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I - FÍSICA DAS RADIAÇÕES

Autor: Dr. Christiano Alvernaz Co-autor e Revisor de conteúdo: Dr. Alexandre Maurmo

1- INTRODUÇÃO
A radioatividade é um fenômeno pelo qual algumas substâncias ou elementos químicos são capazes de emitir, espontaneamente ou não, através de seus núcleos, determinadas partículas e/ou ondas (que recebem a denominação genérica de ‘radiações’), as quais têm a propriedade de sensibilizar placas fotográficas, ionizar gases e substâncias, produzir fluorescência, atravessar corpos opacos à luz ordinária etc.

QUADRO DE CONCEITOS I A radioatividade pode ser: - Natural: É a que se manifesta nos elementos radioativos e nos isótopos que se encontram na natureza, sendo decorrente da instabilidade nuclear (átomos de grande número atômico); - Artificial ou induzida: É aquela que é provocada por transformações artificiais nos núcleos dos átomos (normalmente pelo bombardeamento nuclear por partículas sub-atômicas).

A radioatividade é uma forma de energia nuclear e sua forma natural ocorre espontaneamente na natureza. Isto se deve, pois alguns átomos, tais como os do Urânio (U), Rádio (Ra) e Tório (Th) são naturalmente grandes e “instáveis”, perdendo (emitindo) constantemente radiações. Na área da saúde, esta propriedade dos núcleos atômicos é utilizada com diversas finalidades, sejam elas diagnósticas ou terapêuticas. De uma forma geral, a radioterapia (principalmente) e a radiologia são as áreas médicas que mais se beneficiam dos efeitos das radiações. Mapeamento com radiofármacos, radioterapia, braquiterapia, uso de aplicadores e radioisótopos são exemplos da utilização da radioatividade na medicina. Mas a aplicação da radioatividade vai muito além da saúde. Na indústria e na agricultura, por exemplo, diversos processos são realizados graças a esta propriedade atômica. Para se ter uma idéia da diversidade do seu uso na indústria, o controle de qualidade da textura e das partes soldadas de tubulações, chapas metálicas e peças fundidas pode ser feito pelo processo de gamagrafia, uma espécie de radiografia industrial, onde ao invés de raios-X são utilizados radiação gama de média e alta energia. Outros exemplos são os medidores nucleares (p.ex., os medidores de nível - para realizar o controle do nível correto de uma bebida embalada num envólucro de alumínio utiliza-se uma fonte radioativa de baixa atividade (100 mCi) e um detector. As “latinhas” enfileiradas numa correia transportadora de alta velocidade interceptam o feixe de radiação que sai da fonte e é registrado no detector. Se o líquido estiver acima do nível estabelecido, o feixe será atenuado bastante em comparação com a presença só de gás, quando um pouco vazia. Quando não preencher o requisito, uma pequena alavanca retira a lata do roteiro de empacotamento), os irradiadores industriais de grande porte (para esterilização biológica) e os aceleradores de elétrons. Na agricultura, podemos citar a utilização de fertilizantes marcados com Fósforo-32 (32P) radioativo - que pode indicar a velocidade de captação dos nutrientes do solo pelas plantas -, além de processos que promovem a conservação de alimentos e insumos agrícolas por irradiação. Outras formas de utilização da radioatividade incluem a geocronologia e datação (p.ex., Carbono-14), e a geração de energia (reatores nucleares, como os utilizados nas usinas de Angra I e II).

2- BREVE HISTÓRICO
Em 1896, o físico francês Antoine-Henry Becquerel constatou que o sulfato duplo de potássio e uranila (K2(UO2)(SO4)2), extraído do mineral pechblenda, também provocava velamento de chapas fotográficas envoltas de
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Ernst Rutherford e Paul Villard. número de massa (A) e estado energético. pelo comportamento frente às placas carregadas. de carga negativa e massa menor que da partícula alfa. dá origem ao nuclídeo filho. Curso: "Acidente com material radionuclear . abaixo. Os procedimentos de transmutação artificial dos elementos químicos resultaram na obtenção de isótopos artificiais e radioativos da maioria dos átomos conhecidos e na descoberta de numerosos átomos novos. Plutônio.. no qual núcleos de Urânio-235. assim denominadas: a) radiação alfa (α). posteriormente identificada como núcleos de átomos de Hélio. descobriram. assim. ao se desintegrar. uma cadeia radioativa. formando. 4He . o casal Frédéric Joliot e Irène Curie (filha de Pierre e Marie Curie) anunciou a descoberta da radioatividade artificial. de carga positiva e massa elevada. O símbolo utilizado para representar os nuclídeos consiste no símbolo químico do elemento (por exemplo. o nuclídeo filho também é radiativo.. omite-se o número atômico como sub-índice. baseado em trabalhos de vários pesquisadores. identifica posteriormente como elétron. Um nuclídeo radioativo é denominado radionuclídeo. com o número atômico (Z = 82) como sub-índice à direita. O nuclídeo pai. Becquerel atribuiu esta propriedade à emissão de algum tipo de raio capaz de atravessar a proteção e atuar sobre o filme (raios de Becquerel). por exemplo: 207Pb. Enrico Fermi. e c) radiação gama (γ). uma vez que o símbolo químico é suficiente para identificar o elemento.. identificada posteriormente como radiação eletromagnética. Pb = Chumbo). Próximo ao ano de 1935. e o número de massa (A = 207) como supraíndice. Dessas impurezas. Em alguns casos. dividiam-se em núcleos menores (num processo denominado fissão nuclear). A natureza das radiações emitidas é característica das propriedades nucleares do nuclídeo que está se desintegrando. Assim temos: 207 Pb82 Normalmente. à esquerda e acima.Todos os direitos reservados 2 . Eles verificaram que as impurezas deste minério eram mais ativas que o próprio urânio. num fenômeno semelhante ao observado com os raios-X. com freqüência de aproximadamente 1021 Hz. então. sendo este último muito mais ativo que os demais. b) radiação beta (β). Amerício etc. emitindo dois ou três neutrons novos e uma grande quantidade de energia.. como os transurânicos (Neptúnio. denominado radioatividade ("atividade do Rádio"). Já entre os anos de 1898 e 1900. 200Hg. Em 1897. que a emissão natural das substâncias radioativas podia ser de três tipos. Esses trabalhos de pesquisa científica permitiram concluir que a radioatividade é a transformação espontânea de um núcleo atômico. convertendo um nuclídeo em outro. ao serem bombardeados por neutrons. foram isolados dois novos elementos: o Polônio e o Rádio. Eles constataram que alguns núcleos atômicos bombardeados com determinados tipos de radiações de partículas tinham sua estrutura interna alterada e passavam a apresentar propriedades radioativas. QUADRO DE CONCEITOS II Chama-se nuclídeo qualquer espécie nuclear (núcleo de um dado átomo) definida por seu número atômico (Z). Nascia aí o embrião da energia atômica.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . utilizando um dispositivo semelhante ao esquematizado ao lado (figura 1). montou o primeiro reator nuclear.papel preto ou com lâminas finas de metal. Em 1934. sem carga elétrica.). O fenômeno de emissão de energia por estas substâncias foi. o casal Marie e Pierre Curie extraiu e purificou o urânio do minério pechblenda (U3O8). denominado nuclídeo pai.

