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Acórdão do Supremo Tribunal de JustiçaAcórdãos STJAcórdão do Supremo Tribunal de Justiça Processo:775/09.1JAPRT.

S1 Nº Convencional:3ª SECÇÃO Relator:FERNANDO FRÓIS Descritores:MEDIDA CONCRETA DA PENA PLURIOCASIONALIDADE PREVENÇÃO GERAL PREVENÇÃO ESPECIAL CULPA FINS DAS PENAS PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE PRINCÍPIO DA NECESSIDADE PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES DETENÇÃO DE ARMA PROIBIDA CÚMULO JURÍDICO Nº do Documento:SJ Data do Acordão:27-05-2010 Votação:UNANIMIDADE Texto Integral:S Privacidade:1 Meio Processual:RECURSO PENAL Decisão:PROVIDO EM PARTE Sumário :I - No domínio da versão originária do CP82, uma parte da jurisprudência referindo apoiar-se na posição do Professor Eduardo Correia (Actas das Sessões, pág. 20) segundo a qual o procedimento normal e correcto dos juízes na determinação da pena concreta, em face do novo Código, seria o de utilizar, como ponto de partida, a média entre os limites mínimo e máximo da pena correspondente, em abstracto, ao crime, adoptou tal orientação, considerando-se em seguida as circunstâncias que, não fazendo parte do tipo de crime, depusessem a favor do agente ou contra ele neste sentido, cf. os Acs. de 13-07-1983, BMJ 329, pág. 396; de 15-02-1984, BMJ 334, pág. 274; de 26-04-1984, BMJ 336, pág. 331; de 19-12-1984, BMJ 342, pág. 233; de 11-11-1987, BMJ 371, pág. 226; de 19-12-1994, BMJ 342, pág. 233; de 10-01-1987, Proc. n.º 38627 - 3.ª, Tribuna da Justiça, nº 26; de 11-11-1987, BMJ 371, pág. 226; de 11-05-1988, Proc. n.º 39401 - 3.ª, Tribuna da Justiça, n.ºs 41/42. II - Posteriormente, ainda antes de 1995, partindo da ideia de que a culpa é a medida que a pena não pode ultrapassar, nem mesmo lançando apelo às necessidades de prevenção, mesmo que acentuadas, começou a considerar-se não ser correcto partir-se dum ponto médio dos limites da moldura penal para a agravação ou atenuação consoante o peso relativo das respectivas circunstâncias, como vinha sendo entendido, salientando-se que a determinação da medida da pena não depende de critérios aritméticos neste sentido, cf. os Acs. do STJ de 16-12-1986, BMJ 362, pág. 359; de 25-11-1987, BMJ 371, pág. 255; de 22-02-1989, BMJ 384, pág. 552; de 09-06-1993, BMJ 428, pág. 284. III - A partir de 1-10-95 passou a entender-se que a pena servia finalidades exclusivas de prevenção, geral e especial, assumindo a culpa um papel limitador da pena. IV - A terceira alteração ao CP operada pelo DL 48/95, de 15-03, entrado em vigor em 01-10 seguinte, estabeleceu que os princípios que deviam presidir à determinação da pena, eram os da necessidade, proporcionalidade e adequação.

n. Proc.3. o critério da sua periculosidade intrínseca e social.º 3228/07 5.3.3.3. mas já não a determinação.º 1775/07 . 3068/08 e 3174/08 .ª.ª. n. Proc. Proc.ª e 4832/07 . a medida da pena há-de ser dada pela medida da necessidade de tutela dos bens jurídicos face ao caso concreto e referida ao momento da sua aplicação. não deixando.3. de 15-10-2008.5. n. ou a desproporção da quantificação efectuada neste sentido. no preâmbulo que a gradação das penas aplicáveis ao tráfico. à falta de indicação de factores relevantes. n. de 21-05-2008. Proc. 40.ª. de 17-04-2008.O DL 15/93.ª e Proc. IX . deste modo. de 03-04-2008. de que em caso algum a pena pode ultrapassar a culpa. todavia de afirmar. n. ambos desta secção.Quanto ao controle da fixação concreta da pena a intervenção do STJ tem de ser necessariamente parcimoniosa.ª. de 03-09-2008.No caso concreto. Proc. anexa ao DL 15/93. de 02-04-2008. Proc.5ª. que na data dos factos. do STJ de 04-07-2007. n.o dolo foi directo e intenso. n.Assim. quer na escolha.ª.3.3. que por inteiro se cobre com a ideia da prevenção geral positiva ou de integração que vimos decorrer precipuamente do princípio político-criminal básico da necessidade da pena.3.ª. n.º 1964/08 . como princípio. de 17-10-2007. n.E.3. Acs.ª. no art.º 3982/07 .º 907/07 .ª. n.º 4730/07 . Proc. a reinserção social do agente do crime. cf. dentro daqueles parâmetros. droga considerada como de alguma potencialidade de dano e com um certo grau de lesão dos bens jurídicos protegidos. desconhecendo-se o destino que o arguido ia dar à cocaína 394. n. de 20-02-2008. de 10-09-2008. de 10-01-2008. Proc. o arguido encontrava-se desempregado. sendo entendido de forma uniforme e reiterada que no recurso de revista pode sindicar-se a decisão de determinação da medida da pena.ºs 414/08 e 1224/08.º 2506/08 . de 29-05-2008. substância que se encontra prevista na tabela I-B. quer quanto à questão do limite da moldura da culpa. não adere totalmente à distinção entre drogas leves e drogas duras. de 08-10-2008. protecção que assume um significado prospectivo que se traduz na tutela das expectativas da comunidade na manutenção (ou mesmo no reforço) da validade da norma infringida. do quantum exacto da pena. de 30-04-2008. n. de 22-01.ª. quer na dosimetria. de 05-03-2008. Proc.º 3321/07 . com tal reforma o legislador não prescindiu de oferecer aos tribunais critérios seguros e objectivos de individualização da pena.ºs 4639/07 . havendo que atender à inserção de cada droga nas tabelas anexas. n. n. Proc.ª. X .º 1001/08 . n. tendo em conta a real perigosidade das respectivas drogas afigura-se ser a posição mais compatível com a ideia de proporcionalidade . pois a organização e colocação nas tabelas segue. no Proc. Proc.º 437/08 . primordial e essencialmente.º 677/08 e 1013/08. n. quer quanto à correcção das operações de determinação ou do procedimento.3. n. Um significado.3.º estabeleceu-se que a finalidade das penas e medidas de segurança é «a protecção dos bens jurídicos e a reintegração do agente na sociedade». 5. de 09-04-2008.º 4723/07 . XI .Apesar disso e como se refere no preâmbulo do citado DL 48/95. Proc. VII .ª.5. Proc. n.ºs 2878/08. Proc.3.º 999/08 . o que constitui indicativo da respectiva gradação.Ora. bem como a forma de actuação dos fins das penas no quadro da prevenção. estamos perante a detenção e transporte de cocaína pelo arguido. à indicação dos factores que devam considerar-se irrelevantes ou inadmissíveis.V .ª. ao desconhecimento pelo tribunal ou à errada aplicação dos princípios gerais de determinação.ª. salvo perante a violação das regras da experiência. VIII .3. pois.º 1491/07 . sempre no pressuposto irrenunciável. sobrevivendo com a realização de trabalhos . Proc. de matriz constitucional. VI . ou seja. de 16-01-2008.ª.75 g e considerando que: .ª.º 4571/07 . Proc.

