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Realidade social e Política do Brasil

REALIDADE SOCIAL E POLÍTICA DO BRASIL MÓDULO 02-B

SUMÁRIO

CAPÍTULO I Organização Social CAPÍTULO II Aspectos do sistema político no Brasil CAPÍTULO III Os movimentos Sociais no Brasil CAPÍTULO IV A estratificação social e suas formas CAPÍTULO V A atual realidade do Brasil nos aspectos sociais, econômicos e políticos. Bibliografia

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CAPÍTULO I

ORGANIZAÇÃO SOCIAL FORMAS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL
A organização social de um povo é um dos aspectos de sua cultura. No decorrer da história humana observamos que foram adotadas formas diversas de organização social, com vistas a conseguir os meios que garantissem a sobrevivência do grupo. Em alguns casos, a organização social proporcionou uma vida com mais ou menos as mesmas condições a todos os membros do grupo social. Em outros, o controle da organização social por uma parte da sociedade, geralmente minoritária, levou essa minoria a uma vida confortável, à custa da condenação da maioria a uma vida subumana. Entre as formas mais importantes do passado estão o comunismo primitivo, o escravismo e o feudalismo. No século XX, embora tenham subsistido resquícios de formas anteriores predominaram dois sistemas básicos: o capitalismo e o socialismo. Comunismo Primitivo. Foi o estágio em que se produzia de acordo com as necessidades do grupo. Não havia excedente, sobra. O que se produzia era resultado do trabalho de todo o grupo e era distribuído entre todos os seus membros. Os meios de produção (a terra por exemplo) eram propriedade social, ou seja pertenciam a todo grupo. Escravismo. Com o crescimento dos grupos sociais e o aperfeiçoamento das técnicas e dos instrumentos de trabalho, começou a haver excedente e alguns passaram a viver do controle desses excedentes, tornado-se proprietários dos meios de produção e passando a explorar o trabalho de outros. Além disso, com as guerras entre grupos, o grupo derrotado era feito prisioneiro e passava a ser obrigado a trabalhar para os membros do grupo vencedor. Surgiram então duas camadas sociais: a dos escravos, que trabalhavam, e a dos donos de escravos, que viviam do trabalho de outras pessoas. Esta foi a organização social na Grécia e na Roma antigas, entre outros povos. O surgimento do escravismo coincide com momento em que o homem deixou de ser nômade para torna-se sedentário, deixou de se dedicar apenas à caça, à pesca e à coleta, para praticar a agricultura e o pastoreio. Nesse momento começou a luta para manter a terra plantada em poder do grupo contra os ataques de outros grupos. Feudalismo. Predominou durante a Idade Média, em que o poder central (do rei) era muito fraco e se multiplicaram os domínios dos senhores feudais, cada um com seu feudo. O mecanismo de funcionamento do sistema feudal consistia no compromisso de reciprocidade entre o senhor e o servo. Em troca de proteção, o servo prestava ao senhor determinados serviços. Normalmente, os servos trabalhavam três dias por semana na terra do senhor e três dias nas terras que cultivavam para seu sustento. O trabalho na terra do senhor era

excedente, do qual o senhor se apropriava e que usava para seu conforto ou para se manter na guerra.

SOCIEDADE CAPITALISTA
Com o desenvolvimento do comércio e o aumento da produção, no final da Idade Média, surgiram condições propícias ao desenvolvimento do capitalismo. Os comerciantes chamados burgueses por viverem em burgos ou cidades, compravam as mercadorias a um preço e as vendiam a preços mais altos. Sobrava dinheiro, lucro que utilizavam para comprar mais mercadorias. Dessa forma, foram acumulando dinheiro e riquezas que passaram a aplicar no próprio comércio e em pequenas indústria que aumentavam seu lucro. Surgiram os bancos que começaram a emprestar dinheiro a juro, obtendo mais lucros. A burguesia passou, então, a financiar as grandes navegações, a trazer mercadorias do outro lado do Atlântico e do Pacífico, aumentando mpre mais seu lucro. O dinheiro utilizado para fazer mais dinheiro chama-se capital. O que resulta a mais desse emprego de capital é o lucro. O sistema econômico baseado na aplicação do capital com o objetivo de obter sempre mais lucro denomina-se capitalismo. A essa primeira fase do capitalismo chamase capitalismo comercial, por que eram os comerciantes burgueses que detinham o capital e porque o lucro resultava do comércio, comprava-se por um preço e vendia-se por outro preço superior. A concentração do capital nas mãos dos comerciantes e os inventos da Revolução Industrial fizeram com que o capitalismo avançasse para uma segunda fase: o capitalismo industrial. Em vez de comprar as mercadorias do artesãos, os comerciantes burgueses passaram a manter suas próprias oficinas. Desse forma, não controlavam apenas a comercialização, mas também a produção das mercadorias, gerando mais lucros.

As oficinas dos burgueses foram crescendo, transformando-se em grandes fábricas, principalmente a partir da Revolução Industrial no século XVIII. Surgiu o trabalho assalariado e com ele uma nova mercadoria e uma nova fonte de lucro: o trabalho passou a ser encarado como mercadoria pelo capitalista. Este tornou-se o detentor dos meios de produção (dinheiro, fábricas, máquinas, etc.):enquanto o trabalhador ficou dono apenas de sua força de trabalho. Daí, uma conclusão lógica: quanto menos o capitalista pagasse pelo trabalho do operário, mais sobraria para ele, como excedente, como lucro. Formaram-se, então, as duas classes sociais opostas: de um lado a burguesia e do outro o proletariado (nome originário de sua grande prole ou número de filhos) cada uma lutando por seus interesses. Aumentando sua produção, o capitalista precisava vender sempre mais produtos. Precisava também comprar matérias-primas abaixo do custo, o que aumentaria seu ganho e suas vantagens em relação aos concorrentes. Intensificou-se então a luta pelos mercados fornecedores de matérias-primas e pelo mercados consumidores. As pequenas indústrias foram desaparecendo.

Surgiram os grandes conglomerados industriais, os monopólios, que atravessaram fronteiras, controlando povos e governos de países fornecedores de matérias-primas e consumidores de produtos industrializados. É a terceira fase do capitalismo, a fase docapitalismo monopolista.

CARACTERÍSTICAS DO CAPITALISMO
Segundo Raymond Aron (1905-1983), o capitalismo apresenta cinco características mais importantes: - Os meios de produção são objetos de apropriação individual. - A regulagem da economia é descentralizada. - Existe separação entre empregadores e empregados. - O móvel predominante é a busca do lucro. - Os preços flutuam de acordo com o mercado.

Raymond Aron, seleciona as crítica mais freqüentes ao capitalismo:  promove a exploração dos trabalhadores ;  é um regime imoral, pois se baseia na procura do lucro;  leva a uma extrema desigualdade de rendas;  é dominado pela anarquia , ou seja, pela não planificação, pela não repartição voluntária dos recursos e rendas e, por isso, está sempre sujeito a crises, já que os grupos mais fortes abocanham a maior parte dos recursos. O capitalismo baseia-se no livre jogo das forças do mercado, na livre iniciativa, na concorrência, etc. A idéia por trás disso é que são os mais capazes que conseguem vencer. Tal idéia, porém, é totalmente enganosa. A liberdade no regime capitalista já foi definida como “a liberdade da raposa no galinheiro livre”. Isto é: o mercado é manipulado e controlado pelos monopólios; quem não tem os meios de produção não pode ter iniciativa, a não ser tentar conseguir um lugar melhor ao sol, que é muito difícil; na concorrência os mais fortes engolem os mais fracos. No campo social, as conseqüências do capitalismo estão à vista de todos, especialmente nos países subdesenvolvidos: salários de fome, condições precárias de trabalho, desemprego, falta de assistência a saúde, educação insuficiente e deficiente, condições miseráveis de vida, concentração dos recursos em poucas mãos, desrespeitos à pessoa humana. No campo político, o capitalismo transformou o Estado em instrumento de dominação de uma classe sobre outras. Assim, nas lutas trabalhistas, entre empregadores e empregados, o governo geralmente toma partido dos patrões, reprimindo as manifestações dos trabalhadores, prendendo seus líderes, etc.

CRÍTICAS AO CAPITALISMO

SOCIEDADE SOCIALISTA

“O socialismo. Planejou os Falanstérios. A primeira etapa do desenvolvimento socialista é chamada de socialismo utópico. entendido como a preocupação por uma sociedade que suprime as desigualdades entre os homens.  Henri de Saint-Simon (1760-1825). cuja obra deu início ao chamado socialismo científico. o autor faz uma crítica minuciosa ao capitalismo. que é o motor da História. Não há patrões e empregados. Definiu a propriedade como um roubo e o Estado como o braço armado da classe dominante: “Quem quer que ponha as mãos em mim com a intenção de governar-me é um usurpador e um tirano. Declaro-o meu inimigo”. segundo Arnaldo Spindel. publicado em 1848. Essa denominação deve-se ao fato de seus escritos e propostas não se basearam numa análise científica da sociedade.refeitório.  Pierre J. Aceitava a livre empresa e o lucro dos capitalistas. . Proudhon (1809-1865). que eram fábricas socializadas. banqueiros e comerciantes.  Charles Fourier (1772-1837). e que termina com a famosa frase: “Proletários de todos os países. desde que estes assumissem responsabilidades sociais. Propôs um governo dos trabalhadores. com a participação de operários industriais. O ponto de partida foi o Manifesto do Partido Comunista. Mas foi só a partir dos séculos XVIII e XIX que as idéias socialistas começaram a ser formuladas de modo sistemático. Economia planificada centralizada. Como funcionário público. CARACTERÍSTICAS DO SOCIALISMO Historicamente o socialismo surgiu na crítica ao capitalismo. suas características são opostas às do sistema capitalista: Apropriação coletiva dos meios de produção.e SHERMAN. cidade de trabalho em que cada um escolhia seu posto e tudo era comum .. conceito de sociedade. como tentativa de encontrar uma forma de organização da sociedade baseada na justiça social. uni-vos!” A principal obra de Marx é O Capital. moradias. criou na França as Oficinas Nacionais. Entre os socialistas utópicos.) O socialismo alcançou grande impulso com o trabalho de Karl Marx (18181883) e Friedrich Engels (1820-1903).  Louis Blanc (1811-1882). H. (HUNT E. é uma idéia que pode ser encontrada no passado remoto da História Universal”. Por isso mesmo. Empresário inglês que propôs a supressão da propriedade privada e retribuição do trabalho com bônus e não com dinheiro. K. etc. mostrando que seria inevitável sua superação pelo socialismo como resultado de luta de classe. podem ser citados os seguintes:  Robert Ower (1771-1858). Nela.J.

de interesse geral. que substituiria a burguesia. como a ex-União Soviética e outros países do Leste europeu. com certeza não estará levando em conta a longa história que envolve este conceito. nasceu desse processo histórico de constituição do Estado moderno. de nação bem como a separação entre o privado e o público. mas pelo Partido. surgiu na Europa. enquanto no capitalismo o que prevalece é a busca do lucro. constituída pelos líderes do Partido. Os preços são controlados É importante notar que todas essas características se referem a uma forma ideal de socialismo. isto é. na qual os interesses coletivos sobrepõem-se aos interesses particulares. 2) a burocratização do Estado. sob a orientação dos planejadores da economia. A noção de povo. com base no jogo das forças do mercado. CRÍTICAS AO SOCIALISMO As principais críticas que se fazem ao regime socialista. saúde.. referem-se a três pontos básicos. às vezes diversos. seus governantes não seriam escolhidos pelo povo. 3) apesar de grandes avanços em aspectos sociais. o que se pode dizer em relação à organização ideal da sociedade é que. na forma concreta que foi adotado em vários países. tais países não seriam democráticos. As grandes transformações sócio-econômicas e políticas desencadeadas pela sociedade européia naquela época criaram um novo mundo. a China. é relativamente recente. juntamente com a sociedade moderna. 1) os limites impostos à liberdade individual: o indivíduo estaria submetido ao interesse do Estado. seria sufocado pelo domínio absoluto de quem domina o Estado. O ESTADO MODERNO O Estado moderno. quando um político se dirigi em seus discursos ao povo. como moradia. ainda não realizada concretamente em nenhum país. socialistas. Hoje. Cuba e muitos outros. geralmente o Partido Comunista. detendo muitos privilégios à custa do trabalho da maioria da população. no socialismo busca-se a construção de uma sociedade igualitária. etc. no começo do século XVII. com a formação de uma nova classe dominante. educação. onde já não havia lugar para o particularismo da antiga sociedade feudal. Os países. O ESTADO ABSOLUTA . representaram caminhos.O móvel da economia é o bem da coletividade. Concluindo. na busca de uma sociedade verdadeiramente socialista.