ESTRUTURA ATÔMICA O átomo é a menor unidade de um elemento que conserva suas propriedades químicas.6021. As propriedades químicas dos átomos são definidas pelo número atômico Z [número de unidades de cargas positivas (prótons) existentes no átomo]. uma unidade de massa atômica (u. A densidade nuclear é muito elevada. já que podem diferir pelo número de neutrons. devido a seu caráter fortemente radioativo. e que são muito superiores à força de repulsão eletrostática existente entre os prótons (partículas de mesma carga elétrica . 3. valor muito semelhante à massa do átomo de hidrogênio. sendo representado pelo símbolo Z. .9% da massa total do átomo!). a qual tenderia a expulsá-los do interior do núcleo. é consenso considerar o núcleo como a parte do átomo onde está concentrada a sua massa (na realidade.O próton possui uma massa de 1. sendo da ordem de milhões de toneladas por centímetro cúbico. foi estabelecida uma escala unificada. Segundo o modelo atômico de Bohr. cujo valor exato é determinado em relação à massa de um elemento tomado como padrão.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® .m. os elétrons.a. Assim. Portanto. aí estão mais de 99.m. Como a massa dos elétrons que orbitam a coroa de um átomo é extremamente pequena.6021.) é igual a 1/12 da massa do átomo de Carbono-12. o número de unidades de cargas positivas é igual ao das negativas. o núcleo. numa região chamada de coroa. 3. = 1/12 da massa do Carbono-12 = 1.m. movem-se em torno do núcleo (em trajetos denominados órbitas).1.QUADRO DE CONCEITOS III O emprego de técnicas de transmutação radioativa permite obter elementos químicos artificiais desconhecidos na natureza. esses elementos sofrem imediatas transformações. e uma carga positiva igual a 1. Átomos do mesmo elemento químico (isótopos) possuem o mesmo número atômico.figura 2. que se mantém unida mediante forças extremamente fortes. Os prótons e os neutrons encontram-se aglomerados numa região central muito pequena.a.6598. possui massa atômica insignificante. cujo raio é cerca de dez mil vezes maior que o raio do núcleo. sendo eletricamente neutro.10-19 C (idêntica a do próton). De vida extremamente curta. por exemplo.00898 u. é idenfificado como sendo do elemento químico Carbono. por um acordo internacional entre físicos e químicos.O elétron. tendo sido atribuído o valor exato de 12. Exemplos Curso: "Acidente com material radionuclear . nessa escala.NÚMERO ATÔMICO E NÚMERO DE MASSA Número atômico: é o número de prótons que um átomo possui em seu núcleo e que determina suas propriedades químicas. ou seja: 1 u.00759 u.O neutron possui uma massa de 1. sendo esta a característica que diferencia um elemento de outro.000000 para a massa atômica do Carbono-12. porém carga elétrica negativa igual a 1. como dissemos. tornando o átomo eletricamente neutro. que têm caráter atrativo. mas não necessariamente a mesma massa. partículas de carga elétrica negativa e massa insignificante (1840 vezes menor que a massa de um próton).a..positiva). Em 1961. elétrons e neutrons) .a. sendo constituído por partículas fundamentais (prótons. O átomo de um elemento químico possui uma massa bem definida. qualquer átomo que possua um total de 6 prótons. . Normalmente. que os convertem em elementos naturais.m.10-19 C.Todos os direitos reservados 3 .10-24 g .. valor muito próximo ao da massa do próton.