Explicita o Autor que. que acresce à decorrente do artigo 71º do CP. de marca Tanfoglio. que se mostra justa. pela prática de um crime de detenção de arma proibida. n. pelo que ponderado o conjunto de circunstâncias que .º. . frequentou o correspondente ao actual 11.º. sendo decisiva para a sua avaliação a conexão e o tipo de conexão que entre os factos concorrentes se verifique.o arguido não era possuidor de licença que o habilitasse a utilizar ou transportar a arma referida. Editorial Notícias. pela ligeira ilicitude. de 22-01.º1. XV . tendo em conta o bem jurídico violado no crime em questão a saúde pública e impostas pela frequência do fenómeno e do conhecido alarme social e insegurança que estes crimes em geral causam e das conhecidas consequências para a comunidade a nível de saúde pública e efeitos colaterais. será cabido atribuir à pluralidade de crimes um efeito agravante dentro da moldura penal conjunta . 86. 290/2. do DL 15/93.º 1. Na avaliação da personalidade unitária do agente relevará.º 1. adequada e proporcional para o crime de tráfico de estupefacientes. n. . tendo ficado apurado que: . . de 23-02. 21. sobretudo. está-se perante uma nova moldura penal mais abrangente. pela adequação da pena de 1 ano de prisão. modelo Mossad. as razões e necessidades de prevenção geral positiva ou de integração que satisfaz a necessidade comunitária de afirmação ou mesmo reforço da norma jurídica violada são muito elevadas.Na consideração dos factos (do conjunto dos factos que integram os crimes em concurso) está ínsita uma avaliação da gravidade da ilicitude global. um critério especial: o do art. n. As Consequências Jurídicas do Crime. em Janeiro desse ano. e p. pelo art. XIII . pelo art. uso e porte. n. ou tão só a uma pluriocasionalidade que não radica na personalidade: só no primeiro caso. a aplicação da pena de 5 anos e 6 meses de prisão. por acórdão transitado em julgado em 08-07-2002.A medida da pena a atribuir em sede de cúmulo jurídico tem uma especificidade própria. da Lei 5/2006. fornecendo a lei. na busca da pena do concurso. de um crime de tráfico de estupefacientes.em busca domiciliária realizada à residência do arguido foi encontrada guardada numa das gavetas junto à cama uma pistola semiautomática.º. tem lugar uma específica fundamentação. págs.Por outro lado.º ano de escolaridade e era consumidor de haxixe. 2. 1993. que depois de ter saído do estabelecimento prisional. Aequitas. Tudo deve passar-se como se o conjunto dos factos fornecesse a gravidade do ilícito global perpetrado. al.º de série ABO8064. c). entretanto.tendo vontade livre e perfeita consciência de estar detendo e usando a arma acima referida sem ser titular de habilitação legal para a sua detenção. a questão de saber se o conjunto dos factos é reconduzível a uma tendência (ou eventualmente mesmo a uma «carreira») criminosa.º 1. para além dos critérios gerais de medida da pena contidos no art.ª parte.possui antecedentes criminais. na pena de 6 anos de prisão. p. . n. tinha passado a viver com os pais.º 3. 72.ocasionais na área da construção civil e nas feiras. do DL 15/93. 77. Por outro. §§ 420 e 421. XIV . XVI . o que releva contra si. 3. mas. de calibre 9 Luger. pena essa já declarada extinta. E acrescenta que de grande relevo será também a análise do efeito previsível da pena sobre o comportamento futuro do agente (exigências de prevenção especial de socialização) . 21. p. p.º 1. com referência ao art.Como refere Figueiredo Dias. pela prática. n.º. zangara-se com o irmão e fora viver para uma pensão. justificam como resposta punitiva firme. fazendo-se especialmente sentir neste tipo de infracção. Direito Penal Português. com o n. já não no segundo. pelo art. é de concluir. a pena conjunta do concurso será encontrada em função das exigências gerais de culpa e de prevenção.se encontra divorciado e não tem filhos. e p. e p.º. Por um lado.º. sendo que os mesmos respeitam a um crime da mesma natureza: foi condenado. que deve ter em conta as conexões e o tipo de conexão entre os factos em concurso.

resultou provado.. . p. divorciado. que. a sua conduta anterior e posterior ao facto.. e p.º 5/2006 de 23 de Fevereiro na pena de um ano de prisão. a aplicação ao arguido de uma pena única de 6 anos de prisão.CONCLUSÕES: 1 . titular do bilhete de identidade n. residente na Urbanização . n.Ao determinar a concreta medida da pena. e condenar o arguido na pena única de sete anos e seis meses de prisão. Decisão Texto Integral: Acordam no Supremo Tribunal de Justiça: No Círculo Judicial de Santo Tirso. com referência ao artigo 3º. no processo comum nº 775/09. do 1º Juízo Criminal de Santo Tirso. em autoria material de um crime de detenção de arma proibida. não fazendo parte do crime. alheando-se da recuperação e ressocialização do delinquente. depuseram a favor do recorrente. b) Condenar o arguido pela prática de um crime de detenção de arma proibida previsto e punido pelo artigo 86º. 2 . n 2 e 71º do Código Penal. c). . emitido em pelo Arquivo de Identificação de Lisboa. e p. não tomando em boa conta a sua personalidade. A final.pugnando pela redução da pena aplicada e relativa ao crime de tráfico de substâncias estupefacientes. pelo artigo 21º. . do DL 15/93.1JAPRT. do DL. na pena de sete anos de prisão. Era-lhe imputada a prática.º 15/93 de 22/01. da Lei n. o tribunal a quo na determinação da pena subvalorizou as várias circunstâncias que. p. 3 . 5 . não o tendo sido. na matéria de facto provada. c) Operar o cúmulo jurídico das aludidas penas parcelares.E bem assim o facto de ter actuado como mero "transportador" ou "correio". filho de BB e de CC. foi submetido a julgamento em processo comum e com intervenção do tribunal colectivo. foi proferida sentença/acórdão. p. o tribunal a quo assentou na prevenção e repressão do crime. actualmente em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional do Porto. afigura-se justa. Vila Nova de Famalicão. natural de Cabo Verde.º . além do mais.. suspensa na sua execução e sujeita a regime de prova.Esses aspectos deviam ter sido tidos em consideração para efeitos de determinação da medida da pena concretamente aplicada. o arguido AA interpôs o presente recurso para este STJ limitado á matéria de direito . designadamente a confissão integral e sem reservas. o arguido: AA. n. depuseram a favor do recorrente. nº 1. n.Não obstante considerar.º 1.A pena concretamente aplicada ao recorrente afigura-se-nos excessiva.º 5/2006 de 23 de Fevereiro e de um crime de tráfico (de estupefacientes) e outras actividades ilícitas.º 3 da Lei n. pelo artigo 21º-1. pelo artigo 86º.º 1. 15/93. com referência ao artigo 3º. pelo que. Inconformado.. Termina a respectiva motivação com as seguintes . de nacionalidade portuguesa. 21º. c). n.. 4 . n. adequada e proporcional.. desempregado.01. em 09 de Fevereiro de 2010. do Decreto-Lei n. o tribunal a quo violou o estatuído nos artigos 40º. decidiu: a) Condenar o arguido AA pela prática de um crime de tráfico de estupefacientes previsto e punível pelo art.º 3. nascido em de Março de . e p.. de 22 de Janeiro (considerando-a excessiva) e pugnando pela aplicação de uma pena de prisão não superior a 5 anos. de 22.º 1. várias circunstâncias que não fazendo parte do crime.

