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EXAME FÍSICO DE TÓRAX APARELHO RESPIRATÓRIO Antes do exame físico, podem-se obter informações sobre as condições do aparelho respiratório

por meio da anamnese, inquirindo-se sobre a presença de sintomas relacionados com alterações ou funcionais desse aparelho. No exame físico geral, podem ser notadas algumas alterações que são indicadoras ou estão relacionadas com problemas como tosse, dispnéia, cianose, pletora, baqueteamento digital e presença de adenomegalias. INTRODUÇÃO No exame físico específico, o tórax deve estar desnudo ou coberto com o mínimo possível de roupas, e deve – se cuidar que a posição do paciente permita a observação de toda a região . Geralmente, o paciente permanece sentado. Se o paciente não puder sentar-se sem ajuda, ele deve ser amparado para manter-se nessa posição. Se isso for impraticável, a face posterior do tórax deve ser examinada, colocando-se o paciente em decúbio lateral; em primeiro lugar ,examina-se o hemitórax superior, e após a troca de decúbito, o lado oposto. O exame físico do tórax inclui quatro técnicas clássicas, a saber: inspeção (estática e dinâmica), palpação, percussão e ausculta . Cada uma delas será descrita subsequente, assim como os sinais que permitem ao examinador inferir a presença e o tipo das várias lesões pulmonares. O exame físico é, em grande parte, um estudo comparativo: cada região deve ser comparada com a região correspondente do hemitórax oposto. Esse procedimento é muito útil para a detecção de pequenos desvios da normalidade. LINHAS E REGIÕES DO TÓRAX LINHAS DO TÓRAX A superfície do tórax é dividida por linhas em regiões. As alterações devem ser descritas com a maior precisão anatômica possível, referindo- sempre a região do tórax em que são observadas.

As linhas divisórias da face anterior do tórax são as seguintes: • Linha vertical- Linha esternal, que passa pela borda do esterno, de um lado e de outro. • Linha horizontais- A primeira é traçada, para a direita e para a esquerda, a partir da terceira articulação condroesternal. Essa articulação serve portanto, de reparo para a contagem dos arcos costais e dos espaços intercostais da face anterior do tórax . A segunda linha é traçada, para a direita e para esquerda, a partir da sexta articulação condroesternal e se prolonga pela lateral do tórax. Inserir a figura 1 As linhas divisórias da face lateral do tórax são as seguintes: • Linha verticais- Axiliar anterior, traçada para baixo, a partir da prega axiliar anterior, axiliar posterior, traçada a partir da prega axiliar posterior, axiliar média, que se inicia no côncavo axiliar, e situa-se entre as linhas axilares anterior e posterior. • Linha horizontal- É a prorrogação da linha traçada a partir da sexta articulação condroesternal. Inserir a figura 2 Quando à face posterior do tórax, as linhas divisórias são estas: • Linhas verticais – Linha vertebral, traçada sobre os processos espinhosos das vértebras. • Linha escapular- Traçada ao longo da borda interna da escápula. • Linha horizontais- A primeira passa pela borda superior de escápula , e a segunda, pela borda inferior de escápula. Inserir a figura 3

Região infra-axiliar. estende-se até a linha axiliar anterior. meldialmente. As regiões da face posterior do tórax são as seguintes: Região supra-escapular – Superior e lateralmente. pela linha que passa pela Sexta articulaçào condroesternal. pelas linhas esternais Região supra-esternal: Corresponde à região delimitada pelo prolongamento das linhas esternais para o pescoço. a linha corresponde à sexta articulação condroesternal. o limite superior é o côncavo axiliar. e. o limite inferior. medialmente.REGIÕES DO TÓRAX • • • • • • • • • • • • São as seguintes as regiões da face anterior do tórax: Região esternal: Limitada. é limitada pela borda superior do trapézio. Região mamária: O limite superior é a linha que passa pela terceira articulação condroesternal. posteriormente. pelo prolongamento da linha esternal ao pescoço. Região escapular . e lateralmente. e o externo. pela borda superior do trapézio. pela borda anterior do músculo deltóide. superiormente. O limite interno é a linha vertebral. a linha axilar posterior. e. e o inferior. a linha axiliar anterior. lateralmente.Os limites laterais são as linhas axilares anterior e posterior. As regiões da linha do tórax são estas: Região axiliar. É limitada superior e inferiormente . Região interescapulovertebral – É a região compreendida entre as linhas vertebral e escapular. Região inframamária: É delimitada. Região infraclavicular: O limite superior é a borda inferior da clavícula. e o inferior . inferiormente. e o limite externo. e. a linha horizontal traçada a partir da terceira articulação condroesternal. inferiormente. é limitada pela boprda superior da clavicula. lateralmente. pela borda costal. de cada lado.Também delimitada.Compreende a região coberta pela escápula. superiormente. pela linha correspondente à sexta articulação condroesternal. Região supraclavicular: Anteriormente. pelas linhas axilares anterior e posterior. a região é limitada pela linha esternal. a linha esternal. Região infra-escapular – O limite superior é a linha que passa pela borda inferior da escápula. pela borda costal. o limite inferior é a linha que passa pela borda superior da escápula. e o inferior é a borda costal.

