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Aos colegas e companheiros de luta da ESMA

:

Decorrendo das muitas horas de trabalho e angústia à volta do gigantesco trabalho
efectuado durante o ano lectivo anterior em relação à definição dos Descritores
para a Avaliação do Pessoal Docente, foram surgindo algumas reflexões satíricas
em momentos de descompressão, decorrendo da necessidade de desanuviar o
cansaço.

Dada a quantidade de matéria produzida e também as suas características, os
“autores” decidiram fazer a sua compilação, e consideraram interessante bem
como benéfico para a saúde mental de todos os colegas, a partilha deste pequeno
documento que decidiram apelidar de “Descritores Marginais”.

Haveria certamente ainda assunto para muito mais, mas as limitações de tempo
que a todos afectam ultimamente não permitiram um maior desenvolvimento.

É agora com prazer que vos desejamos um bom momento de hilaridade.

Os “Autores”

Descritores marginais 1
ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO DO ENSINO BÁSICO DE MATIAS AIRES

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE



DESCRITORES MARGINAIS

A. Ocupação plena do horário do professor

A1 – Empenho para a rentabilização do tempo de almoço.
O professor almoça em casa e/ou no restaurante, dedicando totalmente esse tempo ao lazer e à
Nível 1
família.
O professor almoça no restaurante com os seus colegas, tratando pontualmente de algum assunto
Nível 2
relacionado com a escola.
O professor almoça no refeitório da escola, rentabilizando esse tempo para discutir assuntos
Nível 3
relacionados com as tarefas da escola e/ou reunir com os seus pares.
O professor petisca no bar, mandando reservar previamente um croquete, uma sandes de queijo
Nível 4
fresco e uma água, aproveitando para realizar as tarefas da escola em simultâneo.
O professor não almoça, mantendo-se no seu local de trabalho e em cumprimento do seu dever
Nível 5
profissional em total abstinência.

A2 – Empenho para a rentabilização do tempo de transição entre as actividades lectivas.
O professor usa as instalações sanitárias de acordo com as suas necessidades, procedendo de
Nível 1 igual forma em relação a chamadas particulares do seu telemóvel e ao consumo de géneros
alimentícios, utilizando a sala de professores para actividades de lazer.
O professor usa as instalações sanitárias não mais do que uma vez em cada turno, procedendo de
Nível 2 igual forma em relação a chamadas particulares do seu telemóvel e ao consumo de géneros
alimentícios. Não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer.
O professor utiliza as instalações sanitárias mas rentabiliza esse tempo para terminar o consumo
Nível 3 dos géneros alimentícios adquiridos no bar. Raramente faz chamadas particulares do seu
telemóvel e não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer.
O professor utiliza as instalações sanitárias muito ocasionalmente e de forma célere, raramente
Nível 4 faz chamadas particulares do seu telemóvel, não usa a sala de professores para qualquer
actividade de lazer, consumindo pontualmente um copo de água.
O professor não desperdiça tempo na satisfação de qualquer necessidade fisiológica, não utiliza o
seu telemóvel para chamadas particulares, embora o possa disponibilizar para contactos
Nível 5
profissionais; não usa a sala de professores para qualquer actividade de lazer ou consumo de
géneros alimentícios.

Descritores marginais 2
B. Relacionamento com a comunidade

B1 – Relacionamento com os alunos
O professor esconde-se atrás dos postes, caixotes do lixo, caixas de electricidade, dentro do lago,
Nível 1
e afins de forma a evitar a todo o custo qualquer tipo de relacionamento com os alunos.
O professor circula de forma circunspecta pela escola, desmotivando qualquer aproximação por
Nível 2
parte dos alunos.
O professor responde naturalmente às abordagens informais feitas pelos alunos, mantendo uma
Nível 3
postura séria face aos assuntos tratados.
O professor demonstra uma preocupação para com os problemas pessoais dos alunos, levando-os
a interagir e confidenciar os aspectos íntimos da sua vida pessoal. Apoia-os na resolução dos seus
Nível 4
problemas, averiguando e procurando soluções junto de outros colegas, entidades e organismos
especializados nas diversas problemáticas.
O professor corre atrás dos alunos, convivendo estreitamente com eles durante os tempos de
transição entre as aulas, integrando-se perfeitamente nas suas actividades. Almoça com os alunos
Nível 5
frequentemente no refeitório e/ou nos restaurantes das proximidades da escola. Convida-os para
festas familiares e/ou frequenta com eles as discotecas nocturnas desfrutando da sua companhia.

B2 – Relacionamento com os encarregados de educação
O professor nunca está disponível para comunicar com os encarregados de educação fora do seu
Nível 1
horário de atendimento.
O professor encontra-se disponível apenas durante o seu horário de atendimento, limitando o
Nível 2 tempo destinado a cada encarregado de educação em quatro minutos e cinquenta e três s
segundos.
O professor está disponível para comunicar com os encarregados de educação fora do seu horário
Nível 3 de atendimento, em casos de comprovada urgência. Pontualmente, atende uma chamada
telefónica de um encarregado de educação no intervalo entre aulas.
O professor estabelece uma relação estreita com os encarregados de educação. Elabora um mapa
com vários percursos de forma a abranger todas as residências dos encarregados de educação da
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sua direcção de turma ao longo da semana. Cumpre o percurso estabelecido diariamente após a
saída da escola e antes de se dirigir ao seu lar.
O professor estabelece uma relação de amizade com os encarregados de educação, relacionando-
Nível 5 se com os mesmos diariamente, incluindo os fins-de-semana, e disponibilizando-se para adaptar
as suas férias às necessidades daqueles.

