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Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3, nº1, março de 2008. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Humanas

DO RIO GRANDE DO SUL A IRATI: TRADICIONALISMO GAÚCHO NO MUNICÍPIO DE IRATI – PARANÁ. Francieli Galvão Ferreira 1 João Carlos Corso 2 RESUMO O presente artigo tem como propósito analisar a absorção cultural do município de Irati, através do Rio Grande do Sul, que começou a se desenvolver no final da década de setenta, buscando sustentação nos dias atuais. Com efeito de concentração, o tradicionalismo gaúcho, criado no Rio Grande do Sul, passou a divulgar sua cultura em outros estados, primeiramente nos Estados do Paraná e Santa Catarina, buscando com isso uma afirmação e um reconhecimento cultural. Nesse sentido, o Rio Grande do Sul passou a criar entidades tradicionalistas que representassem seu universo cultural. Dessa forma, algumas regiões do Paraná, principalmente as regiões formadas pela contribuição do tropeirismo e do povoamento pelos gaúchos, acabaram identificando sua história, seu espaço, sua cultura com a cultura gaúcha, e a falta de uma identidade própria fez com que essas regiões fossem sendo absorvidas e incorporadas ao meio cultural gaúcho. Irati, fazendo parte desse contexto, passou a cultivar uma identidade que não lhe pertencia inicialmente, ou seja, o gauchismo, o qual passou a ser representado pela formação de alguns elementos culturais de origem riograndense. Essa relação cultural se fez presente em uma sociedade alienígena à sua
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ABSTRACT The purpose of the present article is to analyze the cultural absorption of Irati municipal district, in terms of Gaúcha Culture from Rio Grande do Sul, which began in the end of the decade of sixty it was looking for supporting in the current days. Thereby the traditionalism gaucho created in the Rio Grande de Sul started to divulge its culture to other states, firstly in the states of Paraná and Santa Catarina, trying to get an affirmation and a cultural reconnaissance. This way the Rio Grande do Sul started to make traditionalistic entities that represent its culture. Therefore some regions of Paraná mainly the regions that received contribution from tropeirismo and gauchos settlement they made its history, its place, its culture as gaúcha culture, and the missing of an own identity made those regions to be absorbed in the gaúcha culture. Irati being part of this context started to cultivate an identity that initially did not belong to it, in other words the gauchismo, which started to be represented for the formation of some cultural elements raised in the Rio Grande do Sul. This cultural relationship got to be present in a society stranger to its own culture. Word-keys: cultural identity, traditionalism gaúcho, culture paranaense,

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Pós-Graduanda do Curso de Especialização (Pós-Graduação lato sensu) em História do Paraná: Ensino e Historiografia. UNICENTRO 2007. Professor Orientador. Ms em História. Departamento de História UNICENTRO, Campus de Irati.

Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. FERREIRA,F.G.;CORSO,J.C.

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cultura. Palavras-chaves: Identidade cultural, tradicionalismo gaúcho, cultura paranaense, representação cultural INTRODUÇÃO

cultural representation.

Ao falarmos sobre a nossa identidade nacional, logo vem em nossas mentes a nossa descendência étnico cultural, que é a mistura de três culturas: o índio, o negro e o europeu. Esses povos misturaram-se e o resultado foi a miscigenação das culturas, as quais deram origem à sociedade brasileira. Os nossos hábitos, costumes e tradições remontam raízes antepassadas e fazem refletir em nosso presente. Nesse sentido, a história do Brasil é, antes de tudo, a história da formação de um povo, da transformação de uma cultura sobre a conquista de um território, pelo entender de uma posse contínua. Assim, a história interna é formada pelas histórias regionais e locais, as quais constituem a formação nacional. Nesse âmbito se inscreve a formação do Sul do Brasil; os Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se constituíram como núcleos de expressão da história brasileira, moldando um modelo de sociedades diferenciadas, circunscritas pelo meio natural, formando identidades culturais. Dessa forma, é necessário analisar a relação cultural entre o Estado do Paraná e do Rio Grande do Sul, tendo como objetivo principal entender a absorção da cultura gaúcha no município de Irati, a qual vem sendo representada pelo Rodeio, pelos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), pela música, pelos hábitos e costumes gauchescos. Três itens identificados foram importantes para entender o contexto da temática, como a formação do Sul do Brasil, através do seu quadro econômico e político, refletindo na relação cultural entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, que consequëntemente atingiu Irati. A consecução do trabalhou tem como suporte a contribuição dos relatos do Senhor Frederico Ruva, artigo de jornal e revista. As fontes vêm expressar a cultura gaúcha, como fazendo parte da cultura iratiense. Nesse sentido, é necessário analisar as concepções do historiador Roger Chartier. Segundo Chartier, “a relação de representação é assim turvada pala fragilidade da imaginação, que faz com que se tome o engodo pela verdade, que considera os sinais visíveis como indícios seguros de uma realidade que não existe. Assim desviada, a representação transforma-se em máquina de fabricar respeito submissão, em um instrumento que produz uma imposição interiorizada, necessária lá onde falta o possível recurso à força bruta,” (CHARTIER, 2002, p.75). Chartier analisa as representações em torno do mundo em que vivem os indivíduos, vinculado a todo imaginário social, econômico, político, cultural. Neste sistema estão inseridos mitos, símbolos, identidade, discurso, etc. Pierre Bourdieu (1980) complementa o estudo, analisando as regiões, argumentando o sistema de identidades e representações como forças simbólicas:
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As lutas a propósito da identidade regional se constituem num caso particular de lutas de classificação, lutas pelo monopólio de impor a definição legítima da divisão do mundo social, por isso o regionalismo não passa de um caso particular de lutas propriamente simbólicas em que os agentes estão engajados, seja individualmente e de forma dispersa, seja coletivamente e de forma organizada, e que tem como objetiva a conservação ou a transformação de forças simbólicas e dos lucros correlatados, tanto econômicos como simbólicos, ou se prefere a conservação ou a transformação das leis de formação dos preços materializados, simbólicos ligados às manifestações simbólicas da identidade social (BOURDIEU, 1989, p.69). O processo de construção de uma identidade regional envolve a formação de figuras, emblemas e estigmas, cada região se reconhece e se vê reconhecer por sua história geográfica, modos de vida, heróis e homens com seus valores, modos de vida e suas tradições. Isso faz com que regiões possam ser utilizadas com os mais diversos propósitos e interesses, estando sujeitas às mais variadas apropriações. Ann Markusen, em Região e Regionalismo (1981), enfoca a região como um território pelo qual o indivíduo se identifica e as formas pelo qual o mesmo busca se representar, economicamente, politicamente, culturalmente e socialmente. Essa idéia está intimamente ligada às representações tanto individuais como coletivas, em que as identidades culturais são definidas pelos grupos que utilizam das relações de forças simbólicas para atender aos seus objetivos. Nesse contexto, os guardiões da memória utilizam da memória pessoal ou grupal para estabelecer uma tradição. Hobsbawn (1984) contribui com o estudo e críticas em “As Invenções das Tradições”. Nesse processo, comenta que a construção social da memória é fundamental, pois a memória pessoal se liga à memória grupal, que por sua vez se liga à memória coletiva de cada sociedade que pode ser considerada uma tradição. Nesse sentido, são comuns países e regiões engajadas em transformações modernizadoras enfatizarem o valor do passado e a necessidade de cultuá - lo, e para isso é necessário assimilar um passado real ou imaginado que daria uma substância à comunidade designada por uma força política. O termo tradição inventada é utilizado num sentido amplo, mas nunca indefinido. “Inclui tanto as tradições realmente inventadas, construídas e formalmente institucionalizadas, quanto as que surgiram de maneira mais difícil de localizar num período limitado e determinado de tempo”. Muitas vezes tradições que
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as atuais terras gaúchas (OLIVEN. fundada em 1686. criando assim as estâncias de gado. . entendida como um conjunto de orientações valorativas consagradas pelo passado. nº1. com várias iniciativas que ao longo resultaram na formação do atual estado do Rio Grande do Sul.CORSO. Após a destruição das missões jesuíticas. A FORMAÇÃO DO SUL DO BRASIL As questões de fronteira entre Portugal e Espanha tornaram-se pontos de conflitos. o Rio Grande do Sul desempenhava uma função estratégica. Portugal ganharia o mercado e consequentemente Potosi.unicentro. são bastante recentes quando não inventadas (HOBSBAWN. entretanto. em 1680.1984. o povoado de Laguna (em Santa Catarina). A invenção das tradições é essencialmente um processo de formalização e ritualização caracterizado por referir-se ao passado mesmo que apenas pela imposição da repetição. Os conflitos militares em torno da Colônia de Sacramento e as disputas relativas à delimitação de fronteiras significaram uma crescente Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. Isso faz com que no começo do século XVIII a Coroa começasse a distribuir sesmarias aos tropeiros que se sedentarizaram e aos militares que se afazendaram. FERREIRA. 09).C. Foi a partir daí que a Coroa portuguesa praticou ou permitiu atos de posse e de poder nas regiões alcançadas.G. 1992. a esquerda do Prata. O primeiro passo mais avançado foi a da colônia do Sacramento. a evocação da tradição. é provável que em espaços de rápidas transformações ocorram tradições. o de povoar as terras que iam do Sul de São Vicente até a colônia de Sacramento (fundada por ela em 1680) e.4 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. se manifesta frequëntemente em épocas de processos de mudanças sociais. crises. Era necessário ocupar a área mais ao Sul. p. perdas de poder etc. p. tais como a transição de um tipo para outro de sociedade. março de 2008. O Objetivo da Coroa Portuguesa era. ISSN 1980-6116 http://www. mas mesmo esse posto mais avançado entre São Paulo e a colônia ainda estavam muito distante.Ciências Humanas parecem ou não consideradas antigas. No século XVII houve a preocupação de assegurar a presença de portugueses na área espanhola. o objetivo das incursões portuguesas seria assegurar a ocupação do Sul. sobretudo com relação à Linha de Tordesilhas.F.48). Contudo. Dessa forma.J. nesse sentido. Nas palavras de Oliven: No auge de suas conquistas Portugal expande seus domínios passando a criar colônias sempre mais ao Sul. paralelamente os portugueses trataram de garantir o acesso a Colônia.br .. no Prata. como ponto de apoio para a conservação do domínio luso no Prata.

