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Temporada 03 Capítulo 35

Alucinações do Passado
By We Love True Blood

The only thing that burns in Hell is the part of you that won't let go of life, your memories, your attachments.

“O que?”, Sookita não escondia a raiva que sentia. “Não tem como ser diferente.” “E você decidiu isso sem me consultar?” Ela caminhou para longe dele no quarto, parou em frente à janela e ficou observando o labirinto que ocupava quase toda a propriedade. “Eu sou seu marido, tenho esse direito.”, Bill fechou a porta. “Não pode me proibir de encontrar quem eu quiser.”, ela se voltou para ele. “Não está proibida de encontrar ninguém. Só não é prudente manter o contato que tinha com Eric.”, ele disse tentando manter a compostura, mas seu rosto demonstrava outra coisa. “Eu não vou ter um caso com ele, se é disso que tem medo.” “Se quisesse isso não teria se casado comigo. Espero que não tenha se casado por pena.”, ele baixou a cabeça. Ela não soube o que responder, não havia casado por pena e sim por lealdade. Sentia algo profundo por Bill, mas não o suficiente para chamar de amor. Tempos atrás ela acreditou que era amor, só que ela mal sabia o que era amor ou se apaixonar. Só foi descobrir esse sentimento quando se envolveu com Eric, mesmo que tenha sido uma confusão desde o dia que colocou os olhos nele. “Seu silêncio é a resposta que eu não desejava.” “Eu estou aqui com você e não com Eric.”, ela enxugou rapidamente uma lágrima furtiva que escorreu. “Eu achei que meu amor seria o suficiente para nós dois nesse inicio.”, ele balançou a cabeça de um lado para o outro.

“É o suficiente.”, ela disse se aproximando lentamente dele. “Estou fazendo o que seja melhor para você, minha querida. Até Jessica eu afastei daqui.” “Não precisava ter feito isso, eu não sou criança, Bill. Posso lidar com ela, Eric... quem for.” “Sei que não é. Só não a quero perto de Eric. Você é a minha esposa e não quero ser alvo de comentários pela cidade. Não se esqueça de que sou o prefeito.”, ele disse severamente. “Sua preocupação é com a reputação...” Ela se afastou novamente em direção à janela, não queria encara-lo, e não queria piorar a discussão. Ela teria ainda tanto o que cuidar pela frente sobre Jason, e o cansaço começava a bater forte. “Você está distorcendo o que eu disse.”, ele cerrou os punhos. “Além do que Eric não impôs nenhuma resistência ao acordo.” “Deve ter os motivos dele.”, ela disse com uma pontada no coração. “Daqui em diante você saíra de casa acompanhada de seguranças.” “Bill, eu não preciso disso. Tenho a companhia de Tara.”, ela virou o rosto de lado. “Sookita, seu irmão foi assassinado. Não sabemos quem fez isso, e se você corre algum risco. Não quero te perder.” Ela não notou a aproximação dele, fez um movimento brusco quando ele encostou a mão no pescoço dela. “Preciso dormir. Depois discutimos melhor esses assuntos.” “Eu também quero saber o que aconteceu com o senador. Não vou te obrigar a contar o que não quer, eu entenderei.” Ela concordou com a cabeça, ele fez um movimento com a mão e partiu em disparada. Ela só ouviu a porta batendo. Seu casamento começou fracassado, e ela não tinha ideia de como consertar. Um movimento em falso que tomou e acabou machucando os sentimentos de Bill, sendo que ele não merecia. Deveria ter ficado sozinha em casa, como sempre esteve. Aceitar que jamais teria algo com Eric e seguir em frente. Foi covarde em fugir para os braços de Bill para aplacar a rejeição de Eric. Um movimento estranho no jardim atraiu a sua atenção, ela não soube vislumbrar o que era. Mas, viu algo correndo, poderia ser um vampiro ou algum

