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VIABILIDADE ECONÔMICA DA PRODUÇÃO DE CARVÃO COM MANEJO FLORESTAL PARA PEQUENOS PRODUTORES DA CAATINGA

Luciano Sampaio * Frans Paryen** Elizandro Souza *** Otácia Emilia Cabral**** A demanda regional por energia de biomassa florestal foi estimada ainda, em 1992, em 420.000 esteres/ano, dos quais 81% para o setor domiciliar e 19% para os setores industrial e comercial. A pequena participação do setor industrial (cerâmicas, padarias, fábricas de doce e sabão) na microrregião justifica-se pela ausência de um pólo de desenvolvimento industrial. Contudo, das empresas da região, 69% utiliza a biomassa florestal como fonte energética. Além disso, a região é potencialmente fornecedora de produtos florestais no Estado de Pernambuco, sendo 67% da produção de lenha e carvão vegetal destinados a outras regiões, em 1992. A microrregião do Moxotó, com 7 municípios, tem uma população total de 185.006 habitantes, dos quais 61,7 % mora na zona urbana. A microrregião apresenta uma superfície total de 618.211 ha e uma cobertura florestal total (base 1992) de 60% (Projeto PNUD/FAO/IBAMA/BRA/ 93-033). Desta cobertura, 32% é caatinga arbórea fechada; 51%, caatinga arbustiva arbórea fechada e; os 17% restantes, caatinga arbustiva arbórea aberta. Relacionando estas coberturas com os seus estoques florestais - estimados em 287 esteres/ha, 181 esteres/ha e 126 esteres/ha respectivamente conclui-se que existe ainda um enorme potencial de oferta de produtos florestais na microrregião. Quanto à distribuição da terra, os proprietários com menos de 100 ha apresentam 90% do número de estabelecimentos com apenas 28% da terra. Os produtores com mais de 500 ha (2% do total) possuem 45% da terra. Conjuntamente, os pequenos e médios produtores (< 500 ha) dispõem de aproximadamente 122.664 ha (34% da área total) de caatinga (considerando as pastagens nativas), demonstrando o seu potencial importante para manejo florestal sustentado. O projeto PNUD/FAO/IBAMA/GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO – objeto de acordo de cooperação técnica entre as Nações Unidas, através da FAO e do PNUD, o Governo Federal, através do IBAMA, e o Governo Estadual – foi implantado no Estado de PE, em 1990, objetivando elaborar um Programa de Desenvolvimento Florestal para Pernambuco. Este projeto já desenvolveu estudos básicos de mapeamento da vegetação nativa lenhosa, inventário florestal, consumo e fluxo de energéticos florestais e importância sócio-econômica dos recursos florestais. Na seqüência, o Projeto PNUD/FAO/IBAMA/BRA/93-033, de manejo da caatinga, derivou da conclusão do Projeto anterior, que indicou como prioridade o manejo florestal no Sertão de PE. Nele, definiu-se como área piloto para implementação do manejo na caatinga a região do Sertão do Moxotó, no estado de Pernambuco, inserida na porção semi-árida do NE brasileiro. Apesar das dificuldades de produzir em ambiente semi-árido, o projeto enfrenta o desafio de contribuir para a melhoria da vida de pequenos e médios produtores rurais daquela microrregião “através de ações de manejo florestal sustentável da vegetação de caatinga, em sistemas melhorados de transformação, beneficiamento e comercialização dos produtos florestais obtidos no manejo, bem como a organização comunitária desses produtores”. As comunidades acompanhadas pela APNE possuem pouca ou nenhuma participação em organizações comunitárias (cooperativas, associações ou sindicatos), o que coloca em destaque o desafio de trabalhar num contexto de “desorganização” social, portanto, de difícil atuação no que se
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Professor Dr. do Departamento de Economia/PPGE/UFPB.

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Diretor Técnico-administrativo da Associação de Plantas do Nordeste (APNE), frans@plantasdonordeste.org.
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Aluno de Engenharia Florestal da UFRPE. Engenheira Florestal, Técnica da APNE.