EMISSÃO BETA Partículas beta são partículas com massa desprezível e carregadas negativamente (carga = -1.RADIAÇÕES FUNDAMENTAIS Tal como observado por Rutherford. uma vez que em seu interior só existem prótons e neutrons? Bem. o 14 N: Curso: "Acidente com material radionuclear . radioativo) . Como a massa do elétron é uma fração extremamente pequena de uma unidade de massa atômica. onde a repulsão eletrostática entre os prótons no núcleo é muito grande.2. similar a uma reação química. No decaimento beta. assim. Neste processo. a massa do núcleo que sofre decaimento beta praticamente não é alterada.12C. Branco: número de massa. normalmente. enquanto que o de neutrons diminui em uma unidade. O decaimento alfa ocorre tipicamente em núcleos muito pesados (Z > 82). ou uma tela fluorescente. a que não sofre desvio. Repare que o número atômico do núcleo muda de 106 para 104. que não tendo carga e interagindo muito fracamente com a matéria.isenta de carga elétrica. A mudança na carga nuclear (diminuição em duas unidades) significa que o elemento inicial foi mudado em outro. registra a trajetória das radiações (retorne à figura 1 e observe-a novamente). visto sua maior massa e sua carga fortemente positiva. Número de massa: é o número total de núcleons. emissão γ (gama) . Nos exemplos acima. é um processo chamado decaimento radiativo. Em seguida. Por esta razão. transmutando-se no isótopo estável de Nitrogênio. o número de massa do núcleo decaido será reduzido de 4 unidades. Certa quantidade de energia é liberada no decaimento alfa de um núcleo. no Carbono-13 o número de massa é 13 (6 prótons + 7 neutrons). sendo simbolizado pela letra A (A = N + Z). mantendo. Vermelho: número de prótons (= no atômico). é criada também uma outra partícula. 4. Por exemplo.EMISSÃO ALFA A emissão de uma partícula alfa. o isótopo 14 do Carbono (14C) é instável e emite naturalmente uma partícula beta. 4. como é que o núcleo emite elétrons. Por exemplo. 13 e 14 (este último. o número de prótons no núcleo é aumentado de uma unidade (o que modifica o número atômico do elemento. com números de massa 12. portanto. 4. passa. com massa atômica 263-4 = 259. para o decaimento de um isótopo do elemento Seaborgio-263 (263Sg106). Uma placa fotográfica. o neutrino (υ). A emissão nuclear que sofre um pequeno desvio para o lado da placa negativa é denominada emissão α (alfa). ou seja. portanto.Todos os direitos reservados 4 . que corresponde ao núcleo do Hélio (4He2) por possuir 2 prótons e 2 neutrons. o núcleo residual terá uma massa e uma carga diferente daquelas do núcleo original (figura 3). é possível verificar a existência de três tipos de radiação introduzindo-se uma substância radioativa no interior de um bloco de chumbo perfurado. Após o decaimento de uma partícula alfa. O número de massa da partícula alfa é 4 e.1. um campo elétrico é aplicado na saída da perfuração do bloco. em 1898. despercebido. semelhante ao elétron). prótons (Z) + neutrons (N). 13 C e 14C. Mas você pode estar se perguntando.são os isótopos do Carbono (número atômico = 6). num processo denominado transmutação. sendo. para identificar a natureza das radiações. o mesmo número de massa (figura 4) .Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . A emissão que sofre um desvio maior para o lado da placa positiva é denominada emissão β (beta). e no Carbono-14 o número de massa é 14 (6 prótons + 8 neutrons). existentes em um átomo. convencionou-se dizer que o número de massa do núcleo não modifica no decaimento beta.Lei de Soddy-Fajans-Russel. colocada logo acima do campo elétrico. no interior do núcleo. produzindo o Rutherfordio. assim como o número atômico é reduzido de 2 unidades (Lei de Soddy). transformando-o em outro). para permitir a passagem das emissões. temos: 263 Sg106 → 259Rf104 + 4He2 Verde: número de neutrons. na verdade o elétron emitido no decaimento beta corresponde à transmutação de um neutron em um próton. Isso pode ser escrito em uma equação. temos que no Carbono-12 o número de massa é 12 (6 prótons + 6 neutrons).

existem inúmeras possibilidades em que os prótons podem se rearanjar no interior deste núcleo. sua emissão não altera em nada o número de massa e o número atômico). 11 C6 → 11B5 + β+1 Os nuclídeos 11C.EMISSÃO GAMA Em muitos casos. As diferentes formas de radiação eletromagnética diferenciam-se. O neutrino não possui carga e sua massa é ainda menor que a do elétron (portanto. após ocorrer um dos tipos de desintegração descritos anteriormente (alfa ou beta). nos prótons). o processo radioativo se completa. 13N.3. o núcleo filho emite essa energia armazenada sob a forma de raios gama (γ). 17F e 20Ne. Em outros. numa equação inversa a da partícula beta negativa (que aumentaria o no atômico). porém. 4. anos QUADRO DE CONCEITOS IV Pode haver a ocorrência de emissão de partículas β+1. pode haver naturalmente decaimento beta.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . Quando esta emissão ocorre. por possuírem número de massa menor que a dos isótopos estáveis do elemento. decaem por emissão de pósitron. Raios gama podem ser emitidos quando há uma mudança de uma determinada configuração para outra. emitindo uma partícula beta e um neutrino. por seu comprimento de onda e frequência [medida em Hertz (Hz)]. os raios-X e a luz visível (figura 5). que é um elétron positivo ou antielétron. Portanto. Na prática. 15O. São membros conhecidos desta classe as ondas de rádio. em última instância.14 C6 → 14N7 + e. contendo. nem o número de massa nem o número atômico de um elemento se altera quando um raio gama é emitido. Comprimento de onda crescente Curso: "Acidente com material radionuclear . Quando isto ocorre. e não uma partícula radioativa! Para núcleos complexos de elementos pesados. A diferença essencial entre a radiação gama e a radiação X. Enquanto os raios γ resultam de mudanças no núcleo (em especial.Todos os direitos reservados 5 . A radiação eletromagnética é uma modalidade de propagação de energia através do espaço. denominado de pósitron.(ou β) + υ Em um núcleo estável. o núcleo filho é formado em um de seus estados excitados. há uma diminuição de uma unidade no número atômico. ainda. sem necessidade de um meio material. um raio gama é um fóton de alta energia emitido pelo núcleo atômico. o neutron não decai naturalmente. e consequentemente ricos em prótons. Estes são um tipo de radiação (onda) eletromagnética que resulta. um excesso temporário de energia. está na sua origem. os raios-X são emitidos quando os elétrons atômicos sofrem uma mudança de orbital. basicamente. Já um neutron livre. de uma redistribuição das cargas elétricas em um núcleo. ou em um núcleo onde existam muito mais neutrons que prótons. mas carrega uma apreciável quantidade de energia. que possuem frequência e comprimento de onda semelhantes.

