Reginâmio Bonifácio de Lima

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RETORNO À SANTIDADE
De volta aos braços do Pai

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Retorno à Santidade

Retorno à Santidade – de volta aos braços do Pai. Reginâmio Bonifácio de Lima Copyright  2006 LIMA, R. B. 2006. Projeto de Capa: Sônia Queiroz Ilustração de Capa: Reginâmio Bonifácio de Lima Revisão: Maria Iracilda G. C. Bonifácio Composição: Graf-Set

Ficha catalográfica preparada pela Biblioteca Central da UFAC. LIMA, Reginâmio Bonifácio de. Retorno à Santidade: de volta aos braços do Pai. Rio Branco, Ac: Graf-Set, 2006. 131p. 1. Teologia Cristã, 2. Deus, 3. Fidelidade, 4.Santidade, I. Título

L732r

CDU 230.1
GRAF-SET Ind. Com. e Rep. Ltda Rua Dourado, 38 Estação Experimental Fone: (68) 3226-2173 - Rio Branco – Acre 2006 Fica explicitamente proibida qualquer forma de reprodução total ou parcial deste livro, sem o expresso consentimento do autor. Contate o autor: 68 9997-4974

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SUMÁRIO
Apresentação...............................................................07 A construção dos deuses e o Deus Redentor ........... 09 À Imagem e Semelhança de Deus............................. 27 A Fidelidade............................................................... 41 Nos Braços do Pai..................................................... 63 O Andar no Caminho das Alturas.............................. 89 Segundo o Coração de Deus...................................... 111 REFERÊNCIAS........................................................ 127

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Agradecimentos

Ao Deus Todo-Poderoso pelas misericórdias, bênçãos outorgadas e permitir a conclusão desta obra. A meus pais Severino e Maria que tanto me apoiaram. A meus irmãos Reginaldo, Regineison, Regiglenis e Pedro, minha cunhada Ana Íris, e, meus sobrinhos Stive e Kelven pelo amor, paciência e confiança. À Missionária Sônia Queiroz que muito tem me ensinado acerca das coisas de Deus. À minha musa inspiradora, Iracilda Bonifácio, que me ensinou a viver de forma prática a teologia explicitada nessas páginas, interpelando por maior intimidade com o Criador. A todos que ajudaram direta ou indiretamente para a execução deste trabalho. Muito obrigado.

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Apresentação
Um dos maiores dilemas da humanidade refere-se a seu relacionamento com Deus. Tanto cristãos como não cristãos, em algum momento da vida, ao se depararem com um problema que lhes parece insolúvel, buscam ajuda em “um ser superior”. De onde vem, pois, essa necessidade de não sentir-se só? Por que precisamos recorrer, como alguns colocam, a um “ser que nossos olhos não podem ver” para que possamos prosseguir nossas vidas? Esses questionamentos são bastante comuns, pois fazem parte do que os homens têm de mais belo e precioso: a possibilidade de relacionar-se com o Deus Criador, que nos fez à Sua imagem e semelhança e nos interpela constantemente para que andemos “segundo o Seu coração”, no caminho das alturas, nos braços do Pai. Este livro é um instrumento baseado no princípio norteador da prática de vida cristã, contida nas Escrituras, que nos impele a buscar constantemente “prosseguir para o alvo”, avançando mais e mais em maior intimidade com Deus, pois a vida eterna começa aqui e agora, é um presente contínuo que se estende rumo ao futuro. Necessitamos de ajuda para vencer os obstáculos. A vida cristã é uma luta, em que, muitas vezes, somos nós próprios, nossos maiores inimigos (Rm: 7.19). Avançamos, tropeçamos, levantamos, prosseguimos... Como crianças inseguras, ao lado do nosso Pai, caímos, mas, logo Sua mão nos ergue e Seu cuidado nos inspira à confiança... Então, levantamos, espanamos a poeira, e seguimos em frente, na busca de sermos “segundo o coração de Deus”. Nas páginas que se seguem você será interpelado por experimentar, na prática, uma vida cristã na essência. Não é possível ter um relacionamento com Deus pela metade, ou você O aceita e se doa por completo, ou continua enganando-se, achando que Ele

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“não se importará se só neste ou naquele caso” você agir fora de Sua vontade. Descubra em Retorno à Santidade, o prazer de escolher ser fiel a Deus, e trilhe o caminho de volta aos braços do Pai. Maria Iracilda G. C. Bonifácio

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A construção dos deuses e o Deus Redentor
A experiência humana em relação a Deus não é totalmente independente, no contexto de uma liberdade total. Homens e mulheres experimentaram suas situações e relações, ainda que por interesse ou antagonismos, e em seguida assimilaram e/ou construíram sua consciência e cultura para agir sequencialmente como resposta a situações determinadas. Nesses termos criou-se um aprisionamento estrutural pela mistificação de si mesmos e de sua consciência afetiva, moral e espiritual. O homem foi criado com o fim principal de louvar a Deus e gozá-lo para sempre. Deus o mandou cuidar da criação e povoar toda a terra. Isso foi dito a Adão e repetido a Noé e seus filhos. Os homens se multiplicaram rapidamente, mas não queriam separarse para povoar a terra, mesmo após Noé ter predito o futuro de seus filhos e apontado Sem como a semente escolhida para abençoar o mundo. Um número considerável de pessoas deixou o monte Ararate e se instalou nas planícies de Sinear, entre os rios Tigre e Eufrates. Após a queda, o sofrimento já existente foi acrescido pelo distanciamento entre o “Justo Criador” e a “desobediente criatura”, as conseqüências descritas em Gênesis três dão idéia de um sofrimento para maridos, esposas, filhos, animais, toda a criação. Assim ocorreu no Éden, o homem ficou com medo; em Babel, a síndrome do isolamento parecia algo terrivelmente arrasador, porque o homem havia falhado. A vastidão da terra, a auto-estima enfraquecida, seria mais fácil e atrativo encontrar alguém superior, mas não supremo. O homem envolto em culpa e pecado sente medo de Deus e Sua possível resposta para outras transgressões, por isso, planeja encontrar algo que lhe diminua o pesar. Pondose esses pontos, tem-se a idéia de um Deus iracundo, soberbo e

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prepotente, mas não é assim que Ele Se apresenta na criação; o capítulo um de Gênesis afirma: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”, e após a queda do homem, o amor de Deus é latente ao oferecer um novo pacto, mesmo com o não cumprimento humano do primeiro, o Pacto das Obras, no verso 15 do capítulo 3 de Gênesis está conclamada a vinda de um que possa vencer a ardilosidade da serpente. A culpa e o pecado adentraram o coração humano, como conseqüência, perdeu-se a intimidade com Deus. O pecado penetrou no coração humano. Assim, projetou-se no interior do homem uma divinização do palpável e sacralização do plausível, tornando necessária uma construção imaginária da complacência divina com os seres rebelados, formando-se seres mitificados, numa tentativa de diminuir o remorso. A solidão implícita no coração humano, deferida pela necessidade religiosa de um ser superior, concomitada ao sentimento de culpa, remete ao íntimo da alma a chamada “culpa teológica”, disposta como ato e, portanto, envolto em implicações. A esse sentimento de culpa, assim como a muitos outros, trata-se de aceitá-lo e dispor-se a assumir as conseqüências ou a simplificação, não necessariamente solução de ignorar deliberadamente. É perfeitamente possível errar e não sentir culpa, todavia, as implicações continuam, independente do autor aceitar, repudiar ou ignorá-las. O domínio do consciente pode ser trabalhado por alguns homens, mas o cerne do subconsciente é surpreendentemente espontâneo, involuntário, não necessita de estímulos externos para ser gerido, independe da volição humana. A subjetivação da culpa, assume um papel que freqüentemente surge ao se fazer sentir ou pensar que algo está errado. Para Narramore, os complexos de culpa podem ser fortes ou fracos, adequados ou inadequados, subdividindo-se em três categorias: medo do castigo, perda de auto-estima e um sentimento de solidão, rejeição ou isolamento.

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O Deus Supremo continuou presente, mas o homem, envolto em culpa, não se apercebeu e sentiu-se só. A solidão é algo que atinge a todos os seres humanos em um período ou outro da vida. Algumas pessoas são atingidas por ela durante toda a vida. Ela traz consigo mais que uma sensação de desconforto, envolve-se na estima, destacando sentimentos que culminam na insatisfação, seja em construir relacionamentos ou manter as ligações produzidas no transcorrer das atividades. Esse problema comum, normalmente descrito como uma das fontes mais universais do sofrimento humano, não escolhe raça, cor, religião, classe ou idade; ao tomar consciência da falta de um contato significativo com outros, o ser humano torna-se solitário. Não se trata de isolamento; solidão e isolamento são diferentes, este se dá pela escolha voluntária de afastar-se de outras pessoas, trazendo a sensação de prazer, refrigério, agradabilidade; enquanto aquela traz a idéia de um envolvimento involuntário a exaurir as forças, por um penoso dissabor. Pode-se romper o isolamento a qualquer tempo e retomar o curso que se lhe convier, enquanto a solidão aglutina-se na sensibilidade ainda que se a tente repelir. O sentimento de abandono, desespero e necessidade intensa de um tipo de relacionamento, algo a que se possa apegar expropria o homem lasso, e então, ele se sente sem valor, culpado, indigno de um retorno às atividades antes executadas. O psicólogo cristão Craig Ellison, sugere a existência de três tipos de solidão: social, emocional e existencial. Segundo ele a solidão social se dá em um sentimento de ansiedade e vazio, na sensação de uma vida sem propósito. O indivíduo sente-se à margem da vida, nada lhe é internalizado como propósito fixo a alcançar, não tem forças para sociabilizar-se; a solidão emocional está intimamente ligada à perda ou ausência de uma relação psicossomática com uma pessoa ou um grupo; a solidão existencial se faz posta pela percepção que se tem sensivelmente do isolamento em relação

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ao Criador, despertada pelo vazio de uma vida sem significado ou propósito. A despeito desse último item será discorrido mais à frente. Embora não haja muitos textos específicos a respeito do assunto a própria Bíblia tem em si relatos que versam sobre o mesmo. O próprio Autor da Vida afirma “não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn: 2.18). A solidão pode ter várias causas: o desenvolvimento, sem dúvida, é um marco contribuinte para a mesma. O mundo conturbado deixou os humanos carentes de ligação com seus semelhantes, mais distantes uns dos outros, trabalhos, plantações, pastoreio, a aquisição de habilidades por diferentes tipos de pessoas, a aceitação de si por outros, a dificuldade em confiar nas pessoas levam as crianças a desenvolverem uma incapacidade de relacionamentos íntimos. A baixa auto-estima e a sensação de rejeição são a base de grande parte da solidão. As situações em que se encontram os indivíduos também podem construir neles o sentimento de solidão devido às condições especiais em que se encontram. A riqueza, viuvez, genialidade, solteirice, deformidade corpórea, causam uma retração comportamental pela forma que os “normais” os tratam, num afastamento voluntário. O resultado dessa condição de distanciamento físico pode ser uma solidão egoística; o fator psicológico está intimamente ligado à internalização de preceitos que tornam o indivíduo solitário, muitos têm a atitude derrotista, baixa auto-estima a ponto de uma retração ou de armarem-se com uma atitude hostil, sentem medo e raramente são capazes de uma comunicação fluente. Os homens, mesmo vivendo em sociedade, isolam-se em suas comunidades, conhecem o outro que se faz presente, mas são ligados a suas próprias prioridades. A mudança de locais, o desenvolver-se numa lógica grupal com novas formas de se manter e o aprimoramento das técnicas, a indiferença ao mundo os torna reclusos em si mesmos, involuntariamente solitários.

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Além de todas as causas postas, as causas espirituais assolam o coração humano desde os primórdios. Quando de sua decisão no paraíso, Adão e Eva poderiam escolher confiar em Deus e viver por Sua graça ou duvidar dEle e quebrar o elo de confiança que os unia. O fato de uma inquietação, um desobedecer voluntário, enche o coração de insegurança e faz um atribuir ao outro a culpa pelas conseqüências advindas do ato de repúdio. O homem culpa a Deus pelo que fez, procura viver como se Ele não existisse e sente em seu coração o vazio da perda, a falta de alguém maior que o proteja. Foi assim no Éden, foi assim com os que não entraram na arca com Noé, com os construtores de Babel e repetiu-se em espiral a desobediência humana. Ainda assim, as misericórdias de Deus permaneceram sobre a terra (Lm: 3.22). A solidão ocasionada pelo desobedecer e fuga da presença do Criador levou ao coração humano uma forte pressão, medo de estar sozinho, receio de animosidades. O homem necessita de arrependimento, vontade própria de querer voltar a ter relacionamento com o Criador, manter uma posição favorável a Deus. Só que não foi isso que ocorreu, a prepotência humana o impediu de querer voltar ao início. É óbvio e salutar que uma busca coletiva ou individual não necessariamente implica a absolvição incondicional e volta ao jardim do Éden. Seria agarrarse ao Nihilismo Ético, pondo Deus como igual ao homem e o pecado de Adão como um simples mal entendido. Por que voltar a Deus ou para que arrependimento – são perguntas muito usuais. Ele prometeu enviar O nascido de mulher para pisar a cabeça da serpente. Pode-se dizer que, a partir daí, a salvação se daria pela graça divina. Deus cria uma forma de o homem voltar à Sua presença, sem precisar abrir mão de Sua justiça e soberania. Adão e Eva pecaram por não confiar, Deus permitiu-lhes a livre escolha e a decisão foi tomada por eles. Isso implicou a queda deles e de sua descendência. Ao arrepender-se,

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o homem não se livra da culpa, as conseqüências continuariam a advir e ele não voltaria ao Éden, mas, pela confiança de que o Criador pode cuidar, e a decisão de estar a seu lado faz do homem alguém melhor para si, para seu próximo e para a humanidade. Não se trata de uma prova, barganha ou troca, mas pessoas que estão morrendo buscam a um ser vivificador. A precisão de sentir-se seguro e a não aceitação de uma solidão total e completa fez o homem se aproximar de seus pares e juntos contemplaram a criação. Com o passar do tempo, por não entender o Criador; Sua voz quase muda aos ouvidos humanos soava distante dos corações dilacerados pelo pecado, os fez querer aproximar-se, numa ânsia quase infantil de estar no seio de alguém que se importasse, mas não apenas isso, que se fizesse corporeamente presente, num limiar de toque liberador de tensões e inteligência emocional, assim nasceram os deuses: seres dicotômicos transcendentes, verborrágicos, mas que estavam nos pensamentos do homem como lembranças vivas, cerne, condescendentes rins, amantes do homo aviltado, soavam suas vozes como o barulho de muitas águas em arrulho selvático, sopros de refrigério em ventos ciciosos, de brisa a vendavais, tão suaves quanto o entardecer, fortes como chuva torrencial e voluptuosos como o sol de um dia perfeito. Não se constituíam senhores de nada, não traziam presentes em seu alforje ou traços, tão somente refletiam de forma turva a imagem do carisma que se-lhes era outorgado. Um sentimento de confiança, credibilidade e presença incondicional. Palpável em corpos insólitos e olhos atentos. Os braços que não abraçam tinham em seus símbolos a formação de partes mensuráveis, continuadas e que poderiam estender-se tanto para a bênção de uma colheita e prosperidade quanto para o castigo de um não reconhecimento de sua figura. A construção escolhida para suprir um sentimento de carência imposto pela religiosidade humana. Quanto a isso, Alexander Jr. escreveu, conceituando

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religião: “No sentido mais fundamental, a religião de uma pessoa é a apreensão que ela tem do significado do universo, aquela filosofia de vida, aquele conjunto de valores que comandam seu íntimo ser, orientando-a nos alvos a alcançar na vida, dirigindo suas atitudes, suas ações”. A criatura mitificada passa a ser objeto de adoração e não seu homo criador, o elementar se torna latente pelo fato de o ente sacralizado ser incapaz de transpor os domínios do intelecto de quem o criou. Daí a mitificação ao colocar como senhor alguém que serve, não como prestador de serviço, mas sim como aproveitável para fins rituais e objetos de culto. O ser ontológico passa por um processo de sacralização, outrora relegado ao “Deus desconhecido” e se torna palpável, num processo de aculturação, rodeado de simbolismos inteligíveis por alguns, inimagináveis por outros. O homem vivia segundo as conseqüências dos atos de Adão. Em Cristo, houve a libertação, sendo possível viver em Cristo ou permanecer em Adão. A desobediência do homem criou um débito que precisava ser pago, “porque o salário do pecado é a morte”; Jesus, com sua morte, assumiu a penalidade, transferindo ao homem a salvação do pecado para “o dom gratuito de Deus, a vida eterna”. A fé é a única exigência para participar da vida com Cristo. O ato da redenção só se faz possível quando o sacrifício expiatório do Cordeiro de Deus para justificação de pecadores se encontra com o anseio humano de servir ao Criador dos céus e da terra. É claro que Deus poderia salvar e acalentar Seus filhos independente da vontade deles, por Sua graça irresistível, já que é Todo-Poderoso, contudo, Ele preferiu que os homens – outrora rebeldes – que verdadeiramente o busquem, possam encontráLo. O compromisso com Cristo não apenas designa um novo estado de existência, significa que a velha natureza foi despojada,

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o perdão torna-se uma circunstância no relacionamento humano e a fidelidade aplaca como escolha consciente. Por esses valores de comunhão com Deus e entrega total, o homem ama a seu próximo, falando desse Deus manifesto, ensinando sobre Jesus e atuando como mordomo na prática do serviço. Tendo Cristo como modelo, a marca do amor flui nos homens na esperança da plenitude dos tempos, quando da consumação de todas as coisas, em que haverá o encontro com o Pai. Conhecer a Cristo é essencial para uma maior compreensão de como se dá o amor de Deus para com os homens. Antes da solidificação dos montes, da terra existir ou mesmo antes de haver estrelas no firmamento, Ele estava com Deus e era Deus. Quando da criação do universo, formação da terra e chamamento dos habitantes da terra à existência, Ele estava presente. Mesmo no dia em que o pecado entrou no mundo, fruto da desobediência, ocasionando a perda da natureza santa do homem e corrupção do gênero, Cristo estava presente. Adão e Eva esconderam-se com medo, corruptos e culpados, mereciam a morte e a separação eterna. Nesse mesmo dia foi proferido que O descendente da mulher haveria de esmagar a cabeça da serpente. O protoevangelho afirma a obtenção do direito à vida eterna, pela vitória do Salvador contra o Diabo. Desde Adão até os dias atuais há a salvação para os homens. Jesus é o cumpridor das profecias israelenses, filho da promessa, descendente da casa de Davi, nascido de mulher para desempenhar na linhagem sacerdotal o cumprimento pleno do sacrifício voluntário para a expiação de pecados, sendo Deus manifestado na carne, para resplandecer na glória, tendo cumprida Sua missão de dar aos homens o livre acesso ao Pai. Ele é alguém muito especial, nos anos de Seu ministério foi mais que um homem popular para a presença de quem afluiram

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as multidões. Ensinava como alguém que possui poder, falava com tamanha soberania a ponto de dispensar qualquer exegese e interpretação da lei no estilo sacerdotal ou dos escribas. Jesus explicava os textos sagrados e “lia” a vontade de Deus a quem O escutasse. Da experiência comum tirava Sua doutrina, falando por parábolas, agia no cerne das coisas. O Seu modo de atuar era como de alguém livre, com poder e autoridade para confrontar a realidade e a ordem vigente. A Sua presença modificou as estruturas do velho mundo, as pessoas admiravam-se de Seus ensinos e ficavam maravilhadas com Sua doutrina. Pelo Seu operar a natureza Lhe obedece, as potestades e impurezas cedem lugar ao Espírito de Deus, a morte é vencida e novamente se pode crer numa vida plena em comunhão entre os homens e Deus. Quando veio o Cristo, o reino tão esperado foi anunciado, e as multidões afluíram de todas as partes da terra. O povo de Deus não seria mais uma raça à parte, e sim, uma sociedade enviada a proclamar as boas novas a cada língua, povo, raça, nação e a esses discípulos Jesus chamou de “minha igreja” (Mt: 16.18). Esse conforto é revigorado através dos séculos pelo Santo Espírito, como dantes os pactos em Israel. O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da Galácia “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros da promessa” (Gl: 3.29). A vida cristã está diretamente ligada aos ensinos do Cristo, ao ter em vista a necessidade do homem estar de volta à comunhão com Deus, precisa-se analisar Suas palavras, para tanto, esta obra foi produzida como forma de buscar perceber nas palavras e atitudes de Jesus, contidas na Bíblia, o conhecimento da vontade do Criador para com Suas criaturas, tendo como fonte principal para estudos o Cristianismo Essencial. O cristianismo é muito mais que uma coleção de pensamentos ou catálogo de exortações morais. É a anunciação das “Boas Novas”, como escreveu Stott: “não é um convite

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para que o homem faça alguma coisa; é a declaração suprema do que Deus fez em Cristo, por seres humanos como nós”. A união com Cristo está embasada na obra redentora planejada para se estender por toda a eternidade. Ela foi planejada por Deus pré-temporalmente e estende-se pelo estabelecimento do povo de Deus como o alvo da glorificação da vida nAquele que os redimiu, estabelecendo Suas raízes desde a graciosa decisão divina em salvar os homens. A obra redentora foi suficiente para toda a humanidade, nos Cânones de Dort está contido que “esta morte do filho de Deus é único e perfeito sacrifício pelos pecados; de valor e dignidade infinitos, abundantemente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro”, contudo, Deus fez essa obra eficiente para Seu povo. Estar em Cristo é ter uma inicial regeneração, por uma apropriação contínua de vivências na união, pela fé; a justificação e a santificação retratam o crescer em Cristo, pelo desenvolvimento da maturidade cristã e perseverança na vida de fé. Morrendo em Cristo, há a certeza de ressurreição para uma glorificação eterna, alegre e vitoriosa. Falar de Jesus não é apenas complexo, mas também, intrigante. A abordagem retratada nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, dão conta de Seus feitos, como escritos mais propriamente sobre Sua morte que sobre Sua vida. Apenas dois dos Evangelhos mencionam Seu nascimento extraordinário, contudo, todos relatam em cerca de um terço de suas páginas a mensagem, a forma, as circunstâncias e o porquê de Sua morte, podendo-se afirmar o fim principal dos Evangelhos ser a proclamação de, na morte de Jesus, existir vida a todo que nEle crer. Jesus é o homem mais estudado em todos os tempos. Mais de setecentas mil obras foram escritas sobre Ele. Por muitos séculos, Sua vida e feitos foram referência para o mundo que O

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conheceu. Seu ensino guiou sociedades à civilização. Reinos foram destruídos e tantos outros edificados sob o símbolo de Sua cruz. A face de Jesus tem levado sociedades inteiras a buscar algo de novo, algo de sobre-humano que ao mesmo tempo aja como um alívio para corações compungidos e bálsamo para o corpo ferido por tantas lutas no mundo em que vivem. Dizer que Jesus propicia alívio aos corações e, como um bálsamo, traz refrigério para o corpo, é colocá-Lo como mais uma solução para os problemas terrenos, como uma outra fonte a jorrar dentre muitas já existentes e tantas outras que foram cavadas ou percebidas no decorrer dos milênios. Foi preciso mais que corpo, mais que um simples efeito placebo. Ele não era apenas um homem andarilho pregando o arrependimento a um povo sofrido e ultrajado. Em momento algum Ele Se pôs em levante contra o domínio romano ou Se auto-intitulou um rei terreno de propriedade e direito para tentar uma revolta, destruir os adversários e tomar em Suas mãos o comando do povo escolhido; porque não se toma algo que se lhe pertence, nem se contende em desordem almejando o que já lhe foi entregue. Suas atitudes O arremetiam a algo maior, Seus profundos ensinos ao ponto que fulguravam de acordo com a Lei, proclamavam o início de uma Nova Aliança. Haveria novamente a perspectiva de uma aproximação. Multidões percorriam dezenas e até centenas de quilômetros para ouvirem as maravilhas que estavam sendo proclamadas. Falava-se de fé, esperança e amor, alguém ensinava com autoridade e discernimento. A autoridade dEle não vinha da terra e, por isso, não foi Ele o renascer de um velho profeta. Um Ser muito especial estava diante do povo e falava como alguém que tem poder. Ele não foi um ser isolado que nasceu dos céus, resplandecendo em glória para impor Sua vontade. Nasceu de mulher, viveu com o povo e pregou Sua mensagem. Mas não

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havia uma grande arena onde o povo se pudesse ajuntar, em Israel não havia o Coliseum, Acrópole ou teatros monumentais, inicialmente sua pregação foi feita nas planícies, ora caminhava com seus discípulos próximos à água, ora peregrinando de cidade em cidade, todavia, o número de ouvintes aumentou consideravelmente. “Sua fama correu por toda a Síria, e traziamLhe todos os enfermos. Acometidos de todas as doenças e tormentos (...) seguiam-lhe grandes multidões da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia e dalém do Jordão” (Mt : 4.24a e 25). Desde muito tempo atrás, a mensagem de salvação confirma a lei por meio da fé, porque esse é o propósito da lei. O propósito do evangelho é o mesmo proclamado na lei do Antigo Testamento. A lei era considerada o aio a levar o povo de Deus para Cristo. Judeus e gentios somente foram justificados pela fé; sendo uníssonas as vozes veterotestamentária e neotestamentária, proclamadoras da mensagem que todos são pecadores, estão sob a ira de Deus, carecem de salvação e das boas novas da redenção prontamente anunciadas no Messias prometido. Não existem revelações separadas uma da outra, tanto que o processo das alianças entre Deus e os homens se iniciou do Édem e foi até Jesus. A esperança messiânica é o fator motivador para a prática cristã e o objeto ou o sujeito desta expectativa é Cristo. Os patriarcas tiveram sua missão baseada na esperança da promessa e das bênçãos; enquanto a missão dos profetas é baseada na esperança do reino messiânico. Deus amou o homem de uma maneira inexprimível, tão intensa quanto valorosa. Não somente o colocou no mundo, como Se ligou a ele. O Deus Santo, Todo-Poderoso planejou estar com o homem tanto antes, quanto após a queda. Em toda a Bíblia, o que se pode notar primordialmente é o amor de Deus para com

