O niilismo em Dostoiévski e Nietzsche

Luana Martins Golin1

ResuMo Sabemos que Nietzsche (1844-1900) foi um leitor de Dostoiévski (18211881). Embora contemporâneos, eles nunca se conheceram pessoalmente, contudo, o tema do niilismo é comum a ambos. A intenção deste artigo é apresentar a temática do niilismo em Dostoiévski, por meio da sua obra Crime e Castigo e o niilismo em Nietzsche, tendo como base a sua obra Assim Falou Zaratustra com o objetivo de estabelecer uma relação entre estes dois pensadores. Palavras-chave: Nietzsche; Dostoiévski; Crime e Castigo; Assim falou Zaratustra; Niilismo; Culpa; Bem; Mal. AbstRAct We know Nietzsche (1844-1900) was a reader of Dostoyevsky (18211881). Although they were contemporary, they had never met personally, but nihilism theme is common for both. The aim of this article is to present the nihilism theme in Dostoiévsky through his work Crime and Punishment, and the nihilism in Nietzsche using his work Thus Spake Zarathustra, attepting to establish a relation between these two thinkers.

Keywords: Nietzsche; Dostoyevsky; Crime and Punishment; Thus Spake Zarathustra; Nihilismo; Guilt; Good; Evil.

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Mestranda em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo.
Revista Eletrônica Correlatio n. 16 - Dezembro de 2009

por exemplo. 2003. ser extraordinário significava ter o direito de transgredir a lei moral e não sentir culpa. Dostoiévski lia bastante a Bíblia e os ensinamentos do presídio marcaram-no por toda sua vida. A causa do crime. no decorrer da narração. Lisavieta. p. o tema do niilismo é comum a ambos. de fato. eles nunca se conheceram pessoalmente. Foi naquele local embrutecedor. Raskólnikov. 1) Dostoiévski e crime e castigo As fontes de Crime e Castigo remontam à época que Dostoiévski esteve preso na Sibéria. Raskólnikov rouba e mata a velha por puro desejo de se tornar um homem extraordinário. contudo. Crítica e profecia: a filosofia da religião em Dostoiévski. por meio da sua obra Crime e Castigo e o niilismo em Nietzsche. Porém. tendo como base a sua obra Assim Falou Zaratustra com o objetivo de estabelecer uma relação entre estes dois pensadores. percebemos que o motivo é mais complexo. ou acreditar no direito moral de matar. Revista Eletrônica Correlatio n. 222. Embora contemporâneos. A história de Crime e Castigo gira em torno do assassinato que o personagem principal. entre ladrões e assassinos. A prisão foi o substrato e o estímulo para a produção do livro.Dezembro de 2009 . comete contra uma velha agiota e sua irmã. que a moral nada mais é do que hábitos estabelecidos ao longo do tempo. se justifica pelo fato do assassino roubar e matar por necessidades financeiras. Para ele. A intenção deste artigo é apresentar a temática do niilismo em Dostoiévski. No exílio. que ele afirma ter encontrado homens de caráter profundo e inspiração para alguns de seus escritos posteriores. Luis Felipe. São Paulo: Editora 34.110 Luana Martins Golin Introdução Sabe-se que Nietzsche (1844-1900) foi um leitor de Dostoiévski (1821-1881). ou seja. a capacidade de estar acima do bem e do mal: Um indivíduo de virtù [extraordinário] percebe. seja algo legítimo. a princípio. nehuma legitimidade para ela. devido à miséria na qual vivia. 16 . Ele não incorre no erro de achar que a moral. ancorado no sentido transcendente2 2 PONDÉ. Ele escreveu Crime e Castigo quinze anos após seu exílio. não há nenhuma razão.

