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Acórdão do Supremo Tribunal de JustiçaAcórdãos STJAcórdão do Supremo Tribunal de Justiça Processo:676/03.7SJPRT.

S1 Nº Convencional:3ª SECÇÃO Relator:ARMINDO MONTEIRO Descritores:CÚMULO JURÍDICO CONCURSO DE INFRACÇÕES PENA ÚNICA TRÂNSITO EM JULGADO REINCIDÊNCIA CÚMULO POR ARRASTAMENTO Nº do Documento:SJ Data do Acordão:24-02-2010 Votação:UNANIMIDADE Texto Integral:S Privacidade:1 Sumário : I - Em presença de um concurso superveniente de infracções a atribuição legal da competência ao tribunal da última condenação aquele de onde emerge o recurso para determinação da pena de conjunto, única, deriva da circunstância de ser ele que detém a melhor e mais actualizada perspectiva do conjunto dos factos e a personalidade do agente, de considerar por força do art. 77.º, n.º 2, do CP, retratada no conjunto global das condenações e no trajecto de vida do arguido, concebida como o mais idóneo substracto a que pode ligar-se o juízo de culpa jurídico-penal , a forma viva fundamental do indivíduo humano por oposição a todos os outros . II - A formação da pena conjunta é, assim, a reposição da situação que existiria se o agente tivesse sido atempadamente condenado e punido pelos crimes à medida em que os foi praticando; o cúmulo retrata, assim, o atraso da jurisdição penal em condenar o arguido e a atitude do próprio agente em termos de condenação pela prática do crime, tendo em vista não prejudicar o arguido por esse desconhecimento ao fixar limites sobre a duração das penas a impor. III - O legislador, na fixação da pena de conjunto, afastou-se da sua mera acumulação material, tendo como limite a sua soma, bem como do sistema de exasperação ou agravação pela adopção da pena mais grave, através da avaliação conjunta da pessoa do agente e dos singulares factos puníveis. E não tendo optado pela acumulação material fornece, por isso, um critério que considere os factos e a personalidade do agente no seu conjunto. IV - Sem discrepância tem sido o entendimento neste STJ de que o concurso de infracções não dispensa que as várias infracções tenham sido praticadas antes de ter transitado em julgado a pena imposta por qualquer uma delas, representando o trânsito em julgado de uma condenação penal o limite temporal intransponível no âmbito do concurso de crimes, excluindo-se do âmbito da pena única os crimes praticados posteriormente; o trânsito em julgado de uma dada condenação obsta a que se fixe uma pena unitária que englobando as cometidas até essa data se cumulem infracções praticadas depois deste trânsito. V - O limite determinante e intransponível da consideração da pluralidade de crimes para o efeito de aplicação de uma pena de concurso é, como dito, o trânsito em julgado da condenação que primeiramente teve lugar por qualquer crime praticado anteriormente; no caso de conhecimento superveniente de infracções aplicam-se as mesmas regras, devendo a decisão que condene por um crime anterior ser considerada como se fosse tomada ao tempo do trânsito da primeira, se o tribunal, a esse tempo, tivesse tido

podendo. e 77. condenado na pena única de 14 anos de prisão e 310 dias de multa à taxa diária de 2 . resulta do facto de ao assim proceder o arguido revelar maior inconsideração para com a ordem jurídica do que nos casos de inexistência de condenação prévia. No processo comum colectivo 676/03.4TDLSB do 3º Juízo do Tribunal Judicial de Gondomar. Em cúmulo jurídico foi o arguido condenado na pena única de um ano de prisão 3. não deve ser englobada no cúmulo.Orientação diversa. é a que se acolhe no chamado cúmulo por arrastamento . de todas as penas ponderar. VII .Se os crimes agora conhecidos forem vários. n. n. todos os factos que posteriormente foram conhecidos tivessem sido julgados conjuntamente no momento da decisão primeiramente transitada. por factos ocorridos em 9/3/2004.8. tendo uns ocorrido antes de condenação anterior e outros depois dela.