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Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP

JONATHAN FERNANDO LOPES GOMES

A RELATIVIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NÃO VINCULAÇÃO DAS RECEITAS PÚBLICAS DE IMPOSTOS EM FACE DAS DESPESAS PREVISTAS PARA A COPA DE 2014 NA LOA FEDERAL

Caruaru/PE 2011

Orientador: Bruno Tabosa Vieira Caruaru/PE 2011 .1. Prof.2 Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP JONATHAN FERNANDO LOPES GOMES A RELATIVIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NÃO VINCULAÇÃO DAS RECEITAS PÚBLICAS DE IMPOSTOS EM FACE DAS DESPESAS PREVISTAS PARA A COPA DE 2014 NA LOA FEDERAL Artigo submetido à disciplina de Direito Financeiro como requisito para obtenção da pontuação referente a N1 de 2011.

despesas públicas. Palavras – Chave: Não vinculação. copa 2014. de forma que se possa compreender o que seja princípio da não vinculação das receitas de impostos. despesas públicas. . princípio. LOA. pretende-se elucidar de maneira objetiva os institutos concernentes ao assunto. impostos.3 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo analisar o fenômeno da relativização do princípio da não vinculação das receitas públicas de impostos com enfoque nas despesas previstas para a copa de 2014. LOA federal e outros conceitos e institutos que se façam necessários ao entendimento do trabalho. Não se tem como escopo esgotar os temas propostos. receitas públicas. porém.

public expenditure. so that we can understand what is the binding principle of non-tax revenues. revenues. Keywords: Not Binding. We have no way exhaust the scope of proposed issues. principle.4 ABSTRACT This study aims to examine the phenomenon of relativization of the principle of nonbinding government revenue from taxes with a focus on expenditure for the crown in 2014. annual budget law. taxes. spending. crown 2014. it is intended to objectively clarify the issue concerning the institutes. however. . and other Annual Budget Law concepts and institutions that may be needed to understand the work.

5 “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele’’ Immanuel Kant .

..........2) Criança e o Adolescente no Estatuto da Criança e do Adolescente.......................................................... 37 c) RECENTES DISCUSSÕES SOBRE OS DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL................ 10 II ................................................................................................................ 11 13 III – SISTEMA INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS..... 35 ................ VII – REFERÊNCIAS.............................. 28 27 22 23 B....................... 33 .3) Criança E Adolescente no Código Civil.........................Dos Direitos à Convivência Familiar e Comunitária.................................................................................... 27 A) CRIANÇA E ADOLESCENTE – DEFINIÇÕES......................................................................... 19 IV – CONVENÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA...............Dos Direitos à Liberdade....... B) BREVES NOTAS SOBRE A CONVENÇÃO.................................1) A Criança e o Adolescente na Constituição Federal..6 SUMÁRIO PÁG...........Dos Direitos à Vida e à Saúde......... VI – CONCLUSÃO................................................................................................................................. B) DIREITOS HUMANOS INFANTO-JUVENIS NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA............................................................................................................. 28 B.......................... V – A REPERCUSSÃO DA CONVENÇÃO DE DIREITOS DA CRIANÇA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA................................ 30 ................................. 32 ............................ 39 41 43 . Respeito e Dignidade............................. I – INTRODUÇÃO...................... 11 A) FATOS REMOTOS..........................Dos Direitos à Educação...........DIREITOS HUMANOS: BREVE HISTÓRICO................. B) FATOS PRÓXIMOS.................................... 35 B............. Cultura e Lazer......................................................... 22 A) ANTECEDENTES..

7 I – INTRODUÇÃO: Segundo Horvath e Oliveira o Direito Financeiro é. compete à União. Manual de Direito Financeiro. . crédito e orçamento público. 2º. 3. aos Estados e ao Distrito Federal legislarem concorrentemente sobre Direito Financeiro. 1 Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. Entende-se que os Estados e o Distrito Federal podem estabelecer normas específicas. Esta atividade financeira do Estado divide-se em despesa. seu objeto material. 24.ed. À luz do disposto no art.se afirmar também que é o Direito Financeiro que normatiza a atividade financeira do Estado. receita. não conferiu competência aos Municípios para legislarem sobre Direito Financeiro. I e §§ 1º. o estudo da atividade financeira do Estado quando encampada pela norma jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1999. Percebe-se que a carta Magna. nesse dispositivo.. desde que sejam respeitadas as normas gerais da União. 3º e 4º da CF/88. por fim.1 Pode.