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pecuária e florestal. 2000). a área por talhão. especialmente. A base teórica da noção de complexo agroindustrial. da Universidade de Harvard (Davis e Goldberg. Este fato aumenta ainda mais a fragilidade desta classe produtiva. localizados no Sertão do Moxotó. Essa região abastece com carvão vegetal os mercados de pequenas. 2003).refere ao comprometimento das pessoas quanto à sustentabilidade das ações desenvolvidas e à continuidade de processos organizativos da produção agrícola. Assim. A Tabela 1 mostra a área de manejo. o carvão vegetal. como objetivo geral do presente estudo. Sertânia e Betânia. e o armazenamento. Esse enfoque enfatiza a questão da dependência intersetorial ao longo da cadeia produtiva (ZYLBERSZTAJN. o complexo agroindustrial é visto como um sistema em que as partes apresentam uma interdependência orgânica (SAMPAIO et al. e estimar os custos. do carvão vegetal. médias e grandes cidades como Campina Grande. 2001). inclusive para um Assentamento. Assim. um aspecto chave a ser discutido é a comercialização dos pequenos produtores da região do Moxotó dos produtos resultantes de suas atividades de exploração da caatinga. níveis de produção suficientes para concorrer (escolha que permita economia de escala). o processamento e a distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos com eles” (NUNES e CONTINI. Os oito primeiros produtores (pequenos e médios) estão localizados em Sertânia e estão regularizados desde 2004. receitas e conseqüentemente o lucro dos produtores do Projeto Piloto com a atividade. têm-se os seguintes objetivos específicos: identificar a cadeia produtiva do principal produto explorado. Pernambuco. está a análise da viabilidade econômica do manejo na caatinga do Sertão do Moxotó. proposta por Ray e Goldberg. Davis e Goldberg atribuíram o termo “agribusiness” ao conjunto de relações intersetoriais da agricultura. nos municípios de Custódia. na região de Moxotó. definindo estratégias de ação para que os pequenos e médios produtores garantam sua sustentabilidade. 1957). negociação de preço e possibilidades de desenvolver ações de beneficiamento da produção. A APNE implementou um projeto piloto de manejo da caatinga. associações ou sindicatos. foi feito a partir da análise sistemática das cadeias produtivas. as operações de produção nas unidades agrícolas. Muitos destes produtores são penalizados pelo IBAMA (órgão federal responsável pela fiscalização desse tipo de exploração) já que não têm suas atividades de extração e comercialização autorizadas. Assim. Dada a possibilidade de expansão do projeto. no qual apenas 20% dos produtores rurais participam em organizações comunitárias. é derivada do conceito de matriz de insumo-produto de Leontief. A cadeia de mercado envolvendo os pequenos e médios produtores tem compreensão dificultada pelas questões legais que cercam a exploração de produtos florestais da caatinga. Maceió e a região Metropolitana de Recife. Um dos papéis do projeto é fortalecer/estimular a organização desses produtores de lenha e carvão vegetal para melhor aproveitamento das oportunidades de negócio: acesso direto a mercados. sejam elas cooperativas. Metodologia O levantamento dos custos e receitas da produção e comercialização na cadeia produtiva do carvão vegetal. Esta é uma situação característica em todo o Estado de Pernambuco. surgiu a necessidade do projeto piloto. A análise do setor agrícola como parte de um complexo agroindustrial foi primeiro proposta por John Davis e Ray Goldberg. sendo assim. todas localizadas em Sertânia. Formalmente. Para tanto. 2 . A APNE implementou a produção com manejo em oito pequenas propriedades. o agribusiness foi definido como: “a soma total de todas a operações de produção de distribuição de suprimentos agrícolas. a data de aprovação e a produção anual/talhão esperada para cada um dos oito participantes. atuam na clandestinidade.

Considerando que 1 saco de carvão vegetal corresponde a 28. sem incluir carregamento e descarregamento. Na produção do carvão.25 ha 310.62 st Set/ 2004 (último: 2.3 st 121.45 ha Amorim José Feitosa 29.7 kg.25 ha 1.85 ha 1. não exigindo praticamente a utilização de insumos e assim concentrando seus custos em mão-de-obra para corte e carreamento.7 ha Fonte: a partir de Levantamento da APNE (2005) Considerando que 1 st de lenha equivale a aproximadamente 0. Foi feito levantamento de custos de produção/comercialização de carvão vegetal em quatro das oito propriedades.77 toneladas/ hectare.80. e o preço de venda no mercado local é de R$ 3. O processo que envolve enchimento e ensacamento do produto (carvão vegetal). A Tabela 2 resume os custos de produção de carvão para uma área de 1 hectare.72 st Junho/ 2004 Agamenon da Silva 68.85 st 231.12 ha 129. é de aproximadamente R$ 2.13 st Jan/ 2005 Abril/ 2005 Set/ 2005 Junho/ 2004 Jan/ 2005 Junho/ 2004 J o s é S e v e r i n o49.29 ha 1.4 st 53. Analisaram-se os custos unitários e totais da produção/comercialização divididos nas principais categorias informadas pelos produtores.5) Manoel Siqueira 31. na saída do forno. verificou-se a semelhança dos itens integrantes dos custos finais para os quatro proprietários. o carvão ensacado.5 st 256.71. 34 % do custo total de produção/comercialização do carvão vegetal e com o processo de queima da lenha em fornos de 13 mst. normalmente o produtor vende o produto diretamente a intermediário da região ou faz a comercialização em transporte próprio ou alugado para o mercado local ou para mercado das capitais mais próximas.36 kg de carvão por stere (dado estimado pela ONG para a região). chega-se a 201 sacos de CV/ hectare. o que torna a viabilidade da produção atual para o mercado local possível apenas com a realização de trabalho próprio do produtor na produção de lenha e de carvão. corresponde a cerca de 17 % dos custos de produção/comercialização do carvão. Incluindo os gastos com os sacos. 3 . ou seja 71% do custo se transforma em renda. responde por 87% dos custos.62 ha Sebastião Januário Artur Siqueira 18. De modo geral.8 ha 2.83 ha 4.1 toneladas de lenha por hectare. Observa-se que o custo de produção por saco.95 ha 0.78 ha 18. pronto para ser comercializado. ou seja. a etapa de produção responde por 87% dos custos.36 st 45.Tabela 1 – Caracterização dos produtores participantes do Programa Piloto de Manejo da APNE Nome do proprietário Área Área Produção Aprovação de Manejo de Talhão anual/ talhão Marly Siqueira 11. o estoque médio de lenha encontrado nas oito propriedades foi de 70 st por hectare. Essa etapa responde por aproximadamente 54% dos custos para a obtenção do carvão vegetal. além da queima propriamente dita. Para uma obtenção média de 82. Neste ponto. destacam-se os custos com o corte da lenha.29 ha José Ernande de Lima 13.00. o que equivaleria a uma receita com remuneração de R$ 443.33 toneladas de lenha. A lenha usada como matéria-prima para obtenção do carvão vegetal tem sua produção como mão-de-obra intensiva. a produção de carvão é de 5. indicando uma margem muito pequena.6 ha 3. Toda a etapa de produção (da lenha e do carvão) pode ser desenvolvida pelo proprietário. o que corresponde a 23.5 ha 3 ha 114.

