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ANÁLISE DE SISTEMAS DE CONTROLE

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA


Aula 4 – Determinação da Resposta Temporal
Diagrama de Pólos e Zeros
Transformada Inversa de Laplace
Método das frações parciais
Teoremas do Valor Inicial e Final
Exercícios

Diagrama de Pólos e Zeros
A análise de sistemas lineares invariantes no tempo no domínio da freqüência através de
funções transferência apresenta várias vantagens. Uma destas vantagens relaciona-se a possibilidade que o
engenheiro ou projetista tem de avaliar qualitativamente o comportamento do sistema em questão, apenas
com base nos pólos e nos zeros da função de transferência do mesmo. Tal análise é feita através do
posicionamento dos pólos e dos zeros no plano complexo s
1
. Consideremos então, o sistema linear
apresentado na Figura(4.1), onde U(s) representa o sinal de entrada, Y(s) o sinal de saída e G(s) a função
de transferência apresentada abaixo:
( )
( )( ) 4 s 1 s
2 s
) s ( G
+ +
+
= (4.1)
U(s)
G(s)
Y(s)

Fig. 4.1: Representação de um sistema linear invariante no tempo.
A função de transferência (4.1) apresenta um zero finito, z
1
=-2, e dois pólos, p
2
=-1 e p
3
=-4. O diagrama de
pólos e zeros deste sistema é apresentado na Figura (4.2) apresentada abaixo:
-4 -2 -1
Plano s
σ


Fig. 4.2: Diagrama de pólos e zeros relativo a função de transferência (4.1).

1
Essa analise será desenvolvida na apostila aula7: Análise de Sistemas de 1.
a
e 2.
a
Ordem.
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Transformada Inversa de Laplace

O sinal de saída Y(s) é obtido pelo simples produto entre o sinal de entrada u(s) e a função de
transferência G(s), i.e.,
) s ( U ) s ( G ) s ( Y = (4.2)
A resposta temporal y(t) de um sistema linear descrito pela função de transferência G(s) e
alimentado por um sinal de entrada U(s) é dada pela transformada inversa de Laplace da equação (4.2), i.e.,

{ } { } ) s ( Y L ) s ( U ) s ( G L ) t ( y
1 1 − −
= = (4.3)
Matematicamente, a transformada inversa de uma função no domínio da freqüência é dada pela
seguinte expressão:
{ ) s ( F L : ds e ) s ( F f(t)
1
j c
j c
st −
∞ +
∞ −
= =

} (4.4)
onde c é uma constante real maior do que as partes reais de todos os pontos singulares da F(s). Muitas
vezes, para a determinação da transformada inversa de Laplace, utiliza-se resultados já existentes em
tabelas que apresentam a função no domínio tempo e sua equivalente no domínio da freqüência. As
relações mais utilizadas estão expostos na Tabela 4.1. De forma complementar, a Tabela 4.2 apresenta a
representação gráfica, a descrição no domínio tempo e no domínio freqüência de alguns sinais de entrada
utilizados na analise de sistemas de controle.

f(t) para t≥0 F(s)
¹
´
¦
= → ∞
≠ →
δ
0 t
0 t 0
) t (

1
¹
´
¦
≥ →
< →
0 t 1
0 t 0
) t ( u
s
1

t
2
1
s

at k
e t


( )
1 k
a s
! k
+
+

( ) t sen ω
2 2
ω +
ω
s

( ) t cos ω
2 2
ω + s
s

( ) t sen e
t a
ω


( )
2 2
a s ω + +
ω

( ) t cos e
t a
ω



( )
2 2
a s
a s
ω + +
+

Tab. 4.1: Relações entre algumas funções nos domínios tempo e freqüência.
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Gráfico Nome f(t) F(s)




Degrau




) t ( u


s
1





Rampa




) t ( u t ⋅


2
s
1






Parábola


) t ( u
2
t
2



3
s
1





Senoidal



) t ( u ) t ω sen(
ω: freqüência [rad/s]



2 2
s ω +
ω

Tab. 4.2: Relação de alguns sinais de entrada empregados em sistemas de controle.

