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A magia na Grécia Antiga

No apogeu da civilização grega os rituais de feitiçaria desafiavam o poder da lógica e da razão dominates
POR MARIA REGINA CANDIDO*

por exemplo. incenso. As duas mulheres. A vingança entre os helenos tinha um valor positivo e deveria ser buscada por aqueles que se considerassem lesados por alguém. Mesmo com todo esforço civilizatório. a Pólis não poderia interferir em todos os campos da vida do cidadão. Em conflitos amorosos. ao serem misturadas no vinho provocaram gastroenterite e impotência masculina. regras e fazê-las obedecidas pelos seus integrantes. pois.. os homens confundiam MÁGICA COM MEDICINA. de procedência complexidade. MADRASTA MÁ Orador Antifonte especialista em direito grego." . os homens confundem a MEDICINA COM MÁGICA. o poeta do séc. aqueles em perigo ou diante de qualquer necessidade. Ou seja: a magia era a tentativa dos desvalidos (mas não só) de fazerem valer sua vontade por meios subreptícios. Havia rituais mágicos públicos para fazer chover a fim de se ter uma boa colheita. o Estado se vê de mãos atadas. teriam usado de normas. A situação das mulheres é emblemática já que a feitiçaria muitas vezes era um dos únicos meios de se fazer temida e até respeitada. No livro Os Trabalhos e os Dias. Hesíodo. defensores da idéia de democracia. ou seja. Os rituais de magia praticados pelos gregos nas cerimônias beneficiavam toda a comunidade visando atender aos que estavam doentes. O fenômeno aponta para o estabelecimento da relação culto/benefícios concretizados. Logo. água e mel. nessa sociedade. doces. flores. temia-se a vergonha da ofensa que atingia a honra e acarretava a desqualificação moral do indivíduo diante dos demais integrantes da comunidade à qual pertencia. necessita de dispositivos legais para fixar estrangeira. A documentação textual produzida desde Homero até Tucídides nos aponta para a existência de práticas mágicas que integravam as cerimônias religiosas e públicas. "Anteriormente. afirmava que a magia deve ser acusou a sua madrasta e a considerada como uma das formas mais antigas de fazer valer o vizinha como responsáveis pelo direito individual. VIII a. grãos de trigo e cevada. quando A RELIGIÃO ERA FORTE e a CIÊNCIA FRACA. recomenda que "se alguém começar tanto dizendo quanto fazendo algo indelicado. para os gregos devemos ajudar os amigos e prejudicar duas vezes mais o inimigo. para o nascimento de crianças saudáveis do sexo masculino e ritual de cura de doenças realizados no Templo do deus Asklepio. era lícito retribuir uma ingratidão ou desrespeito. A latência das ervas em para o espaço público do debate no tribunal. agora. A poção consistia em forçando o cidadão lesado a não fazer uso da vingança folhas e raízes trituradas e colocadas em infusão com vinho e individual. O pesquisador Louis Gernet. qualquer que seja a sua assassinato de seu pai.Quem podia imaginar que os gregos. na impossibilidade de revidar uma ofensa o grego usava das práticas da magia. pois não pode punir ninguém sem uma acusação formal. Toda sociedade. incentivando-o a trazer a sua indignação ou ofensa mel. do debate e do direito ao voto eram praticantes da magia para fazer mal ao inimigo. infusão levou à liberação de toxinas que. dependendo da dosagem provocava a morte.C. Entretanto. quando a CIÊNCIA É FORTE E A RELIGIÃO FRACA. ritos para a fertilidade dos animais. harmonia e solidariedade de ervas visando despertar o interesse amoroso em seus aciona os dispositivos estratégicos de manutenção da ordem. maridos. A filtros mágicos e poções à base comunidade grega visando a paz. Podemos afirmar que algumas destas práticas de doação às divindades em troca de algum benefício na verdade sobrevivem até os dias atuais como o ato de acender velas nos templos e na forma de contribuição monetária e doações. por meio das oferendas votivas aos deuses e seres sobrenaturais tais como lume. esteja certo de pagar-lhe a ofensa duas vezes mais".