menos comuns são: • Tórax em peito de pomba.É decorrente de anormalidade das curvaturas da coluna torácica que podem ser predominantemente laterais (escoliose) posteriores (cifose) ou combinadas (cifoescoliose). há deslocamento do esterno para trás. da musculatura . especialmente de toracotomia.se esquadrinhar os seguintes elementos: • pele e suas alterações. em que ocorre aumento do diâmetro ântero . • presença de atrofias musculares.pelas linhas que passam pelas bordas superior e inferior da escápula. • Tórax cifoescoliótico. No exame do tegumento.posterior e látero-lateral de 1. do tecido celular subcutâneo. • alteração ósseas e articulares Forma do tórax O tórax normal mantém uma relação entre os diâmetros antero.2. Entre as patologias torácicas. decorre. INSPEÇÃO DO TÓRAX INSPEÇÃO ESTÁTICA A inspeção estática consiste na observação do tórax sem considerar os movimentos respiratórios. respectivamente. .posterior. • sistema venoso visível normalmente e circulação venosa colateral. drenagem torácica e mastectomia e suas descrições. devem. Essa anomalia. em geral da hiperinsuflação pulmonar que acompanha algumas patologias por causa do aumento da resistência ao fluxo aéreo e/ou da perda da retração elástica pulmonar.É a deformidade que decorre do deslocamento do esterno para a frente. • presença e localização de fístulas. Outras variações anormais da forma do tórax. de tal maneira que os arcos costais anteriores se projetam mais anteriormente do que o esterno. dos ossos e das articulações .Nesse tipo. • Tórax escavado. • presença de edema. • presença de cicatrizes. o tórax globoso destaca-se como a mais comum.

os movimentos são regulares. incluem-se: • . já que. A freqüência precisa ser contada durante pelo menos 30 segundos. deve-se observar se existe simetria normal entre os dois hemitórax. bem como na região que ocupam e em sua extensão. O ritmo de Cheyne–Stockes é observado na presença de insuficiência circulatória e em doenças vasculares cerebrais . o método usado é contar os movimentos respiratórios enquanto se estima a contagem da freqüência do pulso. define-se taquipnéia como a freqüência respiratória igual ou maior do que 24 movimentos por minuto.No exame físico do tórax. de preferência em decúbito dorsal. a freqüência respiratória em indivíduos adultos normais em repouso varia de 12 a 22 movimentos por minuto. e bradipnéia.Ritmo de Cheynes. Em razão das incertezas das medidas. da forma mais discreta possível. INSPEÇÃO DINÂMICA Freqüência respiratória Segundo vários autores. Recomenda-se verificar a freqüência respiratória do paciente em repouso. Repara-se na presença de retratações ou abaulamentos. com periodicidade de 15 a 30 segundos. freqüentemente. Apnéia é a suspensão da respiração. A amplitude dos movimentos respiratórios aumenta e diminui gradualmente ( modelo em crescendo e decrescendo). Inserir figura 4 Entre as anormalidades do ritmo respiratório.Stockes: consiste na alternância de períodos em que ocorrem movimentos respiratórios e período de apnéia. . e não existe pausa entre eles. Ritmos respiratórios No ritmo respiratório normal. a freqüência menor do que 12 movimentos por minuto. o ato de medir influencia medida. Razão importante para essa variabilidade é que a freqüência respiratória “normal” é difícil de ser medida.

