Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Palhoça UnisulVirtual 2007

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Ambiente Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendêlo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Penal e Administrativo Livro didático 2ª edição revista e atualizada Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2007 .Paulo Calgaro de Carvalho Noções de Direito Constitucional.

Pereira José Carlos Teixeira Letícia Cristina Barbosa Kênia Alexandra Costa Hermann Priscila Santos Alves Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (coordenador) Eduardo Kraus Monitoria e Suporte Rafael da Cunha Lara (coordenador) Adriana Silveira Caroline Mendonça Dyego Rachadel Edison Rodrigo Valim Francielle Arruda Gabriela Malinverni Barbieri Josiane Conceição Leal Maria Eugênia Ferreira Celeghin Rachel Lopes C. Paulo Calgaro de Noções de direito constitucional.2. Carmen Maria Cipriani.Copyright © UnisulVirtual 2007 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Direito. penal e administrativo: livro didático / Paulo Calgaro de Carvalho. II.unisul.SC . 3.virtual.Educação Superior a Distância Campus UnisulVirtual Rua João Pereira dos Santos. : il. Pandini. m Produção Industrial e Suporte Arthur Emmanuel F. 2007. 303 Palhoça . Título. . Pinto Simone Andréa de Castilho Tatiane Silva Vinícius Maycot Sera. Rodrigues (Auxiliar) Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Itamar Pedro Bevilaqua Janete Elza Felisbino Jucimara Roesler Lilian Cristina Pettres (Auxiliar) Lauro José Ballock Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Mauri Luiz Heerdt Mauro Faccioni Filho Michelle Denise Durieux Lopes Destri Moacir Heerdt Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Patrícia Pozza Raulino Jacó Brüning Rose Clér E. rev. ISBN 978-85-7817-047-9 1. Direito administrativo. 4.br Site: www. Inclui bibliografia. 340 C32 Carvalho.br Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt Chefe de gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni Campus Norte Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter Campus UnisulVirtual Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler Equipe UnisulVirtual Administração Renato André Luz Valmir Venício Inácio Bibliotecária Soraya Arruda Waltrick Cerimonial de Formatura Jackson Schuelter Wiggers Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Cátia Melissa S. Direito penal. I. e atual . 2. Silveira (coordenador) Francisco Asp Projetos Corporativos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (secretária de ensino) Ana Luísa Mittelztatt Ana Paula Pereira Djeime Sammer Bortolotti Carla Cristina Sbardella Franciele da Silva Bruchado Grasiela Martins James Marcel Silva Ribeiro Lamuniê Souza Liana Pamplona Marcelo Pereira Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Silvana Henrique Silva Vilmar Isaurino Vidal Secretária Executiva Viviane Schalata Martins Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (coordenador) Ricardo Alexandre Bianchini Rodrigo de Barcelos Martins Edição – Livro Didático Professor Conteudista Paulo Calgaro de Carvalho Design Instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Pedro Teixeira Revisão Ortográfica Simone Rejane Martins . Direito constitucional. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. 172 p. ed.88130-475 Fone/fax: (48) 3279-1541 e 3279-1542 E-mail: cursovirtual@unisul.Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual . Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul Créditos Unisul . 28 cm. Beche Design Gráfico Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Evandro Guedes Machado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho Equipe Didático-Pedagógica Angelita Marçal Flores Carmen Maria Cipriani Pandini Caroline Batista Carolina Hoeller da Silva Boeing Cristina Klipp de Oliveira Daniela Erani Monteiro Will Dênia Falcão de Bittencourt Enzo de Oliveira Moreira Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pacheco Ligia Maria Soufen Tumolo Márcia Loch Patrícia Meneghel Silvana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Francine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer Logística de Encontros Presenciais Marcia Luz de Oliveira (Coordenadora) Aracelli Araldi Graciele Marinês Lindenmayr Guilherme M.Palhoça: UnisulVirtual. B. .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 Palavras do professor . . . . . . . 11 UNIDADE 1 – Noções de Direito Constitucional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 UNIDADE 3 – Noções de Direito Administrativo . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Noções de Direito Penal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação . . . . .9 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Sobre o professor conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . 121 Para concluir o estudo . 161 Referências . . . .

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. servindo as leis para limitar as condutas das pessoas e possibilitar a vida em comum. Para tanto. denominado de ordenamento jurídico. Em seguida. essenciais no Estado Democrático de Direito. alguns conceitos serão necessários para compreender o Direito Constitucional. do qual se ditam as regras de convivência social. tendo a administração pública como a responsável pela aplicação das leis e as medidas necessárias para tornar realidade o conjunto de normas. base dos demais direitos (Penal e Administrativo) que compõem um complexo sistema jurídico. Inicialmente.Palavras do professor Caros alunos. Penal e Administrativo você encontrará algumas informações sobre o ordenamento jurídico brasileiro relacionadas à segurança pública no Brasil. além de assegurar a dignidade da pessoa e garantir a segurança pública. a Unidade 2 será dedicada a noções de Direito Penal. você irá estudar no Direito Constitucional os direitos e garantias fundamentais. cujas principais regras são de imposição por meio de sanções (penas) àqueles que não preservam a segurança pública e nem observam as leis existentes. O Direito Constitucional e o Direito Penal são importantes para tal convivência harmônica. Assim. você terá oportunidade de estudar os principais crimes e as contravenções penais existentes na sociedade e que desafiam a segurança pública no Brasil. pois são tais direitos e garantias constitucionais que orientam o legislador (aqueles que fazem as leis) na realização de normas condizentes com uma sociedade justa e solidária. na disciplina Noções de Direito Constitucional. A segurança pública é um assunto recorrente nos dias de hoje e o direito de alguns não pode prejudicar o direito de outros.

Conhecer um pouco mais detalhadamente a configuração desse assunto é fundamental para o estudante deste curso. realizar pesquisas. ingresse em mais uma etapa com entusiasmo na busca de novos horizontes do conhecimento. no Direito Administrativo você irá se deparar com os conceitos e a estrutura existente para tornar realidade a segurança pública. Você terá ainda a oportunidade de expor suas idéias. Então. Bom estudo! .Por fim. para entender administração pública. caro aluno. socializar e interagir com seus colegas e participar desta importante caminhada.

. portanto. São elementos desse processo: o livro didático. Principais crimes previstos no Código Penal Noções de Direito Administrativo: fundamento do Direito Administrativo na Constituição Federal. Os princípios e a organização da administração pública. As funções públicas e os poderes administrativos. As atividades de avaliação (complementares. o AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Os atos e os contratos administrativos e a licitação. Noções de Direito Penal: o Direito Penal. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. o conceito de crime e a definição das atribuições das polícias estaduais a partir do crime. a infração penal. a distância e presenciais). Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.Plano de estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da disciplina. Ementa Noções de Direito Constitucional.

relacionados à segurança pública no Brasil. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Código Penal. 12 . Esses se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. evoluindo gradativamente ao longo do curso. constantes na Constituição Federal. as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. de forma que o aluno possua uma base de conceitos jurídicos a fim de aplicá-los na vida prática e capacitá-lo a interpretar algumas normas especialmente previstas na Constituição Federal e Código Penal. Conteúdo programático/objetivos Veja. além de outras leis relacionadas à administração pública. buscando a reflexão sobre a segurança pública no Brasil. a seguir. na administração pública. Específicos Proporcionar o aprendizado do conteúdo proposto.Carga horária 60 horas aula Objetivos da disciplina Geral Identificar os principais conceitos e definições do ordenamento jurídico brasileiro.

com as atribuições das polícias estaduais e com os crimes previstos no Código Penal. Aborda também o controle da constitucionalidade e o processo legislativo com o intuito de dar a conhecer um pouco de como funciona o legislativo. 13 . Unidade 3: Noções de Direito Administrativo A Unidade 3 tem por finalidade analisar os princípios e as normas que se destinam a ordenar a estrutura. quais sejam o bem comum da coletividade.Unidades de estudo: 3 Unidade 1: Noções de Direito Constitucional A Unidade 1 tem por finalidade abordar a organização do Estado. o pessoal (órgãos e agentes). que mais ocorrem no dia-adia. entendendo essa como o conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do Governo. dos poderes e as constituições brasileiras e discutir os principais direitos fundamentais. previstos na Constituição Federal de 1988 e suas as cláusulas pétreas. os atos e as atividades da administração pública. Unidade 2: Noções de Direito Penal A Unidade 2 tem por objetivo abordar definições de infração penal e crime.

Agenda de atividades/ cronograma Verifique com atenção o “AVA”. organize-se para acessar periodicamente o espaço da disciplina. Registre no espaço a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no AVA. Não perca os prazos das atividades. da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e tutor. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. 14 . O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.

Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação Presencial .2ª Chamada Avaliação Final (caso necessário) Demais atividades (registro pessoal) 15 .1ª Chamada Avaliação Presencial .

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Identificar os principais direitos fundamentais. Seção 9 As garantias constitucionais. dos poderes e as constituições brasileiras. Seção 6 As cláusulas pétreas. . Seção 2 As constituições brasileiras. 1 Seções de estudo Seção 1 Contextualizando o tema. Seção 3 As constituições e suas classificações.UNIDADE 1 Noções de Direito Constitucional Objetivos de aprendizagem Conhecer a organização do Estado. Seção 4 O poder constituinte. previstos na Constituição Federal de 1988 e suas cláusulas pétreas. Seção 7 O controle da constitucionalidade. Seção 11 Da nacionalidade. Conhecer o controle da constitucionalidade e o processo legislativo nacional. Seção 12 Os direitos políticos. Seção 5 O processo legislativo. Seção 10 Os direitos sociais ou coletivos. Seção 8 Os direitos e os deveres individuais.

Por isso. os direitos individuais. coletivos e políticos. no qual cedemos parte de nossas liberdades para possibilitar a convivência na sociedade com o outro. você perceberá que a Constituição Federal é a representação do contrato social. controle da constitucionalidade e. Contextualizando o tema. as leis somente têm validade quando estão em conformidade com a Constituição Federal. a Unidade 1 trata de noções de Direito Constitucional que tem o objetivo de abrir as portas do conhecimento jurídico. com a compreensão da principal norma do Estado que é a Constituição Federal. 18 . você encontrará os conceitos principais e necessários para compreensão da unidade. Para tanto você verá que a compreensão do poder constituinte e do processo legislativo será imprescindível para entender o controle da constitucionalidade das normas jurídicas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro aluno. Desse modo. finalmente. isto é. seguindo pelo processo legislativo. eis que ninguém conseguiria viver em comunidade na mais absoluta liberdade. A partir dos preceitos constitucionais são moldadas as normas jurídicas de uma sociedade. será uma breve caminhada no conhecimento dos direitos e deveres fundamentais da pessoa. Boa sorte e conheça a nossa Carta Magna. ou Carta Magna. conhecida como a lei das leis.

Analise a figura a seguir. podemos dizer que a Constituição é um sistema de normas jurídicas. A Constituição compõe-se no nascimento de um país por meio de alguns elementos importantes. o modo de aquisição e o exercício do poder. Penal e Administrativo SEÇÃO 1 -Contextualizando o tema Comecemos pela Constituição do Estado. primeiramente. que regula a forma de Estado. Organização Constitucional Unidade 1 19 .Noções de Direito Constitucional. 1. não é? Vamos estudá-lo. estabelece os seus órgãos e os limites de sua ação. Podemos defini-la sob os mesmos princípios da Constituição do Brasil? O que você acha? Qual a sua importância no conjunto de leis? Você conhece a Constituição do Brasil? Você já precisou utilizá-la para defender algum direito? Tema interessante. pois é sobre ela que discutiremos algumas questões importantes. a forma de seu Governo. escritas ou costumeiras. então? Bem. Fig.

formada pela união indissolúvel dos Estados e municípios e do Distrito Federal. o poder e o bem comum. alguns conceitos são necessários. sendo tal direito e obrigação fundamentados na Constituição Federal. o ordenamento jurídico. Território é a área onde o Estado exerce sua soberania. p. É interessante que você perceba que a atual Constituição Federal de 1988 estabelece a organização desse Estado. Dessa forma. conforme preceitua o seu artigo 1º: “A República Federativa do Brasil. a vida em comum obriga o respeito ao direito de outrem. ou seja. quais sejam: a população. 2005. V – o pluralismo político. é a concretização do contrato social em que as pessoas fazem. um verdadeiro caos.” 20 . serão a fase para entender a matéria. porque ela é a lei das leis. nos termos desta Constituição.Universidade do Sul de Santa Catarina Vejam que as duas pirâmides representam a importância de uma Constituição Federal para nossas vidas. Se não fosse assim. Enfim. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania. não precisariam trabalhar. etc. 14). para possibilitar a convivência em sociedade. só haveria domingos. Poder é a imposição de força que o Estado utiliza para alcançar o bem comum (FÜHRER. o território. IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. o furto seria rotineiro. III – a dignidade da pessoa humana. Dessa definição surgem os elementos constitutivos. Ordenamento jurídico é o conjunto de leis e normas jurídicas de um Estado. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. as mortes seriam comuns. Ora. Você concorda não é? Assim. II – a cidadania. em comum acordo. todos iriam querer descansar. População compreende o conjunto de pessoas que compõem o Estado. Parágrafo único – Todo o poder emana do povo. para iniciarmos a presente caminhada de estudo no Direito Constitucional. ninguém conseguiria viver em sociedade na mais absoluta liberdade. Vamos ver quais são? ESTADO Vamos ver o que esse elemento significa na contextualização do tema? Estado é uma sociedade organizada política e juridicamente destinada a alcançar o bem comum (é uma criação humana que possibilita o controle da sociedade).

cujo chefe do Poder Executivo e os integrantes do Legislativo têm investidura temporária. vê-se que o Brasil é uma República e também uma Federação. por meio de eleições. formada pela ligação indissolúvel dos Estados. O terceiro elemento da pirâmide. presumivelmente para o povo. municípios. A União detém a soberania nacional. Ao contrário da Monarquia que é outra forma de governo que se caracteriza pela vitaliciedade do rei. NACIONALIDADE A nacionalidade é o vínculo que pessoa tem com o seu país. como por exemplo: brasileiro nato é quem nasce no Brasil) ou de modo adquirido com a adoção de outra nacionalidade (ius sanguinis – origem de sangue. Analise. do Distrito Federal e da União (artigo 18.Noções de Direito Constitucional. que pode ser de modo originário quando ela nasce (ius soli – onde nasceu. Os Estados e os municípios detêm autonomia local. o segundo elemento. Penal e Administrativo O Brasil é uma República Federativa. Pela Constituição Federal de 1988. a seguir. Unitário é outra forma de Estado que é centralizado não existindo Estados-Membros com autonomia político-administrativa. da Constituição Federal). que institui a União Federal. imperador ou príncipe no poder. Santa Catarina e Rio Grande do Sul) submissos a uma Constituição Federal. independente do local de nascimento. República é a forma de governo do povo. como por exemplo o italiano). o que significa? Unidade 1 21 . Federação é a forma de Estado composto por Estados-Membros (a exemplo de Paraná. com ou sem renúncia à nacionalidade originária). Essa forma de Estado foi adotada pela Constituição do Império de 1824. rainha.

Os direitos e garantias são os seguintes: direitos e deveres individuais e coletivos (tem por finalidade assegurar a vida. Vamos analisá-lo conceitualmente. a igualdade. o controle de constitucionalidade. a liberdade. direitos sociais (são os deveres do Estado em promover o bem-estar social). ou seja. É a Constituição Federal que regula o nascimento das leis e a forma de participação do povo na sua elaboração. DIREITOS E GARANTIAS Esse é um elemento importante no conjunto da estrutura da pirâmide. nacionalidade (o vínculo que a pessoa tem com suas origens).” Além desses conceitos que envolvem o Estado. a seguir. a segurança e a propriedade). independentes e harmônicos entre si. o Legislativo (que faz as leis). porque elas representam a vontade do povo. quais sejam: os direitos e as garantias. PROCESSO LEGISLATIVO É a previsão na Constituição Federal de como as leis são feitas. o bem comum. direitos políticos (os direitos de participar da vida política do país). São os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988 e buscam assegurar às pessoas uma vida em paz e harmonia. Todos obedecem às leis.Universidade do Sul de Santa Catarina ORGANIZAÇÃO DOS PODERES A organização dos poderes vem definida no artigo 2º da Constituição Federal: “São Poderes da União. Por que você acha que é um elemento importante e necessário? 22 . o Executivo (executa as leis) e o Judiciário (fiscaliza o cumprimento das leis). Veja. há conceitos voltados às pessoas que vivem nele.

pelo Poder Judiciário. de 1937. O que você acha? Melhor para compreender o contexto não é? Então vamos lá. esse exercido pelo imperador. de 1891. de 1967 (emenda nº 1. o Executivo. quais sejam: o Legislativo. o Judiciário e o Moderador. principalmente. Nela estavam previstos quatro poderes. de 25 de março de 1824. sendo a primeira Constituição Brasileira. de 1934. As eleições eram indiretas e havia previsão de poucos direitos fundamentais. por isso. Penal e Administrativo CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE É interessante lembrar que a Constituição Federal deve ser observada e. de 24 de fevereiro de 1891. A Constituição do Império do Brasil. as seguintes constituições federais: de 1824. o Executivo e o Judiciário. A Constituição de 16 de julho de 1934. foi outorgada por D. Mas consideramos importante abordar cada uma delas para dar uma visão geral da história das constituições. A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. de previdência social. Mantevese também a tripartição dos poderes. Unidade 1 23 . de 1969) e de 1988.Noções de Direito Constitucional. com a inclusão de direitos trabalhistas. Comecemos com a Constituição de 1924. SEÇÃO 2 . a segunda Constituição Republicana.As constituições brasileiras Não deve ser novidade para você que o Brasil teve. nasceu em virtude da Proclamação da República e estabeleceu três poderes: o Legislativo. há o controle da constitucionalidade realizado. teve como ênfase os direitos sociais. até hoje. Conseguiu visualizar os conceitos iniciais por meio dos conceitos apresentados? Nesta caminhada você terá a oportunidade de aprofundar esses elementos. de 1946. de educação e cultura. Passaremos agora às constituições brasileiras. Pedro I.

de 23 de janeiro de 1963. de 02 de setembro de 1961. Distrito Federal? A Constituição de 18 de setembro de 1946 foi conseqüência do término da II Guerra Mundial e a deposição de Getúlio Vargas. enquanto o Senado Federal contém os representantes dos Estados-Membros? E que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal formam o Congresso Nacional? E que o Congresso Nacional tem sua sede em Brasília. O Poder Executivo foi fortalecido e passou a legislar por decretos-leis. Houve nacionalização das indústrias básicas (siderurgias) e proteção ao trabalho nacional. Você sabia? Que a Câmara dos Deputados possui os representantes do povo. O Presidente da República é mera peça decorativa e representa o país no exterior? E o presidencialismo é o sistema de governo em que a chefia do Estado e do Governo está reunida nas mãos do Presidente da República? 24 . com a emenda constitucional nº 04. Ela prestigiou os princípios democráticos. voltando a vigorar o presidencialismo. a separação dos poderes e os direitos e garantias fundamentais foram ampliados.Universidade do Sul de Santa Catarina A Constituição de 10 de novembro de 1937 foi outorgada por Getúlio Vargas que dissolveu a Câmara dos Deputados e o Senado. Você sabia? que o plebiscito é uma consulta prévia feita à população sobre projeto de lei ou medida administrativa? O parlamentarismo é o sistema de governo em que a chefia do Estado é exercida pelo Presidente da República. o qual foi abolido após um plebiscito. mas o governo é exercido por um gabinete de ministros. Ela instituiu o Estado Novo. com a emenda constitucional nº 06. Instituiu-se o parlamentarismo. liderado por um primeiro Ministro.

Você sabia? que o nome do Brasil mudou conforme as constituições federais? O nome do Brasil na Constituição Federal durante o Império era Império do Brasil. foram outorgadas após o Golpe Militar de 31 de março de 1964 e a deposição do Presidente João Goulart. República Federativa do Brasil. E. A Constituição da República Federativa do Brasil. 60). Penal e Administrativo A Constituição de 24 de janeiro de 1967 e a emenda constitucional nº 01. é a atual Constituição do Brasil. a estabelecer as normas do país. sobre a qual será dedicada a presente unidade. de 17 de outubro de 1969. Depois o nome passou para República dos Estados Unidos do Brasil. 1934. foi promulgada pela Assembléia Constituinte e é chamada de “Constituição-Cidadã”. então. Unidade 1 25 . com a emenda constitucional nº 01/1969 e a Constituição Federal de 1988 (FÜHRER. conforme a Constituição de 1824.Noções de Direito Constitucional. A referida Constituição sofreu uma grande alteração com a emenda constitucional nº 01/1969 e vários atos institucionais passaram. finalmente. 2005. p. nas constituições federais de 1891. 1937 e 1946. de 05 de outubro de 1988. A Constituição Federal de 1967 foi adequada à nova ordem política do país. nas constituições federais de 1967.

Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 3 . 26 . Exemplo: as constituições brasileiras de 1891.As constituições e suas classificações Como podemos classificar as constituições? As constituições podem ser classificadas de cinco formas. Formal: são aquelas colocadas no texto constitucional. c) Quanto à forma Escrita ou dogmática: é aquela que está representada por um texto completo e organizado. 1937 e a de 1967. Rígida: exige para sua alteração um critério mais solene e difícil do que o processo de elaboração da lei ordinária (comum). 1934. Outorgada. a) Quanto à origem Promulgada ou votada. d) Quanto ao conteúdo Material: são as Constituições que identificam a forma e a estrutura do Estado e o sistema de governo. essa é fruto do autoritarismo.1946 e 1988. Semi-rígida ou semiflexível: apresenta uma parte que exige mutação por processo mais difícil e solene do que o da lei ordinária. sem fazer parte da estrutura mínima e essencial de qualquer Estado. essa é fruto de um processo democrático (portanto. Exemplo: as constituições brasileiras de 1824. b) Quanto à mutabilidade Flexível: não exige para sua alteração qualquer processo mais solene. democrática). Costumeira ou histórica: é aquela formada por textos esparsos.

E você? Saberia situar a Constituição Brasileira na sua respectiva classificação? Use o espaço a seguir para fazer seus registros. desde que observado o processo legislativo especial). uma vez que decorreu da manifestação popular).Noções de Direito Constitucional. rígida (é mutável. material (traz em seu texto a forma e estrutura do Estado e o sistema de Governo) e reduzida (a um único texto constitucional) acertou na classificação. Penal e Administrativo e) Quanto à sistemática Reduzida: é representada por um código único. Se você respondeu que a Constituição de 1988 é escrita (é redigida). legal (pois tem força normativa). Variada: os textos estão espalhados em diversos diplomas legais. Parabéns! Unidade 1 27 . democrática (promulgada.

naquilo que a própria Constituição Federal autoriza. que deve manifestar sua vontade de constituir um país. Seu titular é o povo.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 4 . existe também o poder derivado (ou reformador) que é o poder dos representantes do povo de modificar a Constituição Federal. Classificação do poder constituinte 28 . por meio de emendas constitucionais. Modernamente. de um povo social e juridicamente organizado. É o poder constituinte que dá origem à Constituição Federal. quem exerce o poder são os representantes do povo. O poder constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade popular. Você já teve oportunidade de ler ou estudar sobre isso? Perceba como ele é importante na organização social de um país. 2. Além do poder originário que dá origem à Constituição Federal.O poder constituinte O que é o poder constituinte. Veja a representação a seguir: Fig.

porém podem ser objeto de controle da constitucionalidade. Leis complementares. Leis ordinárias. 60. As emendas têm a mesma hierarquia constitucional das normas constitucionais originárias. I a IV.O processo legislativo O processo legislativo está previsto na Constituição Federal de 1988. e Unidade 1 29 . Resoluções.Noções de Direito Constitucional. As leis complementares são normas jurídicas intermediárias entre as leis ordinárias e as emendas constitucionais. Decretos legislativos. Medidas provisórias. Agora vamos ver o que cada uma significa? Emendas constitucionais – são manifestações do poder constituinte derivado (ou reformador) e. na medida em que devem respeitar as cláusulas pétreas (art. da Constituição Federal). nos artigos 59 a 69. Espécies de normas jurídicas Emendas à Constituição Federal. como tal. cuja relevância impediria a possibilidade de sua constante alteração por meio de leis ordinárias. estão limitadas. § 4º. condicionadas e subordinadas às regras da própria Constituição Federal. Penal e Administrativo SEÇÃO 5 . e consiste na seqüência de atos para elaboração de normas jurídicas. Há duas justificativas para sua existência: a) uma que diz respeito à importância constitucional. Leis delegadas.

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b) outra para assegurar poucas alterações diante da alta mutabilidade política, social e econômica, o que, apesar da relevância, impediria sua mudança constante e também impediria seu engessamento no texto constitucional. Exemplos: Sistema Financeiro Habitacional (art. 192, caput); Ministério Público (art. 128, § 5º); art. 22, parágrafo único; etc. As leis ordinárias são as leis comuns que são aprovadas por maioria simples de cada casa legislativa (isto é, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal).

Você sabia? Que a diferença entre a lei complementar e a lei ordinária está no quorum de votação, pois o da lei complementar depende de maioria absoluta (art. 69) das casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado Federal), enquanto o quorum da lei ordinária é maioria simples (art. 47). Se for lei estadual, maioria absoluta da Assembléia Legislativa para complementar, ou maioria simples para a lei ordinária. O mesmo ocorre no caso das Câmaras de Vereadores dos municípios.

As medidas provisórias são uma novidade constitucional. Surgiram na Constituição Federal de 1988 e vieram para substituir os antigos decretosleis. A idéia inicial era limitar o poder presidencial que existia em razão desses decretos-leis. Porém, como se sabe, houve total desvirtuamento dessa idéia, em face do grande número de medidas provisórias editadas até hoje (quase duas mil desde a criação pela Constituição Federal de 1988). É pacífico da necessidade de existir uma espécie normativa que seja editada pelo chefe de Governo (no Brasil é também o chefe de Estado – sistema presidencialista), pois o Parlamento (Congresso Nacional) é muito moroso, podendo existir uma situação de urgência que precise ser disciplinada, daí a criação das medidas provisórias. São características das medidas provisórias:

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CARACTERÍSTICAS DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS: I) só podem ser editadas em situações emergenciais, pois a função legislativa é do Parlamento; II) são sempre temporárias, pois quem pode fazer uma norma jurídica definitiva é o Congresso Nacional; III) responsabilidade política dessa norma jurídica é do chefe do Poder Executivo.

