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Projeto, Construção, Instalação e Reforma de Laboratórios

Novembro 2008

Arqto. Sérgio Henri Stauffenegger Arqto José Carlos Leite Quim. Gonzalo Moreira Monardes

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Índice
1. A realidade atual do laboratório 2. Oportunidade de projetar 3. Gestão de Projeto 4. Conceitos de “lay-out” 5. Planejamento do laboratório 6. Informações complementares 7. Projeto de “lay-out” (móveis, utilidades e equipamentos) 8. Projeto Arquitetônico 9. Projeto elétrico/ Iluminação 10. Projeto hidráulico / Utilidades 11. Projeto de Exaustão e Ventilação 12. Projeto de condicionamento de ar 13. Projeto de segurança 14. Ergonomia 15. Capelas de Exaustão 16. Automação 17. Compatibilização entre as áreas técnicas 18. Salas Limpas 19. Guia de Renovação de Laboratório 20. Bibliografia 21. ANEXO I – Considerações sobre Climatização de Laboratórios 22. ANEXO II – Regulatory and Industry Consensus Standards 03 04 04 07 08 09 10 15 19 20 21 23 24 28 31 37 37 38 41 54 55 63

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1. A realidade atual do laboratório Conceitos antigos e conceitos atuais
Continuamente temos presenciado uma verdadeira avalanche de mudanças que diretamente têm impactado o curso normal das economias mundiais. Na verdade as mudanças sempre existiram, porém, hoje elas são constantes e a velocidade em que elas ocorrem é cada vez mais rápida. A atual regra dos negócios é estarmos preparados para competir com competência e qualidade, mesmo porque o passado não mais vai se repetir. O sucesso de ontem já não garante mais o sucesso de hoje e conseqüentemente não sustentará o sucesso de amanhã. Até alguns anos atrás, poucos laboratórios eram planejados e implantados dentro da estrutura funcional prioritária da empresa. Muitas vezes a empresa instalava-se sem laboratório algum, e só após algum tempo é que se dava conta da necessidade deste e em alguns casos da possibilidade financeira de instalá-lo. Resultavam situações em que este laboratório era então instalado em uma área já existente como um antigo almoxarifado, uma ala de escritório desativada, etc., áreas que deviam, antes de tudo, serem adaptadas pois não atendiam às necessidades destes laboratórios. Com o passar do tempo, o laboratório passou a ganhar destaque dentro das empresas até os dias atuais, em que qualidade, produtividade e redução de custo passam a ser determinantes nas atividades empresariais, surgindo o laboratório como ferramenta indispensável na obtenção desses quesitos. Assim, como o laboratório passa a ser ferramenta de trabalho do nível decisório da empresa, seus projetos deixam de ser obra de diletantismo para ser diretriz de investimento e devidamente qualificados poderão produzir ou prestar serviços com qualidade. A diferença principal do enfoque é que o laboratório deixa de ser centro de “despesas” para ser centro de benefícios, pois além de reduzir ou otimizar custos de processo, ou permitir utilização de matérias-primas alternativas, este passa a ser o detentor da informação sobre a qualidade do produto, o que é fundamental no mundo atual. Vivemos num mercado espantosamente dinâmico, instável, desafiador e ao mesmo tempo evolutivo. Correrá sérios riscos quem decidir ficar esperando para ver o que acontece, cada tempo de espera é um tempo perdido.

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A má gestão é um convite ao fracasso da empresa. Empresas. Uma gestão bem feita aumenta as 4 . qual é a importância de entendermos melhor o que é um projeto e a melhor forma de geri-los ? Todas as atividades empresariais dependem de projetos e uma das razões pelas quais o Brasil ainda não é um país desenvolvido deve-se à sua baixa capacidade de gerir projetos de forma eficaz. editado pelo Project Management Institute ( EUA). e alguma modernização / atualização (o “anterior” pode ser o laboratório velho da própria empresa. da empresa anterior. Aproveitar o momento para repensar o laboratório quanto aos seus paradigmas e lugares comuns. seguras. Redação provisória de lei. já começam a surgir instrumentos normativos a respeito do assunto. etc. 2. Se amadurecermos nessa questão. a maior promotora de Gestão de Projetos no mundo. afinal. Para fazer tudo isso. Os projetos viabilizam as mudanças nas empresas.2.” O PMBOK ( Project Management Body of Knowledge ). ´lancar para diante`. da universidade. etc. relacionar-se melhor com seus clientes etc. atualizar processos internos. 3. 3. Mas o que é exatamente um projeto? O dicionário Aurélio define a palavra da seguinte forma: “Projeto : [ do latim projectu. Mas. 4. tanto nas áreas governamental como na empresarial.) 2. Gestão de Projeto A Gestão de Projetos é um assunto no qual as empresas estão cada vez mais interessadas visto que o ambiente de negócios está cada vez mais competitivo e. é necessário um projeto. lançar campanhas de marketing inovadoras. particípio passado de projicere. 1. No Brasil. com revisão dimensional. desígnio. intento. desde que sejam bem geridas. Oportunidade de projetar Sempre que há necessidade ou a oportunidade de analisar a implantação ou reforma de um laboratório o profissional encontra-se entre dois extremos. define a palavra como sendo um esforço temporário realizado para criar um produto ou serviço único. quem quiser sobreviver precisa inovar: criar novos produtos. Plano. Repetir o anterior.] 1. construir fabricas mais modernas. Arquitetura : Plano geral de edificação. melhoraremos também o país. questionando a própria existência deste até os últimos detalhes. empreendimento.

Aquilo que está definido deve ser entregue. Integração: integra todas as partes que compõem o projeto. o que não está definido e que. RH: cuida da gestão das pessoas que executam o projeto. Escopo: faz gestão dos limites do projeto. armazena. Cada uma delas se preocupa com diferentes focos dentro do contexto de projetos: Tempo: define e controla prazos.chances de sucesso de execução dos projetos. Contratação e suprimentos: executa o processo da aquisição de produtos e contratação de serviços envolvidos. Qualidade: assegura que aquilo que deve ser entregue esteja dentro das especificações previstas. tenha surgido no meio do processo deve ser avaliado quanto à sua conveniência de inserção. Custos: controla a execução do projeto dentro dos parâmetros orçamentários previstos. Risco: faz identificação e gestão de riscos. 5 . Não é difícil enxergar a enorme aplicabilidade da gestão de projetos nos Projetos de laboratórios. de modo que fazer uma boa gestão de projetos implica em adotar uma metodologia que inclua todas essas áreas identificadas. minimiza seus riscos e custos. Comunicação: coleta. O PMBOK define nove áreas de conhecimento. porventura. processa e divulga as informações. de forma a manter todos os envolvidos informados sobre o andamento do mesmo.

antes que se torne um desastre irremediável. energia e alguns milhares ( ou milhões ) de reais. pois apenas um pequeno grupo se ocupa em conceber e planejar. fazendo uso do gráfico : Tempo No início temos baixo nível de atividades. ao final. monitorando continuamente aquilo que foi previsto com o que está sendo efetivamente realizado. c) Executar fechamentos parciais ao longo do projeto para obter o aceite gradual dos clientes. Temos que ter noção de que projetos podem e devem ser bem administrados e que não podem ser feitos com base na intuição.Podemos mostrar o ciclo de vida de um projeto de uma forma bastante simples. Na fase de execução temos um nível de atividades maior e. Com essa precauções podem evitar ouvir a famosa frase “não era isso bem que queríamos ” após Ter gasto tempo. Os principais pontos quanto ao uso de uma metodologia para gestão de projetos são as seguintes: a) Investir tempo e energia nas fases iniciais (concepção e planejamento) para obter uma execução e fechamento tranqüilos. b) Executar o projeto conforme o planejado. Dessa forma podemos corrigir os rumos do projeto em tempo hábil. o nível de atividades vai caindo até o completo fechamento do projeto. 6 .

Conceitos de “Lay-Out” Não existe uma solução universal para o projeto do laboratório. desta por automação e robótica. É importante que dentre as diversas opções se pese as vantagens e desvantagens decorrentes.4. portando-se nas mãos reagentes ou amostras. caso a caso. cujas redes. versatilidade e funcionalidade de manutenção sempre visualizando a qualidade. ao serem projetadas. 7 . A existência ou não de salas específicas para esta ou aquela atividade será resultado da análise. sendo necessário permitir ajustes e adaptações sem transtorno para o usuário ou para as análises em andamento. Deverá atentar também para o aspecto segurança. Atualmente as palavras chaves em um laboratório são flexibilidade. preocupando-se com a quantidade de vezes que determinada pessoa ou grupo de pessoas deverá acessar este ou aquele ambiente. do que se pretende que seja feito no laboratório. reagentes. Deve-se considerar a possibilidade de ampliações tanto do laboratório como de suas áreas de apoio. via de regra. Também. A substituição de práticas analíticas por instrumental. tipo e formas de análise. devem prever tal sorte de ampliações. etc. materiais analisados. também não havendo solução universal. Uma preocupação que se deve ter em mente é a versatilidade: hoje. algumas técnicas evoluem rapidamente. Cada caso deverá ser analisado. pessoal envolvido. considerando-se que os deslocamentos mencionados anteriormente ocorrem. verificando-se qual o seu objetivo. modernidade. impõe projetos flexíveis e adaptáveis às novas tecnologias. A opção por um tipo ou outro de arranjo deverá observar alguns aspectos como praticidade ou funcionalidade. é bom ter em conta que estas substituições de processos exigem utilidades. pensando-se em versatilidade.

Qual a forma de chegada das amostras? . recepção. considerando como lhe serão trazidas as amostras. Hoje.Lista de equipamentos (utilidades..Quais os reagentes utilizados? . dimensões. até porque. copa / refeitório.Duração do procedimento de análise? .5. Rotina de trabalho . biblioteca.Sistemas de controles manuais ou automatizados 3. central de gases. é necessário definir o programa básico. Algumas questões para melhorar nosso planejamento: 1. os organogramas físico e funcional (equipamentos e pessoas) e todas as áreas de apoio: reunião.Qual o volume de chegada de mostras? . A qualidade e a certificação da informação que nortearão a elaboração do projeto é fundamental ao seu sucesso. Em função disto. Isto poderá ou não implicar em cuidados especiais com vias de acesso. deve-se levar em conta aspectos que visam estabelecer como o laboratório vai se relacionar com os demais setores da empresa. evidenciando a qualidade garantida no produto. etc. Planeje sempre pensando em proporcionar a todos os setores as facilidades que privilegiam a otimização do trabalho e conseqüentemente suprir toda a área técnica de condições superiores para exercer suas atividades... entre outros.)? . é interessante que este passe a ocupar posição de destaque dentro do “site” e permita fácil acesso também ao público externo. com que freqüência e de que forma serão entregues. Material de consumo . sanitários.Que materiais de consumo são utilizados? . Para tanto. Amostra . o laboratório passa a ser também uma ferramenta de Marketing. É importante que se tenha em mente que esta área pode não ser isolada do restante da empresa e que se deve prever meios de acesso e comunicação com a mesma. muitas vezes seu contato com áreas produtivas deverá ser intenso e ágil. áreas de estacionamento.Quantidade de amostra por análise? Saída dos resultados? . secretaria. Físico/quimico/biolog)? 8 .Qual a freqüência de chegada das mostras? 2. de que tipo serão estas e quais os cuidados que deverão ser tomados entre seu ponto de obtenção até sua análise.Qual freqüência de solicitação de produtos ao almoxarifado? . Deverá também ser observado quais consumíveis serão necessários. Esta análise permitirá definir seu posicionamento ótimo.Existe almoxarifado local ou central? . Planejamento do laboratório Ao se planejar o laboratório. casa de máquinas.Existe possibilidade de contaminação entre áreas (Lab. sala para analistas.

hidráulico (utilidades) e definição do mobiliário. prevendo-se até se for o caso. Multinacionais em cujas matrizes são desenvolvidas as técnicas para serem. não apenas os equipamentos e instalações hoje necessários. Deverá estar sempre presente na mente do projetista a preocupação em prever. vestiários e áreas de lazer. A definição da lista de equipamentos é fundamental. deverá ser observado. Uma das classificações que poderemos adotar é separarmos os laboratórios em dois grandes grupos: a) Pesquisa e Desenvolvimento. poderão ser mais “rígidos” face ao fato de terem rotinas pré estabelecidas. É importante que tanto os usuários quanto os responsáveis pelo empreendimento percebam que esta dará origem aos projetos de ”Lay-Out”. é bastante importante pois importará na decisão dos revestimentos adequados para todo o projeto. 9 . quando e como serão emitidos os relatórios destas atividades.6. Não é difícil aceitar que os laboratórios tipo “a” deverão ter características distintas em função da necessidade de mudança de ”Lay-Out”. de condicionamento térmico. posteriormente. enquanto que os tipo “b”. Informações complementares Na confecção do projeto propriamente dito. bem como o seu nível hierárquico. b) Controle de Qualidade. já nesta fase. produtos distintos que serão manuseados ao passar do tempo. A quantidade de pessoas envolvidas. quais serão as rotinas de trabalho. A definição dos reagentes. Sendo que este segundo é o mais difundido em nosso país face inclusive a grande presença de Cias. qual será a finalidade deste. deve-se levar em conta os diversos aspectos do que será o dia-a-dia deste laboratório. refeitórios. elétrico. mas também as ampliações e modificações em infra-estrutura que poderão vir a ser necessárias. equipamentos variados ao longo do trabalho. transferidas para as suas filiais.

prevendo a freqüência de utilização. modulares. Podendo ser maior caso o volume de pessoas circulando seja acentuado. ( figura 1 e 2 ). equipamentos utilizados. 2. utilidades e Na definição do “lay-out”. 10 . instalações com canaletas para levar os pontos de carga. espaços para guarda de amostras a serem analisadas.1 As áreas de circulação de trabalho recomendamos que os espaços em torno de equipamentos devem ser dimensionados de forma a permitir a movimentação segura de materiais e pessoas. normalmente 1. alguns pontos básicos deverão ser observados. circulação. tais como: fluxograma do trabalho. como por exemplo: 1 – Utilização de bancadas móveis. Algumas pequenas dicas podem auxiliar a definir um arranjo funcional. Projeto de “lay-out” equipamentos) (móveis. 2 – Prever corredores suficientemente largos para que o analista possa passar com o material a ser utilizado sem chocar-se com outros.7. estruturas independentes com montagens descomplicadas. espaço para guarda de amostras de testemunho.50m é o ideal.

apontamos algumas dicas de distâncias ( em mm ) para evitarmos perturbações no laboratório. 7. utilize visores em divisórias. 5 – Dê transparência ao laboratório. 6 – Proteja a abertura de portas para que ela não venha a provocar acidentes. etc. explosões. Distância = 1000 mm Distância entre o frontal da capela e uma parede oposta. é conveniente evitar que alguém em circulação possa vir a sofrer o resultado destes. aonde for possível. tendem a ocorrer. Distância = 3000 mm 11 . a pessoa consegue orientarse quanto à direção da saída e não deve levar mais de 15 segundos para acessá-los.3 – Disponha as capelas longe das rotas de acesso e circulação. São nelas que os acidentes. paredes.Para evitar que correntes de ar produzidas pelas atividades do laboratório como alguns tipos de analises. portas. Distância = 2000 mm Entre duas capela opostas. portanto. coloque chuveiros de emergência e lava-olhos próximos a estas capelas ou na direção de saída pois mesmo sem enxergar. Distância entre o frontal da capela e uma circulação de pessoas por trás. circulação de pessoal ou utilização de outros sistemas de captação possam interferir no bom funcionamento da capela. 4 – Pelo mesmo motivo.