O processo descrito pela função de transferência (4.1), conforme representado na Figura 4.1,
quando excitado com um sinal de entrada do tipo degrau unitário, apresenta a seguinte resposta analítica
determinada através do método das frações parciais:
( )
( )( ) 4 s
C
1 s
B
s
A
s
1
4 s 1 s
2 s
) s ( U ) s ( G ) s ( Y
+
+
+
+ = ⋅
+ +
+
= = (4.5)
Observe que cada um dos pólos da função de transferência (4.1) aparece como sendo uma fração
específica da equação (4.5). Este procedimento é deveras conveniente, pois basta determinar os coeficientes
A, B e C de (4.5) e, na seqüência, determinar a transformada inversa de cada um dos termos
individualmente. Os coeficientes A, B e C são determinados de forma simples através do seguinte
procedimento:
5 . 0 A 2 s ) 4 s )( 1 s ( A
0 s
= ⇒ + = + +
=
(4.6)
3 / 1 B 2 s ) 4 s )( s ( B
1 s
− = ⇒ + = +
− =
(4.7)
6 / 1 C 2 s ) 1 s )( s ( C
4 s
− = ⇒ + = +
− =
(4.8)

Uma vez determinado todos os coeficientes apresentados em (4.5), aplica-se a transformação inversa de
Laplace para obtenção da resposta temporal da variável de saída do processo, y(t).

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Observando a Tabela 4.1, uma vez calculados cada um dos coeficientes de (4.5), pode-se facilmente
determinar a resposta temporal da variável de saída do processo representado na Figura 4.3, admitindo
como sinal entrada um degrau unitário, i.e.
t 4 t
e
6
1
e
3
1
2
1
) t ( y
− −
− − = (4.9)
O comportamento temporal da variável y(t), equacionada em (4.9) é apresentado na Figura 4.3.

Fig. 4.3: Resposta temporal de cada uma das parcelas da equação (4.9).



Observe que a equação (4.9) é composta de três parcelas distintas, cada qual resultante da
transformada inversa de Laplace de cada uma das parcelas da equação (4.5). Identifique na Figura
4.3 a resposta temporal da variável de saída do processo y(t), assim como a resposta temporal de
cada uma das parcelas da equação (4.9), quando este é sujeito a um degrau unitário em sua
entrada, considerando 0 ) 0 ( e 0 ) 0 ( , 0 ) 0 ( = = = y y y & & & .

Método das frações parciais

Para apresentar o método para extrair a resposta temporal de um sistema linear invariante no
tempo, usando diretamente o sinal de saída no domínio freqüência, são apresentados três exemplos.

1º Caso: Sistema com pólos reais distintos

Um sistema linear invariante no tempo é descrito pela equação diferencial, apresentada na equação
(4.10), determinar a resposta temporal y(t), considerando que o sinal de entrada é do tipo degrau unitário e
0 ) 0 ( y e 0 ) 0 ( y , 0 ) 0 ( y = = = & & & .
) t ( u 75 ) t ( y 75 ) t ( y 20 ) t ( y = + + & & & (4.10)
Emprega-se o teorema da derivação real, para reescrever a equação 4.10 no domínio freqüência,
i.é.,
) s ( U 75 ) s ( Y 75 ) 0 ( y 20 ) s ( sY 20 ) 0 ( y ) 0 ( sy ) s ( Y s
2
= + − + − − & (4.11)
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Como as condições iniciais são consideradas nulas, a equação 4.11 pode ser simplificada,
) s ( U 75 ) s ( Y 75 ) s ( sY 20 ) s ( Y s
2
= + + (4.12)
A partir da equação 4.12 é possível obter a função de transferência G(s) que relaciona a variável
de saída Y(s) com a variável de entrada U(s). Nota-se que a função de transferência G(s) apresenta dois
pólos reais localizados em -5 e -15.
) 15 s )( 5 s (
2
75 s 20 s
75
) s ( U
) s ( Y
) s ( G
2
+ +
=
+ +
= = (4.13)
Utilizando a equação 4.2 e convertendo o sinal de entrada para o domínio da freqüência (Tabela
4.2), determina-se a resposta analítica no domínio freqüência em frações parciais, i.e.,
( )
15 s
C
5 s
B
s
A
s
1
75 s 20 s
75
) s ( U ) s ( G ) s ( Y
2
+
+
+
+ = ⋅
+ +
= = (4.14)
Inicialmente aplica-se o mínimo múltiplo comum na equação 4.14 resultando em:
( )( ) ( ) ( ) 5 s Cs 15 s Bs 15 s 5 s A 75 + + + + + + = (4.15)
Para determinar o coeficiente A, substituir s = 0 na equação 4.15
( )( ) ( ) ( ) 1 A 5 0 0 C 15 0 0 B 15 0 5 0 A 75 = ⇒ + ⋅ + + ⋅ + + + = (4.16)
Para determinar o coeficiente B, substituir s = -5 na equação 4.15
( )( ) ( )( ) ( )( ) 2 / 3 B 5 5 5 C 15 5 5 B 15 5 5 5 A 75 − = ⇒ + − − ⋅ + + − − ⋅ + + − + − = (4.17)
Para determinar o coeficiente C, substituir s = -15 na equação 4.15
( )( ) ( )( ) ( )( ) 2 / 1 C 5 15 15 C 15 15 15 B 15 15 5 15 A 75 = ⇒ + − − ⋅ + + − − ⋅ + + − + − = (4.18)
Uma vez determinado todos os coeficientes apresentados em (4.14), aplica-se a transformação
inversa de Laplace para obtenção da resposta temporal da variável de saída do processo, y(t).