sua musculatura. a expansibilidade é simétrica e igual nos dois hemitórax. trapézio. a expansão do gradeado costal. a pleura ou o pulmão de um lado. Ocorre na presença de grave sofrimento cerebral. consequente à . • Respiração paradoxal – Normalmente. Seja qual for a estrutura doente. Inserir figura 7 Expansibilidade Torácica Normalmente. o hemitórax comprometido move-se menos. • Uso da musculatura acessória da respiração. os movimentos respiratórios são irregulares em frequência e amplitude. ocorre na acidose metabólica. profundos e regulares. Inserir figura 6 • Ritmo de Biot. podendo haver períodos de apnéia. ocorre concomitantemente com a expansão do abdome. A assimetria é mais facilmente reconhecida quando o paciente realiza inspiração profunda.Em condições associadas com o aumento do trabalho respiratório. pode ser precocemente percebida pela assimetria dos movimentos ventilátorios. ao se compararem ambos os hemitórax. por causa da ação dos músculos inspiratórios.No ritmo de Biot. geralmente se observa o uso dos músculos acessórios da respiração (esternocleidomastóideo. Qualquer doença que afete a caixa torácica. peitorais e serratus).inserir figura 5 • Ritmo de Kussmaul.É o ritmo em que os movimentos respiratórios são rápidos. o diafragma.

esternal e supraclaviculares que ocorre durante toda a inspiração. podendo anunciar insuficiência respiratória iminente. bilateral. Durante a inspiração. a diminuição do diâmetro látero-lateral do tórax inferior. observar movimentos respiratórios paradoxais entre os dois hemitórax. obstrução traqueal ou brônquica bilateral ou por condições associadas com a redução da complacência pulmonar.se o sinal de Hoover em pacientes portadores de hiperinsuflação pulmonar grave. Na obstrução brônquica regional. freqüentemente. o que explica a tiragem. o que se observa. secundário a instabilidade da caixa torácica unilateralmente (fraturas múltiplas de arcos costais) Retratação Inspiratórias Tiragem Tiragem é a depressão inspiratória dos espaços intercostais e das regiões supra. a contração de suas fibras promove . inflamação e fibrose pulmonar. é retração do terço inferior do tórax e não a expansão. Cornagem . cujo diafragma se mantém retificado e rebaixado. e não se deve solicitar que o paciente realize inspiração profunda. A tiragem indica a presença de dificuldade na expansão pulmonar. a tiragem é unilateral. como seria esperado normalmente. também. Dessa maneira.descida do diafragma. Em conseqüência dessa dificuldade. A tiragem pode ocorrer por obstrução brônquica regional. paradoxalmente. Sinal de Hoover Observa. como edema. indicam fadiga dos músculos respiratórios. para a manutenção da ventilação alveolar é necessário que ocorra uma queda maior da pressão intrapleural. e nas outras condições mencionadas. Os movimentos não sincronizados do gradeado costal e do abdome são chamados de respiração paradoxal e. Podem –se. A tiragem dever ser pesquisada em respiração espontânea e natural. à inspiração.

nas regiões superiores. que revela sinais precoces de anormalidades da caixa torácica.se movimentos circulares. sobretudo.Cornagem é respiração ruidosa. inicialmente. A palpação é feita com os dedos aplicados sobre a pele. para cima. separadamente. nas faces anterior. considerando-se. O paciente é informado para referir sobre a existência de pontos e áreas dolorosas. no sentido ântero-posterior. e o médico deve posicionar-se. Os seguintes itens devem ser pesquisados: sensibilidade. mas é na palpação que esse movimentos são mais bem avaliados. O paciente deve permanecer sentado.se as condições das partes moles e do arcabouços ósseo. de modo a exercer compressão das camadas superfíciais do tegumento sobre o gradil costal. pleura ou pulmão subjacente. Regiões superiores A expansão torácica. traquéia ou laringe. posicionando-se atrás do paciente. . à frente dele e. Expansibilidade Torácica Os movimentos ventilatórios podem ser analisados por meio da inspeção. verificam. Deve-se tomar cuidado de resgitrar o ponto ou áreas em que a alteração foi observada. audível a certa distância e produzida por obstáculos à passagem do ar no nível das vias aéreas superiores. Pequenas variações regionais da expansibilidade podem ser detectadas pela palpação. ocorre. verticalmente. A expansibilidade é pesquisada do modo descrito a seguir. deve-se palpar. depois. enfisema subcutâneos e ósseos dos arcos costais . realizando. nas faces anterior e posterior. sistematicamente. e. as regiões superiores e inferiores do tórax. PALPAÇÃO DO TÓRAX Inicialmente. posterior e lateral. toda a superficície do tórax. no tórax posterior. Nessa fase do exame. repetir a manobra.

