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Faculdade Nacional de Direito Monitor Jean Pontes Revisão - Direito Internacional Público II 1ª Parte Jurisdição A ideia de jurisdição circunda

todos os ramos do Direito, inclusive o Direito Internacional. Prima facie, a análise morfológica do termo já elucida parte de sua conceituação. De origem latina, jurisdição deriva da soma entre os vocábulos juris (direito) e dictionis (ação de dizer). Afirma a doutrina que este dizer o direito representa três elementos básicos do Estado, a saber: poder, função e atividade. Sendo assim, lato sensu, temos a definição de Gusmão Carneiro, segundo a qual jurisdição “é a atividade pela qual o Estado, com eficácia vinculativa plena, elimina a lide, declarando e/ou realizando o direito concreto1” (CARNEIRO, 1991, p. 4). Restam, contudo, questões como: quem "diz o direito" no âmbito internacional? Há de se falar em jurisdição universal? Somente o Estado nacional pode exercer a jurisdição? Essas e outras perguntas urgem análise mais detalhada.
1. Tipos de Jurisdição

Podemos falar no conceito de jurisdição sob três égides: (i) a jurisdição nacional; (ii) a jurisdição internacional; e, (iii) a jurisdição universal. Caberá a este estudo a análise em especial do item i¸ uma vez que é justamente a delimitação da jurisdição nacional um dos principais desafios do DI. Iniciemos, contudo, pela análise da jurisdição universal. A noção de jurisdição universal perpassa diretamente o conceito de justiça universal. Conforme versa Cançado Trindade: "The principle of universal jurisdiction, in sum, entails the non applicability of statutory limitations in relation to crimes which affect humanity itself, thus transcending the traditional principle of territoriality
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CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e Competência. 4ª ed., São Paulo: Saraiva,1991

praticamente efetiva4". Haia. pela atividade de órgãos públicos. p. as member of the international community2" (CANÇADO TRINDADE. 2010 4 CHIOVENDA. não é de sua competência. existem casos em que qualquer Estado pode processar violações ao Direito internacional. Hans – Princípios do Direito Internacional. sucintamente. 2005 3 Em relação à desconstrução da noção de soberania como summa potestas. 1998 . afirma-se. 2005. Ijuí: Unijuí. Jurisdição Nacional Em relação ao direito interno. entretanto. que esta decorre das decisões proferidas pelas cortes internacionais. Martinus Hijhoff Publishers. Instituições de direito processual civil. figuram apenas subsidiariamente. Essas últimas duas. 8) A jurisdição nacional pode atuar em três esferas: territorial. II. Ascende então ao posto de regra geral da jurisdição o princípio da territorialidade. Vol. pessoal e quanto aos bens públicos. já no afirmar a existência da vontade da lei. (CHIOVENDA. Em outras palavras. 2. 435) Assim sendo. o princípio segundo o qual as cortes 2 CANÇADO TRINDADE. and any of them can prosecute those responsible for such crimes. qualquer Estado pode dizer o direito em uma esfera que. Giuseppe. Antônio Augusto. Paolo Capitanio. Gilmar Bedin e Ulrich Dressel. cf. fica claro que se deve extrair como corolário da jurisdição universal o desmantelamento do princípio da territorialidade. a jurisdição surge como prerrogativa da soberania3 de dizer o direito. universal jurisdiction is in a way shared by all States. pág. Campinas: Bookseller. Já em relação à jurisdição internacional. eleitas como foro de resolução de conflitos pelas partes litigantes. já no torná-la.: KELSEN. qual seja. De acordo com o professor Chiovenda: "Pode definir-se a jurisdição como a função do Estado que tem por escopo a atuação da vontade concreta da lei por meio da substituição. teoricamente. Trad. International law for humankind: towards a new jus gentium (I): general course on public international law. Trad. da atividade de particulares ou de outros órgãos públicos.. 1998.of criminal law.