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Seus filhos. Ele sempre procurou fazer tudo como Lhe aprouve e nem por isso esqueceu a obra prima da criação – o homem. O que O difere dos demais mestres, sacerdotes e líderes é o fato de Ele ser Deus, título que ocorre com toda clareza várias vezes no Novo Testamento (Hb: 1.1; Jo: 1.1; 1.18; 20.28). Vários foram os nomes e títulos dados a Jesus. Dentre os nomes atribuídos a Jesus, pode-se perceber a ligação direta entre a pessoa de Jesus e Deus (Jo: 1.1), pedra angular (Ef: 4.15), o cabeça (Ef: 4.15), o princípio e o fim (Ap: 22.13), a luz (Jo:1. 4), o caminho, a verdade e a vida (Jo: 14.6), o pão verdadeiro (Jo: 6.45), o bom pastor (Jo: 10.11), a videira verdadeira (Jo: 15.1), a paz (Ef: 2.14), a sabedoria de Deus (1 Co: 1.30), o poder de Deus (1 Co: 1.24), a glória de Deus (Jo: 1.14), a imagem visível do Deus invisível (2 Co: 4.4; Cl: 1.15), o novo templo (Jo: 2.21), o Deus conosco ( Mt: 1.23), o maná verdadeiro (Jo: 6.32), a água que mata a sede (Jo: 7.37-39), dentre dezenas de outros nomes expressos no Novo e também no Velho Testamento. Mesmo as profecias veterotestamentárias já davam conta de Seu nascimento. Nelas estão contidas as mensagens de Sua primeira vinda (Ml: 3); seria humano (Gn: 3.15; Hb: 2. 14 a 17) e divino (Is: 9.6; 40.9); seria da posteridade de Abraão (Gn: 22.18); da família de Davi (Is: 11.1); iria nascer em Belém de Judá (Miquéias 5.2); que nasceria de uma virgem (Is: 7.14); fugiria para o Egito (Is: 9.1-6); falaria por parábolas (Sl: 77.2); seria Servo (Is: 53; Zc: 3.8); Ungido (Dn: 9.20); Mestre (Is: 55.4); Pastor (Is: 40.10 e 11); Profeta (Dt: 18.18); Sacerdote (Sl: 110.4); Rei (Sl: 2.6; Is: 9.7); teria um precussor (Is: 40.3); curaria todas as doenças (Is: 53.4); muitos não O aceitariam (Is: 6.9-10); instituiria a nova aliança (Is: 42: 6-7); sofreria muito (Sl: 22); seria vendido por 30 dinheiros (Zc: 11.12); seria insultado e flagelado (Sl: 22 e 72); sofreria pacientemente como um cordeiro (Is: 53.9); morreria entre criminosos (Is: 53.9); ressuscitaria dos

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mortos (Is: 53.10); e ascenderia (Sl: 68.18); até o dia de Sua segunda vinda (Dn: 7.13), como Ele mesmo profetizou (Mt: 12.40). Sua ressurreição constitui maior prova de Sua divindade. O ato de falar em Seu próprio nome O torna alguém diferente dos outros profetas. Jesus atribui a Si poderes divinos, faz a remissão de pecados, nenhum outro profeta ousaria tal audácia. Nesse ponto surgiu uma nova imagem de Deus continuamente progressiva ao cerne humano, até o ápice da nova aliança consumada com o “Tetelestai”. A imagem do Deus legislador e juiz, criada como um recompensador de méritos, comerciante, barganhador de indulgências por atos ritualísticos, necessitava ser rompida. Não foi assim no início, com Adão, tampouco nas alianças. Os líderes religiosos criaram uma imagem monstruosa de Deus, e Jesus a desfez. Ele reclama a primazia antes de Abraão e o mesmo tratamento dispensado ao Pai. As mensagens de amor, piedade e arrependimento não têm nenhum valor escatológico por si mesmas; seria mais uma face do judaísmo pós-exílio. A diferença está no ato do Cristo. A sublime pregação de conduta e vida está intimamente ligada a um momento posterior, um encontro com Deus. Não em forma de promessa futurística alienável, mas na real diferenciação incutida a partir dos feitos terrenos de Jesus. O reino de Deus é manifesto como algo a alcançar todos aqueles chamados por Cristo para crer nos ensinos messiânicos, baseados no cristianismo essencial. A reconciliação entre Deus e o homem é dada quando do término do conflito, pela união expressa em Cristo, “porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl: 1.19-20). Jesus providenciou a reconciliação através de Sua morte, reconciliando Consigo o mundo.

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A morte de Cristo é retratada nos evangelhos, nas cartas paulinas e nas epístolas gerais, sendo as de Pedro as que mais chamam a atenção, não por conter indícios de uma rebuscada teologia, com argumentos lógicos, profusamente elaborados, mas pela simplicidade e fé com que os argumentos são postos. Pedro participava do círculo íntimo de Jesus, juntamente com Tiago e João. Foi ele o primeiro a reconhecer Cristo, foi ele quem interpelou sobre a real necessidade da morte de Jesus, também no Monte das Oliveiras tentou deter os guardas, seguiu o Cristo de longe, negou três vezes, se arrependeu e, com a ressurreição, compreendeu o real sentido da nova vida, pela morte do Messias. Para Pedro, a morte de Cristo foi mais que um exemplo a ser seguido de mansidão e domínio próprio. Ela é a prova da necessidade de um Salvador. É a chance de ser conduzido a Deus pela purificação do ser e perdão dos pecados, pois os pecados foram carregados pelo Cristo, Ele assumiu a responsabilidade das conseqüências, expiando voluntariamente os pecados de muitos. No Antigo testamento, os sacrifícios eram constantes e repetidos, a morte de Cristo foi única, como está escrito “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co: 15.3); “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados” (1 Pe: 3.18); “sabeis também que Ele se manifestou para tirar os pecados” (1 Jo: 3.5). Todos esses versos ligam a morte de Jesus aos pecados cometidos pelos homens. Através da morte de Cristo, o homem pôde ser reconciliado com Deus, justificado para novamente haver paz, uma harmonia nascente a culminar num convívio onde a purificação e a santificação estão presentes após terem sido os pecados perdoados. Em Jesus, o livre acesso compele os homens à adoção como filhos de Deus, dando glória e vida eterna através de Sua morte. O fim tendente na ação de Sua entrega vistava a redenção humana, e é certo que os meios empregados foram os

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da época, sendo a razão de Sua morte, indubitavelmente, o amor pelos pecadores. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Gálatas, afirmou que Jesus Cristo “se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau” (Gl: 1.4) e a Timóteo “... Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Tm: 1.15). Jesus mesmo afirmou ter vindo “buscar e salvar o que se havia perdido” para “dar sua vida em resgate de muitos” (Lc: 19.10; Mc: 10.45), Segundo o evangelho escrito pelo apóstolo João: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que aquele que nele crê (...) tenha a vida eterna” (Jo: 3.16). A obra de Cristo nunca deve ser apresentada de forma dissociada da Sua pessoa. Ele encarnou como homem para salvar os pecadores, conforme os eternos desígnios de Seu Pai; viveu como justo homem, debaixo da lei, como fiel representante da ação salvadora, morreu ressuscitou e ascendeu aos céus. De mesmo modo, a ação não deve se dissociar do agente, porque o sujeito da fé que salva não é a expiação. Também a cruz não deve ser isolada dos benefícios que ela traz, nem do Cristo nela crucificado, para que não se creia nas coisas adquiridas por feitos grandiosos, antes, a mensagem precisa estar centrada no autor de tais coisas. Deve-se crer no Jesus bíblico. Ele não morreu à toa, antes, quis dar a vida a todos os que crêem. Dois mil anos se passaram desde sua vinda ao planeta Terra, e o mundo O renega, tenta alcançar a redenção de uma forma cômoda e livre de compromisso. Os séculos que se passaram tiveram, como num espelho corroído por interferência de ações externas, a imagem da salvação obscurecida por teologismos e comodismos tracejados. A figura, por vezes turva, que se propaga é o reflexo do que se almeja, enquanto seres pensantes e temporais. As fantasias religiosas estão impregnando grupos humanos, fazendo barbáries em meio a espectros construídos de um Cristo metamórfico.

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Teólogos em suas cabines falam mais da via crucis e do sofrimento que do objetivo da morte de Cristo, constroem em amplitudes de projeções um Cristo “camaleão”, adaptado a qualquer realidade. Assim tem sido nos últimos dois mil anos, a sociedade como um oleiro tenta moldar um ser simpático às suas causas, por um idealismo, transformando-O em parceiro heróico ou um líder faccional, tendo Seu sacrifício sido relegado a um segundo plano, como conseqüência de um ódio de alguém contraproducente às idéias ensejadas. Assim, a escolástica o construiu um pedagogo, o liberalismo realizou um cristo liberal, o marxismo o teve como um revolucionário, o pragmatismo viu nEle um pragmático. Qualquer que seja o reflexo que se faça dEle, todos terão distorções, a menos que se busque encontrá-Lo na fonte primária de referência, as Escrituras. É necessário que a cruz de Cristo seja compreendida à luz das Escrituras. Faz-se preciso anunciar a real doutrina em que ela está inserida. Não se deve falar dela nostalgicamente, com sentimentos de perda e tragédia, como se Jesus fosse um coitado por ter sido pendurado nela, nem também querer que por ela se quebrantem os corações endurecidos, para despertar senso de compaixão. O homem estava morto em seus delitos e pecados e somente pela entrega de alguém perfeito, sem mácula, poderia novamente voltar à comunhão com Deus. Portanto, a lei precisava ser cumprida, e seu cumprimento se deu na cruz. Deus não poderia abdicar de Sua natureza santa e inculpar algo que Ele havia dito ser castigado com a morte. Não poderia simplesmente abrir mão de Sua verdade e não punir o erro. É preciso ter em mente que o homem só foi redimido porque alguém morreu em seu lugar, alguém puro, santo, sem mácula, e esse é Jesus, que deu Sua vida para remissão, ao mesmo tempo em que cumpria a lei de Deus. Jesus cumpriu os holocaustos e sacrifícios do Velho Testamento, toda a lei cerimonial, moral e judicial; pagou o preço

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com Seu próprio sangue. Ele é o Sumo-sacerdote, a oferenda, o holocausto e o cumprimento da lei. A Bíblia, em suas muitas referências, atribui à morte de Cristo o propósito de salvar as pessoas do pecado, libertando-as do mundo mau para torná-las puras e santas, regeneradas para toda boa obra. A visita ao planeta não foi um passeio ou uma cosmogonia antropocêntrica. Todas as evidências testificam que o propósito da vinda de Cristo ter sido trazer comunhão ao homem, perdoando-o e redimindo-o. Jesus morreu como um bom judeu, fiel à tradição judia, lutou até o fim pela instauração do plano divino de libertação. Seu sacrifício não foi para acalmar um Deus sequioso de vingança, mas para cumprir o propósito de justificar e libertar o pecador. De fato, a morte e ressurreição são o centro da mensagem cristã. Não se trata de uma vida embasada na lei e nos profetas com tantas regras, condutas e disposições a serem seguidas sob pena da não entrância no reino dos céus. A morte da morte se fez na morte de Cristo; por Sua ressurreição, o pecado, o diabo, o inferno e as coisas que causavam separação entre Deus e os homens foram vencidas. A presença do reino significou o cumprimento da esperança messiânica veterotestamentária, prometida a Israel; agora não apenas à nação, Deus, pessoalmente, agia na formação de um povo santo, então, os que aceitaram foram constituídos como povo do Altíssimo, tornando-se, pela fé, a descendência espiritual de Abraão, tão grandiosa e numérica quanto as estrelas do céu.

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À Imagem e Semelhança de Deus
Há no mundo um curso natural da vida, que, apesar de não experimentar a redenção, exibe muitos sinais do verdadeiro, do belo e do bem. O salmista, no Salmo 19, exprime: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos”. O que firma o mundo, ordenando a vida, mantendo em certa medida a ordem moral do universo e derramando incontáveis bênçãos sobre os filhos dos homens é a graça comum dada por Deus. É ela que distribui em vários graus dons e talentos, promove o desenvolvimento da ciência e da arte e possibilita a vida para que o mundo não se torne um caos. Mesmo com o homem se afastando do Criador, é pela graça comum que são produzidas as operações gerais do Espírito Santo, por meio da sua revelação que o pecado sofre restrição e a justiça civil é promovida, isso quer dizer que Deus não abandonou o mundo, antes, Ele, em certa medida, abençoa a todos indistintamente com a chuva, o sol, a água, alimentos e abrigo. Mesmo tendo Deus pronunciado a sentença de morte no pecado, é devido à graça comum que Deus não executou plenamente a sentença da morte do pecador. É pela aplicação da graça comum que se manifesta nos homens a religiosidade e a prática de solicitudes nas atividades civis e naturais, embora inteiramente destituídas de qualquer qualidade espiritual, porque mesmo tendo perdido o direito a qualquer bênção de Deus, ele recebe abundantes provas de Sua bondade, dia após dia. A orientação dada por Deus após criar Adão e colocá-lo no Édem foi para que cuidasse e zelasse do jardim. Essa missão se encaixava em três responsabilidades: o mandato social, “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra”, havia a necessidade de uma sociabilidade para realizar tal missão, sendo iniciada com

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o primeiro casal e continuada por sua descendência; o mandato cultural, “enchei a terra e sujeita-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”, a cultura sendo o produto das relações inter e intra grupais diretamente associadas ao meio em que se está inserido, portanto, o comportamento não degradante tem fundamental importância para a plenitude do cumprimento à missão recebida; e o mandato espiritual, sendo o terceiro o norteador dos anteriores, pela proibição que lhes é feita – a árvore do conhecimento do bem e do mal. A orientação de Deus, que norteia as ações humanas e de toda a criação, foi dada antes do pecado. O homem não apenas foi criado, mas também é a imagem e semelhança de Deus, isto é, há uma diferenciação entre os seres que pela palavra foram gerados e a descendência daquele que foi feito do pó da terra, pelas mãos divinas. Após a criação de ambos, apenas no homem foi soprado o fôlego de vida – um espírito que se distingue do corpo e da sensibilidade. Há a percepção do que está além da experiência material, a consciência de Deus. Os homens têm a capacidade de traçar objetivos, planejar o futuro, lembrar das coisas que passaram e fazer um auto-exame para avaliar se algo é possível ou não, dentro das limitações, a liberdade de escolhas conscientes, feitas por decisões e juízos, são inerentes à responsabilidade que se lhes corresponde. Ao afirmar que o homem é à imagem e semelhança de Deus não implica imputar um título de deuses menores, e sim, acrescer a seres substanciais criados a liberdade de tomar suas próprias atitudes conscientes. Pouca coisa é dita no Velho Testamento acerca da imagem de Deus. De forma específica, o conceito é tratado apenas em três textos, contidos no livro do Gênesis, sendo Gênesis: 1.26 e 27; 5.1-3 e 9.6. Quando em Gênesis 1.26 é dito: Façamos o homem “à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, segundo Francis Brown, léxico britânico do Novo Testamento, a palavra hebraica utilizada para “imagem”, tselem, deriva de uma raiz que significa

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“esculpir” ou “cortar”; aplicada à criação, indica que o homem é uma representação de Deus, conforme a imagem refletida. Também, a palavra hebraica para “semelhança” é demuth, proveniente de uma raiz significante “ser igual”. Embora a Septuaginta e a Vulgata insiram um “e” entre as duas expressões, o sentido do termo hebraico não é de soma complementar, visto que em Gênesis 1.26 vê-se tselem e demuth, no verso seguinte apenas tselem. O capítulo cinco, verso um do mesmo livro apresenta tselem e demuth, enquanto em Gênesis 9.6 há somente tselem, novamente. Daí dizer que a imagem e semelhança juntas afirmam ser o homem uma representação de Deus, que é semelhante a Ele em certos aspectos. No texto original em hebraico não há nenhuma conjunção entre “imagem” “semelhança”, também a Bíblia não especifica no ato criacional os aspectos da semelhança com o Divino. É atribuído a Lutero, no Comentário Bíblico do Velho Testamento, a interpretação do significado de “à imagem, conforme a nossa semelhança”, como sendo ambas indissociáveis no sentido de Deus ter propositado fazer o homem uma imagem que é semelhante a Si. A habilidade humana de agir de acordo com os seus próprios desejos está intimamente ligada com a vontade permissiva de Deus estendida da amplitude de Sua vontade soberana. É impossível uma liberdade plena na essência do termo se houver um Deus moderador, assim, ao se falar de liberdade, e mais à frente será tratado esse assunto, tenha-se em vista a liberdade plena ser apenas a divina e nenhuma outra. Em grande medida, pode-se afirmar as escolhas humanas dentro das opções que lhes são presentes. Para Schafer, o livre arbítrio do homem é um instrumento pelo qual Deus realiza Seu plano soberano. Ele não analisa profundamente a liberdade humana, mas a idéia que se apresenta é um aterrorizador emblema de liberdade cerceada por projetos pré-dispostos. A idéia de uma liberdade tão condicionada e

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diretivista faz parecer que Adão era refém no paraíso, e que os homens não são chamados para a liberdade em Cristo e sim para a escravidão. A obra da volição humana é deixada de lado por Schafer, transparecendo não a idéia de ser o homem dependente de Deus, mas prisioneiro de seus caprichos e protetorado sombrio. Muitos e controversos debates foram travados sobre o livre-arbítrio do homem, muitas vezes arraigados por um caráter especulativo sobre a liberdade do homem com a soberania de Deus ou com a eleição ou a reprovação, por alguns vista como eterna ou parcial. Por mais que se afirme ou se renegue a natureza caída do homem, o pecado e a desobediência, a comprovação da existência do mal está clara na sociedade. O presente escrito não se propõe a tecer tratados, muito menos uma neutralidade moral sobre esses assuntos. Modelos prontos foram construídos no decorrer dos milênios aumentando as controvérsias por extremismos ou medianismos que almejam desnudar o cerne das questões como prevalecentes virtuosos sobre o erro dos discordantes. No princípio, o homem era um ser bom, e, com o auxílio de Deus, viveria uma vida agradável a Ele. Havia não apenas a capacidade de fazer escolhas, como também de fazer escolhas certas. Ao contrário da afirmativa de alguns filósofos, o homem não é mau, tampouco é neutro. Antes da queda, os homens usufruíam de um estado de integridade, no qual foram criados e possuíam uma liberdade verdadeira, com possibilidades reais de progredir na graça e no conhecimento de Deus ou cair em um estado de depravação e pecaminosidade. O fato de criar o homem propõe o compartilhar das mesmas características gerais que as outras criaturas: a limitação na capacidade de compreender e nas habilidades referentes às espécies. Os homens dependem de Deus para obter todo o necessário à sua sobrevivência, assim como depende de seus semelhantes para fazer muitas coisas. A humanidade foi criada

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para administrar o mundo, para honrar a Deus e ter como objetivo cuidar-se mutuamente e da criação. Com o erro, os habitantes do mundo incorreram em culpa e vergonha, pelo mau uso que fizeram das coisas criadas. A mortalidade entrou no mundo com o pecado e atinge de forma geral a todos os seres criados, breve ou distante, ela flui na criação. Iniciada a partir do nascimento, precipita-se em seu auge a separar o ser de sua continuidade em vida. Alguns teólogos têm afirmado acerca da narrativa de Gênesis, 3, 1 a 7, não ser verdadeira, mas uma saga, um exemplo representativo do homem culpado, a ser compreendido como um modelo didático, sendo irreal a historicidade de Adão. Pessoas com esse tipo de pensamento demonstram entendimento incorreto das Escrituras. Como dito anteriormente, o Gênesis refere-se ao início da criação, às ações divinas e à história humana. Jesus, em discursos como o proferido acerca do divórcio, citou palavras do Gênesis, a genealogia, em 1 Crônicas 1, começa com Adão, assim também a de Lucas termina com ele. Paulo também o citou em várias de suas cartas, assim, Adão não foi uma figura mítica ou simbólica, não haveria o porquê de citá-lo se assim o fosse, nem contrastá-lo com Jesus, como Paulo o fez, escrevendo aos coríntios e aos romanos. O homem falha por buscar relativismos, por excluir a idéia de pecado concebido e querer entender os desígnios divinos numa antropopatização limitada à psiké humana. Somente Deus é o centro de tudo, já que a corrupção humana não permite a aproximação plena para com o Criador. Sobre o estado humano após o pecado adâmico, Calvino escreve: “O homem, visto ter sido corrompido pela queda, não é forçado a pecar ou pela vontade mas voluntariamente; não por compulsão violenta ou força externa mas pelo movimento de sua paixão”. As questões da imagem e da semelhança de Deus têm aguçado o espírito de muitos teólogos. Alguns pensam como Irineu, Bispo de Lion, na França, que ainda no século II da era

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cristã, escreveu “Contra as Heresias”, afirmando ter Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, mas após a queda, o homem perdeu a semelhança de Deus, obtida através do Santo Espírito de Deus, por isso, tornou-se um ser pecador, imperfeito, sem a devida restauração, é incompleto, até que por ato do Verbo Divino possa adquirir novamente a semelhança divina. Para Irineu, a racionalidade e liberdade para tomar decisões, bem como a responsabilidade por elas, é o significado da imagem de Deus, que após a queda são retidas em parte, o homem não é mais livre para agir indistintamente e a racionalidade tornou-se restrita; a semelhança de Deus era o “manto de santidade”, uma atuação direta do Espírito no ser humano, daí, para ele, os incrédulos possuíam corpo e alma e os cristãos, corpo, alma e espírito. Os ensinos de Irineu são válidos enquanto tentativa de refutar o gnosticismo que estava às portas da igreja, contudo, a distinção feita entre imagem e semelhança é errônea, por querer tornar diferentes duas expressões sinônimas. Também a natureza humana centrada na idéia racional do pensamento grego se distancia da verdade bíblica. A imagem e semelhança de Deus não são questões de adição ou subtração de um algo divino; quando da queda houve a corrupção de todo o ser humano, em suas particularidades e generalidades. Também em Tomás de Aquino, a imagem de Deus está contida na psiké humana, para ele, quanto maior o amor em ato e o conhecimento de Deus, maior o reflexo da imagem de Deus. Tomás de Aquino percebe a distinção entre a imagem e semelhança de Deus, mas não a constrói conceitualmente; para ele, cada pessoa possui uma aptidão natural para compreender a Deus e amá-Lo, embora necessite da graça divina para alcançar a vida eterna. No pensamento de Aquino fica latente a idéia de que, após a queda, o homem ainda é capaz de merecer a vida eterna,

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através da graça cooperante. Pensamento errôneo, de acordo com as Escrituras, se o homem pode merecer, logo, não foi dado, mas compreende um esforço meritório; e a graça cooperante, então, não dá salvação ao homem, mas o ajuda a adquirir, pensamento que é totalmente equivocado, de acordo com a Bíblia. João Calvino, um teólogo exegeta da Reforma Protestante, sobre a imagem e semelhança, em seu livro “As Institutas”, afirma que a imagem de Deus consistiu, originalmente, da justiça, da verdadeira santidade e do verdadeiro conhecimento, sendo os homens capazes de um bom relacionamento com a criação, com Deus e com seu próximo. Para Calvino, o homem possuía a imagem de Deus em sua perfeição: fé, santidade, retidão, amor ao próximo, mas com a queda tudo isso se perdeu. Numa análise aprofundada feita por Hoekema aos escritos de Calvino, ele afirma não só o efeito devastador na imagem de Deus, mas também percebe os aspectos sob os quais o homem decaído ainda é a imagem de Deus. Por vários momentos, segundo Hoekema, Calvino fala da imagem de Deus como tendo sido destruída pelo pecado, suprimida pela queda, extinguida ou perdida, cancelada, rasurada ou totalmente esfacelada pelo pecado. No entanto, numa análise mais aprofundada, mostra que, para Calvino, em determinado aspecto o homem ainda reflete a imagem de Deus, embora esta de forma muito deformada, e que por reconhecer a imagem de Deus em todos os homens, deve-se ser benevolente e amoroso com eles. Para Calvino, o homem não perdeu a imagem e a semelhança de Deus na queda, antes, houve a perversão e deturpação das mesmas, pela corrupção do gênero humano e depravação de seu estado natural. A Bíblia diz que o homem é à imagem e semelhança de Deus. A imagem de Deus não é um apêndice ou um anexo, ela é real, intrínseca ao homem. Heman Bavink expressou de forma correta essa verdade:

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Retorno à Santidade O homem não apenas traz ou possuí a imagem de Deus; ele é a imagem de Deus. Da doutrina que o homem foi criado à imagem de Deus decorre uma implicação óbvia de que esta imagem estendeu-se ao homem como um todo. Nada no homem é excluído da imagem de Deus. Todas as criaturas revelam traços de Deus, mas somente o homem é a imagem de Deus. E ele é integralmente essa imagem, no corpo e na alma, em todas as faculdades e poderes, em todas as condições e relacionamentos (BAVINK, Herman, 1918, appud HOEKEMA, 1997).