animal. Ela sentiu um arrepio no corpo, pensamentos estranhos surgiram em sua mente. Palavras incompreensíveis, imagens de um local escuro e depois brilhante. Ela caiu no chão e sua mente continuou a ser invadida. Uma visão de Eric surgiu, ambos deitados numa cama, ela o mordia, o provocava. Ele parecia não compreender, estava confuso, o olhar assustado. Ele a penetrava sem gentileza, e ela o continuava provocando. Dizendo palavras que não ousaria dizer, palavras que só Tara dizia. Depois ele estava em pé ao lado de uma cama, e ela em cima da cama nua e novamente o provocando. Oferecendo o pescoço para que a mordesse, ela desejava ser mordida, mesmo que fosse quase fatal. Ela viu claramente quando o empurrou do mezanino, estava no quarto dele. Ela queria machucá-lo, puni-lo pelo que a fazia sofrer. Ao mesmo tempo queria que a amasse, a protegesse, e fizesse sexo com ela até o fim dos tempos. Em seguida o sentimento de culpa tomou conta do seu corpo, e ela queria se ver longe daquele quarto, não queria mais se entregar para ele. A sua mente a alertava para ficar longe dele, assim como Bill estava fazendo. Era noite, tarde da noite, tudo parecia calmo, exceto pelos gritos apavorados de Jason. Uma mão afundou no peito dele, e com movimentos circulares foi arrancando lentamente o coração. O sangue jorrava quente do peito dele. Sookita sentia que estava perto de Jason, sentia como se estivesse na mente dele, como se os olhos dele fossem os dela. A dor era terrível, parecia que caíam num abismo sem fim. Aos poucos a mente dele foi sumindo, assim como a respiração e o coração sendo comido pelo assassino. Ela tentava focar a visão e ver o rosto de quem cometia aquele horror. Só que a visão de Jason estava escura, a imagem ficando distante, o zumbido no ouvido mais alto. O peito dela parecia que ia explodir. As vozes crescendo em sua cabeça, invadindo cada vez mais fundo em sua mente. Algo a sacudia, ela podia sentir. A sua cabeça para frente e para trás. Quando abriu os olhos, viu o rosto preocupado de Tara. Os pensamentos dela entraram na mente de Sookita de uma vez, a dor de cabeça foi intensa. Ela viu a vida toda de Tara em segundos, as alegrias e sofrimentos da amiga. “Por favor, saia daqui.”, Sookita gritava desesperada. “O que aconteceu? Você estava desmaiada.”, Tara tentou levanta-la. “Por favor, seus pensamentos estão me machucando. Não vou aguentar.” “Machucando?” “Eu vi... eu vi toda a sua vida na minha mente. Não sei como, mas eu vi. E me machucou, as suas dores me machucaram...”

“Meu Deus, o que está acontecendo com você? Desde que voltou... Meu Deus.”, Tara balançava a cabeça sem entender. “Pare de pensar, por favor. Minha cabeça está doendo.”, ela esfregava as têmporas. “Como vou parar de pensar? Você sempre controlou isso.” “Está tudo confuso, Tara. Não sei o que fazer.” “Acho que deve descansar, deve ser choque com tudo que aconteceu.” Tara levantou Sookita do chão e a conduziu em direção à cama. “O funeral. Você tem que me acordar cedo.”, ela disse preocupada. “Sim, não se preocupe.” Tara cobriu Sookita com o lençol e deitou no outro lado da cama. Ficou observando à amiga, tanta coisa tinha acontecido em pouco tempo. Sookita foi obrigada a amadurecer da noite para o dia. Tara culpava a criação severa de Vó Adele. Ela teve sorte de ser criada praticamente sozinha e contar com a ajuda de Lafa. Acreditava que por isso Sookita sofria tanto com tudo que estava acontecendo, foi escondida do mundo durante anos e do nada teve que encarar tudo. Ela soltou um longo suspiro e se acomodou na cama. O dia seguinte seria atribulado. Bill havia dito que teriam a ajuda de um de seus assessores diurnos para organizarem o funeral. Com esse pensamento Tara fechou os olhos. -----------------------------O celular de Bastian começou a ecoar na galeria, o som cada vez mais estridente. O ser estranho o soltou repentinamente e cobriu as orelhas gritando de dor. Aproveitando que havia descoberto um ponto fraco, Bastian pegou o celular e começou a agitar perto do ser. Com o pouco brilho que vinha da tela, ele conseguiu observar melhor o monstro. A cabeça era pontuda e não tinha cabelos, as orelhas eram igualmente pontudas, os olhos frios e em tons amarelados. Ele nunca tinha visto algo parecido antes, fora que a magreza do ser era assustadora. Notou que estava nu e sujo. Até parecia vulnerável quando não atacava. “Puta que pariu.”, Bastian disse quando o celular parou de tocar. Sem perder tempo, o ser estava em cima dele novamente e o celular foi parar longe por causa do impacto. Ele gritou por ajuda. Esperava que acontecesse algum milagre.