º. por decisão proferida em 29/11/2007 o arguido foi condenado pela prática de dois crimes de dano.º 2040/05. Decisão Texto Integral:Acordam em conferência na Secção Criminal do Supremo Tribunal de Justiça Em processo comum com intervenção do tribunal colectivo n. por Acórdão proferido em 9/10/2008 o arguido foi condenado pela prática de um crime de falsidade de declarações. por ficção de contemporaneidade. seguida em data anterior a 1997. actualmente. na pena de nove meses de prisão.4TDPRT do 1º Juízo Criminal do Porto. por factos ocorridos em 31/7/2003. 4. deixando de ser possível proceder à avaliação conjunta dos factos e da personalidade. como se. reputar-se unânime o repúdio da tese do cúmulo reunindo indistintamente todas as penas por arrastamento . ao dissolver a diferença entre as figuras do concurso de crimes e da reincidência. na pena de 150 dias de multa à taxa diária de 2.º. circunstância óbvia para afastar a benesse que representa o cúmulo. com trânsito em julgado: 1. No processo comum 7038/03. sem dicotomizar aquela situação. VIII .º 676/03. assinalando-se que ele aniquila a teleologia e a coerência interna do ordenamento jurídico-penal. e . contraria expressamente a lei e não se adequaria ao sistema legal de distinção entre punição do concurso de crimes e da reincidência. VI . por Acórdão proferido em 13/7/2007 o arguido foi condenado pela prática de um crime falsificação de documentos na pena de . e pela prática de um crime de burla informática na pena de 10 meses de prisão. as regras da reincidência.º 1.º 1.PEGDM do 2º Juízo do Tribunal Judicial de Gondomar por Acórdão proferido em 14/01/2008 o arguido foi condenado pela prática de dois crimes de furto simples na pena de seis meses e nove meses de prisão. da 2ª Vara Criminal do Porto foi submetido a julgamento AA . na pena de 120 dias de multa à taxa diária de 2. em cúmulo jurídico . do CP. aplicando-se. resultante das penas aplicadas . 2. à partida. uma a corrigir a condenação anterior e outra a relativa aos factos praticados depois daquela condenação. o tribunal proferirá duas penas conjuntas. Em cúmulo jurídico o arguido foi condenado na pena única de 250 dias de multa à taxa diária de dois euros.7SJPRT . abstraindo-se da conjugação dos arts.7SJPRT da 2ª Vara Criminal do Porto. a ideia de que o tribunal devia proferir aqui uma só pena conjunta. 335/04. mas hoje inteiramente rejeitada por este STJ. 78. sendo condenado na pena única de 18 meses de prisão. antes. e pela prática de um crime de falsificação de documento na pena de 15 meses de prisão. por factos ocorridos em 22/3/2003.conhecimento da prática do facto.E as razões por que a pena aplicada depois do trânsito em julgado. No processo comum colectivo n. No processo comum n. por cada um deles e pela prática de um crime de injúrias.

um ano de prisão e na pela prática de um crime de burla na pena de sete meses de prisão. no processo comum colectivo n. por Acórdão proferido em 5/12/2006 o arguido foi condenado pela . pela prática de um crime de burla. na qual condena o arguido pela prática de um crime de usos de documento de identificação alheio na pena de um mês de prisão . 6. em cúmulo na pena única de 3 anos de prisão. em cúmulo na pena única de seis meses de prisão suspensa na sua execução pelo período de um anos. pela prática de sete crimes de falsificação de documento. na forma tentada.