ardente afeição.  Respondi.  Sim.  E  com  tanta  diligência e humildade se colocou no meu posto que. com segurança superior àquela que me esforçava em cultivar.  ser­  me­ia companheiro fiel.  sem  querer. ao pé daquela jovem que a provação humilhava.  Moreira  comoveu­se  e  aprovou  a  idéia.

  Sensibilizado.  Nogueira passou do noticiário às súplicas. tocado no âmago.  a  peça  que  assegura  a  sobrevivência  do  náufrago. enlaçou­a com a dignidade de um homem  piedoso que socorre uma irmã. acalentando o leito.  à  busca  de  Cláudio  e  encontrei­o  em  compartimento  próximo.  tecnicamente  construído. empregando­se no trabalho de instilar­lhe energias e  reaquecer­lhe os pulmões com o próprio hálito.  Nogueira discou para a residência dos Torres. no entanto.  prestou  sucinto  relatório  da  apertura. tudo isso é problema seu.  Folgava  em  saber  que  a  filha  estava  ainda  viva.  Nogueira.  inclinava­se  a  crer  que  tudo  não  passava  de  episódio  sem  importância. para telefonar. mas se colocava igualmente ao dispor dele para qualquer  eventualidade.  Estava  de  saída  para a aquisição de linhas.  A  senhora. ele. destinadas à confecção de vários enfeites encomendados  por  Marina. se estivesse tão mal quanto o marido supunha.  insistiu. Cláudio.  Obedeceu  docilmente  e  guardou  nos  braços  aquele  corpo  amarrotado.  O  diretor  sossegou­o.  chamou  para  a  casa  do  chefe. para casa.  atirando­lhe  uma  frase  que  lhe  despedaçou as últimas esperanças:  – Bem. Seria conveniente que ela viesse  amenizar a situação.  Dona  Márcia.  desolado.  A voz inconfundível de Dona Márcia vinha do outro lado. Além disso.  também  era  pai.  Recordou  ao  esposo que  o  Rio  não  era interior  e  que doente  algum se podia dar ao luxo de contar com mais de uma pessoa. concluí que nem sempre é  o  salva­vidas.  Compreendia  a  emergência.  porém. O esposo falava. ao identificar­lhe a transformação. .  Se  a  Medicina  já  estava  em  cena.  Marina ainda não voltara.  desistia  de  aumentar  as  aflições que lhe inçavam a casa.  pintando  o  quadro  em  que  se  contristava;  entretanto.  indagando  sobre  a  concessão  de  férias  no  banco. quanto antes. na condição  de  pai.  impelindo  todos  os  constrangimentos  da  família  à  estaca zero.  salpicado  de  fezes.  em  que  era  constrangido  a  esperar  pelo médico.  Desacoroçoado.  Compreendia  que  a  moça  talvez  não  se  recuperasse;  entretanto. Declarou­se cansada de bobagens  e  arrufos  entre  jovens  namorados  e  afirmou  preferir  tricotar  a  fazer  adulação  para  uma filha que não era dela e que sempre timbrara em loucura e faniquito.  aconselhando  para  que  não  se  complicassem  com  despesas. mascarando de sarcasmo  o  desapontamento  com  que  recolhia a  informação  de  que  a  filha  adotiva  não  estava  morta.  Não  apenas  despacharia  favoravelmente a petição.  Fez  chiste. e sim o lenho agressivo que teimamos em desdenhar.  numa capital que excedia o tamanho de Babilônia.  Que  ele  ouvisse  os  médicos e removesse a menina.  que  se  transfigurara  num  fardo  de  dor.  O  perseguidor da véspera.114 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Procurei  adestrá­lo.  Melhor  encerrassem  o  assunto.  Retirei­me.  Marita  sempre  fora  exagerada  em  questões  de  sensibilidade.  gostava  da  ostentação  de  ridículo. Rematava.  sob traumatismo evidente; ela. não respondia fora da destreza mental que  lhe  conhecíamos.  Atendido.  a  senhora  encerrou  a  conversação.  Valia­se  do  intervalo.  de  sacrifícios  maiores  do  que  aqueles  que  já  lhe  sobrecarregavam  os  ombros.  por  instantes.  se  achava  lealmente  junto  da  filha.  eximindo  a  ela.  mencionou  compromissos  inadiáveis.

 em vista da pancada forte.  não  desejava  sobreviver. favorecer. Sentia­se  arrasado. Aquele Espírito que eu conhecera áspero e  agreste  amava  profundamente.  exigindo  reparação.  Enlaçava  Marita  com  a  veneração de quem se consagra a uma filha padecente para quem todos os cuidados  e todos os carinhos são sempre escassos.  Moreira e eu passamos a intimidade mais ampla.  De  minha  parte.  Se  Marita  morresse.  Daí a instantes..  humilde..  Lastimava­se.  solicitou  permissão  para  instalar­se  junto  da filha.  O clínico prometeu cooperar.  a  peso  de  sarcasmo  e  ingratidão.  Adotá­lo­ia.  pelos  movimentos  da  enfermeira  que  vinha  fiscalizar  o  soro  a  descer  no  braço.  Asseverou  que  era  cedo  para  um  pronunciamento  mais  claro.  parecia  alcançá­lo  pelo  túnel  da  consciência. Não se queixaria de preços.  O  corpo  injuriado  não  lhe  inspirava  repugnância. que se avalentoavam por bagatela. segundo os avisos médicos.  Ao  passo  que  as  reflexões  amargas  lhe  obscureciam  a  mente.  A  convicção  de  que  a  filha  tentara  o  suicídio.. qual lâmina esfogueada que se lhe enterrasse no peito. havida no crânio. submissos.  perguntava pela filha.  nos  escaninhos  do  tempo..  gota  a  gota.  A  genitora  de  Marita  que  ele  próprio  aniquilara. De quando em quando.  prescrevera  transfusões  de  sangue  e  antibióticos.  porque  é  preciso  amar  a  alguém.  Aracélia!...  Aqueles dois Espíritos. para sorver­lhe com alegria o hálito fétido  e acariciar­lhe a pele manchada  de excrementos.  aquele corpo abatido que a morte espreitava parecia encerrar­lhe o destino.  não  dispensaria  a  consideração  de  um  neurologista..  A  imagem  daquela  moça  inexperiente  da  roça  crescia­lhe  por  dentro. a ponto de não lhe importar nem mesmo a confissão de todos os delitos da  existência. onde Cláudio. .  O  médico  registrou­lhe  a  inquietude  e  compadeceu­se.  assomavam­lhe  agora  à  lembrança..  assinalava­lhe  o  devotamento  sincero. Afigurava­se­lhe o suicídio como sendo a válvula de livramento..  Delitos  que  supunha  para  sempre  esquecidos. passava uma das  mãos no rosto para enxugar as lágrimas. De  tantos  escândalos  escapara.  acusava.  O  silêncio  era  apenas  cortado.  na  hipótese  de  surgirem  complicações.  por  culpa  dele.  Não  fosse  a  resolução  de  recuperar  a  filha  prostrada.  Cerrar­lhe­ia os olhos e destruir­se­ia sem compaixão... Partira­se­  lhe  a  alma.  ou  aplicar  injeções.  taciturno.  Empreenderia  exames.  impassível;  entretanto.  O esposo de Dona Márcia trazia os  olhos marejados de pranto. advogava para ela o melhor tratamento.  os  propósitos  puros.  usaria  o  revólver  contra si mesmo.  estudaria  as  reações..  Conjeturava­se Nogueira às portas da loucura..  Nogueira  concordou  e. manifestavam­se  agora diferentes.115 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Tornando ao aposento onde Moreira velava. com  o  enlevo de quem preserva um tesouro imensamente querido  ao coração.  em  praça  pública. Marita foi novamente transferida de quarto.  Sobretudo..  de  tantas  proezas  se  ocultara.  raciocinava.  com  extremada  ternura.  de  vez  em  vez.  Mesmo  assim. entrou em conversação com o  facultativo de serviço.  requeimava­lhe o coração. pedindo­lhe contas!..  num  espetáculo  comovedor  de  paciência  e  dedicação.  colava­se  Moreira  aos  pulmões  da  triste  menina..

 o farmacêutico. não lhe era possível comparecer  no  hospital. aceitou a hipótese..  Ninguém para migalha de apoio.  Refletiu  no  suplício  moral  da  jovem  humilhada.  sofreando  os  soluços.  piorara  muitíssimo.  Que  o  pai  a  desculpasse;  entretanto. as horas assemelhavam­  se a correntes que arrastava no cárcere do remorso. Recordava­se.  Impossível pedir mais.  Cientificara­se  do  acidente  por  Dona  Márcia;  no  entanto. Ignorava quais os princípios religiosos de sua família; entretanto.  A sós com Nogueira.116 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  O dia avançava.  no arrependimento que lhe azorragava todas as fibras da consciência.  apreciava­lhe  as  gentilezas.  Evidente. a  filha  não  pudera  sobreviver  ao  insulto  de  que  ele  próprio  se  acusava. Calor.  Vizinho  da  loja.  esperava  que  a  ocorrência desagradável não passasse de susto. o visitante gentil.  buscá­lo­ia.  buscava  disfarçar. pormenor a pormenor.  Voltou  ao  telefone  e  procurou por Marina. possuía  um  amigo.  Estimava­lhe  a  lhaneza  de  trato. perfeitamente.  Teria ingerido os  soporíficos  que  lhe  dera  e. Sem dúvida.  o  senhor  Agostinho. e salientou que ele.  a  quem  poderiam  recorrer..  no  entanto. Intimamente. apresentou­se.  no  amparo  espiritual. em  vão.  Declarou­se  amigo  da  moça  acidentada. era o verdadeiro e talvez o único  amigo daquela criança que procurara a morte e que tudo fariam para reaver.  quando  obrigado ao lanche fora de casa.  O  farmacêutico  apiedado  arriscou  um  alvitre.  alguém  apareceu.  Às  cinco.  num  impulso  de  louvável  sinceridade.  beneficiariam  a  menina  prostrada. Afirmou­se sozinho.  Apenas  admitiu  que  se  via  na  obrigação  de  rogar o consentimento das autoridades.  A  noção  de  isolamento  agigantou­se­lhe  no  espírito.  A filha atendeu.  Aguardava­se­lhe  o  fim.  que  passara  a  considerar  igualmente  por  mãe. Palestraram..  Era Salomão. . Para Cláudio.  admitia  que  a  irmã  devia  estar  satisfeita  ao  saber­se  assistida  por  ele. sentiu­se o mais abjeto dos homens. narrou quanto  sabia. Três da tarde.  E.  partilhava  com  ela  o  café.  mesmo  porque  acreditava  tivesse  sido  um  dos  últimos  amigos  que Marita ouvira na véspera.  Se  Cláudio  permitisse.  Confessou­se  espírita  e  assinalou  que  os  passes.  Nogueira regressou ao quarto.  Nogueira  aceitou  com  humildade. esmagado pelo desânimo.  Confiava  na  prece. antes de se lançar ao gesto infeliz.  um  velho  que  solicitara  a  recomendação de clínico prestimoso. de lhe haver notado o pranto que ela.  identificando­  lhes  o  caráter  inofensivo.  sob  a  cobertura  da  oração. Não.  Abraçou  Salomão. e agradeceu ao  interlocutor. Cláudio ouviu.  a  qualquer  hora. Não lhe seria lícito recusar um auxílio que lhe era  oferecido  com  tanta  espontaneidade. chorando.  que  alguma  desilusão  recôndita  lhe  ditara  o  gesto  desesperado.  Dona  Beatriz.  certamente  que  se  projetara  sob  um  automóvel  em  disparada.  Aquele  desconhecido  confirmava­lhe  as  impressões.. diante da curiosidade e do reconhecimento do interlocutor. ninguém a entender­lhe o suplício moral. Surpreendera­se com a notícia do atropelamento e  deliberara  visitá­la.  concluiu.

  fitou  Marita. uma  filha profundamente cara. ministrou­lhe passes de longo curso com o  devotamento de quem lhe transferia as próprias forças. Agostinho ofereceu­  lhe  o  livro  que  trazia.  Cláudio  solicitou  a  presença  da  enfermeira  e. orou. sob o olhar penetrante de Moreira. entre Cláudio e Salomão.  a  respiração  desoprimiu­se  e  conseguiu  entrar  em sono calmo.  se  o  recém­chegado  o  reconhecia. .  E.  Nogueira espantou­se.  Compadecido. diante de Jesus invisível.  A  operação. e. Suplicou a bênção  do Cristo para a menina atropelada.  ele  mesmo  favoreceria  a  vinda  de  Salomão com  o  espírita  que  indicasse.  onde  se  alinhava  entre  os  clientes  mais respeitados.  Cooperamos com ele. em  se abstendo de ferir o regulamento da instituição. em que se encontrava um livro.  enquanto  a  serviçal  modificava a rouparia. e que. e que  lhe  era  apresentado  por  senhor  Agostinho.  às  oito  da noite. com as atenções de quem escuta a própria família.  ouviu  a  petição. não dava qualquer mostra.  saturada  de  agentes  reconstituintes  do  plano  físico.  freqüentava  o  banco. então.  Entretanto.  mas  também  com  o  sentimento  de  um  pai  afetuoso.  conquanto  não  lhe  desfrutasse  a  intimidade. qual se expusesse.  a caminho  do  desmonte para  verificações  finais. fora do quarto.  não  só  com  a  inteligência  do  técnico  que  observa  um aparelho.117 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  O  facultativo. Aquele homem. ali estava como em  sua própria casa.  Conhecia­lhe  a  posição  de  comerciante  distinto. em seguida.  Interessou­se  delicadamente  pela  moça  e  inteirou­se  de  todas  as  minudências do desastre. emocionado. que tudo anotava  como que sequioso de aprender.  Logo após.  que  lhes  atendeu  ao  chamado.  Homem  experimentado  em  angústias  humanas.  o  boticário  de Copacabana  entrou  com  o  amigo  que carregava pequeno pacote.  infundiu  grande  bem  à  moça.  e  prometeu voltar na manhã seguinte.  melhorando­lhe  a  condição  geral. de  que Nogueira jamais tivera contacto com princípios religiosos. Informado.  e  asseverou  que  Cláudio  dispunha do direito de prestar à filha a assistência religiosa que desejasse. que o saudava fraternalmente.  Relaxou­se­lhe  mais  intensamente  o  esfíncter  da  micção.  um  exemplar  de  “O  Evangelho  segundo  o  Espiritismo”. os três conversaram em saleta próxima.

.  aliás.  enquanto  que  ele  se  atormentava na  vigília  dos  réus!.  imbuído daquele amor.  sem  nada  perguntar.  Sem  o  apoio  fluídico  de  Moreira..  não  se  deixaria  enrolar  em  tapeações..  a  ponto  de  tocar­lhes  as  matérias  fecais..  Que  doutrina  aquela.  a  fim  de  perguntar­lhes pela fé em Deus. que a justiça resguarda na paz inviolável da  consciência.  Queria  agarrar­se a alguém. e recordou os dois homens abnegados que  lhe  haviam  trazido  alívio. refletindo. refletindo..  Além  disso.  na  simplicidade  bonachona  com  que  se  apresentava. Aquele vendedor  de  remédios  que  lhe  confidenciara  os  sucessos  da  noite.  Aspirava  a  sair.  a  honestidade.  lembrou  o  cigarro.  assim.  no  entanto..  Ele  que  jamais  se  aproximara  de  ensinamentos  religiosos.  mas dizia de si para consigo que não era mais o cigarro o objeto que desejava. reinstalado no aposento. apenas entremeado pela  respiração sibilante da filha.  Reconhecia­se  enfermo  da  alma.  Lá fora..  Se  fosse  unicamente  Salomão  o  interventor  inesperado!  –  pensava.  a  entrar  em  prece. num  quarto  de  hospital. A solidão asfixiava­o. com ele.  à  beira  da  sepultura?  Que  princípios  impeliam... que somente os pais conhecem nas entranhas do coração?  Fitou Marita que dormia.. o silêncio. acolhia­se agora a vasta série de porquês.  Conhecia­lhe  a  agudeza  de  raciocínio.. a alguma coisa. e talvez não se permitiria maior detenção no assunto..  parecera­lhe  excelente  pessoa;  entretanto...  agoniava­se  com  a  sede  de  algo.  Agostinho.  indagava  a  si  mesmo  se  não  era  igualmente  digno  de  piedade. Tinha fome de companhia. a noite de chumbo e.118 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 3  Nogueira.  lamentavelmente  embiocado  na  superstição.  Abafado.  Ambos  haviam  suavizado  a  opressão  que  lhe  supliciava  a  filha.  Naquele  instante.  Marita repousava no sono das vítimas.  agitava­lhe  o  espírito.  no  socorro  aos  infelizes...  gratidão  e  simpatia.  habitualmente  tratados  por  ele  com  manifesta  desconsideração.  possuiria  ocupações mais vantajosas em que aplicar atenção e tempo. Anelava inteirar­se de como conseguiam entesourar  tanta  crença.  cismarento –..  poderia  não  passar  do  crente  de  boa­fé.  inspirando­lhe. ensimesmou­se.  Comerciante  abastado  e  instruído.  correr  ao  encontro  de  Agostinho  e  Salomão.  um  homem  educado  e  rico  a  esquecer­se. calma. Singela raiz de confiança mantê­lo­ia à margem  da queda total!.  capaz  de  induzir  um  cavalheiro  dinheiroso.  náufrago  que  afundava  no  redemoinho  do  desespero.  chorando  de compaixão  por  arrasada  menina..  que  dedicava  todas  as  energias  à  moça  em  decúbito. .

  foragido  da  grade.  Que  ele  abrisse  o  volume  com  que  fora  brindado. O livro não lhe amaldiçoava a  presença.  a  tão  funda  compunção?  Se  tudo  na  existência  acabaria  em  animalidade  e  lodo.. Sentia­se outro. porém.  de  cujos  caracteres  idéias  esclarecedoras  e  balsâmicas  vertiam....  Carregava  a  dor  irremediável  de  haver  impelido  a  filha  querida  à  loucura  e  à  morte!.  Aquela  era  uma  doutrina  que  lhe  permitia  sentir  e  indagar  livremente. Aquele primeiro contacto com as verdades do espírito fendia­lhe.  que  razões  lhe  ditariam  o  suplício  moral.  aquelas  frases  que  ressumavam  brandura  e  entendimento.  aqui  e  ali..  sublimes.  A pequena mensagem concitava à tolerância e terminava rogando preces. O  cérebro  clareara­se.. esbarrou com um item sob  o título: “Caridade para com  os criminosos”..  todas  as  instruções.  ser­lhe­ia  companheiro..  lembrando  torrentes  de  água  pura. de alto a  baixo. selecionasse conceitos.  O  livro  conversaria  em  silêncio. que  não pintava os delinqüentes por seres infernais.  meditou  nas  maravilhas  da  caridade  e  nos prodígios da fé.  Não  retinha  a  menor  parcela  de  serenidade para ler com aplicação ao assunto..  sob  aquele  teto. Identificou­se à frente de um apelo à fraternidade e à compaixão.  Percebia  que  o  mundo  e  a  vida  deviam  estar  banhados  de  profunda  misericórdia.. daquele  modo.  que  lhe  inspirava  contraditórios  sentimentos?  Amava  tanto  aquela  menina  desventurada!.  na  posição  de  pai. mergulhado no livro. Sentia­se descoberto por tribunal invisível. desconsolado –  é imprescindível examinar­se. através das chamas imortais do Cristianismo que ali renasciam  para ele.  por  que  se  entregava.. junto daquela que lhe caíra sob o golpe aniquilador.  Leu  e  releu.  Relanceou  o  olhar.  tentou  reagir..  conjeturava.  se  Deus  não  existisse. Ainda assim.  com  suficiente  lucidez  para  analisar­se  e  pensar.  mortificado  de  sede.  de  vez.  através  das  legendas.  Que  condenações  enfileiraria  aquele  volume  contra  ele?  Merecia  escutar  a  própria  sentença.  Varara quatro horas.  Não  se  comprometesse  a  digerir­lhe.  Esquadrinhou  vários  temas. Aquelas sílabas invadiram­lhe o cérebro atribulado quais gazuas de  fogo.  Assimilou­me a indução e tomou a brochura.  Por  que  não  lograra  sustentar­se.. ausentes da órbita do Amor Divino.  As  lágrimas  borbotaram­lhe  mais  profusamente  dos  olhos!..  Insisti.  Aquelas  palavras  chamavam­no  a  razão. No capítulo 11º.  Os  dedos  nervosos  tatearam  o  índice. Sim! – monologou.  reconsiderando  o  próprio  caminho.  Acusava­se  incapaz.  chorando. os ponteiros marcavam duas da madrugada.  Consultasse  trechos.  mas  sabia­se  estuprador.  Procurou a folha indicada e oh! Surpresa!.  como  sendo  pai  carinhoso.  diante  da  filha.  Durante  o  dia  inteiro  fora  visto  e  acatado.  filicida. sem perceber... compulsando­a.  crivado  de  pensamentos  renovadores  que  lhe  suscitavam  ardentes  inquirições. reaquecendo­lhe o coração!.. Na própria conceituação. a benefício  dos que sucumbem na voragem do mal.  Quando olhou o relógio.  se não houvesse  uma  vida.  Adquiriu  conhecimentos  rápidos  acerca  da  reencarnação  e  da  pluralidade  dos  mundos.  a  cidadela  do  ateísmo.  Com  a  sofreguidão  do  sedento  que  atravessa  longo  deserto. qualificava­se por malfeitor.  atirou­se  aos  textos.119 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Sugeri­lhe  a  leitura.  qual  filho  no  regaço  de  mãe.  infenso  aos  impulsos  do  sexo?  Que .  além  da Terra.  Classificava­se  por  matador  e  achava­se  ali.  Respigasse  idéias....  ali.  inquieto.  Em  verdade.

  Obteria  uma  cadeira  de  rodas. a trouxera. que é o Amor Infinito. A sabedoria da vida restituíra­lhe o carinho.  Ainda  assim. ocultando o peso enorme  na  vastidão  das  águas.  expungindo  as  nódoas  da  alma; entretanto.  em  outros  lugares.  naquela  mesma  hora.  Aconchegá­la­ia. as próprias faltas.  Ser­lhe­ia  apoio. Indubitavelmente. Conviria frear o carro  dos  próprios  desejos  e  pensar. para.  já  conseguíamos  adicionar  compaixão à justiça. suscitando parada... teriam  vivido no passado.  em  seus  braços!  Teria  forças  para  carregá­la.  que  me  avistava  enlaçado  a  ele..  todos  os  caprichos  de  homem  rude  em  manifestações  de  amor  puro.  os  homens  imperfeitos..  que  lhe  sacudia  o  pensamento. mas sim em justiça  e  que  a  justiça  de  Deus  nunca  se  expressa  sem  piedade. padecido e chorado juntos!..  se  mantinha.  na  estrada  do  destino...  na  acústica  do  espírito.  que  me  viesse  substituir..  refúgio!..  Que  não  esmorecesse.  Naquele  momento.. a fim de  orientá­la com limpeza e abnegação!. mutilado.  porém.. implorava à Providência Divina poupasse Marita ao gládio da morte para  que não faltasse a ele o ensejo de reajuste e reparação!. de novo.  cioso  do  lugar  de  conselheiro  que  me  permitia  ocupar..  se  achariam  em  lutas  semelhantes?  Aquele  volume. por que motivo Deus. inclinando­o a iniciar.  apelei  para  Cláudio.  por  algum  tempo.  não  se  desculpava.  apelava  para  os  amigos  que vira partir!.  Confiasse.  Que  ele  meditasse..  conduzi­la­ia  a  qualquer  parte. Aquela devoção por Marita era para  ele comparável ao iceberg que mostra reduzido fragmento.  o  sol  diurno  que  chegava  sempre  novo!. através da paternidade.  qual  sinal  de  trânsito... transpúnhamos a escuridão da noite. em seguida. belas e  difusas.  Que  ele  se  afligisse.  Que  ela  ficasse!  Que  se  lhe  desse  oportunidade  de  transfigurar.  sem  problemas?  Quantos. ali mesmo.  sugerindo­lhe  esperança...  Que  levantássemos  todos  os  sentimentos para a renovação que começava!.  para  que retificasse os  erros  do  tirano  amoroso  que deveria ter sido em épocas passadas e as paixões cujos rescaldos lhe calcinavam  agora o coração. como o brilho dos raios de luz ao fundirem a névoa.  Ele  e  ela  remanesciam  de  experiências  anteriores...  Antes.  abatida  e  muda. que a deixassem mesmo  assim. .  Entrevendo  as  realidades  da  vida  Além­Túmulo.  ao  coração.  no mundo.  algo  lhe  dizia.  Moreira.. transportando no peito a angústia daquela hora. para o mundo. algemada a dominadoras alucinações afetivas. no  mundo espiritual.  pensar!.  com  ela..  como  a  inquirir  pelas  idéias  que  eu  lhe  insuflava.  Acolheria  sem  reclamar  quaisquer  obstáculos;  entretanto.  concluindo  que  se  nós  outros. haveria de exercê­  la....  que ele. que a filha vivesse e fosse feliz!.  Abracei­o.  endereçou­me  ansioso  olhar.  Reconhecia  ter  agravado  os  próprios  débitos. renascer na Terra..  junto  dela.  ali. se lhe cabia continuar. E.. ainda.  de  algum  modo.. Ele que se classificava pai criminoso expiaria. Cláudio..  ressarcindo  os  débitos  contraídos. a obra reparadora.  Compreendesse que a lei de Deus não se afirma em condenação.. Que se apiedassem dele e de Marita! que suplicassem a Deus para  trocar­lhe a existência pela dela.  no  sorriso  filial.120 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  forças o haviam arrastado até a condição do verdugo em que se aviltara? A idéia da  reencarnação  relampejou­lhe  na  cabeça.  Valia  interpretar o remorso por marca vermelha.. implacável? Ali. A alvorada não tardaria e.. As realidades do destino se lhe alteavam do pensamento.  Todos  atingimos  um  dia  de  reconciliação  com a própria consciência; que não desertasse da luz que lhe acendiam na marcha.  Quem  estaria  na  Terra..

 colaborar no auxílio à menina.  sem  que  a  mais  leve  tisna  de  fascinação  sexual  lhe  alterasse os sentimentos. lutava por ela.  ao  jeito  de  paisagem.  Moreira  fora  atingido  pelos  acontecimentos.  porém. o afago paternal instilou­  lhe  energia diferente  e  tanto  Moreira  quanto  eu  próprio  registramos.  fitava  o  semblante  da  filha..  se  não  quisesse  perder­lhe  a  companhia.  afirmando  que  o  cérebro  de  Nogueira  se  anulava.  quando  varrida  de  terremoto. desfechou­me  perguntas.  A rogativa desfaleceu na garganta que os soluços embargavam. em surdina:  – Perdão.  O genitor escutava­os. Daria o que tivesse para traduzir  aqueles  vagidos  de  criança  inconsciente.  Conjeturou. espontâneos.  no  resguardo  de  seu  próprio  interesse.  Moreira  retomou  o  trabalho  de  manutenção  da  jovem  prostrada..121 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  O bancário não vacilou.  Fundamente  enternecido.  Apresentei­os  ao  mantenedor  magnético.  Nenhuma  analogia  com  o  que  era antes.. Juntos por fora e distantes por dentro.  sob  a  tormenta  moral.  no  íntimo..  por  arrasadoras  comoções;  entanto. transfigurado em servo diligente.  Nisso. Perdão para seu pai!.  Ambos simpáticos.  revelava  o  desapontamento  semelhante  ao  de  um  pianista  que  surpreendesse o instrumento favorito com as teclas mudas. triste.  depois  de  muito  tempo.  naquele  instante.  Marita evidentemente não respondeu; no entanto.  o  gemido que ela desferiu. mas.  Patenteava enorme afeição por Marita.  surpreso. atormentado.  que  eles  exprimiam  padecimentos  físicos  inenarráveis  e  agoniou­se  em  choro  convulsivo. agora. ralado de angústia.  Mesmo  assim. dolorosos. no fundo. e veio abraçá­lo.  Acariciou­a com uma espécie de ternura que jamais experimentara.  Sosseguei­o. presto.  Confessava  a  si  próprio  que..  na  gentileza  característica  dos  corações .. Ombros unidos e  pensamentos  opostos.  Cláudio.  A  mente  do  bancário  emergia  daquelas  horas  reduzidas  de  estudo  compulsório.  enfadava­se  o  outro.. deixou  que as próprias lágrimas lhe orvalhassem o rosto e suplicou. que vinham. denotando sinais de retorno a si mesma. minha filha!.  pela  primeira  vez.. Em razão  disso. desligou­se.  Outros gemidos repetiram­se imprecisos. chegaram dois auxiliares. Intimamente comparou aquele afeto imaculado que lhe nascia ao lírio alvo  que desponta num charco.  caminhou  na  direção  da  cama  e  ajoelhou­se à cabeceira.  mas  não  tanto. Arnulfo e Telmo. O carinho impregnara­se nele de súbito  respeito.  certificara­me  de  que  ele  havia dado um passo adiante e de que o companheiro menos feliz deveria elevar­se  no  mesmo  diapasão  para  desfrutar­lhe  a  convivência.  cuja  posição  espiritual  reconheceram.  espantados. melindrado. mas notei que os dois amigos jaziam.  no intuito de propiciar­lhe reconforto..  O  ex­  vampirizador.  levantou­se. não escondia o  propósito  de  seguir  controlando  Cláudio.  perto e longe um do outro. Alarmado. porém.  Identificando  o  parceiro  tocado  no  coração  pelos  sentimentos  edificantes  que  a  leitura  lhe  sugerira.  de  pronto;  contudo.. da  parte do irmão Félix. ergueu­se.  Tremeu­lhe o coração. esperançado.

. desenxavido.  raciocinava  e  ouvia  com  relativa  segurança;  contudo. desditosa. revirado.. Intimamente.  Sabia­se  pensando  com  a  própria cabeça.  no  silêncio  de  aflições  inapeláveis.  Marita. dispnéica..  entre  dois  mundos.  a  entrevista  com  Gilberto  pelo  telefone  de  Dona  Cora. O corpo estatelado que lhe parecia de pedra.  Arrependia­se. veio­lhe a idéia  de  haver  esquecido  o  processo  de  articular  as  palavras.  qualificando­o  na  categoria de colega estimável. conturbada em serviços  de reforma que não pediu.  alusivas  a  mortos  que  despertavam no  túmulo. cujo corpo físico se decidia a preservar.  Rodearam­no  de  otimismo  e  bondade. sentia­se atônito. enquanto se lhe relaxavam os nervos tensos à pressão do sono que  lhe  impúnhamos..  cujos  pensamentos  mais  profundos  empenhava­se  agora  por  auscultar.  Aspirava ao repouso.  na  administração  dos  passes  balsâmicos. Apesar de  tudo.  a  seu  turno.  Compreendendo  que  não  lhe  seria  lícito  incompatibilizar­se  conosco. .  aplicou­se  com  mais  veemência  às  atenções  para  com  a  moça.  que  se  avalentoava  no  Flamengo.  com  iniludível  desgosto  a  se  lhe  estampar  na  fisionomia. De alma opressa.  Recuperou  a  sensibilidade  olfativa.  Marita  ali  respirava.  Moreira.  Acercamo­nos de Cláudio.  Acabava  de  viver  minutos  de  martírio  inominável.  admitiu­se  acordando  no  sepulcro.  Tudo para ele surgia deslocado.  memorizava. aquilo  ali.  porque  assimilasse mais amplo montante de força.  brandamente. supunha­se num transe  desses. no  crescente  desagrado  da  pessoa que contempla a agitação e a mudança de sua casa. mas ignorava agora os movimentos coordenadores da voz. reclamando socorro; no entanto..  aos  quais  o  paciente aquiesceu sem qualquer contradita.  de  modo  irreversível.  A madrugada abeirava­se do dia. dormir.. para que provocar o fim do corpo? – considerava.122 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  generosos. o desconhecido prestes a assaltá­  la.  aquele  irmão. Lançava ondas de azedia e amargura no sorriso amarelo.  Por Marita.  A  princípio. a corrida para o asfalto.  reconhecia­se  consciente.  os  comprimidos de Salomão..  Fatigada. Irritou­se.  Aliás  é  de  mencionar­se  a  sensação  de  alívio  com  que  Cláudio  nos  respondeu  ao  toque  sugestivo. Depois.  Sentia. a consciência ativa. Forcejava por gritar.. suportava as alterações.  Indispensável fazê­lo descansar.  Na  antevéspera.  lera  depoimentos  relacionando  sucessos  dessa  ordem e assistira a vários filmes de horror... envidaram todos  os esforços para não constrangê­lo com qualquer linha  divisória  de  tratamento. Entre o amigo que lhe fugia ao comando  e a jovem. Lembrou as  ocorrências  da  Lapa.  Recordou  os  acontecimentos  que  lhe  haviam  inspirado  o  propósito  de  morrer.  estava  hemiplégica. a queda sob o automóvel em movimento.  Se  a  vida  continuava.  estendida  ali  no  leito  que  tomava  por  ataúde. as percepções  aguçadas e a incapacidade de expressão.. acabou reassumindo o leme dos centros  cerebrais. o esforço desesperado para  fazer­se notar; no entanto. o sono à frente do mar.  Todavia..  simplesmente  à  face  da  assistência  que  o  esposo  de  Dona Márcia recolhia  de  nós.  não  aceitaria  tal  camaradagem;  todavia.  Moreira  a  tudo assistia.  percebia.  que  ainda  se  lhe  mantinham  à  disposição.  nada  enxergava  e  extinguira­se­lhe  a  fala.. sofreava os impulsos.. mendigava esmola de paz. sentia­se entalada por gargalheira de chumbo..  Ouvira  muitas  narrações..  observou­nos  o  cuidado.

 Mágoa e revolta.  De nossa parte.  no  âmago  do  ser.  surgia  naturalmente  muito  mais  vigorosa  para  ela. poderia precipitar­lhe a desencarnação..  se  fazia  suporte  psíquico  de  Cláudio  e  que  necessitava  de  base  moral  para  garantir  o  próprio  reequilíbrio. inquietos..  a  pouco  e  pouco. não era possível pressionar a menina acidentada. desoprimindo­se. sem  nenhum  canal que  lhe  extravasasse  as  agonias.  A  influência  de  Moreira. Marina a surripiar­  lhe as oportunidades.  anteriormente. sem a possibilidade de identificar­lhes a presença e.  imanifestos.  assim  procedendo..  que  diligenciava  encontrar  simpatia  e  adesão. ou quase a morrer?  Escutou  os  passos  da  enfermeira  de  plantão  e  registrou  a  respiração  sibilante do pai.  mas  igualmente  punha  a  perder  o  valioso  trabalho  de  recuperação  daquele  amigo  necessitado  de  afeição e de luz. Marina a roubar­lhe as afeições.  a  brutalidade  que..  Estaria morta – perquiria a jovem num misto de perplexidade e sofrimento  –. além das estritamente  necessárias ao seu sustento.  Insciente  das  complicações  que  gerava  com  semelhante  procedimento. Qualquer dispêndio de energias.  não  apenas  enredava  a  família  em  duras  provações..  por  minha  vez. em vão.  Não valeram ponderações que lhe endereçávamos.  notei  que  se  fixava  lamentavelmente em Marina. no sentido  de lhe sustar as lamentações..  que  Moreira  assinalava  com  acuidade  e  precisão.  em  que  relacionava  os  pesares  mais  íntimos.  invocava  desagravo  e.  Transcorridas  duas  horas  de  angústia  recôndita. reavivava os instintos de vingador.  Percebendo­se demitido da complacência do amigo que se lhe transformara  em  joguete.  fora  da  indulgência  e  da  brandura.  encontrou pasto robusto a nova desorientação.  tanto  quanto  a língua.  O  companheiro  desencarnado  que.  retomava.  dos  quais  não  tivera  ele  conhecimento.  a  filha  de Aracélia reconstituiu na  imaginação  as  aperturas  da  existência.  mentalmente. Fremia de impaciência. as lágrimas se lhe represavam no peito.  Aquela  desventurada  menina  desconhecia  os  poderes  do  pensamento. Marina a furtar­lhe as carícias maternas.  e  perscrutando­lhe.  A pretexto de auxiliar a protegida. sem poder conjurá­lo.  Por  mais  se  empenhasse a chorar. Exibia­lhe a figura na tela da memória como sendo a  inimiga imperdoável. petitórios e  indagações  esmaeciam­se­lhe. .. de espanto.  Descobri o perigo.  lhe  marcava  a  expressão.  Não  sabia  que.  Acusava  a  irmã por todos os infortúnios.  se  lhe figuravam desligados do corpo.  que  lhe  amimalhava  as  incriminações.  procurava­lhe  na  filha  motivos  outros  em  que  se  lhe  facultasse  permanecer atrelado à demência.123 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  debalde.  Esvaeciam­se­lhe as melhoras de espírito. Marina a subtrair­lhe o eleito  dos sonhos juvenis. de dor.  a  moça  como  que  se  aquietou.  até  então. tentou  pedir explicação para o cheiro nauseante que a cercava. ao  absorver­lhe  as  confidências mudas.  o  campo  íntimo..  Os  olhos.  O  ex­assessor  de  Cláudio.

 Dedicada  enfermeira  observava  a  senhora  prestes  a  mergulhar  no  grande  repouso.  Transferi  nossos  encargos  às  atenções  de  Arnulfo  e  Telmo  e  demandei  a  residência dos Torres. o único lugar para onde Moreira.. O irmão Félix sabia o que fizera e..  diante  de  Nemésio. encolerizado:  – Assassina!..  a  partir  daquela  hora;  no  entanto. enquanto o  sol da manhã se aprumava no céu. decerto rumaria..  restaurava em si mesmo a selvageria da fera sequiosa de sangue..  tal  a  extensão  dos  males  que  o  ex­vampirizador  seria  capaz  de  estender.  o  ex­  acompanhante de Cláudio.  Aturdido.  o  martírio  que  a  irmã  lhe  aplicara  durante  a  vida  inteira  e  insistiria  no  desforço. porém. Respondendo­nos  às  petições  de  calma  e  tolerância.  sem  a  menor  comiseração  pela  agonizante..  desde o momento em que renteara com a moça abatida.  que  não.  Ninguém  o  faria  renunciar à guerra pela tranqüilidade daquela que amava; alegava desconhecer.. socorrer.. que se acomodavam a pequena distância.  cochichava­se  a  medo. verifiquei que Moreira não se achava ainda aí.  em outro tempo. esperava a morte.  entretanto. acercou­se da filha de Dona Márcia e gritou.. incapaz  de  refletir  nas  conseqüências  da  própria  deserção.  Entrei.124 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  O  olhar  que  se  adoçara  de  compaixão. em coma.  readquiriu  a  lividez dos  alienados.. não me desequilibrara e nem desacertara em ponto menor.  reprimi­me. .  Sumiram­se todos os indícios de retorno à sensatez e à humanidade que patenteava. Embebendo­se  nos  queixumes  daquela  que  classificava  como  sendo  para  ele  a  mulher  querida..  Competia­me simplesmente trabalhar.  desrespeitosamente.  Na  casa  silente..  E.  Lágrimas  no  semblante  dos  servidores humildes. Gilberto e Marina.  Ao  vê­lo abandonar o serviço a que voluntariamente se impusera.  transcorridos  alguns  momentos. até  então.  o  recinto.  clamava  que  não..  Neves e outros afeiçoados do mundo espiritual rodeavam o leito...  se  desfez  para  logo.  Inútil seria qualquer tentame para reconduzi­lo à serenidade. A surpresa.  de  vez  que.  Dona Beatriz. com certeza.  Não!  Eu  não  detinha  o  direito de julgar o companheiro destrambelhado que se afastava de nós.  compreendi  que  o  ex­obsessor  convertido em amigo fora assaltado por crise de loucura e inclinei­me a considerar  se  o  irmão  Félix  não  errara  solicitando  a  permanência  de  Marita  no  corpo  desarticulado. a nosso ver..  penetrou. Assassina!. seguido por quatro camaradas truculentos e carrancudos.

 cujo corpo se consumia com dolorosa lentidão.  que  aguardava  o  momento  de  acolher  Beatriz. a propósito  de  preconceitos  humanos.  Neves  fitou­me.  de  nossa  primeira  visita  ao  Flamengo;  entretanto  ignorava  os  acontecimentos que nos apoquentavam. Pelo olhar de censura  que  nos  arremessou. desde a antevéspera. pedindo providências. Não formulava o pedido para que se articulasse a contenção deles.  mas  debalde.  como  a  rogar  socorro  para  não  explodir.  Supliquei­lhe  saísse.  na  poltrona.  Em  determinadas  terapêuticas. para o qual arrebanhara colegas infelizes. ao redor da dona da casa.  No ambiente espiritual.  Uma  das  senhoras  desencarnadas.  esforçando­se  por  esconder  a  indisposição.  numa  investida  sem  qualquer  significação. efetuando um ataque categorizado  por ele à conta de empreitada punitiva e justiceira. liberta. retirar­se­iam com ela os agentes da desordem.  sem  o  mínimo  descanso  no  decorrer  do  dia  anterior.  Marina  experimentou  irreprimível  mal­estar.  injuriando  a  dignidade do recinto. em  vias de partir.125 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 4  Debaixo  da  agressão. abordou­me.  irrequieto.  Ela obedeceu a contragosto. pressurosos. ao  passo que Gilberto trazia água fresca.  Nemésio  tomou  a  palavra.  Jogou  a  cabeça  para  trás. Esmolava tranqüilidade.  Empalideceu. silêncio.  Fosse  repousar.  Moreira  e  os  aderentes  despejavam  ditérios  e  obscenidades.  Sentia­se  sufocar.  o  pivô  da  desarmonia  era  Marina.  incapaz  de  ajuizar quanto às causas que impeliam o ex­conselheiro de Cláudio àquele gesto de  revolta.  atribuindo  o  desmaio  à  fadiga  de  quem  se  movimentara  durante  a  noite  inteira.  ali.  pai  e  filho.  não  se  pode  restabelecer  a  normalidade  orgânica  senão  removendo  o  centro  de  infecção  e. antes de telefonar para o médico. a senhora Torres estava nas derradeiras orações. Abeirei­  me  da  menina  carecedora  de  piedade.  Os  Torres.  Conhecia  Moreira.  Afastada a moça.  Não  teimasse ante a solicitação nossa em seu proveito.  Registrava  todos  os  sintomas  de  quem  recebera  pancada  forte  no  crânio. . depois de haverem burlado a vigilância mantida em torno da  casa. o impacto não foi menos constrangedor.  Aceitava  os  recém­chegados  na  posição  de  credores  da  maior comiseração; no entanto.  perceberam­lhe  a  vertigem e acorreram.  concluí  que  julgava  o  aposento  da  filha  invadido  por  malfeitores  desencarnados.