Tentou passar uma rasteira com uma das pernas, quase teve sucesso, o ser cambaleou, mas não desistiu de ataca-lo. Bastian segurava como podia as mãos do ser, ele já o havia atingido perto do coração com as unhas afiadas e tentava novamente o mesmo ataque. Por mais forte que Bastian fosse, seu inimigo era mais forte ainda e não demoraria para que atingisse o coração de uma vez. Ele sentia as mãos escorrendo no contato com a carne pegajosa do ser. Imaginava a ironia de morrer numa das saídas secretas da Autoridade e depois ser encontrado por Santiago. Deixaria o seu criador em maus lençóis. O ser soltou um grito e uma golfada de sangue caiu em cima de Bastian, o banhando por inteiro. No meio do peito magro do monstro surgiu uma mão delicada e com as unhas pintadas. “Me ajuda a tirar essa coisa nojenta da minha mão.” Jessica olhava enojada para a sua mão enfincada dentro do ser. O cheiro ruim da criatura entrava direto na narina dela. Bastian saiu com dificuldade de onde estava, o peito ainda sangrando e se curando lentamente. “Não achei que iria voltar.”, ele disse coçando a cabeça. “Não voltei por você. Eu esqueci de pegar a mochila.”, ela apontou com a cabeça na direção da mochila jogada do outro lado. “Poderia ter vindo sorrateira enquanto essa coisa me matava.”, ele se colocou atrás dela. “Já estou arrependida do que fiz, deveria ter deixado ser comido.”, ela tentou retirar a mão. “Me ajuda, porra.” Bastian deu um sorriso de canto, no fundo acreditou que ela não o deixaria morrer. Afinal, ele se arriscou ajudando com que fugisse, e seria severamente punido se descobrissem o que fez. Ele colocou a mão no braço dela, e começou a puxar, pedaços de carne, e uma gosma pegajosa de cor escura saiu do buraco feito por Jessica. O cheiro era insuportável, por sorte os dois não precisavam puxar o ar para respirar. Ela sacudiu a mão jogando sangue e restos de vísceras para todo lado. E ele sujo de sangue e cheirando tão mal quanto o resto da criatura. Jessica fazia uma careta de nojo. “Eu vi a saída dessa porcaria de lugar. Não está distante.”, ela deu de ombros e começou a caminhar. “Obrigado por me salvar.”

“Se continuar agradecendo, eu vou terminar o serviço.” “Não falo mais.”, ele continuava com um sorriso de orelha a orelha. “Temos que achar um lugar para nos limparmos. Desse jeito chamaremos a atenção.” Ele concordou, e minutos depois estavam perto de um parque de diversões abandonado. Ele nem sabia o quão distante estavam da Autoridade e nunca viu um parque antes por ali. Conforme caminhavam pelo lugar, o luar junto dos brinquedos abandonados parecia fantasmagórico, saído direto de um filme de terror. Havia uma montanha-russa enferrujada, uma roda-gigante tombada e outros brinquedos velhos e estragados. Vidros e objetos espalhados pelo caminho. Ele ficou montando histórias na cabeça do que poderia ter acontecido ali. Perdeu-se nos pensamentos que demorou a perceber que haviam saído do parque e caminhavam na direção da rodovia. Ele pulou de susto quando Jessica se jogou em frente de um carro. Sem perder tempo, ela puxou o velho de dentro e o hipnotizou. Mandou que os levassem até a casa dele. Ela se sentou ao volante, Bastian no banco do passageiro e o velho no de trás dando as instruções necessárias. “Quanto tempo eles irão descobrir que fugimos?”, ela perguntou se concentrando na estrada. “Nós? Você fugiu. Eu fui seu pobre refém.”, ele soltou uma risadinha. “Você não é tão tonto quanto parece.” “Eu só pareço...”, ele deu uma piscada. “Eles irão dar por sua falta assim que forem inspecionar as celas. Daqui umas duas horas, mais ou menos.” “Não tenho muito tempo.” Descobriram que o velho era viúvo e morava numa fazendo na saída 56 em direção a Vale. Jessica estacionou o carro em frente à casa principal. Pegou o homem pelo braço e o hipnotizou novamente para convidarem ela e Bastian. Jessica tomou banho, lavou a roupa que estava suja e colocou para secar. Vestiu uma camisa velha do dono da casa e andava pela casa seminua. Bastian foi tomar banho para não perder o controle diante da visão de Jessica. Demorou um tempo no banheiro, ele até se masturbou para manter o controle. Limpou a sujeira que fez e desceu a escada sentindo-se revigorado. Os ferimentos feitos pela criatura estavam quase curados. Por sorte, trouxe uma muda de roupa e não precisava usar roupa cheirando a naftalina. Quando chegou à sala se deparou com a imagem de Jessica se alimentando do velho.

“Guardei um resto para você.”, ela ofereceu o outro pulso. Bastian expôs as presas e quase voou para cima do velho. Puxou o braço com violência, fez um rasgo com os dentes e começou a sugar. Os dois sugaram até o coração do homem parar por completo. A sensação de prazer tomou conta de ambos. Jessica jogou o corpo do velho para o outro lado da sala. Ainda com a sensação intensa do sangue, ela sentou-se no colo de Bastian e começou a beija-lo. O vampiro ficou surpreso com a atitude dela, inicialmente se retraiu, mas em seguida retribuiu o beijo com a mesma intensidade. O gosto de sangue do velho passava da boca dele para a dela. Ele a ajudou a tirar a camisa que usava e foi parar do outro lado da sala junto do velho. Ela estava nua se esfregando em cima dele. “Só posso estar sonhando.”, Bastian disse em voz alta. “Cale a boca.”, ela deu um tapa no rosto dele. Bastian soltou um gemido e começou a tirar a roupa de maneira desajeitada com ela em cima dele. Jessica mordeu o pescoço dele e sugou o sangue que escorria. Vampiros sentiam enorme prazer com a troca de sangue, até mais do que o ato sexual em si. Ele a virou de encontrou ao sofá. Desabotoou a calça, dessa vez sem dificuldade. Quando se ajeitou entre as pernas dela, Jessica soltou um grito e o tirou de cima dela. “Não podemos fazer isso. Não podemos.” “Desde quando é puritana?”, ele perguntou passando a mão no membro rijo. “Você ainda tem ligação com Santiago. Se ele te chamar, você irá até ele.” “E você com Bill?” “Não, Bill me libertou anos atrás.” Ela andava de um lado para o outro, os seios balançando e os cabelos ruivos caindo no rosto. “Se você bater punheta agora, eu vou arrancar o seu pau.”, ela disse raivosa obrigando com o olhar para que ele parasse de se masturbar. “Eu estou estourando aqui.” “Foda-se. Ou você faz alguma coisa, ou some daqui.” Ele balançou a cabeça concordando. Ela recomeçou a andar pela sala. Até que deu um salto, quase batendo a cabeça no teto.

