<><><><><><><><><><><><><><><><><><><><>

O ressurgimento do matriarcado.1
<><><><><><><><><><><><><><><><><><><><>
<><><><><><><><><><><><><><>

Autor: Charles Melman2 Tradução: Telma Queiróz3 Transcrição: Edigleisson Alcântara4
<><><><><><><><><><><><><><>

Parte I Luíza Bradley Araújo5 – Boa noite. Bom, queremos agradecer a presença de todos. Estamos aqui com Charles Melman: psicanalista francês, fundador da Associação Lacaniana Internacional, que dispensa apresentações porque tem vários livros escritos, que a maioria de vocês já conhece. Quem vai fazer a tradução é Telma Queiróz, que é psicanalista também e agora está fazendo Pós-doutorado na França. Obrigada e boa noite. Charles Melman – Boa noite. Eu estava tranqüilamente de férias, em Tamandaré, e a professora Luíza Bradley me pediu para vir falar a vocês sobre um tema muito difícil e do qual se fala raramente, que é o matriarcado. E como eu nunca, jamais, recuso algum pedido da professora Luíza Bradley, interrompi minhas férias e estou com vocês aqui, hoje à noite. O matriarcado é um problema que todos vocês sabem e, no entanto, não conhecemos nada dele. E vocês vão ver que tudo que eu direi para vocês sobre o matriarcado vocês já sabem, e, no entanto, não conhecem nada sobre isso. É preciso distinguir entre o que é saber do inconsciente e o que podemos conhecer dele. E eu acho que hoje à noite vocês verão a diferença entre saber e conhecimento. Nossa religião e cultura estão inteiramente fundamentadas no amor ao Pai. Acontece, no entanto, que há algumas décadas, mais ou menos, nos países ocidentais, não se ama mais o Pai, não se respeita mais o Pai; o que, forçosamente, introduz uma mudança importante em nossa cultura e, já que vocês estão estudando Psicologia, e que muitos de vocês cuidarão de pacientes doentes, é preciso saber que, com essa mudança de cultura, surgiram sintomas

1

Conferência proferida na noite do dia 14 – 08 – 2008 (quinta-feira), no auditório Irmã Maria José Torres, da Faculdade Frassinetti do Recife. 2 Psicanalista, psiquiatra, ex-aluno de Lacan e um dos principais dirigentes da École freudienne de Pais, fundador da Association lacanienne internationale. 3 Psicanalista 4 Estudante no 6º período do curso de Psicologia da Faculdade Frassinetti do Recife. 5 Psicanalista, psicóloga, professora da Faculdade Frassinetti do Recife, coordenadora do evento.

1

E uma das questões das quais devemos tratar hoje à noite é como abordar corretamente esses sintomas novos. que participássemos da sexualidade para validar a sua linhagem. O sujeito não se sente autorizado a viver seu desejo singular se não se sente autorizado pelo Pai. que Freud chamou “Complexo de Édipo”. sabem que seu ideal era destruir a família. ao seu desejo singular. desde então. mas sabemos que na cultura grega o Pai não ocupava. E é isso. uma criança. ou seja. singular. pois quando o menino se tornar adulto a mulher que ela poderá amar será apenas uma substituta daquela que perdeu. Se alguns de vocês certamente já se interessaram por Platão – e eu o recomendo –. o corpo de seu sacrifício seria desistir da mãe. vocês vêem. continuará filho. a posição que lhe damos a partir de nossa religião. E se a mulher que ele desposar for um substituto. O recalque que está na origem das neuroses. de nosso amor pelo Pai é que esse amor comporta.novos. Por amor ao Pai toda criança deveria renunciar a sua mãe. já que a mulher é apenas uma substituta da que foi amada. quer dizer. quando. ser outra coisa senão recalcado. Mesmo que ele tenha acesso a paternidade. aos olhos da mulher. cada um. para cada criança. a qual ele considerava uma instituição nociva para a formação correta das crianças. a Mãe. que é o recalque. E o que é que vocês vêem na origem de todas as neuroses? É um ódio pelo Pai e também pela sexualidade. E não haveria outro meio de tratar o seu desejo sexual. a partir dessa situação elementar. na verdade. Vocês sabem que Freud insistiu no fato de que. ao mesmo tempo. do desejo. O fato é que. Por que razão nós assistimos a esse desinvestimento do Pai? Essas razões obrigatoriamente são numerosas: nossa religião diz que o nosso Pai é eterno. Nosso culto ao Pai significa que nós subordinamos nosso desejo sexual a realização da vontade. para pôr esse desejo. Outro motivo para alimentar esse ódio contra o Pai é que os membros do casal devem renunciar. de jeito nenhum. seu marido continua sendo um menino. submetido a vontade de um Pai. a necessidade de um sacrifício. Portanto. que é sexual. em relação ao seu pai. como se introduz uma insatisfação constitutiva na vida dos casais. E que. também. para cada um de nós. dele e o desejo de cada um não poderia mais. a serviço da procriação. o que ela queria era alguém como o Pai. senão por esse grande mecanismo que Freud descobriu. Mas há ainda um outro 2 . ela igualmente poderá se queixar do fato de seu marido continuar sendo um filho. que nós amamos. A particularidade. como vocês já sabem. pois seria da vontade desse Pai. e ele mesmo se tornará um substituto por toda sua vida. o amor pelo Pai poderia se desdobrar em ódio contra ele por causa desse sacrifício essencial.