Distância = 300 mm Capela perpendicular a uma coluna lateral. Distância = 300 mm Porta situada em uma parede perpendicular a Capela Distância = 1500mm Porta situada numa parede paralela a Capela Distância = 1000mm 12 .Capela perpendicular a uma parede.

13 . 9 – Em razão do grande volume documental das empresas. por sua vez. mas também para as pessoas e as áreas de trabalho. Essa lista dará origem à área necessária de bancadas e capelas que. 10 – Na dúvida. 8 – Certifique-se de que há lugar suficiente. É primordial que nesta fase já se disponha de uma lista dos equipamentos que serão utilizados. os arquivos deslizantes passam a fazer parte da cultura das organizações.7 – Verifique o quanto o analista deverá circular para cumprir as tarefas definidas. mesmo aqueles cuja compra só venha a ser executada no futuro. não apenas para o equipamento. definirá o espaço necessário no projeto arquitetônico. opte pela segurança.

4. favor informar a quantidade necessária. ______controle umidade PI / PA /B Água Esgoto GLP Ar Comp.Projetos CLIENTE LABORATÓRIO LOCAL DA OBRA AMBIENTE CLIMATIZADO ( ) não ( ) sim NOME EQUIPAMENTO DIMENSÕES COMP. (Pureza ) CO2 Gases Esp. 3.LISTA DE EQUIPAMENTOS VIDY . 5. 14 .Na coluna água indicar se é fria (F) ou quente (Q).Para equipamentos que necessitem mais de uma tomada. informar temperatura. ALT. parede (PA) e de bancada (B).Na coluna de esgoto.º 1. caso seja quente favor informar Temp º C. Exaustão N. No caso de ser quente.Informar (em folha anexa) todas os reagentes e produtos químicos que serão utilizados em cada laboratório b) Quais serão: de piso (PI). Tensão Potência (V) (W) VL/VP FOLHA temp.Para todos os equipamentos indicar: a) Todas as utilidades necessárias 2. LARG.

vias de acesso e circulação. Sobre este valor devemos incluir projeções de crescimento e mais ~15% para circulação. definir cada uma das “micro-estruturas”. como por exemplo. áreas necessárias para tais atividades. substâncias inflamáveis e/ou corrosivos. As informações “micro” são as listas de equipamentos. esta área poderá ser reduzida ou aumentada. preocupação com contaminação. guarda de amostras. fruto do 15 . processos. Projeto Arquitetônico Pré-Dimensionamento Cada profissional de projeto desenvolve sua própria forma de pré-dimensionamento para uma obra.15 (x) 9. bastante elevado. rotas de fuga. O projeto arquitetônico do laboratório leva em conta aspectos idênticos a qualquer outra edificação: atividade desenvolvida. paredes. ou seja. áreas de apoio. ou setores definidos no organograma e obtidas dos fluxogramas das análises / amostras.8.0 (x) ~20m2 Obtendo-se as áreas de cada setor teremos o total (útil) necessário.89 2. A diferença principal é que nos laboratórios o nível de detalhes a se levar em conta deverá ser bem maior do que em edificações comuns. utilidades. que o processo mais seguro é o pré-dimensional de “dentro para fora”. Dependendo do partido arquitetônico e das soluções de ”Lay-Out”. Sabemos. etc. etc Outra peculiaridade do projeto arquitetônico para laboratório é que o nível de interferências entre as diversas modalidades é via de regra. ordená-las e obter o “macro”. A certificação desta estimativa só ocorre com a elaboração do projeto. por atividades. ventos predominantes. Exemplo: Pré-dimensionar uma área de lavagem: Necessidades: 02 pias 01 estufa secagem 01 autoclave 01 lavadora de vidrarias 01 destilador Área de manipulação Área de secagem 01 carrinho Comprimento (L) Espaço livre Total (Fator experimental) Área total necessária LxP 90 x 70cm 70 x 60cm 60 x 60cm 75 x 65cm ø 50cm 200 100 125 (piso) 860cm 1. no entanto. central de gases.

c ) Teto: Avalie a necessidade (ou não) de forro com relação. aspectos estes totalmente incompatíveis com um laboratório. elétrica dentre outras presentes neste tipo de projeto. Garanta que o piso possa ser limpo e que esta limpeza não comprometa o piso ou o material de rejuntamento ( se houver ). d) Janelas: Deverão ser previstas sempre que possível e em posições que evitem a incidência direta do sol ou com brises ou outro tipo de barreira externa. Garanta que ele seja o mais anti-derrapante possível. de maneira idêntica ao que foi feito com o piso. Algumas vezes o custo da reforma se compara ao da construção nova. a acústica. poeira. insuflamento. acrescida dos inconvenientes gerados por paralisações. Evite a colocação de cortinas ou persianas. Considere a relação custo / benefício entre paredes de alvenaria e divisórias moduladas que dão muito mais flexibilidade no “Lay-Out”. Caso isto não seja possível. se analise de maneira bastante imparcial as opções entre construção. onde possível. Garanta a sua manutenção e substituição eventual. 16 . ar condicionado. o pé direito. b) Paredes Avalie os tipo de materiais e serviços. acidentes operacionais. a passagem de tubulação. utilize cores claras e neutras. alguns cuidados ou preocupações devem ser tomados. não instale sistemas com tecido ou outros materiais inflamáveis. luminárias e grelhas. reforma ou adaptação.alto número de redes distintas. Considere. o acabamento e cor. barulho. Garanta que ele aceite reparos. Não utilize material brilhante e sempre que possível. das áreas necessárias. Sempre que possível. sistemas de exaustão. Utilize material lavável e que evite incrustações. a estática. reduza o número de juntas. Na definição dos materiais construtivos. a instalação de visores entre as salas. É muito importante que uma vez definido o ”Lay-Out”. Vejamos alguns: a) Piso: Avalie os tipo de materiais e serviços que serão realizados no setor de modo que eles não sejam incompatíveis com o piso.

manchas. Vinílicos. supermercados e Laboratórios PEI= Porcelain Enamel Institute PEI . Difícil limpeza. Cerâmica (Comercial) As cerâmicas nacionais estão normalizadas quanto à resistência conforme tabela a seguir: USO Tráfego leve 1 Banheiros e dormitórios residenciais Tráfego médio 2 Interiores residenciais de menor tráfego Tráfego médio – intenso 3 Corredores. 05.Use tamanhos grandes para reduzir juntas. Borracha Pastilhada em placas: Não recomendável. Excesso de juntas e irregularidades. custo médio. lavável. Azulejos / Cerâmicas: Uso restrito a ambientes com muita umidade e temperatura.CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUNS REVESTIMENTOS: Paredes: 01. Cerâmica (Industrial) Tipo Gail: Excelente resistência. fácil substituição. lavável. média resistência. Recomendável apenas em áreas de agressividade intensa. Poliuretano / Borracha Clorada: Boa resistência. 05. As juntas devem ter espessura entre 4 e 6 mm. aplicação especializada. Promova testes com os produtos químicos que podem ser manipulados no laboratório antes da escolha. 02. Não use placas polidas. entradas e cozinhas residenciais Tráfego intenso 4 Lanchonetes. Pisos: 01. custo baixo (nacionais) e alto (importados). 06. Ponto fraco: Juntas. Somente em área com muita movimentação de material. pois há grande diferença de resistência química entre os diversos tipos oferecidos no mercado. substituível. 03. Epoxy. aeroportos.Base mineral e cimento: (aplicados com juntas plásticas) 17 . em placas ou mantas: Baixa a média resistência. 04.Não é recomendável o uso de cerâmica em área com controle de assepsia. pouca durabilidade. Custo alto. Laminado ( Formica ): Boa resistência. hospitais. 02. Porcelanatos: Pisos em placas com grande resistência mecânica e dimensional. permitindo juntas finas. Látex PVA: Não recomendável. custo alto.. 03. 04. Piso Monolíticos: a) . O rejuntamento pode ser normal ( cimento + pigmento) ou anti-ácido. pois são muito lisas. hotéis e escritórios Tráfego superior intenso 5 Áreas industriais. lojas escolas. Látex Acrílico: Revestimento econômico.

etc. fácil remoção. Os fabricantes têm desenvolvido produtos para os mais diversos tipos de uso e agressividade. alguns podem reter poeira. 2. boa durabilidade. Ponto fraco de alguns tipos para uso em laboratório é a impossibilidade de reparos/ correções. com isolamento acústico. Forros: 1. Alumínio: Em réguas. Gesso . monolítico. em placas. Alguns tipos são de fácil remoção. b) .em placas (removíveis) ou liso. Nota: Evite materiais combustíveis Evite tubulações de riscos dentro do forro Se possível evite o forro 18 . Cuidado com as trincas.Normal tipo granilite / granitina ( não recomendável) Alta resistência tipo Korodur. PVC – em placas (removíveis) e réguas (fixo). modulados. 3. outros não devem ser removidos. 4.. pois amassam e perdem o alinhamento. Fibras e compostos: Em placas. com ventilação natural. tipo colméia.Resinado Autonivelante Os pisos monolíticos em geral são de boa resistência e durabilidade.

aparente ou embutida tanto para tomadas como para a iluminação. derivadas do painel central. Um laboratório normalmente é projetado para ter vida útil de 15 anos. podem causar doenças ocupacionais como fadiga visual se o projeto for mal dimensionado. podendo ser aérea ou enterrada. contemple a localização dos painéis. encaminhamento das redes. dados/ informática. para as diversas tensões impossibilitando que se ligue um aparelho 110 V em uma tomada 220 V e identificação dos circuitos no quadro elétrico. contrastes excessivos ou reflexos em monitores. som). Caixas de disjuntores localizadas junto às bancadas. Outra consideração interessante é quando devemos prever instalações a prova de explosão. . Isto será bastante útil na definição do tipo de distribuição. É importante que se evite sistema com incidência de focos de luz sobre áreas de trabalho. É importante que o projeto elétrico do laboratório. Às vezes é possível reduzir o tamanho de uma instalação à prova de explosão ou até. O nível de iluminação recomendado está entre 500 e 1000 lux convenientemente adequados à necessidade da atividade a ser desenvolvida conforme pela norma ABNT NBR 5413. É importante que seja previsto locais de fácil acesso para desativar os circuitos sem interromper a alimentação de todo o laboratório. estético e custo elevado. embora não pareçam relacionados a segurança do ambiente. memoriais descritivos e quantitativos. 19 . ABNT NBR 5418 e ABNT NBR 5419. Juntamente com o projeto elétrico deve-se definir os projetos de comunicação (fone. Devem ser atendidas a norma regulamentadora 10 ( NR 10 ) e as normas ABNT NBR 5410. Utilize tomadas padronizadas e diferenciadas facilmente identificadas. O projeto elétrico será baseado no levantamento ou lista de equipamentos. Considere a necessidade do sistema de iluminação de emergência ligado a circuito de emergência ou luminárias independentes de acordo com a NBR 10898 NB 652 sistema de iluminação de emergência. se alterar alguma análise para evitá-la. bem como especificações dos componentes e aterramento dos circuitos da iluminação e força. prevendo expansões e futuras instalações. Nunca esquecendo o aspecto técnico. As tomadas deverão ser construídas e instaladas de tal maneira que um derramamento de líquido não venha a provocar um curto-circuito.9. são bastante úteis para este fim. que poderá obedecer a diversos princípios. Projeto elétrico/ Iluminação Ao se realizar o projeto elétrico deve-se ter em conta os padrões e os conceitos existentes. ABNT NBR 5413. Tenha isso em mente ao definir a carga elétrica. Verifique também a necessidade (ou não) de sistemas de alimentação de emergência “No Break ”. que é o primeiro passo na elaboração do projeto do laboratório.