o domínio dos medos nas práticas mágicas de contatos com seres sobrenaturais através do ritual de psychagogos/evocação dos mortos. perto da cidade grega de Micenas.o corpo de Lítias. Muitas vezes. a . I d. O historiador se refere aos magos como feiticeiros que integravam seitas secretas e prestavam serviços aos reis. enterro/prendo a Hermes Retentor e a Perséfones a língua de Litias. além de interpretar sonhos e presságios. e depois Perséfone relata aos deuses. as mãos de Litias. Heródoto. antigo nome dos persas. No drama. considerado o pai a história. o poeta constrói a trama na qual Atossa. Abaixo alguns defixiones e seus textos amaldiçoados. Tal fato deixa transparecer que cabia aos magos estabelecer contato com os seres sobrenaturais. Todas essas coisas já o são.C. A rainha busca auxílio junto aos sacerdotes. executar sacrifícios aos deuses. agradece os deuses pela vingança obtida com o seguinte texto: A vingança de Hefesto foi derramada. que visavam evocar o poder dos deuses subterrâneos contra uma pessoa particular ou um grupo ligado de alguma forma. A função dos magos foi relembrada pelo poeta Ésquilo ao trazer a memória dos atenienses. ESCRITOS DO MAL Os Katadesmos ou defixiones eram tabletes de chumbo ou argila amaldiçoados. a rainha persa. solicitando que eles evocassem a alma do rei Dario através de rituais mágicos. psiquiatra húngaro e divulgador científico A MAGIA VEM DO ORIENTE Em relação à palavra magia. já no período romano.Thomas Szasz. Um tablete encontrado no séc.. realizar rituais fúnebres. romper um relacionamento indesejado a até evocar a morte ou paralisia.C. na tragédia Os Persas de 472 a. Porém as motivações podiam variar de destruir as atividades profissionais. obstruir um julgamento na justiça. vendas localizadas na Agora envolvendo alguns indivíduos de atividades comercial e juízes Lítias. os pés de Litias.. a alma de Lítias Lítias. os nomes das entidades evocadas não aparecem nas figuras o que indica que eram evocados em um pequeno ritual oral. Primeiro Hecate prejudica os pertences de Megara em todas as coisas. necessitava dos conselhos do marido que havia sido morto em batalha. menciona que o termo estaria relacionado à palavra magos ou magus. definido como indivíduo pertencente à tribo dos medos.* Maldição contra os processos Maldição contra um grupo de homens que atuam no pequeno comércio de varejo.

Calipso. Contra o ofício Tablete encontrado perto da Agora. enterro/prendo as mãos do areopagita a Hermes Retentor.. Medéia e Samantha como especialistas e detentoras de domínio no saber usar as ervas como veneno ou remédio. o rito podia ser público visando benefícios coletivos ou praticados de maneira oculta e secreta visando atender o interesse individual. Alguns pesquisadores. para fazer valer a sua vontade de efetivar a vingança contra os seus inimigos. A praga envolve um ferreiro. no antigo distrito industrial de Atenas. Na tragédia Medéia. Hipérides e do filósofo Platão na obra Leis. Nícias.senhora dos mortos. os pés. A historiadora tem por suporte de informação a documentação proveniente da poesia épica. acrescido do uso de encantamentos. cujo nome acreditamos derivar da palavra medos. Demóstenes. a diferença está no tipo de ritual a ser praticado. o poeta coloca a protagonista como mulher de feroz caráter e hedionda natureza por usar de seus conhecimentos mágicos no uso das ervas. provém do poeta Eurípides com a tragédia Medéia. No período do processo de helenização promovida por Alexandre da Macedônia indicamos o escritor Th eocrito com a sua poesia Mágica na qual a protagonista Samanta executa rituais mágicos para trazer de volta o seu amado. realizada entre os atenienses no período clássico.cabeça de Litias. MULHERES E O SABER OCULTO O nosso conhecimento sobre as práticas da magia de fazer mal ao inimigo. como Madeleine Jost. seus socios e negocios