a injustiça que representa a diferença dos sexos. Desde então a criança e a mãe se encontrarão numa relação enodada. de qual poder. Ou seja. pois o poder espiritual se prevalece diretamente da referência ao Pai. que eles não estejam de acordo sobre a maneira de agir. seja censurando-o por não fazer nada para resolver a tal injustiça ou por ser a causa dessa injustiça. 3 . obrigatoriamente. o que fará com que a criança. E todas as crianças são sensíveis à diferença no exercício do poder: segundo venha da Mãe ou segundo venha do Pai. como se esta dificilmente pudesse aceitar que sua criança tivesse se tornado uma adulta e que não precisasse mais do seu amor. quer seja o Pai da Religião. sua fraqueza em relação ao Pai. se ama sua mãe em retorno. E vocês sabem como atualmente isso é um argumento importante na vida social. que são essenciais para toda criança. de que lado. ou seja. E a criança pode ser levada a escolher espontaneamente uma forma de poder que privilegiará. mesmo funcionando a serviço da sexualidade. Afirmando sua prevalência no poder político de tal maneira que todas as manifestações de injustiça social são facilmente remetidas ao Pai. inevitavelmente. É sempre se apoiando num Nome-do-Pai. Por exemplo. sabem que em casa há um outro poder que não o do Pai.argumento: é que esse Pai que nós amamos. O amor. venha a se queixar por sua Mãe olhá-la ainda como se fosse uma criatura frágil. De tal maneira que. que os poderes políticos se apóiam e se fundam. essa desigualdade dos sexos. de referência para todos os poderes políticos. Vocês podem se questionar: o que em mim provocaria o amor pelo outro? Seria a força dele? Não. o apelo que ela faz é a uma dimensão essencial para o exercício de poder. como o Pai pode provocá-los. e odiamos da mesma maneira. A criança percebe perfeitamente que se é amada é por sua fraqueza. O que provoca. ela receberá essas insígnias. que é o amor. é uma dimensão importante e conflituosa em nossas vidas. um poder cujas regras e leis são totalmente diferentes. A força só pode me provocar temor ou ciúmes. será do lado do Pai ou da Mãe que esperará que lhe venham as insígnias que farão dela um homem ou uma mulher? De qual lado. como vocês sabem. a partir do momento que são educadas por uma Mãe. é muito freqüente na educação das crianças que esses dois poderes se oponham. tornando-se adulta. ou da Nação. Vocês sabem que na História houve conflitos importantes entre o poder temporal e o poder espiritual. é também pela fraqueza dela. o Pai da Religião. serve. o amor é a fraqueza de outrem. “é porque alguém é fraco que eu o amo”. E. Mas todas as crianças. essas que lhe constituirão como um homem ou como uma mulher? De que lado isso se transmite? O que notava é que a autoridade da Mãe não faz mais apelo a noção de dever. como vocês sabem.