Precisa-se também observar a temperatura do esgoto pois freqüentemente existe nos laboratórios equipamentos cuja descarga pode chegar a 100ºC ou mais. Isto permitirá maior flexibilidade na hora de um remanejamento ou ampliação. É interessante prever-se caixas de inspeção para futuros serviços de desobstrução da rede. Materiais normalmente utilizados: Água: PVC/ PP/ Aço Carbono galvanizado/ Cobre Ar e GLP: Aço Carbono/ Inox/ Cobre Efluente: PVC/ PP/ PRFV / Ferro Fundido (cuidado com as juntas). Sempre que possível a instalação deverá ser aérea e aparente. Não só requer cuidados especiais na limpeza e manuseio da tubulação como tipos especiais de solda e conexões quando da instalação. Avalie a compatibilidade dos fluidos com os materiais utilizados nas tubulações. 20 . Projeto hidráulico / Utilidades A instalação hidráulica. Gases especiais: inox / cobre. Existe ainda a possibilidade da necessidade dos dejetos serem coletados para incineração em outra unidade da própria empresa ou ainda por empresa cadastrada nos órgãos competentes. principalmente em refinarias e fins). há necessidade de trata-lo e lança-lo na rede publica. O esgoto. Além das preocupações normais com o projeto hidráulico deve-se prever as redes de gases especiais em função da pureza requerida. a exemplo da instalação elétrica. Via de regra. Quando esta não existir. merece maior cuidado do que as instalações residenciais pois muitas vezes recebe resíduos sólidos em grande quantidade. via de regra. a solução adotada se aproxima mais de uma instalação industrial do que uma predial. utiliza os mesmos conceitos para o dimensionamento.11. Por vezes o laboratório será dotado de três sistemas de coleta de esgoto: sanitário. assim como produtos por vezes bastante agressivos. A previsão de válvula de bloqueio é bastante importante para que se possa efetuar manutenção ou modificação em uma dada bancada ou capela sem se interromper a atividade do resto do laboratório. químico ( ácido ou básico) e oleoso ( óleos e solventes. Os efluentes são na maioria das vezes simplesmente coletados e/ou enviados para a estação de tratamento de efluentes do “site”.

Considere-se que a vazão de uma capela gira ao redor de 40m3/min. A velocidade recomendada dentro dos dutos é de 9 a 11 m/s. Nos casos em que isto for absolutamente impossível devem ser analisados aspectos como mistura. É bastante freqüente observarmos os ditos “curtos-circuitos”. Projeto de Exaustão e Ventilação Os sistemas de exaustão normalmente representam um problema quando não considerados no projeto do prédio. se for o caso. a instalação de lavador (es) de gases. Os sistemas de exaustão poderão tornar-se fontes de ruídos se não forem observados detalhes como velocidade dentro dos dutos. Os sistemas de exaustão recomendados são os individuais por capela ou coifa. de acordo com seu tamanho e utilização. Caso isto não seja levado em conta no cálculo da vazão de ar condicionado. com estágios e circuito fechado (normalmente de médio e grande porte).4 a 0. As capelas têm por finalidades retirar do ambiente do laboratório gases tóxicos e/ou corrosivos. 21 . Existem lavadores de baixa eficiência.12.7m/s. em função de uma velocidade facial que poderá ser de 0. De nada valerá retirar esses gases do laboratório e joga-los próximos a uma boca de captação de ar ou área de escritório. Isto definirá a dimensão dos dutos. Considere. além do custo operacional. e os tipos rotor-spray (de porte pequeno e médio) com circuito fechado para neutralização. Outra preocupação que se deve ter é quanto ao posicionamento dos pontos de descargas e tomada de ar de insuflamento e ar condicionado. A definição quanto a lavagem dos gases retirados é função dos limites de emissão impostos pela legislação local. Todos os aspectos de ventilação e exaustão devem estar claramente definidos já na fase de dimensionamento e concepção arquitetônicos a fim de evitar “desastres” estéticos ou comprometer a manutenção. manutenção e vulnerabilidade. desenhos de equipamentos e pontos de captação e descargas. a capela ou o conjunto desta inviabilizará o funcionamento adequado do ar condicionado. que são “caixas de passagens” com sistema de aspersão em circuito aberto e lavadores de alta eficiência. em função da vazão requerida pela capela que será definida de acordo com sua classificação. Estes podem ser divididos em dois grupos: os de fluxos verticais.

TROCAS DE AR PARA VENTILAÇÃO DO AMBIENTE Tipo de sala ou ocupação trocas de ar p/hora minutos / troca Baixa Alta Lenta Rápid a Auditório e salas de reuniões 4 30 15 2 Padarias e confeitarias Salas de máquinas e caldeiras Corredores e halls de espera Docerias Fundições (ferrosos) Fundições (não-ferroso) Garagem e estacionamentos Oficinas mecânicas Hospitais em geral Cozinhas comerciais Laboratórios Lavanderia (passagem de roupa c/ tábuas a vapor) Armazéns Pequenas oficinas Escritórios Restaurante e lanchonetes Residência Lojas Salas de fumar Banheiros e lavabos Salas de esperas Bares (fechados) Lojas de ferragens 10 4 1 5 4 6 3 6 2 10 6 10 2 3 2 4 1 6 10 10 3 3 1 60 60 10 30 30 60 20 30 15 60 30 120 15 20 30 30 6 20 60 30 10 10 6 6 15 60 12 15 10 20 10 30 6 10 6 30 20 30 15 60 10 6 6 20 20 60 1 1 6 2 2 1 3 2 4 1 2 0.5 4 3 2 2 10 3 1 2 6 6 10 [Patty. 2º. Interscience Publishers. Edição. F..1967] 22 . Industrial Hygiene and Toxicology.

chapas aquecedores. o captam no exterior do prédio. O projeto de um sistema de controle ambiental para laboratórios se inicia a partir do conhecimento e descrição das atividades desenvolvidas no laboratório. incubadoras. o ar é levado para uma segunda filtragem. h Leve em conta a dissipação térmica de diversos equipamentos como estufas. horário de funcionamento. para purificação até os níveis estabelecidos pelas atividades do laboratório. por recalque. por sucção. tóxicos e corrosivos.13. tornando-os mais fechados e selados para minimizar perdas através das trocas de ar internas e externas. h Numero de ocupantes. h Verificar a necessidade de existência de salas limpas e quais os níveis requeridos. para corrigir os níveis de temperatura e umidade relativa em que o ar deve ser lançado no ambiente. Quando necessário. que retiram o ar de ambiente conduzindo-o. h As atividades que provoquem a liberação de gases. por meio de dutos. a carga térmica total calculada resulta sempre muito elevada. O ciclo funciona basicamente a partir da captação do ar exterior. dada a usual exigência de se utilizar renovação total do ar nos ambientes. coifas e outros sistemas de exaustão. porém as instalações de climatização devem garantir a obtenção de condições ambientais adequadas às atividades nele desenvolvidas. Portanto devem ser fornecidas ao projetista informações sobre: h Leve em conta a vazão das capelas. por meios de redes de dutos. As instalações de controle de ar para laboratórios normalmente se definem pela conjunção do funcionamento de um sistema de condicionamento de ar e de um sistema de exaustão mecânica. 23 . muflas. pelo contato com a superfície fria dos dutos e aletas. é lançado para os ambientes dos laboratórios. nas condições características de cada local da instalação. A escolha do tipo de sistema de condicionamento de ar mais adequado ao laboratório se faz a partir do porte da capacidade térmica exigida e das características desta carga. O ciclo se completa pela ação de exaustores. O ar é movimentado a custa do trabalho dos ventiladores que. de novo até o exterior. o ar deve passar em seguida por baterias de reaquecimento a seco e de reumidificação. perdem calor e umidade. h Verificar a necessidade de diferenciais de pressão e temperatura entre os setores. mais eficiente. filtragem de ar de insuflamento e / ou retorno. e similares. h As exigências do grau de filtragem do ar. o ar atravessa serpentinas de resfriamento e desumidificação onde. Uma vez limpo. Projeto de condicionamento de ar A industrialização e a necessidade de eficiência energética têm influenciado o projeto e a construção de laboratórios. Após a passagem por uma estação de prefiltragem composta de filtros grossos para retenção das partículas maiores.

h Considerar o peso dos equipamentos no calculo estrutural. voltadas para área limpa da industria e para direção do vento predominante. isolamento propriamente dito. tais como marquises. Recomendamos. dupla laje. no início do projeto. As normas de segurança. além desta premissa deve ser atendida à legislação local (inclusive normas internas) para extintores. normalmente. cujas necessidades de controle e renovação são especificas e definidas caso a caso. logo no inicio do projeto de construção do prédio do laboratório. há necessidades mais reserva de espaço. de qualquer forma. etc. hidrantes. h Se for escolhido o tipo de geração de frio por “água gelada“. h Utilização de entre-pisos formando uma galeria para passagens de utilidades. h As salas de condicionadores devem ficar sempre na periferia do prédio. É necessário. fumaça e calor. h Reservar os espaços destinados a instalações da maquina e as passagens de dutos. Rotas de acesso e saídas de emergências. 2. telhas isoladas e refletivas. dutos e instalações de equipamentos. h Paisagismo das áreas vizinhas. Especificações dos materiais utilizados. 24 . deve ser externa de preferência junto a central de utilidades. h Utilização de dispositivos internos e externos de atenuação da insolação. tais como espaços de ar. alarmes. bacia de água. levarão em consideração os seguintes aspectos: 1. sinalização. h Isolamentos térmicos nas coberturas. etc. que a equipe de segurança da empresa seja consultada de modo a prevenir erros de especificações ou contrariedades às “normas estabelecidas”. detetores de gás. a analise dos custos de implantação e de funcionamento devem ser levada em conta na decisão final quanto ao sistema a adotar. h Tirar partido de prédios vizinhos que protejam sombra durante as horas de insolação mais críticas. recuo do plano dos vidros. brise-soleil. cabos e tubulações. 14.É importante ressaltar que o projeto arquitetônico pode agravar ou contribuir com o custo de instalação e operação do sistema. Os sistemas de projeto e dimensionamento normalmente utilizados para escritórios e afins não atendem aos laboratórios. Projeto de segurança A segurança deve estar presente em cada decisão do projeto em todas as disciplinas. sistemas automáticos de combate.

sinalização. . . por exemplo. 8. . bem como deve atentar. entre os laboratórios. concluiu que mais de 35% dos casos foram causados devido ao manuseio e armazenamento incorreto dos líquidos perigosos e condições inadequadas de estocagem. 1 Armazenagem de produtos químicos Segundo Natinal Fire Protection Association ( N. Refrigeradores para acondicionamento de produtos inflamáveis com baixo “flash point”.iluminação adequada. Acondicionamento de reagentes. 9. Cabe ao projetista manter-se atualizado sobre a evolução tecnológica no setor.A ). . Conhecido o produto. Utilização de coifas de captação direta e capelas nas operações em que houver risco ao usuário. Normas e procedimentos em caso de acidentes. para quem faz questão de oferecer segurança no laboratório e aos seus usuários identificação correta dos produtos químicos é o primeiro degrau no desenvolvimento de um programa de segurança. em cada projeto. Níveis de ruídos permitidos e EPI’s necessários.equipamentos de segurança. 4.P. administração e almoxarifado de produtos químicos.capacidade máxima de armazenamento. devem ser atendidos todos os padrões legais de segurança no armazenamento. Durante a elaboração do Projeto. . 7. . 6. 14.dimensões.afastamento em relação a parede. . se situadas em um mesmo prédio.Sistema de aterramento perfeito.3. . 5.dispositivos para contenção de derrames. tais como: localizações. Portas corta fogo. tomando por base incêndios em 100 laboratórios. . para a “cultura de segurança” de cada empresa adequando-se a ela e propondo melhorias sempre que necessário.“lay-out”. Chuveiros e lava-olhos de emergência.F. 25 . que tem sido bastante acelerada.

. seja identificando os equipamentos de segurança. e tudo isso devidamente acompanhado de normas e procedimentos operacionais internos. mas em contra partida o restante do laboratório apresentará menos riscos. etc. ..equipamento para transporte/movimentação. alarmes. sistemas automáticos de combate. b) Reservar uma área para concentração dos produtos. A adoção de cores nos locais de trabalho nos laboratórios. não existe qualidade total na segurança sem garantia de trabalho num ambiente mais seguro. treinamento e treinamento. detectores de gás. essa zona de alto risco serão tomadas todos os cuidados exigidos ( extintores. hidrantes. são as seguintes : Vermelho : usado para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos de proteção e combate a incêndio. fumaça e calor. . O armazenamento apropriado não é um luxo. treinamento. 14. automaticamente a periculosidade será reduzida. para inflamáveis e para ácidos/bases pelo laboratório..portas anti-panico nas rotas de fuga. que cada laboratório tem suas características e às “normas estabelecidas”.pisos limpo e sem vestígio de derrames/ vazamentos/resíduos. .2. hidrantes.treinamento. No acondicionamento de reagentes. delimitando áreas ou identificando as utilidades tanto para líquidos e gases. não se podendo afirmar qual das situações será a mais segura. pilastras. extintores e sua localização. mas sim regra básica para qualquer empresa. esta será altamente perigosa.. especialmente quando em área de trânsito para pessoas estranhas ao trabalho. é utilizada na prevenção de acidentes.. este item nós apresenta duas situações: a) Descentralização do armazenamento.) Lembrando sempre. ( faixas no piso. . . ( porta de saídas de emergências. As cores adotadas pela NR-26.instalação elétrica. . sinalização. Sinalização Toda área de laboratório deve estar sinalizada de forma a facilitar a orientação dos usuários e advertir quanto aos riscos existentes... colunas. distribuído em armários normalizados..“containers” e armários de segurança. ) Amarelo : empregado para indicar Atenção.) 26 .

