Referência: LOMNITZ, Larissa Adler. Globalização, economia informal e redes sociais. In: LOMNITZ, Larissa Adler.

Redes sociais, cultura e poder. Rio de Janeiro: E-papers Serviços Editoriais Ltda., 2009. Tema: Papel das redes sociais no desenvolvimento da economia informal Nº: 002

Objetivos: Demonstrar a importância das redes sociais na reabilitação de certos indivíduos destinados à anomia, mas que encontram na informalidade, novas possibilidades de se integrar à sociedade. Resumo: Indivíduos destinados à anomia pelo sistema vigente, encontram no estabelecimento de redes sociais, a possibilidade de se integrar novamente à sociedade através da informalidade. Baseada em redes de confiança e apoio mútuo fundadas na amizade, na família ou no compadrio, essa informalidade imita a organização formal de certas instituições, mas atuam nos interstícios da legalidade e da ilegalidade. Palavras-chave: Globalização. Economia Informal. Redes sociais. Tipo de fichamento: Conteúdo e Citação. Texto: Em face de certas tendências mundiais posteriores à Guerra Fria, recorre-se à Teoria do Caos para explicar certos fatos que parecem “submersos na entropia e na anomia, e que, ao final, tendem a gerar princípios de ordem, que, fora do grande esquema global se expressa na informalidade de redes pessoais que se desenvolvem à margem do formal e regulamentado.” (p. 13); Quando se submete elementos a um certo controle, exluem-se outros, criando dejetos, o mesmo ocorre com o desenvolvimento social (p. 14); Porém, esses elementos não estão destinados ao extermínio. À margem do caos, entre a ordem hierárquica estrita e processos auto-organizativos, evoluem formas de vida mais complexas;

Pode ser horizontal ou vertical. desorganizações sociais e movimentos ilegais de migrações internacionais. utiliza formas ilegais e irregulares para consegui-los. regula e planifica burocraticamente um sistema social que não . continuam baseadas em instituições tradicionais como a família. Criam-se redes informais de organizações criminosas que. 21) “Quanto mais se formaliza. aos que se paga segundo a lei da oferta e da demanda. embora persiga objetivos legais em si.” (p. elementos centrais do funcionamento das redes informais. da economia de informação global e da cultura da virtualidade real.15). somada ao florescimento de grupos sociais e culturais. em lugar de ser somente considerada como uma população tradicional. sem acesso a sindicatos nem a prestações sociais. 21). que implica um sistema de intercâmbio de bens.” (p. o termo marginalizado foi substituído por setor informal para enfatizar a articulação do setor com a economia informal e seu papel estrutural e permanente na economia.” (p. “De Soto (1987) também define a economia informal como aquela que. pois há incremento na violência. “embora imitem a estrutura de corporações empresariais modernas. centradas nas definições culturais de confiança e lealdade. “Nos anos 70. a crise econômica do capitalismo e do estadismo. a qualidade de membro de um grupo étnico ou a algum sistema de crenças. As camadas marginalizadas de países subdesenvolvidos sofrem mais intensamente do que as dos países desenvolvidos. característicos do setor são aqueles que são recrutados sem contrato social formal. “Os trabalhadores eventuais. e que podem ser despedidos até qualquer momento sem nenhum tipo de compensação.” (p.“Adams destaca a diferença entre um conceito estrutural (marginalidade) e um quantitativo (pobreza)” (p. 18). Segundo Castells. quando há assimetria de recursos. serviços e informação. marginalizada e excedente. possibilitaram a emersão da sociedade em rede. a amizade. 20). Cada pessoa é centro de uma rede de solidariedade.

respectivamente. que consiste em uma série de processos adaptativos. 31). No traslado. que permitem.” (p. Para reincorporar esses dejetos e marginalidade ao meio ambiente e à sociedade. na era global. Na estabilização. a informalidade não seria um resíduo do tradicionalismo. estimularam uma corrente migratória sem precedentes. tanto mais se costumam criar mecanismos informais nos interstícios do sistema formal que fogem do seu controle. a produção de dejetos e entropia no meio ambiente. estratégias fundamentais de sobrevivência para uma grande parte da população mundial. 31). que são os seguintes: Assentamento. como consequência. (p. pois a migração afeta as condições ecológicas do local de destino. “A economia informal e as redes sociais de reciprocidade baseadas na ajuda mútua e confiança constituem. No desequilíbrio. ou seja. ir reincorporando uma parte a população marginalizada. No caso das tecnologias sociais. Assim. esta mesma etapa se divide em três momentos. ao difundir a informação sobre as diferenças entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos. 25) Lomnitz apresenta um modelo ecológico para entender o processo de migração que acontece tão comumente para países desenvolvidos. .satisfaz as necessidades da sociedade. de certa forma. assimilação ou rejeição conseguido pelos migrantes em seu novo nicho ecológico. um nicho se satura temporária ou permanentemente. meios de transporte. “O desenvolvimento tecnológico e a complexidade dos níveis de organização comportam uma crescente concentração de poder e. se desenvolvem novas tecnologias. estão contidos os fatores que afetam o processo migratório. características dos migrantes.” (p.” (p. interação com o lugar de origem. senão um elemento intrínseco da formalidade por ser uma resposta às deficiências da formalização. aspectos temporais e espaciais etc. pois a migração tem efeitos de retroalimentação sobre o país de origem. 21) “Alguns autores afirmam que o incremento da economia informal nos países avançados se explica pela abertura das fronteiras e a globalização dos meios de comunicação que. como por meios econômicos. incluindo variáveis. como: distância do traslado. tanto por meio da informação. 26-7). ocorre o restabelecimento do equilíbrio ou acomodação do grupo em seu novo nicho ecológico. afetando a subsistência ou a segurança de um grupo humano. interação com o lugar de destino. os estados se encarregam de estabelecer mecanismos. e de marginalidade e anomia na sociedade.” (p.

da violência e a concomitante debilitação da economia informal. o aumento da pobreza.” (p. evitando. 32) .“O fortalecimento da informalidade na ordem mundial demonstra que continua existindo a necessidade de se desenvolver novas tecnologias sociais que sejam capazes de reincorporar grandes setores da população ao sistema formal. assim.

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