posto que o próprio Estado dela se beneficiaria. acabou por centralizar todas as decisões políticas. que mostravam aos súditos a necessidade de prestar obediência. elaborada pelo bispo francês Jacques Bénigne Bossuet (16271704). entre povos católicos e protestantes. ou seja. o monarca é representante do poder de Deus na Terra e a sua autoridade deve ser sagrada. De um vista lógico. a justiça e o poder militar. É claro que a formação dos Estados absolutistas não seguiam um mesmo trajeto em todos os países europeus nem se deu por vias tão pacíficas. é apontada como a nação que o vivenciou em sua forma mais plena. a Igreja Católica é um deles. As idéias de Hobbes refletiam as características principais de sua época. Ele foi o resultado de um longo processo histórico que começa com a crise da sociedade feudal. Os tradicionais estamentos aristocráticos – a nobreza e o clero – passavam a defrontar uma nova classe social em formação: a burguesia. O auge do absolutismo ocorreu no século XVII. diretamente a administração econômica (mercantilista). formado com o apoio burguês. Enriquecida pelas atividades comerciais que nasciam. Um novo tipo de Estado. As monarquias nacionais souberam aproveitar a forte disputa entre essas camadas sociais para ampliar seu poder político. entre burguesia e aristocracia. e a França sob o reinado de Luis XIV (1661-1715). a burguesia buscou estabelecer alianças políticas com os monarcas. Cabe lembrar que o Estado absoluto legitimou a sua dominação por meio de certos princípios retirados do catolicismo. Melhor seria submetê-la ao seu poderio. entre camponeses e senhores e entre Estado e sociedade civil marcaram todo esse período histórico de formação do mundo capitalista. O Estado absolutista teve em Thomas Hobbes (1588-1679) o seu grande representante teórico. a teoria hobbesiana procurava as origens do Estado. sua razão de ser sua finalidade. Segundo a doutrina do direito dos reis. Alguns dos antagonismos que marcaram o início das monarquias nacionais permaneceram no período do Estado absolutista. ainda que com menos intensidade. na Europa ocidental. A realeza foi assumindo.A primeira forma do Estado moderno que devemos destacar é o absolutismo. e sua força se estendeu por vastos territórios controlados pelos senhores feudais. Ao Estado nunca interessou afastar a Igreja de cena política. Fortes conflitos entre países. Em Hobbes. Esses princípios foram encontrados na teoria dodireito divino dos reis. a partir do século XIV. Em pouco tempo quase toda a Europa seria absolutista. Mas a vontade do . A luta entre o Estado e o papado. o Estado soberano significava a realização máxima de uma sociedade civilizada e racional. tampouco destruí-la enquanto instituição religiosa que cuida do lado espiritual das pessoas e de suas crenças. mas conservando sua função religiosa.

eu sou meu primeiro-ministro”. principalmente diante da afirmação de Luís XIV que melhor simbolizou o absolutismo: “O Estado sou eu”. portanto. pois não eram permanentes e não tinham força suficiente para fazer face ao monarca. a semelhança com o senhor feudal termina aí. logo que assumiu o poder na França. Mas. Esta distinção clara entre privada e público é produto de época atual e começou a ser estabelecida com o Estado absolutista. pôde falar aos súditos em nome do interesse geral. pois a hierarquia terrestre já estava bem modificada e o vassalo foi substituído pelo súdito. ninguém com princípios éticos tomaria um prédio público e o transformaria em sua residência privada. subverter as regras gerais da moral e da justiça.rei deveria ter alguns limites que seriam ditados pelos mandamentos de Deus. Este processo é bastante contraditório. . que devido à posição hierárquica mais alta em relação a seus vassalos. Nos dias atuais. mais próximo estaria da hierarquia celeste. Por exemplo. Ouvindo e considerando quase sempre suas propostas. O monarca não possuía o direito de fazer aquilo que bem entendesse. partiam desse órgão do Estado. uma pessoa estaria cometendo um roubo contra a sociedade e poderia ser condenada pela justiça. o levaria a Deus. um corpo de funcionários para operar sua estrutura administrativa. O bem público é um bem de todos. E os Parlamentos que surgiram nesse estado funcionavam apenas como órgãos consultivos. Assim. Luís XIV disse: “De hoje em diante. ser de ninguém em particular. começava a se estabelecer a diferença entre o que era público e o que era privado. com um exército permanente. compartilhava suas decisões com seus membros especiais. por várias vezes os monarcas defendiam medidas econômicas e políticas em nome do interesse geral. o rei governava com o Conselho de Ministros. e não de acordo com seus próprios interesses patrimoniais. contando com a assessoria de um Parlamento. na área de política ou de economia mercantilista. Este. Foi no absolutismo que o poder político se centralizou fortemente no interesse de um domínio territorial/ nacional. não podendo. Entretanto. Agindo assim. As orientações. as principais medidas. não podendo. tendo em vista a nação. tampouco o funcionamento de uma repartição estatal removeria a chapa oficial do automóvel que a serve para usá-lo de maneira particular. Todavia. De certa maneira a legitimidade divina do rei se assemelha àquela do senhor feudal em seus domínios. portanto. que enfim. O PÚBLICO E O PRIVADO No absolutismo começam a surgir pistas para a separação entre a pessoa do monarca e o poder político do Estado. um órgão executivo sob comando do rei e alguns ministros. Colbert foi um ministro tão importante no reinado desse soberano que o desenvolvimento econômico da França nesse período ficou conhecido como colbertismo. No Estado absolutista.

controlar. O exército permanente que guarnecia a estrutura política do Estado absolutista ainda abrigava uma cavalaria composta pela nobreza. as políticas nacionais não poderiam mais ignorá-la totalmente. fundamentais ao avanço da chamada acumulação primitiva do capital. entretanto. Se. enfim para exercer o domínio da sociedade civil. distanciando-se das características feudais que resistiam no absolutismo. começou a incorporar soldados de origem popular. o membro desse Estado tinha que ser um servidor público. Na tradição jurídica romana existe uma clara separação entre direito privado ( que trata da propriedade privada) e direito público ( que trata do domínio público). mas. Em outras palavra. sendo em algumas nações o principal responsável pela construção de uma base manufatureira. ao desenvolver rapidamente um corpo de infantaria. como o estabelecimento de normas rígidas sobre os métodos de fabricação. A palavra povo passava a ter certo significado. e principalmente da rural (das províncias). O povo. Na constituição desse quadro administrativo. Para dar conta dessas novas atividades a monarquia absolutista desenvolveu um importante componente da sua estrutura .Como o Estado absolutista intervinha fortemente na vida econômica. é verdade. A nobreza togada. representava o afastamento da nobreza cortesã. Sem esquecer o fato de que o Estado absolutista protegeu a nobreza feudal das incontáveis revoltas camponesas que marcaram o mundo moderno. bem longe do poder político. para melhor administrar. é possível tomá-lo como um Estado burguês. etc. Nas regras de direito público as leis contêm um sentido abstrato de generalidade e formalidade. o Estado mais uma vez vai operar a distinção entre o público e o privado. formada por nobres (ou até burgueses) que compravam títulos de cargos público. estava onde sempre esteve. chegou a necessitar de um amplo quadro administrativo para dar conta dessa tarefa. os critérios para inspecionar a qualidade da matériaprima empregada na produção. Mas a partir do absolutismo. o Estado absoluta preencheu uma parcela de sua administração com cargos ocupados pela nobreza foi porque começava a entender que a função de seus membros se diferenciava das atividades voltadas para o interesse particular. o Estado aprofundava seu controle sobre bens e pessoas. uma vez que foi o responsável pelas medidas econômicas e políticas. O ESTADO LIBERAL . o que era público ou privado foi mais bem delineado.o Judiciário. a fixação dos preços. Com a revalorização do antigo direito humano. para regulamentar as relações dos súditos com o Estado. Com a especialização dos cargos e das funções. O controle da economia lhe impunha funções complexas especializadas para a época.

Tendo ampliado sua influência na estrutura do Estado e fortalecido seu poder econômico. Para que o desenvolvimento dessa sociedade fosse possível. A soberania do Estado foi uma delas.A sociedade burguesa se implantou instituindo. como antiestatal. Em nossos dias. portanto. é o seguinte: uma mercadoria só seria produzida se existisse uma necessidade para o seu consumo. O mercado de compra e venda de mercadorias regula a atividade produtiva. a burguesia liberal. na qual ele afirma existir uma lógica interna. Essa teoria surgiu na obra de Adam Smith (1723-1790). -. As revoluções burguesas defendiam controles impostos pelo mercantilismo. A burguesia do século XVIII caracterizado como século das luzes (Iluminismo). Portanto. Mas. não se caracterizando. ou seja o consumidor é a peça chave para a ocorrência dessa relação. João é liberal nisso ou naquilo. o termo liberal é empregado em muitos sentidos inclusive para especificar qualidades de cunho pessoal. O Estado liberal – outra forma histórica de Estado – apresenta-se como desdobramento dessa separação. com uma estrutura de poder político capaz de manter e ampliar suas conquistas. assim a progressiva centralização das decisões políticas se perpetuaria. A revolução da burguesia transformou radicalmente a sociedade feudal na Europa. Essa nova classe iria precisar da intervenção do Estado para muitos de seus assuntos. como defendem os libertários. sob a crença de que o mundo seria mais saudável se o Estado fosse cada vez mais restrito. o mercado livre e fazendo da sociedade civil um sinônimo deste. reivindicava uma ampla liberdade nas atividades econômicas. preços. etc. . como ocorre ainda hoje. de fato. Em linhas gerais. intitulada A riqueza das nações. quantidade. A MÃO INVISÍVEL As razões da burguesia revolucionária para implantar o liberalismo econômico foram estampadas na teoria da mão invisível. para reprimir a classe operária em suas reivindicações. O Estado liberal pode ser simultaneamente representante do público e guardião do privado. mas certas características do primeiro foram mantidas e desenvolvidas nesse processo de criação do novo poder. O que é diferente de uma pessoa libertária. não caberia ao Estado interferir na produção dos produtos – qualidade. entre os quais. exigiu uma nova forma de Estado. A palavra é quase sempre empregada com restrições. uma razão própria das mercadorias. O Estado absolutista foi substituído pelo liberal. mas não tirar o poder político do Estado. o que significava restringir. a burguesia acabou por romper com a monarquia absolutista. como por exemplo: “João é um cara muito liberal”. era preciso que a separação entre o que é público e o que é privado ganhasse contorno mais nítidos. Ser burguês liberal no século XVIII significava recusar qualquer intervencionismo estatal na economia. não desejava abolir o Estado. de maneira revolucionária.

O Estado foi importante não só para derrotar a nobreza como . os trabalhadores proprietários da sua força de trabalho. sendo seus atores compradores e vendedores ao mesmo tempo. Quem produzisse e vendesse mais poderia lucrar e enriquecer rapidamente. a concorrência era salutar. O mais apto em produzir o melhor produto. pela segurança pública. a tarefa do Estado. à vida e à propriedade. O lema eralaissez-faire. Todos comprariam e venderiam alguma mercadoria não obstante as gritantes diferenças sociais: a burguesia como classe social proprietária dos meios de produção. à igualdade. sua obra revolucionária criou uma sociedade racional porque a vida social poderia ser explicitada por meio das leis. laissez- passer (deixai fazer. de outro. Quando se estuda a revolução realizada pela burguesia. protegendo os indivíduos contra medidas e atos que possam subverter seus direitos inalienáveis. Deve o Estado liberal zelar pela segurança de todos (interna e externa). Todas as leis criadas na sociedade moderna deveriam se nortear por esses valores. só podia ser benéfica. ofereceria esse produto por um preço mais barato e. Até o lucro. inclusive. que na época feudal fora condenado pela Igreja Católica. ao Estado caberia proteger tal situação funcionando como uma espécie de vigia. simplificando. Daí a idéia de um contrato social. portanto. afirmavam seus defensores . o Estado protege a vida dos indivíduos e os bens públicos – isto é. A economia capitalista foi chamada de economia de livre concorrência. a sociedade se civilizaria ao incorporar os valores que defendiam especialmente a liberdade de mercado. tudo aquilo que pertence à sociedade. percebe-se como essa classe social precisou do Estado para viabilizar as suas mudanças revolucionárias.como fazia o Estado absolutista mercantilista. e sustentavam a idéia de que todos são possuidores naturais do direito à liberdade. Nesse sentido. desde que estivesse atento ao cumprimento das leis. A revolução burguesa teria sido a última – agora a razão controlava todas as paixões.deixai passar). se as condições para a liberdade e a igualdade entre os indivíduos estavam dadas na sociedade civil. A concorrência e a competição existente na sociedade burguesa. Durante o dia a sociedade produz. Seria possível ao Estado liberal ser muito mais eficaz na manutenção da segurança dos indivíduos. Todos deveriam ser livres para produzir e vender seus produtos. agora se enquadrava na lógica. Para a burguesia iluminista. não haveria necessidade de novas revoluções. à noite o Estado guarda para que ela adormeça em paz e harmonia. O lucro foi justificado pela competência dos produtores e vendedores de mercadorias. Mas também zela pela propriedade privada. Segundo a burguesia. venderia mais do que o concorrente. Os direitos inalienáveis do homem foram propagados e defendidos pela burguesia na época da sua evolução. de um lado. alcançando maiores lucros. na produção sob as bênçãos da Igreja. Daí a imagem de um Estado guarda-noturno formulada por Jonh Locke (1632-1704). com um custo mais baixo. Se a vida social podia ser ordenada racionalmente. como fruto de uma prática vil e egoísta. Ora. As leis norteavam as relações entre os indivíduos e desses com o Estado. Um mercado livre garantiria a igualdade a todos .