Quando o homem foi originalmente constituído, ele podia se inclinar para qualquer lado. O ato da escolha fica latente com a figura da árvore do conhecimento do bem e do mal. Para Agostinho, antes de pecar, o homem tinha liberdade para agir com bondade, dispondo-se a servir a Deus com grande satisfação, por isso afirma que a vontade é verdadeiramente livre quando não é escrava de vícios e pecados; que dessa forma foi dada por Deus aos homens, e tendo sido perdida pelo próprio erro, só pode ser restaurada por meio dAquele que foi capaz de dá-la em primeiro lugar. O pecado faz a separação entre o homem e Deus, nesses termos, o Deus Criador que livremente criou o homem imaculado segundo Sua vontade, poderosamente tomou a iniciativa de libertálo da impureza. A mente humana não pode discernir as coisas espirituais sem a prévia iluminação do Espírito Santo, por isso, a regeneração é necessária para libertar da escravidão do pecado. Após a queda, o homem não deixou de ser humano, continuou com sua essencial distinção: o homem continua tendo espírito e razão. A queda não destruiu a humanidade natural do homem, embora, por seu afastamento de Deus, os homens tenham dificuldades em compreender as coisas celestes, ficando mais claramente compreensíveis as terrenas. A imagem de Deus não foi aniquilada, mas pervertida. Permaneceram as habilidades do homem, e seus desígnios não mais satisfazem a vontade de Deus, mas os desejos da carne, pois não houve uma mudança estrutural no homem, contudo o seu

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modo de agir e o rumo de sua vida mudaram, pervertendo seu relacionamento com Deus, com a natureza e com os outros homens. A imagem subsistente de Deus está corrompida; Adão e Eva fizeram uma auto-imagem maior que Deus, desobedecendo a ordem clara de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, com esse ato, julgaram-se como maiores que Deus, capazes de decidir por si mesmos quanto ao que era certo ou errado. Assim criou Deus homem e mulher e teve comunhão com eles no jardim do Édem, até que a desobediência fizesse separação entre Deus e os homens. Com isso não houve mais a possibilidade de eles estarem juntos, o pecado humano separou os homens de seu Deus. Após comer do fruto proibido, ao invés de sentirem-se iguais a Deus, Adão e Eva ficaram desapontados, o sentimento de vergonha tomou conta deles por perceberem o erro que haviam cometido, sentiram-se culpados do erro e, por isso, sentiram temor, medo do que Deus poderia fazer, por isso, fugiram da responsabilidade do erro e tentaram encobrir sua culpa. Deus sentenciou a Adão, a Eva e a serpente. Dizer que Adão é inexistente enquanto pessoa histórica, dando-lhe apenas a semelhança e simbologia da transgressão, é incoerente, uma vez que de algum lugar a raça humana foi gerada. Ou ela veio de um homem primeiro, a Bíblia chama o homem primeiro de Adão, ou ele veio de uma mutação, adaptação, evolução, como se prefira tipificar. Desacreditar o ensino bíblico de um homem primeiro, criado por Deus, é desacreditar o ato criativo divino gerador da humanidade, assim, alguém que não foi criado à imagem e semelhança de Deus, que não tenha compartilhado do paraíso e da promessa nele proclamada, não precisaria de salvação. Não se pode voltar para um lugar onde se não esteve, nem retornar a algo de onde não se contactou. Desacreditar a existência adâmica é negar o proto-evangelho, é

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tentar tornar nula a promessa de um reencontro, porque não se reencontra algo nunca encontrado antes. Em várias partes da Bíblia há a comparação entre Adão e Cristo, e o Novo Testamento afirma ser Jesus o Cristo. É necessário compreender a existência de um homem original, Adão, e de um pecado original, cometido por ele para que se tenha conhecimento dos efeitos do pecado, dentre eles: a culpa e a corrupção humana. Há dois pontos que necessitam ser analisados para compreender a situação existencial humana. O primeiro é que a Bíblia ensina ter havido um primeiro Adão e um pecado original; o segundo é que somente pela compreensão da condição natural do homem é que se pode entender a necessidade de uma renovação efetuada pela redenção em Cristo. A história dos homens não começou com o planeta visitado por Jesus, antes, deu-se com o ato criativo contido em Gênesis. Não foi apenas Jesus quem disse “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, e sim, também o Pai e o Espírito Santo, em um ato majestoso proferiram tais palavras. A história do relacionamento cristão com Deus não pode ser alienada por uma construção turva de pensamentos, sentimentos e reações ocorridos a partir de uma visão dos evangelhos. Eles têm o seu valor, mas toda Bíblia também o tem. O fato de alguém tentar construir uma imagem e semelhança de Deus segundo apenas um dos Testamentos reflete, de um lado, uma divindade inefável, remota e inalcançável e de outro, um Messias que não salvou a Si, uma incógnita no processo perpassado até o nascimento virginal. O pecado estendeu-se de Adão para toda a raça humana, não por imitação como afirmam os pelagianos, mas pela derivação, nas palavras do apóstolo Paulo: “Ele é quem vos deu a vida, quando vós estáveis mortos em vossos delitos e pecados (...) fazendo a vontade da carne, e dos pensamentos, éramos por

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natureza filhos da ira” – objetos da cólera divina (Efésios: 2.1 e 3). O mesmo apóstolo, em outras passagens bíblicas, afirma que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm: 3.23. Bíblia Corrigida), “porque o salário do pecado é a morte” (Rm: 6.23a), “portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm: 8.8). Fica claro o caráter da natureza caída humana, havendo uma comunhão com Deus apenas na redenção divina. Quanto à nova vida debaixo da graça divina, segundo o Espírito de santidade e adoção, é visível o fato de a graça de Deus estar intimamente ligada com seu desígnio salvífico, daí derivar a vontade humana de praticar boas obras, com o intuito de louvá-Lo ou, por conseqüência de Seus feitos, o resultado da graça recebida. Na pessoa de Jesus não está contido outro Deus, mas uma outra forma de revelação do mesmo. Mesmo quando Paulo escreve aos Romanos para que se considere a bondade e a severidade de Deus, muitos preferem agir como se a severidade de Deus não existisse. Tem sido criada no seio dos discípulos de Jesus a idéia de um Deus amoroso, apaziguador, compassivo, manso; Ele é tudo isso, mas também é justo, reto, o criador e sustentador de toda a raça humana. O homem caído inclina-se a Deus como resposta da graça regenerativa, e a bondade de Deus o torna salvo, não por uma compulsão, mas fruto de Sua natureza perfeita. Assim, quando Deus proporciona o reconciliar entre Si e os homens, a vontade humana é modificada na orientação dos ensinos de Cristo. O amor a Deus sobre todas as coisas e o amor ao próximo não é uma destruição da vontade pela regeneração, antes, a justificação propiciada converte a disposição humana, orientando-a em direção a Deus. É preciso entender que a espontaneidade do amor não exclui a obediência, nem esta aquela. Obedecer não significa necessariamente sujeição civil, antes, é um ato de amor a Deus e à Sua palavra.

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Só se pode regressar a alguém que se assistiu pessoalmente, e que por escolha, dissuasão ou supressão deslocouse, ocasionando distanciamento. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, inclusive na santidade. O que difere a santidade de Deus da humana é que nos homens ela é adquirida e derivada de Deus, ou seja, a santidade não é necessária na criatura enquanto separada do Criador. O homem foi criado santo e, no entanto, deixou de ser santo; a santidade humana é finita e mesmo após a redenção, será santo por causa da graça divina nele efetuada, não por mérito próprio; enquanto Deus, mesmo separado da criatura, é Santo em Si mesmo, substancialmente infinito e tendo santidade inerente ao Seu ser. A santidade é o grande atributo majestoso e moral de Deus, embora não tenha a simples conotação de qualidade moral ou ética. Do hebraico qadosh e do grego hagios, a palavra “santo” significa cortar, separar, retirar do uso comum. No caso dos sacerdotes, dos utensílios do templo; da conotação dada aos seres, há relevante distinção entre os colocados para o serviço de Deus e os demais; contudo, ao referir-se a Deus, a denotação aplicada é a de estar separado da criação e transcendentemente elevado acima da mesma. Sua santidade é plena, contudo, não se pode enaltecer Sua transcendência em detrimento de Sua imanência. Deus não é apenas santo, mas também justo, misericordioso, amoroso, rico em graça, dentre vários atributos – Se houver ênfase exagerada na transcendência, pode-se correr o risco de não perceber o agir de Deus no decurso da história; ao ponto que ao enfatizar a imanência divina, pode-se perder a noção de um pessoal, por este estar profundamente um Deus pessoal, por este estar profundamente envolto na história humana. Deus é santo em Si mesmo, e não tendo ninguém maior por quem jurar, jura por Sua própria santidade, todos os Seus atributos estão intimamente ligados ao Seu santo ser, Sua obras e Suas leis, porque Ele não se contamina com o mal.

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Quando Deus restaura o homem de seu estado degenerado e corrupto, a imagem de Deus é renovada pela santificação. Não há uma nova imagem a ser implantada no homem, antes, a capacitação ao homem para voltar-se para Deus em arrependimento, fé e o livramento da “escravidão da vontade”, pelo processo redentor, liberta o justificado para fazer a vontade de Deus – liberdade essa perdida com a queda. Deus, ao criar o homem, o fez à Sua imagem e semelhança; o pecado o maculou, degradando a relação com o Criador. Pelo agir realizador de Deus, o homem é limpo, justificado e a imagem divina existente nos seres humanos é restaurada na vida presente, ainda no corpo corruptível. O julgo do pecado foi rompido e a plenitude de vida a ser usufruída com Deus propiciou a libertação do pecado, pela transformação outorgada por Deus, para um aperfeiçoamento progressivamente renovado, por um genuíno aperfeiçoamento no futuro escatológico, com o novo corpo incorruptível.

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A Fidelidade
Não é possível falar em fidelidade sem levar em consideração a liberdade para tal. O homem precisa sentir-se livre para ser fiel, mais que isso, a fidelidade ecoa espontaneamente de seres livres, com propósitos definidos, embora esses não sejam estáticos. Isso não torna a fidelidade e a liberdade terminantemente ligadas por um elo aquém, mas a vontade de realizações as une, ainda que em maior ou menor proporção, para a presteza dos objetivos alçados. Daí dizer-se que os homens, em sua essência, têm dentre seus atributos a vontade atuante de escolha acerca de como utilizar a liberdade de ser fiel. Não se enseja um livre-arbítrio ou um intransigente antropomorfismo, o que se busca é a essência atuante da vontade humana em seus relacionamentos e escolhas. Essa liberdade não pode ser pensada de modo reducionista, cerceador de possibilidades, tampouco por determinismos. Os caminhos da liberdade se manifestam nas contradições entre o determinismo bio-antropo-social e o livrearbítrio. É fato latente a limitação humana por sua herança genética e sujeição cultural. A construção de suas idéias, bem como a constituição conceitual na psiké, estão intimamente ligadas à tomada de consciência e implementos de princípios éticos na própria vida, tendo como base o desenvolvimento em suas diversas faces. Portanto, pode-se dividir a liberdade em interior e subjetiva, ou seja, uma liberdade mentalmente possível; e exterior e objetiva, aquela materialmente possível, com possibilidade de ação. A liberdade é uma espécie de autonomia dependente, porque, sendo livre, prende-se a uma necessidade de transparecer existencialmente. Nos humanos, aplica-se sujeitando os seres a determinantes bioquímicos, físico-culturais e hereditário-sociais.

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Assim, enquanto forma libertadora depende dialeticamente da autonomia. A influência cultural recebida por cada indivíduo combinada com a hereditariedade biológica cria uma espécie de sistema automático de impressões psico-sensoriais. A liberdade consiste em romper as prisões existentes dentro do próprio ser – sendo elas isoladoras das necessidades básicas, que levam o ser a conflitos – podendo escolher o amor e a cooperação com o próximo ou a submissão por não conseguir desenvolver-se produtivamente, tendo como conseqüência o isolamento, a violência e a fuga da realidade. O ser livre, com pensamento elaborado, objetivos traçados, ciente de suas potencialidades tem a chance de escolher o que quiser, inclusive ser fiel. Não se trata de uma obrigação, e sim, de entregar-se voluntariamente. A liberdade permite ao ser consciente incluir em suas mensurações não dogmas ou padrões constituídos, mas o projetar cognatos sensitivos e construções sociabilizantes, inclusive a fidelidade. A liberdade de ser fiel, tantas vezes envolta em seus antinômios – sedução e traição – encontra-se no conjunto das forças de vida como prosseguimento de afirmações e contradições dos esforços humanos em transformar as traições do inconsciente em fidelidade à razão e converter a sensibilidade seduzida em raciocínio moral inculpado. A fidelidade não abstrai-se em definições prontas, há toda uma vertente por onde brotam possibilidades e implicações postuladas de forma tangível, nem sempre eloqüentes, onde a única certeza é sua não sistematicidade. A traição, tantas vezes reclamada por Deus acerca da conduta de Seu povo escolhido, é um caso fantástico do antagonismo à fidelidade; por outro lado, alguns profetas israelenses acusam Deus de tê-los seduzido com sua graça irresistível. Essa ligação conturbada tem como pórtico não as relações vigentes entre ambos, e sim, um algo maior: o

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plano redentor divino. Dito isto, necessita-se traçar construções não lineares, por vezes rompidas e reatadas para um acesso à idéia proposta do conjunto das forças existentes na continuidade do caminho em direção ao alvo a ser atingido. A fidelidade não é objetiva, nem pode ser imposta como se fosse uma segurança real, anunciando o fim do desejo. Ela atravessa as muitas vias do desejo, perpassando pela traição e sedução. Ao pensar a fidelidade, é interessante considerá-la um valor, com suas provações, dificuldades e vínculos. Assim, a confiança necessária para o seu fluir está intimamente ligada com o ponto de equilíbrio na relação entre seres. A fidelidade não é algo em si e para si, há a presença do relacionamento, tênue, prazeroso, edificante e até atemorizador e separatista, como no caso de Israel e seu Deus. O fato de o Criador ser plenamente confiável levou Israel a uma pressão tremenda de cumprimento para também ser fiel; a fidelidade perdeu seu sentido para tornarse obrigação e pesar. Por outro lado, a constante instabilidade em ser fiel apresentada pelo povo eleito causou em Deus tristeza e ira. Como conseqüência, ambos se afastaram. A fiabilidade mútua, quando inexistente, permeia a fragilidade, tornando-se insustentável. Esses sobressaltos aplicam-se de forma antagônica, mas não contraditória, na busca de fundamentos a algo que tem origem ausente. Na relação dos fundamentos, estão amplamente entrelaçados entre si numa evocação à vida. A plenitude almejada declara amor consciente, seguido de uma entrega, por isso, a necessidade de sentir-se fundamentado, pela confiança que se lhe é atribuída. É mais que uma ligação, há uma certa suposição no âmbito da aliança; a determinada fantasia escapa ao projeto consciente, mesmo sendo necessária à construção de uma identidade. Como, então, ser fiel a um Deus que tem fundamentos não conhecidos? E a volição humana? Pela não existência dos fundamentos últimos no relacionamento é preciso construir uma

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identidade fundamentada em ambos. Não basta para isso afirmar que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, nem querer misturar o Santo com o pecador. Por vezes, a única maneira de ser fiel à sua identidade é romper consigo mesmo, não por mutações de vínculos ou metamorfoses. O conjunto de atitudes pela reaproximação encontra a origem do relacionamento no amor. O homem não deixa de ser humano ao desposar a vida com Deus, e Este não deixa de ser Deus ao planejar, executar o plano e morrer por pecadores humanos. A questão da fidelidade é apaixonante quando interpela o diálogo entre Deus e Seu povo. Um Deus que revela-Se pouco a pouco, num período de gerações, fundamentando a solidificação ideária de origem; permitindo uma aproximação humana a longo prazo. Vêem-se, nesse contexto, os conflitos desde o Édem, o êxodo, a terra prometida, os exílios. Há o reconhecimento de solicitudes, afronta e renúncia. Não são as soluções finais mais importantes que o querer voluntário. Não se deve confundir fidelidade com fanatismo, este necessita de um preenchimento como início ou fim do ato faltoso, uma troca do ato digno de repúdio por outro virtuoso que o substitua. Não há como separar um erro da memória, a psiké humana é construída também com erros. Esses desacertos ultrapassam a lembrança, são marcas, ainda que deixadas para trás ou esquecidas, continuam existentes, e direta ou indiretamente contribuem para a construção do relacionamento. A inobservância do processo vivido pode seduzir a uma fixação, invocando, sobretudo, a eliminação do erro, só possível com uma ruptura da vida ou dilaceração do amor. Assim, a fidelidade passa a ser prisioneira de um amor tirânico e ameaçador. Absoluta fantasia de uma carga emocional tirana e arrogante. No outro extremo, a fidelidade não pode ser embasada em permissividades postuladas por arquétipos de fiabilidades e

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confiabilidades, fundamentados no imaginário como coisas, sensações e emoções a serem desfrutadas, numa liberação de fazerse ao outro, permitir-se o agravo e invocar em momento último o perdão total, por práticas desconcertantes, causadoras de feridas no outro, num relacionamento evasivo, produtor de traições e contendas recíprocas; para, novamente, recomeçar com a certeza de existir no final novamente uma solicitude. Fidelidade a um sofrimento ou a um obcecado anseio, não é um valor, porque tomados em si mesmos só causam mal, e maldade não é uma virtude. Pelas intermitências propiciadas em ambos não se pode requerer o sofisma de uma pretendida redenção, por uma natureza que, em si mesma, não ocasiona nenhuma bonança. A fidelidade perpassa por caminhos onde logra a volição por coisas tidas por virtuosas ou louváveis, porque fidelidade a coisas estúpidas é uma estupidez maior. O fato de os apóstolos serem fiéis a Jesus é altamente conceituado por qualquer pensador de bom grado; que se diria, pois se esses mesmos apóstolos fossem fiéis às suas sandálias? A fidelidade não é apenas livre, virtuosa, deve dirigir-se apenas ao que vale. O valor de valer está intimamente ligado com a razão de se fazer fiel. Não se trata de ser fiel a qualquer coisa, um retroagir constante às memórias, pelo rememorar constitutivo de uma obstinação fanática ao passadismo. Talvez em sua falta de obstinação ou versatilidade é que ela seja fiel. A fidelidade livre para sentir e querer está parcialmente figurada no amor, não que todo amor seja fiel, mas toda fidelidade é amante. Amante a si, amante de si, por si mesma amante, sem egoísmo, ou tentativa de centralidade, porque quando se é fiel, se é fiel a algo ou alguém. Daí dizer-se necessária existência externa a ela para que se postule a fidelidade, bem como os valores intrínsecos a ela. A fidelidade e a compaixão são duas virtudes diferentes, não devem ser confundidas, pois uma coisa é não fazer sofrer, e outra coisa é não trair, isso é ser fiel. Ao se afirmar a fidelidade

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ser uma virtude, faz-se necessário dizer que seu valor não se compõe em si mesma, antes, a sua fundamentação está na existência ou resistência a que se propõe. Ninguém diria que o ressentimento é uma virtude, embora ele permaneça fiel à cólera e à ira. Não se deve ser fiel a coisas ou circunstâncias que não são valorativas para um aproveitamento de grandezas. O ato de o ser não ter acesso ou dispor dos meios necessários para cometer falta, pelo abrangente objetivo de conservação do fiel, não configura fidelidade, e sim, precaução. A sedução precisa estar presente, a alternativa do distanciamento também; a sustentação de determinadas idéias, o caminho a ser ou não desviado, a razão da percepção preserva a identidade do ser fidedigno. A liberdade para aprisionar-se ou não, nesse fluxo de potencialidades, manifesta-se a possibilidade de ser fiel, não por uma obrigatoriedade nostálgica, mas por uma escolha. Ainda assim, alguém pode indagar acerca de onde fica o inconsciente nesse emaranhado de potencialidades. Bem, não há necessidade de explicar como ele funciona, para tanto, autores como Sigmund Freud, William James e Pierre Bordeau já o fizeram; quanto a seu comportamento, vai além da intransigência, da construção do superego, em contraposição ao id, sua significância está em aprovar ou não o desabonado pela moral, negar a constituição do real latente, ou ainda, afastar-se sem razão aparente de algo ininteligível pela busca da sensação de reconforto ou segurança emocional. Dadas as bases para uma fidelidade livre e voluntária, embora não se tenha a intenção de esgotar o assunto, será discutido de forma mais aprofundada a relação entre Jeová e Israel. Não tentando eternizar a existência judaica, pretendendo ser ela a essência de toda a escolha referente à espécie humana ou tratar Deus como um velho bonachão, fazendo dos homens seus “brinquedinhos”. Falar de Israel por temporalidades impregnadas de rupturas e suas complexas relações de homens para família,

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tribos, reinos, nação, faz-se uma tarefa memorável. Contudo, é o vínculo particular da fidelidade que será abordado, tendo sempre o Criador, Seus eleitos israelenses e cristãos como atores da conjuntura apresentada. Não se trata de expor muitas fidelidades, um antagonismo conflituoso de adjetivos antônimos. A fidelidade pressupõe o ato de pensar, aceitando os erros e acertos contidos na memória. Assim, ocorre a reflexão a ser submetida ao pensamento do essencialmente verdadeiro. Não é possível ser fiel a si se os próprios pensamentos divergem da verdade em que se acredita, A fidelidade ao verdadeiro é diferente de ter fé. A fé é acreditar em algo que não se vê. Ser fiel ao pensamento não é tornar-se dogmático, intransigente em mudar de idéia, nem submetê-lo e trocá-lo por algo que se não compreende. É sim, recusar-se a mudar sem que tenha boas razões para isso. O devir constante de uma duração cabal não deve ser posto como regra por uma pretensa invenção da história do mundo que para ser verdadeira pressupõe memória superior, sendo esta própria memória, Deus. Ele não é uma simples memória, ou uma lembrança de fatos ocorridos, o Eterno tem em Seu íntimo todas as qualidades de alguém que criou, capacitou e ainda cuida. Não se cuida daquilo que se não lembra, nem antes se executa planos esquecidos. A fidelidade ao pensamento é, antes, em Deus, e, por Sua eterna onisciência, sempre atuante; no homem, é a tentativa de um encontrar o que se lhe é presente, que com o tempo se torna passado. Marcel Conche, ao estudar o pensamento, afirma que todo ele correrá o risco de se perder se não houver esforço para guardá-lo. Para ele, o pensar livre necessita estar em concomitância com a memória, por não existir pensamento sem memória e sem luta contra o esquecimento. Pelo fato de o risco de esquecer ser grande, é necessário uma luta contra a versatilidade frívola ou interessada do renegamento, da perfídia, da inconstância. A fidelidade não é contra o esquecimento, mas

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se opõe a ele. Porque primeiro se trai o que se lembra e depois se trai o que se esqueceu, por conseguinte, se esquece do que se traiu. Uma constante interposição do racional com a memória, a lembrança e o reconstruir constante do não esquecimento, pelo rememorar. Não basta lembrar, é preciso querer lembrar, a fidelidade é o ato virtuoso dessa volição. A questão é ligada mais ao motivo da lembrança que à lembrança em si. Porque o fato de lembrar não necessariamente ocasiona uma permanência na forma de pensar. A necessidade de manter o pensamento vivo de nada serviria se não se tivesse em mente o querer permanecer, sem mudar, por uma conservação viva da concepção das experiências vividas. O pensamento humano, após a separação, foi criando com o passar do tempo a sensação de um abismo maior entre a criatura e o Criador. Nisto, precisou o Criador uma forma de reaproximar-Se, como havia prometido no proto-evangelho, para tanto, escolheu um povo e deu-lhe um código de conduta a ser cumprido para consigo e com o próximo. Esse era o código moral, atemporal que serviria como acessório para o reencontro. Contudo, os homens transformaram-no em dogmas, postos não como acesso, mas como restrição ao encontro. Ele serviria para nortear as condutas e foi transformado em prisão. Se há uma lei que aprisiona, seria impossível a fidelidade a Deus, uma vez que novamente se encontrava distante. Uma fidelidade à lei não é fidelidade, é imposição, um dever subordinativo. A relevância dada por alguns teólogos e cientistas sobre a conduta moral de Israel é, no mínimo, aprisionante. Uma sistematização de atributos primeiros, tergiversantes com ritualismo talmúdico, fazem transparecer mais uma idéia de escravidão que de liberdade. Israel nunca foi escravo de Deus, ele viveu sim uma escravidão moral religiosa implementada por seus líderes e representantes. Tampouco, Deus obrigou a esses escolhidos tornaram-se escravos fiéis, portanto, dois pontos

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precisam ser destacados. O primeiro é que nenhum escravo pode ser fiel, ele não é livre para escolher, não tem a liberdade de tomar decisão contrária à do seu possuidor. Segundo, mesmo que o escravo o ame e sirva com presteza, esse amor, em última instância, é caracterizado como uma forma de extrema obediência. A conduta moral agressiva à liberdade deve ser repensada por não condizer, tampouco conservar a fé, a lealdade e a fidelidade. A lealdade é uma escolha objetivada mediante compromisso implementado, a fé é um estado de espírito, de crença sensitível e espiritual, enquanto a fidelidade caracteriza um comportamento. A moral é válida e importante enquanto conseqüência de um fundamento primeiro, podendo, então, fundamentar outros valores. O que não se pode é colocar a moral como fundamento primeiro da ligação com Deus, fazê-la imposta e requerer bom grado para com esta que se tornou algoz. A fidelidade é a base de toda a moral, se for levado em conta a moral ser a fidelidade às leis e ao modo de vida sóciocultural estabelecido, ela torna-se contra a derrocada de valores estabelecidos, para que ela mesma não seja derrubada. A fidelidade está intimamente ligada com a verdade. Quando se é fiel, buscase ser fiel àquilo considerado como verdadeiro, e mesmo com o passar do tempo, a lembrança do pensamento verdadeiro permeia o cerne, causando uma fidelidade à memória das experiências vividas, da verdade pensada, enquanto concepção polida. Em sentido estrito, nem a moral nem o amor estão presos por princípio; cabe a cada um escolher, de acordo com sua força ou com suas fraquezas. A fidelidade não é exclusivista; enquanto aprisionante, se entristece o fiel, causando aflição e sofrimento, não é essencial. Porque não se é fiel preso a preceitos e vicissitudes, nem por um juramento pesaroso. A fidelidade necessita da condição duradoura da memória e da vontade, num misto de gratidão e confiança, partilhando o amor conservado ao que aconteceu, sem exigências ou encargos.

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O fundamento moral tanto liberta quanto aprisiona. Liberta por dar regras a serem seguidas, caminhos a serem percorridos sem deslizes ou rupturas, não há como culpar por uma violação precedente a um posicionamento contrário. E aprisiona porque o descumprimento causa agravo à parte transgressora, cabendo a esta a devida punição com justiça motivada para que não mais haja descumprimento, e à outra agir em defesa de seus direitos. A fidelidade precisa ser voluntária em amor, por uma vontade livre e permitente fundamentada na soberania divina. Não sendo instaurada por juramento, vitimando ao aprisionamento o ser juramentista, relegando-o à solidão do estar por precisar e não pelo querer. A fidelidade é uma virtude que não deve ser suprimida ou inconseqüente, nem mesmo pelas inconstâncias multiformes do desejo. A primeira vez na Bíblia que Israel é chamada de povo está contida nas palavras de Deus a Moisés: “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito e ouvi (...) pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo. Vem, agora, eu te enviarei a Faraó, para que tire o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Ex: 3.7, 9 e 10). É interessante lembrar o fato de o povo estar cativo, como escravo no Egito. A liberdade ocorre quando o Eu Sou resolve retirá-lo de lá. Não há uma fuga do Egito, com prisioneiros rebelados escapando do julgo de Faraó. A providência divina age para fazer Faraó libertar Israel. Há liberação, por uma liberdade dada a esse povo. Essa liberdade não é apenas política, moral ou social, ela é também religiosa. Não há cadeias a aprisioná-lo, o povo pode escolher tomar atitude. A fidelidade de Deus é inseparável de Sua veracidade, ambas estão entre os atributos intelectuais morais de Deus. Portanto, Deus escolhe a Israel, mas essa escolha não é unilateral. O povo livre pode escolher pactuar com Deus para sua graça ou ficar a mercê das nações. Israel escolheu pactuar com

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Deus, nesse pacto ambos tinham determinada conduta a seguir: Deus deveria cuidar de Israel enquanto Seu povo seguisse Seus preceitos, e o povo deveria seguir os preceitos de Deus enquanto Este fosse fiel. Há algo nessa questão que, muitas vezes, passa desapercebido: Deus não prometeu ser fiel a Israel, e sim, a seu propósito de eleição redentora. Deus escolheu salvar a muitos, tendo Israel como testemunha de Seu propósito, posto que ambos queriam. O povo, temendo a majestade dAquele que destruiu os exércitos de seu opressor – portanto, mais fortes eram os egípcios e tombaram ante o Altíssimo – acampou-se aos pés do monte Horebe, também chamado de Sinai, enquanto Moisés subiu o monte. O povo poderia ter partido, ter saído, contudo, sentiam haver proteção, segurança na presença de Eu Sou, por isso ficaram. Não houve imposição de nenhuma das partes; Deus chamou Moisés e disse:
Assim falarás à casa de jacó e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos chegeui a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vos me sereis reino de sacerdotes e nação santa (Ex: 19.3 a 6).

