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NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE 1 PROF. DR.

IVO DANTAS 2
C:/ORIGINAIS 2010/ ARTIGOS ID/ 2010/VERSÃO CONFERÊNCIA NOVO PROCESSO

CONSTITUCIONAL BRASILEIRO.

RECIFE, 01.10.2009; 15.10.2009; 19.10.2009; 04.11.209; 12.12.2009; 29.12.2009 03.01.2010; 09.02.2010

SUMÁRIO 1. O novo ciclo constitucional brasileiro e suas características. 2. A Constituição Federal de 5.10.1988 e os mecanismos atuais de Controle da Constitucionalidade. 3. O controle difuso: aspectos constitucionais e

processuais. 3.1. A Inconstitucionalidade, a Administração Pública e o Juízo de Primeiro Grau. 3.2. Do Incidente de Inconstitucionalidade nos Tribunais. A Reserva de Plenário. O Senado Federal e o art. 52, X da CF. 3.3. A EC nº 45/2004 e as influências no Controle de Constitucionalidade. 3.4. O art. 102, III d da Constituição Federal: o Recurso Extraordinário. 3.5. Da Repercussão Geral. A repercussão geral no Recurso Extraordinário prevista no art. 102 § 3º da EC 45/2004 da CF e a Lei nº 11.418/06. 4. A Súmula e seu caráter vinculante (ou vinculatório): primeiras palavras. 5. Antecedentes normativos no Brasil. 6. O art. 103-A da CF e a Súmula Vinculante. 7. A Lei nº 11.417/06 e a edição da Súmula Vinculante. 8. O § 3º do art. 5º da CF: a recepção dos tratados e convenções.

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* Texto-base para a conferência proferida no X COMPAF – Congresso Nacional dos Procuradores Federais e do XI Curso Especial de Advocacia do Estado, realizado em Recife, 11,11,209.
 Professor Titular (antigo Catedrático) da Faculdade de Direito do Recife - UFPE.  Doutor em Direito Constitucional - UFMG.  Livre Docente em Direito Constitucional - UERJ.  Livre Docente em Teoria do Estado - UFPE.  Membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas.  Membro da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.  Presidente do Instituto Pernambucano de Direito Comparado.  Presidente da Academia Pernambucana de Ciências Morais e Políticas.  Miembro del Instituto IberoAmericano de Derecho Constitucional México).  Miembro del Consejo Asesor del Anuario IberoAmericano de Justicia Constitucional, Centro de Estudios Políticos y Constitucionales (CEPC), Madrid.  Ex- Diretor da Faculdade de Direito do Recife – UFPE.  Membro da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas.  Fundador da Associação Brasileira dos Constitucionalistas Democráticos.  Membro Efetivo do Instituto dos Advogados de Pernambuco.  Membro do Instituto Pimenta Bueno - Associação Brasileira dos Constitucionalistas.  Professor Orientador Visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, conforme aprovação do Colegiado, em 31 de maio de 2001. Juiz Federal do Trabalho - (aposentado).  Advogado e Parecerista.
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NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. DR. IVO DANTAS

1. O novo ciclo constitucional brasileiro e suas características

O ciclo constitucional brasileiro iniciado com a Constituição de 5 de outubro de 1988, não se encontra imune às influências do Direito Constitucional estrangeiro (= processo), que nas últimas décadas vem sofrendo radicais modificações, tanto de conteúdo quanto de forma. Neste sentido, pode-se lembrar como o fazem GOMES CANOTILHO e VITAL MOREIRA ao analisarem o texto português
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que a Constituição Brasileira

“não difere muito dos demais documentos contemporâneos”, já que alarga a matéria constitucional, incorporando direitos fundamentais de caráter econômico, social e cultural, além de preocupar-se com a organização econômica da sociedade. Ademais, pode-se lembrar que é lei específica, necessária e hierarquicamente superior, além de que é pressuposto da produção normativa; tipifica os órgãos do poder público, determina as formas de expressão política, prevê a fiscalização da própria Constituição (controle da constitucionalidade) e sua forma de mudança formal (emenda e revisão). Por outro lado, o texto de 1988 é um dos mais longos dentre as Constituições contemporâneas, só perdendo em dimensão para o da Iugoslávia (405 artigos), da Índia (336 mais 8 anexos), do Uruguai (322), do Peru (307), e de Portugal (291), enquanto o nosso possui 250 artigos em suas Disposições Permanentes (incluindo as Disposições Constitucionais Gerais) e mais 95 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (até a Emenda Constitucional nº 56, 20.12.2007) 4.

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Fundamentos da Constituição. Coimbra: Coimbra Editora, 1991, p. 36 e segs. Vale esclarecer que o aumento no número de artigos do ADCT (em 1998 eram 70 artigos) se deve ao fato de que tem-se admitido Emendas Constitucionais Aditivas ao seu texto, o que, sem dúvida, se trata de uma fraude ao sentido das Disposições Constitucionais Transitórias que, tecnicamente são aquelas que o constituinte estabelece com o objetivo de criar uma fase de transição do antigo, para o novo modelo constitucional. Esta questão está a merecer uma posição séria, por parte da Doutrina e, principalmente, do Supremo Tribunal Federal, sob pena de o referido abuso continuar de forma ilimitada. Ademais, o próprio Congresso Nacional (a ser renovado pelas eleições de 2010) deveria engajar-se neste movimento, com o objetivo de evitar que Disposições Transitórias se tornem Disposições Permanentes, como quase foi o caso, para citar apenas um exemplo, da CPMF (Contribuição Provisória de Movimentação Financeira), criada pela Emenda 3/93, e que, sempre que se aproxima o término de sua existência, nova Emenda era aprovada, no sentido de sua prorrogação.

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Afora o total de 345 artigos, o texto, fiel às nossas tradições, traz consigo um Preâmbulo 5 que, em nossa maneira de pensar, é parte integrante de seu conteúdo, visto que aponta, ao mesmo tempo, para a sua origem e para a direção ideológica que lhe desejaram imprimir seus autores. RAUL MACHADO HORTA, em estudo intitulado Estrutura, Natureza e Expansividade das Normas Constitucionais, 6 ao tratar do item "Norma e Realidade", escreve que “sob o ângulo técnico-formal, a Constituição de 1988 introduziu aprimoramentos significativos na apresentação do texto constitucional. Alterou a técnica das Constituições Federais anteriores, para conferir precedência aos Princípios Fundamentais da República Federativa e à enunciação dos Direitos e Garantias Fundamentais. É evidente que essa colocação não envolve o estabelecimento de hierarquia entre as normas constitucionais, de modo a classificá-las em normas superiores e normas secundárias. Todas são normas fundamentais. A precedência serve à interpretação da Constituição, para extrair dessa nova disposição formal a impregnação valorativa dos Princípios Fundamentais e dos Direitos e Garantias Fundamentais, sempre que eles forem confrontados com atos do legislador, do administrador e do julgador”. Em nossa maneira de entender, a existência de Princípios Fundamentais traz, sob o ângulo formal, uma conseqüência das mais importantes, já que determinará a diretriz a ser seguida na interpretação de toda e qualquer norma constitucional, além, evidentemente, da “impregnação valorativa” de que nos fala MACHADO HORTA. Decorrência deste entendimento é que, para nós (e já o dissemos em diversas oportunidades), a presença de Princípios Constitucionais Fundamentais e de Princípios Gerais (setoriais) significa a existência de uma hierarquia (interna) de princípios na própria Constituição que funcionará, de modo decisivo, no instante de apreciar-se a constitucionalidade, ou não, de determinada norma
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, seja ela

infraconstitucional, ou inserida na própria Constituição, sobretudo, pelo Poder de Reforma (Revisão ou Emenda).

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Sobre o tema, veja-se nosso livro Instituições de Direito Constitucional Brasileiro. 2ª edição revista e aumentada, Curitiba: Editora Juruá, 2001. 6 Revista da Faculdade de Direito da UFMG. Belo Horizonte: v. 33, nº 33, 1991, p. 24-25. 7 A propósito, leia-se nosso livro Princípios Constitucionais e Interpretação Constitucional. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 1995.

através de Recurso Extraordinário.12.950 (13. 102 inciso I. ao lado da mencionada amplitude da Legitimação Ativa para a propositura de ADIN e ADC explicam a freqüência com que. A Constituição Federal. a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Ação Declaratória de Constitucionalidade estão previstas no art. do que é exemplo a ampliação que se deu. adiante comentada. o instituto do recurso extraordinário encontra-se regulado pela Lei n 8. DR. grande número de Ações Diretas de Inconstitucionalidade. a partir de 1988.94). a criação de novos institutos (ex: Inconstitucionalidade por Omissão.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. tem sido proposto. sobretudo em relação aos textos anteriores. sendo que a Repercussão Geral que lhe foi introduzida pela EC 45. encontra-se estudada mais adiante. a guarda da Constituição. em cuja análise deverá ser levada em conta a EC 45/2004. dos arts. por via de Controle Incidental. a qual. inúmeras questões sejam submetidas à apreciação dos Tribunais (via recursos ordinários) e do Supremo Tribunal Federal. 102. 541 a 546 do Código de Processo Civil. § 1º) é objeto da Lei nº 9. precipuamente.868 (10.882 (03.99). A Constituição Federal de 5. ao fixar a competência originária do STF. isto sem falarmos nas possibilidades de que. enquanto que a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (CF. 2 tratou. à Legitimação Ativa para propositura das Ações Diretas de Inconstitucionalidade. art. 102: "Compete ao Supremo Tribunal Federal.1988 e os mecanismos atuais de Controle da Constitucionalidade Com a aprovação e vigência da Constituição Federal de 5. com a redação que lhe foi dada pela EC nº 3/93. em seu art.1988 o Controle de Constitucionalidade sofreu inúmeras e decisivas modificações. cabendo-lhe: 4 . dando-lhes nova redação. 103. expressamente.10.11. Ação Declaratória de Constitucionalidade e Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental). delas trata a Lei n 9. Quanto ao Controle Incidental. principalmente. no tocante aos Direitos e Garantias Individuais e Sociais. todas elas no sentido de uma maior defesa do texto da Lei Maior.10. alínea a. sendo que em nível de legislação infraconstitucional. IVO DANTAS 2. Por outro lado.99). pelo art. junto àquele pretório. Atualmente. as novas atribuições que foram conferidas pela Constituição ao Supremo Tribunal Federal como decorrência das novéis ações.12. determina em seu art.

inciso III da Lei Maior.10.. Em decorrência da EC 3/93. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. o ordenamento jurídico brasileiro admite a Ação de Inconstitucionalidade Interventiva.. § 2º: "As decisões definitivas de mérito. na forma da lei”.. a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão (texto originário de 1988.. c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. 102.julgar. 27.. foi acrescido ao mencionado art. nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Desta forma. através do qual se deu a criação de um novo instituto. originariamente: a). será dada ciência ao Poder competente para a .NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. mediante recurso extraordinário. Em seguida (art. 102.A argüição de descumprimento de preceito fundamental decorrente desta Constituição será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal... DR. o controle incidental encontra-se previsto no mesmo art. 103 § 2º) determina o texto da Lei Maior: "Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição. relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo". Lado a lado com a Argüição Incidental por meio de Exceção e a Ação Direta de Inconstitucionalidade. “III .. a Ação Declaratória de Constitucionalidade e a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental. as causas decididas em única ou última instância. produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. 102: . o § 1º. Lei nº 12. IVO DANTAS I .... prescreve a Constituição em seu art.2009). De outro lado.. como se vê: § 1º . e em relação à Ação Declaratória de 5 Constitucionalidade.063.. como foi dito. b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. nos seguintes termos: Art.processar e julgar. as duas últimas introduzidas em nosso sistema através da Emenda Constitucional nº 3/93.a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal". 102.

no que era secundado pelas Leis n 4.A argüição de descumprimento de preceito fundamental decorrente desta Constituição será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. com a redação que lhe deu a Emenda Constitucional nº 3. arts. pelo que.778 (16.868. em conseqüência. um novo instituto.64) e n 5. Finalmente. determinar que compete ao STF processar e julgar. em se tratando de órgão administrativo. Todos estes diplomas legais foram revogados pela Lei nº 9. para fazê-lo em trinta dias". a mesma EC 3/93. Processual (como preferem alguns) ou Direito Processual 6 8 Diferentemente. ao lado da criação da Ação Declaratória de Constitucionalidade. nossas reflexões passam a ter uma natureza híbrida. ao prever que “A argüição de descumprimento de preceito fundamental decorrente desta Constituição será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. 169 a 175 tratava da matéria.6. Apesar de que a Constituição Federal.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. estaremos desenvolvendo nossas análises no campo do Direito Constitucional Constitucional. 102 I. a qual “dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal”. a. 102 § 1º. Neste sentido. 102. como se vê: § 1º . em seu art. não fez nenhuma referência a necessidade de que houvesse uma lei para regulamentar o preceito 8. se desejarmos. “a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal”.337 (1. originariamente.72). ou. na forma da lei”. limítrofe entre o Direito Constitucional e o Direito Processual. acresceu ao art. Evidente que a análise de cada uma das espécies mencionadas comporta uma série de questões tanto de natureza política quanto de natureza processual. .5. de 17 de março de 1993. IVO DANTAS adoção das providências necessárias e. DR. o art. de 10 de novembro de 1999. o § 1º. na forma da lei”. o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal em seu Título VI.

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3. O controle difuso: aspectos constitucionais e processuais 9

Apesar de muito se falar em dois grandes sistemas de controle da constitucionalidade, o incidental ou de origem americana e o concentrado, ou de origem austríaca, a verdade, em última análise, é que já não se pode estabelecer esta divisão de forma rígida, como, de resto, a própria separação radical das famílias do Common Law e do Civil Law já não mais responde à realidade dos fatos. Na hipótese de controle incidental ou difuso, poderá ele ser exercido em qualquer tipo de ação, ou seja, de natureza cível, penal, trabalhista, tributária, etc..., em processos de conhecimento, cautelar ou de execução, sendo de destacar que, ocorrendo a arguição, esta é feita em relação processual onde a lide a resolverse tem por objeto matéria estranha ao controle, pelo que aquela representa apenas um incidente, que pode ser surgir em qualquer grau ou juízo. Para SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA no controle pela via incidental, “o que se torna necessário evidenciar é que a inconstitucionalidade, como exceção, pode ser argüida no curso do processo normal, logicamente perante qualquer órgão jurisdicional, singular ou coletivo (nessa hipótese, a declaração exigirá a maioria absoluta), tendo efeito apenas 'interpartes'. Como exceção - continua - apenas quando a arguição for perante o STF, e por este examinada e declarada, terá efeito „erga omnes‟; assim mesmo, somente após a suspensão da lei ou ato normativo decretada pelo Senado” (Controle da Constitucionalidade no Brasil e em Portugal 10). ALFREDO BUZAID, em clássica monografia intitulada Da Ação Direta de Declaração de Inconstitucionalidade no Direito Brasileiro 11 ensina que “o poder de declarar a inconstitucionalidade compete, no sistema do direito público brasileiro, privativamente ao Judiciário. Exerce-o não apenas o tribunal de segundo grau, ou o Supremo Tribunal Federal; qualquer juiz, quando deve resolver os litígios submetidos ao seu conhecimento, pode decretá-la porque é da índole de sua função, ao dizer o direito em cada caso concreto, deixar de aplicar a lei, que contraria, direta ou indiretamente, a Constituição", isto porque, "nenhum
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Veja-se o interessante livro de LEONARDO CASTANHO MENDES, O Recurso Especial e o Controle difuso de Constitucionalidade. De acordo com a recente reforma do CPC, inclusive a Lei 11.3412, de 07.08.2006. São Paulo: Editora RT, 2006. 10 Revista de Direito Público. São Paulo: Editora RT, nº 28, 1974, p. 31. Destaque nosso. 11 São Paulo: Editora Saraiva, 1958, p. 59.

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magistrado deve aplicar uma lei que em sua opinião, seja inconstitucional" 12. Finalmente, J. C. BARBOSA MOREIRA 13 recorda que “o controle por via principal é exercido pelo Supremo Tribunal Federal em processo de sua competência originária, regulado pelo respectivo Regimento Interno (vide os arts. 169 a 175 do Regimento de 15.10.1980), em vigor desde 1º.12.1980), ou por tribunal estadual, conforme dispuser o ordenamento do próprio Estado-membro (Carta da República, art. 125, § 2º)”. Em seguida, escreve: “o controle incidental por juízo singular não reclama disciplina processual específica; e, se a reclamasse, não seria num título com a rubrica 'Do processo nos tribunais' que ela encontraria sede própria; o controle incidental por tribunal pleno - ou, se for o caso, pelo „órgão especial‟ a que se refere o art. 93, nº XI, da Constituição Federal - tampouco exige regulamentação particular: respeitado o preceito do art. 97 da mesma Carta, no concernente ao quorum, pode o colégio conhecer da questão, sem problema de ordem procedimental, a qualquer momento em que exerça atividade cognitiva em processo da sua competência”.

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3.1. A Inconstitucionalidade, a Administração Pública e o Juízo de Primeiro Grau.

O Controle Incidental traz consigo várias questões que merecem ser enfrentadas. Assim sendo, analisemos neste item o tratamento que poderá ser dado pela Administração Pública à Lei Inconstitucional para, em seguida, verificarmos o comportamento do juiz singular de primeiro grau, sobre o mesmo tema. Na verdade, a lição de BUZAID acima mencionada, é quase aceita e repetida sem maiores reflexões no que diz respeito à afirmação de que “ele (juiz de primeiro grau) não declara a inconstitucionalidade, mas apenas deixa de aplicar a norma que considera inconstitucional”. Assim, antes de analisarmos a declaração de inconstitucionalidade proferida pelos Tribunais (2ª instância), tratemos, embora rapidamente, do
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ob. cit. p. 65. Comentários ao Código de Processo Civil. 6ª edição, Rio de Janeiro: Editora Forense, 1993, vol. V, arts. 476 a 565, p. 30-31.