º 1299/02. suspensa na sua execução pelo período de três anos. pela prática de seis crimes de falsificação nas penas parcelares de fez meses de prisão por cada um deles . na qual condena o arguido pela prática de um crime de condução sem carta na pena de sete meses de prisão. Neste processo foi efectuado o respectivo cúmulo jurídico que englobou as penas parcelares dos processos n. No processo comum colectivo 261/04. na pena de três meses de prisão. na pena de dez meses de prisão. na pena e sete meses de prisão. por factos ocorridos em 6/2/2003). na pena de 15 meses de prisão e pela prática de um crime de burla. da 4ª Vara Criminal do Porto (decisão proferida em 18 de Julho de 2006. na pena de seis meses de prisão . processo n. na forma tentada. para cada um dos crimes. no processo n. por factos ocorridos em 13/12/2002). pela prática de um crime de falsificação de documento. por factos ocorridos em 4/10/2004. para cada um dos crimes. na qual condena o arguido pela prática de um crime de furto na pena de dez meses de prisão e pela prática de um crime de furto na pena de oito meses de prisão. para dois crimes.3GBAMT do 1º Juízo do Tribunal Judicial de Amarante (decisão proferida em 4/10/2006. Em cúmulo jurídico foi o arguido condenado na pena única de um ano e dois meses de prisão. por factos ocorridos em Junho de 2004) sendo o arguido condenado na pena única de dez anos e seis meses de prisão.º 121/ 04. processo n. por Acórdão proferido em 13/02/2007 o arguido foi condenado pela prática de um crime de falsificação de documento na pena de doze meses de prisão e pela prática de um crime de burla. suspensa na sua execução pelo período de três anos. por factos ocorridos em 14 de Junho de 2004). e pela prática de quatro crimes de burla.4PAESP da 1ª Vara Criminal do Porto (decisão proferida em 10/11/2004.º 1100/04.GAVCD do 1º Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Vila do Conde (decisão proferida em 4/4/2002. na qual condena o arguido pela prática de quatro crimes de falsificação na pena de um ano e seis meses de prisão. por factos ocorridos em 25/ Agosto de 2003 a 24 de Outubro de 2004). por factos ocorridos em 5 de Junho de 2004). 5.º 5646/04. do 4º Juízo do Tribunal Judicial da Maia ( decisão proferida em 13 de Fevereiro de 2008.5TDPRT do 1º Juízo Criminal da Maia (decisão proferida em 9 de Janeiro de 2005. na qual condena o arguido pela prática de um crime de condução em estado de embriagues na pena de três meses de prisão e pela prática de um crime de desobediência na pena de cinco meses de prisão. na pena de nove meses de prisão.PBBRG da Vara do Tribunal Judicial de Braga.º 481/04. por factos ocorridos em 10/4/2001) e no âmbito do processo comum colectivo n. em cúmulo na pena única de 1 ano e nove meses de prisão.º 922/01. na forma tentada.0SFPRT . em cúmulo jurídico foi o arguido condenado na pena 14 meses de prisão. para cada um dos crimes. na qual condena o arguido pela prática de um crime de falsificação na pena de um ano e seis meses de prisão e pela prática de um crime de Burla. No processo comum colectivo 2427/03. sete meses para outros dois crimes e nove meses de prisão para os restantes dois. em cúmulo na pena única de 18 meses e 15 dias de prisão.6JAPRT da 2ª Vara Criminal do Porto. em cúmulo jurídico foi o arguido condenado na pena única de quatro anos de prisão.º 354/07. na pena de dez meses de prisão . por factos ocorridos em 30/1/2004. no processo Comum colectivo n. na qual condena o arguido pela prática de seis crimes de burla na pena de seis meses de prisão.3GAMAI.3GALSD do 1º Juízo do Tribunal Judicial de Lousada ( decisão proferida em 1/03/ 2006.