  Suspirei  pela  obtenção  de  respostas  que  enobrecessem  o  inquérito  mental  em preparo; contudo.  Indagava.  arrisquei­me a ponderar que Marina.  a  fim  de  esperar  o  médico  na  dependência  dos  fundos. bonita por  fora e devassa por dentro.  e  perguntou.  Marina  penetrou  na  câmara.  que  ele  apelidava  por  “aquelas mulheres”. renteou comigo e Moreira interpelou­me. encostou a porta e ajeitou­se no leito.  Moreira.  utilizando  palavras que colocavam em jogo a confiança com que me honrava. erguido por si mesmo à condição de  juiz. mas não desistiria da correção. cerrando os olhos. Mas não conseguiu.  Aspirava a dormir. com enérgicas  rabecadas.  declarando  que  não  era  covarde  para  incomodar  moribundos.  não  teria  tido . com manifesta vantagem para ela; no entanto. sem o travão da  autocrítica.  Marina. reportou­se. porém.  Ele sorriu e obtemperou que as apreciações não eram de todo desprovidas  de senso.  Relaxou­se. por ser franco e áspero.  desabrido. segurando­a.  O indesejável patrocinador de Marita.  em torno de Marita. prometendo que amainaria o desforço. descortês.  O bando.  Qualquer  fracasso  em  prejuízo  dela  seria  desastre  para  eles.  por  fim..  Crivou­me de objurgações repassadas de fel. acentuando que.  indicando  o  propósito  de  arrasar  em  mim  qualquer  simpatia pela contadora indefesa.  embora  debilitada.  Desafiando­me.  por amizade aos Nogueiras.  Não  me  cabia  reprovar  corrigendas. Queria saber de  minha  simpatia  pela  jovem  que  ele  hostilizava. e acompanhei­a. era filha de Cláudio Nogueira e  irmã  de  Marita. confessava­  se  agradecida  ao  destino  por  se  ver  livre  dela. não concordaria em que fosse massacrada. nos compeliam a retirá­lo.  Que  se  manifestasse.  quanto  àquele  suicídio comovedor. se não lhe assistia às bacanais entre pai e filho e por que  me interessava de modo tão especial por aquela a que ele chamava bisca.  insensível.  se  eu  não  a  conhecia suficientemente.  a  enunciar  o  meu  ponto  de  vista.126 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Pediu  licença  aos  amigos. não se considerava pior.  Indiscutivelmente. apesar de tudo. Compadecia­se da irmã – parafusava. desde a véspera. calculista –.  presumindo  monologar.  à  dama  que  nos  havia rogado  a  execução de  medidas  para  afastá­lo  do  quarto..  Ironizando­me a escassa inclinação à conversa. sobre a irmã hospitalizada.  pespegou  um  pejorativo  contundente  aos  ouvidos  da  moça  e  reclamou­lhe  a  opinião. aos  quais  tributávamos  ambos  calorosa  afeição. minhas esperanças se desvaneceram no nascedouro. e acompanhou­nos.  capazes de lhe fortalecer a vigilância.  Despachou os cooperadores. descansar. no entanto.  por  que  razão  as  entidades  veneráveis  e  amigas.  Indiferente  a  qualquer  idéia  de  companhia  espiritual. participou­me que ia submetê­la a interrogatório.  que  expusesse  o  seu  ponto  de  vista. quando ali deixavam Marina respirar  à vontade. para que eu lhe ouvisse o depoimento inarticulado e avaliasse o  caso por mim mesmo. recomendando aos quatro lhe aguardassem as  ordens no pátio lateral. deixou que os pensamentos lhe pululassem do cérebro.  conjeturou­se  tangida  pelos  próprios  pensamentos  a  lhe  buscarem  atenção  para  a  irmã  acidentada  e.  insolente.

  o  regozijo  com  que  cismava no infortúnio da outra; que eu não lhe podia negar a frieza de sentimentos;  que a minha palavra apoiasse a dele.  aclarando. como quem apaga uma luz e a reacende. não lhe cabia perder­se em  divagações.  Julgava­a  desequilibrada. .  fornecendo­lhe sensações de euforia.  sentia­se  aliviada.  no  intuito  de  arrancar­lhe  uma  declaração  indireta..  Dona  Márcia.  neurótica.  Quanto  mais  corria  o  tempo.  espontaneamente.  de  estranha  maneira.  parecer  que  formulava  apenas  para  com ela. na condição de  mãe.  Infantilizado.  Descobriria  recursos  para  desvencilhar­se  de  Torres.  inconscientemente.  asseverando  que  Marita não servia para casar. Que ela.  Aquelas elucidações. ser­lhe a mulher em  casa e mãe de seus filhos. a jovem do Flamengo seguiu pensando. memorizando. feriram Moreira nas últimas fibras.  porém.  em  ligação confidencial.  quanto  à  determinação  de  puni­la.  despendia  recursos  fluídicos  que  se  casavam  com  os  dele. Em razão de tudo isso.  O  próprio  Gilberto.  durante  a  noite. Retirava dela os estimulantes mentais  que  lhe  vigorizavam  a  masculinidade. assim desdobradas. Convencida de  que  o  rapaz não  a  desejava. ao reconhecê­la mais calma.  ao  que  se  lhe  referira  à  paternidade  anônima.  designou  Marina  com  um  nome  chulo  e  justificou­se.  Telefonara  para  casa. no silêncio.  cedendo­lhe  posição. que a Ciência não dispunha de meios para recuperá­la e que o  óbito  era  questão  para  daí  a  alguns  dias.  dos  quais  lhe  transmitira  os  mínimos  pormenores.  sim.  Entre  a  frustração  e  a  inconformidade.  esmagado  de  angústia.  pai.  Gilberto  fora  claro.  Pelos  tópicos  da  conversação  pelo  fio.  continuava  meditando.  Ela..  Marina. a qualquer momento.  o  médico  esclarecera  a  ela.  pelas  esquisitices  da  irmã.  com  maior  segurança  afiançava a si mesma pertencer ao rapaz. no mesmo grau de carinho com que se lhe  entregara.  diante  de  mim.  Pelo  jeito.  bradou  que  nós  ambos  víamos. efetuando sondagem. deduziram que Marita lhe imitara a voz.  juntos...  Não  se  resignava  à  idéia  de  perder  Marita..  Gilberto  inteirara­a  de  um  telefonema  que  recebera  na  noite  da  antevéspera. robustez.  e  se  a  outra  resolvera  sumir.  Desiludida.  Recomendara­lhe  nada  dizer  ao  marido.  semanas  antes.  Amava  a  Gilberto.  Confiara­lhe  as  impressões.  qual  se  aditasse. para viver sobre a Terra como qualquer ser humano. portavam para ele os efeitos de um  tiro. em momento oportuno; que eu lhe servisse de  testemunha.  alterando o cenário.  Nada  de  trote. optara pela renúncia.  no  plano  físico.  a  fim  de  sustentar  a  família. impressões marginais ao tema que Moreira lhe propusera.  nenhum  motivo  para  ralar­se.  preferira morrer.  se  premunisse  contra  emoções  muito  fortes.  no  transe que sobreviria.  quanto  à  opinião  aberta  que  expunha.  tanto  quanto  se  valia  habitualmente  de  Cláudio. diante do sofrimento..  O  facultativo  solicitara­lhe  atenções  especiais  para  Cláudio. Anelava desposá­lo.  Após ligeira pausa no pensamento.  Apenas  a  ele.  e  a  mãezinha  informara  que  Manta  ainda  não  havia  morrido;  contudo.  se  ela  própria  deliberara  desaparecer.  As notícias médicas.127 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  coragem  de  impeli­la  à  morte;  todavia.  perguntara­lhe.  O  filho  de  Nemésio  acreditava  em  sífilis  na  cabeça.  Marita  investigara­lhe  os  sentimentos.  colérico. Se o jovem Torres a amava.

..  Ao  sabê­lo  aprisionado  à  outra.  Você  matou  sua  irmã.  Manobrava­o  inteiramente. cortejara­o abertamente. Comprometida com Torres.  jazia  desarmada de conhecimento enobrecedor..  Enevoava­se­lhe  o  raciocínio. Ignorava­se  em  luta  com  uma  Inteligência  que  se  lhe  mantinha  invisível..  Agredida  sem  que  me  fosse  permitido  protegê­la. Julgava contraditar­se.  Ofegou em desassossego. Da  impassibilidade  ante  o  desastre  ocorrido  com  a  irmã.  Debalde  esgrimia  idéias.  sem  comprometer­se  na  superfície  das  circunstâncias.  transferiu­se  à  opressão..  Começou  a  refletir.  qual  se  alguém  lhe  varasse  o  pensamento. gerando a demência e invocando  a morte. Enlaçara­o com os dotes de inteligência. quando o esboço do lar futuro se lhe configurou na imaginação. à maneira da aranha  entretecendo o fio veludoso para cativar o inseto que se dispõe a devorar. até acender­  lhe na alma entusiasta o anseio de compartilhar­lhe sonhos e emoções.  Assassina!  Assassina!. diligenciei no silêncio. incólume.  O  jovem  saía de um cinema. amparando­a contra a chuva.  tentando  impugnar  o  remorso  que  se  lhe  infiltrava na consciência. tornara­  o  dependente. temia a loucura...  Ao  toque  do  inquisidor  que  lhe  vasculhava  a  cabeça. agarrara­lhe o coração. À medida..  aliás. o  inimigo lançava petardos de maldição e sarcasmo. Gemia em desconforto.  começou  a  imaginar  que  Marita.. porém. às quais aderia  por  saber­se  culpada.  O contendor desafiara a fortaleza...  nos  processos de sedução.  sob  novos  aspectos.  inexperiente  e  sincera.  entre  os  homens...  não  intentaria  o  suicídio. que o adversário martelava as censuras. apaixonara­se pelo  rapaz. Acariciava­o. recuando na trilha  percorrida para adotar direção diferente..  Você  nunca  será  feliz!. à mercê da força que lhe espatifava os recursos psíquicos. a  pedir­lhe  contas  do  proceder.  Marina. Tamanha a  doçura  daqueles  olhos.. conquanto lhes conhecesse.  a  jovem  experimentou­se invadida de estranho mal­estar.  mobilizou todas as energias para não desmaiar.  se  nela  houvesse  achado  uma  companheira honesta e piedosa. não se animara a fazer..  Rememorou  a  noite  em  que  divisara  Gilberto  pela  primeira vez.. sentia­se  derrotada.  requintara­se. proclamando­lhe as brechas. articulando agentes mentais de auxílio para  que  a  vítima  se  libertasse;  contudo.. .  a  menina. Convidara­o  a entretenimentos. presumia enxergar no filho os  atributos de juvenilidade que lhe faltavam. em companhia da irmã.  acerca  de  Marita. impunha­se.  a  benefício  dela  mesma.  escravo. as brechas existiam e.  Aquelas  incriminações  percutiam­lhe  fundo. Capricho ou afeição.  tão  grande  o  carinho  daqueles  braços!.  passou  a  perder  posição. manietava­o.  bastante  hábil  para  movimentar­se. por elas. através dele próprio.  estabelecendo  confrontos.  Em vão. se fosse inteiriça; entretanto..  o meu interlocutor arremeteu­se contra ela e bramiu:  –  Nunca!.128 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  No entanto. Instalara nele a necessidade dela..  Julgou  encontrar  Nemésio mais moço. pai. com que se advertisse.  em  verdade.  o  que  a  irmã. o  compromisso  oculto.  porquanto  a  minha  interferência  isolada  se  fazia  desaconselhável. ao temor. A fortaleza  resistiria.

 intimidado.  Falou  em  cansaço. porém.  Escarninho. porque me inclinasse a  defendê­la. enquanto que a jovem. e advertiu­me que quando o pai se retirasse viria  o filho e que eu perderia a graça e o latim de qualquer jeito.  Tivesse  paciência.  antes  que  se  desregrasse  na  crítica. em consideração a Cláudio. prescreveu­lhe  tranqüilizantes.  erguendo­lhe  o  ânimo.  consolou­a.  lembrando  jorros  de  água  que  a  broca  somente  consegue  arrancar. não ignorava que a consciência se debatia em pânico. diante de Nemésio que. que não me adiantava falar grego.  perguntava­se  pela  tranqüilidade  própria. veio em nossa direção e entrou no quarto.  porém. entremeados de compaixão e repulsa. que zombeteava.  ele riu­se  abertamente  e  comentou.  para  os  derradeiros  arranjos  do  casamento.  junto  de  todas  as  pessoas  em  distúrbios  do  sexo.  que não  tinha  vocação  para  capa  de  malfeitores.  à  vista  de  referir­me  à  hipnose.  que  se  regozijassem ambos.  apareceu  alguém  com  bastante  simpatia  e  piedade  para  desfocar­nos a mente.  Por  que  não  nos  conservarmos  à  porta.  O  remorso  figurou­se­lhe  trado  invisível  a  verrumar­lhe  o  crânio.  Era o irmão Félix. lançando frases ultrajantes. diante de obscenidades que  para ele possuíam nomes próprios.  Contava  com  ela  e  queria  fazê­la feliz. que  era  inútil  qualquer  tentame  para  largar  o  foro  íntimo.  Examinando  escrupulosamente  as  atitudes  que  assumira. retomou o choro convulso. o rapaz.  porém. Encantado. . e.  Constrangido a facear com a cena de ternura. galhofeiro.  Efetivamente. Que ela repousasse.  Convidei  Moreira  à  retirada.  indagou  se  me  falhava a coragem para conhecer Marina.  menina  recruta  na  guerra  contra  o  mal.  Nemésio  rogava  à  moça  tratar­se.  no  campo  afetivo. Nada além de mais alguns poucos dias e estaria em pessoa.  embora  se  acreditasse  suficientemente  sabida. inquietei­me por Moreira.  acrescentou  que  não  se  achava  ali  na  posição  de  carrasco.  que  lesara  a  si  mesma.  ao  tatear lençóis mais fundos. que não desamparasse a si mesma. Elogiou­lhe a pontualidade e o devotamento de enfermeira.  ao  subsolo. assistido pessoalmente pelo dono da casa.  Ele. quando o chefe da casa se retirou.  Quando  o  facultativo  se  despediu.  Marina. apanhou­a em crise de  pranto.  recomendou­me não  acusá­lo.  Lágrimas  abundantes  lhe  subiram  do  peito  aos  olhos. sem fundamentos de afeição  recíproca.129 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Perante  o  libelo  do  juiz  inesperado.  expendendo  considerações  ao  redor  da  paciência.  espantada. nos auxiliasse a proteger­lhe a filha.  aquiesceu  e  saímos. beijava­lhe o rosto molhado. Não obstante alegar que  nunca  se  acomodara à  alcovitice. tanto quanto ele.  resguardando­a?  Um  momento  talvez chegasse em que passaríamos a rogar­lhe concurso. asseverando  que  detinha tanta  culpa na  indisposição  da jovem quanto aquela que teria um bisturi na ablação de um tumor. junto dela.  Não  obstante  apreensivo. no  Flamengo.  Do  lado  externo. cansado da vigília  noturna. qual se aspirasse a sorver­lhe  as lágrimas.  que  nos  toca  exercer.  refazer­se.  desapiedado. no intuito de confortá­la e confortar­se. lhe arremessava olhares  de esguelha.  Pedi­lhe. francamente conturbada. trancou a  porta e se abicou.  verificava.  O  colega  endereçou­me  olhar  significativo;  contudo.  O médico.

. amarfanhada.  Escorada  por  Telmo. que volvera ao desequilíbrio sentimental.  se  afastara.  Ante as frases sinceras que o atingiam no fundo.  Acicatada  pelos  padecimentos  físicos. esperava por ele.  Averiguamos que o pedido de Félix não se alicerçava num artifício piedoso.  que  lhe  insuflava  energias.  dominante.  tudo  indicava  que  a  pobrezinha  entrara  em  regime  de  carência..  Cedendo  lugar  ao  recém­chegado  que  o  rendeu.  num  gemido  que  não  conseguia  articular.  o  ex­vampirizador  do  Flamengo  encontrava  enorme  diferença.  Moreira.  provocava  em  Moreira.  Quatro horas haviam escoado. Aumentara o mal­estar.  contundida. a fim de aliviar­se. meu amigo!.  sem  um  gesto  que  lhe  exprobrasse  a  deserção.. rico de forças.  Ainda  assim.  A  filha  de  Aracélia  gemia  sob  a  atenção  atribulada  de  Cláudio.  apelou  para  ele  com  absoluta confiança:  – Ah! Meu amigo.  pronto.  reconheceu­se  invadido  por  eflúvios  regenerativos  e  recordou.  Marita  não  lhe  assimilava  a  influência com tanta segurança..  Dores  agudas  lhe  mortificavam  o  corpo. simpatia e compaixão.  sensibilizado. lembrava um sapato novo e  precioso  em  pé  doente.  aos  cuidados  que  Moreira  lhe  oferecia.  fatigada..  que  a  observava..  verificou­se.  e  enterneceu­se. apoiando­a.  esclareceu  que  a  menina  piorara.  num  plano de sustentação. . O amigo. Telmo. Nossa Marita!.  que  o  tratava  como  de  igual  para  igual.  incontinenti.  Marita  ajustou­se.  A  sofredora  criança  necessitava dele.  azorragado  de  sofrimento  íntimo.  a  peritonite  instalava­se. E o martírio corporal que lhe transfundia todos  os  impulsos.  regressando  em  nossa  companhia  para  o  hospital.  alguma  desopressão. modificando­nos a tela de serviço.  o  primeiro  encontro  em  que  o  benfeitor  lhe  solicitara  colaboração  para  Marita.  mecanicamente. por sua vez.  Sem qualquer propósito de censura. é licito registrar que faltava entre eles  aquela  harmonia  necessária  às  crenas  das  rodas  de  engrenagem  determinada. o ex­assessor  de Cláudio  acudiu.  unicamente.  Entretanto.  ante  as  indagações  do  interlocutor.  Afligia­se.  de  imediato.  dava­me  a  perceber  que  se  inteirara  de  todos  os  sucessos  em  curso;  no  entanto.  onde  realmente a moça se estirava em situação lastimável.  agora. suarenta.  E.  abriu  os  braços  para  Moreira.  Félix.  à  feição  do  pai  que  reencontra um filho.  Desde  o  momento  em  que  ele.130 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Através  da  expressão.  Marita  não  dispunha  de  facilidades  para  pensar  senão  nas  próprias  dores.

  até  que  a  melhora  esperada autorizasse a medida.  A  Providência  Divina  abençoava  o  lavrador  bisonho.  a  seu  turno.  Desdobrava­se por dispensar à filha todo o carinho e toda a assistência de que se via  capaz.  Ele  mesmo. já conseguira se entender com  Agostinho.  Se  algo  distante  do  posto.  Por  essa  razão.  a  jovem.  o  irmão  Félix  veio  até  nós  e.  para  calar­se.  em  súbita  acalma. nem desencorajava qualquer providência  tendente a socorrê­la.  durante  alguns  minutos.  A esposa de Nemésio desligara­se. denotando  sofrimento agravado. custasse o que custasse. adquirindo mais amplos recursos de cultura espírita. após  felicitar  Moreira pela  tarefa que realizava. por algumas vezes.  ao  apoio  fluídico. participou­nos a desencarnação de Dona Beatriz. tendo achado uma criança.  O genitor não regateava cuidados.  permutando  impressões.  concordou­se  na  aplicação  maciça  de  antibióticos.  com  mais  segurança.  muito  tempo.  Falou­se  em  modificação  do  tratamento  e  na  conseqüente  internação  da  menina  numa  casa  de  saúde  em  Botafogo;  entretanto.  cujo  corpo  espiritual  se  revestia  de  inexprimível  suscetibilidade.  que  se  reconfortava  ao  identificar  o  resultado  compensador  do  próprio  esforço.  passava  a  gemer.  a  fim  de  entrar  em  processos  mais  eficazes  de  auxílio. enfim.  Chegada  a noite.  sob  o  patrocínio  de  Moreira.  propiciando­lhe  a  ventura de contemplar os grelos promissores das primeiras sementes do bem que ele  plantava.  orgulhava­se.  enquanto  seguíamos  de  perto  a  crescente  renovação íntima de Cláudio que.  compreendia  que  a  moça  se  lhe  afinava.  agora.  Moreira  sentia­se  útil.  tão logo o sustentador retomasse a posição.  Encontrava  motivos  para  conversar  conosco.  Cláudio.  não  se  circunscrevia  à  própria  transformação.  Assemelhava­se  a  um  homem  que  houvesse  debalde  suspirado.  pela  condição de pai e. .  a peritonite  desaconselhava  a  mudança rápida. conseguira com ela ocupar o vazio do  coração.  O  facultativo  amigo  trouxera  pela  manhã  um  neurologista. do corpo que o câncer combalira.131 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 5  No  entardecer  do  dia  imediato.  E  regozijava­se  com  isso.  Solicitava  esclarecimentos.  em  vista  do  desgaste  físico. a filha de Aracélia  repousava.  Adquirira  interesse  para  o  trabalho.

  Lustres providos de luz intensa punham à mostra a reduzida assembléia que  se habilitava ao velório.  comprometida pelo remorso. em  alegações destituídas de qualquer malícia.  nem  lhe  conferia  certificado  de  aviltamento  nas  idéias  recônditas. até que  restaurasse as forças. na direção dos Torres.  em  lágrimas  copiosas.  no  pátio  interno.  esbarramos com a moradia da família que a morte visitara.  Seguimos. Ele não via na filha de Dona Márcia a jovem corrompida que nós mesmos.  O irmão Félix.  para  apresentar­se  no  catafalco  de  luxo.  com presteza. porém. que as circunstâncias me exigissem algum pronunciamento.  Indispensável  protegê­la  contra  a  obsessão  começante.  O invólucro abandonado por aquela alma boa e veneranda recolhia atenções  especiais. Chorava. deu instruções.  ao  passo  que  ela  mesma.  mesmo  singelas.  Preocupava­se  por  Marina.  Invejou aquela cujo último sorriso de complacência ali se estampava sereno. no próprio Rio.  inconsciente. que encerrava. o instrutor convocou­  nos a tomar­lhe o rumo. à organização socorrista do plano espiritual. no feitio de um viajor atormentado que.  Reportava­se  a  ela. não hesitávamos enquadrar nas linhas da  prostituição.  se  asilava  nos  braços  de  irmãs  afetuosas.  inevitavelmente. tocada de dor sincera e inexprimível. credora de  veneração e ternura.  como  quem  menciona  terra  nobre  que  a  desídia  do  cultivador  entrega à serpente. que se preparara laboriosamente para aquela hora.  De jornada.  Entretanto.  Ao  fitar  aquele  corpo  hirto. Marina.  Antes.  Amarrotados  pelas  vigílias  consecutivas. assumindo o comando. desabafou­se. Afastara­se  Moreira;  no  entanto. naquela reunião  de etiqueta.  Aqui e ali. era uma filha de Deus.  sob  o  olhar  comovido  de  Neves e de outros familiares em carinhoso desvelo. conquanto discreto.  Nemésio  e  Gilberto  não  entremostravam  grande  pesar  nas  fisionomias  cansadas e impassíveis.  calada  e  humilde.  caiu  de  joelhos.  Perseguidores  gratuitos  e  infelizes  que.  os  arruaceiros  e  vampirizadores  que  ele  contratara.  quando  o  triste  retrato  físico  de  Dona  Beatriz  foi  trazido  ao  estrado  de  repouso  que  se  lhe  improvisara.  Entramos atentos. esperaria o futuro. A moléstia prolongada no reduto doméstico estragara­lhes a  resistência  para  a  representação  de  peças  sociais.  Referiam­se  à  morta. deveria ter ancorado no  porto do extremo refrigério. de modo a seguir viagem.  Os termos e a inflexão de voz do irmão Félix acentuavam­lhe a grandeza de  alma. a única pessoa ligada por laços de amor à piedosa dama.  Tudo harmonia nas disposições traçadas.  permaneciam  lá. Parecia. seria conduzida. Confiava nela. frases convencionais. na conceituação dele. atiradas sem maior sentimento aos ouvidos  do esposo e do filho da senhora desencarnada.  a  derradeira  página  da  existência  naquela  casa  que  a  fortuna  abrilhantava.  trariam  outros  para  tumultuar  a  vida  mental  da  moça.  não  ocultavam  a  própria  desopressão.  Marina  apareceu  em  pranto  de  compunção. qual se .  Beatriz. de há muito.132 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Verificada a estabilidade dos serviços em andamento.

 seduzidos pela tentação de repeti­los.  Os  derradeiros  afeiçoados  de  Beatriz. À frente do choro pungente.  cada  qual  desejando nela a companheira ideal para casamento próximo. rogava­lhe entendimento.  naquele  instante  conduzida  ao  refazimento. tanto  em Nemésio quanto no filho.  desde  muito  guardados  nos  armários  da  família. como se quisessem  traçar uma longa confissão.  depois  de  auscultar a verdade?. suplementados pela chacota dos próprios anedotistas. ao pé de  um esposo que a enganara sempre.  se retiraram. refletindo nos segredos da morte e nos problemas da vida.  As palavras soluçadas escapavam daquele peito juvenil...  a  fim  de que  se  lhe mantivesse  o  isolamento  do  licencioso  festim..  assinalei  a  falta  de  Dona  Beatriz  no  ambiente  caseiro.  Contemplava  o  envoltório  descarnado  de  Dona  Beatriz.  em  recente viagem ao estrangeiro. decerto que a senhora  Torres vê­la­ia agora sem o mínimo subterfúgio.. Um dos presentes  comentou.  era  o  próprio  remorso que se lhe alteava na imaginação.  e . Dona Beatriz!.  Ah! Dona Beatriz!.  entusiasta. perdão.  Transcorrido  algum  tempo  sobre  o  velório  em  si....  Félix  considerou que o desafogo lhe faria bem.  porém.  se  pudesse  falar.  Nem  mesmo  a  dignidade  que  a  morte  infundia  ao  recinto  foi  acatada.  os  espetáculos  debochados  de  que  fora  testemunha.  ambos  fitavam­na.  através  das  lágrimas.  O irmão Félix.  O  nível  dos  pensamentos  descambou  para  a  conversação  libertina. na versão deles próprios.  vagabundos  desencarnados nele tiveram acesso livre. acusando.  com  os  licores  aristocráticos.  praticado em  nome  da  solidariedade  afetiva  perante  a  morta.133 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  estivesse satisfeita por deixá­la no lugar que ocupara. sentia medo.  no  propósito  de  auxiliá­la;  entretanto. inquieta –. ali.  Se a alma sobrevivia ao corpo – pensava.  O  afastamento  da  filha  de  Neves  e  dos  amigos  espirituais  que  lhe  freqüentavam  a  companhia  deixara  a  vivenda  qual  praça  desarmada  de  quaisquer  recursos que lhe garantissem a ordem. recomendara se aplicasse.  não a enfermeira espontânea e sim a mulher que lhe dominava o esposo e o filho.  por  fim. E.  discretos.  Naquela  mesma  noite. suscitando o interesse de vampirizadores que ouviam  as narrações..  Não  contentes. fatigada de insônia e desgastada pela ação dos obsessores que lhe  exauriam as forças..  enternecidos.  Marina..  rapidamente  gorgolejados por gargantas sequiosas.  jazia  inacessível  às  complicações  da  sociedade  terrestre.  Que  diria  aquela  boca  silenciosa  para  ela... acusando.  exprimindo  reconhecimento  nos  olhos.  A mágoa da jovem provocava simpatia nos circunstantes e despertava.  Atemorizada.  em lugar  dela. durante tantos anos.  Relatos  jocosos  irromperam.  beberrões  encarnados  e  desencarnados  impeliram  Nemésio  à  encomenda  telefônica  de  vinhos  e  uísques.  Beatriz. à matrona  desencarnada. sem a menor suspeita. Certificar­se­ia de que ela fora. prevendo a leviandade.  Acercamo­nos  da  moça. no  plano  espiritual. novos motivos de atração.  quanto às convicções um do outro. recursos  anestesiantes.

  como  que  temendo  acumpliciar­se  em  alguma  ligação  indesejável e prematura entre os jovens. Que Marina permanecesse  orientando as servidoras  que  lhe  atendiam  a  casa. com aquele  efusivo  atestado  de  garantia  moral  que  Nemésio. insistiu com a interlocutora para que lhe acolhesse a  visita.  Somente no dia seguinte. Informa do de que o chefe  da família Nogueira não  poderia afastar­se do hospital.  até  então.  em  dado  momento. em toda a extensão.  estimaria  ouvir  a  família.  Fugia  de  todos. fazer planos. Se recebia Nemésio ou Gilberto.  Ele  próprio.  aspirando  a  expor  respeitabilidade  familiar.  vitoriosa  em  todas  as  partidas.134 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  nós  mesmos  não  tivemos  outro  recurso  senão  largar  a  residência.  pressentia  a  aliança de Nogueiras e Torres pelo casamento entre os jovens.  não  era  capaz  de  penetrar  a  sutileza  da  esposa  de  Cláudio.  por  toda  a  habitação.  não  vacilava  confiar.  Escoados  cinco dias de apreensões.  lhe  oferecia.  Tencionava  levá­la  a  Petrópolis.  entretanto. porém.  definhava  no leito.  Marina.  Em  cada  frase  que  o  chefe  lhe  deitara  de  longe  aos  ouvidos.  para  isso. feliz.  com  mais  clareza. não atinava. Chorava.  Mais  algumas  semanas  e  tudo  se  aclararia  satisfatoriamente.  relegando  os  despojos  da  nobre  senhora  às  grossas  nuvens  de  emanações  alcoólicas  que  instalavam.  Doía­lhe  a  deslealdade  que  cultivara. apaixonado bastante pela  moça. pai. caía em crise de pranto que os  conselhos não removiam e nem os medicamentos conseguiam sedar.  Estivesse  tranqüila.  por  severa  guardiã  das  virtudes  domésticas;  e  a  senhora  Nogueira.  Trancara­se  no  quarto.  Pretendia  homenagear­lhe  a  dedicação. nervosa.  honrada  com  a  gentileza.  Aquiesceu lisonjeada.  rogando­lhe  permissão  para  um  entendimento  pessoal.  indagou  se  Gilberto  iria  também.  depois  do  socorro  a  Marina.  que  assim  se  exprimia no intuito  de  fazer­se  passar.  alta  madrugada.  culpava­se pelo desastre que arruinara Marita. a quem não tinha coragem de visitar  ou  rever.  Dona Márcia louvou a medida. onde a filha de Cláudio se demorava.  A  senhora  Nogueira.  mas. .  Dona  Márcia. A menina tombara em prostração.  entre  mãe  e  filha.  automaticamente.  examinavam  a  nova  situação. voltei do hospital ao ninho  dos Torres. acabados os funerais.  Ela  que  se  vira.  Dona  Márcia  reclamava  o  regresso. Nemésio.  Ouvia  vozes.  sentia­se  derrotada.  no  Flamengo. na manhã seguinte.  explorada  nas  próprias  energias  pelos  agentes  da  perturbação  que  Moreira lhe  pespegara. diante  dele. solicitando­lhe concessões.  A  moça  seguiria  exclusivamente  com  ele  e  uma  governanta.  Telefonemas  diversos.  atmosfera  dificilmente respirável.  renovação de paisagem.  enfadada.  pedindo­lhe confiança.  incessantemente. Nemésio telefonou para Dona Márcia. à feição de contendor arredado da arena pela própria imperícia. à face dos sacrifícios que  lhe  exigira  a  esposa  morta.  Nemésio  desejava  que  a  secretária  lhe  amparasse  a  moradia.  Marina  andava  abatida. Mais ninguém.  diante  da  filha  de  Neves.  aguardando  Gilberto  para  genro  e  ignorando  a  intimidade entre a filha e Torres.  com  a  permanência  de  alguns  dias  no  clima  serrano.  Mudança  de  ares. agradeceu.  chamou  Dona  Márcia  pelo  fio.  declarava­se  perseguida  por  vultos  estranhos.

  No momento aprazado...  não  sou  mais  uma  criança. o senhor para nós não é somente o diretor da  firma em que ela trabalha.. Sou mãe. finura de trato.  varavam­lhe  a  cabeça.. no tempero de ternura com que eram  ditas.  Creia  que  a  mudança  de  ares  é  a  terapêutica  adequada.  – Muito mais do que isso!.  – A senhora descanse – recomendava Torres. o senhor  sabe..  –  Oh!  Mas  não  se  preocupe.  conversa  vem. excedeu­se em trabalho. apesar  de adotiva. é para nós um pedaço do coração. estranhando o lume  daqueles olhos percucientes que lhe investigavam as reações –; no entanto...  diante  das  frases  que  articulara  intencionalmente  reticenciosas. assim. a entrevista ficou marcada para o dia seguinte. admirando­lhe a personalidade..  A  senhora  Nogueira  estremeceu.  Moléstia  de Marita.  Cumprimentando  a  anfitriã bem­apessoada num modelo de algodão transparente e suave..  hortênsias  azuis. Enquanto sua esposa estava de cama.. eufórico –.  aguardando  que  ele  lhe  fornecesse  alguma  esperança  positiva  no  enlace  próximo  dos  filhos?  Sem  querer. a  permanência de minha filha em sua casa era justa.. assumiriam o aspecto inconfessável que  o marido lhes conferia?  “Muito mais do que isso!.  cansaço  de  Marina. tenho o marido ocupado com a outra filha que.  Os  passeios  e  divertimentos  do  abastado  comprador  de  imóveis com a menina.135 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Mesmo assim.. Otimismo irradiante.. Uma viagem.  O  negociante  quedou  agradavelmente  surpreendido.  de  modo  algum;  afinal.. um  pai. à vista  do  luto  em  que  os  Torres  haviam  entrado. Apontamentos ao redor das aperturas da  vida.  Que  projetava  dizer  o  entrevistador  com  semelhante  afirmação.. Além disso.  Comodamente  sentados. antes de aditá­lo a processo curativo em andamento.  Nemésio. comentava todos os assuntos  propostos. A pobrezinha merece repouso.  – Sim. pesar diante do acidente ocorrido  em  Copacabana. Marina seguirá em  minha  companhia. Sei que Marina não  se encontra no convívio de estranhos..” Aquelas palavras..  Dona Márcia..  tudo  em  ordem. como quem  estuda ingrediente perigoso. não sabia se a  progenitora era uma segunda edição da filha ou se lhe cabia interpretar a filha por  segunda edição dela. com aprumo de inteligência. mas agora.  Enfeites  discretos  na  sala.  a  viagem  a  Petrópolis  surgiu  à  tona  e  o  diálogo mais vivo desenrolou­se entre aquela que o visitante esperava para sogra e  aquele com quem a interlocutora não contava para genro. acompanhamos Nemésio ao Flamengo. Elogio a parentes. com requintes de apresentação.  Acordavam­na  para  a  realidade  que  nem  de  leve .  nas  suspeitas  de  Cláudio. encantado. conjunto de peças em roxo para o café.. que ela admitira fossem apenas motivos de consolação para  um velho sofrido. mas o senhor compreende.  tornou  a  refletir.  a  palestra  começou  pela  troca  de  sentimentos  recíprocos. à pressa.  – Não tenho objeções – acentuou a genitora de Marina. Pêsames pela morte de Dona Beatriz.  A recepcionadora não esqueceu particularidade alguma do bom­tom.  de  escantilhão.  Conversa  vai. fumava e sorria. o senhor para ela é também um amigo.  Devotamento  de  Cláudio  pela filha hospitalizada. um protetor..

  Tremeu.  desse  modo.  Nemésio sorriu.  Enlutara­se.  Os  olhos  conquistadores.  Marina  é  credora  de  minha  melhor consideração.  pai..  A  senhora  Nogueira  sentia­se  perplexa.  descobriu  no  viúvo.. . afável:  –  Bem.  na  elegância  daquele  Brummel  amadurecido  e  circunspecto. Quis falar. Estou certo de que a senhora é dama de nossa época.  Conhecia Gilberto em pessoa. atirada para trás.  se  no  inusitado  da  situação.  no  tempo  dos  mártires;  no  entanto. de alto a baixo. Nemésio  copiou a doçura de  um  menino  e  confessou­lhe  o  próprio  romance.  cujos  lucros  eram  satisfatoriamente  compensativos. sem que ninguém a incomode. inventando uma saída brilhante.  ao  saber  que  Marina  em  meu lar  faz  o  que quer.. conservasse o segredo perante o marido.  E.  Ante aqueles olhos dominados de assombro.  É hoje  dona  de nossa  absoluta  intimidade..  Ainda  assim.  se  na  sagacidade  da  filha.  eu  não  tenho  uma  filha  namorando. que ele interpretava por júbilo  materno. solicitando­lhe auxílio.  esboçou  um sorriso brejeiro e falou.  atrativos  marcantes.. em matéria de ligações  afetivas. Excessivamente humana para não examinar o jogo em  que se encontrava sem conhecer exatamente a posição que lhe competia na defesa do  próprio  interesse.  em  se  reportando  à  independência  que  Marina  usufruía.  diligenciava  chegar. Mesmo assim.  se junto  dele  ou  se  junto  do  filho. mas engasgava­  se. recompôs  as  energias.  esmagada. ela  vem  desfrutando  a  maior  liberdade  em minha  casa.  não  se  dispunha  a  acreditar. salientou os negócios  da  imobiliária.  aspirava  ao  matrimônio. deixando­a quase a estatelar­se de pasmo. Esteja convicta de que... gostaria que o senhor fosse mais explícito. perturbavam­na.. gasta o que quer..  para  os  empreendimentos  de  maior  vulto. e observou:  –  A  senhora  não  tem  razões  para  afligir­se. aliás. como sendo um rapaz notável;  entretanto. suscetíveis de impressionar favoravelmente qualquer moça desprevenida.  fisgando­o. atribuindo­lhe a emoção ao  contentamento de mãe que se  garante.  mas.. classificando­o.  Num  átimo.136 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  pressentira. sem clausura e sem  preconceitos.  Hábil  o  suficiente  para  não  se  arriscar  a  qualquer  apreciação  capaz  de  arruinar­lhe  vantagens  futuras.  Amava­lhe  a  filha.  que  o  velho  ganharia  do  moço  em  qualquer  torneio  de  sedução. receava agora.  empregou  toda  a  sua  curiosidade  feminil  no  rico  negociante.  o  tributo  social  desapareceria.  concluía.  relacionou  parte  da  fortuna  que  amontoara.  em  breves  semanas. Dona Márcia. Rendera­se­lhe ao  entendimento afetuoso e extravasara o coração.  embora  manejasse  capitais  alheios.  Não  se  agastará. quanto ao futuro da filha.  Reconhecia­se  excedida em astúcia. Ela que se orgulhava de experiências avantajadas.. liberta.  Dona  Márcia  escutou  as  alegações  com  deferência  e  inferiu  que  Nemésio  lhe estimava a filha desinibida. nestes dois  meses de trato diário.  ali.  Que ela.  Não  lograva perceber  em  que  situação  o  cavalheiro  a  desejava  mais livre.  Enumerou  seis  dos  melhores  apartamentos que possuía. desconcertou­se.  a  juros  módicos.  Não  sabia  em  que  pensar. dorme onde quer. alugados em condições excelentes. ficou sem saber onde Torres..  que  supusera  arcaico  e  patriarcal.  Impossível!  impossível  que  Marina.

  um  partido  para  desprezar.  já  não  havia  lugar  à  esperança. a senhora Nogueira aceitou e.  A que estouvamentos se entregara Marina.  Cláudio  não  compreendia  a  gravidade  do  problema  e  ainda  sonhava  com  o  reerguimento  da  moça;  entretanto.  a  caminho  do  hospital.  Aquele  homem  lhe  mencionava  a  filha.  Quando  se  dispunha.  Como  estaria  o  rapaz.  como  também  aproveitaria  o  ensejo  para  cumprimentar a jovem acidentada e levar um abraço pessoal ao pai de Marina.  inquieta. ..  porém. arrebatado à outra?  Mulher  experiente.  a  mergulhar  no  assunto. um amigo e familiar. imobilizando um sorriso complacente no rosto.  por  vezes.  Assustada.  não  atrasasse  a  visita. dispensava para ela quaisquer  circunlóquios.  Intervalo  providencial  que  lhe  modificava  o  pensamento.  não  na  expectativa  do  admirador ingênuo.  Satisfazendo­lhe a solicitação.  chegasse  a  conclusões  tardias  quanto  ao  esposo  e  à  filha.  com  as  aparências  de  um  casal  elegante e feliz. rolando sobre o asfalto para uma visita de cerimônia. antecipadamente. formulada dias antes.  Reportou­se  à  peritonite.  no  entanto. ofereceu­se para conduzi­la até o leito da filha.  que  Nemésio  se  viu  forçado  a  correr  de  um  lado  para  outro.  em  seu  conceito.  Se  desejasse  vê­la  com  vida.  imaginou  a  posição  de  Gilberto.  conquanto.  que  as  qualidades  de  Nemésio.  nele. a breves instantes. que procedimento adotara perante o jovem.  A  inflexão apaixonada com que o viúvo esmaltava cada frase.  a  tal  ponto.  conferindo­lhe  tréguas  para  analisar  os  episódios  em  curso.  à  caquexia.. Explicou que usufruiria não  somente  a  satisfação  de  acompanhá­la. os dois  se  punham  de  automóvel.  Inteirando­se  do  que  ocorria. participava­lhe a piora  de  Marita. alterando­lhe os  rumos?  Inferindo.  a  fim  de  ampará­la.  às  feridas  que  haviam  surgido das contusões. mas sim com a certeza do amante consolidado.  Se  empolgara  o  próprio  chefe.  A  campainhada  valeu­lhe  por  desafogo. ouvia tudo. em aviso confidencial.  ao  processo  renal.137 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Em  fração  de  segundos.  o  telefone  chamou.  Dona  Márcia  agradeceu  e  fez­se  pálida. aflita. no lar dos Torres? – conjeturava.  não  se  enganava  sobre  as  ligações  que  Nemésio  intentava  esconder  na  conversação  deleitosa.  cínico  amadurecido. que  considerava. no momento em que as  flores no sepulcro da morta não haviam emurchecido.  não  eram.  em  matéria  de  inclinação  e  conduta.  com  os  cabedais  financeiros  de  que  se  seguiam.  enredando­lhe  o  espírito  nas  teias  de  lamentável alucinação.  Era o médico amigo.

  Torres.  Recebeu­lhe  o  amplexo  franco.  o  desconforto  íntimo.  mas  Dona  Márcia  desconversou.  Enquanto  o  automóvel  chispava.  para  não  dar  ao  pai  de  Gilberto  a  impressão  de  que  se  dispusera  a  vir  até  ali  pela  primeira  vez. respondia­lhe  às perguntas calculadas.  ao  retirar­se  humilhado  de  recintos  alegres  para  não  agüentar  desacatos;  entretanto. Num  átimo.  momentos  antes.  Sofria  demais  para  escolher  discutir  e  aprendera  o  suficiente.  que  ele  conhecia  tão  bem.  O  médico.  notificou  ter  avisado  Cláudio  quanto  à  possibilidade  da  surpresa.  entre  sóbrio  e  atento.  À  vista  daquele tipo galhardo.  os  recém­chegados.  de  vez  que  refletia  naquilo  em  que  não  queria  pensar. ao facear com Nemésio.  qual  se  repetisse  observações  corriqueiras.  De quando em quando.  ao  transpor  a  entrada  do  aposento  indicado.  cavalheiro  dinheiroso  e  simpático. indagava­se por que razão Marina preferira o filho ao pai.  a  senhora  Nogueira  fitava  Nemésio  ao  volante. endereçou­lhe o olhar do  homem  atribulado  que  roga  a  outro  homem  comiseração  e  socorro.  abatido.  em  objetivo de serviço. Sabia­o ostentando­lhe a filha em noitadas vadias e vezes diversas sopitara  o  ímpeto  de  esmurrá­lo.  a  pessoa  capaz  de  assegurar­lhe independência e posição.  seguíamos  igualmente  para  o  hospital.  figurou­se­lhe  diferente.  apreciando­lhe  a  sisudez  aparente  e  o  porte  desempenado. longe de perceber­se a servir de instrumento.  naqueles  dias  de  angústia.  Referiu­se  à  temperatura.  depois  das  apresentações  promovidas  pela  mulher. E o clínico. Aliás. que a juventude não tinha lógica.  era.  gentil.  e  imaginou­se  na condição de um aluno em exame. involuntariamente.  comentou  particularidades  do  ambiente.  agora  lhe  contemplava  o  rosto.  Foi  assim  que.  imbuído  de  sentimentos novos.  a  conformação.138 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 6  Valendo­nos  da  condução.  acolheu.  associou  os  ensinamentos  espíritas­cristãos  que  lhe  metamorfoseavam  o . de si para consigo.  em  tudo.  Mais  alguns  minutos  e  penetramos  no  estabelecimento. atendendo­lhe. aos fins em pauta.  Inquietava­se  consigo  mesma. Identificava­se num teste de compreensão e de tolerância.. envolvia­lhe o perfil numa olhadela mais comprida  e concluía.  A  princípio.  Cláudio.  onde  o  par  foi  recepcionado  pelo  facultativo  com  quem  Dona  Márcia  se  comunicara.  Depois..  conquanto  a  distância.  a  seu  turno. se  o  genitor.  para  inclinar­se a reclamações.  Nemésio  guardava a convicção de acompanhar um símbolo vivo de ternura materna.

  controlou­se  o  bastante para falar com desembaraço.  E  ele.. com inflexão de profundo sofrimento:  – Veja o senhor. ante a própria vítima tombada.  humilde  –  cabia  o  dever  de  sopesar  as  próprias  reações. Desde o  choque em que se vira coagida a criar duas filhas.  experimentando­lhe  a  renovação. lhe estranhavam a atitude e. Nossa filha está muito mal. então menina cândida e  espontânea.  Os recém­chegados fitaram. o papel de censor?  Indubitavelmente – concluía em reflexões instantâneas –. amigos espirituais  traziam­lhe  o  negociante  detestado. aquele cadáver que ainda respirava.  cujos  desastres  haviam  sido  provocados  por  ele  mesmo.  Como  exigir  contas  da  mulher.  Conquanto abalada. apertou os dedos contra as palmas das mãos. que somente as  energias  de  Moreira  conjugadas  com  a  alimentação  artificial  retinham  no  corpo  físico.  Com  que  direito  assumiria.  porém.  na  presença  das  concepções  novas  que  passara  a  nutrir.  polidamente  –;  contudo. num gesto  peculiar  de  nervosismo. os instintos de homem selvagem.  Naquela  prova  de  segundos.. tentando.  se  devia  acusar­se?  Nada  lhe  impedia  fugir  do  auto­exame.  Percebeu  que  Nemésio  e  Márcia. no fundo da consciência.  Desequilibrara­se.. a personalidade  real  de  Márcia  desaparecera.  abraçando  conversas  triviais;  entretanto.  A senhora Nogueira fez as honras..  através  de  embuste  soez..  automaticamente.  para  satisfazer  aos  amigos.  tão­só  por  vê­la  disforme. debalde.139 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  íntimo  com  Marita  em  decúbito.. categorizar­se tal qual era.  logo  após  o  casamento.  Mecanicamente  recordou  Jesus  e  a  lição  da  primeira  pedra.  ao  ver  o .  jamais  regressara  da  caça  de  aventuras.  volveu  o  olhar  para  a  esposa  e  não  mais  encontrou  em  Dona  Márcia  a  inimiga  cordial  de  tantos  anos.  procurando  o  pai  de  Marina  a  fim  de  exprimir­lhe  amizade.. em vez de uma.  inferiu  que  não  conseguiria  ausentar­se  da  própria  alma.  e  filha  de  outro  homem..  recapitulou  a  versão  do  acidente  que  ela  mesma  engenhara.  Recordou­se de como se enfadara.. na  gravidez  de  que Marina  sobreviera.  Aquele  semblante  embonecado  por  excessiva  maquilagem. e falou para o genitor de Gilberto.  A  moça  descarnada  devolvia­lhe  a  imagem  de  Beatriz.  Mais  justo  esquadrinhar­se. não somente ao consignar a decadência da pupila. respeitando o pesar  do esposo.  expectantes. atônitos. da esposa.  Ele.  Sentiu­se Dona Márcia esmagada de assombro.  e  rogou  desculpas  pelo  traumatismo  com  que  Cláudio  se  apresentava.  E  a  ele  próprio.  também  –  considerou.  suportar­se.  mascarava  um  coração  insatisfeito.  Torres  entretinha­se  com  uma  jovem  que  lhe  dava  liberdade.. por sua vez. mas deparou com Cláudio.  depois  de  encantoá­la na  sombra.  fixou  Nemésio  e  Márcia.  Exterminara­lhe  os  sonhos. mas  igualmente  ao  testificar  a  inesperada  sensibilização  do  marido. desapiedado. dirigiu o olhar para a filha desfigurada.  e  deduziu  que  não  lhe  competia  julgar  aquele  homem  que  lhe  explorava  a  família.  Estabeleceu  confronto  rápido  e  catalogou­se  em  nível  inferior.  Torres.  e  de  como transferira. muito mais para não incomodá­los que por  subtrair­se a qualquer crítica. na direção de Aracélia.  Doseou as verdades que ouvira do médico.  recuperando­a. mas  reprimiu­se. de lenço ao rosto.  não  vacilara  em  abusar  da  própria  filha. sofrear o  pranto que lhe escorria do queixo hirsuto.  ao  invés  de  regenerar­se. mesclado de piedade.  Confessava­se  também  machucada  –  observou.  Recuou.

 em objeto  de serviço. fez­se de ingênua. sob o patrocínio  de  um  companheiro  compreensivo  e  vigoroso. ajeitou os travesseiros  da  filha  inanimada. Quanto a ela. ao passo que o genitor de Marina se derretia  ao  pé  de  uma  filha  adotiva.  capaz  de  assegurar­lhe  a  euforia.  contendo  a  repugnância que o cheiro desagradável do leito lhe causava.  em outros tempos.  Cotejando­se  com  ele. Imaginava­se na posição  do  viajor  que  houvesse  espalhado  farpas  em  todo  o  caminho.  naquela  hora.  Dona  Márcia  conhecia  todos  os  sítios  mencionados.  quanto  a  palma  das  mãos; contudo. sem quebrar­se. que os homens da  casta de Nemésio preferem as mulheres frágeis e acanhadas.  não  tivera  outro  recurso  senão  reabilitar  a  resistência própria.  A  tortura  de  Nogueira  suscitava­lhe  falsas  impressões.  A  mãezinha  daquela  que  pretendia  desposar.  verificando  que  Nemésio se mantinha constrangido no ambiente que as exalações do processo renal  tresandava. Declarou nada conhecer dos .  O  esposo.  Limitava­se a chorar em silêncio.  pedia  a  tranqüilidade  do  necrotério. penalizava­se agora.  em  lágrimas  copiosas.  que Cláudio a esperasse.  O  irmão  Félix. conclamou ao regresso. aos piqueniques da Pedra do Conde. à vista inigualável no Pico da Tijuca nos dias ensolarados. aos banhos  em Copacabana.  olvidou  a  menina  acidentada  e  o  bancário  arrasado  que  classificava  por  maricão  e  passou  a  exaltar  o  encantamento  do  dia  em  curso. não seria feliz junto daquele cavalheiro  chorão. não lhe rebateu as afirmativas. no  intuito de  dar  a  entender  que  não arredava pé do hospital; no entanto.  Torres.  De  vez  em  vez. dominando­se.  por  onde  seria  fatalmente impelido a regressar.  dias antes.  Dona  Márcia  levantou­se  e. de experiência própria. cujo  problema  obsessivo  se  agravava.  qual  se  aspirasse  a  despertar Dona Márcia para a convicção de que se achava no auto.  qualificava­se  por homem  de rija têmpera que.  Referiu­se  aos  almoços suculentos das Paineiras. com fins de auxílio. a fim de socorrer Marina.  presente.  Aboletei­me no carro para a volta...  O  comerciante  esperto  retomara  as  características  próprias.  Indagou  se  ela  freqüentava  os  passeios  cariocas  mais  estimáveis. em marcha lenta..  seguira  o  encontro  em  todas  as  minúcias  e  ponderou que se eu  volvera ao estabelecimento.  compreendeu  que  ela  mentia  para  impressionar  e  que  enfileirava  frases  bem­postas.. Sabia. escolheu caminho mais longo.  Confirmando­lhe  as  impressões.  acompanhar  ambos os visitantes. quando a via fingir.  deitava  olhares  furtivos  para  Dona  Márcia. alegou.  derramou  algumas  palavras  de  carinho  e. a fim de que não escasseasse comando à situação.  assistira  à morte  da  própria companheira.  perfeitamente  comparável à filha em beleza e inteligência.  porém  –  acrescentou  –. pela mesma  razão me aconselhava o retorno ao lar de Nemésio.  cuja  situação.  supondo  compreendê­la  melhor. Em lugar da indignação a que se rendia. onde o  binóculo parecia trazer a restinga de Marambaia para dentro dos olhos.  A  pouco  e  pouco. de maneira estudar­lhes as reações.  Conviria.140 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  marido  subjugado  pelo  desgosto. Voltaria mais tarde.  Despedidas e protestos de solidariedade surgiram à tona. que se voltem para eles  com a bisonhice das criaturas necessitadas de proteção.  Não seria lícito reter o senhor Torres por mais tempo.

