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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FLORESTAIS
CENTRO DE PESQUISAS FLORESTAIS







MANEJO FLORESTAL:
Planejamento da Produção Florestal






Paulo Renato Schneider
Engenheiro Florestal, Dr.
Prof. de Manejo Florestal, UFSM







Santa Maria, março de 2009

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

ii

Endereço:

Universidade Federal de Santa Maria
Centro de Ciências Rurais
Departamento de Ciências Florestais
Campus Universitário
97105-900 Santa Maria, RS. BRASIL

Fone: (55) 220 8444

E-mail: paulors@smail.ufsm.br
















Ficha catalográfica elaborada por Rosa Maria Fristsch Feijó
CRB-10 / 662
Biblioteca Central - UFSM

S359c Schneider, Paulo Renato

Manejo Florestal: planejamento da produção florestal / Paulo
Renato Schneider.
613p.

1. Engenharia Florestal 2. Manejo Florestal 3. Manejo florestal
sustentado 4. Planejamento florestal 5. Produção florestal
6. Fluxo de produção 7. Avaliação florestal 7. Plano de manejo.
II. Título.33333

CDU: 630
630.2/.9


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

iii

APRESENTAÇÃO

A realização deste trabalho foi motivada pelo contraste existente na
literatura contemporânea de manejo florestal, com relação à bibliografia
tradicional, com isto pretende-se mostrar as linhas de conexão que parecem existir
entre estas duas formas de entender o manejo florestal na atualidade.
As modificações do manejo das florestas são evidenciadas nas mudanças
substanciais nas linhas de pesquisas e consequentemente na relação dos trabalhos
publicados na maioria das revistas científicas nacionais.
Este trabalho reúne idéias que se encontram na literatura especializada
sobre o manejo florestal. Essas idéias são apresentadas como um marco teórico,
ordenadas de forma lógica e contínua por conteúdos, o que permite visualizar as
conexões e as diferenças que as novas idéias tem em relação às teorias tradicionais
de manejo florestal, especialmente no planejamento da produção.
É importante assinalar que não se pretende fazer uma descrição integral e
completa do manejo florestal para as diferentes situações, mas enfocar com maior
amplitude e clareza os aspectos teóricos e na medida do possível com exemplos
práticos dos pontos mais importantes e aplicáveis para o momento.
O autor agradece a colaboração do aluno de Graduação em Engenharia
Florestal, Paulo Sérgio Pigatto Schneider, pela digitação e correção de textos e aos
alunos do Programa de Pós-graduação em Engenharia Florestal, Sandro Vacaro,
Hélio Tonini, Gedre Borsoi, Luciano Scheeren, Ronaldo Drescher, Ivanor Müller e
Fabio Moskovich, pela colaboração na preparação de alguns exemplos práticos de
planejamento da produção florestal, introduzidos neste trabalho.

O Autor
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

iv


















Dedico,
a minha família, pelo estímulo e
apoio e, aos amigos, que
colaboraram na
realização deste trabalho.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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SUMÁRIO
Página

I - INTRODUÇÃO 1
1.1 Definições de manejo florestal 2
1.2 Ordenamento e manejo florestal 6
1.3 Histórico do manejo florestal 6
1.4 Relação do manejo florestal com outras disciplinas 9
1.5 Natureza e finalidade do manejo florestal 11

II - ELEMENTOS PRINCIPAIS DO MANEJO FLORESTAL 23
2.1 Espaço 23
2.2 Tempo 31
2.2.1 Idade 32
2.2.2 Rotação 35
2.2.3 Madureza de corte 35
2.3 Espaço e tempo 36
2.3.1 Rendimento sustentado e uso múltiplo da florestal 36
2.3.1.1 Histórico da sustentabilidade 37
2.3.1.2 Novas concepções de sustentabilidade 41
2.3.1.3 Condicionantes da sustentabilidade de produção 45
2.3.2 Incremento 47
2.3.3 Volume 49
2.3.4 Modelo de floresta normal 51
2.3.4.1 Modelo de floresta normal para sistemas equiâneos 51
2.3.4.2 Modelo de floresta ideal para sistemas inequiâneas 56
2.3.4.2.1 Método de área basal – máximo dap-q 56
2.3.4.2.2 Matriz de transição 61
2.3.4.2.3 Aplicação com matriz de transição 64
2.3.4.2.4 Implementação na aplicação da matriz de transição 68

III - LEVANTAMENTO, MÉTODOS E PLANEJAMENTOS 77
3.1 Determinação das metas da empresa 77
3.1.1 Meta econômica da empresa 78
3.1.2 Meta técnica da empresa 80
3.2 Ordem espacial 85
3.2.1 Necessidades da ordem espacial 85
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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3.2.2 Planejamento e execução da ordem espacial 86
3.3 Levantamento e planejamento silvicultural 90
3.3.1 Levantamentos dos povoamentos 90
3.3.2 Planejamento dos povoamentos 93
3.4 Volume e sua determinação 100
3.5 Incremento e sua determinação 103
3.5.1 Determinação da árvore média para cálculo do incremento 114
3.5.1.1 Exemplo de determinação da árvore média para obtenção do
incremento 115
3.6 Levantamento e análise de vegetação 120
3.6.1 Considerações gerais 120
3.6.2 Composição florística 120
3.6.3 Distribuição espacial das espécies 121
3.6.4 Estrutura horizontal 122
3.6.5 Estrutura vertical 126
3.6.6 Índice de similaridade e diversidade florística 128
3.6.7 Estrutura espacial 130
3.6.8 Exemplo da dinâmica numa floresta natural heterogênea 131
3.6.9 Índice de distribuição espacial e competição 135
3.6.9.1 Índice de competição de copa 136
3.6.9.2 Índices independentes da distância 138
3.6.9.3 Índices dependentes da distância 139
3.6.9.4 Índice baseado no espaço ocupado pelas árvores 145
3.6.9.5 Índice baseado na manipulação das árvores 146
3.7 Regeneração natural 146

IV - AVALIAÇÃO DE RENTABILIDADE, ROTAÇÃO E BENEFÍCIOS 149
4.6.1 Introdução 149
4.6.2 Avaliação do solo florestal 151
4.6.2.1 Valor de produção do solo 151
4.6.2.2 Valor de transação do solo 156
4.6.3 Avaliação de povoamento florestais 157
4.6.3.1 Valor da exploração 157
4.6.3.2 Valor de custo do povoamento 160
4.6.3.3 Valor da expectativa de produção 163
4.6.3.4 Determinação do valor de indenização por aproximação 167
4.6.3.5 Valor da rentabilidade da floresta 168
4.6.3.6 Valor presente líquido 174
4.6.3.7 Valor futuro líquido 174
4.6.3.8 Razão benefício/custo 174
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

vii
4.6.3.9 Determinação da taxa de juro 175
4.6.10 Avaliação de danos e desapropriação 185
4.6.10.1 Danos 185
4.6.10.2 Desapropriação 186
4.6.11 Valor do fator idade 187
4.6.12 Rotação 189
4.6.12.1 Determinação da rotação 192
4.6.12.2 Decisão sobre a rotação 196
4.6.12.3 Condições para uma rotação ótima 198
4.6.13 Avaliação dos benefícios indiretos da floresta 202
4.6.13.1 Conceito e importância da função social da floresta 202
4.6.13.2 Diferenças entre conceitos de benefícios indiretos 203
4.6.13.3 Características dos benefícios indiretos 204
4.6.13.4 Bens públicos e privados 205
4.6.13.5 Avaliação dos benefícios indiretos 205
4.6.13.6 Problemas fundamentais da avaliação dos benefícios indiretos 208
4.6.13.7 Métodos de avaliação dos benefícios indiretos 209
4.6.13.8 Incentivos das empresas florestais na Alemanha 215

V - PLANEJAMENTO E REGULAÇÃO DE CORTES 219
5.1 Planejamento de cortes por métodos tradicionais 219
5.1.1 Introdução 219
5.1.2 Indicadores da taxa de corte 222
5.1.3 Métodos de determinação da taxa de corte 222
5.1.3.1 Métodos Dedutivos 223
5.1.3.2.1 Métodos Indutivos 233
5.1.3.3 Determinação da taxa de corte de uma classe de manejo 235
5.2 Planejamento de corte por métodos contemporâneos 243
5.2.1 Introdução 243
5.2.2 Programação linear na área florestal 242
5.2.3 Método Simplex 244
5.2.3.1 Solução usando quadros 247
5.2.3.2 Casos especiais 250
5.2.3.2.1 Problema de minimização 251
5.2.3.2.2 Empate na entrada 251
5.2.3.2.3 Empate na saída - Degeneração 251
5.2.4 Modelos de regulação da produção 253
5.2.4.1 Modelo I 254
5.2.4.1.1 Modelo I com área restringida 254
5.2.4.1.2 Modelo I: com fluxo de corte restringido 265
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

viii
5.2.4.1.3 Modelo I: com restrição do estoque final 268
5.2.4.1.4 Modelo I: com restrições reguladas 270
5.2.5 Modelo II 272
5.2.5.1 Restrição do estoque final 274
5.2.5.2 Condições de não negatividade 274
5.2.5.3 Função objetivo 276
5.2.5.4 Restrição de área 278
5.2.5.1.4 Restrições para o fluxo equilibrado 279
5.2.5.6 Restrições de estoque final 279
5.2.5.7 Ordenamento das restrições 280
5.2.6 Comparação do Modelo I e Modelo II 280
5.2.7 Utilização da programação linear 282
5.2.7.1 Definição de espaçamento 282
5.2.7.2 Abastecimento industrial 286
5.2.7.3 Suprimento de matéria-prima 291
5.2.8 Modelo I: Colheita em povoamentos manejados em talhadia simples 309
5.2.9 Modelo I: Colheita em povoamentos manejados em alto fuste 326
5.2.10 Definição de um modelo para planejamento da produção florestal 341
5.2.10.1 Determinação do ciclo econômico 341
5.2.10.2 Formulação do modelo de maximização 348
5.2.10.3 Formulação do modelo de minimização 350
5.2.10.4 Variação da taxa de juro 350
5.3 Planejamento de corte em floresta inequiânea 350
5.3.1 Determinação do incremento 350
5.3.2 Determinação da taxa de corte 352
5.3.4 Sistemas para manejo de florestas inequiâneas heterogêneas 354
5.3.4.2 Sistema Celos de manejo 354
5.3.4.2 Sistema de seleção 355
5.3.5 Sistema de manejo proposto 358
5.3.5.1 Caracterização das atividades 360
5.3.5.1.1 Delimitação da unidade de produção 360
5.3.5.1.2 Corte de cipós 360
5.3.5.1.3 Inventário florestal pré-exploração 360
5.3.5.1.4 Colheita florestal 361
5.3.5.1.5 Método de enriquecimento 361
5.3.6 Um exemplo de manejo em floresta inequiânea heterogênea 370
5.3.6.1 Composição florística 370
5.3.6.2 Análise estrutural 374
5.3.6.3 Análise da posição sociológica 378
5.3.6.4 Análise da qualidade do fuste 383
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

ix
5.3.6.5 Volume, número de árvores e área basal por espécie e classe de
diâmetro 389
5.3.6.6 Volume e número de árvores por classe de diâmetro e qualidade do
fuste 393
5.3.6.7 Estimativa do estoque da floresta 394
5.3.6.8 Regeneração natural 395
5.3.6.9 Regulação do estoque 401
5.3.6.9.1 Determinação da distribuição de freqüência balanceada 401
5.3.6.9.2 Determinação do incremento 404
5.3.6.9.3 Determinação da taxa de corte sustentada 407
5.3.6.9.4 Programação dos cortes 408
5.3.6.9.5 Execução dos cortes 410

VI – PLANEJAMENTO DE OUTRAS ATIVIDADES 413
6.1 Planejamento de desbaste 413
6.1.1 Introdução 413
6.1.2 Efeito do desbaste sobre a produção 416
6.1.3 Qualidade do produto final 424
6.1.4 Resultados obtidos com aplicação de desbaste 427
6.1.5 Determinação da densidade ótima por meio de desbaste 431
6.1.5.1 Método de Índice de Espaçamento Relativo 432
6.1.5.2 Método Mexicano de desbaste 437
6.1.5.3 Métodos de área basal 440
6.1.6 Idade do primeiro desbaste 442
6.1.7 Marcação e controle dos desbastes 443
6.1.9 Regimes de desbaste adotados em algumas empresas 445
6.1.10 Determinação de regime de desbaste 447
6.2 Planejamento da desrama 451
6.2.1 Introdução 451
6.2.2 Intensidade da poda 453
6.2.3 Programa de podas 456
6.2.4 Desrama em Eucalyptus saligna: um estudo de caso 460
6.2.5 Desrama em Pinus elliottii: um estudo de caso 464
6.2.6 Avaliação econômica das podas 470
6.3 Substituição de povoamentos florestais 471
6.3.1 Introdução 472
6.3.2 Métodos de Substituição 477
6.3.3 Progresso tecnológico 478
6.3.4 Critérios econômicos utilizados na avaliação de projetos 480
6.3.4.1 Critérios que não consideram o valor do capital no tempo 480
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

x
6.3.4.2 Critérios que consideram o valor do capital no tempo 482
6.3.5 Modelo de decisão entre substituição e condução da brotação:
um estudo de caso 485
6.3.5.1 Origem dos dados 485
6.3.5.2 Custos e receitas residuais 487
6.3.5.3 Custo de cultura 487
6.3.5.3.1 Alternativa de substituição 487
6.3.5.3.2 Alternativa de condução da brotação 488
6.3.5.4 Custo de administração 489
6.3.5.5 Remuneração do capital terra 489
6.3.5.6 Preço da madeira 490
6.3.5.7 Taxa de juro subjetiva 490
6.3.5.8 Rotação dos povoamentos 490
6.3.5.9 Valor dos povoamentos 491
6.3.5.10 Resultados e discussões 491
6.3.5.10.1 Rotação financeira 491
6.3.5.10.2 Avaliação econômica das alternativas silviculturais 492
6.3.5.11 Considerações finais sobre a substituição de povoamentos 497
6.4 Planejamento de cultura 502
6.5 Planejamento de estradas 504
6.6 Planejamento da exploração principal 505
6.7 Planejamento de regulação de estoque e construção de reserva 507
6.8 Planejamento de exploração secundária 509

VII - PLANEJAMENTO DO FLUXO DE PRODUÇÃO 511
7.1 Planejamento do fluxo de produção em acacicultura 511
7.2 Planejamento do fluxo de produção para sistema de alto fuste 524

VIII - ELABORAÇÃO DO PLANO DE MANEJO 545
8.1. Plano de manejo para florestas de produção 545
8.1.1 Introdução 545
8.1.2 Definição dos objetivos do plano 546
8.1.3 Estrutura do plano de manejo 548
8.2 Plano de manejo para as unidades de uso sustentável subordinadas ao
IBAMA 571
8.2.1 Introdução 571
8.2.2 Manejo das unidades de uso sustentável 573
8.2.3 Situação atual das unidades de uso sustentável 575
8.2.4 Manejo da unidades de conservação 576
8.2.5 Elaboração de plano de manejo para as Florestas Nacionais 579
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

xi
8.2.5.1 Informações gerais sobre a Floresta Nacional 579
8.2.5.2 Planejamento da unidade de conservação 586
8.2.5.3 Ações de manejo por áreas de atuação 590
8.2.5.4 Sustentabilidade econômica 590
8.2.5.5 Cronograma físico-financeiro 591
8.2.5.6 Bibliografia 591
8.2.5.7 Anexos 591

IX - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 593

ANEXO I - FÓRMULAS PARA ALTERAÇÃO DE VALORES NO
TEMPO 605
ANEXO II - CUSTOS 608
ANEXO II – SAÍDAS PROCESSAMENTO – PROGRAMAÇÃO
LINEAR 609

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

xii


I - INTRODUÇÃO

A relação do homem com as florestas iniciou antes dos primeiros registros
históricos. Entretanto, nesta época era difícil de entender que a floresta
representasse para o homem um recurso valioso como se entende atualmente. Para
as sociedades primitivas a floresta era um elemento do ambiente com poucas
oportunidades de uso embora que sobrevive de sua abundância.
Atualmente, a floresta é vista pelo homem como um recurso escasso com
valor agregado, pelo aspecto econômico, ecológico e social, envolvidos no
processo de produção.
Deve-se aceitar para os propósitos deste escrito que a função básica da
empresa florestal é a produção madeireira com fins comerciais lucrativos, e que o
processo de produção encontra-se sujeito a restrições para proteção dos outros
recursos florestais e da ecologia da floresta. Também, supõe-se que a exploração
dos recursos florestais dá-se numa propriedade privada, com base numa economia
keynesiana, que preconiza o livre mercado, múltiplos produtores e compradores,
que atuam de maneira racional.
Dentro do cenário descrito, o manejo florestal tradicional pode ser
entendido como uma seqüência de decisões tomadas pela administração da
empresa e que se encaminha para o alcance eficiente de objetivos gerais, ou seja,
da produção de madeira para fins comerciais e de bens imateriais.
Uma das lições que a história nos deixou é de que a exploração irrestrita e
desordenada dos recursos florestais por parte de proprietários privados conduziu a
destruição das florestas e o conseqüente empobrecimento das comunidades.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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1.1 Definições de manejo florestal

O manejo florestal é interpretado de diferentes maneiras, variando com a
visão do autor, como é mostrado em alguns exemplos a seguir:
a) Manejo florestal: é o conjunto de artes e técnicas que permitem a
organização da produção florestal com a base do rendimento contínuo (Society of
American Foresters, Meyer, 1961)
b) Manejo florestal: trata de levantamentos periódicos do estado atual
dos povoamentos, do planejamento a médio e longo prazo, da revisão periódica da
produção da propriedade florestal (Mantel, 1959).
c) Manejo florestal: trata da organização ótima de uma propriedade
florestal, através de planejamento e controles dos efeitos, a serem feitos
periodicamente, com a intenção da preservação ou aumento duradouro da produção
florestal (Richter, 1963).
f) Manejo florestal: é definido como a maneira de dirigir uma empresa
florestal (Meyer, 1961).
O termo dirigir a empresa florestal, significa, em termos amplos, dar
ordens e controlar. As ordens podem ser dadas através de um plano de
ordenamento ou espontaneamente. Por outro lado, o ato de controlar pode ser
espontâneo ou através de um sistema (fluxo de produção, contabilidade, etc.).
O manejo florestal, definido como a maneira de dirigir a empresa florestal,
deve cumprir as seguintes exigências básicas:
a) Manejo sustentado: a floresta deve ser manejada de tal maneira que
venha dar em longo prazo pelo menos os mesmos benefícios financeiros e não
financeiros, como atualmente.
Este conceito constitui-se no fundamento básico da Engenharia Florestal
moderna. Se a Engenharia Florestal brasileira contribuirá em longo prazo para o
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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desenvolvimento florestal do país, dependerá em primeiro lugar da aceitação deste
conceito de manejo florestal pelos técnicos, empresários e sociedade em geral.
Para cumprir as exigências do manejo sustentado, deve-se antes de tudo
tomar cuidado para não prejudicar irreversivelmente as condições ecológicas do
habitat.
b) Manejo racional: um comportamento pode ser chamado de racional se
as informações disponíveis forem bem aproveitadas e visa um objetivo específico.
Atualmente, na maioria das empresas, há coleta de informações
dendrométricas sem, no entanto, aproveitá-las integralmente nas suas decisões.
Isto, provavelmente, deve-se ao fato de que estas informações não são bem
ordenadas e, no momento da decisão, o acesso às mesmas é difícil e demanda
muito tempo. Devido a isso, o manejo racional exige um sistema de informação
bem ordenado, que forneça informações rápidas e resumidas.
c) Manejo funcional: o manejo funcional deve abranger quatro funções:
análise, planejamento, controle e correção.
. Análise: sem conhecimento da situação atual da empresa, a mesma não
pode ser dirigida de maneira satisfatória. O inventário florestal fornece uma base
imprescindível de informações para o manejo, porém as suas funções são bem mais
amplas do que as do inventário. O manejo começa com a análise dos resultados do
inventário florestal e, eventualmente, de outros levantamentos como a situação
financeira e organizatória. A partir disto, analisa-se as possibilidades da empresa
alcançar os seus objetivos específicos. Para analisar as possibilidades de uma
empresa florestal fornecer madeira suficiente para uma fábrica de papel, precisa-se
de dados, da área, espécie, idade, classe de sítio, dos plantios e de prognose da
produção destes povoamentos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

4
. Planejamento: com base no conhecimento da situação atual e das
possibilidades futuras da empresa, o manejo planeja as medidas a serem tomadas
para alcançar os seus objetivos.
. Controle: planejamento sem controle não tem sentido, pois a sua
execução, divergirá até do melhor plano de manejo. Para um controle eficiente
precisa-se de um sistema que registre os acontecimentos (contabilidade, registros
dendrométricos dos talhões, etc.) e de técnicas específicas de controle, como por
exemplo o PERT/CPM.
d) Manejo integral: para facilitar a análise deste complexo sistema de
manejo, pode-se observá-lo sob quatro aspectos diferentes:
. Aspecto físico: sob este aspecto analisa-se e planeja-se a empresa em
unidades físicas, como por exemplo, ha, m³, km, número de máquinas, homem
horas por hectare, etc. Muitas vezes o planejamento florestal é feito somente sob o
aspecto físico.
. Aspecto financeiro: a estrutura e funcionamento da empresa florestal
além de ser planejada em termos físicos deve ser planejada e controlada, também,
em unidades financeiras.
. Aspecto organizatório: sob este aspecto observa-se os elementos
humanos da empresa, as suas funções, qualificações, subordinações, etc.
. Aspecto informativo: uma empresa florestal, não pode funcionar sem
informações. As ordens devem ser passadas por informações normativas, as quais
baseiam-se em condições descritivas da situação. Sob o aspecto informativo
analisa-se as informações disponíveis na empresa, as fontes de informações, a
transformação de informações, por exemplo, o cálculo de custos por hectare
mediante as informações obtidas na folha de pagamento, notas de compra, e a
transmissão de informações dentro da empresa.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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O manejo florestal deve ser integral no sentido que o mesmo deve referir-
se a todos os aspectos da empresa. Não é suficiente, por exemplo, planejar um
desbaste somente sob o aspecto físico (quantidade e que árvores devem ser
cortadas num ano) sem considerar as conseqüências financeiras (custos e vendas
do desbaste), sem planejar a organização (quem marca as árvores, quem corta,
quem supervisiona, quem transporta, quem vende), e sem planejar o aspecto
informativo (com base em que dados é calculado o desbaste, como os empregados
e motoristas recebem as informações necessárias, quando e de quem o
departamento de vendas recebe as informações sobre a quantidade e a qualidade
da madeira disponível).
No Brasil, o manejo florestal ainda não tomou rumos definidos, e pode
ser considerado como uma matéria nova. Porque, a maioria dos plantios efetuados
anos atrás, não tiveram um planejamento concreto sobre os objetivos a serem
atingidos, e simplesmente porque a intenção era de aproveitar uma condição
financeira, disposta em função da Lei dos Incentivos Fiscais.
As empresas que até então não possuíam especialistas em manejo
florestal, hoje se sentem quase que obrigadas a dispor em seus quadros, com o
objetivo único de solucionar seus problemas de maneira mais coerente. Estes
problemas estão principalmente vinculados à necessidade de desbaste dos
povoamentos, qualidade da madeira e dar um destino satisfatório da matéria-prima,
oriunda dos desbastes e cortes finais.
O ato de dirigir a empresa florestal é um atributo do gerente ou diretor da
empresa florestal, e que em muitos casos, não possui uma formação florestal
profissional. Nestes casos, o conceito de manejo florestal deveria ser modificado,
porque as decisões técnicas a serem tomadas para o manejo dos povoamentos deve
sempre partir de um especialista em manejo florestal.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

6
1.2 Ordenamento e manejo florestal

O termo manejo florestal está sendo aplicado pela maioria das técnicas em
dois sentidos diferentes: como tratamento de um povoamento florestal; e, como
administração ou direção de uma empresa florestal.
Analisando-se estes dois aspectos, pode-se a primeira vista perceber que
o manejo florestal e o ordenamento florestal sejam sinônimos. Porém, analisando-
se as funções do gerente da empresa, percebe-se que o ordenamento abrange
somente uma tarefa, embora a mais importante das funções da gerência, que é a de
ordenar a produção. E, o manejo florestal abrange então todas as funções da
gerência de uma empresa florestal, ou seja, ordenar e controlar a produção.
No entanto, para chefiar uma empresa é preciso dar ordens e controlar. O
plano de manejo, geralmente elaborado por assessores, é posto em prática pela
chefia da empresa, que com isso, dá ordens a respeito das principais atividades
planejadas a serem executadas num período de tempo na empresa.
Muitas vezes, o plano de manejo contém ordens insuficientes para dirigir
a empresa, pois as ordens são afetadas por três tipos de defeitos: as ordens são
incompletas; as ordens são gerais, faltando detalhes; ou, as ordens muitas vezes são
incorretas, devido à falta de precisão e previsão. Devido a isso, a chefia deve
durante a execução do plano de manejo, completar, especificar e eventualmente
corrigir as ordens dadas no mesmo, que por ventura estiverem incorretas. Todavia,
as decisões a respeito das correções do plano de manejo, devem ser tomadas pelo
gerente da empresa.

1.3 Histórico do manejo florestal

O nascimento do ordenamento florestal data de relatos muito antigos,
como sendo as primeiras tentativas de um manejo ordenado das florestas.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

7
Já em 1122 a.C., um Imperador Chinês contratava um silvicultor com o
objetivo de realizar desbaste, poda e limpeza de povoamentos. O corte da madeira
era determinado por uma comissão e o uso da madeira era definido somente para
determinados fins.
Conforme, o escritor Plinius, em 23-79 d.C., os romanos começaram a
planejar a utilização das florestas e já conheciam o regime de manejo em alto fuste
e talhadia. No regime de talhadia, aplicavam rotações de oito a onze anos. Porém,
com a decadência do império romano, essas iniciativas de um ordenamento não
chegaram a se desenvolver.
Na Europa Central, o ordenamento florestal, nasceu principalmente na
França, Alemanha, Áustria e Suíça. Nesta região, o sistema de talhadia já era
conhecido desde a época de Carlos Magno, em 742 – 814 d.C.
A destruição das florestas na França motivou a intervenção do Estado, o
que propiciou o desenvolvimento de práticas de manejo florestal. Os antecedentes
mais antigos são as Leis de 1280, 1318 e 1346, que foram promulgadas com o
objetivo de assegurar a permanência da floresta, restringia-se os cortes e criavam
um corpo de mestres florestais.
No Século XVI, na França, foi gerado um avanço significativo em matéria
silvicultural, que infelizmente tornou-se nula na prática devido aos freqüentes
abusos na execução dos cortes e pela persistente corrupção na administração. O
avanço da destruição florestal continuou provocando escassez de produtos
florestais. Para combater o problema o Governo Francês emitiu mais
regulamentação, que culminou com a promulgação da Lei 1669, por iniciativa de
Jean Baptiste Colbert. Esta lei requeria que houvesse uma autorização oficial para
todo tipo de corte, e que no caso de cortes finais se especificava a forma de
cubicação, extensão e procedimento de tratamentos. Também se proibiu a entrada
de gado na floresta e se restringiu o pastoreio, para evitar danos e a segurança dos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

8
povoamentos. Essa Lei de 1669 foi importante acerca da necessidade de elaborar
planos de manejo florestal formais cuja execução dos aproveitamentos eram
supervisionados pelo Estado.
Na Inglaterra, também, foram desenvolvidos esporádicos esforços,
principalmente durante e depois das guerras, mas que na prática acabaram sem
maiores conseqüências de desenvolvimento.
O curso da história, durante a Idade Média, a madeira situava-se como um
recurso importante devido a seu amplo uso em construções domésticas, naval e
como combustível. As constantes guerras européias foram fatores fundamentais
neste giro de prioridades. O efeito principal da guerra era a destruição das florestas.
Um exemplo foi durante a guerra dos 30 anos (1618-1648), na Alemanha, quando
uma grande área florestal foi destruída por incêndios provocados, bem como por
corte para obter madeira para fins bélicos e pagamento de tributos.
Na Alemanha, já no século XIV, foram realizadas práticas de rendimento
sustentado mediante o método de divisão de áreas. O método consistia em dividir a
área total em parcelas iguais aos anos da rotação, sendo então anualmente cortada e
plantada uma destas parcelas. Ainda nesse país, já no século XVIII, devido ao
grave perigo de escassez de madeira, houve a elaboração de uma teoria de
ordenamento. Começava-se a regular o corte com base no volume em vez da área.
A primeira Escola Florestal foi fundada por Hans Dietrich von Zanthier,
em Wernigerode, na Alemanha, que foi fechada com a morte do seu fundador, em
1778. De enorme tradição e importância foi a Escola Prusiana, fundada em 1779,
em Hessen, por Georg Ludwig Hartig. Esta escola foi mudada de local em várias
ocasiões, até instalar-se definitivamente em Eberwald. Igualmente importante foi a
Escola Sajona de Zillbach, na região de Thuringen, estabelecida por Henrich von
Cotta, em 1785, que depois se mudou para Tharandt e se converteu na Academia
Real.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

9
A Hartig e Cotta deve-se a formulação, em 1804, da idéia básica de
manejo florestal sustentado, que tinha por significado: manejar as florestas de
maneira que os descendentes obtivessem dela pelo menos os mesmos benefícios
que a geração atual.
Já no século XIX, foi formulado o famoso Modelo da Floresta Normal,
por Hundeshagen e Meyer. Esse modelo serve como base da maioria dos métodos
da regulação do corte. Ainda, nesse século, foram executados muitos estudos de
produção e montadas várias tabelas de volume e de produção, assim como, o
cálculo com juros compostos, segundo Pressler.
A primeira parte do século XX foi marcada por uma estagnação do
desenvolvimento florestal, causado principalmente pela luta inútil entre a Escola
de Renda Líquida do Terreno, que observa os juros sobre o valor do povoamento
como custo, e a Escola de Renda Líquida da Floresta, que não inclui os juros
sobre o valor dos povoamentos no cálculo de custos.
Uma fase muito promissora do ordenamento começou, depois da segunda
guerra mundial, com o desenvolvimento da pesquisa operacional, principalmente
na Inglaterra e EUA. Os modelos matemáticos formulados por esta disciplina são,
especialmente, a otimização linear, a otimização dinâmica, o sistema PERT/CPM e
as técnicas de simulação, que aplicadas ao manejo florestal permitem soluções
mais realísticas de problemas mais complexos do que as técnicas clássicas de
ordenamento.

1.4 Relação do manejo florestal com outras disciplinas

O termo manejo florestal quer dizer dirigir ou guiar um povoamento
durante a vida até alcançar a produção de madeira e o sucesso econômico da
empresa. Assim sendo, não se pode tomar o manejo florestal como uma ciência
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

10
independente, mas uma matéria que integra e relaciona as disciplinas que: analisam
os processos de crescimento; as que regem leis e condições econômicas; e, as que
se referem à extração de madeira.
Segundo Richter (1963), pode-se comparar o manejo florestal como o
telhado de uma casa que cobre parcialmente as seguintes disciplinas:
a) Ecologia: a ecologia antecede ao manejo florestal. É importante
principalmente na sondagem e mapeamento de habitat, assim como nas influências
ecológicas sobre o crescimento dos povoamentos.
b) Biometria e inventário florestal: fornecem dados básicos de
crescimento e produção indispensáveis para o planejamento florestal.
c) Silvicultura: o manejo florestal abrange aspectos silviculturais, tais
como: planejamento de plantio, tratos culturais, etc.
d) Proteção florestal: abrange todos os aspectos a amenizar os riscos
contra o fogo e insetos, etc.
e) Economia: o manejo florestal ocorre dentro de certos critérios
econômicos, principalmente nos aspectos que se referem à lei da oferta e procura,
comercialização, custos e cálculos de rentabilidade.
f) Colheita florestal: tem relação com o manejo florestal, nos seus
aspectos relacionados à exploração, custos, abastecimento, etc.
g) Política e legislação florestal: traçam certas margens de
movimentação livre para os planejamentos do manejo florestal.
Além destas disciplinas, podemos ainda acrescentar outras, como a
dendrologia, administração, etc.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

11
1.5 Natureza e finalidade do manejo florestal

O manejo florestal é um constante planejar, revisar, executar de planos, e
está sujeito as características da produção florestal. Geralmente, há o objetivo
principal do manejo, que vem a ser a madeira, que varia conforme a propriedade e
a localização da empresa em relação aos centros consumidores. Além do objetivo
principal principal, são incluídos as explorações secundárias, tais como: resinas,
casca, óleos, etc. ou a função protetora da floresta.
Pode-se definir a característica da produção florestal através dos seguintes
elementos:
a) Elemento temporário: tem-se a produção com duração em longo
prazo. Neste caso, a produção tem o objetivo de atender um consumo futuro.
b) Elemento especial: como elemento especial da produção florestal,
temos o habitat. que varia de um habitat para o outro. A área de produção florestal
pode ser analisada a nível regional, empresarial, talhão, secção ou sub-secção.
c) Elemento biológico-biométrico: tem-se os conhecimentos ecológicos
e silviculturais para um melhor conhecimento da qualidade e das espécies
existentes no habitat. A escolha da espécie é de fundamental importância para o
sucesso do empreendimento. As observações sobre as conseqüências dos trabalhos
aplicados, como: incremento, exuberância de renovação, ocorrência de crescimento
e estoques, são de fundamental importância no manejo.
d) Elemento econômico: tem-se a produção florestal manejada em função
de um objetivo econômico, que em princípio pode somente ocorrer dentro de uma
margem biológica em concordância com as possibilidades do habitat. A formação
de sortimentos, parcialmente em função da determinação da produção; a
economicidade das explorações secundárias, desbastes, rentabilidade de mão-de-
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

12
obra, são elementos a serem analisados para caracterizar a produção florestal de
uma empresa.
Estes quatro elementos integrantes na ocorrência da produção florestal
devem sempre estar equilibrados entre si. O manejo florestal tenta integrá-los e,
por outro lado, em parte eles determinam o objetivo da produção e com isso a
duração do manejo.
Para poder elaborar um plano de manejo e nele um plano de produção em
médio prazo para uma empresa, deve-se entender bem o desenvolvimento da
produção florestal, como pode ser medida e influenciada pelos diversos fatores do
meio.
As necessidades de um manejo florestal integral das florestas brasileiras,
tanto equiâneas como inequiâneas, faz-se sentir cada vez mais com o aumento da
densidade demográfica. Enquanto que a população mundial era pequena, havia
pouco consumo de madeira que era satisfeito com a exploração rudimentar das
florestas naturais. Mas com o crescimento da população (estimativas: 1950 em
mais de 2,5 bilhões; 1970 em 3,5 bilhões; 1980 em 4,3 bilhões), a exploração
rudimentar das florestas deve sofrer modificações, ou fazer surgir novas técnicas
de exploração das áreas florestais, para suprir a demanda de produtos florestais. O
consumo/cápita médio mundial mantém-se na faixa de 0,69 m3/ano, mas está
havendo uma transformação no tipo de consumo de matéria-prima, que exige no
momento, mais madeira industrial do que para outros usos, como Tabela 1.

TABELA 1 – Consumo de matéria-prima no mundo (m³/cápita/ano).
Tipo de
Matéria-prima
Período/ano
1913 * 1962 1975 1985
Madeira Industrial 0,44 0,34 0,38 0,41
Lenha 0,42 0,35 0,31 0,28
Total 0,86 0,69 0,69 0,69
* Estimativa somente para a Europa.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

13
A importância do setor florestal brasileiro pode ser medido pela
quantidade das exportações de celulose realizada por empresas brasileiras em
2000, que chegou a um valor total de 3.013.830 toneladas, sendo os países da
Europa os maiores importadores, com 46,7 % do total produzido.

TABELA 2 – Exportações brasileiras de celulose por destino, em 2000.
Destino Toneladas %
América do Norte 843.557 28,0
Ásia e Oceania 727.719 24,1
América Latina 34.809 1,2
Europa 1.407.631 46,7
África 114 -
Total 3.013.830 100,0
Fonte: Bracelpa (2000)


Em relação à cobertura florestal no Canadá, EUA, URSS e os países
desenvolvidos do leste da Ásia e Oceania a área de florestas fechadas
permaneceram constante e aumentaram na Europa, de acordo com as estimativas
da Tabela 3.
Nos demais países as áreas florestais diminuíram consideravelmente,
principalmente nos trópicos devido à exploração desordenada e ao Schifting
Cultivation. Este é o maior problema, porque dificilmente as florestas mundiais
não tropicais vão suprir a demanda do mercado mundial.
Existem ainda as florestas inacessíveis e as produtivas, mas que quando
exploradas faz-se de uma maneira rudimentar. Da mesma forma, as florestas
devastadas, de baixa produção, sofrem esta mesma influência, mas que pode ser
aumentada com o uso de um manejo intensivo e eficaz.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

14
TABELA 3 – Estimativa da cobertura florestal per cápita


Países/Regiões
Cobertura
Florestal

Pop.
2000
ha./cápita
em 2000
1970 2000 2000
Alto

Baixo Média Alto Baixo
USA/Canadá 470 470 470 354 1.33 1.33
México 145 109 72 118 0.92 0.61
Europa 144 150 150 550 0.27 0.27
USSR 770 770 770 330 2.33 2.33
África (África)
1. Norte da África
2. Zona do Sahel
3. Leste da África e ilhas
4. Oeste da África
5. Sul da África
928
9
31
264
600
24
696
7
23
198
450
18
463
4
15
132
300
12
766
145
49
233
276
63
0.91
0.05
0.47
0.85
1.63
0.28
0.60
0.03
0.31
0.57
1.09
0.19
América Central + Sul
1. América Central
2. Caribe
3. América do Sul Trp.
4. Brasil
5. América do sul
Temp.
913
29
4
342
493
45
686
22
3
257
370
34
456
14
2
171
246
23
518
37
55
137
212
77
1.32
0.59
0.05
1.88
1.74
0.44
0.88
0.38
0.04
1.25
1.16
0.30
Leste da Ásia
1. Sul e Oeste da Ásia
2. Ásia Continental Sul
3. Leste insular da Ásia
4. Leste da Ásia
5. Oceania
737
171
116
150
186
114
614
128
87
113
186
100
505
85
58
76
186
100
3498
1278
208
309
1670
33
0.18
0.10
0.42
0.37
0.11
3.03
0.14
0.07
0.28
0.25
0.11
3.03
Total 4113 3495 2886 6134 0.57 0.47
Fonte: Steinlin (1979).

Por outro lado, ainda existe o problema do transporte de longa distância
para abastecer as regiões com déficit de matéria-prima com madeira proveniente
de regiões de superprodução.
Quando se depara com o déficit de madeira, a tendência é tomar
geralmente uma das opções: importar madeira a preços de mercado; ou, reunir
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

15
esforços no sentido de recuperar as florestas, através da regulação de cortes, de
reflorestamentos, de manejar as florestas naturais improdutivas ainda existentes.
Na Figura 1 pode ser observado a atual situação do uso da terra no Brasil e
Rio Grane do Sul, relativo ao ano de 2006, e necessidades de reflorestamento.

USO DA TERRANO BRASIL EM %
65.9
33.5
0.6
Florestasnaturais Florestas plantadas Outros usos
USO DA TERRA NO RS EM %
1.33
17.63
81.14
Florestasnaturais Florestas plantadas Outros usos







FIGURA 1 - Uso da terra no Brasil e Rio Grande do Sul.

O Rio Grande do Sul com uma superfície de 281.748 km
2
e população:
10,19 milhões habitantes, apresenta uma área reflorestada de 360.000 ha , o que
perfaz um índice de reflorestamento de apenas 0,035 ha/cápita. Considerando um
consumo médio de 0,69 m
3
/cápita/ano e IMA de 30 m
3
/ha/ano, a demanda interna
ou doméstica de área reflorestada seria de 234.370 ha, que para uma rotação de 7
Área: 281.748 km
2
População:
10,19 milhões habs.
Área Reflorestada = 360.000 ha
IRP = 0,035 ha/cápita
Consumo = 0,69 m
3
/cápita/ano
IMA = 30 m
3
/ha/ano
Demanda Interna/doméstica =
234.370 ha
Área Nec. R = 7 ano = 1,64 milhões
ha (5,8%)

Área: 8,54 milhões km
2


População: 189,6 milhões habs.

Área Reflorestada = 4,3 mils. ha.

IRP = 0,023 ha/cápita.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

16
ÁRE REFLORESTADA (ha) NO RS
150000
110000
100000
Pinus Eucalyptus Acácia
anos de Eucalyptus, esta necessidade real seria de 1,64 milhões há, com uma
ocupação de apenas 5,8 % da superfície do estado.
Na Figusra 2 pode ser observado a quantidade de área reflorestada com
Pinus, Eucalyptus e Acácia-negra no Rio Grande do Sul, em 2002. A área
reflorestada com acácia-negra é de 100.000 ha, Pinus 150.000 ha e Eucalyptus de
110.000 ha, totalizando cerca de 360.000 ha., o que perfaz uma ocpuação da
superfície territorial do Rio Grande do Sul de apenas 1,33 %.


FIGURA 2 - Distribuição das florestas plantadas no Rio Grande do Sul. Fonte:
UFSM (2002)

Em 2005 o comércio internacional de produtos florestais, não incluindo os
produtos de madeira de maior valor agregado (PMVA) e móveis de madeira,
chegou a 180.000 $ bilhões, sendo 100.000 $ bilhões provindos das exportações de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

17
0
40.000
80.000
120.000
160.000
200.000
85 91 92 93 94 95 96 97 98 99 0 1 2 3 4 5
U
S
D

1
.
0
0
0
.
0
0
0
C&P PMS
celulose e papel e 80.000 $ bilhões de produtos de madeira sólida, donforme
Figrua 3. Atualmente, o setor florestal cresce a uma taxa de 6,8 % a.a.
FIGURA 3 - Comércio internacional de produtos florestais, não inclui PMVA
(Produtos de Madeira de Maior Valor Agregado) e móveis de
madeira. Fonte: SCTP ( 2006).

Segundo dados do IBGE (2007) a produção brasileira de toras de
florestas plantadas e nativas é de 108,7 milhões de metros cúbicos, sendo 107,8
originado de florestas plantadas e 10,9 de florestas nativas, conforme Figura 4. Isto
indica que o setor industrial brasileiro é quade que inpedendente da madeira
originada de floresta nativas, pois a diferença de apenas 10,1 %.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

18
Produção Brasileira de Madeira em Toras
118.7
107.8
10.9
0
20
40
60
80
100
120
140
Total Floresta
plantada
Floresta nativa
m
3

m
i
l
h
õ
e
s

FIGURA 4 – Produção brasileira de toras de florestas plantadas e nativas. Fonte:
IBGE (2007)

Na Figura 5 pode-se observar um expressivo desempenho econômico do
setor florestal brasileiro, relativo aos produtos originados de florestas plantadas e
do extrativismo vegetal.
O desempenho econômico do setor florestal brasileiro chega a 10,9 R$
bilhões. Neste caso as florestas plantadas contribuíram com 7,2 R$ bilhões e o
extrativismo vegetal com 2,7 R$ bilhões.
Na Figura 6 pode ser observado a evolução dos preços de tora de Pinus e
do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Evidencia-se uma
estabilização dos preços dos produtos de origem florestal neste últimos ano.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

19
Produção Florestal Brasileira
10.9
7.2
2.7
0
2
4
6
8
10
12
Total Floresta
plantada
Extrativismo
vegetal
R
$

b
i
l
h
õ
e
s

FIGURA 5 – Desempenho econômico do setor florestal brasileiro, relativo as
florestas plantadas e extrativismo vegetal. Fonte: IBGE (2007).

A Figura 7 mostra a competitividade do setor florestal brasileiro em
relação a outros países, tomando por base o preço de tora de Pinus. Em média, no
Brasil, o preço de madeira de toras de Pinus posta na fábrica é de 57 $/m
3
, inferior
ao praticado em países como a Suécia, USA e Finlândia, porém superior aos preços
no Chile de Nova Zelândia.
Da mesma forma, pode-se avaliar o crescimento do Pinus obtido no Brasil
em relação ao de outros países. No Brasil,como mostra a Figura 8, obtem-se um
crescimento médio do Pinus em torno de 28 m
3
/ha/ano, enquanto que, em outros
países este cresciemnto é muito inferior, não chegando a 10 m
3
/ha/ano.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

20

41
55
57
62
72
77
0
10
20
30
40
50
60
70
80
U
S
$
/
m
3

(
p
o
s
t
o

i
n
d
ú
s
t
r
i
a
)
CHILE NOVA
ZELÂNDIA
BRASIL SUÉCIA EUA (SUL)FINLÂNDIA
TORA PARA SERRARIA

50
100
150
200
250
300
350
j
a
n
/
0
0
j
u
l
/
0
0
j
a
n
/
0
1
j
u
l
/
0
1
j
a
n
/
0
2
j
u
l
/
0
2
j
a
n
/
0
3
j
u
l
/
0
3
j
a
n
/
0
4
j
u
l
/
0
4
j
a
n
/
0
5
j
u
l
/
0
5
j
a
n
/
0
6
j
u
l
/
0
6
Í
N
D
I
C
E

D
E

P
R
E
Ç
O
S

(
J
A
N
/
0
0

=

1
0
0
)


.
CELULOSE SERRARIA LAMINAÇÃO IPCA











FIGURA 6 – Evolução dos preços de tora de Pinus e Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA). Fonte: SCTP ( 2006).
FIGURA 7 – Preço de tora de Pinus no Brasil e outros países. Fonte: SCTP( 2006).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

21











FIGURA 8 – Incremento médio anual de Pinus no Brasil e outros países.

Estes dados mostram a grande competitividade do Brasil em relação a
outros países do mundo, com tradição na área florestal, devido as excelentes
condições de clima e solos para o crescimento florestal.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

22
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

23


II - ELEMENTOS PRINCIPAIS DO MANEJO FLORESTAL

Os elementos principais do manejo florestal são considerados dentro dos
conceitos de Espaço, Tempo e Espaço e Tempo, avaliados sob o aspecto físico.

2.1 Espaço

O espaço físico refere-se ao domínio da superfície ocupada por um
empreendimento florestal. O conhecimento da distribuição espacial das unidades é
importante para obtenção do regime sustentado, para que sejam mais bem
utilizadas, planejadas, manejadas e controladas. Devido a isso, para o início de
qualquer empreendimento é necessário fazer a subdivisão das áreas para iniciar a
implantação das florestas.
Muitas vezes a própria natureza já oferece subdivisões naturais das áreas,
devido à ocorrência de espécies, diferença no porte das árvores, idade, etc.
Entretanto, estas divisões naturais, na maioria das vezes, não são suficientes, sendo
necessário criar uma ordem espacial dos povoamentos, visando facilitar os
levantamentos, planejamentos, execuções e controle; e também no cadastramento
de informações históricas.
As subdivisões do espaço físico podem ser assim determinadas:
a) Subdivisão ecológica ou natural
Em todo empreendimento florestal existe uma divisão natural em
decorrência de condições climáticas e edáficas, que forma unidades ecológicas
com localização fixa e intransferível.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

24
Uma empresa pode estar localizada em uma região ecológica única, mas
também pode fazer parte de mais regiões ecológicas, como, por exemplo, pertencer
à região das florestas de araucária, dos campos de cima da serra e das florestas
subtropicais pluviais, etc.
Através de levantamentos edáficos, climáticos, geológicos, florísticos são
determinados os critérios para a delimitação de tais regiões, permitindo subdividir
as áreas florestais segundo grupos ecológicos.
Esta subdivisão de área fornece um aspecto geral da floresta dentro do
qual os habitats constituem apenas divisões.
A subdivisão em regiões ecológicas é útil somente em áreas grandes, pois
agrupa áreas segundo a vegetação natural. Já a determinação dos habitats permite
delimitar áreas dos povoamentos existentes, quer sejam naturais ou artificiais.
A delimitação de regiões ecológicas é feita sobre o mapa, uma única vez,
devendo sempre que possível trazer informações sobre os tipos florestais,
pormenorizando as espécies, tipos de solo, relevo e outros fatores existente na
região.
Esta classificação reverte-se de grande importância quando da
transformação e manejo de áreas, pois em algum momento pode ser necessário
conhecer como eram as condições ecológicas naturais do local.
Por outro lado, a determinação dos habitats dentro da área da empresa,
reveste-se de maior importância, sendo à base do planejamento silvicultural e
econômico, pois permite o melhor aproveitamento do solo e clima local.
Os habitats formam a estrutura básica para a formação da ordem espacial,
constituindo-se no fundamento básico da ordem espacial.
b) Subdivisão das áreas de produção
A relação entre o espaço e a produção é definida pelas unidades: talhão,
secção e subsecção.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

25
Talhão: é uma unidade de produção com área variável, que segundo
Mantel(1959) situa-se entre 10 a 30 hectares e para Richter(1963) entre 10 a 100
hectares. Ele tem o objetivo de facilitar a administração, planejamento e controle
da produção. Possui caracter duradouro, portanto deve ser claramente definido no
campo.
O talhão pode ser composto por várias secções, que é uma unidade de
produção com orientação no espaço, de marcação fixa e visível no campo.
A forma do talhão é mais ou menos regular, preferivelmente retangular,
pois facilita a acessibilidade às explorações da madeira.
O talhão pode ser delimitado por estradas, rios, aceiros, cumeados e linhas
abertas artificialmente, entre outras.
O talhão serve para orientação do empreendimento sendo denominado por
um número arábico, por exemplo, 20, servindo para o planejamento da produção,
infraestrutura, etc.
Secção: é uma subd ivisão do talhão, com área mínima de 3 hectares,
servindo para o planejamento e controle da produção. A área física da secção deve,
dentro do possível, coincidir com o habitat ou ser de grande semelhança. Sua
forma é variável e a área é contígua na floresta. A composição de espécies é a
mesma, de mesma idade, independente em relação ao habitat e micro-clima.
A separação da secção não ocorre normalmente por linhas naturais, sendo
necessário a sua delimitação em pintura de árvores, caminhos de extração de
madeira, etc.
Muitas vezes, a forma e o tamanho da secção pode trazer influência sobre
o crescimento dos indivíduos e habitat. Esta influência pode causar a diminuição
da produção ou mesmo em outros casos ser vantajoso, como mostra a Figura 9.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

26


FIGURA 9 – Influência marginal de povoamentos vizinhos no crescimento

A forma e a área manejada tem influência sobre o crescimento das árvores
remanescentes. Na Figura 10, pode-se verificar que o manejo em unidades de
produção de forma quadrado traz benefícios em relação às unidades de produção
retangulares, pois estas apresentam menor redução de incremento, provocado pela
concorrência de árvores de unidade vizinhas.







FIGURA 10 – Relação da perda de produção com a forma da unidade

Para ilustração da distribuição espacial é mostrado na Figura 11 uma
parte de um mapa que contém a distribuição parcial das secções por talhão, dentro
de um espaço físico.


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27

















FIGURA 11 – Distribuição espacial das unidades de produção

Subsecção: são unidades de produção pequenas, com superfície menor
que 3 hectare, que se destacam por grandes diferenças no habitat das demais áreas
do talhão ou secção, por exemplo, idade, danos, qualidade, solo, etc.

c) Subdivisão técnica
Esta subdivisão tem por objetivo a formação das classes de manejo, que é
uma divisão idealizada não sendo necessariamente homogênea e contígua na
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

28
natureza. Permite agrupar os povoamentos com características iguais ou
semelhantes.
Uma classe de manejo é formada por povoamentos com base nas
seguintes características: igualdade de rotação; igualdade de composição de
espécies; mesmo objetivo de produção, que está ligado ao sistema de manejo dos
povoamentos.
As unidades de produção que compõe uma classe de manejo podem estar
unidas ou separadas espacialmente, sendo composta de talhões e secções
distribuídas sobre toda a área da empresa.
Na Figura 12 é apresentado um exemplo de classes de manejo, formadas
por:
Classe de manejo I: Araucaria, rotação de 60 anos, alto fuste,
Classe de manejo II: Pinus, rotação de 20 anos, alto fuste.
Classe de manejo III: Pinus, rotação de 30 anos, alto fuste.
Classe de manejo IV: Eucalyptus, rotação de 7 anos, talhadia simples.
A utilidade de se trabalhar com classes de manejo é a seguinte:
a) Conseguir uma ordem sobre toda a distribuição dos povoamentos de
um empreendimento, tornando mais visível à distribuição das unidades de
produção.
b) Para exercer o controle do regime sustentado da empresa.
c) Para obter uma maior visibilidade, o que facilita o trabalho de manejar
a empresa em regime sustentado.
Se as classes de manejo forem espacialmente contínuas na natureza são
chamadas de reais e quando descontínuas são ditas ideais, sendo esta a situação
predominante.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

29



















FIGURA 12 – Distribuição das classes de manejo

d) Subdivisão interna de aproveitamento do solo
Na área total de uma empresa, nem sempre as áreas são ocupadas por
povoamentos florestais. As áreas podem ser classificadas em:
SOLO ESTOCADO: são todas as áreas ocupadas por florestas ou
árvores sendo subdividida em:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

30
+ Florestas produtivas: são aquelas áreas arborizadas destinadas a
produção de madeira ou eventualmente produtos secundários, como resina.
+ Clareiras: são áreas que durante certo período de tempo não são
arborizadas, podendo ser divididas em: clareiras reais quando as áreas não
arborizadas necessitam ou podem ser incluídas como florestas produtivas, e
clareiras ideais quando as áreas estão povoadas de árvores ralas, sem intenção de
mudar o estado atual.
+ Florestas de regime especial: são áreas de pesquisa, de proteção de
bacias hidrográficas, povoamentos ricos em árvores matrizes, etc. Elas permitem
manejo, porém sob certas restrições.
+ Florestas de proteção: são áreas arborizadas cuja importância principal
é a proteção do solo.

SOLO NÃO ESTOCADO: são áreas que não são ocupadas por árvores,
podendo ser divididas em:
+ Áreas agrícolas;
+ Áreas de viveiro;
+ Estradas, áreas de estacionamento e estocagem de madeira;
+ Rios;
+ Lagos;
+ Açudes;
+ Áreas de prédios;
+ Aceiros;
+ Áreas de transmissão de energia;
+ Pedreiras;
+ Áreas improdutivas.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

31
e) Subdivisão interna administrativa
É uma subdivisão realizada para propriedades maiores, por exemplo,
superiores a 3.000 hectares. Esta subdivisão origina vários corpos independentes e
de administração própria, denominada de distrito.
O tamanho do distrito varia conforme a intensidade de administração das
áreas, normalmente pode variar de 1.000 hectares à superior a 10.000 hectares.

2.2 Tempo

A produção florestal, normalmente, ocupa grandes áreas e um longo
período de realização. A condução da floresta durante toda a vida deve seguir
critérios técnicos fixos, para alcançar os objetivos finais da produção.
Este longo processo necessita de observações e levantamentos contínuos
sobre o estado dos povoamentos, os efeitos do manejo anterior e a definição dos
planejamentos para o futuro dos povoamentos.
O fator tempo exige revisão periódica dos planejamentos, pois a longa
duração da produção determina que, para conseguir um produto determinado em
quantidades desejadas, necessita-se de operações contínuas, cujo efeito deve ser
controlado.
Os longos períodos de produção podem mudar a importância econômica,
devido ao progresso tecnológico e mudanças das tendências de consumo.
O estabelecimento de uma relação exata entre o tempo e espaço é a
importância principal do manejo. A produção florestal ocorre no tempo físico, no
qual ocorre a produção. O tempo orgânico tenta situar o crescimento, por exemplo,
em volume, numa relação de tempo real necessário para alcançar um determinado
valor. Esta relação de crescimento no tempo pode ser definida por uma relação
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

32
logarítmica, expressa por: ln y = K . ln
2
t Sendo: y = crescimento por unidade: t =
tempo; ln = logarítmo neperiano; K = constante.
Os principais conceitos de tempo estão relacionados com a idade, rotação
e madureza de corte.

2.2.1 Idade

A idade é definida pelo número de anos de vida de uma planta ou
povoamento, incluindo-se o tempo de viveiragem.
A determinação exata da idade é importante no manejo florestal, pois
permite medir o incremento, produção, estoque e a madureza. Por isto, ela deve ser
determinada no plano de manejo para todas as unidades de produção.
A idade é o elemento que permite classificar os povoamentos segundo o
Estado Arbóreo, em povoamentos equiâneos ou inequiâneos. Os povoamentos são
ditos equiâneos quando os componentes do estado arbóreo tiverem a mesma ou
quase a mesma idade e, inequiâneos quando os componentes do estado arbóreo
tiverem idades diferentes.
A diferenciação entre um povoamento equiâneo de um inequiâneo é um
critério artificial, normalmente determinado pelo limite de idade. Este limite de
idade é determinado pela idade média mais ou menos 10% da idade média (LI = i ±
i . 0,1). Quando todos os componentes do estado arbóreo tiverem idade dentro do
limite de idade, o povoamento é classificado como equiâneo, caso contrário,
inequiâneo.
Para determinar a idade média de uma classe de manejo existem as
seguintes possibilidades:


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

33
- Idade Média de áreas:

n 2 1
n n 2 2 1 1
a ... a a
.a i ... .a i .a i
Ia
+ + +
+ + +
=

Sendo: i = idade da unidade de produção; a = área da unidade de produção
correspondente.

- Idade Média de volume:

n 2 1
n n 2 2 1 1
v ... v v
.v i ... .v i .v i
Iv
+ + +
+ + +
=

Sendo: i = idade da unidade de produção; v = volume da unidade de
produção correspondente.

As unidades de produção de idades semelhantes podem ser agrupadas em
classes, através dos seguintes critérios:

- Classes naturais de idade: estas classes estão relacionadas aos diversos
estágios de vida de um povoamento, conduzido sob um sistema de manejo. Assim,
por exemplo, no sistema de alto fuste pode-se dividir o desenvolvimento do
povoamento nas seguintes fases:
Classe I - Renovação: inclui todos povoamentos com idade que vai do
plantio até o fim dos tratos culturais.
Classe II - Estado denso: inclui todos os povoamentos com idade que vai
do final dos tratos culturais ao início dos desbastes.
Classe III - Estado de desbaste: inclui todos os povoamentos com idade
e estado de desbaste, com diâmetro médio geralmente inferior a 20 cm.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

34
Classe IV - Estado de madeira: inclui todos os povoamentos em que o
diâmetro médio for maior que 20 cm.
- Classes silviculturais-técnicas de idade: estas classes silviculturais-
técnicas de idades são formadas pelo agrupamento dos povoamentos que
apresentem um mesmo estado de intervenções:
Classe I - Povoamentos em renovação: inclui todos os povoamentos
onde já foi realizado o corte raso e foi implantada uma nova cultura.
Classe II - Povoamentos de tratos culturais: inclui todos os
povoamentos que se encontram em estado de tratos culturais.
Classe III - Povoamentos em desbaste: inclui todos os povoamentos que
se encontram em estado de realização de desbastes.
Classe IV - Povoamentos em corte final: inclui todos os povoamentos
velhos, nos quais será realizado o corte raso.

- Classes artificiais de idade: são agrupados todos os povoamentos,
independente do estado de desenvolvimento ou tratamento, sendo formadas da
seguinte maneira:
Classe I - 0 - 10 anos
Classe II - 11 - 20 anos
Classe III - 21 - 30 anos
Classe IV - 31 - 40 anos.

O intervalo de classe de idade depende da grandeza da rotação. Para
rotações médias de 40 até 50 anos, o intervalo de classe de idade pode ser de 10
anos; para rotações maiores de 50 anos, intervalos de 20 anos; em rotações curtas
até 20 anos, intervalos de 5 anos; e rotações muito curtas de 7 anos, intervalos de 2
anos. O importante é formar entre 4 a 5 classes de idade para agrupar os
povoamentos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

35
2.2.2 Rotação

A rotação é um termo relacionado com o tempo que leva um povoamento
a ser cortado. É o tempo regular entre o cultivo e o corte. A rotação é uma
grandeza matemática, utilizada para fins de administração, manejo e planejamento
de corte.
A grandeza da rotação depende da espécie, sítio, meta econômica e meta
técnica, definida pelo sistema de manejo, em conseqüência a produção de
determinados tipos de sortimentos.
Na execução do manejo, a grandeza da rotação muitas vezes difere da
idade de corte final, que é a idade real da realização do corte, que muitas vezes
não coincide com a rotação devido aos seguintes aspectos: razões de estoque, que
na idade da rotação pode estar muito baixo ou alto demais; razões econômicas da
empresa, pelo baixo preço da madeira, o que leva a prolongar a rotação; razões de
gastos extraordinários, o que leva a antecipar os cortes.

2.2.3 Madureza de corte

A madureza de corte é uma medida individual para designar a idade
adequada de aproveitamento. Ao contrário da rotação ela determina um objetivo
técnico. A madureza pode ser chamada de idade de madureza de corte, que não
precisa ser idêntica a madureza, por ser a idade real de realização do corte.
A madureza de corte é utilizada para especificar os cortes em
povoamentos inequiâneos, manejada em sistemas de jardinagem, ao contrário da
rotação que é utilizada em sistemas de manejo para povoamentos equiâneos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

36
A idade de madureza de um indivíduo é alcançada quando atinge certo
tamanho em diâmetro, altura ou qualidade. São valores absolutos que dependem
dos critérios a serem definidos pelo proprietário. Esta madureza pode ser:
- Madureza física: quando a árvore alcança o limite vital é variável de
acordo com a espécie;
- Madureza em volume: quando a árvore alcança o máximo de seu
rendimento em massa, ocorre na idade de culmíneo do incremento médio anual;
- Madureza em valor ou financeira: quando a árvore alcança o máximo
incremento em valor econômico. Ela ocorre quando o povoamento fornece a maior
renda do solo. Este critério foi utilizado na segunda metade do século passado,
baseado na fórmula de Pressler, definida por:

G H
H
Z P
+
=

Sendo: Z = incremento em valor; H = valor do estoque; G = valor da terra;
P = percentagem indicando o aumento de valor anual.

2.3 Espaço e tempo

A produção florestal que ocorre em maiores espaços deve ser relacionados
de maneira que possibilitam o máximo de aproveitamento e de preservação dos
benefícios gerais.

2.3.1 Rendimento sustentado e uso múltiplo da floresta

É o princípio de fornecer produção ótima de bens materiais e imateriais à
sociedade. Este conceito, nos últimos tempos, sofreu uma certa ampliação, pois
atualmente entende-se também a permanência das funções sociais da floresta.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

37
2.3.1.1 Histórico da sustentabilidade

A ação do homem sobre os ecossistemas, em qualquer parte do mundo,
em época atual ou não, constituiu-se no alicerce do desenvolvimento social e
econômico das comunidades. Embora esse fato seja aceito por todos, muitas vezes
os recursos naturais, tal sua abundância, foram considerados um empecílho ao
desenvolvimento econômico e por isso foram subaproveitados ou mesmo
dizimados, dando lugar a outras formas de atividade econômica.
A ação humana, por meio de um longo processo de alteração ambiental,
conduziu em alguns casos, ao desenvolvimento econômico e social, mas, em
muitos outros, trouxe junto à escassez dos recursos, o declínio e a extinção, até
mesmo, de sociedades.
O consumo desordenado, o desperdício e a substituição das florestas por
outras atividades econômicas levou, já em épocas remotas, ao desabastecimento de
madeira e a inviabilização de empreendimentos, obrigando os governantes ao
confisco, à restrição e à regulamentação do corte de árvores.
Várias proibições, restrições e punições visando regulamentar o uso da
floresta datam do ano de 1500, na Áustria, quando foi proibido o corte de madeira
sem permissão oficial, proibido deixar apodrecer madeiras, proibido deixar animais
domésticos em florestas, pois poderiam danificar árvores jovens e comprometer a
regeneração. Essas, entre outras tentativas de recuperação e de garantir o
abastecimento da população com produtos florestais não evitaram a escassez de
madeira, obrigando então a realizarem-se mudanças na política de uso de florestas
e no desenvolvimento de métodos que propiciassem o melhor aproveitamento dos
recursos florestais.
O grande passo foi dado com o desenvolvimento da idéia de
sustentabilidade, a qual foi formulada já no início do século XVI e desenvolvida
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

38
pelos engenheiros florestais ao longo de muitos anos, até os tempos atuais. Já no
início, observou-se uma grande difusão dos termos relacionados a sustentabilidade
florestal. Com a orientação do manejo florestal sustentado, surgiram novas idéias,
durante um período de esclarecimento à comunidade. A dominância desse dogma
fomentou a preocupação do homem com o futuro e a incerteza (Schanz, 1996).
O termo sustentabilidade florestal foi documentado pela primeira vez por
Hans Carl von Carlowitz, em 1713, na Alemanha, na publicação denominada de
“Sylvicultura Oeconomica”, para isto afirmava que: a floresta deveria fornecer
produtos madeireiros e não-madeireiros às gerações atuais e às futuras em igual
quantidade e qualidade às atualmente disponíveis (Speidel, 1972).
Para que isso possa ser possível é preciso que, periodicamente, seja
cortada somente uma quantidade de madeira igual ao crescimento das árvores da
floresta, proporcionando, assim, a perpetuação do estoque de madeira e da
biodiversidade, o que requer longo prazo e a manutenção do equilíbrio do
ecossistema, suporte básico de qualquer produção.
A quantidade de madeira possível de corte corresponde à soma do
crescimento de cada árvore da floresta, em um determinado período, sendo obtida,
principalmente, pelo corte das árvores maduras, velhas e/ou doentes. Essa ação
deve proporcionar melhores condições de crescimento para as árvores
remanescentes e ser realizada de forma equilibrada sobre todas as espécies
existentes na área.
A produção sustentada de madeira em longo prazo requer,
indiscutivelmente, a manutenção de condições ecológicas ótimas para as espécies,
bem como o retorno econômico, sem o qual não haverá sustentabilidade.
O termo manejo, que no início considerava apenas a produção contínua de
madeira, foi sendo alterado, envolvendo hoje também o planejamento econômico e
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

39
ecológico da empresa florestal a médio e longo prazos, com base no princípio de
regime sustentado e uso múltiplo.
Sem dúvida, o princípio de sustentabilidade e as técnicas de
gerenciamento de florestas desenvolvidos foram e são, no mundo todo, a garantia
da recuperação de áreas florestais, da estabilidade ecológica e do abastecimento
contínuo de indústrias e da população.
A palavra sustentabilidade é um termo neutro e seu significado está
diretamente ligado às expressões manutenção, constância, continuidade e a não-
interrupção de um efeito ou condição. O seu significado preciso só é conhecido
após ser definido o objetivo a ser alcançado.
A manutenção, a constância e a continuidade de um efeito ou produto
pode estar relacionada a uma condição como a área, o volume de madeira, e a uma
situação ecológica. Ainda, pode estar associada ao desenvolvimento ou mudanças,
como por exemplo, a produção de um determinado bem madeireiro e não-
madeireiro, como proteção do solo, água, ar, vegetação e animais.
A expressão sustentabilidade será operacional somente após ser
determinada a condição atual para essa sustentabilidade (condição estática), como
se processará seu desenvolvimento (condição/efeito dinâmico) e ainda, ser definido
o objetivo para o qual será realizado o planejamento. De forma geral, essas
condições podem ser resumidas por intermédio do seguinte esquema:






Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

40
SUSTENTABILIDADE
ESTÁTICA
(Continuidade da Situação)
DINÂMICA
(Continuidade da Produção)
1. Área florestal
2. Condições ecológicas
3. Volume de corte sustentado
4. Valor do volume de corte
5. Manutenção da empresa
6. Manutenção do capital
7. Força de trabalho
1. Incremento
2. Aproveitamento da madeira: volume e
qualidade
3. Receitas líquidas
4. Rentabilidade
5. Eficiência do capital
6. Rentabilidade do trabalho
7. Infra-estrutura: produção, proteção,
recreação, etc.
8. Uso múltiplo.
Fonte: Speidel(1972)

A forma estática é considerada condicionante para chegar-se às formas
específicas de sustentabilidade dinâmica, ou seja, a sustentação do volume é a
condicionante da produção de madeira, assim como a manutenção da área é o
fundamento da sustentabilidade biológica do efeito de proteção proporcionado pela
floresta.
O princípio da sustentabilidade é utilizado por diversos ramos da
economia e não somente pelo setor florestal. Entretanto, existem diferenças entre
seus efeitos no segmento florestal e no de outro segmento produtivo. Enquanto no
segmento florestal, a inter-relação da produção florestal com a natureza e o longo
período de tempo que requer pode levar, quando da não-observância das
condicionantes da sustentabilidade, a danos irreparáveis que só serão sentidos em
longo prazo. Em outros segmentos econômicos, seus efeitos são logo conhecidos,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

41
sendo possível introduzir correções simultâneas para garantir ou aproximar ao
planejado.
No setor florestal, a aplicação da sustentabilidade, como princípio de
perpetuidade, considera ainda os seguintes aspectos (Speidel, 1972):
a) Oferta regular de madeira para suprir a demanda regional. O
abastecimento de madeira para mercados distantes está condicionado ao preço de
mercado, e do custo de transporte.
b) Produção contínua e constante dos efeitos de proteção ambiental,
(água, ar, solo, etc.) e do bem-estar da população.
c) Quanto melhor utilizada a capacidade de produção da floresta, regular e
continuamente, menores serão os custos do empreendimento.
d) Sustentabilidade de uma floresta representa rendimentos regulares e
alta liquidez.
e) A segurança é aumentada com o manejo dos povoamentos, pois com o
trabalho continuado são reduzidos os perigos de incêndios, ataques de insetos,
doenças, ventos e de outros fatores que podem causar danos.
f) A sustentabilidade é condicionante para a estabilidade da organização
florestal em longo prazo, que é dependente da quantidade e da continuidade da
produção.

2.3.1.2 Novas concepções de sustentabilidade

Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, foi enfatizada a dimensão ecológica
e social do desenvolvimento sustentado, abrangendo não só a dimensão econômica.
Esse "novo enfoque" de sustentabilidade, "manutenção das condições
ambientais", é, na verdade uma das condicionantes do manejo em regime
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

42
sustentado preconizado por Von Carlowitz, em 1713, e desde então é aplicado
pelos Engenheiros Florestais ao manejo das florestas. Tais enfoques, agora
enfatizados, são preceitos indispensáveis no manejo e ordenação de florestas já
descritos por Bauer (1877), Mantel (1959), Speidel (1972), entre outros.
Segundo Whitmore (1994), na segunda Conferência Ministerial sobre
proteção das florestas na Europa, realizada em Helsinki, em 1993, foi aceita a
seguinte definição de manejo sustentado: o manejo sustentado significa a
administração e uso das florestas e terrenos florestais de forma que mantenham sua
biodiversidade, produtividade, capacidade de regeneração, vitalidade e um
potencial para cumprir, hoje e no futuro, pressões ecológicas, econômicas e sociais,
em níveis locais, nacionais e global, e que não cause danos a outros sistemas.
Para atuar no manejo sustentado de florestas, é necessário o
estabelecimento de princípios em nível nacional e regional. As ações necessárias
variam nas diferentes zonas, desde áreas altamente habitadas e contaminadas, a
ecossistemas frágeis, tendo alguns princípios comuns. Os objetivos gerais, segundo
o autor, podem incluir os seguintes aspectos adotados na Conferência de Helsinki:
a) As ações humanas que conduzem, direta ou indiretamente, à
degradação irreversível do solo florestal, da fauna e da flora deverão ser proibidas.
Os esforços deverão ser incrementados para manter as emissões de ar contaminado
e gases abaixo dos níveis de tolerância esperados nos ecossistemas florestais. As
queimadas e a poluição do solo deverão ser controladas.
b) A política florestal deverá reconhecer a natureza de longo prazo das
florestas, e deverá influenciar fortemente as práticas, tanto nas florestas estatais
como nas privadas que facilitem as funções e a ordenação sustentada, incluindo a
conservação e um apropriado incremento da biodiversidade.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

43
c) O manejo florestal deverá basear-se em políticas e regulações estáveis e
de longo prazo, as quais ajudam a conservação dos ecossistemas florestais
funcionais.
d) O manejo florestal deverá basear-se em planos e em programas
periódicos a nível local, regional e nacional, na fiscalização florestal, avaliação dos
impactos ecológicos e no conhecimento científico e experiência prática.
e) O manejo florestal deverá aportar, até o ponto que seja econômica e
ambientalmente possível, combinações ótimas de bens e serviços para a nação e
populações locais. O uso múltiplo florestal deverá promover a consecução de um
apropriado balanço entre as diferentes necessidades da sociedade.
f) Nas práticas de manejo florestal deverá ser dada atenção à proteção de
sítios ecologicamente fracos, à conservação das florestas naturais e clímax, áreas
com patrimônio cultural e à paisagem, para salvaguardar a qualidade e quantidade
de água e manter e desenvolver outras funções de proteção de florestas.
g) O manejo florestal deverá tentar manter e, se possível, melhorar a
estabilidade, vitalidade e capacidade regenerativa, resistência e capacidade de
adaptação dos ecossistemas florestais estressados, incluindo sua proteção contra o
fogo, pragas, enfermidades e outros agentes que podem causar danos, como o
pastoreio não controlado.
h) No manejo de florestas existentes e no desenvolvimento das novas, as
espécies arbóreas selecionadas deverão estar adaptadas às condições locais e serem
capazes de tolerar o “stress” climático e outros, como o dos insetos, enfermidades e
trocas climáticas potenciais. O reflorestamento deverá ser realizado de maneira que
não afete, negativamente, os interesses ecológicos, sítios notáveis e paisagens.
i) As espécies nativas e as procedências locais deverão ser preferidas onde
sejam apropriadas. Não se deverá considerar o uso de espécies, procedências,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

44
variedades, e ecotipos fora de seu habitat natural, nem onde a sua introdução possa
por em risco importantes e valiosos ecossistemas naturais.
j) Em áreas de alto nível de consumo e concentrações de lixo, o uso de
produtos reciclados e de produtos florestais para energia deverá ser apoiado para
aliviar o problema de desperdícios e incrementar o potencial de produtos florestais
para substituir os produtos de recursos não renováveis.
k) Promover o entendimento público do que é o manejo sustentado.
Muitos trabalhos têm sido desenvolvidos para estabelecer critérios e
indicadores de avaliação dos princípios de manejo sustentado de florestas. Os
critérios europeus e os indicadores quantitativos normalmente disponíveis foram
adaptados da Primeira Reunião de Experts da Conferência de Helsinki, realizada
em 1993, e de Genebra, em 1994. O grupo de trabalho intergovernamental sobre
critérios e indicadores para a conservação e manejo sustentado de florestas
temperadas e boreais, iniciada no Canadá, teve seus trabalhos aprovados na
Conferência realizada em Genebra, os quais consideram os seguintes critérios de
acordo com (Whitmore, 1994):
a) Manutenção e incremento apropriado dos recursos florestais e sua
contribuição ao ciclo do carbono.
b) Manutenção do estado sanitário e vitalidade dos ecossistemas florestais.
c) Manutenção e incremento das funções produtivas das florestas
(produtos madeiráveis e não madeiráveis).
d) Manutenção, conservação e incremento apropriado da biodiversidade
nos ecossistemas florestais.
e) Manutenção e incremento apropriado das funções de proteção no
ordenamento florestal (solo e água).
f) Manutenção de outras funções sócio-econômicas.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

45
Com base nesses critérios, são estabelecidos indicadores quantitativos e
descritivos de medidas para a execução da manejo sustentado das florestas. Os
indicadores têm que ser definidos e ponderados para o uso em inventários. Devido
ao longo tempo de condução de florestas e à incerteza resultante disso, em geral os
indicadores não podem ser persistentes. Segundo Bruenig(1996), os indicadores
que podem ser levados em consideração são: camada de serapilheira; estrutura do
estrato arbóreo; curva de distribuição do número das árvores; estoque e densidade
do povoamento; taxa de crescimento; e indicadores econômicos.

2.3.1.3 Condicionantes da sustentabilidade de produção

O manejo florestal, visando a sustentabilidade de produção, está
condicionado, conforme descrito por Speidel(1972), aos seguintes aspectos:
a) Área mínima: a produção em regime sustentado depende da
manutenção da área. O tamanho da área é por sua vez dependente da espécie
florestal, da qualidade do sítio, da classe de produção e do tempo de rotação. Em
espécies de rápido crescimento e de rotações curtas, a área mínima pode ser menor
e vice-versa. Em florestas naturais, devido à grande dispersão das espécies e ao
baixo incremento, à área mínima é relativamente maior. Já em Sistema Plenterwald
ou Jardinado, devido à regeneração e à existência de ingresso contínuo de espécies
em todas as classes de dimensão, bem como a produção de vários sortimentos, a
área mínima pode ser bem menor.
b) Capacidade mínima: o volume de madeira deve ser em quantidade e
dimensão que permita suprir o mercado, condicionado ao crescimento sustentado.
c) Reflorestamento de áreas não estocadas quer seja por motivos de
produção de produtos madeireiros ou não-madeireiros.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

46
d) Estabilidade da produção: a continuidade da produção de madeira e dos
benefícios da floresta é ameaçada, quando não forem mantidas as condições de
estabilidade como: escolha de espécies adequadas ao sítio, da ordem espacial, e da
existência de organização no combate a danos e sinistros.
e) Manutenção da capacidade do sítio: a continuidade do empreendimento
florestal depende da manutenção da capacidade de produção do sítio. É um dos
mais importantes fatores. Essa capacidade de produção pode ser mantida com a
escolha adequada da espécie, método silvicultural, melhoramento, adubação e
contínuo reflorestamento.
f) Equilíbrio entre corte e incremento: uma aproximação da quantidade
explorada com a quantidade do incremento, bem como a formação de classes de
dimensão são os objetivos a serem alcançados em longo prazo.
g) Liquidez: o financiamento de todos os insumos e serviços são
condicionantes da sustentabilidade e, por isso, é necessário garantir o retorno desse
investimento para alcançar e manter a capacidade mínima para o reflorestamento,
para as atividades de interesse da segurança da produção, da capacidade de
produção dos solos, assim como, de outras necessidades.
h) Condições econômicas regionais: além da infra-estrutura interna,
muitas vezes é necessário promover o desenvolvimento regional com o apoio a
criação de núcleos para trabalhadores e familiares, construção de estradas, escolas,
e demais infra-estrutura social.
Em relação ao exposto, Speidel(1972) afirma que: a existência de uma
floresta em rendimento sustentado depende não somente de condições naturais,
mas também de condições econômicas. A sustentabilidade natural e econômica são
condições complementares para a continuidade do empreendimento florestal. Sem
sustentabilidade natural não existe continuidade econômica, mas sem a
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

47
condicionante econômica não poderão ser ofertados continuamente produtos
madeiráveis e não-madeiráveis.

2.3.2 Incremento

O incremento que se verifica num povoamento é uma reação à ação das
leis naturais, condicionadas ao clima, solo, espécie, composição florística e idade.
Ele é uma expressão da relação entre o espaço e tempo, medidas em metros
cúbicos por hectare e ano.
O incremento que se verifica é o resultado do aumento da dimensão
individual, expresso por unidade de área e tempo (m
3
/ha/ano).
O incremento informa sobre a capacidade produtiva de um habitat e
espécie, sendo a base para a determinação da possibilidade de corte anual
sustentado. Devido a isto, é importante a determinação do incremento com uma
precisão aceitável.
O incremento em volume dos povoamentos é imprescindível para o
manejo e determinação da taxa de corte sustentada. Ele é o resultado do incremento
acumulado que ocorre em três dimensões: diâmetro, altura e forma, isso é
fortemente influenciado pela densidade da população.
Os tipos de incrementos utilizados no manejo são os seguintes:

a) Incremento corrente anual (ICA)

O incremento corrente anual é obtido pela diferença de volume que se
obtém no final e no início de um ano físico, sendo expresso por:

ICA = V
n+1
- V
n

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

48
Sendo: V
n
= volume no início do período; V
n+1
= volume no final do
período.

b) Incremento periódico anual (IPA)

O incremento periódico anual é obtido pela diferença de volume obtido no
final e início de um período de tempo, dividindo pelo tempo entre os dois
levantamentos, sendo expresso por:

V
n+a
- V
n

IPA =
_______________
a

Sendo: V
n
= volume no início do período; V
n+a
= volume no final do
período; a = período de tempo entre os dois levantamentos.

c) Incremento médio anual (IMA)

O incremento média anual é obtido pela razão entre o volume sobre a
idade, em um determinado momento do desenvolvimento de um povoamento,
sendo expresso por:

V
t

IMA =
_______________
t

Sendo: V
t
= volume na idade t; t = idade do povoamento.

Quando o povoamento é manejado em desbaste, ao volume existente
acrescenta-se o volume dos desbastes realizados até o momento de determinação
do incremento e divide-se pela idade, assim obtém-se o incremento médio anual
total, sendo expresso por:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

49
V
t
+
i
t
=
¿
1
D
i

IMA =
____________________
t

Sendo: D
i
= volume dos desbastes realizados até a idade t.

d) Incremento médio na idade de corte (IMIC)

Este incremento é obtido pela razão entre o volume total na idade de corte
sobre a idade. É um valor constante, portanto serve somente para determinar o
corte em alguns métodos de determinação da taxa de corte, sendo expresso por:

V
r

IMIC =
_____________
r

Sendo: V
r
= volume na idade de rotação; r = rotação.

Na Figura 13 é representado as tendências dos incrementos médio anual,
corrente anual e na idade de corte em função da idade.

2.3.3 Volume

O volume é o resultado do incremento acumulado num determinado
período de tempo, cuja quantidade depende da espécie, idade, sítio, rotação e
sistema de manejo empregado.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

50














FIGURA 13 - Desenvolvimento dos incrementos no tempo.
O volume das unidades de produção é a variável mais importante para o
planejamento da produção, por isso interessa ao manejo os seguintes tipos de
volumes:
a) Volume real: é aquele estoque de madeira que realmente existe no
povoamento, determinado com procedimento de amostragem, estando
condicionado a um erro de amostragem tolerável.
b) Volume normal: é aquele volume determinado para uma classe de
manejo, que está condicionado à semelhança de composição em espécies, sítio,

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

51
mesma rotação e sistema de manejo, sendo obtido com base no modelo de floresta
normal.
c) Volume ideal: é aquele volume que melhor corresponde às condições
do sítio e povoamento. É o volume determinado como ideal para o manejo de
florestas inequiâneas, obtido em função do modelo de floresta balanceada.
d) Volume desejado: é aquele volume determinado para determinados
objetivos de planejamento da produção. Normalmente, ele é determinado com base
na distribuição ideal dos povoamentos em classes de idade.

2.3.4 Modelo de floresta normal

2.3.4.1 Modelo de floresta normal para sistemas equiâneos

Os cortes sustentados em sistemas equiâneos de manejo são determinados
com base no princípio da normalidade, obtido através do Modelo de Floresta
Normal. Este modelo surgiu no século passado, como uma norma para restabelecer
as florestas degradadas na época, e constitui-se o modelo de regime sustentado
para estes sistemas de manejo.
O termo normal refere-se ao estado ótimo em relação ao volume e ao
incremento, distribuição das classes de idade, quota de corte, para obtenção de uma
situação ideal de exploração da floresta. E, dos sistemas de manejo, pode-se citar:
talhadia simples, talhadia composta, alto fuste, floresta média e sistemas de corte
raso, como da acácia-negra.
Na formulação da normalidade existe a necessidade de atender aos
seguintes pressupostos dentro de uma classe de manejo: uma ou poucas espécies;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

52
uniformidade dos sítios; semelhança da capacidade produtiva dos sítios; não
considerar a existência do volume dos desbastes; e, independência na formação
por classe de manejo. A representação das classes de manejo podem ser observadas
nos esquemas apresentados nas Figuras 14 e 15.
















FIGURA 14 - Esquema da distribuição de um modelo de floresta normal. Sendo:
C = volume do corte anual.

Esta classe de manejo é composta por florestas com uma extensão de “R“
anos e “R“ hectares. Isto pode ser exemplificado por uma rotação de 40 anos, para
uma superfície de 40 hectares, porque cada idade está representando o volume por
hectare.
Do esquema pode-se então deduzir que:
i
r
= i
1
= i
2
= i
3
= ... = i
r-1

v
i
= i
1

v
2
= i
1
+ i
2
v
r
= i
1
+ i
2
+ i
3
+ ... + i
r-1
+ i
r




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

53



















FIGURA 15 - Distribuição dos volumes e incrementos de uma classe de manejo,
para uma rotação


Podendo V
r
ser interpretado como o incremento sustentado, sendo
possível escrever que:

¿
= = C Vr i

Nestas condições, o incremento corrente e o incremento médio anual total
são iguais, pois se está tratando de uma classe de manejo com condições
semelhantes.
Por classe de manejo, entende-se pelo agrupamento de povoamentos com
características semelhantes de manejo, como mesma espécie, sítio, objetivo de
produção e sistema de manejo.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

54
O volume normal da classe de manejo pode ser deduzido por:

V
n
= V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... +V
r-1
+ V
r

Ou deduzido da fórmula do triângulo retângulo, sedo expresso por:
V
n
= ½ (R . V
r
)

Sendo: V
r
= C

Pode-se escrever que:

V
n
= ½ (R .C)

Desta forma, o corte normal pode ser determinado por:

2 . V
n

C =
________
R

Esta expressão vem a ser a fórmula de Mantel para determinação da taxa
de corte sustentada.
Segundo Speidel (1972), o volume normal de uma classe de manejo numa
rotação deve ser estimada considerando a situação dos povoamentos em fase de
implantação e aqueles em corte final, assim pode-se determinar que:

a) Para povoamentos após o corte final (idade de implantação):

V
n
= V
0
+ V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1

b) Para povoamentos antes do corte final (maduros):
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

55
V
n
= V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1
+ V
r


Somando-se estas duas expressões têm-se:

2V
n
= V
0
+ 2V
1
+ 2V
2
+ 2V
3
+ ... + 2V
r-1
+ V
r


Dividindo-se esta expressão por 2, têm-se:

V
n
= V
0
/2 + V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1
+ V
r
/2

Como V
0
corresponde ao volume inicial dos povoamentos, sendo muito
pequeno, podendo ser desconsiderado, então a expressão final fica sendo:

V
n
= V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1
+ V
r
/2

Ou
V
n
= V
r
/2 +
x
r
=
÷
¿
1
1
V
x


Muitas vezes, o volume normal é calculado por classe de idade, cujas
produções são tomadas de tabelas de produção, com intervalo de 5 anos, então a
expressão final fica sendo:

V
n
= n . (V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1
+ V
r
/2)

Sendo: V
i
= volumes/ha nas idades; n = intervalo de classe de idade.

