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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
IT 390 – LABORATÓRIO DE ENGENHARIA QUÍMICA I


DETERMINAÇÃO DO NÚMERO DE REYNOLDS CRÍTICO
Martins, F.S.
1
, Neves, L.G.D.
1
, Vianna, E.L.F.
1
, e Mendes, M.F.
2

1
Discente do Curso de Engenharia Química da UFRRJ
2
Docente do Departamento de Engenharia Química da UFRRJ

RESUMO: Este trabalho foi realizado para determinar experimentalmente o
número de Reynolds crítico. A determinação foi feita através do escoamento
em tubos circulares, com a variação experimental da perda de carga com a
vazão, em tubo de vidro circular reto. Foram obtidos valores de Re iniciando no
regime laminar e terminando no regime turbulento. Através da curva de
Reynolds versus fator de atrito experimental foi possível determinar o Reynolds
crítico. O número de Reynolds crítico obtido foi 2027,405, então comparado
com o fornecido pela literatura, obtemos uma proximidade entre eles. Também
foram calculados os valores experimentais do fator de atrito e estes foram
comparados ao fator de atrito de Fanning e a correlação de Churchill, obtendo-
se uma certa discrepância entre os valores de fatores de atrito experimentais e
teóricos. A utilização da correlação de Churchill se mostrou melhor, pois
descreve tanto o escoamento laminar quanto o turbulento.
Palavras-chave: Escoamento, Reynolds, Reynolds Crítico

1. INTRODUÇÃO
Fluido é uma substância que não tem forma própria e assume o formato
do recipiente. Os fluidos são gases ou líquidos e apresentam pequenas
diferenças entre si. O gás ocupa todo o volume do recipiente, enquanto o
líquido apresenta uma superfície livre (Brunetti, 2008)
Segundo Munson et al. (2004), os fluidos que apresentam uma relação
linear entre tensão de cisalhamento e taxa de deformação por cisalhamento
(também conhecida como taxa de tensão angular) são denominados fluidos
newtonianos (fluidos ideais). A maioria dos fluidos comuns, tanto líquidos,
como gases são newtonianos.
Os fluidos não newtonianos apresentam uma relação não linear entre a
tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento. Algumas das aplicações dos
fluidos não newtonianos na indústria são o processamento de polímeros, a
recuperação de minerais e o processamento de alimentos (Osorio & Steffe,
1984).

Para Honey & Pretorius (1999), os fluidos reais (líquidos, gases, sólidos
fluidizados) apresentam uma resistência à deformação ou ao escoamento
quando submetidos a uma determinada tensão. Para os gases, a viscosidade
está relacionada com a transferência de impulso devido à agitação molecular.
Já a viscosidade dos líquidos relaciona-se mais com as forças de coesão entre
as moléculas.
Um fluido pode ser tratado como contínuo, para o qual, por definição, as
propriedades variam muito pouco de ponto a ponto. A mecânica dos fluidos
contínuos se subdivide em dois grandes grupos: fluidos não-viscosos (µ igual a
zero) e fluidos viscosos (µ diferente de zero) (Fox et al., 2004)

O escoamento dos fluidos pode ocorrer dentro dos regimes laminar,
intermediário e turbulento. No primeiro caso ainda é possível, em situações de
grande simetria, obter-se uma descrição através de expressões matemáticas
simples. Porém, no último caso, só é possível uma descrição estatística do
escoamento, isto é através do valor médio da velocidade e suas flutuações em
torno deste valor (www.fis.ufba.br).

No regime de escoamento laminar o fluido se move de forma suave e
organizada em camadas ou lâminas, não havendo mistura macroscópica de
camadas adjacentes de fluido. A transição à turbulência se dá através da
amplificação de perturbações introduzidas no escoamento, inicialmente
laminar, por variadas fontes de ruído (www.eesc.usp.br)
No regime turbulento há a criação, desenvolvimento e colapso de
vórtices, com consequente dissipação de energia por atrito viscoso entre
partículas adjacentes; vorticidade gerada no contato entre regiões com
movimento de líquido rápido e lento ou estagnado na camada limite laminar ou
em zonas de separação do escoamento (www.em.ufop.br).
Segundo Munson et al. (2004), Osborne Reynolds foi o primeiro a
distinguir a diferença entre estes tipos de escoamento utilizando uma simples
montagem experimental, como mostra a Figura 1.