ou seja. quando se trata de um menino. Por exemplo. para as meninas esse é todo o problema porque de quem ela pode esperar essas insígnias da feminilidade? O Pai não pode lhe dar – e quando isso acontece são nos complexos casos de incesto – e a Mãe também não pode lhe transmitir. no caso do matriarcado. ela pode esperar que ora ele se torne um Don Juan. a não ser resolvendo-a. é completamente diferente da do Pai. Eu abordo para vocês essa questão sob seus aspectos mais evidentes e mais vitais. através da maternidade. a menina assuma. posto. e é assim que. insígnias anatômicas. em nome desse amor. portanto. como nós sabemos. como nós sabemos. que ele renuncie inteiramente a sua sexualidade e que ele se ponha a serviço de um culto materno. a autoridade de alguém que age em relação a você por amor. mas há. desse amor recíproco que ela inspira. uma posição de espelho. a quem ela pôs no mundo. tanto do Pai quanto da Mãe. irá bruscamente desnudar essa fraqueza. A mãe não. mas isso não procederá obrigatoriamente na mesma ordem da feminilidade. Ela não lhe pede que renuncie a sua mãe. que ele mostre que é o verdadeiro homem. E. quer dizer.Será que podemos não respeitar a autoridade. ela não lhe pede um sacrifício. Mas se ela não lhe pede o mesmo sacrifício pedido pelo Pai. não há insígnias da feminilidade. o que é que ela demanda ao seu filho? Contrariamente ao que acontece com o Pai. ela pedirá outros sacrifícios. algo muito mais desagradável: é que se existem insígnias da virilidade. para que seu filho mostre que se tornou um homem graças a ela. primeiramente porque a menina não sabe o que a mãe espera dela. como se ela ficasse com um sentimento de inferioridade permanente em relação a sua mãe. mas que é independente. em nome de sua fraqueza? Porque se você não responder favoravelmente ao que é pedido. por depender de uma questão de estrutura e. como nós sabemos. que é a sua. a criança com as experiências tidas em relação a sua mãe. pois não há insígnias da feminilidade. e. ela pede somente. Quer dizer. diante da mãe. como se ela mesma estivesse condenada a viver essa incerta de sua feminilidade. uma vez que a maternidade tem outras exigências e outros deveres. de uma questão de lógica. Vocês observam que nesse quadro eu falei do menino e do privilégio que ele sempre terá aos olhos da Mãe. que para uma menina é muito mais complicado. onde a mãe se tornaria um ideal para sempre inacessível. o que faz que. ora – e isso é um paradoxo –. na lógica materna não há referência a nenhuma outra autoridade a não ser ela mesma. E é evidente que o que o pudor quer é que evitemos esse tipo de desvio. através dessa autoridade. Ela 4 . como nós todos sabemos. à lógica de uma mãe. um Pai tem o hábito de se referir a autoridade dos ancestrais. por exemplo. sobretudo. embora ela mesma não as tenha. que se exerce a partir dessa fraqueza. de que maneira ela pode lhe transmitir essas insígnias da virilidade. pois. O que é que uma Mãe.