não deve ser conferida à mesma o pretenso valor atenuativo. em contrário da pretensão do recorrente.Com efeito. quais as circunstâncias que. depõem a favor do recorrente.Nesta conformidade. e. salvo a confissão integral e sem reservas que abordaremos abaixo. deve o recurso ser rejeitado. Termina a respectiva motivação com as conclusões seguintes: 1 . não fazendo parte do tipo. nos termos do disposto no art. que actuou como mero "transportador" ou "correio" e que não foram tidas em conta várias circunstâncias que. pelo menos. do C. delas se extrai que o recorrente pugna pela aplicação de uma a pena mais benévola.Atentando nas conclusões. que cumpriu.Sem embargo. nas circunstâncias em que o produto estupefaciente foi detectado. cumpre conhecer. cabe-nos dizer não estar provado ser o recorrente um mero "transportador" ou "correio" do produto estupefaciente apreendido. para além da necessidade das exigências de prevenção. por isso.Temos. argumentando. na medida em que da matéria considerada provada não resulta tal. tendo. 8 . 11 . em termos de culpa. 2 . nomeadamente a confissão integral e sem reservas. por manifesta improcedência. 4 .De facto. para além de mostrar desacompanhada de qualquer arrependimento. aplicando uma pena mais benévola ao recorrente. Foram violados os artigos 40º e 71º. n. 9 . para além do mais. o Exmº Procurador-Geral Adjunto neste Supremo Tribunal emitiu douto e muito bem fundamentado Parecer no sentido de que. n. sendo nítida a violação do disposto no artigo 71º nº 1. a) do mesmo diploma legal. Colhidos os vistos.° 1 do CPP.°. o tribunal subvalorizado as que depõem a seu favor. a pena concreta. al. tal confissão é irrelevante. pugnando pela rejeição do recurso por manifesta improcedência e pela manutenção do decidido. o recurso deve ser parcialmente provido. se verifica. entende-se mostrar-se a pena adequada à conduta do recorrente. do C.°. 10 . impondo-se em nome da justiça e da equidade uma pena única não superior a 5 anos de prisão. Respondeu o Exmº Magistrado do MºPº junto do 1º Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Santo Tirso. 412. Remetido o processo a este STJ. suspensa na sua execução e sujeita a regime de prova. por crime de idêntica natureza.sendo de revogar o acórdão de que se recorre. Foi cumprido o estatuído no artigo 417º-2 do CPP. em concreto.° 1. na realidade. aplicada ao arguido recorrente é manifestamente exagerada.Por último. a respeito da confissão integral e sem reservas. 6 . art. mas que não concretiza nas suas conclusões. bem como às condições que depõem contra si e também às que lhe são favoráveis. 7 . 3 . desconhecendo-se. o recorrente chama à colação conceitos e circunstâncias que depõem a seu favor. pois. P. a quantidade do produto apreendido é deveras significativo. designadamente ao seu grau de culpa e de ilicitude. . 6 . 420. que o recorrente não indica os concretos fundamentos do recurso . de sete anos de prisão. que.cfr. P.Deve ainda salientar-se o facto de o recorrente ter sido já condenado em prisão.Afastado tal facto.Por outro lado. embora por razões não totalmente coincidentes com as invocadas pelo arguido/recorrente. o que nos leva a concluir serem prementes as exigências de prevenção especial.Em primeiro lugar. 5 . em consequência.Também a espécie do produto (cocaína) é um dos que causa grave dependência e graves consequências para a saúde. também exigências de prevenção geral aconselham a que não seja diminuída a pena. imporiam a aplicação ao recorrente de uma pena mais benévola. verifica-se que.

Agindo da forma descrita. todas as munições sem sinais de percussão.A única questão suscitada pelo recorrente e a decidir é apenas a respeitante à medida da pena parcelar aplicada relativamente ao crime de tráfico de estupefacientes e. conduzido pelo arguido. a medida da pena única (pois. com o número de série . deslocou-se desde a Maia até Vila Nova de Gaia. À data dos factos. . cerca das 18:10 horas. veio a ser identificado como cocaína. medindo cerca de 20x13. pena essa declarada extinta a partir de 17. Confessou integralmente e sem reservas a prática dos factos supra descritos.02. uma pistola semiautomática utilizada pelo arguido. platinas em madeira. Após ter tido um breve contacto com um motociclista. da marca Tanfoglio.05. O arguido agiu livre.5x2 cm. com sistema de disparo por acção mista (dupla/simples). O arguido foi condenado. a mesma não é posta em causa neste recurso. consequentemente. conduzindo um automóvel da marca Peugeot. e apreenderam. de um crime de tráfico de estupefacientes p. na Estrada Nacional n. Rua . com cano estriado e sistema de alimentação por carregador destacável com capacidade para 15 munições. em bom estado de funcionamento. e p.75 gramas. em Lamelas. na Rua da . tendo tomado a direcção de Santo Tirso na Auto-Estrada A41. uso e porte. com o comprimento total de 208 mm. o arguido voltou a dirigir-se para a Maia.. modelo 405. Com a sua conduta. 21º. em .. uma saca de plástico contendo um produto compacto (em pedra ) com o peso bruto de 403. submetido à competente perícia laboratorial no Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária. mais concretamente. inspectores da Polícia Judiciária procederam a uma operação de vigilância e seguimento ao arguido. na terceira gaveta de um móvel junto à cama. com a matrícula . debaixo do banco do condutor. por acórdão transitado em julgado em 08. os mesmos inspectores da Polícia Judiciária interceptaram o automóvel da marca Peugeot. local onde efectuou uma pequena paragem cerca das 17:35 horas. em aço inox. o arguido encontrava-se desempregado. tinha o arguido a vontade livre e a perfeita consciência de estar detendo e transportando os produtos estupefacientes acima descritos.14 gramas que. arma de fogo curta. substância incluída na Tabela I-B anexa ao Decreto-Lei n. sem nunca abandonar a viatura que conduzia. de percussão central. cerca das 19:35 horas. inspectores da Polícia Judiciária efectuaram uma busca domiciliária ao domicílio do arguido. Assim. pela prática. no âmbito da qual detectaram que este.º 15/93 de 22/01. modelo Mossad. pelo art. Vila Nova de Famalicão e apreenderam.07. além do mais. e só mediata ou indirectamente é posta em causa a pena unitária. relativamente á pena parcelar aplicada pelo crime de detenção de arma proibida. É a seguinte a matéria de facto provada (transcrição): No dia 22 de Maio de 2009 desde as 16:45 horas. O arguido não é possuidor de qualquer licença que o habilite a utilizar ou transportar a arma supra referida. nº 1..06. quarto . do nº 15/93. bem sabendo que as suas condutas eram e são proibidas e punidas por lei. em Janeiro de 2002. de calibre 9x19 mm (também designado por 9 Luger). voluntária e conscientemente. na pena de seis anos de prisão. andar. tinha o arguido a vontade livre e a perfeita consciência de estar detendo e usando a arma acima referida sem ser titular de habilitação legal para a sua detenção. com um cano com o comprimento de 114 mm. sobrevivendo com a realização de trabalhos ocasionais na área da construção civil e nas . modelo 405. em boas condições e prontas a serem imediatamente disparadas. aplicada em cúmulo).º 105. No dia 22 de Maio de 2009. Santo Tirso. com o peso líquido de 394. com a matrícula . situada na Residência . com carregador totalmente municiado.