“É importante que você perceba que as medidas provisórias têm força de lei imediatamente, isto é, assim que são editadas pelo Presidente da República, têm vigência pelo prazo de 60 (sessenta) dias, sendo uma norma jurídica temporária. A reedição é possível, pois passado o prazo citado, edita-se outra medida provisória (outro número) com a mesma matéria. Justamente por isso é que algumas vêm com a seguinte numeração: nº 375-6 (o dígito corresponde ao número de vezes que a matéria foi reeditada)”. Deve ser remetida ao Presidente do Congresso Nacional, o qual terá o prazo de 48 horas para formar uma comissão temporária mista (7 senadores e 7 deputados) para analisá-la. A cada nova medida provisória editada será formada uma nova comissão, que emite um parecer, o qual é levado ao plenário do Congresso Nacional. A sessão é conjunta (fisicamente), mas bicameral, e o plenário do Congresso Nacional pode tomar quatro posturas: duas pela aprovação e duas pela rejeição. Tal procedimento é regulamentado pelas resoluções nº 01 e 02/89, do Congresso Nacional. Veja, a seguir, quais os passos para a conversão de uma medida provisória em lei.

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Conversão da medida provisória em lei ordinária
1) Aprovação integral da medida provisória: o Congresso Nacional converte a medida provisória em lei, por maioria simples na Câmara e no Senado (sessão fisicamente conjunta, mas bicameral). Após, vai para a promulgação pelo Presidente do Senado, que determinará sua publicação. 2) Aprovação com alterações: a medida provisória é aprovada com alterações (supressivas ou aditivas). É a hipótese que se verificou no Plano Real. Nesse caso, a medida provisória não se converte em lei, mas sim em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional. A partir daí, segue-se o processo legislativo ordinário (lei ordinária), com a deliberação executiva e posterior promulgação pelo Presidente da República, caso seja sancionada. 3) Rejeição expressa: ocorre quando o plenário não aprova a medida provisória. Essa rejeição tem efeitos “ex tunc”, retroagindo até a data da edição, como se essa medida provisória nunca tivesse existido. No caso de rejeição expressa, a medida provisória só poderá ser reeditada na próxima sessão legislativa (art. 67 da CF). 4) Inércia do Congresso Nacional: rejeição tácita. Se em 60 dias (prazo de vigência de uma medida provisória) o Congresso Nacional não converter a medida provisória em lei, há rejeição tácita. Baseia-se na idéia de que não pode haver uma espécie normativa, com vigência por muito tempo, editada por uma só pessoa (Presidente da República) e, assim, a medida provisória se não for reeditada perde sua vigência.

Registre no espaço a seguir um exemplo concreto do que foi abordado. Você conhece uma medida provisória que foi convertida em lei ou que está em discussão? Discuta esta questão com seus colegas na ferramenta Fórum.

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o mandato dos deputados – quatro anos – tem uma legislatura e a Câmara se renova integralmente de quatro em quatro anos. de quatro em quatro anos. b) de competência privativa da Câmara e do Senado (arts. Penal e Administrativo As leis delegadas estão previstas no artigo 68. da Constituição Federal. em princípio. 51 e 52 – por meio de resoluções). pode ser disciplinada por lei ordinária. e) referentes ao orçamento (são três as espécies de leis orçamentárias. à nacionalidade. respeitadas as limitações anteriores. à cidadania e aos direitos individuais. Algumas matérias são insuscetíveis de delegação: a) de competência exclusiva do Congresso Nacional (art. tem duas legislaturas – oito anos – e o Senado renova um terço e dois terços de seus membros.Noções de Direito Constitucional. e são utilizadas mais no sistema parlamentarista do que no presidencialista. É norma jurídica editada pelo Presidente da República mediante solicitação ao Congresso Nacional (iniciativa solicitadora exclusiva do Presidente) e autorização desse. justamente por isso que de 1988 (com a promulgação da Constituição Federal) até hoje foi editada apenas uma lei delegada. respectivamente. os limites de conteúdo dela e os limites de exercício (prazo para edição da lei pelo Presidente). Unidade 1 33 . O prazo máximo para delegação é o término da legislatura. Note que o Congresso Nacional só pode delegar uma matéria que. a lei de diretrizes orçamentárias e as próprias leis orçamentárias). por sua vez. políticos e eleitorais. Legislatura compreende o mandato do parlamentar. O instrumento formal que concede a delegação é resolução aprovada por maioria simples dos votos das casas do Congresso Nacional. c) de lei complementar (previstas taxativamente na Constituição Federal). d) relacionadas à organização do Poder Judiciário e do Ministério Público. quais sejam: a lei do plano plurianual. Assim. Já o mandato dos senadores. Nesta resolução vai constar a própria delegação. 49 – por meio de decretos legislativos).

Há as resoluções da Câmara (artigo 51) e do Senado (artigo 52) nos assuntos de competência privativa de cada uma dessas casas. As resoluções (art. 49 e também não no art. parágrafo único. VII. O Presidente da República não participa de sua elaboração (art. 62. com maior número de fases Além dele. 49. da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A rejeição de uma medida provisória implica em regulamentação das relações jurídicas decorrentes por meio de decreto legislativo (artigo 62. Só utiliza o decreto legislativo se for matéria do art. 62. Portanto. mais completo. Qualquer outra matéria que o Congresso Nacional queira regulamentar (que não esteja no art. há também outros processos legislativos. da Constituição Federal) será por meio de resolução do Congresso Nacional. Como se classifica o processo legislativo? O processo legislativo ordinário (ou comum) se destina à feitura de uma lei ordinária. que são as resoluções da Câmara e do Senado Federal.Universidade do Sul de Santa Catarina O decreto legislativo é uma norma jurídica utilizada para regulamentar as competências exclusivas do Congresso Nacional. O processo legislativo da resolução do Congresso Nacional é idêntico ao processo legislativo de feitura do decreto legislativo. da Constituição Federal). que podem ser: 34 . parágrafo único. da Constituição Federal) são espécies normativas utilizadas para regulamentar os assuntos de competência do Congresso Nacional. parágrafo único. 49 ou do art. da Constituição Federal). da Constituição Federal. A primeira é promulgada pelo Presidente da Câmara e a segunda pelo Presidente do Senado. há espécie normativa unicameral. 49.

cabe aos membros ou às comissões do Poder Legislativo. Não há prazo para a aprovação ou rejeição do projeto de lei. leis delegadas. aos Tribunais Superiores. Vamos conhecer as fases de elaboração da lei ordinária? 1) Iniciativa – é a apresentação do projeto à casa legislativa. da Constituição Federal. emendas e votação do projeto. § 4º. abrangendo apenas os parlamentares presentes à votação. em que o Presidente da República pode solicitar urgência para apreciação de projeto de sua iniciativa. conforme art. Será tácita quando não houver manifestação no prazo de 15 dias. ao Supremo Tribunal Federal. Pode ser total ou parcial. 61. O veto pode ser derrubado pelo Congresso em voto da maioria absoluta dos deputados e senadores. 2) Aprovação – consiste nos estudos. contados do recebimento do projeto. ao procurador-geral da República e também aos cidadãos (Art. medidas provisórias. É a hipótese do artigo 64.Noções de Direito Constitucional. A elaboração das leis também compreende fases. Penal e Administrativo sumário (regime de urgência) – único processo com prazo certo para terminar. 64. Pode ser expressa ou tácita. leis complementares. como por exemplo. debates. 66. Unidade 1 35 . 4) Veto – quando manifesta sua discordância. 3) Sanção – é o ato pelo qual o chefe do Executivo manifesta sua concordância com o projeto de lei aprovado pelo Legislativo. Mas o Presidente da República poderá solicitar urgência nos projetos enviados por ele. da Constituição Federal. resoluções e decretos legislativos. redações. ao Presidente da República. emenda constitucional. da Constituição Federal. Na esfera federal. da Constituição Federal). § 1º. Próprio para leis ordinárias e complementares. A aprovação final dáse por maioria simples ou relativa. especial – é o processo legislativo diferenciado da lei ordinária. § 1º. conforme art.

Veja a seqüência da elaboração de forma esquemática. 1º. tornando-se obrigatória na data indicada para sua vigência.Universidade do Sul de Santa Catarina 5) Promulgação – decorre da sanção e tem o significado de proclamação. a desconstitucionalização e a repristinação. desconstitucionalização. Com a publicação a lei se presume conhecida de todos. como por exemplo.Sanção . a saber: 36 . quais sejam: a recepção. Vamos ver o que é isso? Além desses conceitos acima. Se for omitida a data para sua vigência. 6) Publicação – é a última fase. A sanção e a promulgação se dão ao mesmo tempo.Aprovação . Nesses casos teremos basicamente três efeitos no mundo das leis. com a assinatura do Presidente da República.Publicação Atente-se à idéia de recepção. repristinação. FASES DE ELABORAÇÃO DA LEI ORDINÁRIA . há necessidade de compreender os efeitos jurídicos decorrentes da substituição de uma Constituição Federal por outra. da substituição da Constituição Federal de 1967 (com sua emenda constitucional nº 01/1969) pela Constituição Federal de 1988.Iniciativa . da Lei de Introdução ao Código Civil).Promulgação . dentro do território nacional e três meses fora dele (art. a lei se torna obrigatória em 45 dias após a publicação.

Penal e Administrativo recepção é o recebimento de todo ordenamento jurídico (ou seja.” (ARAUJO. apesar da vigência da Constituição Federal de 1988. conforme acima relatado). no Brasil há a recepção e não há a desconstitucionalização. pela Constituição de 1967. NUNES JÚNIOR. que tenha sido revogada. Figure-se a hipótese de norma editada sob a égide da Constituição de 1946. de todas as leis existentes) editado na vigência das constituições anteriores e que ainda estiver em vigor pela nova Constituição Federal. por incompatibilidade. o que. desde que apresente o requisito da compatibilidade (sentido técnico-jurídico). Exemplo disso é o Código Penal que é uma norma jurídica de 1940 e que ainda continua em vigor.Noções de Direito Constitucional. não é possível. desconstitucionalização é a recepção da Constituição anterior por parte da nova ordem constitucional. p. mas que viesse a apresentar compatibilidade com a atual. 2005. ela estaria automaticamente revalidada. caso essa fosse compatível com a atual Constituição. repristinação “significa a revalidação de norma revogada pela Constituição anterior. ser ressuscitada sem previsão expressa. pois uma nova Constituição significa o rompimento com a anterior. porém com força de lei. Não é adotada no Brasil. Admitir a repristinação significaria que. 17-18). mantendo-se apenas as normas infraconstitucionais compatíveis com a nova Constituição (ou seja. não podendo. desde que presente um único requisito: a compatibilidade com as novas normas constitucionais. assim. pois essa norma já desapareceu. Isso quer dizer que o Código Penal existe porque foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Unidade 1 37 . como se disse.

as cláusulas pétreas previstas na Constituição Federal são aqueles artigos da Constituição Federal que não podem ser modificados por emendas constitucionais São cláusulas pétreas e por isso não podem ser modificadas por emendas constitucionais. à medida que devem respeitar as cláusulas pétreas. 60. § 4º. Exemplo: a Constituição Inglesa.As cláusulas pétreas Você sabe o que são cláusulas pétreas? Já ouviu falar? Bem. I e 60. ela é mutável. posto que exige um processo legislativo especial mais dificultoso para sua alteração. Uma emenda constitucional é a manifestação do poder constituinte derivado (ou reformador) e. porém o legislador confere a algumas maior importância. Emendas à Constituição Federal Analise o seguinte: A Constituição Federal prevê. As emendas constitucionais têm a mesma hierarquia constitucional das normas constitucionais originárias. porém podem ser objeto de controle de constitucionalidade. a permissão de emendas constitucionais. ela possui um núcleo imodificável (art. como tal. Uma Constituição Federal mutável divide-se em: I) rígida – atual Constituição Federal. as normas têm mesma hierarquia. § 4º) que são as cláusulas pétreas. determinando a essas um processo legislativo especial para alteração. 38 . como previsto no artigo 60. nos artigos 59.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 6 . II) semi-rígida ou semiflexível – a Constituição Federal de 1824 é um exemplo. condicionada e subordinada às regras da Constituição Federal. ou seja. está limitada. Apesar disso. III) flexível – é aquela que pode ser modificada a qualquer momento. da Constituição Federal. I a IV.

Penal e Administrativo Isso porque o artigo 60. EstadosMembros e municípios e que não pode ser modificada por emendas constitucionais. Separação dos poderes – é a separação da estrutura consagrada no artigo 2º. por fim. não seriam possíveis mandatos vitalícios. Na ausência do Presidente da República. já que foi eleito juntamente com o Presidente. I a IV. Os poderes da República são independentes (Teoria da Separação dos Poderes) e harmônicos (Teoria dos Freios e Contrapesos norte-americana. e significa que o representado deve votar no seu representante. assume o Vice-Presidente. Todos os mandatos devem ser periódicos no regime democrático. que prega controles recíprocos de um poder por outro). da Constituição Federal (princípio da soberania popular). Unidade 1 39 . § 4º. descreve as cláusulas pétreas e impede que as emendas constitucionais venham modificar os artigos da Constituição Federal de 1988.Noções de Direito Constitucional. da Constituição Federal. O voto direto tem seu substrato no artigo 1º. de tempos em tempos o povo deve ser chamado para escolher seus representantes. isto é. Em face dessa cláusula. o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Direitos e garantias fundamentais – os direitos individuais são espécie do gênero direito e garantias fundamentais. secreto. Todos assumem. Voto direto. Forma federativa do Estado – a forma federativa é a estrutura política do Brasil em União. da Constituição Federal. universal e periódico – significa que o regime democrático no Brasil é cláusula pétrea. mas apenas o VicePresidente pode assumir o cargo de forma definitiva. relacionados os temas seguintes. depois o Presidente da Câmara dos Deputados (“casa do povo”) seguido do Presidente do Senado (“casa dos EstadosMembros”) que é sempre o Presidente do Congresso Nacional.

até mesmo da área em que você atua. Vamos em frente? Agora vamos analisar como nasce uma emenda constitucional. 14). Use o espaço a seguir para registrar suas considerações. e 5. organização e participação em partidos políticos (art. 5º). relacionados com a criação. direitos e garantias individuais e coletivos (art. Use a Constituição e descreva uma situação concreta. Os direitos e garantias fundamentais são cláusulas pétreas. Cite um exemplo de cláusula pétrea. Você sabe? 40 . 3. 4. 12). 2. 17). 6º a 11). direitos sociais (arts. direitos políticos (art.Universidade do Sul de Santa Catarina Como os direitos fundamentais são classificados? Os direitos fundamentais podem ser de cinco espécies: 1. direitos de nacionalidade (art.

agora. As Câmaras de Vereadores são os poderes legislativos dos municípios. o que significa o controle de constitucionalidade.Noções de Direito Constitucional. Ambas as casas legislativas têm por função a edição de leis estaduais e municipais. ou seja. Analise como se dá esse processo. que as leis não podem nascer de uma vontade ou de um interesse individual. Você concorda? Então. Você se lembra. agora veja como nasce uma emenda constitucional. ou de um terço dos Senadores da República. Art. Unidade 1 41 . portanto. É importante que você perceba. As Assembléias Legislativas são os poderes legislativos dos Estados-Membros. ou de mais da metade das Assembléias Legislativas. condicionado e subordinado às regras da própria Constituição Federal. vejamos. está limitado. ou de um terço dos Deputados Federais. que são manifestações do poder constituinte derivado e. sem exceção. não é? Bem. § 5º: a matéria constante em proposta de emenda constitucional rejeitada só pode ser objeto de deliberação na próxima sessão legislativa. exercido por meio do contrato social. com o intuito de garantir os princípios e preceitos constitucionais e as garantias individuais e coletivas. Penal e Administrativo Você viu o que significa uma emenda constitucional. neste contexto. como tal. Iniciativa A iniciativa de uma proposta de emenda constitucional (PEC) pode ser de iniciativa do Presidente da República. os direitos e deveres do cidadão e das instituições para a manutenção do equilíbrio social. 60. é necessário que se exerça um controle efetivo.

Assim temos: Fig. neste caso. 3. pois são proibidas pela Constituição Federal as torturas e as penas degradantes.O controle da constitucionalidade O controle da constitucionalidade consiste no exame de leis com o fim de excluir aquelas leis que são contrárias ao disposto na Constituição Federal de 1988. O controle pode ser preventivo ou repressivo. como o Brasil. no mínimo deve ser para uma Constituição rígida ou semi-rígida. 42 . por ação direta de inconstitucionalidade. Já imaginou se fosse editada uma lei de cortar as mãos de todo ladrão?? Tal lei seria claramente inconstitucional. b) Controle da constitucionalidade repressivo é aquele feito pelo Poder Judiciário que pode ser por defesa (difuso). não há que se falar em controle de constitucionalidade. Nos países onde a Constituição é flexível e não escrita.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 7 . Logo. Controle de constitucionalidade O controle da constitucionalidade é aplicável nos sistemas jurídicos que se caracterizam pela supremacia das normas constitucionais. a) Controle da constitucionalidade preventivo é aquele feito pelo Poder Legislativo e Executivo em não editar e não aplicar as leis claramente inconstitucionais. já que não existe hierarquia entre a Constituição e as leis. aquele discutido em processo judicial e o feito por ação. como a Inglaterra.

Os direitos são as faculdades atribuídas aos indivíduos e as garantias são as disposições que asseguram tais direitos. à liberdade. A Constituição Federal de 1988 classifica os direitos e as garantias como sendo os referentes à vida. arrola os direitos e deveres individuais e coletivos. nos termos seguintes: Unidade 1 43 . 5º . isso ajudará você a compreender melhor os conteúdos mais complexos. conforme se vê do artigo 5º: Art. da Constituição Federal. SEÇÃO 8 .Noções de Direito Constitucional. fazer anotações dos pontos-chaves. à segurança e à propriedade. O que você está achando da matéria até aqui? Está conseguindo acompanhar? Não esqueça de marcar as partes mais importantes. conforme o artigo 103. à igualdade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. à segurança e à propriedade.Os direitos e os deveres individuais O artigo 5º. que consiste numa ação que pode ser proposta no Supremo Tribunal Federal para a obtenção de declaração de inconstitucionalidade de uma lei ou de ato administrativo normativo. sem distinção de qualquer natureza. Com a ação direta de inconstitucionalidade busca-se retirar de vigência uma lei inconstitucional. como o procurador-geral da República ou partido político entre outros. da Constituição Federal. Penal e Administrativo Perceba que uma das formas do controle da constitucionalidade realizado pelo Poder Judiciário é a ação direta de inconstitucionalidade. à igualdade. à liberdade.Todos são iguais perante a lei. Só pode ser proposta no Poder Judiciário por algumas autoridades.

supridas as diferenças. Homens e mulheres são tratados com igualdade. os quais podemos destacar: I . justamente para que. As pessoas estão obrigadas a fazer ou deixar de fazer alguma coisa somente por meio de leis estabelecidas pelo legislador. dedicam-se mais ao recém-nascido que carece mais da mãe. TRATAR DE MANEIRA IGUAL OS IGUAIS E DE MANEIRA DESIGUAL OS DESIGUAIS. se atinja a igualdade substancial. que impõe tratamento desigual aos desiguais. O artigo 5º possui vários incisos. 44 . A aparente quebra do princípio da isonomia (igualdade das partes). Dessa forma. Assim. pela natureza. a serem propiciadas pelo Estado). nos termos desta Constituição. no ordenamento jurídico (por exemplo: vagas reservadas para deficientes físicos nos estacionamentos de veículos). clama-se pela igualdade substancial (iguais oportunidades para todos.Universidade do Sul de Santa Catarina Veja que a Constituição buscou garantir uma igualdade jurídica. O próximo inciso obriga o respeito à lei. O que no primeiro momento parece um tratamento desigual. em síntese. a legislação deve adequar tais diferenças naturais para estabelecer a igualdade material. Veja um exemplo: O prazo de licença maternidade de 120 dias e licença paternidade de cincodias.homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. obedece exatamente ao princípio da igualdade real e proporcional. na verdade se dá devido à natureza de cada um. a qual significa. mas por natureza são desiguais. NA MEDIDA DE SUA DESIGUALDADE. As mulheres.

o paradigma.Noções de Direito Constitucional. 5º. Tem-se por lei. gestos. o modelo. de portarias ou de qualquer forma de direito administrativo. como por exemplo o ato obsceno (como se apresentar nu na praça pública ou numa janela. só terá valor se estiver amparada e de acordo com a lei. imagens.é livre a manifestação do pensamento. A livre manifestação do pensamento não é um direito absoluto. Porém não é admitido o anonimato. sendo vedado o anonimato. Unidade 1 45 .ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. além da indenização por dano material. Dessa forma. a convenção para servir como um padrão de comportamento. moral ou à imagem (art. V. O dispositivo tem endereço certo: as autoridades públicas e seus agentes. Exteriorizar o pensamento por meio de palavras. pois é crime previsto no artigo 233. por meio de decretos. IV . símbolos. Penal e Administrativo II . O que ele quer dizer é que qualquer ordem do Poder Estatal em suas funções executivas. A lei 9. III . CF). Qualquer prática de tortura é crime e deve ser punido pelo Poder Judiciário. do Código Penal. proporcional ao agravo. fotografias e desenhos é garantido pela Constituição Federal. pois é assegurado o direito de resposta. ou urinar na via pública) que não pode ser considerado como livre manifestação do pensamento. a manifestação do pensamento não pode violar a lei.ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.455/1997 define os crimes de tortura. a regra.

é inviolável a liberdade de consciência e de crença. para prestar socorro. a honra e a imagem das pessoas. a casa é asilo inviolável do indivíduo e ninguém pode penetrar sem consentimento do morador. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. Durante o dia. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. a vida privada. salvo em caso de prisão de flagrante delito ou desastre. ou durante o dia por determinação judicial. cinco são as hipóteses: consentimento do morador. mediante mandado judicial de prisão ou de busca e apreensão.a casa é asilo inviolável do indivíduo.Universidade do Sul de Santa Catarina VI . X . desastre. ou. há duas situações distintas para violação da casa: durante a noite e durante o dia.são invioláveis a intimidade. flagrante delito. do Código Penal) e a violação da honra (calúnia. ou para prestar socorro. para prestar socorro. eis que sob o manto de inviolabilidade de crença não há como legitimar sacrifícios humanos (por exemplo) em adoração a deuses. As pessoas possuem intimidade. desastre. difamação e injúria). durante o dia. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. Tal liberdade não pode violar outros direitos fundamentais como a vida. para prestar socorro. Durante a noite. Constituem crimes a divulgação de segredo (artigo 153. por determinação judicial. em caso de flagrante delito. Portanto. somente se pode entrar no domicílio alheio em quatro hipóteses: com consentimento do morador. na forma da lei. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. e. 46 . XI . honra e vida privada que são invioláveis e asseguradas pela Constituição Federal. Conforme a Constituição Federal dispõe. A inviolabilidade da liberdade de consciência e crença também não é absoluta.

sujeita o violador a crime de abuso de autoridade. na oposição do morador ou da pessoa a ser presa. XIII . o consentimento do morador. Constitui crime previsto nos artigos 151 e 152. a). A violação do domicílio à noite. Durante a noite. XII . A inviolabilidade do sigilo impede que o receptor o divulgue. ocasionando dano a outrem. de dados e das comunicações telefônicas. Porém a liberdade profissional está limitada aos requisitos que a lei ordinária estabelecer. Penal e Administrativo Havendo mandado de prisão. art. Assim.Noções de Direito Constitucional. nesse caso. devendo aguardar até o amanhecer. o executor do mandado de prisão não poderá invadir a casa. violar correspondência alheia. e. concursos etc. salvo. Sigilo é o segredo. Advocacia. consistente em “executar medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais ou com abuso de poder” (lei 4898/65. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. 4º. por ordem judicial. do Código Penal. Unidade 1 47 . cujas profissões exigem cursos de capacitação. ofício ou profissão. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. provas. ninguém pode abrir a correspondência para conhecer o seu conteúdo.é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. no interior da casa.é livre o exercício de qualquer trabalho. Quer dizer que qualquer pessoa pode exercer a profissão que quiser. no último caso. a captura. medicina e policial. então arrombar a porta e cumprir o mandado. dispensando-se. para cumprir o mandado. somente pode ser efetuada durante o dia (do amanhecer até o anoitecer).

XXXIII .Universidade do Sul de Santa Catarina O artigo 47. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. há informações de caráter reservado que não podem ser divulgadas a terceiros. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. Todos têm direito de receber informações dos órgãos públicos. que serão prestadas no prazo da lei. revelar tal mister. XX . ou atividade econômica ou anunciar. realizar. quer sejam de interesse particular. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Contudo. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. igreja. o número de carteira de identidade. desempenhar ato próprio de profissão. sem ter a devida qualificação profissional.051. da Lei de Contravenções Penais. sob pena de responsabilidade. etc. O prazo de resposta da administração pública é de 15 dias contado do registro do pedido no órgão expedidor. clube. A criação de associações independe de autorização do Poder Público e o texto constitucional assegura a não-interferência do Estado.são a todos assegurados. etc.todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. dar notícias. o CPF. XXXIV . nos termos da Lei Federal nº 9. que dispõe sobre a expedição de certidões para a defesa de direitos e esclarecimentos. 48 . publicar. ou de interesse coletivo ou geral. de 18 de maio de 1995.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. associação. não pode haver obrigatoriedade de associação. Assim. trata do exercício ilegal de profissão ou atividade que consiste em exercer. A pessoa é livre em associar-se ou não a alguma entidade. quer sejam de interesse coletivo. como por exemplo.

Direito adquirido é o direito de qualquer natureza que já se incorporou ao patrimônio da pessoa. a lei nova não pode atingir situações já consolidadas sob o império da lei antiga. Coisa julgada é a situação decorrente da sentença judicial contra a qual não caiba recurso. O que foi realizado de acordo com a lei antiga não será modificado pela lei nova. salvo se forem consideradas sigilosas por lei ordinária. Unidade 1 49 . garante sempre o acesso à justiça. o qual. que é o direito de demandar.a lei não prejudicará o direito adquirido. Nenhuma norma jurídica pode impedir a pessoa de ter acesso ao Poder Judiciário para resolver seus conflitos. A lei também assegura. de 8 de janeiro de 1999. portanto. e estabelece no § 1º do artigo 23: “Os documentos cuja divulgação ponha em risco a segurança da sociedade e do Estado.159.Noções de Direito Constitucional. em sua plenitude. Penal e Administrativo É assegurado a todos o direito de petição. da honra e da imagem das pessoas são originariamente sigilosos. isto é. A Lei Federal nº 8. no ato jurídico perfeito e na coisa julgada. por sua vez. ou seja. resguardando-se o ato jurídico perfeito. dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. seus litígios. A administração não pode recusar o fornecimento de informações. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. da vida privada.” XXXV . bem como aqueles necessários ao resguardo da inviolabilidade da intimidade. o ato jurídico perfeito. Não se permite. XXXVI . Ato jurídico perfeito é a manifestação da vontade do agente segundo as prescrições de direito. Basta qualquer indivíduo invocar uma lesão ou ameaça para contar com o pronunciamento do Judiciário. de apresentar sua pretensão à administração pública. que a lei nova venha interferir no direito adquirido.a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

estabelece os crimes resultantes de raça ou cor.não há crime sem lei anterior que o defina. XLII .716/89.106. XLI . Tal preceito já vinha definido no artigo 2º. constituindo tal crime inafiançável e imprescritível. A lei nº 7. alterada pela lei nº 9. XL . nem pena sem prévia cominação legal. deixando de considerar a sedução como crime. salvo para beneficiar o réu. se alguém foi preso por crime de sedução (artigo 217. E. A lei nº 8.a lei penal não retroagirá. etnia ou procedência nacional praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza. Aquele que tinha praticado o crime de sedução deixa de ser criminoso.a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. A lei só pode retroagir para beneficiar o réu.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. do Código Penal) deverá ser posto em liberdade a partir da lei nº 11.081/90 estabeleceu os crimes e as penas aplicáveis aos atos discriminatórios ou de preconceito de raça.459/97. cor. que revogou o artigo 217. que foi elevado à categoria constitucional e quer dizer que somente existe crime se houver previsão legal anterior à conduta criminosa. de 28 de março de 2005. somente existe cominação de pena porque já tem previsão legal. do Código Penal. sujeito à pena de reclusão. nos termos da lei. do Código Penal. Imprescritível quer dizer que 50 .Universidade do Sul de Santa Catarina XXXIX . Inafiançável quer dizer que se a pessoa for presa em flagrante não poderá pagar fiança para responder pelo crime em liberdade. pois a lei nova retroage no tempo para abranger as situações passadas. ainda. Por exemplo. do Código Penal. O princípio da legalidade já existia no artigo 1º. Só existe crime de furto porque já existe lei anterior fazendo a previsão. religião.