contudo. entre o Brasil e os Estados Unidos da América. por seu turno. (ii) a cessão administrativa. sejam quais forem as circunstâncias do caso sub judice. por tempo determinado.2.3. A cessão administrativa. A cessão por arredamento dá-se quando um Estado cede convencionalmente determinado parcela de seu território a outro Estado.nacionais devem sempre aplicar.1. 2. as leis vigentes de seu país. Coube ao jus bellum regular os limites da ocupação. e (iii) a concessão. celebrado O Brasil hoje ocupa o Haiti por determinação do CSNU. assemelha-se muito à dinâmica da cessão por arrendamento. enquanto esta tem prazo determinado. talvez seja o caso de Berlim após a Segunda Guerra Mundial. o Tratado de Alcântara. 6 . Ocupação Militar A ocupação militar já era definida no artigo 47 da Convenção da Haia de 1907. 2. aquela não tem. como Macau. Servidão 5 Surgem diversos outros exemplos.1.Jurisdição Territorial Extraterritorial Algumas hipóteses especiais de jurisdição territorial fora dos limites territoriais de um Estado devem ser elencadas. do que uma cessão administrativa para dois ou mais Estados. cedido ao Império Britânico – descontando-se o tempo de colônia – de 1898 a 19975. Foi o caso. Por fim.1. 2. nada menos. Assim dinamizava-se a Zona do Panamá em relação aos Estados Unidos. a concessão consiste em. 2. O exemplo histórico mais famoso. in verbis: "um território é considerado ocupado desde que se encontre de fato sob a autoridade de exército inimigo". Cessão territorial sem transferência de soberania A cessão territorial sem transferência de soberania pode ocorrer com: (i) a cessão por arrendamento. de Hong Kong. ou ainda. por exemplo. estabelecendo restrições como a impossibilidade de anexação e a proibição da requisição forçada de bens e pessoas6.1.1. nada mais.

pág. não tem importância prática. O Estado tutor é responsável também pela função legislativa e pelo poder completo de polícia. Das imunidades de jurisdição e de execução.5. 7 SOARES. Protetorado Em uma análise crítica. Trata-se de um protetorado hipertrofiado. sinônimos. penal. contudo. enquanto o segundo na ONU. administrativa.1). Por exemplo. defesa. originalmente costumeiras. 2.1.4. ou seja. É uma proteção que o Estado possui para não ser submetido ao poder jurisdicional de outro Estado 7” (SOARES. Origem A imunidade de jurisdição é tida como decorrente do princípio da igualdade dos Estados no plano do Direito Internacional. pode-se definir o protetorado como uma forma mais suave de pacto colonial. de forma geral. 2. O Estado protetor fica incumbido pela representação internacional. diz-se que a imunidade traduz o antigo brocardo latino par in parem non habet imperium. por força de normas jurídicas internacionais. 1. Rio de Janeiro: Forense.1. Imunidade de Jurisdição “A imunidade de jurisdição é a isenção para os Estados [e para certos atos e bens] da jurisdição civil.Sucintamente. e normas constantes de tratados e convenções. gestão financeira e prestação jurisdicional aos estrangeiros do Estado protegido. Mais especificamente. pois iguais não podem julgar iguais. 1984. o Estado estrangeiro é imune à jurisdição do Estado local. a servidão consiste na autorização a um Estado de realizar certos atos de jurisdição em outro Estado. . consiste na nomenclatura adotada na Liga das Nações. O primeiro termo. Guido Fernando Silva. Mandato e Tutela Mandato e tutela são. 1984. Hodiernamente. Montenegro concedeu à Áustria o poder de polícia marítima. de doutrina e jurisprudência.

160: “Não houve a criação de uma nova imunidade. v. cria-se uma espécie de imunidade em razão da matéria.g. um ato 8 Nesta época. rev. 130). ou mais ainda. 9. São estes. 2002. ed. José Francisco. Rio de Janeiro: Renovar. cônsules. "as regras de imunidade do Estado soberano são impostas pelo Direito Internacional. 10 REZEK.Historicamente. passando a ser atributo da pessoa jurídica do Estado. 11 . na “après moi le déluge”. disseminou-se o princípio do “the King can do no wrong”. Assim sendo. pág. mas apenas a transferência da titularidade da imunidade. 1984. 2002. mas na feição externa do soberano”. o conceito moderno de imunidade surgiu concomitantemente à formação do Estado Nacional. a noção de que “nenhum Estado soberano pode ser submetido contra sua vontade à condição de parte perante o foro doméstico de outro Estado10” (REZEK. o absolutismo – expresso na máxima “l'État c'est moi”. entre outros. a doutrina do ato de Estado é uma limitação adicional imposta por auto-restrição judiciária no exercício da jurisdição11" (apud SOARES.. Antenor Pereira. Nesse caso. aquelas que decorrem da pessoa atingem. Sendo assim. pág. A esse respeito. 4 Paulo: Saraiva. A renúncia à imunidade de 9 jurisdição pelo estado brasileiro e o novo direito da imunidade de jurisdição. De acordo com o Professor Celso D. via de regra. de estar consolidada no direito consuetudinário internacional. ambas de Luís XIV de França – foi o responsável por estabelecer os primeiros contornos efetivos da noção de imunidade9. a mutação estaria não no instituto da imunidade. 2003.: MADRUGA FILHO.. cf. na Convenção de Viena sobre Relações Consulares e na Convenção sobre Imunidades Jurisdicionais dos Estados e seus Bens de 2005. São Op. uma vez que a figura do monarca.166) encontra-se positivada nas Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. confundia-se com a própria figura do Estado 8. ou seja. na maioria dos casos. Hodiernamente. quanto em ratione materiae. os representantes do Estado estrangeiro no Estado visitado. De forma breve. chefes de Estado. que deixa de ser atributo pessoal do governante. Direito internacional público: curso elementar. Critérios As imunidades de jurisdição podem decorrer tanto em ratione personae. p. tido como soberano. cit. Além é claro. 2. os diplomatas. p. Albuquerque de Mello.

