I

.
.

316.3)
Ñ
CPOOC
r
l
!
A BRISILIDIDE VERDE-AlIA"ELI:
necionalismo e regionalismo paulista
(2" edição)
Mônica I1men!ð V·1JOsO
I0808$ß0 6tl0LI0 fßß6ß5
CENTRO 0E PESOUIS^ E 0OCUMENT^ÇÅO 0E
HISTCRI^ CONTEMPORANE^ 0O 8R^SIL
HlL Ob JPMblHL
|Uu0r,lu BE1U|IO vrk6ñ5
INDlPOt CPOOC
A BRASTITDADE VTRDE¬7NJREI7:
rðC1OncJ1smO e 1eg1OneJ1SmO pauJ1S1e
(2^ eÕ1çaOJ
1o¬• 1T |$|´
N¬«|Þ
C P D C C
NOn1Ca P1men1ð VOJJOsO
FUNDAÇÄO CTTÚLJO VARCAS
CTNTRO DF PFSQU ISA T DOCUNFNTAÇÄO DT
HISJÓRIA CONJTNIOR7NFA DO BRASI1
RIO DT JANF3RO
1990
¥

coordenação editorial: Cristina Mary Paes da C�nha
Revisão de texto: Leda Maria Marques Soares
Datilografia: Diva Léa Ribeiro Sylvio
Nota:
Documento de trabalho realizado para o projeto 'A tradi
ção regionalista na constituição (10 nacionalismo g concluído
em 1?tA.
,- 1
VA4b Velloso, Mônica Pimenta
A brasilidade ve�de-amarelR: nacionalismo e
regionalismo paulista/Mônica Pimenta Velloso -
z� ed. - Rio de Janeiro: Centro de Pesquisb e
Documentação de Hist6)-ia Contemporinea do Bra­
sil, I??^
76 p.
1. Nacionalismo - são Paulo (Estado). 2. Re
gionalismo - são Paulo (Estado). 3 Naciona­
lismo na literatura. 4. Regionalismo na lite­
ratura. I. Título
CDU 32?J? (tJ6J}
CDD 32^¹A^JtJ6J
�¸ ,+ " "´ª¬ * •¬¸g
CF|'C·'!´ ·`
I
"

¯� ¡ � �

� ._ ·
` ��� :~ . . � ` �
�J t�9191 '
º `¯`´`¯ ¯"".
ï�/�0¹¬J
5UMÅRlC
DA PROV1NCJA A NAÇÄO, a 11aÕ1çðO :�Q1OnaJ1s1a
\1aSJJe11c/ 1
O DEBATE INTELECTUAL DOS ANOS 2Û/ JB
nO
A COne11OçðO Õa naçaO. ai!O e ¡OJ11aCa/JB
penSamen1O
SðO IauìO: nOCJeO Õe mOÕe1n1ÕaÕe e l1as1J1ÕaÕe/2'
A geOg1et1zaçaO ÕO B1as1J/3 7
O 1m1gian1e LL 1nCOi¡O1a � aìma COJe11Va/'S
O Ie.c1 nøC1OraJ � ¡a¡Jas1¬/
`
o'
CONSJD1RICÒ¹S FINAIS: a geOg1at1¯ !L¯ icÕ1mr/ £S
DA PROVTNCJA A NAÇÄO, a ì1eÕaçðO 1eqaOnaJasìa nO pensamenìO
\1aSaJ÷a1O
" A Espanh¬ esì1J\açOu¬se numa pOe_
1e Õe nag¯es ameiaCanas
Nas sO\1e O ì1OnCO scnciO Õa 11nguø
ÕO OO IC1ìuga1 ieunau Vanìe e Õues
O1qu1Õ^O÷ Õesaquaas. "
�IciaO Õe AnÕ1aÕe ¯ NO'Ll`1.´
do BeJO Hciazcnìe"
NO COn_unìO Õc

nOSSaS 11oÕaçcCs pc1¯ìaCas e an1:¨e�
ìueas, a rj\eS tðO ÕO 1÷gaOnaJ1SmO ͹! saÕO um ìema 1eCci1·:1 ?
Cm ÕJsìJn1cs COn_unìu1ee I1s16r1cu~, ì1ø1aÕc O1a nO se:ìacO Õe
meiCe1 a Õa1Oiença 1eçacna1 Ve:eue nacaOna1 , Oía nO senìJÕO Õe
\uSCa1 uma anìrçiaçðO nO ìOÕO naCJOnaJ. Lssa ÕaaJeìaCa e¬1±c
c qC1oJ e O ¡ai1aCu1a1 meicø ø eVOJuçoc Õa J1ìe1eìu1a !za-aJeJ
iø que O:ca1¬ en11e um mOVamcn1O Õaª=isaTaceÕO1 e um mcª�m÷_
ìc a¡1e_1oÕO1 anTJuenc`oUc ¡eJ¬ tO1gø \Js!c1aCe Õc rcssø ì1g
Õ¯ç«O naCJOnaJ unaTaCoÕc:ø
J
1 CÂlI1DD, A·ìcnaO. Ds IiøsJ1÷:iOs e O 1a!e1aìu1e 1oìanO -
i+c::co:a. Nr\O- Ls1uôcs, S !eDJO, Cebrap, Õe. JSÐ1 p. ¨Ð¬LÐ
2
É no bojo da dinâmica particular - geral que se expri
me simultaneamente o senso da diversidade e o da integração.
Se a extensão territorial do país dá margem a uma gama infini
ta de peculiaridades yegionais, a configuração política se
impõe como fator unificador das mesmas diversidades. Nos m.º
mentos de menor centralização política, quando ainda se apr.§
senta frágil a idéia de nação, a perspectiva de análise in
cide sobre o regional. É o que acontece com a proclamação
da República que, ocasionando a fragmentação federalista,
despertaria inusitado interesse por esse tipo de registro.
Ao lutarem pela imposição de seus interesses no ccn
tro político, os fazendeiros e os bacharéis criam uma
xis li terári'" profundamente localista que traduz a compr ecn
sao da realidade pOlítica a partir dQ vivência imediata de
seus protagonistas. Assim, muitos dos nossos líderes rep!
blicanos, influenciados pelos postulados positivistas, acHn
tuam o "culto da pequena pátria", localizando-a na sua req.i
ão de origem,
¨
como o fez Alberto Salles em A pátria paulista:
A perspectiva regional, difundidasobretudo no período
republicano, já aparece, todavia, no final do Império. Em
O Cabeleira (1876) Franklin Távora equaciona o problema da di
versidade regional, estabelecendo uma oposição entre o NOL
te (incluindo o Nordeste) e o Sul, com o objetivo de dest-
car o papel de vanguarda que o Norte deveria assumir na con§
2
D interesse pela hist6ria r�gional transparece em várias o
bras do período como as de Felisberto Freyre, Hist6ria do
Sergine (1891) , Diogo de Vasconcelos, Hjst6ria antiga das
Minas Gerais (1904), C OU veira Lima, que escreveu s(>bre
·
Pernambuco. IGLÉSIAS, Francisco. Seminário sobre hist6ria
regional do Rio CL Janeiro. (CPDOC, 30 maio 1984).
3
1iuçaO Õe uma J11e1a1u1a au1en11Camen1e naC1OnaJ. O au1O1 1Õe_
11 I1Ca eSSa 1eg1aO cOmO a gua1Õ1a ÕaS 1iaÕ1çceS D1aS1Je11aS,em
cOn11a¡OS1çaO aO SuJ que, SuSce11\eJ aS 1nIJuenC1aS aJ1en1g�
naS, aCaDO:1a ¡O1 ÕeSCa1aC1e11Za1 nOSSa CuJ1u1a. AJgunS au1g
ieS Chegam a \e1 a OD1a Õe Tð\O1a COmO O ¡11me11O man1IeS1O 1�
g1OnaJ1S1a Õa J11e1a1u1a D1aS1Je11a, ¡1enunC1anÕO O 1eg1OnaJ1¿
· ²
mO nO1ÕeS11nO Õa ÕeCaÕa Õe 2U.
A \1SaO an111e11Ca que O¡ce nO11e ¬ SuJ, 1u1aJ -
nO, D1aS1Je11O ¬ cOSmO¡OJ11a \a1 Se1 COnS1an1emen1e 1e1Om¬Õð
aO JOngO ÕO: SecuJOS XJX e XX COm u ¡e1S¡ec11\a Õe Se eJaDg
1a1 uma 1e¡1eSen1açaO ma1S ¡1Ox1ma ÕO naC1OnaJ. F1a 1Õe1a COL
1en1e na e¡cCa que 1aJ 1e¡1eSen1açaO SO jOÕe11e Se1 OD11c÷ I\
1n1e11Oi, e·paçO Õa au1en11c1ÕaÕe, Õe\1ÕO aO Seu 1SOJamen!O �m
1eJaçaO aOS cen11OS ÕO ¡OÕe1, cOn1og1aÕOS ¡÷JO COSmO¡OJ1t_
. 4
11SmO.
A O!ia Õe Þ1OnSO A11nOS Õe N�JJO FiancO, cOnS1Õe1eOO O
1e¡1eSen1¯n1e 11¡1cO ÕO 1eg1OnaJ1Smr mOÕe1nO, Se 1nSC1c\e n(�
Sc COn1O×1c Õe \ølO11ZeçaO ÕO Se11on:SmO e ÕaS man1IeSt�;�€?
¡11m111\aS Õa cuJ�u1a D1aS11e1ia ¹ Se11aO ¡eSSa a SO1 1Õe_
11I1coÕO cOinO TOn1e Õa nac1OnaJ1ÕaÕO, e O Sei1ane jO ga¡la
O eS1a1u1O Ue Sc1 nac 1OnaJ ¡O1 Se man1e1 11eJ aS
V
SuaS 1a1zeS.
FS1a e 1emLem a 1CnJCa Õa O!1a Õe FuCJ1ÕeS Õa Cunha
Os Sç;;¸ceS,
¡u!J1caÕe cm JSU2 ~ qua11O anOS a¡OS ø Õe ATOnSO Þ11nOS PeJOS
²
AINIJDA, JOSe Nau11C1O COmeS Õe Þ 11eU1_aO 1eg1OnaJa:te nO
1Ome¡Ce !1S1J-´1O.R1O oc JaneaiO, Ach1eme, lOBì ¡ . B2¬².
FS1O eSquema 1n1e1¡ie1a1J\O Õa nac1OnøJ1ÕoÕe que 1Oma COmO
1e1c1cnc1o O ci11e11O eS¡a�1eJ e ÕeTerÕ1ÕO ¡Oi AJCeu ÞmOiOSO
I1mD N·le ¡c1moneCe a c¡OS:çaO !::1Cø en11e O J11OiD+ ¦cnp_
111O ¡¡:1\eiSaJ` e C Se11¬O | eS¡´i11O Õa DiuS1J1ÕeÕe) Crn-·J¬
1a1. IJNA, AJcc\ AmO1O-O. Jn11cÕu_nr a J11e1¬1i1a D1n:1 Ie1ia.
4� eU., JJO Õe Jøne11O, Þg1i, ìS6B.|£Sjec1aJme¡1e O ca¡ VJ.
4
Se11OOS ¬ que V111C 1e1O;ça1 a 11aÕ1c1OnaJ O¡OS1çaO �11O1aJ·
Se11aO, mOS11anÕO O Se11ðnejO, ' 1Ochð V1Va Õa nac1ODaJ1ÕaÕe
'
L1aS1Je11a. D1aS1Je11a", cOmO O cOnS11u1O1 Õa Iu1u1a 1aça
NaS ÕuaS ¡11me11aS Õ�caÕaS ÕO S�cuJO XX, cO11eS¡OnÕeg
1eS aO ¡e1JcOO que Se cOnVenc1OnOu cIama1 ¡1�¬mOÕe1n1S1ø, O
SenSO Õe DiaS1J1Õ�;e Se 11aÕuZ na cOnSc1enc1a aguÕa ÕOS VaJ_
1eS m1ne11O=, ¡auJ1S1aS e gøuchOS. A ¡1eOcu¡açaO cOm O 1eg1_
11O ÕO IO1cJO1e nac1OnaJ ca1ac1e11Za a J11e1a1u1a Õa e¡Oca,
mø1canÕO ø ¡1eceÕenc1ð 1Omð11cð Cm 1eJaçaO aO mOV1men1O mOÕe_
n1S1a VaJÕOm11O S1ìVe11a eSc1eVe ¬cD1e O ca1¡11a ¡auJ1O1ð,
JOaO S1mceS IO¡eS na11a aS JenÕaS ÕO IOJcJO1e gauchO, HugO Õe
Ca1VaJhO ÕeeC1eVe a V1Õa ÕOS 11O¡�a�cS goianos, enquan1O �1011
1O11O IOD¬!^ 1Oma cOmO mO11VO Õe inSi11açaO aS ZOnaS VelhaS
ÕO OS1øÕO Õ÷ SaO P�<JO. De mOÕO gci·xJ, aS OD1aS IOcaJ1zOm a
V1Õø Se11ane¸ a naS Õ1!C1en1eS ieg1ceS D1aS1Je11aS, \aJO1.za_
ÕO aS ¡ecuJ1a11ÕoÕeS ÕOS cOS1umeS ¡1OV1nc1anOS em cOn11a¡O�_
. (.
çaO a cuJ!¡!ö u1Dana eS11ange11a.
� c¡IaSe COnIe11Õa aO iu1aJ1SmO na J11e1a1u1a enco_
11a Seu equ1VaJen1e SOc1OJCg1cO na 1eO11a OOS ÕO1S D1aS1S. O
JegaJ |J11O1aJ) e O 1eaJ | 1n1ei1O1J O ¡r1me1ro 1e¡1eSen1a11a
O JeÕO IaJSO ÕO ¡aJS ¡O1 ie¡iOUuz11 OS mOÕeJOS eu1O¡euS, e O
SegunUO, O au1en11cO, ¡c1 1e11aìai a 1eaJ1ÕoÕe Sem mIme11_
mO. ISSe eSqueme 1n1e1¡1e1ð11VO a¡a1ece na OD1a Õe AJDe1!O
TO11CS P1O\¯ema Õa O1gan1Za_aO nuc1onaJ, ¡uDJ1caÕa em JSJ4,
quO, ao longo dos ancs 2U e 3D, 1nS¡11n11a mu11OS ¡enSaUO1eS
'
6
IEJ9F, Dante NO1e11a . O caro!er nac1cn·J IiaSaJe1iO} h1S1C1_
a Ue umn 1UeOJcqJa. S.PøuJO, PiO1Ci1¯, 1976.
SO!ie O iOg1OnaJ1SmO J11e1D:1O nO 1n:C1O UO s�cu!o consultar:
BOST, Al fJedO D pr�-modernismQ.S.Paulo, CuJ111×, S.Õ , C
IIJ9E, D�nte NO1e:ia. O¡. cJ1 ¡ . 2UJ~IA
5
paza a ÕeIeSa Õe nOSSaS za1ZeS zuza1S Ou a ci111ca aO 11D�
zaì1SmO cOmO ÕOu1z1na pC1111ca 1naÕequaÕa
*
a zea11ÕaÕe h1S1g
z1ca ÕO pa1S
A gzanÕe queS1ðO que mO11Va a pzOÕuçðO 1n1e1ec1uð1
naS ÕuaS pz1me1zaS ÕecaÕaS ÕO Secu1O XX e a 1Õen11I1caçðO
ÕaS Õ1Ie1en1eS cazac1ez1S11caS 1eg1O:a1S DiaS1ìe11aS. OS Ig
1OreS amD1en1a1 e geOgzðI1cO, 1nSci11OS nO cOn1e×1O maiOz Õa
nac1Onaì1ÕaÕe DzaS11e1ia, cOnS111uem O mazcO Oz1g1nðz1O Õa
111ezo1uza ÕO pez1OÕO COnIOzme asS1na1a A1IzeÕO BOS1, SoO
OS 1eg1cne11S1ðS 11p1cOS, ma1S pz�Oc¡paÕOS cOm OS pzOD1ema-
Õe SuaS p1OV1nc1aS ÕO que cOm piO!1emaS un1VezSa1S, OS zeSpOg
SðVe1S peJC ieg1S11c Õc paSSadO, eSSCnc1a1 paia a eJa\OiaçaO
Õ J`
"
1
7
e uma 1leza1uia naC1Ona FmDO.c Õe 1Ozma emDi1Onðii. t
1o1C1e11�, OS au1OzeS ÕO pez1OÕO ]iOcuiam eJaDOzaz um penSa
me¡¡1O SOlze CL C1emeILOL Õ11ezenC1uÕOS que a1uazam em ncSSo
IOzmaçðO !1:tOi1ca, e1n1ca, ÕO cOS1umeS, Õ1aJe1OS e 1iac_
çceS. Peznionece SuDjacen1e, pOi1a::,·, a queS1ðO Õa uniÕaue¬
Va11eÕoÕe D HzaS11 e ze1za1aÕO "j nÕa ccmc um ca Je1ÕOScOp1O
Õe ieeJ1ÕðÕe s q\e Se ccm]cem e Se ¸uSto¡cem 1n11n1teme¡te,
Ia11anÕO, LOUo\1a, a 1moqem UO cOn_un1O o1zoVOS Õa qua1 caÕa
pai1c ganha Sen11ÕO ES1e e c cD¸ e11\c pe1Seg¡1Õc pe1a 1i1�
1et¡iø !iaSade1ie, t1e¡STcimece cm 1nCt�ncio que SO aÕqu:ie
1egiìim1ÕaÕe enquan1O Ve1cu1O ÕeS11naÕO o e×pzim1i, num a1c
Õe D1oS1ì1ÕoUe, H Se¡e1D1J1ÕaÕe ¡acic¡eì Pci1anìc, aO JOg
7
BOSI, A1IicCc Op. c·1. p '6.
gO Õe nOSSa TOzmaçaO cuJ1uzaJ, O 1n1eJec1uaJ Sem¡ze
.
Õ T Õ Õ Õ
B
1ncumD1ÕO ÕO ¡a¡eJ e Õ1 uSOz a nac1OnaJ1 a e .
Se a aSSOc1açaO J11eza1uza ES1aÕO¬nac1OnaJ
6
eS1eVe
mazca
1OÕa a TOzmaçaO h1S1Oz1cO·SOc1aJ D:OS1Je1za, em aJgunS mOmc_
1OS eJa emCíge cOm ma1S £Oiçe, ieIJO11nÕO aS muÕançaS própri
aS ÕO cOnìC:'O ¡OJ¯11cO r O que OcOzze nO ¡ez1OÕO ÕO ¡z_
me1iO~¡OS~Ç¡Czza, quanÕO a cOnSìzuçaO Õa 1Õen11ÕaÕe nac1OnaJ
ganhö ¡z1maz1a e a cOzzen1e nac1OnaJ1Sìa, VOJìaÕa ¡aza a Du_
ca Õe nOeSae 1zaÕ1çceS, aÕqu1ze TOzça 1nuS11aÕa. A V1SaO
¡eSS1m1S1a ÕO Sez nac1OnaJ, geiaÕa a ¡az11z Õa aDSOzçaO Õa-
1eOz1aS eVOJuc1On1S1aS euzO¡e1aS, cOmeça a Sez cz111caÕð.
NaO Se ac·11·: ma1S a O11ca zOmÐn1¯c÷ Õe 1ÕeaJ1zaçeO ÕO nO==O
1nÕ1O, nem tam¡OucO a V1SaO c1en11!+·JS1a que 1n1ez1Oz1za nO_
Sa TOzma��· e1n1ca. Ja1S ¡eicc¡çc·S SaO ÕeScazìaÕaS cOmO 1!
¡zO¡z1aS ¡Ozque 1OmaUaS Õe em¡zOS11mO aOS ¡a´SeS
Ex1ge¬Se um ¡enSaz ¡:O¡i1O, ca¡az Õe ca¡1a± a S1nguJaz1ÕeÕe
Õø nac1OnaJ1ÕaÕO ¡iaS1Je1zO 1S1ø e a 1On1ca Õa Õ1Sc¡eSaO
1zaVaÕa I! 1¬ìei1Oi ÕO mOV1mOnìO mOÕez¡1Sìa ÕOe anOS 20 c·m
V1S1aS aO eSìaDO1ecJmen1O ÕaS DaSOe Õe umO cu1ìuza genu1n_
mOn1e nac1Ona1
NO DO_O ÕOeBe ¡zOcOe:O, a qOeS1aO ÕO zeg1Ona11SmO ag
qO1ze nOVO SOnì1ÕO, a¡:eeen!nnUO·ee agOza ÕJicìamen1e O)11c¿
JaÕa cOm a queS1aO nac1OnöJ JOina¬ee man1TeS1ð, ¡OzìanìO, a
1ncOm¡aì1¡1J·ÕaUe enìze O mOÕein1SmO e O zeg1OnaJ1:mO
J1ì_
z�z1O, ¡Oz Se DoScaz eS1e �Jì1mO em VaJOiee cOnS1ÕeYaÕO: u_
B
C7NDJDO, An1Cn1O L11ÇJQ\\(O C :cc1rÕnÕr; eSìuÕOS Õ- l1CìO
z1a liter�ria; S Pa¡1O, EcNac1O:O1, 1Dô5 ¡ f4 . C1ìðcr ¡O�
0ELLN1, L�cJ.. COn1zeHaçcc: ÕO i:1eJec!DaJ no cuJ.OiÐ o·
mOÕcin::uO. Tem¿O B:aS1}cJ:r, n 76, maz a!i JSÐ4 ¡ ÐD
7
t1a¡aSSaÕOS cOmO O ðg1e11SmO, O ¡1OV1nc1an1SmO e O ¡a111a1cg
J1SmO O Nan11eSìO 1eg1OnaJ1S1a ÕO NO1ÕeS1e
¸
JançaÕO em ìS26,
1e¡1eSen1a O VOz Õ1SSOnan1e em 1eJaçaO a eSSe nOVO B1aS1J
que Se que1 u1DanO e cOSmO¡OJ1ìa De1enÕenÕO O 1u1aJ1SmO e
O 1eg1OnaJ1SmO, O ÕOcumen1O ¡1O¡ce a 1eO1gan1zaçaO ÕO ¡a1S
em mO1ÕeS 1:.1e11eg1Ona1S, cOJOcanÕO¬Se t1On1aJmen1e em O¡OS_
çaO a 1ÕeO1Og1a mOÕe1n1S1a, mu11O maJS VOJ1aÕa ¡a1a a queSìeO
Õa un1ÕaÕe cuJ1u1aJ ÕO ¡a1S ÕO que ¡o1a SuaS Õ11e1ençaS.
ìÛ
Se1g1O Bua1que Õe HOJanÕa , em Õe¡O1men1O ¡1eSìoÕc
em ìSA', eScJa1ece a cOm¡JeXa 1eJaçaO mOce1n1CmO¬1eg1On÷11�
mO D1ScO1UanÕO Õe C1J\ei1O £1ey1r q¡an1O aO 1a1O Õe O mrÕe_
n1SmO Sei "1n1m1qO Õe 1OÕa 1O1ma de .¯eg1OnaJ1SmO" , O au1O1
1eSSaJ1a rC ºOV1men1O a ¡ieOcu¡aç,r ccm O ieg1OnaJ Nenc:Onu
e O\1O de OSwaJÕ Õe AnÕ1aÕe OS cOnÕcnaÕOS , e Õe NanueJ Iag
Õe11a Ritmo Õ1SSç1·1O, e OS ¡Oema÷ Õe Nð11C Õe AnÕ1aÕe "NQ
1u1nO Õe BeJO HOi1zOnìe","C1a ÕO ¸¯C··11'' e "CainaVaJ ca11Oca'
cOmO aJgun? UO: 1n�me1OS e×em¡JOS Õo J11e1a1u1a mcÕe1r1:1a
1nS¡11aÕa nO; mOì1VOS 1eg1Oro1S
O que OcOi1e e um 1eÕ1menS1Onarer1O ÕO cOnce·1O Õe 1�
g1OnaJ nO quaÕ1O Õa nac1Ona11ÕaÕe A queSìaO Õa noC1OnaJ1×_
çaO Õa I11e1a1uia¿O!_c11VaÕa na �n1aSe cOn1e:1Õa aOS , aS¡e_
ìOS 1OJcJO11cOS e na11VcS Õa cuJ1u1a D1aS1Je1ia, a¡1eSenìa�e c_
mO umo ÕaS ¡iOOcu¡eçOeS cenì1a1S ÕrS Õ1VeiSOS giu¡OS mOÕO1n1_
S
£PJYRE, C1J!e1ìO �e¡_]o-1c iegJcnaJ1Sìa
Jane1iO, NEC, JS''. ¡.JU¬².
Õe JD´6 !·O Õe
!
Û
HOlÞNDA, Sciq1c Buarque de . Ncde1n1SmO, 11eÕ1c1OnaJ:SmO E
J¢g1cra.1SmrTn. SE^N1, HrmO1c R·_�!J`co ¹aS letras. R1O
Õe Jane:iO, liðI1co O1m¡·cø, 1D\Ð.¡.
!
ÛU¬²
B
ìaS. Enìie eJeS 1ncJuem¬Se OS VeiÕe¬amaieJO=, cu_a e!uaçaO aO
lOngO Õe ì1eS ÕecaÕaS |ìS¨Û·ìSAÛ) ÕenOìa, a nOSSO Vei, ¡iOtug
Õa aiì1cuJagaO 1ÕeOJOg1ca VOJìaÕa ¡aia a cOnSì1ìu1çaO Õe um
¡1O_eìO Õe ,hegemOn1a ¡auJ1Sìa na Oigan1zaçaO nac1OnaJ . Sug
ìenìanÕO a 1Õe1a Õa ¡i1maZ1a 1nìeJecìuaJ Õe SaO PauJO SO\ie
OS Õema1S eSìaÕOS Õa teÕeiaçaO, e 1Õ�nì1t1CanÕO a ieg1aO cOmO
maìi1Z Õa nac1OnaJ1ÕaÕe \iaS1Je1ia, eSSeS 1nìeJecìua1S, ini
C1aJmenìe o1ì1cuJaÕOS nO g1u¡O Ve1Õe¬Ama1eJO e An1a |ÕeCaÕa
Õ 2Û)
¸
Õ Õ
ìì
e , e ma�S ìai e nO giu¡O Ban e�1a
ìCm Sem¡1e V1Va a ÕeteSa ÕO naC1Ona11SmO Õe
(ÕeCaÕa Õe ²Û) ma_
cunhO auìOi1ì¿
i1O e cOneeiVaÕOi. Sua ¡iOÕuçaO J1ìeiði1a Se eXeice COncg
m1 ìanìemenìe a aìuoçaO em CaigOS ¡OJ¬ ì1COS Õe Ðm\1ìO eSìe¹_
aJ. Nencìì1 ÕeJ PeCCh1a e P11n1O Sal çaÕO SaO e1e1ìOS Õ¢n!:_
ÕOe ¡eJO POiì1ÕO Re¡u\J1CanO IaOJ1eì÷ | IRI ) , CÐnÕ1ÕO �IO1ìo
!11hO ìO1:a¬Se aSSeSSO1 Õa \anCaÕa ¡auJ1Sìa
¾
a COneì1ìu1nìe e
CaSS1anO R:caiÕO ÕeSem¡enha 1unçceS Õe aSSeSSOiJa _unìO aO qg
Ve1nO
O ¡ic_eìc de hegemonia ¡a¡J1¯ìa, Õe1enÕ1ÕO ¡eJOS Ve_
Õe¬emaieJOe, V1i1a SO1ie1 duro gO'¡e COm a Õe11Oìa Õa ReVg
Ju¸aO Ccneì1tuC1OnoJiSìa Õe ìS²² Aì1aVeS ÕOS ÕOCumenìOS Õa epQ
CO, ¡u\11caÕOS nO Cø1O1 Õa \OCa, ¡OÕe¬Se ¡e1ce\e1 a IOima
ÕiðSì1Ca COmO OS ¡øu11eìaS :enìem O COn11cnìO Õe SaO PauJO
cOm O gOVeinO Cenì1aJ. O ¡a1S cSC1Ja enìie a C1V1J1Zaçac e a
¡a1\ð11e1
Se, Õu1anìe 'Û encS, OS ¡auJ1SìaS ÕeScOn11aiam q¡e
O ¡OÕei CenìiaJ COnS¡1iaVa Ccnì1a O ¡1cg1eSSO e a hegemOn1a
Õe S�u e:1-Õc, eSìo idéia Se ì1anS1O1ma agCia em COnSenSc O
ìJ
SO\ie o grupo Bandeira, Ci1aÕO em 1936, Vei C ìia\aJIO Õa
auìOið. O mito da originalidade ¡1¬:1'e11a, a ìra_eìOI :a
inteJectual Ue CO-S1anO R:CaiÕO (dos onOS 2Û ao Estado NQ
VO) PJc Õ- Jalleiro,PUC, 1983.(tesn de HeSt1Odo, cap.3")
9
Sen11men1O Õe uSu1¡açaO a11nge 1nÕ1S11n1amen1e 1OÕOS OS Se1g
1eS Õa SOC1eÕaÕe ¡auJ1S1a, O¡e1ð11OS e g1a¬11nOS, 1aZenÕe1iOS
e 1unC1Onð11OS, eS1uÕan1eS e ¡1O1eSSO1eS, 1OÕOS Se 11manam na
CauSa COm·r.:: a 1eS111u1çaO Õa au1OoOm1a ¡Oì111Ca e eCOnOm1Ca
ì2
Õa SaO Pau1c.
OS 1n1eJeC1ua1S ¡1OÕuZem Õ1Ve1SaS Ve1 SOeS ÕOS aCOr1�
C1men1OS ÕeS11naÕaS a ìeg111ma1 a hegemOn1a ¡auJ1S1a na V1Õa
naC1OnaJ. CS Ve1Õe¬ama1eJOS COm¡a111Jham eS1aS 1Õe1aS, 1e�
V1nÕ1CanÕO g1a SaO PauJO O ¡a¡eJ Õe Vangua1Õa na COnÕuçeO
Õa naçaO, mnS Seu ¡1O_e1O _ama1S Se o¡1eSen1a neS1a 1Ou¡agem.
A CauSa es1aÕuaJ aÕqu11e Sem¡1e uma Õ1menSaO naC1OnaJ. A
1eVOJuçaO n�O V1Sa11a a Su¡1emaC:a Ue SaO PauJO SOD1e CF
Õema1S rS1o¹OS, maS a ÕeTeSa Õa naçaO, que eS1a11a SenÕO am€
çaÕa ¡eJa "C11aÕu1a Ca11Ca1a' Õe Va1gaS. Ou SaO PauJO aSsume
a J1Õe1ança e COnSegte 1n1eg1a1 a naçeO na CuJ1u1e OC1Öen1aJ,
aSSeguianÕc a O1Õeiu e a 11!e1ÕaÕe, OO en11a1a em ÕeCaÕCnCaa,
V111ma ÕO "CauÕ11h1SmO SuJ¬øme11CanO" ie¡1eSen1aÕO ¡eJO chpfe
Õ
. - . ì²
O COVe1nO P1O\1SO11O
AJguns 1n!eJeC1uaJS 1eCO11em a h1S1O11a COmO 1es1emg
rho Õe s¡as a111maçceS, 1enìanÕO mOS1io1 que O eS1aÕO ¡Bu11g
1a Sem¡1e Se COJOCa1o a 1ien1e ÕO COn_¡n1O Õa naçaO nOS mOm_
1OS ma1S C1111COS. ES1a ¡Os1çaO Õe ·ongua1Õa 1e11e·Se 1nq .¸
C1aÕO nO SOCuJO XVJ, aO OCOiie1 a e¡O¡O1a ÕoS BanÕe11as, men1eg
J2