FISSÃO E FUSÃO NUCLEAR Como dissemos anteriormente. e assim por diante.Todos os direitos reservados 6 . no tratamento de neoplasias malignas: 60 60 Co27 → 60Ni28* + β-1 + υ Ni28* → 60Ni28** + raio gama 60 Ni28** → 60Ni28 + raio gama 60 60 Ni28* e 60Ni28** = Níquel excitado Ni28 = Níquel estável Neutrino Beta 5. como o próprio nome indica. a energia nele liberada pode se transformar em energia elétrica. o átomo torna-se estável. originando uma fissão em cadeia (figura 7). ou seja. A ruptura desse núcleo pode ocorrer de diferentes maneiras e.FISSÃO NUCLEAR Fissão nuclear. Por esse processo. que por sua vez emite naturalmente radiações gama (figura 6). Quando o processo em cadeia resultante da fissão nuclear é controlado. Isto é o que se verifica nos reatores nucleares. por exemplo. Este processo é muito utilizado na radioterapia. equivalia a 20 mil toneladas de TNT (dinamite).Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . Basicamente. além de três novos neutrons e certa quantidade de energia. (60Co27) após emitir uma partícula beta. da geologia.. também o setor de produção de energia é beneficiado pelas transformações nucleares. tinha potência de 20 quilotons.0 g de Urânio-235. nas bombas atômicas. Infelizmente a humanidade utiliza também estas propriedades para fins militares. isto é. a energia atômica (ou energia nuclear) está associada a dois processos: a fissão nuclear e a fusão nuclear. A bomba de Hiroshima. Curso: "Acidente com material radionuclear . além de produzir energia. a fissão mais utilizada na prática é a do isótopo 235 do Urânio (235U92). o isótopo 60 do Cobalto. se transforma em Níquel-60 excitado (60Ni28*). Se compararmos massas iguais de diferentes amostras veremos que a energia dos processos nucleares é muito maior que dos processos químicos. da indústria e da agricultura.1.Por exemplo. dá origem a vários outros isótopos radioativos. segundo a equação da fissão nuclear. que é o utilizado. 5. como o das usinas de Angra dos Reis.. podendo ser interrompido. por exemplo.veja o quadro de CONCEITOS V. Para se ter uma idéia. além da medicina. Um dos processos possíveis de fissão do isótopo do Urânio-235 é dado pela seguinte equação: 235 U92 + 1n0 → 141Ba56 + 92Br36 + 3 1n0 + energia Note que são 'produzidos' átomos de Bário e Bromo. significa "quebra de núcleo". Após emitir este excesso de energia.5 toneladas de carvão(!) . a energia liberada na fissão de 1. Vários núcleos de diferentes elementos químicos sofrem fissão quando são bombardeados por neutrons. corresponde à energia liberada na combustão de 2. porém. no Rio de Janeiro. os três neutrons liberados podem fissionar outros três núcleos de Urânio.

Três dias depois foi detonada a segunda bomba atômica. a antiga URSS testou um dispositivo similar. desapareceu completamente numa cratera de mais de 500 m de profundidade e mais de 2 km de extensão. durante 1 min. no Pacífico. porém de menor potência. CURIOSIDADE O primeiro armamento nuclear. Nove meses depois. chamado Fat Man.2.0018 kWh → energia para iluminar uma lâmpada de 100 W. ela continha Plutônio-239. 1 g de 235U → 150. constituindo um núcleo maior. 5. em Nagasaki.0037 kWh → energia para iluminar duas lâmpadas de 100 W.000 vezes superior à bomba de Hiroshima.FUSÃO NUCLEAR A fusão nuclear consiste basicamente na união de núcleos. libera muito mais energia que consome (cerca de 1750 vezes mais). 1 g de carvão → 0. A fusão nuclear requer muita energia para acontecer. dois neutrinos e ~25 MeV de energia.000 kWh → energia para iluminar uma cidade de 500. Curso: "Acidente com material radionuclear . os Estados Unidos da América testaram a primeira bomba de hidrogênio. e sua explosão provocou a morte de aproximadamente 100 mil pessoas. tendo o Hidrogênio como combustível principal . O atol de Elugelab. chamada Little Boy. e com capacidade de liberação de uma quantidade de energia muito superior à produzida na fissão nuclear (e sem os perigos de radiação e do lixo atômico da fissão).que. Em geral. com conseqüente liberação de dois pósitrons. com potência aproximada 1. Cada megaton equivale à energia da explosão de l milhão de toneladas de dinamite(!). foi utilizado em 6 de agosto de 1945. no Japão. durante 1 min.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . sobre o qual foi detonada. Este processo ocorre naturalmente no interior do sol. no entanto. A primeira aplicação científica da fusão nuclear foi na fabricação da bomba de hidrogênio (ou termonuclear). na cidade de Hiroshima. em agosto de 1953. conhecida como "Mike".Todos os direitos reservados 7 . é convertido em átomo de Hélio. e matou cerca de 130 mil pessoas em poucas horas. Em vez de Urânio. num processo envolvendo uma série de reações.QUADRO DE CONCEITOS V 1 g de madeira → 0. também no Japão (figura 8). CURIOSIDADE Em 31/10/1952. uma bomba de fissão nuclear é empregada como 'espoleta' para que ocorra a reação de fusão.000 habitantes durante uma hora. Sua explosão produz temperatura superior à da superfície solar e sua potência corresponde a vários megatons.