  Acostumara­se a sofrer.  Torres  gostou  das  definições. Mesmo assim. no Flamengo.  Torres.  no  cardápio.  Dona Márcia debuxou um sorriso malicioso.  asseverou  não  desejar  o  encerramento  daquele  encontro  feliz  sem  agradecer­lhe  o  devotamento  à  filha.  como  a  dizer­lhe  que. na  qualidade de mãe abnegada.  Falou  em  psicoses. À face disso.  absorto.  Esforçava­se a convidada em pressentir as escolhas do anfitrião.  andou.  Entre ambos.  Riu­se.  Em  compensação.  Nemésio entendeu a insistência daqueles olhares e experimentou recôndita  satisfação ao averiguar­se requestado. aliás muito rápida.  e  não  hesitaria  atraí­la  a  convívio  mais  íntimo. Afetando­se novata.  acomodou­se  à  água  mineral  e.  constituíra­lhe  um  tônico.  A  esposa de Cláudio apanhou a sugestão no ar e asseverou.  que  havia  muito  tempo  vivia  separada  do  esposo.  não  queria  que  a  sogra  lhe  olvidasse  a  dedicação  de  amigo  certo.  Em  dado  momento.  rogava­lhe  permissão  para  assinalar que a moça era demasiado jovem.  a  recebê­los  sem  uma  palavra  de  cordialidade e de apreço.  desde  então.  de  manso. junto das filhas ainda pequeninas.141 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  pontos guanabarinos mais freqüentados.  Reportou­se  a  neurologistas distintos. anelava para a filha a felicidade que o mundo não lhe  pudera conceder. verificando que faltavam apenas cinco minutos para meio­dia.  no  intuito  de  cativar  o  companheiro.  Além  disso. entrou em casa.  Sóbria.  Que  lhe  avaliasse  o  martírio  de  mulher  acorrentada  a  um  matrimônio  infeliz  pela  mostra  de  Cláudio  choramingas.. Nemésio.  tomou  o  pijama.  calçou  os  chinelos  silenciosos  e. além do Pão de Açúcar. não julgou conveniente precipitar­  se.  embora  lhe  aguardasse  a  filha. retomou o volante  admitindo­se visitado mentalmente pela imagem da senhora Nogueira. Quando o genitor de Gilberto disse adeus.  comeu  pouco.  não  sem  um  gesto  significativo  para  a  interlocutora.. de pronto. declarava suspirando.  A senhora Nogueira aceitou. pudera  verificar.  na  companhia  daquela  mulher  que  reputava  formosa  e  inteligente.  Recolhido  ao  quarto  particular.  refletiu  nos  riscos  a  que  Marina  se  expunha  e. embora continuassem sob o mesmo teto.  a  existência  lhe  fora  um  suplício  entre  escovões  e  panelas. que visitara numa  excursão. de modo galante. distraíra­se.  abemolando  a  voz. Conhecia excelente restaurante no Catete.  Não  fosse  Marina  –  pensou  –. que.  A  manhã  toda. apesar de  todos  os  itens  do  acordo  se  evidenciarem  por  entrelinhas  e  alusões. informou que se casara muito nova e que. opunha­lhe a figura da filha.  no  lar. o contrato afetivo não apresentava qualquer dúvida.  convidou­a para o almoço. Esquecera­se.  na  direção  do  compartimento. decidido a  encontrar­se com Marina. Fugindo­lhe  à influência.  lisonjeado. Puxou o relógio e.  em matéria de experiências romanescas. E a refeição transcorreu alegre.  em  que .  com  a  obrigação de tolerar um marido resmelengo.  pensou  muito  e  falou  o  possível.  A  presença  da  futura  sogra  não  lhe  desagradava. que temia pela inexperiência dela. de modo a  compartir­lhe  os  pratos  prediletos.  Prevendo  a  despedida  próxima.  provocou  a  deixa. segundo ele próprio.  reiterou  a  confiança  na  escolhida. fitou­o demoradamente e disse  que  era  muito  tarde  para  tratamentos.  suspiros  e  reticências.

142 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

pretendia  surpreendê­la,  comunicar­lhe  impressões  e,  sobretudo,  dissipar  os  pensamentos intrometidos que Dona Márcia lhe suscitara.  Empalmou, de leve, a maçaneta e abriu a porta, sem ruído; no entanto, fez  força  para  não  cair,  garroteado  de  assombro.  Gilberto  e  a  moça  beijavam­se  em  amplexo apaixonado, efusivo. De  costas para a entrada, o filho não lhe assinalou a  presença; todavia, Marina, a situar­se de frente, cruzou o olhar com o dele, viu­lhe o  rosto crispar­se, esverdinhado, e desmaiou.  A cena foi rápida.  Retirou­se  Nemésio,  à  maneira  de  um  cão  espancado,  arrastando­se  em  terrível  asfixia.  Dificilmente,  ganhou  o  quarto  e  precipitou­se  no  leito,  a  sentir­se  arrasado de sofrimento.  Ponderações  contraditórias  vararam­lhe  o  crânio  ­  Como  deslindar  o  enigma  doloroso?  Teria  Gilberto  abusado  da  menina  enfraquecida  ou  dividia­se  a  jovem pelos dois? Intentou erguer­se, mas, como se houvesse recebido uma pedrada  por dentro do coração, doía­lhe o peito, suava frio, sufocava­se.  Decorrido um quarto de hora, Gilberto, insciente do vulcão de lágrimas que  o  pai  se  empenhava  a  esconder,  veio  participar­lhe  que  Marina  piorara,  depois  de  ligeiro  delíquio.  Voltara  da  síncope,  francamente  possessa.  Gritava,  chorava,  mordia­se, feria a si mesma...  Nemésio, porém, pousou nele os olhos magoados e pediu­lhe comandar as  medidas necessárias. Chamasse o médico, telefonasse para o Flamengo e insistisse  com a genitora para vir, e explicou, não sem esforço, que ele também tornara da rua,  incompreensivelmente abatido...  Aplicando­me  a  socorrer  Marina,  reconheci  a  obsessão  instalada.  Os  vampirizadores que Moreira trouxera, coadjuvados por outros, haviam dominado, de  todo,  a  jovem  desprevenida.  O  choque  experimentado  esbarrondara­lhe  as  últimas  resistências.  Marina,  sob  o  jugo  dos  malfeitores  desencarnados,  jazia  hipnotizada,  vencida...  Em  breve  tempo,  Dona  Márcia,  em  pessoa,  renteava  com  a  filha,  que  a  recebeu, dementada, irreconhecível.  O  médico  optou  pela  hospitalização  imediata,  que  Nemésio  declarou  patrocinar  com  a  impassibilidade  de  quem  cumpre  um  dever.  Dona  Márcia,  por  desencargo de consciência, entendeu­se com Cláudio pelo fio, suavizando a notícia.  Inteirava­o de que a filha se extenuara em trabalho excessivo, arrojara­se a grande  fadiga  mental  e  o  facultativo  indicava  ligeira  estação  curativa,  numa  clínica  de  repouso.  Ela,  com  a  responsabilidade  de  mãe,  não  opunha  qualquer  embargo;  entretanto, não lhe seria lícito deixar de ouvi­lo, aguardava­lhe a opinião.  Nogueira não contraditou e Dona Márcia deu­se pressa em confiar Marina a  estabelecimento  psiquiátrico  de  nomeada,  cujos  portais  a  menina  transpôs,  inspirando cuidado e compaixão.  Regressando  à  bela  vivenda,  depois  de  dois  dias,  encontramos  Gilberto  atarantado  e  infeliz;  contudo,  mais  dedicado  à  moça  que  antes.  Nemésio,  porém,  ruminava  a  antiga  concepção  do  amor  como  sendo  chinelo  no  pé  e,  apenas  decorridas  quarenta  e  oito horas  sobre  o  acontecimento,  já permutava  confidências  com a senhora Nogueira, em torno dos fatos novos, e ambos, na maior intimidade, já

143 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

haviam  encontrado  motivos  para  desculpar  aquilo  a  que  chamavam  “doçuras  da  mocidade”, cultivando consolações um no outro.

144 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Capítulo 7 

Duas  semanas  precisamente  sobre  o  desastre  em  Copacabana  e  Marita  amanheceu preparada à desencarnação.  Moreira inspirava piedade. Aqueles dias abençoados de ensinamento e dor  lhe haviam alterado a vida íntima. Percebendo que a menina entrara nos derradeiros  lances da decadência orgânica, chorava, consternado.  Marita  desligava­se,  a  pouco  e  pouco,  de  toda  a  relação  com  o  mundo  corpóreo. Nem mesmo o calor daquele amigo generoso que a sustentava, qual se lhe  ofertasse um pulmão suplementar, a interessava mais...  Conquanto imóvel, sentia­se agora lúcida, profundamente lúcida. Os olhos  quedavam quase apagados; no entanto, o apoio magnético incessante lhe descerrava  a luz da visão espiritual.  Nos  últimos  dois  dias,  atingira  avançada  renovação.  Assinalava  com  absoluta  clareza  as  palestras  freqüentes  que  Cláudio  mantinha  com  médicos  e  enfermeiros,  gravava  as preces  e  os  comentários  de  Agostinho  e  Salomão, na hora  do passe.  De  começo,  ao  experimentar  que  as mãos  paternas  lhe  asseavam  o  corpo,  desesperava,  clamando  de  si  para  consigo  que  não  se  conformava  com  tanta  humilhação... Lançava pensamentos de revolta contra o destino que a jungia daquele  modo  a  um  homem  que  odiava;  entretanto,  à  força  de  perceber­lhe  a  ternura  reverente,  expungindo­lhe  as  excreções  que  se  lhe  agarravam  à  epiderme  ferida,  acabou  plantando  no  coração  um  sentimento  novo.  Enterneceu­se,  transfigurou­se.  Ouvia­o falar em Deus e, às vezes, identificava­lhe os dedos a lhe roçarem a fronte,  ao  mesmo  tempo  em  que  entremeava  afagos  e  orações...  Num  dos  minutos  comovedores  em  que  ela  cismava,  sem  atinar  com  os  motivos  daquela  transformação,  Félix  aproximou­se...  Acariciou­lhe  paternalmente  os  cabelos  em  desalinho  e  disse,  na  convicção  de  quem  centralizava  todas  as  energias,  a  fim  de  sugerir­lhe, com êxito, a atitude aconselhável:  – Filha, perdoa, perdoa!...  Ela registrou, emocionada, a voz desconhecida e recordou a mãezinha que a  deixara no berço.  –  Sim  –  concluía  –,  somente  o  amor  materno  voltaria  do  túmulo  para  inclinar­lhe o coração incendiado à fonte da indulgência...  –  Perdoar  –  monologou  –  que  outra  coisa  lhe  competia  fazer  diante  da  morte? Sim, devia partir olvidando mágoas e afrontas... Reconhecia­se na armadura

145 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

dos ossos, à feição de pinto no ovo. Tênue pancada ou breve movimento conseguiria  despejá­la  e deveria  sair,  conquanto  não  soubesse  para  onde...  Por  que  não seguir,  apagando as labaredas que lhe requeimavam os sentimentos?...  Meditou naquelas mãos que a despiam, enxugando­lhe a pele molhada para  vesti­la outra vez, com o carinho apenas visto nas mães quando tocam, de manso, os  filhinhos doentes, e concluiu que lhe cabia desculpar, esquecer...  Compadeceu­se, então, diante do pai irrefletido. Perdoar­lhe, sim!... Pensou  nisso, com o júbilo de quem achara uma bênção... Ele agora a respeitava, limpava­a,  orava...  Viveria  na  Terra,  talvez  carregando  amargas  penas,  enquanto  que  ela  viajaria para regiões que ignorava, apegando­se, porém, à confiança naquela voz que  lhe impelia o espírito atribulado à calmaria do perdão... Rememorou­lhe o pranto da  noite  em  que  lhe  declarara  a  paixão  despropositada  e  tocou­se  de  entendimento.  Pobre  pai  aquele  que  nunca  desfrutava  refúgio  no  próprio  lar!...  Teria  um  cérebro  normal  um  homem  assim,  varado  em  casa,  diariamente,  qual  se  fosse  um  cão  infeliz? Quem poderia saber se ele se aproximara dela na condição de um enfermo  buscando  lenitivo  que  não  sabia  qualificar,  na  turvação  dos  próprios  sentidos?  Provavelmente havia recebido, na pensão de Crescina, o assalto de um louco e não a  injúria  de  um  homem!...  Por  que  não  justificar  o  pai  que  se  dementara?...  Reconstituiu­lhe,  na  memória,  os  gestos  de  brandura  e  de  amor,  nos  brincos  da  infância. Cláudio lhe fora o único amigo... Se chorava em pequenina, recolhia­se­lhe  ao colo, buscando o regaço de mãe que não tivera. Demorou­se a revê­lo nas telas da  imaginação, transportando­a nos braços para que se distraísse, admirando os bichos  do  jardim  zoológico...  Degustava,  de  novo,  mentalmente,  os  sorvetes  que  ele  lhe  adquiria,  prazeroso,  nas  tardes  de  verão...  Recordava,  recordava....  Não,  não!  –  bradava­lhe  a  consciência,  o  pai  não  era  perverso,  era  bom...  Como  recusar­lhe  compaixão  se  Dona  Márcia  o  abandonava,  se  Marina  lhe  evitava  a  presença?  Decerto, sofrera muito, antes de conturbar­se... Como não exculpar a loucura de uma  noite,  num  benfeitor  de  vinte  anos?  Por  que  não  morrer,  abençoando  semelhante  dedicação?  De  que  modo  condená­lo,  se  ele,  Cláudio,  prosseguia  ali,  paciente  e  abnegado,  tolerando­a?...  Recordou  a  mãe  adotiva,  imaginou­se  à  frente  da  irmã  e  aspirou, em espírito, à reconciliação com elas... Quem afirmaria que Dona Márcia e  Marina também não estivessem sob desequilíbrios ocultos? Quem diria com certeza  que  não  fossem  doentes?  Naquele  instante  em  que  se  harmonizava  com  Cláudio,  queria  igualmente  conciliar­se  com  ambas.  Estavam  perdoadas  por  todas  as  incompreensões  e,  no  íntimo,  pedia­lhes  perdão  por  todos  os  dissabores  que,  involuntariamente,  lhes  tivesse  causado!...  No  desfile  das  reminiscências,  Gilberto  não faltou. A figura do rapaz surdiu­lhe na cabeça, envolvida das doces vibrações do  sonho  que  lhe  constituíra  a  luz  da  vida!...  Não  conseguiria  odiar  a  quem  amava  tanto!...  Gilberto  teria  encontrado  razões  para  afastar­se  dela  e  também,  naquelas  reflexões graves  e  extremas, lhe aparecia na ternura revestido  com a  beleza de um  companheiro amado e limpo!...  Ao enunciar esses pensamentos, Marita sentiu­se mais leve, quase feliz!...  Intentou movimentar­se, gritar ao pai que ela o considerava um homem de  bem,  que  não  detinha  motivo  algum  para acusá­lo,  que  os  sucessos  na  moradia  de  Crescina  tinham  sido  apenas  um  lamentável  engano,  que  ela  realmente  morreria,  rogando­lhe,  no  entanto,  viver  e  continuar  a  ser  bom!...  Contudo,  só  ao  pensar  no

 de melhora?  O  facultativo..  Clareado  o  dia  que  antecedeu  a  noite  da  desencarnação.  Pela  primeira  vez..  às  nove  horas  solicitou  licença  para  trancar­se.. nenhuma voz na garganta que lhe parecia de  pedra; todavia. em choro convulso. participando­lhes o aviso.  tudo  terminava. Os  gritos inarticulados do peito jugulado de angústia ao apelarem para Deus. deprimido e irrecuperável; no entanto.  e  pediu mais  tempo  de  observação..  Nogueira.  Rogou  orassem  por  ele.. fugindo a recordações para entrar em prece.  Cláudio.  Em  todos  os  semblantes. sentia­se esmagado.  Isolado  à  frente  dela. por fim.. orasse segundo a fé que alimentava no coração.  na  existência  junto  dela. delirante.. tão grande e tão heróico se lhe externou o esforço da alma renovada.. Nenhuma  reação favorável nos membros hirtos. imitando o gesto de uma criança infeliz. que a moça  não  mais  viveria  muitas  horas.  vozes  e  formas  do  plano  espiritual. no silêncio  do quarto.  o  futuro  de  que  se  via  distante.  que se agitava em pranto. incluídos Neves e Percília.  Aquilo não seria indício de reação. queria  ser  digno  da  fé  que  aceitara. começou a distinguir. por mais tempo. meneou  a  cabeça.  pai  afetuoso e crente.. suplicando uma esmola. estavam  conosco.  Para  a  Ciência.  comunicando­lhe  que  a  tarefa terminara.  Desde esse minuto solene de pacificação.  Que  ele.  Nogueira  demorou­se  a  meditar. aqueles pulmões que  a morte começava a enregelar.  qual  se  estivesse  acordando num clarão traspassado de bruma. teve a impressão de que se algemava a uma estátua. buscando forças. sozinho.  o  clínico  prestimoso convidou Cláudio a entendimento e comunicou­lhe..  Às onze..  Entre  o  passado  que  lhe  inspirava  repugnância  e  o  porvir  na  comunhão  espiritual com a filha querida. assemelhavam­se a cânticos de dor que as lágrimas sufocavam!..  Fitando­lhe  o  semblante  orvalhado  de  lágrimas.  entre  alegre  e  amedrontada..  Queria  estar  só  com  a  filha.  simbolizava. o irmão Félix e outros amigos.  de  si  para  consigo  que a menina se achava em condição pré­agônica.  reanimado.  mais  desolado  que  nunca.  a  expectativa  discreta. imaginando as estradas percorridas por ruínas das quais se via  afastado para sempre. Entretanto. vagamente.  Ninguém  recusou  aquele  favor suplicado com humildade.  dizer­lhe  adeus.  Os amigos vieram à noitinha. transtornada.  a  fim  de  pronunciar­se.. O triste amigo obedeceu.. ao fixar a agonizante.  O  instrutor  levantou­o  num  gesto  de  brandura.  chamou o médico. Que não se deveria vitalizar.  porém.  no  entanto. Não seria justo reter a  menina padecente num corpo qual aquele.  que bagas de pranto lhe rolaram dos olhos semimortos.  O velho farmacêutico e o negociante consolaram­no.  Baixou  os  olhos  e  espalmou  as  mãos  para recebê­lo. ao  se despedirem. achavam­se ambos engasgados de emoção..  circunspecto. . Telefonou para Agostinho  e Salomão.  com  exceção de  Moreira.146 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  próprio soerguimento.  Nogueira baixou os olhos e agradeceu.  pediu  um  passe  em  favor  de  si  mesmo.  Enternecia­nos  as  recônditas  fibras  da  alma  contemplar  aquele  homem  vergado ao peso do suplício moral. humilde. pelo amor purificado que lhe  passara  a  dedicar.  Recompunha  o  pretérito na memória.  concluindo.

.  Ignorando­se  tocado  pelo  mentor  espiritual.....  Declarando saber­se diante de amigos espirituais.  levantou  a  voz e rogou­lhe escutasse o que tinha a dizer.  Marita senhoreou inopinada agilidade mental.  com  as  mãos  trementes.  pense  nesta  palavra  assim  tão  triste!..  A filha desperta registrou a presença do volume sobre os dedos inteiriçados  e respondeu com o pranto mais vivo. que deixara na cadeira próxima.  mas  a  intensa  emotividade  traiu­lhe  as  energias. diante dela..  Cláudio fez ligeira pausa. Supunha­se reviver. recolheu o exemplar de “O Evangelho segundo  o Espiritismo”.. ansiando reconhecê­la devolvida à própria consciência para que lhe assinalasse a  renovação.. Sou  um réu. Onde você estiver. continuou:  – Apesar de tudo.... compadeça­se de seu pai!.  encorajado  por  aquela  manifestação  de  inteligência. por piedade!..  bendizendo­lhe  os  votos  de  melhoria. Conheci Jesus.  em  plena  lucidez.. não fique triste com minha súplica!. todas as faltas de que se acusava; relatou­lhe o  drama de Aracélia; asseverou que sinceramente ignorava fosse ela filha dele.  Nogueira.  e  certo  de  que  empenhava  a  própria  alma  nas  afirmações  que  se  dispunha a formular.. despedir­se.. e sei hoje que Deus é misericórdia..  sabem  que  sou  um  assassino. mais copioso. os braços se lhe afiguraram parafusados à cama.  vimo­lo  revestido de  estranha  coragem. e falou com voz trêmula:  – Filha do meu coração... atenda a seu pai.  guardou  a  íntima  certeza  de  que  ela  o  escutava. o que ..  agüentando  a  solidão  que  mereço..  colocou­lhe o livro na destra inerme.  Pense.  Aflito  e  expectante.  Ah!  Minha  filha.  na  convicção  de  que  estava sendo ouvido e entendido..  sou  um  criminoso.  Certo.147 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Em  seguida. mas tenho esperança! Veja a revelação de Jesus que eu achei!. abriu­se à filha.  no  remorso  que  carregarei  pelo  resto  da  vida!..  Escutava os ruídos em derredor..  sugeria­lhe  conversar.  Assassino!  Auxilie­me  a  lavar esta mancha da consciência! Rogue por mim aos enviados do Cristo.  na  escala  ascendente  dos  soluços.  num  gesto  de  piedosa  confiança.  Perdoe­me!. ninguém.  O  pranto  abalava­lhe  os  membros. filha querida. para que  eu tenha a força de fazer o que devo fazer!.  O  benfeitor  abeirou­se  de  Cláudio  e  segredou­lhe  algo.. com extrema acuidade auditiva. que lhe testemunhariam a  sinceridade.  mas  Deus  não  nos  recusa  o  resgate!.  ao  jeito  de  tempestade  sacudindo os galhos de um tronco prestes a cair.  Compreendo  o  mal  que  fiz  a  você.  e  desejou acariciá­lo; contudo.  avançou  dois  passos  e  ajoelhou­se  ao  pé  da  agonizante.  que  passou  a  apoiá­lo  inteiramente.  que  sofremos  pelos  males  que  praticamos. Cláudio cobrou ânimo.  Eles  sabem  que  você  não  se  suicidou.  Félix  transmitiu­lhe subitâneo calor.  Em  seguida.. ao ver que o rosto da filha se cobria de lágrimas  e.. Sei que a  justiça  está  em  nós  mesmos.. se você me escuta.  Amparado  nas  forças  magnéticas  de  Félix. minha  filha.  Nogueira  ergueu­se. Não sei se você sabe que estou transformado.  impondo  as  mãos  naquela  cabeça  despenteada.. renascer.  Confessou ali.  Marita  percebia­lhe  o  arfar  do  tórax.. Confie em Jesus e nos bons  Espíritos!.  Pousou  a  cabeça  rente  ao  corpo  imóvel.  minha  filha... que ninguém morre...  Você  sabe  que  vou  agora  caminhar  sem  ninguém...  mais  nada.

.  A  pobre  menina  concentrou  todas  as  energias  num  pensamento  de  confiança e de gratidão a Deus e rogou. Perdão para  todos os que caíram!. arrebatando  nos em prece:  –  “Senhor  Jesus. perdão para mim!.  malfeitor. nestes dias de trabalho e de expectação!. Perdão  para meu pai..  na  noite  horrível  em  casa  de  Crescina;  descreveu  como  se  abatera. porquanto.  alongando a atenção mais serenamente em derredor do leito. que  estivesse  sendo  executada  no  firmamento. de nosso lado...  Perdão!.  Registrando  os  soluços  paternos.  frase  por  frase....  Ore  também!..  Aquelas  seis letras. que prometia regenerar­se..  Mas  se  a  Bondade  Infinita  me  pode  favorecer  ainda  com  nova  esmola..  tentando..  dê­me  um  sinal  de  benevolência.  que  lhe  revolviam  a  alma.. agora que vou recomeçar o destino...  e  Cláudio. que Aracélia desempenhara o papel  de  companheira  para  vários  homens;  participou­lhe  que  a  esposa  o  chamara  à  realidade.  à  maneira  de  cântico  que  descesse  do  céu.  distintamente  agora. Perdão para todos os que erraram!. desde o primeiro dia de hospital. e asseverou­se persuadido de  que ambos se achavam ligados.  Finda  a longa  exposição... pelos  minutos  de  dor  que  nos  despertaram  as  consciências!  Obrigado  por  estas  duas . pelas horas de aflição que nos clarearam a alma..  acompanhe­me  neste  desejo. Senhor!.  A  palavra  ressoava­lhe  no  espírito.. enfileiradas em forma de sons.  em  trompas  de  estrelas. pareceram­lhe música da eternidade.. Félix.  veementemente. admitia.  Comunicou­lhe  haver  lido  e  aprendido  muito  sobre reencarnação. tomou  avidamente  aqueles  pequenos  dedos  frios  e  quis  dizer  “obrigado. através de múltiplas existências; disse que a paixão  alimentada por ele teria sido fruto da invigilância e da crueldade que ainda trazia no  coração..  Perdão!... na mocidade..  que  Marita  assinalou.  rematando  em  choro  convulsivo:  –  Tenho  orado  e  tenho  recebido  a  misericórdia  de  Deus  para  mim.  cujos  brandos  acentos lhe aliviavam o coração!.  Contemplou  Cláudio...”  Aguçaram­se­lhe  as  percepções  e  sentiu­se  como  que  banhada  de  alegria  inefável.  fitou  Moreira  em  lágrimas  e. Senhor. por mais áspero o reajuste..  Nogueira  retirou  o  livro  da  mão  pequenina  e  descarnada.  entregue às conseqüências de minhas próprias faltas!.. leviano e inconseqüente  qual fora.  satisfazer­lhe  o  pedido. ali.  nós  te  agradecemos  a  felicidade  que  nos  concedeste  na  lição do sofrimento. desde que a vira prostrada. em  lugar da palavra dele.  Rogue  a  Deus  forças.. debalde... mentalmente: – “Perdão....  filha  querida.  compungidamente.  ecoando  nas  paredes  em  torno!..  “Obrigado.  um  dedo  só  para  que  eu  saiba  que  você  perdoou a seu pai!.  Se  você  está  ouvindo  o  réu  que  sou.  a  jovem  associou­se­lhe  aos  votos.. porém. viu­nos a todos.  endereçou­lhe  eflúvios  magnéticos  a  determinada  área  cerebral.. Acrescentava. viu a destra inerme levantar­se.  abençoe­me. ante os padecimentos dela que lhe constituíam  sentença de dor inapelável.. atônito...  Desejou  ansiosamente. Agoniado  e reconhecido. erroneamente..  Mova  um  dedo. foi a voz de Félix que se ergueu.  atormentado pelo arrependimento..148 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  apenas viera a saber por informação de Márcia.. implorava­lhe perdão  por  havê­la  induzido  ao  suicídio.  em  silêncio.  Perdão!. movimentar a garganta que os soluços embargavam; contudo.. Não me deixe na incerteza....  antes  de  partir.  meu  Deus!”.

  e  que..  Recebe­lhes  o  pranto... com a  tua  generosidade.  transformando­se. diante de ti.149 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  semanas  de  lágrimas  que  realizaram  por  nós  o  que  não  nos  foi  possível  fazer  em  meio século de esperança!.  quando  te  dirigem  o  coração.. já que todas nasceram para  a  felicidade  do  lar.. por  misericórdia..  inconscientes;  agasalha  os  que  rolaram  na  desencarnação  prematura. assegurando­nos a alegria de viver e garantindo­  nos os recursos da existência!.  Transfunde­lhes  o  pesar  em  renovação.  a  tua  bênção  na  irmã  que  se  despede  e  no  companheiro  que  ficará. por medida  expiatória  aos  desmandos  sexuais.. que não souberam encontrar outro recurso senão o suicídio ou o  manicômio  para  ocultarem  o  martírio  moral  que  lhes  transcendeu  a  capacidade  de  resistência. Lança.  a  que  se  afeiçoaram. quase sempre. arrancadas violentamente  ao  claustro  materno.  e  recupera  os  que  se  reencarnaram  nessa  prova.  “Mestre.  vergastados  pelo  remorso. dominados pela obsessão  ou traídos pela própria fraqueza. pedimos ainda!..  e  compadece­te  de  todos  aqueles  que  lhes  escarneceram  da  ternura. em carrascos sorridentes e empedernidos; protege  os que renasceram desajustados. quando nos ofereceste o  sexo por estrela de amor a brilhar. não  conseguiram  manter  os  compromissos  de  fidelidade  ao  tálamo  doméstico;  reequilibra  os  que  fazem  da  noite  pasto  à  demência;  conforta  os  que  exibem  mutilações  e  moléstias  resultantes  dos  excessos  ou  dos  erros  passionais  que  praticaram  nesta  ou  em  outras  existências;  reabilita  a  cabeça  desvairada  dos  que  exploram  o  filão  de  trevas  do  lenocínio; regenera  o  pensamento  insensato  dos  que  abusam da mocidade.  e  retifica. não te exoramos a piedade somente para eles.  “Consente. em nome do  amor que não chegaram a conhecer!  “Socorre nossas irmãs entregues à prostituição.  “Entretanto.  afogando  a  existência em devassidão; recolhe as crianças que foram seviciadas e renova. que. aqueles irmãos que as  convenções  terrestres  tantas  vezes  se  esquecem  de  nomear.  por  efeito  de  golpes  homicidas.  os  estupradores  que  se  animalizaram. possamos relacionar..  as  mães  que  não  vacilaram  asfixiar­lhes  ou  degolar­lhes  os  corpos  em  formação;  restaura  as  criaturas  sacrificadas  pelas  deserções afetivas.  digna­te  reconduzir  ao  caminho  justo  os  homens  e  as  mulheres. irmãos  bem­amados.  em  outras  vidas.  “Em te alçando nosso agradecimento e louvor.  e  ampara  os  que  se  lhes  tornaram  os  verdugos  padecentes. .  “Abençoa os que se tresmalharam na insana ou no infortúnio.  nas  tragédias  da  insatisfação  e  do  desespero.. como sendo a oração que te elevam. Senhor. suportando constrangedoras  tarefas  ou  padecendo  inibições  regenerativas.  e  corrige  com  tua  munificência  os  que  as  impeliram  para  a  viciação das forças genésicas; acolhe as vítimas do aborto.  a  mágoa  em  regozijo!. propinando­lhe entorpecentes; e sustenta os que rogaram antes  da reencarnação as lágrimas da solidão afetiva e as receberam na Terra.  seja  na  liberdade  atenazada  de  angústia ou no espaço estreito dos calabouços!. que consideramos filhos da própria alma!. Mestre.  sem  forças  para  sustentar  as  obrigações  assumidas. Suplicamos­te arrimo para  todos os que resvalaram nos enganos do sexo desorientado.. aguardando­te a paz no caminho!.  dentro  dos  prostíbulos  ou  em  recintos  que  a  impunidade  acoberta.  sob  teu  auxílio. no clima da inversão...  nossos irmãos.

 na rua do  Resende.  não  éramos  somente  nós.  “Tu.  e  esclarece  os  que  respiram  em  lares. que se  nos  incorporara  ao  trabalho  de  equipe. Moreira não continha os soluços. a curta distância.  filhos  de  Deus..150 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  muitas  vezes.”  Quando  Félix  emudeceu..  Levantou­se  e  cerrou.  Quando  viu  Marita  liberta  e  agasalhada  nos  braços  de  Félix. desolado:  – Irmão Félix. inútil como sou? . ainda não conquistaram a  maternidade premiada pelo respeito do mundo. em serviço no estabelecimento. em trânsito nos sítios  adjacentes. constelado de amor!. necessitados de tuas mãos!.  o  espírito  subjugado  por  intensa  emoção!.  afrouxando a pressão do adeus... estende também a destra misericordiosa sobre os corações retos e  enobrecidos!  Desperta  os  que  repousam  nos  ajustes  legais. na aflição e na humildade dos que se  olvidam integralmente. em plena noite..  Todas as entidades desencarnadas.  chorava. para destacarem os que mais amam.  sucumbem  de  inanição  e  desalento.. emocionados e reverentes.  cuidadosamente.. tantas vezes. Agoniado.  sob  o  desprezo de parentes insensíveis.  em  cativeiro  familiar. para sempre!.  atraídos  pelos  jorros  de  luz  solar  que  o  aposento irradiava em todas as direções.  “Inspira­nos  em  nossas  relações  uns  com  os  outros  e  clareia­nos  o  entendimento para que saibamos ser agradecidos à tua bondade.  ali..  são  doentes  e  infelizes.  cortou  os  últimos  ligamentos  que  ainda  retinham a alma cativa ao corpo inerme. muitos deles. fitou o semblante da filha e notou que o  palor  da  morte  nele  esboçava  o  derradeiro  sorriso. Espíritos ignorantes e vampirizadores.  que  trazíamos. assemelhava­se a fulgurante coração de alvenaria.  discretas e atenciosas. a fim de que tratem com humanidade e compaixão os que  ainda  não  podem  guardar­lhes  os  princípios  e  imitar­lhes  os  bons  exemplos!.  que  desceste  às  vielas  do  mundo  para  curar  os  enfermos.  figurando­se  uma criança cansada e adormecida. lhes suportam a  brutalidade  dos  filhos  nos  lupanares!  Sensibiliza  o  raciocínio  dos  homens  que  encaneceram honrados e puros.  para que não desamparem aquelas outras que. atormentados pela carência de alimentação  afetiva  ou  alucinados  pelos  distúrbios  do  sexo.  Cláudio  nada  ouvia. e que.  sabes  que  todos aqueles que jornadeiam na Terra.. de modo a que não abandonem os jovens desditosos  e transviados!.  Aquele quarto da venerável instituição socorrista.  acatados  nas  organizações  terrestres..  os  comandados  dele.. a cuja felicidade consagraram a juventude!. até agora..  mas. mesmo as que se  vinculavam  a  outros  cultos  religiosos. orvalhando­as de lágrimas; no entanto. que farei doravante. não consintas que a virtude se converta em fogo no tormento dos  caídos e nem permitas que a honestidade se faça gelo nos corações!.  se  perfilavam  à  frente  do  acanhado  recinto.  empolgado  pelas  vibrações  balsâmicas  do  ambiente.  percebendo  a  mão  gélida  que  se  colara  às  dele. baixavam  a fronte.  de  manso.. Moreira.  “Senhor.  o  compartimento  demorava­se  invadido  pelo  clarão  que  se  lhe  exteriorizava  do  peito;  contudo.  Ilumina  o  sentimento  das  mulheres  engrandecidas  pelo  sacrifício  e  pelo  trabalho.  Telmo aplicava passes anestesiantes à jovem e um médico espiritual. aquelas pálpebras fatigadas.. indagou.  acorreram  para  junto  de  nós...  revestidos  pela  dignidade que mereceram.. e.  renteando com ele....  “Senhor.

151 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

– Moreira – respondeu o instrutor, abençoando­o com o olhar –, somos uma  família  só.  Muito  em  breve,  terás  o  necessário,  de  modo  a  retomar  o  convívio  de  Marita, que pede agora paz e refazimento; mas, antes, somos nós  os  companheiros  que te pedem auxílio! Marina sofre... Precisamos libertá­la. Contamos contigo como  quem tudo espera de um amigo, de um irmão!...  O  ex­assessor  de  Cláudio,  ansiando  patentear  correta  submissão,  pôs­se  genuflexo e deixou pender a fronte, confundido ao reconhecer que o orientador lhe  rogava sanar uma brecha que ele, Moreira, havia agravado, e prometeu, em pranto,  atender  à  obrigação  que  se  lhe  indicava.  Tudo  o  que  anelava  agora,  acentuou,  era  aprender, auxiliar, dedicar­se ao bem, trabalhar, ...  ­­­­­­­­­­  Felizes da Terra! Quando passardes ao pé dos leitos de quantos atravessam  prolongada agonia, afastai do pensamento a idéia de lhes acelerardes a morte!...  Ladeando  esses  corpos  amarrotados  e  por  trás  dessas  bocas  mudas,  benfeitores  do  plano  espiritual  articulam  providências,  executam  encargos  nobilitantes, pronunciam orações ou estendem braços amigos!  Ignorais,  por  agora,  o  valor  de  alguns  minutos  de  reconsideração  para  o  viajor  que  aspira  a  examinar  os  caminhos  percorridos,  antes  do  regresso  ao  aconchego do lar.  Se não vos sentis capacitados a oferecer­lhes uma frase de consolação ou o  socorro de uma prece, afastai­vos e deixai­os em paz!... As lágrimas que derramam  são pérolas de esperança com que as luzes de outras auroras lhes rociam a face!...  Esses  gemidos  que  se  arrastam  do  peito  aos  lábios,  semelhando  soluços  encarcerados  no  coração,  quase  sempre  traduzem  cânticos  de  alegria,  à  frente  da  imortalidade que lhes fulgura do Além!...  Companheiros do mundo, que ainda trazeis a visão limitada aos arcabouços  da  carne,  por  amor  aos  vossos  sentimentos  mais  caros,  dai  consolo  e  silêncio,  simpatia  e  veneração  aos  que  se  abeiram  do  túmulo!  Eles  não  são  as  múmias  torturadas  que  os  vossos  olhos  contemplam,  destinadas  à  lousa  que  a  poeira  carcome... São filhos do Céu, preparando o retorno à Pátria, prestes a transpor o rio  da Verdade, a cujas margens, um dia, também vós chegareis!...  ­­­­­­­­­­  Ao entardecer, Agostinho e Salomão acompanharam Cláudio e os despojos  da filha até ao Caju.  Cerimônia simples que a prece consagrou.  De volta, Nogueira, acabrunhado, despediu­se dos amigos, na Cinelândia, e  tomou táxi para o Flamengo.  Alcançou  o  prédio,  subiu  e,  sequioso  de  companhia,  abriu  a  porta.  Vasculhou peça por peça e sentiu frio no corpo e na alma...  No apartamento deserto não havia ninguém.

152 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Capítulo 8 

Satisfazendo  a  recomendações  de  Félix,  que  nos  esperava  a  cooperação,  junto  de  Cláudio  e  Marina  demoramo­nos  no  Flamengo,  ao  pé  do  amigo  que  a  consternação abatia.  Entregue a si mesmo, sem qualquer consolação humana, Nogueira refletiu e  compreendeu.  Havia  lido  bastante.  Conversara  o  suficiente  com  Agostinho  e  Salomão.  Não  lhe  cabia  escusar­se  à  verdade.  Recolhera  a  fé  por  misericórdia  da  Bondade Divina; entretanto, a Divina Justiça não poderia forrá­lo à solidão que ele  mesmo plantara.  Represava­se­lhe  o  coração  de  saudades  da  filha  que  o  túmulo escondera.  Aquela  quinzena  de hospital  unira­os  em  espírito  para  sempre.  Ao  lado  de  Marita,  obtivera a luz da renovação. Doía­lhe pensar que não mais experimentaria o conforto  de carregá­la, sustentá­la, socorrê­la...  Abatido, sentou­se e chorou.  A noite avançava e Márcia não aparecia.  Telefonou, discreto, para vizinhos de Dona Justa. A servidora, chamada por  obséquio  à  residência  de  amigos,  veio  atender.  Informou­se  da  desencarnação  de  Marita  e  lamentou  não  haver  conseguido  a notícia,  antes,  com  o  tempo  necessário  para  assistir­lhe  ao  funeral.  Esclareceu  que  a  madama  subira  a  Petrópolis,  sem  precisar  o regresso.  Dona  Márcia  alegara  cansaço,  depois  da  internação  de  Marina  para tratamento, e avisara­a de que pretendia passar alguns dias na serra, ganhando  forças.  Ela,  Dona  Justa,  segundo  o  combinado,  comparecia,  pela  manhã,  no  apartamento, e folgava à tarde.  Nogueira perguntou pelo estabelecimento, onde se achava a filha doente; no  entanto, a servidora respondeu com sinceridade que não sabia. Dona Márcia não lhe  fornecera  informações.  Aliás,  solicitava  licença  para  inteirá­lo,  sem  a  menor  intenção  de  afligi­lo,  de  que  julgava  a  patroa  também  esgotada.  Parecia  nervosa,  enferma.  Cláudio agradeceu e tomou o catálogo telefônico.  Pediu,  infrutiferamente,  ligação  para  conhecida  casa  de  repouso em  Santa  Teresa.  E  seguiu  procurando  pelo  fio,  até  que  na  sexta  pesquisa  encontrou  o  que  buscava.  Enfermeira  prestimosa,  com  quem  Dona  Márcia  deixara  endereço,  respondeu de uma casa de saúde, localizada em Botafogo, notificando que Marina aí  se hospedava. As visitas, no entanto, mesmo para os familiares, estavam proibidas.  A moça andava em crise, sob a atenção dos médicos.