Há uma proposta feita por Deus ao que Israel afirma: “Tudo o que o Senhor disser faremos”. Há uma entrega, o povo livre escolhe seguir os princípios divinos, aceitando a escolha. Não cabe aqui dizer se a aceitação se deu por uma vontade permissiva de Deus, graça irresistível ou vocação eficaz; o que precisa ficar claro é o fato de Israel não ter o livre arbítrio, como tinha Adão, não pode escolher a seu bel-prazer voltar para Deus, nem barganhar. Pode aceitar a oferta de uma nova chance em busca da aliança perdida ou continuar separado. Novamente há a necessidade de expressar a natureza da escolha.

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Ao estudar a eleição de Israel está clara a escolha feita por Deus, mas também Israel quis, como povo livre, seguir Aquele que o libertou. É complicado dizer, como alguns estudiosos fazem, que Israel era livre para servir. Não, Israel era livre para servir ou deixar de servir; a escolha tinha duas opções, uma delas anularia a outra. Israel escolheu seguir a Deus, conseqüentemente, servir de testemunha da soberania, graça e misericórdia do Criador às outras nações. Deus prepara a aliança a ser feita e a manifesta nos dez mandamentos formadores da matriz da Torah. Não é uma lei injusta, errante ou humilhante para o povo. O Senhor a põe como sustentação para o convívio pleno do homem para com Deus e para com seus semelhantes. A aliança feita não é imposta ou caída do céu, o povo escolhido aceita que seu líder volte ao monte Horebe para a receber e fica esperando. Quanto a Deus, não envia um anjo ou uma legião, Ele mesmo desceu sobre o cume do monte para pactuar. Assim foram entregues os dez mandamentos, elevando a liberdade ao nível de axioma: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. [E por isso] não terás outros deuses diante de mim” (Ex: 20.2 e 3). Não é um contrato de servidão, a aliança feita constrói o pleno sentido da fidelidade de Deus para com Israel, em não desampará-lo e a fidelidade última se manifesta pela renovação da aliança. As lutas e aflições viriam, as tentações estariam à frente, do contrário, não haveria motivo para Deus admoestar, dizendo: “Não terás outros deuses (...) honra teu pai e tua mãe (...) não furtarás (...)”. Israel sabia precisar enfrentar as dificuldades, e assim o fez. O arrependimento de Israel pode ser visto em duas distintas situações: caso o povo se revelasse capaz de retornar espontaneamente a seu compromisso inicial, a transgressão da aliança não seria punida – nesse ponto, vê-se a atuação de Deus comprovando sua própria fidelidade –; ou o povo não retorna

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diretamente o respeito à aliança, concluindo por seu arrependimento ser dado no exílio, onde demonstra em paralelo à inanidade de outros deuses, além de fazê-los perceber a vaidade e corrupção de suas relações adúlteras. Então, são perceptíveis os vários nomes recebidos pelo povo de Deus, nomes a simbolizar situações e realizações históricas. É chamado Israel quando luta e supera, e quando revela-se capaz da constância que manifesta sua fidelidade, Yechurum. Moisés cria na aliança, ele sabia que Deus se revela, mostra-se amoroso, gracioso e rico em misericórdias, por isso, cria na necessidade do cumprimento da aliança. A aliança não era uma prisão, uma forma de escravizar, mas o elo de uma reciprocidade positiva. Não há uma lógica para compreender porque Deus escolheu aquele povo, poderia ter escolhido qualquer outro, contudo, elegeu a Israel pelo beneplácito de Sua vontade. A aliança é esse elo posto onde ambas as partes escolheram aceitar. O fato de Israel pactuar com Deus e depois cultuar a deuses cananeus não implica um rompimento do pacto, mas uma deformação do que antes fora tratado como liberdade: o culto, a idolatria, o descumprimento do pacto da aliança dão a Israel não o sentido de liberdade para agir, mas o de descumprimento de suas responsabilidades. A pergunta feita por muitos é: Por que Israel é fiel? Podem ser feitas muitas analogias, rebuscamentos teológicos e antropológicos, sendo a resposta prática: Israel é fiel à fidelidade de Deus, não à Torah ou à moral judaica. Ele sabe ser Deus o Criador, o mesmo que fez alianças nos céus com regras que ele nunca quebra: o dia sempre sucede a noite; o ar é dado a todos; o Deus que não trai seus pactos não trairia a aliança feita com o seu povo. Nisso, Israel preferiu uma sobrevivência espiritual em detrimento de uma existência pessoal física. A experiência histórica tem demonstrado Israel importar-se mais com uma vida espiritual que com uma vida terrena. Israel nunca se encontrou

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num vazio religioso ou de assepsia teológica. Sempre existiu alguém fiel aos preceitos divinos contidos na aliança. Não foi fácil permanecer na aliança, os povos vizinhos, os exílios, as circunstâncias advindas de conflitos internos fizeram Israel precisar escolher entre a vida com Deus ou sem Ele. Escolher a vida sem Deus não implica fulminante morte, pois não havia antes uma aliança com esse povo; representava a escolha de viver sem a vida eterna de Deus, ou seja, a perdição. Escolher a vida com Deus não foi apenas resplendoroso, era necessário ser testemunha e bênção a todas as outras nações. Israel não se constitui em etnia como as outras nações, não foi uma civilização no sentido clássico do termo, conforme expresso na introdução, porque se assim o fosse, as diversas tentativas de etnocídio e os aprisionamentos como o egípcio, o de Assuero e o de Ciro, a teriam vencido. A alteridade de Israel motivou a sua fidelidade. Um povo especial aguardando seu Messias, cumprindo através de renovações e arrependimento, a aliança feita com Deus. A fidelidade perpassa não apenas por uma liberdade simplista de uma escolha puramente espontânea. A sensibilidade, as emoções, os conflitos e tensões em grande medida dão sentido a essa conduta por vezes arrogante, moral ou inconsciente. A vontade humana em tornar um ao outro ponto de sua percepção inteligível traz à tona a necessidade de escolha em paralelo com a vontade de fazê-la. A liberdade verdadeira consiste em ser o homem transformado em nova criatura e poder usufruir a nova vida em Cristo. No tempo presente, Cristo propicia liberdade genuína, embora ela não seja completa ainda. Não há necessidade do aperfeiçoamento dessa liberdade, pois, mesmo tendo o homem sido regenerado e retirado o jugo do pecado, ele continua pecador e sua velha natureza permanece existente, assim como a nova natureza, outorgada pelo Espírito de Deus. A liberdade precisa

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ser exercitada com responsabilidade, o poder de fazer escolhas está intimamente ligado às responsabilidades advindas das escolhas feitas. Deus libertou da escravidão do pecado, mas é tarefa humana viver como seres livres: “Agora, cuidem de permanecer livres, e não fiquem novamente presos pelas cadeias da escravidão” (Gl: 5.1. N. T. Vivo). Não se trata de ser compelido pelo temor da punição ou perdição eterna, mas o impelir pela gratidão e satisfação em servir a Deus. Quanto mais livre se achar o homem para servir em amor e exercitar o amor, que é o cumprimento da lei, mais se assemelha a Deus, que é amor.
A verdadeira liberdade, portanto, não é contrária à lei... nem mesmo no mundo natural existe liberdade sem restrições. Um peixe tem a liberdade de nadar, mas apenas enquanto permanece dentro da água. Um violinista é livre para apresentar suaves melodias e glamurosas cadências somente se tem o domínio e a destreza necessários para isso. Só depois de dominar a técnica vocal um cantor é livre para inspirar audiências. Toda boa música é uma espécie de casamento em que lealdade às leis da composição se une à liberdade de expressão... concluímos que guardar as leis de Deus com gratidão, como filhos e filhas e não como servos, é o caminho da verdadeira liberdade (HOEKEMA, 1998, p. 265 e 266).

A vontade livre do homem não se contradiz com a vontade soberana de Deus. O que é preciso deixar claro é até onde vai a liberdade humana – uma vez comentada, sem perspectiva de esgotamento, como se dava a vontade adâmica. Assim, o relacionamento homem e Deus passa de uma liberdade assistida no paraíso para uma liberdade tirânica, enquanto sem propósito, fundamentada apenas na visão do homem pelo homem, tentando excluir ou equiparar-se a Deus; passando, em seguida, por uma vontade de buscar suprimento de seus anseios, é claro que o

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homem por si só não é capaz de buscar a Deus, mas também não pode ir ao outro extremo a afirmar Deus seduzir ao homem, porque isso não seria liberdade, como já foi comentado; o próximo passo é uma liberdade de estar com Deus por vontade, tendo essa última nascido a partir da graça divina, voltando novamente à liberdade assistida, onde o pacto constituído não se torna um pesar, mas deleite, sendo posicionado mais um alicerce da fidelidade. O caminho da verdadeira realização não vem pelo receber, mas pelo entregar-se voluntário. Uma vida de isolamento não necessariamente implica uma atitude fiel. A fidelidade está contida em todas as partes de um relacionamento teocêntrico, o fato de ela ser ou não atuante está intimamente ligado com o propósito e a vida espiritual dos seres envolvidos. Deus fez o homem para estar em comunhão com o próximo, foi assim desde o Édem. O que parece ter caído no esquecimento foi o propósito do relacionarse. Deus fez-Se homem, e na pessoa do Cristo mostrou humildade ao servir, lavando os pés dos discípulos, sendo Ele mesmo o cabeça. Todos os Seus seguidores fazem parte do corpo visível de Seus discípulos, como partícipes interdependentes. Logo, sendo membros, os homens precisam relacionar-se uns com os outros, como células corpóreas. O que difere as células atuantes nos membros de um corpo é essencialmente o fato de as células sadias doarem-se espontaneamente para servir, enquanto as células tornadas cancerosas têm como princípio fundamental o ser servido. Jesus foi fiel aos planos de redenção, teve total liberdade para desistir, deixando os homens com seus pecados para tentarem expiar a si mesmos. Ele poderia ter feito, contudo, preferiu ser fiel à Sua promessa, sendo livre, permitiu-Se aprisionar, humilhar e morrer por amor a muitos. Aquele que Se fez carne, morreu, esteve no lugar de descanso dos mortos, voltou à vida ao terceiro dia. Esse amor incompreensível deu livre acesso ao Pai, novamente é possível adorar, sentir, entoar louvores sem medo, porque Cristo ressuscitou.

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A fidelidade de tudo que o homem faz está em Deus, Ele é fiel e toda a Palavra remonta a isso. Ser fiel faz parte do caráter de Deus. Após a queda do homem no Édem, houve um distanciamento entre criatura e Criador, e, geração após geração, a herança do pecado trouxe prejuízos morais e espirituais que se constituem em verdadeiros obstáculos à fidelidade do homem, tanto em suas relações com outros homens, quanto em relação a Deus. Como tratar, pois, de um tema tão controvertido se o próprio homem não tiver em sua essência a característica da fidelidade? Compreender como pode um pecador ser fiel a Deus vai muito além de uma mera análise comportamental do homem. Muitas vezes, é sobremaneira decepcionante a relação com o semelhante. Sendo a questão da fidelidade de difícil compreensão nas próprias relações humanas, não há como tratá-la em relação a Deus se não a considerar como fruto da graça divina. Muitos homens confiaram uns nos outros e quedaram-se sem esperanças, frustrados com as alianças da terra. A Bíblia afirma: “maldito o homem que confia no homem e faz da carne o seu braço” (Jr: 17.5). Ao contrário do que parece, o texto acima não é uma recomendação a que se perca a fé nos homens, antes, é uma forma de despertamento para que se coloque a vida e todo o ser nas mãos de Deus. Todos são passíveis de erros, pode-se cair, magoar, ferir; mas Deus é fiel. Ele provê todos os meios para revelar a Sua graça, trabalhando a vida dos Seus, a fim de que possam chegar à estatura perfeita em Cristo. Uma vez reconciliado com Deus, o homem continuará sendo homem, com todas as imperfeições advindas com a queda. Sua fidelidade a Deus não se dá no nível que Deus a possui, tampouco consiste em guardar irrepreensivelmente todos os mandamentos, sem falhar em um sequer. Pelo contrário, o homem tido como fiel a Deus reconhece sua falibilidade, sua incapacidade de agradá-Lo em si mesmo. Ele reconhece a grandeza e a glória de Deus, anelando em amor ter uma perfeita união com seu Criador.

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Responder ao amor de Deus por meio de suas atitudes, traz ao homem, não apenas satisfação interior, mas também o habilita a desfrutar na vida presente das bênçãos que o Pai reservou a Seus filhos. A vida abundante prometida por Cristo não se resume a uma perspectiva futura. Se não é possível viver a vida em Deus, no presente, como, pois, será possível esperar vivê-la na eternidade? O homem que se propõe a viver em fidelidade a Deus deve considerar que sua relação com o próximo no tempo presente deve ser reflexo do amor de Cristo em sua vida. Por mais bem intencionado que alguém seja, não pode por seus próprios méritos ser fiel a Deus. A fidelidade só aporta no coração humano mediante a graça transformadora que há em Cristo. O sacrifício de Jesus no Calvário reconciliou o homem com Deus, de sorte que, por mais que traga consigo a herança do pecado, através de Cristo, pode desfrutar de vida abundante no presente. “Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação” (2 Co: 5.18). Assim, mesmo tendo perdido a comunhão com Deus pela queda, o homem pode tê-la novamente reatada, sendo capaz de demonstrar fidelidade a Deus. A segurança de ter um Deus fiel impulsiona o homem a buscar viver em comunhão com o Pai. Essa busca é fruto de um anelo pela presença de Deus. Não se trata de vistar Deus como remédio para todos os problemas, ou um Deus submisso às vontades humanas. Anelar a presença de Deus significa a necessidade mais básica do homem. Sem o homem, Deus continua sendo Deus; sem Deus, não há razão ou sentido para o viver do homem. Quem almeja ser fiel a Deus não está isento de passar por tentações e adversidades, mas o amor de Deus flui em seu coração, renovando e capacitando a também demonstrar amor a Ele através de suas atitudes. A fidelidade humana é fundada no amor e na dependência a seu Criador. O demonstrar fidelidade e amor se

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revela em pequenos atos de grandes efeitos, como a oração. Mais que mera repetição de palavras, a oração é o elo, através do qual o homem reconhece a soberania divina e busca conhecer e ver cumprida em sua vida a vontade de Deus. Ao orar, o homem desfruta de um relacionamento mais íntimo com o Pai, honrandoO e louvando-O como soberano em sua vida. Uma outra forma de demonstrar fidelidade é através da leitura da Bíblia, tendo prazer na lei do SENHOR. A leitura da Palavra estimula a fé e esperança, a fim de que não se desfaleça frente às lutas do cotidiano. De nada valeria adquirir conhecimento da Palavra de Deus se não for colocado em prática. A chave para uma vida em fidelidade a Deus está na obediência à Sua vontade. Não há como ser fiel se não houver confiança nEle acima de todas as coisas, amando-O e colocando-O acima de todos os planos, tendo a firme convicção que “tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm: 8.28). Assim, se a confiança em Deus não se der no todo, havendo restrição em determinada área, algo estará errado. Não há como contar com Ele em algumas coisas e excluí-Lo de outras. Não se trata apenas de esperar que Deus faça tudo porque Ele é fiel. Não basta confiar na fidelidade de Deus, é necessário responder ao Deus fiel. É certo que nem sempre se conseguirá agradá-Lo, porque o homem continua pecador. Mas, em Cristo, há a certeza do livre acesso ao Pai. Como afirma Timóteo: “Se formos infiéis, Ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo” (2 Tm: 2.13). Ele é fiel em Sua essência; deve-se, portanto, reconhecê-Lo em tudo que se fizer, reconhecer a falibilidade humana e, ao cair, achegar-se a Ele, na certeza de que é fiel e justo para perdoar e restaurar a comunhão. A Bíblia é clara: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap: 2.10). Deve-se ser fiel até as últimas conseqüências, mesmo que isso represente abdicar de algo de que se gosta muito, mas que não seja digno de Cristo. Cristo sabia onde chegaria

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amando os Seus: “Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, e havendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo: 13.1). O amor e a fidelidade de Deus são fundados na ciência divina. Os discípulos não sabiam até onde podiam ir amando a Cristo, entretanto, isso não os impediu de serem fiéis a Cristo. A comunhão que se estabelece entre o homem e Deus, por Cristo, faz o homem desejar compartilhar com o próximo as bênçãos do amor de Deus. Testemunhar as maravilhas do Senhor pressupõe uma experiência real com Jesus. Não apenas palavras, o testemunho de quem é alcançado pela mão de Deus deve ser sua própria vida, confirmando a obra da salvação de maneira completa. Essa é a realidade que deveria estar presente na vida de todos os que escolheram segir a Deus, mas o que se tem visto é um desapego às coisas espirituais, um atrelar-se ao mundanismo, pela prática concupiscente de valorações duvidosas, embasadas numa moral separatista. Muitos cristãos têm escolhido ser fiéis a Deus e depois corrompem a aliança produzida. Não há uma quebra, uma ruptura, mas um sujar por profanação o que é sagrado por pactuação voluntária. Nem por isso Deus deixa de ser soberano ou agir em amor e justiça, quem sai perdendo é quem violou a formação aliançada. Como conseqüência do desapego humano à obra divina, há uma insatisfação generalizada no meio do povo escolhido. Muitas teses, modismos, manuais de conduta ensejam formular propostas para uma readequação das doutrinas e fundamentação teórico-metodológica condizentes à prática religiosa dos cristãos. A facilidade encontrada pelos homens para afastar-se de Deus demonstra o negligente caráter humano, como o estado de perplexidade e instabilidade que há alguns séculos assola o meio cristão como forma de justificar ações propostas e pecados cometidos. A prática da santidade, a vida congregacional, o culto

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doméstico, o ensino e o evangelismo parecem relegados a um segundo plano, como se o reino de Deus, proclamado pelo Messias, iniciasse apenas na glória eterna. O problema tem raízes mais profundas do que muitos admitem. Não basta enumerar pontos divergentes e formalizar práticas exegéticas. Não é uma simples questão de hermenêutica. Ao longo dos séculos, foi-se construindo uma cadeia de pensamento, onde a inversão de valores foi aprofundada pela troca da antropopatia por uma teosofia, não mais sendo atribuídas a Deus características humanas para uma melhor compreensão do Soberano, presentemente dando princípios universais de sabedoria ao homem, tornando-o mais divinizado. É a tentativa de tornar o Criador menos importante que a criatura. Esse enfoque traz à tona o fato de o ser humano afastarse do Criador. O plano de redenção já foi posto em prática, o Messias, quando vier novamente, agirá como juiz. A religiosidade vivida por alguns lembra os ritos egípcios, ou ainda, o templo de Jerusalém no tempo de Jesus. Há uma barganha do evangelho, uma tentativa de ajudar o homem com uma mensagem de conforto, satisfação, há uma limitação, um fazer sentir-se bem. O homem foi centralizado e tudo, inclusive Deus, está a seu dispor. A Bíblia ensina diferente, o evangelho de Jesus Cristo, escrito por Mateus, Marcos, Lucas e João, não fala de um Jesus serviçal, antes, trata de um Jesus humilde e amoroso. O produto por muitos utilizado como substitutivo para essa verdade atende apenas parcial e momentaneamente aos anseios humanos. O homem precisa ser fiel a Deus, Deus tem que estar no centro, essa é a mensagem da salvação. Uma fidelidade espontânea de corações contristados e pensamentos introspectos em sua vontade. O verdadeiro evangelho mostra o fim principal do homem, segundo Westminster: glorificar a Deus e gozá- lo para sempre. A proclamação da soberania divina é mostrada, em sua amplitude, através de sua misericórdia e julgamento.

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O homem não é obrigado a ser fiel, mas é convidado para tal. Ele, espontaneamente, deve buscar uma relação mais concreta com o Criador. A fidelidade de Deus não é garantia de que se esteja livre de toda e qualquer tribulação, antes, as tentações virão tanto para fiéis quanto para infiéis. A diferença está no fato de que quem almeja ser fiel, ainda que veja sua fé vacilar, clamará por socorro a Deus, e Ele, em tempo oportuno, o atenderá. Deus sempre foi, é, e será o centro, não importam as distorções provenientes de um prisma antropocêntrico. O objetivo da prática de ensino e instrução nos escritos canônicos é ensinar os homens a adorar a Deus, porque dEle depende o homem para todo o bem, seja em natureza ou em graça. A Bíblia não deve, nem pode ser usada como serviçal do homem. A ênfase da proclamação do livre acesso ao Pai deve estar não nas obras dos homens, mas na graça de Cristo, pela misericórdia divina. Isso é fidelidade, pura e simples.

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Nos Braços do Pai
Deus busca Seus eleitos com o intuito de redimi-los. Ele é e sempre será adorado de verdade por aqueles que verdadeiramente Lhe pertencem. Deus não vive numa busca desenfreada por qualquer tipo de adorador que O adore de qualquer maneira. Os dias atuais testemunham uma geração cristã vitimada por doutrinas alheias ao evangelho, tantas entusiásticas reuniões, muitas antibíblicas, solenidades e modismos que apresentam conceitos errados sobre a vida cristã. Em grande medida, essa geração enganada tem vivido rodeada de tão baixo padrão moral, que o simples fato de usufruir um padrão ético diferenciado é visto como algo pleno em si, isso quando é vivido. Muitos cristãos estão moribundos, fracos espiritualmente, em estado de letargia, pelo fato de não buscarem as coisas melhores que acompanham a salvação. O homem é a imagem e semelhança de Deus, por conseguinte, após ser salvo pode e deve usufruir de uma vida plena nEle. Não se está fazendo analogismo à teologia da prosperidade, apenas falando de vida em Deus. Ele não salva escatologicamente, a salvação é real e presente. O morrer em Cristo e ser crucificado com Ele, deve ser acompanhado do desejo de crescer espiritualmente. Há conceitos que são basilares para a compreensão da mensagem de Jesus Cristo: o conceito do reino de Deus, o do arrependimento, o da fé e o do significado da salvação expressa nos Testamentos. Esse reino foi preparado desde a eternidade, o evangelho está posto, anunciando as Boas Novas a todas as nações; Jesus encoraja ao arrependimento e à confiança absoluta e exclusiva. O Reino de Deus é Deus reinando sobre todas as coisas, a Sua soberania é eterna, ninguém pode medir ou comparar. Deus está no controle.

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Retorno à Santidade Contra aqueles que dizem que o mundo pertence a Satanás ou às forças do mal o próprio Deus anuncia: ‘O mundo é meu e quanto nele se contém’ (Salmo 50:12). Ele o criou e o sustém pelo seu poder. Mesmo no estado atual de rebeldia em que o mundo se encontra, a sua graça comum traz o bem do mal e restringe a maldade humana. ‘Ele faz nascer o Sol sobre maus e bons e vir chuva sobre justos e injustos’ (Mateus 5:45), sendo isto que nos conduz a imitar a generosidade de Deus para com os incrédulos (HORTON, 1998, p. 175).

A palavra grega usada para arrependimento é metanóia, que literalmente significa “mudança de mentalidade”. E isso não é fácil, como, às vezes, se pensa. Porque para os homens, na verdade, não pode haver reino de Deus sem quebrantamento de coração, ou seja, o governo de Deus se faz no coração arrependido. Esse é um dos conceitos centrais do arrependimento. Mas arrepender-se de quê? Não se pode, em momento algum, perder de vista o real significado do pecado. É ele que faz separação entre os homens e Deus, por isso, é preciso ter em mente a santidade de Deus, que em Sua glória e majestade proporcionou a salvação a Seus amados. A vida cristã não é um compêndio de bênçãos e vitórias, é a certeza do cuidar divino, de que o Espírito intercede, que Cristo pagou o preço. A vida prática precisa ser a demonstração natural de que Cristo fez, faz e continuará fazendo a diferença. A vida eterna começa aqui e agora, o ato de cultuar, adorar e louvar a Deus demonstra o amor sentido pela dádiva salvífica. O cristão precisa compreender melhor o desenvolvimento de sua salvação para poder sentir-se nos braços do Pai e tornar-se maduro na fé. É preciso fazer a diferença, inconformar-se com o mundo corrompido, não pactuar com as obras das trevas. A conduta cristã está embasada nos ensinos de Cristo; a prática da honestidade em todos os seus aspectos, o amor ao próximo, a sinceridade de coração, o respeito pelas leis de Deus e o aperfeiçoamento dos santos são fatores fundamentais para o usufruto de uma vida de

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conformidade com a vontade de Deus. Alguns poderiam dizer que é impossível fazer isso. Morrer na cruz não foi fácil, Ele era inocente, ainda assim, pagou o preço, em amor. A vontade de Deus deve ser buscada e vivenciada para a Sua glória, como conseqüência, haverá uma igreja viva, exultante, proclamadora das Boas Novas, e cristãos, gozando no presente uma vida intensa em Deus. Escolher o caminho estreito não é fácil, é necessário ter fé para continuar na jornada, ela está presente em todo o decorrer da vida cristã, no engajar-se por ser cheio do Espírito, na busca pela santificação. O pecado continuará existindo, as quedas e tropeços também; as dificuldades sobrevirão e as trevas farão cerco, ainda assim, “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm: 8.37). Essa é uma verdade que muitos tentam anular, com teorias de auto-estima e conformismo mundano, por um desencargo de consciência. A única realidade biblicamente aceita é, nas palavras de John MacArthur Jr:
Afaste a realidade do pecado e você eliminará a possibilidade de arrependimento. Anule a doutrina da corrupção humana e você invalidará o plano da salvação. Apague a noção da culpa pessoal e você eliminará a necessidade de um Salvador. Destrua a consciência humana, e você levantará uma geração imortal e irredimível. A igreja não pode se juntar ao mundo nesse empreendimento completamente satânico. Agir assim é destruir o verdadeiro evangelho que fomos chamados a proclamar (2002: 9).