A equação química abaixo ilustra a reação que ocorrerá no reator: 2 H1 + 3H1 → 4He2 + 1n0 + energia (17. o reator a fusão exigiria menor massa de combustível nuclear.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . As usinas de energia de fusão provavelmente usarão o Lítio e duas formas de Hidrogênio . pois se parar a injeção de combustível fresco. diversos problemas técnicos têm dificultado seu desenvolvimento.Todos os direitos reservados 8 . que se transformará em Trítio e Hélio: Li3 + 1n0 → 4He2 + 3H1 + energia (4. o armazenamento dos componentes da estrutura macânica.O Deutério é abundante na água do mar (30 g/m3). sendo radioativo e com uma meia-vida de 12.86 MeV) Li3 + 1n0 → 4He2 + 3H1 + 1n0 + energia (2. O volume de plasma será da ordem de 1. mas não podendo evidentemente estar em contato com as paredes do reator (que derreteriam a esta temperatura). Com uma seleção rigorosa dos materiais constituintes do reator. com vantagens intrínsecas: (1) os combustíveis de base (Deutério e Lítio) não são radioativos. e (4) os problemas dos resíduos são limitados: não existem cinzas radioativas. carregados positivamente. não existe na natureza e deve ser produzido. esta camada é aquecida e um fluido que aí circula transfere o calor para fora da zona do reator para produzir vapor e finalmente eletricidade por processos convencionais. são abundantes e distribuídos de uma forma bastante uniforme na crosta terrestre. O QUADRO a seguir resume como seria o funcionamento de um reator de fusão nuclear. e o tratamento dos gases não queimados é feito no local. será impossível conter o plasma superaquecido.36 anos. a quantidade de matéria para a fusão presente no reator só permite o seu funcionamento durante algumas dezenas de segundos. possam se aproximar suficientemente um do outro (ou seja. Curso: "Acidente com material radionuclear . os quais transportam 80% da energia produzida.5 MeV) 6 7 A camada fértil ("blanket") deverá ser suficientemente espessa (cerca de 1 m) para retardar os neutrons de fusão. serão absorvidos numa camada fértil ("blanket") que envolve o núcleo do reator e que contém Lítio (Li). muito tem se desenvolvido no sentido de criar um reator de fusão eficiente e seguro. são necessárias temperaturas da ordem dos 100 milhões de graus Celsius.000 m3 e a potência de fusão deverá atingir vários gigawatts (muito superiores aos reatores de fissão).5% de 6Li) é um elemento abundante na crosta terrestre (30 g/m3) e em concentrações mais fracas nos oceanos. Calcula-se que a fusão de apenas 2 x 10-9% do Deutério encontrado nos mares forneceria toda a energia elétrica de que o mundo precisa durante um ano. que irão ser ativados pelos neutrons. os neutrons (1n0). onde os íons e os elétrons formam um fluido macroscopicamente neutro. A concepção do reator de fusão baseado na configuração "Tokamak" (Câmara Magnética Toroidal . A fusão termonuclear poderá tornar-se uma nova e considerável fonte de energia.como combustível.atualmente o conceito mais avançado . poderá estar limitado a menos de 100 anos. suas potenciais vantagens e as dificuldades encontradas atualmente em sua construção. (3) para produzir a mesma quantidade de energia elétrica que um reator a fissão.o Deutério (2H1) e o Trítio (3H1) . o gás encontra-se ionizado no estado de plasma.figura 9) prevê um campo magnético que permitiria isolar termicamente o plasma das paredes do reator. (2) a combustão não se pode prolongar de uma forma descontrolada. vencer a força de repulsão eletrostática entre eles). O Lítio natural (92. Sem isto.5% de 7Li e 7.No campo da geração de energia. Na sequência da desaceleração dos neutrons. que culminará com o derretimento das ligas metálicas da parede do reator (1º PROBLEMA). A estas temperaturas. Para que os núcleos. e que as reações de fusão possam ocorrer a uma taxa conveniente. Num reator de fusão.6 MeV) 2º PROBLEMA . mas o Trítio. No entanto.