processo n. tendo apenas concluído o 4º ano de escolaridade. Ao longo do seu percurso da vida manteve diferentes relações afectivas. por factos ocorridos em 29/3/2002 e 10/4/2003. Ingressou no sistema de ensino em idade própria. No processo comum n. processo n. pelo que assumia um maior controlo da dinâmica familiar.º 922/01.o arguido foi condenado pela prática de um crime de condução sem carta na pena de 170 dias de multa à taxa diária de 3. No processo comum colectivo 49/03.PBBRG da Vara do Tribunal Judicial de Braga.º 378/04. consoante as contrapartidas apresentadas. por cada um deles. registou duas reprovações. em cúmulo jurídico na pena única de 14 meses e 15 dias de prisão.6JAPRT da 2ª Vara Criminal do Porto. da 4ª Vara Criminal do Porto. pessoa descrita como bastante contida ao nível emocional.0SFPRT . em cúmulo foi condenado na pena única de três anos e seis meses de prisão . segundo o arguido. do 4º Juízo do Tribunal Judicial da Maia.3GBAMT do 1º Juízo do Tribunal Judicial de Amarante. decisão proferida em 12/07/2007 .5TDPRT do 1º Juízo Criminal da Maia. ainda . processo comum colectivo 261/04. passando por várias entidades empregadoras e. sendo o arguido condenado na pena única de doze anos de prisão. por factos ocorridos em Setembro de 2003.PEGDM do 2º Juízo do Tribunal Judicial de Gondomar. por factos ocorridos em 16/5/2002. sendo esta propriedade do progenitor. com bons níveis de desempenho. processo comum colectivo 2427/03. união que durou cerca de quatro anos e da qual tem uma descendente.7TAGDM. evidenciando baixa motivação face aos conteúdos escolares e às regras inerentes ao ensino. por factos ocorridos em 17/10/2004. em oposição ao progenitor. Foi realizado cúmulo jurídico. que se encontra a residir junto de uma tia paterna. Aos 14 anos iniciou a actividade laboral numa oficina como estofador. por decisão proferida em 15/04/2008o arguido foi condenado pela prática de dois crimes de falsificação de documento na pena de dez meses de prisão por cada um dos crimes.3GAMAI.3GALSD do 1º Juízo do Tribunal Judicial de Lousada. Posteriormente exerceu actividades indiferenciadas na área da panificação e construção civil.1PEPRT do 1º Juízo Criminal de Gondomar . 7. processo comum colectivo n.º 335/04. manteve sempre grande facilidade em mudar de emprego. onde permaneceu cerca de dois anos.pela prática de um crime de desobediência na pena de sete meses de prisão. Não obstante evidenciar um comportamento adaptativo. traduzidas numa elevada permissividade por parte da progenitora e avó materna.º 481/04. pela prática de dois crimes de burla.4PAESP da 1ª Vara Criminal do Porto. . processo n. processo n. actualmente de 24 anos. por provado que : AA é proveniente de um agregado familiar de estrato socio-económico modesto. 8. no referido processo que englobou as penas parcelares do processo comum n. por cada um dos crimes.º 691/04.GAVCD do 1º Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Vila do Conde. por Acórdão proferido em 6/02/2008 o arguido foi condenado pela prática de dois crimes de falsificação de documento na pena de um ano e dois meses.3PAVFR do 2º Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Santa Maria da Feira.º 121/ 04.prática de dois crimes de roubo na pena de dois anos e seis meses.8. sendo o segundo elemento de um conjunto de cinco descendentes. O seu desenvolvimento psicossocial e afectivo decorreu num contexto de práticas educativas inconsistentes. por cada um dos crimes.º 1299/02.º 290/02. na pena de um ano e três meses de prisão . O Colectivo teve . No processo comum n. em cúmulo Jurídico na pena única de três anos e quatro meses de prisão. processo comum colectivo n. por decisão proferida em 4 de Janeiro de 2004. 9) 5. valorizando o investimento profissional e o cumprimento das normas sociais vigentes.º 5646/04. do 1º Juízo Criminal de Gondomar. por factos ocorridos em 20 de Junho de 2006.º 1100/04. mas um menor investimento na educação dos filhos. processo n. Iniciou a primeira relação marital aos 17 anos.º 354/07.4GALSD do 2º Juízo do Tribunal Judicial de Lousada. aos 13 anos. processo Comum colectivo n.

