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Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça Processo:862/09.6TBFAR.E1.S1 Nº Convencional:5.

ª SECÇÃO Relator:MANUEL BRAZ Descritores:ESPECIAL PERVERSIDADE FRIEZA DE ÂNIMO HOMICÍDIO QUALIFICADO IMPEDIMENTOS MEDIDA CONCRETA DA PENA PENA ÚNICA PROIBIÇÃO DE PROVA RECONHECIMENTO RECURSO DA MATÉRIA DE DIREITO RECURSO DA MATÉRIA DE FACTO REFLEXÃO SOBRE OS MEIOS EMPREGADOS ROUBO SEPARAÇÃO DE PROCESSOS SEQUESTRO TESTEMUNHA Nº do Documento:SJ Data do Acordão:09-06-2010 Votação:UNANIMIDADE Texto Integral:S Privacidade:1 Meio Processual:RECURSO PENAL Decisão:PROVIDO EM PARTE Área Temática:DIREITO PENAL - DIREITO PROCESSUAL PENAL Doutrina:- Figueiredo Dias, Colectânea de Jurisprudência, 1987, IV, página 52. - Figueiredo Dias, Direito Penal, Parte Geral, Tomo I, 2007, páginas 79 a 82. -Figueiredo Dias, Direito Penal Português, As Consequências Jurídicas do Crime, Reimpressão, 2005, páginas 291 e 292. Teresa Serra, Homicídio Qualificado, Almedina, 1998, páginas 63 e 64. Legislação Nacional:CODIGO DE PROCESSO PENAL (CPP): - ARTIGOS 124.º, 127.º, 133.º, 147.º, 345.º, 374.º, N.º2, 400.º, N.º1, AL. F), 410.º, N.º2 E N.º3, 412.º, 431.º, 434.º. CODIGO PENAL (CP): - ARTIGOS 71.º, 77.º, 132.º, N.º2, AL. J). CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA PORTUGUESA (CRP). ARTIGO 32.º, N.º1. Jurisprudência Nacional:ACÓRDÃOS DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA : - DE 08/02/2007, NO PROCESSO Nº 07P159, DE 15/02/2007, NO PROCESSO Nº 07P015, DE 08/03/2007, NO PROCESSO Nº 07P447, DE 15/03/2007, NO PROCESSO Nº 07P663, DE 29/03/2007, NO PROCESSO Nº 07P339, DE 27/05/2009, NO PROCESSO Nº 05P0145, DE 17/09/2009, NO PROCESSO Nº 69/07.3GCBNV, DE 14/10/2009, NO PROCESSO Nº 101/08.7PAABT, DE 13/01/2010, NO PROCESSO Nº 274/08.9JASTB, DE 24/02/2010, NO PROCESSO Nº 3/05.9GFMTS, E DE 07/04/2010, NO PROCESSO Nº 2792/05.1TDLSB, TODOS DISPONÍVEIS EM WWW.DGSI.PT.; - PROFERIDOS NOS PROCESSOS NºS 08P3381, EM 13/11/2008, 09P0491, EM 16/04/2009, E 200/06.OJAPTM, EM 12/11/2009, TODOS DISPONÍVEIS EM WWW.DGSI.PT. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL Nº 304/2004. Sumário :I - O recurso para o STJ, nos termos do art. 434.º do CPP, visa exclusivamente o reexame da matéria de direito. É certo que esta norma contempla a possibilidade de o STJ declarar, sendo caso disso, a existência dos vícios previstos no n.º 2 do art. 410.º do CPP. Mas só nos

casos em que o recurso visa exclusivamente o reexame da matéria de direito, ou seja, quando esses vícios não são invocados no recurso. A alegação da verificação dos vícios do n.º 2 do art. 410.º representa uma das formas, a mais restrita, de impugnar a decisão proferida sobre matéria de facto. II - É esta a interpretação que se impõe fazer da ressalva do art. 434.º do CPP: o STJ, visando o recurso para ele interposto exclusivamente o reexame da matéria de direito, como, por exemplo, a qualificação jurídica dos factos provados ou a medida da pena, se se deparar com um dos vícios previstos no n.º 2 do art. 410.º do CPP que inviabilize a correcta decisão de direito, não está impedido de afirmar oficiosamente a sua verificação, e deve fazê-lo, tirando daí as devidas consequências (cf., neste sentido, Acs. de 08-02-2007, Proc. n.º 07P159, de 15-02-2007, Proc. n.º 07P015, de 08-03-2007, Proc. n.º 07P447, de 15-03-2007, Proc. n.º 07P663, de 29-03-2007, Proc. n.º 07P339, de 27-05-2009, Proc. n.º 05P0145, de 17-09-2009, Proc. n.º 169/07.3GCBNV, de 14-10-2009, Proc. n.º 101/08.7PAABT, de 13-01-2010, Proc. n.º 274/08.9JASTB, de 24-02-2010, Proc. n.º 3/05.9GFMTS, e de 07-04-2010, Proc. n.º 2792/05.1TDLSB). III - Constitui questão de direito a invocação de que na decisão proferida pelas instâncias sobre a matéria de facto foram tidas em conta provas de valoração proibida. IV - O que proíbe a valoração de um reconhecimento como meio de prova é a circunstância de ele não obedecer ao disposto no art. 147.º do CPP, como se afirma no seu n.º 7. A maior ou menor assertividade do reconhecimento não tem a ver com a sua validade ou invalidade como meio de prova, mas apenas com a sua força, situando-se por isso no plano da suficiência ou insuficiência da prova. V - A suficiência ou insuficiência de um determinado meio de prova para dar como provado determinado facto releva em sede de apreciação da prova, de que o STJ no caso não conhece, por se tratar de operação a realizar por tribunal que aprecie matéria de facto. VI - Como se diz no art. 147.º do CPP, o reconhecimento tem lugar quando houver necessidade de a ele proceder, o que não é o caso quando a pessoa é conhecida do depoente. VII - A norma do n.º 4 do art. 345.º do CPP refere-se aos casos em que, no mesmo processo, um co-arguido faz declarações em desfavor de outro co-arguido: sendo ouvidos os dois como arguidos, as declarações de um contra o outro só valem como meio de prova se aquele que as prestou não se recusar a responder às perguntas sobre os factos que lhe sejam imputados, nos termos dos n.ºs 1 e 2. VIII - No caso, esta situação não se verifica, visto que houve separação de processos e, por isso, neste processo, não tendo A a qualidade de arguido (foi ouvido como testemunha), não havia que fazer-lhe perguntas ao abrigo dos n.ºs 1 e 2 do art. 345.º do CPP. IX - O impedimento referido na al. a) do n.º 1 do art. 133.º do CPP só tem lugar no mesmo processo ou em processos conexos, cessando em caso de separação de processos. Como se diz no n.º 2, em caso de separação de processos, os arguidos de um mesmo crime ou de um crime conexo, mesmo que já condenados por sentença transitada em julgado, podem depor como testemunhas se nisso expressamente consentirem. X - O TC, através do Ac. n.º 304/2004, decidiu que a norma do n.º 2 do art. 133.º não viola o n.º 1 do art. 32.º da CRP, no entendimento de que o impedimento de o co-arguido depor como testemunha tem como fundamento essencial uma ideia de protecção do próprio arguido, constituindo expressão do privilégio contra a auto-incriminação. XI - Nos casos de julgamento por vários crimes em concurso em que, em 1.ª instância, por algum ou alguns e em cúmulo haja sido imposta pena superior a 8 anos de prisão e por outros a pena aplicada não seja superior a essa medida, sendo a condenação confirmada pela Relação, o recurso da decisão desta para o STJ, como é jurisprudência pacífica deste tribunal, só é

admissível no que se refere aos crimes pelos quais foi aplicada pena superior a 8 anos de prisão e à operação de determinação da pena única, não o sendo no respeitante a cada um dos crimes pelos quais foi aplicada pena de prisão não superior a 8 anos (cf., neste sentido, Acs. de 13-11-2008, Proc. n.º 08P3381, 16-04-2009, Proc. n.º 09P0491, e de 12-11-2009, Proc. n.º 200/06.0JAPTM). XII - No caso, o recorrente foi condenado, em 1.ª instância, nas penas de 1 ano de prisão, pela prática do crime de sequestro, 5 anos de prisão, pela prática do crime de roubo, e 17 anos de prisão, pela prática do crime de homicídio qualificado. A Relação confirmou esta decisão. Deste modo, o STJ só conhece das questões referentes ao crime de homicídio e à determinação da pena do concurso, por não ser admissível o recurso na parte respeitante aos crimes de sequestro e roubo e à pena aplicada por cada um deles. XIII - A verificação de qualquer das circunstâncias exemplificativas do n.º 2 do art. 132.º do CP constitui só um indício da existência da especial censurabilidade ou perversidade, podendo negar-se este maior grau de culpa, apesar da presença de uma destas circunstâncias, e concluir-se pela especial censurabilidade ou perversidade, ou seja, pela qualificação do homicídio, apesar de se negar a presença de qualquer das referidas circunstâncias. XIV - Trata-se de uma censurabilidade ou perversidade acrescida em relação à perversidade ou censurabilidade que já tem de estar presente no homicídio simples. É nessa diferença de grau, nessa especial maior culpa, que encontra fundamento a qualificação do homicídio. XV - Para efeito da al. j) deste artigo, agir com frieza de ânimo significa actuar com serenidade, com o espírito límpido de emoções. E agir com reflexão sobre os meios empregados significa actuar depois de escolher e preparar cuidadosamente o modo de praticar o facto, revelando uma vontade especialmente determinada de cometer o crime e uma maior perigosidade, pela significativa diminuição das possibilidades de defesa da vítima. XVI - Resultando apurado que o recorrente e o seu comparsa escolheram com tempo o modo de matarem a vítima e o local em que o fariam, que para aí se dirigiram já com esse fim e com os instrumentos adequados e que esperaram a chegada da vítima ao local, mostra-se que houve uma cuidada e pensada preparação do crime, revelando a tenacidade do propósito criminoso, que não esmoreceu, apesar dos passos que tiveram de ser dados, entre a formação desse propósito e a sua execução, por um lado, e reduzindo drasticamente as possibilidades de defesa da vítima, por outro. Deste modo, não merece censura a decisão recorrida no ponto em que qualificou o crime de homicídio pela circunstância da al. j), ainda que em função apenas da reflexão sobre os meios empregados. XVII - Em face da perigosidade do recorrente revelada na facilidade com que partiu para a prática do crime e nas circunstâncias de haver escolhido a noite para o levar a cabo, actuando juntamente com outrem e usando armas de fogo, em termos que tornaram a defesa da vítima praticamente impossível, acha-se adequada a medida de 16 anos de prisão pela prática do crime de homicídio qualificado. XVIII - No conjunto dos factos praticados pelo recorrente destaca-se claramente a conduta integradora do crime de homicídio qualificado, sendo ela que essencialmente dá a medida da gravidade global desses factos. Os crimes de roubo e de sequestro aparecem como acidentais. O roubo, de pouco relevo em termos de dano patrimonial e sem danos físicos, é totalmente alheio ao crime de homicídio, e o sequestro, com pouquíssimo desvalor de resultado, está-lhe associado apenas enquanto meio de facilitar a sua execução. Considerando estes dados, acha-se justa a pena única de 18 anos

por omissão de pronúncia. no que concerne à confirmação da procedência da douta acusação. incluindo violações de regras e princípios de direito probatório. n° 2. como se espera. determinando-se a sua revogação. e 4. e ao art° 202°. e um crime de sequestro. o douto acórdão ora em recurso nunca poderá ser confirmado. nºs 1 e 2. pela falta de razoabilidade de se ter dado por provado o que se deu por provado. O arguido interpôs recurso para a Relação de Évora. Pelo que caberia. em conferência. e fundamentalmente analisar o processo de formação da convicção do tribunal a quo . Contudo. Deste último acórdão o arguido interpôs recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. p. 5. 8. e p. e da fundamentação feita da decisão por via deles. 9. e sempre com a devida vénia por diverso entendimento. nº 1. do Código Penal. o venerando Tribunal da Relação de Évora mais não fez que confirmar o douto acórdão do colectivo de Meritíssimos Juízes do Tribunal Judicial de Faro. no Supremo Tribunal de Justiça: No 1º juízo criminal do Tribunal Judicial da comarca de Faro. pelo contrário. por isso. ao venerando Tribunal da Relação ter feito. -na pena de 1 ano de prisão. mas o recorrente entende que se verifica um manifesto erro na apreciação da prova. o julgou improcedente. em sede de julgamento. do mesmo código. pelo art. na pena única de 20 anos e 4 meses de prisão. alínea j). e substituindo-se por outro que determine a absolvição do recorrente. e. O recorrente impugnou a matéria de facto dada como provada pelo tribunal a quo reportando-se para o efeito aos respectivos suportes magnéticos (gravação digital) a partir dos quais efectuou as transcrições que entendeu mais pertinentes para o teor do mesmo. um crime de homicídio p. 4. que. e p. por referência ao art° 204°. em processo comum com intervenção do tribunal colectivo. pela prática de nenhum dos crimes. pela prática de um crime de roubo. pelo que recorreu ao Tribunal da Relação de Évora. nem de qualquer outro crime. pelo artº 158º. pelo art° 210º. c). concluindo assim a sua motivação: «1. al. e concluir. uma sindicância do apuramento dos factos realizado em primeira instância. e p. nºs 2. Entende o Recorrente que se verificam no processo de formação da convicção do tribunal a quo erros claros de julgamento. p. 2. sem apreciar todas as questões de facto e de direito suscitadas. com o douto acórdão ora em recurso. com referência aos artºs 204º. e n° 4. A prova indicada pela acusação. Foi o recorrente AA condenado pelo tribunal de primeira instância na pena de 20 anos e 4 meses de prisão. por acórdão de 25/03/2010. todos do CP. -em cúmulo jurídico. designadamente a alegada actividade de co-agente. de flagrante desconformidade entre . al. -na pena de 17 anos de prisão. pelos artºs 131º e 132º. nºs 1 e 2. alínea f). e p. f). não confirmou os factos dela constantes. e p. sendo por isso nulo. n°s 1 e 2. al. pela prática de um crime de sequestro p. relativamente à qual nenhuma prova se produziu. e p. Entende o recorrente que não se provaram factos suficientes para o condenar. sem qualquer fundamentação. também do CP. Decisão Texto Integral:Acordam. pela prática de um crime de homicídio qualificado p. Entendeu e entende o recorrente que.° 158º. considerando que ao recurso deveria ter-se dado provimento. designadamente. alínea c). 3. alínea b). j). 7. Sempre com a devida vénia. em face do Direito aplicável. nº 1. que expressamente se impugna. n°s 1 e 2. foi o arguido AA condenado -na pena de 5 anos de prisão.de prisão. O Recorrente não se conforma. nem se conforma com a douta decisão proferida na parte da matéria de facto. pelos art°s 131° e 132°. 6. pelo artº 210º. pela prática de um crime de roubo p. e 202º.