caixas contendo EPI. . ) Preto : usado em coletores de esgoto ou lixo e em substituição ao branco ou combinado a estes. laboratórios fotográficos e outras. câmaras assépticas. Laranja : deve ser empregado para identificar partes móveis de maquinas e equipamentos. ( localização de bebedouros.Branco : deverá ser empregado para delimitar áreas. quando condições especiais o exigirem. Lilás : usado para indicar canalizações que contenham álcalis. As saídas de emergências bem como as rotas de fuga – no caso de ser necessário uma desocupação rápida da área – deverão também ser providas de sinalização luminosa.. Azul : empregado nos avisos contra o uso e movimentação de equipamentos que deverão permanecer fora de serviço. Verde : empregado para identificar dispositivos de segurança tais como chuveiros. localização de EPI.. lavaolhos. canalizações de água. macas. 27 . Alumínio : em canalizações contendo gases liquefeitos. a critério da empresa. para identificar qualquer fluído nãoidentificável pelas demais cores. caixas de primeiros socorros.. Será também empregados em : canalizações de ar comprimido. A sinalização luminosa é empregada para indicar a presença de pessoas em áreas confinadas tais como. salas de imunofluorescência. b) cinza escuro – deverá ser usado para identificar eletrodutos. câmaras escuras. avisos de segurança. Cinza : a) cinza claro – deverá ser usado para identificar canalizações em vácuo.. coletores de resíduos. Marrom : pode ser adotado. recipientes de materiais radioativos. conectadas a um fonte de suprimentos de energia de emergência. inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade. Púrpura : usado para identificar os perigos provenientes das radiações eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares.

o mobiliário. construindo ou reformando. ou seja. até o vestuário. produtivas e seguras. segurança e eficiência. Para eliminar estas situações de riscos no laboratório temos que atender alguns requisitos. dando origem à áreas confortáveis. umidade e temperatura. Rios (1999 p. 28 .27) “Ergonomia é um conjunto de ciências e tecnologias que procura a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho. centrifugas e muitos outros.” Artigo da Revista Office (1997). gerando conforto total para o empregado e aumento de produtividade para a empresa. estuda questões como as cores. em que ele possa realizar a sua tarefa com conforto. • Controle rígido de produção. pode-se revisar processos e rotinas de trabalho. • Imposição de ritmos excessivos. • Jornadas de trabalho prolongados. • Outras situações causadoras de “stress” físico ou mental. o posto de trabalho deve envolver o trabalho como uma “vestimenta” bem adaptada. São os caso de equipamentos como os fornos. • Exigência de postura inadequada. a adequação da altura das bancadas é um fator importante. basicamente procurando adaptar as condições de trabalho às características de ser humano. “O conforto é diretamente proporcional à produtividade e a segurança” Aproveitando o momento que se está projetando. monitores e telefones.” A ergonomia segundo a Revista Office (1997). Ergonomia Segundo Couto. “ A ergonomia aplica conceitos de fisiologia. principalmente para os equipamentos altos e cujo uso envolve situações de risco. ruídos. Embora pareça um problema não relacionado à segurança. • Monotonia e repetitividade.15. Tem-se que estar sempre atento para localizar riscos ergonômicos : • Esforço físico intenso. transporte manual de peso. Em outras palavras. teclados. É concluí que. • Levantamento. anatomia e psicologia na adaptação do ambiente e das condições de trabalho ao ser humano. Nos equipamentos vai desde a caneta e o lápis. iluminação. proporciona integração e harmonia entre o indivíduo e seu local de trabalho. muflas.

principalmente em relação às condições de iluminação. Segue alguns pontos importantes da Norma : NR 17 Ergonomia 17. • Mobiliário normalizado x qualidade (produtividade) A ergonomia analisa quantitativa e qualitativamente o trabalho numa empresa.• Atender os desafios de hoje e amanha (migração de equipamentos). • Conforto. para proteção da região lombar. A instalação com altura ergonomicamente projetada evita que o trabalhador assuma posturas inadequadas. nível de ruído. basicamente é o estudo da organização racional do trabalho. O trabalhador deve apoiar os pés no chão ou em descanso de pés. • Gerenciamento das utilidades. • Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada. sendo a altura do assento da cadeira regulada de acordo com a altura da bancada e o encosto regulado com forma levemente adaptada ao corpo. como no caso de fornos e estufas. • A adequação da altura das bancadas é um fator importante. • Os equipamentos e postos de trabalho devem ser projetados de forma a proporcionar conforto aos trabalhadores. principalmente para os equipamentos altos e cujo uso envolve situações de risco. o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição. sendo a Norma Regulamentadora 17 a que dispõe sobre os aspectos Ergonômicos. • A altura a ser considerada para o cálculo da altura da bancada deve ser a média antropométrica do brasileiro. • Otimização de espaços físicos (verticalização). • Leveza e robustez (seguro e organizado). através da Portaria nº 3. ergonomia e segurança (saúde x produtividade). • Montagem rápida (flexível). a fim de melhorar as condições de trabalho e aumentar a produtividade. levando em consideração a atividade específica executada. manutenção. conforto térmico e mobiliário. • Planos ajustáveis a qualquer altura.1. Esta Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos 29 . Seu emprego é hoje fundamentado em lei. • Modularidade para acoplamento. que aprova as Normas Regulamentadora – NR – do Capítulo V do Titulo II. • Os laboratórios químicos devem atender as exigências ergonômicas definidas na norma regulamentadora 17 (NR-17).

o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição. mesas. . Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada.. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento. de modo a proporcionar um máximo de conforto. as condições de trabalho. com a distancia requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento.3 Mobiliário dos postos de Trabalho. ao mobiliário.. Para trabalho manual ou eu tenha de ser feito em pé. cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho. 17. visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos: • Ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade. 30 .2. • Ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador. segurança e desempenho eficiente. devendo a mesma abordar. e a própria organização do trabalho..1. as bancadas. 17. conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora.1.3. 17. transporte e descarga de materiais. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores..1. • Ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos segmentos corporais.1.. no mínimo.. 17.trabalhadores. 17. escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura.3. aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho.2.

destacando-se pela sua excelente performance nos quesitos de segurança. Com revestimento 31 . tóxicos. Formas de Capelas Capela Comum : Normalmente são montadas sobre a bancada ou já vem completa com o armário inferior. tão importante que nela se efetua os trabalhos com produtos químicos. com altura de trabalho para o operador a 90 cm de altura. Capelas de Exaustão Quando da elaboração do Projeto e “lay-out”. vapores agressivos e odores prejudiciais para a saúde. rigorosamente dentro das normas D. aerodinâmica e resistência. a capela é um dos itens mais importante para um laboratório químico ou similar.I. e ASHRAE.16. Todas as Capelas são construídas nas mais diferentes formas e materiais de acordo com a sua finalidade.N. ergonomia. A Capela de exaustão é considerada um equipamento de segurança que não garante proteção se o operador não estiver familiarizado com o seu uso e com as técnicas corretas.

interno resistente aos produtos químicos que serão manipulados. (gases tóxicos) - 32 . de modo geral. tomadas. Deixe na Capela apenas a porção de amostras a analisar. Conforme NFPA 45 (Standard on Fire Protection for Laboratories Using Chemicals ) uma identificação. com todo o interior de aço inoxidável AISI 316 e dotada de um sistema hidráulico em que os gases que são exauridos passam por uma cortina de água. permitindo assim. exaustão. água. As janelas ( tipo guilhotinas ) estejam funcionando perfeitamente. sem que : O sistema de exaustão esteja operando. Capela Walk-in : não dispõem de tampo fixo. principalmente produtos tóxicos.. provendo uma dissolução/reação de vapores de ácido perclorico neutralizando-o. sistema de iluminação e todas as utilidades necessárias (válvulas de gases. montagem de equipamentos de maior porte em seu interior. PARA OPERAÇÃO DE ÁCIDO PERCLÓRICA . janela (tipo guilhotina). deverá ter na Capela. sistema de exaustão com “baffles”.) afim de evitarmos improvisações e com os comandos na parte externa da Capela. sem antes remover os produtos inflamáveis da área. Piso e janela estejam limpos. É importante que os técnicos/responsáveis sejam pessoas alertados sobre os cuidados no manuseio desse material. O sistema de exaustão somente deve ser desligado 10 á 15 minutos após o término dos trabalhos. quando deixado secar sobre madeira. Mantenha as janelas das Capelas com o mínimo de abertura possível. para permitir limpeza do sistema.. Capela Perclórica : São especiais para trabalhos envolvendo ácido perclórico. “ O ácido perclórico. 1) OPERAÇÃO EM CAPELA COMUM Nunca inicie um serviço em Capelas. remova todo o material desnecessário. alvenaria ou tecido explode e se incendeia ao impacto ” A Capela só oferece máxima proteção se for adequadamente utilizada. semelhante Capela comum. mantendo as demais características revestimento. Nunca inicie qualquer trabalho que exija aquecimento. Para não criar turbinolhamento. vácuo. para maior proteção e maior velocidade facial do ar.... A Capela não é local de armazenamento de reagentes ou soluções. todo equipamento grande recomenda-se ter os pezinhos. Não coloque o rosto dentro da Capela.

Avise o supervisor e o pessoal do laboratório. 33 . quando manusear ácido fluorídrico. vidros. Procure instalar os equipamentos. Proteja o tampo da Capela com folha plástica ou similar. Só inicie a análise no máximo 5 minutos após a normalização de exaustão. dispositivos que gerem contaminantes (gases. Coloque a máscara contra gases quando houver risco de exposição a gases e vapores. a uma distância maior que 20cm da face da Capela. Nunca utilize a Capela comum para ácido perclórico ou substâncias radioativas.Algumas situações : RUIM BOM ÓTIMO RUIM BOM Observe os seguintes cuidados. ao sinal de paralisação do exaustor de Capelas: Pare a análise imediatamente. Feche ao máximo a janela da Capela. fungos e poeiras).

ele indica (através de luz e som) qualquer irregularidade na capacidade de exaustão e mostra no display a eficiência da exaustão. Não use roupas de tecido sintético facilmente inflamáveis. Planeje o trabalho a ser realizado. desde o ligar e desligar do exaustor até o controle automatizado da vazão da exaustão.violeta. o controlador de vazão se comunica com dampers inteligentes. 2) CONTROLE DE VOLUME DE AR VARIÁVEL O CVD Vidy é um controlador moderno e inteligente que comanda todas as operações da capela de exaustão. Através de um sistema eletrônico. infra vermelho etc. Um dos requerimentos mais básicos e importantes para uma alta performance de uma capela de exaustão é o perfeito funcionamento do sistema de exaustão. um controle automatizado de vazão. Verifique as condições de aparelhagem. Armazenar adequadamente os produtos químicos em armários para ácidos. mantendo assim uma vazão constante e uma velocidade facial segura. Pode ser instalado em todos os tipos de capela ou em sistemas de exaustão ou ventilação. solventes e refrigeradores à prova de explosão. Para proporcionar economia e controle do sistema de ar condicionado. Se a capela dispor além de um medidor. Não use lentes de contato quando estiver trabalhando em laboratórios. comandando-os para abrir ou fechar. Feche todas as gavetas e portas que abrir. 34 . ela proporcionará uma maior economia e segurança ao usuário. Conheças as periculosidades dos produtos químicos que você manuseia. Não pipete nenhum tipo de produto com a boca Não leve a mão a boca nem aos olhos quando estiver trabalhando com produtos químicos. as capelas podem contar com sistemas de medição e/ou controle automatizado de vazão nas capelas (VAV) O Sensor de Vazão. é um equipamento de fundamental importância para a segurança dos usuários de capelas.Recomendações Gerais de ordem pessoal Trabalhe com atenção Use calçados e avental de mangas compridas e fechados Use sempre óculos de segurança no laboratório Use EPI’S apropriados mas operações que apresentarem riscos potenciais. Não se exponha a radiações ultra . controlando o fluxo de ar. não importando a posição de abertura das guilhotinas.

3) AVALIAÇÃO TÉCNICA PERIÓDICA DE CAPELAS O objetivo é verificar o estado geral e o comportamento das capelas e coifas. PADRÕES RECOMENDADOS PARA AS CAPELAS: Vazão : O “Industrial Ventilation ” 22ª ed. 35 . Este procedimento é repetido com aberturas da capela até se obtiver um valor dentro do recomendável. não contínuo e manipulação de material com baixa toxidade. Profissionais : Devidamente habilitado pelo CREA. na face da capela aberta a 1(um) metro de distância e próximo. A Vidy recomenda que o nível de ruído máximo na face da capela seja <74db(A). garantindo assim uma economia de energia e ar condicionado. recomenda que a velocidade facial para a capela toda aberta seja 0. com decibelímetro. Ruído : Cada empresa deve classificar seus limites de exposição ao ruído.Quando a guilhotina estiver fechada e o controle automatizado de exaustão estiver sendo utilizado.4 a 0. seus respectivos sistemas de exaustão. Classe B: velocidade facial > 0. segundo seus padrões de segurança e à legislação local. Classe C: velocidade facial > 0. Alertamos que quando maior for a velocidade facial maior será o ruído.5 m/s. com auxilio do anemômetro.. estadual e federal (NRs).5 < 0. da velocidade média da fase aberta da capela. Diversas empresas multinacionais e fabricantes norte americanos de capelas adotam três classificações: Classe A: velocidade facial > 0. através de inspeção visual e medição da vazão.4 < 0. • Nível de iluminação : Leitura. contínuo e/ou manipulação de material com média toxidade. do ruído médio em três leituras.5 m/s – para trabalho leve.7 m/s – para trabalho pesado. • Nível de ruído : Medição. tomando-se seis leituras uniformemente distribuídas. Multiplicando-se a velocidade média pela área da abertura obtém-se a vazão do sistema. baseado em sua experiência e nos limites técnicos para produção de sistema de exaustão com níveis abaixo de 68dB(A). considerando que o laboratório pode ser classificado como área administrativa < 64dB(A) ou área industrial < 85dB(A). Instrumentos utilizados : Anemômetro. com luxímetro. Luximetro. o volume de ar exaurido do laboratório chega a ser 60% menor do que o de uma capela sem este controle.7 m/s – para trabalho normal. Decibelimetro. ruído e nível de iluminação pelo menos uma vez ao ano. Procedimento utilizado : • Vazão : Medição. do nível médio em três pontos do plano de trabalho dentro da capela . contínuo e/ou manipulação de material com alta toxidade.

as pessoas mais sensíveis podem sofrer perda de audição.Trabalhos científicos relacionados com o ruído ambiental demonstram que ambientes onde o ruído acima de 75dB(A). começa acontecer o desconforto acústico. Iluminação : Da mesma forma que o ruído. (3) Revestimento Monolítico de poliuretano Promova testes específicos em cada material antes da escolha final. irribilidade e diminuição da produtividade no trabalho. passando a ocorrer distrações. sendo que o ideal seja entre 400 e 600 lux. Acetona Álcool Etílico Xilol Hexano Temperatura R R R NR R R R R R R R NR R R NR R R R R R R R NR NR R NR R R R R R R R R R R R R R R R R R <300ºC NR NR R R R R R R R R R NR NR R R R R R <150ºC R R NR NR R R R R R R R R R R NR R R R R R <150ºC (1) Placas maciças em resina epóxica modificada. 36 . o que se generaliza para níveis acima de 85dB(A). Cuidado: o mesmo material pode sofrer variações dependendo do fornecedor e do processo de industrialização. (2) Superfície Sólida Mineral. a comunicação fica prejudicada. Por extrapolação e segurança recomendamos que o nível de iluminação dentro da capela não seja inferior 300 lux. segundo sua real condição de uso. Legenda: NR – Não resiste R – Resiste • – variável em função do tipo. o ruído passa a ser um agente de desconforto. Tabela Orientava de Resistência Química Cerâmica Grés Aço Inox 304 Aço Inox 316 Vipoxy (1) Granito* SSM (2) Laminado Melamíni co Vycover / (3) PU Ácido Clorídrico 1:1 Ácido Sulfúrico 1:1 Ácido Nítrico PA Ácido Fluorídrico PA Hidróxido de sódio 10% Hidróxido de Amônia Conc. para qualquer situação ou atividade. Acima de 80dB(A). ou seja. o setor de segurança da empresa deve estabelecer o nível mínimo de iluminação para o ambiente de trabalho. Nessas condições há uma perda da inteligibilidade da linguagem.