XLVII . e) cruéis. c) de trabalhos forçados.a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. XLVI . entre outras. b) perda de bens. Ora. XLIX . de acordo com a natureza do delito. b) de caráter perpétuo. XLVIII . nos termos do art. Unidade 1 51 . XIX. e) suspensão ou interdição de direitos. c) multa. mesmo passado tanto tempo quando pisar no Brasil estará sujeito às penas de crime de racismo. 84. A pena de morte só é permitida pela Constituição Federal. Também serve como aviso às pessoas para não praticarem infrações penais. d) de banimento. Pena é uma sanção aplicada pelo Estado ao infrator penal como retribuição de seu ato ilícito e para prevenir a prática de novos delitos. A Constituição Federal prevê penas permitidas e proibidas.não haverá penas: a) de morte. a idade e o sexo do apenado. Podem passar 20.é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. Penal e Administrativo o crime jamais será prescrito.Noções de Direito Constitucional. conforme o Código Penal Militar. pois estarão sujeitas às penas previstas nas leis penais. Por exemplo. supondo que alguém pratique crime de racismo e resolva passar 20 anos (escondido) no país vizinho do Uruguai para fugir do processo criminal. L . em caso de guerra declarada. e sua execução será feita por fuzilamento. pois tal crime é imprescritível. salvo em caso de guerra declarada. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade.a lei regulará a individualização da pena e adotará. 30 ou 40 anos da prática delituosa que o criminoso estará sujeito a responder a processo de crime de racismo e à cominação das penas. d) prestação social alternativa.

solucionando-os. Administrativo. As mulheres não cumprem pena privativa de liberdade junto com homens. O processo. LIII . o preso mantém todos os direitos. 5º. no exercício da sua função jurisdicional. Para as mulheres há condições especiais. teve sua origem na arbitragem compulsória do período clássico do Império Romano. Ao preso deve ser garantida a sua integridade física e moral. como conhecemos atualmente. exceto a liberdade. O processo será penal ou civil. uma vez que o Processo penal é aquele em que existe uma pretensão punitiva do Estado. LIV . quer dizer que só pode exercer a jurisdição aquele órgão a que a Constituição atribui o Poder Jurisdicional. em que o Pretor escolhia o árbitro para dar solução aos conflitos (litígios). Disciplinando um e outro processo. de modo que não é dado ao legislador ordinário criar juízes ou tribunais de exceção (art. Só da Constituição Federal de 1988 pode emanar o Poder Jurisdicional (de julgar). resolver os conflitos. XXXVII. temos respectivamente o Direito Processual Civil e o Direito Processual Penal. industrial ou semelhante. com participação das partes e obedecendo ao estabelecido na legislação processual. Tributário. conforme a pretensão sobre a qual incide. ou na colônia agrícola. Afinal.Universidade do Sul de Santa Catarina A pena poderá ser cumprida na penitenciária. 52 .ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. Trabalhista. O presente inciso trata do princípio do juiz natural. o resto) e por meio do qual se resolvem conflitos do Direito Privado. da Constituição Federal). Direito Constitucional. ou em casa de albergue.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. conforme a Lei de Execuções Penais. conforme o condenado e a natureza do crime praticado. E civil é o processo que não é penal (ou seja. Processo legal é o instrumento de que se serve o Estado para.

o contraditório tem por escopo a oportunidade do acusado. no inquérito policial militar (art. em processo judicial ou administrativo. de nulidade do processo. para possibilitar o exercício da ação penal pelo Ministério Público. manifestar-se e ser ouvido sobre todos os elementos que constituem a acusação e/ou processo. enfim. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. 5º. as provas obtidas por meios ilícitos. e artigo 36. A ampla defesa se caracteriza principalmente pela oportunidade do acusado. por si ou por seu procurador constituído (artigo 133. sob pena de infirmar. do Código de Processo Penal Militar) não há contraditório e ampla defesa. da Constituição Federal e artigo 38. ou da parte contrária. 301. CPP). 9º. Penal e Administrativo LV . de apresentar a sua defesa. obter confissão de crime com o uso da tortura ou interceptação telefônica sem autorização judicial. de participar de todos os atos: mediante perguntas às testemunhas. LVI . com os meios e recursos a ela inerentes. Unidade 1 . in fine. pois tais procedimentos administrativos visam a colher indícios de prova. ou do litigante. de quesitos na perícia. da lei 9. Por sua vez. no processo. São consideradas provas ilícitas.são inadmissíveis. de ter vistas ao processo antes da decisão final da autoridade judiciária. de estar presente no processo. Cabe lembrar. do Código de Processo Penal Militar) e na prisão em flagrante (art. 53 Artigo 9º. a ampla defesa e o contraditório são aplicados em todos os processos judiciais e administrativos. antes da decisão final da autoridade judiciária. em rebater as alegações da acusação. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são garantias constitucionais aos acusados em geral e aos litigantes em processo judicial e administrativo. do Código de Processo Civil) de solicitar qualquer meio de prova. A regra é a da inadmissibilidade das provas ilícitas ou das ilegítimas.aos litigantes.099/99. do CPP e 243. do Código de Processo Civil. de apresentar todos os elementos probatórios. de ser ouvido. ou do litigante. que no inquérito policial (art.Noções de Direito Constitucional. Por tudo isso. por exemplo.

por exemplo. de 07 de dezembro de 2000. salvo nas hipóteses previstas em lei. CIC. definidos em lei.o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal. Isto é. que dispõe sobre a identificação criminal. 54 . o acusado de um crime deve ser considerado inocente até que a sentença condenatória transite em julgado (ou seja. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. desde que a pessoa esteja identificada para os efeitos da vida civil. carteira do trabalho entre outros documentos de identidade.Universidade do Sul de Santa Catarina LVII . Até o trânsito em julgado o acusado é considerado inocente. quando houver fundada suspeita de falsificação ou adulteração do documento de identidade. A Constituição Federal proíbe a identificação datiloscópica (que consiste em borrar os dedos com tinta escura e colocar as digitais em papéis como forma de identificação). LVIII . prevê as hipóteses de identificação datiloscópica (criminal). A lei nº 10. ou houver registro de extrativo do documento de identidade. LXI . Prisão é a privação da liberdade de locomoção determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito.ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente.054. por meio de carteira de identidade. até que não caiba mais discussão da causa por meio recurso).

I. Tem finalidade repressiva. d) Prisão disciplinar – permitida pela Constituição para o caso de transgressões militares e crimes militares (art. A prisão-pena é. 4329 – RHC 66. do Código de Processo Penal . conforme a natureza do crime e a quantidade da pena aplic ada. em regra. 301 a 310. b) Prisão sem pena ou prisão processual – é a prisão cautelar. da Constituição Federal de 1988). ou colônia agrícola ou industrial. do CPP). do CPP). § 1º. A prisão processual. prisão resultante da pronúncia (arts. prisão temporária (lei nº 7. 311 a 316. 2-2-1989). que algumas pessoas têm prisões especiais e que ficam em salas separadas ou em quartéis. da Constituição Federal de 1988). A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. em regra. ainda. a) Prisão-pena ou prisão penal – é a decorrente do trânsito em julgado da sentença condenatória em que se impôs pena privativa de liberdade.730-9. que possui a seguinte classificação: prisão em flagrante (arts. art. 282 e 408. 393. 5º. 5º.CPP). de 21 de dezembro de 1989). prisão preventiva (arts. LXI. executada na penitenciária. em nosso sistema jurídico. prisão resultante de sentença penal condenatória não transitada em julgado (arts. também conhecida como prisão provisória. LXVII. LXI) – (Diário da Justiça da União de 31-3-1989. c) Prisão civil – é a decretada em casos de devedor de alimentos e depositário infiel (art. deixou de ser permitida. Penal e Administrativo Conheça as espécies de prisão. Unidade 1 55 . a prisão administrativa (CF 1988. Cabe lembrar. é executada nas cadeias públicas (também chamadas de presídios) e nas delegacias de polícia (essas últimas quando não existem vagas nas cadeias públicas). e) Prisão administrativa – é aquela decretada pela autoridade administrativa. Essa modalidade foi abolida pela nova ordem constitucional.960. 2ª T. do CPP). DF. 5º. p.Noções de Direito Constitucional. ou casa de albergue.

da lei nº 4. LXIV . a e i.o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial.” LXII . 56 . 3º. nos termos do art. TAL PRISÃO É ILEGAL. comunicar à família do preso da prisão realizada.ninguém será levado à prisão ou nela mantido. LXIII . por mais que se queira justificar a sua aplicabilidade na repressão preventiva ao crime (RT 425/325). com ou sem fiança. com a finalidade de investigação. Os incisos acima tratam dos direitos dos presos no momento da prisão. quando a lei admitir a liberdade provisória. constituindo abuso de autoridade.a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. Por exemplo. LXVI . LXV . entre os quais o de permanecer calado.a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. “É ilegal e inconstitucional a prisão para averiguações.Universidade do Sul de Santa Catarina f) Prisão para averiguações – é a privação momentânea da liberdade fora das hipóteses de flagrante e sem ordem escrita da autoridade competente. permanecer calado. identificação dos responsáveis pela prisão.898/65. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado. pois além de ser inconstitucional.o preso será informado de seus direitos. entre outros. configura crime de abuso de autoridade.

o direito de ter um processo legal. LXIV. os direitos do preso (XLVIII. ofício e profissão (inciso XIII). LXIII. com o contraditório e a ampla defesa (incisos LIV e LV). o direito de receber informações dos órgãos públicos (inciso XXXIII). de associação (inciso XX) e de ir e vir (incisos LXI e LXVII). Por tudo isso temos o seguinte quadro: QUADRO GERAL DOS DIREITOS INDIVIDUAIS Liberdade: de fazer ou deixar de fazer algo. 67 Unidade 1 57 . o direito de ser considerado inocente (inciso LVII). Respondem pelas dívidas da pessoa o seu patrimônio.não haverá prisão civil por dívida. destruindo-os. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (inciso XXXVI). Invioláveis: a liberdade. p. de pensamento (inciso IV). a intimidade. o direito de petição aos órgãos públicos (inciso XXXIV). e o direito de identificar-se civilmente (inciso LVIII). proporcional à conduta criminal (incisos XLVI e XLVII). caso não queira pagar a dívida por livre espontânea vontade. utilizando-se de má-fé. o direito a uma pena justa.Noções de Direito Constitucional. o direito adquirido. LXVI). a não-submissão à tortura (inciso III). Fonte: FÜHRER. a vida privada. LXV. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. de crença. o direito da não-discriminação (incisos XLI e XLII) e o direito da não-utilização de provas ilícitas (inciso LVI). os direitos da pessoa no momento da prisão (incisos LXII. de trabalho. consciência e de culto religioso (inciso VI). XLIX. o direito de acesso ao Poder Judiciário (inciso XXXV). Tal patrimônio é posto para leilão pelo Poder Judiciário. e 2ª) no caso de depositário infiel (quando o Poder Judiciário determina que a pessoa cuide de objetos vinculados a processos) e ela demonstra irresponsabilidade. Assegurados: a igualdade de homens e mulheres (inciso I). Somente em dois casos a pessoa pode ser presa por dívida: 1ª) prestação alimentar (quando deixa de prestar alimentos a dependente por ordem judicial). etc. 2005. L). a casa (inciso XI). Penal e Administrativo LXVII . senão em virtude de lei (inciso II). o sigilo de correspondência (inciso XII) e a previsão legal de condutas criminosas (XXXIX). como por exemplo: vendendo os objetos. o direito de ser julgado por autoridade competente (inciso LIII). o direito da retroatividade da lei penal para beneficiar o réu acusado de crime (inciso XL). a honra e a imagem das pessoas (inciso X).

conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. por meio do habeas corpus (quer dizer.conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. corpo livre).qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe.As garantias constitucionais As garantias constitucionais são traduzidas como remédios constitucionais para a defesa de direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. por ilegalidade ou abuso de poder. LXXII . quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. o mandado de injunção. E quais são os remédios constitucionais? A pessoa que se sente lesada nos seus direitos poderá usar os seguintes instrumentos de defesa: o mandado de segurança (mandado de segurança coletivo). à soberania e à cidadania. LXXI . ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. a ação popular. judicial ou administrativo. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso. ficando o autor.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 9 . à moralidade administrativa. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. 58 . Você concorda com essa afirmação? Caso a pessoa venha ser presa de forma ilegal (por exemplo. salvo comprovada má-fé. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS LXVIII . LXXIII . não amparado por habeas corpus ou habeas data. LXIX .conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. o habeas corpus. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. b) para a retificação de dados. prisão para averiguações) e acabe sendo lesada no seu direito de liberdade de locomoção. o habeas data. poderá buscar o restabelecimento do estado anterior ou sanar a violação.

Afora tais obrigações do Poder Público para com a comunidade. a segurança. há ainda os direitos de nacionalidade. Penal e Administrativo Você viu quais são as ferramentas previstas na Constituição Federal de 1988 para a defesa dos direitos constitucionais?? Agora vamos estudar alguns direitos sociais e coletivos. o lazer. da Constituição Federal: “Art. o trabalho. obrigações essas previstas na Constituição Federal de 1988. o lazer.Noções de Direito Constitucional. Unidade 1 59 . saneamento básico. a moradia. a saúde. SEÇÃO 10 -Os direitos sociais ou coletivos O que são os direitos sociais? Os direitos sociais compreendem as obrigações do Estado. conforme o artigo 6º. que se traduzem nos deveres do Estado para com a população. a assistência aos desamparados. como a educação. a providência social. previstos no artigo 7º da Constituição Federal. a saúde. a moradia. a previdência social. na forma desta Constituição.São direitos sociais a educação. 6º . a proteção à maternidade e à infância. a proteção à maternidade e à infância.” Também estão compreendidos entre os direitos sociais os direitos trabalhistas. a segurança. como postos de saúde. o trabalho. colégios gratuitos. a assistência aos desamparados. que vamos ver a seguir.

tradicionalmente. é nacional quem nasce no solo nacional (ligado ao território onde nasceu).ex. o ius soli (direito territorial) e o ius sanguinis (direito de sangue). Na nacionalidade originária há dois critérios clássicos para a sua aquisição. Embaixada brasileira no exterior não é considerada território brasileiro. o ius sanguinis com certos requisitos (nunca o ius sanguinis puro). São brasileiros natos Os nascidos na República Federativa do Brasil: território brasileiro.ex. independentemente do local onde nasceu (a graduação do parentesco varia de país para país). mar territorial (navios e aeronaves oficiais e das forças armadas). que foram colônias e sofreram o ingresso de imigrantes. p.Da nacionalidade A Constituição Federal de 1988 colocou a nacionalidade como espécie dos direitos fundamentais. subsolo (nascimento no metrô. independentemente da nacionalidade dos pais.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 11 . 60 . Esse critério é adotado nos países do Novo Mundo (Brasil. por meio da naturalização. secundária (derivada) – deriva de um ato voluntário (manifestação de vontade). sem a interferência de qualquer vontade.ex. adota o ius soli e.). O Brasil. Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga o indivíduo a um determinado Estado. Os países do Velho Mundo (Europa e Ásia) adotam. tornando-o componente do mesmo. p. p. A nacionalidade pode ser: primária (originária) – deriva de um fato natural (nascimento). como regra. Pelo primeiro. o ius sanguinis. É nacional o descendente do nacional. espaço aéreo (nascimento dentro de avião. Não há possibilidade de o Estado naturalizar o indivíduo sem que ele queira.).). e as embaixadas estrangeiras no Brasil são território brasileiro (regra internacional). excepcionalmente.

Os direitos políticos Os direitos políticos são aqueles que conferem ao cidadão a possibilidade de participar do Poder Estatal. a cidadania adquire-se formalmente pelo alistamento eleitoral. de pai brasileiro ou mãe brasileira (ius sanguinis). Penal e Administrativo Os nascidos no estrangeiro. dentro de requisitos legais. que é o direito de ser votado para um cargo público. SEÇÃO 12 . que consiste no direito de votar. os recrutados). Além do brasileiro nato há também o brasileiro naturalizado. do Distrito Federal e dos municípios). e b) direito político passivo. o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de 18 anos. dos Estados. e durante o período de serviço militar obrigatório e os conscritos (neste último são aqueles que foram alistados. Não podem votar aqueles que não podem alistar-se como eleitores. Porém facultativos para os analfabetos. Os direitos políticos são classificados em: a) direito político ativo. quando escolhe a nacionalidade brasileira por vontade própria. Você sabia? que a nacionalidade e a cidadania são termos distintos? Enquanto a nacionalidade é adquirida por fatores relacionados ao nascimento ou pela naturalização. desde que um deles esteja a serviço do Brasil (a serviço de qualquer dos entes. Unidade 1 61 . os maiores de 70 anos e os maiores de 16 e menores de 18 anos. Quanto ao direito político ativo. dos órgãos da administração direta ou indireta da União. pois é por meio do voto que são escolhidos os representantes do povo. como os estrangeiros.Noções de Direito Constitucional.

Os partidos devem ter caráter nacional e resguardar as cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Leia. São muitas questões e não podemos apresentá-las da forma como gostaríamos. Não podem ter caráter paramilitar.Universidade do Sul de Santa Catarina Já sobre o direito político passivo. Cabe a você ser um estudante proativo. O que você achou? Percebeu que é necessário consultar a Contituição. vice-prefeito e juiz de paz. não é? Também é necessário que se faça relações com a prática. o pleno exercício dos direitos políticos. a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador. cabe destacar que os partidos políticos têm por finaldade a militância dos candidatos a cargos políticos. o alistamento eleitoral. A nidade 2 vai dar Noções de Direito Penal. Buscar aprofundamentos com leituras e consultas a websites. as condições de ser votado): a nacionalidade brasileira. c) vinte e um anos para deputado federal. a filiação partidária. São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. Nesse contexto. deputado Estadual ou distrital. Com esta seção concluimos a Unidade 1. compreende as condições de elegibilidade (isto é. b) trinta anos para governador e vice-governador de Estado e do Distrito Federal. a seguir. o domicílio eleitoral na circunscrição. 62 . prefeito. d) dezoito anos para vereador. realize as atividades de autoavaliação e consulte as indicações do Saiba Mais. a síntese da unidade.

violável. nos termos da Constituição. a intimidade e a vida privada são violáveis. ) República Presidencialista do Brasil. Penal e Administrativo Atividades de auto-avaliação 1) Pela Constituição Federal de 1988. que já existem câmaras de vídeo da Polícia Militar instaladas nas ruas de algumas cidades do Brasil.Noções de Direito Constitucional. ) ninguém é igual perante a lei. portanto. Unidade 1 63 . destinadas a preservar a ordem pública e evitar a ocorrência de crimes. ) Terra de Santa Cruz. Tanto assim. pois é um direito do Estado. pois a imagem da pessoa é pública. ) os homens são mais fortes que as mulheres. 3) Qual a sua opinião? Pela Constituição Federal de 1988. ) a casa é um asilo para velhinhos e. ) qualquer pessoa pode ser submetida à tortura. ) Ilha do Desterro. o nome do nosso país é: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) República Monarquista do Brasil. ) República Federativa do Brasil. 2) Conforme a Constituição Federal: a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.

que aplicam a lei. Não obstante a preocupação constante de segurança pública. principalmente. com certeza já será culpado. os principais direitos e garantias constitucionais. têm direitos assegurados pela Constituição Federal. quando há notícias de jornal sobre um crime. Síntese Você acabou de estudar um pouco sobre a Constituição Brasileira. aluno. preparando você. Tal unidade envolveu. a limitação da liberdade de ir e vir da pessoa. 64 . Então. por meio dos órgãos oficiais. cabe destacar que todos são seres humanos e. assuntos importantes para entender a elaboração das normas. não precisa do contraditório e da ampla defesa. pois caiu nas mãos da polícia e da imprensa. para a próxima unidade sobre Noções de Direito Penal. como tais. afinal.Universidade do Sul de Santa Catarina 4) O que você acha? Todo acusado é culpado. já se expõem a imagem e o nome da pessoa acusada do crime como se já fosse a culpada. por imposição de sanções penais àqueles que cometeram condutas criminosas.

htm> <http://www. J.mundojuridico.drheart.com.br/direito_dc. São Paulo: Companhia das Letras.Noções de Direito Constitucional.com. LOCKE. Tradução: Alex Martins. segurança pública se faz com a observância da Constituição Federal e das leis infraconstitucionais. 2002.abdconst.edu. Segundo tratado sobre o Governo. Epistemologia jurídica e democracia. pois em última análise a LEI corresponde à vontade do povo. 123.suigeneris.adv. Saiba mais GASPARI. 2002.br/azor/site/constitu. pois foi elaborada e editada por representantes eleitos pelo povo e para o povo. Vamos ingressar na Unidade 2 que tem por fundamento de validade o preceito constitucional da legalidade e dos direitos fundamentais. São Paulo: Martin Claret.unirp.htm> Unidade 1 65 . p.htm> <http://www.pro.htm> <http://professores. A ditadura envergonhada. L. E.br/apostilas_e_resumos_de_direito_ c. 1998. ROCHA.br/html/artigos/direito_ constitucional. Penal e Administrativo Assim. Rio Grande do Sul: Unisinos.br/> <http://www. <http://www. S.

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Seção 5 Dos crimes contra o sentimento religioso e contra respeito aos mortos. Seção 4 Dos crimes contra o patrimônio. Seção 8 Dos crimes contra a paz pública. Seção 7 Dos crimes contra o casamento. Saber identificar os crimes mais comuns. Seção 6 Dos crimes contra os costumes. previstos no Código Penal.UNIDADE 2 Noções de Direito Penal Objetivos de aprendizagem Conhecer os conceitos de crime e contravenção penal. Seção 2 A infração penal e as Polícias Civil e Militar. Seção 10 Dos crimes contra a administração pública. Seção 9 Dos crimes contra a fé pública. Entender a forma de aplicação do Código Penal na segurança pública. . Seção 3 Dos crimes contra a pessoa. 2 Seções de estudo Seção 1 O Direito Penal. que ocorrem no dia-a-dia.

do Poder Judiciário. principal instrumento utilizado pela polícia e pelo Poder Judiciário para evitar que as pessoas venham a praticar condutas criminosas. por meio da polícia. do Ministério Público. que trata de Noções de Direito Penal.O Direito Penal O que é Direito Penal? O que lhe vem à mente quanto você ouve falar em Direito Penal? Tente defini-lo com suas palavras no espaço abaixo. Assim. e coloquem em risco a paz e a harmonia social. por meio da aplicação das penas. com destaque ao Código Penal. a próxima unidade é uma viagem ao mundo das leis penais. necessitando da intervenção do Estado.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro aluno. 68 . com a finalidade de preservar a ordem pública e evitar a reincidência daqueles que já praticaram crimes. entre outros órgãos públicos. SEÇÃO 1 . você está iniciando a Unidade 2. que possibilitará a análise dos principais crimes previstos no Código Penal que acontecem diariamente na sociedade brasileira e põem em risco a segurança pública.

de paradigma. Para tanto. O Direito Penal tem como fundamento principal o Código Penal. de regra. Mas o que é controle social? Quem o exerce? Unidade 2 69 . de modelo. o Código Penal descreve as condutas criminosas e suas penas. o Código Penal prevê as linhas gerais de sua aplicação. podemos também chamar isso de senso comum.Noções de Direito Constitucional. 2004. em conseqüência. O Código Penal está dividido em duas partes: uma geral e outra especial. capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social. Mas vamos agora fazer uma caracterização mais científica? Falar em Direito Penal é falar de lei. É. Por isso. Concorda? Por isso que se diz que o Direito Penal é normativo. Na parte especial. Penal e Administrativo Em que você se baseou para registrar seu conceito? Todos nós temos impressões das coisas e somos capazes de defini-las com base nas experiências prévias – profissionais e pessoais –. de convenção que determina um padrão de comportamento.01). e outra parte que descreve as condutas criminosas. que está dividido em duas partes: uma parte geral que prevê as linhas gerais de aplicação. p. utiliza-se da punição para realizar o controle social. e descrevêlos como infrações penais. as respectivas sanções. pois se limita a descrever as condutas proibidas e suas respectivas penas. Na parte geral. cominando-lhes. um segmento do ordenamento jurídico que detém a função de selecionar os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade. o Direito Penal. além de estabelecer todas as regras complementares e gerais necessárias à sua correta justa aplicação (CAPEZ. o direito penal tem por missão manter a vida harmônica em sociedade.

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Controle social é a forma como a sociedade responde, formal ou informalmente, a comportamentos e a pessoas consideradas como desviantes, problemáticas, ameaçantes ou indesejáveis. Assim, há um controle social informal e outro controle social formal ou institucionalizado. O primeiro vem representado pela família, escola, mídia, religião, moral etc; e, o segundo, pelo controle institucionalizado no sistema penal como a Constituição Federal, as leis penais, processuais penais, penitenciárias, polícia, Ministério Público, Judiciário, etc. Em suma, o controle social é dado por um princípio binário de seleção de controle formal e informal, com a finalidade de selecionar entre os bons e os maus, os incluídos e os excluídos, quem fica dentro, quem fica fora do universo em questão (ANDRADE, 1999. p. 23).

SEÇÃO 2 - A infração penal e as Polícias Civil e Militar
O que é infração penal? Certamente você sabe, não é? Use o espaço para descrever uma infração penal. Dê um exemplo de algo que tenha acontecido no seu trabalho ou que você teve acesso pelos jornais ou outra fonte.