Entende o recorrente que. o facto de. deverá ser modificada. de ser. Verificando-se nulidades processuais e probatórias. e que o venerando Tribunal da Relação não tem suporte razoável naquilo que a gravação da prova gravados. circunstâncias fugazes em que terá observado a cara do agente do crime [noite. e que o mesmo não tinha saliência de barriga [aliás esta última característica questionada pelo tribunal a quo]. 16. 17. e alterar-se em sentido NEGATIVO. basta que haja incertezas. local escuro com fraca iluminação]. por. suporte razoável naquilo que a gravação da prova (com os demais elementos existentes nos autos). invocadas pelos Arguidos Recorrentes. 15. bastando para isso. são do conhecimento oficioso deste venerando Tribunal da Relação. e até mesmo inexactidões a identificação do co-agente. impondo-se assim a ABSOLVICÃO do arguido ora recorrente. e que era notório que o recorrente apresentava uma larga saliência de barriga. quanto aos depoimentos gravados. para repetição do julgamento. à data dos factos. 19. e restante prova documental. pelo que impugna a matéria de facto dada por provada e a dada por não provada no douto acórdão condenatório. Assim sendo. por ex: refere que o agente não tinha barba. É ainda de salientar. e de enorme importância. que a matéria de facto assim indicada. Há que notar que a pessoa por ela identificada parece não reunir algumas das principais características do recorrente. Entende o ora Recorrente que a convicção expressa pelo tribunal a quo . O princípio da livre apreciação da prova não é absoluto. ou seja. mas também pela forma como depôs. a dita testemunha [BB] consumir heroína [aliás encontrava-se no . na parte que considera o recorrente como co-agente dos factos. devendo o tribunal a quo fundar a sua convicção em meios de prova legais. para absolver. produzidos em audiência de julgamento. tendo optado por remeter para o que se encontra transcrito em sede de motivações). e sempre com a devida vénia por entendimento diverso. 12. já que terá que haver certezas de culpabilidade para punir. O Recorrente entende que se existem sérias dúvidas quanto à fiabilidade do reconhecimento presencial [que não foi positivo] efectuado na audiência de julgamento pela testemunha BB. 11.os elementos probatórios disponíveis e a decisão do Tribunal recorrido sobre matéria de facto. todas. designadamente. confrontar o depoimento desta testemunha e de CC [pai do arguido e por isso com conhecimento categórico da fisionomia e aparência física do recorrente]. 14. Por isso. insuficiência de prova da sua culpabilidade. Entende o ora recorrente que a convicção expressa pelo tribunal a quo não tinha. que passa a indicar infra. Entende o recorrente. sempre a acusação deveria improceder. por não provada. nem tem. entende. omissões. impunha-se a reapreciação das provas gravadas pelo Tribunal da Relação. 18. com o consequente reenvio. 13. determinantes da anulação do julgamento. o recorrente que constam do processo elementos probatórios que permitem a reapreciação desta matéria de facto (o recorrente por uma questão de economia processual entende que é desnecessário transcrever novamente todos os factos nas conclusões. e restante prova documental. por isso. pois. as divergências à saliência de barriga. designadamente. não necessitando. enquanto que. que reproduziu com largas deficiências. 10. urna vez que a convicção acolhida pelo tribunal de 1ª instância sobre a decisão sobre a matéria de facto não tem qualquer fundamento nos elementos de prova constantes do processo e está profundamente desapoiada face às provas recolhidas. o tribunal a quo julgou incorrectamente como PROVADOS TODOS OS FACTOS [com excepção quanto à condição sócio e económica do recorrente]. Pelas. ao uso habitual de barba.

o que exige certezas probatórias. se constata face à moldura penal abstracta com que é punido. Daí que é evidente que o processo de formação da convicção do julgador é notoriamente deficiente. que não se verificou. 25. neste ponto. nitidamente em violação do principio in dubio pro reo. 29. porque o douto Tribunal não explicou. nem o Tribunal da Relação nunca poderiam valorar a prova por reconhecimento. no caso particular heroína. arbitrária. aliás. apreciado nos termos do artigo 127° do CPP. pois não se percebe que tipo de raciocino lógico e encadeado foi feito. na medida em que sua a capacidade estava gravemente prejudicada pela circunstância de os factos . o que. operado testemunha BB. e o próprio ambiente. A prova por reconhecimento apresentou sérias dúvidas não só da sua validade. 30. a) e c). Nos termos do disposto no n° 1. nunca podia o tribunal a quo chegar à conclusão que o recorrente foi o co-agente dos factos. É totalmente frágil. Assim. do CPP e art° 32º da CRP. Não podia ter-se dado credibilidade à precisão do reconhecimento efectuado. resultando uma decisão ilógica.P. e por conseguinte não podia valorar o depoimento do reconhecedor. que nem sequer verificou reconhecimento positivo. nem carecendo de prova. Relembramos que os crimes da natureza dos autos. Verificando-se que ribunal a quo. do artº 133° do C. pois as presunções não são meio de prova. ou seja. violando por isso o disposto no art° 127° do CPP. 28.Penal. 21. dos efeitos e das consequências do consumo de substancias psicotrópicas. o grau de confiança que a testemunha ocular tem na precisão da identificação efectuada é nula. e que não concede. nesta parte da identificação do agente. e em nítida violação dos artºs 410º. cerca de 30 minutos antes de ter visualizado a cara do agente do crime. No caso concreto. bem como o venerando Tribunal da Relação de Évora seguiram um processo ilógico e irracional na formação da sua convicção. à noite e o local sem iluminação. devendo ser alterado o referido ponto e ser dado como não provado que o ora recorrente tenha sido o co-autor dos factos. e confessou a mesma ter admitido ter consumido heroína. não só. pois NÃO SE VERIFICOU A IDENTIFICACÃO POSITIVA DO RECORRENTE! 23. como reconheceu. 26. como a mesma referiu. 24. pela notória incapacidade da testemunha em percepcionar a realidade. al. consagrado no n° 1 do art° 32° da CRP.local dos factos para adquirir produto estupefaciente]. 27. e contraditória e claramente violadora das regras experiência comum na apreciação da prova. nomeadamente da nitidez e realidade das suas próprias recordações do cenário do crime. Ainda que assim não se entendesse. foi mal julgado. e dar como provado que o Recorrente foi o co-agente dos factos. por não se ter se ter verificado reconhecimento positivo e cabal do recorrente. pelo pretenso reconhecimento positivo. sabendo-se de antemão e de conhecimento público e notório. bem como verificar-se sérias dúvidas pelas circunstâncias fugazes em que terá observado. sendo claramente lesivo o direito de defesa do recorrente. a convicção do julgador na valoração da prova produzida de acordo com a livre apreciação da prova. o DD estava impedido de depor como testemunha. e se o que foi valorizado foi o depoimento da testemunha. criado pela credibilidade da própria natureza das condições em que ele observou o agente do crime e o tempo de que ela dispôs para o fazer. encontrando-se sonolento. n° 2. revestem-se de extrema gravidade. mas pela sua utilidade e credibilidade. incoerente. Sendo uma fraude à lei o aproveitamento de um reconhecimento inexistente com base no principio da livre apreciação da prova. falacioso. o tribunal a quo . e sem suporte de convicção de certezas. para concluir. nos termos do art° 127° do CPP. 22. 20. a). sendo que. Mais importante é verificar-se um diminutíssimo grau de confiança no teor deste reconhecimento. e sem nexo.

n° 1. Assim. n° 1 e n° 3.. assim. 37. está prejudicada pela circunstância de os factos alegadamente praticados pelos arguidos no processo supracitado são os mesmos dos presentes autos. que ora se requer que seja declarada por este venerando tribunal. porque o tribunal a quo admitiu uma prova testemunhal prestada sob o constrangimento de o co-arguido chamado a depor como testemunha se encontrar acusado de factos com urna relação directa com aqueles sobre os quais depôs. da descoberta da verdade material como decorrência do princípio da dignidade humana. nº 1. e nos presentes autos como testemunha. 1165/96. não pode valer como prova como meio de prova o depoimento prestado por DD. ACTA JULGAMENTO de 25-09-2009 .P.P. por violação das garantias de defesa do arguido. devem ser declaradas nulas. Foram. Não se percebendo. como pôde o tribunal a quo integrar o recorrente como co. nos presentes autos. ainda mantém a qualidade de arguido. do C. Ou seja. al. que só porque foi . quando nem se apurou se a testemunha se referia ao recorrente. as declarações de DD usadas no processo como meio de prova. e art° 6°. 33. É certo que o recorrente nos presentes autos. asseguradas pelo artigo 32°. da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 10 de Dezembro de 1948. violando as garantias de defesa do arguido AA. da C. reportava-se ou não ao recorrente. Mesmo que o Venerando Tribunal da Relação considerasse válida a prova testemunhal produzida por DD. n° 8. na medida em que. com todas as legais consequências.00. 443/95. 35. n° 1. ratificada pela Lei n° 65/78. Os direitos do recorrente AA ficaram gravemente comprometidos pela admissão desta prova testemunhal. nada resulta que possa afirmar-se tratar-se do Recorrente. 32. na medida em que o depoimento da DD foi prestada sob constrangimento e sobre factos com uma testemunha relação de conexão com aqueles os quais tem que foi julgado e condenado em 1ª instância. 584196. e deste modo esta prova testemunhal está irreversivelmente ferida. 40. tem o Direito constitucional à descoberta da verdade material como decorrência do princípio da dignidade humana (nesse sentido acórdãos do TC nº 394/89. e não venha dizer. de 13 de Outubro. Neste contexto. relativamente o depoimento prestado por DD. Além do que a decisão condenatória. pelo que em caso algum podia o DD depor na qualidade de testemunha na audiência de julgamento. o recorrente não pode deixar de invocar a nulidade da prova . 39. É evidente que a capacidade de avaliação naqueles autos com o n. da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. e art° 127° do CPP. afectando a totalidade da prova colhida com violação daquela norma constitucional.P. 34. Assim. 31. e estes direitos ficaram gravemente ofendidos. e em particular da garantia de um processo leal e dos princípios do contraditório. verifica-se claramente a falta de liberdade do depoimento da testemunha (DD) tendo contaminado de tal modo a prova testemunhal produzida. os artigos 11º. perturbado assim seriamente a liberdade do depoimento. do depoimento da mesma.11:32:04 [00. é igualmente inconstitucional.agente dos factos. caso sufragasse o que se alegou supra. por violação do disposto nos art°s 32°. no qual o DD.OGCFAR. aliás o que se verificou notoriamente. Por isso. 101/95. ou seja. 1183/96).00 a 00: 16:44. ficou por apurar e desconhecendo-se se o tal EE que a testemunha DD se refere. ora em recurso.° 702/07. 38. bem como o principio da descoberta da verdade material e da dignidade humana. e o art° 126°. que as garantias de defesa do recorrente nos presentes autos ficaram irreversivelmente feridas. 36. perturbando seriamente a liberdade de depoimento. 41. o tribunal a quo violou o disposto no art° 133°.se encontrarem numa relação de conexão objectiva com os factos imputados ao recorrente AA.R. a). também violados. da Constituição. n° 3. assim.

como co-agente. que reconhece o arguido como co-agente dos factos. ou não. o tribunal a quo. 42. Se um arguido não pode prestar declarações como testemunha. não é suficiente para realizar-se a identificação do recorrente. com quem está desavindo. Daí que é evidente que o processo de formação da convicção do julgador . 49. Pelo que não poderá ser valorado o depoimento de DD. para culpabilizar co-arguido no mesmo processo ou em processo conexo. A circunstância de DD não poder ser testemunha. ou prova por reconhecimento presencial de carácter positivo. e por isso este verdadeiro reconhecimento ou pretensa identificação. 47. e ainda que assim não fosse. inexistindo contra si qualquer prova. nestes autos na qualidade de testemunha. Para além disso claramente. então estar utilizar as suas declarações como testemunha. praticada. do CPP. 43. c). 45. O co-arguido e testemunha DD acusa o recorrente. devido à sua natureza «particularmente frágil».. que não é. mas o da inexistência. 133° do Código de Processo Penal. como defende o tribunal a quo. como co-agente dos factos. 54. não estar sob juramento. quando a testemunha declara que reconhece o arguido como co-agente dos factos. do co-arguido e testemunha DD. n° 7 do CPP). que não relatou toda a verdade. mas não tem o valor de reconhecimento quando positiva. apresentando argumentação procedente. que não esteve sujeito a juramento. em caso algum estamos perante um verdadeiro reconhecimento do recorrente efectuado pela testemunha de acusação na audiência de julgamento dos autos não se tratando de uma identificação do recorrente pela testemunha como sendo o co-autor dos factos em discussão. com base somente no depoimento de DD.P. para fundamentar a condenação de co-arguido. ou em conversas que este manteve com terceiros. a fim de aferir-se se o tal EE. 51. e o recorrente ser absolvido da pratica dos crimes pelos quais foi condenado. e inadmissível. 46. tal depoimento não pode ser valorado como meio de prova. designadamente. manifestamente. com quaisquer outras provas. porque não foi respeitado o estatuído no art° 147° do C. provas periciais. não foi realizada a prova por reconhecimento. e ao ter decidido como decidiu. É certo que a prova por reconhecimento pode ter muita importância quando negativa. não poderia ter sido por ele. e prestado TIR. cometeu manifestamente erro notório na apreciação da prova nos termos do disposto no art° 410º. e sem mais. e o ora recorrente nega os factos. na parte que diz reconhecer o Recorrente. por outro lado. Em processo penal. nunca permitiria ao douto tribunal a quo fundar a sua convicção neste único elemento. ainda que em processo separado isso representa uma forma de defraudar a norma da alínea a). o que nem sequer se verificou. absolver o recorrente. isto é. O vício nem sequer é o da nulidade artigo 118°. é suficiente. 53. 52. não têm valor como meio de prova (artigo 147°. Além de desconhecer-se se a testemunha se reportava ao recorrente. 44. nº 2. em caso algum podia servir para sustentar uma condenação. n° 3 CPP. 48. insuficiente e inadmissível. ainda que em conversa com terceiros. cabendo. por isso. Não podia o tribunal a quo considerar como provado o recorrente como co-agente dos factos. ou a terceiros. além do depoimento inválido. 50. Por outro lado. de factualidade que. Mas. os arguidos presumem-se inocentes. Da leitura do douto acórdão resulta claramente que o tribunal não corroborou o depoimento de DD. a que a testemunha se referiu.P. como supra exposto.constituído arguido. mesmo quando a testemunha declara afirmativamente. Não é permitido que o tribunal utilize declarações produzidas por um co-arguido. mesmo que assim não fosse. devendo ser alterado o douto acórdão. se reporta ao recorrente. e não (ser pessoa idónea. do nº 1 do art.

