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Unidade didática II
Elementos Históricos do Movimento Numérico: operações e cálculo No início de sua história, o homem, por ser nômade, vivia da caça e pesca de animais e da coleta de alimentos de que a natureza dispunha. A intensidade destas atividades estava vinculada ao sustento diário, sem a preocupação com armazenamento. Cada dia era uma nova luta para obter o alimento para si e para a coletividade da qual fazia parte. Nesta época o homem não sabia contar. A sensação numérica, uma espécie de capacidade natural também chamada de percepção direta do número, era suficiente para saber se os animais que havia abatido ou as frutas que havia colhido alimentariam sua família naquele dia. Com o passar do tempo as relações sociais de produção e os processos de trabalho estabelecidos historicamente se alteraram. O gênero humano deixa de ser nômade e passa a produzir o seu alimento: inicia-se o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Com isto, ele passa a ter a necessidade de vigiar os seus rebanhos e a sua produção para controlá-los de modo que não se modifiquem. Assim começa a organizar as quantidades e apreendê-las por meio da contagem. As primeiras destas ações são desenvolvidas pela correspondência um a um através do auxílio do numeral-objeto. Aos poucos a linguagem escrita, bem como a representação escrita de quantidades é desenvolvida. Várias civilizações criam os seus sistemas de numeração. Com o desenvolvimento da força produtiva do trabalho, bem como com as alterações no processo de formação social, o gênero humano começa a produzir mais, a modificar a natureza e a trocar aquilo que produziu em excesso por aquilo que não tem. A intensificação do comércio gera, então, a necessidade de controlar as quantidade não mais para evitar mudanças, mas para poder acompanhar tais movimentos quantitativos, cada vez mais intensos e mais complexos. Ao produzir riquezas a humanidade criou a necessidade de controlá-las quantitativamente. A visível e crescente complexidade nas relações sociais é também a história da necessidade do controle das quantidades. O gênero humano que se apodera da criação de novas qualidades de riquezas é o mesmo que se apodera das quantidades do que é produzido ou encontrado naturalmente na natureza. Como a contagem não era suficiente para acompanhar o movimento das quantidades, era preciso inventar uma maneira de contar a história dos movimentos de acréscimo, decréscimo, organização em linhas e/ou colunas, possibilitando seu controle. Assim, na busca incessante, de realizar as contagens com menos trabalho e mais rapidez, o gênero humano inventou as operações. Por isto dizemos que fazer uma operação é contar a própria história do movimento das quantidades. E esta história é fruto de uma resposta a uma necessidade que instaura uma determinada ação. Das trocas nas comunidades primitivas até as grandes redes de supermercado tem sido necessário muita criação para dar resposta à necessidade de se apoderar das quantidades. Das “pedras numerais” até o “número invisível” que corre nos circuitos eletrônicos dos computadores, foram muitos problemas e soluções construídas no movimento incessante de procurar seguir o velho lema do gênero humano: cada vez mais rápido, mais fácil e mais prazeroso. Inicialmente as operações eram simples e o gênero humano deparava-se com elas como decorrência do controle das quantidades. Na

Fonte: IFRAH. p. vendas e compras. 1989. inventários. • uma unidade simples por um pequeno cone. Assim. Pode-se observar. tendo a dezena como unidade auxiliar. faziam seus registros de recenseamentos. como a representação de uma quantidade já implicava na realização de cálculos. Isto representa: (3x60) + (4x10) + (3x1) = 180 + 40 + 3 = 223 Fonte: IFRAH (1989. Os números: a história de uma grande invenção. O mesmo acontece à esfera de valor 3600. p. quatro bolinhas e três cones pequenos. quando se obtém trinta e seis mil (3600x10). por exemplo. neste exemplo. Georges. por volta de 3500 aC. 133.2 verdade. Este tipo de representação era feito por idéias “operatórias” bastante abstratas para a época: a multiplicação por dez era expressa pela perfuração do objeto. ele já estava adicionando. São Paulo: Globo. a representação no número 223. . para “descarga de memória”. Ifrah (1994. • o número 36000 (602x10) por uma esfera perfurada. as idéias iniciais das operações se desenvolvem juntamente com a idéia de construção do número e o seu registro. ficaria com três cones grande. • uma dezena por uma bolinha. Ao conferir uma pequena marca circular (verdadeiro símbolo gráfico representando a bolinha da dezena) ao cone de valor sessenta. 134). por exemplo. • o número 3600 (60x60=602) por uma esfera. pg 133-4) relata a maneira como os Sumérios (civilização localizada perto do Golfo Arábico) . Para isto eles utilizavam um sistema de contagem de base sessenta. registrava a quantidade de animais abatidos ao final de cada dia em um pedaço de madeira ou osso. obtém-se a figuração representativa do número seiscentos (60x10). • sessenta unidades por um cone grande • o número 600 (60x10) por um grande cone perfurado. Quando o chamado “homem primitivo”.