Tabela 2 – Custos de Produção e Comercialização de Carvão Vegetal para um produtor típico. a obtenção e comercialização de carvão são baseadas no uso intenso de mão-de-obra: apenas 16% dos custos correspondem a compra de insumos (sacos). adquiridos por cerca de R$ 0. os melhores remunerados são os responsáveis pelos serviços de carreamento. variando de acordo com a área em questão e com o trabalho.005 por km por saco) Custo produção. que não vinha sendo cobrado pelo IBAMA.00 R$ 105.70 R$ 351.75 de frete.Descarregamento caminhão 201 500 sacos Custo produção e comercialização (sem frete) 2.75 976. Este custo adicional. Os custos de comercialização e frete da Tabela 2 exemplificam a venda em Recife e incluem o carregamento e descarregamento do caminhão com a mercadoria e o frete até o local de destino.70.1 Produção lenha . são os sacos de 25 a 30 kg de capacidade.50/unid Custo Produção carvão ensacado 2. em 2004 Valor Unitário 1.00 e corresponde à vistoria para liberação do talhão a ser cortado no ano. queima e ensacamentoR$ 1. é a taxa anual de vistoria do plano de manejo.80 R$ 443.20 R$ 624. A APNE havia negociado com o órgão a isenção desta taxa para os pequenos produtores que participassem do programa de manejo.2. Para Recife.Geral (machadeiro) . comercialização (Maceió ou Recife) R$ 42.2 Produção carvão . Na produção da lenha. de modo geral. * tomando o custo de R$ 20. 0.00 R$ 210.Carreamento 1.50/ km (ou350 km distância) seja.00/mst R$ 1.Corte de lenha . 2005. o que pode inviabilizar os mesmos e incentivar a volta da produção ilegal. soma-se R$ 351.45 6% 6% 100% 70 R$ 107. comprado regularmente (alterando os custos variáveis).80 20. os demais 84% referem-se a custos com mão-de-obra (sem a inclusão do frete). Comercialização 2.50 R$ 544.1 Mão-de-obra .2. tem-se um custo de R$ 624.30 16% 87% 17% 71% (R$/mst de lenha) R$ 0. e anunciou a cobrança novamente. Produção 1. Um fato que pode aumentar esses custos é a discussão em torno da retomada da cobrança da taxa do Ibama. Em resumo. 0 0 /201 caminhão com até .1 mdc de carvão 201 201 R$ 100.54/mst* (fornada) Custo Produção: Produção resultante de carvão (em mdc): Produção resultante de carvão (em sacos de 25 a 30 kg) Sacos para carvão R$ 0.2 Frete (variável com aR$ 2. O pessoal ocupado pode ser a própria família do proprietário como terceirizado. com o seguinte sistema de pagamento: 4 .5/mst 70 70 70 R$ 21. alegando a ilegalidade da isenção. Sem considerar o frete.Carregamento caminhão R $ 1 0 0 .00 3% 34% 17% Quantidade Valor Total (R$) % no Custo Fonte: a partir de levantamento da APNE.30/mst R$ 3. O único insumo industrializado. Há uma reclamação freqüente também em relação aos prazos diferentes que o Ibama leva para conceder a autorização para corte quando esta é paga ou não. que havia sido isentada para pequenos produtores.50 a unidade e que incorrem no percentual de 16% do Custo Total.enchimento. Essa taxa tem valor de R$ 289.20 R$ 42. mas recentemente o IBAMA voltou atrás.00 com a fornada de 13 m³.