o arguido se encontrava desempregado e familiarmente desenquadrado. não obstante a confissão produzida (tanto mais que. Matéria de facto não provada Não há.A repetição de condutas desviantes (e a semelhança e gravidade das mesmas) por parte do arguido revela bem a sua dificuldade de reinserção social e a sua incapacidade de se manter afastado da prática destes ilícitos-penais típicos. tinha passado a viver com os pais. mesmo sem tal confissão. que tal pena seja fixada em prisão não superior a 5 anos. reforço das expectativas comunitárias no valor da norma violada. entretanto. e p. a medida da pena única. de 22 de Janeiro e relativamente ao arguido. porém. Apreciando e decidindo: No domínio da versão originária do Código Penal de 1982. apenas a medida da pena aplicada pelo crime de tráfico de estupefacientes e. tanto quanto se apurou.05. não se esquecendo. O acórdão do Tribunal de Círculo de Santo Tirso. . Encontra-se divorciado e não tem filhos. bem como se sopesará o facto de o arguido se manter laboralmente activo no estabelecimento prisional. Relativamente á medida da pena aplicada pelo crime de tráfico de estupefacientes: A tal crime. a pena de sete anos de prisão realiza de forma adequada e suficiente as finalidades da punição com respeito pelos limites impostos pelo grau de culpa do arguido . os seguintes factores: . No Estabelecimento Prisional. o tribunal entende que.09. face aos já referidos contornos do facto. portanto. indirectamente. Depois de ter saído do estabelecimento prisional. o que poderá contribuir para a sua futura reinserção (ao contrário do que ocorrerá caso o arguido mantenha hábitos de consumo de haxixe). que nos fornece o referido limite máximo que. por isso. a condenação seria previsível). pelo artigo 21º-1 do DL 15/93. que em causa está. apenas o transporte do estupefaciente em causa. o que poderá ter contribuído para a decisão tomada. onde se encontra detido preventivamente à ordem dos presentes autos desde 22. 20) segundo a qual o procedimento normal e . Ponderando os factores enunciados. zangara-se com o irmão e fora viver para uma pensão. pág. é bastante elevado. no que tange ao crime de tráfico.A significativa necessidade de. Pretende o recorrente. Frequentou o correspondente ao actual 11º ano de escolaridade. bastante desfavorável o juízo de prognose que relativamente ao mesmo se poderá formular. considerou para determinação da medida concreta da pena quanto ao crime de tráfico de estupefacientes p. Os Factos e o Direito: Decorre do exposto que em causa está. . tendo em consideração a quantidade e a natureza do produto estupefaciente transportado. Era consumidor de haxixe. uma parte da jurisprudência referindo apoiar-se na posição do Prof. Eduardo Correia (Actas das Sessões. mas. mantém-se laboralmente activo. cabe a moldura penal abstracta de 4 a 12 anos de prisão. não se deixará de ponderar que à época dos factos.feiras. como resulta das conclusões que formulou (maxime conclusão 6ª).O grau de ilicitude do facto com reflexos na culpa. sendo.

processo n. em Temas Básicos da Doutrina Penal. geral e especial. em abstracto. págs.3ª. 216). começou a considerar-se não ser correcto partir-se dum ponto médio dos limites da moldura penal para a agravação ou atenuação consoante o peso relativo das respectivas circunstâncias. As Consequências Jurídicas do Crime. Sentido e Finalidades da Pena Criminal.06. tomo 1. liberdade que o julgador deve usar com prudência e equilíbrio. 9 (citado no acórdão de 15-02-1995. in Tribuna da Justiça. 233. de 11-11-1987. mesmo que acentuadas. de 10-01-1987. em anotação ao acórdão de 02-05-1985. págs. E no acórdão de 27-02-1991. 331. nos termos da teoria da margem de liberdade (Claus Roxin. os acórdãos de 13-07-1983. nº 2 da CRP. tomo 5. Posteriormente.º 39401 . 94 -113) é ele o seguinte: a pena concreta é fixada entre um limite mínimo (já adequado à culpa) e um limite máximo (ainda adequado à culpa). salientando-se que a determinação da medida da pena não depende de critérios aritméticos. BMJ 336. A partir de 1 de Outubro de 1995 passou a entender-se que a pena servia finalidades exclusivas de prevenção. 233. (Neste sentido. CJSTJ 1995. Contra este entendimento pronunciou-se Figueiredo Dias.1. págs.correcto dos juízes na determinação da pena concreta. in Direito Penal Português. desta 3ª Secção. pág. de 22-02-1989. 226. pág. 11 e 13. cfr. 73. 552. de 11-05-1988. 210/211. partindo da ideia de que a culpa é a medida que a pena não pode ultrapassar. in Tribuna da Justiça. Figueiredo Dias. a média entre os limites mínimo e máximo da pena correspondente. de 26-04-1984. dentro dos cânones jurisprudenciais e da experiência. 255. os princípios ínsitos no artigo 18º. em face do novo Código. precipitando no artigo 40º do CP. 396. pág. de 19-12-1994. dando-se conta em ambos os casos que a primeira decisão em que se verificou uma inflexão na jurisprudência foi o acórdão da Relação de Coimbra de 09-11-1983. nº 7.º 38627 . considerando-se em seguida as circunstâncias que. no exercício do que verdadeiramente é a arte de julgar. nº 26. de 19-12-1984. BMJ 371. os acórdãos de 16-12-1986.. Tribuna da Justiça. 65 a 111. depusessem a favor do agente ou contra ele. 2001. A determinação concreta há-de resultar de a adaptar a cada caso concreto. (Neste sentido. seria o de utilizar. 8/9 e Alfredo Gaspar. como ponto de partida. Culpabilidade y Prevención en Derecho Penal. de 25-11-1987. BMJ 334. J. diz que o legislador de 1995 assumiu. referido no Ac. CJ 1983. Junho 1985. no tema Fundamento. BMJ 362. ao crime. ainda antes de 1995. Coimbra Editora. BMJ 384. BMJ 428. de 11-11-1987. BMJ 371. de 09-06-1993. nº 15/16. 359. nºs 41/42). BMJ 371. nº 6. 284). assumindo a culpa um papel limitador da pena. BMJ 342. STJ in Processo nº 8523. cfr. § 277. 226. Definindo o papel que cabe à culpa na determinação concreta da pena. (princípios da necessidade da pena e da proporcionalidade ou da proibição do excesso) e o . págs. adoptou tal orientação. A refutação de tal critério foi feita por Carmona da Mota. BMJ 342. decidiu-se que na fixação concreta da pena não deve partir-se da média entre os limites mínimo e máximo da pena abstracta.3ª. BMJ 329. processo n. não fazendo parte do tipo de crime. 274. A. limites esses que são determinados em função da culpa do agente e aí intervindo dentro desses limites os outros fins das penas (as exigências da prevenção geral e da prevenção especial). como vinha sendo entendido. nem mesmo lançando apelo às necessidades de prevenção. de 15-02-1984. Tribuna da Justiça.

