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A palavra vanguarda é de origem francesa e foi inicialmente utilizada para designar o destacamento que atua à frente de uma tropa

, aquele que se adianta aos soldados para fazer o reconhecimento do terreno e informar os oficiais sobre as condições de avanço. Artisticamente, o termo passou a designar os movimentos artísticos que propõem atitudes inovadoras. Em Literatura, Vanguardas Europeias designam o conjunto de movimentos artísticos surgidos na Europa nas duas primeiras décadas do século XX. Do início do século até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa viveu a “Belle Époque”, um período de euforia pelo progresso, pela velocidade, pelas vantagens da industrialização – cinema, automóveis, máquinas voadoras. Nas ciências, também houve um grande progresso. Em 1900, Sigmund Freud publicou A interpretação dos sonhos, obra que inaugurou a Psicanálise. Henry Bergson, filósofo francês, destacava em seus estudos o poder da intuição. Friederich Nietzche causava escândalo escrevendo sobre a “morte” de Deus soberano e absoluto. As bibliotecas, museus, academias - templos da tradição cultural – passaram a ser alvo constante dos artistas de vanguarda. Entre as estéticas de vanguarda que provocaram uma grande revolução nas artes literárias estão o Futurismo, o Cubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo.

Vanguardas europeias

1.

Futurismo

O Futurismo foi um movimento fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti, que o Manifesto do Futurismo em 20 de fevereiro de 1909. Ao poeta juntaram-se outros artistas - principalmente poetas e pintores - como Umberto Boccioni (1882 - 1916), Carlo Carrá (1881 - 1966), Giacomo Balla (1871 - 1958), Luigi Russolo (1885- 1947) e Gino Severeni (1883 - 1950). Em abril de 1910 era lançado um manifesto da pintura futurista, seguido por um manifesto da escultura futurista em 1912 e um livro sobre seus objetivos em 1914 (Pinttura, Scultura Futurista, Milão) os dois últimos escritos por Boccione. O movimento, a velocidade, a vida moderna, a violência, as máquinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do futurismo.

“Nós declaramos que o mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida (...) é mais belo que a Vitória de Samotrácia” (Felippo

Material produzido por Andréa Motta - Blog Conversa de Português – março de 2010

Manifesto do Futurismo. o Expressionismo surge no final do século XIX com características que ressaltam a subjetividade. Cubismo O Cubismo foi uma revolução estética e técnica tão importante para a Arte Ocidental quanto o Renascimento. destacando. que.1919 2.Tommaso Marinetti. George Grosz. Poema Futurista Felippo Marinetti . Marinetti lançou o Manifesto Técnico da Literatura Futurista. Paulo Klee. a intenção do artista é de recriar o mundo e não apenas a de absorvê-lo da mesma forma que é visto. Neste movimento. orgulho e velocidade vertiginosa. Max Beckmann. também conhecido como "Palavras em Liberdade". Aqui ele se opõe à objetividade da imagem. 1909) Somente a forma e a cor não mais bastavam para representar o dinamismo moderno. . Francisco Marc. febre. XIX. ele foi uma atitude em prol dos valores humanos num momento em que politicamente isto era o que menos interessava. que também foram influenciados por esta manifestação artística. os primeiros sinais do expressionismo. de Pablo Picasso. onde atingiu vários pintores num momento em que o país atravessava um período de guerra. Além dos movimentos que influenciaram a literatura. o subjetivismo da expressão. Ele serviu como fonte de inspiração para os pintores: Érico Heckel. além de criticar a posição da arte literária do séc. Seu marco ocorreu na Alemanha. Iniciado dentro de um círculo muito restrito. Ocorreu no período de 1907 a 1914. que será o santuário do Cubismo. como se lê no manifesto de 1910: «Deve ser feita uma limpeza radical em todos os temas gastos e mofados a fim de se expressar o vórtice da vida moderna uma vida de aço.» Em 1912. não foi pensado como um movimento. Há ainda muitos outros pintores. Na imagem ao lado. o quadro Mademoiselle Da Vignon. o início do século XX foi arrebatado por inovações também nas artes plásticas e visuais. etc. Kahnweiler abre no outono de 1907 a galeria da Rua Vignon. tendo como fundadores Pablo Picasso e George Braque. O principal precursor deste movimento foi o pintor holandês Vincent Van Gogh. já manifestava. com seu estilo único. Em oposição ao Impressionismo. entre eles. Pablo Picasso. Pode-se dizer que o Expressionismo foi mais que uma forma de expressão. através de sua arte. As obras de arte expressionistas mostram o estado psicológico e as denúncias sociais de uma sociedade que se considerava doente e na carência de um mundo melhor. Nele. propôs as destruição dos padrões da sintaxe gramatical. em contrapartida. Aos seus criadores se uniu um grupo de amigos intelectuais escritores de vanguarda.

ed. consulte as páginas abaixo): Vanguardas europeias: o academicismo posto em xeque. São Paulo: Cultrix. 3. artistas de várias nacionalidades. Sugestões de leitura (Se possuir acesso à internet. História concisa da literatura brasileira. Dadaísmo Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que.com). Petrópolis: Vozes. Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação à incapacidade das ciências.com. TELES. teriam sido convocados para o serviço militar. eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra. vá direto para a página do vídeo no YT. 1999. se tivessem permanecido em seus respectivos países. naquele momento. religião. 33. exilados na Suíça.br) Vanguardas europeias (site www. Se preferir. A palavra significava “cavalo de pau” e foi escolhida por não fazer sentido algum. o Dada foi um movimento de negação.Blog Conversa de Português – março de 2010 . Contém texto explicativo e uma aula a partir de um vídeo hospedado no site YouTube. Gilberto Mendonça. (Site www. Referências bibliográficas: BOSI. Leia o Manifesto do Futurismo e a reportagem sobre a Fonte de Trevi. 1997. assim como a guerra que. 17. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa.ed.Tarefas sobre o tema: 1. Alfredo. assolava o mundo.grupoescolar. Durante a Primeira Guerra Mundial. Material produzido por Andréa Motta .pitoresco. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro.

4. Nós queremos glorificar a guerra. cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas. 9. o gesto destruidor dos libertários. 5. em corrida no circuito da sua órbita. Declaramos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas. 8. . o êxtase e o sono. lançada. serão elementos essenciais da nossa poesia. com ardor.PRODUÇÃO DE TEXTO TEXTO I Manifesto do Futurismo Felippo Tommaso Marinetti 1. Até hoje. as pontes que saltam como atletas por sobre a diabólica cutelaria dos rios ensolarados. Nós vivemos já no absoluto. o feminismo e todas as vilezas oportunistas ou utilitárias. por sua vez. a literatura exaltou a imobilidade pensativa. o patriotismo. cuja haste ideal atravessa a Terra. 10. Um carro de corrida com a carroçaria enfeitada por grandes tubos de escape como serpentes de respiração explosiva… um carro tonitruante que parece correr entre a metralha é mais belo do que a Vitória de Samotrácia. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho. o hábito da energia e da temeridade. Queremos cantar o amor do perigo. 3. galgando os carris como grandes cavalos de ferro curvados por longos tubos e o deslizante voo dos aviões cujos motores drapejam ao vento como o aplauso de uma multidão entusiástica. a bofetada e o sopapo. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser considerada obra-prima. 2. pelo prazer ou pela revolta. as belas ideias por que se morre e o desprezo da mulher. pois já criamos a eterna velocidade. O poeta terá de se prodigar. a audácia. Nós queremos exaltar o movimento agressivo. as academias de todo o tipo e combater o moralismo. Estamos no promontório extremo dos séculos!… Porque deveremos olhar para detrás das costas se queremos arrombar as misteriosas portas do impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. a rebelião. as gulosas estações engolindo serpentes fumegantes. para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais. 6. refulgência e prodigalidade. as bibliotecas. as fábricas suspensas das nuvens pelas fitas do seu fumo. o passo de corrida. 7. o salto mortal. 11. Não há beleza senão na luta. para reduzi-las a prostrar-se perante o homem. as locomotivas de vasto peito. os aventureiros navios a vapor que farejam o horizonte. Queremos destruir os museus. A coragem. o militarismo. a insônia febril. Queremos cantar o homem que segura o volante.