5 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. uma política assumida pela elite intelectual brasileira e pelos legisladores do império. o Rio Grande do Sul só começa a se articular economicamente mais de um século depois. que segundo Oliven (1992). Devido à causa abolicionista e à implantação do trabalho livre que desenvolveriam as cidades. p.. houve o ingresso de mais de 55 milhões de estrangeiros. com uma estrutura organizada em sistemas de fazendas. interligados. sustentada por uma mão-de-obra escrava. p. Assim em 152 anos (1819 e 1970).48). A colonização daquela região esteve de certa forma embutida aos interesses mercantilistas da coroa portuguesa. O Sul facilitou a emigração européia em suas terras. Entre eles a formação de um grande exército pela necessidade de defesa do território onde eram visíveis as dificuldades de controle das fronteiras e. geraram um desenvolvimento para o país. através da preia do gado xucro. com isso somar-se-ia uma integração tardia ao resto do país. ilhando o Continente de São Pedro e fazendo com que esse ficasse isolado por dois séculos do Brasil. “Foi esse contexto de atração de fluxos migrantes para o Brasil. voltados a uma economia pecuária. conseqüentemente da própria hegemonia.F. alemães e italianos. FERREIRA.64). distribuídos em vários períodos com características totalmente diferenciados” (NADALIN. à sua economia e ao modo pelo qual se insere na história nacional. a ocupação dos espaços vazios que propiciasse o desenvolvimento da agricultura. Com relação à sua definição geográfica. Além desses objetivos. “era a exportação de couro para a Europa feita através de Buenos Aires ou Sacramento”. É apenas no final do Século XVII que estes rebanhos ganham importância a nível nacional. o que estimulam paulistas e lagunistas a virem prear o gado xucro existente no Rio Grande do Sul e a levá-lo à área de mineração (OLIVEN.J. No começo do século XVIII completava-se a ocupação máxima no território sulino. que em 1760 foi elevada à condição de Capitania de São Pedro. que de certa forma propiciou uma sociedade que adquiriu uma identidade própria. criando classes sociais intermediárias entre o senhor de terras e o escravo. havia a clara intenção de branquear a raça. a substituição da mão-deobra escrava pela mão de obra livre.C. Embora descoberto no começo do século XVI. nº1. estimulariam o comércio e fomentariam a criação de serviços de infra-estrutura.unicentro. do comércio e da indústria. à forma de seu povoamento. Com essas premissas foram localizados depois da Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. 2001. O movimento de colonização trazia em seu bojo uma série de objetivos que. mostravam a proposta do próprio movimento.Ciências Humanas militarização da região. Os povos do Rio Grandes do Sul estiveram intimamente interligados aos interesses econômicos dos séculos XVII e XVIII. Nadalin (2001) comenta que a colonização do Rio Grande do Sul foi feita essencialmente por açorianos.br . março de 2008. Isso se deve às suas características geográficas. 1992. ISSN 1980-6116 http://www. tendo como centro social a família. que objetivava encontrar naquela região um ponto de apoio para suas conquistas capitalistas.G. pois passam a ter um mercado interno na florescente mineração da zona das Gerais. Oliven (1992) diz que o Rio Grande do Sul é geralmente considerado como ocupando uma posição singular em relação ao Brasil. As peculiaridades geográficas estabeleceram uma posição de difícil acesso. garantindo que os colonos europeus que viessem colonizar o Brasil fossem brancos.CORSO. .

2001. Alegava-se que além dos subsídios para as companhias promotoras e os custos com a viagem do imigrante. principalmente no campo econômico e político. A política de libertação dos escravos abriu espaço para a entrada de imigrantes no país na segunda metade do século XIX. como também o interesse pelo comércio com o Prata.unicentro. Segundo Nadalin (2001).69). podendo ser substituídos com facilidade. o que ocasionou uma agitação social resultante do capitalismo monopolista. inicialmente no Vale do Paraíba. iniciando campanhas e promulgações de leis que primavam pelo fim da escravidão. A grande maioria. desde o começo do século XIX. como assalariados.Ciências Humanas independência os núcleos coloniais no Rio Grande do Sul. consistindo no incentivo de substituição do trabalho escravo. a Europa passava por muitas mudanças. No final do século XIX.br . isso facilitava a obtenção de auxílio governamental para a manutenção do fluxo de imigrantes que trabalhassem na lavoura cafeeira (NADALIN. ela Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. dessa forma os estrangeiros não tinham escolha.J. março de 2008.G. Dessas preocupações resultou o estabelecimento de diversas colônias naquelas províncias. era composta por italianos. O fim do século era marcado por agitações onde os cafeicultores seriam prejudicados.CORSO. A concentração desses imigrantes no Sul representaria o asseguramento daquelas terras perante as invasões dos inimigos castelhanos. os fazendeiros detinham boa parte da representação política do império durante primeira república. nº1.F. e depois avançando na direção da província de São Paulo. FERREIRA. Desse aglomerado de acontecimentos. Segundo Nadalin: Diminuíam as preocupações dos fazendeiros. Santa Catarina e Paraná. As colônias de parceria fracassaram. na província do Rio Grande do Sul.. vigorava a questão abolicionista e a denúncia do regime servil. como também afetava a sobrevivência nacional. p. os cafeicultores criaram leis favorecendo seus interesses. . No final de século. ISSN 1980-6116 http://www. a Europa acabou atraindo um grande fluxo de imigrantes para o Brasil. Inicialmente sob um sistema denominado de parceria que visava sobretudo incrementar a imigração para resolver o problema alimentar do país. pois a maior parte desses italianos passou a trabalhar. em suas fazendas. a não ser a de contentar-se com salários baixos.6 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Segundo Nadalin (2001).C. estabelecendo imigrantes em pequenas propriedades voltadas à produção de gêneros alimentícios. desenvolveu-se a cafeicultura e a demanda internacional fez com que a partir de 1840 o produto se tornasse a base da exportação brasileira. Esse grande fluxo de imigrantes italianos superava a necessidade da cafeicultura. mas as necessidades de mão-de-obra nas fazendas de café mantinhamse. Pelo seu prestígio econômico e social.

Esses movimentos expansionistas formaram. Morretes. Desse resultado dos séculos XVII e XVIII vão surgir Paranaguá. 2001. as terras devolvidas só podiam ser adquiridas por meio de compra. mas sim explorar o seu trabalho. 2. O Paraná espanhol vai se tornando cada vez mais brasileiro. A grande diferença entre as políticas do processo de imigração e de colonização era que no primeiro alterava o regime de trabalho e no segundo alterava o regime de propriedade. os quais se estabeleceram e se organizaram. Como a maior parte dos europeus desembarcados no Brasil não tinha recursos. Essa política fez com que muitos imigrantes se dirigissem para o Sul do país. e neste caso. os Campos Gerais e consequentemente o segundo Planalto. Nadalin (2001) comenta com relação ao ouro no Paraná. isso indica que o Paraná e seus caminhos vão sendo desbravados pela intensa procura de ouro e da caça ao índio.Ciências Humanas implicava despesas para a medição e demarcação dos lotes coloniais e para a manutenção dos imigrantes até a primeira colheita. Portanto. que se esgotou e junto Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. implantadas longe da grande propriedade para não criar problemas à hegemonia do latifúndio. . ainda em 1850 significou uma vitória dos cafeicultores paulistas. De fato. pois os imigrantes. Curitiba.F. Esta política imigratória baseava-se na exploração de mão-de-obra estrangeira. as expedições vão ganhando intensidade e o território aumentando. dificultando as pretensões dos imigrantes mais pobres. FERREIRA. restava-lhes a alternativa do trabalho nos latifúndios cafeeiros. Santos (2001) comenta que o efetivo povoamento do litoral paranaense resultou primeiramente da intensa procura de metal precioso. março de 2008. ISSN 1980-6116 http://www.J. buscavam uma vida melhor.. p. Antonina.C. dos 4. em meados do século XVII. agrupamentos humanos. que visava à formação de colônias agrícolas. que se aliou mais tarde a outros fatores que promoveram a fixação do homem à terra. mas os cafeicultores não tinham por objetivo ajudar esses estrangeiros. a imigração no Brasil assumiu aspectos diferentes.unicentro. nº1.G. A partir desta lei. produtoras de gêneros necessários ao consumo interno. que ao contrário do processo colonizatório no Rio Grande do Sul.CORSO. A imigração no Sul do país assumiu um caráter especial que a diferenciou essencialmente daquela de São Paulo.br . A ocupação e a colonização a Oeste do Paraná não tiveram êxito devido ao fim das reduções jesuíticas pelos bandeirantes paulistas e a terra ficou por mais de um século abandonada.5 milhões de imigrantes chegados ao Brasil entre 1850 e 1918. que diminuía gradativamente nas fazendas de café. enquanto que do lado Leste a ocupação se deu de forma mais efetiva.70). o processo migratório apresentava como objetivo principal a busca de um contingente de imigrantes que substituísse a mão-de-obra escrava. ao chegarem ao Brasil.5 milhões dirigiram-se para São Paulo (NADALIN. Ainda eram contrários aos preços subvencionados para os lotes.7 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. a promulgação da lei de terras.