Desde então a criança pode guardar o sentimento que. diz ele. torna-se também uma autoridade arbitrária. É graças às férias que nós podemos ler coisas pelas quais podemos nos apaixonar. É como se ela criasse incessantemente um texto que a criança deveria decifrar. “é preciso distinguir somente entre duas formas de amor: uma que se chama Eros. e há esse outro amor que se chama Ágape” e que ele chamou de “o amor caritativo”. Mas na lógica materna não há nada que seja impossível. é claro. em nossa cultura. E Pesudo-Dionósio diz aí algo de muito interessante: ele diz “quiseram. ou seja. fixo. por que há.não pode se referir senão a sua própria autoridade. desde aí. no século III depois de Cristo. inclusive. Eros e. e que permite a reunião de indivíduos tão diversos. esse amor que eu tenho pela fraqueza do outro. sobre o que ele considera impossível. a obra de alguém que se chama o Pseudo-Dionísio. Então. Vocês sabem que todo sistema lógico é construído sobre o que ele exclui. portanto. O amor que se deve ao outro. tive a possibilidade de ler livros que o emprego do meu tempo normalmente me impede. do outro lado. é um problema tradicional na história do pensamento. na Igreja. portanto. lhe pedirão o impossível. não porque ele é desejável. sobre o que ele recusa. Isso. com vocês. Vocês também observarão que se uma mãe não se apóia num referente. o poder exercido pela Mãe no seio da família? E como as crianças podem esperar que as insígnias das suas vidas de adulto sejam transmitidas pelo amor de uma Mãe e não por esse tipo de sacrifício gerado pela autoridade do Pai? Por que. para eles. uma tal censura foi colocada nisso que. é uma autoridade sem limites. em nossa cultura. não”. os doutores da Igreja sabiam distinguir muito bem entre essas duas formas de amor: entre Eros. se essa autoridade não tem referentes. mas por causa da sua fraqueza. no entanto. é para mostrar a vocês que esse problema que eu evoco hoje. sobre o que ele rejeita. E eu tinha lá. pois assim a mãe pode tomar decisões em função de seus caprichos e a criança pode. Há um ponto que eu acho interessante. e Ágape. ela também não se apoiará num texto. essa colocação em evidência do que se deve legitimamente chamar como matriarcado. Qual seria a diferença. no pensamento dos teólogos. E vocês vêem que. a ela mesma. a criança perceberá muito bem que. conservar o sentimento de que estará exposta a uma ordem tanto mais arbitrária quanto mais nessa lógica não houver um nome que seja estável. em minhas mãos. em Tamandaré. abolir a noção do Eros porque isso podia ser obsceno”. Se for verdade que é uma autoridade sem limites. como eu estava de férias. “Mas. entre Eros e Ágape? Acontece que. o que eles chamaram Ágape. é uma evidência para todos nós? 5 . E. que é a distinção feita pelos teólogos entre duas formas de amor: de um lado. o desejo. o Areopagita.

O deus dos gregos era. E eu acredito que é esse ponto aí que desejamos manter na obscuridade. ou seja. uma criança. não conhecemos. o matriarcado se torna a maneira dominante de educar a criança e se encontra. causando sintomas novos. Há pouco eu lhes falava sobre os gregos. aos quais devemos responder. a análise do matriarcado não é freqüente? Pois bem. portanto. para ela e para os outros. hoje. quer dizer. a não ser celebrando. e se essas insígnias puderem ter importância aos olhos da mãe. Zeus – que jamais podemos confundir com um Pai –. e também no culto à Maria. como eu lhes dizia a pouco. que se chama a vida. Então. a hipótese que me permitirei fazer diante de vocês é que. que tinha um nome que diz muito bem o que ele transmitia. é um ponto que nós. como vocês sabem. Eu acho que se há um motivo para dar conta da nossa recusa em analisar o problema do matriarcado é porque guardamos a esperança de uma transmissão de vida que poderia acontecer fora do sexo e. não fazemos nela uma análise dialética e lógica. se desinteressando dessas questões de insígnias. verificamos ser capazes de tratar. como vocês sabem. Sabemos que também existem muitas mães que querem que seus filhos permaneçam crianças. 6 . em nossa própria censura sobre a questão. sobre as quais eu falava a pouco. Nós vamos conseguir provocar fecundações e reproduções que estarão desligadas da sexualidade. por que hoje nós pudemos começar a refletir sobre esses problemas? Porque. É como se essa transmissão da vida estivesse desvinculada de qualquer relação com o sexo. mas. em nossos cultos religiosos. até aqui. “o Deus dos gregos”. que iria falar de uma coisa que todos nós sabemos em nosso inconsciente. no entanto. é claro. porque esse nome quer dizer “a vida”. o que é que ela quer transmitir nesse caso? Ela quer transmitir uma instância que não é negligenciável.É por isso que eu disse a vocês. é porque nós também gostaríamos que a vida pudesse ser transmitida independentemente do sexo. É formidável: por que mesmo Freud evitara esse tipo de problema? E por que é preciso evitá-lo? A resposta que eu vou propor a vocês para explicar as razões da nossa censura poderá lhes parecer bizarra. Então. Pois bem. que correria o risco de escapar ao seu poder. pelo fato do declínio do patriarcado e pelo fato de que o Pai não é mais uma instância amada e respeitada e sua autoridade não é mais reconhecida. Ela quer transmitir a vida. considerando uma injustiça ou privação o crescimento da criança. ela diz respeito ao seguinte ponto: se a criança espera da mãe a transmissão das insígnias. a pouco. se elas puderem fazer a criança se tornar adulta. quando uma Mãe quer que o seu filho permaneça para sempre. por que queremos deixar todos esses problemas no inconsciente e por que. era um nome que transmitia a vida.