desprovido de talentos especiais e incapaz de saltar por cima de sua própria consciência. César e Napoleão Bonaparte. 298. esta categoria de indivíduos “é unicamente proveitosa para a procriação da espécie.. tal como os grandes homens da história: Kepler. esta é Napoleão (. Crime e Castigo. Para Raskólnikov. em minha opinião.. igual à maioria da humanidade.Dezembro de 2009 .O niilismo em Dostoiévski e Nietzsche 111 Raskólnikov assim descreve o que é ser extraordinário: [A categoria dos indivíduos extraordinários] é composta por aqueles que infringem as leis. 16 . pois conseguiu romper com os valores éticos metafísicos. Revista Eletrônica Correlatio n. fazer-se dono de suas próprias verdades e encontrar em sua própria consciência a autorização para assim proceder. então eles. relativos (. rompe a relação entre metafísica e política.221. p. se há na história uma encarnação do Príncipe de Maquiavel. Raskólnikov enxergava os seres ordinários pejorativamente. atendendo unicamente à idéia e ao seu conteúdo3. Em outras palavras: ele rompe com a metafísica e. conceder a si próprios a autorização para saltarem por cima do sangue.. Vol 1. Abril cultural..M. naturalmente. Os crimes destes são. 1979... de uma categoria inferior. F. para ele. (. Tradução de Natália Nunes.) Maquiavel é um autor contemporâneo. muito admirado por ele: Raskólnikov fala o tempo inteiro em Napoleão e. p. no seu íntimo. por cima do sangue. 2003.) [Ela] é formada por indivíduos conservadores por natureza. Napoleão é um ser extraordinário por excelência. PONDÉ. no sentido da clássica oposição bem e mal que ligava a ética à metafísica. Newton. medíocre.) e se necessitarem. de saltar ainda que seja por cima de um cadáver. causa um horror gigantesco4. podem. para bem da sua idéia. na sua consciência. este último. que vivem 3 4 DOSTOIÉVSKI. nesse sentido. rompe a relação entre metafísica e ética e desta com a política. A frustração de Raskólnikov é justamente não conseguir ser como Napoleão e enxergar-se como um mero ser ordinário. São Paulo. Raskólnikov desejava ser um homem extraordinário. Ele tem uma visão de política absolutamente pragmática. disciplinados.

Tal como a narrativa indica. Ele não conseguira tornar-se um dos ‘grandes homens’ que estavam além do bem e do mal” 6.. Vol 1. 1979. Ele só poderia saber se era um indivíduo extraordinário se conseguisse matá-la e não sentir culpa: Eu precisava saber. 5 6 7 8 9 DOSTOIÉVSKI. ao matar a velha agiota. Ele percebe-se.. 163. 229. p. 1979. 137. febres e delírios: “Extenuado. Vol 1 p. 2003.. então.) Eu não tinha o direito de me lançar naquilo. Estava capacitado para transgredir a lei ou não estava? Tinha ousadia para ultrapassar os limites. como todos. 298. Na verdade. Raskólnikov deixou-se cair no divã. ficou assim estendido uma meia hora. p. Edusp. para tomar este poder. Os criminosos ordinários sentiam culpa e aceitavam satisfatoriamente seu destino e qualquer ordem estabelecida. ou não? Era eu uma criatura trêmula ou tinha o direito? (. desejoso de perdão e redenção. p. num tal sofrimento. Joseph. 2003. Dostoiévski: Os Anos Milagrosos (1865-1871). porque eu era precisamente um piolho como os outros e nada mais7 A consciência moral de Raskólnikov o trai por meio de angústias.) naquela agonia do subsolo. DOSTOIÉVSKI. mas permanece um desgraçado suburbano que não consegue fazer nada”9.Dezembro de 2009 . Raskólnikov queria colocar à prova a sua teoria da divisão da humanidade em duas categorias. os ordinários e os extraordinários. PONDÉ. um ser ordinário. Vol 2 .112 Luana Martins Golin na obediência e gostam de viver nela”5. p. DOSTOÍEVSKI. “Raskólnikov [encontra-se] (. mas não em seu espírito e ela continua a obcecar sua consciência. se eu também era um piolho [como a velha e os ordinários]. São Paulo. querendo ser extraordinário. 182. como até então nunca sentira”8. comum. Revista Eletrônica Correlatio n. mas já não pôde pregar o olho. 16 . achando que poderá ser. “[Raskólnikov] assassinara [a velha agiota e sua irmã] na carne. não eram capazes de ultrapassar a lei moral. ou um homem [extraordinário]. 1979. e saber o mais depressa possível. FRANK.. numa tal sensação de espanto infinito.