o que resulta do próprio texto da decisão. porquanto nenhuma prova foi feita. 62. não tem suporte razoável naquilo que a gravação da prova. e sem nexo. O ora recorrente não praticou os factos descritos no douto acórdão condenatório. quanto aos depoimentos gravados. Sendo uma fraude à lei o aproveitamento de um depoimento desta testemunha. do CPP. porquanto a prova produzida em audiência de julgamento foi insuficiente para permitir a condenação. no que respeita ao ora recorrente. 59. o principio da livre apreciação da prova. arbitrária. que foi co-arguido em processo conexo com a testemunha. nitidamente em violação do principio in dubio pro reo. 60. Mais. Não se consegue perceber. n° 2. Entende o recorrente que não se provaram factos suficientes para o condenar. 61. pela prática de nenhum dos crimes por que foi condenado. 63. 64. consagrado no n° 1 do art° 32° da CRP. falacioso. como pôde o douto tribunal confirmar como provados os factos supra descritos. devendo ser alterado o douto acórdão e o recorrente ser absolvido da prática dos crimes pelos quais foi condenado. e contraditória e claramente violadora das regras experiência comum na apreciação da prova. n° 2. cuja declaração ora se requer. 55. a) e c). 58. a) e c). ao qual não foi feita prova bastante e que. cometeu manifestamente erro notório na apreciação da prova nos termos do disposto no art° 410°. deveria ser considerados não provados.P. por violação do artigo 32°. em prejuízo do recorrente. uma clara insuficiência da matéria de facto para a decisão. e ser dado como não provado que o ora recorrente tenha sido o co-autor dos factos. para concluir. do CPP. n° 2. inexistentes como se sabe. 57. ainda que se verifique separação de processos. 56. O ora recorrente entende que a convicção expressa pelo tribunal a quo e expressada também pelo Tribunal da Relação. do CPP. existe sim. e somente na parte aproveitada pelo tribunal a quo [na identificação do recorrente]. e dar como provado que o recorrente foi o co-agente dos factos. na norma extraída com referência ao artigo 133°. resultando uma decisão ilógica. Existe no acórdão recorrido. pelo que impugna a matéria de facto dada por provada e a dada por não provada no douto acórdão condenatório. Verificando-se que tribunal ora recorrido seguiu um processo lógico e irracional na formação da sua convicção. designadamente. devendo ser alterado o referido a matéria de facto impugnada. e restante prova documental. dá como provado os factos oportunamente impugnados. n°s 1 e 5. 410º. 65. e em nítida violação dos artºs 374º. de flagrante desconformidade entre os elementos probatórios disponíveis e a decisão do tribunal recorrido sobre matéria de facto. sendo claramente lesivo o direito de defesa do arguido.P. incoerente. O acórdão em recurso valorou incorrectamente as provas produzidas.) e o princípio in dubio pro reo . mas o recorrente entende que se verifica um manifesto erro na apreciação da prova. verificando-se uma situação de nulidade do julgamento. Assim. nem no acórdão confirmatório. c). em nosso entender e sempre salvo melhor e douta opinião. nos termos do disposto no art° 410° n° 2. al. O acórdão em recurso é inconstitucional. o tribunal a quo ao ter decido como decidiu. do CPP e art° 32° da CRP. no sentido em que confere valor de prova às declarações proferidas por uma testemunha. porque o tribunal a quo. violando o princípio da livre apreciação da prova (art° 127° do C. Verifica-se erro de julgamento da matéria de facto.é notoriamente deficiente. os factos provados são insuficientes para considerar integrados os elementos dos crimes pelos quais foi condenado. da CRP. pelo que se impõe a absolvição do . Sempre com a devida vénia. nem de qualquer outro crime. por isso. violando por isso o disposto no art° 127° do CPP. Assim. violando por isso. insuficiência de prova para se dar como provada a matéria de facto. com vista a corroboração com quaisquer outras provas cabais.

a consequência necessária será a revogação o douto acórdão ora em recurso. e concluir. nesta instância. Não se podendo o julgador bastar com as regras da experiência comum e assim o tribunal a quo violou o disposto no art.P. a motivação expressa pelo Tribunal recorrido é manifestamente insuficiente para o Tribunal de Recurso. Assim deverá este Venerando Tribunal sindicar o apuramento dos factos realizado em primeira instância. contraditória e claramente violadora das regras experiência comum na apreciação da prova. dela o Venerando Tribunal da Relação de Évora conhecendo. parte de presunções para condenar o recorrente. sempre o julgamento será anulado. e admissível. pelo que o arguido devia ter sido absolvido.. e que o julgador seguiu um processo ilógico e irracional na formação da sua convicção. com todas as legais consequências. e.P. 67. logo se constata que a prova. 355°. deverá ser reenviado o processo para repetição do julgamento. 72. 68. A insuficiência da matéria de facto. anulando-se o julgamento. com substituição por outro que absolva o recorrente. 127° do C. e da fundamentação feita da decisão por via deles. 74. de acordo com o oportunamente requerido. e por ilações sem nexo. pelo que. para além de não dar o beneficio da dúvida. em vez de condenado. que permita julgar procedente a douta acusação de fls. válidas e admissíveis. cuja prova foi registada. Efectuou-se. além de que do conhecimento oficioso. produzidos em audiência de julgamento. e deve. e considerando o princípio constitucional in dubio pro reo . arbitrária. por insuficiência de prova. e a final determinar absolvição do recorrente. 66. a não serem. por insuficiência de provas de prática da factualidade que lhe é imputada. e a deficiente fundamentação da convicção do douto tribunal. a contradição. ou insuficiente. Tendo a produção de prova. Acresce ainda que não é o recorrente que tem de provar a sua inocência mas sim a acusação que tem de provar que este cometeu um facto típico ilícito e culposo. em julgamento. 75. analisando o processo de formação da convicção do julgador. a concluir que as provas a que o Tribunal «a quo» atendeu não são todas permitidas por lei de acordo com o preceituado no art. por um lado. determinará o reenvio do processo para repetição do julgamento. não permitem concluir como no douto acórdão ora em recurso. In casu. pela notória falta razoabilidade de se ter dado por provado o que se deu por provado. Os demais depoimentos. 70. caso não entenda absolver o arguido ora recorrente. em audiência de julgamento. aplicando o princípio in dubio pro reo. 76. 69. sido registada por meios magnéticos. ainda. O recorrente entende que existem erros no processo de formação da convicção do julgador. ou caso se entenda não existirem elementos suficientes nos autos que permitam absolver o recorrente deve o acórdão condenatório ser anulado. não permitindo a procedência da douta acusação. registo da prova. é inexigível ao recorrente que produza prova pela negativa ou que comprove a sua inocência. como fez o douto tribunal a quo . o ora recorrente absolvido. por não permitir concluir pela autoria dos ora recorrente na prática de factualidade objecto da douta pronúncia. e a inadmissibilidade. ou a anulação do acórdão condenatório e a repetição do julgamento. que imputou a prática da factualidade . não podendo simplesmente condenar por convicção.recorrente. face a todas as nulidades que são evidentes. ou ilegal. do CPP. pelo que este Venerando Tribunal da Relação pode. pelo que deveria ter sido absolvido. como fez. não são de testemunhas presenciais. que não foi pacífica e tranquilamente produzida. 73. por outro. e determinar-se a absolvição do recorrente. erros claros de julgamento. conhecer da prova. é. (livre apreciação da prova) e o princípio in dubio pro reo . Assim se não entendendo. incluindo violações de regras e princípios de direito probatório. presumível de direito e existente de facto. desta resultando uma decisão ilógica. 71. pelo que. O tribunal a quo. Inexiste qualquer prova válida. por outro. por inadmissível. a insuficiência de provas.

86. e admissibilidade da prova considerada. ficou provado que o Arguido não tem antecedentes criminais. Entendendo-se. 79. por insuficiência de provas. o que é revelador de um cidadão pacífico. quer quanto ao prazo de validade da mesma.ao ora recorrente. 77. al. do conhecimento oficioso deste Venerando Tribunal. 83. conforme se impõe. 88. anulando o douto acórdão. deveria o cúmulo respectivo. a insuficiência de provas. deverá o processo ser reenviado para repetição do julgamento. revogando-se o douto acórdão sob recurso. não ficou provada a premeditação do crime. Entende assim o recorrente. determinará. em prejuízo do recorrente. bem pelo contrário. sendo de realçar que a sua personalidade não é de uma pessoa que leve uma vida desconforme ao direito. que. j). e considerando o princípio constitucional in dubio pro reo . e o julgamento. aproximar-se significativamente mais do mínimo legal. é de excluir a qualificação jurídico-penal do crime de homicídio qualificado pretensamente praticado pelo recorrente. incompatível por isso com a frieza de ânimo. com substituição por outro que absolva o arguido. cuja declaração ora se requer. que foi co-arguido em processo conexo com a testemunha. O crime de sequestro é um crime de execução permanente e não vinculada. quer quanto à inadmissibilidade da prova. o disposto nos art°s 131° e 132°. mas sim homicídio simples. são do conhecimento oficioso deste Venerando Tribunal da Relação. A violação do disposto nas disposições legais indicadas supra. na norma extraída com referência ao artigo 133°. do Código Penal. que não se admite. 82. 81. o que. em concreto. 78. acarretam a nulidade da prova. da CRP. sendo a privação da liberdade e o constrangimento daí resultante uma das possibilidades de execução do crime de roubo. em que se tutela o bem jurídico liberdade de locomoção. em face das nulidades. e a deficiente fundamentação da convicção do douto colectivo. 87. o arguido ora recorrente deveria ter sido absolvido. o reenvio do processo. por outro. deverão ser absolvidos. somente foi ordenado que BB . Quer as nulidades alegadas pelo recorrente. não se verifica qualquer suporte factológico que permita imputar ao arguido insensibilidade e indiferença pela vida humana . com emprego estável. a não se entender dever absolver o arguido. em face do princípio in dubio pro reo . É também de salientar que da matéria de facto dado como provada. Entende também o recorrente. O acórdão em recurso é de todo inconstitucional e recorrido em 1ª instância. em que pode ser conhecida toda a prova registada. 80. que a insuficiência da prova. que não têm quaisquer antecedentes criminais. No caso presente. e somente por mero dever de patrocínio. bem como as penas. não se entenda pela absolvição do recorrente. no sentido em que confere valor de prova às declarações proferidas por uma testemunha. caso remotamente. Sendo o julgamento anulado. e como melhor consta do acórdão em recurso. do CPP. que pelo exposto. caso se não determine o reenvio do processo. por violação do artigo 32°. válidas e admissíveis. ainda que se verifique separação de processos. para repetição do julgamento. Na remota hipótese deste Venerando Tribunal venha a sufragar o que se alegou supra. nesta instância. pelo que. porém. deverá ter lugar nesta instância. verificando-se uma situação de nulidade do julgamento. n°s 1 e 5. e consumado o roubo. integrado socialmente e familiarmente. tendo por isso. n° 2. e decidindo-se em conformidade. ainda se dirá o seguinte: 84. e assim se não entendendo. violado o tribunal a quo. a consequência necessária. por hipótese académica. consequentemente. 85. Assim se não entendendo. com a consequente nulidade do julgamento. quer outras. por um lado. a consequência necessária será a revogação do douto acórdão ora em recurso. a não se determinar o reenvio do processo para repetição do julgamento.

mesmo os tribunais (v. 94. n° 2. 91. Ou seja. Pelo que.g. ou mesmo não pudesse ausentar-se do local. e como consequência o recorrente tenha que vir a cumprir uma pena de prisão. Na avaliação da personalidade unitária do agente relevará. violando. O princípio da culpa contêm em si um limite máximo a observar na determinação da medida concreta da pena. excessiva injusta. ou algum dos crimes. a questão de saber se o conjunto dos factos é reconduzível a uma tendência (ou eventualmente mesmo a uma «carreira») criminosa. O acórdão recorrido confirma o contexto dado à personalidade do recorrente. como dos restantes. que doutamente foi condenado pelo tribunal a quo . n° 1. a uma pluriocasionalidade que não radica na personalidade: só no primeiro caso. 92. e por conseguinte terá de ser o recorrente absolvido deste crime. ou tão só. nem sequer apurou-se por quanto tempo o mesmo ficou na referida ribanceira. e consequentemente. A efectiva sujeição do ora recorrente a uma pena privativa da sua liberdade. e que no seu entendimento sempre se tratará com um erro de Justiça. no caso presente. 95. mas não atribui a relevância devida às circunstâncias apuradas. obviamente. 96. em caso este Venerando Tribunal remotamente venha a entender que o recorrente tenha praticado os crimes. . não se encontram preenchidos os elementos tipo do crime de sequestro. 93. E. exigibilidade e justa medida) artigo 18°. violando as exigências de preservação da dignidade humana. por crimes que não praticou. não se vê que existisse alguma privação da liberdade ambulatória por parte de BB. o crime de roubo. e nestes o tribunal a quo violou o disposto no art° 158°. e caso entenda-se por condenar o e somente por mero dever de patrocínio. caso seja confirmada a imperativa necessidade da sujeição do arguido a uma pena privativa de liberdade. Assim. do C. entende o recorrente que. juiz) estão sujeitos ao princípio da proibição do excesso ou princípio da proporcionalidade (adequação. Ora. que aquele não pudesse circular. da Constituição da República Portuguesa. desproporcional e desadequada. Figueiredo Dias que tudo se deve passar como se o conjunto dos factos fornecesse a gravidade do ilícito global perpetrado. imerecida. Na remota hipótese deste Venerando Tribunal venha a sufragar o que se alegou supra. sem prescindir do nefasto e indesejável efeito criminógeno da reclusão prisional. sobretudo. colocará em sério risco a sobrevivência de três pessoas que compõem o agregado familiar do arguido. Num juízo breve dir-se-á. causando um prejuízo social concreto e indiscutivelmente mais grave e importante do que a perigosidade abstracta das condutas ilícitas do recorrente alegadamente provocou na sociedade e na ordem jurídica. e estando inocente. sempre a pena que lhe foi aplicada é muito severa. necessidade. por vinte (20) anos e (4) quatro meses de prisão. sendo decisiva para a sua avaliação a conexão e o tipo de conexão que entre os factos concorrentes se verifique. tal não permitirá ao recorrente apoiar logística e financeiramente a sua família.saísse da estrada e fosse para uma ribanceira . e confirmado pela Veneranda Relação. constitucionalmente consagradas. a solução passa por reconhecer que existe concurso aparente e prevalece o crime dominante: o crime-fim. casos em que um crime se apresenta como meio da realização típica de outro crime de roubo. nada mais ficou provado. De grande relevo será também a análise do efeito previsível da pena sobre o comportamento futuro do agente (exigências de prevenção especial de socialização) . será cabido atribuir à pluralidade de crimes um efeito agravante dentro da moldura penal conjunta.P. por vinte e dois (22) anos e (4) quatro meses de prisão. 90. em caso algum ser condenado pelo crime de sequestro. ou seja. que o colectivo não ponderou adequadamente os factores a que a lei manda atender em sede de fixação concreta da pena. nesta conformidade. 89. pois. não podia o recorrente. já não no segundo. Acrescenta o Prof.