Enterro/prendo Arista.. Magos e sacerdotes por vezes se confundem nas suas funções. consideram o domínio das ervas e raízes como atributo que pertence ao universo feminino devido à proximidade das mulheres na elaboração de alimentos. a saber: neta do deus Hélios. O interessante dessa documentação está no fato de apontarem as mulheres como as especialistas nas atividades mágicas. Eurípides nos apresenta a protagonista Medéia. clássica e helenística que coloca as mulheres míticas como Circe. a língua. Medéia pertence a uma linhagem de deuses e magos. sobrinha da feiticeira Circe e sacerdotisa de deusa Hécate . ou seja. pois ambos realizam rituais de contato dos homens com os deuses e seres sobrenaturais.. o ferreiro Para baixo e Pirrían o ferreiro E as atividades deles e as almas Deles e Sósias de Lámias E a atividade e a alma dele E Hegésia sempre e sempre E Hegésia a Beócia O mais interessante nesta história é que cinqüenta anos depois. de texto de oradores áticos como Andocides. . o corpo de Nicias.

em contraste com a ordem imposta dos céus pelos deuses olímpicos. entidades muito antigas ligadas à terra e habitantes do submundo associado à idéia de vingança e justiça. Conhecidas como hetairas. seus serviços mágicos a quem pudesse pagar. nesse caso. DEUSES OLÍMPICOS: Eram menos requisitados nas práticas mágicas por representarem as forças da ordem. tinha a função de carregar as almas para o mundo dos mortos. Os acusadores.O discurso dos oradores áticos apresenta fatos interessantes ao narrar os processos judiciais impetrados nos tribunais de Atenas. Mas se o falecido não tivesse uma moeda para pagá-lo esperava a carona por um século. charlatões. pois Platão deixa transparecer na obra A República a existência de homens que circulavam em Atenas. buscava-se a graça dos deuses através de pedidos e sacrifícios. o cão tricéfalo. Por meio da adoração. prejudicado pelo seu oponente que parecia usar da lei do mais forte para tornar inoperante a sua atividade e seus negócios. identificados como goetes. cuja tradução é companheiras. auxiliado por cérbero. as hetairai. que colocavam à disposição. TEMPLO: (adoração) A forma oficial de religião da Grécia antiga. de forma preventiva. foram acusadas de impiedade pelo fato de receitarem infusões. CARONTE: O barqueiro tinha a função de levar as almas para o mundo dos mortos. além de poções para atrair o amado. eram homens. seus clientes que foram vítimas de algum erro na dosagem. por um alto preço. O Oriente. cobiçadas mulheres estrangeiras que atuavam como sacerdotisas de cultos a divindades estrangeiras e prestavam serviços sexuais de alto preço aos cidadãos de recursos em Atenas. adversários e concorrentes. por tradição. Os mundos da feitiçaria A Grécia ficou conhecida como berço da razão e da cultura ocidental. em geral. o que acarretou em danos à saúde de alguns como a impotência sexual e deve ter causado a morte de outros. cujas vitimas geralmente eram as belas e jovens cortesãs. HADES: O chefão do submundo aparecia em muitas inscrições de maldição. INJUSTIÇADOS E CHARLATÕES Entretanto não podemos afirmar serem as mulheres estrangeiras as únicas detentoras dos conhecimentos mágicos de fazer mal ao inimigo. . abrigava as forças desconhecidas e era lar dos conhecimentos ocultos. Os deuses evocados pelos rituais mágicos eram em geral Ctônicos. Estes consistiam em evocar e persuadir os deuses e seres sobrenaturais a atenderem as solicitações dos interessados em prejudicar seus inimigos. Mulheres como Frinea da região de Th espis. o solicitante fazia uso da magia para trazer o prejuízo ao inimigo e assegurar a sua vitória sobre o adversário. Além de ser mensageiro. Por essa característica limiar era o mais evocado nos defixiones. HERMES: Podia entrar e sair do submundo sem impedimentos. Mas os vestígios deixados pela magia nos mostram os bastidores