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comportamento pelo juiz singular de primeiro grau quanto à matéria, dizendo, de logo, que embora aparentemente simples, a mesma carece de algumas ponderações, tais como aquelas que são feitas por HUGO DE BRITO MACHADO em artigo intitulado Algumas questões relacionadas a não aplicação de lei inconstitucional pelas autoridades administrativas – art. 26 A do Decreto nº 70.235/72 14. Naquele texto, o autor afirma que “é claro que nenhuma autoridade deve aplicar uma lei inconstitucional. Ocorre que existe uma distinção relevante entre deixar de aplicar uma lei inconstitucional e dizer que uma lei é inconstitucional. O aplicar, ou não aplicar, uma lei, é algo próprio de qualquer atividade administrativa por mais singela que seja. As autoridades administrativas em geral são competentes para aplicar as leis e assim podem deixar de fazêlo se a lei questionada for inconstitucional. Entretanto, a competência para declarar que uma lei é inconstitucional com certeza não se confunde com a competência para aplicar a lei. Em outras palavras, quando se discute se a autoridade administrativa pode, ou não, deixar de aplicar uma lei inconstitucional, a questão que se coloca na verdade consiste em saber se ela tem, ou não, competência para declarar uma lei inconstitucional, reiterando, assim, a lei do sistema normativo porque desprovida de validade” 15. Em última análise, a presente questão gira em torno de saber-se da competência que teria o Poder Executivo para determinar o não cumprimento de Lei por ele considerada inconstitucional. O ponto crucial da questão reside, em nosso entender, sobretudo (mas não só), em dois princípios: a) - nos termos da Constituição Federal (art. 1º, caput) o Brasil é um "Estado Democrático de Direito”; b) - nos termos da Lei Maior (art. 2º), "são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário". Ademais, no art. 37 se afirma que "a administração pública direta, indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade...", o que significa dizer-se que, toda a atuação do Poder Político deverá encontrar-se vinculada àquilo que determina a Lei, e descumpri-la acarretará consequências, tal como advertia ALIOMAR BALEEIRO, Relator do Mandado de Segurança nº 14.136 16:
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In Revista Interesse Público. Belo Horizonte: Editora Forum, n. 56, 2009, p. 17-26. Ob. cit. p. 18-19. DJ, 30.11.64, p. 4.189.

aguardando as ações e medidas de quem tiver interesse no cumprimento delas". e em uma visão sistêmica do texto constitucional. e a inoportunidade. não resiste a uma argumentação mais cuidadosa. também interessado no cumprimento da Constituição. DR. na sua qualidade de consultor jurídico do Presidente. Há uma 2ª edição publicada pelo Senado Federal. 1981) e O Veto no Direito Comparado (São Paulo: RT. sobretudo quando confrontada a hipótese com a existência. O Veto no Brasil (Rio de Janeiro: Editora Forense. se "a lei inconstitucional não é lei". de obedecer à lei. em nosso sistema. . do instituto do veto. goza da faculdade de não executá-la. apoiados em um parecer (opinion) do Procurador Geral (Attorney General). porém. que ultimamente primam por um encaminhamento documentado e minucioso. exatamente. 49. em muitos casos. IVO DANTAS "Sem embargo de que. Desta forma. enfrentado mais detidamente. a seu risco.SP. em razão de uma inconstitucionalidade que lhe parece existir. em princípio. em conseqüência. p. submetendo-a aos riscos daí decorrentes. 84. sobre o qual. sendo o veto uma das competências privativas do Poder Executivo (ex: CF. 1993). em obediência ao princípio da "harmonia dos Poderes". Consultem-se os trabalhos de ERNESTO RODRIGUES. O veto de inconstitucionalidade (unconstitutionality) e o veto de inoportunidade (inexpediency). datada de 2008. parecer esse que. este é o momento em que o seu titular. V). na Representação nº 980 . especialmente o primeiro. Contudo. em que se buscava o reconhecimento da inconstitucionalidade contida no Decreto Estadual nº 7. Recusado o cumprimento à lei havida como inconstitucional.A Receptividade Brasileira 17 escrevia que "a maior freqüência no exercício do veto supõe. tem feito o Corpo Legislativo reconsiderar seus projetos" (destaques no original). não se haveria de falar. incluindo-se o do impeachment. são. À primeira vista. OCTACÍLIO ALECRIM.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. art. em clássica obra intitulada O Sistema do Veto nos Estados Unidos . compete ao Poder Judiciário a atribuição de declarar inconstitucional uma lei.864. de "Princípio da Legalidade". duas grandes linhas de motivação: a inconstitucionalidade. Contudo. poderia apresentar sua discordância à proposta. de 30 de abril de 1964. temos aí um forte motivo. o Governador se coloca na mesma posição do particular que se recusa. 1954. através do qual se determinava o não cumprimento de "dispositivos vetados por infringência do artigo 22 e seu parágrafo único da Constituição do Estado 17 10 Rio de Janeiro. participando do Processo Legislativo. Ora. a jurisprudência tem admitido que o Poder Executivo.

constitucional e legalmente: a representação ao Egrégio Supremo Tribunal Federal. que venham a ser promulgados em consequência da rejeição do veto". A faculdade que é conferida ao Executivo de submeter ao Judiciário a apreciação da matéria. incisos I e V. IVO DANTAS (Emenda nº 2). sendo o Governador adepto de corrente política contrária ao Presidente da República. em sua fundamentação. onde aquela ação pode ser proposta pelo Prefeito de qualquer município (art. data maxima venia. igualmente. na Constituição do Estado de Pernambuco. quer em decisão de mérito. visto que.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. após decisão judicial. com o entendimento predominante no STF. nos termos da Constituição vigente. constitucionalmente. art. Daí por diante. não cabe. 63. alegando inconstitucionalidade. não cremos correto que se confira ao Executivo a possibilidade de ser o árbitro da inconstitucionalidade da Lei (o que seria "julgar em causa própria"). 125 § 2º). DR. a possibilidade de que. 18 11 Revista Trimestral de Jurisprudência . depois de promulgada a lei. foi bastante ampliada. Ademais. inciso IV). § 3º. por meio da Procuradoria-Geral da República". tanto o Presidente da República. art. O raciocínio vale para o plano municipal. inciso IV). art. Não há mais que cogitar dela. viesse a ocorrer uma inércia da parte do Procurador-Geral da República o qual. recusar-se a cumprir a lei por supô-la inconstitucional. sancionada a Lei ou rejeitado o veto (ex: CF. art. Vencida a oportunidade. que ele (Executivo) só possa negar cumprimento à Lei. de que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade por via de ação poderão ser modulados quanto aos efeitos temporais. com isto. quer em decisão liminar. parecendo-nos mais correto. caso a inconstitucionalidade fosse reconhecida pelo Poder competente. em momento posterior à ultimação do processo legislativo. isto é. nos textos anteriores. idem.96/496-513. como o Governador de Estado e o Governador do Distrito Federal tem a Legitimidade Ativa para "propor a Ação de Inconstitucionalidade" (CF. nenhum prejuízo acarretaria à Administração Pública. 103. Afasta-se. 57. onde. Sua competência controlativa de constitucionalidade ficou preclusa. 125 § 2º). . por exemplo. vários são os legitimados para propor a ação como se verifica. sustentava: "Resumindo. era o único titular da "representação". por exemplo. poderemos. concluir que ao Executivo. por imposição constitucional (CF 1988. são-lhe oferecidos outros meios de agir. 18 o Procurador-Geral da República.

Como Relator do processo que apreciava a referida Representação n 980-SP. o Min. o ato inconstitucional não obriga. vol. assentou-se que.864. Em seguida. como salienta CAIO TÁCITO em comentário publicado na Revista de Direito Administrativo. 339 e segs.950 20. é nulo e írrito. nulo. não sendo de se aplicar a que. 499. em seu entender inconstitucional. não foi a posição assumida pelo Supremo Tribunal Federal ao decidir a Representação nº 980-SP. Representação julgada improcedente. a opinião de que o Poder Executivo não é obrigado a cumprir leis que considere inconstitucionais foi acolhida por esta Corte. DR. oportunidade em que decidiu ser possível ao Executivo negar-se à aplicação da Lei. conforme se observa do Acórdão abaixo transcrito: Ementa: "É constitucional decreto de Chefe de Poder Executivo Estadual que determina aos órgãos a ele subordinados que se abstenham da prática de atos que impliquem a execução de dispositivos legais vetados por falta de iniciativa do Poder Executivo. Desde a célebre decisão do Juiz MARSHALL. Tanto assim. Madison. e já agora fundamentando seu voto. AMARAL SANTOS. o Min. por votação unânime.. MOREIRA ALVES afirmava que "o ato inconstitucional. 116-120. já entendia o STF: 12 19 20 RTJ 96. que o efeito da declaração de nulidade retroage ex tunc. em Recurso de Mandado de Segurança nº 13. MOREIRA ALVES. entretanto. Revista de Direito Administrativo. Muito antes. vol. 1969. julgou-a improcedente. p. 97. declarava o Ministro Relator: "Antes da admissão da ação direta de declaração de inconstitucionalidade da lei em tese.. de 30 de abril de 1976. . vencidos os Ministros LEITÃO DE ABREU e DÉCIO MIRANDA. no caso Marbury v. nula é esta aplicação. págs.". jul-set. se aplicado. ensina tradicionalmente a doutrina. passando pela lição de Rui Barbosa. 59. não sendo válidos os atos praticados sob seu império" 19 . do Governador do Estado de São Paulo". IVO DANTAS Esta. Em seu Relatório. pp. Constitucionalidade do Decreto nº 7. do qual foi Relator o Min.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF.

arguindo a inconstitucionalidade da Lei que sancionou. O Poder Executivo deve negar execução a ato normativo que lhe pareça inconstitucional". com fundamento na inconstitucionalidade da lei. 124803. em momento posterior. descabe ao Executivo. Este posicionamento por parte do STF. o Tribunal de Justiça da Bahia que. Boletim ADCOAS. entendeu. é-lhe defeso. por 13 . sendo admitida uma certa "mitigação". Neste último. de que foram relatores. decidiu: Ementa: "Lei Inconstitucional. os respectivos atos. Em sentido contrário àquele predominante no STF.89 aquela Corte: Ementa: "Não pode o Poder Executivo anular seu próprio ato. Recentemente. em razão de inconstitucionalidade. havendo sanção.123-1 GO unanimidade. em Sessão Plena e Julgamento datado de 12. o Superior Tribunal de Justiça. conforme se pode observar nos RE nº 79. e RE nº 85. . IVO DANTAS Ementa: "O Poder Executivo não é obrigado a cumprir leis que considere inconstitucionais". mormente se produziram efeitos em relação a terceiros. apreciando o Recurso Especial nº 23.943BA. Assim. 479-486. Rel. A inconstitucionalidade de uma Lei só pode ser questionada pelo Executivo quando o diploma legislativo lhe for encaminhado para sanção ou veto. Poder Executivo. ultrapassada essa oportunidade. LEITÃO DE ABREU e ANTÔNIO NEDER. o Min. decidiu a Segunda Turma. DR. pp. anular. por unanimidade. que embora sendo lícito à Administração Pública negar cumprimento à lei que entenda inconstitucional. depois de tê-la aplicado. São Paulo: Editora NDJ. Negativa de Eficácia. HUMBERTO GOMES DE BARROS. respectivamente. alegar o não cumprimento da Lei.5.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. agosto/94.787-SP. entretanto. e. por votação unânime. o Executivo só pode negar cumprimento à Lei sob justificativa de 22 21 . não é absoluto. os Mins. decidiu 21 22 Boletim de Direito Administrativo.

de 6 de março de 1972. não tendo sentido. 2007. que no âmbito do processo administrativo fiscal. . 24-25. o art. IVO DANTAS inconstitucionalidade após decisão judicial. acordo internacional. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado. de 1993” 23.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. artigo citado. da Lei Complementar nº 73. 18 e 19 da Lei nº 10. Veja-se LUIS CARLOS GOMES. sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. é competência exclusiva do Poder Judiciário. lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. na forma dos arts. que se permita à Administração ser o Juiz de seu próprio interesse. na forma do art. p. cuja competência é do Supremo Tribunal Federal". São Paulo: MP Editora. b) . permitimo-nos discordar da orientação seguida pelo Pretório Excelso. nos seguintes termos: “Art. finalmente. sobre a qual apenas poderá „deixar de aplicá-la‟. lei ou decreto. fica vedado aos órgãos de julgamento a afastar a aplicação ou deixar de observar tratado. ou seja. ou c) . de 19 de junho de 2002.941.pareceres do Advogado Geral da União. 43 da Lei Complementar nº 73. 23 14 Apud HUGO DE BRITO MACHADO. Apesar dos argumentos que serviram de fundamentação aos votos apresentados em cada acórdão mencionado. aprovados pelo Presidente da República na forma do art. O Processo Administrativo Fiscal e a Não-aplicação de lei ou ato inconstitucional. a apreciação de inconstitucionalidade. II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) – dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional. 26-A: No âmbito do processo administrativo fiscal. de 3 de dezembro de 2008. diz respeito ao poder do Magistrado em relação à lei inconstitucional. que resultou da Medida Provisória nº 449.súmula da Advocacia-Geral da União. Outro aspecto a ser tratado. tudo com base no raciocínio acima exposto. sobretudo.522. acordo internacional. a partir do instante em que se encerra o processo de produção da norma jurídica. de 27 de maio de 2009. a Lei nº 11. de 10 de fevereiro de 1993. 40. inseriu no Decreto nº 70. portanto. nunca „declarar a sua inconstitucionalidade‟. no sistema brasileiro. DR.235. 26-A. em matéria constitucional. Vale lembrar.

quando se dá pela via do Incidente de Inconstitucionalidade poderá chegar aos Tribunais em algumas hipóteses. sendo que na hipótese de decisão interlocutória. Observe-se aqui um detalhe que adiante será retomado: a declaração disfarçada de inconstitucionalidade que. IVO DANTAS Demos. A nosso. se dava. novamente. por provocação ou ex-officio. na verdade. 21. pelo visto. declara a inconstitucionalidade de uma lei. 3. 24 Artigo citado. tal remessa (necessária) ocorrerá existindo. 102. duas situações. o magistrado a acolhe ao longo do processo ou na sentença. p. por se tratar de uma declaração disfarçada de inconstitucionalidade (que ensejou a Súmula Vinculante nº 10 como se verá adiante) caberá a impetração do Recurso Extraordinário. DR. . na hipótese de o acolhimento ocorrer na sentença. O Senado e o art. Se o fazem. a palavra a HUGO DE BRITO MACHADO quando escreve que “nem os juízes nem os tribunais podem deixar simplesmente de aplicar uma norma jurídica que esteja em vigor. Do Incidente de Inconstitucionalidade nos Tribunais. X da CF 15 O controle de constitucionalidade pela via judicial entre nós. Tal entendimento decorre da interpretação sistêmica do ordenamento jurídico e especialmente da consideração de que não se pode deixar sem via de acesso ao Supremo Tribunal Federal uma decisão que. Em outras palavras: em qualquer hipótese. todas as vezes que o Magistrado de primeiro grau afirmava “deixar de julgar a ação. recurso voluntário (apelação). sem declarar a sua inconstitucionalidade.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. o Recurso Extraordinário que é admitido nos termos do art. isto configura uma declaração implícita de inconstitucionalidade. a seguir analisadas: 1) – A primeira situação dar-se-á quando em decorrência de seu reconhecimento no primeiro grau.2. entendendo-a inconstitucional”. embora implicitamente. Temos aí. destina-se a dar ao STF condições para exercer sua função de guarda da Constituição” 24. 52. nos termos estudados a seguir. alínea “b”. a ação deverá ficará suspensa e os autos remetidos para o Tribunal. por não aplicar a lei que fundamenta a ação. da Constituição Federal. ou não. inciso III. A Reserva de Plenário.

encerra-se aí o processo. que una norma con rango de ley. ao segundo grau. aplicabe al caso. no seu entender. os autos subiram em grau de recurso voluntário ou ex-officio. que não havendo lei que fixe e estabeleça o procedimento a ser seguido. identificou-se (só aí) a inconstitucionalidade. DR. en algún proceso. ou seja. cit. de cuya validez dependa el fallo. 3. 2002. recorrerá ex-officio e com efeito suspensivo para o Supremo Tribunal Federal”. visando nova análise da matéria objeto da ação. na Espanha. obrigatoriamente. São Paulo: Editora RT. Mas. seja inconstitucional. 26 Cf. ao ser examinado o recurso. na mesma linha. 16 25 Relembre-se que. ou seja. no sentido técnico”. como afirma MENDONÇA LIMA. que inexistindo recurso voluntário. especialmente. na conformidade do art. 97 da Constituição e aos arts. 56-92. 27 Veja-se JOSÉ LEVI MELLO DO AMARAL JÚNIOR. planteará la cuestión ante el Tribunal Constitucional en los supuestos. 86-87. visto que. p. Destaquemos. nesta hipótese. IVO DANTAS Em outras palavras: se a parte sucumbente conforma-se com a decisão proferida e não recorre da sentença. que en ningún caso serán suspensivos”. BUZAID. 2) – A segunda hipótese ocorre quando a inconstitucionalidade é reconhecida apenas no segundo grau. “Cuando un órgano judicial considere. conforme a natureza da causa (Tribunal de Justiça. ou deverá ocorrer a sua remessa ex-officio para o segundo grau? 25 No entender de ALCIDES DE MENDONÇA LIMA e VICENTE CHERMONT DE MIRANDA 26 os autos serão remetidos. deverão remeter os autos com sua manifestação devidamente fundamentada ao tribunal superior. Tribunal Regional do Trabalho). Tribunal Eleitoral. deverão ser aplicadas. aí se encerra a prestação jurisdicional in concreto 27. Comentários ao art. 480 a 482 do Código de Processo Civil. en la forma y con los efectos que establezca la ley. defende que “sempre que qualquer tribunal ou juiz não aplicar uma lei federal ou anular um ato do Presidente da República. p.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Tribunal Federal de Recursos. Incidente de Argüição de Inconstitucionalidade. “os juizes singulares não ficam obrigados a aplicar uma lei que. 163 da Constituição. VICENTE CHERMONT DE MIRANDA. como disse MENDONÇA LIMA. Cap. por analogia. a solução aqui oferecida encontra-se baseada na analogia. pueda ser contraria a la Constitución. por inconstitucionais. . ob. pelo que outros autores entendem de forma diferente. se bem que não haja no caso propriamente um recurso. as regras referentes aos recursos ex-officio. Enquanto não for elaborada uma lei federal estabelecendo a forma processual daquela providência. Neste caso.

o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento. Capítulo II – Da Declaração de Inconstitucionalidade -. Importante aspecto deve ser relembrado: não havendo forma descrita em lei sobre o incidente. DR. submeterá a questão a turma ou câmara. poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade. Toda a regulamentação mencionada nos leva a insistir que na primeira instância. 480 do CPC . por escrito. poderá ele ser apresentado em qualquer momento. 482 estabelece o procedimento a ser seguido pelo Pleno do Tribunal.o relator. ao contrário do que ocorre com a primeira instância. se assim o requererem. 481. a fim de ser submetida a questão ao tribunal pleno”.Os titulares do direito de propositura referidos no art. § 3º .diz o art. § 2º . a última hipótese ocorrerá nos julgamentos das ações de competência originária do Tribunal.O relator. poderão manifestar-se. “se a alegação for rejeitada. 103 da Constituição. poderá admitir. não aplica(m) a lei 17 . § 1º . o CPC regula a matéria em seu Título IX – Do Processo nos Tribunais -. o art. pois o(s) magistrado(s). por despacho irrecorrível. observados os prazos e condições fixados no Regimento Interno do Regimento. da seguinte forma: “Remetida a cópia do acórdão a todos os juízes. bem como na turma ou na câmara não há declaração de inconstitucionalidade. sobre os quais teceremos alguns comentários breves. será lavrado o acórdão. sendo-lhes assegurado o direito de apresentar memoriais ou pedir a juntada de documentos. objeto de apreciação pelo órgão especial ou pelo Pleno do Tribunal. sobre a questão constitucional. em qualquer instância ou até mesmo na sustentação oral.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Nos termos do art. considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. se for acolhida. simplesmente. Na segunda instância. no prazo fixado em Regimento. a manifestação de outros órgãos ou entidades”. inclusive. prosseguirá o julgamento. “Arguida a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público . ouvido o Ministério Público. a que tocar o conhecimento do processo”. artigos 480 a 482. Em seguida.O Ministério Público e as pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado. IVO DANTAS 3) – Finalmente.