Figura 1 - Desenho do experimento realizado por Reynolds.

Com o procedimento, o cientista conseguiu descrever 3 comportamentos
para o fluido, que podem ser visualizados na Figura 2.

Figura 2 - Comportamento do filete de tinta para cada tipo de escoamento.

Para Favero (2009), o estudo, a avaliação e entendimento de qualquer
processo no qual o escoamento deste tipo de fluido seja de fundamental
importância, é necessário conhecer este comportamento e em muitos casos,
saber representá-lo de uma forma quantitativa por meio de equações
matemáticas.
O número de Reynolds é um valor adimensional que mostra a distinção
do escoamento laminar e turbulento. Este número é a medida da razão entre
as forças de inércia de um elemento de fluido e os efeitos viscosos desse
elemento. Esta grandeza será importante quando estes dois tipos de forças
forem relevantes no escoamento (Munson et al., 2004).
A equação representativa do número de Reynolds é apresentada a seguir na
Equação 1:

Equação 1- Equação do Número de Reynolds.
Aonde:
D – Diâmetro interno do tubo
v - Velocidade de escoamento do fluido
ρ – Densidade do Fluido
µ - Viscosidade dinâmica do Fluido

O tipo do escoamento pode ser constatado pela relação acima, em que
o número de Re <2100 corresponde a escoamento laminar, entre 2100< Re
<4000 é correspondente à faixa de transição e o número de Re>4000 é o do
regime turbulento. A característica do escoamento depende não somente da
tubulação utilizada como também do caráter viscoso do fluido, desta maneira
fluidos de baixa viscosidade e alta densidade tendem a fornecer à turbulência
(Scheid, 2010).

O ponto de partida para o cálculo da perda de carga é a definição do
fator de atrito, f. Existem 2 definições para este fator, a de Darcy e a de
Fanning. O fator de atrito de Fanning é definido pela razão entre a tensão de
cisalhamento na parede e a energia cinética do escoamento por unidade de
volume (www.teses.usp.br).
Na literatura existem várias correlações para a determinação do fator de
atrito de Fanning, neste trabalho foi utilizada a correlação de Churchill (1977).

O número de Reynolds crítico define Re acima do qual o escoamento
deixa de ser laminar e passa a ser turbulento. Seu valor depende de cada
geometria (www.Fftp.demec.ufpr.br)

De acordo com Mendes (2011), o regime laminar, a variação do fator de
Fanning com o número de Reynolds, é linear. A literatura fornece diversas
correlações de f=f(Re) para escoamento turbulento. Os resultados obtidos
permitem fazer a verificação experimental destas correlações. Segundo a
mesma, a determinação do número de Reynolds crítico para escoamento de
fluidos em condutos circulares é imprescindível nas equações de projeto, pois
caracteriza o tipo de escoamento de um fluido num tubo.

Neste trabalho objetivou-se determinar o valor do Reynolds Crítico para
o experimento realizado, além da variação experimental da perda de carga, e
por ultimo a visualização das características dos escoamentos laminar e
turbulento.

2. MATERIAIS E MÉTODOS
Os materiais utilizados nesse experimento foram:

- Reservatório contendo água (V=50 litros)
- Reservatório contendo corante (funil de separação)
- Suporte para o funil de separação
- Válvula gaveta
- Mangueira
- Manômetro de tubo inclinado
- Provetas
- Cronômetro
- Tubo cilíndrico de vidro
- Corante – azul de metileno
- Fluido manométrico – mistura de 50% tolueno e 50% tetracloreto de
carbono
- Régua

A montagem experimental é mostrada pela Figura 3.

Figura 3 - Montagem Experimental para Determinação do Reynolds Crítico.

3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Durante todo o experimento, regulou-se a válvula de saída do tubo de
vidro com o objetivo de controlar a vazão desde altos até baixos valores.

Através da manipulação da válvula de controle, variou-se diversas vezes
a vazão, influenciando diretamente a queda de pressão (ΔP), que era medido
através da diferença de altura Δh oriunda de um manômetro de tubo inclinado.
Para cada ΔP mediu-se em duplicata o volume de água escoado num
determinado período de tempo. Utilizou-se o corante azul de metileno para
observar o comportamento do fluido (água) à medida que se aumentava a
velocidade do escoamento através da manipulação das válvulas de controle.