Valdecir Fernandes Pascoal.3 Já Aliomar Baleeiro diz que a AFE (atividade financeira do Estado) consiste em obter. Rio de Janeiro: Impetus. criar..5 2 Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. Para Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath tudo aquilo que incumbe ao Estado prestar.Despender recursos (despesa pública). 3.. Direito Financeiro e Controle Externo. . é necessidade pública.8 II – ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO A) Conceito: Preliminarmente. 15.. gerir e despender o dinheiro indispensável às necessidades. 01. Aliomar Baleeiro. para que o Estado realize as necessidades públicas precisa: .Criar o crédito público (endividamento público). a satisfação do bem comum se atinge por meio da concretização das necessidades públicas.2 De acordo com Alberto Deodato. Manual de Ciência das Finanças. ed. ed.Gerir e Planejar a aplicação dos recursos (orçamento público). . p. 3 4 5 Alberto Deodato. 02.Obter recursos (receitas públicas). p. 1998. 04. Rio de Janeiro: Forense. Ed. Manual de Direito Financeiro. Atividade Financeira do Estado é a procura de meios para satisfazer às necessidades públicas. p. é necessário entender o significado de “necessidades públicas”. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo: Saraiva.4 Em suma.. . Uma Introdução à Ciência das Finanças. 4. . cuja satisfação o Estado assumiu ou cometeu a outras pessoas de direito público. 11. 1968. 2004. ed. antes que se possa falar em atividade financeira do Estado. em decorrência de uma decisão política. Segundo Valdecir Fernandes Pascoal. 1999. inserida em norma jurídica.

aliado ao princípio da “accountability”.LRF: A Lei de Responsabilidade Fiscal6 de forma ampla. Pode-se afirmar consoante entendimento do doutrinador Valdecir Pascoal que. 11). II – Não farás investimento que não conste do Plano Plurianual (Art. 5º. III – Não criarás nem aumentarás despesa sem que haja recursospara o seu custeio (Art. O principal objetivo desta Lei é fazer com que o Estado mantenha um equilíbrio orçamentário. a partir do Tratado de Maastricht (1992). de 1994. A fim de melhor elucidar o assunto é importante citar os “10 MANDAMENTOS da LRF”. De forma que se gaste até o limite do que foi arrecadado. regulamenta regras e exigências presentes na Constituição Federal de 1988. . Edson Ronaldo Nascimento e Ilvo Debus: I – Não terás crédito orçamentário com finalidade imprecisa nem dotação ilimitada (Art. da Comunidade Econômica Européia. e dos Estados Unidos. pois. 6 A LRF (Lei Complementar Nº 102/2000) foi inspirada nas experiências da Nova Zelândia. é tão importante que as pessoas encarregadas pela gestão pública sejam capacitadas para exercerem suas funções. §1º). organizar e executar ações de natureza financeira exige um alto nível de conhecimento técnico além de ética e moral. após a introdução do Fiscal Responsability Act.9 B) A Atividade Financeira do Estado e a Lei de Responsabilidade Fiscal . 5º. a LRF é fruto de uma visão de Estado eminentemente liberal ao passo que considera despesa e crédito público como variáveis que dependem da receita pública. 17. assim também o é com as contas do Estado. cujas normas de disciplina e controle de gastos do governo central levaram à edição do Budget Enforcement Act (1990). § 4º). Por isso. §5º). ou seja. do mesmo modo que nas finanças pessoais não se pode gastar mais do que aquilo que se recebe. IV – Não deixarás de prever e arrecadar os tributos de tua competência (Art. planejar. texto escrito pelos economistas do Governo Federal.

Estados membros. 25. as Fundações.br. sem que tenhas liquidado a anterior (Art. § 2º).37. IV). as Autarquias e as Empresas Estatais Dependentes. para pagamento “a posteriori”. vale ressaltar que a LRF é de observância obrigatória para a União. II.7 Por fim. 7 Os 10 mandamentos estão contidos no trabalho: “Entendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal”. “a”). Parágrafo Único). Distrito Federal e Municípios. o Ministério Público e no Poder Executivo.10 V – Não aumentarás a despesa com pessoal nos últimos seis meses do teu mandato (Art. X – Não utilizarás receita proveniente de alienação de bens para o financiamento de despesas correntes (Art. . 44). 38. VIII – Não assumirás obrigação para com os teus fornecedores. a Administração Direta. VII – Não utilizarás recursos recebidos por transferência para finalidade diversa da que foi pactuada (Art. IX – Não realizarás operação de ARO ( Antecipação da Receita Orçamentária). publicado na internet: http://www. Lembrando ainda que ela alcança o Poder Legislativo . o Poder Judiciário.gov.tesouro.24).fazenda. VI – Não aumentarás a despesa com seguridade social sem que a sua fonte de custeio esteja assegurada (Art. 21. de bens e serviços (Art. IV.

