HIV – Vírus da Imunodeficiência Adquirida

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Os vírus não estão incluídos em nenhum dos cinco reinos. nosso corpo é invadido por diferentes tipos de vírus. Os vírus são sempre parasitas intracelulares. Fora da célula hospedeira são completamente inertes e não se reproduzem. que tanto pode permanecer em repouso durante toda a vida da pessoa quanto se multiplicar em certas situações causando os sintomas da infecção viral. um único vírus pode originar centenas de vírus idênticos.Introdução Ao longo da vida. No interior do hospedeiro apropriado. como é o caso do HIV (sigla de Human Immunodeficience Vírus) ou VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana). 2 . pois são acelulares. em geral matando-as. São constituídos por uma ou algumas moléculas de ácido nucléico. Certas células do corpo humano têm vírus em estado de latência. que pode ser o DNA ou o RNA envoltos por moléculas proteicas. que penetram em nossas células e as utilizam para se multiplicar.

É no interior da nucleocápside que encontramos o genoma viral. unidas não covalentemente a um dímero proteico integral da membrana gp41. mas o HIV-2 produz menos partículas virais que o HIV-1. os sintomas da doença. As formas de contágio. as proteínas virais.Esquema representativo da estrutura do vírus (VIH) Cada espícula está constituída por várias moléculas de glicoproteínas externa gp120. O invólucro viral. as características físico-químicas. durante a gestação.Taxonomia e Classificação Existem dois tipos de vírus da imunodeficiência humana. Pessoas infectadas com o HIV-2 têm menos infecções nas fases iniciais do vírus do que aquelas com HIV-1. a antígenicidade e outras. estruturais e pela sequência nucleotídica. envelopados ou involucrados. pelo sangue e de mãe para filho. Dentro desta subfamilia estão incluídos os vírus que produzem viroses lentas em animais. é uma bicamada lipídica contendo projecções ou espículas de aproximadamente 8nm de diâmetro na sua superfície. têm um diâmetro de 100-200 nm. Fig.  Tipo de ácido nucléico Outros critérios incluem o tamanho. Pelas características morfológicas. Os critérios mais importantes para a classificação dos vírus são:  Hospedeiro  Morfologia da partícula viral. e tanto um como outro só se reproduzem nos humanos. enquanto o VIH-2 se transmite com menos facilidade e o período entre a infecção e a doença é mais prolongado. o VIH-1 e o VIH-2. A maioria dos casos reportados de HIV-2 são encontrados na África Ocidental. O core interno contém o nucleocápside viral na forma de cone truncado. os Lentivirus. Características estruturais do vírus Os viriões maduros são icosaédricos. Características do Genoma viral 3 . o VIH pertence a subfamilia de Retrovirus. no entanto. ou o vírus da Imunodeficiência Felina. 01. como o vírus da Anemia Infecciosa Equina. Os dois têm a mesma acção no organismo humano. O VIH-1 é o vírus de imunodeficiência humana mais predominante. continuam sendo as mesmas: contacto sexual.