t 15 t 5
e
2
1
e
2
3
1 ) t ( y
− −
+ − = (4.19)




Traçar o gráfico da resposta temporal y(t) da equação 4.19 considerando o tempo variando de 0 a
2 segundos .
Observação: Para traçar o gráfico no Matlab, execute os seguintes comandos:



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2º Caso: Sistema com pólos reais múltiplos

Um sistema linear invariante no tempo é descrito pela equação diferencial, apresentada na equação
(4.20), determinar a resposta temporal y(t), considerando que o sinal de entrada é do tipo degrau unitário e
0 ) 0 ( y e 0 ) 0 ( y , 0 ) 0 ( y = = = & & & .
) t ( u 100 ) t ( y 100 ) t ( y 20 ) t ( y = + + & & & (4.20)
Emprega-se o teorema da derivação real, para reescrever a equação 4.20 no domínio freqüência,
i.é.,
) s ( U 100 ) s ( Y 100 ) 0 ( y 20 ) s ( sY 20 ) 0 ( y ) 0 ( sy ) s ( Y s
2
= + − + − − & (4.21)
Como as condições iniciais são consideradas nulas, a equação 4.21 pode ser simplificada,
s (4.22) ) s ( U 10 ) s ( Y 100 ) s ( sY 20 ) s ( Y
2
= + +
A partir da equação 4.22 é possível obter a função de transferência G(s) que relaciona a variável
de saída Y(s) com a variável de entrada U(s). Nota-se que a função de transferência G(s) apresenta dois
pólos reais localizados em -10.
) 10 s )( 10 s (
100
100 s 20 s
100
) s ( U
) s ( Y
) s ( G
2
+ +
=
+ +
= = (4.23)
Utilizando a equação 4.2 e convertendo o sinal de entrada para o domínio da freqüência (Tabela
4.2), determina-se a resposta analítica no domínio freqüência em frações parciais, i.e.,
( ) ( )
10 s
C
10 s
B
s
A
s
1
100 s 20 s
100
) s ( U ) s ( G ) s ( Y
2 2
+
+
+
+ = ⋅
+ +
= = (4.24)
Inicialmente aplica-se o mínimo múltiplo comum na equação 4.24 resultando em:
( ) ( ) 10 s Cs Bs 10 s A 100
2
+ + + + = (4.25)
Para determinar o coeficiente A, substituir s = 0 na equação 4.25
( ) ( ) 1 A 10 0 0 C 0 B 10 0 A 100
2
= ⇒ + ⋅ + ⋅ + + = (4.26)
Para determinar o coeficiente B, substituir s = -10 na equação 4.25
( ) ( ) ( )( ) 10 B 10 10 10 C 10 B 10 10 A 100
2
− = ⇒ + − − + − + + − = (4.27)
Para determinar o coeficiente C, devido a multiplicidade de pólos existente, não basta substituir o
valor do pólo na equação 4.25 pois resultaria novamente na equação 4.27 que encontra o coeficiente B.
Portanto quando há pólos múltiplos de mesmo valor aplica-se a equação 4.28 para determinar os
coeficientes restantes.
( )
( ) | | r , 1,2, i p s ) s ( Y
s
! 1 i
1
p s
i
1 i
L =
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
+

− =

d
d
-1 i
(4.28)
onde, “ r ” representa a quantidade de pólos múltiplos iguais, “ i ” representa o índice do coeficiente e “–p”
o valor dos pólos múltiplos. Para o exemplo acima, “ i=2, r =2 e p = 10 ” pois existem dois pólos em –10 na
função de transferência da equação 4.23 e o primeiro coeficiente já foi calculado em (4.27). Logo o
coeficiente C é calculado substituindo esses valores na equação 4.28.
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( )
( ) 1 C
s
100
s
100
s
10 s
10 s s
100
s
C
10 s
2
10 s
10 s
2
2
− = ⇒
)
`
¹
¹
´
¦
− =
)
`
¹
¹
´
¦
(
¸
(

¸

=
¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
(
(
¸
(

¸

+
+
=
− = − =
− =
d
d
d
d
(4.29)
Uma vez determinado todos os coeficientes apresentados em (4.24), aplica-se a transformação
inversa de Laplace para obtenção da resposta temporal da variável de saída do processo, y(t).

t 10 t 10
e te 10 1 ) t ( y
− −
− − = (4.30)




Traçar o gráfico da resposta temporal y(t) da equação 4.30 considerando o tempo variando de 0 a
2 segundos .
Observação: Para traçar o gráfico no Matlab, execute os seguintes comandos:



3º Caso: Sistema com pólos complexos

Um sistema linear invariante no tempo é descrito pela equação diferencial, apresentada na equação
(4.31), determinar a resposta temporal y(t), considerando que o sinal de entrada é do tipo degrau unitário e.
0 ) 0 ( y e 0 ) 0 ( y , 0 ) 0 ( y = = = & & & .
) t ( u 200 ) t ( y 200 ) t ( y 20 ) t ( y = + + & & & (4.31)
Emprega-se o teorema da derivação real, para reescrever a equação 4.31 no domínio freqüência,
i.é.,
) s ( U 200 ) s ( Y 200 ) 0 ( y 20 ) s ( sY 20 ) 0 ( y ) 0 ( sy ) s ( Y s
2
= + − + − − & (4.32)
Como as condições iniciais são consideradas nulas, a equação 4.32 pode ser simplificada,
) s ( U 200 ) s ( Y 200 ) s ( sY 20 ) s ( Y s
2
= + + (4.33)
A partir da equação 4.33 é possível obter a função de transferência G(s) que relaciona a variável
de saída Y(s) com a variável de entrada U(s). Nota-se que a função de transferência G(s) apresenta um par
de pólos complexos localizados em 10 j 10 ± − .
( )
2 2 2
10 10 s
200
) 10 j 10 s )( 10 j 10 s (
200
200 s 20 s
200
) s ( U
) s ( Y
) s ( G
+ +
=
− + + +
=
+ +
= = (4.34)
Utilizando a equação 4.2 e convertendo o sinal de entrada para o domínio da freqüência (Tabela
4.2), determina-se a resposta analítica no domínio freqüência em frações parciais, i.e.,
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( ) ( )
2 2 2
10 10 s
C Bs
s
A
s
1
200 s 20 s
200
) s ( U ) s ( G ) s ( Y
+ +
+
+ = ⋅
+ +
= = (4.35)
Inicialmente aplica-se o mínimo múltiplo comum na equação 4.35 resultando em:
( ) | | ( s C Bs 10 10 s A 200
2 2
+ + + + = ) (4.36)
Para determinar o coeficiente A, substituir s = 0 na equação 4.36
( ) | | ( ) 1 A 0 C 0 B 10 10 0 A 200
2 2
= ⇒ + + + + = (4.37)
Para determinar os coeficientes B e C, substituir s = -10 + j10 ou s = -10 - j10 na equação 4.36
( ) | | ( ) | |( ) 10 j 10 C B 10 j 10 10 10 10 j 10 A 200
2 2
+ − + + − + + + + − = (4.38)
Simplificando a equação 4.38, têm-se
( ) B 200 C 10 j C 10 200 − + − = (4.39)
Como a equação 4.39 é complexa, para encontrar os coeficientes B e C é necessário revolver um sistema de
duas equações reais , uma contendo a parte real e a outra a parte imaginaria da equação (4.39).
20 C
1 B
B 200 C 10 0
C 10 200
− =
− =

