INTRODUÇÃO

A facilidade de comunicação e a dinâmica dos meios de transporte vêm permitindo aumentar a troca de mercadorias entre diversos lugares do planeta, tornando essencial a instituição de normas regionais, continentais e internacionais para controle e comercialização de produtos alimentícios. Sendo assim a segurança de alimentos não é um assunto apenas de cada país é um problema a nível internacional. (FALEIRO, 2009) O termo de segurança alimentar foi criado afim de, abrigar diversos programas de melhoria de qualquer tipo de alimento, seus ingredientes e temperos, e de bebidas, de acordo com procedimentos que devem ser adotados para adequada manipulação em todas as etapas da produção: fabricação, armazenamento, distribuição, comercialização e assistência pósvenda, ou seja, do campo à mesa do consumidor. (CAVALLI, 2001) No âmbito internacional, a segurança alimentar é preconizada por organismos e entidades como a Organização para Agricultura e Alimentos (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) World Health... (1996) e no âmbito nacional, o Ministério da Saúde (MS), da Agricultura e Abastecimento (MA) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) são os órgãos responsáveis. (CAVALLI, 2001) Segundo o Ministério da Saúde a biossegurança consiste num conjunto de ações que têm como função prevenir, controlar, diminuir ou eliminar riscos provenientes de atividades que possam comprometer a saúde humana, devido a adoção de novas tecnologias e fatores de risco a que estamos expostos. Portanto, a Biossegurança contribui em sua essência para a qualidade, promoção e proteção a saúde seguindo os princípios básicos do SUS e as políticas governamentais do Mais Saúde. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013) Atualmente, com o avanço da engenharia genética e a introdução no mercado mundial de um novo tipo de alimento, “os geneticamente modificados ou transgênicos, têm gerado muita polêmica e tornado necessárias medidas de biossegurança adequadas e rigorosas. De um lado, a indústria da biotecnologia atribue extrema confiança na segurança da engenharia genética e sua importância para o desenvolvimento econômico e, de outro lado, há um receio generalizado da população, motivada em parte pela ausência de informação. (ANEZ,2005) A engenharia genética permite que genes individuais sejam selecionados e transferidos de um organismo para outro, da mesma ou de outra espécie, afim de melhorar em algum
1

Logo. os benefícios de tais suspeitas provavelmente resultarão na melhoria de qualidade e segurança dos alimentos.aspecto físico.105 artigo 3º. 2005) As técnicas de manipulação genética empregadas no desenvolvimento de novos tipos de microorganismos. plantas e animais têm evidenciado um elevado potencial para aumentar a produção e a disponibilidade de alimentos. Mas. as suspeitas em torno desses alimentos têm permitido discutir a segurança dos alimentos em geral e adotar medidas para assegurar a confiabilidade dos produtos. em contraposição acontecimentos como reações de sensibilidade aos alimentos. diferente do que têm sido popularizado. 2013) De qualquer forma. toxicidade de produtos e estudos com dados preocupantes têm colocado em dúvida o nível de segurança dos OGMs. (FALEIRO. nem todo Organismo Geneticamente Modificado (OGM) é um transgênico. 2009) De acordo com a Lei de Biossegurança 11. (PESSANHA. sejam eles resultantes de OGMs ou não. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2 . bem como de aumentar o teor de nutrientes em alimentos consumidos por uma grande parcela da população de baixa renda. Portanto. Portanto. um organismo é considerado geneticamente modificado quando seu material genético – ADN/ARN – foi modificado por qualquer técnica de engenharia genética. gêneros alimentícios geneticamente modificados são alimentos que contêm ou foram produzidos com OGM. químico ou nutricional o alimento. mas todo transgênico é um OGM. (GREENPEACE.

perigo é a presença do agente causador de danos. pelo histórico 3 . física ou química. Sistemas de Qualidade As Boas Práticas de fabricação (BPF) e a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APCC) são incluídas entre os sistemas de qualidade de alimentos.1. os quais podem ser de natureza química (agroquímicos). (CAVALLI. Os termos perigo e risco foram estabelecidos pelo comitê internacional do Codex Alimentarius para os programas já mencionados. Equivalência Substancial A avaliação preliminar de perigo de alimentos GMs gira em torno do conceito de equivalência substancial adotado pelos países membros da União Européia e alguns países da América do Norte. Desse modo. O Protocolo trata de questões envolvendo o estudo. O Ministério da Saúde desempenha suas atribuições na área de biossegurança como autoridade nacional em relação ao Protocolo de Cartagena. O sistema APCC preocupa-se em prever. um alimento seguro é aquele livre de contaminantes. a manipulação e o transporte de organismos geneticamente modificados (OGM) entre os países membros do acordo.2. 2001) O Protocolo de Cartagena foi um tratado relacionado a biossegurança assinado durante a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) em Cartagena. biológica (organismos patogênicos).1. 1. enquanto o risco é a probabilidade de ocorrência do agente. No Brasil emprega-se o título de segurança alimentar para as duas abordagens (CAVALLI. O termo se refere a equivalência nutricional entre o alimento modificado e os produtos do qual foi derivado. física ou de outras substâncias que coloquem em risco sua saúde. Já a segurança alimentar irá determinar a garantia de acesso ao consumo de alimentos incluindo o conjunto de necessidades para o alcance de uma nutrição saudável. Colômbia. de origem biológica. Segurança Alimentar Segundo Cavalli (2001). Foi aprovado em 29 de janeiro de 2000 e entrou em vigor desde setembro de 2003. focalizando principalmente os aspectos higiênico-sanitários. sendo sugeridos para monitorar os produtos GMs. A comparação entre o modificado e o padrão. monitorar e combater as causas de enfermidades ou danos à saúde humana. 2001) 1.

o ministério da saúde: integra a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). uma porção infinitesimal de toxina de alta potência. permite determinar com maior grau de certeza se eles são igualmente seguros ou equivalentes. (CAVALLI.de consumo. recomenda-se que a avaliação de segurança de um produto apenas pela análise da equivalência substancial deva ser um procedimento preliminar para qualquer alimento com componentes GMs. que trata de biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). não é uma prova irrefutável de segurança desse alimento. que trata da convenção para a proibição de Armas Biológicas e para elaborar e propor o marco legal da biosseguridade no país (MINISTÉRIO DA SAÚDE. é tratada pela Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS). especiarias e insumos que não contenham proteínas e DNA modificados. pela Fiocruz. No Brasil. que estuda os efeitos na saúde humana e meio ambiente dos OGMs. Biossegurança A Biossegurança. . como temperos. pelas 4 . no âmbito do Ministério da Saúde. Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) e formada pelas secretarias de Vigilância em Saúde (SVS) e de Atenção à Saúde (SAS). integra o Grupo de Trabalho. dos efeitos indesejáveis e dos testes de inocuidade. (FALEIRO. Funada e Anvisa. 2001) Dentre as diversas atividades relacionadas à biossegurança. da Assessoria Internacional de Assuntos em Saúde (AISA). animal e do meio ambiente. órgão brasileiro. entender e tomar medidas preventivas quanto aos efeitos adversos da biotecnologia. substancialmente equivalente ao produto de origem. é responsável pelo controle das tecnologias de OGMs. 2009) Uma avaliação positiva de OGM. do Ministério da Ciência e Tecnologia. 2. faz parte do Grupo de Trabalho Interministerial. 2013). Os fundamentos da biossegurança são pesquisar. por exemplo. Ela tem como preocupação basal permitir a proteção da saúde humana. Também deve-se evitar avaliações desnecessárias de produtos secundários de alimentos de composição complexa. Portanto. coordenada pela Secretaria de Ciência. pois nessa análise pode deixar de ser detectada. a legislação de Biossegurança engloba apenas a tecnologia de Engenharia Genética que estabelece os requisitos para o manejo de Organismos Geneticamente Modificados permitindo o desenvolvimento sustentado da biotecnologia. A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

a realização do Estudo Prévio do Impacto Ambiental (EPIA) e apresentação de Relatório do Impacto no Meio Ambiente (Rima). a importação. (CNTBio. e dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança. (PESSANHA. Aspecto interessante que cabe salientar sobre essa Lei é que a mesma condensou toda a matéria relativa a Biossegurança que vigorava no Brasil.emissões de pareceres técnicos sobre quaisquer liberações de OGMs no meio ambiente. 2002). 24 de março de 2005 Art. a comercialização. Além disso a CTNBio está envolvida na regulamentação de leis brasileiras quanto a manipulação e descarte dos OGMs.105 A Lei de Biossegurança 11. o consumo. 2005) A liberação de Organismos Geneticamente Modificados vem sendo condicionada de acordo com essa Lei. nas fábricas e locais em geral que produzam esse tipo de resíduos.105. A propagação de protocolos experimentais de manipulação de genes em variadas áreas e a falta de esclarecimentos necessários sobre a segurança e a qualidade dos produtos obtidos infligem a adoção de controles rigorosos quanto aos resíduos biológicos provenientes de laboratórios. o transporte. a transferência. a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados. a observância de todo o procedimento previsto e avaliação prévia da Comissão Técnica de Biossegurança Nacional. a manipulação. o cultivo. O descarte de resíduos deve ser mais rigoroso no intuito de minimizar os riscos de contaminação ambiental e de disseminação de OGMs. 2013). Essa Comissão determina quem em cada Instituição que trabalha com manipulação genética sejam instituídos um pesquisador principal e uma Comissão Interna da Biossegurança (CIBio) que devem ser os encarregados para que se cumpra às normas da CTNBio (HIRATA.1. possibilitando assim uma melhor abordagem. a exportação. (PESSANHA. 2002). que exige além do conhecimento científico acerca das características. (HIRATA. a pesquisa. 2. 1° Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção. riscos e propriedades de tais produtos. 2005) A nova Lei criou o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS. uma vez que trata de tema bastante recente e repleto de legislações esparsas. isto é. 5 . nos campos. reestruturou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio. a produção. o armazenamento. o acompanhamento do desenvolvimento tecnológico e científico na biossegurança. Lei 11. tanques de fermentação.