Os monómeros são mantidos juntos por pontes de Hidrogénio. Esses subtipos diferem entre si em aproximadamente 14% nas sequências do gene gag e em cerca de 30% nas sequências que codificam as proteínas do envelope. o genoma viral apresentado como um dímero de 2 moléculas idênticas de RNA genómico. Um dos motivos de 4 . cujos produtos são necessários para regular a síntese e o processamento do RNA viral e outras funções na replicação viral. CA (capside) e NC (nucleocapside). O virião apresenta ainda de três a seis proteínas estruturais internas. pol e env comuns aos retrovirus. que faz parte da constituição da capside viral do grupo dos vírus HIV. nef. vpr. designados de A a J. A maioria destes genes é localizada na direcção 3´ após os genes gag-pro-pol e na direcção 5´do env. localizada perto da extremidade 5´do genoma e envolve 18 bases na extremidade 3´do t-RNA.O genoma viral consiste de um dímero de RNA de fita simples de polaridade positiva linear (+ssRNA) e cada monómero apresenta tamanho de 7 a 11 kb. as variantes do HIV relacionadas são classificadas em clades ou subtipos. O precursor do gag é clivado em 4 protéinas: p17-p18. vpu. Viriões apresentam quatro genes principais. O gene env codifica duas glicoproteinas do envelope. A maior proteína codificada por gag é a p24-p25 (p26 no HIV-2). denominadas SU (de superfície) e TM (transmembranar). não glicolisadas. O gene pro codifica as seguintes proteínas: PR (protease). RT (transcriptase reversa) e IN (integrase). As principais proteínas são: MA (matriz). O HIV-2 tem ainda um gene adicional o vpx. que codificam as proteínas virais. que é pareado com uma região especifica chamada sítio de ligação do primer. Cada monómero é poliadenilado na extremidade 3´e apresenta um cap na extremidade 5´. Análises filogenéticas classificam o HIV-1 em três grupos genéticos: M (do inglês major). No grupo M. para o HIV-1 e P16 para o VHI-2. N (do inglês New) e O (do inglês outlier). na seguinte ordem: 5´-gag-pro-pol-env-3´. Cada monómero é associado a uma molécula especifica de RNA transportador (t-RNA). o HIV-1 apresenta os seguintes genes adicionais: vif. é transcrito de forma reversa em uma molécula linear de DNA de dupla hélice. o gene nef está na extremidade 3´do env. codificadas pelo gene gag. O genoma do HIV é rico em sequencias cis activadas em diferentes passos da replicação. tat. ver. Além dos genes gag. pro. Síntese e Integração do DNA Logo depois da entrada para o interior da célula (Línfocitos T).

A região mais variável do genoma é a que codifica as glicoproteinas do invólucro. como CCRS ou CXCR4. A replicação do VIH-1 é um processo de várias etapas. Sendo a região mais conservada a dos genes gap e pol. o VIH transforma o seu código genético de ARN em ADN. Este segundo sítio de origem aparece para melhorar a eficiência do processo de transcrição reversa. o vírus utiliza ainda outras duas enzimas. também conhecidos como células CD4+. Para completar o seu ciclo de reprodução. O primeiro passo é a infecção de uma célula susceptível. o que é possível através da enzima transcriptase reversa. Quando o VIH se aproxima da célula alvo a GP120 se liga ao receptor CD4+. Ele promove o aumento da ligação ao co-receptor. sendo usada como sítio de origem adicional. acerca da sequência nucleotídica de diferentes isolamentos foi a demonstração de um alto grau de variabilidade genética. Variabilidade genética Uma característica relevante do HIV. Esses receptores interagem com complexos proteícos que estão associados ao envelope viral. 5 . podendo chegar a introduzir erros por ciclo de replicação de aproximadamente 103 nucleótidos. GP41. Esse processo se chama " anexação". Ao penetrar na célula. Ciclo de replicação do vírus O vírus tem que entrar no sistema sanguíneo para poder multiplicar-se. a qual define uma descontinuidade central na cadeia positiva. a qual não tem capacidade de corrigir erros que ocorrem durante a retrotranscricão.muito interesse é que a cadeia positiva do DNA tem dois sítios de origem distintos para a sua síntese em lugar de um. que fazem parte do sistema imunológico. a protease e a integrase. Os vírus de HIV têm uma segunda região com sequência polipurinas no centro do seu genoma. Ele infecta e multiplica-se dentro dos linfócitos T4. A entrada do vírus na célula requer a presença de certos receptores de membrana: receptores CD4 e coreceptores. A cadeia positiva é identificada em todos os retrovirus por uma sequência de polipurinas localizadas na região 5´da regulação. que lhe permite replicar-se e destruir estas células. A causa de tal variabilidade é a existência da transcriptase reversa. como o linfócito T CD4+. Esses complexos são compostos de 2 glicoproteinas: uma extracelular GP120 e uma transmembrana.