independentemente de haver contrapartida no passivo. Uma Introdução à Ciência das Finanças. operações de crédito. Estadual (Distrital) – são as receitas pertencentes aos Governos 8 9 Aliomar Baleeiro. contas de energia. aluguel. ed. como elemento novo e positivo.  restrito – é toda entrada ou ingresso de recursos que se incorporam ao patrimônio público sem compromisso de devolução posterior. . faturas de cartão de crédito etc. No âmbito do Estado esses recursos que irão financiar as obrigações assumidas se chamam Receitas Públicas.. Rio de Janeiro: Forense. antecipações de receitas orçamentárias (ARO).11 III – RECEITAS PÚBLICAS Já é sabido que para que as pessoas possam cumprir com suas obrigações como. Para Aliomar Baleeiro. que por meio deles é possível atender aos anseios da sociedade. 2ª Quanto à Competência do ente da Federação:   Federal – são as receitas pertencentes ao Governo Federal. Note-se que este sentido contraria a conceituação de Receita Pública proposta por Aliomar Baleeiro. adentra os cofres públicos. Receita Pública é a entrada que. receitas tributárias.9 Como exemplo. alienação de bens etc. patrimonial. é necessário recurso que possa cobrir essas despesas. a qualquer título. cauções. 15. condições ou correspondências no passivo. integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas. patrimoniais. fianças.8 Valdecir Pascoal classifica as Receitas Públicas da seguinte maneira: 1ª Quanto ao sentido:  amplo (lato) – é toda entrada ou ingresso de recursos que. Por exemplo: receita tributária. vem acrescer o seu vulto. de serviços. 1998.. empréstimos compulsórios etc. parcelas de financiamento.

 Municipal – são as receitas pertencentes aos Municípios. de contribuições. cujo pagamento independe de autorização legislativa. patrimoniais. 4ª Quanto à Natureza:  orçamentária – é a receita que decorre da Lei Orçamentária.320/54 – art.12 dos Estados e do Distrito Federal. 5ª Segundo a Categoria Econômica (Classificação da Lei nº 4. Ex. ainda que não previstas no orçamento. doações etc.  extraordinárias – decorrentes de situações excepcionais.: impostos.  Receitas de capital – são as provenientes da realização de recursos . patrimonial. como calamidade pública. e ainda as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de Direito Público ou Privado. 11):  receitas correntes – são as receitas tributárias. de serviços e outras. 3ª Quanto à Regularidade:  ordinárias – aquela arrecadada regularmente em cada período financeiro. de contribuições. quando destinadas a atender despesas classificáveis em despesas correntes. como simples depositário ou como agente passivo da obrigação. Ex. de origem agropecuária e industrial. guerras. Ex.  extra-orçamentária – compreende os ingressos financeiros ou créditos de terceiros que não integram o orçamento público e que constituirão compromissos exigíveis do ente. operações de crédito.: empréstimo compulsório.: receita tributária.

de recursos recebidos de outras pessoas de Direito Público ou Privado. o superávit do orçamento corrente.13 financeiros oriundos de constituição de dívidas. a) preço quase-privado – (são os preços cobrados pelo Estado com fins de lucro. c) preço político – (preços fixados pelo Estado abaixo do custo dos serviços – normalmente destinados à contrapartida de serviços essenciais de cunho social)  derivadas – são aquelas obtidas pelo Estado através do seu poder de autoridade (jus imperii). 6ª Quanto à Afetação Patrimonial:  receitas efetivas – são aquelas que contribuem para o aumento do saldo patrimonial. em espécie. 7ª Quanto à Coercitividade:  originárias – são aquelas oriundas da exploração do patrimônio do Estado. de bens e direitos. Inserem-se no conceito de fatos contábeis modificativos aumentativos. pois são simples entradas ou saídas compensatórias.  Receitas por mutações patrimoniais – são aquelas que nada acrescem ao patrimônio público. destinados a atender despesas classificáveis em despesas de capital e. b) preço público – (são os preços cobrados pelo Estado em decorrência da prestação de serviços que visam a cobrir o custo total dos serviços). Inserem-se no conceito de fatos contábeis permutativos. da conversão. ainda. equiparando-se a um particular). .

