Aplicações Terapêuticas do I Ching Praticamente não existem limitações para as aplicações do I Ching.

Uma das mais interessantes, e que os chineses vem se utilizando há milênios, é a aplicação em técnicas terapêuticas. Já conheci algumas pessoas que utilizavam o I Ching desta maneira, com excelentes resultados. O primeiro ocidental a fazer uso deste tipo de aplicação certamente foi o psicanalista C.G.Jung. Ele cita, em um de seus textos, que costumava se recostar à sombra de um árvore e ficar tirando o I Ching sobre seus pacientes. Segundo ele, os resultados eram espantosos. Este tipo de aplicação é muito antigo na China. A Medicina Tradicional Chinesa, que engloba uma série de técnicas complexas como Acupuntura, Tui-Ná, Farmacologia, Chi Kung, Dieta, Exercícios, etc., utiliza-se dos conhecimentos do I Ching desde eras imemoriais. Basicamente existem três maneiras de se utilizar o I Ching em terapias: fazer uso oracular do livro, de modo que o texto do julgamento e das possíveis linhas móveis mostrem o estado do paciente ou as possíveis técnicas de tratamento, utilizar a correspondência entre os trigramas e os elementos ou a correspondência entre as linhas do hexagrama (yao) e partes do corpo humano, de plantas, etc... I Ching e Medicina Tradicional Chinesa A primeira aplicação possível do I Ching em terapias aparece, é claro, dentro da Medicina Tradicional Chinesa, pois seus fundamentos se baseiam fortemente nos princípios do I Ching e da filosofia taoísta. Mesmo que nunca tenha aberto o I Ching, todo mundo que estuda acupuntura, por exemplo, se utiliza amplamente dos fundamentos desta obra. Para os que não estão familiarizados com a técnica, vou dar uma breve explicação. Para a Medicina Chinesa em geral, incluindo a Acupuntura, o ser humano é mantido em equilíbrio com o Universo através da circulação de Chi (energia vital) por “canais” chamados geralmente de “meridianos”. Estes canais, que possuem lugares mais sensíveis e facilmente estimuláveis denominados “pontos”, levam o Chi por todo o corpo e para os órgãos internos, cuja função energética os chineses já conheciam. Este é o princípio básico, muito resumido, do funcionamento da Medicina Chinesa: circulação de Chi pelos meridianos e sua influência nos órgãos (zang) e vísceras (fu). Um famoso médico chinês, Zhang Jiebin (1563-1640), dizia já na Dinastia Ming: “sem a compreensão das mutações (Yi), não se é merecedor do título de Médico Imperial.” Ele afirmou também: “A filosofia das mutações abrange a medicina enquanto a medicina beneficia à partir das mutações”. O principal livro de Medicina Chinesa, Hung Di Nei Jing (O Clássico Interno do Imperador Amarelo), possui muitas referências à utilização deste conhecimento. Elaborado na Dinastia Han Ocidental (206 a.C.-24 d.C.), o Nei Jing é considerado a grande referência em Acupuntura e Medicina Chinesa em geral. Muitas vezes ele mostra a relação entre o I Ching, a Astrologia dos 9 Palácios e os Cinco Movimentos (ou “Elementos”) com a Medicina Chinesa. Por exemplo o Capítulo 77 do Su Wen, subdivisão do Nei Jing, denominado Jiu Gong Ba Feng (Os Nove Palácios e os Oito Ventos), se inicia com um esquema onde se mostram as 9 casas da Astrologia dos Nove Palácios mescladas com os oito trigramas no arranjo do Céu Posterior (Hou Tien Ba Gua). As aplicações terapêuticas que se utilizam do Pa Kua sempre usam o Céu Posterior pois ele é a referência para eventos que se realizam em nosso Universo material. Esta analogia mostra a importância da sazonalidade na manutenção da saúde. Esta preocupação com os ciclos que se sucedem, como as estações do ano, com suas próprias características, é um

Gilberto Antônio Silva – escritor.taoismo. A Acupuntura utiliza constantemente os conceitos do I Ching como fundamento.org) . jornalista e taoísta (site: www. e em muitos outros casos como aplicação particular.pensamento típico do I Ching.

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