onde os precursores de um novo vírus são sintetizados. Esta dupla hélice dirige-se posteriormente ao sítio da Ribonuclease-H que quebra o RNA. A activação da célula induz a transcrição do DNA pró-viral em RNAm. a célula pode morrer ou simplesmente deixar de suprir todos os factores para a continuação da multiplicação viral. Esse passo é crucial na criação de um vírus infeccioso. O RNAm viral migra para o citoplasma. Isso permite a GP41 se desdobrar e inserir suas terminações hidrofóbicas na membrana celular. Alguns deles precisam ser processados pela protease viral. criando duas extremidades ligantes.03. a Protease e a Transcriptase reversa. Portanto. Dois filamentos de RNA viral e as enzimas de replicação se juntam e as proteínas do core se aglutinam ao redor deles formando o capsídeo. clivando um dinucleotideo em cada extremidade 3´ do DNA. 6 . A transcriptase reversa inicia a transcrição reversa do RNA viral. A polimerase então completa a fita de DNA para formar uma dupla hélice de DNA. Entrando em acção a Integrase. Então a GP41 se dobra novamente. aproximando a célula do vírus. É no sítio da Polimerase activa que o filamento único de RNA viral é transcrito em uma dupla hélice de RNA-DNA. facilitando a fusão de suas membranas. A maioria dos vírus não pode coexistir indefinidamente com as células onde se multiplica. Ela tem dois domínios catalíticos: o sítio Ribonuclease-H activa e o sítio da Polimerase activa.Fig. Os vírus devem disseminar-se de uma célula para outra. A Integrase. a partícula infecciosa deve deixar a célula na qual houve a maturação e penetrar numa célula não infectada. A protease cliva proteínas longas em proteínas menores do core. então transporta o DNA ao núcleo da célula e facilita a sua ligação ao genoma da célula. O capsideo nuclear viral entra na célula e se abre libertando dois filamentos de RNA viral e três enzimas essenciais de replicação: a Integrase.Esquema do ciclo de replicação do vírus A ligação ao co-receptor promove uma mudança conformacional na GP120.

O VIH se replica bilhões de vezes por dia. Os coqueteis antivirais combinam drogas inibidoras das transcriptase reversas e das proteases. Todos os dias o organismo produz quase a mesma quantidade de células CD4+ para repor a diferença. o HIV enfraquece a capacidade do organismo de combater não só a infecção retroviral mas também outras infecções comuns. o tratamento prolongado selecciona formas mutantes dos vírus e os sintomas reaparecem. os coqueteis antivirais podem apresentar efeitos colaterais severos. trava-se uma batalha entre o HIV e o sistema imunitário. Drogas que interferem nas etapas chave da replicação podem evitar esse progresso. 7 . que são as enzimas responsáveis pela maturação e montagem dos novos vírus dentro da célula. o 3TC (Lamivudine). Apesar de eficiente. Durante a saída do nucleocápside da célula. Se a contagem diminui para menos de 200 unidades por mililitro de sangue. Entre os inibidores da transcriptase reversa pode-se citar o AZT (Zidovudine). O nucleocápside associa-se com a superfície interior da membrana plasmática alterada. Patogénese O sistema imunitário é activado pela multiplicação viral e passa a combater os vírus. o d4T(estavudine). que interrompem os processos de síntese de DNA a partir do RNA viral. Actualmente já estão sendo utilizadas novas drogas. o acabavir (ziagen) e o tenofovir (viriad). que comanda as respostas do sistema imunitário ao destruir as células CD4. Durante o período assintomático. a partir de certa altura. mas. já contendo proteínas virais. Os lípidos do envelope viral são inteiramente derivados da célula hospedeira. o ddC (zalcitabine). não consegue aguentar este ritmo. mas os sintomas da SIDA reaparecem se o tratamento é interrompido. Essas drogas têm sido eficazes em diminuir a velocidade de multiplicação dos vírus. é um leucócito sanguíneo. o ddl( didioxinosene).As proteínas virais específicas do envelope são sintetizadas durante a fase tardia de síntese proteica e são inseridas na membrana celular. Assim como os mecanismos de entrada da partícula viral por endocitose causam pequeno dano não permanente á membrana celular. o vírus deixa de ser detectado nos testes sanguíneos. Entretanto. o brotamento também parece não causar danos às membranas. Processo designado brotamento. As primeiras drogas usadas no combate a infecção pelo HIV eram inibidoras da transcriptase reversa. Apesar de não curarem a SIDA os coqueteis são os principais responsáveis pelo declínio no número de mortes em decorrência da doença e pela melhora da qualidade de vida dos portadores do HIV. o Linfócito T. Após algum tempo de tratamento. retardando o aparecimento de infecções oportunistas. Novos sintomas só voltam a aparecer muito tempo depois. a partícula viral é envelopada por esta membrana alterada. destruindo as células imunes do hospedeiro e eventualmente causando progressão de doenças. que normalmente não afectariam pessoas sadias. que diminui em quantidade e torna a infecção complentamente assintomática. capazes de inibir a acção das proteases virias. diz-se que o seropositivo passou a ter SIDA. também chamado de CD4+. em geral após alguns anos. A principal célula atacada pelo HIV.