NORSE,
D11eJ,
R1Ch=1Õ. FO1ma_oO h1SìO1JCa Õe SaO PøuJO. S Pe\1O,
IS²Û.¡.²2'.
OS ÕOCvmen1OS SOD1e a ReVOJuçaO Õe ID²2 ¡u\ì:CaÕOS nOS _O�
na1S Õa O¡cCa eS1oO na CcJe1anen
!
D¨¨: eS 1m¬gen: cc¡!1e¬
Õ1tórias, O1qa:1zoÕe ¡Oi Fm1J1a Vacìì1 Õa Cc:t.e. S. PO\1c.
LÕ . ÕO Arquivo ÕO FS1aÕc, JSB2 NO ¡1eSOnìC tiaLaJhO ìOme�
mOS CcmO ie1eiC¡C1a Os e:t1gOS ÕO R¡\enS ÕO ÞmaiaJ¸ Ï: Ue�
\.1nOS Oø nøC1Or«J1ÕaÕe e AS 1Oi¡eza- Õe Õ11aÕ\1a.
10
ÕO¬se na InÕe¡enÕenC1a, na ADOJ1çaO e na Re¡uDJ1Ca. O que s�
CeÕei1a Õe¡O1s seiJð a¡enas um ÕesÕODiamen1O, uma COn11imq
çaO Õa J1Õeiança jau11s1a. Ta1 ¡e1s¡eC11Va se 1e1Je1e 1a_
Dem nOs ÕOCumen1Os ¡iOÕuZ1ÕOs em 1932, nOs qua1s O ReVOJuçaO
COns111uC1OnaJ1s1a ganha tieq�en1emen1e a ÕenOm1naçaO Õe ' ig
VOJuçaO !¬rUe1ian1e'.
Ou1iOs 1n1eJeC1ua1s en1a11Zam O mOnumen1aJ ÕesenVO1V_
men1O eCOrOm1CO ÕO es1aÕO e seu ¡a¡e' ¡iO¡uJsOi ÕO ÕesenVO1V_
men1O ÕO ¡a1S, ieeÕ11anÕO em ¡a11e a 1magem Õe SaO PauJO cg
mO a JOCOmOì1Va a ¡uxa1 Vagces VaZ1O:. En1ie esses s11¡a¬
se NOn1e1iO IODa1O, Õe1eneOi Õe 1Õea1s Õa C1enC1a e ÕO ¡ig
giessO Õc m.+nÕO mOÕe1nO. L meSmO IO`ø 1O que em 1926 esCie�
14
ia um ai!·¡C sus1en1anÕO O Õ1ieJ´.

O a seCessaO aCieÕ11o agOia
que sc O eni1qOeCa:·:-n1O ÕO ¡a´s ¡OOe±a 1iaZei a hOmOgene1caÕe
neCessai1a. SegunÕO O au1Oi, emDOia a hegemCn1a ¡au11s1a eg
_a 1nCOnt÷s1ðVe1, nem ¡Oi 1ssO SaO PaO1O Õe\e meJ1nÕiai Os O�
1iOs es1a¹c:, suo O\i1goçaO O Õe1c.Õri esse ¡a111mOnJO gCe
1aZ O "O:_t1hO Õa C1V1J1zaçaO Ja11na'.
J'
É ¡ai11Õai1O, ¡Oi1ag
1O, Õe um ¡iO_cìO naC1OnaJ1s1a ÕeC1JnoÕO a 1nÕus1i1a11zaçaO
naC1Ono1 V1a SaO PauJO.
Já O naCJOna11smO es¡OsaÕO ¡Oi Cas sJanO R1CaiÕO, Ng
nO111 ÕeJ PJ+hJa e ¡e1Os Õema1s COm¡Onen1es ÕO giu¡O envOJVe
Ou1ice 1OnÕamen1Oe. !unÕamCn1Os Õe Dase ma1e m111Ca, \1nC_
14
15
LOBATO, NOn1e1iO. L Õ1ie11O à seCe ssaO. 1n. Na an1e·VOs ¬
_eia. S. Pa¡1O, 1948.p. 207-13.
LOBATO, NOnìc11O. S.IoOJO e O Biae1J. Jn CCr1eicnC`aS¸oi¬
11_OC L C1cr1CoO. S1atJO, BiasJJJOnse, 1959.p.187-90.
ì1
1aÕOS aO
m11O
ÕaS O11genS, ÕaS ¡1O1eC1aS ÕO ÕeS11nO, ÕO CuJ1O
eO he1O1SmO e1C. É " Õ
,,ì6
a 1aça e g�gan1eS
CCm¡OS1a ¡eJOS
DanÕe11an1eS, que ex¡11me O Se1 naC1OnaJ. E SaO eSSeS OS hg
1O1S que 11aO 1unÕa1 O ES1aÕO naC1OnaJ. .
OS Ve1Õe¬ema1e1OS ¡a111C1¡am a11Vamen1e Õa ReVOJuçaO
COnS111uC1Ona11S1a eSC1eVenÕO a�11gOS e 1azenÕO ¡1OnunC1ome_
1OS naS 1ðÕ1OS.
CaSS
_
anO
R1Ca1ÕO Õ1SCu1Sa na Se11e 1aÕ1O1Q
n1Ca "Em ÕeTeSa Õe 1eVO±uçaO" exO11anÕO OS guJiS1aS
W
a 1u1a ¡Oi
Sua ¡ð111ct, e SeuS ¡OemaS ÕO Na111n Ce1e1C SaO COnS1an1emen1e
JeVaÕOS øO a1. Pa1a O au1O1, OS¡OCmaS "B1aS1J¬men1nO",
1a11n1nga" e "ExOi1açaO" CO1¡O1111Cam a ¡1O¡11a
DanÕe11an!O" .
ì²
"1eVOJuçaO
En11e OS 1n1eJeC1ua1S ¡aOJ1SìaS O naC1OnøJ1SmO mÁ11cO
aÕqu11e u:a 1O1ça ex11aO1Õ1nð11a, ¡11nC1¡aJmen1e a¡OS a Õ÷11g
1a ÕO mOV1men1O COnS111uC1OnaJ1S1a. É ¡O1 1S1O que 11gu1aS
COmO Nð11O Õe AnÕiaÕe e NOn1e11O LODa1O aSS1nøm O mør¯TCS1c
ÕO g1u¡O BanÕe11o que 1em COmO O!¸÷!1VO ¡11nC1¡aJ eS1a!¢1eCe1
O 'CuJ1O Õa t1aÕ1çaO DanÕe11an1e LT lene11C1O Õa Pð111a Cg
mum"
J
� NO en1an1O, a aÕesaO ÕeSSeC Jn1e1eC1Oa1S aO mCv1.me_
1O e COnTJ11an1e, JOgO a¡Os 1e1em eSS1naÕO O ÕOCOmenìO, 1e_
1am 1nVa11Õa1 Seu e¡O1O øJCgonÕO 1azceS 1ÕeOJOg1CaS . A heS_
1eçaO UOnO1a O q�on1O e ¡1ODJemð11CO o On11e:1amen1O Õa queg
1aO naCJOnaJ.
ì6
ì²
ìB
Eס1eSSaO CO1ieS¡OnÕen1e aO 1´1uJO Õa O!1a ¡uD1JCaÕa em
ìS26 jOi AI11eÕO EJJ1S J�n1Oi, um ÕOs COm¡Onen1eS ÕO g1u¡O
Ve1Õe¬Ama1eJO.
RJCÞRDO, CosSJonO . V¯o_em nO 1em_O H nO cS_agO, memC�1aS
R1O Õe JaneJ1O, J. O1¸m¡1O, JS²U ¡. 62, e P11a11n1rqa em
ìS¨2 . Jn: N¬1ì1n Ce1e1O. O B1e:.J ÕOS me:1¡OS, ¡Oe1aS e hg
1O1S R1O ÕO 3øneJ1O, SOia1Ve, JD£7 ¡. ¨66.
RJCARDO, CaSS1ïnO. V1¬_em rO t.,']Tc--o, eS¸¸ g P .10 L
ì2
"
o m11O ÕaS DanÕe1iaS, nO1aÕamen1e nOS mOmen1OS Õe Ci�
Se nO ¡iOCCSSO Õa Oigan1ZaçaO naC1Onaì, ganha ieìeVO, 1Oina_
ÕO¬Se quaSe COnSenSua1 en1ie OS ¡auì1S1aS e maiCanÕO a ¡iOÕ�
çaO ì11eið.1a ÕOS VeiÕe·amaie1OS aO 1OngO Õe 1ieS ÕeCaÕaS
| Õe ìS2U a ìSAU) . A ÕeiiO1a Õa ReVOìuçaO Õe JS²2, que ¡OSSj
D1ì11ai1a a COnSOì1ÕaçaO Õa Õ11aÕuia Vaigae, naO 1iaZ qua_
quei a11eiagDO SuDS1anC1aì naS eìaDOiaçceS 1ÕeOìOg1CaS ÕO giu
¡O. o que ne Vei111Ca e uma muÕança Õe eS1ia1eg1a. O aDag
ÕOnO ÕOS 1Õeø1S Se¡aia11S1aS ¡eìa 1n1egiaçaO aO nOVO ieg1mc.
De ieDe1ÕeS ¡aSSam a gOVein1S1aS, man1enÕO Sem¡ie ¡ieSen1e c
queS1aO Õa hegemOn1a ¡auì1S1a.
NO !S1aÕO NOVO | ìS²²¬ìSA') , CaSS1anO R1CaiÕO, CС:Õ_
ÕO NO11a F\IO e NenOt11 ÕeJ P1CC!ia ¡aSSam a OCu¡ai 1unÇc÷r·
eסieSS1VaS nO 1n1ei1Oi ÕO a¡aieì!iO Õe ES1aÕO a1iaVeS ÕO DTP¬
De]ai1ame¡tO Õe Jm¡ienSa e PiO¡aganÕa. CaSS1anO R1CaiÕO
»
C
COnV1ÕaÕc ¡�ia Õ1i1g1i O _Oinaì A !!a.!¬, ¡Oi1a¬VOz ÕO ieg1re,
OCu¡anÕO tamDem a Õ1ieçaO ÕO Õc¡ai1amen1O Cu11uiaJ Õa Rð<1c
NaC1Onaì, enCam¡aÕa ¡eìO qOVeinO CÐnÕ1ÕO NOtta £1JhO a:.�
me a Õ1ieçaO ÕO D1JI ~ De¡aitamen1O EStaÕuaì Õr Jm¡ienSa L
PiO]aganÕa ~ Õe SaO Pau1O e NenO111 CO1aDOia eSCieVenÕO ¡aið
aS Õ1VeiSas ¡uDJ1CaçceS eS1aÕOnO\1StaS.
Ae 1Õe1øe ieg1Onaì1-teS ÕeSSe giu¡O Õe 1n1e1eCtOa1S
VaO Sei aDSOiV1ÕoS ¡eìO ieg1me, que as 1n1egia COmO Õ1meneoc
COn�111u11Va ÕO naC1Onaì
O iegJOnaì1SmO Õe1×a Õe Sei V1StO
COmO ume amOaça aO Sen11me¡tO Õe un1ÕaÕe naC1Onai
aO S1n1g
11Zai a ]ic¡i1a !iðS111ÕaÕe. O ES1aÕO NOVO a¡aieCe COmO o E�
1aÕO naC1Ona ì, Ca¡az ce 1n1Ogini aS Õ1VeiS1ÕaÕªS
1iøzenÕc¬
ì²
aS ¡aia O COn_un1O. De aCOiÕO COm eSSa ¡eiS¡eC11Va, O ieg1me
¡aSSa a 1nCen11Vai OG 3D16ÀOC1DD3G a eSCieVeiem SOLie aS Oi1
genS Õa naçaO. NaO 1m¡Oi1a que aS 1n1ei¡ie1açceS Se_am O31�
ien1eS. Im¡Oi1a an1eS que eJaS a!c1Õem a meSma queS1aO
a TunÕaçoO do Et\.eÕO DDC3ODDÀ NO 1¡1ei1Oi ÕO ¡iO_e1O 1Õeg
JOg1CO O£1O¹·DOV371D¸ O qu- 1n1eieSSa ieSga1ai
¤
e a 1Õeia Õe
Oigan1ZaçaO naC1CnaJ, 1OinanÕO¬Se 1uÕO O ma1S O Seu COiOlg
i1O.
Se C1JLei1O £ieyie, na COnÕ1çaO Õe ie¡ieSenìan1e ÕO
giu¡O nOiÕeS11nO, a¡On1a a "CaSa giarÕe" COmO O nuCìeO OD ng
C1OnaJ1ÕaÕe LiaS1Je1ia, CaSS1anO R1CaiÕO Õe1enÕe a 1eSe da
"LanÕe1ia' COmO ex¡ieSSaO ÕO ¡enSomeìO ¡auJ1S1a. £ieyie
eSCieVe DPÐ SOi1e Õe Dl13QOG jDlP O ¸OlDDÀ A M¬D!d SOL O
111DÀO "A j1O¡OS1 1i dcs ¡auJ1GtDS 1
9
, nOS qOa1S OG1DJ6JOCO UP
¡aiaJeJO en1ie O l6Q3ODDÀ3GPO DOTOOG13:O 6 O ¡euJ1S1a e Õc.e_
Õe D 3OC3D OD DD1O:²3C3ODOO OO [l3mO3lO ¡Oz Se OjOl DO 'CO_
POjOJ3135PO DlJDDO' A DlJODd2DQ�O C V3G1D COPO DPD au¢aça
�S Õ31ClC²çO ¯ l6Q3ODD3G¸ DPD V6? QD6 1OPOQ6DO32D D lOD·3ODO<
ÇDDDOO 3O6D1·13CD O lDlDJ3GPO OD GOC3OODO6 JlDGdJO3lD COPO O
1OlPOPO1IO OD sua dD1OD13C3OcOO¸ Fieyie Se COn1io¡ce aO Ql_
jO jDDÀ3G1D F O CÀtlO QDOD1O O 3G1O DO D13lPDl que a !OQOP_
D3D Õe ¦OO ÍDDJO DOO C CDJ1\lD·¸ PDG OCODOP3CD É DO 'jÇ\JJ_
1D VOÀ1O¨¸ j3ODO3lO O 1OJ1ldCO¸ OO lHJ2OG lDl¬3G¸QDO ¯lO¸lO
e:1ieV� O V6lODO63lO QD3D
ÍOICP¸ ¬OQDDOO O DD1Ol¸ JDP6Q
1DV6ÀPO116¸
6G1O 13jO OG1O OP O×1dDQOO
OCV3OO DO '1_
lOl 6CODOP3CO' QDO lP[6lD DD lOQ3cO ÍOl LOD 1DlDO¸ CðSS_
1
9
E s 1O GCi d 6 f Oi ]\J 1 3 CaÕD ]O 1 O a D ìOr CP O �_O
P D_ G
� _¸