é um bom indício de vontade de mudar. encontrando-se receptivos para o acolher e receber no processo de ressocialização. situação que. O primeiro contacto com o Sistema de Justiça penal ocorreu aos 24 anos. pelo crime de dano e injúrias. Frequentou e concluiu o curso de formação profissional de pesca. tendo nascido na constância deste casamento dois filhos. Tem mantido actividade ocupacional.Por volta dos 23 anos contraiu matrimónio. Em Março de 2008. pelos crimes falsificação de documento e burla. que se encontram actualmente aos cuidados da progenitora. Desde 26. Encontra-se a frequentar o sistema de ensino. e reaproximar-se da sua família de origem. aliada à aproximação da família de origem. verificou-se alguma reaproximação ao progenitor (relacionamento que havia sido interrompido com a actual pena de prisão). Posteriormente. cumprindo com os objectivos do programa terapêutica e revelando motivação para ultrapassar a problemática. permitiu ao arguido suster com um percurso de vida socialmente desajustado bem como retomar um tratamento à toxicodependência. O facto do arguido ter solicitado apoio terapêutico para o tratamento à sua problemática aditiva. interpôs recurso aprentando na motivação as seguintes conclusões : . No decurso da reclusão. AA cumpre a pena de 12 anos de prisão em que foi condenado em cúmulo jurídico. solicitou apoio aos serviços clínicos tratamento à toxicodependência tendo integrado o programa de Antagonista. Tem apresentado um comportamento adequado ao contexto prisional sem registo de qualquer advertência. Recebe visitas pontuais da progenitora. Numa fase inicial recorreu a apoio clínico especializado. pode constituir um bom prognostico no seu processo de reinserção social.03-2009. pelo facto de ainda não ter beneficiado de medidas de flexibilização da pena. que contudo. AA regista um percurso de vida pautado pela instabilidade emocional com dificuldades de adaptação às normas sociais vigentes. tendo entrado no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira em 25-09-2006. através de aquisição de competências pessoais e académicas.11º e 12º ano. Esta situação veio condicionar o percurso do cumprimento de pena. não obstante as dificuldades de locomoção que evidência e. ao qual vem correspondendo adequadamente. O período privativo de liberdade em que se encontra. encontrando-se a residir em casas abandonadas. AA encontra-se recluso desde 26-01-2005. com cerca de 27/28 anos. se revelou sem sucesso. O arguido . a frequentar o 10°. que o tem apoiado ao nível afectivo. À data da actual reclusão. motivo pelo qual a relação com este entraria em ruptura. que durou cerca de 8 anos. inconformado com o decidido . no cumprimento de uma pena de prisão de 4 anos. conduta disruptiva que tem mantido com carácter regular. esporadicamente de uma filha. adoptava um comportamento de desrespeito pelas regras familiares que lhe eram impostas pelo pai. iniciou o consumo de estupefacientes. da qual existe outro descendente. frequentando paralelamente consultas de psicologia. Neste contexto. com o recurso ao apoio de instituições de carácter social. que lhe asseguravam a satisfação das necessidades básicas (alimentação e cuidados de higiene) e mantinha os seus hábitos aditivos. tendo ainda um processo pendente. Durante este período manteve ainda uma relação extra-conjugal. facto que poderá facilitar o seu processo ao seio da família de origem. que se encontra a cumprir 166 dias de prisão subsidiária. vivência a que não foi alheio o seu envolvimento até à dependência do consumo de aditivos e que teve repercussões nefastas aos vários níveis da sua vida. AA tinha abandonado a morada de família. que tem revelado motivação e empenha nas aprendizagens.