Nesta hipótese. câmaras e secções) estão impedidos de declarar a 18 inconstitucionalidade. 481 do CPC um parágrafo único nos seguintes termos: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário. através do quorum qualificado determinado pelo art. e tem sua razão de ser na presunção de constitucionalidade de que são revestidas as leis e os atos oriundos do poder público. para que seja decidida. visto que aquela só poderá ser exigida . e nos termos do art. IVO DANTAS impugnada ao caso concreto. a arguição de inconstitucionalidade. 93. o incidente terá de ser submetido ao Pleno ou órgão especial do Tribunal. A razão de tal proceder é o fato de que a prerrogativa de declarar a inconstitucionalidade é privativa dos órgãos colegiados. nos seguintes termos: “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. 97. quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. levando em consideração o que foi decidido pelo Pleno ou pelo órgão especial. XI da própria Lei Maior. Esta referência feita pelo art. por considerá-la inconstitucional. após a decisão do incidente de inconstitucionalidade. Pelo enunciado fica evidente que a Reserva de Plenário sofreu o que se vem denominando de flexibilização. para o exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno. Ademais. poderá ser constituído órgão especial. Destaque-se que o comando do art. com efeitos inter-partes. DR. XI acima transcrito se refere a “órgão especial”. decida o caso concreto (objeto da ação onde foi suscitado o incidente). 93. Chame-se a atenção de que a Lei nº 9. “nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores.756/98 acrescentou ao art. provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno”. 97 da CF. com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros. 97 ao quorum de “maioria absoluta” é o que se tem denominado de Reserva de Plenário. pelo quorum do art. significando dizer que sempre que acatada uma argüição de inconstitucionalidade por qualquer destes órgãos.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. o que implica em que os órgãos fracionários e monocráticos dos tribunais (turmas. os autos serão devolvidos ao órgão de onde foram originários (enviados) para que este. ou ao órgão especial.

. vale lembrar que na linha do que determina a Constituição Federal.. estadual e municipal”.. nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. 481 do CPC 28. a saber: (a) . 1. inciso X poderá ser objeto de Mutação Constitucional. como se vê: “Art. nos termos do art. RE 240. 52 X nos seguintes termos: “Art. 102 § 2º: “As decisões definitivas de mérito. 52 – Compete privativamente ao Senado Federal: X – suspender a execução. 10. em sua versão originária. inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. Esta situação ficou “resolvida” pela EC 45/2004.11. têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal.868/99 era inconstitucional. com a nova redação que deu ao art... em razão do tempo. o Supremo Tribunal Federal. 28 parágrafo único. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”.. RE 544..897 e três Recursos Extraordinários. Parágrafo único. no todo ou em parte” 29. que tipo de efeitos: ex-tunc ou ex-nunc? A matéria se encontra na CF/88 em seu art..11.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. no todo ou em parte. 28 .. 29 DO de 27/6/2008. ditos órgãos só necessitam fundamentar sua decisão no precedente do Plenário ou do órgão especial do Supremo Tribunal Federal.. de n.. vale lembrarmos que a Constituição Federal de 1988..181. Sempre entendemos que esta amplitude de efeitos trazida pela Lei 9. conferia efeito vinculante apenas às Ações Declaratórias de Constitucionalidade (art.. p... em razão do caráter vinculatório determinado pelo art. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade.246. editou a Súmula Vinculante n... estadual e municipal”... Duas questões ainda precisam ser trazidas à discussão com relação ao tema. 102 § 2º). embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público. em seu art.99 (DOU 11..090 determinando que “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF. em 27/6/2008.868. conforme entendimento recente do STF? e (b) – o ato de suspender a execução da lei gerará. sendo que a Lei nº 9.. afasta sua incidência. Fonte de publicação DJ n. ..1999) o estendeu às Ações Diretas de Inconstitucionalidade...... sendo um AgRg no AgIn nº 472. de 10. IVO DANTAS quando se tratar da primeira vez em que a matéria legislativa tem sua constitucionalidade questionada. A partir daí...a participação do Senado. 117/2008. DR.. RE 319. produto de quatro precedentes.096 e RE 482. Finalmente.. artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. 52.. 19 28 Por falar em vinculação.. relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta nas esferas federal.

1998. atualmente se vem tentado uma nova compreensão da participação do Senado no controle incidental. 33 Ver ANA CAROLINA CARDOSO LOBO RIBEIRO . WELLINGTON MÁRCIO KUBLISCKAS KUBLISCKAS. sendo seus efeitos inter-partes ou intraprocessual como denomina BARBOSA MOREIRA 30 .Ac. n 09. Processos informais de mudança da Constituição: mutações constitucionais e mutações inconstitucionais. THOMPSON FLORES (18.77). IVO DANTAS Logo se percebe. Emendas e Mutações Constitucionais: análise dos mecanismos de alteração formal e informal da Constituição Federal de 1988. DR. setembro de 1994). 1997. cit. observava o Min. 1994. UADI LAMMÊGO BULOS. São Paulo: Editora Saraiva. após "a suspensão de sua execução pelo Senado Federal". Relator Juiz ANTÔNIO ÁLVARES DA SILVA. a norma (ainda que considerada inconstitucional e não sendo aplicada ao caso concreto) permanece em vigor.Mutação constitucional: mutações (in)constitucionais resultantes da interpretação judicial. Curitiba: Juruá Editora. Neste sentido. Oñati. Madrid: Centro de Estúdios Constitucionales. no RO 4680/94 . por serem ergaomnes os efeitos do julgamento. Em outras palavras: embora não haja sentido prático de que a norma tida como inconstitucional continue sendo aplicada. Max Limonad. como guardião precípuo da CF.06. Por isso. quer pela Administração. 2010. como. 42. Belo Horizonte: Del Rey. o que se daria em virtude do fenômeno da Mutação Constitucional 33. Constituição e mudança constitucional: limites ao exercício do . da CF. tratando dos Planos Econômicos e sua incidência nos Reajustes Salariais.94. p. Região (Minas Gerais). São Paulo: Editora Atlas. o que só deixará de acontecer. Apesar de toda a clareza do texto constitucional. o TRT 3a. In IVO DANTAS. ressaltando que. 3a T. cap. em teoria nada obsta que o seja. as instâncias inferiores devem seguir a orientação ali perfilhada para que se evitem demandas inúteis e discussões estéries de quem não tem o poder de dar a última palavra em matéria constitucional” (Cf. 125-139.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Mutación de la Constitución. CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO na conferência O Controle da Constitucionalidade das Leis na Constituição Brasileira de 1988 . decidiu que “embora a decisão de matéria constitucional em RE não tenha efeito vinculante. 1986. exatamente porque. São Paulo. Revista Ltr. o Min. GEORGE JELLINEK. vol. fica claro que a necessidade de participação do Senado só ocorrerá nas decisões proferidas em controle incidental. 30 31 20 32 ob. à época Presidente do STF e. DAU-LIN. visto que o STF modificaria os efeitos da aplicação pela via do Recurso Extraordinário. ou mesmo pelo Poder Judiciário através de seus órgãos inferiores! 31 Na hipótese de controle por via de Ação Direta. CÁRMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA. HSÜ. O Novo Processo Constitucional Brasileiro. pp. a decisão do RE 144. 32 In Temas de Direito Público. aliás. 7. 58. 1991. Reforma y Mutación de la Constitución. 2009. mais recentemente. que ao referir-se o texto constitucional a "decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal". III.4. ANNA CÂNDIDA DA CUNHA FERRAZ. 08. desnecessária será a intervenção do Poder Legislativo (leia-se Senado). Mutação Constitucional.756 foi dada pelo STF em razão da competência que lhe outorga o artigo 102.

DR. X. ADALBERTO ROBERT ALVES. Porto Alegre: Livraria do Advogado. A interpretação e a mutação constitucional. Brasília: Senado Federal. 21 poder de reforma constitucional. no exercício do controle difuso de constitucionalidade produziriam efeitos erga omnes. muito embora a CF permaneça íntegra no tocante ao art. 52. vem sendo apresentada por alguns doutrinadores e alguns membros do Supremo Tribunal. SBROGIO´ GALIA. apesar do referido dispositivo encontrar-se vigente. e não mais inter-partes. nos termos do art. Revista de Informação Legislativa. inspirado no americano. tendo o Min. restando ao Senado Federal o dever de dar publicidade à decisão do Supremo. (II) a expansão dos mecanismos de controles abstrato e concentrado possibilitou que os efeitos gerais da decisão do Supremo predominassem sobre os efeitos inter partes. JOSÉ RIBAS VIEIRA. pelo Senado Federal. Os fundamentos da tese que acredita tratar-se de mutação constitucional podem ser assim resumidos: (I) a competência inscrita no art. as decisões proferidas pelo STF. e em confronto direto com o texto constitucional. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em seu entender. inciso X. Dissertação (Mestrado).NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. CF.) . nos autos da reclamação nº. . GILMAR MENDES. A extensão para que seus efeitos passem a ser erga omnes depende. 52. foi introduzida numa época em que a concessão de efeitos gerais às decisões do STF era vista como uma violação do princípio da separação dos Poderes. no sistema brasileiro. de resolução suspendendo a execução da lei inconstitucional. de expedição. Mutação Constitucional: a origem de um conceito problemático. alterações legislativas e jurisprudenciais ocorridas nos últimos anos no processo constitucional brasileiro teriam transformado a “suspensão da execução da lei inconstitucional” em um dever de publicação da decisão pretoriana. CRISTIANO BRANDÃO VECCHI. 52. Susana . Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2005. 2007. Dissertação (Mestrado). 2006. 4335/AC afirmado a ocorrência da mutação constitucional. inciso X acima transcrito. Em outras palavras: a nova conformação da jurisdição constitucional brasileira superou o instituto positivado no art. nº 120. que pretende afastar o Senado de sua tarefa. CF.Mutações constitucionais e direitos fundamentais. Neste novo quadro. IVO DANTAS e como foi visto. sempre se reconheceu que tais efeitos da declaração são restritos às partes litigantes (inter-partes).Perspectivas da teoria constitucional contemporânea. 2007. X. Esta nova compreensão. por elas mesmas. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. como já foi referido. 52. (Org.

sem obediência ao disposto no art. de longa data. 557. Autores contemporâneos como HESSE. Apesar de o raciocínio apresentar certa lógica. ambos do CPC) 34. DR. Neste contexto. IVO DANTAS (III) a identidade de finalidades (defesa da Constituição) e de procedimento (respeito ao quorum de maioria absoluta para declaração de inconstitucionalidade) no âmbito dos controles difuso e concentrado justificaria a equiparação dos efeitos. 52. importante é indagar se o manejo do instituto da mutação constitucional é legítimo no caso em comento. naquelas disposições constitucionais abertas. X reforçaria a superação do instituto da suspensão da execução da lei inconstitucional. Rio de Janeiro: Lúmen Juris. Daniel.) Vinte anos da Constituição Federal de 1988. Não se quer com isso negar a possibilidade de a Corte Constitucional realizar interpretações evolutivas. BINENBOJM. (IV) as decisões proferidas pelo STF em sede de ação popular e ação civil pública têm efeitos que repercutem na comunidade como um todo. Gustavo. desde que essa alteração não viole o texto da Carta Política. É certo que a modificação da Carta Política não se dá apenas pelos processos formais de reforma constitucional. p. . considerando-a legítima desde que realizada dentro do programa normativo da Constituição. 481. admitindo-se. (V) a referida mutação constitucional abrandaria a crise numérica que assola o Pretório Excelso e (VI) a positivação de instrumentos de vinculação dos tribunais às decisões do STF proferidas em sede de controle incidental. Rigidez constitucional e pluralismo político. ou seja. SARMENTO. e dentre os quais se destaca a mutação constitucional. o que se entende por mutação constitucional é a modificação do sentido. §1º-A. a existência de outros procedimentos de alteração da Lei Fundamental. do alcance do texto constitucional. parágrafo único. 34 22 RODRIGO BRANDÃO. 2009. MÜLLER e CANOTILHO defendem um conceito restrito de mutação constitucional.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. (coords. 280. In: SOUZA NETO. bem como o art. (art. mas demarcar os limites e delinear as possibilidades de atualização da Constituição pelo Poder Judiciário. Cláudio Pereira de. as mutações só seriam possíveis nos espaços de conformação deixados em aberto pelo próprio constituinte. outra questão fundamental se põe: quais são os limites opostos ao Poder Judiciário na atualização do texto constitucional? Para a doutrina constitucionalista contemporânea.. Nesse contexto.

isto 23 . de modo expresso. subverter os seus conteúdos ou violá-la.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. inciso III da CF ao fixar as cláusulas procedimentais do poder reformador. Esta realidade. Tais entendimentos. O seu conteúdo não permite a incidência do fenômeno da mutação constitucional. Em outras palavras: mesmo que a concessão automática de efeitos gerais às decisões proferidas em sede de controle difuso pareça interessante sob o ponto de vista da política judiciária. por um lado. por si só. CF não constitui uma cláusula aberta. sobretudo porque. O postulado da correção funcional impede que o Tribunal. X. ao entender que a força normativa da decisão do Supremo decorre da própria sentença do Tribunal. diante de uma mutação inconstitucional. nos parece impossível. bem como produziram medidas tendentes a dar efeitos ampliativos às decisões declaratórias de inconstitucionalidade proferidas em sede de controle difuso. diante do que determina o art. isto porque. ocorre a redução das competências. entendemos que a inovação não pode ser instituída através da interpretação judicial nem pela via da Emenda Constitucional. independentemente da participação do Senado Federal. o Tribunal inova no processo constitucional. quanto o legislador ordinário reforçaram o controle concentrado de constitucionalidade. de outro Poder. pelo Poder Constituinte a outro „Poder‟ ou Função do Estado. o que. enquanto por outro. afastando regras de competência estabelecidas no texto da Constituição. só ao Poder de Reforma caberia eliminar a participação do Senado Federal no procedimento. de logo. Estamos. para esvaziar plenamente a competência conferida. O Poder Judiciário não pode. DR. então. Neste caso. sob o pretexto de interpretar evolutivamente a Constituição. constitucionalmente previstas. Nos seus votos os ministros EROS GRAU e GILMAR MENDES. 52. por meio da atividade hermenêutica. não nos parece legítima. IVO DANTAS O art. subverta o esquema de separação dos Poderes traçado na Constituição. A consequência dessa inovação criada pela Corte é. a constatação de ampliação dos seus poderes. ao nosso ver portadoras de uma intangibilidade que só o Poder Constituinte poderia modificar. não é dado ao magistrado valer-se do seu poder de interpretação do texto constitucional. na nossa visão. ainda que se considere obsoleto e anacrônico o instituto da suspensão da execução da lei inconstitucional. não merecem acolhida. 60. dão como legítima a suposta mutação constitucional por entenderem que tanto o constituinte.

cit. IVO DANTAS porque. nos termos constitucionais (art.. qual seja. 24 35 36 RODRIGO BRANDÃO. efeitos ex-tunc ou ex-nunc? 36 No tocante aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade quanto ao tempo. “a criatividade judicial na atualização da Constituição restringe-se ao âmbito de livre conformação demarcado pelos limites semânticos do texto constitucional” 35 . se nos apresenta como inconstitucional. 168-178. 106. dentro da matéria da constitucionalidade". o caminho para transformar estes efeitos em efeitos erga-omnes. cit. ficou decidido que.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. só são portadoras de efeitos inter-partes. 1968. a ponto de GILMAR FERREIRA MENDES 38 observar que "embora não se possa negar que o conceito de inconstitucionalidade se afigura indissociável da idéia de sanção. em razão do tempo. a própria Constituição oferece o caminho. deverá este Tribunal proceder a edição de uma súmula vinculante. DR. o exercício de defesa da Constituição deve se pautar pelas regras estabelecidas pelo constituinte. é evidente que a redução da inconstitucionalidade à nulidade prepara obstáculos aparentemente intransponíveis no plano dogmático. 38 ob. 15. o Supremo Tribunal Federal é o órgão responsável pela uniformização da interpretação constitucional. na espécie. promovida pela Emenda Constitucional nº 45.417. e independentemente de atuação do Senado Federal. a edição de súmulas vinculantes. de 19 de dezembro de 2006). Em forma de síntese. p. p. lembra JOSÉ LUIZ DE ANHAIA MELLO em livro intitulado Da Separação de Poderes à Guarda da Constituição 37 que o tema "é dos pontos mais difíceis e complexos. Contudo. Com o advento da reforma do Judiciário. 103-A) e na legislação infraconstitucional (lei 11. visto que aquela não poderá acontecer contra expressa disposição da Constituição. Também aqui lançaremos mão do nosso texto. ou seja. p. Passemos ao segundo problema aventado. ob. 279. mediante a denominada Mutação Constitucional. Entretanto. se o Supremo Tribunal Federal desejar empregar efeitos gerais às decisões proferidas em sede de controle difuso. . A solução trazida ao caso. podemos dizer que. de fato. a suspensão da lei pelo Senado gerará. e neste sentido as regras são claras: decisões proferidas pelo STF em sede de controle incidental de constitucionalidade. p. 37 São Paulo: Editora RT. escrito no livro O Valor da Constituição.