sendo que no decorrer da História foram desenvolvidos muitos métodos de cálculo digital. então. A história do cálculo aritmético. inclusive em multiplicações. passou pela utilização de barbante. Os dedos serviram tanto para contar como para calcular. A palavra cálculo provém do latim “calculus” que quer dizer “pedra” e. e com a intensificação de suas atividades. assim como a história da numeração escrita. mesas de fichas e ábacos de cera ou pó. É a primeira calculadora que surgiu. o gênero humano desenvolveu diferentes tipos de técnicas para efetuar as operações. 1992) Foram as pedras que permitiram verdadeiramente ao gênero humano iniciar-se na arte do cálculo. A mão humana é o mais antigo e difundido acessório de contagem e de cálculo utilizado pelos povos ao longo dos tempos. Em seguida. foram dando lugar a outras maneiras de calcular. Para multiplicar 7 por 8. muitas vezes da organização dos seus próprios sistemas de numeração. marcas em madeiras e ossos. ábacos de contas. Assim ele chegava a: 7x8=(2+3)x10+(3x2)=56 . chegando à notação numérica graças à descoberta do zero e da nossa numeração posicional atual. estes não serviram para fazer operações aritméticas: o uso dos algarismos era somente para memorizar quantidades e enumerações. “peão”. Desta forma.3 Assim. sem recorrer a qualquer artifício material. As pedras estão particularmente na origem dos ábacos e dos contadores mecânicos. por extensão “bilha”. E obtinha o resultado multiplicando inicialmente por 10 (mentalmente) o número de dedos dobrados nas duas mãos – o que dava (2+3)x10=50 – acrescentando em seguida este resultado ao produto dos dedos levantados da primeira mão pelos dedos idênticos da outra (isto é: 3x2=6). partindo.p. na Auvergne. como o cálculo digital. iniciou com o uso das pedras e dos dedos. Ifrah (1994. Como vários povos contavam com pedras e fichas. pg 95-96) apresenta o método de um camponês da região de Sait-Flour.(IFRAH. estes instrumentos que o homem inventou no dia em que precisou fazer cálculos cada vez mais complicados e que tanto usou quando ainda não dispunha do cálculo escrito por meio dos algarismos “arábicos”. “ficha”. (Davis. grifos do autor) Mas as pedras. essa palavra veio a designar as operações aritméticas elementares (adição. de maneira concreta. sendo que os cálculos eram efetuados. Isto foi possível principalmente a partir da aquisição da capacidade de contar de modo abstrato e de assimilar o princípio de base. 1989. aos poucos. multiplicação e divisão). São encontrados vestígios de seu uso em todo o mundo.117. Estes só perderam sua importância a partir da difusão dos algarismos escritos por meio dos indo-arábicos. subtração. ele dobrava numa mão tantos dedos quantas unidades suplementares há em 7 com relação ao 5 (isto é: 7-5= 2 dedos) e mantinha os outros três estendidos. que fazia as multiplicações com os dedos enunciando simplesmente os dados. o gênero humano pode tirar da mão o máximo de proveito. dobrava na outra mão os correspondentes às unidades suplementares de 8 em relação a 5 (ou seja: 8-5=3dedos) mantendo os outros dois estendidos. por exemplo. É interessante ressaltar que no primeiro estágio da invenção dos números.