A salvação não é algo em si só, pronta e acabada. O processo salvífico perpassa por uma continuidade. Jesus, ao morrer, pagou o preço, não mais há dívidapara os que estão nEle. Entrementes, deve-se pensar em um Deus poderosamente soberano e no homem como criatura dependente do Criador, sendo capaz de tomar decisões responsáveis. As diversas linhas de estudo da soteriologia têm entendido a doutrina da salvação como a salvação e restauração do povo terem sido efetuadas por Deus para uma vida plena com Cristo, ficando a aplicação das bênçãos

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e a fé subentendidas. Deus salva, e os homens uma vez salvos, segundamente cooperam no desenvolvimento do processo salvífico, não esquecendo as palavras do apóstolo Paulo: “Pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus, não de obras para que ninguém se glorie” (Ef: 2.8). A salvação é dada por Deus, mas isso não exime o homem de cumprir o “ide”, ou de salvaguardar-se para Deus. O sentido de desenvolver a salvação é, por uma constante, buscar a Deus e o homem estará cumprindo os mandamentos de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, por conseguinte, esse pensamento firma na vida cristã as verdades da soberania de Deus e a da responsabilidade humana. Por que Deus não salva tratando os homens como marionetes, brinquedinhos nas mãos de um Ser que faz e desfaz, age e muda de idéia para com Suas criaturas. Nem é o homem que escolhe se será salvo ou não, relegando Deus a um mero anfitrião, a quem se deve dar ouvidos ou não na hora que se bem entender. Ambas as idéias são perigosas por terem como centro a ênfase exclusivista. Tanto Deus como os homens são partícipes no processo salvífico, sendo Deus o agente gracioso rico de misericórdia, pleno Salvador do homem, enquanto este, ser agraciado, necessita aperfeiçoar a santidade para uma vida em comum com Aquele que é Santo. O homem não nasceu em um estado de neutralidade espiritual, como afirma a teologia pelagiana, nem ainda houve uma queda parcial, por assim dizer que os homens estão apenas doentes espiritualmente, tendo perdido sua natureza moral, mas dissociada desta, e viva, em seus corações, a natureza espiritual busca o Todo-Poderoso, dando por si só o primeiro passo para a regeneração; e que tal como se aproximam de Deus para se ganhar a salvação, por se afastar dEle também podem perdê-la. A Bíblia testifica a natureza totalmente caída do ser humano, e afirma que os seres humanos “estão mortos em seus delitos e pecados” e somente a intervenção de Deus pode vivificá-los.

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A doutrina da salvação somente pode plenamente ser compreendida tendo Jesus Cristo como Deus expiador, justificador, intercessor, dispensador e salvador de Seus santos. No agir do Espírito Santo tem-se a aplicação da salvação pelo regenerar santificador para o gozo das presentes bênçãos, como participantes de uma nova maneira inaugurada pela completa obra de Cristo, associando a existência da obra presente com a futura, pela garantia da filiação, o Espírito age, sendo primícia, depósito de bênçãos futuras e selo de garantia para comprovar e testificar aqueles que foram comprados pelo sangue do Cordeiro, para ser propriedade do Pai. A justificação pela fé tem dois aspectos intrinsecamente correlacionados: o presente, inaugurado com o cumprimento da lei e restauração provenientes do Cristo no Calvário, e a vida futura, almejada para ser usufruída no reino vindouro. O andar com Deus inicia-se no presente, pois Cristo já morreu, a vida cristã precisa ser plena e atuante nos desígnios de Deus para agir segundo o propósito de Seu agrado. Por ter antecipada garantia de ressurreição no dia de Cristo, é preciso lutar continuamente contra o pecado, porque a luta findará e a vitória já é manifesta nAquele que retornará no último dia, pois mesmo sendo novas pessoas, restaurados pela graça, em amor, um dia haverá a plenitude da presença com Deus, em novos corpos incorruptíveis; os cidadãos do reino usufruirão a perfeição gloriosa de estar com Deus. Ainda acerca da salvação precisa ser salientado que a decisão de salvar cabe à graça divina e não à vontade humana. Deus, por Seus decretos, a Seu bel-prazer, escolheu salvar os homens, isso não implica que os homens sejam passivamente omissos dessa decisão, já que a mensagem dos evangelhos convida a aceitar a salvação de Cristo, o que se tem é um Deus longânimo que estendeu a mão para o homem perdido, e uma vez estando salvo, o homem não mais pode perder a salvação. Isso não sugere que o ser salvo não possa desviar o caminho de Deus, significa

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sim, que a vontade de Deus não permite que Seus escolhidos percam a salvação. É válido dizer que a salvação do povo de Deus envolve aspectos distintos, aparentemente contraditórios como a vontade soberana de Deus e a liberdade humana de desenvolvimento da santificação. Paulo, em sua carta aos Filipenses, escreveu: “assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque é Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (FP: 2.12 e 13). Ele se refere aos santos em Jesus Cristo, segundo o capítulo 1, verso 1 da mesma carta, então, o desenvolver a salvação não é um apelo evangelístico aos não salvos, e sim, uma palavra aos cristãos. Era necessário que os cristãos continuassem a desenvolver aquilo que foi dado por Deus. Hoekema afirma que a palavra katergazesthe, traduzida por “desenvolver”, era comumente utilizada pelos fazendeiros na descrição do cultivo de terra. Então, pode-se parafrasear Paulo, afirmando que o desenvolver a salvação é no sentido de cultivar para que permaneça em evidente atividade, ou seja, que se possa notá-la expressa a partir do cuidar para que sejam manifestos os efeitos da graça divina. Ao falar da salvação é preciso ter em vista que não é Deus que faz uma parte e o homem a outra, pensar assim é um erro grave. Deus faz a parte dEle, e o homem também opera para a salvação. O que diferencia ambos é o fato de a ação de Deus ser a causa primeira da qual decorre a ação humana que, segundamente, age como efeito da operação divina. O Espírito transfere santidade aos Seus, propiciando uma atração a Deus e a Seu caminho, esse conhecimento experimental que se tem envolve uma apreciação da glória e da beleza de Cristo, ocasionando uma mudança radical na pessoa afetada pela regeneração. O Espírito Santo transforma por uma mudança

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interior para o que se chama nascer de novo, num processo duradouro e gradual. A graça salvadora dá temor de Deus, faz ter receio de pecar, não por medo do inferno, mas por não se querer entristecer o Salvador. A prática cristã envolve um comportamento de acordo com os princípios ensinados por Cristo e obediência à Sua palavra, por isso, a alegria em Deus faz querer conhecê-Lo mais. A obra de aplicação da graça de Deus no indivíduo é um processo unitário; dar uma ordem seqüencial aos atos relacionados ao processo da salvação por uma perspectiva lógica ou cronológica é querer compreender uma ordem que a Bíblia não fornece explicitamente. A relação entre os aspectos salvíficos não é temporal ou seqüencial; a experiência provocada pelo Espírito Santo na aplicação da salvação em Cristo é composta por distintas evidências. Estas nunca ocorrem separadamente, com sucessivos passos ou estágios. Os aspectos do processo de salvação são simultâneos e interativos, sendo a vocação predecessora da própria salvação, enquanto a glorificação tem um aspecto escatológico. Serão tratados os aspectos referentes à salvação, sem contudo o intento de discriminá-los enquanto processo permeador das ações humana, divina, justificativa ou atos contínuos de renovação moral e espiritual, sendo eles: a regeneração, conversão – subdividida em arrependimento e fé –, justificação, santificação, perseverança e vida suficiente em Cristo. Por esses não serem passos sucessivos, mas simultâneos, é preciso estar atento aos ensinos de Deus para continuar crescendo na direção de maior compreensão e gozo da salvação. O Espírito Santo faz o cristão e o Cristo serem constituídos filhos do mesmo Deus, pelo processo da salvação, tornando o crescimento espiritual não um luxo, mas uma necessidade. Uma vez recebido o Espírito de adoção, somados os distintos movimentos da obra aplicados, ocasionam uma

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mudança no homem, “pois todos que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm: 8.14). O operar do Santo Espírito, envolvendo a participação responsável do homem, contrasta o velho homem, com o novo homem; a vida de pecado, com o revestimento de Cristo. O homem precisa santificar-se para seu Deus, para glorificá-Lo, porque todas as bênçãos advindas da parte de Deus, incluindo a santificação, são para o louvor e a glória de Deus. O povo de Deus precisa separar-se para Ele, como no deserto, Deus mandou o povo se santificar para pactuarem a aliança. A santificação precisa ser desenvolvida cotidianamente, no presente contínuo, para uma vida plena e abundante. Santificar é separar algo ou alguém do comum ou profano, para um algo mais sublime ou sagrado. O motivo da separação é para que não haja a mácula ou sujeira. A Bíblia trata, no Velho Testamento, a santidade do povo de Deus de forma mais cerimonial e religiosa, dando ênfase a uma vida limpa de impurezas, imundícies, ritos de purificação e observância de preceitos a serem seguidos; no Novo testamento, a santidade é vista como uma união com Cristo, por isso, a necessidade de o cristão permanecer em novidade de vida. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, com a queda, o acesso não mais era possível, o pecado maculou o coração humano e degradou sua condição moral. Como num espelho turvo, o reflexo de Deus pouco aparecia no sujo reflexo humano. A verdade é que o homem, morto espiritualmente, perdeu o sentido de Deus, o seu agir não mais exprimia uma vida santa ante o Criador, e Jesus o libertou, por uma regeneração e justificação, trabalhando junto com o homem a santificação para um renovar segundo a imagem e semelhança de Deus. A fé em Jesus dá ciência aos homens de sua santificação, causando, na união com Cristo, uma anterior habilitação

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regenerativa para crer, e aceitabilidade da condição de pecador, com a plena certeza de que o pecado não mais tem poder mortífero contra os que estão sob a graça de Cristo. Porque assim como o Espírito capacitou a mortificar os feitos do corpo, também vivificou para ter plenitude de vida. O agir de Deus no ser humano vai fluindo a ponto de operar uma vida grata, produtiva de frutos espirituais, porque pela fé não apenas se recebe o amor de Deus, mas também atua, pelo amor de Cristo, as obras concernentes a uma vida com Ele, expressão vívida de um Deus atuante. Acreditar que Jesus, com Sua morte, apenas justificou e perdoou os pecados dos Seus escolhidos é tê-Lo como um meioSalvador. Jesus não apenas justifica os Seus, mas também regenera para que haja novidade de vida; não apenas perdoa pecados, mas livra o homem do jugo do pecado, conferindo-lhes o Seu Espírito Santo. Com o remir de toda sorte de impurezas e purificação, reconciliou para uma vida com Ele, a ser vivida intensamente em separação providente para Si. O pecado está dentro do homem, em sua natureza, não basta esconder-se ou fugir como um eremita. O enclausurar-se em alguma muralha não deixa o diabo do lado de fora. O santificarse não consiste em evitar as dificuldades, antes enfrentá-las no poder de Cristo Jesus, para uma vitória certa. A graça de Cristo floresce nos corações humanos em qualquer tempo. As circunstâncias e a vida diária podem tentar abalar, ainda assim, o intento do salvo é glorificar a Deus, cumprindo com seus deveres e atributos, sendo sal da terra e luz do mundo. Como Jesus orou ao Pai: “não peço que os tires do mundo; e sim, que os guardes do mal” (Jo: 17.15). A vida de santificação precisa ser diária; estando no mundo, o cristão age para influenciá-lo, por sua vida habitual de preceitos práticos e conformidade com a vontade de Cristo. A santificação não é apenas individual, sua dimensão rompe as barreiras do ego e age na sociedade em que se está

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inserida. A salvação é individual, contudo, os salvos fazem parte de um corpo, o corpo de Cristo, para viver em comunhão com outros cristãos. O propósito da santificação é o “... arrependimento dos santos para o desempenho de seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef: 4.12). A vida cristã não mais se embasa apenas no plano terrestre, como cidadãos do reino de Deus precisam testemunhar as maravilhas desse reino, como afirmou o apóstolo Pedro: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus; a fim de que proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (2 Pe: 2.9). A santificação necessita de zelo para com as coisas de Deus, é preciso zelar pelas coisas espirituais, sem esquecer as terrenas, o envolvimento precisa ser feito diligentemente na promoção da justiça, do amor prático ao próximo e cuidado em bem utilizar os recursos naturais deixados por Deus. A santificação não leva a uma perfeição na vida presente, embora ela precise ser buscada para alcançar na vida futura. A perfeição impecável não pode ser obtida nesta vida, contudo, é necessário lutar contra a poluição, obras más e contaminação. Os cristãos não mais são velhas criaturas, foram vivificados em Cristo, pessoas novas num progressivo renovar contra a natureza pecaminosa que ainda subsiste pela tendência da carne. É necessário revestir-se de toda a armadura de Deus para resistir aos desejos da carne, lutando o bom combate em Cristo; pois o homem revestido da graça divina ainda peca, só que o pecado não mais tem domínio sobre ele. A justificação é a graça de Deus derramada para declarar justos os pecadores crentes, por uma adoção de filhos, dandolhes o direito à vida eterna. Deus é santíssimo em Si mesmo e em Seus atos. Para que haja justificação é necessário reconhecer a realidade da ira de Deus, posto que esta paira sobre o pecado; ou

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o ser humano tem essa percepção ou não compreenderá o motivo da justificação. Independente da compreensão humana, Deus continua irado com o pecado e sua ira incide sobre os filhos da desobediência. As obras malignas dos homens os alienaram da presença de Deus, e só podem ser desfeitas pela propiciação justificativa do Cristo, o único capaz de salvar da ira de Deus. Essa justificação é recebida pela fé somente, de uma vez por todas, e uma vez recebida, ocasiona infindável consolo, paz e alegria. A justificação é uma dádiva divina, imerecidamente, justificando de todo o pecado. Desde os tempos antigos, como no caso de Abraão, o poder justificador de Deus já atuava. Houve uma creditação a Abraão como justiça, e essa justiça não veio do próprio, antes, de alguém superior a Ele. Um homem morto em seus delitos e pecados não pode tornar a si justo, nem vivificar o seu próprio ser, quanto mais dar-se vida plena em abundância. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos e pecados, nos deu vida juntamente com Cristo...” (Ef: 2.4 e 5a). Em toda a lei e profetas é possível a ação justificadora de Deus. Alguém poderia se indagar, justificar de quê? Do pecado – essa falta de conformidade com a vontade de Deus, que faz a separação entre ambos. Deus tomou a decisão de justificar os homens, imputando graça e justiça a eles, como se fossem perfeitamente obedientes como Cristo foi. A partir desse momento o homem não tem uma infusão de justiça diante de Deus, tendo seus pecados perdoados. O homem continua pecador e ciente de sua inclinação ao pecado, mas, pela fé em Cristo, recebe os benefícios mais que adequados para cobrir os pecados cometidos. Essa justificação recebida está repousada na fé em Cristo, não por merecimento de obras humanas, mas pelo perdão de Deus, em conjunto com as demais graças salvíficas.

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A união com Cristo pela justificação não pode ser creditada aos homens, antes é dada por possessão baseada na substituição por uma troca de lugares feita por Cristo, suportando a ira de Deus que era devida aos homens. Pela fé estes se apropriam da bênção outorgada pela justificação gratuita. James Packer faz um abrangente sumário da significância da justificação:
Conforme o entendimento dos reformadores e seus seguidores, e segundo Paulo, tal como leio, o tema da [justificação] é teológico, declarando uma obra de surpreendente graça; é antropológico, demonstrando que não podemos salvar a nós mesmos; é cristológico, baseando-se na encarnação e na expiação; é pneumatológico, fundado na união com Jesus realizada pelo Espírito; é eclesiológico, proclamando o verdadeiro veredicto final sobre os crentes aqui e agora; é evangelístico, convidando almas atribuladas à paz permanente; é pastoral, identificando-nos como pecadores perdoados – o que é básico para a nossa comunhão; e é litúrgico sendo decisivo para a interpretação dos sacramentos e dando forma aos cultos sacramentais. Nenhuma outra doutrina junta coisas preciosas e vivificantes (PACKER appud HOEKEMA,1997, p.160).

A comunhão adquirida entre Deus e o homem manifestou ambos os lados de um ato de amor. Não foi em detrimento da justiça de Deus, uma vez que a graça e a justiça de Deus se encontram no providente sacrifício gracioso de Jesus, suportando a justa penalidade do pecado, nem houve impunidade para com o pecado, mas misericórdia para com os pecadores. Cristo substituiu o pecador, lançando sobre Si os pecados “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele mesmo maldição em nosso lugar” (Gálatas 3.13). Por Sua misericórdia e justiça Ele perdoa os pecados presentes e passados, dando base judicial para o perdão dos pecados futuros. Isso quer dizer que, mesmo sendo justificados no presente pelo ato de Cristo, é necessária uma vida de oração buscando a vontade de Deus, confiantes da vitória certa em Cristo.

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Há diferenças entre a justificação e a santificação, como já descritas por Calvino em sua “Institutas”, por G. C. Berkouwer, em “A Obra de Cristo” e outros autores. O que se deve ter em mente é o fato de mesmo sendo elas distintas, não devem ser separadas, pela associação de uma com a outra por uma necessária união com Cristo e envolvimento no processo progressivo da santificação. Porque Deus não santifica a quem não é justificado, nem justifica a alguém sem santificá-lo. A justificação é a imputação da justiça de Cristo, é obra exclusiva de Deus, com a remoção da culpa do pecado, por uma declaração divina sobre o estado judicial humano, ocorrendo de uma vez por todas. Enquanto a santificação é conjunta, feita por Deus e conseguinte pelo homem, removendo a poluição do pecado e habilitando para o crescimento espiritual. Esta ocorre no interior do homem, renovando progressivamente sua natureza, através da vida, só se completando ao fim da vida terrena. O fato de todos os cristãos serem batizados com o Espírito Santo não significa que estejam sempre entregues plenamente ao Espírito ou cheios do Espírito. Em 1 Coríntios 12, verso 13, Paulo afirma que os cristãos de Corinto, mesmo tendo sido batizados com o Espírito, permaneciam carnais (1 Co: 3.1), porque encontrava muita inveja e briga entre eles. Eram como crianças em Cristo. É interessante ter se reportado pouco antes a dois tipos de homem: o natural (1 Co: 2.14), e o espiritual (1 Co: 2.15). Não há nenhuma menção ao sentido que alguns ensinamentos teológicos anunciam, chamando de cristão carnal, onde Cristo está dentro da vida do homem, mas não está no controle, ficando relegado a um canto. Esse ensinamento é totalmente antibíblico, porque Deus não pode estar em alguém imperfeito e, sendo Ele perfeito, majestoso e Todo-Poderoso, ser destronado da vida de alguém. Por isso, ao se referir aos homens de Corinto, o apóstolo afirma que eles eram naturais ou espirituais. No início da carta, Paulo escreve “à igreja de Deus que está em Corinto, aos

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santificados em Jesus Cristo ...” (1 Co: 1.2), Paulo afirma que são carnais, que quer dizer os da carne ou mundanos, mas não diz que não são espirituais; Paulo os chama de irmãos, crianças em Cristo, afirma que seus corpos eram templos do Espírito Santo, O qual estava neles. Portanto, aquele que está em Cristo é de Cristo, e o Espírito habita nele, ali permanecendo em morada, por isso, os coríntios são espirituais como crianças na fé, aprendendo doutrinas elementares e carnais por seu estado de infantilidade espiritual, de brigas e contendas, andando segundo o homem. Em momento algum Paulo afirma que os cristãos de Corinto destronaram a Cristo e agiram em conformidade com suas próprias vontades, antes o sentido de carnais é de imaturos, cristãos que não amadureceram na fé, e por infantilidade na fé, agem em desacordo com a vontade de Deus. Alguém sendo carnal agiria na própria carne, estaria no controle de si. Não se pode ser cristão e relegar a Cristo parte do domínio, porque Cristo não salva pela metade. Ou Ele está no controle da situação, tornando o homem espiritual, ou o homem natural ainda está sem a experiência da graça redentora divina. Ao se dizer que alguém é carnal não implica estar essa pessoa escravizada na carne ou ter seu ego novamente centro de sua vida, antes, é um problema de comportamento que deve ser superado para o gozo de uma vida plena, pois “se alguém está em Cristo, é uma nova criatura” (2 Co: 5.17), “mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo, naquele que é o cabeça, Cristo” (Ef: 4.15), e para que isso ocorra “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo ...” (2 Pe: 3.18). O homem não está só. A salvação é algo dado por Deus, tendo o Consolador para cuidar e guardar os Seus eleitos. O Espírito Santo age no indivíduo, participando também do plano redentor, consolando o povo de Deus e, através de Seus dons, marcando cada um como pertencentes a Deus, não mais como

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escravos, mas como filhos preservados e guardados em comunhão com Deus até o dia da redenção final. A regeneração no Antigo Testamento, muitas vezes tinha seu sentido intimamente ligado ao conceito de renovação nacional, por uma renovação dos indivíduos que a compõem. No Novo Testamento, a palavra substantiva regeneração, palingnesi, ocorre apenas em Mateus e em Tito: no primeiro com um sentido escatológico, referindo-se à restauração da todas as coisas, enquanto na última, o sentido é com referência individual. Essa alteração efetuada pelo Espírito é encontrada em várias outras passagens, em diversos livros do Novo Testamento, ora como ato inicial de renovação, como idéia de fazer de novo, indicar novo nascimento ou o resultado dele por uma alteração do ser. A regeneração não é progressivamente gradual como a santificação, ela é uma transformação instantânea e sobrenatural, poderosíssima. Não é uma questão de Deus fazer Sua parte e o homem a dele, Deus age graciosamente, operando uma mudança radical na pessoa a partir da implantação outorgada pelo Espírito Santo, ocorre por completo até o nível do subconsciente, conduzindo a pessoa a uma mudança plena a que se dá o nome de conversão. Quando do encontro de Nicodemos, um fariseu, sacerdote de Israel, e Jesus, Nicodemos afirmou que pelos sinais de Jesus podia-se perceber ter Ele vindo de Deus, ainda mais, o chamou de Mestre vindo da parte de Deus, mas Nicodemos ainda não tinha o conhecimento da verdadeira missão do Messias. Ao que Jesus afirma: “Em verdade, em verdade vos digo, que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo: 3.3). Mesmo quando da surpresa de Nicodemos e inquirição da possibilidade de uma geração ventral, Jesus afirma a necessidade de ser um nascimento da água e do Espírito. Da água porque, como já visto, em várias civilizações ela simboliza a vida,

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a geração, a purificação, pelo regenerar para que se fique limpo; e do Espírito porque Ele é o agente desse novo nascimento espiritual, divinamente superior em sua essência ao carnal, fisicamente não-regenerado. A regeneração muda a natureza humana, de uma forma a expressar a soberania de Deus, pelo profundo mistério da providência divina, renovando a natureza interna humana para uma união com Cristo. A Bíblia fala de regeneração em três diferentes sentidos, mas relacionados: o início da nova vida implantada pelo Espírito Santo; a primeira manifestação da nova vida; e a restauração de toda criação até a perfeição final. As duas primeiras reportam-se à atividade espiritual internalizada nos homens, com manifestação de mudança interior e a habilitação ao arrependimento e à fé, enquanto a última, é a tradução para regeneração, descrevendo a renovação do universo todo. O Espírito Santo age, trazendo as pessoas a uma conversão pela união com Cristo, transformando seus corações para habilitálos ao verdadeiro arrependimento. É certo que muitos teólogos da atualidade sentem a necessidade de fazer uma diferenciação entre o sentido estrito e o sentido lato da palavra, o que não é o propósito aqui. Só se precisa regenerar algo que esteja com sua força e valoração enfraquecidas, ou o que tenha o seu estado natural degradado a uma inferioridade por um corrupto definhamento. A esse estado corrupto de ser humano, Calvino chama de depravação. Uma vez inferiorizado por uma valoração enfraquecida, o homem definhou, deixou de ter vida em Deus, estando os homens mortos em delitos e pecados. A condição natural do homem é a de morto, não meio vivo espiritualmente, ou apenas doente. A natureza caída do homem não pode dar vida a si, nem mesmo ajudar a Deus a operar, a graça manifesta de Deus é que constitui a vivificação humana. Assim como uma criança é passiva em seu nascimento natural,

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sendo necessário um impelir dos pais para a geração gametófita e seqüencial participação do ser no decorrer do processo até dar à luz, também no nascimento espiritual o homem passivamente é gerado, regenerado em Deus, só então, cheio do Espírito Santo poderá caminhar em direção a Deus. O ser regenerado busca a santificação porque, a princípio, Deus regenera o homem e a santificação se dá ao longo de toda a vida. Para que não mais o homem esteja só, no sentido individualista, ele faz parte do corpo de Cristo e deve zelar para que este, ou seja, os membros do corpo, formado por pessoas também regeneradas, não venha a sofrer dano. Então, como forma de demonstrar pertencer ao corpo de Cristo, o cristão é batizado não como um batismo regenerador como querem fazer os católicos romanos, mas como um sinal figurante e confirmativo dessa bênção. Os teólogos de Westminster escreveram que o “batismo é um sacramento do Novo Testamento, para ser ministrado como sinal e selo do pacto da graça, da implantação em Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e da sua entrega a Deus, através de Jesus Cristo, para andar em novidade de vida”. Os adultos regenerados são batizados e a bênção do sacramento é confirmada a partir do momento em que procuram andar em novidade de vida no Eterno. Para as crianças, no entanto, a bênção do sacramento se confirma quando eles ao ter compreensão do significado, aceitam o que o batismo simboliza, como ato de fé. O batismo dos filhos menores de pais crentes deve ser efetuado porque, pela fé, os pais que são membros do pacto da graça, almejam nos filhos a continuação da herança divina. Após o ser humano ter sido regenerado há uma evidência externa que Paulo parafraseia como o bom perfume de Cristo. Um bom perfume se evidencia independente da vontade de quem esteja exalando; é certo que o bom perfume é de Cristo, mas exala