a cultura de origem. aí também. pelo menos no Ocidente. Mas inventar uma vida nova é extremamente difícil. Sou muito sensível ao fato de que os nossos jovens. Quais são os elementos dessa mutação? A primeira é que os jovens hoje não encontram mais modelos. no comportamento dos pais e no comportamento das gerações precedentes. como nós vemos. pois não conheço perfeitamente a situação de vocês. onde a referência à figura paterna obrigatoriamente sempre fora dedicada. mas sem outras referências: a língua de origem. que é o de uma satisfação sem limites. na força desse desenvolvimento econômico. para seu comportamento. tanto que. que se chama “O homem sem gravidade” – é claro que eu estou brincando –. Há um segundo ponto que explica o desenvolvimento contemporâneo do matriarcado. só efetivamente as mães que transmitiam a vida. uma das causas que modificam a vida familiar. Há somente dois. vocês. E. antes de tratar disso. no meu entender. Contudo. além de menos marcada pelas interdições. onde não haveria mais nenhum interdito. Mas. De uma geração a outra se produziu uma mutação e é importante tentarmos conhecê-la também. onde eu conto como o desenvolvimento econômico favorece a relação do indivíduo com a nova lógica. onde não haveria mais nenhum limite. mudaram muito. a sua vida. favorecendo o matriarcado. Eles não podem encontrar nos autores os elementos que lhes autorizaria proceder para encontrar uma vida nova. se verificou muito eficaz. na 7 . justamente uma vida que seria mais rica e diversificada. criando-lhes o sentimento que eles devem inventar. pois conseguiu transmitir a vida.Mas. vocês observarão que em condições históricas muito difíceis. um encorajamento ao que se chama a “monoparentalidade” e. onde não haveria mais ninguém para impedir todas as satisfações. E é muito evidente que este tipo de incitação está mais próximo do matriarcado do que do patriarcado. como as da escravidão. eu queria observar para vocês que há omissões históricas. que é sempre fundada em restrições. Quais são esses valores das gerações anteriores? Há dois. particularmente nas sociedades pós-coloniais. Um deles consiste na procura de honrarias e o outro. ao lugar que cada criança iria ocupar na linhagem dos ancestrais. onde não se recusa nada. é igualmente exemplar dessa mutação. Eu acho que podemos ver. cada um. no Ocidente é freqüente que aquilo que eram valores de gerações precedentes seja abandonado pelas gerações jovens. no entanto. onde não há interdição. É um ponto que eu desenvolvo num livro – o qual eu recomendo a leitura porque é um livro muito interessante que eu escrevi –. O desenvolvimento econômico instiga um mote cultural. a religião de origem. portanto. como foi a dos seus pais. em relação a isso. foi uma transmissão que. os jovens não encontram texto de referência. o que.

E todos os jovens sabem que foram educados num mundo onde lhe pedem para participar da corrida e da competição para adquirir esses dois valores. 8 .procura do dinheiro. agrada e dá prazer aos seus pais. Só para terminar esse ponto: numerosos jovens hoje têm um olhar crítico em relação a esses dois valores que são próprios da sociedade patriarcal e continuo sempre muito interessado quando os vejo à procura de uma vida nova e diferente. com as questões de vocês. Faremos uma pausa de dez minutos para respirar um pouquinho e recomeçaremos depois. o dinheiro. Estou com medo de cansá-los porque vocês não estavam de férias como eu. Aquele que tem as honrarias e. além disso. Então. Nesse ponto paramos dez minutos e retomaremos com as questões de vocês. Até daqui a pouco. falarei mais três minutos e vou parar.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful