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A INVALIDADE DO CONTRATO ADMINISTRATIVO

 Arts. 283º a 285º: 1. Arts. 283º e 284º - respeitam aos valores jurídicos negativos dos contratos administrativos ; 2. Art. 285º - regime jurídico aplicável aos contratos inválidos.  Opera-se uma divisão entre: 1. Invalidades derivadas ou seja, da invalidade do de contrato actos que procedimentais, invalidades

resultam da invalidade de algum acto procedimental em que assentou a sua celebração; 2. Invalidades originárias ou próprias do contrato, isto é, as que decorrem da violação, pelo próprio contrato, de determinadas disposições legais.  O regime da invalidade contratual varia em função do objecto do contrato administrativo considerado, cabendo distinguir entre os que têm um objecto passível de acto administrativo, ou versem sobre o exercício de poderes públicos e todos os demais contratos administrativos. A INVALIDADE DERIVADA

 Art. 283º CCP  Subsiste o princípio da invalidade consequencial, o princípio da identidade entre o desvalor jurídico do contrato e o desvalor jurídico dos actos de que haja dependido a sua celebração. Porém, a comunicação do desvalor do acto procedimental ao contrato não é automática: - só são susceptíveis de revelar as invalidades procedimentais judicialmente reconhecidas; - não basta a declaração administrativa de nulidade ou a revogação do acto com fundamento na sua invalidade.

A INVALIDADE PRÓPRIA DO CONTRATO  Art. o art. ponderados os interesses públicos e privados em presença. ressalva da relação de invalidade consequente os casos em que o acto procedimental se tenha consolidado na ordem jurídica. O mesmo se passará com os actos nulos se e enquanto puder ser declarada judicialmente a sua nulidade.º 3.  Os actos procedimentais em causa são as decisões do procedimento pré-contratual que possam ser objecto de impugnação administrativa e que sejam. 283º. tenha sido convalidado ou tenha sido renovado sem reincidência nas mesmas causas de invalidade. n. Este princípio da invalidade consequencial vale para todos os contratos administrativos. mesmo que o acto em apreço tenha sido anulado. pode sempre o tribunal administrativo ou arbitral competente recusar o efeito anulatório relativamente ao contrato se. . independentemente da natureza do respectivo objecto. 284º CCP  É causada por vícios do próprio contrato  284º. susceptíveis de condicionar o conteúdo do contrato a celebrar ou a escolha do co-contratante. bem como a gravidade da ofensa geradora do vício do acto procedimental.º 4 do mesmo artigo prevê a possibilidade de limitação de efeitos da anulação do acto procedimental. 1 – os contratos celebrados com ofensa dos princípios ou normas injuntivas são anuláveis.  Por outro lado. Assim. a anulação do próprio contrato se revelar desproporcional ou contrária à boa fé. se for tempestivamente impugnado e judicialmente anulada a adjudicação. o contrato entretanto celebrado com o adjudicatário tornar-se-á anulável. Assim. de algum modo. o n. ou se se demonstrar inequivocamente que o vício em causa não implicaria uma modificação subjectiva no contrato nem qualquer alteração do seu conteúdo essencial.  No que se refere aos actos anuláveis.

violação de lei. deve submeterse ao regime desses contratos. . Porém. desvio de poder. mas diferente do plasmado no CC. – um único regime para todos os CA. agora o CCP contém uma disciplina autónoma do regime jurídico stricto sensu da invalidade no seu art. o nº3 conserva a solução que já vem do CPA – são aplicáveis aos CA as disposições do CC que disciplinam tal matéria (arts. 240º a 257º do CC. Consequentemente. nos termos do nº2. CC)  Em 1º lugar.  Em 2º lugar. etc. Só ocorrerá nulidade do contrato quando estiver em causa algum dos fundamentos do art. 133º CPA ou quando. a aludida remissão visa apenas o regime do âmbito das formas de invalidade previsto nos citados arts. 133º do CPA ou quando o respectivo vício determine a nulidade por aplicação dos princípios gerais de DA. os contratos são nulos quando se verifique algum dos fundamentos previstos no art. .  A razão de ser deste dualismo da invalidade própria do CA prende-se com o dualismo inerente ao próprio conceito de CA e à sua projecção sobre a natureza de cada um dos tipos de causa de invalidade: . por aplicação dos princípios gerais de DA. o legislador adopta. a solução do legislador é igualmente unitária – vale para todos os CA independentemente do seu objecto – mas recebe por inteiro as soluções consagradas na lei civil.  Quanto à falta e vícios da vontade.  Diferentemente do que sucedia no domínio do CPA. quanto a todas as causas de invalidade que não se traduzem em falta ou vícios da vontade – incompetência do órgão que outorgou o contrato. 285º. 240º a 257º. se chegue à conclusão de que a sanção do vício em causa é a nulidade. o CA deve estar sujeito a um regime traçado pelo DA.na sua dimensão especificamente administrativa. quanto à falta e vícios da vontade. vício de forma ou de procedimento.naquilo que tem de comum com os demais contratos.

nomeadamente os que tenham objecto passível de NJ. 285º.referente ao regime da invalidade Opera uma cisão no regime aplicável aos CA em função do respectivo objecto: Aos contratos com objecto passível de acto administrativo e outros contratos sobre o exercício de poderes públicos é aplicável o regime de invalidade previsto para o acto com o mesmo objecto e idêntica regulamentação da situação concreta (nº1). serem objecto de . aos contratos a que se refere o art. nº2 do CCP é aplicável o regime da anulabilidade ou da nulidade.  Diferentemente. a remissão operada visa apenas a aplicação do regime civilístico sendo a cominação dos vícios do contrato feita pelo próprio CCP. n. previsto nos arts. Aos demais CA é aplicável o regime de invalidade consagrado no direito civil (nº2) Contudo. independentemente do seu desvalor jurídico.  Todavia. o regime da anulabilidade do contrato decorrente da anulação de um acto procedimental.  De acordo com o art. da preterição da forma legal ou de um vício da vontade identificado e arguido nos termos do CC é o que consta do art.  Do mesmo modo. é aplicável o regime fixado no CC para o hipotético NJ. 285º. 285º CPP .º1 do CCP. A todos os outros CA. 283º e 284º. nº3 do CCP estabelece como aspecto comum ao regime da invalidade de todos os CA a possibilidade de os mesmos. 134º CPA. é aplicável o regime estabelecido no CPA para a invalidade do acto administrativo hipotético. ou outros que versem sobre o exercício de poderes públicos.  Em síntese. 285º. o regime jurídico da invalidade do contrato é o seguinte: Se se tratar de CA com objecto passível de acto administrativo. consoante os casos. 285º a 291º do CC. nos termos dos arts. o art. 136º do CPA. o regime da nulidade para que remete o preceito do CCP é o do art.O REGIME DA INVALIDADE  Art.

137º. esta solução afasta a aplicação aos CA com objecto passível de acto administrativo ou sobre o exercício de poderes públicos que sejam nulos da regra que proíbe a sua conversão (art. P. ex. 292º e 293º do CC. nos termos do disposto nos arts. 285º. nº1 do CPA que seria aplicável por força do art. nº1 do CCP.redução e de conversão.. .