porto e comércio. mudando de certa forma o quadro econômico e cultural do período caracterizado. A falta de ouro na região dos Campos Gerais fez surgir um novo modelo de economia que acabou sendo o fator sustentável para os grupos que o compunham. Entretanto.C. pela “conjuntura de guerra na Europa.F. A partir dos primeiros decênios do século XVIII. De maneira que povoaram o planalto diversos “homens bons” e aventureiros de toda espécie.8 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. portanto. p. nebulosas de aldeias. Os campos de Curitiba e as Gerais eram excelentes para criação e desde 1640 alguns moradores subiram serra. 2001.br .Ciências Humanas com ele as expectativas dos povos que dele dependiam. Deste modo a economia brasileira participa mais ativamente do jogo da economia européia. na grande maioria. mesmo não se descurando das minas a evidência de que não se faziam novas descobertas e a própria diminuição da colheita aurífera levou os grupos que vieram do litoral a explorar o pastoreio. criadores de gado.unicentro. março de 2008. . Em conseqüência. Em decorrência disso. ISSN 1980-6116 http://www. alta dos preços. A grande empresa do açúcar é substituída pelo arranco da mineração que está ligada à conjuntura européia.25). FERREIRA. vilas e cidades (NADALIN.J. onde prevalecem as flutuações econômicas de longa duração. uma fase “A” (alta) que se caracteriza. descoberta do ouro das Minas e criação do banco na Inglaterra”. uma com lavouras diversas. nº1. Curitiba foi. um apêndice do litoral. A região Sul participou ativamente como região Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. fundada na pecuária. A constituição de Curitiba enquanto vila em 1693 assinalou o início da definição de uma identidade regional. Os movimentos econômicos da Europa atravessaram. A empresa das Minas de certa forma articulou o Sul do Brasil a nova base econômica advinda da exploração do ouro. 43). outra com a criação de gado. logo se especializaram as duas regiões: Paranaguá e Curitiba. tangendo algumas cabeças de gado vacum a cavalar. p. toda atividade aconômica brasileira teve como pólo central a região de Minas.G. Esse novo gênero de vida foi exigindo esforços sedentários fixados em torno dos currais da criação de gado e foram surgindo os sítios e nas zonas deles os arraiais estáveis. houve uma maior aceleração da produção brasileira. que visava a atender às demandas do mercado de consumo europeu. exfaiscadores que se tornaram. nessa época. que não acarretam mudanças freqüentes de estrutura (SANTOS.CORSO. 2001. No início do seu povoamento..

desenvolvendo e acelerando o comércio e o povoamento. fez surgir uma série de caminhos com o estabelecimento de fazendas de gado. ficou totalmente deficiente com relação a outros setores econômicos. atarefadíssimas na lava de couro. induzindo o surgimento de assentamentos humanos e grupos agropastoris. (São Paulo). Santa Catarina e Paraná com a feira de gado em Sorocaba. A Província do Paraná. .unicentro. na região dos Campos Gerais prevaleceu a pecuária. Este caminho foi aberto em 1731. De certa forma.50). atarefadíssima com a exploração do ouro. que já no século XIX atingiria um grande contingente populacional. e o das missões inaugurado em 1846. p. Essa atividade se tornou cada vez mais lucrativa. Segundo Wachowicz: Nos séculos XVIII e XIX o trânsito de gado e mercadorias foi muito intenso. através dos hábitos de vida. A expansão dos índios e o povoamento e ocupação dos campos de Guarapuava e Palmas. passando a importar alimentos de outros estados. político e cultural. ou seja. gerando rendas. multiplicando-se as fazendas e as invernadas. NADALIM (2001) diz que definia-se a irradiação da comunidade paranaense cada vez mais para o Ocidente. costumes e tradições. bois e muar. O Paraná e principalmente os Campos Gerais foram uma área intermediária. transporte e alimento para Minas como também para outras regiões do país. março de 2008. passou a prevalecer à economia do mate. que era na realidade um caminho que comunicava os campos do Rio Grande do Sul desde Viamão até a tradicional feira paulista de Sorocaba. a agricultura e a pecuária. marcaram profundamente a história das regiões atravessadas por esses caminhos. As populações de Minas Gerais. FERREIRA. O tropeirismo foi caracterizado pela articulação e movimentação econômica do século XVIII. Dessa forma o tropeiro acaba desempenhando um importante papel de abastecer aquela região de carne bovina com os rebanhos vindos do Nordeste e do Rio Grande do Sul via Sorocaba (WACHOWICZ.9 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. nº1. O tropeiro foi um importante instrumento de ligação econômica entre o Rio Grande do Sul. estava dividida em duas grandes áreas: a do mate e a da pecuária e tropeirismo.br .C. criando riquezas e promovendo o desenvolvimento econômico. p. A economia bastante movimentada. O caminho responsável pela ligação entre o Estado do Rio Grande do Sul e Paraná foi o caminho da Estrada da Mata. durante a primeira metade do século XIX. que determinaram a ocupação do espaço. não estavam preocupadas em desenvolver uma economia subsidiária. ISSN 1980-6116 http://www. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. sendo esse o caso do Sul brasileiro. na procura de novos pastos para engorda da criação e para “invernagem” das tropas que vêm do Rio Grande do Sul (NADALIN. A região das minas. Assim como na região do primeiro planalto e litoral.71). 2001.Ciências Humanas fornecedora de couro. 1977. beneficiados com a circulação de tropas. revelam as pretensões expansionistas da economia da pecuária.F.J.CORSO..G. do ponto de vista econômico. O comércio de muares mantinha largo predomínio sobre qualquer outra economia local.

br . era um homem importante. ISSN 1980-6116 http://www. 1977. pois era o único que fazia ligação do Rio Grande do Sul com São Paulo. 1977. pois a formação de uma tropa requeria quantias razoáveis de gado. fornecendo-lhes palha picada. como Lapa. fazendo todo um trajeto. etc. Como as viagens eram longas e os caminhos difíceis de serem percorridos. que era comprado no Rio Grande do Sul. p.CORSO. FERREIRA. Piraí. Esses lugares destinados a descanso vão dar origem aos pousos. “Tinha esse caminho vital importância. Nos locais destinados ao pernoite estabeleceram-se negociantes que construíram algum cercado.71). p. Jaguariaíva.Ciências Humanas O tropeiro não era uma pessoa de baixo nível econômico. As mulas realizavam um ativo comércio entre as vilas do interior paulista e as vilas do interior gaúcho. O tropeirismo acabou desempenhando por conta própria o trabalho de correio.unicentro. devido a pequena densidade demográfica e a vasta extensão do território brasileiro. recados e o intermediário de muitos negócios (WACHOWICZ.F. obstáculos existentes no Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. pois naquela época era muito difícil construírem estradas. arredores. março de 2008. e dando certa assistência aos tropeiros e tropas. entre outras. ao longo de sua rota. simples empregados” (WACHOWICZ. Com o correr do tempo. esses pousos vão aumentando e recebendo sempre novos moradores como ferreiros. Esse transporte foi de certa forma apropriado e relevante para o período.. nº1. Ponta Grossa. p. pois o burro era um animal mais resistente para as longas viagens e agüentava um peso bem maior. para alugá-lo ao tropeiro. por isso a preferência. 1977. enfileirando-se uma após a outra. Segundo Wachowicz (1977) “Cada cidade está separada da outra por uma distância correspondente a um dia de viagem do tropeiro.J. pelo interior.73). Castro. . Atualmente estes antigos pousos são cidades. para que os animais pudessem passar a noite sem perigo de se extraviar” (WACHOWICZ. O tropeirismo desempenhou duas rotas comerciais. milho. que no século XVIII se desenvolveram. mas sim uma pessoa abastada. Estas povoações ou núcleos deram origem a muitas cidades do Paraná.G. onde muitas pessoas foram se estabelecendo. os tropeiros se viram obrigados a parar em alguns lugares para passar a noite e descansar os animais.C. Palmeira. Pela importância e pelo valor imensurável do trabalho que realizava. uma baseada no transporte do gado até Sorocaba. A tropa formada pelo muar superou o cavalo através do giro de mercadorias.71). as tropas de muares se constituíam num fator mais preponderante de permanência e fixação dos núcleos populacionais que se localizavam no interior do país. era também o portador de bilhete. feno.10 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. sendo o homem que trazia as notícias dos últimos acontecimentos aos vilarejos por onde passava. a outra rota comercial seria através do comércio de mercadorias pelas tropas de muar. sal. numa época em que o mesmo era praticamente inexistente no interior. que além de poder aquisitivo.

esse meio de transporte também encontrou muitos obstáculos e dificuldades. arroio. possibilitando uma melhor circulação de mercadorias.C. com a cor da pele predominantemente branca. 1977. origem de um fluxo re-imigratório para o Paraná.unicentro. Esta aproximação conseguiu juntar os gaúchos ao resto do Brasil. vinculado ao seu mundo cultural de origem. Esses fatores encontram-se associados ao desenvolvimento da prática tropeira.73). alcançada em 1853. o mesmo ocorreu em Santa Catarina. no Sul do Brasil. rincão. econômico e social. preocupava-se com sua ocupação no espaço político. relações trabalhistas bem mais cordiais do que aquelas desenvolvidas entre os cafeicultores e os Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. frustavam-se e migravam em busca de melhores condições de vida. FERREIRA.F. Wachowicz (1977) conclui que o papel desempenhado pelo tropeiro causou fortes influências e um contato direto e permanente do tropeiro de Sorocaba.G. nº1. ocasionando muitas vezes perdas e prejuízos. O Paraná como uma nova Província. fora da influência da grande propriedade rural. Isso quer dizer que a elite buscava no colono imigrante um modelo referente ao europeu. (WACHOWICZ. p. rabicho. através da vida campeira. tendo em vista que o limite da colonização realizada por imigrantes foi. Deve-se levar em conta que o Sul propiciava. Esses propósitos sustentavam os interesses da elite brasileira que buscava apagar as marcas de um passado negro com todas as suas características. sabe-se que restaram poucos desses imigrantes nas colônias localizadas.CORSO.Ciências Humanas decorrer do caminho. ISSN 1980-6116 http://www. etc.. Em outros termos. março de 2008. o campo ocupado tradicionalmente pela criação de gado. dos Campos Gerais e do Rio Grande do Sul. como escarpas. do mesmo modo que os colonos instalados em São Paulo ou no Rio de Janeiro só puderam prosperar em regiões já abandonadas pelo café. a dicotomia entre o campo e a floresta foi obedecida pelo processo de migrações internas desenvolvidas pelos descendentes dos imigrantes alemães e italianos a partir do Rio Grande do Sul. como por exemplo: churrasco. Contudo. mormente quando não havia condições de desenvolvimento. chimarrão. a penetração da imigração e seus descendentes só foram possíveis nas terras desprezadas pelo latifúndio.012 colonos estrangeiros. Em virtude do baixo índice de fixação destes imigrantes. Num quadro geral. Segundo Roche (1969). poncho. rios e outros que dificultavam a passagem de outros meios de transporte. estância. coxilha. Por essas e outras razões. Foi ainda o tropeiro que trouxe para o Paraná inúmeros termos de origem castelhana. como também se preocupava em resolver sua questão demográfica. O território Gaúcho situado numa região onde a fronteira entre a colônia lusa e as terras castelhanas eram indecisas sofria grande influência espanhola. principalmente para a capital. charque. entre 1829 e 1911 instalaram-se no Paraná 83. impedindo que os mesmos se tornassem castelhanos.br . bombachas.J. .11 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3.

