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REFLEXÃO DO DIA Porque aumenta assustadoramente o uso de diversos tipos DROGAS atualmente nas famílias?

Para entendermos o que cada família sente EMOCIONALMENTE quando descobre que seu filho(a) está usando drogas, é preciso entender as fases das etapas do luto para traçar um paralelo entre a DROGADICÇÃO e as relações destas etapas das perdas.

5 Estágios de todas perdas que enfrentamos ao longo da vida: 1. NEGAÇÃO 2. RAIVA 3.BARGANHA (ESSA SE MANIFESTA MUITAS VEZES NA RELIGIOSIDADE DO INDIVÍDUO) 4. DEPRESSÃO 5. ACEITAÇÃO Pois por mais que possam ter sido vividas de forma triste, traumática e frustrante, passaram a representar um estilo de vida de um sistema familiar disfuncional. Portanto, o fim dos papéis adotados e vividos dentro desta dinâmica familiar doentia, representa um luto. E por mais incrível que possa parecer, é uma despedida dolorosa, pois representava um movimento familiar já bem estabelecido durante anos e que agora, no caminho da recuperação, tende a se desfazer, o que envolve um corajoso mergulho de cada membro em busca de si mesmo, o que não é nada fácil. 1º - FASE da NEGAÇÃO -- onde o doente se recusa a aceitar o diagnóstico de sua condição fatal. Devemos entendê-lo como um processo natural de defesa, tendo em vista o tamanho da dor experimentada e a incapacidade momentânea em suportá-la. Por isso essa negação de alguma forma vem aliviar o impacto da notícia, buscando acima de tudo um conforto e um suposto reequilíbrio emocional. Já nos DEPENDENTES QUÍMICOS e em seus familiares, a NEGAÇÃO acontece de forma intensa assim que a doença começa a se manifestar ou nos primeiros sinais do uso contínuo de substâncias psicoativas. O dependente químico nega que é um doente por acreditar erroneamente que não consegue

além de negarem a doença de seu familiar. Carregam assim a ilusão de controle sobre o dependente químico e sua doença. ilusoriamente “proteger” o seu dependente. às mudanças necessárias e mais saudáveis. oferecendo-lhes suficiente segurança para que possam enxergar com serenidade o que realmente está acontecendo em seu interior e no sistema familiar. Queixa-se muito. acima de tudo. os profissionais a traduzir com cautela essa defesa utilizada. negam também sua dependência emocional. Por isso. . Encontrar um novo modo de viver com responsabilidade e maturidade por suas próprias vidas e atos requer coragem. apesar de interiormente sentir culpa e vergonha por estar preso e vencido pelo poder das drogas sobre ele. É muito comum a auto-piedade e as agressões verbais. como também para. pois de alguma forma já sabiam se posicionar e lidar com elas. o novo passa a ser ameaçador. As antigas relações com o dependente químico. traziam a ilusão de segurança.FASE da REVOLTA e RAIVA -. = “O que fiz para merecer isto?”.viver sem a substância de que tanto precisa: a droga. No caso dos co-dependentes. Por que e Por que?” são os pensamentos e as frases mais presentes neste momento. = “Porque isso está acontecendo comigo?”. como uma forma de mostrar que ainda está vivo. esforço e determinação. É uma fase onde familiares e profissionais devem entendê-la como uma manifestação de sua dor e não como uma agressão pessoal. reclamando atenção. Diante disto cabe a nós os PSICANALISTAS. não suportando a ideia de abster-se do que se tornou dependente e que de alguma forma o “alivia” . numa tentativa de não se fazer esquecido. quando esse quadro se torna mais evidente o dependente químico demonstra raiva. não só para se protegerem da dor e do sofrimento vivido.Procuram culpar algo ou alguém por sua “condenação” e por ter sido “o escolhido” pela doença adquirida e manifesta. Já nos DEPENDENTES QUÍMICOS como o alcoolismo e na drogadição. ainda que doentias. encorajando-os. como a impotência diante do outro. Olhar para o dependente químico e sua doença é uma forma que encontram de se protegerem de um emaranhado de sentimentos confusos e obscuros que os perseguem todo o tempo. 2ª . pois acreditam ainda que a DINÂMICA FAMILIAR ESTÁ CAÓTICA APENAS EM FUNÇÃO DA DOENÇA E NÃO EM FUNÇÃO DO PRÓPRIO SISTEMA DISFUNCIONAL O QUAL ESTÃO INSERIDOS E SUBMETIDOS. = “Por que. a culpa que acreditam pertencer-lhes e principalmente por não conseguirem reverter a situação.