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Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Vamos às definições agora? Faça as relações com o que você escreveu, isso possibilita uma compreensão contextualizada. Infração penal é aquela conduta humana prevista na lei como crime ou como contravenção penal. A diferença básica entre ambas é que no crime a pena prevista é mais grave do que na contravenção penal. Essa é considerada como um pequeno crime. Alguns crimes que podemos destacar são: lesão corporal (art. 129 do CP), homicídio (art. 121 do CP), furto (art. 155 do CP), roubo (art. 157 do CP), estelionato (art. 171 do CP), constrangimento ilegal (art. 146 do CP), ameaça (art. 147 do CP), seqüestro e cárcere privado (art. 148 do CP), violação de domicílio (art. 150 do CP) e estupro (art. 213 do CP). Entre as contravenções mais conhecidas temos: as vias de fato (art. 21 da LCP), perturbação do trabalho ou sossego alheios (art. 42 da LCP), vadiagem e mendicância (arts. 59 e 60 da LCP), importunação ofensiva ao pudor (art. 61 da LCP) e embriaguez (art. 62 da LCP).

Das excludentes de crime
Apesar da previsão legal das condutas criminosas na lei, existem situações em que o fato criminoso realizado por uma pessoa deixa de ser considerado como crime. Essas situações fáticas são chamadas de excludente de ilicitude, ou situações jurídicas. No Código Penal encontramos excludentes de ilicitude (ou situações jurídicas) na parte geral e também na parte especial do Código. Como excludentes de ilicitude da parte geral do Código Penal, o artigo 23 traz as seguintes:
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Excesso punível. Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.

legítima defesa; estado de necessidade; estrito cumprimento do dever legal; exercício regular do direito.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Já na parte especial do Código Penal, há vários dispositivos que apontam essas excludentes de ilicitude (ou situações jurídicas):
– coação para impedir suicídio (art. 146, § 3º, II do Código Penal); – ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa (art. 142, I, do Código Penal); – aborto para salvar a vida de gestante (art. 128, do Código Penal); – violação de domicílio, quando um crime está ali sendo praticado (art. 150, § 3º, II, do Código Penal).

Estado de necessidade
Considera-se em estado de necessidade aquele que pratica o fato previsto como crime para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Ou seja, estado de necessidade é a situação fática em que a pessoa realiza uma conduta descrita na lei como crime, mas diante das circunstâncias não é considerada ilícita. São requisitos do estado de necessidade: perigo a direito próprio ou alheio; perigo atual ou iminente; perigo não-evitável de outro modo; perigo não causado dolosamente pelo agente; intenção de salvar o bem em perigo; inexistência de dever legal de enfrentar o perigo; bem sacrificado inferior ou igual ao bem preservado.

Legítima defesa
Não há crime quando o agente pratica o fato em legítima defesa, cujos requisitos são: reação a uma agressão humana; agressão injusta, atual ou iminente; defesa de direito próprio ou alheio; uso moderado dos meios necessários; intenção de defender.

Estrito cumprimento do dever legal
Não há crime quando o agente pratica o fato em estrito cumprimento do dever legal, como no caso do policial que efetua prisão em flagrante de um criminoso.
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Atuação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar – Art.]” e “Art. excetos as militares. A Polícia Civil é chamada de Polícia Judiciária. Tem por missão principal a prevenção da infração penal. Da denominação da Polícia Civil e da Polícia Militar Diante da infração penal cometida no dia-a-dia. e mediante ordem escrita da autoridade competente. porque qualquer crime vem previsto na lei (tipicidade). Penal e Administrativo Exercício regular de direito Não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito.ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente [. como força de dissuasão do poder de polícia. porque existem situações previstas na lei que são jurídicas. Assim. 5º..” Após a ocorrência da infração penal. LXI. entre as polícias existentes. Durante a ocorrência da infração penal. por meio da investigação das infrações penais. ou na violência esportiva. como na intervenção cirúrgica (lesões corporais). É conhecida como Polícia Administrativa. desde que respeitadas as regras da atividade ou profissão. Atua na repressão da infração penal.. Missões das polícias civis e militares estaduais Como já foi estudado. 5º [. Polícia Civil – preservação da ordem pública.. no Sistema de Segurança Pública Brasileiro. por meio do policiamento ostensivo.. 282. do Código de Processo Penal: “Art. da Constituição Federal e Art. além daquelas atribuições constantes nas Constituições Federal e Estadual. Antijurídico. as polícias estaduais são denominadas. pois faz as investigações necessárias para esclarecimento dos crimes e das contravenções penais. 282 . É conhecida como Polícia Judiciária. conforme quadro a seguir. a prisão não poderá efetuarse senão em virtude de pronúncia ou nos casos determinados em lei. Missões das polícias civis e militares na segurança pública dos Estados Antes da ocorrência da infração penal. Crime é todo fato típico e antijurídico. podemos estabelecer as missões dessas duas polícias de forma mais simples. há a Polícia Civil e a Polícia Militar. Típico. encaminhando tais investigações para o Poder Judiciário.Noções de Direito Constitucional. fardado e armado. Polícia Militar – preservação da ordem pública. Unidade 2 73 . a partir do conceito de crime acima exposto. de âmbito Estadual.] LXI .À exceção do flagrante delito.

fardado e armado. o que possibilitará a você uma visão geral sobre os crimes existentes e as penas aplicadas aos criminosos. não obstante terem ajudado os seus pacientes. como nos exemplos. inclusive com a descrição das missões das polícias estaduais (Civil e Militar). contra a fé pública e contra a administração pública. Você viu também que o Direito penal é o ramo do Direito que faz a previsão dos crimes e das contravenções penais. classificando-as conforme natureza e importância em crimes contra a pessoa. contra a paz pública. se não houvesse as excludentes de ilicitude. contra a organização do trabalho. o dentista e o médico. você já pensou o dentista responder por crime de lesão corporal quando vai arrancar um dente do paciente que está morrendo de dor na cadeira do dentista? Ou do médico por fazer uma cirurgia na barriga de extrema necessidade? Ora. Por isso da existência das excludentes de ilicitude. o legislador brasileiro faz a previsão das condutas criminosas (os tipos penais). tais profissionais. contra a propriedade imaterial. contra o patrimônio.Universidade do Sul de Santa Catarina A Polícia Militar é chamada de Polícia Administrativa. Chegamos ao final da Seção 2. contra o sentimento religioso e o respeito aos mortos.A seguir. . pois há situações denominadas de excludentes de ilicitude que tornam tais condutas lícitas. cujas orientações básicas para entendimento do Direito Penal foram delineadas. contra os costumes. contra a família. pois realiza o policiamento ostensivo. E que nem todas as condutas humanas previstas na lei são consideradas ilícitas. E agora? Vamos ingressar nas condutas consideradas criminosas pela lei? Cabe dizer antecipadamente que o Código Penal. as principais condutas criminosas previstas no Código Penal serão analisadas. 74 . seriam criminosos. como força de dissuasão do poder de polícia e tem por missão principal a prevenção da não-ocorrência da infração penal. contra a incolumidade pública. Afinal.

Penal e Administrativo SEÇÃO 3 . facadas) ou omissão (babá que deixa de alimentar criança) quando o agente tem o dever jurídico de impedir a morte. do Código Penal). induzimento.Dos crimes contra a pessoa Quando o legilador prevê condutas criminosas contra a pessoa. isto é. infanticídio (art. 121. Os crimes contra a pessoa são classificados no Código Penal de: Crimes contra a Vida. São crimes contra a vida os seguintes: homicídio (art. No homicídio o criminoso tem que ter o dolo. a definição e a contextualização de cada termo. a seguir. O homicídio além de ser simples. pode ser ainda: privilegiado (art. 123. 121. com a cessação do funcionamento cerebral. ou assumir o risco da morte. do Código Penal) e aborto (arts. Periclitação da Vida e da Saúde. do Código Penal). Pode ser executado tanto por ação (desfecho de tiros. Ocorre com a morte. ou seja. Crimes contra a vida Os crimes contra a vida são aqueles que têm como finalidade proteger a vida. do Código Penal). 122. § 2º) e culposo (art. ele tem por finalidade proteger a pessoa desde a sua formação até a morte.Noções de Direito Constitucional. a vontade de praticar o crime. 121 §§ 3º e 4º). § 1º). instigação ou auxílio a suicídio (art. 124 a 126. Veja. Contra a Honra e Contra a Liberdade Individual. Homicídio É a morte de um homem injustamente praticada por outro. circulatório e respiratório da vítima. 121. Unidade 2 75 . Rixa. Lesões Corporais. qualificado (art.

o fato não tem tipicidade (ou seja. 2º) se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave – pune-se o agente com pena de reclusão. se a vítima tenta suicídio mas não tem lesões. Contudo. ou tem lesões leves. Classificação do crime O induzir ocorre quando o agente cria na mente da vítima a idéia de autodestruição (RT. 410:88). ou indicando a cadeira. No instigar a vítima já pensava em se suicidar e essa idéia é incentivada pelo agente (RT 410:88).Universidade do Sul de Santa Catarina Induzimento. instiga (reforça a idéia) ou presta auxílio ao suicida (vítima). Com relação à participação em suicídio as penas são as seguintes: 1º) se a vítima tenta suicidar-se e vem a falecer – pune-se o agente com pena de reclusão. Tal crime pode ser resumido da seguinte forma: Fig. Infanticídio É o crime que ocorre quando a mãe mata o próprio filho durante o parto ou logo após. em estado puerperal. 4. não tem previsão como crime). de dois a seis anos. de um a três anos. o revólver. ou entregando a corda etc. É o estado 76 . Estado puerperal é o conjunto de perturbações psicológicas e físicas sofridas pela mulher em face do fenômeno do parto (RT 548:348). O crime consuma-se com a morte da vítima ou com a produção de lesões corporais de natureza grave. E no auxílio quando o agente criminoso tem ciência que a vítima quer se matar e lhe entrega o punhal. instigação ou auxílio a suicídio A lei pune o criminoso que induz (cria idéia).

Depois de iniciado o processo do parto é infanticídio. cuja gravidez foi decorrente de estupro. mais precisamente com o rompimento da membrana amniótica. do Código Penal) e o aborto com o consentimento da gestante (artigo 126. 37:234). seja do ponto de vista anatômico. a provocação de um susto. substâncias abortivas. Penal e Administrativo conseqüente às dores do parto. Além do aborto provocado pela gestante. equimoses. por exemplo. etc. sem qualquer ação física sobre a vítima como uma conturbação psíquica ou choque nervoso. Apesar da existência de crime. O parto começa com o período de expulsão. antes de tal rompimento qualquer ato contra o feto constitui crime de aborto. etc. Unidade 2 77 . A lesão física é a modificação do organismo humano por intermédio de ferimentos. Qualquer que seja a fase da gravidez (desde a concepção até o rompimento da membrana amniótica). Nesse último caso (psíquico) temos. Lesão corporal Lesão corporal compreende toda e qualquer ofensa ocasionada à normalidade funcional do corpo ou organismo humano. o aborto é permitido para salvar a vida da mãe. ex: utilização de agulhas. Aborto É a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto (RJTJSP. hematoma. do Código Penal). e não aborto criminoso. seja do ponto de vista fisiológico ou psíquico.). A conduta consiste em atingir a integridade corporal ou a saúde física ou mental de outrem. ou para retirar o feto. há também o aborto provocado por terceiro sem consentimento da gestante (artigo 125.Noções de Direito Constitucional. É a expulsão prematura do feto por vontade da mãe (dolo). ou por vontade de terceiros (dolo). choques elétricos. que realiza um ato contra o feto (p. pancadas. ou de excitação e angústia da mãe que contribui no ato voluntário de matar o próprio filho(a). mutilações.

a lesão corporal qualificada (art.Universidade do Sul de Santa Catarina Além da lesão corporal leve (artigo 129. um sujeito em legítima defesa acaba machucando outro. por exemplo. § 9º) ocorre quando a lesão corporal é praticada contra ascendente. § 1º 2º 3º) e a lesão corporal culposa (art. prevalecendo-se o agente das relações domésticas. de seis meses a um ano. § 6º e § 7º). A violência doméstica (art. ainda. proponho que contextualizemos um dos termos destacados até aqui. §§ 4º e 5º). ainda temos alguns termos para caracterizar e compreender. 129. cuja pena é de detenção. vamos adiante. ele responderia por algum crime? O que você acha? Vamos debater no Fórum de Estudos? Depois de refletir sobre a problematização. ou com quem conviva ou tenha convivido. 129. Vamos lá? Você saberia dar o conceito de crime de lesão corporal? E se. caput) existe também a lesão corporal privilegiada (art. descendente. Antes de passar aos itens seguintes. de coabitação ou de hospitalidade. 78 . 129. 129. irmão. cônjuge ou companheiro. ou.

exponha outrem a contrair o mal. Perigo é o estado que nos faz esperar e recear como provável uma lesão a um interesse juridicamente protegido. praticando o ato sexual ou seus equivalentes. arriscar. temos: perigo de contágio venéreo. A AIDS (síndrome de deficiência imunológica adquirida) não é considerada moléstia venérea. Isso porque periclitação vem do latim periclitatio (correr risco. pois pode ser transmitida por transfusão sanguínea. É a simples criação do perigo de contágio. perigo para a vida ou a saúde de outrem e omissão de socorro. pois basta o enfermo venéreo. tentar contra a vida). Moléstia venérea é de conceituação médica (sífilis. blenorragia. b) Perigo de contágio de moléstia grave Esse ocorre mediante qualquer ato praticado pelo agente que possa transmitir à vítima a moléstia. ulcus molle e o linfogranuloma inguinal). perigar. Entres os crimes de periclitação. pouco importando se esse contágio sobrevenha ou não. São requisitos: a) a existência. no agente. Para que ocorra o crime basta a comprovação da prática de relações sexuais ou de ato libidinoso qualquer do agente com a vítima que já se presume o perigo. Penal e Administrativo Periclitação da vida e da saúde Os crimes de periclitação da vida e da saúde são denominados de crimes de perigo individual. a) Perigo de contágio Venéreo O crime é expor. perigo de contágio de moléstia grave. não é necessário o efetivo contágio. Por isso.Noções de Direito Constitucional. b) atos idôneos a ocasionar Unidade 2 79 . colocar em perigo alguém a contágio de doença venérea por meio de relações sexuais ou qualquer ato sexual. de moléstia grave infectuosa ou transmissível.

aleitamento. São exemplos desse crime: quem agride o motorista de ônibus em movimento. talheres. ou não pedir. porém transmissível por contágio.alimentos. 1958. no fechar veículo automotor. forçando subir na calçada. para evitar despesa. p. como a tuberculose. RT 540:311). etc. ou indireto.Universidade do Sul de Santa Catarina o perigo de contágio (pode ser por contato corporal direto. 418). etc. 1958. c) Perigo para a vida ou a saúde de outrem A conduta consiste em colocar (expor) em perigo direto e imediato a vida ou a saúde de outrem. 647:302). o socorro da autoridade pública. ao desamparo ou em grave e iminente perigo. Moléstia grave é a moléstia que provoca séria perturbação da saúde. como aperto de mão. nesses casos. p. 418). injeções. mordidas. roupas. mas não necessariamente incurável. como copos. no interromper cortejo fúnebre. a avó e a mãe materna que por motivos religiosos não autorizam urgente transfusão de sangue prescrito em caso de anemia (RT. abalroando um dos veículos que acompanha o enterro (RT 327:389). d) Omissão de socorro É o crime em que o agente deixa de prestar assistência à criança abandonada ou extraviada. pondo em perigo os passageiros (TACrSP. Pode ser aguda ou crônica. por meio de objetos ou instrumento.. bebidas. beijo. etc. e c) a intenção específica de transmitir a moléstia. o empreiteiro que omite. O crime tem como requisitos: a) o encontro de criança 80 . ou à pessoa inválida ou ferida.). sem risco pessoal. o dono do circo que promove espetáculos ou exercícios insolitamente perigosos para atrair clientela (HUNGRIA. difteria. 418). 1958. fazer com que um ébrio ou uma pessoa inábil monte um cavalo chucro (HUNGRIA. a colocação habitual de aparelhos ou dispositivos de segurança ou proteção de operários na construção de um arranha-céu (HUNGRIA. p. varíola.

Pouco importa se um deles é inimputável (como menor de 18 de anos ou pessoa com problemas mentais). inciso X). c) a possibilidade dessa conduta alternativa sem risco pessoal. Da rixa Rixa é a briga entre mais de duas pessoas. 128:103).Noções de Direito Constitucional. ao desamparo ou em grave e iminente perigo. Para caracterizar o crime de rixa há necessidade de um número mínimo de três pessoas ainda que tenha morrido (RT. d) e a vontade (desejo) de se omitir. Exemplos: recusa de transporte de pessoa gravemente ferida em veículo – há crime (RT. engalfinhamentos. 522:397). é indispensável à configuração da rixa que haja vias de fato. esses se acometam reciprocamente. a vida privada. Dos crimes contra a honra Pela Constituição Federal. empurrões. a honra e a imagem das pessoas.). RJTJRS. 5º. safanões. pois Unidade 2 81 . acompanhadas de vias de fato ou violências físicas recíprocas. Nem alegação de que tinha outra corrida ou que a vítima. iria sujar-lhe o carro (TJRS. etc. sangrando. 1958. A honra é um bem precioso. embora sem o contato dos brigadores. eventualmente disparos de arma de fogo. VI. É preciso que os cotendores venham às mãos. assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. Ora. atos de militante hostilidade (socos. 20). arremesso de objetos. por exemplo. Penal e Administrativo abandonada ou extraviada. ou se o rixoso não é identificado. formando-se o entrevero. são invioláveis a intimidade. pontapés. v. A pressa não aproveita (RT529:369). b) a omissão de assistência ao periclitante ou de solicitação de assistência à autoridade pública.584:420). ou pessoa inválida ou ferida. p. com pedradas ou disparos de arma de fogo” (HUNGRIA.

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ela está necessariamente vinculada à tranqüila participação do indivíduo nas vantagens da vida em sociedade. Se alguém adquire má fama, dele se afastam os conhecidos e amigos e não é mais tolerado nas boas rodas. A honra pode ser subjetiva ou objetiva. Na subjetiva a honra é o sentimento que cada um tem a respeito de seus atributos físicos, intelectuais, morais e demais dotes da pessoa. É aquilo que a pessoa pensa de si mesma.
Os crimes de injúria atingem a honra subjetiva.

Na objetiva a honra é a reputação, aquilo que os outros pensam a respeito do cidadão no tocante a seus atributos físicos, intelectuais, morais. Nos crimes de calúnia e de difamação é atingida a honra objetiva.
São crimes contra a honra: a calúnia, a difamação e a injúria.

Calúnia
Na calúnia o crime é atribuir falsamente um crime a alguém. Assim, atribuir fato real não constitui calúnia. A falsidade da imputação pode recair sobre o fato e/ou autoria do fato criminoso. No primeiro caso, o fato atribuído à vítima não ocorreu, no segundo, o fato criminoso é verdadeiro, sendo falsa a imputação de autoria. Se a imputação falsa for de contravenção penal não será crime calúnia, mas crime de difamação. São formas de calúniar: a) explícita
Fulano de tal é o sujeito que a polícia está procurando pela prática de vários estupros.

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b) implícita
Não fui eu que me agasalhei nos cofres públicos.

c) reflexa
Dizer que um promotor público deixou de denunciar um indiciado porque foi subornado. Na última hipótese, o indiciado também é vítima de calúnia (JESUS, 1996, p.413), ou ainda, se diz que um juiz que decidiu certa causa em tal ou qual sentido porque foi subornado, é também caluniado o litigante vencedor (HUNGRIA, 1958, p. 67).

Difamação
A difamação consiste na atribuição de fato ofensivo à reputação do sujeito passivo. Ora, enquanto no crime de calúnia exigese a imputação falsa que verse sobre crime, na difamação o fato atribuído pelo agente à vítima não é criminoso, mas simplesmente ofensivo a seu apreço social. São os seguintes requisitos para o crime de difamação: a) imputação de fato determinado e ofensivo à reputação alheia, seja falso ou verdadeiro; b) comunicação a uma só pessoa que seja; c) vontade de atingir a honra da vítima.

Afirmar que viu a vítima em determinado dia exercendo comércio carnal.

Injúria
É a manifestação, por qualquer meio, de um conceito ou pensamento que importe ultraje, menoscabo ou vilipêndio contra alguém. É a palavra insultosa, o xingamento, o impropério, o gesto ultrajante, todo e qualquer ato que exprima desprezo,
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escárnio, ludíbrio. Existem formas que configuram a injuria. Veja quais são: a) expressões que configuram injúria – ladrão (JATCrmSP, 30:54), farsante (RT, 531:363), vagabundo (RT,497:360), comerciante incapaz (JTACrimSP, 24:267), incompetente para o cargo (JTACrimSP, 59:203), incapaz (JTACrimSP, 24:267), ignorante (RT, 497:360), cornudo (RT,553:378), caloteiro (JTACrimSP, 24:267), incompetente (RT497:360), que freqüenta casa suspeita (RT, 422:408), professoria vagabunda (JTACrimSP, 33:398), desoucupado, não vale nada, corno manso, sem-vergonha, leviano (RT:570,336), tendencioso (RT, 682:304), moleque, bajulador barato, pessoa chata, imbecil; b) atitudes que configuram injúria – despejar saco de lixo na porta do apartamento da vítima (RT, 516,346), afixar papel com expressões ofensivas na porta da loja da vítima (RT, 535:359).

Crimes contra a liberdade individual
Os crimes contra a liberdade individual atentam contra a liberdade de escolha do indivíduo, ou seja, contra a faculdade da pessoa em realizar suas condutas de acordo com a própria vontade. Entre os crimes existentes no Código Penal, podem ser destacados: 1) constrangimento ilegal; 2) ameaça; 3) seqüestro ou cárcere privado; 4) redução à condição análoga de escravo; 5) violação de domicílio.

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Para que ocorra o crime são necessários os seguintes requisitos: a) imposição de fazer ou não fazer alguma coisa. Unidade 2 85 . o criminoso pretende somente atemorizar a vítima A ameaça deve ser séria idônea à intimidação. d) implícita – exemplo “para solucionar esse problema. intimidar a mãe por um mal ao filho. ligada à vítima. b) emprego da violência. c) explícita – quando manifestada às claras. e) condicional – exemplo. a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa fora dos casos previstos em lei. d) efetiva consecução do fim do agente. “vai apanhar se repetir o que disse”. c) ilegitimidade da imposição. b) indireta – quando dirigida a uma terceira pessoa. É indispensável que a vítma possua capacidade de autodeterminação. São forma de ameaça: a) direta – quando endereçada diretamente à vítima. Assim. Por exemplo. inciso II). 5º. Ou seja. que significa liberdade de vontade. Na ameaça. ameaça grave ou outro meio apto a reduzir a capacidade de resistência do sujeito passivo (vítima). e) vontade de constranger a vítima. constitui crime de constrangimento ilegal. no sentido de fazer o que bem entenda. Penal e Administrativo Constrangimento ilegal “Pela Constituição Federal “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. não temo ir para a cadeia”. mediante violência ou grave ameaça. obrigar alguém.Noções de Direito Constitucional. Pode ser futura ou atual e iminente. um mal grave. Ameaça Ameaçar é prometer a alguém um mal injusto e grave (relevane).

b) injustiça e gravidade desse mal.Universidade do Sul de Santa Catarina São requisitos do crime de ameaça: a) manifestação do propósito de fazer a alguém um mal futuro (pode ser oral. “farei a lua cair sobre tua cabeça”. escrita. c) conhecimento da ameaça por parte do sujeito passivo. é detida ou retida a pessoa em determinado lugar. mas. perdura a consumação enquanto o ofendido estiver submetido à privação de sua liberdade de locomoção. 86 . O seqüestro é o gênero e o cárcere privado a espécie. por exemplo. Cuidando-se de delito permanente. há a circunstância de clausura ou encerramento. real ou simbólica como colocar um caixão à porta de alguém. embora a vítima seja submetida à privação da faculdade de locomoção. Tanto no seqüestro quanto no cárcere privado. por outras palavras. “a geada há de exterminar teu cafezal”. “que o diabo o carregue”. como por exemplo: “vá pro inferno”. não destinado à prisão pública. No seqüestro. impedir que a vítima saia de determinada casa. o seqüestro (arbitrária privação ou compressão da liberdade de movimento no espaço) toma o nome tradicional de cárcere privado quando exercido em qualquer recinto fechado. Amarrar a vítima em local ignorado. 2º) retenção: por exemplo. No cárcere privado. Formas de execução: 1º) detenção. no cárcere privado. tem maior liberdade de ir e vir.” Seqüestro e cárcere privado O crime ocorre no instante em que a vítima se vê privada da liberdade de locomoção. O crime de ameaça não se confunde com a praga ou esconjuro. ou. d) vontade de ameaçar a vítima. “que um raio te parta”. “Deus suplico que faça cair a tua língua. de modo que não se justificaria uma diferença de tratamento penal. Abstraída essa acidentalidade. enviar uma caveira ou desenho com um punhal atravessando um corpo). não há que distinguir entre as duas modalidades criminais. a vítima vê-se submetida à privação de liberdade em recinto fechado. levar a vítima num automóvel e prendê-la num quarto. prender a vítima em portamalas de veículo.

482:280). É a completa sujeição de uma pessoa ao poder de outra.309-3-Itatiba – 3ª Câmara Criminal Extraordinária – Rel. Penal e Administrativo Que tal refletir um pouco sobre o que você estudou até aqui? Vamos realizar uma atividade para dar significado à teoria estudada? Descreva uma situação em que aparece o crime de “constrangimento ilegal” ou “ameaça”. Cerqueira Leite – 4-3-1998). São exemplos: “proibição de trabalhadores deixarem o local de trabalho sem antes saldar as suas dívidas” (RT. O consentimento do ofendido é irrevelante (pouco importa para caracterização do crime). Esses crimes são comuns no Brasil? Cite um exemplo. se puder. e “redução à condição análoga à de escravo – Artigo 149 do Código Penal – Caracterização mesmo sem a restrição espacial – Mãode-obra rural – Péssimas condições de higiene e manutenção – Má qualidade da alimentação – Deduções de até 50% dos salários – Condenação mantida – Recurso não provido” (TJ – Acrim 212. Redução à condição análoga à de escravo Condição análoga de escravo consiste no fato de o sujeito (criminoso) transformar a vítima em pessoa totalmente submissa à sua vontade. como se fosse escravo.Noções de Direito Constitucional. e discuta essa questão no Fórum com seus colegas de turma. Unidade 2 87 .

ou para prestar socorro. por determinação judicial” (art. 88 . em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. durante o dia. barraca. trailer. O objetivo do artigo é assegurar a tranqüilidade doméstica. ou. o de apoderar-se de documentos ou objetos pessoais do trabalhador. inciso XI). maloca. constitui crime a conduta de o agente ingressar na casa alheia (inclusive pátio) sem a permissão de quem de direito. Para o Código Penal. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. o de manter vigilância ostensiva no local de trabalho. domicílio é a moradia (casa. São figuras equiparadas: o de cercear o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador. Violação de domicílio Conforme a Constituição Federal. c) a restrição.Universidade do Sul de Santa Catarina Entende-se por condição análoga: a) a sujeição da vítima a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas. 5º. com o fim de retê-lo no local de trabalho. vagão. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. gruta. por qualquer meio. b) a sujeição da vítima a condições degradantes de trabalho. da locomoção da vítima. com o fim de lá reter o trabalhador. com o fim de retê-lo no local de trabalho. “a casa é asilo inviolável do indivíduo. Assim. apartamento.). etc.

