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RELATÓRIO DE GEOGRAFIA

ITAJÁ – ÁGUA E TRATAMENTO

Componentes: Vannuty Cabral Guilherme José Windsor Fonseca.

Itajá – Água e tratamento
O município de Itajá situa-se na mesorregião Oeste Potiguar e na microrregião Vale do Açu, limitando-se com os municípios de Ipanguaçu, São Rafael, Santana dos Matos, Angicos e Açu, abrangendo uma área de 204km². Criado pela Lei n° 6.299, em 26/06/1992, o município de Itajá é desmembrado, e deixa de pertencer a Ipanguaçu. Segundo o censo de 2000, tem uma população total residente de 6.249 habitantes, estimada atualmente em 7.182 habitantes (IBGE/2005). Encontra-se totalmente inserido nos domínios da bacia hidrográfica PiranhasAçu, sendo banhado pelas sub-bacias dos Rios Piranhas e das Sombras. Os principais tributários são: os riachos Pocete, Viana, Mundo Novo, Capim Santo, da Bisca, barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves (EARG), pelos riachos do Mulungu e da Pedra Rachada, Cachoeira Grande, o Rio das Sombras e os riachos Cachoeirinha, Oiticica, da Marcação e da Varginha. Dentre eles, os de maior acumulação: os açudes Latadinha e Armando Ribeiro Gonçalves, além da lagoa da Cauã. Maior represa do Rio Grande do Norte e a segunda maior do nordeste Brasileiro, a EARG é responsável pelo abastecimento doméstico de aproximadamente 415 mil habitantes norte-rio-grandenses de cidades como São Rafael, Jucurutu, Assu, Itajá (local de mais fácil acesso a barragem), Ipanguaçu, Pendências e Alto do Rodrigues. Tendo uma capacidade máxima de 2.400.000.000 m³, a EARG é um projeto da DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), iniciado em 1979 pela Construtora Andrade Gutierrez S.A. Em dezembro de 1981 houve o acidente, resultante do escorregamento do talude de montante, provocado por, segundo os Consultores Drs. Costa Nunes e Victor de Mello, condições características de ruptura de "fim de período de construção". O projeto foi refeito e a construção continuada em ritmo acelerado até a sua conclusão em 1983. Após sua desmembração, o município deveria ser regido por um interventor nomeado pelo então governador José Agripino, mas não foi isso que sucedeu. O município passou quatro anos, de 1992 a 1996 (ano que houve a primeira eleição), sem ninguém no comando. Hélio Santiago, respectivo prefeito de Ipanguaçu, por ser filho da terra, mesmo sem nenhuma obrigação prestava serviços a nova cidade. Antes de eleito, em discurso ao Itajá (ainda pertencente a Ipanguaçu), Hélio empolgado, prometeu, que se eleito, todos teriam direito a água saneada sem custo algum. A população confiou e o elegeu junto aos ipanguaçuenses. Sua promessa é mantida até hoje. Não incorporamos os custos de manutenção cobrados pela CAERN (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte) em nossas despesas, em contrapartida, o órgão regente ficou responsável pelo abastecimento, tratamento e controle de qualidade da água. Cada morador, por sua vez, incumbido do dever de abrir caminho para as tubulações hidráulicas do abastecimento de suas casas, e em caso de terreno baldio, cabia a prefeitura o serviço. Nesse espírito de cooperação, o mutirão moradoresprefeitura construiu o sistema de tubulações que prevalece até hoje no município.