FAMÍLIA == por sua vez.. Raiva dos outros. Por isso sentem raiva. O objetivo final deste processo no tratamento é ajudá-los a se responsabilizarem por suas próprias atitudes e sentimentos. raiva de si mesmos. Neste estágio é comum lançarem mão de atitudes mais enérgicas com o “seu” dependente. sem deixarem que a doença ou o dependente escolham por eles. tão logo reconheça que tais negociações se tornaram também sem efeito e impossíveis vivem então a quarta fase: 4ª FASE da DEPRESSÃO == É comum fazer uma revisão de sua vida. aceita então o fato de perder. raiva do dependente. resistem mais uma vez em admitirem sua impotência diante do outro e não se “rendem” tão fácil assim. Carregam frustração. convidando-os a olharem para si mesmos e buscarem uma forma de lidar com sua própria vida. 3ª FASE da NEGOCIAÇÃO == Vivem novamente a ilusão de controle da situação. da doença e da vida. etc. interferindo no processo de responsabilidade e de escolha do dependente através de chantagens emocionais. Nosso papel como profissional é fazê-los entender e sentir que só é possível se responsabilizarem por suas próprias escolhas e mostrar-lhes a necessidade de abraçarem a própria vida. incompetência educacional do parceiro(a). mas tenta adiá-lo. Quando percebem que sua RAIVA e/ou AUTO-PIEDADE são destrutivas. É o melhor momento de se trabalhar o desligamento emocional. muitas vezes inadequados. término de relacionamentos com esposas(os) ou namoradas(os). numa tentativa de negociarem seus desejos e vontades. como também adotarem um papel de mártires num jogo silencioso e hostil. como más companhias. . Questionam e resistem às orientações do profissional responsável e aos programas de recuperação.   O desligamento emocional não é uma atitude fácil de se elaborar e aceitar. pois acreditam que ainda podem modificar o dependente. E. Nas perdas vive-se também a expressado revolta e raiva pela perda e não conseguindo nenhum retorno. ou seja. ao mesmo tempo em que constatam que seus esforços para reverter esse quadro de nada adiantaram. a última fase. passando por longos períodos em silêncio e de forma reflexiva. revolta e ressentimento.Os CO-DEPENDENTES. Aceita a perda é um período que precede a aceitação. costumam culpar algo ou outras pessoas pela manifestação da doença de “seu” dependente.

os papéis mudam. De FAMÍLIA DISFUNCIONAL (família onde o relacionamento entre os seus membros são distorcidos. é fundamental procurar o incentivo de outras pessoas. se preparando assim para a proximidade do fim. NO DEPENDENTE QUÍMICO e nos CO-DEPENDENTES – OS FAMILIARES se manifestará também da mesma forma. Neste momento de recaída emocional. chorando muitas vezes de forma silenciosa. e se recusam a prosseguir até o último estágio de seu luto. após uma nova constatação de que são de fato impotentes diante do álcool. muitos dependentes e co-dependentes param por aí. o sistema familiar muda. Então. sendo mártires ou reféns da própria doença e da dependência emocional.5ª FASE da ACEITAÇÃO == Aguardando então a evolução natural e ainda que tenha alguma esperança. respeito e cooperação entre seus membros e abertura para mudanças. aceitando seus próprios sentimentos e avançando assim até a última e necessária fase de seu trabalho de luto – a aceitação. Possivelmente continuarão sofrer por muito tempo ainda. Infelizmente. Resistem em prosseguir em direção a recuperação. das drogas e do outro e que não podem modificá-los. fazer suas despedidas com paz e tranqüilidade.” . ou seja.“Admitimos que éramos impotentes perante o ADICTO e que tínhamos perdido o controle de nossas vidas”. o dependente químico muda. estágio que se vivenciado leva-os enfim a uma efetiva mudança. . madura e saudável. que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis. mesmo em momentos difíceis). neste momento a pessoa não se angustia mais. Um período de baixa emocional. prosseguindo no processo de dependência ativa. tanto dos grupos de mútua-ajuda como dos profissionais responsáveis para que continuem seu tratamento. Preferem continuar sofrendo. – “Admitimos que éramos impotentes perante a nossa ADICÇÃO. Busca apenas terminar algo que deixou por resolver. bloqueados e rígidos sem a permissão de mudanças em sua dinâmica) passa a ser uma família funcional (família onde existe confiança. Encerram o processo de luto e finalmente aceitam a morte de seus relacionamentos dependentes e doentios. aceitar a perda com dignidade. E só assim conseguem conquistar serenidade e a determinação em construir uma “nova” vida. Normalmente nesta fase concordam em procurar os grupos de mútua-ajuda e iniciam com mais facilidade o 1º Passo da Programação dos 12 passos: – “Admitimos que éramos impotentes perante o ÁLCOOL – que tínhamos perdido o controle de nossas vidas”. as pessoas mudam.

passando a se importar com ele e não por ele e sentindo-se livres para amar e renascer após a perda. E os co-dependentes = FAMILIARES = descobrem que podem se sentir confortáveis. deixa de ser um fardo e se torna entusiasmo. bem como a auto-estima e a autoconfiança. vivendo “um dia de cada vez” e "só por hoje”. entregando a partir daí a responsabilidade da recuperação para o próprio dependente químico. A partir de então se estabelece uma dinâmica mais digna e saudável e de um gratificante processo de evolução pessoal. A recuperação enfim. aprendem realmente o que significa o desligamento emocional. tudo isso. emocional e espiritual onde. A incapacidade de modificar o comportamento do outro já não lhes tira mais o sossego. Enfrenta As perdas de forma tranquila é a saída. Enfim. RAIVA.O dependente químico por sua vez. DEPRESSÃO E ACEITAÇÃO são os 5 estágios do caminho para a elaboração de todas as perdas que percorremos até conseguir encontrar a serenidade e o resgate de suas próprias vidas . NEGAÇÃO. Portanto. se responsabilizar pelos próprios atos e sentimentos é o pleno exercício da liberdade. E dizer “eu sou responsável” passa a ser uma alegria incontida. Mas. o luto e a morte de seus relacionamentos patológicos. descobre que pode viver sem a bebida e as drogas e assim renasce. mas é preciso desejar e investir na recuperação enfrentando o fim de seus relacionamentos doentios e resgatam suas próprias vidas. apesar de sua impotência diante de “seu” dependente. NEGOCIAÇÃO.