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Validade, vigência, eficácia, vigor Posted on 14/09/2011 Após refletirmos filosoficamente sobre o significado teórico de validade e sobre o formato do ordenamento jurídico, devemos desenvolver questões relacionadas ao significado técnico da validade e suas repercussões, como a vigência, a eficácia e o vigor. A atividade cotidiana do jurista consiste na produção de petições, de sentenças e de contratos. Para concretizá-la, precisa deparar-se com o problema da validade em seu início e em seu final. O ponto de partida do jurista é uma norma juridicamente válida: a Constituição Federal e a legislação. O ponto final, em si, também é uma norma juridicamente válida: os produtos acima enumerados devem pertencer ao direito, do contrário, a atividade terá sido inútil. A primeira questão, portanto, consiste em saber se a norma jurídica que dará início ao processo produtivo pode ser utilizada com esse fim ou não. Para tanto, ela deve estar inserida no ordenamento, tornando-se válida. Mas, em que momento, precisamente, uma norma passa a ser válida (e a fazer parte do ordenamento)? E quando ela não é mais válida (e não pode ser utilizada como fundamento para peças processuais)? Por outro lado, será que toda norma válida já pode ser utilizada pelo jurista (será que ela já pode produzir efeitos)? Será que uma norma que perdeu a validade nunca mais poderá ser utilizada pelo jurista? Sob o ponto de vista dogmático, a validade de uma norma significa, apenas, que ela está integrada ao ordenamento jurídico, ou seja, pertence ao conjunto das normas jurídicas. Essa integração deve ser formal (ou condicional) e material (ou finalística). Para descobrirmos se uma norma é formalmente válida, precisamos verificar se a autoridade que a criou possuía poder para criar normas jurídicas e se escolheu o instrumento adequado para conduzir a norma criada ao destinatário. Essa investigação se inicia na pessoa ou no órgão que criou a norma e “sobe” até a autoridade máxima que criou a norma fundamental do ordenamento. Uma pessoa terá poder para criar normas contratuais se preencher os requisitos estabelecidos pela autoridade estatal, por meio das leis; saberemos, por seu turno, se o estado poderia ter criado as leis verificando se a autoridade constituinte transmitiu a ele tal poder por meio dos artigos da Constituição. Uma autoridade superior, assim, transfere poderes normativos a autoridades inferiores por meio de normas jurídicas. Em concreto, o poder de criar normas jurídicas será chamado de capacidade, quando se tratar de pessoas físicas que agem em nome próprio, ou de competência, quando se tratar de pessoas ou órgãos que agem em nome alheio. Para que uma norma contratual seja válida, é preciso que os contratantes possuam capacidade negocial; para que uma lei seja válida, é preciso que o órgão estatal possua competência legislativa. O Congresso Nacional, por exemplo, é competente para criar leis ordinárias e leis complementares; o Presidente da República não é competente para criar leis, mas pode criar decretos, regulamentos e medidas provisórias. Mas, para que haja validade formal de uma norma, nem sempre basta que seu emissor possua autoridade. Algumas normas devem ser veiculadas em instrumentos específicos, os quais precisam preencher determinados requisitos. Uma norma sentencial deve ser criada por uma autoridade competente (um juiz de direito) e seguir alguns procedimentos para ser válida. O mesmo juiz não pode criar uma norma sentencial fora de um processo judicial. Uma norma legislativa deve ser criada por um órgão competente (Poder Legislativo) e seguir um processo próprio para tornar-se uma lei válida: iniciativa, discussão-votação-aprovação, sanção, promulgação, publicação. Caso a norma jurídica seja criada por autoridade competente, utilizando o instrumento correto e seguindo os procedimentos estabelecidos em normas jurídicas superiores, preencherá os requisitos formais de validade. Devemos, então, tomar o cuidado de analisar todas as normas jurídicas de mesma hierarquia ou superiores publicadas após a norma jurídica cuja validade se investiga. A razão dessa nova análise é simples: pode ser que alguma outra norma mais recente tenha expressamente retirado a validade da norma investigada (a isso chamamos revogação). Caso a revogação expressa tenha ocorrido, a norma não será válida. Porém, podemos constatar que a norma não tenha sido expressamente revogada por qualquer outra mais recente. Então, precisaremos analisar sua validade material. Trata-se de uma investigação mais meticulosa e, quiçá, trabalhosa: será analisado o conteúdo textual da norma para saber se não é contraditório com o conteúdo de outras normas jurídicas superiores e/ou mais recentes. Caso o conteúdo da norma analisada seja contraditório com o de outra, poderá haver uma incompatibilidade entre as normas que impede a norma investigada de pertencer ao ordenamento jurídico e ser, pois, válida. A análise da validade material exige o conhecimento do conteúdo de todas as normas jurídicas de hierarquia igual ou superior à da investigada, num universo que ultrapassa consideravelmente a barreira do milhar. Para tanto, é conveniente consultar os livros que tratam do assunto, pois essa análise costuma ser feita pelos seus autores.

