PRIMEIROS SOCORROS

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Este  material  é  parte  integrante  da  disciplina  “Primeiros  Socorros”  oferecido  pela  UNINOVE.  O  acesso  às  atividades,  as  leituras  interativas,  os  exercícios,  chats,  fóruns  de  discussão  e  a  comunicação  com  o  professor  devem  ser  feitos  diretamente no ambiente de aprendizagem on­line.

PRIMEIROS SOCORROS 

Sumário 

AULA 01 • PRINCÍPIOS GERAIS SOBRE PRIMEIROS SOCORROS ............................................6  Definição .....................................................................................................................................6  Obrigações e Responsabilidades do Socorrista.......................................................................6  Omissão de Socorro....................................................................................................................6  Consentimento formal..................................................................................................................7  Consentimento implícito ..............................................................................................................8  Direitos do paciente.....................................................................................................................8  Segurança da Vítima e do Socorrista (Biossegurança)............................................................9  Exercícios....................................................................................................................................9  AULA 02 • AVALIAÇÃO DA CENA DE EMERGÊNCIA (LOCAL DA OCORRÊNCIA)......................11  Exercícios..................................................................................................................................13  AULA 03 • ANATOMIA E FISIOLOGIA DO CORAÇÃO..................................................................14  Exercícios..................................................................................................................................16  AULA 04 • INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO ............................................................................18  Principais fatores de risco:.........................................................................................................19  Parada Cardíaca .......................................................................................................................20  Exercícios..................................................................................................................................21  AULA 05 • CORRENTE DA SOBREVIVÊNCIA..............................................................................23  Exercícios..................................................................................................................................25  AULA 06 • O SUPORTE RESPIRATÓRIO.....................................................................................26  As cânulas orofaríngeas (“Guedel”): ..........................................................................................27  Avaliação da respiração ............................................................................................................29  Os Dispositivos de Barreira .......................................................................................................30  Exercícios..................................................................................................................................31  AULA 07 • O SUPORTE CIRCULATÓRIO.....................................................................................33  A eficácia da RCP......................................................................................................................35  Exercícios..................................................................................................................................36  AULA 08 • DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO (DEA) ...................................................37  A parada cardíaca em crianças .................................................................................................39  Exercícios..................................................................................................................................40  AULA 09 • COMO OPERAR UM DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO............................41  Cuidados especiais no uso do DEA...........................................................................................42  Tórax molhado ..........................................................................................................................43  Superfície metálica ....................................................................................................................43  Pêlos excessivos no tórax .........................................................................................................43  O controle emocional nas emergências.....................................................................................44  Exercícios..................................................................................................................................46  AULA 10 • REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP) EM CRIANÇAS ......................................47  RCP em lactentes (idade entre 0 a 1 ano) .................................................................................48  Se a respiração estiver ausente:............................................................................................48  Se a pulsação estiver ausente:..............................................................................................49  RCP em crianças (idade entre 1 a 8 anos) ................................................................................50  Exercícios..................................................................................................................................51  AULA 11 • OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE)....................52  OVACE em vítimas inconscientes..............................................................................................54  Exercícios..................................................................................................................................55  AULA  12  •  OBSTRUÇÃO  DAS  VIAS  AÉREAS  POR  CORPO  ESTRANHO  (OVACE)  EM  CRIANÇAS....................................................................................................................................57

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Prevenção do Engasgo (OVACE) ..............................................................................................57  Desobstrução das Vias Aéreas em Crianças Conscientes ­ Idade entre 1 a 8 anos ..............57  Desobstrução das Vias Aéreas em Bebês Conscientes ­ Idade entre 0 a 1 ano ....................59  Exercícios..................................................................................................................................60  AULA 13 • HEMORRAGIAS ..........................................................................................................61  Exposição da Vítima..................................................................................................................62  Exercícios..................................................................................................................................63  AULA 14 • TRAUMA ......................................................................................................................64  Técnicas de imobilização:..........................................................................................................65  Exercícios..................................................................................................................................68  AULA 15 • A COLUNA CERVICAL.................................................................................................69  Como retirar o capacete da vítima .........................................................................................71  Técnicas de transporte de vítimas em prancha longa................................................................73  Técnica do rolamento: ...........................................................................................................73  Elevação a Cavaleiro:............................................................................................................74  Técnicas de aplicação da prancha longa com a vítima em pé: ..................................................74  Exercícios..................................................................................................................................76  AULA 16 • TRAUMATISMO CRÂNIO­ENCEFÁLICO / TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR...........77  O atendimento...........................................................................................................................79  Exercícios..................................................................................................................................80  AULA 17 • EMERGÊNCIAS CLÍNICAS I .......................................................................................82  Distúrbios causados pelo calor: .................................................................................................82  Exaustão pelo calor ...................................................................................................................82  Intermação ................................................................................................................................83  Câimbras Causadas pelo Calor .................................................................................................84  Distúrbios da Pressão Arterial....................................................................................................84  Queda de Pressão Arterial (hipotensão) ....................................................................................86  Aumento da Pressão Arterial (emergências hipertensivas)........................................................88  Conduta nos casos de urgências e emergências hipertensivas:................................................89  Hipoglicemia..............................................................................................................................89  Exercícios..................................................................................................................................90  AULA 18 • EMERGÊNCIAS CLÍNICAS II.......................................................................................92  Convulsões................................................................................................................................92  Acidente Vascular Cerebral (AVC) .............................................................................................94  Isquêmico ..............................................................................................................................95  Hemorrágico ..........................................................................................................................95  Intoxicações agudas..................................................................................................................96  Asma – Broncoespasmo............................................................................................................98  Exercícios..................................................................................................................................99  AULA 19 • QUEIMADURAS ........................................................................................................101  Classificação ...........................................................................................................................102  Extensão: ................................................................................................................................102  Vapores, gases e fumaça – Lesão por inalação.......................................................................103  Queimadura por calor:.............................................................................................................104  Queimaduras químicas............................................................................................................105  Queimadura química nos olhos: ..........................................................................................105  Queimadura elétrica ................................................................................................................106  Casos que requerem avaliação médica imediata:................................................................106  Eletricidade..............................................................................................................................106  Exercícios................................................................................................................................107  AULA 20 • MORDEDURAS E PICADAS .....................................................................................108  Mordeduras de animais: ..........................................................................................................108  O que fazer em caso de mordedura de animais:..................................................................109

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Mordeduras de cobras:........................................................................................................109  Acidentes ofídicos registrados: ............................................................................................109  Prevenção de acidentes ofídicos .........................................................................................110  Sinais de envenenamento em acidentes ofídicos ................................................................110  Picadas de insetos: ................................................................................................................. 111  Mordeduras de aranhas e escorpiões:.....................................................................................112  Carrapatos:..............................................................................................................................112  Exercícios................................................................................................................................113  BIBLIOGRAFIA ...........................................................................................................................114

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Esta primeira aula tratará dos princípios gerais em primeiros socorros, em que serão  abordados os conceitos gerais sobre o assunto de forma a posicionar o aluno com relação às  questões legais previstas no código penal brasileiro, que falam a respeito das responsabilidades,  direitos e deveres do socorrista, assim como os direitos do paciente (vítima). A aula ainda segue  explanando o assunto da biossegurança, que nos traz informações importantes sobre a proteção  individual do socorrista. 

AULA  01  •  PRINCÍPIOS  GERAIS  SOBRE  PRIMEIROS  SOCORROS 

Definição 
Tratamento  imediato  e  provisório  ministrado  a  um  acidentado  ou  doente,  executado  por  qualquer pessoa, geralmente no próprio local, para garantir a sua vida e evitar o agravamento das  lesões  existentes.  Tal  atendimento  dura  até  que  a  vítima  seja  confiada  a  cuidados  de  equipes  especializadas ou atendimento médico definitivo. 

Obrigações e Responsabilidades do Socorrista 
Estabelece o Código Penal brasileiro: 

Omissão de Socorro 
Artigo  135  –  CP  ­  “Deixar  de  prestar  assistência,  quando  possível  fazê­lo  sem  risco  pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou  em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública”.  Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses ou multa.  Parágrafo único. A pena é aumentada a metade se da omissão resulta lesão corporal de  natureza grave, e triplicada se resulta a morte.

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Uma  vez  que  você  tenha  parado  para  auxiliar  uma  pessoa  doente  ou  ferida,  legalmente  iniciou­se  o Atendimento  Pré­hospitalar.  Você,  agora,  tem  o  dever  de  prestar  o  atendimento  de  acordo  com  o  seu  nível  de  treinamento.  Se  você  sair  do  local  antes  da  chegada  do  pessoal  qualificado, como o do serviço de Resgate do Corpo de Bombeiros, considerar­se­á que houve o  abandono da vítima.  Lembre­se  de  que  você  não  foi  treinado  para  elaborar  um  diagnóstico  médico  ou  para  predizer as condições de estabilidade do paciente; é necessário acompanhá­lo até a chegada do  pessoal qualificado.  Você  também  não  deverá  sair  do  local  com  a  chegada  de  um  Socorrista  com  o  mesmo  nível  do seu  treinamento.  O  paciente pode piorar  e  seus  problemas  serão  melhores  conduzidos  com a presença de dois socorristas.  Informe  sempre ao  Socorrista, ou  à  equipe  especializada  que  lhe  suceder,  os  resultados  obtidos na avaliação inicial da vítima e qual assistência lhe foi prestada. 
Deve o socorrista agir em conformidade com as técnicas de atendimento pré­hospitalar  estabelecidas  para  o  seu  nível  de  treinamento,  estando  ciente  de  que  poderá  ser  responsabilizado nos casos de:  1)  Negligência:  deixar  de  executar  medidas  de  atendimento  pré­hospitalar  previstas  para a condição do paciente;  2) Imperícia: executar procedimentos acima de seu nível de treinamento – próprios da  área médica – ou para o qual não foi devidamente habilitado;  3) Imprudência: não seguir adequadamente os padrões de atendimento ou executá­lo  sem o devido zelo, promovendo o agravamento do problema existente.

Consentimento formal 
Um  paciente  adulto,  quando  consciente  e  com  clareza  de  raciocínio,  poderá  dar  o  consentimento formal para a assistência. 

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Esse  consentimento  é  habitualmente  expresso  verbalmente.  O  paciente  deverá  ser  informado  de  que  você  é  um  socorrista,  com  treinamento  em  Atendimento  Pré­  hospitalar. Além disso, é importante que o paciente saiba:  1) A identificação do Socorrista;  2) Por que determinados cuidados são necessários;  3) Os procedimentos que estão sendo realizados.

Consentimento implícito 
Nas  situações  de  emergência  em  que  o  paciente  esteja  inconsciente,  confuso  ou  gravemente ferido,  é  impossível  obter  o  consentimento  do  paciente, e  o Socorrista  deve prestar  imediatamente  a  assistência.  A  legislação  infere  que  o  paciente  daria  o  consentimento,  caso  tivesse  condições  de  expressar  o  seu  desejo  de  receber  os  cuidados  e  o  tratamento.  O  consentimento  implícito pode  ser  adotado  também  nas  situações  de  acidentes com  menores  de  idade desacompanhados dos pais ou responsáveis legais. 

Direitos do paciente 
Como  Socorrista,  você  não  poderá  prestar  cuidados  de  emergência  a  um  paciente  e  depois comentar os detalhes do atendimento com seus amigos, familiares, colegas de trabalho ou  pessoas da comunidade (incluindo imprensa ou outros órgãos de comunicação).  Você  não  deverá  identificar  o  paciente,  dizendo  o  nome  dele  e,  ao  comentar  sobre  o  acidente,  não  deverá  repetir  o  que  foi  dito  pelo  paciente  ou  descrever  um  comportamento  inadequado ou qualquer aspecto da aparência pessoal. Ao cometer essa falta, você transgrediria  a privacidade do paciente, quebrando o sigilo.  A  necessidade do  sigilo  não  se aplica  quando o Socorrista  é  questionado pelos  policiais,  pessoal  do  Resgate,  médico  responsável  pelo  atendimento  do  paciente  ou  ao  testemunhar  em  cortes  judiciais.  Poderá  ser  solicitado  que  o  socorrista  relate  as  informações  obtidas  junto  ao  paciente ou acompanhantes. 

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Segurança da Vítima e do Socorrista (Biossegurança) 
A  primeira  preocupação  do  Socorrista,  no  local  da  emergência,  é  com  a  sua  segurança  pessoal. O desejo de ajudar as pessoas que têm necessidade de atendimento pode favorecer o  esquecimento dos riscos no local.  Você  deverá  ter  certeza  de  que  está  em  segurança  ao  aproximar­se  da  vítima,  e  que  permanecerá em segurança enquanto prestar o atendimento.  Parte das preocupações do Socorrista com a sua segurança pessoal está relacionada com  a própria proteção contra as doenças infecciosas.  Como  Socorrista,  avaliando  ou  prestando  atendimento  às  vítimas,  você  deverá  evitar  contato  direto  com  o  sangue  do  paciente,  fluídos  corpóreos,  mucosas,  ferimentos  e  queimaduras.  Para a proteção pessoal é preciso usar:  • Luvas apropriadas de vinil ou de látex;  • Máscara facial de bolso, com válvula e filtro para os procedimentos de ventilação artificial  ou  outro  tipo  de  máscara  que  impeça  o  contato  com  microorganismos  veiculados  pela  respiração da vítima;  •  Óculos  protetores  para  evitar  o  contato  dos  olhos  com  respingos  de  fluidos  corporais  durante certos procedimentos;  •  Aventais  e  máscaras  faciais  descartáveis  são  outros  itens  importantes  na  proteção  individual em determinadas ocasiões. 

Exercícios 
1.  Por  definição,  Primeiros Socorros  trata  do  atendimento imediato  e provisório  ministrado a um  acidentado  ou  doente,  executado  por  profissionais  da  área  da  saúde,  geralmente  no  próprio  local, para garantir a sua vida e evitar o agravamento das lesões existentes.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. A primeira preocupação do socorrista, no local da emergência, é com a sua segurança pessoal.  Essa  preocupação  está  somente  relacionada  com  o  uso  de  equipamentos  de  proteção  individual contra as doenças infecciosas.  Pode­se dizer que essa idéia está:

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a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. Por definição, Primeiros Socorros trata do atendimento imediato e provisório ministrado a um acidentado ou doente, executado por  profissionais da área da saúde, geralmente no próprio local, para garantir a sua vida e evitar o agravamento das lesões existentes.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa  afirmação  está  incorreta, já que qualquer pessoa  pode  prestar atendimento  em Primeiros Socorros desde que tenha  o  prévio  treinamento.  2. A primeira preocupação  do socorrista, no local  da  emergência,  é com  a sua segurança  pessoal.  Essa  preocupação  está somente  relacionada com o uso de equipamentos de proteção individual contra as doenças infecciosas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa idéia realmente está incorreta, já que o socorrista deverá, em primeiro lugar, ter certeza de que o local está em segurança, ao  aproximar­se da vítima, e que permanecerá em segurança enquanto presta o atendimento.