A vazão de água foi determinada pelo uso de um cronômetro e de uma
proveta graduada, na qual o volume de água descarregada pelo tubo de vidro
foi medido durante um intervalo de tempo.
Ao todo foram 19 medições. Com isso obteve-se uma larga faixa de
valores de Reynolds possibilitando observar as características do escoamento
através das linhas de corrente desde o regime laminar até o regime turbulento,
passando pela transição.
Durante todo o experimento foi necessário monitorar a altura de líquido
no tanque de alimentação, para que não ocorresse variação de pressão.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o início da realização dos experimentos, com a válvula em
abertura máxima, procurou-se manter o nível do tanque constante, para que a
coleta de dados não fosse irregular.Os valores encontrados experimentalmente
são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 - Dados obtidos no experimento.
Medição
H
vertical
(cm)
H
inclinado

(cm)
V
1
(ml) t
1
(s) V
2
(ml) t
2
(s)
1 14,50 14,20 0,00 0,00 0,00 0,00
2 14,50 14,10 65,00 19,87 70,00 20,06
3 14,40 14,30 130,00 19,84 135,00 20,38
4 14,20 14,50 290,00 19,90 275,00 19,84
5 14,00 14,70 390,00 20,00 400,00 20,00
6 13,60 14,90 480,00 19,80 485,00 19,81
7 13,90 15,60 245,00 5,93 260,00 6,00
8 12,50 16,00 295,00 6,06 300,00 6,10
9 12,00 16,50 320,00 6,09 320,00 6,44
10 11,00 17,00 375,00 6,25 360,00 6,22
11 10,50 17,80 445,00 5,97 445,00 6,19
12 10,00 18,20 465,00 6,03 485,00 6,25
13 9,60 18,70 440,00 6,00 465,00 6,31
14 9,00 19,20 835,00 9,75 830,00 10,10
15 8,50 19,90 910,00 9,97 915,00 10,00
16 7,70 20,90 665,00 6,46 620,00 6,00
17 6,90 21,70 630,00 6,06 640,00 6,13
18 6,00 22,30 680,00 6,03 690,00 6,15
19 5,00 25,00 720,00 6,00 740,00 5,94

Como no experimento foi utilizado um manômetro de tubo inclinado foi
necessária a correção dos valores da variação da altura (∆H). Para esta
correção, estes valores foram multiplicados pelo cosseno do ângulo de
inclinação, mostrado na Figura 4 e obtido pela Equação 2.


Figura 4 - Aproximação da geometria do Manômetro de tubo inclinado.


( )
A
B
= o cos
Equação 1 - Relação do cosseno do ângulo.
Sendo:
A= 11,4 cm
B= 6,7 cm
Logo,
cos(α)= 0,58772
α = 54,0047º

Os valores de vazão foram calculados segundo a Equação 3
Com os valores do volume médio e o tempo médio, foram calculadas as
vazões volumétricas médias pela equação:

T
V
Q =

Equação 2 - Relação de Vazão, volume e tempo.


Sendo:
Q- Vazão volumétrica (cm
3
/s)
V- volume (cm
3
)
T- Tempo (s)
Em que 1 ml é igual a 1 cm³.

A Tabela 2 apresenta os valores da Tabela 1, mas já com a relação de
vazão e a vazão média.

Tabela 2 - Relação de dados experimentais, mas apresentando as vazões e
vazões média.
Medição
H
vertical
(cm)
H
inclinado

(cm)
Q
1
(ml/s) Q
2
(ml/s) Q
medio
(cm/s)
1 14,50 14,20 0,0000 0,0000 0
2 14,50 14,10 3,2713 3,4895 3,380397308
3 14,40 14,30 6,5524 6,6241 6,588280335
4 14,20 14,50 14,5729 13,8609 14,21687571
5 14,00 14,70 19,5000 20,0000 19,75
6 13,60 14,90 24,2424 24,4826 24,3625044
7 13,90 15,60 41,3153 43,3333 42,32433952
8 12,50 16,00 48,6799 49,1803 48,93009793
9 12,00 1605,00 52,5452 49,6894 51,11729849
10 11,00 17,00 60,0000 57,8778 58,93890675
11 10,50 17,80 74,5394 71,8901 73,21475444
12 10,00 18,20 77,1144 77,6000 77,35721393
13 9,60 18,70 73,3333 73,6926 73,51294242
14 9,00 19,20 85,6410 82,1782 83,90962173
15 8,50 19,90 91,2738 91,5000 91,38691073
16 7,70 20,90 102,9412 103,3333 103,1372549
17 6,90 21,70 103,9604 104,4046 104,1824819
18 6,00 22,30 112,7695 112,1951 112,4823039
19 5,00 25,00 120,0000 124,5791 122,2895623