A burguesia foi a classe vencedora. para viabilizar esse trânsito. conflitantes entre si? Essas diferenças sociais tinham que ser consideradas. a burguesia conseguiu unificar esses diferentes segmentos sociais sob seu comando. acabou por criar o Estado liberal-democrático. Esse foi o único caminho que encontrou para assumir o poder: se auto-proclamando representante dos interesses da sociedade em geral. O processo revolucionário iniciado pela burguesia é complexo. a burguesia teve de adaptar seu programa revolucionário para atender aos interesses da maioria da população. a cultura. alterando a economia. se transformou em trabalhador livre. as artes. Na sua luta contra a nobreza. sendo obrigada a buscar apoio entre os operários e camponeses. as transformações burguesas exigiam a participação de muitos – da maioria da população. seria necessário a existência de um mecanismo por meio do qual a sociedade civil pudesse escolher os seus representantes. A economia capitalista liberou a propriedade privada para as atividades de compra e venda. No início. O servo. O homem. Agora. a que tomou o poder político e se transformou em classe dirigente. importante setor desse novo Estado. O partido político seria uma espécie de veículo que levaria a sociedade civil ao Estado. idéias e valores que constituem a sociedade moderna. a vida dos seus protagonista. Por isso. Mas. nada mais natural que o Parlamento abrigasse essas diferenças sociais e fosse. A revolução é uma grande revolução social. como instrumentos capazes de abrigar a enorme pluralidade de princípios políticos. Após a revolução burguesa. Os partidos políticos surgiram. a sociedade capitalista introduziu o voto censitário. De certa maneira. é que a democracia foi possível. O direito ao sufrágio universal foi uma invenção da burguesia revolucionária. O Parlamento recebia os representantes da sociedade civil através de certas organizações políticas chamadas partidos. Não era a sociedade civil composta por classes e segmentos sociais diferentes. portanto. Somente naquelas em que a burguesia entrou em choque direto com a nobreza resistente. a partir do século XIX. ao implantar um regime político mais aberto. contraditório. Nem todas as sociedades capitalistas estabeleceram imediatamente a democracia liberal. enfim toda a sociedade. antigo trabalhador rural. Mas a revolução não pode ser resumida em um mero embate militar. dotado de plena racionalidade. com a tomada do poder político por essa ou aquela facção. cheios de avanços e recuos das forças sociais envolvidas. . A propriedade rural passou a ser comprada e vendida sem as limitações feudais. a política. o Parlamento ganha um novo papel no interior do Estado: o de representante legítimo da sociedade civil.também para os avanços de outra classe social – o proletariado. O ESTADO LIBERAL-DEMOCRÁTICO A burguesia revolucionária rompeu as restrições feudais e. Esse mecanismo seria a eleição – com o direito de voto extensivo a todos os cidadãos. passou a ser visto como dono do próprio destino.

na Europa. Esse fechamento será por tempo determinado e se chama estado de sítio. prevista pela Constituição liberal e contando com um dispositivo legal. mas isso não se estende a toda . isto é. Isto é o que se chama de golpe de Estado. A contradição entre burguesia e proletariado nunca desapareceu. Dessa maneira o Estado liberal atinge a soberania total e inquestionável. sendo. Mas é ao governo central (o Executivo) que cabe o controle do aparato de força tanto policial quanto militar. o direito do sufrágio universal. O Poder Executivo (governo central) sobrepujava em poder os demais setores do Estado. o Parlamento deixava de ser o centro das grandes decisões políticas e perdia importância apesar de continuar existindo no Estado liberal. A história do Estado liberal e democrático sempre foi cheia de contradições. através de um censo. Uma vez que se acentuavam as pressões da classe operária contra a dominação burguesa. enfraquecendo o Parlamento. Durante o século XIX. Porém grande parte das conquistas da classe operária não perdurava. Mas foi no século passado que o proletariado começou a andar politicamente com as próprias pernas – quando enfrentou a burguesia num processo de luta contra a exploração e por seus direitos de homens e cidadãos. que executa as ações segundo leis elaboradas pelo Poder Legislativo com o Poder Judiciário zelando pelo cumprimento das mesmas. o próprio Parlamento vota pelo seu fechamento. Uma delas foi o voto universal masculino. A própria Constituição liberal traz em si essa desigualdade entre os três poderes. foi uma reivindicação sempre presente nas lutas do proletariado. sem restrições de renda. há a suspensão de todas as garantias e direitos dos cidadãos.com isso ressuscitava um velho princípio do Direito Romano que só atribuía o direito de voto àqueles que. ao conter uma relação profundamente contraditória entre eles. Ele não deixa de interferir totalmente na atividade econômica e estabelece uma democracia restrita.Nesse caso. criando uma verdadeira ditadura do Executivo. inclusive. fossem classificados como proprietário. dando todos os seus poderes ao governo central. nem mesmo quando se aliaram para derrotar a nobreza. Alcançaram algumas vitórias. para enfrentar uma situação de crise social. O conflito entre os poderes é perene. Quando a crise afeta as estruturas do Estado liberal. até porque reflete muito bem a maneira de ser da vida social no sistema capitalista. O curioso é que esta situação política poderá ocorrer com a aquiescência do próprio Parlamento. garantindo uma cidadania plena para a burguesia e para certos segmentos sociais. não garantem um divisão de poderes iguais entre as partes constituintes. A forma de Estado liberal. Daí o nome de voto censitário. composto por um governo central. o governo central pode fechar o Parlamento e manter o Judiciário sob controle por tempo indeterminado. Se as contradições entre as classes sociais se acirram a tal ponto de conflitar ainda mais as relações entre os três poderes. e não encontra um Executivo forte para dar um golpe de Estado.

mesmo na Constituição de 1988. Os partidos políticos não debatem essas ações que tanto afetam nossas vidas. supostamente a mais parlamentarista das nossas Constituições. Isso se verifica por exemplo. nunca deixou de influenciar decisivamente na economia capitalista. o Estado reaparelha suas Forças Armadas com novos armamentos de certos produtos da indústria metalúrgica. Podemos elucidar um pouco mais essa questão política com um painel formado por três concepções teóricas. quando. de tempos em tempos. O mesmo ocorre com as demais obras sob a responsabilidade do poder público. Essa ocorrência revela uma das principais características da organização do poder no interior do Estado brasileiro: a existência de um poder Executivo ( governo central que impõe suas decisões ao Legislativo). mas aí “Inês é morta”: a população já havia sofrido lesão aos seus direitos. apesar da grande discussão realizada no interior da Constituinte de 1934. ele capta recursos e investe no desenvolvimento econômico para garantir a manutenção desse sistema social. a segunda e a terceira explica crítica e diferentemente o processo dessa centralização. o Poder Judiciário era acionado para decidir sobre a legalidade ou não da referida medida. através de um medida provisória – ato do Poder Executivo que pode ter força de lei . o Parlamento nacional acatou-a. isso acontece porque o Legislativo se apresenta como um poder subserviente ao Executivo. Já no início da década de 30 a tese centralizada saiu vencedora. Os recursos arrecadados pelo Estado sempre foram de grande valia quando voltados para a busca de soluções para as crises do sistema capitalista desde o seu desenvolvimento inicial. Na visão do analista político. Não é correto analisar o Estado liberal somente como mero protetor da propriedade privada capitalista. Por sua vez. A primeira irá justificar a centralização do Pode Executivo. Em 1889. . A presença do autoritarismo na vida política brasileira fica patente ante a constatação de uma excessiva centralização de poder no Executivo. Pouco depois. mesmo desconfiando da sua constitucionalidade. um grupo de republicanos liberados por Deodoro da Fonseca defendia a necessidade de um Poder Executivo adepto ao regime federativo – que dava maiores poderes aos Estados componentes da nação a seus representantes no Congresso Nacional. Bem mais que isso.bloqueou as contas bancárias e as cadernetas de poupança da população.sociedade. Mas discutir centralização ou descentralização do poder político no Brasil leva-nos a tempos remotos. por exemplo. e um retorno à situação anterior seria quase impossível. CAPITULO II ASPECTO DO SISTEMA NO BRASIL Na época em que o presidente Fernando Collor de Melo. os partidos políticos estão ausentes no momento das grandes decisões. Por mais que o Estado liberal tenha sido o fiador de uma política de não-ingerência.

gerando-lhe força e grandeza.). conciliando seus interesses particulares e arbitrando todas as questões por meio das corporações – daí o seu nome Estado corporativo. impondo-lhe disciplina. . A crise econômica em 1929. por atribuir a ele a causa principal da crise moral endêmica do país. defendeu a implantação de um Estado cujo Poder Executivo fosse altamente centralizador ao tomar suas decisões políticas. Foi durante o governo provisório de Vargas ( 1930-34) que ocorreram a República Paulista de 1932 e os movimentos políticos dos segmentos sociais médios (Integralismo. Sob as influências do positivista e ideólogo da República Alberto Torres (1865-1917). Ao desenvolver o capital industrial já presente no chamado “complexo cafeeiro”. no decorrer de várias décadas contribuindo decisivamente para a construção da indústria de bens de capital. os movimentos políticos (o tenentismo.PELA CENTRALIZAÇÃO DA POLÍTICA Nos anos 30. 22 A centralização política exigida pela industrialização da economia atingiu o auge com o golpe de Estadode 1937 levado a efeito por Getúlio Vargas. Oliveira Vianna criticou o artificialismo dos valores culturais que permeavam a sociedade. Um Estado com Executivo forte seria um organizador da nação. Oliveira Vianna (1883-1951). após 1930. fomentando. com a criação. deveria por fim aos conflitos sociais entre os empresários e trabalhadores. E Depois. um dos primeiros cientistas políticos brasileiros. pela industrialização. dessa maneira. O indivíduo se subordinaria ao grupo social e aprenderia a obedecer ao Estado. O Estado se preparou para essas transformações econômicas e políticas. Oliveira Vianna criticou o Estado liberal oligárquico (1889-1930) no Brasil. por ver nele a síntese de uma sociedade sem a menor identidade. do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). principalmente com os Conselhos Técnicos. etc. É com a queda da República Velha que o Estado no Brasil dará um grande passo à industrialização da economia capitalista. em 1938. Esse Estado. o sentimento nacional na população. que terão grande influência na Constituição de 1934. Aliança Nacional Libertadora. segundo Oliveira Vianna. as ações do Partido Comunista do Brasil) e a falência da política da burguesia oligárquica levaram o país a importantes mudanças. ponto que seu republicanismo federativo impedia que o homem brasileiro viesse a integrar um projeto nacional. ordem. Essa política econômica produziu-se e será produtora dos inúmeros conflitos no interior da burguesia brasileira. a burguesia lutará.

a partir daí. Em suma. na organização sindical. a lealdade dos súditos. faz parecer que a sociedade civil lhe é uma permanente devedora. O Estado patrimonial português se edificou no conjunto de certas informações históricas coroadas pelaRevolução de Avis em 1383-1385 (D.. juristas. tem no Estado uma espécie de credor de toda base material da sociedade (a nobreza compra os seus cargos para ocupar a estrutura do poder) e. Assim esse estamento não aparece como uma burocracia moderna – o aparelhamento racional. na Justiça do Trabalho. entendidas como organizações profissionais com base nos Conselhos Técnicos. dos grupos sociais. Com essas providências. por isso age acima das classes. através desse estamento burocrático. racionalizando sua prática administrativa. modificando suas estruturas internas.As corporações. resiste ao tempo histórico. A dominação patrimonialista corresponde a uma estrutura política cuja subordinação dos atores sociais é determinada por dependência econômica e por sentimentos de lealdade aos governantes. elaborando normas jurídicas sem ouvir as instituições da sociedade civil. Perde o rei. O funcionamento dessas corporações daria origem a uma elite administrativa que governaria o país acima dos interesses das classes. interferindo na economia. etc. o regime democrático. de outro. viabilizando. São relações de reciprocidade entre dominantes e dominados que. Presente em todo o capitalismo mercantilista. As reflexões de Oliveira Vianna influenciariam em grande medida de edificação do Estado de Vargas permanecendo vivas ainda hoje no pensamento político conservador. deveriam substituir o Parlamento. etc. especializando cada vez mais seus estamentos burocráticos (administradores. o Estado patrimonialista se alterou com as transformações do sistema capitalista. é um Estado que se movimenta com enorme autonomia em . João Mestre de Avis). ocupação de cargos por meio das premências do poder político. BMais tarde esse Estado passou a ser o principal responsável pelas grandes navegações e pelos descobrimentos portugueses – e foi desse modo que se aportou em terras brasileiras. de um lado. AS RAÍZES DA CENTRALIZAÇÀO POLÍTICA NO BRASIL Que razões encobertas existiriam na sociedade para impedir a construção de uma democracia em nosso país? Por que o Estado autoritário é um presença constante? Vasculhando a fundo o nosso baú. militares). O Estado. O Estado patrimonial desenvolveu um estamento burocrático mais pela apropriação de cargos do que pela especialização dos seus ocupantes. Ou seja. Faoro retira dele a tese da herança portuguesa para explicar a forma de dominação política no Brasil. delimitando as atividades comerciais. Portugal teria nos legado uma forma de dominação patrimonialista com implicações na época contemporânea.

1986. O Estado patrimonialista se afirma como todo o seu aparato (Conselho de Estado/estamento burocrático/Senado) para realizar a economia mercantilista. na história da sociedade brasileira vamos encontrar certas oscilações da dominação patrimonialista. com uma economia sustentada na mão-de-obra escrava e voltada para a exportação de matériasprimas. É a sociedade civil que constrói. No Brasil contemporâneo.relação às forças da sociedade. influências. o protecionismo. a política de Joaquim Murtinho. com seu Executivo altamente centralizador dirige os investimentos econômicos estatais ou privados. as intervenções estatais que distorciam a política econômica liberal. na livre concorrência e na livre profissão. Até 1930. etc. garantias de juros. instituições. Ianni inicia sua análise colocando o Estado como parte de uma investigação mais abrangente. que inclui a sociedade civil. no Brasil a sociedade civil se compõe mais de “súditos” do que de cidadãos. ministro de Campos Salles (1898-1902). o comércio e a administração estatal estão fortemente ligados. Seu estamento burocrático é tão poderoso que pode até ganhar certos “ares” aristocráticos. Segundo Faoro. mas a sua ação também modifica o tecido social. o sistema de produção capitalista constituiu um Estado que condensa os interesses materiais e políticos de certas classes e . o liberalismo econômico travará uma luta dissimulada contra as medidas mercantilistas. Não se compreende o Estado sem o conhecimento da sociedade com suas classes. seus sindicatos. entre 1891 e 1906. No século XIX. Já na República. e no Estado mais de “donos” do que de representantes políticos da população. etc. tutela as principais manifestações das classes. Ao dirigir o capitalismo destrói a autonomia da empresa e anula o espaço das liberdades públicas fundadas no livre contrato. grupos sociais. política e econômica. Para Raymundo Faoro. O Estado burocrático. Mas a crise econômica de 1929 sela a sorte do liberalismo da República Velha: a permanência de certas raízes da dominação patrimonialista parece mais adequada ao nosso sistema capitalista. A CRÍTICA HISTÓRICA DA CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA O sociólogo Octávio Ianni publicou dezenas de livros e artigos sobre a realidade social. quando o sistema caminha da fazenda para a cidade. Entre os seus livros. Quase desaparecem as manipulações financeiras. impôs alguns obstáculos aos instrumentos patrimonialistas da política econômica. O Estado não pode ser entendido em si mesmo como setor isolado da vida social. ou seja. destacamos um que sintetiza seu pensamento sobre o Estado brasileiro: Classe e nação.