povoando e colonizando o sudeste e o oeste do Paraná (NADALIN. . a partir de 1920. como não podiam fazê-lo na região. para o leste e para o oeste. obrigava os filhos que sobravam a migrar. é fácil de perceber o vínculo cultural gaúcho com outros estados do Sul. p. resultado da construção de uma cultura estrangeira. valorização do labor físico. A pulverização dos antigos lotes. Esse incentivo encontra-se vinculado ao crescimento da população. ou seja. nesse processo expandia-se a colonização.CORSO. entre outras.br . Nesse processo de colonização. Os fatores de repulsão explicam-se. onde as terras eram mais baratas” (NADALIN. Paraná e Mato Grosso. p.82). como a região de Irai. Esse processo migratório em busca de novas terras teve origem no Rio Grande do Sul. “Como o resultado. Com efeito. Desde o Vale do Rio dos Sinos. pois a estrutura demográfica não sendo compatível com o minifúndio. o enxamento dos pioneiros. 2001. p. São Mateus do Sul. ISSN 1980-6116 http://www. FERREIRA. obrigando-os a comprar lotes sempre mais adiante. com uma geração fundida a princípio na cultura alemã. Essas pessoas em busca de novas conquistas vão se irradiar principalmente do Rio Grande do Sul para Santa Catarina. depois para o norte. através da divisão dos lotes. poucos.C. A maioria dos filhos decidiu manter-se agricultor. devido aos limites impostos da produtividade. partiram para a cidade” (NADALIN. comprando lotes de terras circunvizinhas. “Para manter a vida camponesa os pais costumavam comprar um lote de terra para cada filho. economia policultura estruturada na pequena propriedade visando aos mercados urbanos. levada à diminuição dos rendimentos e à incapacidade de sustentar a família. um herdeiro das relações sociais estabelecidas pela colônia fundada na aventura.unicentro. moral e organização familiar característica. 2002.12 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. somada ao esgotamento do solo. Era visível a contradição no Sul dos dois sistemas.G..J. alguns filhos de colonos. o qual é resultado de profundas transformações no meio rural. levando muitos a migração. São João do Triunfo. colonizando o oeste de Santa Catarina e na prática. onde o custo era mais barato. ultrapassaram as fronteiras gaúchas. A base material do processo era a pequena propriedade e a atividade agrícola. Assim. caracterizado por um processo migratório interno.81). Foram implantados 27 estabelecimentos coloniais. nº1. que os levou a migrar para outros estados em busca de terras.F. o que dificultou a pretensão dos chefes de família camponesa em manter seus filhos próximos a eles. a partir de uma nova ética do trabalho. Com nítidos traços diferenciados. com Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. segundo Nadalin (2001). Essa necessidade baseada na busca de novas conquistas vai dar origem aos povoados. mas o aumento da demanda de terras exploráveis na região elevou sistematicamente o seu preço. descendentes de imigrantes ocuparam as regiões florestais desenhadas pela sociedade tradicional. março de 2008. 2001. trataram de resolver o problema mais longe.79).Ciências Humanas estrangeiros. tendo como ponto de partida os primeiros núcleos coloniais plantados no Rio Grande do Sul desde a década de 1820. o outro.

a experiência da guerra teria dado à elite gaúcha a capacidade de mando e a prática da Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. criaram suas tradições. que buscava se afirmar no poder. alemães e outros. rebelar contra os desmandos do governo central. dominar a natureza. uma tradição. Identificando-se com o seu meio natural. “A ênfase nas peculiaridades do estado e a simultânea afirmação do pertencimento dele ao Brasil se constituem num dos principais suportes da construção social da identidade gaúcha que é constantemente atualizada. . portanto não afirmou sua identidade campeira. ajudaram a explicar o caráter um tanto fogoso que teria se incorporado ao inconsciente coletivo gaúcho”.” que é a identificação do homem com as forças da natureza e a vida do trabalho no campo. constituindo e convertendo em marca de identidade cultural. principalmente seus campos limpos.CORSO. As peculiaridades do Rio Grande do Sul contribuíram para a construção de uma série de representações em torno dele que acabaram adquirindo uma força quase mítica que as projeta nos dias atuais e as fazem informar a ação e criar práticas no presente. reposta e evocada” Oliven (1992. a política e configurando práticas culturais trazidas juntas desse povo. e os estancieiros no Rio Grande do Sul. através de sua formação e suas peculiaridades. Essa idéia projeta nas palavras de Oliven (1992. no período de 1860 a 1880 e nos vinte anos que seguiram.unicentro. restando apenas a contribuição cultural dos colonos europeus. conquistado. que articulou a economia do Sul do Brasil ao restante do país. Rodrigues (1984.C. p.F. Essa marca campeira se deu nos dois Estados. O gaúcho é socialmente um produto do pampa. com trinta e quatro colônias (italianos. recebeu colonos estrangeiros. ISSN 1980-6116 http://www.47) “a necessidade de garantir fronteiras. Assim se autentificou os fazendeiros no Paraná. março de 2008. ou seja.G. FERREIRA. nota-se um forte desenvolvimento transformando a economia.. nº1. além dos conflitos internos do próprio estado. poloneses. atraídos pela concepção de uma vida melhor se inseriram e se adaptaram ao meio. através do tropeirismo. p. alemães. O Sul.49). PARANÁ E RIO GRANDE DO SUL: UMA RELAÇÃO CULTURAL De certa forma o Sul do Brasil. p.12) comenta que no Rio Grande do Sul se autentifica um tipo social diferenciado. O Estado do Paraná não soube aproveitar suas raízes culturais. As diferenças do gaúcho em relação a outros tipos sociais seriam causadas pelo meio ambiente e pela superioridade política provinda da experiência da guerra. a forma como foi desbravado. como politicamente é um produto da guerra.Ciências Humanas imigrantes italianos.13 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. de forma que o Rio Grande do Sul soube aproveitar seu espaço. esses.br . tendo privilégio de ser financiado pela elite gaúcha. passaram a se identificar pelo mesmo meio natural e com isso criaram suas próprias identidades. Assim. Foi a pecuária. ao longo de sua formação. Nesse processo ocasionado pela “enxamagem”. o qual vai ser marcado pela “bravura. criando suas práticas culturais. As regiões sulinas. ucranianos etc.J. foi caracterizado pelo mesmo formato. o gaúcho. instalados em várias cidades do Paraná). povoado e colonizado. Esses deslocamentos populacionais somam-se à idéia de ocupação e povoamento de um território.

por um grupo de intelectuais e escritores. envolvendo o cavalo. quando o Rio Grande do Sul começou a ser colonizado. como a região serrana de colonização alemã e italiana. uma sociedade de intelectuais e letrados que tentavam juntar os modelos culturais na Europa com a visão positivista da oligarquia rio-grandense. Do século XVIII. a representação da figura do gaúcho com suas expressões campeiras. Ele começa em meados do século XIX.70).CORSO. ISSN 1980-6116 http://www. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. março de 2008.F. além do sentimento e o valor dos interesses coletivos. Por volta de 1870 e o estado experimentou modificações econômicas.C. Oliven argumenta: Há vários momentos no culto dessas tradições. Em meados do século XIX o tipo marginal do gaúcho estava praticamente extinto. Entretanto. o chimarrão e a construção de um tipo social livre e bravo serviu também de modelo para grupos étnicos diferentes. FERREIRA. não existia mais dadas às transformações pelas quais passou e que significaram sua gradativa incorporação como peão de estância.G. através da exaltação da temática regional gaúcha.br . o surgimento de novas raças de gado e a disseminação de uma rede de transportes (OLIVEN. o Partenon Literário. é fundado em Porto Alegre.14 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. o que estaria a indicar que essa representação uniria os habitantes do estado em contraposição ao país. até a Revolução Farroupilha (1835-1845). quando a figura marginal do gaúcho. Apesar da decadência da campanha e do crescimento de outras regiões do estado. descendentes dos colonos italianos e alemães e a crise que a pecuária experimentou a partir de 1870. já que a campanha constituía o único espaço gaúcho efetivamente apropriado e incorporado à economia nacional.unicentro. Assim.Ciências Humanas organização de grandes massas humana. e consequëntemente apto a ressurgir como instrumento de sustentação e imposição ideológica dos mesmos grupos que os tinham destruído. A modernização de novas técnicas de trabalho e o surgimento de frigoríficos causou muito desemprego e a falência das charqueadas. 1992. do mesmo tempo que desenvolveu na consciência daquele povo a interdependência entre a vida da sociedade e a vida privada familiar. caracterizadas pelos cercamentos dos campos. o Sudoeste do Estado era uma região cujos contornos confundiam-se perfeitamente com os próprios limites da província.. o surgimento da metade setentrional do estado de um contingente expressivo de pequenos produtores agrícolas e comerciantes. p. em 1869 quando transcorre a guerra do Paraguai. fez com que a hegemonia econômica e política da campanha começassem a ser certamente abalada. Isso causa uma grande mudança no processo das atividades servis. que a partir do final da 1ª Guerra Mundial acarretaram grandes transformações. . assim como se imaginava que este teria sido no passado. nº1.J.