. e é ela que será verificada. à frente do examinador. de modo que as pontas dos dedos venham a apoiar-se nos músculos trapézios. recomenda-se fazer uma pequena prega cutânea. o afastamento deve ser igual em ambos os lados do tórax. Os dois polegares devem juntar-se no nível da linha vertebral. deixando entre eles uma prega cutânea. de modo que as pontas dos dedos venham a apoiar-se no músculo trapézio. Os dois polegares juntam-se no nível da linha médio-esternal (a linha que corre pelo meios do esterno). que deve ser simétrico. A expansibilidade é analisada como anteriormente. formando uma pequena prega cutânea.Para a face anterior. O paciente deve ficar de costas para o examinados. Ela é avaliada pela sensação tátil e visual da expansão torácica. Normalmente. esta última evidenciada pelo afastamento dos dois polegares. Durante a inspiração profunda. O paciente deve estar sentado. Regiões inferiores Na face anterior. a expansibilidade lateral é predominante. os polegares junto na linha médio-esternal. verifica-se o afastamento dos sois polegares. A pesquisa da expansibilidade é realizada como foi descrito anteriormente. a expansão torácica ocorre principalmente no sentido lateral. Este coloca as mãos espalmadas sobre as regiões infra-escapulares. Ao juntarem-se os dois polegares. colocam-se as mãos cobrindo a região supra-escapular de cada lado. os demais dedos direcionam-se para as regiões infra-axilares. A expansibilidade é analisada como descrito anteriormente. Para pesquisar a expansibilidade na face posterior. Este coloca as mãos espalmadas sobre as regiões inferiores do tórax. os demais dedos direcionamse para as regiões axilares. na região infraclavicular. A expansibilidade é pesquisada solicitando-se ao paciente que respire mais profundamente que o normal. Na face posterior. o médico coloca as mãos cobrindo a região supraclavicular de cada lado. formando uma prega cutânea. os polegares juntos na linha vertebral.

como o frêmito pleural. p. nas faces posterior e lateral. à palpação da parede torácica. A presença de barreiras entre o pulmão e a superfície do tórax também leva à diminuição do frêmito toracovocal. Na face anterior. em voz alta. Essas vibrações são percebidas. especificamente a metade distal da região palmar e a metade proximal dos dedos. o frêmito toracovocal está aumentado nas áreas de condensação (substituição do ar. seguindo-se a mesma técnica descrita anteriormente para a pesquisa do frêmito toracovocal. Em consequência. podendo modificar-se com a tosse. A palpação das vibrações produzidas pelos sons vocais.A pesquisa do frêmito toracovocal é uma manobra comparativa: examinam-se os hemitórax de cima para baixo. são transmitidas à parede torácica. transmitidos à parede torácica. Isso ocorre porque a árvore brônquica direita é mais calibrosa e está situada mais posteriormente. O frêmito toracovocal é geralmente mais intenso nas regiões interescapulovertebral e infraclavicular direitas. Outros frêmitos A presença de obstrução nas vias aéreas pode gerar vibrações. a pesquisa é feita somente nas regiões infraclaviculares. A transmissão do som é melhor nos meios sólidos e é dependente da permeabilidade das vias aéreas. o paciente é solicitado a repetir. A palpação é sempre realizada com a mesma mão e a mesma região da mão. quando da passagem de ar. por líquido e/ou células) e diminuído nas áreas de obstrução brônquica. O frêmito pleural . A palpação dos frêmitos brônquico e pleural é realizada durante movimentos respiratórios mais profundos que o usual. nos espaços alveolares. No caso de processos inflamatórios pleurais. em toda a superfície do tórax. pelo atrito entre as pleuras parietal e visceral. Quando a mão é colocada sobre o tórax. ex. como o frêmito brônquico.Frêmito toracovocal Os sons produzidos pelas cordas vocais são transmitidos pela árvore traqueobrônquica até a parede torácica. as palavras “trinta e três”. Essas vibrações são percebidas. durante os movimentos respiratórios. à palpação. em cada movimento respiratório.. presença de ar (pneumotórax) e/ou líquido (derrame pleural) entre as pleuras parietal e visceral. constitui o frêmito toracovocal. as vibrações produzidas.