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Nesta aula, aprenderemos que, antes de tentar ajudar alguém, precisamos realizar a  avaliação do cenário, que significa avaliar e reconhecer os riscos aos quais podemos estar  expostos ao socorrer uma pessoa, seguindo os passos básicos para uma avaliação correta e  segura da cena. A aula também nos mostra a importância do uso de equipamentos individuais de  segurança para evitar contato direto com substâncias que possam transmitir doenças infecciosas,  como sangue, urina, fezes, vômito, saliva, etc. 

AULA  02  •  AVALIAÇÃO  DA  CENA  DE  EMERGÊNCIA  (LOCAL  DA OCORRÊNCIA) 
O socorrista deve reconhecer os riscos, aos quais está exposto ao socorrer uma pessoa,  seguindo os passos básicos para uma avaliação correta e segura da cena, além de ter o hábito de  utilizar itens de proteção individual antes de iniciar o atendimento propriamente dito.  É  fundamental  evitar  contato  direto  com  substâncias  que  possam  transmitir  doenças  infecciosas,  como  sangue,  urina,  fezes,  vômito,  saliva,  etc.  No  entanto,  não  são  apenas  as  doenças  infecciosas  que  representam  perigo  ao  socorrista.  É  necessário  evitar  ou  eliminar  os  prováveis agentes causadores de lesões ou agravos à saúde, como fogo, explosão, eletricidade,  fumaça,  água,  gás  tóxico,  tráfego  (colisão  ou  atropelamento),  queda  de  estruturas,  ferragens  cortantes, materiais perigosos, etc.  Para que o socorro siga de forma segura, antes mesmo de se examinar a vítima, o local  deve ser cuidadosamente e sistematicamente avaliado. Por isso, é fundamental fazer a "avaliação  da  cena".  Esta  deve  ser  constante  e  não  apenas  no  primeiro  momento,  pois  os  fatores  podem  alterar­se com facilidade e rapidez.

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Três passos para avaliar uma cena:  1) Qual é a situação? (estado atual): consiste na identificação da situação em si. O que  está ocorrendo, o que o socorrista vê.  2)  Para  onde  vai?  (potencial):  análise  de  como  a  situação  pode  evoluir.  Por  exemplo:  combustível  derramado  que  pode  explodir,  um  fio  energizado,  fogo  que  pode  se  alastrar, um veículo que pode rolar um barranco, etc.  3)  O  que  fazer  para  controlar  a  situação?  (operação  e  recursos):  identificação  dos  recursos  disponíveis  a  serem  empregados  e  dos  extras  a  serem  solicitados  para  atender adequadamente a situação.

Esses passos devem ser seguidos sempre nessa seqüência para a segurança no socorro  às vítimas.  Após uma rápida análise do local e tomadas as precauções para sua segurança:  Verifique o nível de consciência da vítima, tocando­a gentilmente e chamando­a em voz  alta. 

Caso a resposta seja negativa, acione o serviço médico de emergência o quanto antes  informando que você está com uma vítima inconsciente.  Passe o endereço, uma referência do  local,  seu  número  de  telefone,  número  de  vítimas,  enfim,  tudo  o  que  for  perguntado  por  quem  estiver do outro lado da linha. 

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Se outras pessoas estiverem próximas, peça para alguém acionar o socorro ligando para:  • 192 – SAMU ;  • 193 – Resgate ;  • Número do ambulatório local;  • Convênio médico da vítima;  •  Número  de  emergência  estipulado  no  local  de  ocorrência  (em  empresas,  geralmente,  existe um número interno que aciona toda a equipe de emergência). 

Exercícios 
1. Para que o socorro siga de forma segura, antes mesmo de se examinar a vítima, o local deve  ser  cuidadosa  e  sistematicamente  avaliado.  Por  isso,  é  fundamental  fazer  a  "avaliação  da  cena".  Esta  deve  ser  realizada  apenas  no  primeiro  momento,  pois  os fatores de  risco  não  se  alteraram com facilidade e rapidez.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  O  primeiro  passo  ao  se  aproximar  da  vítima  é  verificar  o  nível  de  consciência,  tocando­a  gentilmente  e  chamando­a  em  voz  alta.  Caso  a  resposta  seja  negativa,  inicie  o  mais  rápido  possível as manobras de RCP, em seguida acione o serviço médico de emergência.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1.  Para  que  o  socorro  siga  de  forma  segura,  antes  mesmo  de  se  examinar  a  vítima,  o  local  deve  ser  cuidadosa  e  sistematicamente  avaliado. Por isso, é fundamental fazer a "avaliação da cena". Esta deve ser realizada apenas no primeiro momento, pois os fatores  de risco não se alteraram com facilidade e rapidez.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  De fato  essa colocação  está incorreta, pois  a "avaliação da cena" deve ser constante  e não  apenas  no  primeiro  momento, pois  os  fatores podem alterar­se com facilidade e rapidez.  2.  O  primeiro  passo  ao  se  aproximar  da  vítima  é  verificar  o  nível  de  consciência,  tocando­a  gentilmente  e  chamando­a  em  voz  alta.  Caso  a  resposta  seja  negativa,  inicie  o  mais  rápido  possível  as  manobras  de  RCP,  em  seguida  acione  o  serviço  médico  de  emergência.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa  idéia  está  errada,  pois,  no  caso  de  verificação  de  inconsciência,  a  prioridade  é  o  acionamento  do  serviço  médico  de  emergência e imediatamente após as manobras de RCP.

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Qualquer pessoa que queira entender as técnicas de primeiros socorros deve ter o  conhecimento básico em anatomia e fisiologia do corpo humano. Essa aula fala sobre a anatomia  e fisiologia de um dos principais sistemas vitais de nosso corpo: o sistema cardiovascular.  Entenderemos ainda a fisiopatologia da aterosclerose, uma das doenças cardíacas que mais  comumente afeta esse sistema. 

AULA 03 • ANATOMIA E FISIOLOGIA DO CORAÇÃO 
O coração é um órgão essencialmente muscular. Em seu interior existem quatro câmaras  que têm a propriedade de se contrair expelindo seu conteúdo: o sangue.  A contração das fibras musculares depende da passagem de impulsos elétricos por elas.  Esses  estímulos  são  gerados  em  uma  estrutura  especializada  denominada  nó  sinusal,  que  se  localiza  em  uma  determinada  região  do  coração.    Os  impulsos  elétricos  percorrem  o  órgão  em  sentidos definidos fazendo com que ele se contraia de forma coordenada e rítmica, bombeando  sangue para o corpo. 

O coração e seus feixes especializados para condução dos estímulos elétricos. 

Do  coração  saem  vasos  sangüíneos  (artérias)  que  vão  se  distribuindo,  formando  ramos  cada  vez  menores  denominados  capilares  que,  por  sua  vez,  se  espalham  até  as  células  mais

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distantes do organismo para irrigá­las com o sangue.  A seguir, vão se unindo em ramos cada vez  maiores, formando as veias, que levam o sangue de volta para o coração. 

Isquemia  é  a  falta  de  oxigênio  nas  células  por  uma  interrupção  da  irrigação  sangüínea.  Os  diversos  órgãos  de  nosso  organismo  apresentam  tolerâncias  distintas  a  essa  situação.  O músculo esquelético (dos braços e das pernas, por exemplo) tolera cerca de 6 horas de  isquemia, isto é, após esse período inicia­se o processo de morte celular. Por outro lado, a pele  agüenta mais tempo: cerca de 12 horas.  As  regiões  mais  nobres  do  nosso  corpo  são  as  mais  frágeis  nos  casos  de  isquemia.  O  músculo  cardíaco  começa  a  morrer  depois  de  20  minutos  se  não  receber  sangue,  enquanto  as  células nervosas não resistem por mais de 5 minutos! 

Ponto de isquemia no coração 

Após 5 minutos...os danos no cérebro podem ser irreversíveis!!!  Diferentemente de muitas células do nosso corpo, as células nervosas não se regeneram,  isto  é,  se  uma  região  do  cérebro  morre,  isso  é  irreversível  e  a  vítima  poderá apresentar  graves  seqüelas. Por isso, o socorro deve ser realizado o quanto antes.
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O coração é irrigado por duas artérias chamadas coronárias que, ao longo dos anos, são  submetidas  a  um  processo  lento  e  progressivo  de  obstrução  em  um  evento  denominado  aterosclerose.  Outras  artérias  do  organismo  como,  por  exemplo,  as  que  irrigam  o  sistema  nervoso, também podem ser obstruídas, provocando um acidente vascular cerebral (derrame).  Muitas evidências sugerem que a formação da placa aterosclerótica inicia­se já na infância. 

Como podemos notar na figura acima, a parede da artéria fica cada vez mais espessa em  função  de  depósitos  de  colesterol  sobre  ela,  que  desencadeiam  complexas  reações  locais  que  amplificam o processo, provocando um aumento da camada obstrutiva. 

Exercícios 
1.  Isquemia  é  a  falta  de  oxigênio  nas  células  por  uma  interrupção  da  irrigação  sangüínea.  Os  diversos  órgãos  de  nosso  organismo  apresentam  tolerâncias  distintas  a  essa  situação.  O  músculo cardíaco começa a morrer depois de 20 minutos se não receber sangue, enquanto as  células nervosas não resistem por mais de 5 minutos!  Pode­se dizer que essa colocação está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  O  processo  da  aterosclerose:  trata­se  de  um  evento  lento  e  progressivo  de  obstrução  das  artérias.  Muitas  evidências  sugerem  que  a  formação  da  placa  aterosclerótica  só  se  dá  por  conta do envelhecimento.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.

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Respostas dos Exercícios 
1.  Isquemia  é  a  falta  de  oxigênio  nas  células  por  uma  interrupção  da  irrigação  sangüínea.  Os  diversos  órgãos  de  nosso  organismo  apresentam  tolerâncias  distintas  a  essa  situação.  O  músculo  cardíaco  começa  a  morrer  depois  de  20  minutos  se  não  receber  sangue, enquanto as células nervosas não resistem por mais de 5 minutos!  Pode­se dizer que essa colocação está:  RESPOSTA CORRETA: A  De  fato,  o  músculo  cardíaco  começa  a  morrer  depois  de  20  minutos  se  não  receber  sangue,  enquanto  as  células  nervosas  não  resistem por mais de 5 minutos.  2. O processo da aterosclerose: trata­se de um evento lento e progressivo de obstrução das artérias. Muitas evidências sugerem que a  formação da placa aterosclerótica só se dá por conta do envelhecimento.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa idéia realmente está errada, pois as evidências sugerem que a formação da placa aterosclerótica inicia­se já na infância.

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O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma conseqüência clássica do processo evolutivo  da aterosclerose. Nesta aula, entenderemos o processo fisiopatológico do IAM, aprenderemos a  reconhecer os sintomas e sinais clínicos característicos e o que fazer diante de uma pessoa com  essa apresentação. A aula ainda fala sobre os fatores de risco para IAM e a Parada Cardíaca,  condição final e extrema para o IAM. 

AULA 04 • INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO 
Em situações de estresse ou atividade física, o músculo cardíaco trabalha mais e precisa  de  maior  quantidade  de  oxigênio.  Num  coração  com  artérias  coronárias  livres  de  obstrução,  há  aumento  na  circulação  de  sangue e  o  oxigênio é  suprido  rapidamente. Porém, em  artérias  com  aterosclerose,  isto  é,  obstruídas,  essa  compensação  não  acontece  e  determinada  região  do  coração  começa  a  sofrer.  Isso  se  chama  isquemia  miocárdica,  que  causa  a  dor  no  peito,  seu  sintoma  mais  característico.  O  repouso  diminui  o  trabalho  cardíaco,  reduz  a  necessidade  de  oxigênio e normaliza a circulação, aliviando a dor.  Em  um  determinado  momento,  essa  camada  de  colesterol  pode  se  romper,  induzindo  a  oclusão total da luz da artéria. Nesse caso, mesmo o repouso não alivia a dor no peito, uma vez  que o sangue não circula em determinada região onde ocorre o processo de morte celular. Isso se  chama infarto agudo do miocárdio. 
O quadro clínico típico de uma vítima de infarto agudo do miocárdio é:  1)  Dor  no  peito,  que  dura  mais  de  20  minutos  e  se  irradia  para  o  braço  esquerdo,  pescoço ou costas;  2) Falta de ar;  3) Tontura;  4) Sudorese (“suor frio”);  5) Náuseas e/ou vômitos;  6) Sensação de morte iminente.

Frente  a  uma  vítima  com  suspeita  de  infarto  agudo  do  miocárdio,  acione  o  serviço  médico de emergência. 
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Determinadas pessoas têm maior risco de desenvolver IAM do que outras. Alguns fatores  têm  sido  atribuídos  por  contribuírem  para  o  processo  de  aterosclerose.  Quanto  mais  fatores,  maiores  as  chances  de  ser  vítima  de  infarto.  Portanto,  o  controle  deles  pode  diminuir  as  chances de desenvolvimento da doença.  Pessoas  com  vários  fatores  de  risco  têm  de  ser  avaliadas  minuciosamente,  pois  as  chances de estarem tendo um infarto numa ocasião de dor no peito, por exemplo, são altas.  Os fatores de risco podem ajudar a desmascarar um infarto agudo do miocárdio e salvar  uma vida. 
Na sua avaliação de uma vítima com suspeita de infarto, leve em consideração:  • Quadro Clínico;  • Fatores de Risco.

Principais fatores de risco: 
• Idade (homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos);  • Tabagismo (fumo);  • Hipertensão arterial;  • Diabetes mellitus;  • Colesterol elevado no sangue;  • Sedentarismo;  • Obesidade;  • Estresse;  • História familiar (mãe ou irmã com menos de 65 anos e/ou pai ou irmão com menos de 55  anos). 

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Parada Cardíaca 
A  parada  cardíaca  ocorre  quando o  coração  perde  sua função  de  “bombear”  e o  sangue  não circula. Isso não quer dizer que o coração esteja necessariamente parado. O ponto principal  é a parada da circulação e não dos movimentos do coração.  Existem situações distintas que levam à parada cardíaca. A principal delas é uma arritmia  chamada  fibrilação  ventricular,  causada  por  um  distúrbio  na  atividade  elétrica  normal  do  coração.  Os  impulsos  elétricos  encontram  desvios  e  “se  perdem”,  percorrendo  o  órgão  em  diferentes  sentidos. Assim,  ao  invés  da  seqüência  normal  de  contração  das  fibras  musculares,  determinadas  regiões  do  coração  se  contraem  de  forma  descoordenada,  fazendo  com  que  ele  perca sua função de “bombear” o sangue. A fibrilação ventricular pode estar presente em torno de  90% das vítimas de parada cardíaca em adultos.  O ritmo cardíaco normal é constituído de uma onda inicial, pequena, denominada de onda  p. Esta indica que os impulsos elétricos gerados no nó sinusal já percorreram os átrios.  Em  seguida,  após  um breve  intervalo  de  tempo,  temos  o  chamado  complexo  QRS.  Este  indica que os impulsos passaram pelos ventrículos.  Por  último,  temos  a  chamada  onda  T,  que  indica  o  retorno  à  situação  elétrica  inicial,  preparando o coração para os próximos estímulos.  Após  um  tempo,  mais  impulsos  elétricos  são  gerados  no  nó  sinusal  e,  mais  uma  vez,  temos as ondas p, QRS e T , e assim por diante. 