Sendo conhecido o diâmetro do tubo e as propriedades do fluido (Tabela
3), recorreu-se a Equação 3 para descobrir o valor da velocidade do liquido em
escoamento e após isso, utilizou-se a Equação 1 para o cálculo do valor do
Número de Reynolds como mostrado na Tabela 4.
Tabela 3 - Propriedades do tubo e do fluido.
D
tubo
(cm) 1,53
L
tubo
(cm) 68
L
tubo
(m) 0,68
D
tubo
(m) 0,0153
R
tubo
(cm) 0,765
A
tubo
(cm
2
) 1,838538561
ρ
fluido
(g/cm
3
) 1
μ
fluido

(g/cm.s.)
0,01


Equação 3 – Relação entre velocidade do fluido, área da seção transversal do
tubo e vazão de fluido

Aonde:
Q – Vazão de fluido
v – Velocidade do fluido
A – Área da seção transversal da tubulação

Na Tabela 4 também é apresentado o tipo de escoamento segundo uma
classificação visual.
Tabela 4 - Dados de Vazão, velocidade do fluido e Número de Reynolds e uma
classificação visual do escoamento.
Medição Q
medio
(cm/s)
v
(cm/s)
Re Escoamento
1 0,000 0,000 0,000 Laminar
2 3,380 1,839 281,311 Laminar
3 6,588 3,583 548,265 Laminar
4 14,217 7,733 1183,104 Laminar
5 19,750 10,742 1643,561 Laminar
6 24,363 13,251 2027,405 Intermediário
7 42,324 23,021 3522,158 Turbulento
8 48,930 26,614 4071,878 Turbulento
9 51,117 27,803 4253,893 Turbulento
10 58,939 32,057 4904,794 Turbulento
11 73,215 39,822 6092,805 Turbulento
12 77,357 42,075 6437,534 Turbulento
13 73,513 39,984 6117,620 Turbulento
14 83,910 45,639 6982,814 Turbulento
15 91,387 49,706 7605,061 Turbulento
16 103,137 56,097 8582,904 Turbulento
17 104,182 56,666 8669,886 Turbulento
18 112,482 61,180 9360,583 Turbulento
19 122,290 66,515 10176,726 Turbulento

Na Figura 4 temos a demonstração do escoamento laminar determinado
no experimento.


Figura 4 - Escoamento Laminar no experimento.
Com os dados apresentados na Tabela 4 foi calculado o fator de atrito
experimental segundo a equação de definição do fator de atrito de Fanning
(Equação 4). Também foi calculado o fator de atrito utilizando o modelo de
Fanning, que varia com o número de Reynolds para o regime laminar pela
Equação 5, e para regime turbulento utilizou-se a correlação de Churchill pela
Equação 6, a fim de serem feitas comparações entre valores experimentais
com os valores obtidos nos modelos.
g D
v L
f
g
P
·
·
· · =
·
A
2
exp
2
µ

Equação 4 – Equação de definição do fator de atrito de Fanning.


Sendo L= 68 cm.
Re
16
=
Fanning
f

Equação 5 – Determinação do fator de atrito para o regime laminar.
( )
12
1
2
3
12
1
Re
8
8
(
(
¸
(

¸

+
+
|
.
|

\
|
· =
B A
f
Churchill

Equação 6 – Determinação do fator de atrito para o regime turbulento.