pois reconhece a ausência de fundamentos como constitutivos de sua condição: “o homem é que pôs valores nas coisas com a intenção de se conservar. Raskólnikov. um sentido humano”10. o niilismo. foi ele que deu um sentido às coisas. É importante compreender que a morte de Deus. Neste sentido. entrega-se à polícia e é condenado a oito anos de exílio na Sibéria. Friedrich. o vazio. livre para agir de acordo com suas próprias convicções e sem nenhuma interferência moral. morre também qualquer tipo de fundamento supremo. mas bom. a perda de referenciais. pois dessa forma. ou homem deus. Nesta perspectiva.homem de Nietzsche é visível. o niilismo é o caminho para a irrupção do super-homem. Os personagens de Dostoiévski refletem idéias. de super-homem. verdade e valores éticos absolutos. portanto. rende-se à sua consciência. O ser humano niilista é o contrário do metafísico. na tentativa niilista de ascender para um estado superior. Por isso. não significa a negação de Deus. 2) Nietzsche e sua obra Assim Falou Zaratustra Assim falou Zaratustra anuncia a filosofia do super-homem que deveria derrotar a moral cristã e todo ascetismo servil. Raskólnikov. aceita o sofrimento como meio de redenção e confessa seu crime à prostituta Sônia. p. São Paulo: Martin Claret. para ele. representa. O niilismo. A derrota da moral cristã só é possível porque para Nietzsche.Dezembro de 2009 . Ao criar o personagem Raskólnikov. os valores não são 10 NIETZSCHE. 16 . a completa destituição de verdades e fundamentos. A relação entre o homem-deus de Dostoiévski e o super. seu pensamento ainda permaneceria na metafísica. Deus morreu.O niilismo em Dostoiévski e Nietzsche 113 Ao final da narrativa. A crítica feita por Nietzsche recusa o pensamento metafísico que se julga portador de verdades. Junto com a morte de Deus. 2007. 63 Revista Eletrônica Correlatio n. A morte de Deus e a tentativa de superação da metafísica são termos equivalentes em Nietzsche. homem extraordinário. local para onde vai acompanhado dela. essências e princípios universais. o nada. Em seguida. reconhece suas limitações e descobre Deus por meio do sofrimento e do amor de Sônia. surge. não é algo ruim. para ele. então. ele cria um personagem que deseja ser um homem-deus. pois é capaz de libertar. Asssim Falou Zaratustra.

Surgimento do niilismo e da figura do super-homem.) Porque “tudo é permitido” se Deus não existe. DOSTOIÉVSKI. p. não há virtude. Nietzsche diz: Podes proporcionar a ti mesmo teu bem e teu mal. do imperecível (.. p. Dostoiévski repete a temática do niilismo por meio de seu personagem.. 2006. É magnífico! Mas como praticará ele a virtude sem Deus? (. pois ela seria absolutamente inútil13. 174 e 228. do saciado. mas são produto humano.M. porque Deus morreu é possível a irrupção do super-homem niilista: “Deus morreu: agora nós queremos que viva o super-homem”12. Assim falou Zaratustra expressa o pensamento de Nietzsche nos seguintes termos: 1. o homem seria o rei da terra. NIETZSCHE. Embora este texto seja posterior a Crime e Castigo. 2. 4. tudo é permitido14 11 12 13 14 Idem. Os Irmãos Karamazovi. p. Idem. Em resumo. Nada é verdade. o ateu Ivã Karamazovi. A morte de Deus ou dos deuses. 66. 83 e 108. 578 e 614. 3.114 Luana Martins Golin transcendentes ou divinos. Para Nietzsche.Dezembro de 2009 . Ibidem. 239.. Relativização de valores éticos como decorrência da perda de fundamentos. 2007. do pleno.) Há uma velha ilusão que se chama bem e mal. do imóvel. 3) Dostoiévski e Nietzsche: Aproximações e Distanciamentos Dostoiévski diz: E se Deus não existe. e suspender a tua vontade por cima de ti como uma lei? Podes ser o teu próprio juiz e vingador da tua lei? (.. Ibidem.. 16 . A superação da metafísica como decorrência da morte de Deus. p.) Aniquile-se tudo quanto pode ser aniquilado pelas nossas verdades!”11. Revista Eletrônica Correlatio n. relativos e não absolutos.. temporais e não eternos: “chamo mau e desumano a isso: a todo esse ensinamento do único. se Rakítin tem razão quando afirma que isso é apenas uma idéia forjada pela humanidade? Nesse caso. do Universo. o Ser Supremo. São Paulo: Martin Claret. F.