D D�
1lO_O¹O_3O HJO Õe ÚDD6JlO¸ ¸P¸ ÜÜ
anO R1Ca1ÕO C1111Ca a "CaSa¬g1anÕe" ¡O1 1e¡1eSen1a1 a

ça COnSe1VaÕO1a Õa COìOn1a" aì1aÕa aO ¡OÕe1 ¡uDì1CO.
ì4
A ]cìem1Ca en11e OS ÕO1S au1O1eS Õe1xa 11anS¡a1eCe1 qE,
nO 1unÕO, e1OS eS1�O Õe aCO1ÕO qOanOO COni1gu1am o 1eg1Ona
ì1SmO COmC DaSe ¡Oì111Ca g1a O 1O1ìeìeC1meDcO ÕO EScaÕO naC1g
naì. F1ey1e a1gumen1a que O 1eg1Onaì1SmO ¡auì1S1a ex11a¡Oì a
21
a 1eg1aO jø1e Se1 um "ÕeSe_O Õe açaO e C11açaO 11anS1eg1Onðì " .
ASS1m, O " e1hOS DanÕe11an1e" naO se C11CunSCieVe a¡enaS eOB
¡auì1S1aS na11\OS, maS a 1OUOS aqueìeS ÕO1aÕOS ÕO SenSO Õe O_
gan1zaçaO e a11O_O. C1ìDe11O F1ey1e e CaSS1anO R1Ca1ÕO SaO OS
1n1e11OCu1O1eS Õe um ÕeDa1e ÕeS1:r·ÕO a eìege1 aS Õ1S11:1aS
ex¡c11enC1aS h1s1O11CaS¬nO1UeS11na C ¡auì1S1a¬ ¡a1a £unc�nc�
1a1 um ¡1O_e1O ¡Oì111CO. E � neSS¬ :ueÕ1Õa
¸
~
Õ
¸
22
S�çOeS Sac �:CO1¡O1a aS ¡eìO ieg�me .
¿ue SuaS ¡1O¡·_
Fm ìSAÛ, CaSS1anO R1Ca1ÕO eSC1e\e Na1Cha _a1a O Oe~¬
1e, Õe1enU÷nÕO a teSe Õa "DanÕe11a' t.cnO O naSCeÕOu1O Õa nq
C1Ona1JÕeÕe C1aS1ìe11e. A OD1a � rToU1CaÕa a C¬nÕ1ÕO NO11a
£1ìhO e a NenOì11 ÕeJ P1CCl1ð, assim COmO O 1Oia Na11Jn Ce-
1e1e | ìD2U) . C 1a1O 1eg1e11ø a COn11nu1ÕaÕe Õc g1u¡O OS
COm¡anIe11OS ÕO g1u¡O Ve1cc¬AmaIeJO | Õ�CaÕa Õe 2Û) COn11nuem
un1ÕOe nO g1u¡O BanÕe11o | U�CaÕe Ue :C) e nO FS1aÕO NOVc
| ÕeCaÕa Õe 4Û) .

2J
22
RICARDO, Cassiano. O FS1aÕO UO\O e O Seu -en11ÕO
1an1c. CuJ1ì1o POì´1Jce, me1. ì¬Aì. ¡.ì2f
FREYRE, CJì!e1!O. O¡. C11. ¡AU
¡anÕe_
OLIVEIRA, IuC1a I1¡¡· AS 1a1ze: da O1crm: OS 1n1cJeC1

aJ:, a Cuìtu1a e O Le1aÕO. In: ¿¸¿eVOJução Õe ¹U. Sem�nq
i1O 1rie1nacJOnoì Bia:aI1a, UU!, lDB¹. ¡.¬ìB¬S.
15
SuS1Cn1anÕO a 1Õ�1a Õa hCgemOn1a ¡auJ1S1a, CaSS1anO
R1Ca1ÕO \a1 mOS11a1 que ø "DanÕe11a" 11aSCenÕe O 1em¡O h1g
1O11CO aO 1O1nCCC1 O ' 1C1ia1O geOgia11CO' ÕO B1aS1J e O " mq
ÕuJO ¡S1qO1CO C mO1aJ ÕO ¡O\O D1aS1Je11O" . E×1S1111a, aSS1 m,
um "DønÕeJ1an1C anOn1mO Cam1nhanÕO nO SanguC ÕC CaÕa um Õe
·
"

R
. P 8
nOS . . e\CJa¬Se, ¡O11an1O, neSSa 1CSe a 1Õe1a ÕO 1eq1Q
naJ COmO ftnÕamen1O ÕO naC1OnaJ C 1enOmenO ÕaS DanÕe11ðS
ÕC1×a Õe Se iCS111ng11 a um 1Cm¡O e CS¡açOS ¡1CC1SOS ¡a1a e_
Ca1na1 a ¡1O¡1Ja aJma D1aS1Je11a, ø ¡e1SOnaJ1ÕaÕe naC1Onaì
Em Suma CaS-1anO R1Ca1ÕO ¡ie1enÕe 1Õen1111Ca1 O Ca1a1e1 n�
C1OnaJ COmO SCnÕO DanÕe11an1e. AS aSSOC1açcCS Õa1 ÕeCO11e_
1eS SaO 1¡+\:�.C1øS. U 1ÕOJa Õe g1ønÕcza 'Õe Ca1a1e1) , ÕC ¡1ø
'I
maì1SmO, ÕC CS¡:111O Cm¡1eenÕeÕOi, hC1O1SmO, a\nCgaçaO C1c ,
COnSì11u1¡Uc eSSeS \aJO1CS O 1unÕoicn1O Õa ¡1O¡11a ÕOu111na
ÕO ieg1me cS1aÕOnO\1S1a
É Iem S1n1Omaì1CO O Õ1SCu1St ¡1OnunC1aÕO ¡eJO m1n1_
11O ÕO Tr.balho AJe×anÕiC �\øiCOnÕ:s £1JIO nO J� ÕC NoJO de
ìSAA, nO qDaJ cS1aLeJcCe uma aSSOCJc_aO en11C O Õesen\cJ\_

men1O 1nÕuS1i1oJ Õe 5¬o PauJO C O ee¡1iJ1O DanÕe11øn1e. S�
guncO O m1:JS11O, Õe\1UO a eS1O eS¡:i11O em¡1eenÕCÕOi e¡iøg
mu11CO, O ¡O\O ¡øuJ1Sìa qanha O CS1a1u1O ÕC ¡O\O 11aDøJhaOO1
¡O1 c×CCJCnC1a. ASS1m, O ÕeSen\OJ\1nCn1O Õe SaO PauJO C
Õe SCu ¡O\O C eXOm¡Ja1, Õe\CnÕO Se1 1OmaÕO COmO mOÕCJO ¡eJO

R1C�RDO, CesS1anO Marcha _o±ø O OeS1e. ¡ . 22.
16
COnjOntO
.
24
Õa naçaO. AO entiai COmO 1OnÕamentO Õa ¡iO¡i1a
¡O11t1Ca eCOnOmJCo ÕO país, a VeiSeO ¡aO11Sta Õa naCJOnaJ1Õa
Õe Õe1xa SOaS maiCaS na 1ÕeO1Og1a ÕO EStaÕO NOVO.
A ODia Õe CaSS1anO R1CaiÕO \1Sa, ¡Oi OOtiO 1aÕO, a
1eg1t1mai O ¡iOjetO Õe CO1On1ZaçeO ÕO 1ntei1Oi 1nSt1tO1ÕO
¡Oi Vaigas, ¡1Oje'O eSte qOe tOma a meSma ÕenOm1naçeO Õe SeO
11ViO, Nø:Cha _aie O OeStO. COm 1Õent1CO ODjet1VO, a ie\1_¸
ta COltOia POl1t1Ca ¡OD11Ca Oma Sei1e Õe ait1gOS en1at1Za_
ÕO a ie1açeO entie O mOV1mentO DanÕe1iante OCOii1ÕO nO ScCO
1O XVI e a ÇO11t1Ca Õe CO1OnJZaçeO ÕO EStaÕO NOVO. VaiQ-S
a¡aieCe Sem¡ie COmO O nOVO DanÕe1ion!e qOe ieeÕ1ta a e¡O¡O_
a ÕO ex¡¬::.On1SmO, gaiant1nÕO aS fiOnte1iaS naC1Ona1S
2'
O ¬OSSO 1ntO1tO ate agcia !c1 O Õe mOStiai a cOn¬
ìJnO1ÕaÕe Õ· ¡iO_e'.. Õe hegemOn¯a poOlJSta aO 1OngO Õe .:cs
ÕOCaÕaS Paia ana1JSai a es¡eC¯I1CJÕaÕe Õa \eitente ¡aO.1_
ta nO COnjOrtO ÕoS múltiplas 1rtei¡ietaçceS naC1Ona11Sta:,
1aZ¬Se neCr=Søi1O aCOm¡ønlai a mO�tagem ÕesSe 1Õeði1O que Cg
meça a SOt �laDOiOÕO aO 1OngO Õa ÕOCoÕa Õe 2Û ESSe mOmer1O
e Õe fOnÕ¬menìaJ ¯m¡Oit�rCaa ¡aia Ö COm¡ieensoO ÕO ¡ensamentO
2A
2'
NARCCNDfS FILIIO, A1exonÕie D1ScOisO ¡iOrOnc1aÕO em l" Õe
maJO Õe ìDA^ BOle11m Õc N1n1stci1O Õc TiODðJhO_ 1nÕO:¬
ti¯a e COmOi·¯O, n°1J², ma1O ìDAA DeSÕe a ÕeCaÕa Õc 2Û
NaiCOrÕ-S v1rIa ÕeTerÕenÕO eSsas 1ÕO1aS 1m ìD26 ¡:OnOn¬
C1ai1a Oma ¡aJeStia nO CertiO PoOJJSte a¡OntanÕO SOO
PaO1O CcmO mCÕe1O h1:!Ci1CO ¡aia a naçeO. Vei: NARCONDES
FILHO, Alexandre.S.Paulo, ø øDOlaçeO O a ¡iO¡aganÕo ie¡_
\l1cane In: S.Paulo C O =Oa e\OlO_aO. CcnTeiCnC1aS ie_
11ZeÕoS rO CentiO Pa¡11S !a em JD.U R1O Õe Jane1iO , CaZg¸
TO Õa BO1Sa, ìD2²¡ 2²¬A2.
A COnte×tOoJJ:OçeO Uo O!1ø Õe CaSSianO RJCaiÕO NaiChø
]a¬
ia c OeSte nOS qOaÕiOs ÕO 1ÕeOJOg1a eS1eÕOrO»1Sta
e 1e_
ta Om O eteinc iOtOinO. DenÕe1io C ISteÕO NO\O. Jn. Om1¬
tO da Çi¯g¯roJ¯ÕaÕe !i¬SJ1O·iø ¡ lÛ²~²Û.
nacionalista do grupo Verde-Amarelo, pois
suas formulaç5es posteriores. Esta d�cada
eixo da nossa análise, pois e a partir do
1 7
dele se originam
sera, portanto, o
projeto de uma cu�
tura nacional que o grupo lança as bases do seu projeto pol_
tico, defendendo sempre a hegemonia paulista SODre o conjurr
to da nacionalidade.
I8
C DEBATE INTELECTUAL DOS ANOS 20
A COnS1iuçðO Ha nøçaO. ai1O e ¡OJ1ì1Co
O CJ1ma ÕO ¡11me11O ¡OS¬guei1a Õe1e1m1na o11e1açceS
TunÕamenìa1S na TO1ma Õe Se ¡enSai O BiaS1J NOÕ1T1CøÕO O qu_
Õ1O 1n1e1naC1Ona1, aJ1Cia~Se COnSeq¡enìemen1e a COnT1guiaçðO
Õa ¡oi1e B1aS·1 A C11Se Õe \a1Oiee que SeCOÕe O Cenð11O
euiO¡eO ìen S-uS 1eT1e×OS 1meÕ1a1O÷ nO B1aS11 ReCO1ienÕO c:
meìÐ1OiøS Oigør1C1S1aS, nOSSOS 1n1eleC1ua1S ex¡11mem H i:�:c
Õa \CJ¡a e da nO\a C1\1J1zaçðO´ O BiðS1J ó O Oigan1Smc Sa:'¯O
e jO\Om, C:quDn1O a FuiO¡o e a rogac Õ÷CeUen!e que Õeve Te1ø_
men1e CeÕe1 J:\gø1 a AmO11Ca 1i1un1o:+1e 1n1eJeC1uc1S
1n1ei]ie1am O COn1e×1O COmO umø con1:~maçao Õð ana11Se
S¡eng1O1 que ¡1e\1a O T1m Õø C\J1u1o euiO¡e1a e a OOiO:a
Õ U
¹
O nO\O ìuun O
Cai ¡Oi 1C1ie, ¡riìenì·, O m1ìO I1¡OiaJ Ua eia
in
ìe1naCJOna1 que ìOina\a O!SOJe1O OS naCJOnaJ1emOS A 1ÕeJe
Õa giÖnuC comunidade que Se aO1c¬!eguJa\O COm ¡ei1C1¸uO, ÕJS
1i1!¡1nÕO cq¡1ìn1J\amOn!÷ ø OiÕcm F O ¡iOgie-SO, e UeSmaeCg
iaÕo. O B1aS1J \¢¬Se, enìaO, T1enìe a TienìC cOm OC SeuS ¡i_
blcmas. E eles SðO g1a\C:: qu·e1cS Õe 1m1ç1a¡1eS, \az1OS d�
I
SKIDMORE, TlOmø: O nc\O nacionalismo. In: e1O