desse mundo injusto permeado pelo desejo de vingança. ódio e rancor tinha diante de si duas situações para recorrer às práticas mágicas ilegais: de um lado podia sentir-se lesado. Th eoris de Lemnos configuram-se como profundas conhecedoras da arte da magia para fazer mal ao inimigo e do preparo de poções amorosas. Uma outra situação que envolvia o solicitante e usuário da magia estava no fato de ele ser acometido pelo sentimento de inveja chamada de phtonos e despeito diante da sua incapacidade de sucesso e decide de forma ofensiva impor a ruína aos adversários através de práticas mágicas. Nino. banhos de ervas e ungüentos contraceptivos. Todo aquele cidadão de Atenas envolvido numa situação de desordem pessoal e movido por um acentuado sentimento de raiva.

fixar embaixo junto ao mundo dos mortos. sucesso e algum retorno financeiro. enterrar. Hades. O uso das lâminas de lâminas é Caronte que nunca é chumbo para prejudicar o inimigo resistiram às mudanças mencionado. DAIMEONS (demônios): Os espíritos menores levavam os pedidos dos mortais aos deuses do subterrâneo e às vezes cumpriam. em poços d`água e nos leitos de rios em Atenas. que tinha por objetivo demonstrar toda a sua capacidade de realização. imobilizar alguém embaixo da terra. ultrapassou o período de crise da forma de governo democrático com as investidas da realeza de Alexandre da Macedônia e a subordinação ao Império Romano. "Não procure GANHOS INJUSTOS. eles mesmos. MEDÉIA: A personagem mitológica simbolizava o poder irracional intrínseco ao Oriente e às mulheres. Eram voltadas para fazer mal aos indivíduos. Possuía um caráter múltiplo e agia no mar. era muito procurada por seu poder tendo se tornado a entidade preferida da magia negra. Perséfones. principalmente aprisionando-os e imobilizando-os na Terra. cabia ao solicitante buscar o conhecimento de um especialista. mesmo sabendo dos riscos. V a. respeito. o magus acreditava adquirir mais poder diante da possibilidade de ter a sua disposição e ordem as almas de indivíduos que seriam mortos antes do tempo determinado pelas Moiras/Parcas/Destino. HÉCATE: Deusa três em um. nos santuários. O termo tece aproximações no sentido de afundar. Os Trabalhos & os Dias . de contexto sociocultural de Atenas como a consolidação do regime democrático.C.C. eles são EQUIVALENTES AO DESASTRE. As duas palavras nomeiam as finas lâminas de chumbo que e têm o epíteto de ctônios cuja função é deter e manter no mundo dos mortos os circularam no universo do Mediterrâneo grego e romano inimigos. na terra e no céu. como katadesmos ou defixiones. Entretanto. cujas escavações estão sob a responsabilidade do Instituto Alemão de Arqueologia. atravessado pelo rio Eridanos. nas Leis. Várias lâminas de chumbo foram encontradas em cemitérios. CARTA PARA O ALÉM Os deuses evocados nas lâminas são Hecate. A partir do momento em que decide agir. o German Archaeological Institute in Athenas. A incidência maior e mais documentada é o Cemitério do Kerameikos. Todos pertencem ao mundo subterrâneo ou seja. prender. o magus-feiticeiro. a tarefa. PERSÉFONE: A rainha dos mortos era tão poderosa que mesmo pronunciar seu nome podia trazer desgraça. que contrastava com o racionalismo do homem grego. em Atenas. LÂMINAS DO SUBTERRÂNEO A magia para fazer mal ao inimigo foi identificada por Platão." Hesíodo. ao atender o desejo de levar à morte um inimigo do solicitante. Hermes. ocultar e tem como equivalente no latim a palavra defixio. até o VI d. Cérberos. A única divindade ausente nas do séc. Seus conhecimentos ritualísticos e astrológicos transformaram o nome em sinônimo de feiticeiro. O nome deriva do verbo katadeo que significa amarrar. MAGOS: Foram uma importante casta sacerdotal no império persa. pois o sucesso na empreitada significava prestigio.DEFIXIONES: (magia) Essas práticas buscavam uma intervenção na realidade.