Este volume normal é acumulado em "R" hectares que deve ser expresso
por unidade de área, onde essa expressão fica sendo:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

56
V
n
= (A / R . n) . (V
1
+ V
2
+ V
3
+ ... + V
r-1
+ V
r
/2)

Na condição da existência de uma função de produção (Y = f(x)) para
estimar o estoque normal por idade, surge a necessidade de se trabalhar a integral
da função, podendo-se então escrever que:
V
n
=
}
÷1/2 r
0
). ( dx x f

Uma fórmula simples e prática para determinar o volume normal é
expressa por:

V
n
= r / 2 . IMA

Sendo: R = rotação; V
n
= volume normal da classe de manejo; IMA =
incremento médio anual da classe de manejo.

2.3.4.2 Modelo de floresta ideal para sistemas inequiâneas

2.3.4.2.1 Método de área basal – máximo dap-q

A necessidade de estabelecer a normalidade e rendimento sustentado
levou o engenheiro francês Liocourt, em 1898, a formular um modelo de floresta
ideal para estruturas de seleção, em esquema de regulação de cortes consistentes
(Loetsch et al., 1973).
A proposta de Liocourt consiste em descrever as características de uma
floresta normal a partir do estudo dos melhores povoamentos irregulares que tinha
naquele momento. Para este fim, utilizou um povoamento de Abies sp. para
analisar as distribuições de freqüência por classe diamétrica do povoamento.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

57
Constatou que existia certa proporcionalidade entre o número de árvores por
categoria diamétricas sucessivas. Desta forma, deduziu a regra de que em
povoamentos irregulares cultivado, o número de árvores em relação às classes de
diâmetro decresce numa progressão geométrica.
Através da relação do número de árvores de classes de diâmetro
sucessivas, obteve uma constante, que denominou de Quociente de Liocourt, da
seguinte forma:

N
1
N
2
N
n-1

----- = ----- = ... = ----- = q
N
2
N
3
N
n


Sendo: N
1
até N
n
= número de árvores das classes de diâmetro sucessivas
de 1 até n.

Meyer apud Loetsch et al. (1973) introduziu o termo Floresta
Balanceada para povoamentos inequiâneos dos USA, México e Suiça, onde o
número de árvores por classe de diâmetro decrescia numa progressão geométrica,
sendo representado por uma função de densidade, expressa por:

Ni = K . e
–a . di


Sendo: Ni = densidade para a classe de diâmetro di; di = diâmetro do
centro de classe; K, a = constantes; e = base logaritmo neperiano.

A distribuição de freqüência por classe de diâmetro também pode ser
ajustada através da Função Beta, para a obtenção das freqüências estimadas, sendo
expressa por (Loetsch et al., 1973):
Ni = b
0
. b
1
(x-a)
. b
2
(b-x)

Sendo: Ni = número de árvores por hectare; x = diâmetro do centro de
classe; a = menor valor de diâmetro; b = maior valor de diâmetro; b
0
, b
1
, b
2
=
coeficientes da equação.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

58
Os coeficientes da equação são determinados para prolongamentos da
cauda da distribuição de freqüência à direita da média, com incrementos de até 4
vezes o intervalo de classe de diâmetro, sendo selecionados os coeficientes do
prolongamento com maior precisão estatística e melhor ajuste da distribuição de
freqüência.
Assim, Liocourt, Meyer e outros pesquisadores europeus menos
conhecidos, estabeleceram a base do conceito de Floresta Balanceada.
O incremento destes povoamentos é a chave do manejo sob o método de
seleção. Porque, em povoamentos irregulares o corte deve ser exatamente igual ao
incremento, e em povoamentos cujas densidades sejam diferentes da normal o
corte deve ajustar-se para que, de maneira paulatina, obtenha-se a densidade
normal.
No esquema de Liocourt existe uma previsão segundo a qual categorias
diamétricas grandes devem ser eliminadas, porque seu incremento está abaixo do
ritmo que tem as categorias menores. Sugere que mediante simulação ou
experimentação se determine o maior diâmetro que deve manter-se na área (critério
de madurez ou condição de exploração). A característica deste diâmetro deve
permitir que o futuro volume de remoção anual do povoamento resultante seja
máximo.
A aplicação de cortes deverá prosseguir com as mesmas regras de
marcação de seleção, pois a técnica silvicultural de seleção, segundo Liocourt, tem
sido o meio pelo qual se obtêm e se mantêm as estruturas normais reguladas.
Para a obtenção de um plano de manejo, torna-se necessário inicialmente
definir:
a) O valor da constante de Liocourt, que deve ser determinado em
florestas com densidade completa, e por tipo florestal;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

59
b) A área basal remanescente desejada, que define as possibilidades de
corte;
c) O diâmetro máximo desejado na floresta remanescente, para efetuar a
colheita;
d) A grandeza do corte para um ciclo de corte de um tipo florestal.

A obtenção de uma floresta balanceada passa pela utilização do conceito
de Liocourt, sendo necessário recalcular os coeficientes B
0
e B
1
, partindo-se da
equação de Meyer, como foi determinado por Alexander e Edminster (1977):

B
0
. e
B1.Xi

q = -----------------
B
0
. e
B1. X(i+1)


q . B
0
. e
B1.

X(i+1)
= B
0
. e
B1.Xi


ln q + B
1
.X
(i+1)
= B
1
.X
i


ln q = B
1
.X
i
-

B
1
.X
(i+1)

ln q = B
1
. (X
i
-

X
(i+1)
)
ln q
B
1
= ----------------
X
i
-

X
(i+1)


O coeficiente B
0
é obtido a partir da área basal remanescente e do
diâmetro máximo desejado, da seguinte maneira:
¶ . X
1
2
¶ . X
2
2
¶ . X
3
2
¶ . X
n
2
G = ---------- . f
1
+ ------------ . f
2
+ -------------- . f
3
+ ..... + ---------- . f
n

40000 40000 40000 40000
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

60
Considerando que as freqüências são estimadas pela equação de Meyer,
expressa por:

Yi = B
0
. e
B1.Xi


E, substituindo-se a variável f
n
por esta equação, tem-se que:

¶ . X
1
2
¶ . X
2
2
¶ . X
n
2
G = --------- . B
0
.e
B1.X1
+ ---------- . B
0
.e
B1.X2
+.....+ ---------- . B
0
.e
B1.Xn

40000 40000 40000


G = --------- | X
1
2
. B
0
. e
B1.X1
+ X
2
2
. B
0
. e
B1.X2
+ .... + X
n
2
. B
0
. e
B1.Xn
|
40000

40000 . G
B
0
= ln |-------------------------------------------------------------------|
¶ . ( X
1
2
. e
B1.X1
+ X
2
2
. e
B1.X2
+ .... + X
n
2
. e
B1.Xn
)

Sendo: X
n
= diâmetros dos centros de classe; B
0
, B
1
= coeficientes da
equação.

Com estes novos coeficientes B
1
e B
0
são geradas as freqüências absolutas
da distribuição balanceada, que deverá permanecer no povoamento após a
execução dos cortes seletivos.
Este procedimento de regulação, embora desenvolvido a partir do sistema
de seleção, pode ser aplicado na maioria dos sistemas de manejo para florestas
inequiâneas.

2.3.4.2.2 Matriz de transição

A Cadeia de Markov ou Matriz de Transição é um importante
instrumento para viabilizar a prognose da produção em florestas nativas. A
prognose a partir deste modelo é feita através da estimativa da probabilidade de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

61
transição dos diâmetros entre classes diamétricas, ou seja, para projetá-los para o
futuro, a partir da matriz de probabilidade de transição. As probabilidades da
matriz de transição em um determinado período de medição são obtidas pela razão
das mudanças ocorridas numa classe diamétrica, tais como: árvores que mudaram
de classe, árvores mortas e as que permaneceram na classe, pelo número de árvores
existentes na classe no início do período de crescimento (Scolforo, 1997).
Estas projeções não devem ser realizadas para período de tempo longo,
pois o desempenho dos modelos é condicionado a dois pontos básicos:
a) O primeiro ponto básico considera que o incremento periódico em
diâmetro das árvores da floresta, obtido na parcela permanentes, tem o
comportamento idêntico no futuro, ao obtido por ocasião das avaliações realizadas
nas parcelas permanentes.
b) O segundo ponto básico é que a projeção da estrutura da floresta
depende somente do estado atual, não sofrendo efeito do desenvolvimento passado
da floresta. Esta característica ou propriedade do modelo considerado é definida
como Propriedade Markoviana.
Estas duas condições parecem restritivas para aplicação do método na área
florestal. Vanclay (1994) exemplifica que pela Propriedade Markoviana a
probabilidade de movimento de uma árvore de uma classe para outra não poderia
depender de outras árvores ou da área basal do povoamento, o que na realidade não
acontece. O crescimento das árvores remanescentes é alterado pelo aumento do
espaço após a colheita, mortalidade ou mesmo supressão de árvores.
Da mesma forma a propriedade estacionária indica que os parâmetros da
matriz deveriam permanecer constantes no tempo trazendo dificuldade para reduzir
a taxa de crescimento enquanto, por outro lado, a área basal aumenta.
O mesmo autor cita ainda que estas suposições são insustentáveis na
modelagem da dinâmica florestal e que a prognose pode ser irreal se as condições
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

62
do povoamento futuro apresentar grande diferença em relação a condições em que
os dados foram observados.
Desta maneira o método trará melhores resultados se o povoamento for
mantido em condições semelhantes, isto é povoamento sem manejo próximo ao
clímax ou povoamentos regularmente manejados para uma área basal especificada.
Outra desvantagem é o excessivo número de parâmetros e a dificuldade na
acomodação de diferentes sítios e tipos florestais o que requer a padronização da
matriz em cada povoamento a ser prognosticado.
Com a finalidade de reduzir o grande número de parâmetros a serem
calculados na matriz de Markov, escolhe-se o intervalo de tempo ou o intervalo de
classe de tal forma que uma árvore não possa crescer mais que uma classe durante
um período, permitindo uma substancial redução no número de parâmetros a
estimar (Usher Matrix). A probabilidade de transição de cada período de projeção é
obtida da matriz G, expressa por:

| |
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
an ....... bn cn 0 0 0 in
. ....... . . . . . .
. ....... . . . . . .
. ....... . . . . . .
0 ....... a5 b5 c5 0 0 i5
0 ....... 0 a4 b4 c4 0 i4
0 ....... 0 0 a3 b3 c3 i3
0 ....... 0 0 0 a2 b2 i2
0 ....... 0 0 0 0 a1 i1
in i5 i4 i3 i2 i1
G

Sendo:
Número de árvores vivas que permanecem na i-ésima classe diamétrica no
Período de tempo (At)
a
i
= ---------------------------------------------------------------------------------------------
Número de árvores existentes na i-ésima classe diamétrica no tempo t
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

63
Número de árvores vivas que migram da i-ésima classe diamétrica para a
i-ésima classe diamétrica + 1 no período de tempo (At)
b
i
= ---------------------------------------------------------------------------------------------
Número de árvores existentes na i-ésima classe diamétrica no tempo t

Número de árvores vivas que migram da i-ésima classe diamétrica para a
i-ésima classe diamétrica + 2 no período de tempo (At)
c
i
= ---------------------------------------------------------------------------------------------
Número de árvores existentes na i-ésima classe diamétrica no tempo t

Sendo: t = início do período de crescimento considerado; At = intervalo de
tempo entre o início e o fim do período de crescimento; i
n
= classes de diâmetro.

Para os elementos a
i
, b
i
e c
i
, a condição é de que a árvore continue viva e
não seja colhida no intervalo de tempo considerado.
Para se chegar na projeção de árvores, deve-se considerar que em
qualquer vegetação ocorrem mortalidades de árvores (m
i
), assim como ingresso ou
recrutamento (i
i
) na menor classe diamétrica. Estas variáveis são obtidas por:

a) Mortalidade:
A mortalidade de árvores é obtida por:

Número de árvores viva na i-ésima classe diamétrica no tempo t mais a
mortalidade no intervalo de tempo (At)
m
i
= ---------------------------------------------------------------------------------------
Número de árvores existentes na i-ésima classe diamétrica no tempo t

b) Recrutamento:
O recrutamento pode ser obtido pela função exponencial negativa,
expressa por:
I
i
= B
0
. e
B1 . Di

Sendo: Ii = recrutamento ou ingresso; Di = diâmetro do centro de classe;
B
0
, B
1
= coeficientes.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

64
Outros métodos para determinação dos elementos da matriz de transição
podem ser analisados em Vanclay (1994).

2.3.4.2.3 Aplicação com matriz de transição

O exemplo a seguir foi desenvolvido por Scolforo (1997), onde a projeção
da estrutura de uma floresta natural foi obtida como segue:

Y
t
+ A
t
= G . Y
it
+ I
it


Sendo: Y
t
+ A
t
= número de árvores projetadas; G = probabilidade de
transição por classe diamétrica; Y
it
= freqüência da classe de diâmetro; I
it
=
recrutamento ou ingresso.

O recrutamento pode ser obtido pela função exponencial negativa,
expressa por:

I
i
= B
0
. e
B1 . Di

Sendo: I
i
= recrutamento das árvores nas classes de diâmetro; D
i
= centro
de classe de diâmetro.

A matriz de projeção da estrutura da floresta foi expressa por:

(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

+
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

Int
.
.
I5t
I4t
I3t
I2t
I1t
Ynt
.
.
Y5t
Y4t
Y3t
Y2t
Y1t
.
an bn cn 0 0 0
. . . . . .
. . . . . .
0 . . c5 0 0
0 . . b4 c4 0
0 . . a3 b3 c3
0 . . 0 a2 b2
0 . . 0 0 a1
t + Ynt
.
.
t + Y5t
t + Y4t
t + Y3t
t + Y2t
t + Y1t

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

65
Um exemplo de como operar a matriz e assim efetuar uma prognose do
número de árvores em uma floresta nativa, no período de 5 anos, para uma base de
dados de dois inventários florestais realizados em 1990 e 1995, nos quais foram
mensuradas todas as árvores com mais de 5,0 cm de diâmetro.
A freqüência observada de árvores por classe diamétrica é apresentada no
vetor coluna da Tabela 4. O recrutamento foi estimado pela equação:

I
i
= 32887,3423 . e
-0,6716 . Di


A passagem ou “outgrowth” de árvores da i-ésima classe de
diâmetro para a i-ésima + 1 ou i-ésima + 2 classes, assim como aquela que
permaneceram na mesma classe diamétrica no período entre os dois inventários,
possibilitou gerar a matriz de transição, conforme se pode ver na Tabela 4.

Estado estável:

O estado estável indica que, independentemente do número de prognose
que sejam efetuadas, o número de árvores da floresta permanece constante nas
várias classes diamétricas (Scolforo, 1997).
Este estado pode ser identificado a partir das expressões, quando:

Y
t
+ At = Y
t
= Y* e I
i
= I
i
*

Sendo: Y* = (Iu - G)
-1
. I
i
Iu = matriz identidade de mesma ordem que a
matriz de transição (G); G = matriz de probabilidade de transição; ( )
–1
= matriz
inversa; I = vetor que contém os ingressos; Y* = expressa estado de equilíbrio da
estrutura da floresta (se a igualdade das operações for constante)

Identificando este estado pode-se inferir que a floresta está em clímax.
Vale ressaltar que mesmo neste estado a mortalidade e o recrutamento continuam a
ocorrer sem que, no entanto, a floresta sofra mudanças drásticas em sua estrutura.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

66


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

67
Estados adsorventes:

A característica básica deste estado é quando a probabilidade de transição
de uma classe diamétrica para outra for igual a zero. A probabilidade existe
somente das árvores que permanecerem na mesma classe diamétrica, como a
definição de a
i
. Não ocorre a passagem de árvores para a i-ésima classe + 1 ou + 2,
conforme representado pelas probabilidades b
i
e c
i
(Scolforo, 1997).
Desta maneira, as prognoses das freqüências das classes de diâmetro
anteriores não podem ultrapassar a classe que apresenta estado adsorvente. Há
então um acréscimo de árvores continuamente nesta classe. Este acréscimo será
mais intenso à medida que mais prognoses forem efetuadas, já que as árvores não
mais saem desta classe.
A ocorrência deste estado adsorvente compromete as prognoses das
freqüências da floresta em que o estado de equilíbrio seja detectado.

2.3.4.2.4 Implementação na aplicação da matriz de transição

O modelo de simulação a seguir foi desenvolvido por Sanquetta et al.
(1996), que considera a dinâmica em floresta nativa após intervenção, sujeita as
seguintes hipóteses:
- Após a colheita há ocorrência de mortalidade por dano, uma vez que a
derrubada de árvores de grande porte atinge árvores nas suas periferias, e também
por motivos de acesso ao interior da floresta. Tal dano ocorre de forma
inversamente proporcional ao diâmetro, isto é, maiores são os danos em árvores de
menor diâmetro;
- A taxa de mortalidade natural (não por danos) se manterá igual à taxa
verificada antes da exploração;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

68
- A abertura do dossel provocada pela retirada das árvores de maior
diâmetro provocará uma aceleração do crescimento diamétrico das remanescentes,
também inversamente proporcional ao DAP;
- Com o passar do tempo a taxa de aceleração de crescimento irá diminuir
de forma proporcional à taxa de recuperação da área basal, chegando a zero no
momento que a floresta recuperar sua área basal original;
- A abertura do dossel também provocará um aumento de recrutamento
devido ao aumento de luminosidade na floresta.

a) Matriz de transição original


A representação matemática da matriz de transição pode ser escrita como:


1 0
E R E A = + ·

Sendo: (A) = a matriz de transição que contém probabilidades de uma
árvore passar para outras classes diamétricas através de crescimento com o tempo;
(E
0
) = vetor de estoque no momento zero, ou seja, a distribuição diamétrica antes
da predição; (R) = vetor de recrutamento; (E
1
) = vetor de estoque no momento um,
no tempo de predição futuro.

b) Matriz de transição após o corte

Se uma floresta sofre intervenções é esperado que mudanças vão ocorrer
nos componentes da matriz de transição “A”. O modelo aqui proposto tem
exatamente por objetivo agregar ao modelo original mudanças em função da
intervenção programada. Mais especificamente, os seguintes componentes serão
alterados:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

69
a) Vetor do Estoque (E’): deverá refletir o número de árvores (ou outra
variável de interesse) depois de realizado o corte e a mortalidade por dano;
b) Vetor de Recrutamento (R’): deverá refletir a aceleração na taxa de
recrutamento devido à abertura do dossel;
c) Matriz de Transição (A’): deverá refletir a aceleração no crescimento
devido ao aumento na taxa de iluminação promovido pela abertura do dossel.
A representação matricial abaixo ilustra o modelo proposto, representado
da mesma forma que o modelo original, mas com seus componentes alterados
segundo a metodologia descrita nos itens seguintes.


(
(
(
(
¸
(

¸

' '
' '
' '
=
(
(
(
(
¸
(

¸

'
'
'
+
(
(
(
(
¸
(

¸

'
'
'
·
(
(
(
(
(
¸
(

¸

' ' '
' ' '
' ' '
i
2
1
i
2
1
i
2
1
ij i2 i1
2j 22 21
1j 12 11
e
e
e
r
r
r
e
e
e
a a a
a a a
a ... a a
  

   



c) Vetor do estoque após a intervenção


Após a intervenção (momento ' m
o
), o vetor do estoque sofre uma redução
devido ao corte e à mortalidade por dano. O estoque em questão pode ser, por
exemplo, o número de árvores, volume, ou área basal.
Esta redução pode ser representada matematicamente da seguinte maneira:


(
(
(
(
¸
(

¸

÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷
=
(
(
(
(
¸
(

¸

'
'
'
i i i
2 2 2
1 1 1
i
2
1
m c e
m c e
m c e
e
e
e
 

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

70
Sendo: ' = e
i
estoque na classe (i) no momento (m
0
’) após a intervenção;
e
i
= estoque na classe (i) no momento (m
0
); c
i
= estoque retirado na classe i no
momento (m
0
); m
i
= mortalidade por dano na classe (i).

d) Mortalidade por dano

Como o objetivo do modelo proposto é simular o comportamento da
floresta, a mortalidade por dano pode ser estimada de forma empírica através da
seguinte fórmula:

i
l d e m
i i
· · =
Sendo: d = percentual de mortalidade por dano esperada para a
primeira classe diamétrica, em décimos; = =
1
i
e
e
i
l fator de redução da
mortalidade em função da classe de diâmetro.

O manejador poderá determinar o valor de (d) em função de sua
experiência e do sistema de exploração adotado ou através de dados oriundos de
experimentos. Vários cenários de mortalidade por dano poderão ser testados antes
da intervenção. Após a exploração, um inventário poderá determinar o valor
correto.
O fator de redução (l
i
) tem por função estimar a mortalidade por dano nas
classes diamétricas de (2) a (n). Este fator representa a hipótese de que a taxa de
mortalidade por dano cai de forma proporcional à razão entre a freqüência do
estoque na classe considerada (e
i
) e a freqüência da primeira classe (e
1
).

e) Aumento do recrutamento

Com a abertura do dossel haverá um aumento na regeneração natural e,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

71
por conseguinte, no recrutamento de novos indivíduos. A formulação matemática a
seguir objetiva representar o incremento no recrutamento ou ingresso.


(
(
(
(
¸
(

¸

·
·
·
=
(
(
(
(
¸
(

¸

'
'
'
i i
i 2
i 1
i
2
1
h r
h r
h r
r
r
r
 


Sendo: ' = r
i
recrutamento verificado na classe (i) entre o momento (m
0
’)
após a intervenção e (m
1
); r
i
= recrutamento normal verificado entre (m
0
) e (m
1
); h
i
= taxa de aceleração do ingresso devido a abertura do dossel.

A taxa de aceleração do ingresso poderá ser determinada empiricamente
quando da simulação do manejo, com base na experiência do técnico e/ou por meio
de estudos previamente realizados. Após o corte, através do inventário, será
possível medir a resposta da vegetação à intervenção.
A fórmula mostrada a seguir determina a taxa de aceleração por classe
diamétrica:

) w l z (1 h
i i
· · + =

Sendo: w = redutor da taxa de aceleração sobre a taxa (z) devido a
recuperação da área basal entre o momento (m
t
) e (m
t+k
) onde (k) representa o
intervalo de tempo da previsão e o momento atual; = =
1
i
e
e
i
l fator de redução da
aceleração em função da classe de diâmetro; z = taxa de aceleração sobre o
recrutamento da classe diamétrica 1, devido a abertura do dossel;

O redutor (w) é determinado pela taxa de recuperação da área basal, e é
calculado através da seguinte equação:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

72

c
mk n
ba
) ba (ba
w
÷
=

Sendo: =
n
ba área basal antes da intervenção; =
mk
ba área basal após
a intervenção no momento (k); ba
c
= área basal retirada; sendo (ba
mk
) sempre
menor ou igual a (ba
n
).

f) Mudança na matriz de transição

A segunda hipótese que fundamenta este trabalho determina que a
intervenção realizada na floresta irá promover um incremento na taxa de
crescimento diamétrico das árvores. Por conseguinte, a matriz de transição irá
mudar. Haverá um incremento nas probabilidades de mudança de uma classe para
a outra. Em outras palavras, a matriz de transição será acelerada.
A nova matriz (A’) de transição ficará assim representada:

(
(
(
(
(
¸
(

¸

' ' '
' ' '
' ' '
ij i2 i1
2j 22 21
1j 12 11
a a a
a a a
a ... a a

   



Os seus novos valores serão calculados através das seguintes equações:

g) Coeficientes das diagonais inferiores para o período m
0’
- m
k

w) l t (1 a a
j i, j i, j i,
· · + · =
'


Sendo: (i > j) e (k) igual ao intervalo de tempo.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

73
h) Coeficientes da diagonal principal para o período m
0
'
- m
k

¿
=
÷
'
÷ =
'
n
2 i
i j i, j i,
m a 1 a

Sendo: m
i
= mortalidade normal verificada na classe ( i); t = taxa de
aceleração sobre o crescimento devido a abertura do dossel;
e
i
e
1 j
l
j i,
+
= = fator
de redução da aceleração em função da classe de diâmetro, sendo i > j; w =
redutor da taxa de aceleração sobre a taxa (g) devido a recuperação da área basal
entre o momento (m
k
) e (m
k+1
); k = intervalo de tempo entre as previsões.

Na exemplificação apresentada neste trabalho, o cálculo dos coeficientes
da matriz não considera o fator de redução da aceleração em função da classe
diamétrica (l
i,j
). Isto não foi incorporado aqui em função da não disponibilidade de
informações relativas ao comportamento das diversas classes em relação à
intervenção. Na medida em que o monitoramento do comportamento da floresta
avance, será possível considerar esta variável nas simulações.
O fator de redução (w) é calculado pela mesma fórmula anteriormente
descrita. Após o primeiro período de projeção, a cada período (k) de nova projeção,
este fator promoverá uma diminuição na taxa de aceleração (t) e, por conseguinte,
todos os coeficientes da matriz serão alterados. No momento em que a floresta
recuperar sua área basal inicial, (w) assumirá o valor zero, levando (t) também a
zero. Por conseqüência, a matriz de transição voltará ao seu estágio inicial de
normalidade.

i) Resultados da simulação com o modelo

Um exemplo aplicativo do modelo é apresentado a fim de demonstrar sua
utilização. Contudo o modelo proposto foi desenvolvido para simular o
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

74
desenvolvimento de florestas naturais sob quaisquer condições de interferência.
As condições iniciais pré-estabelecidas são taxa de mortalidade (d) igual a
20%, taxa de aceleração sobre o recrutamento da classe diamétrica (l), devido à
abertura do dossel de 30%, taxa de aceleração sobre o crescimento devido à
abertura do dossel (t) de 30% e a matriz de transição apresentada na Tabela 5.

TABELA 5 - Matriz inicial de probabilidades de transição por centro de classe de
diâmetro para o período 1984-87, num povoamento de “fir-
hemlock”, Japão.
Estado Recruta-
mento
Centro de Classe de Diâmetro (cm) Morta-
lidade
1984/87
+ ÷
R 7 15 25 35 45 55 65 75 M


R 0,9897
7 0,9288 0,0202 0,0512
15 0,9247 0,0286 0,0466
25 0,8966 0,0541 0,0492
35 0,8889 0,0556 0,0560
45 0,8420 0,1580 0,0000
55 0,8750 0,1250
65 0,7500 0,2500 0,0000
75 1,0000 0,0000
Fonte: Sanquetta et al. (1996)

Para efetuar a simulação com o modelo é necessário também informar a
distribuição diamétrica inicial do povoamento (neste caso em 1984) e o
recrutamento no período de simulação (neste caso entre os anos de 1984 e 1987),
conforme apresentado na Tabela 6.





Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

75
TABELA 6 - Distribuição diamétrica inicial em 1984 e recrutamento no período de
1984 e 1987 para um povoamento de “fir-hemlock”, Japão
Centro de Classe de
Diâmetro
(cm)
Número de
Árvores em
1984/0,89 ha
Recrutamento
No Período
1984 a 1987
Número de
Árvores em
1987/0,89 ha
7 1.785 192 1.852
15 557 549
25 203 198
35 54 59
45 19 19
55 8 10
65 8 6
75 3 5
Total 2.637 2.698
Fonte: Sanquetta et al. (1996)
Os resultados simulados dos parâmetros essenciais ao manejador florestal
são mostrados na Tabela 7. Observa-se que a área basal (ba
n
) antes do corte e o
número de árvores total (N) após 12 anos com base na simulação pré-estabelecidas
tendem a retornar as condições iniciais.

TABELA 7 - Evolução dos parâmetros simulados após intervenção em um
povoamento de “fir-hemlock” no Japão.
Ano
Parâmetros 1984
Antes do corte
1984'
Após o
corte

1987

1990

1993

1996
ba
n
40,78
ba
mk
33,50 35,28 36,85 38,29 39,46
ba
c
7,28
w 1,0000 0,7553 0,5395 0,3421 0,1818
r
i
' 192 250 236 223 212 202
N 2.637 2.220 2.360 2.479 2.580 2.664
Sendo: ba
n
= área basal antes da intervenção; ba
mk
= área basal após a
intervenção no momento (k); ba
c
= área basal retirada; sendo (ba
mk
) sempre
menor ou igual a (ba
n
). Fonte: Sanquetta et al. (1996).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

76

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

77


III - LEVANTAMENTO, MÉTODOS E PLANEJAMENTOS

3.1 Determinação das metas da empresa

O planejamento em geral levantamento e avaliação da situação atual, que
comparada com uma situação desejada, traça-se os passos necessários para
alcançar, através do planejamento da atividade num determinado período de tempo.
Através do plano de manejo, ordenam-se e coordenam-se as diferentes
atividades dentro da empresa, durante um certo espaço temporário, visando a
atingir a meta econômica.
O planejamento de atividades é delimitado por dois pontos extremos:
a) Num ponto encontra-se a situação atual da empresa, com a sua infra-
estrutura, situação de pessoal, situação dos povoamentos, etc.
b) No outro ponto encontra-se a situação desejada a ser alcançada.
De acordo com a distância entre estes dois pontos extremos, dependendo
do que se trata, se for preciso uma modificação total ou somente parcial dos
povoamentos, o planejamento estender-se-á sobre um maior ou menor espaço de
tempo, definido por prazo de planejamento, como segue:
Planejamento de longo prazo: São de 20 anos ou mais, que incluem a
escolha de espécies, modificação do sistema silvicultural (por exemplo, talhadia
simples para alto fuste), equilibração de estoque, construção de prédios de longa
durabilidade, aumento ou diminuição do quadro de pessoal da empresa, etc.
Planejamento de médio prazo: São de 5 a 20 anos, incluem a revisão dos
planos, construção de estradas, equipamento e financiamento de máquinas,
veículos, viveiro, etc.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

78
Planejamento de curto prazo: São de 1 ou mais anos. Geralmente é o
planejamento anual e relaciona-se diretamente com as atividades de planejamento
de corte, exploração, reflorestamento, utilização e manutenção de máquinas.

3.1.1 Meta econômica da empresa

A meta econômica de uma empresa é definida pelos objetivos e
utilizações para as quais a floresta está submetida a servir a empresa ou à
sociedade.
A determinação da meta econômica de uma empresa é, principalmente,
uma questão política por parte da legislação e econômica por parte da empresa. Por
exemplo, uma nação quer abastecimento do mercado com madeira e uma empresa
quer obter lucro do seu investimento.
A meta econômica da empresa é o principal objetivo da atividade
silvicultural, que normalmente envolve a produção simultânea de elementos
econômicos e extra-econômicos.
O elemento econômico: A sociedade espera das empresas o
abastecimento do mercado com matéria-prima. O proprietário quando particular,
atende esta demanda e aplica teorias econômicas a fim de garantir auto-sustento e
lucro. Os critérios econômicos, durante os últimos 200 anos, sofreram mudanças,
passando pela teoria do Rendimento Líquido do Solo e evoluindo para o
Rendimento Líquido da Floresta, até chegar a atual teoria econômica, que defende
além de pontos de vista econômicos, também o social e o ambiental, como fonte de
rendimento tangíveis e intangíveis.
O elemento extraeconômico: A existência desta função traz como
conseqüência gasta ao proprietário. Normalmente, ela é inestimável em avaliações
comuns, mas pode até ser da intenção do proprietário em mantê-las, como exemplo
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

79
a caça, pesca, prestígio social e outras. Em relação à comunidade, existe a
necessidade de garantir todos os benefícios da floresta, como água, ar, proteção à
erosão e exploração turística da área.
Os gatos podem ser decorrentes da necessidade de construção de
instalações, tais como: estacionamentos de carros, bancos, caminhos de passeio,
etc. Também, inclui a função do estabelecimento da paisagem, fator importante
para o desenvolvimento da cultura popular, atração de turistas, mas tudo demanda
gastos para o proprietário.
As funções econômicas e extraeconômicas possuem uma certa relação
com o tamanho do empreendimento, diretamente relacionado com o volume de
corte anual. Por isso, quanto maior a empresa (corte anual), mais metas
extraeconômicas exerce, por exemplo, o bem estar dos operários, facilidades para
turismo/recreação, etc., além do maior cuidado com o risco.
Na Figura 16 é mostrada uma relação da rentabilidade em função dos
elementos econômicos e extraeconômicos, em função do tamanho da empresa.
Uma empresa, dependendo do seu tamanho necessita de um mínimo de
rentabilidade para sobreviver (ponto B), a partir deste ponto ela começa a
interessar-se pela exploração das funções extraeconômicas. O ótimo em
rentabilidade é atingido no ponto C. O ponto A é alcançado quando se quer a
máxima renda do solo, demandando o aproveitamento dos elementos econômicos e
extraeconômicos disponíveis.
No planejamento do elemento econômico deve-se sempre considerar os elementos
de risco do investimento que devem ser avaliados na determinação da meta
econômica da empresa, pois pode modificar parcialmente a meta econômica da
empresa (ciclo longo de produção) que está sujeita a desenvolvimentos (mercado),
ocorrências imprevisíveis (clima), alteração da capacidade produtiva do solo
(fertilidade), que quando surgem são incorrigíveis ou de difícil recuperação; o
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

80
planejamento deve levar isto em consideração através de ações que possibilitam
certa margem de possíveis manobras de defesa. Eventualmente, isto significa uma
desistência voluntária de possíveis lucros maiores em favor da segurança da
produção.














FIGURA 16 - Relação da rentabilidade da empresa com o seu tamanho da
produção

3.1.2 Meta técnica da empresa

Para estabelecer a meta econômica da empresa é necessário definir as
metas técnicas locais para a empresa. Elas determinam o sistema de manejo,
composição de espécies, grau de mistura, estoque, etc.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

81
Para o estabelecimento da meta técnica, Richter (1963) distingue três
grupos de submetas que devem ser observadas: da produção, do grau de estoque, e,
da renovação.
A meta da produção: Refere-se especialmente aos tipos de sortimentos a
serem produzidos nos diferentes sítios, como madeira para laminação, carpintaria,
parquet, postes, celulose, carvão, lenha, etc.
A meta do grau de estoque: Baseia-se na meta da produção, e visa a
possibilitar um ótimo de acréscimo de volume destes sortimentos.
A meta da renovação: Tem vínculo com a substituição dos povoamentos,
pois determina a distribuição das espécies após renovação assegurada, o que se
manifesta diretamente no rendimento sustentado.
Outros pontos são importantes no estabelecimento das metas, como:
alcance de um certo grau de acessibilidade; cuidados especiais (desrama);
mecanização; ordem espacial, por exemplo, necessidade de mudar a direção
tradicional dos cortes ou fazer paraventos.
As metas a serem estabelecidas no manejo florestal referem-se a aquelas a
serem atingidas a médio e curto prazo. Devido a isto, necessitam de bastante
precisão para sua continuidade, pois são influenciadas por certos fatores.
Para isto, Speidel (1967) cita três critérios que podem ser seguidos no
estabelecimento das metas: prognóstico de consumo e procura; prognóstico de
produção e oferta; prognóstico da comercialização.
Prognóstico de consumo e procura: Este prognóstico é feito por
agências nacionais (IBAMA, Ministérios) e Internacionais (FAO). Serve para
orientar sobre futuros mercados, possibilidades de venda (futura procura de lenha,
carvão, laminados, celulose, madeira serrada, etc.). Um fator decisivo a ser levado
em conta é a possível substituição de certos sortimentos de madeira por outras
fontes e o desenvolvimento dos preços. Por exemplo, a substituição da lenha para
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

82
energia com a construção de usinas hidroelétricas; substituição do carvão vegetal
pelo carvão mineral.
Um fator importante a ser observado é a procura por certas qualidades e
tipos de madeira no futuro, o que determina cuidado na escolha de espécies;
cuidados com as desramas, etc.
Os prognósticos devem ser considerados como uma moldura, pois eles
não modificam completamente o sistema de manejo das florestas existentes, mas
sempre devem ser levados em conta. Por exemplo, pode-se tomar o prognóstico
mundial para 2010, também é possível avaliar o desenvolvimento do consumo no
Brasil através dos costumes de consumo em países de condições semelhantes,
porém mais adiantados (por exemplo, países Europeus, Nova Zelândia, etc.).
Prognóstico de produção e oferta: Possível de ser feito por órgãos
nacionais, com base em informação nacional, estadual ou regional, podendo ser
baseado nos levantamentos feitos para os planos de manejo e os cortes.
Com base nestes prognósticos é possível como coincide a produção
(oferta) com o consumo (procura), e com isso tirar conclusões de como se pode
administrar a empresa a fim de levar maior vantagem e ter maior lucratividade. Por
exemplo, uma grande catástrofe que derruba as florestas de uma região, resultando
um aproveitamento principal da madeira para celulose, causa uma saturação do
mercado com este tipo de sortimento. Que não pode ser estocado, pois apodrece,
em conseqüência os preços irão baixar. Devido a isto, deve-se modificar o plano de
corte, mesmo que tenha sido planejado, pode-se ir retardando os desbastes para não
vender madeira a preço muito baixos.
Prognóstico da comercialização: Surge da comparação entre oferta e
procura (regional, nacional) e da necessidade de eventuais importações ou
possíveis exportações. Quando possível isto deve ser levado em consideração já
nos planejamentos para a empresa.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

83
Neste prognóstico é importante a localização da empresa, que pode ser
favorável ou desfavorável na comercialização. Por exemplo, no Irã possíveis
distâncias de transporte de madeira são viáveis para as seguintes utilizações:
Carvão vegetal 0 - 22 Km
Chapas 20 - 40 Km
Celulose 40 - 130 Km
Madeira para serraria 60 - 120 Km
Laminados 60 - 400 Km
Faqueados 220 - 2000 Km.

Baseado nos três prognósticos pode-se estimar mais ou menos o
desenvolvimento entre renda bruta e despesas operacionais, o que é importante
para se fazer planejamentos de administração, mecanização, construção de
estradas, etc., pois se pode relacionar com o desenvolvimento dos mercados de
trabalho e do custo de mão-de-obra.
Um aspecto importante no estabelecimento das metas é a situação
geográfica da empresa. A situação geográfica é uma coisa determinada, fixa,
imóvel. Uma empresa pode estar sujeita a aceitar esta situação, apesar de
ocupação de mão-de-obra ou abastecimento de uma indústria com matéria-prima
própria. Associado a situação geográfica está à densidade demográfica, que quanto
maior, maior a necessidade da empresa em fornecer produções imateriais, o que
traz certos riscos (fogo, acidentes com turistas, etc.) e certas vantagens, como mais
estradas públicas, eventualmente mão-de-obra disponível, mais infra-estrutura:
telefone, escolas, médicos, etc.
O fator mais importante no estabelecimento das metas em uma empresa é
à distância dos compradores potenciais de madeira em relação à localização
geográfica da empresa. Sobre isto, Speidel (1997) demonstrou o modelo da relação
entre a intensidade possível de administração e do manejo das florestas, em
dependência da distância do mercado, como mostra a Figura 17.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

84

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

85
3.2 Ordem espacial

A ordem espacial é definida como sendo a distribuição das unidades de
produção e subdivisões que ocorrem dentro de um espaço físico.

3.2.1 Necessidades da ordem espacial

As unidades básicas da ordem espacial são os talhões e as secções. As
secções são áreas com semelhança de sítio, portanto, com produtividade
homogênea.
A ordem espacial é feita nas florestas manejadas para possibilitar
conhecer a estatística das unidades de produção, com o enfoque de:
a) Comparação das unidades com base nas diferenças naturais de
produtividade.
b) Comparação do aumento ou diminuição da produção com aplicação
de tratamentos específicos, como: corte, desbaste, adubação, espécies e tratos
culturais. Com esta comparação contínua obtém-se dos inventários, o controle e
execução das atividades.
Devido a isto, evita-se efetuar mudanças na ordem espacial, pois dificulta
o controle estatístico da produção dos povoamentos.

Ordem espacial e o planejamento: As áreas separadas são de certa
forma homogênea (secção, talhão, distrito), possibilitando tratamentos específicos,
tais como:
- Na secção: desbaste, adubação, escolha de espécies, melhoramentos.
- No talhão: estradas e exploração.
- No distrito: orientação geral.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

86
Devido a isto, deve-se evitar mudanças contínuas das linhas limítrofes ou
subdivisões internas das unidades, devido aos tratamentos e cuidados.

Ordem espacial e a segurança: A segurança: a separação dos
povoamentos diminui os perigos contra danos, bióticos (insetos, fungos) ou
abióticos (fogo), e facilita a mobilidade.

Ordem espacial e o manejo: A subdivisão do espaço físico facilita a
acessibilidade, ajuda à execução silvicultural, exploração, renovação (natural ou
artificial) e faz com que a floresta fique mais visível e controlável (mapas).

3.2.2 Planejamento e execução da ordem espacial

Quando já existe a ordem espacial, se for possível, deve ser deixada ou
simplificada. Por exemplo, quando se deseja transferir um limite artificial (aceiro)
para um limite natural (curso d’água, etc.).
Quando não existe a ordem espacial, deve-se tentar formar blocos de fácil
orientação. Estes são projetados sobre um mapa plani-altimétrico com posterior
retificação e marcação no campo. O tamanho da unidade de produção depende do
sistema e intensidade do manejo, tamanho da empresa, variando de 10 a 100 ha.
Os talhões, quando possível, devem ser retangulares na proporção de 2:1.
A linha de separação deve coincidir com as estradas principais para facilitar acesso
de caminhão, e os caminhos de extração, devem possibilitar acesso para trator ou
tração animal.
Em terrenos com topografia plano ou levemente ondulado, as linhas de
separação devem formar de preferência ângulos retos. Em topografia montanhosa
utiliza-se mais as linhas naturais de separação e estradas.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

87
A formação de secções, ao contrário dos talhões, são subdivisões
sugeridas pelas diferenciações existente na natureza. O ponto de partida para a sua
delimitação é o mapa dos sítios, resultante da sondagem e mapeamento dos sítios
naturais.
Conforme a intensidade, as secções são mais ou menos semelhantes aos
diferentes sítios. O responsável pelos levantamentos para o planejamento deve
assumir certos compromissos entre a necessidade ou possibilidade econômica e a
intenção de obter secções homogêneas.
A secção é independente em relação ao manejo e proteção, por isto, não
deve ser grande. Quanto mais intensivo for o manejo, menor deve ser a área da
secção.
Existindo o mapa dos sítios, deve-se verificar os critérios mais
importantes utilizados na separação dos sítios, e verificar se é possível juntar certos
sítios para formar uma unidade maior. Por exemplo, modificações quando em áreas
pequenas, não podem ser diferenciadas em seções, porém nos planejamentos
silviculturais sofrerão tratos diferentes.
A execução da ordem espacial em áreas abertas, como em campos, é feita
antes do reflorestamento, na seguinte ordem:
a) Mapa plani-altimétrico da área;
b) Sondagem e mapeamento dos sítios;
c) Traçado da rede de talhões, com: estradas, tamanho, distância entre
elas.
d) Planejamento das secções, como: caminhos de extração com largura
de 2 a 4 m.

As linhas traçadas formam uma rede e entre as malhas da rede situam-se
as áreas de reflorestamento.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

88
Na execução da ordem espacial em áreas florestais ainda não
diferenciadas, as faixas a serem abertas devem ajudar na segurança do
povoamento.
Em grandes áreas, as faixas abertas podem ser substituídas por cortes em
faixas de 10 a 15 metros de largura e reflorestamento em faixa. Assim, podem ser
formadas copas maiores, proporcionando faixas de segurança, este caso é para
povoamentos mais velhos. Um corte semelhante ao anterior, sem aumentar a
largura e sem reflorestamento, incentiva a formação de copas que permitem uma
maior proteção do povoamento, o que pode ser aproveitado para fazer estradas,
sendo aconselhável para os povoamentos mais jovens.
O problema de abertura de faixas com posterior danos por vento existe
menos em florestas nativas, bem estratificadas e mais em grandes áreas de
reflorestamentos homogêneos. Estas duas possibilidades fornecem o mesmo efeito
protetivo, isto é: Proteção por paravento (beira de mato); e, proteção por abrigo.
A proteção por paravento significa uma perda de área produtiva. Em
sistemas intensivos, é conveniente a instalação de faixas de diferentes idades e
estrutura para a proteção.
Os motivos para separação de secções são os seguintes:
a) Metas técnicas diferentes. Por exemplo, talhadia, alto fuste,
plenterwald, etc.
b) Espécies diferentes. Por exemplo, pinus e pinheiro-brasileiro
espacialmente separados, igualmente áreas de pinheiro-brasileiro oriundas de
plantio em matas nativas.
c) Idades diferentes. Grandes diferenças de idades mesmo nas mesmas
espécies ou nas misturas de espécies.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

89
Em terrenos planos com topografia plana à ondulada, tenta-se deixar
coincidir a separação da secção com linhas de extração existentes ou faz-se
abertura e linhas de separação.
Em terrenos com topografia montanhosa, as estradas, curvas de nível,
curso d’água, etc., separam a secção. As linhas muitas vezes coincidem com a
modificação de sítios. A projeção de novas estradas secundárias devem seguir estas
divisões entre secções.
A formação de subsecções seguem sítios bem distintos, sem delimitação
na natureza e são pequenas demais para ser secções. Aparecem no mapa, mas não
são contadas como unidades próprias, somente recebem tratamentos silviculturais
especiais.
A numeração das unidades espaciais segue a seguinte denominação:
a) O distrito é numerado em romano, i, ii, ...
b) O talhão em número arábico: 1, 2, 3,...
c) A secção em letras do alfabeto: a, b, c,...
d) A subsecção com expoente junto à secção: a
1
, b
2
, c
1
,...
Quando necessário e possível deve-se efetuar a marcação das unidades
como segue: O talhão é marcado em pontos de cruzamento de linhas de separação,
feito em pedras, estacas com a numeração do talhão. Isto, atualmente, é pouco
praticado na maioria das empresas florestais; a secção não recebe demarcação, se
existirem linhas de extração, faz-se marcação com pintura em árvores ou locais de
destaque, como pedras. A numeração da secção somente aparece no mapa; a
subsecção destaca-se por si mesma na natureza, sem marcação, mas aparece
demarcada no mapa.
A execução da ordem espacial em áreas abertas, como em campos, deve
ser feita antes de efetuar o reflorestamento.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

90
3.3 Levantamento e planejamento silvicultural

3.3.1 Levantamentos dos povoamentos

Os levantamentos dos povoamentos iniciam com a determinação de idade
(para cada espécie) do povoamento se for homogêneo, utilizando informações
escritas ou orais, anéis de crescimento ou comparação análoga.
Em povoamentos mais ou menos irregulares, a idade deve ser escrita da
seguinte forma:

45 – 60
--------- (onde 50 é a idade média).
50
Os povoamentos devem ser caracterizados utilizando-se de critérios
verticais, horizontais, mistura de espécies, podendo ser usado:

a) Critério da verticalidade: Descreve-se o número de estratos existentes
no povoamento.
- Um estrato: quando as copas na sua maioria encontram-se numa camada
única. Também vale como um estrato quando existe uma renovação de pequeno
porte (menor que 1,5 m de altura).
- Dois estratos: quando duas camadas distintas formam-se, sendo possível
uma renovação de maior altura (mais que 2 m).
- Três estratos: 3 camadas distintas.
- Irregular (sem estratificação): as copas distribuem-se irregularmente
sobre o espaço vertical (tipo plenterwald).

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91
b) Critério da horizontalidade: Descreve-se o grau de fechamento e
projeção das copas.
- Muito fechado: as copas das árvores entrelaçam-se, cobrindo o solo em
mais que 100 % (florestas nativas, florestas muito fechadas); no solo geralmente
não ocorre vegetação.
- Fechado: as copas das árvores entrelaçam-se ou tocam-se, cobrem o solo
em mais ou menos 100 %; no solo já ocorre vegetação.
- Aberto: encontram-se pequenas clareiras, até uma extensão de uma copa
de árvore; o povoamento ainda pode fechar-se.
- Claro: maiores clareiras, que não podem mais serem preenchidas pelas
copas das árvores dominantes.
- Ralo: estrato arbóreo muito esparso, cobrindo em menos de 50 % o solo.
Vale também quando um sub-bosque muito fechado cobre o solo, que, porém é
sem valor; por exemplo, pinhais explorados, com 30 a 40 pinheiros por hectare, ou
um sub-bosque fechadíssimo de taquara.

c) Critério da mistura: Descreve a composição em espécies,
distinguindo-se a quota de participação de espécies no estoque, bem como a
distribuição das espécies no povoamento (agrupamento = forma de mistura).
- Floresta mista:
mistura singular
mistura em grupos (até1000 m
2
)
mistura em bosques (manchas) (0,5 ha)
mistura em faixas
mistura em filas.
A mistura de espécie é definida em % de superfície ocupada. Por
exemplo, pinheiro 0,6, cedro 0,1, camboatá 0,2, podocarpus 0,1. Outras espécies de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

92
menor freqüência serão descritas por: singular ou algumas, por exemplo: canela –
singular; açoita-cavalo e murta – algumas.
Também, deve-se tomar informações quanto à origem das árvores
(reflorestamento, renovação natural, brotação, etc.).
Junto com estas descrições deve ser feita também uma apresentação
qualitativa e quantitativa do povoamento. Avalia-se o estoque por espécie ou grupo
de espécie: altura, áreas basais, comprimento da tora aproveitável (isto
principalmente para florestas nativas – mistas para as quais não existem tabelas de
volume ou tabelas de produção).
Além disso, avalia-se o dano existente nas árvores (como copa quebrada,
danos por vento, seca, neve), lesões causadas por exploração anterior, danos por
fungos, cancro, fogo, insetos, gado, etc. Geralmente, relaciona-se o dano em % de
indivíduos atacados. Por exemplo, 6 araucárias – 30 % atacadas por fogo (perda =
os 2 primeiros metros da toara); 1 canela – 10% com copas parcialmente
quebradas.
Estes danos podem ser avaliados com códigos que serão colocados nos
formulários de levantamento (dendrométrico), por exemplo:
1 = 10% de danos
2 = até 30% de danos
3 = até 60% de danos
4 = 61 – 100% atacadas, etc.
Essas características mencionadas, suas formas e peculiaridades podem
ser mais bem observadas na Figura 18.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

93
3.3.2 Planejamento dos povoamentos

O planejamentos inicia com o levantamento ecológico (determinando
sítios) em conjunto com o levantamento silvicultural (após determinação da
secção) possibilita o planejamento das unidades de produção (secção) do ponto de
vista técnico-silvicultural.
O planejamento dos povoamentos é principalmente técnico-silvicultural,
saindo de reflexões ecológicas, voltando-se para as finalidades econômicas. Este
planejamento tenta estabelecer os tratamentos dos povoamentos, para que estes
cumpram o esperado, ao longo da duração da produção.
No Brasil, praticamente nunca se tem a possibilidade de consultar planos
de manejo anteriores, por isso, é necessário então tirar conclusões a partir de
conhecimentos teóricos, informações de pessoal local, técnicos da empresa e de
comparações análogas.
O planejamento técnico-silvicultural deve ser fácil de ser compreendido e
claro; deve corresponder à capacidade empresarial; deve ser voltado à meta técnica
da empresa, levando-se em conta fatores biológicos e econômicos; sempre que
possível leva-se em conta experiências locais ou regionais; é desenvolvido para
cada secção, visando o cumprimento da meta econômica durante um período de
tempo de ordenamento de curto e médio prazo.
O planejamento visa a transformar ou manter a situação de uma floresta
mista (em idade e espécie); uma floresta homogênea; ou alguma forma transitória.
Logicamente, deve-se preocupar também como o planejamento da
sucessão dos povoamentos após os cortes (espécies plantadas ou renovadas
naturalmente, métodos, época de início, etc.).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

94

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

95
O planejamento deve ser simples e não detalhado demais, deve seguir as
linhas traçadas pela meta econômica da empresa. Sempre vai ser necessário
enquadrar os planejamentos nas condições regionais, utilizando-se de critérios
válidos para a região, definidos por fatores como: material de origem, solo, clima,
tipografia; e, critérios econômicos, como densidade de população, indústrias
existentes, possibilidades de comercialização.
As condições regionais são obtidas de pesquisas ecológicas (tipos – zonas
– regiões florestais), e de experiência (comparação com plantios mais antigos da
região nos mesmos sítios. A própria topografia e acessibilidade podem influir
extraordinariamente no planejamento. Por exemplo, em topografia acidentada, com
pedregosidade e estradas ruins, não se deveria planejar plantações de rotação curta,
com Eucalyptus, mas sim de espécies valiosas de rotação longa.
Descrição das secções determina as linhas para o planejamento; secçõpes
compostas dos mesmos sítios recebem o mesmo tratametno, de acordo com as
metas econômicas e técnicas da empresa.
A meta econômica da empresa, dependendo tratar-se de uma indústria ou
empresa florestal independente, terá influência decisiva sobre a seleção da espécie,
que é de utilidade para indústria, ou então determinada por sítio. Para a
determinação da espécie a ser utilizada, o tipo florestal é o melhor indicador,
porém não revela as condições ótimas econômicas, que poderiam ser diferentes.
Determina as espécies (% de participação) que se deseja compor o
povoamento no momento do corte final ( = meta de estoqueamento).
O planejamento então fixa a forma e maneira de conseguir este
povoamento de maneira econômica e com um máximo de aproveitamento dos
fatores de produção, bem como um máximo de segurança. Mas, determina as
espécies principais, por exemplo, pinheiro-brasileiro, e as espécies auxiliares, por
exemplo, podocarpus e bracatinga, bem como a forma de mistura.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

96
A meta técnica da empresa determina as qualidades de sortimentos a
serem produzidos e o planejamento técnico-silvicultural é definido a maneira de
procedimento para alcançar tais alvos. Por exemplo, para Araucária angustifólia:
madeira de grande dimensão para laminação e para serraria, de rotação longa;
madeira para indústria de chapas e celulose, de rotação curta.
Na realidade brasileira as empresas particulares verticalizadas muitas vezes
desejam uma só espécie, uma só meta econômica, independente da capacidade
produtiva dos sítios.
A partir destas duas metas, a técnica e a econômica, desenvolve-se então o
planejamento específico, empregando as técnicas silviculturais.

Planejamento silvicultural da secção: É o planejamento detalhado para a
unidade de produção da empresa e segue os critérios estabelecidos nas descrições
gerais do planejamento silvicultural.
Este planejamento serve de orientação para o responsável pela execução,
para controle contínuo (estatística) e para se ter o “histórico”das secções. Ele
demonstra os caminhos para alcançar as metas, partindo da situação atual,
analisada através do levantamento da secção.
O planejamento específico orienta-se nos seguintes elementos, que devem
ser definidos para cada unidade de produção: meta econômica da empresa; a meta
de estoqueamento final (distribuição das espécies, taxa de corte e idade de corte); o
alvo de renovação (dando em 1/10 de quota de cada espécie). Este planejamento é
feito em loco e leva em conta além dos critérios mencionados também a existência
de paraventos. Quer dizer que cada secção deve ter o seu planejamento individual.
Os planejamentos podem ser divididos em vários grupos de tarefas
definidas por: medidas de renovação; medidas de desbaste; outras medidas de
tratos:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

97
a) Medidas de renovação: São todos os trabalhos que serão executados
tendo como conseqüência à renovação do povoamento.
Com isto, define-se o tipo de corte, situação e procedimento dos cortes,
rapidez do procedimento dos cortes, grau de abertura do dossel, tipo de renovação,
renovação artificial, idade – tamanho – tipo de mudas, espaçamento, preparo do
solo, proteção das mudas, drenagem, etc.
Em geral, pode-se dizer que para as espécies heliófilas têm-se corte raso e
para as espécies e sombra, tem-se o sistema plenterwald e corte seletivo.
Sempre se deve prever todos os trabalhos até que a renovação seja
estabelecida, logicamente que se deve descrever aquelas medidas que serão
executadas brevemente, com mais detalhes do que os trabalhos a serem executados
mais tarde.
b) Medidas de desbaste: Elas são diferentes no que se refere à
intensidade, início, estrato, espécie e dependem principalmente do sistema
silvicultural e de fatores econômicos, como a mecanização e possibilidade de
comercialização.
c) Outras medidas de tratos: Fazem parte do planejamento silvicultural,
principalmente quando a secção não é destinada a exploração. Podem incluir
cuidados com as renovações recém estabelecidas até outros cuidados antes do corte
final (limpeza, raleamentos, etc.) A descrição destas atividades deve conter todas
as informações necessárias para garantir uma execução adequada (capina, limpeza,
corte de cipó, desrama, colheita de sementes de árvores ou povoamento, etc.).
Esta descriminação em três grupos logicamente não é aplicável do mesmo
modo na prática, pois é simplesmente uma classificação artificial. Na realidade
planeja-se independentemente todos os trabalhos necessários numa secção, sem se
preocupar com a classificação do passo.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

98
Nos planejamentos silviculturais, também, são relacionados os cortes que
se fazem necessários do ponto de vista silvicultural. Porém a indicação dos cortes
sempre é seguida de medidas de renovação que é uma exigência do regime
sustentado. Estes cortes são indicados, tendo um local definido de execução,
velocidade de procedimento, direção de progressão, bem como método de corte.
Geralmente, marca-se em mapas as áreas que devem ser cortadas.
Juntamente com estas informações descreve-se para esta secção a
quantidade estimada de madeira a ser cortada. Esta informação é possível de ser
obtida, pois o planejamento é feito após os levantamentos dendrométricos no
inventario, sendo discriminado os volumes de corte em todas as secções,
respectivamente, em corte final e corte antecipado. Estas informações são obtidas
através de medição ou cálculo em % do total de volume obtido.
Para o espaço temporário do ordenamento, por exemplo, cinco anos, deve-
se calcular toda a madeira que será cortada numa secção.
A indicação dos cortes já traz consigo a necessidade dos trabalhos de
renovação do povoamento, por exemplo, início e execução das medidas, preparo da
área, espécie, abertura do dossel, etc. Basicamente, informa-se para cada secção
especificamente sobre quanta madeira e de qual a qualidade que será cortada no
próximo período de ordenamento.
Fazendo isto, em todas a secções ter-se-á uma visão geral de toda a classe
de manejo, quando se faz a soma dos cortes de todas as secções. Esta taxa de corte
silvicultural que é válida, por exemplo, para 5 anos, um quinto desta quantidade
constitui a taxa de corte anual. Esta taxa caracteriza-se pelo fato de que é o
resultado de um planejamento silvicultural individual, quer dizer que tem por base
o melhor tratamento de cada secção. Isto significa, que não tendo em vista as
condições da unidade maior, da classe de manejo, não se terá o regime sustentado.
Por isso, calcula-se uma taxa de corte que procura garantir o regime sustentado,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

99
fornecendo anualmente a mesma quantidade de madeira. Para a empresa é
importante o regime sustentado, por isto o povoamentos devem receber o melhor
tratamento silvicultural. Devido a isto, deve-se equilibrar as duas taxas de corte
(calculada e silvicultural), adequando ou eliminando cortes de povoamentos, até
que a taxa de corte calculada e a silvicultural sejam semelhantes. Para esta
eliminação de povoamentos utiliza-se de uma escala de urgência, indicando quais
os povoamentos precisam ser cortados com mais urgência do que outros, nos quais
ainda pode ser retardado um pouco o corte. Esta relação de urgência de cortes em
parte é justificada pela necessidade das medidas de renovação, que segundo
Mante(1959) é a seguinte:
a) Povoamentos maduros, que se encontram em processo de renovação.
b) Povoamentos em áreas pouco estocadas, por exemplo, com árvores
velhas esparsas.
c) Parte de povoamentos ruins seja por espécies indesejadas, espécies
não aptas ao sítio ou danificadas por vento, insetos, etc.
d) Cortes de povoamentos para manter ou fazer ordem espacial.
e) Povoamentos que alcançaram dentro dos próximos 5 a 10 anos a
madureza de corte.

Planejamento silvicultural específico para talhão e distrito: Neste
planejamento descreve-se de forma resumida os povoamentos (espécies, suas
características, sistema silvicultural, objetivos) inclusive as condições ambientais
(solo, clima, temperatura, precipitações, vento, material de origem), a divisão
administrativa (no caso dos distritos) e a técnica silvicultural até agora empregada.
Este planejamento geral é praticamente o resumo dos planejamentos
silviculturais regulares realizado para as secções. A partir dos planejamentos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

100
individuais de cada secção (renovação, corte, cuidados, plantio, estradas, etc.) é
feito o planejamento total, para todas as secções e para o período de ordenamento.
Cada um destes planejamentos pode ser feito individualmente ou
agrupado, juntando no planejamento silvicultural os planejamentos da renovação,
dos cuidados, dos plantios, dos cortes, etc.

3.4 Volume e sua determinação

Para planejar os cortes e determinar os incrementos desejados é
necessários conhecer volume atual (real) e planejar o volume futuro (desejado).
Para isto, determina-se o volume individualmente para cada unidade de produção
(secção), que se constitui na base de levantamento. O levantamento é feito para
obter volume com ou sem casca de cada secção.
Os volumes podem ser determinados de forma diferente:
a) Volume total por árvore: inclui a madeira da árvore com mais de 7 cm,
ou outro limite adotado pela indústria, podendo ser até incluídos os galhos grossos.
b) Volume da tora (fuste): muito comum em utilização e levantamento de
florestas nativas. Considera o volume da tora até o ponto e possível
aproveitamento.
Caso exista comercialização de volume com casca, não é necessário fazer
os cálculos de conversão para volume sem casca. Também, deve ser assinalado,
quando se tratar de levantamento de volume total ou somente da tora (fuste); além
disso, se for som ou sem casca.
A determinação dos volumes das árvores pode ser feita utilizando
equações de volume com ou sem casca. Posteriormente, é feita a extrapolação para
a área da unidade de produção.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

101
O volume das unidades de produção (secção) pode ser obtido através de
levantamentos completos ou por meio de um método de amostragem.

a) Levantamento completo


São feitos as medições com suta ou fita de diâmetro de todas as árvores de
uma determinada área (amostragem), que possuem um diâmetro superior a um
limite estabelecido, por exemplo, 7 am. A medição do diâmetro é feita ao DAP,
com suta, quando em encosta no lado de cima e, em planície sempre na mesma
direção; e a altura com Blume Leiss ou outro aparelho.
A determinação do volume pode ser feita por: equações ou tabelas de
volume para cada espécie, baseada em diâmetro, altura e qualidade; utilização do
volume da árvore média, para posterior extrapolação para a área da unidade de
produção.
Os levantamentos completos são realizados quando os povoamentos
forem de grande valor econômico ou no caso de um povoamento com árvores
velhas de grandes dimensões.

b) Levantamento por amostragem

Os levantamentos por amostragem são utilizados para áreas de unidades
de produção de maior extensão. Nestes levantamentos pode ser utilizado um
método de amostragem que melhor adequasse as condições dos povoamentos e as
necessidades de informações. Para a definição da metodologia do processo de
inventário pode ser utilizada as indicações encontradas e, Pellico Neto e Brena
(1997) e a classificação da informações com codificação nos levantamentos,
definidos por Schneider (1999).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

102
A determinação do volume com ou sem casca das árvores medidas pode
ser obtido por meio de equações de volume e posterior extrapolação para a área da
unidade amostra.
Para situações especiais, pode-se fazer a qualificação dinâmica de
povoamentos quando se tratar de povoamentos novos que ainda não alcançaram a
idade que possibilita levantamentos de dados necessários e, quando levantamento
expedito, determinação da idade e conclusão análoga sobre o volume (comparação
com povoamentos de crescimento semelhante).
Isto pode ser feito através da qualificação dinâmica, com o que se estima a
classe de crescimento mediante a comparação com povoamentos vizinhos,
observando-se o solo, topografia e espécie; avaliando seu desenvolvimento,
determinando a classe de crescimento para o povoamento novo. Para a qualificação
dinâmica pode-se basear, por exemplo, na altura média do povoamento.
O levantamento é feito individualmente para cada unidade de produção,
sendo obtido por um determinado número de amostras.
Como a área das unidades de produção são conhecidas é possível a
computação do volume existente para toda a área.
O incremento é importante ser conhecido como indicador do estado
produtivo dos povoamentos e como medida para cortes possíveis.
Como todos os outros subsídios para o planejamento do manejo, o
incremento deve sr determinado também individualmente para cada secção.
Há vários tipos de incremento que podem ser determinados:
a) Em altura, diâmetro, volume, podem ser relacionados através da árvores
individual ou com o povoamento.
b) Do ponto de vista dinâmico temos os incrementos correntes, periódicos,
dados em m
3
ou em aumento percentual do volume existente.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

103
A determinação do incremento pode ser feita através de tabelas de
produção, de onde se obtém o incremento periódico anual e o incremento médio
anual.
Para determinados fins pode ser calculado o incremento histórico que é
baseado em levantamentos em várias épocas bem distantes. Dados levantamentos
devem abranger a mesma área (sítio) e feito entre vários anos de diferença,
podendo ser utilizado o método de controle para esta finalidade.

3.5 Incremento e sua determinação

Como foi visto anteriormente, os incrementos mais comuns no
planejamento da produção são definidos pelo: incremento corrente anual,
incremento periódico anual, incremento médio anual parcial ou total e, incremento
médio na idade de corte.
Na prática do manejo, também, podem ser utilizados outros tipos de
incrementos, que servem para expressar o crescimento de um povoamento
florestal. Estes incrementos podem ser determinados com base em métodos
classificados em:

E.1 Métodos indiretos de determinação do incremento

Consiste em determinar o incremento por meio da taxa de crescimento
percentual e do volume da floresta.
O volume total ou parcial da floresta pode ser conhecido por inventário do
povoamento. A taxa de crescimento pode ser obtida por meio de fórmulas que
usam certas variáveis específicas.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

104
E.1.1 Por meio de anéis anuais no DAP

A condição básica é que a espécie permita verificar a presença e medição
de anéis anuais de crescimento.
A taxa de incremento pode ser obtida por:

- Fórmula de Schneider: é obtida partindo-se da fórmula normal de
determinação de volume de árvores:

.h.f
4
π.d
V
2
= (a)

Sendo: d = diâmetro a 1,30 metros do nível do solo, em centímetros; h =
altura da árvore, em metros; f = fator de forma.

Devido à alteração do diâmetro, altura e forma das árvores, que variam
com o crescimento, estas variáveis sofrem um incremento A. Então se têm em: d
÷ Ad; h ÷ Ah; f ÷ Af. Com o aumento destas variáveis, o volume sofre um
incremento Av.
Assim, derivando-se parcialmente a equação do volume (a), após
diferenciando-a e somando todos estes elementos, têm-se:

- Derivada e diferencial em relação ao volume:

dd
dv
=
4
. 2 d t
. h . f
dv =
4
. 2 d t
. h . f . Ad (b)
Sendo: Ad ~ dd
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

105
- Derivada e diferencial em relação à altura:

dh
dv
=
4
.
2
d t
. f
dv =
4
.
2
d t
. f . Ah (c)

Sendo: Ah ~ dh

- Derivada e diferencial em relação à forma:

df
dv
=
4
.
2
d t
. h

dv =
4
.
2
d t
. h . Af (d)

Sendo: Af ~ df

Somando-se as equações a, b, c, têm-se o incremento total da variável
volume Av, neste caso Av ~ dv.

dv =
4
. 2 d t
. h . f . Ad +
4
.
2
d t
. f . Ah +
4
.
2
d t
. h . Af

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

106
Como os incrementos Ah e Af são muito pequenos em relação ao Ad, são
eliminados e têm-se que:

Av =
4
. 2 d t
. h . f . Ad (e)

A percentagem de incremento em volume será:

PV% =
v
v A
. 100 (f)

Substituindo-se os elementos da equação (e) na (f) têm-se:

4
. 2 d t
. h . f . Ad
PV% = ------------------------------- . 100
4
.
2
d t
. h . f

PV% =
4
. 2 d t
. Ad .
2
.
4
d t
. 100 =
4
2
. Ad .
d
4
. 100 =
d
d A . 100 . 2


PV% =
d
d A . 200
(h)

O incremento em diâmetro Ad é medido através do número de anéis (n)
em 1 centímetro externo, sendo expresso por:

Ad =
n
1


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

107
Sendo o crescimento em diâmetro duas vezes ao radial, então se têm:

Ad = 2 . r

Ad = 2 .
n
1
=
n
2
(g)

Substituindo-se esta expressão (h) na (g), obtém a fórmula de Schneider:

PV =
d
n
2
. 200
=
d
n
400
=
n
400
.
d
1


d n
PV
.
400
=

Sendo: PV = incremento periódico anual percentual; n = número de anéis
no último centímetro; d = diâmetro, em centímetros.

O numerador da fórmula de Schneider pode assumir valores de 400 a 800.
No caso de povoamentos velhos utiliza-se 400, de média idade 600 e jovens 800.
Essa fórmula pode ser usada em qualquer tipo de floresta desde que as árvores
apresentem anéis anuais de crescimento.
O cálculo da taxa de incremento das árvores por classe de diâmetro é
usada para se obter a taxa de crescimento do povoamento, como mostra a Tabela 8.
A fórmula de Schneider foi modificada por Löetsch, para envolver uma
amostragem de árvores ficando assim expressa:

PV =
400
dm
.
1
N
. E
1
n

Sendo: PV = incremento periódico anual percentual; dm = diâmetro médio
do povoamento; N = número de árvores consideradas; n = número de anéis no
último centímetro.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

108
TABELA 8 – Cálculo da percentagem de incremento em volume pela fórmula de
Schneider
Classe
DAP
DAP
c/c
Espécie N -anéis
últ. cm
G
(%/ano)
G
(m
2
)
g
(m
2
/ano)
Volume
(m
3
) m
3
/ano

10-19,9
12 Pinus 2 16,6 0,0113 0,0018 0,06 0,010
18 Pinus 4 5,5 0,0255 0,012 0,08 0,004
15 Pinus 2 13,3 0,0177 0,0023 0,07 0,009
Total - - - 9,7 0,0545 0,0053 0,21 0,033
20-39,9 Etc. - - - - - - -

- Fórmula de Wahlemberg: esta fórmula considera o tamanho do raio
nos útimos 10 anéis ao DAP, sendo expressa por:

d
R
PV
. 40
=

Sendo: PV = incremento periódico anual percentual; R = tamanho do raio
em centímetros nos últimos 10 anéis do DAP; d = diâmetro, em centímetros.

O cálculo do incremento por esta fórmula é mostrado na Tabela 9.

TABELA 9 – Cálculo da percentagem de incremento em volume pela fórmula de
Wahlemberg
Classe
DAP
DAP
c/c
Espécie R
(cresc.nos).
(10 cm)
%
crescimento
G
(m
2
)
G
(m
2
/ano)
Volume
(m
3
) (m
3
/ano)

10-
19,9
12 Pinus 5 16,6 0,0113 0,0018 0,06 0,010
18 Pinus 2,5 5,5 0,0255 0,012 0,08 0,004
15 Pinus 5 13,3 0,0177 0,0023 0,07 0,009
Total - - - - 0,0545 0,0053 0,21 0,033
20-39,9 etc. - - - - - - -

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

109
- Fórmula de Borggreve: esta fórmula permite calcular a taxa média de
incremento percentual de uma série de dados de árvores muito diferentes, sendo
expressa por:

2
. 4
. 100
d
n
d
PV
E
E
=

Sendo: PV = incremento periódico anual percentual; n = número de anéis
no último centímetro; d = diâmetro, em centímetros.

O cálculo do incremento por esta fórmula é mostrado na Tabela 10.

TABELA 10 – Cálculo da percentagem de incremento em volume pela fórmula de
Borggreve.
Classe
DAP
DAP
c/c
Espécie N
(anéis no últ. cm)
d
2
4.d/n
10-19,9 12 Pinus 2 144 24
18 Pinus 4 324 18
15 Pinus 2 225 30
Total - - - 693 72
20-39,9 Etc. - - - -

Assim, a percentagem de incremento será então obtida por:

100 . 72
PV = -------------- = 10,4 %
693
Para o cálculo da percentagem de incremento deve-se admitir que as
árvores sejam representativas da população, pelo menos para um erro aceitável,
caso contrário as estimativas de volume conterão um erro muito grande.
O cálculo do incremento, por meio da taxa de incremento percentual é
obtido como mostra a Tabela 11.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

110
TABELA 11 – Cálculo do volume por meio do incremento percentual
Classe
DAP
N
o

Árvores
G
(m
2
)
Volume
(m
3
)
%
Incremento
Incremento
G (m
2
/ano)
IMA
Vol.(m
3
/ano)
10-19,9 65 1,6450 5,60 10,4 0,1710 0,5824
20-39,9 etc. - - - - -

E.1.2 Por meio da largura do diâmetro entre anéis

A taxa de incremento em volume por meio da largura do diâmetro entre
anéis é obtida pela fórmula:
(
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
÷ =
2
/
1 . 100
c ds
do
PV
Sendo: PV = incremento periódico anual percentual, em volume; ds/c =
diâmetro sem casca, em centímetros; do = ds/c – E; E = 2 . largura de n anéis.

Este método desconsidera o incremento em altura e fator de forma das
árvores. Portanto, é útil para o cálculo da taxa de incremento em árvores adultas,
nas quais ocorre poça mudança na altura formal.
Porém, para árvores jovens, onde ocorre aumento na altura em um
período, deve-se usar a fórmula:
(
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
÷
|
.
|

\
|
÷ =
h
ih h
c ds
do
PV .
/
1 . 100
2

Sendo: h = altura total, em metros; ih = incremento em altura no período,
em metros.

O incremento periódico anual percentual é então obtido por:

PVA = PV / n

Sendo: n = número de anéis onde foi obtido o diâmetro.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

111
Estes cálculos das taxas de incremento devem ser feitos por classe de
diâmetro, tomando-se árvores representativas da população. E, posteriormente, são
extrapolados para obtenção do volume de toda a população:

E.1.3 Por meio de medições sucessivas de árvores

O método consiste em medir o incremento de árvores isoladas,
representativas da população para obter a taxa de incremento percentual e utilizar
esta para obter o crescimento de toda a floresta.
O inconveniente é que se necessita medir as árvores em intervalos de um
ou mais anos, par poder efetuar o cálculo da taxa de incremento.

- Fórmula de Pressler 1: esta fórmula de Pressler é expressa por:

n V V
V V
PV
200
.
1 2
1 2
+
÷
=
Sendo: PV = incremento periódico anual percentual; V2 = volume ou área
basal tomado no final do período; V1 = volume ou área basal tomado no início do
período; n = período entre as duas medições.

Um exemplo de cálculo da taxa anual de crescimento é mostrada na
Tabela 12.
Pode-se usar as taxas de incremento percentual em volume de cada classe
de diâmetro para obter o crescimento de toda a população, isto se as árvores
amostras representarem a população.
No entanto, deve-se dizer que o cálculo do crescimento por este
procedimento muitas vezes não alcança uma boa precisão, mas deve ser suficiente
para a finalidade que se busca, porém é de fácil obtenção e econômico.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

112
TABELA 12 – Cálculo da percentagem de incremento em volume pela fórmula de
Pressler 1.

Classe
DAP

N
o

Árv.

Espécie
Medida Inicial Medida Final Crescimento
PV
%
Total Anual
Soma
(cm)
G
(cm
2
)
Soma
(cm)
G
(cm
2
)
DAP
(cm)
G
(m
2
)
DAP
(cm)
G
(m
2
)
10-
19,9
- - - - - - - - - - -
20-
29,9
7 Pinus 209,6 5141,28 223,9 5850,42 14,3 70,049 0,4 142,25 2,6
40-
49,9
- - - - - - - - - - -
Total - - - - - - - - - - -

Área da parcela = 0,25 ha Número de anos do período = 5 anos

- Fórmula de Pressler 2: esta fórmula facilita obter a taxa de
crescimento num determinado período em relação à média aritmética do volume da
população, no início ou final do período, pode também ser obtida pelas fórmulas:

n
100
.
V2
V1 V2
PV
÷
=


Ou

n
100
.
V1
V1 V2
PV
÷
=


Sendo: PV = incremento periódico anual em volume; V1 = volume no
início do período; V2 = volume no final do período; n= período entre as duas
medidas.

- Método dos juros compostos: este método calcula a taxa de
incremento através da fórmula dos juros compostos, sendo expressa por:

Vn = Vo . ( 1 + i )
n

Sendo: Vn = volume no final do período; Vo = volume no início do
período; i = taxa anual de crescimento; n = número de anos do período.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

113
E, a taxa de incremento periódico anual é obtida por:

.100 1
Vo
Vn
i
n
(
¸
(

¸

÷ =

Ee.2 Métodos diretos de cálculos do incremento

Ee.2.1 método por comparação de inventários sucessivos

O método permite determinar o incremento histórico, que consiste na
comparação dos inventários sucessivos da mesma parcela e povoamento, sendo
obtido através da fórmula:

V2 – V1 + E
IPA =
______________________
a

Sendo: IPA= incremento periódico anual, em volume; V2 = volume no
final do período; V1 = volume no início do período; E = volume dos corte
realizados no período; a = período de tempo entre os dois levantamentos.

Uma outra maneira de calcular este incremento é através do Método de
Controle, utilizando a fórmula:

V2 – V1 + E - I
IPA =
___________________________
a

Sendo: I = ingresso do volume das árvores numa classe de diâmetro.

Esta fórmula aplica-se a inventários totais de povoamentos, com parcelas
permanentes, sem considerar árvores individuais em separado.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

114
3.5.1 Determinação da árvore média para cálculo do incremento

a) Árvore média de área basal

É utilizado para cálculo do volume e incremento, porém é afetada pelos
desbastes, que desloca a árvore média para um maior diâmetro, quando o desbaste
for por baixo, e o contrário em desbastes por alto.
Esta árvore média é obtida por:

g = G / N

E, o diâmetro médio de área basal é então obtido por:

dg = \ (4 . g / t )

Sendo: G = área basal das árvores amostradas; N = número de árvores
amostradas.

b) Árvore central de área basal

A árvore central de área basal é menos sensível aos desbastes. Ela situa-se
onde a soma das áreas basais forem igual à metade, cuja localização é obtida numa
ordem crescente das áreas basais acumuladas por classe de diâmetro. Esta árvore,
geralmente, é maior do que a árvore média do povoamento. A sua localização é
obtida por:
¿
= 2 / g o Localizaçã

c) Árvore média numérica

É um método mais rápido de se obter a árvore média. Esta árvore situa-se
em 60 % do número de árvores acumuladas por classe de diâmetro, contadas a
partir do diâmetro inferior da classe de diâmetro.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

115

3.5.1.1 Exemplo de determinação da árvore média para obtenção do
incremento

a) Determinação da árvore central de área basal

Na Tabela 13 é mostrado um exemplo de cálculo da árvore central de área
basal.

TABELA 13 – Determinação da árvore central de área basal
Classe
DAP
N
o

Árvore
G
(m
2
)
G Total
(m
2
)
G Acumulado
(m
2
)
10 - - - -
12 - - - -
14 2 0,0154 0,0308 0,0308
16 6 0,0201 0,1210 0,1514
18 11 0,0254 0,2794 0,4308
20 21 0,0314 0,6594 1,0902
22 32 0,0380 1,2160 2,3062
24 42 0,0452 1,8984 4,2046
26 57 0,0531 3,0267 7,2313
28 66 0,0616 4,0656 11,2969
30 67 0,0707 4,7378 16,0347
32 59 0,0804 4,7478 20,7783
34 55 0,0908 4,9940 25,7723
36 64 0,1018 6,5152 32,2875
38 44 0,1134 4,9896 37,2771
40 36 0,1257 3,7710 41,0481
42 24 0,1385 3,3240 44,3721
44 31 0,1521 4,7151 49,0872
46 25 0,1662 4,1550 53,2422
48 20 0,1810 3,6200 56,8622
50 18 0,1963 3,5334 60,3992
52 14 0,2124 2,9736 63,3692
54 11 0,2290 2,5190 65,8882
56 7 0,2463 1,7241 67,6107
58 2 0,2642 0,5284 68,1407
60 2 0,2827 0,5654 68,7061
Total 710 - 68,7061 -

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

116
No exemplo, a árvore central de área basal é obtido por:

Localização = 68,7061 / 2 = 34,35 m
2



Por interpolação da área basal acumulada (34,35 m
2
) obtém-se que o
diâmetro médio é igual a 36,8 cm.

b) Determinação da árvore média de área basal

Na Tabela 14 é mostrado um exemplo de cálculo da árvores média de área
basal. No exemplo, a árvore média de área basal é obtido por:

2
0968 , 0
710
7061 , 68
m g = =

E o diâmetro médio de área basal é então obtido por:

dg = \ (4 . 0,0968 / t ) = 30,1 cm.


c) Determinação da árvore média numérica


Na Tabela 15 é mostrado um exemplo de cálculo da árvore média
numérica. No exemplo, a árvore média numérica é obtida por:





Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

117
TABELA 14 – Determinação da árvore média de área basal

Classe
DAP
N
o

Árvore
G
(m
2
)
G Total
(m
2
)
10 - - -
12 - - -
14 2 0,0154 0,0308
16 6 0,0201 0,1210
18 11 0,0254 0,2794
20 21 0,0314 0,6594
22 32 0,0380 1,2160
24 42 0,0452 1,8984
26 57 0,0531 3,0267
28 66 0,0616 4,0656
30 67 0,0707 4,7378
32 59 0,0804 4,7478
34 55 0,0908 4,9940
36 64 0,1018 6,5152
38 44 0,1134 4,9896
40 36 0,1257 3,7710
42 24 0,1385 3,3240
44 31 0,1521 4,7151
46 25 0,1662 4,1550
48 20 0,1810 3,6200
50 18 0,1963 3,5334
52 14 0,2124 2,9736
54 11 0,2290 2,5190
56 7 0,2463 1,7241
58 2 0,2642 0,5284
60 2 0,2827 0,5654
Total 710 - 68,7061


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

118
TABELA 15 – Determinação da árvore média numérica

Classe
DAP
N
o

Árvore
No Árvore
Acumulado
10 - -
12 - -
14 2 2
16 6 8
18 11 19
20 21 40
22 32 72
24 42 114
26 57 171
28 66 237
30 67 307
32 59 363
34 55 418
36 64 482
38 44 526
40 36 556
42 24 580
44 31 611
46 25 636
48 20 656
50 18 674
52 14 688
54 11 699
56 7 706
58 2 708
60 2 710
Total 710 -

Localização = 710 / 2 = 426.

Por interpolação do número de árvores acumuladas (426) chega-se ao
diâmetro médio de 34,3 cm.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

119
3.6 Levantamento e análise de vegetação

3.6.1 Considerações gerais


Numa comunidade florestal constantemente ocorrem mudanças em sua
estrutura, fisionomia e composição florística, que perduram até que a floresta atinja
o estado clímax, quando as árvores acabam morrendo por causas naturais.
A análise estrutural é realizada quando intervenções estão sendo
planejadas para uma comunidade florestal e que resultarão em alteração na
diversidade florística, como por exemplo: área para mineração, área para
hidroelétrica, área de manejo e área para empreendimento.
Os objetivos da análise estrutural de floresta são os seguintes:
a) Manter a diversidade florística, se intervenções com base em regime de
manejo sustentado forem aplicadas na floresta.
b) Compreender como as espécies florestais vivem em comunidade.
c) Verificar a distribuição espacial de cada espécie na floresta.
d) Auxiliar na definição de planos de revegetação de áreas degradadas
com espécies nativas.

Os métodos de análise estrutural da floresta foram propostos, inicialmente,
por Cain & Castro(1956), constituídos da composição florística, estrutura
horizontal e vertical da floresta. Mais tarde outros parâmetros foram
implementados, como a estrutura dinâmica e espacial.

3.6.2 Composição florística

A composição florística indica o conjunto de espécies que compõem a
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

120
floresta. Nesse estudo, são relacionadas às espécies ocorrentes na floresta, com seu
respectivo nome vulgar, científico e família.
Para essa relação de espécies são determinadas as densidades absolutas e
relativas do número de espécies e gêneros que ocorrem na floresta.

3.6.3 Distribuição espacial das espécies

A definição da distribuição espacial das espécies que compõem uma
floresta nativa é uma informação extremamente importante para balizar o
manejador na definição de critérios de seleção das espécies a serem removidas da
população. O conhecimento desse tema, juntamente com a análise estrutural da
floresta, particularmente a densidade, aliado a outras informações como a estrutura
balanceada da floresta remanescente, pode viabilizar a elaboração e execução de
planos de manejo que tenham compromisso com a sustentabilidade da floresta.
O grau de dispersão das espécies, na área, pode ser obtido pelo Índice de
Morisita (IM), calculado pela expressão (Brower e Zar, 1977):

n . (EQ
2
– N)
IM =
__________________
N . (n – 1)

Sendo: n = número total de parcelas amostradas; N = número total de
indivíduos por espécie, contidas nas n parcelas; Q = número de indivíduos por
espécie e por parcela.

A dispersão de indivíduos em nível de espécie pode ser agregada,
aleatória ou uniforme, dependendo dos valores obtidos do índice de morisita. Para
IM > 1 a distribuição é agregada; para IM < 1 a distribuição é aleatória; e para IM
= 0 a distribuição é uniforme. Vale ressaltar que a distribuição uniforme é de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

121
ocorrência rara e que a grande maioria das espécies que compõem uma floresta
nativa tem padrão de distribuição agregado.
Para identificar a significância do índice de morisita é utilizado o teste de
qui-quadrado, obtido pela expressão:

n . EQ
2

_
2
=
_______________
- n
N

Se o índice de morisita não diferir significativamente de 1, o padrão de
distribuição das espécies é aleatório, o que ocorre quando o valor de _
2
calculado
for menor que o tabelar. Quando o _
2
calculado for maior que o tabelar, a espécie
apresentará um padrão de distribuição agregado ou uniforme..
O Quociente de Mistura, desenvolvido por Jentsch, em 1911, é usado
como fator de medição da intensidade de mistura das espécies na floresta ou como
um Fator de Heterogeneidade Florística.
O Quociente de Mistura é obtido por meio da seguinte expressão
(Foerster, 1973):

QM = NE / NI

Sendo: QM = quociente de mistura; NE = número de espécies; NI =
número de indivíduos.


3.6.4 Estrutura horizontal

A estrutura horizontal indica a participação de cada espécie na
comunidade, bem como a forma pela qual ela se encontra distribuída espacialmente
na área (Lamprecht, 1990).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

122
Para o estudo da estrutura horizontal são determinados os seguintes
índices:

a) Densidade

A densidade avalia o grau de participação das diferentes espécies
identificadas na composição vegetal.
Esse índice se refere ao número de indivíduos de cada espécie, dentro de
uma associação vegetal por unidade de superfície, sendo expresso por:

. Densidade absoluta

Indica o número total de indivíduos de uma espécie por unidade de área:

DA = n

Sendo: DA = densidade absoluta; n = número total de indivíduos
amostrados de cada espécie por hectare.