por isso . bem como do sistema de exasperação ou agravação pela adopção da pena mais grave . todos os crimes praticados pelo arguido . retratada no conjunto global das condenações e no trajecto de vida do arguido . Propondo-se o legislador sancionar os factos e a personalidade do agente no seu conjunto . 171 . A formação da pena conjunta é .6.06 e 474/06 . dando atenção àquele conjunto . Figueiredo Dias . E não tendo optado pela acumulação material fornece . Colhidos os legais vistos . por isso . deriva da circunstância de ser ele que detém a melhor e mais actualizada perspectiva do conjunto dos factos e da personalidade do agente . tendo como limite a sua soma . de 19.ª classe e hoje possui o 12. errando o tribunal não tendo julgado em obediência ao conjunto global dos factos e à sua personalidade .º 1 . concebida como o mais idóneo substracto a que pode ligar-se o juízo de culpa jurídico-penal . O consumo de estupefacientes foi decisivo para a sua vida delituosa Actualmente está livre do consumo de substâncias estupefacientes .º 77. cumpre decidir : Em presença de um concurso superveniente de infracções a atribuição legal da competência ao tribunal da última condenação aquele de onde emerge o recurso . de considerar por força do art.º ano . Quando detido tinha a 4.º n.4. o cúmulo retrata . de concluir é que o agente é punido .º 2 .Tem apresentado uma personalidade relativamente à qual a sua ressocialização não justifica uma tão longa pena . com respeito pela regras prisionais . dados sinais de recuperação .º 77. 290 -292 . deste STJ . Culpa . pág. de 2. do CP . única . o tribunal apreciasse . um critério que considere os factos e a personalidade do agente no seu conjunto. Não lhe deve ser aplicada uma pena superior a 8 anos de prisão . tanto geral como de análise do efeito previsível da pena sobre o comportamento futuro do agente ( exigências de prevenção especial de socialização ) . de certo que pelos individualmente praticados . exemplar . da autoria do Prof. 221 ) . tendo em vista não prejudicar o arguido por esse desconhecimento ao fixar limites sobre a duração das penas a impõr . ed. do CP. formando um juízo censório único . daquela data . na definição que dela se colhe em Liberdade . in P. 1324 ) . Sem discrepância tem sido pacífico o entendimento neste STJ de que o . Figueiredo Dias . págs . Ac. sendo . No concurso superveniente de infracções tudo se passa como se . mas não como um mero somatório . projectando o retroactivamente ( cfr. O legislador.ºs n. deste STJ . STJ . Direito Penal . mas antes de forma mais elaborada . aferidos aliás em função do tempo decorrido sobre a sua detenção .para determinação da pena de conjunto . contemporaneamente com a sentença . cfr. manifestamente desproporcionada e desadequada . II . por pura ficção . sendo aqueles de mediana gravidade . no dizer do Prof. a forma viva fundamental do indivíduo humano por oposição a todos os outros . em caso de cúmulo jurídico de infracções . através da avaliação conjunta da pessoa do agente e dos singulares factos puníveis .2004 .º s 776/06 . in Direito Penal Português . afastou-se da sua mera acumulação material . Da Faculdade de Direito da UC . 2005 . Prof. As Consequências Jurídicas do Crime . a reposição da situação que existiria se o agente tivesse sido atempadamente condenado e punido pelos crimes à medida em que os foi praticando ( cfr.º n. os Acs . in Da Unidade à Pluralidade dos Crimes no Direito Penal Português . levando se em conta exigências gerais de culpa e de prevenção . nos termos do art. o atraso da jurisdição penal em condenar o arguido e a atitude do próprio agente em termos de condenação pela prática do crime . na fixação da pena de conjunto. assim . pretendendo ingressar no ensino superior . em visão atomística . numa dimensão penal nova fornecendo o conjunto dos factos a gravidade do ilícito global praticado . CJ . assim . Está arrependido dos crimes cometidos e os anos de cumprimento de pçena já lhe serviram de lição . Lobo Moutinho .

º 4797/06-5. assinalando-se que ele aniquila a teleologia e a coerência interna do ordenamento jurídico-penal . ainda . II .º .º n. 229 e segs . E as razões por que a pena aplicada depois do trânsito em julgado . 45 e segs .12. tivesse tido conhecimento da prática do facto cfr. idem Germano Marques da Silva . CJ . 592) . no caso de conhecimento superveniente de infracções aplicam-se as mesmas regras . todos os factos que posteriormente foram conhecidos tivessem sido tivessem sido julgados conjuntamente no momento da decisão primeiramente transitada. à partida . V.2002 . da 5. Ano X. excluindo-se do âmbito da pena única os crimes praticados posteriormente . é a doutrina do Prof. STJ .º 4 . por arrastamento .º n. deste STJ . se o tribunal . aplicando-se . de todas as penas ponderar . in CJ . os Acs.º 2739/01 como se . P. contraria expressamente a lei e não se adequaria ao sistema legal de distinção entre punição do concurso de crimes e da reincidência . Orientação diversa . de 4. deste STJ . do CP . TI. . de 11. a esse tempo . STJ . de 15. podendo . pág. neste sentido .99 . mas hoje inteiramente rejeitada por este STJ . pág. P.2002 . .10. também .3.3.