agravantes e atenuantes. eram os da necessidade. 2003. ética. STJ in Processo nº 8523. Américo Taipa de Carvalho.1. com eventual apelo aos artigos 370º e 371º do CPP) cfr. A terceira alteração ao Código Penal operada pelo Decreto-Lei nº 48/95. afirma resultar do actual artigo 40º que o fundamento legitimador da aplicação de uma pena é a prevenção. n.se manteve inalterada com a . pág. que a determinação da medida da pena. a título exemplificativo. estatui que na sentença são expressamente referidos os fundamentos da medida da pena. de matriz constitucional. ao prescrever que a sentença condenatória especifica os fundamentos que presidiram à escolha e à medida da sanção aplicada. Em conformidade com estes princípios preceitua o artigo 71º. dentro dos limites definidos na lei. pela medida da culpa. 4) Dentro desta moldura de prevenção geral de integração a medida da pena é encontrada em função de exigências de prevenção especial.06. no artigo 40º estabeleceu-se que a finalidade das penas e medidas de segurança é «a protecção dos bens jurídicos e a reintegração do agente na sociedade».º 1 do CP. dispondo o nº 2 que «Em caso algum a pena pode ultrapassar a medida da culpa». cujo limite superior é oferecido pelo ponto óptimo de tutela dos bens jurídicos e cujo limite inferior é constituído pelas exigências mínimas de defesa do ordenamento jurídico. 2) A pena concreta é limitada. sendo esta tratada no artigo 368º. e que a culpa do infractor apenas desempenha o (importante) papel de pressuposto (conditio sine qua non) e de limite máximo da pena a aplicar por maiores que sejam as exigências sociais de prevenção. 322. quer na escolha. injunção com concretização adjectiva no artigo 375º. com tal reforma o legislador não prescindiu de oferecer aos tribunais critérios seguros e objectivos de individualização da pena. supra citado e que seguimos de perto. resumindo assim a teoria penal defendida: 1) Toda a pena serve finalidades exclusivas de prevenção. E. de que em caso algum a pena pode ultrapassar a culpa. ou seja. excepcionalmente negativa ou de intimidação ou segurança individuais. quer na dosimetria. sempre no pressuposto irrenunciável. e aquela prevista no artigo 369º. em regra positiva ou de socialização. desta 3ª Secção. proporcionalidade e adequação. nº 1 do CPP. algumas das circunstâncias. geral e especial. em Prevenção. e o n. a regulamentação respeitante à determinação da pena tem tratamento autónomo relativamente à questão da determinação da culpabilidade. Ac. Está subjacente ao artigo 40º uma concepção preventivo-ética da pena. na medida em que o fim legitimador da pena é a prevenção.percurso doutrinário. Culpa e Pena. uma vez que tal fim preventivo está condicionado e limitado pela exigência da culpa. é feita em função da culpa do agente e das exigências de prevenção .º 2 enumera. 3) Dentro deste limite máximo ela é determinada no interior de uma moldura de prevenção geral de integração. Apesar disso e como se refere no preâmbulo do citado DL 48/95. Preventiva. geral e especial. Para o efeito de determinação da medida concreta que vai aplicar o juiz serve-se do critério geral contido naquele artigo 71º do Código Penal (cuja redacção e também a do artigo 40º . no seu máximo inultrapassável. de 15 de Março. entrado em vigor em 1 de Outubro seguinte. Coimbra Editora. o n. (Em sede de processo decisório. a atender na determinação concreta da pena. in Liber Discipulorum para Jorge Figueiredo Dias.º 3. estabeleceu que os princípios que deviam presidir à determinação da pena. a reinserção social do agente do crime.

estando vinculado ao critério ali estabelecido. 1998. Como se refere no acórdão de 28-09-2005.limitado a matéria de direito. e relativamente à determinação. afirma estarem todos de acordo em que é susceptível de revista a correcção do procedimento ou das operações de determinação. do quantum exacto de pena. defende que a questão da determinação da espécie e da medida da sanção criminal redunda numa verdadeira questão de direito. a idade. 279 e seguintes: «Culpa e prevenção são os dois termos do binómio com auxílio do qual há-de ser construído o modelo de medida (sentido estrito ou de «determinação concreta») da pena. 173. as circunstâncias e os critérios do artigo 71º do Código Penal têm a função de fornecer ao juiz módulos de vinculação na escolha da medida da pena. págs. o desconhecimento pelo tribunal ou a errónea aplicação dos princípios gerais de determinação. As Consequências Jurídicas do Crime. pois. a falta de indicação de factores relevantes para aquela. conforme tenham provocado maior ou menor sentimento comunitário de afectação dos valores). há uma margem de actuação do julgador dificilmente sindicável. ou mesmo das relações quando se tenha renunciado ao recurso em matéria de facto da decisão sobre a determinação da pena. como para definir o nível e a premência das exigências de prevenção especial (circunstâncias pessoais do agente. págs. ou. A pena. Universidade Católica Editora. Assim. a medida da pena há-de ser dada . coloca-se a questão da controlabilidade da determinação da pena nesta sede. págs. nas Lições ao 5º ano da Faculdade de Direito de Coimbra. o arrependimento) ao mesmo tempo que também transmitem indicações externas e objectivas para apreciar e avaliar a culpa do agente. Acatados e respeitados estes critérios de determinação concreta da medida da pena. Direito Penal Português. 1993. assim como a forma de actuação dos fins das penas no quadro da prevenção. primordial e essencialmente. esta será controlável no caso de violação das regras da experiência ou se a quantificação se revelar de todo desproporcionada. Paulo Pinto de Albuquerque. por outro lado. 196/7. Estando o conhecimento . pelo contrário.em recurso de revista .Lei nº 59/2007. As finalidades da aplicação de uma pena residem primordialmente na tutela de bens jurídicos e.total no caso dos tribunais de relação e limitado às «questões de direito» no caso do STJ. § 255. Defende ainda estar plenamente sujeita a revista a questão do limite ou da moldura da culpa. na reinserção do agente na comunidade. a confissão. tais elementos e critérios devem contribuir tanto para co-determinar a medida adequada à finalidade de prevenção geral (a natureza e o grau de ilicitude do facto impõe maior ou menor conteúdo de prevenção geral. de 4 de Setembro). a indicação de factores que devam considerar-se irrelevantes ou inadmissíveis. no Comentário do Código de Processo Penal. pág. dentro daqueles parâmetros. depois de referir que existe uma tendência para alargar os limites em que a questão da determinação da pena é susceptível de revista. na dimensão das finalidades da punição e da determinação em concreto da pena. não pode ultrapassar em caso algum a medida da culpa. tomo 3. na medida do possível. Figueiredo Dias. 217/8. CJSTJ 2005. Ainda de acordo com o mesmo Professor. O referido dever jurídico-substantivo e processual de fundamentação tem por finalidade tornar possível o controlo .

