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TJ Fls.

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SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 - CLASSE CNJ - 202 - COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE

AGRAVANTE: AGRAVADO:

NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. ABEL SGUAREZI

Número do Protocolo: 49149/2011 Data de Julgamento: 15-02-2012

EMENTA AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - VEÍCULO NOVO QUE APRESENTA DEFEITOS, DURANTE O PRAZO DE GARANTIA - PRELIMINARES REJEITAS - TUTELA ANTECIPADA - DEFERIMENTO PARA QUE O VEÍCULO SEJA SUBSTITUÍDO POR OUTRO - POSSIBILIDADE PRESENÇA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 18, § 1º, DO CDC CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO A RESPALDAR O DEFERIMENTO DO PEDIDO ANTECIPATÓRIO - AUSÊNCIA DE PERICULUM IN MORA INVERSO - MULTA PECUNIÁRIA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO - ALEGADO EXCESSO EM SUA FIXAÇÃO - NÃO OCORRÊNCIA - ALEGAÇÃO DE QUE A DECISÃO AGRAVADA ATINGE TERCEIRO NÃO MERECE PROSPERAR - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - POSSIBILIDADE UMA VEZ QUE A RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE AS PARTES É DE CONSUMO - DECISÃO MANTIDA - RECURSO IMPROVIDO. 1. Preliminares afastadas. 2. É de ser mantida a decisão interlocutória que concedeu a tutela antecipada para determinar a substituição de veículo, no prazo de garantia e com Fl. 1 de 15

A teor do art. é facultado ao consumidor. visto que a relação jurídica entabulada entre as partes é de consumo. quando há prova inequívoca nos autos de que. é de ser mantida a inversão do ônus da prova. 5. visto que este pode ser substituído. § 1º.TJ Fls. do CDC. à finalidade de compelir o devedor a atender o comando judicial. Ainda. § 1º. exigir a sua substituição por outro da mesma espécie. aquele não possa arcar com perdas e danos eventualmente ocasionadas pelo uso do bem. mas adequado à obrigação pactuada entre as partes e. Não há falar-se em periculum in mora inverso. não logrou saná-los no prazo do art.CLASSE CNJ . É de ser mantido o valor da multa aplicada para o caso de descumprimento da decisão judicial quando ele não se revela excessivo ou desproporcional.202 . sobretudo. quando.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . Não tem razão de ser a questão relativa ao gravame do veículo. além de não haver qualquer comprovação de que. prejuízos ao consumidor. do CDC. segundo inteligência do artigo 3º. assim. 18. do CDC. 6. § 2º.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE pouco mais de uma não de uso. Fl. vencido na demanda. 2 de 15 . em virtude da impossibilidade de utilizar adequada e de forma segura o bem. quando o fornecedor de produto durável não sana o defeito nele apresentado no prazo máximo de trinta dias. 7. 18. 3. decorrente de possível depreciação do veículo entregue em substituição ao adquirido pelo consumidor. causando. embora o fornecedor tenha tido conhecimento dos vícios nele apresentados. 4. sabe-se que eventuais prejuízos decorrentes da substituição de produto defeituoso inserem-se no risco da própria atividade comercial.

” Assevera que substituição do motor. no prazo de 10 (dez) dias.TJ Fls. modelo Nova Frontier LE 4x4 AT. segundo entende. Sustenta que o perigo da demora é invertido e que o ônus da prova não merece inversão. Em sua minuta recursal.A. já que o automóvel em voga garante contrato de alienação fiduciária celebrado com o Banco Bradesco Financiamentos S. sob pena de aplicação de multa diária no valor de R$2.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE AGRAVANTE: AGRAVADO: NISSAN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA. livre de quaisquer vícios. a agravante sustenta. 3 de 15 . por conseqüência. seja pelo fornecimento de outro veículo. cerceando o direito de defesa da Montadora e. seja pela elevada multa aplicada à espécie. que não pode concordar com a decisão objurgada.CLASSE CNJ . para determinar que a parte requerida NISSAN DO BARSIL AUTOMÓVEIS LTDA realize a substituição do veículo Nissan. Fl. DR. em suma. pois. SR. Aduz que a decisão a quo atinge terceiro que não integra a demanda. ABEL SGUAREZI RELATÓRIO EXMO. com todos os seus acessórios. causando prejuízo de difícil reparação. segundo alega. seja pela inversão do ônus da prova. em virtude de problemas apresentados no motor do automóvel. modelo e estado de conservação.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . marca. eis que acaba por julgar de plano o mérito da questão “desrespeitando o devido processo legal. MARCELO SOUZA DE BARROS Egrégia Câmara: Agravo de Instrumento contra decisão proferida pelo Juízo da 2ª Vara da Comarca de Lucas do Rio Verde que deferiu pedido liminar nos autos da Ação de Obrigação de Fazer c/c indenização por Danos Materiais e Morais. não há relação de hipossuficiência entre as partes.202 . não ocasiona desvalorização do veículo ou risco ao consumidor.00 (dois mil reais). por outro da mesma espécie.000.