15.14 IV – DESPESAS PÚBLICAS Seguindo a linha de pensamento demonstrada nas receitas públicas. 1991.320/64 classifica de forma elucidativa as Despesas Públicas. Uma Introdução à Ciência das Finanças. p. . São Paulo: Atlas.. 1998. Ed. 2.11 E para Lino Martins da Silva. nos termos da Constituição. para execução de fim a cargo do governo. Rio de Janeiro: Forense. entende-se que despesas públicas10 são os desembolsos que o Estado faz para atender as necessidades da sociedade.98. ed. por parte da autoridade ou agente público competente. as despesas públicas são os desembolsos efetuados pelo Estado no atendimento dos serviços e encargos assumidos no interesse geral da comunidade. Aliomar Baleeiro.12 10 11 12 A Lei Nº 4. dentro de uma autorização legislativa. ou em decorrência de contratos ou outros instrumentos. Contabilidade Governamental. Lino Martins da Silva. das leis.. Aliomar Baleeiro assevera que despesa pública é a aplicação de certa quantia em dinheiro.

15 VI – PRINCÍPIO DA NÃO VINCULAÇÃO DAS RECEITAS PÚBLICAS DE IMPOSTOS O princípio da não-afetação ou da não-vinculação das receitas públicas afirma que o Legislador não poderá vincular receitas públicas a determinadas despesas. 198. 165. fundos ou órgãos. 167. XXII. bem como o disposto no § 4º deste artigo.a vinculação de receita de impostos a órgão. O art. a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde. . respectivamente. entende-se que esta vedação é referente aos impostos e não a todo tipo de tributo. § 8º. como determinado. 212 e 37. ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. No entanto. para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária. fundo ou despesa. pelos arts. São vedados: IV . 167 da Carta Magna diz que: Art. § 2º. e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita. 158 e 159. previstas no art.

apoio à realização do evento e controle de acesso e monitoramento nos estádios de futebol que juntas não chegam a 500 milhões de reais13. Importante frisar que todos os dados disponíveis em documentos oficiais do governo apontam para um gasto menor do governo e um gasto maior de empresas e terceiros através das parcerias público-privadas (PPP’s) 13 Informações retiradas da Internet: https://www.planejamento.16 VII . Há ainda um investimento vultuoso nos Esportes se comparado com as despesas previstas apenas para a Copa.pdf .DESPESAS PREVISTAS PARA A COPA DE 2014 NA LOA FEDERAL De acordo com a Secretaria de Orçamento Federal. os gastos com a Copa do Mundo de Futebol de 2014 previstos na LOA de 2011 serão distribuídos em ações preventivas na área de segurança pública.portalsof.gov.br/sof/sof/orc_2011/apresentacao_PLOA_2011.

Este é um princípio constitucional que num primeiro momento parece ser absoluto e não deixa espaço para despesas com a Copa do Mundo. pois a Lei não proíbe a destinação dos recursos para melhorias na saúde . essas obrigações exigem receitas correspondentes. A partir disso é que todos os entes federados definem como irão usar os recursos públicos durante o ano. Como forma de ajudar a gestão pública na organização.CONCLUSÂO Como foi visto anteriormente. E como já foi visto.17 VIII . a LOA Federal define o orçamento anual de modo que seja possível saber o quanto cada setor terá disponível para gastar. planejamento e cumprimento da legislação. Legalmente as despesas para a Copa do Mundo podem ser custeadas indiretamente pelas receitas públicas de impostos. sabendo que não se pode gastar mais do que se arrecada. com exceção das hipóteses já citadas. é vedada a vinculação das receitas de impostos a órgão. É notório que uma nação que expressa o desejo de sediar um evento de grande porte como este assume uma obrigação que exige recursos financeiros. fundo ou despesa.

pdf https://www.htm .gov.br/hp/downloads/EntendendoLRF.br/sof/sof/orc_2011/apresentacao_PLO A_2011.fazenda.18 VII – Referências Eletrônicas: http://pt.pdf https://www.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12381.gov.planalto.tesouro.wikipedia.gov.planejamento.org/wiki/Direito_financeiro http://www.portalsof.