emitida em decorrência da perda de energia cinética de elétrons que interagem com o campo elétrico de núcleos de átomos-alvo. O conhecimento das propriedades das radiações e de seus efeitos sobre a matéria é de grande importância.figura 11. As radiações não-ionizantes (p.PROPRIEDADES DAS RADIAÇÕES 6. de modo a proteger o corpo humano dos efeitos nocivos da radiação. destacando-se: • a detecção de substâncias radioativas. resultam na transferência de energia para os átomos e moléculas que estejam em sua trajetória. ao retornarem.interação de radiações com energia superior à energia de ligação dos núcleons e que provoca reações nucleares. excitação. os raios UV) provocam geralmente este tipo de interação. Os elétrons são deslocados de seus orbitais de equilíbrio e.000 vezes menor que o raio do átomo. o mecanismo que mais contribui para a perda de energia é a interação com os elétrons.ex. em suas cargas e suas massas. ativação do núcleo ou emissão de radiação de frenamento: Ionização .radiação. podem provocar ionização. ao raio elevado ao quadrado. Em decorrência das diferenças existentes entre as partículas e radiações eletromagnéticas. ou seja.Todos os direitos reservados 9 . ao interagir com a matéria. Assim. pela remoção ou acréscimo de um ou mais elétrons (figura 10) .1. este fenômeno é facilmente evidenciado a partir da dispersão que elas experimentam ao interagir com a matéria. As partículas mais pesadas são pouco desviadas de sua direção original quando interagem. elevando-o do estado fundamental de energia ao estado de excitação. ao interagirem com um meio material. em alguns dos efeitos produzidos pela radiação na parte sensível do equipamento de medição. átomos estes com elevado número atômico. • a adoção das medidas preventivas mais apropriadas. é de se esperar que o número de interações com elétrons seja muito maior que com núcleos. Para o caso específico de partículas carregadas.processo de formação de átomos eletricamente carregados. ou seja. são desviadas com ângulos muito Curso: "Acidente com material radionuclear .Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . As partículas beta.INTERAÇÃO COM A MATÉRIA As radiações são processos de transferência de energia e. sempre. Radiação de frenamento (Bremsstrahlung) .6. cada um deles interage de modo diferente com a matéria. Isto se justifica pelo fato do raio do núcleo ser da ordem de 10. íons.. uma vez que o número de interações é proporcional à área projetada. as radiações. • a maior facilidade na interpretação das diversas aplicações dos materiais radioativos. resultando em um núcleo residual e na emissão de radiação. Excitação . emitem a energia excedente sob a forma de radiação (luz ou raios-X característicos) . uma vez que se baseia. Sob ponto de vista da física. em particular raios-X. por serem menos pesadas. ou mesmo que interagem com a eletrosfera.adição de energia a um átomo. Quando as partículas carregadas ou a radiação eletromagnética atravessam a matéria. Ativação do núcleo . perdendo energia.característico das radiações ionizantes (tipo de radiação de interesse em nosso curso).

Isso significa que o poder de penetração das partículas alfa é muito pequeno. As partículas α. perdendo parte de sua energia. pelo fato de serem pesadas e possuírem carga +2. a uma dada espessura do material. já que cada fóton.Efeito Comptom. Já as partículas β. Carga: Uma partícula com menos carga possui alcance maior que uma partícula com mais carga. Curso: "Acidente com material radionuclear . às vezes. Em outras palavras. em uma dada direção. uma só ionização. menor é o alcance da partícula.Efeito Fotoelétrico. expressa como função da velocidade da partícula. pode possuir quase tanta energia quanto o fóton inicial e. Seu poder de ionização é muito alto. podem interagir com elétrons carregados negativamente e núcleos de átomos ou moléculas carregados positivamente. ao passar através de uma substância (alvo). sendo que este elétron pode ser arrancado do átomo por diversos mecanismos. é conseqüência de elétrons secundários (visto que este elétron 'funcionaria' como uma partícula beta). pode-se considerar que as ionizações da matéria. é necessária uma espessura maior de material (ou uma densidade maior) para que ocorra a perda de toda sua energia (uma folha de alumínio é suficiente para blindar uma radiação beta). estas partículas apresentam poder de ionização mais baixo quando comparadas as partículas alfa. perdendo toda a energia em poucos micrometros de material sólido ou em alguns centímetros de ar. interagem muito intensamente com a matéria. ainda. tenta atrair ou repelir os elétrons ou núcleos próximos de sua trajetória. Denomina-se alcance a distância média percorrida por uma partícula carregada. sendo a espessura de uma folha de papel ou a mão humana suficientes para blindar todas as partículas emitidas por uma fonte alfa (figura 12). a um único elétron orbital. quando atravessada por fótons. em princípio. Portanto. uma carga menor. diferentemente das partículas (que interagem diversas vezes). Quatro dos mais importantes são descritos a seguir: Energia: O alcance de uma dada partícula é ampliado com o aumento da energia inicial. o qual é expelido com uma energia cinética. Densidade do Meio: Quanto mais alta a densidade do meio. caracterizado pela transferência total de energia de um fóton (radiação X ou gama). possuem um poder de penetração maior do que o das partículas α. pára de se deslocar. o faz em uma única vez. 6. onde o fóton interage com um elétron periférico do átomo. à medida que penetram na matéria. A dependência do alcance em relação à massa é. pelo fato de possuírem massa muito menor do que a das partículas α e. distância essa que depende de alguns fatores. resultando na emissão de um fóton com energia menor e que continua sua trajetória dentro do material e em outra direção. algumas vezes. denominado elétron secundário. E os fótons. As perdas de energia resultante de colisões com núcleos são várias ordens de grandeza menores que as resultantes da interação com elétrons. mas cede apenas parte de sua energia. Essas partículas. produzir novas ionizações até consumir toda sua energia. em função de sua carga. sendo este muito maior em gases do que em líquidos ou sólidos. como interagem com a matéria? Bem. No entanto. Os principais efeitos decorrentes da interação das radiações γ e X com a matéria são: .maiores ao interagirem com o meio. os fótons são absorvidos ou desviados de sua trajetória original normalmente por meio de uma única interação. por exemplo. que desaparece. O fóton.2. Este elétron liberado. Massa: Partículas mais leves têm alcance maior que partículas mais pesadas de mesma energia e carga. Devido à força eletromagnética. sofrem diversas colisões e interações com perda de energia até que.Todos os direitos reservados 10 . .PODER DE PENETRAÇÃO As partículas emitidas pelos núcleos atômicos. toda energia é dissipada e a partícula.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . por sua vez. quando produz ionização. produz muito pouca ou. a partícula. portanto.