requer a conversão do agravo de instrumento em retido. sustenta que o recurso não impugna todos os fundamentos da decisão. e.TJ Fls. Fl. 4 de 15 . O agravado ofertou contraminuta e. É o relatório. no mérito. 291/314-TJ). 285/286-TJ.202 .COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE O efeito suspensivo foi indeferido às fls.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 .CLASSE CNJ . e ainda. pugna pela manutenção da decisão agravada (fls. preliminarmente.

Por isso. Fl. do Código de Processo Civil. de modo que deve ser analisada a matéria recursal desde logo.202 .CLASSE CNJ . Ademais. razão pela qual deve.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE VOTO INSTRUMENTO EM RETIDO) (PRELIMINAR - CONVERSÃO AGRAVO DE EXMO. Para a tramitação do recurso de agravo na forma de instrumento deve o recorrente demonstrar a suscetibilidade de lesão grave ou de difícil reparação em função da decisão recorrida. esvaziaria o próprio conteúdo da irresignação e o recurso perderia o seu objeto. sejam apreciados os seus argumentos. No caso em tela. MARCELO SOUZA DE BARROS (RELATOR) Egrégia Câmara: Sustenta o agravado que a decisão recorrida não ocasiona ao agravante perigo de dano. inciso II. consoante previsão dos artigos 522 e 527.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . segundo o recorrido.TJ Fls. SR. em apelação. ser o agravo de instrumento convertido para a modalidade retida. porém. tal circunstância não afasta o conhecimento do recurso pela Câmara. exigir que o agravante aguarde o trâmite normal da ação para que. a norma processual civil faculta ao julgador a possibilidade de converter o agravo de instrumento em retido quando do seu recebimento. rejeito a preliminar. Assim. se julgar necessário. não determina a obrigatoriedade da conversão. É como voto. ainda que em sede de apreciação do pedido de liminar não restaram demonstrados os requisitos necessários para o seu deferimento. DR. 5 de 15 .

SR. contudo.CLASSE CNJ . JURACY PERSIANI (1º VOGAL) Senhor Presidente: Não conheço do recurso. MARCELO SOUZA DE BARROS (RELATOR) Egrégia Câmara: A parte agravada sustenta em suas contrarrazões que.RECURSO QUE NÃO IMPUGNA TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA) EXMO. é o que tenho sustentado. Fl. GUIOMAR TEODORO BORGES (2º VOGAL) De acordo com o Relator. SR.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 .” Sem razão. as razões do recurso guardam pertinência com os fundamentos da decisão atacada. no caso em tela. 6 de 15 .COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE VOTO INSTRUMENTO EM RETIDO) (PRELIMINAR - CONVERSÃO AGRAVO DE EXMO. VOTO (PRELIMINAR . encontra-se fundamento não impugnado pelo recurso aforado. DES. DES. o agravado. Não conheço. SR. “entre os fundamentos da decisão recorrida.202 .TJ Fls. Tenho que o recurso combate o fundamento nuclear da decisão recorrida e. DR. Não tem sentido apreciar conversão de recurso de agravo de instrumento na sessão de julgamento. ainda. VOTO INSTRUMENTO EM RETIDO) (PRELIMINAR - CONVERSÃO AGRAVO DE EXMO. que por si só são aptos a manter a decisão recorrida.