e não têm necessariamente de ser provenientes de indivíduos de espécies aparentadas. As modificações genéticas podem ser agrupadas em categorias de acordo com os objetivos das alterações: a) Alteração molecular. 3° Lei de Biossegurança 11.105: Alimentos modificados geneticamente contêm ou foram produzidos com OGM (BRASIL. 2005). Alimentos Modificados Geneticamente Alimentos modificados geneticamente são aqueles cujo material genético foi alterado. A legislação brasileira de Biossegurança estabelece que a analise de risco seja feita caso a caso. b) Órgão modificado. que irá conferir ao organismo novas características mais proveitosas para o homem. Manipulação genética As possibilidades de modificações genéticas e métodos de manipulação são inúmeras. visando proteger a saúde da população estabelece as diretrizes básicas para a avaliação do risco e segurança dos alimentos. (CNTBio. Contudo. O risco que a probabilidade de um determinado evento indesejável ocorrer.Anvisa – no controle sanitário dos alimentos. 2013). Estas alterações no material genético são efetuadas através de uma variedade de técnicas laboratoriais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve procurar atribuir-se da responsabilidade de levar em conta as implicações a longo prazo do consumo dos alimentos transgênicos sobre a saúde humana. alterando os genes existentes. (HIRATA. d) Especificações nutricionais e tecnológicas. c) Características Fenotípicas. 2002) 4. os produtos de modificação genética que 6 .A Resolução nº 17 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária . inserindo um novo gene ou porção de DNA. de modo que seja expressa uma nova enzima ou proteína. Segundo a Lei Art. podendo variar desde a adaptação de reagentes nos experimentos até os mais sofisticados métodos de mutação de múltiplos genes. Estes novos genes são provenientes de todo o tipo de seres vivos. 3. estabelecendo normas e regras sobre o consumo desses alimentos.

1. (HIRATA. (FALEIRO. são os provenientes de receptores ou parentais patogênicos. Durante manipulação dos materiais é necessário utilização correta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs).assim como.1. mas não incide em sério risco. 2002). Instituiu-se ainda por meios legais. DEFINIÇÕES DE RISCO E NÍVEIS DE BIOSSEGURANÇA Segundo as normas da CTNBio. 7 . as classes de risco em relação aos OGMs: Classe de risco 1 – organismos que não causam doenças em humanos e animais. (HIRATA. de acordo com o grau de periculosidade das atividades desenvolvidas.são liberados comercialmente são restritos a uma quantidade pequena de técnicas de manipulação previamente conhecidas e atestadas como seguras. e pode representar sério risco a quem o manipula. 4. (HIRATA. Classe de risco 3 – patógeno que comumente causa doenças graves a humanos e a animais. 2002) 4. os OGMs podem ser classificados em dois grandes grupos quanto sua origem: O grupo I. 2002). 2009) No meio.1. são os provenientes de receptores ou parentais de não patogênicos. fazer uso das Boas Práticas de Produção e Laboratoriais. A CTNBio regulamentou os procedimentos de segurança nos laboratórios por meio de instruções normativas. Esse critério para liberação comercial facilita a classificação e o controle dos alimentos modificados geneticamente. estabelecendo também níveis de contenção e tratamento de resíduos até o processo de comercialização. . Classe de risco 4 – patógeno que apresenta grande ameaça para humanos e animais. eles podem encontrar condições favoráveis para desenvolver diretamente ou contaminando hospedeiros e nele se desenvolvendo (HIRATA. representando grande risco ao manipulador e possui potencialidade na transmissão de um indivíduo a outro. 2002). Riscos de Manipulação Todo procedimento de manipulação genética envolve certo grau de risco de contaminação do ambiente através de descartes de ensaios envolvidos na produção de organismos modificados. O grupo II. Classe de risco 2 patógeno que causa doença.