No entanto. sem manejo e sem pagamento da taxa de vistoria do IBAMA. concorrendo com o carvão de Garanhuns em Recife e Maceió. alternativamente. avaliam-se melhor as conseqüências da volta da cobrança da taxa de vistoria.00. Os principais destinos comerciais. A embalagem de 3 kg variou entre R$ 1. considerando uma produção de 20. Os locais indicados como estabelecimentos de venda incluem os Mercadinhos.49 e R$ 3.Taxa de vistoria para o plano de manejo: R$ 289. as regiões de Caruaru. Os cálculos foram feitos para uma área de 1 hectare de corte. excluindo o consumo próprio. 5 . Nestes casos. dependendo da distância do local de destino pode ter valor superior a todos os demais custos da produção e da comercialização. exercendo o papel de intermediários e cobrando para transportar ou comprando o carvão dos produtores e revendendo nas cidades citadas. o principal item de dispêndio é o frete. em todas as regiões metropolitanas. sendo o menor valor dessa faixa encontrado em Recife e o maior em Maceió. Para essas regiões. Campina Grande.00 para área de até 250 hectares. O carvão é vendido em sacos de 3 kg e 4 kg. que. grandes demandantes de carvão. de R$ 2. considerando todas as regiões visitadas. em estabelecimentos de todas as regiões.7 kg. Dentre os produtores participantes do projeto da APNE. Os menores preços também foram encontrados em Recife para as embalagens de 4 kg.59). A Figura 1 resume as opções de comercialização para o carvão vegetal para os produtores do Projeto Piloto.60. esses mercados são prováveis potenciais para ampliação do comércio de carvão e por isso foram analisados. sobretudo. Contudo. também aparecendo como destino. mais R$ 0. As embalagens de 25/30 quilos tiveram preços entre R$ 7.55 por hectare suplementar a esses 250 ha. do carvão vegetal dos três municípios são os centros urbanos de Maceió e Recife. O frete pode ser próprio ou terceirizado.00 (Maceió) e R$ 15. 201 sacos de carvão de 28.1 mdc de carvão vegetal ou. dado o aumento populacional e também o encarecimento do gás de cozinha (GLP). Pontos de Venda e Churrascarias.00 (Recife). dois também fazem a comercialização de outros. alguns estabelecimentos indicaram vender também em embalagens de 20 a 30 kg. Esses centros urbanos são os maiores mercados e de demandas crescentes. com os maiores preços encontrados em Campina Grande (R$ 4. em Caruaru e Campina Grande. como visto. há a concorrência de outros locais produtores. ou seja. O sertão de PE abastece. A volta da cobrança pode inviabilizar o plantio com manejo na região e consequentemente incentivar a produção ilegal de carvão. Postos de Gasolina. Recife e Maceió. Mais adiante.

00 por saco.005 vezes 201 sacos).75 R$ 61/ mdc Siderúrgica (São José do Bel Monte) R$ 5 – 6/ 25 kg R$ 1.2– 2.00 / saco.Figura 1 – Margens de comercializaçãoc. e muito. Produtor do carvão custos : R$ 544. Dividindo por doze meses. A constatação final para a opção de venda no mercado local é de que os lucros com a comercialização superam. quando vendeu ao intermediário. Assim.25 R$ 4-5/ saco Frete: R$50. (1 ha) vegetal de Sertânia.25/ 4 kg Consumo familiar local Pontos de Venda (Recife/ Maceio/ C.25.00 e R$ 5. Assim. originando um lucro contábil de R$ 58. ele ou o intermediário.5/ 3 kg R$ 2.6 kg kg Preços de venda R$ 2 –3/ 3 kg Consumo familiar urbano Fonte: Elaboração própria. Dentre as alternativas de comercialização da época. A margem de comercialização de venda do produtor ou intermediário para suprir o mercado local era de cerca de R$ 1.25 (50 km vezes 0. este lucro passa a ser de R$ 209.45 por hectare.00/saco de 25 a 30 quilos.6 / 4.75 por hectare. tem-se R$ 4. Supondo o mesmo preço por quilômetro do transporte até as capitais (este último é provavelmente mais caro).75 Preços de compra R$ 4 – 13/ 25 kg R$ 35/ mdc Frete: R$150.89 / mês/ hectare. os com a produção: 28% do lucro estão na produção e 72% na 6 .00 cada) e custos de R$ 544. em 2005/ 2006.00 e gasta mais R$ 50. com acréscimo no lucro contábil de R$ 150.30. a mais comum era a venda direta a intermediários por R$ 3. tendo que ser subtraída desta margem os custos de transporte da região produtora até os estabelecimentos comerciais. Os produtores ou estes intermediários vendiam o carvão aos comerciantes do mercado local. tem-se custo de R$ 50. por exemplo).25 Mercado local (comerciantes) R$ 3/saco Intermediario Frete: R $351.00 (201 sacos vendidos a R$ 3. Para o produtor que comercializa seu produto. Grande) R$ 7 – 15/ 25 R$ 2.7/ hectare. Os meios de transporte podem ser diversos para percorrer essa distância de aproximadamente 50 quilômetros entre a região produtora (Caroalina) e os municípios consumidores na região (Sertânia. por preço entre R$ 4.30 produção : 201 sacos Frete: R$ 50. o produtor obteve receita de R$ 603. ganha mais R$ 201.v.

