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Eliane Beatriz Cunha Policiano Universidade Federal de Juiz de Fora Assunto (TEMA): Manifesto Comunista Referência Bibliográfica Completa

: Manifesto Comunista / Karl Marx e Friedrich Engels; organização e introdução Oswaldo Coggiola; [tradução do Manifesto Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. – 1.ed. revista – São Paulo : Boitempo, 2010. Texto da ficha O “Manifesto Comunista”, escrito pelos teóricos fundadores do socialismo científico, Karl Marx e Friedrich Engels, é uma obra que trata a respeito da capacidade revolucionária da classe burguesa ao expor o efeito de suas ações no âmbito de todas as relações sociais vigentes no período anterior a seu surgimento. Em meio a uma realidade feudal e patriarcal, a burguesia surgiu rompendo com a tradição imperativa do fervor religioso e trouxe a predominância do poder financeiro sobre toda a hierarquia social. Instaurando aí o Capitalismo; “Rasgou todos os complexos e variados laços que prendiam o homem feudal a seus “superiores naturais”, para só deixar subsistir, de homem para homem, o laço do frio interesse, as duras exigências do “pagamento à vista” (MANIFESTO COMUNISTA, pág. 42)”. Alegando o pressuposto de civilização de todas as nações, a classe burguesa substituiu a dignidade pessoal, considerada um simples valor de troca, pela liberdade de comércio; o que antes se explorava através da justificativa religiosa e política passou a ser visto como exploração econômica dos mais diversos trabalhadores, que se tornaram assalariados. Neste contexto, Karl Marx analisa a realidade burguesa como sendo aquela que trouxe consigo aspectos positivos, mas também e, principalmente, outros negativos. A partir de então, há que se falar sobre a dialética, afinal, a burguesia transformou tudo em máquina/mercadoria, o que nos tornou estúpidos, pois que passamos a ser – então – dependentes de tais inovações. Assim, a própria burguesia criou as forças que viriam a destruí-la, produziu seus próprios coveiros (operariado), agindo como o feiticeiro, incapaz de controlar os poderes ocultos desencadeados pelo seu feitiço. Nessa linha de raciocínio, diz-se que o capitalismo levou à alienação do homem, pois que esse já não tem mais conhecimento sobre todas as técnicas de produção daquilo que consome. Acrescenta-se ainda, que é a propriedade privada a responsável por manter tal estrutura de alienação intrínseca ao capitalismo. Nesse contexto dialético e de alienação, Marx desenvolve a teoria do materialismo dialético, em que a luta de classes (operariado x burguesia) e o desenvolvimento das forças produtivas se relacionam. Nesse sentido, os homens se interagem a fim de satisfazer suas necessidades (constituindo uma relação de dominador/dominado que será apontada no próximo parágrafo), o que significa dizer que, a infraestrutura (o modo de produção da vida material – capitalismo) condiciona a superestrutura (vida social, política e intelectual em geral – plano ideológico e/ou institucional) através de uma relação dialética. Ou seja, o ideal social altera quando o modo de produção é alterado. Em se falando da dialética infraestrutura/superestrutura, prescinde que falemos sobre a sociedade, que é síntese dessa relação. Porém essa sociedade é “fragmentada”, uma vez que se

o Manifesto Comunista foi capaz de problematizar a questão da integração dos mercados globais (globalização). como pode-se extrair acima. Além disso. Trazendo a realidade apresentada por Karl Marx no Manifesto Comunista para a sociedade contemporânea podemos dizer que. A partir de então. a força capaz de superar a ordem burguesa é fundamentada na associação e organização da classe operária. Em defesa disso. permitindo aos cidadãos condições mais igualitárias. não veio a abolir as divergências entre classes. uma vez que a partir da formação de uma classe unida e. onde a acumulação é o que nos importa e o que rege a lógica do mundo social. como também veio a questionar a função do operariado como agente de transformação social e política. a respeito de termos nos tornado dependentes das máquinas e de tudo o que a ela está relacionado. perdemos o domínio sobre os objetos. Alienados que somos nos tornamos. mas sim a substituir as velhas. o capitalismo nos atrai. essa passa a ter o poder de lutar por interesses em comum. esse grupo dominador representará a ideia da sociedade. mesmo diante de tantas desigualdades. difundindo uma visão de mundo e valores próprios. uma vez que não lutamos arduamente para romper com esta dependência e. nos tornamos também seres desprovidos de ímpetos revolucionários. a competitividade nos é comum. com mais chances de sucesso. Desejando superar e abolir a propriedade privada (defendida pelos burgueses) e tornar a sociedade mais equilibrada. portanto. pois vemos nele a chance de vencer os “nossos iguais” e subjugá-los a fim de garantirmos o bem desejado. por mais que (ainda) não tenhamos tudo o que queremos. Marx buscava constituir os proletários em uma classe organizada a fim de derrubar a supremacia burguesa e conquistar o poder político para o proletariado. . sim. toma para si a frente do movimento comunista responsável por lutar a favor das questões que instigaram o desejo de superar a ordem burguesa. que dá origem ao Partido Comunista. Marx diz que “a história de todas as sociedades que existiram até os nossos dias tem sido a história da luta de classes”. mostra-se confortável perante nossos olhos. sendo (agora) controlados por eles. colaboramos a todo o instante para que nossa vida seja norteada constantemente pelas mercadorias proporcionadas pelos efeitos da dominação burguesa. É o resultado do capitalismo. Com isso. Devido a isso. Este por sua vez. acostumamos à reificação do mundo.divide em classes sociais quando uma parte do grupo se apropria dos meios de produção. Marx defende que a ordem burguesa deve ser suplantada uma vez que. uni-vos!” Assim. mais forte e organizada. aqui explicamos o motivo pelo qual dizemos que a propriedade privada dá origem às classes sociais. Preferimos a exploração capitalista que. surgida das ruínas da sociedade feudal. é a concretização da ideologia da classe dominante que legitima e consolida seu poder sobre as demais. Marx no “Manifesto Comunista”: “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas algemas. Proletários de todo o mundo. Têm um mundo a ganhar.