eram que o Partenon Literário objetivava a exaltação da temática gaúcha. tal sentimento surtiu reflexos que foram de grande importância na formação de literatura sul-rio-grandense. suas idéias tinham como principal objetivo a prática de todos os usos e costumes gaúchos. p. A se tornado assim o principal centro de irradiação da moda e da cultura para as elites urbanas. fazendo-se presentes nas diversas atividades do peão.C. A sociedade Partenon Literário apareceu neste contexto como principal órgão de divulgação do ideário estético proposto por uma nova geração de escritores. hábitos e tradições. crescia entre os gaúchos um sentimento de valorização da região em todos os seus aspectos. adormecidas. palestras. a vida cultural do Rio Grande do Sul praticamente inexistia e só vários anos após o término da Revolução de 35 é que se intensificaram as atividades culturais e as produções literárias.71). Nos intelectuais. honestidade e valentia. principalmente para os jovens que começaram a imitar o americano “Way of life”.Ciências Humanas Durante este período. As raízes estavam relegadas ao esquecimento. pois durante muitos anos foi ela quem orientou a produção literária da província. enfatizando o sentimento localista como um movimento de grande estímulo. e seu papel foi determinante. exaltado por sua coragem. Essas características encontram-se nos romances da época. como também se firmou a presença de uma temática regional na literatura. Surgindo o peão de estância no papel de heróis. ISSN 1980-6116 http://www. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. . desfiles de cavalaria. Com rapidez a juventude voltava as costas para as suas raízes culturais. Voltados ao mesmo propósito. surge o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre. FERREIRA. Com isso.unicentro. preocupados com a fixação de seus costumes. perdia-se o “sentimento” de culto às tradições. tornando o gaúcho um mito regional. “Ambas as associações são formadas por pessoas de origens modestas não detentoras de terras ou de capital e que encontram na atividade intelectual uma forma de ascensão e inserção no quadro do poder” (OLIVEN. p. março de 2008..br . fundado nos propósitos de uma concepção oligárquica.J. Nesse momento.F. Reflexo da proibição de demonstrações de sentimento afetivo à região.72). Até então. As diferenças. nº1. que havia sufocado a imprensa que prejudicava o desenvolvimento e a prática das culturas regionais. É importante ressaltar que no final da II Guerra Mundial o mundo ocidental encontrava-se sob grande influência exercida pela posição dos E. O objetivo dos escritores e intelectuais desta geração estava voltado para a valorização do homem gaúcho. desde seu trabalho diário na estância até a sua participação nas lutas políticas e nas guerras externas.G. etc. 1992.CORSO.U. segundo Oliven (1992. As diferenças das duas associações estavam centradas no direcionamento que cada uma estabelecia para seu interesse cultural. Criado em 1898 pelo republicano e positivista João Cezimbra Jaques. o Brasil estava saindo da ditadura de Getúlio Vargas.15 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Essas entidades voltadas à criação de uma identidade regional representariam uma gama de elementos aptos a dar substância e suporte aos Movimentos Tradicionalistas Gaúchos que iriam aos poucos se estendendo e traçando toda uma configuração regional. e o grêmio voltava-se às tradições através da promoção de festas.

O sentido e o valor do tradicionalismo.br . vai encontrar solução no seu discurso tradicionalista. ISSN 1980-6116 http://www. caracterizando então um melhor realce aos motivos tradicionalistas do Rio Grande do Sul.unicentro. literárias. ou esportivas.F. p. O movimento tradicionalista gaúcho rio-grandense.T. um dos fundadores do 35 C. Mais que o seu pago. O fundamento científico desse movimento encontrava-se em sua afirmação sociológica. E com isso o Tradicionalismo poderia se transformar na maior força política do Rio Grande do Sul.T.G. dessa forma. reintegrariam a unidade psicológica da sociedade regional. que estaria associado às atividades artísticas. ou seja. Barbosa Lessa. tendo em vista o indivíduo que tateia sem rumo e sem apoio dentro do caos da época. nº1. As afirmações eram as seguintes: Tradicionalismo é um movimento popular que visa auxiliar o Estado na consecução do bem coletivo.J. o Movimento Tradicionalista Gaúcho (M.Ciências Humanas Em contraposição a toda aquela realidade em que vivia o Rio Grande do Sul. visava precisamente combater os dois reconhecidos fatores de desintegração. os indivíduos sentiriam os mesmos interesses e os mesmos afetos e. cada Centro de Tradições Gaúchas seria em si um novo grupo local. Os fatores que estavam ameaçando essa transmissão seriam os fatores associados à desintegração da sociedade. em todos os municípios do Rio Grande do Sul. através de ações que o povo pratica (mesmo que não se aperceba de tal finalidade) com o fim de reforças o núcleo de sua Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. . o Tradicionalismo procura entregar ao indivíduo uma agremiação com as mesmas características do grupo local que ele perdeu ou teme perder: o pago. 1979. que vinha se desenvolvendo desde 1947. Lessa encontrava nas entidades tradicionalistas uma forma de reeducação cultural na busca para recuperar os valores perdidos.C. Nas palavras de Lessa: O tradicionalismo procura mais que tudo reforçar o núcleo da cultura rio-grandense. Dessa forma. que eram principalmente o enfraquecimento das culturas locais e o desaparecimento gradativo dos “grupos locais”.16 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. num discurso tradicionalista. E através dos Centros de Tradições Gaúchas.G. que qualquer sociedade poderia evitar a dissolução enquanto fosse capaz de manter a integridade de seu núcleo cultural. Em contraposição a toda a realidade vivida. 07). Os argumentos de Lessa enfatizavam a importância da cultura transmitida pela tradição. Caberia ao Movimento Tradicionalista Gaúcho a integração da sociedade riograndense a todo o universo cultural.CORSO. FERREIRA. E a medida que iriam surgindo novos centros. as comunidades transmissoras de cultura. com suas características.. recreativas.G) encontra uma solução para tentar suprir aquela crise social. março de 2008. o pago das gerações que o precedem (LESSA.

a estrutura interna do 35 C. ISSN 1980-6116 http://www. Embora não quisessem constituir uma entidade que refletisse sobre a tradição. diretor etc. constituído exclusivamente de rapazes. A maioria de seus fundadores eram descendentes de pequenos proprietários rurais de áreas pastoris de latifúndio ou de estancieiros em processo de descenso social e que viriam a Porto Alegre para estudar.unicentro. evocando toda sua natureza regional. nº1. Esse modelo é significativo. passou a se reunir todos os sábados de tarde num galpão improvisado na casa do pai de um deles para tomar mate e imitar os hábitos do interior e as charlas que os peões costumavam ter no galpão das estâncias. revelando a importância de manter vivas suas práticas culturais. seriam criadas com o objetivo de reviver as práticas. os temas mais constantes na literatura regionalista são a apologia da natureza e do campo e a valentia e virilidade do gaúcho. Daí a preocupação em dar assistência ao homem do campo. p.Ciências Humanas cultura: graças ao que a sociedade adquire maior tranqüilidade na vida comum (LESSA. 1979. Os discursos literários encontrar-se-iam calcados nas práticas culturais gaúchas. mas adotou os nomes usados na administração de um estabelecimento pastoril.G não utilizou a nomenclatura que normalmente existe em associações. tesoureiro. No lugar de presidente. mostrando um homem a reinar sobre a natureza e em especial sobre os animais. A criação das entidades tradicionalistas. enobrecendo a figura do gaúcho peão.TGs. foi Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná.CORSO. os hábitos e costumes do campo. mas um grupo que procurasse revelar era necessário recriar o que imaginava ser os costumes do campo. cujo nome evoca a Revolução Farroupilha. agregados. o tradicionalismo se preocupava em dar suporte e assistência às novas gerações e ao homem do campo. capataz.T. integrando-o ideologicamente às lides da estância e consequëntemente ao setor produtivo. posseiros etc. transmitindo sua história.17 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Cabia ao tradicionalismo operar com intensidade no setor infantil ou educacional. Assim.C. sustentáculo da classe dominante pastoril. Essa explicação encontrava-se favorável àquele momento de inteira crise cultural e social. seria através da assistência ao homem do campo. suas lendas. O primeiro centro de tradições gaúchas. empregaram-se os títulos de patrão.G.. No lugar de Conselhos Deliberativos ou Consultivos. Outro meio de sustentação ideológica. seus hábitos. vice-presidente. pois a idéia se restringe à figura do homem do campo como autêntico gaúcho. A pretensão do tradicionalismo gaúcho era a formação do indivíduo desde seus primeiros anos de formação escolar. já que os jovens queriam evocar o ambiente de uma estância.J. O grupo. A escola seria um importante elo de apoio para a integração cultural a todos os cidadãos rio-grandenses. atributos ligados à exaltação das guerras e do trabalho. é que vai servir de modelo às centenas de centros de tradições existentes no Rio Grande do Sul e em vários outros estados do Brasil. . a exemplo dos C. FERREIRA. Assim. Além dessas explicações.br .F. secretário.08). sota-capataz. Tendo em vista que as raízes para a construção de todo esse campo estão calcadas no vínculo com a natureza. março de 2008. costumes e linguajar.

G. O modelo de identidade criado e apresentado pelo 35 C.J.91). suas lendas. De forma semelhante. Pugnar por uma sempre maior elevação moral e cultural do Rio Grande do Sul. p. segundo Oliven (1992. p. em vez de departamento.CORSO. com o desejo de resgate de uma identidade. A expansão do tradicionalismo segue uma dinâmica e repercute fora do estado do Rio Grande do Sul que é dos estados de maior imigração do Brasil.15).18 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3.G deu certo. nº1. Essa emigração se dá geralmente do interior do Rio Grande do Sul para o interior de outros estados. FERREIRA. março de 2008. 1992. canções. 1992. principalmente em Santa Catarina.76). receberam nomes que tivessem origem nos usos e costumes das estâncias gaúchas. Na capital houve apenas a criação de uma espécie de mini C.T. através da criação de novas identidades. tropeadas etc. objetivavam: Zelar pelas tradições do Rio Grande do Sul.F. ao passo que era a unidade da federação que menos número de brasileiros recebia. todas as atividades culturais.br . Paraná e Mato Grosso (OLIVEN. sua história. prevaleceu a idéia de que ela fosse aberta a todos os que dela quisessem participar (LESSA.G doméstico. já que uma das tendências era transformá-la em uma espécie acadêmica tradicionalista restrita a 35 membros.T. e servindo como sementeira que multiplicava a cada instante.000 pessoas. tais como ronda rodeios.T.T.G. 1987. o êxodo gaúcho compreendeu 300. cívicas ou campeiras. Fomentar a criação de núcleos regionalistas no estado. mais concentrados nas áreas pastoris. p. De 1920 à 1950. em busca de novas fronteiras agrícolas. dando-lhes todo apoio possível. o Rio Grande do Sul era o estado que fornecia o maior contingente imigratório para outros estados. Nesse último ano.Ciências Humanas colocado o Conselho de Vaqueanos.C. Os estatutos do 35 C. é interessante analisar como o Paraná e Santa Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. Observando essas estimativas. Depois de algumas discussões sobre a forma de agremiação.81). p. ISSN 1980-6116 http://www. formado pelos integrantes. ..unicentro. afirmam que de 1948 a 1954 surgiram 35 novos C. costumes e consequentemente a divulgação pelos estados e países vizinhos. As estimativas.Gs distribuídos em praticamente todas as regiões do estado. foram criadas invernadas (OLIVEN.