n

!i
j`
i.
¸
Q no·Jcn-J:c¬·r rO penséJlentc !icea1CJiO RJO de
Jøi¡o:iO, ÍQV C ³tTT,, |S7£ p. 190.
19
mográficos, amplidão de território .A & 2 Este quadro denota
claramente a fragilidade da nossa situação no quadro internª
cional, ampliando o fantasma da cobiça externa.
Em 1915, na conferência "A unidade da pátria", Afonso
Arinos prega a necessidade de uma campanha cívica destinada a
criar a nação. Se o Brasil tem território, nao tem ainda o
.
²
que se pode chamar de naçao.
Esta é a palavra de ordem da epoca: criar a naçao.
Daí o tom de urgência assumido pelo debate intelectual então
instaurado com vistas à descoberta de um veredito seguro,
capaz de encaminhar o processo da organização nacional. O
problema da identidade nacional assnr,e lugar de relevo.
BI
contra r um tipo étnico específico -npaz de representar a ',éC..
onalidade torna-se o grande desafi0 enfrentüJo pela el1.te
intelectui.l.
A Revista do Brasil, lança�a em 19lb, reflete efse
debate,propondo-se a efetuar um reeXime da identidade nario
nal. Seu editorial de lançamento �sr�arece que o objetivo
da publicação o criar um núcleo de propaganda nacionalista.
Gilberto Amado, CH discurso parlamentar pronunciado no mesmo
ano, conclama I brasileiro c assumir sua verdadeira identidª
de: `7Cjamos ca fuzos ou curibocas 1:psignados procurando hOI
,,
4
rar o nosso sangue ...
2
3
4
SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão; tens6es soci
ais e criação cultural na lª República. S.Paulo, BrasilieI
se, 1983.p.14.
SKID�lORE, 'homas. Op.cit.p.l73.
SKIDMORE, Thomas. Op.cit.p.l84.
|UH0n,lu Ur1U|lU vñk6ñ5
I IOI PO I CPOOC
20
Tomados deste sentimento misto de orgulho e resign,
çao, os intelectuais brasileiros se acreditam investidos de
uma missão crucial : encontrar a identidade nacional na per�
pectiva de romper com um passado de dependência cultural.
Vprifica-se, portanto, uma mudança radical na forma de se corr
ceber os papéis do intelectual e da literatura. É idéia cOL
rente que o intelectual deve forçosamente direcionar suas rg
flexões para os destinos do país, pois o momento e de luta e
de engajamento, nao se admitindo mais o escapismo e o intimi1
mo. Cabe, então, ao intelectual evitar os temas de cunho pe�
soaI : ele deve deixar de falar de si mesmo para falar da
naçao bras i l e ira .
O m�rco valorativo da obr? literária passa a
o grau maiúr ou menor com que expressa a terrd e a socieddde
! ì
`
b
raSl elra . Em Olavo Bilac esse I. ac1OnaI1SmO literário vem
associado � questão da mobilização militar . A defesa da naciQ
nalidade brasileira , segundo ele , fO pode ser feita atraVt� "
do Exército, �n1Ca instituição capaz de restaurar a ordem IL
¡a1S Seus discursos aSS1ra1am a união entre ' intelectuais
de inclinaçõo militarista e ofic iais propriamente ditos� O ¡g
triotismo o interpretado como um dever cívico, cabendo aos
intelectuais ~ e1cmentOS da vanguarda sOc1aI asSum1~JO int�
gralmente.
Ao desembarcar da sua viagem a Europa, em ìSìô, Bilac
¡icntnc1a um discurso
7
alertando para a trgerc1a Õa mO!J11zg
5
6
7
CÂNDI DO, AntSnio. Op , cit .
SKIDMORE, Thomas. Op. cit . p.175.
BILAC, Olavo. 3OinaJ do COm¡c1O, 2 maio ìSì6
'
¡²
2 I
çao inteìcctuaì en: tozno do ideaì nacionaìista . Duas gue_
toes adguiren zeìevo em seu pzonunciamento : de um ì ado , a ng
cessidade de se zefozmuìaz a funçao da ìitezatuza na socied_
de; de outzo , o novo papeì a sez aseumido peìo inteìectuaì .
Assim, a ì itezatuza \zas1leiza deve Oeixaz de sez ape¡as um
" tempìo do azte" ¡e. za se tzans fozmaz em " escoìa de civismo' .
Paza ìevaz a e feito taì pzincipio , o aztista pzecisa a\andonaz
# #
sua " tozte de matfim" e poz os pes na tezza , gue e onde se d_
cidem os destinos humanos . Pozgue dotados de dons divinatcz_
os , os inteìectuais sao eìeitos os " ìegitimos depositázios ¬a
civiìizaçao" , toznando~se ,poztanto , os mais indicados pa:a
. ' . 8 +
d ensinaz L aucz peìa patzia . Nest¬ ¡ezspectiva , eìes even s e
tzans fozmat em educadozes , e×ezcc�dO uma funçao eminenteme¬te
pedagcgica na socie�ade .
As id�ias de Oìavo Hiìac encontram repezcussao imeui_
ta entte os inteìectuais gue mai s tazde compozi am o gzu;o
Verde-Amarel o. Nenotti deI PicIia detendo a pezspectiva He
gue o int¬1=Ctuaì deve se pottaz comc un mestze em zeìaçao
as muìtidces , gue recessitam sez educadas , assim como as czi
anças . E e esta zeìaçao gue vai as segurar o pzogzesso e a cu�
tuza .
AI em de ICHTTC , o poeta devc assumiz o papeì de soìd_
do O Sctviço de pa tzia , dOfenderdc~a das invouces
aì i¸ erig_
nas . O nome de D ' A:nunzio � constartemente mencionado poz
Nenc!ti como e×cmpìo do ' poeta¬ soìdado'
gue sou|e a\dicaz de
8
Id . i\id .
22
9
sua individualidade pra lutar pelos ideais pa t.rióticos. ° au
tor atribui , portanto, duas funções ao poeta : a de educador
e a de soldado .
No período do pós-guerra, a questão da organizaçÃo
nacional passa a f igurar como tema obrigatório no debate int�
lectual. Verifica-se uma reformulação total de valores, no
bojo da qual a política adquire pap�l fundamental. Alberto
Torres aparece como um dos principais guias da nova geraçao,
mais pelo tom de urgincia de sua obra e a infase conferida
a questão nacional do que propriamente por suas propostas p>.
1 ,
.
10
l.tl. cas.
° depoimento de Cândido Motta Filho registra o esti(}
de espírito que reinava no seio da i ntelectualidade
ra sob o impacto da Primeira Guerra N\lndial.
ll
° autor car��
teriza sua geração como sendo essencialmente política por ter
ficado entre dua s civilizações.
Tal posiçbo dramática , te:cia
levado a que o problema da organizaç�o nacional assumi"se
primazia absoluta. A arte deixarj a 02 ser um caprichoso sUQ
jetivismo para interferir na própria otganizaçao da sociedª
de .
9
10
1 1
Procurando desfazer a ttadicionaì idéia da incom¡at 1\i
Consultar a esse respeito as crônicas de Hélios ( pseudôni
mo de Nenotti deI Picchia l publicadas no Cozteio Paulistano:
A czitica , 29 set. 1920 . p . 3 ; Gente nova de Portugal, 1 2 jul.
1920.p.l ; e D ' Annunzio , 29 dez.1920 . p. 3 .
SADECK , Maria Teresa. Machiavel ,machiavéis : a tragédia octª
viana . S. Paulo, Símbolo, l 978.p. 85.
NOTTA FlLHO , Cândido . Meu depoimonto . lt i : TestemunIo de uma
_tn_nc . Org w CAVALHEIRO , L . Potto Aìegte , Globo, l944
. As i
déias eo autor t êm clara f i 1 io çáo com a o!ta de ' Alberto To
;
res . Na década ee 20 , C¬Idido Motta Pilho , escreve uma ' sé
:
:
rie de art i gos para o Correio Paulis tano que depois setiam
u:idcs na obra Alberto JoJres O C tcm¬ da nossa @e:a_ao .
2 3
lidade entre a arte e a política , Cândido Mo-ta Filho obse�
va que ambas se voltam para o ser humano. A primeira se dir�
ge para a expressão e a segunda, para o exercício da conduta.
Além do mais , argumenta, a pOlítico nao é destituída de raí�es
metafísicas conforme a concebiam os positivistas, na medida
Õ d d
. 1 2
em que trata a questao o estlno. A arte, por seu turno,
também ter1 sua face pragmática, pois só através do sonho
#
e
possível projetar e dar margem a realização. E nos
poéticos", como o brasileiro, é que são encontradas as
d
.
- 1 3
es reallzêlçoes.
"povos
gran.
Na constituição do projeto do Estado nacional, literª
tura e pOlítica caminham juntas como irmãs siamesas . A art. "
é definida com o saber mais capaz d. 1preender o naciona2 ³ ,
portanto, o mais apto para conduzir a organização do
T
palS.
O mito cientificista do progresso indefinido e todo o seu colo
rário de valo�es já haviam sido desmascarados nos estertores
da guerra . Razão, leis, desenvo1v j mento linear, padrões c:. vi
lizatórios etc . passam a ser vi stos cc·mo representações ultrª
passadas de uma época dada como encerrada . Nesse contexto,
as teorias de Bergson, a valoração da intuição C da emoÇao
most·ram-se mais atraentes por oferecerem um novo lugar a arte
no campo do conhecimento. Lidando com a emoçao e a intu�
ção, a arte passa a ser consagrada como depositária de valores
superiores , devendo sair da esfera do puro
intimismo para
exercer uma ação mais dinâmica no seio da sociedade.
1 2
Id. , ibj d.
1 3
VIANA , Victor . Poetas . Jornal do Commerci o, 7 jul . 19l9 . p. 3
2A
Tais ideias tendem a adguiziz fozça czescente entze
os inteìectuais \zasiì eizos poz toznazem patente a ` decade_
cia dos vaìozes civiìizatczios euzopeus . A visao pess imi�
ta do sez nacionaì , o atzaso econcmico do Bzasiì e os pz_
\ìemas zaciaì e cìim�tico sao ze¡ensados em funçao das mod_
ficaçces detezminadas peìo panozama inteznacionaì . Vezifica-
s e, entao , uma tentativa de zeveztez a si tuaçao . Os fatozes
negativos atzi\uidos à nossa civiìiz· ¬çao náo o sao¡ na rea1_
dade . Se a¡azecem assim e pozgue as eì ites \zasiìeizas se
pensazam e pensazam o seu pais de acozdo com a mentaì idad=
euzopeia . E se esta demonstza sua faìencia , sua inaptiUoc
paza gezi r O comunidade inteznacioraì , nao h� mais sentido
em continuar tomando~a como modeìc .
NcsSe am\iente de zecusa ao aì ienigena , conside.ado
como o ze¬¡ons�veì peìo ceticismo gue se a\ateta so\ze as �1._
tes . brasileiras , cresce a onda nacionaI ista . Aìceu Amozcec
Lima o\se;va gue o impacto do ¡Os-guezza no nosso meio int_
lectual r ct:a incentivado a ' vo1 ta às nossas zaizes , gue mais
. , .
d ,, 14 tozde nos ±1iam ìevaz a zeaçao mo eznista .
1 4
LIMA , ¡J CC\ AIozoso . �!cn6r!a_ ilnprovi sadas . Petzc¡oìiS ,
Vozes , 1 97 3 . Citado pcz OLIVE: IRJ , Lucia l.ippi . As ta_
zes da ozdom: os intelectuai s , O cu1tuza e o Fsta¬c .
In : �f,�v01 ucão de 3 0 . Op . c i. t . p . 509 .
2 b
SaO PauJO. nuc ìeO Õa mOÕe1n1ÕaÕe e Õa D1aS1J1ÕaÕe
" Em nenhum ¡On1O Õa nOSSa ¡ðtz1a a1nÕa encOn11amOS zc_
n1ÕaS 1an1aS ¡OSS1D1ì1ÕaÕeS, tan1OS Ia1O1eS ¡a1a a �
ìaDO1eçaO Õe uma gianÕe nec1Onel1ÕaÕe. É em SaO Pauìc
que eS1ð Se TOzmanÕO a g1anUc 1n1u1çaO, O O1enÕe cOn¬
cc11O Õe _ð11ia' .
A . Ca1ne1zO IeaO I0J3J20
WL 1n1c1O Õø ÕecaÕa Ue 20 , C B1eS1ì ¬1\e ume S11u�¸aO
Õe O11m1SmO . A ÕecaÕenc1e Õe c1\1J1zaçaO eu1O¡e1a e 1nte_
¡1e1aÕa cOnO L oÕ\Cn1O ¡1Om1sSO1 de ume nOVO e1a, nø queì a
Ame11ca Õe\ei1a exe1ce1 o ¡e¡eJ Õe l .Oe1 munÕ1eI Sac Paulo
\1\enc1a ma1S 1nìcnSamen1e eS1e c 1 1 �i � C ÕeSen\Oì\1mentO ÕO
Os1eÕO O COìOce em 1uge1 Õe \enguo1Õa nO cOn¸ un1O nec1OnaJ;
Jð, ¡O1lan1O, Se cסe11menìam aguÕomen1e as me1a\1JleS e eS
c11Se- Õo mOÕe1niÕeÕe A 1C\1Sta Po_cJ e J1nta, Õ111g1Õa ¡O1
NenOt11 Õe
¹
P1ccIi e e OSwaJÕ Õe AnU1eÕC, a¡1e:en1a CS1e 1_
g1s1zO c11m1Sìa ÕO B1aS1ì .
' | . ) \ma za¸ ·Õo Õe
enO1Q1a cOnÕuz±u O D1açO 1u1a1 �s
zonas tOCunUeS UO Sc11ac, ¸ a ¬xaÕ1eznÕeS ¡eJOS 11_
llOs ÕaS es tradas de !ei1O e Õe 1OÕagem; aS c1UaÕeS
ÕenSaS de \FO ¡O¡O1uçoO u\1 Õe He t:e!aihO 1O:na1am¬
se centrOs Ic!11C11enleS ÕO
¡iOg1eSSO
2 6
de ziqueza" 1
5
Estn centzo fe

\zicitante e Sao Paulo , nucìeo do pz_
g� essc eccncmico C socia ì , capa z , poztanto , de difundiz o m_
dczno pensamonto \zasiìeizo . Nais do que quaìquez outza z¸g
giao , o estado paulista vive dizetamente os impactos da im_
gzaçao euzopeia , com a expansao do cafe dando suzgimento ao
pzoìetaziado e ao ou\pzoìetaziado uz\ano . Em meio a este c ì_
ma de intensa agitaçao socia ì , poì itica e intelectua ì nasce
o movimento modeznista , pzocuzando expzessaz , s im\oì icamente ,
fI j ` d d
I 6
o uxo ¨ Q ¹± a mo ezna . Paza o� inteìectuais que Ue1 r
pazticipam �zata~se no momento de fazez a " apzendizagem da
modeznidc:°e ' nos centzos civiì iza Lczios ; que
Æ
e onde eìa se
manifesta . A zevista Kìaxon , conr idezada a pozta~voz da gez_
çao de 2 2 , eìege c azte do Pezoìa NI:. te comc o pazadigma da
modeznidade poz tzaduziz os vaìozes do secuìo XX que o Br�
siì pzeci�a a\sczvez com vistas a atuaì izaçao de sua prOoç¸
çao cuìtuza ì . Se a figuza de Pezoìa NIite e escoìIida comO
s im¡oT o do nundo modezno, a de SazaI Beznhazdt , em contzap_
siçoo, incozpota os vaìozes do paSsado . Ve¸ amos os dois pe�
fis :
I 5
ì 6
NÓS . Pa¡eì e tlnto . S . Pauìo , 3I noio I 920 , n º ì . Citado
poz BR11O, N�zio da SiIva . Ui
¸
stczia do mode:nismc !za~
si ì eizc . Sao PauI o, Sozaiva , ì 958 v . 1 . p . I 27 .
NORSE , RicLard . O¡ . cit . p . 343 .
27
' P�zoìa Nhite � pzetez1veì a Sazah Beznhazdt . Sazah e
tzag�dia , zomantismo sentimentaì e
e zaciocinio , instzugao, es_ozte ,
vida . Sazah Beznhazdt * s�cuìo XIX .
s�coìo XX q @ g '�
11
t�cnico .
za_idez ,
P�zoìa
P�zoìa
aì e_zia ,
Nhite=
Cu\e , poztanto , a azte \zasiìeiza captaz estes vaì_
zes , zegistzando o dinami smo do momento . Poz�m, o pzocesso
de atuaI izaçao nem sempze se da de fozma paci fica . Eìe

f
conflituoso e as vezes chega a sez tzagico na medida em que
impìica a zuptuza com os vaIozes �zadiciona i s . Em " Novas co_
· . ¸ I 8 . + w
zentes estet�cas ' , Nenott� del P�cch�a expz�me
azgumentanUc que a azte deve zefìetiz o ' espizito
taì id�ia
de
dia" que se de\ate na cidade tentacuìaz . C pzocesso de uz¡_
nizaçao con:titui a tcnica e moti·o ce inspizaçao dessa faie
do movimentc modeznista , na qua I 5ào Pau1o se confunde com o
pzcpzio B:asi ì . De acozdo com esse cspizito estao os ì iv�os
de Nazio ele Andzade Pauì iceia desva izada | ì 92 2 ) , e de OswaIc
de Andzade Os condenados , o\zas que tzaduzem a pezpIexidac! e ,
a veI ocidade
,
o desvaizio , enfim, a pzcpzia tzagedia existe_
cia I e socio1 aca zretaUa pe1o ¡zocesso de industziaI izaçac~
uz\anizaçao do gzande cidade .
Concomitante ao cìima de tensao , instaìa~se tam\em o
dc eutoria . Os ¸oznois da epoca enaìtecem o pzogzesso da c_
dace de Sao Iauìo, compazando¬a com as grandes capitais
ro¡eias . Seus ¸ atdins pú\T icos , avenida
,
teatzos e cinema s
I 1
I 8
KLAYON , I b ma � o I 922 , nº I . Citado poz NORSE , Ric!azd . Op . cit
¡ . 21 1
.
DEL P1CCu1A, Nenott i . Novas cczzentes e stetican .
Pauì istoro , 3 ma� 1 920 .
Corroi¡[
28
nada ticam a devez aos de Pazis ¦ a constzuçao da catedzaì no
lazgo da Se o\edece ao modeìo da catedzaì de Viena. . . Sao Pau
lo zepzesenta o exemplo da modeznidade e a imagem do Bzasil
tutuzo .
19
Aìcantaza Hachado , considezadc um dos croniStas mais
pezspicazes da vida pauìista , nao esconde o seu encanto
peìa uz\anizaça o.
" | ) N¯ \ . . . ao e em ozguìho . É uma especie de pìenitu
de, uma satisfaçao intima e imensa de estaz a ì i ,
de tez dado a o menos sua coìu\ozaçao de pzesença , a
tendencia agzadaveì de se incozpozaz ao \em feito | . . . )
A gente se zeconciìia Com a gente . Canha a genez_
sidade univezsaì dos fo:tes · e toma azes pzotetozcs .
Çuase que se estende a mac 1� em cima paza
aS cas inhas de cinco metzos Ò su\iz mais uns
t ) "
20
r es . . .
a¸ \U::
anò_
Nu1s adiante, o czcni sta zegistza suas impzessces
so\ze a metzcpo1e :
I 9
20
2 I
" ¦ . . . ) em Santa Ceciì ia aS casas s e afastam zespe+. t_
sðn· ente paza as zuas passate· º a vcntade . Higien_
poìis se enche de som\zas . Do Piques ate a avenida
e um despzopcsito de pzedios se acotcveìandc . No
Pigues sáo pzedicS mesmc . Na avenida sao paIacetes .
E a i estao cs anúncios de novo : CHFVROLFT , IANÇA ~ PER
FUNE PTERROT, CRUZ�IALD1NA, SABONETE CESSY . Esvezdean
do , azu1ando e avezmeìhando , so\zetudo avezmeì!ando
de aì to a \aixc a azquitetuza em!azaIhada
·
.
2 I
SOBR1NI ! O , Oscaz . A gzandeza de S . Pauìo . Cozteic
tano , 4 maio I920 .
Pouìis~
NACHADO , Luis Tcìedo . Artcnio de Aìcåntaza Nac!ado
modezni Umc . Ric de Janeizc , J . OIyu¡ic , ì970 . p . 44 .
Td . i\id . ¡ . 4b .
e o
2 9
A ì inguagem cinematogz�fica zegistza o dinamismo das
tzansfozmaçces quc fazem da pzovincia uma metzcpoìe. ¸ No C02
mopoìitismo de Sao Pauìo os inteìectuais entzeveem o novo
Bzasiì que se anuncia . Centzo inUustziaì , bezço do movimento
modeznista, Sao !auìo cozpozit1ca o espizito do pzogzesso e
da modeznidade .
Nenotti oeì Picchia , nome j� conhecido nacionaìmente
atzav�s de suas czonicas no Cozzeic Pauìistano , histozia com
entusiasmo as inovaçces est�ticas intzoduzidas peìo movime_
to, apontando as obzas de N�zio C de Oswaìd de Andzade cOmo
simboìo da nova gezaçao pauìista
. Oswaìd discuzsa na cezim_
nia de hcmenagem pzestada a Nenotti poz ocasiao do lançamerto
. 22
de sua obz¬ As mascazas . Ness.: ctapa iniciaì do movime¬to
modeznista os pauì i�tas estao unioOS em tozno de uma ques*�c :
comIatez seus advezs�zios passad1stas paza zeaì izaz a zevOI_
çao ìitezazia . SéO Pauìo, segundo paìavzas de Oswaì d, suzge
como s 1m!c I c da pzometida Canaa q·e iz� acoìhez as futuzas g_
zaçoes . De ìa , poztanto , izzadia o espizito modezno dcstin_
,
do a tomaz conta de todo o pais .
A vi=ao ufanista de Sao Pauìo tzaz em seu bo¸o um
aspectc intezessante : a desqual i ficaçao empzeerdida em zeI_
çac ao Rio de Janeizo . A pzomiScuidade de suas pzaia s , e o
as¡ecto an�zquico de sua economia , a futiI idade dos habitos
caz1oca s , a vioìoncia C amoraìidade do caznaval sao ob¸eto de
2 2
DEL PICCB1A, �) enotti · L aImoço de ontcm no Tzianon . Coz÷
zeio Paul istano
, I 0 ¸ an . I 92 1 . p . 3 .
30
inumezas czcnicas e chazges pubìicadas no ��o�z �z�e:. �o_
.
P�a �u�ì�is
2 3 . . + *
tano . Ate a questao da difezença cìi
,matica entze os ,dois e�
tados apazece �omo fatoz favoz�veì ao pzogzesso pauìista .
o cìima frio pzopiciazia o confoztc , a intimidade e a conce_
tzaçao de enezgias no tzabaìho , enguonto o ca1oz favozecezia
24
a displicenCia e a pzomiscuidade das zuas e pzaças .
o nome do estado pauìista adguize significado simbg
l ico : como o santo bibI ico gue se ve lnvestido de uma missao
sagzada , cabe a Sao Pauìo ìevaz sua mensagem ao Bzasi1 , not_
2 b
damente ao Rio de Janeizo , vitima do ceticismo . Sao Pauìo ap_
zece sempre como a tezza do tzabaìho , do espizito pzagm�tiCo ,
da zesporsati ìidade e da seziedadc . Nais ainda . Tem o pcdez
#
da si. ntese ¡cz sez capaz de uniz ene'gias apazentemente co_
tzaditczias : a da �çao e da cziaç�o
¸ Poz isso Sao Pauìo L
simuìtaneamente UezcuIes e Apoìo, e um " tita com mio1os Õe
Ninezva" .
26
Como se ve , o mane¸ o de zecuzSos simbcI icos de_¸
tinados H ' ideoIogizaz ' a supezio·iOade pauìista atinge
mensoes surçzeendentes . . .
A disputa estabeI ecida entze Sao PauIo e Rio de Jane�
zc nao se zestzinge apenas ao peziodc mencionado ,
mas apze
senta 1in!as de continuidade no cozpo de nosso pensamento poì_
2 3
2 4
2b
26
Sobze o as sunto consuItaz as czcricas de Veiga Nizanda , Os
¡a1!aços do FIamengo , ì b out . 1 9 2 0 . p . 1 , de Otto Ptazezes ,
Como se vive no Rio de Janeizo, 2ì dez . ì9 2 0, de C!zysantme,
Caznavaì e sangue , 7 fev . I 921 . p · ì , de IIexa Ribeizo, Czcn�
ca cazioca , ì3 abz . I928 . p . 2 , e as c!azges sobze a vida c_
zioca . Noivados caziocas , ì ì niaz . I 920, e A czise dus casas ,
I 3 ab: . I920 .
HÉLìOS . CaIcz . Cozzcio PauI istano , 28 nov . I 926 . p . 4 .
PATROCiNìO IìLBO, 3o¬e do . Na estzada de Damasco, ep.sto1a
aoS ca+iocas . Cozzcic Pau1 is tono , ì8 dez . I 922 . p . 6 .
DEI P1CCh1A, Nenotti . Novas corzentes
Pa uI is |q¸rc , 3 maz . 1 920 . p . 1 .
estoticas . Cozzeio
ticc . Exempìcs : as c\zas de EucI ides da CunIa e de Lima Baz
zetc , vcìtadas paza a questac zaciaì ccm a pzeccupaçac de eì_
gez um tipc etnicc zepzesentativc da nacicnaì idade . Eucì ides
apcnta Sac PauIc ccmc c fccc da histczia dc Bzasiì , pcis ìa
se enccntzazia a " Sede da civiì izaçac mameìuca dcs Iandeizan
tes" . Ja Lima Bazzetc eì ege c Ric de Janei :c ccmc mcdeìc da
scciedade mestiça , capaz de gazantiz c paÕzac de hcmcgeneida
de etnica dc pa is . Paza Lima , Sac Pauìc e a imagem da cpze_
. . ~ 27
sac dc Bzasiì , pcz sez a " capitaì dc espi. zitc !uzgues" .
DeSde há muitc , cs inteìectuais pauìistas vinham i�
sistindc ra questac da hegemcnia dc seu estadc , destacandc~
c ccmc c centzc dinåmicc da naçac .
·
Taì espizitc pzesidizo O
cziaçac dc Centzc Pauìista, em ì907 . nc Ric de Janeizc . COI
tardc ccm c .espaìdc dc gcveznc eS¹aUua ì , o Centzc pzcmcve
uma sezie de eventcs , ccmc zefezcncia s , sclenidades
# +
c1v1ca s ,
zeunices , ex;csiçcez sc!ze a indus tzia pau1 �:ta etc . ccm c O_
getivc de instituiz na capitaì um " ccntzc
pauìista " .
28
de ccnvezgencia
A ze¬ista BzaSiìea , fundada em ì 9ì 7 , peztencente ac
gzupc nacicnaìista catc1 icc , tam!em zefczça a cpcsiçac Sac
Pau1c ~ Ric de Janeizc . Defendendc c ' !zasiìei:ismc puzc e
integra1 " , esta pu!I icagac dc;qua1ifica c Ric de Janeizc¸
.
dentificandc~c ccmc centzc essenciaìmente
ccsmcpcI ita e cc�
.
, . 29
zuptc , vcìtadc pza fi ns puzamente matez1a1 s .
2 7
2 8
29
SEVCENKO , NiccI au . Op . cit . p . ì88 v 203 ~ b .
VTLALVA, Nazic . Ccmc EC faz uma institui_ac ; ncticia hi_
tczica sc!ze c Centrc Pauìi sta . | ì907- 3 7 ) Ric de Janei
zc , Revista dcs Tzi!unais , ì 93 7 .
OL I VE1R A,L úcia Li ppi. O n 3 c io nO1 mc_¸___c __en ¸_a
=
;; µ_e n__t__c �__