Isso pode ocorrer. Existindo excesso da quantidade de ar em relação à quantidade de tecido. em conjunto. tecido subcutâneo e pele) e o ar contido nos pulmões. produzem um som. Isso ocorre nas seguintes situações: • Quando o ar dos pulmões é substituído por líquido e/ou células. as partes moles (incluindo tecido pulmonar. Se a relação ar: tecidos está reduzida. do tecido subcutâneo. quando o som é exageradamente ressonante. quando há pneumotórax. o que constitui a atelectasia. como acontece na consolidação (p. O som produzido nessas condições é chamado de hipersonoro. por exemplo. que é chamado de som claro pulmonar ou simplesmente som normal. o som produzido à percussão do tórax é curto e seco. presença de ar entre as pleuras. Quando existe desequilíbrio na relação normal ar: tecidos. pneumonia). no mesmo indivíduo e entre pessoas diferentes.. das mamas e dos músculos. À percussão do tórax. nessa situação. dependendo da espessura da pele. é chamado de timpânico. quando há hiperinsuflação pulmonar (p. ocorre colabamento da respectiva região pulmonar.pode ser mais frequentemente percebido nas porções inferiores e laterais do tórax. ex. ex. bilateralmente. a compressão da mão contra a parede torácica pode facilitar a percepção desse frêmito. enfisema). PERCUSSÃO DO TÓRAX O terceiro componente do exame físico do tórax é a percussão. como se a percussão estivesse sendo realizada sobre um órgão sólido. como fígado. semelhante ao som que é produzido ao se percutir uma víscera oca. • Quando o ar é reabsorvido dos espaços aéreos situados distalmente em relação à obstrução completa de uma via aéreas. a percussão produz som mais ressonante e com duração maior do que o normal.. todas essas estruturas. isto é. a percussão resulta em sons diferentes. os sons produzidos podem variar de uma região para outra.e unilateralmente. O tórax é composto das seguintes estruturas: o arcabouço ósseo. Esse som altera-se de acordo com a relação entre a quantidade de ar e de tecido. . Assim. que consiste em produzir vibrações na parede torácica que transmitem aos órgãos e tecidos subjacentes. musculatura.

Convém ressaltar que a percussão permite detectar somente alterações que ocorrem na parede torácica. A percussão é realizada com o terceiro dedo da mão direita. lateral anterior. Aplicam-se dois golpes seguidos. para não abafar o som. apoiado na parede. Nas regiões anteriores do tórax. O som assim produzido é chamado de submaciço ou maciço. dependendo do grau de ressonância. do ápice para a base até encontrar o limite pulmonar. mantendo-se o dedo na posição horizontal. A variação mínima é geralmente. TÉCNICA Ao proceder-se à percussão do tórax. de 3-5cm. deve-se percutir a face posterior dos hemitórax.• Quando há acúmulo de líquido entre as pleuras parietal e visceral (derrame pleural) ou espessamento da pleuras. retirandose instantaneamente o dedo. a hepática. nas faces posterior. A macicez cardíaca encontra-se em geral no nível do terceiro espaço intercostal esquerdo. mantendo-se o braço e o antebraço imóveis e o cotovelo semifletido. solicita-se ao indivíduo que realize inspiração profunda e verifica-se mudança do limite pulmonar. Durante essa técnica. A percussão não pode ser muito forte nem muito fraca. os níveis superiores da macicez cardíaca e hepática devem ser pesquisados. A percussão também é um procedimento comparativo: examinem-se os dois hemitórax do ápice para a base. estando o indivíduo em exposição forçada. no nível do quinto espaço intercostal direito. Para isso. Em seguida. apoia-se o segundo ou terceiro dedo da mão esquerda na parede torácica. e o movimento da mão direita deve ocorrer no nível do punho. que golpeia a falange distal do dedo esquerdo. avaliam-se também os limites inferiores dos pulmões e a movimentação máxima desses limites. rápidos e firmes. no espaço pleural e na periferia do pulmão: nenhuma alteração é notada se a anormalidade estiver situada além de 5cm de profundidade a partir da parede torácica . preferencialmente sobre os espaços intercostais.