. Densidade relativa

Indica o número de indivíduos de uma espécie em relação ao total de
indivíduos de todas as espécies identificadas:

n
DR =
______
. 100
N

Sendo: DR = densidade relativa (%); N = número total de indivíduos
amostrados de todas as espécies por hectare; n = número total de indivíduos
amostrados de cada espécie por hectare.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

123
b) Dominância

A dominância é originalmente obtida pela projeção da copa dos
indivíduos sobre o solo. Devido à dificuldade para obter essa medida, ela é
substituída pela área basal, sendo expressa por:

. Dominância absoluta

Indica a soma das áreas basais dos indivíduos pertencentes a uma espécie,
por hectare:

DOA = Eg

Sendo: DOA = dominância absoluta, em m
2
/ha; g = área basal de cada
espécie, por hectare.

. Dominância relativa

Indica a porcentagem da área basal de cada espécie que compõe a área
basal total de todas as árvores e espécies, por unidade de área:

g
DOR =
_______
. 100
G

Sendo: DOR = dominância relativa (%); g = área transversal, em metros
quadrados; G= área basal de todas as espécies, em metros quadrados por hectare.

c) Índice de valor de cobertura

O Índice de Valor de Cobertura (IVC) de cada espécie é obtido pela soma
dos valores relativos de densidade e dominância, expresso por:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

124
IVC = (DR + DOR) / 2

Sendo: DR = densidade relativa; DOR = dominância relativa.

d) Freqüência

A freqüência expressa a uniformidade de distribuição horizontal de cada
espécie no terreno, caracterizando a sua ocorrência dentro das parcelas em que ela
ocorre, sendo expresso por:

. Freqüência absoluta

Expressa a porcentagem de parcelas em que cada espécie ocorre:
Número de parcelas com ocorrência da espécie
FA =
_____________________________________________________________

Número total de parcelas

. Freqüência relativa

É a porcentagem de ocorrência de uma espécie em relação à soma das
freqüências absolutas de todas as espécies:

FR
FR =
_______
. 100
EFR

Sendo: FA = freqüência absoluta da espécie; FR = freqüência relativa das
espécies.

e) Índice de valor de importância

O Índice de Valor de Importância (IVI) é uma combinação dos valores
relativos de densidade, dominância e freqüência, com a finalidade de atribuir uma
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

125
nota global para cada espécie da comunidade vegetal, o que permite uma visão
mais ampla da posição da espécie, caracterizando sua importância no
conglomerado total do povoamento, sendo expresso por:

IVI = (DR + DOR + FR) / 3

Sendo: DR= densidade relativa; DOR = dominância relativa; FR =
freqüência relativa.

3.6.5 Estrutura vertical

A análise da estrutura vertical da floresta pode fornecer um indício do
estágio sucessional em que se encontra cada espécie ou qual a espécie que poderá
compor o povoamento futuro.

a) Posição sociológica

Possibilita conhecer a composição florística dos distintos estratos da
floresta no sentido vertical. Normalmente, são considerados três estratos:
. Estrato superior é composto pelas árvores que apresentam altura total
(h
i
) superior a média aritmética das alturas (h) de todas as árvores medidas mais
um desvio padrão (s
h
).
. Estrato médio é composto pelas árvores cuja altura total estiverem
compreendidas entre a média aritmética menos um desvio padrão e a média
aritmética mais um desvio padrão.
. Estrato inferior é composto pelas árvores com altura total inferior à
altura média menos um desvio padrão.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

126
Os limites inferior e superior dos estratos podem ser determinados com
base na curva de freqüência acumulada do número de indivíduos por classe de
altura, estabelecendo-se o critério de que cada estrato deveria abranger 1/3 das
alturas. Os limites dos estratos são, então, determinados pelas alturas
correspondentes a 33,33 % e 66,66 % das freqüências acumuladas por classes de
altura.
A presença de uma espécie nos três estratos é um indício de sua
participação na estrutura da floresta, durante a fase de seu desenvolvimento, até a
clímax. Por outro lado, espécies que aparecem no estrato inferior indicam que se
desenvolvem na sombra, com portes arbustivo e herbáceo.
A presença das espécies nos estratos é medida pelo Valor Fitossociológico
(VF), expresso por:

Número de indivíduos no estrato
VF =
________________________________________________

Número total de indivíduos observados

O Valor absoluto da posição fitossociológica (PFA) de uma espécie é
obtido pela soma dos seus valores fitossociológico em cada estrato, multiplicados
pelo número de indivíduos da espécie no estrato:

PFA = | VF(E
i
) . n(E
i
) | + | VF(E
m
) . n(E
m
) | + | VF(E
s
) . n(E
s
) |

Sendo: PFA = posição fitossociológica absoluta da espécie considerada;
VF = valor fitossociológico do estrato; E
i
, E
m
, E
s
= estrato inferior, médio e
superior; n = número de indivíduos da espécie considerada.

A posição fitossociológica relativa (PFR) para cada espécie é calculada
em percentagem do seu valor absoluto em relação ao total dos valores absolutos de
todas as espécies, sendo expresso por:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

127

PFA
PFR =
_________
. 100
EPFA

b) Índice de valor de importância ampliado

Esse Índice de Valor de Importância Ampliado (IVIA) reúne os valores
obtidos na estrutura vertical, destacando a real importância fitossociológica da
espécie dentro da comunidade vegetal.
Uma espécie pode ter alto IVI e estar presente apenas no estrato superior,
no entanto, na dinâmica da população essa espécie pode não ser tão importante,
pois sua tendência é desaparecer naturalmente por não se estar reproduzindo e
regenerando no local. Essa informação pode ser melhorada associando-se o índice
de valor de importância à posição fitossociológica relativa, obtendo-se o índice de
valor de importância ampliado (IVIA):

IVIA = IVI + PFR

No entanto, existe espécies que por suas características vegetativas são
encontradas somente no estrato inferior, com pequenos diâmetros e alturas,
resultando um baixo IVI e IVIA, mas que podem ter grande importância ecológica.

3.6.6 Índice de similaridade e diversidade florística

a) Índice de Similaridade de Jaccard

O Índice de Similaridade de Jaccard (ISJ) permite a avaliação florística
entre as diversas áreas amostradas de mesma fisionomia, sendo expresso por:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

128
c
ISJ =
______________
. 100
a + b – c

Sendo: a = número de espécies da comunidade a; b = número de espécies
da comunidade b; c = número de espécies comuns.

b) Índice de diversidade de Shannon-Weaner

O índice de diversidade de Shannon-Weaner (IDSW) expressa a
diversidade de espécies das comunidades vegetais e pode ser calculado mediante
da fórmula:

n
i
n
i

IDSW = E
______
. ln
______
n n

Sendo: n
i
= número de indivíduos amostrados para a espécie i; n = número
total de indivíduos amostrados; ln = logarítmo neperiano.

Quanto maior for o valor de IDSW, maior a diversidade florística da
população em estudo. Esse valor pode variar entre 1 a 4,5.

c) Índice de Diversidade de Simpson (IDS)

O Índice de Diversidade de Simpson (IDS) descreve a diversidade
florística da população em estudo, sendo obtido pela fórmula:

IDS = E n
i
. (n
i
– 1) / (N . (N-1))

Sendo: n
i
= número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie, por
hectare; N = número total de indivíduos amostrados, por hectare.

O valor estimado de IDS varia de 0 a 1, sendo que para valores próximos
a 1 a diversidade é considerada menor.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

129
3.6.7 Estrutura espacial

A estrutura espacial é empregada para descrever o grau de ocupação do
espaço horizontal pelas copas, sendo medido sobre a superfície do solo.
A distribuição espacial dos indivíduos com a correspondente área de copa
permite uma visão conjunta do espaço ocupado pelas árvores, tanto no sentido
horizontal como vertical na floresta.
A representação da floresta por meio de perfis estruturais pode ser feita de
duas maneiras (Longhi, 1980):
a) Perfil bidimensional ou tradicional: é feito mediante da projeção
vertical e horizontal da copa das árvores, podendo representar os estratos da
floresta. Este tipo de perfil fornece uma visão espacial da distribuição das árvores
na floresta.
b) Perfil tridimensional: representa a composição e distribuição das
árvores na floresta em três dimensões: vertical, horizontal e profundidade. Esses
perfis são de maior eficiência do que os bidimensionais.
Concomitantemente, é feito uma projeção da copa das árvores sobre o
espaço horizontal, dando uma noção do grau de ocupação do espaço e da
concorrência entre os indivíduos da floresta.
O estudo da estrutura espacial pode ser feito por classe de diâmetro, por
estrato ou para toda a população.
Para obtenção da projeção vertical e horizontal das árvores num perfil há
necessidade de se ter às coordenadas dos indivíduos na unidade amostral ou
população, além de funções de regressão que permitam a estimativa do diâmetro de
copa das espécies que compõem a floresta.
Para isso, Longhi (1980) determinou regressões para estimar o diâmetro
da copa em função do diâmetro tomado a 1,30 metros do nível médio do solo, para
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

130
Araucaria angustifólia. E espécies folhosas, de uma floresta natural localizada em
são João do triunfo, no estado do Paraná, tendo obtido as seguintes equações:
a) Para Araucaria angustifolia (R
2
= 0,85):

DC = 0,12755 + 0,23261 . d

b) Para espécies folhosas (R
2
= 0,67):

DC = -1,59222 + 0,35060 . d – 0,00187 . d
2

Sendo: DC = diâmetro de copa, em metros; d = diâmetro à altura do peito,
em centímetros.

O mesmo autor observou que não houve diferença relativa acentuada entre
a área basal e a área de projeção das copas das espécies, com exceção da imbuia
(Ocotea porosa), o que justificou pelo fato dessa espécie possuir muitos indivíduos
senis (grandes diâmetros) com copas danificadas. Por causa disso, é possível
substituir a projeção das copas pela área basal do tronco para os cálculos da
dominância das espécies, além de ser obtida com mais facilidade e menor erro.

3.6.8 Exemplo da dinâmica numa floresta natural heterogênea

Para conhecer a dinâmica de crescimento de uma floresta é necessário
estudar a estrutura etária, o crescimento e a regeneração.
Nesse sentido, Seitz (1991) estudou a dinâmica da Araucaria angustifolia
e das folhosas associadas para conhecer as características auto-ecológicas das
espécies.
Para analisar a estrutura etária e o crescimento, o método mais simples a
ser utilizado é a análise dos anéis anuais de crescimento no tronco, com o que é
possível determinar a idade das árvores e o crescimento anual.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

131
Seitz (1991), para a análise de uma floresta mista com Araucaria
angustifolia que, sabidamente, não sofrera intervenção humana, localizada em
Lages-SC, utilizou duas subamostras de 3.000 m
2
, nas quais estavam presentes 29
araucárias com altura acima de 1,3 m. Após a classificação das árvores em classes
sociológicas, determinou-se suas idades e medido o raio desde a medula até o
limite do vigésimo anel, conforme mostra a Tabela 16.

TABELA 16 - Estrutura etária e crescimento radial juvenil das araucárias, em uma
floresta natural na região de Lages-SC.
Classe
sociológica
Idade
(anos)
Crescimento radial até os 20 anos (cm / 20 anos)
Médio Mínimo Máximo
Dominante 194-254 2,0 0,9 3,9
Intermediária 154-173 0,6 0,5 0,7
Dominada 23-93 0,7 0,4 1,2
Fonte: Seitz (1991)

O autor observou uma nítida estratificação também da idade das árvores,
associada à classificação sociológica. As árvores dominantes eram mais velhas,
com idade média em torno de 165 anos. A variação de idade foi maior entre as
árvores dominadas, com média de idade de 60 anos, e maior em árvores muito
jovens (23 anos).
Também com relação ao crescimento na fase jovem (primeiros 20 anos),
as árvores dominantes se destacaram, apresentando um crescimento três vezes
maior do que o medido nas árvores intermediárias e dominadas. Isso mostrou que
as condições de crescimento das árvores dominantes foram distintas das
encontradas pelas plantas jovens, estabelecidas posteriormente.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

132
A análise de tronco de espécies folhosas associadas às araucárias foi
realizada em 8 espécies por apresentarem anéis anuais de crescimento bem
definidos: canela-lageana (Ocotea pulchella Mart.), canela-preta (Nectandra
megapotamica (Spreng.) Mez), canela-guaicá (Ocotea puberula Nees), cedro
(Cedrela liloi C. Dc.), camboatá (Cupania vernalis Camb.), miguel-pintado
(Matayba elaeagnoides Randlk.), canela-de-veado (Helietta apiculata Benth.) E
carne-de-vaca (Styrax leprosum Hook. et Arn.). Essas espécies, presentes nos
vários estratos da floresta, mostraram características de crescimento distintas,
independente dos diâmetros dos troncos. A canela-lageana estava na mesma faixa
etária das araucárias dominantes, enquanto o miguel-pintado estava associado com
as intermediárias. As demais espécies estavam na mesma faixa etária das
araucárias dominadas.
Porém, distintas das araucárias da classe dominada, três espécies
(Nectandra megapotamica, Ocotea puberula e Cedrela liloi) apresentaram um
crescimento inicial em diâmetro muito superior, com médias de 3,0, 0,7 e 4,3
cm/20 anos, respectivamente. A Ocotea pulchella, que está presente com as
araucárias no estrato dominante, teve um crescimento médio nos primeiros 20 anos
de apenas 1,3 cm.
Com relação a Araucaria angustifolia, Seitz (1991) formulou a hipótese
da relação entre a vitalidade com a forma de sua copa, da seguinte forma:
a) As copas parabolóides ou hemisféricas indicariam árvores jovens de
grande vitalidade.
b) As copas em forma de taça indicariam árvores senis ou de pouca
vitalidade.
c) As copas planas indicariam árvores da posição intermediária.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

133
Com a análise das copas das árvores de diferentes classes sociológicas e
idades na floresta natural, é possível detectar novamente o ritmo de crescimento e
sua dependência da idade, conforme mostra a Tabela 17. As árvores dominantes,
mais velhas, apresentam o maior intervalo de tempo entre a formação de novos
pseudoverticilos quando comparados às mais jovens.

TABELA 17 – diferença de idade entre pontos a alturas distintas com relação aos
dois últimos pseudoverticilos da copa de araucária
Posição Classe
Sociológica
Número de anéis
Média Mínima Máxima
1
o
ao 2
o
pseudoverticilo
Dominante 5,7 1 13
Intermediário 4,8 2 8
Dominado 3,5 0 7
Fonte: Seitz (1991)

Conforme apresentado na Tabela 17, em um dado momento, no início do
período vegetativo, a gema apical inicia seu desenvolvimento, culminando ao final
do período vegetativo com a formação de um pseudoverticilo e uma gema apical.
Em árvores jovens pode, inclusive, ser formado mais de um pseudoverticilo
durante um período vegetativo. Em casos isolados, a gema apical pode desenvolver
de 5 a 10 cm em um período vegetativo, sem formar o pseudoverticilo. Apenas no
período seguinte, ou depois de dois ou mais períodos, finalmente é formado novo
pseudoverticilo.
Paralelamente aos esforços para compreender a dinâmica das florestas
naturais, urge concentrar a atenção sobre as técnicas próprias para implantar e
conduzir a regeneração artificial de Araucaria angustifolia. Embora na floresta
natural o número de indivíduos adultos por hectare seja bastante reduzido, em
função do espaço ocupado pelas copas, o estabelecimento de povoamentos novos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

134
deve ser feito com um número elevado de plantas, para garantir um mínimo de
homogeneidade após os tratos silviculturais.
Uma série de fatores influem na heterogeneidade dos povoamentos
jovens, sendo provavelmente o genótipo um dos mais importantes. Para superar
esta heterogeneidade, é prática comum estabelecer os povoamentos por semeadura
direta, utilizando-se 3 a 4 sementes por cova. Após um ano é selecionada a melhor
planta em cada cova, eliminando-se as demais. Isso equivale a uma seleção de 25 a
33 %. Mesmo assim, os povoamentos ainda apresentam heterogeneidade que se
manifesta em relação ao crescimento em altura e à formação de pseudoverticilos.
Normalmente, as árvores que conseguem formar um maior número de
galhos, provavelmente, tenham uma maior taxa fotossintética, e com isto, maior
crescimento, permitindo deduzir que as árvores com o maior número de
pseudoverticilos irão dominar o futuro povoamento.

3.6.9 Índice de distribuição espacial e competição

Segundo Condes e Martinez-Millan (1998) um povoamento florestal pode
enquadrar-se em um dos seguintes tipos de distribuição espacial:
a) Aleatória: nessa distribuição as árvores estão distribuídas ao acaso em
todo o espaço disponível. Não existe nenhum tipo de interação entre as mesmas.
Para esse tipo de distribuição espacial devem ser atendidas duas condições:
- Todos os espaços tem a mesma probabilidade de ser ocupado por uma
árvore.
- A presença de um indivíduo em certo ponto não afeta a localização de
outro indivíduo.
Esses padrões espaciais são representados matematicamente pela
distribuição de Poisson.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

135
b) Regular: nesse tipo de distribuição as árvores tem tendência a manter
uma distância mais ou menos constante entre si. Surge como conseqüência de um
reflorestamento ou como resposta a uma forte competição.
A representação matemática desse processo é a distribuição uniforme ou
sistemática (Penttinen et al., 1992).
c) Em agregados: esse tipo de distribuição ocorre da interação entre as
árvores que compõem a população florestal, ou como falta de homogeneidade do
terreno, aparecendo grupos de árvores alternadas e com espaços abertos. Esse tipo
de distribuição denomina-se contagioso ou com agregados e/ou “cluster”.
A representação matemática mais simples desse tipo de distribuição é uma
função dupla Poisson ou Newman tipo A (Pielou,1977).

3.6.9.1 Índice de competição de copa

A determinação do espaço horizontal do povoamento tem sido
preocupação de vários pesquisadores em conseqüência sua relação com o volume e
dimensão das árvores. Em florestas mistas inequiâneas, esta determinação é por
vezes complexa e imprecisa devido à diversidade de espécies, dimensões e hábitos
de crescimento das árvores.
Um dos primeiros pesquisadores a descrever o espaço horizontal,
mediante a densidade de copa, foi Ashe apud Schneider (1993) que a definiu como
o espaço horizontal do terreno ocupado pela copa das árvores. Embora muito
utilizado esse valor já era considerado pouco adequado por Spurr (1952), por não
fornecer boas estimativas da área das copas, quer seja na floresta ou em fotografias
aéreas.
Vários pesquisadores têm estudado as relações entre diâmetro de copa e
diâmetro da árvore; e diâmetro da árvore com o diâmetro e altura da copa.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

136
Dentre os pioneiros estão Krajicek et al.(1961) que expressaram a
densidade pela relação entre a área de projeção das copas que árvores de mesmo
DAP teriam se crescessem isoladas (PCI) e a área do terreno que ocupam (S),
denominado-o de Fator de Competição das Copas – FCC, o qual é expresso por:

E PCI
FCC =
_______________

S

Para expressar a densidade, Chisman & Schumacher (1940) propuseram
uma medida de densidade relativa baseada no espaço ocupado por uma árvore,
mediante a relação:

S
i
= b
0
+ b
1
.d
i
+ b
2
. d
i
2

Sendo: S
i
= superfície de copa da árvore i; d
i
= diâmetro à altura do peito
da árvore i, em centímetros.

A expressão da superfície de copa por hectare é obtida pela soma das
superfícies de todas as árvores (ST):

ST = E Si = b
0
. N + b
1
. E d
i
+ b
2
. Ed
i
2


Sendo: N = número de árvores/ha.

Os coeficientes b
0
, b
1
e b
2
são calculados sobre dados amostrados em
unidades amostra de densidade completa, assumindo-se a área de 1 hectare.
Outros autores descrevem a competição como função do comprimento da
copa, altura da copa, diâmetro, posição sociológica e tendência de crescimento,
originando índices distintos cujo emprego se dá segundo a conveniência e
disponibilidade de dados.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

137
Alguns deles são caracterizados como índices de densidade de competição
pontual (Prodan et al., 1997):

3.6.9.2 Índices independentes da distância

Esses índices baseiam-se em variáveis dendrométricas obtidas das
medições das árvores dos povoamentos.

a) Índice de Glover e Hool (1979)

d
i
2

I
GH
=
_______

d
2

Ou de maneira similar:

h
i

I
1
=
_______
h
e

d
i
2
. h
i

I
2
=
___________

d
2
. h


Sendo: d
i
= diâmetro da árvore considerada, em centímetros; d =
diâmetro médio do povoamento, em centímetros; h
i
= altura da árvore considerada,
em metros; h = altura média do povoamento, em metros.

b) Índice de BAL (Basal Area Larger)

G
BAL =
_______
g

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

138
ou

b
BAL =
_______
L
Sendo: G = área basal por hectare; g = área basal da árvore considerada; b
= diâmetro de copa; L = comprimento de copa.

3.6.9.3 Índices dependentes da distância

Esses índices relacionam a distância entre uma árvore elegida ao acaso e
sua vizinha mais próxima com a distância entre um ponto situado ao acaso e a
árvore mais próxima.

a) Índice de Arney (1973)

I
A
= 100 . (E a
ij
+ CA
i
) / CA
i


Sendo: CA
i
= área da copa da árvore i, supondo que cresce em
liberdade; a
ij
= área de sobreposição entre a árvore i e o competidor j.

Caso, I
A
for igual a 100, a árvore está isolada.

b) Índice de Bella (1969)
a
ij
d
j

I
B
= E
________
.
________
A
i
d
i


Sendo: a
ij
= área de sobreposição entre a árvore i e o competidor j; A
i
=
soma de influência da árvore i; d
i
e d
j
= diâmetro da árvore i e j, respectivamente.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

139
c) Índice de Ek e Monserud (1974)

R
j
h
j

I
EM
= E ( a
ij

__________
) / CA
i

R
i
h
i


Sendo: h
i
= altura da árvore considerada, em metros; h
j
= altura da árvore
competindo, em metros; R
i
e R
j
= raio médio da árvore considerada e competidora,
em metros, respectivamente; CA
i
= área da copa da árvore i, supondo que cresce
em liberdade, sendo CA uma função do diâmetro.

d) Índice de Hegyi (1974)

d
i

I
h
= E (
__________
) / L
ij

d
j


Sendo: d
i
e d
j
= diâmetro da árvore considerada e concorrente, em metros,
respectivamente; L
ij
= distância até o competidor j.

e) Índice de Hopkins e Skellam (1954)

Esse índice se baseia no fato de que se a distância espacial é aleatória, a
distribuição das distâncias entre pontos e árvores é idêntica a distribuição das
distâncias entre árvores. Com o fundamento define-se o seguinte índice:
I
d
i 1
n
d
i 1
n
HS
pt
2
tt
2
=
=
¿
=
¿

Sendo: d
tt
= distância entre uma árvore selecionada ao acaso e sua vizinha
mais próxima; d
pt
= distância entre um ponto situado ao acaso sobre o terreno e a
árvore mais próxima; n = número de pontos tomados ao acaso.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

140
A seleção aleatória do ponto i para a medição da distância d
pt
e a seleção
da árvore para a medição da distância d
tt
devem ser independentes entre si. Esse
índice assume valores inferiores a 1 no caso de distribuição de tipo regular e
superior a 1 em tipos irregulares.

f) Índice de Byth e Ripley (1980)

Esses autores propuseram a seguinte modificação no Índice de Hopkins e
Skellam:

¿
=
+
=
n
1 i
2
tt
2
pt
2
pt
BR
d d
d

n
1
I

Condes e Martinez-Millan(1998) em estudo realizado, nas florestas da
Espanha, sobre comparação de vários índices de distribuição espacial, concluíram
que o índice de Byth e Ripley é o mais adequado para descrever as populações
florestais.

g) Índice de Batcheler (1971)

Esse índice é semelhante ao índice proposto por Hopkins; entretanto,
nesse caso, não existe independência entre as medições d
pt
e d
tt
. O modo de
calculá-lo é relacionar um ponto ao acaso no terreno e buscar a distância entre a
árvore mais próxima (d
pt
), e a distância até o vizinho mais próximo (d
tt
) que é
medida desde essa árvore:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

141
I
d
i 1
n
d
i 1
n
B
pt
tt
=
=
¿
=
¿


Supostamente, uma distribuição das árvores de tipo regular dá como
resultado valores de índices mais baixos que uma distribuição com agregados.

h) Índice de Holgate (1965)

Esse autor propôs dois índices que seguem as mesmas distribuições que os
índices de Hopkins e Skellam e Byth e Ripley:
I
d
i 1
n
d
i 1
n
HN
pt
2
p2t
2
=
=
¿
=
¿

e,
I
d
i 1
n
d d
i 1
n
HF
pt
2
p2t
2
pt
2
=
=
¿
÷
=
¿


Sendo: d
p2t
= distância até a segunda árvore mais próxima.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

142
I) Índice de Clark e Evans (1954) apud Prodan(1997)

Esse índice necessita da densidade da população expressa como número
de árvores por hectare e uma amostra de n valores da distância entre uma árvore
selecionada ao acaso e sua vizinha mais próxima.
Sendo que
tt
d o valor médio das n distâncias e p o número de árvores por
hectare, tem-se no caso de uma distribuição espacial aleatória tem-se que
tt
d segue
uma distribuição normal com média
-1
) p 2 ( . Como o índice de não-aleatoriedade
se toma o cociente entre o valor observado da distância mínima média e o valor
médio esperado.
Esse índice é obtido pela expressão:

I 2 d p
CE tt
=

Sendo: d
tt
= razão da distância mínima média sobre o valor médio
esperado; p = número de árvores por hectare.

No caso de população aleatória o I
CE
assume o valor 1 e em população
com agregados o valor I
CE
é menor que 1.

J) Índice da Área Potencial Disponível (APA)

Brown (1965) introduziu o índice chamado APA, que corresponde à idéia
de uma área potencialmente disponível, como medida de densidade potencial. A
APA representa um polígono irregular construído ao redor da árvore avaliada,
formada por lados perpendiculares à linha que a une com as árvores vizinhas
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

143
eqüidistantes da árvore avaliada. Todos os polígonos limitam-se entre si, de
maneira que a soma de suas áreas é igual ao total da superfície.
Sthör (1963) propôs que as distâncias das perpendiculares que constituem
os lados do polígono sejam proporcionais aos diâmetros e não-eqüidistantes à
árvore avaliada e às competidoras para cálculo desse índice, dado por:

L
R
d
i

________
=
__________

L
IJ
d
i
+ d
j

Sendo: L
R
= distância entre a árvore considerada e a perpendicular; L
IJ
=
distância entre a árvore considerada e a competidora j; d
i
= diâmetro da árvore
considerada; d
j
= diâmetro da árvore competidora.

Moore et al. (1973) modificou a relação de distância, elevando ao
quadrado o diâmetro dos indivíduos, dado que os polígonos individuais não se
sobreponham, sendo essa nova relação expressa por:
d
i

I
R
=
______________
. L
IJ

d
i
2
+ d
j
2

Como forma de descrever o crescimento das árvores e do povoamento sob
diferentes graus de competição, idade, dimensões e posição sociológica das
árvores, entre outras, surgiram os modelos de prognose de árvores individuais, os
quais podem ser baseados em modelos estatísticos empíricos ou em modelos
ecofisiológicos. A estimativa do crescimento do povoamento é, então, obtida pela
soma do crescimento de cada árvore do povoamento.
De acordo com a forma de obtenção dos dados para descrever o
crescimento das árvores individuais, se forem conhecidas suas coordenadas, podem
ser construídos modelos de simulação dependentes ou independentes da distância
(Munro, 1974).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

144
3.6.9.4 Índice baseado no espaço ocupado pelas árvores

Esse índice é obtido pela sobreposição sobre a superfície que se está
estudando, de unidades amostrais de forma e tamanho prefixado, contabilizando o
número de árvores que caem dentro de cada unidade. Pode-se afirmar que o
número de árvores em cada unidade é uma medida da densidade da população. A
variância dessa densidade depende do tipo de distribuição espacial dos indivíduos.
Nesse caso, supõe-se um processo de Poisson (distribuição aleatória), para
isso Fisher et al. (1992) sugerem o seguinte índice:

x
S
x
n
i
2
1
i
n
1 i
2
i i
F
x 1) - (n
) x - (x n
I = =
¿
¿
=
=


Sendo: n = número de unidades amostra; x
i
= número de árvores na
unidade i.

Valores do índice superiores a 1 são indicativos de distribuição com
agregados e inferiores a 1 indicam distribuição do tipo regular.
O resultado desse índice é muito influenciado, tanto pelo tamanho como
pela forma das unidades amostrais (Pielou, 1977).

3.6.9.5 Índice baseado na manipulação das árvores

Esse índice requer, para o seu desenvolvimento, contar com dados das
posições de todas as árvores dentro de uma superfície suficientemente extensa. Os
dados desse tipo são, por outro lado, os mais representativos, mas também os de
maior custo.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

145
Os estudos baseiam-se geralmente na distribuição de distância entre todos
os pares de árvores. Utiliza-se a função acumulada das distâncias como ferramenta
de análise, conhecendo-se como função k de Ripley ou simplesmente de função k
(Ripley, 1981).
Existe também a possibilidade de realizar estudos de correlação espacial e
estudos conhecidos como “processos de pontos marcados”, não só nas distâncias
entre árvores, mas também alguma variável característica deles (diâmetro ou
altura).

3.7 Regeneração natural

No estudo da regeneração natural de uma floresta, são considerados todos
os indivíduos com diâmetro inferior ao estabelecido no inventário do estrato
arbóreo, que normalmente é fixado em 5 ou 10 cm. Para oestudo da regeneração
natural são utilizadas subunidades amostrais instaladas dentro das unidades
amostrais empregadas para a amostragem do estoque de crescimento e de
exploração. O tamanho, a forma e a intensidade amostral estão na dependência das
características da floresta, em relação à diversidade florística e a variação da
característica de interesse entre unidades amostrais.
No estudo da regeneração natural são estimados os parâmetros absolutos e
relativos da densidade e da freqüência para cada espécie, conforme expressões a
seguir (Scolforo, 1977):

a) Densidade absoluta para a i-ésima espécie

DA
i
= N
i
/ A

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

146
b) Densidade relativa para a i-ésima espécie

DR
i
= ( DA
i
/ DAT ) . 100

c) Freqüência absoluta para a i-ésima espécie

FA
i
= ( NUi / NUT ) . 100

d) Freqüência relativa para a i-ésima espécie

FR
i
= ( FA
i
/ FAT ) . 100

Sendo: A = área da unidade de amostra; DAT = soma de todas as
densidades absolutas; FAT = soma de todas as freqüências absolutas; NU
i
=
número de unidades amostradas com a espécie i; NUT = número total de unidades
amostradas; N
i
= número de indivíduos amostrados da i-ésima espécie.

Outro parâmetro da regeneração natural, que pode ser calculado, é a
Classe de Tamanho da Regeneração Natural, determinado por intermédio da
fórmula:

VF
j
= ( N
ij
/ NIT ) . 100

Sendo: VF
j
= valor fitossociológico na j-ésima classe de tamanho; N
ij
=
número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho; NIT =
número total de indivíduos.

Com os valores fitossociológico para as diferentes classes de tamanho em
altura, pode-se determinar os valores das classes de tamanho, mediante a fórmula:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

147
CTARN
i
= |( VF1. NI1
i
) + (VF2 . NI2
i
) + (VF3 . NI3
i
) + (VF4 . NI4
i
)|

CTRRN
i
= ( CTARN
i
/ SOMACTA ) . 100

Sendo: CTARN
i
= classe de tamanho absoluta da regeneração natural para
a i-ésima classe de tamanho; NI1
i
= número de indivíduos amostrados da i-ésima
espécie na i-ésima classe de tamanho; CTRRNi = classe de tamanho relativa a i-
ésima espécie; SOMACTA = soma das classes de tamanho absolutas.

A importância de cada espécie no estoque de regeneração, nível de
densidade, nível de distribuição e de posição sociológica, podendo ser
determinadas por meio da média da soma da densidade relativa (Dri), freqüência
relativa (Fri) e classe de tamanho relativa da regeneração natural (CTRNi), sendo
denominada de Regeneração Natural da classe i, obtida pela fórmula:

RN
i
= ( DR
i
+ FRi + CTRRN
i
) / 3
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

148
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

149


IV - AVALIAÇÃO DE RENTABILIDADE, ROTAÇÃO E BENEFÍCIOS

4.6.1 Introdução

O objetivo de conhecer profundamente a economia empresarial reside na
possibilidade de avaliar a economicidade de investimento. Uma medida
empresarial é considerada econômica quando preenche dois requisitos: servir para
atingir os objetivos da empresa; existir uma relação ótima entre despesas e receitas,
custos e produção.
Isto pressupõe que a avaliação contemple os dois componentes: custos e
produção, despesas e receitas, para que se possa tomar decisões racionais e julgar
as medidas econômicas. Uma correta avaliação de todos os processos na empresa
é, portanto, um instrumento de condução e controle da atividade empresarial.
Segundo Schmalenbach apud Speidel (1967) fazer economia (administrar) é
avaliar, ponderar e decidir.
Em economia, o termo valor é definido como uma expressão da
capacidade de um bem ou serviço de satisfazer necessidades humanas e
econômicas. O valor é geralmente medido em moeda, podendo ser determinado
para bens materiais, serviços, bens imateriais e direitos. O valor de bens de
serviços que foram utilizados para um determinado fim na empresa podem ser
determinados da mesma forma que o valor da produção empresarial que é
consumida no mercado. Conforme o objetivo a ser avaliado fala-se, por exemplo,
de valor do solo, povoamento, instalações, empresa, máquinas, etc.
O valor não é uma grandeza ou uma propriedade imutável, tem
diferenças entre o valor do mercado, valor de aquisição, valor de substituição, etc.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

150
Em cada um desses casos, o valor é sob um ponto de vista ótico diferente, podendo
para um mesmo objetivo ou serviço ser variável.
No desenvolvimento histórico das ciências econômicas três teorias de
avaliação ganharam importância:
a) Teoria objetiva: considera o valor como uma propriedade absoluta e
praticamente imutável.
b) Teoria subjetiva: considera o valor simplesmente como uma
expressão da preferência do indivíduo.
c) Teoria gerundiva: considera o valor em relação ao objetivo que estes
bens ou serviços devem preencher. Neste caso, o valor também não é uma
grandeza absoluta, mas uma função do objetivo. Ao contrário do valor subjetivo, o
valor gerundivo considera empresas ou bem estar geral como fator de avaliação. O
preço de mercado é a expressão da influência da avaliação empresarial e do bem
estar geral, sendo o valor é considerado sempre como preço atual de mercado.
As teorias objetiva e subjetiva são incompletas, porque a primeira não
considera a satisfação de necessidades humanas, e na segunda porque os bens
podem servir para diversas finalidades.
Nem todos os tipos de produção na empresa, como, por exemplo, à
purificação do ar ou o combate à erosão, proporcionados por uma empresa florestal
tem um valor de mercado. Nestas circunstâncias, deve-se trabalhar com grandezas
auxiliares. A introdução da escala empresarial e do bem estar geral tornou mais
fácil à fixação de valores. Portanto, a teoria gerundiva deve ser à base das
avaliações. Às vezes as avaliações devem seguir os preceitos legais e/ou levar em
consideração a tradição popular.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

151
4.6.2 Avaliação do solo florestal

A avaliação do solo florestal para objetivos empresariais pode ser feito
segundo os incrementos, como o Valor de Produção do Solo ou o Valor
Esperado do Solo. Com certo grau de relação com a produção, existe também, o
Valor de Transação do Solo que se expressa no preço de mercado.

4.6.2.1 Valor de produção do solo

O valor da produção do solo baseia-se no levantamento das receitas que
ocorrem num hectare de determinado solo, durante um período normal de produção
numa rotação. As despesas efetuadas para produção devem ser deduzidas das
receitas. As receitas de um hectare são compostas pelo valor do corte final e pelo
valor dos desbastes em diferentes idades. Deve ser computado também qualquer
outra receita que ocorra durante o período de rotação.
As despesas para obtenção de um povoamento unitário (hectare) na idade
zero são compostas pelos custos de implantação ou culturais (preparo do solo,
aquisição de sementes, compra ou produção de mudas, plantio e tratos culturais).
Na exploração ocorrem custos que, de preferência, são subtraídas da receita de
forma a se obter receitas livres de custos de exploração. Anualmente, ocorrem
custos de administração compostos por custos de pessoal, custos de material,
eventualmente aluguéis, luz, telefone, etc.
Na Figura 19, observa-se as diferenças das receitas e das despesas em
função do tempo. A primeira receita, já livre de custos de exploração ocorre na
idade “a”, e mal cobre os custos de administração. Para comparar as receitas e as
despesas deve-se tomar em conta todos os valores num determinado momento, de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

152
preferência na idade de rotação. Nas receitas e despesas considera-se os juros
compostos até a idade “r”.










FIGURA 19 - Ocorrência dos custos e receitas no desenvolvimento do
povoamento.

Economicamente, as receitas e despesas podem ser representadas através
das seguintes fórmulas:

Receitas:

q r
q
b r
b
a r
a r
.1,0i N ... .1,0i D .1,0i D A
÷ ÷ ÷
+ + + +

Despesas:

1) V.(1,0i C.1,0i
r r
÷ +
Sendo: i = taxa de juro; V = capital do custo de administração.
O capital do custo de administração é obtido pela expressão:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

153
1,0i * V ou v
0,0i
v
V = =


Portanto, o “v” é o juro dos custos de administração.
No início, ou para qualquer idade “r”, o capital dos custos de
administração é deduzido da seguinte maneira:

1 r 2 1
v.1,0i ... v.1,0i v.1,0i v
÷
+ + + +

Sendo: v = custo de administração por hectare e ano, igual aos juros
anuais do capital dos custos de administração; C = custo de cultura, por hectare; D
a

= receitas do desbaste na idade “a”, em moeda/ha; D
b
= receitas do desbaste na
idade “b”, em moeda/ha; N
q
= receitas secundários livres de custos de exploração
na idade “q”, em moeda/ha; A
r
= valor do corte final na idade “r”, em moeda/ha; e,
r = rotação, em anos.

Colocando-se em evidência "v", obtém-se que:

1 r 2 1
1,0i ... 1,0i 1,0i v.(1
÷
+ + + +

Conhecendo-se a progressão:

1 > q para
1 q
1) a.(q
r
÷
÷


Assim, têm-se que:

0,0i
1) v.(1,0i
1 1,0i
1) v.(1,0i
r r
÷
=
÷
÷


Como o capital do custo de administração é igual a:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

154
0,0i
v
V =

Substituindo-se este valor na expressão anterior têm-se que:

1) v.(1,0i
0,0i
1) i V.0,0i(1,0
r
r
÷ =
÷


A receita líquida é a diferença entre as receitas brutas e despesas. Este
rendimento líquido corresponde a uma renda periódica e eterna, que ocorre a
primeira vez na idade “a” e depois sempre a cada “t” anos. Como pré-requisito
deve-se supor que se implanta sempre a mesma espécie e que a produtividade do
solo, bem como os rendimentos e as despesas, permaneçam constantes. Estas
receitas e despesas periódicas e eternas podem ser capitalizadas e o valor do capital
representa o Valor da Produção do Solo, também conhecido de Valor Esperado
da Terra (VET), expresso por:
1 1,0i
1) V.(1,0i C.1,0i .1,0i N ... .1,0i D .1,0i D A
B VET
r
r r q r
q
b r
b
a r
a r
÷
÷ ÷ ÷ + + + +
= =
÷ ÷ ÷


Esta fórmula foi desenvolvida por KÖNIG, em 1813. Porém, em 1849,
foi implementada por Faustmann, e entrou para a história da economia florestal
como Fórmula de Faustmann. Esta fórmula é matematicamente correta, porém,
na prática, está sujeita a certas influências, tais como:
a) Trata-se de uma renda periódica e eterna, supõe-se todos os preços e
custos futuros, os quais são imprevisíveis. Não se sabe como serão os preços no
futuro, por isso, parte-se da situação atual dos preços, os quais com o tempo estão
sujeitos a inúmeras modificações.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

155
b) Supõe-se, ainda, rendas uniformes que fornece uma espécie, em forma
de monocultura, com rotação constante. Os incrementos podem alterar-se
principalmente quando baixa a produtividade, que para mantê-la uniforme exige-se
maiores despesas com adubação e outros melhoramentos;
c) Quando o povoamento já está implantado, calcula-se a partir deste. Isto
não significa que uma outra espécie não poderia dar rendas maiores. Este fato
causou na Europa a procura de uma espécie que possibilitasse maior renda (Picea
excelsa), e no Brasil, pelos mesmos motivos, as monoculturas extensas de Pinus e
Eucalyptus;
d) Quando não existe um povoamento, precisa-se fazer comparações
análogas, avaliando povoamentos vizinhos, do mesmo sítio e determinar os
sortimentos que se obterão durante os diversos períodos;
e) O uso da fórmula é dificultado quando existir diferentes rotações e
taxas de juros.
O valor de produção do solo é diretamente proporcional a magnitude das
receitas dos desbastes, corte final e produtos secundários e, inversamente
proporcional aos custos de implantação, administração e taxa de juros. O valor do
rendimento do solo decresce com o aumento da taxa de juros.
Na dependência da grandeza do período de rotação obtém-se um ponto
de máxima, a uma determinada taxa de juro, conforme é demonstrado na Figura
20.
Na Figura 20, verifica-se que a partindo da rotação de 30 anos, o valor
de B cresce, pois o valor do numerador, devido à alta produtividade de
povoamento jovens, cresce mais que o denominador. Mais tarde, devido a menores
incrementos os valores crescentes do numerador são sombreados pelos acréscimos
do valor do denominador.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

156












FIGURA 20 - Valor da expectativa de produção do solo na dependência da rotação
e taxa de juros

A variação do valor da produção do solo com a rotação fez com que
surgisse a chamada rotação financeira.
Observa-se também que modificações na taxa de juros redunda em
modificações do período de rotação financeira. O valor da produção do solo, na
dependência da idade e taxa de juros, pode ser negativo e, portanto, não serve para
definir o preço de venda de madeira. De qualquer forma, pode ser de uso exclusivo
nas empresas para definir o valor da produção, definição do preço e julgar a
rentabilidade dos solos.

4.6.2.2 Valor de transação do solo

O valor de transação do solo como se apresenta no mercado de imóveis
somente raras vezes serve como base de comparação para avaliação florestal, pois
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

157
os preços não estão relacionados com a capacidade de produção florestal. No caso
brasileiro, limita-se ao comércio de imóveis, principalmente, na compra/venda de
áreas com finalidade florestal de uso agrícola. Por isto, não existe uma avaliação
separada de povoamentos e solo, mas simplesmente, formam-se os preços
conforme a situação, infra-estrutura, topografia, etc. O valor da madeira é
computado somente para cobrir as despesas de derrubada e pagar parcialmente o
imóvel, isto quando do ponto de vista econômico o aproveitamento da madeira for
realístico.

4.6.3 Avaliação de povoamento florestais

O valor de um povoamento, em função do objetivo da avaliação e da
idade do mesmo, pode ser determinado como:
Valor da exploração;
Valor do custo do povoamento;
Valor da expectativa de produção;
Valor da rentabilidade da floresta; e outros.

4.6.3.1 Valor da exploração

O valor da exploração é o valor comercial do estoque de madeira, ou parte
do mesmo, menos os custos de exploração. É um valor válido para povoamentos
que possuem sortimentos comerciais.
O valor da exploração é utilizado livre dos custos de exploração, ou seja,
descontado dos custos de abate, traçamento, descasque e transporte. O custo de
transporte sempre deve ser diminuído do valor, que é uma questão de acordo entre
as partes.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

158
Para determinar este valor precisa-se levantar o volume em pé, e a sua
distribuição em sortimentos, o preço no mercado, o custo de exploração, a extração
e comercialização. Para isto, pode-se aproveitar valores tabelados para verificar a
distribuição percentual dos sortimentos para certa espécie e sua classe de sítio. Na
inexistência de tabelas, pode-se usar valores de experiência da empresa ou de
empresa com situação semelhante.
Generalizando, pode-se determinar o valor da exploração segundo a
seguinte fórmula genérica:

v.P Ar =

Esta fórmula, na existência de vários sortimentos de madeira, passa a ser
estendida para:


n n 2 2 1 1 r
.P v ... .P v .P v A + + + =

Sendo: v, v
1
, v
2
,...= volumes dos sortimentos; sendo que o volume de
cada sortimento é obtido da multiplicação do volume por hectare pelos respectivos
valores dos sortimentos (%); P, P
1
, P
2
,...= Preços livre de custos de exploração; n =
número de sortimentos.

Na forma reduzida, esta fórmula passa a ser expressa por:

¿
=
=
n
1 x
x x r
.P V A

Na Tabela 18, é apresentado um exemplo para determinação do valor de
exploração de Pinus elliottii, numa rotação de 30 anos e de índice de sítio 30,
conforme Schneider (1984).

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

159
TABELA 18- Cálculo do valor de exploração para Pinus elliottii.
SORTIMENTO Volume Preço
$/ m
3
s/c
Custo de
Exploração
Custo de
Transporte
Preço
Líquido
Valor de
Exploração
Tipo % (3) m
3
s/c/ha (1) $/ m
3
s/c $/ m
3
s/c $/ m
3
s/c $/ha
Madeira/
serraria
69,3 275,8 28,82 3,40 6,24 19,18 5.289,84
Madeira/
celulose
9,5 37,8 16,47 3,57 6,24 6,60 251,75
Resíduo 21,2 84,3 ------ ------ ------ ------ ------
% 100,0 398,0 ------ ------ ------ ------ 5.541,59
Sendo: (1) Preço posto fábrica.($/m
3
s/c); custo de transporte, 0,13 $/m
3
/Km, para
uma distância de transporte até 40 Km.; (2) Caso exista outros sortimentos, por
exemplo, madeira para laminação e outras utilidades, pode-se ampliar o sistema.

Os valores calculados possibilitam também o estabelecimento de cifras
de quantidade, que servem de orientação para avaliação de casos semelhantes,
dando um preço médio por m
3
de todo o povoamento, como se pode observar na
Tabela 19.

TABELA 19 - Determinação da cifra de quantidade.
Sortimentos Preço Líquido
$/m
3

Cifra de
Quantidade * Tipos %
Madeira/serraria 69,3 19,18 13,29
Madeira/celulose 9,5 7,70 0,63
Resíduo 21,1 ------ ------
% 100,0 ------ 13,92
* Cifra de quantidade = valor da exploração/volume total s/c

Desta forma, multiplicando-se a cifra de quantidade pelo volume sem
casca obtém-se direto o valor de exploração por hectare de um povoamento
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

160
qualquer. Por exemplo, para um volume igual a 398,00 m
3
s/c/ha, obtém-se um
valor de exploração igual a 5.428,80 ($/ha).
Este método de determinação do valor de exploração pode ser feito para
qualquer povoamento, também misto, que alcançou ou está perto da idade de corte
final. Na falta de tabela de sortimentos, na maioria dos casos, é necessários fazer
um levantamento volumétrico, e posteriormente a classificação dos sortimentos,
conforme possibilidade de exploração e tradição do mercado de elaboração de
sortimentos.

4.6.3.2 Valor de custo do povoamento

Para povoamento novo não serve a determinação do valor da exploração,
pois os custos são mais elevados do que a renda. Igualmente, a avaliação segundo o
valor da expectativa de produção, também apresenta falhas, pois há incertezas
quanto ao desenvolvimento do povoamento até então imprevisível. Em função
disto, a melhor forma de avaliar povoamentos muito jovens é através de seus
custos de implantação, que pode ser expresso pela fórmula:

¿
=
÷
÷ ÷ + + =
n
1 j
j m
j
m m
c
.1,0i D 1) V).(1,0i (B C.1,0i V

Sendo: C = custo de cultura, por hectare; B = capital de custo de solo, ou
valor do solo por hectare; V = capital do custo de administração, por hectare e ano;
D = receitas dos desbastes, por hectare; i = taxa de juro; m = momento (idade) da
avaliação do povoamento.

O valor do custo do povoamento é determinado no momento “m” sendo
diretamente proporcional à idade, custo de cultura, valor do solo, capital do custo
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

161
de administração e taxa de juro; o "V
c
" diminui com o aumento de rendas já
ocorridas através dos desbastes.
Para calcular o V
c
real, não se pode considerar os custos originais, pois
não são válidos no momento “m” para tal situação e sítio. Neste método não são
considerados os diferentes graus de dificuldade de implantação, o que o torna um
tanto falho. Além disto, geralmente existe coincidência entre a dificuldade de
implantação e a menor produtividade do povoamento.
Devido a isto, dever-se-ia avaliar os melhores sítios com um fator próprio,
eventualmente uma taxa de juros maior. O valor do custo do povoamento indica o
valor mínimo de um investimento, isto é, aquele bem deveria possuir no mínimo o
valor do custo de implantação.
A seguir é apresentado um exemplo de determinação do valor do custo
de um povoamento de araucária de índice de sítio 20, com idade de 5 anos,
utilizando-se os seguintes dados:
Custo no 0
o
ano $ 394,00/ha
Custo no 1
o
ano $ 58,80/ha
Custo no 2
o
ano $ 50,00/ha
Receitas: venda de 100 árvores de natal de 3 anos a $ 15,00 cada
Custo do capital solo (b) = 28,00 $/ha/ano
Custo de administração (v) = 50,00 $/ha/ano
Taxa de juro = 8% a.a.

V
p5
= C
1
. 1,0i
5
+ C
2
. 1,0i
4
+ C
3
. 1,0i
3
+ (B + V).(1,08
5
- 1) - D . 1,0i
5-3

V
p5
= 394,00 .1,08
5
+ 58,00 .1,08
4
+ 50,00 . 1,08
3
+ 975,0(1,08
5
-1)-
1500,00 . 1,08
2

V
p5
= 596,29 $/ha.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

162

Este valor de 596,29 $/ha significa apenas o valor das árvores deste
talhão. Se quisermos vender toda a floresta, deve-se adicionar o valor do solo (B).
Variando o valor de “m” de “0” (zero) até “r”, isto é, calculando os custos
de um talhão para todos os anos da rotação, obtém-se o desenvolvimento do valor
dos custos do povoamento (V
c
), conforme a Figura 21.












FIGURA 21 - Desenvolvimento do valor do povoamento e custos ao longo da
rotação

Sendo: C = custo da cultura, por hectare; A
r
= valor do povoamento da idade “r”,
por hectare; A
m
= valor dos custos de produção, por hectare; r = rotação, em anos;
V
Cm
= valor dos custos do povoamento no momento “m”, por hectare; V
Em
= valor
da expectativa de produção no momento “m”, por hectare.

Este tipo de avaliação é bastante apropriado para indenizações de
povoamentos jovens. Caso os danos tenham atingido bens comerciais a
indenização deve incluir o valor destes bens.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

163
4.6.3.3 Valor da expectativa de produção

Esta avaliação de um povoamento é realizada quando este se encontra
dentro da idade de rotação. A característica principal do método é a
desconsideração no fluxo de caixa do custo de culturas.
O valor da expectativa de produção de um povoamento é composto por
todas as receitas menos as despesas, que se pode esperar desde o momento de
avaliação “m” até o final da rotação, inclusive a renda do corte final, tudo estimado
para o final da rotação e após descapitalizado para o momento de avaliação “m”,
através da seguinte fórmula:

m r
m r b r
b
a r
a r
Em
1,0i
1) V).(1,0i (B ... .1,0i D .1,0i D A
V
÷
÷ ÷ ÷
÷ + ÷ + + +
=

Sendo: V
Em =
valor de expectativa de produção no momento “m”, por
hectare; A
r
= receita líquida do corte final, por hectare; D = receitas líquidas dos
desbastes, por hectare; V = capital dos custos anuais de administração, por hectare
e ano; B = capital do valor do solo, por hectare; i = taxa de juro; r = rotação, em
anos; m = idade no momento da avaliação.

O V
Em
diminui quando aumenta a taxa de juros, renda anual do solo e os
custos de administração. O valor do solo pode ser obtido por estatísticas de preços,
valor de transação, e valor de solos agrícolas, pouco apreciados.
Quanto menor a diferença entre “r” e “m” (r - m), mais se aproximam V
Em

e A
r
, pois pode não existir mais desbastes. Isto pode ser demonstrado da seguinte
maneira:

r r
r r
r
Em
1,0i
1) V).(1,0i (B A
V
÷
÷
÷ + ÷
=
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

164
Com o que, pode se escrever que:

0
0
r
Em
1,0i
1) V).(1,0i (B A
V
÷ + ÷
=

Sendo 1,0i
0
= 1, resulta que Ar V
Em
= .

Ou seja, na idade “r” o valor da expectativa de produção do solo é igual
ao valor de exploração.
A seguir é apresentados um exemplo de determinação do valor da
expectativa de produção de um povoamento de araucária com idade de 20 anos,
rotação de 40 anos e índice de sítio 20, supondo os seguintes dados:
Custo da terra (b) = 28,00 $/ha
Custo de administração (v) = 50,00 $/ha
Taxa de juro (i) = 6 % a.a.
Produção dos desbastes:
Desbastes Volume m
3
c/c Volume m
3
s/c
D
20
96 72
D
25
144 108
Custo de transporte:
Para polpa ¬ 6,24 $/m
3
s/c
Para serra ¬ 6,24 $/m
3
s/c
Se o custo do transporte for igual a 0,18 $/m
3
s/c/km para uma distância
de transporte de 40 Km, os preços dos sortimentos assumem os seguintes valores:
Para polpa ¬ 16,47 $/m
3
s/c
Para serra ¬ 28,82 $/m
3
s/c
Custo exploração:
Para polpa ¬ 3,57 $/m
3
s/c
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

165
Para serra ¬ 3,40 $/m
3
s/c
Fator de empilhamento = 1,42.
Na Tabela 20 encontram-se os volumes e preços dos sortimentos e, custos
de exploração e transporte.

TABELA 20 - Volumes, custos e preços dos sortimentos (*)
Desb. Volume Serra Polpa Preço
$/m
3
s/c
Custo Expl.
$/m
3
s/c
Custo Tranp.
$/m
3
s/c
m
3
c/c m
3
s/c m
3
s/c m
3
s/c Serra polpa serra polpa
serra polpa
D20 96 72 22 50 28,82 16,47 3,40 3,57
6,24 6,24
D25 144 108 43 65 28,82 16,47 3,40 3,57
6,24 6,24
A40 280 210 168 42 28,82 16,47 3,40 3,57
6,24 6,24
(*) Os sortimentos correspondentes encontram-se nas Tabelas 21. 22 e 23.

A determinação da cifra de quantidade para o desbaste (D
20
), é feita como
no exemplo anterior do valor da exploração, mudando-se somente os preços e
custos, de acordo com a Tabela 21.

TABELA 21 - Determinação da receita líquida do desbaste aos 20 anos (D
20
) e
cifra de quantidade.
Sortimentos Volume Preço Custo
Explor.
Custo
Transp.
Preço
Líq.
Renda
Líq.
Cifra
de
Quantidade
Tipos % m
3
s/c $/m
3
s/c m
3
s/c m
3
s/c m
3
s/c $/ha
Serra 23 22 28,82 3,40 6,20 19,22 422,84
4,40
Polpa 52 50 16,47 3,57 6,20 6,70 335,00
3,49
Resíduo 25 24 - - - - -
-
Total 100 96 - - - - 757,84
7,89

A determinação da cifra de quantidade para o desbaste aos 25 anos
(D
25
), igualmente, é feita como no exemplo do valor da exploração, mudando os
preços e custos, de acordo com a Tabela 22.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

166
TABELA 22 - Determinação da receita líquida do desbaste aos 25 anos (D
25
) e
cifra de quantidade.
Sortimentos Volu
me
Preço

Custo
Expl.
Custo
Transp.
Preço
Líq.
Renda
Líq.
Cifra
de
Quantidade
Tipos % m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/ha
Serra 30 43 28,82 3,40 6,20 19,22 825,6
5,73
Polpa 45 65 16,47 3,57 6,20 6,70 435,5
3,02
Resíduo 25 36 - - - - -
-
Total 100 144 - - - - 1.261,1
8,75

A determinação da receita líquida do povoamento na idade “r” e a cifra de
quantidade são apresentadas na Tabela 23.

TABELA 23 - Determinação da receita líquida na idade de 40 anos (A
40
) e cifra de
quantidade.
Sortimento Volu-
me
Preço Custo
Expl.
Custo
Transp.
Preço
Líq.
Renda
Líq.
Cifra
de
Quantidade
Tipo % m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/m
3
s/c $/ha
Serra 60 168 28,82 3,40 6,20 19,22 3.225,5
11,52
Polpa 15 42 16,47 3,57 6,20 6,70 281,4
1,00
Resíduo 25 24 - - - - -
-
Total 100 280 - - - - 3.507,0
12,52

Prolongando-se as receitas dos desbastes para a idade de 40 anos (m
= 20; r-m = 20), têm-se:
D20 . 1,0i
40-20
= 757,84 . 1,06
20
= 2.430,50
D25 . 1,0i
40-45
= 1.261,10 . 1,06
15
= 3.022,30
v = 50,00 $/ha/ano ¬ V = 50,00/0,06 ¬ V = 833,33
b = 28,00 $/ha/ano ¬ B = 28,00/0,06 ¬ B = 466,66
(B+V).(1,0i
r-m
-1) = (1.299,99) . (1,06
20
-1) = 2.869,25

Descapitalizando-se este valor para o momento da avaliação (m), tem-se
que:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

167
) 25 , 869 . 2 30 , 022 . 3 50 , 430 . 2 00 , 507 . 5 .(
06 , 1
1
20
20
÷ + + =
E
V

V ha
E20
1818 73 = . , $ /

Ou seja, o valor de expectativa de produção do povoamento na idade 20
anos é igual a 1.898,73 $/ha.

4.6.3.4 Determinação do valor de indenização por aproximação

Este método consiste na determinação gráfica, uma vez calculada os
valores V
C
, V
E
e A
r
em diferentes idades. As três curvas resultantes são bastante
diferentes e, tenta-se equilibrá-las por uma única, que revela aproximadamente o
valor do povoamento nas diferentes idades. Esta nova e única curva, na idade “0” é
igual aos custos de cultura, e na idade “r” igual ao valor da exploração.
Na Figura 22 nota-se nitidamente que "V
E
", até perto da idade “r” é maior
do que o valor de exploração, pois os custos de exploração são relativamente altos,
quando comparados com a renda a ser obtida.
Abaixo de uma determinada idade, o valor "A
m
" pode ser negativo, pois
os preços da madeira que se obtém para os sortimentos finos e o baixo volume, não
cobrem as despesas de exploração.
As diferenças entre os valores de "A
r
" e "V
E
" podem ser usadas para
indenizar perdas por exploração obrigatória (por exemplo: instalação de rede
elétrica, construção de estradas, hidroelétrica, etc.).
O proprietário determina o V
E
, vende a madeira jovem cortada e obtém
"A
r
", e o valor da indenização será igual a A
r
– V
E
.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

168
FIGURA 22 - Desenvolvimento do valor do povoamento ao longo da rotação.

Sendo: C = custo da cultura, por hectare; A
r
= valor do povoamento na idade “r”,
por hectare; V
C
= valor dos custos do povoamento, por hectare; V
E
= valor da
expectativa de produção, por hectare; A
m
= valor dos custos de exploração, por
hectare; r = rotação, em anos; V
m
= valor médio do povoamento, por hectare.


4.6.3.5 Valor da rentabilidade da floresta

Este método é usado para avaliar grandes povoamentos, que podem ser
manejados em regime sustentado (por exemplo: talhões, empresa), isto é, podem
fornecer anualmente rendas aproximadamente uniformes. Este valor é deduzido do
modelo de floresta normal de uma classe de manejo, e não do povoamento
singular, que ocasionalmente pode estar em estado de corte.
No modelo são considerados todos os custos que ocorrem em toda a área
desta classe de manejo, todos os custos que tem relação com a produção ou
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

169
exploração da madeira, incluindo os custos de construção de estradas, de
melhoramento, etc. Sempre se deve considerar toda a classe de manejo e não o
povoamento isoladamente. Cada povoamento isolado deve ser enquadrado na
estrutura da classe de manejo da empresa; e por isto, é até possível que este
povoamento singular não receba o tratamento (manejo) ótimo, pois está
subordinado a um objetivo superior.
O ponto de partida para determinar o valor de rentabilidade da floresta é o
modelo normal de classe de manejo, isto é, uma estrutura completa de classes de
idade, uma única espécie ou mistura de espécies constante, idêntica classe de sítio,
idêntico grau de estoque sobre toda a área. Anualmente, são feitos os mesmos
cortes de madeira em quantidade e sortimento, as mesmas áreas são reflorestadas, a
mesma idade de desbaste, os mesmos custos de administração, exploração e outros
custos são considerados.
Quando todos estes pressupostos acontecem, deveria ocorrer,
conseqüentemente, em todos os anos as mesmas despesas e receitas, isto é,
regularmente rendas líquidas iguais, que poderiam ser capitalizadas como renda
perpétua:


i
V
V
E
r
0 , 0
=

Sendo: V
E
= renda líquida normal, por hectare; i = taxa de juros.

Este valor da rentabilidade da floresta é diretamente proporcional a renda
anual e inversamente proporcional à taxa de juros. Por isto, é muito importante
uma reflexão exata sobre a taxa de juros para se obter um "V
r
" adequado. A taxa de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

170
juros varia conforme a finalidade da avaliação, porém geralmente usa-se a taxa de
juros efetiva.
Os elementos para determinar o valor da rentabilidade da floresta são:
Custos:
C = custo cultural (de implantação) e manutenção/ha;
v = custo de administração/ha/ano.
Rendas:
Ar = receitas do corte final/ha;
Di = receitas dos desbastes/ha.

O valor da rentabilidade da floresta (V
r
), é obtido por:

0,0i
r.v) (C D A
V
i r
r
¿
+ ÷ +
=

Desta maneira, também, pode-se avaliar a renda anual de qualquer coisa,
como, por exemplo, direitos, lenha para funcionários e outros direitos:

Capital (K):

0,0i
C R
K
÷
=

Sendo: R = receitas por hectare; C = custos por hectare.

A fórmula anterior (V
r
) coincide com a realidade, quando o povoamento
possui estrutura de uma classe de manejo normal. Se isto não for o caso, pode-se
determinar o valor de rentabilidade da floresta, supondo um planejamento em
longo prazo, quando se pretende a construção de uma estrutura normal.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

171
Segundo Speidel (1967) o valor da rentabilidade da floresta (V
r
) é a soma
dos valores do solo e dos povoamentos, isto é o valor total da classe de manejo, ou
seja, a soma do valor de todos os povoamentos isolados que poderiam ser tratados
individualmente. Isto significa que, o valor da rentabilidade da floresta, é igual à
soma do valor da expectativa de produção do povoamento e do valor do solo dos
diferentes povoamentos:

¿
¿
÷
=
+ ÷ +
= +
1 r
0 m
r
E
0,0i
r.v) (C D A
B) (V

A seguir é apresentado um exemplo de determinação do valor de
rentabilidade da floresta de Araucaria angustifolia, utilizando-se dos seguintes
dados:
Taxa de juros = 6% a.a.
Rotação = 40 anos
Índice de Sítio = 20
A
r
= 3.507,00 $/ha
¿ D = 2.018,94 $/ha
C = 394,00 $/ha
v = 50,00 $/ha/ano.

52.199,00
0,06
40.50,00) (394,00 2.018,94 3.507,00
V
r
=
+ ÷ +
=

O valor da rentabilidade "V
r
" é 52.199,00 $, que representa o valor da
classe de manejo com rotação de 40 anos. Então, o valor da rentabilidade por
hectare e ano, será igual a 1.304,98 $/ha/ano.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

172
Na Europa, usa-se este valor como base para avaliação de impostos a
pagar. O "V
r
" cresce com o aumento das receitas oriundas do corte final, desbastes
e com a diminuição da taxa de juros. O "V
r
" diminui quando os custos de
administração, e taxa de juros crescem.
A fórmula é somente correta quando os pré-requisitos de uma classe de
manejo de estrutura normal coincidem com o povoamento em foco. Devido a isto
ser relativamente raro na prática, pode-se usar valores médios de períodos maiores,
como base para a avaliação; ou fazendo-se um planejamento em longo prazo,
subdividindo em períodos de igual duração, condições que garantem receitas
aproximadamente iguais dentro dos períodos.
O valor médio com o qual é determinado o "V
r
" pode ser conseguido na
estatística da empresa.
A renda líquida de um período de 20 anos de um plano de exploração de
uma classe de manejo é dada por:

¿ ¿
+ ÷ + = 20.A.v) (a.C D A R
x x


Sendo: ¿ A
x
= soma de todos os valores líquidos da exploração finais
feitos no período de 20 anos; ¿ D
z
= soma de todos os valores líquidos do desbaste
para o período de 20 anos; C = custo de cultura/ha; a = área de plantio do período
de 20 anos; v = custo de administração anual/ha; A = área da classe de manejo.

A receita líquida pode ser relacionada para a metade do período, e para tal
é determinado o valor do capital descapitalizado para o momento de avaliação:
O primeiro período (0 - 20 anos), média 10 ¬
10
1,0i
R

O segundo período (20 - 40 anos), média 30 ¬
30
1,0i
R

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

173
Com a soma das receitas líquidas periódicas pode-se calcular a
rentabilidade da floresta (V
r
):

n 50
50
30
30
10
10
r
0,0i.1,0i
r
...
1,0i
R
1,0i
R
1,0i
R
V + + + + =

Sendo: R = renda anual, que entra depois de “n” anos, isto é, após a
floresta ter alcançado o estado normal;
0,0i
r
= valor do capital da renda anual que
entra a partir do ano “n”;
n
1,0i
1
.
0,0i
r
= valor do capital de renda anual
descapitalizado para o momento de avaliação.

A desvantagem, devido ao longo prazo do planejamento dos períodos, é a
imprevisível ocorrência das rendas verdadeiras, pois a utilização da madeira, tipo
de exploração, relação do preço e custo no futuro são de difícil previsão.
Em resumo sobre a avaliação, pode-se afirmar que todos os métodos
possuem vantagens e desvantagens; por isto, não existe nenhum método
absolutamente correto e sempre válido. Assim, conforme a necessidade e o
objetivo da avaliação, escolhe-se o método mais adequado. Quando possível deve-
se utilizar vários métodos, para obter uma moldura do valor definitivo. Em todos
os métodos, há necessidade de estimar a taxa de juros. Todo o método tem algo em
comum, pois usam a continuidade da produção florestal, e não a comercialização
separada de solo e estoque de madeira.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

174
4.6.3.6 Valor presente líquido

O valor presente líquido é definido como a diferença das receitas e
despesas descapitalizadas para o ano “0” (zero). Este método determina o valor
atual de um fluxo de caixa futuro, que pode ser expresso pela fórmula:

(
¸
(

¸

+
+ +
+
+
+
÷
+
+ +
+
+
+
=
j 2
1
1
1
j
j
2
2
1
1
i) (1
Cj
...
i) (1
C
i) (1
C
i) (1
R
...
i) (1
R
i) (1
R
VPL

Sendo: R = receitas, 1...j, por hectare; C = custos, 1...j, por hectare; i =
taxa de juro.

Em estudos de alternativas de investimentos, quanto maior for o valor
presente líquido mais atrativo é a alternativa ou projeto.

4.6.3.7 Valor futuro líquido

Através deste critério avalia-se o fluxo de caixa futuro, utilizando-se a
seguinte expressão:

| | ... .1,0i C .1,0i C ... .1,0i R .1,0i R VFL
2 j
2
1 j
1
2 j
2
1 j
1
+ + ÷ + + =
÷ ÷ ÷ ÷



4.6.3.8 Razão benefício/custo

A razão benefício/custo é obtida pela divisão entre o valor presente das
receitas e o valor presente dos custos, como foi demonstrado para obter o valor
líquido presente.
O valor da razão benefício/custo é obtido através da fórmula:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

175
(
¸
(

¸

+
+ +
+
+
+
(
¸
(

¸

+
+ +
+
+
+
=
j 2
1
1
1
j
j
2
2
1
1
i) (1
Cj
...
i) (1
C
i) (1
C
/
i) (1
R
...
i) (1
R
i) (1
R
B/C



Este é um método utilizado por agências do governo na comparação de
projetos públicos. Para decisão sobre a melhor alternativa de projeto, opta-se por
aquele projeto cuja relação B/C for maior que 1 (um), podendo ser aceito.

4.6.3.9 Determinação da taxa de juros

A totalidade das fórmulas empregada nos métodos de avaliação florestal,
sempre apresenta, a taxa de juros “i”. A taxa de juros “i” é o preço pago para a
utilização do capital:

i k.0,0 r =

ou

k.0,0i
100
i.k
r
k
r.100
i
100
k.i
r = = ¬ = ¬ =

Sendo: r = renda; i = taxa de juro; k = capital.

Na economia florestal a taxa de juro, onde sempre se supõe o princípio do
sustentado, é geralmente inferior a taxa de juro comum, ao rendimento de capitais
no mercado, por exemplo: hipotecas ou a taxa de juro como é usada no comércio e
indústria. No entanto, existem várias razões que justificam o investimento em
florestas que se pode dar ao luxo de ter baixas taxas de juro, porque é uma
aplicação segura. Isto se deve:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

176
a) A produção florestal dá-se em longo prazo e, devido a isto, depende
muito menos do clima, etc., do que, por exemplo, a agricultura que apresenta
maiores riscos de produção.
b) A madeira é uma matéria-prima usada há séculos, cuja demanda
aumenta continuamente, com pequeno risco na venda, porém, sensível à
conjuntura, substituição e modificações de consumo.
c) As rendas e preços de madeira, aumentam continuamente, porém
relativamente devagar. O aumento rápido do custo de mão-de-obra, entretanto,
pode influir de forma desvantajosa. Embora isto não é tão marcante no Brasil como
na Europa.
d) O volume de madeira fica armazenado na floresta, estando disponível a
qualquer momento.
e) O capital investido na floresta está pouco sujeito a crises econômicas,
políticas, desvalorização da moeda, etc.
Tudo isto, justifica porque o proprietário pode satisfazer-se com uma taxa
de juro inferior, mas segura, a que se poderia obter em outros ramos da economia.
Em economia são conhecidos dois tipos de taxas de juro: nominal e
efetiva ou real.
A taxa de juros nominal é definida como a rentabilidade mínima que o
proprietário exige da utilização de seu capital. Esta rentabilidade, em geral, está
intimamente relacionada com a rentabilidade da renda máxima do solo. Porém, não
pode ser usufruída plenamente, devido à lei do regime sustentado que se impõe ao
sistema capitalista, de tal maneira que é impossível à obtenção do máximo
rendimento. Somente em caso de indenização, o proprietário poderia exigir uma
taxa de juro nominal (o bem, a ser indenizado tem para mim tal valor). A taxa de
juro subjetiva é também chamada de taxa arbitrária.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

177
A taxa juro efetiva, também chamada de taxa de juro interna, é a
rentabilidade que surge da confrontação de despesas reais com as rendas reais. Esta
pode ser determinada para a empresa, mas também para parte desta ou para
povoamento singular.

a) Taxa juro efetivo

Na Europa, deixou-se de apreciar a taxa de juro subjetiva, depois que ela
causou grandes discussões no século passado, devido à economia florestal ter
sofrido certas restrições, como exigências da comunidade sobre a produção
florestal, importância crescente de funções sociais e de infra-estrutura. Devido a
isto, hoje é usada a taxa objetiva de juro.
A determinação da taxa de juro efetiva a partir de custos e rendas pode ser
obtida de duas maneiras:
a) Quando há estrutura de regime sustentado, isto é, anualmente ocorrem
custos e rendas semelhantes nas classes de manejo, pode-se utilizar a renda líquida
anual para determinar a taxa de juro válida dentro da empresa.
b) Geralmente utiliza-se os custos e rendas como ocorrem numa
determinada área (hectare) até o corte final, para determinar a taxa de juro;
determina-se então “C” e “R” com diferentes taxas de juro, até que se alcance a
igualdade “C = R”. Para tal, supõe-se os custos e as rendas como constantes, e
determina-se o resultado final num gráfico ou por simulação.
Com juros compostos, determina-se:
a) As receitas ao longo do período de rotação:

... .1,0i D .1,0i D A
b r
b
a r
a r
+ + +
÷ ÷


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

178
b) As despesas correspondentes:

1) V).(1,0i (B C.1,0i
r r
÷ + +

Quando as receitas e despesas forem iguais obtém-se o equilíbrio
econômico, que é obtido na Equação Básica Florestal, expressa por:

1) V).(1,0i (B C.1,0i ... .1,0i D .1,0i D A
r r b r
b
a r
a r
÷ + + = + + +
÷ ÷


Sendo: Ar = receita líquida do corte final, por hectare; Da, Db, ... = receita
líquida dos desbastes a, b, ... , por hectare; B = valor do capital do solo, por
hectare; V = valor do capital dos custos de administração, por hectare e ano; i=
taxa de juro; r = rotação, em anos; C= custos de cultura, por hectare.

A Equação Básica Florestal é uma simples transformação da Fórmula de
Faustmann. No entanto, atribui-se a sua dedução a Hundeshagen. A idéia básica é
de que haveria uma produção econômica durante o prazo da rotação na qual os
rendimentos com os seus juros compostos seriam iguais aos custos com os seus
juros compostos.
Neste sentido, Speidel (1967) diz que o juro em povoamentos florestais
depende, em primeiro lugar, da espécie florestal que a forma e em segundo lugar,
de suas propriedades de crescimento e da utilidade que influencia o seu valor,
seguindo os custos e a rotação.
Pelo processo de interação consegue-se determinar a taxa de juros “i”,
como mostra a Figura 23, de onde se pode tirar as seguintes relações:



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

179












FIGURA 23 - Representação da taxa de juro efetiva

i i
Δ
i i
Δ
2
2
1
1
÷
=
÷


Desta relação pode-se deduzir que:

2 1
1 2 2 1
Δ Δ
.i Δ .i Δ
i
+
+
=

A grandeza da taxa de juro efetiva depende do tipo de madeira, classe de
sítio, rotação, preço da madeira e da dependência da grandeza dos elementos de
custos. Na Europa Central, utiliza-se uma taxa de juro para madeira de serraria e
custo de duração relativa de produção ao redor de 5% ao ano. Para madeira de
folhosas, a taxa de juro pode ser negativa, na dependência da classe de sítio e idade

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

180
de rotação. Para crescimentos excepcionais, especialmente em regiões dos trópicos
e subtrópicos, e com correspondentes preços e condições de custos, pode-se obter
valores de taxas de juro de 10% ao ano ou mais.
Para Pinus elliottii, da floresta Nacional de Passo Fundo/RS, foram
encontradas taxas de juro efetivas de 5,08 a 6,73 % ao ano, do pior ao melhor sítio,
respectivamente, conforme mostra a Tabela 24, elaborada por (Schneider, 1984),
que deu origem aos volumes e valores dos sortimentos.

TABELA 24 - Volumes e sortimentos de um povoamento de Pinus elliottii, Índice
de sítio 26, em Passo Fundo/RS.
IDADE
(anos)
VOLUME
(m
3
s/c)
SORT. REM. (%) SORT. DESB.
(%)
CASCA
REM DESB SER IND SER IND REM. DESB
05 64,8 2,45 56,75 21,05
72,4 6,66 67,47 19,49
10 210,3 12,98 71,89 20,59
133,8 12,98 71,89 19,34
15 274,6 34,63 58,78 19,08
74,8 34,56 58,86 20,27
20 328,4 61,47 34,55 18,89
46,3 61,76 34,10 20,05
25 369,1 79,84 16,83 18,72
29,5 72,44 23,91 19,92
30 398,2 85,24 11,68 18,65
Fonte: Schneider (1984)
Sendo: REM = remanescente; IND = sortimento para indústria de polpa; DESB =
desbaste; SER = sortimento para serraria; SORT = sortimento.

A Tabela 26 pode ser visto um exemplo para determinação da taxa de
juro efetiva de Pinus elliottii, cujas produções e valores podem ser vistos nas
Tabelas 24 e 25, sendo utilizado os seguintes dados:
Preços dos sortimentos (madeira em pé):
SER = 28,82 $/m
3
s/c
IND = 16,47 $/m
3
s/c
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

181
Custos:
Cultura = 394,00 $/há; Administração = 50,00 $/ha/ano
Arrendamento = 28 $/ha/ano; Distância de transporte: < 40 Km.
Rotação: 30 anos.

TABELA 25 - Volume e valor do sortimento (veja a produção na Tabela 24).
IDADE
(anos)
VOLUME VALOR
REM DESB REMANESCENTE DESBASTE
SER IND SER IND SER IND TOTAL SER IND TOTAL
05 1,28 29,60 36,89 487,51 524,40
3,81 38,57 109,8 635,24 745,04
10 22,02 121,9 634,61 2.008,3 2.642,96
13,79 76,38 397,4 1.257,98 1.655,41
15 76,95 130,6 2.217,7 2.151,1 4.368,85
20,61 35,10 593,9 578,10 1.172,08
20 163,7 91,50 4.718,7 1.507,0 6.225,70
22,84 16,62 658,2 273,89 931,98
25 239,5 74,87 6.900,9 1.233,1 8.136,08
17,11 5,64 493,1 92,89 586,00
30 276,1 37,83 7.957,8 623,06 8.580,84

TABELA 26 - Determinação da taxa de juro efetiva para Pinus elliottii (veja
produção na Tabela 24).
CORTE F./
DESBASTE
RECEITA NA IDADE “r” DESPESAS RENDA LIQ. IDADE
“r”
12 % 15 % 12 % 15 % 12 % 15 %
A
30
8.580,84 8.580,84 B= 6757,31 B= 21.172,86
D
7.5
9.540,80 17.293,42 V= 2.066,63 V= 21.737,25
D
12.5
12.028,76 19.103,71 C= 11.804,21 C= 26.087,44
D
17.5
4.832,62 6.724,81
D
22.5
3.842,66 2.658,52
D
27.5
1.370,99 831,38
TOTAL 40.196,67 55.192,38 30.628,15 68.997,55 9.568,52 -1.385,17

Tomando-se as diferenças na Tabela 26, têm-se que:
. 14,62%a.a
1385,17 9568,52
1385,17.12 9568,52.15
i =
+
+
=
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

182
Do que se conclui que este povoamento com suas receitas e despesas
pagas uma taxa de juro efetiva de 14,62 % ao ano.

b) Taxa de juro nominal

A taxa de juro nominal expressa em valor de taxa negociada e aceita pelas
partes para um período de tempo diferente daquele no qual ocorrerá o processo de
capitalização.
Normalmente, a taxa de juro nominal é obtida através da fixação de um valor para
a determinação da renda de um povoamento.
Neste sentido, pode-se, por exemplo, seguir o procedimento da análise do
custo-preço, custo marginal e renda líquida do povoamento. O custo-preço de
madeira é o próprio custo unitário ou custo médio de produção. Isto é, o preço
mínimo pela qual deve ser vendida a madeira, de modo que o capital alocado no
processo produtivo seja remunerado a uma taxa de juro desejada pelo investidor.
Uma floresta manejada para produzir um único sortimento, a receita bruta
total da madeira em pé, no ano “r”, será:

.P V R
r r
=

Sendo: R
r
= receita bruta total na idade “r”, por hectare; V
r
= volume total
ou por hectare na idade “r”; P = preço da madeira, por m
3
.

O valor líquido da floresta (V
lf
) é expresso pela diferença entre a receita
bruta total e o custo total (C
r
), ou seja:

r r if
C R V ÷ =
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

183
Os valores desta expressão acima de V
lf
referem-se aos valores
capitalizados para a idade “r”, pode-se transformar os custos totais em termos de
capital atual (C
o
).

Assim, a fórmula transforma-se em:

| |
r
r
j r
i
1,0i
1) .(1,0i M C.1,0i R
f V
÷ + ÷
=

Sendo: M = custo de manutenção, por hectare; j = momento de ocorrência
de manutenção.

Desta forma, o custo-preço (P) é determinado pela equação:

r
a r
0
V
.(1,0i) C
P
÷
=


É importante salientar que o critério custo-preço pode ser usado para
comparar a eficiência econômica de diferentes alternativas de produção.
Em qualquer situação, a opção será orientada para a alternativa que
apresentar o menor valor de custo-preço. Além de retratar o preço, ele fornece
indicações relativas à determinação da curva de oferta de um produtor, isto é,
delimita as quantidades que um produtor está disposto a comercializar, tendo em
vista o nível do preço de mercado.
Este método pressupõe que deve existir as seguintes informações básicas:
a) Produção por idade, em m
3
/ha;
b) Custos operacionais de implantação e manutenção, por hectare.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

184
É importante, também, determinar o custo marginal, que é o aumento no
custo total, quando se mantém o povoamento em pé por mais um ano, divido pelo
aumento correspondente na produção, ou é o custo adicional para se manter a
floresta em pé durante um ano.
Na Tabela 27, é apresentado um exemplo de determinação de receita
líquida de um povoamento de Eucalyptus grandis para uma taxa de juro de 8% ao
ano. Supondo-se as seguintes informações:

TABELA 27 - Determinação da renda líquida de um povoamento de Eucalyptus
grandis.

Idade
Volume Renda Custos Custos
Totais
Custo/
Preço
Custo
Margina

Renda
Liquida
Renda
Liquida
Presente
Renda
Liquida
$
C M
m
3
/ha st /ha $/ha $/ha $/ha $/ha st sc $/stsc $/ha $/ha ha/ano
0 394,00 50,00 444,00
1 425,52 78,00 503,52
2 459,56 162,24 621,80
3 106,36 122,10 732,60 496,33 253,22 749,55 6,13 -16,95 -13,46 -4,49
4 141,81 162,80 972,00 536,03 351,48 887,51 5,45 3,39 84,49 62,10 15,52
5 187,42 215,20 1290,0 578,91 457,59 1036,5 4,82 2,84 253,50 172,53 34,51
6 229,05 262,90 1577,4 625,23 572,20 1197,4 4,55 3,37 379,97 239,44 39,91
7 268,00 307,70 1846,2 675,25 695,98 1371,2 4,46 3,88 474,97 277,14 39,59
8 305,25 350,40 2102,4 725,27 829,66 1554,9 4,44 4,30 547,47 295,78 36,97

Fator empilhamento = 1,40
Percentagem de casca = 18%
Taxa de juro = 8% ao ano
(Preço da madeira em pé, pago ao proprietário = 6,00 $/estéreo s/c)
Custo de cultura (C) = 394,00 $/ha
Custo de administração (m) = 50 $/ha/ano
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

185
O problema deste método é que desconsidera o valor do capital do solo e
da administração que são altos na atividade de empresas florestais. Trata-se de uma
forma muito simples e empírica de determinação de receita florestal.
No entanto, é um método útil quando se tratar de pequenas propriedades
com custos de administração tendendo a zero e desconsiderar o valor do capital do
solo.
No exemplo acima, constata-se que há uma taxa de juro subjetiva de
8%, obtém-se aos 6 anos a máxima renda líquida média anual de 39,91 $/ha/ano.
O custo-preço indica o valor do preço mínimo que a madeira deveria ser
vendida para cobrir todos os custos e que na idade de 8 anos é 3,37 $/st s/c, embora
que o menor custo marginal tenha ocorrido aos 5 anos com valor de 2,84 $/st s/c.
O custo marginal indica o custo para manter um metro estéreo em pé por
mais um ano, por exemplo, aos 6 anos, o custo marginal é de 3,37 $/st s/c, significa
o custo de manutenção de um st s/c até o 7
o
ano.

4.6.10 Avaliação de danos e desapropriação

4.6.10.1 Danos

O dano significa a perda de renda. Este dano pode ser causado por um
terceiro (indenizante) ou por determinadas circunstâncias (determinação do dano
para cálculo interno), como: fogo, animais domésticos e silvestres, poluição, vento,
etc.
O ponto de partida para a determinação é as condições anteriores e
posteriores ao dano, sendo a diferença o valor do dano. Incluem-se, depois,
eventuais custos extras, como aqueles causados pelos trabalhos de apagar o fogo,
etc.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

186
As seguintes condições devem ser analisadas quanto aos danos:
a) Quando há perda de incremento, anual em m
3
até o final da rotação,
para o qual faltam ainda “n” anos, deve-se capitalizar o valor.

0,0i
1
.
1,0i
1) a.(1,0i
n
n
÷


Sendo: a = valor das perdas de incremento anual, por hectare.

b) Quando há destruição total, determina-se o valor dos custos, do
rendimento esperado, de exploração, diminuição por eventuais rendas, que provém
da comercialização da madeira eventualmente aproveitável.
c) Quando há danos parciais, estima-se a percentagem de dano, por
exemplo, uma percentagem da área de reflorestamento. Determina-se o valor da
cultura menos o valor dos custos.
Em todos os casos de danos, a indenização deve incluir também, as
conseqüências para o total da empresa; pois, talvez, por isto são causadas maiores
despesas para exploração de certas áreas da floresta, aumentando os custos de
administração por unidade de área, eventualmente, também o maior emprego
temporário de operários para a exploração das áreas danificadas, que causam
maiores custos por m
3
.


4.6.10.2 Desapropriação


Uma determinada área florestal de interesse, por exemplo, público, pode
permanecer de propriedade da empresa ou pode passar para a propriedade pública.
Neste caso, deve-se fazer o seguinte:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

187
a) A indenização pode ser feita por troca, por exemplo, colocando a
disposição uma outra área florestal do mesmo valor;
b) Indenizar o valor do solo (renda do solo capitalizada) mais o valor atual
do povoamento (valor da exploração, valor dos custos ou valor da expectativa de
produção) e, também, se possível o valor de rentabilidade da floresta;
c) Caso a área continue com o proprietário, mas não possa mais ser
cultivada, então se deveria indenizar além da renda do solo e do valor do
povoamento, também, os impostos que futuramente devem ser pagos pelo
proprietário.

