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Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Departamento de História da Arte - Mestrado em História da Arte Seminário: Modernismo

e Modernismos na Arte portuguesa Professora da disciplina: Prof. Dra. Margarida Acciaiuoli ARISTIMUÑO, Felipe Sobre Almada-Negreiros e um pouco do seu pensamento acerca da arte Dezembro de 2008 Breve identificação biográfica1: “José Sobral de Almada-Negreiros nasceu em Lisboa, a 7 de abril de 1893. Terminados os estudos secundários, encetou intensa campanha cultural que visava a colaborar para que Portugal se nivelasse às demais nações europeias. Em 1915 participou no grupo do Orpheu. Inconformista, voltou-se contra todas as modalidades de academicismo (Manifesto Anti Dantas e Por Extenso, 1915), ao mesmo tempo que procurava divulgar as modernas correntes estéticas. Entre 1919 e 1920 esteve em Paris a estudar pintura. As artes visuais ainda o levaram à Espanha, de 1927 a 1932. Faleceu na cidade natal em 1970.” (Moisés, p.205) Artista autodidata:
“lembrei-me que gastei mais três anos do que os necessários para os sete dos liceu. A explicação era a de ter sido inúmeras vezes apanhado em flagrante pelos professores a fazer bonecos nas aulas, às escondidas (…). Mas a verdade é que uma vez chegado à vida a minha pena foi a de não ter perdido antes sete anos do liceu por causa dos três anos de bonecos! (...) Peço-lhes por tudo quanto há que não me perguntem a razão pela qual eu não entrei na Escola de belas Artes. Eu senti a impressão, ao ver aquela fachada, que tinha de estar outra vez mais dez anos a tirar os sete dos liceus.” (ALMADA, p.140)2.

Sociedade “à la page”: Almada-Negreiros via Portugal, nas primeiras décadas do século XX, em descompasso com os demais países europeus3. Na conferência de 1926, ele afirmou que o país não estava “à la Page” com o tempo actual, tendo um passado de vanguarda histórica que se perdeu há quatro séculos: “(...) desde que perdemos a dianteira do mundo, desde então, nunca mais nós os portugueses estivemos à la page!” (ALMADA, p.137) Desenhador de periódico: Conforme Vasco de Castro4, Almada-Negreiros, juntamente com outros artistas do gueto entre Rossio e Chiado no início do século, iniciaram-se pelo desenho satírico em periódicos porque era um modo imediato e possível de ganhar a vida. Naquela altura, ainda conforme Castro, não havia como um pintor que escolhesse os caminhos do modernismo sobreviver em Lisboa. Mas esse autor define Almada como um desenhador sobretudo, que tinha como obsessão o esplendor da pureza da linha (CASTRO, p.36-38). Mas para além das formas, Almada buscava na arte coerência ideológica (de identidade principalmente) e postura dos artistas. Criticou as motivações do Salão dos Independentes por estarem (os artistas) em uma “guerra que já havia terminado”. Ele lastimava que pouco restou do grupo inicial do qual fazia parte, que contava com Fernando Pessoa (escritor), Ruy Coelho (músico), Eduardo Viana (pintor) e morreram Amadeo de Souza-Cardoso, Guilherme de Santa Rita e Mário de Sá Carneiro. (ALMADA, p.143) A visão da arte com a pátria: Para Almada-Negreiros não era possível ter motivo que juntasse no mesmo ideal a sua arte e a dos “artistas avançados” que ele conheceu em Paris. Isso porque ele acreditava que a arte não vivia sem a pátria do artista5.
1 MOISÉS, Massaud. O Conto Português; 6ª Edição Revisada. Cultrix : Lisboa, 1998. 366p. 2 ALMADA-NEGREIROS, José de. Manifestos e Conferências. Assírio & Alvim : Lisboa, 19XX 3 “A humanidade inteira, incluindo os portugueses, está no século XX, contudo, Portugal não está ao lado da humanidade actual.” (ALMADA, p.136) 4 CASTRO, Vasco. Almada, Desenhador. In REGO, Manuel (coord). Almada : o escritor, o ilustrador. Instituto da Bibl. Nac e do Livro : Lisboa, 1993 5 “Foi então (no etrangeiro) que eu vi que a Arte tinha uma política, uma pátria e que o seu sentido universal existia intimamente ligada a cada país da Terra (ALMADA, p.144).