não concedi o efeito suspensivo forte nas seguintes razões que. rejeito a preliminar. diante da hipossificiência evidente do Agravado perante a montadora de automóveis. A inversão do ônus da prova também não merece alteração. sob pena de multa diária no valor de R$2.00. assim.CLASSE CNJ . hipótese dos autos. o veículo apresentou severos defeitos durante o prazo de garantia. SR.) Como mostram os autos e especialmente os fundamentos alinhados na decisão agravada. atendendo.. de clara gravidade e defeito do produto. sua irresignação diante do decisum exarado. o consumidor pode exigir a sua substituição. É cediço que é dever da parte recorrente manifestar sua contrariedade frente à decisão. Por isso.. Com efeito. a agravante apelante impugna e demonstra fundamentadamente a sua inconformidade com a decisão. quando da análise do despacho liminar. chegando a Agravante a substituir o moto do carro. ao menos nesta fase. substitua o veículo. 7 de 15 . para que a agravante.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . sem autorização do consumidor. Fl. no caso em exame. trago à baila. o disposto no art. atacando os fundamentos adotados pela mesma. Nissan do Brasil Automóveis Ltda. VOTO (MÉRITO) EXMO. do CPC. MARCELO SOUZA DE BARROS (RELATOR) Egrégia Câmara: Cinge-se a controvérsia em saber se tem pertinência o recurso interposto de decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela formulado por Abel Sguarezi. por outro da mesma espécie.000. em virtude de problemas apresentados no motor do veículo. por oportuno. DR. 514.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE Assim. II.202 .TJ Fls. É como voto. e basta uma leitura das razões recursais para verificar que houve impugnação dos argumentos delineados na decisão então questionada. vejamos: “(. tomando relevo que os dados técnicos sobre os eventos e defeitos são de conhecimento da Recorrente. Nesses casos. com todos os acessórios.

Fl. foi substituído o motor do automóvel. Há. 109. Note-se. encaminhados aos representantes da recorrente. no caso. cerca de um ano e. E. 121. relativos à perda e força da velocidade. posto que em manutenção do sobredito defeito (perda de força e velocidade). substituir o motor do veículo. 143. no período em que o seu automóvel encontrava-se inutilizável. o problema relativo à perda e força da velocidade não foi solucionado. 129. perda de força e velocidade para. Com estas considerações. em que pese todas as manutenções realizadas. com base nestes argumentos. 145. ainda. a despeito dos reparos feitos nele. conforme se pode verificar das Ordens de Serviços n. ainda. 138 e 142-TJ. de acordo com as Ordens de Serviços de fls.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . sem a autorização do agravado. sem a autorização do consumidor agravado. durante o prazo de garantia (36 meses) ter dado entrada por diversas vezes na assistência técnica. Consta dos autos que o veículo foi retirado zero quilômetro em 08/04/2009 (fl. 108.TJ Fls. todavia. 100. durante a garantia que. entendo que os requisitos necessários à concessão da tutela antecipatória restaram preenchidos a contento pelo autoragravado. Explico. e. conseguido sanar definitivamente o defeito apresentado. qual seja. posteriormente. 8 de 15 . 153. 152. que numerosos foram os e-mails do agravado. 62-TJ).” E. motivo pelo qual. 114. 127. vários recibos referentes à utilização dos serviços de guincho. do fato de o veículo em questão. 98. 128. exsurge.º 24832 (05/05/2010). 93. precisou retornar à concessionária para inúmeros reparos. sem que esta tenha. indefiro o pedido de efeito suspensivo. 25490 (26/07/2010) e 1675 (04/01/2011). é de 36 meses e antes de completar setenta mil quilômetros de uso. 24995 (24/05/2010). para utilização pelo agravante.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE O valor da multa não é exagerado e poderá ser revisto no futuro. Sem contar os recibos relativos ao aluguel de veículos.202 .CLASSE CNJ . A prova inequívoca capaz de demonstrar a verossimilhança da alegação. ainda. com escasso tempo de uso pelo agravado. então. externando a sua indignação em relação aos defeitos apresentados (fls. 182-TJ). para reboque do automóvel. na espécie.