Ingresso de amostras e resultados de análises em sistema LIMS. abre uma perspectiva de aplicação totalmente desafiadora para novos projetos e sistemas de controle de processos e laboratoriais: • • • • • • Controle de temperatura e umidade dotados de dampers automáticos para regulagem e adequação de fluxo. elétrica. que é dotar o laboratório de elementos e características que possibilitem o desempenho das atividades previstas.17. é necessário que todos estejam ajustados entre si. com a mesma linguagem estética e conceitual. mobiliário. evitando problemas nas interfaces e “desvios de obra”. Intertravamento de portas e pass-throughs em áreas limpas. Controle de acesso ao laboratório. segurança etc. paisagismo. Compatibilização entre as áreas técnicas Como vimos todos os projetos devem atender ao mesmo objetivo.) devem na verdade ser entendido como um único projeto. ventilação e ar condicionado. Não basta porém que cada projeto atenda individualmente este preceito. 18. O conjunto de projetos (Arquitetura. armazenamento e o controle de temperatura de água purificada. utilidades. sem o que teremos uma colcha de retalhos e muitos conflitos. 37 . Automação Este é um tema que pode se aplicar em diversas áreas do empreendimento. Controle do sistema de circulação. Sistema de troca automática de garrafas de gases. A primeira pergunta é: o laboratório vai contar com algum sistema de automação? Caso afirmativo ele será relativo às instalações (supervisão e controle) ou aos procedimentos do próprio trabalho do laboratório? Estará integrado a algum sistema de gestão / supervisão e controle da planta? A nova tendência de uso da instrumentação eletrônica digital envolvendo sistemas de controles para automação. hidráulica. São muitas as possibilidades e o objetivo aqui é lembrar que elas existem e que contribuem em geral para garantir a qualidade deixando o laboratório mais próximo de uma certificação. estrutura.

38 . Estáveis ao longo do tempo No critério de instalação . sancas no forro.19. as junções deverão ser arredondados. instalar portas de inspeção. Equipamentos para o tratamento de ar. Tratamento de ar. O conjunto de salas limpas devem ser encarado como um equipamento auxiliar a produção. teremos diversas alternativas. Como existem muitas variáveis para projetar e construir. envolvendo Arquitetura. os componentes relativos a materiais de construção. Grelhas de retorno. deverá manter qualidade e homogeneidade de componentes. Não geração de Partículas. garantindo assim a estanqueidade e evitando-se induções indesejáveis. será necessário um planejamento cuidadoso. Resistência à corrosão. As vibrações deverão ser evitadas utilizando-se materiais de sustentação adequados. Os elementos complementares. Salas Limpas Durante a elaboração do Projeto ou execução de Salas Limpas. utilizando-se os perfis de montagem. saliências e reentrâncias nas junções entre painéis e nas junções com ângulos de 90 graus. as superfícies devem ser lisas. com perfilados especiais que obviamente são pontos mais prováveis de formação de nichos bacteriológicos. Resistência a impactos. Para cada especialidade de construção de salas limpas. agentes de limpeza e sanitização. Devem ser também vedados todas as emendas e frestas com material apropriado. e paredes duplas formando “shaft “ de utilidades. Lisas e contínuas. Não favoráveis à proliferação bacteriana. Elétrica deverão ser instalados de maneira a nunca prejudicar a limpeza dos ambientes. Durante o projeto os seguintes requisitos para a escolha dos materiais e equipamentos na construção. Fluídos / Utilidades. dutos técnicos. devem ser considerados : • • • • • • • • Não retenção de Partículas. limitando o numero de emendas. Difusores de ar. paredes. utilizando para tal. arredondando todos os ângulos. Luminárias. Elétrica e Utilidades são tão importante quanto a correta escolha do nível de filtragem a ser escolhido. superfícies não porosas. com vantagens e desvantagens. Flexibilidade em rearranjos de “Lay-Out”. Existem alternativas construtivas de exclusão destas utilidades do interior das salas. pisos e forros.

equipamento e componentes . segurança patrimonial. ventilação e água gelada.Planejamento Podemos separar em três etapas : 1º etapa Projeto conceitual Define os parâmetros principais como necessidade de espaço. ( acesso de pessoas.. Tipo de construção de paredes. tamanho dos equipamentos. teto e telhados do prédio.. sistemas principais a serem utilizados para geração de água gelada. esgoto. sistema de ar condicionado.. • • • • Nesta fase deverá ser elaborado a lista de documentos e o sistema de numeração de salas. Definição dos parâmetros do projeto como classe de limpeza.. área necessária para utilidades. meios de transporte interno. Nesta etapa somente são executados desenhos preliminares e fluxogramas. controle de acesso. sobrepressão. b) Elaboração do projeto básico : • • Elaboração dos desenhos de Arquitetura e civil com plantas e cortes. Definição do sistema de comunicação.. tratamento de esgoto .. Elaboração dos fluxogramas para salas limpas. acesso para manutenção. sistemas de apoio e ar condicionado. água pluvial . calculo das vazões de ar exterior.). Elaboração do projeto básico de ar condicionado. tipo de condicionamento e de filtragem de ar. 39 . insuflamento.. temperatura e umidade interna. nível admissível de ruído. graduação de pressão dos ambientes. vapor limpo. • • • • Numero de pessoas e equipamentos. 2 º etapa Projeto básico a) Levantamento de informações : • Definição do ”lay out” com planejamento de fluxo de material e pessoas considerando.. retorno. Compilação das informações. classe de limpeza. com as instalações sanitárias. ar comprimido. condições climáticas. gases... com calculo da carga térmica Verão / inverno. Elaboração dos projetos básicos dos sistemas de utilidades com água ultrapura. Elaboração do projeto básico da instalação elétrica.. rotas de fuga. exaustão.

PQ – Performance Qualification ( Qualificação do Desempenho ) : Nesta fase é executada pelo cliente durante a produção. Algumas Normas e recomendações • Salas Limpas IEST-RP-CC006. Folha de dados dos equipamentos e componentes. • • • • Elaboração dos diagramas funcionais definitivos. Autônomos de ar Limpo Produtos para a Saúde Resoluções da ANVISA ( por exemplo RDC nº 210 de 04/08/03) 40 IEST-RP-CC002. desenho de montagem. IQ.2 SBCC –RN-005-97 ISO 14644-1 e 2 NBR ISO 14644-4 ISO/DIS 14644-3 FED. OQ – Operational Qualification ( Qualificação da Operação ) : Nesta fase deve-se fazer as medidas físicas e comparar os resultados com os valores definidos no projeto. OQ ) DQ . Elaboração das instruções para medições nas salas limpas O projeto executivo deve permitir a execução da obra e das instalações sem alterações significativas.3 º etapa • • Projeto executivo Projeto executivo de todos as especialidades acima mencionadas com cálculos definitivos. STANDART 209E NBR 13700 • • Equip.Desing Qualification ( qualificação do projeto ) : Nesta fase defina-se os documentos de projeto com todos os valores críticos da instalação. Elaboração do protocolo de sala Limpa. desenhos executivos.2 NSF 49 ( Biossegurança ) . IQ – Installation Qualification (qualificação da instalação ) : Nesta fase deve ser verificado se todos os equipamentos e componentes estão instalados corretamente e conforme o projeto. Elaboração da documentação para a qualificação dos sistemas ( DQ.

incluindo OSHA. Ventilação e tratamento do ar.. Se a renovação de laboratório não é uma ocorrência comum em sua empresa. 41 . As estruturas existentes e os equipamentos podem limitar as opções de projetos. Este Guia é organizado de acordo com as 4 fases de renovação do laboratório. e enumere os defeitos para referência futura. e devem ser consideradas em relação umas às outras. Planejar a renovação de um laboratório pode ser mais desafiador do que começar do nada.. Tome algum tempo para considerar os temas sobre a segurança do laboratório apresentados neste guia.. Contenções de verbas podem trazer dificuldades. A leitura deste Guia de Renovação lhe fornecerá uma vista geral do processo de planejamento necessário para um projeto de renovação bem-sucedido. assim como temas pertinentes a laboratórios tradicionais. Avalie a infra-estrutura de seu espaço. compra inteligente. Guia de Renovação de Laboratório Agora você pode evitar pesadelos com a dispendiosa renovação de seu laboratório. os resultados podem ser desastrosos. centenas de projetos de renovação. Tire vantagem das ferramentas de segurança incluídas na instrumentação e mobiliário. O período de tempo disponível é mais crítico. instalações feitas dentro das técnicas ideais e. sistemas de hidráulica ou elétrica desatualizados ou inadequados. Segurança em primeiro lugar e sempre Tenha certeza de que seu laboratório está de acordo com todos os códigos.. ou outras falhas estruturais podem transformar a reforma numa proposta mais cara do que uma nova construção. e faça consultas a profissionais de planejamento experientes. Fase I : Conceito Fase II : Planejamento Fase III : Compra Fase IV : Instalação Antes de você começar.. NFPA. São incluídas considerações que emergem em resposta a tecnologias emergentes. Desenvolva um plano de saída de emergência. um laboratório seguro e eficiente. Este Guia de Renovação irá lhe ajudar a desenvolver uma consciência de muitas variáveis envolvidas na renovação dos laboratórios. você pode se beneficiar da sabedoria e intuição de profissionais experientes. NBR e outras regulamentações locais. Se o plano de renovação não for completo e bom. Os temas apresentados abaixo são delineados por anos de experiência com. ISO. Espaços temporários para trabalho têm que ser providenciados.. literalmente. planejamento eficiente.. Faça consultas a profissionais para avaliações específicas....19. a presença de amianto ou outros materiais perigosos. A Vidy pode ajudá-lo a evitar que seus sonhos de renovação se tornem pesadelos. por último. Consciência que leva a expectativas realísticas. As variáveis dentro de cada fase são inter-dependentes.

Plano Principal Somente um levantamento apurado da situação atual pode levar ao desenvolvimento de objetivos realísticos e uma boa tomada de decisão. e você rapidamente descobrirá que eles constantemente são considerados em relação um ao outro. é necessário determinar o que precisa ser feito. Mesmo o exame mais direto do espaço existente não irá levantar todas as falhas ou desafios. quanto isto irá custar e quanto tempo levará. Planeje pensando no futuro com relação a seus instrumentos e equipamentos. por exemplo. Instalações altamente sofisticadas são construídas mais economicamente como anexos. etc. Esteja preparado para o inesperado. Instrumentos maiores e mais sofisticados requerem que o projetista pense os laboratórios em termos de metragem cúbica e não quadrada. Mais funcionários? Novas tecnologias ? 42 . planejamento do piso ineficiente. Pesquisas têm mostrado que a vasta maioria dos laboratórios são reconfigurados todos os anos para acomodar novos equipamentos e procedimentos. Defina seus objetivos.). Separe um fundo contingencial de 20-25% dos custos da primeira fase para controle de desvios. Estes são os três principais aspectos de seu projeto. Seus objetivos devem incluir aumento de produção. Um desafio adicional é conciliar a teia de cabos e fios esteticamente ao mesmo tempo em que têm que ser de acesso fácil para realização de serviços. FASE I : CONCEITO Antes que possa começar qualquer demolição ou construção. Determine as futuras demandas que haverão no espaço. E tenha tanto flexibilidade no cronograma quanto possível como segurança contra o inesperado. Seria extremamente caro converter um laboratório de química. etc. sistemas de mobiliário flexíveis irão facilitar a evolução de seu laboratório. melhoramentos ergonômicos. Muito espaço aberto e adaptável. armazenagem aumentada. espaço insuficiente de armazenagem. em uma sala limpa devido ao espaço de exaustão.ela é necessária. Examine sua instalação existente e defina necessidades que não são atendidas na atual disposição ( por exemplo: espaço de superfície de trabalho inadequado. armários e equipamentos que foram construídos para uso original.Adaptabilidade não é mais um luxo . Não tente aumentar a sofisticação de uma instalação já existente. uma imagem contemporânea.