153 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz) 

Mesmo  na  condição  de  progenitor,  que  ele  fizesse  a  gentileza  de  ouvir  a  administração, antes de procurar pessoalmente avistá­la.  Cláudio acolheu­se à poltrona, a fim de pensar. Restava a casa dos Torres.  Gilberto, com certeza, poderia elucidá­lo; entretanto, a figura do rapaz assomava­lhe  à  imaginação  semelhante  a  bisturi  que  lhe  retalhasse  uma  chaga  mental.  Rememorava a entrevista do Lido, em que lhe ilaqueara a boa­fé, e  envergonhava­  se. Meditou, meditou. Examinou­se sem compaixão para consigo e acabou inferindo  que,  se  quisesse  realmente  apresentar  personalidade nova,  não  lhe  cabia  isentar­se  das conseqüências que as passadas faltas lhe propunham.  Consolidado o raciocínio, não mais vacilou.  Recorreu ao fone com escassa esperança de ouvir o rapaz, já que o relógio  assinalava mais de nove da noite, mas o moço atendeu.  Não obstante acanhado, Cláudio expressou­lhe o pesar pelo falecimento da  genitora, ao mesmo tempo em que lhe comunicava a perda de Marita.  Figurou­se­lhe Gilberto deprimido, torturado.  O  filho  de  Nemésio  confessava­lhe  desconhecer,  não  só  a  extensão  do  acidente, mas também o óbito. Decerto que, pelas provações da família, com a lenta  agonia de Dona Beatriz e com a enfermidade de Marina, que logo se lhe seguiu, não  tivessem Dona Márcia e a filha encontrado ocasião para referir­lhe a gravidade das  ocorrências.  Lastimava  o  sucedido  e  enviava  pêsames.  Prezara  sempre  em  Marita  uma  irmã  pelo  coração.  Consultado  por  Nogueira,  explicou  que  Marina  fora  acometida  por  acessos  de  fúria.  O  facultativo  de  confiança  admitira  demência  precoce, mas desistira da assistência. Entregara o problema a psiquiatras.  O diálogo prosseguiu.  Antecipando  justificativas,  Gilberto  anunciou  haver  assumido  novas  resoluções,  nos  dias  últimos.  Quando  no  encontro  de  ambos,  em  Copacabana,  estava,  sim,  decidido  a  casar­se  mais  cedo,  desposar  Marina  e  recolher­se  à  tranqüilidade do  lar,  mas,  apreensivo ao  ver  a  moça  doente  qual  se  achava,  o  pai,  embora reconhecido aos  serviços  que  a  jovem  lhes  prestara,  impelira­o  à mudança  de  rumo.  O  genitor,  que  se  achava  ausente  em  descanso  restaurativo,  usara  franqueza.  Não  aprovaria  o  casamento,  não  considerava  Marina  suficientemente  habilitada  para  as  responsabilidades  do  matrimônio.  Além  disso,  falara­lhe  de  “certas coisas” e aconselhara­o a sair do Rio. Sustentá­lo­ia em outra cidade, onde  pudesse recomeçar estudos interrompidos. Ele, porém, Gilberto, compreendia a vida  de outro modo e, à face das imposições paternas, sentia­se acabrunhado, vencido...  Cláudio aceitou as alegações  com humildade e acentuou que ele  era ainda  muito  jovem,  que  não  devia  opor  contradita  aos  conselhos  de  Torres  pai  e  sim  continuar refletindo, de vez que casamento, em qualquer pessoa, reclama liberdade,  consciência... Tão sensatas e confortadoras observações formulou, pacificando­lhe o  íntimo e clareando­lhe a compreensão para o trato com  o próprio pai, que Gilberto  se  modificou,  perante  aquela  brandura  inesperada.  Supunha  ouvir  um  outro  Nogueira,  mais  velho,  mais  amigo...  Emocionado,  agradeceu  e  chegou  a  pedir­lhe  não o abandonasse. Verificava­se agora sozinho. O genitor era bom, generoso, mas  homem de negócios. Cabeça cheia. Sentia necessidade de alguém que o inspirasse,  que lhe estendesse as mãos. Estimaria encontrá­lo, ouvi­lo mais vezes.

154 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira 

Percebeu  que  Cláudio  lhe  falava  em  tom  de  lágrimas,  agradecendo­lhe  o  apreço. Aquilo como que lhe insuflava confiança nova naquele homem com quem se  entendera, dias antes, mas de modo imperfeito.  Nogueira, submisso, consultou acerca de Márcia. Provavelmente que, em se  afastando para Petrópolis, a esposa lhe teria deixado o telefone. Gilberto confirmou.  Dona  Márcia,  ao  viajar,  solicitara­lhe  atenção  para  Marina.  Se  a  menina  piorasse,  que  fizesse  o  obséquio  de  chamá­la,  incontinenti.  E  ao  expressar­lhe  semelhante  recomendação, declarara que lhe passava a incumbência e não ao marido, por sabê­  lo ocupado no hospital.  De  posse  das  informações,  Cláudio  agradeceu  de  novo  e  repôs  o  fone  no  gancho.  Em  seguida,  confiou­se  à  meditação.  Pelo  tom  da  conversa,  o  rapaz  se  alterara  de  todo.  Em  tudo  o  que  expusera,  media  as  frases.  Cerimonioso,  desencantado. E  que  teria  desejado  dizer  com  aquelas  duas  palavras  certas  coisas?  Ele, Nogueira, sentia­se renovado; entretanto, a experiência do pretérito constituía­  lhe  o  fundo  da  grande  transformação.  Não  ignorava  que  a  filha  se  arriscava  a  dualidade  perigosa, na  aventura  afetiva.  Convencia­se  de  que  algo  de  muito  grave  teria ocorrido. Era bastante maduro para não desconfiar de que pai ou filho houvesse  apanhado algum flagrante desagradável. Deduzia que a jovem baqueara, caindo em  abatimento,  como  quem  achara  nisso  a  deserção  de  si  mesma.  Pensou  nela  e  compadeceu­se. Afinal, não se fizera crente para censurar. Aspirava a compreender,  servir.  Sabia  agora  que  a  obsessão  provocava  tragédias.  E  ele  mesmo,  que  nunca  auxiliara a filha, na edificação da vida íntima, não podia queixar­se. Cismou, cismou  e, depois das dez, chamou a esposa.  Dona Márcia respondeu.  Interpelada, comunicou estar descansando, junto de pessoas amigas. Ciente  da morte de Marita, confessou­se aliviada. Não a desejava sobrevivendo ao desastre,  deformada como a vira. Alinhou comentários desairosos, fez chiste.  Pela inflexão com que se manifestava, o esposo reconheceu­a num dos dias  mais infelizes. Sarcasmo em cada sílaba. Irritação à mostra.  Cláudio  apequenou­se,  rogou  desculpas.  Não  queria  interromper­lhe  a  excursão.  Não  conseguia,  porém,  sossegar­se  quanto  à  filha  doente.  Se  possível,  ensinasse a ele o melhor caminho de visitá­la com urgência. Solicitava­lhe o nome  dos médicos amigos. Esperava colher­lhes a opinião.  A palavra dele deslizava tão mansamente no fio que a interlocutora mudou  de  jeito.  Amaciou­se.  Informou  que  precisava  completar  informações  com  amigas,  que ele, Cláudio, aguardasse um minutinho.  Transcorridos  instantes  breves,  voltou  participando  que  viria  ao  Rio,  na  manhã seguinte, a fim de conversarem. Guardava “certos assuntos” para tratar com  ele,  mas  preferia  falar­lhe  de  boca  a  boca.  Que  ele  a  esperasse  no  Flamengo.  Chegaria  cedo,  de  automóvel,  apenas  com  o  objetivo  de  vê­lo  e  retornar  ao  hotel  serrano em que repousava.  Efetivamente,  no  dia  imediato,  antes  das  nove  da  manhã,  logo  após  entender­se com Dona Justa, em matéria caseira, viu­se o bancário defrontado pela  esposa.  Dona  Márcia  parecia  regressar  de  outro  país.  Adereçada,  sorridente.  Os  cabelos  em  penteado  excêntrico  realçavam­lhe  a  graça,  remoçando­a  inteiramente.

 entre ele e o passado.  principalmente  naquela  hora  em  que  os  cuidados  exigidos  por  Marita  lhe  haviam  esgotado  as  reservas.  De  que  maneira  se  amoldava  a  uma  excursão.  Bastava  que  ele. que não calculava sacrifícios para que lhe sobejasse  assistência.  Cláudio.  Após  enfileirar  judiciosos  apontamentos  que  a  interlocutora  recebia.  Por  outro  lado.  cumprimentou  o  marido  e  Dona  Justa  com  ademanes  de  protetora complacente.  com  a  esbelteza  da  cegonha  jovem. Vida de harmonia.  Mesmo à nossa frente. à tranqüilidade da família.  Dona  Márcia.  Fizera­se  espírita­  cristão.  Acreditava  que  a  filha.  Demonstrou.  entusiasmada  –. Sentia­se outro homem.  finalmente.  aludiu  ao  conforto  de  que  a  filha  se  rodeava  na  casa  de  saúde  e  exalçou  a  generosidade do senhor Torres.  Jazia  Dona  Márcia  assessorada  por  pequena  corte  de  vampirizadores desencarnados que lhe alteravam a cabeça.  indicou  o  psiquiatra  que  respondia  pelo  caso.  a  história  da  enfermidade.  confiou­lhe  todos  os  propósitos  diferentes  que  edificara  naqueles  dias  de  luta.. Participou­lhe que.  Comentou  largamente  a  nobreza  do  viúvo  de  Dona  Beatriz. erigia­se a  fé por barreira de luz.  E. de construção recíproca. Não compreendia. destacou que a proteção dinheirosa significava muitíssimo.  levantou  para  ela  os  olhos  súplices  e  convidou­a.155 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Harmonizava­se a maquilagem com o róseo do vestido novo.  Argumentou. sem mais aquela.  assim  festiva?  Instintivamente. lograria recuperar­se em menos tempo. por alguns  meses. desfilava perfumes. agora.  que  a  palavra  “meses”  o  alarmava. no tratamento devido. a flor humana em que se metamorfoseara não escondia para nós  as  larvas  que  a  carcomiam.  quanto  pôde. ..  Márcia. Padeciam em casa a provação de  uma  filha  morta  e  outra  enferma.  Sincero.  Assustou­se Nogueira.  conjugando  medicação do corpo e da alma. Aspirava.  propôs  um  ajuste  de  providências  pelas  quais  se  transferisse  a  menina  para um sanatório em São Paulo. que nos acostumáramos a identificá­la por matrona  difícil. O porte se lhe erguia  nos  sapatos  de  salto  alto. dedicação. custearia todas as despesas. e obtemperou que a situação talvez não fosse tão  grave. humilde.  evidentemente  interessada  em  outros  problemas. à bênção do lar.  Contudo.  começava  a  conhecer.  mas  admitia  que  a  filhinha  conturbada  reclamava  deles  carinho. reportou­se à pressa que trazia.  que  não  lhes  seria lícito abandoná­la. Exibia cores.  sem  afetação  de  virtude.  sintetizou.  Descerrava­lhe  o  íntimo.  cuja  grandeza  de  alma  apenas  agora  –  dizia.  concordasse.  contrafeita.  em  sinal  de  gratidão  da  firma pelos serviços prestados por Marina. uma existência nova.  com  dignidade.  Cláudio escutou. apreensivo.  pelo  fio.  e.  Nogueira indagou por Marina...  De  entrada..  A recém­chegada sentou­se.  dos  quais  emergira  transformado..  sensato.  mas  ajustada  ao  lugar  que  as  conveniências  lhe  indicavam.  Metalizara­se­lhe a voz.  quando  caminha  descuidada em campo livre.  a  abraçar. onde estagiasse. perguntava­se que sucessos  ocultos se lhe vedavam ao coração.  surgia  quase  irreconhecível. o olhar fizera­se mais frio.  anunciara­se  esfalfada.  recordou  Gilberto  preocupado  com  “certas  coisas”  e  a  própria  esposa prometendo­lhe “certos assuntos” e.  Nemésio. cruzando as pernas com desenvoltura juvenil. junto dele.

..  Aquele  jeito  de  conversar..  naquele  apartamento que apelidava por “minha gaiola”. iria fazer ninho certo.. aquele modo de tratar Marita!.. anelava mostrar­lhe quanto  a  amava....  ser­lhe­ia  companheiro  leal.  aquele  matrimônio  destruído  era  obra  dele.  O  marido. revidou....  é  pena  que  a  mudança  chegue  tão  tarde!... Se ele...  sossego. Sempre a mesma  história!.  Espiritismo  é  um  movimento  de  pessoas.  rogando  a  Jesus  o  inspirasse...  faça  a  sua  vida.. Uma filha morta. objurgou.  com  a  diferença de  que  ele  aceitara refúgio  no  salva­vidas da  fé.. afeição.  trilhado desde muito.  Sim..  Não  lhe  constrangeria o ânimo a aceitar­lhe as idéias; no entanto. Seara  de  espinhos  para  quem  os  plantara. reconstituía na memória os textos lidos. Penitenciar­se­  ia quanto aos erros cometidos... Asneira  deles! Temos de rolar é no chão mesmo. francamente ofendido:  – Mas você conhece o Espiritismo?  Márcia. Ora.  desde  a  véspera.. Cláudio. a fim de promover o desquite.  obsidiada.156 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Comprometia­se  a  adotar  conduta  reta.  plantou  as  mãos  na  cintura.. Esperaria tão­  somente as melhoras de Marina.  Recolhia o que semeara.  distância. conheço sim! Quando Aracélia morreu.  arrancado  à  esperança  que  alentava  no  sentido  de  se  reconciliarem  para  uma  experiência  doméstica  respeitável  e  batido  na  fé  que  principiava a entesourar.  Os espíritas me parecem cães querendo sentar na poltrona da falsa virtude. que eu vou me arranjar.  Bobagem! Nós todos no mundo somos canalhas!. Concedia­lhes Deus o futuro à frente..  meu  velho. senhor! O diabo.  Fitou  Márcia.  lembrava  Marita.  no  sentido  de  revelar­se  a  ela..  aplicada  ao  sarcasmo. e zombeteou:  – Sim.  querendo  sentar  cachorros  no banco  e  apanhar  estrelas  como  se  fossem  laranjas!. você é.  com  a  disposição  de  quem  procura  deixar  o  carreiro.. ora!. dispunha­se a testemunhar­lhe fidelidade..  E aditou com ar de troça:  – Era só o que faltava! Você espírita!. Quem teria hipnotizado você  dessa forma?.  porém.  Agora.  Venho  de  Petrópolis...  numa risada de escárnio... triste. os outros são!.  abertamente.  aprumou­se  de  um  salto. andei conversando  nisso  com  amigas  e  acabei  desistindo.  para  que  ela.  depois  de  sofrer  tantos  anos. depois de velho.  que  escolhesse  rumo..  Nogueira escutava. não  assinasse..  lhe  perdoasse e o compreendesse.  quando  Nemésio  e  eu  fomos lá.  e  reconheceu  que  ambos  eram  comparáveis  a  dois  náufragos  na  viagem  do  mundo.  Disse­lhe  que  vinha  orando.  concluía  mentalmente.  E  continuou  alegando  que.. Eu sou.  – Pois se você pensa de maneira diversa e se é verdade tudo o que você me  falou.  Queria  liberdade. para arrojar­se a outro caminho.. se fez ermitão!.  A  senhora.. outra doente e a esposa  obsessa.  ao passo  que  ela .  Márcia.  – Eu não penso assim. Juro que no hospital  você  já  estava  nessa  baboseira. irônica:  – Perfeitamente.  justamente  para dizer a  você  que  entre nós  tudo  está  acabado.  Repunha no  pensamento  as  instruções  de  Agostinho  e  Salomão.  Declarava­se  farta.. Eu logo vi!.

.  Sim. mas também ao notar Moreira rente. refeita. atrás dos próprios passos. Chamou Dona Justa e avisou com o  indicador em riste que mandaria buscar todos os seus pertences para serem alojados  em casa de Selma.. durante algumas horas.  Por  minutos  amargos.  Recordou  o  hospital  e  reviu  na  imaginação  a  pequena  mão  gelada  que  o  saudava. ganhou o recinto a que Marina foi trazida.  Nogueira  retornou. À  tarde. .  Demorou­se Nogueira em casa. Da própria farmácia. estrondou a porta. Emagrecera. Súbita calma lhe tomou o coração e entrou em lágrimas copiosas..  na  manhã  imediata.  junto  aos  benfeitores  que  lhes  supervisionavam as tarefas.  Consolou­se  ao  vê­lo.  mas  também  de  limpeza  e  respeitabilidade. no dia seguinte.  Salomão  confortou­o. consagrar­se­ia ao caso.  Márcia  divertiu­se. de repente. esmagado de sofrimento.  que  supunha  obsidiada.  ao  Flamengo  e.  convidou­o  ao  café  e.  procurou  Salomão.. não apenas ao abraçá­la.  A  doutrina  restauradora  que  abraçara  não  se  destinava  a  criar  homens  indignos. Nada mais tinha a ver com aquela casa.  Indignou­se.  aliviado.  permutaram  confidências.  Partilhariam atividades espirituais. Notando que o pai de Marita entremostrava o coração  atenazado  de  angústia  no  semblante  abatido..  em  benefício  da  outra  filha. a fim de agredi­la.  imbuído da melhor confiança.  fraterno... a noção de responsabilidade acordou­se­lhe. relembrando­lhe que devia perdoar como tinha  sido perdoado. em Botafogo.  Quis  reagir.  sentados  em  recanto  ameno.  Destacou  que  não  faria  falta  a  um  marido  que  se  efeminara.  A  todos  solicitaria  socorro.  Enquanto  o  amigo  que  se  guindara  à  condição  de  enfermeiro  me  acolhia.  ao  querer  deslocar  a  destra. Desfigurara­se.  Cláudio  agradeceu  e.  solicitou  ao  amigo  para  que  o  auxiliasse  através  da  oração. no momento do adeus.  Não  se  julgava  habilitado  a  receber  tanta  injúria  sem  revolta.  pacientemente.  Impossível  agüentar  tanto  insulto  –  monologou  de  si  para  consigo.  rogou  a  Salomão  um  minuto  de  entendimento  em  particular.  Atendido.  Possuía  companheiros  diversos. A seu turno.  Entretanto.  Doutrina  de  compreensão  e  benevolência. E. os remoques. a jovem enleara­se ao pai numa explosão de lágrimas.  colérica. vociferando.  espancá­la.157 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  preferia  mergulhar  no  desconhecido. a companheira de infância que residia na Lapa.  encerrando  a  ligeira  conversação  pelo  fio.. no plano espiritual.  através  dos  olhos.  esbravejar. relacionando­lhe o problema de modo sucinto.  Afirmou  que.  cortês. refazendo forças.  ouviu­lhe. Tomaria  atitude.  No horário marcado. sem mais uma palavra para o  esposo que permanecia na sala.  num gesto de perdão.  mediante  aquele  espetáculo  de  covardia.  em  Copacabana.  estava  decidida a não  contar  com Marina.  Palestraram  por  momentos.  dedicados  à  desobsessão.  Comovi­me.  tornando­se  poltrão  e  choramingueiro.  o  alheamento  de  si  mesma;  entretanto. no ideal.  estava  a  postos.  O  especialista  ouviu.  despedia  a  alma  incendiada de angústia. Os dedos submissos e  frios da filha  desencarnada estavam nas mãos dele.  esperanças. até que o “homem antigo” ressurgiu nele. telefonou ao psiquiatra que a esposa nomeara..  observações  projetos.. seriam irmãos no trabalho.  esmerando­se na execução do que prometera.  proporcionar­lhe­ia  todas  as  facilidades  para que se avistasse com a filha.  Afligiu­se em lhe verificando a depressão. Por  fora.

 copiou­lhe a iniciativa.  ajustando.  desde  o  acidente  que  lhes  arrebatara  Marita.  acerca  da  reencarnação.  lenindo.  A enfermeira deixou­os a sós  e Marina perguntou pela mãezinha.  amadurecido.  Desde  essa  época  se  lhe  fizera companheira..  entendê­la.  guardasse  paciência..  reportou­se  a  Inteligências  desencarnadas  que  se  imanizam  às  criaturas  em  perturbação. os afagos recíprocos..  porém..  até  então. Foi então que a filha.  feliz.  nada  temesse.  Queria  vê­la  robusta. ao quarto de que  dispunha no lar dos Torres.  vingando­se de Nemésio.  Persuadiu­a  quanto  à  obrigação  de  acatar  as  instruções  médicas..  da  obsessão  e  do  intercâmbio  espiritual.  Transmitir­lhe­ia  oportunamente  as  instruções  que  recebera  de  amigos.  participou­lhe  que  fora  iniciado  nos  júbilos  da  prece.  quase  criança;  contudo. sem  qualquer  noção  de  vigilância  ou  censura. ela mesma.  não  conhecia. impe liu­o a  exceder­se no uísque e.  Falou­lhe  de  forças  imponderáveis  à  maioria  das  pessoas.  deu  para  escravizá­la.. Numa noite de farra.  para  que  ele  soubesse  por  onde  começar.158 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Sentaram­se.  deliberadamente..  ela.. por que a desprezava? Por quê? Por quê?  Empenhou­se  Nogueira  em  acalmá­la  e  fê­lo  de  tal  modo  que  a  menina. o que mais a preocupava. para entregar­se a ele. aos quais ela se entregava  muito  mais  pela  vaidade  de  impressioná­lo  que  por  motivos  de  atração.  a  fim  de  prestar­lhe  o  apoio  necessário. Dissesse a ele.  repetia­lhe  declarações.. a instâncias dele.  calma.  Historiou  a  noite  em  que  ele  a  embriagara  de  propósito. piedoso: “Mesmo que Márcia não quisesse”.  cativo.  para  que  o  auxiliasse  com  as  informações  de  que  carecia.  se  já  divisara  vultos  que  ninguém  percebia.  descreveu  para  o  genitor  os  caprichos  femininos  com  que  requestara  Nemésio  Torres.  Vasculhava­lhe  as  fibras  mais  íntimas.  com  todas  as  tintas  de  realismo  que  o  delírio  lhe  punha  nas  palavras. conduziu­o.  Marina.  Contou  como  Nemésio.  Nada  lhe  ocultasse..  O  pai  dirigia­se  a  ela  num  tom  que  nunca  ouvira. Que  ela. a título de fazê­lo descansar.  Mas  Gilberto  aparecera e. ao tê­lo inflamado.  assegurando  que  lhe  explicaria  semelhantes  fenômenos  tão  logo  a  visse  refeita.  Cláudio  acariciou­a.  A  princípio.  agravando­lhes  os  desequilíbrios.  assim  que  a  viuvez  sobreviesse  naturalmente.  Estudariam juntos e acrescentou.  espantada. pai renovado pela fé.  Ao  acordar.  Perguntou  ao  pai  se  ele  algum  dia  chegara  a  ouvir  vozes  estranhas. para  que  a  tivesse  sempre  a  mão.  que.  Todas  as  palavras  lhe  escapavam  da  boca  impregnadas  de  tanto  carinho.  adivinhou  nele  o  homem  com  que  sonhava.  inspirando  confiança  naqueles  que  a  tratavam.  Ele.  confessou  que  o  provocara... Por que  não viera.  dentro  de  uma  casa  rústica  em  São  Conrado. implorando a ele não a condenasse e estimulada pelo  sorriso  bondoso  com  que  era  ouvida.  quando  lhe  despertou  nos  braços.  e  clareadas  por  tamanho  amor.  do  sofrimento  reparador.  cobrou  mais  ampla  lucidez.  da  irmã  e.  Que  se  desabafasse.  insistindo.  lembrando  alguém que se agarrasse a inesperada raiz ao escorregar na direção de queda fatal.  de  cuja  desencarnação  a  inteirou  com  afetuosa  cautela.  Apaixonara­se  por  ela.  Pintando  as  emoções  ao  vivo. para o serviço de Dona Beatriz. o dinheiro a rodo. não conseguira controlar­se. por mais lutasse contra si própria. Desde o  primeiro  encontro.  aspirava  a  desposá­la. entrando.  afastando­o.  os  passeios alegres..  ensoberbecia­se  ao  reconhecê­lo  chefe  e  vassalo..  induzira­o  a  crer­se .  que ela  se  lhe  aconchegou  ao  peito  com  mais  devoção. Achava­se  ali  para  alentá­la.

  apegara­se­lhe  ao  filho  com  loucura.159 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  responsável pelo futuro. para que os planos da felicidade futura fossem concretizados em  harmonia.  porém.  decidindo­se  a  levá­la  para  Petrópolis. implorando­lhe perdão e que a tratasse por filha. Passara..  que  jamais  lhe  permitiria  a  felicidade  junto  daquele filho que passara a odiar e que. mais detestava o genitor.  repetiu  que  anelava  libertar­se  de  Torres  pai.  Cláudio prometeu cooperar..  Nogueira  percebeu  a  gravidade  do  problema;  no  entanto.  se  ela abandonasse  o  rapaz.  lhe  haviam  arrebatado o marido.  em  substituição dela mesma.  Em  frases  entrecortadas  de  soluços.. compreendê­lo.  a  ponto  de  ser  surpreendida por Nemésio. acentuando  que  ela  lhe  pagaria  a  desconsideração.  ali  mesmo. a sorrir confortada.  Machucado  ainda  pelas  considerações  de  Márcia. patenteando sinais de  melhora. compungido.  em  breves  palavras.  Detinha a impressão de tomar contacto com os familiares pela primeira vez. revoltara­se. Cláudio entrou em prece e. dessa forma..  suplicara  compaixão...  Nogueira escutava.  ignorava  agora  quais as feridas que mais lhe doíam na alma..  Recomendou­lhe  trabalho.  se  as  que  lhe  eram  produzidas nos  tecidos  do  coração pelos  segredos  da  filha  padecente. mas. explorando­lhe as energias genésicas. para humilhá­la. a dividir­se com habilidade entre um  e  outro. destacando.  ansiando  casar­se  com  Gilberto..  que  a  esperaria  para  as  segundas  núpcias  e  que  manteria  todos  os  compromissos formulados anteriormente.  Se  o  preterisse. recolhia de Moreira a  devida  confirmação. reconhecendo­se no . se as que a insensibilidade da esposa  lhe  abrira no espírito.. torná­lo feliz. no sentido de enobrecê­la no casamento e  beneficiar­lhe  toda a  família..  Enlaçou­a. mordaz.  assegurando que não tinha coragem de continuar fingindo por mais tempo. em se revendo na rua. acintosamente.  encorajada. até que a morte  de  Dona  Beatriz  precipitara  os  acontecimentos.  a  fim  de  recuperar­se.  mais  depressa.  sem  resistência. conquistara  as  atenções  de  Márcia.  embora  conservasse  a  indiferença  por  Nemésio  transformada  em  aversão.  Contudo.  O  enfermeiro.  Cláudio  ambicionava  crer  que  a  jovem  tresvariava. o doloroso relatório não terminara..  pretendia  remover  para  o  sul.  Marina  cientificou­o  de  que  fora  visitada.  na  qualidade  de  pai. queria sarar. quanto a mim. Nemésio rira.  em  toda  a  vida. no entanto.  deixara­me  saber  que  chusmas  de  Espíritos  perturbadores. em situação desconcertante.  Imprescindível sorvesse o cálice até a lia. viver com ele  e por  ele.  e  garantiu­lhe  que  se  entenderia  com  Márcia  e  com  ambos  os Torres.  quatro  dias  antes;  acentuou  que  o  chefe  se  prevalecera  da  intimidade  e  lhe  asseverara  que  não  a  cederia  ao  filho  de  modo  algum.  reconfortou  a  filha.  Marina recebeu­lhe a despedida. Amava  Gilberto.  Observando  o  chefe  positivamente  decidido  ao  matrimônio..  com  mais  ternura...  e  Marina.  paciência  e  controle.  Porque  respondesse  claramente  que  não  renunciaria a Gilberto.  ameaçando­a.  ao  término  da  entrevista.  Ela  chorara. ser­lhe a esposa no lar..  Quanto mais se comunicava com o filho.  que  ele.  por  Nemésio.  mas  a  lembrança  da  esposa transtornada comprovava o que ouvia e.  após  a  desencarnação  de  Beatriz.  matá­la­ia. a necessidade da saúde  primeiro.  confiança.  descortinando­lhe  paz  e  esperança  à  mente  atormentada..

.160 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  prelúdio  de  provas  amargas.  como quem trazia da visita espinhos de fogo a lhe requeimarem o coração.  comprimiu  a  destra  de  encontro  ao  peito  alanceado.

 voltara triunfante.  parques  e  jardins.  aparentemente  escrava  de  um  marido  e  de  um  filho  que  não  a  valorizavam.  Acompanhava  o  restabelecimento  de  Dona  Beatriz.  entesourando  no  íntimo  riquezas  inalienáveis  para  a  imortalidade. familiares queridos chegavam de longe para felicitá­la.  Beatriz concluíra nobre tarefa – dentre as muitas empresas admiráveis cuja extensão  é avaliável apenas na pátria dos Espíritos –. contente.  de  permeio  com  os  semblantes  circunspetos que nos lançavam olhares de simpatia. a meu ver.  talvez  pelas  mesmas  razões.  nada  me  perguntou. fiz  quanto pude para não ser inquirido acerca dos Torres que. mas. ainda estavam  por  aproveitar  os  merecimentos  da  missionária  de  abnegação  que  os  servira. sem a guardiã maternal. . As lágrimas vertidas no silêncio e as dores anônimas  lhe  haviam  granjeado  paz  e  luz. se viam agora entregues a si mesmos.  Afeições de  outros tempos.  junto  de  Neves.  Receava  embaciar  o  espelho  de  otimismo  em  que  as  esperanças  do  amigo  se  retratavam.  Mulher  desconhecida  no  mundo.  Neves.  exibia  plano  extenso  de  construções.  flores  tangidas  pelo  vento  figuravam­se  acenos de boas­vindas.  atingira  realizações  sublimes  em  si  própria. obtida à  custa de sacrifícios ignorados. de propósito.  com os quais renteávamos.  Todas  as  idades  aí  se  expressavam nos  companheiros  de  ambos  os  sexos.  ocupando  quatro  quilômetros  quadrados  de  edifícios  e  arruamentos. Decerto não retornara alçada à glória angélica.  Regozijava­me igualmente com as impressões que ouvia e.  Luzia­  lhe o olhar povoado de sonhos.  Conjunto  de  linhas  harmoniosas  e  simples. nutrindo  júbilos  novos.  Das  aléias  em  verde  repousante. a tarefa da renovação íntima.  Rostos  sorridentes  nos  saudavam.  Fomos  defrontados  pelo  instituto  que  demandávamos. na condição em que renascera.  O  “Almas  Irmãs”.  para  o  instituto  de renovação  que  Félix  dirigia na  esfera espiritual.  em  torno  do  genro e do neto que.161 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 9  Rumei.  A caminho.  Inalava­se tranqüilidade.  E  contava­me  as  surpresas  da  filha  recém­chegada  ao  plano  superior. satisfeitos.  Autêntica  cidade por si.  assim  chamado  pelos  fundadores  que  o  levantaram  em  socorro  dos  irmãos  necessitados  de  reeducação  sexual. reconfortava­me ouvindo o companheiro asserenado. tanto quanto era  possível. alegria.  após  a  desencarnação.

  Belino  Andrade.  por  eles  acalentados  no  plano  físico.  porque  atingíramos  o  ponto  em  que nos  cabia  tomar  contacto  com  Félix.  que  ali  aportara  dias  antes. quando se rendem ao desequilíbrio mental.  Belino  prosseguia  informando que todos eles.  As  elucidações. permaneciam reclusos em manicômios.  Apresentando­nos  praças  graciosas  ou  apreciando  aspectos  da  paisagem. mas. que conferem títulos acadêmicos para o  exercício de  funções  determinadas. através das dificuldades e tentações da faina material.  esclareceu  que  a  agremiação  possuía  vasta  dependência  reservada  a  enfermos;  entretanto.  depois de reprimir as crises de insânia.  entretanto.. em atividades outras.162 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Bloco de casario sugeria universidades reunidas.  antecipadamente  avisado quanto à nossa presença.  revelavam­se agora pacificados e lúcidos. a mente se rearticulava. que eu modificasse qualquer conceituação prévia. em que os alunos diplomados são impelidos às experiências  e aos encargos que lhes fixam o mérito ou o demérito.  sempre  que  apartados  das  falanges  dementadas  nas  regiões  tenebrosas. atendiam a critério de seleção. afetuosas.  com  grata  surpresa.  porquanto os  verdadeiros  alienados  em  conseqüência  de  alucinações  emotivas. que nos comprovam  a assimilação das virtudes adquiridas.  contudo.  e.  fraternal.  remanesciam  de  tragédias  passionais.  ali se achava a fim de iniciar­nos no conhecimento da casa.  Enquanto  nos  detínhamos  em  caminhada  agradável. intimamente.  Neves. sob tratamento  indicado.  interpelado  por  minha  curiosidade. de modo geral. refazia.  se  interromperam  de  brusco.  após  alijarem  as  conseqüências  mais  imediatas  dos  vícios  e  paixões  aviltantes.  O  instrutor. quais as próprias personalidades humanas.  Aguardar­nos­ia.  No “Almas Irmãs” obtinham a láurea do conhecimento.  intensamente  vividas  no  mundo;  todavia. depois de suficientemente instruídos.  pesquisando  as  causas  e  observando  os  efeitos  das  quedas  de  natureza  afetiva em que se haviam precipitado.  Mas. na Terra volviam a  aplicá­lo.  em  maioria. começou dizendo que pisávamos num hospital­escola de suma  importância para os candidatos à reencarnação.  nas  equipes  consangüíneas  que  lhes  impuseram  prejuízos  ou  que  lhes  sofreram os danos. eram criaturas de aparência hígida as que nos acolhiam.  prevenia­nos  da  impossibilidade  de  abraçar­nos. e com quem convivera. longe de encontrar representantes da psicopatia ligada às perturbações  sexuais. com respeito à obra ali  desenvolvida.  amigo  que  eu  não  via  há  precisamente dez anos.  Belino  comparou  as  finalidades  do  educandário  aos  centros  de  cultura  superior.. tanto quanto  possível. nas paragens de angústia  expiatória  em  que  se  demoravam.  aprendia.  mais  tarde.  na  própria  residência. onde reencarnam nos ambientes em que faliram e.  existentes no mundo.  no  entanto. Os internados ou estudantes vinham. Ali.  dentro  da  especialização  profissional.  de  pronto. sempre no objetivo de retornar ao . restaurava.  Enternecia­nos.  Rigorosamente examinados.  Acrescentou  que  muitos  daqueles  que  nos  cumprimentavam.  e  somente  depois  de  julgados  dignos  entravam  naquele  pouso  de  refazimento  para  estações  mais  ou  menos  longas  de  estudo  e  meditação.  e  confrontou  a  arena  terrestre  com a esfera da prática.  como  que  retomando  os  esclarecimentos  que  Neves empreendera.  Abraçou­nos.  de  estâncias  purgatoriais. trazidas da Terra. são recambiados ao  domicílio terrestre.  tranqüilos.

 a ternura.  no  fundo.  espiritualmente. dessa maneira. em desequilíbrio ou  devassidão.  após  a  desencarnação. mesmo  ligeiramente  renovados  para  o  suspirado  convívio.  que.  Cada  individualidade  reencarnada  com  vínculos  no  “Almas  Irmãs”. com todo o histórico do que está realizando na  reencarnação  obtida.  esses  colegas.  sustentando  permanente  contacto  com  a  vida humana. Os aprendizes que  se  laureiam.  dessa  forma.  Indaguei  de  Belino  se  conhecia  a  média  geral  de  aproveitamento  na  comunidade  e  ele  informou  que  sim.  apontava.  acentuando  que. ai se honram com admiráveis oportunidades de trabalho. para efeito  de auxílio maior ou menor aos interessados. que detinha habitualmente uma população oscilante de  cinco  a  seis  mil pessoas.  às  zonas  inferiores.  que  intercedem  por  eles. dezoito  vitoriosos nos compromissos da reencarnação. o “Almas Irmãs”.  informou que ninguém na Terra consegue avaliar a expectativa. ainda se demoram. quando não logram abraçá­los de volta. conforme os desejos que expressem.  Noticiou  que  os  companheiros  em  malogro  positivo.  constituindo­se.  em  serviço  no  mundo. por muito tempo.  através  do  aproveitamento  substancial  dos  recursos  fornecidos  pela  organização. razão pela  qual  muitos  companheiros  do  “Almas  Irmãs”  se  corporificavam  na  Terra  com  programas  domésticos  preestabelecidos. segundo a lealdade que demonstrem na  desincumbência  das  obrigações  a  que  se  empenharam  e  conforme  o  esforço  espontâneo que revelem na construção do bem geral.  Sabia.  consagradas  à  regeneração  e  ao  progresso  da  alma.  até  a  ocasião  em  que  lhes  fosse  possível  mergulhar  no  berço  terreno.  famílias  inteiras.  ali  se  encontra convenientemente fichada. vinte e dois melhorados.  do  estabelecimento. por vezes.  porém. Acrescentou  que a não serem as reencarnações compulsórias. que se lhes indicavam na posição de filhos para o futuro. no  qual  se  lhes  vê  o  balanço  dos  créditos  conquistados  e  dos  débitos contraídos. exaltou os prêmios atribuídos aos vencedores. em estâncias  superiores.  de  maneira  a  hospedarem  com  os  seus  próprios  recursos  genésicos  os  colegas  afins. balanço esse que é examinável a qualquer momento.  em  edificações  e  provas  redentoras. na condição de posto  avançado  da  espiritualidade  construtiva. vinte e seis  muito  imperfeitamente  melhorados  e  trinta  e  quatro  onerados  por  dívidas  lamentáveis e dolorosas.  Aquele hospital­escola qualificava­se.  de  casos  pertinentes  a  vários  rematriculados  depois  dessas  refregas.  conquanto  nunca  percam  o  devotamento  dos  amigos  ali  domiciliados. no  coeficiente  de  cada cem  estudantes.  e  nem  imaginar  a  desolação que lhes sacode o ânimo.  automaticamente. onde.  Dali.  entre  os  homens.  em  oitenta  e  dois  anos  de  existência. por motivos prementes. o esforço  e  o  sacrifício  com  que  os  amigos  desencarnados  torcem  pelo  triunfo  ou  pelo  aprimoramento  parcial  dos  afeiçoados.  o  trabalho  do  instituto.  Em compensação.  representavam.  À  minha  nova  inquirição  sobre  se  os  fracassados  eram  readmitidos.163 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  mundo.  nas  esferas  de  ação  espiritual que circundam a Terra. a fim de incorporar em si mesma o valor das lições recebidas. qual ocorre a múltiplas organizações congêneres e a numerosas associações  outras.  passam. . o problema  do regresso requeria considerações específicas e preparações adequadas. os resguardavam e  defendiam.  junto  a  colônias  dedicadas  a  outros  tipos  de  assistência.

  salientava­se  tela  de  proporções avantajadas.  de  minha  parte. A venerável mulher elevava os braços para  o céu plúmbeo. O sexo.  Sexo  e  amor.  Disse  Andrade  que todas  as  disciplinas  são  freqüentadas  por  grande  cópia  de alunos e. E  outras discriminações. Sexo e penalogia.  há  quinze  anos.  e  os  professores  pela  simpatia. Sexo e equilíbrio.  pesquisado  e  enobrecido  em  cadeiras  diferentes. conforto sem luxo. Dirigente e comandante.  sem  que  a  nossa  passagem  lhes  alterasse  a aplicação;  contudo.  e  “sexo  e  penalogia”  retinham  proeminência franca.  Cada  qual  atendida  em  construção  apropositada.  Reverenciado  e  querido.  ressumava  simplicidade sem negligência. Sexo e evolução.  e  o  segundo  enfeixa  enorme  quantidade  de  Espíritos  conscientes  que  examinam  a  melhor  maneira  de  infligirem  a  si  próprios  determinadas  inibições. pai e irmão.  taciturnos.  Admirei­me.  antes  de  se  envolverem  nas  provações  que consideram necessárias ao aperfeiçoamento e felicidade que demandam.  entretanto. que filtrava revérberos de luz qual se lhe respondesse às rogativas e.  Sexo  e  estímulo.  O  ambiente  no  gabinete  em  que  nos  alojara. acolheu­nos amavelmente.  entre consolados e estarrecidos.  na  Terra.  é  de  salientar  a  emoção  que  me  empolgava  ao  observar  o  crescendo  de  veneração com  que  o  sexo  era homenageado nas  diversas  faculdades  de  ensino.  Iniciamos vistoria afetuosa.  na  extensão  das  obras  da  cidade  espiritual  em  que  me  achava. na qual a mão de pintor exímio gravara o retrato de nobre  matrona em prece nas regiões inferiores.164 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Atingíramos.  a  quem  a  administração  de  “Nosso  Lar”  delegara  responsabilidades  vultosas.  Por  trás  da  poltrona  singela  de  que  se  servia.  em  torno  dela.  Sexo  e  matrimônio.  Tornavam­se  as  elucidações  de  Belino  cada  vez  mais  interessantes  e  refletia.  Os  alunos  contemplavam  gravuras  e  croquis  que  configuravam  implementos do  sexo.  Sexo  e  maternidade.  nos  quais  Andrade informou estarem localizadas diversas atividades de instrução. Muitos chegam a deixar escritas nos arquivos da casa  as  sentenças  que  lavram  contra  si  mesmos. por tema central. Sexo e medicina.  para  se  corrigirem  de  hábitos  deprimentes  no  curso  da  reencarnação a que se dirigem. .  em  companhia  do  Irmão  Régis.  magotes  de  Espíritos  conturbados  a  se  rojarem  no  solo.  afetuoso.  Não  parecia  o  amigo  que  se  apequenava  no  Rio  para  compartilhar­nos  o  trabalho. O primeiro reúne centenas de criaturas que se endereçam aos  ajustes  de  lar.  Félix.  era  ali  distinguido  dignitário  do  conhecimento  superior. merecendo o maior apreço.  Matérias  professadas  em  regime  de  especialização.  longe  de  conhecer­lhe  todos  os  monumentos  de  benemerência e cultura.  Todos  nos  acolhiam  denotando  cordialidade. tentando saber em quais delas se inscrevia o número mais extenso. quando alcançamos a residência do diretor.  comprido  agregado  de  edifícios. viera  a  saber  que  os  assuntos  de  “sexo  e  maternidade”.  que  nos  apresentou  por  substituto  eventual dele. com o interesse carinhoso de quem se enternece ante o  colo  maternal e com a atenção de quem agradece concessões divinas.  Os  salões  de  aula  comoviam  pelas  revelações.