A cidade Possui apenas uma precária estação de tratamento: ETA – Estação de Tratamento da Água, onde funcionários sem formação ou maiores conhecimentos sobre o assunto, são responsáveis pela aplicação de Cloro. A captação da água para o Canal do Pataxó (conhecido como calha) se dá através do Canal de Perenização Rio Pataxó de 1.000 mm de diâmetro, com extensão de 190 m, derivada da tomada d'água da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, cuja vazão de 2,2 m³/s, é controlada através de uma válvula dispersora. Num ponto estratégico do canal, a água bruta é bombeada por três bombas que revezam entre si para evitar maior desgaste, para a torre na ETA, que por sua vez, transporta para um segundo reservatório destinado a filtrar por meio de cinco camadas de pedras de diferentes espessuras dispostas da maior para a menor de baixo para cima. Um terceiro aplica o Cloro dissolvido num recipiente menor e a quarta auxilia no armazenamento, que por último, manda a água “tratada” por meio dos tubos hidráulicos de PVC para as casas. Todos os dias esse filtro e as caixas d’agua são lavados desperdiçando vários litros de água, que poderiam e deveriam ser reaproveitados. Como o Cloro possui várias aplicações é fácil ser reaproveitado. Tendo o Cloro e a água isolados, poderia a prefeitura, organizar um projeto que os reutilizasse para um único fim: ao invés das lavadeiras utilizarem e contaminarem o Canal do Pataxó lavando suas roupas, a água destilada (que pode não ser 100% pura, mas pode ser usada na lavagem de roupas sem acarretar maiores danos) poderia ser empregada para isso, enquanto o Cloro poderia dá origem ao Hipoclorito de Sódio, que em solução aquosa dava origem ao agente branqueador conhecido comumente como água sanitária, que após atender as necessidades locais, poderia ser vendido o excedente, gerando emprego e renda a população. Nossa água pode ser classificada como doce Classe Especial por ser destinada ao abastecimento doméstico com simples desinfecção, considerando que os processos de tratamento se resumem em filtração e aplicação de Cloro, que mesmo sendo um ótimo auxiliar na desinfecção, não é pálio para os diversos tipos de poluição impostos a nossa fonte de abastecimento. Na ilusão de se tratar de um problema a menos (a conta), nossa água caiu no esquecimento da população, que parece ter adotado o lema: “Não pagamos, não ligamos”. Convencionamos que se não pagávamos, não tínhamos o direito e nem queríamos correr o risco de reverter à situação, indo reivindicar melhorias, ou até mesmo fiscalizar se a água que consumimos está propícia ao consumo humano ou não: um equívoco. E uma deixa para que os políticos e autoridades responsáveis também considerassem um problema a menos, favorável ao esquecimento. Fica então o seguinte questionamento, o que é melhor: água imprópria ao consumo de graça? Ou pagarmos por uma água de qualidade? Conversando com o atual secretário e secretária adjunta da saúde para maiores informações sobre a qualidade de nossa água, Alaor Pessoa e Ângela Maria. O secretário Alaor Pessoa, passados 10 meses de sua submissão, nos garantiu que

manteria a freqüência nas análises de seis em seis meses. Num segundo encontro, disse achar necessário diminuir a freqüência pára a cada três meses. Mesmo manifestando seu desejo de aumentar a freqüência, ainda é violada a Seção IV, artigo 9°- IV da Portaria: “encaminhar à autoridade de saúde pública, para fins de comprovação do atendimento a esta Norma, relatórios mensais com informações sobre o controle da qualidade da água, segundo modelo estabelecido pela referida autoridade”. Mas, para quem tem apenas uma análise arquivada dentre toda sua história, feita em Fevereiro de 2011, já seria um avanço e um passo para melhoria qualitativa da água, relatórios periódicos de três em três meses. O secretário nos concedeu a análise da água solicitada e coletada por ele e André Luis Martins do Laboratório de Análises Ambientais e Produtos Alimentícios da Universidade do Estado de Minas Gerais, analisada e assinada pelo Professor Norival França. Uma única análise da cidade recém chegada à maior idade, faz-nos perceber que nosso município está longe de cumprir com as normas previstas pelo Ministério da Saúde. Foram coletadas duas amostras: uma antes e outra após o tratamento. Os parâmetros de Alcalinidade Total, Matéria Orgânica, Dureza e o pH estão de acordo com os padrões da Portaria. Exceto Coliformes totais tendo valor máximo determinado pela ausência em 100 ml, foi detectado 1 UFC/ml apenas na barragem, nada que precisemos nos preocupar, pois a água que consumimos passa pela estação de tratamento, onde não foi detectada nenhuma alteração quanto a isso. Já a condutividade é que nos assusta, o valor permitido é em torno de 40 µS/cm, em nossa água, está avaliado em 237,9 na amostra coletada da barragem e 236,8 µS/cm a 25 °C na amostra da água após o tratamento. O nível de cianobactérias maior que o ideal ao consumo nos traz outra preocupação e desconfiança: chama-nos a atenção o fato de Itajá, uma cidade pequena, com população estimada entre 6 e 7 mil habitantes, haver três casos de Lúpus: uma doença crônica rara de longa duração, auto-imune, provocada quando o sistema de defesa do organismo começa a agir contra si mesmo possivelmente desencadeada, entre outros fatores, pela radiação ultravioleta (UV). Se considerarmos que as cianobactérias têm capacidade de reter raios UV, involuntariamente ligamos as duas evidências. Então, esperamos uma solução rápida dos nossos representantes diante esses problemas que poucas pessoas sabem que isso ocorre em nossa região, mais que em poucos anos, vem trazendo muitos casos de doença e morte devido ao mau tratamento de nosso maior patrimônio, a água.