4.6.11 Valor do fator idade

Sagl (1976) determinou para várias espécies, na Áustria, o valor do fator
idade com base na produção de tabelas de produção, fazendo variar o custo de
plantio, valor do solo e custo do capital de administração.
O valor do fator idade (f
i
) foi determinado pela razão entre a expectativa
de produção do povoamento numa idade e o valor líquido do povoamento no corte
final (A
r
), da seguinte maneira:


r
Em
i
A
V
f =

Através desta mesma relação, Schneider (1984) determinou o valor do
fator idade para Pinus elliottii da Floresta Nacional de Passo Fundo, fazendo variar
o valor do solo, taxa de juro e rotação. Na Tabela 28, pode ser visto um exemplo
do desenvolvimento do fator idade, para uma rotação de 30 anos.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

188
TABELA 28 - Desenvolvimento do fator idade, para uma rotação de Pinus elliottii.
Índice Taxa Idade (anos)
Sítio Juro % 5 10 15 20 25 30
22 6.18 . 1912 .3706 .4167 .5370 .7304 1.0000
24 6.51 .1635 .3121 .4087 .5252 .7182 1.0000
26 6.90 .1614 .2944 .3742 .5028 .6966 1.0000
28 7.11 .1599 .2809 .3726 .4912 .6870 1.0000
30 7.57 .1602 .2749 .3520 .4642 .6674 1.0000
32 7.07 .1602 .2627 .3471 .4539 .6610 1.0000
34 8.07 .1634 .2595 .3243 .4300 .6431 1.0000

Com os valores do fator idade e valor líquido do corte final, pode ser
obtido o valor da expectativa de produção de um povoamento para todas as idades.
Para isto, faz-se a transformação da fórmula original para:


i r Em
.f A V =

Uma outra forma de obter o valor da expectativa de produção de um
povoamento é utilizando a fórmula de Blume, expressa por:

| |
g i r Em
.B C C).f (A V + ÷ =

Sendo: V
Em
= valor da expectativa de produção, por hectare; A
r
=
rendimento líquido do povoamento na idade “r”, por hectare; f
i
= valor do fator
idade na idade “i”; G
r
= grau de estoqueamento na idade “i”; C = custo de cultura,
por hectare.

Nos casos em que a rotação real (R
r
) for menor que a rotação utilizada
para a determinação do fator idade, o valor do fator idade a ser utilizado deve ser
multiplicado pelo fator de correção (1/fi
Rr
). Sendo que, fi
Rr
é o fator idade de
rotação real (R
r
). Transportando-se este valor para a fórmula de Blume, esta passa a
ser expressa por:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

189

r
.G C
f
1
. C).f (A V
r
iR
i r Em
(
(
¸
(

¸

+ ÷ =
A medida que aumenta a distância da rotação real daquela utilizada na
determinação do fator idade, aumenta a diferença absoluta e relativa entre o valor
do fator idade real e o estimado, com isto, aumenta o erro do valor do fator idade
ajustada pelo fator correção (1/fi
Rr
).
Para o mesmo objetivo pode-se, também, utilizar a fórmula de
GLASER, expressa por:

r
2
2
r
.G C .t
r
C A
V
(
¸
(

¸

+
÷
=

Sendo: t = idade de avaliação, em anos; G
r
= grau de estoqueamento na idade t; r =
rotação, em anos; A
r
= valor do povoamento na idade r; C = custo de cultura, por
hectare.

4.6.12 Rotação

Segundo Mantel (1956), rotação é a duração média do tempo, determinada
através de planejamento entre a renovação de povoamentos e a colheita destas na
idade madura, supondo uma constituição da floresta que corresponde ao alvo
econômico. A duração da rotação é definida pela “meta técnica da empresa” e
assim sujeita a vários critérios econômicos e biológicos. Ela é parte do
planejamento à longo prazo, define o volume do estoque, grandeza dos
incrementos, quantidade de investimento, juros e rentabilidade.
A rotação é um termo usado somente para sistemas silviculturais mais ou
menos equiâneos e para o sistema Plenterwald ou Femelwald é usado o termo de
ciclo de corte.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

190
A rotação não é apenas um simples instrumento de planejamento para se
definir quando e de quanto será o retorno do capital investido, mas serve, também,
como uma norma instrumental de manejo sustentado, mormente, quando se trata de
classes de manejo. Ela descreve além do crescimento biofísico da floresta, a
evolução das rendas no decorrer do tempo, quando os cálculos dos valores de
povoamento são conjugados com uma tabela de produção e sortimento.
O desenvolvimento calculatório da rotação de uma classe de manejo, para
uma espécie e de determinado sítio, pode ser utilizado como elemento de
comparação entre uma floresta desejada de rendimento persistente e uma real. Esta
comparação permite um manejo adequado para conduzir o povoamento para o
objetivo pretendido, o qual é obtido quando o desenvolvimento calculatório atinge
o máximo.
Speidel (1967) salienta que o tipo de rotação a ser determinada, varia de
acordo com a meta econômica da empresa, definida pelo objetivo da produção
florestal. Para isto, apresenta detalhadamente uma série de métodos que podem ser
utilizados para definição deste problema. Estes métodos de rotação podem ser
encontrados na Tabela 29.

TABELA 29 - Tipos de rotação de acordo com o objetivo
Rotação Objetivos e
Definições
Fórmula
Fisiológica É definida com sendo
a idade ótima para se
obter regeneração
natural

Técnica É obtida na idade de
otimização da
composição de classes
de madeira num
povoamento.

Máxima
produção
Maximização do
rendimento/volume
V
r
r

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

191
Máxima renda
líquida da
floresta
Maximização de
remuneração do
capital povoamento
r
v r C D A
r ¿
+ ÷ + ) . (

Máxima renda
líquida do solo
Maximização da
remuneração do
capital solo
r
iV v r C D A
Em r ¿
÷ + ÷ + 0 , 0 ) . (

Máxima
rentabilidade
Maximização da
remuneração efetiva
do capital
) (
100 ) . (
Em
r
V B r
v r C D A
+
÷ + ÷ +
¿

Máxima renda
bruta
Maximização da
produção total bruta
A D
r
r
* *
+ ¿

Máximo
benefício do
mercado e infra-
estrutura
Maximização da
renda bruta mais os
benefícios da infra-
estrutura
S A D
r
r
+ + ¿ ¿
* *

Máxima
produtividade
de área
Maximização do
quociente
produtividade pela
área da empresa
S A D
r
A A A
r
m f a
+ + ¿ ¿
÷ + +
* *
( )

Máxima
produtividade
do trabalho
Otimização do
quociente produtivo
pelo tempo de
trabalho total
S A D
T
A A A
r
r
m f a
+ + ¿ ¿
÷ + +
* *
( )
( )

Rotação
financeira
Maximizar o valor
esperado de produção
do solo
A D i D i
C i V i
i
r a
r a
b
r a
r r
r
+ + +
÷ ÷ ÷
÷
÷ ÷
. , . , ...
. , .( , )
,
10 10
10 10 1
10 1

Rotação de VLP Maximizar o valor
líquido presente
A D i D i
C i V B i
i
r a
r a
b
r a
r r
r
+ + +
÷ ÷ + ÷
÷ ÷
. , . , ...
. , ( ).( , )
,
10 10
10 10 1
10

Sendo: A
r
= valor do corte final na idade “r”, por hectare; C = custo de cultura, por hectare;
v = custo de administração, por hectare e ano; V
Em
= valor médio da classe de manejo, por
hectare; A
r
*
= valor bruto do corte final na idade “r”, por hectare; ¿D
*
= soma da renda bruta
dos desbastes anuais, por hectare; r = rotação, em anos; B = valor do capital do solo, por
hectare; i = taxa de juro; a = área da empresa, em hectare; A
m
= custo do material; A
f
=
custo de terceiros; A
a
= custo de escritório; T
(r)
= tempo total de trabalho, por hectare e ano;
¿S = soma dos custos da infra-estrutura de produção, por hectare; D
a
, D
b
= receitas dos
desbastes, por hectare; V = v/0,0i; B = b/0,0i; b = custo do capital solo, por hectare. Fonte:
Speidel (1967).

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

192
4.6.12.1 Determinação da rotação

a) Rotação de máxima renda bruta

A determinação da rotação de máxima renda bruta é obtida através da
fórmula:

A D
r
r
* *
+ ¿


Um exemplo de determinação da rotação de máxima renda bruta, para
Eucalyptus grandis, pode ser visto na Tabela 30, sendo utilizado os seguintes
dados: Preço da madeira posto fábrica = 6,00 $/st SC; Custo de exploração = 6,24
$/st SC; Distância de transporte = < 40 Km; Fator empilhamento = 1,40;
Percentagem de casca = 18%

TABELA 30 - Rotação de máxima renda bruta, para Eucalyptus grandis
Idade Volume
(m
3
c/c)
Volume
(st s/c)
Renda Bruta
($/ha)
Receita Bruta
($/ha/ano)
03 106,36 112,1 1.372,10 457,37
04 141,81 162,8 1.982,88 495,72
05 187,42 215,2 2.634,05 526,81
06 229,05 262,9 3.217,90 536,92
07 268,00 307,7 3.766,25 538,04
08 305,25 350,4 4.288,90 532,11

Portanto, a rotação de máxima renda bruta para Eucalyptus grandis, do
exemplo proposto, é de 7 anos, onde ocorreu a máxima renda bruta anual.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

193
b) Rotação de máxima renda líquida de floresta

A determinação da rotação de máxima renda líquida da floresta é obtida
através da fórmula:

r
v r C D A
r ¿
+ ÷ + ) . (


Na Tabela 31 pode ser observado um exemplo de determinação desta
rotação para Pinus elliottii, com variação da qualidade do sítio, conforme
Schneider(1984).

TABELA 31 - Estimativa da rotação da máxima renda líquida da floresta, Pinus
elliottii
Índice
Sítio
Rotação em anos
5 10 15 20 25 30 35 40
22 -9.5 0.5 12.0 16.4 17.0 21.0 21.1 16.6
24 -9.2 1.8 17.5 23.6 29.9 29.7 26.6 24.8
26 -7.6 8.1 22.2 33.2 38.0 36.5 33.9 30.2
28 -7.0 10.4 31.8 42.9 45.9 43.3 39.9 36.1
30 -6.3 18.7 44.7 56.8 55.2 52.0 47.4 42.4
32 -5.5 22.1 55.2 65.2 63.6 58.7 53.3 47.9
34 -4.7 33.7 68.4 75.9 72.9 67.2 60.7 54.5
Fonte: Schneider (1984)

Portanto, a rotação de máxima renda líquida da floresta para Pinus elliottii
varia com a qualidade do sítio. Em sítios bons, com índice de sítio de 30 a 34 a
rotação foi de 20 anos; nos índices de sítios de 24 a 28 foi de 25 anos; e, no índice
de sítio 22 foi de 35 anos.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

194
c) Rotação financeira

A determinação da rotação financeira é obtida através da fórmula de
Faustamnn, expressa por:

1 1,0i
1) V.(1,0i C.1,0i ... .1,0i D A
B
r
r r a r
a r
÷
÷ ÷ ÷ + +
=
÷


Neste sentido, é apresentado na Tabela 32, um exemplo de determinação
desta rotação para Pinus elliottii, da Floresta Nacional de Passo Fundo, conforme
Schneider(1984), sendo utilizado os seguintes dados:
Custo da cultura = 394,00 $/ha
Custo de administração = 50,00 $/ha/ano
Custo de manutenção:
Roçada no 1
o
ano = 58,80 $/ha
1
a
desrama (5
o
ano) = 50,00 $/ha
2
a
desrama (10
o
ano) = 64,67 $/ha
Custo de exploração e transporte = 4,36 $/m
3

Preços dos sortimentos:
Sortimento com diâmetro na ponta fina de 15 - 27 cm = 16,47 $/m
3

Sortimento com diâmetro na ponta fina de >28 cm = 28,82 $/m
3







Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

195
TABELA 32 - Determinação da rotação financeira para Pinus elliottii
Idade
ano
Sort. Rem. % Desbaste % Volume Vol. Rem. Vol. Desb.
15-27 >28 15-27 >28 Rem. Desb. 15-27 >28 15-27 >28
5 16,1 0,0 64,8 10,4328 0,0
27,6 0,0 72,4 19,9824 0,0
10 41,6 0,1 210,3 87,4848 0,2103
41,6 0,1 133,8 55,6608 0,1338
15 76,2 2,8 274,8 209,2452 7,6888
76,4 2,7 74,8 57,1472 2,0196
20 78,2 11,2 328,4 256,8088 36,7808
78,2 11,2 46,3 36,2066 5,1856
25 67,3 26,0 369,1 284,4043 95,9660
75,0 17,0 29,5 22,125 5,015
30 58,4 36,0 398,2 174,1488 107,3520

TABELA 32 - Determinação da rotação financeira para Pinus elliottii. Cont.
Idade
ano
Receita
Rem.
Receita
Desbast
e
Receita
Deb. Cap.
Receita
Total
Custos Capitalizados
$/ha
Rotação
Financ.
$/ha $/ha $/ha $/ha V C Total $/ha
5 126,34 126,34 281,85 601,49 883,35 -2238,17
241,99
10 1064,58 279,93 1.344,52 659,04 871,85 1.530,89 -235,65
677,33
15 2.722,03 1.158,18 3.880,18 1.163,80 1.253,31 2.417,11 1.047,63
741,45
20 4.009,61 2.407,60 6.417,21 1.839,28 1.677,21 3.516,49 1.314,25
565,30
25 5.355,50 3.875,86 9.231,37 2.743,23 2.244,49 4.987,71 1.2889,1
390,60
30 4.734,77 5.638,63 10.373,40 3.952,91 3.002,63 6.956,54 720,33

Portanto, a rotação financeira para Pinus elliottii, para o índice de sítio
28, é igual há 20 anos, para os custos e preços utilizados e taxa de juro de 6 % ao
ano, pois nesta idade maximizou o valor esperado da terra por hectare.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

196
4.6.12.2 Decisão sobre a rotação

Segundo Pearse(1967), a determinação da idade ideal para se explorar
uma floresta, depende dos objetivos da empresa ao conduzir seus povoamentos.
Assim, como o valor de uma floresta pode ser expresso tanto pelo valor econômico
de seus produtos como seus benefícios estéticos, recreativos, ecológicos e
preservacionistas, a fixação de uma idade ideal para exploração poderá variar. E,
mesma considerando apenas o valor econômico da floresta, através da sua
produção, em qualidade de produtos, faz variar a rotação.
Para a maioria (se não a totalidade) das empresas o objetivo na sua
política de manejo florestal, é o de maximizar o valor econômico dos recursos
florestais, em termos de produção de madeira (madeira e casca).
O primeiro passo para se determinar à rotação que maximizará a renda de
uma empresa florestal, é isolar todos os custos e rendas envolvidos. Usualmente se
expressa o valor da madeira pela sua rentabilidade efetiva, que é o valor da
madeira para alguma utilização a que será destinada ou num centro de distribuição
descontado dos custos de armazenamento e transporte. Esta será então o preço
máximo que um consumidor, em condições normais de mercado, estará disposto a
pagar pelo produto.
A rentabilidade potencial de um povoamento tende a aumentar com o
aumento da idade, por três razões. Primeiro, com a idade há um contínuo
incremento no volume de árvore, até sua morte, embora a partir de uma certa idade
o valor no incremento começa a diminuir. Segundo, enquanto o volume total do
povoamento aumenta a medida em que a árvore envelhece e aumenta de
dimensões, o valor da madeira por unidade (por exemplo, m
3
) também aumenta. As
toras com dimensões maiores podem ter mais utilização que toras pequenas; isto
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

197
tanto pelas limitações impostas pelos consumidores, como usos alternativos,
aumento na qualidade (madeiras limpas), etc.
Finalmente, como regra geral, toras maiores apresentam um custo de
exploração por m
3
menor que toras finas. Considerando que a rentabilidade é dada
em função do valor da madeira cortada menos os custos de exploração, este fato
tende a favorecer rotações longas.
Considerando uma empresa global, os custos envolvidos são mais
complexos. Embora muitos deles possam ser considerados pelo seu valor atual
(impostos, administração, benfeitorias, etc.), há dois custos distintos envolvendo
um povoamento: o custo do capital, expresso pelo custo da floresta, e o custo da
terra.
Tendo em vista que o valor de um bem tem um significado econômico a
partir do momento em que torna escasso, o significado deste custo é dado através
do seu custo de oportunidade. Ou seja, através de alternativas de uso do bem. O
custo de oportunidade é obtido do melhor uso para o bem. Observando-se este
conceito, alguns fatores da produção florestal, como a terra e o capital em forma de
árvore, teriam que ter seus custos avaliados em função de sua utilização, e,
portanto, utilizado como tal; porém, este conceito básico de custo de oportunidade
nem sempre pode ser aplicado na economia florestal.
Assume-se que o custo real de se usar um capital de uma economia
particular (diferentes produtos florestais, rotação, etc.), é o retorno que este capital
poderá gerar, em sua melhor aplicação. Este retorno é a taxa do interesse que pode
ser conseguida. Se a taxa efetivada obtida não alcançar a taxa de interesse, o
investidor não estará maximizando seu retorno. Isto leva a se selecionar a rotação
que propicie o maior retorno, observando-se os custos da produção e o valor
esperado do produto, que dependerá da finalidade da produção.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

198
Menos simples do que estimar a rentabilidade do produto (madeira) é
avaliar os custos da terra, a rentabilidade esperada e os custos de oportunidade.
O valor da terra poderá ser expresso pela rentabilidade de sua melhor
alternativa de uso, o que amplia o problema. E mesmo considerando apenas o uso
para fins florestais, o investidor terá ainda que avaliar o resultado para diferentes
rotações, e procurar aquela que permita uma máxima rentabilidade para o terreno.
Sepeidel(1967) no seu trabalho sobre rotação e sua racionalização faz uma
análise, julgamento das necessidades e influências de diferentes fatores sobre as
tendências reais da rotação com vistas a sua fixação em relação aos aspectos
ligados a: condição das classes de idade; crescimento; regeneração natural;
sortimento; volume de trabalho; valor da produção; e, condições de mercado.

4.6.12.3 Condições para uma rotação ótima

Basicamente, toda empresa sempre procura maximizar sua renda,
operando a um nível onde os custos marginais igualam-se as rendas marginais. De
maneira análoga, a rotação ótima (idade de exploração) será aquela idade do
povoamento na qual o incremento dos custos iguala-se ao incremento das rendas.
Isto pode ser observado na Figura 24a. A mudança no incremento anual da
renda (S) da floresta na idade (t) é descrita pela curva AS. Se o valor por m
3
de
madeira fosse fixado desconsiderando a dimensão ou a idade das árvores (valor
fixo), esta curva teria exatamente a mesma forma que a curva do incremento
corrente anual, que indica a variação anual no incremento em volume total da
floresta ao longo do tempo.
O custo anual de oportunidade da terra (a) é constante ao longo do tempo.
O custo de interesse, contra a rentabilidade total da floresta aumenta ao longo do
tempo.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

199

























FIGURA 24 - Determinação do ponto de rotação ótima.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

200
A melhor rotação está indicada onde à curva de incremento da renda (AS)
interceptam a curva de incremento dos custos (a + i
S
) no ponto (t
m
).
A amplitude deste ponto ótimo é demonstrar as implicações de se explorar
a floresta em qualquer idade que não “t
m
”. Em qualquer idade inferior a “t
m
”, os
custos para se manter a floresta por ano são inferiores ao valor dos produtos extras
que a floresta produzirá neste ano, assim, se conseguirá uma renda líquida positiva
prolongando-se a rotação por mais um ano. A qualquer idade superior a “t
m
” os
custos anuais de manutenção da floresta excederão a renda que ela propiciará a
mais neste ano.
A curva dos custos e rendas acumulados (Figura 24b) é semelhante à
curva de custos e rendas total, com relação à produção, em termos convencionais.
A máxima diferença entre custos e rendas acumuladas novamente no ponto “t
m
”.
A Figura 24c representa a relação entre renda líquida e a idade do
povoamento. A renda líquida atinge um ponto máximo onde a declividade da curva
é zero, ou seja, na idade “t
m
”, que é, naturalmente, o ponto onde a diferença entre
os custos e rendas acumulados é máxima.
Resumindo, a rotação ótima ocorre quando:

S
i a ΔS + =

A princípio, a determinação da rotação parece simples, considerando
apenas o valor da floresta. Porém, o valor da terra só pode ser determinado quando
se conhece o melhor uso para a mesma (que propicia a maior renda), o que, em se
pensando em reflorestamento, requer o conhecimento sobre a melhor rotação.
Outras implicações na determinação da rotação são:
a) Mudanças nas taxas de juros

O efeito da alteração na taxa juro pode ser visualizado na Figura 25.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

201
FIGURA 25 - Rotação ótima para duas taxas de juro J e J/2 %

A redução na taxa de juro tende a prolongar a rotação, o que é de se
esperar, desde que juros baixos aumentem o valor relativo de retornos mais longos.
Por outro lado, o valor da terra (a) pode exercer um efeito oposto sobre a duração
da rotação.
A taxa de juro escolhido é de importância fundamental nas decisões que
envolvem tempo. Pequenas diferenças na taxa fixada para descontar os retornos
esperados num futuro distante, tem um efeito drástico em termos atuais.
Precisa-se definir primeiramente qual a taxa de juro de rentabilidade mínima que a
empresa está disposta a aceitar para seus investimentos.

b) Estoque inicial

A densidade inicial é uma decisão importante em função de sua
influência no incremento dos custos do povoamento, e, por conseguinte na rotação.
A definição desta influência é feita sobre o valor da madeira (dimensões e
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

202
qualidade), sobre os custos de implantação, custos de melhoramento do
povoamento, etc.

4.6.13 Avaliação dos benefícios indiretos da floresta

Este conteúdo de avaliação dos benefícios indiretos da floresta foram
extraídos do trabalho publicado por Seling e Spathelf (1999).

4.6.13.1 Conceito e importância da função social da floresta

Endres apud Speidel(1967) entende como conceito de benefícios sociais
as funções de proteção, higiene e de estética da floresta. Os benefícios sociais
também são chamados de bens não comercializáveis, bens não calculáveis, bens
imateriais da floresta. Atualmente, o conceito mais usado para expressar esses
benefícios é o de Função Social da Floresta.
Segundo Seling e Spathelf (1999) ao lado da produção de madeira
(produção de bens materiais), a floresta e a produção florestal produzem bens
imateriais que são conceituados como benefícios sociais ("social benefits"),
indiretos, tarefas secundárias, ou produções de infra-estrutura, ou seja, todas as
disposições e normas necessárias para a existência e o desenvolvimento da
economia e da sociedade. Esses benefícios indiretos são: manutenção da fertilidade
do solo; do regime de água; da limpeza do ar; e da recreação para os habitantes dos
centros urbanos, etc.
O conjunto de todos esses benefícios, ou seja, a produção de bens
materiais e imateriais chama-se de uso-múltiplo da floresta.
A importância da função social cresce, por um lado devido à diminuição
constante das áreas reflorestadas. Por outro lado, para área constante, com o
aumento da densidade demográfica, industrialização, urbanização e nível de vida.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

203
A importância da função social, portanto, depende da oferta e procura. Nos países
industrializados e com alta densidade populacional a comunidade exige cada vez
mais a possibilidade de usufruir as funções sociais da floresta, o que pode estar
ligado a restrições da liberdade e economia do proprietário florestal.

4.6.13.2 Diferenças entre conceitos de benefícios indiretos

No passado, houve algumas tentativas para diferenciar os vários
benefícios indiretos. Tromp apud Seling e Spathelf (1999) distingue entre
benefícios indiretos naturais que partem da floresta e que são importantes para a
sociedade e, por outro lado, benefícios indiretos produzidos que representam as
produções advindas dos investimentos da produção florestal. Niesslein apud Seling
e Spathelf (1999) faz uma outra distinção: diferencia entre efeitos externos que são
medidos pelo benefício produzido para o público e efeitos internos como
resultados positivos na área da propriedade. Uma outra importante noção, nesta
conexão, é as "funções da floresta". A idéia predominante é que a floresta reúna
três funções: a função de exploração, a de proteção e a de recreação. Segundo essa
teoria, que foi criada nos anos 60 na Alemanha, todas as funções da floresta são
postas à disposição pela produção florestal. Entretanto, essa idéia é atacada por
outros autores.
Nesse sentido, Brandl e Oesten apud Seling e Spathelf (1999) destacam
a distinção entre os efeitos da floresta e as produções da atividade florestal. Essa
distinção deve substituir, na opinião dos autores, a prévia idéia das três funções.

4.6.13.3 Características dos benefícios indiretos

A primeira característica dos benefícios indiretos é a falta de valor de
mercado. Os efeitos e as produções são entregues a consumidas sem um preço de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

204
mercado, ou seja, eles são um bem público: nenhuma concorrência existe entre os
usuários ("non-rivalry") e nenhuma exclusão é possível ("non-excludability"). Há
três causas para explicar a falta do valor de mercado:
a) É inconveniente e/ou inoportuno quantificar e controlar o valor desse
benefício por causa do grande trabalho para sua determinação.
b) É politicamente indesejado.
c) É impossível por causa dos argumentos técnicos e jurídicos.
Uma outra característica dos benefícios indiretos é que são, muitas
vezes, os fundamentos para a produção de outros bens e estão ligados ao sítio. (Em
último lugar, o grande número e as diferentes maneiras em que se manifestam
provocam conflitos de objetivo ou de meta, por exemplo, a meta de “proteção da
natureza” contra a meta de “recreação”).

4.6.13.4 Bens públicos e privados

Os bens privados são caracterizados pelos direitos exclusivos para usar e
dispor ("property rights"). Na teoria, a diferença entre bens privados e públicos é
fácil de ser determinada, mas na prática existem muitos casos nos quais a
separação é difícil como, por exemplo, a floresta. Por um lado, a floresta é um bem
privado como um fornecedor de matérias-primas (madeira) e um local de
atividades econômicas (construção das estradas, caça, etc.). Por outro lado, a
floresta é um bem público como um meio de recepção para elementos e efeitos
secundários (poluição do ar, barulho, proteção visual, proteção contra
deslizamentos, entre outros), como um bem de consumo, ou seja, por causa do
direito das pessoas de entrar na floresta. O fato da floresta ser também um bem
público, traz conseqüências negativas. O preço "zero" significa abundância, por
isso pode existir uma superutilização, o que traz danos à floresta.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

205
4.6.13.5 Avaliação dos benefícios indiretos

A determinação do valor de benefícios indiretos da floresta para
comunidade e para o proprietário é somente uma parte da avaliação florestal,
conforme caracterizado na Tabela 33.

TABELA 33 - Posição dos benefícios indiretos na avaliação florestal.
Avaliação florestal
 
Teoria do valor da floresta Prática da avaliação florestal
 
1. Tarefas e normas da avaliação
florestal
2. Avaliação florestal clássica
2.1. Avaliação do terreno
2.2. Avaliação do povoamento
- Valor dos rendimentos esperados
- Valor de custo
- Valor de mercado
2.3. Avaliação de classe de manejo
2.4 .Taxa de juros na avaliação florestal
3. Valor dos benefícios indiretos da
floresta
1. Valor de venda (terreno e
povoamento)
2. Avaliação de danos (danos de
animais selvagens, danos pela
separação dos povoamentos, por
exemplo pela construção das estradas,
danos pelas emissões)
3. Avaliação para tributação
Fonte: Seling e Spathelf (1999)

A avaliação florestal pode ser subdividida na chamada "teoria do valor
da floresta" e na "prática da avaliação florestal". A avaliação dos benefícios
indiretos encontra-se na área da teoria de valor da floresta.
Os motivos para sua determinação podem ser distintos na empresa
florestal e na economia pública.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

206
Na empresa florestal, refere-se, sobretudo, ao problema da rentabilidade
que deve ser considerada em conexão com os benefícios indiretos. Para pôr os
benefícios indiretos à disposição da população surgem mais gastos e menos renda
na empresa florestal. Esses gastos dependem da distância dos centros urbanos, pois
quanto mais próxima estiver a floresta do centro urbano maior será o valor
despendido na construção das estradas para circulação, para relações públicas
(material informativo, informações para os visitantes) e pelas maiores dificuldades
na empresa florestal (por exemplo renúncia ao trabalho com máquinas grandes).
Uma menor renda surge pela renúncia à transformação dos povoamentos com uma
produtividade baixa, mas com uma grande atratividade para os visitantes, e pelos
danos causados pelos visitantes ao solo e aos povoamentos. Ao avaliar-se o valor
dos benefícios indireto, apresenta-se alguns problemas. O mais importante é que a
contabilidade da empresa, na maioria dos casos, não está preparada para tal como,
por exemplo, o problema da distribuição de custos de administração, ou para
considerar que uma medida aplicada na empresa serve para diferentes objetivos.
Um outro problema é que os investimentos realizados, na infra-estrutura da
floresta, são feitos sem avaliar o interesse do público, examinando-se somente o
lado da oferta, isso é, avalia-se a sua existência e não a sua real necessidade.
A respeito da política econômica, trata-se do planejamento e da alocação
de recursos. Entre as avaliações, numa empresa florestal e as avaliações de uma
política econômica, existem diferenças que são chamadas "externalidades", ou seja,
as produções e os efeitos na cadeia produtiva, não sendo contabilizados pelas
empresas florestais.
Segundo Kapp apud Seling e Spathelf (1999) faz uma distinção entre as
relações no mercado e as relações no meio ambiente. As relações no mercado são
processos de troca e as relações no meio ambiente são relação fora do mercado,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

207
entre a produção e o meio ambiente e entre o meio ambiente e a pessoa. Nessa
conexão, pode-se considerar:
a) Custos sociais (efeitos negativos para terceiros ou a sociedade que
significam receitas ou vantagens para o produtor, por exemplo à floresta como
solução para a poluição de água e ar).
b) Benefícios sociais (efeitos positivos para terceiros ou para a
sociedade, significando despesas ou desvantagens para o produtor, por exemplo os
benefícios indiretos da floresta.
Na avaliação sócio-econômica dos benefícios sociais da floresta devem
ser consideradas as despesas que tem todos os participantes na preparação das
funções sociais. Em contrapartida a estas despesas ocorrem os bens dos quais a
sociedade e os indivíduos usufruem.
Nas despesas para gerar os benefícios sociais participam as empresas
florestais e a administração pública. A parcela de participação das empresas
florestal corresponde aos custos que são suportados pelos visitantes ou pela
administração pública. A parcela da administração pública nos custos corresponde
à indenização, subvenções, renúncia de impostos feitos com o objetivo de fornecer
os benefícios sociais da floresta para a comunidade.
A vantagem da sociedade e seus indivíduos são o parâmetro mais
importante e difícil para a avaliação sócio-econômica dos benefícios sociais da
floresta. A avaliação das vantagens da sociedade pode ser feita a partir do bem
estar de cada indivíduo, o que é bastante difícil, se não impossível. Em função
disto, costuma-se trabalhar com valores auxiliares ou com indicadores de
substituição.
Como valor auxiliar pode-se usar, por exemplo, os gastos que cada
indivíduo tem para usufruir determinado bem social. Neste caso, assume-se que o
“bem” vale no mínimo tanto quanto o indivíduo gasta para tê-lo. Neste gastos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

208
incluem-se pagamentos de ingressos, gastos com deslocamento em carro próprio
ou coletivo, e renúncia a outros tipos de diversão. A média de gastos de cada
indivíduo multiplicado pelo número de visitantes anuais dá o valor dos benefícios
sociais que a floresta põe a disposição anualmente.
Outra forma de avaliar os benefícios sociais é através de indicadores de
substituição. Neste caso, parte-se hipoteticamente de uma situação sem floresta e
questiona-se quais os gastos necessários para substituir os bens sociais da floresta.
Para certos casos e situações é simples como por exemplo encontrar o indicador de
substituição para uma floresta pequena que recobre um talude: o valor de
substituição seria o custo para a construção de um muro de arrimo. Difícil torna-se,
por exemplo, determinar o valor de substituição da função de filtragem do ar por
filtros industriais.

4.6.13.6 Problemas fundamentais da avaliação dos benefícios indiretos

Para avaliar os benefícios indiretos é necessário conhecê-los, ou seja,
com palavras simples, o que não se sabe, não se pode conhecer. Por isso, só
determinados benefícios indiretos são conhecidos. Um exemplo pode ilustrar isso:
só há poucos anos sabe-se que as florestas do mundo têm importância no "efeito
estufa". Somente após foi possível determinar o valor das florestas a esse respeito.
Um outro problema é que a descrição dos benefícios indiretos pode ser
difícil, porque, às vezes, benefícios indiretos positivos têm também efeitos
negativos. Um exemplo é as bordaduras da floresta. Elas são importantes para a
proteção contra os ventos dentro dos povoamentos, mas podem causar uma
aglomeração do ar frio que produz perdas de produção nas áreas agrícolas.
Ao lado disso, existe o problema que muitas vezes a descrição de um
benefício inclui uma avaliação, o que requer critérios claros e bem definidos. Por
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

209
outro lado, a quantificação dos benefícios indiretos, ou seja, a avaliação é muito
difícil, porque, em princípio, a noção "avaliação objetiva" é paradoxal, pois os
critérios de avaliação são sempre subjetivos na quantificação dos benefícios
indiretos.

4.6.13.7 Métodos de avaliação dos benefícios indiretos

A avaliação das funções sociais ou benefícios indiretos da floresta de uma
empresa, normalmente dá-se através da comparação das despesas e rendimentos
eventuais. As despesas e os rendimentos podem, eventualmente, ser obtidos na
contabilidade da empresa, mas algumas vezes, podem ser necessários
levantamentos especiais.
As despesas empresariais com benefícios sociais podem ser compostas de:
a) Custos para a instalação, como bancos, pracinhas para crianças, placas
indicativas, construção de caminhos, áreas de camping, plataformas para pesca,
etc.
b) Custos para a manutenção destas instalações como reparos, limpezas,
substituições, etc.
c) Custos de reflorestamento de áreas muito inclinadas, dunas, etc., que
tenham como objetivo exclusivo às funções sociais e não para a produção de
madeira.
Ao lado destes custos facilmente detectáveis, existem outros mais
difíceis de serem levantados e atribuídos para a função social ou para a produção
da empresa. É o caso dos custos com a regulação de cursos d’água, fixação de
taludes, construção de estradas, havendo função social ou não, seriam executados.
Os custos mais elevados em função da utilização dos benefícios sociais da
floresta, também ocorrem no cuidado com os incêndios. As medidas preventivas
devem ser maiores e geralmente o seguro pago é maior.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

210
Os danos causados em árvores, povoamentos jovens, necessidade de
cercas para áreas recentemente reflorestadas, também, redundam em custos mais
elevados para o proprietário florestal.
Outros fatores de aumento da despesa na empresa florestal é causada pela
necessidade de se trabalhar em pequenas áreas, de interesse paisagístico nas quais
não se pode florestar, ou o não reflorestamento de áreas com visão paisagística
agradável, a necessidade de fazer povoamentos mistos renunciando a espécie de
maior crescimento ou de maior valor no mercado.
Em contraposição com estas despesas podem ocorrer também alguns
rendimentos para o proprietário florestal. Estes rendimentos podem advir de
aluguel de cabanas, taxas de estacionamento, entradas para parques, taxas para
pesca, etc. A avaliação dos benefícios sociais pela empresa compõe-se, portanto,
da soma de uma série de avaliações isoladas.
Para eliminar a dificuldade de distribuir custos comuns aos interesses da
empresa e das funções sociais ou benefícios indiretos da floresta ainda há
necessidade de muitos estudos.
Na Tabela 34, são apresentados os métodos para avaliar o valor dos
benefícios indiretos da floresta. Primeiramente, é possível diferenciar entre
métodos não-monetários e monetários. Os métodos monetários podem ser
subdivididos em métodos de custo e orientados ao benefício ou à demanda.







Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

211
TABELA 34 - Métodos de avaliação dos benefícios indiretos da floresta.
Métodos de Avaliação
 
A. Métodos não
monetários
B. Métodos monetários
  
b.1 Métodos de custos b.2 Métodos orientados
ao benefício ou à
demanda
  
a.1 Métodos com escalas
nominais
a.2 Métodos com escalas
ordinais
a.3 Métodos com escalas
cardinais

b.11Custos para substituição
b.12 Custos para
recuperação
b.21 Método direto:
- Contingent valuation
method ("CVM")
b.22 Métodos indiretos:
- Travel cost method
- Hedonic price method
Fonte: Seling e Spathelf (1999)

A. Métodos não-monetários

a.1 Métodos com escalas nominais

Os métodos com escalas nominais distinguem entre o caso em que o
benefício indireto existe ou não existe, isto é, "nominal" significa apenas uma
classificação dos benefícios indiretos. Um exemplo é o mapeamento das funções
da floresta na Alemanha (recreação, água, proteção do solo, etc.). É importante
afirmar que nesse método só a oferta dos benefícios é medida e não a demanda.

a.2 Métodos com escalas ordinais

Nesse método é possível uma formação hierárquica de benefícios, mas
nenhuma consideração pode ser feita sobre suas diferenças de valor. Um exemplo é
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

212
o mapeamento dos biótopos florestais no Estado de Baden-Württemberg na
Alemanha, ou seja, a atribuição de cifras aos biótopos florestais. Neste caso,
embora se possa dizer que a cifra “um” é melhor que a cifra “dois”, não se pode
determinar a diferença entre as duas. Nesse contexto também só a oferta natural é
considerada, e não a demanda das pessoas.

a.3 Métodos com escalas cardinais

Nos métodos com escalas cardinais, a diferença entre os valores é
determinada. Para isto, existem três métodos diferentes.
Um método é o da análise de valor de benefícios (“scoring model”).
Trata-se de um método para a avaliação de alternativas econômicas, mas tem
também critérios que não são medidos em unidades monetárias, ou seja, critérios
técnicos, sociais ou psicológicos.
Um outro método é a análise de custos e benefícios (“cost-benefit-
analysis”). Trata-se de um método de avaliação comparada de projetos ou de
alternativas de ações. Esse método, sobretudo, é usado para avaliar projetos
públicos de investimento.
E uma terceira possibilidade são os índices no contexto dos métodos de
escalas cardinais. Nele, os custos de produção dos benefícios indiretos podem ser
expressos em relação aos custos totais na empresa.

B. Métodos monetários

b.1 Métodos de custos

A idéia fundamental é que os benefícios indiretos valem, pelo menos,
tanto quanto os custos para a sua oferta ou para a substituição. Um exemplo de
custo de substituição refere-se aos custos para a preparação da água oriunda de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

213
uma área sem floresta em relação à produzida em uma área florestal. Os custos de
recuperação referem-se aos custos para a reparação de danos que surgem em áreas
sem floresta, por exemplo, os danos causados pela erosão do solo.

b.2 Métodos orientados ao benefício ou à demanda

Como o benefício das pessoas, que consomem, não é diretamente
mensurável, o conceito de "disposição de pagar" é utilizado, ou seja, um bem dá
tanto benefício quanto uma pessoa ou que a sociedade precisa ou pode pagar. A
disposição de pagar por benefícios indiretos existe, porque possibilitam o consumo
("user benefits") e trazem outros valores agregados ("non-user-benefits"), tais
como:
a) O valor de possibilidade: A disposição de pagar existe, porque
garante a possibilidade para usar o bem mais tarde.
b) O valor de patrimônio: O bem é útil, porque os descendentes poderão
usá-lo.
c) O valor de existência: O bem tem utilidade pela sua simples
existência, embora possa, em um determinado momento, não ser utilizado.

b.21 Método direto:

- "Contingent valuation method" (CVM):

O método trabalha com pesquisa de pessoas sobre suas disposições de
pagar por um determinado bem. O método é muito fácil, porque basta entrevistar
as pessoas que caminham, que vão de bicicleta ou fazem uma corrida na floresta.
O método, porém, tem uma série de desvantagens. A disposição de
pagar é influenciada pela capacidade de pagar, ou seja, quanto maior o salário tanto
maior a disposição de pagar. Em virtude a disposição em pagar ser desigual entre
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

214
as pessoas, é necessário considerar os diferentes níveis salariais. Além disso, é
preciso considerar que somente as pessoas, com um salário próprio, podem decidir
independentemente.
Uma outra desvantagem é o fato que há respostas estratégicas (respostas
não verdadeiras) ou que as respostas verdadeiras não são idênticas ao
comportamento das pessoas. E que, ainda pode existir um problema de informação.
Os assuntos sobre os quais as pessoas são perguntadas são muito complicados,
podem representar conflitos entre gerações, entre outros. Uma questão que precisa
ser refletida é se existe hoje condições para avaliar bens, que também atingirão as
próximas gerações ? Trata-se de uma questão ética e moral.

b.22 Métodos indiretos:

A idéia fundamental nos métodos indiretos é que, com base no
comportamento do usuário, é deduzido o valor dos benefícios indiretos. Os
métodos indiretos são os seguintes:

- "Travel cost method" (Método de custo de viagem):

Neste método, o valor do benefício indireto é atribuído em função do
custo médio dos visitantes para chegar à floresta. Para isso, é decisivo conhecer o
preço pago pela passagem de ônibus, do trem ou do gasto de combustível.
Em contraposição ao "Contingent valuation method", não apresenta
nenhuma resposta estratégica. Este método, porém, apresenta desvantagens, pois só
é aplicável à função de recreação, enquanto o "Contingent valuation method" é
também aplicável para outras funções, como por exemplo para averiguar a
disposição de pagar pela água limpa originada da floresta.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

215
O "Travel cost method" trabalha com uma série de suposições, nele a
pessoa é observada sozinha, ou seja, considera-se que realizou a viagem sozinha,
mesmo que ela tenha sido realizada em grupo. Uma outra suposição é que a visita à
floresta tenha sido o único motivo para a viagem, mesmo que existam outros, como
por exemplo uma visita a amigos. Por isso a relação entre a distância de viagem e o
benefício de recreação é baixo, pois o método só quantifica o valor da recreação.

- "Hedonic price method" (Método do valor do terreno):

Este método foi desenvolvido por Petri apud Seling e Spathelf (1999),
baseado-se no preço do terreno, ou seja, faz-se à comparação dos preços de
mercado dos terrenos junto à floresta com outros mais distantes. Os terrenos devem
ser idênticos, deduzindo-se da diferença dos preços o valor dos benefícios.

4.6.13.8 Incentivos das empresas florestais na Alemanha

Brandl e Oesten apud Seling e Spathelf (1999) fizeram um estudo sobre
a avaliação monetária dos impactos causados pela produção florestal (efeitos
externos positivos e negativos) na Alemanha. Verificaram que há um grande
número de casos nos quais os efeitos positivos refletem na empresa florestal. Esses
efeitos foram disponibilizados para as comunidades na forma de água, ar, redução
de ruído, recreação, entre outros. Os incentivos recebidos pelas empresas florestais
são um exemplo para isso, conforme apresentado na Tabela 35.
A mais importante norma da Constituição da Alemanha é a proteção da
propriedade privada e, nesse sentido, a garantia das produções da floresta para o
bem público é uma atribuição das empresas florestais. A idéia fundamental é que a
empresa florestal mantenha uma boa saúde econômica.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

216
TABELA 35 - Incentivos às empresas florestais do Estado de Baden-Württemberg,
em 1993 (Brandl e Oesten apud Seling e Spathelf (1999).
Descrição Milhões US$/ano
A. Incentivos no sentido estrito
1. Incentivos diretos
Cooperativas de empresas florestais 0,28
Florestamento 1,39
Construção de estradas 0,67
Tratamentos silviculturais 0,72
Transformações de povoamentos 0,28
Replantios 0,1
Programa especial "Silvicultura" 2,8
Medidas para a recuperação de novos danos florestais
(adubação, reflorestamento, etc.)
5,5
Recuperação de danos florestais extraordinários causados
por catástrofes naturais
7,8
2. Incentivos indiretos
Apoio à floresta privada (incluído da formação/instrução,
aperfeiçoamento e ajuda técnica)
25,0
Apoio à floresta municipal 21,7
Reforma agrária na floresta não-divulgado
B. Subvenções
Prêmio pelo florestamento 0,1
Subvenções para empresas com 5-20 ha de floresta (só
empresas florestais) ou de 3-200 ha de floresta (empresas
com atividade florestal e agrícola)
9,0
Redução de impostos não-divulgado
Promoção da produção e de vendas (p. ex.: redução de
preço da gasolina para máquinas grandes)
não-divulgado
C. Pagamentos compensados
Programa especial "Floresta ecológica" 0,28
D. Remunerações pela produção
Incentivos à formação de parques e reservas naturais 1,1
Total 76,72
Total/ha/ano
1
80,00 - US$

Obs.: Em razão da impossibilidade em se obter dados de alguns programas de
incentivo, a soma dos valores da Tabela 3 é, com certeza, superior à apresentada.
Fonte: Seling e Spathelf (1999)


1
Área florestal em Baden-Württemberg: 1.256.000 ha (37,1 % da área total do
estado), área de floresta privada e municipal: 958.328 ha (76,3 % da área
florestal).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

217
A garantia das produções dos bens materiais e imateriais, para o bem
público, advindo da floresta fica ameaçada quando a empresa florestal encontra
dificuldades econômicas originadas pelas baixas rendas ou pelos efeitos negativos
do forte compromisso social.
Por isso, estados como o de Baden-Württemberg e mesmo em toda
Alemanha é mantido uma política de incentivo às empresas florestais. Sobre isso,
Brandl e Oesten apud Seling e Spathelf (1999) citam que existem alguns
problemas atuais com os incentivos florestais concedidos na Alemanha.
Em primeiro lugar, a definição dos objetivos a serem alcançados não
está suficientemente formulada. A sua redação é muito genérica e, por isso, não é
possível controlar adequadamente o seu efeito. O objetivo "melhoramento da
situação econômica das empresas florestais", por exemplo, foi descrito sem
parâmetros, sendo necessário definir seus objetivos e critérios operacionais com
precisão.
Em segundo lugar, os programas de estímulo, muitas vezes, tornam-se
sem efeito, como por exemplo o incentivo à execução de tarefas na floresta que são
normalmente realizadas mesmo sem o financiamento. Nesse caso, os incentivos
tornam-se puros programas de "transfer". O proprietário recebe dinheiro sem
mudar seu comportamento, o que se chama "levar vantagem" ou "free-rider-
problem".
Em terceiro lugar, os incentivos dependem das decisões orçamentais, ou
seja, dependem quase, exclusivamente, da disponibilidade orçamentária.
Em quarto lugar, citam os problemas de informação. Os vários usuários
não recebem as mesmas informações. Por exemplo, as empresas florestais
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

218
municipais recebem mais informações pelo apoio recebido das empresas florestais
estaduais em comparação com as empresas florestais privadas.
2

Em quinto lugar, é a falta o controle do sucesso. Por causa da falta de
critérios para controlar o alcance dos objetivos não é possível medir o sucesso dos
incentivos.
A conclusão de Brandl e Oesten apud Seling e Spathelf (1999) é que por
meio dos incentivos fiscais, na Alemanha, os efeitos externos positivos da
produção florestal são internalizados. Entretanto, em razão da falta dos critérios
exatamente definidos não se pode verificar se os incentivos no ano 1993, numa
quantidade de US$ 76,72 milhões, destinados às empresas florestais privadas e
municipais, foram muito baixos, suficientes ou muito altos. Apesar dos problemas
descritos no complexo sistema de incentivos à produção florestal, a sua existência
não é questionada nem pelo governo e nem pelos receptores. Entretanto, é
consenso que necessita ser aperfeiçoado.

2
Na Alemanha há três grupos dos proprietários florestais: floresta estadual, floresta
municipal, floresta privada. A proporção dos respectivos grupos depende
sobretudo da história de cada País.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

219


V - PLANEJAMENTO E REGULAÇÃO DE CORTES

5.1 Planejamento de cortes por métodos tradicionais

5.1.1 Introdução

Entende-se por planejamento da produção florestal a organização e o
controle do volume para obter um rendimento sustentado dos povoamentos
florestais. Tem a finalidade de buscar o equilíbrio entre o crescimento, produção e
o corte da floresta. Devido a isto, é óbvio que a regulação da produção constitui-se
no ponto de maior importância no manejo florestal.
O planejamento da produção tem que facilitar o máximo de
aproveitamento para o proprietário da floresta e, também, para que a floresta tenha
outras múltiplas funções complementares à produção madeireira.
Para a regulação dos cortes usa-se certos métodos de determinação da
possibilidade e de sua distribuição nos povoamentos florestais. Bem como a
distribuição da possibilidade nos talhões e preparar um plano cronológico para as
explorações. Por fim, a regulação tem que procurar pontos de referências, a partir
dos quais se pode analisar os resultados e avaliar o progresso das operações.
No século passado, dava-se ênfase à obtenção de produções anuais iguais.
Porém, atualmente, não existe a preocupação primordial da escassez de madeira,
pelo menos em muitos países, portanto uma estrita regulação já não é tão
indispensável. Em certos países, a tendência é a de aumentar a exploração quando
a demanda é grande e os preços altos, e reduzí-la em caso contrário, para
capitalizar-se sobre os povoamentos florestais.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

220
Antes, os técnicos florestais tinham o critério de que para a regulação da
produção de uma floresta era necessário o período total da rotação. Atualmente,
admitem que não é aconselhável regular a produção para um período longo, em
particular para toda a rotação da floresta. As modificações contínuas das condições
econômicas mostraram claramente que a regulação da produção não pode ser
planejada para um período muito longo.
A regulação de cortes ou planejamento de cortes especifica a quantidade
de madeira que pode ser cortada em um espaço temporário de validez de um plano
de manejo.
O espaço de tempo é denominado de período de manejo, para o qual é
elaborado o plano de manejo. Normalmente este período de manejo é definido para
o ciclo de cinco anos nas condições brasileiras, e dez ou mais para florestas
européias. O período de manejo está vinculado à grandeza da rotação, que para
nossas condições pode estar associada a rotações curtas, de 8 a 10 anos para
eucaliptos em talhadia simples e acácia-negra, e rotações médias de 20 a 50 anos
para pinus e araucária manejados em sistema de alto fuste.
Considerando que as épocas de abastecimento do mercado com madeira é
determinado por certos momentos críticos, que tem uma elevada importância no
manejo, porque através dos cortes visa-se dar continuidade no processo de
produção de matéria-prima.
Neste aspecto, determina-se a quantidade de madeira que pode ser cortada
em regime sustentado e aquilo que é possível de ser cortado do ponto de vista
silvicultural. Neste sentido, o regime sustentado é interpretado como: “O princípio
de administrar uma propriedade florestal, com o objetivo de obter produção
contínua e constante de matéria-prima, buscando o equilíbrio entre produção e
corte que se verifica em um período”.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

221
Esta interpretação de regime sustentado tem alcançado interpretações e
definições variadas, como o simples “princípio da reprodução”, adotado na Rússia,
principalmente para a Tayga. No entanto, nos países capitalistas, este princípio é
chamado de “continuidade de reprodução“.
No manejo florestal moderno é utilizado o “regime sustentado e uso
múltiplo“, que expressa o manejo dos recursos renováveis para que estes produzam
madeira, água de boa qualidade, vida silvestre, pastagem e recreação ao ar livre, de
tal maneira e combinação que as necessidades econômicas, sociais e culturais do
povo sejam satisfeitos, como mínima alteração dos recursos básicos do solo e
outros fatores ambientais.
O uso múltiplo define como deve ser o manejo de todos os diversos
recursos renováveis das florestas, de tal maneira que satisfaça as necessidades da
população.
O regime sustentado e uso múltiplo constitui-se atualmente na base
fundamental do manejo florestal de todos os países desenvolvidos, como:
Alemanha, Áustria, Suíça e outros.
Neste contexto, a determinação da quantidade a ser cortada é o objetivo
maior do manejo, para o que foram constituídas várias teorias para determinação
do corte sustentado.
A taxa de corte é um termo utilizado para definir a quantidade de madeira
a ser cortada, expressa em metros cúbicos para a área de uma classe de manejo.
Segundo Speidel(1972), no século XV, na região do Tirol, houve a
primeira vistoria para a determinação de cortes, com base em estimativas, visando
limitar a derrubada de florestas na época. Com o passar do tempo, aliado ao grave
problema de escassez de madeira, os métodos foram ficando mais precisos,
matemáticos e adequados às condições reais da floresta. Porém, não se deve pensar
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

222
que é possível calcular exatamente o corte ideal, mas o mais próximo possível do
normal ou ótimo.

5.1.2 Indicadores da taxa de corte

Para a determinação da taxa de corte, deve-se levar em consideração
certos indicadores de crescimento, para isto existe as seguintes possibilidades:
a) Estoque existente: deve ser avaliado segundo a espécie, classe de idade
e diâmetro;
b) Incremento corrente ou médio anual: deve ser avaliado também
segundo a mesma especificação anterior;
c) Possibilidades silviculturais de corte: é avaliado individualmente para
cada povoamento.
O planejamento de corte pode abranger várias formas de exploração,
sendo classificado da seguinte maneira:
a) Exploração principal: está relacionada ao aproveitamento da produção
principal (madeira);
b) Exploração secundária: está vinculada à exploração dos produtos
secundários da exploração, como: casca, resina, pastagem, manta, semente, etc.
A exploração principal pode ainda ser dividida em:
a) Exploração final: está vinculada ao volume do corte final;
b) Exploração antecipada: está vinculada aos volumes oriundos dos
desbastes.

5.1.3 Métodos de determinação da taxa de corte

Os métodos para determinação da taxa de corte sustentada são divididos
em dois grandes grupos, denominados de Métodos Dedutivos e Indutivos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

223
Todos estes métodos possibilitam determinar a taxa de corte para
obtenção de regime sustentado, que se constitui no objetivo maior do manejo, por
permitir uma contínua produção e constante abastecimento industrial.

5.1.3.1 Métodos Dedutivos

Entende-se como métodos dedutivos todos aqueles que possibilitam a
determinação direta da taxa de corte.
Os métodos dedutivos de determinação da taxa de corte são os seguintes:

a) Métodos de divisão de área

É o método mais antigo de planejamento de corte, data do século XVII, e
era inicialmente utilizado para floresta de talhadia simples.
A taxa de corte da classe de manejo é determinada pela razão da área pela
grandeza de rotação, sendo expressa por:

C = A / r

Sendo: A = área da classe de manejo; r = rotação, em anos.

Este método caiu em desuso devido à variação da produção com a
qualidade do sítio, que é levado em consideração na determinação da taxa de corte
de uma classe de manejo.
Mesmo assim, este método pode ser empregado para determinação de
cortes em pequenas propriedades florestais que cultivam acácia-negra e eucalipto
em rotação curta, cuja área apresenta uma homogeneidade de sítio.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

224
b) Método da divisão de estoque

Este método teve ampla utilização no século XVIII, na Europa. É um
método simples e mais eficiente que o método de divisão de área por levar em
consideração a produtividade em volume.
A taxa de corte é obtida pela expressão:
C = V / r

Sendo: V = volume real da classe de manejo, em metros cúbicos; r =
rotação, em anos;

c) Método de divisão de estoque, segundo Hufnagel

Este método foi desenvolvido na Áustria, no século XVIII. Ele considera
somente os povoamentos com idade superior a r/2 e o incremento destes nas
mesmas idades de referência.
A taxa de corte é determinada através da fórmula:

r/2
A.i.r/4 V
C
+
=

Sendo: V = volume real da classe de manejo dos povoamentos com idade
> r/2; A = Área dos povoamentos com idade > r/4; i = incremento dos
povoamentos com idade > r/2; r = rotação, em anos.

A vantagem deste método de determinação da taxa de corte está em
considerar somente os povoamentos maduros em idade de exploração.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

225
d) Método de divisão de estoque, segundo Flury

Este método de determinação da taxa de corte foi desenvolvido na
Suíça, tendo por objetivo equilibrar as eventuais falhas de estoque. Para isto, foi
introduzido uma correção no Método de Hufnagel original, sendo que a fórmula
passou a ser expressa por:

r/2
Vn) (V A.i.r/4 V
C
÷ + +
=

Sendo: V = volume real da classe de manejo; Vn = volume normal da
classe de manejo.

e) Método de Mantel

A taxa de corte pelo Método de Mantel é deduzida do Modelo de Floresta
Normal, sendo obtida através da seguinte fórmula:

C = 2 . V / r

Trata-se de um método simples e prático, embora tenha a desvantagem de
não levar em consideração o incremento do povoamento.
Uma modificação na fórmula de Mantel foi introduzida por Masson,
ficando a mesma expressa por:

C = V / ½. r

f) Método de Howard

Este método foi desenvolvido na Índia, para ser usado em florestas
irregulares, sendo considerada como uma fórmula empírica, expressa por:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

226
C =
r
V
. 8 / 3


Neste método, o fator 3/8 constitui-se no limitador de aplicação, pois não
pode ser generalizado para qualquer tipo florestal.

g) Método de Blanford-Simmons

Este método também foi desenvolvido para florestas irregulares da Índia,
que por causar taxas de corte excessivas é desaconselhável. A fórmula é expressa
por:
C =
V
r x r ( / ) 1
2 2
÷


Sendo: x = idade a partir do qual é determinado o volume; V = volume
dos povoamentos a partir da idade x; r = rotação, em anos.

h) Método de Mantel modificado

Este método constitui-se em uma extensão da fórmula de Mantel, sendo
introduzido um fator de correção da taxa de corte, deduzido pela razão entre o
volume real e normal da classe de Manejo.
A taxa de corte passa a ser determinada pela fórmula:

C = 2.V/r . V/Vn

Sendo: V = volume real da classe de manejo; Vn = volume normal da
classe de manejo; r = rotação, em anos; C = taxa de corte, em metros cúbicos.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

227
A vantagem da introdução do fator V/Vn é possibilitar que os cortes não
excedam ao volume sustentado de produção. Com isto alcança-se um estoque
normal, porque quando o fator for >1 a taxa de corte será maior, e menor quando o
estoque for insuficiente e o fator será <1.

i) Método de Hanzlik

O método de Hanzlik foi desenvolvido nos EUA para determinar o corte
de florestas virgens de coníferas, nas quais se iniciava o manejo. Inicialmente, é
necessário fixar a rotação adequada para o tipo de floresta (espécie). Este método
considera os povoamentos maduros comercialmente para determinação do volume
e os povoamentos mais jovens para o seu incremento. O corte é determinado pela
fórmula:

IMA
r
V
C + =

Sendo: V = volume real de povoamentos maduros (idade > r/2); IMA =
incremento médio anual de povoamentos jovens (idade < r/2); r = rotação, em
anos.

j) Método de Black-Hills

Este método de determinação da taxa de corte foi desenvolvido para
florestas dos EUA, sendo expresso por:
a
ip/2).Pn (Vn Vm.Pm
C
+ +
=

Sendo: Vm = volume real dos povoamentos maduros (idade > r/2); Pm =
% de corte possível em povoamentos maduros (idade > r/2); Vn = volume real de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

228
povoamentos jovens (idade < r/2); pn = % de corte a ser feita nos povoamentos
jovens (idade < r/2); ip = incremento periódico de povoamentos jovens, no período
de manejo (idade < r/2); a = período de manejo, em anos.

As percentagens de cortes nos povoamentos maduros e jovens, não podem
exceder a 100 % (Pm + Pn).
A vantagem desta fórmula é que distribui o corte de madeira madura
durante “a“ anos, até se conseguir o acréscimo do estoque de povoamentos mais
jovens.

j) Método de Brandis

Este método é também chamado de Método Colonial, foi desenvolvido
para determinação de corte em povoamentos naturais de teca (Tectona grandis)
do Sudeste da Ásia.
O objetivo deste método é alcançar através do manejo extensivo de
florestas com pouca infra-estrutura, um rendimento sustentado.
O corte é determinado pela fórmula:

C = V / a . k

Sendo: V = volume real existente na classe de manejo; a = período de
manejo ou equilibração de estoque; k = fator, que depende do tipo florestal, varia
de 0,4 a 0,8, quando desconhecido é utilizado o valor de 0,6.

O método tem comprovado eficiência para obtenção de rendimento
sustentado, útil e aplicável em florestas tropicais, com heterogeneidade de
espécies e número limitado de madeiras comercializáveis.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

229
k) Método de Paulsen-Hundeshagen

Neste método a taxa de corte é determinada através da fórmula:

Cv = Vr. Cd / Vd

Sendo: Vr = volume verdadeiro ou real da classe de manejo; Cd = corte
desejado ou normal da classe de manejo; Vd = volume desejado ou normal da
classe de manejo; Cv = corte verdadeiro ou real da classe de manejo.

Assim, regula-se a taxa de corte, caso o estoque for inferior ao desejado,
diminui-se o corte verdadeiro, e se o estoque for excessivo, aumenta-se à taxa de
corte.
Posteriormente, foi introduzida uma modificação no método com a
inclusão do incremento médio total de povoamentos maduros, passando a ser
expresso por:

Cv = Vr/Vn . IMA

Sendo: IMA = incremento médio anual total dos povoamentos maduros
(idade > r/2).

Esta relação entre os estoques foi introduzida com a intenção de alcançar a
normalidade.

l) Método de Breymann

Este método foi desenvolvido na Escola Florestal Mariabrunn da
Áustria, em 1807. A taxa de corte é determinada pela fórmula:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

230
Cv = Cd . 2.a / r

Sendo: a = idade média dos povoamentos da classe de manejo; Cd = corte
verdadeiro ou real da classe de manejo; r = rotação, em anos.

m) Método Austríaco

O Método Austríaco foi desenvolvido para florestas regulares ordenadas,
onde se busca a normalização do volume ao longo da rotação, pode ser usado para
qualquer tipo de floresta. O método está baseado no conceito de que o volume é à
base da regulação e que a possibilidade de corte obtém-se como resultado do
crescimento do povoamento.
Este se constitui num dos mais precisos e importantes métodos para
determinação da taxa de corte, sendo obtido através da expressão:

Vr - Vn
C = IMA + -----------
a

Sendo: IMA = incremento médio anual total da classe de manejo; Vr =
volume real da classe de manejo; Vn = volume normal da classe de manejo; a =
período de equilibração de estoque, em anos.

O tamanho do período de equilibração é fixado segundo as conveniências
silviculturais ou, aproximadamente, 2/3 da rotação.
A vantagem deste método é levar em consideração o incremento médio
anual total e a correção deste pela diferença entre o volume real e normal, dentro
de um período de tempo.
Por outro lado, Heyer, introduziu uma modificação na fórmula austríaca,
substituindo o período de equilibração pela grandeza da rotação. Desta forma,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

231
busca-se equilibrar o volume real ao normal ao longo de toda a rotação do
povoamento.

n) Método de Gerhard

É um método que alcançou uma importância prática, assim como o
Método Austríaco. Este método foi desenvolvido em 1920, com base no Método
Austríaco, sendo a sua representação matemática a seguinte:

a
Vn Vr IMA ICA
C
÷
+
+
=
2


Sendo: ICA = incremento corrente anual total da classe de manejo; IMA
= incremento médio anual total da classe de manejo; Vr = volume real da classe de
manejo; Vn = volume normal da classe de manejo; a = período de equilibração, em
anos.

o) Método Finlandês

No Método Finlandês, os povoamentos são agrupados em classes segundo
a sua fase de desenvolvimento, como mostra a Tabela 33.

TABELA 33 – Descrição das fases de desenvolvimento adotadas no Método
Finlandês
Classes Descrição
0 Área de regeneração
1 Povoamentos jovens
2 Povoamentos em desbaste
3 Povoamentos em preparação para regeneração
4 Povoamentos maduros que serão regenerados proximamente
5 Povoamentos em processo de regeneração
6 Áreas marginais
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

232
O Método Finlandês desliga-se do conceito de rendimento sustentado e
floresta normal. Mostra alguns componentes próprios de manejo contemporâneo,
como: a utilização de uma função de produção empírica; a meta de extração
vinculada a um processo de diagnóstico e prescrição específica a cada condição
florestal; a adoção de uma floresta meta, a qual tem objetivos de rendimento que
podem ou não ser máximos ou sustentados.
Por meio de inventários prescreve-se quais os tratamentos são
convenientes a cada tipo de povoamento, assim como a urgência de sua aplicação.
Os cortes de regeneração são prescritos utilizando uma rotação guia, que deve
confirmar-se ou corrigir-se segundo a condição do povoamento em questão. Outros
tipos de povoamentos são tratados simplesmente segundo a sua fase de
desenvolvimento.
As informações do inventário são utilizadas junto com as metas de
manejo, para definir tratamentos a cada povoamento para um período de
planejamento de 20 anos e, também, define-se a ordem de intervenção dentro do
povoamento com um mesmo tratamento.
As produções e incrementos são gerados em tabelas de produção. Esta
estimativa permite atualizar o rendimento dos povoamentos até a metade do
período de planejamento, que em média é quando se faz a intervenção.
O método determina o volume estimado que o povoamento terá no final
do período de planejamento e não a taxa de corte, através da fórmula:

VEi = (VOi . (1 + Ii)
P/2
– Ri) . (1 + Ii)
P/2


Sendo: VEi = volume estimado que terá uma classe composta dos
povoamentos da fase de desenvolvimento i = 0, 1, ..6, ao final do período de
planejamento; VOi = Volume inicial que tem a classe composta dos povoamentos
da fase de desenvolvimento i; Ii = Percentagem de incremento estimado nas tabelas
de produção para um povoamento típico da fase de desenvolvimento i; Ri =
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

233
volume médio que será cortado no tratamento do povoamento da fase de
desenvolvimento i, segundo o inventário de prescrição; P = período de
planejamento (20 anos).

5.1.3.2.1 Métodos Indutivos

Os métodos indutivos determinam somente parâmetros que são utilizados
na determinação da taxa de corte nos métodos dedutivos. Portanto, estes métodos
não permitem a obtenção direta da taxa de corte sustentada, mas o incremento da
classe de manejo que é utilizado em um método dedutivo.


a) Método de controle

O Método de Controle foi desenvolvido por Gurnaud, em 1878, e mais
tarde implementado por Biolley, em 1890.
O objetivo principal do método de controle é obter um máximo na
permanência de estoque através da determinação do incremento como medida da
taxa de corte.
Para a aplicação do método é necessário o controle periódico do
crescimento, volume e cortes.
O método determina o incremento que se verifica em um período ou ano,
através da fórmula:
a
E C V V
I
÷ + ÷
=
1 2

Sendo: I = incremento periódico anual do povoamento; V2 = volume
real no segundo levantamento; V1 = volume real no primeiro levantamento; C =
corte durante o período "a"; E = entrada, ingresso das árvores que passam de uma
classe de diâmetro para a outra.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

234
A determinação do incremento pelo método de controle, requer um
cálculo inverso, partindo-se das maiores classes de diâmetro para as menores.
O cálculo deste método é contrário aos métodos anteriores, que partem do
estado atual, periodicamente analisado, para alcançar o ótimo em relação ao
estoque, incremento e corte. Porém, o Método de Controle é especialmente apto
para manejo em florestas heterogêneas, como o sistema jardinado, mas pode ser
usado da mesma maneira na floresta homogênea, manejada em sistema de alto
fuste.
Para efetuar o cálculo do incremento pelo método de controle é necessário
ter disponível uma equação de simples entrada ou tarifa, conforme apresentada na
Tabela 36.

TABELA 36 – Volume em função do DAP
DAP (cm) 18 22 26 30 34 38 42 46 50
50
Volume (m
3
) 0,19 0,32 0,49 0,71 0,97 1,28 1,62 2,01 2,43
2,88

Tomando-se por base os resultados de dois inventários necessários e
cortes realizados num período de 10 anos, apresentados na Tabela 37, obtém-se o
incremento calculando-se o ingresso.

TABELA 37 – Dados dos inventários e determinação do incremento absoluto
Variável Total 18-26 cm 30-38 cm 42-50 cm 54-62 cm
N° m
3
n° m
3
n° m
3
n° m
3

m
3
V2 3145 3324,7 1000 267,9 1290 1367,6 775 1441,6 80
247,6
C 290 185,9 170 49,5 80 67,7 40 68,7 -
-
V2+C 3435 3510,6 1170 317,4 1370 1435,3 815 1510,3 80
247,6
V1

3205 2842,0 1160 354,7 1530 1528,9 480 852,6 35
105,8
V2+C-V1

230 668,6 10 -37,3 -160 -93,6 335 657,7 45
141,8
E 230 -43,7 10 112,5 -160 459,4 335 -486,0 45
-129,6
Inc.Abs. - 629,9 - 75,2 - 365,8 - 171,7 -
12,2
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

235
Sendo: V2 = volume do segundo levantamento; V1 = volume do primeiro
levantamento; C = cortes realizados no período; E = ingresso; Inc.Abs.=
incremento absoluto.

O ingresso é calculado com o auxílio da Tabela 38, sendo sua
determinação feita da última classe de diâmetro para a primeira.

TABELA 38 - Cálculo de ingresso

DAP
18-26 cm
DAP
30-38 cm
DAP
42-50 cm
DAP
54-62 cm
Ingresso Passagem Passagem Passagem
n° m
3
n° m
3
n° m
3
n° m
3
18 230 43,7 30 220 156,2 42 380 615,6 54 45 129,6
22 34 46 58
26 38 50 62
V2+C-V1 10 -160 335 45
Passagem 220 156,2 P 380 615,6 P 45 129,6 P
Ingresso 230 -43,7 I 220 -156,2 I 380 -615,6 I 45 -129,6
Correção 112,5 C 459,4 C -486,0 C -129,6
Sendo: P = passagem; I = ingresso; C = correção; DAP = diâmetro à altura do peito.

Assim, para o exemplo, obtém-se o incremento periódico de 629,9 m
3
.
Considerando que o período de tempo entre os dois levantamentos foi de 10 anos,
obtém-se um incremento periódico anual de 62,99 m
3
/ano. E, sabendo-se que a
área do povoamento é de 10 hectare, o incremento periódico anual por hectare é
igual a 6,299 m
3
/ha/ano.

5.1.3.3 Determinação da taxa de corte de uma classe de manejo

Para demonstrar a determinação da taxa de corte foi tomado como
exemplo dados de uma classe de manejo, constituída de 11 talhões, divididos em
secções; com duas espécies (A e C); com rotação de 50 anos; e manejadas em
sistema de alto fuste. Estas informações da classe de manejo encontram-se na
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

236
Tabela 39, com as quais foi determinada a taxa de corte, através dos seguintes
métodos:

a) Taxa de corte pelo método de Mantel:

2 . Vr
. C =
______________
r

2 . 55.275
. C
A
=
_______________
= 2.211 m
3
/ano
50


2 . 8.870
. C
C
= ----------- = 355 m
3
/ano
50

. TC = 2.211 + 355 = 2.566 m
3
/ano

b) Taxa de corte pelo método de Hufnagel:

V + A . i . r/4
. C =
_________________________
r/2

43.511 + 2055,53 . 50/4
. C
A
= ----------------------------------- = 2.768 m
3
/ano
50/2

8.496 + 456,01* 50/4
. C
C
= ------------------------------ = 568 m
3
/ano
50/2

. TC = 2768 + 568 = 3.336 m
3
/ano
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

237
TABELA 39 - Informações dendrométricas da classe de manejo
TALHÃO SECÇÃO ESPÉCIE IDADE
(ano)
ÁREA
(ha)
VOLUME
(m
3
/ha)
ICA
(m
3
/ano)



1
a C 65 1,79 354 6,88
b C 5 2,34 - -
c A 2 4,13 - -
C 1 1,72 - -
d A 47 2,65 1493 44,59
C 47 3,36 788 31,18
e C 0 1,70 - -





2

a

A 53 1,54 838 20,51
C 53 0,16 16 0,56
b A 0 2,51 - -
c A 48 2,78 1766 43,96
C 48 2,63 808 27,47
d A 4 3,95 - -
C 3 1,17 - -
e A 57 3,28 1572 36,29
C 57 1,05 185 3,86
f A 41 2,62 1269 47,90
C 41 3,28 672 46,17



3
a A 5 6,41 - -
C 3 0,56 - -
b A 7 0,84 - -
C 7 4,35 - -
c A 29 3,98 1508 99,06
d A 28 6,39 2234 157,18
C 28 0,54 73 8,06





4
a A 49 4,16 2484 54,18
C 49 0,97 289 9,99
b A 8 2,79 - -
C 7 4,08 - -
c

A 11 6,79 344 86,61
C 11 0,84 5 3,56
d A 46 1,91 1076 29,43
C 46 2,17 503 21,13
e A 11 3,81 184 40,29
C 11 0,62 3 2,00


5
a A 45 3,86 2154 64,27
C 45 2,12 489 23,03
b A 45 4,09 2318 64,90
C 45 2,27 537 24,31
c

A 42 3,54 1738 63,74
C 42 1,80 446 20,80





6

a

A 36 0,81 416 18,08
C 36 3,08 627 41,81
b

A 40 6,52 3152 136,78
C 40 1,57 326 16,40
c A 37 5,41 2745 119,40
C 37 0,97 226 14,78
d A 38 2,43 1167 56,82
C 38 3,44 829 42,84
e A 41 3,47 1852 64,65
C 41 1,40 313 17,12
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

238
TABELA 39 - Informações dendrométricas da classe de manejo. Cont...
TALHÃO SECÇÃO ESPÉCIE IDADE
(ano)
ÁREA
(ha)
VOLUME
(m
3
/ha)
ICA
(m
3
/ano)



7
a

A 12 7,24 393 97,56
C 12 2,16 11 8,12
b A 14 7,48 461 109,45
C 14 1,31 8 6,57
c A 13 5,42 284 66,80
d A 20 2,18 228 40,98
e A 22 4,31 903 93,71
C 22 1,01 52 9,47





8

a

A 34 3,80 1748 105,17
C 34 0,62 138 7,47
b A 35 4,57 2071 104,36
C 35 0,28 62 3,98
c A 33 3,11 1207 78,44
C 33 2,13 338 28,28
d A 11 3,66 189 38,40
C 11 0,82 3 1,87
e A 12 2,87 156 31,77
C 12 0,65 5 4,04



9
a A 14 6,03 357 88,28
C 14 1,11 8 6,10
b A 13 4,57 260 64,12
c A 17 6,59 732 133,23
C 17 1,05 10 8,01
d A 23 5,50 1261 135,49
C 23 1,29 109 14,84
e A 21 4,21 756 102,90
C 21 0,83 53 10,83





10
a A 26 5,76 1702 134,70
C 26 0,36 37 5,12
b A 25 4,16 1350 108,22
c

A 24 5,77 1685 139,26
C 24 0,71 70 9,35
d A 15 3,70 276 58,61
C 15 1,68 12 10,48
e A 16 5,16 463 83,16
C 16 0,47 4 2,58
f A 27 2,63 894 83,42
C 27 0,42 61 7,96





11
a A 13 4,19 231 45,82
C 13 3,41 21 17,95
b A 17 2,64 362 52,69
c A 23 3,93 889 86,17
d A 27 5,02 1946 123,50
C 27 0,78 112 13,11
e A 28 6,51 2147 165,95
C 28 1,09 108 12,00
f A 31 4,99 2014 138,25
C 31 1,12 159 16,70


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

239
c) Taxa de corte pelo método de Hanzlik:

V
. C = ----- + ICA
r

43.511
. C
A
=
___________
+ 1.703,52 = 2.574 m
3
/ano
50

8.496
. C
A
=
___________
+ 115,77 = 286 m
3
/ano
50


. TC = 2574 + 286 = 2.860 m
3
/ano


d) Taxa de corte pelo método de Austríaco:

Vr - Vn
. C = ICA + -----------
a

. Determinação do volume normal (Vn):

. Vn = n * (V
5
+ V
10
+ V
15
+ ....... + V
r
/2)

As produções da classe de manejo, para as duas espécies, com grau de
estoqueamento igual a 0,9, encontra-se na Tabela 40.





Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

240
TABELA 40 - Produções por idade e espécie
Idade
(anos)
Produção (m
3
/ha)
A C
5 73 4
10 147 8
15 164 12
20 188 53
25 297 113
30 400 178
35 505 241
40 595 296
45 672 340
50 738 374

Assim, o volume normal das espécies é obtido por:

. Vn(A) = 5 (73 + 147 + 188 +....738/2)
. Vn(A) = 17.052 m
3
/ 50ha
. Vn(A) = 17.050/50 . 217,47 . 0,9 = 66.741,5 m
3

. Vn(C) = 5 (4 + 8 + 12 +....374/2)
. Vn(C) = 7.160 m
3
/ 50ha
. Vn(C) = 7.160/50 . 73,28 . 0,9 = 9.444,3 m
3

55.275 – 66.741,5
.C
A
= 3759,05 + ------------------------ = 2.612 m
3
/ano
10

8.870 – 9.444,3
.C
C
= 571,78 + ---------------------- = 514 m
3
/ano
10

.TC = 2612 + 514 = 3.126 m
3
/ano

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

241
Na Tabela 41 encontram-se os resultados das taxas de corte determinadas
para a classe de manejo, por espécie e total, bem como, para a média de todos os
métodos. Observa-se que a taxa de corte média de todos os métodos utilizados foi
de 2.382 m
3
, possível de ser cortado por ano.

TABELA 41 - Resumo da determinação das taxas de corte

Método de Taxa de Corte Taxa de Corte
por Espécie (m
3
/ano)
Taxa de Corte
Total
(m
3
/ano)
A C
Método de Mantel 2.211 355 2.566
Método de Hufnagel 2.768 568 3.336
Método de Hanzlik 2.574 286 2.860
Método de Austríaco 2.612 514 3.126
Taxa de Corte Média (m
3
/ano) 2.541 431 2.972

Por outro lado, verifica-se que existe uma grande variação do valor da
taxa de corte de cada método utilizado. Esta variação é devida à própria natureza
do método, e deve-se, principalmente, deve-se às variáveis utilizadas e à maneira
como entram nas fórmulas.

5.2 Planejamento de corte por métodos contemporâneos

5.2.1 Introdução

O elevado tempo para o retorno do capital de um investimento florestal,
aliado ao custo crescente do dinheiro, faz com que o planejamento deva ser
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

242
realizado criteriosamente. As formas de análise e decisão, atualmente em uso, não
fornecem respostas a muitas indagações dos planejadores. Elas analisam um
projeto e permitem a comparação entre alguns, não apresentando, porém, a
estratégia econômica, técnica e operacionalmente aconselhada para o conjunto dos
projetos.
Neste contexto, o planejador deve lançar mão de todas as técnicas
disponíveis para melhor planejar a produção florestal para um determinado fim. É
neste ponto que modelos de programação matemática podem ser usados para
assistir os planejadores no desenvolvimento de políticas ótimas de corte das
florestas.
Na formulação destes modelos busca-se otimizar um objetivo específico,
considerando-se as restrições impostas ao problema. O objetivo a ser otimizado
pode ser a maximização do resultado econômico do conjunto de projetos, restrito a
limitações de mão-de-obra, máquinas, caixa, limites mínimos e máximos de
produção, decorrente de uma vinculação com o suprimento industrial.
Esses modelos ajustam-se muito bem às empresas que trabalham com
produção e consumo, num processo contínuo, como é o caso da indústria de
celulose e papel.
O uso destas técnicas pressupõe a utilização de computadores e
“software” específicos, constituindo-se em meios rápidos e eficientes de auxílio ao
planejador na tomada de decisão.

5.2.2 Programação linear na área florestal

O planejamento geralmente é definido na prática como o processo de
trabalho para alcançar um ou vários objetivos. No caso de planejamento florestal
deve-se ter bem claro os objetivos, uma vez que o suprimento contínuo de madeira
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

243
somente será conseguido se for efetuado um controle da exploração e do manejo da
floresta (FAO/SWE/TF, 1984).
Barros e Weintraub(1982), ao descreverem um modelo de planejamento
para indústrias verticalizadas, mostraram a necessidade das áreas de produção de
madeira serem divididas em classes ou áreas com propriedades uniformes. Os
autores apresentam, entre outras, como características para definir estas classes, a
espécie, idade e condições do terreno.
Neste sentido, a estratificação da floresta para fins de planejamento, é um
método baseado em conhecimentos de dados geográficos e classificação ecológica
das florestas, que servem para estratificar os tipos florestais. Esta classificação é
necessária para melhor controlar as unidades de manejo, definir quantidades a
serem estimadas e elaborar as instruções necessárias ao manejo da floresta
(Dolezal, 1978).
O emprego de métodos de programação matemática tem tornado possível
a avaliação de diversas variáveis de decisão ao mesmo tempo. Para isto, na
formulação usual do modelo de programação linear, no modelo de otimização da
produção de madeira, uma variável de entrada ou saída, tem sido tomada com valor
da função objetivo e outra variável relevante tem sido empregadas como restrições
(Kilkki, 1986).
A aplicação de programação matemática em problemas de grande escala
na área florestal apresenta cinco passos a serem seguidos quando da aplicação da
programação linear (PL): a) determinar se o problema pode ou não ser resolvido;
b) se tiver solução, dar uma solução ótima: c) deduzir restrições de rendimento
monetário, mão-de-obra disponível, tipos de atividades, etc.; d) maximizar um
rendimento para uma dada receita ou prever um nível de produção especificado
para um custo mínimo; e) prever uma receita, a qual inclua todos os custos dos
vários projetos (Kirby, 1978).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

244
A pesquisa operacional ou análise de sistemas são considerados métodos
práticos adicionais, os quais o administrador pode empregar para determinar
estratégias de corte. Estes métodos fornecem ao administrador florestal soluções de
onde, quando e como ordenar os cortes para maximizar os objetivos dos
proprietários e considerar satisfatoriamente as restrições especificadas (Loucks,
1964).
Kidd(1969) estudando regulação de florestas de Loblolly pine, em
Virgínia (EUA), avaliou a influência da taxa mínima atrativa sobre o volume
retirado ao longo do planejamento, tratamentos silviculturais empregados e a
grandeza de rotação. Este trabalho considerou as taxas de 3,6, e 10% ao ano. Os
principais resultados encontrados foram à constatação da redução da produção
total, à medida que aumentou a taxa mínima atrativa. Os tratamentos silviculturais
também variaram, e em alguns casos, mesmo quando mantidas a área designada,
cada um foi diferente. A grandeza de rotação, de uma forma geral, tendeu a
aumentar juntamente com a taxa mínima atrativa.

5.2.3 Método Simplex

O Método Simplex é utilizado para determinar, algebricamente, a solução
ótima de um modelo de programação linear, desde que exista uma solução ótima.
A solução ótima do modelo de programação linear (Puccini, 1975):

Max Z = 5x
1
+ 2x
2
, sujeito a:
x
1
s 3 (a)
x
2
s 4 (b) (I)
x
1
+ 2x
2
s 9 (c)
x
1
; x
2
> 0 (d)
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

245
é uma solução compatível básica do sistema de equação:

Max Z = 5x
1
+ 2x
2
, sujeito a:
x
1
+ x
3
= 3 (a)
x
2
+ x
4
= 4 (b) (II)
x
1
+ 2x
2
+ x
5
= 9 (c)
x
1
; x
2
; x
3
; x
4
; x
5
> 0 (d).

ou seja, um ponto extremo do trapézio A, B, C, D, E (Figura 26).













FIGURA 26 - Trapézio ABCDE


O sistema (II) apresenta uma solução compatível básica óbvia, com os
seguintes valores para as variáveis:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

246
Variáveis não-básicas: X
1
= X
2
= 0
Variáveis básicas: X
3
= 3
X
4
= 4
X
5
= 9.

Este modelo pode, por exemplo, ser associado a um produtor florestal que
deseja otimizar as plantações de acácia-negra e eucaliptos na sua propriedade. O
proprietário quer saber as áreas de acácia-negra (x
1
) e eucaliptos (x
2
) que devem
ser plantadas para que o seu lucro nas plantações seja máximo. O seu lucro por
unidade de área plantada de acácia-negra é $ 5,00 e de eucalipto é $ 2,00 por
unidade de área.
As restrições (a) e (b) indicam que as áreas plantadas de acácia-negra e
eucaliptos não devem ser maiores à demanda dessas plantações.
A restrição (c) indica que o consumo total de homens-hora nas duas
plantações não deve ser maior que 9. Cada unidade de área plantada de acácia-
negra consome 1 homem-hora. Cada unidade de área plantada com eucaliptos
consome 2 homens-hora.
As restrições (d) informam que as áreas plantadas não podem ser
negativas.
O método simplex, para ser iniciado necessita de conhecer uma solução
compatível básica (chamada solução inicial) do sistema de equações (II), isto é, um
dos pontos A, B, C, D, E do trapézio. Suponha-se que essa solução seja, por
exemplo, o ponto A.
Com isso, o método simplex verifica se a presente solução é ótima. Se for,
o processo está encerrado. Se não for ótimo é porque um dos pontos extremos
adjacentes ao ponto A fornece para a função objetiva um valor maior do que o
atual. No caso, tanto B como E são melhores do que A.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

247
Neste caso, faz então a mudança do ponto A para o ponto extremo
adjacente que mais aumenta o valor da função objetiva. No caso, o ponto B.
Agora, tudo que foi feito para o ponto extremo A é feito para o ponto
extremo B. O processo finaliza quando todos os pontos extremos a ele adjacentes,
fornecerem valores menores para a função ótima. Então é importante o fato do
conjunto das soluções compatíveis ser convexo.
Algebricamente, um ponto extremo adjacente é uma solução compatível
básica incluindo todas as variáveis básicas anteriores, como exceção de apenas
uma delas. Achar, portanto, a próxima solução compatível básica (ponto extremo
adjacente) exige a escolha de uma variável básica para deixar a base atual,
tornando-se não-básica, e a escolha de uma variável não básica para entrar na base
em sua substituição.
O método simplex compreende, portanto, os seguintes passos:
a) Achar uma solução compatível básica inicial;
b) Sendo a solução atual ótima, então pare. Caso contrário, siga para o
passo c;
c) Determinar a variável não-básica que deve entrar na base;
d) Determinar a variável básica que deve sair da base;
e) Achar a nova solução compatível básica, e voltar ao passo b.

5.2.3.1 Solução usando quadros

A utilização de quadros para a aplicação do método simplex em modelos
de programação linear visa apenas simplificar os cálculos.
Inicialmente , escreve-se o sistema (II) da seguinte maneira:

Z - 5x
1
- 2x
2
= 0
x
1
+ x
3
= 3 (III)
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

248
x
2
+ x
4
= 4
x
1
+ 2x
2
+ x
5
= 9

Pode-se representar o sistema (III) de maneira esquemática abaixo:
Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 1 -5 -2 0 0 0 0
x
3
1 0 1 0 1 0 0 3
x
4
2 0 0 1 0 1 0 4
x
5
3 0 1 2 0 0 1 9
(III)

Observa-se que os coeficientes da função objetiva, linha (0) de (III),
sofreram inversão de sinal.
Sendo nulos os coeficiente de x
3
, x
4
e x
5
na linha (0) de (III), a função
objetiva já se encontra somente em termos das variáveis não-básicas x
1
e x
2
. Pode-
se então afirmar que a presente solução não é ótima e que a variável a entrar na
base é x
1
.
O método determina que deve entrar na base aquela variável não-básica
que tiver o maior coeficiente na função objetivo, estando a mesma expressa apenas
em termos das variáveis não-básicas. No caso, a variável x
1
que tem o coeficiente
igual a 5. Este critério visa aumentar o valor da função objetivo, o mais rápido
possível.
Para a determinação da variável que sai, nas linhas (1), (2) e (3) de (III) só
interessam:
a) os coeficientes do vetor independente b;
b) os coeficientes de x
1
que forem positivos.
O valor máximo que x
1
pode tomar, sem tornar negativa nenhuma outra
variável, será obtido pela razão entre os coeficientes acima mencionados, ou seja:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

249
Linha (1): x
1
s 3/1
Linha (3): x
1
s 9/1.
A variável x
1
assume, então, o valor 3 e deverá sair da base a variável que
está associada à linha (1), ou seja, x
3
e entrar a variável x
1
.
Deve-se transformar a coluna de x
1
do quadro (III) para a desejada no
quadro (IV). A linha (1) será a linha pivô das transformações por ser a linha
associada à variável que sai da base.
Para se obter o quadro (IV) é necessárias as seguintes operações no
quadro (III):
a) Para obter a linha 1, divide-se a linha 1 do quadro (III) por 1;
b) Para obter a linha 2, multiplica-se por zero a linha 1 do quadro (IV) e
soma-se a linha 2 do quadro (III);
c) Para obter a linha 3, multiplica-se por -1 a linha 1 do quadro (IV) e
soma-se a linha 3 do quadro (III);
d) Para obter a linha zero, toma-se o maior valor absoluto da variável não-
básica da linha zero do quadro (III), igual a 5, multiplica-se pela linha pivô (1) do
quadro (III) e soma-se a linha zero do quadro (III).

Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 1 0 -2 5 0 0 15
x
1
1 0 1 0 1 0 0 3
x
4
2 0 0 1 0 1 0 4
x
5
3 0 0 2 -1 0 1 6
(IV)
Da linha (0) de (IV) tira-se que: Z = 15 + 2x
2
- 5x
3
.
Pelo coeficiente -2 na linha (0) de (IV) pode-se afirmar que a solução
ainda não é a ótima. A variável que entra na base é x
2
.
Do quadro (IV) obtém-se:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

250
Linha (2): x
2
s 4/1
Linha (3): x
2
s 6/2.
Deve sair da base a variável associada com a linha (3), ou seja, x
5
. As
seguintes operações devem ser realizadas no quadro (IV), para obter o quadro (V):
a) Para obter a linha 3, divide-se a linha 3 do quadro (IV) por 2;
b) Para obter a linha 1, multiplica-se a linha 3 do quadro (V) por zero e
soma-se a linha 1 do quadro (IV);
c) Para obter a linha 2, multiplica-se a linha 3 do quadro (V) por -1 e
soma-se a linha 2 do quadro (IV);
d) Para obter a linha zero toma-se o maior valor absoluto da variável não-
básica da linha zero do quadro (IV), igual a 2, multiplica-se pela linha pivô (3) do
quadro (V) e soma-se a linha zero do quadro (IV).

Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 0 0 0 4 0 1 21
x
1
* 1 1 1 0 1 0 0 3
x
4
* 2 0 0 0 1/2 1 -1/2 1
x
2
* 3 0 0 1 -1/2 0 1/2 3
(V)

A presente solução é a ótima, pois não existe nenhum coeficiente negativo
na linha (0) do quadro (V). A função objetiva será, então: Z = 21 - 4x
3
- x
5
.

5.2.3.2 Casos especiais

A seguir serão apresentados alguns casos que podem ocorrer nos modelos
de programação linear e que não foram considerados anteriormente.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

251
5.2.3.2.1 Problema de minimização

Até agora, resolveu-se modelos com funções objetivas a serem
maximizadas, mas quando a função objetivo tiver de ser minimizada pode-se fazer
duas coisas, a saber:
a) Mudar o teste para saber se a solução é ótima e o critério de entrada na
base.
b) Transformar o problema de minimização num problema de
maximização. Sabe-se que achar o mínimo de uma função é equivalente a achar o
máximo do simétrico dessa função.

5.2.3.2.2 Empate na entrada

Quando houver empate na escolha da variável que entra na base, deve-se
tomar a decisão arbitrariamente. A única implicação envolvida é que se pode
escolher um caminho mais longo ou mais curto para chegar à solução ótima.

5.2.3.2.3 Empate na saída - Degeneração

Como no caso anterior a decisão deve também ser arbitrária. Considere-se
um exemplo para se analisar as implicações desse empate. Seja o modelo:

Maximize: Z = 5x
1
+ 2x
2


Sujeito a:
x
1
s 3
x
2
s 4 (3.6)
4x
1
+ 2x
2
s 12
x
1
, x
2
> 0
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

252
Colocadas as variáveis de folgas do modelo (3.6) obtém-se:
Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 0 -5 -2 0 0 0 0
x
3
1 1 1 0 1 0 0 3
x
4
2 0 0 1 0 1 0 4
x
5
3 0 4 3 0 0 1 12
(3.7)

Para escolher a variável que sai da base de (3.7) deve-se fazer:
Linha (1): x
1
s 3/1
Linha (3): x
1
s 12/4.
Nos dois casos tem-se x
1
s 3. Escolha-se, arbitrariamente, x
3
para sair da
base. O novo quadro será:

Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 0 0 -2 5 0 0 15
x
1
1 1 1 0 1 0 0 3
x
4
2 0 0 1 0 1 0 4
x
5
3 0 0 2 -4 0 1 0
(3.8)

Observa-se que a variável básica x
5
de (3.8) é nula. Isso sempre ocorrerá
quando houver um empate na saída. Aconteceu, nesse caso, das variáveis x
3
e x
5
se
anularem ao mesmo tempo, isto é, para o valor de x
1
= 3. Assim, a variável que
ficar na base também se anulará. Quando isso ocorrer diz-se que a solução
compatível básica é degenerada.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

253
O próximo quadro será:
Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 0 0 0 7/3 0 2/3 15
x
1*
1 1 1 0 1 0 0 3
x
4*
2 0 0 0 4/3 1 -1/3 4
x
2*
3 0 0 1 -4/3 0 1/3 0
(3.9)

Se na ocasião do empate fosse escolhido x
5
, em vez de x
3
, para sair da
base, obtém-se:
Linha Z x
1
x
2
x
3
x
4
x
5
b
Base 0 0 0 7/4 0 0 5/4 15
x
3*
1 1 0 -3/4 1 0 -1/4 0
x
4*
2 0 0 1 0 1 0 4
x
1*
3 0 1 3/4 0 0 1/4 3
(3.10)
Deve-se ressaltar que no segundo caso conseguiu-se chegar à solução
ótima (3.10) com uma iteração a menos.
Ao se comparar os quadros (3.8) e (3.9) verifica-se que os valores das
variáveis e da função objetivo são os mesmos nos dois casos. Entretanto, a solução
(3.9) é ótima e a (3.8) não. Um dos problemas da degeneração é o de,
eventualmente, se entrar em circuitos fechados intermináveis à procura da solução
ótima.

5.2.4 Modelos de regulação da produção

O ordenamento florestal é uma atividade marcante no manejo moderno e
está fortemente relacionado com o conceito de produção sustentável. O objetivo no
ordenamento é assegurar e maximizar uma produção contínua dos vários produtos
e usos da floresta.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

254
Segundo Davis(1966), os requisitos essenciais de uma ordenação total da
floresta são que a idade e as classes de diâmetro estejam representadas em
proporções semelhantes e tenham um crescimento contínuo a um preço fixo em
aproximadamente igual à produção periódica em quantidade e qualidade dos
produtos desejados.
A Programação Linear apresenta dois modelos que implicam em um
impacto significativo no ordenamento da floresta. Estes modelos são denominados
de Modelo I e II. A diferença fundamental entre os Modelos I e II está centrada em
três pontos de comparação: a identificação das unidades de corte, o número de
restrições e o número de variáveis escolhidas.
O Modelo I identifica áreas dentro de cada classe de idade que devem ser
separadas em unidades de manejo, sendo estas preservadas através de todo o
horizonte de panejamento, independente de quando ocorrerá o corte de cada área.
Por outro lado, o Modelo II, incorpora (une) unidades de corte uma vez que elas
são cortadas no mesmo período. O Modelo II, também, em geral, requer mais
restrições, bem como variáveis explícitas no final do horizonte de planejamento. O
Modelo I usualmente requer mais variáveis de decisão que o Modelo II.
A questão é identificar qual dos Modelos que mais sentido aplicar nas
diferentes situações. A superioridade de qualquer um dos modelos irá depender da
maneira como as florestas são administradas. E, o modelo escolhido deve refletir
claramente esta estratégia organizacional dos cortes.

5.2.4.1 Modelo I

5.2.4.1.1 Modelo I com área restringida

O primeiro modelo de ordenação da colheita de madeira foi chamado de
Modelo I por Johnson e Scheuman(1977), mas é conhecido como Timber RAM
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

255
(Método de Distribuição dos Recursos) desenvolvido pelo Forest Service de US
Departamento de Agricultura dos USA. Após o seu desenvolvimento, houveram
criticas enfocadas mais sobre a implementação do Timber RAM do que sobre o
modelo propriamente dito. No entanto, o modelo foi utilizado de forma intensa,
sendo este ponto de vista que será enfocado.
A estrutura do Modelo I surgiu por uma sugestão original de Kidd et
al.(1966). No entanto, outros modelos similares já haviam sido investigados,
incluindo e Loucks(1964). Em adição a implementação do Timber RAM, o
Modelo I foi utilizado por Clutter (1968) e, um sistema de ordenação chamado
Max-Millon, que foi adotado por várias empresas florestais e, deste modo, o
Modelo I estendeu-se na ordenação florestal.
Para uma simples aplicação do Modelo I, foi feita uma adaptação de um
exemplo apresentado por Dykstra (1983), que considera a situação de um
reflorestador que é responsável pela programação da colheita de madeira
(associadas com atividades de plantação) sobre 35 hectares de floresta. O objetivo
do manejo é de maximizar o valor da madeira produzida nesta floresta após um
horizonte de planejamento de quatro décadas. Outro objetivo é ajustar a quantidade
para o Modelo I incluindo a maximização da produção física total de madeira
obtida ou minimizar os custos de produção. Em adição ao valor objetivo máximo,
uma das metas a longo prazo é converter esta floresta de um estado não ordenado a
outro ordenado. Assume-se que o preço da madeira não é afetado pelo volume de
madeira cortada neste período. Isso é razoável para as 35 hectares de floresta, mas
não para grandes propriedades.
Outra pressuposição final é que só há atividades de extração de árvores
caídas (1) e cortadas (2) e imediatamente regeneradas por plantio. Outras
atividades, como desbastes ou fertilização não são consideradas, mas estas são
extensões diretas dos processos examinados.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

256
A floresta está dividida internamente em duas classes de idade, uma de 40
anos que ocupa 10 hectares e outra de 80 anos em 25 hectares. É importante notar
que esse modelo não requer que as classes de idade sejam contínuas. Como
exemplo, duas classes de idade ocupando 10 e 25 hectares, respectivamente, com
um grupo da classe de 40 anos, dividida em 6 talhões não contínuos de 1,67
hectare cada um. Como a classe de idade é ampla e a madeira relativamente
homogênea, não existe distinção no Modelo I.
Supondo que a idade mínima de corte comercial é de 30 anos, deste modo
ambas classes de idade podem ser comerciais na classificação do inventário
corrente. O volume da madeira em cada hectare é função da idade do povoamento,
como o valor por unidade. O valor e o volume da Tabela 42 descreve as
expectativas para o crescimento das árvores nesta floresta.
É importante notar na Tabela 42 uma homogeneidade completa na taxa de
crescimento em toda a floresta. No entanto, isto não é uma restrição que seja muito
importante. Se for aceito que a floresta é composta por diferentes classes de sítio,
então árvores plantadas em diferentes sítios podem ter taxas de crescimento
diferentes. Nesse caso, pode-se obter uma tabela de produção para cada uma. Isso
pode incrementar a quantidade de informação que se requer para o manejo, mas
originaria mudanças que complicam o procedimento.
Considere as próximas variáveis possíveis no manejo do povoamento com
respeito à programação da colheita de madeira. No exemplo, o manejo do
povoamento faz-se um procedimento de decisão somente uma década por vez e só
realizando atividades no início de cada década. No entanto, as atividades podem
acontecer no final, no meio ou continuar após a década, tanto tempo quanto
considerado necessário, fazendo cálculos indicados no início da década. Por
conveniência, permite-se examinar a possibilidade de dividir a floresta em uma só
hectare de uma classe de idade. Uma possibilidade poderia deixar as árvores
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

257
crescerem na hectare durante quatro décadas completas no horizonte de
planejamento. Isso nivelaria o estoque final de madeira do povoamento, com valor
da expectativa de volume, que resulta do produto da idade pelo volume dessa
idade, menos o custo de implantação do povoamento. Uma segunda possibilidade
seria a colheita das árvores no início da primeira década e então permitir que as
árvores plantadas cresçam nas décadas restantes, produzindo no final da rotação
290 m
3
com um valor de ($14/m
3
* 290 m
3
) = $4.060 (Tabela 42), menos os custos
de plantio. Uma terceira possibilidade seria a colheita das árvores no início da
primeira década e novamente no início da quarta década, nesta idade as árvores
alcançam uma idade comercial de 30 anos. Nesse caso, no momento do estoque
final pode-se ter madeira não comercial, com uma avaliação de ($8/m
3
* 50 m
3
) =
$400 (Tabela 42), menos os custos de plantio.
Na Tabela 43 são enumeradas seis possibilidades de prescrição de manejo
que podem ser especificadas em cada hectare da floresta. As primeiras três foram
descritas no parágrafo anterior, e para as três restantes prescrições de manejo,
pode-se lograr o seu entendimento da mesma maneira. Como a madeira entre cada
uma das classes de idade é homogênea então não se necessita considerar cada
hectare de forma separada. Então, faz-se a pergunta, quantas hectares estarão agora
com 40 anos ou 80 anos, para serem cortadas em cada uma das seis possíveis
prescrições de manejo.






Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

258
TABELA 43 - Valores e idades do exemplo da floresta, assumindo que todas as
árvores tem mesmo crescimento
Classe de
Idade
Valor
($/m
3
)
Volume anual
(m
3
/ha)
Não Comercializáveis
10 8 50
20 8 100
Comercializáveis
30 12 240
40 14 290
50 17 350
60 21 425
70 26 520
80 32 635
90 38 760
100 42 900
110 50 1050
120 56 1150

Deste modo, define-se a variável de decisão da seguinte maneira:

ij
x = hectares da classe de idade i para a prescrição de manejo j.
Sendo: i = o índice da classe de idade ( designada arbitrariamente i = 1,
para árvores de classe de idade de 40 anos, no início do período 1; e i = 2 para
todas as árvores da classe de 80 anos) e j é o índice de prescrição de manejo da
Tabela 44.

Fica claro nessa definição que a programação linear tem seis variáveis de
decisão para cada classe de idade ou 12 variáveis no total, conforme Tabela 44.





Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

259
TABELA 44 - Prescrição de manejo possível para o exemplo da floresta após
quatro décadas de planejamento horizontal
Prescrição de
Manejo
Ações de Planejamento no Período (décadas)
1 2 3 4
1 - - - -
2 x - - -
3 x - - x
4 - x - -
5 - - x -
6 - - - x
Sendo: não corte = - ; corte = x

A única restrição, a longo prazo, é garantir que o total de hectares na
classe de 40 anos, i = 1, seja tratado por todas as prescrições de manejo numa área
de 10 hectares; e, que o total de hectares de 80 anos de idade, i = 2, seja tratada por
todas as prescrições de manejo numa área de 25 hectares. Assim, pode-se escrever
a programação linear da seguinte maneira:

Maximize:

Z C x
ij ij
j
N
i
M
= ¿ ¿
=
=
=
=
1
6
1
2
(6.1)

Tal que:

x
j
j
N
1 10
1
6
=
=
=
¿ (6.2)

x
j
j
N
2
1
6
25 = ¿
=
=
(6.3)

x
ij
> 0 i = 1, 1; j = 1, ..., 6 (6.3)
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

260

Colocando-se por objetivo maximizar o valor da produção de madeira por
quatro décadas do horizonte de planejamento. O coeficiente de custo ( ) C
ij
da
função objetiva (6.1) representa a descontinuidade do valor líquido da classe de
idade i, para a prescrição de manejo j. O C
ij
pode ser calculada da seguinte
maneira:

hy
A
p ijh
h
k
y k
A
p ijk ijk
ij
r
r C E
r
r C V P
C
ijk ijk
) 1 (
) 1 (
) 1 (
) 1 (
4
1
) 1 (
+
+ ÷
+
+
+ ÷
=
¿
=
=
÷
(6.5)

Sendo: h = número de períodos (décadas de planejamento horizontal);
ijk
P = preço por unidade de volume de madeira cortada no início do período k da
classe de idade i, sob a prescrição de manejo j;
ijk
V = volume por hectare cortada
no início do período k da classe de idade i sob a prescrição de manejo j; C
p
=
Custos por hectare de plantio para o estabelecimento de povoamento;
ijk
A =
povoamento de idade i no início de período k em anos, quando é manejado sob a
prescrição j; R = taxa periódica expressa em decimal (ex.: taxa periódica de 3 %,
implica em R = 0,03); y = número de anos em cada período de planejamento (y =
10);
ijh
E
=valor líquido por hectare inventariado na classe de idade i sob a
prescrição j, até o final do horizonte de planejamento.

Para este problema, tem-se que:

ijh ijh ijh
V P E =
Sendo: P
ijk
e V
ijk
são determinados no final do horizonte de
planejamento (para este problema, no final do período 5).

É evidente que a equação (6.5) é uma função não linear e pode ser que
esteja violando a pressuposição de linearidade da programação linear. No entanto,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

261
pode-se observar que a variável de decisão x
ij
não figura na equação (6.5). No
entanto, a equação é usada para valores computáveis de C
ij
, com o qual, em todos
os casos, assumem valores constantes (números) que podem ser usados como
coeficientes x
ij
na função objetivo. Como exemplo, considera-se o cálculo do
coeficiente C
13
representando a periodicidade do valor líquido da classe de idade
1, com a prescrição de manejo 3. Nota-se que a prescrição de manejo requer cortes
no início do período 1 (imediatamente o seu plantio) e o segundo corte no início do
período 4 (novamente seguido de plantio).
Usando a informação da Tabela 43 e assumindo-se que a taxa periódica é
equivalente a 3% a.a., e o custo de plantio é de $375/ha, pode-se verificar na
equação (6.5) que:

CLASSE DE IDADE DE 40 ANOS


5006
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 635 ( 32
0 0 0 0
40
80
11
=
÷
+ + + + = C
3706
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 290 ( 14
0 0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 290 ( 14
40
40
0
40
12
=
÷
+ + + +
÷
= C

40
10
30
30
0
40
13
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 50 ( 8
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 240 ( 12
0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 290 ( 14 ÷
+
÷
+ + +
÷
= C

3616
13
= C
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

262
3808
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 240 ( 12
0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 350 ( 17
0
40
30
10
50
14
=
÷
+ + +
÷
+ = C

3756
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 100 ( 8
0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 425 ( 21
0 0
40
20
20
60
15
=
÷
+ +
÷
+ + = C
4315
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 50 ( 8
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 520 ( 26
0 0 0
40
10
30
70
16
=
÷
+
÷
+ + + = C

CLASSE DE IDADE DE 80 ANOS


15752
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 1150 ( 56
0 0 0 0
40
120
21
=
÷
+ + + + = C
17199
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 290 ( 14
0 0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 635 ( 32
40
40
0
80
22
=
÷
+ + + +
÷
= C

40
10
30
30
0
80
23
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 50 ( 8
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 240 ( 12
0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 635 ( 32 ÷
+
÷
+ + +
÷
= C
17109
23
= C
18103
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 240 ( 12
0 0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 760 ( 38
0
40
30
10
90
24
=
÷
+ + +
÷
+ = C

16976
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 100 ( 8
0
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 900 ( 42
0 0
40
20
20
100
25
=
÷
+ +
÷
+ + = C

17607
) 03 , 1 (
) 03 , 1 (( 375 ) 50 ( 8
) 03 , 1 (
) 03 , 1 ( 375 ) 1050 ( 50
0 0 0
40
10
30
110
26
=
÷
+
÷
+ + + = C
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

263
De uma maneira similar pode-se estabelecer todos os valores de C
ij
, que
são mostrados na Tabela 45.

TABELA 45 - Valores de C
ij
para o exemplo do problema, assumindo
que R = 0,03 e C
p
=375
Início da Classe
de 40 anos
(i = 1)
Início da Classe
de 80 anos
(i = 2)
C
11
= 5006 C
21
= 15.752
C
12
= 3706 C
22
= 17.199
C
13
= 3616 C
23
= 17.109
C
14
= 3808 C
24
= 18.103
C
15
= 3756 C
25
= 16.976
C
16
= 4315 C
26
= 17.607

Considerando todos estes valores, o problema da programação linear pode
ser representado numericamente da seguinte forma:

Z x x x x x x
x x x x x x
= + + + + + +
+ + + + +
5006 3706 3616 3808 3756 4315
15752 17199 17109 18103 16976 17607
11 12 13 14 15 16
21 22 23 24 25 26



Tal que:

6 ;.....; 1 ; 2 ; 1
0
25
10
26 25 24 23 22 21
16 15 14 13 12 11
= =
>
= + + + + +
= + + + + +
j i
x
x x x x x x
x x x x x x
ij

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

264
A solução ótima deste problema inicia por x
11
=10, x
24
= 25 e todos os
outros x
ij
= 0; Z = 502.635 $. Esta solução indica que o valor líquido pode ser
maximizado após um horizonte de planejamento de quatro décadas para cada
classe de idade. A classe de idade 40, i =1, pode crescer até o final do horizonte de
planejamento, e ser comercializada no final da rotação. A classe de idade 80, i = 2,
corta-se no início do período 2, quando se obtém a idade de 90 anos. Então,
realizar-se-á atividades de plantio e no final do horizonte de planejamento haver-
se-á prolongado a idade de comercialização em 30 anos. Fazendo referência a
Tabela 46 observa-se que essa é realmente a solução ótima da programação linear.

TABELA 46 - Volumes cortados e estoque final, com uma restrição
Início
Classes de
Idade
Volume Cortado, (ha) (vol./ha),
Por período
Estoque Final
1 2 3 4 Comercial Não
Comercial
40 0 0 0 0 (10)(635)
= 6350
0
80 0 (25)(760)
= 19000
0 0 (25)(240)
= 6000
0
Total 0 19.000 0 0 12.350 0


Os resultados mostram que o volume não pode ser colhido durante o
primeiro, terceiro ou quarto período; no início do segundo período seria cortado
19.000 m
3
. No final do horizonte de planejamento, existiriam duas classes de idade
bem estabelecidas, 10 hectares cresceriam até 80 anos, representado um volume
comercial de 6.350 m
3
. As 25 hectares remanescente teriam crescido até uma idade
de 30 anos, representando um volume de 6.000 m
3
no final da rotação.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

265
5.2.4.1.2 Modelo I: com fluxo de corte restringido

Além do fato de que a floresta não é regulada, as soluções podem ser
insatisfatórias por várias razões: o proprietário pode ser um agente público com
responsabilidade ou entendido para querer manter um nível de corte
aproximadamente igual e planejado para assegurar a estabilidade da comunidade
local.
Para ilustrar como funciona o fluxo de cortes restringidos, considere um
simples exemplo que se necessita encontrar o valor para x
t
, o número de hectares
de madeira a ser cortada num período t, onde t pode ser 1 ou 2 (o problema
estende-se somente a 2 períodos). Assumindo-se que o volume de madeira é de 500
m
3
/ha, no início do período 1, e que esse cresceria até 600 m
3
/ha, no início do
período 2. Se for desejado que o volume de corte, em ambos os períodos, sejam
iguais pode-se especificar isso escrevendo a seguinte restrição:

0 600 500 600 500
2 1 2 1
= ÷ · = x x x x


Então, por exemplo, se x
1
for 100 hectares, x
2
deve ser igual a:

500 100 600 83
1
3
( ) / = ha


Agora, considerando uma modificação no exemplo, supondo que se
propõe um volume de corte para o período 2 somente do 80% do volume de corte
do período 1, isso pode ser garantido pela seguinte restrição:

08 500 600 0
1 2
, ( )x x ÷ s
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

266
Assim, se x
1

= 100 x
2
= 66
2
3
. Então, x
2
pode ser algum valor maior que
esse e ainda satisfazer a restrição (experimente x
2
= 100.000).
No contexto do Modelo I a forma geral do fluxo de corte restringido é
como segue:

¿¿ ¿¿
= = = =
+
÷ = s ÷ ÷
M
i
N
j
M
i
N
j
ij k ij ij ijk
H k x V x V
1 1 1 1
) 1 (
1 ,...., 1 0 ) 1 ( o (6.7)

¿¿ ¿¿
= = = =
+
÷ = > ÷ +
M
i
N
j
M
i
N
j
ij k ij ij ijk
H k x V x V
1 1 1 1
) 1 (
1 ,...., 1 0 ) 1 ( | (6.8)
Sendo: o = a fração máxima de redução permitida nos níveis de corte de
período em período; | = a fração máxima de incremento permitido no nível de
corte de período em período; o | = = 0, para níveis de corte iguais em todos os
períodos.

Para aplicar este fluxo de corte restringido ao nosso problema supõe-se
que o reflorestador decide que o nível de corte tenha que se incrementar ou
diminuir por mais de 20% de década em década. Desse modo,
o | = = 0 20 ,
e
desde H = 4, o fluxo de corte resulta no que segue (verifique o valor numérico em
referência a Tabelas 41 e também as formas de restrição das equações 6.7 e 6.8):

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

267
(6.8c) 0 1050 520 240 240 ) 900 425 ( 2 . 1
(6.8b) 0 900 425 760 350 ( 2 . 1
(6.8a) 0 760 350 ) 635 635 290 290 ( 2 . 1
(6.7c) 0 1050 520 240 240 ) 900 425 ( 8 . 0
(6.7b) 0 900 425 ) 760 350 ( 8 . 0
(6.7a) 0 760 350 ) 635 635 290 290 ( 8 . 0
26 16 23 13 25 15
25 15 24 14
24 14 23 22 13 12
26 16 23 13 25 15
25 15 24 14
24 14 23 22 13 12
> ÷ ÷ ÷ ÷ +
> ÷ ÷ +
> ÷ ÷ + + +
s ÷ ÷ ÷ ÷ +
s ÷ ÷ +
s ÷ ÷ + + +
x x x x x x
x x x x
x x x x x x
x x x x x x
x x x x
x x x x x x

Agregando essas restrições ao modelo anterior e resolvendo o problema
agregado pelo método simplex obtém-se a seguinte solução ótima:
x
11
= 10; x
22
= 7,40; x
24
= 7,42; x
25
= 5,01; x
26
= 5,16
Todas as outras: x
ij
= 0; Z = $ 487.732
Note que o valor ótimo da função objetivo declinou para a solução
prevista, em 14.903, ou seja, perto do 3 %. Isso não é uma surpresa porque a região
factível do modelo de corte restringido é muito mais severa que a do modelo com
somente áreas restringidas.
O valor ótimo da variável x
22
é 7,40, indicando que há 7,40 ha de árvores
de 80 anos de idade no início do período que seriam tratados pela prescrição de
manejo 2, isso é, fazer o corte e o plantio no início do período 1, deixando de lado
o crescimento no final do horizonte de planejamento.
Da observação das Tabelas 44 e 47 é possível assegurar que o
povoamento possuirá no final do horizonte de planejamento da seguinte
distribuição de classes de idade: 5,16 ha de árvores de 10 anos; 5,01 ha de árvores
de 20 anos; 7,42 ha de árvores de 30 anos; 7,40 ha de árvores de 40 anos; e, 10 ha
de árvores de 80 anos.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

268
TABELA 47 – Volumes de corte e estoque final para, com área e fluxo de corte
restringido
Início
Classes
Idade
Volume Cortado, (ha) (vol./ha),
Por período
Estoque Final
1 2 3 4 Comercial Não
Comercial
40 0 0 0 0 10(635) = 6350 0
80 (7.40)(635)
=4699
(7.42)(760)
= 5639
(5.01)(900)
=4509
(5.16)(1050)
=5418
(7.40)(290)
= 2146
(7.42)(240)
=1781
(5.01)(100)
=501
(5.16)(50)
=258
Total 4699 5639 4509 5418 10.277 759

5.2.4.1.3 Modelo I: com restrição do estoque final

Se for desejada uma ordenação florestal, então o manejo deve ser
conduzido para um período indefinido de tempo, porém, o modelo de programação
linear tem um tempo de horizonte finito. Em conseqüência disso, deve-se
considerar que o manejo até o planejamento final. Uma maneira de se fazer isto é
ter uma idéia de um ”horizonte infinito“ como modelo para fazer uma programação
linear mais longa.
Uma alternativa é escrever uma restrição para a formulação do horizonte
de curto prazo que asseguraria um estoque final comercial com uma floresta
ordenada. A correta aplicação deste método requer uma boa estimativa dos níveis
de corte no final do período.
Suponha que se tenha decidido que um nível razoável de comercialização
no final da rotação seria cortado um volume igual a um mínimo de 25 % no início
do período 1, ou:
| |
3 3 3
4694 ) 25 ).( 635 ( ) 10 ).( 290 ( . 25 , 0 m ha ha m ha ha m ~ + .
Ao escrever uma restrição que assuma que este volume de madeira
comercial é o mínimo requerido pelo horizonte de planejamento deve-se considerar
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

269
cada um dos manejos contemplados na Tabela 44. Para nosso problema isso
implica em árvores com idade de pelo menos 30 anos, como mostra a Tabela 44. A
prescrição de manejo que produz árvores com esta idade ou mais velhas, no final
do horizonte de planejamento, é as prescrições 1, 2 e 4. Desse modo, as restrições
do estoque finais devem requerer que estas sejam suficientes para produzir 4694
m
3
de madeira. As variáveis de decisão para os manejos e, 2 e 4 são x
11
, x
12
, x
14
,
x
21
, x
22
, x
24
. Uma declaração simbólica dessa restrição deve ser escrita por:

D x D x D x D x D x D x
1 11 2 12 3 14 4 21 5 22 6 24
4694 + + + + + > (6.9)

Assim, pergunta-se qual valor deveriam ser atribuídos aos coeficientes D
1

até D
6
? Considere que D
1
deve ser estável na unidade de m
3
comercializáveis por
hectare porque o valor da equação 6.9 tem unidades em m
3
de madeira
comercializáveis e a variável x
11
é expressa em hectares. Note que na Tabela 42 as
árvores são de 40 anos de idade ao início do período e são atribuídas à prescrição
de manejo 1 com um aumento na idade de 80 anos até o final do horizonte de
planejamento. Desse modo tem-se na Tabela 41 que estas árvores representam um
volume de 635 m
3
/ha. Se atribuirmos uma hectare à classe de um ano à prescrição
1, então no final do horizonte de planejamento cada hectare deverá ter 635 m
3

comercializáveis. Desse modo, se D
1
= 635 m
3
/ha, usando similar argumentação
você pode verificar que o presente estado é igual à equação 6.9 para esse problema:

635x
11
+290x
12
+240x
14
+1150x
21
+290x
22
+240x
24
> 4690

Em geral, a equação 6.9 pode ser escrita da seguinte maneira:


¿¿
= =
>
m
1 i
n
1 j
m
ij
m
ijh
E x
V


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

270
Sendo:
V
m
ijjh
= o volume por hectare de madeira comercializáveis na
classe de idade i sob prescrição de manejo j (o h subscrito indica que isto acontece
no final do horizonte de planejamento); E
m
= o nível de comercialização que requer
o estoque final e m
3
, e o valor do expoente m é usado como modificador comercial,
e não como um atributo.

5.2.4.1.4 Modelo I: com restrições reguladas

Em alguns casos, é possível descrever as restrições que diretamente
garantam que o povoamento atinja um estado ordenado no final do horizonte de
planejamento. O uso de cada restrição para produzir uma distribuição das classes
de idade no final do período 4, que é consistente com o período de 40 anos. Para
determinar uma ótima idade de rotação, é preciso determinar uma série de
programação linear utilizando um maior período de tempo no horizonte de
planejamento do que as 4 décadas consideradas.
Para estudar a Tabela 44, deve-se determinar uma solução única para este
problema, iniciando com um horizonte de planejamento de 4 décadas e duas
classes de idade, tem-se idades de 10, 20, 30, 40, 80 e 120 anos. Estas estão
ordenadas na Tabela 48 com as prescrições que produziam as mesmas.

TABELA 48 - Possíveis idades finais para o problema do Tabela 41

Prescrição de
Manejo j
Idade de finalização da classe de idade
i sob prescrição de manejo j
i = 1 (40) i = 2 (80)
1 80 120
2 40 40
3 10 10
4 30 30
5 20 20
6 10 10

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

271
Para obter uma produção florestal constante de 40 anos com uma área
total de 35 hectares estas devem ser distribuídas igualmente entre as classes de
idade de 10, 20, 30 e 40 anos no final do período 4. Portanto, cada classe de idade
deve ocupar 35/4 = 8,75 hectares. As restrições usadas são as seguintes:

X
12
+X
22
= 8,75 (40 anos) (6.10)
X
14
+X
24
= 8,75 (30 anos) (6.11)
X
15
+X
25
= 8,75 (20 anos) (6.12)
X
13
+X
16
+X
23
+X
26
= 8,75 (10 anos) (6.13).
Observa-se que uma restrição é requerida para produzir a área em cada
uma das classes de idade. Também, as variáveis X
11
e X
21
não aparecem nestas
restrições. Essas variáveis no final da produção são inconsistentes com uma
rotação de 40 anos (Tabela 48), podendo ser excluídas da formulação.
A solução ótima do modelo, incluindo a restrição de área, fluxo de corte, e
a regulação, é o seguinte:

x 5,16 x = 4,94 x
x 8 x = 3,69 x
15
*
22
*
24
*
26
*
= =
= =
16
25
875
75 3 81
*
*
,
, ,


Todos os outros: $478.938 = Z ; 0
* *
=
ij
x

A solução é resumida na Tabela 49, onde pode-se verificar que o ótimo é
satisfeito e a produção está ordenada para uma rotação de 40 anos.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

272
TABELA 49 - Volume de corte e estoque final, com área, fluxo de corte e
restrições reguladas.
Início
Classes de
Idade
Volume Cortado, (ha) (vol./ha),
por período
Estoque Final
1 2 3 4 Comercial Não
Comercial
40 0 0 (5.06)(425)
=2150
(4,94)(520)
=2569
0 (5,06)(100)
=506
(4,94)(50)
=247
80 (8,75)(635)
=5556
(8,75)(760)
= 6650
(3,69)(900)
=3321
(3,81)(1050)
=4000
(8,75)(290)
= 2538
(8,75)(240)
=2100
(3,69)(100)
=369
(3,81)(50)
=190
Total 5556 6650 5471 6569 4638 1312


5.2.5 Modelo II

Para o entendimento do Modelo II, pressupõe-se a prévia compreensão do
Modelo I. De acordo com Johnson & Scheurman(1977), o Modelo II tem uma
pequena semelhança com outros modelos estruturais, como o modelo que emprega
uma função objetiva quadrática (não linear), formulados por Walker apud Dykstra
(1983).
Para formulação do Modelo II define-se as variáveis de decisão da
seguinte forma:
X
ij

= Reflorestamento das áreas (hectares) no início do período i e
cortadas no início do período j (seguindo por reflorestamento imediato);
W
iH
= Áreas (hectares) reflorestadas no início do período i e deixadas
para o inventário final no período h, no final do horizonte de planejamento.
Uma importante diferença nestas considerações e a definição do Modelo
II, que considera as áreas reflorestadas em um período e o corte em outro ou as
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

273
áreas deixadas para o inventário final. No Modelo I trabalha-se as áreas no início
como classes de idades particulares tratadas como uma prescrição de manejo
particular. Essa diferença é fundamental e reflete um ponto de vista significativo de
como o povoamento é conduzido após a formulação do Modelo I.
A formulação geral do Modelo II é dada seguindo a versão de Johnson &
Scheurman(1977):


Maximizar: Z =
iH
H
M i
iH ij
N J
M i
ij
H
j
W D x
C
¿ ¿ ¿
÷
÷ =
÷
÷ =
÷
=
+
1 1
0
(6.14)

Sujeito a:
Restrição de área:


¿
÷
=
= +
1
0
H
j
i iH ij
A w x i = -M, -M+1,..., -1 (6.15)

¿ ¿
÷
+ =
÷
÷ =
= +
1 H
N j k
N j
M i
ij jH jk
x w x j = 0, 1, 2, ....., H-1 (6.16)
Restrição de fluxo constante:

0 ) 1 (
1
s ÷ ÷
+ k k
F F o k = 0, 1, 2, ....., H-2 (6.17)
0 ) 1 (
1
> ÷ +
+ k k
F F | k = 0, 1, 2, ....., H-2 (6.18)

Sendo: o = fração reduzida máxima no nível de corte permitido desde um
período k até um período k+1; | = máximo de aumento da fração no nível de
corte permitido desde o período k até o período k+1:
¿
÷
÷ =
=
n k
m i
ik ik k
x V F ;
ik
V =
A B
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

274
volume por hectare cortado ao início do período k proveniente do reflorestamento
no início do período i;
iK
X = Reflorestamento das áreas, em hectares, no início do
período i e cortados no início do período j.

5.2.5.1 Restrição do estoque final

Na definição da restrição do estoque final deve-se observar:
a) O total do estoque comercial em todas as classes de idade deixado até o
fim do horizonte de planejamento:


¿
÷
÷ =
>
N H
M i
m
iH
m
iH
E W V
(6.19)

Sendo: V
iH
m
= volume comercial de madeira das áreas reflorestadas no
início do período i e deixado no inventário final;
m
E = volume comercial mínimo
no inventário final;

b) A quantidade de volume comercial inventariado deixada em cada classe
de idade i ao final do horizonte de planejamento:


m
i iH
m
iH
E W V > (i = -M, -M+1,... H-N) (6.20)

Sendo:
m
i
E é o volume comercial mínimo no inventário final nas hectares
reflorestadas no início do período i.

5.2.5.2 Condições de não negatividade

Neste condição, considera-se que:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

275
ij
X > 0 para todas i e j; (6.21)
iH
W > 0 para todas i. (6.22)

É importante notar que nesta formulação se inicia desde o período 0 até o
período i. O horizonte de planejamento para o exemplo 6.1 definido em (5.2.4.1.1)
amplia-se desde o início do período 0 até o final do período 3 (ou equivalentemente
ao início do período 4).
As condições introduzidas nas equações (6.14) a (6.22) e não definidas na
formulação do Modelo I ou na discussão prévia do Modelo II são as seguintes:
N = número mínimo de períodos entre os cortes;
-M = número de períodos antes do início do período 0, onde a classe mais
velha presente no início do período 0 é reflorestada (como
exemplo: -M = -8 indica que a classe de idade presente mais velha
foi reflorestada oito períodos antes que o período 0).
ij
C = para cobrir a descontinuidade por hectare desde o início do período
i e o corte ao início do período j, as
ij
C são computadas de
maneira similar ao Modelo I, através da seguinte fórmula:

ij
ij ij p
j i Y
jY
C
P V C R
R
=
÷ +
+
÷
( )
( )
( )
1
1


P
ij
= preço por unidade de volume de madeira cortada ao início do
período j dos hectares ao início do período j; C
p
= custos por
hectare de estabelecimento do povoamento por plantação; R = taxa
descontínua, expressada como fração; Y = número de anos em
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

276
cada período de planificação; H = horizonte de planejamento; D
iH

= desconto dos valores líquidos por hectare em cada período no
final do inventário ou nas áreas reflorestadas no início do período i;
as D
iH
são calculadas da seguinte maneira:
iH
iH iH p
H i Y
HY
D
P V C R
R
=
÷ +
+
÷
( )
( )
( )
1
1

A
i
= número de hectares presentes ao início do período 0 que foram
reflorestadas no período i, onde i vai desde -M a -1 pela progressão
-M, -M+1, ....., -2, -1 (então, A
÷8
representa as hectares que
foram reflorestadas oito períodos antes do início do período 0).

5.2.5.3 Função objetivo

Considerando a primeira fração da equação (6.14) marcada com A.
Usando a situação do exemplo do Modelo I, a parte A da equação (6.14) é expressa
como segue:

j
ij ij
i
j
C x
= =÷
÷
¿ ¿
0
3
8
3


Pode-se examinar esta somatória da seguinte maneira:
1. Para j = 0 a soma sobre i vai de -8 a -3. No entanto, a indicação
subscrita com i indica um período durante o qual as hectares presentes no período 0
foram reflorestadas. Para o exemplo 6.1, as únicas classes de idade presentes no
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

277
período 0 são 8 e 4 períodos de idade., respectivamente. Assim, a soma sobre i de -
8 até -3, quando j = 0 é dado por: C
-80
x
-80
+ C
-40
x
-40

2. Para j =1, a soma sobre i vai de -8 até -2. Da mesma forma obtém-se: C
-
81
x
-81
+ C
-41
x
-41.

3. Para j = 2, a soma sobre i com variação de -8 até -1: C
-82
x
-82
+ C
-42
x
-
42.

4. Par j = 3, a soma sobre i com variação de -8 até 0. Quando subscreve-se
que i = 0 por j = 3 (exemplo: a variável de decisão é X
03
) a decisão indicada é
como se o corte de madeira, no início do período 3 foi reflorestada no início do
período 0. Com isso reconhece-se dois fatos do problema. No primeiro pode-se
tomar decisões de corte e reflorestamento no período 0. No segundo a idade
mínima comercial é de três décadas. Desse modo, se forem reflorestadas algumas
áreas no período 0, pode-se cortar no período três, mas não antes. Isso é controlado
por j-N abaixo do limite no cálculo sobre i, Desse modo, quando j = 3, tem-se: C
-83

x
-83
+ C
-43
x
-43
+ C
03
x
03.

A soma total da parte A da equação (6.14) da função objetivo começa
com a soma do item 1 até o 4 inclusive. Esta soma reconhece a contribuição do
corte da madeira objetivo. A segunda porção da equação (6.14) parte B, reconhece
o valor da madeira (não necessariamente comercial) a qual é deixada como
inventário ao final do horizonte de planejamento. Para o exemplo 6.1 a função
pode ser escrita como segue:

Maximizar:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

278
34 34
24 24 14 14 04 04 44 44 84 84
03 03 43 43 83 83 42 42 82 82
41 41 81 81 40 40 80 80

B D +
A +
w D
w D w D w D w D w
x C x C x C x C x C
x C x C x C x C Z
+
+ + + +
+ + + +
+ + + =
÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷
÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷ ÷

5.2.5.4 Restrição de área

A equação (6.15) assegura que as áreas colhidas de cada classe etária
presente no período 0 mais as áreas deixadas para o inventário final desta classe
etária, é igual ao número total de hectares da classe etária do início. A equação
(6.16) é um tanto difícil de seguir em um exame minucioso. Esta área de restrição
atesta que as áreas colhidas no período k das áreas reflorestadas no período j mais a
área deixada para o inventário final das áreas reflorestadas no período j, devem
igualar a área total reflorestada no período j. Esta restrição supõe que as áreas
colhidas são imediatamente reflorestadas. Por exemplo, no exemplo 6.1 a restrição
especificada pela equação (6.16) é a seguinte:

x w x
jk j ij
i
j
k j
+ =

÷
= +
¿ ¿
4
8
3
3
3
j = 0, 1, 2, 3

Essa restrição pode ser escrita:



14

3 = j x x x w
2 = j x x w
1 = j x x w
0 = j x x w x
03 43 83 34
42 82 24
41 81
40 80 04 03
+ + =
+ =
+ =
+ = +
÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷
÷ ÷

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

279
A restrição para j=0 assegura que a área colhida no período 3 da área
reflorestada no período 0 mais a área deixada como estoque final no início do
período 4 da área reflorestada no período 0, devem igualar a área total reflorestada
depois da colheita no período 0. No exemplo 6.1 observa-se que a única área
disponível para ser cortada no período 0 é aquela que foi reflorestada oito períodos
anteriores ao período 0.
Colocações similares podem ser feitas sobre cada uma das outras três
restrições. Para o restante das restrições j > 1, visto que o total sobre k vai de j+3 a
3 O total de k para estas restrições é indefinido. Portanto, nenhum termo x
jk

aparece nestas restrições.


5.2.5.1.4 Restrições para o fluxo equilibrado

Estas são similares as restrições de fluxo restringido para o Modelo I,
exceto pelas diferenças inerentes ditadas pelas diferenças nas variáveis de decisão
para os dois modelos. Assim, pode-se construir fluxos equilibrados numéricos para
a implementação do Modelo II, a partir do exemplo 6.1, usando o mesmo tipo de
raciocínio da parte A da função objetivo da equação (6.14).

5.2.5.6 Restrições de estoque final

No Modelo I o fluxo de restrição da colheita restringirá, período por
período, as flutuações nos volumes de colheita aos níveis de tolerância específica
(o | e ) . Porém, isso não assegura que fique um estoque comercial no final do
horizonte de planejamento. Sempre ficará um estoque, porque imediatamente
depois de cortar a respectiva área é replantada, mas esse estoque pode ser muito
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

280
jovem para ser comercial. Nesses casos uma restrição específica que regule o
estoque final deve ser utilizada. A equação (6.19) simplesmente coloca um limite
mais baixo no volume total do estoque comercial remanescente no final do
horizonte de planejamento. Este é o tipo de restrição de estoque final utilizada no
Modelo I. Por outro lado, a equação (6.20) especifica uma série de restrições que
coloca limites mais baixos no volume comercial do estoque final em cada classe
etária. Esse tipo de restrição fornece mais informação e possibilita uma
flexibilidade maior na especificação no tipo de estrutura florestal que se deseja ter
no final do horizonte de planejamento. Porém, requer também um maior número de
restrições e assim aumenta-se a dificuldade computacional do problema.


5.2.5.7 Ordenamento das restrições

O ordenamento das restrições para o Modelo II pode ser escrito como no
Modelo I, para assegurar que a floresta final esteja numa condição desejada.

5.2.6 Comparação do Modelo I e Modelo II

As diferenças básicas existentes entre os Modelos I e II são as seguintes:
a) A diferença fundamental entre os Modelos I e II é simplesmente a
maneira de manejar o povoamento. O Modelo I identifica áreas dentro da classe
etária que devem ser separadas em unidades de manejo, para depois preservar a
identidade dessas ao longo de todo o horizonte de planejamento. Por outro lado, o
Modelo II, permite que áreas de uma classe de idade mais nova sejam separadas e
combinadas com áreas de outras classes de idade que são ao mesmo tempo
colhidas e reflorestadas. Assim, árvores de uma área particular podem atingir a
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

281
idade de 80 anos durante uma parte do horizonte de planejamento, mas somente
serão colhidas outra vez depois de 30 anos. Assim, o manejo no Modelo II é mais
flexível que no Modelo I. Qualquer uma das situações pode ser difícil de
implementar porque ambas requerem que o administrador florestal identifique no
campo áreas que possam ser aproveitadas segundo as prescrições selecionadas. No
Modelo II esta implementação com identificação no campo pode ser ainda mais
complicada pelo fato de ser difícil determinar áreas individuais através do tempo
na programação linear de produção.
b) O Modelo II requer mais áreas de restrição que o Modelo I. Se houver k
classes de idade que contenham áreas no início do horizonte de planejamento e H
períodos, então o Modelo I tem k áreas restringidas e o Modelo II tem k + H áreas
restringidas.
c) O Modelo II requer variáveis explícitas no estoque final e o Modelo I
não, mas usualmente esse requer mais (e as vezes muitas mais) variáveis de
decisão que o Modelo II. Não é o caso do exemplo 6.1, onde o Modelo I requer 12
variáveis de decisão e o Modelo II requer 15 variáveis.
d) Como uma questão prática, o Modelo II freqüentemente prevê uma
possibilidade de corte maior que o Modelo I, no decurso de um horizonte de
planejamento longo. Mais madeira pode ser obtida, teoricamente, de uma floresta
se o Modelo II for adotado. Isso porque a identidade das unidades de manejo no
Modelo I é assegurada de forma constante, uma vez que essas unidades foram
identificadas. Já no Modelo II não existem tais restrições implícitas. Por isso, para
que qualquer um dos modelos seja mais eficiente depende muito da maneira como
o reflorestamento é administrado. Portanto, o modelo escolhido deve sempre
refletir claramente a estratégia organizacional.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

282
5.2.7 Utilização da programação linear

5.2.7.1 Definição de espaçamento

A definição do espaçamento a ser utilizado em 300 acres, em que você
dispõe de 190.000 mudas e U$ 7.500,00. A escolha está limitada a três densidades:
908, 681 e 436 árvores/acre.
O custo por acre de implantação e o lucro líquido por acre para estes três
espaçamentos são, respectivamente :
a) Custos: U$ 33,93, U$ 25,05 e U$ 17,34;
b) Lucro: U$ 390, U$ 231 e U$ 125.

Função objetivo:

Maximizar:

Z = 390 X1 + 231 X2 + 125 X3

Restrições :

908 X1 + 681 X2 + 436 X3 s 190.000 Restrição de mudas
33,93 X1 + 25,95 X2 + 17,34 X3 s 7500 Restrição de recursos
X1 + X2 + X3 s 300 Restrição de área

Solução algébrica:

Z – 390 X1 – 232 X2 – 125 X3 = 0

X1 + X2 + X3 + X4 + X5 + X6= 300
908 X1 + 681 X2 + 436 X3= 190000
33,93 X1 +25,95 X2 +17,34 X3 = 7500
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

283
a) Solução por quadros
Passo 1:
Var.
Básicas
N
0

Eq.
Z X1 X2 X3 X4 X5 X6 Lado direito
Z 0 1 -340 -231 -125 0 0 0 0
X4 1 0 1 1 1 1 0 0 300
X5 2 0 908 681 436 0 1 0 190000
X6 3 0 33.93 25.95 17.34 0 0 1 7500

Passo 2:
Var.
Básicas
N
0

Eq.
Z X1 X2 X3 X4 X5 X6 Lado direito
Z 0 1 0 61.50 62.26 0 0.43 0 81607.93
X4 1 0 0 0.25 0.51 1 -0.001 0 90.7488
X1 2 0 1 0.75 0.48 0 1/908 0 209.2511
X6 3 0 0 0.50 1.04 0 -0.037 1 400.1101

b) Solução pelo CMMS

C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-

NUMBER OF VARIABLES : 3
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 3
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 0
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 0

MAX max = 390 x1 + 231 x2 + 125 x3

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

284
SUBJECT TO:

908 x1 + 681 x2 + 436 x3 <= 190000

33.93 x1 + 25.95 x2 + 17.34 x3 <= 7500

1 x1 + 1 x2 + 1 x3 <= 300

-=*=- RESULTS -=*=-


VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY

x1 209.251 390 0
x2 0 231 61.5
x3 0 125 62.269

CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE

1 190000 0 .43
2 7500 400.11 0
3 300 90.749 0

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 81607.93


SENSITIVITY ANALYSIS --


OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS

LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT
x1 308 390 NO LIMIT
x2 NO LIMIT 231 292.5
x3 NO LIMIT 125 187.269


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

285
RIGHT-HAND-SIDE VALUES

CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT
1 0 190000 200707.344
2 7099.89 7500 NO LIMIT
3 209.251 300 NO LIMIT

---------- E N D O F A N A L Y S I S ----------

c) Solução ótima

Pela análise dos resultados conclui-se que o melhor espaçamento é o de
908 árvores/acre, que corresponde a variável X1. Deve-se plantar 209,25
árvores/acre neste espaçamento e com isso maximiza-se a função objetivo em U$
81.607,99.
Do coeficiente de sensibilidade, percebe-se que o uso do espaçamento de
681 árvores/acre (X2) diminui a função objetivo em U$ 61,50 para cada acre
plantado. O uso do espaçamento de 436 árvores/acre (X3) diminui a função
objetivo em U$ 62.269.
Avaliando-se as folgas (Slack or Surplus), observa-se que na restrição 2
há uma sobra em recursos de U$ 400,11, e a restrição 3 uma sobra em área de
90.749 acre.
O preço sombra (Shadow Price) indica que cada muda plantada no
espaçamento X1 incrementa a função objetivo em U$ 0,43. Portanto, as mudas
podem ser consideradas como um recurso gargalo, pois limitam a função objetivo e
impedem o uso completo da terra.
A análise de sensibilidade mostra que o lucro líquido para o espaçamento
X1 (908 árvores/acre) poderia ser reduzido até um mínimo de U$ 308/acre, que
ainda assim seria viável. O espaçamento X2 (681 árvores/acre) somente seria
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

286
interessante se o lucro líquido por acre atingisse U$ 292,50 e no espaçamento X3
(436 árvores/acre) U$ 187,27.

5.2.7.2 Abastecimento industrial

Uma empresa florestal necessita abastecer a sua fábrica com 200.000 m
3

de madeira por ano. As suas reservas florestais para o ano vindouro estão
distribuídas em três distritos que contém: 145.000 m
3
em 381.6 ha, 70.000 m
3
em
200 ha e 180.000 m
3
em 610.2 ha
A empresa dispõe de R$ 1.000.000,00 para gastar com reformas. O custo
de renovação florestal por hectare nestas áreas alcança, respectivamente: R$
989,12 no distrito 1, R$ 745,00 no distrito 2 e R$ 818,18 no distrito 3, conforme
Tabela 50.

TABELA 50 – Resumo da situação por distrito
Distrito Volume
(m
3
)
Custo de
renovação
(R$/ha)
Renda
(m
3
)
Área
(ha)
1 145000 989,12 17,80 381,6
2 70000 745,00 25,90 200,0
3 180000 818,18 19,10 610,2

Função objetivo:

Z = 17,80 D1 + 25,90 D2 + 19,10 D3

Restrições:

989,12D1 + 745,00D2 + 818,18D3 s 1000000 Recursos de reformas
D1s 381,6 Restrição de área
D2s 200,0 Restrição de área
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

287
D3s 610,2 Restrição de área
379D1 + 350D2 + 294.98D3 = 200000 Consumo da fábrica

Solução algébrica:

Z – 17.80D1 – 25.90D2 –19.1D3 = 0
982.12D1 +745D2 +818.18D3 +D4 = 1000000
D1 + D5 = 381.6
D2 + D6 = 200
D3 + D7 = 610.2
379.97 D1 + 735 D2 + 294.98 D3 + D8 = 200000
a) Solução por quadros


Passo 1:
Var.
Básica
N
0
Eq.
Z D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D8 Lado
Direito
Z 0 1 -17.8 -25.9 -19.1 0 0 0 0 0 0
D4 1 0 989.12 745 818.18 1 0 0 0 0 1000000
D5 2 0 1 0 0 0 1 0 0 0 381.6
D6 3 0 0 1 0 0 0 1 0 0 200
D7 4 0 0 0 1 0 0 0 1 0 610.2
D8 5 0 379.97 350 294.98 0 0 0 0 1 200000

Passo 2: Cálculo do bloqueio:
(1000000 / 745; 200 / 1; 200000 / 350)
(1342; 200; 571.42) = 200 é o valor mínimo – sai linha 3 (D6)
Var.
Básica
N
0
Eq.
Z D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D8 Lado
Direito
Z 0 1 -17.8 0 -19.1 0 0 25.90 0 0 5180
D4 1 0 989.12 0 818.18 1 -745 0 0 0 85100
D5 2 0 1 0 0 0 1 0 0 0 381.6
D2 3 0 0 1 0 0 0 1 0 0 200
D7 4 0 0 0 1 0 0 0 1 0 610.2
D8 5 0 379.97 0 294.98 0 0 0 0 -350 130000
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

288
Passo 3: Cálculo do bloqueio:
(85100 / 818.18; 610.2 / 1;13000 / 294.98)
(1004.01; 610.2; 44.07) = 44.07 é o valor mínimo – sai linha 5 (D5)
Var.
Básica
N
0
Eq.
Z D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D8 Lado
Direito
Z 0 1 6.8 0 0 0 0 25.90 0 -22.65 13597.5
D4 1 0 -64.69 0 0 0 0 0 0 970.36 490.422
D5 2 0 1 0 0 0 1 0 0 0 381.6
D2 3 0 0 1 0 0 0 1 0 0 200
D7 4 0 -1.288 0 0 0 0 0 1 1.186 169.49
D3 5 0 1.288 0 1 0 0 0 0 -1.186 440.707


b) Solução pelo CMMS


C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-


NUMBER OF VARIABLES : 3
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 4
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 1
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 0


MAX max = 17.8 d1 + 25.9 d2 + 19.1 d3


SUBJECT TO:


989.12 d1 + 745 d2 + 818.18 d3 <= 1000000

1 d1 + 0 d2 + 0 d3 <= 381.6

0 d1 + 1 d2 + 0 d3 <= 200

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

289
0 d1 + 0 d2 + 1 d3 <= 610.2

379.97 d1 + 350 d2 + 294.98 d3 = 200000

=*=- RESULTS -=*=-

VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY

d1 0 17.8 6.803
d2 200 25.9 0
d3 440.708 19.1 0

CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE

1 1000000 490421.719 0
2 381.6 381.6 0
3 200 0 3.237
4 610.2 169.492 0
5 200000 0 .065

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 13597.519


-- SENSITIVITY ANALYSIS --


OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS

LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT

d1 NO LIMIT 17.8 24.603
d2 22.663 25.9 NO LIMIT
d3 13.819 19.1 21.829




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

290
RIGHT-HAND-SIDE VALUES

CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT

1 509578.281 1000000 NO LIMIT
2 0 381.6 NO LIMIT
3 57.152 200 571.429
4 440.708 610.2 NO LIMIT
5 70000.016 200000 49996.812

---------- E N D O F A N A L Y S I S ----------


c) Solução ótima

A análise dos resultados indica que se deve explorar a totalidade dos
distrito 2 e 440.7 ha no distrito 3 e, não explorar o distrito 1. Desta Forma, obtém-
se um valor máximo na função objetivo de R$ 13.597,519.
O coeficiente de sensibilidade permite afirmar que cada hectare explorado
no distrito 1, diminui a função objetivo em R$ 6.803.
Analisando as sobras na restrição 1, observa–se uma sobra de capital de
R$ 490.421,72, e uma sobra de área de 551,09 ha, sendo 381,6 ha no distrito 1 e
169,492 ha no distrito 3.
O preço sombra indica que cada hectare colhido a mais no distrito 2
incrementa a função objetivo em R$ 3.237. Isto significa que se o preço da terra
nessa região for inferior a esse valor, valeria a pena ser adquirida.
A análise de sensibilidade indica que a renda líquida no distrito 2 pode
cair até R$22.663/ha, mesmo assim, seria interessante a sua exploração.
Para o distrito 1, a renda líquida teria que ser de no mínimo R$ 24.603
para que a sua exploração fosse viável.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

291
No distrito 3 a renda líquida teria que ser de no mínimo R$ 13.819, sendo
o máximo de R$ 21.829.

5.2.7.3 Suprimento de matéria-prima

A Empresa de Celulose Madepolpa produz 10.000 ton. de polpa por dia.
O maior problema para a empresa é o suprimento de toras, uma vez que a mesma
não tem área própria próxima à fábrica. Uma outra empresa, a Segra, possui 62.000
hectares próximo à Madepolpa. A Madepolpa fechou um contrato em que prevê a
compra de 1.415.000 m
3
/ano de madeira da empresa Segra para os próximos 16
anos. O preço de compra das toras é de U$ 9,00/m
3
, e se a Segra desejar entregar
mais do que o volume estipulado em contrato em algum ano, a Madepolpa
comprará a madeira adicional ao mesmo preço. A Segra tem um problema de
programar as colheitas e os plantios de forma a atingir os 1.415.000 m
3
/ano nos
próximos 16 anos, considerando a obtenção do máximo lucro.
A empresa Segra possui 36.000 hectares, com 13 anos de idade e 26.000
hectares de área sem florestas. As produções para cada idade encontram-se a
Tabela 51. O custo de reforma é em U$ 375,00/ha, o custo de administração de U$
3,75/ha e a taxa de juro usada para análise financeira de 5% ao ano.











Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

292
TABELA 51 - Produtividade por hectare nas diferentes idades para a empresa
Segra.
Idade
(anos)
Produção
(m
3
/ha)
Idade
(anos)
Produção
(m
3
/ha)
10 203,61 21 567,17
11 244,75 22 589,56
12 285,48 23 611,54
13 326,55 24 631,41
14 365,38 25 648,97
15 398,83 26 664,01
16 431,01 27 678,22
17 461,52 28 689,62
18 491,19 29 700,05
19 517,15 30 705,29
20 542,97


O problema da programação linear envolve um período de planejamento
de 16 anos, com 8 períodos de corte de 2 anos (produção mínima por período = 2
anos x 1.415.000 m
3
/ano = 2.830.000 m
3
). Sendo a idade mínima de corte de 10
anos, tem-se a possibilidade de se definir 15 regimes de manejo (Tabela 52).
Duas unidades de corte foram definidas, em que a unidade de corte 1
contém os 36.000 ha de plantações, com 13 anos de idade, e a unidade de corte 2
contém os 26.000 ha em terras sem florestas.
Pela Tabela 53 pode-se observar que o possível regime de manejo 1
implica em um primeiro corte raso na idade de 14 anos, com reforma imediata, e
um segundo corte raso aos 10 anos. O segundo possível regime de manejo implica
em um primeiro corte raso aos 14 anos de idade, com reforma imediata, e um
segundo corte raso aos 12 anos.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

293
TABELA 52 - Regimes de manejo possíveis na empresa Segra.
Regime de Período de corte
Manejo 1 2 3 4 5 6 7 8
1 C C
2 C C
3 C C
4 C
5 C C
6 C C
7 C
8 C C
9 C
10 C
11 C
12 C
13 C
14 C
15
Sendo: C = Corte raso seguido de reforma na unidade de corte 1 e plantação ou
corte na unidade de corte 2.

Num primeiro passo, deve-se calcular o Valor Esperado da Terra (VET)
com o objetivo de se obter o período de rotação ótima, do seguinte modo:


Sendo: CI = custo de implantação ou reforma; RB = receita bruta (preço
X produção); a = custo de administração; t = idade de corte; i = taxa de juros.






i 0 , 0
a
1 i 0 , 1
CI RB
CI VET
t
÷
÷
÷
+ ÷ =
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

294
TABELA 53 - Cálculo da rotação ótima através do valor esperado da terra
anualizado.
Idade
(ano)
Produção
(m
3
/ha)
CI
(U$/ha)
RB
(U$/ha)
VET
(U$/ha)
10 203,61 375 1832,49 1867,542
11 244,75 375 2202,75 2123,066
12 285,48 375 2569,32 2307,181
13 326,55 375 2938,95 2444,995
14 365,38 375 3288,42 2523,085
15 398,83 375 3589,47 2529,318
16 431,01 375 3879,09 2512,351
17 461,52 375 4153,68 2474,633
18 491,19 375 4420,71 2426,194
19 517,15 375 4654,35 2352,547
20 542,97 375 4886,73 2278,928
21 567,17 375 5104,53 2198,169
22 589,56 375 5306,04 2111,232
23 611,54 375 5503,86 2025,888
24 631,41 375 5682,69 1935,372
25 648,97 375 5840,73 1840,409
26 664,01 375 5976,09 1741,630
27 678,22 375 6103,98 1645,874
28 689,62 375 6206,58 1547,028
29 700,05 375 6300,45 1451,538
30 705,29 375 6347,61 1347,927

A Tabela 53 apresenta os resultados do cálculo da rotação ótima para
todas as idades entre 10 e 30 anos. Pode-se observar que na idade de 15 anos tem-
se o maior Valor Esperado da Terra (U$ 2.529,32); portanto, define-se esta idade
como a de rotação econômica ótima. Como exemplo, o cálculo do VET para a
idade de 15 anos é o seguinte:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

295
32 , 529 . 2
05 , 0
75 , 3
1 05 , 1
375 83 , 398
375
15
15
= ÷
÷
÷
+ ÷ = VET U$/ha

Num segundo passo, determina-se a produção na colheita em cada
possível regime de manejo nas duas unidades de corte. Estes valores estão
apresentados na Tabela 54.
Num terceiro passo calcula-se o Valor da Terra e Produção (VTP) no final
do horizonte de planejamento, para cada regime de manejo em cada unidade de
corte, utiliza-se a seguinte equação:
VTP
RB VET
a
i
i
k
=
+ +
0 0
10
,
,


Sendo: RB = Renda bruta na idade de rotação ótima; VET = Valor esperado
da terra na idade de rotação ótima; K = diferença em número de anos entre a idade
do povoamento no final do período de planejamento e a idade de rotação ótima (15
anos).













Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

296
TABELA 54 - Estimativa da produção em hectare por unidade de corte, regime de
manejo e período de corte
Regime
Manejo
Produção por período de corte
1 2 3 4 5 6 7 8
Unidade de corte 1
1 365,38 203,61
2 365,38 285,48
3 365,38 365,38
4 365,38
5 431,01 203,61
6 431,01 285,48
7 431,01
8 491,19 203,61
9 491,19
10 542,97
11 589,56
12 631,41
13 664,01
14 689,62
15
Unidade de corte 2
1 0,00 203,61
2 0,00 285,48
3 0,00 365,38
4 0,00
5 0,00 203,61
6 0,00 285,48
7 0,00
8 0,00 203,61
9 0,00
10 0,00
11 0,00
12 0,00
13 0,00
14 0,00
15

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

297
Os valores finais de VTP encontram-se na Tabela 55. Para o regime de
manejo 1 na unidade de corte 1, o valor final de VTP é calculado como:
A idade do povoamento no final do período (anos) é obtida pela diferença
do número de anos do período de planejamento (16 anos) e pelo ponto médio do
período de corte em questão. No caso do regime de manejo 1, da unidade de corte
1, o período de planejamento é de 16 anos e o corte é executado no 6° período
corte, portanto, considerando o período médio esse regime de manejo tem 11 anos
de idade, assim: 16-11 = 5 anos para o final do período de planejamento.
A Tabela 54 mostra os dados necessários para o cálculo do fluxo de caixa
dos valores líquidos presentes para cada regime de manejo por unidade de corte.
Para tanto, é necessário que se faça o cálculo da renda líquida, que é a renda bruta
menos o custo de reforma. O resultado para o regime de manejo 1 na unidade de
corte 1 para os dois períodos de corte é calculado do seguinte modo:
Renda líquida no período de corte 1:
Renda da colheita = 9,00 * 365,38m
3
/ha = 3288,42/ha
Custo de reforma = - 375,00/ha
2913,42/ha
Renda líquida no período de corte 6:
Renda da colheita = 9,00 * 203,61m
3
/ha = 1832,49/ha
Custo de reforma = - 375,00/ha
1457,49/ha



US/ha 45 , 802 . 3
05 , 1
05 , 0
75 , 3
32 , 529 . 2 ) 83 , 398 ( 9
10
1
=
+ +
= VTP
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

298
TABELA 55 - Valores finais por regime de manejo e unidade de corte (VTP)
Regime de
manejo
Idade do pov.
final do período
(anos)
Anos faltam para
atingir a rotação
ótima (valor de k)
Produção na idade
ótima de rotação
(m
3
)
VTP
(U$/ha)
Unidade de corte 1
1 5 10 398,83 3802,45
2 3 12 398,83 3448,934
3 1 14 398,83 3128,285
4 15 0 398,83 6193,79
5 3 12 398,83 3448,934
6 1 14 398,83 3128,285
7 13 2 398,83 5617,95
8 1 14 398,83 3128,285
9 11 4 398,83 5095,646
10 9 6 398,83 4621,901
11 7 8 398,83 4192,201
12 5 10 398,83 3802,45
13 3 12 398,83 3448,934
14 1 14 398,83 3128,285
15 29 0 700,05 8904,770
Unidade de corte 2
1 5 10 398,83 3802,45
2 3 12 398,83 3448,934
3 1 14 398,83 3128,285
4 15 0 398,83 6193,79
5 3 12 398,83 3448,934
6 1 14 398,83 3128,285
7 13 2 398,83 5617,95
8 1 14 398,83 3128,285
9 11 4 398,83 5095,646
10 9 6 398,83 4621,901
11 7 8 398,83 4192,201
12 5 10 398,83 3802,45
13 3 12 398,83 3448,934
14 1 14 398,83 3128,285
15 0 0 0,00 2604,32

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

299
O Valor Presente Liquido (VPL) por hectare do fluxo de caixa gerado por
implementação do regime de manejo w é calculado pela seguinte equação, e
encontram-se na Tabela 56.

Sendo: VPL
w
= Valor presente líquido por hectare do fluxo de caixa
gerado por implementação do regime de manejo w;RB
jw
= Renda bruta por hectare
para a madeira coletada no período j se o regime w é usado; CR
jw
= Custo por
hectare de práticas silviculturais no período j se o regime w é usado; VTP
w
= Valor
final da terra e da produção por hectare com regime w; a = Custo anual de
administração; p = Número de períodos de corte envolvidos; i = Taxa de juros; yj =
Número de anos entre o início do período de planejamento e o ponto médio do
período de corte j; n = Número de anos do período de planejamento.

Para o regime de manejo 1 na unidade de corte 1, o Valor Presente
Líquido é calculado como:


Desta forma, as variáveis de decisão são definidas como:
X
w
= número de hectares na unidade de corte 1 sob o regime de manejo w
(w = 1, 2, ..., 15);
Y
w
= número de hectares na unidade de corte 2 sob o regime de manejo w
(w = 1, 2, ..., 15).


i 0 , 0
a
) i 1 (
VTP
) i 1 (
CR RB
VLP
n
w
p
1 j
yj
jw jw
w
÷
+
+
+
÷
=
¿
=
U$/ha 80 , 5293
05 , 0
75 , 3
05 , 1
45 , 3802
05 , 1
49 , 1457
05 , 1
42 , 2913
16 11 1
1
= ÷ + + = VPL
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

300
TABELA 56 - Valores Presentes Líquidos (U$/ha) por regime de manejo e unidade
de corte
Regime
Manejo
Produção por período de corte
1 2 3 4 5 6 7 8 VTP/ha VLP/ha
Unidade de corte 1
1 2913,42 1457,49 3802,45 5.293,80
2 2913,42 2194,32 3448,934 5.973,70
3 2913,42 2913,42 3128,285 5.534,19
4 2913,42 6193,79 5.537,14
5 3504,09 1457,49 3448,934 5.384,13
6 3504,09 2194,32 3128,285 5.548,76
7 3504,09 5617,95 5.525,61
8 4045,71 1457,49 3128,285 5.380,18
9 4045,71 5095,646 5.429,29
10 4511,73 4621,901 5.248,75
11 4931,04 4192,201 5.024,09
12 5307,69 3802,45 4.770,25
13 5601,09 3448,934 4.475,38
14 5831,58 3128,285 4.163,19
15 8904,77 2.105,47
Unidade de corte 2
1 -375,00 1457,49 3802,45 2.161,97
2 -375,00 2194,32 3448,934 2.311,55
3 -375,00 2913,42 3128,285 2.402,36
4 -375,00 6193,79 2.405,31
5 -375,00 1457,49 3448,934 3.033,23
6 -375,00 2194,32 3128,285 2.197,86
7 -375,00 5617,95 2.174,71
8 -375,00 1457,49 3128,285 1.916,44
9 -375,00 5095,646 1.965,55
10 -375,00 4621,901 1.775,84
11 -375,00 4192,201 1.603,77
12 -375,00 3802,45 1.447,70
13 -375,00 3448,934 1.306,13
14 -375,00 3128,285 1.177,72
15 2604,32 1.118,07


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

301
A função objetivo é:

Maximizar Z = 5293,80X
1
+ 5973,70X
2
+ 5534,19X
3
+...+1177,72Y
14
+ 1118,07Y
15

Sujeita às seguintes restrições de área:

E as seguintes restrições de volume:
365,38 X
1
+ 365,38 X
2
+ 365,38 X
3
+ 365,38 X
4
> 2.830.000
431,01 X
5
+ 431,01 X
6
+ 431,01 X
7
> 2.830.000
491,19 X
8
+ 491,19 X
9
> 2.830.000
542,97 X
10
> 2.830.000
589,56 X
11
> 2.830.000
203,61 X
1
+ 631,41 X
12
+ 203,61 Y
1
> 2.830.000
285,48 X
2
+ 203,61 X
5
+ 664,01 X
13
+ 285,48 Y
2
+ 203,61 Y
5
> 2.830.000
365,38 X
3
+ 285,48 X
6
+ 203,.61 X
8
+ 689,62 X
14

+ 365,38 Y
3
+ 285,48 Y
6
+ 203,61 Y
8
> 2.830.000

O problema envolve 30 variáveis de atividade e 10 restrições. Através do
programa CMMS (Computer Models for Management Science), foi resolvido o
presente problema, onde os resultados obtidos encontram-se a seguir:





36000
15
1
=
¿
= w
w
X
26000
15
1
=
¿
= w
w
Y
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

302
C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-

NUMBER OF VARIABLES : 30
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 0
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 2
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 8


MAX = 5293.8 X1 + 5973.7 X2 + 5534.19 X3 + 5537.14 X4 + 5384.13 X5
+ 5548.76 X6 + 5525.61 X7 + 5380.18 X8 + 5429.29 X9 + 5248.75 X10
+ 5024.09 X11+ 4770.25 X12+ 4475.38 X13+ 4163.19 X14+ 2105.47 X15
+ 2161.97 Y1 + 2311.55 Y2 + 2402.36 Y3 + 2405.31 Y4 + 3033.23 Y5
+ 2197.86 Y6 + 2174.71 Y7 + 1916.44 Y8 + 1965.55 Y9 + 1775.84 Y10
+ 1603.77 Y11+ 1447.7 Y12+ 1306.13 Y13+ 1177.72 Y14+ 1118.07 Y15

SUBJECT TO:

1 X1 + 1 X2 + 1 X3 + 1 X4 + 1 X5
+ 1 X6 + 1 X7 + 1 X8 + 1 X9 + 1 X10
+ 1 X11+ 1 X12+ 1 X13+ 1 X14+ 1 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15 = 36000

0 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 1 Y1 + 1 Y2 + 1 Y3 + 1 Y4 + 1 Y5
+ 1 Y6 + 1 Y7 + 1 Y8 + 1 Y9 + 1 Y10
+ 1 Y11+ 1 Y12+ 1 Y13+ 1 Y14+ 1 Y15 = 26000
65.38 X1 + 365.38 X2 + 365.38 X3 + 365.38 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

303
0 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 431.01 X5
+431.01 X6 + 431.01 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

0 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 491.19 X8 + 491.19 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

0 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 542.97 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

0 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 589.56 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

203.61 X1 + 0 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 631.41 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 203.61 Y1 + 0 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

0 X1 + 285.48 X2 + 0 X3 + 0 X4 + 203.61 X5
+ 0 X6 + 0 X7 + 0 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 664.01 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 285.48 Y2 + 0 Y3 + 0 Y4 + 203.61 Y5
+ 0 Y6 + 0 Y7 + 0 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

304
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

0 X1 + 0 X2 + 365.38 X3 + 0 X4 + 0 X5
+ 285.48 X6 + 0 X7 + 203.61 X8 + 0 X9 + 0 X10
+ 0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 689.62 X14+ 0 X15
+ 0 Y1 + 0 Y2 + 365.38 Y3 + 0 Y4 + 0 Y5
+ 285.48 Y6 + 0 Y7 + 203.61 Y8 + 0 Y9 + 0 Y10
+ 0 Y11+ 0 Y12+ 0 Y13+ 0 Y14+ 0 Y15>= 2830000

-=*=- RESULTS -=*=-

VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY
X1 0 5293.8 291.825
X2 9178.211 5973.7 0
X3 0 5534.19 351.382
X4 0 5537.14 436.56
X5 0 5384.13 233.485
X6 6565.973 5548.76 0
X7 0 5525.61 92.006
X8 4693.021 5380.18 0
X9 1068.497 5429.29 0
X10 5212.075 5248.75 0
X11 4800.19 5024.09 0
X12 4482.032 4770.25 0
X13 0 4475.38 1498.32
X14 0 4163.19 1644.176
X15 0 2105.47 3868.23
Y1 0 2161.97 483.185
Y2 0 2311.55 721.68
Y3 0 2402.36 542.741
Y4 0 2405.31 627.92
Y5 26000 3033.23 0
Y6 0 2197.86 766.513
Y7 0 2174.71 858.52
Y8 0 1916.44 1067.68
Y9 0 1965.55 1067.68
Y10 0 1775.84 1257.39
Y11 0 1603.77 1429.46
Y12 0 1447.7 1585.53
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

305
Y13 0 1306.13 1727.1
Y14 0 1177.72 1855.51
Y15 0 1118.07 1915.16


CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE

1 36000 0 5973.7
2 26000 0 3033.23
3 2830000 523534.25 0
4 2830000 0 . 826
5 2830000 0 1.108
6 2830000 0 1.335
7 2830000 0 1.611
8 2830000 0 1.906
9 2830000 5084055.5 0
10 2830000 0 .241

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 274.029.225


-- SENSITIVITY ANALYSIS --

OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS
LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT

X1 NO LIMIT 5293.8 5585.625
X2 5622.318 5973.7 7472.092
X3 NO LIMIT 5534.19 5885.572
X4 NO LIMIT 5537.14 5973.7
X5 NO LIMIT 5384.13 5617.615
X6 5456.753 5548.76 5904.845
X7 NO LIMIT 5525.61 5617.616
X8 5184.371 5380.18 5429.29
X9 5380.18 5429.29 5625.1
X10 NO LIMIT 5248.75 5973.7
X11 NO LIMIT 5024.09 5973.7
X12 3865.278 4770.25 5973.701
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

306
X13 NO LIMIT 4475.38 5973.7
X14 NO LIMIT 4163.19 5807.366
X15 NO LIMIT 2105.47 5973.7
Y1 NO LIMIT 2161.97 2645.155
Y2 NO LIMIT 2311.55 3033.23
Y3 NO LIMIT 2402.36 2945.101
Y4 NO LIMIT 2405.31 3033.23
Y5 2550.045 3033.23 NO LIMIT
Y6 NO LIMIT 2197.86 2964.373
Y7 NO LIMIT 2174.71 3033.23
Y8 NO LIMIT 1916.44 2984.12
Y9 NO LIMIT 1965.55 3033.23
Y10 NO LIMIT 1775.84 3033.23
Y11 NO LIMIT 1603.77 3033.23
Y12 NO LIMIT 1447.7 3033.23
Y13 NO LIMIT 1306.13 3033.23
Y14 NO LIMIT 1177.72 3033.23
Y15 NO LIMIT 1118.07 3033.23

RIGHT-HAND-SIDE VALUES

CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT
1 34567.152 36000 NO LIMIT
2 1030.426 26000 NO LIMIT
3 NO LIMIT 2830000 353534.25
4 2501539 2830000 3447572
5 2305165 2830000 3533801
6 0 2830000 3607993.75
7 0 2830000 3674750.5
8 .25 2830000 3734715
9 NO LIMIT 2830000 7914055.5
10 1874454 2830000 3047556.75
---------- E N D O F A N A L Y S I S ----------



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

307
Pela análise dos resultados, pode-se concluir
que:
a) Sete diferentes regimes de manejo devem ser utilizados para a unidade
de corte 1, e um regime para a unidade corte 2;
b) Na unidade de corte 1 foram selecionados os regimes de manejo X
2
,
X
6
, X
8
, X9, X
10
, X
11
e X
12,
e na unidade corte 2 foi selecionado apenas o regime
de manejo Y
5;

c) O valor máximo alcançado pela função objetivo foi de U$
274.029.225,00, o que representa U$ 4.419,83/ha.
d) Pela análise do preço sombra, pode-se dizer que para cada hectare a
mais que a Empresa Segra consiga incorporar na unidade de corte 1, o valor da
função objetivo aumentará em U$ 5.973,70; e, para cada hectare a mais
incorporado na unidade de corte 2, o valor da função objetivo aumentará em U$
3.033,23/ha.
e) Pela análise das folgas, observa-se que se terá um excedente de madeira
em relação ao volume mínimo requerido pela Empresa de Celulose Madepolpa de
523.534 m
3
no período 1 e 5.084.055 m
3
no período 7, o que não se constitui em
um problema, pois o excedente é absorvido pela Madepolpa.
A solução ótima é apresentada na Tabela 57. Nas Tabelas 58 e 59
encontram-se as áreas e volumes de corte, áreas cortadas e áreas plantadas por
período de corte na Empresa Segra, respectivamente.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

308
TABELA 57 - Solução ótima para a Empresa Segra
Regime de Manejo Área Cortados nas Unidade de Corte (ha)
1 2
1 -.- -.-
2 9.178 -.-
3 -.- -.-
4 -.- -.-
5 -.- 26.000
6 6.566 -.-
7 -.- -.-
8 4.693 -.-
9 1.069 -.-
10 5.212 -.-
11 4.800 -.-
12 4.482 -.-
13 -.- -.-
14 -.- -.-
15 -.- -.-
Total 36000 26000

TABELA 58 – Área de corte, em hectares, por período de corte e regime de
manejo selecionado.
Manejo Períodos de corte
1 2 3 4 5 6 7 8
Unidade de corte 1
2 9178 9178
6 6566 6566
8 4693 4693
9 1069
10 5212
11 4800
12 4482
Unidade de corte 2
5 26000
Total 9178 6566 5761 5212 4800 4482 35178 11259
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

309
TABELA 59 - Volume colhido, área plantada e área colhida por período de corte
Período
de corte
Volume colhido
(m
3
)
Área plantada
(ha)
Área colhida
(ha)
1 3.353.534 9.178 9.178
2 2.830.000 32.566 6.566
3 2.830.000 5.761 5.761
4 2.831.629 5.212 5.212
5 2.830.000 4.800 4.800
6 2.830.000 4.482 4.482
7 7.914.056 35.178 35.178
8 2.830.003 11.259 11.259

5.2.8 Modelo I: Colheita em povoamentos manejados em talhadia simples

Uma empresa florestal que fornece madeira para celulose e papel possui
povoamentos de Eucalyptus grandis, localizados em vários municípios da
Depressão Central do Rio Grande do Sul. Esses povoamentos encontram-se com
idades de 2, 4 e 6 anos, em áreas de 3000 ha, 5000 ha e 1600 ha, respectivamente.
Para simplificar os cálculos, considerou-se que esses povoamentos encontram-se
em sítios semelhantes. A estratégia da empresa é a seguinte:
a) A exploração dos povoamentos será feita por corte raso em duas
rotações, sendo a segunda originada pela condução da brotação do primeiro corte;
b) Os períodos de corte são para intervalo de tempo de 2 anos;
c) A idade mínima de corte é de 6 anos e a máxima de 10 anos;
d) Os povoamentos não são sujeitos a desbaste;
e) Todos os povoamentos devem ser cortados num horizonte máximo de
planejamento de 18 anos.
O objetivo é estabelecer o melhor regime de manejo em cada povoamento
para se obter o máximo de volume de madeira.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

310
Inicialmente, os povoamentos foram agrupados em unidades de corte de
acordo com a idade dos mesmos. Na Tabela 60 observa-se todas as possibilidades
dos regimes de manejo para cada unidade de corte.

TABELA 60 - Prescrições de regimes de manejo possíveis após 18 anos de
planejamento horizontal
Unidade
de corte
Regime
manejo
Idade Período de corte
t=0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
1 2 C C
2 2 C C
3 2 C C
4 2 C C
1 5 2 C C
6 2 C C
7 2 C C
8 2 C C
9 2 C C
1 4 C C
2 4 C C
3 4 C C
4 4 C C
2 5 4 C C
6 4 C C
7 4 C C
8 4 C C
9 4 C C
1 6 C C
2 6 C C
3 6 C C
3 4 6 C C
5 6 C C
6 6 C C
Sendo: C = corte raso

Considerando a estratégia da empresa, observa-se que na Unidade de
Corte 1 (idade atual de 2 anos) tem-se a possibilidade de 9 Regimes de Manejo. A
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

311
primeira possibilidade poderia ser cortar estes povoamentos aos 6 anos na primeira
e segunda rotação. Uma segunda possibilidade seria cortar os povoamentos aos 6
anos na primeira rotação e com 8 anos na segunda rotação. Uma terceira
possibilidade seria cortar aos 6 anos na primeira rotação e com 10 anos na segunda
rotação. Uma quarta possibilidade seria cortar aos 8 anos na primeira rotação e aos
6 anos na segunda rotação. Assim, pode-se fazer as prescrições para os regimes de
manejo restantes.
O segundo passo foi conhecer os volumes passíveis de serem obtidos
dentro de cada regime de manejo. A Tabela 61 mostra os volumes obtidos em
diferentes idades na primeira e segunda rotações. Os dados foram extraídos do
Índice de Sítio 28 (Finger, 1997).

TABELA 61 - Produção estimada com casca, em m
3
/ha

Idade
(anos)
1° Rotação
(m
3
/ha)
2° Rotação
(m
3
/ha)
3 76 117
4 134 179
5 196 236
6 259 286
7 319 329
8 375 365
9 427 395
10 473 420

É importante observar que na Tabela 61 pode-se reconhecer uma
homogeneidade completa na taxa de crescimento em toda a floresta. Se for aceita a
hipótese que a floresta está composta por diferentes classes de sítio, então árvores
plantadas em diferentes sítios podem ter taxas de crescimento diferenciado. Nesse
caso, pode-se subdividir as classes de idade em classes de sítio e obter uma tabela
produção/rendimento para cada uma. Isso incrementa a quantidade de informação
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

312
requerida para o manejo (produção em cada classe de idade por índice de sítio) e
aumenta grandemente o número de unidades de corte (povoamentos com mesma
idade e índice de sítio), tornando o processamento deste exemplo mais complexo.

a) Maximização do volume

Assumindo-se que o objetivo é a maximização da produção total. Então, a
formulação geral do Modelo I pode ser escrita como:

ij
i j
ij
X Y Z Max × =
¿¿
(1)

Sujeito a:

i
j
ij
X X s
¿
(2)

Sendo: Z = produção total; Y
ij
= produção média por hectare na
unidade de corte i manejada pelo regime j; X
ij
= hectares cortados na unidade de
corte i manejadas pelo regime j, para a variável escolhida.