.  com  o  sentimento.  colocando  em  relevo  a  satisfação  de  que  nos  sentíamos  possuídos  com  a  revista  proveitosa  nos  órgãos  de  ensino. no “Almas Irmãs”. nas horas de supremas decisões. pois ninguém causa prejuízo a outrem sem embaraçar a si mesmo.  a  partir  daqueles  de  evolução  mediana.  instalada  no  campo  emotivo.  a  princípio.  até  o  ponto  em  que  suscitou  os  desastres  morais  conseqüentes.  levantando­os  e  instruindo­os.  Félix  explicou  que  conservava  naquela  obra  de  arte  a  lembrança  de  magnânima  servidora  do  Cristo.  em  vista  da  desconsideração  com  que  autoridades  políticas.  Qualquer  ligação  sexual.  gerando  desregramentos  passionais  na  vítima.  Neves.  desconhecida  entre  os  homens. a pouco  e pouco.  explanando  as  idéias  que  nós.  e o  parceiro  que  lesa  o  outro.  e. de vez que a benfeitora  efetua  o  encaminhamento  constante  dos  recolhidos  a  escolas  beneméritas. e os apontamentos se voltaram para as questões  do sexo. da lama em que um dia se afundara e de que se vira  arrebatado por aquela missionária engrandecida no Espaço.  confeccionado  a  pedido  dele  próprio.  às  vezes  sozinha.  até  agora  menos  aplicadas  nas  técnicas  da  experiência humana.  ainda  se  faz  seguir  de  atitudes  e  exigências  tirânicas.  Visitava  as  furnas  de  expiações  pungentes.  definição  unilateral  que.  o  sexo  é  categorizado  por  atributo  divino na  individualidade humana.  Todo  desmando  sexual  danificando  consciências  reclama  corrigenda.  oitenta  anos  antes. a serviço dos infelizes.  aventávamos.  amparando.  em  síntese.  reconfortando. sempre substituídos.  imprimiu  novo  rumo  à  palestra.  Vaticinou que a Terra. nas responsabilidades  e encargos de que fora investido.  historiou.  religiosas  e  sociais  terrestres  habitualmente  o  menoscabam.  com  vistas  à  reencarnação  na  Terra  ou  a  estágios  de  retificação  em  outras  paragens.  O  anfitrião.  passa  a  responder  por  dívida  justa.  porquanto  estamos  sempre  ávidos de consertar uma tomada em desajuste e queremos sonegar a Deus o direito  de socorrer e reabilitar os seus filhos em desequilíbrio emotivo.  ainda hoje. herdadas  do  comportamento  animal.  consagrada  no  mundo  espiritual  ao  socorro  de  corações  mergulhados  nas  trevas.  De  quando  em  quando.  com  humor. mais se capacita de que o uso  do  sexo  demanda  discernimento  pelas  responsabilidades  que  acarreta.  E  informou  dever  a  ela.  com  o  respeito  profundo  ali  dedicado  aos  estudos  do  sexo.  que  na  Espiritualidade  Superior  o  sexo  não  é  considerado  unicamente por baliza morfológica do corpo de carne.  Adotava  criminosos desencarnados por filhos da alma.  com  o  raciocínio  e  com  faculdades  outras.  freqüentemente.  tanto  quanto  qualquer  abuso  do  raciocínio. assumiam aspectos inusitados.  ressalvadas  as  exceções.  Félix. diretriz e .  Prosseguiu  relatando  que  nesse  abrigo  permanecem.  Homem  que  abandone  a  companheira  sem  razão  ou  mulher  que  assim  proceda.  O  Irmão  Régis  explicou  que  também  se  surpreendera. renovará princípios e  conceitos. distinguindo macho e fêmea.  o  primeiro  contacto  com  a  verdade.  ia  vê­la  no  asilo  maternal  que.  Entre  os  Espíritos  desencarnados. para não se esquecer. Quanto mais se eleva a criatura.  de  outras.  os  presentes.  acompanhada  por  equipes  de  colaboradores. que. que acabávamos de realizar.  cria  certo  ônus  cármico  no  próprio caminho.  porém.  qual  ocorre  com  a  inteligência. infundia­lhes o ideal da regeneração.  a  abnegada  educadora  sustenta nas  regiões  sombrias  por  almenara  de  amor.  os  homens.  engendra  sistemas  de  compensação  vibratória..  somos  contraditórios  quando  reencarnados. mais de mil hóspedes.  E  sublinhou.  que nomeava  por  Irmã  Damiana.  ele.165 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Registrando­nos  o  assombro.  que  nós.  Guardava  aquele  quadro.  na  Terra.

  entendendo­se  que  os  Espíritos  ainda  ignorantes  ou  animalizados. sob pena de  precipitar  a  Humanidade  na  dissolução.  respeitoso.  que  os  homens  não  podem efetivamente alterar.  aditando  que  a  alma  reencarna.  no  mesmo  nível  de  dignidade  humana.  E à ligeira pergunta que arrisquei sobre preceitos e preconceitos vigentes na  Terra.  o  que  obriga  a  própria  Ciência  terrena  a  proclamar.  o  que  não  assegura  possibilidades  de  comportamento  íntimo  normal  para todos. À vista disso.  com  necessidade  de  mentir . como são suscetíveis  de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos  de  manifestação. de chofre.  quando  não  fazem  deles  criaturas  hipócritas. em  todos  os  distritos  da  Espiritualidade  Superior.  nessa  ou  naquela  circunstância. em matéria de sexo. que no mundo porvindouro os irmãos reencarnados.  que  masculinidade  e  feminilidade  totais  são  inexistentes  na  personalidade  humana.  Homens  e  mulheres. porquanto  a  perseguição  e  a  crueldade  com  que  são  batidos  pela  sociedade  humana  lhes  impedem  ou  dificultam  a  execução  dos  encargos  que  trazem  à  existência  física.  estão  invariavelmente  decididos  a  usurpar  liberalidades  prematuras  para  converter os valores sublimes do amor em criminalidade e devassidão.  em  espírito.  observando­se  que  as  faltas  cometidas  pelas  pessoas  de  psiquismo  julgado  anormal  são  examinadas  no  mesmo  critério  aplicado  às  culpas  de  pessoas  tidas por normais. sejam quais sejam.  correm por nossa conta. que situará o problema  das relações sexuais no lugar que lhe é próprio.166 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  legislação. ainda.  segundo  a  conceituação  de  normalidade  que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social.  ponderou  que  isso  não  define a realidade integral.  na  base  dos  sinais  físicos  que  diferenciam  o  homem  da  mulher  e  vice­versa;  no  entanto. Empenhou­se a repetir que na Crosta  Planetária  os  temas  sexuais  são  levados  em  conta. em quaisquer posições.  por  enquanto  em  maioria  no  seio  de  todas  as  nações  terrestres.  seja  no  domínio  de  lides  expiatórias  ou  em  obediência  a  tarefas  específicas.  apresentam  certa  percentagem  mais  ou  menos  elevada  de  característicos  viris  e  feminis  em  cada  indivíduo. destacou que nos foros da Justiça Divina. serão tratados em pé de igualdade. por menos justificáveis perante  acomodações e primazias que usufruem.  o  que  nos  constrange a reconhecer que os delitos. as leis morais em que se regem. que.  no  que  tange  ao  assunto. Referiu ainda que  homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos.  que  exigem  duras  disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam.  encerrando  consigo  a  soma  de  experiências  complexas.  Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais. as  personalidades  humanas  tachadas  por  anormais  são  consideradas  tão  carecentes  de  proteção  quanto  as  outras  que  desfrutam  a  existência  garantida  pelas  regalias  da  normalidade. tanto em condições  normais quanto em condições julgadas anormais. em muitos casos. Félix demonstrou  que  inúmeros  Espíritos  reencarnam  em  condições  inversivas. porquanto. permanece um Espírito  imortal. contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas. os desatinos das pessoas  supostas normais são consideravelmente agravados.  há  séculos.  presentemente.  Félix  ponderou. no clima estável da maioria.  com  idade  às  vezes  multimilenária. notando­se.  no entanto. sob a inspiração da Ciência.  segundo  a  opinião  dos  homens. Acrescentou. regendo esses marcos.  para  melhorar  e  aperfeiçoar­se  e  nunca  sob  a  destinação  do  mal.  reparando­se  as  injustiças  assacadas.  do  ponto  de  vista  psicológico.

  para  conhecer  minudências  do  extenso  átrio  que atravessávamos.  conseguira  que  as  duas  manas.  afiançando  que  não  se  demoraria  a  tomar  o  mesmo  rumo. ao que Félix enunciou:  – Sim.  aparteando.  preparando  o  futuro. além  dos edifícios reservados à administração.  aproveitaria  oportunidade  e  clima  de  serviço. à face de achar­se bastante  traumatizada. anos antes; contudo. a fim  de que fosse reposta.  Notificou  Félix  que. ao ensino. nutria a esperança de reparar as brechas.  que  lhe  haviam  sido  irmãs  consangüíneas  na  Terra. de modo a que se  não  perdessem  medidas  em  andamento  para  o  resgate  do  pretérito.  Félix  informou  que  Marita  se  encontrava  naquele mesmo sítio.  efetuando  excursões  edificantes  e  recreativas  ou  atendendo  a  empresas  artísticas  e  assistenciais.  se  achavam  novamente  domiciliados  na  esfera  física  e. com urgência. defendida  por alguns religiosos na Terra.  Não  podemos.  Parando. assim de imediato.  pelo  que  não  julgava  oportuno  interessá­la  em  assuntos suscetíveis de lhe modificarem a mente.  Sara  chasqueou.  conquanto  tranqüila. internada num parque destinado a convalescentes; todavia. desde a  véspera.167 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  incessantemente para viver.  a  princípio. Tempo é comparável a crédito que um estabelecimento  bancário  empresta  ou  retira. no ambiente familiar do Rio. fiquei sabendo que o instituto sustenta zonas residenciais.  em  quase  todo  o  conjunto.  O  chefe  apresentou­nos  duas  senhoras  que  lhe  partilhavam  o  refúgio  doméstico. O processo alusivo ao retorno tramitava. os interessados costumam alterá­los.  a  fim  de  trabalharem  juntos.  Neves abordou a tese referente ao dia determinado para a desencarnação.  de  trecho  a  trecho. seja melhorando ou  piorando a própria situação. porém. sob o Sol que a Bondade Divina acendeu em benefício  de todos. não nos é lícito desacreditar os ensinamentos religiosos.  Espíritos  em  conjunções  afetivas  e  repúblicas  de  estudiosos  que  se  visitam  ou  recebem  amigos  de  outras  organizações  e  de  outras  plagas.  pela  reencarnação  de  emergência.  segundo  as  atitudes  e  diretrizes  do  devedor.  Aí  se  acomodam  famílias  inteiras. mas um companheiro de serviço veio avisar  que Dona Beatriz se achava pronta a receber­nos.  servindo  em  outros  setores.  no  “Almas  Irmãs”.  A  desencarnação  precoce  acarretara­lhe  prejuízos.  à  maneira  de  operário  que  muda  de  máquina sem se afastar da oficina.  Remanesciam  os  três  de  família  cujos  membros. não  nos encorajou o impulso de revê­la.  Sara  e  Priscila.  ali  morava  junto  de  colaboradores  afeiçoados;  no  entanto.  Ambas de cativante simpatia na lhaneza de trato.  de  permeio  com  as  obrigações  de  rotina.  Há planos  prefixados  e  ocasiões  previstas  com  relativa  exatidão  para  o  deperecimento  do  veículo físico; no entanto.  O  decesso  prematuro  representara  fundo  golpe  no  programa  estabelecido  ali.  nos  órgãos  competentes.  Demandamos o interior. voltada para o reduto doméstico.  Dessa  forma.  A conversação era fascinante. rogara de orientadores amigos as possíveis concessões. tanto nas áreas . à subsistência e à hospitalização  transitória. Ele.  casais.  Satisfazendo­nos  as  inquirições. olvidar que a consciência é livre para pensar e agir.  se  transferissem  para  o  “Almas  Irmãs”.  nos  anos  últimos. assim. restituindo­a  ao  convívio  dos  entes  caros.

  de  vez  que  todos somos consciências responsáveis.  Discípula  aplicada  do  ambiente  renovador  em  que  se  reconhecia.  entre  as  mulheres  mais  felizes.  adivinhando­nos na fase terminal do reencontro. mas nos olhos o clarão  juvenil da criatura que retoma aspirações de há muito esmaecidas.  e  enquanto  nos  despedíamos. tantos  anos antes.  Conversamos.  a  endereçar  afetuoso  sorriso para a filha confiante e adiando a verdade para momento oportuno.  propiciando­lhe  esperanças. ainda não  obtivera qualquer notícia da mãezinha que os precedera no mundo espiritual.  solicitou  com  os  olhos  marejados  de  pranto que lhe desculpássemos  o apego à retaguarda.  Assuntos numerosos vieram à baila.  E.  sem  suspeitar das atenções que recebera de Félix. sorrindo.  era  dos  companheiros  mais  leais  do  mundo  e  pai  do  melhor  dos  filhos. na  primeira  oportunidade.  mesmo  assim.  fomos  defrontados  pelo  aposento  da  senhora  recém­  desencarnada. antes de liberar­se do corpo enfermiço..  Falava  como  se  estivesse  num  lar  de pessoas  desconhecidas. a quem Sara e Priscila dispensavam cuidados especiais. Ela reconhecida e  os anfitriões satisfeitos. acentuou  com  humildade  e  grandeza  de  alma.  na  apreciação  dela.  refleti  na  transformação  do  amigo  que  aprendera  a  colocar  o  amor  por  cima  de  mágoas  recalcadas.  Declarava­se  encantada.  A palestra deslizou sobre os patins da ternura recíproca..  Nesse  ínterim.  Neves  confortou­a. aquele coração generoso de mulher  não deixou de se patentear..  demandando  o  repouso.. Notava­se que Félix se empenhava em  distraí­la. até aquele momento. lembrando a Neves que. rematou:  –  Qualquer  dia  é  dia  de  criar  destino  ou  reconstituir  destino. .  A noite avançara.  agradecida  aos  hospedeiros.  Todos  nos  esforçávamos  por  induzi­la  a  esquecimento  construtivo;  entretanto.  porque  acreditava  ter  sido  no  mundo  imensamente  feliz.  ao  lado  de  um  esposo  que. mas isso acontecia.168 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  físicas quanto nas espirituais.  à  casa  que  ficara na  Terra.  desentranhando­lhe  o  pensamento  fincado  no  antigo  lar.  No semblante. a circunspeção que lhe conhecíamos.  Neves  aproximou­me.  Beatriz remoçara. como também rogava para que os circunstantes a favorecessem com uma  visita. mesmo quando jungida às conseqüências do passado  culposo.

  de  passagem.  a  pequeno  palácio.  Félix.  Prometeu que nos acompanharia.  onde  dois  juízes  funcionam.  mas  solicitava  minudências. cujo número  aumentava  com  as  atitudes  inesperadas  de  Márcia. impossível alinhar previsões. o próprio  Félix  conduziu­me. confiando na Bênção do Senhor.  sempre  cumprimentado  com  apreço  por  todos  os  passantes.  sugeriu  providências  e  articulou  planos. em  Botafogo. não chegava a derramar. De quando em quando.  contendo  a  emotividade. preocupado. socorrê­los. encetando a nova etapa de assistência.  Antes.  atendendo  aos  petitórios  formulados  pelos  integrantes  da  comunidade.  amparasse Márcia e os dois Torres.  estimulando  Nemésio  a  uma  aventura  que  ralava  pela  demência.  Compreendi. e deduziu que as dificuldades de  Cláudio e Marina atingiam o clímax.169 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 10  Precedendo  o  descanso.  desse  modo.  Acatando­lhe  as  instruções. Chorava por dentro.  supunha  trabalho  complexo  demais  para  ele  sozinho o encargo de manter a jovem doente livre dos vampirizadores.  explicou­me  que  ali  somente  se  organizavam  processos  de  auxílio  e  corrigenda. sempre que nos propiciassem os meios para isso. que ele.  localizado  no  centro  da  instituição. lágrimas lhe umedeciam os  olhos. Que eu voltasse. porque me interessasse pelos assuntos de sexo e  penalogia. junto de Marina.  espiritualmente ligados aos interesses do instituto.  De  entrada.  Mesmo  assim.  porém.  no  dia  seguinte  dispus­me  ao  retorno.  com  respeito  aos  irmãos  reencarnados na esfera física. que a tudo prevê  e provê nas horas justas.  a  Moreira.  Para  mim.  Curioso  foro  do  “Almas  Irmãs”. de empreender o regresso. refletindo nas enfermidades obscuras que enxameiam na Terra. .  que  me  aprovou  o  desejo de continuar prestando assistência a Nogueira e à filha.  O  benfeitor  falava  sereno.  Que  me  reunisse.  padrão de coragem.  relacionados  aos  companheiros destinados à reencarnação e aos que já se achassem no estágio físico. Mediante os  compromissos em que se emaranhavam.  faceando  com  dezenas  de  pessoas  que  iam  e  vinham.  entendi­me  a  sós  com  Félix.  muito  fácil  verificar­lhe  o  suplício oculto.  Apreciava  em  Moreira  um  cooperador  diligente  que  o  tempo  se  incumbiria  de  valorizar;  todavia.  esse  o  nome  com  que  o  edifício  é  designado.  “Casa  da  Providência”.  estendesse  os  braços  para  Cláudio  e.  alentasse  Marina. Necessário apoiá­los. Ouviu­me a exposição. Félix sofria conformado.  Cientificara­se  o  instrutor  de  todos  os  sucessos  em  curso.  porém.  quanto  nos  fosse  possível.

  opina.  Sentamo­nos. de  começo.  em  todas  as  recomendações  e  diligências.  e  o  interpelado respondeu  com  humor  que  principiávamos  o  interrogatório  manejando  inesperada  proposição.  acidentes  da  infância.  que  é  constrangido pela força do cargo a estudar e informar todas as peças.  intempestivamente.  avisando que se tratava de contacto ligeiro. fora esclarecido muito mais pelos pareceres dos juízes e dos conselheiros que  pelo próprio critério. aliás. o que lhe fornecia dobradas razões para respeitá­los.  Ambiente  digno.  em  maioria.  Amantino.  afirmando  que  em  apontamentos  fiscalizados  de  quase oitenta anos consecutivos.  Ainda  assim. com tempo bastante para engolfar­me no estudo. voltou a esclarecer que mais da metade dos  autos tramitam na direção de autoridades do Ministério da Regeneração e do Auxílio  que.  talvez  por  humildade.  certas  modalidades  de  suicídio  tanto  quanto  moléstias  e  obsessões  resultantes  de  abusos  sexuais  e  uma  infinidade de  temas  conexos  são  aí  examinados.  aprovando­as  ou  contrariando­as.  seis  companheiros  e  quatro  irmãs.  Nessa  hipótese.  com  méritos  suficientes  perante  a  governadoria  da  cidade.  delitos  da  juventude.  A  chegada  de  Félix  provocou  afetuoso  tumulto  que  ele  próprio  suprimiu.  lares  periclitantes. Apenas uma vista de olhos.  dramas  passionais.  absolutamente  irrepreensíveis.  Mais  para  corresponder  à  gentileza  que  pelo  propósito  de  analisar  de  afogadilho  os  mecanismos  da  casa. de pressionar os julgadores. embora vão.  divórcios. E frisou que  eu voltaria.  No  corpo  do  edifício. que era forçoso receber.  Félix. mais tarde.  segundo  as  rogativas  e  as  queixas  entregues  aos  pronunciamentos  da  justiça.  através  de  assembléias  semanais.  os  casos.  no  salão  de  audiências  públicas.  que  exigiam  aturada  consideração.  A  Casa  da  Providência apenas delibera em definitivo nos problemas que se limitem ao “Almas  Irmãs”;  contudo.  porém.  da  existência  terrestre.  Em  recinto  sóbrio.  perguntei  pela  percentagem  dos  companheiros  que regressam.  deserções  afetivas.  as  questões  são  aí  discutidas. primam pela rapidez nos despachos e provimentos.  Os  colaboradores retomaram  posição. em que a direção e a subalternidade não se confundem.  revelam  derivações  para  outros  setores. conquanto reunidas  pela cordialidade na base do acatamento recíproco.  que.  no  rumo  do  gabinete  central. a média de irrepreensibilidade não excedia de cinco  em mil.  que  se  achava  em  serviço.  o  instrutor  deu­me  a  satisfação  de  saudar  o  juiz  Amantino.  seguimos  por  vias  interiores.  Um  conselho  constituído  por  dez  orientadores.  não  decidem  só  por  si.  acompanhado  de  cinco auxiliares.  berços  torturados.  seguindo  para  instâncias  superiores.  pelo jeito.  Alguns  talvez  lhe  dirigissem  apelos pessoais.  Félix.  onde  a  massa  de  requerentes  e  querelantes  se  acomodava.  Elucidou.  a  fim  de  que  as  decisões  não  se  comprometam  em  arbitrariedades. no intuito.  que  se  achava  ali  unicamente  para  favorecer­me. uma por uma.  em  muitas  ações.  os  dois  magistrados  amigos  e  ele  mesmo.  segundo  as  conclusões  daquele  templo  de  justiça.170 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Renascimentos. Clareando  com mais segurança os informes iniciais. não obstante surgirem fichas honrosas de muitos que atingiam até mais de . inconveniência  que era preciso evitar.  queria  ofertar­nos alguns minutos de atenção.  não  se  atribuía  o  direito  de  penetrar.  Alegou.

  Articulando  novas  inquirições.  nem  prever.  Os  que  possuem  semelhante comportamento dignificam todos os grupos espirituais a que se entrosam  e  venham  dessa  ou  daquela  religião.  alcançam  a  Pátria  Espiritual.  é  permitido  ou  prestigiado.  Em  se  reconhecendo  que  todos  os  matrimônios  terrestres. A vítima é induzida  à generosidade e à benevolência. sempre importantes  para  a  comunidade.  Isso  porque  os  árbitros  e  mentores  não  se  valem  exclusivamente  dos  textos.  quase  sempre  ainda  tisnados  pela  eiva  da  animalidade  primitiva. no que tange à renovação de companhia e  caminho. por todos os meios  lícitos;  contudo. por amor às tarefas que  os  Desígnios  do  Senhor  lhes  colocaram  nos  corações  e  nas  mãos.  previamente  estabelecidos. com as responsabilidades naturais que lhes decorram das decisões. passa à condição de julgado.  adiando­se­lhes  os  débitos  para  resgates  futuros  e  concedendo­se­lhes  as  modificações  que  requeiram.  o  que.  diante  da  Providência.  Em  razão  disso. nas esferas superiores.  o  homem ou a mulher continuam recolhendo o apoio espiritual que lhes seja preciso.  no  “Almas  Irmãs”.  sem  queixa.  mas  também  dos  princípios  de  compreensão  humana  que  lhes  palpitam  nas  consciências  e.  seja  no  amparo  moral  à  família  consangüínea  ou  na  sustentação  das  boas  obras.  desse  ou  daquele  clima  do  mundo.  quando  suportam.  Surgido  o  problema.  na  condição de enobrecidos filhos de Deus. sem repelir­lhes a afeição e a presença. na  Espiritualidade Superior.  justificadamente  considerados  grandes.  no  dédalo  dos  próprios  sentimentos.  representa elevado grau de mérito.171 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  noventa  por  cem  na  matéria  de  distinção  absoluta. os  que  patenteiam  incapacidade  de  perdoar  as  afrontas.  são  mais  amplos. No entanto.  em  muitos  casos.  Chegados  a  esse  ponto. as grandes mulheres e os grandes homens. o divórcio é dificultado.  sob  pena  de  transformar­se  a  justiça  em  prepotência  contra  vítimas  de crueldades  sociais  que  a  legislação  na  Terra. esquecendo incompreensões e ultrajes recebidos. o companheiro ou a companheira.  são  acolhidos sob galardões de heróis verdadeiros.  O  juiz  atendeu.  não  consegue  remediar.  conquanto  se  lhes  lastime  a  ausência  de  grandeza  íntima. por haverem abraçado sem revolta os  que lhes espancavam a alma.  seja  em  questões  de  benefício  geral  ou  de  provas legítimas. .  por  enquanto.  o  executor  da  lei  não  ignora  as  dificuldades  que  se  antepõem  às  criaturas  para  que  se  conduzam  em  medidas  de  correção  integral.  segundo o merecimento e a necessidade de cada um.  usando  a  própria  consciência.  Aproveitei o assunto e indaguei sobre o divórcio.  compreendendo­se  dentro  dela  os  Espíritos  encarnados  e  os  desencarnados. responsável pela ruptura da confiança e  da estabilidade da união conjugal.  se  efetuam  na  base  dos  programas  de  trabalho. através de recursos que a Espiritualidade Superior  consiga veicular.  são  igualmente  amparados.  para  que  não  se  afrouxe  a  disciplina;  no  entanto.  apesar  da  eqüidade  nos  julgamentos.  Amantino  aclarou  que.  no  desejo  de  separação  conjugal  que  revelem.  entre  as  pessoas  de  evolução  respeitável.  cujas  vantagens  são  recíprocas  com  a  humildade  e  a  benemerência  de  qualquer  dos  seus  membros.  prevalece  o  rigor  no  registro  de  todas  as  culpas  e  defecções  dos  reencarnados. a fim de que não se frustrem planos de serviço.  os  limites  da  tolerância. atribuindo­se tanta liberdade e  tanto respeito ao homem quanto à mulher.  as  infidelidades  e  as  violências  do  parceiro  ou  da  parceira  de  reduto  doméstico.

 é princípio geral da Natureza.  bem­humorado.  Nesse  sentido.  no  interesse  da  tranqüilidade  e  da  elevação  daqueles  que  os  cercam. sublinhou Amantino. o que. o resguardo assumia a forma de emenda. Animal prestimoso recebe  do dono cuidados especiais. se escasseassem créditos aos  interessados.  nessa  clara  aplicação  do  direito. veneradas e dignas. inquiri sobre a moral nos países terrestres. não nos cabia olvidar que.  Somados  uns  e  outros.  sem  que  lhes  fosse  possível  modificar  o  curso  da  justiça. mesmo aparentemente legalizada entre os homens.  automaticamente.  não  aprovam  a  escravidão  de  ninguém  e. que se elevem para a Suprema Sabedoria  e para o Amor Supremo. quanto mais valor demonstre para a .  irritava  os  solicitantes.  Efetuando­se  o  aperfeiçoamento  moral  de  etapa  em  etapa  e  compreendendo­se  a  existência  física  por  aprendizado  da  alma. Isso.  Perguntei se a Casa providenciava auxílio.  porém. na prática  dos  deveres  que  lhe competem. Creia ou não na imortalidade. é uma herança animal  que desaparecerá da face do mundo e que.  é  analisado  à  luz  de  contabilidade  segura.  Ele  redargüiu.  funcionam  à  guisa  de  abonos  e  cauções  de  significado  muito  importante para cada um.  as  leis  da  Criação  marcam  no  caminho  de  todo  Espírito  os  bens  ou  os  males  que  pratique.  Qualquer  pedido  de  ajuda  ali  formulado. Ponderou que há  provações  e  circunstâncias  difíceis  em  que  o  homem  ou  a  mulher  são chamados  à  abstenção  sexual. sobejando dívidas.  convincente.  as  preces  ou  mesmo  apenas  as  vibrações  de  alegria  e  reconhecimento  de  todas  as  criaturas  encarnadas  ou  desencarnadas. em nos achando numa estância inspirada  pelos ensinamentos do Cristo.  que. ainda mesmo que para isso escolham  multimilenárias experiências de ilusão e de dor. basta  um homem para uma mulher e basta uma mulher para um homem.  muitos  requerimentos  de  socorro.  antes  de  tramitar.  sem  desconsiderar  o  acatamento  que  se  deve  às  criaturas  de  vida  reta  espoliadas  no  patrimônio  afetivo.  porque  a  Divina  Providência  manda  exaltar  as  virtudes  dos  que  amam  sem  egoísmo.  independentemente  da  própria  vontade. acima de tudo.  Impressionado.  Salientou.  Os  Executores  das  Leis  Universais.  desacertos  por  débitos.  entretanto.  se  transformam.  determinando­se  a  média  do  auxilio  atribuível  a  cada  petitório  individual.  agindo  em  nome  de  Deus. conforme a extensão dos erros. tanto ali quanto em qualquer lugar.  devolvendo  frutos  na  base  da  sementeira. mais amparo recolhe nos dias obscuros em que resvale no desatino.  em  qualquer  plano  da  vida. é apreciada e sustentada.  se  propõem  levantar consciências livres e responsáveis.  Árvore benfeitora atrai a defesa imediata do pomicultor.  nas  diligências  empreendidas.  de  imediato. perante o Evangelho.  situação  essa  que  não  modificam  sem  alterar  ou  agravar  os  próprios  compromissos. porque.  até  que  ponto  será  possível  ou  aconselhável  o  atendimento.  verifica­se. onde um homem  guarda  o  direito  de  possuir  várias  esposas.  ajuntou  Amantino  compreensivo.  Acertos  como  haveres.  beneficiadas  pelos  requeredores.  entretecido  de  acertos  e  desacertos. Por isso.  destacou  que  a  poligamia.  em  qualquer  sítio  cósmico. destacou  o juiz.  que  o  auxílio  se  verifica  justamente  pela  extensão  dos  acertos. qualquer pessoa é alma eterna.172 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Assim  acontece. às  vezes.  com  raras  exceções  a  individualidade. pelo rendimento de utilidade com que  se caracterize no bem  comum. em provisões de corrigenda.  Amantino.  Quanto  mais  exato o  Espírito reencarnado. Lícito que a pessoa.  pelo  documentário  pertencente  ao  candidato  para  quem  se  requisita  favor.

.  em  tutores  e  companheiros  abnegados. uma senhora triste compareceu..  Estranhei a exigência do amigo.  diante  da  recusa  de  Félix..  embora  nascidos  do  sofrimento.  ali  mesmo  no  gabinete...  e  por  várias  vezes.173 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  coletividade.. impossível.. a presença de dois sentinelas. expulsou todos os filhinhos. Coração de mãe concorda com isso? Impossível.  – Justo! Pois o senhor não conhece minha filha?  – Ah! Sim – disse Félix com indefinível tristeza a lhe velar o semblante.  Iria. Todas as ponderações articulavam­se ali  em direito líqüido...  um  caso.  no  entanto.  Apenas  aí  cheguei  a  entender  que  o  mentor  se  preparara. capazes  de guarnecerem a entrada... De nossa parte nenhuma objeção.... na Terra ou em outras paragens.  Abandonando  o  lar  e  afundando­se  em  prostituição. não  obstante  contrafeita.. –  Iria Veletri.  para  que  mostra  ligeira me fosse facultada..  indiretamente. mais devotamento receba das Esferas  Superiores. espontâneo..  – Instrutor. entregando­lhe os  autos que trazia – roguei proteção para minha filha e veja o resultado...  com  o  tempo. unicamente porque  não  pudesse  o  companheiro  sustentar­lhe  a  vocação  para  o  luxo  desmesurado.  esqueceu­se  da  autoridade  de  que  Amantino se achava revestido e precipitou­se na direção do instrutor..  Diversos  tentames  foram  empreendidos. prosternando­  se de joelhos.  Seis  abortos  até  agora  e.  A  recém­chegada.  até  agora.  O benfeitor leu a peça e obtemperou:  – Jovelina.  Em  oito anos de ligação conjugal. solicitando..  Não  lhe  consta  da  ficha  o  mínimo  gesto  de  bondade  à  frente  dos  semelhantes.  foi  convidada. . O despacho é justo.. Casou­se aos  dezoito e se desligou do marido. arrancando­lhes do seio o corpo em formação. aos vinte e seis. cuja simplicidade me habituara a venerar;  no entanto. fugindo à lisonja que ele usualmente não  suportava..  manicômio.  de  antemão.. nunca se portou à altura dos compromissos e praticou  seis  abortos. E a nossa Casa não lhe opôs contradita à vontade de viver  assim obsidiada. sejamos fortes e razoáveis. nada  fez  que  lhe recomende  a  permanência do  mundo.. tenha compaixão de nós! – chorou a mulher.  para  que  se  afastasse dos  hábitos  dissolutos.  a  rejeitar qualquer manifestação de idolatria.  Enunciei  o  propósito  de  saber  como  se  operavam  as  audiências;  todavia.  sob  a  inspiração  de  amigos  daqui.  mantida por aqueles que a sustentavam.  Assinalando  a  presença  de  Félix.  Descerrada a passagem.  fazendo­se  mãe  respeitável  de  filhos  que. homem digno.  O instrutor anuiu. o inesperado se encarregaria de sossegar­me.  se  lhe  transformariam.  foi  constrangida  a falar  de  pé. para que não continue convertendo o claustro materno em antro da  morte. há trinta e seis anos. Lembro­me de quando se ausentou.  Amantino  propôs  se  ouvisse.  pelo  menos. porém. Manicômio.  Ela  própria  se  entregou  de  bom  grado  aos  vampirizadores  que  lhe  desgastam as energias..  que  não  concordava  em  alterar  o  serviço.  Félix acenou para os guardas e recomendou que a levantassem.

  Volte  aos  afazeres  e  honre  a  filha..  O  manicômio  é  também  refúgio  levantado  pela  Divina  Providência  para  expurgar  nossas  culpas.  engasgada  de  angústia. agitada.  beijando­lhe  a  destra  com  humildade.174 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  E deixando entrever funda melancolia no olhar.. em Botafogo.  A requerente fitou os olhos do instrutor.  Marina.. sob as atenções de Moreira.... a poucos passos.  Mais algumas horas e entrei na clínica de nervosos. Quantos de nós aqui teremos filhos amados.  e  agradeceu. Jovelina!. despedi­  me também de Félix. fora do edifício. nos  hospícios  da  Terra.  mas  a  entrevista  não  estimulou  comentários. olhos que lhe falavam de recôndito  martírio  moral. rematou. A  sala  retomou  a  feição  própria.. Seu amor de mãe será junto de nossa Iria assim como  a luz que remove as trevas!. enlaçando­a com  paterna solicitude:  – Ah! Jovelina.. dormia...  Separei­me dos novos amigos e.  trabalhando e servindo mais. .

  sonhava  reencontrá­la.. até que lhe conseguisse a mudança.  Solicitado por ela a optar pelo casamento em país que aprovasse o divórcio. Percebia claramente que Nemésio trazia a menina fixada à  lembrança.  Moreira  e  nós.  Ela  interessada  em  ligação  definitiva;  ele. como nos tempos em que Beatriz se derreava no leito..  após  cinco  semanas  no  clima  da  serra.  Importante não se reunissem de vez.. quis estrilar.  hesitante. noitadas. gotas estimulantes na hora certa. conjugado à Medicina.  Passeios.  a  seu  turno.  Nas  excursões. chinelas a mão.  mencionando  Gilberto.  O apoio espiritual. cujas vantagens não se dispunha a perder.  Ordens  atendidas.  Que Márcia aguardasse. Aspirava a prendê­lo. ganhar­lhe a fortuna e a confiança.  Nemésio  prometia  satisfazê­la;  entretanto. Tinha medo. Marina exigia cuidado.  algo  modificados  pela  aventura.  movimentando  recursos  magnéticos. funcionava com segurança. embora não lhe  recusasse apreço e ternura. O negociante amava­lhe a filha.  e.  A  esposa  de  Cláudio.  Para  isso  engenhava  todos  os  modos  de  se  fazer  necessária.  supondo­se  com  a  jovem  que  aceitara  por  noiva. . diversões. vigilância.  por  fora.  Acordava.  para removê­lo. pouco lhe importava  que ele adorasse a moça. complicavam­se os problemas em derredor. recuara.  Por  várias  vezes.. como de  hábito.  costumava  formular  confissões  de  amor. No fundo. Instado a patrocinar­lhe o desquite.  qual  se  estivessem  os  dois  na  meninice.  insuflara­lhe  inquietação. ao verificar que Márcia.  Cláudio  e  Salomão  entrelaçavam energias..  Assustava­se  consigo  mesmo. pertencia­lhe pela alma.  de  volta  ao  Rio.  preferiu  mantê­la  em  casa  de  Selma. garantindo cooperação.  Aquele  mês  de  folga.  Não  que  Márcia  perdesse  para  ele  os  encantos  com  que  o  seduzira.  refeições prediletas. compreendê­lo.  junto  dela.  Mesmo assim.  empenhávamo­nos  nisso.  jantares.175 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 11  Na casa de saúde.. Não  receava. Organizava  interesses  comerciais  em  cidade  do  sul.  chamava­lhe  “Marina”.  reconhecia o obstáculo.  retornaram  ao  Rio.  porém. experiente  e maternal. Em seguida.  Temia  a  si  próprio.  sonâmbulo.  e. e concluiu que não se achava pessoalmente num caso de amor e sim numa  transação. de pronto.  não  obstante  se  propusesse  cativá­lo.  alta  noite. De começo. Entre os bastidores da  luta.  nos  braços  da  mulher  que  não  esperava.  apesar  de  se  acharem  ambos  em  conjunção  incessante.  e  Márcia  esperava.  as  gralhas  do  mundo  social. calculou. sabia tolerá­lo. anotando­lhe as sensações de alívio.  a  companheira  que  residia  na  Lapa.  fomos  arrancá­lo  dessas  crises.  Nemésio  e  Márcia.

 no centro das derrocadas. infeliz.  Em  torno  de  Nemésio  e  de  Dona  Márcia.  A  vivenda  ressumava  tranqüilidade. tarefas e planos surgiam por flores auspiciosas que  Félix. falava em suicídio.  vinha  ver. .  o  silêncio.  que  se  tornava  habitualmente  muito  difícil  a  obtenção  de  emprego para egressos de hospício. foi guindada à condição de governanta. Aqui e ali.  Após  dois  meses  de  tratamento. Muita vez.  Interessou­se  por  singelo  serviço  beneficente. referindo­se a Marina.  resguardada pelo carinho paterno.  Largado.  Acolheu  a  amizade  de  Salomão.  Marina  regressou  ao  Flamengo.  A princípio..  recolheu. no  entanto.. alimentava complexos. lidos por vezes com lágrimas.  Cláudio  cercou­a  de  meiguice  e  bondade.  Informara­se.  Sabia  o  genitor  descansando e não ignorava que Dona Márcia demandara igualmente o repouso. Se Cláudio e Marina não pudessem protegê­lo.  Sentia­se derrotado. inteirou­se quanto à nova situação.  que  passara  a aceitar  por  mestre  da  alma.  qual  se  lhe  fosse  filha. Farra e  uísque.  entusiasmada.  Contudo.  rogando  a  Nogueira  instalassem  Dona  Justa. ouvia apontamentos desairosos em torno do  pai  e  de  Dona  Márcia.  não  obstante.  mas  trazia  ainda  uns  restos  de  nobreza  para rechaçar  aquilo que  considerava  invencionice  e  maledicência.  por  intermédio  de  enfermos  recuperados. que o manobravam facilmente como se maneja uma taça.  Conversações e leituras. o Espírito Félix reconstruía.  parecia  a  si  mesmo  desacoroçoado. correrias. embriagado. navegante sem bússola. encontrara um pai cuja grandeza de coração até ali ignorara e uma  fé que lhe reabilitava a esperança.  junto  de  senhoras  consagradas  ao  socorro  de  irmãs  infelizes.  partilhando­nos  júbilos  e  orações.  de  quando  em  quando. com a segurança  de parenta feliz.  O  rapaz  afundava­se.  a  fim  de  reerguer­se  na  profissão.  Perdera  a  assistência  maternal  e  não  desconhecia  os  empeços  com  que  devia  contar. e decidiu­se a respeitar­lhe as decisões. E. mas Gilberto. e os textos espíritas.  encantado. esbanjava o dinheiro paterno. lhe infundiam a  consoladora  certeza nas  verdades  e  nas  promessas  do  Cristo.  Em horas breves.  Moreira  e  nós  outros  prosseguíamos atentos na defensiva.  viúva  e  sozinha.  Como negar­lhe apoio?  Cláudio  notou  que  a  filha  ainda  amava  o  rapaz  enternecidamente. sofria.  Amigos  solicitavam  para  ele  compaixão  e  socorro.  e  inscreveu­se  entre  aqueles  que  constituíam agora  para  Cláudio  a  família  espiritual.  através  de  amigos. Pileques. abatido.  pelo menos lhe providenciassem a hospitalização.  junto  deles  em  casa.  a  sugestão.  em  definitivo.  Pai  e  filha  empenhavam­se no propósito de olvidá­los.  Criança  sem guia. contente.  E  quando  o  genitor  convidou­a  para  que  se  afeiçoassem  ao  culto  semanal  do  Evangelho  no  lar.  Todavia.  ardentemente.  quase  sempre  bêbado  e  atuado  por  alcoólatras desencarnados..  abatido.  esbravejava  frenético. Sem o menor incentivo ao trabalho e sem âncoras  de ideal que lhe governassem os sentimentos.  A  antiga servidora.  Repletava­se  o  apartamento  de  mimos e flores.  para  defendê­los. distante..  mantido  em  favor  de  pequeninos  desamparados.176 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Gilberto.

  De  começo  até  à  refeição.  Vali­me  do  ensejo  para transmitir­lhe  avisos  que  me  foram extremamente  úteis.  reportou­se  a  banalidades. Retomou a insolência de que desertara e clamou para mim. embora continuasse amando a moça. e chorou. que.  Apreensivo.  Gilberto compareceu  no  momento  previsto. em voz alta.  Moreira.  nas  minhas  primeiras  experiências  de  homem  desencarnado  em  processo  reeducativo.  inteirara­o  de  que  a  escolhida se desmoralizara.  Denunciara­lhe Marina por jovem desencaminhada.  Afastara­se por semelhantes razões.  por  fim. constrangendo­  o..  lhe  desfrutara  o  carinho..  não  tinha  a  intenção  de  se  reconciliar.  comovido  quanto  Moreira  e  nós.  levando  em  conta  as  acusações  havidas. roguei a ele se calasse por amor ao bem que nos propúnhamos  realizar.  e  maio.  perdeu  a  calma.  Confessava­se  fracassado. com toda a certeza. sondando brechas. Ele e a filha esperá­lo­iam em casa.  a  alegar  que  desistia  de  futura  ligação  com  ela. demandariam a residência  dos Torres.  noticiando  que  o  genitor  o  chamara  a  contas..  Nemésio.  que  assumira  apaixonadamente  a  defesa  da  menina. com o  rigor de meirinho implacável.  Tristonho.  A  pouco  e  pouco.  descrevera­lhe  intimidades.  diante  daquela  explosão de lágrimas.  Expliquei­lhe  que. Partilharam lanche rápido e Nogueira convidou­o para jantar  no dia seguinte. acariciou­lhe a cabeça e perguntou por que lhes abandonara a  amizade.  apesar de possuir seis meses de Evangelho.  O  chefe  da  família.  nem  se  defendeu.  atendendo  às  indicações  de  Marina.  malogros.177 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Após  entendimentos  ponderosos.  sofrimentos.  entremostrando  nos  olhos  o  amor  e  a  esperança  inextintos.  ao  entardecer. com quem.  sóbrio. sentia muita dificuldade para não reunir  a turma dos companheiros de outro tempo a fim de punir o velho Dom Juan..  Torres filho sorriu e comprometeu­se. Imaginava­se de retorno ao lar antigo.  por  sabê­la  doente.  enquanto  Cláudio  se  esforçava  por  harmonizar  os  dois  corações desavindos.  Seis  meses  haviam  corrido  sobre  a  transformação  de  Cláudio.  Gilberto  desabafou. Asseverara­lhe que ele próprio.  Restringiu­se  a  chorar  discretamente.  acabrunhada.  Conjeturava­se  mergulhado  num banho de forças balsâmicas.  o  bancário  escolheu  a  ocasião  que  lhe  pareceu  favorável  e  abraçou­o  numa  churrascaria do Leme. abanava o Rio com as brisas refrigerantes que desembocavam do mar.  Moreira  assustou­se  ao  me  ouvir  a  recomendação  incisiva. que não servia para casar e ameaçara­o. nas imediações.  aliás. .  no  entanto. refletia na  mãezinha que a morte arrebatara.  não  confirmou.. irmãos infelizes teriam ouvido a intenção que ele  formulara e  quantos simpatizassem com a idéia.  deprimido.  Marina.  O  anfitrião  interferia  na  conversa  com  a  prudência  de  um  pai  e  a  moça  exprimia­se  com  segurança.  O  visitante  experimentava­se  reconfortado.  compenetrou­se  de  que  se  achava entre dois corações que lhe aprumavam os sentimentos e elevou  o nível da  palavra..

 a fim  de remediá­lo.  sem  saber  se  fora  ciumento  ou  descortês. refletir.  para  a  nossa  visão  espiritual.  foi  visto  sem  ver. desfalecente. sem queixa. pela primeira vez.  Tudo  aquilo era para ele coisa nova.  mas  não  tive  dúvida. deixou o lar  dos Nogueiras e acompanhou­me. nos apuros do aprendiz que reconhece a prova errada.. sensação nova.  Teria  realmente  o  pai  razões  verdadeiras para separá­lo da jovem que ainda amava? .  ao  lado de Torres filho..  de  leve. Dona Márcia. faceando com o jovem..  sobressaía.  Aqueles  vampirizadores. se ainda  não  conseguimos  impedir­lhe  o  acesso  ao  coração. andava  sempre  fora  para  descanso.  a  maçaneta.  Moreira. através da porta entreaberta.. de carro. não se faça agente vivo de destruição..  a  fim  de  que  a  idéia  infeliz.  O  rapaz  afastou­se.  Seguíamo­lo.  Esclarecemos  que  habitávamos  agora  o  plano  espiritual.  para  cujos  serviços  Moreira  apelara.  o  rosto  tratado  sem  excessos..  Instintivamente.  Gilberto.  os  modos  e  as  frases  sensatas e Cláudio a informar.  observou­lhe a chegada e o espanto que lhe terrificara a fisionomia.  se  não  contamos  com  recursos  para  arredá­lo  imediatamente  da  cabeça.  ele. já articulada. inquieto. lembrando  Marina  modificada.  Nemésio..178 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Disse­lhe  que  aprendera  de  vários  benfeitores  que  o  mal  não  merece  qualquer consideração além daquela que se reporte à corrigenda. tomou a direção do quarto que a jovem  ocupara e onde a  vira.  teriam  assinalado  a  sugestão.  obedecendo  às  disposições  do  tapete  macio;  entretanto.  inconscientemente.  é  forçoso  não  se  pense  nele;  contudo. ultimamente.  o  clima  doméstico  destilando  tranqüilidade.  Moreira.  assombrado.  Queria recordar­se. experimentava  remorsos  pela  franqueza  de  que  se  utilizara. de maneira a observar até que ponto se alargara o perigo.  de  costas.  interessados  em  nosso  regresso  à  crueldade  mental..  Gilberto despedira­se. Aqueles  cabelos  penteados  com  singeleza.  metamorfoseando  simples  impulsos  de  afeto  do  par  outoniço  em  voluptuoso  arrebatamento.  como  quem  não  pretendia  apartar­se  do  sonho.  ao  rodar.  qual  ocorrera  com  ele  próprio.  onde  pensamento  e verbo adquirem  muito  mais força  de  expressão  e  de  ação  que  no  plano  físico.  A  dúvida  esmagava­o.  em  torno  deles. meses antes.  a  chusma  dos  amigos  conturbados.  mordido  de  angústia.  na  forma  de  sentimento.  e  que  não  nos  restava  outra  alternativa  senão  seguir.  O  ídolo  paternal  ruíra  de  chofre.  na  ponta  dos  pés. Sentia­se perturbado..  registrando  a  indireta.  mostravam­se  em  atividade. que Dona Márcia. situada de frente. depois de muito tempo.  Ambos nós. agindo por nossa conta e  independentemente  de  nós.. absorto. que o genitor e Dona Márcia se beijavam  e. perguntava  o  que  fazer.  falara  abertamente  e  companheiros  não  distantes. como acontecera a Marina. e.  é  imperioso  evitá­lo  na  palavra.  O amigo. Entretanto..  Salientei  que  o  ambiente  ali  jazia  limpo  de  influências  indesejáveis;  no  entanto.  O  rapaz  entrou  em  casa....  viu.