pois ainda pode produzir efeitos. de 1942. sua vigência. há uma exigência especial derivada da Lei Complementar n. 8º da LC 95/98 determina que o dia da publicação e o último dia da contagem entrem no prazo. então. dizer que ela pode ser utilizada pelos juristas. Caso seja lei de pequena repercussão. a nova lei produzirá o efeito de revogar a lei anterior. seu teor ao contrato que celebram. consequentemente. Caso julgue um conflito nesse momento. Nesse dia. é o lapso de dias entre a publicação da lei. poderá estabelecer início imediato também da vigência. já é válida.Uma norma jurídica. A lei tornar-se-ia vigente a partir de 20 de agosto. O período de vacância. a lei ainda não possui vigência. duas pessoas podem celebrar um contrato sujeitando-o a ela? Se a lei ainda não é vigente. deixando de especificar o período de vacância. poderá produzir efeitos nos casos concretos. de modo expresso. a lei é válida. recorreremos à regra dos 45 dias. do contrário. Dizer que uma lei é vigente significa afirmar que ela já pode começar a produzir efeitos. constataremos que se trata de norma válida (e. as pessoas já poderiam reivindicar juridicamente seus direitos com base em suas disposições e já deveriam comportar-se do modo como ela estabelece. Materialmente. mas não é vigente. e o início da produção de seus efeitos. 95/98. Como regra. Precisaremos ler seus artigos para saber quando se iniciará sua vigência. Ela dá a entender que uma lei pode não especificar o seu período de vacância. Uma lei de “pequena repercussão” (a expressão é da Lei Complementar) pode iniciar sua vigência na data de sua publicação. a lei antiga ainda é válida e vigente. ou vacatio legis. Caso viole. pode ser incorporada por um contrato? Mesmo que a lei ainda não seja vigente. necessariamente. o juiz deve aplicar a lei antiga. iniciando-se a vigência no dia seguinte. claro. pode ocorrer de o legislador se esquecer de cumprir o requisito da Lei Complementar n. entre os quais. revogar a lei antiga. Todavia. a validade depende de a norma criada respeitar os limites do poder concedido ao seu emissor: ela não pode contrariar as normas criadas pelas autoridades superiores. Durante o período de vacância. Entretanto. os termos da Lei Complementar 95. não pode produzir efeitos. que então será de 45 dias. precisará prever um lapso de dias entre a publicação e o início da vigência. portanto. Convém lembrar que a Lei de Introdução às Normas do Direito (LID). uma vez que a norma jurídica se torna válida ela passa a ter vigência (pode produzir efeitos). qual lei um juiz deve aplicar para julgar um conflito. Então. nada impede que dois contratantes incorporem. tornar-se-á também vigente. a norma. mas não pode produzir efeitos. Uma lei publicada no dia 10 de agosto. A vigência de uma norma é a possibilidade. sendo o dia 19 o último. 95/98. A nova lei. Suponhamos que essa lei estabeleça que “entra em vigor decorridos dez dias de sua publicação oficial”. No caso das leis. preparem-se para seus efeitos). Se não é vigente. Para tanto. como . limitando comportamentos e sendo utilizada pelos tribunais. a validade depende de a autoridade possuir poder normativo e exercer esse poder da forma estabelecida na Constituição e/ou nas leis. que já era válida. Se ela foi publicada em 10 de agosto. durante o período de vacância. então. se houver a necessidade de um prazo. Porém. Formalmente. de ela produzir efeitos. de 1998 (mais recente). Assim. No primeiro instante de vigência. para que as pessoas tomem conhecimento de seu teor (e. em seu artigo 1º. poderá haver um “período de vacância”. torna-se imediatamente válida. Será que durante a vacatio legis de uma lei. que “salvo disposição em contrário. a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada”. retirando sua validade e. o próprio dia 10 seria o primeiro dia do prazo. por vontade mútua. após a publicação da lei. além de ser válida. Preenchidas as condições acima. dizer que uma norma possui validade não significa. desde que o indique em seu texto. como estamos em um país juridicamente desorganizado. a lei nova. que entra na contagem. Agora. essa revogação dar-se-á durante o período de vacância ou após o mesmo? Em outras palavras. De qualquer modo. é válida se preencher os requisitos formais e materiais. Surge uma questão: se a nova lei determina que outra lei seja revogada (perca a validade). indicado expressamente no texto (“esta lei entra em vigor após transcorridos X dias de sua publicação oficial”). em tese. Como dissemos. durante o período de vacância. devemos contar tal dia no prazo ou começar a contar do dia 11? O parágrafo 1º do art. estabelece. deve ser vigente. jurídica). Porém. são claros: “a vigência da lei será indicada de forma expressa”. durante o período de vacância: a nova lei revogadora ou a lei que será revogada? Revogar uma lei é um efeito produzido por uma nova lei. o início de sua vigência. desde que esse contrato não viole qualquer outra lei existente. Isso torna inútil o prazo fixado pelo supracitado artigo 1º. em seu artigo 8º: toda lei deve indicar. assim. quando ela se torna válida. porém.