p. IVO DANTAS Nem se há de pretender que tal relação seja apreciada. DR. em seguida. O certo é que os segundos podem ser sanados ou ratificados. anuláveis ou inexistentes? Objetivando maior clareza de raciocínio. são Atos Inexistentes (alguns autores os equiparam aos nulos) aqueles que "carecem de algum elemento constitutivo. a sua eficácia. Por fim. através de processos que variam segundo a natureza da matéria disciplinada". tornando-os inaptos a produzir os efeitos que normalmente lhes deveriam corresponder. por padecerem de um vício insanável que os compromete irremediavelmente. dada a preterição ou a violação de exigências que a lei declara essenciais". enquanto que por Atos Anuláveis devem-se entender como sendo "os que se constituem em desobediência a certos requisitos legais que não atingem a substância do Ato. discutirmos as suas conseqüências ou efeitos. Os próprios sistemas de controle de constitucionalidade fornecem elementos para uma aferição diferenciada da invalidade de lei inconstitucional. são 25 39 São Paulo: José Bushatsky Editor. indaga-se: reconhecida a inconstitucionalidade. O simples cotejo das diferentes fórmulas dogmáticas adotadas pelos ordenamentos constitucionais de diversos países está a indicar que a nulidade não é uma conseqüência lógica da inconstitucionalidade" . à luz de pressupostos teóricos e deduções lógicas.conclui. enquanto que os anuláveis padecem de nulidade relativa. 235-236. exclusivamente. Daí dizer-se. e ainda para REALE. HANS KELSEN e GILMAR MENDES. ainda in fieri. partamos dos conceitos destes três tipos de atos para. que os atos nulos são eivados de nulidade absoluta. serão nulos. 39 . mas sim. os atos ocorridos na vigência da Lei e agora atingidos pela declaração. .NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. com terminologia a ser empregada com o devido critério. Apesar das observações feitas por RUI BARBOSA. permanecendo juridicamente embrionário. devendo ser declarada a sua não significação jurídica se alguém o invocar como base de sua pretensão". Para MIGUEL REALE em suas Lições Preliminares de Direito Atos Nulos os que "carecem de validade formal ou vigência.

a decisão será declarativa. 54. FERNANDO WHITAKER DA CUNHA. DR. p. os efeitos da inconstitucionalidade serão ex nunc ou pro futuro. ao contrário. IVO DANTAS A utilização dos conceitos acima. Discutidos os conceitos acima.efeitos ex tunc. É como se nunca tivesse existido a lei (ou ato). A propósito. quer quanto ao aspecto formal. tem o apoio. p 109-110. ao lado da natureza da decisão que reconhece a inconstitucionalidade . identifica-se uma natureza de ato anulável e a decisão tem em si um conteúdo constitutivo. ou a data em que a lei ou ato objeto da decisão entra em vigor? A matéria oferece diferentes implicações e consequências quando a decisão incidental é proferida pelo STF. não o é. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (CF. Se. art. apresentemos a questão com outras palavras: qual o instante a ser atingido pela Declaração de Inconstitucionalidade na Ação Direta? A data da declaração de inconstitucionalidade. em virtude da competência atribuída ao Senado Federal para "suspender a execução. de fato ou na realidade. X). citado por RONALDO POLETTI no livro Controle da Constitucionalidade das Leis 41: "Um ato ou uma lei inconstitucional é ato ou uma lei inexistente. no todo ou em parte. FRANCISCO CAMPOS. . escrevia FRANCISCO CAMPOS. 52. 26 40 41 Madrid. enquanto que nos Estados Unidos da América do Norte a ela se filia JAMES BRYCE no clássico estudo El Gobierno de los Estados Unidos en la Republica Norteamericana 40. O ato ou lei inconstitucional nenhum efeito produz. pois que inexiste de direito ou é para o direito como se nunca houvesse existido". no Brasil. por lhe faltar o elemento constitutivo a que denominamos de adequabilidade ou obediência à Constituição. uma lei inconstitucional é lei apenas aparentemente. 1985. pois que. todos entendendo que a lei ou ato declarados inconstitucionais não poderão servir de base a direito de espécie alguma.declaratória ou constitutiva – irão determinar os efeitos que decorrerão da própria decisão.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. A primeira destas posições. de CARLOS MAXIMILIANO. Rio de Janeiro: Editora Forense. quer quanto ao aspecto material. identificando a natureza de ato inexistente. com efeitos retroativos à data em que se deu a elaboração da Lei . dentre outros. Assim.

Após lembrar. quando examinada a lei em tese. Aqui. seus efeitos se estendem erga omnes. inexistente a lei (por ser inconstitucional). IVO DANTAS Se. a sentença que declara a inconstitucionalidade reconhece uma nulidade preexistente. cit. Faz-se a coisa julgada. a lei é válida e. reconhecendo que a eficácia constitutiva da sentença se inconstitucionalidade opera para o futuro (ex nunc)" 43. a partir do momento de elaboração da norma. como o faz CAPELLETTI. inexistentes seus efeitos. O ato contestado é como se não tivesse existido e tudo voltará ao status quo ante. a sentença valerá como lei para aqueles que participaram da relação processual (efeitos inter partes). ao invés. vale dizer. Retornam às partes à situação originária. que existem dois sistemas (o norte-americano e o austríaco). . já que sendo a lei nula ab initio. mesmo sob a forma incidental. já que ocorre desde o início. Na hipótese em que a decisão. No sistema austríaco. àquele quadro existente quando do início de vigência da lei invocada como fundamento do pedido não apreciado ou não aceito pela decisão. embora ainda se trate de julgamento incidental. p. DR. 1990. apresentando tal sistema um caráter meramente declaratório. portanto. ou seja. foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal. isto é. já que o que se discute é se estes se limitam ao futuro (ex nunc) ou se operam retroativamente (ex tunc)".NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. a decisão foi proferida pelo juiz de primeiro grau (que não aplicou a lei) ou por Tribunal de segundo grau e se não houve recurso extraordinário ao órgão máximo do Poder Judiciário e a decisão incidental transitou em julgado. Editora RT. enquanto não houver pronunciamento neste sentido. recorda a autora que pelo primeiro (americano). a situação é outra. 135-136. já que. não pode gerar efeitos. a eficácia da sentença declaratória opera retroativamente. mas sim a sua anulabilidade. 134. p. Em Inconstitucionalidade 42 monografia intitulada Efeitos da Declaração de REGINA MARIA MACEDO NERY FERRARI escreve que "a eficácia no tempo da decisão que decreta a inconstitucionalidade adquire importância ímpar no caso da via de ação direta. ob. "a norma contrária à norma superior é tida como sendo absolutamente nula. 27 42 43 São Paulo: 2ª edição. obrigatória. a Corte Constitucional não declara a nulidade da lei.

p. edição. 49. fronteira. assim. de limen. o vocábulo pertence à família do termo limes. Ação Cautelar. . produzindo. São Paulo: 2ª. se protraem.1994. o direito do impetrante no Mandado de Segurança. fundado no poder discricionário do Juiz. Ação Popular. 46 Aspectos Fundamentais das Medidas Liminares em Mandado de Segurança.12. visto que a Lei viciada é Lei Nula ou Inexistente e. edição. soleira. 1993. não criam direitos nem deveres. IVO DANTAS Em nosso entendimento.As Garantias Ativas dos Direitos Coletivos. em mira da qual estará um ato ou omissão capaz de baldar o pronunciamento judicial definitivo que se reconheça. correria o risco de tornar-se inócua. efeitos ex tunc e ex nunc. Derivada do latim liminares. que deu nova redação ao art. 20. Editora RT. Rio de Janeiro: 3a. pelo que os efeitos retroagem e. do Requerente na Medida Cautelar (Ação Cautelar) ou do Autor na Ação Popular e na Ação Civil Pública” 47 . enquanto que R. 47 É necessário não confundir a Liminar com a Tutela Antecipada introduzida no sistema processual brasileiro pela Lei n 8. porta. e não aquela em que se proferiu a sentença de inconstitucionalidade. Para OTHON J. a final. Mandado de Segurança. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Editora Forense. linde. Ação Civil Pública. a Liminar é. Antes de concluirmos. sem dúvida. entrada. REIS FRIEDE 46. significando limiar. “Habeas Corpus”. vejamos o que acontece com a Liminar e os seus efeitos. No caso de Ação Direta de Inconstitucionalidade os efeitos temporais da concessão de Liminar não oferece maiores problemas doutrinários nem 28 44 Cf. escreve que “a medida liminar pode ser conceituada como o provimento administrativo cautelar. 1989. 230. evidentemente. segundo a Nova Constituição. limitis. p. no sentido de fazer efetiva uma posterior decisão que. contudo. BETINA RIZZATO LARA. Mandado de Injunção. na mesma linha. SIDOU 45. 273 do Código de Processo Civil. a situação a ser atingida pela inconstitucionalidade é aquela referente ao momento em que a norma entrou em vigor. p. se a lei é nula (para alguns é inexistente). Liminares no Processo Civil. limite 44 . portanto. 45 “Habeas Data”. DR. um dos instrumentos postos à disposição daqueles que recorrem ao Poder Judiciário. 1994. não amparada por aquela.952. não se condiciona a requerimento da parte e só é tomada no exclusivo intuito de garantir a inteireza da sentença”. de 13. Ação Popular .NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. “a liminar é medida administrativa de juízo. admitido sempre que se destaquem relevantes e urgentes os fundamentos do pedido. M.

NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 18.4. 6. “em geral. p.107. do artigo 17 da Lei 7. e do artigo 2º. mas com repercussão para o futuro. Ocorrência. Neste sentido. Min. dá-se eficácia ex tunc à liminar”. II. 21. todos da Lei 8. editados pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região". do artigo 10 da Lei 7. o acesso. 15. porém. . III. se. "ou ascenção" e "ou ascender" do artigo 17. § único. "ex nunc". e do inciso IV do artigo 33. 1993. 3. 13. e das expressões "ascenção e acesso" do artigo 10. no caso. de 1990. pelo que não há nada a ser acrescentado quanto à matéria. visto que. a eficácia do artigo 4º da Lei 7. a norma impugnada é das que produzem efeito instantâneo (como a que desconstitui situações pretéritas). ambos de 1992. Cong. Pedido liminar deferido. Rel.112.3. Ementa: "Ação Direta de Inconstitucionalidade. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Nacional e TRF 2ª região. Dispositivos impugnados por admitirem a ascenção. "a" da Resolução nº 14. de relevância jurídica e de conveniência da suspensão de eficácia requerida. a eficácia suspensiva dessa medida cautelar é ex nunc. 19 e 20 do ato Regulamentar nº 1.727. MOREIRA ALVES 49 : Requerente: Procurador-Geral da República.746. p. de 1988. e da Lei nº 7. IVO DANTAS jurisprudenciais. a progressão ou o aproveitamento como formas de provimento de cargos públicos.Medida Liminar . O posicionamento adotado na decisão referida tem sido . suspendendo-se. DR. Requeridos: Presidente da República. Coord. do Min. 49 Diário da Justiça. de 1989. 16. de 1989. de 1989. Saraiva. veja-se a ADIN 037-A . "acesso e ascenção" do artigo 13.719.como se disse . como escreve JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA no estudo A Evolução do Controle da Constitucionalidade no Brasil 48. § 4º. bem como dos artigos 3º.pacífico no Supremo Tribunal Federal.1993.UF: DF.919. 17. dos artigos 8º. Constitucionalidade A EC 45/2004 e as influências no Controle de 29 48 In As Garantias do Cidadão na Justiça.

como. portanto. Tem. a „inteireza positiva‟. p.prossegue – sempre foi manifestado como recurso propriamente dito (interposto. cuja admissão. Buenos Aires. de 08. o recurso especial. como regra geral. Agravos e Agravo Interno 50) escreve que “os recursos. aquele destinado precipuamente à tutela das normas constitucionais nos casos de „repercussão geral‟. Depalma. 30 50 4ª edição atualizada. ATHOS GUSMÃO CARNEIRO (Recurso Especial. assim. III)”. 2-3. todavia.e recurso especial – Resp. como bem observou Enrique Vescovi (Los recursos judiciales y demás medios impugnativos en Iberoamerica. g. o recurso extraordinário previsto no sistema constitucional anterior foi desdobrado em recurso extraordinário „stricto sensu‟ – RE . inclusive em conformidade com a Emenda Constitucional nº 45. no mesmo processo) e fundado imediatamente no interesse de ordem pública em ver prevalecer a autoridade e a exata aplicação da Constituição da Constituição e da lei federal. a „validade‟ e a „uniformidade de interpretação‟”. 102. e com julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (CF. liga-se à existência de uma questão federal constitucional ou infraconstitucional. como referiu Pontes de Miranda. em determinados casos exigindo-se um plus. dentre as quais. é de se destacar aquelas referentes aos Recursos Constitucionais. O recurso extraordinário. 2005. . v. Rio de Janeiro: Editora Forense. 1988).2004. O interesse privado do litigante funciona. IVO DANTAS A Emenda Constitucional 45/2004 trouxe ao sistema constitucional brasileiro uma série de inovações e modificações. art. no direito „brasileiro‟. Adiante. 105.. este. apenas mediatamente visa a tutela do interesse do litigante. poder-se-á dizer que os recursos comuns respondem imediatamente ao interesse do litigante vencido em ver reformada a decisão que o desfavoreceu. à defesa da ordem jurídica no plano do direito federal. mais como móvel e estímulo para a interposição do recurso extremo.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. podem ser classificados em recursos comuns e recursos extraordinários. um caráter político. . como sabido. a existência de voto divergente como pressuposto ao cabimento de embargos infringentes do julgado oponíveis contra acórdão. com julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (CF. Sem maior análise doutrinária. prossegue ATHOS GUSMÃO CARNEIRO afirmando: “Com a promulgação da vigente Constituição Federal. III). pois. voltado à tutela da lei (ou tratado) federal. a „autoridade‟. Analisando a questão recursal. fundamental para a admissão do recurso é apenas o fato da sucumbência. então. DR. -. assegurando-lhe.12.

evidentemente que por determinação constitucional. de ampliação da competência da Corte. a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso. III. por sua vez. todas as questões que serão analisadas a seguir. no sentido de que. O texto trazido à colação. § 3º. e na linha do que vem ocorrendo desde a EC 3/93 (criação da ADC e da ADPF). o acesso àquele pretório. 132. Neste caso. 4ª edição revista e atualizada. solidificou tendência em sentido contrário. 2005. p. encontra-se na Câmara dos Deputados para ser apreciada. estabelece que „no recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso. d. sendo que a outra parte (PEC 29-A). isto é. leciona JOSÉ MIGUEL GARCIA MEDINA 52: “A Emenda Constitucional n. Apesar desta constatação não se pode esquecer que „soluções processuais‟ estão sendo buscadas pelo próprio colegiado.12. na data em que escrevemos este texto. Manteve-se. 52 O Prequestionamento nos Recursos Extraordinário e Especial e outras questões relativas a sua admissibilidade e ao seu procedimento. sem abrir mão de seus poderes. a regra de que o recurso extraordinário é cabível quando houver. precisará o recorrente demonstrar que o tema constitucional discutido no recurso extraordinário tem uma relevância que transcende aquele caso concreto. como ocorria antes da referida reforma. 45/2004. e 105. e recurso especial se se tratar de questão federal. DR. O art. III. a questão constitucional deverá ser qualificada pela característica indicada no art. São Paulo: Editora RT. ou seja. Assim. revestindo-se de interesse geral. A propósito.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. III. 102. somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros‟. 51 31 Na verdade. a EC 45/2004 é fruto da cisão da PEC nº 29/2000. limitem-se. ao invés de marchar no sentido de desafogar o número de processos que são submetidos ao STF. decorrência do se verifica na nova alínea (d) acrescida ao art. nos termos da lei. 45. de 08. da Constituição Federal. e não questão federal. b. no entanto. se está diante de questão constitucional complexa indireta. apesar de longo. consoante se analisará de modo mais aprofundado adiante. 102. leva-nos à conclusão que. 102. 102. que. a questão relativa à validade de lei local contestada em face de lei federal passa a ser considerada questão constitucional. em linhas gerais. desse modo. questão constitucional. em síntese. questão relacionada a tema de direito federal infraconstitucional. na decisão recorrida. para a admissibilidade do recurso extraordinário. Pode-se dizer. entretanto. de certa forma. teve a intenção e a vantagem de levantar. Segundo a nova redação dos arts. § 3º da Constituição Federal”. . IVO DANTAS Uma simples leitura do texto da EC 45/2004 51 . de acordo com a EC n.2004 alterou significativamente as hipóteses de cabimento dos recursos extraordinário e especial.

170-200).). 55 A bibliografia a seguir. 1943. São Paulo: Leud. a propósito. São Paulo: Editora RT. São Paulo: Editora Saraiva. atualizada e ampliada. Recurso Especial e Extraordinário. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. 1984.2006. IVO DANTAS quando. p. Recursos da Nova Constituição. escreve que “a necessidade de uma instância de superposição com autoridade constitucional para cassar os julgados tresmalhados da observância da lei e imprimir à jurisprudência uma direção uniforme não é peculiar aos regimes federativos. o qual. Teoria e Prática do Recurso Extraordinário Cível. 1997. mesmo anterior à EC 45/2004. tem sofrido diversas configurações. atualmente. ao longo de nossa História. se diga desde logo. 1988. III. embora tenha nestes maior alcance e significação.417 (Súmula Vinculante) e em capítulo próprio. Analisando-o. 2010). . São Paulo: Editora RT. 1991. SAMUEL MONTEIRO. SAMUEL MONTEIRO. sendo a principal delas. à EC nº 7/77. 1977. São Paulo: Editora RT. São Paulo: Saraiva. 1997. 2ª edição. 56 Rio de Janeiro: Edição Revista Forense. serve para esclarecer diversos pontos relacionados ao instituto: RAUL ARMANDO MENDES. 3. Recursos Constitucionais. Da Interposição do Recurso Extraordinário. TERESA ARRUDA ALVIM WAMBIER (Coord. d da Constituição Federal: o Recurso Extraordinário 53 Em última análise. STF.418. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA (Coord. tratada de forma separada em capítulo próprio no nosso livro O Novo Processo Constitucional Brasileiro (Curitiba: Editora Juruá. 1963. São Paulo: Hemus Editora. Do Recurso Extraordinário no Direito Processual Brasileiro. Ambas as leis são de 19.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. São Paulo: Editora RT. ULDERICO PIRES DOS SANTOS. principalmente.). 102. MARIA STELLA VILLELA SOUTO LOPES RODRIGUES. Aspectos Polêmicos e Atuais do Recurso Especial e do Recurso Extraordinário. 54 Veja-se. teremos que recorrer à História de nosso constitucionalismo. tem como único caminho para chegar ao . Recurso Extraordinário e Argüição de Relevância. Repercussão Geral no Recurso Extraordinário – Lei nº 11. Razão de ser do recurso extraordinário). porque da partilha de 53 32 O Recurso Extraordinário traz várias questões a serem debatidas. CASTRO NUNES em seu clássico livro Teoria e Prática do Poder Judiciário 56 quando em capítulo intitulado Do Recurso Extraordinário (1. 309-310.12. o denominado Recurso Extraordinário desde sua introdução com a Proclamação da República. IRINEU ANTÔNIO PEDROTTI. 3ª edição. p. as considerações que são feitas por ARRUDA ALVIM em seu Manual de Direito Processual Civil – Volume 1 – Parte Geral (9ª edição revista. O art. o 54 Controle 55 Incidental ou Difuso da Constitucionalidade no sistema brasileiro . a questão da Repercussão Geral. 2005. 1992. JOSÉ AFONSO DA SILVA.4. Rio de Janeiro: Editora Forense. 1991. DR. Veja-se neste capítulo comentário sobre a lei nº 11. para melhor tentarmos entender o conteúdo da qualificativa “repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso”. São Paulo: Hemus Editora.