Os indianos inicialmente realizavam suas operações aritméticas desenhando os nove algarismos sobre a terra ou areia com o auxílio de uma ponta. quanto para seus registros. Na sua forma mais rudimentar. Esta possibilidade de realizar qualquer tipo de cálculo sem ter de recorrer a acessórios como a mão ou um contador mecânico só surgiu com a criação do zero e dos numerais indo-arábicos. da qual ainda se encontram vestígios na Índia. A mão servia para atender às necessidades da representação visual dos números. o gênero humano sentia cada vez mais a necessidade de recursos mais precisos que pudessem servir tanto para a realização dos cálculos. sendo que o resultado final substituía. estes cálculos eram realizados iniciando-se com o traçado de várias linhas paralelas delimitando colunas que correspondiam às sucessivas ordens do sistema decimal (de forma semelhante ao ábaco) onde eram registrados os números. poeira fina. feito por algarismos arábicos. na Síria. As técnicas operatórias eram efetuadas materialmente. como apresenta Ifrah (1989). foram capazes de resolver vários tipos de operações. na Sérvia. No entanto este primeiro instrumento material de contagem e de cálculo. os homens que ainda não dispunham de nosso cálculo moderno. durante séculos. na verdade representava um frágil suporte de registro do conceito de número. bastonete ou do dedo. Os cálculos eram feitos de certa forma semelhante à maneira que fazemos hoje. o primeiro fator da multiplicação. Assim. Especialmente com a intensificação das comunicações e do comércio entre as diferentes sociedades. etc. usando a memória e múltiplos recursos dos dedos da mão. no norte da África. pó ou mesmo farinha para poder traçar-se os algarismos e resolver as operações. Para isto utilizavam normalmente a prancheta de cálculo. .4 Produto de 7 vezes 8 Dobrar: (7-5) dedos de uma mão (8-5) dedos da outra mão Resultado: 5 dedos dobrados ao todo 3 dedos levantados numa mão e 2 na outra Logo: 7x8=5x10+3x2=56 Este método. Sobre esta (que poderia ser de madeira ou qualquer outro material) era espalhado areia. mas não para memorizá-los. número a número. perpetua uma tradição muito antiga. no Iraque. apagando-se sucessivamente os resultados dos cálculos intermediários.

mas só consolidou-se no final do século XVII. Podemos observar abaixo três maneiras de realizar o produto 934x413. finalmente. foi utilizada no padrão atual em 1941 no livro de aritmética de Caudi. uma vez que a grafia dos algarismos passou a se reduzir tornando-os semelhantes entre si e dificultando sua distinção no desenho. Além disso. por exemplo. esta técnica apresentava o inconveniente de sobrecarregar a inscrição dos cálculos e impedir uma visão nítida do desenrolar das operações. os calculadores indianos e seus sucessores europeus foram simplificando as regras operatórias até chegar às técnicas do cálculo escrito atual. al-Khowarizmi e outros passaram a ser conhecidas pelos europeus. fazendo cálculos parciais. dificultando encontrar prováveis erros. por complicações deste tipo que a prática das operações (apesar da facilidade dos nove algarismos e o zero) permaneceu por longos anos fora do alcance da maior parte das pessoas. sendo que a síntese dos algoritmos para a forma atual levou ainda um certo tempo. Portanto. os algarismos arábicos. Aristóteles. provavelmente. (Cf. pg 54). Davis. sem uso de ábaco e com o uso do zero. uma vez que nesta obra eram explicadas todas as regras de cálculo com algarismos na areia . Num outro estágio. Depois de muito tempo escrevendo algarismos com giz num quadro negro.5 Mas a prancheta de pó apresentava-se cada vez menos prática. A partir daí. com o zero e as técnicas de cálculo escrito de origem hindu entraram na Europa. parte do clero das cruzadas aprendeu o modo de calcular com desenho na areia. o que era realizado paralelamente ao cálculo efetuado apagando as figuras. Devido ao contato que os europeus estabeleceram com a cultura muçulmana. o apagar constante limitava o recurso à memória humana. foi no século XV que a aritmética começou a assumir a forma moderna. obras como de Euclides. durante as cruzadas (séc XI a XIII). 1992) . Ptolomeu. 1992. A divisão. descritos pelo italiano Luca Pacioli em 1494 (apud Davis. com resultados intermediários que eram apagados sucessivamente. À medida que estes contatos culturais eram intensificados. Apesar da vantagem da possibilidade de correção. No séc XIII a publicação do livro “Liber abaci” de Leonardo de Pisa (Fibonacci) foi um dos propulsores do movimento de democratização do cálculo na Europa. E foi. foi desenvolvido o cálculo sem apagar onde eram registrados todos os valores parciais e consistia em “cortar” e escrever por cima os resultados intermediários.