¹
´
¦
− =
− =
(4.40)
Substituindo os coeficientes encontrados na equação 4.35 e ajustando os termos das frações
parciais, de forma a empregar diretamente a Tabela 4.1 para converter o sinal do domínio freqüência para o
domínio tempo.
( ) ( ) ( )
2 2 2 2 2 2
10 10 s
10 s
10 10 s
10
s
1
10 10 s
20 s
s
1
) s ( Y
+ +
+

+ +
− =
+ +
+
− = (4.41)
Finalmente, aplica-se a transformação inversa de Laplace na equação (4.41) para obter-se a
resposta temporal da variável de saída do processo, y(t).

( ) ( ) ( ) ( ) | | t 10 t 10 e 1 t 10 e t 10 e 1 ) t ( y
t 10 t 10 t 10
cos sen cos sen + − = − − =
− − −
(4.42)





Traçar o gráfico da resposta temporal y(t) da equação 4.42 considerando o tempo variando de 0 a
2 segundos .
Observação: Para traçar o gráfico no Matlab, execute os seguintes comandos:



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A função step do Matlab mostra o gráfico da resposta temporal y(t) para uma entrada do tipo
degrau empregando diretamente a função de transferencia G(s). Use a função step para verificar
se as respostas temporais analíticas obtidas pela aplicação do método das frações parciais,
admitindo uma entrada do tipo degrau unitário e condições iniciais nulas, são corretas.
Para verificar se a resposta temporal y(t) da equação 4.42 é efetivamente correta, execute os
seguintes comandos:












Considere o processo apresentado na Figura 4.4, sujeito a um sinal de entrada do tipo degrau
unitário:




Fig. 4.4: Processo excitado por um degrau unitário.

Faça as seguintes tarefas considerando três casos distintos.
ƒ No primeiro caso considerar b
0
=1 e z
1
=0, admitindo condições iniciais
0 ) 0 ( e 0 ) 0 ( , 0 ) 0 ( = = = y y y & & & :
- Desenhe o diagrama de pólos e zeros;
- Obtenha analiticamente a resposta temporal da variável de saída do processo y(t) e de
suas derivadas temporais ; ) ( e ) ( t y t y & & &
- Com base na resposta analítica determinada no item anterior, obtenha graficamente o
comportamento de cada uma destas variáveis empregando o Matlab.
- Utilize a função step do Matlab para comparar com o gráfico obtido no item anterior.
ƒ No segundo caso considerar b
0
=1 e z
1
=2 e supor ainda 0 ) 0 ( e 0 ) 0 ( , 0 ) 0 ( = = = y y y & & & . Repita
os itens anteriores.
ƒ No terceiro caso admitir b
0
=0 e z
1
=2 com 1 ) 0 ( e 1 ) 0 ( , 1 ) 0 ( = = − = y y y & & & , repetindo cada um
dos itens anteriores e
- Avalie as diferenças encontradas entre no gráfico obtido da resposta analítica, que
considera o efeito das condições iniciais, e o gráfico obtido utilizando a função step que
considera as condições iniciais nulas.
- Qual é o efeito das condições iniciais na resposta temporal?
ƒ Compare, para cada caso apresentado, as diferenças encontradas nas expressões analíticas
com os gráficos das respostas temporais.
( )
( )( ) 4 s 1 s
z s b
1 0
+ +

U(s) Y(s)
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Teoremas do Valor Final e Inicial

Os teoremas do valor final e inicial são utilizados para determinar, sem o cálculo prévio da
resposta temporal de uma função genérica representada no domínio freqüência F(s), os valores iniciais e
finais que a função f(t), transformada inversa de Laplace de F(s), assumirá no domínio do tempo.

Teorema do valor final
O teorema do valor final poderá ser empregado se
dt
t df
t f
) (
e ) ( forem funções transformáveis por
Laplace e se existir. Nestes casos, a igualdade estabelecida na equação (4.43) é válida, i.e. ) ( lim t f
t ∞ →
) s ( sF lim ) t ( f lim
0 s t → ∞ →
= (4.43)
Prova: A prova do teorema do valor final é decorrência direta do teorema da derivação real, ou seja
( ) 0 ( f ) s ( sF lim dt e
dt
) t ( df
lim
0 s
0
st
0 s
− =





) (4.44)
Avaliando-se o lado esquerdo da igualdade estabelecida em (4.44), conclui-se que
( ) 0 ( f ) s ( sF lim dt
dt
) t ( df
0 s
0
− =



) (4.45)
ou ainda
( ) ) 0 ( f ) s ( sF lim ) 0 ( f ) ( f
0 s
− = − ∞

(4.46)
provando-se a igualdade estabelecida em (4.43), uma vez que ) ( f ) t ( f lim
t
∞ =
∞ →
.

Teorema do valor inicial

O teorema do valor inicial é útil para determinação do valor que f(t) assume em um instante de
tempo imediatamente superior a zero, t=0
+
. O teorema do valor inicial poderá ser empregado se
dt
t df
t f
) (
e ) ( forem funções transformáveis por Laplace e se existir. Nestes casos, a igualdade
estabelecida na equação (4.47) é válida, ou seja
) ( lim s sF
s ∞ →
) ( lim ) 0 ( s sF f
s ∞ →
+
= (4.47)
Prova: A prova deste teorema também é decorrência direta do teorema da derivação real. Neste caso
( ) 0 ( ) ( lim
) (
lim
0
+
∞ →


∞ →
− =

+
f s sF dt e
dt
t df
s
st
s
) (4.48)
Avaliando-se o lado esquerdo de (4.48), para s→∞, conclui-se que
( ) 0 ) 0 ( ) ( lim = −
+
∞ →
f s sF
s
(4.49)
resultando em que , conforme estabelecido em (4.47). ) ( lim ) 0 ( s sF f
s ∞ →
+
=

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ANÁLISE DE SISTEMAS DE CONTROLE
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA






Para exemplificar a utilização dos dois teoremas enunciados anteriormente, considera-se o
segundo caso apresentado para o processo da Fig. 4.4. Neste caso, serão determinados os valores
iniciais e finais da variável de saída do processo y(t), admitindo como sinal de entrada do
processo um degrau unitário. O valor final será calculado com base na equação (4.43), i.e.



2
1
s
1
) 4 s )( 1 s (
) 2 s (
s lim ) s ( sY lim ) t ( y lim
0 s 0 s t
− =
+ +

= =
→ → ∞ →
(4.50)
sendo o valor inicial determinado com base (4.47), ou seja
0
s
s
lim
s
1
) 4 s )( 1 s (
) 2 s (
s lim ) s ( sY lim ) 0 ( y
2
s s s
= =
+ +

= =
∞ → ∞ → ∞ →
+
(4.51)

Exercícios

6.1 O sistema apresentado na Fig. 4.5 tem condições iniciais nulas e função de transferência definida
pela equação (4.52). Determine a resposta temporal considerando o tipo de entrada aplicado para
cada caso.


( ) 5 s
10
) s ( G
+
= (4.52)
i. Degrau unitário,
¹
´
¦
≥ →
< →
0 t 1
0 t 0
) t ( u
ii. Rampa,
¹
´
¦
≥ →
< →
0 t t
0 t 0
) t ( u
iii. Senoidal, , onde ω =10 rad/s
¹
´
¦
≥ → ω
< →
0 t ) t sen(
0 t 0
) t ( u

U(s)
G(s)
Y(s)

Fig. 4.5: Sistema de controle utilizado no exercício 4.1.

6.2 Para o circuito elétrico apresentado na Fig. 4.6, determine a resposta temporal para cada caso
apresentado, considerando que o sinal de entrada é do tipo degrau unitário e as condições iniciais
são nulas.
i. F 1000 C e H 2 L Ω, 100 R µ = = =
ii. F 10000 C e 1H L Ω, 10 R µ = = =
iii. F 100 C e H 2 L Ω, 20 R µ = µ = =
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Fig. 4.6: Circuito elétrico utilizado no exercício 4.2.


Componente Unidade [SI] Tensão – Corrente Corrente - Tensão





Ohm : Ω


) t ( Ri ) t ( e =

R
) t ( e
) t ( i =





H: Henry



dt
) t ( di
L ) t ( e =

τ τ =

d ) e(
L
1
i(t)
t
0







Faraday : F

τ τ =

d ) i(
C
1
e(t)
t
0


dt
) t ( de
C ) t ( i =

Tab. 4.3: Relações entre tensão e corrente dos componentes elétricos.