O

ì¸___
__cc bras j 1eizg da ìª ReptÍbli. ca . |ic de Janeic , Cpdoc
t mimecì . p . 4 9 .
3 2
Atzaves da Revista do Bzasiì os inteìectuais pauì i_

tas continuam defendenOo o mesmo ponto de vista , que vem a
consti tuiz a tcnica do aztigo de Ru!ens do Amazaì "Nanifestg
çoes do nacionaìismo'' . Neì e , o autoz apzesenta Sao Pauìo
como o ' pai zico do Bzasiì vadio' , o!sezvando que o gzande maì
do pais e a faìta de integzaçao . Ca!e ao estado pauìista , ne
quaì idade de pai , pzomovez a unificaçao nacionaì atzaves da
vaIozizaçao das tzadiçoes cuìtuza1e !zasiìeizas . De acordo
com esse espizito , a zevista anuncia a pzomoçao de um concuz
so ìitezazio voìtado pza a pesquina do foìcìoze zegionaì ,
sugezindo como temas as quadzinhas popuìazes e as ìendas so\ze
o Saci~Perezc e o Caipoza .
3 0
A pzeocupaçao com a vaìozizaçao das nossas tzadiçcen
cuìtuzais C toìcìczicas e pìename¬te encampada peIos modez¬i_

tas . Recupezá-ìas s ignifica constzuiz a identidade !zasi1e_
za , sem a guaì sezia impossiveì ao ¡ais afizmaz sua autonoria
no panozan· a inteznacionaì .
Atzaves da czitica aos gene·os ìitezázios hezde¬os
do secuìo antezioz es!oça¬se um quaUzo do idcá:io modeznis1a ·
Se neìe pzedomina o acotdo em discutiz ceztas quOstceS ¬
·
como
Ö da atuaìizaçao cuìtuza ì ¬ j á se deìineiam o que seziam mais
tazde as difezenças entze os divezsos gzupos . Dai a impoztå�
cia de zeconstzuiz as ìinIa s mestzas do de!ate ocozzido entze
ì920 e ì 924 , no qua ì se manifestam as cont±ovezsias ze1 at_
vas ao zegionaìismo e que mais tazde iziam sepazaz o gzupo Vez
30
AHARAL , Rutens do .
do Brasi1 , S . Pauìo ,
Nanifestoçces do nacionaìisro .
nov . ì 9ì 9 . p. 2ì 8~ 2 b .
Revista
3 3
de~AmazeIo das demais cozzentes .
Todos os modeznistas sao unånimes no com\ate que e_
cetam contza as est�ticas paznasiana , zeaì ista e zomåntica .
o paznasian ismo � descaztado enquanto genezo ì itezazio uì tzg
Æ
passado poz ðpzis ionaz a ì inguagem nos canones zigidos da
#
m�
tz1ca e da zima . A I i\ezdade de expzessao tozna~se a \ardo_
za de ìuta do movimento , que zeivindica a cziaçao de uma novð
I inguagem capaz de expzimiz a modeznidade .
Tam\�m . o zeaJismo � cziticado,
na
medida em que incj¸
dizia so\ze vaìozes tidos como zetrcgzados , tais como o cient_
ficismo . Oswaìd de Andzade se insuzge contza a pintuza figuz_
tiva do quadro de cazneizos que se "nao tivesse ìazinha mesmo
nao pzes� .,avõ " . Paza o autot , a utopia � uma dimensao do ze� l ,
pozque naO é apenas sonho , mas tamL�m um pzotesto .
3 ì
Ass i m, C
ideaì figuzativo , a exttemaUa enfase ao zeaì ismo sao considez_
dos como lazteizas a cziaçao aztistica .
Iaza Nenotti , a ctitica ac zeaìismo aUquize outza CQ
notaçao . Eìe associa zeaì ismo a pessimi smo , o\setvando qur IL
autozes zeaìistas dao sempze uma v i sao Uistozci da do naci_
naì . Distozcida ¡oz so\zecazzegaz seus aspectos negat1vos ,
gezanUo oentimentos de Uezzota e incapacidade . Em Juca Nuìa~
to | ì9 ì7 ) , o autot ptocuza ctiaz uma nova vetsao Uo " j eca 7_Q
tu' , fugindo ao estiìo zeaì ista de Nonteito Io\at� que z�
tzata o atzaso e a mis�zia do ca\ocìo, em oposiçao fzontaì
3 1
HEIFNA, I�cia
·
1HO ì iteratuta artzo_ofa_ica . Rio de
neizo , CáteUza , ì98ì . ¡ . I08 .
34
.
a ideoìogia da gzandiosidade e da opezosidade pauì ista , tao ve
=temente defendida geìos vezde¬amazeìos . A o\za de Nenotti
aca\a dezivando , todavia , paza uma " ideaì izaçao de \ase sen
timenta ì ' , sendo a vida do ca\ocìo desczita
� 2
co e sonhadoz . ¯
de modo
A oL]eçao ao zomantismo zeside na enfase que este da
ao sentimento , na sua tendencia a tzagedia e
.
a moz\idez .
Agoza , a " aìegzia e a pzova dos nove" . Cswaìd e categczico :
3 3
" É pzeciso extizpaz as gìånduìas ìaczimais" . Na ì itezatuza
modeznista , o ziso desempenha uma fu¬çao cataztica , voìtada
paza a ì i\ezaçao de faìsos conceitos esteticos , eticos e SQ
ciais . !xige
=
se uma nova consciencia socia ì capaz de zefI_
tiz a compT =xidade do mundo mode�no . Nenotti tam\em com\ate
o zomantiSmc azgui:: do a necessidaUo de atuaì iza_ao do ser T-
cionaì . No entanto, esta atuaì izaçao assume um tom as vezes
dzamatico e diìacezante quandc c avtcz sente
3 2
3 3
3 4
' t . . . ) uma necessidade instintiva de apunhaìaz. . . esse
gu��e duende ( . . . ) que , de quando em quando , suzge a
tcna do ( seu) sez atuaìizado paza zeìem\zaz o pais
scmpze intimamente sonhado da cisma e da sentimentaì_
d d "
34
a e .
DRTTO , Nazio da Siìva . O¡ . Cit . ¡ . I 23 .
NORAES , Eduazdc JaroiH de . A

c o¡j n)_

t ij_ j_

i

_

a
¿
,o

=
_d�a�id

e

i

a

_| d

e

_¡ m o
dezniomc tzasi1eizc . Ric Ue Jac UR 3
de douto:ado ) .
DEL P TLLÍÌ v, �JcnottJ . Uma COzta .
��·
juì . 1922 . p
·
4 .
3 b
A incozpozaçao a ozdem modezna e compzeend1da como u�
bana e industziaì . Poz isso tozna~se dzamatico tez uma " a_
ma de ca\ocìo' apzisionada na ' gaioìa anti~higienica da cidg
d "
3 b
e . o aCesso a modeznidade significa entao o acesso a zac_
onaìidade , ao pzagmatismo enfim, a etica capitaì ista .
ves de sua coIuna no Cozzeio Pauì istano , Nenotti defende esses
vaìozes e pIeiteia a mozte necessazia do zomantismo . Em
1 1 0
�ìtimo zomåntico" , o autoz ìamenta o cazatez anaczcnico de um
suicidio amozoso , azgumentando que os novos tempos exigem que
o amoz passe paza o dominio de uma s impìes opezaçao finance_
za , devendo essa mesma dinåmica ocozzez ao niveI da vida pe2
soa I , sociaì e poìitica .
Nenotti pzopoe , entao, o " patziotismo pzatico" \c·se_
do no ìena : "Amaz o BzasiI e tza\aìhaz" . Na eza industzia ì ,
e pzeciso Saczificaz o ì izismo e o ' nizvanismo contempìati
vo' e as sumiz uma pezspectiva eminentemente utiì itazista E
pzagmática . A natuzeza deve deixaz de sez, confozme o fo:a
no zomantismo , o\jeto de cuìto poe t i co paza se tzans fozmaz em
o\jeto de ìuczo e de investimento . A poesia da ziqueza ec_
ncmica deve pzedominaz no Bzasiì novo . Esse Bzasiì e zepzese_¸
tado poz Sao Pauìo considezado como centzo do tzu\a ìho , de a
tividades pzaticas , utiì itazistas e inteì ìgentes . A veìha FA
cuìdade de Dizeito ~ antigo n�cìeo da \oemia tzansfozma~
se numa " fa\zica de \achazei s " que devezao difundiz a cuìtu
za
3b
3 6
\ ` I `
3 6
zas� e�za .
Td . i\id . ì8 out . I 92 I . p . b .
So\:e o com\ate ao zomantismo vez as seguinteS czcnicas pg
!ì icadas no Cozzeio Inuìis\ ano : O �ìtiro zomåntico , 27 ogo .
I 92 I . p . b , Peìo Btasiì ! , I 9 sct . i9 2 3 . p . 3 ; Patziotismo pz_
tico , 4 out . I923 , e Sao Pauìo de no¸ e , 7 set . I 92 2 . p . 38 .
3 6
Na czitica oc zcmantismc e a tcdc c seu ccìczazic de
vaIczes ( devaneic , escapismc, cuItc a natuzeza , \cemia! es\c
ça~se a etica dc hcmem empzeendedcz ~ idecìcgia tipica dcs
paises eu:cpeus nc ccmeçc dc pzccessc de industziaìizaçac .
Neìa enccntram~se cs fundamentcs idecìogiccs da dcutzina dcs
vezde~amuzelcs . 1.0 detendez c espizitc pzagmáticc , c pceta~
educadcz e c scIdadc, c cuItc da cpezacidade e dc pzcgzessc ,
c gzupc , na zeaIidade , está apcntando Sac Pauìc ccmc c mcdeIc
da naçac . PeIc a Itc gzau de desenvcIvimentc industziaì que
aIcançcu e peIa vanguazda de inteIectuais que pzcduziu , c e�
todc, deve neces soziamente se destacaz dc ccn juntc da naçac
paza exercoz c papeì de ì idez .
A paztiz dc dencminadc sugurÕc tempc mcdeznista ( ì924
em diante ) ccnscìid�m~ se as difezençes entze as vázias cc:ie_
tes dc mcvimentc . Se, num pzimeizc mcmentc , a questac da
atuaìiza_ac da ncssa cuìtuza nacicnal uniu cs mcdeznistas ra
Iuta ccntza cs genezcs I itezázics tidcs ccmc uìtzapassadc< ,
agcza c ¡rc\lema muda de ccnfiguzaçac . Paza mcdeznizaz c Bz_
siì uzge ccnhece- ìc , ccnsidezaz suas pecuì iazidades e
pziedades . É nesse mcmentc , pcztantc , que se azticuìa a pz_
pcsta mcdeznizadcza ~ vcìtada paza otuaì izaçac ccm O que�
tac da IzasiI idade .
37
O irgzessc na mcdeznidade deve Sez m_
diadc peìc nacicnaì . A gzande questac que se ccìcca e daz
ccnta dc nocicnaì . E neose pcntc vac se s ituaz as divezge_
cias quontc a fczma mais odequada de a¡zeende~ìc .
3 7
MOR�ES, Eduatdc Jazdim de . Op . cit . p . 47 .
37
A qeoqrafiza
_
ao do Bzasiì
" Cada um de ncs tem um tzecho de paisagem dentzo de si.
Temos que tix

~Io em tudo quanto esczevemos . '
Cass iano Ricazdo
o que e o BzasiI? Um pais fzagmentado peIas difeze_
ças ou um ccn]unto homogeneo? E o z
`
cgionaìismo? Sezia um s_
naI do nosno atzaso, um o\stacu1 o à atuaì i zaçao da cuìtuza
\zasiìeiza ou, peìo contzazio , o depositazio da nossa vezdg
deiza identidade?
5ao essaS �æ questces que aquecem C de\ate inteìec L_
a I modeznisto , cziando cisce s , ccntusces e aì ianças . Se,
de cezta fc:ma , a ideia do Bzasiì como conjunto cuìtu:aì que se
impce peìa sua oziginaìidae e unånime , a constataçao do fato
nao dilui as divezgencias . o Nanifesto ie_ionaì ista do Noz~
deste zegistza o seu pzotesto contza a homogeneizaçao , czit_
cando o estiìo citadino de vida , a cuìtuza
zada ,
#
enfim, a nova zeaì idade do pos-guezza .
uz\ana ocidentaIi
o
9
& m
gzupo Ve�
de-Amazeìc encampa em pazte esta czitica , notadamente a zeaçao
ao cosmopoìitismo . AcusaOos de fazezem uma ì itezatuza zegi_
naìista , os vezde~amazeìos zespondem tezem s ido os acusadozes
aqueìes que pezdezam a dimensao do nacionaì poz estazem cog
pzometidcs com os modismos estzange1 zos .
3S
Entze 192b e 192 6, os vezde~amazeìos zompem com os gzu
pos Tezza Roxa e Pau~Bzasiì . Desencadeia~se a paztiz de e_
tao uma vezdadeiza poìemica que tem como pano de tundo a que�
tao da zeìaçao zegionaIismo~nacionaìismo . Paza os vezde~

amazeIos , as demais cozzentes modezni stas cometem um ezzo tu@
damentaI : encazazem o zegionaìismo como motivo de vezgonha
e de atzaso . I sto acontece , segundo seu ponto de vista , poz
que esses inteìectuais teimam em vez o Bzasiì " com oìhos pg
z isienses " , o que ìeva , em decozzencia, a que quaìquez manite�
taçao de \zasiì idade se] a zeduzida a zegionaì ismo�
S
Se os vezde~amazeìos concozdam com o cazatez ì im1tç
do da ìitez atuza zegionaì , pozque advezsa ao univezsaì , eìes
entatizaui sempze a sua impoztåncia . Paza o gzupo , o que está
em pzimeizc pìano e o cuìto de noSsas tzadiçces , ameaçadas
peìas infìuencias aI ienigenas, toznando~se poz isso, uzgen
te a cziaçao de uma ' poì itica de defesa dc espizito naCi_
ì "
39
na . Assin, a vaìozizaçao do zegionaìismo coìoca~se c¬mo
impzescindiveì pozque possi\iìita "deìimitaz fzonteizas , ambi
ente e ì ingua ìocaì ' . E mais : sc o zegionaìismo e capaz de
daz sentido zeaì no tempo e no espaço, ja que o zitmo da
tezza e ìoca ì . Assim, o Izasiìeizo nao deve acompanhaz o zi_
mo da vida univezsaì , pois este e a\stzato , genezico e ext�
zioz . A aìma nacionaì tem um zitmo pzcpzio que deve sez zespe_
40
tado , custe o gue custaz . É este senso extzemado do
38
39
40
DEL PTCCBT A, Nenotti . Regionaì ismo . Coz

z_e_o

Pauì istano , 3
out . I 9 2 6 ; e Cazta ao Dany . Cozzeio Pauìistano, 30 set. ì926. p. 7.
RÉLTOS . Nacionaì ismo . Cozzeio Pauìistano , I 3 a\z . l923 . p . b .
Estas ideias sao expostas por Nenotti deì Picchia no azti~
go Regionaì ismo | vez nota 38ì e poz Cassiano Ricazdo em O
espizitc do momento e da patzia na poes ia \rasiJeiza . Coi~
zeio Pauìistano , 24 set . I9 2 b . p . 3 .
39
ì ismc que mazca a dcutzina vezde~amazeìa , difezenciandc~a dc
ideazic mcdeznista .
Nc aztigc intituìadc
. 41
" Tatu1smc" , este a spectc apa
zece de fczma nctozia . A ideia dc zcmpimentc zadicaì ccm a
Cuìtuza estzangeiza e defendiOa ccmc ccndiçac pzicz1tazia
paza a manutençac das zaizes ìccai s . Sez \zasiìeizo s e tzan�
fczma entac em um atc de cczagem, pcis im¡ìica assumiz, sem
nenhum pej c, a pezscnaì idade caipiza . o tatu passa a zepz�
sentaz c pcvc \zasiìeizc : passivc , ingenuc e pzimitivc . A m�
tafcza nac e aìeatczia , se ccnsidezazmcs que este animaì

sc
se aì imenta das zaizes nativas . A tezza e c seu ha\itat , e�
ccndezijc , defesa , enfim, a gazantià de sua sc\zevivencia em
um meic hcstiì .
Taì visac dc \zasiìeizc e dc Bzasiì entzazia em chQ
que ccm a peicepçac dcs demais gzupcs mcdeznista s , gezandc
pzcfundas ccntzcvezsias . Ac apzesentazem c caipizismc ccmc
eìementc definidcz da \zasiì idade , cs vezde~amazeìcs se inOi�
pcem ccm c gzupc antzcpcfágic e com c cczzente ì idezada pcz
Nazic de Andzade . Cziticam a fiì iaçac euzcpeia dc pzime_
zc e c inteìectuaìismc da segunda , pcsicicnandc~se ccntza t_
dc c que nac ccnsidezam sez genuinamente nacicnaì . As ideias
dc pazticuìaz, da fzcnteiza e da guazda dc pzimitivc passam
a ccnstituiz as \ases dc seu nacicnaìismc cuìtuzaì .
Tcda a pc1emica desencadeada sc\ze c que s ignif_
ca sez \zas iìeizc deixa cìaza a zeìevåncia da questac zegi_
naìista nc intezicz dc metism , mazcandc \em as zesistencias
4I
RÉL1OS . T�tuismc . Cczzeic PauI intanc, 2 I dez . ì9 2 b . p . 3 .
4
0
à tentativa de redefini-la de acordo com novos parâmetros .
Apesar de o modernismo nao se assumir como anti-regionalista ,
na medida em que confere notória importância ao folclore e
aos costumes das diferentes regiões culturais brasileiras , ele
' introduz uma nova concepçao do regional , acrescentando elemen
tos que viriam mediar a relaçio regionalismo-nacionalismo .
As diferenças existentes entre as várias regiões bra
sileiras passam a ser vistas como partes de uma totalidade co�
porificada pela naçao . A perspectiva de análise � extrair do
singular apenas , os elementos capazes de informar o conjunto .
Portanto , a visio do conjunto cultural � que deve direcionar
a pesquisa do regional . Mário de Andrade, um dos intelcctu
ais mais repr.esentativos do movir.lento , defende com precisio
essa id�ia atrav�s da teoria da " desgeografzaçio" proce.
so atrav�s do qual se descobre, além das diferenças regionais ,
uma . d d b ' 1 . d . d d
4
2
un� a e su J acente re at�va a sua � ent� a e . Tal uni
dade deve constituir o objeto último da pesquisa do regior. al,
pois nela reside sua inteligibilidade, sua razao de ser . O
regional em si nio tem sentido .
Atrav�s da teoria da "desgeografizaçio" , Mário
poe uma nova maneira de se pensar o Brasil . At� entio a litg
ratura regional vinha interpretando a realidade a partir da
geografia e do meio ambiente , priorizando sempre o fator
espacial . Agora, entram as questões temporal e histórica .
4
2
MORAES , Eduardo Jardim de . Op . cit o p . 62-63 .
41
De acordo com esse universo conceitual , Mário procura in t e!
pretar o Brasil, situando-o no quadro internacional . o regiQ
nalismo aparece então como uma mediação necessária para se �
tingir a nacionalidade, assegurando o ingresso do paí s na
modernidade . No quadro internacional , a parte Brasil deve
ser apreendida como uma totalidade indivisa , coesa e unitária .
Assim, o folclore e as tradições populares das várias regiões
brasileiras - do Oiapoque ao Xuí - devem ser valorizados e
n
quanto elementos constitutivos da própria nacionalidade . £ a
idéia de unidade cultural que interessa resgatar : a pesquisa
do regional constitui apenas um caminho para �e atingir este
fim último .
Esta percepçao do nacional que defende a eliminação
das partes em favor do conjunto torna-se uma das idéias-guias
do modernismo . No entanto , a própria dinâmica do movimento ,
vai mostrar que ela não é consensual . o obstáculo a sua acei
tação reside na predominância de forte tradição regionalistõ
de cunho ainda local e geográfico . o comentário que Sérgio
Mil liet endereça ao livro de Guilherme de Almeida , e
um exemplo característico dessa visão ideológica . Elogiando
a obra pelo seu alto sentido nacionalista , M illiet assim se
refere ao autor : " Guilherme é profundamente brasileiro .
.
1
' " 43
go ma�s pau �sta .
43
Mário de Andrade , em carta dirigida
¾
a
Terra Roxa, n2 1 p . 6 .
de .
Op. cit o p . 103 .
Citado por MORAES , Eduardo Jardim
42
Sezgio, o adveztizia contza o sentido s imboì ico,
hezoico e
gzandi ìoquente atzibuido a paìavza pauìista . Azgumenta sez n_
cessazio abandonaz taì visao , pois o Bzasiì tem s ido um " vasto
hospitaì amazeìao de . zegionaìismo' e de ' baizzismo
44
co .
histez_
A poìemica Nazio vezsus Niììiet e s igniticativa por
zegistzaz os zesquicios de uma tzadiçao zegionaì ista de toztes
bases ìocais . Atzaves deìa e poss1veì entzevez a postuza amb_
gua assumida poz aìguns inteìectuais diante da questao do n
¸
q
cionaìismo . Pzesos a tzadiçao ìocaì ista , eìes tendem a ide_
titicaz a sua zegiao de ozigem como o nucìeo da nacionaìidg
de . É 0_ caso de Niììiet : paza sez

autenticamente bzaS iìe_
+
zo e pz�ciso sez pauìista |
Es1e tema estaza sempze pzeSente nas eìabozaçceS de
um gzupo modeznista : o Vezde~AmazeIo . Paza estes inteìect_
ai s , a constzuçao de um pzoj eto de cuìtuza nacionaì deve co�
poztaz um zctozno idiì ico as tzadiçces do pa1s . No manites co
Nhen@a_u , os vezde~amazeìos zememo:am o pez1odo coìoniaì coro
o momento auzeo de nossa c iviìizaçao devido
¬
a integzaçao
pac1 tica entze o eìemento coìonizado e o coìonizadoz . A cuìt_
za bzasiìeiza e sempze pezcebida como uma esteza isenta de con
tìitos, onde zeina a integzaçao e a hazmonia . o eìemento tupi
e eìeito o cezne da nacionaìidade \zas iìeiza poz simboì izaz
a pass ividade , identiticada como o canaì pezteito de a\so�
çao ótnica e cultuza ì . A c!egada dos poztugueses ao Bzasiì
tez1a inauguzado um tempo que nao zC esgotou s impìesmente no
44
Tezza Roxa , nº 1 p . 6 . Citado po: NDRAES , Eduazdo Jazdim de.
Dp . cit . p . 103 .
43
pzocesso de coìonizaçao , mas que pezmanece ao ìongo de toda a
nossa histozia tace a pìenitude de seus vaìozes .
4b
Dbsezva~se nessa pezspectiva o pzedom1nio de uma v1sao
pitozesca e estatica da tzadiçao, uma vez que o passado passa
a coexistaz com o pzesente . Rcmpe