como jornais. timidamente. a burguesia no Brasil não realizou uma revolução democrática. 1937-45). não precisou derrotar uma nobreza com o apoio das forças populares. podia proceder dessa forma por que a “revolução” capital era do cunho conservador. porém funcionará bastante atrelado às determinações do Poder Executivo. mas o Estado. Dessa maneira. Ampliam-se as responsabilidades estatais com a educação e. tutela certos organismos da sociedade civil. Aquela parcela da burguesia que no “complexo cafeeiro” possuía capital agrário e industrial reclama modificações significativas no Estado. Se uma pequena fração dos trabalhadores e da baixa classe média chega a se beneficiar com essas medidas adotadas pelo Estado capitalista é porque a economia as impõe. rádios. Na República Velha era o Estado que protegia os interesses da burguesia agrária cafeeira com empréstimos financeiros externos a uma política cambial para a sustentação dos preços do café no mercado. aliada à estrangeira. sempre contou com o Estado para o desenvolvimento do capitalismo.grupos. a classe burguesa se alterou internamente. O Executivo desse Estado capitalista se aparelha para introduzir. etc. manteve as principais características. projeta a Hidrelétrica de Paulo Afonso. portanto. Em “Classe e Nação” Octávio Ianni acredita que a prevalência do Estado com as características já mencionadas tem a ver com a natureza do capitalismo . O Estado implanta uma enorme rede administrativa. as mais importantes levaram à centralização do poder político no Executivo. através da censura controla os meios de comunicação. etc. ao precisar de mão-de-obra qualificada para produção e prestação de serviços. a sociedade civil desata o nó da gravata. de forma autoritária. que burocratizou as decisões tomadas com dois planos de desenvolvimento. Para o autor. do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Em outras palavras. mesmo alterando um pouco a sua estrutura. o Estado liberal oligárquico da burguesia. Posteriormente. Essa nova intervenção do Estado na economia requereu transformações no seu âmbito interno. lança as bases definitivas para a industrialização de nossa economia.. O Parlamento se reconstitui com a redemocratização em 1946. as ditadas pela saúde pública. civis e militares. O crescimento desmesurado do Poder Executivo pode ser medido pela criação do Ministro do Parlamento. Depois de 1930. como os sindicatos e as organizações político-partidárias. nacionais e estrangeiros. Com a ditadura militar (1964-1985) o binômio Estado/capital foi mais uma vez decisivo no surto de industrialização da economia no Brasil. antes de 1930. Tudo isso tem haver com as necessidades dessa sociedade que se industrializa. (Estado Novo. o Estado instala a Campanhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda (1948). essas mudanças na sociedade. cria o Conselho Nacional de Petróleo. Além disso. O Parlamento Nacional sempre esteve distante desse processo político-econômico. A burguesia brasileira. funda a companhia Vale do Rio Doce. até porque não foram debatidas por um Parlamento (nessa época não tivemos eleições). reprimia qualquer movimento de trabalhadores ou camponeses que pudesse trazer ameaça aos capitalistas. Portanto.

. Isso significa dizer que o papel do Brasil na divisão do trabalho foi sempre subalternidade em relação aos países centrais. absurdamente desigual desde o inicio da colonização. da violência contra a criança. Essa condição implica. a industrialização do país. na qual toda nação sempre esteve submetida. a ocupação territorial com base em atividades extrativas e em monoculturas voltadas aos interesses portugueses com relação ao mercado europeu. Destarte somente a prática política das forças sociais antagônicas a esses interesses dominantes poderá transformar a essência do poder político. No Brasil. entraram em franca decadência. etc. e o golpe militar em 1964 deve ser relacionados as necessidades de expansão do capital oligopolista. no final do século XVIII. que após o ciclo do ouro. pela falta de habitação e emprego. existem diferenças profundas. nos deixou apenas alguns poucos e grandes núcleos urbanos espalhados pela costa litorânea (desde Belém até o extremo sul). A emancipação política em 1822 e a abolição da escravatura em 1888. uma situação opressiva. não obstante os muitos movimentos sociais terem lutado para a construção de uma sociedade melhor. o adulto. . e. a partir de 1930. como em toda sociedade desigual. foram plenamente compatíveis com a expansão inglesa no mercado mundial. por si só. estiveram sempre associados aos interesses do capitalismo internacional. Mas devemos ressalvar: nem todos sofrem a opressão no mesmo grau de intensidade. essa estrutura social. A atividade produtiva que não era voltada para a exportação tinha apenas caráter de subsistência da população escrava quanto à alimentação e ao vestiário e de pequenos serviços “industriais” nas áreas urbanas voltadas ao apoio da atividade (cíclica) principal. A colonização. CAPÍTULO III OS MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL DO BRASIL COLÔNIA AO BRASIL IMPÉRIO Os avanços observados em alguns momentos da história do Brasil. marcadas pelo analfabetismo.brasileiro. no âmbito econômico social e político. sem nenhuma interiorização. por exemplo. Com a exposição dessas três posições diferentes sobre a centralização do poder político. pretendemos demonstrar que esse debate parece ser sempre atual na realidade brasileira. portanto. pela fome. não proporcionou nenhum desenvolvimento interno e muito menos uma base que facilitasse o desenvolvimento industrial futuro. esteve associada à crise do capitalismo no período entre guerras. Em três séculos de colonização portuguesa. salvo algumas esparsas fazendas de gado no Sul e no Nordeste e alguns povoados no interior do Centro-Sul. ainda persiste.

o que levava os senhores de terra à falência e à dependência de empréstimos. na Revolução de 1817. não teve nenhum envolvimento popular significativo. mas mudará muito lentamente. Era um momento de queda do preço do açúcar no mercado internacional. Essas tendências apareceram separadamente em movimentos como a Inconfidência Mineira (1789). dadas as condições de entrave do sistema escravocrata. como influência direta da Revolução Francesa e da Independência do Estados Unidos. entre os quais. Na revolta de Beckman. As idéias de emancipação só ganharam força no fim do século XVIII e início do século XIX. por exemplo. no Maranhão.No período imperial essa situação mudará um pouco. conjuntamente. e a Conjuração dos Alfaiates (1798). nem para a Guerra dos Mascates (1710-1711). a emancipação implicava a autodeterminação de organizar uma sociedade de homens livres. a emancipação política do Brasil seria bem-vinda. e. o movimento deu-se por encerrado. desde que significasse a manutenção de seus privilégios. Para alguns. colonos e assalariados. Para outros como a “classe média” letrada e segmentos da “classe baixa”. em Minas Gerais. Se esse objetivo pode ser inferido do movimento que resultou na expulsão holandesa em 1654. em Pernambuco. A Guerra dos Mascates teve aspectos semelhantes. a esmagadora maioria da população. cujos credores eram comerciantes portugueses sediados no Recife. composta de escravos. couro) como pagamento dos produtos importados. na Bahia. a insatisfação com a opressão portuguesa foi dirigida contra a Companhia do Comércio. Os movimentos sociais do período colonial tinham como motivação comum a opressão econômica e política exercida por Portugal. o que indicava sobretudo a manutenção do sistema escravocrata. devido ao aumento da população e dos serviços. como os senhores de terra. Seu objetivo era atender os interesses dos . semilivres. além de recusar os produtos locais (açúcar. funcionários públicos e pequenos produtores agrícolas e de uma “classe baixa”. Mas essa motivação. Substituída a Companhia e atendidos os latifundiários. a estrutura social resultante de quase quatrocentos anos de história era de uma “classe dominante” composta de senhores de terras e escravos. não se traduziu em objetivos de emancipação política. até meados do século XVIII. que mantiveram suas terras. e em face da própria inserção gradativa do país no mercado mundial. trabalhadores. tabaco. que não fornecia os escravos necessários às fazendas. em Pernambuco. No final do Império. o movimento também terminou sem que houvesse nenhuma alteração nas relações com Portugal e muito menos na estrutura social e produtiva interna. não é o caso de assim o considerarmos para a Revolta de Beckman (1684-1686). uma “classe média” de militares. Atendidos os interesses dos latifundiários. cacau. A Inconfidência Mineira foi um movimento que. profissionais liberais. embora veiculasse idéias liberais e propusesse a implantação da República. trigo e vinho.

então sediado no Brasil tinha fortes fundamentos para sufocar a jovem República. abordado. muitos mulatos e negros. Talvez tenha sido um movimento gerado antes do tempo e. (pois condicionara o reconhecimento do novo Império à aceitação pelo Brasil da dívida externa portuguesa) além do comprometimento brasileiro com a abolição do tráfico de escravo. credora do Brasil a partir da Independência. de ambos os lados. . A Confederação do Equador em (1824). implantou-se em Pernambuco aquele que seria a tentativa de formação de um governo brasileiro: a República de 1817. foi decisivo para sufocar a Rebelião. difundindo os ideais republicanos com grande agitação. foi o primeiro movimento de vulto após a Independência. Mas o governo português. por exemplo. maçons e povo -.senhores quanto a impostos. mas preservando o sistema escravocrata. Assim. que embora com o propósito comum envolvendo-se com tropas. sobretudo no Primeiro Reinado e na Regência. A Inglaterra. a afirmação dos interesses regionais diante de um governo regencial arbitrário e centralizador. como os artesãos e os alfaiates. com a participação de todos os segmentos sociais. Por 75 dias a província viveu sem o domínio português. Os movimentos sociais do período imperial. foram marcados pela resistência em aceitar a independência nos moldes em que foi feita. entre os quais. que passaria a influenciar diretamente a nova nação. passaria a acompanhar de perto o desenvolvimento brasileiro. Em todos eles. a liderança do movimento para a gente simples. Alagoas e Maranhão. A elite intelectualizada perdera. Estabelecia um Estado separado do Império com sistema federalista e republicano e como governo representativo dividido pelo Executivo e pelo Legislativo. Em março de 1817. menos de escravos. Por um lado o caráter heterogêneo dos segmentos sociais envolvidos – senhores da terra. as tendências liberal e conservadora se fizeram presentes num conflito ideológico em que se buscava. a Conjuração dos Alfaiates foi um movimento com grande participação popular. Havia ficado claro para os diversos segmentos sociais. que a Independência fora fruto de um arranjo político para acomodar os interesses das elites locais e da Inglaterra. padres. de modo geral. influindo no retardamento ou no avanço de questões relacionadas aos seus interesses expansionistas. no processo. Bahia. em especial para os liberais. por si mesmo. os mesmos fatores que haviam pesado no fracasso da Revolução de 1817 voltaram a ser decisivos para o fracasso da Confederação. Mas com um dado que abalava os interesses das elites latifundiárias: a proibição do tráfego de escravos no porto de Recife. A PARTICIPAÇÃO POPULAR NA LUTA PELA EMANCIPAÇÃO Ao contrário da Inconfidência. Na década de 1830 muitos movimentos explodiram quase simultaneamente em todo o Império. Foi um movimento com um projeto revolucionário que propunha o fim da sociedade escravocrata e todos os privilégios de classe (o que ia além da sociedade liberal). em Pernambuco. O movimento espalhou-se rapidamente para o Ceará.

por outro lado. indo até esse limite. poder se apoiava nas oligarquias agrárias. no Pará. colocava-se em posição aparentemente irreconciliável aos interesses dos latifundiários e. esse movimento na verdade. Paraíba. a política de impostos expunha o Rio Grande à concorrência desfavorável com os produtos argentinos e uruguaios. E. ilustra bem estas manifestações de revolta. assim as posições radicais manifestadas em muitos movimentos da fase imperial serão mais bem compreendidas como manifestação de revolta dos assalariados. A posição liberal. Por trás desse aparente motivo. no interior do Nordeste (Pernambuco. com o não-direito à terra. portanto. o côvado. Rio Grande do Norte e Ceará). Entretanto. no Maranhão. ao negar o sistema escravocrata. por medidas novas como o metro. a arroba. ao tomar as bandeiras do liberalismo em movimentos como a Cabanagem (1835-1837). escravos e trabalhadores semilivres – dado o quadro de miséria e exploração a que estavam submetidos – e não propriamente como resultado de uma visão crítica do sistema social.. ou ainda a Praieira (18481849). as extrapolava para um ideal anarquista. Foi o que ocorreu. medidas antigas.A posição conservadora assumida pelos senhores de terras implicava numa prática política de manutenção do sistema escravocrata. não pelos próprios liberais. bem além das posições liberais. lutava contra a opressão. Todavia pensar na difusão de um ideário socialista numa sociedade que se assentava no sistema escravocrata e que ainda estava longe de realizar sua revolução burguesa – o que efetivamente só ocorreu em 1930 . Não havia projeto político que contemplasse os interesses da maioria da população. assim. monopolizada. bastava que as soluções do governo central lhes fosses favorável para que os conflitos ideológicos com os liberais aflorassem. Mas as posições liberais também tinham limites e estes foram muitas vezes ultrapassados. com a Revolução Farroupilha (1835-1845). etc. por exemplo. em Pernambuco.soava um tanto exótico para a época. AS IDÉIAS LIBERAIS E OS INTERESSES DOMINANTES Os rompantes de republicanismo dos conservadores não iam. o litro e o quilo. Com o pretexto de substituir a jarda. essa população ficou sujeita à dominação das oligarquias agrárias conservadoras e das elites liberais que num processo político autoritário se sucederam alternadamente nos gabinetes ministeriais da . além da manutenção dos seus interesses. ou a Balaiada (1838-1841). Se em muitos movimentos latifundiários os rebeldes se indispuseram com o governo central. Assim. O movimento do “Quebra-Quilos” (1874). o fato se devia ao descaso do governo com as províncias. mas pelo povo. que. suas posições eventualmente coincidiam com as posições dos setores liberais. aos da Coroa cujo. estava a insatisfação com os impostos. na sua maior parte improdutivamente pelos latifundiários.