a meia-vida do 238U é 4.5 bilhões de anos. Assim: 1 Bq = 1 desintegração/segundo 1Ci = 3. A velocidade de desintegração depende não só do número de átomos do isótopo radioativo presente na amostra (quanto maior este número (N).5 bilhões de anos. a radiação desaparece e dá origem a um par elétron-pósitron. interagindo com o forte campo elétrico nuclear. Nesta interação.7 x 1010 desintegrações/segundo O Sistema Internacional (SI) adotou como unidade padrão de atividade o Becquerel (Bq). que é bem próximo do medido originalmente. As meias-vidas nucleares variam desde uma pequena fração de segundo até várias dezenas de bilhões de anos.CINÉTICA DAS EMISSÕES RADIOATIVAS 7.MEIA-VIDA O tempo necessário para que metade dos átomos em uma amostra de um isótopo radiativo decaia é chamado meia-vida do isótopo. Isto é. ocorre quando fótons de alta energia passam próximos a núcleos de elevado número atômico. Esta probabilidade é chamada Constante de Desintegração ou Constante Radioativa. 1Ci = 3. Em mais 4. ou se desintegrar. 6.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . dN/N = -λ. Por exemplo. que mostra que o número de átomos de um radionuclídeo diminui exponencialmente (exp) com o tempo. existindo uma probabilidade para cada um emitir um certo tipo de radiação. sendo representada pelo símbolo λ. ou seja: dN/dt = -λN Assim. tem-se que: N = N0 exp(-λ.CONSTANTE DE DESINTEGRAÇÃO E ATIVIDADE A velocidade de desintegração varia muito entre os isótopos radioativos. A meia-vida do 14C é de 5730 anos. ou seja: A = dN/dt ou A = -λN A primeira unidade estabelecida para atividade foi o Curie. 7. como também da constante radioativa λ. t = 0) e N (número de átomos do radioisótopo.t) sendo esta a expressão da Lei da Desintegração Radioativa. originalmente definida como a taxa de desintegração do gás Radônio (222Rn).7 x 1010 Bq Curso: "Acidente com material radionuclear .dt Integrando-se o primeiro termo dessa igualdade no intervalo de variação do número de átomos não desintegrados. A variação do número de desintegrações nucleares espontâneas (dN) em um intervalo de tempo dt é chamada atividade. metade da quantidade de 238U na Terra terá decaido em outros elementos. em equilíbrio com um grama de Rádio (226Ra). que continuariam a interagir com elétrons ou núcleos próximos de sua trajetória.. daqui a 4. de modo que um quarto da quantidade hoje existente restará na Terra daqui a 9 bilhões de anos.Todos os direitos reservados 11 . ou seja. a metade do que sobrou também terá decaido. sendo por esta razão considerado um isótopo adequado na datação de materiais biológicos que viveram há milhares de anos. presentes decorrido o tempo t) e integrando-se o segundo termo entre zero e t. também chamada de formação de par elétron-pósitron. Posteriormente.Formação de Pares. A. o Curie foi definido mais precisamente pelo valor abaixo. entre N0 (início da contagem do tempo. característica desse isótopo. maior o número de radiações emitidas)...1.5 bilhões de anos.3.

t0) ou Vm = -(N .t0) será dado pela diferença entre o número de átomos de um isótopo radioativo no instante inicial (N0) e o número de átomos ainda não desintegrados (N) do mesmo isótopo.CURIE (Ci) Um Curie é a quantidade de atividade de material radioativo que sofre 2. no tempo t > t0. é o tempo necessário para que N seja igual a N0/2.6931/λ Portanto. na equação anterior. t1/2.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . No SI.N)/(t . Logo.t) uma vez que A = -λN e A0 = -λN0. A relação matemática existente entre λ e t1/2 pode ser obtida substituindo-se.ln 1/2 → ln 1 -(.3.Todos os direitos reservados 12 . tb. 1/2 = exp(-λt1/2) → ln 1/2 = -λt1/2 Logo. é o tempo necessário para que metade dos átomos contidos numa amostra desse isótopo sofra desintegração. por meio da seguinte expressão: tef = (t1/2 x tb) / ( t1/2 + tb) 7. ou seja. QUADRO DE CONCEITOS VI O intervalo de tempo necessário para que o organismo elimine metade de uma substância ingerida ou inalada é chamado de meia-vida biológica. a velocidade média de desintegração.UNIDADES DE ATIVIDADE 7. tef. a meia-vida de um radioisótopo pode ser calculada a partir da constante de desintegração e vice-versa. uma ou mais partículas alfa. N por N0/2 e t por t1/2.1.N0)/(t . Assim. A/A0 = N/N0 A meia-vida de um isótopo radioativo. λt1/2 = . a unidade de atividade de material radioativo é o Becquerel. será dada pela relação: Vm = (N0 . λ = ln 2/t1/2 ou ainda t1/2 = ln 2/λ ou ainda t1/2 = 0.ln 2) Ou seja.22 x 1012 transformações por minuto (para cada transformação ou desintegração. Quando a meia-vida física e a meia-vida biológica devem ser levadas em consideração. cujo símbolo é Bq.3. 1 Ci = 3. o número de átomos que se desintegram transcorrido um intervalo de tempo (t .7 x 1010 Bq Curso: "Acidente com material radionuclear .De maneira similar a expressão da Lei da Desintegração Radioativa.2. próton e/ou emissão de radiação gama ocorre). ou seja.VELOCIDADE DE DESINTEGRAÇÃO A emissão de radiação por uma população de átomos de um dado isótopo radioativo não ocorre simultaneamente em todos os seus núcleos. no tempo t. a atividade de uma fonte radioativa. N0/2 = N0 exp(-λt1/2) Assim. é expressa por: A = A0 exp(-λ. Vm.t0) = -∆N/∆t 7. determinase a meia-vida efetiva.