As coisas de uso comum. Implica na retirada do bem sem o consentimento do possuidor ou proprietário. Furto (art. a parte especial do Código Penal abrange os crimes contra o patrimônio. § 1º. de coisa alheia móvel.155. c) privilegiado – 155. quando se utiliza de um animal ou de uma criança para retirar mercadorias de uma loja. 155 do Código Penal) Furto é a subtração. como na retirada do objeto pelo agente. com a finalidade de proteger o patrimônio da pessoa física e jurídica. coisa alheia móvel”. a apropriação indébita. o roubo e a extorsão. a) simples . A coisa móvel (coisa é toda substância material. passível de subtração e que tenha valor econômico). em princípio. do Código Penal. não podem ser objeto material desse delito. sem a sua permissão. o ar. § 5º Subtrair significa tirar. caput b) noturno – 155. b) os indiretos. retirar de outrem bem móvel. São crimes contra o patrimônio: o furto. para si ou para outrem. caput. § 2º ESPÉCIES DE FURTO d) de energia – 155.Noções de Direito Constitucional. salvo se houver a possibilidade de seu destacamento e aproveitamento de forma individual. com o fim de assenhoramento definitivo. Penal e Administrativo SEÇÃO 4 . § 3º e) qualificado – 155. para si ou para outrem. Unidade 2 89 . o estelionato e a receptação. a usurpação.Dos crimes contra o patrimônio Além dos crimes contra a pessoa. por exemplo. cuja pena é de “reclusão. § 4º f) furto de veículo automotor – 155. e consiste em “subtrair. de um a quatro anos e multa. o dano. a água do mar ou dos rios. como a luz.” São meios de execução: a) os diretos. O furto simples vem previsto no artigo 155. corpórea.

em que seus habitantes se retiram. cadeados. Segundo Magalhães de Noronha. se praticado durante o repouso noturno. fazer retroceder o ponteiro do medidor. O futo qualificado ocorre nas seguintes hipóteses: a) quando há destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. Esse. Enquanto essa é a ausência de luz. 90 . Funda-se no maior perigo a que é exposto a coisa alheia móvel em virtude da diminuição da vigilância e dos meios de defesa. etc. O agente destrói ou rompe quebra o obstáculo. Não se trata de noite. e as ruas e as estradas se despovoam.. térmica. a captação da energia elétrica antes da sua passagem pelo aparelho medidor. O furto qualificado tem a pena aumentada (de um a quatro anos para dois a oito anos). para diminuir o quantum já assinalado. mas o período em que a cidade se aquieta e as pessoas repousam. Pode ainda ser subtraída as energias atômica. destinado a proteger a propriedade como janelas. O furto privilegiado ou de pequeno valor tem como condição a primariedade do réu e pequeno o valor da coisa furtada. Por isso. solar. cabe a majoração se o delito ocorreu naquele período” (1994. Já a utilização da fraude pode constituir estelionato. que se constitui na violência empregada contra o obstáculo. o legislador equiparou à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. o repouso noturno não se confunde com noite. Ou seja. o período de sossego noturno “é o tempo em que a vida das cidades e dos campos desaparece. estejam ou não seus moradores dormindo. fechaduras. vidros. No furto noturno a pena é aumentada.Universidade do Sul de Santa Catarina Água encanada para uso exclusivo de alguém. que segundo as decisões do tribunal é o valor até um salário mínimo vigente na época dos fatos. aquele é o período de tempo que se modifica conforme os costumes locais. por exemplo. No furto privilegiado aplica-se uma pena mais branda. portas. o agente busca ter acesso ao objeto a ser furtado. 226). Por exemplo. em que as pessoas dormem. Seja ou não habitada a casa. pois têm valor econômico. p. No furto de energia. alarmes. facilitando essas circunstâncias a prática do crime.

O agente aproveita-se da confiança nele depositada para praticar o furto. o agente busca ter acesso ao lugar onde está o objeto. Ex: agente que se disfarça de empregado de empresa telefônica e logra entrar em residência alheia para furtar. Ou seja. Nesse caso. meio enganoso empregado pelo agente para diminuir. Ou seja. residência. mediante retirada de telhas. iludir a vigilância da vítima e realizar a subtração. escalada ou destreza. Abuso de confiança é aquele que decorre de certas relações (que pode ser a empregatícia. etc. entrar pelo telhado. O que vem a ser escalada? Na escalada o criminoso deseja ter acesso a um lugar. pela fraude o agente aproveita a diminuição da vigilância da vítma. quando: Unidade 2 91 . Ou seja. o que significa? A destreza consiste na habilitação física ou manual do agente que lhe permite o apoderamento do bem sem que a vítima perceba. Ou seja.. diante da confiança depositada. ou mediante fraude. corda ou emprego de esforço incomum. Penal e Administrativo b) quando há abuso de confiança. como escada. artifício. como saltar muro de dois metros de altura. o agente aproveita a diminuição da vigilância da vítma.Noções de Direito Constitucional. O que é fraude? Fraude é o ardil. E destreza. de amizade ou parentesco) estabelecida entre o agente e o proprietário do objeto. por via anormal. há o uso de instrumento para adentrar no local. o criminoso aproveita a ausência de vigilância da vítima. passar por um túnel subterrâneo.

gancho. O emprego da chave verdadeira subtraída ou obtida mediante fraude constitui a qualificadora do meio fraudulento. grampo. 157. aeronaves. caminhões. § 3º. no artigo157. 157. b) é realizado mediante concurso de duas ou mais pessoas. Finalmente. a) roubo próprio. Assim. Roubo (art. etc. isto é. se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. ou grave. é a chave diversa da verdadeira. b) roubo impróprio. qualquer dispositivo (gancho. chave de efeito especial que abre fechaduras). motocicletas.Universidade do Sul de Santa Catarina a) há emprego de chave falsa (inciso III). mas alterada de modo a poder abrir a fechadura. ESPÉCIES DE ROUBO c) causa de aumento de pena. § 3º. ou morte quando houver. Exemplo: imitação da chave verdadeira. São eles: furto + constrangimento ilegal. grampo. d) roubo qualificado pelo resultado lesão corporal grave. no artigo 157 caput. § 1º. ônibus. do Código Penal) O roubo é composto por fatos que individualmente constituem crimes. jet-skies. São os veículos automotores: automóveis. lanchas. que compreende qualquer instrumento utilizado pelo agente para abrir fechadura. no artigo. É a gazua. no artigo 157. 92 . porém partes de veículos não é abrangido pelo tipo penal. § 2º. ou furto + lesão corporal leve. e) roubo qualificado pelo resultado morte (latrocício). no artigo 157. trata-se de o furto qualificado.

o constrangimento e/ou violência é empregado no início ou concomitantemente à subtração da coisa. o sequestro-relâmpago. isto é. Unidade 2 93 . c) se a vítima está em transporte de valores e o agente conhece tal situação. que decorram lesões corporais graves ou morte. b) se há concurso de duas ou mais pessoas. d) se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado e o agente mantém a vítima em seu poder. barra de ferro. ou arma imprópria: navalha. antes ou durante a retirada do bem. causando-lhe a morte. vindo ela cair e bater com a cabeça. evitar a prisão em flagrante ou sua identificação. Quando a pena pode ser agravada no caso de roubo? A pena é agravada se o roubo for cometido: a) mediante emprego de arma (arma própria: revólver. O roubo qualificado pela lesão corporal grave e/ou pela a morte ocorre quando do emprego da violência física contra a pessoa. com o fim de subtrair a coisa móvel alheia. Ao contrário do próprio. O agente desfere um soco na vítima para subtrairlhe a carteira. ou seja. etc.). de assegurar a sua posse ou de garantir a impunidade do crime. e somente após efetuá-la emprega violência ou grave ameaça com o fim de garantir a sua posse ou assegurar a impunidade do crime.Noções de Direito Constitucional. sem empregar qualquer constrangimento contra a pessoa. Ou seja. no roubo impróprio o agente primeiro subtrai a coisa. Penal e Administrativo No roubo próprio. restringindo a sua liberdade.

a fim de que o criminoso obtenha para si ou para outrem indevida vantagem econômica. sem prejuízo da multa. e qualificada. se for praticado por duas ou mais pessoas. Aumenta-se a pena do crime. cuja pena será de reclusão. Extorsão mediante seqüestro (artigo 159. do Código Penal) É um crime de constrangimento ilegal. A diferença entre a extorsão e o contrangimento ilegal está em que a extorsão é uma espécie do gênero “constrangimento ilegal” (art. caput. mediante violência ou grave ameaça. etc.). além da multa. ou se há emprego de arma. no art. o crime poderá ser outro (seqüestro ou cárcere privado. no art. pois o agente pode obrigar a vítima a assinar uma escritura pública. A ofensa à pessoa é o meio executório para auferimento da vantagem patrimonial. se resultar lesão corporal grave ou morte. Formas de extorsão: simples. A extorsão 94 . aumento de pena. Caso o intuito do agente seja auferir vantagem econômica. 158. A extorsão qualificada. mas a coisa imóvel. 158. com a privação da liberdade da vítima. ou seja. se da violência resultar lesão corporal grave. do Código Penal) Extorsão mediante sequestro consiste na privação da liberdade da vítima tendo por fim a obtenção de vantagem. por meio da qual ela lhe transfere uma propriedade imóvel. o que se faz mediante as negociações entre o seqüestrador e os parentes da vítima. independentemente da obtenção da vantagem econômica. Não comprovada essa intenção. 146. haverá constrangimento ilegal. acrescida de uma finalidade especial do agente.Universidade do Sul de Santa Catarina Extorsão (art. a reclusão é de 20 a 30 anos. Se a vantagem almejada for apenas moral. a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Consuma-se com o seqüestro. Na extorsão simples a vítima é constrangida. 158. de sete a quinze anos. Não é apenas a coisa móvel que está amparada. Basta comprovar a intenção do criminoso em obter a vantagem como condição ou preço de resgate. § 1º. no art. 158. § 2º. do Código Penal). haverá crime de extorsão. como condição ou preço do resgate. Outro exemplo. consubstanciada na vontade de auferir vantagem econômica. e se resultar morte. obrigar a vítima a não propor uma ação judicial contra o agente.

ou o valor. de modo a prejudicar a utilidade. ou se o seqüestro praticado por bando e quadrilha. caput). Exemplos: matar um porco. enquanto no qualificado. ou multa. qualificada (art. 168. 2º e 3º). etc. do município e da empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista. 159. de um a seis meses. O crime de dano pode ser simples ou qualificado. que são crimes hediondos. 159. A delação premiada é uma causa de diminuição de pena criada pelo legislador com o intuito de estimular um dos comparsas a entregar seus companheiros. romper a vidraça. §§ 1º. Apropriação indébita (art. além da pena correspondente à violência. ou a substância. cortar uma árvore. § 4º) há a delação premiada. b) o ourives que funde um tipo Unidade 2 95 . do Código Penal) O dano consiste na destruição. Na extorsão qualificada a pena será de 12 a 20 anos se o seqüestro for mais de 24 horas.Noções de Direito Constitucional. inutilização ou deterioração de coisa alheia. do Estado. Penal e Administrativo pode ser simples (art. Dano (art. nesse último. de seis meses a três anos. inverte esse título. do Código Penal) Apropriar-se significa fazer sua a coisa de outrem. e multa. E ainda(art. a qual é transferida pelo proprietário de forma livre e consciente. se o seqüestro for de menor de 18 anos. 159. e “B” ingere-o no caminho. O agente tem legitimamente a posse ou a detenção da coisa. Não há emprego de fraude. Inversão de posse.. alterar uma obra-de-arte. no momento posterior. Exemplos: a) “A” entrega a “B” prato de alimento para levar a “C”. facilitando a elucidação e punição dos crimes praticados em concurso de agentes. quebrar um revólver. mas. Se do sequestro resultar lesão corporal grave a pena ser de 16 a 24 anos e se resultar morte a pena será de 24 a 30 anos. 163. ou quando praticado contra o patrimônio da União. tirar os ponteiros de um relógio. quando for praticado com violência ou grave ameaça à pessoa. passando a agir como se fosse dono. detenção. ou com uso de substância inflamável ou explosiva. No dano simples a pena será de detenção.

96 . mas em um dos bolsos acha-se dinheiro. no presente artigo o bem é havido por erro. recebendo dinheiro do cliente para licenciamento do veículo. que é entregue a um homônimo que se apropria. Apropriação de coisa havida por erro. porém. vem a seu poder um título de valor econômico. c) o agente compra da vítima jornais velhos. a posse ou detenção do bem pelo agente decorre da voluntária e consciente transferência pelo proprietário. e) reconhece-se a apropriação indébita na atitude do motorista que. acima. a) Erro (é a representação falsa de algo): Tício manda pelo Caio entregar dinheiro a Clóvis. para o qual recebeu. falsifica as guias de recolhimento para utilizá-las em proveito próprio (TJPR – RTJE. sendo detido em flagrante dias após. do qual se apropria. d) uma pessoa manda sua roupa a lavar no tintureiro. f) funcionário de despachante que. 120/221). caso fortuito ou força da natureza (art. juntamente com eles. tendo alterado o prefi xo identificador do carro e se apoderado das férias recebida” (TACrim – JTACrim. do Código Penal) Se no artigo 168. d) o agente afirma que não recebeu a coisa. c) o agente não devolve o objeto ou não lhe dá o destino conveniente. 169. trabalhando com veículo alheio e devendo diariamente entregar os ganhos. e) quando alguém entrega a outrem quantidade maior do que a devida. desaparece com o veículo.Universidade do Sul de Santa Catarina de ouro de menor valia do que aquele que lhe foi entregue para confecção da jóia. 21/340). b) uma pessoa vende um imóvel que no seu interior havia dinheiro de que o comprador se apropria. caso fortuito ou força da natureza.

57/288). 169 do CP (TACrim – JTACrim. os objetos arrastados pela correnteza da chuva. 56/339). vende-os como seus. configurado se acha o delito de apropriação de coisa havida por erro previsto no art. os quais são apropriados. Estelionato (art. o agente coloca em circulação cheque para efeito de pronto pagamento. 169 do CP” (TACrim – RT. Penal e Administrativo b) Caso fortuito ou força da natureza: a) roupas levadas pelo vento ao terreno vizinho. enganando a vítima. não tendo suficiente saldo bancário). o engano. Entre as fraudes existente. visando a vantagem ilícita que pode ser para si ou para outrem: a) no conto premiado. há a emissão de cheque sem fundos. não passando de engano. b) “tipifica estelionato pedido e recebimento de vantagem como contraprestação de serviços de macumba para neutralizar trabalho que teria sido providenciado por desafeto com o objetivo de ser a vítima atropelada” (TACrim – JTACrim. e o criminoso recebe o dinheiro. b) “quem encontra em sua propriedade animais que sabe serem do vizinho e. 32/141). ou mantê-la sob engano existente. ao invés de devolvê-los. A fraude. do Código Penal) O estelionato é o uso de meio fraudulento para enganar a vítima. é apenas o meio de que se serve o meliante para alcançar o ilícito objetivo” (TACrim – JTACrim. mas mesmo assim sacando-o e não o restituindo. que se consuma com a vantagem ilícita patrimonial. comete o delito do art. que pode ser cometido por intermédio de duas condutas: 1º) emitir cheque sem suficiente provisão de fundos em poder do estabelecimento bancário sacado (ou seja. 171. 585/331). c) “o estelionato é crime material e de dano. fim visado pelo agente.Noções de Direito Constitucional. c) “desde o momento em que o titular de conta bancária teve ciência de que o dinheiro nela depositado não lhe pertencia. Unidade 2 97 .

qualificada. Nos crimes de estelionato e de outras fraudes a pena será de reclusão. mas é necessário que se identifique o delito antecedente. Em face disso. A receptação é crime autônomo. Emitir significa por o cheque em circulação. c) culposa. mas a prazo. de que veio a coisa. não é crime quando o cheque é dado como garantia de dívida. no artigo 180. O cheque é emitido para pagamento à vista. Se for contravenção o fato é atípico. em proveito próprio ou alheio. caput.Universidade do Sul de Santa Catarina 2º) frustrar o seu pagamento (possui provisão de fundos. 180. no artigo 180. de um a cinco anos e multa. do Código Penal) O crime de receptação acontece quando o agente adquire. agindo fradudulentamente. § 1º e § 2º. § 5º. oculta. no artigo 180. etc. § 3º. transporta. no artigo 180. b) no exercício da atividade comercial. recebe. que se caracteriza ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime antecedente ou pressuposto. retira a quantia antes do saque ou dá contra-ordem de pagamento). Não se trata de título como a nota promissória. Pressupõe a prática de um crime anterior. e) finalmente. coisa produto do crime.. A receptação pode ser: a) simples. com prova segura da origem criminosa do objeto. A conduta de preencher o título não integra o verbo emitir. em que o pagamento não é de pronto. 98 . Frustrar é enganar ou iludir. Entretanto. no artigo 180. 2º parte. § 6º. ou quando é pré-datado. Não há necessidade que exista inquérito ou procedimento judicial anterior. Receptação (art. d) privilegiada.

em virtude de crença ou função religiosa). frade. contém três modalidades de crimes: a) o escárnio de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa (escarnecer é zombar. o ato ou objeto de culto religioso. de modo ultrajante. b) o impedimento ou perturbação de cerimônia ou prática de culto religioso. fazer barulho para que o sermão do padre não seja ouvido pelos fiéis. casamento. por exemplo: pregar as portas da igreja. Deve ser realizado publicamente. Cerimônia é o ato religioso solene.Noções de Direito Constitucional. sermão. como o pastor. 78). Ou da mulher nua que ingressa no interior do templo para levantar protestos ou intervenção da autoridade eclesiástica (NORONHA. Ato religioso – sem solenidade como novena. ao passo que função é o ministério. Perturbar é atrapalhar. etc. Impedir é não permitir o início ou prosseguimento da cerimônia ou prática de culto religioso. simbólica. p. ridicularizar. por palavras. do Código Penal. do Código Penal) O artigo 208. dar pontapés. padre. Proferir palavrões contra a imagem de Santo. Pode ser por escrito. na presença de várias pessoas. procissão. etc Unidade 2 99 .e tem por finalidade assegurar o respeito aos mortos. por exemplo. c) vilipêzndio público de ato ou objeto de culto religioso (vilipendiar é desprezar. Se for somente entre o agente e a vítima é injúria. tumultuar a cerimônia ou culto religioso. Crença é a fé em uma doutrina religiosa. 1994. Note que o escarnecer deve ser público por diversas formas: oral. rabino. etc. proferir palavrões durante a cerimônia religiosa. há o crime de ultraje a culto ou impedimento de ato religioso e destruição e subtração de cadáver. 208. batizado. oração. atirar papéis contra ele. Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato religioso (art. como missa. freira. por gestos). escrita. Penal e Administrativo SEÇÃO 5 . Nesse sentido. de forma a ofender alguém.Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos A parte especial do Código Penal prevê também crimes.

como o coito oral. para sua consumação deve haver cópula (pênis e vagina da vítima) – completa ou incompleta. Atentado violento ao pudor (art. Para a caracterização exigese a conjunção carnal. por exemplo. nem a resistência passiva ou inerte. Exemplo: o agente após o atropelamento esconde a vítima no interior de uma mata ou a joga em um rio ou a esconde em sua residência. forçar. lesão corporal ou morte e grave ameaça. SEÇÃO 6 . p. 100 . pessoas tiram o corpo do ataúde e fogem com ele (NORONHA. 89). vigias do cemitério. Subtrair é tirar o cadáver ou parte dele da esfera de proteção ou guarda da família. o cadáver ou parte dele.Dos crimes contra os costumes Estupro (art. Não bastam negativas tímidas (quando os gestos são de assentimento). 1994. A violência se traduz a vias de fato. subtração ou ocultação de cadáver (art. Ameaça é obrigar. 214. v. do Código Penal) O crime de atentado violento ao pudor pune o criminoso que impõe de forma forçada atos libidinosos diversos da conjunção carnal. 1973). como queimar. p. 1979. Ocultar é esconder. 213. 211. induzimento ou auxílio). O criminoso só pode ser homem (o marido também pode ser sujeito ativo contra a esposa). durante o velório. haverá subtração se. VIII. entre outros. do Código Penal) O crime consiste em obrigar mulher à conjunção carnal. Ou seja. mediante violência ou grave ameaça. A ocultação somente pode ocorrer antes do sepultamento (HUNGRIA. ao passo que a subtração pode dar-se antes ou depois do sepultamento. esmagar. A mulher somente pode ser sujeito ativo no caso de participação (instigação. Também não se exige o heroísmo. anal. amigos. do Código Penal) Destruir é atentar contra a coisa.Universidade do Sul de Santa Catarina Destruição. toques lascivos. mediante dissenso da vítima.

Penal e Administrativo Posse sexual mediante fraude (art. Atentado ao pudor mediante fraude (art. persuadir. ao receber espíritos mantém relações com as vítimas. para que esse se configure. Assédio sexual Configura-se assédio sexual quando se vislumbram atos de insinuação sexual que atingem o bem-estar de uma mulher ou um homem. o criminoso simula um casamento com a vítima. 215. incitar. o engodo. O enfermeiro a pretexto de aplicar injeção na doente submete-a a atos de libidinagem. ou seja. simulando ser o marido.Noções de Direito Constitucional. não-recíprocos e não-desejados. submissão a contatos físicos repetidos. entre outros. do Código Penal) O crime consiste em manter conjunção carnal com a vítima mediante fraude. É preciso que a vítima seja lubridiada. E a permissão é a autrorização da vítima. a prestar favores sexuais sob a condição de com isso preservar ou adquirir direitos. o criminoso que simula ser o marido num baile de máscaras. do Código Penal) O crime é induzir alguém. Induzir é levar a. mediante fraude. 101 Unidade 2 . Na prática há participação ativa da vítima. ingressa no leito e mantém relações sexuais. no escuro. mover a. valendo-se de sua posição hierárquica. Basta que o assediador proponha enfática e definitivamente a prestação de favores sexuais. o artifício. Exemplos: o criminoso. constituindo-se esses no meio pelo qual o assediador constrange o sujeito. a praticar ou submeter-se à prática de ato libidinoso diverso da conjunção carnal. olhares. É crime o comportamento que inclui comentários. suscetíveis de ameaçar a segurança do emprego de uma pessoa ou criar um ambiente de trabalho angustiante ou intimidante. mediante a fraude. em troca da manutenção de direitos da vítima. instigar. objeto de seu desejo. que leva a mulher à convicção da legitimidade do ato ou faz com que ela se engane sobre sua identidade. 216. um homem que a pretexto fazer curas milagrosas. Ou o médico a pretexto de examinar.

Ex: praça pública. do Código Penal) O crime ocorre quando alguém pratica ato obsceno em lugar público. configurando como simples prova. do Código Penal) O crime é contrair novo casamento quando já casado. É o local onde as prostitutas exercem o comércio carnal. O crime ocorre no momento em que os nubentes manifestam seu assentimento à vontade de casar. 235. ainda que neles só possam entrar determinadas pessoas. Ato obsceno é a manifestação corpórea. janelas. ou em lugar aberto ao público. Casa de prostituição é o lugar destinado a encontros para fins libidinosos mantidos por conta própria ou de terceiro. com o SIM. 61. Instalada a casa. Lugar aberto ao público é o local acessível a pessoas. SEÇÃO 7 . como jardim de certa residência. os motéis e hotéis de alta rotatividade. 102 . exibindo aos passantes órgão sexual. previsto no art. haverá crime. 233. Exemplos de atos obscenos: cópula praticada no jardim público. sustentar. se houver um só ato sexual. O lugar destinado a encontros para fins libidinosos. As palavras obscenas não caracterizam o delito.Universidade do Sul de Santa Catarina Casa de prostituição (art. É dispensável a lavratura do termo de casamento. embora possam configurar a contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor. permanecer. prover. Diferente dos prostíbulos NÃO configura o crime. do Código Penal) O crime é manter casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso. como cinemas e bares. Lugar público é o local acessível a número indeterminado de pessoas. 229. ou exposto ao público. Ato obsceno (art. urinar em logradouro público. Ou seja. E exposto ao público é o local que pode ser visto pelo público. de cunho sexual.Dos crimes contra o casamento Bigamia (art. Manter é conservar. da Lei de Contravenções Penais. que ofende o pudor público.

Admitese qualquer meio de execução: palavras. instigar. a prática de crime determinado (seja de ação pública ou privada). Pouco importa que a instigação vise a pessoa específica. etc. Unidade 2 103 . do Código Penal) Incrimina o Código Penal fazer apologia (defender ardentemente. estupros. admite tentativa (Exemplo: foi preso quando tentava distribuir folhetos com a apologia). a incitação feita em ambiente familiar não caracteriza o delito. O objeto jurídico é a paz pública. publicamente (ou seja. elogiar). por indefinido número de pessoas. Apologia de crime ou criminoso (art.Dos crimes contra a paz pública Os crimes contra a paz pública são aqueles que atentam contra a sensação de segurança e tranqüilidade da população. por exemplo. escritos. O agente deve incitar. de crime (efetivamente ocorrido) ou criminoso (não se exige a condenação do elogiado). Consuma-se com a percepção. à prática de roubos. 286. São crimes de perigo. assanhar). etc. Embora crime formal. Por isso. de modo a ser percebida por um número indefinido de pessoas).Noções de Direito Constitucional. dos elogios endereçados a crime determinado e anteriormente praticado ou a autor de crime. do Código Penal) A conduta punível é incitar (estimular. A incitação deve ser de crime determinado. açular. publicamente (com conhecimento de número indeterminado de pessoas). louvar. basta que seja compreendida por número indeterminado de pessoas (publicidade). Incitação ao crime (art. 287. gestos. É necessário que a apologia seja feita em condições tais que possa ser percebida por um número indefinido de pessoas. Penal e Administrativo SEÇÃO 8 . A simples defesa. ou manifestação de solidariedade não constitui delito. excitar.

301. por meio de legislação pública e privada. são autênticos. 300. Não se exige que seja posta em circulação. e os de falsidade ideológica – Arts. 297. O Código Penal prevê nos seus arts. basta a fabricação ou alteração da moeda.Dos crimes contra a fé pública Fé pública é a confiança que todos depositam na autenticidade ou legitimidade de certos documentos. § 1º. todos do Código Penal. todos do Código Penal. sinais e objetos que o Estado. do Código Penal) Incrimina-se a associação (aliarem-se) mais de três pessoas (no mínimo quatro). do Código Penal) O crime é falsificar (imitar ou alterar) moeda metálica ou papelmoeda de curso legal no país ou no estrangeiro. 299. 301 e 302. O crime consuma-se com a fabricação ou alteração da moeda. 288. caput. de forma estável e permanente. seja fabricando ou alterando dinheiro verdadeiro. 298. Daí a aceitação geral de que certos documentos. 289. 303 e 305. Moeda falsa (art. sinais e objetos protegidos pelo Estado. §§ 3º e 4º. para o fim (dolo específico) de cometer vários crimes. até prova em contrário. nem que venha a causar dano a outrem. Consuma-se no momento em que o criminoso se associa. Crimes de falsidade documental Os crimes de falsidade documental como espécies dos delitos contra a fé pública envolvem os de falsidade material – Arts. SEÇÃO 9 . mesmo que nenhum crime seja praticado pelo bando. atribuiu valor probatório. 297. 296. 289 a 311.Universidade do Sul de Santa Catarina Quadrilha ou bando (art. 104 .