Os valores dos coeficientes da função objetivo (equação 1) são obtidos na
Tabela 62, confeccionada a partir das Tabelas 60 e 61. Por exemplo, para a
variável escolhida X
11
(unidade de corte 1, regime de manejo 1), o primeiro corte
ocorre no período 2, numa idade de 6 anos e uma produção estimada de 259 m
3
/ha,
e o segundo corte no período 5, também com idade de 6 anos e uma produção de
286 m
3
/ha. O valor para um X
ij
particular é a soma dos períodos de corte (Tabela
62, última coluna); assim, para X
11
, o valor é de 545 m
3
/ha.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

313
TABELA 62 - Produção de madeira de Eucalyptus grandis para o Índice de Sítio
28 (m
3
c/c/ha), de acordo com o regime de manejo (coeficientes da
função objetivo)
Un.
corte
Regime
Manejo
Idade
t=0
Período de corte Soma
m
3
/ha 1 2 3 4 5 6 7 8 9
1 2 259 286 545
2 2 259 365 624
3 2 259 420 679
4 2 375 286 661
1 5 2 375 365 740
6 2 375 420 795
7 2 473 286 759
8 2 473 365 838
9 2 473 420 893
1 4 259 286 545
2 4 259 365 624
3 4 259 420 679
4 4 375 286 661
2 5 4 375 365 740
6 4 375 420 795
7 4 473 286 759
8 4 473 365 838
9 4 473 420 893
1 6 375 286 661
2 6 375 365 740
3 6 375 420 795
3 4 6 473 286 759
5 6 473 365 838
6 6 473 420 893


A função objetivo (Equação 1) pode então ser escrita como a soma do
produto dos coeficientes e a variável escolhida:

Max Z = 545 X
11
+ 624 X
12
+ 679 X
13
+ ... + 759 X
34
+ 838 X
35
+ 893 X
36
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

314
A restrição do número de hectares (Equação 2) é a soma dos hectares
cortados sob cada regime de manejo para uma unidade de corte particular, ou:

A
11
+ A
12
+ ... + A
19
= 3000
A
21
+ A
22
+ ... + A
29
= 5000
A
31
+ A
32
+ ... + A
36
= 1600

Note que na restrição de área é usado um sinal de igualdade, pois foi
previamente estabelecido que todos os povoamentos devem ser cortados num
período máximo de 18 anos.
Os dados desse problema foram processados no programa computacional
CMMS (Computer Models for Management Science), e os resultados encontram-se
a seguir:

C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-

NUMBER OF VARIABLES : 24
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 0
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 3
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 0

MAX = 545 X11+ 624 X12+ 679 X13+ 661 X14+ 740 X15
+ 795 X16+ 759 X17+ 838 X18+ 893 X19+ 545 X21
+ 624 X22+ 679 X23+ 661 X24+ 740 X25+ 795 X26
+ 759 X27+ 838 X28+ 893 X29+ 661 X31+ 740 X32
+ 795 X33+ 759 X34+ 838 X35+ 893 X36

SUBJECT TO:

1 X11+ 1 X12+ 1 X13+ 1 X14+ 1 X15
+ 1 X16+ 1 X17+ 1 X18+ 1 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

315
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 = 3000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 1 X21
+ 1 X22+ 1 X23+ 1 X24+ 1 X25+ 1 X26
+ 1 X27+ 1 X28+ 1 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 = 5000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 1 X31+ 1 X32
+ 1 X33+ 1 X34+ 1 X35+ 1 X36 = 1600

-=*=- RESULTS -=*=-
VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY

X11 0 545 348
X12 0 624 269
X13 0 679 214
X14 0 661 232
X15 0 740 153
X16 0 795 98
X17 0 759 134
X18 0 838 55
X19 3000 893 0
X21 0 545 348
X22 0 624 269
X23 0 679 214
X24 0 661 232
X25 0 740 153
X26 0 795 98
X27 0 759 134
X28 0 838 55
X29 5000 893 0
X31 0 661 232
X32 0 740 153
X33 0 795 98
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

316
X34 0 759 134
X35 0 838 55
X36 1600 893 0

CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE

1 3000 0 893
2 5000 0 893
3 1600 0 893

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 8572800

-- SENSITIVITY ANALYSIS --

OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS
LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT
X11 NO LIMIT 545 893
X12 NO LIMIT 624 893
X13 NO LIMIT 679 893
X14 NO LIMIT 661 893
X15 NO LIMIT 740 893
X16 NO LIMIT 795 893
X17 NO LIMIT 759 893
X18 NO LIMIT 838 893
X19 838 893 NO LIMIT
X21 NO LIMIT 545 893
X22 NO LIMIT 624 893
X23 NO LIMIT 679 893
X24 NO LIMIT 661 893
X25 NO LIMIT 740 893
X26 NO LIMIT 795 893
X27 NO LIMIT 759 893
X28 NO LIMIT 838 893
X29 838 893 NO LIMIT
X31 NO LIMIT 661 893
X32 NO LIMIT 740 893
X33 NO LIMIT 795 893
X34 NO LIMIT 759 893
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

317
X35 NO LIMIT 838 893
X36 838 893 NO LIMIT

RIGHT-HAND-SIDE VALUES

CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT

1 0 3000 NO LIMIT
2 0 5000 NO LIMIT
3 0 1600 NO LIMIT

---------- E N D O F A N A L Y S I S ----------

Analisando-se esses resultados, verifica-se que a empresa deve cortar a
totalidade dos povoamentos com dois e quatro anos de idade sob o regime de
manejo 9 (X
19
e X
29
), e a totalidade dos povoamentos com 6 anos de idade sob o
regime de manejo 6 (X
36
). Sob esses regimes de manejo, tem-se uma produção
máxima de 8.672.800 m
3
c/c/ha de madeira.
Avaliando-se o preço sombra (Shadow Price), observa-se que para cada
hectare adicionado em qualquer uma das classes de idade, incrementa-se 893 m
3
de
madeira a função objetivo.
A análise de sensibilidade mostra que se a produção de matéria-prima em
qualquer um dos outros regimes de manejo for maior ou igual a 893 m
3
c/c/ha,
começa a ser interessante adotar esses regimes de manejo. Com relação aos
regimes X
19
, X
29
e X
36
, suas produções podem ser reduzidas até 838 m
3
c/c/ha, mas
ainda continuaria sendo vantajosa a sua utilização.

b) Restrição de fluxo de matéria-prima

Na solução anterior, fica claro que a floresta não permanecerá ordenada.
Se considerarmos que a empresa necessita de um fluxo contínuo e constante de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

318
matéria-prima para o seu abastecimento, deve-se colocar restrições de fluxo de
matéria-prima. Esse fluxo é a soma da produção por unidade de superfície
multiplicado pela superfície cortada em um período de corte designado. Isso
precisa ser somado sobre todas as unidades de corte e regimes de manejo em cada
período.
Algebricamente tem-se que:


k ij
i j
ijk
W X Y = ×
¿¿
(3)

Sendo: Y
ijk
= produção por hectare na unidade de corte i manejada pelo
regime j no período de corte k; X
ij
= hectares cortados na unidade de corte i
manejada pelo regime j no período de corte k; W
k
= fluxo de matéria-prima
desejado no período de corte k.
Supondo que a empresa necessite 800.000 m
3
c/c de matéria-prima em
cada período de corte, e usando os valores de produção da Tabela 60, nossas
restrições ao fluxo de matéria-prima serão:

a) Para o período de corte 1 (k = 1):
259 X
21
+ 259 X
22
+ 259 X
23
+ 375 X
31
+ 375 X
32
+ 375 X
33
= 800.000
b) Para o período de corte 2 (k = 2):
259X
11
+ 259X
12
+ 259X
13
+ 375X
24
+ 375X
25
+ 375X
26
+ 473X
34
+ 473X
35
+ 473X
36
= 800.000
c) A restrição para k = 9:
420 X
19
= 800.000

Na prática, é muito difícil obter-se um valor constante de produção em
cada período de corte. Devido a isso, deve-se estabelecer um limite inferior e
superior para o fluxo de corte de madeira. Nesse caso, considerou-se como
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

319
aceitável uma variação de ± 10% no volume do fluxo de corte. Desta maneira, tem-
se como limite inferior de produção 720.000 m
3
c/c e como limite superior 880.000
m
3
c/c para cada período.
Os dados desse problema foram processados no programa computacional
CMMS, e os resultados encontram-se a seguir:

C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-

NUMBER OF VARIABLES : 24
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 12
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 0
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 9

MAX = 545 X11+ 624 X12+ 679 X13+ 661 X14+ 740 X15
+ 795 X16+ 759 X17+ 838 X18+ 893 X19+ 545 X21
+ 624 X22+ 679 X23+ 661 X24+ 740 X25+ 795 X26
+ 759 X27+ 838 X28+ 893 X29+ 661 X31+ 740 X32
+ 795 X33+ 759 X34+ 838 X35+ 893 X36

SUBJECT TO:
0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 259 X21
+ 259 X22+ 259 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 375 X31+ 375 X32
+ 375 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000

259 X11+ 259 X12+ 259 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 375 X24+ 375 X25+375 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 473 X34+ 473 X35+ 473 X36 <= 880000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 375 X14+ 375 X15
+ 375 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

320
+ 473 X27+ 473 X28+ 473 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000
0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 473 X17+ 473 X18+ 473 X19+ 286 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 286 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000

286 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 365 X22+ 0 X23+ 286 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 365 X32
+ 0 X33+ 286 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000

0 X11+ 365 X12+ 0 X13+ 286 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 420 X23+ 0 X24+ 365 X25+ 0 X26
+ 286 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 420 X33+ 0 X34+ 365 X35+ 0 X36 <= 880000

0 X11+ 0 X12+ 420 X13+ 0 X14+ 365 X15
+ 0 X16+ 286 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 420 X26
+ 0 X27+ 365 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 420 X36 <= 880000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 420 X16+ 0 X17+ 365 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 420 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 420 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 880000

1 X11+ 1 X12+ 1 X13+ 1 X14+ 1 X15
+ 1 X16+ 1 X17+ 1 X18+ 1 X19+ 0 X21
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

321
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 3000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 1 X21
+ 1 X22+ 1 X23+ 1 X24+ 1 X25+ 1 X26
+ 1 X27+ 1 X28+ 1 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 <= 5000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 1 X31+ 1 X32
+ 1 X33+ 1 X34+ 1 X35+ 1 X36 <= 1600

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+259 X21
+259 X22+259 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+375 X31+375 X32
+375 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

259 X11+259 X12+259 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+375 X24+375 X25+375 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+473 X34+473 X35+473 X36 >= 720000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+375 X14+375 X15
+375 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+473 X27+473 X28+473 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+473 X17+473 X18+473 X19+286 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+286 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

322
286 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 365 X22+ 0 X23+286 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+365 X32
+ 0 X33+286 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

0 X11+365 X12+ 0 X13+286 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+420 X23+ 0 X24+365 X25+ 0 X26
+286 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+420 X33+ 0 X34+365 X35+ 0 X36 >= 720000

0 X11+ 0 X12+420 X13+ 0 X14+365 X15
+ 0 X16+286 X17+ 0 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+420 X26
+ 0 X27+365 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+420 X36 >= 720000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+420 X16+ 0 X17+365 X18+ 0 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+420 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

0 X11+ 0 X12+ 0 X13+ 0 X14+ 0 X15
+ 0 X16+ 0 X17+ 0 X18+420 X19+ 0 X21
+ 0 X22+ 0 X23+ 0 X24+ 0 X25+ 0 X26
+ 0 X27+ 0 X28+ 0 X29+ 0 X31+ 0 X32
+ 0 X33+ 0 X34+ 0 X35+ 0 X36 >= 720000

-=*=- RESULTS -=*=-

VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY

X11 0 545 41.314
X12 0 624 0
X13 813.924 679 0
X14 0 661 90.904
X15 0 740 55
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

323
X16 325.611 795 0
X17 0 759 133.999
X18 0 838 54.999
X19 1860.465 893 0
X21 0 545 622.345
X22 1972.603 624 0
X23 1425.081 679 0
X24 0 661 84.215
X25 0 740 42.901
X26 0 795 42.901
X27 0 759 90.904
X28 0 838 55
X29 1602.317 893 0
X31 0 661 650.685
X32 0 740 28.345
X33 0 795 28.347
X34 0 759 41.315
X35 332.784 838 0
X36 1082.002 893 0

CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE

1 880000 0 2.364
2 880000 0 1.888
3 880000 0 1.613
4 80000 0 1.486
5 880000 159999.984 0
6 880000 160000.016 0
7 880000 83710.898 0
8 880000 70270.57 0
9 880000 98604.766 0
10 3000 0 190.021
11 5000 0 129.92
12 1600 185.213 0
13 720000 159999.984 0
14 720000 160000 0
15 720000 159999.984 0
16 720000 160000 0
17 720000 0 324
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

324
18 720000 0 151
19 720000 76289.117 0
20 720000 89729.422 0
21 720000 61395.238 0

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 7347413.5

-- SENSITIVITY ANALYSIS --

OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS

LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT

X11 NO LIMIT 545 586.314
X12 NO LIMIT 624 624
X13 679 679 694.521
X14 NO LIMIT 661 751.904
X15 NO LIMIT 740 795
X16 779.479 795 829.012
X17 NO LIMIT 759 892.999
X18 NO LIMIT 838 892.999
X19 838.001 893 NO LIMIT
X21 NO LIMIT 545 1167.345
X22 595.655 624 742.289
X23 659.422 679 731.726
X24 NO LIMIT 661 745.215
X25 NO LIMIT 740 782.901
X26 NO LIMIT 795 837.901
X27 NO LIMIT 759 849.904
X28 NO LIMIT 838 893
X29 850.099 893 912.577
X31 NO LIMIT 661 1311.685
X32 NO LIMIT 740 768.345
X33 NO LIMIT 795 823.347
X34 NO LIMIT 759 800.315
X35 838 838 892.999
X36 874.295 893 893


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

325
RIGHT-HAND-SIDE VALUES
CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT

1 813139.5 880000 949455
2 794084 880000 967605.75
3 799884.25 880000 942741.687
4 810857.25 880000 991047.812
5 720000 880000 NO LIMIT
6 720000 880000 NO LIMIT
7 796289.125 880000 NO LIMIT
8 809729.437 880000 NO LIMIT
9 781395.25 880000 NO LIMIT
10 2661.754 3000 3440.534
11 4731.834 5000 5258.147
12 1414.787 1600 NO LIMIT
13 NO LIMIT 720000 880000
14 NO LIMIT 720000 880000
15 NO LIMIT 720000 880000
16 NO LIMIT 720000 880000
17 656777.875 720000 777616.875
18 647251.25 720000 786298.875
19 NO LIMIT 720000 796289.125
20 NO LIMIT 720000 809729.437
21 NO LIMIT 720000 781395.25

---------- E N D O F A N A L Y S I S ----------

Os resultados obtidos indicam que, para a empresa manter a máxima
produção e um fluxo constante de matéria-prima, deve-se manejar os povoamentos
da unidade de corte 1 com uma área de 813, 9 ha sob o regime de manejo 3 (X
13
),
325,6 ha sob o regime 6 (X
16
) e 1860,5 ha sob o regime 9 (X
19
), povoamentos
estes que encontram-se com 2 anos de idade. Nos povoamentos da unidade de
corte 2 deverão ser manejados 1972,6 ha sob o regime de manejo 2 (X
22
), 1425,1
ha sob o regime 3 (X
23
) e 1602,3 ha sob o regime 9 (X
29
), povoamentos estes que
encontram-se com 4 anos de idade. Nos povoamentos da unidade de corte 3 a
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

326
empresa manejará 332,8 ha sob o regime 5 (X
35
) e 1082,0 ha sob o regime 6 (X
36
),
sendo que esses povoamentos encontram-se com 6 anos de idade. Com isso,
obtém-se uma produção máxima total de 7.347.413,5 m
3
c/c.
Existe folga de 185,2 ha nos povoamentos com idade de 6 anos, ou seja,
esses não foram incluídos na otimização (sobressalente para os limites de produção
estabelecidos), podendo serem comercializados para terceiros ou deixados de
reserva para qualquer eventualidade.
A análise de sensibilidade, considerando as duas rotações, mostra que se
a produção total por hectare de povoamentos sob manejo X
13
for menor que 679
m
3
c/c/ha, este regime de manejo torna-se não vantajoso. No entanto, se a produção
total for maior que 694,5 m
3
c/c/ha, a função objetivo passa a ser outra e um novo
processamento deve ser efetuado. Em X
16
, se a produção total real diminuir até
779,5 m
3
c/c/ha, esse regime de manejo ainda continua sendo vantajoso. Igual
interpretação deve ser feita para os demais regimes de manejo selecionados (X
19
,
X
22
, X
23
, X
29
, X
35
e X
36
).
A Tabela 63 apresenta um resumo dos regimes de manejo com suas
respectivas áreas a serem manejadas para se obter um fluxo contínuo de produção
de matéria-prima em cada período de corte.

5.2.9 Modelo I: Colheita em povoamentos manejados em alto fuste

A serraria Musbertova Ltda. consome 12.500 m
3
de madeira por ano, com
bitola superior a 18 cm na ponta fina da tora. Possui uma área florestal de 2.500 ha
plantados com Pinus elliottii, até o momento sem desbastes, dividida em duas
classes de manejo, sendo que a Classe de manejo I compreende uma área de 1.500
ha, com 10 anos de idade, rotação de no máximo 20 anos e ciclo previsto de
desbaste de no mínimo de 5 anos. A Classe de manejo II compreende uma área de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

327
1.000 ha, com 5 anos de idade, rotação de 15 anos e ciclo de desbaste de no
mínimo 4 anos. Em ambas as classes não se admite desbastes em um período
inferior a 3 anos antes do corte final.

TABELA 63 - Resumo das áreas de corte e fluxo de matéria-prima por período de
corte
Período
de
Corte
Regime
de
manejo
Área a ser
manejada
(ha)
Idade
corte
(anos)
Produção
(m
3
c/c/ha)
Fluxo de Corte
de Madeira
(m
3
c/c/ha)
1
X
22(1)
1.972,6 6 259 510.903,4
X
23(1)
1.425,1 6 259 269.100,9
3.397,7 880.004,3
2
X
13(1)
813,9 6 259 210.800,1
X
35(1)
332,8 10 473 157.414,4
X
36(1)
1.082,0 10 473 511.786,0
2.228,7 880.000,5
3
X
16(1)
325.6 8 375 122.100,0
X
29(1)
1.602,3 10 473 757.887,9
1.927,9 879.987,9
4
X
19(1)
1.860,4 10 473 879.969,2
1.860,4 879.969,2
5
X
22(2)
1.972,6 8 365 719.999,0
1.972,6 719.999,0
6
X
23(2)
1.425,1 10 420 598.542,0
X
35(2)
332,8 8 365 121.472,0
1.757,9 720.014,0
7
X
13(2)
813,9 10 420 341.838,0
X
36(2)
1.082,0 10 420 454.440,0
1.895,9 796.278,0
8
X
16(2)
325,6 10 420 136.752,0
X
29(2)
1.602,3 10 420 672.966,0
1.927,9 809.718,0
9
X
19(2)
1.860,5 10 420 718.410,0
1.860,5 718.410,0
Obs.: valores entre parênteses referem-se à primeira ou segunda rotação.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

328
Para a região, o custo médio de cultura (implantação + tratos culturais) é
de US$ 400,00/ha. O custo médio do frete é de US$ 5,00/m
3
, exploração de US$
4,00/m
3
e administração de US$ 40,00/ha/ano. O preço de toras para a região é:
- |
(ponta fina)
> 30 cm = US$ 65,00/m
3
(s
3
)
- |
(ponta fina)
entre 18 e 30 cm = US$ 48,00/m
3
(s
2
)
- |
(ponta fina)
< 18 cm = US$ 12,00/m
3
(s
1
).

A empresa quer uma definição quanto ao melhor(es) regime(s) de manejo
a ser(em) utilizado(s) de forma a atender a sua demanda e maximizar a renda
líquida da floresta, além de avaliar as possibilidades de fornecimento a terceiros de
matéria-prima para celulose (diâmetro da ponta fina < 18 cm), em um período de
planejamento de 10 anos.
As possibilidades de regimes de manejo para as Classe de manejo I e II,
levando em conta a situação e a política da empresa, são apresentadas na Tabela
64.


















Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

329
TABELA 64- Regimes de manejo possíveis nas Classe de manejo I e II.
Regime de Período de corte
Manejo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Classe de Manejo I
1 CF
2 CF
3 CF
4 CF
5 CF
6 CF
7 CF
8 CF
9 CF
10 CF
11 D D CF
12 D D CF
13 D CF
14 D CF
15 D CF
16 D CF
17 D CF
18 D D CF
19 D CF
20 D CF
Classe de Manejo II
1 CF
2 CF
3 CF
4 CF
5 CF
6 CF
7 CF
8 CF
9 CF
10 CF
11 D CF
12 D CF
13 D CF
14 D CF
15 D CF
16 D CF
17 D CF
18 D D CF
19 D D CF
20 D D CF
21 D D CF
22 D D CF
23 D D CF
Sendo: CF = corte final; D = desbaste

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

330
Na Classe de manejo I as florestas têm 10 anos de idade, o Regime 1, por
exemplo, compreende o corte raso aos 11 anos. O Regime 11 implica em desbastes
aos 11 e 16 anos e corte raso aos 20 anos. Na Classe de manejo II, as florestas têm
5 anos de idade, logo o Regime 1 implica em corte raso aos 6 anos e o Regime 18
em desbastes aos 6 e 10 anos e corte raso aos 15 anos.
A produção para cada regime de manejo foi simulada através do pacote
SISPINUS, onde foram também obtidos os sortimentos para serraria e celulose
(Tabela 65) utilizados no cálculo da máxima renda líquida da floresta.
A partir dos volumes obtidos para cada sortimento, efetuou-se o cálculo
da renda líquida da floresta por regime de manejo, utilizando a seguinte expressão:

Sendo: RLF = renda líquida da floresta; A
R
= receita líquida no corte
final; D = receita líquida de desbastes; C = custo de cultura; R = idade do corte
final; a = custo de administração.

















( ) a . R C D A RLF
R
+ ÷ + =
¿
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

331
TABELA 65 - Produção para serraria e celulose por regime de manejo e período.
Regime Período de corte
Manejo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Classe de Manejo I

1
0***
13,2**
147,3*


2
0
31,1
175,0


3
0
50,5
196,4


4
0
74,3
214,1


5
0
105,7
223,9


6
0
137,6
279,1


7
0,4
196,3
270,0


8
35,6
210,0
263,1


9
45,9
235,0
268,1


10
57,3
262,2
286,8

11
0
2,7
39,5
0
19,7
78,4
79,5
157,2
83,6

12
0
6,3
47,0
0
19,2
72,4
71,0
166,5
99,9

13
0
10,6
53,0
70,5
211,4
181,8

14
0
15,8
59,7
57,3
213,4
187,1

15
0
25,5
79,6
67,6
196,8
156,8

16
0
29,5
72,0
52,0
208,2
192,5

17
0
36,6
89,3
50,1
205,1
191,0

18
0
2,7
35,7
0
17,8
74,1
73,0
173,0
104,7

19
0
2,7
35,7
76,2
219,1
173,7

20
0
6,3
45,5
73,8
214,7
170,3
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

332
TABELA 65 - Produção para serraria e celulose por regime de manejo e período. Cont.
Regime
Manejo
Período de corte
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Classe de Manejo II

1
0
0
71,8


2
0
0,3
148,6


3
0
15,8
209,5


4
0
47,5
256,2


5
0
86,7
364,2


6
0
171,0
364,5


7
25,7
214,2
400,8


8
39,6
261,5
454,7


9
59,6
326,2
448,3


10
82,2
372,3
499,4

11
0
0
16,1
123,8
360,1
322,1

12
0
0,1
34,4
115,8
351,3
324,8

13
0
3,2
50,4
108,0
342,6
328,3

14
0
9,6
66,1
102,3
333,2
323,6

15
0
17,7
100,1
95,5
325,7
331,9

16
0
35,6
107,3
86,1
337,5
311,8

17
5,1
45,0
118,5
83,6
312,6
327,0

18
0
0
16,1
0
6,0
79,3
151,3
300,2
171,4

19
0
0
16,1
0
10,2
101,4
144,7
308,4
165,4

20
0
0
16,1
0,6
21,0
109,8
138,4
305,2
165,0
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

333
TABELA 65 – Produção para serraria e celulose por regime de manejo e período. Cont.

Regime
Manejo
Período de corte
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

21
0
0,1
34,4
0
11,8
98,2
133,5
296,6
180,8

22
0
0,1
34,4
1,1
22,1
105,6
126,3
302,5
171,4

23
0
3,2
51,8
1,5
23,2
102,4
119,3
297,8
172,4
Sendo: * Volumes do sortimento s
1
** Volumes do sortimento s
2;
*** =Volumes
do sortimento s
3



A Tabela 66 apresenta os valores de renda líquida da floresta para cada
regime de manejo das Classe de manejo I e II.
Como exemplo, para o regime de manejo 1 da Classe de manejo I, têm-se
que:
A
R
= {(13,2 x 48)+(147,3 x 12) – (((5+4) x 13,2) + (5+4) x 147,3)} =
956,80
RLF = 956,8 + 0 – (400 + (11 x 40)) = 116,70

O problema de programação linear consiste em maximizar a função
objetivo dada por:

MRLF = 116,7 X
1
+ 857,9 X
2
+ 1138,7 X
3
+ ...+ 19728 Y
22
+ 19387,5 Y
23


As variáveis de decisão são definidas como:
X
i
= número de hectares na classe de manejo I sob o regime de manejo i (i
= 1,2,...,20);
Y
j
= número de hectares na classe de manejo II sob o regime de manejo j
(j = 1,2,...,23);
As restrições são as seguintes:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

334
a) Restrições de área:

TABELA 66 - Renda líquida por classe e regime de manejo.

Classe
de manejo
Regime
Manejo
RLF
(U$/ha)
Classe
de manejo
Regime
Manejo
RLF
(U$/ha)
I
1 116,70
A) II
1 -424,60
2 857,90 2 -222,50
3 1638,70 3 524,70
4 2580,00 4 1861,10
5 3794,00 5 3673,90
6 5163,70 6 6922,50
7 7408,10 7 10115,40
8 9852,90 8 12860,20
9 11379,70 9 16444,30
10 13095,00 10 19621,10
11 10860,90 11 20991,30
12 10921,90 12 20267,00
13 12110,40 13 18968,30
14 11688,00 14 19267,10
15 11964,50 15 19036,60
16 11775,80 16 19629,80
17 11872,80 17 19250,10
18 11078,00 18 20215,00
19 12345,60 19 20377,30
20 12199,20 20 20378,50
21 19447,70
22 19728,00
23 19387,50




1500 X
20
1 i
i
=
¿
=
1000 Y
23
1 j
j
=
¿
=
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

335
b) Restrições de volume:
13,2X
1
+ 2,7X
11
+ 2,7X
18
+ 2,7X
19
> 12.500
31,1X
2
+ 6,3X
12
+ 6,3X
20
+ 0,3Y
2
+ 0,1Y
12
+ 0,1Y
21
+ 0,1Y
22
> 12.500
50,5X
3
+ 10,6X
13
+ 15,8Y
3
+ 3,2Y
13
+ 3,2Y
23
> 12.500
74,3X
4
+ 15,8X
14
+ 47,5Y
4
+ 9,6Y
14
> 12.500
105,7X
5
+ 25,5X
15
+ 86,7Y
5
+ 17,7Y
15
+ 6Y
18
> 12.500
137,6X
6
+ 19,7X
11
+ 29,5X
16
+ 171Y
6
+ 35,6Y
16
+ 10,2Y
19
+ 11,8Y
21
>
12.500
196,7X
7
+ 19,2X
12
+ 36,6X
17
+ 17,8X
18
+ 239,9Y
7
+ 50,1Y
17
+ 21,6Y
20
+
23,2Y
22
+ 24,7Y
23
> 12.500
245,6X
8
+ 301,1Y
8
> 12.500
280,9X
9
+ 385,8Y
9
> 12.500
319,5X
10
+ 236,7X
11
+ 237,5X
12
+ 231,9X
13
+ 270,7X
14
+ 264,4X
15
+
260,2X
16
+ 255,2X
17
+ 246X
18
+ 295,3X
19
+ 288,5X
20
+ 454,5Y
10
+
483,9Y
11
+ 467,1Y
12
+ 450,6Y
13
+ 435,5Y
14
+ 421,2Y
15
+ 423,6Y
16
+
396,2Y
17
+ 451,5Y
18
+ 453,1Y
19
+
443,6Y
20
+ 430,1Y
21
+ 428,8Y
22
+ 417,1Y
23
> 12.500

O problema envolve 43 variáveis de atividade e 12 restrições. Através do
programa CMMS (Computer Models for Management Science), o presente
problema foi resolvido por programação linear, e os resultados encontram-se a
seguir:







Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

336
C O M P U T E R M O D E L S F O R M A N A G E M E N T S C I E N C E

-=*=- INFORMATION ENTERED -=*=-

NUMBER OF VARIABLES : 43
NUMBER OF <= CONSTRAINTS : 0
NUMBER OF = CONSTRAINTS : 2
NUMBER OF >= CONSTRAINTS : 10

MAX = 116.7 x1 + 857.9 x2 + 1638.7 x3 + 2580 x4 + 3794 x5
+ 5163.7 x6 + 7408.1 x7 + 9852.9 x8 +11379.7 x9 +13095 x10
+10860.9 x11+10921.9 x12+12110.4 x13+11688 x14+11964.5 x15
+11775.8 x16+11872.8 x17+11078 x18+12345.6 x19+12199.2 x20
- 424.6 y1 - 222.5 y2 + 524.7 y3 + 1861.1 y4 + 3673.9 y5
+ 6922.5 y6 +10115.4 y7 +12860.2 y8 + 1644.3 y9 +19621.1 y10
+20991.301y11+20267 y12+18968.301y13+19267.1 y14+19036.6 y15
+19629.801y16+19250.1 y17+20215 y18+20377.301y19+20378.5 y20
+19447.699y21+19728 y22+19387.5 y23

SUBJECT TO:

1 x1 + 1 x2 + 1 x3 + 1 x4 + 1 x5
+ 1 x6 + 1 x7 + 1 x8 + 1 x9 + 1 x10
+ 1 x11+ 1 x12+ 1 x13+ 1 x14+ 1 x15
+ 1 x16+ 1 x17+ 1 x18+ 1 x19+ 1 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 0 y23 = 1500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 1 y1 + 1 y2 + 1 y3 + 1 y4 + 1 y5
+ 1 y6 + 1 y7 + 1 y8 + 1 y9 + 1 y10
+ 1 y11+ 1 y12+ 1 y13+ 1 y14+ 1 y15
+ 1 y16+ 1 y17+ 1 y18+ 1 y19+ 1 y20
+ 1 y21+ 1 y22+ 1 y23 = 1000
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

337
13.2 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 2.7 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16 + 0 x17+ 2.7 x18+ 2.7 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11 + 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16 + 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21 + 0 y22+ 0 y23 >= 12500

0 x1 + 31.1 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 6.3 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 6.3 x20
+ 0 y1 + .3 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ .1 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ .1 y21+ .1 y22+ 0 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 50.5 x3+ 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 10.6 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 15.8 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 3.2 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 3.2 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 74.3 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 15.8 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 47.5 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 9.6 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 0 y23 >= 12500

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

338
0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 105.7 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 25.5 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 86.7 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 17.7 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 6 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 0 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 137.6 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 19.7 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 29.5 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 171.6 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 35.6 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 10.2 y19+ 0 y20
+ 11.8 y21+ 0 y22+ 0 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 196.7 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 19.2 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 36.6 x17+ 17.8 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 239.9 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 50.1 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 21.6 y20
+ 0 y21+ 23.2 y22+ 24.7 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 245.6 x8 + 0 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 301.1 y8 + 0 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 0 y23 >= 12500

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

339
0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 280.9 x9 + 0 x10
+ 0 x11+ 0 x12+ 0 x13+ 0 x14+ 0 x15
+ 0 x16+ 0 x17+ 0 x18+ 0 x19+ 0 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 385.8 y9 + 0 y10
+ 0 y11+ 0 y12+ 0 y13+ 0 y14+ 0 y15
+ 0 y16+ 0 y17+ 0 y18+ 0 y19+ 0 y20
+ 0 y21+ 0 y22+ 0 y23 >= 12500

0 x1 + 0 x2 + 0 x3 + 0 x4 + 0 x5
+ 0 x6 + 0 x7 + 0 x8 + 0 x9 + 319.5 x10
+ 236.7 x11+ 237.5 x12+ 231.9 x13+ 270.7 x14+ 264.4 x15
+ 260.2 x16+ 255.2 x17+ 246 x18+ 295.3 x19+ 288.5 x20
+ 0 y1 + 0 y2 + 0 y3 + 0 y4 + 0 y5
+ 0 y6 + 0 y7 + 0 y8 + 0 y9 + 454.5 y10
+ 483.9 y11+ 467.1 y12+ 450.6 y13+ 435.5 y14+ 421.2 y15
+ 423.6 y16+ 396.2 y17+ 451.5 y18+ 453.1 y19+ 443.6 y20
+ 430.1 y21+ 428.8 y22+ 417.1 y23 >= 12500


-=*=- RESULTS -=*=-


VARIABLE ORIGINAL COEFFICIENT
VARIABLE VALUE COEFFICIENT SENSITIVITY

x1 946.97 116.7 0
x2 401.929 857.9 0
x3 151.101 1638.7 0
x4 0 2580 43153.512
x5 0 3794 52569.727
x6 0 5163.7 63230.91
x7 0 7408.1 63255.156
x8 0 9852.9 63117.836
x9 0 11379.7 54598.551
x10 0 13095 70807.922
x11 0 10860.9 53683.625
x12 0 10921.9 54866.063
x13 0 12110.4 54525.18
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

340
x14 0 11688 64098.148
x15 0 11964.5 65294.625
x16 0 11775.8 68802.305
x17 0 11872.8 69566.625
x18 0 11078 54488.734
x19 0 12345.6 54419.234
x20 0 12199.2 54881.098
y1 0 - 424.6 26687.412
y2 0 - 222.5 25684.234
y3 283.223 524.7 0
y4 263.158 1861.1 0
y5 144.175 3673.9 0
y6 72.844 6922.5 0
y7 39.413 10115.4 0
y8 41.514 12860.2 0
y9 32.4 1644.3 0
y10 0 19621.1 6641.715
y11 0 20991.301 5271.514
y12 0 20267 5728.789
y13 0 18968.301 2081.732
y14 0 19267.1 2064
y15 0 19036.6 2614.637
y16 0 19629.801 2620.688
y17 0 19250.1 3640.537
y18 0 20215 4484.566
y19 0 20377.301 4735.916
y20 0 20378.5 4430.439
y21 0 19447.699 5218.16
y22 0 19728 4706.221
y23 123.272 19387.5 0


CONSTRAINT ORIGINAL SLACK OR SHADOW
NUMBER RIGHT-HAND VALUE SURPLUS PRICE
1 1500 0 83902.922
2 1000 0 26262.812
3 12500 0 6347.442
4 12500 0 2670.258
5 12500 0 1628.994
6 12500 0 513.72
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

341
7 12500 0 260.541
8 12500 0 112.706
9 12500 0 67.309
10 12500 0 44.512
11 12500 0 63.812
12 12500 38916.715 0

OBJECTIVE FUNCTION VALUE: 5751026


-- SENSITIVITY ANALYSIS --

OBJECTIVE FUNCTION COEFFICIENTS
LOWER ORIGINAL UPPER
VARIABLE LIMIT COEFFICIENT LIMIT

x1 - 262336.531 116.7 83902.945
x2 - 269988.844 857.9 83902.922
x3 - 41514.813 1638.7 1465274.25
x4 NO LIMIT 2580 45733.512
x5 NO LIMIT 3794 56363.727
x6 NO LIMIT 5163.7 68394.609
x7 NO LIMIT 7408.1 70663.258
x8 NO LIMIT 9852.9 72970.734
x9 NO LIMIT 11379.7 65978.25
x10 NO LIMIT 13095 83902.922
x11 NO LIMIT 10860.9 64544.527
x12 NO LIMIT 10921.9 65787.961
x13 NO LIMIT 12110.4 66635.578
x14 NO LIMIT 11688 75786.148
x15 NO LIMIT 11964.5 77259.125
x16 NO LIMIT 11775.8 80578.102
x17 NO LIMIT 11872.8 81439.422
x18 NO LIMIT 11078 65566.734
x19 NO LIMIT 12345.6 66764.836
x20 NO LIMIT 12199.2 67080.297
y1 NO LIMIT - 424.6 26262.812
y2 NO LIMIT - 222.5 25461.734
y3 NO LIMIT 524.7 9395.217
y4 - 8351.4 1861.1 26262.814
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

342
y5 - 9133.387 3673.9 26262.816
y6 - 5709.804 6922.5 26262.814
y7 - 29650.756 10115.4 24178.053
y8 - 64520.832 12860.2 26262.814
y9 - 73343.672 1644.3 26262.811
y10 NO LIMIT 19621.1 26262.814
y11 NO LIMIT 20991.301 26262.814
y12 NO LIMIT 20267 25995.789
y13 NO LIMIT 18968.301 21050.033
y14 NO LIMIT 19267.1 21331.1
y15 NO LIMIT 19036.6 21651.236
y16 NO LIMIT 19629.801 22250.488
y17 NO LIMIT 19250.1 22890.637
y18 NO LIMIT 20215 24699.566
y19 NO LIMIT 20377.301 25113.217
y20 NO LIMIT 20378.5 24808.939
y21 NO LIMIT 19447.699 24665.859
y22 NO LIMIT 19728 24434.221
y23 17590.939 19387.5 NO LIMIT


RIGHT-HAND-SIDE VALUES

CONSTRAINT LOWER ORIGINAL UPPER
NUMBER LIMIT VALUE LIMIT

1 1479.726 1500 1568.606
2 935.2 1000 1265.859
3 11594.404 12500 12767.617
4 10366.361 12500 13130.521
5 9035.41 12500 13523.837
6 .001 12500 15577.991
7 0 12500 18118.143
8 0 12500 23619.648
9 4265.556 12500 28045.473
10 0 12500 32011.223
11 .002 12500 37499.766
12 NO LIMIT 12500 51416.715


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

343
Analisando-se os resultados, observa-se que:
a) A Função Objetivo maximizou a Renda Líquida da Floresta em
5.771.026,00 US$;
b) Na Classe de Manejo I foram selecionados os regimes: 1 com área a ser
cortada de 946.97 ha; 2 com área a ser cortada de 401.929 ha; e, 3 com área a ser
cortada de 151.101ha.
c) Na Classe de Manejo II, foram selecionados os regimes: 3, 4, 5, 6, 7, 8,
9 e 23, com áreas a serem cortadas de 283.223, 263.158, 144.175, 72.844, 39.413,
41.514, 32.4 e 123.272 ha, respectivamente.
A análise do fluxo de produção para serraria e celulose pode ser observada
na Tabela 67 e 68.

5.2.10 Definição de um modelo para planejamento da produção florestal

5.2.10.1 Determinação do ciclo econômico

a) Custos

Em cada alternativa silvicultural ocorrem custos diferenciados, bem como
produções distintas. Estes custos, em cada opção, são levantados e classificados
em: implantação, manutenção, exploração e administração.






Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

344
TABELA 67 – Tipo de intervenção e área manejada (ha) por período de corte, para
os regimes de manejo selecionados.
Regime de
Manejo
Período de corte
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Classe de Maanejo I
1 CR
946.97

2 CR
401.93

3 CR
151.10

Classe de Manejo II
3 CR
283.22

4 CR
263.16

5 CR
144.17

6 CR
72.84

7 CR
39.41

8 CR
41.51

9 CR
32.4

23 D
123.27
D
123.27
CR
123.27
Sendo: CR = Corte Raso; D = Desbaste.










Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

345

TABELA 68 - Área manejada e produção para serraria e celulose por período de
corte.

Período Área manejada
(ha)
Volume para serraria
(m
3
)
Volume para celulose
(m
3
)
1 946,97 12.509,5 139.488,7
2 401,93 12.500,0 70.337,8
3 557,57 12.500,0 95.396,0
4 263,15 12.500,0 67.419,0
5 144,18 12.500,4 52.510,4
6 72,85 12.457,4 26.53,8
7 162,68 12.509,8 28.418,4
8 41,51 12.498,7 18.874,6
9 32,4 12.500,0 14.524,9
10 155,67 66141,7 37.432,3


b) Preço

O preço da madeira é obtido através da média praticada no mercado.

b) Valor esperado da terra

Estes custos juntamente com as prognoses de produção possibilitam o
cálculo do valor esperado da terra (VET). A fórmula do VET é a seguinte:

t) (1 ) t) (1
m r 1 r
m
r
1 m
m
. / C (R VET
+ +
¿
÷ ÷
=
÷ =


Sendo: R
m
= receita do ciclo no ano m; C
m
= custos do ciclo no ano m; r =
anos do ciclo considerado; t = taxa de juros; m = momento de ocorrência da receita
e ou custo.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

346
Partindo-se da alternativa silvicultural apresentada pelo inventário dos
povoamentos, simula-se duas possibilidades: a repetição da alternativa dada; ou
outra alternativa. Este cálculo, além de fornecer a próxima alternativa silvicultural,
determina a idade ótima de corte do povoamento.
O critério de decisão, entre as duas alternativas silviculturais, será o maior
valor do VET.

d) Cálculo do valor presente líquido (VPL)

O primeiro modelo de planejamento apresenta como objetivo a
maximização da renda líquida da floresta, e para tanto, torna-se necessária a
determinação do valor presente líquido para cada alternativa silvicultural em seus
diferentes períodos de ocorrência.
Da aplicação de diferentes regimes de manejo resultam fluxos com
diferentes períodos e, para torná-los equivalentes, utilizar-se a metodologia
apresentada por Clutter et. al. apud LIMA (1988) que fixa os seguintes critérios:
a) Se o intervalo de tempo entre o corte da última rotação do regime e o
final do período de planejamento permite uma primeira rotação do ciclo
economicamente ótimo, repete-se mais um ciclo do regime em questão e à receita
obtida com o último corte deste ciclo, soma-se o VET do ciclo economicamente
ótimo;
b) Se o intervalo de tempo entre o corte da última rotação do regime e o
final do período de planejamento não permite uma primeira rotação do ciclo
economicamente ótimo, encerra-se o fluxo de caixa no ano de corte da última
rotação do ciclo em questão e soma-se ao ciclo economicamente ótimo à receita
obtida com este último corte;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

347
c) Se o último corte do regime ocorre exatamente no último ano do
horizonte de planejamento, encerra-se o fluxo de caixa nesse ano e soma-se o VET
do ciclo economicamente ótimo à receita obtida com esse corte.

Utilizando-se os critérios citados acima, calcula-se os VPLs para todos os
regimes de manejo possíveis em cada estrato.

i r
r
r m
m
1 r
1 m
m IJ
VRT C / (R C / (R VPL
t) (1 ) t) (1
+ ÷ + ÷ =
+ +
¿
÷
=


Sendo: R
r
= receitas do ciclo no ano r; C
r
= custos do ciclo no ano r; r =
número de anos considerado no fluxo de caixa, igual a rotação.

Os valores resultantes deste cálculo serão os coeficientes das variáveis de
decisão na função objetivo de maximização.

e) Cálculo do custo anual

Neste cálculo, desconsidera-se todas as rendas obtidas com a floresta e
transforma-se os custos ocorridos durante o período de planejamento em uma
prestação anual.
A fórmula do custo anual é a seguinte:

¿
=
÷ + + + =
r
1 m
r r r
r
IJ
1)} t) /((1 t) (1 * {t * } t) /(1 { C
C


Os valores resultantes deste cálculo são os coeficientes das variáveis de
decisão na função objetivo de minimização.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

348
5.2.10.2 Formulação do modelo de maximização

A função objetivo de maximização é definida por:
ij
k
j
ij
n
I
X VPL MAX . Z
1 1
¿ ¿
= =
=

Sendo: VPL
ij
= valor presente líquido, por hectare do estrato florestal i,
caso o regime de manejo j seja empregado; X
ij
= número de hectare do estrato i,
designados ao regime de manejo j; k = número de regimes de manejo; n = número
de estratos.

a) Primeiro conjunto de restrições: área

A área de cada estrato deve ser explorada integralmente

x A
IJ
J
K
i
=
¿
=
1


Sendo: A
i
= área de estrato.

b) Segunda conjunto de restrição: produção anual

Volume mínimo: a produção anual deve ser maior ou igual a um volume
mínimo, durante todo o período de planejamento:

i
n
=
¿
1
V X V
ijm
j
k
ij
=
¿
>
1
. mínimo

Sendo: V
ij
= volume por hectare; m = 1,2,...21.

Volume máximo: a produção anual deve ser menor ou igual a um volume
máximo, durante todo o período de planejamento:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

349
j
K
i
n
= =
¿ ¿
1 1
V
ijm .
X
ij s
V máximo

c) Terceiro conjunto de restrição: produção sustentada

O terceiro conjunto de restrições utilizado, junto com a função de
maximização do valor líquido presente da floresta, considera como produção
mínima a sustentabilidade da mesma.
Para o cálculo do corte sustentado pode-se utilizar o Método Austríaco,
expresso por:

a
Vn Vr
IMA TC
÷
+ =

Sendo: TC = taxa de corte; IMA = incremento médio anual; Vn = volume
normal; Vr= volume real; a = período de equilibração de estoque.

Assim, o conjunto de restrições, para este caso, fica assim constituído:

j
k
i
n
= =
¿ ¿
1 1
V
ijm
. X
ij >
V mínimo (corte sustentado)

Além destes conjuntos de restrições, muitos outras podem ser usadas,
como restrições operacionais, restrições de capital, etc.
O objetivo a ser maximizado ou minimizado, também pode ser alterado e
considerar, por exemplo, parâmetros como o custo/benefício, pay-back, etc.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

350
5.2.10.3 Formulação do modelo de minimização

Com base nas mesmas produções e utilizando-se os custos citados
anteriormente, analisa-se as três restrições (a, b e c) através de uma função objetivo
de minimização do custo anual.
A função objetivo é expressa por:

MIN Z =
j
k
i
n
= =
¿ ¿
1 1
C
ij
. X
ij

Sendo: C
ij
= Custo anual por hectare, do estrato florestal i, caso o regime
de manejo j seja empregado.

5.2.10.4 Variação da taxa de juro

Um dos fatores de grande importância na análise de investimentos é a taxa
mínima atrativa para remuneração do capital investido.
Aplicando a mesma metodologia citada anteriormente, pode-se variar, a
taxa mínima atrativa de 4% a.a., para 8% a.a. e em seguida para 12% a.a.
Para estas simulações utiliza-se apenas a função objetivo de minimização
do custo anual.

5.3 Planejamento de corte em floresta inequiânea

5.3.1 Determinação do incremento

Para a quantificação do incremento periódico anual em volume, podem ser
considerados os seguintes procedimentos:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

351
a) Determinação, por meio de medições periódicas, em parcelas
permanentes, do dap das árvores.
b) Determinação mediante análise de tronco.
c) Determinação pela diferença de volume entre duas ocasiões do
inventário florestal.

Para expressar o incremento periódico anual em percentagem do
crescimento em volume, parte-se da fórmula de juros, igualando o crescimento ao
valor da taxa de interesse mais o valor inicial.
O incremento periódico anual absoluto e relativo em volume pode ser
obtido por intermédio das seguintes fórmulas:

a) Pelo diâmetro no início (d) e no final do período (D):

D
3
- d
3
200
Pv =
________________ . ________

D
3
+ d
3
n

b) Pelo volume no início (Va) e no final do período (Vn):

{ }100 . 1 ) / ( ÷ =
n
Va Vn Pv

c) Pelo volume no início do período (Va) e final (Vn) mais os cortes (C):

Vn + C - Va
IPA =
_________________

n


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

352
d) Pelo método de controle:

Segundo Mantel (1959), o método de controle foi desenvolvido por
Gournaud & Biolley nas áreas de floresta jardinada da Suíça. O inventário
periódico completo de povoamentos para a avaliação do incremento, quase em
todos os lugares, é substituído por parcelas permanentes e o incremento periódico
anual em volume é obtido segundo a fórmula:

Vn + C – Va - E
IPA =
______________________
n

Sendo: Pv = incremento periódico anual percentual em volume; D =
diâmetro na segunda ocasião; d = diâmetro na primeira ocasião; n = número de
anos do período; IPA = incremento periódico anual em volume; Vn = volume na
segunda ocasião; Va = volume na primeira ocasião; C = cortes realizados no
período; E = ingresso ou passagem das árvores de uma classe de diâmetro para
outra.

5.3.2 Determinação da taxa de corte

Existem vários métodos que podem ser utilizados para determinação da
taxa de corte sustentada, na grande maioria desenvolvidas para florestas equiâneas,
o que tem dificultado a aplicação para obtenção da sustentabilidade de produção
em florestas inequiâneas mistas.
Este fato foi comprovado por técnicos do Serviço Florestal Mexicano, que
após vários anos empregando os métodos tradicionais de regulação de corte
constataram que não se obtinha a sustentabilidade de produção, em decorrência da
inadaptabilidade destes ao tipo de floresta irregular do país. Devido a isto,
desenvolveram um método próprio baseado na teoria relativa de que os
crescimentos anuais volumétricos de uma árvore ou povoamento acumulam-se
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

353
seguindo a lei dos juros compostos. A idéia básica é que a floresta possa repor o
volume de corte durante o período de tempo, definido pelo ciclo de corte
estabelecido, o que garantiria a sustentabilidade de produção na floresta. A
intensidade de corte é obtida pela expressão (Schneider, 1993):

IC = { 1 – ( 1 / 1,0i
cc
) } . 100

Sendo: IC = a intensidade de corte, em percentagem do volume; i =
incremento corrente anual percentual em volume; cc = ciclo de corte, em anos.

A taxa de corte da floresta é obtida através da seguinte expressão:

TC = {Vr . IC / 100}

Sendo: TC = taxa de corte para o ciclo de corte, em volume; Vr = volume
real do povoamento, em metros cúbicos.

Outra possibilidade de determinação da taxa de corte sustentada é através
do uso de um método tradicional de regulação de corte, como por exemplo o
Método Austríaco, expresso pela seguinte fórmula (Mantel, 1959):

Vr - Vi
TC = IMA +
_______________
a

Sendo: TC = taxa de corte anual, em metros cúbicos; IMA = incremento
médio anual, em volume; Vr = volume real, em metros cúbicos; Vi = volume ideal
balanceado, após a execução do corte, em metros cúbicos; a = período de
equilibração de estoque, em anos.

Nesse método o volume de corte da floresta para um período de tempo,
expresso pelo ciclo de corte, é obtido mediante a multiplicação da taxa de corte
anual pelo ciclo de corte em anos.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

354
5.3.4 Sistemas para manejo de florestas inequiâneas heterogêneas

5.3.4.2 Sistema Celos de manejo

A Universidade de Wageningen, na Holanda, e a Universidade Anton von
Kom do Suriname, em 1965, no Center for Agricultural Research, em Suriname,
desenvolveram o Sistema Celos de Manejo para ser utilizado em florestas tropicais
de maneira sustentável.
Os princípios gerais do Sistema Celos de Manejo são os seguintes (Graaf
& Hendrison, 1987):
a) Integração das operações de exploração e tratamentos silviculturais.
b) O inventário florestal constitui-se na fonte de informações para o
planejamento das operações de exploração, tratamentos silviculturais, controle do
desenvolvimento do povoamento e efeitos dos tratamentos.
c) A extração da madeira é restrita à manutenção das funções ecológicas
da floresta, redução dos danos com queda das árvores e exportação de nutrientes.
d) O sistema é policíclico, com ciclos de corte de 15 a 25 anos,
dependendo da taxa de crescimento e dimensões esperadas para a madeira.
e) A administração é realizada por distrito florestal, com infra-estrutura de
múltiplos propósitos.
f) Estrita observância às leis de proteção e manejo das unidades florestais.
O Sistema Celos de Manejo para as florestas tropicais do Suriname
consiste de duas partes:
a) Sistema Celos de Exploração: constitui-se no uso de técnicas especiais
de exploração, com ênfase ao inventário como essencial ao plano, resultando em
uma considerável redução dos danos à floresta remanescente.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

355
b) Sistema Celos Silvicultural: é implementado após a exploração,
visando aumentar o desenvolvimento das espécies remanescentes de interesse
comercial.
Esse sistema objetiva estimular o crescimento das árvores comerciais
remanescentes de tamanho médio a grande, em florestas que sofreram exploração
seletiva, de modo que os cortes subseqüentes possam ser realizados em ciclos de
corte de 20 a 25 anos. É recomendado uma exploração inicial de 30 m
3
/ha, seguida
de três refinamentos no decorrer do período de regeneração. As árvores indesejadas
são cortadas com machado e as árvores grossas aneladas.
No final, resultam remanescentes cerca de 500 árvores por hectare com
um dap superior a 10 cm, constituído de 40 a 50 % de espécies comerciais, com
uma área basal de cerca de 12 a 16 m
2
/ha. O incremento volumétrico de 0,5
m
3
/ha/ano antes do manejo, passa para 2 m
3
/ha/ano ou mais, e o incremento
diamétrico em torno de 0,9 cm/ano, sendo esperado, naquelas florestas um volume
comercial de 40 m
3
/ha, no final do ciclo de 20 anos.
Na Tabela 69, encontram-se as principais atividades desenvolvidas no
Sistema Celos de Manejo que devem ser repetidas a partir de cada novo ciclo de
corte.

5.3.4.2 Sistema de seleção

Segundo Lamprecht(1990), o sistema de seleção considera o corte de
certa proporção de árvores de espécies comercializáveis a partir de um diâmetro
mínimo limite desejado e conduz operações destinadas a auxiliar a regeneração.
Nessas operações, incluem-se o corte de árvores maduras, mortas ou a morrer,
doentes, defeituosas ou espécies indesejáveis; árvores com incremento decrescente;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

356
árvores que impedem o desenvolvimento ótimo de outras de maior incremento ou
da regeneração natural.


TABELA 69 – Principais atividades desenvolvidas no Sistema Celos de Manejo
__________________________________________________________________
Ordem Atividades Período anos)
1 Inventário detalhado do estoque regenerado, com enumeração
das árvores de interesse comercial (a–2)
2 Planejamento das subunidades de trabalho, estabelecimento das
Vias de acesso para transporte das árvores abatidas e localização
das árvores selecionadas para exploração (a-1)
3 Exploração das árvores selecionadas (marcadas) a
4 Registro das toras a
5 Extração das toras a+(1/12)
6 Trato silvicultural de condução dos remanescentes da exploração,
se necessário regeneração artificial a+2
7 2
o
refinamento e remoção de cipós a+10
8 Preparação para 2
a
exploração (remoção de cipós) a+(n-1)
Sendo: a = ano da exploração; n= período do ciclo de corte.
Fonte: Graaf & Poels(1990)

O sistema de corte seletivo, quando aplicado corretamente, respeitando as
leis ecológicas impostas pela natureza, é, inegavelmente, uma prática que produz
um aumento da produtividade da floresta. Isso ocorre pelo aumento da proporção
de espécies de interesse na área, mediante o processo de regeneração dirigida,
conduzindo-se para uma produção sustentável e ecologicamente viável.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

357
No sistema de seleção a idéia é obter uma floresta balanceada,
representada pela distribuição exponencial negativa que normalmente deve ser
aplicada sobre os compartimentos de exploração anual. O ciclo de corte deve ser
definido com cuidado, para evitar o risco de ocorrer uma rápida degradação da
floresta, o que é indesejável para qualquer plano de manejo que vise a
sustentabilidade.
Para que o sistema seletivo seja considerado um sistema silvicultural, é
necessário que as áreas mantenham uma proporção correta de plantas nas classes
de diâmetro sucessivas, ou seja, deve-se adotar o conceito de floresta balanceada;
compreender a estrutura da floresta; respeitar a biodiversidade; efetuar tratamentos
que privilegiem a regeneração das espécies de interesse, eliminando-se a
concorrência com as plantas invasoras.
O início das atividades de manejo de uma área deve ser precedida do
inventário, para se conhecer a estrutura diamétrica da floresta em nível de espécie,
e as informações de: volume; área basal; número de indivíduos; qualidade do fuste
desses indivíduos; identificação dendrológica; aspectos fitossanitários; altura
comercial e total; posição sociológica e o acesso à área. Com estas informações é
possível determinar, para um ciclo de corte, a possibilidade de corte sustentado
para a área.
Nesse sistema, todas as árvores das classes de diâmetro podem ser
atingidas pelos cortes, por terem alcançado diâmetro limite mínimo utilizável ou
para promover o melhoramento geral do povoamento.
Em condições favoráveis, logo após os cortes surgirá nas clareiras a
regeneração, porque as árvores remanescentes proporcionam condições favoráveis
à germinação das sementes especialmente das pioneiras indesejadas.
Os cortes a serem executados estão restritos às classes de diâmetro que
apresentam excesso de árvores, e que constituem o volume a ser retirado. Esse
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

358
volume está diretamente ligado aos objetivos do manejo definidos por critérios
como: área basal remanescente desejada; diâmetro máximo desejado; valor da
constante regulativa (q), que depende da estrutura do povoamento; e, nunca deve
exceder ao incremento periódico anual do povoamento, o que vem a caracterizar o
regime sustentado.
Para conseguir-se uma floresta equilibrada são necessários vários cortes
de seleção sucessivos, a serem aplicados periodicamente com o objetivo de
favorecer as espécies de valor, especialmente as tolerantes à sombra, sem as quais
o método não tem sucesso.
O problema do manejo de florestas inequiâneas reside no impacto sobre as
árvores remanescentes provocado pelo abate das árvores, assim como em
conseqüência dos seguintes fatores: ventos, pragas, doenças, ciclagem de
nutrientes, distúrbios no sítio, criação de condições favoráveis à regeneração
natural ou artificial de determinadas espécies.
O sucesso desse método está em obter após os cortes a reprodução
garantida das espécies, crescimento das árvores remanescentes pela diminuição de
concorrência de luz, água e nutrientes entre os indivíduos.

5.3.5 Sistema de manejo proposto

Com base nas observações de experimentos e resultados de trabalhos
técnicos implantados em florestas tropicais e subtropicais, elaborou-se esse sistema
de manejo que permite obter certo volume de produtos florestais, como a lenha e
madeira para serraria, mantendo a biodiversidade por meio do estoque
remanescente de indivíduos saudáveis, distribuídos numa progressão geométrica
decrescente nas classes de diâmetro.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

359
O presente modelo de manejo tem muita aproximação com o Sistema de
Seleção e Sistema Celos de Manejo, pelas características técnicas de execução das
atividades a serem desenvolvidas na floresta.
O sistema proposto contempla a escolha e a marcação de matrizes para a
disseminação de sementes, bem como de árvores futuro, desejadas para os
objetivos de produção e manutenção da biodiversidade florística.
As atividades a serem desenvolvidas no sistema podem ser generalizadas
como:
a) Corte de cipós para facilitar os trabalhos do inventário florestal e
exploração futura e melhorar o crescimento de espécies desejadas, quando
necessário:
b) Inventário florestal pré-exploração.
c) Determinação das freqüências balanceadas.
d) Determinação da taxa de corte sustentada.
e) Seleção e marcação rigorosa dos indivíduos remanescente com DAP
igual ou superior ao diâmetro máximo desejado.
f) Seleção de árvores matrizes, das espécies desejadas, em franca fase de
crescimento e produção de sementes.
g) Corte dos indivíduos com DAP maior do que o diâmetro máximo
desejado e inferiores, quando houver excesso nas classes de diâmetro, em relação
às freqüências balanceadas.
h) Inventário pós-exploração, para verificação do estado da floresta após a
intervenção.
i) Monitoramento do crescimento e da dinâmica da regeneração natural.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

360
5.3.5.1 Caracterização das atividades

5.3.5.1.1 Delimitação da unidade de produção

A marcação das unidades de produção pode ser realizada com teodolito ou
bússola, com áreas pequenas para facilitar os trabalhos de inventário florestal,
exploração e condução da floresta.
A delimitação das unidades de produção pode ser feita por estradas ou
caminhos de extração a serem abertos na floresta para o controle, exploração e
condução da floresta e, por riachos, acidentes geográficos, marcas topográficas,
entre outros.
.
5.3.5.1.2 Corte de cipós

Antes do inventário pré-exploração é efetuado o corte de cipós. Essa
operação é realizada para facilitar a execução do inventário e das etapas seguintes
do manejo. A realização dessa atividade depende da tipologia da floresta que,
muitas vezes, conta com a presença abundante de cipós, o que prejudica o corte e
abate correto das árvores; o corte de cipós pode reduzir danos às árvores
remanescentes, porém em alguns casos pode ser dispensado.

5.3.5.1.3 Inventário florestal pré-exploração

No inventário florestal, é recomendado o uso do Processo de Inventário
Florestal Contínuo, com Reposição Parcial das Unidades Amostrais. Deve ser
descrito todo o desenvolvimento do método, os instrumentos utilizados e o erro
amostral que deverá ser sempre inferior a 10 % do volume comercial. Quando
existirem vários tipos florestais e unidades de produção, o inventário deverá ser
estratificado, devendo mapeá-las e identificá-las na floresta. As unidades amostrais
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

361
permanentes devem ser identificadas na floresta e no mapa (Veja Loetsch e Haller,
1975 e Péllico Neto e Brena, 1997).
O método de inventário deverá seguir o processo sistemático, em faixas
ou linhas de parcelas. As unidades devem ter largura de 15 metros, com
comprimento variável de acordo com a forma e extensão da floresta, porém não
superior a 100 metros.
Os dados medidos e observados devem ser colocados em fichas
padronizadas para facilitar a averiguação a campo, e maior facilidade de
processamento e armazenamento de informações. Devem ser medidos e anotados o
CAP, alturas e a classificação das árvores, conforme recomendado na metodologia
para a coleta de informações dendrométricas desenvolvida por Schneider et
al.(1999).

5.3.5.1.4 Colheita florestal

A colheita constitui-se na preocupação principal das atividades a serem
desenvolvidas no sistema de manejo, por causa das dificuldades, custo e danos
causados no momento do abate das árvores.
As etapas normalmente executadas nas unidades de produção são as
seguintes:
a) Construção do sistema de caminhos: para retirada dos produtos da
exploração da floresta.
b) Corte das árvores marcadas: efetuado para remoção dos produtos da
floresta, devendo-se tomar medidas especiais para reduzir danos às árvores
remanescentes, como a retirada da copa antes do abate das árvores.
c) Embandeiramento: a retirada do produto florestal, como lenha e toras;
pode ser realizada em sincronia com o ritmo dos cortes. A lenha é embandeirada na
margem das unidades de produção ou em locais de fácil acesso. A retirada das
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

362
toras é realizada com cuidado, para evitar ao máximo os danos às árvores
remanescentes, sendo levadas a um estaleiro
d) Rebaixamento dos tocos, quando pertinente, e recate de lenha:
realizado em toda a unidade de produção após os cortes.
e) Inventário florestal pós-exploração: esse inventário é realizado após a
exploração, sendo identificadas, medidas e marcadas todas as árvores
remanescentes da floresta.
f) Condução da floresta: com base nos resultados do inventário
florestal pós-exploração, pode-se tirar uma conclusão da situação da floresta
remanescente e decidir sobre a necessidade de promover seu enriquecimento, com
espécies do local e de alto índice de valor de importância ampliado.

O enriquecimento quando necessário pode ser feito em faixas, linhas ou
em distribuição aleatória, observando o espaçamento adequado para as espécies.
Seguem os tratos culturais, como eliminação da concorrência,
promovendo-se limpezas na área e combate à formiga, quando necessário. Nas
árvores e arvoretas remanescentes devem ser promovidas podas de condução para
melhorar a qualidade da madeira. O desenvolvimento da floresta é acompanhado
de cortes de liberação ou refinamento com a retirada de árvores indesejadas que
venham a prejudicar o desenvolvimento das desejadas e da regeneração natural ou
artificial.

5.3.5.1.5 Método de enriquecimento

O enriquecimento é utilizado para aumentar a proporção das espécies de
interesse em áreas perturbadas por qualquer tipo de exploração, podendo ser feito
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

363
em linhas ou faixas, mediante semeadura ou plantio de espécies de valor comercial
e ecológico.
Entre os métodos de enriquecimento mais comuns encontram-se: Métodos
Caimital, Anderson, Mexicano e o Método de Linhas ou Faixas. Desses, o método
de enriquecimento em linhas ou faixas é o mais utilizado na transformação de
florestas inequiâneas, principalmente tropicais e subtropicais, degradadas por
processo de exploração.
A prática de enriquecimento em floresta tropical, floresta semidecídua ou
decídua e floresta temperada, normalmente é implementada em faixas espaçadas
sendo que esse método é mais bem aplicado nas seguintes condições:
a) Quando há necessidade de obter madeira de grandes dimensões para
serraria, laminação, ou para aumentar a produção.
b) Quando as espécies escolhidas para o plantio devem apresentar um
rápido crescimento e serem tolerantes.
c) Quando se quer redução nos riscos de incêndios na floresta
remanescente.
Do ponto de vista geral, nenhuma área florestal deveria ser destinada à
produção de madeira antes de sofrer estudos ecológicas, especialmente da
regeneração, que sejam conhecidos o crescimento das principais espécies desejadas
e que a taxa de rendimento florestal sustentado seja possível de ser obtida.
A maior parte da madeira disponível no mercado origina-se de florestas
degradadas por meio da exploração irracional dos recursos florestais, como na
agricultura migratória. Essa prática tem transformado áreas florestais originais em
áreas degradadas, que poderiam ser recuperadas, mas que, normalmente, são
abandonadas.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

364
Dependendo da situação da área deve-se seguir caminhos tecnicamente
diferenciados para chegar a uma floresta de produção madeireira, como mostra a
Figura 27.
O sistema de enriquecimento em linhas, proposto por Catinot(1965),
compreende os seguintes passos, conforme ilustrado na Figura 28:
a) Inicialmente, procede-se a abertura de faixas paralelas eqüidistantes de
10 a 20 metros de largura, preferencialmente no sentido leste-oeste.
b) Em ambos os lados do eixo da faixa procede-se a limpeza total,
incluindo arbustos e herbáceas, abrindo uma vereda de 1 metro de largura.
c) Em ambos os lados da faixa, até uma distância de pelo menos 4 metros
são removidos todos os cipós, arbustos e regeneração, exceto as comercializáveis,
até uma altura de 2 a 4 metros.
d) No eixo da faixa, são plantadas mudas à distância de 5 a 10 metros.
e) As linhas de plantio devem ser periodicamente controladas e limpas,
para evitar a concorrência.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

365

FIGURA 27 – Esquema para transformação de floresta natural. Fonte: Wasdsworth
(1975)
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

366
FIGURA 28 – Esquema do plantio de enriquecimento. Fonte: Catinot (1965)

As implicações do método de enriquecimento em linha podem ser
resumidas da seguinte forma:
a) Nas faixas ocorre intervenções de corte seletivo das árvores,
preservando em parte o microclima e a proteção do solo mediante o povoamento
original.
b) Pode-se introduzir espécies exigentes de florestas primárias naturais,
que normalmente não conseguem subsistir em terrenos abertos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

367
c) Nas faixas laterais pode-se conservar um povoamento auxiliar natural,
multiestratificado e rico em espécies.

As condições de luminosidade, nas faixas em geral, são insuficientes e
dependem do sentido da faixa, da largura da faixa e da altura do povoamento,
como pode ser observado na Figura 29. As faixas abertas no sentido leste-oeste,
com largura igual à altura do dossel do povoamento permitem uma penetração de
60% de luminosidade relativa, se comparadas a céu aberto, com 100% de
luminosidade.





















FIGURA 29 – Luminosidade relativa (luminosidade em campo aberto = 100%)
em faixas de diferentes larguras em relação à altura (h) das árvores.
Fonte: Catinot(1965).

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

368
No plantio, devem ser utilizadas espécies de ocorrência no local. A fase de
manutenção, melhoramento e condução é a mais delicada para o êxito dos plantios
de enriquecimento, pois envolvem fatores bioecológicos, principalmente o grau de
luminosidade e o sítio.
O conhecimento da auto-ecologia das espécies é extremamente importante
para iniciar o processo de manejo de uma floresta nativa, como exemplificado na
Figura 29. Nessa verifica-se a exigência de luminosidade do guatambú na fase
inicial de crescimento, sendo o melhor crescimento em altura obtido com uma
intensidade luminosa de 73,51%.
FIGURA 29 – Luminosidade exigida pelo guatambú (Balforodendrum
riedelianum). Fonte: Farias(1994).

Na Tabela 71, é apresentada uma relação das principais características de
grupos de espécies florestais tolerantes e intolerantes, agrupadas de acordo com o
comportamento e potencialidade fisiológica e de crescimento.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

369
TABELA 71 – Características dos grupos de espécies intolerantes e tolerantes à
sombra
Características Intolerante Tolerante
Nomes
alternativos
Pioneira, demandante de luz,
intolerante à sombra,
secundária
Clímax, tolerante à sombra,
primária
Germinação Somente em clareiras abertas,
recebendo luz direta do sol
Geralmente debaixo do
dossel
Mudas/
plântulas
Não podem sobreviver sob o
dossel, na sombra
Podem sobreviver sob o
dossel, formando um banco
de mudas
Sementes Pequenas, produzidas em
grande quantidade e de forma
mais ou menos contínua
Geralmente grandes , pouco
abundantes, em geral
produzidas anualmente, e
somente em árvores que já
atingiram seu porte máximo
Banco de se-
mente do solo
Muitas espécies Poucas espécies
Dispersão Pelo vento ou por animais,
muitas vezes a uma longa
distância
Por diversos meios, incluindo
a gravidade, algumas vezes
somente a uma curta distância
Dormência Capazes de dormência
(ortodoxas), comumente
encontradas no banco de
sementes do solo
Muitas vezes com nenhuma
capacidade de dormência
(recalcitrante), raramente
encontradas no banco de
sementes do solo
Crescimento
em altura
Rápido Freqüentemente lento
Ramagem Esparsa, poucos ramos Freqüentemente copiosa,
muitos ramos
Periodicidade
de crescimento
Indeterminada Determinada
Ataques de
herbívoros
Folhas susceptíveis, macias,
pouca defesa química
Folhas muitas vezes menos
susceptíveis devido à dureza
mecânica ou a produtos
tóxicos
Madeira Geralmente clara, baixa
densidade, sem sílica
Cor variável, clara para muito
escura, baixa à alta
densidade, algumas vezes
com sílica
Amplitude
ecológica
Larga Algumas vezes estreita
Longevidade Freqüentemente curta Algumas vezes muito longa
Fonte: Whitmore apud Carvalho(1997).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

370
5.3.6 Um exemplo de manejo em floresta inequiânea heterogênea

Esse capítulo contém um exemplo do tratamento dado as informações
levantadas na floresta durante o inventário visando à elaboração do plano de
manejo florestal.
No exemplo é abordado somente uma parte importante do plano. Trata-se
da sumarização e ordenação dos resultados das informações dendrométricas,
fitossociológicas, entre outras, de maneira a permitir a elaboração do plano.
Os exemplos de análise estrutural e da regeneração natural foram
extraídos do plano de manejo da Floresta Nacional de Passo Fundo, Rio Grande do
Sul (Brasil, 1982). Os dados provêm de um talhão com 398 hectares daquela
Floresta Nacional, estocado com Floresta Ombrófila Mista, que se adequa para o
desenvolvimento desse trabalho, sendo exemplificado a parte referente a
fitossociologia, à volumetria, às distribuições, determinação da taxa de corte e à
sua regulação, como parte integrante do plano de manejo florestal. As demais
partes, levantamentos e planejamentos não fazem parte desse exemplo, devendo
serem desenvolvidas pelo Engenheiro Florestal responsável.
As informações mensuradas no inventário florestal permitiram determinar
os valores a seguir apresentados:

5.3.6.1 Composição florística

As espécies arbóreas com DAP igual ou maior a 5,0 cm, presentes na
floresta natural de Araucária, foram relacionadas no Tabela 72, com seus
respectivos nomes científicos, vulgares e famílias botânicas a que pertencem.
Do total das 567 árvores, por hectare, foram identificadas 42 espécies, 32
gêneros e 25 famílias botânicas, conforme pode ser observado no Tabela 73.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

371
TABELA 72 – Composição florística das espécies arbóreas com DAP > 5,0 cm,
em uma floresta natural com Araucaria angustifolia
Código Nome científico Nome vulgar Família
01 Allophylus edulis (A. St. Hil.) Chal-chal Sapindaceae
02 Allophylum guaraniticus (St. Hil.)Radlk.Vacunzeiro Sapindaceae
03 Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze. Pinheiro-
brasileiro Araucariaceae
04 Banara parviflora Benth. Farinha-seca
Flacourtiaceae
05 Campomanesa guaziomifolia (Camb.) Sete-capote Myrtaceae
06 Campomanezia xanthocarpa (Mart.) Guabiroba
Myrtaceae
07 Capsicodendron dinisii (Schw.)P.Occh. Pimenteira Canellaceae
08 Cedrela fissilis Vel. Cedro Meliaceae
09 Cupania vernalis Camb. Camboatá-
vermelho Sapindaceae
10 Erythroxylum deciduun A. St. Hil. Cocão Erythroxylaceae
11 Eugenia pyriformis Camb. Uvalha Myrtaceae
12 Eugenia rostrifolia Legr. Batinga Myrtaceae
13 Zanthoxylum kleinii (R.S.Cowan) W. Juvevê Rutaceae
14 Zanthoxylum rhoifolium Lamb. Mamica-de-cadela Rutaceae
15 Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera Cambará Compositae
16 Ilex brevicuspis Reissek Caúna Aquifoliaceae
17 Ilex dunosa Reissek Congonha Aquifoliaceae
18 Ilex paraguariensis A. St. Hil. Erva-mate Aquifoliaceae
19 Ilex theezans Mart. Caunão Aquifoliaceae
20 Ilex sp. Caúna Aquifoliaceae
21 Limanonia speciosa (Camb.) L.B.Smith Guaperê Cunoniaceae
22 Lithraea brasiliensis L. Manch. Bugreiro Anacardiaceae
23 Luehea divaricata Mart. et Zucc. Açoita-cavalo Tiliaceae
24 Matayba elaeagnoides Radlk. Camboatá-branco Sapindaceae
25 Myrcia bombycina (Berg) Kiaersk. Guamirim Myrtaceae
26 Myrciaria tenella (DC.) Berg Camboim Myrtaceae
27 Nectandra megapotamica (Spreng.) Canela-preta Lauraceae
28 Nectandra saligna Ness et Mart. Canela-fedida Lauraceae
29 Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan Angico-vermelho Leguminosae-mim
30 Piptocarpha angustifolia Dusén Vassourão-branco Compositae
31 Prunus sellowii Koehme Pessegueiro-do-
mato Rosaceae
32 Randia armata (Sw.) DC. Limoeiro-do-mato Rubiaceae
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

372
33 Rapanea ferruginea (Ruiz et Pav.) Nez. Capororoquinha Myrsinaceae
34 Roupala sp. Carvalho-brasileiro Proteaceae
35 Sebastiania commersoniana (Baill.) Branquilho Euphorbiaceae
36 Symplocus uniflora (Pohl.) Benth. Sete-sangrias Symplocaceae
37 Strychnos brasiliensis (Spreng.) Mart. Esporão Loganiaceae
38 Sturax leprosum Hook. et Arn. Carne-de-vaca Styracaceae
39 Citronela paniculata (Miers) Howard Congonha Icacinaceae
40 Vitex megapotamica (Spreng.) Mold. Tarumã
Verbenaceae
41 Desconhecida - Myrtaceae
42 Canelas - Lauraceae


As famílias Myrtaceae e Sapindaceae foram as mais importantes do ponto
de vista florístico, uma vez que apresentaram maior número de gêneros e espécies.
Deve-se destacar, ainda, as famílias Compositae, Aquifoliaceae, Lauraceae e
Rutaceae. As demais famílias se encontravam representadas na floresta por uma
única espécie.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

373
TABELA 73 - Número de gêneros, espécies e árvores, por famílias com DAP >
5,0 cm

Famílias N.
Gêneros
N.
Espécies
N.
Árvores
% N.
Árvores
%
Acum.
Araucariaceae 1 1 104 18,34 18,34
Sapindaceae 3 4 99 17,46 35,80
Myrtaceae 5 6 70 12,34 48,12
Canellaceae 1 1 53 9,35 53,49
Aquifoliaceae 1 5 38 6,70 64,19
Lauraceae 1 2 37 6,52 70,71
Anacardiaceae 1 1 26 4,58 75,29
Myrsinaceae 1 1 19 3,35 78,64
Euphorbiaceae 1 1 15 2,65 81,19
Flacourtiaceae 1 1 15 2,65 83,94
Rutaceae 1 2 14 2,47 86,41
Styracaceae 1 1 11 1,94 88,35
Loganiaceae 1 1 10 1,76 90,11
Rosaceae 1 1 9 1,59 91,70
Symplocaceae 1 1 8 1,41 93,11
Erythroxylaceae 1 1 7 1,23 94,34
Proteaceae 1 1 6 1,06 95,40
Compositae 2 2 4 0,71 96,11
Verbenaceae 1 1 4 0,71 96,82
Cunoniaceae 1 1 3 0,53 97,35
Leguminosae -Mim. 1 1 2 0,35 97,70
Meliaceae 1 1 2 0,35 98,05
Icacinaceae 1 1 1 0,18 98,23
Rubiaceae 1 1 1 0,18 98,41
Tiliaceae 1 1 1 0,18 98,59
Não Identificadas - 2 8 1,41 100,0
Total 32 42 567 100,0 100,0

Do ponto de vista fitossociológico, as famílias mais características da
floresta foram Araucariaceae, Sapindaceae e Myrtaceae, constituindo,
aproximadamente, 48% das árvores da floresta. As famílias Canellaceae,
Aquifoliaceae, Lauraceae, Anacardiaceae, Myrsinaceae, Euphorbiaceae,
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

374
Flacourtiaceae, Rutaceae, Styracaceae e Loganiaceae, englobaram,
aproximadamente, 50% das famílias, 64% das espécies e 90% das árvores
encontradas na floresta. Elas foram, portanto, as famílias botânicas que mais
caracterizaram a associação com a araucária no local de estudo.
Para o Quociente de Mistura de Jentsch, encontrou-se uma relação de
1:14. Isso significa que existia, em média, na floresta, 14 árvores por espécie. O
quociente indicou que a floresta apresentava uma mistura média de espécies com
tendência à homogeneidade. Esse valor é semelhante ao valor citado por
Longhi(1980) para uma floresta de araucária no Estado do Paraná (1:11).

5.3.6.2 Análise estrutural

A estrutura da floresta foi caracterizada pela densidade, dominância,
freqüência e índice de valor de importância das espécies.
Os valores desses parâmetros estruturais podem ser observados na Tabela
74.

a) Densidade das espécies

Pode-se observar na Tabela 74, que o número de árvores por hectare, com
DAP igual ou superior a 5 cm, foi elevado (567 árvores por hectare), semelhante
aos valores encontrados por Förster(1973) para uma floresta tropical (624 árvores
por hectare), considerada de elevada densidade.
A Araucaria angustifolia foi a espécie mais abundante da floresta,
possuindo cerca de 104 árvores por hectare, correspondendo a 18,3% do total das
árvores. Portanto, essa foi a espécie, fisionomicamente, mais característica da
floresta.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

375
TABELA 74 - Densidade, dominância, freqüência e índice de valor de importância
Espécie

(código)
Densidade Dominância Freqüência I.V.I.
(%)
Abs
(N.)
Rel.
(%)
Abs.
(m
2
)
Rel.
(%)
Abs.
(%)
Rel.
(%)
1 6 1,06 0,15 0,46 20,0 1,86 1,13
2 3 0,53 0,11 0,31 15,0 1,40 0,75
3 104 18,34 15,19 44,80 100,0 9,30 24,15
4 15 2,65 0,24 0,71 40,0 3,72 2,36
5 1 0,18 0,02 0,07 5,0 0,47 0,24
6 10 1,76 0,16 0,48 35,0 3,26 1,83
7 53 9,35 1,55 4,57 85,0 7,91 7,27
8 2 0,35 0,25 0,72 10,0 0,93 0,67
9 31 5,47 1,16 3,42 40,0 3,72 4,20
10 7 1,23 0,15 0,44 20,0 1,86 1,18
11 2 0,35 0,08 0,23 10,0 0,93 0,50
12 8 1,41 0,24 0,72 25,0 2,33 1,49
13 10 1,76 0,48 1,40 25,0 2,33 1,83
14 4 0,71 0,05 0,15 20,0 1,86 0,90
15 3 0,53 0,22 0,65 5,0 0,47 0,55
16 31 5,47 3,04 8,97 50,0 4,65 6,36
17 2 0,35 0,13 0,40 10,0 0,93 0,56
18 1 0,18 0,01 0,03 5,0 0,47 0,23
19 3 0,53 0,07 0,21 15,0 1,40 0,71
20 1 0,18 0,02 0,05 5,0 0,47 0,23
21 3 0,53 0,15 0,45 10,0 0,93 0,63
22 26 4,59 0,97 2,87 40,0 3,72 3,72
23 1 0,18 0,09 0,26 5,0 0,47 0,30
24 59 10,41 3,64 10,73 85,0 7,91 9,68
25 17 3,00 0,24 0,70 40,0 3,72 2,47
26 32 5,64 0,43 1,26 45,0 4,19 3,70
27 18 3,17 0,85 2,49 40,0 3,72 3,13
28 19 3,35 1,45 4,29 45,0 4,19 3,94
29 2 0,35 0,15 0,45 10,0 0,93 0,58
30 1 0,18 0,04 0,11 5,0 0,47 0,25
31 9 1,59 0,19 0,55 30,0 2,79 1,64
32 1 0,18 0,03 0,10 5,0 0,47 0,25
33 19 3,35 0,76 2,24 45,0 4,19 3,26
34 6 1,06 0,20 0,58 10,0 0,93 0,86
35 15 2,65 0,,26 0,76 10,0 0,93 1,45
36 8 1,41 0,18 0,53 20,0 1,86 1,27
37 10 1,76 0,19 0,56 30,0 2,79 1,70
38 11 1,94 0,25 0,74 25,0 2,33 1,67
39 1 0,18 0,02 0,05 5,0 0,47 0,23
40 4 0,71 0,15 0,45 10,0 0,93 0,69
41 6 1,08 0,07 0,21 15,0 1,40 0,89
42 2 0,35 0,29 0,86 5,0 0,47 0,56
Total 567 100,00 33,90 100,00 1075,0 100,00 100,00
Obs.: veja nome das espécies na Tabela 72.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

376
Outras espécies, também importantes na estrutura da floresta, foram:
Matayba elaeagnoides, Capsicodendron dinisii, Myrciaria tenella, Cupania
vernalis e Ilex brevicuspis, com abundâncias relativas de 10,4%; 9,3%; 5,6%;
5,5%; e 5,5%, respectivamente.
É notório observar que as seis espécies mais abundantes da floresta,
citadas anteriormente, somavam em conjunto, aproximadamente, 55% da
densidade total. As demais 36 espécies participavam com 45% da densidade total
da floresta. Esses dados explicam a razão pela qual a floresta tinha tendência à
homogeneidade.

a) Dominância das espécies

A Araucaria angustifolia foi a espécie mais abundante da floresta,
possuindo cerca de 104 árvores por hectare, correspondendo a 18,3% do total das
árvores. Portanto, essa foi a espécie, fisionomicamente, mais característica da
floresta.
A dominância, calculada pela área basal, foi um parâmetro importante, já
que indicam, não somente, a expansão horizontal das espécies, mas também por ser
um bom indicador das possibilidades de aproveitamento.
Os valores da dominância absoluta e relativa das espécies, calculados em
função da área basal, encontram-se relacionados na Tabela 74.
Encontrou-se para a totalidade das espécies, uma área basal de 32,9m
2
/ha,
aproximadamente, considerada como valor normal para as florestas naturais de
araucária.
A araucária foi a espécie mais dominante da associação, apresentando
uma área basal de 15,19m
2
/ha, ou seja, 44,8% da dominância total das espécies.
Foram destacadas também Matayba elaeagnoides e Ilex brevicuspis, com valores
de dominância relativa de 10,73% e 8,97%, respectivamente.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

377
Essas três espécies, com aproximadamente 65% da área basal total da
floresta, foram as mais importantes, tanto na estrutura da floresta quanto nas
possibilidades de aproveitamento, pois apresentaram indivíduos com maiores
dimensões.

c) Freqüência das espécies

Os valores de freqüência absoluta e relativa das diferentes espécies,
existentes na floresta, foram também registradas na Tabela 74.
Observa-se que a Araucaria angustifolia foi a espécie mais freqüente na
floresta, apresentando uma freqüência absoluta de 100%, indicando que a espécie
ocorria uniformemente distribuída por toda a área.
Outras espécies com elevada freqüência foram Capsicodendron dinisii,
Matayba elaeagnoides, Ilex brevicuspis, apresentando, respectivamente, valores de
85%, 85% e 50% de freqüência absoluta, demonstrando que essas espécies
ocorriam em mais de 50% da área da floresta.
Essas espécies foram também, em termos de freqüências, as mais
características da floresta, contribuindo muito para a fisionomia da formação
araucária.

d) Índice de valor de importância

O Índice de Valor de Importância (IVI) expressa o valor de cada espécie
dentro da totalidade da floresta. Esses valores, obtidos para as diferentes espécies,
foram relacionados no Tabela 74.
De acordo com os resultados, pode-se concluir que as espécies mais
importantes da floresta foram:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

378
. Araucaria angustifolia, com um IVI de 24,15%, ou seja,
aproximadamente a quarta parte do valor total da floresta;
. Matayba elaeagnoides, com um IVI de 9,68%;
. Capsicodendron dinisii, com um IVI de 7,27%;
. Ilex brevicuspis, com um IVI de 6,36%;
. Cupania vernalis, com um IVI de 4,20%.

Verificou-se que essas cinco espécies mais importantes da floresta
representaram, aproximadamente, 50% do valor total da floresta. Portanto, essas
foram as espécies que mais caracterizaram a estrutura florística da floresta
analisada.
As demais espécies, de menor IVI foram também importantes, por serem
integrantes da associação araucária, embora com menor participação.