na realidade.DESINTEGRAÇÃO POR MINUTO (d/m) O d/m é o número de transformações nucleares que ocorre em uma dada quantidade de material radioativo em um minuto. assim.3.ELEMENTOS RADIOATIVOS NATURAIS Na natureza existem elementos radioativos que realizam transmutações ou desintegrações sucessivas. As três séries naturais terminam em isótopos estáveis do elemento químico Chumbo (Pb). Em cada decaimento. ele executa outra transmutação para melhorá-la e. o núcleo não possui. Chumbo-207 e Chumbo-208. Isso significa que. A Série do Actínio. respectivamente.SÉRIES RADIOATIVAS 8.CONTAGENS POR MINUTO (c/m) O c/m é o número de transformações nucleares que ocorre em uma data quantidade de material radioativo em um minuto.1.Todos os direitos reservados 13 . conhecidas como Série do Urânio. Série do Actínio e Série do Tório. abaixo. inicia-se com o Urânio-235 e tem esse nome porque se pensava que ela começava pelo Actínio-227. Chumbo-206. beta e/ou gama e cada um deles é mais 'organizado' que o núcleo anterior. ainda.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® . até que o núcleo atinja uma configuração estável. que são detectados pelo instrumento usado. Essas sequências de núcleos são denominadas séries radioativas ou famílias radioativas naturais. constatou-se que existem apenas 3 séries ou famílias radioativas naturais. Os principais elementos das séries acima mencionadas são apresentados na figura 13. ainda não conseguindo. uma organização interna estável e.7. Curso: "Acidente com material radionuclear . 1 Ci = 2. prossegue.3. 8.2. após um decaimento radioativo. os núcleos emitem radiações dos tipos alfa. até atingir a configuração de equilíbrio.3.22 x 1012 d/m 7. No estudo da radioatividade.

como medidores de nível. P. BIBLIOGRAFIA [1] Johns. O mais conhecido isótopo é o Césio-137. [4] Bitelli. espessura e para a caracterização de rochas na perfuração de poços de petróleo. M. Um exemplo bastante conhecido é o Plutônio (239Pu).. e Moro. Seaborg e sua colega. O Cobalto-60 . H. Princípios Básicos de Segurança e Proteção Radiológica. The Physics of Radiology.Estamos preparados?" Copyright © 2010 by Medicina1® .Livros Técnicos e Científicos S. [6] Ebbing. U. maleável. Volume 2. [5] Alonso. nível. D. 1998. Editora do Grêmio Politécnico da USP. 1980.ELEMENTOS RADIOATIVOS ARTIFICIAIS Quando uma série de elementos radioativos não é encontrada na natureza.J. Margaret Melhase.8. em radiografia (gamagrafia) industrial... 1992. É utilizado na indústria em medidores de densidade. Thomaz.R. & Cunningham. LTC . descoberto por Glenn T. mas há também o Césio-134.Todos os direitos reservados 14 . recebendo o nome de fontes de radiação. American Lecture Series. na Universidade da California Berkeley. O Césio-137 . O Césio-137 é um dos produtos de fissão tanto do Urânio como do Plutônio. Curso: "Acidente com material radionuclear .E.. 2006. Fundamentos de Energia Nuclear. o Cobalto-60 (assim como outros radionuclídeos) é encapsulado em metal blindado. Quinta Edição. ser magnetizado. [2] Febrer Canals.T.. UFRS. Na medicina é utilizado em radioterapia no tratamento de neoplasias. [7] Xavier. O isótopo radioativo mais conhecido é o Cobalto-60. de espessura.Berkeley na década de 30 por Glenn T.. O radionuclídeo Cobalto-60 é produzido para uso comercial em aceleradores lineares. Addison Wesley Longman Ltd. J.A. resultante da absorção de um nêutron por um núcleo de urânio (238U). Editora Vozes Ltda. de cor branca prateada.. Biology and Protection. 1982. [5] Bushong. Nas aplicações médicas e industriais. Harlow. como o aço. Higiene das Radiações. os mais conhecidos são o Cobalto-60 e o Césio-137. e Heilbron.A. [3] Saffioti. encontrado de forma estável (não radioativo) na natureza. É um metal macio. A..C. Nas aplicações industriais e na medicina. mas também surge como produto da operação de reatores nucleares. são expostos à radiação. quando materiais estruturais. Química Geral. Ediciones Jover S. 3ª edição. é denominada artificial.. O Cobalto não radioativo ocorre em vários minerais. E. É um dos três metais encontrados em estado líquido a temperatura ambiente (~28º C). Revised Third Printing. J. S. podendo. e Finn. Tem características parecidas com o ferro.. W. Seaborg e John Livingood. Physics.M. O Cobalto-60 é utilizado em muitas aplicações.2. inclusive. em um reator nuclear. na década de 30. Charles C.. 6th Edition.D.K. esterilização de objetos e alimentos e em radioterapia em hospitais. de cor cinza azulada.O Césio (Cs) é um metal encontrado em forma estável na natureza em vários minerais. Sua meia-vida é de 5. 1997. M..A. 1974. Thomas Publisher.27 anos e decai em Níquel-60 por emissão beta e gama. e foi utilizado durante centenas de anos para dar coloração azulada a cerâmicas e ao vidro. Radiologic Science for Technologists: Phsics. Atlas de Química. Publication No 932. Tem uma meia-vida de 30 anos e decai por emissão beta e gama em Bário137. Libro Edição Comemorativa Ibérico-Americano Ltda.O Cobalto (Co) é um metal duro.F. 1982. Foi descoberto na Universidade da Califórnia . Mosby.