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de quem esteja nEle por uma evidência externalizante, a essa evidência dá-se o nome de conversão. A conversão é o ato de voltar para Deus em arrependimento e fé, é um retorno para longe do pecado e na direção de Deus. Nela, Deus e o homem agem, diferente da regeneração, onde só Deus age. Deus chama os Seus ao arrependimento e à fé para uma reconciliação com Ele. Várias passagens da Bíblia falam de Deus convertendo os homens e os homens sendo convertidos a Deus. O arrependimento genuíno restaura pelo perdão de Deus, como quando Pedro foi indagado sobre ser um dos que estavam com Jesus, negou por três vezes, o galo cantou e ele ao sair dali, chorou amargamente. Houve uma mudança na forma de agir e pensar de Pedro, ele reconheceu a santidade e a majestade de Deus ali manifestas, entendeu as palavras proferidas por Cristo e se entristeceu verdadeiramente, sabia o desagrado que fizera, por isso buscou o perdão, arrependeu-se e teve sua vida modificada. A fé é um dos pontos centrais na vida do povo de Deus, porque envolve a aceitação das verdades contidas nas Escrituras, confiar em Jesus como pleno Deus, divinamente designado Autor da salvação Eterna. Mais que crer, é apoiar-se na centralidade de Deus para uma vida abundante em Cristo. A conversão pode ser dita como causada por Deus, para Sua honra e glória. Ela se dá de diversas formas e tipos, não há um padrão estabelecido pela conversão. A conversão tanto pode ser dada de uma só vez na vida, como em Naamã, no dia de pentecostes, e como Paulo, na estrada de Damasco, eles realmente converteram-se de seus maus caminhos e voltaram-se para Deus no mesmo instante; pode ser também nacional, quando o povo de Israel prometeu servir e obedecer a Deus; ou em resposta à pregação da mensagem divina. A conversão está no ato de buscar separar-se do pecado para servir a Deus. Em alguns momentos em Israel, percebe-se

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que o líder buscava a vontade de Deus, o povo também servia ao Senhor. Quando, porém, o líder se desviava dos preceitos de Deus, a nação voltava à prática pecaminosa. Isso explica o fato de algumas serem “conversões temporárias”. Estas foram citadas por escritores neotestamentários, quando da parábola do semeador, Jesus conta que um semeador saiu a semear e a semente caiu sobre solo rochoso; ao explicar a parábola, Ele descreve o homem que “ouve a palavra e a recebe logo com alegria, mas que não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza” (Mt: 20.21). Existem outros exemplos nas Epístolas Paulinas, como no caso de Demas, que amou o “presente século” (2 Tm: 4.10) e nas Epístolas Gerais, afirma João: “...saíram do nosso meio, entretanto, não eram nossos, porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1 Jo: 2.19). Quanto a essas “conversões temporárias”, pode-se dizer serem elas por vontade humana, sem uma anterior manifestação da regeneração produzida pelo Espírito Santo. Também existem mudanças de atitude, quando o cristão convertido, ao cair em pecado, torna-se compungido, voltandose para Deus. É certo que a conversão verdadeira não se repete, contudo, é possível que o verdadeiro cristão regenerado por Deus se desvie, voltando para Deus em seguida. Não se trata de tentar destrinchar o mistério escatológico da vida após a morte, mas sim, de asseverar as verdadeiras palavras de Jesus, ao dizer que “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João: 6.37). Não é possível um homem, justificado, regenerado e purificado, ir para o inferno. Daí, falar-se em um retorno a Deus. Como foi dito antes, a conversão não é tarefa unicamente divina, mas também humana. Davi, um homem segundo o coração de Deus, caiu em

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pecado ao adulterar com Bateseba, e mandou colocar Urias, o esposo dela, no fronte mais intenso da batalha; tanto adulterou, quanto cometeu homicídio com premeditação; e ainda assim, o Salmo 51 fala de sua compunção ou volta para Deus. Pedro converteu-se ao Caminho que é Jesus, após tê-Lo negado. Alguns estudiosos afirmam ser esse o momento da conversão de Pedro. Se de fato houvesse sido, porque ou como teria se dado a confissão prodigiosa “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt: 16.16). Como alguém reconheceria Deus e não se voltaria, não se converteria a Ele? Essa compunção modificadora de atitude, também é conhecida pelos nomes de reencontro com Cristo, volta para Deus, regressar ao caminho e tantos outros nomes. Isso não implica afirmar que todos os cristãos precisam de uma aventura no mundo de lascívia e concupiscências para uma mudança de atitude e retorno a Deus, e sim, que “o Espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Não há um padrão definido para a conversão. Algumas pessoas são convertidas após uma crise; outras, após uma explanação da palavra de Deus; e outras, ainda, nascem em lares cristãos, têm toda uma vida familiar ligada a Cristo, não haverá algo de brusco em sua conversão, antes, espera-se uma conversão gradual até a maturidade da fé. Além das três formas citadas, existem várias outras apresentadas para a conversão. O que todas elas têm em comum é a necessidade de se fazer um compromisso pessoal com Cristo. A conversão é um aspecto necessário no processo da salvação, não importa o local ou data exata de sua ocorrência, mas sua autenticidade, mediante a fé em Jesus Cristo e arrependimento dos pecados. O arrependimento é a mudança de direção, do caminho errado para o certo. Deus age no homem e o homem é instado a arrepender-se, por uma prévia capacitação divina. Após ser regenerado, o homem não adquire uma incapacidade para pecar,

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mas adquire uma vida nova no Espírito, esse mesmo Espírito se alegra pelas vitórias em Jesus e se entristece pelos pecados cometidos, por isso, o homem nascido do alto precisa agir de forma a não entristecer o Espírito. Buscando agir conforme os preceitos cristãos, tendo uma vida convertida, arrependendo-se de atos pecaminosos e buscando a santificação em Cristo. O negarse a si mesmo é estar pronto para uma vida abundante em Deus. Vida essa que inicia-se no presente, perpassando à imortalidade. E o arrependimento, ainda que imperfeito, deve ser parte contínua nessa vida. O arrependimento e a fé estão intimamente relacionados com a conversão. A fé em Cristo transpõe todos os obstáculos. Como na parábola da videira os ramos só podem frutificar estando nela, os cristãos frutificam por descansar em Cristo, numa vida de comunhão, confiança e conhecimento em Deus. Essa fé pela recepção da obra de Cristo a faz passiva, mas na obediência ela é, e deve ser ativa. A fé é um dom dado por Deus, e deve ser segura a quem crê, “ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem” (Hb: 11.1). Embora algumas vezes haja certa insegurança no coração dos cristãos, o próprio Messias, ao referir-Se aos discípulos, afirmou: “Homens de pequena fé” (Mt: 6.30; 14. 31), Jesus não disse que eles não tinham fé, eles a tinham, contudo, a confiança depositada em Cristo era menor que as tribulações e dificuldades. O reconhecimento da fé insuficiente é dado por um homem a Jesus: “Eu creio, ajudame na minha falta de fé” (Mc: 9.24). Ao reconhecer sua pequenez ante as dificuldades e pôr a confiança em Jesus, o homem tem a certeza da perseverança e cultiva a certeza da salvação, com discernimento e segura confiança, “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm: 8.16). A fé é muito importante, contudo, não é a única coisa a ter importância em uma vida santa, é preciso agir, esmerar-se no

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servir a Cristo. Ela tanto é justificadora quanto santificadora. A fé justificadora está apoiada em Cristo, sendo uma graça imerecida, agindo simplesmente pela confiança no Salvador; e a fé santificadora é uma graça que atua pelo amor, impulsionando o homem interior. Stephen Charnock escreveu que o caráter da fé pode ser impresso no coração, como podem ser gravadas as letras de um carimbo, ainda que este fique tão recoberto de pó e sujeira que as letras não possam ser bem distinguidas. A poeira impede a leitura das letras, mas não as apaga. Às vezes, em meio a adversidades, pode-se sentir medo ou temor pelos perigos que afligem. Uma fé pequena pode fazer um desencorajar, de igual forma, a segurança de uma fé grandiosa influencia na forma que se vive. A fé necessária e suficiente para a salvação é aquela centrada na expectação do Divino. Cristãos com pouca ou muita fé serão salvos, tanto um quanto o outro, o que vai influenciar é a forma que se vive e se usufrui a vida presente fruto do amor de Cristo. A santificação e a alegre confiança centradas em Cristo Jesus proporcionam, na vida presente, o gozo de uma plenitude que é completa no porvir. Uma vez salvo, salvo para sempre. É isso que ensina a Escritura Sagrada. Uma pessoa justificada em Cristo, santificada, regenerada, convertida em arrependimento e fé pela graça de Deus não pode perder a salvação. Ele preserva até o fim, em Cristo, com Cristo, e para Cristo. Não é por força humana que o homem permanece na vontade de Deus, sua perseverança está em Deus, pelo amor de Cristo, “eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo: 10.28). Essas são as palavras de Jesus, falando uma parábola, onde Se coloca como o Bom Pastor, e os cristãos, como Suas ovelhas. As ovelhas seguem a seu Pastor, ouvem a sua voz e obedecem a sua vontade, porque Ele está no controle, não como ditador ou mercenário, mas como alguém que cuida. Assim como um

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verdadeiro pastor cuida de suas ovelhas, Cristo cuida de seus escolhidos para que permaneçam nEle. Os verdadeiros crentes não podem perder totalmente sua fé, nem cair do estado de graça. Deus não brinca de salvar e depois desamparar, de regenerar e em seguida desonerar. Não é um Deus bonachão. Pelo Seu poder Ele faz com que os Seus perseverem. Não implica dizer que todos os freqüentadores de templos religiosos, membros de igrejas e amigos do evangelho permanecerão na fé. Os que por convencimento humano, senso de conduta, vã religiosidade ou qualquer outra atividade antropocêntrica usufruem o compartilhar de uma caricatura doutrinária, de um evangelho não compreendido, como joios no meio do trigo, no dia final, serão retirados do meio do povo santo, porque Jesus há de separar os Seus e lançar fora todo aquele que não se encontrar debaixo de Sua graça salvadora. A preservação divina é para dar segurança de uma novidade de vida aos cristãos, essa novidade de vida está contida na expressão justificativa e redentora, com a atuação direta e contínua do Espírito Santo, por isso, alguém preservado não mais age como um homem natural, porque foi selado pelo sangue remidor do Cordeiro. O fato de Jesus não permitir que ninguém arrebate Suas ovelhas dá a firmeza de que Ele está no controle e não há quem O possa derrotar ou retrair de Seu controle a capacidade de cuidar e agir em prol dos que o Pai entregou em Suas mãos. Jesus salva totalmente a quem vai a Deus por Seu intermédio. Ele os guarda “como uma galinha que aninha seus pintinhos embaixo de suas asas” (Mateus 23.37) para proteger os Seus filhos e fazer com que não se afastem dEle. Deus ama aos Seus de maneira sobremodo excelente, importa-Se com o que acontece com Seus amados, está pronto para ajudar e corrigir quando necessário. É incrivelmente

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consolador o fato de saber ser tamanhamente considerado a ponto de ter o Filho de Deus dado importância, amado e Se entregando por pecadores. Ele foi humilhado, esbofeteado, cuspido, ultrajado, dilacerado, abatido e ainda assim não Se envergonhou de passar por tudo isso para dar acesso ao Pai. Ele não Se envergonhou dos que ama, nem desistiu de continuar, por amor aos Seus. Muitos crentes tantas vezes pensam já serem autosuficientes, capazes de andar sozinhos, grandes a ponto de guiar seus próprios passos. Perdem-se em sermões e analogias acerca de um Deus distante, escatológico, futuro em atuação; acham que já estão grandes o suficiente para caminhar com as próprias pernas e acabam por fazer coisas erradas; corrompem seus corações pensando ser bons o bastante para conhecer a vontade do Altíssimo e conseguir agir sem Seu auxílio. Envergonham-se de anunciar as Boas Novas, de clamar por Seu auxílio, de orar em público, de dizer que têm a paz de espírito por amor de Cristo, esquecem-se da alegria de estar nos braços do Pai, um local seguro, onde as hostes espirituais da maldade não podem atacar. Então, alimentam o próprio ser com comidas e bebidas que não edificam, tantas delas corruptoras de entendimento. Não é uma questão de ser boneco nas mãos de Deus, mas de confiar nEle como filhos amados. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo: 15.13). Já não trata mais por servos pertencentes a Ele, mas de amigos, aqueles que têm livre acesso, por um sentimento de fiel afeição. Deus quer que, como crianças, sejam os Seus filhos, cuidados por Sua graça, andando debaixo de Sua misericórdia. Que não se envergonhem de louvá-Lo, de chorar em Sua presença ou dizer: como Deus queira. Ele tem cuidado com o alimento, com a bebida e vestimenta, como um Pai. Age preocupado com os problemas, até daqueles que se pensa não lhe interessar, espera cuidadosamente o tempo certo e resolve, providenciando o melhor

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para a vida dos Seus. Ele protege, livra e guarda por Sua vontade perfeita, boa e agradável. É necessário crer e se pôr inteiramente nos braços do Pai, pois lá ninguém poderá fazer mal algum, ferir ou machucar. É necessário que se pratique a humildade sincera de coração, o amor ao próximo, sem rancor nem mágoa. A inocência de filhos pequeninos, tantas vezes promulgada quando chamados de filhinhos, não é apenas amor, mas amor protetor, pleno e requer inocência para com as coisas do mundo. Não deve existir malícia nos corações. Jesus quer que não se tenha vergonha de expressar todo amor sincero e espontâneo a Ele. Seu amor é infinitamente incomparável, foi Ele quem sonhou com a criação, deu vida ao homem, Se entristeceu com sua queda, propôs e executou o plano de salvação. Seu cuidado e proteção nem sempre dão o que se quer – muitas vezes, se os pedidos são por volúpia ou concupiscência –, mas Ele sempre dá o que é necessário, e como um Pai, repreende, protege e cuida.

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O Andar no Caminho das Alturas
Muitas pessoas têm buscado nas religiões uma saída para seu estado de tristeza ou de pesar, contudo, não percebem ser em Jesus o verdadeiro alívio para as situações de angústia, porque só Ele salva. Muitos têm se perguntado: Salva de quê? Só Jesus salva da escravidão do pecado. Ele limpa os corações, regenera os Seus e proporciona vida em abundância. As religiões não devem ser vistas como portas de saída ou caminhos a percorrer para encontrar Deus. Não há como ter comunhão com Deus se não for através do Salvador. O Cristo proporciona salvação e comunhão com Deus, do contrário, não seria necessário ter se despido de Sua glória para morrer em lugar dos pecadores. Invenções e perversões humanas não fazem Deus mais próximo dos pecadores. Mesmo seguindo fielmente os princípios de uma religião ou mesmo sendo uma pessoa de consagradas obras benevolentes, não há por mérito humano uma reentrância na salvação para um livre acesso. É certo que Deus ama o pecador, contudo, o pecado faz separação entre os homens e o Criador. Supor que a salvação de Cristo apenas significa o acerto dos pecados passados é um grave erro. O presente e o futuro fazem parte de Sua preocupação. Se Ele perdoa e reconcilia, com certeza também pode vencer as demais conseqüências malignas do pecado. Não é o mero fato de ser aceito por Deus, isso é grandioso, mas existem coisas além: restauração da harmonia com o próximo, a comunhão em amor, as bênçãos da libertação progressiva da tirania do egocentrismo, fazem parte dessa salvação, ela é completa em Deus. A expressão da natureza interior pode ser modificada, o Espírito Santo age no homem modificando o seu ser. Mas não há uma lavagem cerebral, o Espírito age e o homem interage com

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Ele. Então, a Bíblia diz que se alguém está em Cristo é uma nova criatura e seus frutos serão bons. Essa é uma mudança completa, agindo até mesmo nas experiências de relações no íntimo do ser. Não é uma questão de o homem tornar-se imaculável, e sim, o fato de o Espírito permanecer nele, vivendo nele e com ele. Então, o vistar Jesus não mais será o de um bom exemplo a ser seguido, e sim, de O Salvador. Buscar andar no caminho das alturas é ser tomado de uma alegria interior, na certeza de que o alvo a se dirigir é o Deus sobremodo excelente, conduzido por Sua fidelidade à disposição com a qual os cristãos se submetem a Cristo, numa melodiosa ação de graças, evidencia o enchimento produzido pelo Espírito de Deus. O mesmo Deus que habilitou Pedro quando de seu discurso no Sinédrio, após curar um homem coxo, capacitando-o a falar ousadamente, pode fazer “infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme seu poder que opera em nós” (Ef: 3.20). É certo que na passagem de Atos, 4, 8, há um verbo, “encher”, podendo-se dizer que houve um derramamento do Espírito específico para aquele momento, por isso se crê que o mesmo Deus imutável, ainda nos dias atuais, poder enviar o Santo Espírito para capacitar os Seus. Em passagens como Lucas, 4, 1, diz-se que Jesus estava cheio do Espírito Santo, quando retornou do Jordão; assim também os sete homens escolhidos pelos doze para distribuição diária dos alimentos; da mesma maneira Estevão e Barnabé. A expressão “cheio do Espírito Santo” não contém verbo, o adjetivo é utilizado como característica permanente. Ainda existem dois lugares no Novo estamento onde o verbo “encher” expressa característica permanente ou momentaneidade, havendo a descrição de continuidade. No texto de Efésios, 5, 18, “não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução...”, há a idéia de uma vida de dissipação por um prazer degradante, em contraste com a

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conjunção adversativa “mas”, em contrariedade ao ato, não por uma oposição sem fundamento, entretanto com o propósito de um “enchei-vos do Espírito”. Pelo imperativo do ato de “encher”, não é opção ou sugestão, é uma ordem direta, no tempo presente, expressando ação contínua, havendo aí uma exortação para de contínuo buscar o “esvaziar-se de si mesmo”, para o “enchimento de Deus”. Esse verbo, “encher”, está no número plural, não sendo reservado para poucos, nem sendo um ideal inatingível. A ação do verbo é posta na voz passiva, não é o homem que enche a si do Espírito, mas a pessoa do Espírito continua o pleno prosseguir quando de uma entrega a Ele. Andar no caminho das alturas é esperar em Deus a fortificação para cada necessidade, na certeza da adequada direção divina, vivendo positivamente a escutá-Lo e entregar-se a Ele, quando de Sua revelação. Porque o Deus rico em misericórdia não abandona os Seus, nem os lança na perdição eterna; perseverar é reconfortante por saber ser fiel o Deus da promessa, e desafiante para uma vida capacitada no pleno exercício da mordomia cristã. As Escrituras claramente ensinam que o evangelho precisa ser pregado a todos, não há dúvida sobre a grande comissão, Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que O seguem e seguiram em todos os tempos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho”, é necessário atentar para isso. Se a salvação será para alguns ou a eleição é particular, isso é um outro assunto a ser tratado. Falar do evangelho é responsabilidade humana, é obrigação inalienável divulgar as Boas Novas. A comunidade cristã e o cristão individualmente têm que levar extremamente a sério essa ordenança. Todavia, alguns cristãos usam por desculpa o fato de Deus ser soberano, e, por isso, não ser necessário pregar o evangelho. A Bíblia deixa duas coisas claras quanto à soberania divina e a responsabilidade humana. A primeira é que Deus está no centro, é o ordenador do universo e tudo está debaixo de Seu controle; a segunda é que o homem é responsável por seus atos,

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podendo agir responsavelmente e responder diante de Deus por suas escolhas. Essas são duas verdades bíblicas e, portanto, precisam ser aceitas. Não é possível abrir mão de uma em detrimento da outra, nem desqualificar uma pela sobreposição da outra. A menos que descaracterize uma delas, e isso seria defraudar as verdades bíblicas, não há como refutar nenhuma. Esse é o típico exemplo de antinômio bíblico. Existem vários outros como esse, não só na Bíblia, como na sociedade e ciências em geral. Não é possível se desfazer de nenhum dos dois, antes é preciso aceitálos. Ao seguir os ensinos de Jesus, evangelizar, orar, buscar servir a Deus, amar o próximo, fazer a diferença, sendo sal da terra e luz do mundo, os cristãos não fazem mais que cumprir os desígnios divinos. Não há um acréscimo, há o executar; nem por isso suas atitudes e serviço devem ser depreciados. Quando Pedro estava afundando na tempestade poderia ter tentado nadar até o barco, poderia ter pedido uma corda, ter se afundado, mas ele ousou. A ousadia de Pedro estava em por sua confiança nAquele que pode todas as coisas e agir, contristadamente, clamando o salvamento do Senhor. Essa passagem bíblica tem sido mostrada por muitos como o ápice da falta de fé. Não é assim que a Bíblia ensina. Pouco antes, houvera o milagre da multiplicação dos pães e peixes. Jesus ordenara que os discípulos fossem de barco para o outro lado, para Betsaida, em direção a Cafarnaum; havia escurecido e o barco viajado cerca de 5 quilômetros da margem de onde saíra, quando forte rajada de vento contrária os assolou por horas seguidas; Jesus havia ido orar no monte, ao ver a tormenta foi andando por sobre as águas, sendo confundido com um fantasma pelos discípulos. Onde está a falta de fé de Pedro? Ao ver o Mestre ele ousou pedir um milagre a Jesus. Pedro andou por sobre as águas. Pouco depois, começou a afundar por temer as intempéries advindas não por não crer no poder salvador de Jesus.

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Muitos cristãos agem como Pedro, com medo das adversidades, receosos pelo bramir das tribulações, só que não têm a mesma coragem que Pedro de não fazer nada, depositando o socorro unicamente nas mãos de Jesus. Ou como o pai do jovem lunático, prostrar-se aos pés do Senhor e dizer: “Eu creio, ajudame na minha falta de fé” (Mc: 9.24). Por mais que persistam as tempestades da vida, deve-se buscar com manifesta propriedade o auxílio do Senhor. Deus é soberano e isso não anula o dever humano de evangelizar. O homem evangeliza, nem por isso Deus se torna menor ou depende da atividade humana para agir. Proclamar o evangelho é tarefa humana, mas é Deus quem salva. É Ele quem conduz à fé em Jesus, pelo ouvir o evangelho. O homem é um instrumento evangelístico usado por Deus, e isso não o torna um brinquedo nas mãos do Altíssimo, antes, a graça outorgada pela regeneração interior, na justificação salvadora, torna em gozo o exprimir a obra do Espírito. O poder está nas mãos do mesmo Deus, que faz dos homens Seus instrumentos. Deve-se anunciar a mensagem do Criador a toda a humanidade rebelde, falar de Seu amor, Seu plano salvífico, deixar claro a situação humana de pecadores, necessidade de arrependimento, abrigo certo nAquele que pode salvar, e, por fim, convidar para a tomada de decisão em aceitar a Cristo como Redentor; é preciso encarar de forma realista e escravidão do homem caído em relação ao pecado; não é menos verdade o fato de a evangelização incansável, confiante e engajada nos preceitos de Cristo, confirmar a confiança de a Palavra não retornar vazia. Essa confiança aumenta o reconhecimento de importância em si mesmo para entregar-se a Deus. Homens e mulheres mantêm vida de oração e súplica, permanecendo embaixo da vontade de Deus; sendo ousados em testificar com veemência as novas de salvação, agindo em toda a obra, pacientes e perseverantes, aguardando o

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tempo perfeito de Deus para que, em Sua livre graça soberana, ilumine e conduza os Seus ao novo nascimento. A conversão é tarefa do Espírito, e isso já foi tratado anteriormente. O homem, por mais que se esforce, por mais bem elaboradas que sejam as suas técnicas ou eloqüentes suas palavras, não consegue salvar uma alma sequer, o máximo que pode fazer é uma lavagem cerebral e constituir um grupo de fanáticos, mas não de regenerados. O espírito de autoconfiança não deve ser partícipe na obra evangelizadora. Seria ótimo se todos os ouvintes do evangelho mudassem de atitude, produzissem resultados proporcionais aos esforços implementados, mas não é dessa forma. O agir de Deus é fundamental, preponderante, decisivo para o novo nascimento. A função do evangelista é falar do Caminho, explanar o Verbo, apresentar a Porta, ficando o ato salvífico por conta dAquele que é o único capaz de dar a vida, e vida em abundância. De mesmo modo, Deus deve ser o centro, em qualquer circunstância da vida dos homens. Se houver um lugar ou situação onde Deus não possa ocupar o lugar central, esse é impuro, quiçá vilipendioso, por indigna concupiscência ou defraudada conduta. O que Deus quer é que os Seus filhos O sirvam na forma como Ele determinou. Eles não são capazes de acrescentar nada à glória de Deus, nem mesmo são indispensáveis. O Deus que enviou, capacita, auxilia e está junto todos os dias até a consumação dos séculos. Quando se tem essa consciência, passa-se a ver quão grande é a seara, quanto ainda precisa ser feito, e que Deus poderia fazê-lo com uma só palavra; a partir de então, os filhos de Deus procuram servi-Lo não por uma relação dativa de dupla troca, mas põem-se em segundo plano. Fazendo a obra que lhes foi dito para fazer, na certeza de o Senhor da seara sustentar ininterruptamente. A evangelização precisa ser natural, espontânea; evangelizar é um grande privilégio, não é a única tarefa dada por

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Deus, nem foi dada a todos as mesmas oportunidades e habilidades para lidar pessoalmente com aqueles que necessitam de Cristo, mas todos têm o dever de evangelizar, de se importar e orar pela salvação dos não convertidos. O fazer discípulos é demonstrar o amor de Cristo, dar ciência da real bonança usufruída pelo entregar o coração a Jesus, e o conteúdo a ser exposto é a aplicação fiel da mensagem do evangelho, na vida prática dos amados de Deus. A evangelização não deve ser medida pela quantidade de convertidos nem pelos resultados obtidos, mas pela fidelidade às Escrituras. Os preceitos elaborados e as declarações produzidas devem especificar o estado caído do homem, a decisiva participação de Jesus, o amor misericordioso de Deus e a necessidade de se colocar compungido e contrito diante do Senhor. Para evangelizar, é necessário proclamar a salvação, sendo fiel em divulgar a mensagem do evangelho. Agindo com autoridade, como um embaixador que ensina a verdade sobre o Soberano a quem representa, para, com intrepidez, ensinar a verdade sobre Jesus, a fim de como objetivo último, converter os ouvintes a Cristo. Deus chama para uma obra completa, inclusive administrar como mordomos os bens que Ele deixou sobre os cuidados dos Seus. A Bíblia fala que Ele é o dono do ouro e da prata, o mundo é dEle porque o fez e tudo criou, portanto, nada pertence aos homens, Ele dá em concessão e precisa-se ter a noção que essa bênção é voluntária. Deus não carece de dinheiro, pensar assim é agir com mesquinhez. Quando Ele ordena que se entregue o dízimo de tudo o que concedeu, age para provar a fidelidade e obediência dos Seus filhos. Alguém poderia se indagar: Ele não é Todo-Poderoso e Onisciente, então, porque provar a nossa obediência? Ele quer que cada um dê prova de si, por si e para si. Quer que cada um saiba que é capaz, que perceba as dificuldades e tentações, que as

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enfrente e vença. Quer que se entenda os limites e os supere. O dízimo é ordenança, tem que ser cumprido. Em Malaquias está escrito: “Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênçãos sem medida” (Ml: 3.10). Falando de obediência, Jacob Silva afirma: “Deus não precisa de uma árvore no jardim do Édem, proibida para o uso do homem. Aquela árvore era apenas o teste ou prova da obediência e fidelidade de Adão”. Parece incompreensível Deus afirmar ser provedor e ficar tentando e provando os homens. Indo por partes. Deus a ninguém tenta. A provação existe e é parte natural da mordomia cristã para que os servos de Deus percebam que sua obediência implica bênção e galardão. Isso não quer dizer que só haverá dias maus, nem que as necessidades sufocarão os justos. É preciso entrega total, plena, constante, compungida, com a certeza de que aos Seus dá o pão enquanto dormem. A morte de Jesus não foi um ato político, como alguns tentam colocar, não foi intriga de fariseus e saduceus. Havia um plano desde o início, um plano que Jesus voluntariamente seguiu. Após colocar sua confiança no Altíssimo, o propósito da vida cristã será apenas seguir a Cristo e viver eternamente com Ele. Mesmo em meio às dificuldades, o realizar a obra gloriosa não será um pesar. Jó foi fiel, também Abraão, não desistiram de Deus nem O injuriaram. Eram homens de carne e osso, sujeitos ao pecado como todos os demais, mas criam e buscavam ao SENHOR. A fidelidade precisa ser real, a obra do ide tem que ser cumprida, e a forma ordenada por Deus para manutenção de Sua casa e auxílio aos filhos necessitados é o dízimo e as ofertas. A igreja de Deus não precisa de esmola, não precisa de churrasco arrecadatório, almoço beneficente, não precisa de uma pequena contribuição para comemorar uma data especial.