acomodando-se. criado na miséria do sertão nordestino e oprimido pelos senhores de terras e pela natureza. e para quem a estrutura do sistema escravocrata dificultava a expansão do café. 1º. Canudos tem sua importância destacada não apenas pelas derrotas sucessivas que impôs as expedições militares. e. ele veio atender tanto os interesses externos. os caboclos resistiram a essa medida construindo uma vila onde se vivia em igualdade e se lutava pela terra. OS MOVIMENTOS SOCIAIS NA REPÚBLICA E A CIDADANIA Já no primeiro governo da República. o presidente. sob o controle das oligarquias agrárias. desrespeitou a Constituição que acabava de ser promulgada e dissolveu o Congresso. visto que. portanto. Art. marcaria o tom com que os governantes tratariam os movimentos sociais anos seguintes. Primeiro. que declarava livre todo escravo acima de 65 anos. – “Revogam-se as disposições em contrário”. que extinguiu o tráfico de escravo no Brasil. que nessa época já não era mais açucareira . se fez sem lutas. o processo de abolição da escravatura se fez lento e penoso. que precisava ampliar seu mercado). que veio em seguida (1889). em 1888. tudo é para gente da Oropa”. a violenta repressão ao movimento de Canudos (1893-1897). Essa cultura política autoritária. que declarou livres os filhos de escravas a partir daquela data. onde todos trabalhavam e a produção era distribuída conforme as necessidades de cada um. como parte dela. na divisa do Paraná com Santa Catarina. Não obstante. Esse processo. construiu uma comunidade sem política e sem impostos. tanto assim que a República. na Bahia. Desse modo apesar das lutas e dos levantes que ocorreram na segunda metade do século XIX. que se acreditava ter chegado com a República. precisariam ainda ser conquistados. catorze anos depois (1885)veio a Lei Saraiva-Cotegibe. .monarquia parlamentarista do Segundo Reinado. em especial.“É declarada extinta a escravidão no Brasil”. a Lei Áurea. 2º. Esse fato é ilustrativo do caráter autoritário da sociedade brasileira e. que sob a liderança de Antônio Conselheiro. marechal Deodoro da Fonseca. como aos interesses internos da própria oligarquia. Uma carta encontrada no bolso de um caboclo morto dizia: “Nós não tem direito de terra. cite-se os movimentos sociais que ocorreram ao longo desses cem anos de República. ainda no final do século XIX. . cujo desenvolvimento demandava mão-de-obra mais qualificada. mas também pelo exemplo de um povo rude. mas cafeeira. finalmente. conjuntamente à evolução do desenvolvimento brasileiro. No início da República. Expulsos das terras que foram cedidas ao grupo americano Percival Farguhar para a construção de um estrada de ferro. a Lei do Ventre livre (1871). a Lei Eusébio de Queiroz (1850). (sobretudo da Inglaterra. Movimento semelhante foi o do Contestado (1912-1916). de suas elites governantes. que apenas em dois artigo extinguiu a escravidão: Art. depois. e. os direitos da cidadania . apesar da resistência. foi concluído sem nenhum trauma.

de manifestar-se livremente e de decidir sobre a própria vida. vivenciada na relação conflituosa com os outros. Uma questão sobre cidadania é que ela não se refere apenas ao gozo de direitos – direito de satisfazer as necessidades tendo acesso aos bens socialmente produzido. muitos já existiam de fato. e. mas também da necessidade de se conquistarem direitos e de fazer com que as leis expressem esses direitos e sejam respeitados. Sintomaticamente. organizada pela Imperial Associação Tipográfica Fluminense. alcançando. desligada dos partidos e voltada para as questões econômicas. pela redução da jornada de trabalho. De um lado. naqueles anos. a orientação do movimento operário delimitava suas lutas na ação direta. os trabalhadores gráficos do Rio de Janeiro realizavam sua primeira greve por melhores salários. o que parece óbvio e simples. em 1913 e em 1920. que trouxe a perspectiva de uma revolução proletária do Brasil.A luta pelo terra não decorre apenas da necessidade de se conquistar um pedaço de chão para trabalhar. Nessa fase. Assim. pela revogação da lei de expulsão dos estrangeiros (proibidos de participar de lutas sindicais) e pela reivindicação da readmissão de companheiros demitidos sucederam-se ao longo das duas décadas. trazendo a diminuição e o achatamento salarial. inclusive. Após essa greve seguiram-se outras de diferentes categorias profissionais que também perceberam a necessidade de lutar por direitos. o ponto alto das mobilizações. entre 1917 e 1920. com a participação de 31 entidades de vários Estados. de locomover-se . pela regulamentação de trabalho de mulheres e crianças. Do outro lado. as greves por melhores salário. Dois outros mais ocorreriam. Os sindicatos surgiram nos primeiros anos do século influenciados pelas idéias anarquistas trazidas pelos imigrantes europeus e que marcariam o movimento operário de forma majoritária até o início dos anos 20. Desde o início do século. dois fatos externos refletiram na vida brasileira. o governo regulamentou a organização dos sindicatos urbanos. na qual o direito e o dever estão intimamente associados. Já em 1858. A cidadania implica o respeito ao direito dos outros. pelo descanso semanal. Quando em 1907. sem abandonar a defesa dos poucos direitos políticos existentes. . haviam realizado o I Congresso Operário Brasileiro em 1906. a mobilização e a organização operária foram intensas. em conjunto. mas também ao dever de exercê-los. Foi o início do processo de formação da classe operária e de sua organização. o êxito obtido pela Revolução de 1917. porque pressupõe o reconhecimento da diversidade. mas não é. direito de dispor do próprio corpo. a breve recessão provocada pela Primeira Guerra Mundial. na Rússia. O MOVIMENTO OPERÁRIO E A LUTA POR DIREITOS O movimento operário percebeu cedo essa questão.

etc. que aglutinou diversas confederações. Um ponto alto do processo de mobilização e organização dos trabalhadores foi a criação. em 1962. que significou a extensão da legislação trabalhista ao meio rural. implicou na institucionalização das relações entre capital e trabalho. com relação aos direitos de cidadania. o nãoacompanhamento do aumento do custo de vida pelos salários levou ao crescimento dos conflitos entre capital e trabalho. com prisões e expulsões de estrangeiros. devido ao limitado avanço no campo das conquistas obtidas e à pouca mudança em relação ao quadro de opressão a que estavam sujeitos os trabalhadores dentro e fora das fábricas. do salário mínimo. Todavia. do Estatuto do Trabalhador Rural. A conclusão a que alguns estudiosos chegam sobre o movimento operário na Primeira República é a de que. A mudança do eixo econômico de agrário para industrial com o estado à dianteira. passava a controlar o movimento através do Ministério do Trabalho. ao mesmo tempo que o Estado atendia às reivindicações que os operários já vinham fazendo desde o início do século (aparecendo para os trabalhadores como protetor. dessa vez sob a influência dos comunistas. As crescentes mobilizações do meio urbano e rural proporcionaram conquistas importantes para os trabalhadores. como. da organização social. entidades . por exemplo. o movimento operário entraria numa fase de refluxo. Entretanto. a promulgação. a partir dos anos 50. Assim. por exemplo. do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). apesar das muitas lutas. com a definição. as reivindicações nas greves eram sempre as mesmas. o movimento operário voltaria a crescer. No final dos anos 20. questão que passaria ao controle quase total do Ministério do Trabalho. que passariam a exercer a hegemonia no movimento operário daquele momento em diante. ao contrário dos governantes anteriores a 1930). problemas decorrentes das condições de vida nas cidades foram agravados com o crescimento industrial intensificado. que houvessem houvesse resultados práticos efetivos. Indústria e Comércio. em 1963. com entrada do capital externo na economia brasileira. o crescimento verificado no movimento operário foi barrado pelas reformas promovidas a partir da Revolução de 1930. Somente a partir de 1945-1946 o movimento operário voltaria a crescer.. Assim. em 1920.Mas. num clima de relativa liberdade. proporcionado pela Constituição liberal que vigorou em 1964. restringindo quase por completo suas ações políticas. ampliando o seu raio de ações ao abranger questões políticas a partir da articulação com os partidos da esquerda – partido Comunista do Brasil (PCB) e Partido Socialista do Brasil (PSB). após as violentas repressões nas greves daqueles anos. entretanto. federações. da jornada de oito horas diárias.

 A ascensão de uma classe inferior a uma superior não é aberta nem fácil. pela quantidade de riqueza que o indivíduo possui. etc. Ligas Camponesas do Brasil. Surgida em 1954. o movimento estudantil. isto é. minoritárias. o movimento de trabalhadores rurais. ESPECIFICAREMOS AGORA. os diversos movimentos sociais. Assim. em Pernambuco. prestígio profissional. A estratificação pode-se apresentar de três formas básicas: por casta. propriedade. a reforma urbana e a reforma universitária. por estamento e por classe. movimentos populares e os movimentos de categorias específicas. unificaram-se em torno de lutas gerais como a reforma agrária. entre os quais o movimento operário. apesar de muitas dissidências internas quanto à orientação ideológica. passando a comandar o movimento operário em nível nacional Nesse processo. Cuja bandeira de luta era: “Reforma agrária na lei e na marra”. Segundo Maria Isaura P. consomem os mesmos produtos. apoderam-se das profissões de maior prestígio e são formadas pelos indivíduos mais ricos. CAPITULO IV A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL E SUAS FORMAS Por estratificação social entende-se o processo segundo o qual indivíduos e grupos são situados de forma hierárquica. as características do sistema de classe são as seguintes:  O lugar dos indivíduos na hierarquia social é determinado por sua situação econômica: renda. vindo a ser denominadas. . nos anos 60. em camadas sobrepostas. a classe é considerada a forma de estratificação mais aberta. etc.  Os indivíduos com a mesma posição na escala social recebem as mesmas informações. Determinada economicamente. as Ligas se espalharam para outros Estados. de Queiroz. Os que estão numa posição elevada resistem à ascensão dos que estão em posições inferiores. Teoricamente permite maior mobilidade entre uma camada e outra: quem nasce pobre e fica rico muda de classe. em 1963.  As camadas superiores.  As camadas superiores exercem autoridades e controlam as camadas inferiores. Estratificação por classe. A ESTRATIFICAÇÃO POR CLASSE. denotando uma crescente participação nas discussões dos problemas nacionais. há que se destacar o movimento das ligas camponesas.intersindicais e de pactos de unidade.

outros são assalariados. com outros níveis sociais.  A luta de classes manifesta a ambigüidade das classes médias. trabalhadores. honrarias. Essa tensão pode manter-se em nível inconsciente.212-4). Polarização. embora pudesse não desfrutar do poder político. seus interesses não coincidem com os das classes superiores. Os indivíduos fazem parte de determinada classe.. São as condições objetivas que definem as posições de classe de cada indivíduo e os . o sistema de estratificação se faz de acordo com três ordens: econômica. as três ordens estão associadas: quem detém o poder econômico. mas é com estas que querem identificar-se. Marx previu uma crescente polarização entre as duas classes básicas: de lado estariam os capitalistas ou a burguesia e de outro lado estaria o proletariado. Poder . mas pode haver uma tomada de consciência e um despertar para a luta de classes. com as relações de produção. estima. oportunidades de vida. Teoricamente. máquinas. Segundo Marx Weber (1864-1920). Entretanto. p. segundo a concepção de Weber. Existem pontos de tensão entre os extratos sociais. Embora o sistema seja mais complexo. aparentando uma harmonia social. isto é. O exame da estrutura social de produção permite identificar quem depende de quem. social e política. em conseqüência da organização da produção. Classes objetiva e classe subjetiva.cit. aquisição de bens. desfruta de status social elevado e controla o poder político MARX E AS CLASSES SOCIAIS De acordo com Broom e Selznick (Op. etc. o que se observa é que. quem tem recursos e quem não tem. alguém poderia pertencer à classe superior apenas por sua situação econômica. a teoria de Karl Marx (1818-1883) sobre as classes sociais pode ser resumida em seis elementos: Origem das classes sociais: As classes originam-se do modo como o trabalho está organizado. SEGUNDO WEBER ORDEM Econômica Social Política AGRUPAMENTO Classes Grupos de status Partidos PRINCÍPIO DE ESTRATIFICAÇÃO Produção. Alguns são proprietários dos meios de produção (terras. fábricas. geralmente. No quadro. quem domina e quem é dominado. São duas as principais classes sociais: os proprietários dos meios de produção e aqueles que trabalham para ganhar um salário. estilo de vida. Consumo de bens. dinheiro). composto por trabalhadores que nada possuem além de sua força de trabalho. temos o agrupamento e o princípio de estratificação de cada ordem: MODELO DE ESTRATIFICAÇÃO.