enfraquecer as garantias que ela proporciona às liberdades individuais. V (arts. levando à possibilidade de colisões que. No atual regime. EPITÁCIO PESSOA. 577-628. bem como OSMAR MENDES PAIXÃO . apontando as diferenças entre o nosso Recurso Extraordinário.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. pois ultrapassaria em muito os limites de nossos objetivos 58. 476 a 565). ou seja.869. p. 33 57 Ob. que encontra na unidade do direito um dos seus mais sólidos esteios‟. reduzidas a letra morta a Constituição e as leis federais e comprometida a segurança dos direitos. A essa consideração superior cede o princípio da autonomia estadual. a unificação judiciária no plano estadual. de 11 de janeiro de 1973) – Vol. o recurso de cassação (pouvoir de cassation). a eficácia e a unidade do direito federal. então ministro do Supremo Tribunal: „Reconhecida a soberania da União e proclamada a obrigatoriedade das leis federais em todo o território da República. a preponderância acusada dos fins nacionais no arranjo federativo. ficariam sem remédio. mas que não retira a atualidade da lição. DR. cit. na esfera judiciária. prevalece este último princípio. p. IVO DANTAS poderes entre a União e os Estados resulta um problema que nos Estados unitários não existe. 12ª edição revista e atualizada (inclusive de acordo com o novo Código Civil e com a Emenda Constitucional nº 45). Do Recurso Extraordinário no Direito Processual Brasileiro (São Paulo: Editora RT. a dilatação da esfera legislativa da União assinam ao recurso extraordinário um sentido político ainda mais expressivo e uma compreensão muito mais vasta do que sob as anteriores Constituições” 57. 3-114). Rio de Janeiro: Editora Forense. entre a autoridade judicante dos Estados e a necessidade de preservar a autoridade. 310. consultem-se: JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA. Ninguém o disse melhor. 1963. JOSÉ AFONSO DA SILVA. com a revista e com a ação rescisória. que tem no recurso extraordinário o instrumento adequado àqueles fins e exterioriza. Comentários ao Código de Processo Civil (Lei nº 5. Conferir às justiças independentes de 21 Estados autônomos o direito de julgar sem recurso da validade ou aplicabilidade dos atos do Poder Legislativo da Nação seria lançar a maior confusão e obscuridade na legislação. 2005. 58 Sobre os aspectos históricos e os modelos estrangeiros. forçoso é colocar essas leis sob a proteção de um tribunal federal que lhes possa restabelecer a supremacia quando desconhecida ou atacada pela magistratura dos Estados. 1943. perturbar as relações que ela regula e por último quebrar a unidade nacional. Aconselhamos a leitura de todo o capítulo de CASTRO NUNES. do que o eminente sr. Vale lembrar a data da edição do livro. entre nós. a supremacia da União no mecanismo federativo. sem aquele controle supremo. Na colisão entre um e outro. até porque ele faz incursões pelo Direito Estrangeiro e Recursos Similares. A análise da evolução histórica do Recurso Extraordinário em nosso sistema. a paz social e a existência mesma da União. p. não é possível ser examinada em sua inteireza neste trabalho. o da legislação e jurisdição separadas. a redução do federalismo.

n. Traduziu-se. vejamo-lo na vigente Constituição Federal de 1988. Teoria. Observação feita pelo autor no seu texto. também. em pé de página. sem se envolver diretamente na questão privada ou no interesse das partes litigantes”. um recurso que. nos seguintes termos: 59 “Proclamada a República brasileira e instituída. Deixando de lado a História do Recurso Extraordinário. quase literalmente. na tradição do Direito nacional. 2ª edição totalmente revista. ao velho writ of error do Direito anglo-americano 60. houve necessidade de dar à União um meio de manter a autoridade do Direito federal. Rio de Janeiro: Editora Renovar. aumentada e atualizada. como sempre acontece. criado no art. Mas. mas não se podia transplantar uma tradição jurisprudencial e doutrinária que. competia conceder ou denegar revistas nas causas e pela maneira que a lei determinasse 61. as disposições do Judiciary act e leis posteriores. o Recurso Extraordinário. Recurso Extraordinário – Origem e Desenvolvimento no Direito Brasileiro (Rio de Janeiro: Editora Forense. de seu preceito abstrato. 2005. 102. . p. a forma de Estado Federal. na época. Ora. para a Federação americana. ante possíveis erros das justiças estaduais (então instituídas) na aplicação daquele Direito. veja-se nosso livro Direito Constitucional Comparado – vol. com os seguintes termos: 34 CÔRTES. trazemos à colação o ensinamento de JOSÉ AFONSO DA SILVA sobre os primeiros instantes do instituto. 62 Sobre Recepção Legislativa ou Circulação de Modelos. que regulavam o instituto. entre nós. aqui. 60 Vale lembrar que todo o nosso modelo constitucional de 1891 foi diretamente influenciado pelo modelo americano. na América do Norte. DR. que a Constituição Política do Império acolhera no seu art. Transplantou-se o recurso. 61 Ver Regulamento 737 de 1850. graças às concepções de RUI BARBOSA. o que certamente não ocorreria se proviesse de uma evolução da revista” 62. 2005). Recorreu-se. sem precisar recorrer ao Direito Americano. ao Supremo Tribunal de Justiça. devidamente adaptado às necessidades da Federação. 59 Ob. VI.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. e que se destinava “à defesa da lei em tese e ao respeito do seu império. arts. cap. até certo ponto. 164. lhe dera base segura e aprimorada. cit. então. por todos. Já tínhamos. 1. 665 e 667. o recurso sofreu. poderia transformar-se no atual Recurso Extraordinário. indefinido. portanto. 163. quando estipulou que. 29-30. Desprezou-se o recurso de revista do Direito luso-brasileiro. É compreensível que se tenha de lá tirado. E. as instituições americanas constituíram-se em modelo para as brasileiras. IVO DANTAS Assim. os azares da incompreensão. em seu art. Metodologia. com a redação dada pela EC 45/2004. I – Teoria do Direito Comparado. é essa também a destinação do Writ of error e do nosso Recurso Extraordinário. quando se adota técnica existente em sistema cultural diferente. Introdução.

35 63 64 Itálico nosso.com. .jus. a guarda da Constituição. 102. cabe recurso especial.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Jan. via recurso extraordinário. (. (. que não sofreu alteração) ou também da irresignação advinda de decisum que julgou válida lei local em face de lei federal (art..br/doutrina/texto. ao STJ. 30 dez. de 8. IVO DANTAS “Art.2004.asp?id=6137..afirma FLÁVIO CORRÊA TIBÚRCIO 65 que “a EC 45/2004 (. III. DR. cabendo-lhe: I– II – III – julgar. do inconformismo surgido em face de decisão que julgou válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição Federal (art. c) – julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. Teresina.. Na linha do que se disse acima – amplitude da competência do STF e redução da competência do STJ .) Nesses casos em que a decisão local funda-se em ato de governo local contestado em face de lei federal. Disponível em http://www1. se se trata de ´ato de governo local´ em contraposição a lei federal. dá-se o que a doutrina convencional chama de „contencioso constitucional”. c da CF/88. 102. precipuamente.) faz novo agrupamento das hipóteses de cabimento. 2005. 9.) Doravante. III. c).2004 e publicada no DOU em 31. III. as causas decididas em única ou última instância. acrescido pela EC 45/2004). Acesso em: 11. 102 – Compete ao Supremo Tribunal Federal. mediante recurso extraordinário.. Itálico nosso.julgar válida lei local contestada em face de lei federal 64. Alínea acrescentada pela EC 45/2004.. Negrito e itálicos no original. a. situação mantida na competência do STJ. Jus Navigandi. quando a decisão recorrida 63: a) – contrariar dispositivo desta Constituição. passando a cometer àquele a apreciação e o julgamento. III. 2004. n. 102. Observe-se que a contraposição à lei federal só será analisada pelo STF se a contrariedade advier de decisão cuja fundamentação está baseada em lei local. b).art. 541. não se admitindo o recurso extraordinário quando a preterição for fulcrada em ato de governo local.12. se o que se confronta com a Constituição ou com lei federal é „lei local‟. 65 A Reforma do Judiciário e o novo Recurso Extraordinário.. a competência para julgamento é do STF. b) – declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. d) .. d. mediante recurso extraordinário (lembre-se que o „ato de governo local‟ contestado em face da Constituição continua a autorizar recurso extraordinário .12.

nosso. ressalvada evidentemente sua competência originária. Preservou-se para o Superior Tribunal de Justiça apenas ato de governo local que não seja de caráter legislativo” 67. Ponto que foi objeto de inúmeros debates por parte de doutrinadores nacionais. os direitos trabalhista. porque. 58. referindo-se 36 66 67 São Paulo: Editora Saraiva. p. 45/2004 exatamente à alínea d. Não obstante isso. outro ato local em face da mesma lei federal dará ensejo ao recurso especial”. Ob. ensejo à interposição de recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça (antigo art.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. cit. 45/2004. valendo lembrar que. 2005. portanto. portanto. que é a de desafogar o Supremo Tribunal Federal. até mesmo contrariando a idéia motora da reforma. que se veja o tratamento dado à matéria. entregou-se ao recurso especial a função de preservar a lei federal. quando se tratar de lei local em face de lei federal. que competia ao Supremo Tribunal Federal funcionar como guardião maior da Constituição Federal e encarregou o Superior Tribunal de Justiça da função de ser o órgão máximo da Justiça brasileira quando o tema fosse o direito infraconstitucional federal não especial (excluídos. no difuso. III. A alteração trazida com a Emenda n. p. 105. 102. Em seguida. IVO DANTAS ZÉLIO MARIA DA ROCHA (A Reforma do Judiciário – Uma avaliação jurídica e política. III. que tem fundamentos diversos. Comentários à Emenda Constitucional n. foi um retrocesso injustificável. tal se dará por meio da Súmula Vinculante. em ordem cronológica: 66 ). Altamente questionável a bipartição feita pela emenda. afirma: “A Constituição especificou. de forma clara. b). a alteração foi feita. diz respeito ao efeito vinculante proferido nas decisões de Controle Concentrado. eleitoral e militar). Oportuno. Itálico do texto final. escreve que “esse fundamento para o recurso extraordinário dava. Com a criação do Superior Tribunal de Justiça. e agora ao Supremo Tribunal Federal compete a preservação da Constituição Federal e da lei federal quando houver discussão devido a lei local. segundo entendo. DR. art. na redação original da Constituição. e ao recurso extraordinário restou apenas o debate de índole constitucional. . poderá ser aviado o recurso extraordinário. 57-58.

nas esferas federal. tudo com base na EC 45/2004. esta se nos apresenta como uma das mais polêmicas inovações. o poder concentrador do Supremo Tribunal Federal no tocante ao julgamento das Ações de Controle Concentrado. Da Repercussão Geral. determinou que “as decisões definitivas de mérito. na redação dada pelas Emendas Regimentais nºs 21. produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. 3. enquanto que.418/2006). diz respeito.5. que doravante será objeto de breves análises. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. em nosso entender. exatamente. só a Ação Declaratória de Constitucionalidade era portadora de eficácia contra todos e efeito vinculante. 102 § 3º da EC 45/2004 da CF e a Lei nº 11. IVO DANTAS a) – pelo art. 102 § 2º. 28 parágrafo único) estendeu tais efeitos à ADIN .a Lei nº 9. estadual e municipal”. 22. Na redação dada pela EC 45/2004. por outro lado. e mesmo que se leve em conta os precedentes do instituto da Repercussão Geral. 28. b) . relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. aumentouse e em muito. c) – a EC 45/2004 ao art. 543-A e 543-B (acrescentados ao CPC pela Lei nº 11.868/99.2007). parágrafo único da Lei nº 9. ao conceito de repercussão geral que a referida EC conferiu ao Congresso Nacional a incumbência de conceituá-la através de lei. 103 § 2º.11. . DR. arts.418/06 37 Não há dúvidas que no novo processo constitucional brasileiro.868/99 (art. não poderia têlo feito.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. na redação dada pela EC nº 3/93. A repercussão geral no Recurso Extraordinário prevista no art. Regimento Interno do STF. 23 e 24 bem como pela Portaria nº 177 (26. Com este alargamento propiciado pela EC 45/2004 afastou-se qualquer possibilidade de dúvidas quanto à inconstitucionalidade de que era portador o art.ação direta de inconstitucionalidade o que. cremos que o ponto capital sobre o Recurso Extraordinário.

“O Supremo Tribunal Federal.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 543-A § 1º. 328 e 329. Parágrafo único – Para efeito da repercussão geral. exatamente. . no § 1º do mesmo artigo se lê: “Para efeito da repercussão geral. foi aprovada a Lei nº 11.br existe um levantamento das matérias que o Supremo Tribunal Federal considera como portadora de Repercussão Geral. todo Recurso Extraordinário tem a ‘presunção’ da repercussão geral das questões constitucionais discutidas no 68 No site www. que ultrapassem os interesses subjetivos da causa”. 321. social ou jurídico. político. social ou jurídico. e revoga o disposto no parágrafo 5º do art. 543-A e 543-B.12.stf. Neste emaranhado legislativo.2006) que acrescentou à Lei n 5. de acordo com o caput do art. todos do Regimento interno”. inciso V. relevantes do ponto de vista econômico. ou seja. em decisão irrecorrível. político. 324. nos termos deste capítulo. 327. de questões que. quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral. alínea c. os arts. atingindo interesses que vão além daqueles que pertencem às partes da relação processual. sendo necessário que esta matéria traga uma abrangência larga. como. será considerada a existência. o que se deve ler no art. ultrapassem os interesses subjetivos das partes” 68. 322. na Emenda Regimental nº 21. IVO DANTAS Para tal.869. Por sua vez. saúde. Isto é o que. será considerada a existência. nos termos deste artigo”. Assim. de 30 de abril de 2007 que alterou “a redação dos artigos 13. Assim. em princípio. 326. 21. parágrafo 1º. Logo em seguida. ou não. Pode-se mesmo dizer que há uma necessidade de que tais matérias sejam consideradas levando-se em conta os princípios constitucionais que se referem diretamente ao todo social. liberdade. vida. de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil. 322 (RISTF): “O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão o 38 constitucional não oferecer repercussão geral. ou não. não conhecerá do recurso extraordinário. que ultrapassem os interesses subjetivos da causa”. em sua parte final: “questões relevantes do ponto de vista econômico. prescreve a nova redação do art. 323. DR. 325. social ou jurídico. de questões relevantes do ponto de vista econômico. político. patrimônio.418 (19. um ponto no conceito de repercussão geral há de ser destacado. 543-A. Observa-se que não basta ser matéria constitucional.gov. por exemplo.

Com efeito. o Regimento Interno do STF ajuda a compreender o instituto em seu formato atual. Entenda-se por tribunal. Em princípio. A irrelevância somente será reconhecida se neste sentido se manifestarem dois terços dos ministros (são necessários. Ademais. 327 a 329. p. 57. . oito votos para a configuração da irrelevância). força de lei – disciplinou a argüição de relevância em seus arts. uma presunção de relevância em favor do recorrente”. 102 § 3º. observa que “o Regimento Interno do STF – que tinha sob a Constituição de 1967. trata-se de uma argüição de „irrelevância‟. E prossegue afirmando 70: “o aspecto mais curioso da atual argüição de relevância é que ela foi concebida do avesso. 70 Artigo citado. Isso porque o texto constitucional originário de 1988 não previa a argüição de relevância (o Regimento Interno do STF não foi. nº 7 – JanFev-Mar de 2005. de acordo com o art. p. será útil na elaboração da lei reclamada pelo novo § 3º do art. Vale destacar: ainda que o recorrente tenha o dever de „demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso. presume-se a relevância.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 102 da Constituição de 1988”. Há. 2005. recepcionado no particular) e porque os arts. Em virtude dessa presunção. competindo apenas ao STF examinar a admissão do recurso. 97. Em artigo intitulado Argüição de (Ir)relevância na Reforma do Poder Judiciário 69. Tais dispositivos não estão mais vigentes. 96. mas o órgão competente para o julgamento 69 39 71 . destacando a expressão “nos termos da lei” contida no atual art. (daí não caber ao Tribunal a quo discuti-la). presume-se a repercussão geral. 71 A Reforma do Judiciário pela Emenda Constitucional nº 45. DR. assim. o juízo de admissibilidade de que cuida o parágrafo dependerá da manifestação de dois terços dos membros do tribunal. o STF somente não conhecerá do recurso se acaso dois terços dos seus ministros julgar não haver relevância na matéria. Deste quorum de 8 Ministros discorda SÉRGIO BERMUDES doutrinar que “tal como manifestada no parágrafo. parece. JOSÉ LEVI MELLO DO AMARAL JUNIOR. ao In Direito Público. 327 a 329 não foram expressamente repristinados (revigorados) pela Emenda nº 45. Ainda assim. de 2004. 102 § 3º da CF. no mínimo. portanto. p. Rio de Janeiro: Editora Forense. Brasília: Instituto Brasiliense de Direito Público. que somente poderá “recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros”. IVO DANTAS caso. não o plenário da Corte. tanto assim que se exige quorum qualificado para negála. ano II.

como se sabe e como o próprio vocábulo sugere. 97. nasceu como sendo fenômeno que dizia respeito à atividade das partes. TERESA ARRUDA ALVIM WAMBIER de Direito Estrangeiro. por exemplo. em essência. da Administração Pública. discutem ao longo do processo sobre a questão federal ou constitucional. será dele a competência para o juízo de admissibilidade. onde a referência ao órgão especial leva à conclusão de que a declaração de inconstitucionalidade dependerá do voto da maioria dos membros da Corte. Se este é o órgão competente para julgar o recurso.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. determina o art. 264-265. será de três ministros. De tudo o que foi dito. a exemplo do que ocorre. IVO DANTAS do recurso (no STF.418/2006: “Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por. A exemplo do que ocorria com o writ of error do direito americano. parecenos temerária a consagração de mais um conceito indeterminado no texto constitucional. se nela não houver órgão especial” 72. p. versando sobre a verdadeira compreensão do requisito prequestionamento é matéria que merece algumas palavras a seu respeito. 73 São Paulo: Editora RT. onde o terço. . 4 (quatro) votos ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário”. 2005. As partes é que „questionam‟. escreve que “a noção de prequestionamento. § 4º do CPC com a redação que lhe foi dada pela Lei 11. no mínimo. sobretudo face aos recursos abusivos. de estar explícita? De todas as questões. algumas questões devem ser resolvidas pela lei a que se refere o comando constitucional.Será um critério meramente quantitativo (leia-se matemático e estatístico) que irá definir a repercussão geral? Esta repercussão geral. com a questão do prequestionamento terá. DR. obrigatoriamente.O que será entendido por “demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso”? b) . A importância desta atividade das partes sempre foi uma constante na evolução do instituto. ressalvados os casos de remessa de recurso ao plenário). “repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso”. 543-A. Apesar de alguns aspectos positivos da medida. uma das duas turmas. a saber. Em livro intitulado Omissão Judicial e Embargos de Declaração. por aproximação. Note-se que o § 3º não usou da linguagem do art. a Constituição Federal de 1891 mencionava que o 72 40 73 tratando o tema. inclusive com valiosas lições A propósito. a saber: a) . principalmente. a última.