Esses comentários encontram-se bem nítidos na absorção cultural que o Paraná recebeu dos imigrantes do Rio Grande do Sul.93) comenta que “no futuro pode haver mais C. De 1940 a 1980 o Estado do Paraná recebeu de 15 para 385 mil gaúchos. mas por descendentes deles. Oliven (1992.92). Há muita semelhança do que ocorreu com os fundadores do 35 C.. revivem uma tradição que é comum a Uruguaiana.C.br .G algo exclusivamente do Rio Grande do Sul.G.Gs. FERREIRA. p.T. e de vários rodeios são Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. em busca de origens rurais perdidas ou jamais possuídas. Essas observações deixam clara a expansão que o tradicionalismo repercute fora do Estado do Rio Grande do Sul. ISSN 1980-6116 http://www. Ao serem observadas as manifestações culturais no Estado do Rio Grande do Sul na década de 80. Pode-se argumentar que os colonos europeus. Os C. p.19 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Todos os modelos que estavam sendo criados viam-se vinculados a tudo que se ligaria à cultura gaúcha e como forma de divulgação seriam usados tudo que pudesse propagar os usos e hábitos gaúchos. “Somos todos gaúchos” na realidade velhos tomadores de mate e comedores de churrasco” (OLIVEN. o autor de texto sugestivamente intitulado “passe a cuia chê”. Rio Grande do Sul.T. existindo cerca de 156 C. 1992. Tendo em vista que esses grandes números de entidades tradicionalistas em outros estados possam já não ser freqüentados por gaúchos natos.T. envolvendo um público de aproximadamente um milhão de pessoas. que congrega cerca de 17 regiões.unicentro. .G.J.Ciências Humanas Catarina encontram-se intimamente ligados a esta política imigratória de fase expansionista em busca de êxito econômico.F. estavam fazendo referência ao mundo ao qual na verdade jamais pertenceram. A difusão se deu por quase todo o Estado através de suas práticas. e Paraná.T. nº1. levando consigo toda uma bagagem cultural do seu estado de origem. ao cultuarem os costumes e valores das estâncias da Campanha. se observam o impressionante número de atividades ligadas às tradições. Argentina. Reivindicando que não se veja no C. sua existência pode denotar uma imensa saudade de sua região.T. p. na sua maioria italianos e alemães. que imigraram do Rio Grande do Sul e foram se estabelecer em outras unidades do Brasil.Gs filiados ao Movimento Tradicionalista Gaúcho do Paraná. março de 2008. Oliven (1992.Gs fora.99) comenta que mais de quarenta festivais de música nativista. Santa Catarina. seus usos e costumes que gradativamente eram difundidos e estabelecidos na capa cultural paranaense. O gauchismo é um sentimento tão forte no Paraná que num número da revista da fundação cultural de Curitiba inteiramente dedicado a essa questão. do que dentro do Rio Grande do Sul”.CORSO. onde a necessidade de garantir e de possuir novas terras deslocou povos destinados a se estabelecer em um novo estado.

os costumes e hábitos absorvidos e incorporados pelos cidadãos do município de irati foram as práticas tradicionalistas gaúchas. era o direito de afirmar o que era e o que não era tradição e cultura gaúcha. onde os adeptos passam a se identificar como filhos do rio-grande.”. se expandiu de forma significativa fora de seu Estado. os quais passaram a se identificar com os traços culturais do Rio Grande do Sul.F. as poesias e a indumentária. contra todos os maus usos e costumes mal atribuídos à cultura.unicentro. restaurantes típicos com shows de músicas e danças. Orreda faz comentários ao tradicionalismo. e não com sua realidade cultural. Toda uma configuração foi planejada. um dos criadores e teóricos do movimento e autor da Carta de Princípios do Tradicionalismo. José Maria Orreda (1992). A necessidade de inventar uma tradição esteve vinculada a todo um imaginário da época. livrarias. as danças. Tratava-se de um mercado de bens simbólicos de dimensões muito significativas que movimentou grande número de pessoas e recursos. e feiras de livros regionais. para não haver deturpações e descaracterizações. escritor Iratiense. lojas de roupas gauchescas etc. buscando tudo que pudesse identificar uma tradição. Esses modelos que foram criados tiveram como propósito definir as finalidades únicas do tradicionalismo. Com esse propósito. necessitando definir o que seria certo ou errado.C. “propagandas de televisão e rádio. de alguns membros e adeptos ao tradicionalismo. Essa afirmação revela a influência sobre um mercado de bens simbólicos. onde a necessidade de garantir um espaço cultural propiciou essa caracterização e difusão.CORSO.J.G. jornais. editoras. em contrapartida a tudo que pudesse atrapalhar a integridade gaúcha.Ciências Humanas criados. as danças. Os detalhes provinham de algumas proximidades com os conterrâneos lusos. nº1. revistas especializadas. alcançando primeiramente seus estados vizinhos. caracterizando-o como uma cultura benéfica a todos que por a cultuam e a ela se identificam. ISSN 1980-6116 http://www. livros. como Santa Catarina e Paraná.109) argumenta que diante de um grupo de intelectuais. O Movimento Tradicionalista Gaúcho estimula a valorizaDo Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. março de 2008. criado no Rio Grande do Sul. FERREIRA. como o folclore. criam-se normas para elaboração de documentos e diretrizes. cantores e discos.20 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. até as vestimentas. conjuntos musicais. Oliven (1992. colunas. p. que através de seus interesses em defender uma identidade. TRADICIONALISMO GAÚCHO NO MUNICÍPIO DE IRATI Nesse caso.. Os tradicionalistas foram inventando e se apropriando de uma série de hábitos e costumes projetados num passado por eles pouco conhecido. os tradicionalistas começaram a estudar as lendas. Esse propósito revela os objetivos que propunham os fundadores do tradicionalismo. passando a introduzir elementos que simbolizam o ideário de um povo. bailões. acabaram criando e inventando uma série de representações. Esse modelo cultural. a música. passaram a difundir um modelo cultural ao qual eles jamais pertenceram. . ou seja. chegando a conclusão de que o material era muito escasso.br . Um dos exemplos mais significativos é o manual do tradicionalismo gaúcho de Glaucus Saraiva. comenta que a cultura gaúcha é identificada como uma cultura prazerosa. as canções.

T. Não só estimula. a cultura popular como faz o M. dançar. cantar. a história da conquista da terra. 1992. sequer pobreza. Todos em especial os educadores.G é hostilidade Humanidade e paz (ORREDA. cozinhar. das festas. postura física. respeito humano. hábitos e costumes através do congraçamento e alegria de viver em fraternidade.br . Não vemos nenhuma outra ação que oriente as comunidades para a formação da cidadania como faz o M. Um macro acompanhamento de gente feliz. precisam pesquisar e entender melhor esse movimento cívico. conquistam civismo e cidadania. Um rodeio é uma festa de habilidade e talento na expressão de igualdade e assim da democracia.J. laçar. festas que antecederam a existência dos C.G. mas no Brasil e em todos os estados onde atuam os C. depois cavaleiro.T.3). Algum extraterrestre diria eis o paraíso. março de 2008. mas promove sim. a música. da literatura..unicentro. aqui há qualidade de vida. recitar.T. gosto que vem talvez do tempo das polcas de relações.CORSO. pela natureza. artístico e cultural. pelo próximo.C.G. coragem. ambos o respeito pelo outro.Gs e assim pois concluímos : Chão amado Pátria plena Sino do pastoreio Sanga de água azul Os tauras do Sul A força da lida faz Braço do bom capataz C.G. O gaúcho valoriza muito as tropas e rimas. ler. Não vemos nenhum movimento cultural tão forte preservando o folclore. nº1. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. igualmente estudar.T. Não vemos nossas escolas aqui no Paraná promovendo o estudo da história paranaense e brasileira como faz o M. ler. esportivo. ISSN 1980-6116 http://www. não só do Rio Grande do Sul. As meninas aprendem a bordar.G. estudar. aqui há generosidade. FERREIRA. das canções.F. . de fortuna sem igual.T. nesse mundo não há miséria. das tradições. ser cavalheiro.21 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. social. pelos mais velhos. de riqueza sem limites. Os meninos.Gs ( Centros de Tradições Gaúchas).T. p. cuidar da casa. A festa do rodeio é quase um sonho.Ciências Humanas ção da história e da cultura. do folclore da etnografia.