são os atos pelos quais os agentes diplomáticos desempenham essencialmente sua função. realmente acreditou-se que o instituto das imunidades decorresse de alguma forma da ideia de que “o diplomata nunca deixou seu país”. entretanto. sendo assim dispensados do controle de constitucionalidade. por razões de ato de Estado.de Estado não é afastado da jurisdição da Corte. 4. Outrora. Atos de gestão e atos de império Preliminarmente. Da extraterritorialidade fictícia passou-se à teoria da extraterritorialidade real. adotando como práticas atos exteriores à função diplomática. segundo a qual o próprio local da missão diplomática representaria uma extensão do Estado acreditante e não . 3. Restrições 3.1. esta sim deliberaria. hodiernamente essa noção está extinta. ou ainda. os atos em atividades comerciais e a responsabilidade civil em sinistros.2. tempestiva é a diferenciação entre atos iure gestionis e iure imperi. ou seja. somente os atos de império estão sujeitos a esta. Já os atos de império são aqueles praticados em nome da soberania do Estado. de modo a não estar subordinado à lei da nação estrangeira onde viva. não decidir. 3. Imunidade e Extraterritorialidade A imunidade não deve ser confundida com o princípio da extraterritorialidade. Versa Moreira Lima acerca desta irrealidade: “Vale-se de uma ficção para sustentar que o agente supostamente estaria fora do território (fingitur esse extra territorium) no qual exerce suas funções. Em relação à imunidade. Os primeiros são os atos nos quais o Estado age como particular. que a “a embaixada é território do país estrangeiro no país acreditado”. Restrições Clássicas Elencam-se como restrições clássicas em razão da matéria o caso dos imóveis não-oficiais.

Editora Lumen Juris. in verbis: Art.g. Relações Diplomáticas 1. sujeito à jurisdição do Estado acreditado12” (LIMA. 2004. 3º. é quem representa os interesses nacionais. inclusive dentro da embaixada. no caso. 12 LIMA. estes dois agentes possuem diferentes deveres e prerrogativas vis-à-vis a ordem internacional. 2004.estaria. assim. em: a) representar o Estado acreditante perante o Estado acreditado. O diplomata é o indivíduo responsável por levar adiante a política externa de seu país. 32) Conclui-se então que efetivamente vale o princípio do primado do direito local. propriamente ditos. Missão Diplomática As missões diplomáticas tem sua definição pragmática dada pela própria CVRD/1961. dentro dos limites permitidos pelo direito internacional. 2. Sérgio Eduardo Moreira. Da distinção preliminar entre diplomata e cônsul Embora o Brasil tenha unificado a carreira de diplomata e cônsul. O cônsul. v. b) proteger no Estado acreditado os interesses do Estado acreditante e de seus nacionais. Imunidade diplomática Instrumento de Política Externa. representa os interesses dos nacionais. pág. Logo. c) negociar com o Governo do Estado acreditado. somente se reconhece como esposa a sua primeira mulher.. Esta diferença torna-se evidente quando comparamos a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 e a Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963. entre outras. para efeitos de sucessão. por sua vez. . As funções de uma Missão diplomática consistem. de um diplomata saudita polígamo que possui bens no Brasil.