.  conversasse  com  ele.  Dirigiu­se  ao  aposento  de  Gilberto.  enciumara­se.  respeitoso.  apaziguasse  os  jovens. com quem se encontrava. rememorou o passado e chorou. rogando­lhe  desculpas.  com  inflexão  estudada  para  impressionar  o  interlocutor.  fazia­se  indispensável  a  colaboração  em  favor  de  Moreira. desde muito..  como  na  noite  em  que  a  víramos.  afastou­se.  entrou com a sem­cerimônia de mãe que assiste um filho. Naquele instante. ainda era  mãe  e  pensava  na  filha. cuja  presença  infelizmente  não  mais  tolerava. não  tínhamos o direito de escarnecê­los. .. amuado.  ao  defender  Marita  em  casa  de  Crescina..  enquanto  usufruía  oportunidade. Favorecesse Marina. lacrimosa. e falou­lhe.  O  amigo  avançara  para  a  quadrilha  que  o  complicava.  Raciocinando friamente. Ela  podia  ajudar. dera­lhe as cantigas do berço.  no  corredor. pedindo­lhe piedade. se desligara de Cláudio.  Não  pretendia  lesar­lhe  a  saúde.  Auxiliou­o  a  deitar­se  no  leito  próximo. porquanto se afligira ao notá­lo  indisposto  na  véspera.179 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  De  nosso  lado. desde aí.  arrependido..  Fora. Conquanto impassível em se tratando de preservar interesses. num  momento  em  que  o  destino  lhe  facultava  todos  os  recursos  para  estender­lhe  as  mãos? A esposa de Cláudio. já que talvez um  dia viessem a ser madrasta e enteado?  Moreira  aproveitou  aqueles  minutos  de  reconsideração  e  enlaçou­a.  envenenando  o  ânimo  de  Gilberto?  Nada  fazer  por  Marina. oscilando entre a revolta e a paciência.  antes  do  falecimento  de  Dona Beatriz.  num  rasgo  de  generosidade  que  a  elevava. amiúde.  Entre  a  consciência  e  o  coração.  supondo aprazê­lo.  suficientemente  ladina  para  criar  problemas. Principiou.  porém.  encaminhando  aquele  menino  entregue  à  decadência  moral  ao  matrimônio  digno?  Recolhera Marina nos braços de mãe. possuía razões para supor que o  velho  lhe  cobiçava  a  filha.. orientara­lhe a  infância. Como largá­la.  O  bando  retirou­se  e  Moreira  transferiu  atenções  para  Dona  Márcia. apoiando Gilberto.  E. desligou­se de Torres pai sem alarde e afagou­lhe a testa.  mentiu  pela  felicidade da filha. ao impacto dos argumentos que assimilava em forma de  reflexões. aproximei­me também dela e supliquei­lhe a intercessão. sentou­se à beira da cama  em que o rapaz se abatera. preparara­lhe o sentimento para a felicidade. escarmentá­los.  Seria  justo  azará­la.  não  desmaiou. em  lances  clandestinos.  tomada  de  indignação  e  de  dor.  Enternecido.  Não  tencionava  reconciliar­se  com  Cláudio.  não  havia  lugar  para  o  cálculo  astucioso. o sentimento pulsava­  lhe  puro.  de  onde  evidentemente  o  amigo  se  levantara  a  fim  de  recebê­la.  reaproximando­os?  Não  seria  desmoralizar­se. rogando serenidade.  Acentuou. pediu­lhe permissão para confessar­lhe que ela e Nemésio se  amavam.  perguntava  a  si  própria  de  que  maneira  contornar  a  dificuldade.  e  declarou  que.  Interferi.  lamentavelmente.  que  errara. Em seguida. porquanto.  Não  titubeou. Buscasse o  rapaz. Comunicou­lhe que.  afirmando que viera da Lapa unicamente para vê­lo.  permitindo que o moço a interpretasse por mulher sem escrúpulos.  queria  efetivamente  o  desquite.. se tornara íntima de Nemésio.  que.. Por que não praticar um ato de justiça e caridade para com a filha doente. Acatássemos Nemésio e a companheira.  à  feição  da  filha.  de  todo.  pretextando  a  necessidade  de  se  entender com empregadas.  e. assim.  há  tempos.  após  dirigir­lhe  conselhos  afetuosos.  ao  consentir  que  a  jovem  se  tornasse  enfermeira da senhora Torres.  Reconhecendo­o  interessado  nela.

  Informou que. na noite  do dia seguinte. Mesmo assim. e murmurou. Quanto ao futuro.  a  fim  de  apartá­lo  da  escolhida. compartilhar­nos as orações de alegria.  não  obstante  bondoso.  mas  Félix..  de  qualquer  modo. que veio. não mais conseguiria. não tinha motivos para  incompatibilizar­se  com  Cláudio;  entretanto.  Perante os jovens reunidos.  enlevado. que lhe perdoasse como um filho.  Márcia.  Em  lágrimas de  alegria.  o  benfeitor  rumou  para a  Lapa.  em  nossa companhia.  num  momento  como aquele em que se refazia de dura perturbação.  envidaria todos os esforços para que o genitor e Dona Márcia se consorciassem num  país onde o divórcio merecesse aprovação legal.  de  modo  a  não  ferir  a  dignidade  maternal  com  que  ela.  osculou­lhe as  mãos  e  agradeceu­lhe em palavras  quentes  de  carinho  filial.  resolvera  abandonar  a  casa..  Dona  Márcia.  acercou  se  dela.. Nogueira enlevou­se.. Fora rude com ela.  justificando.  E  continuou  justificando.  magnânimo  como  sempre. enquanto Nemésio o permitisse.  e tivera forças para aguardar­lhe a morte.  que  não  lhe  desse  indiferença  ou  desprezo. Márcia. Notara­lhe a sinceridade e  a tristeza. estivera com Marina.  já  que  o  desquite  se  fazia  iminente. Que a protegesse.  que  o  pai. regozijando­se em preces  de reconhecimento.  Agora que ele a surpreendera nos braços paternos.  onde  se  demoraram  juntos  em  deleitoso  refúgio. fumava cismando..  Da  entrevista  ao  telefone  e  do  telefone  a  novo  encontro  com  Marina.  e  vimos  sensibilizados  os  prodígios  da  compreensão  e  da  bondade  num  coração  juvenil.  Depois  de  abraçar  Cláudio  e  os  dois  namorados  que  demandavam  Copacabana.  e  beijou­lhe  a  fronte. Não retornaria ao Flamengo.  Procuraria  Marina.  de  qualquer  modo.  Observamos  apenas  que  ele  a  contemplou. a grandeza espiritual de Dona Beatriz.  com  um  filme  subseqüente.  A  senhora  Nogueira  finalizara.  em  definitivo. na tarde daquele dia.  Se  a  amasse. espezinhara­lhe o coração. Desquitar­se­ia  de  Cláudio..  foi  para Gilberto questão de minutos.  teria  obedecido  a  sugestões  de  despeito.  Entendia.  lhe  patenteara  a  nobreza  de  sentimentos. à  busca  do  convívio  de  Salomão. ao despedir­se:  – Louvado seja Deus! .  sinceramente  comovida.  Olhos chamejantes de júbilo.  como  quem  lhe  agradecia a inesperada abnegação. antes de assumir qualquer atitude.  ignorando  as  baforadas.  e..  partilharia  o  destino  de  Nemésio. mostrando lágrimas.  Não  dispúnhamos  de  estatura  espiritual para auscultar­lhe os  pensamentos  sublimes.180 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Venerava. o rapaz ergueu­se e ajoelhou­se diante daquela mulher  que  lhe  sossegava  o  espírito. porém.  sim  –  comentou  –  .  torturada  qual  se  achava  entre  a  paixão  de  companheira  e  o  devotamento  de  mãe..  prometia  olvidar  o  passado. recostada num divã.  cujo apreço se esmeraria em conservar.  a  ponto  de  não  se  incomodar  com  a  menina  doente  e  acompanhar  Nemésio  a  Petrópolis.  com  a  versão  caridosa  de  que  necessitava  para  reconstituir o caminho. a quem estimava de longe. mas voaria naquela mesma  hora para o Flamengo e fariam as pazes. era mãe e rogava­lhe por  Marina. na expectativa da chegada  de  Nemésio  para  jantarem  na  Cinelândia. fazendo pela  menina o que ela.  Moreira e eu expedimos informações para o irmão Félix. Desfeito  o  impedimento.

  Aquele  homem. Rua. na volta.  quanto  naquela hora em que se lhe esvaiam as esperanças. expressivo programa de serviço e de estudo  que Gilberto.  O  trio  machucado  entendia  perfeitamente  a  gravidade  da  situação. possesso. vociferando:  – Rua.  Nunca  a  amara  tanto.  euforia.  que  alcançou  a  via  pública  tentando  estancar com o lenço um filete de sangue a escorrer­lhe num dos cantos da boca.. esmurrando­lhe o rosto.  Desde  cedo.  azedou­se  o  intercâmbio  entre  pai  e  filho. A  pouco  e  pouco  se  desinteressara  de  Márcia. vibrou rude golpe na mesa com  uma  régua  pesada  e.  de  quem  se  reaproximara.  Presenciando­lhes  o  diálogo  em  ambiente  fechado.  no  intuito  de  situar  o  filho  junto  de  antigos camaradas de juventude.  ofereceu­se  para  ajudar.  antes  de  rumar  para  o  banco. convidado pelo genitor a entendimento. ao inteirar­se  de que  o rapaz e a menina Nogueira passeavam de relações reatadas. a proteção.  muito  mais  ofendido  que  ele .  depois  da  tirada  de  injúrias. Por lá se deteve o par.  enceguecido  pela  cólera  que  o  envolvia  por  juba  de  fogo. assegurou que saberia tolerar todas as conseqüências. desistindo das  vantagens que lhe eram oferecidas.  em  companhia  de  Márcia. Entrevia­se calcado.  Tivesse a bondade de não transferi­lo..  conquanto  a  conservasse.  improvisação..  Nemésio  ouvia. na imobiliária.  esbravejou: – Nunca!.  a  colaborar com ele. intrigado; Gilberto.  consignamos  a  respeitosa  ternura  com  que  o  jovem  se  dirigiu  ao  genitor.  semelhando  fera  solta...  retorquindo  aos  apelos  e  intimações de última instância.  Gilberto  rememorou  os  segredos  de  Dona  Márcia.  Mesmo  assim. recusou.  O genitor. para reerguer­se e cair de  novo  sob  pancadaria  grossa.  Diligenciaria  obter  para  Gilberto  um  emprego no estabelecimento de crédito em que trabalhava. Rogava desculpas se o  magoava. o negociante  viajou  para  o  sul.  mas não renunciaria ao compromisso que assumira consigo próprio..  semanas e semanas.181 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Do  dia  imediato  em  diante. cortês. Você nunca se casará com essa.  implorando­lhe  auxílio. arredio.  frustrando­lhe  os projetos.  Marina  significava­lhe  mocidade. que o deixasse no Rio. por isso. junto da filha. Certificando­se de que Gilberto concluíra.  Nogueira. Suma daqui! Não me apareça mais!.  porém. entregou­se às vias de fato. trazendo. adiantava­se  o  filho.  estonteado  e  ferido. residentes em Porto Alegre.  Que  o  rapaz  esquecesse  os  agravos  e  aceitasse em Nemésio um enfermo da alma.  Justa  mente  quando  ruminava  desígnios  de recuperar­lhe  o  carinho.  condoeu­se  do  interlocutor  e  entrou  em  lágrimas. decorridas algumas semanas.  Solicitar­lhe  ia  os  bons  ofícios.  ressentido.  Os  Nogueiras  terminavam  o  almoço  e.  Cláudio recolheu.  revoltado..  Gilberto rodou nos calcanhares e tombou no piso..  Acompanhamos  o  menino  atônito. Aguardava­lhe.  Daí a quarenta minutos.  mas reconhecia­se  em maioridade  e  aspirava  ao casamento  com  Marina. miserável!..  infligiu­lhe  tremendo chute. o relatório doloroso. um ônibus despejava­nos no Flamengo. rua!.  entusiasmo.  Marina  reconquistada  pelo  filho  significava  para  ele  bancarrota  moral  insuportável.  Nemésio.  E  multiplicou  pejorativos  e  desaforos  que  o  moço  agüentou.  acostumara­se  a  trabalhar  com  o  pai. vencido. Considerava o dirigente  por  amigo.. E.  até  que  Nemésio.

.  Afinal. interceptou­lhe a palavra e rugiu: .  que  sazonara  o  entendimento  da  vida.182 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  mesmo  pelo  pai  prepotente. sabia­se expulso de casa a pontapés.  o  dinheiro  entre  ambos  deveria  ser  gasto em condomínio. solicitou a presença de  Nogueira  em  recinto  particular.  Cláudio  mobilizou  todas  as  reservas  de  humildade  e  rogou  licença  para  informar que o moço tão­somente o tratava por amigo.  Marina. abdicar do  livre­arbítrio; que não se via autorizado a responder por ele; que.  O rapaz. preferiu atender no vestíbulo. acentuando que  não lhe permitiria influenciá­lo.  em  razão  disso. às duas da tarde. todavia.  impetrava  benevolência para o seu próprio verdugo.  Certo.  contratou  caminhão  e  colheu  da residência  os  pertences  que  julgou  indispensáveis.  a  presença  dele  no  lar  do  Flamengo. imunizar Nemésio  contra  qualquer  novo  ataque  de  fúria.  no dia seguinte.  Cláudio tranqüilizou­o.  Um  funcionário  acenou  para  o  companheiro  e  Cláudio  veio;  mas. em caráter de interinidade.  conseguindo  que Torres filho.  Dispensando a possível assistência ao ânimo inquieto de Nogueira. Aguardasse um mês.  sem  provas  de  habilitação.  Daí  a  algumas  horas. no centro de vasto grupo de Espíritos galhofeiros.  não  calhava. Depois. sem.  esperaria a convocação. antes de sair.  Conhecia  pensão  de  estudantes  corretos  e  pediu­lhe  para  que  não  lhe  recusasse  as  garantias. mas prometia entender­se com os chefes. emprestou comicidade ao drama que lhes cabia viver. não  relacionava meios para colocá­lo em regime de urgência. Competia­lhes.  embora julgasse a medida irrepreensível.  Ensaiou  apontamentos de bom­humor.  aquele  homem  espoliado  no  coração. nada  de  lamentar  sobre  o  inevitável..  O  diretor  de  Nogueira acolheu  o  candidato  com  simpatia; no entanto.  pressentindo  que  seria  intimado  a  rigoroso  testemunho  de  tolerância.  Acariciou  a  cabeça  do  jovem  e  salientou  que  se  achavam  na  condição  de  pai  e  filho  e que.  e  inventou  notas  alegres  para  a  dificuldade.  O comunicado surtiu efeitos imediatos. porém.  endereçando  o  pensamento  ao  futuro. durante algum tempo. E tanto se adestrava em renovação que. vimos. Não  se  admitiam  aspirantes  ao  serviço. não obstante constrangido.  Que  não  se  vexasse. trincasse alguns pastéis. chorando e rindo. a esbaforir­se. sugeriu ao pai fosse o rapaz conduzido sem delonga ao gerente. Acreditava na possibilidade de  aproveitar­lhe o concurso.  previamente  ordenadas.  Enraivado. resgataria os pequenos débitos que viesse a contrair. aquiesceu. quando Nemésio entrou no banco.  O genro de Neves.  sossegando  a  dedicada  governante  com  a  informação  de  que  se  ausentava  para  trabalhar. rente ao público.  exortava  também  à  concórdia e ao olvido.  qual  se  dependurasse  guirlandas  numa  sala  encrespada  de  espinhos.  por  enquanto.  A sós com o protetor. a fim de tentar a sorte.  Gilberto agradeceu. no entanto.  O visitante começou dizendo que lhe exigia contas do filho. após o curativo nos  lábios de Gilberto.  Não  se  devia  perder  a  oportunidade.  Entre  moços  respeitáveis. com o pai de Marina. referiu­se com humildade ao problema de moradia.  ciente  de  que  o  genitor  se  ocupava  em  serviço.

  O  punho  do  negociante  batia  no  rosto  de  Cláudio. sob os  olhares de simpatia de todo o auditório.  besta!.  inquiriu.. escutando os sarcasmos de Nemésio  que se retirava.  –  Tubarão!  –  comentou  o  recém­chegado  com  inflexão  de menosprezo  –. como a perguntar­lhe pelos votos de melhoria.  seu  espírita  de  meia­tigela!.  João­ninguém!  Paspalhão!  Tome  lá. proprietário de lotes e mais lotes.  Cabia­lhe  ver. protestou: .  A agressão fora rápida. de caderneta à mão.  Desejando  desfazer  o  clima  geral  de  indignação.. contundido.  Massacrá­loia  naquele  mesmo  instante  como  se  achata  um  verme. Referviam­lhe  no peito as dores acumuladas. Irado..  enfermos  exigindo socorro e benevolência.  berrava  insultos. debalde. Prometera­lhe renovar­se.  O  chefe  comoveu­se. do Além. encostado à parede. e indagou pela causa do tumulto.  a  fim  de  abençoá­lo. à porta:  – Quem é esse brutamontes de jaula?  Velhinha que esperava atendimento. constrangido por pessoas que clamavam em alta voz pela  intervenção da rádio­patrulha..  Não  tinha  sido  ele  o  culpado?  Não  fora  a  Divina  Providência  suficientemente  compassiva.  O injuriado ergueu­se disposto a revidar. é espírita..... truculento.183 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  –  Cale­se.  estava  na  dele.  Impossível  quebrar  o  compromisso. não se acanhava de libertar o pranto amargo  e espesso a pingar­lhe do queixo escanhoado..  Recordou­a  padecente. não reagiu porque ele hoje é religioso.  o  bancário  jazia  no  pavimento  e  somente  a  cooperação  de  intercessores  anônimos  impediu  que  o  esmurrador  asselvajado  lhe  pisasse  o  corpo  em  decúbito.  o  corpo  recoberto  de  escaras  dolorosas. o perdão  da filha que amava? Que diria ela.  porventura..  o  espírito  endividado.  contudo. escondendo  a cabeça entre as mãos.  a fim  de  que aprendesse  a  conjugar  bondade  e  discernimento. informou:  – Conheço.  deixando  que  a  falta  de  que  se  acusava passasse despercebida. o marido de Dona Márcia.  falou  no  espancamento e aduziu:  – Decerto. se também não perdoasse ao carrasco  que lhe seduzira a primogênita e lhe furtara a mulher? Abraçara princípios que lhe  preceituavam  clareza de raciocínio. O comerciante audacioso conhecer­  lhe­ia  o  desagravo.  justiça e  caridade.  ser  outro  homem. à frente dos homens? Não recebera.  A  menina  atropelada  surgia­lhe  na  memória.  arremessando­lhe  pescoções violentos. enquanto a vítima procurava defender­se. quando o autor das bofetadas ganhava o meio­  fio.  Contido  à  força.  em  meio  de  falhas  e  tentações?  Afrouxou­se­lhe o braço antes reteso e. assessorado por Espíritos infelizes. Aquela mão pequena e fria que se elevara da  morte. nos  inimigos  gratuitos. De que modo condenar alguém naquilo em que se  inculpava?  Não  trazia. Tomaria desforra..  O gerente assomou à cena. sentiu o reflexo de Marita.  ao  levantar  a  destra  para  medir  punhos  com  o  adversário. acaso..  Um  funcionário  emocionado  apontou  para  o  colega  ofendido.  Num  átimo. É Nemésio Torres.  onde pensa que estamos?  E relanceando o olhar pelos clientes embasbacados.  Antes  que  os  circunstantes  se  refizessem  do  choque.

 no “Almas Irmãs”. por motivos judiciais.  Nemésio. recheado de alegria  e sossego. quanto àquilo que eu imaginava  como  sendo  preterição.  A  própria  Beatriz  compartilhara  os  júbilos  votivos.  A  união  esponsalícia  de  Gilberto  e  Marina  realizou­se  precisamente  no  último dia do ano que se seguiu à desencarnação de Marita.  que  cortara  os  telefonemas  para  a  família.  prestes  a  regressar  para  as  lides  terrenas. abraços e promessas. Aí.  abraçou­o  para  acabar conduzindo­o a saleta distante. Solenidade marcada por  flores e orações. porém. Marita não lograra desposar Gilberto. Gilberto conseguiu empregar­se.  Como  é  que  vocês  soltam  um  criminoso desses? Um caso assim. Caipora.  contudo.  retomei  estudos  e  experiências. igualmente.  desde  Petrópolis..  não  se  tratava  de  reencarnação  organizada  a  rigor  e  nem  compulsória. Medida. Anelava mudança.  Para  esse  fim.184 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  –  Gente.  A  senhora  Nogueira. cadeia.  A ausência do par traçou.  junto  de  Félix.  Destaquei. Malogrado.  desde a morte de Beatriz. por influência da irmã; contudo.  Marina  recolheu  a  mensagem  com  discrição.  conquanto  desconhecesse  completamente o que sucedia..  nós  estamos  no  Rio!. Declarava­se infelicitado pelo destino. corda. estimado  de todos.  concedida  ao  grupo  para  a  existência  em  comum. com referência ao esposo.  embora  acompanhando  com  afetuoso  interesse os amigos do Rio.  com  Cláudio  imóvel  e. de caráter premente que ela  seria  impelida  a  aceitar. ao registrar­me a estranheza.  recompondo­se.  viesse  a  ser  aproveitada  nos  recursos  possíveis.  em  favor  de  si  mesma. no  entanto.  E  prosseguiu  aclarando  que  obtivera  permissão  para  que  o  processo  regenerador  do  conjunto  Nogueira­Torres  fosse  remodelado. de ponta a ponta. com alguma demora na Suíça. acrescentando que lhe faria os possíveis vencimentos  até que lhe vissem a situação devidamente legalizada.  Atravessariam  Portugal  e  Espanha.  Félix. onde  pequena  equipe  de  companheiros  se  reuniu  em  prece pela  segurança  dos  nubentes  que se entregavam a novas responsabilidades e novas lutas. refazimento.  deu­se  pressa  em  comunicar  o  acontecimento  à  filha. ouviu do subordinado a história da filha e  do rapaz que lhe fora apresentado na véspera. entretanto.  No  Rio!. a não ser indiretamente pela boca de amigos.  a  ausência  da  filha de Aracélia.  voltaria  a  viver  entre  os  dois. a se prepararem.  O  apartamento  do  Flamengo  convertera­se  em  colméia  de  paz  e  luz.  elucidou  que  a  menina.  ela  reveria  o  Rio.. para o enlace feliz.  sempre  valiosos. Seguiria juntamente daquele a quem  não  trepidava  em  designar  por  “futuro  esposo”  e  prometia  enviar  notícias  de  cada  cidade que visitassem.  A ventura do novo casal atingiu­nos. bendito parêntese. encantada. cavalaria. autorizou  o ingresso do moço no serviço.  Esbarrou.  para  que  a  fração  de  tempo.  demandava  cautelas  especiais.  E  enquanto  Moreira  resguardava  Marina  com  fidelidade  incondicional. Entre revoltado e condoído.  acabrunhado  e  desgostoso.  na  condição  de  filha.  Indiscutivelmente. para o trio.  por  mínimos  que  fossem.  no  plano  físico. .  sem  que  o  pai  e  o  noivo  soubessem de semelhantes férias. contentes...  através  de  um  cartão. é polícia.  com  desagrado.  França e Itália. Confessava­se esperançosa.  convidou  Márcia  para  uma  excursão  de  seis  meses  em  países  da  Europa..  porém.  Na reta final para o casamento.

 dias transcorridos sobre a  conversa. fui avisado.  junto  de  nós. planeara o futuro...  Estimulávamos os júbilos de Marita.  Compreendendo­se  que  Gilberto  lhe  constituiria  o  tema  central  das  compensações  emotivas.. para  efeito indutivo.  na  intimidade  de  vários  colegas.  com vistas a concurso próximo para a efetivação no cargo que exercia no banco.  em  conflito  vibratório. a moça multiplicava interjeições de alegria. diante  de nós.  Meu Deus! – pensou – como a vida mudara!.  embriagada de ventura.  numa  residência  da  Glória. Gilberto!.  O interpelado não lhe registrou a voz com os tímpanos carnais; no entanto. Tocando o chão do Flamengo. atenderia exclusivamente a própria  vontade. fomos inteirados pelos batedores amigos de que Gilberto descera de carro  particular em esquina adjacente.  parando..  ao  identificá­lo.  assimilando  energias  nutrientes  da  Natureza.  Félix.  por  mãe  e  filha.  diante  das  águas  remansosas.  a  fim  de  refletir  e  contemplar  a  bala  prateada  de  lua... ansiosa:  – Gilberto!.  naquelas areias.  para  que  se  lhe  avantajasse  o  impulso  de  voltar. sob a impressão de euforia  perfeita. Mais alguns instantes. chamou.  Cumpriu­se o programa com diminutas diferenças de horário..  se  concentrariam  nele. a praia de Botafogo.  quais  chagas  entreabertas.  depois  de  quase  onze  meses  de  internação em parque de repouso.  mais além.  Parados.. que descia conosco sobre a Guanabara  feérica.  assinalou­lhe a presença em forma de lembrança.  Aceitando a lógica das explicações.  participou­me  Félix  não  só  o  envio  de  dois  companheiros. ignorando­lhe o matrimônio. Recordou.  apartou­a  brandamente  e  perguntou­lhe  o  que  mais  desejava..  entendendo­se  que  ambas  se  reencontrariam.  contudo. entre o morro do Leme e o casario da Urca.  No  instante  aprazado. porquanto  os ressentimentos hauridos da convivência com a irmã ainda lhe doíam na memória.  à  noite.  Seria  necessário que Marita o surpreendesse a sós..  – Viver com ele e para ele!. de inopino.. aquela que  ainda supunha como sendo pupila de Cláudio e tomou direção oposta à que seguiria. enxugando os olhos.  Sem  delonga... a Avenida Beira Mar.  partimos  com  Marita. prevendo­se o término das tarefas noturnas para depois de  zero hora. os contrastes de luz. De longe.  E.  além.  revendo a cidade que lhe senhoreava a ternura. por sabê­lo  em  estudos. jurara­lhe amor eterno..  Enlaçado  pela  jovem  desencarnada. onde vivera apenas de saudade e recordação.  incumbidos  da  preparação  de  ambiente  junto  ao  filho  de  Beatriz.  pela  primeira  vez.  como também cientificou­me de que se valia do ensejo  em andamento..  ali...  na  ocasião.  visando  ao  expurgo  dos  erros  e  aversões  recíprocas  que  carregavam  de  remoto  passado.  sublinhava  Félix  que  todos  os  nossos  cuidados. segundo notificações recebidas.  era  de  todo  indispensável  que a reencarnante dormisse para o renascimento físico.185 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  oportunamente.  conduzimos  a  jovem  ao  ponto  indicado.  Sim..  desentranhava­lhe  a  imagem  do  pensamento.  calculando  o  tempo  necessário  para  encontrá­lo fora de casa.  Efetivamente. Abraçaria tão­só os que quisesse. . quanto à data escolhida para a excursão.  mais  tarde.  e.

. quando vinha da escola.  Mais quinhentos metros de espaço e atingimos o apartamento.  A jovem rememorou os quadros que imaginara no hospital..  nocivo  a  ambos.  acentuando que o pai lhe fora o derradeiro amigo. uma nova existência.  Percebi­lhe  no  espírito  os  reflexos  de  Márcia  e  Marina;  todavia..  Patenteando  carinho  imáculo. como quando em criança. sob emoção forte. permite agora  que  lhe dê minha vida! Senhor.. no sentido de auxiliá­lo a reaver  o envoltório físico enlanguescido. amado Jesus. outra vez!.  perplexo..  pois  estendeu­lhe  os  braços  e  gritou.  e  relembrou  Marita.  a  invariável  devoção  daquele  pai  que  se  lhe  redimira  no  conceito  à  custa  de  sofrimento.  Atormentada..  a  moça. tu sabes que ela perdeu os  sonhos de criança por minha causa.  assistida  por  nós.  clamou em lágrimas:  – Senhor. Se é possível.  como  que  lhe  aguardava  a  presença. mas  eclipsou­se a um aceno de Félix.  em  espírito.186 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  A  resposta  alcançava­nos  como  um  grito  de  esperança. um corpo novo!.  Não  aconselhava. e indagou:  – Filha do meu coração. o suplício das  horas  lentas..  dirigindo­se  a  ela  de  modo  paternal... Jesus!. procurando­lhe o regaço. que desejava poupá­la a divagações.. nas atitudes da infância.. mesmo porque. Que se acalmasse..  Cláudio. muito em breve.  concentrava­se  totalmente  na  visão  a  exercer sobre ele inigualável fascínio.  mas  pousou  sobre  nós  os  olhos  molhados. vígil.  O orientador anuiu.  as  preces  que  lhe  amenizavam  as  amarguras.. Estou feliz. deixa que eu ofereça à filha de minha alma tudo o que eu  tenho! Oh! Jesus.  tremente.  que  não  aguardava  outra  coisa.  penetrou  no  aposento  paterno  e.  na  exaltação  que  passou  a  comandar­lhe  todas  as  forças:  – Minha filha!. esta é a filha querida que me ensinaste a amar com pureza!. acolhidos à  entrada por Moreira.  Nogueira  conservou­a  sob  as  mãos  que  tremiam  de  júbilo  e.  na  instituição  dos  acidentados..  não  nos  via.  oh  surpresa!  Nogueira. Afagou com a destra hesitante aqueles cabelos  desnastrados  que  tanta  vez  alisara..  A  menina  obedeceu. recomendando que me atrasasse. por que choras?  A recém­chegada endereçou­lhe um gesto súplice e rogou:  – Papai...  ponderou  a  conveniência  de  tornarmos  ao  domicílio. diante do firmamento.  O  instrutor.  com  a  ânsia  de  quem  se  propunha romper o monte de alvenaria para dirigir­se a Jesus.  afastou­lhes  a  figura  do  pensamento  e  inquiriu  se  lhe  era  facultado  rever  Cláudio. mas quero Gilberto. nas angústias do adeus.  Mestre.  Empenhar­se­ia  por  assegurar­lhe o regresso. contente..  diante dele.  dá­lhe. Retomaria a convivência e a dedicação  de  Gilberto.  rente  ao  corpo  que  ressonava  de  manso..  para  junto  de  nós!.  misturando  enlevo  e  regozijo. Quero viver no Rio com o senhor. minha filha!.. .  Félix  considerou  que  a  emotividade  excessiva  poderia  abatê­lo e  recolheu  Marita nos braços. não se aflija!. Senhor.  se  lhe  dilatasse  o  arrebatamento.  e  ajoelhou­se. estariam juntos.  com  a  tua  infinita  bondade.  rebuçado  em  soluços.  levantando  o  olhar  para  o  teto..  porém. Ela  quer  retornar  ao  mundo. quero voltar para a  Terra!. O enfermeiro reconheceu Marita.  indagadores..

 ouvimos passos na sala. para colaborar  com o futuro.  semelhantes  a  pingos  de  luz  nas  trevas. Entretanto.  ao  passo  que  Moreira  e  eu  investíamos  Cláudio  sobre  a  máquina  orgânica  em  movimento  de  impulsão.  iluminava­lhe o pensamento e aquecia­lhe o coração.  a  certeza  de  que  Marita  retornaria  ao  mundo..  Depois  de  passe  reconfortante.187 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Retirou­se  o  instrutor  carregando  a  menina  paternalmente.  O  sogro  intentou  aprumar­se  e  chamá­lo  para  narrar o acontecido; entretanto.  Sim  –  concordou..  a  verdade da vida não deve brilhar para a maioria dos homens.  senão  em  forma  de  estrelas.  Gilberto  entrava.  guardando na memória todos os detalhes da ocorrência.  de  leve.  Nogueira  acordou  em  choro  convulso... . senão por intermédio  de  sonhos  vagos.  assim  como  o  Universo  de  Deus  não  pode  fulgir  para  as  criaturas  da  Terra. assimilou­nos a exortação ao silêncio.  reencarnada.  qual  se  estivesse  conversando  consigo  mesmo  –.  Daí a instantes.  de  modo  a  lhes  não  arrasar  a  pequenez.  para  não  confundir­lhes  o  raciocínio  nascituro.

  A  criança  encomendada  figurava­se no  grupo  familiar  um sagrado penhor  de  reconciliação  com  a  vida.  A  paz.. junto da irmã.  a  admirar­lhe  a  paciência  e  a  ternura.  Entre  o  esposo  e  o  pai. instruindo­a. Orasse.  asserenando­a. partilhávamos o enlevo geral.  Demorávamo­nos.  Entretanto. . No conhecimento espírita. mas.  o  passado  palpitava naquele  trato  de  ventura. ao tricô.  sem  que  o  facultativo  atinasse  com  a  origem  da  queda súbita.  No  íntimo.  Visitas  mensais  ao  médico. feliz.  lendo  para a filha. sustentando embora o  tronco florido.  Conjeturava­se.  Cláudio  seguia  o  acontecimento. embora os estorvos naturais.  Suspirava  por  vê­la  recuperada.  Cada  noite. como a raiz parcialmente enferma.  Tudo esperança.. agravada a  ocorrência. tivesse fé.  chamou­se  o  médico.  preces  pela  felicidade  dos  filhos. Gilberto.  planejavam­se  realizações.  Exortou­a à confiança e ao otimismo.  junto  da  família.  De permeio.  prestando  assistência  à  filha.  Receava  complicações.  enternecido.  Finda uma semana.  Marina enlanguescia.  endereçavam­se ao porvir.188 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 12  Atingira  Marina  o  quinto  mês  de  gestação.  detinha  a  convicção  de  que  Marita  se  achava. páginas educativas de ginecologistas e pediatras. valeu­se Cláudio de ensejo para a conversação a sós e  investigou­a.  De  nosso  lado. na expectativa de um sucessor.  acompanhada  pelo  devotamento  de  Dona  Justa. sossego. atribuiu­se a alteração ao problema orgânico.  que  a  servia  por  mãe.  transpirava  regozijo. sonhando com fazendas que lhe adviriam dos pintos improváveis. Dona Justa repetia a história do homem que carregava o  cesto de ovos.  como  se  todos  os  pesares  transcorridos  estivessem  para  sempre  arquivados nas  gavetas  do tempo. Mimos para o bebê.  no  processo  reencarnatório.  quanto  ao  sexo  da  criança.  fortalecida.  Passes de reconforto à gestante.  De princípio.  Apareceu a tarde em que ambos os bancários surpreenderam a jovem dona  da casa em agoniado abatimento.  aparentemente  definitiva.  prestes  a  ressurgir  em  novo  berço.  quanto  possível. escondida no solo.  resguardando  Marita.  Riam­se.  por  vezes.  orações  pela  tranqüilidade  do  Espírito  que  voltava.  entrara  no  lar  do  Flamengo.

  Nos olhos da interlocutora. do qual se deveriam afastar para o cultivo da felicidade que ele  mesmo. frustrara..  O escrito vinha de Nemésio. numa época de crise na organização. Não vacilaria entre a felicidade com ela e o  suicídio.  Cláudio. fez­se mais persuasivo. semanas antes. desabrido.  de  outra  pessoa.  incidia  na  irreverência.  uma bala na cabeça ser­lhe­ia a solução.  de  um  espantalho.  reportava­se  Torres  pai  a  conceitos  de  compaixão  e  carinho. Impossível que a notícia não lhe acordasse  enternecimento. em determinado ponto do entendimento. dizia ele. Nemésio.  e  olvidaria  o  passado.  Na  manhã  seguinte. O sogro investir­se­ia na condição de  avô. Que não se amofinasse. que passara a bem­  querer  por  filho.  porque. pendia a cabeça.  para  incentivar­se ao trabalho. Pedia encontro.  alegria.  vira­se  defrontado  por  notícias  desagradáveis  e  mostrara­se  irritadiço.  pôs­se  em  campo. Informara­se do casamento; ao retornar.  Aquilo tudo não passaria de momento infeliz. abandonando­a sem maior consideração. mas tratou de consolar a filha. calado. Possuía  excelentes  amigos  no  Foro.  não  dispunha.  na  última  parte. Afirmava­se entediado de tudo.  Recordou. a  esperança brilhou com a paz que o genitor lhe devolvia ao coração. levantou­se. Que a filha não se afligisse. Confessava­se.  O  filho  não  passava  de  um  tonto.  mas. seduzida pelo magnetismo daquelas palavras.  discreto.  na  Terra.  A interlocutora.  Que  ela  não  o  desapontasse. o espancamento sofrido no banco. Excetuando Gilberto.189 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  não  ignorava  que  a  criança.  Rogou  a  colaboração  de  amigos  íntimos.  jamais  a  consideraria  por  nora. Cláudio leu­a.  Nogueira  analisou  a  gravidade  da  situação. mas também pelo fato  de a circunstância encorajar abusos da parte de subordinados que não se revelaram à  altura da autoridade recebida.  de  outro  modo. Não  lhe opusesse reservas. Anteviu a tormenta que se  esboçava. menos dela. Nemésio. Punha­lhe o destino nas mãos. após seis meses  de Europa. .  Sacudia­lhe  a  memória. que não mencionara aos filhos.  pensando.  a  fim  de  rogar­lhe  serenidade  e  reconsideração. Pedia escusas  e aguardava­a. sem dissimular no rosto o assombro e o sofrimento. comovida. Que escolhesse. paternal. de  lenço aos  olhos. O  chefe. A longa viagem. jungido a ela através do pensamento.  abraçando  a  reconciliação  com  a  família para a felicidade geral. no  entanto. Afligia­se.  Notando que a moça. Uma carta.  a  fim  de  que  alguns  dos  corretores  da  imobiliária  fossem ouvidos. um sorriso de Deus.  Perguntava­lhe  por  lugares  menos  recomendáveis. saudoso.  Conhecera países novos.  senão  dela.  não  somente porque isso golpeara os créditos morais de Nemésio. a  quem amava ainda com inusitado calor.  ao  mesmo  tempo em  que  lhe  participaria  a  chegada  próxima  da  criancinha  que  seria  para  ele  também. e veio a saber que os turistas haviam regressado.  Acusava­se  desajustado.  Até  à  metade  do  relatório  afetivo.  lhe  reclamava  descanso. Participava o regresso ao Rio.. Dar­lhe­ia instruções para o desquite. demandou o quarto e trouxe­lhe um  papel. Procuraria o  negociante  em  pessoa. rogando para que se abrisse com ele.  O missivista não traçava a menor referência quanto a Márcia. contemplara maravilhas que lhe afetaram os olhos. Desanuviou o semblante e sorriu.  pensando.  O  afastamento  do  filho  desequilibrara  a  balança  dos  negócios.  em  vias  de  nascer.  contudo.  mas o coração quedava ermo.  antecipadamente.  e deduziu que Nemésio era capaz de todas as violências. era pai.

 pai e filha se entretiveram no assunto da licença.  Levava o espírito pressago.  Por  isso.  veio  dizer  a  Cláudio  fizesse  a  gentileza de se considerar indesejável.  Dizia­lhe  o  coração  que  a neta  se  achava  em  caminho. Nessa fórmula. Que  repousasse e atendesse a filha. ele próprio. entrou em conversação com a filha. Não lhe receberia a visita naquela hora.  à  pressa.  dando a impressão de que o problema fora liquidado na origem.  após  o  almoço.  O gerente.  expediu  aviso.  Voltou  ao  trabalho  e  rogou  entendimento  com  o  chefe  que  se  lhe  tornara  mais  amigo.  Não  detinha  agora  senão  possibilidades  estreitas  para  lastrear  as  operações  imediatas  e  evitar a falência. desde a  caixa  do  correio. que não lhe sonegariam a concessão.  Vinda a noite.  Nogueira  recolheu  todos  os  informes.  para  cujo  resgate  entregara  Nemésio  duas  terças  partes  dos  próprios  bens.. o pai de Gilberto  vira­o.  concordava  em  renovar  os  móveis  e  pintar  as  paredes.  era  preciso  organizar  o palácio.  e  do  terraço  em  que  fumava. associou­se­lhe aos cuidados e sugeriu­lhe  uma licença de seis meses.  Cláudio  fez  humor. .  apreensivo. apoiaria a moça e resguardá­la­ia.  De  qualquer  forma. E fosse por vê­lo destituído das propriedades que a fascinavam ou  porque  houvesse  esgotado  as  reservas  afetivas  para  com  ele. prestativo e humano.  Diferentes  decorações.  mas  exigia  que  todo  o  serviço  fosse  feito  com  predominância  de  rosa.  à  sesta.  Fez soar a campainha no vestíbulo ajardinado; no entanto. hora a hora. triste.  de  longe. E interessados quais  se achavam em apagar o pretérito.  Inútil o tentame.  quando  apeava  do  ônibus.  Nogueira retirou­se.  Incumbir­se­ia  de  comunicar  a  Gilberto  e  colegas  que  ouvira  de  médicos  amigos  a  recomendação  de  impor­lhe  descanso  indeterminado. antigo funcionário com  excelente folha de serviço.  Salientou  que  Gilberto  e  ele  se  empenhavam  em  apostas.  Mostrou­lhe  a  carta  que  o  conhecido  agressor  lhe  dirigira  à  filha  e  ponderou. onerara­se a imobiliária com dois vultosos empréstimos.  Ele  contava  com  uma  princesa.  quanto  à  necessidade  de  protegê­la. nem  noutras. para que se lhe garantisse a tranqüilidade  na  gravidez.  demandou  a  moradia dos Torres.  Ambos  se  devotariam  a  trabalhos  diversos.  e  se  entenderia.  Dona  Márcia  abandonara­o e residia com Selma.  Amigos  da  firma  haviam  retirado.  construiriam  o  berço  do nenê.  vencendo  a  própria  repugnância  com  os  recursos  da  oração.  Marina  rejubilava­se. planeando a formação de um restaurante.. compreensivo.  impedindo  que  novas  cartas  lhe  chegassem  às  mãos.  até  a  assistência contínua em casa.  Cláudio agradeceu. com  os  clínicos. não avançou além de semelhante informe.  Dariam nova  disposição  ao  apartamento.  capitais  importantes.  Esclareceu  ter  estado na residência dos Torres; contudo...  Prejudicado o movimento.  em  nome  dele. confortado. Nenhum impedimento para ele.  Um  empregado.  abrindo  brechas  dificilmente  recuperáveis.190 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  à  face  da  ausência  de  Gilberto  atraíra  desastres  financeiros.  O  genro  aguardava  um  príncipe.  Mesmo  assim.  Juntos.  desistindo  dos  depósitos  com  que  lhe  garantiam  a  segurança. sossegando­a. Afirmou  possuir  razões  para  acreditar  que  Nemésio  não  mais  a  molestaria.  sem  parecer  ao  genro  que  assim  procedia defendendo­a do sogro.