IVO DANTAS recurso extraordinário seria cabível quando se questionasse sobre a validade ou incidência de tratados ou leis federais. DR. 32 e segs). deve ser ajuizada de modo apropriado e assim mantida. a Suprema Corte nunca se desviou dessa interpretação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. No que pertine ao writ of error do direito norte-americano – prossegue WAMBIER -. A Corte Suprema e o Direito Constitucional Americano. assim. 2ª edição. Incorporou. o texto constitucional. segundo o autor citado. a referir-se ao direito argentino. que qualquer uma das questões enumeradas tenha surgido no Tribunal do Estado e aí foi rejeitada‟. embora nesses países o recurso extraordinário não constasse nas respectivas Constituições. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1991.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Stern. Vê-se. „força é conste nos autos. 1958. Estudos em Homenagem a José Carlos Barbosa Moreira (Rio de Janeiro: Forense. 1991. com relação ao recurso extraordinário. perante a Corte local. que. ou expressamente ou por manifestação clara e necessária.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Meios de Impugnação ao Julgado Civil. pois. concepção corrente no direito norte-americano e no direito argentino. Tal exigência existe. História do Supremo Tribunal Federal – Tomo I / 1891-1898 – Defesa das Liberdades Civis. a não ser para estabelecer a presunção de que a questão federal terá sido introduzida de modo adequado se a Corte Estadual a tiver resolvido. no direito norte-americano. Eugene Greesman e Stephen M. in ADROALDO FURTADO FABRÍCIO (Coord. Diz-nos: 74 Vale a leitura do trabalho de ADEMAR FERREIRA MACIEL. devendo ser realizada de modo a proporcionar à referida Corte oportunidade para se manifestar acerca da federal question”. para assegurar que a Corte do Estado tenha a plena oportunidade de resolver o caso dentro do seu território. de imediato. 1991. sobretudo. é de suma relevância. 1991. Restrição à Admissibilidade de Recursos na Suprema Corte dos Estados Unidos e no Supremo Tribunal Federal. e a decisão dos tribunais dos Estados fosse contra elas. Kenneth F. 2002. Rio de Janeiro: Editora Forense. . a norma que o instituiu era expressa no sentido de que a questão federal deveria ser inserida oportunamente e mantida até o julgamento. a atividade realizada pelas partes. Examinado o modelo americano 74 75 41 . História do Supremo Tribunal Federal – Tomo II / 1889-1910– Defesa do Federalismo. francamente inspirado na estrutura da Suprema Corte A propósito. História do Supremo Tribunal Federal – Tomo III / 1910-1926 – Doutrina Brasileira do Habeas-Corpus. consultem-se de LÊDA BOECHAT RODRIGUES as seguintes obras: A Corte de Warren (1953-1969) Revolução Constitucional. 2ª edição. para a admissão do writ of error. para que uma questão federal possa ser revista na Suprema Corte dos Estados Unidos. Consoante noticiam Robert L. De ressaltar-se é que o modelo constitucional dos Estados Unidos foi a grande fonte na qual RUI BARBOSA inspirou-se na elaboração de nossa Constituição de 1891. quanto ao modelo do Supremo Tribunal Federal. Shapiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. passa a autora. 2007. autor segundo o qual. História do Supremo Tribunal Federal – Tomo IV – Volume I / 1930-1963. Semelhantemente escreveu Cooley. Ripple ensina que.

BARRANCOS Y VEDIA. 75 42 De ressaltar-se é que o modelo constitucional dos Estados Unidos foi a grande fonte na qual RUI BARBOSA inspirou-se para a elaboração de nossa Constituição de 1891. 1952. s/d. 4 volumes. NESTOR PEDRO SAQÜES. Pero no por falta de base legal cierta deja de tener fundamento.101/2005. que é o prequestionamento (da questão federal. Derecho Procesal Constitucional. 10ª edição. figura correspondente ao prequestionamento realizado pelas partes. p 265-266. Buenos Aires: Editorial Universidad. JORGE REINALDO A. en consecuencia. GUASTAVINO. contudo. Control de Constitucionalidad. inclusive. decisión sobre la demanda´. que a questão federal ou constitucional surja na decisão recorrida. pela Emenda Constitucional 45/2004 e pela nova Lei de Falência nº 11. Buenos Aires: Editorial Universidad. é requisito para o cabimento do recurso extraordinário a existência de uma questão federal ou constitucional.. Buenos Aires: Librería Editora Platense . sino en toda actividad jurisdicional del Poder Judicial (. p. Recurso extraordinário de inconstitucionalidad. . no direito brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Lumen Júris. MORELLO. IVO DANTAS “Também naquele país a lei que instituiu o recurso refere-se expressamente à existência da questão federal controvertida. independentemente de provocação das partes. DR. que haya contienda y. Consoante expõe Rafael Bielsa. Al contrario.Abeledo Perrot. Cit. 1989. Segunda Edición Actualizada. 1992. Buenos Aires: Depalma. questão esta que deverá ter sido decidida pela instância recorrida” 76. Mais adiante. 2005. no caso. da questão constitucional. Tomos 1-2. Buenos Aires: Ediciones La Rocca.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. no caso do recurso especial. Buenos Aires: Editorial Astrea. Lo relativo ao planteamiento no ha sido matéria de ley. Alude-se. sino de jurisprudência. 1984. FERNANDO N. Derecho Procesal Constitucional. 1984. quanto ao modelo do Supremo Tribunal Federal. em regra decorrente de controvérsia surgida entre as parte. para a doutrina argentina.. introduzida oportunamente perante as instâncias inferiores. o autor argentino volta a ferir o tema: “Es condición esencial.). revista e atualizada segundo o Código Civil de 2002. 1995. Com referências ao tema vejam-se os seguintes livros: NÉSTOR PEDRO SAGÜES. „el planteamiento del caso constitucional (o federal) puede ser muy anterior a la interposición del recurso. ELIAS P. no solo en el recurso extraordinário. Actualidad del Recurso Extraordinário. Buenos Aires: Abeledo Perrot. Desse modo. VANOSSI. Del ´Control´ Jurisdicional de Constitucionalidad. Recurso Extraordinário y Gravedad Institucional. ALEJANDRO E. ao „planteamiento del caso constitucional o federal´. 76 Ob. GHIGLIANI. El planteamento debe hacerse en cuanto surge la cuestión que dará la matéria prima del recurso. ainda de acordo com Rafael Bielsa. 77 Lições de Direito Processual Civil. Recurso Extraordinário Federal. escreve ALEXANDRE FREITAS CÂMARA 77 que “estão eles sujeitos a um requisito específico de admissibilidade. Referindo-se aos Recursos Extraordinário e Especial no sistema nacional. 132-133. Nada impede. AUGUSTO M. sino la decisión que evita el recurso‟. francamente inspirado na estrutura da Suprema Corte dos EUA. el plateamiento en el litígio hace posible la controvérsia sobre el punto.

Em outros termos. Por isso. pela via do recurso extraordinário.) Entretanto e em face do art. Rio de Janeiro: Editora Forense.. p.) Sendo o âmbito de devolutividade nos recursos extraordinários limitado ao que pleiteado no recurso interposto. no recurso especial ou extraordinário. e da maneira como surgida. levará a um juízo negativo de admissibilidade. Este requisito de admissibilidade decorre do próprio texto constitucional. IVO DANTAS no caso do recurso extraordinário). mesmo que a „mantenha‟‟ ou a „confirme‟). somente se pode analisar a insatisfação surgida. a realização do juízo de mérito. se ventile questão inédita. para que possa ser apreciada no recurso excepcional. não se devolve esta análise. Tratando de Embargos de Declaração e Prequestionamento ROBERTO LUIS LUCHI DEMO faz interessantes comentários. não se admite que. art. que devolve ao Tribunal o conhecimento pleno da matéria. ao Tribunal ad quem e está-se diante da ausência de 78 78 . a ausência de qualquer requisito de admissibilidade dos recursos). aliás. Assim sendo.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 2003. como se vê: “Prequestionamento é a apreciação da matéria federal ou constitucional que será questionada no recurso especial ou extraordinário. como se tem visto bastante na praxe forense. ao fundamento de prequestionamento. Negritos e itálicos no original. Assim. Por prequestionamento quer-se significar a exigência de que a decisão recorrida tenha ventilado a questão (federal ou constitucional) que será objeto de apreciação no recurso especial ou extraordinário. impedindo-se. é descabida a interposição de embargos de declaração em face de sentença (decisão de primeira instância). A ausência deste requisito (como. mesmo que a sentença analise todas as questões que as partes desejam „prequestionadas‟ (e para isto interponham embargos de declaração) e o Tribunal eventualmente não analise uma dessas questões. (. Omissa a decisão contra a qual se queira opor o recurso excepcional. a priori. é preciso que a matéria objeto do recurso haja sido suscitada e decidida pelo órgão a quo.. 177-179. assim. do CPC. deixou de haver o prequestionamento com relação a essa questão mesma. faz-se necessária a interposição de embargos de declaração. 43 In Embargos de Declaração: Aspectos Processuais e Procedimentais. que admitem o recurso extraordinário e o recurso especial apenas contra “causas decididas”. DR. a qual não tenha sido apreciada pelo órgão a quo. . para que o recurso especial e o extraordinário possam ser admitidos”. pois. em face do efeito substitutivo do acórdão (CPC.. (.. na decisão impugnada: se não houve análise naquela instância. haver prequestionamento. 515. com o fim de prequestionar a questão federal ou constitucional. ocorre tão-somente em acórdão (decisão de Tribunal). Deve. 512: o acórdão substitui a sentença.

Questões pontuais sobre a admissibilidade e procedibilidade no Direito Processual Civil reconhece ser “um dos pontos mais delicados a ser discutido em sede de recurso extraordinário e recurso especial. nos recursos extraordinários. exige-se a abordagem da matéria pelas 79 80 ) tratando do requisito Prequestionamento 44 Vale lembrar que nas decisões das turmas recursais do Juizado Especial. decorrente do princípio dispositivo. na via extraordinária. excepcionando-se tão-só a possibilidade de o Tribunal manifestar-se de ofício sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo” 79. Do ponto de vista etimológico. adota-se a idéia de Mantovanni Colares Cavalcante. 80 São Paulo: Editora Pillares. ao que pleiteado pelo recorrente. Ou seja.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. nas causas trabalhistas de alçada exclusiva das Varas e nas Execuções Fiscais cujo valor não ultrapasse a 50 OTN (283. II) enfrentamento. Conceitualmente. tendente a provocar a manifestação do órgão julgador (juiz ou Tribunal) em virtude da qual fica o órgão vinculado. Ainda. IVO DANTAS prequestionamento. DR. acerca do tema. Isso porque o âmbito de devolutividade é restrito. restam preclusas todas as matérias decididas nas instâncias ordinárias. diz-se que prequestionamento é na concepção de Garcia Medina „a atividade postulatória das partes. assume uma dúplice acepção. em consonância com a manifestação expressa do Tribunal a respeito. divisão esta amplamente adotada em sede doutrinária: a) prequestionamento como manifestação expressa do Tribunal recorrido acerca de determinado tema. 110-112. 2006. prequestionamento significa debate ou discussão anterior. p. cabe a interposição de Recurso Extraordinário.43 UFIR). . de modo espontâneo ou por provocação. pelo Tribunal. para quem „o prequestionamento representa um ato complexo. voltado para a esfera da admissibilidade recursal extrema. da matéria constitucional e/ou federal e III) vinculação entre a matéria constitucional e/ou federal com a discussão jurídica versada na causa. MIRIAM CRISTINA GENEROSO RIBEIRO CRISPIN (Recurso Especial e Recurso Extraordinário. hipótese em que o mesmo é muitas vezes considerado como prévio debate a envolver o tema de direito federal ou constitucional. b) prequestionamento como debate anterior à decisão recorrida. a respeito das quais não houve impugnação específica da parte (incluindo as chamadas matérias de ordem pública). Nessa linha de raciocínio – prossegue -. pois exige: I) provocação da parte ou surgimento espontâneo da questão pelo julgador. mas não de Recurso Especial. o prequestionamento não é ato que se concretiza somente com a provocação da parte. entendido como „seqüência do debate da causa‟ e como condição de admissibilidade do recurso mesmo. devendo manifestar-se sobre a questão prequestionada.

mesmo que inexista na decisão recorrida menção expressa ao artigo de lei ou da Constituição. seja explicitamente (indicando-se o texto constitucional ou federal e afirmando-se explicitamente estar sendo atendidos os mencionados comandos) ou implicitamente (não há indicação expressa de norma constitucional ou federal. A segunda delas contenta-se com o ser dessumível do aresto impugnado a questão ou tese jurídica relacionada com a norma que se diz violada. LUIS 45 81 82 São Paulo: Editora Saraiva. A primeira delas impõe que no acórdão recorrido conste expressa referência ao dispositivo legal ou constitucional tido por ofendido. Ob. 2005. 81 . lançado mão de embargos declaratórios para tal fim. IVO DANTAS instâncias ordinárias. bem como específica análise desse dispositivo. 252-272. inclusive. A idéia de anteriores discussões acerca dos temas que se tenciona debater nos órgãos jurisdicionais de superposição está fortemente relacionada com os escopos dos recursos especial e extraordinário” 82. Quanto às correntes. Verificam-se ao menos três correntes a respeito do assunto. p. 252-253. p. Já os anunciados graus de exigência relacionam-se com as conhecidas expressões prequestionamento explícito. A segunda delas vincula-o à simples argüição da questão federal ou constitucional pela parte antes do julgamento recorrido. cit. a primeira delas dimensiona o prequestionamento como a existência de prévio pronunciamento judicial acerca da matéria que se tenciona discutir nas instâncias superiores. bem como diferenciados graus de exigências dos tribunais para dar pela presença do prequestionamento. E a última delas orienta-se pela suficiência da diligência da parte no debate da matéria: se a parte fez tudo o que estava ao seu alcance para obter um pronunciamento do tribunal a quo a respeito de certo tema. tem-se por preenchido o prequestionamento. tendo.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. DR. A caracterização do prequestionamento ainda suscita bastante controvérsia nos dias de hoje. . Em monografia intitulada Embargos de Declaração GUILHERME AIDAR BONDIOLI afirma que “o prequestionamento consubstancia-se na existência de prévios debates nas instâncias ordinárias a respeito da matéria constitucional ou legal que se pretende discutir nos tribunais superiores. prequestionamento implícito e prequestionamento ficto. E a terceira exige ambas as coisas: a prévia ventilação do tema pela parte e a decisão do tribunal a quo a seu respeito. pouco importando que a corte ordinária tenha indevidamente permanecido silente. mas do acórdão se extrai de forma inequívoca que a abordagem do julgado diz respeito à determinada norma constitucional ou federal)‟”.

a parte se vê obrigada a renovar o prequestionamento (repita-se: a matéria constitucional já vinha sendo discutida). era pacífico. uma interessante questão relativa ao próprio conceito de prequestionamento: para que uma determinada questão federal seja considerada como prequestionada. 2a. art. Deve. é necessário que haja ela sido „suscitada‟ pela parte. do recurso adesivo. inclusive como advogado militante. AC nº 106. por isto mesmo. e como foi dito.1986). Vale insistir que ditos Embargos visam fazer com que o acórdão do Tribunal enfrente de forma expressa a matéria constitucional que se menciona em vários instantes e que. Pessoalmente.562-PR. ser expresso e apresentado no momento da apelação.272MG. não se deveria impedir sua apreciação por um Tribunal Superior (STF e/ou STJ) pela ausência de um simples requisito formal. Em outras palavras: levando-se em conta a natureza dos recursos extraordinário e especial.368). que a matéria trazida à inicial ou à contestação. cabíveis diante do silêncio do juízo a quo. teria de ser resolvido até ex-officio. 83 46 Idem. sempre entendemos. damos a palavra a ATHOS GUSMÃO CARNEIRO quando a respeito do requisito do prequestionamento. Senão vejamos: “Não há prequestionamento implícito. IVO DANTAS mesmo quando provocada a sair da inércia no julgamento dos embargos de declaração” 83. Vale lembrar.6. sempre. Turma do TRF. 125/1. diante do que foi dito sobre o tema. ou basta tenha sido „decidida‟ no acórdão recorrível? Sustentam alguns autores que „o prequestionamento resulta da atividade anterior das partes perante a instância ordinária. que poderia ser corrigido por Embargos de Declaração. pois. visto que. DOU 12. ainda quando se trate de questão constitucional" (STF. RTJ. Mais uma vez. RE nº 101. O entendimento do acórdão citado até pouco tempo. do recurso para a Segunda Instância" (STJ. "O prequestionamento não pode estar subentendido ou implícito. 255-257.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. a necessidade de um prequestionamento claro e objetivo. DR. preliminarmente. consagrava. sendo de natureza constitucional. p. sem discordância. dout. muito embora passível de críticas por parte de doutrinadores. esta era a única posição do STF. já significava o prequestionamento. apta a provocar a manifestação do órgão julgador acerca da questão constitucional ou federal‟ (José Miguel Garcia Medina. explícito portanto. Como o julgador não o fez. ensina: “Temos. que a Jurisprudência do STF. . das contrarazões. enfim.