~se com a concepçao ì ineaz
do tempo : passado e pzesente deixam de sez concebidos como et_
pas sucessivas pa�a ingzessazem numa mesma zeaìidade . Taì pez
cepçao da histozia que tende a pziviìegiaz o es_aciaì so!ze o
tempozaì constitui uma das cazactez1sticas centzais do pensa
mento consezvadoz , de acozdo com o

ja consagzado estudo de
H h `
46
ann e1n .
Ao adotazem esta concepçao du tzadiçao, os vezde~amaz�
ìos mai s uiaa vez se distanciam do iUeazio modeznista . Nao poz
detendezem O tzadiçao como zequis i to paza a eìabozaçao de um
pzoj eto de cuìtura nacionaì . Nesse aspecto nao ha di scordån
cia ; todoo os modeznistas estao convencidos de
w
que so a
tiz do conhecimento de nossas tzaCiçces e poss1veì encontzaz
um caminhc pzopzio, uma cuìtuza de bases nacionais . Buscando
os tzaços definidozes da identidade nacionaì , Nazio d e Andza
de czia o conceito de " tzadiçces moveis" . Atzaves desse in_
tzumonta ì , o autoz pzocuza zesgataz a dinåmica das manitest_
çoes da cuìtuza popuìaz e , ao mesmo tempo , gazantiz a pe_
manencia do sez nacionaì . Nazio chama a atençao paza o aspeg
to positivo das " tzadiçces moveis" na medida em que , movime_
4 b
4 6
So!ze o pzoj eto cuìtuzaì dos vezde~amazeìos consuìtaz o tz¿
!nlho ða autoza : D mi to ða or!_I naJ iðaðo !zasi1 eira ; a tza ¸�
tOzia inte1ectual dc Cassiano Ricazdc | Ucs anos 20 ao Estg
Uo Novo ) . Op . cit . p . 24~65 .
NANNBEì U, Kaz1 . O pcnsamentc consetvadcr . ìn :
de Souza | ozg . ) 1nfzodu_�o czi Iica � sccicìo@ia
PouJ o, uuc:tec , l98ì . p . 77 ~ ì 3 ì .
NARTìNS , Jonc
zuza1 . S.
44
tando~se atzaves dos tempos , elas atual izaziam a s manifesta
çoes da cultuza populaz . A pezspectiva do autoz e histozica ,
uma vez que evidencia sua pzeocupaçao em encontzaz paza
Bzasiì uma tempozaìidade pzopzia no quadzo
·
. 47
1nteznac1onal .
o
Ds vezde~omazeìos nao compaztiìham dessc ponto de vì_
ta pois considezam a tzadiçao um vaìoz que extzapola o conte�
to histozico : ela tzanscende o tempo czonologico paza se f_
xaz no es_a_o, no mito das ozigen s . Este mito czia um teg
po ideal que deve sez zevivido , zetonado, pois nele zeside a
bzasilidade . A tzadiçao pezmanece , poztanto, afixada em um
momento e espaços pzeciso s : eìes sao pìenos de s ignificados .
Nao ha que atuaì iza~ ì a, confozme o q¡ ez Nazio de Andzade , ¸ á
que ela nao peztence ao tempoza ì , mas ao espacial ( Sao PauIo J .
!ste contzaponto entze o ideazio vezde~amazeìo e as
teozias de Názio de Andzade tem como o\jetivo mostzaz a di�
tåncia que sepaza o refezido gzupo dos ideain modeznistas nO
que se zefeze à questao do zegiona1i�mo . Conce\endo a tzao_
çaO de fozma espaciaì , o gzupo \usca zecupezaz o tempo mÍL_
co, ìocaìizando~o na zegiao pauì ista . Se em Nacunaima | ì92 8)
e visiveì o esfozço de Nazio paza supezaz a concepçao geogz_
48
fica do espaço , em Naztin Cezeze , de Cassiano Ricazdo , ( ì 926 ) ,
encontza~se mais do que nunca pzesente a geogia fizaçao da ze_
ìidade . Nas vamos poz paztes :
47
NDRAES, Eduardo Jazdim de . Dp . cit . I 2 ì ~ 7 .
48
NDRAES , Eduazdo Jazdim de . Dp . cit . J2 6 .
I
|0H0r,A0 0|JU||0 vrk6rS
INDIPOICPDOC
|
4b
Paza Nazio , o Bzasiì e uma entidade homogenea , na quaì
as ditezenças zegionais devem sez abstzaidas . Poz isso seu
pezsonagem Nacaunaima movimenta~se ì ivzemente peìo espaço
da bzasiìidade . Assim, sua tza j etozia nao segue a ìogica dos
zoteizos possivei s, mas inventa uma �specie de " utopia ´ ge_
gzática " que vem cozzigiz o gzande isoìamento em que vivem
os bzas1
·
lel
"
zos .
49
S b d B
"
I " t ` ` I " o zevoan o o zas1 no UlUlU aezop ano ,
o hezoi consegue descoztinaz o mapa da sua tezza . Este episo
dio e zico de s igni ticados , pois tzaduz a pzojeçao de um des�
j o pzotundo do esczitoz pzesente ao ìongo de toda sua obza .
Encontzaz a identidade nacionaì , o que s ignit1ca nao pezdez de
vista a visao do con junto . Paza ìe`vaz a eteito taì pzoj etO ,
e pzecisO , cntao, s e desìocaz dos estzeitos ì imites geogzðfg
cos . Sobzevoaz o Bzasiì paza ve~ìo na sua inteizeza e compìy
xidade . Assim, a pezspectiva geogzatìca e abandonada poz imQe
diz que se atin]a uma visao do con] unto . ( este C aspecto
pza o quaì �iðzio de Andzade quez chamaz a atençao na eìabor_
çao de um pzoj eto de cuìtuza nacicnaì .
Ja no Naztin Cezeze vezitica~se o invezso : Cassiano
Ricazdo czia os "hezcis çeogzaticos" gue izao zeaìizaz a ep_
peia bandeizante . o ponto de paztida das incuzsces tem um
zetozno pze detezminado : Sao Pauìo . Seu pezcuzso e c izcuìaz ,
cabendo aos hezcis zeaìizaz a ' pauìistanizaçao' do Bzasiì . T
Z
to pozque os vaìozes desta civiìizaçao s intetizam a pzcpzia
bzasiì idade . Eìa deve poztanto , ditundiz seu zaio de açao poz
49
NELO e
çao de
SOUZA, Ciìda de . O tu_i e o a1a�de ; uma
Nacunaima . S . Pauìc, Duas Cidades , ì979 .
intez¡zeta
p . 38~ 9 .
46
todo C tezzitozio nacicnaì .
Nao ha cziaçao , mas zepzoduçao .
o contzaste entze as duas obzas e tìagzante : a pzime�
za constzoi a t iguza do "hezoi sem nenhum cazatez" , e a segu@
da, do " Bzasiì dos meninos , poetas e hezois " . Fìavio Ko_
the
b
Þ
sugeze que a tiguza do hezoi , pzesente em quase toda
nazzativa ì itezazia, se contiguza como eìemento estzategico pg
za decitzaz um texto . Rastzeaz o pezcuzso e a tipoìogia do
hezoi cozzespondezia a uma tozma de captaz as " pegadas do s i_
tema sociaì no s istema das obzas ' . No caso dos dois autozes ,
a tiguza do hezoi ~ sej a ele inspizado no epico ( Cass iano Ri
cazdo ) ou no p1cazo ( Nazio de Andzade ) ~ tzaduz a pzopzia �
magem do Bzasiì . Temos , entao, o coztzonto de duas visces
sobze a nacionaì idade: a de Nazi� quo e em abezto , izcnica e
intezzogativa , pozq· ·a voì tada paza O dit1ciI busca da ident�
dade nacionaì . Busca esta que pode acabaz em um ìogzo , em um
vezdadeizo beco sem Sa1da . o pezsonagem Nacuna1ma nao cozp_¸
zitica apenas quaìidades cons ideza�as positivas , mas incìui tQ
das as tzaquezas e vaciìos do sez nacionaì que , diìacezado
entze duas cuìtuzas , busca sua estzategia Ue sobzevivencia .
Este hezoi, ou este anti~hezoi , e o pzopzio Bzasiì : ambiguo ,
confì itante , em constante pzocuza de identidade . A divezsidg
de de zaças , cuì tuzas e dominaçces tece a " zoupa azìequi¡aì "dc
b
·
I À
M
a bzancuza e p1
'
a ".
b ì
zas± e±zo, na qua se m1stuzam o tango ,
b
Þ
b I
KDTBE, Fìavio . D pezcuzso do hezoi . Tem_o Brasiìeizo , | passg
gem da modeznidade ) n� 6 9 , abz . J ]un . I982 . p . 96~I 2
Þ
.
ANDRADF , Nazio . Impzov1so do maì da Amezica , I928 . Citado poz
SUSSEK1ND , Fìoia . Taì Bzasiì__uaì zomance? Rio de Jane1ro ,
Achiame , J984 . p . 9 b .
47
Poz isso, o hezoi sem nenhum cazatez , o desenzaizado , o descon
tÍnuo. . .
Ja o hezoi zicazdiano e aquele que zealiza a "eQo
peia dos tzopicos " . Eìe e pleno de atzibutos poz sua
cidade de entzentaz diticuìdades , seu espÍzito aguezzido, seu
alt zuÍsmo Ímpa z . o engzandecimento e a dignidade desse hezoi
sao sempze zetozçados peìa dimensao tzagica .
b 2
Paza se obtez
os louzos da vitozia e pzeciso passaz antes poz duzas pzova
çoes. . . Tal pezspectiva zevela um outzo zetzato do Bzasiì : �
cabado ( no sentido de que nao ateito a duvidas ) , gzandi ìoquen
te e laudatozio . Contzapondo~se � ' hetezogeneidade
# B
macunai.mi.
ca do nacion�l ' , vemos instaìaz~se a nomogeneidade .
Em tesumo : enquanto a obza de Nazio aponta paza u�a
pezspectiva histozica ( mesmo que ì imitada ) , cz1tica e unívez
s aì , a de Cass iano Ricazdo zetozça a visao geogzatica de cunho
estzitamente localiSta : sao os "hezOis geogza íicos " , ou se¸ a ,
os pauì istas , gue constzoem o Bzasil. . .
Paza os vezde~amazeìos , Sao Pauìo se apzesenta serµre
como o cezne da nacionaì idade bzasi ìeiza , justamente poz sua
contiguzaçao geogzatica . A oziginal idade da geogzatia pauìi_
ta investiu a zegiao de um destino especiaì : sez o guia da
nacionaìidade bzasiìeiza . o azgumento se desenvoìve da segui¿
te tozma : ditezentemente das demais zegioes do pa1 s , em Sao
Pauìo os zios cozzem em dizeçao ao intezioz . Este tato tezia
b 2
A distinçao entze o peztiì do hezoi epico e do hezoi p1c�
zo e teita poz Fìavio Kothe . Dp . cit . p . ì 2 0 .

48
obzigado os pauìistas a caminhazem em dizeçao ao seztao , aba_
donando o ì itozaì . Poz uma questao de tataì idade do meio ag
biente , eìes se toznazam, entao , bandeizantes e desbzavad_
zes . Ao se inteznazem nos seztces , os bandeizantes teziam
abdicado dos taìsos vaìozes do ìitoraì ~ aì 1enigena paza e_
contzaz os tiìces do Bzasiì~aute

ntico , que
W
e o zuzaì . Em
" C

.
t
, b3 .

4
ançao geogza 1ca ' tzanspazecem cìazamente a opos1çao ì 1to
zaì~seztao , e a Associaçao Ceogzatia~Bzasiìidade~Sao
Diz o bandeizante : ' A estaz chozando de saudade
E mais adiante :
poztuguesa
pzetizo vazaz o seztao
Æ
que e o meu dest1no s inguìaz"
"minha esposa e tezza tizme
as sezeias estao no maz' .
Pauìo .
Na tozmaçao da cuìtuza bzasi ìeiza , o ì i tozaì zepz�
sentazia a pazte taìsa e enganadoza do Bzasiì poz zepzoduziz
os vaìozes estzangeizos . Nao é a toa que Cassiano Ricazdo se
zeteze a saudade como uma hezança p¬rtuguesa . Saudade esta
que se deve ao ' instinto de navegaçac' , ao dese] o pezmanente
de se desco\ziz novos hozizontes e aventuzas . Poz isso o ha
bitante do ìitozaì é pzopenso a " nostaìgia do exotismo" , que
o ìeva tzequentemente a impoztaz ioeias e modas , gezando
b3
RICARDD , Cassiano . Naztin Cezeze . p . 22ì~ 3 .
49
zevoìuçoes e desozdem soc1aì .
b4
A 1magem da seze1a s1mboì1za a atzaçao~tza1çao que o
ì 1tozaì exezce sobze seus hab1tante s , enquanto a tezza~esposa
zepzesenta a t1deì1dade , a conqu1sta cezta , o pozto seguzo .
Taì d1scuzso poet1co busca mostzaz que Sao Pauìo optou peì< cg
m1nho cezto , ao contzaz1o , poz exempìo, do R1o de Jane1zo,
vitima do tascin1o euzopeu . Czaças a sua zesezva natuzaì , ao
seu espiz1to consezvadoz, sobz1edade e tenac1dade, o pauì1g
ta soube se pzecavez contza os sozt1ìegios estzange1zos . Re
tugiando~se nas tontes nat1va s , eìe se mostzou capaz de encaz
b b
naz o espizito mais 1ntenso da bzas1I1dade . � poz isso que
cabe a Sao Pauìo exezcez o papeì de
`
guazd1ao das vezdadei.zas
tzad1çoe� bzas1ìe1zas , assumindo a vanguazda no , con]unto naci_
naì .
No 1deaz1o vezde~amazeìo, o Bzasiì
Æ
e sempze apontado
como mot1vo de ozguìho : de um ìado , eìe e o gigante , de outz�
a cz1ança . Apesaz da apazente dispazidade , as metatozas co¿
vezgem paza uma ideia matziz : a de potenc1aì1dade .
o gigante acozdaz, quando a cziança czescez. . .
A histozia do Bzas1ì e apzesentada como
da nossa gzand1osidade e do destino s inguìaz que
zesezvedo no tutuzo . E tato cuzioso : e a geo@zatia
czeve esta h1stozia de gzandes te1tos e hezo1s. . .
b4
b b
A ps1coìogia do hab1tante do ì itozaì e do seztao
da poz Aìceu Amozoso L1ma . Dp . cit . p . 267~7 b .
LINA, Aìceu Amozoso . Dp . cit . p . I74~ b .
testemunha
nos esta
que e_
Pozque no
w
e
50
Bzasi ì , ditezentemente dos demais paises euzopeus ,
+
e a cat_
gozia es@a_o que expìica a civiìizaçao :
+
e uma coisa teita de
anos quase
+
"A patzia, nos outzos paises,
tem@o; aqui e toda es@a_o .
náo e passado paza uma naçao .
Çuinhentos
Poz isso, nos a compzg
d
endemos no pzesente , na s1ntese pzodigiosa
v 56
pa1. s . "
No seio da tzadiçao tiìosotica ocidenta ì ,
do nosso
desde os
tins do secuìo XVI I , o tatoz tempo ]a apazece as sociado a i
deia de aczescimo e apezteiçoamento , pzenunciando as noçoes
de evoìuçao , c iviìizaçao e pzogzesso . De acozdo com esse
quadzo de zetezencias , o Bzasiì set1a zeìegado
¤
a condiçao
de menoz , de menos evoìuido , cozzesp�ndendo na quaì idade de
povo pzim1tivo , à ' 1ntåncia do civil izado' . Os povos euzo
peus, em Contzapaztida , cozzespondeziam ao "devez sez" do pz_j
· . b7
m1t1vo .
A ideia do Bzasiì~cziança encontza cezto consenso e_
tze as eì ites inteìectuais \zasiìeizas , vindo a se constit_
iz em veztente expzessiva de nossa tzadiçao poìitica . O gzupo
Vezde~Amazeìo a a\sozve e consagza , \uscando , ao mesmo tempo ,
mcditicaz os mazcos vaìozativos que a intozmam. Ou s e j a : ao
b6
b1
SALCADO, Pì1nio . Ceogzatia sentimentaì . Cozzeio Pauìi stano,
10 nov . l927 . p . 3 . A ideia da geogzatia e da espaciaì iza ~
çao do Bzasiì como zetezenciais paza expzimiz a bzasi1ida~
de começa a sez desenvoìvida na decada de 20 atzaves dos
aztigos que o autoz esczeve para o Cozzeio Pauìistano . Em
l93 7 Pì1nio os zeunizia na o\za intituìada Ceo@zafia senti
mentaì .
FURET , Fzançois . L ' ateìiez de ì ' histoize . Pazis , Fìamazion
Citado poz ROUANET , Nazia Beìena . Uma ìitezatuza sentimen-
taì paza neut:aìizaz a subj etividade . Tem@o Bzasiìeizo , ¸ an.
Jmaz . l984 . p . b ~ 6 .
b1
inves de o fatoz tempozaì entzaz como eì emento a\aìizadoz da
supeziozidade na histczia das civiìizaçces , agoza entza o
espaciaì . ° tempo passa a sez as sociado a ideia de esgotame@
to, de czise e passado, enquanto o es_a_o
V
e identificado
¾
a
ideia de pctenciaìidade , de ziqueza e futuzo . Se o czitezio
tempozaì serviu ate entao paza expì icaz a evoìuçao das veìhas
c iviì izaçce s , o es_aciaì vai definiz o Bzasi ì , gazantindo sua
oziginaì idade no quadzo inteznaciona 1 . Chegamos ao ponto n_
vzaìgico da questao : \zasiìidade=espaço, tezzitczio , gecgzg
fia .
No caìoz da hoza , em pìeno modeznismo , os vezde~amaz_
ìos atuaìi ze·u o pensamento de um autoz que foza estigmati~ado
peìo movirc:� to : Afonso Ceìso . Dele zetomam a identificaçao
entze nacionaì isuc e tezzitczio . A extensao tezzitozia1 dc
pais apazece como fatoz detezminante de sua histozia , que seza
sempze gzandiosa pozque deve zeeditaz a epopeia das Bande_
zas . ° mopa do Bzasiì se tzansfotua , no gzande poema nacio
naì , desìocando-se do dominio ¡uzamente geogzá fico
poetico ao tomaz a ' fozma de uma hazpa ' .
b8
paza C
Esta tzansmutaçao do o\j eto impìica sua imediata se¿
timentaìizaçao :
b8
" . . . Ezgo-mo paza o1Iaz o mapa , com amoz . ° sent_
mento da pátzia e uma eucazistia . Cada ponto da ca�
b9
ta geogzafica me evoca uma ìem\zança' .
RTCARDO, Cassiano . Naztìn Cezeze . p . l91 .
b9
SALCADO, Pì inio .
tas . S . Iau1o , Ed .
CeogzaTiO sentimentaI . T n:
¹
~
das Amezica s , ì 9b 4 . v . TV .
52
Sao as

lembzanças que gezam o sentimento da patzia ,
o senso pzotundo de sua unidade , a paz das divezsidades . A
' totaì idade da naçao' � um mist�zio , comunhao pzotunda que
nao pode sez decoditicada peìo intelecto . Esse tipo de pensa
mento que desquaìif ica o uso do inteI ecto vendo~o como pzova
de pouca bzasilidade nos vem desde o romantismo, contozme o
+
` C
» 6
Þ
mostza Lu�s osta L�ma . Nos tzcpicos , e a natuzeza que se
encazzega de pzovocaz o avanço do pcnsamento nacionaI
. E cg
mo isto ocozze? Como a natuzeza da conta desse papeì?
Paza os vezde~amazeìos, a questao se resoìve na geogzatia .
Atzav�s do conhecimento dos acidentes geogzaticos de seu pais
a cziança teu o pzimeizo insi@ht de 1�asilidade .
M
tazendo zios com tinta uzuì e montanhas com ìcp��
m¬z:om, tzaçando tzonteiza� com tinta vezmeìha e pi_¸
tando coqueizos pzimitivos . E tozmando uma id�ia
gza t \ ca do _¸is e amando nessa ti@ure a@ue1a coJsa
va__ e incom_zeensi ve I " ( . . . ) " O nosso gzande poem¯
� ainda o mapa do Bzasi ì " .