como radiografia. e tomografia computadorizada. Nas últimas décadas. grande esforço visando à padronização da terminologia dos sons pulmonares. percorrendo o tórax de cima para baixo. podem ser ouvidos em asmáticos e crepitações. do lado oposto. quando se examina o tórax. e deve ser instruído a respirar pela boca mais profundamente que o normal. por exemplo. relacionando sinais como a fisiologia e a fisiopatologia pulmonar. Além disso. atualmente. Há variações consideráveis dos sons normais na mesma pessoa e entre pessoas diferentes. em pacientes com doenças intersticial. TÉCNICA No ato da ausculta do tórax. É a fase do exame do tórax que fornece mais informações. enquanto o examinado muda o estetoscópio de lugar. ultrasom. Entretanto. . formular hipóteses mais compatíveis. então. o paciente deve permanecer na mesma posição das etapas anteriores.AUSCULTA DO TÓRAX A ausculta pulmonar permite a obtenção rápida e pouco dispendiosa de numerosas informações sobre diferentes patologias broncopulmonares. casos em que radiografias de tórax podem ser completamente normais. os exames complementares mais simples não detectam todas as doenças pulmonares: sibilos. a ausculta do tórax perdeu prestigio por causa do desenvolvimento de exames complementares. nas faces posteriores. Existe. e da confusão terminológica relacionada às alterações encontradas durante o exame físico. os recentes processos tecnológicos permitam analisar melhor a origem dos sons e. é aconselhável comparar os sons de um lado com aqueles ouvidos na mesma região. por essa razão. anterior e lateral.

também bastante audível e rude. é audível. ausculta-se toda a inspiração e somente o terço inicial da expiração. o som broncovesicular pode ser ouvido nas regiões infra.e supraclaviculares e nas regiões supra-escapulares. O encontro de murmúrio vesicular nas regiões citadas acima não constitui anormalidade. . A expiração tem duração e intensidade iguais. Som Broncovesicular Normalmente. uma pausa. som broncovesicular e murmúrio ou som vesicular. não havendo pausa entre inspiração e expiração. A presença e a distribuição normal dos sons da respiração devem ser descritas. assim como a presença de anormalidade na localização desse sons. não havendo pausa entre elas. e depois. Som Bronquial O som bronquial é normalmente audível sobre a área de projeção da traquéia. A inspiração tem intensidade e duração maiores que as da expiração.OS SONS DA RESPIRAÇÃO Três são os sons normais da respiração. bem audível. normalmente. colocando-se o estetoscópio sobre a região supra-esternal. Ausculta-se a inspiração intensa. a seguir. O som broncovesicular não é tão rude quanto o som bronquial. de duração igual ou pouco maior do que a inspiração. a expiração. no restante do tórax. rude. Murmúrio vesicular O murmúrio vesicular. o som é suave. a saber: som bronquial.

Como foi mencionado anteriormente. embora a contribuição de uma fonte central não possa ser excluída. Nos bronquíolos respiratórios ou alvéolos. provavelmente. Não existe aumento patológico do murmúrio vesicular. portanto. O consenso atual é que o murmúrio vesicular parece ter origem periférica. até a periferia. nos indivíduos normais o som bronquial somente é audível sobre a área de projeção da traquéia. que pode ocorrer em presença da ventilação pulmonar diminuída e de barreiras à transmissão do som (derrame pleural). em vias aéreas mais periféricas que os brônquios fonte e mais centrais que os brônquíolos respiratórios ou alvéolos. Quando auscultado em outros locais. por exemplo. Quando essas alterações são muito intensas. os sons de origem periférica. se houver. Acredita-se que o murmúrio é gerado. a transmissão melhorada. de sons originados em vias aéreas centrais. A inspiração tem origem mais periférica. por outro lado. para detectar alterações à ausculta. deixam de ter importância. que constituem o murmúrio vesicular. O murmúrio vesicular depende da ventilação pulmonar regional. Isso ocorre. e a expiração. seja homogênea e não muito profunda em relação à parede torácica.ORIGEM DOS SONS DA RESPIRAÇÃO O local exato da origem dos sons ainda é incerto. O som broncovesicular provavelmente corresponde à combinação dos mecanismos de origem dos sons bronquial e . porque há pouca ou nenhuma ventilação no pulmão consolidado. Parece não haver dúvida de que os componentes da boca e da laringe não participam da formação desses sons. o murmúrio vesicular encontra-se abolido. provavelmente. Convém ressaltar que. representa. O nível das vias aéreas envolvidas na gênese de cada um dos sons mencionados não está ainda estabelecido. Acredita-se que o som bronquial seja proveniente de vias aéreas mais centrais que aquelas que dão origem ao murmúrio vesicular. e é possível que vias aéreas da mesma geração participem da formação dos dois sons. a transmissão à periferia dos sons que dão origem ao som bronquial está melhorada. Nessa condição. a distribuição do ar ocorre por difusão e. em regiões de consolidação pulmonar cuja via aérea está permeável. não gera som. é preciso que a consolidação pulmonar. A alteração mais frequente do murmúrio vesicular é a diminuição da intensidade. pelo menos em parte tem origem mais central.