sendo o primeiro tamanho o mais comum. O transporte do produto até Sertânia ou Custódia e conseqüente venda para comerciantes locais é melhor (lucro de R$ 209. Os pontos de venda podem receber o produto em três tipos de embalagem (na Figura 1 estão as faixas de preços das três cidades).00/ mil sacos de 3 kg).25 por hectare vendido. A siderúrgica.990. R$ 17. não considerado.226.00 e custos de frete de R$ 351. A venda mais comum da época era a direta nos sacos de 25 a 30 quilos por preços entre R$ 7. o pequeno produtor considerado aqui. seu lucro contábil seria de R$ 1. sendo assim mais vantajoso intermediar as vendas que produzir o carvão. menos o custo de transporte de R$ 351. é a venda em pequenos sacos de 3 ou 4 quilos. Se o produtor utiliza mão-de-obra própria. A venda do carvão.010. ao invés de R$ 7.00 (compra por R$ 3. o que corresponderia a R$ 37.1 mdc receberia R$ 703.033.00). embora a mesma receba carvão de outros produtores da região. Contudo ele tem um custo adicional com 1910 sacos pequenos de 3 quilos (dado o preço de mercado de R$ 246. auferindo lucro contábil de R$ 450. mas pior que a venda do carvão no local de produção para a siderúrgica.35 por hectare. Ela paga R$ 35/mdc para o carvão recebido na propriedade dos produtores ou R$ 61/mdc para o recebido na siderúrgica. o intermediário obtém.00 no local de produção ou R$ 1. cerca de R$ 470.10 menos o custo de compra do carvão (201 sacos vezes R$ 3. sendo a primeira a pior opção.00 ou R$ 603. menos o custo dos sacos pequenos (R$ 470.00/ unidade).45 (R$ 624.012. este obtém Receita líquida de 201 sacos vezes R$ 7. A venda direta no local gera o pior lucro contábil por hectare. R$ 3. o lucro contábil é de R$ 502.226. O lucro contábil por hectare é a receita bruta de R$ 3. Sua receita passa a ser de 201 vezes R$ 17. Ressalta-se a provável necessidade de vários pontos compradores para esta última opção e ainda um custo adicional. que produziu 20. Uma alternativa seria a utilização de sacos de náilon.30).65). que entrega o carvão no local de produção.50.70 + R$ 150. Para os custos de R$ 976.005 vezes 150 vezes 201). o produtor teria lucro contábil de R$ 1.70 mais frete de R$ 351. Para um produtor que vende sua produção nas cidades nordestinas mais próximas da área produtiva (Recife. Assim.70. o lucro contábil por hectare é de apenas R$ 58. pode ser efetuada para o intermediário ou para a siderúrgica.7 quilos (considerando um saco de 28.5 sacos de 3 quilos e vendidos ao preço médio de R$ 1.75.407.13 / mês (dividindo por doze). o que poderia reduzir os custos em R$ 100.7 quilos resultando em 9. por exemplo. As demais alternativas envolvem um deslocamento maior. A outra opção. A receita seria de R$ 1.10.00. de transporte e vendas nas capitais e ainda a necessidade de comercialização de grandes volumes numa mesma viagem.00 e R$ 13. Considerando os mesmos custos anteriores para o produtor (R$ 544. Maceió e Campina Grande) é necessário pagar frete de R$ 351.10 com custos de R$ 775. sendo a diferença entre os dois valores atribuída a remuneração do trabalho. A entrega do produto na Siderúrgica consiste numa boa opção (lucro de R$ 450.55/ hectare ou R$ 86. Se houver contratação de mão-de-obra.75 da região produtora até os pontos de venda de Recife. Ressalta-se que a Siderúrgica não exige a entrega do carvão ensacado.65/ hectare.437. Neste caso.00).80).70/hectare ou R$ 13. Outro ponto é a 7 . é uma possibilidade ainda não utilizada pelos produtores do programa de manejo da APNE. ou seja. contudo mais resistentes (40 a 50 viagens). de três quilos. resultando em R$ 2. se entregasse o produto na siderúrgica.00.437. praticada em geral apenas pelos intermediários.45: R$ 624. em termos de lucro. mas com geração de lucro muito inferior às opções de venda nas capitais.10.comercialização até os centros locais (mais próximos).55/ mês. mais caros (R$ 2. Recife e Maceió) em embalagens pequenas.22/mês.00). porém são as que possibilitam maiores retornos. obtendo lucro contábil de R$ 1. receitas e lucros contábeis do pequeno produtor típico da seção anterior.65) são auferidos com a venda do produto nas principais cidades nordestinas da região (Campina Grande.00.00.75).75 (frete de R$ 0. sem carregamento e descarregamento. Os maiores lucros contábeis (R$ 1. igual a R$ 1. A Receita é então calculada por 201 sacos vezes R$ 10. instalada em São José do Bel Monte. no próprio local de produção.75.589. para o pequeno produtor.055. Caso o responsável pela venda nas cidades seja o intermediário.45) que a venda para o intermediário. Resultados A Tabela 3 resume os custos.10 para entrega na siderúrgica. ou seja.00 e vende por R$ 10.50 para a produção considerada aqui. resultando em R$ 2. com custos de frete mais elevados e certa organização comercial.10 em um saco de 28.