o mapa do Bzasiì se tzans tozma em objeto de cuìto c_
vico e po�tico, pozque atzav�s deìe se consegue cziaz o senti
mento nacional . Taì tozmuìaçao evidencia cìazamente a asso
ciaçao entze patziotismo e zepzesentaçao gzatica do
r
pa�s .
Este " sa\ez geogzatico" que encezza a noçao do cizcuìo da
tzonteiza � tipico da escoìa de Juìes Fezzy , que contiazia
v »
a histczia~geogzatia a tazeta de incuìcaz o espizito c�v�co
6
Þ
LTNA ¿ Lui s Costa . D contzoìe do ima@i nazio . zazao e
ginaçao no ocidente . S . Pauìo , Bzasiì iense, I 984 . p .
61
SAICADO , PIinio . Dp . cit . p. 2ì ~2 .
ima~
ì 4 b .
· - . 62 #
Æ
e patz1ct1co . Da1 a entase que os vezde-amazeìos
¬
b 3
contezem
a detesa de nossas tzonteiza s , cujo conceito extzapoìa uma
zepzesentaçao puzamente ] uz1dica paza expzimiz a pzopzia ideia
de naçao : sua economia , poì itica , cuìtuza e espizituaìida
de . o 1nteìectuaì deve se tzans tozmaz em um c idadao~soìdado
ser:ipze aìezta , guazdando as tzonteizas do pa1s contza as inv_
soes
1
.
,
63
a 1en1genas . Sua missao e zesgataz a " tisionomia i_
tezioz da patzia " , que esta na tezza , na l 1ngua e no Bzasiì~
. -
· 64
tezzitoz1c .
Paza expzessaz esse nacionuì ismo inezente ao espaço~
Bzasiì o gzupo zetoma o pensamentc zomåntico

que identitica
bzasiìidade Q natuzeza , vincuìando~� a questao da ident idado
nacionaì . A uma natuzeza sui @ene�is deve necessaziame¬ Lo
cozzesponcoz uma civiìizaçao sui _cnezis , avessa a outzos mod_
los civiìizatozios . A natuzeza se tzans tozma , ass im, em eìe
mento abaì1 zadoz e constzutoz da nacicnaì idade . Obsezvð~
la paza aj:eendez nossa ozigina I ida.de constitui um dos pcSt_
lados zomånticos mai s absozvidos peìos vezde~amazeìos .
Nas esta obsezvaçao , segundo Lu1s Costa Lima , e puza e
tao somente impuIsionada peìo sen timento , sendo destituida
de quaìquez es fozço auto~zetìexivo .
65
No contato com a natu
zeza vivencia~se o extase , da~se a conun!ao totaì com as fo�
ças cosmicas do meio ambiente . o homem deve , entao tundiz~
62
63
64
65
Entzevista de Bezodete a Niche1 Foucauìt . So\ze a
tia . In : Niczofis ica do _odez . Rio de Janeizo ,
I982 . p . ì 6ì .
geogza~
Czaaì ,
Sobze a zeìaçao dos vezde
.
¬amaze1os com o mi1itazismo vez :
CANPOS , Caìazans de . L vezdc~amazeIismo nas caseznas . Coz-
zeir: PauI
·
istano, T 4 out . I921 . p . 4 .
RTCARDO , Cassiano . Nossa tezza e nossa
Pauìistano , B dez . I 92 5 . p . 5 .
LINA, Ju1e Costa . Op . cit . p . I04 .
ì 1ngua .
b4
se com a natuzeza : "vez~se nela como no espeìho dos nossos
zios " .
66
Pìinio Salgado e a1nda mais categczico quando afi_
ma que , ao pintaz um coqueizo, o homem deve tzansfozmaz~ se no
pzcpzio ccqueizo . Nao ha duvidas .
btasiìidade deve sez completa .
A fusao homem~natuzeza~
Coezentes com tal pezspectiva , os vezde~amazelos vaO
cziticaz as demais visoes nacionalista s , notadamente a de Nazi
o de Andzade o espizito de obsezvaçao e a analise sao desca¿
tados como impzcpzios pozque zecozzem as mediaçoes do inteìe�
to . No conhecimento nao deve hav�z mediaçao, mas comunhao :
o sentimento da patzia e uma eucazistia. . . Ds vezde~amazeI os
cons idezav U visao czitica do nacicnaì ismo faìsa poz se zeI_
giaz no � sp: rito da anaì ise , o que denota incapacidade de
cziaz , de ap:eendez , de intuiz . Dai a identificaçao do naci_
naì ismo com o sentimento : eìe deve ser " cozaçao , sangue e ce
zeIzo" .
61
Na constzuçao do nacionaliumo . as categozias do in
teìecto sa� sempze as uìtimas a atuaz . Como na ì itezatura
zomåntica , o impuìso a zefìexao e confudido com " devaneio oci_
50
"
. Ao inves da pesquisa C da auto~zefIexao , o contato d: z_
to com a mae e mestza natuzeza , que fa1a peìa voz da geo�zaf_
a . É eìa que czia a nacionaìidade, fazendo pzevalecez o
es_aciaì sc\ze o tempora I ; ~ e e eìa tam\em que ensina o se_
timento patzictico , mostzando nossas ziquezas natuzais .
ta , poztanto , zendez~se ao fascinio de nosso habitat ,
66
Ba�
int_
RICARDO , Cassiano . O estzangeizo . Cozzeio Paulistano , 2 5
maio ì926 . p . 3 .
67
HÉLIOS
·
Uma carta anti~caqu i . Cozzeio Pau1 istano , 5 fev .
I 926 . p . 2 .
b

b
gzaz~se nele paza sezmos nacionaìistas autenticoS. . .
No debate modeznista , a contzovezsia do nacionaìismo
apazece de fozma c ìaza quando se distingue bzasil idade e
bzasileizismo . Çual das expzessoes sezia a mais adequada paza
oxpzimiz o vezdadeiro sentido do na�ionulismo? A bzasil idg
de , identificada como estado natuzal Oe espÍzito , diz zespe_
to a intuiçao de um sentimento nacional , v�scezaìmente bzas_
.
leizo . Ja o bzasileizismo e associado a sistemas
COS , ì
'
d
68
esco a e pazt1 os .
Ds vezde~amazelos defendem a bzasilidade ,
f iloscf_
azgumentag
do que esta pezmite a comunhao natuzaì do homem com o meio
ambiente . Ao intelectual e des ignada uma missao : cziaz
consciencia nacionaì , zemovendo os obstaculos que dificu1tam
a comunhao hcmem~meio . E quais sezian esses obstacuìos? A
,
·
=J
ideias al ienigenas, o mal da inteìigencia, o mal uzbano . D
espizito citadino de nossas eI ites e vi sto como uma vezdade:za
catastzofe , na medida em que distancio o inteìectual
do Seu
?
pa1S .
Citam como exempìo de intelectual a ì ienado Rui Bazbosa ,
czi ticado peìo seu sa\ez ì ivzesco e inteligencia teczica , fatQ
zes que o teziam izzemediaveìmente a£astado do Bzasiì . Ja
Eucl ideS da Cunha e apontado como modeìo do inteì ectuaì bzg
siìeizo , pozque sua obza faìa do pais, que e zuzaì .
Na ideoìogia do gzupo , a viSao antitetica
zuzaì~uz~
ban o apzece intimamente associada a idéia de espaço e tempo .
68
CASTDLO BRANCO, Adauto .
lì aqo . ì 928 . p . 5 .
Bzasiìidade . Cczzeio Paul i stano ,
b 6
Assim, a cidade encaznazia a noçao de tem_o , pozque sofzezia
a infìuencia do secuìo , enquanto o campo s ignificazia o
�, a infìuencia da tezza e da natuzeza . E sao estas a s
vezdadeizas fozças nacionais. . .
A cidade zepzesenta o cosmopoìitismo, na medida em que
pzojeta o homem no mezcado , distanciando~o da natuzeza . Taì
distanciamento geza tipos faìsos como o homem de gabinete ,
da fabzica e da buzoczacia . E o bzasileizo nao e isto ; sua
mentaì idade e

cai_i
_
a , desuzbanizada e zude . Ds vezde~amazeìoS
considezam C espizito citadino um dos gzandes maìes do Bzasiì
poz tzaiz nossa indoìe pzimitiva H nossas
#
za1. zes zuzais ,
gezando p:oblemas e ideoìogias que nao combinam com a zeaì i0_
de bzasi ìei* ¬ . D fencmeno comunista e apontado como um eX0.
pìo de cozpo estzanho a ozganizaçao do pai s , poi s zepzesenta
zia a ' antecipaçao histozica de um secu1o' . Poz outzo ìado ,
se o espizito citadino adianta pzobìemas , eìe tambem zetazda
soìuçoes [aza as vezdadeizas questoes nacionais . o canga·¿o
·
¯
'
d
69
sez1a um desses pzobìemas nao zesoìv1. os .
D pzognostico sombzio sobze a zeaì idade bzasiìeize
»
e
endezeçada as eìites inteìectuais . Sao eì as, segundo os
·
ve�
de~amazeìos, as zesponsaveis peìo nosso descompasso, tzaduzido
oza na anteci_a_ao de pzobìemas , oza ¬o atzaso em zesoìve~ìoS .
Dxige~ s e, poztanto, uma nova postuza do inteìectuaì :
69
Essas ideiae que consagzam as zaizes zuzaì istas da fozmaçao
bzasiìe iza e a ìeztam paza C pezigo citadino sao e×postas
nos aztigos de Pìinio Sa1gado . Aspectos bzas iìeizos . Coz-
zeio Pau1 i stano, 3 0 ¸ uì . ì9?1 . ¡ . 3 , C de Cåndido Notta Fiì!o .
Paza a co¬quista da tezza . Cozzeio Pauìistano , 4 juì . 1 927 .
p . 5 .
T
57
nao mais o " sabez ìivzesco" , mas o sabez pzatico . Paza co
nhecez sua tezza , o inteIectuaI deveza apzendez @eo_zafia ,
unico sabez capaz de coìoca~ìo em contato dizeto com a zeg
I idade e com os fencmenos natuzais . Taì ideia
#
e defendida
poz PìÍnio Saìgado que , no I ivzo Ceo@zafia sentimentaì¸ nazza
suas viagens peìo Bzasiì . DetaIhe impoztante : ì eva apenas um
I ivzo na bagagem: ° _zobìema nacionaì , de AIbezto Tozzes . E
Pìinio confizma a tese do autoz : o Bzasiì vezdadeizo
V
e z_
zaì. . .
Toda essa zetczica convezge paza um ponto : a uzgencia
de integzaçao intezioz~ì itozaì , espaço~tempo , enfim a busca
da homogeneidade . Se o ì itozaì e d�signado como a pazte fa�
sa do BzasiT , nem poz isso eìe de�e sez esquecido . Uzge naci_
naìiza~ ì o. Í o sezr�o deve comanÖa r esse pzocesso, ou stja ,
deve daz sua aìma a cidade paza em seguida zecebez os benef_
·
' d d ` ì
'

7
0 C10S oz1un os a C1V1 1zaçao . E a aìma bras iìeiza se expr_
me atzaves do foìcìoze , dos cantos nativos e das ìendas , Çue
sao os eìeme·\tos zesponsaveis peìa integzaçao do zuzaì com o
uzbano .
Na ctica dos vezde~amazeìos foi Sáo Pauìo que deu
+ 4
1n�
cio ao pzocesso nacionaìizadoz . Atzaves da epopeia das Ba@
deizas , em pìeno secuìo XVì , o estado paztiu paza a cc,nqui_
ta do tezzitczio, j a estando pzesente nesse evento a pzeocu
paçao com a integzaçao nacionaì :
7
Þ
SALCADO , Pì inio . S . Pauìo no Bzasi I ; czcnicas
ìas . Cozzeio Pau1 istano, 2ì juì . ì92 1 . p . 3 .
vezde~amaz_
58
"A obza de integzaçao nacionaì coube ao nosso Estado ,
cuja açao histczica de saczific ios e abnegaçao , de
ideaìismo e amoz ao mesmo tempo e de visao pzatica e
zeaì izadoza , possibi ì itou C que podemos denominaz a
CDNUNHÄD PDLITICD~SDCIAL BRASILEIRA" .
7 l
Cabe a Sao Paulo, poztanto, coozdenaz
zegionais, asseguzando a comunhao bzasiìeiza .
todas as vozes
Este
#
e o ob]�
tivo do Centzo Paulista , sediado no Rio de Janeizo . Em ì926
a entidade pzomove uma sezie de conferencias sobze o papeì pi_
neizo de Sao Pauìo na fozmaçao do Estado nacionaì . Ds vezde
`
·
amazelos aplaudem a iniciativa azgumentando que a pzovide_
cia histctica havia outozgado aC estaUo este destino , pois [o
za eìe que deìineaza o ' nosso gigantcnco mapa' ' :
2
A associaçao naciona ìismo~teztitczio~hezoismo conSt_
tui uma das bases do ideazio vezde-amazeì o. É atzaves deìa
que sempze HV estabeìeCe a zeìaçao SaoPauìo~bzasiìidade, Sao
Pauìo~Estado nacionaì . Todas as con£ezencias do Centzo Pa�
ìista vao giraz em tozno desse e1xc . A histczia de Sao Pauìo
passa a sez a pzcpzia histczia do Bzasiì , desde a coìcnia
.
d
'
. 7 3
ate os 1as atua1s . E e a geogzafia ptivi ìegiada da zeg_
ao que expìica o seu papeì de vanguazda. . .
Remerotando o que j a foi ditc :
o gzupo Vezde~ Amazeìo
atzibui a oziginaì idade da zede hidzogtat ica pauì ista o papeì~
dizetoz da zegiao no seio da nacionaìidade .
Ds zios expì icam
7l
Id . , ibid .
72
RICARDD, Cass iano . As confezencias do Centzo
20 nov . ì 926
·
¡ . 3 .
Pauìista .
73
Corzei o Pauì i stano ,
As paI estzas do Centzo Pauì ista , zea ìizadas poz Nazcondes
Fiìho , Nenotti deI Picchia , Aì fzcUo Eììis , Robezto Nozei
za e outzos , encontzam~se pubìicndas na obza S . Pauìo e �ua
evoìu_ao . Ric de Janeizo , Cazeto da Boìsa , ì927 .
b9
o tencmeno bandeizante que , poz sua vez , tezia pzopiciado a
integzaçao tezzitoziaì . Da resma tozma , o cì ima tezia poss_
b1ìitado a adaptaçao dos mais divezsos tipos humanos a zegiao .
o gzupo Vezde~Amazelo zevive continuamente a epopeia
das Bandeiza s , mostzando que , desde o secuìo XVT , Sao Pauìo
]a estazia im\uido de uma missao : a Õa 1ntegzaçao tezzitoziaì
e etnica .
¾
D imi_zante se incoz_oza a " a ìma ccìetiva"
No 1ntezioz da ideoìogia mod
·
eznista , o tema da im_
gzaçao gnnne um ìugaz especiaì , marcando sua pzesença nas _
bzas ma is e×pzess ivas do movimentc: basta ìem\zaz a figuzn do
qigante Pietzo~P1etza em Nacuna ima t I928) e da pzeceptoza aì�
ma em Ama vezbo intzansitivo ( 192 7 ) , aìem dos vazios cont. cs
de Aìc�ntara Nachado so\ze os imigzantes itaì ianos em Sao Pa_
l o.
A questao deve sez necessaziamente enfzentada , pois o
que esta em pauta e a constituiçao de um pzo¸ eto de cuìtuza
nacionaì . Çuaì sezia , entao , o papeì do imigzante no novo
contexto? Constituizia eìe uma ameça a nacionaìidade ou um �
ìemento possiveì de sez integzado?
A maiozia dos inteìectua is pauI istas tende a assumiz
a segunda posiçao , nao deixando, no entanto , de mostzaz o cI_
que cuìtuzaì ocasionadc peìa imigzaçao . Nazio de Andzade se
zefeze ao fencmeno da modeznidade pauìista como a ' ' mistuza
epica das zaças " . Ja OSwaìd apcnta Sao Pauìo como c modeìo P.
za se ze¡ensaz a ncssa fozmaçao etnica :
60
' A questao zaciaì cntze nos � uma questao pauìista .
o zesto do pai s , se continuaz conosco , movez~ se~� como
o cozpo que obedece , empos ( sicI do nosso caminho , da
nossa açao da nossa vontade . ' 74
Ds modeznistas cziam uma nova vezsao sobze a nossa fo_
maçao �tnica divezsa da cì�ssica teozia da " tzindade zaciaì "
composta pelo bzanco , o negzo e o indio . Esta teozia , segun
do eìes , apzesentazia uma pzofunda defasagem em zeìaçao a n_
va zeaì idade bzasiì eiza , muito mais compìexa e dinåmica . E
Sao Pauìo sezia o exempìo vivo desse novo Bzasiì . A associg
çao imi_zagac~modeznidade desfzuta ,
[
oztanto , de cezto conse_
UL entze os inteìectuais pauìistas .
A intezpzetaçao dos vezde~aìuuzelos caminha mais ou m¸ e¸
nos na mesma dizeçao : o Bzasiì nao pode sez definido peìo " s e�
vagem antzopof�gico' , poz mestiços misez�veis , "muìatos Þo�
,
zachos " e " mucamas sapecas" .
7 b
Sua zecusa da " tzindade zaciaì "
s e aìia ac combate de uma imagem possimista da nacionaì idade .
Se " o passado nos condena" o futuzo e pzomissoz. . . Nao ba_
#
ta , pozem, associaz a questao da modeznidade a da imigzaçao ;
� necess�zio tozn�~ìa compativeì com a pzoposiçao que se to_
nou sua bandeiza de luta : Sao Pauìo como nucìeo da bzasiì idg
de . Como estabeìecez um nexo entze a id�ia de Sao Pauìo con_
tituiz a zepzesentaçao mais autentica do nacionaì e o fato de
sez o maioz centzo de imigzaçao ? Como defendez os benefic¿
os oziundos da imigzaçao sem entzaz em choque com o naciong
74
7 b
ANDRADE , Dswaìd . Refozma I itezázia
·
Joznaì do Commezcio , I9
maio ì 92I . Citado poz NACBADO , Luis Toìedc . Dp . cit . p . ì 6 .
NDT'IA FlLHD , Cåndido . Litezatura nacionaì . .Tozna1 do Comez-
cio, S . Pauìo, 3 out . ì9 2 I . Citadc poz BRITD, Nazio da Siìva.
Dp . cit . p . ì 7 6~ 77 .
6J
l ismo? Entim, como os vezde~amazelos vao conci liaz seu viz_
lento anticosmopolitismo e seu nacionalismo detensivo com a �
xaltaçao a tiguza do imigzante?
A pzimeiza vista tudo pazece muito contzaditozio . NaS
o gzupo tem uma zesposta : devido ao seu passado glozios o, Sao
Paulo cozpozitica a pzopzia ideia de naçao . Logo , a zegiao e
imune as descazactezizaçoes e ameaças alienigenas . Em outzas
palavzas : em Sao Paulo , o sentimento de \zasil idade
#
e tao to�
te e esta tao pzotundamente enzaizado que se tozna mais taci l
paza o imigzante contagiaz~se poz el e do que exezcez qualquez
açao que lhe se] a pze]udical . Assim, a " alma coletiva" da z�
giao e capaz de homogeneizaz todas as ditezenças zaciais , e_

glo\ando~a� em um todo ozgånico e coeso . A unitozmidade de
valozes ~ como o senso de zeal idade , instinto de expansao eCQ
ncmica e gosto pelascategozias o\]etivas do tza\alho ~ e im¡c_
natuza lmente .
76
ta
Com \ase em tais azgumento� , os vezde~amazelos al�
gam sez despxopositada a czitica dizigida a Sao Paulo ident_
ticando~o Como uma tezza conquistada peìos estzangeizos . R�
veztem a acusaçao : de tezza conquistada , Sao Paulo passa a sez
a tezza conquistadoza , capaz de a\zasileizaz a todos ! Reav_
vando as nossas tzadiçoe s , zevezenciando os nossos cultos
V
C1
vicos e zitual izando a nossa histozia , o estado paulista e o
exemplo mais vivo da \zas ilidade ] unto aos imigzantes.
7
7 6
1 1
CDUTD, Ri\eizo . D es_izito de S . Paulo . Rio
Schmidt, ì 93 2 .
de Janeizo ,
BÉLIDS . Nacionalismo integzaì izadoz . Cozzeio Paulistano , ì9
ago . J 9 2 3 . p . 3 .
62
o gzupo posiciona~se contza o "naci onaì ismo ] acobi
no' que tem como ìema ' D Bzasiì � dos bzasiìoizos ' . Azgume_
tam nao sez necessazia taì afizmaçao, ]a poz demais evidente
na nossa Constituiçao , histczia , no nosso sangue , ì ivzos e di_
7S
cuzsos . D imigzat: te , segundo os vezde~amazeìos , se cazact�
ziza peìo sentimento de integzaçao nð comunidade nacionaì .
Emboza , es vezes , se vezifiquem aìgumas teodencias no sentido
de quebzaz esta unidade ~ como o pzo]eto de ì igas de desce_
dentes itaIianos ~ , eìas nao tem continuidade . Sao apena s v_
Zes isoìadas que ìutam contza os sentimentos patzicticos .

ì �m do mai s , dentze os imigzantes , os itaì ianos
mais se identificam com a nossa nacionaìidade. . .
sao os que
D gzupo defende , entao , o ' nacionaì ismo integzaliz�
Î
doz" , apontando a infIuencia estzanQeiza , se zeduzida ao d�
- ·
. 79
nominadoz cOmum da nacionaì idade , como benef�ca ao pa� s . D
l
migzante � Ccnsidezado sempze como um eìemenLo integzaveì , CA
paz de contzibuiz paza o enziquecimento da naçao .
No bo]o de toda a discussao íica c ìaza uma id�ia :
a positividade de nosso meio, sempze f ìexiveì a absozçao de
novos eìementos �tnicos . É o mito da democzacia zaciaì. . . D
pzobìema do choque cuìtuzaì advindo da miscigenaçao esta foza
de cogitaçao , pois o que pzedomina � a pezspectiva de inte~
gza@ao _acif ica . Assim, entze os vezde~amazeìon , o pzobì�
ma da imigzaçao ganha um tzatanento que o difezencia do co_
7S
79
HÉLIDS . Nocionaìismo pezigoso . Cozzeio Pauìistano ,
19 20 . p . 6 .
4 maic
Essas id�ias sao expostas no Cozzeio Pauì istano poz
nio Saìgado em seus aztigos Nacio:aìismo , 2 ago . l9 2 3 ,
Suave convivio , 2 9 maiO I 923 .p . 3 .
°!Í
e em
63
]unto do ideazio modeznista . Expìicando meìhoz : Q imigzante
pezde sua identidade oziginaì paza se integzaz no "ozganismo
etnoìogico nacionaì " . Vezitica~se quase que uma zeiticaçao
da tiguza do imigzante : eìe se tzanstozma nao so em instzume@
tal da modeznidade , como tam\em da pzopzia \zasiìidade |
Nas vamos poz paztes . Pzimeizo a ideia do imigza@
te enquanto eìemento intzodutoz da modeznidade . Entza aqui a
questao do tza\aìho . Sao Pauìo apazece como exempìo da mode_
nidade pozque toi a pzimeiza zegiao a a\oìiz o tza\aìho esczg
vo, tavozecendo o atìuxo de cozzentes imigzatozias . Nas , n_
te~se \em: nao tozam pzopziamente os imigzantes os
Æ
zesponsa
veis peìa industziaìizaçao pauìista .
`
Paza os vezde~amaze loS,
eìa se e:pìica antes peìo impeto empzeendedoz dos pauì istaS
Í
do que peìo tza\aìho do imigzante; o imigzante toznou~ se tzg
\aìhadoz pozque sotzeu as intìuencias \eneticas do meio . Lo
go, e a herança \ardeizante que expì ica o pzogzesso e a mode_
nidade de SaO Pauìo. . .
o atìuxo de imigzantes na regiao expì ica tam\em c fs
to de o modeznismo tez ocozzido em tezzas paulistas . Devido
ao contato dizeto com os centzos civiìizatozios euzopeus , t_
das as tozmas de pensamento chegam a Sao Pauìo com uma " zapi
dez teìegzatica' . Nais uma vez apazece a ideia do imigzante
enquanto veicuìo de atuaì izaçao e de modeznizaçao da soci�
dade \zas iìeiza . So que agoza em tezmos de cuìtuza . A zev_
ìuçao
estetica so podezia ocozzez, poztanto, em Sao Pauìo ,
pozque ìa estazia se tozmando a nossa vezdadeiza identidg
de . Tdentidade esta que se cazacteziza poz uma compìexidade
pzoveniente da " ze\eìdia incoìa" , da " inquietude
ocidentaì " ,
64
do ' nizvanismo do oziente' e da ' aud�cia dos cow~bo_s e ave@
tuzeizos" .
Ds vezde~amazeìos atzibuem a nova azte bzas iìeiza
uma funçao inadi�veì : zefìetiz a ' tzag�dia bab�l ica da dive_
s idade zaciaì " . bO Taì divezsidade , apesaz de seu aspecto cag
tico, � sempze vaìozizada peìo gzupo poz abzigaz em seu int�
zioz a id�ia de s intese . Se nossa zaça e oziginaìmente hetezo
genea , eìa = ho enea
em sua essencia , pozque obedecemos a ' ' t_
taìidade de um destino'' . . . Tudo deve sez zeduziz ao denom_
nadoz comum da nacionaì idade | A azguaentaçao fica mais cìaza
quando os vezde~amazeìos anunciam o advento do homem novo . D
homem que zeaìiza a s intese pzodigiosa, pois
Æ
zeune em 5 1 a
" soma de virtudes positivas " de todas as zaça s , constituiz�
um dos povos "mais belos
8I
e m�scuìos do mundo' ' . . . É exatame_
te nesse ponto que se d� a azticuìaçao imi_za@ao~bzagi ìidade
via zaça . D abzasileizamento do ir1gzante e uma fataìidade ,
pois os que vem de foza sao absozvidos , pezmitindo , assim, o
enziquecimento do espizito nacionaì .
Em sintese : a doutzina dos vezde-amazeìos conteze e_
peciaì enfase ao papeì dos imigzantes na constzuçao da naci_
naìidade , sendo eìes os zespn�veis peìo pzogzesso industzi
aì pouìista , o evento modeznista e a constituiçao de uma ' nova
zaça . No entanto, toda essa consteìaçao de tatozes pos itivos
sO se sustenta em funçao da psitividade do meio . Tzocando em
miudos : se os imigzantes tzouxezam o pzogzesso e pozque
80
8I
As idei