ECONÔMICO E POLÍTICO A Terra em poucas mãos Apesar da imensidão do seu território (850 milhões de hectares). etc. Não haverá mais classes pois os meios de produção serão de todos e não de alguns e a economia será planejada de acordo com as necessidades de todos. com grandes áreas improdutivas: 2. (Cf. pois isso não modifica sua posição de membro do proletariado. será instalada uma nova organização social. modificam as relações de produção e assumem o poder. considera-se que os governos modernos dos países capitalista são burgueses. seus interesses estarão em conflitos com os interesses do patrão.1% de pequenos proprietários ficam com apenas 23. A História se renova continuamente através da luta de classe.8 milhões de famílias rurais sem terra.seus interesses. As novas classes desafiam as velhas. a burguesia foi progressista ao se opor ao feudalismo. Por isso. Com isso. a sociedade sem classes.Paulo. Assim. greves são reprimidas. enquanto 89. a burguesia passou a tornar-se reacionária. Com a vitória do proletariado sobre a burguesia. O fim do sistema de classes. e a participação política do proletariado é definida para que não se tome o poder e modifique as relações de produção.7% das terras.8% de grandes proprietários detêm 56. Classes progressistas e reacionárias. o Brasil ainda não fez a reforma agrária e a terra continua concentrada em poucas mãos. se ele for assalariado. Os sindicatos são regulamentados pelo governo. A econômica dominante controla toda a sociedade inclusive o governo. porque servem aos interesses dos capitalistas e não ao proletariado. o proletariado. pois atuava da mesma forma que os senhores feudais que tentam impedir o avanço da História. Folha de S. Mas. mantendo a situação que lhe é favorável e lutando contra a tomada do poder pelo proletariado. Como o proletariado engloba a maior parte da sociedade. A política está subordinada a economia e os conflitos sociais importantes ocorrem entre a classe dominante e a classe dominada. contrária a mudança. o governo burguês (capitalista) tenta controlar suas organizações. Não adianta um operário pensar que é de classe média. Assim. organizar novas formas de produção industrial em grandes fábricas e apoderar-se do poder político. Domínio de classe e luta de classes. quaisquer que sejam seus desejos ou sentimentos subjetivos. CAPÍTULO V ATUAL REALIDADE DO BRASIL NOS ASPECTOS SOCIAIS. ao modificar as relações de produção e ao tomar o poder político. Por isso.4% das terras. 19/5/96. assumindo o governo que estava nas mãos da nobreza. A luta de classes é o instrumento pelo qual a História avança e fará com que o capitalismo seja superado pelo socialismo.) E ainda há 4. . a burguesia criou as condições para o surgimento de uma nova classe. seus interesses são os interesses da maioria. salários arrochados.

3 2.8 8. 1993 Em 1995. o Brasil era o campeão mundial da desigualdade social.2 8.6 Etiópia 20. IBGE.5 milhões de desempregados. em média 59% a menos do que os brancos. de mínimos salários Nº. que assim se dividia: 40 milhões com algum tipo de emprego. mais de vinte salários mínimos é três vezes maior que o número de mulheres.0 20. p.6 100. salário e concentração de renda Em 1991.Trabalho.7 5.5 7.4 17.0 16.5 8. de acordo com o Banco Mundial. O recenseamento de 1991 revela ainda outras peculiaridades de nossa injusta distribuição de renda: o número de homens que recebem. os negros recebem.3 24. Em resumo. o Brasil tinha 147 milhões de habitantes.5 milhões formavam a população economicamente ativa. 64. as mulheres recebem em média 58% a menos do que os homens. 22 milhões com algum tipo de ocupação e 2.0 Suécia Fonte: Revista Adusp. Os 62 milhões que trabalhavam estavam distribuídos de acordo com a seguinte tabela: TRABALHO E SALÁRIO NO BRASIL – 1991 Nº. Desse total.7. CONCENTRAÇÃO DE RENDA (% DO PIB) País 10% mais ricos 20% mais pobres Ricos Pobres 51. trabalhadores 1 860 000 2 170 000 4 340 000 9 920 000 12 586 000 15 004 000 5 208 000 10 912 000 62 000 000 de Porcentagem (%) Mais de 20 De 10 a 20 De 5 a 10 De 2 a 5 De 1 a 2 Até 1 Nada ganham Nada declararam Total 3.0 Fonte: Anuário Estatístico do Brasil.0 3. de acordo com o Recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). vivemos num país em que . apresentando a maior concentração de renda do planeta. maio de 1996.1 Brasil 31.6 Bolívia 27.

segundo dados do próprio governo. Nos últimos anos. o dobro da negra” (Folha de São Paulo.predomina a discriminação racial.7 milhões) tinham até nove anos.9% (33. a porcentagem diminuiu de 10.7 Estudam e Trabalham 3 601 272 13. havia 7.7 Só trabalham 4 118 237 15.3 milhões de brasileiros. Isso foi mostrado pela Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde. mais da metade da população brasileira tem menos de 24 anos. 44. MARGINALIZAÇÃO ECONÔMICA . sexual e social: “A combinação destes três fatores é responsável por uma das maiores distorções do trabalho brasileiro. passando de 3. dentre os 147. no entanto tem havido certa melhora neste quadro. IBGE. O PROBLEMA DA FOME Em 1994. Veja o que fazem crianças e jovens entre 10 e 17 anos: Nº % Só estudam 15 938 806 60. Gabiru.5% (65. Portanto. Mais da metade dessas pessoas – 17. no Nordeste. é o rato que se alimenta de lixo.1%.35 m) como conseqüência da fome e de homens-gabirus.7% para 3.8% O trabalho precoce Apesar da diminuição do número de filhos e do aumento da média de vida. o Brasil continua sendo um país com uma população predominantemente jovem.6% para 9.6 milhões) tinham até 19 anos e 53.2 TOTAL 26 265 964 100. de Pernambuco. o nutricionista Nelson Chaves. existiam no Brasil cerca de 32 milhões de pessoas passando fome.0 FONTE: Anuário Estatístico do Brasil. o homem branco o dobro do negro e a mulher branca. 22.2%. no qual o homem ganha o dobro da mulher.6 milhões) tinham até 24 anos. no Nordeste caiu de 12. De acordo com o censo de 1991. 11/3/94).7 Nenhuma das atividades 839 053 3. apenas na região CentroSul esse percentual aumentou. Na região Norte. a desnutrição de crianças até cinco anos diminuiu em quase 17%.1% de crianças (em até 5 anos) desnutridas. feita em 1996 por encomenda do Ministério da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef.7 Afazeres domésticos 1 768 596 6.8% para 8. vem denunciando o surgimento de uma verdadeira geração de nanicos (com altura que se aproxima de 1. região na qual a fome atingia aproximadamente 40% da população. Desde os anos 70. em 1996 esse percentual era de 5. 1993. No Brasil como um todo.9%.2 milhões – viviam no Nordeste. De 1989 a 1996.4% (78. enquanto em 1989.

se possível no mundo todo. comercialização e consumo – é um forte mecanismo de controle social. o controle dos processos econômicos – produção. estão sofrendo uma forte concorrência. baixos salários. etc. entre os quais Argentina. Marginalizada e precisando lutar com unhas e dentes para sobreviver – mesmo precariamente – grande parte da população não tem condições de engajar-se na luta por mudanças sociais. A prioridade é matar a fome. que estabelecem os preços de acordo com seus interesses. fabricante das tintas Suvinil. Por isso. Os meios de produção pertencem a particulares que exploram o trabalham com vistas à obtenção de maiores lucros e uma acumulação sempre maior de capital. Itaipú. calçados e outros produtos desejados pelos consumidores nos mais diferentes países. contribuem para a marginalização da maior parte dos brasileiros. em prejuízo da alimentação. Como conseqüência. a marginalização econômica é um poderoso meio de controle social que serve para manter a ordem vigente.Na sociedade capitalista. . Como as empresas querem sempre aumentar os seus lucros.). como a Parmalat e a Basf. gastos em obras não prioritárias (usinas nucleares. relógios. Paraguai e Uruguai. Os meios de comercialização – atacadistas e varejistas – também são controlados por grupos particulares. Volkswagen e muitas outras – para incentivar o governo brasileiro a fazer acordo com os países mais próximos. Ferrovia do Aço. da saúde e da educação. Essas empresas que produzem e vendem os seus produtos em vários países são chamadas de transnacionais ou multinacionais. AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS A GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA Para que o comércio entre os países se desenvolva cada vez mais é preciso que cresça e aumenta a produção de mercadorias como carros. A FORMAÇÃO DO MERCOSUL Algumas transnacionais que produzem e vendem os seus produtos no Brasil. Concentração da propriedade da terra e da renda. grande parte da população vê-se reduzida a condições mínimas de consumo: dois terços dos brasileiros têm uma alimentação insuficiente. É por isso que estas empresas estão se juntando a outras gigantes que operam no Brasil – Ford. cada um com seu jeito de ser e viver. Um exemplo: a Ford norte-americana tem fábricas em vários países e vendem carros no mundo inteiro. com língua e costumes diferentes . procuram vender em muitos países.

o Mercosul. que deu origem ao Mercosul. Paraguai e Uruguai. Com a ampliação do Mercosul. as empresas que são grandes o bastante para atuar em todos os países membros serão favorecidas e poderão enfrentar a concorrência das grandes empresas que atuam em outras regiões. Em 1991. Como vimos. a saída encontrada por alguns governos da América do Sul foi também formarem um bloco comercial. para aumentar os negócios dos seus empresários. É por isso que o comércio entre as empresas do Mercosul aumentou quatro vezes de 1991 a 1994. Foi assim que nasceu o Mercosul – Mercado Comum do Sul – a partir de alguns acordos comerciais assinados entre Argentina. O BRASIL NO MUNDO ATUAL O Brasil tem interesse em manter relações com todos os países. (Paraguai) os presidentes desses países assinaram um acordo formando um bloco de comércio que começou a funcionar no dia 1º de janeiro de 1995. Por isso podemos afirmar que as relações do Brasil com os outros países estão sendo influenciadas pela globalização da economia mundial. Quer que os seus empresários comprem e vendam produtos em todas as partes do mundo. Mas como os países ricos estão formando blocos de comércio que favorecem os negócios dos seus empresários e dificultam a compra de produtos de países como o Brasil. o Brasil passou a fazer parte de um bloco comercial. Brasil. na cidade de Assunção. Com o Mercosul. Por outro lado. Mas. A Venezuela e a Bolívia poderão ser os próximos países a entrarem no Mercosul. Com o Mercosul. influenciando os governos a fazer acordos que sejam favoráveis para elas. o governo brasileiro está tentando aumentar o número de membros do Mercosul. E suas relações com os outros países do Mercosul passaram a ser mais fortes do que com os países de fora do bloco. as grandes empresas que atuam na região poderão crescer e se preparar para concorrer no mercado mundial com as empresas que atuam em outros blocos. os empresários dos quatro países estão podendo negociar suas mercadorias livremente. como se os quatro países fossem apenas um.Com esses acordos as empresas podem aumentar o número de seus produtos e ficará mais fácil e mais barato produzi-los e vendê-los. chegando a cerca de 12 bilhões de dólares. a globalização provocada pela atuação das empresas transnacionais aumenta a interdependência econômica dos países pelo aumento do comércio entre eles. provocando uma regionalização do comércio mundial com o favorecimento do comércio entre Países de uma mesma região. É assim que nascem os blocos comerciais como o Mercosul. Foi o Tratado de Assunção. O Chile aderiu em junho de 1996. pois serão fabricados em maior quantidade e não pagarão tarifas para serem vendidos nesses países. as empresas transnacionais acabam sendo mais fortes do que os países. . Desde então.

PDT) e por uma parte do PMDB.  jornada de trabalho: a jornada semanal passou de 48 para 44 horas. sem dúvida. Sua organização e a combatividade dos seus representantes na Constituinte foram.  direito de voto aos analfabetos. formados pelos partidos da esquerda (PT. em 1º de setembro em 1988. os partidos comunistas).  direito de greve: tornou-se praticamente irrestrito.PC do B.  liberdade de criação de partidos políticos. teve início uma nova fase na vida nacional – a Nova República. estabeleceram:  eleição direta do presidente da República na sucessão de José Sarney. os principais responsáveis por essas conquistas. reunidos no Centro Democrático(“Centrão”).ATUAL EVOLUÇÃO POLÍTICA NO BRASIL Em 15 de março de 1985. em data a ser marcada pela Assembléia Nacional Constituinte. A Assembléia Nacional Constituinte iniciou seus trabalhos em 1º de fevereiro de 1987. realizada por uma Assembléia Nacional Constituinte eleita em 15 de novembro de 1986.  eleição direta para prefeito das capitais em 15 de novembro de 1985. O GOVERNO SARNEY As principais medidas do governo que assumiu em 15 de março de 1985 foram tomadas no campo político. . facilitando a legalização dos partidos até então impedidos de funcionar (por exemplo. Emendas à Constituição então vigente aprovadas no dia 8 de maio de 1985. após 21 anos de ditadura militar.  direito de representação políticas aos moradores do Distrito Federal. o empregado demitido deverá receber uma indenização correspondente a 40% de seu FGTS. e os progressistas.  eleição direta para prefeito dos municípios considerados áreas de segurança nacional. O principal acontecimento político do governo de José Sarney foi a elaboração de uma nova constituição para o país. Até o término das votações. As discussões foram marcadas por uma série de conflitos entre os grupos conservadores. com oito deputados e três senadores. Um balanço geral permite-nos observar que os trabalhadores conseguiram diversas vantagens com a constituição promulgada em 5 de outubro de 1988. entre os quais estão as seguintes:  salário: ao sair de férias o trabalhador tem direito a um abono igual a 33% do seu salário. transcorreram 19 meses de intensos debates.  eliminação da fidelidade partidária.

a credibilidade do governo desceu praticamente a zero e. no final de 1986. nenhuma aposentadoria será inferior a um salário mínimo. Mas também não deu resultados e a inflação continuou subindo. o Plano de Estabilização Econômica (Plano Cruzado). Baseou a campanha no fato de ser jovem – quarenta anos -. nas eleições de 1989. Apesar desses problemas. substituição do cruzeiro pelo cruzado. cujas principais medidas foram: congelamento de preços. o ágio – cobrança além da tabela – alastrou-se.32%. Collor saiu candidato pelo recém-criado e pouco expressivo Partido da Reconstrução Nacional (PRN). determinando que os salários seriam reajustados sempre que a inflação chegasse a 20%. inicialmente de cinco dias. com o apoio de outros pequenos partidos. o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) obteve significativa vitória nas eleições de 1986: elegeu 22 entre os 23 governadores e conseguiu folgada maioria no Congresso Nacional. as medidas do Plano Cruzado perderam toda a eficácia. Como resultado. Passadas as eleições. Em janeiro de 1989 foi decretado um novo plano econômico .  licença maternidade: passa de 90 para 120 dias. o governo Sarney causou impacto ao anunciar. o valor dos aluguéis novos disparou. Os entusiastas pelo congelamento dos preços populares. em 28 de fevereiro de 1986. apesar de contar com o apoio de muitos deles) . a inflação voltou a subir e iniciou-se um novo período de crise econômica. Logo as mercadorias começaram a sumir da lojas: empresários faziam pequenas modificações (“maquiagem”) nos produtos para vendê-los por preços da tabela. No último mês do governo Sarney (março de 1990) a inflação correspondente ao período de 15 de fevereiro a 15 de março atingiu o recorde histórico de 84. “gatilho” salarial. controlavam os preços e denunciavam os infratores – durou pouco.90% nos 12 meses anteriores. na função de “fiscais do Sarney”. passa a existir a licença-paternidade . em sua oposição ao governo Sarney.o Plano Verão – que determinava o congelamento de preços e salários e substituía o cruzado pelo cruzado novo. O segundo turno das eleições presidenciais de 1989 (as primeiras eleições diretas desde 1960) foi disputado por Fernando Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva. em sua independência em relação aos grandes grupos econômicos (cujo apoio fazia .  O PLANO CRUZADO No campo econômico. aposentadoria: os aposentados passam a receber 13º salário. em seu distanciamento dos políticos tradicionais (que dizia combater. chegando ao índice acumulado de 4853. buscando com isso aumentar suas chances de eleição. todos os candidatos procuraram fazer oposição ao governo Sarney.

