O poeta lírico que é Camões

Camões é considerado o maior lírico português: os seus poemas menores são a expressão mais viva da coexistência entre a tradição poética nacional e o novo estilo proposto pelo Renascimento. O mesmo é dizer que Camões não deixou de aproveitar a poesia galaico-portuguesa e o Cancioneiro Geral, para que lhe servissem de modelo nos temas e nas formas da sua lírica. Camões, apesar dos novos ideais do Humanismo, não é o poeta da ruptura, mas da continuidade e do aproveitamento da tradição literária medieval com as construções poéticas clássicas; assim temos, em Camões Lírico, DUAS CORRENTES POÉTICAS DISTINTAS, que se completam:

Corrente Tradicionalista

• Vilancetes - MOTE - dois / três versos
+ VOLTAS - sete versos

• Cantigas - MOTE - quatro / cinco versos

+ VOLTAS - oito versos ou mais

• Endechas (trovas) - Quadras em versos de cinco sílabas; rima interpolada
• Esparsas

⇒Neste tipo de poesia, vamos encontrar a medida velha, já cultivada no
Cancioneiro Geral: - a REDONDILHA MENOR (verso cinco sílabas) - a REDONDILHA MAIOR (verso sete sílabas)

⇒ Os temas são: o Mar, a fonte, pequenos queixumes do coração, mas, sobretudo, o grande tema do Amor, o elogio da mulher, a saudade, a insatisfação interior do “eu”.

Corrente Renascentista

Duas quadras e dois tercetos (quatorze versos) + Apresentação tema + desenvol. isto é. + confirmação + síntese longas. a mulher. exaltação do Amor.composição de assunto elevado. • Elegia . o estado complexo e disfórico do “eu”. desenvol. ◊ Camões é profundamente influenciado por Platão e Petrarca.Composições • Ode . ideal. a reverência do amante. perfeito. a mudança. Como sabes. encontramos a medida nova. introduzida por Sá de Miranda: . puro. XVI. • Écloga . a mulher como um ser superior e perfeito. o amor no seu estado platónico.a crença num amor total e transcendente.cantos pastoris ligados à natureza. os temas também são a saudade. A sua maneira de amar segue as regras petrarquistas: . através do Classicismo e do Humanismo. Influências sobre Camões Lírico . o desconcerto do mundo. ⇒Neste tipo de composição. a impossibilidade da satisfação amorosa.canto de lamentação. estes poetas começaram a ser relembrados e apreciados no séc. a divinização dos sentimentos. ⇒ Aqui. • Canção . com introdução. servem de inspiração a Camões para este tipo de poesia.• Sonetos . e conclusão.o VERSO DECASSILÁBICO ⇒ Os grandes poetas clássicos como Virgílio (éclogas/elegias) e Horácio (odes).

a de Deus. um êxtase que vem por acção divina e que rapta a razão e os sentidos naturais. maltratado pelo amor. Esse transporte da alma é a maior aspiração do homem.Petrarquismo . olhar meigo e sereno. O “eu” utiliza artisticamente a paisagem como espelho do seu estado de alma. Amor Platónico . e a sua beleza permite ao poeta enamorar-se. Correcção da ficha de avaliação sobre Cesário Verde I . olhos verdes. pele branca e lábios vermelhos: é o retrato da mulher angélica e suave. O amor puro e perfeito é aquele que nunca é satisfeito. Essa paixão serve de meio para a beleza absoluta . A mulher petrarquista tem cabelos de oiro. que procura o desejo até ao ponto mais alto: . A mulher é um ser perfeito. mas que é um furor. riso terno. O poeta. escolhe uma vida solitária.O lirismo petrarquista apresenta uma concepção de amor puro e ideal.Platão diz que o amor não nasce no Homem. a concretização do amor é a negação do prazer supremo. buscando na natureza a confidente com quem pode desabafar o seu sentimento amoroso.o delírio da pureza e da perfeição.

efémero. de facto. através da visão de um cesto de frutas que simboliza uma invasão da cidade pelo campo.” Tema: Exaltação da beleza de Lianor Assunto: O poeta evidencia a beleza e graciosidade de Lianor quando esta vai buscar água à fonte. ao presente. opondo-o ao ambiente que evoca no mesmo poema. fazendo-o sofrer.na memória do poeta. Mas o campo também está presente. cheio. sente-a e escreve sobre ela. o passado que Cesário outrora já teve. O campo é a calma. perturbante. Refere-te a esse espaço que o poeta observa na sua deambulação quotidiana. pertencente às ideias e à memória.para Cesário é um local ligado à realidade.. Mas é apenas um local de passagem. Da cidade porque o poeta. o poema da cidade e do campo. Análise do Vilancete “Descalça vai pera a fonte. É aí que o cesto fica . .nos uma focalização dinâmica das pessoas. um poeta citadino.é a cidade de Lisboa representada através de um bairro moderno. Cesário Verde afirma-se como um poeta do espaço. ao mesmo tempo. Cesário Verde é. vibrante. o sonho. A cidade fascina-o mas também o oprime . “Num Bairro Moderno” é. Dá . através da sua memória afectiva. De tão complexa que é. das ruas. “enche” os sentidos do poeta.. analisa todo o espaço citadino que o rodeia. ao dirigir-se para o emprego. das casas .“Num Bairro Moderno”. vive na cidade.

pela verdura” .ingenuidade .pela presença específica da fonte . do amor. e do enamoramento.pela presença do elemento bucólico “Descalça vai .DESCALÇA/ FERMOSA E NÃO SEGURA não responde ao PORQUÊ? .PELA VERDURA / PARA A FONTE responde ao COMO? .Mas nós podemos imaginar.aspecto do corpo » aspecto do vestuário » análise abstracta da mulher Caracterização de Lianor Física: “fermosa” “mãos de prata” “mais branca que a neve pura” “cabelos de ouro” Psicológica: “não segura” indefesa. O poeta dá-nos uma representação mais aprofundada do aspecto de Lianor: Nas Glosas: 1ª Volta .LIANOR responde ao ONDE? .• O tema e o assunto desta composição sugerem-nos uma influência poética ligada ao lirismo provençal: ..a donzela que lava cabelos na fontana . responde ao QUEM? .pela presença do Amor e do objecto que o gera: a mulher •o • • • • Mote é o responsável pela introdução destes tópicos: lança a ideia fundamental ..aspecto dos objectos que traz » aspecto das roupas » aspecto do corpo 2ª Volta . Camões afirma-se como um repórter da paixão. frágil “descalça” simplicidade. naturalidade ...