5.3.6.3 Análise da posição sociológica

a) Densidade das espécies por posição sociológica

Verificou-se que, para a totalidade da floresta, ocorreu uma maior
densidade de árvores no estrato médio (41,62%), seguido pelo estrato inferior
(39,51%) e superior (18,87%). A pouca densidade de indivíduos no estrato inferior
quando comparado com certas florestas, deve-se ao fato de terem sido
consideradas, nesta análise, apenas as árvores com DAP igual ou superior a 10 cm.
Por esse motivo, não se observou a distribuição de densidade característica de
florestas naturais, heterogêneas e ineqüiâneas, a qual apresenta maior número de
indivíduos no estrato inferior e diminuição até o estrato superior (veja Tabela 75).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

379
A Araucaria angustifolia, Banara parviflora, Capsicodendron dinisii,
Eugenia rostrifolia, Zanthoxylum kleinii, Ilex brevicuspis, Lithraea brasiliensis,
Matayba elaeagnoides, Nectandra megapotamica, Nectandra saligna, Rapanea
ferruginea e Vitex megapotamica foram as únicas espécies representadas nos três
estratos fitossociológicos. Por esse motivo, pode-se prever que essas espécies
possam ter permanência garantida na composição futura da floresta.
No estrato superior as espécies mais abundantes foram: Araucaria
angustifolia (56,07%) e Ilex brevicuspis (15,89%). Além disso, essas espécies
apresentaram maior número de indivíduos no estrato superior e menor no inferior,
o que confirma a sua própria característica. Por esse motivo, essas espécies
contribuíram muito para a fisionomia da floresta, dominando o estrato superior.
As espécies mais abundantes da floresta, relacionadas no estrato inferior,
foram: Cupania vernalis, Campomanesia xanthocarpa, Lithraea brasiliensis,
Myrcia bomycina, Myrciaria tenella, Sebastiania commersoniana e Strychnos
brasiliensis, constituíndo, portanto, as espécies mais típicas do subbosque.

b) Dominância das espécies por posição sociológica

Os valores de dominância (área basal) por posição sociológica das
espécies foram registrados na Tabela 76.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

380
TABELA 75 - Número de árvores por posição sociológica com DAP>5,0 cm
Espécie
(código)
Estrato Superior Estrato Médio Estrato Inferior Total
N. N. %* %** N. %* %** N. %* %**
1 0 0,00 0,00 2 0,85 33,33 4 1,79 66,67 6
2 0 0,00 0,00 1 0,42 33,33 2 0,89 66,67 3
3 60 56,07 57,69 40 16,95 38,46 4 1,79 3,85 104
4 1 0,93 6,67 5 2,12 33,33 9 4,02 60,00 15
5 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1 0,45 100,0 1
6 0 0,00 0,00 2 0,85 20,00 8 3,57 80,00 10
7 1 0,93 1,89 31 13,14 58,49 21 9,38 39,62 53
8 1 0,93 50,00 1 0,42 50,00 0 0,00 0,00 2
9 0 0,00 0,00 8 3,39 25,81 23 10,27 74,19 31
10 0 0,00 0,00 4 1,69 57,14 3 1,34 42,86 7
11 0 0,00 0,00 2 0,85 100,00 0 0,00 0,00 2
12 1 0,93 12,50 4 1,69 50,00 3 1,34 37,50 8
13 3 2,80 30,00 5 2,12 50,00 2 0,89 20,00 10
14 0 0,00 0,00 1 0,42 25,00 3 1,34 75,00 4
15 0 0,00 0,00 3 1,27 100,00 0 0,00 0,00 3
16 17 15,89 54,84 11 4,66 35,48 3 1,34 9,68 31
17 0 0,00 0,00 1 0,42 50,00 1 0,45 50,00 2
18 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1 0,45 100,0 1
19 0 0,00 0,00 2 0,85 66,67 1 0,45 33,33 3
20 0 0,00 0,00 1 0,42 100,00 0 0,00 0,00 1
21 0 0,00 0,00 2 0,85 66,67 1 0,45 33,33 3
22 1 0,93 3,85 8 3,39 30,77 17 7,59 65,38 26
23 0 0,00 0,00 1 0,42 100,00 0 0,00 0,00 1
24 5 4,67 8,47 39 16,53 66,10 15 6,70 25,42 59
25 0 0,00 0,00 5 2,12 29,41 12 5,36 70,59 17
26 0 0,00 0,00 3 1,27 9,38 29 12,95 90,63 32
27 3 2,80 16,67 10 4,24 55,56 5 2,23 27,78 18
28 6 5,61 31,58 11 4,66 57,89 2 0,89 10,53 19
29 1 0,93 50,00 1 0,42 50,00 0 0,00 0,00 2
30 1 0,93 100,00 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1
31 0 0,00 0,00 6 2,54 66,67 3 1,34 33,33 9
32 0 0,00 0,00 1 0,42 100,00 0 0,00 0,00 1
33 3 2,80 15,79 9 3,81 47,37 7 3,13 36,84 19
34 1 0,93 16,67 5 2,12 83,33 0 0,00 0,00 6
35 0 0,00 0,00 2 0,85 13,33 13 5,80 86,67 15
36 0 0,00 0,00 2 0,85 25,00 6 2,68 75,00 8
37 0 0,00 0,00 2 0,85 20,00 8 3,57 80,00 10
38 0 0,00 0,00 2 0,85 18,18 9 4,02 81,82 11
39 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1 0,45 100,0 1
40 1 0,93 25,00 2 0,85 50,00 1 0,45 25,00 4
41 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 6 2,68 100,0 6
42 1 0,93 50,00 1 0,42 50,00 0 0,00 0,00 2
Total 107 100,0 18,9 236 100,0 41,62 224 100,0 38.51 567
* = % da espécie dentro da classe de posição sociológica; ** = % da espécie
entre as classes de posição sociológica; Obs.: nome das espécies na Tabela 72.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

381
TABELA 76 – Dominância absoluta e relativa das espécies (área basal) por
posição sociológica com DAP > 5,0 cm
Espécies
(código)
Estrato Superior Estrato Médio Estrato Inferior Total
m
2
m
2
%* %** m
2
%* %** m
2
%* %**
1 0,00 0,00 0,00 0,07 0,61 46,15 0,08 2,03 53,85 0,15
2 0,00 0,00 0,00 0,03 0,30 32,75 0,07 1,73 67,25 0,11
3 12,95 71,37 85,26 2,19 18,77 14,40 0,05 1,26 0,34 15,19
4 0,04 0,22 16,77 0,08 0,68 33,02 0,12 2,92 50,21 0,24
5 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,22 0,54 100,00 0,02
6 0,00 0,00 0,00 0,06 0,48 34,72 0,11 2,58 65,28 0,16
7 0,07 0,39 4,54 1,04 8,95 67,33 0,44 10,58 28,13 1,55
8 0,22 1,21 89,45 0,03 0,22 10,55 0,00 0,00 0,00 0,25
9 0,00 0,00 0,00 0,50 4,08 40,96 0,69 16,65 59,04 1,16
10 0,00 0,00 0,00 0,10 0,84 65,24 0,05 1,27 34,76 0,15
11 0,00 0,00 0,00 0,08 0,66 100,0 0,00 0,00 0,00 0,08
12 0,04 0,23 16,85 0,17 1,48 70,28 0,03 0,77 12,88 0,24
13 0,26 1,45 55,31 0,18 1,57 38,45 0,03 0,72 6,24 0,48
14 0,00 0,00 0,00 0,02 0,17 40,08 0,03 0,72 59,97 0,05
15 0,00 0,00 0,00 0,22 1,89 100,0 0,00 0,00 0,00 0,22
16 2,00 11,00 65,65 0,98 8,44 32,33 0,06 1,50 2,02 3,04
17 0,00 0,00 0,00 0,12 1,07 92,34 0,01 0,25 7,06 0,13
18 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,01 0,28 100,00 0,01
19 0,00 0,00 0,00 0,06 0,54 88,46 0,01 0,20 11,54 0,07
20 0,00 0,00 0,00 0,02 0,15 100,0 0,00 0,00 0,00 0,02
21 0,00 0,00 0,00 0,14 1,22 93,91 0,01 0,22 6,09 0,15
22 0,08 0,08 8,03 0,48 4,14 49,67 0,41 9,99 42,80 0,97
23 0,00 0,00 0,00 0,09 0,75 100,0 0,00 0,00 0,00 0,09
24 0,84 4,64 23,13 2,52 21,61 69,19 0,28 6,79 7,68 3,69
25 0,00 0,00 0,00 0,08 0,75 35,71 0,15 3,70 64,29 0,24
26 0,00 0,00 0,00 0,04 0,32 8,74 0,38 9,47 91,26 0,43
27 0,32 1,78 38,15 0,45 3,89 53,63 0,07 1,69 8,22 0,85
28 0,69 3,82 47,70 0,74 6,38 51,11 0,02 0,42 1,19 1,45
29 0,06 0,33 39,35 0,09 0,80 60,65 0,00 0,00 0,00 0,15
30 0,04 0,20 100,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,04
31 0,00 0,00 0,00 0,11 0,92 57,48 0,08 1,94 42,51 0,19
32 0,00 0,00 0,00 0,03 0,30 100,0 0,00 0,00 0,00 0,03
33 0,19 1,06 25,30 0,46 3,92 60,02 0,11 2,71 14,68 0,76
34 0,05 0,26 24,13 0,15 1,27 75,87 0,00 0,00 0,00 0,20
35 0,00 0,00 0,00 0,03 0,29 18,19 0,22 5,45 86,81 0,26
36 0,00 0,00 0,00 0,03 0,28 18,18 0,15 3,58 81,82 0,18
37 0,00 0,00 0,00 0,05 0,48 28,64 0,13 3,27 71,36 0,19
38 0,00 0,00 0,00 0,10 0,85 39,93 0,15 3,64 60,07 0,25
39 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,02 0,37 100,00 0,02
40 0,05 0,27 31,85 0,06 0,54 41,02 0,04 1,00 27,13 0,15
41 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,07 1,77 100,00 0,07
42 0,24 1,34 83,78 0,05 0,41 16,22 0,00 0,00 0,00 0,29
Total 18,15 100,0 53,51 11,65 100,00 34,35 4,12 100,0 12,14 33,91
* = % da espécie dentro da classe de posição sociológica; ** = % da espécie entre
as classes de posição sociológica; Obs.: nome das espécies na Tabela 72.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

382
A área basal total da floresta foi de, aproximadamente, 34 m
2
/ha. Desse
total, cerca de 54% encontravam-se no estrato superior, 34% no médio e 12% no
estrato inferior. A maior dominância ocorria no estrato superior, em razão de
existirem, nesta posição, os maiores diâmetros, ao contrário do que acontece nos
estratos médio e inferior.
Com relação à dominância das espécies por estrato, foram observadas, no
estrato inferior, as seguintes espécies: Cupania vernalis (16,65%), Capsicodendron
dinisii (10,58%), Lithraea brasiliensis (9,99%), Myrciaria tenella (9,47%). No
estrato médio, sobressaiam a Matayba elaeagnoides (21,61%), Araucaria
angustifolia (18,77%), Capsicodendron dinisii (8,95%) e Ilex brevicuspis (8,44%).
No estrato superior, a dominância da Araucaria angustifolia (71,37%), Ilex
brevicuspis (11,0%) e Matayba elaeagnoides (4,64%).

c) Volume comercial das espécies por posição sociológica

O volume comercial com casca das árvores foi determinado por meio das
equações definidas para espécies folhosas e para Araucaria angustifolia,
respectivamente:

- Para espécies folhosas:

log v = -3,95275 + 2,04354 . log d + 0,61461 . log hc

- Para Araucaria angustifolia:

log v = -4,29736 + 2,18411. log d + 0,68504 . log hc

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

383
Por outro lado, o volume de galhos das espécies folhosas pode ser
estimado mediante a equação definida por BRENA et al.(1988):

log v
g
= -1,43430 + 0,00205 . (d.h)

Sendo: v = volume comercial com casca, em metros cúbicos; v
g
= volume
de galhos, em metros cúbicos; d = diâmetro à altura do peito, em centímetros; h =
altura total, em metros; hc = altura comercial, em metros.

Na Tabela 77 foram registrados os valores de volume comercial com
casca por posição sociológica das espécies encontradas na floresta.
Do volume comercial total com casca da floresta (259,37 m
3
/ha), cerca de
70% foram encontrados no estrato superior, 25% no estrato médio e apenas 5% no
inferior.
Com relação à distribuição do volume comercial por estrato, pode-se
observar, no estrato inferior, que as espécies com maior distribuição foram:
Cupania vernalis (17,74%), Lithraea brasiliensis (12,18%), Capsicodendron
dinisii (10,84%), Myrciaria tenella (7,46%) e Matayba elaeagnoides (6,04%). No
estrato médio, destacam-se: Araucaria angustifolia (33,11%), Matayba
elaeagnoides (17,45%), Ilex brevicuspis (7,73%) e Nectandra saligna (6,58%). No
estrato superior sobressairam Araucaria angustifolia (82,19%), Ilex brevicuspis
(6,30%) e Matayba elaeagnoides (3,03%).

5.3.6.4 Análise da qualidade do fuste

a) Número de árvores por classe de qualidade de fuste

Os resultados da distribuição do número de árvores, por classes de
qualidade do fuste definidas por boa, média e má qualidade, encontram-se
registrados no Tabela 78.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

384
TABELA 77 - Volume comercial com casca das espécies por posição sociológica
com DAP > 5,0 cm
Espécie
(código)
Estrato Superior Estrato Médio Estrato Inferior Total
m
3
m
3
%* %** m
3
%* %** m
3
%* %**
1 0,00 0,00 0,00 0,33 0,51 58,08 0,24 1,81 41,92 0,56
2 0,00 0,00 0,00 0,15 0,25 42,00 0,21 1,58 58,00 0,35
3 149,69 82,19 87,43 21,27 33,11 12,42 0,25 1,90 0,14 171,2
4 0,26 0,14 29,43 0,28 0,44 31,76 0,34 2,64 38,81 0,88
5 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,26 100,0 0,03
6 0,00 0,00 0,00 0,19 0,33 42,14 0,27 2,05 57,80 0,46
7 0,36 0,20 6,31 3,87 6,02 69,65 1,41 10,84 25,04 5,63
8 2,51 1,38 95,36 0,11 0,17 4,14 0,00 0,00 0,00 2,62
9 0,00 0,00 0,00 2,23 3,48 49,19 2,31 17,74 50,81 4,54
10 0,00 0,00 0,00 0,40 0,63 73,24 0,15 1,14 26,76 0,55
11 0,00 0,00 0,00 0,30 0,47 100,0 0,00 0,00 0,00 0,30
12 0,24 0,13 23,46 0,68 1,05 66,06 0,11 0,82 10,48 1,02
13 0,89 0,49 49,46 0,82 1,27 45,14 0,10 0,75 5,40 1,81
14 0,00 0,00 0,00 0,07 0,15 43,49 0,09 0,67 56,51 0,15
15 0,00 0,00 0,00 1,46 2,27 100,0 0,00 0,00 0,00 1,46
16 11,47 6,30 68,99 4,97 7,75 29,89 0,19 1,44 1,12 16,62
17 0,00 0,00 0,00 0,36 0,55 91,53 0,03 0,25 8,47 0,39
18 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,05 0,35 100,0 0,05
19 0,00 0,00 0,00 0,21 0,32 91,58 0,02 0,15 8,42 0,23
20 0,00 0,00 0,00 0,08 0,15 100,0 0,00 0,00 0,00 0,08
21 0,00 0,00 0,00 0,80 1,25 95,50 0,03 0,22 8,50 0,83
22 0,27 0,15 6,95 1,97 3,07 51,58 1,58 12,18 41,47 3,82
23 0,00 0,00 0,00 0,18 0,28 100,0 0,00 0,00 0,00 0,18
24 5,51 3,03 31,48 11,21 17,45 64,03 0,79 6,04 4,49 17,50
25 0,00 0,00 0,00 0,38 0,59 48,51 0,40 3,08 51,49 0,78
26 0,00 0,00 0,00 0,10 0,16 9,37 0,97 7,46 90,63 1,07
27 1,78 0,98 42,25 2,21 3,45 52,66 0,21 1,65 5,10 4,20
28 4,72 2,59 52,34 4,23 6,58 46,91 0,07 0,52 0,75 9,01
29 0,48 0,26 46,72 0,55 0,86 53,28 0,00 0,00 0,00 1,03
30 0,31 0,17 100,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,31
31 0,00 0,00 0,00 0,47 0,73 54,98 0,39 2,97 45,02 0,86
32 0,00 0,00 0,00 0,14 0,22 100,0 0,00 0,00 0,00 0,14
33 1,08 0,59 27,82 2,39 3,71 61,26 0,42 3,27 10,91 3,89
34 0,25 0,14 30,05 0,59 0,92 69,95 0,00 0,00 0,00 0,85
35 0,00 0,00 0,00 0,12 0,18 14,90 0,68 5,21 85,10 0,80
36 0,00 0,00 0,00 0,06 0,10 13,95 0,40 3,06 86,05 0,46
37 0,00 0,00 0,00 0,22 0,34 32,81 0,44 3,40 67,19 0,66
38 0,00 0,00 0,00 0,45 0,70 46,37 0,52 3,99 53,63 0,97
39 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,05 0,39 100,0 0,05
40 0,21 0,12 39,12 0,19 0,29 34,08 0,15 1,12 26,79 0,54
41 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,14 1,07 100,0 0,19
42 2,10 1,16 91,03 0,21 0,32 8,97 0,00 0,00 0,00 2,31
Total 182,13 100,0 70,22 64,23 100,00 24,76 13,0 1 100,0 5,02 259,37
* = % da espécie dentro da classe de posição sociológica; ** = % da espécie entre
as classes de posição sociológica; Obs.: nome das espécies na Tabela 12.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

385
TABELA 78 - Número de árvores por classe de qualidade de fuste com DAP >
5,0 cm.
Espécie
(código)
Boa Média Má Total
N. N. %* %** N. %* %** N. %* %**
1 1 0,43 16,67 2 1,18 33,33 3 1,82 50,00 6
2 0 0,00 0,00 1 0,59 33,33 2 1,21 66,67 3
3 97 41,63 93,27 5 2,96 4,81 2 1,21 1,92 104
4 5 2,15 33,33 7 4,14 46,67 3 1,82 20,00 15
5 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1 0,61 100,0 1
6 0 0,00 0,00 3 1,78 30,00 7 4,24 70,00 10
7 14 6,01 26,42 23 13,61 43,40 16 9,70 30,19 53
8 1 0,43 50,00 1 0,59 50,00 0 0,00 0,00 2
9 8 3,43 25,81 12 7,10 38,71 11 6,67 35,48 31
10 4 1,72 57,14 3 1,78 42,86 0 0,00 0,00 7
11 1 0,43 50,00 1 0,59 50,00 0 0,00 0,00 2
12 1 0,43 12,50 4 2,87 50,00 3 1,82 37,50 8
13 5 2,15 50,00 3 1,78 30,00 2 1,21 20,00 10
14 1 0,43 25,00 1 0,59 25,00 2 1,21 50,00 4
15 3 1,29 100,0 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 3
16 12 5,15 38,71 8 4,73 25,81 11 6,67 35,48 31
17 1 0,43 50,00 0 0,00 0,00 1 0,61 50,00 2
18 0 0,00 0,00 1 0,59 100,0 0 0,00 0,00 1
19 1 0,43 33,33 2 1,18 66,67 0 0,00 0,00 3
20 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1 0,61 100,0 1
21 0 0,00 0,00 2 1,18 66,67 1 0,61 33,33 3
22 5 2,15 19,23 9 5,33 34,62 12 7,27 46,15 26
23 0 0,00 0,00 1 0,59 100,0 0 0,00 0,00 1
24 16 6,87 27,12 19 11,24 32,20 24 14,55 40,68 59
25 1 0,43 5,88 4 2,37 23,53 12 7,27 70,59 17
26 8 3,43 25,00 12 7,10 37,50 12 7,27 37,50 32
27 8 3,43 44,44 7 4,14 38,89 3 1,82 16,67 18
28 9 3,86 47,87 8 4,73 42,11 2 1,21 10,53 19
29 1 0,43 50,00 1 0,59 50,00 0 0,00 0,00 2
30 1 0,43 100,0 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1
31 6 2,58 66,67 1 0,59 11,11 2 1,21 22,22 9
32 1 0,43 100,0 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 1
33 8 3,43 42,11 9 5,33 47,37 2 1,21 10,53 19
34 2 0,86 33,33 2 1,18 33,33 2 1,21 33,33 6
35 3 1,29 20,00 3 1,78 20,00 9 5,45 60,00 15
36 0 0,00 0,00 4 2,37 50,00 4 2,42 50,00 8
37 5 2,15 50,00 2 1,18 20,00 3 1,82 30,00 10
38 3 1,29 27,27 3 1,78 27,27 5 3,03 45,45 11
39 0 0,00 0,00 1 0,59 100,0 0 0,0 0,00 1
40 0 0,93 0,00 3 1,78 75,00 1 0,61 25,00 4
41 0 0,00 0,00 0 0,00 0,00 6 3,64 100,0 6
42 1 0,43 50,00 1 0,59 50,00 0 0,00 0,00 2
Total 233 100,0 41,09 169 100,0 29,81 165 100,0 29,10 567
* = % da espécie dentro da classe de qualidade do fuste; ** = % da espécie entre
as classes de qualidade do fuste; Obs.: nome das espécies na Tabela 72.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

386
Considerando a totalidade das espécies da floresta, encontrou-se a
seguinte proporção de qualidade do fuste: 41,09% de boa qualidade, 29,81% de
média qualidade e 29,10% de má qualidade.
De acordo com esses valores, constatou-se que ocorriam árvores com uma
boa forma de fuste, o que é importante para uma exploração econômica da floresta.
A Araucaria angustifolia foi a espécie que apresentou melhores fustes,
entre todas as espécies da floresta, pois que representava, aproximadamente, 42%
das árvores com fustes de boa qualidade. Por outro lado, a Matayba elaeagnoides
apresentou os piores fustes da floresta, ou seja, cerca de 15% do total dos fustes
eram de má qualidade.
Observou-se também que a Araucaria angustifolia apresentava cerca de
93% de suas árvores com boa qualidade de fuste, 5% classificadas como de média
qualidade, e, apenas, 2% com de má qualidade. Isso demonstrou sua grande
importância econômica na floresta em questão.
Outras espécies, como: Capsicodendron dinisii, Cupania vernalis, Ilex
brevicuspis, Nectandra megapotamica, Nectandra saligna, Luehea divaricata,
Prunus sellowii e Rapanea ferruginea apresentaram, na maioria dos indivíduos,
fustes de boa e média qualidade, sendo também de importância comercial.

b) Volume comercial por espécie e classes de qualidade do fuste

Os resultados do volume comercial com casca por classe de qualidade do
fuste definidas por boa, média e má qualidade, foram registrados na Tabela 79.
Observou-se que, aproximadamente, 81% do volume comercial com
casca, de todas as espécies, pertenciam às árvores com fuste de boa qualidade, 11%
às árvores de média qualidade e 8% às árvores de má qualidade. Com isso,
deduziu-se que o povoamento analisado apresentava alta importância comercial,
uma vez que a maior percentagem de volume comercial era de boa qualidade.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

387
TABELA 79 - Volume comercial com casca por qualidade de fuste com DAP >
5,0 cm
Espécie Boa Média Má Total
(código) m
3
%* %** m
3
%* %** m
3
%* %** m
3

1 0,15 0,07 26,51 0,29 1,05 52,43 0,12 0,55 21,07 0,56
2 0,00 0,00 0,00 0,15 0,55 42,00 0,21 0,96 58,00 0,35
3 166,28 79,18 97,13 3,71 13,24 2,16 1,21 5,68 0,71 171,20
4 0,34 0,16 37,89 0,49 1,75 55,49 0,06 0,27 6,02 0,88
5 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,06 0,16 100,0 0,03
6 0,00 0,00 0,00 0,19 0,69 41,84 0,27 1,25 58,16 0,46
7 1,82 0,87 32,35 2,70 9,65 47,96 1,11 5,19 19,68 5,63
8 2,51 1,20 95,86 0,11 0,39 4,14 0,00 0,00 0,00 2,62
9 1,49 0,71 32,76 1,20 4,28 26,39 1,86 8,69 40,06 4,54
10 0,24 0,11 42,78 0,32 1,18 57,22 0,00 0,00 0,00 0,55
11 0,18 0,09 58,94 0,12 0,45 41,06 0,00 0,00 0,00 0,30
12 0,24 0,11 23,46 0,68 2,42 66,06 0,11 0,50 10,48 1,02
13 1,20 0,57 66,57 0,28 1,01 15,67 0,32 1,50 17,76 1,81
14 0,07 0,03 43,49 0,02 0,09 16,05 0,06 0,29 40,46 0,15
15 1,46 0,69 100,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1,46
16 8,57 4,08 51,57 3,49 12,45 20,98 4,56 21,35 27,46 16,62
17 0,86 0,17 91,53 0,00 0,00 0,00 0,03 0,15 8,47 0,39
18 0,00 0,00 0,00 0,05 0,16 100,0 0,00 0,00 0,00 0,05
19 0,08 0,04 36,07 0,15 0,52 63,93 0,00 0,00 0,00 0,23
20 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,08 0,39 100,0 0,08
21 0,00 0,00 0,00 0,07 0,27 8,97 0,76 3,55 91,03 0,83
22 1,54 0,73 40,17 1,04 3,71 27,21 1,25 5,83 32,61 3,82
23 0,00 0,00 0,00 0,18 0,65 100,0 0,00 0,00 0,00 0,18
24 7,00 3,33 40,01 4,86 17,86 27,79 5,64 26,38 32,20 17,50
25 0,23 0,11 29,48 0,14 0,51 18,41 0,41 1,90 52,10 0,78
26 0,29 0,14 26,82 0,38 1,34 35,09 0,41 1,91 38,08 1,07
27 3,17 1,51 75,89 0,92 3,30 21,95 0,11 0,52 2,66 4,20
28 5,74 2,73 63,69 3,12 11,16 34,68 0,15 0,69 1,63 9,01
29 0,48 0,23 46,72 0,55 1,97 53,28 0,00 0,00 0,00 1,03
30 0,31 0,15 100,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,31
31 0,40 0,23 56,41 0,29 1,04 34,05 0,08 0,38 9,55 0,86
32 0,14 0,07 100,0 0,00 0,0 0,00 0,00 0,00 0,00 0,14
33 2,13 1,02 54,82 1,05 3,77 27,09 0,70 3,29 18,09 3,89
34 0,39 0,19 46,48 0,12 0,45 14,71 0,33 1,54 38,81 0,85
35 0,23 0,11 29,47 0,17 0,62 21,68 0,39 1,82 48,85 0,80
36 0,00 0,00 0,00 0,16 0,66 33,87 0,31 1,43 66,13 0,46
37 0,31 0,15 47,32 0,08 0,27 11,39 0,27 1,27 41,29 0,66
38 0,48 0,23 49,22 0,24 0,84 24,38 0,26 1,20 26,41 0,97
39 0,00 0,00 0,00 0,05 0,18 100,0 0,00 0,00 0,00 0,05
40 0,00 0,00 0,00 0,40 1,42 73,21 0,15 0,68 26,79 0,54
41 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,14 0,65 100,0 0,19
42 2,10 1,00 91,03 0,21 0,74 8,97 0,00 0,00 0,00 2,31
Total 210,01 100,00 80,97 27,99 100,00 10,79 21,37 100,00 8,24 259,38
* = % da espécie dentro da classe de qualidade do fuste; ** = % da espécie entre
as classes de qualidade do fuste; Obs.: nome das espécies na Tabela 72.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

388
A Araucaria angustifolia foi a espécie de maior importância comercial,
visto representar, aproximadamente, 79,18% do volume comercial total de boa
qualidade (166,28 m
3
/ha).
Outras espécies, também importantes comercialmente, por apresentarem
maiores volumes de boa e média qualidade, foram: Capsicodendron dinisii,
Cupania vernalis, Eugenia rostrifolia, Ilex brevicuspis, Lithraea brasiliensis,
Matayba elaeagnoides, Nectandra megapotamica, Nectandra saligna, Prunus
sellowii e Rapanea ferrugineaEntre as espécies que mais contribuíram para a
composição do volume comercial com casca total da floresta nativa, destacaram-se
o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) com cerca de 66,0% do volume
comercial com casca total por hectare, seguido do camboatá-branco (Matayba
elaeagnoides) com 6,7% e da caúna (Ilex brevicuspis) com 6,4%. O camboatá-
vermelho (Cupania vernalis) e o camboim (Myrciaria tenella) contribuíram com
apenas 2,8%, aproximadamente.
Em termos de densidade, verificou-se que a araucária apresentou cerca de
18,3% do total do número de árvores e o camboatá-branco cerca de 10,4%.
Considerando o diâmetro médio, todas as espécies apresentaram um valor
aritmético bastante baixo, aproximadamente 25 cm. Por outro lado, excetuando-se
o pinheiro-brasileiro, com 15,0 m de altura comercial média, quase todas as
espécies apresentaram alturas comerciais menores que 6,0 m, com raras exceções,
como por exemplo a caúna (Ilex sp.), o cambará (Gochnatia polymorpha) e o
vassourão-branco (Pitocarpha angustifolia), independente da qualidade dos
troncos e valorização.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

389
5.3.6.5 Volume, número de árvores e área basal por espécie e classe de
diâmetro

Verificou-se que a maioria das espécies apresentavam DAP superior a 30
cm. Além do pinheiro-brasileiro, encontravam-se, neste caso, apenas a caúna e o
camboatá-branco, entre as folhosas. O pinheiro-brasileiro, por exemplo, permitiria
a realização de corte na ordem de 94,5% do volume, com retirada de 66,4% do
número de árvores por hectare. A caúna permitiria a retirada de 87,6% do volume e
64,5% do número de árvores por hectare (veja Tabela 80).

TABELA 80 - Volume comercial com casca e número de árvores por hectare,
classe de diâmetro e espécie
Cód Descrição 5-
14,9
15-
24,9
25-
34,9
35-
44,9
45-
54,9
55-
64,9
65-
74,9
>75 Total
1 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,05
2,00
0,02
11,3
3,25
0,51
4,00
0,13
0,69
5,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,56
6,00
0,15
17,56
4,42
2 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,22
2,00
0,06
18,78
5,25
0,13
1,00
0,05
25,15
3,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,35
3,00
0,11
20,90
4,50
3 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,88
10,00
0,13
13,08
8,35
6,16
21,00
0,63
19,40
12,86
7,45
10,00
0,75
30,85
15,40
25,30
19,00
2,42
40,16
16,24
47,66
22,00
4,29
49,76
16,82
45,43
15,00
4,00
58,26
16,60
17,47
4,00
1,43
67,40
17,50
20,85
3,00
1,53
80,64
19,00
171,21
104,00
15,19
39,32
15,02
4 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,36
10,00
0,11
12,00
4,05
0,53
5,00
0,12
17,57
5,40
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,89
15,00
0,24
13,86
4,50
5 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,03
1,00
0,02
16,87
1,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,03
1,00
0,02
16,87
1,50
6 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,22
7,00
0,07
12,60
3,29
0,24
3,00
0,07
17,72
4,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,46
10,00
0,16
14,15
3,50
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

390
7 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,49
13,00
0,16
12,41
4,23
3,87
35,00
1,05
19,31
4,97
1,28
5,00
0,34
29,47
4,80
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
5,63
53,00
1,55
18,58
4,77
8 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,11
1,00
0,03
18,14
6,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2,51
1,00
0,22
52,84
16,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2,62
2,00
0,25
35,49
12,75
9 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,33
7,00
0,11
14,19
3,93
1,78
17,00
0,54
19,90
4,35
1,71
6,00
0,40
28,91
5,75
0,72
2,00
0,11
38,20
9,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4,54
31,00
1,18
20,95
4,88
10 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,12
3,00
0,04
12,31
5,00
0,43
4,00
0,11
19,02
4,87
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,55
7,00
0,15
16,14
4,93
11 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,30
2,00
0,08
22,12
5,25
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,30
2,00
0,08
22,12
5,25
12 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,11
3,00
0,032
11,46
4,67
0,68
4,00
0,15
21,96
6,25
0,26
1,00
0,08
27,69
5,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,02
8,00
0,24
18,74
5,50
13 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,18
3,00
0,06
12,52
6,50
0,44
3,00
0,10
20,80
5,50
0,79
3,00
0,22
30,56
4,50
0,42
1,00
0,11
37,56
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,81
10,80
0,48
22,92
5,40
14 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,09
3,00
0,03
11,25
4,00
0,07
1,00
0,02
15,92
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,15
4,00
0,05
12,41
4,13
15
Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,46
3,00
0,22
30,45
10,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,46
3,00
0,22
30,45
10,00
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

391
16 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,14
3,00
0,04
12,52
5,67
0,25
2,00
0,07
20,69
5,00
3,88
11,00
0,77
29,73
7,18
8,86
12,00
1,48
39,55
8,42
1,09
1,00
0,19
49,34
7,50
2,40
2,00
0,50
56,34
5,75
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
16,62
31,00
3,04
33,63
7,29
17 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,03
1,00
0,01
11,46
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,36
1,00
0,12
39,79
3,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,39
2,00
0,13
25,62
3,75
18 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,05
1,00
0,01
12,10
6,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,05
1,00
0,01
12,10
6,00
19 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,02
1,00
0,01
10,18
3,00
0,21
2,00
0,06
19,89
4,75
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,23
3,00
0,07
16,66
4,17
20 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,08
1,00
0,02
14,96
7,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,08
1,00
0,02
14,96
7,50
21 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,07
2,00
0,02
11,46
5,25
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,76
1,00
0,13
40,74
8,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,83
3,00
0,15
21,22
6,17
22 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,26
10,00
0,12
12,25
2,55
0,86
9,00
0,25
18,53
4,33
1,80
5,00
0,35
29,92
4,60
1,40
2,00
0,25
39,63
7,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
3,82
26,00
0,97
19,93
3,94
23 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,18
1,00
0,09
33,42
2,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,18
1,00
0,09
33,42
2,00
24 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,30
8,00
0,10
12,73
3,81
2,33
24,00
0,68
18,12
4,83
4,32
16,00
1,14
30,02
4,78
4,32
6,00
0,78
40,53
7,58
4,56
4,00
0,73
48,22
8,75
1,67
1,00
0,25
56,66
9,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
17,51
59,00
3,64
25,59
5,30
25 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
0,40
14,00
0,15
11,62
0,38
3,00
0,09
19,10
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,78
17,00
0,24
12,94
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

392
Alt. Com. m 3,54 5,83 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 3,94
26 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,82
29,00
0,33
12,01
3,22
0,12
2,00
0,04
16,39
3,75
0,12
1,00
0,05
25,78
2,58
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,07
32,00
0,43
12,71
3,23
27 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com. m
0,27
6,00
0,07
12,47
5,19
0,73
6,00
0,17
18,73
6,00
0,87
3,00
0,19
28,54
6,33
1,51
2,00
0,24
38,99
9,00
0,82
1,00
0,17
46,47
6,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4,20
18,00
0,85
22,07
6,11
28 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,12
3,00
0,03
11,35
6,00
0,90
5,00
0,17
20,82
7,90
1,85
4,00
0,28
29,44
9,50
4,10
5,00
0,61
39,47
10,00
2,06
2,00
0,36
47,75
7,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
9,01
19,00
1,45
8,88
6,45
29 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,03
2,00
0,15
31,04
11,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
1,03
2,00
0,15
31,04
11,00
30 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,31
1,00
0,04
21,65
15,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,31
1,00
0,04
21,65
15,00
31 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,27
6,00
0,07
12,10
5,92
0,29
2,00
0,06
20,21
6,50
0,29
1,00
0,05
26,10
8,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,86
9,00
0,19
15,46
6,28
32 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,14
1,00
0,03
21,01
5,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,14
1,00
0,03
21,01
5,50
33 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,35
7,00
0,09
12,64
5,93
0,56
5,00
0,12
17,76
6,60
2,57
6,00
0,44
30,35
8,50
0,41
1,00
0,11
37,24
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
3,89
19,00
0,76
20,88
6,84
34 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,04
1,00
0,01
12,41
4,50
0,61
4,00
0,13
19,89
6,75
0,20
1,00
0,06
26,75
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,85
6,00
0,20
19,79
6,00
35 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.M
0,42
10,00
0,14
13,21
4,05
0,38
5,00
0,12
17,44
4,10
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,80
15,00
0,26
14,62
4,07
36 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
0,16
5,00
0,06
0,13
2,00
0,06
0,18
1,00
0,08
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,46
8,00
0,18
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

393
DAP médio
Alt. Com.M
11,97
3,60
19,26
2,25
28,65
3,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
15,88
3,19
37 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.m
0,15
4,00
0,05
12,18
4,25
0,51
6,00
0,14
17,24
4,83
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,66
10,00
0,19
15,22
4,60
38 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.m
0,26
7,00
0,08
12,32
4,36
0,38
3,00
0,10
20,48
5,00
0,35
1,00
0,07
28,99
7,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,97
11,00
0,25
16,06
4,77
39 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.m
0,05
1,00
0,02
14,01
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,05
1,00
0,02
14,01
4,50
40 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,54
4,00
0,15
21,88
4,50
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,54
4,00
0,15
21,88
4,50
41 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.
0,08
5,00
0,05
11,21
1,70
0,06
1,00
0,02
17,19
3,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,14
6,00
0,07
12,20
1,92
42 Vol. c/c/ha
N. árv./ha
Área Basal
DAP médio
Alt. Com.m
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,21
1,00
0,05
24,51
6,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2,10
1,00
0,24
55,7
13,0
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
2,31
2,00
0,29
40,11
9,50


Total

Vol. c/c/ha
N° árv./ha
Área Basal


7,15
186,0
2,239

25,26
191,0
5,632

30,20
82,0
5,750

48,1
51,0
6,36

58,7
31,0
5,96

51,6
19,0
4,99

17,4
4,0
1,42

20,8
3,0
1,53

259,3
567,0
33,91
Obs.: Nome das espécies na Tabela 72

5.3.6.6 Volume e número de árvores por classe de diâmetro e qualidade do
fuste

Baseando-se na equação de volume comercial com casca selecionada para
o conjunto de dados, foram calculados os volumes para todas as espécies
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

394
inventariadas, agrupando-as em classes de diâmetro e qualidade da tora, definidas
por: I – boa qualidade; II – média qualidade; III – má qualidade.
O maior volume comercial com casca de madeira, independente da
espécie, foi encontrado na classe de qualidade I, contando com cerca de 79,37% do
total, correspondente a 41% do total do número de árvores por hectare.

As classes de qualidade II e III continham, aproximadamente, o mesmo
número relativo de árvores, ou seja, cerca de 30% do total, porém continham, em
conjunto, menor volume que a classe I. Verificou-se, nesse caso, que as duas
classes de qualidade somavam cerca de 19% do volume total (veja Tabela 81).

TABELA 81 - Volume comercial com casca e número de árvores por hectare,
classe de diâmetro e qualidade do tronco
Cód Descrição 5-
14,9
15-
24,9
25-
34,9
35-
44,9
45-
54,9
55-
64,9
65-
74,9
>75 Total

1

V

N

2.16

34.00

12.81

73.00

17.66

36.00

38.87

39.00

49.03

27.00

43.61

17.00

14.9

4.00

16.96

3.00

196.04

233.00


2

V

N

2.36

68.00

9.14

68.00

6.69

23.00

3.86

6.00

4.39

3.00

1.546

1.00

0.0

0.0

0.0

0.0

28.89

169.00


3

V

N

2.94

84.00

4.87

50.00

6.61

23.00

4.76

6.00

1.78

1.00

1.07

1.00

0.0

0.0

0.0

0.0

22.04

165.00
Sendo: V = Volume por hectare; N = Número de árvores por hectare, Cod.=
Código da classe de qualidade.

5.3.6.7 Estimativa do estoque da floresta

A análise estatística dos dados obtidos no inventário da floresta nativa
proporcionou as seguintes estimativas:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

395
a) Volume comercial médio com casca = 259,4 m
3
/ha.
b) Variância em volume comercial com casca (s
2
) = 6.219,0 m
3
/ha.
c) Erro padrão (
v
s ) = 17,63 m
3
/ha.
d) Erro de amostragem (E) = 14,2%.
e) Intervalos de confiança:

- Para o volume comercial com casca médio por hectare
IC = [ 222,6 m
3
/ha < µ < 296,3 m
3
/ha ] = 95%

- Para o volume comercial com casca total, para 398 hectares:
IC = [ 88.595 m
3
< T < 117.927 m
3
] = 95%

Nesse caso, tendo sido fixado um erro amostral menor que 10 %, seria
necessário levantar mais unidades amostrais, o que não foi realizado, aceitando-se,
assim, o erro amostral calculado de 14,2 %.

5.3.6.8 Regeneração natural

As espécies arbóreas encontradas na regeneração natural foram
relacionadas na Tabela 82, com seus respectivos nomes vulgares e famílias a que
pertencem.
Comparando-se esses resultados com os da Tabela 81 com os da Tabela
82, observa-se que muitas espécies só foram encontradas na regeneração natural,
isto é, não apresentaram indivíduos arbóreos com mais de 5 cm de DAP. Isto
representa uma característica normal de florestas ineqüiâneas, na qual, por causa da
concorrência, muitas espécies não chegam a ocupar os estratos superiores e outras
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

396
são exclusivas do sub-bosque. Essas espécies foram: Acacia recurva, Syagnis
romanzoffiana, Brunfelsia uniflora, Drimis brasiliensis, Eugenia uniflora, Inga sp.,
Machaerium sp., Maytenus dasyclados, Maytenus ilicifolia, Patagonula
americana, Rapanea umbellata, Rhamus sphaerosperma, Rollinia sp., Sebastiania
brasiliensis e Trichilia elegans.
Por outro lado, certas espécies como Erythroxylum deciduum, Eugenia
pyriformis, Gochnatia polymorpha, Lamanonia speciosa, Randia armata,
Citronela paniculata e Vitex megapotamica não apresentaram regeneração natural.
Sendo assim, pode-se deduzir que essas espécies são propícias ao desaparecimento
na floresta, pois não estavam resistindo à concorrência.
Os valores de abundância das espécies encontradas na regeneração
natural, foram resumidos no Tabela 83. Pode-se observar a ocorrência de 46.890
indivíduos por hectare, número este suficiente para garantir com eficiência a
sucessão da floresta.
As espécies com maior regeneração natural, como pode ser observado na
Tabela 83, foram: Myrciaria tenella, Cupania vernalis, Allophylus edulis,
Nectandra megapotamica, Myrcia bombycina, Matayba elaeagnoides, Styrax
leprosum e Trichilia elegans. Essas espécies possuem maiores possibilidades de
sobrevivência no futuro povoamento.








Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

397
TABELA 82 - Espécies encontradas na regeneração natural com DAP<5,0 cm
Cod. Nome Científico Nome Vulgar Família
1 Acacia recurva Benth. Unha-de-gato Leguminosae-Mim.
2 Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk Chal-Chal Sapindaceae
3 Allophylus guaraniticus (A. St. Hil.) Vacunzeiro Sapindaceae
4 Araucaria angustifolia (Bert.) O.
Ktze.
Pinheiro-
brasileiro
Araucareaceae
5 Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glass. Coqueiro Palmae
6 Banara parviflora Benth. Farinha-seca Flacourtiaceae
7 Campomanesia guazumifolia
(Camb.)Legr.
Sete-capotes Myrtaceae
8 Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don. Primavera Solanaceae
9 Campomanesia xanthocarpa (Mart.)
Berg.
Guabiroba Myrtaceae
10 Capsicodendron dinisii (Schw.) Occh Pimenteira Canellaceae
11 Cedrela fissilis Vell. Cedro Meliaceae
12 Cupania vernalis Camb. Camboatá-
vermelho
Sapindaceae
13 Drymis brasiliensis Miers Casca-de-anta Winteraceae
14 Eugenia rostrifolia Legr. Batinga Myrtaceae
15 Eugenia uniflora L. Pitangueira Myrtaceae
16 Zanthoxylum kleinii (R.S.Cowan) W. Juvevê Rutaceae
17 Zanthoxylum rhoifoluma Lam. Mamica-de-
cadela
Rutaceae
18 Ilex brevicuspis Reissek Caúna Aquifoliaceae
19 Ilex dumosa Reissek Congonha Aquifoliaceae
20 Ilex paraguariensis A. St. Hil. Erva-mate Aquifoliaceae
21 Ilex theezans Mart. Caunão Aquifoliaceae
22 Ilex sp. Caúna Aquifoliaceae
23 Inga sp. Ingá Leguminosae-Mim.
24 Lithraea brasiliensis L. March. Bugreiro Anacardiaceae
25 Luehea divariacata Mart.et Zucc. Açoita-cavalo Tiliaceae
26 Machaerium sp. - Leguminosae-Papil.
27 Matayba elaeagnoides Radlk. Camboatá-
branco
Sapindaceae
28 Maytenus dasyclados Mart. Coração-de-
bugre
Celastraceae
29 Maytenus ilicifolia Mart. ex Reiss. Cancorosa Celastraceae
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

398
30 Myrcia bombycina (Berg) Kiaersk. Guamirim Myrtaceae
31 Myrciaria tenella (DC.) Berg Camboim Myrtaceae
32 Nectandra megapotamica (Spreng.) Canela-preta Lauraceae
33 Nectandra saligna Nees et Mart Canela-fedida Lauraceae
34 Parapiptadenia rigida (Benth.) B. Angico-
vermelho
Leguminosae -
Mim.
35 Patagonula americana L. Guajuvira Boraginaceae
36 Piptocarpha angustifolia Dusén M. Vassourão-
branco
Compositae
37 Prunus sellowii Koehne Pessegueiro-
do-mato
Rosaceae
38 Rapanea ferruginea (Ruiz et Pav.) Capororoca Myrsinaceae
39 Rapanea umbellata Mez Capororocão Myrsinaceae
40 Rhamnus sphaerosperma Swartz Pau-canjica Rhamnaceae
41 Rollinia sp. Ariticum Annonaceae
42 Roupala sp. Carvalho-
brasileiro
Proteaceae
43 Sebastiania brasiliensis Spreng. Pau-leiteiro Euphorbiaceae
44 Sebastiania commersoniana (Baill.)
L.B. Smith & R.J.Downs
Branquilho Euphorbiaceae
45 Symplocus uniflora (Pohl) Benth. Sete-sangrias Symplocaceae
46 Strychnos brasiliensis (Spreng.) Esporão Loganiaceae
47 Styrax leprosum Hook. & Arn. Carne-de-
vaca
Styracaceae
48 Trichilia elegans A. Juss. Pau-de-
ervilha
Meliaceae
49 Myrtaceas desconhecidas - Myrtaceae
50 Canelas desconhecidas - Lauraceae
51 Outras desconhecidas - -










Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

399
TABELA 83 - Abundância das espécies encontradas na regeneração natural com
DAP<5,0 cm
Cód. Espécie Abundância da R. N.
N./180m
2
% N./ha
1 Acacia recurva 1 0,12 56
2 Allophylus edulis 66 7,82 3.667
3 Allophylus guaranticus 10 1,18 555
4 Araucaria angustifolia 7 0,83 389
5 Syagns romanzoffiana 1 0,12 56
6 Banara parviflora 4 0,47 222
7 Campomanesia guazumifolia 10 1,18 555
8 Brunfelsia uniflora 7 0,83 389
9 Campomanesia xanthocarpa 7 0,83 389
10 Capsicodendron dinisii 18 2,13 1.000
11 Cedrela fissilis 1 0,12 56
12 Cupania vernalis 83 9,84 4.611
13 Drymis brasiliensis 11 1,30 611
14 Eugenia rostrifolia 3 0,36 167
15 Eugenia uniflora 6 0,71 333
16 Zanthoxylum kleinii 5 0,59 278
17 Zanthoxylum rhoifolia 11 1,30 611
18 Ilex brevicuspis 19 2,25 1.056
19 Ilex dumosa 4 0,47 222
20 Ilex paraguariensis 5 0,59 278
21 Ilex theezans 6 0,71 333
22 Ilex sp. 10 1,18 555
23 Inga sp. 4 0,47 222
24 Lithraea brasiliensis 2 0,24 111
25 Luehea divariacata 8 0,95 444
26 Machaerium sp. 5 0,59 278
27 Matayba elaeagnoides 40 4,74 2.222
28 Maytenus dasyclados 18 3,13 1000
29 Maytenus ilicifolia 1 0,12 56
30 Myrcia bombycina 46 5,45 2.556
31 Myrciaria tenella 107 12,68 5.944
32 Nectandra megapotamica 59 6,99 3.278
33 Nectandra saligna 14 1,66 778
34 Parapiptadenia rigida 29 3,44 1.611
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

400
35 Patagonula americana 1 0,12 56
36 Piptocarpha angustifolia 2 0,24 111
37 Prunus sellowii 19 2,25 1.056
38 Rapanea ferruginea 1 0,12 56
39 Rapanea umbellata 1 0,12 56
40 Rhamnus sphaerosperma 2 0,24 111
41 Rollinia sp. 3 0,36 167
42 Roupala sp. 13 1,54 722
43 Sebastiania brasiliensis 22 2,61 1.222
44 Sebastiania commersoniana 3 0,36 167
45 Symplocus uniflora 13 1,54 722
46 Strychnos brasiliensis 8 0,95 444
47 Styrax leprosus 36 4,26 2.000
48 Trichilia elegans 31 3,67 1.722
49 Myrtaceas desconhecidas 24 2,84 1.333
50 Canelas desconhecidas 23 2,73 1.278
51 Outras desconhecidas 14 1,66 778
Total 844 100,0 46.890
Sendo: R.N. = regeneração natural

A Araucaria angustifolia, espécie mais abundante da floresta, apresentou
uma baixa regeneração natural (0,83%), valores menores que os encontrados por
LONGHI(1980) em uma floresta de araucária no Estado do Paraná (3%). A baixa
regeneração natural da espécie demonstrou que ela vem sofrendo problemas de
regeneração no atual estágio da floresta, em conseqüência das suas sementes
(pinhões) serem apreciados por roedores, pássaros, bem como coletadas pelo
homem que as têm usado como alimento ou para comercialização. Outra razão
importante se refere ao sombreamento provocado pelas espécies do estrato
intermediário e do sub-bosque que impede o desenvolvimento da regeneração
natural.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

401
5.3.6.9 Regulação do estoque

5.3.6.9.1 Determinação da distribuição de freqüência balanceada

O inventário florestal realizado para as espécies arbóreas, com DAP igual
ou superior a 5 cm, acusou 567 árvores por hectare.
As freqüências observadas por unidade de área e classes de diâmetro
foram ajustadas por meio da equação de Meyer, expressa por:

ln N
i
= 6,3049 - 0,06322 . d
i


Sendo: N
i
= freqüência por hectare na classe i; d
i
= centro de classe de
diâmetro, em centímetros.

Considerando que o coeficiente angular (b
i
) da equação de Meyer foi
igual a -0,06322, para um intervalo de classe de diâmetro de 10 cm, o Quociente
de Liocourt (q) será igual :

b
i
. (X
i
- X
i+1
) -0,06322 . (10-20)
q = e = e

q = 1,8817

Para uma estratégia de manejo em que se deseja uma área basal
remanescente de 25 m
2
/ha, diâmetro máximo desejado de 50 cm e um Quociente
de Liocourt de 1,4, os novos coeficientes da equação de Meyer passam a ser:

b
1
= ln q / (X
i
- X
i+1
) = ln 1,4 / -10

b
1
= -0,0336



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

402
G . 40000
b
0
= ln |
____________________________
|
t . (E X
i
2
. e
b1 . Xi
)


25 . 40000
b
0
= ln |
____________________________
|
t . 1484,8277

b
0
= 5,3677

Com o mesmo procedimento acima, foi determinado, para valores de q
igual a 1,6 e 1,8, diâmetro limite de 40 e 50 cm e área basal de 20 e 25 m
2
/ha, as
freqüências balanceadas que se encontram na Tabela 84.

TABELA 84 – Freqüência balanceadas remanescente por classe de diâmetro em
relação ao diâmetro máximo desejado
Centro
Classe de
DAP
Diâmetro máximo desejado (cm)
40 50
q=1,4 q=1,6 q=1,8 q=1,4 q=1,6 q=1,8
Área basal remanescente = 20 m
2
/ha
10 178,33 233,15 291,24 122,50 172,80 228,90
20 127,38 145,15 161,80 87,50 108,00 127,17
30 90,98 91,08 89,89 62,50 67,50 70,65
40 64,99 56,92 49,94 44,64 42,19 39,25
50 31,89 26,37 21,80
Área basal remanescente = 25 m
2
/ha
10 222,91 291,44 364,05 153,12 216,00 286,12
20 159,22 182,15 202,25 109,37 135,00 158,96
30 113,73 113,84 112,36 78,12 84,37 88,31
40 81,23 71,15 62,42 55,80 52,73 49,06
50 39,86 32,96 27,26


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

403
Utilizando, por exemplo, como estratégia de manejo para o tipo florestal
um Quociente de Liocourt (q) de 1,4, área basal remanescente de,
aproximadamente, 25 m
2
/ha e um diâmetro máximo desejado de 50 cm, resultou
nas freqüências remanescentes por classe de diâmetro, encontradas na Tabela 84 e
representadas na Figura 30.


FIGURA 30 - Distribuição de freqüências reais e balanceadas para uma floresta
mista de Araucaria angustifolia

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

404
A escolha de uma área basal remanescente apropriada é muito importante
do ponto de vista do aproveitamento do sítio e da promoção da vegetação após o
corte. A escolha da área basal remanescente depende muito da auto-ecologia das
espécies principais em relação a condição de tolerantes ou intolerantes. Essa área
basal remanescente pode ser determinada em função das freqüências reais por
classe de diâmetro, considerandas até o diâmetro máximo desejado.
Por outro lado, a condução da regeneração natural das espécies de luz
necessita de uma área basal remanescente que possibilite a estabilidade das
plântulas jovens.
A determinação do diâmetro máximo desejado pode ser definido por
critérios como o aproveitamento técnico e a otimização do incremento em valor,
mas também por critérios de recreação e manutenção de habitat para a fauna.
Finalmente, o valor de q depende da distribuição dos diâmetros dentro da
parte regulada da distribuição diamétrica. Quanto maior o q, maior será o número
de árvores de pequeno porte na floresta.

5.3.6.9.2 Determinação do incremento

O incremento corrente anual percentual em volume foi determinado para
Araucaria angustifolia e o grupo de folhosas em geral, em função do diâmetro
obtido por idade, mediante análise de tronco.
As equações determinadas apresentaram um coeficiente de determinação
superior a 85%, e um erro padrão da estimativa inferior a 3,4%, sendo
apresentadas a seguir:

- Para Araucaria angustifolia:

ln ICA = 7,982 – 1,8990 . ln d
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

405
- Para espécies folhosas:

ln ICA = 5,7142 – 1,3318 . ln d

Sendo: ICA = incremento corrente anual percentual em volume comercial
com casca; d= diâmetro à altura do peito, tomado à 1,30 m do nível do solo; ln =
logarítmo neperiano.

Na Figura 31, pode-se comparar as tendências dos incrementos correntes
anuais percentuais em volume comercial com casca para a Araucaria angustifolia e
do grupo de espécies de folhosas.
FIGURA 31 – Incremento corrente anual percentual em volume comercial com
casca por diâmetro, para a Araucaria angustifolia e folhosas

Com as equações de incremento foi determinada a taxa média de
incremento corrente anual do volume comercial com casca, expresso em
percentagem, para Araucaria angustifolia e para o grupo de folhosas. Essas taxas
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

406
foram obtidas por ponderação do incremento estimado para o centro de classe, com
os volumes observados nas classes de diâmetro, mediante a expressão:

ICA% = E V
i
. IC
i
/ E V
i


Sendo: ICA % = incremento corrente anual médio em volume comercial
com casca para a população, em percentagem; V
i
= volume comercial com casca
por hectare da classe de diâmetro i; IC
i
= incremento corrente anual em volume
comercial com casca da classe de diâmetro i, em percentagem.

Na determinação do incremento corrente anual médio em volume
comercial com casca, expresso em percentagem, foi desprezada a classe de
diâmetro acima de 60 cm, em conseqüência do estado adulto das árvores estarem
acima do diâmetro máximo desejado, conforme apresentado na Tabela 85.

TABELA 85 – Determinação do incremento corrente anual percentual em volume
comercial com casca da Araucaria angustifolia e folhosas
Classes de
DAP
Araucaria angustifolia Folhosas
V ICA% V x ICA% V ICA% V x
ICA%
10 0,88 36,94 32,51 6,27 14,12 88,53
20 6,16 9,91 61,04 19,10 5,61 107,15
30 7,45 4,59 34,19 22,75 3,27 74,39
40 25,30 2,66 67,30 22,86 2,23 50,98
50 47,66 1,74 82,93 11,05 1,66 18,34
SOMA 87,45 - 277,97 82,03 - 339,39
MÉDIA 3,18 4,14
Sendo: ICA% = incremento corrente anual percentual em volume comercial com
casca; V = volume comercial com casca/ha observado na classe de diâmetro.

Assim, o incremento corrente anual em volume comercial com casca,
expresso em percentagem, para Araucaria angustifolia foi de 3,18% por ano, e
para o grupo de folhosas de 4,14% por ano, servindo como estimadores do
incremento corrente anual percentual médio da população.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

407
5.3.6.9.3 Determinação da taxa de corte sustentada

Para a determinação do corte sustentado de madeira foi utilizado o
Método Mexicano, em que a intensidade de corte é obtida pela expressão:

1
IC = (1 -
_____________
) . 100
1 + p
n


Sendo: IC = intensidade de corte em percentagem; p = incremento
corrente anual percentual em volume comercial com casca; n = ciclo de corte, em
anos.

Para a estratégia de manejo visando redução da densidade para uma área
basal de, aproximadamente, 25 m
2
/ha, Quociente de Liocourt de 1,4, diâmetro
máximo desejado de 50 cm e ciclo de corte de 14 anos, a taxa de corte é obtida
pelo produto da intensidade de corte pelo volume comercial com casca real, sendo
obtido um valor de 99,0 m
3
/ha, distribuído em 60,8 m
3
/ha para Araucaria
angustifolia e 38,2 m
3
/ha para as folhosas, conforme apresentada na Tabela 86.

TABELA 86 – Determinação da taxa de corte sustentada

Espécies
ICA
(%)
Ciclo de
Corte
(ano)
Intensidade
de Corte
(%)
Volume
(m
3
/ha )
Taxa de corte
(m
3
/ha)
Araucaria
angustifolia
3,18 14 35,5 171,21 60,8
Folhosas 4,14 14 43,3 88,18 38,2
Total - - - 259,39 99,0

De acordo com o expresso na Tabela 86, a floresta tem capacidade de
repor, num período de 14 anos, a taxa de corte de 99,0 m
3
/ha, quando poderá ser
realizada uma nova intervenção de corte. Para isso, deve-se adotar os
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

408
procedimentos técnicos silviculturais e de exploração adequados para promover
melhorias na estrutura da floresta e no mínimo a manutenção do crescimento atual,
obtendo-se, assim, a sustentabilidade de produção.
A taxa de corte de 99,0 m
3
/ha foi distribuída entre a Araucaria
angustifolia e o grupo de folhosas, procurando equilibrar o corte em função das
freqüências balanceadas por classes de diâmetro, conforme é apresentado na
Tabela 87. Essa tabela pode ser apresentada para cada unidade de produção ou para
a população, dependendo da extensão da área da floresta e da necessidade de
controle a ser exercido pelo engenheiro responsável.
Nas classes de diâmetro inferiores ao diâmetro máximo desejado, os
cortes foram distribuídos somente para o subtotal, deixando como uma alternativa
de decisão o corte de Araucaria angustifolia ou grupo de folhosas, de acordo com
o estado sanitário, posição sociológica e qualidade do fuste das árvores, a ser
visualizado no momento da marcação das árvores para o corte.

5.3.6.9.4 Programação dos cortes

As atividades de corte devem ser planejadas para cada unidade de
produção, dependendo do seu número e tamanho.
O plano de manejo deve conter a área a ser trabalhada anualmente, a
necessidade de mão-de-obra e as atividades florestais a serem desenvolvidas para
alcançar os objetivos.



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

409

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

410
O número de unidades de produção que sofrerão intervenção em cada ano
dependerá da área total de manejo, a qual, a princípio, poderá ser regulada para
produzir o mesmo volume de madeira anualmente, podendo neste caso haver
variação da área das unidades de produção em função da capacidade do sítio.

5.3.6.9.5 Execução dos cortes

A execução do manejo propriamente dito consiste na realização de cortes
de limpeza, condução e colheita de árvores, visando alcançar os objetivos da
produção estabelecidos no plano de manejo.
Essas ações devem ser precedidas de um planejamento adequado e ser
executado por pessoal treinado, pois delas resultará a quantidade e qualidade da
produção futura.
A divisão da área em unidades de produção bem como a definição de uma
densidade mínima de caminhos de extração são indispensáveis para a organização
das atividades a campo, reduzindo custos e o impacto sobre a floresta.
Deve-se ter claro que se estará trabalhando em uma mesma área com
árvores de dimensões distintas, desde plântulas até árvores maduras, sendo
necessário evitar danos àquelas que permanecerão no povoamento. Assim, devem
ser consideradas medidas como a retirada sequencial dos galhos, se possível e
necessário, até o corte total da copa antes do abate das árvores selecionadas para
colheita.
Os cortes, a serem executados nas árvores previamente selecionadas no
inventário e que constituem a taxa de corte, podem ser considerados de acordo com
o objetivo e fase de sua aplicação, como:
a) Corte de limpeza: compreende os cortes de eliminação dos cipós para
facilitar o abate das árvores, evitando danos às remanescentes;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

411
b) Desramas: constitui-se do corte dos galhos para a melhoria da
qualidade do fuste e da copa das árvores remanescentes;
c) Colheita: constitui-se do abate e extração das árvores selecionadas, que
compõem a taxa de corte sustentada;
d) Refinamento: abrange a liberação de árvores com um bom potencial de
crescimento no futuro e a retirada de árvores com más perspectivas de crescimento
e sobrevivência. Para isso, por exemplo um bom indicador é o tamanho e a
arquitetura da copa, além do comprimento relativo da copa e o tipo de ramificação.
Esses cortes não ocorrem de forma separada na floresta, mas
concomitantemente. Após as intervenções é necessário executar um inventário pós-
exploração, para avaliar o estado da floresta remanescente, visando definir ações
para a sua condução. Nesse momento, deve-se avaliar a necessidade de
enriquecimento e de eliminação de concorrência.
Caso haja necessidade de enriquecimento da floresta, as espécies a serem
introduzidas devem pertencer à estrutura original da floresta, e ao grupo que tem
alto índice de valor de importância ampliado.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

412
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

413


VI – PLANEJAMENTO DE OUTRAS ATIVIDADES

O planejamento do manejo abrange as propostas necessárias para a
verificação e o alcance das metas da empresa. Neste sentido, o planejamento é o
ponto central do manejo. O planejamento integral do manejo dos povoamentos
florestais é normalmente efetuado dentro de uma concepção de administração
empresarial, executada com base num plano de manejo que tem por objetivo
primordial atingir a sustentabilidade de produção ao longo do tempo. Para isso,
uma empresa deve ser planejada em todas as atividades que serão executadas num
período de tempo de validez de um plano de manejo.
Uma característica do planejamento é saber e definir de antemão quais
medidas serão necessárias para alcançar a meta proposta. Enfim, o planejamento
inclui a tarefa principal do manejo que é determinar a quantidade de madeira que
se cortará dentro do período de tempo.
Entre os planejamentos de atividades do manejo encontram-se os que
referem-se a: desbaste, desrama, cultura, adubação, tratos cultura, substituição,
formação de reserva, exploração da madeira e secundária e outros que se fizerem
necessários para a administração da empresa.

6.1 Planejamento de desbaste

6.1.1 Introdução

A competição que conduz a eliminação de indivíduos no povoamento
também causa uma diminuição do crescimento. A proporção varia inversamente
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

414
segundo o grau de dominância alcançado pelos indivíduos (posição da copa). As
árvores dominantes sofrem menos que as suprimidas, que no final são eliminadas.
Deve-se destacar, ainda, que a diferenciação das copas nas diversas classes
(dominantes, co-dominantes, etc.) é o resultado da competição.
O desbaste baseia-se no processo natural da vida do povoamento em
relação à diminuição progressiva do número de indivíduos por unidade de
superfície, como conseqüência da competição pela luz, umidade e pelas
substâncias nutritivas do solo.
Schulz e Rodriguez (1967) assinalam que o desbaste tem a finalidade de
manipular a competição entre as árvores e destacam que a competição é o fator
ecológico mais importante para o silvicultor, que pode fazer uso do desbaste para
evitar as conseqüências da competição excessiva e a permanência de indivíduos
com má formação de fuste.
A finalidade do desbaste é concentrar a produção, em termos de
incremento, nas árvores que constituirão o corte final ou as que serão aproveitadas
nos desbastes comerciais.
Mediante os desbastes pode-se inverter o potencial produtivo do sítio para
as árvores de maior valor comercial e evitar sua dispersão em indivíduos
indesejáveis ou de menor valor.
O desbaste consiste na manutenção da classe desejada de árvores e o
número apropriado destas por unidade de superfície em diferentes etapas do
desenvolvimento mediante a eliminação do resto. Isto inclui a seleção de árvores
segundo suas características de desenvolvimento e manutenção de um dossel mais
ou menos uniforme, quer dizer, um espaçamento mais ou menos uniforme (Singh,
1968).
Segundo Hiley(1959), os experimentos sobre competição por água e sais
minerais têm demonstrado que, para uma produção mais econômica de madeira, as
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

415
árvores devem estar espaçadas mais amplamente que o de costume, quer dizer, que
o espaçamento inicial deve ser mais amplo e os desbastes mais fortes.
Para Craib(1947) na produção de madeira em plantações, os custos de
produção são muito afetados pelo espaçamento (densidade) e dependem:
espaçamento inicial; mortalidade natural; desbaste.
Estes fatores influem de uma maneira tão decisiva que em muitos métodos
usados produz-se madeira a custos maiores do que o permitido ou tolerável, devido
a aplicação de desbastes inadequados. O desbaste pode reduzir os custos de
produção significativamente de duas maneiras principais: mediante a redução da
duração da rotação; mediante a produção de material de maiores dimensões
(tamanho).
Para cada espécie e para cada qualidade de sítio deve haver um regime
ótimo de desbaste, o qual permitirá que as árvores se desenvolvam
satisfatoriamente, permitindo produzir madeira da forma mais econômica possível.
A rentabilidade de um investimento depende altamente das épocas em que
entram as rendas e ocorrem os custos. Quanto mais cedo entra uma determinada
renda maior a rentabilidade do investimento, pois esta renda pode ser aplicada já
em outro tipo de investimento lucrativo. O contrário vale para os custos. Caso
exista mercado para o material de desbaste, pode-se, geralmente, aumentar a
rentabilidade de um povoamento efetuando desbastes cedo e pesados. Nos casos
onde haja necessidade de investimento em infra-estrutura viária, por exemplo, as
vezes é vantajoso adiar o desbaste, até que o preço da madeira no mercado cubra os
custos da construção de estrada, exploração e transporte, permitindo ainda um
lucro satisfatório.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

416
6.1.2 Efeito do desbaste sobre a produção

A teoria de Mar, difundida por Muller apud Assmann(1970), em relação
ao crescimento e produção florestal estabelece que "... o incremento em volume
não é influenciado pela densidade do povoamento, dentro de certos limites". Isto
quer dizer que excluindo os extremos de densidade de um povoamento a produção
total em volume é semelhante para diferentes níveis de densidade. Esta teoria
baseia-se no fato de que o meio ambiente pode suportar uma determinada biomassa
com uma determinada superfície folhar por hectare, sendo portanto, o incremento
em área basal ou volume uma função da qualidade do sítio.
Mais tarde, o próprio Assmann(1970) constatou que as áreas manejadas
com desbastes pesados produziam menos volume que com desbastes leves, mesmo
quando desbastes pesados proporcionavam maior crescimento em área basal, isto
porque as árvores não somente apresentavam menor altura, mas também menores
alturas formais.
Sobre isto, Von Laar(1973) estudou, para Pinus radiata na África do Sul,
a relação simultânea entre o desbaste e poda e a influência sobre o crescimento e
produção dos povoamentos. No seu estudo, aplicou pesos de desbaste definidos
pelo Índice de Espaçamento Relativo nos níveis de 30, 40 e 50 % e podas de 50,
65 e 80 % da altura total, respectivamente, constatando um efeito significativo da
poda e desbaste sobre a taxa de crescimento em área basal e volume por unidade de
área.
No estudo conduzido por Flotz et al.(1967) apud Daniel et al.(1982), foi
constatado que, após a execução do desbaste inicial, as remoções de 35 a 40 % do
nível máximo de área basal não influenciam a taxa de crescimento em área basal
das árvores remanescentes. Entretanto, remoções superiores de 40 % da área basal
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

417
máxima resultaram num marcante declínio do crescimento em área basal das
árvores remanescentes.
Na Figura 32 observa-se que quando os desbastes forem executados com
uma intensidade para manter uma área basal de até 60% da área total, obtêm-se
100 % do incremento total atual. Abaixo de 60 % da área basal total começa a
decrescer em percentagem do incremento total atual, isto é, assumindo um valor
inferior a 100 %.


FIGURA 32 - Efeito da percentagem de área basal total ou volume sobre a
percentagem do incremento total atual. Fonte: Muller (1945).

Os resultados obtidos após 50 anos de desbaste, tendo os cortes iniciados
aos 31 anos, com repetição a cada cinco anos, com alguns períodos ocasionais de
quatro ou seis anos, em povoamentos de Picea abies, na Suécia, encontram-se no
Tabela 88 (Daniel et al., 1982).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

418
TABELA 88 - Produção de um povoamento de Picea abies, sob vários graus de
desbaste, de 31 a 81 anos (Daniel et al.,1982).
__________________________________________________________________
Tratamentos N G d h
100
Ind. Rem. Desb. Tot. IPA % Volume
ha m
2
/ha cm m m
3
m
3
/ha m
3
/ha m
3
/ha G/ha V/ha Pé
___________________________________________________________________________________
I 1396 64,9 24,3 29,0 0,657 917 305 1222 1,00 19,1
II 600 43,2 30,3 29,4 1,013 608 590 1198 1,11 18,8 131
III 336 34,3 36,1 29,3 1,301 437 739 1176 1,30 18,0 128
IV 200 28,8 42,9 30,2 1,835 367 766 1133 1,31 17,5 124
___________________________________________________________________________________
Sendo: I - Testemunha, sem desbaste, sendo a produção na coluna dos desbastes
referentes as árvores mortas; II - Desbaste moderado; III- Desbaste intenso,
pesado; IV - Desbaste muito intenso.

Ao final da rotação, o volume total produzido geralmente é maior para
densidades maiores, entretanto, são as condições econômicas (mercado-sortimento-
preços) que determinam se é melhor produzir maior volume total com diâmetros de
menor dimensão ou menor volume total mas com diâmetros de maiores dimensões.
Na Figura 33 encontra-se o resultado de experimento de desbaste em
Pinus elliottii, com tratamentos: testemunha sem desbaste (T0); desbaste com
redução de 75% da área basal da testemunha (T3); desbaste com redução de 50%
da área basal da testemunha (T2); desbaste com redução de 25% da área basal da
testemunha (T1).








Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

419















FIGURA 33 - Influência da intensidade de desbaste sobre a produção total de
Pinus elliottii

As grandezas dos incrementos dos diferentes tratamentos de intensidade
de desbaste diferenciaram-se, principalmente entre os tratamentos extremos de
desbaste. Entretanto, como se observa na Figura 26, os tratamentos que
mantiveram 75 % (T1) e 50 % (T2) da área basal em relação a testemunha
mostram incrementos semelhantes aos 21 anos, tendendo a uma maior
aproximação com o aumento da idade. Isto comprova parcialmente a teoria de
Mar:Muller de que, sob certos limites, o peso de desbaste não influencia o
incremento em volume do povoamento.
mbora a intensidade de desbaste contenha em si as informações relativas
ao peso e a periodicidade dos desbastes, tanto esse peso como periodicidade
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

420
provocam efeitos sobre o crescimento que são independentes da intensidade.
Assim, quanto mais longo for o ciclo maior o peso do desbaste, mais elevado será
o risco de quebra de incremento, em conseqüência de uma incompleta utilização do
sítio, logo após a operação de desbaste.
Schneider et al.(1998) estudaram o efeito de diferentes intensidades de
desbaste sobre a produção Eucalyptus grandis, implantado no ano de 1981, em
espaçamento inicial de 3,0 x 2,0 metros, na região de Cachoeira do Sul, Rio
Grande do Sul.
O experimento foi instalado em um delineamento de blocos ao acaso, com
duas repetições e quatro tratamentos. Os tratamentos foram definidos pela área
basal mantida em relação à testemunha, sem desbaste e caracterizados por::
T1 = Tratamento 1: Testemunha - sem desbaste;
T2 = Tratamento 2 : manutenção de 60% da área basal da testemunha;
T3 = Tratamento 3 : manutenção de 50% da área basal da testemunha;
T4 = Tratamento 4 : manutenção de 40% da área basal da testemunha.

Os desbastes por baixo foram realizados aos 96 e 124 meses. Observou-se
que houve grande perda de produção entre a testemunha, sem desbaste, e os
tratamentos com manutenção de 60%, 50% e 40% da área basal da testemunha
(Tabela 89).
No tratamento com manutenção de 60% da área basal da testemunha
ocorreu a menor perda de produção, com cerca de 15,42 %, em relação a
testemunha, coincidindo com o menor peso do desbaste utilizado. Da mesma
forma, para o tratamento com manutenção de 50% da área basal da testemunha,
ocorreu uma perda de produção de 25,64 %, chegando a 29,24 % no tratamento
com manutenção de 40 % da área basal da testemunha. Estes valores encontrados
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

421
indicam, até a idade de 189 meses, que para qualquer uma das situações de
desbaste houveram perdas de produção.

TABELA 89 - Comparação das médias de produção total, através do teste
Duncan, e perdas de produção nos tratamentos, aos 189 meses
de idade, em Eucalyptus grandis.
Tratamentos Produção Média *
m
3
cc /ha
Perda de Produção
m
3
cc/ha %
T1:Testemunha 756,25 a 0,00 0,00
T2: 60% 639,60 a b 116,65 15,42
T3: 50% 562,30 b 193,95 25,64
T4: 40% 535,05 b 221,20 29,24
* Médias seguidas de mesma letra são estatisticamente iguais, ao nível de 5% de
probabilidade.

Ao analisar o acréscimo em diâmetro ocorrido nas árvores após o desbaste
verifica-se que o aumento da intensidade do desbaste provocou um significativo
ganho de dimensão. A diferença obtida do diâmetro médio no tratamento com
manutenção de 60% da área basal da testemunha, em relação à testemunha sem
desbaste, foi cerca de 6,4 cm ou de 23,9%. Nos tratamentos com manutenção de
50% e 40% da área basal da testemunha, quando comparado com a testemunha
sem desbaste, houve acréscimo em diâmetro de 8,5 cm ou 29,4%, em ambos,
conforme mostra a Tabela 90.
As produções totais e os diâmetros obtidos para a testemunha sem
desbaste e os tratamentos com manutenção de 60%, 50% e 40% da área basal da
testemunha, mostrados na Figura 34, permitem visualizar graficamente as
tendências encontradas aos 189 meses de idade do povoamento. Nesta observa-se a
gradativa redução na produção e o grande acréscimo do diâmetro com o aumento
da intensidade de desbaste.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

422
TABELA 90 - Comparação das médias de diâmetro para os tratamentos, aos 189
meses de idade, em Eucalyptus grandis
Tratamentos Diâmetros Médios *

Diferenças dos diâmetros
cm %
T1: Testemunha 20,4 b ---- ----
T2: 60% 26,8 a 6,4 23,9
T3: 50% 28,9 a 8,5 29,4
T4: 40% 28,9 a 8,5 29,4
* Médias seguidas de mesma letra são estatisticamente iguais, ao nível de 5% de
probabilidade.














FIGURA 34 - Produção total da testemunha(T1), manutenção de 60%(T2),
50%(T3) e 40%(T4) da área basal da testemunha e diâmetros
médio respectivos, aos 189 meses de idade, em Eucalyptus
grandis

Na Figura 35 é apresentada a distribuição de freqüência ajustada, pela
Função Beta, para a testemunha sem desbaste, e os tratamentos com manutenção
de 60%, 50% e 40% da área basal da testemunha, aos 189 meses de idade.

561,9
535,1
639,6
756,3
0
100
200
300
400
500
600
700
800
T1 T2 T3 T4
Tratamentos
P
r
o
d
u
ç
ã
o

T
o
t
a
l

(
m
3
/
h
a
)
0
5
10
15
20
25
30
35
D
A
P

M
é
d
i
o

(
c
m
)
Produção
DAP
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

423
Comparando-se as distribuições de freqüência da testemunha, com os demais
tratamentos, observa-se uma acentuada diferença na assimetria e na curtose das
curvas. Nos tratamentos com manutenção de 50 % e 40 % da área basal da
testemunha, as freqüências por classe de diâmetro eqüivalem-se em número de
indivíduos por hectare indicando que, para estas duas intensidades de desbaste, não
houve grande alteração de freqüência por classe de diâmetro, excetuando-se a
última classe, onde o tratamento com manutenção de 50% da área basal teve maior
número de árvores.















FIGURA 35 - Freqüência ajustada pela Função Beta, para a Testemunha(T1),
manutenção de 60%(T2), 50%(T3) e 40%(T4) da área basal da
testemunha, aos 189 meses de idade, em Eucalyptus grandis.


0
50
100
150
200
250
300
350
400
5 10 15 20 25 30 35
DAP (cm)
N
/
h
a
T 1
T 2
T 3
T 4
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

424
No tratamento com manutenção de 60% da área basal da testemunha
houve maior freqüência nas maiores classes de diâmetro, tendo ainda sido
encontradas 425 árvores por hectare com diâmetro igual e superior a 22,5 cm, e
250 árvores por hectare com diâmetro igual e superior a 27,5 cm, ou seja, 45 % do
número total de árvores por hectare (550 árvores por hectare). Com diâmetro entre
a 32,5 cm e 35,0 cm foram encontradas, aos 189 meses de idade, 50 árvores por
hectare.

6.1.3 Qualidade do produto final

A qualidade da madeira de uma determinada espécie depende de três
fatores: da forma das árvores, das dimensões das árvores e das qualidades
tecnológicas da madeira (Figura 36).
Pelo desbaste pode-se eliminar as árvores com forma ruim e, desta
maneira, melhorar a qualidade do povoamento. Foi demonstrado que se pode obter
árvores de maiores dimensões através dos desbastes. Uma árvore com diâmetro
grande tem um maior valor por metro cúbico do que uma árvore com diâmetro
pequeno, pois a serraria corta uma determinada quantia de tábuas ou pranchas com
menos custos e menor perda. Além disto, também os custos de corte e transporte
são menores se um determinado volume de madeira estiver concentrado em poucas
árvores.
Por outro lado, ainda existe a influência do desbaste nas qualidades
tecnológicas da madeira, e um dos principais fatores é a densidade básica da
madeira ou peso específico, já analisados anteriormente. Pelo desbaste consegue-se
anéis de crescimento mais largos. Em várias pesquisas foi constatado que em
coníferas os anéis mais largos estão correlacionados com o peso específico menor.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

425
Porém, nestas pesquisas não foi considerado a idade em que os anéis foram
formados.




















FIGURA 36 - Relação entre a forma e a densidade de Pinus patula (Vincent, 1975)

Na África do Sul, e mais tarde nos EUA, foi constatado que o peso
específico não é correlacionado com a largura dos anéis, mas sim com a idade em
que o anel é formado. Nas pesquisas anteriores, a idade não foi levada em
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

426
consideração, os pesquisadores tomaram por acaso anéis largos formados na
juventude da árvore e anéis finos formados na idade adulta, confundindo a
correlação peso específico-idade com a correlação peso específico-largura do anel.
A nova teoria peso específico-largura do anel pode ser explicada
fisiologicamente, isto é, o peso específico da madeira depende da percentagem de
madeira primaveril e da madeira outonal, pois quanto maior a percentagem de
madeira outonal, maior o peso. Parece que as árvores jovens iniciam o crescimento
cedo na primavera e terminam, também, relativamente cedo, enquanto árvores
velhas iniciam e terminam o crescimento mais tarde, assim formando maior
percentagem de madeira outonal, o que significa um maior peso específico.
Parece que a discussão sobre as duas teorias ainda não está concluída.
Porém, se a nova teoria for correta, o que tudo indica, pode-se concluir que o
desbaste não afeta o peso específico da madeira, pois os anéis largos formados na
idade "x" em conseqüência de um desbaste pesado tem o mesmo peso específico
como anéis finos formados também na idade "x" num povoamento não desbastado.
Portanto, a medida adequada para produzir madeira com alto peso específico não é
o desbaste leve, mas sim uma rotação longa. Aliás, em pesquisas recentes com
Pinus elliottii nos EUA não foi constatada nenhuma influência do desbaste sobre o
peso específico da madeira.
Tudo isto se refere somente às coníferas, contudo nas folhosas as
condições são diferentes. Deve-se diferenciar entre dois tipos de folhosas: com
poros circulares e com poros difusos. As folhosas com poros circulares produzem
maior percentagem de madeira outonal, quando crescem mais rápido. A madeira
outonal é mais pesada e, por isso, a madeira crescida rapidamente torna-se mais
pesada do que uma em crescimento lento.
Pela teoria tradicional, nas espécies com poros difusos não existe
correlação entre a largura do anel e peso específico. Porém, esta teoria hoje é posta
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

427
em dúvida por ensaios na África do Sul com o gênero Eucalyptus, os quais revelam
que o peso específico diminui com anéis largos.
O peso específico da madeira é uma das mais importantes qualidades
tecnológicas da madeira, mas não a única. Outro fator importante é a superfície da
madeira serrada. Uma tábua de madeira com anéis finos geralmente apresenta uma
superfície bem mais lisa e plana que uma tábua de madeira com anéis largos. Este
fato justifica para determinados fins, como carpintaria, um preço mais elevado para
madeira de anéis finos. Porém, para a maioria dos usos da madeira de coníferas, a
madeira de anéis largos de povoamentos desbastados fortemente vale tanto quanto
a de anéis fino de povoamento pouco ou não desbastados.

6.1.4 Resultados obtidos com aplicação de desbaste

Quando se deseja produzir toras de Pinus elliottii com diâmetro médio de
45cm e com anéis anuais regulares, em rotação igual ou menor que 30 anos, é
necessário reduzir a área basal no primeiro desbaste de 40m
2
/ha para 20m
2
/ha.
Com isso, consegue-se um incremento em diâmetro de 1,5 à 2,0 cm/ano (Fishwick,
1976).
Nicolielo(1991) apresenta o sistema de manejo florestal utilizado na
Companhia Agroflorestal Monte Alegre, em Agudos-SP., que têm como objetivo a
produção de madeira para fins nobres, obtida com desbastes mais freqüentes e de
intensidades moderadas. Para isto utilizaram desbaste mais seletivos, com
sistematização somente para a estração da madeira. O número de desbastes e a
intensidade aplicadas em povoamentos de Pinus sp. podem ser observados nos
Tabelas 91 e 92.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

428
TABELA 91 - Intensidade de desbaste para Pinus sp., em espaçamento inicial de
2,0 x 2,0 m (Nicolielo, 1991).
Número Idade Número de Árvores/ha % Desbaste
Desbaste Anos Ant. Ret. Rem. Atual Acum.
1 7 2.500 1.000 1.500 40,0 40,0
2 9 1.500 500 1.000 33,3 60,0
3 11 1.000 300 700 30,0 72,0
4 15 700 200 500 28,7 80,0
5 19 500 200 300 40,0 88,0
C.R. 25 300 300 - 100,0 100,0


TABELA 92 - Intensidade de desbaste para Pinus sp., em espaçamento inicial de
2,5 x 2,0 m (Nicolielo, 1991).
Número Idade Número de Árvores/ha % Desbaste
Desbaste Anos Ant. Ret. Rem. Atual Acum.
1 8 2.000 600 1.400 30,0 30,0
2 10 1.400 400 1.000 28,6 50,0
3 12 1.000 300 700 30,0 65,0
4 15 700 200 500 28,6 75,0
5 19 500 200 300 40,0 85,0
C.R. 25 300 300 - 100,0 100,0

Bertoloti et al.(1983) analisando o ensaio de desbaste em povoamentos de
Pinus caribaea var. hondurensis, localizado no município de Agudos-SP,
pertencentes à Cia. Agro-Florestal Monte Alegre, plantados num espaçamento de
2,0 x 2,0 m, concluíram que, tecnicamente, o primeiro desbaste deve ser realizado
entre 11-12 anos de idade; os desbastes permitiram duplicar o número de
indivíduos com diâmetro superior a 25 cm em relação a testemunha não
desbastada, porém, não aumentou a produção volumétrica total; o primeiro
desbaste a ser executado deve ser conciliado com a necessidade e objetivos da
empresa.
Os autores apresentam no Tabela 93 os resultados obtidos dos diferentes
tratamentos aplicados, definidos:
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

429
1 - Desbaste mecânico (corte raso) em toda a terceira linha;
2 - Desbaste por baixo (retirada das árvores inferiores);
3 - Desbaste mecânico em toda a quinta linha + desbaste por baixo;
4 - Desbaste mecânico em toda a nova linha mais desbaste por
baixo;
5 - Desbaste mecânico em toda a décima terceira linha + desbaste por
baixo;
6 - Desbaste mecânico em toda a décima sétima linha + desbaste por
baixo;
7 - Desbaste mecânico em toda a décima nova linha + desbaste por
baixo;
8 - Testemunha (sem desbaste);
9 - Desbaste por baixo de 30 % das árvores inferiores a cada 2 anos.

TABELA 93 - Área basal remanescente após o primeiro desbaste e volume
comercial obtido dos desbastes por tratamento (Bertoloti et al.,
1983)
Tratamentos Área Volume comercial (m
3
/ha)
Basal Rem. Existente Rem. Existente Rem. Existente
m
2
/ha 1º 5/ 3/ 2º 3/ 3/ 3º 10/ 5/ 3/
Des. 74 75 Des. 76 77 Des. 77 78 79 Total
1 26,7 57,9 166 212 - 261 292 58,2 243 270 303 419
2 25,5 75,4 163 209 - 260 299 18,5 279 313 350 444
3 24,1 70,7 149 195 - 244 277 35,3 253 273 298 404
4 24,7 71,9 166 213 - 264 297 33,7 265 292 326 431
5 24,4 63,6 166 196 - 241 281 32,2 253 270 311 407
6 24,3 74,3 157 196 - 247 292 29,7 257 289 328 432
7 25,4 60,2 169 208 - 259 294 35,1 258 - 325 421
8 38,7 - 230 271 - 339 369 - 357 391 404 404
9 29,0 42,4 189 235 53,5 216 253 - 265 286 322 418
Sendo: Rem.= Remanescente; Des.= Desbaste; Data de plantio: 11/65;
Data 1º Desbaste: 01/73; Data 2º Desbaste: 03/76

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

430
As quantidades de madeira extraída no desbaste através dos diversos
tratamentos não diferiram entre si, mas foram superiores ao tratamento 9 por ser
este um desbaste leve.
Estes autores, ainda, apresentam os resultados de rendimentos por hora
das operações de desbaste, como mostra na Tabela 91, após o primeiro desbaste
Na Tabela 95 são apresentados os rendimentos médios de descascamento
de madeira, por tratamento, no primeiro desbaste, e a Tabela 96 os rendimentos
médios para carregamento da madeira por tratamento, no primeiro desbaste.