Onde:

16
9 , 0
27 , 0
Re
7
1
ln 457 , 2
(
(
(
(
(
¸
(

¸

|
|
|
|
|
.
|

\
|
· +
|
.
|

\
|
· =
D
A
c


16
Re
27530
|
.
|

\
|
= B

Os resultados obtidos são mostrados na Tabela 5.
Tabela 5 – Fatores de atrito.
Medição Re f Experimental A B f Churchill f Fanning
1 0,0000 0,0000 0,000E+00 0,000E+00 0,0000 0,0000
2 281,3108 0,2359 3,922E+14 7,078E+31 0,2275 0,0569
3 548,2653 0,1242 5,591E+15 1,633E+27 0,1167 0,0292
4 1183,1038 0,0267 7,520E+16 7,388E+21 0,0541 0,0135
5 1643,5609 0,0138 2,031E+17 3,840E+19 0,0390 0,0097
6 2027,4055 0,0091 3,715E+17 1,336E+18 0,0422 0,0079
7 3522,1584 0,0105 1,645E+18 1,941E+14 0,0423 0,0045
8 4071,8781 0,0045 2,378E+18 1,906E+13 0,0404 0,0039
9 4253,8932 0,0052 2,653E+18 9,469E+12 0,0398 0,0038
10 4904,7939 0,0039 3,771E+18 9,704E+11 0,0381 0,0033
11 6092,8053 0,0040 6,349E+18 3,019E+10 0,0357 0,0026
12 6437,5336 0,0018 7,227E+18 1,251E+10 0,0351 0,0025
13 6117,6200 0,0025 6,410E+18 2,829E+10 0,0357 0,0026
14 6982,8136 0,0019 8,735E+18 3,407E+09 0,0343 0,0023
15 7605,0607 0,0023 1,063E+19 8,695E+08 0,0335 0,0021
16 8582,9040 0,0025 1,399E+19 1,255E+08 0,0323 0,0019
17 8669,8860 0,0020 1,431E+19 1,068E+08 0,0323 0,0018
18 9360,5828 0,0013 1,699E+19 3,134E+07 0,0316 0,0017
19 10176,73 0,0049 2,043E+19 8,226E+06 0,0309 0,0016

A Figura 5 mostra a representação do fator de atrito experimental contra
número de Reynolds.

Figura 5 - Fator de atrito experimental versus número de Reynolds.
Os coeficientes angulares das retas de ajuste da região laminar e
turbulenta são respectivamente -2,0x10
-5
e -6,0x10
-7
. Analisando a Figura 6 é
possível determinar o número de Reynolds crítico a partir da equação
encontrada para o regime laminar. O número de Reynolds crítico obtido pelo
gráfico foi 2027,405. A Figura 6 estabelece uma comparação do fator de atrito
experimental e teórico de Fanning e Churchill.


Figura 6 - Comparação entre os fatores de atritos experimentais e
teóricos em função de Reynolds.

Analisando a Figura 6, vale ressaltar que a partir do regime turbulento o
fator de Churchill começa a se aproximar do fator experimental inicialmente.
Nota-se que a linha de tendência é bem próxima para o fator de Churchill e o
fator experimental inicialmente, mas após um determinado tempo os valores
dos fatores de atritos são diferentes. Já o fator de atrito de Fanning tem valores
diferentes do fator experimental inicialmente e após se aproxima dos valores
0.0267
0.0138
0.0091
y = -2E-05x + 0.0506
R² = 0.9574
y = -6E-07x + 0.0069
R² = 0.7123
0.0000
0.0050
0.0100
0.0150
0.0200
0.0250
0.0300
-2000.00 2000.00 6000.00 10000.00
f

Reynolds
f Laminar
f Turbulento
Linear (f Laminar)
Linear (f Turbulento)
0.0000
0.0500
0.1000
0.1500
0.2000
0.2500
0.00 2000.00 4000.00 6000.00 8000.00 10000.00 12000.00
f (exp)
f Churchill
f Fanning
f
Re
experimentais de acordo com o aumento de Re. Mesmo assim, a correlação do
fator de Churchill foi o que mais se aproximou do experimento realizado.
A Figura 7 demonstra o coeficiente de atrito fator Fanning em função do
número de Reynolds em gráfico log-log.

Figura 7 - Coeficiente de atrito fator Fanning em função do número de
Reynolds em gráfico log-log.