DR. Com efeito. . bem como analisa a questão em várias situações. Aí estão feitas as transcrições do despacho. de 20. pp. o Supremo Tribunal Federal. 84 Prosseguindo. haja ou não sido. as manifestações do Tribunal. assim. arts. Nos processos cujo tema de fundo foi definido pela composição plenária desta Suprema Corte. especialmente as resultantes de sua competência mais nobre – a de intérprete último da Constituição Federal. no entanto. é preciso valorizar a última palavra – em questões de direito – proferida por esta Casa”. mesmo reconhecendo a ausência do prequestionamento. 49-50. a alta conveniência na interposição de embargos de declaração” 85. a respeito de uma dada questão federal: a questão federal considera-se prequestionada quando decidida no acórdão. Aspectos Polêmicos e Atuais. parece-nos correta a posição de Arruda Alvim. é conceituar com precisão o que se deva entender por prequestionamento implícito. afirmou: “estou. em recentes julgamentos. bem como outras omitidas na sentença (CPC. p. principalmente. RT. Sem dúvida alguma. vem dando mostras de que o papel do recurso extraordinário na jurisdição constitucional está em processo de redefinição.Todavia. a corrente liderada pela Ministra (embora não majoritariamente aceita) dá o verdadeiro valor de “Guardião da Constituição” atribuído ao STF. p. 305306). preponderantemente. com o fim de impedir a adoção de soluções diferentes em relação à decisão colegiada. e não ao momento em que prolatada a decisão recorrível”.2004. mais inclinada a valorizar. e depois de fazer considerações legislativas e doutrinárias sobre o prequestionamento implícito. 515.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Idem. nos autos do AI 375011 AgR/RS . §§ 1º e 2º). e esta dificuldade indica ao advogado. pelo que vale sua leitura. O autor menciona diversas decisões do STJ que aceitam o prequestionamento implícito.10. colocando-o acima de mera questão formal. cit. em tais casos. 1997. Vale lembrar que a Ministra ELLEN GRACIE. de que não se deve confundir prequestionamento com „postulação pela parte‟. 86 Informativo nº 365. observa ATHOS GUSMÃO que “difícil. entretanto. não haveria o chamado prequestionamento „implícito‟ quando o tribunal aprecia de ofício matéria de ordem pública. de modo a conferir maior efetividade às decisões. § 3º. expressa ou implicitamente suscitada pelo litigante.. O prefixo „pré‟ significa anterioridade com relação ao momento processual em que a parte manifesta o recurso extraordinário ou especial. IVO DANTAS na colet. 51. quando 86 47 84 85 Ob... 267.

10. Questões pontuais sobre a admissibilidade e a procedibilidade no Direito Processual Civil. em diferentes momentos de sua História constitucionalprocessual. Recurso Especial e Recurso Extraordinário. sobretudo porque. a vinculação e a obrigatoriedade quanto aos seus julgamentos. nestes casos (e a prática nos demonstra) a decisão nos embargos é sempre a mesma. evitando-se que o STF fique ao longe do debate. DR. ao nosso entender. Este efeito. parágrafo único que “a 87 Veja-se. ao criar a Ação Declaratória de Constitucionalidade.99). 48 4. sempre afirmamos que se estava dando muita atenção ao que já existira no sistema constitucional brasileiro. MIRIAN CRISTINA GENEROSO RIBEIRO CRISPIM. 28. de forma inconstitucional. ou seja. ou a contestação (ou informações no Mandado de Segurança) a traz ao cenário do debate. 2006. a tese da Ministra ELLEN GRACIE. ação direta de inconstitucionalidade. afirma-se que “a matéria já foi objeto de análise”. não entendemos como afirmar-se que o prequestionamento não exista. foi estendido pela Lei nº 9. em nosso entender. por mero rigorismo formal. dentre os quais. se a Inicial da Ação está fundada em matéria constitucional.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. dando-lhe como efeitos. IVO DANTAS várias posições existem quanto à amplitude do conceito de prequestionamento.868. ou seja. Retomando o que dissemos acima de forma muito rápida: uma realidade nos parece incontestável. São Paulo: Editora Pillares. A Súmula e seu caráter vinculante (ou vinculatório): primeiras palavras Em vários Congressos de que participamos desde o início dos debates da denominada Reforma do Judiciário e Súmula Vinculante. a propósito. desde que a fundamentação das partes tem uma natureza constitucional. a matéria constitucional fica prequestionada. Ora. .11. principalmente. uma vinculação em alguns tipos de julgamento. valoriza o exame do mérito que lhe merece maior importância que a simples forma. tal como analisamos acima 87. p. e de forma mais incisiva estava na Emenda Constitucional nº 3/93. quando determinava em seu art. 110 e segs. o que dispensaria os Embargos de Declaração como forma de prequestionamento. ou seja.11 99 (DOU 11. em detrimento da eficácia da prestação jurisdicional. Nestes casos.

que em 49 . relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo”. era a CF que dava tal efeito apenas às ADCs. que se tivesse estendido este efeito vinculante por meio de lei ordinária. far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática dos atos questionados. produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. só poderia ser feito via Emenda Constitucional. § 2o Dentro do prazo de dez dias contado a partir do trânsito em julgado da decisão. 10 que “julgada a ação. sobretudo porque expressamente. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. a Lei nº 9.882/99 ao dispor sobre o processo e julgamento da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. concordarmos com a extensão. em matéria constitucional). Desconsiderando esta importante opção do Poder de Reforma (derivado. Vale lembrar. 102 § 2º) com a redação que lhe deu a EC 3/93 (17. considerando-se que a CF (art. às ADPFs. nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. ou seja. Apesar de.3. § 1o O presidente do Tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão. discordávamos do meio utilizado. portanto). Em outras palavras: conferir efeito vinculante às ADIns e. inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto tem eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal. DR. à Ação Direta de Inconstitucionalidade. lavrando-se o acórdão posteriormente. fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental. se fosse o caso.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. nos seguintes termos: “As decisões definitivas de mérito. Insistimos: em que pese entendermos válida a extensão desta conseqüência às ADINS (claro.93) apenas falava em efeito vinculante com relação à ADC. sua parte dispositiva será publicada em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União. IVO DANTAS declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade. bem como à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental. determinou em seu art. estadual e municipal”. sempre identificamos a necessidade de reconhecer-se uma Inconstitucionalidade em sua ampliação através de Lei ordinária. em tese. § 3o A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público” (itálico nosso).

MOREIRA ALVES para quem “a lei neste ponto é inconstitucional. em data de 06.2002. Mesmo com esta clareza inconteste. tendo em vista a circunstância de que nós temos ao lado do controle concentrado.” . 27: ”Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Tal fato não autoriza que se olvide a Recepção de institutos internos. o controle difuso. 102 § 2º). Antecedentes normativos no Brasil 50 No momento presente de evolução do Direito. ou seja. na perspectiva de um instituto externo. mas nenhuma alteração (repita-se) quanto às ADPFs. IVO DANTAS relação as ADINs. o Supremo Tribunal Federal. veio com a EC 45/2004. 102 § 2º) esta extensão de efeitos foi feita. Porém. 27. art. por maioria de dois terços de seus membros. DR.868/99 referido. que ampliou o efeito erga omnes e vinculante para as Ações Diretas de Inconstitucionalidade. é de destacar-se o posicionamento assumido pelo Min. transcrevemos o que determina a Lei nº 9. o que tem intensificado o estudo da Recepção Legislativa. na conformidade da EC 45/2004 (art. Naquele julgamento. fenômeno sempre ocorrente no instante em que há uma substituição do sistema 88 Para facilitar o entendimento do leitor. que o efeito dessas declarações é desconstitutivo.868/99. poderá o Supremo Tribunal Federal. como é inconstitucional o art. vale a repetição: nada alterou em relação aos efeitos conferidos à ADPF (art. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. ao mesmo objetivo” 88.11. em julgamento proferido na Questão de Ordem na Reclamação nº 1880. antes apenas conferido para as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (EC 3/93 art.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. em última análise. 28 da Lei nº 9. O que sempre defendemos. e não é possível haver um controle com uma eficácia e outro com outra diferente quando eles visam. não se há mais de falar em separação absoluta entre os sistemas do Common Law e do Civil Law. sobretudo. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. que vai contra àquilo que é imanente ao nosso sistema. 101 § 1º inalterado pela EC 45/2004). mas já aí aplainando o terreno para as novas competências que certamente viriam com a EC 45/2004. 5. considerou constitucional a ampliação dos efeitos prevista no parágrafo único do art.

Analise crítica de sua adoção. São Paulo: Editora Método. ROGER STIEFELMANN LEAL. SÍLVIO NAZARENO COSTA. Precedente Judicial como Fonte do Direito.. DJANIRA MARIA RADAMÉS DE SÁ.417.2006. a qual tem sido objeto de várias análises 90. atualizada e ampliada. Introdução. A Atividade Recursal Civil na Reforma do Poder Judiciário. Livraria Jurídica. 2009. DR. Belo Horizonte: Del Rey. Como se trata de constatar a revogação. quando não se chocam com o novel modelo constitucional agora em vigor. 2007. ALEXANDRE SORMANI e NELSON LUIS SANTANDER. 07. Teoria e Metodologia 89 . 2ª edição revista e atualizada. RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO. São Paulo: Editora LTr. São Paulo: Editora LTr. Rio de Janeiro: América Jurídica. AUGUSTO CÉSAR MOREIRA LIMA. em tal caso. Rio de Janeiro: Editora Forense. Judiciário e Segurança Jurídica. visto que.417.. JOSÉ ROGÉRIO CRUZ E TUCCI. 2ª edição revista e ampliada de acordo com a Lei 11. NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES. M. Em nível exemplificativo. 2ª T.12. De acordo com a Emenda Constitucional n. 2004. São Paulo: Editora Atlas. MÁRCIA REGINA LUSA CADORE. 2005. CASSIANO LUIZ IURK. ocorrerá a automática revogação da norma inferior.2004. São Paulo: Editora Saraiva. de inconstitucionalidade. Nova Lei da Súmula Vinculante. DJANIRA MARIA RADAMÉS DE SÁ. não se há de falar de inconstitucionalidade. 2002. O Efeito Vinculante na Jurisdição Constitucional. Relator no RE AgR 395. Curitiba: Juruá Editora. 2004. Vale mencionar que o fenômeno da Recepção Legislativa foi por nós estudado no livro Novo Direito Constitucional Comparado. 1996. não se exigirá a configuração da Reserva de Plenário (art. tal como sempre entendeu o Supremo Tribunal Federal. de 08. ANDRÉ TAVARES RAMOS. Súmula Vinculante. 2001. São Paulo: Editora Atlas. 2006. A Questão da Súmula Vinculante. São Paulo: Editora Pillares. 2001. ANTÔNIO ÁLVARES DA SILVA. 2004. há choque da nova Constituição com o ordenamento nacional.12. de 19.Curitiba: J. Súmula Vinculante e Reforma do Judiciário. Coisa Julgada e Súmula Vinculante. 2010. Súmula Vinculante e Democracia. ao contrário da anterior. podemos nos referir à Súmula Vinculante. como se vê no pronunciamento do Min. Súmula Vinculante. Estudos e Comentários à lei 11. 2008. sendo de destacar o que escreve NATACHA 51 89 90 Curitiba: Juruá Editora. 2008.2006. Em conseqüência. são recepcionados. Na hipótese em que. 2ª edição revista. CELSO DE MELLO.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. IVO DANTAS constitucional. Súmula Vinculante. São Paulo: Editora RT. São Paulo: Editora RT.12. ocasião em que as normas e códigos anteriores a ele. MÔNICA SIFUENTES. As Súmulas de Efeito Vinculante e a Completude do Ordenamento Jurídico. podendo o recurso ser apreciado por órgão fracionário do Tribunal. nunca se há que falar de apreciação ou existência. 2006. Divergência Jurisprudencial e Súmula Vinculante. São Paulo: Editora Saraiva. Precedentes no Direito.902/RJ. Vejam-se: JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. 45/2004. Um estudo à luz da Emenda Constitucional 45.03.2006. Um estudo sobre o Poder Normativo dos Tribunais. Interrelações entre o clássico e o novo. . de 19. 2007. 97 da CF). Súmula Vinculante e Uniformização de Jurisprudência.

bem como o Decreto nº 23. e p. como se verifica. cresce a discussão em torno de precedentes com força vinculante no sistema brasileiro. o objetivo principal desta análise é nos voltarmos para a Lei nº 11. Introdução. simplesmente. os juristas brasileiros. os casos da Argentina. porém. é anterior à EC 45/2004. 92 Direito Constitucional Comparado. o que nos obriga. conforme consta no capítulo anterior. IVO DANTAS NASCIMENTO GOMES TOSTES 91 . a um rápido retrospecto. Rio de Janeiro: Editora Renovar. nos casos das decisões do Tribunal Constitucional. § 2º. escreve a mencionada autora que “na busca por segurança jurídica. 2004. até certo ponto retomando temas que já estudamos em livro anterior. em cada autor. A propósito. a novos antecedentes até chegarmos à EC 45/2004 e à Lei n. o mais simples possível. p. 94 No final do texto de ROBERTO ROSAS. também de Direito Comparado 92. atualizada e aumentada. Judiciário e Segurança Jurídica. da Alemanha. p. porém.055 de 9 de agosto de 1933 91 52 94 .NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. Há um ponto a ser. DR.417/06. pela garantia da isonomia perante a norma judicada. Rio de Janeiro: América Jurídica. havendo de se considerar. 59. já que o direito brasileiro. citado a seguir. a doctrina legal espanhola. com previsão de efeito vinculante no corpo da legislação processual. 2ª edição totalmente revista. . que não se pode meramente realizar a “importação” pura e simples do sistema de precedentes anglo-americano. de logo mencionado: existe uma unanimidade quanto à existência de antecedentes na História do Direito Brasileiro com relação ao efeito vinculante. a Constituição de 1891. 11. 71. Em nota de pé de página. art. constituindo hodiernamente preocupação mundial à uniformização da jurisprudência. 71. a sociedade brasileira são diversos de seus pares ingleses e estadunidenses”. afirma: “Veja-se. assim como diante da necessidade de se imprimir maior previsibilidade aos julgamentos. O texto da autora. são sempre apontados. às interpretações jurídicas proferidas pelos tribunais. e as decisões proferidas em sede de ADin e ADCon no direito brasileiro” 93. qual o exemplo mais remoto. A Questão da Súmula Vinculante. a par da igualdade diante da norma legislada. as previsões constitucionais das Cartas do México e de Cuba. cit. sobretudo porque. 93 Loc. sendo que no tocante aos aspectos históricos do NATACHA NASCIMENTO GOMES TOSTES. Teoria e Metodologia. 2006. Vale observar que com relação aos antecedentes. sobretudo. uma ampla divergência quando se busca. Não é estranho aos sistemas da civil law a adoção de precedentes vinculantes.417/06.

de algum modo. O art. tal como tivemos oportunidade de comentar em item anterior. como termos final. foi posteriormente constitucionalizada através da EC 45/2004.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. portanto. 130-131. A ADC e a ADPF. quando partirmos para a análise de algum texto de natureza constitucional. a ordem constitucional instaurada em 1891 – quando foi introduzida. 10. 96 Vale lembrar que o período de promulgação da EC 3/93. mormente. 45/2004 95. mediante o emprego do modelo difuso de raiz norte-americana – e. partiremos da EC 45/2004 até a Lei 11. na evolução do constitucionalismo pátrio. III. 3. estadual e municipal”. ou não. IVO DANTAS Direito Brasileiro. nos seguintes termos: 95 53 São Paulo: Editora Saraiva.11 99 (DOU 11. “buscar-se-á identificar. como o faz ROGER STIEFELMANN LEAL no livro O Efeito Vinculante na Jurisdição Constitucional. p. só para recordar. como se vê: “a declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade. exceto em relação ao Supremo Tribunal Federal. para a Ação Declaratória de Constitucionalidade. A inconstitucionalidade aí contida (como em outras oportunidades) ao invés de ser reconhecida. 2006. no texto constitucional. bem como das Leis que regulamentam a ADIN. até a EC 45/2004 só era previsto. 102. institutos que. os fundamentos e interpretações subjacentes às decisões proferidas em sede de jurisdição constitucional. inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto tem eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal. . foi objeto de considerações no item anterior. no direito brasileiro. a prática da jurisdição constitucional. não significa que ficaremos limitados às suas lições. A seguir dos próximos itens. de 17 de março de 1993” 96. tenham por característica tornar impositivos a outros poderes e órgãos do Estado. Pela Lei nº 9.11. a instituição do efeito vinculante promovida pela Emenda Constitucional n.99). 2º. 28. Neste sentido. o caráter vinculante. O período em apreciação tem como termo inicial. De acordo com a Emenda Constitucional n. em seu art. DR. parágrafo único. 6. Embora adotemos o esquema apresentado por STIEFELMANN LEAL. repitamos o texto (já citado). referente ao art. 103-A da CF e a Súmula vinculante Tal como já foi dito. foi aquele caráter ampliado para o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal.417/06.868. pela via infraconstitucional.

IVO DANTAS “As decisões definitivas de mérito. 130-A tratou do Conselho Nacional do Ministério Público. enquanto que o art. § 1º .346. determinando em seu art. na forma estabelecida em lei 97. de ofício ou por provocação. repetindo a numeração. Deste comportamento lançou mão a Emenda Constitucional nº 45/2004. o art. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. DR. só que acompanhada de um dígito alfabético. determina o art. aprovar súmula que. nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. . 111-A modificou a composição do Tribunal Superior do Trabalho e. 111A e 130-A”. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta. Com relação ao tema objeto de nossas preocupações no momento. 103-A constitucionalizou a denominada Súmula Vinculante (até então só se falava em efeito vinculante). relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. 103-B. 103-A. finalmente. produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante.A súmula terá por objetivo a validade. sendo que no art. estadual e municipal.1997 determina que as decisões do STF deverão ser uniformemente pela Administração Pública Federal direta e indireta. 2º que “A Constituição Federal passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. a partir de sua publicação na imprensa oficial. de há alguns anos. nas esferas federal. estadual e municipal. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. vem adotando o procedimento que já era comum em outros modelos constitucionais de inserir novos artigos.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 54 97 Ver Decreto nº 2. 103-B definiu o Conselho Nacional de Justiça.10.” Por outro lado. 103-A que “O Supremo Tribunal Federal poderá. nas esferas federal. a denominada Reforma do Judiciário. acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. mediante decisão de dois terços dos seus membros. após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. de 10. Em outras palavras: no art. é de notar-se que a Constituição Federal.

São Paulo: Editora RT. em relação ao tema: a) – o instituto da súmula vinculante não seria autoaplicável. bem como promover alterações na legislação federal objetivando tornar mais amplo o acesso à Justiça e mais célere a prestação jurisdicional”.Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. A promulgação da Lei nos permite analisá-la em sua integridade. caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que.Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar. conforme o ato. In Revista Dialética de Direito . julgando-a procedente. vejam-se. a seguinte bibliografia: AGUIAR. à Súmula Vinculante e atual Jurisprudência Livre. sobretudo. Temas Polêmicos. 2ª edição revista e atualizada. Rodolfo de Camargo – Divergência Jurisprudencial e Súmula Vinculante. 45. a propósito do tema. Duas observações iniciais devem ser feitas. à Súmula Vinculante e atual Jurisprudência Livre. nos termos do art. A Lei nº 11. ARAÚJO. a aprovação. “somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial”. só o seria “na forma estabelecida em lei”. 2004.417/06 e a edição da Súmula Vinculante 98 55 98 Além das fontes acima citadas. anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada. José Henrique Moura – Reflexões envolvendo a Implantação da Súmula Vinculante decorrente da Emenda Constitucional n. AGUIAR. b) – As atuais súmulas não serão automaticamente convertidas em vinculantes. João Carlos Pestana de – Recursos Extraordinário e Especial com Comentários às Súmulas Antigas e Novas do STF e STJ. ou seja. 7º da mesma EC 45/2004: “O Congresso Nacional instalará. 2002. destinada a elaborar. IVO DANTAS § 2º . 7. revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. visto que. João Carlos Pestana de – Recursos Extraordinário e Especial com Comentários às Súmulas Antigas e Novas do STF e STJ. comissão especial mista. imediatamente após a promulgação desta Emenda Constitucional. Temas Polêmicos. 8º. MANCUSO. tal como determina a CF no caput do art. e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula. Rio de Janeiro: Editora Espaço Jurídico. em cento e oitenta dias. é de ser lembrado o conteúdo do art. 103-A. os projetos de lei necessários à regulamentação da matéria nela tratada. sob a metodologia de uma análise sistêmica (não sistemática). DR. Rio de Janeiro: Editora Espaço Jurídico. Para tanto. § 3º . 2004.