pois ele acaba voltando-se para Deus. temos a seguinte relação entre Dostoiévski e Nietzsche: 1) O personagem Raskólnikov deseja ser um ser extraordinário. Raskólnikov percebe sua incapacidade humana de tentar estar acima do bem e do mal. juiz de si próprio. 2003. um homem-deus. divergem em alguns aspectos fundamentais: 1) Dostoiévski critica o niilismo. capaz de estar acima do bem e do mal. Raskólnikov obteve uma experiência religiosa profunda e existencial. que o ser humano pode tomar sua condição na mão e construir o mundo tal como desejar: matar quem quiser”15. 163. a metafísica está presente nele. Este processo. é aquele que acha de fato que a liberdade definida em termos humanos vai levá-lo a algum lugar. 2) Provavelmente. 16 . O Deus que se apresenta 15 PONDÉ.Dezembro de 2009 . Revista Eletrônica Correlatio n. Entretanto. livre de fundamentos. ou pelo menos. no final do romance. Por mais que Raskólnikov combata. aponta o niilismo como um caminho de superação e libertação da metafísica. pudéssemos dizer que Raskólnikov tentou superar o valor moral existente e estar acima do bem e do mal por meio de um processo niilista. Ele aponta o caminho do niilismo como uma alternativa de liberdade para o ser humano. p. proporcionou a Raskólnikov um retorno e a busca de um valor. Para Dostoiévski: “o niilista é um pós-moderno sem Deus. de um ser superior. foi baseado na figura do homem-deus de Dostoiévski que Nietzsche fundamentou a filosofia do super-homem. Talvez. 2) Nietzsche. como um desprendimento desnecessário dos valores morais e éticos vinculados à tradição cristã.O niilismo em Dostoiévski e Nietzsche 115 De acordo com o que foi explicitado até o momento. pois para ele. como um Ser acima dos homens. embora ambos apresentam a temática do niilismo. todavia. Seu personagem descobre e aceita a existência de Deus. Raskólnikov viu-se impossibilitado de tornar-se um homem superior e foi por meio do processo niilista que ele encontrou Deus. Deus o encontrou e por meio deste encontro. ao contrário de Dostoiévski.

Dostoiévski: As sementes da Revolta (1821-1849). seus escritos e personagens. 2003. ele não tem nenhum fundamento.Dezembro de 2009 .. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. Dostoiévski recebeu forte influência dos Evangelhos em toda a sua obra. A espiritualidade ortodoxa está baseada na experiência. Para a fé ortodoxa. p. Dostoiévski: o manto do profeta (1871-1881). a leitura de livros bíblicos já o incomodavam e deixavam-no pensativo: Estou lendo Jó e ele me deixa num estado de êxtase doloroso. Um exemplo disto. Essa busca por Deus foi também a busca de Dostoiévski. 539. Eu ainda era praticamente uma criança17. Desde criança. Em sua obra. A salvação e o contato com Deus se dão por meio de uma experiência mística transcendental no presente. é quando Raskólnikov pede à Sônia que leia para ele o relato do Evangelho de João sobre a ressurreição de Lázaro.116 Luana Martins Golin a Raskólnikov é um Deus existencial. em Crime e Castigo.] foi um dos primeiros a me impressionar na vida. Para Dostoiévski. abandono a leitura e começo a andar pela sala quase gritando. considerado o maior especialista em Dostoiévski da atualidade. 75 FRANK.. Joseph. A busca por Deus é o ideal de seus personagens.. p.. Para a ortodoxia não há salvação nem comunicação com Deus na imanência. Tema trabalhado por ele especialmente nos capítulos de 2 a 5. PONDÉ. 16 . para ele sempre foi emocionalmente impossível aceitar um mundo que não tivesse relação alguma com qualquer espécie de Deus”16. Joseph. São Paulo: Edusp. A aventura de Raskólnikov foi perceber que a não ser em Deus. não existe separação 16 17 18 FRANK. São Paulo: Edusp. Só é possível compreender o desfecho de Crime e Castigo e a busca religiosa e existencial de Raskólnikov ao considerar a forte influência da mística ortodoxa sobre Dostoiévski. Pondé 18 afirma que existe uma distância entre o pensamento místico ortodoxo e o teológico latino ou ocidental. [. 1999. Esta obra compreende o quinto e último volume da biografia de Dostoiévski escrita por este autor.] Esse livro [. Revista Eletrônica Correlatio n. “o problema da existência de Deus atormentou-o a vida inteira. 2007.