Para ter acesso à inscrição na superfície da lâmina é necessária a aplicação de um tratamento químico visando à remoção dos resíduos e muito cuidado ao desenrolar o frágil artefato que. o Núcleo de Estudos da Antiguidade/UERJ detém as cópias de 250 lâminas em processo de tradução para uma futura publicação. Estes locais de assentamento foram escolhidos devido ao contato direto com o mundo dos seres e das potências subterrâneas. Os arqueólogos alemães e ingleses identificam o total de 2500 lâminas de chumbo com maldições espalhadas por diferentes museus públicos e coleções privadas da Europa. que vem do verbo pernanai vender . Os arqueólogos destacam as dificuldades de manuseio das lâminas de chumbo pelo fato de a grande maioria ter sido encontrada enrolada e depositada em locais úmidos como sepulturas. como unhas e cabelos da vítima amaldiçoada As inscrições presentes na superfície das lâminas são conhecidas desde o século XIX. leito de rios e poços de água. apenas 600 foram identificadas e catalogadas. Deste total. As publicações com as últimas descobertas estão no livro de D.As lâminas de chumbo identificadas também como tabletes de imprecação apontam para uma diversidade de modelos de fórmulas mágicas inscritas nas superfícies dos defixione. conhecidas como cortesãs. ambos ainda não traduzidos para o português. . Jimeno em 1999. contra adversários de disputas atléticas e solicitação para eliminar um rival envolvido em triângulo amoroso.R. A magia de fazer mal ao inimigo manteve o ato de enterrar objetos nos túmulos. PORNOGRÁFICAS Em Atenas havia duas categorias de mulheres destinadas a satisfazer o desejo sexual em troca de pagamento: a porné.Jordan em 1985 e Maria A. imprecações contra atividades comerciais. começaram com o filólogo Albrecht Dieterich que lançou a idéia de reunir todos os papiros com as maldições.e a hetaira. Estas eram freqüentemente acusadas de feitiçaria por serem conhecedoras de poções e ervas secretas. No Brasil. porém o trabalho só foi concluído pelo seu aluno Richard Wünsch. tais como maldições contra testemunhos de processos judiciais.