foram para um pequeno produtor que não precisou pagar pelo plano de manejo (feito pela APNE) e que teve isenção da taxa de vistoria do IBAMA dado um acordo feito pela APNE com o IBAMA. Ainda seria viável para o pequeno produtor se a comercialização de sua produção fosse realizada nas capitais regionais e/ ou com entrega na Siderúrgica. Tabela 3 – Custos. o que nem sempre é possível sem a ajuda de um intermediário que tenha os contatos necessários e conheça o mercado e os seus pontos de vendas e tenha algum poder de negociação. Mesmo assim. 775. Os cálculos de custos.00 Lucro (R$) 58. aos preços praticados. seria necessário um desembolso de R$ 500. baixo ou alto.50 e R$ 475. Observase que a cobrança da taxa pelo IBAMA (mesmo mantendo o manejo gratuito) impossibilitaria de imediato (lucro contábil negativo) a produção do pequeno produtor que comercializa com o intermediário e praticamente também inviabilizaria a venda no mercado local.318.00. de 201 sacos de carvão Comprador Intermediário Mercado Local Grandes cidades do NE Embalagem 20/ 30 quilos Embalagem 3 quilos Siderúrgica Venda no local de produção 544.45 2010. Considerando um empréstimo típico para o plano de manejo.00 1226. O Plano de Manejo.00). A elaboração do Plano de Manejo Florestal Sustentável Simplificado (PMFSS) envolve as seguintes etapas: reconhecimento da área e mapeamento. inviabilizando a venda no mercado local para este pequeno produtor. parece ser esta a melhor alternativa para o pequeno produtor.disponibilidade de capital de giro para o frete e outras despesas na comercialização.00) significam um custo adicional de R$ 789.70 450. Receitas e lucro para o pequeno produtor de Sertânia. inventário.00 a R$ 1.00) associado ao pagamento da taxa do IBAMA (R$ 289. para esses pequenos produtores. a elaboração do PMFSS propriamente dita. material e documentação. dependendo do nível dos salários da equipe. por hectare em 2005/ 2006 Produção e comercialização. apenas as comercializações que envolvem maior deslocamento e conseqüente pagamento de frete e maior iniciativa para comercialização seriam viáveis para os pequenos.70 209. Este é mais um dos motivos para a comercialização ilegal pelos produtores.30 594. Contudo ressalta-se novamente que a entrega na Siderúrgica não foi verificada para os pequenos produtores participantes do plano 8 . para análise da sustentabilidade da produção a longo prazo foram incluídos os custos de elaboração do plano de manejo por hora. Contudo ressalta-se que este valor é para uma área inferior a 50 hectares e necessário apenas de 15 em 15 anos. com pagamento em 48 meses. assim como a venda no local da produção para a siderúrgica. para financiar o projeto.10 1033. requer um investimento que pode variar de R$ 1.10 158. as vendas em embalagens de 20 a 30 quilos nas cidades da região e a venda com entrega na siderúrgica teriam lucro contábil bem menor (R$ 245. e a volta da cobrança da taxa de vistoria do Ibama.30 Entrega na Siderúrgica Fonte: Elaboração própria.998.00 3437. Para tanto. é necessário custos (ou investimentos) com pessoal qualificado (engenheiro florestal).45 703.55 1990.65 976.45 Contudo. O pagamento anual do Plano de Manejo (R$ 500. em reais. realizado pela ONG.00 por ano.45 1446. por quatro anos.00. Em resumo. a única opção lucrável é a venda em pequenos sacos de 3 quilos nas grandes cidades. vistoria do IBAMA e.55 Receita (R$) 603. para o pequeno produtor.00 804.65 Custo (R$) 544. receitas e lucros contábeis apresentados anteriormente. Assim. combustível. Mesmo assim. pós-inventário e marcação do primeiro talhão e da reserva legal. mão-de-obra contratada. que talvez não valham a remuneração do trabalho. Pronaf Florestal (Banco do Brasil/ Banco do Nordeste).

As receitas são calculadas por destino. assim. etc. O pagamento anual do Plano de Manejo associado ao pagamento da taxa do IBAMA (R$ 289. tem-se que para 300 sacos. Os dados de entrada da planilha incluem as características da propriedade do produtor (área total. o tipo do comprador (intermediário. Por exemplo. com a remuneração dos produtores (não se considerou o aluguel da terra como custo de oportunidade). Importante ressaltar que a viabilidade aqui representa a condição de lucro contábil positivo. Como a maioria das famílias usa mão-de-obra própria. Mesmo assim. simplesmente multiplicando-se preço de venda pela quantidade vendida.00/ saco). por uma regra de três direta. etc). gasta-se 450. consideração de planos alternativos de manejo.00. o Frete que varia com o destino da produção. Para os outros destinos foi usado o mesmo raciocínio. a diferença entre receita e custo. se legal com pagamento de taxas do Ibama. Para a comercialização com a Siderúrgica.00) que talvez não valham a remuneração do trabalho. como um aumento de sua área de manejo. para 300 sacos. caso dupliquem-se os insumos. Uma Planilha foi desenvolvida no programa Excel para calcular receita. Por fim. Este é mais um dos motivos para a comercialização ilegal pelos produtores.00. sendo atribuída a ela. Outra hipótese considerada nestes cálculos foi estabelecer um valor de R$ 1998. densidade. para esses pequenos produtores requer um investimento de R$ 1. uma hipótese primeira foi considerar que as áreas