45 hrs. Ao decidir diferentemente. Na escolha e determinação da medida concreta da pena o tribunal confirmou a violação dos princípios da culpa. Respondendo. princípios esses. em última análise. designadamente. nos termos do douto acórdão de fls.. 103. consagrados constitucionalmente. designadamente. Entende o recorrente que em face do direito aplicável e da factualidade dada por provada. do Código Penal. como tal.. nos artigos 1°. 99..-. que o douto tribunal violou também o supra referido princípio da culpa. o MP apôs visto. 105.. 101. e o art° 25° da Constituição da República Portuguesa. violou o douto Tribunal da Relação o princípio do direito à integridade pessoal. e o arguido AA . Pena confirmada pelo acórdão ora em recurso. o princípio do direito à integridade pessoal. satisfazendo as exigências quanto à prevenção geral e especial que o caso exige. marca e modelo Volkswagen Polo G40. Entende igualmente o recorrente que o douto tribunal a quo e o Tribunal da Relação violaram os valores de humanidade. que estabelece no n° 2 que Ninguém pode ser submetido . tendo em conta a culpa do mesmo. previsto no art° 25° da C. alínea b).R. indivíduo que se dedicava à venda de produtos estupefacientes. 100. o DD muniu-se de uma arma caçadeira. 71° do Código Penal. o disposto nos art°s 40º.. No dia 02 de Outubro de 2007. designadamente. 97. ainda. pelo que. a qual é desadequada por excesso. cumpre decidir. excessiva. 2. que o douto tribunal a quo não tomou circunstâncias atenuantes em consideração. Faro. com o objectivo de matarem o FF. nº 1 e n° 2 e 70° e 71° do Código Penal. 104. 98.. pelas 21. e que por isso. manifestamente. geral e especial.. de se apropriarem do dinheiro e dos produtos estupefacientes que FF tivesse na sua posse.. e sempre com a devida vénia por opinião diversa. situar-se a pena de prisão.. excessiva. o MP pronunciou-se pela improcedência do recurso. Não foi requerida a realização de audiência. Por isso. ilegal). e o princípio da integridade pessoal. Entende o recorrente. e. n° 2.. desproporcional e desadequada. sempre a pena aplicar ao recorrente deveria ter sido menos gravosa que aquela que foi aplicada.o disposto no artigo 77°. n° 1 e 26°. 9°. Impõe-se a aplicação ao arguido de uma pena inferior à do acórdão recorrido (por desproporcional à culpa do arguido e desadequada às concretas necessidades de prevenção. Foram dados como provados os seguintes factos (transcrição): «1. 72° e 77° do CP. a penas degradantes ou desumanas. no limite mínimo da moldura penal aplicável». previstos nos artigos 40°. condenando o recorrente numa pena que ultrapassou a medida da culpa.. Impõe-se assim. a pena aplicada. n° 1 e n° 2. das finalidades de prevenção da reincidência e dos critérios relevantes para a escolha e determinação da medida e ainda dos aplicáveis à punição do concurso efectivo. Para o efeito. no Sítio do Pé do Cerro. Neste contexto. 25º. que a sua conduta reclama e. devem as mesmas serem consideradas nos termos do artigo 40º. Entende assim o recorrente. 102. 70°. para a EM 520-1. da Constituição da República Portuguesa. foi manifestamente. pois não teve em conta situação social e económica do recorrente negando os mais elementares princípios constitucionais. No Supremo Tribunal de Justiça. Colhidos os vistos legais.-. entende o recorrente que o tribunal a quo condenou-o numa pena. nºs 1 a 3. O recurso foi admitido. DD e o arguido AA deslocaram-se no veículo com a matrícula . 71°.P. como resulta dos autos e do acórdão confirmatório ora em recurso. em Santa Bárbara de Nexe. deveria ter sido aplicada uma pena de prisão a situar-se no limite mínimo da moldura penal aplicável. violou o princípio da dignidade da pessoa humana. e sempre com a devida vénia..

.. 13.-. ocupado por FF. 14. o DD agiu mediante acordo prévio e em comum acordo com o arguido AA. enquanto aguardavam a chegada do veículo com a matrícula . saindo de seguida do automóvel o DD. e após estacionarem o veículo na berma da estrada no sentido Loulé Santa Bárbara de Nexe. Depois.. bem sabendo que tal forma era adequada a concretizar os seus intentos. 8) O DD. O tiro referido em 9 atingiu o pulmão esquerdo... e por pelo menos outro indivíduo. ficando no sentido inverso (Santa Bárbara de Nexe Loulé). o que conseguiram. ao chegar àquele local.. mas. aproximaram-se pelo lado esquerdo do veículo (atento o sentido de marcha deste). colocando-se o DD ao volante da sua viatura. o que foi causa da sua morte.. e o DD junto do carro... Após o arguido AA dizer para um dos indivíduos que se encontravam no veículo «então GG. o qual lhe tirou dos bolsos cerca de 16 euros em dinheiro. O arguido e DD sabiam que. deixando-os no chão. e com o intuito de provocar a morte de FF.. 9. as chaves do carro do BB e dois telemóveis. o DD e o arguido AA ordenaram ao BB que saísse da estrada e fosse para uma ribanceira sita na lateral esquerda da estrada. com a intenção de obterem para si o dinheiro que BB tinha na sua posse. e em comunhão de esforços e de intentos.. levando uma caçadeira. e que ainda demorou alguns minutos a chegar ao local. que o conduzia.-. disparou dois tiros com a arma caçadeira na direcção do FF.. tudo bem. valor que o DD e o arguido AA fizeram seus... que se foi imobilizar na berma da estrada. ao pé do condutor. Logo que o FF imobilizou o seu veículo. e ambos obrigaram o BB a deixar que o arguido AA o revistasse. O veículo de matrícula . 11. o qual também se aproximou do BB. tendo então o FF conseguido pôr em marcha o seu automóvel. posicionando-se o arguido perto da porta do veículo. que tinha na sua posse a arma caçadeira. objectos estes que abandonaram no local. usando as armas como forma de forçá-lo a entregar-lhes o dinheiro e os objectos que tinha na sua posse. De seguida. O DD e o arguido AA agiram de comum acordo. privavam de liberdade o BB. tendo-o atingido com um dos tiros no hemi-torax esquerdo. o DD e o arguido AA regressaram ao veículo com a matrícula . o arguido AA disse ao DD quando eles chegarem apontas à cabeça e disparas logo . 12. a cápsula hepática. inverteu o sentido de marcha a cerca de 30 a 50 metros do local onde estava o veículo do DD.-. que se encontrava no local para adquirir heroína. e se o GG está quase a chegar. uns metros à frente.-. referindo-se ao FF e acompanhante.. 10) De seguida.-. bem .. que se aproximava do local. ao agir como descrito em 5.. e abandonaram o local em direcção a Santa Bárbara de Nexe. seguia na direcção Loulé Santa Bárbara de Nexe. o arguido AA saiu do veículo e apontou uma pistola à cara do BB. e que sabiam não lhes pertencer... Aí chegados. em posição não concretamente apurada mas próxima e atrás do condutor. e o arguido AA. e com a arma apontada ao BB. o que ambos queriam e conseguiram. 6. em comunhão de esforços e de intentos. o DD e o arguido AA dirigiram-se a esse veículo. 4. o baço e a região abdominal do FF.muniu-se de uma pistola. por detrás e de cima para baixo. 15. o que este fez. enquanto o arguido AA se sentou no banco da frente do lado direito da viatura. Volkswagen Polo G40. pelo menos o DD.. após o que o FF imobilizou o veículo. onde o FF se encontrava sentado no lugar do condutor. com a porta aberta. e ainda uma carteira com documentos. Ao disparar na direcção do FF. e de forma livre. 5.. voluntária e consciente. que empunhava a pistola. 3.-. 7. O DD e o arguido AA agiram mediante acordo prévio. passa a cena». contra a sua vontade. o que quiseram fazer. perguntando ainda ao BB quando chegam os pretos.

Teve consumos pontuais de haxixe dos 17 aos 20 anos. face a uma postura qualificada como irrequieta. o DD e o arguido AA exigiram ao BB que este lhes desse o dinheiro que tinha na sua posse. tais como empregado de mesa. c) em 3. Em termos laborais. E foi dado como não provado que (transcrição) a) a deslocação referida em 1 ocorreu pelas 22. juntamente com a companheira e filho. e após prévio contacto telefónico estabelecido pelo DD e pelo arguido AA com FF a combinar um encontro. e não a expressão que consta dos factos provados. O seu processo de adaptação a uma nova realidade decorreu sem clivagens significativas. sob a forma fumada. Nasceu em grupo familiar avaliado como normativo e detentor de um estrato sócio-económico equilibrado. À data dos factos encontrava-se em Portugal num período de férias.sabendo que as suas condutas eram proibidas e punidas por lei. e diferentemente do aí descrito. Teve a primeira experiência remunerada aos 17 anos. não há hesitação! . com a qual vive desde os 17 anos. tendo guardado estes objectos (além do dinheiro). o arguido e o DD aproximaram-se (juntos) de BB. o que este fez. assim como o telemóvel. d) em 3. O arguido não tem antecedentes criminais. fazendo-os seus. o arguido disse ao DD quando os pretos chegarem é apontar à cabeça e dispara logo. juntamente com a companheira. a Inglaterra. dando continuidade à prossecução da escolaridade. que o qualifica como um indivíduo calmo. em moldes definidos como contínuos. os documentos. 17. apontando-lhe ambos as aludidas armas de fogo. as chaves da viatura e a carteira. juntamente. na actualidade com 14 anos. num apartamento próprio. No meio prisional tem vindo a manter um padrão comportamental isento de problemáticas significativas». há cerca de um ano e meio. regressando. o qual foi marcado para a estrada referida em 1. tendo o DD e o arguido AA a intenção de ficar com a carteira. verificando-se um processo de adição significativo dos 23 aos 27 anos. para duas entidades patronais diferenciadas. concluindo o equivalente em Portugal ao 12° ano. idade em que se verificou a separação dos pais. mas apresentando alguns problemas de comportamento. com o arguido e irmãos. sendo que habitualmente residia em Inglaterra. no valor de 8 euros. onde se mantém na actualidade a sua família nuclear. adquirido mediante empréstimo bancário. posteriormente. . Manteve porém contactos com o pai. após o que regressou a Portugal onde permaneceu dos 18 aos 20 anos. inserindo-se novamente no mercado de trabalho. b) DD e o arguido AA costumavam adquirir produtos estupefacientes a troco de dinheiro a FF. traduzido no envolvimento com heroína. de tipologia T3. beneficiando então do suporte da companheira e familiares. entregando-lhes os objectos e o dinheiro (diferentemente do que consta em 3. tendo um filho. exercendo diversas actividades laborais. movimentando-se o agregado num contexto avaliado como equilibrado. 16. exerceu a actividade de vendedor de time-sharing.00 hrs. tendo capacidade para se determinarem de acordo com tal conhecimento. tendo aderido a um programa de desabituação. as chaves do carro e os dois telemóveis do BB. exercia a actividade de assistente de gerente. numa pizzaria. e) em 4. em contexto lúdico e épocas festivas. avaliado como provido de adequadas condições de habitabilidade. como empregado de mesa. situação que perdurou cerca de um ano. conseguindo ultrapassar a sua problemática. Nesse ínterim. assistente de gerente e na área do marketing. para Inglaterra. encontrando-se a companheira igualmente activa. registando um aproveitamento adequado. O seu processo de crescimento decorreu junto dos pais até aos 14 anos. emigrando então a mãe.

uma apreciação correcta da mesma imporia a conclusão de não provado (v. o arguido e o DD abordaram o FF (diferentemente do que consta em 8 e 9). quando o FF se preparava para abandonar o local no veículo. e que estranhamente não o fez. matéria de direito que o Tribunal da Relação nem sequer apreciou. e da fundamentação feita da decisão por via deles. Uma tal alegação só tem utilidade em sede de arguição da nulidade prevista no artº 379º. o tribunal recorrido analisou o processo de formação da convicção do tribunal de 1ª instância e concluiu pela sua razoabilidade. para melhor compreensão: «Verifica-se ( ) que o recorrente exprime repetidamente a sua discordância quanto ao veredicto do Tribunal ao dar como provados os factos que este julgou e declarou terem sido provados. houve falta de razoabilidade de se ter dado por provado o que se deu por provado . h) os factos descritos em 9 ocorreram após uma troca de palavras (distinta da que consta em 9). respectivamente. asseguradas pelo artigo 32º. por omissão de pronúncia». que se transcreve. a prova é apreciada segundo as regras da experiência e a livre convicção da . No entendimento do recorrente. estamos plenamente nos domínios do princípio da livre convicção do julgador. nº 1. o Tribunal a quo julgou incorrectamente a matéria de facto. por isso. etc. sem qualquer fundamentação» (fls. sendo assim. é igualmente inconstitucional. pois. como se esperava. b) «a decisão condenatória. que ora se requer que seja declarada por este Venerando Tribunal. 1494). Chegados aqui. Conhecendo: 1. No seu entender. e fundamentalmente analisar o processo de formação da convicção do julgador. a prova existente justificaria decisão oposta o Tribunal incorreu em erro na apreciação da prova. Nas conclusões com que terminou a sua motivação. e a retirar deles as suas próprias conclusões. os meios de prova em que se baseou o colectivo para dar como provados os factos deveriam ter conduzido a conclusão oposta. e concluir. é insofismável a observação que ocorre de imediato: o recorrente está pura e simplesmente a tentar substituir-se ao colectivo no julgamento da matéria de facto. Se bem se percebe. Porém. à frente e atrás do FF. posicionando-se o arguido AA e o DD. do CPP. 1ª parte. sendo por isso nulo o acórdão em recurso». Vendo bem a sua argumentação. esta foi insuficiente para fundamentar a convicção a que se chegou. o arguido AA ficou agachado junto à porta do Polo. em texto largamente desenvolvido. Em relação ao primeiro ponto. pela falta de razoabilidade de se ter dado por provado o que se deu por provado. por violação das garantias de defesa do arguido. g) em 8. as omissões de pronúncia são as referidas nas seguintes passagens da motivação: a) «Cabia. o recorrente começa por afirmar que o acórdão da relação não se pronunciou sobre todas «as questões de facto e de direito suscitadas. ao Venerando Tribunal da Relação ter feito uma sindicância do apuramento dos factos realizado em primeira instância. 127° do CPP. em clara omissão de pronúncia. alínea c). Está a exprimir a sua própria convicção sobre o valor dos meios de prova analisados. ora em recurso. afectando a totalidade da prova colhida ( ). vício que se não refere tanto nas conclusões como na motivação. Pretende tão só dar como não provados factos que o tribunal do julgamento deu como assentes. ao contrário do que vem alegado. Nos termos do art. da Constituição ( ). g. não existe qualquer omissão de pronúncia. sendo por isso nulo. nº 1. i) o DD e o arguido AA tinham a intenção de ficar com os demais objectos do BB (além do dinheiro). Limita-se a extrair conclusão ou conclusões diversas das que o Tribunal recorrido extraiu em termos de matéria de facto dada como provada.f) em 5. conclui-se que a razão de fundo que anima o recorrente é tão só um diferente juízo sobre a prova produzida. pondo-o em marcha. 2.