que contribuem para sua grande variação individual. mas que o som dura 950 milissegundos ou mais dentro do ciclo. Na doença. todas essas características devem ser registradas. Esses sons apresentam caráter musical. Os roncos são sons mais graves. pode resultar de consolidação não homogênea. A intensidade e a qualidade do som são afetadas pela espessura da parede torácica e pela frequência e profundidade da respiração. Os ruídos adventícios podem ser caracterizados como sons contínuos e sons descontínuos. Em indivíduos sadios. em algumas situações. Podem ocorrer na inspiração e/ou na expiração.vesicular. ser localizados ou difusos e ser encontrados em pequena ou grande quantidade. semelhantes a um assobio ou chiado. Ruídos respiratórios anormais O fluxo de ar pelo trato respiratório pode produzir. o som broncovesicular é decorrente de alteração parcial da filtração do som. Sons Contínuos O termo contínuo não significa que o som seja contínuo durante todo o ciclo respiratório. representa a combinação de sons transmitidos até o local de ausculta com origem em diferentes fontes. Embora os ruídos adventícios possam ser produzidos transitoriamente em pulmões de indivíduos normais. Os sons adventícios contínuos são os roncos e os sibilos. que produz sons com características intermediárias entre o bronquial e o vesicular. eles revelam uma anormalidade de base quando estão presentes em respirações sucessivas. semelhantes ao roncar ou ressonar das pessoas. Os sibilos são sons mais agudos. Essa distinção é realizada somente pela análise do registro da onda sonora em relação ao tempo. sons anormais. também chamados ruídos ou sons adventícios. são produzidos quando as vias aéreas estão . Esses sons podem ser intensos e obscurecer os sons normais da respiração. Os roncos e os sibilos têm o mesmo mecanismo fisiopatológico.

observada durante a manobra de expiração forçada. de curta duração. as crepitações grossas têm maior duração e são graves e mais intensas. inferiores a 20 milissegundos e. que podem ser grossas ou finas. sobretudo os sons mais agudos – sibilos -. geralmente ocorre alteração de sua intensidade após tosse e expectoração. O aparecimento dos sons contínuos. eles estão presentes somente na expiração. Se os roncos e sibilos são ocasionados somente por secreção nas vias aéreas. não deve ser feita associação entre a presença de ronco ou sibilo e o tamanho da via aérea comprometida. Quando localizados. depende da velocidade do ar. As crepitações finas têm menor duração e são agudas e pouco intensas. de fato. Quanto maior a velocidade aérea. não têm qualidade musical. por tanto. nem do mecanismo básico pelo qual ele foi estreitada. resultando em maior calibre das vias aéreas do que durante a expiração. . e portanto são mais audíveis no nível da boca do que sobre o gradeado costal.estreitadas quase ao ponto de fechar-se. a pressão pleural torna-se mais negativa. quando o estreitamento das vias aéreas não é muito importante. durante a inspiração. como roncos ou sibilos. edema de mucosa. Em consequência. e suas paredes vibram com a passagem do ar. corpo estranho ou compressão extrínseca das vias aéreas. Os sons adventícios contínuos são mais facilmente transmitidos pelas vias aéreas do que através do pulmão e da caixa torácica. São conhecidos como crepitações. Roncos e sibilos generalizados geralmente ocorrem quando há estreitamento das vias aéreas por broncoespasmo. Sons descontínuos Os sons ou ruídos respiratórios descontínuos são explosivos. As características sonoras desses ruídos adventícios não dependem do comprimento e do calibre original da via aérea. grande quantidade de secreção ou compressão dinâmica das vias aéreas. maior será o número de vibrações produzidas e mais agudo será o som. Independentemente do mecanismo de origem. Isso ocorre porque. roncos e sibilos tendem a ser mais intensos durante a expiração. frequentemente resultam de tumor endobrônquico.