º n. como dito . defende Vera Lúcia Raposo .1. O limite determinante e intransponível da consideração da pluralidade de crimes para o efeito de aplicação de uma pena de concurso é . o trânsito em julgado da condenação que primeiramente teve lugar por qualquer crime praticado anteriormente . antes . ao dissolver a diferença entre as figuras do concurso de crimes e da reincidência ( Comentário de Vera Lúcia Raposo .2001.2007 . sem dicotomizar aquela situação . Concurso de Penas . tendo uns ocorrido antes de condenação anterior e outros depois dela . resulta do facto de ao assim proceder o arguido revelar maior inconsideração para com a ordem jurídica do que nos casos de inexistência de condenação prévia .º 245/99 . Cfr. RPCC . n.2007 . por ficção de contemporaneidade .º n.2004 . actualmente . Ac.ª Sec. Ano 13. 202 e de 6. P.º n. in Direito Penal Português . Se os crimes agora conhecidos forem vários . as regras da reincidência .º 1 e 77. o tribunal proferirá duas penas conjuntas .º n. representando o trânsito em julgado de uma condenação penal o limite temporal intransponível no âmbito do concurso de crimes. in R e v . § 425. STJ . circunstância óbvia para afastar a benesse que representa o cúmulo . neste sentido . Ora o trânsito em julgado primeiramente ocorrido regista se em relação ao . proferido no P. 246. uma a corrigir a condenação anterior e outra relativa aos factos praticados depois daquela condenação . in CJ . Ac. Paulo Pinto de Albuquerque . in Rec. .abstraindo da conjugação dos art.º 4796 /06 .concurso de infracções não dispensa que as várias infracções tenham sido praticadas antes de ter transitado em julgado a pena imposta por qualquer uma delas . III.2. I . reputar-se unânime o repúdio da tese do cúmulo reunindo indistintamente todas as penas. in Direito Penal Português As Consequências Jurídicas do Crime . é a que se acolhe no chamado cúmulo por arrastamento . e de 15. deste STJ . Figueiredo Dias . o trânsito em julgado de uma dada condenação obsta a que se fixe uma pena unitária que englobando as cometidas até essa data se cumulem infracções praticadas depois deste trânsito . cit . págs . devendo a decisão que condene por um crime anterior ser considerada como se fosse tomada ao tempo do trânsito da primeira . desde logo pelo Ac. 247 .3. Cfr. a ideia de que o tribunal devia proferir aqui uma só pena conjunta . de 17.ª Sec.5.º 1 . 313 e Paulo Dá Mesquita . não deve ser englobada no cúmulo . 2004 . Parte Geral . seguida em data anterior a 1997 .º n.º 1934/01 e de 17. deixando de ser possível proceder à avaliação conjunta dos factos e da personalidade . pág. Comentário ao Código Penal .97 .ºs 78. 583 a 599 . . dando lugar a cúmulos separados e a pena executada separada e sucessivamente . de 7.

pelo que haverá . distinção a que se não procedeu . Mais : o próprio acórdão sequer faz menção da moldura de concurso no seu limite máximo material . devendo .4. em termos de prisão . se anula o acórdão recorrido . em obediência ao disposto nos art. de muito curta duração .º 379.º 1 . sabendo-se . do CP ainda . sem deixar de ter presente que os factos ocorreram num quase todos entre 2003 e 2004 e as penas cominadas são . note-se . do 1. originando cúmulos separados .2001 . na esmagadora maioria .º 922/01 GAVCD. que ponderar quais .P. com sentença proferida em 4.º comum com intervenção do tribunal colectivo sob o n.º n.ºs 77.º n. desde logo . os tribunais só em casos excepcionais daquele( máximo de 25 anos ) se devendo aproximar . dentre os factos que integram o acórdão de cúmulo . logo de gravidade reduzida Consequentemente . por força do art. e os que o foram depois de tal condenação . os cometidos antes . do CPP .º n.4. embora .2002 . com a subsequente limitação de direito a 25 anos. Sem tributação .º Juízo Criminal de Vila do Conde .ºs 1 c) e 2 . Supremo Tribunal de Justiça. que se defina a data do trânsito em julgado das diversas condenações para determinação dos crimes em concurso e dos que o não estão . enunciado que o acórdão recorrido se abstém de circunstanciar . e factos de ocorridos em 10. Importa . por omissão de pronúncia . 24 de Fevereiro de 2010 Armindo Monteiro (relator) Santos Cabral .ºs 1 e 78.