ter o tribunal. procurando substituir a sua visão particular sobre a prova produzida ao registo oferecido pelo julgador. nomeadamente. portanto. quando a atribuição de credibilidade a uma fonte de prova se baseia numa opção assente na imediação e na oralidade. . para o da imediação. e fundamentar. subtraída a qualquer dúvida razoável. 124° do CPP) Daqui decorre. ainda que concisa (o que nem sequer é o caso). g. a punibilidade ou não punibilidade do arguido e a determinação da pena ou da medida de segurança aplicáveis (art. n° 1. e desejável sob o ponto de vista da captação psicológica. que foi julgada como suficiente e convincente pelo julgador à luz dos princípios de processo penal a considerar. 32°. documentos existentes. mas ainda uma exposição. pretender que o Tribunal de recurso conclua que. é apreciada livremente pelo tribunal. devendo este julgar segundo a sua convicção. não se perfilando violação de qualquer regra da lógica ou ensinamento da experiência comum. que a força probatória dos elementos existentes. mais consoante com os respectivos interesses. que fundamentam a decisão. a alegação feita sobre violação dos princípios legais relativos à apreciação e valoração da prova. diferentemente. o que assume especial relevância nesta sede. do CPP. de modo a chegar à decisão que lhe parecer justa (pelo que v. tanto quanto possível completa. como era devido. da CRP).. Rejeita-se. ou seja. todos os factos juridicamente relevantes para a existência ou inexistência do crime. 374°.autoridade competente (aqui o julgador). de facto e de direito. estabelecido no art. aliás. declarações dos arguidos. v. constituindo seu objecto . dos motivos. face às provas existentes. Sublinha-se.. sem deixar margem para qualquer dúvida sobre essa convicção e os alicerces dela. a matéria aqui dada como provada (e não provada) é a que resulta da análise da prova produzida. Afigura-se-nos que ressalta. g. depoimentos das testemunhas. e não da constatação de qualquer erro notório detectável no acórdão em causa. Diremos que o recorrente não pode pretender substituir uma convicção por outra convicção. E é exactamente por tudo isto que aqui ganha particular e decisiva importância a fundamentação da sentença. como já se disse. ou seja. Neste contexto haverá que afirmar que a fundamentação do acórdão sub judicio cumpre os respectivos requisitos legais. ali se encontrando devidamente explicitado e explicado o processo de formação da convicção do tribunal e o exame crítico das provas que o alicerçou. n° 2°. formada sobre a livre apreciação das provas. 127° do CPP. Pelo que nenhuma razão assiste ao recorrente quando pretende. a sua posição em relação a essa factualidade. sobre a autoria dos factos. mesmo o depoimento de uma única testemunha pode fazer fé em juízo). o tribunal de recurso só pode censurá-la se ficar demonstrado que tal opção é inadmissível face às regras da experiência comum. do CPP. a forma cuidada como o colectivo se preocupou em transmitir e sublinhar a sua convicção quanto aos factos. O conjunto de apreciações trazidas pelo recorrente traduz-se em substituir a sua própria apreciação da prova àquela que foi feita pelo tribunal recorrido. se pretende no recurso é que o tribunal deveria ter valorado as provas à maneira do recorrente. o que. com destaque inevitável. sofre a limitação resultante do art. de forma límpida. O princípio da livre apreciação da prova pelo julgador. como explicitação do princípio constitucional inscrito no art. a exigência de que dela conste não só a enumeração dos factos provados e não provados. 410°. Acresce que. após ponderada reflexão e análise crítica sobre a prova recolhida (expressa na motivação supra transcrita) obtido convicção plena. n° 2. a valoração do Tribunal recorrido possível e que outra a valoração do recorrente seria a melhor. Ora. com indicação e exame crítico das provas que serviram para formar a convicção do Tribunal (art. do texto do acórdão (fundamentação da convicção sobre a matéria de facto). Enfim. que ela fosse valorada de forma diferente. apenas.

Começamos por recordar. e segundo as regras da experiência. Não se verifica. 410º. seja evidente para a generalidade das pessoas uma conclusão contrária à exposta pelo tribunal sendo esse o denominado erro notório a que o recorrente alude. Não é certamente o caso. Há portanto que indagar. Repete-se que o erro notório ( ) a que alude o preceito citado tem necessariamente que resultar do texto da decisão recorrida. que. Por outro lado. com que o recorrente discorda. a chamada revista ampliada. a matéria de facto assente é suficiente para fundamentar a solução de direito encontrada. 410º do CPP. e de erro notório na apreciação da prova ou de alguma nulidade enquadrável no n° 3 do mesmo artigo. não é contrariada pela prova produzida em audiência. tendo em conta o texto da decisão recorrida. se a sentença recorrida enferma dos vícios previstos no n° 2 do artigo 410° do CPP de insuficiência para a decisão da matéria de facto provada. ao contrário do que defende o recorrente. qualquer situação desse género naquilo que vem colocado ao tribunal no presente recurso. e nomeadamente na alínea c). sempre. portanto. ( ). por si só ou conjugada com as regras da experiência comum . e apenas quando. Como tem sido salientado. Na verdade. conforme o disposto no artigo 127° do CPP. nos termos legalmente permitidos. . O erro notório. em que se baseou o tribunal de 1a instância. Conclui-se. não revelam que a decisão recorrida extraísse ilação contrária e logicamente impossível. 410° do CPP. Nem o texto da decisão recorrida nem as regras da experiência comum conduzem ao afastamento dos factos apurados pelo Tribunal. no nosso sistema legal. a decisão do tribunal de 1ª instância sobre matéria de facto pode ser modificada: a) Se do processo constarem todos os elementos de prova que lhe serviram de base. E ocorre erro notório na apreciação da prova quando ( ). de contradição insanável entre a fundamentação e a decisão. Conclui-se portanto que não é descortinável qualquer vício enquadrável nalguma das alíneas do n° 2 do art. está sempre aberto ao Tribunal de recurso o conhecimento dos vícios documentados no texto da decisão recorrida. de harmonia com a valoração dela feita pelo tribunal a quo. bem como das nulidades não sanadas que afectem a validade da sentença. O vício da insuficiência para a decisão da matéria de facto provada verifica-se quando ( ). existe erro notório na apreciação da prova quando ( ). Estatui o citado preceito que Sem prejuízo do disposto no art. porém. e a que alude o recorrente. do seu n° 2.quando. Contudo. A análise das provas produzidas e examinadas em audiência. que eles são apenas aqueles que resultem do texto da decisão recorrida por si só ou conjugada com as regras da experiência comum. entre o mais. que da conjugação da matéria de facto dada como provada e não provada com a sua fundamentação não se vislumbra in casu qualquer dos vícios apontados. como vem sendo entendimento da Doutrina e Jurisprudência ( ). A contradição insanável consiste ( ). pode o tribunal de recurso reapreciá-la na perspectiva ampla prevista no art. quanto aos referidos vícios em matéria de facto. dado que o recorrente vem impugnar o julgamento de facto feito na sentença de que recorre. por si só ou conjugada com as regras da experiência comum . por não se encontrar no acórdão recorrido vício algum que se enquadre no disposto no art. b) Se a prova tiver sido impugnada nos termos do nº 3 do artigo 412º. obedecendo à livre convicção do tribunal. nem nenhuma nulidade de que haja de conhecer nos termos do n° 3 do mesmo artigo. conhecimento esse que é não só uma possibilidade legal mas um dever oficioso. pela improcedência do recurso por esta via. Mas importa repetir. Ou c) Se tiver havido renovação de prova. a matéria de facto constante da decisão recorrida. Acontece. de todo. corno é sabido. tendo a prova produzida em audiência sido documentada. 431° do CPP. ou na alínea a).

tais limites foram respeitados. atento o recurso apresentado. A conjugação dos princípios da livre apreciação da prova e da imediação não permite que o tribunal de recurso. e por isso impõe-se a reapreciação das provas gravadas pelo Tribunal da Relação. O arguido/recorrente pretende com o presente recurso impugnar a matéria de facto que o deu como agente dos factos apurados pelo Tribunal recorrido. Vem a propósito lembrar que no sistema processual em vigor o julgamento é efectuado na primeira instância. o arguido pretende uma reapreciação de toda a prova que fundamentou a decisão da 1ª instância e de todos os factos essenciais dados por assentes. como se o julgamento ali realizado não existisse. Se a decisão do julgador. O recurso não constitui . É que afigura-se indubitável que há casos em que. devidamente fundamentada. como se o julgamento da 1ª instância não existisse. considerando que foram incorrectamente dados como assentes tais factos. são remédios jurídicos destinados a colmatar erros de julgamento. defendendo que o Tribunal julgou incorrectamente TODOS OS FACTOS PROVADOS . ( ) de todo o modo. onde são produzidas todas as provas. O primeiro reparo que esta impugnação da decisão proferida sobre a matéria de facto suscita é o de que o recurso previsto no n° 3 do art. já que foi proferida em obediência à lei que impõe que ele julgue de acordo com a sua livre convicção. c) As provas que devem ser renovadas ). No caso presente. mesmo em matéria de facto. e as testemunhas. o recorrente deve especificar: a) Os concretos pontos de facto que considera incorrectamente julgados. Efectivamente. o arguido e o ofendido são ouvidos presencialmente. o arguido impugna a decisão sobre a matéria de facto. possa sindicar a valoração das provas feita pelo colectivo no sentido de valorar diferentemente uma prova ou de dar mais relevância a uma em detrimento de outra. há que dizer que o recurso em matéria de facto não visa um novo julgamento. for uma das soluções plausíveis segundo as regras da experiência.. afigura-se que a eventual reapreciação das provas produzidas em 1ª instância não poderia conduzir a que fossem dados como não provados os factos em causa. E. onde imperam os princípios da imediação e da oralidade. Verificando-se que ao recorrer da matéria de facto. 412° do CPP que Quando impugne a decisão proferida sobre matéria de facto. b) As concretas provas que impõem decisão diversa da recorrida. ela será inatacável. a matéria de facto dada como provada que foi impugnada pelo recorrente é toda a que integra os crimes pelos quais foi condenado. constitui jurisprudência (e doutrina) pacífica que o recurso de facto para a Relação não é um novo julgamento em que a 2ª instância aprecia toda a prova produzida e documentada na 1ª instância. antes se deve afirmar que os recursos. que devem ser indicados precisamente com menção das provas que demonstram esses erros ( ). Ou seja. as regras da experiência permitem ou não colidem com mais do que uma solução.. 412º do CPP não foi desenhado e destinado a uma espécie de novo julgamento. mesmo tendo poderes de (re) apreciação da matéria de facto. no caso em apreço. na parte em que considera o recorrente como co-agente dos factos . face à prova produzida. pressuposto que tal valoração tenha sido feita nos limites da livre apreciação de provas não proibidas ( ). pois a conjugação dos princípios da imediação e da livre apreciação da prova não permitem tal novo julgamento.. no sentido de se considerar como indiferente o julgamento e a decisão da primeira instância e iniciar-se um nova apreciação de toda a prova produzida e de todos os factos relevantes para a decisão.Note-se que a lei refere as provas que «impõem» e não as que permitiriam» decisão diversa (dispõe o art. .. uma vez que a convicção acolhida pelo Tribunal de 1ª instância sobre a decisão sobre a matéria de facto não tem qualquer fundamento nos elementos de prova constantes do processo e está profundamente desapoiada face às provas recolhidas .

a versão desta testemunha (co-arguido com o AA no processo que deu origem a estes autos) quanto ao desenrolar dos factos mostrou-se inverosímil. naturalmente. não um novo julgamento da causa. os arguidos de um mesmo crime (. o acórdão diz nomeadamente o seguinte: ele foi identificado pelo DD. já se atendeu a tal depoimento quanto à identificação do arguido AA. n° 2. o depoimento em causa não sofre de qualquer tipo de invalidade ou nulidade legal motivada no facto de esta testemunha ser arguida pelo mesmo crime em processo separado: o art. sendo manifesto o propósito de excluir quer qualquer intenção homicida. mesmo no que se refere à matéria de facto. do CPP: em caso de separação de processos. o tribunal superior faz o julgamento do recurso. e pese embora a referida fragilidade. em primeiro lugar. Acrescenta-se que o acórdão recorrido fundamenta lógica e convincentemente porque é que o depoimento de DD foi. do aludido BB. e no qual este referiu que teve um problema. quer uma sua intervenção esclarecida nos factos praticados. mas sim a defesa pelo recorrente de uma convicção diferente da assumida pelo Tribunal. depoimentos como o aqui em causa são pouco fiáveis.) podem depor como testemunhas se nisso expressamente consentirem . formando uma outra convicção que julga mais adequada. mas nesse ponto regressamos a matéria já discutida anteriormente: por mais que o recorrente insista na defesa de que. estipulando essa possibilidade. E nada se pode apontar a tal fundamentação. assim.. Nessa sequência. como ficou exposto. as questões concretas levantadas pelo recorrente. com o depoimento da testemunhaHH ( ) a qual reportou conversa telefónica mantida com o DD. Assim. Deste modo. o que realmente está em causa não é uma mal fundamentada (ou uma falta de fundamento da) convicção do Tribunal quanto à decisão sobre a matéria de facto. Nos fundamentos da decisão sobre os factos em discussão. caso a caso. insurge-se contra a admissibilidade do depoimento testemunhal de DD e contra o valor probatório atribuído a este. persuasivo para o Tribunal. e que a seu ver obstariam a que fosse julgado provado ser ele o autor dos factos pelos quais foi condenado. tendo sido julgado e condenado noutro processo. e. n° 2. No que toca à sua admissibilidade (o referido DD foi acusado como co-autor dos mesmos factos. do CPP regula especificamente a matéria. de um lado. deste depoimento do DD. 133°. de outro lado. Vejamos. um «acidente» com um «escurinho» preto. sem embargo. 133°. a valorização ou desvalorização do depoimento terá que continuar a ser feita no concreto. apenas condicionada pelo consentimento da pessoa a inquirir.. Coisa diferente é a credibilidade do depoimento em questão. que se verificou no caso (fis. nada ganhava o DD com esta identificação do co-agente (a sua posição perante os factos não saía melhorada ) pelo que por aí se não via razão que claramente desvalorizasse esta identificação ( ). porquanto. 1284). pelo julgador. e que este . não são legítimas dúvidas quer sobre o que a lei determina quanto à matéria quer sobre a validade em concreto do depoimento prestado. essa versão era ainda claramente contrariada pelo depoimento honesto.um novo julgamento. o depoimento daquele DD se tenha mostrado inaproveitável. existiam dois fortes elementos corroboradores desta identificação. o que é inconsequente. por força da separação deste). e ao seu desenrolar. que o indicou como sendo co-agente dos factos. quando este se encontrava na Inglaterra. por isso que. mas antes um remédio jurídico destinado a corrigir determinados erros que afectem o decidido. regula o disposto no art. sendo que ela se mostrou espontânea. na parte questionada pelo recorrente. e. em abstracto. em outros aspectos. porém. limitando-se a decidir quanto às questões concretas colocadas. no que concerne à identificação do recorrente como autor dos factos em discussão. excepto que o recorrente faz uma avaliação diversa de tal depoimento. No fundo. quanto à descrição objectiva dos eventos. Nomeadamente.