Um exemplo do primeiro caso é o costume de as pessoas andarem vestidas. a eficácia diz respeito à possibilidade concreta de produção de efeitos. do . Temos. em tese. proibindo o comércio de produtos digitais. porém pode ser socialmente eficaz: tratar-se-ia de um caso no qual a norma não foi regulamentada pelo Estado. Ao falarmos de eficácia social. de outras normas que a regulamentem. por outra norma jurídica. as pessoas cumprem suas determinações espontaneamente. mas. mas. ainda que o Estado tenha tomado todas as providências técnicas para sua eficácia. A norma pode ser violada porque as pessoas sequer sabem de sua existência ou porque não concordam com seu teor e. fática e/ou social. pois o valor das multas é compensado pelos lucros. mas. Lembramos que o fundamento para a nova lei ser incorporada ao contrato não é sua força obrigatória. ele será nulo. mas o poder contratual das partes. mesmo sendo punidas. para produzir efeitos. Talvez a questão mais controvertida. ou da criação de órgãos que viabilizem sua execução. que não concordam com ela e. aqui. por razões diversas conforme a modalidade de ineficácia. Se a validade foca o pertencimento da norma ao direito e a vigência foca a possibilidade. em concreto. fático e social. a um outro conceito de grande importância: a eficácia. seja porque as pessoas conhecem a norma. a lei poderá ser considerada válida e vigente. que será retomada quando enfrentarmos a dinâmica do ordenamento jurídico. mesmo assim. Diremos que uma norma possui eficácia social quando for respeitada pelas pessoas e/ou for acatada pelas autoridades estatais. Esse poder. pois depende da prática de atos pelo Estado. mesmo com a violação. mas a respeitam pelo medo de serem punidas. até que o Ministro divulgue tal lista. Enquanto o órgão não for criado. Ela somente perde a validade se for retirada. uma norma que pertença ao ordenamento é válida. Podemos pensar em uma lei que estabeleça as condições para o teletransporte de seres humanos. não pode antecipar a revogação de uma lei. Em tese. Pode ser que a norma se refira a alguma tecnologia ainda não criada ou disseminada. que corresponde ao teor das leis. e os infratores não poderão ser multados. mas não terá eficácia social. ainda assim. se o fizerem. podemos citar a situação de empresas que sabem que serão multadas em virtude de determinada prática. A norma pode ser conhecida pelas pessoas. como registrado acima. Podemos falar de eficácia em três sentidos: técnico. pois falta um requisito técnico para sua eficácia. Nesse caso. depende da criação. faltará outro requisito técnico para sua eficácia. a lei já é válida e vigente. seja porque o comportamento é um costume (e as pessoas nem pensam antes de agir). A eficácia fática refere-se a requisitos sociais para a produção de efeitos da norma jurídica. pode não produzir qualquer efeito na sociedade. Chegamos. seja saber se uma norma socialmente ineficaz continua válida. concordam com ela e a respeitam conscientemente. Tais normas são consideradas socialmente ineficazes. Enquanto tal modalidade de transporte não for desenvolvida. Também os apostadores não costumam ser multados. porém. ainda não. Analisando friamente a questão. as normas que se transformaram em “letra morta” ou que caíram em “desuso”. ainda assim. não alteram seu comportamento. Essa lei especifica que determinado Ministério divulgará a relação de quais bens são produtos digitais. por parte do Estado. Um exemplo é o pagamento do imposto de renda: quase nenhum contribuinte concorda com os valores a serem pagos. o quais ainda não foram praticados. é a norma que proíbe o jogo do bicho: muitas pessoas exploram essa atividade e as autoridades não as punem. que não concordam com ela. Uma norma pode ser válida e vigente mas não ter eficácia técnica. Nesse caso. ainda não está preparada para ela. respeitada pela maioria da sociedade. por algum motivo. Ora. aqui. ou ainda a alguma situação que não existe na sociedade. Uma norma válida e vigente pode preencher todos os requisitos técnicos e fáticos de eficácia. as