s que as sociam o tencmeno etnico pauì ista ao mode_
n1smo sao expostas poz Nonotti deì Picchia , em O pzobìema
est�tico em tace do tencmeno �tnico pauìista . Cozzeio Pau~
ìi stano , 7 set . ì922 . p . 2 , H em Poesia Bza s i ì . Cozzeio Pau~
ìista , ì8 maio I 92 5 .
DEL PICCU1 A, Nenotti . A questáo raciaì . Cozzeio Pouìi stan�
l0 maio ì 9 2 ì . p . l .
6b
seincczpczazamac espizitc pauì ista .
Esta vezsac gzandiìg
quente e hezcica dc nacicnalismc vai distinguiz cs vezde~
amazeìcs dcs demais gzupcs mcdeznistas .
o hezci nacicnaì e _auìista |
Ccmc tcdc mcvimentc l itezazic, c mcdeznismc tam\em
czia a tiguza dc seu hezci , inspizada segundc Niìscn Naztins ,
nc tipc zenascentista : atìeticc , tozte , sadic
w 82
e v1gczcsc .
Dai a entase atzi\uida acs espcztes e ac escctismc , que se
l igam dizetamente acs pzc\ìemas de higiene pu\ì ica e de d_
tesa nacicnoì , temas tac cazcs �cs vezde~amazeìcs . Pcz cutzc
ladc, c cuìtc dc espczte e da vida sadia zepzesentaziam, s�
gundc c autcz , uma zeaçac ccntza a "nevzcse" dc sim\cìismc .
Assim, ac inves da \cemia uz\ana ccm cs seus vicics ccntzapz_
ducentes , O vida ac az ì ivze , as viagens peìc intezicz, a fJ
ga dcs centzcs tuz\uìentcs .
Essa tematica apazece ccnstartemente nas czcnicas de
H ì ` \ì ` d I I
'
83
e 10S pu 1ca as pe c Cczze1c Pau iStanc .
Tzata~se de ccnstzuiz c univezsc dc hcmem ncvc , dc
hezci que iza dcminaz c mundc mcdeznc . A hezcizaçac dc sez
nacicnaì ja se manifesta em Juca Nuìatc , que zepzesenta c nc�
sc Hezcuìes : "AgiI ccmc um pcìdzc e tczte ccmc um tcuzc" . E
82
83
NARTTNS, Niìscn . O mcdezn i smc . S . Pauìc ,
CuItzix . p . I 5I .
A zespeitc dc assuntc ccnsuìta z : Heì ics . Esccteizcs . Ccz~
zeic Pauìistanc , I 0 maic I 92 2 . p . 4 .
66
em Naztin Cezeze o Bzasil apazece como o zesultado de uma eQo
peia zealizada poz gigantes .
A visao utanista do gzupo encontza sua vezsao mai s bem
elabozada na ideolog
.
ia do cazatez nacionaì , que vizia s intet_
zar magistzaImente toda uma tzadiç�o utanista do pensamento
politico bzasi leizo . So que com um detalhe : o hezoi nacional
tem sua ozigem em Sao Paulo ! E pozque Sao Pauìo? Azgumento
pzimeizo e unico : devido a hezança bandeizante que possibil_
tou o tencmeno da absozçao etnica . Se as expediçoes bandeiza@
tes integzazam o bzanco, o negzo e o indio, Sao Paulo da decg
da de 20 da continuidade ao ideal integzadoz , , absozvendo ©E
mais vaziaÕas nacionaì idades . Tal

absozçao , contozme j a foi
visto, z�suI tazia em ziqueza tanto em tezmos biogenetico-
quanto cul t � zais . o homem paulista passa a zepzesent¸az, po_
tanto , a ' zaça dos toztes ' . Dai a acaìozada polemica que '0
gzupo tzava contza o cobocìismo cozpozi ticado na tiguza do
Jeca~Tatu.
Tzanspazecem no debate duas gzandes ì inhas ideol_
gicas : a pzimeiza , que identitica o bzasiìeizo como um
tipO nao~homogeneo : nao e o Jeca nem o indio . É o " Bz�siì~
menino" dos cuzumins , dos moìeques de senzaì a, dos itaì ian_
nhos. . . vezdadeizo ' xadzez~etnoìogico' no quaì se entrecz

µ
zam divezsas nacionaìidades . Logo, a ideia do caboclo como
pzototipo da bzasiìidade e taìsa . Ao detendez tal pezspe�
tiva , o gzupo nao esta destituindo o homem do intezioz do seu
pupeì de verdadeizo zepzesentante da nacionaì idade .
o pazame
tzo da autenticidade continua sendo o homem zuza ì ,
Æ
so que , em
novas zoupagens .
Substitui~se a vezsao zealista pela utani�
67
ta : o Jeca~Tatu de Nont�izo Lobato cede lugaz ao Nane Xique~
Xique de Idel fonso Albano . É este caboclo o vezdadeizo �ezoi
nacional que pas sa a cozpozificaz a bzasilidade devido a sua
bzavuza paza enfzentaz as advezsidades do meio e ao
·
seu espi
zito de aventuzo e de conquiS ta . ÐIe zealiza a "epopeia nos
tzopicos" , mOldando o tezzitozio nacional e gazantindo a pz�
¯ d
. .
d b
·
I ` d d
84
sezvaçao o espízíto a zas1 1 a e .
Alguma duvida sobze a semeIhança de pezfil entze
o Nane e o bandeizante? Na doutzina
dos
vezde~amazelos a
f iguza do Nane Xique~Xique vem atualizaz, zefozçaz e taIvez
populazizaz a ideoIogia da gzandiosidade do cazatez nacionaI .
Cozagem, espizito combativo e f izmeza de cazatez modeIam
o pezfiI do hez
_
i nacional zeprese¬tado peIo pauI ista . Tam_
nho ufaninmo levazia o gzupo inevitaveImente a entzaz em chg
que com ideologias ou zepzesentaçoes de cazatez mais
7 .
cz:.t�
co . Como aceitaz G figuza incomoda de um Nacunaima que osc_
la todo o tompo em busca de sua idenLidade? No discuzso Ia_
datozio , O 0uvida e o questionamento se tzansfozmam zapidar: cn
te em acinte e in ]uzia . A poIemica suscitada pela cazicatu
85
za do Juca Pato , cziada poz Belmonte , joznaI ista pauIista ,
i lustza bem o caso . o gzupo vai intezpzeta~ Ia como uma in]�
zia a ' fibza mascuIa dos pauI istas ' . As atitudes constantes
do pezsonagem de abozzecimento , desconfiança e pzotesto,
84
85
RICARDO, Cassiano . Neus hezois . Cozzeio PauI istano, 2 9 dez .
l927 . p . 3 .
A descziçao desse pezsonagem e feita poz Bezman Lima em
Bistozia da cazicatuza do Bzas iI . Rio de Janeizo , J . OIympio ,
I 963 . v . 4 . p . l 368 .
68
seu modo de sez uzbano, suas vestes , entim, toda sua tiguza ,
se coìocam tzontaìmente contza a ideoìogia dos vezde~amazeìos .
Paza o gzupo , Juca Pato nao passa de um dand_ sem cazatez . E
este nao e o povo bzasiìeizo que pzima peìo vigoz e dedicaçao
ao tzabaìho . Assim, e a tzadicionaì imagem do
d
Ze~Povo que
meìhoz tzaduz o bzasiìeizo : cabocìo ingenuo e espezto, tiìg
soto e bonachao, entim, expzessao do tzabaìho , bom humoz e Sa
cziticio .
Esta ideaìizaçao do sez nacionaì e incozpozada peìa
tiguza do pauìista , poztadoz imediato da hezança bandeiza_¸
t e . Sao os ' hezois geogzaticos' que constzoem a bzasiì i
dade. . .
69
CONSIDERAQÕES FINAIS: A geogzafia nos zedime
A questao da bzasil idade constitui um tema obzigatc
zio no de\ate modeznista , mobil izando indistintamente todos
os intelectuais . Como enfzentaz o fatoz difezença? Como e_
plicaz a defasagem Bzasil~mundo? Çue lugaz cabezia ao nosso
pais no concezto das naçoes? Sez meza pzo]eçao ou tez luz
pzcpzia?
Se as indagaçoes sao comuns , as zespostas divezgem.
DswaId sugeze que aceztemos nosso zeIcgio ; Nazio a lezta paza
a necessidade de pensazmos em uma �empozal idade pzcpzia , o
que signifi�a dizez que o BzaSil nao zepzoduz o tempo , maS o
czia de acozdo com uma nova dimensao, que
#
e a sua .
�ente , portanto , que a s ingulazidade zeside no fatoz tem_ozal ,
na descobezta de um novo tempo , do ncsso tempo . Nas esta ide_
Æ
a nao e con-enso . Ds vezde~amazeIos defendem pezspectiva od
vezsa quandc pziozizam o es_a_o como fatoz da nossa s ingulg
zidade . Intezesso ao gzupo zesgataz o Bzasi l~tezzitczio, Õo
mapa e das fzonteizas, das paisagens locais delimitadas pe1a
geogzafia. . .
Definem~se, poztanto, duas visoes antagcnicas sobze a
nacional idade : a pzimeiza , que emezge com o modeznismo ,baseg
da no czitezio tempozal e voìtada paza a contextual izaçao hi�
tczica ( Nazio de Andzade ) ; e a segunda , baseada no czitezio
espacia l , zevelando nitida pzeocupaçao com a geogzafia ( gzupo
Vezde~Amazelo) . Enquanto esta ultima mantem pzesente e atua
l iza a tzadiçao zegionalista, O cozzente de Nazio de Andzade
pzocuza juS tamente zompez com essa pezspectiva ,

apzesentandc
70
novos instzumentais paza zepensaz a nacionaìidade bzasiìeiza .
Ao longo de tzes decadas , a teozia da espacializaçao
do Bzasi l fundamenta o pzo] eto hegemonico dos vezde~amazeìos .
Na decada de 20, a visao da nacionaì idade que
apzesenta Sao
Paulo como nucìeo da bzasilidade chama a polemica
intelectg
ais paulistas e caziocas .
Comp

azando o movimento modeznista
com as expediçoes bandeizantes , os vezde~amazeìos
azgumentam
que os pauì istas sempze se destacazam pelos
seus ideais va@
guazdistas ao se desìocazem paza as outzas zegioes. . .
É bem
significalivo o comentazio que tecem ao visitazem
o Rio de
Janeizo : "Nais uma vez a pzovincia E adianta a metzcpole" . Nas
o que esta em ] ogo e o pzcpzio pzo] eto de hegemonia
paulista .
A desqua ìificaçao empzeendida em zelaçao ao Rio de Janeizo~
pzovincia com azes de metzcpole ~ tozna~se fundamentaì paza a_
seguzaz o ìugaz de Sao Pauìo no seio da nac i onaìidade .
Alem de poìemizazem com os intelectuais caziocas , cs
vezde~amazeìos eìegem tambem os pauIistas como seus intezìoc@
tozes oposicionistas atzaves das figuzas de Nazio e Cswaìd
de Andzade .
W
C confzonto que se estabeìece aqui e de outza n�
tuzeza , decozzente de visoes antagcnicas sobze a nacionaìida
de . A visao es_aciaì do Bzasiì mostza~se aveSsa Ðs infìue@
cias cultuzais exteznas , tendo em vista que o nosso tezzitc
zio e suficientemente zico paza autodesenvolvez~se . Poz o@
tzo lado , o gzupo czitica o zecuzso a um apazato inteìectuaì
paza o conhecimento da naçao , ja que esta se mani festa dizet�
mente na nossa geogzafia e natuzeza . Taì visao geogzafico~
espaciaì da nacionaìidade pode sez s1ntetizada nos seguintes
pzessuposto s :
71
1- A inadequaçao da histozia paza expIicaz o tencm�
no da nacionaI idade \zasiìeiza . Ao contzazio dos demais
#
pa�
ses euzopeus , o BzasiI � ' teito de espaço" . Assim, ao inv�s
de zecozzer ao paz tempo~histozia , zecozze~se ao paz es@a_o~
@eo@zatia .
2- A @eo@zatia , como o instzumento mais adequado pðza
+
e se zetIetiz so\ze a nacionaI idade \zasiìeiza capaz de expI i
caz:
2 . 1- As ozigens do Estado nacionaì
~ a especiticidade da geogzatia pauìista ( dì
zeçao dos zios ) detezmina migzaçoes que
9l
Iatam as tzonteizaS nacionais .
~ poz pazticipazem da contozmaçao geogzafica
do tezzitozio, os \andeizantes sao eIeitos os
tundadozes do Estado nacionaì . Assim, a mg
¤
e IocaIizg tziz da nacionaìidade \zasiìeiza
da em tezzas pauìiatas .
2 . 2- D cazatez zuzaI da nossa civiIizaçao
~ a geog

zatia pauì ista chamou o homem paza o
seztao, onde estao guazdadas as nossas vezdg
deizas zaizes .
A ' voz do Deste' , segundo Pìinio SaIgado ,
+
e o
"caminho pzedestinado da naçao' .
¬ no intezioz , a terza e a natuzeza zegem o
desenvoìvimento. ; na cidade , o tempo . Logo ,
� no intezioz que estao as tozças nacionai s ,
72
po1s ìa dom1na o es@a_o .
2 . 3- A tozmaçao do cazatez nac1onaì
as d1tezenças entze as vaz1as zeg1oes bzas_
Ie1zas estabeìecem d1tezentes t1pos de pezsong
ìi dade que zetìetem sempze os cond1c1oname@
cos geogzat1cos : m1ne1zo e 1ntzovezt1do ( mog
tanhas I : caz1oca e d1spezs1vo ( mazI ;
e empzeendedoz ( z1o T1ete I .
pauì1sta
Dbs : Nessa veztente de anaì1se 1ncìuom ~
se autozes dos ma1s vaz1ados gzupos
como '¡z1stao de Athayde e Feznando
de Azevedo .
~ apesaz das d1vezs1dades zeg1ona1s pzedom_
na um ethos nac1onaì , que e o bande1zante . Na
quaì1dade de povo p1one1zo , o bzas1ìe1zo criou
o hab1to do tzabaìho , o gosto peìo empreend1
mento . Aìem do ma1s , e aìtzuista e destem1do ,
sempze d1sposto a entzentaz
do me1o .
2 .
4
- A cont1guzaçao etn1ca do povo
as advezs1dades
bzas1ìe1zo :
- a geogzat1a pauì 1sta , zesponsaveì peI a 1nt_
z1oz1zaçao, absozveu d1tezentes
cos , 1ntegzando~os na bande1za .
~ dessa expez1enc1a oz1g1nou~s e
gzupos
um
nucìeo nac1onaì pzonto

paza ass1m1ìaz
etn1
scì1do
novas
7 3
etn1as . Ass1m, a nossa hetezogene1dade nao
Æ
e
um pzobIema , mas um tziunto . A im1gzaçao nao
const1tui ameaça a nacionaI1dade , po1s hezda
mos do bandeizante a capacidade de assimiIaz,
e sobzetudo de ozdenaz .
2 . 5- A histoz1a como decozzenc1a da geogzat1a :
se a geogzatia toi o moveI pzopuIsoz da ng
c1onaI1dade bzas1Ie1za , asseguzando~Ihe gza@
Æ
d1os1dade, a h1stozia so cabe estaz a sua
aItuza. . .
~ a h1stoz1a de Sao
`
PauIo , tzuto da geogzatia ,
é a h1stoz1a da naçao bzasiIe1za . A matziz
da nac1onaIidade tzas1Ie1za
Æ
e o paIco em que
vai desenvoIvez a h1stozia oziginaI . A ind�
pendencia , as mazgens do Ipizanga , nao aco_
teceu poz acaso. . .
~ o pezcuzso das cxp�d1çoes bande1zantes se
tzanstozma no pezcuzso da pzopz1a bzas iIidg
de : Sao PauIo~BzasiI~Sao PauIo . A vanguazda
pazte sempze de Sao PauIo paza as dema1s z�
g1oes bzas1Ie1zas. . .
3- A azt1cuIaçao entze a 1deoIo_1a utanista e a v1~
sao _eo@zatico~es_aciaI da nacionaIidade
~ poz sez tzopicaI , a natuzeza no Bzas1I nao
pode sez compazada com a dos outzos paises .
EIa adquize aqui tozça impaz , iUteztezindo
·
d_
7
4
zetamente no nosso pzocesso civil izatozio .
~ a natuzeza e ambigua . De um lado , ela zepz�
senta a opulencia, a exubezåncia, a pzodig@
lidade . Devido ]ustamente a
de excesso que a zege, ela
+
e
. v .
esse pzi. nc1pl o
tambem zebeìde ,
ou se] a, czia obstaculos a conquista humana
I doenças tzopicai s , enchentes , solo intzatj
vel etc . ) .

~ a natuzeza e , poztanto, um desatio a sez
entzentado pelo homem. Fazez
·
pzevalecez seu
lado dadivoso zequez estozço hezculeo . A con
quista se tzans tozma , entao, numa vezdadelza
"epopeia tzopical ' . Dai a " zaça de gigntes' O
o ' Bzasil dos hezois' . . .
+
~ a natuzeza so pode sez domada atzaves do
tzabalho . Se a tezza e "violenta

e tzique_
za" , o homem deve aìiaz~se a e la , modit1cag
do~a pelo seu tzabaìho . Ao inves de sez ob
]eto de contempìaçao e tzuto do pzovidenci@
l ismo , a natuzeza e sobzetudo ob]eto da tzan_
tozmaçao humana .
Dbs :
Este ponto de vista
×
e detendido
poz Cassiano Ricazdo e Nenotti deI
Picchia , que cziticam o nacionaIi_
mo exaltado de Atonso Celso . Ja
Pl in
_
o Saìgado o detende , azgume@
tando sez o utanismo a ideoìogia
. 75
mai s suscetiveI de sensibiIizaz as
muItidoes .
~ a natuzeza e o canal mai s adequado paza se
cziaz o sentimento patziotico , pois tala dize
tamente ao homem: e a sua Iinguagem pzimo�
dial . Poz isso a Ceo@zatia sentimental de
PIinio , que dispensa a pesquisa etnogzatica ,
tipo Nazio de Andzade , paza zegistzaz os sent_
mentos evocados pelas paisagens. . . Dispensando
as mediaçoes do intelecto , evitando os pezi
gosos meandzos da zetlexao, chegamos ao utani�
mo• • •
Estas sao algumas das ideias que cor¡oem a doutzina
dos vezde~amazelos . Na zealidade , sua ideologia esta bem mais
enzaizada na nossa histozia do que supomos . Ela se encontza
disseminada nas l inhas e entzelinhas dos nossos pzo]etos
PQ
liticos e dos nossos manuais escoIazo s ; apazece volta e meia
nos discuzsos de pazlamentazes utaristas , chegando mesmo a de�
tzutaz de cezto consenso entze os mais desavisados . A ideia do
"Bzasil gzande" seguida do impezativo "Ame~o ou deixe~o" nao
e mais do que uma ¸ zeinvençao dessa ideologia .
Como expl icaz tal podez de aceitaçao ou tal zecoz
zencia? Poz que a visao espacial do Bzasil casa tao bem com o
utanismo?
A zeconstituiçao da nossa histozia pode otezecez uma
zesp osta . De modo gezal , os nossos histoziadozes tzansmitem
76
uma v1sao amazga do passado . A 1de1a de um "Bzas1I ezzado"
apazece quase sempze nas zecons t1tuiçoes h1stoz1cas . Fozma
mos um pais de mest1ços e anaìfabetos , sofzemos a extozsao
da metzopoì e, nossos anse1os de ì1bezdade fozam bazzadoS. . .
I sto nos diz a histoz1a . Nas a geogzat1a faìa uma outza Iin
guagem: a da gzandiosidade . Entao , ha poz que se ufanaz do
Bzas1ì | Seu gigantesco mapa , sua natuzeza exubezante , sua flo
za e fauna , sua geogzafia poet1ca ( o mapa do Bzasi ì viza har
pa ) .
É pezfeita a conjugaçao geogzafia~ufanismo . Se o te_
zeno da histozia esta minado peìo pess1m1smo, se neìe nao cª
bem as ìoas e gìozias , e necessazio de¬ìocaz-se entao paza a gE:2
gzafia . Basta ìembzaz os " hezois geogzaf1cos " de Cas· iano
R1cazdo. . .
Na geogzafia as co1sas faìam poz S 1
#
so . A ì inguagem
da natuzeza nao envo1ve a tzama das açoes huuanas. . . Este ca_
po e ìivze , poztanto , paza o que se Uesej a constzuiz. Poz
1sso a geogzafia serve tao bem ao utenismo . Se a histozia nos
condena , a gecgza fia nos zedime. . .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful