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ESTADO DO MARANHÃO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

CÂMARAS CÍVEIS REUNIDAS Sessão do dia 4 de maio de 2012 MANDADO DE SEGURANÇA Nº. 33135/2011 – SÃO LUÍS Impetrante: SERPAL – Engenharia e Construção Ltda. Advogados: Milton Saad, Gilberto Saad e outros Impetrado: Secretário de Estado da Fazenda do Estado do Maranhão Relator: Desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa ACÓRDÃO Nº.114.484/2012 EMENTA CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O mandado de segurança visa proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas-corpus ou " abeas-data, quando o responsável " " h " pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 2. O direito líquido e certo pode ser entendido como aquele no qual os fatos são provados de plano, já que no mandado de segurança não há espaço para dilações probatórias. Ausentes documentos necessários e essenciais à comprovação da violação ao direito líquido e certo do impetrante, não se tem como conceder o mandamus. 3. Writ denegado.

ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os senhores desembargadores das Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, por votação unânime, DENEGAR a segurança, nos termos do voto do relator, que integra este acórdão. Participaram do julgamento os excelentíssimos senhores desembargadores Jamil de Miranda Gedeon Neto, Anildes de Jesus Bernardes Chaves Cruz, Marcelo Carvalho Silva, Paulo Sérgio Velten Pereira, Lourival de Jesus Serejo Sousa e Jaime Ferreira Araújo. Presidência do desembargador Raimundo Freire Cutrim. Funcionou pela Procuradoria Geral de Justiça o procurador Raimundo Nonato de Carvalho Filho. São Luís, 4 de maio de 2012.

DESEMBARGADORLOURIVAL SEREJO
RELATOR

Gabinete do desembargador Lourival Serejo - Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua Praça D. Pedro II, s/n – Centro – CEP: 65010-905 – São Luís - MA – Tel/Fax: (98) 2106-9476 e-mail:gablourival@tjma.jus.br

que “(. que objetivando executar as obras contratadas adquiriu materiais necessários em outros estados da federação. Destaca que.) todas as exigências tributárias (inclusive as já incluídas no aviso de débito emitida pela Secretaria de Estado da Fazenda) e consequentemente proceda à liberação das mercadorias que ainda chegarão ao Estado do Maranhão. que mesmo com a exigência mencionada recebeu um aviso de débito de ICMS da Secretaria de Estado da Fazenda. Aduz a impetrante que é uma empresa da construção civil (Construtora) que tem por objeto a exploração comercial de projetos. inciso III. que atualmente executa obras de engenharia civil no município de São Luís. a atividade de construção civil não é fato gerador de ICMS. Ressalta..34 (sessenta e quatro mil. da Constituição Federal. materiais a serem empregados como insumo nas obras que executa não o torna contribuinte de ICMS e nem contribuinte de diferencial de alíquota de ICMS cobrada pelo Estado destinatário.. ainda. 432 do STJ.) que (fl. s/n – Centro – CEP: 65010-905 – São Luís . dentre outros. com a exigência do recolhimento de ICMS complementar.. que consta no citado aviso que o não ” (fl.)” (fl. serviços de elétrica e mecânica. que ao adquirir em outro Estado... Em face dos pontos apresentados.. mesmo vislumbrando ilegalidade na conduta do Estado do Maranhão. no valor de R$ 64. consultoria e execução de obras de engenharia civil. em São Luís. apontando que estão presentes o fumus boni iuris o periculum in mora. sem cobrança do diferencial de alíquota (. Gabinete do desembargador Lourival Serejo . relativo ao Termo de “(. também. fiscalização.ESTADO DO MARANHÃO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA MANDADO DE SEGURANÇA Nº. 116/2003 (item 7 do anexo) e nos artigos 155..) Verificação de Irregularidade e Infração Fiscal – TVI-IF do suposto diferencial de alíquota. com fundamento no artigo 5º.. nos termos da Lei Complementar nº. 17).) as empresas de construção civil são contribuintes de imposto sobre serviços –”ISS (. 33135/2011 – SÃO LUÍS RELATÓRIO Trata-se de mandado de segurança impetrado por SERPAL – Engenharia e Construção Ltda.jus. Pedro II.MA – Tel/Fax: (98) 2106-9476 e-mail:gablourival@tjma. que. assevera que a conduta do Estado do Maranhão viola a Súmula nº.Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua Praça D.016/2009. A impetrante sustenta seus argumentos. e pugna pela concessão de medida liminar para que sejam suspensas “(. Além disso. todavia. pagamento implicará a suspensão da inscrição no cadastro de contribuinte do ICMS e sujeitará o lançamento do crédito tributário em Auto de Infração.. inciso LXIX da Constituição Federal c/c artigos 1º e seguintes. contra ato supostamente ilegal do Secretário da Fazenda do Estado do Maranhão... Aponta. inciso II e 156.br . efetuou o pagamento do diferencial de alíquota do ICMS complementar do mês de agosto de 2011 a fim de evitar maiores prejuízos ao empreendimento em execução.) 4).. da Lei nº 12.626. 8).. ao destinar citadas mercadorias ao Estado do Maranhão foi surpreendido. seiscentos e vinte e seis reais e trinta centavos) atualizado para pagamento em 30 de setembro de 2011(.

São os fatos que merecem relato. s/n – Centro – CEP: 65010-905 – São Luís . 96-100).o mandado de segurança. artigo 5º. requer prova préconstituída das alegações nele veiculadas. O direito não ampara o impetrante.Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua Praça D. não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data". por fim. pede que writ seja definitivamente julgado procedente e o que o valor já recolhido indevidamente a título de ICMS complementar seja restituído. 5º. também. O pedido de liminar foi indeferido (fls.conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. inciso LXIX .br . A referida medida visa acautelar direito líquido e certo. em virtude de ilegalidade ou abuso de poder praticado por autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas. sem cobrança do diferencial de alíquota.MA – Tel/Fax: (98) 2106-9476 e-mail:gablourival@tjma. VOTO Como se encontram presentes os pressupostos de admissibilidade exigidos por lei. pede-se a restituição de valor já recolhido a título de ICMS COMPLEMENTAR. opinou pela denegação da segurança almejada (fl. Gabinete do desembargador Lourival Serejo .LXIX . Deseja-se. A Procuradoria Geral de Justiça. pelo próprio rito a ele atribuído. a liberação das mercadorias que chegarão ao Estado do Maranhão. 1 CF. 77-93. o presente mandamusdeve ser conhecido. afim de que se visualiza o direito líquido e certo. A autoridade impetrada apresentou suas informações às fls.jus.ESTADO DO MARANHÃO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA No mérito. lesionado ou ameaçado de lesão. Conforme se apontou na decisão que negou o pedido de liminar inaudita altera pars. inclusive as já incluídas ”. LXIX . no aviso de débito emitido e enviado ao impetrante. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Pedro II. O Mandado de segurança é uma ação constitucional de natureza civil 1 prevista no art. por meio da procuradora Maria dos Remédios Figueiredo Serra. Cuida-se de mandado de segurança onde se almeja a suspensão de “ todas as exigências tributárias denominadas de “ICMS COMPLEMENTAR”. 67-69).

2 CF. 28. Pedro II.ESTADO DO MARANHÃO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA Como dito alhures.operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.jus. PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. é necessário que o direito seja líquido e certo. Nesse sentido o Supremo Tribunal Federal assim se manifestou: MANDADODE SEGURANÇA AGRAVO REGIMENTAL. artigo 155 Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II . 3 STJ. Tribunal Pleno. não se verifica. Não há que se confundir a simples nomenclatura de especialista. n. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.MS 25054 AgR. Conforme se depreende da inicial. em face de materiais adquiridos em outros estados para serem empregados em obras que estão sendo executadas. conforme alega o impetrante. usada em decreto. também a doutrina é pacífica no sentido de que o mandamus não admite dilação probatória. § 4º. direito líquido e certo é aquele no qual os fatos estão comprovados de plano. CF/69). o impetrante sustenta que a cobrança de ICMS COMPLEMENTAR na entrada do Estado do Maranhão. II. 155. a comprovação de que as mercadorias adquiridas em outros Estados e constantes das notas de fls.leitura atenta dos autos demonstra que não se tem como A aferir o direito postulado pelo impetrante. 2.br .MA – Tel/Fax: (98) 2106-9476 e-mail:gablourival@tjma. da Súmula 432 do 3STJ . também. Relator(a): Min. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: III . Assim como a jurisprudência. e 156. 42-50. 330. julgado em 03/05/2006. súmula nº. In casu. o impetrante deve apresentar provas pré-constituídas. Tal fato ocorre em face da ausência de documentos comprobatórios das alegações. Artigo 156.Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua Praça D. inciso III. Gabinete do desembargador Lourival Serejo . inciso II. DJ 26-05-2006 PP-00008 EMENT VOL-02234-01 PP-00089 LEXSTF v. DUPLA APOSENTADORIA. s/n – Centro – CEP: 65010-905 – São Luís .serviços de qualquer natureza.As empresas de construção civil não estão obrigadas a pagar ICMS sobre mercadorias adquiridas com insumos em operações interestaduais. com a relação contratual de prestação de serviços técnicos e especializados prevista na norma constitucional (art. ESPECIALISTA E CONTRATO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. definidos em lei complementar. A prova do alegado direito líquido e certo deve ser pré-constituída. (STF . da Carta 2 Republicana de 1988e. foram ou serão utilizadas exclusivamente como insumos nas obras realizadas em São Luís. 2006. 1. já que no mandado de segurança não se admite dilação probatória. ELLEN GRACIE. . 3. é ilegal e arbitrária. nos presentes autos. 117-121). Portanto. 432 . Agravo improvido. dentre os elementos para a concessão da presente medida. verifica-se que o impetrante não apresentou prova préconstituída dos fatos alegados. p. não compreendidos no art. 99. Em que pese os termos dos artigos 155. Para a doutrina e para a jurisprudência.

cumpre denegar a segurança. em São Luís. DESEMBARGADORLOURIVAL SEREJO RELATOR Gabinete do desembargador Lourival Serejo .jus. para a propositura de uma nova ação com a devida instrução do feito. Pedro II. que o direito deve ser comprovado de plano. Sala de Sessões das Câmaras Cíveis Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Dessa forma. É como voto. por se tratar de via estreita de mandado de segurança. pois não há provas suficientes nos autos que comprovem que o impetrado violou direito líquido e certo do impetrante. devendo o impetrante. Também.ESTADO DO MARANHÃO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA Ademais. 4 de maio de 2012. Todos esses seriam documentos necessários para o entendimento completo da situação narrada na inicial e aferição da legalidade ou não da conduta da autoridade impetrada. qual seja.Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua Praça D. não se juntou nenhum contrato de execução de obra que se realiza ou se realizará em São Luís. Assim.MA – Tel/Fax: (98) 2106-9476 e-mail:gablourival@tjma. não se vislumbra a presença do direito líquido e certo que permita a concessão pleiteada. recorrer às vias ordinárias. DENEGO a segurança requerida. o que se observa é que a empresa impetrante não apresentou provas necessárias à comprovação de seu direito líquido e certo. se for o caso.br . s/n – Centro – CEP: 65010-905 – São Luís . Portanto. não foi juntada nenhuma das mencionadas notas para que se pudesse verificar quais são os materiais constantes em seu bojo e analisar a situação posta. Com os argumentos postos. ao entendimento e deslinde da controvérsia.