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XII Encontro de Pós-Graduação e Pesquisa

Universidade de Fortaleza 22 à 26 de Outubro de 2012

O NOVO PERFIL CONSTITUCIONAL DO ICMS: AS MODIFICAÇÕES FRENTE A REFORMA TRIBUTÁRIA
Thiago Anastácio Carcará1* (PG), Cristiana Silveira 2 (PG), Vicente de Paulo Augusto de Oliveira Júnior3(PG) 1Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional, Universidade de Fortaleza, Fortaleza-CE; 2Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional, Universidade de Fortaleza, Fortaleza-CE 3Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional, Universidade de Fortaleza, Fortaleza-CE.
thiago.carcara@hotmail.com Palavras-chave: ICMS; IVA; Reforma Tributária;

Resumo
O presente artigo analisa, por meio de uma pesquisa bibliográfica com auxilio da legislação constitucional e infraconstitucional, o novo perfil constitucional do ICMS a partir das alterações trazidas pela Proposta de Emenda à Constituição - PEC n.º 233/08. A Proposta de Emenda à Constituição sistematiza o Imposto sobre Valor Agregado Federal – IVA-F e modifica o atual delineamento constitucional do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS. Sem aprofundar nas disposições que regem o IVA-F, observa-se os efeitos que este imposto acarretara sobre o ICMS. Passando por uma análise da competência normativa dos entes federados, chega-se a mudança no fato gerador e os efeitos nos princípios da seletividade e da não-cumulatividade, além do principio federativo e as isenções a nível estadual e distrital. Assevera-se ainda que estas mudanças busca a unificação das legislações dos vinte e sete Estados Federados, buscando o término da “guerra fiscal”, o nivelamento das receitas dos estados e a adaptação ao modelo europeu de centralização da tributação sobre o consumo.

Introdução
A Proposta de Emenda à Constituição – PEC n.º 233/08, além da sistematização do Imposto sobre Valor Agregado Federal - IVA-F, traz uma modificação do atual Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS que continuará a ter o mesmo nome, mas terá cara e corpo de Imposto sobre Valor Agregado Estadual - IVA-E. O porquê desta nomenclatura similar ao IVA-F vem da unificação, não de tributos, como nesse caso, mas das legislações pertinentes ao imposto e da sua nova performace definida por lei complementar de incidir sobre o valor agregado. O ponto nefrálgico da mudança no ICMS é a unificação das legislações, que atualmente são 27 (vinte e sete) tratando sobre as alíquotas, hipóteses de incidências e base de cálculo. A conseqüência disso é a resolução da guerra fiscal que tem como foco da Proposta de Emenda do Governo Federal. A mudança trará uma série de conseqüências que transformam o imposto, já que passará a ter um novo sujeito ativo, o estado destino, e um fundo de equalização de receitas com o objetivo de nivelar as receitas dos estados e municípios. Ademais, outro motivo para a mudança é a adaptação ao bem sucedido modelo europeu de centralização da tributação sobre o consumo.

Metodologia
Por meio de uma pesquisa bibliográfica com auxilio da legislação constitucional e infraconstitucional examina-se o tema proposto averiguando as modificações trazidas pela PEC n.º 233/08.

ISSN 1808-8457

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regulamentará este assunto. isto é.º 233/08 pretende mitigar a competência estadual. ao destino. competência legislativa.CONFAZ para conceder benefícios fiscais. determinadas espécies de produtos terão uma tributação diferente de outros produtos. A PEC n. que será conjunta conforme o título da nova Seção IV-A. na CF.Resultados e Discussão Atualmente a competência normativa do ICMS é dos Estados e do Distrito Federal e a competência arrecadatória pertence ao estado de origem. O importante é que o dinheiro dos estados consumidores permanecerá em seu território. dos Governadores ou das Assembléias Legislativas. no que concerne à competência tributária.º 233/08. inclusive nas de importação. transferindo a competência arrecadatória para o estado destino. pois afronta ao princípio do federalismo. Vale dizer ainda que o Governo Federal trouxe uma sistemática para compensar os estados produtores para que os mesmos não fiquem sem nenhuma parcela do ICMS e percam. inclusive os que contenham imagem. Vale acrescer que a alíquota será elaborada pelo Senado Federal. transferências de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo titular e de bens em operações interestaduais entre estabelecimentos do mesmo titular. Ter-se-á uma uniformização de alíquotas que acarretará na efetivação do princípio da seletividade. de ISSN 1808-8457 2 . todo o montante arrecadatório. Os Estados-membros e o DF perderão a sua competência tributária em certos termos. p. Todavia isto trará um incômodo ainda maior. são propostas. Isso trará desenvolvimento e uma melhor distribuição de riquezas no país. de produção. Vale dizer que a PEC traz ainda a possibilidade de intervenção federal caso o valor desses tributos não sejam repassados para o ente competente. é que fará a cobrança do tributo e posteriormente o repassará ao estado final. porém não perderão sua capacidade tributária ativa. 61 da Constituição. em todas as etapas anteriores à operação final. Deve-se frisar que os estados destinatários do produto ficarão com a arrecadação. o que atualmente não ocorre em virtude dessa demasiada leva de legislações referentes a alíquota do ICMS. efetivamente. O atual ICMS tem. ou seja. nas operações com energia elétrica. sendo que nessas hipóteses deverão estar representadas todas as Regiões do País. O estado de origem. que determinará o seu valor para cada produto devendo valer para todo território nacional. regras especiais para a iniciativa dessa norma. passando a se concentrar na mão da União. Discute-se. através de uma lei complementar nacional que unificaria todas as legislações estaduais. 5-7) cita ainda algumas novas incidências e outras não-incidências do tributo afirmando que o ICMS incidirá ainda sobre: operações com arquivos eletrônicos não elaborados por encomenda. continuará a mesma. no § 3º do art. já que usurparia a competência legislativa dos Estados-membros e do DF. som ou programas de computador. trazendo um mecanismo chamado diferencial de alíquotas que tenta corrigir esse visível desequilíbrio arrecadatório. já que poderão utilizar-se do novo Conselho Nacional de Política Fazendária . A sistemática a ser utilizada para a cobrança do ICMS. em razão da substituição tributária. mas com algumas peculiaridades. Além disso. ainda. A inserção do art. nas operações interestaduais. uma sistemática parecida com o “diferencial de alíquotas” para acalmar os estados produtores que perderão muito com a mudança. Anastácio (2009. Contudo. ainda que transmitidos eletronicamente. conforme a PEC n. o produtor. 155-A em seu §3º. a proposta altera significativamente o sistema atual da capacidade tributária. a sistemática de ser cobrado no estado remetente. Atualmente esta alíquota é estabelecida por cada estado-membro através de lei ordinária. que ficará a cargo do Presidente da República ou de um terço dos Senadores.

