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LUIZ CRULS

(Diest, 21 de janeiro de 1848 - Paris, 21 de junho de 1908)

Filho legítimo do engenheiro civil August Cruls e de Alice Elizabeth Jordens, Luiz Cruls
nasceu em Diest, província de Brabante, na Bélgica, em 21 de janeiro de 1848.

Diplomado em engenharia civil pela Universidade de Gand, que cursou de 1863 a 1868.
Admitido como aspirante de engenharia militar, permaneceu no exército belga até 1873.

Durante o período de estudos universitários, conheceu inúmeros colegas brasileiros, dentre
os quais Caetano Furquim de Almeida, que convenceu Cruls a visitar o Brasil. Para isso, demitiu-se
do Exército, viajando em 1874, no vapor “Orenoque” quando teve oportunidade de conhecer Joaquim
Nabuco, passageiro do mesmo navio.

Por intermédio do futuro diplomata Joaquim Nabuco, na época político/jornalista, foi
introduzido na sociedade do Rio de Janeiro e, logo depois, apresentado a Sua Majestade o
Imperador D. Pedro II, que lhe dispensou a melhor atenção. Pelas mãos de Joaquim Nabuco, foi
apresentado ao Ministro dos Trabalhos Públicos, na época Buarque de Macedo, que aproveitou-o
como membro da Comissão da Carta Geral do império, na qual serviu de 1874 a 1876.

Em janeiro de 1875, voltou à Bélgica, com a missão do governo brasileiro de assessorar ao
nosso embaixador, em Paris, no recebimento de uma encomenda de instrumentos geodésicos.
Aproveitou a permanência em Gand para publicar um trabalho intitulado “Discussion sur les
méthodes de répétition et de réitération employées en géodésie pour la mesure dos angles”, que lhe
serviu como credenciais para, no ano seguinte, ser admitido, como astrônomo-adjunto, no
Observatório Imperial do Rio de Janeiro (1876). Dois anos depois, o sábio Emmanuel Liais, diretor do
Observatório, promoveu-o a primeiro astrônomo e, a seguir, distingui-o sempre como seu principal
auxiliar. Em 1881, foi nomeado diretor Interino do Observatório, por licença de Emmanuel Liais. No
ano seguinte, observou o cometa de 1882, também denominado de Cometa Cruls, por Oppolzer.
Aos seus trabalhos sobre os cometas de 1881 a 1882 e sobre a passagem de Vênus pelo disco
solar, em 1882, publicados nos Comptes Rendu da Academia de Ciências de Paris e no
Astronomisch Nachrichten, lhe valeram a concessão, em 1883, pela Academia de Ciências de Paris
da medalha Valz.

Desempenhou inúmeras comissões, entre as quais a de exploração do planalto central do
Brasil, com a finalidade de escolher o melhor sítio para a futura capital do Brasil (1892). Na chefia
desta tarefa, elaborou Luiz Cruls um belo relatório, publicado em 1894.

A zona escolhida e delimitadas atualmente, denominada de quadrilátero Cruls, não só
serviu de núcleo para os recentes estudos das novas comissões que estabeleceria a localização da
nova capital do Brasil - Brasília.

Em 1901, Luiz Cruls foi posto à disposição do Ministério das Relações Exteriores, como
chefe da Comissão de Limites, entre o Brasil e a Bolívia. De regresso da Amazônia, chegou ao
término da viagem vítima de malária e outros males; o marco que deixou naquelas remotas paragens
pode ser considerado como um autêntico monumento à força de vontade do homem.

Em 1908 deixou a direção do Observatório, após sucessivas licenças para tratamento de
saúde, partindo em busca de melhoras, para Paris, onde falece a 21 de junho.

Os seus restos mortais se encontram no cemitério de S. João Batista, no Rio de Janeiro.

Casado com uma brasileira e pai do consagrado escritor Gastão Cruls.