em questão são inferiores a 250 hectares (assim a taxa anual de vistoria do Ibama é fixa em R$ 289. as vendas em embalagens de 20 a 30 quilos nas cidades da região e a venda com entrega na Siderúrgica teriam lucro contábil bem menor (R$ 245. para a venda no Mercado local.33 m³ e tem-se o valor por hectare de corte. ou na formalização de sua atividade como uma alteração na taxa de vistoria do Ibama. a receita obtida por hectare de corte é a produção do mesmo (300 sacos de 25 a 30 quilos) vezes o preço neste mercado (R$ 4.33 m³ de cv e assim multiplica-se diretamente R$ 35/ m³ de cv vezes 33. como qual o efeito sobre sua viabilidade atual dada uma mudança no ambiente (em qualquer variável de entrada): seja na produção. Uma outra hipótese é fixar a remuneração em nível desejado (salário mínimo mensal ou outro qualquer) e analisar se a atividade ainda é lucrativa e neste caso em quanto. gasta-se R$ 120. Nos cálculos da viabilidade. e ainda o sistema de produção. ou de seu estoque de lenha por hectare. ou seja. pelo menos em parte das áreas dos produtores. o tipo de comercialização que o produtor vai fazer. como variações nos preços de seus insumos ou mudança de tipo de comprador. apenas as comercializações que envolvem maior deslocamento e conseqüente pagamento de frete e maior iniciativa para comercialização seriam viáveis para os pequenos.00. na região. As despesas com carregamento e descarregamento para o carvão de um hectare foram obtidas considerando-se que para carregar e descarregar 500 sacos. Um grave problema do retorno da cobrança da taxa pelo IBAMA é um possível incentivo à produção ilegal de carvão. gasta-se R$ 200. mas também transformando os valores para área de corte (Talhão). Os custos e receitas são anuais e calculados da mesma forma apresentada no relatório até aqui.50 e R$ 475. mais precisamente. Campina Grande e Maceió) supôs-se que como para 500 sacos gasta-se R$ 750.de manejo e que a maioria deles também não negociou diretamente sua produção nas cidades e sim através de intermediário. incluindo mão-de-obra em qualquer das etapas. pode-se avaliar a situação atual de qualquer produtor e ainda fazer as mais diversas simulações para o mesmo. 9 . independente do forno utilizado para produzir carvão ou dos ganhos de escala do trabalho. área de corte.00) pode inviabilizar a venda no mercado local para o pequeno produtor assim como a venda no local da produção para a Siderúrgica. Ambas as hipóteses podem ser facilmente modificadas na planilha. os lucros podem ser interpretados como valores da remuneração familiar. podendo o lucro ser visto. e/ou com o pagamento de manejo florestal. Assume-se uma tecnologia com retornos constantes de escala. temse que 1ha equivale a 300 sacos de cv ou 33. custo e conseqüentemente lucro da produção e comercialização de carvão vegetal possibilitando a simulação de diversos cenários de interesse. distribuidor em grandes centros. a remuneração pode ficar de fora dos cálculos. O Plano de Manejo. etc. siderúrgica.00). Então. ou variação no preço dos fatores de produção ou insumos. etc). na comercialização. ou seja. Em resumo. contudo os custos incluem a taxa de cobrança do IBAMA e o pagamento do Manejo. duplica-se a produção. quando há utilização de mão-de-obra familiar. Para as grandes cidades (Recife. etc.00 para o plano de manejo. Mesmo raciocínio para os demais tipos de comercialização.00.998.

Contratada Ilegal Própria Forma de comercialização Mercado Grandes Centros local -2077.6 40. que pode garantir R$ 1.3 58. são todos positivos e bem superiores aos obtidos nas outras duas “situações de produção” resultando ser a única opção para pequenos produtores com áreas de 15 ha.1 652. independentemente do uso de mão-de-obra contratada ou não e do tipo de comercialização.d e produção obra Contratada PMFS Própria D e s m a t . -2228.7 432. A alternativa de venda do carvão para a Siderúrgica é mais lucrativa que a venda para intermediários quando se entrega o carvão sem ser ensacado e se o carregamento e descarregamento forem por conta da siderúrgica. sobretudo a falta de associativismo entre os pequenos produtores que poderiam compartilhar informações e definir uma estratégia de venda conjunta.1 -11.3 1042.8 -403.0 Inter.6 -1784.9 190. em que o trabalho próprio compensa a remuneração obtida.8 1014. destaca-se a informação dada pelo proprietário da siderúrgica em estabelecer diálogo com os produtores e negociar preços e sistema de entrega. exceto quando se comercializa com os grandes centros.2 602.8 1476.1 -338. Quanto a isso.0 -303. tem-se lucro positivo.9 28.7 894. permite uma remuneração anual bem inferior ao correspondente a um salário mínimo para as formas de comercialização mais adotadas por estes produtores qual seja a venda no mercado local e para intermediários. como já havia sido constatado na discussão sobre margens. Evidencia-se a inviabilidade da produção para esta área quando se faz Plano de manejo. com desmatamento legal e com desmatamento ilegal).9 209. Ressaltam-se as maiores dificuldades de organização. e assim sem pagamento de taxas ao Ibama.1 -252.7 Siderúrgica Entrega Entrega local fábrica -2128. A opção de Desmatamento legal. As entrevistas com produtores confirmaram