necessidades e experiências no processo de renovação. demolição e construção das fases do projeto. Quantas salas serão renovadas? Também são necessárias novas construções? Qual a estrutura de tempo? Equipe de Renovação Considere desde o início do projeto uma abordagem horizontal para o gerenciamento através do convite de participação de uma amostra representativa dos funcionários e administradores. Qual o nível de investimento que pode ser justificado considerando a situação geral da construção? Enderece o tema da flexibilidade. Controlando Custos Depois de muitas deliberações. Embora concessões sejam inevitáveis. sua verba deve ser guiada por necessidades e soluções demonstradas. Priorize os objetivos de forma que as necessidades mais importantes sejam satisfeitas primeiramente. Toda esta deliberação será sem sentido se uma medida igual de cuidado não for dada ao controle de custos uma vez realmente começado o projeto. lay-out do espaço e coordenação do projeto. você deve decidir que reforma será a mais efetiva solução de custos para suas necessidades em comparação com uma nova construção.Representantes dos funcionários e dos administradores/gerentes podem contribuir com suas opiniões. Aqui estão alguns meios práticos para você manter os custos de seu projeto sob controle. A reconfiguração será feita através da mudança de padrões de trabalho? Novos instrumentos? Mais funcionários? Defina o escopo do projeto. estabelecidos antecipadamente. 43 . Documente por escrito cada detalhe que esteja incluído em cada categoria de custo para projeto. e custos realísticos não informados. A Verba Idealmente. a abordagem de necessidades/soluções é a preferível para o processo de estimativa de verba que consiste em limites arbitrados. . Conscientize a si mesmo e aos outros quanto os custos reais do projeto (presente e futuro) para evitar o sub-dimensionamento de verba. . além de consultores profissionais.Estime o tempo de uso da instalação.A assistência de um arquiteto ou engenheiro é necessária se modificações estruturais são necessárias. Delegue a cada membro da equipe responsabilidades específicas. .Um arquiteto ou projetista de laboratórios pode ajudar no planejamento geral.

tal como acabamento de paredes ou pisos. Use a “Construção em Equipe”. é disso que se trata a pesquisa. Ao contrário. estes são os maiores custos e. Isto não pode ser excessivamente enfatizado: Saiba o que está em cada e todas as categorias de custos para projeto e construção. construa uma flexibilidade no design . Se suas instalações são flexíveis. esta abordagem irá permitir-lhe tomar contato com o conhecimento e experiência dos profissionais testados no início do projeto.e uma contingência na verba para cobrir tais fatores.eram escolhidos na base de uma pequena concorrência. focalize naquilo que você não pode ver .os sistemas de engenharia. projetos de renovação foram tomados por uma moda linear.nova. uma quantidade razoável de mudanças de escopo deve ser esperada. sistemas de dutos. de escolher fornecedores na base da qualidade. Todos os envolvidos no projeto devem dividir um entendimento consistente do escopo de trabalho. Nenhum registro. Tenha certeza de que todas as partes utilizem o mesmo software de cronograma. embora o quanto perfeitamente mantido. até mesmo antes de solicitar concorrências. construção ou renovação. Tradicionalmente.Determine e planeje suas necessidades de mudança de espaço. irá lhe preparar para tudo. Funda as informações.Se uma data de conclusão é fixada. e o balanço dos fornecedores incluindo o empreiteiro geral . Hoje. apresentam a maior oportunidade de controle de custo. Considere tanto os custos financeiros desta mudança temporária quanto o impacto desta interrupção em sua organização.Use o cronograma interativo. encanamento e sistema elétrico. . Evitar erros e descuidos através de uma planejamento prudente irá poupar seu dinheiro. Tome opiniões de todos os membros da Equipe de Renovação. E. gerentes e empreiteiros. converse com os empreiteiros e compradores para determinar se taxas de atraso ou aceleração serão cobradas. como qualquer projeto de pesquisa e desenvolvimento de instalação . e encaminhe a sua regularidade. Ao contrário. Saiba exatamente o que os números representam. Por comparação. Considerações Preliminares sobre o Cronograma Até mesmo as compras mais sábias e os contratantes mais hábeis não podem compensar a destruição causada por uma coordenação pobre do cronograma e projeto. Enquanto os custos evidentes podem parecer maiores. sendo assim. nós viemos a entender o valor das relações de construção. projetistas. reputação e desempenho. A tentação de parar o projeto a certa altura deve ser resistida. As pessoas tendem a ignorar cronograma gerados e impostos sobre eles por um único indivíduo. A fase de elaboração de seu projeto de renovação revelará a real condição de sua instalação. Quando chegar ao controle de custos não focalize no que você pode ver. A atenção a este aspecto do seu projeto de renovação não pode ser desprezada. tais como HVAC. engenheiros. Além do mais . O proprietário do prédio contratava um arquiteto para desenvolver planos. . permita “Lead-times”. 44 . Concentre-se naquilo que você não pode ver. incluindo usuários. detalhes ou luzes.um método de lidar com as mudanças inevitáveis . .Antecipe e aceite mudanças. Este custo real é muito pequeno.

.Avalie seus requisitos de armazenagem para equipamentos . e examine completamente qualquer capela que você planeje manter de seu laboratório anterior.Desenvolva uma idéia das necessidades de seu novo armazenamento de substâncias inflamáveis/perigosas. tipos de tarefas/experimentos/pesquisas desenvolvidas. . e padrões de tráfego tanto interno quanto de entrada e saída do laboratório. do laboratório analítico.Determine quantas capelas serão necessárias. Discuta prós e contras com um projetista profissional de laboratórios. .Considere a demanda de funcionários temporários (múltiplos turnos) que podem ser colocados em seu laboratório. 45 . tais como acabamento de mobiliário e cores. incluindo o número de pessoas que usam o laboratório. ou em separado. .Use o Check-List de Pré-Projeto deste guia como referência para familiarizar-se com o local existente. seu projeto será considerado um fracasso. . . você pode precisar alterar seus procedimentos de segurança/disposição de resíduos.Se novas tarefas serão desempenhadas depois da renovação. . por exemplo. Se os usuários do laboratório estão em risco devido a um planejamento de segurança pobre. e considere o impacto deste plano nos padrões de tráfego e necessidades de armazenagem. para que trabalhem confortavelmente com o mesmo equipamento.Considerações de Segurança Nunca abra concessões quando o assunto é segurança. .Determine qualquer equipamento/instrumento que será adicionado e seu impacto no espaço ou na tolerância de carga do mobiliário. pense em como você camuflará cabos de má aparência e pacotes de fios. reagentes e outros produtos. . . .Determine se as áreas de pesquisadores/escritórios serão localizadas dentro.Desenvolva um entendimento direto dos padrões de uso atuais e futuros.Desenvolva um plano para recebimento/ guarda/disposição dos resíduos e inventário do laboratório. . Previsões podem ser necessárias para funcionários de várias alturas.Determine e priorize os temas estéticos. Pré-Projeto As decisões e ações sobre os temas de pré-projeto serão vitais no desenvolvimento de desenhos iniciais precisos e estimativas de custo.Determine se o suporte para o laboratório será centralizado ou local.

avaliando a condição e localização das estruturas existentes. Contate o órgão competente para saber sobre as regulamentações. . e um plano para uma coleta e remoção conveniente.. melhorados. Tamanhos e localização das saídas de portas Localização de pilares e vigas.Desenvolva um programa de reciclagem. tais como descobrir que seu piso não agüentará o novo equipamento que você acaba de especificar. Localização do telefone e central de dados. Localização dos termostatos e controles. Localização e condição dos dutos HVAC Entrada e saída do ar condicionado/ventilação. Dimensões internas Tamanhos das janelas. se necessário. Pé direito e limitações estruturais Espaço acima do teto Limitações construtivas das paredes e estruturas. Iluminação Desligamento e controle centralizados Localizações de drenagem do chão.Revise procedimentos para remoção e disposição de resíduos perigosos e faça uma mudança. Material do piso e limitações de carga Outras restrições/falhas de estrutura Tamanho do elevador. Sistemas de dados Sistemas de Segurança 46 . Determine que itens ou sistemas devem ser repostos. equipamentos e fornecimentos. Check-List do Pré-Projeto Revise cada um dos check-lists a seguir. Estrutura Existente Tomando ciência dos detalhes de sua estrutura existente logo no início do projeto pode lhe ajudar a evitar surpresas. acesso e localização Rotas de fuga Utilidades / Serviços Existentes Estudar sua infra-estrutura existente pode lhe assegurar que as cubas ou capelas podem ser instaladas em localizações desejadas. Fiação elétrica Encanamento e localização das linhas de serviço. eliminados ou movidos. localização e altura do parapeito.

Mobiliário / Equipamento Existente Não imagine que tudo o que havia em seu espaço existente deve ser substituído. Equipamentos de segurança Armários Instrumentos Mesas/Estações de trabalho Superfícies de Trabalho Unidades de demonstração Áreas de Demonstração Armazenagem e Prateleiras Capelas Cubas e Torneiras Carrinhos/ estações de trabalho móveis Espaços Auxiliares Existentes Determine se alguma das funções de seu espaço auxiliar será alterada pelo plano de renovação. sanitário. O tempo real que levará para completar cada passo irá variar baseado no escopo do projeto. confirmados os detalhes do laboratório atual e identificado a equipe de renovação. Examine seu mobiliário cuidadosamente. o planejamento detalhado pode começar. FASE II: PLANEJAMENTO Construindo um Cronograma Estude o gráfico abaixo para se familiarizar com o progresso das atividades associadas ao projeto de renovação. os objetivos estabelecidos. e determine se algum pode ser útil no laboratório renovado ou em uma locação auxiliar. o processo de verbas colocados em movimento. ou se a renovação levará à necessidade de criar algumas áreas especializadas. 47 . Sala de Preparação Área de Conferências Área de suporte aos funcionários (copa. vestiários) Sala de Lavagem de Vidrarias/Esterilização Estufas / Câmaras Armazenagem Central Uma vez que o Plano Mestre foi definido.

GRUPO VIDY CLIENTE: CRONOGRAMA FÍSICO SERVIÇOS FASE I Conceito Plano Principal Equipe de Renovação Inicio da coleta de dados Estudo de Verba FASE II Planejamento Construção do cronograma Especificação dos equipamentos Utilidades Necessárias FASE III Compras Solicitação do pedido Revisão do Pedido Contrato Recebimento dos desenhos aprovados Fabricação do Pedido FASE IV Instalação Montagem Ocupação 01

.

02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12

Planejando os Check-Lists
Os Check-Lists a seguir foram desenvolvidos para lhe ajudar a focalizar seus planos de novo espaço e equipamentos. Estes Check-Lists não pretendem ser um panorama total de todo o mercado, aplicação, ou possível cenário. Use-os somente como referência. Utilidades Planejadas Compare as utilidades existentes com as novas necessidades - e planejando de acordo pode lhe ajudar a evitar problemas de tubulações ou eletricidade de última hora, enquanto assegura que o laboratório renovado irá funcionar dentro de suas expectativas. Provisões de Serviços - Água quente/fria - Água destilada - Oxigênio, Gás, Vácuo - Gases Especiais - Efluentes - Centrais de Desligamento
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Elétrico - Voltagem e amperes necessários - Circuito de Emergência - Circuito Estabilizados - Iluminação - Centrais de Desligamento Cabeamento - Dados - Fax - Fibra Óptica - Junção centralizada Equipamento de Segurança Planejada Um programa consciente de segurança irá quase sempre se auto pagar. Por exemplo, custará menos comprar um gabinete para armazenagem de ácidos de alta qualidade do que repor diversos gabinetes de armazenagem inadequados. Armazenagem de Produtos Perigosos - Inflamáveis - Ácidos / Bases - Substâncias controladas Gerenciamento e Disposição de Resíduos Infecciosos Equipamento de Controle de Derramamento Equipamento de Segurança - Kit de Primeiros Socorros - Extintores de Incêndio - Manta contra fogo - Chuveiro de Emergência / Lava-olhos - Proteção para os olhos / armazenagem Equipamentos e Instrumentação Planejada Tamanho, Peso, Quantidade e outros atributos de seu novo equipamento e instrumentos irá lhe ajudar a definir as necessidades de espaço e armazenagem. As capacidades de carga da superfície de trabalho e prateleiras também são guiadas pelas especificações de equipamentos. Autoclaves Incubadoras Centrífugas Equipamento Analítico Cromatógrafos Eletrônicos Medidores Escalas Fornos Queimadores Lavadora de Vidrarias Freezer/Geladeira Sistemas de Purificação de Água Computadores Equipamento Áudio/Visual
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Centros de Comunicação Áreas de Exposição Suportes / Áreas para Cilindros de Gases Armazenagem de Vidraria Armazenagem de Produtos (não-perigosos) Arquivos Carrinhos de Gerenciamento de Materiais Depósitos de Reciclagem Capelas Planejadas A assistência profissional no planejamento e especificação de Capelas é fortemente recomendado devido à complexidade dos temas envolvidos. A informação necessária no início do projeto envolve 4 fatores: • Tamanho da Sala • Necessidades de quantidade de Capelas • Dissipação Térmica • Taxa de trocas de ar do laboratório Dica: Trocas de calor exatas vs. dados cfm de exaustão da capela pode levar a uma construção do sistema HCAV menos complexa (em termos de custos). A carga de calor da sala determina as necessidades mínimas de exaustão da sala para alcançar níveis ideais de conforto. Se houver capelas/exaustão no laboratório, elas são freqüentemente as fontes menos dispendiosas para este tipo de exaustão desde que tenha os requisitos cfm de exaustão. O fabricante da capela freqüentemente pode trabalhar o design da janela da capela vs. o tamanho da capela para ajudá-lo a obter as taxas de mudança de ar ideais. Dica: De 06 a 16 trocas de ar por hora é considerada suficiente. Como os laboratórios se tornam cada vez mais intensivos na quantidade de exaustores, esta exaustão deve exceder as necessidades de mudanças de ar da sala e garantir o funcionamento de capelas by-pass em conjunto com capelas de volume de ar variável ou sistemas com as duas posições. Dica: Tenha certeza que todas as opções tenham sido revistas com o fornecedor para minimizar o cfm de exaustão antes de considerar sistemas HVAC mais complexos. Todas as capelas devem ser testadas quanto à eficiência da captura e devem ir de encontro aos requisitos ASHRAE 110-1995. As velocidades nominais devem ser testadas e provadas para estar de acordo com SEFA 1192. A informação apresentada acima tem a intenção de tornar conhecidos os critérios gerais de seleção e tipos de capelas disponíveis.