Traçado de um ritmo cardíaco normal

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Traçado de Fibrilação Ventricular 

Os  desvios  acima  mencionados  costumam  ocorrer  nos  casos  de  infarto  agudo  do  miocárdio. Em torno de metade das vítimas fatais, a fibrilação ventricular ocorre na primeira hora  após o início dos sintomas.  Outra  arritmia,  que  pode  levar  à  parada  cardíaca,  é  a  taquicardia  ventricular .  Nesse  caso, o coração se contrai tão rápido que não há tempo suficiente para se encher de sangue, não  gerando uma circulação efetiva.  O  único  tratamento  efetivo  para  a  fibrilação  ventricular  é  a  aplicação  do  choque  no  coração, isto é, o uso de um desfibrilador. 

Exercícios 
1. Na avaliação de uma vítima com suspeita de infarto, deve­se levar em consideração o quadro  clínico, fatores de risco e a idade da vítima, já que esse tipo de doença afeta apenas pessoas  na 3ª idade.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. A parada cardíaca ocorre quando o coração perde sua função primordial. Na verdade, isso não  quer dizer que o coração esteja necessariamente parado. Em 90% dos casos ele se encontra  em  uma  arritmia  chamada  fibrilação  ventricular.  Isso  significa  que  o  coração  ainda  consegue  manter uma circulação mínima.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. Na avaliação de uma vítima com suspeita de infarto, deve­se levar em consideração o quadro clínico, fatores de risco e a idade da  vítima, já que esse tipo de doença afeta apenas pessoas na 3ª idade.

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Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Com certeza, não são só pessoas  na 3ª idade que  podem ser  afetadas por  essa  doença. Os  estudos  mostram  que  o  IAM  atinge,  cada vez mais, pessoas mais jovens.  2.  A  parada  cardíaca  ocorre  quando  o  coração  perde  sua  função  primordial.  Na  verdade,  isso  não  quer  dizer  que  o  coração  esteja  necessariamente  parado.  Em  90%  dos  casos  ele  se  encontra  em  uma  arritmia  chamada  fibrilação  ventricular.  Isso  significa  que  o  coração ainda consegue manter uma circulação mínima.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa idéia  está  errada  quando se refere  à circulação do sangue. Na  verdade, na  parada cardíaca,  o ponto principal  é  a parada  da  circulação, e não dos movimentos do coração.

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As estatísticas mostram que, no Brasil, mais de 800 pessoas morrem por dia devido a  problemas cardíacos. Esses números ultrapassam os casos de óbitos por câncer, AIDS e  acidentes de trânsito juntos. Nesta aula, entenderemos os motivos pelos quais esses números são  tão alarmantes e como podemos colaborar para a diminuição dos mesmos. Para a recuperação  de vítimas em parada cardiorrespiratória, um conjunto de ações interligadas devem ser levadas a  efeito, denominando­se de Corrente da Sobrevivência. 

AULA 05 • CORRENTE DA SOBREVIVÊNCIA 
Dados  do  Ministério  da  Saúde  de  2001  revelam  que,  no  Brasil,  mais  de  800  pessoas  morrem por dia devido a problemas cardíacos. Isso se traduz em aproximadamente 34 mortes por  hora,  números  que  ultrapassam  os  casos  de  óbitos  por  câncer,  AIDS  e  acidentes  de  trânsito  juntos.  A principal causa dessas mortes é a parada cardíaca, ou seja, o coração perde sua função  de  bombear  sangue  para  o  corpo.  Na  parada  cardíaca,  o  coração  não  se  encontra  necessariamente  parado,  o  que  acontece  na  verdade  é  uma  alteração  importante  no  ritmo  cardíaco,  que  leva  a  uma  parada  na  circulação  sangüínea.  Em  90%  dos  casos  de  parada  cardíaca,  em  adultos,  o  ritmo  patológico  mais  comum  é  a  fibrilação  ventricular.  Quando  o  coração encontra­se nessa situação, a função de bombeamento é perdida e o corpo deixa de ser  nutrido. Os músculos esqueléticos suportam até 6 horas sem suprimento sanguíneo, já o músculo  cardíaco não suporta mais do que 20 minutos. Entretanto, as células cerebrais começam a morrer,  irreversivelmente,  a  partir  de  5  minutos.  Nessa  hora,  o  socorro  imediato  pode  fazer  a  diferença  entre a vida e a morte.

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Relação  entre  o  percentual  das  chances  de  ressucitação  com  relação  ao  tempo  após  a  parada cardíaca. 

O gráfico mostra que a cada minuto que se passa, após a parada cardíaca, perde­se até  10%  de  chance  de  uma  ressucitação  bem  sucedida.  Entretanto,  se  o  procedimento  da  ressucitação cardiopulmonar (RCP) for iniciado imediatamente, esse percentual pode cair para até  3% a cada minuto.  A Associação Americana do Coração estabelece que é necessário, para a recuperação da  vítima  em  parada  cardiorrespiratória,  que  um  conjunto  de  ações  interligadas  sejam  levadas  a  efeito, e o denomina de Corrente da Sobrevivência. Se um dos elos dessa corrente se quebrar,  a vítima não terá sucesso na recuperação ou terá seqüelas irreversíveis: 

1º Elo : acionar imediatamente o Serviço de Emergência Médica (SEM).  2º Elo : iniciar a RCP imediatamente e mantê­la até a chegada do SEM.  3º Elo : desfibrilação precoce, executada por Socorrista treinado ou por equipe médica.  4º Elo : atendimento médico hospitalar precoce.

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Infelizmente, na realidade brasileira, essa corrente está quebrada na maioria dos casos. O  primeiro  elo  mostra  a  necessidade  do  reconhecimento  rápido  do  problema  e  acionamento  do  socorro  especializado.  O  segundo  elo  se  traduz  no  início  precoce  da  RCP.  Em  função  de  não  termos  a  cultura  do  aprendizado  e  treinamento  em  primeiros  socorros,  o  que  se  percebe  é  um  retardo na realização dessas duas primeiras etapas, fato que pode comprometer a sobrevivência  da vítima. Em torno de 80% dos casos ocorrem dentro dos domicílios e, infelizmente, na chegada  do socorro, a maioria das vítimas já faleceu.  Nesse caso, os dois próximos elos (desfibrilação precoce e atendimento médico hospitalar)  ficam  completamente  comprometidos,  pois  eles  dependem  inteiramente  do  sucesso  dos  dois  primeiros elos. 

Exercícios 
1. Fisiologicamente, sabemos que a cada minuto que se passa, após a parada cardíaca, perde­se  até  10%  de  chance  de  uma  ressuscitação  bem  sucedida.  Entretanto,  se  o  procedimento  da  ressuscitação cardiopulmonar (RCP) for iniciado imediatamente, esse percentual pode cair para  até 3% a cada minuto.  Pode­se dizer que essa colocação está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  A  denominação  Corrente  da  Sobrevivência  é  definida  como  o  conjunto  de  ações  interligadas  que devem ser levadas a efeito frente a uma vítima de parada cardiorrespiratória. Felizmente,  na realidade brasileira, essa corrente não está quebrada e funciona muito bem na maioria dos  casos.  Pode­se dizer que essa colocação está:  a) Correta.  b) Incorreta.  Respostas dos Exercícios 
1.  Fisiologicamente,  sabemos  que  a  cada  minuto  que  se  passa,  após  a  parada  cardíaca,  perde­se  até  10%  de  chance  de  uma  ressuscitação  bem  sucedida.  Entretanto,  se  o  procedimento  da  ressuscitação  cardiopulmonar  (RCP)  for  iniciado  imediatamente,  esse percentual pode cair para até 3% a cada minuto.  Pode­se dizer que essa colocação está:  RESPOSTA CORRETA: A  A colocação está totalmente correta e evidencia a importância da necessidade do conhecimento das manobras de RCP.  2. A denominação Corrente da Sobrevivência é definida como o conjunto de ações interligadas que devem ser levadas a efeito frente a  uma vítima de parada cardiorrespiratória. Felizmente, na realidade brasileira, essa corrente não está quebrada e funciona muito bem  na maioria dos casos.  Pode­se dizer que essa colocação está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa colocação realmente está errada, pois, na verdade, a realidade brasileira mostra que essa corrente está quebrada na maioria  dos casos, devido a diversos fatores. O principal deles é o fato de não termos a cultura do aprendizado e treinamento em primeiros  socorros.

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Toda vítima inconsciente deve ser avaliada, primariamente, quanto ao funcionamento do  sistema respiratório. Uma vez identificada a ausência da respiração, a vítima deve receber  imediatamente o suporte respiratório. Nesta aula, aprenderemos como deve ser realizado esse  suporte e como os dispositivos de barreira podem potencializar essas manobras e promover a  proteção do socorrista. 

AULA 06 • O SUPORTE RESPIRATÓRIO 
Em primeiro lugar, você deve garantir a Abertura das Vias Aéreas, isto é, assegurar que o  caminho do ar para os pulmões esteja livre. Retire tudo o que possa vir a obstruir as vias aéreas,  como próteses dentárias, alimentos, vômito ou sangue da boca da vítima.  Em  vítimas  Inconscientes,  a  Língua  é  a  principal  causa  de  obstrução  das  vias  aéreas.  Para liberá­las, existem duas manobras:  Primeira manobra:  inclinação da cabeça – elevação do queixo em vítimas sem suspeita  de trauma de coluna cervical. 

Posicione­se  ao  lado  da  vítima.  Coloque  a  palma  de  sua  mão  na  testa  e  dois  dedos  no  queixo. Incline suavemente a cabeça para trás. Cuidado para que seus dedos estejam em contato  apenas  com  a  mandíbula,  pois  a  compressão  das  partes  moles  pode  acabar  fechando  as  vias  aéreas.

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Segunda manobra: tração da mandíbula em vítimas com suspeita de trauma. 

Posicione­se  de  frente  em  relação  à  vítima.  Segure  firmemente  a  cabeça  com  as  duas  mãos e levante apenas a mandíbula. Não mova a cabeça da vítima em hipótese alguma, pois  um movimento em falso poderá deixá­la tetraplégica. 

As cânulas orofaríngeas (“ Guedel” ): 
São encontradas em diversos tamanhos, de acordo com a boca da vítima, e servem para  afastar a língua mantendo as vias aéreas abertas.  Como inserir a cânula:  1) Trace uma linha imaginária do canto da boca da vítima até o lóbulo da orelha: 

O tamanho da cânula deve corresponder a esta linha:

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Obs.:  caso  a  cânula  seja  muito  grande,  poderá  ocorrer  obstrução  das  vias  aéreas  por  compressão da epiglote.  2) Introduza a cânula com a concavidade voltada para cima, como na figura, em direção ao  palato.  3) Ao tocar o palato, efetue um giro de 180 graus, isto é, posicionando a concavidade para  baixo.  4) Insira o restante da cânula até que seu rebordo se posicione entre os dentes da vítima. 

Obs.:  Nos  casos  de  vítimas  pediátricas  (abaixo  de  08  anos  de  idade),  não  efetuar  a  rotação  da  cânula.  Essa  manobra  pode  causar  lesões  no  palato.  Introduzir  diretamente  com  a  concavidade  para  baixo.  Cuidado  para  não  empurrar  a  língua,  para  isso  pode­se  utilizar  um  abaixador de língua. 
Atenção:  Apenas  utilize  a  cânula  orofaríngea  em  vítimas  Inconscientes,  pois  pode  provocar  vômitos, aspiração e laringoespasmo.

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Avaliação da respiração 
Mantendo  a  posição  de  abertura  das  vias  aéreas,  verifique  se  a  vítima  está  respirando.  Aproxime­se do rosto dela de modo que você veja se o tórax se levanta e abaixa. Tente sentir e  ouvir a respiração da vítima. Veja o tórax da vítima. Sinta e Ouça as respirações. 

Caso  você  não  encontre  nenhum  desses  3  sinais  (ver,  ouvir  e  sentir),  inicie  imediatamente duas ventilações artificiais:  Sele a boca da vítima com a sua de modo que não haja nenhum “vão” para evitar escape  de ar  quando  você  realizar a  ventilação.  Não  se  esqueça de fechar as  narinas  da  vítima  com a  mão que sustenta a cabeça. Assopre o ar lentamente, pois, dessa maneira, você estará evitando  sua entrada  para  o estômago.  Caso  isso ocorra,  haverá  regurgitação do  conteúdo  gástrico, que  preencherá as vias aéreas e os pulmões da vítima comprometendo a eficácia das ventilações. 

Nos  casos  de  vítimas  com  suspeita  de  trauma,  a  técnica  difere  da  descrita  acima.  Mantendo a manobra de tração da mandíbula, encoste seu rosto (sua “bochecha”) nas narinas  da vítima, fechando­as e, então, realize a respiração boca­a­boca.  Essa técnica é de alta complexidade, uma vez que você deverá assegurar uma adequada  respiração  e  uma  correta  imobilização  da  cabeça  da  vítima  ao  mesmo  tempo.  Realize  duas

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ventilações artificiais efetivas, isto é, considere apenas as insuflações que realmente elevaram o  tórax da vítima. 

Os Dispositivos de Barreira 
Existem  materiais  próprios  para  assegurar  uma  boa  respiração,  além  de  oferecer  segurança  para  quem  presta  socorro.  São  materiais  com  dispositivos  de  proteção  que  isolam  o  socorrista da vítima. Dentre esses materiais, temos: 
1) Pratik mask : trata­se de um lenço aplicado na face da vítima, com uma válvula a ser  inserida na boca, que tem a propriedade de ser unidirecional, isto é, o ar não volta para  a boca do socorrista.  2)  Pocket  mask:   uma  máscara  com  alta  capacidade  de  vedação  que  permite  uma  ventilação efetiva através de uma válvula unidirecional. De fácil aplicação, proporciona  um ótimo controle de fluxo e volume de ar em cada ventilação.  3)  Reanimador  manual:  consta  de  uma  máscara  acoplada  a  uma  bolsa  que,  ao  ser  comprimida,  envia  ar  aos  pulmões  da  vítima.  Seu  uso  exige  um  treinamento  pela  sua  complexidade técnica, porém é o mais utilizado em ambiente hospitalar.