“Já sei. Vamos te prender com prata.” “Nem pensar. Eu estava quase te comendo e agora vou me ferrar?” “Você não irá até Santiago. A prata irá de impedir.” “Posso te comer depois?”, ele perguntou ansioso. “Vou pensar...”, ela saiu pela porta principal. Voltou minutos depois com várias correntes de prata, tinha achado no celeiro. Agradeceu aos céus por estarem numa fazenda, não poderia ter vindo em melhor hora. “Onde quer ser preso?” Bastian fez uma careta de desgosto e deitou-se no sofá. ------------------------------------Eric estacionou o carro em frente ao prédio de fachada da Autoridade. O verdadeiro prédio se estendia para debaixo da terra. Para a maioria dos humanos e até dos vampiros, esse prédio era apenas um lugar abandonado do governo. Só que nem imaginavam que ali estava o centro de operações dos vampiros no México e subordinado a Autoridade central que ficava nos Estados Unidos. Pam desceu do carro e notou uma movimentação de vampiros e vários pontos iluminados no entorno do prédio. Ao longe se podia ouvir o som de alarmes. “O que está acontecendo?”, ela perguntou parando ao lado de Eric. “Não faço ideia.”, ele disse irritado. “Nem sonhava que era dessa maneira.”, ela olhou em volta, se não fosse à movimentação de vampiros, ela juraria que o lugar é completamente abandonado. Eric foi com Pam na direção da entrada. O lobby decorado com vasos de flores, quadros com temáticas alegres, um sofá e duas poltronas, telas planas nas paredes e um balcão que tomava o lado esquerdo da entrada. O lugar até parecia um prédio comercial como qualquer outro na cidade. Mas, não num local completamente abandonado do lado de fora. Vampiros considerados comuns como Pam não tinham acesso a Autoridade. Mesmo sendo amiga de Santiago, nada sabia sobre o que acontecia. Só descobria algumas coisas quando Eric decidia contar, ou quando foi até lá depor contra Jessica. Mas, até nessas circunstâncias fez o caminho com os olhos vendados o tempo todo.

Uma recepcionista afobada andava de um lado para o outro no balcão falando sem parar no telefone sem fio. Eric se aproximou e disse sem vontade: “Chame Bastian.” A moça levantou os olhos apavorados, colocou o telefone de lado e disse: “Fomos invadidos.” “Cadê os invasores? Não vejo ninguém morto...”, ele perguntou abrindo os braços. “Não sei, Senhor Colunga. O computador ficou louco, as sirenes estão tocando. O procedimento é de ataque.” “Alguém deve ter apertado a tecla errada, queridinha.”, Pam disse com um sorriso cínico. “Não, senhora. Isso nunca aconteceu antes.” “Senhora? Olha aqui...”, Pam se aproximou do balcão com o dedo em riste. “Não temos tempo para chiliques.”, Eric a olhou impaciente. Ele deu de ombros caminhando até os elevadores. Mas, notou que não estavam funcionando. “Nem essa porcaria está funcionando?”, ele gritou para a estabanada recepcionista. “Depois eu que estou dando chiliques.”, Pam bufava ao lado dele. “Senhor, nada está funcionando. Eu já disse que fomos invadidos.” Eric balançou a cabeça inconformado. Não tinha sentido um ataque na Autoridade. Nem o governo sabia onde ficavam muito menos os inimigos. Muitos pagavam altas somas em dinheiro para quem entregasse o endereço da Autoridade. Por isso, um grupo seleto de vampiros tinha pleno acesso. “Bastian pediu socorro. Eu sabia que algo de ruim aconteceu.”, Pam esfregava as mãos nervosamente. Antes que Eric pudesse responder, Santiago com Leroy ao seu lado e outros cincos vampiros adentraram na recepção. “O que faz aqui?”, Santiago perguntou curioso para Eric. “Pam surtou que ouviu Bastian correndo perigo.” “Eu não surtei, Eric. Eu ouvi.”

“Estão fazendo algum treinamento, Santiago?”, Eric perguntou de maneira petulante. “Hoje está mais bagunçado do que o normal.” “Eu fui atrás daquele nosso assunto.” “Você o encontrou?”, Eric tentava manter um ar de surpresa. “Mais uma vez batemos na parede. Não o encontramos. Esse rapaz deve ser invisível.”, ele disse desolado. “Bastian ficou aqui cuidando de problemas nos computadores.” Pam explicou para Santiago o que tinha acontecido, apenas evitando em mencionar o motivo de procurar o rapaz. “Vou chamá-lo.”, Santiago disse solene. Fechou os olhos e movimentou a boca rapidamente, o som do nome de Bastian foi ouvido. Alguns minutos se passaram e Bastian não apareceu. Santiago caminhou irritado até o balcão da recepção. “Encontre Bastian.”, ele gritou com a moça. “Senhor Santiago, fomos invadidos. Não sei onde está o Senhor Reyes.” “Se estivéssemos sendo invadidos já estaria morta.”, ele disse sem paciência. A moça arregalou os olhos, nunca viu Santiago tão nervoso e grosseiro daquela maneira. Ela abriu a boca para responder, mas um grupo de vampiros apareceu no lobby. Os seguranças se aproximaram de Santiago. “Senhor, não fomos invadidos. Deve ter sido uma pane no sistema.”, um vampiro ruivo falou rapidamente. “Óbvio que foi uma pane. Não entendo o motivo dessa confusão toda.”, ele disse severamente. “Os alarmes dispararam assim que o senhor saiu.” “Onde está Bastian?”, ele perguntou. “Cuidando da prisioneira.”, um vampiro disse no meio dos outros. “Jessica...”, Pam disse com desdém. “Fiquem aqui e arrumem essa bagunça.”, ele disse para os outros vampiros. “Supervisione tudo.”, falou para Leroy. Em seguida, Santiago caminhou até os elevadores, apertou o botão e nada aconteceu. Foi até o fim do corredor, abriu a porta que levava as escadas. Por

sorte, iria descer até o terceiro andar. Ele não tinha o poder de velocidade como os outros vampiros, sempre estava em desvantagem. Eric e Pam seguiam Santiago silenciosamente descendo as escadas. Os dois se entreolhavam de vez em quando, sem entender o que realmente estava acontecendo no lugar. Santiago passou a entrada que levava as celas oficiais. Apenas os alarmes continuavam soando de maneira insistente. “Bastian...”, ele disse chocado. “...seu filho da puta.”, Pam gritou entrando logo após Santiago e vendo a cela de Jessica vazia. “Não criou direito o seu menino, Santiago.”, Eric disse. “Delilah.”, Santiago chamou a vampira como fez anteriormente com Bastian. Segundos depois, Delilah surgiu ao lado de seu criador com uma expressão confusa. “Onde estava?”, Santiago limpou os óculos embaçados. “Punindo o lobo.”, ela respondeu encolhendo os ombros. “O que eles fazem aqui?”, apontou para Eric e Pam. “Sabe onde está Bastian?”, Santiago perguntou ignorando as palavras dela. “Não o chamou?” “Não apareceu.” “O idiota ajudou Jessica a fugir.”, Pam disse dando um chute na porta da cela. Delilah olhou sem entender de Pam para Santiago, reparando que a cela estava vazia. “Ele fez tudo isso pra ajudá-la?”, Delilah soltou um assobio. “Uma distração. Ele não conhece a passagem.”, Santiago disse pensativo. “Bem...”, Delilah disse baixinho olhando para o chão. “Ele sabe?”, Santiago gritou, raramente se descontrolava, mas hoje não tinha como ser diferente. “Sabe o que?”, Pam perguntou para Eric. “Dá para entender porque não te atendeu.”, Eric disse para Santiago.

“Se ele tivesse morrido, eu teria sentido.”, Santiago disse tremendo ligeiramente. “Vamos acabar logo com esse mistério.”, Eric disse saindo da sala. Delilah segurou Pam pelo braço não deixando que seguisse Eric. “Ela não pode ir.” “Quero ver me impedir...”, Pam retirou a mão da outra vampira com violência. “Pamela é de confiança.”, Santiago fez um movimento para Delilah. Delilah se afastou abrindo espaço para Pam que passou batendo os saltos no chão. Desceram mais lances de escadas até chegarem ao local secreto da Autoridade. Pam observava tudo em choque, não imaginava que tudo aquilo existia. Eram tantos segredos que desconhecia. Eric e Santiago só tocavam na ponta do iceberg com ela. Ela se surpreendeu quando passaram pela passagem secreta, e se arrependeu amargamente de mais uma vez estragar um ótimo sapato nas pedras. Começaria a usar tênis quando fosse se aventurar para fora da boate. Santiago seguia em frente com Delilah, Eric logo atrás e Pam caminhando com dificuldade. “Onde estamos?”, a voz dela ecoou pelas galerias. “Coisa de índios.”, Delilah respondeu não estendendo o assunto. Pam deu de ombros, não gostava da cria de Santiago. Nunca gostou dele a ter transformado, achava uma perda de tempo. Só ficou feliz quando escolheu Bastian. Ela admitia que fosse ciumenta, ainda mais das mulheres que se envolviam com os homens que amava. Ela soltou um grito de susto quando um dos saltos enganchou numa pedra no chão. Os três vampiros viraram de uma vez prontos para agir. Apesar de que Santiago nada faria, não possuía força. Ela tentava retirar o sapato preso, praguejou algumas vezes. Eric foi até ela, em apenas dois movimentos arrancou os dois sapatos dos pés dela e jogou longe. “Aquilo custou caro.”, ela disse irritada. “Te dou o valor de vinte iguais aquele só para não aturar o barulho que fazem quando caminha.”, Eric disse tomando a frente dos outros dois.