Na Tabela 6 encontram-se os valores de perda de carga e suas
respectivas velocidades.
Tabela 5: Dados de perda de carga e velocidade.
Medição Re ΔP/ρ.g V²/2g
1 0,00 0,0000 0,0000
2 281,31 0,0723 0,0009
3 548,27 0,1446 0,0018
4 1183,10 0,1446 0,0039
5 1643,56 0,1446 0,0055
6 2027,41 0,1446 0,0068
7 3522,16 0,5062 0,0117
8 4071,88 0,2893 0,0136
9 4253,89 0,3616 0,0142
10 4904,79 0,3616 0,0164
11 6092,81 0,5786 0,0203
12 6437,53 0,2893 0,0215
13 6117,62 0,3616 0,0204
14 6982,81 0,3616 0,0233
15 7605,06 0,5062 0,0254
0.0
0.0
0.1
1.0
1 10 100 1000 10000 100000
f

F
a
n
n
i
n
g

Reynolds
f Fanning
16 8582,90 0,7232 0,0286
17 8669,89 0,5786 0,0289
18 9360,58 0,4339 0,0312
19 10176,73 1,9526 0,0339

A Figura 7 mostra a representação gráfica da perda de carga (ΔP/ρg) em
função da velocidade (v²/2g).


Figura 7: Gráfico de ΔP/ρg versus v
2
/2g.

Para construção do gráfico log-log (Figura 8) foi necessário calcular as
perda de carga ΔP/2.v^2 em função do número de Reynolds, como mostra a
Tabela 7.

Tabela 7 - Cálculo da perda de carga.
Medição Re ΔP/ρ.g V²/2g ΔP/2.v2
1 0,00 0,0000 0,0000 0,0000
2 281,31 0,0723 0,0009 10,48234
3 548,27 0,1446 0,0018 5,519243
4 1183,10 0,1446 0,0039 1,185265
5 1643,56 0,1446 0,0055 0,614171
6 2027,41 0,1446 0,0068 0,403627
7 3522,16 0,5062 0,0117 0,468071
8 4071,88 0,2893 0,0136 0,200125
9 4253,89 0,3616 0,0142 0,229207
10 4904,79 0,3616 0,0164 0,172409
11 6092,81 0,5786 0,0203 0,178767
12 6437,53 0,2893 0,0215 0,080067
13 6117,62 0,3616 0,0204 0,110825
14 6982,81 0,3616 0,0233 0,085063
15 7605,06 0,5062 0,0254 0,100398
16 8582,90 0,7232 0,0286 0,112606
y = x
R² = 1
0.0000
0.5000
1.0000
1.5000
2.0000
2.5000
0.0000 0.5000 1.0000 1.5000 2.0000 2.5000
17 8669,89 0,5786 0,0289 0,088286
18 9360,58 0,4339 0,0312 0,056804
19 10176,73 1,9526 0,0339 0,216261


Figura 8 - Razão entre a perda de carga e a velocidade (ΔP/2.v
2
) em função
do número de Reynolds em escala logarítmica.

5. CONCLUSÕES

De acordo com os resultados obtidos para os valores de fator de atrito
experimental e teórico, foi observado que com o aumento do número de
Reynolds o fator de atrito tende a diminuir, não importando se calculado por
qualquer uma das correlações ou experimental. Observando a Tabela 5 nota-
se uma grande diferença entre os valores calculados pelos modelos e os
valores experimentais, sendo a correlação de Churchill a que apresentou
maiores desvios.
O valor do número de Reynolds crítico obtido através da Figura 5 foi de
2027,405, comparando com a literatura difere, a maioria dos autores considera
a região crítica a partir de Reynolds igual a 2100, esta diferença pode estar
relacionada a efeitos de borda inerentes ao equipamento utilizado para a
medição dos dados.
Durante o experimento foi realizada a injeção de corante (azul de
metileno) para identificar o regime de escoamento em cada ponto medido
através da observação das linhas de corrente. Sendo a faixa de transição de
difícil visualização para que se possa afirmar o regime em que se encontra.
Observando a Figura 7, nota-se que a perda de carga é linearmente
proporcional à velocidade do escoamento.

0.0
0.1
1.0
10.0
1 10 100 1000 10000 100000

P
/
2
.
V
^
2

Reynolds
ΔP/2.v2

6. REFERÊNCIAS

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Edição, 2008,
Disponível em
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Disponível em http://www.fis.ufba.br/dfg/fis2/Escoamento_fluidos.pdf, acessado
dia 21/01/2013
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