TABELA 94 - Rendimento médio das operações: corte + desgalhamento +
picamento + arraste + empilhamento no primeiro desbaste
(Bortoloti et al., 1983)
_______________________________________________________________
Tratamentos Rendimento por hora
Estéreo c/c Estéreo s/c m
3
s/c
1 0,7089 0,5413 0,3491
2 0,4805 0,3714 0,2404
3 0,5468 0,4242 0,2735
4 0,5626 0,4316 0,2777
5 0,5010 0,3909 0,2504
6 0,5054 0,3970 0,2544
7 0,5054 0,3951 0,2532
9 0,4812 0,3776 0,2422









Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

431
TABELA 95 - Rendimentos de descascamento de madeira, por tratamento, no
primeiro desbaste (Bortoloti et al., 1983).
_______________________________________________________________
Tratamentos Rendimento por hora
Estéreo c/c Estéreo s/c m
3
s/c
1 19,6947 15,0490 9,7027
2 20,9736 16,2236 10,4295
3 10,2930 14,9798 9,6597
4 21,1544 16,2283 10,4429
5 20,7552 15,4218 9,8823
6 20,4532 16,0840 10,3070
7 20,0686 15,7001 10,0616
9 22,0350 17,3064 11,1010


TABELA 96 - Rendimentos médios para carregamento da madeira, por tratamento,
no primeiro desbaste (Bortoloti et al., 1983)
__________________________________________________________________
Tratamentos Rendimento por hora
Estéreo s/c m
3
s/c
1 16,3867 10,4534
2 18,6094 11,8718
3 17,9395 11,4445
4 19,0781 12,1709
5 19,6004 12,5044
6 18,6886 11,9224
7 18,7189 11,9416
9 18,7499 11,9615


6.1.5 Determinação da densidade ótima por meio de desbaste

A regulação da produção por meio de desbaste depende basicamente da
densidade ótima ou ideal, que possibilita um máximo de crescimento potencial
para determinada espécie. O peso do desbaste pode ser determinado por vários
métodos, demonstrados na seqüência.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

432
6.1.5.1 Método de Índice de Espaçamento Relativo

O peso do desbaste determinado pelo "Índice de Espaçamento Relativo"
baseia-se em elementos dendrométricos do povoamento. Para a determinação do
índice de espaçamento relativo leva-se em consideração a altura dominante e o
espaço médio entre as árvores do povoamento.
Na determinação do peso do desbaste é necessário conhecer o índice de
espaçamento relativo desejado (S´%), isto é, o número ótimo de indivíduos que
devem permanecer no povoamento após a execução do desbaste.
Para Pinus elliottii o índice de espaçamento relativo desejado, que
permite manter uma produção em incremento máximo em área basal, situa-se em
torno de 21 %. Quando este índice for menor que 16 % ocorre uma severa
competição entre as árvores e perde-se 25 % do incremento potencial. Devido a
isto, o primeiro desbaste deveria ser executado quando o índice de espaçamento
caísse para 18 % (Fishwick, 1976).
Schneider(1984) determinou com base em dados de inventário contínuo e
resultados de desbaste, o índice de espaçamento relativo desejado para Pinus
elliottii da Floresta Nacional de Passo Fundo-RS, ficando expresso por:

S´% = 18,0046 + 0,0649.h
100


Para determinação do peso do desbaste por este método é necessário
definir o espaço médio desejado após o desbaste. Para isto, é necessário conhecer a
relação entre o espaço horizontal e vertical médio do povoamento, podendo ser
deduzir por:

EMD = S´% . h
100
/ 100

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

433
Sendo: h
100
= altura dominante de Assmann; EMD = espaço médio
desejado, para após o desbaste; S´% = índice de espaçamento relativo desejado.

Considerando-se que após o desbaste a distribuição das árvores no
povoamento segue a forma de um hexágono regular, assim a superfície média das
árvores pode ser calculada através da fórmula do hexágono regular. Com o que o
número de árvores a permanecer (Np/ha) no povoamento é calculado pela
expressão:

Np/ha = 10
4
/ {EMD
2
.( \ 3 / 2)} = 10
4
/ (EMD
2
. 0,866)

Com isso, pode-se facilmente determinar o número de árvores a serem
desbastadas(Nd/ha):

Nd/ha = Ni/ha - Np/ha

Sendo: Ni/ha = número de árvores por hectare antes do desbaste; Np/ha
= número de árvores por hectare após o desbaste.

Assim o peso do desbaste (Pd) em unidades relativas é expresso por:

Pd% = Nd/ha . 100 / Ni/ha

a) Índice de espaçamento relativo para Pinus elliottii

O índice de espaçamento relativo para Pinus elliottii foi determinado com
base em dados de experimento de intensidade de desbaste em função da área basal,
definidos conforme a Tabela 97.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

434
TABELA 97 - Desbastes aplicados nas parcelas experimentais
Tratamento Nível de desbaste
T0 Testemunha sem desbaste, densidade completa
T1 Leve por baixo, retirando o equivalente a 25% da área basal de T0
T2 Moderado por baixo, retirando o equivalente a 50 % da área basal
de T0
T3 Forte, retirando o equivalente a 75 % da área basal de T0

O Índice de Espaçamento Relativo (S%) calculado em cada idade e
tratamento de desbaste foi descrito através da equação (a) nos tratamentos T0, T1
e T2 e com a equação (b) no tratamento T3; todas com alta precisão, conforme
mostra a Tabela 98.

S% = exp (b
0
+ b
1
/ h
100
)

(a)

S% = b
0
+ b
1
h
100
2
+ b
2
h
100
3
(b)

Sendo: S% = índice de espaçamento relativo; h
100
= altura dominante de
Assmann.

TABELA 98 - Coeficientes de regressão da equação 12 para descrever a relação
entre o Índice de Espaçamento Relativo em função da altura
dominante nos tratamentos T0,T1,T2 e, da equação 13 para o
tratamento T3.
Tratamento
C O E F I C I E N T E S
r
2
S
yx
%
b
0
b
1
b
2

T0 1,837109 11,683828 - 0,98502 0,9599
T1 2,178673 10,268424 - 0,96014 1,2837
T2 2,855854 5,161713 - 0,75145 1,6859
T3 38,943130 0,038502 -0,001826 0,90385 2,7690

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

435

0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
10 15 20 25 30
alt. dom. (m)
S
%
100% Gmax 75 % Gmax
50 % Gmax 25% Gmax

O tratamento T3, além de receber o maior peso de desbaste, com a
densidade de 75% da área basal, também não teve desbastes ativos a partir do
ano de 1986, época em que o povoamento contava com 16 anos, levando a
redução do S%, o que ocorreu de forma distinta da observada nos demais
tratamentos, conforme mostra a Figura 37.















FIGURA 37 – Valores de S% ajustados pela função 12 para os tratamentos
T0(100% Gmax), T1(75% Gmax) e T2(50% Gmax) e pela
função 13 para o tratamento T3(25% Gmax)

b) Índice de espaçamento relativo para Eucalyptus grandis

Finger e Schneider (1999) estudaram o índice de espaçamento relativo
para Eucalyptus grandis Hill ex Maiden, com base num experimento de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

436
intensidades de desbaste, realizados aos 96 meses e repetido aos 124 meses após o
plantio, e regulados em função da área basal mantida em relação à testemunha sem
desbaste e caracterizados por::
T1 = Tratamento 1: Testemunha - sem desbaste;
T2 = Tratamento 2 : manutenção de 60% da área basal da testemunha;
T3 = Tratamento 3 : manutenção de 50% da área basal da testemunha;
T4 = Tratamento 4 : manutenção de 40% da área basal da testemunha.
A partir das variáveis dendrométricas levantadas nos tratamentos com
diferentes pesos de área basal retirados nos desbastes foi calculado o Índice de
Espaçamento Relativo (S%) resultante em cada tratamento, pela expressão:

S% = EM / h
100
. 100

Sendo: S% = índice de espaçamento relativo; EM = espaçamento médio
entre árvores em metros; h
100
= altura dominante de Assmann em metros.

Os valores de S% calculados foram ajustados por equação de regressão
para diferentes alturas dominantes e diferentes intensidades de desbaste.
Posteriormente foi definida uma equação geral para estimar o Índice de
Espaçamento Relativo, expressa por:

S% = - 10,95540 + 0,09561 G
mant
- 0,001951 G
mant
2
+ 1,16672 h
100

Sendo: h
100
= altura dominante de Assmann; G
mant
= área basal a ser
mantida em percentagem da testemunha sem desbaste.

Na Figura 38, observa-se a variação dos Índices de Espaçamento Relativo
desejado, para os diferentes pesos de desbaste, após a execução. Os resultados
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

437
mostram o aumento do Índice de Espaçamento Relativo com o crescimento da
altura dominante para qualquer quantidade de área basal mantida após o desbaste.
Por outro lado, a magnitude deste Índice diminuiu para uma mesma altura
dominante com o aumento da área basal mantida, após o desbaste.














FIGURA 38 - Índice de Espaçamento Relativo (S%) em função da altura
dominante para três pesos de desbaste para Eucalyptus grandis
Hill ex Maiden. Fonte: Finger & Schneider (1999)

6.1.5.2 Método Mexicano de desbaste

Segundo Caballero (1960) a teoria é relativa aos crescimentos anuais
volumétricos de uma árvore, os quais acumulam-se seguindo a lei dos juros
compostos, que é estendida aos povoamentos florestais. Por não ter semelhança
com outros métodos conhecidos e por se completar com instruções para fixação de

0
5
10
15
20
25
22 26
Altura dominante (m)
S
%
40%
50%
60%
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

438
onde, quando e como da ordenação florestal, tem-se chamado de "método
mexicano de ordenação florestal", sendo suas expressões matemáticas as seguintes:
a) Possibilidade de corte anual(PC):

PC = VC / cc b) Existências reais antes dos cortes(ER):

ER = VP . 1,0pcc

c) Ciclo de corte em anos(cc):

cc= (logER - logVP) / log1,0p

d) Intensidade de corte(IC):

IC = [1 - (1 / 1,0p
cc
)] . 100

Sendo: VP = volume remanescente do povoamento; VC = volume de
corte, por definição ER – VP; VP=ER-VC; p = percentagem de incremento
corrente em volume, observado ao se fazer o inventário de ER ou do volume
antes dos cortes.

Observa-se na equação(b) que o método força como tendência a reposição
de "VC" para voltar a obter "ER" original. O volume VP é obtido durante "cc" se
os crescimentos volumétricos anuais se acumularem seguindo na taxa "p"
conforme a lei dos juros compostos.
Nota-se, especialmente para "cc" fixo, que "IC" só é função de "p", para
cada povoamento tem-se crescimentos diferentes, o que geralmente sucede, deve-
se então calcular intensidades de cortes também diferentes, segundo a sua
correspondência. Isto é o que se faz na prática, porque o ciclo de corte deve
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

439
permanecer constante, e determina-se fazendo variar a "IC" geralmente entre 35 e
50 % de "ER", elegendo a que concilie a economia de aproveitamento, com a
necessidades dasonômicas do povoamento.
Pelo exposto, esta concepção deve ficar perfeitamente clara de que, com o
método mexicano programa cortes segundo o crescimento do povoamento, com
intensidades variáveis a cada povoamento sujeito a ordenação, espaçado a um
número de anos (ciclo de corte) fixo, durante o qual o povoamento florestal
responde com seus respectivos incrementos das árvores remanescentes,
estabelecendo-se rotações de exploração que em teoria tendem a repetir-se
indefinidamente.
A variação das intensidades de corte individual compreende a um mesmo
período de recuperação (ciclo de corte). Um povoamento que tem maior
crescimento poderá responder com maior volume cortado que outro de crescimento
inferior, onde por comparação o seu aproveitamento, deverá também ser menor.
Para determinação do peso do desbaste pelo índice de espaçamento
relativo é necessário saber o valor do incremento periódiconual percentual em
volume. Este pode ser obtido através de medições sucessivas de parcelas
permanentes ou por análise de tronco da árvore média da população. Outra forma
prática de obtenção deste incremento é através da verrumagem da árvore média da
população. Neste caso, o cincremento periódico percentual é obtido por:

(
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
÷ =
2
1 . 100
dsc
do
IP

Sendo: IP = icremento periódioco percentual; dsc = diâmetro sem casca
no final do período; do = diâmetro no início do período; do = dsc – E; E = dupla
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

440
espessura dos anéis considerados (E = e . 2; e = espessura simples do número de
anéis condiderados.

Então, o incremento periódico anual percentual passa a ser obtido por:

n
IP
IPA =

Sendo: IPA = incremento periódico anual percentual; n = número de anos
considerados.

6.1.5.3 Método da área basal

Glufke et al. (1997) analisaram este experimento e constataram uma
diferença entre o incremento periódico do tratamento desbastado e o incremento da
testemunha (perda de incremento) para Pinus elliottii, sendo ajustada por regressão
como função da relação entre a área basal mantida nos tratamentos e a área basal
máxima através da equação:

Y = 61,37 + 28,67.x
3
-0,29/ (G / Gmáx)

Sendo: Y= Arcsen \ (ipv%), G= área basal do tratamento de desbaste em
m
2
/ha, e Gmáx = área basal da testemunha em m
2
/ha.

A retirada de cerca de 13% da área basal levou a uma perda de 5% da
produção volumétrica (área basal crítica) e a retirada de 30% de área basal no
desbaste levou a uma perda em volume de 11%. Por outro lado, e o desbaste de
70% da área basal máxima conduz a perda de 39% do volume potencial a ser
produzido no sítio, conforme Figura 39.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

441
Estes resultados, apresentados na Figura 39, permitem observar uma
drástica redução do incremento volumétrico com o aumento do peso de desbaste.
Donde deduz-se que é possível controlar a perda em incremento em volume com o
peso de desbaste praticado.

0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
G/Gmax
p
e
r
d
a
s

e
m

i
n
c
r
e
m
e
n
t
o

[
%
]

FIGURA 39 - Perdas no incremento volumétrico (ipv%), em função do peso de
desbaste aplicado, expresso pela relação G/Gmax. Fonte: Glufke at
al. (1997).

Para determinação do peso do desbaste é necessário fixar o nível de
tolerância de perda de incremento potencial em volume, ocasionado pela redução
da área basal da espécie considrada. No caso da redução de 30% da área basal
máxima obtida ma população considerada a perda de incremento potencial em
volume é de cerca de 11 %, com 40 % é 16%, e 50 % é de 20 % de perdas, no caso
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

442
de Pinus elliottii. Então, quando se tolera perdas de incremento potencial em
volume de 16 % a redução da área basal máxima deve ser de 40 %.
Assim, o pedo do desbaste pela redução da área basal deve ser
determinado por:

desb real rem
desb
G G G
G G
÷ =
= 100 / 40 .
max


Sendo: G
desb
= área basal à desbastar; G
max
= área basal máxima; G
rem
=
área basal remanescente; G
real
= área basal real.

Assim, o peso do desbaste (P
desb
) a ser realizado é obtido por:

100 .
real
desb
desb
G
G
P =

Para aplicação deste método da área basal é necessário fazer o
acompanhamento do desenvolvimento da área basal máxima da população, sem
intervenção de desbaste. Isto pode ser feito através de parcelas permanentes
intaladas na população alvo, distribuídas de forma aleatória, com dimensão
variada, por exemplo de 30 x 20 m.

6.1.6 Idade do primeiro desbaste

A idade do primeiro desbaste pode exercer um efeito sobre o crescimento
em conseqüência da interdependência que se verifica entre a idade do primeiro
desbaste, peso do desbaste e nível do estoque. Quanto mais forte for o desbaste e
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

443
mais longo seu ciclo maior será a proporção do estoque removido, se a idade do
primeiro desbaste não sofrer uma alteração que compense a elevação do volume
retirado em desbaste.
A idade para realização do primeiro desbaste, normalmente, é determinada
por critérios silviculturais, baseados na experiência do profissional, mas pode ser
determinada levando em consideração um dos seguintes critérios:
a) A Forestry Comission da Inglaterra para fixação da idade do primeiro
desbaste leva em consideração os seguintes aspectos: de um lado, no desbaste deve
ser cortada uma quantidade mínima de madeira para ser econômico; do outro lado,
a percentagem cortada não deve afetar a estabilidade do povoamento nem afetar o
incremento futuro;
b) Determinar a idade do primeiro desbaste através do incremento
corrente anual em diâmetro. Neste caso, toma-se como referência o diâmetro
médio de área basal(dg) do povoamento, na idade que ocorrer o ponto de máximo
do incremento corrente em diâmetro situa-se, a idade do primeiro desbaste;
c) Determinar a idade do primeiro desbaste através do índice de
espaçamento relativo. Quando o S% cair para valores inferiores a 18 % obtém-se a
idade ótima do primeiro desbaste, considerando Pinus elliottii e Eucalyptus sp.

6.1.7 Marcação e controle dos desbastes

A marcação do número de árvores a desbastar deve ser efetuada levando-
se em consideração os seguintes critérios de prioridade:
a) Vitalidade, observa-se o estado sanitário e proporção de copa;
b) Qualidade, observa-se a forma do tronco;
c) Distribuição espacial ótima das árvores após os desbastes.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

444
Deve-se considerar a densidade e o volume do povoamento associados a
uma ótima distribuição espacial das árvores a serem retiradas de tal maneira que o
desbaste efetuado corresponda com o desbaste calculado. Para controlar a
correspondência entre o volume e o corte desejado recomenda-se o seguinte
procedimento: inicia-se a marcação pelo menos em três pontos de amostragem
diferentes no povoamento, marcando-se as árvores a serem retiradas em cada ponto
de amostragem, determina-se o volume das mesmas. Depois calcula-se qual o
volume que seria retirado por hectare, se fosse marcado todo o povoamento, da
mesma maneira como as marcações testes. Para isto, procede-se da seguinte
maneira: determina-se a área das amostras e transforma-se o volume para unidade
de área.
Caso o desbaste marcado não coincidir com o desejado, deve-se então
corrigir a marcação teste, até chegar no volume desejado. Uma vez obtendo-se na
marcação o volume desejado, procede-se a execução do desbaste em todo o
povoamento, seguindo os mesmos critérios adotados na marcação teste.
Um dos maiores problemas do manejo florestal é a falta de registro da
produção dos desbastes dos talhões, o que dificulta substancialmente a correta
definição do regime de desbaste para o local e empresa.
O controle da produção florestal contribui para o sucesso de futuros
empreendimentos, no que concerne a determinação das taxas de corte de novos
povoamentos, assim como, no cálculo de valores econômicos dos desbastes,
maximização das rendas na determinação da rotação e taxa de retorno do
investimento florestal. Além disto, estas informações podem servir de base para a
construção de tabelas de produção e sortimentos.
A determinação do peso e ciclo do desbaste, expresso pelo volume a ser
desbastado num momento do desenvolvimento do povoamento, é apresentado
detalhadamente no capítulo sobre tabela de produção.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

445
Para o registro das informações de produção dos desbastes pode ser
utilizado como modelo padrão o apresentado na Tabela 99. Nesta tabela de
controle dos desbastes é registrado:
a) Informações: registrar o tipo de desbaste; espécie; número do talhão e
observações a serem registradas.
b) Povoamento remanescente: idade de desbaste; diâmetro de área basal
média (dg); altura correspondente ao diâmetro de área basal média(hg); altura
dominante (h
100
); número de árvores/ha (N); área basal/ha (G); volume/ha (V);
c) Desbaste: número de árvores/ha (N); volume/ha (V);
d) Produção total: volume/ha (V); incremento médio anual (IMA);
incremento periódico anual (IPA).

TABELA 99 - Registro e controle dos desbastes. Tipo de desbaste: por baixo;
Espécie: Pinus taeda; IS = 26; Talhão: 20; Área 30 ha
Idade
Anos
Povoamento Remanescente Desbaste Produção Total
h
100
h
m
d
g
N/ha G/ha f V/ha N/ha V/ha V/ha IMA IPA
4 5,8 4,9 8,3 2000 10,82 0,591 31,33 31,3 7,8 7,8
8 13,0 11,9 16,6 850 18,40 0,509 111,45 1150 114,6 226,0 28,2 48,6
12 18,8 17,8 27,0 488 27,94 0,463 230,51 362 131,7 476,7 39,7 62,6
16 23,1 22,3 37,0 488 52,47 0,425 497,75 744,0 46,5 66,8


6.1.9 Regimes de desbaste adotados em algumas empresas

Ahrens(1985) efetuou um levantamento sobre os diferentes regimes de
desbaste adotados nas empresas florestais do Brasil, detectando uma ampla
variação em peso e ciclo do desbaste empregado. Estes regimes de desbaste
empregados são apresentados no Tabela 100.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

446
TABELA 100 - Regime de desbaste adotados em algumas empresas florestais do
brasileiras. Fonte: Ahrens (1985)
Empresa Densidade (Ano do desbaste/Corte raso) Espécie**
KLABIN/Pr. 1900 1064 744 521 (390)* (312)* 0 PT,PE
(0) (7) (10) (13) (16) (20) (25)
PCC/SC. 2000 1080 600 360 0 PT
(0) (9) (12) (16) (20)
CAFMA/SP. 2000 1400 1000 700 500 300 0 PO,PH,PC
(0) (8) (10) (12) (15) (19) (25)
SEIVA/SC. 2500 1250 800 500 (250) 0 PT,PE
(0) (9) (11) (15) (20) (25)
RIGESA/SC. 1600 1000 410 0 PT
(0) (10) (15) (20)
BATISTELA/SC 2000 1100 800 400 0 PT,PE
(0) (8) (13) (16) (20)
CELULOSE
CAMBARÁ
1666 850 450 0 PT

(0) (8) (12) (16)
Sendo: * desbastes previstos, mas ainda não tinham sido realizados em plantações
comerciais; ** PT = Pinus taeda; PE = Pinus elliottii; PO = Pinus oocarpa; PH =
Pinus caribaea var. hondurensis; PC = Pinus caribaea var. caribaea.

O mesmo autor, faz uma proposição de regimes de desbastes alternativos
para o manejo de plantações de Pinus sp., com base nos diferentes objetivos de
produção, como segue:

a) Produção de madeira para processamento de fibras:

Entende-se como processamento químico ou mecânico de cavacos/fibras
para a produção de celulose/papel, chapas de fibras, chapas de partículas de
madeira aglomerada.
Quando este for o propósito de produção de madeira deve-se reduzir o
número de desbastes ao mínimo ou evitando a adoção de desbastes. Isto é
justificado pela independência das dimensões dos sortimentos para estes
processamentos e os crescentes custos de mão-de-obras decorrentes da aplicação
dos desbastes, sem um retorno econômico ao acréscimo do incremento volumétrico
promovido pelos desbastes.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

447
b) Produção de madeira para processamento mecânico:

Entende-se como sendo toras para processamento em serraria e indústrias
de produção de desenrolados e faqueados, essencialmente.
Com este propósito deve-se adotar rotações mais longas, talvez entre 20 e
30 anos, com desbastes intercalados em ciclos mais curtos, seguido de podas,
especialmente para as árvores que atingirão os últimos desbastes e corte final.
Neste procedimento, a adoção de desbastes pré-comerciais pode ser
recomenda em determinadas circunstâncias.

c) Produção simultânea de madeira para processamento de fibras e
para processamento mecânico:

Este caso visa produzir madeira numa mesma propriedade em uso
múltiplo, ou seja para processamento de fibras e mecânico. Neste caso, deve-se
adotar regimes de desbaste bem definidos que resultem produtos para ambos os
usos, mas com a exigência de obtenção de madeira de boa qualidade para o
processamento mecânico.
Por outro lado, pode-se adotar regimes de desbastes diferentes para
povoamentos distintos em decorrência do sítio, para a produção de vários
sortimentos simultaneamente, que terão usos diferenciados. Para o caso de madeira
para processamento mecânico, deve-se preferencialmente selecionar aqueles
talhões de melhor crescimento, homogeneidade e forma de tronco das árvores,
dentre outras características desejáveis na matéria-prima requerida.



6.1.10 Determinação de regime de desbaste
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

448
Tomando como exemplo o Pinus taeda da região dos Aparados da
Serra/RS. Para esta região foi feita a classificação de sítios por Selle (1993), para a
espécie, conforme Figura 40.


FIGURA 40 - Curvas de índice de sítio para a espécie Pinus taeda L. da região de
Cambará do Sul, RS (Selle, 1993).

A altura dominante foi estimada através da função ajustada para a espécie
e região por:

h
100
= A. (1 - e
-0,107145161.t
)
1,620809677


Sendo: h
100
= altura dominante; A = valor da assíntota (quando t tende
ao infinito); e= base do logaritmo neperiano e t = idade.

O valor de A foi estimado pela função:

A = IS / (1 - e
-0,107145161.t
)
1,620809677


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

449
Sendo IS = índice de sítio para o qual deseja-se calcular a assíntota (16
ao 28); t = idade de referência (20 anos).

Para estimar os parâmetros dendrométricos foram ajustadas equações de
regressão para estimar o desenvolvimento das variáveis: diâmetro de área basal
média (d
g
), altura média (h
m
), fator de forma artificial (f), fator K-Magin (K),
índice de espaçamento relativo (S%) e densidade populacional (N/ha) para o
povoamento remanescente, foram respectivamente (Mainardi, 1996):
ln d
g
= 2,135496 - 0,527646 . ln h
m
+ 0,323182 . (ln h
m
)
2
;
ln h
m
= - 0,348438 + 1,100458 . ln h
100
;
f = 1,878354 . 1/h + 0,627965 . h/d - 2,292104 . h/d
2
;
K = 0,7454581152 + 0,0013089 . h
100
;
S% = 31,55622016 - 0,3938992042 . h
100
;
ln N/ha = 12,08998 - 2,59126 . ln h
100
+ 0,19791 .

(ln h
100
)
2
.
Estas equações permitiram estimar os parâmetros dendrométricos
utilizados para determinar os regimes de desbaste por índice de sítio, a partir da
fixação das idades dos desdastes. Os resultados estão agrupados em forma tabelar
para os índices de sítio 16, 18, 20, 22, 24, 26 e 28, respectivamente, nas Tabelas
101 a 107. As mesmas equações podem ser utilizadas para simulação outros
regimes de desbaste, estabelecendo-se as idades de desbaste desejadas e rotação.








Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

450
TABELA 101 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 16.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
N/ha G/ha f V/ha N/ha V/ha VAC V/ha IMA IPA
4 3,5 2,8 6,9 2000 7,48 0,790 16,5 16,56 4,14 4,14
8 8,0 7,0 10,3 1915 15,90 0,544 60,8 85 2,05 2,05 62,81 7,85 11,56
12 11,6 10,5 14,6 1021 17,08 0,518 92,8 895 61,92 63,97 156,80 13,10 23,50
16 14,2 13,1 18,5 1021 27,42 0,500 179,7 63,97 243,68 15,23 22,47
TABELA 102 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 18.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 4,0 3,2 7,1 4 4,0 3,2 7,1 4 4,0 3,2 7,1 4 4,0
8 9,0 7,9 11,3 8 9,0 7,9 11,3 8 9,0 7,9 11,3 8 9,0
12 13,0 11,9 16,6 12 13,0 11,9 16,6 12 13,0 11,9 16,6 12 13,0
16 16,0 14,9 21,5 16 16,0 14,9 21,5 16 16,0 14,9 21,5 16 16,0
TABELA 103 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 20.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 4,4 3,6 7,3 4 4,4 3,6 7,3 4 4,4 3,6 7,3 4 4,4
8 10,0 8,9 12,5 8 10,0 8,9 12,5 8 10,0 8,9 12,5 8 10,0
12 14,5 13,4 19,0 12 14,5 13,4 19,0 12 14,5 13,4 19,0 12 14,5
16 17,7 16,7 24,8 16 17,7 16,7 24,8 16 17,7 16,7 24,8 16 17,7

TABELA 104 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 22.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 4,9 4,1 7,6 4 4,9 4,1 7,6 4 4,9 4,1 7,6 4 4,9
8 11,0 9,9 13,8 8 11,0 9,9 13,8 8 11,0 9,9 13,8 8 11,0
12 15,9 14,8 21,3 12 15,9 14,8 21,3 12 15,9 14,8 21,3 12 15,9
16 19,5 18,5 28,4 16 19,5 18,5 28,4 16 19,5 18,5 28,4 16 19,5



Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

451
TABELA 105 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 24.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 5,3 4,4 7,9 4 5,3 4,4 7,9 4 5,3 4,4 7,9 4 5,3
8 12,0 10,9 15,2 8 12,0 10,9 15,2 8 12,0 10,9 15,2 8 12,0
12 17,4 16,4 24,2 12 17,4 16,4 24,2 12 17,4 16,4 24,2 12 17,4
16 21,3 20,4 32,6 16 21,3 20,4 32,6 16 21,3 20,4 32,6 16 21,3

TABELA 106 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 26.
Idade
Anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 5,8 4,9 8,3 4 5,8 4,9 8,3 4 5,8 4,9 8,3 4 5,8
8 13,0 11,9 16,6 8 13,0 11,9 16,6 8 13,0 11,9 16,6 8 13,0
12 18,8 17,8 27,0 12 18,8 17,8 27,0 12 18,8 17,8 27,0 12 18,8
16 23,1 22,3 37,0 16 23,1 22,3 37,0 16 23,1 22,3 37,0 16 23,1

TABELA 107 - Tabela de produção para Pinus taeda L. para o índice de sítio 28.
Idade
anos
Povoamento Remanescente Desbastes Produção Total
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100
h
m
d
g
h
100

4 6,2 5,3 8,6 4 6,2 5,3 8,6 4 6,2 5,3 8,6 4 6,2
8 14,0 12,9 18,2 8 14,0 12,9 18,2 8 14,0 12,9 18,2 8 14,0
12 20,3 19,4 30,3 12 20,3 19,4 30,3 12 20,3 19,4 30,3 12 20,3
16 24,8 24,2 41,9 16 24,8 24,2 41,9 16 24,8 24,2 41,9 16 24,8
Sendo: IPA = incremento periódico anual; IMA = incremento médio anual na
idade em questão; VAC = volume acumulado do desbaste na idade em questão; ---
= classes de idade com estimativas da densidade real inicial, devido a falhas e
mortalidade.

6.2 Planejamento da desrama

6.2.1 Introdução

A desrama consiste na remoção de ramos dos fuste das árvores. Porém
para obter grandes incrementos é necessário copas relativamente grandes, o que
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

452
implica em maior quantidade e tamanho de ramos, que origina uma maior
quantidade e tamanho de nós na madeira no fuste. Igualmente, é de conhecimento
que existe uma relação estreita entre o tamanho da copa, profundidade e
incremento volumétrico.
Em geral, as madeiras de espécies de florestas naturais possuem melhor
qualidade do que quando as plantadas, porque estas crescem em regime de intensa
competição. Como conseqüência dessa competição as árvores desenvolvem anéis
de pequena espessura, com menor incidência de nós, de menor diâmetro e mais
curtos, porque existe uma menor distância entre as árvores, o que dificulta a
formação de galhos compridos e grossos.
Devido a estes aspectos, os silvicultores já tentaram imitar a natureza,
procurando utilizar espaçamentos menores no momento do plantio. Porém, mais
tarde, descobriu-se que não é somente o espaçamento que determina a formação de
galhos nas árvores, mas também a fertilidade do solo. Uma maior fertilidade do
solo determina a formação de galhos mais grossos, mesmo em espaçamento mais
reduzidos, com o 2 x 2 m.
Os principais objetivos das desramas são: produzir madeira de melhor
qualidade, livre de nós; dar acesso às marcações e desbastes; reduzir os riscos dos
danos causados pelo fogo; e diminuir os custos de exploração. Porém, segundo
Aaron(1969), o objetivo usual da desrama em plantações florestais é melhorar as
propriedades físicas da madeira serrada, mediante a redução da quantidade e
tamanho de nós, através da eliminação da formação de nós mortos ou soltos.
Quanto mais alta for a classe de produtividade maior será a produção de
madeira livre de nós, para um dado custo de desrama, uma vez que as mesmas são
feitas na mesma idade ou na mesma altura relativa durante a rotação, para todas as
classes de produtividade (Johnston et al., 1977).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

453
As árvores quando ainda estiverem em pleno estágio de crescimento não
toleram a redução exagerada da sua copa viva. O corte dos galhos ou a sua morte
em virtude do fechamento do dossel do povoamento, em proporção superior a 50
% da copa viva, representa um verdadeiro sacrifício em partes vitais das árvores,
com perdas significativas de crescimento.

6.2.2 Intensidade da poda

A desrama deve ser realizada quando os ramos ainda estiverem verdes,
fazendo com que o nó fique persistente, o que não acontece com nó resultante da
desrama de galho seco. Quando se pretende um cerne nodoso pequeno, é
necessário desramar em duas ou em três etapas, para evitar o corte excessivo da
copa viva em qualquer altura, aumentando o custo da desrama de um dado
comprimento de tronco (Assmann, 1970).
A influência da remoção de galhos vivos na produção de madeira e na
redução da forma do fuste, é inversa ao efeito do desbaste. O desbaste do
povoamento estimula o crescimento do câmbio na base das árvores, enquanto a
desrama tende a inibir o crescimento nesta posição, concentrando-o na parte
superior do tronco. Assim, a desrama tende a reduzir a forma do tronco, cuja
intensidade de redução depende da severidade da mesma. As desramas entre 30 a
40 % da altura total das árvores são consideradas como a de melhor intensidade,
por outro lado remoções maiores levam a diminuição da produção de madeira
(Kozlowski et al., 1990).
Fishwick(1977) afirmou que as pesquisas têm demonstrado que 30 % da
copa viva pode ser removida em uma poda programada sem redução do incremento
em volume da árvore. No entanto, Sherry(1967) encontrou que com uma poda de
33 % da copa viva de todas as árvores de um povoamento de Pinus patula, na
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

454
África do Sul, houve uma pequena perda de incremento volumétrico em relação as
parcelas não podadas, com recuperação após 15 meses, o que não se verificou com
a remoção de 50 % da copa viva. Diz ainda, que este efeito varia segundo a
espécie, sendo o Pinus elliottii mais tolerante do que o Pinus patula.
Os efeitos da eliminação dos ramos vivos menores sobre o crescimento
dependem da sua contribuição total para a produção de carbohidratos. Nos
povoamentos fechados, os ramos inferiores das árvores não tolerantes tendem a
fotossintetizar de modo pouco eficiente, devido aos baixos níveis de intensidade
luminosa que recebem.
A poda deve ser realizada ainda quando os ramos forem verdes o que faz
com que quando a madeira for trabalhada o nó fique persistente, isto não acontece
com o nó resultante da poda do galho seco.
Pretendendo-se obter um cerne nodoso pequeno é necessário podar em
duas ou três etapas, para evitar o corte excessivo da copa viva em qualquer altura,
o que aumentam o custo da poda de um dado comprimento de tronco. Para as
podas no início da rotação, os custos acumulam-se a juro composto num longo
período, enquanto que, as podas tardias reduzem o custo até determinada altura,
pois podem ser feitas numa só operação sem retirar uma proporção
demasiadamente grande de copa viva e, ainda, porque encurtam o período dentro
do qual acumula-se o custo.
Este aumento da quantidade de madeira sem nós e limpa assume uma
importância direta somente se for acumulada na classe de maior qualidade, por
possuir maior valor econômico.
A escolha das árvores a podar é análoga às classes de produtividade, no
sentido de que é mais provável que uma árvore mais vigorosa na altura ao ser
desramada produza um maior volume de madeira isenta de nós do que uma árvore
menor.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

455
O número de árvores a podar deve corresponder ao número que se quer
no final da rotação ou, com segurança, podar um número maior, na expectativa de
que algumas das árvores podadas possam vir a ser removidas em desbastes antes
da altura do corte final.
A desrama é uma prática recomendada pelos serviços florestais de
vários países, baseada em pesquisas com objetivos específicos. Nos Estados
Unidos, em geral, em Pinus sp. a desrama é limitada a 300 até 400 árvores por
hectare, devido aos elevados custos, realiza-se em duas etapas: a primeira, quando
as árvores tiverem atingido altura de 5 metros, são removidos os galhos inferiores
até a altura de 2,4 metros; a segunda é realizada quando as árvores atingirem de 10
a 12 metros de altura, o corte dos galhos prossegue até uma altura de 5,0 metros
(Johnston et al., 1977).
Na África do Sul, as podas em povoamentos de Pinus sp., implantados
em espaçamento de 2,7 X 2,7 metros, são realizadas em número de três, executadas
de acordo com o seguinte programa: 1ª poda (4 - 5 ano) - todas as árvores, até uma
altura de 1,8 metros, feita no momento em que a altura dominante das árvores seja
de 6,1 metros; 2ª poda (6 - 7 ano) - feita nas 750 melhores árvores por hectare,
cortando os ramos até a altura de 4,5 metros, quando as árvores dominantes
atingirem a altura de 9,0 metros; 3ª poda (9 - 11 ano) - feita nas 150 melhores
árvores por hectare, até uma altura de 6,6 metros, quando a altura dominante
atingir 12,2 e 13,7 metros (Ramos, 1973).
Na empresa Klabin S.A. a desrama em povoamentos de Eucalyptus
grandis, E. saligna, E. dunnii é realizada quando o povoamento atinge entre 20 e
30 meses de idade, e apresenta, em média, 10 cm de diâmetro médio e 12 m de
altura média. Na operação são desramadas todas as árvores, exceto as localizadas
nos futuros ramais de exploração, as mortas, bifurcadas e doentes. A altura de poda
atinge entre 6 e 7 m (Seitz, 1995).
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

456
6.2.3 Programa de podas

Para a formulação de um programa de poda é necessário conhecer o
crescimento da espécie nas condições de sítio e espaçamento e, especialmente,
definir o diâmetro do cerne nodoso que se deseja, normalmente variando entre 10 e
15 centímetros. Após, deve-se efetuar medições do diâmetro abaixo da copa viva,
em intervalos freqüentes, até que o mesmo alcance o diâmetro pré-determinado do
cerne nodoso. Quando a árvore atingir este diâmetro é o momento da execução de
uma nova poda.
A decisão sobre a idade da realização das desramas já foi motivo de
muitos trabalhos científicos, bem como da intensidade da desrama em relação a
altura total das árvores. Atualmente, a idade da desrama é definida pelo DOS
(Diameter Over Stubs). Este é definido pelo diâmetro da árvore sobre o verticilo.
Quando a poda é efetuado abaixo do diâmetro deste verticilo o volume defeituoso
fica concentrado o cilindro nodoso. Este volume com nós acrescido da medula
constituirão da madeira com defeito, que será abrigada pelo DOS. Este método do
DOS é empregado na Nova Zelândia em plantios de Pinus radiata.
O valor do DOS é variável, normalmente fixado entre 10 a 15 cm
dependendo da tolerância para a formação de madeira defeituosa. Quando as
árvores do povoamento atingirem o valor fixado do DOS é o momento da
realização da poda. Em povoamentos não podados o DOS é definido pelo diâmetro
sobre o primeiro verticilo, que normalmente ocorre a uma altura abaixo de 1 metro.
A segunda poda deve ser realizada quando o diâmetro do verticilo remanescente
atingir o valor do DOS fixado.
A altura da desrama atinge um valor em torno de 7 metros. Em média a
primeira desrama atinge uma altura de 2,5 metros. É recomendado que esta altura
de desrama nunca ultrapasse o valor de 40 a 45 % da altura total das árvores. As
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

457
desrama efetuadas com altura superior a estes percentuais provocam efeitos
negativos no crescimento futuro das árvores do povoamento. Estas observações
devem ser levadas em consideração em todas as desramas subseqüentes,
observando para cada árvores os critérios de 7 metros de fuste limpo e o percentual
de altura a ser desramado em cada operação de 40 a 45% da altura total.
O diâmetro sobre o verticilo em qualquer altura da árvore é estimado com
acuracidade através da seguinte equação:

DOS = 1,1731+0,935.X + 0,1351.DM–0,0007031.DM
2
–0,2513.DH+0,0451.DH
2


Sendo:
4 , 1
.
÷
÷
=
HT
DH HT
DAP X ; HT = altura total, em metros; DH =
altura de ocorrência do diâmetro sobre o verticilo DOS (m); DM = máximo
diâmetro de galhos ou diâmetro sem casca do maior galho em que ocorre o
diâmetro sobre o verticilo, medido sobre o galho podado (mm); DAP = diâmetro à
altura do peito, em centímetro.

Na Figura 41 é ilustrada a posição de medição das variáveis em cada uma
das árvores do povoamento.
Fishwick(1977) formulou um programa de poda para Pinus elliottii, com
o objetivo de obter toras com cerne nodoso com diâmetro controlado de 10 e 15
cm. Salienta que os dados não devem ser tomados como definitivos, uma vez que
as variações de espécies, características fenotípicas do material, locais de plantio e
espaçamentos utilizados podem afetar os índices de crescimento das espécies,
acarretando consequentemente alterações nos resultados apresentados.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

458

FIGURA 41 - Posição de medição das variáveis para a determinação do diâmetro
sobre o verticilo (DOS) através de equação

Para a obtenção de madeira com a presença de nós dentro do limite de 10
cm, com tora de 7 metros, o autor sugere que o programa de poda seja iniciado
quando a altura das árvores selecionadas, em número recomendável de 500 árvores
por hectare, atingirem uma média de 5-6 m (aproximadamente aos 4 anos de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

459
idade) e o DAP de 10 cm. As podas devem obedecer os seguintes critérios,
conforme mostra a Figura 42:























FIGURA 42 - Procedimento para obtenção de madeira com nós dentro do limite de
10 cm (Fishwick, 1977)

a) 1ª poda até 2 m (40 % da copa removida);
b) 2ª poda até 4 m quando a altura for 7 m (40 % da copa viva removida);
c) 3ª poda até 5,5 m quando a altura for 9 m (30 % da copa viva
removida);
d) 4ª poda até 7 m (somente 250-300 árvores/ha) quando a altura atingir
11-12 m (25 % da copa viva removida).

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

460
Por outro lado, para a obtenção de madeira com presença de nós dentro
do limite de 15 cm e toras de 7 m, a poda deve ser iniciada quando a altura das 500
árvores selecionadas atingirem uma média de 9-10 m (aproximadamente aos 6-7
anos de idade) e o DAP de 15 cm, as podas devem obedecer aos seguintes
requisitos:
a) 1ª poda até a altura de 5 m (53 % da copa removida);
b) 2ª poda até a altura de 7 m (realizado nas 250-300 árvores/ha, quando
a altura total for de 12-13 m), geralmente dois anos após a 1ª poda, removendo 27
% da copa viva.

6.2.4 Desrama em Eucalyptus saligna: um estudo de caso

Um experimento de desrama foi instalado em um povoamento
monoclonal de Eucalyptus saligna, após três anos de sua instalação, permitem
afirmar que a aplicação da desrama em povoamentos jovens de Eucalyptus saligna,
nas intensidades de 0, 40, 60 e 80% da altura total da árvore, não mostrou
evidências de redução do crescimento em diâmetro, altura e volume de madeira por
hectare, bem como sobre a sobrevivência da espécie. Devido à grande dominância
apical do E. saligna e à pouca idade das árvores neste experimento, houve a
recuperação da dimensão da copa das árvores com o crescimento em altura já no
primeiro ano após a execução da desrama. A desrama em árvores com altura em
torno de 11,0 m permite obter, em uma única operação, troncos livres de nó até 8,8
m sem prejuízo do crescimento da árvore. Os resultados indicaram ser possível
aplicar a desrama na intensidade de até 80% da altura total sem prejuízo ao
incremento (Finger et al., 2002).
Foram observadas diferenças de crescimento em diâmetro, altura e
volume já no ano de instalação dos tratamentos de desrama, decorrente da grande
diferença nas dimensões das copas. Entretanto, já no primeiro ano, verificou-se a
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

461
recuperação da dimensão da copa das árvores desramadas decorrente do
crescimento em altura. Por outro lado, ocorreu a redução da área de copa verde nas
árvores não desramadas, decorrente da morte natural dos galhos devido à redução
da luminosidade no interior da floresta, vindo a homogenizar a dimensão das copas
nos tratamentos com desrama e sem desrama.
Estes resultados mostram que, embora tenham sido retirados diferentes
quantidades de copa nos tratamentos, a espécie não sofreu redução de crescimento,
recuperando, com o crescimento em altura, a parte da copa necessária para seu
desenvolvimento pleno, conforme se observa nas médias de altura apresentadas na
Tabela 108.

TABELA 108 – Médias das variáveis diâmetro, altura e volume/ha para as quatro
intensidades de desrama, em três anos consecutivos.
Idade
(anos)
Desrama
(%)
N. árv.
(/432 m
2
)
d
(cm)
h
(m)
V
(m
3
/ha)
2 * 0 72,0 7,5 8,0 62,7
40 64,3 7,1 7,5 60,5
60 69,7 7,3 7,8 62,1
80 70,3 7,5 8,3 59,6
3 0 71,3 10,6 12,1 81,9
40 63,3 10,9 12,5 76,9
60 67,7 10,4 11,8 73,5
80 68,3 10,6 12,9 77,5
4 0 71,0 12,3 16,9 145,2
40 63,3 12,5 17,2 139,5
60 67,0 12,2 16,9 136,5
80 68,3 12,1 17,2 134,8
5 0 71,0 13,4 19,1 203,1
40 61,7 13,8 19,2 195,6
60 66,7 13,3 18,6 187,8
80 64,0 13,2 18,4 179,5
Sendo: * situação observada no momento da aplicação do tratamento; N. árv. =
número de árvores; d = diâmetro à altura do peito, em centímetros; h = altura total,
em metros; V = volume total, em metros cúbicos por hectare.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

462
Nas Figuras 43, 44 e 45 podem ser visualizados, respectivamente, o
crescimento verificado para o diâmetro à altura do peito, altura e volume por
hectare, para cada tratamento, nas idades de 3, 4 e 5 anos de idade da floresta. A
análise destas figuras mostra que não houve efeito dos tratamentos sobre o
crescimento em diâmetro, o que também ficou indicado estatisticamente. A
pequena superioridade do tratamento com 40% de desrama (0,6 mm no ano) pode
estar associada a maior mortalidade ocorrida neste tratamento, o que gerou espaço
entre árvores um pouco maiores.
Quanto ao volume, a Figura 43 mostra a mesma tendência observada
para altura, ou seja: valores de volume ligeiramente superiores no tratamento sem
desrama e volumes iguais nos que sofreram desrama. Nos dois casos os resultados
podem estar sendo influenciados pela pequena diferença na mortalidade de árvores,
ocorrida ao acaso, dentro das repetições de igual tratamento.
0
2
4
6
8
10
12
14
16
2 3 4 5
idade(anos)
d
(
c
m
)
sem
desrama
40%
60%
80%

FIGURA 43 - Crescimento diamétrico nos tratamentos de desrama entre as idades
de 2 e 5 anos.


Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

463
0
5
10
15
20
25
2 3 4 5
idade(anos)
h
(
m
)
sem
desrama
40%
60%
80%

FIGURA 44 - Crescimento da altura nos tratamentos de desrama entre as idades
de 2 e 5 anos.

0
50
100
150
200
250
2 3 4 5
idade(anos)
V
(
m
3
/
h
a
)
sem
desrama
40%
60%
80%

FIGURA 45 - Crescimento volumétrico nos tratamentos de desrama entre as
idades de 2 e 5 anos.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

464
Os resultados obtidos são de grande importância prática, pois indicam ser
possível retirar, em uma única operação de desrama, os galhos de árvores jovens de
E. saligna até a altura correspondente a 80% da altura total da árvore, sem prejuízo
de seu crescimento em diâmetro, altura e volume.
A execução desta intensidade de desrama em árvores jovens, com altura
próxima a 11,0 m permite, em uma única operação, deixar livre de nó cerca de 8,8
m do tronco com diâmetro enodado menor que 8,0 cm ao DAP. Outra vantagem é
o maior rendimento no trabalho de campo em decorrência do reduzido diâmetro
dos galhos, o que também poderá se traduzir em vantagem econômica.
A segunda fase pode também ser realizada no ano seguinte à desrama
baixa, o que garantiria ainda a obtenção de um núcleo enodado de dimensões
reduzidas.
A realização da desrama em duas fases pode ser ainda importante em
povoamentos com espaçamentos iniciais amplos, pois garante menor luminosidade
junto ao tronco reduzindo a possibilidade da emissão de novos brotos neste local,
como se observa em povoamentos jovens que sofreram desrama drástica.

6.2.5 Desrama em Pinus elliottii: um estudo de caso

Um experimento foi instalado para estudar a influência da intensidade de
desrama sobre a produção de madeira de Pinus elliottii em um experimento em
blocos casualizados com três repetições e 5 tratamentos, definidos por: T1 –
testemunha sem desrama; T2 - desrama dos ramos secos; T3 - desrama de 40 % da
altura total; T4 - desrama de 50 % da altura total; e T5 - desrama de 60 % da altura
total das árvores. Observou-se que o diâmetro e a produção de madeira foram
fortemente influenciados pela intensidade da desrama, aos 11 anos de idade. A
testemunha com 263,5 m
3
/ha não diferiu do tratamento com desrama de ramos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

465
secos com 245,1 m
3
/ha, mas ambos diferiram dos tratamentos com desrama de 40
% da altura total com 231,5 m
3
/ha, da desrama de 50 % da altura total com 225,5
m
3
/ha e da desrama com 60 % da altura total com 211,6 m
3
/ha. A menor perda de
produção foi de 12,1 % obtida no tratamento com desrama de 40 % da altura total,
e a maior de 19,7 % ocorreu no tratamento de desrama com 60 % da altura total.
Estes resultados permitem concluir pela recomendação da utilização de desrama
com intensidade inferior a 40 % da altura total das árvores, pois permitem menores
perdas de produção e ganhos em incremento diamétrico e na qualidade da madeira
(Schneider et al., 1999).
Neste estudo, os tratamentos foram definidos pela altura de desrama
aplicada, a saber:
Tratamento 1 = T1: testemunha, sem desrama;
Tratamento 2 = T2: desrama dos ramos secos;
Tratamento 3 = T3: desrama até 40% da altura total da árvore;
Tratamento 4 = T4: desrama até 50% da altura total da árvore;
Tratamento 5 = T5: desrama até 60% da altura total da árvore.
Os tratamentos de desrama foram aplicados até as árvores atingirem 12
metros de fuste desramado. O corte dos galhos foi feito rente ao tronco, utilizando
serrote de mão.
Os dados foram avaliados em duas idades do povoamento, 11 anos e 13
anos para a variável volume total com casca por hectare e aos 13 anos para a
comparação da dimensão alcançada pelo diâmetro médio sob diferentes
intensidades de desrama.

a) Volume aos 11 anos

Na produção de Pinus elliottii sob influência de diferentes intensidades de
desrama, obtida aos 11 anos de idade, observou-se diferença significativa na
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

466
variância entre os tratamentos testemunha, sem desrama (sd), desrama dos ramos
secos (ds), desrama de 40 %, 50 %, 60 % da altura total das árvores a uma
probabilidade de 0,008 (prob.>f), para um valor de F calculado de 7,54. Por outro
lado, não foi encontrada diferença significativa entre os blocos, (prob.>F= 0,7736),
para um valor de F calculado de 0,27, indicando existência de homogeneidade
entre os blocos.
A comparação das médias de volume, através do teste de Duncan, ao nível
de 5% de probabilidade, demonstrou que a testemunha sem desrama (SD) não
diferiu do tratamento com desrama de ramos secos (DS). Porém, ambos os
tratamentos diferiram significativamente dos tratamentos com desrama de 40 %, 50
% e 60 % da altura total das árvores. Por outro lado, os tratamentos com desrama
de 40 %, 50 % e 60 % da altura total não diferiram estatisticamente entre si. Da
mesma forma, não diferiram entre si o tratamento com desrama dos ramos secos do
tratamento com desrama de 40 % da altura total das árvores.
Na Figura 46 é apresentada a produção obtida nos tratamentos, aos 11
anos de idade. Observa-se que o maior volume com casca por hectare foi obtido no
tratamento sem desrama (SD), com 263,5 m
3
/ha, seguido do tratamento com
desrama dos ramos secos (DS), com 245,1 m
3
/ha. Com desrama de 40 % da altura
total das árvores, obteve-se 231,5 m
3
/ha, ou seja, uma diferença de volume em
relação a testemunha de 12,1 %. A produção volumétrica do tratamento com
desrama de 50 % da altura total das árvores foi de 225,5 m
3
/ha, sendo esta 14,4 %
menor que a da testemunha. A menor produção foi obtida no tratamento com
desrama de 60% da altura total das árvores, com 211,6 m
3
/ha, 19,7 % menor que a
da testemunha, sem desrama.
b) Volume aos 13 anos

A análise de variância da produção obtida nos tratamentos de diferentes
intensidades de desrama, com dados medidos dois anos após a execução do
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

467
desbaste, demonstra que, mesmo aos 13 anos de idade e após a realização do
desbaste, manteve-se a diferença significativa entre os tratamentos de desrama, a
uma probabilidade de 0,0084 (Prob.>F), e um valor de F calculado de 7,44.
FIGURA 46 - Produção de Pinus elliottii Engelm. com diferentes intensidades de
desrama, aos 11 e 13 anos de idade.

A comparação das médias dos tratamentos pelo teste de Duncan (sob
efeito dos desbastes) demonstrou que foi produzido pela testemunha (SD) 333,2
m
3
/ha, não diferindo do tratamento com desrama dos ramos secos com 317,6
m
3
/ha. Porém, ambos os tratamentos diferiram significativamente dos tratamentos
com desrama de 40 % da altura total das árvores (297,1 m
3
/ha); de 50 % (289,9
m
3
/ha); e de 60%, (286,2 m
3
/ha). Por outro lado, estes três tratamentos não
diferiram estatisticamente entre si.

c) Diâmetro

A análise de variância dos diâmetros obtidos nos tratamentos, aos 11 anos
de idade, demostrou a existência de diferença significativa entre as diferentes
0
50
100
150
200
250
300
350
Produção
(m3/ha)
SD DS 40% 50% 60%
Intensidade de Desrama
11 anos
13 anos
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

468

13.5
14
14.5
15
15.5
16
16.5
17
17.5
18
18.5
Diâmetro
(cm)
SD DS 40% 50% 60%
Intensidade de Desrama
11 anos
13 anos
intensidades de desrama, a uma probabilidade de 0,0043 (Prob.>F), para um F
calculado de 9,23.
A comparação das médias dos diâmetros, aos 11 anos de idade, feita com
o teste de Duncan, ao nível de 5 % de probabilidade, demonstrou que a testemunha
sem desrama, não diferiu do tratamento com desrama dos ramos secos, mas diferiu
dos demais tratamentos com 40%, 50 % e 60 % da altura total desramada, porém
estes não diferiram entre si. Por outro lado, o tratamento com desrama seca não
diferiu do tratamento com desrama de 40 % da altura total.
Na Figura 47 são apresentados os valores dos diâmetros médios, obtidos
na testemunha sem desrama (SD), e nos tratamentos com desrama dos ramos secos
(DS) e nos tratamentos com desrama de 40 %, 50 % e 60 % da altura total das
árvores.

FIGURA 47 - Diâmetro médio de Pinus elliottii Engelm. sob diferentes
intensidades de desrama, aos 11 e 13 anos de idade.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

469
Observa-se que, em um período de 4 anos, contados a partir do
estabelecimento das desramas no povoamento florestal, ocorreu uma diferença de
1,17 cm entre o diâmetro médio da testemunha, sem desrama e o diâmetro médio
do tratamento com desrama mais severa, ou seja, desrama de 60 % da altura total
das árvores. Deve-se considerar, ainda, que os tratamentos foram desbastados de
forma equânime aos 11 anos de idade, não tendo havido mudanças nas tendências
observadas antes e depois do desbaste como comprovam estes resultados.
Na Tabela 109 é apresentada uma síntese dos parâmetros dendrométricos
obtidos nos tratamentos testados, como o diâmetro médio, volume atual por
hectare, volume do desbaste por hectare, produção total por hectare e o incremento
médio anual (IMA), em metros cúbicos por hectare por ano, aos 11 anos de idade,
bem como a comparação das médias pelo teste Duncan, ao nível de 5 % de
probabilidade.

TABELA 109 - Parâmetros obtidos nos tratamentos de desrama em talhões de
Pinus elliottii Engelm., aos 11 e 13 anos de idade

Tratamentos
11 anos 13 anos
DAP
(cm)
Produção
(m
3
/ha)
IMA
(m
3
/ha)
DAP
(cm)
Produção
(m
3
/ha)
IMA
(m
3
/ha)
T1:Testemunha sem desrama 16,8 a 263,5 a 23,9 18,3 a 333,2 a 25,6
T2: Desrama dos ramos seco 16,3 ab 245,1 a 22,2 17,4ab 317,6 ab 24,4
T3: 40% 15,9 ac 231,5 c 21,0 17,4 b 297,1 bc 22,8
T4: 50% 15,5 c 225,5 c 20,5 16,7 c 289,9 c 22,3
T5: 60% 15,3 c 211,6 c 19,2 16,4 c 286,3 c 22,0
Sendo: DAP = diâmetro à altura do peito; IMA = incremento médio anual.

O incremento médio anual do diâmetro nos tratamentos testados
mostraram as mesmas tendências verificadas para o volume, ou seja, a sua redução
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

470
com o aumento da intensidade de desrama. O maior incremento encontrado, nesta
idade, foi 23,9 m
3
/ha/ano, obtido na testemunha sem desrama, e o menor, de 19,2
m
3
/ha/ano, ocorreu no tratamento com desrama de 60 % da altura total das árvores.

6.2.6 Avaliação econômica das podas

De um modo geral, as podas só prolongam a rotação ideal se a
percentagem do acréscimo no valor anual corrente das árvores podadas for maior
do que nas árvores não podadas (Johnston et al., 1977).
Para calcular a economia das podas é preciso saber o custo delas, o
futuro índice de crescimento das árvores podadas, o efeito das podas sobre as
proporções do volume das diferentes classes da madeira serrada e o diferencial dos
preços entre as classes.
Porém, é sabido que as podas são caras, extremamente exigentes em
trabalho intensivo e, tendo em vista serem efetuadas relativamente cedo na rotação,
a sua contribuição para o aumento das despesas do investimento é elevada. Este
custo varia bastante segundo as espécies e a intensidade de poda.
A poda de árvores é o tratamento intermediário mais oneroso quando se
estima sobre uma base individual. Estes custos variam muito e dependem:
a) do número de árvores podadas por hectare;
b) do diâmetro dos ramos;
c) do número de ramos por verticilo;
d) do número de verticilos que se deve podar;
e) da altura que se realiza a poda;
f) da taxa de crescimento e, portanto, da qualidade do sítio;
g) da taxa de juro que se quer do investimento;
h) do tempo que é necessário esperar antes da exploração.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

471
Uma forma prática que pode ser usada para diminuir os custos da poda
consiste em empregar um método adequado para o primeiro desbaste, como o
sistemático em linhas, ou seja, eliminando uma em cada três linhas, com a
vantagem de não necessitar a marcação das árvores. Isto é vantajoso, pois a
produção total em volume não sofre alterações e a escolha das árvores para o final
da rotação não se restringe desnecessariamente. Com isto a própria queda das
árvores desbastadas provoca uma limpeza do fuste das árvores remanescentes e a
prática da poda seria, então, executada somente naquelas árvores remanescentes do
primeiro desbaste, escolhidas para a rotação final, diminuindo os custos desta
atividade consideravelmente.
Para se ter uma idéia dos custos desta atividade silvicultural, segundo
Nicolielo(s.d.), para as condições da Companhia Agroflorestal Monte Alegre, de
Agúdos-SP, os rendimentos operacionais médios de poda por árvore/homem/dia
variam consideravelmente com a altura da poda e número de árvores a serem
podadas, como pode ser observados no Tabela 110.

TABELA 110 - Rendimentos operacionais médios de poda em Pinus sp.
(árvores/homem/dia) (Nicolielo, s.d.)
Altura Poda (m) Idade
(ano)
Nº de Árvores
Podadas (ha)
Rendimento
(árvore/homem/dia)
2,0 5-6 Todas 460
6,0 9 500 200
12,0 12 300 60

6.3 Substituição de povoamentos florestais

O conteúdo a seguir foi parcialmente extraído de Rezende (1987), no seu
trabalho sobre substituição de povoamentos de Eucalyptus sp.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

472
6.3.1 Introdução

Os trabalhos específicos de análise econômica sobre a substituição dos
povoamentos de eucaliptos são quase inexistentes na literatura especializada do
Brasil. Porém, é preciso notar que a substituição de um eucaliptal, no que tange ao
aspecto teórico da análise econômica, é totalmente semelhante aos princípios
econômicos que norteiam a teoria da substituição de máquinas e equipamentos.
De acordo com os conceitos da Engenharia Econômica Massé(1962)
diferenciou substituição de substituição, quando se trata de máquinas e
equipamentos. Para ele uma substituição é efetuada quando o equipamento começa
a ser incapaz de exercer a função para a qual foi designado e construído, e a
substituição seria um reparo nas unidades de maneira que continuassem a produzir
em um nível desejado.
Um sistema produtivo pode ser substituído por várias razões, tais como:
a) Inadequação, perda da eficiência;
b) obsolescência funcional, física ou econômica;
c) elevação dos custos de manutenção e de reparos;
d) surgimento no mercado de sistemas mais econômicos e produtivos;
e) aumento de riscos para os operadores.
Quando se trata de equipamentos, os estudos para avaliar a viabilidade da
substituição devem levar em consideração:
a) A existência de equipamentos tecnicamente melhores;
b) obsolescência física: quando o equipamento está gasto e requer muita
manutenção ou necessita de substituição;
c) inadequação: quando o equipamento em uso não consegue suprir as
novas demandas e necessidades do mercado;
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

473
d) obsolescência funcional: é um caso em que há um decréscimo na
demanda de bens produzidos pelo equipamento;
e) possibilidade de se utilizar meios mais baratos de produção do que o
uso e a manutenção dos equipamentos atuais.
Para o caso da substituição sempre é considerada a existência de dois
ativos que competem por terem características diferentes, sendo o velho
equipamento chamado Defensor e o novo chamado Desafiante (Hummel &
Taschner, 1988).
O termo substituição tem sido usado de maneira errada no setor florestal,
uma vez que, de acordo com a teoria da substituição de equipamentos, este termo
significa fazer reparos, portanto, este trabalho terá o cuidado de utilizar o termo
substituição.
Na realidade, para o processo empregado atualmente na empresa, em
áreas de Eucalyptus, o termo “substituição” revela-se incorreto, pois as operações
realizadas modificam totalmente a estrutura básica da área (estradas, espaçamento,
entre outros fatores), promovendo, não um “conserto ou adaptação” do que foi
feito anteriormente e, sim, uma completa “substituição ou renovação florestal”,
começando do nada, para uma nova floresta.
Para Rezende et al.(1987), um povoamento florestal pode ser considerado
como uma máquina qualquer, que produz o produto madeira e a decisão de manter
ou substituir esta máquina se baseia nos mesmos princípios que ajudam a encontrar
o ponto ótimo de substituição de um trator ou uma motosserra.
Aplicando os conceitos de substituição de equipamentos ao setor florestal,
considera que o termo substituição precisa ser diferenciado do termo substituição.
A substituição refere-se a uma situação na qual um povoamento não é mais capaz
de executar as tarefas para as quais foi designado, o que ocorre naturalmente após
três cortes.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

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A substituição refere-se a uma situação na qual um povoamento ainda é
capaz de executar suas funções, mas pode ser alterado (interplantio, adensamento)
ou mesmo ser substituído por outro mais eficiente.
A substituição pura e simples não apresenta os problemas inerentes à
substituição. Neste caso, os problemas são idênticos aos da tomada de decisão
inicial, no momento do plantio original. Trata-se da escolha da espécie, do
espaçamento, do tipo e quantidade de fertilizante, etc.
A substituição, que é o caso tratado aqui, é mais problemática e em muitas
situações vai sendo indefinidamente adiada até que se transforme em simples
substituição. Ela pode advir de duas situações básicas:
a) O povoamento atual não está produzindo madeira como deveria, em
quantidade e qualidade.
b) Houve progresso tecnológico na área florestal, de tal forma que um
povoamento implantado hoje, beneficiado por novas técnicas, produz madeira de
modo mais eficiente em relação ao povoamento atual.
Segundo Silva(1990), a substituição consiste na substituição total do
povoamento de baixo potencial produtivo, ou com produtividade abaixo da
esperada, por um novo povoamento originado do plantio de mudas.
Valverde e Rezende(1997), consideram que o problema da substituição
não é tão simples quanto a princípio se imagina. Existem conseqüências tanto na
substituição prematura quanto na tardia. Para a determinação do tempo de
substituição é preciso definir e conhecer parâmetros tais como:
a) o horizonte de planejamento;
b) a atividade econômica;
c) o futuro do investimento;
d) os custos operacionais;
e) os custos da depreciação;
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475
f) a taxa de juros;
g) a utilização correta da unidade;
h) os programas de manutenção e reparos;
i) os critérios econômicos a serem usados.
A tomada de decisão com relação à substituição envolve uma série de
fatores e nem sempre o aspecto econômico predomina. Nas empresas
verticalizadas tende-se a aferir o retorno do investimento apenas no produto final.
Deste modo, todas as etapas antecedentes, inclusive, a produção florestal, passam a
ser encaradas, apenas, como um ítem na estrutura de custos e a preocupação maior
é com a redução de custo destas operações e, não tanto, com maior ou menor
rentabilidade de cada projeto isoladamente.
Face a isto, na empresa Duratex, por exemplo, a decisão em termos
técnicos ou estratégicos, normalmente, indica substituição com base em uma
análise das seguintes premissas:
a) Produtividade abaixo dos 30 st/ha/ano; esta premissa liga-se à
necessidade de manter, a longo prazo, um nível de abastecimento adequado.
b) Mistura de materiais genéticos; a empresa busca eliminar
povoamentos geneticamente deficientes, substituindo-os por maciços provenientes
de material genético próprio, de alta produtividade.
c) Índices de falhas; os trabalhos já conduzidos permitem diagnosticar,
através do índice de falhas, a economicidade de conduzir ou não a brotação.
d) Localização estratégica; este fator liga-se ao problema de
abastecimento e à eventual existência de florestas ruins, em locais bastante
interessantes, sob o ponto de vista da localização. Neste caso, a substituição pode
ser efetuada para garantir uma floresta de alta produtividade, estrategicamente
localizada.
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476
e) Condições circunstanciais (fogo, geada, etc.); neste caso, a
substituição é apenas uma medida corretiva face a um imprevisto.
Antes de se transformar um povoamento é preciso estar certo de que a
nova tecnologia usada não será superada antes de ter pago seu próprio
investimento. É preciso também considerar o fato de que muitas vezes pode-se
pular uma fase intermediária, passando diretamente de uma tecnologia totalmente
superada para uma super moderna. Este fato ocorre quando o surgimento de uma
tecnologia revolucionária é iminente.
Segundo Rezende (1987), quando se está diante da questão substituição
ou não um povoamento, é preciso considerar alguns aspectos econômicos como:
a) O manejo das brotações é menos dispendioso, em termos de custo por
unidade de área, que a efetivação de um novo plantio.
b) O novo plantio é mais produtivo que o reflorestamento substituído,
dado que houve desenvolvimento tecnológico na condução dos plantios,
aperfeiçoamento e melhoria do material genético usado, seleção das espécies mais
produtivas, seleção dos espaçamentos e níveis de fertilização mais adequados à
produção de madeira:
c) Há problemas de falhas e brotações.
d) Os custos de um povoamento já implantado são fixos e podem ser
desconsiderados, mas psicologicamente exercem grande influência na análise,
agindo em favor da manutenção do “status quo”.
e) O custo de substituição é menor que o custo do plantio original, uma
vez que alguns custos, como os de abertura de estradas, aceiros e construção de
cercas não se repetem.

Um dos problemas mais comuns, após a execução do primeiro ou segundo
corte em plantações de eucaliptos submetidas ao regime de talhadia, é decidir qual
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477
será a alternativa mais viável para a futura condução do povoamento. Geralmente a
empresa é levada a decidir pela manutenção do povoamento, aproveitando a
brotação das cepas remanescentes ou, então, pela substituição do mesmo.
É de suma importância que essa escolha seja embasada em dados e
informações técnica e economicamente corretas, a fim de otimizar a decisão do
manejador. Dessa forma seriam reduzidas ao mínimo as possibilidades de prejuízos
financeiros para a empresa, em face do tamanho das áreas, da mão-de-obra e do
capital envolvidos em tais operações.
Lopes(1990) afirma que a condição satisfatória de qualquer
empreendimento depende de planejamento que englobe os fundamentos técnico-
econômicos de todos os fatores relevantes, reconhecendo as restrições e ordenando
os recursos disponíveis, para que se atinja a situação desejada. Contudo, é
importante a exatidão e segurança com que se pode prognosticar o
desenvolvimento futuro dos fatores que influenciarão os objetivos preconizados,
bem como as suas tendências econômicas.

6.3.2 Métodos de Substituição

Em seu estudo para desenvolver um modelo teórico a fim de decidir o
momento ótimo de substituir povoamentos florestais, Silva(1990), considerou os
seguintes casos:
a) Ciclo terminal: É o caso onde a empresa deseja abandonar uma área
ou um projeto. isso pode acontecer quando a empresa planta em áreas alugadas e
limita seu planejamento a um único ciclo produtivo, por exemplo. O momento
ótimo de cortar pela última vez o povoamento é quando o valor atual dos custos
variáveis for igual ou maior ao valor atual das receitas.
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478
b) Substituição parcial: Mantém-se a pressuposição de que a análise
termina quando o último corte do povoamento é feito. A empresa pode substituir
parcialmente um povoamento, o que pode acontecer devido à baixa produtividade
de alguns talhões dentro do projeto.
c) Cadeia de substituição: Difere do caso anterior, pois agora o último
corte do povoamento será seguido pela implantação de um novo, beneficiado ou
não por uma nova tecnologia. No momento ótimo de substituição o valor atual dos
juros descontado do valor total da cadeia é igual ao valor atual das receitas do
velho povoamento no mesmo instante.
d) Momento ótimo de substituição quando se considera o progresso
tecnológico: Este é o caso onde o ciclo terminal dá origem a uma nova cadeia de
substituições. Isto acontece quando a empresa “adquire” uma nova tecnologia.
Então, o povoamento original passa a ser terminal, dando origem à cadeia.

6.3.3 Progresso tecnológico

O progresso tecnológico pode ser entendido como o desenvolvimento de
novas técnicas que, aplicadas a um novo projeto, proporcionarão uma melhor
performance em relação ao projeto atual.
Steindl(1980), define progresso tecnológico como um processo que
acarreta a longo prazo o aumento do produto por trabalhador, e que possa
experimentalmente ser medido por ele, porém esta definição simples não traduz a
complexidade deste fenômeno. O progresso tecnológico pode proporcionar a
economia do fator terra e recursos naturais e consequentemente de capital, além de
produzir novos bens e afetar a qualidade de vida. Uma outra característica é o
estímulo ao investimento.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

479
O progresso tecnológico vem com o tempo, mudando conceitos e posições
sociais. Com o desenvolvimento de novas tecnologias, indústrias consideradas
promissoras deixam de existir, cedendo lugar a outras pouco expressivas ou, até
então, não existentes.
O progresso tecnológico no setor florestal ocorre de forma lenta, porém
constante. Ele é evidenciado no aumento da produtividade e na redução dos custos,
bem como nos dois casos ocorrendo conjuntamente.
Para que o aumento na produtividade possa ser acompanhado, o setor
florestal demanda de investimentos em pesquisa por parte do setor privado. Tais
investimentos são, ainda, muito tímidos diante da posição que o setor ocupa na
economia nacional, sendo considerado um dos mais competitivos.
Atualmente tem sido observado em aumento de produtividade nos novos
plantios, devido aos trabalhos de melhoramento florestal realizados pelas
empresas. Esta necessidade surge a partir do aumento gradativo nos preços de
terras utilizadas para o plantio de florestas, tornando necessário a empresa obter
uma produtividade maior em uma mesma área, deixando como última opção o
investimento em novas terras.
A importância do progresso tecnológico ao longo da história do setor
florestal não pode ser negada. Desconsiderar os ganhos proporcionados pela
tecnologia é incorrer em erro. O caso do aumento da produtividade, que na década
de 60 era de 10 st/ha/ano e em 1990 já alcançava 40 st/ha/ano é uma confirmação
dessa importância. Outro exemplo clássico foi a redução dos custos de implantação
neste mesmo período, que passou de US$ 1800,00/ha para US$ 600,00/ha.




Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

480
6.3.4 Critérios econômicos utilizados na avaliação de projetos

A avaliação econômica de um projeto é feita com base nos custos e
receitas que ocorrem ao longo de sua vida útil. Geralmente os projetos podem ser
convencionais e não-convencionais. Convencionais são aqueles que sofrem apenas
uma mudança de sinal em seus fluxos de caixa, neles as receitas líquidas mudam
de negativas para positivas e assim permanecem até o final. Um caso particular de
projeto convencional acontece quando a mudança de sinal ocorre no primeiro
período de tempo após seu início, neste caso ele é chamado de projeto de
investimento simples. Os chamados projetos não-convencionais são aqueles onde
há mais de uma mudança nos sinais das receitas líquidas em seus fluxos de caixa,
como é o caso dos reflorestamentos com eucaliptos onde são efetuados 3 cortes
(Rezende & Oliveira, 1993).
Diversos são os critérios utilizados para se estudar a viabilidade
econômica de projetos e sua seleção, não havendo consenso entre os autores sobre
o melhor. Basicamente são divididos em critérios que não consideram o valor do
capital no tempo e critérios que consideram o valor do capital no tempo.

6.3.4.1 Critérios que não consideram o valor do capital no tempo

Tempo de retorno do capital investido (Pay-back period): Este critério
é o mais simples e conhecido. Ele fornece informação de quantos períodos são
necessários para que haja retorno do capital investido na implantação de um
projeto.
A simplicidade de aplicação e o fornecimento de uma idéia sobre a
liquidez dos projetos são suas vantagens. A utilização deste critério é maior por
investidores que empregam capital em equipamentos que, dada uma taxa de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

481
progresso tecnológico, se tornam obsoletos em pouco tempo, por isso a
necessidade de saber qual será o retorno do capital e em quanto tempo (Faro,
1972). O critério, porém, apresenta imperfeições como:
a) Não atualizar os custos futuros;
b) não esclarecer qual o valor mínimo do tempo de retorno para se aceitar
um projeto;
c) ignora os problemas de escala e há falhas no processo para o caso em
que os benefícios antecipam os investimentos.

Razão Receita/Custo: A avaliação de projetos pelo critério da razão
receita/custo é baseada no resultado da divisão das receitas pelos custos que
ocorrem durante a vida útil de cada projeto, sendo considerado viável o projeto
com valores dessa razão maiores que um. O método considera as receitas ocorridas
após o retorno do capital investido, porém não considera a variação do valor do
capital no tempo e não respeita a ordem de ocorrência das receitas, o que limita sua
utilização (Rezende & Oliveira, 1993).

Razão Receita média/Custo: Este método utiliza a razão entre a média
aritmética das receitas que ocorrem durante a vida útil dos projetos e os custos para
apontar o melhor, sendo escolhido o de maior razão positiva.
A vantagem desse critério é considerar o tempo de ocorrência das receitas.
Suas limitações ocorrem por não considerar o valor do capital no tempo e a ordem
de ocorrência das parcelas (Rezende & Oliveira, 1993).
Os critérios apresentados até aqui são, em geral, utilizados para projetos
que não vão além do curto prazo. Para Faro(1972), tais critérios podem inferir em
resultados inconsistentes por desconsiderarem taxas de juros positivas. Rezende &
Oliveira(1993) consideram que para o setor florestal tais critérios são
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

482
desaconselháveis, principalmente pelo setor apresentar projetos de longo prazo e
altas taxas de juros.

6.3.4.2 Critérios que consideram o valor do capital no tempo

Valor Presente Líquido (VPL): O critério do Valor Presente Líquido
(VPL) consiste em trazer para o ano zero do projeto todos os valores constantes no
seu fluxo de caixa e subtrair as receitas das despesas. Algebricamente tem-se:

( ) ( )
j j
i + 1 i + 1 = VPL
-
j
-
j
C Σ - R Σ


Sendo: Cj = custos líquidos do período de tempo considerado; Rj = receita
líquida no final do período de tempo considerado; i = taxa de desconto do projeto;
n = duração do projeto em números de períodos de tempo.

Para se avaliar a viabilidade de um projeto pelo VPL basta que o mesmo
seja positivo. Em caso de mais de um projeto, o de maior VPL deverá ser
escolhido.
Contador(1996) diz que o critério do VPL é rigoroso e isento de falhas, o
que lhe confere credibilidade.
Rezende & Oliveira(1993) chamam a atenção para um problema
relacionado ao uso do VPL, o valor da taxa de desconto. Esta observação é
considerada por ser o VPL muito sensível à mudanças nas taxas de juros,
desconsiderar este fato pode causar erros na seleção de projetos.
Outra observação importante diz respeito à duração dos projetos. Se os
projetos comparados apresentam o mesmo horizonte de planejamento o melhor
será o que apresentar maior VPL. Se os horizontes de planejamento forem
diferentes, deve-se aplicar um método que os equiparem antes da seleção.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

483
Taxa Interna de Retorno (TIR): A Taxa Interna de Retorno (TIR) de um
projeto é a taxa que iguala o VPL a zero, ou seja, é quando o valor atual das
receitas se iguala ao valor atual dos custos. Algebricamente tem-se:

( ) 0 1 A Σ
-
j
= +
j
n
i
ou
( ) ( ) 0 1 C Σ - 1 R Σ
-
j
-
j
= + +
j
n
j
n
i i

Sendo: Aj = receita líquida no final do ano j, sendo Aj = Rj + Cj; Rj =
receita no final do ano j; Cj = custos no final do ano j; i = taxa interna de retorno; n
= duração do projeto em anos.

A viabilidade dos projetos é considerada nos casos onde a TIR é maior
que a taxa de juros vigente no mercado.
Faro(1972) faz considerações sobre a natureza dos projetos. Quando se
trata de projetos convencionais a TIR é única. No caso de projetos não-
convencionais pode ocorrer mais de uma taxa.
A grande vantagem no uso da TIR é não precisar de informações externas
ao projeto, sendo necessário somente conhecer seu perfil e ter idéia da taxa de
juros vigente no mercado (Contador, 1996).

Benefício (Custo) Periódico Equivalente (BCPE): Considerando a taxa i
sob a forma unitária em relação ao mesmo período adotado para o intervalo entre
os fluxos de caixa, este critério permite a definição do custo periódico equivalente
de um projeto no caso de resultado negativo ou de benefício no caso de resultado
positivo, através da seguinte relação:

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

484
( ) | |( )
( ) 1 - 1
1 1 - 1
) (
nt
nt t
i
i i VPL
PE C B
+
+ +
=

Sendo: B(C)PE = benefício (custo) periódico equivalente; VPL = valor
presente líquido; i = taxa de desconto; n = duração do período de anos, meses, etc.;
t = número de períodos de capitalização.

A viabilidade do projeto é definida pelos valores positivos do B(C)PE,
indicando que os benefícios periódicos são maiores que os custos periódicos
(Rezende & Oliveira, 1993). Quando se faz seleção entre projetos, sendo todos
viáveis, o de maior BPE deverá ser escolhido.
A característica mais importante deste critério é a correção implícita das
diferenças entre horizontes de planejamento, o que dispensa uma análise
incremental.
Custo Médio de Produção (CMPr): O Custo Médio de Produção
(CMPr) é o custo total por unidade de produção que as empresas utilizam quando
querem operar com custos médios mínimos, independente da quantidade produzida
e da duração do investimento.
De acordo com Rezende & Oliveira(1993), o CMPr é dado pela relação
entre o custo total atualizado e a produção total equivalente, sendo necessário
converter os valores para um mesmo período de tempo. Algebricamente tem-se:


j
j
QT Σ
CT Σ
Pr = CM

Sendo: CMPr = custo médio de produção; CTj = custo total anual; QTj =
quantidade total produzida; n = duração do investimento; j = período de tempo em
que os custos e as quantidades produzidas ocorrem.

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

485
A viabilidade do projeto é obtida pela comparação entre o custo médio de
produção de uma unidade do produto e o seu valor de mercado. Quando há mais de
um projeto, o de menor CMPr deve ser o escolhido.
A curva de custo total médio é delineada em forma de U, portanto
apresenta ponto de mínimo. O declínio inicial no custo médio se deve ao declínio
nos custos fixos médios e custos variáveis médios. Posteriormente, há um aumento
nos custos variáveis médios, porém, o declínio do custo fixo médio de forma
acentuada obriga o custo total médio a declinar mais ainda. Com o crescimento do
custo variável médio mais que compensando o declínio do custo fixo médio, o
custo total atinge um ponto mínimo e cresce em seguida.

6.3.5 Modelo de decisão entre substituição e condução da brotação: um estudo
de caso

O exemplo demostrado a seguir foi desenvolvido para povoamentos de
Eucalyptus saligna por Schneider et al.(1989).

6.3.5.1 Origem dos dados

Os dados de sítio, produção e custos utilizados neste modelo são oriundos
do município de Guaíba, no Estado do Rio Grande do Sul.
Os sítios florestais foram classificados em relação à altura dominante em
função da idade, para a espécie estudada em primeiro e segundo ciclos. A produção
volumétrica, por unidade de área, encontra-se estruturada por índice de sítio, idade
e área basal, obtidas nas tabelas de produção, confeccionadas para a empresa por
Schneider et al.(1988).
Nas Tabelas 111 e 112, encontram-se resumidas as produções da espécie
estudada, em primeiro e segundo ciclos.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

486
TABELA 111 - Produção média (st sc/ha) por índice de sítio e área basal, em
povoamento de Eucalyptus saligna, primeiro ciclo, aos sete anos
de idade.
Índice
de Sítio
Área Basal (m
2
/ha)
10 14 18 22 26 30 34
20 90,1 124,6 158,7 192,5 226,0 259,4 292,6
22 98,8 136,5 173,9 211,0 247,8 284,3 320,6
24 107,4 148,4 189,1 229,3 269,4 309,2 348,7
26 116,1 160,3 204,3 247,8 290,8 333,9 376,7
28 124,6 172,2 219,3 265,9 312,4 358,5 404,5
30 133,2 184,0 234,4 284,3 333,9 382,2 432,2
32 141,7 195,8 249,4 302,5 355,2 407,7 459,8
34 150,2 207,5 264,3 320,6 376,7 432,2 487,5
36 158,7 219,3 279,4 338,8 397,8 456,7 515,1


TABELA 112 - Produção média (st sc/ha) por índice de sítio e área basal, em
povoamento de Eucalyptus saligna, segundo ciclo, aos sete anos
de idade.
Índice
De Sítio
Área Basal (m
2
/ha)
10 14 18 22 26 30 34
20 87,3 122,8 158,2 193,7 229,5 265,1 300,8
22 96,2 135,1 174,2 213,4 252,5 291,9 331,2
24 105,0 147,5 190,3 232,9 275,8 318,7 361,6
26 113,8 160,0 206,2 252,5 299,0 345,5 392,0
28 122,8 172,4 222,3 272,2 322,3 372,3 422,6
30 131,6 184,9 238,2 291,9 345,5 399,2 453,0
32 140,5 197,3 254,3 311,6 368,8 426,1 483,5
34 149,3 209,8 270,4 331,2 392,0 452,9 514,0

Para a transformação do volume comercial cúbico sem casca em estéreo,
foi utilizado o fator de empilhamento de 1,49.
Na Tabela 113, encontra-se a produção média esperada para povoamentos
da espécie, em primeiro ciclo, aos sete anos de idade. As áreas basais, dessa tabela,
foram estimadas através da equação definida por Schneider et al. (1988).

Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

487
TABELA 113 - Produção média esperada, em povoamentos de Eucalyptus
saligna, em primeiro ciclo, aos sete anos de idade.
Índice de
Sítio
Área Basal
(m
2
/ha)
Vol. Comercial
(st sc/ha)
20 26.91 232.23
22 27.35 258.48
24 27.84 285.96
26 28.38 314.55
28 28.98 344.74
30 29.64 376.41
32 30.37 410.08
34 31.15 445.38
36 32.01 483.13

6.3.5.2 Custos e receitas residuais

Entendem-se por custos e receitas residuais as despesas ou rendas obtidas,
não dissolvidas na primeira rotação.
Os custos ou receitas residuais dos povoamentos foram desconsiderados
para as alternativas silviculturais de substituição e condução da brotação.

6.3.5.3 Custo de cultura

Os custos culturais para substituição e condução da brotação apresentam-
se discriminados como segue:

6.3.5.3.1 Alternativa de substituição

O custo de cultura da substituição foi composto pelos custos gerais que
ocorrem no ano de implantação mais os custos de manutenção do povoamento, até
um ano antes da rotação.
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Florestal

488
Os custos operacionais na atividade de substituição foram agrupados em
três classes, cujos valores médios são apresentados no Tabela 114.
As classes de custo foram definidas por atividade de preparo do solo,
como segue:
a) Classe A: arado + gradagem leve.
b) Classe B: arado reformador ou escarificador.
b) Classe C: escarificador + gradagem leve.
As operações homogêneas de preparo do solo foram agrupadas em classes
de custos, conforme a semelhança de seus custos, em relação a unidade e momento
de ocorrência no tempo.

TABELA 114 - Custos de substituição
Momento
(ano)
Tipo de Operação

Classe de Custos (US$ /ha)
A B C
0 Implantação 437,3 500,0 562,2
1 Manutenção 17,2 17,2 17,2
2 Manutenção 17,2 17,2 17,2
3 Manutenção 17,2 17,2 17,2
4 Manutenção 17,2 17,2 17,2
5 Manutenção 17,2 17,2 17,2
6 Manutenção 17,2 17,2 17,2


6.3.5.3.2 Alternativa de condução da brotação

O custo de cultura na condução da brotação foi composto pelos custos
gerais das atividades silviculturais, iniciadas logo após o corte raso, seguido de
outros custos até um ano antes da rotação.
As atividades silviculturais gerais e seus custos médios estão apresentados
na Tabela 115. Neste, os custos médios diferem nos anos iniciais do período de
Manejo Florestal: Planejamento da Produção Floresta