O rodeio passa a se identificar como extensão desse ideário. Esses hábitos encontram-se muito presentes entre as famílias iratienses.Gs (Missioneiro. onde nela são vivenciadas as maravilhas de um mundo feliz.Ciências Humanas Segundo Orreda.CORSO.T. como também com conjuntos do Rio Grande do Sul que tem maior preferência e maior público. entre eles Luiz Carlos Barbosa Lessa e João Carlos D’Ávila Paixão Cortês.Gs são os pólos difusores da cultura tradicionalista gaúcha no município. pois o autor trata do rodeio como uma festa dos sonhos. que aos poucos foram se convertendo como marca de identidade cultural no município de Irati. que traz consigo todo um propósito de vida.T. Tradicionalistas adeptos à cultura fizeram crescer uma gama de práticas com propósito de valorização e divulgação dos ideais gaúchos.22 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Um exemplo seria a forma de julgamento das provas.. Os C. Pousada de Tropeiro. como também a divulgação das práticas campeiras e artísticas tradicionais. as formas de representação são variadas. com os cantos e instrumentais. ISSN 1980-6116 http://www. com a dança. Os C. hábitos costumes e tradições. nº1. É notório o envolvimento dos cidadãos Iratienses com a cultura gaúcha. que se identificam por expressões próprias. que têm como finalidade a preservação. Nesse sentido. que são credenciadas pelas normas e regras criadas pelos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho. a prova de tiro de laço. que são: Invernada Campeira: C. no município.C. FERREIRA. como também os programas de rádio. através de competições com a música regional.T.Gs se concentram como a base de sustentação dos princípios gaúchos. o município conta com a participação de oito C.unicentro. o Tradicionalismo Gaúcho é um Movimento com muita disciplina e bem organizado. através dos bailes gaúchos. Terra dos Pinheirais. pois tanto a música como a dança ganharam espaço.Gs que estão divididos entre as Invernadas Artísticas e Campeiras. Na modalidade campeira é presenciado o homem na lida com o gado como. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. março de 2008. do hábito de tomar chimarrão e comer churrasco. Esses traços são fundamentais para a percepção da difusão da cultura gaúcha em Irati.br . É comum todos os domingos o Clube Operário realizar os bailes gauchescos com conjuntos de Irati ou da região. Picaço Velho. por exemplo.T. Um exemplo é o Rodeio Interestadual que atualmente se caracteriza como a maior festa crioula tradicionalista do Paraná. que só tem a crescer e se difundir. Algumas pessoas com maior interesse passaram a freqüentar aulas de dança gaúcha para poder freqüentar os bailes. Na modalidade artística presencia-se o folclore rio-grandense.J. . As práticas tradicionalistas de origem rio-grandense foram tão difundidas. no mês de julho.G. Alguns grupos gauchescos fazem parte do entretenimento dos iratienses. dos artigos de jornais que a cada ano enfeitam e colorem o discurso tradicionalista gaúcho. A influência tradicionalista gaúcha ganhou espaço e a cada ano cresce o número de adeptos.F. Segundo dados da Prefeitura Municipal de Irati. colocando-o como expressão cultural que a cada ano cresce e se revitaliza. através da música gaúcha. XV de Julho e Fazenda Neumann). desde o Rodeio. que acontece uma vez por ano.

Gs: (Esteio da Esperança e XV de Julho). nas freqüentes viagens àquele estado para a venda de cavalos. . Rio Azul.Ciências Humanas Invernada Artística: C. Isso mostra que durante os anos de1979 a 1993 foram criados quatro C. Um exemplo é a forma como o senhor Frederico Ruva expõe seu conhecimento e como se insere no tradicionalismo gaúcho. do Iraty Sport Club. Um dos fundadores.T. Frederico Ruva Neto.T. FERREIRA. A partir de então foram fundados os C. a qual é composto por oito cidades.T. a criação da área exclusiva para a prática de atividades campeiras em forma de competição partiu do crescimento do Movimento Tradicionalista em Irati.T. envolvendo de certa forma seus habitantes. Esses dados revelam como a cultura gaúcha se faz presente em Irati. A falta de uma identidade construída recria seus personagens que passam a se representar em um determinado tempo e espaço.Gs são as evidências de um modelo influenciador da cultura gaúcha. em 1993. Por influência de tropeiros. associada à economia e a política. e o Terra dos Pinheirais. em 1979. filiada ao M. por influência até do pessoal de comércio de açougue comércio de carne que existia na época e que tinham contato com esses tropeiros inclusive muitos açougueiros aqui no nosso município compravam tropas no Rio Grande do Sul.F. ISSN 1980-6116 http://www. passando a crescer gradativamente.J. região de Guarapuava e muitas dessas tropas se vinha do Rio Grande do Sul. Os C. em julho de 1980.T. março de 2008.C. Mallet. Rebouças.CORSO.unicentro.23 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. são paranaenses. região do Pinhão. Prudentópolis.. atualmente Patrão do C.Gs na cidade. então como sempre conto e tenho até alguma coisa escrita. e essas tropas inclusive não só de bois mais cavalos também. O primeiro rodeio em Irati aconteceu de forma improvisada no Estádio Cel. comenta: “Você fazendo um apanhado histórico do tradicionalismo em nosso município.G do Paraná. O Sr. que devido às semelhanças da história paranaense com a gaúcha. nº1. Emílio Gomes. Como o Paraná é composto por dezessete regiões tradicionalistas.Gs Pousada de Tropeiro. principalmente da região do Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. vinha até União da vitória por trem e de União da Vitória até Irati por tropeiros. em 1986. entre elas: São Mateus do Sul. Paulo Frontin e Paula Freitas. fez surgir alguns iratienses gaúchos.br . São João do Triunfo. Irati se concentra como a 6ª Região. em 1985. Pialando na Querência. Segundo a Revista Recidade (2002 p. reunindo nos três dias de sua edição anual aproximadamente 100 mil pessoas.G Rédeas da Tradição. E em 1988.G Terra dos Pinheirais e participante do 1º Rodeio de Irati realizado em 1979. cultivando uma identidade. que não são gaúchos.T.T. interessou-se pelo formato do rodeio gaúcho.10).G. o poder público Municipal adquiriu a área que hoje abriga o maior Rodeio Crioulo do Paraná. João Floriane. desde a fundação do 1° C. Esses dados fornecem subsídio para um melhor entendimento sobre a expansão do tradicionalismo gaúcho em Irati. através do repasse feito pelo Governo do Estado através da lei n° 808.

CORSO. até em função do trabalho dos açougueiros que se compravam uma cabeça de gado no interior. surgiu o C. por incentivo do seu Carlos Meira Martins.br .T. FERREIRA. fazer uma terraplanagem. que inclusive é de Ponta Grossa que foi o 1º patrão do M. . fundaram o Rédeas da Tradição e já se envolveram pra que se realizasse o 1º Rodeio em 1979. esse contato essa saída do pessoal daqui de Irati ejá sabendo que Imbituva que faz parte da 2ª Região Tradicionalista.C. tinha que ir até lá. começou ir lá. o pessoal foi vendo a região foi fechando.J. e o pessoal na dificuldade de construir. como a família Turth.G do Paraná. assistir e a gostar do movimento. de fazer cerca pra Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. então esse pessoal começou a ter contato. com a família Floriane com Reginaldo Stein e a família Chemin. ISSN 1980-6116 http://www. março de 2008.G de São João do Triunfo através do seu Adir Anila que também era açougueiro. o seu Elias Van Der Neut. Cassemiro Podegurski e o vice-presidente do Irati. e até por incentivo do fundador do M.T.G em São João do Triunfo. surgiu em São Mateus do Sul.T. que já tinham o hábito do laço a cavalo apenas o laço a pé.G em Imbituva.unicentro. e logo em seguida o 2º C..G da 6ª Região em São Mateus do Sul que é o Rancho Alegre e logo em seguida esse contato.T.T.24 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. fundou-se então na 6ª Região Tradicionalista que consta os 10 municípios aqui da nossa região. tinha que laçar.Ciências Humanas Pinhão vinham através de tropeiros. o que foi acontecendo. com esse pessoal que era açougueiro.T.G do Paraná que era o seu Carlos Meira Martins. enfim a família Lactiki.F. esse C. até porque poucos proprietários dessas tropas do interior tinham mangueira. foi o Rédeas da Tradição aqui em Irati e com a fundação do Rédeas da Tradição.G. Fundou-se o 1º C.T. lá em São João do Triunfo. Na época a Diretoria do Irati Sport Club era o senhor Podegurski. o 3º da 6ª Região foi o Rédeas da tradição. datado em 1975 e essa evolução.T. surgiu o C.G da 6ª Região em São João do Triunfo e logo em seguida o 2º. nº1. já tinha Rodeios.G e foi por dois mandatos patrão do M.G do Paraná. tinham estrutura pra fechar esse gado e isso foi desenvolvendo o M. é claro mesmo aquele pessoal que em Irati não fez parte desta diretoria do Rédeas da Tradição deve ser lembrado.T. com o laço a cavalo então o pessoal começou a se interar.

25 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. Outro dado demonstra que o tropeirismo é identificado como um importante instrumento de ligação cultural. os quais vinham e iam para o Rio Grande do Sul.G Rédeas da Tradição em 1980. em 1979.T. mas todos aqueles que de uma ou outra maneira contribuíram para a semeadura e enraizamento do tradicionalismo em nossa cidade. houve muita rejeição porque ia estragar o gramado e realmente o rodeio foi realizado e o gramado teve realmente alguns problemas e fechou-se então. Sr. tiveram uma idéia derrepente. nº1. não só os tauras que em julho de 1980 fundaram o C.Gs na região. Emílio Gemes e a Diretoria do Irati foi contra. foi feito aquele movimento. na pessoa do fundador do M. A fonte traz a data quando foram fundados os primeiros C. Segundo o Jornal Folha de Irati (02/2001): “Quero considerar pioneiros em Irati. A década de 70. que batalhava pela expansão do movimento na região Sul e a boa acolhida do povo iratiense.T.G. para os açougueiros e compradores de cavalo para tração da crescente expansão da 2ª Região Tradicionalista.G.T. março de 2008. Outro fator que contribuiu Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná.. o Rédeas da Tradição foi criado junto com o 1º Rodeio. foi realizado.br . tendo como contribuintes algumas pessoas que já se faziam influenciadas pelas práticas tradicionalistas. e assim estimulavam os habitantes a desenvolver algumas práticas tradicionalistas gaúchas.G. contribuíram para isso o Rodeio de Integração que é considerado a maior festa campeira do Paraná”. . principalmente vindos de Pinhão e Guarapuava. ISSN 1980-6116 http://www. sediada em Ponta Grossa. Frederico Ruva. que diz que o 1º C. através da articulação comercial que realizava em suas rotas comerciais. Nas décadas de 60 e 70.unicentro.T. Emílio Gomes.F. a possibilidade de fazer o Rodeio dentro do Estádio Cel. tomamos conhecimento do laço a cavalo. FERREIRA. através dos tropeiros que aqui comercializavam ou entregavam tropas de gado e animais.Ciências Humanas montar uma pista de rodeio.C.J. Carlos Meira Martins. contrariando de certa forma os relatos do Sr.G Rédeas da Tradição. colocando a data de fundação do C.CORSO. um exemplo foi o Rodeio e a criação de centros de tradições gaúchas e o envolvimento de algumas famílias envolvidas no movimento o qual já se fazia muito presente. pois o MTG já operava com intensidade. que desde o 1º Rodeio lotou as dependências do Estádio Cel.” Um dos fatores que influenciou o Movimento Tradicionalista em Irati foi o contato com os tropeiros que comercializavam gado com os açougueiros da região de Irati. como se percebe. foi um começo de expansão do movimento cultural no município.T.