Ac STJ cfr. como se disse. Proporcional à gravidade do facto ilícito. sendo estas inexistentes. E finaliza. o ponto óptimo de realização das necessidades preventivas da comunidade. ano 12. outras haverá que a comunidade entende que são ainda suficientes para proteger as suas expectativas na validade das normas até ao que considere que é o limite do necessário para assegurar a protecção dessas expectativas. STJ in Processo nº 8523. Finalmente. a prevenção não pode ser alcançada numa medida exacta. Apresenta três proposições em jeito de conclusões e da seguinte forma sintética: Em primeiro lugar. pressuposto e limite daquela aplicação.06. A satisfação das exigências de prevenção terá certamente um limite definido pela medida da pena que a comunidade entende necessária à tutela das suas expectativas na validade das normas jurídicas: o limite máximo da pena. Mas. Depois. Que constituirá. Quanto ao controle da fixação concreta da pena a intervenção do Supremo Tribunal de Justiça tem de ser necessariamente parcimoniosa . desta 3ª Secção. Ac. protecção que assume um significado prospectivo que se traduz na tutela das expectativas da comunidade na manutenção (ou mesmo no reforço) da validade da norma infringida. Um significado. directamente imposta pelo respeito devido à eminente dignidade da pessoa do delinquente cfr. que não pode ser excedido em nome de considerações de qualquer tipo. do mesmo passo. pelas exigências de prevenção geral positiva (moldura de prevenção). Anabela Miranda Rodrigues. não pode ultrapassar em caso algum a medida da culpa. das necessidades de intimidação e de segurança individuais. na medida do possível. Esta é.que justifica que se fale de uma moldura de prevenção. a pena. que por inteiro se cobre com a ideia da prevenção geral positiva ou de integração que vimos decorrer precipuamente do princípio político-criminal básico da necessidade da pena». a culpa não fornece a medida da pena.pela medida da necessidade de tutela dos bens jurídicos face ao caso concreto e referida ao momento da sua aplicação.. a medida da pena é fornecida pela medida de necessidade de tutela de bens jurídicos. in Revista Portuguesa de Ciência Criminal. ainda quando se situe abaixo do limite máximo consentido pela culpa. sendo entendido de forma uniforme e reiterada que no recurso de revista pode sindicar-se a decisão de determinação da medida da pena. mas indica o limite máximo da pena que em caso algum pode ser ultrapassado em nome de exigências preventivas . a medida concreta da pena é encontrada em função das necessidades de prevenção especial de socialização do agente ou. Abril/Junho de 2002. O Modelo de Prevenção na Determinação da Medida Concreta da Pena. vimos seguindo de perto.1. quer quanto à . abaixo daquela medida (óptima) de pena (da prevenção). como proposta de solução defende que a medida da pena há-de ser encontrada dentro de uma moldura de prevenção geral positiva e que será definida e concretamente estabelecida em função de exigências de prevenção especial. e não compensar ou retribuir a culpa. nº 2. uma vez que a gravidade do facto ilícito é aferida em função do abalo daquelas expectativas sentido pela comunidade. nomeadamente de prevenção especial positiva ou de socialização. no âmbito desta moldura. Adianta que é o próprio conceito de prevenção geral de que se parte protecção de bens jurídicos alcançada mediante a tutela das expectativas comunitárias na manutenção (e no reforço) da validade da norma jurídica violada . 147 e ss. por outro lado. págs. deste modo. supra citado e que. afirmando: É este o único entendimento consentâneo com as finalidades da aplicação da pena: tutela de bens jurídicos e. isto é. a reinserção do agente na comunidade. Aqui residirá o limite mínimo da pena que visa assegurar a finalidade de prevenção geral . todavia.

mas já não a determinação.ºs 677/08 e 1013/08.3ª. de 17-04-2008.º 624/97-3ª. Trata-se de substância que se encontram prevista nas Tabela I-B. processo n. 3068/08 e 3174/08. salvo perante a violação das regras da experiência. processo n. com respeito pelo mínimo ético a todos exigível . processo n. na eficácia do próprio sistema jurídico-penal (cfr.º 437/08 . se é certo que o Decreto-Lei n. de 10-01-2008. de 29-10-2008.ºs 4639/07 . Com efeito. de 30-04-2008.º 370/98-3ª. Feita esta incursão pela doutrina e jurisprudência.º 1001/08 .5ª e processo n. da 5ª secção. o que constitui indicativo da respectiva gradação. de 17-09-1997 in processo n. No que respeita à natureza e qualidade do produto estupefaciente em causa.3ª. o critério da sua periculosidade intrínseca e social. processos n. pág. como princípio.º 4571/07 . situando-se entre aquele mínimo e este máximo. estamos perante a detenção e transporte de cocaína. processos n. processo n.º 3321/07 . de 16-01-2008. de 21-01-2009. in processo n. de 08-10-2008. tendo em conta a real perigosidade das respectivas drogas afigura-se ser a posição mais compatível com a ideia de proporcionalidade . à indicação dos factores que devam considerar-se irrelevantes ou inadmissíveis. não deve exceder a medida da culpa. abalada pela prática do crime.04. tomo 2.5ª. embora devam ter um sentido pedagógico e ressocializador. de 02-04-2008.º 3982/07-3ª. quer quanto à questão do limite da moldura da culpa. sob pena de degradar a condição e dignidade humana do agente.ºs 2878/08. processo n.3ª. STJ de 10. .º 1309/08-3ª. dentro daqueles parâmetros.3ª. de 10-09-2008. ao desconhecimento pelo tribunal ou à errada aplicação dos princípios gerais de determinação. deve ser individualizada no quantum necessário e suficiente para assegurar a reintegração do agente na sociedade. é de manter ou reduzir a pena aplicada pelo crime de tráfico de estupefacientes. deve corresponder às exigências e necessidades de prevenção geral. do quantum exacto da pena. anexa ao Decreto-Lei n.5ª. de modo a que a sociedade continue a acreditar na validade da norma punitiva. processo n. nos processos n. processo n. de 05-03-2008. de 15-10-2008. processo n. de 03-09-2008 no processo n. de 21-05-2008. droga considerada como de alguma potencialidade de dano e com um certo grau de lesão dos bens jurídicos protegidos. in ASTJ. no mínimo. processo n.correcção das operações de determinação ou do procedimento. 124 Como se refere no acórdão do STJ de 22-09-2004.º 15/93.º 1964/08 . processo n.96 in CJSTJ 1996.º 999/08-3ª. As penas. em última análise. (Neste sentido cfr.º 907/07 . e de 20-05-1998. de 09-04-2008. vejamos então se. pág.3ª e 4832/07-3ª. todos da 3ª secção.3ª. havendo que atender à inserção de cada droga nas tabelas anexas. 168. processo n.º 3228/07 . processo n. este publicado na CJSTJ 1998.º 1636/04-3ª. e.º 4723/07 . acórdãos do STJ de 04-07-2007. à falta de indicação de factores relevantes.º 15/93 não adere totalmente à distinção entre drogas leves e drogas duras.3ª.º 1491/07 . bem como a forma de actuação dos fins das penas no quadro da prevenção. processo n. processos n.º 2387/08-3ª).º 2506/08 . 205 e BMJ 477. ambos desta secção. e. não deixa de afirmar no preâmbulo que a gradação das penas aplicáveis ao tráfico.ºs 414/08 e 1224/08. Acs. de 03-04-2008. em concreto.3ª. pois a organização e colocação nas Tabelas segue. de 20-02-2008.º 83: a pena. ou a desproporção da quantificação efectuada . processo n. de 17-10-2007. tomo 2.º 4730/07 . no caso em apreço.º 1775/07 3ª. no máximo. n.5ª. são aplicadas com a finalidade primordial de restabelecer a confiança colectiva na validade da norma violada. processo n. de 29-05-2008.