em Inglaterra. v. Como se verifica a fls. entre namorados. Nem o DD manifestou alguma vez hesitação ou dúvida na identificação do recorrente AA. estava a ser julgado. passando aí o DD a viver em casa do AA. nem este teve qualquer dúvida em reconhecer-se como sendo ele a pessoa mencionada pelo DD: é o próprio arguido a confirmá-lo. seja o depoimento de HH. a testemunha Cardoso não exprimiu que tinha a certeza sobre a identificação do arguido como o autor dos factos que descreveu no seu depoimento (e que só tinha visto por ocasião desses factos. namorada do DD à data dos mesmos. tendo-se deslocado depois ambos para Inglaterra. se não efectuou um reconhecimento cabal e assertivo. nomeadamente a deslocação dos dois para Inglaterra logo após a ocorrência. pois a testemunha BB. ficando em casa dele. para que pudesse ter surgido alguma dúvida a tal respeito e o DD sempre que foi ouvido. suporta fortemente a veracidade daquela identificação do AA por parte do DD.23 hrs. Efectivamente não houve uma diligência formal. que é um meio de prova que pressupõe. Diga-se a este respeito que não se descortinam outros elementos de prova que apontem noutro sentido que não seja aquele que o Tribunal tomou: sejam os depoimentos de DD e de BB. o desconhecimento por parte da pessoa que há-de fazer a identificação em relação à pessoa a identificar. e assim também. todos eles convergentes.09 a 11. desde a sua detenção e primeiro interrogatório nunca tergiversou na identificação do seu acompanhante nos factos em questão. Não há lugar a qualquer dúvida sobre o facto de que o AA a que a testemunha DD se referia no seu depoimento era aquele mesmo que. Constata-se desde logo que a identificação do recorrente como um dos autores dos factos em apreciação não assenta só num elemento probatório mas em vários. indicam o arguido como sendo o co-autor dos factos criminosos. sugerindo que seria essa a razão para que o DD agora o viesse a identificar como co-agente dos factos) pois se não vê que na conversa com a namorada tal motivação tivesse qualquer relevo ( ). que nunca se falou de outro AA. com os termos do reconhecimento presencial efectuado em audiência. o arguido reconhece-se como sendo o AA a que o DD se referira. tal como até então o AA permanecera em Portugal em casa do DD. com as . sentado na sala de audiências. acima transcrita. a espontaneidade desta conversa. ao mesmo tempo enfraquece a afirmação do arguido (de que. O DD conhecia perfeitamente o AA. Outro elemento demonstrativo da identificação do arguido como autor dos factos aqui questionados foi o reconhecimento efectuado pela testemunha BB. 147° do CPP nem tal faria sentido. e sendo certa essa circunstância não havia lugar a tal reconhecimento . nas suas declarações v. únicas testemunhas presentes na hora e no local dos factos. ofendido na factualidade referente aos crimes de roubo e de sequestro e espectador presencial daqueles que se reportam ao homicídio.56. 1273. estando acompanhado em tal incidente pelo AA. de 11. não é igualmente inócuo (embora seja menos sugestiva) a circunstância de o DD e o arguido se terem ausentado conjuntamente para Inglaterra logo após os factos. Diga-se. E essa identificação é perfeitamente coerente com todos os restantes elementos conhecidos. g.ficou mal. desde há muito. e que o recorrente procura desvalorizar. se zangou com o DD e o expulsou de sua casa. inclusive por ele ter vivido em sua casa aquando dos factos e depois por ter ido com ele para Inglaterra. obviamente. além disso. não deixou de afirmar que pensa que seria o arguido o autor dos factos . E que o DD conhecia perfeitamente. gravação do dia 25/9.49. juntamente com o referido DD. e identifica-se com a tal pessoa que vivera na casa dele no período em causa. A dado passo o recorrente alega que não houve um reconhecimento por parte do DD de que o AA a que se referia no seu depoimento era efectivamente o arguido. completa e fundamentada sobre os motivos da decisão quanto aos factos dados por provados. em segundo lugar. clara. como resulta da explicação. em conformidade com o art. aliás.

que foi co-arguido em . nº 2. concluindo não haver aí fundamento para censurar a decisão do tribunal de 1ª instância. não teria a força bastante para basear a convicção do Tribunal sobre essa matéria capital. também utilizado para confirmar a identificação do arguido com o co-autor dos factos em julgamento. ao contrário do pressuposto nas alegações do recorrente. nºs 1 e 5. do CPP como. A convicção desta instância quanto à matéria de facto questionada. há que referir que nada se pode apontar no sentido de afastar ou limitar a credibilidade e a relevância daquele depoimento: o recorrente alega que não consta das transcrições das escutas telefónicas juntas aos autos o que a testemunha referiu como uma conversa telefónica. mas também não é isso que o acórdão afirma. naufragando também por esta via as pretensões expostas no recurso em apreço». conjugando-o com os restantes elementos disponíveis. 3. Depois de afastar a verificação de qualquer dos vícios do nº 2 do artº 410º do CPP ou de nulidade de que cumprisse conhecer. do CPP. portanto. Quanto ao segundo ponto. efectivamente. afigura-se que bem decidiu o Tribunal já que outra não pode ser a convicção que. Não só o Tribunal cumpriu dessa forma o determinado no art. sobretudo. do mesmo modo que não afirma e não toma como cabal tal reconhecimento. não deixou de apreciar as questões colocadas nesse âmbito. por outro lado. ente ela e o namorado DD. 374º. prova bastante dos factos que foram fixados. n° 2. que o Tribunal apreciou a prova conjugada e compreensivamente. pode extrair-se do conjunto. da CRP. nada podiam conter quanto a essa conversação. apesar de afirmar que o arguido não impugnou correctamente a decisão de facto no plano do artº 412º. no sentido em que confere valor de prova às declarações proferidas por uma testemunha. Tal reconhecimento. e permitindo facilmente perceber a quem analisa o acórdão porque e como o Tribunal se convenceu da veracidade dos factos que dá por assentes. Em face da prova em referência. há que complementar a referida passagem da motivação com o que sobre a matéria foi levado à conclusão nº 57: «o acórdão em recurso é inconstitucional ( ). fica claro que não é este reconhecimento que essencial e basicamente identificou o arguido corno autor dos factos em causa (foi mais um elemento. visto que as intercepções foram ordenadas e realizadas no âmbito de outro processo. por si só. considerando as recorrido regras da experiência e os meios de prova mencionados. de uma forma lógica e convincente. juntas ao processo através de certidão. designadamente a razoabilidade das conclusões a que aí se chegou. Consideramos. por violação do artigo 32º. o facto de o reconhecimento não ter sido cabal não acarreta qualquer espécie de limitação na sua validade foram cumpridas todas as exigências legais na sua realização pelo que não há qualquer óbice à forma como o Tribunal o analisou e valorizou. antes o analisa e valoriza nos exactos termos em que se verificou. nºs 3 e 4. Dito isto. uma vez que essas intercepções telefónicas só se iniciaram em Dezembro e a comunicação em questão ocorreu em Outubro. examinada a prova. tem ainda de se concluir que as provas invocadas no acórdão constituem. Quanto ao depoimento da testemunha HH.limitações que daí decorrem). na norma extraída com referência ao artigo 133º. mas ainda assim apontou para ele. excluindo os restantes presentes na linha de identificação. conjugado com os restantes). em prejuízo do recorrente. logo após os factos criminosos. quando o DD e o AA se tinham deslocado para Inglaterra. essas transcrições. Perante isto. o tribunal recorrido. o Tribunal não considera que o reconhecimento foi completo. não se pode dizer que não foi apreciada a decisão proferida em matéria de facto pela 1ª instância. acompanha inteiramente a que foi expressa no Tribunal a quo. Porém. Mas.

5. visando o recurso para ele interposto exclusivamente o reexame da matéria de direito. no processo nº 169/07. Coisa diferente é saber se nessa decisão foram tidas em conta provas de valoração proibida. ou seja. no processo nº 07P015. não está impedido de afirmar oficiosamente a sua verificação. assim. a alegação da verificação dos vícios do nº 2 do artº 410º representa uma das formas. o Supremo Tribunal de Justiça. o recorrente discorda da decisão recorrida por não ter alterado a decisão do tribunal de 1ª instância em matéria de facto. quando esses vícios não são invocados no recurso. de 14/10/2009.pt). e deve fazê-lo. de 17/09/2009. Mas nem aquele reconhecimento nem este depoimento são meios de prova de valoração proibida. sendo caso disso. falando em insuficiência da prova produzida. de facto. já se aponta para a norma que violará a constituição. numa perspectiva puramente de facto. porque aí já está em causa uma questão de direito. no processo nº 07P447. a existência dos vícios previstos no nº 2 do artº 410º. 4. por exemplo. de impugnar a decisão proferida sobre matéria de facto. Com efeito. Mas. o recorrente coloca-se nesse plano quando põe em causa a relevância que foi dada ao seu reconhecimento em audiência pela testemunha BB e ao depoimento do DD. como se verá. É neste sentido que este Supremo Tribunal vem decidindo uniformemente (podem ver-se. todos disponíveis em www.3GCBNV. no processo nº 07P339. nos termos do artº 434º do CPP. e de 07/04/2010. interpretada no sentido em que o foi na decisão recorrida. se bem se percebe. como é óbvio. nos vícios das alíneas a) e c) do nº 2 do mencionado artº 410º e em violação do princípio in dubio pro reo. . Não se conhece. pois.dgsi. como.1TDLSB. falando aí de «nulidades probatórias». da impugnação da decisão proferida sobre matéria de facto pelas instâncias. pelo que o acórdão recorrido enferma da nulidade prevista na primeira parte da alínea c) do nº 1 do artº 379º. os acórdãos de 08/02/2007. no processo nº 07P159. no processo nº 2792/05. o recurso não visa exclusivamente o reexame da matéria de direito. se se deparar com um dos referidos vícios que inviabilize a correcta decisão de direito. de 29/03/2007. a relação não apreciou essa questão de inconstitucionalidade que foi chamada a decidir. de 27/05/2009. no processo nº 101/08. no processo nº 3/05. se o forem. Mas. E. no processo nº 05P0145. de modo a dar como não provada a sua participação nos factos objecto deste processo. Se na motivação se afirma a inconstitucionalidade da decisão condenatória e não de qualquer norma nela aplicada. é essa a interpretação que se impõe fazer da ressalva do artº 434º: O Supremo Tribunal de Justiça. Em segundo lugar. a qualificação jurídica dos factos provados ou a medida da pena. porque se trata de pura questão de direito e estão presentes os dados necessários. a mais restrita. na referida conclusão. no processo nº 07P663. de 24/02/2010.7PAABT. irá. de 15/02/2007. «visa exclusivamente o reexame da matéria de direito». de 08/03/2007. tirando daí as devidas consequências. ainda que se verifique a separação de processos». Na coerência do sistema. É certo que essa norma contempla a possibilidade de o Supremo Tribunal de Justiça declarar. no processo nº 274/08. de 15/03/2007. por exemplo. substituindo-se ao tribunal recorrido. de 13/01/2010. decidir a questão no momento próprio.9GFMTS.9JASTB. na medida em que esta alegação é apresentada como corolário daquela outra de insuficiência da prova. E. ainda que continue a falar-se de inconstitucionalidade do «acórdão em recurso». Mas o recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. sendo sobre o ponto totalmente omissa. só nos casos em que o recurso visa exclusivamente o reexame da matéria de direito.processo conexo com a testemunha.

porém. O recorrente não diz que no reconhecimento efectuado não foram observadas as formalidades exigidas pelo artº 147º do CPP. Vejamos agora a questão do depoimento do DD. que o Supremo Tribunal de Justiça teria de declarar. apenas um elemento «corroborante». E a suficiência ou insuficiência de um determinado meio de prova para dar como provado determinado facto releva em sede de apreciação da prova. pelo que sempre faltaria fiabilidade ao reconhecimento. Para afastar a validade do reconhecimento. -além disso. a fim de aferir-se se o tal EE» era o recorrente. se houvesse sido dada como provada a participação do recorrente nos factos apenas com base no reconhecimento. o BB havia consumido heroína cerca de 30 minutos antes dos factos. em certas circunstâncias. com as devidas consequências. visto que a decisão de dar como provada a participação do recorrente nos factos se baseou essencialmente noutros meios de prova. porque tinha «parecenças». precisamente por não ser «categórico». presente na audiência. «o valor probatório do reconhecimento pessoal efectuado é nulo». -o BB disse que o homem da pistola não tinha barba nem barriga saliente. designadamente o cabelo. sendo que o tribunal de 1ª instância nem sequer o questionou «se reconhecia o recorrente. não é aqui o caso do Supremo Tribunal de Justiça. Nesta parte. o que. como já se viu. «e por isso este . o recorrente afirma que -o DD foi condenado noutro processo. pode constituir meio de prova para afirmar a culpabilidade da pessoa identificada. a certeza se era. -não se sabe. -o DD declarou na audiência que se deslocou para o local dos factos «com um tal AA». -por outro lado. operação a realizar por tribunal que conheça em matéria de facto. «não foi realizada a prova por reconhecimento. A maior ou menor assertividade do reconhecimento não tem a ver com a sua validade ou invalidade como meio de prova. sendo este duvidoso. -por isso. quando é certo que a testemunha CC.6. designadamente as previstas nos nºs 1 e 2. mas apenas com a sua força. empunhava a pistola. estar-se-ia perante o vício do erro notório na apreciação da prova. pai do recorrente. o recorrente alega que -a testemunha BB «não efectuou um reconhecimento cabal e assertivo». Por exemplo. na altura dos factos. como reconheceu. -tem por isso ainda a categoria de arguido. Mas o que proíbe a valoração de um reconhecimento como meio de prova é a circunstância de ele não «obedecer ao disposto» no artº 147º. O que diz é que o reconhecimento não foi positivo. É claro que a questão podia ser objecto de apreciação deste tribunal. Mas não é esse o caso. situando-se por isso no plano da suficiência ou insuficiência da prova. afirmou na audiência que este usava barba na altura dos factos e. se relevasse para a decisão de qualquer questão de direito que lhe cumprisse apreciar. assim. -só um reconhecimento positivo. no sentido de que a testemunha apenas afirmou que lhe parecia ser o arguido a pessoa que. sendo que essa condenação não havia ainda transitado na data da audiência de julgamento do presente processo nem transitou ainda nesta altura. limitando-se a dizer que. na altura do reconhecimento o recorrente apresentava uma barriga saliente. como o tribunal de 1ª instância constatou. como se afirma no seu nº 7. como o tal EE». o que fazia «lembrar o homem daquela noite» era o arguido. com destaque para as declarações do DD. pela participação na prática dos factos que estão aqui em julgamento. sem margem para dúvidas. estando sonolento. sendo o reconhecimento. se o tal EE era o recorrente. não tendo. -não foi respeitado aqui o estatuído no artº 147º do CPP. aceitando até que o foram. 7. das quatro pessoas colocadas à sua frente.