autoridades não punem. quatro situações podem ocorrer: A norma pode ser seguida espontaneamente pelas pessoas. Uma norma possui eficácia técnica se todos os requisitos estatais para sua produção concreta de efeitos forem preenchidos. Pensemos em uma lei: muitas vezes. podemos constatar que a norma não pode produzir efeitos porque a sociedade. Um exemplo. escolhem violá-la. Imaginemos uma lei que seja válida e vigente. um exemplo do segundo caso é a norma que determina que um veículo pare no sinal vermelho. Também poderia ocorrer de a mesma lei prever a criação de um órgão para fiscalizar o eventual comércio proibido e multar os infratores. a lei já pode produzir efeitos. as partes não poderão incorporar o teor da nova lei ao contrato. a lei não poderá ser aplicada pelos tribunais. mas cumprem a lei por medo da coação. que ainda não existe. de produção de efeitos. uma norma pode ser tecnicamente ineficaz. Por outro lado. Por outro lado. O significado social de eficácia é o mais usual. A norma pode ser conhecida pelas pessoas. a norma será socialmente ineficaz quando for desrespeitada e os infratores não forem punidos.essa lei não será revogada durante o período de vacância.

As pessoas que celebraram o contrato devem obedecer as determinações da lei que valia ao tempo de sua celebração. ela pode começar a vigorar primeiro em parte do país. a lei inválida e sem vigência continua a ter vigor. atingindo fatos presentes e futuros. aparentemente. as normas jurídicas são do segundo gênero (desenvolveremos a questão numa postagem própria). porém diferentes. Uma norma jurídica pode ser tecnicamente válida. ainda que essa lei. a norma penal que proíbe o furto continua válida sob o ponto de vista formal. Tal interpretação pode ser reforçada pelo fundamento do período de vacância: “prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento”. . mas sua utilização prática pode causar situações que a sociedade reputa injustas. A questão não é propriamente se a norma pertence ou não ao ordenamento. Quando uma norma possui vigor sem ser vigente. Mas nem toda lei válida é. contudo. Um quarto conceito. mas conservou o vigor. ela ainda pode continuar a ter vigor. Uma lei é vigente se puder produzir seus efeitos. Se uma norma produz efeitos para o passado. Como regra. Independentemente da discussão cível do caso. Entre as partes do contrato. transformando o direito existente. os juristas tendem a desvalorizar o argumento que questiona a validade técnica de uma norma alegando que seja injusta. eficaz e ter vigor. Logo. a busca do fundamento valorativo pode modificar as práticas judiciais. ela ganha vigor ou força para obrigar. vigente. Saindo da frieza técnica. dizemos que ocorre o fenômeno da ultratividade: a norma produz efeitos antes ou depois de terminada sua vigência. por fim. Outro exemplo pode ser mencionado: um juiz deverá julgar um ato jurídico conforme a lei que era válida e vigente no momento de sua prática. ainda que no presente esteja revogada. por outro lado. a lei conserva seu vigor. tais efeitos são considerados retroativos. no presente. pertence ao ordenamento. vigente. depois no restante. a vacatio legis. Por alguma razão. Não podemos confundir os conceitos. questiona-se quanto à validade ética ou ao fundamento valorativo ou à justiça de uma norma jurídica.conjunto. é o de uma relação contratual celebrada sob a égide de uma lei revogada. o direito penal caminha para a adoção de uma argumentação que considera injusto condenar-se tal pessoa pela prática do ato e puni-la na esfera criminal. Quando a norma válida se torna vigente. é a qualidade da norma indicativa de sua força vinculante. em algumas situações. podendo variar conforme o ângulo observado. impondo comportamentos. atingindo situações que ocorreram antes de ela se tornar vigente. Seu êxito judicial dependeria de algumas circunstâncias. é vigor ou força vinculante. produzir efeitos. a perspectiva de que validade e vigência são coisas relacionadas. Contemporaneamente. portanto: validade significa que a norma é jurídica. toda lei vigente