Acrescentar significa aumentar uma quantidade conhecida pela adição de outra. se já tenho 5? .Quanto falta para 8.6 O Movimento Numérico: considerações pedagógicas para o ensino das operações Operação matemática é o movimento numérico no qual dois ou mais números correspondem sempre a um número. A síntese mais elaborada será uma superação das duas ações anteriores pela associação de dois conjuntos sem proceder à recontagem. Quanto falta? . novamente. Na adição. transformar-se nelas pela ação de separar o todo em partes. quero 6. deve-se criar condições para que a criança possa participar ativamente de toda a situação que exija a síntese de quantidades pela adição. A adição Adição é uma operação realizada ao se juntar ou acrescentar quantidades sem passar. mediante a idéia aditiva. a preocupação principal deve ser com a compreensão da operação. estabelecendo então a ação de adicionar uma a uma as quantidades. são quatro as operações fundamentais que registram o movimento das quantidades e contam a história do movimento dos números. na forma de decréscimo (subtração). A adição é uma nova síntese. Assim. é uma operação menos sofisticada que o acréscimo. a criança não precisa recontar a primeira quantidade. Em geral. uma a uma. sem a contagem. porém.Tenho 4. na forma de organização em linhas e colunas (multiplicação). À medida que a junção associa duas quantidades e precede à recontagem do novo conjunto. A nossa preocupação principal ao ensinar as operações deve ser com a compreensão da natureza de cada uma dessas operações fundamentais. Isto é desenvolvido quando fazemos perguntas para a criança do tipo: . as inclui de forma a ser possível. Subtração A operação de subtração poderá estar sendo construída juntamente com a adição. Ao acrescentar. deve ser uma possibilidade mais vantajosa para o pensamento do que ocupá-lo em fazer a quantificação passando cada peça. Portanto. necessariamente. ter a idéia de que se pode juntar cinco peças ou objetos com quatro e dar nove. O que significa adicionar? Juntar e acrescentar: estas são as idéias básicas desta operação! Juntar significa associar duas (ou mais) quantidades. inicialmente é por meio da contagem que se torna evidente o acréscimo de uma unidade à quantidade anterior. na forma de repartição igualitária (divisão). Para adicionar dois números a criança tem que fazer mentalmente um todo (por exemplo: 8) e depois outro todo (por exemplo: 7) e por fim colocar tudo num novo todo. pela contagem. Ela significa um nível de abstração mais elevado do que a contagem. A idéia de adição aparece durante as atividades cotidianas das crianças. Existe movimento dos números na forma de acréscimo (adição). Este representa os anteriores que já não existem mais isoladamente. Oito e sete vistos isoladamente se modificam pela ação humana de se apoderar das duas quantidades juntando os isolados e produzindo um todo diferente das partes que.