O que se questiona é se essa pequena mudança no comando constitucional poderá trazer algum malefício ou benefício ao sistema tributário ou ao cidadão. que estabelece as alíquotas e os produtos. com a mudança. aparas. a mudança se dará no formato desta não cumulatividade. de distribuição. sendo que estas alíquotas serão definidas pelo Senado ou pelo CONFAZ. os primeiros 100 kWh/mês)”. §2o). 155.transmissão. o art. poderá haver mudança nessa sistemática que só trará melhorias ao sistema tributário nacional. 155. dizendo que “esta seletividade é positiva pois: permite que seja dada a isenção completa para os consumidores de baixa renda. a forma será definida em lei complementar. O ICMS é o imposto de competência estadual de maior poder arrecadatório sendo a maior fonte de renda dos estados. deixando esse assunto para ser disciplinado por lei complementar.” Em certos termos. Continuando com o mesmo posicionamento afirma que “O problema dessas propostas é que em alguns Estados haveria uma significativa redução da arrecadação uma vez que a imensa maioria dos consumidores residenciais ou são baixa renda ou apresentam baixo consumo. facultando assim o seu uso com função extra-fiscal. a simplificação deste processo legislativo traria a possibilidade de resolução mais rápida de problemas que viessem a acontecer. Pommorsky (2009. fragmentos e desperdícios de materiais destinados à reciclagem e reutilização. muitos estados vêem abalado o pacto federativo.ex. já que perderam a competência normativa sobre o tributo. determina que o ICMS seja não cumulativo. III da CF traz o ICMS que poderá ser seletivo em função da essencialidade das mercadorias. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal. assim como nas operações interestaduais com sucata. que poderá ser reconfigurado ao (dis)sabor de ocasionais interesses políticos. a efetivação de princípios como a não-cumulatividade e a seletividade se tornam inviáveis em virtude da alta complexidade das leis e de suas 27 facetas. independentemente da quantidade consumida. e possibilita a fixação de uma alíquota mínima para uma quantidade básica de energia elétrica para cada unidade residencial ou rural (p. Dessa forma. analisando a forma pela qual se posta atualmente a legislação e a forma como ocorre a tributação do ICMS.as alíquotas das mercadorias e serviços poderão ser diferenciadas em função de quantidade e de tipo de consumo. como já ressaltado anteriormente. de conexão e de conversão. da Constituição Federal. acreditar na diminuição deste direito é uma realidade porém.º 233/08. uma para cada ente federado. 01) traz seu posicionamento: “É bem possível que a legislação infraconstitucional que disciplinar o instituto venha a repetir o conceito ora estampado na Constituição. A PEC 233 conduz à possibilidade de diferenciação por tipo e quantidade de consumo: “IV . contribuinte do tributo. Com a unificação das legislações que tratam do imposto. O art. Porém. listados em lei. p. 155-A. 12) traz os benefícios e um dos problemas desta mudança. Contudo. ISSN 1808-8457 3 . essa faculdade é de competência do Senado. Na PEC n. §2º. Ademais.” (art. §2º. A interferência da União nesse ponto é justificada pela crescente Guerra Fiscal que prejudica a política de desenvolvimento do país. p. Vale dizer que esta seletividade não é obrigatória e não representa um direito liquido e certo como assevera a jurisprudência vasta no âmbito dos Tribunais Estaduais. acredita-se que com a PEC. resíduos. a supressão do conceito constitucional fragiliza o direito conferido aos contribuintes. MAIA (2009. Enquanto hoje o próprio comando constitucional declina de que forma se dará a não-cumulatividade.” No que concerne a não-cumulatividade. Entretanto não incidirá nos produtos componentes da cesta básica.