Obs.:  Tanto  a  pocket  mask   quanto  o  reanimador  manual  podem  ser  conectados  a  cilindros de oxigênio a fim de aumentar o teor desse gás no ar fornecido à vítima.  Abordaremos  o  uso  da  pocket  mask .  Para  ventilar  com  esse  dispositivo,  existem  três  técnicas básicas:  Faça um “C” com o polegar e o indicador de ambas as mãos. Com o restante dos dedos,  prenda a mandíbula da vítima e tracione a cabeça para trás. 

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Utilize  parte de  sua  mão  e os  polegares  para fixar  a  máscara  na  vítima.  Com  o  restante  dos dedos, prenda a mandíbula. 

Técnica  lateral:  se  estiver  sozinho  (a),  utilize  essa  técnica  para  agilizar  o  atendimento.  Faça um “C” com uma das mãos e prenda a mandíbula com o restante dos dedos. O polegar e o  indicador da outra mão pinçam a mandíbula. Lembre­se de inclinar a cabeça da vítima para trás. 

Exercícios 
1.  Em  vítimas  inconscientes,  a  saliva,  e  eventualmente  o  sangue,  são  as  principais  causas  de  obstrução das vias aéreas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  Durante  as  ventilações,  sopre  o  ar  com  bastante  vigor,  pois,  dessa  maneira,  você  estará  assegurando que os pulmões sejam realmente bem ventilados.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.

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Respostas dos Exercícios 
1. Em vítimas inconscientes, a saliva, e eventualmente o sangue, são as principais causas de obstrução das vias aéreas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A língua  é  o  principal componente  obstrutivo  em  vítimas inconscientes, pois com  a  inconsciência  esse músculo “desaba”  para trás  causando a inconsciência.  2.  Durante  as  ventilações,  sopre  o  ar  com  bastante  vigor,  pois,  dessa  maneira,  você  estará  assegurando  que  os  pulmões  sejam  realmente bem ventilados.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  O  socorrista  deve  soprar  de  maneira  lenta  e  precisa,  evitando  a  entrada  do  ar  para  o  estômago.  Caso  isso  ocorra,  haverá  regurgitação  do  conteúdo  gástrico,  que  preencherá  as  vias  aéreas  e  os  pulmões  da  vítima  comprometendo  a  eficácia  das  ventilações.

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Nesta aula, aprenderemos a importância do suporte circulatório em vítimas de parada  cardiorrespiratória. Trata­se da assistência à circulação sangüínea, através de compressões no  tórax da vítima, na tentativa de substituir a contração do coração. O posicionamento preciso do  socorrista é fundamental e os procedimentos utilizados fazem parte de um protocolo reconhecido  mundialmente. 

AULA 07 • O SUPORTE CIRCULATÓRIO 
Durante  muitos  anos,  a  verificação  do  pulso  foi  o  principal  item  desse  tópico.  Porém,  evidências demonstraram que, principalmente para os leigos, sua avaliação tem sido demorada e  imprecisa. Sinais como respiração normal, movimentos do corpo ou tosse foram levantados como  “substitutos”  do  pulso,  visando  agilizar  e  simplificar  o  atendimento  para  os  leigos.  Contudo,  verificou­se  que  ocorre  atraso  no  início  das  compressões  torácicas  e  tais  sinais  não  eram  precisamente avaliados. Após vários estudos de especialistas do mundo todo, determinou­se que  o pulso seria avaliado somente por profissionais da área da saúde e os leigos não checariam  nenhum  sinal  após  as  02  ventilações  de  resgate,  partindo  imediatamente  para  as  compressões  torácicas. O  pulso  deverá  ser  avaliado  em  menos  de  10  segundos.  Caso  o  socorrista  não  tenha  certeza de sua presença, recomenda­se iniciar as compressões torácicas.

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Posicione  suas  mãos no  centro  do  tórax,  trace uma  linha entre os  mamilos  e  coloque­as  bem no meio dessa linha. 

Mantenha seus braços e a coluna retos e comprima o tórax utilizando o peso do corpo. A  compressão deve abaixar o tórax em 4 a 5 cm, aproximadamente. 

Importante:  1) Lembre­se de permitir o retorno completo do tórax após cada compressão.  2) Os socorristas devem se revezar nas aplicações das compressões torácicas a cada  05 ciclos (30 compressões/2 ventilações = 1 ciclo) ou 02 minutos de RCP. Não demorar  mais  do  que  05  segundos  em  cada  troca.  Estudos  mostraram  que  as  compressões  torácicas  realizadas  acima  desse  tempo,  por  apenas  um  socorrista,  mesmo  que  esse  fosse um profissional treinado, passaram a ser ineficientes.

A velocidade das compressões é de 100 batimentos por minuto. 

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A  ressucitação  cardiopulmonar  (RCP)  deverá  ser  continuada,  sem  interrupções,  em  ciclos  de  30  compressões  torácicas  para  02  ventilações  artificiais.  Somente  será  interrompida se:  1) A vítima se movimentar;  2) Chegada do suporte médico avançado;  3) Chegada do DEA (Desfibrilador Externo Automático).

A eficácia da RCP 
O  ar  que  respiramos  é  uma  mistura  de  gases  em  que  a  fração  de  oxigênio  é  de,  aproximadamente, 21%. O restante é composto por nitrogênio (em torno de 78%) e outros gases,  inclusive o gás carbônico (menos de 1%).  De 21% de oxigênio do ar que respiramos, apenas uma pequena quantidade (4% a 5%) é  realmente aproveitada pelo organismo. Quando realizamos ventilação artificial boca­a­boca, o teor  de oxigênio  no ar  enviado para  os pulmões  da  vítima  é  de 16%  a 17%,  isto é,  mais  do que  ela  realmente necessita.  Entretanto,  as  compressões  torácicas,  mesmo  realizadas  com  técnicas  corretas,  estão  longe  de  se  igualar  ao  funcionamento  cardíaco  normal.  O  bombeamento  do  sangue,  durante  a  RCP, é estimado em torno de 30% do trabalho realizado pelo coração.  Pela  ventilação  boca­a­boca,  o  organismo  receberia a  quantidade  necessária de  sangue.  Porém,  como  a  circulação  está  comprometida,  o  oxigênio  não  é  levado  adequadamente  para  todas  as  partes  do  corpo,  ocorrendo  falta  de  oxigênio  nas  células.  Isso  provoca  alterações  no  metabolismo normal, que interfere, inclusive, nas ações tanto dos choques do desfibrilador quanto  das drogas administradas pela equipe médica.  Portanto,  altas  concentrações  de  oxigênio  devem  ser  fornecidas  à  vítima  através  de  dispositivos próprios, como máscaras, por exemplo, para tentar compensar a falta de oxigênio no  organismo. 

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Exercícios 
1.  O  pulso  é  avaliado  somente  por  profissionais  da  área  da  saúde  e  os  leigos  não  checam  nenhum  sinal,  após  as  02  ventilações  de  resgate,  partindo  imediatamente  para  as  compressões torácicas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  Para  as  compressões  torácicas,  mantenha  seus  braços  e  a  coluna  retos e  comprima  o  tórax  utilizando a força dos braços. As compressões em adultos devem abaixar o tórax em 4 a 5 cm,  aproximadamente.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. O pulso  é  avaliado somente por profissionais  da  área  da saúde  e  os leigos  não checam nenhum sinal,  após  as 02  ventilações de  resgate, partindo imediatamente para as compressões torácicas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  O  pulso  não  é  mais  avaliado  por  leigos.  Sinais  como  respiração  normal,  movimentos  do  corpo  ou  tosse  foram  levantados  como  “substitutos” do pulso, visando agilizar e simplificar o atendimento.  2.  Para  as  compressões  torácicas,  mantenha  seus  braços  e  a  coluna  retos  e  comprima  o  tórax  utilizando  a  força  dos  braços.  As  compressões em adultos devem abaixar o tórax em 4 a 5 cm, aproximadamente.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Para  maior  eficácia  da  manobra  e  menor  gasto  energético  por  parte  do  socorrista,  deve­se  descarregar  o  peso  do  tronco sobre  o  tórax da vítima.

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No Brasil, mais de 800 pessoas morrem por dia devido a problemas cardíacos. A principal  causa dessas mortes é a parada cardíaca. O ponto principal é a parada da circulação e não  dos movimentos do coração. Em 90% dos casos de parada cardíaca em adultos, o ritmo  cardíaco patológico mais comum é a fibrilação ventricular. O único tratamento efetivo para  tirar o coração da fibrilação ventricular é o choque.  Nesta aula, conheceremos o Desfibrilador Externo Automático (DEA), aparelho que, se  utilizado de forma correta e rápida, pode salvar vidas. 

AULA 08 • DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO (DEA) 
No Brasil, mais de 800 pessoas morrem por dia devido a problemas cardíacos. São cerca  de 34 mortes por hora, números que ultrapassam os casos de óbitos por câncer, AIDS e acidentes  de trânsito juntos.  Nos Estados Unidos, em torno de 1 milhão de pessoas morrem por doenças do coração a  cada ano e metade desses casos ocorrem de forma súbita e inesperada. Trata­se, portanto, de um  problema de âmbito mundial.  Em  torno  de  80%  dos  casos  ocorrem  dentro  das  casas  e,  infelizmente,  quando  chega  o  socorro, a maioria das vítimas já faleceu (95 a 99%). A principal causa dessas mortes é a parada  cardíaca,  ou  seja,  o  coração  perde  sua função primordial  que  é  bombear  sangue  para  o  corpo.  Isso não quer dizer que o coração esteja necessariamente parado. O ponto principal é a parada  da circulação e não dos movimentos do coração . Em 90% dos casos de parada cardíaca em  adultos, o rítimo cardíaco patológico mais comum é a fibrilação ventricular.  O único tratamento efetivo para tirar o coração da fibrilação ventricular é o choque.  As  compressões  torácicas  e  as  ventilações  artificiais  servem  para  manter  os  órgãos  vivos  por  algum tempo até a chegada do desfibrilador.  Você já deve ter visto na televisão, em filmes ou novelas, uma cena de parada cardíaca.  Lembra­se de como a vítima é ressuscitada? Da seqüência de choques no tórax (peito) que até  fazem com que ela se levante da maca?  Esse  aparelho  que  libera  os  choques  chama­se  desfibrilador.  Trata­se  de  um  aparelho  com  a  propriedade  de  carregar  uma  quantidade  determinada  de  energia  elétrica  (medida  em
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unidades de Joules) e liberá­la através de 2 pás. Estas são colocadas em posições estratégicas  no tórax da vítima de maneira que uma corrente elétrica passe por elas tendo o coração no meio  do seu caminho. Assim, a energia percorre o coração de ponta a ponta.  Tradicionalmente,  em  eventos  reais  de  emergência,  o  desfibrilador  é  operado  por  um  médico,  uma  vez  que  apenas  ele  é  considerado  habilitado  para  operá­lo.  Entretanto,  se  a  realidade nos mostra que as vítimas de parada cardíaca fora do hospital (pré­hospitalar) morrem  pela falta do socorro imediato, então o que fazer?  A solução foi criar um desfibrilador com a capacidade de interpretar, diagnosticar e indicar  ou não a necessidade do choque: o desfibrilador externo automático (DEA). Assim, a vítima de  parada  cardíaca  recebe  os  choques  o  quanto  antes,  aumentando  as  chances  de  ressucitação  bem­sucedida. 
O  DEA  é  posicionado  em  locais  estratégicos  para  que  a  vítima  receba  o  choque  o  quanto antes.  O tempo ideal para que o choque seja aplicado na vítima de parada cardíaca é de até 5  minutos.

Através  de  pesquisas,  sabe­se  que  a  cada  minuto  que  se  passa  após  a  ocorrência  da  fibrilação  ventricular,  perde­se até  10% das  chances de uma  ressucitação bem­sucedida.  Isto é,  se uma pessoa entrou em fibrilação ventricular há 4 minutos, as chances de ressuscitá­la são em  torno de 60% (40% perdido). Assim, o DEA deve ser utilizado o quanto antes.  Lembre­se de que grande parte das paradas cardíacas ocorre fora do ambiente hospitalar.  A  porcentagem  de  vítimas  de  parada  cardíaca  em  ambiente  pré­hospitalar,  salvas  sem  seqüelas,  é  estimada  em  menos  de  5%.  O  reconhecimento  precoce  é  precário.  O  socorro  é  acionado após muito tempo e a chegada da equipe com o desfibrilador em mãos, no final de tudo,  é sinônimo de constatação de óbito.  O  desfibrilador  externo  automático  foi  criado  para  ser  operado  por  pessoas  que  não  precisam  ser  da  área  da  saúde.  Basta  que  tenham  o  devido  treinamento.  Assim,  a  vítima  de  parada cardíaca recebe o choque o mais rápido possível.  Em determinadas cidades dos Estados Unidos, policiais foram treinados e equipados com  o  DEA,  pois,  em  muitos  casos,  costumavam  chegar  ao  local  de  ocorrência  antes  dos  paramédicos. As estatísticas foram realizadas em relação ao aumento das taxas de ressucitação  com  sucesso.  Dos  diversos  estudos,  a  conclusão  foi  um  aumento  significativo  no  número  de 

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pessoas, vítimas de parada cardíaca, que, hoje, têm suas vidas normais ao lado de suas famílias.  Em termos de números, pode­se dizer que os salvamentos duplicaram.  Outras experiências positivas com o uso do DEA foram documentadas em locais públicos,  por seguranças e atendentes de vôo.  A utilização do DEA em locais de grande circulação de pessoas foi avaliada em um estudo  que demonstrou taxas de ressucitação de quase 75%. 

A parada cardíaca em crianças 
As  principais  causas  de  morte  em  crianças  são  diferentes  dos  adultos.  O  colapso  do  sistema  respiratório  costuma  ser  o  principal fator,  ao  invés  de  doenças  do  coração,  como  nos  adultos. Vimos que a fibrilação  ventricular  é a  principal  causa  da  parada  cardíaca  no  adulto e  o  tratamento considerado padrão pela sua efetividade é o choque, isto é, o uso do DEA. Mas, se a  causa da parada cardiorrespiratória (PCR) na criança não for uma fibrilação ventricular, então, não  haverá vantagem em se instalar o DEA o quanto antes? Nesse caso, a prioridade seria realizar a  ressucitação cardiopulmonar (RCP)?  Durante  muito  tempo,  o  DEA  não  foi  considerado  uma  prioridade  na  seqüência  do  atendimento em crianças.  No entanto, dados recentes revelam que a fibrilação ventricular não é tão rara nessa faixa  etária.  Os  números  variam  de  10  a  20%  das  vítimas  de  PCR.  Portanto,  o  DEA  não  deve  ser  esquecido em casos pediátricos. Obviamente, decidir se o DEA é ou não prioridade depende da  causa mais provável da PCR, porém essa avaliação pode ser complicada para um leigo.  Existem diferenças quanto ao tamanho e às posições das pás adesivas no tórax da vítima  e às doses dos choques liberados pelo DEA, principalmente. Os dados provam a segurança e a  eficácia do uso do DEA em vítimas de parada cardíaca na faixa de 1 a 8 anos de idade. Abaixo de  1 ano de idade, os dados ainda são insuficientes para determinar seu uso.  Portanto,  levando­se  em  consideração  a  principal  causa  de  morte  em  crianças,  sem  descartar a possibilidade de fibrilação ventricular, nas vítimas entre 1 a 8 anos de idade, realize  RCP por 1 minuto e instale o DEA.  Vítimas  pediátricas  de  parada  cardíaca  por  fibrilação  ventricular  têm  apresentado  altas  taxas de ressucitação com sucesso.