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O Deus da promessa ordena: “trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa”. Deus utiliza esse método em primeiríssimo lugar, só depois, após ter sido dado o dízimo, é que Deus vai aceitar as ofertas e o cumprimento da oferta juramentada. Entenda-se que não é qualquer tipo de oferta, a Bíblia não trata de algumas moedinhas. A única vez que se fez menção a oferta de moedas foi quando, no templo, Jesus viu a oferta da viúva pobre que deu tudo o que tinha. Portanto, oferta não é esmola, Deus não está mendigando. As ofertas que Deus aceita são a oferta Alçada, no hebraico, teruma, que significa oferta alta, de grande valor, que seja produtiva; e ofertas juramentadas a Deus. Na Bíblia, existem exemplos de oferta, como as angariadas pelas igrejas da Macedônia e da Acaia, e isso foi excelente, porque foi para aliviar as necessidades que os cristãos estavam passando após o imperador Cláudio os expulsar de Roma; logo que Paulo ficou sabendo aconselhou que outras igrejas fizessem assim. A oferta é boa e agradável a Deus. O problema é que muitas pessoas esmolam a Deus, dão migalhas, fazem compromissos, tornam-se associados e esquecem-se de cumprir a ordem divina. A igreja fiel a Deus não mendiga. Se todos os cristãos, salvos em Cristo Jesus, forem fiéis à Sua mensagem e trouxerem os dízimos e oferta alçada para a casa de Deus, não precisarão de apoio financeiro de político ou de favor para desconto no imposto de renda. Acaso os apoios e favores concedidos seriam sem nenhuma intenção? O político não estaria pensando em eleitores potenciais e a empresa não teria que entregar esse dinheiro para a receita federal? Não é errado ofertar ao SENHOR. Políticos, pessoas físicas e jurídicas podem fazê-lo. O que não deve ser feito e tirar proveito da situação, autopromoção com o intuito de se beneficiar da relação estabelecida com o povo de Deus. Primeiro o dízimo, só então as ofertas, e sem barganha. As ofertas devem ser

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voluntárias em benefício coletivo, sem pedir nada em troca. É para a obra do Senhor na terra, obra essa que não pode parar, mas nem por isso, pode se sujeitar a uma corrente de pedintes que mendigam e imploram ajuda do povo que a percebe. Não se pode ofertar para Deus animal coxo ou cego. Ele não se agrada disso. Tem-se de escolher honrar ou não o compromisso firmado, inexiste meio termo. Ou se é fiel nos dízimos e nas ofertas ou a igreja sofre as conseqüências, e façamse tantas campanhas quantas se quiser. O servo mau e desobediente que foi infiel no pouco, também o será no muito. Não se pode aceitar a desculpa de que se ganha pouco e dez por cento vai fazer falta, nem a de que se ganha mais que todos os outros irmãos juntos, e tirar um pouco não fará falta. Matemática, pura e simples, influencia no ato de ser ou não fiel no compromisso com a obra de Deus. Dez por cento de um centavo e dez por cento de um trilhão continuará a ser dez por cento. Deus não obriga a ninguém a devolver o dízimo, mas ordena. Cada um terá que prestar contas diante dEle. Desacreditar parte do ensino de Cristo, e desmerecê-Lo. A profecia da graça foi produzida pelo mesmo Deus que ordenou a mordomia. Ou se busca seguir a Deus em todos os aspectos que Ele pronunciou ou se estará fadado a uma vida voluntária de migalhas e fraca espiritualidade. Os que viviam pela lei, por ela eram julgados, os que crêem em Jesus, são salvos por Sua graça, não por mérito humano, mas pela soberana vontade de Deus. Deus dispensou vários dons para a proclamação do reino ao mundo cercado de escuridão. O povo de Deus tem por obrigação cumprir o ide de Jesus, não é uma opção, é uma ordem. O Messias foi categórico ao afirmar: vão, sejam minhas testemunhas, falem da redenção até os confins da terra, promulguem que há salvação em Cristo Jesus. O acesso ao Pai novamente é possível ao que crer. O apóstolo Paulo,

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contudo, exprime em sua carta aos Romanos: “como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? (...) A fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo.” (Rm: 10.14, 15 e 17). Deus não apenas chama, Ele instrui para o trabalho e toda boa obra, aos filhos nascidos segundo Sua vontade. Embora haja fraqueza no coração humano, o Espírito de Deus cuida dos Seus, sondando os corações humanos, intercede por todos com gemidos inexprimíveis. Logo, percebe-se a presença do Deus Eterno continuar entre o povo, como dito pelo profeta Isaías acerca do povo escolhido. Pode-se aplicar agora não apenas ao aprisco de Israel, mas ao povo santo espalhado pela terra, o fato de Deus terSe feito achar por um povo que não O buscava e não chamava o Seu nome, revelou-Se voluntariamente aos que por Ele não perguntavam, a capacitação foi dada a Israel para ser testemunha de Deus, ser bênção para todas as nações da terra, tendo o povo decepcionado a Deus. “Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos” (Is: 15.1 e 2). Como antes dera a Israel, Deus também deu aos cristãos capacidade para viver e proclamar as novas de alegria em todo o tempo. Os dons surgem no povo de Deus como uma espécie de presente, dádiva, concessão. No Antigo Testamento, uma dúzia de vocábulos foram utilizados para denotar dom, cada um em conformidade com certas características: de presente dado a Deus, dotes, presentes festivais, presentes dados por homens a outros homens e até suborno. No Novo Testamento, os dons têm uma outra ênfase: as palavras ligadas ao termo dom referem-se à idéia de dádivas dos homens a Deus, dádivas dos homens a outros homens, e os dons

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que Deus concede ao homem. A verdade fundamental está no fato de Deus conceder o dom da salvação aos homens, todo o restante estando baseado nessa verdade. Assim, o dom gratuito, a dádiva, o dom perfeito e as dotações outorgadas a certos indivíduos pelo Espírito Santo, estão entre os presentes dados por Deus. Todas as pessoas receberam dons provenientes do alto, contudo, certos dons são específicos aos filhos de Deus, para que estes sirvam a seus semelhantes. Os próprios indivíduos dotados com essas características são dons de Deus, mediante Seu Filho, à Igreja. Todos os cristãos têm pelo menos um desses dons. Isso não quer dizer que, ao ter um, os outros estarão relegados ao descaso e abandono. Deus dá os dons para Seus filhos agirem com propriedade em Sua obra, não querendo, com isso, que haja uma submissão por grupos de dons. Cada um tem seu dom ou seus dons específicos, mas, ainda assim, precisa ser testemunha em outras áreas também. Cada cristão precisa pregar, servir, ensinar, estimular a fé, doar, exercer autoridade e consolar seus irmãos. O cristão justificado em Cristo, purificado por Seu sangue e restaurado pelo poder do Santo Espírito de Deus, tem não apenas os dons como presentes de Deus, mas livre acesso ao Pai, para uma vida plena em santificação e amor. O Senhor fala a Seus filhos através de Sua Palavra e estes falam com Deus pela oração. A oração impele e nutre a obediência a Cristo. A experiência advinda de um contato com Deus leva ao cerne humano um conforto de descanso na sensação de ter seus anseios ouvidos. Deus deu dons e talentos a cada um de Seus filhos, todo o projeto divino foi posto em prática para que houvesse a religação entre Deus e os homens. A morte e ressurreição de Jesus deram plena vida eterna aos homens. Não uma vida eterna futura, mas sim, uma vida que se inicia no presente, para toda a eternidade, para um desfrutar a intimidade com Deus, fazendo Sua boa obra.

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Ela começa após a conversão, a liberdade para servir e adorar tem início com um relacionamento de fidelidade, confiança e entrega nas mãos de Deus. O conhecimento das Boas Novas, pela morte e ressurreição de Cristo, pode ser elevado a Deus através da oração, como forma de compreensão e aceitação de Jesus, enquanto Senhor e legítimo Salvador, rico em misericórdias e que ouve a súplica dos que O buscam. A morte de Cristo é suficiente para cumprir o propósito de Deus. Deus fez Sua parte, sendo fiel até o fim. Os homens precisam ter em mente o fato de sua parte precisar ser feita, a aceitação plena de Jesus em suas vidas, depositando nEle a fé, rogando pela salvação. O arrependimento em si não salva; a oração apenas, não surte efeito. Muitos ímpios oram, e é perfeitamente possível que isso ocorra, todavia, é impossível testificar a fé crédula em Deus sem uma vida de oração. É impossível testificar veementemente fidelidade a alguém com quem não se tenha intimidade, e a intimidade com Deus só é possível através da busca pela santificação. Todo aquele que almeja ser representante fiel de alguém precisa saber sua vontade, necessita de entendimento e proximidade. Não é possível falar de novas de salvação sem uma intimidade com o Salvador, é agir como um címbalo que retine ou um letreiro que anuncia algo sem ter o entendimento do que está exposto. Uma vida sem oração é estar paralisado pelas assolações mundanas, cair no conformismo letárgico de um emaranhado de relativismos descompromissados. Se mesmo buscando a Deus, pela essência humana, é impossível exprimir a profundidade dos sentimentos e emoções da alma, sendo necessário o Espírito Santo intervir, intercedendo pelos santos, quanto mais uma vida sem buscar a presença divina. Alguém poderia afirmar ser Deus soberano, pleno em poder e graça, não havendo, portanto, motivo para buscá-Lo

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através da oração, já que Ele sabe tudo, conhece todos os anseios e necessidades. Quanto a isso, três coisas precisam ser ditas: primeiro, a oração visa à glória de Deus e o benefício humano, nesta exata ordem; segundo, a oração não é opcional, é um dever, porque Jesus mandou orar; terceiro, na oração, os homens são convidados a fazer seus pedidos a Deus. Calvino, na obra “As institutas”, escreveu:
Porventura ele não conhece sem um monitor quais são as nossas dificuldades, o que é próprio para os nossos interesses? (...) Ele realmente quer, conforme é justo, que uma honra devida lhe seja dada, reconhecendo que tudo quanto os homens desejam ou sentem ser útil e oram para obter, seja derivado dEle, mas até o benefício da homenagem redunda em favor de nós mesmos. (CALVINO, Livro 3, capítulo 20, seção 3).

No início, após criar o homem, Deus lhe falou determinando seu papel na criação. Esse ato de agir/falar ao homem estabeleceu uma aliança de vida e morte. De forma geral, Deus instituiu ao homem, além dos mandamentos já expostos no capítulo II, ordenanças que se embutem na criação para a estruturação do mundo como Deus ordenou, sendo elas o descanso, o casamento e o trabalho. A Bíblia afirma que Deus abençoou o dia sétimo e o santificou. Não se trata de uma bênção vazia, o dia do descanso foi abençoado no contexto da criação. Deus o produziu dia do descanso não porque precisasse descansar, mas para abençoar toda a criação. É preciso “lembrar-se do dia de sábado para o santificar” (Ex: 20: 8-11). Nesse dia devem descansar todos na casa, a terra e os animais. Esse modo estabelecido por Deus deve ser honrado, porque Ele o instituiu. Israel deveria guardar não somente um sábado por semana, mas também o ano sabático e o jubileu; para descanso dos animais, da terra e dos homens. Todos deveriam descansar, ou seja, tomar alento em Deus (Ex: 23.12). Como fôra

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indicado por Jesus, o sábado foi feito por causa do homem e não o homem para o sábado, para indicar a relação entre o homem e o mundo, ficando protegida a terra do abuso e proporcionando alento ao homem. O descanso sabático veterotestamentário dava-se com vistas de trabalho em seis dias para um descanso futuro, no sétimo dia. Na nova aliança, regozija-se no primeiro dia, descansando em Deus pelo cumprimento redentivo da ressurreição de Cristo, e alegremente se trabalha os seis dias seguintes, confiando no sucesso da vitória em Cristo. Por mais que se tente, nenhum dispensacionalista ou antinominiano pode negar a ordenança do dia do descanso surgida na criação. Segundamente, Deus instituiu o casamento. No ato criativo, Ele assinalou: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn: 2.18). Então criou uma auxiliar que fosse apropriadamente correspondente a ele, e fez uma auxiliadora; Deus não fez uma serva ou empregada, fez alguém que auxiliasse; a derivação do termo em hebraico expressa a idéia de “igualdade de pessoa”, “em frente de”, “face a face”. Por o homem ter sido criado como o único ser a trazer a imagem de Deus, em conseqüência, sua correspondente, a mulher, também a traz em igualdade e pessoalidade. O próprio Jesus afirma: “o Criador desde o princípio os fez homem e mulher... por esta cousa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Mt: 19.4 e 5; Mc: 10.6-8; Ef: 5.31). O Criador os uniu, homem e mulher, não para tornar um apenas no ato marital, mas em todo o tempo, honrando-se, respeitando-se e amando-se mutuamente, tornando-se os dois como um só. Implica uma necessidade de doar-se voluntariamente para o bem comum e a glória de Deus. Em momento algum há na Bíblia, com exceção de Adão e Eva, uma predestinação para o casamento; não há duas metades da mesma laranja ou eleição para o matrimônio. É necessário que

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ambos, entrelaçados em matrimônio, busquem continuamente a santidade, o amor, a benignidade e a reciprocidade mútua no SENHOR, para o bom convívio na relação conjugal. Aos que pensam contrariamente e buscam exemplos em Isaque e Rebeca, Sansão e Dalila, Davi e Bateseba, José e Maria, a Bíblia é enfática: a salvação é individual, não conclamando em pares homogêneos. A mulher auxilia o homem para proporcionar o alvoconsumação da criação. Ela não é uma mera reprodutora, ambos têm a tarefa de subjugar a terra e formar uma cultura que glorifique a Deus. O encher a terra é ordem a ser cumprida até os dias atuais e os cristãos devem desempenhar isso. Contudo, precisa-se atentar para dois pontos: Deus não mandou que todos se casem, e sim instituiu o casamento entre homem e mulher; segundo, o mandato foi para crescer, multiplicar e povoar a terra, não superpopulá-la – seria complicado se todos os casais quisessem ter tantos filhos quantos teve Jacó. Partindo-se da população atual, em pares, por cinco gerações, no período de cem anos, desconsideradas as guerras, litígios, acidentes, doenças e fome, o número de habitantes na terra saltaria dos seis bilhões atuais, para mais de vinte trilhões de habitantes, o que tornaria impossível sustentar a vida na terra. O homem não deveria apenas se multiplicar, mas também cuidar da terra. Homem e mulher são interdependentes, fundem-se como parte do projeto divino. O homem é o cabeça da mulher, e esta o auxilia, devendo ser amada como a si mesmo e mais, como Cristo amou a igreja. “No Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido de mulher, e tudo vem de Deus.” (1 Co: 11.11 e 12). A família tem uma profunda significação no propósito redentor divino, porque Deus realiza Seus atos não contra o que criou, mas pela Sua criação. Não se pode ignorar a ordenança do casamento, nem enxertá-la com aberrações. Deus fez uma só mulher para Adão, enfatizando a integralidade de ambos, e

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exclusividade da união no relacionamento conjugal. Desde o início está posto que os dois formarão uma só carne, não são os três ou os quatro, são os dois. E esses, após “cortar uma aliança”, ou “pactuar um casamento” só ficam livres do que pactuarem por dois motivos: o primeiro é a morte, e o segundo, o adultério. Brigas, discordâncias, arrependimentos não são motivos para a separação e conseqüente divórcio; tão somente a morte e o adultério podem romper o pacto aliançado. Destarte, uma família precisa ser produzida a partir de um casal, homem e mulher. O homossexualismo contradiz a ordem da criação. Todas as vias periféricas são inaceitáveis, uma vez que ao homem foi apresentado O Caminho. O homossexualismo, como originário ou resultante do abandono judicial de Deus, é inaceitável. De acordo com o apóstolo Paulo:
Por causa disto, os entregou Deus a paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, homens com homens, cometendo atos indecentes e recebendo em si mesmos a merecida punição de seus erros (Rm: 1.26 e 27 – grifo do autor).

Em terceiro lugar, o trabalho. Há uma ligação entre o descanso sabático e os seis dias que o precedem na velha aliança, e, o sucedem na nova; neles está presente o trabalho. O trabalho deve ser constante com certos descansos, e ao sétimo dia, o descanso de um dia inteiro. De acordo com John Murray, em sua obra “Princípios de Conduta”, a causa de muitos males físicos e econômicos procede da falta de observância do dia semanal de descanso. O trabalho é visto em ambos os Testamentos como forma de propiciar os víveres humanos. Desde o Édem, o homem já trabalhava. O trabalho não deve ser desmedido ou exagerado,

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tampouco desconsiderado ou desleixado, todo trabalho deve visar à glória de Deus. A relação de seis dias trabalhados com um de adoração deixa bem claro isso. Todo cristão com condições físicosensoriais para isso deve fazê-lo, para que possa acudir ao necessitado, sustentar a si e a sua família e dizimar – para que haja mantimento na casa de Deus. O próprio Deus trabalhou, e ainda trabalha, então o homem, feito à Sua imagem e semelhança, não pode se eximir de tal ordenado. Como está escrito: “se alguém não quer trabalhar, também não coma... porém, determinamos e ordenamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts: 3.10-12). É preciso que os cristãos de hoje voltem os olhos para a igreja primitiva, herdeira dos privilégios conhecidos por Israel outrora. Não eram uma seita, nem parte de Israel, eram o Novo Israel. Essa comunidade se fez missionária e proclamou o evangelho, segundo a grande comissão. Os cristãos da atualidade são fruto desse trabalho missionário. É preciso se preocupar menos com titulações e posições elevadas, e ocupar-se mais com a adoração ao Criador e o conseqüente convívio mútuo dos cristãos no projeto divino expresso pela obra redentora. Presbíteros, evangelistas, anciãos, diáconos, bispos não eram autoridades maiores ou menores, não eram mais ou menos importantes, e não devem sê-lo na atual conjuntura. Jesus instituiu o amor pelos pecadores e mandou que lhes fossem anunciadas as Boas Novas – não que se brigasse por cargos e prestígios. Uma igreja unida, seguidora dos padrões de adoração estabelecido por Deus, terá o usufruto conjunto de maior comunhão coletiva como conseqüência do amor por Deus. O culto de louvor ao Soberano, adoração e ensino/pregação conduzem a uma vida exortada, de acordo com a Palavra, em regozijo e testemunho pelos feitos do Santo Deus. Desse modo, a simbologia da ceia não será apenas um rito tradicional, mas o rememorar o

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ato especial da libertação ocorrida na Páscoa, não mais a libertação da escravidão do Egito, mas a libertação do pecado e da morte. Não há a transubstanciação do pão em corpo de Cristo, nem do vinho em sangue, antes, a lembrança torna unidos os fiéis pelo rememorar o sacrifício outorgado até o dia da segunda vinda. Jesus disse que o batismo tinha que ser com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A forma como ele se dá, por imersão, aspersão ou efusão, não foi especificada por Jesus, embora os três casos estejam presentes nas Escrituras. Os cristãos não foram os primeiros a batizar. Essa prática já existia entre os judeus, que batizavam os convertidos gentios; os essênios também praticavam o batismo com água como símbolo de purificação; João Batista também o fazia. Os cristãos, contudo, batizavam seguindo o próprio exemplo de Jesus. Todo cristão, como membro do corpo de Cristo, deve buscar o batismo, por este ser uma ordenança do próprio Jesus. Isso não implica que os não batizados deixarão de ser salvos: o ladrão da cruz não foi batizado e Jesus afirmou que aquele estaria com Ele no paraíso. O batismo é o sinal da aliança entre o homem e Deus, a forma de se confessar publicamente a fé no Salvador. Isso não quer dizer que todo batizado é um cristão, já que o regenerar vem da parte de Deus, mas que todo cristão regenerado, como conseqüência do ato justificativo divino, deve demonstrar publicamente a aliança firmada em sua vida, sendo o sinal do batismo uma das formas de expressão. O Cristão verdadeiro se diferencia do pseudo-cristão. A diferença não está na forma geral de agir, mas nas especificidades. Andando pelos campos de plantações, logo após as primeiras chuvas, é perfeitamente possível ver joios mais tenros que trigos e mais aprazíveis aos olhos, contudo, apenas com o passar do tempo, próximo à colheita é que se os diferencia de forma atuante. Também no mundo, muitos pseudo-cristãos estão inchando as

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igrejas, se fazendo passar por cristãos verdadeiros, mas somente nos períodos de tribulações se consegue distingui-los. A aparência do cristão verdadeiro o firma na rocha que é Cristo, podem sobrevir as chuvas, enchentes e vendavais de adversidades, e não será abalado. O indivíduo que vive em Cristo tem fé nAquele que o salvou. A transparência em sua personalidade denota a regeneração outorgada e o firme fundamento. Jesus disse: “Todo aquele, pois, que ouve essas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem prudente ...” (Mt: 7.24). As palavras às quais Jesus está se referindo são as que Ele estava expondo no Sermão do Monte, princípios de vida em um cristianismo essencial. Ser comparado a um homem prudente por praticar os preceitos de Jesus não significa justificação pelas obras, porque no contexto em que a comparação é expressa há um fulgurar divino e condutas humanas aprazíveis, principalmente no início do contexto, com as bem-aventuranças; também não significa que é necessário ser perfeito para entrar no reino que Jesus estava anunciando, não quer dizer que por não cumprir tudo o que Jesus falou, se vá ficar relegado ao abandono; antes, significa o que Tiago escreveu em sua Epístola, “... a fé sem obras é morta” (Tg: 2.26), isso mesmo, uma pessoa que crê em Jesus age demonstrando com isso sua fé. O agir não se dá para uma pretensa justificação, nem mesmo por, como afirmam alguns teólogos, uma compensação. Ela se dá como reflexo do amor de Deus, é o fluir do bom perfume de Cristo exalado, destilando graça como luz que brilha e sal que dá sabor. Os pseudo-cristãos exclamam, Senhor, Senhor! Sim, Cristo o é, até as pedras sabem disso, contudo, aqueles que não têm seus alicerces firmados em Cristo, não prevalecerão no dia do juízo. A diferença entre os pseudo-cristãos ou cristãos nominais e os cristãos verdadeiros é que estes buscam pôr em prática os ensinos de Cristos em sua inteireza. Não são perfeitos, nem

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imaculados, mas almejam refletir, com maior propriedade possível, a santidade de Deus. No dia do encontro com a morte todas as máscaras cairão. A morte é uma realidade presente na trajetória de todo ser vivo terreno, todos irão se deparar com ela – exceto no dia de Cristo. Alguns, ao vê-la se aproximar, lutam, debatem-se e tentam a todo custo esquivar-se dela. Assim são os cristãos nominais, assolados pelo receio e medo de enfrentar o fim. A morte causa expectativa e até certo anseio aos homens, isso não quer dizer que não sejam salvos. É notada em toda a história humana a expectativa causada pelo desconhecido, e como a morte visita com freqüência, sem que haja nenhum retorno para aclarar as idéias, muitos não se sentem à vontade com a realidade ou por uma longa visitação da morte tornando pesaroso o moribundo. Quanto a isso, a Bíblia está repleta de exemplos de como viveram os homens santos, cristãos verdadeiros, autênticos, que se encontraram com a morte e descansaram em Cristo. Paulo afirma em sua carta aos Romanos: “Porque eu estou bem certo de que nem [a] morte... poderá nos separar do amor de Deus que está em Jesus Cristo”. A morte foi vencida “Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Co: 15.55). No Juízo final, a morte não triunfará, como está escrito: “... A morte e o além entregaram os seus mortos que neles havia (...) Então a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo e enxofre” (Ap: 20.13 e 14). Não se deve temer a quem já foi vencida, e sim, lutar até o fim da batalha contra as coisas que desagradam a Deus, buscando fazer a vontade de Deus pela fé nAquele que nos amou primeiro.