As principais medidas do Plano Collor – que visavam prioritariamente extinguir a inflação – foram as seguintes:  moeda: extinção do cruzado novo e volta do cruzeiro. com muita pompa e a presença de mais de uma centena de delegações estrangeiras. favorecesse os trabalhadores. No próprio dia da posse. em suas promessas de governar para os descamisados e os pé-descalços (os que nada têm). extinção e privatização de empresas estatais.86%) Collor assumiu a presidência da República no dia 15 de março de 1990. devendo ser devolvidas depois desse prazo. perderam grande parte de seu valor.00 foram bloqueadas por 18 meses. Essas medidas provocaram profunda recessão. passando a ser prefixados todo dia 1º a partir de maio. submetesse a dívida externa ao controle soberano do governo brasileiro e enfrentasse a hiperinflação sem causar recessão. A eleição foi muito disputada e apresentou os seguintes resultados: Collor .75%) Lula . ex-operário e líder sindical.  preços: deveriam voltar aos níveis do dia 12 de março.. etc.  Conta corrente: valores inferiores a NCz$ 50 000.  poupança: as quantias superiores a NCz$ 50 000. vendas de imóveis do governo. moradia. uma aliança que reuniu o Partido dos Trabalhadores (PT). sobretudo industrial. propunha-se a desenvolver uma política democrática que rompesse com o passado.questão de recusar apesar de terem sidos os financiadores de sua campanha).00 também ficaram bloqueados por 18 meses.). O desemprego alcançou os maiores índices das últimas décadas. No início de 1992. No dia seguinte.31 076 364 votos (37. Lula foi candidato da Frente Brasil Popular. seguridade social. uma diminuição acentuada da atividade econômica. Collor assinou algumas medidas visando à reforma administrativa: extinção de ministérios e substituição de outros por secretarias especiais. em 12 parcelas mensais. etc. por sua vez. graves denúncias de corrupção envolvendo importantes funcionários do governo foram levantadas pela imprensa.35 089 998 votos (42. e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). isto é. saúde. promovesse o crescimento do mercado interno juntamente com a elevação do padrão de vida das classes populares. .  salários: teriam seu reajuste prefixado para todo dia 15 de cada mês. o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Também jovem – 44 anos . desse prioridade aos serviços sociais do Estado (educação. Os salários. seria a vez do “choque econômico”. E no primeiro semestre de 1992 a inflação girava em torno de 23% ao mês.

no dia 29 de dezembro de 1992. Vendo que não havia possibilidade de ser absolvido. No mesmo dia. o presidente Itamar Franco trocou diversos ministros no comando da política econômica. com base no processo. Os valores arrecadados eram movimentados por meio de contas fantasmas e custeavam as despesas do presidente. Três meses depois. a Câmara autorizou a abertura do processo contra o presidente Fernando Collor que foi imediatamente afastado do cargo. em busca de soluções que acabassem com a inflação e estabilizassem a economia. O plano desenrolou-se em três etapas: na primeira procurou-se controlar as contas do governo. Diante das condições da CPI. PC Farias comandava o esquema de corrupção com a conivência do próprio presidente. Em maio de 1993 o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O Congresso Nacional constituiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as acusações. os empresários pagavam comissões à empresa de Paulo César Farias que eram registradas na contabilidade da empresa como “serviços prestados”. notas fiscais e contas bancárias e de ouvir muitas pessoas.O objetivo dessas manifestações era pressionar a Câmara dos Deputados a autorizar o Senado a processar e julgar o presidente da República. mas nada conseguiu. assumiu o Ministério da Fazenda. Pedro Collor. salários e serviços. que tinha ocupado a pasta das Relações Exteriores. como uma espécie de moeda. Fernando Collor perdeu então seu mandato e teve seus direitos políticos suspensos por oito anos. Fernando Henrique Cardoso reuniu um seleto grupo de economistas que haviam trabalhado em governos anteriores para elaborar um plano gradual de estabilização. Para ganhar a concorrência de obras públicas e obter favores do governo. foi criada a Unidade Real de Valor (URV). A URV. o Senado tomou a decisão de continuar o julgamento e condenou Collor por 78 votos contra três. o Senado. foi implantada a 1º de março de 1994. um indexador que passaria a corrigir diariamente os preços. acusou Paulo César Farias. Durante os primeiros meses de sua gestão. Apesar da renúncia. no sentido de diminuir o déficit público e aumentar as reservas no exterior. como presidente da República. finalmente em 1º de julho de 1994.A situação ficou mais grave ainda quando o próprio irmão do presidente. partidos de oposição ao governo e entidades de trabalhadores e de profissionais liberais convocaram a população para manifestações públicas . reuniu-se para julgar o presidente. Itamar Franco. declarações de Imposto de Renda. na segunda etapa. Depois de muitas investigações de cheques. foi introduzida uma nova . que recebia parte do dinheiro obtido. de sua mulher e de sua exmulher. Collor enviou mensagem ao Senado renunciando à presidência da República. o Congresso Nacional se reuniu e deu posse ao vicepresidente. a CPI descobriu como funcionava o “Esquema PC”. evitando os choques dos planos anteriores. No dia 29 de setembro de 1992. o PC – tesoureiro da campanha presidencial de Collor – de estar exigindo contribuições em dólares de grandes empresários em troca de favores do governo.

o novo presidente da República Fernando Henrique Cardoso. da aposentadoria proporcional (aos 30 anos). sofreram forte oposição. como o PFL e o PTB. o real. com 54. Lula: R$ 4. tendo realizado várias viagens. o PV e o PPS (antigo PCB). baseou sua campanha no Plano Real. recebeu o apoio dos partidos mais à direita. como o PSB. do PSDB.2 milhões. já que era ministro da Fazenda.28% dos votos válidos. com a privatização das empresas destes e de outros setores. Lula e Fernando Henrique foram os candidatos mais votados.7 milhões. Em linhas gerais as reformas propostas pelo governo Fernando Henrique foram as seguintes:  Ordem econômica: com o objetivo de atrair o capital internacional. com o valor de uma URV. reduziu o mandato presidencial de cinco para quatro anos e antecipou a posse de 15 de março para 1º. Já Fernando Henrique Cardoso . De acordo com uma emenda constitucional que. contra 27. assumiu o cargo em 1º. apareceu inicialmente com grande vantagem sobre os demais candidatos nas pesquisas eleitorais. equivalente 2 750.00 cruzeiros reais. Fernando Henrique Cardoso. Gasto oficial das campanhas: Fernando Henrique: R$ 31. o PC do B. a mudança no conceito de empresa brasileira. no final de 1993. juntamente com a estabilidade do real. de janeiro. denominadas caravanas da cidadania. que passaria a incluir também a empresa de capital multinacional. Luis Inácio Lula da Silva. As reformas à Constituição que. Lula começou sua luta antes da campanha. que venceu já no primeiro turno. em diversas regiões do Brasil. contribuíram como um dos pontos essenciais do programa do governo de Fernando Henrique. o governo propunha o fim da aposentadoria por tempo de serviço. tendo dificuldades em ser aprovadas na forma desejada pelo presidente. como em muitas empresa de comunicação social (principalmente a Rede Globo) e as organizações empresariais dos bancos. Rapidamente ultrapassou Lula nas pesquisas de intenção de voto e manteve as vantagens até as eleições. para um mandato que se estendeu até 31 de dezembro de 1998. do PT. FERNANDO HENRIQUE E AS REFORMAS CONSTITUCIONAIS Nas eleições presidenciais de 1994. procurando conhecer de perto os problemas do país. Começando mais tarde. de janeiro de 1995.04% dados a Lula. da aposentadoria especial (aos 25 . moeda que desapareceu. recebeu o apoio de outros partidos de esquerda.moeda. da indústria e do comércio que contribuíram com grandes somas para a campanha.  Previdência: procurando diminuir os gastos da Previdência. desde que sediada em território nacional.. das telecomunicações e da energia elétrica. Conseguiu apoio especial daqueles setores temerosos de que uma vitória de Lula pudesse reduzir os seus privilégios. o governo propunha o fim do monopólio estatal do petróleo. Por isso.

como o magistério) e da aposentadoria integral para funcionários públicos:  reforma tributária: redefinição dos impostos proposta pelo governo. Lula se reelegeu para a presidência. FHC consegue reeleger-se graças a uma medida provisória por ele criada tendo sua nova delegação garantindo até 2002.  Manteve a estabilidade do real: no final de 1996. Após seguidas denúncias contra Pallocci. resultando na compra de empresas instaladas no Brasil. foi nomeado Ministro da Fazenda. Características Economia Na gestão de Lula. . o governo Fernando Henrique:  conseguiu a aprovação das reformas da ordem econômica. a inflação girava em torno de 1% ao mês. Nos dois primeiros anos.  manteve elevados os juros. Henrique Meirelles. a exemplo do que ocorreu no setor da autopeças. por empresas transnacionais.para mulheres e aos 30 para homens em determinadas profissões. redução do desemprego e constantes recordes da balança comercial. Sua estada na presidência terminará em 1 de janeiro de 2011. Em outubro de 2006. com sua redistribuição entre as esferas administrativa federal.  acelerou a abertura da economia. derrotando o candidato do PSDB Geraldo Alckmin. com o fim do monopólio estatal do petróleo e das telecomunicações. O Governo Lula caracterizou-se pela baixa inflação. sendo eleito no segundo turno com mais de 60% dos votos válidos. Após o fim de seu mandato. provocando recessão e aumento do desemprego. Guido Mantega (27/03/2006). que passou a ser dominado por multinacionais. foi escolhido para a direção do Banco Central do Brasil e o médico sanitarista e ex-prefeito de Ribeirão Preto Antônio Palocci. após derrotar o candidato do PSDB e ex-ministro da Saúde José Serra.  reforma administrativa: fim da estabilidade do funcionário público. taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)em quatro anos (2003/2006) de 2. em 1 de janeiro de 2003. inclusive estatais. estadual e municipal. em sua quinta tentativa para chegar ao cargo presidencial. sendo substituido pelo economista e professor universitário. deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás em 2002.6 % em média . O Governo Lula O Governo Lula (2002-2010) corresponde ao período da história política brasileira que se inicia com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. este pediu demissão.

000 pontos em 2007. o governo Lula passa também a apoiar uma política de privatizações de rodovias. à diversificação dos investimentos feitos pelo BNDES. Porém. com os leilões de concessão de 7 lotes de rodovias federais. ao longo de todo o primeiro mandato de Lula e no início do segundo. Críticos apontam também. O que deslocou muitos investimentos em títulos da dívida pública para o setor produtivo. Durante esta gestão a liquidação do pagamento das dívidas com o FMI foram antecipadas. não havia recuperado o valor de dezembro de 2002. levando vários setores da sociedade a protestarem contra uma possível perda de benefícios e direitos adquiridos. vender a companhia Vale do Rio Doce.A atual gestão promoveu o incentivo às exportações. em 2005.000 pontos no ínicio de seu mandato para mais de 60.os maiores do mundo . e o maior crescimento real do salário mínimo[carece de fontes?]. fazendo com que o Índice BOVESPA saltasse de 40. e a criação de novas empresas estatais de menor porte. Aprovou-se parcialmente no Congresso Nacional em 2003 a reforma da previdência social. e que o país não dispõe de um plano de desenvolvimento claro. . que variou de 80 para 200 reais em 8 anos. chegando ao índice de 9. mas que resultaram em melhor prestígio internacional e maior atenção do mercado financeiro para investir no Brasil. que a condução da política de juros . por exemplo. Houve a recriação de alguns órgãos extintos no governo anterior. o nível de desemprego registra a maior queda em 13 anos.9% em fevereiro de 2007. em cinco anos. resultando na recuperação do poder de compra do brasileiro. após 5 anos de mandato. Reformas Uma das plataformas de campanha de Lula foi a necessidade de reformas. que pode mudar a qualquer momento.pelo governo é conservadora. que se tornou uma das mais competitivas do mundo. estimulou o micro-crédito e ampliou os investimentos na agricultura familiar através do PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar). O salário mínimo passou.25 % ao ano em 2008. aquecendo o mercado acionário e o capitl social das empresas brasileiras. fato criticado por economistas por se tratar de dívida com juros baixos. Outra diferença entre a política econômica do governo Lula e a do governo anterior teria sido o fim do ciclo de privatizações que levou o Estado a. São exemplos da recuperação econômica do país sob a gestão do presidente Lula o recorde na produção da indústria automobilística. vencidos na maioria por empresas estrangeiras. como a SUDENE. Analistas financeiros apontam que a taxa de juros SELIC saiu de 25 % ao ano em 2003 para 11. de 200 para 380 reais. Argumentam ainda que os números positivos são conseqüência da bonança financeira internacional (a forte demanda asiática por produtos primários brasileiros aumenta a sua cotação e consequentemente infla o superávit comercial). aumento maior que tanto o do primeiro quanto o do segundo governos de Fernando Henrique Cardoso. Enquanto a renda média do trabalhador brasileiro.