 Aquele homem  castigara­o na alma e na carne.  No  encontro  último  de  consultório. reservado. qual se lhe fosse companheiro incessante.  que  doravante  seria  compelido  a  novos  encargos.  E  para  que  a  filha  não  pudesse  penetrar  os  motivos  de  tamanha  solicitude.  de  cuja  reencarnação  guardava  a  certeza. Ameaçava.  no  prédio.  que  lhe  impedissem  as  manifestações  de  fraqueza. Cada vez que entregava os manuscritos ao fogo. segundo as Leis  Divinas.  endereçada  a  Marina. Que o não deixassem  confiado  a  si  mesmo.  Nenhuma  ginástica.  Se  bem  não  se  sentisse  em  condições  de  se  acomodar  com  a  virtude.  tentando  revê­la.  no  dia  seguinte.  Noutras  ocasiões. através da letra. .  Acautelaria  Marina  e. suplicava o apoio  do Cristo.  Bastariam  marchas  diminutas  a  pé. enquanto esperavam por Gilberto.  por  fim. com o fim de arruiná­la.  nada  razoável  desanimar.  Somente ao clarão da lógica espírita destrinçava a meada dolorosa. em loucura e obsessão. A  consciência  determinava­lhe  aceitar  os  desafios  com  humildade. com vistas à melhoria.  anelava  solver  os  débitos  contraídos.  que  lhe  frustrassem  qualquer  propósito  de  revide. crises. transformara­se para ele em cobrador do destino. Não  obstante  os  prejuízos  que  experimentara.  Teria  conflitos  e  injúrias  à  frente;  no  entanto.  Efetivamente.  relatava  as  andanças  a  que  se  entregava  no  Flamengo. sem que  lhe  fosse  facultado  assumir  qualquer  providência. Restaurar­se­ia em reduzido tempo..  Devia  pagar.  ressumando  inconformidade.  conseqüentemente. Aprovando os planos.  conhecendo  o  horário  aproximado  de  recepção  do  Correio.  indicara  o  médico  ligeiros  exercícios  físicos.  o negociante  se  figurava ao  leitor  paciente mais contraditório  e  menos lúcido. pontualmente.  e  a  rudeza  com  que  lhe  havia  cerrado  a  porta.  permeadas  de  preces  ardentes. Por essa razão. sabendo a  fel.  depois  de  frases  melífluas.  Preferia  matá­la  ou  matar­se  a  receber  netos  do  lar  que  haviam formado.  Demandando.  Algo  suave.  Dia a  dia. implorando recursos aos Espíritos amigos. a fim de esquecer­se. Reclamava resposta.  Identificava­se  num  teste. se repetiu  diariamente.  Cláudio  sensibilizava­nos  com  oportunas  reflexões. a missiva chegava. queimou o papel. ainda que isso lhe custasse a existência. proibia­  lhe  dar  filhos  a  Gilberto.  cuja  identidade  estabeleceu para logo..  o  leito.  deixando  queixa  à  Polícia contra ela. Misturava declarações e libelos. Cláudio percebia que  o redator de tantos aleives se atascava.  Por  vezes. Era coleção de recados. Abriu­a.  Previa. no entanto. sempre mais.191 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Gracejaram. Orava. alegava dificuldades. Marina solicitou­lhe o concurso na organização  de um álbum que andava formando para o bebê.  inquieto.  sem  dividir  com  pessoa  alguma  a  dor  que  o  espicaçava.  sob  pena  de  estourar  o  crânio. A ocorrência. Referia­se ao revólver.  ainda  era  suficientemente  abastado  para  fazê­la feliz. ele se lhe convertera no pajem de todo instante. Em bilhetes comprometedores.  Minuciosa ou sintética.  que prosseguia estudando à noite.  não  lhe  conferiam  margem  a  dúvidas.  Cumpria­lhe  tudo  amargar. Cada texto mais  inconveniente  que  o  outro.  Indiscutivelmente  prejudicara  Nemésio  Torres  em  outras  existências.  Marita. por dois meses. Dizia precisar dela  para recompor as finanças.  Nogueira  desceu. se o atendesse.  Nogueira.  exigia  pronunciamentos  descabidos.  A  carta  de  Nemésio.  com  a  desculpa  de  obter  pão  mais  fresco  e  recolheu  nova  carta  de  Nemésio.  entre  o  genro  feliz  e  a  filha  gestante. de maneira a seguir caminho afora.

 a gravidez apontada desiludira­o.  Nemésio delirava.  Enquanto Moreira e eu lhe acompanhávamos a súplica. aquela primeira  manifestação de Nemésio. em esforço diário.  Mais  justo  que  o  filho  aguardasse  noticias  do  tresloucado  genitor  por  outras  fontes. após o almoço. com discrição.  Compadeceu­se. rogava  a Jesus pelo adversário.  assim  mesmo hipotecada. pelas decisões dela.  por  fim.  insulou­se  no  quarto  e  orou  por  aquele  homem  que. assustado.  na  praia. mas em vão. Sentia fome de meditação  mais prolongada. Esperara por ela. Nogueira  se lhe erigiu em guarda­costas.  amparando­o. Nenhum vestígio. demandou. nunca por mais de meia hora.  E nós. como era de esperar.  Acompanhando  Nogueira.  Acreditava­se  o  mais  desmoralizado  de  todos  os  homens  desmoralizados.  repulsão.  A  letra  modificada. algumas  das  organizações  policiais  e  hospitalares  que  lhe  pareciam  suscetíveis  de  fornecer  alguma pista.  se  afundava  em  pavoroso  desespero.  que  crivava de pejorativos e ofensas. tinham impelido  vários amigos a rogar auxílio  em  benefício  dele.  Finalizava. A gestante obedeceu e.  Impressionou­se.  Lágrimas  de  revolta. preferia morrer.  alinhando obscenidades e informando estar assinando o nome pela última vez.192 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Realizasse à noitinha curto passeio até à praia. enquanto lhe fosse  possível. Entretanto. antes de reduzi­lo a cinzas.  configurando insultos.  tão­só. sustentando o coração repassado de inquietude. fora varrida do pensamento. Confessava­se falido.  transmitidos para o “Almas Irmãs”. Concentrando­se em pensamentos de benevolência e de fé. Se juntos.  Depois da caminhada.  analisamos  a  alteração. leu e releu o documento e.  contudo.  a  fim  de  colaborar  conosco.  de  tal  forma  com a mensagem recolhida que.  para  sentar­se..  Esperou o momento oportuno e comunicou­nos que vinha da parte do irmão  Félix.  efetuando  breve  percurso.  Impraticável. Plantaria  uma bala na cabeça.  largava  o  prédio.  Restava­lhe  de  seu. Aí se entretinham  habitualmente  nos  temas  caseiros. afinal. revelava superexcitação fronteira à demência.  Nogueira.  Marina. Nada mais que isso.  a  moradia. se engravidara contra as  ordens  que  lhe  ditara  em  observações  anteriores.  desertavam  amigos.  Enojava­se  da  paixão  que  nutrira por ela. Para a filha. Comunicava à  esposa  de  Gilberto  tê­la  visto. Despedia­se dela e do mundo com repugnância.  durante  todo  o  dia. Que visse nos  borrões  freqüentes daquelas páginas com que encerrava a existência as marcas das  lágrimas  que  chorava. e verificara que ela. contaria com a  possibilidade de se reerguer.  Chegara no  objetivo  de  ser  útil. Escasseava­lhe tudo.  desprezo.  pelo  jeito.  que  se  lhe  estendesse  o  socorro  preciso  para  que não resvalasse  em  deserção;  se  houvesse  forçado  irrefletidamente  as  portas  da  vida  espiritual. Não  se lhe oferecia ensejo de  opor embargos à prescrição.  o registro de  Torres  pai veio diferente. com referência ao suicídio anunciado.  colocar  o  genro  ao  corrente  da  situação.  que  fosse  bafejado  pela  proteção  dos  Emissários  Divinos. ao pé do mar.  Escorridos  seis  dias  sobre  as  excursões  aconselhadas. que  lhe  admirávamos  a . Percília entrou.  quando  não  se  internavam  em  assuntos  do  espírito.  Os  apelos  de  Cláudio.  em  companhia  daquele  pai. Acabara­  se  o  dinheiro. junto da filha. Que os mensageiros do Cristo se apiedassem de Nemésio..  todavia. repousou mais cedo.  enlaçada  ao  pai. junto dele. pelo serviço postal.  Se  ainda  estivesse  no  corpo  carnal.

 Ansiava enxergá­la. diante de Cláudio.  recuperou  os  sentidos  e  virou­se  com  dificuldade.  Cláudio.  Locomovia­se Marina. No entanto. apoiando­se nos dois braços a se retesarem..  tonto  a  princípio.  no  endereço  da  Glória. que tombara em decúbito ventral. qual enfermeira afetuosamente consagrada a doente querido..  mantendo  o  auto.  Confiasse  em  Deus.  precipitou­se  sobre  pai  e  filha..  Moreira  e  eu.  Sobreveio  a  agitação. a  constelar­se de luz..  Após o descanso.  vimos  Nemésio  ao  volante.. notando os carros que  desfilavam. debalde.  emocionadas.  que  ele . pesadamente; em razão disso.  em torno de Nogueira.  Ferira­se  um  pouco.  dispôs  simplesmente  de  um  segundo  para  arredar  a  filha  e  foi  arremessado  a  distância.  firmando­se  em  benfeitoras  anônimas..  em  tremenda  impulsão.  arrastou­se  até  ele.  assombrados. sem novidades que chamassem atenção..  Os Nogueiras conversavam tranqüilamente. Receava desfalecer.  sobrepondo­se  à  curiosidade  dos  circunstantes.  Problema  simples  que  a  hospitalização  de  algumas  horas  viria  resolver.  Não  sofrera  sequer um arranhão; todavia. iniciaram a travessia com vagar; no entanto..  com  a  fisionomia  de  louco.  rápido.  A aragem soprava.193 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  bondade silenciosa. qual se perdesse todos os controles e.  O  bolo  crescia. quebrando as regras do trânsito.  Novembro seguia.  suplicou. a volta.  conseguiu  sentar­se..  Pai e filha.  qual  avião  em  decolagem. salva!. Bradava­se contra choferes  desalmados. Cláudio ensaiou um  sorriso  quase  alegre.  Afligia­se  tão­somente  por  ela.  desnorteando  guardas e populares. cobrou forças.  Mais quatro dias transcorreram sem episódios especiais. tão mansas que refletiam prateadas faixas do firmamento.  Entre  sete  e  oito  da  noite. à  frente das águas mansas. contra jovens inconscientes. em torno de assuntos triviais. cálido.  perguntou  por  ela. a não ser a extrema  dedicação de Percília que.  Marina.  Apenas  isso.  depois de sofrer o impacto da máquina à altura do tronco. à beira da pista asfaltada.  Nogueira. velozes.  e  rogou­lhe  calma.  Tudo  terminaria  bem.. sabê­la viva.. o imprevisto aconteceu.  Funcionaram  telefones  próximos  para  o  socorro  urgente. esperavam vez. enternecemo­nos ao observar a devoção com que se instalou no  aposento. O sangue pingava­lhe  da  boca. fitando o  genitor a dominar­se para insuflar­lhe segurança.  Motociclistas  dispararam  no  encalço  do  agressor. na paisagem. foi imediatamente escorada por senhoras que acudiram.  Superando  a  resistência  do  corpo  que  se  tornara  rígido..  que  o  sangue  entristecia.  que  um  dos  cavalheiros  presentes  se  prontificou  a  buscar. aliviando a tensão do dia. se dispunham a segui­lo. aturdira­se. Aqui e ali.  com  lentidão.  explicava.  Automóvel  a  deslocar­se  de  longe.  Solicitou  a  presença  do  genro.  Ficasse  boazinha. forçando as mãos espalmadas  no solo. reconhecido o sinal de  passagem livre. em gritos. que.  adquiriu  estranho  movimento.  Percília. transeuntes encarnados e  desencarnados.  Marina.  A filha!. era análoga ao amor de Cláudio para  com a filha.  mas.  descemos  do  prédio  e  demandamos  os  sítios  conhecidos.

  deixa  que eu ofereça. Esperasse  por  Gilberto  e  lhe participasse  o  acontecido. igualmente.  “Senhor.  Soberana tranqüilidade se lhe instalou no espírito.  Se  lhe  competia  encetar  o  pagamento  do  débito  assumido.  Cláudio  é  meu  filho. rogava aos amigos espirituais o ajudassem no resgate da falta cometida. falou. ele. quando as estrelas se acendiam.  por  que  não  iniciá­lo.  Lembrava­se  de  que  dois  anos  jaziam  transcorridos  sobre  o  desastre no qual supunha haver Marita procurado a morte..  satisfazendo­nos  o  apelo..  porém..  devia  regozijar­se. ao ádito da memória.. por culpa dele.  Se  é  possível.  Diante da ambulância que chegara. viesse a refazer a  existência?  por  que  não  agradecer  ao  Senhor  o  bendito  instante  em  que  pudera  acautelar Marina contra o carro homicida? Não seria aquela hora.  Novembro.  aquela  criatura..  permite agora  que lhe dê  minha  vida!.  baixinho. Nas preces  costumeiras.  Nada  de  alarmes. fora constrangida a defrontar?. para ele. Concluindo.  enquanto  Nogueira  pensava  em  Marita.. submissa:  –  Irmãos...  ao  reconhecer  que  eu.  Senhor.. incriminara­se sem que a justiça da Terra lhe infligisse punições... Contemplou o céu e recordou que  a filha caíra quando as estrelas se apagavam.194 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  mesmo forneceu. Queria tanto viver para aquela filha.  Em derredor.  resguardava­o  em  lágrimas.  Desencarnados  amigos  que  procediam  das  vizinhanças.  Percília. sorriu  e  compreendeu.  a recomendar­lhe  otimismo.  sem  exagerar as  impressões. Ela tombara perto do mar.... Espírito  endividado. mas notou  que as energias lhe escapavam.  Moreira  e  eu  diligenciávamos  fortificá­lo. .  despediu­se  da  filha. juntas..  ele também..  ao  viajar  num  carro  igual  àquele..  mesmo  ali.  a  maior  manifestação  da  bondade  de  Deus?  Impelira  a  filha  para  a  morte.  entre  os  rostos  desconhecidos que Marita..  que o aconchegava de encontro ao colo.. à filha de minha alma. se desfazia em pranto copioso..  protegiam  a  gestante.  comumente silenciosa.  e  verificou  que  as  lágrimas  represadas  lhe  constringiam a garganta.  ao  vê­la  assim.  Fixou  Marina  que  chorava.”  Quando esses trechos da oração se lhe rearticularam no pensamento. pediu a própria internação no Hospital  dos  Acidentados..  Sim.  dispensando­lhe  auxilio..  serenidade.  nas  mesmas  circunstâncias.  amado  Jesus.  considerou  intimamente..  Que  o  serviço  policial  o  favorecesse. Ambos atropelados por automóvel. a balbúrdia.  sentiu  que  se  lhe  reconstituía na mente  a  visão  em  que  se  reconhecera  visitado  por  Marita.  que  Moreira  e  eu  nos  desassossegávamos..  Não  choro de dor ao ver­lhe o corpo caído.  Carregado  por  braços  generosos.  irmãos. Por que não dar alegremente a vida  para que a filhinha prematuramente desencarnada. Se necessário.  Nisso..  O acidentado..  Que  não  se  apoquentasse  por  sustos. tudo o que eu tenho!.  Acreditava  que  Marina e Marita ali se achavam juntas. para consolo da filha.. alheou­se. em reflexão.  e  as  palavras  da  prece  que  formulara lhe vieram.. contudo.  mulher  prostituída  no  mundo.  acomodada  no  chão. mas sim de alegria por abraçar­lhe o espírito  levantado!.  Choro. aguardava com tanta  ternura a  criancinha  por nascer!.  Percília. pediria o concurso de alguém para dar noticias ao telefone.. uma a uma. tu sabes que  ela perdeu os  sonhos de criança por minha causa.  perdoai­me  a  comoção  excessiva!.  conjugando recursos magnéticos..  apenas  no  curso  de  existências  porvindouras. Intentou prosseguir conversando.  Dentro  do  carro.

 Cláudio.  Agostinho  demandara  o  mundo  espiritual.  que redundavam infrutíferas.  estimaria  abraçar  o  amigo  de  Copacabana.  De  minha  parte.  Apesar  disso.  Sei  apenas  que  ele e eu.  o  olhar do instrutor.  pelo  fio. Rememorou as noites de vigília.  inteligente.195 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  hoje em serviço de minha regeneração depois de provas árduas.  se  possível.  Viessem com urgência. para considerar que espécie de socorro seria capaz de receber. Nenhuma providência humana conseguiria sustar a hemorragia  interna em efusão crescente.  ela.  Nogueira esmorecia. Diligenciava mentalizar a figura de Marita.  Informou que chegara ao Rio.  decidira­se  a  examiná­lo.  em  colaboração  com  a  medicina  terrestre.  mas. nas quais se agasalhava no apoio de  Agostinho  e  Salomão.  Diante daquele testemunho de humildade. invariavelmente interessada em compreender e servir? Não podia  auscultar  os  sentimentos  de  Moreira.  semanas  antes...  cujos  laços  de  parentesco  terrestre  com  Nogueira eu desconhecia até então.  em  dois  anos  de  trabalho constante. rogava forças.  A  emotividade  sufocava­me.. minutos antes.  como  sendo  minha  própria  mãe. com a naturalidade de quem já sabia de tudo.  a pedido de Nogueira foi chamado pelo fio.  Ativou­se­nos  o  trabalho  socorrista. Moreira e eu baixamos a fronte.  O  interpelado  concordou  e.. num movimento instintivo de respeitosa afeição.  adivinhou  que  o  fim  da  atividade  orgânica  se  aproximava. ao  mesmo  tempo. naquela hora.  não  acabávamos  a  transmissão e o benfeitor.  quis  perguntar  se  Torres  pai  enlouquecera;  entretanto.  O  médico  entendeu  e  comunicou­se  com  Gilberto  e  Salomão.  perguntando­lhe  se  julgava  oportuno  algum  chamamento  aos  filhos. não desconhecendo que  Nemésio  se  mantinha  relegado  ao  próprio  infortúnio.  de  imediato. O médico dedicado improvisava medidas de salvação.  Mais alguns minutos de expectativa e dávamos entrada no estabelecimento  que nos era familiar.. a fim de pedir­lhe perdão pelos maus exemplos que  lhe dei. inclinamos as cabeças.  sobre  a  destra  maternal  que  afagava  o  ferido. posso aproximar­me  do filho que Deus me confiou. reconhecer  lugares.  sondou  o  ânimo  do  facultativo.  mas  a  cabeça  não  se  aprumava. para expressar­se assim? Que martírios amargara  na Terra e depois da desencarnação para senhorear a serenidade com que se acusava.  Aguçou­se­lhe  a  atenção  para  o  desequilíbrio  e. surgiu rente  a nós.  osculando­a  com  reverência.  Reportou­se  de leve  a  isso. de mais perto. Desejava apelar para  o genro e para a filha.. em prece. invocar­lhes a benevolência para Márcia e Nemésio. pela assistência a Marita. Atendeu sem delonga.  envergonhados.  pelo  olhar  profundo  que  lhe  dirigiu. .  Sensibilizando­nos.....  O médico que se responsabilizara.  Expedíamos  mensagem  para  irmão  Félix;  entretanto...  Quem  deveria  ali  penitenciar­se  por  maus  exemplos  senão  eu?  Que  não  teria  padecido  aquela  corajosa  mulher.  que  eu  aprendera a  venerar.  Félix  inteirou­nos  de  que  Nogueira  se  achava  prestes  a  desligar­se do corpo. mas. não encorajava indagações.

  fortemente. para  a  filha  ansiosa  e  avisou. e. Desconhecia o paradeiro de um e  outro;  contudo.. Era Percília que o acariciava. tão­somente. Raciocinava com firmeza...  Marejaram­se­lhe os olhos de pranto e. Olhou.  verificou  a  chegada  de  Salomão.  O ferido ganhou inesperada melhora.196 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Félix  redobrou  esforços  para  sustar  o  fluxo  hemorrágico. o agonizante recordou o adeus de Marita e  teve a impressão de que alguém lhe tocava os dedos.  com  credenciais para ser acatado e compreendido em qualquer circunstância..  que  o  considerava  um  irmão.  Lúcido.  Desfazia­se.. o cansaço. Acentuou que não detinha qualquer motivo para  malquerer  Nemésio.  e administrou­lhe o benefício.  quando  a  oportunidade  aparecesse. com inflexão de súplica.  –  Mas.. advertiu­a com doçura.  Cláudio  entrou  em  coma.  compungidos.. Onde a fé que cultivavam? como não confiar em  Deus  que  renova  o  Sol  cada  manhã.  que  velavam  conosco. por fim.  viu  quando  Gilberto  e  Marina  entraram.  Marina compreendeu a significação do gracejo e caiu em choro.. a cujos préstimos recorrêramos.  ainda  que  por  minutos. ..  e  durante  quatro  horas  o  coração vigoroso pulsou no tronco inerte..  com  o  amparo  de  outros  amigos  da  Esfera  Superior.  fixando  nela  o  derradeiro  olhar. para que a menina.. obteve o que procurava. aditou:  – E seu neto?  O agonizante esboçou uma expressão quase risonha e ponderou:  – Minha neta.  Marina  estendeu­lhe  a  mão  pequena  que  ele  apertou.  Guiada  por  Félix.  sopitando as  lágrimas  –.  peço  uma coisa. até que. que ele.  que  talvez  fosse  compelido  a  efetuar grande viagem para tratamento mais amplo. como para conter­se.  pessoa  da  família.  Félix  ergueu­se  em  prece  e...  como  quer o senhor largar­nos assim?.. O genitor. conseguia  comandar­se. o efeito das forças magnéticas concentradas... Confessou que Márcia era excelente companheira. apesar do nosso empenho em libertá­lo.  Mas..  cunhando as palavras com a serenidade possível.  Ajustando o punho ao tórax. trêmulo...  que  se  aproveitava  do  momento  para  agradecer­lhes  a  abnegação  incessante.. reticencioso:  –  Um  espírita não  aposta.  para  que  a  vida  permaneça  triunfante?  Tencionava falar­lhes de assunto sério. meu  sogro – tartamudeou  Gilberto.  Agravaram­se­lhe a palidez.. Logo após.. passou a respirar com dificuldade.  no entanto. Nogueira  ainda pôde solicitar ao amigo uma prece.  maternalmente.  Daí  a  momentos. em se lhe relaxando a tensão.  Cláudio.... afastou­o finalmente do veículo fatigado.  na  direção  da  filha.  devia ser culpado pela separação. O farmacêutico orou.  Manhãzinha.  sempre  assistido  pelos  filhos  e  por  Salomão. rogou­lhes  bondade e entendimento para Nemésio e Márcia.. de maneira acariciante.  se  eu  tiver  vantagem.  com  um  sorriso  forçado. prometam. um passe.. deu a perceber que repousara..  tanto  quanto  fora  farto  de  amor  para  ele.  Declarou­se  reanimado  e  alegre.. tenha o nome de Marita.  qual  se  dormisse.  Entrementes.  que  o  lar  do  Flamengo  se  mantivesse  repleto  de  carinho  para  eles. Peço.. colaborando intensamente com o médico. na  teima.  Alongou  a  destra.  E acrescentou.

 queria mandar buscá­los da Terra para os Céus.  renascente.  O  Sol  fulgia.. num  carro de ouro. tive a idéia de que o Pai de Infinita  Bondade.  para  a  caminhada  que  nos  cabia  empreender. ao vê­los renovados.197 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  depondo­lhe  a  cabeça  nos  braços  de  Percília..  coroando  aquela  mãe amorosa. que conchegava o filho ao colo. .  contemplando­lhe  os  raios.  e.

  que  não  sossegou  enquanto  não  lhe  admitiu  o  reequilíbrio  perfeito.  O companheiro reconfortava­se.  que  mostrava  para  com  ele  devotamento  particular. anotando­os nos cadernos do passado.  para  a  consulta no  ensejo  próprio.  porque. comoveu­nos com um pedido.  gerando  automatismos  de  elevação.  Desperto agora.  Envergonhava­se. acusava­se.  pudera  acordar. visto que.  vexado. Cultivasse paciência..198 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Capítulo 13  Recolhido  à  organização  assistencial  vinculada  aos  nossos  serviços. conquanto a vida nos recomende  jamais esquecer a nossa pouquidade. que aspirava a  merecer.  Contava  com  amigos  no  “Almas  Irmãs”.  oportunamente  recuperaria  mais  amplos  potenciais  da  memória. As Leis Divinas preceituam esquecimento do mal a fim  de  que  o  bem  se  nos  incorpore  à  individualidade.  rejubilando­se  com  reencontros  abençoados.  sob  pena  de  frustrarmos  as  possibilidades do presente para melhorar o futuro.  por  muito  tempo  ainda.  somente  à  custa  de  muitos  favores  –  opinava  humilde  –.  sob  o  efeito  natural  das  experiências  a  que  se  condicionara  no  plano  físico;  entretanto.  nas  adjacências do Rio. Somos todos  obrigados  a  prevenir­nos  contra  a  agitação  constante  de  sedimentos  dos  vícios  e  transgressões  do  pretérito.  acabáramos  descobrindo no serviço o remédio para as enfermidades do sentimento. lhe pudesse . após o transe. no porvir.  aonde  formos.  Andava  transitoriamente  esquecido.  Aproveitássemos os erros por lições.  Empregamos todos os meios justos para dissuadi­lo. esperançado. Se a Divina Providência.  Félix.  Também  nós  atravessáramos  crises  semelhantes;  contudo.  no  vaso  da  alma. sem retornar a vê­lo. de procurar­lhes imediatamente o convívio.  Referimo­nos  ao  irmão  Félix.  até  mesmo  consigo  próprio. denotando excessivo apego  a complexos de culpa. confundido.  para  as  realidades  da  alma.  de  onde  havia  descido  às  lides  da  reencarnação.  estaremos  carregando  no  espírito  o  bagaço de velhas imperfeições. consciências endividadas que ainda  somos. não  obstante  lhes  sirvam de adubo às raízes.  No quarto dia. Cláudio nos recebia as manifestações de amizade e apreço.  se  nos  fosse  facultado  descortinar  inclinações  especiais  naquele  Espírito  aberto  a  todos  os  apelos  da  fraternidade  sublime.. porém.  Árvores  alijam folhas mortas. por amigos tão dedicados. Momento a momento. Reconhecia­se  amparado  por  muitos  benfeitores.  antes  da  morte. que ninguém logra aperfeiçoar­  se  sem  paciência. Nogueira desencarnado refazia­se.  no­lo entregou aos cuidados.

  penetrou  em  casa..  à  felicidade  daqueles  dois  associados  do  destino.  A  petição  enternecia­nos;  entretanto.  vacilante.  não  fez referências a Marita.  Autoridades  do  estabelecimento  que  nos  albergava  acolheram  o  assunto  com  simpatia  e  ofereceram  medida  básica  à  solução  do  impasse. cuja imagem se lhe retratava no espelho da mente. com relação ao desastre. Não lhe competia devotar­se ao  bem  dos  outros  e. queria sair de si mesmo. exultou.  diante dos credores. mesmo desencarnado. Estimulado pelo apoio que recebia..  felizes. rogou  colaboração  para  voltar  ao  Flamengo.  considerava­os  ainda  moços  e  inexperientes.  Amava  os  filhos.  apesar  de  se  manter  em  atividade na proteção aos parentes. reservando­se à Casa da Providência o direito  de  corrigir  a  concessão.  não  detínhamos  competência  para  decidir.  acolhido  por  Moreira  que  nos  precedera. quando pisamos nas areias do Flamengo... trabalhar..  junto  das  quais  se  reconhecia  devedor.  cauteloso.  Advogaria  a  causa  no  “Almas  Irmãs”.  Amanhecia..  na  consideração  íntima  do passado. Apoiando­se em Percília..  anelava  permissão para continuar trabalhando.  antes  de  se  elevar  aos  círculos  imediatos  da  Espiritualidade  para  julgamento da existência transcorrida.  ambicionava  converter­se  para  eles num  servidor. Mesmo assim.  Acrescentou  Nogueira  que.  convicta  de  que  Félix lhe emprestaria prestígio e patrocínio.  Não  pretendia  largar a oficina terrestre na condição de insolvente. não fez  o mínimo apontamento.  fosse  dilatando  o  tempo. sem  ausentar­se do  Rio. satisfeito.  o  arrimo nas tarefas do reajuste.  Desde  que  se  munisse  de  aprovação. melhorar­se.  e  quase  que  na  mesma  hora  Percília  partiu.  Com efeito. regressou com o requerimento referendado.  por  discrição  e  respeito.  e  muito  compreensivelmente.  praticando os ensinamentos espíritas­cristãos que teoricamente havia aprendido?  Decerto.  Certificamo­nos  de  que  o  amigo  se  reiniciava  confiante. no dia imediato..  Moreira.. Além de suspirar por se redimir.  Sentia­se fraco..199 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  conceder  novas  esmolas.  trabalhar. junto de  mim.  Mas não era  só.  O requerente. não cobiçava outra coisa senão instruir­  se.  auxiliá­lo­ia.  Duas  criaturas  deixara.  se  atendido.  Admirei  sem  palavras  o  mecanismo  de  amor  da  Bondade  Divina.  Ajustaram­se providências.  Permitia­se  a  Cláudio  o  período  de  dez  anos  de  serviço  ao  pé  dos  familiares. na  hipótese de se revelar indigno dela.  Seis  dias  sobre  o  acidente  que  levara  Nogueira  à  desencarnação. no seio da família.  a  ele  que  se  categorizava  por  mendigo  de  luz. compreender e ser útil.  Nogueira  residiria  ali  mesmo.  Nemésio  e  Márcia.  atravessamos com ele a pista de asfalto.  que  se  mantinha  com  funções  definidas  ao  lado  de  Marina.  sobretudo. no sítio em que tombara; no entanto.  Pássaro  implume.  obedeceria  lealmente  aos  programas de ação que lhe fossem traçados.  ansiando despencar­se do ninho. reconduzindo­o ao lar. ou cassando a licença.  com  atribuições  de  mensageira. .  De  propósito.  se  o  interessado  demonstrasse  aplicação ao cumprimento das promessas que formulava. sonhava auxiliá­los e amá­los.  Aquele  que  lhe  fora  assessor  no  desequilíbrio.  Agradecemos.  ser­lhe­ia.

 ouvimo­la.. Rearticulou.  conservando...  e  decidiu­se  em  espírito.  fremente  de  júbilo. o marido concordou...  Que  é  feito  de  Nemésio?  Procuremos  Nemésio! É preciso ampará­lo!.  sobretudo..  Suplicava  a  Deus  não  lhe  permitisse alçar caprichos acima de obrigações. .  sondando  o  médico.  modelada na carne. antes de se entender com Dona Justa.  onde estivesse. no entanto.  angustiava­se  ao  imaginar­se  no  reencontro.  Deixando  Percília.  Ao  tocá­la.  Ao café.  abraçou­a brandamente e apelou:  –  Minha  filha!. na  memória. Ampará­lo!.  Figurou­se­lhe  Marina  uma  planta  luminosa.  As  informações  eram  alarmantes;  entretanto.  Ela.  principalmente  da  parte  de  Olímpia.  sim. rememorou  a  solicitação  paterna de última hora.. Cláudio  que  observava. parecendo­nos receoso. na gravidez avançada.  rogando­lhe  abençoasse  o  genitor  desencarnado.  embora  os  constrangimentos da companheira.. na forma de intenção consolidada.  em  pensamento. Isolou­se  no banheiro por instantes. reaproximou­se dela. Enlevados.  A  idéia  de  Cláudio  relampeou  na  oração.  sem que  pudesse  explicar  a  si mesma  a razão disso..  Atendessem. Sentou­se no leito a refletir. no encalço de Nemésio.  em  serviço.  Inclinaria  Gilberto  à  reconciliação. o pedido que Nogueira lhe  insuflara.  Olvidaria  o  passado  e  ajudaria  o  doente  no  que  lhe  fosse  possível.  percebeu que a filha trazia no corpo e na alma a doce presença de Marita nascitura.  penetrou  no  recinto  em  que  nos  achávamos  e..  Cláudio  e  Moreira  entregues  à  atividade. sugeriu ao esposo as primeiras medidas atinentes ao caso.  abeirou­se  dela.  ao  partir.  dirigiu­se  a  Jesus. todavia.  busquei  a  vivenda dos Torres.  –  concluiu  mentalmente. quando Marina se ergueu.  atento. para  vê­lo.. Por fim.  Minha  filha!. Gilberto ponderava. povoavam­lhe a mente e afastou­se.. que  eu não mais vira.  mas.  Se  a  doença  fosse  mesmo  grave.  Entrei..  Os compromissos caseiros. observando que os filhos conservavam­  no intacto.  Ela  e  o  esposo  tinham  recebido  notícias  ao  telefone. em estado grave.  Deu um passo à retaguarda.  não  assinalou  a  advertência  com  os  sentidos  físicos.  Nemésio.  direto.  Que  não  recuassem.  A  moça.  O  médico  da  família  procurara  Gilberto  no  banco.  O despertador anunciou as seis horas.  Levantou­se  Cláudio.. Em seguida.. Telefonaria do  banco. no clima dos pensamentos  harmônicos  em  que  nos  entrelaçávamos.  hesitavam.  Silêncio vazio nas peças principais. encerrando uma flor quase a desabrochar.. Temia conspurcar a excelsitude  do  quadro  sublime  que  o  defrontava.  a  rogativa  de  Cláudio. preparou­se e.  Comentava­se.200 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Demandou o aposento em que se instalara.  Nemésio  era  também  pai. palavra a palavra. sobre  o  lanche  matinal  do  marido. porém..  Marina propunha... tomariam táxi à noite. Não adiariam por mais tempo a visita.  expectante.  Alimentou  as  disposições  favoráveis  do  casal..  entrou. que o sogro jazia enfermo. desde o trágico  instante do carro em disparada.  conquanto  a  jovem  senhora  exorasse  o  amparo do Senhor em silêncio.

. suplicando aos Poderes Divinos não lhe  permitissem  a  saída  do  plano  físico  sem  aproveitar  o  benefício  da  enfermidade no  veículo  carnal.. ah!.  Apenas  Olímpia.  cristais.  acumulando  fatores de intervenção em favor dele. dantes tão bajulado e tão rico.  Debalde  intentou  soerguer  a  carcaça  dorida.  –  Pois  é  o  senhor  que  encontramos  assim.  parado longe  do  local  em  que  se  desenrolara  o  delito. indagava a si mesmo se valia continuar um homem ativo e inteligente.  Amaro. no  automóvel.  Quis  falar.  telas.  embora  perfeitamente  lúcido.  Parecia  prestes  a  desencarnar.  Quem  era  ele.  o  velho Torres era aquilo que eu via.  mas  Félix  aparecera  de  improviso  e  requisitara  o  apoio  de  todos  os  órgãos  espirituais  de  assistência. ah.. ali aguardei a noite.  não  conseguia  articular  palavra. vinha até ali duas vezes por dia.. Torres  pai se decidira a exterminar Marina e suicidar­se em seguida.  Imaginando­se  sozinhos. até que à frente do leito.  Perplexo.  prejudicando. Orara.  e  o  processo  desencarnatório tinha  sido  imediatamente  sustado. o quarto espaçoso em que lhe conhecera a  esposa  doente.  Mobilizei compreensão e resistência para não sensibilizar­me em demasia. entrando em desespero e esse  desespero lhe cresceu tanto no espírito que o corpo doente não resistira.  Ele.  fora  encontrá­lo  semi­paralítico  e  sem  fala.201 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Espantado.  que  se  desarranjara  sem  probabilidades  de  conserto. verificou que atropelara Nogueira e não a filha.  desencantado – há menos de uma semana.  avisado  por  amigos. Ao praticar o crime.  situados  nas  imediações. .  atado  a  um  corpo  desajustado  assim.  apenas  Amaro.  Cedendo  à  paixão  que  lhe  empolgava  os  sentidos  e  excitado  pelos  obsessores que o abandonaram tão logo lhe viram o corpo arruinado e inútil.  porém.  Condoído. largado à cama A casa fora  devassada  pelos  credores  e  empregados  desonestos  haviam  fugido  carregando  copioso  fruto  de  saque. a fim de prestar ligeira assistência ao  enfermo.  o  fiel  amigo espiritual que velara por Dona Beatriz. Sobreviera o  derrame.  Junto  dele. ah.  seguidos  de  Percília.  hemiplégico  e  afásico  no  leito.  Vi  quando  Gilberto  e  Marina  atravessaram  o  vestíbulo.  Baixelas.  mas  não  pôde.  ouvi  do  enfermeiro  o  resumo  da  tragédia  em  que  se  envolvera  aquele homem.  que  reputava  santas.  confidencioso  –;  no  entanto.  se  prosternaram  em  lágrimas.  apesar  do  supremo esforço despendido.  antiga  companheira.  pratarias.  papai?  –  arfou  Gilberto  em  desconsolo.  pequenos tesouros dos ascendentes das famílias Neves e Torres e até mesmo o piano  e  as  jóias  de  Dona  Beatriz  jaziam  perdidos  na  voragem.  para  censurar  as  decisões  do  irmão  Félix  –  alegava  o  amigo..  que. Moreira e Cláudio.  E  isso  tudo  –  rematava  o  informante. o interpelado apenas engrolava:  – Ah. tomados de surpresa dolorosa..  Desde  a  intercessão  de  Félix.  em  vista  das  alterações  nos  centros  nervosos. qual  Nemésio.  Amaro.  Cabeça trêmula. um farrapo de gente.  Nemésio  reconheceu­os. ao invés de auxiliar. procurei­lhe o quarto. ah. cuja solidão o lustre  feérico  parecia  exagerar.  o  jovem  bancário  e  a  esposa  não  conseguiam  dominar as exclamações de assombro.  roupas.  porcelanas.  O  diretor  do  “Almas  Irmãs”  advogara  para  ele  as  vantagens  da  dor.

 no entanto.. notamos.  obtivera  licença  para  se  demorar  ao  pé  dos  familiares  em  missão  de  auxilio.  reacomodado  ao  equilíbrio  próprio.  Perdão  pelas  cartas  afrontosas. caiu genuflexo.  Diga.. no aposento que  pertencera  àquele  que  perseguira  por rival  e  que  se  lhe  erigia  agora  por  denodado  guardião.  uma  ambulância  atendia  à  hospitalização  de  Nemésio que... onde passou a habitar.  estabeleceram  para  o  irmão  Félix  um  problema  grave. sempre custodiado pelos filhos.  mobilizou  a  afeição  de  Sara  e  Priscila  e  voltou à carga; entretanto. atenazada de sofrimento moral..  obedecendo aos ditames da própria alma. ciente de que o  genitor  de  Marina.  queria  também.  que  ele..  levantou­se.  pelo  menos.  oferecendo mediação.  Vimos  então  que  Nogueira  avançava  realmente  para  o  bem  que  se  comprometera a dignificar. perdão!.. Dona Beatriz. ah.  compaixão.... cujas sombras lhe haviam acobertado os  ultrajes  à  filha.  de  abranger­lhes toda a extensão. aceitava­a por filha. somente repetia:  – Ah.  tartameleava sons ininteligíveis.  Se Marina  desposara Gilberto. porém. de pedir­nos orientações ou  conselhos.  no  momento  em  que  arrojei  o  automóvel  no  corpo  de  seu  pai!..  argumentava.  de  maneira  superficial.  perdão  pelo  meu  crime!.” A boca franzida.  já  desencarnado.. que não .  nada  mais  justo  que  partilhar  as  dificuldades. A noite na pensão de Crescina. Perdão. após alguns dias de tratamento.  recordou. tocado no  coração por semelhante gesto de respeitosa ternura. implorando mentalmente: – “Perdão!..  sob os desvelos da nora e incessantemente amparado por Nogueira..  diga  se  ele  morreu..  quanto  aos  acontecimentos  desagradáveis  em  que  se  envolviam  os  entes  queridos. não  devia  alhear­se.  embora sem qualquer importância na feição exterior....  implorava  aos  filhos  benevolência...  rever  o  esposo  e  o  filho.  Viu  Marina.. que não  conhecia  em  todos  os  pormenores.  Os  êxitos  morais  de  Cláudio. Marina!.  comovidos...  de  súbito.  compelindo­a  ao  desastre  fatal.  Dona  Beatriz  recorreu  a  Neves..  Estabelecida a pretensão. perdão!. pelo amor de Deus!.  Contemplou a nora pelo véu de pranto e lastimou na linguagem inarticulada  do cérebro: – “Marina!.  comentados  com  admiração  por  alguns  amigos  no  “Almas  Irmãs”. alegava essa circunstância para reforçar o propósito... Longe..  testemunhando  corajosa  humildade..”  Cláudio.  ajoelhada  e.. porém.  Peça  viva  na engrenagem doméstica.  em cadeira de rodas. ah....  que  lhe  registrávamos  os  pensamentos. perdão para mim também!. sou um infeliz.202 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Nós.  outra  noite.  além  daquela  em  que  perdera  a  existência.  erguendo os olhos para o alto. Perdão.  Naquela  mesma  noite. subia.  porém.  e. clamou em pranto:  – Deus de Imensa Bondade.  porém. abraçando­se a ela e.  O enfermo. no prédio do Flamengo.  instintivamente. Somente naquela hora vinha a saber quem fora o autor  do atentado que lhe impusera a morte.  Muito  longe. ah.  Cientificara­se.  a  terrível  confissão  paterna  era  simplesmente  longa série de interjeições sem sentido. o diretor se conservou irredutível. fê­la buscar  a destra de Nemésio para beijá­la com a reverência que os filhos devem aos pais.. Neves. ah!.  Eu  estava  louco. mudo e inerme. e se os pais mantinham contendas. negou­se Félix a atender. qual  se ocupasse o íntimo da jovem senhora.  Para  os  dois  circunstantes.

 delicado..  os  projetos  de  ventura  concentrados  em  Gilberto  pequenino.  empalideceu..  Exteriorizava  o  júbilo de ave recém­liberta.  Dona Beatriz. Ah!  – refletia o doente. teria recolhido defesa.  debruçando­  se  na  cadeira  de  rodas  que  o  albergava...  Gilberto..  todavia. a crivá­lo de perguntas lastimosas.  Particularmente..  Escutando  tão­somente  o  ruído  de  Marina  e  Dona  Justa.. Que eu cooperasse com Neves na solução  de qualquer emergência. destacava o caráter aparentemente razoável do  pedido.  exortações  à  paciência.  Neves. que o instrutor não  encontrou  outra  alternativa  senão  aderir. tentou soerguer a filha que se estirara no pavimento.  amarrotada de angústia.  mecanicamente.  até  o  instante em que se precipitara no crime. não me permitia opor embargos. a tolerância!.....  determinou  providências para que se efetuasse a excursão.. Recompunha na imaginação os sonhos  da  juventude. ali colada a ele.  experimentava­se  Nemésio  tocado  de  fundas  reminiscências.  Enleou­se  a  ele. exibindo para  a  companheira  e  para  nós  outros.  a  separar­se de novo. ao  lado  dele. orientação.  estaria isento de aflições  e tentações. à  maneira  de  mãe  torturada.  a  verdade  toda.  Profundas saudades lhe acicatavam a alma. . receava riscos.  mas pensava em Beatriz. escusou­se.  Não  conseguia  explicar a  si mesmo  a razão  das  idéias  que  lhe borbulhavam  da  cabeça. pai e filha. Reconstituía­lhe a imagem no imo do ser.  como  também suspirava reavistar a antiga moradia.. entusiasmada na contemplação do Rio.. a bondade. e colocou tantas relações e tantos empenhos no assunto. Se Beatriz estivesse no mundo – concluía –. da impulsividade.  Marina. revisou todos os acontecimentos posteriores  à  desencarnação  dela.  Demandei o Flamengo.  que  lhe  não  assinalava as carícias. Pressentia obstáculos.  Movimentou  dificilmente  a  mão  esquerda  para  enxugar  o  pranto  que  lhe encharcava o rosto.  incapaz  de  alijar  do  peito um  filho  semimorto.  segundo  a  crença  de  tantos...  A  filha magoada respondeu  que  amava  Nemésio. soluçando.  contente.  incentivava­lhe  todos  os  programas.  exclamava.203 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  se curara.  qual  num  filme  pujante. Entretanto.  conceitos  evangélicos.  Conquanto  preocupado..  ao  divisar  o  marido  desfigurado  na  postura  dos  paralíticos.  como  que  a  lhe  prestar  severas  contas.  não  apenas  ansiava  por  abraçá­lo.  certamente  que  a  velha  companheira  se  compadeceria  dele..  promessas  de  futuro  melhor. de todo..  o  casamento. Instado a prestigiar Dona Beatriz com  a sua presença. logo após recebidos por Moreira e Cláudio..  às  inquirições  da  esposa.  E  o  pai.  Ignorando  que  respondia. apreensivo.  que  preferia  ser amarrada num  catre. a dignidade irrepreensível. embora soubesse que  Nemésio  passara  a  residir  com  o  filho. Junto dela.  estendendo­lhe  as  mãos!. ampla  liberdade  de  ação  e  tempo.  Rememorava­lhe  a  compreensão silenciosa.  Márcia  e  Cláudio  eram  os  protagonistas  principais  daquelas  cenas  que  a  memória  perfeitamente lúcida lhe traçava nos painéis relampagueantes da aura.  recomendou­me  fizesse  companhia aos dois viajantes. àquele que lhe fora genitor.  nas  atividades  rotineiras.  Em  vão  pronunciou  palavras  de  encorajamento. sem saber que a esposa o auxiliava.  satisfeito. Queria sorver o perfume da felicidade  que  tivera. em cujo espírito a afasia requintara a vida interior – se os mortos  pudessem  amparar  os  vivos. Por que mudara tanto em  dois anos apenas? Que lhe acontecera para se relegar a semelhante ruína física? que  fizera? Por que? Por quê?. A esposa!. ouvindo a senhora Torres e admirando as reservas  de  sensibilidade  e  meiguice  que  lhe  vibravam  na  alma  de  escol. Acompanhando a dupla. conferindo.