que nenhum deles até janeiro de 2006 havia optado por este tipo de comercialização.45. para diversas combinações de produção e comercialização.6 1032.9 -1634. Tabela 4 – Lucro anual área de produção de lenha de 15 ha. apenas quando se comercializa com os grandes centros.5 502. em embalagens de 3 quilos. A Tabela 4 resume a lucratividade anual para as diversas combinações de produção/ comercialização.3 -1393. para diferentes níveis de “situação da produção” (produção com PMFS.8 -1684. Os lucros com desmatamento ilegal.7 1504. Conclusão A análise dos custos e receitas para o pequeno produtor típico mostrou que a atividade legal.35 quando feita em embalagens de 25 a 30 quilos. não é muito rentável. mostraram-se alternativas que resultam em maiores lucros (remuneração) para o pequeno produtor como a venda nas grades cidades da região (Recife. mesmo com o plano de manejo feito gratuitamente pela APNE e com isenção da taxa de vistoria do Ibama.434. a venda do produto nos grandes centros com embalagens de 3 kg. e ainda para os seis tipos de comercialização.9 1486.9 450.A simulação realizada aqui é a comparação da viabilidade da produção de uma área de 15 hectares de manejo.3 Fonte: elaboração própria. mas talvez não suficiente para compensar o uso da mão-deobra familiar. Campina Grande e Maceió).8 140.7 kg -1254.0 158. independente do tipo de comercialização. conhecimento de mercado e perfil empreendedor para a comercialização nas grandes cidades. com uso de 1 ha de corte por ano. com uso de mão-de-obra contratada. 10 .9 1948. com um estoque de 70 mst de lenha. contudo com a utilização de mão-de-obra própria. ou seja. para as possibilidades de mão-de-obra contratada e própria. Contudo. e assim 1 hectare de área de corte.1 -1836.Contratada Legal Própria D e s m a t . Dentre as formas de comercialização. S i t u a ç ã oM ã o .6 3 kg -782.477. para a mesma área de 1ha de corte por ano mostra-se viável.2 -810.4 570. é a que proporciona melhor lucratividade (ou menor perda). ou R$ 2.

P. A melhor opção para o pequeno produtor é sem dúvida a venda do carvão.mma. 2000.. Y. Pesquisa de Campo da APNE. A concept of Agribusiness. e Neves. A dificuldade é o estabelecimento de clientes certos. E. evitando o risco de negociação com a carga já no local. envolve maior organização. Sampaio. E. 2001. como dito. 2000. 2004. B. A. In: Zylbersztajn. Assim. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DAVIS. A negociação entre produtores e intermediário tem a vantagem da confiança entre as partes que já têm acordos de compra e venda há muitos anos. Ele destacou que o preço vendido em Campina Grande é de R$ 9. nas cidades. APNE. Eficiência econômica e competitividade da cadeia produtiva de derivados da cana-de-açúcar. Projeto PNUD/FAO/IBAMA/Governo do Estado de Pernambuco. Um dos produtores informou ter levado seu produto.A alternativa de comercialização direta pelos produtores nas grandes cidades é bem mais rentável que as demais opções. 2003. confirmando a enorme vantagem deste tipo de comercialização. Maceió e Campina Grande e o levantamento do preço que poderia ser pago por ele. está construindo uma fabrica na região para ensacamento do carvão e transporte e venda para Maceió já em embalagens de 3 kg.00. 1993. J. Contini. mas.00/saco de 25 kg e de R$ 1.20 a R$ 2. Foi constatado ainda que. para Campina Grande. Complexo Agroindustrial Brasilerio: Caracterização e Dimensionamento. Além da falta de organização na comercialização do produto quando a carga é levada para os grandes centros. Uma alternativa é a divulgação do carvão dos pequenos produtores com plano de manejo e assim que têm um produto obtido de forma ecologicamente correta ou socialmente justa nas grandes redes de supermercados das grandes cidades. C. 2006.gov. evolução e apresentação do sistema agroindustrial. ZYLBERSZTAJN. a pratica mais corrente era a venda a intermediários da região (os principais são dois dos produtores) que vendem o produto em Recife e Maceió adquirindo praticamente toda a margem deste tipo de comercialização. o intermediário principal. Projeto PNUD/FAO/IBAMA/87/007/Governo do Estado de Pernambuco. Plano de PMFSS da APNE. D. SAMPAIO. NUNES. Censo Demográfico. de F.. E.H. MF Economia e Gestão dos Negócios Agroalimentares. 11 . 1996. www. Levantamento de campo: demanda e custos dos produtores no Moxotó. ABAG. em embalagens de 3 quilos. E. V. 1957. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). 2005. Brasília. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. 1990. Pioneira. e GOLDBERG. D. como visto aqui. COSTA.br. LIMA. Harvard: Harvard University. R. R. que supri o mercado de Maceió. talvez superior e que compense a produção legal. saco (bolsa) de 3 kg. S. Projeto PNUD/FAO/IBAMA/BRA/93-033. SEBRAE/AL. outro ponto importante é a necessidade de um capital de giro mínimo para fazer este tipo de negociação. Uma proposta para estudo é a análise da possibilidade de outros mercados para o carvão da região que propiciem maiores receitas. Maceió. em caminhão próprio. É necessário o estudo da demanda por este “carvão orgânico” ou “carvão verde” nas grandes redes de supermercado de Recife. tendo vendido entre 10 e 15 sacos para supermercados. Conceitos gerais.