50

Tipos Operacionais Volume Constante By-pass restrito (use com sistemas de VAV. Móveis de Altura-Fixa/Junto ao chão oferece uma forma de armazenagem econômica e de grande volume para ambientes que não requerem adaptação para mudanças em equipamentos. e possui informação de teste e construção disponíveis.) Mobiliário / Armários Planejados O mobiliário de laboratório está disponível nas tradicionais configurações de AlturaFixa/Junto ao Chão. Bancadas estão disponíveis em madeira ou aço híbrido. Bancadas de Aço Híbrido combinam a força e durabilidade da construção em aço com a alternativa estética de madeira ou laminado plástico nas portas e gavetas. recursos humanos ou procedimentos. Laboratórios que estão sob constante mudança serão melhor equipados com sistemas de mobiliários móveis ou flexíveis. Superfícies de trabalho não apropriadas podem interferir com os processos do laboratório e proporcionar danos aos funcionários.Capelas Químicas . Capelas Químicas . A grande maioria dos fornecedores já possui provavelmente construído o que você precisa. Sistema Móvel ou Flexível. Superfícies de Trabalho Planejadas A seleção ideal do material das superfícies de trabalho é crítica para a criação de um laboratório funcional. e horizontal. fácil utilização) Radioisótopos Ácido Perclórido (necessita de sistema de lavagem) Ventilação localizada Especiais (As opções são ilimitadas. Combinação) Ar Auxiliar (use somente quando outras opções não alcançarem a taxa de troca de ar desejada). 51 .Tipos Físicos Bancada Walk-In Capelas para estudantes (visibilidade do laboratório aumentada.

que podem abrir a porta para substituições inaceitáveis. – variável em função do tipo. é hora de comprar as mercadorias e contratar os serviços que irão transformar seu projeto em realidade. Quando desenvolver o mobiliário e as especificações do equipamento. Cuidado: o mesmo material pode sofrer variações dependendo do fornecedor e do processo de industrialização. Acetona Álcool Etílico Xilol Hexano Temperatura R R R NR R R R R R R R NR R R NR R R R R R R R NR NR R NR R R R R R R R R R R R R R R R R R <300ºC NR NR R R R R R R R R R NR NR R R R R R <150ºC R R NR NR R R R R R R R R R R NR R R R R R <150ºC (1) Placas maciças em resina epóxica modificada. Materiais de drenagem e sifão também devem ser escolhidos cuidadosamente. cuidado com frases como similar. Por exemplo. (3) Revestimento Monolítico de poliuretano Promova testes específicos em cada material antes da escolha final. 52 . Legenda: NR – Não resiste. estarem ajustados à aplicação e de acordo com os códigos aplicáveis. R – Resiste . Cubas Planejadas A seleção de material da Cuba e tamanhos são guiadas pela seleção da superfície de trabalho. (2) Superfície Sólida Mineral. Cubas em Aço Inox Cubas em Vycover Cubas em SSM ( superfície Sólida Mineral ) FASE III : COMPRA Agora que os projetos foram desenhados e aprovados. preste atenção em tudo e esteja certo que o especificado irá de encontro às suas expectativas. Cubas de Resina Epoxy usadas com tampos de resina epoxy.Tabela Orientativa de Resistência Química Cerâmica Grés Aço Inox 304 Aço Inox 316 (1) (2) Vipoxy Granito* SSM Laminado Melamíni co Vycover / (3) PU Ácido Clorídrico 1:1 Ácido Sulfúrico 1:1 Ácido Nítrico PA Ácido Fluorídrico PA Hidróxido de sódio 10% Hidróxido de Amônia Conc.

irá lhe assegurar que o novo mobiliário não será usado como andaime para a equipe de trabalho. Seqüência de construção. Ao agendar a instalação do teto antes das entregas dos armários e tampos. Por exemplo. Check List de Instalação Estabeleça a mudança de espaço e o cronograma Estabeleça áreas de atuação. Coordenação de pessoal de compras. Conexões finais e testes. se necessário. Revisar as listas de materiais embarcados.Check List de Compra Verba Final .Ainda há tempo para fazer mudanças. 53 . a mudança de espaço bem planejada irá minimizar confusões e economizar tempo. Lista Geral. Revisão final dos desenhos aprovados . Receber a entrega de mobiliários e equipamentos.Reveja corte de custos .Incorpore mudanças finais Especificações Gerais e Desenhos Revise os documentos da concorrência Reveja o escopo do projeto Reveja a Concorrência Contrate o trabalho Conhecimentos de Vendas FASE IV : INSTALAÇÃO O planejamento detalhado do processo de instalação é crítico para o sucesso de seu projeto de renovação. por exemplo. Os tempo de entrega de móveis e equipamentos também são críticos.

NBR 9077 – 1993 – Saídas de Emergência em Edifícios. 1992. São Paulo. SEFA 1. • Apostila do Seminário: BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIOS – Dra. LER / DORT “A Psicossomatização no Processo de Surgimento e Agravamento / Walter Gaigher Filho & Sebastião Lopes Melo – São Paulo : LTr.NATIONAL RESEARCH COUNCIL – 1989. Cadeiras e Divisórias. • Apostila do Seminário: A ERGONOMIA NOS SISTEMAS DE ESTAÇÕES DE TRABALHO – Madeirense / Provecto .01-001 a 006 –Móveis para Escritório – Mesas. 1998.21. • ABNT – NBR1 3932 – 1997 – Instalações Internas de Gás Liquefeito de Petróleo – Projeto e Execução. • • • • • • • LABORATORIOS QUIMICOS Y BIOLOGICOS – Proyecto. 1998 OSHA – FLAMMABLE AND COMBUSTIBLE LIQUIDS – 1910. São Paulo 1997. • ABNT . –1996.NBR 5413 – 1992 – Iluminância de Interiores.VIII pp 2026 set/nov 1997. 1993.2 – Laboratory Fume Hoods – Recommended Practices Std. MINISTÉRIO DO TRABALHO: NR’s –Manual de legislação atlas : segurança e medicina do trabalho. NFPA 45 Standard on Fire Protection for Laboratories Using Chemicals 2004 Edition Revista Office “Ergonomia : questão de postura “. Construcción. • GERÊNCIA DE PROGRAMAS E PROJETOS – PINI – Eng. • ISO/IEC 17025 – Requisitos gerais para competência de laboratórios de ensaio e calibração. 2001 54 • . • ENGENHARIA DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL – MESQUITA. 39ª ed.1997. • ABNT – NBR 13035 – Planejamento e Instalação de Laboratórios para Análises e Controle de Águas. GUIMARÃES. Sanchez. • • • BS8800:1996 – Occupational Health and Safety Management Systems BIOSAFETY IN MICROBIOLOGICAL AND BIOMEDICAL LABORATORIES – CDC – NIH – 3rd edition.NBR 10152 – 1987 – Níveis de Ruído para Conforto Acústico.1997. • ABNT .106. Referências Bibliográficas • ABNT . Petra S. BIOSAFETY IN THE LABORATORY – Prudent Practices For The Handling And Disposal Of Infections Materials. Paul Campbell Dinsmore. • ABNT – Projeto de Norma 15:300. NFPA 101B – Engl 1999 – Appendix A – Means of Egress for Buildings and Structures. NEFUSSI CETESB– 1985. • ABNT – NBR 13523 – 1995 – Central Predial de Gás Liquefeito de Petróleo. Trimestral. • INDUSTRIAL VENTILATION – ACGIH – 22nd edition – 1995. Instalaciones – WERNER SCHRAMM – 1973. V. • Apostila do Seminário: PROJETO E CONSTRUÇÃO DE ÁREAS LIMPAS – SBCC .

sócio da Adriferco Engenharia 55 . Britto.ANEXO I Considerações sobre Climatização de Laboratórios Por: J. eng. mecânico. Fernando B. projetista de sistema de tratamento de ar.

Por outro lado. que também são dotados de ventilação mecânica exaustora. Outros vazamentos. neutralização ou aplicação de materiais absorventes ou adsorventes. Do ponto de vista do sistema de tratamento de ar. uma vez que em grande parte dos casos a dissipação. que usualmente é climatizado. Além disso. Tanto para a proteção dos usuários quanto dos processos. devem ser levadas em consideração quatro preocupações fundamentais: a proteção dos usuários e dos processos e os riscos de incêndio e de vazamentos químicos. porém introduz uma variação ainda maior nas necessidades de insuflação do ambiente. usualmente. Estas duas medidas também auxiliam na redução dos riscos de incêndio. sendo a vazão de insuflação requerida pelo ambiente em função da carga térmica interna determinada pela equação: ρ * V/dt = HSI/dt * (cP * ∆t) -1 Sendo: ρ = massa específica do ar na insuflação [kg/m³] V/dt = derivada do volume no tempo (vazão volumétrica) [m³/s] HSI/dt = derivada do calor sensível interno no tempo (carga térmica) [W] cp = calor específico do ar seco à pressão constante [1. quando se utilizam reagentes voláteis nos processos ou quando estes necessitam do fornecimento de grandes quantidades de calor (geralmente fornecidos por combustão). variam a vazão de exaustão em função do tamanho da abertura frontal.0048 kJ/kg. o tempo de utilização e a simultaneidade de operação dos instrumentos empregados nos ensaios laboratoriais costuma produzir uma carga térmica sensível interna (HSI) relativamente pequena e muito variável. bem como os fumos oriundos dos processos de combustão. isto permite uma significativa economia de energia no sistema de tratamento de ar do ambiente. devido à vazão desta exaustão não ser constante. Adicionalmente.Considerações sobre economia de energia em projeto de sistemas de tratamento de ar para laboratórios de análises físico-químicas Ao serem elaborados projetos de sistemas de tratamento de ar para os laboratórios de análises físico-químicas. os sistemas de exaustão das capelas reagência são dotados de dispositivos destinados a manter uma velocidade de escoamento constante sobre a área de abertura da guilhotina da capela e. portanto. principalmente nos ambientes onde são localizadas as capelas de reagência. uma vez que nem sempre todas as capelas estão em operação e que estas podem operar com vazões diferentes quando suas guilhotinas estão abertas completa ou parcialmente. nos quais a necessidade de exaustão costumam ser muito grandes. Em instalações mais modernas. Então. Como o ar admitido pela capela vem do ambiente no qual esta foi instalada. oC] ∆t = diferencial entre a temperatura de entrada e saída do processo [oC] 56 . ocorridos sobre as bancadas ou o piso do laboratório usualmente são tratados por diluição. a preocupação deriva da grande quantidade de ar de renovação necessária para reposição das necessidades de exaustão e. pois removem os fumos e vapores voláteis emanados pelos reagentes e suas reações. principalmente. tanto as capelas de reagência quanto os armários de reagentes possuem dispositivos para contenção e drenagem de vazamentos dos químicos neles contidos. os reagentes químicos utilizados nos processos geralmente são armazenados em armários à prova de explosão. os mesmos são usualmente executados em capelas de reagência dotadas de ventilação mecânica exaustora.

sua redução aumenta a vida útil dos filtros de ar e facilita a manutenção da qualidade do ar no ambiente.Pode ocorrer de a vazão de ar de insuflação requerida pela carga térmica ser relativamente pequena.7 oC com umidade relativa de 90%. A forma mais econômica de fazê-lo utiliza uma unidade VAV adicional na admissão do ar externo. que pode estar sendo captado em condição desfavorável ao processo. devem ser verificadas as seguintes condições: a) As condições termoigrométricas à montante do dispositivo VAV sejam mantidas constantes de forma a limitar o número de variáveis envolvidas no processo e permitir a manutenção da condição de umidade no ambiente.h. Esta economia deriva de múltiplos fatos: 1. em frente às capelas. A soma de todos os fatos acima também prolonga a vida útil dos componentes mecânicos do sistema e a redução do nível de ruído da instalação. a qual é atuada por um sensor de pressão relativa instalado no ambiente. chegando a ser inferior à necessidade total de exaustão imposta pelas capelas. de forma a manter uma condição interna de 22 oC com 50% de umidade relativa. Como o ar externo costuma ser a maior fonte de entrada de particulado no sistema. conseqüentemente. acarretando na necessidade de reaquecimento do ar de insuflação para garantir as condições termoigrométricas internas do ambiente.6 gVAPOR/kgAR SECO e saindo da serpentina a 12. incorrendo em um descompasso entre a condição de temperatura de saída da serpentina requerida para manutenção da umidade no ambiente e o calor removido em função do diferencial de temperatura entre a insuflação e a condição a ser mantida no ambiente. quando os ambientes se tornam “mais positivos” não se percebem problemas significativos. Durante as operações de redução da vazão de ar externo. um sistema localizado ao nível do mar. Ao se reduzir a necessidade de exaustão também se reduz a necessidade de ar de reposição. além de diminuir o consumo do moto-ventilador. dotados de grelhas localizadas junto ao nível do forro. porém. durante o aumento da vazão 57 . b) A vazão de insuflação deve ser ajustada tanto em função das necessidades de exaustão quanto das condições termoigrométricas do ambiente. embora ocorra vazamento de ar também para os ambientes circunvizinhos. Ao se reduzir a vazão de insuflação ocorre redução das necessidades de refrigeração e de reaquecimento. o que permite uma economia de energia muito grande em relação aos sistemas com vazões fixas. 2. Porém como a velocidade do moto-atuador do VAV é relativamente pequena (seu curso total geralmente leva 90s).2 TR para cada 1000 m³/h de ar insuflado no ambiente. dependendo da eficiência do sistema implantado. o que permite a instalação de dispositivos de Volume de Ar Varíavel (VAVs) na insuflação. controlados em função das condições internas e das necessidades de exaustão. Apenas como referência. irá demandar 4. Isto representa um consumo elétrico entre 5 e 6 kW. Sabendo-se que a vazão total de exaustão não é constante. a vazão de insuflação também poderá variar. c) A vazão de ar externo do sistema deve ser constantemente ajustada. requerendo seu resfriamento e desumidificação. de insuflação variam. Este problema pode ser contornado instalando-se dutos de alívio para o exterior. devendo ser corrigida a temperatura de insuflação (por reaquecimento) caso as necessidades impostas pela exaustão sejam maiores que as requeridas pelo ambiente. 4. ocorre muita alternância na pressão relativa do ambiente. Para que o sistema de tratamento de ar possa ser dotado de dispositivos VAV. admitindo-se calor latente interno nulo. à medida que as vazões de exaustão e. 3. operando com 100% de ar externo admitido a 34 oC com umidade específica de 16.