Sendo. NB3 e NB4. podendo o experimento ser realizado em bancada e não sendo necessário equipamentos de contenção específicos. devendo ser adaptadas às condições de cada atividade mediante elaboração de manuais específicos de aplicação. O risco ambiental consistiria na probabilidade de uma espécie mutante vencer as barreiras naturais que outras espécies impõem transferindo material genético transformado para organismos nativos.. Risco Ambiental São relatados frequentemente como danos ambientais pelas críticas aos OGMs o escape gênico. (HIRATA. no qual o produto modificado poderia propagar-se para o meio. (HIRATA. define que o nível deve ser escolhido de acordo com o organismo de maior classe de risco envolvido no experimento. Os níveis de segurança são divididos em: NB 1. podendo acarretar danos irreparáveis a flora e a fauna. NB 2. casos são necessárias ações imediatas de desinfecção pelos componentes do grupo de trabalho. 1992). o NB 1. trazendo consequências ao equilíbrio do ecossistema. treinamento de pessoal e avaliação periódica de desempenho. contato de utensílios com bancadas. 5. (HIRATA. 2002).2. 2002). adequado ao trabalho que envolva agente com o menor grau de risco para o meio ambiente e manipuladores. Nesses. 8 . As operações de limpeza e higienização de áreas de manipulação devem ser orientadas pelas Boas Práticas de Laboratório (Garner et al. de equipamentos. respingos de líquidos na transferência de recipientes. 1992) e Boas práticas de Produção (Willig & Stoker. (HIRATA. portanto. 4.Em relação ao nível de segurança adotado nos laboratórios. como dispersão de produtos em locais de pesagem. 2002). dois conjuntos de princípios e normas que visam garantir a segurança de trabalho e do trabalhador. As Boas Práticas preconizam que a ação preventiva têm de prevalecer sobre a ação corretiva. Limpeza e desinfecção Áreas de manipulação de produtos estão sujeitas a incidentes. contaminação de cepas. O laboratório deste nível não deve ser separado das demais dependências da instituição. 2002). entre outros. a Instrução Normativa nº 7 (IN-7).

a esquematização das classes de resíduos auxilia a equacionar o tratamento e o destino a ser dado ao descarte de OGMs. o risco de contaminação ambiental pode ocorrer pela falha de processamento adequado dos insumos descartados. membrana de filtração. que confere resistência ao antibiótico ampicilina. mas as possibilidades são bem reduzidas. placas de cultura. pois são dependentes de insumo agrícola. 6. está comprovado que a troca de um gene inteiro entre células competentes de Escherichia coli com alta permeabilidade de membrana. Essas restrições envolvem o distanciamento de culturas e a incapacidade de variedades comerciais sobreviverem sem a intervenção humana direta. Estes devem ser mantidos em recipientes tampados até ser 9 . kits de purificação de DNA e vários outros itens de uso único e descartável. Insumos descartáveis Quando são utilizadas ponteiras. mas devido ao uso inadequado de herbicidas em culturas normais. assim como ocorre com os demais resíduos. são feitas algumas restrições a plantas GMs que tenham gêneros parentais. que o resíduo descartável seja coletado e armazenado em sacos de polímeros termoestáveis. Pois. tubos de ensaio. por exemplo. (HIRATA. e assim tornarem-se resistentes ao antibiótico. 6. . 2002). tubos eppendorf. 2002). Com base na insegurança quanto ao escape. Com relação à resistência aos herbicidas. tem uma probabilidade de 1x10 -19 para o gene da β-galactosidase. (HIRATA. devem ser previstas ações concretas de tratamento desse tipo de material. 2002). portanto é que o escape gênico é possível. A ação do herbicida irá selecionar as plantas resistentes ao mesmo (HIRATA. como nos casos de arroz e milho. No caso de transferência de genes em micro-organismos. o número de espécies de plantas daninhas não tem aumentado devido às plantas modificadas geneticamente. 2002). os tipos de resíduos gerados pela produção de alimentos GMs. Ou seja. (HIRATA. Recomenda-se.O que têm se observado. compreendem um valor muito elevado de produtos e subprodutos que devem ser processados antes do descarte no ambiente. Entretanto. a probabilidade é quase nula de ocorrer troca de material genético íntegro no meio.1. Descarte Por envolver atividades distintas.