Delilah soltou uma risadinha, Santiago manteve-se quieto. Pam bufou se segurando para não voar no pescoço da outra. Não demoraram em encontrar o ser morto por Jessica e Bastian. Santiago remexia no corpo tentando encontrar alguma pista. “Pelo menos Bastian continua inteiro.”, Delilah disse aliviada. “Que coisa é essa?”, Pam perguntou olhando horrorizada para o ser extremamente magro, alto, de orelhas pontudas e olhos abertos esgazeados como se continuasse vivo. “Um nosferatu.”, Santiago balançou a cabeça. “Não restam muitos deles na Europa. Esse era o nosso último sentinela.” “Como nunca vi um desses antes?”, ela perguntou incrédula. “Eles vivem escondidos, não gostam de se misturar.”, Eric respondeu. “Você sabia disso?”, ela se voltou pra ele. “Quem acha que trouxe esse aqui de presente para a Autoridade?”, ele disse zombeteiro. “Não sabia que tinha sido você.”, Delilah disse surpresa. “Santiago não gosta de divulgar meus feitos.” “Foi bem pago por esse serviço, como sempre.”, Santiago se recompôs. “Delilah, procure Bill e o traga para resolvermos essa situação.” Ela concordou com a cabeça e sumiu velozmente pelas galerias. “O Prefeito? Não poderia resolver sem ele?”, Pam disse com uma careta. “Ele pode chamar Jessica. É a nossa última opção.”, Santiago respondeu fazendo o caminho de volta. “Não temos mais nada o que fazer aqui.”, Eric disse se preparando para ir embora. “Fique. Precisamos lidar sobre aquele outro assunto.”, Santiago disse sério. “Só não me peça para presenciar quando der as palmadas na bunda de Bastian.”, Eric disse gargalhando novamente. Pam deu um tapa em Eric. Santiago fingiu que não ouviu a provocação. Eric partiu sem esperar os dois. Pam pegou Santiago pelo colarinho e saíram rapidamente daquele lugar fétido.

-------------------------“Como iremos fazer?”, Pam perguntou para Eric. Os dois estavam ao lado de fora do escritório de Santiago esperando pela chegada de Bill. “Sobre o que?”, Eric disse distraído encostando a cabeça na parede. “Jason. Santiago obviamente não sabe o que aconteceu.”, ela disse exasperada. “Não será por mim que irá descobrir. E muito menos por você.” “Por acaso confia no prefeito? Ele irá contar como te comprou para matar o senador.”, ela cruzou os braços. “Ele não contará nada.” “Como pode ter certeza disso? Ainda mais após a maneira como me atacou ontem... aquele viado.” “Nós fizemos um acordo.”, ele deu um meio sorriso. “Não estou orgulhoso disso.” “Não entendi... pode repetir?”, Pam parou em frente a Eric visivelmente chocada. “Isso que você ouviu bem. Ele não diz nada, eu não falo nada. É até simples.”, Eric deu de ombros. “Simples... tão simples assim... sem nada em troca? Com Bill...”, ela balançou a cabeça de um lado para o outro. “Como eu disse, não estou orgulhoso.”, ele a encarou. “Não chegarei mais perto de Sookita.” “Bill é muito burro. Não tenho dúvidas disso.”, Pam soltou uma gargalhada. “Ele simplesmente jogou Sookita nos seus braços.” “Não entendo o que está insinuando.” “Eu conheço seus joguinhos, Eric. Conheço como a palma da minha mão.”, ela tocou na mão mostrando para ele. “Agora sim sinto pena de Sookita.” “Você só pensa o pior de mim.”, ele franziu o cenho. “Imagina... a pobre moça virá correndo para os seus braços. Ainda mais nessa fantasia de Romeu e Julieta.”, ela se encostou à parede ao lado dele. “Não poderia ter feito uma vingança melhor para Bill.”