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Exercícios 
1. O tratamento efetivo para tirar o coração da fibrilação ventricular são as compressões torácicas  e as ventilações artificiais. O choque é um tratamento complementar que pode ser substituído.  As compressões torácicas e as ventilações artificiais servem para manter os órgãos vivos por  algum tempo até a chegada do desfibrilador.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. As principais causas de morte em crianças são diferentes dos adultos. Portanto, não se justifica  o uso do DEA na seqüência de atendimento nessas vítimas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. O tratamento efetivo para tirar o coração da fibrilação ventricular são as compressões torácicas e as ventilações artificiais. O choque  é um tratamento complementar que pode ser substituído. As compressões torácicas e as ventilações artificiais servem para manter  os órgãos vivos por algum tempo até a chegada do desfibrilador.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A  colocação  realmente  está incorreta,  pois  o  único  tratamento  efetivo  para  tirar  o  coração  da  fibrilação  ventricular  é  o  choque.  As  compressões  torácicas  e  as  ventilações  artificiais  servem  para  manter  os  órgãos  vivos  por  algum  tempo  até  a  chegada  do  desfibrilador.  2.  As  principais  causas  de  morte  em  crianças  são  diferentes  dos  adultos.  Portanto,  não  se  justifica  o  uso  do  DEA  na  seqüência  de  atendimento nessas vítimas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Dados  recentes  revelam  que  a  fibrilação  ventricular  não  é  tão  rara  nessa  faixa  etária.  Portanto,  não  devemos  descartar  a  possibilidade da necessidade da utilização do DEA.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Nesta aula, aprenderemos como operar o DEA. Entenderemos sua aplicabilidade prática,  suas indicações e condições especiais em seu uso. Trata­se de um equipamento automático que  realiza a análise do coração (Diagnóstico) e indica ou não os choques. Qualquer pessoa pode  fazer uso desse equipamento, desde que tenha um treinamento prévio adequado. A aula ainda  fala sobre a importância do controle emocional diante de uma vítima de parada cardíaca. 

AULA  09  •  COMO  OPERAR  UM  DESFIBRILADOR  EXTERNO  AUTOMÁTICO 
Uma  vez  constatados  os  3  itens:  inconsciência,  ausência  de  respiração  e  de  sinais  de  circulação, você deverá ligar o desfibrilador externo automático à vítima.  Se alguém estiver realizando manobras de ressucitação, ordene que pare uma vez que a  desfibrilação é prioridade.  1) Inicialmente, ligue o aparelho. 

2) A  seguir,  instale  as  pás  adesivas  no  tórax  da  vítima. As  pás  vêm  com  ilustrações  de  onde cada uma deve ser aplicada.

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3)  Certifique­se  de  que  as  pás  estão  bem  conectadas  e  encaixe  o  conector  na  entrada,  perto da luz que pisca. 

4) Aguarde a análise. Nesse momento, certifique­se que ninguém esteja em contato com a  vítima, pois isso poderá interferir na interpretação correta. 

5) Caso o aparelho indique choque, pressione o botão de liberação certificando­se de que  ninguém está em contato com a vítima. Avise que vai liberar o choque. Existe um risco  da pessoa que estiver em contato com a vítima receber uma carga do choque.  Siga as instruções do aparelho. Apenas toque na vítima quando o mesmo autorizar.  Não  desconecte  as  pás  do  tórax  da  vítima.  Mantenha­as  até  a  chegada  da  equipe  de  emergência. 

Cuidados especiais no uso do DEA 
Uso em pacientes pediátricos (menores de 8 anos de idade ou com menos de 25 kg).

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Não se esqueça de utilizar as pás pediátricas. Estas são próprias para o uso em crianças e  apresentam  algumas  diferenças  das  correspondentes  em  adultos,  como  a  posição  em  que  são  aplicadas no tórax e a energia liberada, que é menor. 

Tórax molhado 
Se o tórax da vítima estiver molhado, procure enxugá­lo, se não a aderência das pás não  será boa e o aparelho irá acusar eletrodos mal conectados, atrasando a desfibrilação. Por outro  lado, pelo fato da água ser uma boa condutora de eletricidade, pode­se formar um arco entre as  pás, externamente, diminuindo a efetividade do choque que passa pelo coração. 

Superfície metálica 
O risco de o socorrista levar um choque é muito baixo, não justificando a perda de tempo  na remoção da vítima para uma outra superfície. 

Pêlos excessivos no tórax 
Muitos  pêlos no  tórax dificultam  a  adesão das pás.  Nesses  casos, é  preciso  removê­los.  Utilize esparadrapo, gilete ou mesmo as pás reservas. 

Dispositivos implantados no tórax da vítima (como marcapassos, por exemplo) 

Não aplique a pá do desfibrilador sobre o dispositivo, pois este poderá interferir na análise  e na condução da energia liberada. Aplique a pá a uma distância de aproximadamente 3 cm (em  torno de dois dedos).
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O controle emocional nas emergências 
O grande desafio está numa situação em que você se encontra diante de uma vítima de  parada cardíaca, em sua casa, no shopping center, no restaurante, etc. Estará você preparado (a)  emocionalmente  para  atendê­la?  Diferentemente  de  simulados,  todo  o  ambiente  ao  redor  é  cercado de tensão e uma decisão errada pode selar para sempre uma vida.  Em  maior  ou  menor  grau, o  sentimento  inevitável  em  uma  situação dessas é o  medo.  O  receio de não saber o que fazer ou errar em pontos críticos são motivos comuns, que afastam as  pessoas  de  um  atendimento  de  emergência.  Por  outro  lado,  tudo  isso  parece  distante  dos  profissionais de saúde, que atendem uma vítima à beira da morte de maneira ágil, precisa, sem  titubear. Entretanto, o segredo dessa “aparente calma” está para ser desvendado por você.  Lembra­se  dos  protocolos  baseados  nas  chamadas  prioridades  vitais?  Do  atendimento  padronizado?  É  assim  que  as  equipes  de  emergência  iniciam  o  atendimento  de  diferentes  vítimas,  basicamente da mesma forma.  Os atendimentos são baseados em protocolos 
A seqüência de atendimento sempre se inicia com:  1) Verificação do nível de consciência;  2) Chamar ajuda;  3) Abrir vias aéreas;  4) Checar respiração;  5) Checar circulação. 

O receio de realizar as manobras de ressucitação... 
“Será que vou conseguir realizar as manobras corretamente em uma vítima em parada  cardíaca?”

Essa é uma dúvida freqüente entre os leigos que se submetem aos cursos de emergência.  Para  dar  alguma  luz  a  essa  pergunta,  vamos  analisar  alguns  dados  de  estudos  que  foram  realizados  para  estimar  se  as  habilidades  e  os  conhecimentos  adquiridos  em  cursos  têm  valor  prático numa situação real de emergência. 

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A facilidade na operação do DEA pode ser demonstrada em um estudo em que estudantes  da sexta série foram treinados e comparados com paramédicos quanto à velocidade de utilização  do  aparelho  em  simulados.  O  resultado  foi  impressionante,  uma  vez  que  não  houve  diferença  significativa  entre  os  dois  grupos,  isto  é,  os  estudantes  instalaram  o  DEA  corretamente  e  souberam utilizá­lo com uma diferença muito pequena de tempo em relação aos profissionais de  emergência. Ressalta­se que os estudantes não tinham conhecimentos nem treinamentos prévios  de uso do DEA.  Por outro lado, a equipe de paramédicos era treinada periodicamente e tinha experiência  em situações reais. Isso ilustra a facilidade e segurança do uso desse aparelho por pessoas cujo  treinamento foi mínimo, uma vez que o próprio aparelho orienta passo a passo o que fazer, além  de ter ilustrações nas próprias pás adesivas, que mostram onde devem ser aplicadas.  Em  locais  públicos,  o  DEA  já  foi  utilizado  por  leigos,  como  seguranças,  policiais  e  atendentes  de  vôo  no  socorro  às  vítimas  de  parada  cardíaca.  Resultados  documentados  na  literatura  científica  demonstraram  que  eles  foram  capazes  de  usar  corretamente  o  DEA  e  contribuíram para aumentar as estatísticas de pessoas ressuscitadas com sucesso em ambientes  fora do hospital.  Um caso marcante foi de uma mãe que aplicou o DEA em seu filho de 3 anos de idade,  salvando­o.  Portanto,  através  de  dados  publicados  na  literatura  médica,  podemos  concluir  que  os  leigos  podem  ser  treinados  para  o  uso  do  DEA  e  de  fato  contribuem  para  o  aumento  de  vidas  salvas.  As habilidades adquiridas nos cursos apresentam um comprometimento significativo após  6  meses. A  constante  revisão,  tanto  da  teoria  quanto  da  prática,  é  obrigatória,  se  possível  com  instrutores capacitados e materiais de qualidade que simulem eventos reais de emergência.  Lembre­se de que frente a uma vítima de parada cardíaca, o socorro imediato é a chave  para o salvamento. O lado emocional será abalado inevitavelmente, dúvidas e receios virão como  um dilúvio, porém mesmo os profissionais de saúde se deparam com esses sentimentos. Apesar  disso,  em  geral,  o  atendimento  não  é  comprometido,  pois  é  sustentado  por  protocolos  que  uniformizam  a  seqüência  de  avaliação  para  diferentes  vítimas.  Assim,  é  possível  contornar  os  fatores psicológicos de forma ágil e precisa.  Chegando ao local da ocorrência, em primeiro lugar, procure manter a calma ao máximo e  siga a seqüência de atendimento baseada nos protocolos para não se perder na sua avaliação.

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Fique tranqüilo (a), pois existem experiências positivas com leigos que atenderam vítimas  de parada cardíaca e provaram que tudo isso é possível de ser realizado. 
Lembre­se: não fazer nada poderá significar a morte da vítima.

Exercícios 
1. O socorrista que chega até a vítima com o DEA deve aguardar o final dos ciclos de RCP, caso  esse procedimento já esteja sendo realizado por outros socorristas, pois essas manobras são  prioritárias nesse momento.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta  b) Incorreta  2. Os atendimentos em primeiros socorros são baseados em protocolos. A seqüência sempre se  inicia com:  1) Chamar ajuda;  2) Verificação do nível de consciência;  3) Abrir vias aéreas;  4) Checar respiração;  5) Checar circulação.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta  b) Incorreta 

Respostas dos Exercícios 
1. O socorrista que chega até a vítima com o DEA deve aguardar o final dos ciclos de RCP, caso esse procedimento já esteja sendo  realizado por outros socorristas, pois essas manobras são prioritárias nesse momento.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Na verdade o DEA é a prioridade. No momento em que o socorrista, que está com o DEA, estiver pronto para instalá­lo, o mesmo  deve ordenar que os outros socorristas parem seus procedimentos imediatamente.  2. Os atendimentos em primeiros socorros são baseados em protocolos. A seqüência sempre se inicia com:  1) Chamar ajuda;  2) Verificação do nível de consciência;  3) Abrir vias aéreas;  4) Checar respiração;  5) Checar circulação.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Existe um erro nessa seqüência. Primeiramente devemos verificar o nível de consciência e depois chamar ajuda. 

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Nesta aula, abordaremos a reanimação cardiopulmonar em vítimas crianças. A técnica se  difere da empregada para o adulto principalmente com relação à proporção de força física na  depressão do tórax e nas ventilações, no posicionamento das mãos do socorrista e no ritmo das  compressões. Observaremos também que, dentro desse perfil de paciente, há a necessidade de  uma divisão dentro de uma faixa etária, que irá determinar a forma como as técnicas serão  utilizadas. 

AULA  10  •  REANIMAÇÃO  CARDIOPULMONAR  (RCP)  EM  CRIANÇAS 
A  técnica difere  da  empregada  para o  adulto  com  relação  à proporção de força física  na  depressão do tórax e das ventilações, no posicionamento das mãos do socorrista e no ritmo das  compressões. 
Para leigos, a divisão etária é:  1) Até 1 ano de idade: lactente;  2) De 1 a 8 anos de idade: criança;  3) Acima de 8 anos de idade: adulto. 

Para profissionais da área da saúde, a divisão etária é distinta:  1) Até 1 ano de idade: lactente;  2) De 1 a 12 ­ 14 anos de idade: criança;  3) Acima de 12 ­ 14 anos: adulto.

Quando  o  socorrista  atuar  isoladamente,  o  Serviço  de  Emergência  Médica  deverá  ser  acionado após 2 minutos ou 5 seqüências de 30 compressões para 2 ventilações, pare e ative o  Serviço Médico de Emergência. Logo a seguir, continue com a RCP. Isso se dá por conta de que a  principal causa  de  parada cardiorrespiratória  em  crianças  se  inicia por  um problema  primário  do  sistema respiratório (Ex. OVACE), então, o suporte respiratório se torna prioridade, ao contrário do 

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adulto,  que  tem  como  principal  causa  os  problemas  do  próprio  coração  (Ex.  Infarto  Agudo  do  Miocárdio). Nesse caso, a solicitação da ajuda é prioridade, pois o desfibrilador deve ser utilizado  o mais rápido possível. 

RCP em lactentes (idade entre 0 a 1 ano) 
•  Verifique  o  nível  de  consciência  estimulando­a  através  de  toques  sutis  (“tapas”)  na  planta do pé.  •  Constatada  a  inconsciência:  libere  as  vias  aéreas  superiores;  segure  a  cabeça  do  bebê  com  uma  mão  e  eleve  o  seu  queixo  utilizando  o  dedo  indicador  da  outra  mão.  Verifique  a  presença  da  respiração.  Em  adultos,  inclina­se  a  cabeça  para  trás  hiperextendendo  o  pescoço  para  abrir  as  vias  aéreas.  Nos  casos  em  pediatria,  principalmente lactentes, não se deve inclinar demais a cabeça, pois isso pode acarretar  em  uma  piora  da  obstrução  das  vias  aéreas  devido  à  flexibilidade  das  estruturas  anatômicas  nessa  faixa  etária.  Portanto,  incline  suavemente  a  cabeça  da  vítima  para  trás e tente ventilar. Caso não consiga, incline um pouco mais e tente novamente.