Descritores marginais 3
B3 – Relacionamento com o órgão de gestão, vulgo o Director.
O professor não acolhe com agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de
Nível 1 gestão. Recolhe dados através de conversas com os intervenientes e procede ao registo de
percentagens e elaboração de estatísticas utilizando a regra de três simples.
O professor acolhe pontualmente com agrado algumas bases de dados propostas pelo órgão de
Nível 2 gestão da escola, utilizando-as com alguma dificuldade mas na tentativa de rentabilizar tempo,
trabalho e recursos.
Nível 3 O professor acolhe com agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de gestão.
O professor acolhe com bastante agrado as sugestões de bases de dados propostas pelo órgão de
Nível 4 gestão, esforçando-se por não danificar as programações e tentando rentabilizar ao máximo os
instrumentos postos ao seu dispor.
O professor trabalha alegremente com as bases de dados disponibilizadas pelo órgão de gestão,
dando importantes contributos para melhorar as existentes e apresentando sugestões de novas
Nível 5 bases, grelhas e outras operações em folha de cálculo para registo de todas as actividades
escolares. Partilha com os seus pares o entusiasmo pelo registo digital sistemático de toda a
informação da escola.

C. Realização do processo ensino-Aprendizagem

C1 – Utilização de equipamentos para o processo de ensino-aprendizagem
O professor recusa-se a usar qualquer equipamento que exceda o quadro preto já existente na
Nível 1
sala de aula e um pau de giz.
O professor tenta utilizar o equipamento posto à sua disposição de forma adequada mas, devido á
Nível 2 sua deficiente competência técnica, danifica com frequência o material, sentindo-se
desencorajado para novas aventuras no mundo tecnológico.
O professor solicita o equipamento tecnológico das salas de aula de acordo com o ECD e a sua
avaliação de desempenho. Conta sempre com um funcionamento, manutenção e actualização dos
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aparelhos adequado ao plano tecnológico, utilizando as TIC e o acesso à Internet em perfeitas
condições e em todos os pavilhões escolares.
O professor utiliza os diversos equipamentos tecnológicos existentes na escola, envolvendo
activamente os alunos no seu transporte para a sala de aula, bem como na sua montagem e
Nível 4
arrumação. Utiliza os equipamentos de forma adequada promovendo a sua durabilidade e bom
estado de funcionamento, tendo sempre em vista o próximo utilizador.
O professor transporta consigo todos os equipamentos necessários à sua prática lectiva diária:
mala pessoal, pasta escolar, computador portátil, projector, leitor de CD/DVD, dicionários e/ou
mapas e ficha tripla pessoal. Sempre que necessita de acesso à Internet, utiliza a sua banda larga
Nível 5
pessoal. Durante os intervalos, coloca na sala que lhe foi atribuída o retroprojector e o respectivo
ecrã, os quais repõe no final de cada aula. O professor anda angustiado ansiando a entrada em
funcionamento dos quadros interactivos.

Descritores marginais 4
C2 – Apoio aos alunos
Nível 1 O Professor encontra-se em depressão precisando desesperadamente do apoio dos alunos.
O professor precisa do apoio dos alunos em momentos de crise, nomeadamente após a leitura
Nível 2
dos mails institucionais.
O professor apoia os alunos dentro e fora da aula, isto é, na mediateca, bancos do jardim, no
Nível 3 refeitório, sala de professores e /ou Dt, sala de alunos, bares, estando omnipresente e circulando
na escola com um letreiro “Posso ajudar?”
O professor procede de forma idêntica ao anterior mas faz-se acompanhar de vários modelos de
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questões e respectivas respostas, sendo apenas necessário ao aluno escolher uma das opções.
O professor apoia total e completamente todos os alunos sem excepção e sem restrições de
espaço ou tempo, quer através do telefone fixo como do móvel, e inclusive dando acesso à sua
Nível 5 localização através de GPS. O professor não se recolhe no seu leito sem primeiramente consultar
o mail, respondendo a todas as solicitações dos alunos. Eventualmente não terá oportunidade de
sequer se recolher, para prevenir a hipótese de lhe escapar algum mail urgente.

C3- Realização de Actividades Extracurriculares
O professor não participa, não quer participar e tem raiva de quem participa em actividades
Nível 1
curriculares e extracurriculares.
O professor participa compulsivamente numa actividade curricular ou extra-curricular, sempre
Nível 2
com o nariz ao lado, ameaçando desistir a qualquer instante, abandonando os alunos à sua mercê.
O professor participa em algumas actividades curriculares ou extra-curriculares voluntariamente,
Nível 3 sentando-se num lugar da primeira fila, e assistindo com muita atenção ao desenrolar da dita
actividade, batendo palmas no final.
O professor participa e dinamiza mais de quinhentas actividades curriculares e extra-curriculares
Nível 4 enquanto funcionário no activo, preenchendo entusiasticamente e atempadamente todos os
formulários, grelhas, bases de dados e inquéritos relacionados com as mesmas.
O professar faz do seu projecto de vida a dinamização cultural, não só da escola mas de toda a
comunidade e arredores, contribuindo assim para enriquecer PEE, PCE, PAA, PCT, CG, CP, CE, CT,
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CDT, DCSH, DL, DE, DMCE. Procede antecipadamente à reserva do seu lugar como professor
voluntário, impedindo a escola de, após a sua aposentação, cair no marasmo cultural.

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