o estabelecimento de relações diplomáticas entre Estados e o envio de missões diplomáticas permanentes efetua-se por consentimento mútuo. Por meio deste. (iv) o pessoal de serviço. e. ato pelo qual o Estado acreditado afirma estar de acordo com a nomeação do embaixador designado. 2. O próximo passo é a prestação de informações junto à . o Estado acreditante convencionará com o Estado acreditado os objetivos da missão. (ii) a legação.d) inteirar-se por todos os meios lícitos das condições existentes e da evolução dos acontecimentos no Estado acreditado e informar a esse respeito o Governo do Estado acreditante. temos: (i) o chefe da missão. Estabelecimento da Missão Diplomática De acordo com o disposto no artigo 2º da CVRD/1961. pode ser renovado. A definição de qual destes será o ideal local de missão para os diplomatas dar-se-á pela política externa adotada pelo governo. (v) o adido. (iii) o escritório de relações internacionais. e. passa-se ao agrément. em alguns casos. bem como as peculiaridades técnicas e logísticas desta. dando-se em quatro fases. e) promover relações amistosas e desenvolver as relações econômicas. Locais da Missão Elencam-se como locais da missão: (i) a embaixada. 2. Membros da Missão Diplomática Dentre os membros da missão diplomática. Todos são devidamente conceituados no artigo 1º da CVRD/1961. contudo.1. Em seguida. (ii) o pessoal diplomático. 3.2. A primeira delas é o tratado bilateral denominado “acordo de sede”. Ressalta-se que toda missão diplomática possui prazo determinado que. A dinâmica pelo qual se dá o estabelecimento da missão é um tanto quanto formalista. culturais e científicas entre o Estado acreditante e o Estado acreditado. (iii) o pessoal técnico-administrativo.

Imunidade Penal A imunidade penal do agente diplomático é.: MOLL. 1. de Albuquerque. incluindo até mesmo a não obrigação de prestar depoimento. 2010. a violação de embaixadores romanos era dos motivos que tornavam uma guerra justa13” (MELLO. patente. Rio de A respeito da inserção da problemática dos direitos humanos frente às imunidades Janeiro: Renovar. que com ele As diversas imunidades civis dos agentes diplomáticos estão elencadas no artigo 31 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. aos familiares do diplomata. absoluta 14 e irrenunciável. Curso de direito internacional público. esta inviolabilidade estende-se.2. quem são os membros de sua família e missão. 15 Aqui se inserindo ainda a residência do diplomata. são invioláveis. Assim que o diplomata ingressa no Estado estrangeiro deve se apresentar. documentos e malas diplomáticas.chancelaria. Imunidades Internacionais: Tribunais Nacionais ante a Realidade das Organizações Internacionais. temos: (i) os imóveis privados não residenciais do 13 MELLO. Por fim. os arquivos. 11 ed. Em Roma. Leandro de Oliveira. 2ª edição. de maneira geral. (iii) pela declaração do chefe da missão como persona non grata. a pessoa. Imunidade Civil E. etc. residam. 1997 14 diplomáticas. Imunidades 1. Dentre elas. 1. 1210). 2. sendo mais interessante que coloquemos em pauta apenas as exceções a estas imunidades. pág. v. Imunidades Diplomáticas “As imunidades e privilégios diplomáticos existem desde a Antiguidade. quando os agentes diplomáticos se revestiam de um aspecto sagrado. 1997. .1. ainda que local impróprio da missão. mesmo diante de mandato judicial. Celso D. (ii) pelo fim da missão. informando sua identidade. os locais de missão15. temos o término da missão que pode se dar pela (i) morte do chefe da missão. inclusive. e. Assim. cf. Brasília : FUNAG.

responsável pela eficácia do processo. ocorre com a . a nomeação por carta patente norma genérica para o decreto de nomeação . (iii) o vice-consulado. (iv) a agência consular. Membros Os membros da repartição consular são: (i) o chefe da repartição. O primeiro passo consiste na consecução de um tratado de "acordo de sede". 3. (ii) as questões sucessórias. Estabelecimento A dinâmica do estabelecimento das repartições consulares se dá de forma um pouco menos complexa do que o estabelecimento das missões diplomáticas. que possuem a atribuição de resolver os serviços cartorários no território estrangeiro. e (iv) o pessoal de serviço. O término da repartição. Diz-se. uma vez que estes são funcionários públicos permanentes. e (iii) e os atos de comércio ou aqueles praticados como profissional liberal.diplomata. 1. Repartição Consular Opostamente aos diplomatas. Imunidade Tributária As imunidades tributárias estão dispostas no artigo 34 da CVRD/1961 e abrangem os impostos diretos. 1. (iii) o pessoal técnico-administrativo. por seu turno.3. quais sejam: (i) o consulado-geral. superficialmente.e o exequatur . Em seguida. 2. (ii) o consulado. os cônsules nunca estão em missão. Locais Os locais da repartição consular estão definidos no artigo 1º da CVRC/1963. São eles os responsáveis por cuidar dos interesses de seus nacionais em determinado território estrangeiro. (ii) os funcionários consulares.. dois são os atos de direito interno. e.