Desse modo. ou incineração. Desse modo. para evitar uma contaminação do ambiente. até que se atinja a meta do projeto. etc. Material transformado O processo inicial dos experimentos de modificação genética de um organismo pode gerar um número grande de provas e ensaios negativos. plantas. o clorofórmio. fluxo de entrada e saída de materiais. sobretudo de unidades industriais. controlar limpeza e desinfecção de equipamentos e ambientes. os antibióticos. Na remoção. os restos de extratos de células e de tecidos. armazenamento. purificação e transformação de genes são de uso rotineiro em laboratório. 2005) 10 .removidos. nos quais o acúmulo deles no meio pode ser perigoso. . podem ser citados o fenol. o material poderá ser reciclado para uso em produtos que não levem risco a saúde humana. (ANEZ. devem ser previstas áreas restritas a circulação de pessoas envolvidas no trabalho. todo resíduo de transformação terá de sofrer esterilização. os compostos mutagênicos e carcinogênicos. é recomendada maior atenção para produtos de uso contínuo. Responsabilidade e Regulamentação Um projeto de laboratório de biotecnologia precisa contemplar um sistema de contenção.2. Como por exemplo. Ele também deve providenciar treinamento dos participantes. distribuir e planejar coleta de resíduos. todo resíduo de transformação deve ser desenvolvido em áreas contidas. devendo ser dado o mesmo destino que os demais produtos químicos. Controle. 6. São exemplos desses resíduos os meios de cultura de células. salas de esterilização e descarte. (ANEZ. 2005) O Pesquisador Principal tem responsabilidade direta pelo controle de resíduos e do descarte final de produtos e insumos. coleta e processamento de OGMs. Esses produtos podem requerer um tratamento especial em se tratando de resíduos de sistemas fermentativos. (HIRATA. os sacos têm de ser fechados e conduzidos a autoclaves para se proceder esterilização. 2002). supervisionar os processos e garantir o ambiente de trabalho saudável.3. os mostos de fermentação. (ANEZ. Uma vez esterilizado. Produtos Químicos Alguns reagentes de laboratório empregados em obtenção. Dependendo da especificidade do trabalho com OGM. 2005) 7. Porém. (ANEZ. 2005) 6. insetos e animais GMs instáveis.

Os sistemas de avaliação de risco e controle dos OGMs baseiam-se em dados fornecidos pelos interessados em regulamentar seu produtos. entretanto deve-se mencionar que tais metodologias não têm de se especuladas como as únicas formas de obtenção de gêneros alimentícios em quantidade suficiente para acabar com a fome mundial. É preciso analisar antes de tudo o compromisso com a responsabilidade e com a segurança do consumidor. Considerações Finais De forma direta ou indireta. A posição contraditória entre o FDA e os similares. europeus. inicialmente se baseando no conceito de equivalência substancial. Enquanto o FDA tem como foco a segurança do produto. serão inúmeros os benefícios potencialmente esperados dos alimentos geneticamente modificados. 2002). formam-se dossiês que serão submetidos a análise técnica das provas de sanidade do alimento. os demais se interessam pelos processos de obtenção em que são empregados genes de organismos não usados na alimentação humana. australiano. de forma a otimizar as leis e normativas já 11 . canadense e brasileiro está na forma de análise de dossiês. O surgimento de questionamentos e levantamento de casos são importante para os estudos da segurança dos alimentos GMs. (HIRATA.

De qualquer modo. já que a Engenharia Genética é um campo novo. Mas. Tem se mostrado como uma ferramenta imprescindível desde a produção de alimentos geneticamente modificados até o seu consumo e descarte. Além disso. a Biossegurança surgiu e tem avançado como uma aliada na manutenção e segurança da vida. somente após a conscientização do papel individual na construção de ações coletivas se chegará a padronização de procedimentos seguros de manipulação gênica. Sendo importante para contenção e controle das tantas produções biotecnológicas atuais afim de tornar possível a disponibilidade desses produtos de forma segura . 12 . é preciso de mais estudos na área e isso requer tempo. Sendo assim. diversos documentos disponibilizados pela rede mundial carecem de respaldo científico assumindo assim caráter filosófico e partidário. os órgãos oficiais em diversos países e regiões têm-se manifestado sobre a questão dos OGMs em face globalização do comércio de bens de consumo e de serviços.existentes e melhorar na segurança dos produtos devido a maior atenção na avaliação de risco. Tais órgãos produziram normas que estão sendo debatidas em fóruns internacionais com o claro objetivo de chegar a um consenso de procedimentos de avaliação preliminares ao lançamento de produtos para consumo humano. Portanto.