Se a respiração estiver ausente: 
Efetue 02 ventilações sucessivas somente com o ar da sua boca. Não realize a respiração  com força, pois isso pode causar sérios danos ao bebê. Assoprar muito ar aos pulmões da vítima  pode  ser  prejudicial  por  aumentar  a  pressão  no  interior  do  tórax  e  dificultar  o  enchimento  do  coração.  Em  alguns  casos,  principalmente  em  vítimas  menores,  pode  ocorrer  rompimento  de  estruturas pulmonares. O parâmetro utilizado é a observação do tórax durante a ventilação. Você  deve interromper a ventilação ao observar o início do movimento do tórax. Não há necessidade de  perceber uma expansão tão nítida. 
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• Posicione sua boca simultaneamente sobre a boca e o nariz do bebê.  •  Verifique  os  sinais  de  circulação:  respiração,  tosse  e  movimentos.  Cheque  o  pulso  braquial  ou  femoral.  Em  vítimas  pediátricas,  não  basta  apenas  ter  pulso.  Se  este  for  menor do que 60 bpm com sinais de má perfusão, inicia­se RCP. 

Ressaltando  que  apenas  os  profissionais  da  área  da  saúde  verificam  a  presença  do  pulso,  este deve  ser  examinado  na face  interna do braço  (pulso braquial)  ou na face  interna da  coxa  (pulso  femoral)  no  lactente  e  no  pescoço  (pulso  carotídeo)  da  mesma  maneira  do  que  o  adulto na criança. 

Se a pulsação estiver ausente: 
• Posicione o dedo médio e o anular entre a linha dos mamilos. Se estiver realizando a  RCP com outro socorrista pode optar por realizar as compressões abraçando o tórax do  bebê e, com os polegares, realize as compressões;  • Efetue 30 compressões com o ritmo de 100 por minuto;  • Deprima o esterno entre 1,5 a 2 cm;

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A ressucitação cardiopulmonar (RCP) deverá ser continuada, sem interrupções, em ciclos  de 30 compressões torácicas para 02 ventilações artificiais. Somente será interrompida se: 
• A vítima se movimentar;  • Chegada do suporte médico avançado.

Nota:  Nos  casos  de  2  socorristas,  profissionais  da  área  da  saúde,  em  crianças  e  lactentes, realiza­se 15 compressões torácicas para 2 ventilações artificiais. 

RCP em crianças (idade entre 1 a 8 anos) 
A RCP em crianças segue exatamente a mesma seqüência já mencionada em lactentes.  Apenas se difere no posicionamento das mãos para as compressões, na força para as ventilações  e na verificação do pulso. 

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Exercícios 
1. O atendimento na parada cardiorrespiratória em crianças segue um protocolo próprio. Quando  o socorrista encontra­se sozinho, a seqüência é a seguinte:  1) Verificação do nível de consciência;  2) Chamar ajuda;  3) Abrir vias aéreas;  4) Checar respiração;  5) Checar circulação.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. No suporte respiratório para bebês, o socorrista deve realizar as ventilações de forma vigorosa,  observando a insuflação total do tórax, pois só assim esse procedimento será efetivo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. O  atendimento  na  parada cardiorrespiratória  em crianças segue  um  protocolo  próprio. Quando  o socorrista  encontra­se sozinho,  a  seqüência é a seguinte:  1) Verificação do nível de consciência;  2) Chamar ajuda;  3) Abrir vias aéreas;  4) Checar respiração;  5) Checar circulação.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa  seqüência  realmente  está  errada,  pois  antes  de  se  chamar  ajuda,  o  socorrista  deve  fornecer  suporte  em  RCP  durante  dois  minutos e, após esse procedimento, acionar o sistema médico de emergência.  2.  No  suporte  respiratório  para  bebês,  o  socorrista  deve  realizar  as  ventilações  de  forma  vigorosa,  observando  a  insuflação  total  do  tórax, pois só assim esse procedimento será efetivo.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Realizando as ventilações de forma vigorosa, corre­se o risco de causar sérios danos ao bebê, podendo até ocorrer rompimento de  estruturas pulmonares.

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Pequenos objetos podem obstruir as vias aéreas impedindo a passagem do ar até os  pulmões. Esse incidente é chamado de OVACE, sigla para obstrução das vias aéreas por corpo  estranho. Nesta aula, aprenderemos a identificar a OVACE em adultos, conheceremos suas  principais causas e como devemos intervir nesse caso, pois o socorro imediato pode fazer a  diferença entre a vida e a morte. 

AULA  11  •  OBSTRUÇÃO  DAS  VIAS  AÉREAS  POR  CORPO  ESTRANHO (OVACE) 
Pequenos  objetos  podem  obstruir  as  vias  aéreas  impedindo  a  passagem  do  ar  até  os  pulmões. O socorrista deve intervir se notar sinais de obstrução grave:  • Tosse silenciosa  • Incapacidade para falar  • Sons inspiratórios agudos ou ausentes  • Dificuldade respiratória crescente  • Lábios e língua azuis ou pálidos (cianose). 

Nos casos em que a obstrução seja leve, não dê golpes nas costas. Isso poderá agravar  ainda  mais  o  quadro.  Deixe  a  vítima  tossir,  pois  essa  é  a  melhor  maneira  de  retirar  o  corpo  estranho.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Nos casos em que a OVACE for grave, inicie a manobra de Heimlich:  • Avise à vítima que vai ajudá­lo(a);  • Posicione­se atrás dela;  • Localize o umbigo da vítima e posicione uma mão fechada acima;  • Cubra essa mão com a outra; 

Realize compressões abdominais para trás e para cima (como se fosse um “J”);  Continue com essa manobra até a saída do objeto ou até a vítima perder a consciência.  Comprima para cima e para trás como se estivesse fazendo um “J”. 

Se a vítima for obesa ou estiver gestante, as compressões abdominais serão ineficientes.  Nesse  caso,  efetue  compressões  torácicas  sucessivas  até  a  desobstrução  ou  até  que  a  vítima se torne inconsciente.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Caso encontre­se sozinho, apóie o abdômen sobre o encosto de uma cadeira e comprima­  o na tentativa de deslocar o corpo estranho. 

OVACE em vítimas inconscientes 
Caso  a  vítima  perca  a  consciência,  deite­a  com  cuidado  e  imediatamente  providencie  ajuda.  Inicie RCP com 30 compressões torácicas para 02 ventilações artificiais.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Nota:  a  cada  vez  que for  ventilar,  inspecione  a  boca  da  vítima  procurando  pelo  objeto  e  remova­o se visualizá­lo. Não realize varredura digital às cegas. 

Exercícios 
1. Nos casos em que a obstrução seja leve, aplique golpes nas costas. Isso será suficiente para  desobstruir as vias aéreas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  Nos  casos  em  que  a  vítima  perde  a  consciência,  deite­a  com  cuidado  e  imediatamente  providencie ajuda. Inicie RCP com 30 compressões torácicas para 02 ventilações artificiais. A  cada vez que for ventilar, inspecione a boca da vítima realizando varredura digital, procurando  pelo objeto, e  remova­o  se  visualizá­lo.  Não  realize  varredura  digital  às  cegas.  Pode­se  dizer  que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Respostas dos Exercícios 
1. Nos casos em que a obstrução seja leve, aplique golpes nas costas. Isso será suficiente para desobstruir as vias aéreas.  Pode­se  dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Isso poderá agravar ainda mais o quadro. Deixe a vítima tossir, pois essa é a melhor maneira de retirar o corpo estranho.  2.  Nos  casos  em  que  a  vítima  perde  a  consciência,  deite­a  com  cuidado  e  imediatamente  providencie  ajuda.  Inicie  RCP  com  30  compressões torácicas para 02 ventilações artificiais. A cada vez que for ventilar, inspecione a boca da vítima realizando varredura  digital, procurando pelo objeto, e remova­o se visualizá­lo. Não realize varredura digital às cegas. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  De fato a varredura às cegas pode acentuar ainda mais a obstrução.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Nesta aula, observaremos as particularidades da OVACE em crianças. Aproximadamente  600 lactentes/crianças morrem por ano, nos EUA, vítimas de OVACE. A prevenção é a principal  arma contra problemas emergenciais com crianças, pois a partir do momento em que passam a  ser vítimas, se tornam ainda mais frágeis e vulneráveis. 

AULA  12  •  OBSTRUÇÃO  DAS  VIAS  AÉREAS  POR  CORPO  ESTRANHO (OVACE) EM CRIANÇAS 

Prevenção do Engasgo (OVACE) 
A prevenção é a principal arma contra problemas emergenciais com crianças, pois a partir  do momento em que passam a ser vítimas, se tornam ainda mais frágeis e vulneráveis.  Aproximadamente 600 lactentes/crianças morrem por ano, nos EUA, vítimas de OVACE.  Portanto, é recomendado que:  • Supervisione as crianças quando elas estão brincando ou comendo;  • Evite alimentos redondos e duros p/ crianças abaixo de 4 a 5 anos (amendoins, cenouras  cruas, pipocas e doces duros);  • Mantenha itens pequenos fora do alcance;  • Aprenda primeiros socorros e reanimação cardiopulmonar;  •  Cuidado  c/  brinquedos  que  possam  passar  pelo  buraco  do  tubo  de  papelão  do  papel  higiênico.  Essa  é  a  medida  de  referência  para  que  brinquedos  não  passem  pelas  vias  aéreas de uma criança. 

Desobstrução  das  Vias Aéreas  em  Crianças  Conscientes  ­  Idade  entre  1  a  8  anos 
Estimule  a  tosse  enquanto  for  possível,  pois  o  fluxo  expiratório  provocado  por  ela  é  a  melhor forma de desobstrução.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Em obstruções mais severas, a técnica difere da realizada para o adulto pela proporção da  força  física  empregada  na  compressão  abdominal,  podendo  optar  pelo  uso  de  uma  única  mão  sobre o abdômen. 

Insista nessa manobra até conseguir a desobstrução ou a vitima ficar inconsciente. Nesse  caso, solicite ajuda imediata e inicie as manobras de RCP com as técnicas específicas para essa  idade.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Desobstrução das Vias Aéreas em Bebês Conscientes ­ Idade entre 0 a 1 ano 
Posicione  o  bebê  de  costas  em  seus  braços  e  efetue  5  tapotagens  no  dorso.  (entre  as  escápulas)  Posicione o bebê de bruços em seu braço e efetue 5 compressões no esterno. (utilizando o  3º e 4º dedos)  Repita a seqüência de procedimento se a obstrução persistir. 

Caso  o  bebe  evolua  com  inconsciência,  peça  imediatamente  ajuda  e  prossiga  com  os  procedimentos de RCP com as técnicas específicas para essa idade.  Verifique a presença da respiração. 

Se ausente, tente ventilar 2 vezes. Se o ar não passar, é porque está obstruído.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Abra  a  boca  da  vítima  e  remova  o  corpo  estranho  em  pinça  com  o  dedo  indicador  e  o  polegar, somente se puder visualizá­lo. 

Exercícios 
1. Em obstruções severas, a técnica empregada é idêntica a realizada para o adulto, podendo o  socorrista optar pelo uso de uma única mão sobre o abdômen.  Pode­se dizer que essa idéia  está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. Se durante o processo de desobstrução o bebê evoluir com inconsciência, peça imediatamente  ajuda e prossiga com os procedimentos de RCP com as técnicas específicas para essa idade.  Antes  das  ventilações,  abra  a  boca  da  vítima  e  remova  o  corpo  estranho,  se  visualizá­lo,  utilizando a técnica de varredura digital.   Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. Em obstruções severas, a técnica empregada é idêntica a realizada para o adulto, podendo o socorrista optar pelo uso de uma única  mão sobre o abdômen.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A idéia não cita a questão da diferença da proporção da força física empregada nas compressões abdominais.  2.  Se  durante  o  processo  de  desobstrução  o  bebê  evoluir  com  inconsciência,  peça  imediatamente  ajuda  e  prossiga  com  os  procedimentos de RCP com as técnicas específicas para essa idade.  Antes  das  ventilações,  abra  a  boca  da  vítima  e  remova  o  corpo  estranho,  se  visualizá­lo,  utilizando  a  técnica  de  varredura  digital.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A idéia cita  o posicionamento  inadequado das  mãos  para retirar  o  objeto. O  dedo indicador  e  o  polegar devem  estar  em forma de  pinça.)

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PRIMEIROS SOCORROS 

As hemorragias são entidades clínicas que merecem atenção especial, pois dependendo  do seu grau podem levar a vítima à morte em curto espaço de tempo. Nesta aula, conheceremos  suas principais causas, tipos e quais as principais intervenções para corrigi­la. 

AULA 13 • HEMORRAGIAS 
As hemorragias podem ser divididas em 2 grandes grupos:  Externa: sangue visualizado pela lesão.  Interna: não aparente. O sangue não é visível, assim como nenhuma lesão  significativa.  Esse tipo de hemorragia é suspeitado pela situação da ocorrência e dos dados clínicos da vítima.  Exemplo  ilustrativo:  casos  de  atropelamento  com  traumatismo  abdominal  em  que  os  vasos  sangüíneos  se  rompem  no  interior  do  abdômen,  mas  nenhuma  lesão  é  visível  externamente.  Porém a vítima se encontra pálida, com o pulso rápido e fino, com dor local intensa. Trata­se de  uma vítima que necessita de transporte imediato ao hospital.  O controle de hemorragias deve ser realizado no próprio local. Siga as prioridades vitais: A  – abrir vias aéreas / coluna cervical; B – boa respiração; C – controle de hemorragias.  A melhor forma de controlar uma hemorragia externa é comprimir o local. Utilize luvas de  procedimento  e  comprima  a  lesão  com  gaze  estéril.  Quando a  gaze ficar  saturada  de  sangue,  não troque, coloque outra por cima dela. 

Outro  método  para  controlar  a  hemorragia  é  a  Compressão  dos  Pontos  Arteriais  (indicados pelas setas):

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PRIMEIROS SOCORROS 

Antigamente,  torniquetes  eram  utilizados,  porém  comprometem  toda  a  circulação  do  membro podendo causar perda do mesmo. Ultimamente só é utilizado em casos extremos (como  amputação do membro em que a hemorragia compromete a vida da vítima e deve ser controlada  imediatamente),  quando  o  método  da  compressão  não  controla  o  sangramento.  Uma  vez  colocado, procure retirá­lo em ambiente hospitalar evitando afrouxá­lo durante o transporte, pois  substâncias nocivas formam­se  abaixo  do  local do garroteamento  e podem  ser  liberadas  para  o  organismo.  Elevar o membro é uma opção para diminuir o sangramento, porém pode ser prejudicial se  feito  de  maneira  imprudente  (elevar  o  membro  inferior  se  houver  fratura  ou  lesão  da  coluna  vertebral, por exemplo). 