perda de força e velocidade. aliados aos documentos colacionados aos autos. mas sim como a prova suficiente para o surgimento do verossímil. durante a vigência da garantia contratual e. é certo que a tutela antecipatória. que a prova inequívoca exigida pelo art. do Código de Defesa do Consumidor. § 1º. do CDC.com esteio no art. por ter sido esta a opção feita pelo consumidor. digase de passagem. esclareço que os documentos juntados aos autos e a superveniência de problemas recorrentes no veículo . mesmo tendo ele pouco tempo de uso são peculiaridades que afastam. Esses fatos. também e principalmente . ademais. in casu. a presença do requisito referente ao periculum in mora no caso dos autos a autorizar a manutenção da decisão que deferiu a tutela antecipada pleiteada pelo agravado. verifico. 18. mas. do plausível. previsto no art. 273. a fim de aferir se os problemas constatados decorreram de mau uso pelo comprador ou de defeito de fabricação. Nesse contexto. deve ser compreendida não como a prova revestida de certeza. basta compulsar os autos. evidenciam a prova inequívoca da verossimilhança da alegação ali formulada pelo autor agravado. que entendo reconhecida pela própria agravante. a necessidade de realização de prova pericial previamente à concessão da tutela antecipada. § 1º. a peça fundamental de um carro -. tendo em vista a possibilidade de o veículo continuar Fl. 273. que faculta ao consumidor. não logrou saná-los no prazo de 30 (trinta) dias. Saliente-se. Outrossim. não cessaram de maneira definitiva no prazo de trinta dias previsto no art.202 . ante a necessidade de troca do motor do automóvel. ainda. Destarte. do CPC. do CDC. pois. no caso concreto. 18.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE Nessa toada. também.CLASSE CNJ . Por outro lado. neste momento processual.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . o que impõe a substituição do veículo.TJ Fls. 9 de 15 . não foi concedida apenas com base no art. 18. aparentemente. a presença da prova inequívoca da verossimilhança da alegação no caso dos autos. diante da falta de resolução do defeito no prazo máximo de trinta dias. do CPC. e que certamente dificultaram a adequada utilização do bem e reduziram o seu valor. para constatar que por diversas vezes o recorrido levou o veículo para conserto em razão de problemas que se iniciaram um pouco mais de um ano após a sua aquisição e. resta evidente. embora o fornecedor tenha tido conhecimento dos vícios existentes no produto.

é de ser mantida a decisão recorrida..CLASSE CNJ . a extensão do vício comprometeu a qualidade e as características do produto.IMPRESTABILIDADE E INSUFICIÊNCIA .COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE apresentando os problemas já mencionados e surgirem outros a eles ligados (em que pese a substituição do propulsor). diante do preenchimento dos requisitos do art. Ademais. impossibilitando-o de se utilizar livremente do veículo por ele adquirido e fazendo com que tivesse de despender gastos com locação de carro. Rel. in verbis: “Agravo regimental. como já vem entendendo a jurisprudência pátria. Cível. ensejou a desvalorização do veículo.DESGASTES .202 .------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . Regular a aplicação do artigo 18. (. Des.REVENDEDORA LEGITIMIDADE PASSIVA . Min.) 4. Fl. 45799/06. estando presentes os requisitos previstos no art. necessário se faz consignar que o fato do motor do veículo ser novo não é pretexto para afastar o periculum in mora. §§ 1º e 2º. da Lei nº 8. 273.) É de se manter decisão que manda antecipar a entrega. p. Em consequencia. O defeito apresentado.590/RJ. j. (STJ-3ª Turma.TJ Fls. 1º-11-06). e ainda. 18. uma vez que. de um veículo com as mesmas características do que adquiriu novo e apresentou defeito. Defeito de fábrica. 19-3-2001. (TJMT-6ª Câm. para a sua utilização até a solução da lide.. Veículo novo.CONSEQÜÊNCIA NATURAL CAUÇÃO . juntamente com as sucessivas idas do automóvel ao conserto por da perda e força da velocidade.IMPOSSIBILIDADE NA RELAÇÃO DE CONSUMO .FORNECIMENTO DE VEÍCULO EM SUBSTITUIÇÃO ATÉ A SOLUÇÃO DA LIDE .DENUNCIAÇÃO DA LIDE . AgRg no Ag 350. já estava ocasionando prejuízos ao recorrido. DJ 07-52001. conforme consignado da decisão singular. 3. Rel. estando a decisão em harmonia com os precedentes desta Corte ao determinar a substituição do bem. do CPC. 2. Agravo regimental desprovido”. “AGRAVO DE INSTRUMENTO .RESPONSABILIZAÇÃO O FORNECEDOR DIREITO DO CONSUMIDOR . j. RAI n.DEFEITO .078/90. mormente por tratar-se de veículo zero quilômetro já com sucessivas idas à oficina.. o que. Recurso especial não admitido. Código do Consumidor. Carlos Alberto Menezes Direito. 1. que aplicou o art. 141). diminuiu o valor e comprometeu a qualidade do produto. além de impossibilitar a utilização do bem. §1º. do CDC.ANTECIPAÇÃO DE TUTELA . inclusive deste Sodalício. 273 do CPC”.MERA ALEGAÇÃO – RECURSO IMPROVIDO. ao comprador..VEÍCULO NOVO . Juracy Persiani. 10 de 15 . (.