na pena de seis anos de prisão. também não pode deixar de ter-se em atenção que a confissão. Era consumidor de haxixe. Encontra-se divorciado e não tem filhos. o arguido encontrava-se desempregado.06 Por outro lado. fazendo-se especialmente sentir neste tipo de infracção. apesar de tudo. não ficou provado o arrependimento o que. Além disso. tendo em conta o bem jurídico violado no crime em questão a saúde pública . em pedra (produto compacto). zangara-se com o irmão e fora viver para uma pensão. entretanto. bem sabendo que a sua conduta era proibida e punida por lei. nº 1. As razões e necessidades de prevenção geral positiva ou de integração que satisfaz a necessidade comunitária de afirmação ou mesmo reforço da norma jurídica violada .05. de um crime de tráfico de estupefacientes p. mas não está provado nos autos ao contrário do alegado pelo recorrente que o arguido fosse um mero correio de droga . pela prática. Depois de ter saído do estabelecimento prisional. mantém-se laboralmente activo.05. e p. Porém. Frequentou o correspondente ao actual 11º ano de escolaridade. justificando resposta punitiva firme. mas.07. do nº 15/93. onde se encontra detido preventivamente à ordem dos presentes autos desde 22. como se diz na decisão recorrida mesmo sem tal confissão. sendo que os mesmos respeitem a um crime da mesma natureza: foi condenado. O arguido tem antecedentes criminais.são muito elevadas. por acórdão transitado em julgado em 08. que a juzante gera outro tipo de criminalidade. pena essa declarada extinta a partir de 17. 21º.Desconhece-se o destino que o arguido ia dar á cocaína. pelo art. ao contrário do que parece alegar o recorrente. No Estabelecimento Prisional. Releva ainda nesta perspectiva a quantidade de cocaína apreendida directamente ao recorrente: 394. há a considerar o facto de o recorrente ter confessado integralmente e sem reservas os factos. Quanto ás condições pessoais e sócio económicas do recorrente tidas por assentes: À data dos factos. não pode deixar de ser valorado. em Janeiro de 2002. O dolo do arguido foi directo e intenso. a condenação seria previsível . Com efeito há que ter em atenção as grandes necessidades de prevenção geral numa sociedade assolada pelo fenómeno do tráfico de droga.09.75 grs. o que releva contra si. tem pouco valor atenuativo pois que o arguido foi interceptado pelas autoridades policiais detendo a cocaína debaixo de banco pelo que. tinha passado a viver com os pais.e impostas pela frequência do fenómeno e do conhecido alarme social e insegurança que estes crimes em geral causam e das conhecidas consequências para a comunidade a nível de saúde pública e efeitos colaterais.02. sobrevivendo com a realização de trabalhos ocasionais na área da construção civil e nas feiras. no caso. mas inteiramente relacionada com .

abalada pela prática do crime e em última análise. desta 3ª Secção. Penal e que a pena aplicável tem como limite máximo a soma das penas concretamente aplicadas aos vários crimes e como limite mínimo a mais elevada das penas concretamente aplicadas aos vários crimes . é de considerar como adequada ao caso a pena de sete anos e seis meses de prisão . na eficácia do próprio sistema jurídico penal. em conjunto. o facto de se tratar de duas condutas verificadas na mesma data. nº 1. agora. proceder ao cúmulo jurídico das aludidas penas parcelares. afigura-se um pouco excessiva a pena fixada (de 7 anos de prisão) entendendo-se justa. dentro da moldura penal de limite máximo igual a oito anos e limite mínimo igual a sete anos de prisão. de 22 de Janeiro que. inalterado pela Lei nº 59/07. em conjunto. pois é das leis do mercado que os bens têm um preço de aquisição e quando escasseia o meio para sua obtenção muitas poderão ser as formas de alcançar o necessário e imprescindível poder aquisitivo. e auscultação da sua actual situação pessoal. Ponderando. in Processo nº 8523. na redacção do Decreto-Lei nº 48/95. Ac.esta. por um lado. pelo artigo 21º-1 do DL 15/93. de 15 de Março. e p. Estabelece o artigo 77º. agora se aplica. não devendo ultrapassar o grau de culpa. factores que fazem esperar uma lenta e difícil recuperação . que dela também são reflexo. parte final. Apreciando: É patente que a pena única reclamada pelo arguido não pode lograr acolhimento. e sopesados todos estes elementos. As necessidades de prevenção especial avaliam-se em função da necessidade de prevenção de reincidência.nº 2 do art. senão mesmo por ela determinada. proporcionalidade e adequação. 77º do Cód. tendo em conta os princípios da necessidade. bem como o sentido das soluções jurisprudenciais em casos análogos. e. STJ supra citado. e suspensa na sua execução. do Cód.art. por isso. havendo que dar satisfação ao sentimento de justiça da comunidade cfr. Pena única: Defende o recorrente que a pena única não deve ser superior a 5 anos de prisão. os factos e a personalidade do . que na determinação da pena única devem ser ponderados. por outro lado. atendendo a que se trata de detenção e transporte de cocaína. Na medida da pena são considerados. adequada e proporcional uma pena de 5 (cinco) anos e 6 (seis) meses de prisão para o crime de tráfico de estupefacientes p. desde logo porque a pena única não pode ser inferior à pena parcelar mais elevada. apelando à personalidade do condenado.06. que acima já se mencionou. considerando que a aplicação de penas tem como principal finalidade a de restabelecer a confiança colectiva na validade da norma violada. os factos e a personalidade do agente . de 4 de Setembro: Quando alguém tiver praticado vários crimes antes de transitar em julgado a condenação por qualquer deles é condenado numa pena única. Face a todos estes factores. o que se faz não só analisando o que dela se encontra reflectida no seu passado face à aludida condenação pela prática de ilícito de idêntica natureza -. para o efeito. nº 1.1. considerando. 77º. do Código Penal. em vista da satisfação das necessidades geradas pela toxicodependência e como é sabido uma dessas formas mais comum é a prática de roubos. mas também através da análise (já efectuada) dos factos em apreço nestes autos. Sobre a medida da pena única diz-se na decisão recorrida: Urge.