Emília logo lembrou à Narizinho que um dia antes ela havia encontrado 15 pedrinhas.8. auxiliando os personagens a resolverem situações problemas que envolvem operações aritméticas. Ela contém elementos pedagógicos que pretendem convidar o estudante a participar lúdica e ativamente da trama. pois foram três as ações de acrescentar mais um. por ser uma atividade. oferece instrumentos para que seja organizado o levantamento de hipóteses referentes à situação dada. gráfico ou expressão numérica. Então. resolveram tirar isso a limpo contando o que cada uma havia recolhido. assim. E foi logo mostrá-las para Narizinho. Quantas pedrinhas cada uma irá encontrar? Momento 2: interação para resolução da situação problema Retornando Emília.7 As respostas a estas questões podem ser feitas pela contagem ou diretamente pela subtração de quantidades que se pretende daquela que já se possui. Coleção de Pedrinhas do Sítio Emília muito sapeca resolveu colecionar pequenas pedrinhas com cores e formas diferentes. No dia seguinte. Quantas pedrinhas diferentes Emília conseguiu encontrar em um dia inteiro de procura? Momento 1: interação com as crianças Durante o primeiro dia. Mas essa alegria durou pouco. ela disse à Narizinho: Viu como eu tenho mais. tenho 22! Narizinho não acreditou na Emília. que encontrasse no sítio de Dona Benta. A partir dessa sugestão deseja-se que o professor apropriando-se desses conhecimentos possa criar e recriar outras atividades de ensino. se gabava por ter mais pedrinhas que Narizinho. No exemplo: 85=3. Responde a pergunta: quanto fica? • Aditiva. ela conseguiu recolher 15 pedrinhas que estavam no jardim em frente à casa de Dona Benta. a busca sistematizada de informações e a elaboração de matérias didáticos. inúmeras ações educativas com sentido e significado para todos que delas participem. se tenho 5. ou. Responde a pergunta: quanto falta para? Atividade 1: A história virtual A História Virtual apresentada a seguir é uma sugestão de organização do ensino das operações aritméticas. pela manhã. desencadeando. . Ao mesmo tempo. muito enxerida. que possam materializar as possíveis resoluções. tirando-as do bolso e com mais as 7 pedrinhas encontradas naquele dia que estavam em sua outra mão. havia conseguido 7 pedrinhas e Narizinho. Assim comprovaram que: Emília. 11 pedrinhas. E Narizinho não concordava com ela. E isto me indica que são três objetos. As operações de subtração encerram as seguintes idéias: • Comparativa: diferença. Emília tinha razão em acreditar que tinha mais pedrinhas? Momento 3: interação para resolução da situação problema Narizinho ficou toda feliz por ter conseguido um número maior de pedrinhas. nesse dia. quer seja em forma de maquete. que se empolgou e resolveu iniciar também sua coleção. as duas partiram mata adentro. para chegar no 8 preciso: 6.7. Responde a pergunta: quanto é mais que? Quanto é menos que? • Subtrativa: retirada.

8 Como que a Emília poderia demonstrar para a Narizinho que estava certa? Momento 4: interação para resolução da situação problema Narizinho colocou suas pedrinhas no chão formando uma fileira e pediu que a Emília fizesse o mesmo colocando suas pedrinhas uma a uma ao lado das suas. Emília tinha mais pedrinhas do que Narizinho. as colocaram dentro de um vidro transparente e o deixaram sobre a mesa da sala para que todos pudessem admirá-las. de fato. assim. Essa nova coleção seria formada por quantas pedrinhas? Momento 6: interação para resolução da situação problema Depois que juntaram as 33 pedrinhas. Depois ela deveria contar quantos feijões foram necessários. (Idéia Subtrativa). Pedrinho sugeriu que ela contasse as suas pedrinhas.(Idéia aditiva). No dia seguinte desabou um temporal e ninguém conseguiu sair de casa. Observando bem as pedrinhas avaliaram que na verdade o que importava era a variedade e a beleza delas. saberia a quantidade de pedrinhas que precisaria encontrar. retirasse a mesma quantidade da coleção da Emília e contasse quantas sobraram.Ela pensou em procurar mais pedrinhas no dia seguinte. Narizinho ficou inconformada porque ela queria ter a mesma quantidade que Emília tinha nesse dia. Assim puderam perceber que. O que Narizinho poderia fazer para saber quantas pedrinhas precisaria encontrar para ter a mesma quantidade? Momento 5: interação para resolução da situação problema Dona Benta sugeriu que ela comparasse uma a uma das suas pedrinhas com as da Emília e quando sua coleção acabasse. (Idéia Comparativa). ela contasse quantas pedrinhas restaram na fileira da Emília e. que ficaria muito mais completa se as duas juntassem o que encontraram. decidiriam formar a “coleção de pedrinhas do sítio”. porque sua fileira ficou mais comprida. o que representaria a quantidade de pedrinhas que ela deveria encontrar. Então. Visconde sugeriu que na comparação das fileiras ela completasse com feijões a sua fileira para chegar à mesma quantidade de pedrinhas que estavam na fileira da Emília. .