é válida. pois nenhuma outra norma jurídica a retirou do ordenamento. apenas para saciar a fome. vigência é a qualidade da norma que indica a possibilidade de ela. Só uma lei válida pode ser vigente. poderia verificar-se. mas se ela permite a concretização de valores consagrados pelo mesmo. Uma norma jurídica possui vigor quando pode obrigar as pessoas e as autoridades. Um exemplo de situação na qual a norma perdeu a validade e a vigência. sendo suscetível de obrigar as pessoas e/ou as autoridades. excepcionalmente. a lei começa a vigorar em todo o país…”. faz sentido defender que uma norma não utilizada pelos tribunais e não respeitada pela população continua a ser jurídica? A tese de que uma norma não utilizada pelos tribunais por longo tempo deve ser excluída do ordenamento jurídico é defensável e suscita intermináveis discussões. que não se confunde com os anteriores. então tais efeitos são considerados irretroativos. se produz efeitos apenas durante sua vigência. em tese. limitando comportamentos e fundamentando decisões. a norma legal que proíbe o jogo do bicho continua válida. Antes de finalizarmos. que levam a sociedade ao bem comum. ainda. O legislador pode criar uma lei que terá períodos de vacância diferentes para distintas localidades do território brasileiro? Se analisarmos o trecho inicial do artigo 1º da LID. preenche os requisitos formais e materiais). Apesar da prática acima. mas. concluiremos que essa hipótese é possível: “Salvo disposição contrária. Reforçamos. Uma lei é válida simplesmente porque pertence ao ordenamento jurídico (foi publicada e. pois pode estar em seu período de vacância. Se houver uma manifestação diferente no texto da lei. o legislador pode entender ser necessário um prazo maior para que a lei seja conhecida em determinadas localidades. Todavia. pois não foi revogada por qualquer outra norma jurídica. tenha sido revogada. Novamente. Algumas vezes. ampliando. devemos apresentar uma última adjetivação: em alguns momentos. Afirma-se que a justiça ou injustiça de uma norma é questão de ponto de vista. pois é obrigatória sua adoção pelo juiz. contudo. vigor. Mesmo que não seja cumprida. Um exemplo é o caso de uma pessoa miserável que pratique o furto de um alimento. portanto. eficácia é a qualidade da norma que indica a possibilidade concreta de seus efeitos ocorrerem. mesmo que a norma perca sua vigência e sua validade. nesses lugares. dizer que essa norma é socialmente ineficaz não faz dela uma norma inválida. necessariamente.

(Lição XVI) DINIZ. independentemente dos valores que consagra. Como os juristas utilizam normas jurídicas em suas atividades. Quando.Ao falarmos em fundamento valorativo. Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro Interpretada.info/wpid/?p=494&page=4 .2) http://introducaoaodireito. 2011. (art. S. 2011. São Paulo: Atlas. por seu lado. consideramos que. não há contradições com as demais normas jurídicas. ao seu pertencimento ao ordenamento. 11ª edição. São Paulo: Saraiva. o ato é injusto. 1º) FERRAZ JÚNIOR. 4ª edição. a forma está correta. 16ª edição. Referências: BETIOLI. Introdução ao Estudo do Direito – Técnica. A legalidade. 2003. São Paulo: Saraiva. vigência. Antonio Bento. Introdução ao Direito. o domínio desses termos é imprescindível para um bom desempenho desses afazeres.3. Quando reputamos um ato ou uma norma legal. estamos avaliando a validade formal e material do mesmo: a autoridade é competente. devemos distinguir duas palavras: legitimidade e legalidade. ou seja. Os conceitos acima analisados (validade. reputamos ilegítimo. Maria Helena. mesmo sendo legal. refere-se à validade formal da norma. eficácia e vigor) cumprem a função estrutural de estabelecer os limites do ordenamento. Uma norma jurídica é legítima quando possui validade ética. Decisão e Dominação. se pertence ao conjunto de normas jurídicas. que concorda com ela. corresponde aos anseios valorativos da sociedade. T. indicando quais normas pertencem ao conjunto e em que situações elas podem produzir efeitos. (4. porém. Uma norma é válida.