Se isso ocorrer. 3) ações de sociedade comercial – sociedade anônima e sociedade em comandita por ações. serviços sociais autônomos. a falsificação há de ser idônea a iludir terceiro. etc. Nos dois casos. São pessoas jurídicas de direito privado. qualquer documento público. etc. § 2º): 1) documento emitido por entidade paraestatal – empresas públicas.. números. letras ou números ao documento verdadeiro (contrafação parcial). etc. O escrito deve ser feito sobre coisa móvel. letras de câmbio. O fato deve ser potencialmente danoso capaz de produzir dano. São equiparados a documentos públicos (art. etc. Penal e Administrativo Falsificação de documento público (art. que possa ser transportada e transmitida. letras. a formação total ou parcial do documento. com patrimônio público ou misto. 297. isto é. signos. etc. no todo ou em parte. letras. O criminoso forma o documento por inteiro (contrafação total) ou acresce dizeres. do Código Penal) O crime é falsificar. sociedades de economia mista. preferenciais.). perceptível à primeira vista. Alterar é modificar o conteúdo do documento (modificar dizeres. 305 do Código Penal (supressão de documento). O falso inofensivo não constitui delito O documento público é aquele elaborado por funcionário público. Unidade 2 105 . números. 297. cheques. ordinárias. no exercício de sua função e de acordo com a legislação. para realização de atividade. mas não é indispensável que se trate de papel e pode a inscrição ser realizada em pergaminho. cuja criação é autorizada por lei. Se for grosseira. ou alterar documento público verdadeiro. duplicatas. inexiste o delito em face de ausência da potencialidade lesiva do comportamento. incide a norma do art. obras ou serviços de interesse coletivo.Noções de Direito Constitucional. Não deve haver supressão de palavras. conhecimento de depósito. Falsificar indica a contrafação.. 2) títulos ao portador ou transmissível por endosso – notas promissórias.

Falsificação ideológica (art. criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. documento particular ou alterar documento particular verdadeiro. em documento público ou particular. gravuras. ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. declaração que dele devia constar. Na terceira. o sujeito insere declaração inverídica (pessoalmente) – falsidade imediata. com o fim de prejudicar direito. possuindo importância jurídica. Documento é o escrito elaborado por um autor certo. cópias não-autenticadas. sem assinatura) não configura documento. inserir nele declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. Falsidade de documento particular (art. 5) testamento particular. autor determinado – escrito anônimo (sem autoria certa. há omissão. conter manifestação de vontade ou exposição de fato. no todo ou em parte. Na segunda. que manifesta a narração de fato ou a exposição de vontade. do Código Penal) O crime é omitir.Universidade do Sul de Santa Catarina 4) livros mercantis – obrigatórios ou facultativos. A consumação acontece com a falsificação ou alteração do documento. Requisitos do documento: forma escrita – não abrange fotografias. do Código Penal) O crime é falsificar. o sujeito atua por meio de terceiro. pinturas. relevância jurídica. 299. induzindo-o a inserir no documento – falsidade mediata. fazer inserir nele declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita. São as seguintes condutas: omitir declaração que deveria constar. 298. Escrito aposto em coisa móvel. 106 . o sujeito não menciona. Na primeira.

Assim. Falsidade de atestado médico (art. e de modo geral. em processo de habilitação de casamento.Noções de Direito Constitucional. No primeiro. falsa declaração de parentesco a fim de que o interessado na aquisição de imóvel pelo Sistema Financeiro de Habitação atingisse a renda exigida. do Código Penal) A conduta criminosa é a do médico. o crime é fornecer o médico atestado falso. Penal e Administrativo São exemplos de falsidade ideológica: inserção em escritura pública de falso pagamento de imposto. na certidão.. causa de morte.Dos crimes contra a administração pública Os crimes contra a administração pública envolvem os crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral ( arts. 338 a 359) e os crimes contra as finanças públicas (arts. Classificam-se em: delitos funcionais próprios e delitos funcionais impróprios. causa de uma moléstia. 302. Atestado por escrito. Dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral Crimes funcionais são os que só podem ser cometidos por pessoas que exercem funções públicas. dizer-se o agente solteiro quando era casado. 312 a 327). a qualidade do funcionário atua como elementar do Unidade 2 107 . os crimes praticados por particular contra a administração pública estrangeira (art. em mandado. etc. os efeitos de uma doença ou lesão física. dá atestado falso. Pode ser também referente a fatos diversos como a morte. 359-A a 359-H). os crimes praticados por particular contra a administração em geral (arts. os crimes contra a administração da justiça (arts. troca de provas realizadas em concurso público das acusadas. de modo que se fizesse passar uma pela outra. cuida-se de atestado de saúde ou de constatação de uma doença. que no exercício da sua profissão. SEÇÃO 10 .337-B a 337-D). 328 a 337-A). de falsa citação do réu.

do Código Penal) Protege-se a administração pública. o objeto material é o mesmo do furto. ou sendo o bem particular sob responsabilidade da administração pública (Ex: veículo apreendido). O objeto material é a coisa sobre que recai a conduta do funcionário público: dinheiro. valor ou qualquer outro bem móvel de natureza pública ou privada. Tipos de peculato Veja que o crime só pode ser cometido por funcionário público. e sem ela. 312. Nos impróprios. É necessário que a coisa seja pública ou que. o crime de peculato. por atipicidade relativa. desaparece. o Estado é a vítima. excluída a qualidade de funcionário público. 168. preservação do erário público. excluída a elementar “funcionário público”. Exemplo. do Código Penal). 108 . Exemplo: prevaricação (art. também o proprietário ou possuidor. Assim. do roubo e da apropriação indébita. esteja sob guarda da administração pública. ou que estejam sob sua responsabilidade. 5. subsistindo a apropriação indébita (art. Figuras típicas: Fig. O crime é a apropriação realizada pelo funcionário público de bens e valores da administração pública. do Código Penal). Os delitos funcionais são aqueles que o Código Penal denomina de crimes praticados por funcionário público contra a administração pública. desaparece o delito. peculato (art.Universidade do Sul de Santa Catarina tipo. Nesse caso. 312. 319. Peculato (art. provado que o agente na época não era funcionário público. Assim. do Código Penal). há dois efeitos: desaparece o crime de que se trata e opera-se a desclassificação para outro delito. o fato é atípico. sendo particular.

ou tesoureiro de uma repartição entre outros. não integra a figura típica. a prestação de serviço. ou mercadoria não-entregue. valor ou outro bem da administração pública. Peculato-desvio Funcionário público aproveitando-se da qualidade de servidor público. não coisa. apropriando-se do recurso ou da verba que era destinada para tais pagamentos. Nesse caso. ou em valor a maior. senão ocorrerá outro delito. Penal e Administrativo Dessa forma. Peculato-desvio O funcionário que empresta dinheiro da administração pública de que tem guarda (mesmo que seja devolvido posteriormente com juros e correção monetária). funcionário que conscientemente efetua pagamentos pela administração pública (dinheiro público) por serviço não-efetuado. ingressa no almoxarifado da repartição pública e subtrai para si pneus novos destinados a ambulâncias. também funcionário público. em razão do exercício da função. como por exemplo. Unidade 2 109 . Peculato-apropriação Apropriar-se o funcionário público de dinheiro. o policial que subtrai toca-fitas de automóvel que perseguira e que fora abandonado na via pública. que está sob a responsabilidade desse funcionário. o policial ou carcereiro que se apropria de bens do preso. é necessário que a coisa esteja sob guarda da administração pública. Por isso. como o chefe do almoxarifado. não constitui peculato o fato de o funcionário público utilizar-se de outrem. E ainda.Noções de Direito Constitucional. Ou. para a realização de atividade em proveito próprio (chamado peculato-uso).

mas de forma contrária da lei. ou retarda ou a concretiza contra a lei. ou realizar ato de ofício. que exige dinheiro para permitir o funcionamento de prostíbulos. presente ou futura. sem conhecimento oficial de autoridade superior. 319. Ou quantia exigida por policial para liberação de preso em flagrante. Concussão (art. 316. do Código Penal) Ocorre o crime de concussão quando o funcionário exige de outrem. o funcionário público pratica a conduta delituosa ao retardar ato de ofício. em razão da função pública. Corrupção passiva (art. incurso no art. do Código Penal) É crime de corrupção passiva quando o funcionário público solicita ou aceita vantagem indevida. ou recebimento.Universidade do Sul de Santa Catarina Peculato-culposo Funcionário público que deixa serventia de cartório por conta de outrem. A vantagem pode ser patrimonial ou econômica. do Código Penal. 317. ou a promessa é aceita para a prática de ato regular ou ato ilícito Prevaricação (art. ou ao deixar de realizar ato de ofício. É indispensável que o ato tenha relação com a função do funcionário. beneficiando o próprio agente ou terceiro. criando culposamente condições favoráveis à prática de ilícitos administrativos e criminais. Ou seja. 316. caput. A consumação do crime acontece com a solicitação. do Código Penal) Ocorre quando o funcionário se abstém da realização da conduta que está obrigado. Exemplo: policial. indevidamente. uma vantagem econômica ou patrimonial. 110 . com destinação específica para atender a sentimento ou interesse próprio.

chefe do centro de saúde. tempestivamente. O artigo do Código Penal busca resguardar o agente do poder público de quem. tenta impedir a execução de ato legítimo. mediante violência ou grave ameaça. Desacato (art. etc. 331. gestos. “Médico. vias de fato.Noções de Direito Constitucional. Dos crimes praticados por particulares contra a administração em geral São aqueles crimes praticados por particulares contra a administração pública. seus débitos fiscais” (RT 397/286). do Código Penal) O crime de resistência consiste na oposição ativa à realização de ato legal de funcionário público competente. Resistência (art. É necessário que a ofensa seja realizada contra o funcionário público: Unidade 2 111 . agredir. deprestigiar o funcionário público. Militar que deixa de tomar providências para beneficiar superior hierárquico. “Funcionário público que por comodismo (e raiva) se recusa a atender durante o horário normal de expediente os contribuintes que desejavam recolher. que retarda expedição de atestado de óbito em face da animosidade com autoridade policial” (RT 520/367). humilhar. 329. Penal e Administrativo Secretário da Câmara Municipal que se omitiu em ato que devia praticar para atender interesse de amigos políticos” (RT 223/379). Pode ser por vários meios: palavras. gritos. agressões físicas. do Código Penal) Desacatar significa ofender. Qualquer ato que signifique menosprezo ou deprestígio. mediante violência física ou ameaça. “Funcionário que por sua tolerância permite que seus amigos pesquem em local proibido” (RT 412/296).

ou deixar de praticar ato de ofício. Mesmo que o funcionário venha a repelir a oferta há crime. Pois. o comportamento deve ser realizado no futuro para que se faça. Ex: o mesmo delegado de polícia que está no restaurante e é xingado por terceiro que esbrajeva a prisão do irmão ocorrida anteriormente. Ou seja. 316. contudo. Ou seja. do Código Penal) Pune-se o particular que oferece ou promete vantagem indevida a funcionário público para que pratique. Não há crime se o sujeito der ao funcionário pequenas gratificações ou doações em agradecimento a comportamento funcional seu. não a terceiro como parente e amigo. não porque se fez. do Código Penal). não há corrupção ativa se a vantagem for oferecida ou prometida ao funcionário depois de sua conduta funcional.. mas àquele que tem o dever de ofício de realizar ou não o ato. 333. gestos. Se no caso houver exigência de funcionário. 112 . não se trata de qualquer funcionário. causal – por causa da função pública. Pode ser por palavras. E ainda. o crime consiste em oferecer. A vantagem indevida deve endereçar ao funcionário. tipifica a concussão (art. etc. O o delito pode ser realizado por interposta pessoa. prometer vantagem a funcionário público com o fim de determiná-lo a realizar. Ou seja. escritos. Ex: xingamentos contra o delegado de polícia que está na Delegacia de Polícia no exercício de sua função pública. “Pede-lhe que dê um jeitinho”. Também. ocasional – na ocasição (momento) do exercício da função. comprometese. garantir a entrega de algo. inexiste na ausência de oferta ou promessa de vantagem. Corrupção ativa (art. Oferecer é expor à aceitação.Universidade do Sul de Santa Catarina no exercício da função pública. omita ou retarde ato da sua competência. omitir. ou em virtude da função. Prometer é dizer que obriga-se.

exigese reiterada prática delituosa. Neste caso. Contrabando ou descaminho (art. ao inferno. saída ou pelo consumo de mercadoria. Exemplo: Imposto de Importação Para configuração da atividade comercial e/ou industrial. Ou em iludir. Unidade 2 113 . a exemplo da denunciação caluniosa. Para a consumação do delito é necessário verificar se a entrada ou a saída da mercadoria aconteceu: a) pela alfândega – nesse caso. o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada. pode haver prevaricação do funcionário público. Penal e Administrativo A vantagem deve ser indevida. Exemplo: não há crime se a promessa for uma viagem ao sol. 334. Ora. ao céu.Noções de Direito Constitucional. Assim. O crime consiste em importar (trazer para dentro do país) ou exportar (fazer sair) mercadorias (coisas móveis) proibidas. no momento em que é liberada. do Código Penal) Contrabando é a importação ou exportação de mercadorias ou gêneros cuja entrada é proibida no país. Dos crimes contra a administração da justiça Vistos até agora os crime praticados por funcionários públicos e por particulares contra a administração pública. ou se o juiz de direito fosse ameaçado? Com certeza existem certas condutas humanas que são consideradas crimes pelo Código Penal para assegurar a aplicação da justiça. E a promessa possível de se realizar. há tentativa. b) por outro local que não pela aduana – no momento em que entra ou sai do território nacional. Tentativa possível. vamos ingressar nos principais crimes. com destinação comercial ou industrial. vamos ingressar agora nos crimes contra a adminsitração da justiça. Descaminho é a fraude no pagamento de impostos ou taxas. Exemplo: produtos falsificados. já imaginaram se as testemunhas pudessem mentir. Se interronpida antes da liberação. no todo ou em parte.

recado à autoridade. do Código Penal) por parte da testemunha. não por terceiro. Assim. A imputação pode ser sobre: o fato infracional verdadeiro. o fato que não aconteceu. gestos. não há denunciação caluniosa no caso do réu ou de testemuha acusar alguém da prática de infração penal durante o interrogatório ou o depoimento. Nesse caso. Se a imputação diz respeito a crime – caput do art. do Código Penal. do Código Penal) O crime de denunciação caluniosa consiste em dar causa a instauração de investigação policial ou processo judicial contra alguém. televisão. Havendo emprego de nome suposto ou de anonimato. dirigido a quem não o realizou ou dele participou.Universidade do Sul de Santa Catarina Denunciação caluniosa (art. Dar causa é provocar. Se a imputação diz respeito à contravenção – § 2º do Art.339. telefonema anônimo. imputando-lhe prática de crime. A ação da autoridade pública deve ter sido causada por conduta espontânea do agente. 138. a pena é agravada – § 1º do art. do Código Penal) por parte do réu e falso testemunho (art. telegrama. 339. rádio. colocação de entorpecente ou objeto furtado na bolsa de alguém. 114 . do Código Penal. 339. ou indireta – por outro meio. do Código Penal. 339. há calúnia (art. que pode ser: direta – o próprio agente apresenta a notícia crime à autoridade policial ou judiciária: verbalmente ou por escrito. como carta. 342.

Estupro ao invés de roubo. ou não pode. Não é necessário que seja cometido diante da autoridade. A auto-acusação deve ser realizada perante a autoridade judicial ou policial. 340. como a princípio leva a entender a expressão “perante”. A comunicação pode ser verbal ou escrita. Unidade 2 115 . não há delito. ou em juízo arbitral. Perito é a pessoa com conhecimento técnico chamada a auxiliar o juiz. o sujeito atribui-se a prática de um crime inexistente ou que foi cometido por terceiro. Auto-acusação falsa (art. quando realmente ocorreu um roubo. não é preciso que seja instaurado inquérito policial. Testemunha é pessoa chamada a depor. de forma verbal. Tradutor é a pessoa chamada para verter um texto de uma língua para outra. Intérprete é a pessoa chamada para auxiliar o juiz na tomada de depoimento daquele que não fala a língua nacional. Se a infração realmente ocorreu a comunicação é atípica. etc. Se for contravenção penal o fato é atípico. 342. 341. É possível que o sujeito aponte um furto. colhendo dados). ou administrativo. do Código Penal) Nesse crime. O objeto da auto-acusação deve ser crime. Existe delito quando o fato é essencialmente diferente. ou negar ou calar a verdade como testemunha. contador. inquérito policial. perito. Nesse caso. tradutor ou intérprete em processo judicial. Penal e Administrativo Comunicação falsa de crime ou de contravenção (art. é necessário diligências da autoridade pública (ouvindo pessoas. do Código Penal) O crime é fazer afirmação falsa. anônima ou com nome imaginário.O mesmo se for a particular. Não basta a simples comunicação. comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção. Contador é o perito que faz cálculo. Falso testemunho ou falsa perícia (art. do Código Penal) O crime é provocar a ação de autoridade. Se realizada perante funcionário público que não seja autoridade não há crime.Noções de Direito Constitucional. O conhecimento pode ser levado à autoridade por escrito. como os surdos-mudos. por outro meio expressá-la.

juízo arbitral (lei nº 9. O crime pode ser cometido com: violência física contra pessoa. em inquérito policial. Se o sujeito.307/96) ou em inquérito parlamentar (lei nº 1. violência contra coisa. O preso é aquele que está na cadeia pública (provisório) ou no sistema penal. como por exemplo os doentes mentais. Exemplo: a testemunha vem a faltar com a verdade no inquérito policial. que o falso testemunho tenha influído na decisão da causa. do Código Penal) Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida à medida de segurança detentiva. em fases sucessivas.Universidade do Sul de Santa Catarina A conduta criminosa deve ser realizada em processo judicial (criminal. Fuga de pessoa presa ou submetida à medida de segurança (art. depõe falsamente há um só delito. ou com desenvolvimento mental incompleto. Ex: engano do carcereiro com apresentação de alvará de soltura. É irrelevante para existência do crime. E facilitar consiste em prestar meios. Promover é realizar. violência moral (grave ameaça). fraude.579/52). em cumprimento de pena (definitivo). A medida de segurança é aplicada a inimputáveis e semi-imputáveis. executar a fuga. 351. 116 . em processo administrativo. em juízo e no Tribunal de Júri. civil ou trabalhista). Inexiste delito se a testemunha nega a verdade para não se incriminar.

A simples fuga sem violência não constitui o crime. a fim de maltratá-lo. Arrebatar é tirar. Mas é necessário que faça leituras complementares e consulte o Código para aprofundar seus conhecimentos. Chegamos ao final de mais uma unidade. O objetivo era abordar os conceitos de crime e contravenção penal e as formas de aplicação do Código Penal na segurança pública. lesão corporal (um hematoma) ou morte. do Código Penal) O crime é arrebatar preso. A violência contra a coisa e a grave ameaça não constitui o crime em pauta. que pode constituir-se em vias de fato (um tapa). com a finalidade de maltratá-lo. do poder de quem o tenha sob custódia ou guarda. tomar o preso de quem o detém. escapar. já é o crime de arrebatamento de preso. Confira no final do livro os comentários. libertar-se. Unidade 2 117 . mas antes de passar para unidade seguinte.Noções de Direito Constitucional. A Unidade 3 abordará Noções de Direito Administrativo. O fato de tirar o preso da delegacia com a finalidade de linchá-lo (maltratá-lo). guarda. Evadir é fugir. A violência é a empregada contra carcereiro. leia a síntese e desenvolva as atividades de auto-avaliação. 353. O importante é que você saiba identificar os crimes mais comuns. por si só. arrancar. Penal e Administrativo Evasão mediante violência contra a pessoa (art. à força. Arrebatamento de preso (art. do Código Penal) O crime é evadir ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido à medida de segurança. Exemplo: arrancar o preso da delegacia para linchálo. mediante violência contra a pessoa. que ocorrem no dia-a-dia. Não esqueça também de consultar os livros e acessar os sites indicados. 352. previstos no Código Penal. ou outro detento ou internado.

Para poder salvar a vida daqueles que já estavam embarcados e evitar a superlotação do bote e. inclusive. as pessoas embarcadas começaram a impedir a subida de mais pessoas que estavam na água. assim. ) Cuspir no chão. o seu afundamento. 118 . havia um único bote salva-vidas. ) Tirar a vida de alguém por causa de um jogo de baralho. colocando em sério risco a vida de terceiros e. ) Olhar atravessado o irmão. Essa conduta de impedir a subida das pessoas que estavam na água que também pretendiam subir no bote e. por conseqüência.Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação 1) Num naufrágio distante da praia. ) Deixar de dar o lugar no ônibus a pessoas mais idosas. evitar a superlotação e o afundamento do único bote salva-vidas constitui crime? Sim? Não? Por quê? 2) Qual das condutas listadas é crime? a) ( b) ( c) ( d) ( e) ( ) Não cumprimentar o vizinho com um bom-dia. alguns vieram a falecer por afogamento.

entrou em trabalho de parto dando à luz a uma menina. grávida de oito meses. cumprimentar. ou subtrair coisa alheia móvel para si ou para outrem. comprar. que é crime de homicídio. Assim. como por exemplo. pois só há crime se houver lei que defina a conduta como crime e somente há pena se houver uma lei estabelecendo a sanção penal. pagar. Unidade 2 119 . viver em sociedade é realizar diversas condutas como trabalhar.Noções de Direito Constitucional. ajudar. que traz o aspecto da legalidade como base. sob a influência do estado puerperal. comer. correr. e algumas prejudicam a vida em sociedade e põem em risco a segurança pública. que é furto. matar alguém. Qual o crime que a mulher cometeu? Síntese Esta unidade abordou noções de Direito Penal. Algum tempo após. Penal e Administrativo 3) Qual a diferença entre o furto e o roubo? 4) Uma mulher. entre tantas outras. resolve matar a recém-nascida.

os principais crimes que acontecem no dia-a-dia e que são previstos no Código Penal.pro. R. Boa sorte na próxima unidade! Ao estudar as Noções de Direito Administrativo você encontrará a administração pública. 15 de maio de 2001.br/direito_dp. n. 46 SILVA.br/doutrina/areas.uol. Revista Jurídica Consulex.com. <http://www.adv. E.htm> <http://www.com.br/dicionario/direito_penal. ano V. A bagagem do Direito Penal permitirá a você (aluno) ingressar na Unidade 3. L. Dos crimes.direitopenal.com. ela que é a responsável pela execução da vontade popular. J. 1999.drheart. A. de 2004. 190. pois é a partir da quebra da ordem pública que atuam os órgãos públicos. entre eles a polícia. 12-13. além de analisar de perto os comportamentos perigosos e que violam a lei penal. n.br/resumos_e_apostilas_de_ direito_p. também.br/> <http://www. História das penas.dji. aprendeu os conceitos de crime e de infração penal. Introdução crítica ao estudo do sistema penal: elementos para compreensão da atividade repressiva do Estado.asp?sub0=18> 120 . que tem por finalidade manter e garantir o bem-estar social.htm> <http://jus2. objetivo final do Estado.suigeneris. p. p. Brasília: Revista Jurídica Consulex. V. Saiba mais ANDRADE.htm> <http://www. 104. Florianópolis: Diploma Legal.Universidade do Sul de Santa Catarina Você estudou. 15 de dez. ROSA.

3 Seções de estudo Seção 1 A Constituição Federal com enfoque no Direito Administrativo. Analisar como funciona os contratos e as licitações da administração pública. Seção 7 A licitação. Identificar a legislação que regula a administração pública. Seção 2 Os princípios da administração pública.UNIDADE 3 Noções de Direito Administrativo Objetivos de aprendizagem Conhecer a estruturação do sistema formal da administração pública. Seção 6 Os contratos administrativos. Seção 4 As funções administrativas e os poderes administrativos. . Seção 5 Os atos administrativos. Seção 3 A Organização da administração pública.

Siga. imprescindíveis para entender a natureza dos órgãos da segurança pública em todas as suas esferas. 122 . utilizamos a formação lógica do Direito Administrativo centrado nos artigos 1º e 2º. cujo destaque é a administração pública. Você verá como a Constituição Federal concebe a administração pública e como se busca efetivar as suas funções junto à sociedade que para tanto. suas formas e estruturas. Nesta unidade você será informado sobre a administração pública. para a Seção 1 e explore a Constituição Federal com enfoque no Direito Administrativo. responsável pela efetivação da segurança pública. que lhe dão alicerce. além dos instrumentos utilizados pelo Estado para manter uma sociedade em paz e em harmonia. para contextualização do tema. da Constituição Federal de 1988. você está iniciando a Unidade 3. utiliza-se dos atos administrativos e dos poderes públicos.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro aluno. então. que irá tratar sobre as Noções de Direito Administrativo. Por isso.

portanto. mas que é de todos e. da Constituição Federal de 1988. nos termos desta Constituição”. coisa pública. Unidade 3 123 . valores sociais do Trabalho. interesse comum. ou seja. que se dá o enfoque de República no sentido de res publicae. O que lhe parece? Importante não é? Como você pode ver. a coisa pública. III – a dignidade da pessoa. por isso. estabelece que “A República Federativa do Brasil. atente para o seguinte: A coisa pública. livre iniciativa. O artigo 1º. Parágrafo único: Todo o poder emana do povo. por ser de todos. II – a cidadania. Vamos adiante. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. No Direito Administrativo estuda-se. merece ser protegido (republicano). cidadania. dignidade da pessoa.Noções de Direito Constitucional. algo que não é de ninguém. IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento: I – a soberania. da Constituição Federal. analise o texto que segue. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. pluralismo político.A Constituição Federal com enfoque no Direito Administrativo Para iniciar os seus estudos. V – pluralismo político. Penal e Administrativo SEÇÃO 1 . é pelo artigo 1º. tem os seguintes fundamentos: FUNDAMENTOS: soberania.

gira o Direito Administrativo. Da fusão dos artigos 1º e 3º. que versa sobre os direitos fundamentais. raça. da Constituição Federal. Vamos ver o que significa Estado Democrático de Direito? O Estado Democrático de Direito (art. IV – promover o bem de todos. justa e solidária. a solidariedade e a dignidade da pessoa. III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Percebeu como o Direito Constitucional está contribuindo para o entendimento do Direito Administrativo? Veja agora o que é relevante para uma organização social que atenda aos interesses coletivos.Universidade do Sul de Santa Catarina Note o que temos na seqüência o artigo 3º. sexo. Veja o que diz o artigo: “Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre. ou seja. cor. II – garantir o desenvolvimento nacional. ambos da Constituição Federal. aquilo que a res publicae tem que garantir a cada cidadão. 1º da CF) O Estado Democrático de Direito é a característica principal da organização administrativa do Brasil e possui estes quatro pontos: 124 . sem preconceitos de origem. idade e qualquer outra forma de discriminação”. destacando-se o bem comum.