Perceba que agora se trata de um outro problema. Imagine que um padeiro tem que distribuir uma certa quantidade fixa de pães em embalagens. a qualidade de ser simples monte. Agora. Talvez a solidariedade tenha sido uma qualidade marcadamente humana responsável pela formação do conceito de divisão. Ao final de sua operação de repartir os pães o que é que ele vai encontrar? Veja que agora o seu problema é . identificado pelos nexos numéricos. o ajuntamento aleatório. Uma outra necessidade que proporcionou a formação da noção de divisão. Por exemplo: querendo saber quantos tipos diferentes de sorvete com cobertura consegue-se formar com 5 sabores de sorvete e 3 tipos de coberturas. Então: 8m2 + 8m2 + 8m2 + 8m2 + 8m2 + 8m2 = 48m2 ou seja: 6 x 8m2 = 48m2 Outra idéia que envolve a multiplicação é a de combinação. em que cada sujeito vai colocando o que consegue coletar deve ser desfeito em partes. tantas vezes quantas forem as rodadas de distribuição do indivíduo até que se esgote a quantidade total dos objetos. O padeiro tem a quantidade fixa de pães para cada embalagem. envolvendo a idéia de medida. O que é certo é que houve a necessidade de distribuir uma quantidade de elementos por um certo número fixo de agrupamento. E se sobrar? Isto certamente será resolvido. Num primeiro momento é o ato de juntar. O grupo coletor ao amontoar o que conseguiu tem diante de si um todo que deve ser repartido de modo que as necessidades de cada elemento do grupo possam ser satisfeitas Aparece a noção intuitiva de repartir. O todo deve ser igualmente de todos e isso só pode ser feito ao desfazer o todo em partes iguais. Ou ainda pode-se ter 6 linhas com 8 quadrados de 1m de lado= 1m2. E hoje sabemos que o tratamento das sobras da divisão do todo em unidades de partes iguais gerou outra classe de números: os racionais. Divisão A divisão é daquelas ações humanas marcadas pela necessidade de repartir. Não em quaisquer partes. Assim. a cada chefe de família pode ser atribuída uma unidade do todo. Assim. Fazer a correspondência um a um foi a primeira solução para quantificar o monte. pode-se organizar esta superfície em 6 linhas e 8 colunas de 1m (de lado). foi ter de distribuir quantidades fixas por um certo número de elementos. o senso numérico supunha ser do mesmo tamanho. A operação que permite ao gênero humano se apoderar desse movimento é a multiplicação. Imagine uma ação comum para conseguir o alimento de um grupo de uma determinada comunidade. será necessário combinar cada um dos sabores com cada uma das coberturas.9 Multiplicação Existe um movimento das quantidades que pode ser organizado para facilitar sua contagem: um movimento que ocorre na forma de organização ordenada em linhas e colunas. Na organização em linhas e colunas pode-se identificar a idéia da adição em parcelas iguais. mas aquelas que o senso numérico parece indicar que são as melhores maneiras de repartir o todo. ao se querer calcular a área de uma sala de dimensões 6mx8m. Aqui está expressa a idéia de repartir em partes iguais por subtrações sucessivas.