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Segundo o Coração de Deus
Nos capítulos que se seguiram, muito se abordou e demonstrou o encontro da vontade dos homens com a vontade de Deus. Qualquer um que ouse escrever sobre tal tema corre o risco de não expor todas as verdades bíblicas acerca do assunto, pior ainda, pode manifestar ensinamentos que não estão contidos na Palavra de Deus. Verdades extrabíblicas não passam de heresias camufladas por tentativas conflituosas e concupiscências de paralelos sem precedentes na vida com Deus. Um homem feito à imagem e semelhança de Deus precisa andar em novidade de vida, ser fiel aos desígnios de Deus, com a plenitude da salvação em sua vida. Ao agir com fidelidade, o homem não se prende ao Todo-Poderoso, pelo contrário, é liberto por Ele para gozá-Lo e, por conseguinte, usufruir a plenitude da criação, e, então, se pôr nos braços do Pai, o perfeito regenerador, Santo em justiça e misericordioso justificador, que pela abundante graça salva e glorificará no último dia. Não existem muitos trilhos, embora existam muitas pradarias aconchegantemente convidativas para uma vida sem propósitos. O mundo oferece muitas possibilidades passageiras que entretecem os corações momentaneamente, mas não suprem os anseios, nem suprem as necessidades. O caminho espaçoso que conduz para a perdição está constantemente cheio de pessoas decepcionadas com a vida, agindo sem propósito, morrendo sem firmar compromisso com Deus. O pecado está presente no homem desde a queda e o arrasta a conflitos com seus semelhantes. Todas as experiências humanas estão embasadas em relacionamentos com Deus, com Sua criação, com os semelhantes ou a associação destes. O pecado interfere nessas relações e só não as destrói pela graça comum de

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Deus que cuida dos mais latos conselhos divinos da terra. Para muitos, Abraão foi um pai mítico, uma espécie de caricatura a ser copiada; mas não é isso que a Bíblia afirma. Já nos primeiros capítulos do livro de Gênesis, Deus chama a Abraão, o manda a uma terra distante e anuncia ser numerosa a sua descendência. Esse pacto foi renovado com Isaque e Jacó, a quem Deus chamou Israel, e seus filhos levaram consigo o nome do pai para lembrar o pacto. Passaram-se mil anos, exílios, guerras, acordos ilícitos. A nação eleita para ser bênção mais parecia maldição às nações a quem chamavam de impuras, Israel construiu muralhas e fechouse em si mesma. Mas os profetas sabiam através da palavra do próprio Deus que quando o Salvador Ungido viesse, os peregrinos afluiriam de todos os lugares a fim de entrarem no reino de Deus. A mensagem de Cristo não apenas oferta, também implica a exigência de submissão a Ele. O convite para segui-Lo também concomita com a exigência de submeter-se a Ele, renunciando o mundo e suas concupiscências. Há uma ligação direta entre o buscar a Deus e o submeter-se à vontade de Cristo, porque para tal é preciso renunciar o pecado, o ego e a própria existência física, para doar-se espontaneamente ao Salvador. É mister abrir mente e coração às mudanças a serem executadas. Muitos homens e mulheres, ao longo dos séculos, têm estudado sobre Jesus, admirando-se de Seus atos, admitem ser Ele o Filho de Deus, mas isso não é o suficiente para ser um cristão. A convicção intelectual é algo valoroso, contudo, a decisão moral é indispensável. É preciso escolher ser de Cristo ou ser contra Ele, não há neutralidade. O conhecimento intelectual precisa fazer-se atuante a ponto de ocorrer a entrega pessoal. Em Apocalipse, Ele afirma: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” (Ap: 3.20). Jesus não arromba a porta, Ele bate, espera que abram para Ele; mesmo sendo Rei, cheio de glória

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e majestade, sabendo que o mundo é dEle e tudo o que nele habita, Jesus propõe se fazer uma limpeza total na vida de quem O receber. Ele não mendiga à porta, antes, por Seu amor insondável, busca ajudar os homens, livrando-os do jugo do pecado. O caminho estreito leva à reconciliação com Deus. A justificação já foi feita, o Espírito Santo sela os escolhidos, regenerando-os para viver a paz de Deus em seus espíritos, sendo vivificados no sangue do Cordeiro. Não é uma jornada fácil, com certeza vale a pena, mas está cheia de obstáculos. Buscar andar segundo o coração de Deus não anula a pecaminosidade do homem, mas, mediante a graça divina, tira-lhe a prisão antes outorgada pelo pecado. Os anseios e desejos, a natureza caída continuará presente até a glorificação, mas “caminhar é preciso”, caminhar para usufruir na vida presente os benefícios da graça divina. O fim principal do homem é glorificar a Deus e ter prazer nEle eternamente, por isso, é possível viver sendo santificados a cada dia. Ter o hábito de orar para uma ligação maior pela concepção acertada que Deus ouve; desde outrora escolheu homens comuns e os capacitou. É mister esforçar-se por se assemelhar a Jesus, tendo fé, tolerando e perdoando os outros tal qual Cristo fez. Andar em amor é esforçar-se por evitar o pecado, resistir ao Diabo, inclinar-se para Deus, fazendo Sua vontade. Agindo assim, procurando moldar o curso de suas vidas pelas qualidades de Cristo, o homem vai tomando conhecimento da mente de Deus, conforme está na Bíblia, concorda com o que Deus aceita e abomina o que Deus rejeita. A santidade é um processo longo que somente alcançará sua plenitude na vida futura. Ao praticar os ensinos de Cristo, vivendo segundo Sua vontade, muitos erros, muitos pecados, muita decepção deixa de ser sofrida. O autocontrole, a benignidade e tantas outras partes do fruto do Espírito são dadas para fortificar

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o espírito, a fim de que a vontade da carne não prevaleça, como afirma o apóstolo Paulo: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo ser desqualificado” (1 Co: 9.27). A vontade da carne vai continuar existindo, mas é preciso lembrar que “aquele que diz permanecer nele, esse deve também andar como Ele andou” (1 Jo: 2.6) Ao buscar a pureza de coração e o temor a Deus, seguese humildemente o alvo de viver a realidade da vida futura, buscando as coisas que façam aproximar-se de Deus, como alguém que vive nesse mundo com a certeza de ter bens entesourados no céu, a verdadeira pátria. A partir de então, ter envolto nas relações e deveres o propósito de agir com fidelidade e, à semelhança de Daniel, proceder corretamente a ponto de não dar margem para que se fale mal, cumprindo sempre as ordenanças de Deus. O empenhar-se nesses preceitos, ainda que inalcançáveis por completo na vida presente, é uma atitude santa, algo que pode ser reconhecido, percebido e sentido por outras pessoas, como um bom perfume de Cristo que exala um aroma de graça e amor, independentemente da vontade de quem o esteja exalando. A santificação propicia uma vontade próxima à vontade de Deus, ainda assim, o homem pecador, em seu corpo imperfeito, terá máculas e defeitos, por vezes até vencido; a Bíblia está cheia de relatos de histórias de homens que antes de chegar ao fim da jornada, caíram prostrados, cometeram erros, mas, pelas misericórdias de Deus, se levantaram. Por mais que haja tropeços ou escorregões, é necessário seguir os ensinos de Deus. A graça não é menor por estar sobre um neófito, nem maior por estar sobre um reverendo; não se pode esquecer as manifestações e debilidades de um pecador arrependido, a perfeição deve ser construída sem esquecer-se a florescência das obras primeiras, nas palavras do profeta Zacarias: “o dia dos humildes começos” (Zc: 4.10). A imperfeição mancha o relacionamento entre o pecador e o Santo, nem por isso Este ama menos aquele.

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Não há como retribuir esse grande amor, só restando ao homem cumprir a finalidade do propósito de Cristo, a vida abundante, usufruída em santidade reconciliadora. Não se pode dizer serem os homens salvos da culpa do pecado, sem que, ao mesmo tempo, sejam salvos do domínio do pecado. Servir de forma santa é a única prova que se pode dar de que se ama sinceramente a Jesus, uma segura evidência da adoção de filhos, agindo conseqüentemente uma vida de amor ao próximo, negando a si mesmo os prazeres do pecado e os caminhos da vida maculada. Ao compreender a pecaminosidade e o caráter enganador do pecado há uma luta entre a carne e o espírito: o pensar e o agir imperfeito denotam um estado de imperfeição, sendo necessária para a profundidade, a confiança e o esforço para realizar a vontade de Deus. Talvez a mais difícil e prazerosa tarefa humana seja buscar a vontade de Deus para suas vidas. O fato de ter uma nova vida é algo reconfortante, pleno na salvação dada por Jesus. Só que Ele não disse que seria fácil segui-Lo ou que não haveria problemas. Ele afirmou: “No mundo tereis aflições, tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Essas foram Suas palavras e fazem lembrar o amor mútuo no seio da família de Deus. Jesus demonstra que a esperança está verdadeiramente fundamentada em Deus. Mesmo com as perturbações aflitivas vindas do exterior ou mesmo pelas fraquezas e pecados, pela transformação em Cristo há o encorajamento de paz e segurança na mensagem por Ele transmitida. Jesus não apenas previu Sua morte, mas enfatizou a conquista da vitória produzida por Sua expiação em favor dos homens. Ele sabia da alegria que podia transbordar nos discípulos quando de Sua ressurreição em glória para a justificação dos Seus seguidores. O Novo Testamento está cheio de histórias de homens que buscaram a vontade de Deus para suas vidas, não apenas nele, mas no Velho Testamento há relatos de homens cheios de defeitos que buscaram cumprir os desígnios de Deus, embora

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caíssem em pecado, Deus os levantava e sustentava com Sua mão. O que prova não ser o homem uma marionete nas mãos de Deus; mesmo os mais próximos a Ele tiveram seus momentos de afundamento em meio a adversidades. Abraão, o pai da fé, inseguro, mentiu, dizendo que Sara era tão somente sua irmã; Jacó enganou o irmão, mais tarde, lutou com Deus uma noite inteira, tendo seu nome mudado para Israel e seus filhos, para filhos do conflito; Moisés cometeu assassinato; Jeremias lamentava tanto, a ponto de ser considerado o profeta chorão; Davi, o homem segundo o coração de Deus, adulterou; Salomão, a quem Deus deu muita sabedoria, maltratou Israel, permitiu a construção de postes ídolos e teve a vida envolta em luxúrias; Jonas deveria ir para Nínive, desobediente, foi para Tarsis. Esses foram os homens que Deus escolheu, como eles outros tantos têm sido chamados para toda boa obra, proclamação das novas de alegria e viver plenamente com Deus. O que esses homens têm em comum é o anseio por estar com Deus e o arrependimento dos erros. Embora este seja um pequeno planeta, ao redor de uma estrela amarela, o Deus infinito ama os seres que nele habitam. A perplexidade contida nos escritos davídicos e salomônicos expressa o amor e aprovação divinos para com Seus filhos. Homens e mulheres, primeiro de Israel, depois de todas as nações, encontraram refrigério no Deus pleno. Não bastou a Deus manifestar-Se como o “Eu sou o que Sou”, Ele pleno em Si, quis mostrar-Se voluntariamente aos homens e manifestarlhes o que quer de suas vidas. A liberdade dada pelo Criador é indescritível, porque Ele não apenas escolhe e capacita, mas também age fielmente, sendo cheio de graça e misericórdia. O vermezinho de Jacó pode esperar aliviado pelo socorro dAquele que sempre esteve a seu lado. Israel não é uma mera nação, um simples povo, pode-se dizer que foi nele onde mais presentemente se viu manifestação

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de Deus para com os homens. A história israelita não apenas conclama um Deus poderoso revelado, mas também usufrui uma vida cheia de conflitos e reconciliações na busca pela vontade de Deus. Essa relação de homens santos com o SENHOR traz à tona a idéia da necessária solução manifesta por Deus paradoxal e imprevisível, como dizer a Abraão que sua descendência seria numerosa como os grãos da areia e permanecer Sara estéril, ou ainda, preferir não restaurar toda a terra de uma vez, mas escolher um só povo para testemunhar e preparar o mundo para a vinda do Messias Salvador. Os conflitos são grandes, Deus, às vezes, deixa os homens ganharem as discussões, como nos casos de Abraão, Moisés e Jacó; é uma constância só compreendida tendo por centro o propósito divino de redenção. Nesse ponto, Israel viveu uma experiência inigualável com Deus. A confiança depositada no Redentor não aumenta nem diminui a salvação, mas pode propiciar nesse mundo o desfrute, gozo, satisfação pelo privilégio de servir a Cristo, sendo considerada a salvação um assunto resolvido e a atenção voltada para o servir. Mesmo nas dificuldades é possível sentir a presença de Deus. Sua glória inundando o ser sensitivo no tocar do Senhor, a visão do poder de Deus na esperança contempla o pacto eterno selado com o sangue do Cristo. O estado da alma é sondado, não por uma falta de salvação, tantas vezes a fé absorvida em conflitos íntimos não permite um propiciar o pleno gozo da presença de Deus, livre de distrações, tormentas ou obscuridade. Os cristãos que têm a segurança da salvação, têm maior capacidade para um louvor sincero a Deus; sentem-se libertos do pecado, na certeza de sua adoção para filhos, têm paz de espírito, podendo dormir tranqüilos mesmo nas adversidades; e quando enfrentam a morte, têm a plena tranqüilidade de um consolo na sepultura, na certeza do que usufruirão na eternidade. Não é uma questão de ser superespirituais, semideuses ou coisa assim, é o exercício da vida cristã, no princípio da fiabilidade de Cristo.

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Não há santidade sem luta. É preciso lutar contra a própria carne, combater o mundo e resistir ao Diabo. Deus não chama para ver Seus filhos ociosos, inseguros quanto o que deve ser feito. Ele fala em Sua Santa Escritura de uma luta constante entre as coisas santas de Deus e as coisas más. Entre o bem e o mal, as coisas espirituais e as concupiscências. Muitas vezes, a esse combate não tem sido dada a devida atenção, crentes lutam contra crentes, acreditando a santificação estar na diversidade de idéias e pensamentos, muitos tentam até permanecer neutros, esquecendo-se da militância dada por absoluta necessidade: “Porque a carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne”; “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo”; “e não vos conformeis com este século”; “vigiai e orai”. São palavras fortes que invariavelmente acompanham a genuína santidade cristã. Há toda uma disputa entre as coisas espirituais e a natureza humana. As ofertas mundanas, os ataques de Satanás e os desejos carnais conflitam constantemente com a natureza daqueles que são nascidos de novo. Essa luta não pode abalar quem busca andar no caminho das alturas, pelo contrário, são vistas duas características antagônicas sinalizando a obra interna da santificação: uma guerra interna constante, pontuada pelo embate do novo homem com o velho homem; e a paz interior, esperançosa no consolo que vem do alto, pela fé na pessoa de Jesus Cristo e Sua contínua proteção. Nesse combate, todos os cristãos somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou. Jesus venceu a morte, o Santo Espírito guia e conduz rumo à vitória. Deus pôs em prática Seu plano de salvação e mesmo que haja lutas tremendas, por conflitos e embates, não há como ser derrotado, ao final, todos os crentes que lutaram em nome de Jesus receberão a célebre recompensa, a coroa da glória. Ao ser cumprida a luta e recebida

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a vitória, no último dia, Jesus poderá afirmar novamente, como fez no passado: “Não perdi nenhum dos que me deste”. Então, será o fim, não mais haverá lutas, virá o galardão, não mais a campanha; então a coroa, não mais a cruz. Porque nos dias atuais muitos cristãos vêem apenas em parte, esquecendo-se da bemaventurança de servir como um bom soldado de Cristo. Mesmo sendo alcançado pela morte pode-se crer na vida, porque não há necessidade de se temer a morte. A busca contínua por servir a Deus culminará na perfeição dos escolhidos. Todos os remidos à imagem e semelhança de Deus, redimidos pelo sangue do Cordeiro, manifestos numa existência sem mácula, não apenas herdeiros de Deus, mas co-herdeiros com Cristo, após serem revestidos de um corpo glorificado incorruptível verão a santificação ser completada. A igreja invisível louvará o Autor e Consumador da fé. Até o mais aperfeiçoado santo é um pecador miserável ante a grandeza do supremo Deus. As misericórdias, graças e plenitude somente podem ser usufruídas na presença de Jesus. A graça comum continua a agir no mundo para que o pecado não prevaleça e destrua a terra. A percepção da humanidade pecaminosa pelo arrependimento sincero une o homem com Deus, pelo beneplácito divino, não há motivo para desespero, o sangue vertido de Cristo propicia vida eterna, purifica do pecado, acolhe e perdoa o pecador arrependido, implantando renovações e santificações nos corações de Seu povo. A segurança na vida eterna, a confiança de usufruí-la no presente e no futuro não é um privilégio desfrutado apenas pelos apóstolos. Todos os cristãos podem buscar essa vida em Deus, pois ela já foi concedida onde superabundou a graça. Isso não torna os cristãos presunçosos, pelo contrário, a mesma certeza que manifestou-se em Jó, Davi, Isaías, Paulo e tantos outros, pode se manifestar na igreja. A humildade vivida pelos homens citados

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não lhes tirou a certeza de uma vida íntima e completa em Deus. Na mesma medida, ao ancorar-se no Mediador do novo pacto, que é Jesus Cristo, e apoiar-se nas doutrinas contidas nas Escrituras, é exatamente a segurança de uma fé plenamente desenvolvida. Uma fé confiante, pela certeza da salvação não é orgulho, é devoção. Não se trata de presunção humana, é promessa de Deus. O Deus imutável, capaz de operar através de agentes humanos a ponto de arrepender-Se, ou seja, retirar a ameaça, no caso de Nínive, e cuidar da família de Ló, é o mesmo Criador de todas as coisas, cheio de poder em Si, presente em todo lugar e sabedor de todas as coisas. Ao andar no caminho das alturas devese honrá-Lo, tributá-Lo, comungar e comunicar-se com o glorioso Soberano. O buscar a Deus deve ser feito para pedir e suplicar, assim também a adoração, honra, louvor e enaltecimento devem ser uma constante na vida de quem busca andar em Sua presença. A oração é a forma sensata de reconhecer a dependência a Ele, preparar o coração e a mente no rememorar as maravilhas por Ele produzidas, é o exercício da fé consciente nAquele que Se importou e amou primeiro, cheio de graça e misericórdia. Os próprios ensinos de Jesus testificam a veracidade do conteúdo explícito no porquê de Sua vinda. No evangelho de João está escrito: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo: 3.16). A mensagem contida em João: 3.16 é clara, o propósito da vinda de Jesus ao mundo é propiciar vida eterna, como conseguinte, Jesus veio para salvar e redimir. Em João: 10.10b, Ele afirma “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. A vida eterna é um presente. Quanto a isso, qualquer cristão poderia ratificar, testificando veracidade. O problema está na visão escatológica que se tem colocado nessa vida. É como se Jesus tivesse pago o

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preço em caráter de consórcio, mesmo o homem sendo contemplado, ainda necessitasse de complemento para a transferência de domínio. O projetar futurístico, escatológico da vida eterna traz ao coração humano a sensação de um alívio posterior, uma liberdade póstuma, o que é totalmente antibíblico. Talvez o fato de a esperança messiânica do judaísmo posterior pós-exílio, ter-se juntado com a idealística talmúdica do reino divino na terra, com um forte Salvador julgando nações, transparecendo poder e majestade, tenha influenciado diretamente a idéia construída de uma plenitude ser possível apenas no reino do Messias, o que para os cristãos soaria como a segunda vinda de Cristo de uma forma turva e postergada. A vida eterna é também futura, contudo, mesmo com a existência do presente século, é possível viver a vida eterna no tempo presente porque o novo homem se faz atuante e a ação decisiva do plano salvífico divino já foi consumada dois mil anos atrás. A mesma vida eterna oferecida a Adão e Eva no paraíso é dada ao homem através de Jesus Cristo. Não mais há separação. É claro que se aguarda os novos céus e a nova terra, assim como o dia em que todos ressuscitarão. A plenitude da vida cristã não pode ser relegada a um futurismo, que, de tão distante, soa quase cicioso; o povo de Deus já experimenta a voz de Deus no presente. É incoerente dizer que o plano divino reconciliou o homem com Deus, mas que essa reconciliação só se dará na eternidade, ou seja, no futuro, após a morte. Não se trata de uma tentativa de avivamento, saída do cerne humano para acordar um povo que dormita, nem mesmo uma tentativa da construção de uma teologia centralizada no homem, para um despertar coletivo, pela alegria da possibilidade de um realizar presente das promessas futuras. Fraudando a Bíblia, o mais que um teólogo conseguiria é o comodismo de uma doutrina adaptada ao encaixe de suas idéias. A vida eterna é real. Quando se diz ser ela iniciada no presente, está se tratando de uma busca em andar com Deus, uma

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“vida no Espírito”, tendo Deus por guia, através do Espírito Santo, que age no meio dos remidos. A vida em Cristo, ou vida cristã, precisa ser atuante para a proclamação da mensagem celeste. Isso implica usufruir com Cristo uma vida dentro de Sua vontade – não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim. Ao participar no presente da vida com Cristo tem-se o gozo de um andar com Deus e a esperança da plenitude futura de algo já iniciado. A vida eterna é um dom de Deus a todos os que crêem em Jesus, uma possessão presente e uma esperança futura. A justificação e a adoção como filhos de Deus apontam essa vida eterna como presente e futura, porque se acabasse com a morte não seria eterna e se fosse apenas futura seu valor escatológico em muito afastaria os cristãos de uma vida de santidade presente. A comunhão experimentada com Deus em Sua maravilhosa graça outorga confiança e serviço em oração e louvor, porque a vida eterna difere da vida meramente física, não somente na duração, mas também na qualidade. A fé vívida transforma todo o que crê. No tempo presente ela é apenas o princípio de tudo que ocorrerá na eternidade. Crucificado com Cristo, o velho homem morreu para dar lugar a um novo, não deve mais viver como se fosse um homem natural; o seu modo de pensar modificado e a vitalidade em Deus garantiram a ressurreição futura e uma realidade presente totalmente nova a ser vivenciada no domínio do Espírito. Todos esses fatos indicam uma novidade de vida e impelem na tarefa da proclamação do reino. A vida eterna, expressa em obras pela prática do relacionar-se com o Salvador, proporciona ao mundo a possibilidade de ouvir acerca de um Alguém especial que escolheu dar a vida abundante no presente, acentuando a esperança segura de que a salvação final já começou. Deus fez a coisa certa, no tempo certo, propiciou regresso aos que haviam partido de Sua presença e religou os homens a Si. Mas Ele não age sozinho, fez questão de permitir ao homem

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caminhar a Seu encontro, como conseqüência de Seu amor primeiro. Não se trata de erística, causa primeira ou essênciamatéria. É amor: puro, sublime e espontâneo. A decisão tomada em como viver a vida no presente afetará todas as áreas do ser humano, e cada um prestará contas de si quando do encontro com o Criador. A vontade humana precisa ser atuante, enquanto volição ativa, com efeitos concretos. Deus já fez a Sua parte. A Bíblia dá evidências de sua historicidade e inspiração divina. Tantas informações escritas ao longo de séculos, com autores que não tiveram contato com grande partes dos outros que também a escreveram: a inerrância e continuidade só poderia ocorrer por inspiração divina. O próprio Deus declara ser de Sua autoria as Santas Escrituras. Não adianta esconder-se diante da falsa controvérsia da Bíblia, e crer que Jesus, no grande julgamento utilizará o ditado latim: em caso de dúvida beneficie o réu. Não. Ele já utilizou a expressão: está consumado, por esses crimes ninguém mais pode ser condenado. E naquele dia, a todos que nEle creram dirá: vinde, benditos de meu Pai. Mas a todos que não o receberam ou se esconderam diante do pretenso benefício da dúvida, dirá, como está escrito: apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno. Ainda há tempo. Ao Cordeiro, o Espírito e a noiva dizem: vem. E eis que Jesus está à porta proporcionando uma vida plena no Caminho reconciliador entre os pecadores e Deus. A morte de Jesus Cristo na cruz rompeu o impedimento causado pelo pecado. De todas as decisões que o homem tem que fazer na vida, a de aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador é a mais importante. Não basta crer é preciso seguir Jesus. A salvação adquirida em Cristo é para sempre: justificação, santificação e glorificação representam mais que passado, presente e futuro, são a certeza de que uma vez salvo, salvo para sempre. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu

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as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão” (Jo: 10.27 e 28 a). O homem salvo continua pecando, mas não está mais sob o jugo do pecado. Jesus deu a vida eterna e não a toma de volta. A vida eterna não é um presente condicional, uma vez dada ela é para sempre. Não é uma mera questão de legalismo. A vivacidade do Deus Trino continua nos dias atuais, como foi no passado e como sempre será. A salvação não é um ato isolado no passado, ela é um presente contínuo em Deus pelas obras do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Espírito selou os Seus e de semelhante modo “nos assiste em nossa fraqueza”, sendo “o penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade”. O habitar do Espírito em cada um dos filhos de Deus garante que eles são propriedade divina, o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis, por isso, o cristão jamais se perderá novamente. A obra consumada na cruz propicia defesa aos homens diante do Juiz do universo, Jesus advoga pelos Seus amados, ainda no tempo presente, como fez no passado. O agir do Espírito concomita com a ação presente do Cristo em favor dos filhos de Deus e nada pode ser maior que Seu agir. O preço já foi pago; a suficiência de Cristo sobressai acima de qualquer motivo acusador. “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem ressuscitou. O qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm: 8.33 e 34). Nada nem ninguém pode separar Deus dos homens, nem os homens de Deus. A aliança foi selada por Deus, no agir do Santo Espírito flui a vida conquistada no Calvário. As adversidades podem vir com ímpeto, e as forças do mal, e em tudo isso, somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. A confiança plena em Deus assegura o contínuo restaurar de Sua imagem nos homens. Mesmo nas lutas ou falta

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de fé, nas dores ou pesar, a salvação continua sendo dádiva divina. Uma vez ocorrido o reencontro com o Criador, permanecerá eternamente. Após ter sido restaurado, o homem é capacitado para utilizar os dons e talentos dados a ele, pelo modo de agir, desígnios e habilidades, tendo renovada a imagem e semelhança de Deus. Essa restauração produzida pelo nascer de novo, renova a imagem de Deus já existente no homem, envolvendo-o, pelo agir do Espírito Santo, para uma progressiva libertação da corrupção do pecado, capacitando o homem a viver para o louvor de Deus. A imagem refletida, dantes pervertida, pelo agir e instrução do Espírito Santo, capacita a viver numa santificação progressiva; em amor a Deus, à natureza e ao próximo. O homem pode novamente adorar com todo o seu ser, tendo suas relações norteadas pelo princípio da obediência a Deus e conseqüente bemestar da criação. Esse ato de amar a Deus com todo o coração, com toda a sua alma, com todo o entendimento e com toda a força, capacita o homem a amar o semelhante, não porque este seja considerado digno de ser amado, mas porque Deus o amou primeiro. A relação estabelecida é de compartilhamento com o próximo e cuidado com a criação divina, pelo despir-se do velho homem em um aperfeiçoamento da santidade, em Cristo, porque Ele é a imagem perfeita de Deus. E quando essa imagem de Deus for finalmente aperfeiçoada, com o refletir exato da perfeição futura, então na glória, livre de pecado ou imperfeição, será possível ver um reflexo cintilante das maravilhosas virtudes divinas em sua inteireza. Na afirmativa de Hoekema, “se terá alcançado o propósito para o qual Deus criou a humanidade”. Não mais haverá a necessidade de buscar a alguém distante, porque Deus e os homens estarão unidos outra vez, o futuro do universo e da humanidade novamente se encontrarão, e, naquele momento, o Deus que reconciliou consigo todas as coisas terá alcançado o objetivo da redenção.

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REFERÊNCIAS
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