ARTEIRO. p. Inicialmente. São Paulo: Editora Método. Rio de Janeiro: América Jurídica. 2ª edição ampliada. A Questão da Súmula Vinculante. TEIXEIRA. 2005.12. 2004SORMANI. p. Brasília: Editora Consulex. SIFUENTES.exe/cpag?p=jornaldetalhedoutrina&ID=13660&Id. Alexandre e SANTANDER. de 19.jurid.asp?id=6101. Rodrigo Lemos – O Trâmite Procedimental da Súmula Vinculante e seu Controle de Constitucionalidade sob a Égide da Emenda Constitucional nº 45.jus. de 29 de janeiro de 1999. 2008.. em mais um diploma de tamanha importância. André Ramos – Nova Lei da Súmula Vinculante. – Reclamação e sua aplicação para o respeito da súmula vinculante. Acesso em: 16.br/doutrina/texto. Natacha Nascimento Gomes – Judiciário e Segurança Jurídica. Curitiba: Juruá Editora. Décio Sebastião – A Súmula Vinculante e Impeditiva. Disponível em http://secure.417.1999. José Carlos Barbosa – A atribuição de eficácia vinculante às proposições já incluídas na “súmula da jurisprudência predominante” do Supremo Tribunal Federal.784. São Paulo: LTr Editora. disciplinando a edição. 2008.Constituição & Processo Introdução ao Direito Processual Constitucional. Lonardo L. tal como o fez na Lei 11. São Paulo: Editora RT. DR. de 19. Glauco Salomão – Súmula Vinculante e Jurisdição Constitucional Brasileira. 2006. LEITE. TOSTES. lançou mão de conceitos Indeterminados. Acesso em: 30.. PRUDENTE. Acesso em: 28. de 08. TAVARES. Palhares Moreira Reis – A Súmula Vinculante no Supremo Tribunal Federal. Disponível em: http://www1. NOBRE JÚNIOR.jus. OLIVEIRA JUNIOR. Um estudo sobre o Poder Normativo dos Tribunais.01. Dez. ALFONSO LOR.html. nº 26. de 19.12.417. 2009. 2007. Ano 9.12. a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal.12. 2005. 2005. Forma de Aplicação..784. regula o procedimento administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.12. nº 99. Perigo ou Solução. 2005. 2008.418/06. Roney – A solidez da súmula vinculante e a fragilidade da súmula impeditiva de recurso. CÔRTES. São Paulo: Editora MP. que.br/new/jengine. no art. “Regulamenta o art.2006.418.2006. 21-23. 2ª edição revisada e ampliada de acordo com a Lei 11. Ivo . e dá outras providências” 99. 64-73. de 29. São Paulo: Editora LTr. cumpre destacar que.417. Curitiba: Juruá Editora. Encarnación – Súmula Vinculante e Repercussão Geral: novos institutos de direito processual constitucional. Gevany Manoel – Súmula Vinculante e Reclamação. ao falar em Repercussão Geral. 2007. Bruno Mattos e – A súmula vinculante para a Administração Pública aprovada pela Reforma do Judiciário.asp?id=6271. Antônio Souza – Súmula Vinculante e a Tutela do Controle Difuso de Constitucionalidade.417/06 é resultado do Projeto de Lei nº 6636/06. SILVA. p.2006 e nº 11. Campinas (SP): Russell Editores. 99 Esta Ementa permaneceu na Lei. MORATO. IVO DANTAS A Lei nº 11. MOREIRA. Disponível em http://secure. o Legislador. SOUZA. BARBOSA.2006 (Repercussão geral no Recurso Extraordinário e Súmula Vinculante). Marcelo Alves Dias de – Do Precedente Judicial à Súmula Vinculante. Porto Alegre: Síntese Jornal. 2004. José Olindo Gil – A adoção da súmula vinculante no sistema judicial brasileiro. Rio de Janeiro: Forense. Brasília: Revista Jurídica Consulex – Ano IX – nº 195 – 28 de fevereiro de 2005. maio 2005. 08.. 2º § 1º. 2006. revista e atualizada pelas Leis nº 11. 2008. Nelson Luis – Súmula Vinculante. da Comissão Especial Mista da Reforma do Judiciário. DANTAS. maio 2005. Em estudo à Luz da Emenda Constitucional 45. Mônica – Súmula Vinculante. 2007. bem como na Lei nº Processual.com. REIS. Disponível em: http://www1. Odelmir Bilhalva – Súmula Vinculante. 2008. São Paulo: Editora Saraiva. 2007. DAIDONE.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. São Paulo: RT. Acesso em: 04. Quanto à Lei nº 9. Fev. 56 . Estudos e Comentários à Lei 11. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei nº 9. Curitiba: Juruá Editora. 03.com.2006.exe/carregahtml?arq=outrosjornalzinho. conforme sua ementa. Edílson Pereira – Súmula Vinculante – o desafio de sua implementação.br/doutrina/texto.com. de 19. Osmar Mendes Paixão – Súmula Vinculante e Segurança Jurídica. São Paulo: Editora RT. 2009.jurid/jurid. São Paulo: Dialética. SANTOS. 36-42.

editar enunciado de súmula que. § 3º). ato contínuo.417/06. estadual e municipal. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. urgência e relevância como pressupostos da Medida Provisória). a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal e dá outras providências”. 2º. para.12. nas esferas federal. . DR. de ofício ou por provocação.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. após o que se terá um prazo de 10 dias para publicação no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União (sessão especial). em sessão plenária (art. controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão”. § 2º). em seu art. entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública. Ainda sob o ponto de vista procedimental.12.99 (Dispõe sobre o processo e julgamento da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. vale lembrar que “o Procurador-Geral da República. partir de sua publicação na imprensa oficial. determinar que “O Supremo Tribunal Federal poderá. “o enunciado da súmula terá por objeto a validade. 62. a Lei 11. 3º.99 – Dou 3.a Mesa do Senado Federal. manifestarse-á previamente à edição. nos seguintes termos: “Esta Lei disciplina a edição. Em seu artigo 1º.11. repete a sua Ementa. “são legitimados para propor a edição. IVO DANTAS 9. 2º.99 (Dispõe sobre o processo e julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade e da Ação Declaratória de Constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal) e ainda na Lei nº 9. 102 da Constituição Federal) e até mesmo na própria Constituição (art. a qual só será possível por decisão tomada por 2/3 dos membros do STF. na forma prevista nesta lei”. 03. revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante” (art.882. 10. § 1º.99 – Dou 11. Na dicção do art. a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante”: I . Nos termos do art.o Presidente da República. bem como proceder à sua revisão ou cancelamento. 2º. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. nas propostas que não houver formulado. ou seja. após reiteradas decisões 100 sobre matéria constitucional.868. 2º. acerca das quais haja.11. 100 57 A ausência desta repetição é que levou a doutrina a considerar a denominada Súmula das Algemas como inconstitucional. nos termos do § 1º do art. II .

103 da CF. X . o que não autoriza a suspensão do processo” (art. na mesma direção das leis que regulamentam o Controle de Constitucionalidade. Mais uma vez. nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal” (art.417/2006 determina que “a Súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata. IV . sendo que “no procedimento de edição. por decisão irrecorrível. DR. Em relação aos municípios. que há um aumento em relação de legitimados. IX . incidentalmente ao curso de processo em que seja parte. segurança jurídica e excepcional interesse público. 3º. pelo simples número de incisos. Observa-se. VI – o Defensor Público-Geral da União. 3º. § 1º). 58 . 5º da lei sob comento.a Mesa da Câmara dos Deputados. VIII . o relator poderá admitir. o STF procederá. tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público” (art. 4º). ou seja. os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares. a manifestação de terceiros na questão.o Governador de Estado ou do Distrito Federal. VII . os Tribunais Regionais Federais.confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Destaque-se que. V .partido político com representação no Congresso Nacional. os Tribunais Regionais do Trabalho. a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante. em relação ao art. que havendo a revogação ou modificação do diploma legal em que se fundou a súmula vinculante. IVO DANTAS III . Prevê o art. por decisão de 2/3 (dois terços) dos seus membros. a Lei nº 11.o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. § 2º). a edição.o Procurador-Geral da República.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. àqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade. o texto utiliza conceitos indeterminados.a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. mas o Supremo Tribunal Federal. os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios. revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante. ou seja. poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de outro momento. são eles legitimados para “propor. XI – os Tribunais Superiores.

Finalmente....1999.. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante. que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes. § 3º ..NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação... de 29 de janeiro de 1999... 56 da Lei nº 9.O art.784.. as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula.. o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula..... dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para julgamento do recurso..... enquanto que. 6º). sempre que “da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante. Art. sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível.. Em seguida. 7º). Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante. 56 .784.. de 29 de janeiro de 1999. que regula o procedimento administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e que passa a ter as seguintes alterações: “Art. caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada.. passa a vigorar acrescida dos seguintes arts..... 10). o STF anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada.. 64-A.. passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º: Art. DR.. 64-A e 64-B: Art. explicitar...... IVO DANTAS de ofício ou por provocação.. conforme o caso. se não a reconsiderar... administrativa e penal”.417/2006 são voltados para a Lei 9.Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante. 9º ... 8º . determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula.... Os arts. a teor 59 .. conforme o caso” (NR). ao julgar procedente a reclamação. dois pontos: o Regimento Interno do STF funcionará subsidiariamente em relação às Súmulas Vinculantes (art. a sua revisão ou cancelamento... Art.784... negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente” (art. destacando-se que “contra omissão ou ato da administração pública.. 8º e 9º da Lei 11. Em qualquer hipótese. hipóteses em que não se autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão (art...A Lei nº 9... 64-B. de 29. o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas” (§1º).. conforme o caso (§ 2º). consagra-se o instituto da Reclamação ao STF.01.. antes de encaminhar o recurso à autoridade superior....

Nos demais casos. IVO DANTAS do art.2006. 8. em seu art. nos coloquem diante de uma questão de natureza constitucional e não mais federal. No mesmo inciso. a utilização do Recurso Extraordinário. é decorrente do que determina o § 3º acrescido ao art. 5º da CF: a recepção dos tratados e convenções Outro ponto oriundo da EC nº 45/2004. é importante destacar. 31. nos seguintes termos: “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. Los tratados y concordatos tienen jerarquía superior a las leyes” 101 60 . estabelece: “Art. ensejando. de maneira geral. conforme se demonstrará. com a redação que lhe deu a Reforma de 1994. desta forma. simplesmente. em conseqüência. luego de ser aprobados por el Congreso. a Constituição Argentina enumera os Tratados con Jerarquía Constitucional. que a inovação produzida pela Emenda Constitucional da Reforma do Judiciário. 11 da Lei. foi determinada uma vacatio legis de 3 (três) meses. requerirán del voto de 101 Destaque nosso.12. [Tratados y Concordatos] Aprobar o desechar tratados concluidos com las demás naciones y con las organizaciones internacionales y los concordatos con la Santa Sede. serão equivalentes às emendas constitucionais”. publicada em 19. III. 105. DR. Vale observar.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. [Enumeración] – Corresponde al Congreso: 22. . permanece a competência do STJ. ao fixar as Atribuciones del Congreso. 5º. a Constituição Argentina por exemplo. 75. em dois turnos. incisos 22 e 24. seguiu o caminho que já vinha sendo traçado por vários dos Estados integrantes do Mercosul. a). faz com que as decisões que os contrariarem. determinando que “los demás tratados y convenciones sobre derechos humanos. enquanto que em seu art. em cada Casa do Congresso Nacional. por três quintos dos votos dos respectivos membros. 75. Neste sentido. considera os Tratados como integrantes da “ley suprema de la Nación”. mediante Recurso Especial (art. A elevação do status dos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos à categoria de emendas constitucionais. O § 3º do art.

DR. con la mayoría absoluta de los miembros presentes de cada Cámara. incurrirá en los delitos que se tipificarán y penarán en la ley. [Tratados de Integración] Aprovar tratados de integración que deleguen competencias y jurisdicción a organizaciones supraestatales en condiciones de reciprocidad e igualdad. el Congreso de la Nación. determina a Constituição Argentina: “24. La aprobación de estos tratados con Estados de Latinoamérica requerirá la mayoría absoluta de la totalidad de los miembros de cada Cámara. Esta. por sua vez. En el caso de tratados con otros Estados. Del Ordenamiento Político de la República prescreve em seu Título I. por sua vez. Las normas dictadas en su consecuencia tienen jerarquia superior a las leyes. a aprovação de tratados de integração que deleguem competência e jurisdição a organizações supra-estatais em condições de reciprocidade e igualdade. 61 . Textualmente. A Constituição do Paraguai (20.06.92). 137: “De la supremacia de la Constitución. sancionadas en su consecuencia. No inciso 24. IVO DANTAS las dos terceras partes de la totalidad de los miembros de cada Cámara para gozar de la jerarquía constitucional”. los tratados. La denuncia de los tratados referidos a este inciso. art. ao tratar na Parte II. después de ciento veinte días del acto declarativo. y que respeten el orden democrático y los derechos humanos. integran el derecho positivo nacional en el orden de prelación enunciado. Capítulo I. declarará la conveniencia de la aprobación del tratado y sólo podrá ser aprobado con el voto de la mayoría absoluta de la totalidad de los miembros de cada Cámara. o texto constitucional permite. convenios y acuerdos internacionales aprobados y ratificados.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. expressamente. e que respeitem a ordem democrática e os direitos humanos. Quienquiera que intente cambiar dicho orden. las leyes dictadas por el Congreso y otras disposiciones jurídicas de inferior jerarquía. al margen de loa procedimientos previstos en esta Constitución. La ley suprema de la República es la Constitución. exigirá la previa aprobación de la mayoría absoluta de la totalidad de los miembros de cada Cámara”.

02. efetivamente. desta feita no Capítulo II. IVO DANTAS Esta Constitución no perderá su vigencia ni dejará de observarse por actos de fuerza o fuera derogada por cualquier otro medio distinto del que ella dispone.67) com as modificações decorrentes de 1990. especialmente en lo que se refiere a la defensa común de 102 62 Ob. en condiciones de igualdad con otros Estados. admite un orden jurídico supranacional que garantice la vigencia de los derechos humanos. ao tratar De las relaciones internacionales (arts. os demais tratados podem. também. social y cultural. exatamente (art. Em síntese. gozar deste atributo”. p. Adiante. 26. de la paz. La República del Paraguay. quando conferiu hierarquia constitucional aos tratados mencionados no inciso 22 do artigo 75. trata com total anomia as questões relacionadas à submissão a uma ordem jurídica supracional e quanto à hierarquia constitucional dos tratados.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. 141). La República procurará la integración social y económica de los Estados Latinoamericanos. sendo certo que a Constituição argentina foi além. Desta forma. refere-se. 141 a 145). Carecen de validez todas las disposiciones o actos de autoridad opuestos a lo establecido en esta Constitución”. DR. que “o legislador constitucional optou. apenas determina em seu art. de la cooperación y del desarrollo. bem como estabeleceu que. enquanto que no art. económico. pela superior hierarquia dos tratados sobre as leis ditadas pelos respectivos Congressos Nacionais. 1994 e 1996. de la justicia. lê-se: “Del orden jurídico supranacional. . 145. podemos concluir como escreve acertadamente CARLOS EDUARDO CAPUTO BASTOS 102. serán decididas por el arbitraje u otros medios pacíficos. cit. Dichas decisiones sólo podrán adoptarse por mayoría absoluta de cada Cámara del Congreso”. O Uruguai. considerando-se os textos das Constituições da Argentina e do Paraguai. podemos constatar que a Constituição da República Oriental do Uruguai (01. ao contrário dos sistemas citados. 6º que “en los tratados internacionales que celebre la República propondrá la cláusula de que todas las diferencias que surjan entre las partes contratantes. à posição dos Tratados Internacionais nos termos do art. en lo político. submetidos a uma votação de 2/3 das Casas Legislativas. 137.

1958. 7.O Controle da Constitucionalidade das Leis na Constituição Brasileira de 1988. BETINA RIZZATO LARA . pela Emenda Constitucional 45/2004 e pela nova Lei de Falência nº 11. de 08.Processos informais de mudança da Constituição: mutações constitucionais e mutações inconstitucionais.Manual de Direito Processual Civil – Volume 1 – Parte Geral (9ª edição revista. 168 determina-se que “al Presidente de la República. In IVO DANTAS. no art. inclusive em conformidade com a Emenda Constitucional nº 45.101/2005. atualizada e ampliada. Max Limonad. cap.Liminares no Processo Civil. edição. São Paulo: 2ª. Asimismo. O Novo Processo Constitucional Brasileiro. ANA CAROLINA CARDOSO LOBO RIBEIRO . Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Agravos e Agravo Interno 4ª edição atualizada. 10ª edição.A interpretação e a mutação constitucional.NOVO PROCESSO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO: O ESTADO DA ARTE PROF. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA . 1986. 2005. necesitando para ratificarlos la aprobación del Poder Legislativo”. 2005.Da Ação Direta de Declaração de Inconstitucionalidade no Direito Brasileiro. IVO DANTAS sus productos y materias primas. DR. Editora RT. ALFREDO BUZAID . revista e atualizada segundo o Código Civil de 2002.12.Mutação constitucional: mutações (in)constitucionais resultantes da interpretação judicial. corresponde: 20) – Concluir y suscribir tratados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADALBERTO ROBERT ALVES . o con el Consejo de Ministros.Lições de Direito Processual Civil. propenderá a la efectiva complementación de sus servicios públicos”. Rio de Janeiro: Editora Lumen Júris. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro: Editora Forense. Por su vez. 2006. CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO . 2010. ARRUDA ALVIM . ANNA CÂNDIDA DA CUNHA FERRAZ . 1994. Curitiba: Juruá Editora.Recurso Especial. São Paulo.2004. 2005 ATHOS GUSMÃO CARNEIRO . actuando con el Ministro o Ministros respectivos. São Paulo: Editora RT. 63 . São Paulo: Editora Saraiva.

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