sistemas de controle do tipo proporcional passam a operar como sistemas do tipo liga/desliga. o que. há algumas limitações que devem ser observadas com relação ao uso de dispositivos VAV em laboratórios: i. Além disso. que também pode ser controlado pelo sensor de pressão do ambiente. O método mais adequado ajusta a vazão de ar de reposição por meio do monitoramento das vazões de exaustão das capelas ou da condição de abertura de suas guilhotinas. Neste caso. em determinadas áreas esta variação pode acarretar problemas para os instrumentos. pois ocorre uma mudança no regime de escoamento do fluido. Isto permite definir previamente as posições mínimas necessárias dos moto-atuadores dos VAVs e/ou a vazão da unidade de pré-tratamento de ar para cada condição do processo. Um método mais eficiente utiliza uma unidade de pré-tratamento de ar (make up air unit) com moto-ventilador acionado por inversor de freqüência. o inversor pode variar de 0 a 100% em um intervalo de 5 a 10s. se os moto-ventiladores de exaustão também possuírem inversores de freqüência. Nestes casos é interessante prever a instalação de dispositivos de controle de condensação ou de “by pass” de gás quente. o que reduz sensivelmente a duração da alternância na pressão do ambiente. além de causar ciclagem excessiva dos compressores. ao operar abaixo de 25% da capacidade nominal. pode ser necessária a implantação de um CLP (controlador lógico programável) para efetuar o controle necessário. dificultando o controle das condições no ambiente. a oscilação nas condições termoigrométricas acarretada por este problema pode ser tolerada pelos processos executados no interior do laboratório. é necessário limitar a vazão mínima do sistema de forma a evitar a formação de gelo sobre a serpentina. contudo. 58 . reduzindo significativamente a capacidade de troca térmica da serpentina. e) Em função do número de variáveis a serem controladas. d) Deve ser previsto um sistema de recirculação para os momentos quando o fluxo de ar insuflado for maior que o exaurido (capelas desligadas). Devem ser verificadas as vazões mínimas necessárias para garantir a qualidade do ar interior e a diluição de eventuais contaminantes. iii. estes dispositivos podem introduzir grandes quantidades de ar sem quaisquer tratamentos diretamente no ambiente. Usualmente. paralelamente ao monitoramento da pressão relativa do ambiente. o que acaba por minimizar os ganhos obtidos com a redução da vazão. uma vez que não há qualquer indicativo prévio da redução de capacidade). E. além de reduzir a vazão circulante. Na maioria dos casos. pode causar severos danos ao equipamento. Obviamente. podendo levar à sua queima. praticamente eliminando a alternância na pressão do ambiente.exaustão. especialmente em ambientes classificados quanto à concentração de particulado ou explosividade. Quando utilizadas unidades do tipo expansão direta. ii. nestes casos a redução do fluxo de massa de ar circulante pode causar excesso de desumidificação. o intervalo necessário para sua aceleração pode ser ajustado para se adequar à atuação dos demais dispositivos. Quando utilizadas unidades do tipo expansão indireta a redução de capacidade pode tornar o controle de capacidade térmica por redução da vazão de fluido refrigerante (por exemplo: válvula de água gelada) pouco eficiente em baixas capacidades (mesmo ao se utilizarem algoritmo do tipo PID.

Também é recomendada a utilização de dispositivos de filtragem fina (classes F8 ou F9. que podem ter sua acuidade afetada pela deposição de particulado em suas lentes. conforme NBR 16401) no ar de insuflação para proteção de diversos instrumentos. principalmente no caso de instrumentos ópticos de alta resolução e de microscopia. é necessário tratar os gases removidos pelos sistemas de exaustão antes de descarregá-los na atmosfera.Este problema pode ser solucionado empregando-se sistemas de alimentação de fluido refrigerante com dispositivo de “blend” (recirculação de parte do fluido que saí do trocador). que operam com vazão constante do fluido e variam a temperatura do suprimento. Bibliografia • 2005 ASHRAE Handbook – Fundamentals • 2007 ASHRAE Handbook – HVAC Applications • ACGIH Industrial Ventilation • ABNT NBR 16401 59 . Em alguns casos se empregam serpentinas de resfriamento e desumidificação com dois ou mais estágios. mas não menos importante. Por último.

captando ar do ambiente e. Quando os meios de cultura chegam aos laboratórios microbiológicos estes são abertos exclusivamente em cabines de segurança biológica. Uma vez que cada área de aplicação (alimentícios. os quais agora têm conteúdo biológico. é muito importante que o próprio ambiente onde se encontram as cabines de segurança biológica sejam ao menos controlados e. embora a eficiência dos filtros seja extremamente alta. estas possivelmente serão contaminadas pelos microorganismos contidos nas amostras. de curtíssima duração) para quaisquer efeitos práticos. ela não possui 100% de eficiência. antes de ser devolvido ao ambiente ou descarregado na atmosfera. etc. onde são analisados por meio de inspeções geralmente visuais. sendo desejável que estas sejam melhores que as encontradas no local onde são coletadas as amostras a serem analisadas. passando por estágio(s) de filtragem de alta eficiência (HEPA). Por este motivo. será transitória (e. estes são limpos e sanitizados freqüentemente. para coleta de uma amostra de seu conteúdo microbiano. porém há um novo enfoque quanto ao risco de vazamentos. para manter os ambientes de processo (onde são efetuadas as amostragens) livres de conteúdo microbiano indesejável. além de químico. podemos apenas controlar o conteúdo biológico dentro de condições ditas “seguras para o processo”. Caso algum microorganismo consiga se instalar no duto de exaustão. o que produz meios pobres em nutrientes e acabam por criar microorganismos altamente resistentes. poderá eventualmente formar um novo biofilme e migrar daí para o ambiente onde se encontra o usuário. através de fissuras (geralmente nas juntas) dos dutos de exaustão. mesmo que possa ser obtida. classificados (quando isto não for mandatório) com relação à concentração de partículas em suspensão no ar. farmacêutico. com ou sem o auxílio de reagentes e microscopia. para preservar o balanço de massa do fluxo escoado pelo sistema. O principal problema consiste no fato de que. portanto. É sabido que a condição de completa esterilidade. os quais se depositarão sobre os filtros de alta eficiência da cabine. todos eles irão concordar que as condições sanitárias de operação dos laboratórios devem ser no mínimo iguais. No entanto. hospitalar. responsáveis pela proteção do meio ambiente. nos laboratórios microbiológicos também devem ser levadas em consideração preocupações com respeito à proteção dos usuários e dos processos e quanto aos riscos de incêndio. é esperado que uma pequena parte (podendo até ser infinitesimal). Adicionalmente. Deste modo. inerentes ou não aos produtos.Considerações sobre projetos de sistemas de tratamento de ar para laboratórios de Microbiologia De forma análoga à ocorrida nos laboratórios físico-químicos. seguida de posterior análise em laboratórios especializados. escape do filtro e migre para interior do duto de exaustão (podendo nele se instalar) e deste para a atmosfera (o que estará além do controle do laboratório). Ao expor estes microorganismos no interior das cabines. os manuais de “Boas Práticas de Laboratório” associadas a cada área terá suas próprias particularidades e recomendações. Esta forma de controle implica na exposição (direta ou indireta) de meios de cultura ou placebos (que consistem em meios de cultura modificados) aos ambientes. 60 . se possível. normalmente. formando um biofilme que pode já ser altamente resistente aos biocidas e aos sanitizantes normalmente empregados. Para proteger o operador e o ambiente onde este se encontra. as cabines de segurança biológica operam sob pressão negativa. este ar deve ser exaurido parcial ou totalmente (em função dos riscos associados ao material processado).) tem suas próprias peculiaridades e conteúdos biológicos típicos.

sempre que o balanço de massa do sistema resultar em uma recirculação parcial é recomendável a aplicação de sistemas do tipo “face and by-pass”. é muito desejável que este seja independente de outros ambientes e processos. Do ponto de vista do sistema de tratamento de ar. pois estes locais também irão requerer limpezas e sanitizações freqüentes e. Além disso. Isto pode causar grandes dificuldades na manutenção das condições internas de temperatura e umidade. Deste modo. para compensar a paramentação requerida para acesso (e proteção) do usuário ao ambiente em que se localiza a cabine. Porém. de forma a dimensionar uma reposição adequada destes fluxos. além dos procedimentos de limpeza. Também é necessário conhecer as necessidades de exaustão das cabines e prever as vazões necessárias para manutenção da cascata de pressões requerida pelo laboratório. Por outro lado. é impossível controlar suas condições termo-higrométricas.Isto implica em que. se possível em posição terminal. ao usarmos sistemas de tratamento de ar. A determinação da porcentagem da vazão em massa de ar de by-pass pode ser determinada por meio do seguinte algoritmo: 61 . conseqüentemente. falsos positivos. pressão estática e número de recirculações controlados. como geralmente os ambientes dos laboratórios são relativamente pequenos. conseqüentemente. serem resistentes aos sanitizantes e todas as frestas e juntas devem ser completamente seladas. além de ter suas condições de temperatura. geralmente captando ar de ambientes circunvizinhos e insuflando nos ambientes das cabines. são utilizadas unidades de ventilação com filtragem de alta eficiência (HEPA). uma vez que evita (ou ao menos minimiza) contaminações oriundas do próprio ambiente em torno da cabine. a arquitetura dos ambientes em que as cabines são localizadas passa a ser muito importante. para se evitarem contaminações cruzadas e. As superfícies internas do ambiente devem possuir acabamento liso. o ambiente seja atendido por um sistema de tratamento de ar com filtragem de alta eficiência (HEPA). como a carga térmica sensível interna dos ambientes onde se encontram as cabines costuma ser muito pequena e a necessidade de manutenção do número de trocas (ou recirculações) resulta em uma vazão muito maior que a requerida pela carga térmica. o sistema de tratamento de ar acaba requerendo uma bateria de reaquecimento. Adicionalmente. possuindo vazões de insuflação relativamente pequenas. Outrossim. de forma a permitir a remoção adequada de umidade e a manutenção da temperatura correta de insuflação. elevando a temperatura desta mistura e reduzindo as necessidades de reaquecimento e umidificação do sistema. é necessário que a temperatura deste ambiente seja controlada em patamar inferior ao do restante do laboratório. Embora este procedimento propicie uma melhoria das condições internas do ambiente da cabine. umidade relativa. a escolha dos materiais de construção e de acabamento deve ser muito cuidadosa. não é incomum que o sistema de tratamento de ar opere com altas taxas de ar externo. como as cabines de segurança biológica retiram (e algumas vezes devolvem) ar diretamente do ambiente onde se encontram. o fato de as condições deste ambiente também serem controladas acaba sendo um importante aliado na garantia do processo. nos quais parte do ar recirculado (retorno) é desviada para ser misturada com o fluido resfriado pela serpentina de resfriamento e desumidificação. requerendo a implantação de sistemas de reaquecimento e de umidificação. além de afetar as condições de operação do ambiente vizinho que pode passar a operar com pressão negativa devido à exaustão da cabine. Em alguns casos. sob pena de se produzir estresse térmico ao usuário. às vezes chegando a operar com 100% de ar externo. paramentações e acesso controlado.

lembrando-se também que a potência efetiva do motor do ventilador será convertida em carga de reaquecimento absorvida pelo fluido. além da primeira casa decimal). a entalpia específica neste ponto não se modificar (ao menos. é recomendável que seja prevista alguma potência adicional de reaquecimento. Como a potência efetiva do motor do ventilador irá variar em função da saturação dos filtros e não há completo domínio sobre as condições do ar externo. Isto geralmente ocorre após duas ou três iterações. 2º Passo: Determinar proporção da mistura: 3º Passo: Ajustar umidade na saída da serpentina: %BP = 1 – (hM – hBP) / (hM – hSS) W SS = (mM * wM – mBP * wBP) / mSS O algoritmo se encerra quando. Bibliografia • 2005 ASHRAE Handbook – Fundamentals • 2007 ASHRAE Handbook – HVAC Applications • ACGIH Industrial Ventilation • ABNT NBR 16401 62 . sendo necessário complementar o balanço energético com carga de reaquecimento. Caso a vazão de ar recirculado seja muito baixa. ao atualizar a umidade específica necessária na saída da serpentina.1º Passo: Utilizando as equações fundamentais da psicrometria. a entalpia requerida pela mistura do by-pass não será satisfeita. para garantir a manutenção das condições termoigrométricas internas dos ambientes. a umidade específica (w) e a entalpia específica (h) do ar na mistura (M). na saída da serpentina (SS) e no By-pass (BP). A entalpia da mistura está associada às condições de temperatura e umidade requeridas pela carga térmica interna do sistema. determinar a temperatura de bulbo seco (TBS).

ANEXO II Regulatory and Industry Consensus Standards 63 .