Eric manteve-se calado, não respondeu para Pam. Ele estaria disposto a machucar Sookita apenas para destruir Bill? Ele ainda desejava isso? Vários inocentes já se colocarem entre ele e Bill. Eric balançou a cabeça afastando lembranças ruins do passado. “Falando no diabo.”, Pam falou entre dentes. Delilah vinha pelo corredor com a cara fechada, Bill aparecia logo atrás também com cara de poucos amigos. “O que estão fazendo aqui?”, ele perguntou rispidamente para Delilah. “Procurando Bastian...”, Delilah respondeu rapidamente. Ela parou em frente à porta do escritório e bateu duas vezes. Bill parou do outro lado, evitando ficar perto de Eric e Pam. “Espero que não bata em nenhuma mulher hoje, Senhor Prefeito.”, Pam disse provocando. “Eric, controle sua subalterna.”, Bill disse dando de ombros. Pam avançou na direção dele, Eric a segurou antes que atacasse o prefeito. Santiago abriu a porta e olhou chocado para a cena. “Se não conseguem manter o controle perto um do outro, terei que tomar medidas drásticas.”, Santiago limpava os óculos que embaçaram. “Matar Bill seria uma delas.”, Pam gritou. “Pamela, não irei tolerar esse tipo de comportamento. Espere aqui fora.”, Santiago disse nervoso. Eric apertou o braço de Pam, encostou o lábio perto da orelha dela e disse suavemente para se acalmar. Ela concordou com a cabeça e se afastou. Eric, Bill e Delilah entraram no escritório. Eric ficou em pé e de braços cruzados perto da porta, Bill e Delilah se sentaram em frente à mesa de Santiago. “Exijo saber o que está acontecendo?”, Bill disse após se sentar. “Sua filha fugiu com Bastian.”, Santiago disse ajeitando os óculos no rosto redondo. “Ninguém foge daqui.”, ele disse confuso. “Se controla os computadores, controla tudo.”, Eric disse com desdém. “Bastian jamais me desobedeceria. Jessica o obrigou.”, Santiago encarou Bill.

“Duvido, caro Santiago. Seu filho só faltava grudar na perna de minha filha.” Eric soltou uma risadinha diante daquela conversa, não se sentia arrependido em ter ficado para acompanhar o desfecho. “Continuem...”, Eric disse quando todos se voltaram para ele. “Eu tentei chamar Bastian, mas ele não apareceu. Sei que não está morto.”, Santiago bateu na mesa para atrair a atenção de Bill e Delilah. “Precisa chamar Jessica.” “Minha filha teve os motivos para fugir daqui, ainda mais depois da injusta punição.” “Você sabe a punição para vampiros fugitivos. Estou passando por cima de muitos protocolos.”, Santiago disse preocupado. “Eu sei.”, Bill disse baixinho. “Então a chame.” Bill se levantou, foi para um canto da sala. Juntou as mãos e chamou o nome de Jessica baixinho. Todos ficaram em silêncio esperando por algum sinal. Nem Eric conseguiu esconder a curiosidade. Minutos depois o telefone de Santiago tocou. “Ela chegou.”, ele disse num tom sombrio. A porta se abriu, Leroy surgiu com Jessica nos braços que chorava copiosamente. Ela usava apenas uma camisa e caiu de joelhos aos pés de Bill. “Você mentiu pra mim... mentiu pra mim.”, ela batia no sapato dele. “Nunca me libertou...” “Você é incontrolável, filha. Não poderia fazer isso.”, ele disse sem emoção. “Onde está Bastian?”, Santiago perguntou ansioso. “Está preso em correntes... na fazenda... do velho.”, ela dizia soluçando. “Leroy vá até lá e traga-o de volta.” Jessica explicou sem vontade o lugar onde Bastian estava. Não reparou que Eric estava na sala, muito menos Delilah. A traição de Bill corroía seu peito. “O que irá acontecer comigo?”, ela perguntou baixinho sem olhar para seu pai. “Não dependerá mais de mim.”, Santiago disse. “Como convenceu Bastian a te ajudar?”

Ela estava de cabeça baixa, ainda caída no chão. Demorou em responder, pensando se deveria falar a verdade. E se isso poderia prejudicar seu pai. “Entreguei o paradeiro do irmão de Sookita.”, ela disse friamente. “Irmão de Sookita?”, Santiago e Delilah falaram juntos. “Sim, o policial que tanto procuram. Jason.”, Jessica olhou do chão para Bill com um sorriso de canto. Eric e Bill se entreolharam preocupados. Santiago bufava atrás da mesa. ------------------------------Sookita acordou sentindo uma dor de cabeça terrível. Levantou da cama sem vontade. Imaginou que os acontecimentos dos dias anteriores foram apenas sonhos. Mas, esse pensamento não durou quando viu que se encontrava na mansão de Bill. Não tinha sido um pesadelo, tudo tinha acontecido. Voltou do banheiro e pegou o primeiro vestido que encontrou no guarda-roupa. Não sentia vontade de se arrumar, mesmo ouvindo barulho de vozes no andar debaixo. Olhou pela janela, a noite já caía lá fora. Tinha perdido a noção do tempo. Tara abriu a porta do quarto, caminhou até ela ansiosa. Olhava para Sookita com preocupação, queria ter certeza que estava tudo bem. “Não pense, por favor.”, Sookita disse assim que viu Tara. “Minha cabeça está estourando.” “Eu não queria te alarmar. A casa está cheia de gente. Você sabe, amigos de Jason, alguns parentes distantes. A coisa se espalhou toda. Até na Capital.”, Tara disse ajudando Sookita arrumar o cabelo. “Como assim?” “A morte de Jason. Está cheio de repórteres na entrada da mansão. Claro que do lado de fora, os guardas de Bill só deixam entrar quem eu aprovo.” “Quem contou?”, ela balançava a cabeça confusa. “Não sei, mas está em todo lugar. Faz dias que só falam nisso.” “Dias? Quanto tempo dormi?” “Faz três dias que está dormindo direto. Você estava muito cansada e traumatizada.”, Tara passou a mão nos ombros da amiga. “Como pode ter me deixado dormir tanto? Eu tenho que cuidar do enterro de meu irmão, de tudo...”, ela colocou as mãos na cabeça.