209 de 17 de Setembro de 2004[5]. Um programa social bastante conhecido do governo Lula é o Bolsa Família. O Fome Zero O Programa Fome Zero foi a principal plataforma eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. em 2005. o percentual de crianças fora da escola chegou. 5º. No nível básico.3 bilhões. do governo FHC e recebe muitas críticas de diversos setores da sociedade. art. apresentando fortes níveis de escolarização em todas as faixas etárias. que ficou conhecida como Reforma do Judiciário. Contudo.[carece de fontes?] A principal delas é a de que o Bolsa Familia. Com a criação do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). O programa Fome Zero começou como uma tentativa do Presidente da República de mobilizar as massas em favor dos pobres em estado de extrema miséria ainda muito presente no Brasil.00). Programas Sociais Um relatório do IBGE. O Programa.8%. o governo Lula avançou. apesar de prometidas. não melhora o nível de vida dos beneficiados pelo programa. considerando o grupo de 5 a 17 anos de idade. anoem que Lula tomou posse. A parcela da população que não freqüentava a escola foi reduzida de 29% para 18% em apenas 36 meses. 103-B). LXXVIII). Seus principais aspectos foram a inclusão do princípio da celeridade processual como direito fundamental (art. Ele foi criado através do Decreto Nº 5. A finalidade do Programa era a transferência direta de renda. afirma que o governo do presidente Lula estaria fazendo do Brasil um país menos desigual. do governo.Outra reforma importante ocorrida no Governo Lula foi a aprovação da Emenda Constitucional 45. o governo Lula objetiva atender 47 milhões de estudantes brasileiros. No campo da educação. do fim de novembro de 2005. apesar de distribuir dinheiro entre a população mais carente.01 e R$120. no entanto. a FGV divulgou estudo mostrando que a taxa de miséria de 2004 teria caído em 8% se comparada a 2003. de 2004. a criação de um órgão de controle administrativo. a apenas 2. financeiro e disciplinar de todo o Judiciário do país (o Conselho Nacional de Justiça . fiscal e política ainda não saíram do papel. O programa fez com que os olhos dos governos internacionais se voltassem para o Brasil. sendo Luiz Inácio muito elogiado em seus primeiros discursos internacionais. além de outras normas que objetivam desde um processo judicial mais célere até a moralização e a transparência do Poder Judiciário. as reformas trabalhista. para famílias pobres (renda mensal por pessoa entre R$60. ele pregava a eliminação da fome no Brasil.CNJ. . Com base no PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). oito milhões de pessoas teriam saído da pobreza (classes D e E) ao longo do governo Lula. Nessa campanha eleitoral.00) e em extrema miséria (renda mensal por pessoa de até R$60. foi uma reformulação e ampliação do programa BolsaEscola. tributária. com investimentos anuais de até R$ 4. Ainda segundo a PNAD.

412 instituições em todo o país. Com relação à mortalidade infantil. Uma delas foi o reconhecimento da China como economia de . que vem sendo discutida na Organização Mundial de Comércio. tem ganhado importância a discussão acerca dos crescentes fluxos de remessas de recursos dos migrantes que vivem em países desenvolvidos para seus países de origem. o governo Lula tomou decisões controversas em matéria de politica externa. O combate à escravidão e ao trabalho degradante foi outro ponto que teve destaque no governo do presidente Lula. Lula e seu governo têm se destacado pela liderança que exercem no grupo de países emergentes frente aos mais ricos. cerca de 12. as universidades federais oferecem 122 mil vagas gratuitas. Contudo. o programa é criticado por professores e estudiosos de instituições de ensino federais. A taxa de mortalidade infantil caiu para 26 mortes para grupo de mil habitantes.Na área do ensino superior. tem buscado intensificar as discussões acerca do financiamento ao desenvolvimento. Além disso. o PROUNI (Programa Universidade Para Todos). a política externa do atual Governo busca estimular a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2006. Porém.400 trabalhadores em regime de escravidão ou trabalho degradante foram libertados desde 2003.6 do governo anterior. das quais algumas se encontram em processo de sucateamento por falta de repasse de recursos federais. Uma das prioridades do governo Lula é a integração da América do Sul através da expansão do Mercosul. Igualmente. um assento permanente no Conselho de Segurança. estimulando o surgimento de mecanismos financeiros inovadores. o Brasil também avançou sob o governo Lula. o PROUNI ofereceu 112 mil bolsas de estudo em 1. ante 29. destaca-se como o maior programa de bolsas de estudo da história da educação brasileira. em particular à luta contra a fome e a pobreza no âmbito global. Nas ações dos ficais do trabalho. nesse contexto. criação da União Sul-Americana de Nações. possibilitando o acesso de milhares de jovens à educação e estimulando o processo de inclusão social. Alegam também ser uma distribuição de recursos públicos à instituições de ensino privado de baixa qualidade. interiorizando o acesso à educação pública gratuita. Uma das reivindicações desse grupo de países é a queda das barreiras alfandegárias e dos subsídios agrícolas. Em 2005. e a abertura de novas rotas comerciais com países os quais o Brasil pouco se relacionava. em especial os países árabes e africanos. a questão da migração internacional será tema do debate de alto nível da ONU e espera-se que o Brasil desempenhe papel preponderante no que se refere à defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Atualmente. O atual governo brasileiro libertou mais trabalhadores em três anos que o governo anterior em seus oito anos. pleiteando. A atual política externa procura igualmente dar ênfase a temas sociais. Essa fonte de divisas joga papel fundamental no desempenho econômico de muitos países em desenvolvimento. Política externa No plano internacional. Nesse contexto. O governo também investiu na criação de 9 novas universidades públicas federais.

[5] O ministro dos Esportes Orlando Silva devolveu aos cofres públicos mais de R$ 30 mil evitando uma demissão.[6] No entanto a denúncia que pode originar um pedido de abertura de CPI por parte da oposição é autilização de um cartão corporativo pela filha de Lula. no dia 22 de janeiro. PRB. PCdoB. com previsão de investimentos de mais de 500 bilhões de reais para os quatro anos do segundo mandato do . que foi a recordista de gastos com o cartão em 2007. recuou. o governo Lula enfrentou crises políticas.mercado. Não obstante. que se reúne periodicamente (normalmente a cada semana) com Lula. aparentemente. Governo Lula patrocinou uma missão de paz no Haiti. O Governo Lula também acumula algumas derrotas em suas tentativas na criação de um bloco econômico compreendido por países subdesenvolvidos e emergentes. As denúncias levaram à demissão da Ministra da Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. como o caso da quebra de sigilo de um caseiro pelo do estado. PV. Lula conta com apoio de uma coalizão de doze partidos (PT. prejudicando a economia nacional. pelo menos para o ano de 2007 (ainda assim foi atingida). no dia da reeleição. PDT. foi lançado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Várias outras denúncias de escândalos foram sendo descobertas.[6] Crises Escândalo do mensalão A partir de 2004. PTB. Cerca de 1200 militares brasileiros desembarcaram no Haiti em uma missão pacífica visando a reestruturação do estado haitiano. Lula havia lançado. Denúncias sobre irregularidades sobre o uso de cartões corporativos começaram a aparecer. em contrapartida. PP. Além disso. facilitando sua entrada no Brasil e. da qual. PSB. almejando crédito com a ONU. A China. cujos presidentes ou líderes têm assento no Conselho Político. Lurian Cordeiro Lula da Silva que gastou R$ 55 mil entre abril e dezembro de 2007. PAN e PSC). totalizando quinze partidos governistas. Dos 150 cartões corporativos o Portal Transparência só divulgou os dados de 68 cartões. Segundo mandato Para seu segundo mandato. a meta de crescimento do PIB a 5% ao ano para seu segundo mandato. PR. Ver artigo principal: Escândalo dos cartões corporativos No início de 2008 iniciou-se uma nova crise: a crise do uso de cartões corporativos. apoiaria a candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. além da tentativa de compra de um dossiê por parte de agentes da campanha do PT de São Paulo. para alguns. o que derrubou diversas barreiras comercias impostas aos produtos chineses. PMN e PHS também fazem parte da base de apoio do governo no Congresso. que atingiram seu apogeu em julho de 2005 quando denunciaram um suposto esquema de compra de votos de deputados no congresso e suposto financiamento de campanhas por "Caixa 2". um conjunto de medidas que visa a aceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira. que levou a demissão do ministro Antonio Palocci. PMDB. PTdoB.

o povo brasileiro passou a sofrer sérias restrições para escolher seus governantes. entre outras medidas. A DEMOCRACIA NO BRASIL ATUAL A CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES QUE FAVOREÇAM A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA Dois pontos são essenciais para o crescimento da participação política:  a redução da influência do poder econômico nas eleições. o povo pôde eleger seus governadores. grau.presidente. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Para que isso acontecesse seria necessário que todo povo brasileiro participasse ativamente da escolha de seus governantes. votar em quem está mais comprometido com o interesse da maioria. a fim de que os eleitores possam ter melhores condições de analisar os programas dos vários partidos e candidatos e. e apenas em 1989 os eleitores puderam eleger diretamente o Presidente da República. Não é isso que se verifica: a partir de 1964. até mesmo. por exemplo. além de uma série de mudanças administrativas e legislativas. que estabelece o objetivo de nivelar a educação brasileira com a dos países desenvolvidos até 2021 e prevê medidas até 2010 (entre elas a criação de um índice para medir a qualidade do ensino e de um piso salarial para os professores de escolas públicas). visando retirá-los das áreas de risco. Em matéria de educação básica também temos um longo caminho a percorrer: nas eleições de 1994.nome provisório). O PAC prevê um crescimento do PIB de 4. somente em 1982. de cada três eleitores apenas um havia concluído o 1º. no dia 7 de maio de 2007. apenas em 1985 pôde eleger os prefeitos das capitais. a criação de um piso salarial nacional para policiais civis e militares e um programa de habitação para policiais. . foi lançado oficialmente no dia 24 de abril. que prevê. da simples compra. assim.  a ênfase na educação básica de qualidade para todos. Há outro problema a considerar: grande parte do povo brasileiro. Todo o poder emana do povo. Espera-se para os próximos meses o lançamento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania . depois de dezoito anos de escolhas indiretas. A partir da criação da Secretaria Nacional dos Portos. que muitas vezes acaba determinando o voto através dos meios de comunicação de massa ou. um tinham freqüentado alguns anos de escola e um não possuía nenhuma escolaridade. o governo passou a ter 37 ministérios.5% em 2007 e de 5% ao ano até 2010.

HOFMANN. É preciso que o povo tenha condições dignas de vida e uma educação de boa qualidade para que possa informar-se sobre seu país. etc. Além disso. Sociologia Geral. segundo a Constituição. 1984. A marginalização política. energia para as grandes indústrias. Os recursos públicos são encaminhados para áreas de interesse dos grupos dominantes: áreas centrais das cidades. Rio de Janeiro: Civilizações Brasileira. O poder é exercido em nome do povo. Octávio. a presidência editou 405 medidas provisórias contra apenas 131 leis feitas pelo Congresso. Rio de Janeiro : ed. colocando em prática o princípio constitucional e democrático de que “todos são iguais perante a lei”. Enquanto isso. a moradia. votar nos governantes. Nesse processo de reforma do Estado. aplicando em seu benefício os recursos de que dispõe. reduzindo o poder do executivo – em 1994. ed. apesar de importante. e 20. é preciso que o Estado deixe de estar a serviço dos grupos mais poderosos do país e de repassar a eles recursos pagos pelos contribuintes e passe a servir aos interesses da maioria da população. as medidas provisórias só devem ser usadas em casos de urgência e relevância – fortalecendo o Legislativo e exigindo que trabalhe no interesse da coletividade. Na prática. 6º. sendo que. por exemplo. é preciso reformar o próprio Estado. há dois aspectos a serem destacados. a educação e o saneamento básico. a alimentação. Werner. A REFORMA DO ESTADO Paralelamente à ampliação do conceito de democracia e à criação de condições que favoreçam a participação política. a saúde. permanecem esquecidos. Em primeiro lugar. São Paulo: Atlas – 1992. só a partir de 1985 conquistou o direito de votar para escolher os governantes. votar bem e participar realmente na tomada de decisões que afetam o seu destino. é preciso reorganizar os poderes do Estado.aproximadamente 20 milhões de analfabetos maiores de idade. de acordo com o interesse público da maioria da população. obras para os possuidores de automóvel. A História do Pensamento do movimento social dos séculos 19 IANNI. é também um forma de controle social em benefício dos grupos privilegiados pela situação vigente. Em segundo lugar. Eva Maria. para seu próprio benefício. 1977. que são setores prioritários para a população. parece que o poder é exercido por uma minoria. que ele deve representar . BIBLIOGRAFIA LAKATOS. e fazendo com que o Judiciário atue de forma mais eqüitativa. não é suficiente para que tenhamos uma democracia de fato. que não permite ao povo participar do governo de seu próprio país. Tempo Brasileiro. no sentido de torná-lo mais democrático. . Estado e Planejamento econômico no Brasil (1930-1970).

P. SEGATTO. São Paulo: 1987. 29. „Os novos movimentos sociais: encontros e desencontros com a democracia‟.) OBS: Os textos em análise no presente módulo foram extraídos.CRUZ. I. . Uma revolução no cotidiano: os novos movimentos sociais da América do Sul. na integra. (Série Revisão. Porto Alegre: Mercado Aberto. José A A formação da classe operária no Brasil. 1987.. In: SCHERER – WARREN. & KRISCHKE. das fontes bibliográficas supra indicadas. orgs. Rafael de La.