Curso de direito constitucional tributário. ISSN 1808-8457 4 < CARRAZA. e façam com que a reforma tributária se envolva de problemas. estimulados por novos investimentos públicos de infra-estrutura e por programas de apoio creditício através de bancos oficiais. em substituição às 27 legislações estaduais existentes. ed. que seria o novo instrumento de atração de novos projetos privados. . Piscitelli (2009. Resolve-se-á graves problemas como a guerra fiscal e possibilita uma melhor arrecadação para os Estados consumidores. em sua parte. Marcell Feitosa Correia.fenafisco. Roque Antonio. 163). FENAFISCO.uol. restringindo o poder de Estados de concederem quaisquer tipos de incentivos através desse imposto. 2007. Acesso em: 25 de maio de 2009.br>. grandes vereadores federais. 2006.com. 2009. Acesso em: 09 de novembro de 2009. Sacha Calmon. 13. Reforma tributária. o Brasil como pais emergente e em plano desenvolvimento tem que o mais rápido possível desemperrar a Reforma Tributária e implementada a fim de dar musculatura a economia. 22. POMMORSKY. Federalismo e reforma tributária..br/pdf/REF_TRIBUT_Monica.” Conclusão Diante das circunstâncias apresentadas as alterações propostas para a plena implantação do Imposto sobre o Valor Agregado Federal – IVA-F acarretam diversas alterações sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Disponível em: <www. DELFIM NETTO. Curso de direito tributário brasileiro. Disponível em: < http://jusvi.correiadasilva. em troca de uma efetiva política de desenvolvimento regional. traz que “uma das maiores polêmicas se refere à pretensão de adotar uma legislação nacional uniforme (lei complementar única) para o novo IVA-E.pdf>.empecilhos de uma harmonização tributária.asp?id=12585> Acesso em: 11 de novembro de 2009. __________. Nota técnica sobre a PEC 233/2008 reforma tributária analise geral e ponto a ponto. existindo uma tendência municipalista na Federação. A não-cumulatividade na nova reforma tributária. 1991.Outro ponto. COSTA. Antonio.com/artigos/32680/1> Acesso em: 11 de novembro de 2009 PISCITELLI. embora preservando os benefícios já concedidos. Tânia. prejudiquem o interesse da nação. trazidos sem necessidade. correlato. ELLERY JR. diz respeito ao campo político pois. Rio de Janeiro: Forense. impedindo a sua devida aprovação com as necessárias alterações para um melhor sistema tributário nacional.” Ainda continua dizendo que “isso ajudaria a eliminar a guerra fiscal. Reforma tributária: a costura de um grande acordo nacional.br>.org. Disponível em: <www. que decorre em razão dos prefeitos municipais serem os cabos eleitorais dos congressistas que são. O ICMS na proposta de reforma tributária frente os problemas do federalismo fiscal brasileiro . São Paulo: Atlas.br/doutrina/texto.São Paulo: Malheiros. __________. Roberto Bocaccio. p. em vias de socorrer a economia pela emergente crise financeira que teima em cercar as economias mundiais. sistema tributário. Referências ANASTÁCIO.reformatributária. ed. Rio de Janeiro: Forense.org. mas por outro lado cria entraves para os estados já que a hipótese de incidência terá redução pela ampliação da hipótese do IVA-F. A falta da visão de federação faz com que os interesses de cada estado e de cada município. Por fim. Disponível em: < jus2. Disponível em: www. Roberto. Acesso em: 01 de novembro de 2009. LIMA. São Paulo: Malheiros. Mônica Cilene.com. 2009 COÊLHO. Eduardo Fuser. ICMS. Entretanto. confiabilidade aos investidores e melhor divisão arrecadatório proporcionando um desenvolvimento continuo e equânime entre os entes federados. Comentários a constituição de 1988.

Dissertação (Mestrado em Direito Constitucional) – Universidade de Fortaleza. MENESCAL.MAIA.br/downloads/ctee/forumce_reforma/P3_1420_Fernando-Maia_Aspectos-Do-NovoIcms. 183f.zonaeletrica. Paulo Alves Paiva da Faculdade Novafapi pelos ensinamentos resultantes deste trabalho. Fortaleza.pdf> Acesso em: 20 de outubro de 2009. Agradecimentos A Deus pela luz no caminho percorrido. Fernando C.com. A seletividade como instrumento concretizador da justiça fiscal no âmbito do ICMS. 2007. Disponível em: <www. ISSN 1808-8457 5 . ao Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional da Universidade pelo sustentáculo educacional e ao Prof. Aspectos do novo ICMS. 2007. Ana Mônica Filgueiras.