  carregara  a  cruz  por  amor  à  Humanidade. quando Neves falou em regressar.  revelava sinais de alienação começante.  pedia vênia para considerar que o esposo sofria. lembrando­lhe os  suplícios?  Jesus  também  –  ponderava  chorosa  –.  Alma  generosa. nos lúgubres  recintos.  ser­nos­ia  uma bênção. em seguida. Abraçou Dona Justa.  Acatando­me  a  solicitação. com simpatia.  até  que  se  rojou  de  borco.  de  susto  em  susto..  de  grito  em  grito.  arrependido  da  instigação  infeliz. Censuras agravariam a situação sem proveito. senão poeira e sombra do oásis  familiar que construíra.  sobremodo. mas sugeri­lhe calma.. encantando­se ao notar que o filho buscara o doente  para  a  refeição.  compreendeu  as  ligações  havidas  e.  à  antiga  moradia. muda.  Como  fugir  de  suportar  diminutas  contrariedades  na  Terra. No intuito louvável de reaquecer­  lhe  o  coração. não encontrou.  automaticamente.  Beatriz enlouquecera.  A  noite  caíra  de todo.  que  lhe  perdoara  ao  esposo  tantas  injúrias.  O  genitor.  quando  viu  Gilberto em casa para o jantar. o  elegante  domicílio..  quase  à  força..  O genitor.  onde  nos  compartilhou  a  oração  e  o  trabalho  de  socorro  magnético.. pronunciando frases desconexas. que não contava com a imprevista resistência..  Beatriz desceu do prédio abatida.  acompanhou­nos  até  Marina.  agora  apática.  Dolorosamente  magnetizada  pelas  próprias  recordações.  Interferi.  porém.  ainda  que  rápida.  Salientei para a senhora Torres que o filho se preparava a dar­lhe uma neta.  mas  não  pôde..  não  contestou.  Obedeceu.  contrafeita.  condenado  a  leilão.  A  filha..  cuja  história  real  na  família  passara  a  conhecer  pelas  memorizações  do  enfermo.. disse­me à socapa  que  Torres  pai  nada  fizera  para  merecer  semelhante  abnegação  e  inclinava­se  ao  estouro.  que  a  conformidade  da  parte  dela. e.  aos  quais  se  reconhecia  absolutamente  sem  forças  para  expulsar. Como descansar.  diligenciou  recuar. a  devotada  mulher  enrodilhou­se  ao  marido  e.  Pareceu  reconfortar­se. envergonhada de apresentar à dona  do palacete uma visão assim funesta.  Neves.  quando  abordamos  a  vivenda  que  se  reduzira  a  um  casarão  às  escuras.  acompanhando  o  gesto  afetuoso  com  expressões de bom ânimo e carinho; entretanto..  após  afagar­lhe  a  testa.  nos  tacos  da  espaçosa  câmara  que  lhe  merecia a preferência..  no  tocante  às  provações  do  marido.  que  conhecia  somente  por  alto  a  bancarrota  comercial  do  genro.  A  Lua  plena  assemelhava­se  a  uma  lâmpada  enorme  que  estivesse conscientemente recolhida a distância. ..  fitando  Cláudio. Além de tudo.  transformara­se  em  valhacouto  de  malfeitores  desencarnados.  ergueu­se.  beijou­lhe  a  filha  com  enternecimento de mãe.204 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Agradecia  o  devotamento  de  que  andara  cercada  no  “Almas  Irmãs”;  entretanto.  Beatriz  avançou  apressada. retornou  em  nossa  companhia  ao  quarto  de  Nemésio.  amenizando  o  martírio  do  homem  a  quem  adorava?  A  doutrina  cristã  ensinara­lhe  que  Deus  é  um  pai  compassivo  e  um  pai  compassivo  não  aprovaria  ingratidão  e  abandono. à procura dos tesouros domésticos; todavia.  desligada  por  nós.  propôs  se  lhe  realizasse  naquela  hora  o  desejo  de  uma  visita.  A  desesperada  criatura  correu  de  peça  em  peça.

  que  montara  estabelecimento  na  rua  Direita. denotando voz e maneiras diversas das que  lhe  eram  habituais.  Iniciada a experiência.  ao  todo.  mulher  à  qual  imputava  os  infortúnios que lhe devastavam a alma..  O auxilio não tardou.  o  médico  indagou  onde  conhecera  Brites.  reclamando  contra  uma  certa  Brites  Castanheira. recorria aos  serviços de amparo urgente.  Informou  haver  nascido  na  rua  de  Matacavalos.  no  lar  de  Félix. com a cautela devida. em serviço do Duque de Cadaval.  Félix.205 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Postei­me de  vigia.. Viúva aos  vinte e dois de idade. que recebera o nome de Álvaro. em local não distante.  Em  1810.  que  dormia  num  leito.  no entanto. quando se  responsabilizava  pela  condução  de  alguns  potros  bravos. para consulta rápida às repartições a que se mantinham vinculadas.  Neves  e  eu.  No  dia  seguinte.  Félix  circunspecto.  o  irmão  Régis..  por  determinação  de  Félix;  mas.  Félix  convidou­nos. de nome Domingos de Aguiar e Silva.  em  1792.  alusivos  a  períodos  precedentes.  Beatriz. Desposara um rapaz português. reconduzindo­a.  Duas  semanas  de  trabalho  vigoroso  e  atenção  constante  se  esvaíram.  revelou­se  num  ponto  indeterminado  de  existência  anterior.  devidamente  estimulada.  modificara­se­lhe  o  destino.  com  algum  exercício  de  narcoanálise.  o  distinguido  psiquiatra  que  aventara  a  medida.  acompanhado  de  dois  assistentes.  adquiridos  para  as  cocheiras reais.  até  que  um  dos  orientadores  da  equipe  médica  recomendou  a  internação  da  enferma  em  hospital  adequado.  oito  companheiros  observando  a  paciente.  O parecer foi acatado.  para  que  se  lhe  exumassem as recordações possíveis da existência anterior. na Corte de D.  a  fim  de  que  se  lhe  aplicasse  a  sonoterapia. replicou que para isso precisaria lembrar a juventude e. em 1812. Beatriz. ligados ao “Almas Irmãs”.  Justiniano  da  Fonseca .  logramos reentrar no instituto.  facultando­lhe  fácil  penetração  nos  domínios  recônditos  da  mente. via­se que o  analista  esbarrara  com  expressivo  foco  de  exacerbação.  o  chefe  de  arquivo  do  “Almas  Irmãs”. dementada. de  modo  a  que  se  não  precipitasse  em  mergulhos  de  memória.  Prevalecendo­se  disso.  porém. no gabinete em que se efetuaria a pesquisa.  enfermeiras  especializadas  colaboraram  conosco.  numa  casa  singela  em  que  vivera  descuidosa  meninice.  Neves  sob  nervosismo. foi requestada por  rico  ourives.  somente  depois  de  quatro  dias  sobre  o  incidente. Referiu­se com gratidão às manifestações de estima com que se vira  brindada por personalidades influentes da época e às promessas articuladas em favor  do pequenino que ficara órfão.  infrutiferamente.  sendo  forçoso  explicar  que  as  autoridades  ali  reunidas  dispunham  de  aperfeiçoado  sistema  de  comunicação.  em  que  época  e  em  que  circunstâncias.  comparecer.  os  médicos  diligentes  e  nós  outros em expectação.  elucidou  que  nascera  no  Rio. asserenando­a.  No  momento  indicado.  junto  dele e  do  irmão  Régis. O marido. Pelas considerações amargas. João VI. nome que lhe adviera do homem com quem se consorciara  em  segundas  núpcias.  permanecíamos.  cujo  travesseiro  se  achava  munido  de  recursos  eletromagnéticos  especiais.  Dessa união tivera um filhinho.  a  Neves  e  a  mim.  e  se  chamava  Leonor da Fonseca Teles..  ao  pé  de  Beatriz. que  se demorava no Brasil.  sempre em sono provocado. enquanto Neves. falecera prematuramente no Caminho do Boqueirão da Glória. desolado.

  cuja  proposta  de  casamento  aceitou....  com  uma  filha  única. Isso tudo acontecia pacificamente.  Beatriz  franziu  a  testa.  pequenota  de  onze  anos.  mas  o  destino.  Ambos  tomados  de  paixão  recíproca.  Debalde  inventei  motivos  para  retirar­nos  cedo.  a . aos quinze de idade..  Embora  eu  tivesse  ultrapassado  os  quarenta.. Depois de muitas negaças em vão para retirar­se.  Voltamos  tarde  com  o  rapaz. a que chamávamos Naninha.  arquitetou  um  plano  maquiavélico..  A  senhora  Torres  entrou  em  crise  de  lágrimas  e  seguiu  contando  que  o  filho.  enquanto  que  nossos  maridos  nos  copiavam  a  afeição.... o marido desinteressou­se da mulher.  acerca de pessoas.  depois  de  quatro  anos. e respondeu..  patenteando  o  sofrimento  de  quem  esbarrava  com  uma ferida no próprio corpo. qual se trouxesse a imaginação  recheada de crônicas vivas.  devaneando.  Diante das reticências. solicitou que  o serviço de análise se detivesse nas possíveis recordações da noite mencionada..  cortejou a menina Mariana de Castro.. Escandalizado.  Voltas  pelo  Mangrulho  e  brincadeiras  na  praia  de  Botafogo..  como é do conhecimento público. longe de se magoar.. de olhos um no outro.  sob  o  patrocínio  de  fidalgos  amigos  do  pai.  mas  receava  que  a  amante se despenhasse no suicídio. em 1827.. até  mesmo facilitou quanto pôde a ligação. até que Teodoro os descobriu juntos  num quarto do Hotel Pharoux... de novo.  como  não  possuía  rebentos  do  segundo  matrimônio. excursões de caleça para a Fazenda do Capão..  tendo  realizado  estudos  brilhantes em Lisboa e Paris.  moço  mais  velho  que  ela  apenas  três  anos.  junto  de  Brites  que  ainda  não  alcançara  os  trinta.  exteriorizando  impressões.  E continuou:  –  Na  noite  que  comecei  a  mencionar.  Parecera­lhe simples menina de salão na graça de que se enfeitava.  queríamo­nos  intensamente.. visivelmente comovido. jovem de  bons  costumes. a casa transformara­se. Naninha acabou cedendo  às escondidas.206 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Teles... que residia com os pais na rua do Cano...  meu  esposo  e  eu  apresentávamos  Álvaro à sociedade.  rico  negociante  que  morava  na  rua  da  Valinha..  embora  não  se  retirasse  do  lar  por  amor  à  filha. mas enjeitou dois  filhos do comerciante nas portas da Misericórdia. na Pedreira da  Glória.  se  enfadou  de  Brites  e  só então  comunicou  à  família  que  deixara  uma  prometida  em  Lisboa. sem meios de extirpá­la..  Senti  horríveis  pressentimentos  quando  Álvaro  e  Brites  se  cumprimentaram.  com  a  mesma  diferença  de  idade.  Virgínia.  iniciaram­se  em  passeios. passeios para lá da Muda  da Tijuca.. Fiz quanto pude  para  evitar  o  desastre..  Suspirava  por  voltar.. o irmão Félix.  mãe  amorosa.  Álvaro  cresceu  afetuoso  e  inteligente  e. o menino embarcara no rumo da  Europa. para ouvir as sonatinas. realizações e ocorrências. Para ela e  Justiniano..  mesmo  nessa  posição.  de  que  resultara  para  ela...  Supunha  impossível  que  ela  fosse  casada  e  mãe  de  uma  filha. Confidenciou que o filho regressara em 1834. descontente:  –  Devo  explicar  que  Brites  era  casada  com  Teodoro  Castanheira.  Mas. parando extáticos. para ver­se livre...  a  criança  se  levantara  entre  ela  e  o  esposo  por  laço  de  luz  e  amor. num mar de rosas. Brites.. num sarau do Comendador João Batista Moreira. coisas.  A  magnetizada  narrava  sucessos  da  época.  Ambos  moços. Ainda assim. Eles unidos pelos negócios e nós pelos sonhos caseiros. até que certa noite. Alegrara­se por verificar enteado e padrasto em abençoada camaradagem.  O orientador da pesquisa atendeu.

 abandonando  a esposa.  Justiniano.  insinuou  ao  padrasto  que  ela  ansiava  possuir­lhe  a  dedicação. vencido pelas sugestões do enteado.  tudo  por  nada.  onde  acabou  na  condição  de  professor  solteirão.  à  noitinha. vícios. Justiniano. abortos.. estimulava infidelidades..  depois  de  escolherem  local que favorecesse o desastre. quase cinqüenta anos  antes.  Quando  regressava  de  uma  dessas  jornadas. para a reencarnação no Rio.  que  se atormentaram  mutuamente  em  onze anos  de  conflitos  inúteis. até ao ponto de entregar­lhe a  própria  filha. em definitivo.  Virgínia.  de  retorno  a  Portugal. até que o marido de Dona Brites. morara . extorquindo­lhe dinheiro e mais dinheiro. para senhorear terras e haveres.  cruel.  Nesse  tópico  das  revelações..  por  imposição  dos  pais. já que se ausentara dali mesmo. quase que  instantânea. conseguindo impressionar Brites com presentes raros. atribuindo­  se  o  homicídio a  escravos  foragidos. transfigurara­se em pomo de discórdia entre o senhor de Fonseca Teles e  Teodoro  Castanheira.  porém. para Portugal. crimes.  então  morando  num  recanto  da  praia  de  Botafogo.  que  atravessara  os  quinze  de  idade.  no  Cosme  Velho.  Ah!  meu  filho.  O  golpe  infundira  na  senhora  Castanheira  uma  nova  personalidade. aparecera morto a punhaladas.  que desencarnara no Rio. trouxera consigo a ficha de Dona  Beatriz Neves Torres. O animal desembestado arrojou­se ladeira abaixo..  E Dona Beatriz rematou.  Uniu­se  a  outro  homem..  regressando.. na rua da Cadeia.  planejaram  assassiná­lo  num  suposto  acidente.  calculista. vendendo­a  ao amante. Ainda assim.  adquirira  o  hábito  da  visita  domingueira  à  Bica  da  Rainha.207 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  infelicidade irremediável.  Virgínia. onde Justiniano encontrara a morte.  e os  dois.  já  idoso  e  enfermo. Por que te fizeste o autor de tantas calamidades?. posse  em ação..  fantasiando  recados e armando embustes. enfim.  porque  Álvaro.  crivaram  o  cavalo  de  pedras  revestidas  de  farpas. afastando­se.  Sim. forjado pelo próprio Álvaro. com quem Justiniano passara a viver.  Naninha.  homem já velho.  Metamorfoseara  Justiniano  num  homem  de  sexualidade  pervertida. Naninha e o companheiro.  A  doente  foi  restituída ao  sono  e  o  instrutor  pediu ao  chefe  do Arquivo  a  certidão da saída de Beatriz.  o  irmão  Félix  solicitou  dos  cientistas  um  intervalo para explicações..  Nunca  mais  se  lhe  vira  um  gesto  de  piedade. antes de se retirar. lacrimosa:  –  Ah!  Meu  Deus..  rebentando freios e arremessando o velho do cimo de um barranco sobre um monte  de lajes que se empilhavam em baixo. não ignorava  que  Justiniano  fora  o  mandante  e  tramou  desforço. deixando várias tragédias  em andamento.  atirando­as  no  prostíbulo.. atento ao caso em exame. desde muito. em regiões inferiores. aparecia o de Leonor da Fonseca Teles. até que no primeiro  encontro. por algum tempo. não contente com os  próprios  desvarios. então vivendo maritalmente com Naninha  de Castro. ocultos na  sombra.  ao  Brasil. precedendo­lhe o nome atual. Percebendo.  meu filho!. a fraqueza de Brites pelas  jóias.  desencaminhava  moças  de  nobre  formação.  Convertera­se  em  pavorosa  mulher.  mais  tarde.  O interpelado. a pouco  e pouco.  achou  a  prometida  casada  com  outro. estivera.  guiando o carrocim em que se fazia conduzir.  em  cujo  espírito  insuflou  despeito  e  ódio  contra  o  ourives  da rua  Direita. interferiu ele na cena. assumindo o papel de  companheiro ultrajado.

  que  estivera  recentemente  desencarnada  num dos parques de repouso da organização.  em  1906. que ali  se erguia diante de Deus e diante de nós. já desencarnado. e que se achava em processo de novo  renascimento  no  plano  físico..  com  índices  promissores  de  reforma  íntima;  Naninha  de  Castro  fora  Marita  Nogueira. que lhe patrocinara o renascimento no lar de Pedro Neves. Anotações das piores nas piores anotações da instituição.  o  padrasto. no Instituto.  e  que.  Teodoro  Castanheira. à medida  que o Espírito se esclarece. O registro dessa mulher somava longa série de abortos e  deserções  do  dever.. por onde se ensaiasse eficiente auxílio a ela. apenas de modo ligeiro.  o  irmão  Régis  tinha  lágrimas.  talvez  empolgado  com  o  depoimento  de  Beatriz. Um dia. com melhoras sensíveis; Virgínia Castanheira respondia  agora  por  Marina  Nogueira  Torres.  Um raio não nos fulminaria com tanta força. mas  ainda em serviço na Terra.  O  irmão  Félix  perguntou  se  constava  dos  apontamentos  de  Márcia  algum  gesto nobre.  negociante.  antes  do  regresso  a  novas  lides  terrenas.  Aparelhos funcionaram e o Arquivo respondeu com presteza. que lhe fora mãe  carnal. então na personalidade da viúva Nogueira. aclarou a  repartição competente.  além  de  vários  compromissos  indiretos  em  lares  destruídos  e  existências sacrificadas.  sem  necessidade  do  apelo  a  disposições  compulsórias.  Justiniano.  levantou­se  e. que estivessem vinculadas ao Instituto. entrega ao tribunal da consciência o dever de se corrigir  e  de  se  harmonizar  com  as  leis  do  Eterno  Equilíbrio.  cuja ficha era desoladora.  O  instrutor. a fim de se colocar ao encontro de  Brites.  participou­nos  que Álvaro de Aguiar e Silva e ele eram a mesma pessoa.  Todos  com  certidão  de  saída  do  “Almas  Irmãs”.  acerca  de  personalidades  referidas por Beatriz..  por  solicitação  do  próprio  irmão  Félix. ao saírem de colônia  penal. Justiniano da  Fonseca  Teles.  enquanto  que  Brites  Castanheira  envergava  na  Terra  o  nome  de  Márcia  Nogueira. o mesmo Espírito.  em  razão  disso.  Neves  empalidecera e eu mal conseguia respirar. com os melhores impulsos maternais.. Félix continuou elucidando que a Misericórdia Divina. Leonor.  embora  os  dois  últimos tivessem estado.  então.  Achava­se apenas cadastrado no departamento de queixas. Esforçar­se­ia na regeneração de  si mesmo e dar­lhe­ia a existência.  Um  dos  médicos  presentes.  por  pedido  expresso  do  próprio  diretor  do  Instituto. haviam  inscrito  severas  acusações  contra  ele.  arrasando­nos  com  a  valorosa  humildade  de  que  dava  testemunho.  Virgínia  Castanheira  e  Naninha  de  Castro  estavam  reencarnados  no  Rio. voluntariamente. já que se reconhecia o verdugo. ali presente.  conjugando  dignidade  e  modéstia. num julgamento em que a consciência lhe  exigia implorar.  com  débitos  agravados;  Teodoro  Castanheira apresentava­se com o nome de Cláudio Nogueira.  Corajoso.  daquela  hora  em  diante  tornaria . indagou por notícias de Álvaro. Constava. categorizando­a  por vítima.208 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  por  vinte  e  oito  anos  em  colônia  espiritual  de  reeducação  não  distante. O Arquivo elucidou que Álvaro de Aguiar e  Silva  não  possuía  atestado  de  saída  para  a  reencarnação  pelo  “Almas  Irmãs”.  Justiniano  era  Nemésio  Torres.  Os  médicos  jaziam  cabisbaixos.  rogou  as  informações  possíveis.  porém. a reencarnação. sim.  a garantir casamento digno à filha enferma.  e  a  própria  Brites  Castanheira.  Félix.  e  passara  apenas  dois  meses  no  “Almas  Irmãs”. empenhara­se.

 por ele preparada na direção de quantos a pobre criatura prejudicara. dentro de aproximadamente seis meses.  Saímos juntos.  Era  o  mesmo  homem  que  eu  não  saberia  dizer  se  amava  como  sendo  meu  pai  ou  meu irmão. .  procurei  recompor­me. na  residência  de  Nemésio. senti­lhe a destra a me afagar.  afastou­se  dando  o  braço  ao  chefe  do  Arquivo;  Neves  abeirou­se  da  filha  inerte.  Lesando  os  sentimentos  de  Brites  Castanheira.  mudo.  sofreriam  juntos. como  querendo vingar no próximo o duro revés que lhe infligira.  diante  dos  princípios  de  causa  e  efeito. incapaz de controle total.  por  todos  os  delitos  de  natureza  emotiva  por  ela  cometidos. através  de  explosões  em  cadeia..  mas.  dispunha  de  energias  para  largar  o  silêncio. persuadido qual se achava de que a Infinita  Bondade de Deus poderia conceder à viúva de Cláudio um valoroso resto de tempo  na  estância  física.  e  tentei  reequilibrar­me. Não lhe competia a indiferença. ele. Alçando para ele os olhos. Ele me percebeu o estado de alma e abraçou­me.  Confessou  que  a  delinqüência  sexual  gerara  para  ele  responsabilidades  semelhantes às de um malfeitor que dilapidasse um edifício ou uma cidade. Idealizara encontrar­  se com Márcia.  em  tempo  algum. Apesar disso. a fim de aprontar­se.  dar­lhe­ia  o  coração.  assim  que  Marina  restaurasse o claustro materno.  e  que. os cabelos.  que  partiriam  antes  dele.  ao  fixar­lhe  o  rosto  imperturbável.  não  lhe  patrocinássemos. de leve. após o renascimento de Marita.  de  vez  que  após  abandoná­la.  Rogava­nos. apoio fraterno para que  se  lhe  conseguisse  um  lugar  de  filho  no  lar  de  Gilberto.  compreendi  que  não  me  desejava  sensibilizado.  contudo. pus a cabeça.  podia  compará­la  a  uma  bomba. Vi­me só  diante do instrutor.  culpado.  recolher­lhe­ia  o  amor  puro..209 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  pública  a  decisão  de  se  recolher  aos  trabalhos  preparatórios  do  renascimento  na  arena física..  qualquer  mergulho  em  facilidades  nocivas. dirigiu­se particularmente ao irmão Régis. que lhe perdoássemos as rebeldias  e  as  faltas. dando a idéia de quem ansiava esconder­se para meditar na lição.  por  amor  à  confiança  que  ali  nos  congregava. na ternura de um neto. como na primeira vez que o fitara. inteirando­o de  que  ambas  as  irmãs.  até  certo  ponto. de que não me seria lícito ausentar.  Os  médicos  requisitaram  substitutos  que  assegurassem  o  descanso  de  Beatriz;  Régis. ao mesmo tempo que  me perguntava pela aula de fluidoterapia.  naquele  ombro  que  me  habituara  a  venerar.  Nenhum  de  nós.  Priscila  e  Sara.  que  contava  com  a  possibilidade  de  se  retirar  da  direção do Instituto..  desde  o  raciocínio  infantil;  que  o  amparássemos nos dias de tentações e fraquezas..  Austero e doce. a quem devíamos tanta felicidade.  impelindo­a  deliberadamente  à  deslealdade  e  à  aventura.  se  achavam  em  preparativos  para  o  retorno  à  Terra. e  que  não  anelava  outra  coisa  que  não  fosse  a  experiência  e  a  felicidade  do  companheiro à frente da organização.  a  título de amizade.. Através daquele olhar  firme  e  percuciente. identificava­  se. Ser­lhe­ia o companheiro nos tempos áridos  da  velhice  corpórea.  que  o  auxiliássemos  a  ser  fiel  nos  compromissos.  antes  que  eu  chorasse.  mulher  respeitável até à ocasião em que lhe transtornara o coração e o cérebro. que a emoção  desgovernava.  Se  o  Senhor  lhe  facultasse  o  favor  que  impetrava.

.  ao vê­lo  caminhar  erecto  e  calmo.210 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Lá  fora.  tive  a  impressão de  que  o  Sol  rutilando nos  céus  era  uma  advertência  da  Sabedoria  Divina  a  que  sustentássemos  lealdade na marcha constante para a Luz.

  beneficiários  e  companheiros  outros.. convencido de que não conseguiria ele satisfazer  a esse propósito.  que  todos  os  residentes  no  Instituto consideravam herói. Contemplava­os.  aspirando  a  salientar  a  dedicação  incessante  de  Félix  para  com  os  menos  felizes.  todas  as  autoridades  da  organização.  e  o  outro  se  subordinava  à  expressiva  legenda  “Volta  breve. O  primeiro  deles  se  intitulava  “Deus  te  abençoe”..  O  instrutor  escolhera  a  Casa  da  Providência  para  se  despedir  da  comunidade.  Na  data  prefixada.  e  o  irmão  Régis.  aqueles  que  se  evidenciassem  capazes  de  comparecer  à  transmissão  de  poderes.  duzentos  que  não  criariam  problemas  e.  Emudecidos  os  derradeiros  acordes  da  orquestra. com os enfermos à  frente.  que  representava  o  Governador.  entre  o  Ministro  da  Regeneração. ali se reuniam. por fim. estampou no semblante abalo inexprimível.  ao  relancear  os  olhos  pelos  milhares  de  circunstantes que repletavam entradas.  executado  por  oferenda  dos  companheiros  mais  velhos.  Instalou­se.  que  imprimira  ignota .  amado  amigo!”.  comissões  de  vários  órgãos  de  serviço. enternecido.  cantaram em coro dois hinos que nos arrebataram a culminâncias de sentimento.  determinou  Régis  fossem  acomodados na primeira fila do auditório. de antemão preparadas por irmãs reconhecidas.  para  logo. escadas e galerias..  simbolizando  vanguarda  de  saudade  e  sofrimento  na  assembléia.  portando  ramalhetes nas mãos.  Alinhamos. nos setores de  irmãos  hospitalizados. mas.  denotando  a  firmeza  e  a  serenidade  que  lhe  marcavam  as  atitudes. como homenagem silenciosa àquele que  os  amava  tanto. quando Félix chegou.  tranqüilo. irmanados numa só vibração de agradecimento e  de amor.  discípulos.  sem  dano  para  as  atividades  em  pauta.211 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Capítulo 14  Obtendo  a  dilação  de  prazo  para mais  amplos  estudos  no “Almas  Irmãs”.  Informara­se  Régis  de  que  o  chefe  estimaria rever  os  doentes  nas  últimas  horas de ação administrativa..  desde  cedo.  que  procediam de longe.  Destacavam­se. admiradores situados em lugares  vizinhos.  que  o  substituiria;  contudo. recomendou­nos selecionar.  preito  de  reverência  endereçado  ao  instrutor  pelos  mais  jovens. por escassez de tempo. Ministros da cidade.  amigos.  Quinhentas vozes infantis.  as  portas  do  edifício  jaziam  abertas  para  quantos  quisessem  dizer  adeus  ao  querido  orientador.  acompanhei  o  irmão  Félix  até  que  se  retirasse  da  chefia  para  entregar­se  à  preparação das novas tarefas. saídas.  quase  todos  eles  enfraquecidos  e  trêmulos.

  Intensamente  comovido. induze.  os  duzentos  enfermos  desfilaram  diante  de  Félix.  no plano  físico.212 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  beleza  às  melodias.  expressou­se.  alçou a fala em prece:  – Senhor Jesus.  por  piedade.  Num  átimo.  inclusive  o Ministro da  Regeneração.  julgava imprescritível.  a  fim  de resgatar  débitos  contraídos  e  curar as  velhas  chagas interiores que carrego por doloroso rescaldo de minhas transgressões.  decerto.  com  a  exposição  e  leitura  respectiva de um termo referente à modificação..  por misericórdia.. o Ministro da  Regeneração  abraçou. que desciam do teto a se desfazerem.  Era  a  Irmã  Damiana. num olhar de fundo respeito.  Félix  pronunciara  as  últimas  palavras.  o  irmão  que  partia  e  empossou  Régis que ficava. à porta do foro repleto.  materializaram  farta  chuva  de  pétalas  luminosas.  valendo­se  das  forças  espirituais  de  todo  o  auditório.  onde.  breve.  dificilmente.  recebi  a  magnanimidade  e  a  tolerância  de  todos!..  abençoa­nos e sê glorificado para sempre!.  A  transferência  de  autoridade  foi  simples..  A  expectação  prosseguia  por  instantes  de  jubiloso  silêncio.  Confundido  e  humilde..  quando  um  carro estacou.  trajara­se  de  esplendor  –  daquele  esplendor  que. que te poderia rogar. Mestre.  qual  se  nada  mais  tivesse a ditar àquela instituição que lhe recolhera mais de meio século de trabalho..  todos  os  circunstantes  se  levantaram.  como  também a prosseguir exercendo o comando daquela Casa. à  apelação.  que  integra em Nosso Lar o quadro de campeões da caridade. amigos das esferas superiores ali presentes. .  o  interpelado  levantou­se  e. confiante!. conquanto se nos mantivessem  inacessíveis  ao  olhar.  em nome  do  “Almas  Irmãs”. de  quem conservava Félix o retrato e a quem se ligava por entranhados laços de afeto.  que  delegava  aos  companheiros  menos  afortunados  o  júbilo  de  apertar­lhe as mãos. como se o firmamento lhe respondesse.  hipotecando­lhe.  O  novo  diretor.. Cumprido o preceito.  em  nome  do  Governador.  Diante  da  alternativa  de  tomar  novo  corpo. tão logo nos tocavam a fronte..  com  a  voz  de  quem  chorava  por  dentro.  temos  algo  ainda a  implorar­te.  para  que  eu  não  resvale  em  novas  quedas!.  Reconheci­a.  por  mais  de  meio  século.  tantos  sacrifícios  lhe  custara  –. e.  Hesitei  um  momento  só.  que  revelava  imensa  modéstia.  a  emotividade que o traía.  positivamente  orientadas  numa  só  direção.  A  benfeitora. mas. ofertando­lhe flores.  sobrestando. em  vagas de perfume inesquecível.  revestida de luz.  feliz. quando tudo me deste no carinho dos  amigos que me cercam na luz do amor que não mereço? Entretanto. de imediato. para logo.  tão­só  para  mostrar  o  regozijo  com  que  vinha receber  e  aprontar  para novo renascimento  aquele  a  quem  amava por filho do coração!.. nas regiões das trevas.  Agora  que  novas  realizações  me  chamam na Terra.... Régis. em nos  colocando  sob  tua  bênção. logo após.  Senhor.  acabou  convidando  Félix  não  só  a  usar  da  palavra. que a envolveu. os amigos que me  escutam a me socorrerem com a  benevolência  de  que  sempre  me cercaram. certa mulher penetrou o recinto.  votos  de  triunfo  nas  lides  que  esposava. por direito que ele. suplicando ao Senhor abençoasse o companheiro de regresso à reencarnação.  simultaneamente.  para  que  eu  seja  digno  do  devotamento  e  da  confiança  desta  casa.  auxilia­me.

 avisando que cessara  o  impedimento. celeremente. os serventuários tinham chegado  exatamente na  ocasião  em  que  Nemésio.  Temperamento  visceralmente  diverso da irmãzinha. revi o casal em  palestra  com  Dona  Justa. a rever o inolvidável amigo. para onde me dirigi.  Reposto  o  assunto  em  exame.  Revivendo  comovedoras  lembranças..213 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  ­­­­­­­­­­  Quatro anos passaram..  em  seguida  a  escabrosos  padecimentos. inclinava o poder à benevolência..  de  que  o  próprio  Irmão  Régis  partilhava.  Encantado. os magistrados  permitiram  a  reabertura  do  processo  para  debates  amplos. que todo o “Almas Irmãs” até  hoje cerca de infatigável carinho. que o cientificara  de minha visita eventual. convidaram­me. reavistei  Marita.. ansiosamente.  parcialmente  desencarnado..  já  que. Moreira.  Profundamente  sensibilizado.  Diante  dos  empenhos  multiplicados. Cláudio.  em  apelos  calorosos.  Cláudio  e  Percília estavam lá.  somados  ao  triênio  de  enfermidade  e  paralisia  que  suportara. o novo endereço. explicando que  Gilberto e Marina se viram na contingência de vender a moradia. quando o  pobre  companheiro  se  achava  prestes  a  partir.. o irmão Régis enviou­me fraterna mensagem. em derredor do refúgio doméstico. em serviço no Rio. na  forma  de  menina  bonita  e  chorona.  mencionavam  os  gestos  de  beneficência  que  praticara..  a  Casa  da  Providência  enviara  dois  notários  a  Botafogo.  em memorando afetuoso.  para  instruir  com  segurança as petições que  se adensavam; todavia.  o  tempo tudo alterara. renovação.  ignorando  como  externar  a  alegria.  no  Instituto..  contemplei  Félix.  para não sermos tentados a prejudicá­lo por excesso de mimos. A família morava  agora em Botafogo.  Nenhuma  frase  terrestre  para  delinear  a  ventura  do  reencontro.  porém. a fim de atenderem  a questões de inventário. chegaria mais tarde. meses após a desencarnação de Cláudio. ausente em serviço.  Alguns dias depois. já entremostrava serenidade e lucidez nos pensamentos e nas  palavras. Um amigo desencarnado. esforço.  seguindo  a  orientação administrativa de Félix.  o  considerava  incurso  em  definitivo  banimento.  divisava  novamente  a  chama  daqueles  olhos  inesquecíveis. No entanto. por solicitação de Moreira.  Embora  nunca  me  esquecesse  de  Félix. a presença das companhias infelizes .  Era  ele  mesmo!.  Cláudio  e  Percília  informaram­me  que  Nemésio  fora  conduzido  ao  plano  espiritual.  Antigos  companheiros. Amigos  devotados  interpunham  recursos.  um  ano  antes.  quando  se  soube  que  a  Justiça.  tornei  ao  Flamengo;  contudo.  ao  tempo  de  Dona  Beatriz.  enlouquecera  ao descobrir. me forneceu.  resignado.  Percília. Enleado nas  vibrações balsâmicas do acolhimento de meus anfitriões espirituais. trabalho.  na  rósea  ternura  dos  quatro  anos  de  idade..  que  passara  a  chamar­se  Sérgio  Cláudio. Família diversa ocupava o apartamento que se me vinculava às  recordações. prestativo.  Esperança. Percília e Moreira.  Quedara­me  impressionado.  Contaram  que  verdadeiras maltas de obsessores ameaçavam o apartamento de Botafogo.  acompanhara  o  movimento intercessório que se levantara em favor dele.  deprecando  caridade  e  misericórdia. quando  menos esperava.  vários  instrutores  nos  haviam  recomendado  o  afastamento  temporário  da  nova  incumbência  de  que  se  investia. no “Almas Irmãs”.  Félix  vencera  todas  as  lutas  no  ajustamento  ao  veículo  físico..  conquanto brilhasse num corpo de criança despreocupada.

  Noite  avançada.  Quanto  a  Márcia. obtivera a internação  num manicômio respeitável.  bebia  e  jogava  com desatino..  de  que  o  Espírito  reencarnado.  tão  logo alijasse o corpo destrambelhado.  – Esqueci. recorde em voz alta a oração que ensinei a você ontem. tecelão do próprio destino. Cláudio acentuava. domingo.  Naquele  sábado. prelibando os  divertimentos da praia. que os filhos espreitavam ensejo. junto deles.  Recolhido.  pela  manhã.  a  esposa  de  Gilberto.  Em seguida. Estava convidado a cooperar.  mas  sufoquei  o  impulso.  apareceu  Moreira. somente conhece o lado avesso.  o  casal  se  inteirava  de  que  ela  freqüentava diariamente a praia de Copacabana. Marita queria o maiô verde e a lata de bolo. recordar.  O  pequeno  empertigou­se  no  meio  da  sala  e  recitou  a  prece  dominical. em ligeiro repasto.  não  obstante  o  interesse  incansável  de  Gilberto  e  Marina  para  reaver­lhe  a  confiança. No dia imediato.  de  modo  a  subtraí­lo  à  sanha  de  malfeitores  desencarnados. porquanto essa era a única fórmula pela  qual  se  lhe  podia  dar  uma  guarda  conveniente. descansando na areia a fim de inalar  os ares puros do mar alto. incapaz de assumir  compromissos novos com as Inteligências das trevas. que lhe arriscasse o desenvolvimento tranqüilo.  Entretivemo­nos  largo  tempo. E Percília aditava que eu chegara justamente na véspera de  tentativa  promissora. ao repouso.  acrescentando­nos  a  cordialidade  reconfortante. recomendaram se lhe conservasse a demência por benefício..  sentindo­se  espiritualmente assistida por ele.  sob  os  desvelos de Dona Justa.  Nunca  mais  retornara  ao  convívio  familiar.  Marina. Descansasse ali.  revelando  admirável  madureza. aliás. a conselho médico.  Percília  comparou  a  experiência  terrestre  a  um  tapete  precioso.  que  anelavam  possuir­lhe  o  concurso  em  vilezas..  Dizia  detestar  parentes.  madrugadora. Prometera.  tinham sido referendados pelo Irmão Régis.  em  torno  das  maravilhas  da  vida. Em vista dessa bênção. onde continuava em tratamento vagaroso. aspirei a aproximar­me de Sérgio Cláudio. de minha parte. a fim de  apresentar­lhe os netos. Sérgio Cláudio  preferia sorvete.  mas  arredia.214 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  que irrefletidamente cultivara.  andava  doente.  Vali­me dos momentos de calmaria para estudar.  seguido  pela  irmãzinha  que.  – Comecemos outra vez.  embora  mais  taluda. porém.. nada praticar. no que. Verificando­se o inesperado..  movimentou­se  às  seis  e. no “Almas Irmãs”. em nome do  amor.  Manhãzinha.  lembrou­se  de  Cláudio. os juízes. . Marina solicitou ao pequerrucho:  – Meu filho. mantido pelo “Almas Irmãs” em região purgatorial de  trabalho restaurativo.  Aguardasse.. por fim.  Antes  da  saída. por espírito de  eqüidade. e pediu aos dois garotos orassem juntos. mãezinha.  gaguejava  numa  ou  noutra  expressão.  às  oito  horas. Gilberto e  a  companheira  contavam  com  tempo  bastante  para  nova  investida  à  conquista  da  suspirada reconciliação.  para  auscultar­lhe  a  posição  espiritual  naquela  fase  da  infância. a família se reunia à mesa. achávamo­nos a postos.  pensou  na  missão  que  demandavam.  Apesar  de  enferma. refletir.

  Acercamo­nos  dela..  milhares  de  banhistas  que  compartilhavam..  apressado.. porém.  conquanto  sorrisse  para  o  bando  álacre  das  amigas. que pronunciara em casa. O bancário e a mulher.  as  filhas  e  Nemésio  rearticulavam­se­lhe na imaginação..  Parecia  cansada..  enquanto  Gilberto  e  Marina. e reconhece o  grupo.  a  viúva  Nogueira  começou. “Oh! Deus. Marina! Onde estaria Marina? Que saudades! Como lhe doía  agora  a  separação!. . O minúsculo coração.  Márcia  recolheu  as  saudações  dos  filhos... percebe que a turma se avizinha. referiu­se à saúde e. e atirou­se a ela...  Cláudio. assustada.  se  aproximavam.  Nisso. quando entrou a comentar.  Atônita.  desceu  do  ônibus  nas  adjacências da praia.  acompanhada  por  nós. a pensar na filha.  abraçou  a  menina.  a  destra  materna. guardando aparente despreocupação.  e  cobriu­lhe  o  rosto  de  beijos.  A  pequena  caravana.. junto aos quatro.  Por  que  lhe  despertava o netinho tão contraditórios pensamentos? Antes.  Pesquisaram.. gritando.  Em  torno. reintegrando quadros de amor e dor que jamais  pudera esquecer!.” – monologou no íntimo. se  teria valido a pena existir para alcançar a velhice em tamanha solidão. que passou a bater de encontro  ao dela. Gilberto e Marina  resolveram  mergulhar.  Rememorava  o  lar. Sérgio Cláudio levantou a cabeça que lhe entregara por momentos ao  ombro  nu. Vovozinha!.. erguendo a fronte para o Alto.  Enleada.  nós  pedimos  ao  senhor  trazer  vovozinha.. risonhos..  Como  lhe  tinha  sido  espinhoso  o  caminho!.. as palavras que ouvia dos lábios maternos:  –  Amado  Jesus. de alma inquieta.215 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  E.  Gilberto  e  Marita.  observando­se  apanhada  de  surpresa.  para  morar.  Sob  nossa  influência.  Aracélia. que se decidisse  a acariciá­lo. na atitude reverente que lhe conhecíamos. figurou­se­lhe um pássaro de luz que descia dos céus a pousar­lhe no tórax  abatido.  que  via  igualmente pela primeira vez..  Fez  menção  de  oscular  o  pequenino.  estirada  sob  tenda  acolhedora..  Márcia  estendeu  maquinalmente  os  braços  para  acolher  aqueles  braços  diminutos que a enlaçavam.  Para que Dona Márcia não lhes prejulgasse as intenções.  aqui  e  acolá.. antes de sair.  após  lhe  haver  Marina  cochichado algo aos ouvidos. que estranha e linda criança!.  fixou  Marina..  Cláudio.. de relance; entretanto. uma a uma.  revia  o  princípio...  conosco..  em  maiô.  O  menino  largou...  mas  recônditas  impressões  de  felicidade  e  de  angústia  lhe  infundiam  sensações  de  amor  e  medo.  Não  houve  mecha  de  cabelos  que  não  alisasse com dedos ternos e nem ruga que não afagasse com os lábios enternecidos. quedou  enlevada!. ao esbarrar com os olhos de Sérgio Cláudio.. Nove da manhã.. a festa permanente da Natureza.  de  maneira  significativa.  inexplicavelmente  para  ela.  imitando  as  crianças.. Éramos quatro companheiros  desencarnados.  vasculhavam  recantos.  Marina  recomendou  ao  filhinho  declamasse  a  prece  da  vovozinha. quanto  à  vivacidade  dos  netos.  com  os  rebentos.  emocionado.  de  ânimo  opresso..  até  que  enxergaram  Dona  Márcia....  o menino repetiu. ergue­se. comovedoramente:  – Ah! Vovó! Vovozinha!. Tanta amargura seria a vida? E indagava­se. Sol esplêndido.  ponderou  que  dispúnhamos  da  possibilidade  de  envolvê­la em reminiscências edificantes. a  se  entreolharem.  triste...

  Logo após.  em  risonha  agitação.  urdindo o futuro na luz do amor que nunca morre.. para seguir adiante.  Contemplei o carro que deslizou na direção do Lido.. de novo.  Sozinho  em  espírito.  Dos  milhares  de  companheiros  reencarnados. ensaiando a fraternidade por família de Deus.  despedia­se  das  companheiras..  chamou  um  táxi.  – Que é isso.  incorporando­a  à  sinfonia imponente com que não cessa de louvar a beleza sem­fim..  enquanto  o pequenino  se  lhe asilava. Osculei o chão que haviam pisado  e  orei.  O menino prendera­lhe o coração.  Percília  e  Moreira.  nós  pedimos  ao  senhor  trazer  vovozinha  para  morar  conosco.  Dona  Márcia  prorrompeu  em  lágrimas  copiosas.  fincando  os  pés  rechonchudos na areia.  nenhum  me  assinalou. qual se me visse. carinhosa.  que  seguiriam... Ansiei abraçar aquela gente generosa e espontânea.  diante  da  multidão.  estava  persuadida  de  que  não  mais  largaria a residência da filha em Botafogo..  Cláudio.  a  simbolizarem  para  mim  o  passado  e  o  presente.216 – Fr ancisco Cândido Xavier e Waldo Vieira  Sérgio.  na  pauta  das  ondas.. compadecido. repetiu.. arremessou extenso véu  de  espuma  sobre  o  trato  de  areia  que  eu  beijara.  aconchegando  o  neto  ao  peito – estou ficando velha!.  mas.. em laboriosa diligência de imaginação  para ofertar de si mesmo aquela manifestação de carinho.  O  mar.  perfilou­se  diante  de  Dona  Márcia.  feliz.  confiei­me  às  lágrimas  de  enternecimento e regozijo. que  brincava entre o banho e a peteca.  como  se  quisesse  guardar  a  nota  apagada  de  minha  gratidão  e  reverência.  entretanto.luzespir ita..  ­­­ Fim ­­­  www..  –  Ah!  Minha  filha!  –  respondeu  Dona  Márcia.  me  abraçaram  em  festa..  rogando  ao  Senhor  os  abençoasse  pelos  ensinamentos  de  que  me  enriqueciam. E. mamãe? a senhora chorando? – Inquiriu Marina. com a noção inata do respeito que se deve à  oração. avisando  que naquele domingo  almoçaria  em  Botafogo. o gesto medroso.or g .. firme:  –  Amado  Jesus. cerrando os olhos.  Acompanhei  o  grupo  até  o  asfalto.  tornei  ao  local  em  que  Márcia  e  o  neto  tinham  fruído  o  reencontro  sublime.  de  leve. nunca mais... nos braços que tremiam de júbilo.  o  culto  de  reconhecimento  e  de  saudade. despencou­se  do  regaço  a  que  se  agarrara.  de  volta.  Cambaleando  de  emoção.  Gilberto.  intimamente.

  morais  e  científicos  dos  espíritos  mais  evoluídos. 3.217 – SEXO E DESTINO (pelo Espírito André Luiz)  Amigo(a) Leitor (a).  também auxilia no custeio de inúmeras obras de assistência social. Adquira um bom livro espírita e ofereça­o de presente a  alguém de sua estima.  financeiramente.  O  livro  espírita. (1ª Epístola aos Coríntios.  Irmão W.”  Paulo. versículo 9.  As  obras  espíritas  nunca  sustentam.  “Porque nós somos cooperadores de Deus.  escolas para crianças e jovens carentes.) .  Se  você  leu  e  gostou  desta  obra.  além  de  divulgar  os  ensinamentos  filosóficos.  colabore  com  a  divulgação  dos  ensinamentos  trazidos  pelos  benfeitores  do  plano  espiritual.  os  seus  escritores;  estes  são  abnegados  trabalhadores  na  seara  de  Jesus. etc. em busca constante da paz no Reino de Deus.