Dentro destas características.Dezembro de 2009 . que Raskólnikov encontra-se com Deus. baseado em Dostoiévski cria o seu super-homem. o mais importante é a profundeza espiritual e o destino do espírito humano. O conteúdo da mensagem religiosa não tem obrigação de estar em sincronia com a racionalidade humana ou com a ciência. È justamente na impossibilidade de saltar para o estágio de homem extraordinário. 2) Para Dostoiévski. O super-homem de Nietzsche salta para o estágio de ser extraordinário e deve permanecer lá. Revista Eletrônica Correlatio n. fica claro os conflitos experimentados por Raskólnikov na sua tentativa niilista. A partir destas considerações. Dostoiévski critica a razão moderna ao narrar o encontro de Raskólnikov com Deus. pois para ele. ele produzia teologia por meio de seus escritos literários. o mundo empírico. só é possível falar daquilo que se experimenta e se conhece. Ao longo da narrativa. livre de fatores externos que possam atrapalhá-lo. o ser humano existe em si mesmo. nesta tentativa niilista. Ele acreditava que Deus falava por meio dele e na perspectiva da ortodoxia era um místico. sejam os deuses. pois quando se tem a experiência não há necessidade de conceituação. podemos afirmar: 1) Não se pode compreender Dostoiévski sem levar em consideração o forte caráter religioso de sua obra. entretanto. A fuga do conceito é uma característica típica da ortodoxia. as formas exteriores da vida. 2) Nietzsche. a metafísica. a teologia ocidental está no âmbito do intelectus enquanto que a teologia mística oriental encontra-se no âmbito do affectus (palavra latina que tem sua origem no termo grego páthos). 3) De certa forma. O niilista de Nietzsche enterra Deus. por isso seus escritos são permeados de uma religiosidade profunda.O niilismo em Dostoiévski e Nietzsche 117 entre a experiência e o racional. 16 . fica claro que Raskólnikov é na verdade um personagem criado para criticar o niilismo. por isso é mais afetiva e não tão racional. o ser humano de carne e osso não são realidades últimas. para ele. Ao perceber toda a influência exercida pela mística ortodoxa sobre ele. Embora Dostoiévski não seja teólogo. na sua própria força. a ética ou a moral.

1979. Como alguem inteligente pode dizer que a única saída é Deus? Como um discurso racional pode sustentar algo desse tipo?19 Referências BALEEIRO. NIETZSCHE. 2003. pessimista. Dostoiévski: o manto do profeta (1871-1881). São Paulo: Martin Claret. O retorno da Religião na época da superção da metafísica: religião e secularização no pensamento de G. PONDÉ.. Luiz Felipe Pondé. I e II. Humberto. Marilena. VATTIMO. Asssim Falou Zaratustra. M. CHAUI. 16 . Jaci. 2006. 2003. Luis. 2007. Cleber Araújo Souto. 2005.118-137. 2007. F. São Paulo: Edusp. Joseph. 13. 1999. Convite à filosofia.M. n. São Bernardo do Campo.. Tradução de Vera Pereira. PADOVANI. Vols. São Paulo: Melhoramentos.) Então todo esse discurso de Dostoiévski parece absolutamente estranho. Gianni. seres humanos. ed. São Paulo. 26. Nicolai. Revista Eletrônica Correlatio n. 1981. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. São Paulo: Editora 34. Tradução de Natália Nunes. F. 18. FRANK. p. São Paulo. O fim da modernidade: niilismo e hermeneutica na cultura pós-moderna. Os Irmãos Karamazovi. BERDIAEFF. Joseph. São Pulo. Friedrich. (. São Paulo: Ática. DOSTOIÉVSKI. Edusp. 19 PONDÉ. junho 2004. 2009. FRANK. Crime e Castigo. Joseph. Tradução de Geraldo Gerson de Souza. Vattimo. Rio de Janeiro: Panamericana. São Paulo: Martin Claret. Historia da filosofia. 2002. Estudos de Religião. é que Deus está de fato morto e falar de sobrenatural é fazer uma simples metáfora.118 Luana Martins Golin O grande problema para nós. 2009. Tradução de Eduardo Brandão. Dostoiévski: os anos milagrosos – 1865-1871. Dissertação de mestrado no Instituto Metodista de Ensino Superior – Ciências da Religião. 2003. Edusp. p. 189. Crítica e Profecia: a filosofia da religião em Dostoiévski. Abril cultural. ed. Pensamento metafisico: religião e teologia na pós-modernidade. São Bernardo do Campo. CASTAGNOLA. FRANK. MARASCHIN. Tradução de Otto Schneider. DOSTOIÉVSKI. Dostoiévski: as sementes da revolta – 1821-1849. São Paulo: Martins Fontes.Dezembro de 2009 . O Espírito de Dostoiévski. v. 13. 1921.