Concorda? Por isso. nos termos desta Constituição” (Parágrafo único do art. sempre com foco voltado para o contexto social. pois a administração pública tem fim social. necessárias à satisfação dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal e à organização e o funcionamento das estruturas estatais e não estatais com a finalidade de satisfazer o bem comum da sociedade. o poder que emana do povo que escolhe seus representantes está diretamente ligado à função administrativa. A função instrumental do Estado nada mais é do que a função administrativa desse. pois: “Todo o poder emana do povo. da Constituição Federal). o Estado jamais poderá ser senhor do cidadão.Noções de Direito Constitucional. portanto. pelo contrário. tal Estado é instrumento da sociedade. 1º. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente.” Unidade 3 125 . é importante salientar que o Direito Administrativo nasce da função administrativa. é o cidadão o senhor do Estado. Conceito do Direito Administrativo Do objeto de estudo do Direito Administrativo encontramos seu conceito: “É o conjunto de normas jurídicas de direito público que regula as atividades administrativas. Penal e Administrativo Interessante notar que o Estado Democrático de Direito tem como premissa o poder do povo. Mas o que isso significa? Que importância tem no âmbito da administração pública? No contexto dessa indagação. por conseqüência. Mas qual é o objeto de estudo do Direito Administrativo? O objeto de estudo do Direito Administrativo é a função instrumental do Estado. sendo que função administrativa é o conjunto de atividades que devem ser desenvolvidas pelo Estado e.

lei.. Do regime jurídico do Direito Administrativo Via de regra. coletivos..) e à organização e o funcionamento das estruturas estatais e não estatais com a finalidade de satisfazer o bem comum da sociedade”. a) “É o conjunto de normas jurídicas (... as atividades de cunho administrativo. de nacionalidade e de direitos políticos.) que regula as atividades administrativas (.. d) “(. c) “(.Universidade do Sul de Santa Catarina Vamos entender melhor esse conceito? Veja como ele se estrutura.)” quais sejam os direitos individuais... há duas premissas que definem o Direito Administrativo como regime jurídico de direito público: Supremacia do interesse público sobre o interesse privado. dividindo-o em frases. estabelecer a organização e o funcionamento das estruturas estatais e não estatais encarregadas pelo desempenho das ações governamentais em prol da sociedade com a finalidade de satisfazer o bem comum. atos normativos. Para tanto.. executadas pela administração pública. Indisponibilidades dos interesses públicos. 126 .)” isto é. princípios. as normas de Direito Administrativo são de direito público.)”... sociais.) necessárias à satisfação dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal (. portarias. ou seja.. b) “(.. isto é. decretos.

aquele interesse que ultrapassa o que é meu e por ser de todos. em prol do interesse público. A abertura de uma boate deverá respeitar a supremacia do interesse público. por exemplo. aquele que não pode ser individualizado. deve ser observada a Lei de Zoneamento Urbano. na desapropriação de um terreno para construção de uma escola. antes da abertura de qualquer boate. Assim. O Estado é criação humana. ou seja. uma vez que em área residencial não poderá surgir indústrias ou atividades incompatíveis com a tranqüilidade de uma área destinada somente a residências. Assim. Indisponibilidade do interesse público A indisponibilidade do interesse público surge da própria idéia de Estado. supremacia – toda decisão administrativa deve privilegiar o interesse público. de um único indivíduo. temos: interesse público – não é interesse privado. ou seja. Enfim. ou na desapropriação de terreno para construção de um hospital. e sim. o interesse público (coletivo) deverá preponderar sobre o individual. o interesse público sempre deverá preponderar sob o privado. muito embora a boate gere impostos e empregos. O interesse público se consubstancia. Unidade 3 127 . Penal e Administrativo De tais premissas obtém-se o seguinte resultado: A supremacia do interesse público sobre o interesse privado: o interesse público deve sempre preponderar sobre o interesse privado. a qual abre mão dos direitos absolutos e passa a ser controlado pelo Estado.Noções de Direito Constitucional.

por exemplo. passaremos à análise de tais princípios. administrados. E. gerenciados. porém sempre em benefício do Estado. Por isso. SEÇÃO 2 . Os interesses públicos não podem ser entregues. funcionários públicos em geral e a população. de forma a serem limitadas a partir da lei. reduzidos e transacionados. Desta maneira. há uma certa outorga para administrar toda gama de interesses públicos. somente por meio de disposição legal (uma outorga por meio de lei) é que esses interesses serão “disponíveis”. a venda de um bem público (como uma praça pública. pois lidam com interesses públicos. assim. até onde ela pode dispor do direito de patrimônio sem prejudicar o direito alheio. pois o interesse pertence a todos.Os princípios da administração pública Princípios são orientações. que se consegue uma “certa liberdade” para administrar o interesse público. isto é. ou um prédio público. que nada mais é que a representação da autorização do povo. prefeitos municipais. preceitos que qualquer gestor da administração pública. secretários. ou um veículo público) só se dá com a aprovação legal. que em última análise é a aprovação do povo. deve observar quando lidar com o interesse público. eis que. o interesse público é indisponível. por conseqüência. se o interesse público é indisponível. A lei dará o limite para que os interesses públicos sejam manejados.Universidade do Sul de Santa Catarina O Estado diz até onde a pessoa pode ir no exercício dos seus direitos em benefício da sociedade. ou seja. por exemplo. Perceba que nesse contexto. como. 128 . as questões de Direito Administrativo são indisponíveis. diretrizes.

pois onde houver tal placa será proibido estacionar. uma placa de proibido estacionar. civil e criminal. não se podendo afastar ou desviar. da Constituição Federal. está presa aos mandamentos da lei. salvo em situações excepcionais (guerra. O artigo 5º. sujeito aos mandamentos da lei. deles não se podendo afastar. traz o princípio da legalidade com enfoque no direito privado. todavia. em toda a sua atividade funcional. Só que isso não satisfaz as regras de direito público. pois tudo o que não é proibido é permitido. A administração pública só pode fazer o que a lei autoriza. Isso quer dizer. sob pena de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade administrativa. em toda a sua atividade. Se a lei nada dispuser. sob pena de invalidade do ato e responsabilidade de seu autor. ou que exceda ao âmbito demarcado pela lei. é injurídica e expõe-se à anulação. dando a idéia de que tudo o que não é proibido é permitido. uma vez que passaria a idéia de disponibilidade do interesse público. qualquer ação estatal sem o correspondente calço legal. Assim. Por exemplo. grave perturbação da ordem). não é apropriado para o Direito Administrativo. que o administrador público está. Unidade 3 129 . Penal e Administrativo PRINCÍPIOS a) Princípio da legalidade Pelo princípio da legalidade a administração pública. onde não houver será possível estacionar. ou seja. inciso II.Noções de Direito Constitucional. não pode a administração pública agir. Já uma pessoa particular pode fazer tudo o que a lei permite e tudo o que a lei não proíbe.

Só poderá atuar dentro do limite da lei. moralidade. o qual é mero detentor desse interesse (detentor: não tem autonomia para gerenciar sem permissão legal). Só posso fazer o que a lei determinar ou permitir. 130 . II. 37. Observe o seguinte: o gestor da coisa pública precisa de total autorização legal. impessoalidade. publicidade e eficiência e.Universidade do Sul de Santa Catarina Assim. dos Estados. Art. 5º. Toda e qualquer gestão do Direito Administrativo partirá do princípio da legalidade. pois não está trabalhando com interesse do gestor. do DF e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade. não a tendo não poderá fazer nada.. da Constituição Federal: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. também. ou seja. ao seguinte”. não há possibilidade de agir. temos o seguinte quadro: DIREITO PRIVADO DIREITO PÚBLICO Art. da Constituição Federal: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Tudo o que não é proibido é permitido.. A ausência de lei indica a inércia da administração pública. caput.

A melhoria da convivência. porque há uma finalidade que é pública. b) Princípio da impessoalidade ou princípio da finalidade (pública) Todo ato (atividade) administrativo é voltado para um fim que é público. pois o princípio da impessoalidade é a garantia de que a atividade administrativa atinge – alcança – o fim público. Só sendo impessoal é que se atinge a finalidade pública. do trabalho com a coletividade e da exclusão da finalidade privada que se constrói a atividade administrativa. Não se pode dirigir a atividade voltada a interesse particular. Logo. ou seja. da Constituição Federal.Noções de Direito Constitucional. o bem comum e a garantia dos direitos fundamentais do cidadão. mas faça com base em situações que você conhece. Unidade 3 131 . não de forma individualizada. Penal e Administrativo Para refletir e discutir: “Sem o princípio da legalidade não há possibilidade de gestão da administração pública. A não obediência ao princípio da legalidade importa em nulidade do ato”. pois é por meio do bem comum. a finalidade da administração é garantir o bem comum (propiciar a melhoria da vida da sociedade). que significa buscar o artigo 3º. Não se pode tornar pessoal a atividade administrativa. Publique suas observações no AVA para gerar um debate nesse sentido. é a finalidade da administração pública. Use o espaço para registrar seu ponto de vista sobre o princípio da legalidade.

o seguinte: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. a perda da função pública. A Constituição Federal de 1988 estabelece. sem prejuízo da ação penal cabível” (artigo 37. Por isso. A lei nº 8. trabalhando pautado no bem comum. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. têm que ser tratados de maneira ética. não basta que os atos administrativos sejam pautados na lei. Afastando-se da legalidade e da impessoalidade tem-se uma conduta imoral por parte do gestor da coisa pública. voltada para o bem. “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. Ele tem que agir dentro dos princípios e valores éticos. da Constituição Federal). A conduta do administrador público tem que ser proba. Os atos administrativos passam por um controle ético para averiguar a manifestação do Estado (impessoalidade). quanto à moralidade do gestor da coisa pública.Universidade do Sul de Santa Catarina c) Princípio da moralidade Esse deriva do princípio da legalidade e da impessoalidade. sem prejuízo da ação penal cabível” (artigo 37. pautada na fé pública. na forma e gradação previstas em lei. da Constituição Federal).429/82 regula a improbidade administrativa. O princípio da moralidade traz a idéia de proteção da boa administração pública. § 4º. a perda da função pública. 132 . na forma e gradação previstas em lei. Por exemplo: venda do bem público abaixo do preço do mercado. § 4º. para a questão ética. com moralidade. em prol do bem comum. tratando de determinadas condutas que presumidamente são em desfavor do erário público.

dever de eficiência do servidor público. para preservação da atividade administrativa. Ora. É levar ao encontro do povo a administração pública. que é a ele oferecido pela administração pública pela publicidade. É instrumento de controle da res publicae. saneamento básico. o cidadão é incentivando ao conhecimento da coisa pública. há o princípio da transparência. Trabalhar com eficiência é trabalhar em três planos: 1) eficiência propriamente dita – internamente. entre outras. A publicidade é condição de eficácia do ato administrativo. se pelo princípio da publicidade o cidadão requer a publicação de certos atos administrativos. Todo cidadão tem direito de peticionar a administração pública para conhecer os atos públicos. e) Princípio da eficiência A administração pública deve nas suas funções agir com eficiência em prol do bem-estar social. educação. 2) a publicidade como instrumento de controle da administração pública e como requisito de validade (eficácia) do ato administrativo.Noções de Direito Constitucional. tem o dever de atender o administrado da melhor maneira e suprir as necessidades da sociedade nas mais diversas áreas como saúde. em alguns casos. com o princípio da transparência. O princípio da publicidade sempre comportará limitação para preservação dos direitos individuais. segurança. há necessidade de limitação da publicidade. Todavia. Penal e Administrativo d) Princípio da publicidade Trabalhar com o princípio da publicidade é trabalhar em duas frentes: 1) o princípio da publicidade é o direito do cidadão de conhecer a atividade administrativa. ou seja. pois esse só é eficaz após sua publicidade. é o aprofundamento do princípio da publicidade. Unidade 3 133 . Além da publicidade. que é a ampliação daquele princípio. Por isso.

Deve desenvolver sua atividade com positividade jurídica. A administração pública precisa dar resultados Trabalhar com política de metas para todos os campos da administração pública. A partir de 1998. Em suma. embora não esteja contido na Constituição Federal. Dessa feita. logo. Alguns autores colocam o princípio da razoabilidade ao lado do princípio da proporcionalidade. existem outros princípios de Direito Administrativo. Razoabilidade tem haver com racionalidade. 134 . sendo que esses cinco princípios são a base do Direito Administrativo. Trabalhar com o princípio da razoabilidade é tentar adequar a melhor conduta possível do administrador com o menor esforço possível da administração pública. Uma conduta administrativa plausível. Eficácia é aquilo que dá resultado. expressamente. é apenas exemplificativo. não menos importantes que os contidos na Carta Magna. Todavia. contidos na Constituição Federal de 1988. Pega o princípio que era interno e passa a ser externo. porém estão ligados ao Direito Administrativo. aceitável. 3) efetividade – A presença do Estado na sociedade. começa-se a trabalhar com a política de metas (implantada pela lei de responsabilidade fiscal). o cumprimento da função social.Universidade do Sul de Santa Catarina 2) eficácia – busca por uma política de resultado. os cinco princípios estão. o artigo 37. da Constituição Federal. racional. Princípio da razoabilidade Encontra-se na Constituição Estadual de São Paulo. É a comprovação do resultado da administração pública. que não estão listados no referido dispositivo legal. A Constituição Federal não traz todos os princípios administrativos. há outros princípios que não estão na Constituição Federal.

que for desmedido. ou seja. pois a administração pública tem o poder e o dever de manter o controle sobre os seus próprios atos. A administração pública só pode agir de forma que sua conduta não seja maior que o ato que ela pretenda combater. da sociedade. A administração pública só vai intervir quando de maneira necessária agindo com medidas proporcionais.?).Noções de Direito Constitucional. (FIGUEIREDO. Princípio da autotutela Princípio que está baseado em três premissas: Perceba que o interesse público deve ser tutelado constantemente. disciplinar. Os atos da administração pública poderão ser convalidados de acordo com o interesse público. Tudo o que ultrapassar a medida social para buscar a função social será ilegal. será ilegítimo. A administração pública não precisa de intervenção do Poder Judiciário para corrigir as condutas da administração pública. “Proporcionalidade é a relação de congruência entre o fato (motivo) e a atuação concreta da administração”. não poderá ser convalidado pela administração pública. A conduta da administração pública deve ser proporcional ao pedido da coletividade. A administração pública não pode praticar atos desmedidos. ano. uma vez que se completam. A medida administrativa é desmedida quando a conseqüência é mais gravosa que o ato que lhe deu origem. como o bem comum. Penal e Administrativo Princípio da proporcionalidade Sempre são utilizados casados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. p. Unidade 3 135 . Tudo o que ultrapassar a proporcionalidade. pois os interesses públicos são supremos e indisponíveis.

caput. A administração pública é o instrumento que o Estado se utiliza para exteriorizar seu querer e seu agir. que assim estabelece: 136 . 63). em todos os casos. A administração pública é um conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Conceito de administração pública O termo administração pública tem dois sentidos: 1) contexto subjetivo – tratando da estrutura de poder. Cabe a administração pública retirar os efeitos desses atos administrativos por meio da REVOGAÇÃO. quando são inconvenientes e inoportunos para a administração pública. 2) contexto objetivo – atividade de administrar a coisa pública. respeitados os direitos adquiridos. e ressalvados. em relação ao mérito e à legalidade. quais sejam o bem comum da coletividade” (MEIRELLES. os atos administrativos que pratica. ou revogá-los. a apreciação judicial. e. p. quando eivados dos vícios que os tornam ilegais. é um conjunto de órgãos entidades. por motivo de conveniência ou oportunidade.Universidade do Sul de Santa Catarina A administração pública está obrigada a policiar. pela ANULAÇÃO.” SEÇÃO 3 . quando atos administrativos são ilegais. porque deles não se originam direitos. 2002. A administração pública na Constituição Federal encontra-se no artigo 37.A organização da administração pública A administração pública “é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do governo. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou quanto ao assunto na súmula 473: “A Administração Pública pode anular seus próprios atos.

Dentro da administração pública direta há diversos órgãos. com certa autonomia. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. E. impessoalidade. todos sem personalidade jurídica própria. logo. procuradorias. se for uma das quatro entidades abaixo será administração indireta. referindo-se à Administração Federal. Logo. secretarias. para saber se é administração direta ou indireta faz-se por eliminação. Diferente disso tem-se a administração pública indireta. ouvidorias.. Exemplos de órgãos dentro da administração pública direta: ministérios. a descentralização está ligada à administração pública indireta. Estas são as quatro entidades que possuem personalidade jurídica própria: Unidade 3 137 . publicidade e eficiência e. não mais com a figura dos órgãos. dos Estados. tal decreto-lei tornou-se modelo para a administração pública estadual e municipal. embora. A administração indireta compreende entidades que possuem personalidade jurídica própria. pois se não estiver entre as quatro entidades destacadas a seguir. A administração pública direta compreende os serviços integrados na estrutura da administração pública ligada ao chefe do Poder Executivo. conselhos. todavia.” Por administração pública direta O decreto-lei nº 200/1967 estabeleceu a estrutura da administração pública Federal. Penal e Administrativo “A administração pública direita e indireta de qualquer dos Poderes da União. moralidade. Há quatro entidades com personalidade jurídica própria. também. O decreto-lei forma o modelo da estrutura da administração pública brasileira. mas da descentralização. controladorias. sendo os órgãos públicos centros de competências despersonalizados e os agentes públicos os servidores públicos.Noções de Direito Constitucional. tendo vigência até hoje. prestando contas à administração pública. é administração direta.. sem personalidade jurídica. cada qual com sua atribuição. A administração pública direta é manifestada por meio de órgãos públicos e agentes públicos. ao seguinte. Falar em descentralização é falar em criação de novas pessoas jurídicas.

p.Universidade do Sul de Santa Catarina Portanto. quais sejam: autarquias. 31 138 . A administração pública indireta é manifestada por quatro entidades. a estrutura da administração pública pode ser assim representada: Fonte . Estrutura da administração pública Diante de tudo que foi falado. 2005. empresas públicas. qualquer que seja o nome. sociedades de economia mista e fundações públicas e seus agentes que são os funcionários de tais entidades.Führer. se não estiver no rol das entidades (que são apenas quatro). será administração pública direta.

patrimônio e receita próprios. determinados em seus estatutos. Nessa administração ocorre uma transferência da execução de serviços públicos a outras entidades não pertencentes à administração pública direta. Universidade do Estado de São Paulo. pois é a constituída pelos governos da União. Penal e Administrativo Administração centralizada – é a administração direta. Temos agora no âmbito Federal. com personalidade jurídica. dos Estados e dos Municípios e seus ministérios e secretarias. as Unidade 3 139 . Às autarquias são outorgados serviços públicos típicos e não atividades industriais ou econômicas. para seu melhor funcionamento. 338). é composta por autarquias. Estados e seus Municípios. Autarquias – são uma personificação de um serviço público com personalidade jurídica própria. Veja como cada uma delas é definida. 2002. Opera com autonomia e responde diretamente por seus atos. e Ordem dos Advogados do Brasil. As autarquias encontram definição legal no decreto-lei nº 200/1967. A administração pública indireta. sociedades de economia mista e fundações.Noções de Direito Constitucional. Administração descentralizada – abrange a administração indireta e as concessionárias. p. bem como suas rendas e demais bens são públicos com destinação específica para atender os fins da autarquia. autorizatárias de serviços públicos e os contratos de gestão.595/64). também. pertencentes à administração indireta. para o qual esdas se constituem em “serviço autônomo. gestão administrativa e financeira descentralizada” (MEIRELLES. empresas públicas. criado por lei. Por exemplo: Banco Central (lei nº 4. para executar atividades típicas da administração pública. que requeiram. sob a forma de autarquias. permissionárias. Administração indireta – é a constituída por entidades autônomas com personalidade jurídica própria e que exercem serviços públicos delegados pelos governos da União. Seu patrimônio inicial é destacado do patrimônio público. como já foi visto. Elas têm patrimônio próprio e são criadas por lei e destinadas à execução de atividades destacadas da administração direta.

formadas por capital inteiramente público. ANP – Agência Nacional do Petróleo). autorizatários de serviço público e contratos de gestão que são empresas privadas ou particulares individualmente que prestam serviços públicos. 140 . 2005. permissionário. p. formadas por capital público e particular. ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações. no Estado de São Paulo (PESSOA. ou fundadores para uma finalidade específica. Fundação – é um patrimônio destacado pelo fundador. 29). Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. p. com direção estatal. por sua conta e risco próprios. Sociedades de economia mista – são pessoas jurídicas de direito privado. na conformidade de seus estatutos. 2000. na forma regulamentar prevista em lei. dedicadas a atividades industriais e econômicas.Universidade do Sul de Santa Catarina Agências Reguladoras (ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Exemplos: Banco do Brasil. no plano federal. 139). Petrobras. 2000. ao passo que as fundações privadas a um regime privado derrogado parcialmente por princípios e regras de direito público. Sabesp. Rede Ferroviária Federal. O poder público poderá instituir tanto fundações públicas quanto fundações privadas. autorizatários de serviço público e contratos de gestão Na administração descentralizada. remunerado por tarifa. As fundações públicas submetem-se a um regime predominantemente público. dirigida por administradores. Serviços concessionários. encontram-se também os serviços concessionários. permissionário. Empresas públicas – são pessoas jurídicas de direito privado. Exemplos de empresas públicas: Caixa Econômica Federal. p. Exemplo: Fundação Nacional do Índio (FÜHRER. Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária – INFRAERO (PESSOA. Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano.139). para a realização de atividade econômica ou serviços de interesse coletivo.

b) Serviços autorizados – “são aqueles que o poder público. 2002. 363). 379). consente na sua execução por particular. a) Serviços permitidos – são todos aqueles que a administração pública estabelece certos requisitos para a sua prestação ao público. 381). e. III – a remuneração do pessoal”. p. 2002. remunerados por tarifa” (MEIRELLES. § 8º. E finalmente. empresas ou consórcio de empresas) e por prazo determinado. o serviço de transportes coletivos. orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato. 2002. “Serviços concedidos . que tenha por objeto a fi xação de metas de desempenho para o órgão ou entidade. Exemplo: permissão para funcionamento de ponto de táxi. Só há concessão de serviços públicos para pessoas jurídicas (ou seja. que reza: “a autonomia gerencial. por sua conta e risco. p. para atender interesses coletivos instáveis ou emergência transitória” (MEIRELLES. por ato unilateral. Unidade 3 141 . cabendo à lei dispor sobre: I – o prazo de duração do contrato. II – os controles e critérios de avaliação de desempenho. por ato unilateral (permissão) comete a execução aos particulares (pessoas físicas ou jurídicas) que demonstrarem capacidade para o seu desempenho (MEIRELLES. Por exemplo. obrigações e responsabilidades dos dirigentes. existe o contrato de gestão previsto no artigo 37. precário e discricionário. p. a ser firmado entre seus administradores e o poder público.são todos aqueles que o particular executa em seu nome. direitos. Penal e Administrativo Serviços concedidos – são os decorrentes de delegação contratual. da Constituição Federal.Noções de Direito Constitucional.

Universidade do Sul de Santa Catarina Pode-se dizer que o contrato de gestão “representa um compromisso. p. pode realizar o poder de polícia. o poder de polícia que é de natureza pública. da Constituição Federal. conforme já visto nos artigos 1º e 3º. Assim. 1) Do poder de regular a vida em sociedade. integrantes da administração direta ou indireta. por si. que podem ser de direito público ou de direito privado. 142 . O poder de polícia de natureza administrativa tem por fim limitar atividades lícitas. relativas à gestão do órgão ou entidade em certo período” (PESSOA. SEÇÃO 4 . desenvolvidas pelo Estado. estratégias e técnicas. Segue três atividades que a administração pública pode desenvolver. por meio: do poder de regular a vida em sociedade.As funções administrativas e os poderes administrativos Função administrativa é o conjunto de atividades que o Estado exerce. 2000. O poder de polícia é realizado pelo Estado (por sua administração pública). Conceito de função administrativa A função administrativa é o conjunto de atividades desenvolvidas pela administração pública de forma variada segundo a finalidade de cada atividade. outorgar tal poder a terceiros. ou acordo de vontades. do dever de prestar atividades (comodidades materiais). 147). o Estado utiliza-se do PODER DE POLÍCIA que consiste na limitação de direitos que a administração pública estabelece para melhor convivência entre os cidadãos. da promoção do bem comum. Todas essas atividades. objetivos. não podendo delegar. Já o poder de polícia de natureza judiciária tem por escopo limitar atividades ilícitas. podem ter natureza pública ou privada. em conjunto. em que são definidos. como por exemplo. metas. firmado entre o poder público e administradores de órgãos e entidades públicas. consubstanciadas em cláusulas contratuais. só o Estado.

o Estado utiliza-se dos SERVIÇOS PÚBLICOS que consiste na entrega de comodidades materiais à população que por ela serão fruídas diretamente. energia elétrica. naturalmente. Ocorre quando o Estado não exerce atividades por si. Tem-se o aproveitamento de uma comodidade material. Penal e Administrativo 2) Do dever de prestar atividades (comodidades materiais). na participação do Estado na iniciativa privada. A comunidade usufrui algo que é fornecido pelo Estado. não sendo. serviços de telecomunicação. assim. etc. uma quarta atividade do Estado. 3) Da promoção do bem comum. 4) Intervenção do Estado no domínio econômico Desenvolvimento per si (ex. como exemplos: transportes coletivos. o Estado utiliza-se do FOMENTO PÚBLICO que consiste no incentivo. Como exemplos: fomento econômico. pois se não tiver poder. ninguém respeitará as suas imposições. precisa de poderes. o Estado tem o dever de incentivar. Fomento. assistencial e cultural. É a parceria do Estado com o poder privado. a empresa privada o faz. Para que o Estado desenvolva essas quatro atividades. e. Para alguns autores ainda se inserem mais. é vista como uma mescla (natureza híbrida) das três atividades. Esse pode ser delegado a terceiros. Atividade regulatória (agências reguladoras) – limitação do caráter econômico. Unidade 3 143 .Noções de Direito Constitucional. Por outros.: sociedade de economia mista). então. assistencial e cultural. ele. São atividades desenvolvidas na área econômica. Para alguns autores a “intervenção do Estado no domínio econômico” é vista como a quarta atividade do Estado.