já veio São João do Triunfo. Frederico Ruva todos os anos teve Rodeio. e Teixeira Soares que já teve inclusive dois Rodeios gaúchos oficiais é que não tem hoje C. O estímulo se fazia presente próximo da região de Irati.T. praticamente todos os municípios se você pegar aqui no Centro Sul.unicentro. na cultural e em todas as modalidade.Ciências Humanas muito foi o contato com outras cidades que estavam desenvolvendo as práticas tradicionalistas.G. então o povo se identificou muito com o tradicionalismo gaúcho e como eu falei. março de 2008. Frederico Ruva. Fredrico Ruva: “Então o M. até culminar no atual. e hoje está no Brasil inteiro. foi se construindo os campeonatos estaduais. Sr. na nossa região.Gs. o qual lutava pela expansão do tradicionalismo gaúcho. foi se construindo os campeonatos brasileiros. na rédea. A partir de 81 eu tenho que pesquisar. nº1. no laço.G. hoje esta evolução do Rio Grande pra cima aconteceu também na nossa cidade.Então essa evolução aconteceu com calma e não tinha como ser diferente. na dança.Gs. na desportiva.J. na vaquinha parada. . FERREIRA. foi se criando as regiões.C.” Segundo o Sr. é claro quando aconteceu nessas maiores cidades e foi se expandindo. Nunca mais ficou um ano sem ter Rodeio porque daí em 1980 foi realizado mais um no campo do Irati. ISSN 1980-6116 http://www. que já se moveu alguns anos atrás para tentar . até que ano foi. se eu não me Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná.T. e foi e foi. Como relata o Sr. em todas as invernadas que envolvem o tradicionalismo gaúcho. a partir de 1979 foram organizados mais Rodeios. já veio São Mateus do Sul a nossa cidade também entrou nesse bolo hoje na nossa região praticamente Fernandes Pinheiro. como se nota Ponta-Grossa.F..br . que são nada mais que um esporte envolvendo competições com o gado e ao mesmo tempo identificando a lida do homem com o gado no seu dia-dia. foi se construindo os campeonatos regionais. já foi se formando. começou a se organizar a partir de Curitiba a partir de Ponta-Grossa. a organização foi acontecendo. em todos as modalidades. aonde aí se construía as seleções estaduais.T.26 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3.T. o Paraná começou a criar os Rodeios.G foi fundado no ano de 75 e aquilo cresceu rapidamente como cresceu no Rio Grande como cresceu em Santa Catarina e depois passou para São Paulo. todos têm C.CORSO. O Paraná já contava com um representante do M.

montou então a pista do Pousada de Tropeiro. onde numa votação histórica na câmara dos vereadores até por pressão de alguns tradicionalistas. Então um parque muito bem planejado. Então foi aprovada a compra daquele terreno pra que se montasse ali um parque de rodeios amplo. o 1º Rodeio. visto a questão de cavalos xucros. nº1.G. Segundo o Sr. com infra-estrutura e principalmente por ser perto da cidade o que facilita que o pessoal tenha acesso e a assistência sempre seja grande. onde é inclusive o portão de escanteio que ainda é hoje no Cel. ISSN 1980-6116 http://www.B. Surgiu a pista do Pialando na Querência que era o patrão Vitório Lactiki.br . . olha Ico..27 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. realmente esse rodeio foi feito nesta data de 1979.F. onde é o Parque de Rodeios Willy laars e lá foi feito alguns Rodeios também que se culminou com a construção do Parque de Rodeio Willy Laars. Então repassou pra mim. o 1º Rodeio foi realizado em 1979 devido a um troféu ganho por seu amigo. Lá na Vila São João do lado da raia foi feito Rodeios alguns anos e logo em seguida o patrão Mário Gomes de Araújo. enfim visto a questão de estrutura. visto a questão de gado.unicentro. organizado o Rodeio.D. com pista oficial com uma área de camping muito grande. montou-se ali uma mangueira junto ao escanteio aonde já tem o portão. Frederico Ruva: A data é correta em função da mulher do Marretinha. março de 2008. porque eu tenho lá e consta essa data e ele ganhou esse troféu lá dentro deste rodeio e feito este Rodeio.F. Sr. os iratienses se identificam com o tradicionalismo Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. junto com a família Chimi.CORSO. Frederico Ruva. que na realização dos Rodeios de integração que é praticamente o maior rodeio do Estado do Paraná e acolhe todo mundo com tranqüilidade. Segundo Frederico Ruva. Ali nos já realizamos inclusive um encontro estadual pra tirar uma seleção que iria disputar o campeonato brasileiro no estado do Mato Groso.J.Ciências Humanas engano foram feitos mais dois realizados na pista do I. que tem como registro essa data. FERREIRA. muito bem construindo com galpão.C. Emílio Gomes. inclusive tem um troféu ganho nesse rodeio. na cidade de Sorriso.

o canto. pela movimentação das tropas e formação de suas fazendas e pelas migrações. ou seja. nº1. o povo é tradicionalista.Gs aqui em Irati. então não se pode dizer. Mas o povo iratiense ele deve parar pra pensar e refletir o seguinte. inclusive o pessoal que ainda participa de todos os Rodeios. cresce muito o tradicionalismo na nossa cidade que é hoje a 6ª Região Tradicionalista e a 3ª maior do estado do Paraná. em contato com a lavoura. com 45 C. a 2ª é a região de Ponta-grossa. Esse Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. Nós temos sete C. Nesse sentido. Acontece que o Paraná e o Rio Grande se constituíram economicamente pelo mesmo espaço. Sr. ISSN 1980-6116 http://www. o Ico Ruva. março de 2008. não tem como separar porque o nosso povo deixa de ser tradicionalista.G. a cura do terneiro.T. mas a questão mais forte ainda é tradicionalista. Essas considerações remetem à difusão do tradicionalismo no município de Irati. a gaita.S se a 6ª região é a 3ª maior do estado do Paraná. então quando começou vir o rodeio pra representar o laço. o pessoal não para pra pensar e às vezes pergunta C.. com a lavoura e com a natureza.T. .T. o seu Oscar os seu Chico Anciutti. que passou a fazer parte do universo cultural de alguns cidadãos iratienses.Gs. Nós somos hoje na 6ª região 30 C. Frederico Ruva: Eu sempre cito o seguinte. a família Colaço do XV de julho.28 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3.br . como que é gaúcho são tudo nascido aqui em Irati e querem se chamar de gaúcho. ou seja.F. centros de tradições gaúchas.Ciências Humanas gaúcho devido ao contato direto com o gado. então o povo nosso se identificou com o tradicionalismo. um modelo criado no Rio Grande do Sul.Gs.C. Hoje a 1ª Região é a cidade de Curitiba. os quais identificaram seu meio natural com a identidade gaúcha. é a maior região do estado do Paraná com 70 C. FERREIRA.T.T.CORSO. a terra e a natureza.J. então todo esse pessoal. e o povo iratiense é tradicionalista e tem que parar pra pensar porque a assistência é tão grande e os Rodeios aqui em Irati é hoje o maior.Gs. então a região cresceu muito porque o povo que tá incluído na 6ª região tradicionalista é um povo tradicionalista porque se criou em contato com o gado. o Carlito Neuman. o Jefersom Perreto. o Bira que é Patrão do Esteio enfim. a palavra gaúcho é um nome. já o Paraná fica deficiente com relação à construção de sua identidade. o Rio Grande se afirma identitariamente pelo seu meio geográfico criando o gaúcho.unicentro.

econômicas.. elementos simbólicos necessários para a construção de uma identidade cultural. fazendo surgir um sentimento forte de culto às tradições. FERREIRA. a dança e também o Rodeio.Gs. com o Rio Grande do Sul. Um meio para manter bem difundidas suas práticas é manter as entidades tradicionalistas gaúchas.29 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3. focalizando a absorção cultural do município de Irati através do Rio Grande do Sul. 1989.unicentro. pelas músicas. Assim. Porto Alegre: SAMRIG. março de 2008. Os modelos que identificam são representados pelos CTGs. Do Rio Grande do Sul a Irati: Tradicionalismo Gaúcho no Município de Irati – Paraná. pelo Rodeio.1996. no meio social iratiense. Cecília. 1979.G. como também os bailes gaúchos. Luís Carlos. o qual criou uma cultura representativa. História do Paraná. BURK. MACHADO.T. 1969. BOURDIEU.F. o qual através de relações históricas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente artigo procurou mostrar uma abordagem sobre a relação cultural entre o Estado do Paraná e Rio Grande do Sul. São Paulo: Unesp. em Irati. nº1. Constantemente esses Estados passaram a absorver esse universo cultural criado pelos gaúchos. com o objetivo de conquistar sempre mais adeptos. os elementos necessários para proporcionar essa difusão. chamadas C.Gs são pólos difusores de cultura. são iratienses. Brasil P. I BARBOSA LESSA. ou seja. os quais se encontraram sob influência do tropeirismo e das migrações do Rio Grande do Sul para o Paraná. a representação faz sentido porque incorporou. Entre esses estados está o Paraná. são paranaenses. Curitiba: Grafipar. Rio de Janeiro: Bertrand. ISSN 1980-6116 http://www. vol. pela dança e alguns hábitos incorporados ao universo iratiense. Peter. Irati é uma cidade marcada por esses elementos culturais. marcando e identificando a cultura gaúcha em Irati. pelos bailes.br . As pessoas adeptas ao tradicionalismo.C.J. O Poder Simbólico. não são gaúchas. fez crescer movimentos culturais que confundiram a identidade dos iratienses com a cultura gaúcha. onde são representadas a cultura rio-grandense. WESTPHALEN. incorporou de forma significativa os seus traços culturais. Altiva P. que passou a ser divulgada pelos seus Estados vizinhos. Os C. o Movimento Tradicionalista Gaúcho busca reeducar constantemente seus adeptos em busca da preservação de sua identidade cultural. O Sentido e o Valor do Tradicionalismo. Pierre.T. Assim.CORSO. a música. A Escola dos Annales (1929-1989): A Revolução Fracesa da Historiografia. . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BALHANA.Ciências Humanas intercâmbio cultural que misturou o tropeirismo às migrações gaúchas do Paraná.

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