é muito pequena. porém ainda estreitada. com rápida equalização de pressão. ex. Quanto mais proximal for a pequena via aérea colapsada. até o volume residual. a partir da capacidade residual funcional. em parte. em indivíduos normais. torna a pressão pleural positiva.. pode-se auscultar sibilo inspiratório curto. porque a possibilidade de fechamento das vias aéreas. durante a inspiração. provavelmente por vários mecanismos. A ruptura de bolhas ou de filmes líquidos decorrente do aumento de secreção nas vias aéreas é mecanismo menos aceito para a gênese desses sons. nesse caso. causando uma série de ondas sonoras explosivas. não dá origem a crepitações finas. maior será o número de crepitações produzidas durante a inspiração. as crepitações finas podem ser audíveis durante toda a fase inspiratória. Essa situação facilita o fechamento das vias aéreas nessas regiões durante a expiração. As crepitação grossas decorrem da reabertura de vias aéreas menos distais do que as que dão origem às crepitações finais. A inspiração. devido. presumivelmente causado pela passagem do ar por uma via aérea recentemente aberta. Ocasionalmente. onde a pressão pleural. sendo mais acentuada no fim da inspiração. ao peso do pulmão. nesse volume pulmonar. que são mais audíveis nas bases pulmonares. Em casos de fibrose intersticial pulmonar em fase avançada. Em indivíduos normais.Os sons descontínuos são produzidos. no indivíduo em posição ortostática. a expiração forçada. crepitações grossas podem ser auscultadas durante a expiração. Nessa condição. fibrose intersticial. o que facilita o fechamento das pequenas vias aéreas na expiração (p. podendo ocasionar o fechamento de pequenas vias aéreas. após as crepitações. São consideradas pequenas vias aéreas aquelas com diâmetro menor que 2mm. As condições patológicas mais frequentemente associadas com a presença de crepitações finas são aquelas em que a complacência pulmonar está diminuída. na inspiração seguinte. e sua gênese não está bem definida. pode dar origem a crepitações finas. O mecanismo mais aceito é a reabertura súbita e sucessiva das pequenas vias aéreas. Quando . Quanto maior for o número de pequenas vias aéreas colapsadas durante a expiração. edema e consolidação pulmonar). é menos negativa. são denominadas crepitações em velcro. mais precocemente ocorrerá a sua reabertura e o ruído correspondente. A abertura dessas vias aéreas.

Quando ocorre consolidação pulmonar. Para descrever essas alterações da ausculta da voz. como a voz. ocorre o sibilo. Como já ressaltado para as outras técnicas. Nessa situação. trata-se de um exercício comparativo. nos níveis superiores dos derrames pleurais. Isso pode dar origem a som em que cada sílaba é distinta e facilmente reconhecida e/ou a som anasalado. podem ser descritos como crepitações grossas ou como roncos. a voz auscultada perde intensidade. como ela ainda está estreitada. quando os folhetos se tornam inflamados. anotando-se o tipo. que funcionam como barreira à transmissão do som. com via aérea pérvia. O fechamento de pequenas vias aéreas menos distais (que produzem crepitações grossas) ocorre principalmente em patologias com lesão estrutural da via aérea.a via aérea se abre abruptamente. derrame pleural ou pneumotórax. Este último pode ocorrer. São variáveis. A intensidade do som transmitido à parede torácica tem a mesma distribuição que descrita para o frêmito toracovocal. durante o movimento respiratório. modificando-se ou desaparecendo com a tosse. também. Atrito pleural A fricção entre os dois folhetos pleurais. As crepitações auscultadas devem ser registradas . diz-se que a ausculta da voz é normal. ocorre a crepitação fina. por exemplo. através do pulmão normal. ruídos respiratórios associados exclusivamente a secreção nas vias aéreas não são bem classificados. Esse som é audível durante a . são atenuados quando são transmitidos perifericamente. distinta ou anasalada. deve-se relatar simplesmente ausculta da voz aumentada. diminuída. há melhor transmissão do som pelo parênquima consolidado. como bronquiectasias e bronquite crônica. Ao contrário. quando há. o que leva à ausculta de sons abafados e palavras indistintas. Os sons de origem central. Ausculta da voz Esse procedimento consiste em auscultar o tórax do paciente enquanto ele repete as palavras “trinta e três” em voz alta. a localização e a quantidade. pode causar ruído adventício.

composto de inspeção. todos Professores Doutores do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. podem-se obter informações sobre as condições do aparelho respiratório por meio da anamnese. . podem ser notadas algumas alterações como dispnéia. BILIOGRAFIA: Artigo publicado na ARS CVRANDI / A revista de clínica médica. pletora. cianose. 1. Os autores são: Marina Politi Okoshi.inspiração e/ou expiração e pode intensificar-se com o aumento da pressão do estetoscópio sobre a parede torácica. No exame físico geral. inquirindo-se sobre a presença de sintomas relacionados com alterações anatômicas ou funcionais desse aparelho. de outubro de 1995. percussão e ausculta. Sua gênese sonora não é bem determinada. baqueteamento digital e presença de adenomegalias. Álvaro Oscar Canpana e Irma de Godoy. palpação. RESUMO Antes do exame físico.