confusão mental e esquecimento. em muitos casos infecções por herpes na boca. dores de cabeça fortes e coma. febres e sudorese. infecções na pele. A SIDA refere-se ao estágio mas avançado da infecção pelo HIV. febre. Considera-se que a pessoa apresenta SIDA quando possui menos de 200 células CD4+ por milímetro cúbico de sangue (uma pessoa sadia apresenta essas células em quantidades de cinco vezes maior). infecções por fungos. Sintomas de infecções oportunistas comuns em portadores de SIDA são: tosse. emagrecimento.Gráfico controlo da Relação CD4+/ Vírus A medida que diminui a quantidade de células CD4+. 04. as pessoas com SIDA são propensa a desenvolverem vários tipos de câncer. náuseas. órgãos genitais e ânus. perda de visão. fungos e outros microrganismos com os quais temos contido. cólicas abdominais e vómito. Nos portadores de SIDA. bactérias. e respiração ofegante. essas infecções são severas e muitas vezes fatais. além de cancros do sistema imunitário ou linfomas.Fig. como Sarcoma de Kaposi e o câncer cervical. diarreia severa e persistente. perda de memória momentaneamente e. perda do vigor corporal. começam a aparecer os sintomas da SIDA: inchaço dos linfonodos. em particular os causados por vírus. pois o sistema imunitário é praticamente inactivado pelo HIV e não consegue combater a maioria dos vírus. 8 . dificuldade em engolir. Além disso. parasitas. perda de peso e fadiga extrema.

Existem dois tipos de vírus da imunodeficiência humana. que lhe permite replicar-se e destruir estas células. Cada etapa é crucial para o processo da replicação. o VIH-1 e o VIH-2. A replicação do VIH-1 é um processo de várias etapas. O virião do VIH apresenta envelope lipoproteico externo.Considerações Finais O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é um lentivírus da família dos retrovírus. que contém uma nucleocapside constituído de proteínas. Para completar o seu ciclo de reprodução. como a transcriptase reversa. constituído por moléculas de ácido ribonucleico (ARN). envelopados. Os vírus são icosaédricos. sendo importante alvo para as drogas antiretrovirais. Depois da entrada para o interior da célula. o vírus utiliza também. O genoma viral consiste de um dímero de RNA de fita simples de polaridade positiva linear (+ssRNA). a integrase e a protease. é transcrito de forma reversa em uma molécula linear de ADN de dupla hélice facto este que é possível através de uma enzima chamada transcriptase reversa. o genoma viral de RNA genómico. a protease e a integrase. A nucleocapside contém duas moléculas idênticas de RNA de cadeia simples e enzimas. 9 . têm um diâmetro de 100-200 nm.

São Paulo. Brasil  RABULSI.pt/sida/virus/ 12/10/12  http://veja. Flávio (2008) Microbiologia. Uruguai.saudecomciencia. Virus de la inmunodeficiencia humana.Bibliografia  AMABIS. editora Moderna.br/noticia/saude/entenda-a-diferenca-entre-hiv-1-e-hiv-2causadores-da-aids 12/10/112  http://www.html 13/10/12 10 . Divisão de Promoção da Saúde.roche.abril. 5ª edição. Programa do Uruguai.com.  CHIPARELLI H. editora Atheneu. Giberto Rodrigues (2007) Biologia dos organismos. Luiz Rachid & ALTERTHUM. José Mariano & MARTHO. (2004) Manual da Direcção Geral da Saúde. 2ª edição. Sites:  http://www. Volume 2. São Paulo. INGOLD E & MONTE A.com/2010/09/hiv-2-e-hiv-1-diferencas-entre-osdois.

CONCLUSÃO--------------------------------------------------------------------- 4.DESENVOLVIMETO-----------------------------------------------------------2 3.INDICE 1.INTRODUÇÃO------------------------------------------------------------------1 2.BIBLOGRAFIA------------------------------------------------------------------ 11 .