União dos Escoteiros do Brasil Região do Distrito Federal II Dia Regional das Famílias nos GE´s 26 de abril de 2003

DIÁLOGO EM FAMÍLIA Rubem Süffert Sabemos da importância do diálogo em família. No entanto, precisamos dar uma prioridade maior para esse diálogo, em relação às outras tarefas diárias, que tomam nosso tempo e que não tem o mesmo valor para o crescimento harmônico de nossos filhos. Nas últimas quatro semanas, por exemplo, quanto tempo Você dedicou ao diálogo com seus filhos? Precisamos sentir quais perguntas seriam adequadas para nossos filhos e que possibilitariam uma abertura de conversa mais franca e como devemos desenvolver o diálogo com toda a atenção que podemos dar a ele. Às vezes, uma notícia do jornal na TV, um fato ocorrido nas vizinhanças ou mesmo em nossa residência serve para um debate entre os integrantes da família, permitindo a abordagem de valores e de opiniões, que serão extremamente significativos para acompanharmos o crescimento pessoal de cada um dos pimpolhos. A leitura ou mesmo a invenção de histórias para nossas crianças, são excelentes oportunidades para se estabelecer uma conversação atraente, a partir da qual podemos trabalhar com alguns valores. A participação em jogos de salão ou de mesa, ajustados às idades dos participantes, também possibilita a observação da forma de ação de cada um dos jogadores, e eventualmente dá ocasião de se comentar determinadas atitudes. O significado da “verdade”, e os valores da “liberdade com responsabilidade” e do “respeito” às outras pessoas, sejam quais forem suas condições pessoais, começa a ser vivido por nossas crianças com base nos exemplos que eles podem observar e avaliar. Quando nossos filhos chegam à adolescência, mais importante ainda se torna a valorização dos exemplos que assistem e do diálogo em família. É importante nosso permanente esforço de nos colocarmos à disposição para esclarecer dúvidas e indagações que certamente povoam a mente de nossas “crianças”. Devemos compreender que nossos filhos tem a permanente necessidade de informações mais seguras, que certamente podemos dar, ou mesmo reconhecer que naquele momento ainda não temos condições de prestar. As fontes às quais os jovens acessam são múltiplas, e às vezes nem imaginamos a quantidade e a “qualidade” das notícias que os preocupam, já que hoje a disponibilidade de acesso à informação se amplia para todos, em todas as idades. A oportunidade de incluirmos os amigos de nossos filhos nesses diálogos é também ocasião de avaliarmos seus valores e a influência que podem exercer sobre nossos filhos. Se nossa memória permitir, iremos encontrar algumas conversas que tivemos em nossa infância e juventude que nos foram marcantes para toda a vida. Além de estarmos “disponíveis” para a conversação, a liberdade que damos aos nossos filhos para nos trazer qualquer espécie de dúvidas, irá pautar a confiança que eles irão estabelecendo nesse meio de comunicação, fundamental para que possamos apoiá-los nos eventuais momentos de crise, que, como ocorre conosco, eles certamente também irão passar. O cuidado em procurar entender seus interesses, o carinho em evitar interpretações apressadas e, acima de tudo, a confiança que possamos transmitir, de que acreditamos na sua capacidade de “passo a passo” superar quaisquer dificuldades pelo esforço e pela competência pessoal é de suma importância. Nenhuma herança que possamos constituir é mais importante que a “auto-confiança” gerada nos primeiros anos de vida pela adequada expectativa que demonstramos nas capacidades de nossos filhos. Baden-Powell identificou no início do século passado que é fundamental no processo educativo identificar as responsabilidades que nossas crianças podem assumir, e dar a eles, progressivamente esse compromisso. B-P destacou que, valorizando aqueles aspectos positivos que identificamos, poderemos pouco a pouco contribuir na construção de uma personalidade equilibrada e autônoma. E assim estaremos educando nossos filhos como exige a sociedade do conhecimento dos nossos dias, e principalmente como será a sociedade que eles herdarão de nossa geração.