manteve. Pesquisadores do século XVIII . Cuba. Hermes. O APRENDIZ DE FEITICEIRO A lâmina de chumbo identificada como praga contra processo judicial do IV séc. A magia de fazer mal ao inimigo através das finas lâminas de chumbo. As inscrições nas lâminas de magia uma superstição.. desacreditando o alternados indo da esquerda para a direita. O usuário da magia e o magus/feiticeiro colocam o nome do acusador e mencionam os sinégoros que seriam as pessoas que receberam algum recurso financeiro para auxiliarem Kalistratos na disputa. assim como os vestígios arqueológicos de rituais de sacrifícios. letra ficava voltada para o lado contrário. a. como Emile Durkheim. e as divindades teriam atributos semelhantes tais como Hermes/ Exú. entendidos como despachos realizados nas encruzilhadas e nos cemitérios. em Atenas era uma profissão de risco e um dos prérequisitos era saber ler e EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO O antropólogo inglês Sir James Frazer no livro Ramo de Ouro afirmava ser a escrever. Hécate e Cérbero como forma de manter a vítima presa no mundo dos mortos.. O solicitante e inimigo de Kalistratos tem por objetivo garantir sua própria vitória e impedir o sucesso do pleito levado ao tribunal. Fica evidente que ser feiticeiro no V século a. de inventário n° 14470 do Museu Nacional de Atenas. A prática nos remete à possibilidade de comparação da magia dos gregos com o Candomblé da Bahia. a ao ato de arar o campo em sulcos religião comportava a etapa seguinte. está transpassado por um prego denominado de passalos.por vezes. como figuras humanas feitas de chumbo junto a pedaços de vestuário. cuja inscrição diz " enterro Kalistratos e os sinégoros dele. vestígio de religião muito antiga. a exigência de paralisar os pés e as mãos tinha por objetivo impedir a vítima de chegar até o tribunal e impedir a sua capacidade de escrever ou pegar o discurso a ser proferido diante do júri a seu favor.C. o solicitante coloca grafado na lâmina as partes do corpo do inimigo: a língua visava impedir o acusador de usar da palavra de acusação ou defesa diante dos jurados. chumbo apresentam diferentes maneiras Outros defendiam ser uma forma degenerada da religião de usar a escrita que podia ser do tipo cívica dos atenienses. mas deixam transparecer qual o prejuízo que se desejava ao inimigo.C. a todos enterro" nos indica que o cidadão Kalistratos estava movendo um processo no tribunal contra alguém. Hécate/Pomba-Gira e Hades/Zé Pilintra. Em relação aos seres sobrenaturais. A vítima reage fazendo uso de meio extralegal da magia como um recurso que o auxilie e garanta a sua vitória.. Outros artefatos de chumbo que caracterizam ter um envolvimento jurídico evidenciam que junto ao nome da vítima. o nome do oponente estava endereçado a divindades como Persefones. . consideram que a magia integravam boustrofondo. se superarmos os preconceitos.se através dos tempos. Caribe com as suas práticas de rituais vodu. podemos estabelecer mais similitudes do que diferenças.. As inscrições nas lâminas não permitem a identificação do autor da maldição. pensamento mágico e preparando o espaço para a razão e retornando em direção oposta quando a o pensamento científico da modernidade. permanecendo como características o ato de enterrar objetos nos túmulos. unhas. Às vezes o nome do inimigo estava escrito com letras inversas visando atrasar sua vida. cabelos da vítima a ser amaldiçoada. procedimento muito próximo um processo evolutivo do qual seria o primeiro estágio.

CÂNDIDO. *Complemento da redação. Feitiçaria na Atenas Clássica. um morto vivo. Referências: OGDEN. mito e magia.br Programa de Pós-Graduação em História da UERJ e UFRJ.com.. D. *MARIA REGINA CANDIDO é professora adjunta de História Antiga/UERJ.www. http://portalcienciaevida. 2005. NEA/UERJ.havia o retrógrado que se refere ao ato de escrever de cima para baixo e a opistográfica na qual se escrevia no lado da frente e no anverso da lâmina de chumbo.br/ESLH/Edicoes/3/artigo65953-3. Edit. G. Editora Madras. Edit Letra Capital.uol. que teme perder algo de valor. Foram encontradas inscrições nas lâminas contra as atividades e ofícios no qual o solicitante ora exige que a maldição atinja a residência e destrua a família do adversário ora pede aos seres sobrenaturais que deixem a vítima inerte. coordenadora do NEA . Não podemos esquecer que o praticante da magia dos defixiones é alguém se sentindo ameaçado. agindo como um ser sem vida. M. ____________. 2007.uerj. R. Bruxaria e Magia na Europa: Grécia e Roma. independente de preceitos éticos e da lei que rege a comunidade à qual pertence. Tal imobilidade fatalmente traria a ruína aos seus negócios.nea. 2004. Medéia.asp . LUCK. Como solução busca forças alternativas no poder da magia para fazer valer o que considera seu por direito.