os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!. temos já esbanjado tesouros.. sem jamais hesitar.] E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?. a alegria de ver flutuar à deriva.. tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seu os prisioneiros. das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos.. como manuscritos inúteis.. às portas das academias. desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado. Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes! [. estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente.. precipitadamente. em violentos arremessos de criação e de ação. [. Quereis.. realmente. calvários de sonhos crucificados.. Oh... nós. de toda parte. dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos. pois. Idênticos.É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo. arqueólogos. mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas! Material produzido por Andréa Motta . de audácia. Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!. as velhas telas gloriosas!... delirantemente. Aqui!. cicerones e antiquários.) é... sem calcular.] Museus: cemitérios!..] Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto. de amor. de ódio e de velocidade!.. do passado. os machados. jovens e fortes futuristas! Bem-vindos... pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem.. Estais admirados? É lógico.... pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo. Empunhem as picaretas. registros de lances truncados!...Blog Conversa de Português – março de 2010 . pois. vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males. Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Nossos corações não sentem nenhuma fadiga. Mas nós não queremos saber dele.. da qual saís fatalmente exaustos. mil tesouros de força.. . porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores. de astúcia e de vontade rude. já prometidas às catacumbas das bibliotecas. rasgadas e descoradas sobre as águas. pelo menos um decênio mais jovens e válidos que nós jogarão no cesto de papéis. [.. o bom cheiro das nossas mentes em putrefação. Desviem o curso dos canais para inundar os museus!. Admirar um quadro antigo equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária. já que para eles o futuro está barrado. para os artistas. os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas! Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim. sem jamais repousar. porque estão nutridos de fogo. diminuídos e espezinhados? Em verdade eu vos digo que a frequentação cotidiana dos museus..Pois é isso que queremos! Nossos sucessores virão de longe contra nós. até perder o fôlego. em vez de projetá-la para longe..

em um texto dissertativo. texto que iniciou os movimentos de vanguarda do século XX e foi publicado em 20 de fevereiro de 1909. as autoridades pararam o circuito de água em uma tentativa de evitar que o movimento e as pequenas cascatas que há na fonte possam danificar as esculturas. 20/ 10 / 2007 O Manifesto do Futurismo. postulava “Vamos demolir o museu e as bibliotecas”. Era um ato de protesto contra a realização do segundo festival de cinema da capital. A Fontana di Trevi. Segundo testemunhas. Os policiais que vigiam a fonte continuamente não conseguiram prender o manifestante. a Fontana de Trevi está agora com o conjunto de mármore ameaçado pela tinta. assustando os turistas. uma vez que estes se intitularam futuristas. Nós. Começa assim. de aproximadamente 20 linhas. Fonte: JB on line. um novo milênio. para nós futuristas. diz. "Vocês sobre o tapete vermelho. uma nova adesão às evoluções técnicas e aos novos meios de expressão. naquele contexto. uma pessoa se aproximou da fonte e jogou uma sacola com um líquido vermelho. que se espalhou imediatamente. Não se sabe que corante foi usado. pois a água escoa em circuito fechado. interpretando uma renovação total". as suas considerações sobre o ato dos jovens italianos. . em uma cidade inteira de cor vermelho vivo. Releia-o e exponha de maneira clara. Tenha como base os princípios das vanguardas que deram origem aos chamados movimentos modernistas e o que significa. a maior fonte de Roma. de Felippo Tommaso Marinetti. O vandalismo foi assumido pelo desconhecido grupo 'FTM Azione Futurista 2007'. O grupo deixou uma caixa com panfletos atacando a Festa Internazionale di Roma. a seguinte notícia: Água da Fontana di Trevi é tingida ROMA. a mostra de cinema da cidade. amanheceu jorrando águas tingidas de vermelho intenso. “destruir museus e bibliotecas”. Por enquanto.TEXTO II Os jornais e a TV publicaram. Monumento barroco inaugurado em 1762. em 20 de outubro de 2007.

É permitida a reprodução e distribuição sem fins lucrativos. Andréa Motta Material produzido por Andréa Motta .Blog Conversa de Português – março de 2010 .SOBRE ESTE MATERIAL Este material foi originalmente distribuído aos meus alunos do Ensino Médio e posteriormente publicado na coluna Sala de Aula do blog Conversa de Português em março de 2010.