apesar disso. pois de seguida dirige a sua crítica à aplicação que foi feita do artº 133º do mesmo código. Não tem igualmente razão de ser o apelo ao disposto no artº 345º do CPP. do CPP. -o tribunal de 1ª instância reconheceu a inverosimilhança em determinados pontos do seu depoimento na audiência. não houve nenhum «reconhecimento» do recorrente pelo DD. pois. nos termos dos nºs 1 e 2. por violação do artigo 32º. -«a apreciação do valor probatório do depoimento de um arguido feito contra um seu co-arguido no mesmo processo ou processo conexo deve suscitar especiais cautelas ao julgador». na parte que respeitava à identificação do recorrente. nos termos do nº 7 desse preceito. na audiência de julgamento no processo em que foi condenado. nº 2. no mesmo processo. neste processo. -este. e só. por isso. pois a norma do nº 4 deste preceito refere-se aos casos em que. alínea a). ouvido várias vezes sobre os factos. na norma extraída com referência ao artigo 133º. -«o acórdão em recurso é inconstitucional ( ). -o tribunal de 1ª instância. de que o Supremo no caso não conhece. como se disse no ponto anterior a suficiência ou insuficiência de um determinado meio de prova para dar como provado determinado facto diz respeito à decisão da matéria de facto. No caso presente. nos termos do artº 345º do CPP. o DD estava impedido de depor como testemunha. não havia que fazer-lhe perguntas ao abrigo dos nºs 1 e 2 do artº 345º. não tendo por isso «valor como meio de prova». -«resulta do depoimento do DD que o mesmo identifica o recorrente como pretenso co-agente dos factos». sendo por isso infundada a alegação de que «este verdadeiro reconhecimento» não respeitou o «estatuído no artº 147º do CPP». do artº 133º do C P Penal. como o recorrente acaba por reconhecer. um co-arguido faz declarações em desfavor de outro co-arguido: sendo ouvidos os dois como arguidos. as declarações de um contra o outro só valem como meio de prova se aquele que as prestou não se recusar a responder às «perguntas sobre os factos que lhe sejam imputados». alínea a). seu co-arguido. apresentou versões diferentes. não prestou declarações. -«nos termos do nº 1. com confirmação da relação. O reconhecimento de uma pessoa. -mas. O DD foi ouvido como testemunha. Aqui temos afirmações de proibição de valoração do depoimento do DD e da sua insuficiência para sustentar a decisão de dar como provada a participação do recorrente nos factos. mas. em que o DD conhecia o recorrente. Só as primeiras devem ser apreciadas. Em primeiro lugar. tem lugar quando houver necessidade de a ele proceder. no sentido em que confere valor de prova às declarações proferidas por uma testemunha. nºs 1 e 5. aproveitou-o. da CRP. baseou a decisão de dar como provada a participação do recorrente nos factos exclusivamente no depoimento do DD. Aqui começa por dizer que. não tendo o DD a qualidade de arguido. sendo que este contrariou «veementemente» essa versão.verdadeiro reconhecimento ou pretensa identificação não tem valor como meio de prova». na medida em que a sua capacidade estava gravemente prejudicada pela circunstância de os factos se encontrarem numa relação de conexão objectiva com os factos imputados ao recorrente AA. como aqui. que foi co-arguido em processo conexo com a testemunha. -o DD. como se diz nesse preceito. nunca tendo acompanhado o DD». o que não é o caso quando a pessoa é conhecida do depoente. ainda que se verifique a separação de processos». em prejuízo do recorrente. «referindo que nunca esteve presente no local e data dos factos. perturbando assim seriamente a liberdade do depoimento». essa situação não se verificou. visto que houve separação de processos e. do artº 133º do . em caso algum o depoimento do DD podia valer como meio de prova contra o recorrente. «nos termos do nº 1. na medida em que este «contrariou e opôs-se às declarações daquele». o que é insuficiente.

nada alega sobre a competência para a instrução. nº 5. Ora. até ao 8. Por último. no caso sob análise. ainda que se verifique a separação de processos». no processo do DD. associa-se a violação do direito a um processo leal e do princípio da . cessando em caso de separação de processos. fala «em violação das garantias de defesa ( ). por violação do artº 32º. a instâncias destoutro co-arguido. 1520. uma vez que não coloca qualquer questão quanto à escolha de defensor e à sua assistência nos vários actos do processo.C P Penal. houve separação de processos e o DD consentiu em depor como testemunha. nºs 1 e 5. nem transitou nesta altura. consagrado no nº 1 do artº 32º da CRP». da descoberta da verdade material como decorrência do princípio da dignidade humana» e na conclusão 29 afirma ser «uma fraude à lei o aproveitamento de um reconhecimento inexistente com base no princípio da livre apreciação da prova. Mas. por violação do artigo 32º. Isso porque. em caso de separação de processos. Estavam ali em causa declarações de um co-arguido em desfavor de outro. ao lado desta alegação. estando. interpretada no sentido de que valem como meio de prova «as declarações proferidas por uma testemunha em prejuízo do recorrente. não pôde ser assegurado o contraditório ao co-arguido prejudicado com essas declarações. em particular da garantia de um processo leal e dos princípios do contraditório. O recorrente fala ainda em violação dos demais nºs deste preceito. pois que. da Constituição. em prejuízo de outro co-arguido quando. condenou este pelos mesmos crimes não transitara ainda em julgado na data em que foi ouvido como testemunha neste processo. Essa afirmação não é correcta. portanto. da Constituição da República. Daí o infundado da alegação de violação do nº 5 do artº 32º da Constituição. o DD. nos termos da lei. pretende o recorrente que a norma do nº 2 do artº 133º. não se recusou a responder às perguntas que. a fls. qualidade que já não tinha nestes autos. que. nestes casos. o primeiro se recusa a responder. E o juízo de inconstitucionalidade encontrou fundamento no facto de o co-arguido que prestou as declarações desfavoráveis ao outro se recusar a responder às perguntas que. no caso. se na motivação. lhe foram feitas. noutra passagem da motivação. ambos a ser julgados no mesmo processo. no exercício do direito ao silêncio». Como se diz no nº 2. a instâncias deste último. 4. Mas daí não podem tirar-se quaisquer consequências nesta matéria. E invoca a autoridade do acórdão nº 497/1997 do Tribunal Constitucional. como se vê. que foi co-arguido em processo conexo com a testemunha. a instâncias do recorrente. não se percebendo. porém. sendo claramente lesivo do direito de defesa do recorrente. podem depor como testemunhas se nisso expressamente consentirem. o DD estava impedido de depor como testemunha». no sentido em que confere valor de prova às declarações proferidas por um co-arguido. se bem se entende. a norma extraída com referência aos artigos 133º. E. Diz apenas que o consentimento do depoente. mesmo que já tenha havido condenação transitada em julgado. sendo-lhe desse modo garantido o exercício do contraditório. Tem-se dificuldade em perceber onde o recorrente vê a violação do nº 1. lhe foram feitas na audiência. julgou «inconstitucional. O recorrente afirma que a sentença que. os arguidos de um mesmo crime ou de um crime conexo. não questiona a dispensa da sua presença em qualquer acto processual e não diz que lhe foi coarctado o direito de intervir no processo. visto ter havido separação de processos. na verdade. é exigido. visto que a norma não exige que tenha havido condenação com trânsito em julgado. assim. a situação apreciada nessa decisão do Tribunal Constitucional era substancialmente diferente da deste processo. que foi ouvido como testemunha e não como arguido. na medida em que o impedimento referido nessa norma só tem lugar no mesmo processo ou em processos conexos. mesmo que já condenados por sentença transitada em julgado. 6 e 7. onde descortina a violação dos nºs 3. 343º e 345º do Código de Processo Penal.

A pena única e a pena aplicada pelo crime de homicídio são superiores a 8 anos de prisão. em 1ª instância. através do acórdão nº 304/2004. . pelo que o recorrente. como é jurisprudência pacífica deste tribunal. no domicílio. no entendimento de que o impedimento de o co-arguido depor como testemunha tem como fundamento essencial uma ideia de protecção do próprio arguido. Nesta matéria. já se viu. da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. alínea f). em recurso. nem valoração de provas proibidas. Apresenta depois o recorrente discordâncias em relação à qualificação jurídica dos factos: por um lado. terá tido em vista os mesmos fins. não o sendo no respeitante a cada um dos crimes pelos quais foi aplicada pena de prisão não superior a 8 anos. nº 1. destes vícios. sem fazer o mínimo esforço no sentido da identificação dessas violações. Não se mostra. com normas do artº 32º da Constituição. decidiu que a norma do nº 2 do artº 133º não viola o nº 1 do artº 32º da Constituição. Estas disposições identificam-se. está fora dos poderes de conhecimento do Supremo Tribunal de Justiça. Na linha do seu raciocínio. nem o seu nº 8. não houve. como já se referiu. e 17 anos de prisão. que confirmem decisão de 1ª instância e apliquem pena de prisão não superior a 8 anos». por o caso não configurar qualquer das situações ali contempladas. O recorrente foi condenado. nada havendo aqui. De resto.descoberta da verdade material à admissão na audiência do depoimento do DD. o recorrente fala em violação dos artºs 11º. ao invocá-las. que teria sido prestado sob constrangimento». pelas relações. qualquer reconhecimento do recorrente por parte do DD e. Ora. nem podia haver. o que terá em vista será a coacção. da Declaração Universal dos Direitos do Homem e 6º. Nestes casos de julgamento por vários crimes em concurso em que. os crimes de sequestro estariam entre si numa relação de concurso aparente. como já se viu. não houve violação do artº 32º. constituindo expressão do privilégio contra a auto-incriminação. mas genericamente. por um lado. em 1ª instância. Concluindo. do CPP. já referidas. Nos termos do artº 400º. A violação do nº 2 radicaria na insuficiência da prova produzida para se ter como assente a participação do recorrente nos factos. na correspondência ou nas telecomunicações». procedente qualquer das alegações do recorrente que podem ser reconduzidas à pretensão de violação do nº 1 do artº 32º da Constituição. por algum ou alguns e em cúmulo haja sido imposta pena superior a 8 anos de prisão e por outros a pena aplicada não seja superior a essa medida. A pretensa violação do nº 5 já foi afastada. que comina a nulidade das «provas obtidas mediante tortura. nº 1. mas simples. visto que só as prestou porque quis. pois. mas não o são as penas aplicadas pelos crimes de sequestro e roubo. não houve aí qualquer constrangimento. porém. abusiva intromissão na vida privada. a merecer apreciação autónoma. só é admissível no que se refere aos crimes pelos quais foi aplicada pena superior a 8 anos de prisão e à operação de determinação da pena única. com referência às apontadas disposições das convenções internacionais referidas. nada de verdadeiramente novo. nºs 1 a 8 da Constituição nem do seu artº 8º. O recorrente não é explicito sobre a pretensa violação do nº 8. 8. pela prática do crime de roubo. pela prática do crime de sequestro. por outro. devendo haver punição apenas pelo crime de roubo e. as declarações deste não foram prestadas sob constrangimento. sendo a condenação confirmada pela relação. juízo que. coacção. nas penas de 1 ano de prisão. 5 anos de prisão. «não é admissível recurso de acórdãos condenatórios proferidos. na medida em que foi esclarecido de que só deporia se nisso consentisse. O Tribunal Constitucional. pela prática do crime de homicídio qualificado. traduzida no alegado constrangimento com que foi prestado o depoimento do DD. por outro. o recurso da decisão desta para o Supremo Tribunal de Justiça. A relação confirmou essa decisão. nºs 1 e 3. o homicídio não seria qualificado. pois. ofensa à integridade física ou moral da pessoa. Mas.

nem por isso o tribunal deixa (pode deixar) de proceder à avaliação conjunta dos factos e da personalidade do agente. hão-de ser os mesmos. no caso de concurso de crimes. por não ser admissível o recurso na parte referente à questão do eventual concurso aparente entre os crimes de sequestro e roubo e à da pena aplicada por cada um deles. sabido como é que o sistema português de punição do concurso de crimes é o da pena conjunta.dgsi. não se nos afigura razoável ou mesmo conforme ao princípio da igualdade. em princípio. como vem entendendo o Supremo Tribunal de Justiça. proferida em recurso sobre um crime integrante de um concurso de infracções. com referência à pena aplicável e não. incidindo sobre cada um dos crimes e das correspondentes penas parcelares. os graus de recurso admissíveis. mesmo daquela(s) que eventualmente tenha(m) sido proferida(s) no mesmo processo. teríamos o Supremo Tribunal de Justiça a rever condenações por crimes que. de natureza substantiva e processual. no seguimento aliás da jurisprudência largamente dominante firmada no período de vigência do regime agora alterado (embora. por via do recurso interposto do acórdão que fixou a pena conjunta. à pena concretamente aplicada). ou sobre a pena conjunta. se o crime de homicídio é ou não qualificado. No último desses acórdãos escreveu-se: «No caso de concurso de crimes. apliquem ou confirmem pena de prisão superior a 8 anos. ( ) o que o Supremo Tribunal de Justiça vem decidindo a este propósito é que. os acórdãos proferidos nos processos nºs 08P3381. a (ir)recorribilidade se afere separadamente pelo conteúdo de cada uma das decisões que incide sobre cada um dos crimes e das correspondentes penas parcelares. sindicar as decisões que incidiram sobre cada um dos crimes e respectivas penas. fazer depender a (ir)recorribilidade de uma decisão de um tribunal da relação. Vejamos. nº 2. Aliás. então. Em nossa opinião. o crime de homicídio é qualificado se «a morte for produzida em circunstâncias que revelem especial censurabilidade . só se conhecerá das questões referentes ao crime de homicídio e à determinação da pena do concurso. e 200/06. como agora. a título de exemplo. no caso de concurso de crimes. a ser elas próprias efectivamente executadas. pena aplicada é tanto a pena parcelar cominada para cada um dos crimes como a pena conjunta. em ambas as hipóteses. muito embora não venham. só sejam para si recorríveis as decisões das relações que. nunca poderiam a ele ter acesso (os crimes da competência do tribunal singular. as possibilidades de recurso. que tenha confirmado pena de prisão inferior a 8 anos. em 13/11/2008. em 12/11/2009. sistema esse em que as penas parcelares. e sobre a pena conjunta. E. Nos termos do nº 1 do artº 132º. a sua apreciação está fora de causa na parte em que o recurso não é admissível. por exemplo)».pt.citando-se.OJAPTM. pode dizer-se aleatória. 09P0491. de o julgamento desse crime ter sido feito em conjunto com os outros crimes do concurso ou separadamente. Se é certo que a questão da qualificação jurídica é de conhecimento oficioso. Conhecidas as contingências que podem levar ou obstar ao julgamento conjunto dos diversos crimes cometidos pelo mesmo agente artº 24º. está definitivamente afastada a possibilidade de. em 16/04/2009. por um lado. Sendo assim. ( ). todos disponíveis em www. quando isoladamente apreciados. do CPP . E não vemos obstáculo processual que repila esse entendimento. obtida através de um cúmulo jurídico ( ). por outro. pois. De outro modo. Por isso que. conservam a sua autonomia e a que estão associados efeitos específicos. da circunstância. 9. pois nesse caso a última palavra sobre a matéria coube ao tribunal recorrido. no caso de determinação superveniente do concurso.