Rel.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . do CDC. porque não há nos autos qualquer comprovação de que o autor-agravado. Primeiro. 18 do CDC. com o ressarcimento de eventuais prejuízos pelo seu uso. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. sendo da mesma marca e modelo daquele por ele adquirido originariamente. pois. Inteligência do art. e em especial a do seu inciso I.Na presença dos requisitos legais. 50). DEFEITO DE FABRICAÇÃO. p. não visualizo. 18-6-2008.TJ Fls. ainda.CLASSE CNJ . COMPRA DE VEÍCULO NOVO. no caso concreto dos autos. se presentes os requisitos necessários para tanto. inserem-se no próprio risco da atividade de comerciar. 11 de 15 . DIREITO DO CONSUMIDOR.. perfazer-se em óbice ao deferimento da antecipação da tutela perseguida. Terceiro. III . VÍCIO OCULTO.202 . (TJDFT-1ª Turma. E. IV . Saliente-se. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo.O defeito de fabricação não sanado no prazo estipulado pelo Código Consumerista autoriza a substituição do produto defeituoso ou a devolução do valor por ele pago. I. a antecipação da tutela é medida que se impõe. nada obstando que tal tutela seja deferida in limine. DJ 23-6-2008. GARANTIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. inc. Des. INOCORRÊNCIA. para posterior comercialização. se for vencedor na demanda. 18. NULIDADE. 20080020039103AGI. SUBSTITUIÇÃO.. j. II – (. porque a agravante desenvolve atividade de revenda de automóveis e o veículo fornecido ao agravado. outrossim. nos moldes determinados pelo inc. que a despeito da argumentação da recorrente. V . Segundo. porque orientação advinda do Colendo Superior Tribunal de Justiça recomenda que . sob pena de o novel instituto da tutela antecipatória não Fl. não possa arcar com perdas e danos eventualmente ocasionados pelo uso e depreciação do veículo. § 1º.).COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE “AGRAVO DE INSTRUMENTO. a possibilidade de ocorrência do periculum in mora inverso. caso reste vencido na demanda.Eventuais prejuízos decorrentes da substituição do produto defeituoso. sob pena de se tornarem letra morte as previsões insertas no § 1º do art. se presentes os requisitos do art. 18 do CDC. poderá voltar a seu patrimônio. 273 do Código de Processo Civil. I . decorrente da depreciação do veículo entregue em substituição àquele adquirido pelo agravado. não se podendo.Provimento negado ao recurso”. I do § 1º do art.verbis: “a exigência da irreversibilidade inserta no §2º do art. Nívio Geraldo Gonçalves. que assim não fosse eventuais prejuízos decorrentes da substituição de produto defeituoso inserem-se no risco da própria atividade comercial.

DJU 27-10-97. (STJ-2ª Turma. de R$2. rel. com fulcro no artigo 84. 54. inclusive para fins de realização de prova pericial. v. o juiz a quo. do CDC. quanto à ausência dos requisitos legais necessários para a concessão da tutela antecipada. REsp 144. § 3º. sobretudo. sobrevindo fato novo nos autos. Adhemar Maciel. Sem razão a agravante. é mais conveniente que permaneça indisponível enquanto não for julgada a demanda. Min.00 (dois mil reais) por dia de descumprimento. entendo. eis que basta ser feita a Fl..CLASSE CNJ .na hipótese a concessionária .202 . em relação ao gravame do veículo. 06-10-97.656-ES. porquanto a multa fixada no caso dos autos. nos termos do § 6º do art. segundo alega a recorrente.TJ Fls. 461 do CPC. Além disso. pois a presença ou não dos requisitos previstos no art. De outro norte. do CDC. 84. como afirmado nas razões recursais. p. 12 de 15 . compelir o devedor . decisão agravada atinge instituição financeira terceira. que não integra o pólo passivo da lide”. este não é obstáculo a concessão da liminar. j. a agravante assevera que a multa aplicada pelo magistrado singular para o caso de descumprimento da medida antecipatória é excessiva. tendo se tornado litigiosa a coisa. são aferidos por ocasião da propositura da demanda.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE cumprir a excelsa missão a que se destina”. não tem o condão de modificar a decisão recorrida.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . mas adequada à obrigação pactuada entre as partes e. sanaria o defeito apontado. caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva”. § 3º. se assim entender necessário o juiz a quo. não conheceram. portanto. não é excessiva ou desproporcional. perfeitamente aplicável à espécie.a atender o comando judicial.verbis: “modificar o valor ou a periodicidade da multa. o que. poderá . não tendo se pautado pelos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.000. qual seja. A parte agravante sustenta que “a r. Além disso. nesse momento o veículo encontrava-se indisponível para o uso seguro do agravado. Também esse entendimento não merece prosperar. e. à sua finalidade. que a troca do motor do veículo. Nesse contexto. sem contar a possibilidade de surgirem outros ou se agravarem os problemas apresentados no automóvel. ademais. de ofício.778). Ocorre que. ao que tudo indica.u.