no exemplo: 13 x 12 13 x 12 = (10 + 3) x (10 + 2) = (10 x 10 + 10 x2) + (3 x 10 + 3 x 2) = ou (3 + 10) x (2 + 10) = (3 x 2 + 3 x 10) + (10 x 2 + 10 x 10) 10 + 2 x 10 + 3 6 30 20+ 100 156 13 x 12 = (10 + 3) (10 + 2) = 10 x (10 + 2) + 3 x (10 + 2) ou 3 x ( 2 + 10) + 10 x (2 + 10) = 10 x 12 + 3 x 12 ou 3 x 12 + 10 x 12 = 120 + 36 ou 36 x 120 =156 . impede que os estudantes elaborem possíveis diferentes formas de representação e registro do movimento das quantidades. diante das situações que exigiam os registros escritos imediatos dos cálculos.10 diferente da primeira situação de divisão. Muitas vezes. O padeiro tem fixado a quantidade de elementos e deve determinar a quantidade de grupos (embalagens). passando por diferentes processos. É importante ensinar o algoritmo como uma criação histórica da humanidade. até chegar aos algoritmos atuais das operações. Vejamos o caso da multiplicação. Os algoritmos Observando a síntese histórica podemos constatar que a humanidade levou muito tempo. É uma outra necessidade que também é satisfeita por meio da divisão. ignoramos este fato. no entanto. uma síntese do movimento das quantidades que proporcionou rapidez e eficiência na ação humana. Quando a escola organiza as ações pedagógicas relacionadas à apropriação das operações aritméticas focalizando apenas o ensino do algoritmo.

Como eu posso fazer isso? Peço a vocês que me mandem uma carta ou me telefonem pra me ajudarem a solucionar esse problema. Quem escreve aqui é o Ademir da Costa. Aí a fruta não atinge o padrão bom pra comercialização e eu vou gastar com mão de obra e transporte sem conseguir vender a produção. que faleceu há uns dois anos. Serrão para a Oficina Pedagógica de Matemática vinculada ao GEPAPe-USP (Grupo de Estudos e Pesquisa da Atividade Pedagógica). 01 de Março de 2003 Caros colegas professores. achou interessante e repassou para você.Tavares e Wellington L. porque senão a plantação fica "apinhada" demais e acaba atrapalhando os pés que já existiam na hora de receberem sol e irrigação. 1 Texto elaborado por Anemari R. Ademir. eu vou pagar R$ 5. Como eu vou ter que passar as instruções para o Tião. do curral e de alguns equipamentos meio sucateados. porque tenho que tirar o dinheiro do banco. P.11 A contagem cada vez mais rápida e mais fácil: As operações aritméticas1 Atividade 1: O laranjal A diretora da sua escola recebeu uma carta de um ex-aluno da instituição. Eu queria plantar a mesma quantidade de pés que os que vão ficar na primeira plantação.00 por muda plantada.S.00 por pé arrancado. Preciso também saber como organizar a plantação com o mesmo número de mudas em quatro fileiras. Além de uma casa antiga. só que nessa outra área a profundidade do terreno só permite plantar 4 fileiras de laranjas. por favor. Adaptado por: Silvia A. Só que eu preciso saber tudo o que tenho que pagar. Então eu preciso saber separar a plantação original dos pés que nasceram depois e contar o número de laranjeiras da plantação e o número de laranjeiras a arrancar. que frequentou muito pouco a escola. Nestes dois anos. e vou pagar também R$ 10. que meu tio formou com muito sacrifício. e no laranjal cresceu muito mato e também uns pés de laranja fora da plantação original. Cedro . sem usar as continhas para explicar. recebi um comunicado de que meu tio Manoel. Lopes e Maria Isabel B. deixou pra mim uma pequena fazenda no município de Barretos. Vamos ver o que despertou o interesse da diretora. Contando com a vossa ajuda. além de dificultar a limpeza e adubação do pé e de atrair pragas. Aí eu pesquisei na Internet e vi que. vou ter que arrancar esses novos pés. V. Cajamar. eu agradeceria se vocês pudessem me passar a solução passo a passo. Agora que eu estou recém-aposentado. Tenho 50 anos e toda a minha vida trabalhei como mecânico aqui em Cajamar. pensando em comercializar a produção de laranja cultivada sem agrotóxicos. Eu combinei com o Tião. pelo Tião. Ela leu. L. Sempre às ordens. a propriedade ficou abandonada. a propriedade tem um laranjal. agregado aqui da fazenda. na cidade. Eu decidi que agora vou me dedicar ao cultivo da laranja. que ele arrancaria os pés sobressalentes de laranja. Eu combinei também com ele que vamos abrir outra área de plantio de laranjas na fazenda. apesar de ter mais pés de laranja agora do que os que meu tio plantou. e o Tião vai estar aqui só nos fins de semana pra fazer o serviço.