Exposição da Vítima 
A  vítima  deve  ser  exposta  para  uma  melhor  avaliação,  pois  lesões  potencialmente  fatais  podem  estar  ocultas  pelas  vestes.  Nas  vítimas  inconscientes,  principalmente,  podem  passar  despercebidas  durante  um  atendimento.  Exemplo  ilustrativo:  vítima  de  atropelamento  com  ferimento aberto de tórax por baixo da camisa.  Para a exposição, corte as roupas com tesouras próprias. 

Cuidado com hipotermia!!!

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PRIMEIROS SOCORROS 

A  exposição  serve  apenas  para  procurar  lesões  ocultas.  Uma  vez  examinada  a  vítima,  tome  cuidado  para  que  ela  não  perca  calor.  Vítimas  com  grandes  hemorragias,  por  exemplo,  podem sofrer de hipotermia rapidamente.  A  hipotermia  piora  a  circulação,  diminui  o  metabolismo  geral  e  pode,  em  casos  graves,  comprometer a respiração e o funcionamento cardíaco.  Utilize a manta aluminizada para evitar a perda de calor. 

Exercícios 
1. A melhor forma de controlar uma hemorragia externa é comprimir o local.  Quando a gaze ficar  saturada de sangue, troque­a e coloque outra por cima dela. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  A  exposição  serve  apenas  para  procurar  lesões  ocultas.  Uma  vez  examinada  a  vítima,  tome  cuidado para que ela não perca calor. Vítimas com grandes hemorragias, por exemplo, podem  sofrer de hipotermia rapidamente. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1.  A  melhor  forma  de  controlar  uma  hemorragia  externa  é  comprimir  o  local.  Quando  a  gaze  ficar  saturada  de  sangue,  troque­a  e  coloque outra por cima dela. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A idéia está errada quando diz que se deve trocar a gaze após ficar saturada. Na verdade, a primeira gaze não deve ser trocada no  intuito de promover o início do processo de coagulação.  2. A exposição serve apenas para procurar lesões ocultas. Uma vez examinada a vítima, tome cuidado para que ela não perca calor.  Vítimas com grandes hemorragias, por exemplo, podem sofrer de hipotermia rapidamente. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  De fato essas vítimas perdem calor rapidamente e devem ser mantidas aquecidas.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Acidentes que envolvem trauma podem causar fraturas que devem ser prontamente  reconhecidas e tratadas a fim de não agravar o quadro. Nesta aula, falaremos sobre os tipos de  trauma e suas conseqüências, a importância de se imobilizar um seguimento corpóreo com  suspeita de fratura e quais as técnicas específicas para esse procedimento. 

AULA 14 • TRAUMA 
Acidentes  que  envolvem  trauma  podem  causar  fraturas  que  devem  ser  prontamente  reconhecidas e  tratadas  a fim  de não  agravar  o quadro.  Quedas  de  escadas,  por  exemplo,  são  comuns  em  locais  de  trabalho  e  uma  avaliação  cuidadosa  deve  ser  feita  principalmente  nas  vítimas que se queixam de muita dor. A equipe de socorro deve, na suspeita ou na presença de  uma fratura, imobilizar adequadamente as partes envolvidas e transportar com cautela a vítima. 

Definindo alguns termos:  Contusão:  é  uma  “batida”  ou  uma  “pancada”  devido  a  um  trauma  que  causa  lesão  de  partes moles, porém sem lesões aparentes, como cortes. Exemplo ilustrativo: martelada leve no  dedo que não causa deformidade ou fratura.  Luxação: os ossos são mantidos em suas posições por estruturas fibrosas denominadas  ligamentos. Quando rompem e ocorre perda da forma habitual da articulação (desarticulação) por  perda da sustentação dos ossos tem­se um caso de luxação.  Entorse: é um grau mais leve do que a luxação. O comprometimento dos ligamentos não  causa  desarticulação.  Exemplo  ilustrativo:  quando  alguém  “torce”  o  pé  descendo  a  escada  rapidamente.  Fratura: é a “quebra” do osso que pode ser desde casos em que o osso apenas “trinca”  até  aqueles  em  que  fica  “triturado”.  As  fraturas  podem  ser  fechadas  ou  expostas.  Nestas,  visualiza­se  parte  do  osso  para  fora  da  pele.  A  fratura  fechada  é  suspeitada  pelo  quadro  de  inchaço, vermelhidão, limitação dos movimentos e dor local intensa.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Avaliação da vítima:  1) Peça para a vítima mover o membro em questão. Não force nenhum movimento.  2) Movimente os membros delicadamente, se possível.  3)  Procure  por  sinais  de:  hematomas,  inchaço,  dor,  limitação  dos  movimentos  e  vermelhidão. 

Na presença de tais sinais, providencie imobilização para o transporte. 

NOTA: evite manipular demais a vítima, isso pode agravar o quadro. 

Por que imobilizar?  • Limita a dor (principal motivo)  • Limita lesões de partes moles  • Controla hemorragias

Técnicas de imobilização: 
1) Alinhar  os  membros,  se  possível.  Não  force  o  alinhamento  se  a  vítima  se  queixa  de  muita dor ou há espasmo muscular. Se você não estiver seguro, imobilize do jeito que  encontrar  a  vítima.  Muitas  vezes,  essa  é  a  melhor  maneira,  uma  vez  que  as  talas  utilizadas atualmente são flexíveis (moldáveis).  •  Não  se  devem  alinhar  os  membros  nos  casos  de  deformidades  de  articulações  (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc). O risco de lesão em nervos e vasos sangüíneos é  muito alto nesses locais.  2) Imobilizar os membros com talas que deverão abranger uma articulação acima e uma  abaixo  do  local  de  fratura.  A  colocação  de  uma  tala  apenas  no  local  de  fratura  não  estabiliza o membro envolvido. 

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PRIMEIROS SOCORROS 

3) Procure avaliar a circulação periférica (sinais de má circulação: pele fria e pálida) após o  procedimento. Cuide para que não fique muito frouxo ou apertado.  4) Nos casos de fratura exposta, não tente recolocar o osso para dentro. Utilize talas que  podem ser moldadas de acordo a posição do membro acometido.  Caso não tenha esse tipo de tala, pode improvisar com papelão dobrado ou madeira, por  exemplo. Basta apenas seguir os princípios corretos para imobilização. 
Princípios de imobilização:  1)  Não  apertar  demais,  pois  pode  haver  comprometimento  da  circulação  por  garroteamento.  2) Não deixar frouxo demais. Pode piorar o quadro durante o transporte.  3) Comece o enfaixamento da extremidade para o centro.  4) Procure deixar os dedos visíveis. É um bom parâmetro para avaliar se não há piora  do quadro, principalmente, quanto à circulação.  5) Evite dar o nó logo acima do local de lesão.

Utilize ataduras de crepe no enfaixamento.  Imobilizando...  1) Inicie o enfaixamento da extremidade para o centro. 

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PRIMEIROS SOCORROS 

2) Não enfaixe diretamente na articulação. Passe a atadura para o outro lado formando um  “triângulo”. 

3) Continue enfaixando até completar uma volta. 

4) Repita o procedimento do item 2.  Após  algumas  voltas,  sempre fazendo o  “triângulo”,  continue  até  a  outra  extremidade  do  membro. 
Para aliviar a dor em casos de entorse ou contusão:  1) Aplique gelo: em bolsa, de preferência;  2) Procure interpor uma toalha úmida entre o gelo e a pele;  3) Aplique por 20 a 30 minutos seguidos e retire. Repita o procedimento a cada 3 horas  caso não houver melhora.

Obs.: a melhor maneira de aliviar a dor, em casos de fratura, é a imobilização.  Não esquente o local enquanto este estiver inflamado (quente, vermelho e inchado). Nesse  momento, o calor acentua ainda mais o quadro e aumenta o processo inflamatório. 

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PRIMEIROS SOCORROS 

Exercícios 
1. A imobilização de um seguimento com suspeita de fratura deve ser realizada, pois:  Limita  a  dor  (principal  motivo),  limita  lesões  de  partes  moles,  controla  hemorragias  e  é  tratamento definitivo nesses casos. Pode­se dizer que essa colocação está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  Nas  imobilizações,  o  alinhamento  deve  ser  realizado  nos  casos  de  deformidades  de  articulações (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc), pois só assim a imobilização surtirá os efeitos  desejados. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. A imobilização de um seguimento com suspeita de fratura deve ser realizada, pois:  Limita a dor (principal motivo), limita lesões de partes moles, controla hemorragias  e é tratamento definitivo nesses casos. Pode­se  dizer que essa colocação está:  RESPOSTA CORRETA: B  A colocação está incorreta quando diz que a imobilização é um tratamento definitivo, pois é tratamento provisório emergencial para  que a vítima seja transportada com segurança.  2. Nas imobilizações, o alinhamento deve ser realizado nos casos de deformidades de articulações (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc),  pois só assim a imobilização surtirá os efeitos desejados. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  Não se devem alinhar os membros, pois o risco de lesão em nervos e vasos sangüíneos é muito alto nesses locais.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Em vítimas com suspeita de trauma, prioriza­se de imediato a imobilização da coluna  cervical. Essa imobilização se faz necessária, pois qualquer movimento inadequado pode afetar  diretamente a medula espinal causando danos muitas vezes irreversíveis. Nesta aula,  aprenderemos a utilizar o colar cervical, o principal recurso para a imobilização desse seguimento.  A aula ainda segue demonstrando a utilização da prancha longa de transporte e a retida do  capacete em acidentes automobilísticos. 

AULA 15 • A COLUNA CERVICAL 
Em vítimas com suspeita de trauma, prioriza­se de imediato a imobilização da coluna  cervical.  Segure  a  cabeça  da  vítima  de  modo  que  não  haja  movimentos  da  coluna  (desde  o  pescoço) e inicie a avaliação. Aplique o colar cervical e os imobilizadores laterais de cabeça para  o transporte.  Tenha sempre em mente que toda a coluna vertebral deve ser protegida.  Transporte a vítima na prancha longa.  Não se esqueça do colar cervical e dos Imobilizadores laterais de cabeça. 

O  colar  cervical  limita  o  movimento  de  flexão  do  pescoço  em  torno  de  90%.  Porém,  movimentos  laterais  e  de  rotação,  assim  como  de  extensão,  são  limitados  em  torno  de  50%,

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apenas.  Portanto,  o  transporte  só  será  seguro  com  o  uso  do  imobilizador  lateral  de  cabeça  e  prancha longa.  Ao  aplicar  o  colar  cervical,  a  cabeça  da  vítima  deverá  ser  alinhada  com  o  pescoço,  gentilmente,  de  modo  que  fiquem  em  linha  reta.  Em  raras  situações  de  deformidades  do  pescoço, em que a cabeça não se encontra na mesma linha do pescoço, a imobilização deve ser  realizada sem nenhum manuseio. 

Contra­indicações do alinhamento da cabeça e do pescoço:  1) Espasmo muscular (contração muscular que dificulta o manuseio);  2) Dor progressiva;  3) Início ou piora dos déficits neurológicos;  4) Comprometimento das vias aéreas / ventilação;  5) Vítimas inconscientes.  Nas situações acima, o socorrista deve interromper imediatamente o procedimento.  Para  selecionar  o  tamanho  correto  do  colar  cervical,  trace  uma  linha  que  passa  pela  ponta do queixo até a base do pescoço. Meça e compare com o colar a partir do pino preto até o  final da parte rígida do colar (descarte a parte de espuma).

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Colar cervical colocado 

Como retirar o capacete da vítima 
A  remoção  do  capacete  é  importante  para  iniciar  a  avaliação  primária  da  vítima.  São  necessários 02 socorristas aptos para realizar tal procedimento. 

Soc.1 ­ Segurar firmemente o capacete com os dedos na borda da mandíbula.  Soc.2 – Soltar a presilha do queixo. 

Soc.1 – Retirar lentamente o capacete. Cuidado com o nariz e as orelhas da vítima.  Soc.2 – Posicionar uma das mãos com os dedos nos ângulos da mandíbula. Posicionar a  outra mão atrás da nuca.

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Soc.1  –  Segure  a  cabeça  da  vítima,  sustentado­a.  Notar  que  se  forma  um  vão  entre  a  cabeça e o solo correspondente à espessura do capacete. 

Soc.2 – Coloque o colar cervical. 

Colocar um suporte atrás da nuca (pode ser uma camisa dobrada, por exemplo).

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Técnicas de transporte de vítimas em prancha longa 
Técnica do rolamento: 

Níveis  a  serem  fixados  para  “rolar”  a  vítima:  cabeça,  axilas  (ombros),  pelve  (bacia)  e  pernas.  Notar  que  os  socorristas  cruzam  os  braços  para  dar  mais  estabilidade  durante  o  procedimento (seta).  O socorrista que fixa a cabeça deve contar alto e com um movimento único e sincronizado,  realizar rotação de 90 graus da vítima, posicionando a prancha longa em suas costas. Lembre­se:  a vítima deve ser movimentada “em bloco”.  O  socorrista  que  fixa  a  cabeça  conta  novamente,  e  movimentando  a  vítima  “em  bloco”,  retorná­la à posição deitada sobre a prancha longa.  Caso  a  vítima  fique  com  o  corpo  para  fora  da  prancha  longa,  ajeitá­la  em  movimentos  suaves, sempre “em bloco”, de maneira que fique bem posicionada. 

Obs.:  nos  casos  em  que  a  vítima  esteja  em  decúbito  ventral  (“barriga  para  baixo”),  a  rotação deve ser de 180 graus.
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Elevação a Cavaleiro: 
Os mesmos níveis do corpo da vítima devem ser fixados: cabeça, axilas, pelve e pernas.  Os socorristas devem se posicionar de frente para a vítima com a prancha longa ao lado. Em um  movimento sincronizado, levantar a vítima “em bloco” e colocá­la sobre a prancha longa. 
Essa técnica deve ser utilizada em casos de:  • Objeto cravado  • Fratura de pelve  • Evisceração

Técnicas de aplicação da prancha longa com a vítima em pé: 
• Com 03 socorristas:  O  socorrista  1  imobiliza  a  coluna  cervical  com  as  mãos  enquanto o  socorrista  2  aplica  o  colar cervical. O terceiro socorrista posiciona a prancha longa atrás da vítima. 

O socorrista 3 segura a cabeça da vítima. 

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Os  socorristas  1  e  2  passam  um  braço  por  baixo  das  axilas  da  vítima  segurando  nos  pegadores da prancha longa. A outra mão segura firmemente a prancha longa. Seus braços não  devem estar acima dos braços do socorrista 3. 

Em movimentos sincronizados, abaixar a prancha longa. 

• Com 02 socorristas:  Cada  socorrista  passa  um  dos  braços  por  baixo  das  axilas  da  vítima  segurando  nos  pegadores  da  prancha  longa.  Imobilizar  a  cabeça  com  as  outras  mãos.  Em  movimentos  sincronizados, abaixar a prancha longa.