o especial grau de culpa subjacente à «especial censurabilidade ou perversidade» que o agente manifesta em tais circunstâncias aquilo que motiva a agravação. nessa especial maior culpa. Agir com frieza de ânimo significa actuar com serenidade. pois. revelando uma vontade especialmente determinada de cometer o crime e uma maior perigosidade. pelo lado do condutor. assim. em relação à desconformidade. esta tem afinal a ver com a maior desconformidade que a personalidade manifestada no facto possui. Com vista a executarem esse propósito dirigiram-se para o local onde esperavam que ele fosse para vender produtos daquela natureza. naquelas circunstâncias que podem revelar um maior grau de culpa como consequência de um maior grau de ilicitude . Logo que este se imobilizou. que esperava a vítima para lhe comprar droga. ou seja. O recorrente e o DD decidiram matar a vítima. já de si grande. dizendo-lhe que logo que a vítima chegasse apontasse à cabeça e disparasse. as circunstâncias enumeradas no nº 2 do artº 132º só podem ser compreendidas como elementos da culpa. Nas palavras de Teresa Serra. A verificação de qualquer das circunstâncias exemplificadas no nº 2 constitui só um indício da existência da especial censurabilidade ou perversidade. o recorrente empunhando . Então. face à suposta e querida pela ordem jurídica. podendo afirmar-se que a especial censurabilidade se refere às componentes da culpa relativas ao facto . páginas 63 e 64). Entretanto. apesar de se negar a presença de qualquer das referidas circunstâncias. 1987. E especial perversidade quando se esteja perante uma atitude profundamente rejeitável . É nessa diferença de grau. fundando-se. conclui: Sendo. o recorrente e o DD aproximaram-se dele. podendo negar-se este maior grau de culpa. no sentido de constituir indício de motivos e sentimentos que são absolutamente rejeitados pela sociedade . a chegada da vítima. enquanto esperavam. sendo por isso irrelevante a alegação do recorrente de que «o desígnio de matar» «não durou pelo menos 24 horas». enumerando-se no nº 2 circunstâncias susceptíveis de revelar essa especial censurabilidade ou perversidade. Na decisão recorrida considerou-se verificada a circunstância descrita na alínea j) frieza de ânimo e reflexão sobre os meios empregados. depararam-se com BB. Quando ali chegaram. da personalidade subjacente à prática de um homicídio simples (Colectânea de Jurisprudência. depois de tirarem ao BB o dinheiro e outros bens que tinha consigo. coagiram-no a ficar imobilizado ali perto. pela qualificação do homicídio. face ao seu funcionamento não automático e à sua não taxitividade. o recorrente instruiu o DD. apesar da presença de uma das referidas circunstâncias. E agir com reflexão sobre os meios empregados significa actuar depois de escolher e preparar cuidadosamente o modo de praticar o facto. de uma censurablidade ou perversidade acrescida em relação à perversidade ou censurabilidade que já tem de estar presente no homicídio simples. com o espírito límpido de emoções. estando aqui em causa as componentes da culpa relativas ao agente (Homicídio Qualificado. IV. Não a persistência na intenção de matar por mais de vinte e quatro horas. A vítima chegou conduzindo um automóvel. indo o recorrente munido com uma pistola e o DD com uma espingarda caçadeira.ou perversidade». Do que se trata é. Também o Prof. que encontra fundamento a qualificação do homicídio. e tirarem-lhe. página 52). com intuitos apropriativos. o dinheiro e os produtos estupefacientes que tivesse consigo. depois de referir que. Figueiredo Dias. haverá especial censurablidade quando as circunstâncias em que a morte foi causada são de tal modo graves que reflectem uma atitude profundamente distanciada do agente em relação a uma determinação normal de acordo com os valores . dentro do automóvel em que se faziam transportar. FF. Almedina. pela significativa diminuição das possibilidades de defesa da vítima. e concluir-se pela especial censurabilidade ou perversidade. 1998. pois.

apesar dos passos que tiveram de ser dados. depuserem a favor do agente ou contra ele. que «em caso algum a pena pode ultrapassar a medida da culpa». entre a formação desse propósito e a sua execução. circunstâncias essas de que ali se faz uma enumeração exemplificativa e podem relevar pela via da culpa ou da prevenção. ao estabelecer. por haverem sido expressados perante ele (facto nº 4). passa a cena . censura a decisão recorrida no ponto em que considerou ser o homicídio qualificado pela circunstância da alínea j) do nº 2 do artº 132º do CP. que continuava sentada no lugar do condutor. que esperava o FF para lhe comprar droga. 10. a aplicação de uma pena visa acima de tudo o restabelecimento da paz jurídica abalada pelo crime . Nessa altura. uma atitude profundamente distanciada em relação a uma determinação normal de acordo com os valores . causando-lhe lesões que foram determinantes da sua morte. Assente que o homicídio é qualificado.a pistola e o DD a espingarda caçadeira. À questão de saber de que modo e em que termos actuam a culpa e a prevenção responde o artº 40º. ou seja. enquanto o recorrente dizia para um indivíduo que estava com a vítima no veículo então. sabendo que a vítima para ali iria. o recorrente e o seu comparsa escolheram com tempo o modo de matarem a vítima e o local em que o fariam. Na lição de Figueiredo Dias. pela via da especial censurabilidade. A pena aplicável é de 12 a 25 anos de prisão. atingindo-o no hemi-torax esquerdo. devendo atender-se a todas as circunstâncias que. da CRP consagra de forma paradigmática . Há uma medida óptima de tutela dos bens jurídicos e das expectativas comunitárias que a pena se deve propor alcançar . revelando a tenacidade do propósito criminoso. o DD com a caçadeira fez dois disparos contra o FF. nos termos do artº 71º do CP. uma cuidada e pensada preparação do crime. pois abaixo desse ponto óptimo ideal outros existirão em que aquela tutela é ainda efectiva e consistente e onde portanto a pena concreta aplicada se pode ainda situar sem perda da sua função primordial . no nº 1. não fazendo parte do tipo de crime. a finalidade primária da pena é a de tutela de bens jurídicos e. À culpa cabe a função de estabelecer um limite que não pode ser ultrapassado. Assim. a fundamentar a agravação. entre o ponto óptimo e . tudo bem. ainda que em função apenas da reflexão sobre os meios empregados. que «a aplicação de penas visa a protecção de bens jurídicos e a reintegração do agente na sociedade» e. ao lado da vítima. por outro. é feita. Dirigiram-se para esse local já com esse fim e com os instrumentos adequados. no nº 2. impedindo a verificação da figura da frieza de ânimo. GG. são claros no sentido de que houve reflexão sobre os meios empregados. esperaram-na. Não merece. mas que não fornece ao juiz um quantum exacto de pena. que não esmoreceu. 18º. A determinação da medida concreta da pena. posicionando-se aquele junto da porta. Uma tal finalidade identifica-se com a ideia da prevenção geral positiva ou de integração e dá conteúdo ao princípio da necessidade da pena que o art. Estes factos. assim. por um lado. há que ver se a pena aplicada pelas instâncias merece censura. na medida do possível. de reinserção do agente na comunidade. e reduzindo drasticamente as possibilidades de defesa da vítima. Dentro desta moldura de prevenção geral. em função da culpa e das exigências de prevenção. E nisso não pode deixar de ver-se uma forma de realização do crime especialmente desvaliosa. dentro dos limites definidos na lei. Houve. propósitos esses que conhecia. Como a vítima ainda não tivesse chegado. a permanecer imobilizado numa ribanceira fora da estrada só se explica como meio de impedir que este alertasse a vítima da presença e dos propósitos homicidas do recorrente e seu companheiro. se é verdade que nada afirmam sobre o estado emocional do recorrente na altura nem nada permitem inferir sobre essa matéria. nº 2. Efectivamente. A circunstância de terem obrigado o BB. pois.

não podendo valorar-se em sede de medida da pena a firmeza da vontade criminosa. não podendo ultrapassar 25 anos. actuando juntamente com outrem e usando armas de fogo. 2007. E. respectivamente. a pena aplicável tem como limite máximo a soma das penas concretamente aplicadas aos vários crimes. . na medida em que tornou mais difícil a defesa da vítima. De grande relevo será também a análise do efeito previsível da pena sobre o comportamento futuro do agente (exigências de prevenção especial de socialização) (Direito Penal Português. mas num ponto mais próximo dele do que do limite máximo. páginas 79 a 82).o ponto ainda comunitariamente suportável de medida da tutela dos bens jurídicos (ou de defesa do ordenamento jurídico) actuam considerações de prevenção especial. 5 anos e 16 anos de prisão. 2005. Parte Geral. a dificultar igualmente a defesa da vítima. apesar de o recorrente não ter antecedentes criminais. o critério decisivo das exigências de prevenção especial (Direito Penal. a ligeireza com encarou a prática do crime convoca relevantes necessidades de prevenção especial. em virtude de. No caso. e como limite máximo 22 anos de prisão. Nos termos do nº 2 do artº 77º do CP. Mas não pode deixar de dar-se relevo ao facto de ter sido o recorrente quem assumiu o comando da acção. Tomo I. ao contrário do ali decidido. em princípio. em conjunto. se considerar verificada apenas uma das circunstâncias previstas na alínea j) do nº 2 do artº 132º do CP. diz o mesmo autor: Tudo deve passar-se ( ) como se o conjunto dos factos fornecesse a gravidade do ilícito global perpetrado. por já ter sido levada em consideração em sede de qualificação jurídica dos factos. e como limite mínimo a mais elevada dessas penas. um pouco aquém do ponto intermédio. devem ser tidos em conta os critérios gerais da medida da pena contidos no artº 71º exigências gerais de culpa e prevenção e o critério especial dado pelo nº 1 do artº 77º: «Na medida da pena são considerados. e ocorre apenas uma circunstância qualificadora. determinam a medida da pena. sobretudo a questão de saber se o conjunto dos factos é reconduzível a uma tendência (ou eventualmente mesmo a uma «carreira») criminosa. A pena deve. ou tão-só a uma pluriocasionalidade que não radica na personalidade: só no primeiro caso. As exigências de prevenção geral são consideráveis. em última instância. a soma de todas. Reimpressão. sendo decisiva para a sua avaliação a conexão e o tipo de conexão que entre os factos concorrentes se verifique. situar-se bem acima do limite mínimo da moldura penal. em face da perigosidade do recorrente revelada na facilidade com que partiu para a prática do crime e nas circunstâncias de haver escolhido a noite para o levar a cabo. Na fixação concreta da pena única. Na avaliação da personalidade unitária do agente relevará. como ensina Figueiredo Dias. tratando-se de prisão. assim. pelo que a moldura penal tem como limite mínimo 16 anos de prisão. Sobre o modo de levar à prática estes critérios. As Consequências Jurídicas do Crime. mesmo em termos de homicídio qualificado. Resta determinar a pena única. Aumenta ainda a ilicitude da conduta do recorrente a circunstância de os factos serem cometidos de noite. os factos e a personalidade do agente». será cabido a atribuir à pluralidade de crimes um efeito agravante dentro da moldura penal conjunta. A medida da necessidade de socialização do agente é. 11. achando-se adequada a medida de 16 anos de prisão. em termos que tornaram a defesa da vítima praticamente impossível. o dolo é o normal neste tipo de crime. já não no segundo. pela prática. que. designadamente dizendo ao DD quando e como devia disparar. inferior à fixada nas instâncias. Assim. o que facilitou a prática do crime. definindo as tarefas de cada um. O recorrente foi condenado nas penas de 1 ano. de um crime de sequestro. de um crime de roubo simples e de um crime de homicídio qualificado. páginas 291 e 292). a medida da pena parcelar mais elevada. E também o facto de serem dois os agentes. o grau de culpa está um pouco acima da média.

em alterar a decisão recorrida. na pena única de 18 (dezoito) anos de prisão. sendo ela que essencialmente dá a medida da gravidade global desses factos.No conjunto dos factos praticados pelo recorrente destaca-se claramente a conduta integradora do crime de homicídio qualificado. Supremo Tribunal de Justiça. estando-se perante uma «pluriocasionalidade que não radica na personalidade» do recorrente. na pena de 16 (dezasseis) anos de prisão e. O roubo. 9 de Junho de 2010. pela prática do crime de homicídio qualificado. Decisão: Em face do exposto. não estavam previstos. no provimento parcial do recurso. fixando-se a taxa de justiça em 3 UC. condenando o recorrente. Por isso. O recorrente vai condenado a pagar as custas. em cúmulo desta pena com as duas restantes. Considerando estes dados. Os crimes de roubo e sequestro aparecem como que acidentais. está-lhe associado apenas enquanto meio de facilitar a sua execução. é totalmente alheio ao crime de homicídio. acha-se justa a pena única de 18 anos de prisão. e não sendo elevada a contribuição das condutas integradoras dos crimes de roubo e de sequestro para a «gravidade do ilícito global perpetrado». acordam os juízes do Supremo Tribunal de Justiça. de pouco relevo em termos de dano patrimonial e sem danos físicos. Manuel Braz (Relator) Santos Carvalho . e o sequestro. as respectivas penas não devem ter um peso muito alto na formação da pena conjunta. Lisboa. com pouquíssimo desvalor de resultado.