tal alegação não tem como prosperar. DES.. GUIOMAR TEODORO BORGES (2º VOGAL) Senhor Presidente: Ouvi atentamente o voto do eminente relator e sei das dificuldades com as quais nos deparamos nesse julgamento de praticamente exauriente. uma tutela exauriente. a hipossuficiência do consumidor e a verossimilhança das alegações. quanto à alegação de que a decisão guerreada merece ser cassada no que tange a inversão do ônus da prova. e se trata de uma decisão proferida no agravo. praticamente.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE transferência do gravame para o outro veículo substituído. a relação jurídica firmada entre as partes se enquadra na definição do § 2º do art. Quer dizer. É como voto. quais sejam. SR. mas uma vez. 13 de 15 .202 . sem razão a recorrente. Com essas considerações. Portanto. a ser realizado junto à instituição bancária. VIII. JURACY PERSIANI (1º VOGAL) De acordo com o eminente relator. SR. Por derradeiro. Ora. no ponto de vista fático. nos termos do art. Fl. mantendo inalterada a decisão recorrida. mas. pelo menos do ponto de vista fático. porque se encontram presentes os seus requisitos autorizativos. e estando a relação jurídica sob a égide desse diploma legal medida que se impõe é a inversão do ônus da prova. 6º. de repente há provas a serem produzidas no curso dessa ação. DES.CLASSE CNJ . compelindo a concessionária a substituir um veiculo por outro novo. nego provimento ao recurso de agravo de instrumento interposto por Nissan do Brasil Automóveis Ltda. VOTO (MÉRITO) EXMO. 3º do Código de Defesa do Consumidor.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 .TJ Fls. VOTO (MÉRITO) EXMO.

zero quilômetro e como demonstrado no voto do relator e as indicações postas no memorial possa passar indefinidamente por situações de verdadeiro constrangimento.CLASSE CNJ . também me rendo as minhas convicções pessoais para acompanhar o eminente Relator. Fl. e por causa da singularidade da situação concreta. mas a situação fática é bem evidente a autorizar a manutenção da decisão recorrida. É como voto. Não é possível que alguém adquira um veiculo novo.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE Na verdade. Nessas condições.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . a realidade fática demonstrada no voto do eminente relator.202 . de fazer com que seja substituído o veiculo. 14 de 15 .TJ Fls. para que seja mantida a decisão que antecipou a tutela com esse efeito. Depois resolve com outras alternativas. se for o caso. tendo em vista que há noticia de que esse carro ficou parado há mais de 100 (cem) dias em busca de uma solução de uma alternativa viável que pudesse satisfazer a expectativa do consumidor que aportou em uma concessionária para adquirir o veiculo. ou seja. e nos memoriais pude concluir que realmente essa situação tem que ser enfrentada dessa forma.

IMPROVERAM O RECURSO. SENDO QUE O 1º VOGAL DELE NÃO CONHECEU. MARCELO SOUZA DE BARROS (Relator). composta pelo DR. JURACY PERSIANI (1º Vogal) e DES. 15 de 15 GEACOR . relatados e discutidos os autos em epígrafe.TJ Fls. 15 de fevereiro de 2012. DES. ---------------------------------------------------------------------------------------------------DESEMBARGADOR JOSÉ FERREIRA LEITE . por meio da Câmara Julgadora. 2ª PRELIMINAR REJEITADA E. NO MÉRITO. NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR.PRESIDENTE DA SEXTA CÂMARA CÍVEL ---------------------------------------------------------------------------------------------------DOUTOR MARCELO SOUZA DE BARROS .CLASSE CNJ . POR MAIORIA.COMARCA DE LUCAS DO RIO VERDE ACÓRDÃO Vistos.RELATOR Fl. Cuiabá. À UNANIMIDADE. sob a Presidência do DES. a SEXTA CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.202 . JOSÉ FERREIRA LEITE.------ SEXTA CÂMARA CÍVEL AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 49149/2011 . GUIOMAR TEODORO BORGES (2º Vogal). proferiu a seguinte decisão: AGRAVO RETIDO DESPROVIDO.