Para a administração o poder decorre de uma finalidade pública. para tanto. não se pode mais entender o poder como faculdade de agir. Hodiernamente. é competência de agir. Na administração privada o poder é faculdade de agir. O poder que a administração pública tem deve ser constantemente regulado. ação popular. 144 . Na administração pública o poder não é faculdade. Para o Estado o poder-dever é uma prerrogativa que resulta em dever de agir por parte de seu agente (FÜHRER. policiado pelo povo por meio de mandado de segurança. E nas relações pessoais.Universidade do Sul de Santa Catarina O que é poder e quais são os poderes do Estado? Poder é a capacidade de agir. Poder-dever é da administração pública já do agente público é dever-poder. em decorrência. por meio dos meios empregados. O poder é decorrente da supremacia do interesse público. Todo poder administrativo deve ser legítimo (vontade do povo). o poder será predomínio de vontades. Tribunal de Contas. Legitimação democrática – deve nascer do povo e voltar ao povo. p. e. mas como uma obrigação de agir. 20). PODER é atribuição. conterá o interesse público: vontade do povo. mas também é encargo de agir de modo a alcançar a finalidade da atividade assumida pela administração pública. Poder-dever da administração pública Todo poder da administração pública deve resultar em um dever de agir por parte do detentor (agente público) desse poder. os resultados obtidos deverão atingir a uma finalidade pública. 2005. o poder tem que ser legal (legítimo). e. no Estado Democrático de Direito. é competência. etc. é dever de agir ou de se abster de agir. Dentro do princípio da legalidade sempre se entendeu o poder como uma faculdade de agir.

para que o agente desenvolva sua atividade. p. Perceba que não é a opção de fazer ou não fazer. Para Hely Lopes Meirelles (2002. Não há possibilidade de escolha do agente. É uma opção dentre as propostas. 114) poder discricionário “é o que o direito concede à administração de modo explícito ou implícito para a prática de atos administrativos com liberdade na escolha de sua conveniência. p. A lei dá os parâmetros e o agente não pode fugir deles. diante de mais de uma opção que a lei dá. com observância da legalidade e do interesse público. É a idéia de graduação de competência. Trabalha-se com a idéia de subordinação das atividades administrativas. determinado os elementos e requisitos necessários à sua formalização”. É o poder hierárquico que possibilita Unidade 3 145 . Penal e Administrativo Poder e suas espécies São espécies de poderes da administração pública: poder discricionário. Poder vinculado Está vinculado a uma determinação legal. 113) poder vinculado ou regrado “é aquele que a lei confere à administração pública para a prática de atos de sua competência. Poder discricionário Opção de escolha. poder vinculado. Quando houver na atuação do agente uma vinculação total na lei. poder hierárquico. harmônico. hierarquia com manifestação de graduação de competências. Poder hierárquico Tem-se um poder central. Também para Hely Lopes Meirelles (2002.Noções de Direito Constitucional. oportunidade e conteúdo”. É o instrumento para que as atividades de um órgão ou ente sejam realizadas de modo coordenado. com escala. eficiente. mas sim a escolha da melhor opção de agir (que atenda ao interesse público). poder de polícia.

(MEIRELLES. p. 145). 117).Universidade do Sul de Santa Catarina a delegação de competência. Poder de polícia É a limitação de direitos das pessoas que a administração pública estabelece para melhor convivência entre os cidadãos.” (MEIRELLES. 127). 146 . em benefício da coletividade ou do próprio Estado. Delegação de competência não é algo que se presume. Já o poder de polícia de natureza judiciária tem por escopo limitar atividades ilícitas. “é a faculdade de que dispõe a administração pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens.Os atos administrativos Ato administrativo “é toda a manifestação unilateral de vontade da administração pública que. não podendo delegar.” (MEIRELLES. tenha por fim imediato adquirir. 2002. Ou seja. p. atividades e direitos individuais. SEÇÃO 5 . agindo nessa qualidade. Quais os requisitos do ato administrativo? São os componentes que o ato deve reunir para ser perfeito e válido. outorgar tal poder a terceiros. transferir. p. resguardar. 2002. O poder de polícia é realizado pelo Estado (por sua administração pública). 2002. Essa delegação de competência costuma ser expressamente contida na lei. modificar. extinguir e declarar direitos ou impor obrigações aos administrados ou a si própria. O poder de polícia de natureza administrativa tem por fim limitar atividades lícitas e se difunde por toda a administração pública. Os atos administrativos bilaterais constituem os contratos administrativos.

competência. aqui. 2º.” (MEIRELLES. “Trata-se. salvo os casos de delegação e avocação expressamente previstos em lei” (PESSOA. p. do objetivo de interesse público a ser atingido pelo ato administrativo. § único. da Lei da Ação Popular. é aquele interesse público específico cuja realização prática e efetiva a lei objetiva ao conceder ao sujeito público certa autoridade. letra ‘a’ da lei nº 4. instrumentalizada com poderes para agir. por lei. poderes legais para tanto. “A prática de um ato administrativo requer. por parte do agente que o edita. Noutras palavras. Nulo é o ato praticado por agente incompetente. conforme artigo 2º. a finalidade do ato que dissolve uma passeata é a proteção da ordem pública comprometida por eventuais tumultos” (PESSOA. 171). ao agente que o tiver praticado. interesse da coletividade. conforme disposição expressa ou implícita prevista em lei.717/65. Qual a finalidade do ato administrativo? O ato administrativo tem por fim o interesse público. não podendo. ou seja. 2002. o conteúdo do ato expedido precisa estar incluído no rol de atribuições conferidas. 171). p. p. uma vez que nos termos no art. por exemplo. Por isso. ser objeto de pactuação ou prorrogação. De que forma o ato pode surgir e se manifestar? Unidade 3 147 . 2000. também. devendo constar de norma legal expressa. “a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou”. 147). em razão do princípio da indisponibilidade do interesse público.Noções de Direito Constitucional. 2000. Assim. Penal e Administrativo O que é competência? “É o poder atribuído ao agente público para que desempenhe as suas funções. A competência não se presume.

cumpre investigar se os lícitos e verdadeiros são suficientes para legitimar o ato. é o que o ato decide. Só é válido o ato se os motivos enunciados efetivamente acontecerem (teoria dos motivos determinantes). em princípio.Universidade do Sul de Santa Catarina A forma é o revestimento do ato administrativo. portaria. Por isso. 167). Quais os motivos do surgimento de um ato? Mas o que é um motivo? Motivo é a circunstância de fato ou de direito que autoriza ou impõe ao agente público a prática do ato administrativo. em quaisquer casos. em razão do princípio da publicidade e do formalismo das relações públicas. O objeto de uma desapropriação é a retirada de um bem do domínio privado para integrá-lo no domínio público. a prova do motivo determinante incumbe a quem o alega” (PESSOA. resolução ou despacho. os motivos declarados pelos agentes serão. Como identificar o objeto? O que é objeto? É o conteúdo do ato. a decisão que for tomada sem motivação ou com motivação insuficiente é nula de pleno direito. os motivos alegados deverão ser materialmente exatos e lícitos. 148 . a menção de motivos falsos ou inexistentes vicia o ato praticado. mesmo não exigido por lei. Assim. Desse modo. 2000. considerados determinantes do ato. certifica. p. A teoria dos motivos determinantes pode ser assim sintetizada: “os agentes públicos só estão obrigados a motivar seus atos por exigência de lei. É o modo pelo qual o ato aparece. enuncia. sendo múltiplos os motivos. mesmo quando dispensados da motivação. A forma usual é a escrita. revela sua existência. Poderá ser exteriorizado mediante decreto. o objeto de uma nomeação é a investidura de uma pessoa como titular de determinado cargo público. opina ou modifica a ordem jurídica.

Noções de Direito Constitucional. até que se prove ao contrário. 156). Exemplo. Unidade 3 149 . a notificação de trânsito realizada pelo agente de trânsito. Os atos administrativos impõem-se a terceiros. decorrente do princípio da legalidade. 2002. pois todos atos administrativos devem ter por fundamento uma lei. veja! a) Presunção de legitimidade Todo ato administrativo tem presunção de legitimidade. Assim. desde que estejam de acordo com a legalidade. o ato administrativo manifesta uma exigência da administração pública. a notificação realizada pelo agente de trânsito presume-se verdadeira. a imperatividade. exigibilidade e a auto-executoriedade são características próprias de todos atos administrativos. a presunção de legitimidade. p. independente da concordância deles. Por exemplo. b) Imperatividade O ato administrativo impõe “coercibilidade para seu cumprimento e sua execução” (MEIRELLES. Penal e Administrativo O objeto de uma permissão é outorgar a um particular o uso ou exploração de um serviço ou bem público. presumem-se legítimos os atos administrativos e verdadeiros os fatos neles registrados. Por isso. pois. Atributos dos atos administrativos Atributos dos atos administrativos são as características dos atos administrativos realizados pela administração pública e que decorrem do princípio da legalidade. o fechamento de um rua pela Guarda Municipal para a passagem de uma procissão. Até que se prove em contrário. c) Exigibilidade O poder público exige o cumprimento das obrigações induzindo à obediência.

161). Classificação dos atos administrativos Os atos administrativos podem ser classificados. 150 . para situações particulares. Exemplo: autorizações para ambulantes para abertura de pontos comerciais. 2002. etc. 157).. as instruções normativas. p. alcançando a todos. etc.. atos vinculados – são atos regrados. atos individuais – são expedidos para destinatário certo. atos de império – são atos de coerção. compra de bens para atender as necessidades da administração pública. circulares. em: atos gerais – são expedidos sem destinatário determinado. atos externos – destinados a produzir efeitos fora das repartições. 2002. p. “É o que ocorre nas desapropriações. A lei estabelece condições de sua realização. Exemplos: contratação de serviços particulares. atos de expediente – são aqueles que se destinam a dar andamento aos papéis das repartições públicas. O ato está vinculado (preso) à lei. nas interdições de atividade” (MEIRELLES. Exemplo: concessão da aposentadoria.Universidade do Sul de Santa Catarina d) Auto-executoriedade Consiste na possibilidade que certos atos administrativos ensejam de imediato a direta execução pela própria administração. atos internos – destinados a produzir efeitos dentro das repartições. são atos de administração de bens e serviços públicos. prevista no artigo 40. independentemente de ordem judicial (MEIRELLES. da Constituição Federal. atos de gestão – não exigem coerção. São exemplos: os regulamentos.

Unidade 3 151 . alvarás.Os contratos administrativos Dentro da administração pública existe um relacionamento com os particulares. autos de infração. Penal e Administrativo atos discricionários – “são os atos que a administração pública pode praticar com liberdade de escolha de seu conteúdo. sendo esse relacionamento realizado sob duas formas: a) imperativa (que envolve os poderes da administração pública).Noções de Direito Constitucional. ordens de serviço. necessita da vontade da sociedade. b) consensual (por meio dos contratos administrativos). de sua conveniência. resoluções. etc. avisos. pois a administração pública manifesta sua vontade de contratar. da sua oportunidade e o modo da sua realização” (MEIRELLES. SEÇÃO 6 . p. circulares. ofícios. pareceres. instruções. 164). portarias. O ato é livre quanto à escolha dos motivos e conteúdo. Por meio de que instrumento o ato administrativo pode ser materializado? O ato administrativo pode ser efetivado por meio de decretos. Exemplos: concessão do porte de arma de fogo e permissão do uso de bem público. de seu destinatário. e. No contrato administrativo tem-se a única hipótese em que a administração pública não impõe sua vontade em relação à sociedade. e. para tanto. despachos. 2002.

Doutrinas/teorias: pressupostos dos contratos administrativos A primeira teoria sobre o contrato administrativo assevera que todo contrato estabelecido pela administração pública é contrato administrativo. Veja. as espécies de contratos. agora. O alicerce para os contratos administrativos encontra-se na Lei Federal nº 8. modificar ou extinguir direitos e obrigações. 152 . as doutrinas e teorias que embasam os contratos administrativos ou que pressupõem práticas administrativas. p. “É o ajuste que a administração pública. nas condições estabelecidas pela própria administração” (MEIRELLES.Universidade do Sul de Santa Catarina No contrato administrativo há junção de vontades da sociedade e da administração pública que deseja contratar uma prestação de serviço. a seguir. devendo.666/93 (Lei de Licitações). etc. 2002. 205-06). Essa é a teoria agraciada pela lei 8. justamente pela supremacia da administração pública (que é derivada da supremacia do interesse público). Veja.666/93 (Lei de Licitações). obra. se submeter integralmente às regras do regime jurídico de direito público. portanto. agindo nessa qualidade. Finalmente para a terceira teoria existem contratos administrativos e eles têm regime jurídico de direito público. uma vez que não se tem contrato com a administração pública. A segunda teoria nega a existência de contratos administrativos. firma com o particular ou outra entidade administrativa para a consecução de objetivos de interesse público. sendo o contrato administrativo um acordo de vontades destinado a criar.

inciso I.” (MEIRELLES. 251). porém praticados pela administração pública) são os contratos predominantemente privados. Nesse contexto deve-se também fazer a distinção entre convênio e contrato. mediante mútua cooperação. Unidade 3 153 . de locação em que o poder público é locatário. p. Contratos civis (não administrativos. 2002. Os contratos de delegação de competência. Dessa forma. realizados com o particular para prestação de um serviço ou aquisição de um bem. um contrato administrativo é precedido por LICITAÇÃO. da Lei Federal nº 8.666/93 (Lei das Licitações). São os contratos de seguro. em posição de igualdade com o particular contratante (MEIRELLES. de financiamento. também denominados de contrato de concessão. pelo prazo e nas condições regulamentares e contratuais. Geralmente. 2002. irá realizá-lo por meio de um contrato administrativo propriamente dito. que estudaremos mais à frente. conforme o artigo 62.Noções de Direito Constitucional. Convênio – é o ajuste estabelecido entre o poder público e as entidades públicas ou privadas para a realização de objetos de interesse comum. 207). para que o explore por sua conta e risco. p. se a administração pública for contratar o fornecimento de papel à sua repartição. § 3º. Penal e Administrativo Espécies de contratos administrativos Há três espécies contratuais no âmbito da administração pública: Os contratos administrativos propriamente ditos são os ajustes. são “o ajuste pelo qual a administração delega ao particular a execução remunerada de serviço ou de obra pública ou lhe cede uso de um bem público. os acordos.

Para realizar a atividade leia as características a seguir. Já no contrato por disposição expressa da lei devese aplicar o princípio da isonomia e da contratação benéfica. com o mesmo objetivo. 154 . não precisa ser por meio de licitação. Use o espaço a seguir para escrever um exemplo de contrato administrativo e de convênio. em que pelo menos uma das partes atua no exercício da função administrativa. Comentários No convênio tem-se natureza jurídica de verba e há disposição de vontades das partes. Sendo que no contrato há interesses contrapostos (distintos) e no convênio há interesse comum. No convênio não. ele é estabelecido com o intuito personae. modificar ou extinguir direitos e obrigações.Universidade do Sul de Santa Catarina Contrato administrativo – é o acordo de vontades destinado a criar.

No processo licitatório também são aplicados todos os princípios da administração pública. b) princípio da publicidade – todos os atos da licitação devem ser públicos. conhecida como Lei das Licitações. por meio da licitação.666/93. editais. Penal e Administrativo SEÇÃO 7 .Noções de Direito Constitucional.A licitação Não é novidade para você que a licitação é um instrumento importante no que se refere à administração pública. abertura das propostas. assim precisa selecionar a melhor proposta de contratação com o poder público. para evitar a pessoalidade do administrador público.. 260261). a forma e o modo de participação dos licitantes. às portas abertas. p. d) princípio do julgamento objetivo – é o princípio de toda a licitação que seu julgamento se apóie em fatores concretos e prefixados em edital. Portanto. não é? Uma vez que a administração pública não pode desenvolver sozinha suas aptidões. etc. Unidade 3 155 . 2002. a saber: a) princípio da isonomia – diz respeito à igualdade dos participantes da licitação. além de outros específicos. uma vez que não pode haver qualquer discriminação àqueles que pretendem oferecer seus serviços ou produtos à administração pública. abrange avisos. c) princípio da vinculação ao instrumento convocatório (edital) – a licitação está vinculada ao edital. licitação “é o procedimento administrativo mediante o qual a administração pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse” (MEIRELLES. etc. Isso porque é pelo edital que a administração pública fixa os bens ou serviços que deseja adquirir.. os documentos e as propostas. A administração só utilizará o processo licitatório quando se relacionar com particulares e tem por fundamento legal a lei 8.

a síntese da unidade. A Lei Federal nº 8. As contratações realizadas pela administração pública devem ser feitas por meio de licitações.666/93. por isso.Universidade do Sul de Santa Catarina e) princípio do formalismo – a licitação deve seguir os ditames legais. da lei 8. Dessa forma. inexigibilidade de licitação. A previsão legal para tal dispensa de licitação está no artigo 24. 156 . publicação e de outros elementos da prélicitação implica na sua nulidade. e no artigo 25 da referida lei> Esse último versa sobre a inexigibilidade da licitação. faz-se um processo simplificado: a motivação para a dispensa ou inexigibilidade de licitação. mas essa regra comporta exceções. agora. f) princípio da motivação – toda a licitação deve atender o interesse público. Existem hipóteses de contratação direta. A falta de motivação. O artigo 26 reza sobre o procedimento simplificado. não pode fugir do processo de licitação. pode-se deixar de lado a licitação em duas hipóteses: dispensa de licitação. Ainda. Leia.666/93 dispõe sobre a licitação e. logo. da coletividade. é denominada de Lei das Licitações. assim. realize as atividades de autoavaliação e aprofunde seus conhecimentos consultando o Saiba mais.

Noções de Direito Constitucional. 2) Qual o conceito de Direito Administrativo? Que importância ele tem no contexto da administração pública? Unidade 3 157 . pelo menos. cinco princípios da administração pública. Penal e Administrativo Atividades de auto-avaliação 1) Dê.

descreva uma situação em que há necessidade do uso da licitação e discuta a importância desse instrumento no contexto social. 158 . 4) Em que consiste o poder de polícia? Dê um exemplo de uso arbitrário de poder de polícia.Universidade do Sul de Santa Catarina 3) A partir do conceito de administração pública.

ao terminar. com ênfase ao ordenamento jurídico brasileiro. que também é regida pelos preceitos constitucionais. fechando o ciclo de estudos voltados à segurança pública. os contratos administrativos e a licitação como atos bilaterais. pois são necessárias a execução e a certeza do bem-estar de todos. entre elas a execução da lei. você viu que não basta apenas criar leis. ingressou na Unidade 2 e conheceu os crimes e as sanções penais e. Por isso. Penal e Administrativo Síntese Parabéns. Na Unidade 1 você ficou sabendo sobre a elaboração das leis. que por meio dos seus órgãos torna efetiva a lei criada pelo legislador. com final desta unidade você concluiu mais uma etapa do curso. a cargo da administração pública. os direitos e as garantias fundamentais e descobriu que todas as normas jurídicas devem estar nos moldes da Constituição Federal. finalidade precípua do Estado. importantes para se familiarizar com a administração pública. Você conheceu ainda.Noções de Direito Constitucional. nesta unidade. Em seguida. Unidade 3 159 . A segurança pública envolve uma gama de atividades. na Unidade 3 você estudou a administração pública. além dos atos administrativos.

asp?sub0=13> 160 .htm> <http://jus2.br/dicionario/direito_administrativo.pro.br/doutrina/areas.com.adv. <http://www. São Paulo: Malheiros. Curso de Direito Administrativo.htm> <http://www. V.uol. L.htm> <http://www.htm> <http://www.suigeneris.br/apost/apadm.com.com.neofito.mundojuridico. 7ª ed.br/direito_dadm.br/html/artigos/direito_ administrativo.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais FIGUEIREDO.dji. 2004.

infração penal. constituída por servidores públicos com poderes administrativos para impor o desejo popular. o Direito Penal faz previsão das condutas criminosas e as penas que são impostas àqueles que praticam os crimes. Assim. estando a administração pública sujeita aos princípios da legalidade. praticando. permitiu o entendimento do Direito Penal e do Direito Administrativo e. conforme visto na Unidade 3. . executa a vontade do povo. como visto na Unidade 2. da impessoalidade. espero que você tenha obtido uma noção sobre o ordenamento jurídico brasileiro. após esta jornada de estudos. o Direito Administrativo estuda a administração pública que é responsável pela execução das leis e que. inclusive. E. da publicidade e da eficiência. A Constituição Federal como leis das leis. organizando o convívio social. se alguém violar a ordem estabelecida atingirá toda segurança. para preservar e restabelecer a segurança pública. Que a quebra da ordem pública atinge a todos. pois envolve a vida e os bens de cada um.Para concluir o estudo Caro aluno. em última análise. Neste caderno você viu que a lei representa a vontade popular e que ela rege a vida em sociedade. Por isso. desde que a conduta tenha previsão legal e cominação de sanção. Aí. por conseqüência. do sistema de segurança pública. atuam os órgãos públicos tais como a polícia. o que facilitará nas demais fases do curso. da moralidade. condição de validade das normas jurídicas.

em observância à legislação de trânsito.. Espero que você tenha gostado de realizar esta caminhada. Ciente disso. 162 . Ao final. Um abraço e boa sorte nas próximas etapas do curso.. e tal ato administrativo agrega uma gama de conceitos que vão desde a competência do funcionário até a publicidade do ato. você aprendeu que estar em sociedade é obedecer às leis e preservar a ordem pública. objetivo final do Estado. você percebeu que a estrutura da administração pública é voltada ao bem comum. o policial militar (ou guarda municipal) ao realizar uma notificação de trânsito está no exercício do poder de polícia com o propósito de garantir a circulação de veículos.Por isso. condições necessárias à sua eficácia. cuja obrigação e respeito têm por fundamento a Constituição Federal uma vez que representa o nosso contrato social que consiste em ceder parte da nossa liberdade individual em prol do convívio social e que a adesão a esse contrato ocorre pelo simples fato de nascermos em sociedade.. eis que a liberdade é limitada pelo direito de outrem.

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166 .

mestre em Direito Constitucional pela Unisul. inclusive nos Cursos de Segurança Pública na Academia de Polícia Militar de Santa Catarina e no Curso Superior de Polícia Militar de Santa Catarina. .Sobre o professor conteudista Paulo Calgaro de Carvalho é oficial da Polícia Militar de Santa Catarina. professor de Direito Penal da Unisul (Campus Pedra Branca e Norte da Ilha de Florianópolis) e Univali (Campus Biguaçu). Exerce a docência há mais de 10 anos. pós-graduado em Ciências Criminais pelo Cesusc e especializando em segurança pública pela Unisul.

168 .

a intimidade e a vida privada são invioláveis. inciso LVII. mas do bem comum e da segurança de todos. da Constituição Federal de 1988. Letra “a”. da Constituição Federal de 1988. independentemente das notícias dos jornais que têm por finalidade apenas informar fatos ocorridos. e. cuja captação tem por finalidade a preservação da ordem pública e da prevenção de prática delituosa.” 2. devem ser assegurados a todos os acusados. inciso X. . 4. isto é dizer ao contrário da acusação) e a ampla defesa (que significa apresentar todos os meios legais de defesa) devem ser exercidos por qualquer acusado em busca da sua inocência. inciso LV. portanto. eis que estão em local público e de acesso a todos. inciso IV. conforme preceitua o artigo 5º. transitado em julgado). Não se trata de exploração comercial. As câmaras de vídeo instaladas nas ruas de algumas cidades não violam a imagem e a vida privada. nos termos da Constituição. porque somente pode ser considerado culpado quando da sentença condenatória do juiz de direito não couber mais recurso (ou seja.Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação Unidade 1 . Pela Constituição Federal de 1988. Não obstante a liberdade de pensamento.” 3. “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.Direito Constitucional 1. muito menos de invasão da intimidade de cada um. O contraditório (que consiste em contraditar. da Constituição Federal de 1988. prevista no artigo 5º. nos termos do artigo 5º. “República Federativa do Brasil. da Constituição Federal de 1988. Tudo isso. conforme dispõe o artigo 5º. o contraditório e a ampla defesa são direitos fundamentais dos acusados em geral. Letra “d”.

impessoalidade. além da subtração da coisa alheia móvel. não era razoável exigir-se. Por isso. 4. Furto é a subtração de coisa alheia móvel para si. a situação fática em que a pessoas realizaram tal conduta reflete um estado de necessidade. nos termos do artigo 24. moralidade.Direito Administrativo 1. há emprego da violência ou grave ameaça contra a vítima. 2. pois se assim não o fizessem correriam o risco de afogamento.” 3.ajudará a construir uma resposta. No roubo. 2. nas circunstâncias. “Tirar a vida de alguém por causa de um jogo de baralho. A conduta de impedir que pessoas subam no bote salva-vidas para evitar uma superlotação e o afundamento do barco não é crime. Assim. nem podia de outro modo evitar) direito próprio ou alheio. Infanticídio.Unidade 2 . 170 . Unidade 3 . cujo sacrifício. publicidade e eficiência. Letra “c”. previsto no artigo 123. Sua importância no contexto da administração pública está na regulamentação das atividades administrativas que devem ser voltadas ao interesse público.Direito Penal 1. ou para outrem. pois está abrangida por estado de necessidade que consiste em praticar um fato para salvar de perigo atual ou iminente (que não provocou por sua vontade. do Código Penal. do Código Penal. Princípios da legalidade. em que pese a conduta acima referida ter previsão legal de crime de “homicídio” e ainda “omissão de socorro”. à organização e ao funcionamento das estruturas estatais e não-estatais encarregadas de seu desempenho. contudo. também será uma excelente oportunidade de aprenderem juntos e trocarem experiências. Direito Administrativo é o conjunto de normas jurídicas de direito público que disciplinam atividades administrativas necessárias à satisfação dos direitos fundamentais.

tendo a administração pública a faculdade de escolher a melhor oferta em prol do interesse público. a proibição de estacionar ao lado de um hidrante ou na frente de uma garagem é um exemplo de poder de polícia exercido pelo agente de trânsito que notifica e remove o veículo. que tais agentes estão no exercício de poder de polícia. por exemplo. p. é outro exemplo. Inicialmente. 2002. a administração pública o faz por meio da licitação.3. O Poder de polícia consiste na limitação de direitos individuais que a Administração Pública estabelece para melhor convivência entre os cidadãos. Da mesma forma. 63) e a licitação é uma ferramenta utilizada pela administração pública para realizar compras e contratar serviços. quando os agentes da vigilância sanitária que fecham um restaurante por falta de higiene. Afinal. pois é a ferramenta que dá a todos os interessados a igualdade de condições de oferecerem os seus produtos e serviços. Por exemplo. cabe ressaltar que a administração pública “é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do governo. 4. Já imaginaram o município comprar uma ambulância de brinquedo? Não daria certo. você vai atrás dos três B(s): bom. não é isso que você faz quando contrata o serviço de um encanador ou quando compra algo? Afinal. quando um município precisa comprar uma ambulância. quais sejam o bem comum da coletividade” (MEIRELLES. Ou até mesmo uma ambulância de um ferro-velho? Por isso. 171 . bonito e barato. levando-se em conta o preço e o tipo de ambulância. em que os interessados apresentam suas propostas de venda e o município escolhe a melhor oferta. Ou ainda. Assim. a licitação tem sua importância no contexto social. ele utiliza a licitação.

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