“Sookita, ainda não liberaram o corpo dele.”, Tara disse com cuidado. “Por que não?” “Ele foi morto por um vampiro, Sook. Um policial morto por um vampiro. O que você esperava?” “Não esse circo todo como você descreveu. Não quero falar com repórteres.”, ela disse recuperando o fôlego. “Todos estão te esperando lá embaixo. Querem prestar condolências.”, Tara disse baixinho. “Não sei se estou preparada...” “Não poderá passar o resto da vida presa no quarto.”, Tara a levou em direção à porta. “Os pensamentos deles, não posso...”, Sookita travou antes de chegar à porta. “Você nunca teve problemas com isso. Vai superar tudo como sempre fez.” Sookita desceu os dois lances de escada, o barulho de vozes começavam a crescer em sua mente. Podia sentir o cheiro de comida, de bebida. Não poderia negar que estava aliviada por Tara ter cuidado em receber os conhecidos. Uma foto enorme de Jason, todo sorridente, estava colocada em frente à entrada da mansão. O coração dela saltou diante daquela visão. Tara a confortou, fazendo com que não parasse de caminhar. Quando cruzaram o hall de entrada em direção a enorme sala da mansão. A mente de Sookita foi invadida por imagens, vozes, barulhos ensurdecedores. Era como se o mundo entrasse direto em sua cabeça. As pessoas se aproximavam para falar, ela via tudo em câmera lenta, as bocas se mexendo devagar. Mas, os pensamentos machucavam a sua mente, tomavam conta de cada neurônio, a cabeça latejava intensamente. “Parem de pensar, parem com tudo. Parem... parem.”, ela começou a gritar desesperada batendo na cabeça. Todos olharam assustados diante daquela reação, algumas pessoas começaram a cochichar, outros disseram que a mulher do prefeito não batia bem da cabeça. Uns policiais ficaram nervosos e disseram que estava traumatizada com a morte do irmão. Tara afastou Sookita rapidamente da sala, foram até a cozinha. Tara pediu para os empregados saíram do local e levarem o resto da comida para os convidados.

Esperou todos saírem, colocou Sookita numa cadeira e foi pegar agua com açúcar. “O que está acontecendo com você?”, ela perguntou estendendo o copo. “Eu não sei, os pensamentos estão me machucando fisicamente.”, ela tremia conforme bebia a agua. “Desde quando?” “Desde que voltei... do senador.”, Sookita disse num fio de voz. “Sua quase morte está te fazendo isso? Só pode ser...”, Tara tentava organizar os pensamentos sem machucar Sookita. “Como eu queria ser normal.”, ela desabou a cabeça em cima do balcão. A porta da cozinha se abriu, um empregado surgiu dizendo que alguns repórteres tentaram invadir a propriedade. Tara saiu em disparada para que nada de pior acontecesse. Sookita respirou aliviada, a mente voltou a ficar calma, apesar de a dor ser constante. Não sentia mais as dores das facadas, o dedo perdido não latejava como antes. Mas, agora a sua cabeça estava perdendo o controle. Um movimento estranho no jardim despertou a atenção dela. Deveria ser um dos repórteres que tinham invadido a propriedade. Ela estava chocada diante da ousadia. Caminhou até a porta que dava para o jardim e a trancou. Só que notou uma figura perto das árvores que ficavam ao lado do labirinto. Parecida com a que tinha visto no outro dia. Ela apertou os olhos para tentar enxergar melhor, mas só via um vulto vestindo algo escuro. Apertou mais ainda os olhos e notou que a estatura era mediana, não parecia ser humano, estava imóvel. Ela sentia que a encarava de volta. Ela fechou os olhos e quando abriu a criatura a encarava atrás do vidro. Um olhar frio, sem vida e escuro, muito escuro. Ela tentou gritar, mas não conseguiu. A mente dela começou a apagar, tudo sumindo a sua volta. Ela ouviu apenas uma voz assustadora dizendo para dormir.