de 06-02-2008.5ª. tomo 1. por este lesar e pôr em perigo bens . Ac.º 294/08 . Como refere Figueiredo Dias.º 2428/07 . No caso concreto. acórdãos do STJ. Editorial Notícias. tem lugar uma específica fundamentação. pág. CJSTJ 2008. 221. processo n.As Consequências Jurídicas do Crime. sendo decisiva para a sua avaliação a conexão e o tipo de conexão que entre os factos concorrentes se verifique. e como limite mínimo a mais elevada das penas concretamente aplicadas aos vários crimes .ºs 129/08-3ª e 3991/07-3ª CJSTJ 2008. Por outro. 1993. para além dos critérios gerais de medida da pena contidos no art. processo n. ou tão só a uma pluriocasionalidade que não radica na personalidade: só no primeiro caso. Tudo deve passar-se como se o conjunto dos factos fornecesse a gravidade do ilícito global perpetrado.agente . Direito Penal Português . processos n. §§ 420 e 421. nº 1.5ª. Na avaliação da personalidade unitária do agente relevará.06.º 414/08 5ª.1. que deve ter em conta as conexões e o tipo de conexão entre os factos em concurso (neste sentido. a moldura de punição será de 5 anos e 6 meses a 6 anos e 6 meses de prisão.ºs 302/08-3ª e 427/08-3ª. que acresce à decorrente do artigo 71º do Código Penal. Aequitas. de 07-05-2008. e como máximo a soma de todas elas.3ª. de 13-03-2008. processo n. de 27-01-2009. que A pena aplicável tem como limite máximo a soma das penas concretamente aplicadas aos vários crimes. Por um lado. Explicita o Autor que. E acrescenta que de grande relevo será também a análise do efeito previsível da pena sobre o comportamento futuro do agente (exigências de prevenção especial de socialização) .3ª. a questão de saber se o conjunto dos factos é reconduzível a uma tendência (ou eventualmente mesmo a uma «carreira») criminosa. de 09-04-2008. já não no segundo. 2ª parte. entendida como juízo de desvalor da ordem jurídica sobre um comportamento. processo n. um critério especial: o do artigo 77º. fornecendo a lei. tomo I. de 04-06-2008. processo n. pág.º 1305/08 .º 1011/08 .5ª. 72º-1 (actual 71º-1). Quanto à ilicitude. de 09-01-2008. mas sem ultrapassar os 25 anos de prisão. A moldura abstracta do concurso tem como limite mínimo a mais elevada das penas concretamente aplicadas. processo n. Na consideração dos factos (do conjunto dos factos que integram os crimes em concurso) está ínsita uma avaliação da gravidade da ilicitude global. 181.º 4032/08-3ª) cfr. a pena conjunta do concurso será encontrada em função das exigências gerais de culpa e de prevenção. processos n. está-se perante uma nova moldura penal mais abrangente. de 06-03-2008. 290/2. processo n. de 21-05-2008. de 02-04-2008. na busca da pena do concurso. págs. desta 3ª Secção supra citado e que vimos seguindo de perto. sobretudo. será cabido atribuir à pluralidade de crimes um efeito agravante dentro da moldura penal conjunta . E dispõe o nº 2. não podendo ultrapassar 25 anos tratando-se de pena de prisão e 900 dias tratando-se de pena de multa. A medida da pena a atribuir em sede de cúmulo jurídico tem uma especificidade própria.º 1016/07 . STJ in Processo nº 8523.

de 31 de Dezembro. pela prática de tal crime. o novo regime de custas processuais só é de aplicar aos processos iniciados a partir de 20 de Abril de 2009). 27 de Maio de 2010 Fernando Frois (Relator) Henriques Gaspar . Por outro lado. em consequência: 1 Revogar o acórdão recorrido no segmento respeitante á pena parcelar relativa ao crime de tráfico de estupefacientes p.jurídico-criminais. nomeadamente. dúvidas não há de que o recorrente carece de socialização. substanciado na quantidade de cocaína transportada e apreendida. uma vez que de acordo com o artigo 27º daquela Lei. 3 No mais. Na avaliação da personalidade do recorrente. Quanto à modalidade de dolo. assumindo desta forma um carácter pluriocasional. adequada e proporcional. a segurança pública será de considerar como elevada no primeiro caso e como ligeira no segundo. de 22 de Janeiro e condenar o arguido. na pena de 5 (cinco) anos e 6 (seis) meses de prisão. a saúde pública e no de detenção de arma proibida. sendo muito diversos os bens tutelados no caso do tráfico. pelo artigo 21º-1 do DL 15/93. e p. o recorrente agiu com dolo directo e intenso. pelo que agora se aplica.º 64-A/2008. fixando-se a taxa de justiça no mínimo. ponderando em conjunto a gravidade dos factos e a sua relacionação com a personalidade do recorrente. tendo-se em vista a prevenção de reincidência.com as alterações introduzidas pelo artigo 156º da Lei n. manter o decidido no acórdão recorrido. valorando o ilícito global perpetrado. nos termos dos artigos 513º. Neste contexto. Decisão: Pelo exposto. de 26 de Fevereiro Regulamento das Custas Processuais .ºs 1. afigura-se que a aplicação ao arguido de uma pena única de 6 anos de prisão se mostra justa. importa reter o que consta dos factos dados como provados. n. tendo à data da prática dos factos cerca de 45 anos de idade (actualmente 46). condenar o arguido na pena única de 6 (seis) anos de prisão. as suas condições de vida. 2 e 3 e 514º.º 34/2008. 2 Procedendo ao cúmulo jurídico das penas (parcelares) aplicadas nestes autos. Custas pelo recorrente. do CPP (na redacção anterior à que lhes foi dada pela Lei n. não é de considerar o ilícito global agora julgado como resultado de uma tendência criminosa.º 1. acordam no Supremo Tribunal de Justiça em julgar o recurso parcialmente procedente e. No que toca à prevenção especial. reportando-se o caso a comportamento surgido já com algum avanço de idade. n. Lisboa.