12 Vejamos um esquema da fazenda do Ademir: Área a ser plantada Casa Galpão Galinheiro Curral .

S. Um abraço. Por isso peço uma ajuda. A empresa que fabrica os caixotes informou que neles cabem 27 Kg de laranja. 5 caixotes e mais o restante de frutas que não completarem um caixote para mandar para a escola. Como agora limpamos o laranjal e tem alternado bastante o sol e a chuva. também plantou um novo laranjal. o que dá 135 laranjas por caixote. daqui a 2 meses. vou poder controlar melhor a produção. Já reservei desta produção. vocês da escola distribuem as laranjas pelo tanto de alunos que vocês tiverem! . Obrigado mais uma vez. Só que agora eu estou com outro problema que eu não consegui resolver seguindo as dicas anteriores. não querendo abusar da paciência de vocês. e eu consegui tirar exatamente a quantia necessária para pagar o serviço. Aí. Li também que eles devem produzir inicialmente 100 laranjas por pé. Quantos caixotes deverei comprar agora na próxima safra? Como eu calcularia a minha necessidade de caixotes daqui a 6 anos? Se vocês me ajudarem a entender esse cálculo. para compor a merenda das crianças. dá pra prever que a produção vai atingir o padrão esperado. Vai ser a idade do meu primeiro laranjal na próxima colheita.. O Tião cortou o mato e arrancou os pés de laranja fora do traçado da plantação. sem ter que pedir ajuda todo o tempo a vocês. O problema é que eu preciso comprar caixotes pra embalar as laranjas e não sei quantos caixotes deverei comprar.. Na pesquisa que recebi do meu primo. Com 10 anos os pés devem chegar no máximo da produção (600 laranjas por pé) e produzir nessa média ainda uns seis anos. Ademir P.. 08 de março de 2003 Caros professores. vi que os pés de laranja começam a produzir aos 4 anos.13 Atividade 2: O Ademir novamente pedindo socorro Barretos. Que seria de mim e dos outros produtores da região se não fossem vocês da escola se disporem a nos ajudar.. Gostaria de agradecer muito as dicas que vocês me deram pra eu conseguir limpar minha plantação de laranjas.

00. Celso ganha R$1. quantas são as moças? O salário O salário de Paulo é quatro vezes maior que o de sua mulher Ana. Qual é o salário de Carmem? Pedro recebe três vezes mais que João e Paulo recebe quatro vezes mais que Pedro. Desenhe as caixinhas que essa doceira usa e represente com números como os bombons são organizados. 250) No baile Num baile há 5 rapazes e 4 moças.245). Se uma pessoa tomar um banho de 15 minutos. .14 Atividade 3: As idéias . p. (Viver e Aprender. Utilizem-se de todas as estratégias possíveis.750. módulos 3 e 4.000 litros. livro III. São 3 rapazes. Água Uma casa tem uma caixa d’água de 1. Ana ganha R$230.245). Quanto ganha Paulo? Celso recebeu cinco vezes mais que sua mulher Carmem. contendo 16. Quantos pares poderão ser formados para dançar? Num baile pode-se formar 12 casais diferentes para dançar. módulo 5 e 6. Na doceira Numa doceira os bombons são guardados em caixinhas com divisórias de papelão. quantos dias essas casa pode ficar sem receber água da rua? (Viver e Aprender.00. p. p. Mantendo esse consumo diário.operações de multiplicação e divisão Reúnam-se em grupos e tentem resolver os problemas (cada grupo deve trabalhar com dois problemas) em o auxilio dos algoritmos tradicionais. Depois disso com os demais grupos discutam as estratégias utilizadas e apontem as idéias relacionadas às quatro operações que podem ser exploradas nos problemas. Quantas vezes Paulo recebe mais que João? Água Num banho de chuveiro gastam-se aproximadamente 6 litros de água por minuto. quanto gastará de água? (Viver e Aprender. 20 e 24 bombons em cada uma delas. livro I. Nesta casa. livro III. módulos 3 e 4. são consumidos 250 litros de água por dia.