Imunidades 1. por exemplo.absolutas. (ii) a ocorrência de sinistro. 34 . CVRC de 1963. esta somente se dará com hora marcada e não pode atrapalhar o bom andamento das funções consulares. são elas: (i) direito de locomoção. art. somente excetuando-se áreas consideradas de segurança nacional17. as imunidades consulares somente aplicam-se aos atos de trabalho16 e apresentam algumas exceções. seus agentes devem ter garantidas algumas prerrogativas. 41 CVRC/1963. consideradas . Prerrogativas Para o bom desempenho das funções consulares. Imunidades Tributárias Todas as imunidades tributárias dos diplomatas estendem-se aos cônsules. Imunidade Penal Ao contrário das imunidades penais diplomáticas.com as devidas restrições .1. de crimes graves (crimes hediondos ou de maior potencial ofensivo). Imunidades Consulares 1.revogação do exequatur ou a declaração do chefe da repartição como persona non grata. Imunidade Civil As imunidades civis dos cônsules atingem somente atos ratione offitio¸ sendo dispostas como exceções: (i) aqueles atos cometidos fora do ofício consular específico. 1. podendo inclusive levar à prisão preventiva. esta finda com a suspeita de cometimento de crimes graves. art. Já em relação à inviolabilidade da pessoa do cônsul. estas cessam em caso.3.2. 1. 2. (ii) direito de 16 17 Cf. Quanto às imunidades de jurisdição. e. Quanto à deposição.

São Paulo: Martins Fontes. 2000 . na verdade. pág. (ii) communis. sendo assim passível de apropriação. ou seja. "terra de todos". aquele território onde não há poder soberano que o reclame. (iii) delicta. aéreo e marítimo da base física do Estado. o território é a res que engloba o espaço terrestre.g. territórios anexados pós-1928. ou seja. antagonicamente. Res communis. (iv) derelicta. Teoria geral do direito e do estado. 2000. domínio eminente do Estado.comunicação. 301). consiste no domínio onde a soberania é compartilhada por todos os entes estatais. 37 KELSEN. e. Hans. Classificação Quatro são os tipos territoriais possíveis: (i) nullius. 36 Idem. portanto. tanto com o Estado acreditante e seus nacionais. A res delicta consiste naquela obtida de forma ilícita. art. outrora considerados res nullius. inapropriável por quem quer que seja e com relação a qual todos gozam dos mesmos direitos. este é considerado dominium eminens.. art.1. porque o território do Estado. Formas de Aquisição de Territórios 2. 1. 2. a "coisa abandonada". quanto com qualquer autoridade do Estado acreditado18. Res nullius é a "terra de ninguém". Mais do que isso. 18 19 20 Especificamente quanto à acessão. v. sendo. não geográfica ou natural. entende a Idem. Aquisição originária A aquisição originária implica na ocupação ou acessão de territórios. res derelicta. sendo elemento indispensável à própria essência estatal. Território “A unidade territorial do Estado é uma unidade jurídica. Tradução: Luis Carlos Borges. 3 ed. Por fim. Para o DI. suscetível à apropriação. nada mais é que a esfera territorial de validade da ordem jurídica chamada Estado”20 (KELSEN. e (iii) direito de informação19.

quanto de forma artificial. Por fim. que consiste no exercício público. pacífico. Da mesma maneira. modificando suas fronteiras. (iv) territórios conquistados até 1928 considerados adquiridos pelos Estados conquistadores. constitui o único modo de aquisição de território por decisão de tribunal internacional. temos a (i) cessão. o crescimento ou diminuição de um rio pode alterar as delimitações geográficas de determinado país. Temos ainda. a simples transferência de determinada área antes soberana para um outro Estado.2. 2. Dentre elas.doutrina que esta pode ocorrer tanto de forma natural. artificialmente. real e prolongado. por exemplo. . no Direito internacional. Fala-se ainda na (ii) adjudicação que. Aquisição Derivada A aquisição derivada ocorre de algumas maneiras. da competência interna de um Estado sobre determinado território. (iii) a usucapião. os Estados podem aterrar ou alagar áreas. Decorrente da ação da natureza.