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Exercícios 
1. O colar cervical limita o movimento de flexão e extensão do pescoço em torno de 90%. Isso é  suficiente para uma boa imobilização em prancha longa.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. Em caso de traumas graves, o colar cervical passa ser prioridade, mesmo que a vítima esteja  inconsciente. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. O colar cervical limita o movimento de flexão e extensão do pescoço em torno de 90%. Isso é suficiente para uma boa imobilização  em prancha longa.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A  idéia  está  incorreta,  pois  é  necessário  limitar  os  movimentos  laterais  e  de  rotação.  Isso  só  é  possível  através  do  uso  do  imobilizador lateral de cabeça.  2. Em caso de traumas graves, o colar cervical passa ser prioridade, mesmo que a vítima esteja inconsciente. Pode­se dizer que essa  idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Na  verdade  o  colar  cervical  está  contra  indicado  nesse  caso,  pois  a  prioridade  nesse  momento  é  a  manutenção  da  respiração  e  pulsação. Na presença do colar cervical, não é possível realizar a abertura das vias aéreas.

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Acidentes que envolvem lesões na cabeça podem variar desde cortes simples no couro  cabeludo, até o acometimento de estruturas do sistema nervoso, que levam à morte instantânea.  Esses tipos de lesões são denominados, em conjunto, de traumatismo crânio­encefálico. O  traumatismo crânio­encefálico comumente relaciona­se com outra emergência médica  denominada traumatismo raquimedular. Nesses casos, a lesão envolve a coluna vertebral,  acometendo a medula espinhal. O reconhecimento imediato dessas emergências é primordial,  pois se trata de emergências em que a vítima pode evoluir a óbito dentro de pouco tempo. 

AULA  16  •  TRAUMATISMO  TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR 

CRÂNIO­ENCEFÁLICO 

Há uma comunicação constante do cérebro com o restante do corpo. Entre eles, há uma  troca contínua de informações, sem interrupções, de tudo o que ocorre com nosso organismo, e  seu elo de ligação é uma estrutura chamada medula espinhal, que percorre toda a extensão da  coluna vertebral. Dela saem nervos que se distribuem para as diversas partes do nosso corpo. 

No cérebro, são produzidos o pensamento, as crenças, as recordações, o comportamento  e o humor. Ele coordena o movimento, o tato, o olfato, a audição e a visão. Graças ao cérebro, as  pessoas  formam  palavras,  compreendem  e  realizam  operações  matemáticas.  A  música  não

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existiria  sem  ele.  Além  disso,  revisa  todos  os  estímulos  oriundos  dos  órgãos  internos,  da  superfície corporal ou dos olhos, dos ouvidos e do nariz.  Acidentes  que  envolvem  lesões  na  cabeça  podem  variar  desde  cortes  simples  no  couro  cabeludo até o acometimento de estruturas do sistema nervoso, que levam à morte instantânea.  Esses tipos de lesões são denominados, em conjunto, de traumatismo crânio­encefálico.  A identificação da gravidade do quadro nem sempre é imediata, necessitando, por vezes,  de uma cuidadosa observação clínica, pois existem inúmeros quadros muito mais sérios do que  aparentam.  Por  exemplo:  idosos,  vítimas  de  queda  da  própria  altura,  com  trauma  na  cabeça.  Muitas vezes, não há perda da consciência no momento do acidente com a vítima assintomática  até  a  hora  da  consulta  médica.  Horas  depois  evolui  com  dor  de  cabeça,  que  piora  progressivamente a alteração da consciência, entrando em um estado de coma profundo. Casos  como  este  não  são  raros.  Hemorragias  intracranianas  (dentro  do  crânio),  que  evoluem  lentamente, podem estar presentes no momento do acidente e passam despercebidas caso não  seja realizada uma criteriosa avaliação e observação médica.  Por  outro  lado,  as  lesões  podem  ser  bem  evidentes,  como  hemorragias,  exposição  de  massa encefálica ou afundamentos no crânio.  O  traumatismo  crânio­encefálico  comumente  se  relaciona  com  uma  outra  emergência  médica  denominada  traumatismo  raquimedular.  Nesses  casos,  a  lesão  envolve  a  coluna  vertebral, acometendo a medula espinhal. O quadro típico é: 
• Paralisia  • Alterações sensitivas  • Perda do controle da evacuação e micção  • Dificuldade respiratória

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Atenção!! Vítimas que apresentem:  • Alteração do nível de consciência  • Vômitos  • Dor de cabeça progressiva  • Saída de líquido claro (como água) pelo nariz ou ouvidos  • “Olhos de Guaxinim” 

“Olhos de Guaxinin”: note a vermelhidão em volta dos olhos.

São sinais que podem estar envolvidos com traumatismo crânio­encefálico grave, em que  a vítima pode evoluir a óbito dentro de pouco tempo. 

O atendimento 
Protocolos  criados  por  especialistas  da  área  médica  organizam  o  atendimento  em  uma  seqüência  de  ações  que  obedecem  a  uma  ordem  de  acordo  com  as  chamadas  prioridades  vitais. Isso quer dizer que a respiração e a circulação devem receber um tratamento prioritário na 

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abordagem inicial de uma vítima, pois são elas as principais determinantes da vida ou da morte  em uma situação de emergência.  De  uma  maneira  geral,  as  vítimas  são atendidas  seguindo­se uma  mesma  seqüência  de  avaliação  e  tratamento.  Garantir  uma  respiração  efetiva  de  um  acidentado  que  não  respira,  por  exemplo,  é  mais  importante  do  que  imobilizar  um  braço  fraturado.  As  equipes  de  emergências  médicas  são  preparadas  para  identificar  os  fatores  que  merecem  atenção  imediata  e  os  que  podem  ser  tratados  secundariamente.  Para  não  se  perder  no  atendimento,  basta  seguir  os  protocolos.  Como iniciar o atendimento primário?  Em primeiro lugar, pense na sua segurança. Você jamais deve ser uma outra vítima. Isso  pode  significar  um  transtorno  ainda  maior  para  as  equipes  de  emergência  empenhadas  no  conturbado ambiente do atendimento.  Cuide  para que  o  local  seja devidamente  sinalizado  em  um  acidente  automobilístico, por  exemplo. Locais confinados com pessoas desmaiadas, sem causa aparente, podem estar repletos  de gases tóxicos, e sem equipamentos de proteção individual, você poderá ser mais uma vítima. 

Exercícios 
1. Alteração do nível de consciência, vômitos, dor de cabeça progressiva, saída de líquido claro  (como água) pelo nariz ou ouvidos, “Olhos de Guaxinim” são sinais e sintomas relacionados ao  traumatismo raquimedular. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  O  atendimento  do  traumatismo  crânio­encefálico  obedece  a  uma  ordem  de  acordo  com  as  chamadas  prioridades  vitais.  Isso  quer  dizer  que a  respiração e a circulação  devem  receber  um tratamento prioritário. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. Alteração  do  nível de consciência,  vômitos,  dor  de cabeça progressiva,  saída  de líquido claro (como  água) pelo  nariz  ou  ouvidos,  “Olhos de Guaxinim” são sinais e sintomas relacionados ao traumatismo raquimedular. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Na verdade esses sinais e sintomas são decorrentes do traumatismo crânio­encefálico.

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2. O atendimento do traumatismo crânio­encefálico obedece a uma ordem de acordo com as chamadas prioridades vitais. Isso quer  dizer que a respiração e a circulação devem receber um tratamento prioritário. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  De fato a prioridade nesse atendimento deve estar voltada ao suporte dos sinais vitais, pois são eles os principais determinantes da  vida ou da morte em uma situação de emergência.

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Nesta aula, falaremos sobre algumas emergências clínicas, como: distúrbios causados  pelo calor, distúrbios da pressão arterial e hipoglicemia. Aprenderemos a reconhecer essas  entidades patológicas e qual as suas conseqüências, e entenderemos como proceder diante de  vítimas com tais sintomas. 

AULA 17 • EMERGÊNCIAS CLÍNICAS I 

Distúrbios causados pelo calor: 
As pessoas idosas, as muito obesas e os etilistas crônicos são especialmente propensos a  desenvolverem  distúrbios  causados  pelo  calor,  assim  como  as  pessoas  que  fazem  uso  de  determinados medicamentos ou que consomem certas drogas (álcool e cocaína).  Os  esforços  físicos  excessivos,  em  um  ambiente  muito  quente  ou  em  um  local  mal  ventilado,  devem  ser  evitados.  Recomenda­se  a  reposição  de  líquido  e  sais  perdidos  pelo  suor  através da ingestão de bebidas e alimentos levemente salgados.  Existem bebidas que contêm quantidades adicionais de sais (isotônicos) e são uma opção.  Quando o esforço em um ambiente quente não pode ser evitado, é importante que a pessoa beba  muito líquido e refresque a pele. 

Exaustão pelo calor 
A exposição a temperaturas elevadas pode fazer com que a pessoa perca uma quantidade  excessiva  de  líquido  e  sais  (eletrólitos)  com  o  suor,  particularmente  durante  um  esforço  físico  intenso, alterando a circulação e a função cerebral. Como resultado, pode ocorrer a exaustão pelo  calor, raramente grave.

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Reconhecimento:  • Fadiga  • Sudorese abundante  • Sensação de desmaio ao ficar em pé  • Confusão mental  • Queda da pressão arterial e desmaio 

O que fazer:  • Deitar a vítima completamente ou deixá­la recostada com a cabeça mais baixa que o  restante do corpo;  • Reposição líquida e de sais. 

Intermação 
A intermação é uma condição potencialmente letal resultante de uma exposição longa ao  calor,  em  que  a  pessoa  não  pode  suar  o  suficiente  para  baixar  a  temperatura  corpórea.  Determinadas doenças (esclerodermia e fibrose cística) diminuem a capacidade da pessoa suar,  aumentando o risco de intermação. 
Reconhecimento:  • Dor de cabeça  • Vertigem  • Fadiga  • Diminuição da sudorese  • Pele quente, avermelhada e, comumente, seca  • Freqüência cardíaca aumentada (pode atingir de 160 a 180 batimentos por minuto)  • Temperatura corpórea pode atingir 40 a 41°C  • Confusão mental

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• Perda da consciência  • Convulsões  • Lesão cerebral ou morte 

O que fazer:  A intermação é uma emergência e as medidas devem ser instituídas imediatamente. A  pessoa  que  não  puder  ser  levada  rapidamente  a  um  hospital  deve  ser  envolta  com  roupas ou lençóis molhados ou imersa em água fria, enquanto se aguarda o transporte.

Câimbras Causadas pelo Calor 
As  câimbras  causadas  pelo  calor  são decorrentes  da perda  excessiva  de  líquidos  e  sais  (eletrólitos),  resultante  da  sudorese  intensa,  como  ocorre  durante  um  esforço  extenuante.  Freqüentemente, começam subitamente nas mãos, nas panturrilhas ou nos pés. Geralmente, elas  são  dolorosas  e  incapacitantes.  Os  músculos  tornam­se  duros,  tensos  e  difíceis  de  serem  relaxados.  Podem ser prevenidas ou tratadas com o consumo de bebidas ou alimentos contendo sal. 

Distúrbios da Pressão Arterial 
A Pressão Arterial (PA)  Basicamente,  os  valores  da  PA  são  determinados  por  fatores  que  influem  no  volume  sangüíneo e no calibre dos vasos sangüíneos. 

A  PA  diminui  se  o  coração  bater  mais  lentamente  ou  se  suas  contrações  forem  fracas,  pois  o  volume  de  sangue  bombeado  é  menor.  Da  mesma  maneira,  quando  os  batimentos  cardíacos  são  muito  rápidos,  há  queda  nos  valores  pressóricos,  pois  o  coração falha como bomba. 

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A  PA  aumenta  quanto  maior  for  o  volume  sangüíneo  e  vice­versa.  Por  isso,  casos  de  desidratação  ou  de  hemorragias  significativas  podem  provocar  sua  diminuição  por  redução  da  quantidade de sangue no sistema circulatório.  Uma  maior  resistência  ao  fluxo  de  sangue,  determinada  pela  contração  dos  vasos  sangüíneos,  provoca  o  aumento  da  PA.  Por  outro  lado,  quando  relaxam,  como  nos  casos  de  hipertermia, o sangue fica “represado” provocando queda nos valores pressóricos.  Os principais órgãos envolvidos no controle da PA são:  Coração:  aumentando a  freqüência  e  a força  dos  batimentos  cardíacos,  determinando  o  aumento do volume de sangue bombeado;  Rins:  regulando a excreção de água e, dessa maneira, controlando o volume de sangue  circulante;  Vasos  sangüíneos:  provocando  constrição,  de  modo  a  alterar  sua  capacidade,  aumentando a PA.  A  PA  é  responsável  pela  irrigação  das  células  de  nosso  corpo  comprometendo­se  em  distribuir  adequadamente  oxigênio,  nutrientes,  substâncias  e  células  fundamentais  para  a  manutenção de nossas vidas, além da remoção dos resíduos gerados. Sua diminuição torna lento  ou mesmo interrompe todo esse processo, acarretando sérias conseqüências ao organismo, que  pode  correr  risco  de  vida.  Inversamente,  o  aumento  da  PA  pode  gerar  resultados  desastrosos,  como  hemorragias  cerebrais.  Portanto,  o  controle  adequado  dos  níveis  pressóricos,  através  de  acompanhamentos médicos, é fundamental.  Dois  valores  de  PA  são  determinados  por  aparelhos  chamados  esfigmomanômetros:  a  sistólica e a diastólica. A pressão sistólica é o valor máximo registrado no momento da contração  do  coração  para  distribuir  sangue  para  o  organismo. Após  este  período,  ele  relaxa  e  a  pressão  está  no  seu  nível  mais  baixo,  a  chamada  pressão  diastólica.  Esses  valores  são  descritos  em  unidades de mm de Mercúrio (Hg).  Valores  pressóricos,  abaixo  de  90x60  mmHg,  são  considerados  baixos  (hipotensão),  e  acima  de  140x90  mmHg,  elevados  (hipertensão).  Não  necessariamente  os  dois  valores  devem  estar  alterados  para  identificar  a  hiper  ou  a  hipotensão.  Por  exemplo,  uma  pessoa  pode  apresentar  medida  de  170x80  mmHg.  Nesse  caso,  considera­se  hipertensão  pelo  valor  elevado  da pressão sistólica. 
Nota: o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) deve ser feito pelo médico.

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Queda de Pressão Arterial (hipotensão) 
O desmaio é uma perda súbita e breve da consciência relacionado ao aporte inadequado  de  oxigênio  e  outros  nutrientes  ao  cérebro,  o  qual  geralmente  é  provocado por  uma  diminuição  temporária do fluxo sangüíneo. 

Essa redução ocorre sempre que o organismo não consegue compensar rapidamente uma  queda  na  PA.  Certos  indivíduos  apresentam  esse  quadro  durante  o  exercício,  pois  neles  a  demanda  de  oxigênio  pelo  organismo  aumenta  subitamente  e  o  coração  é  incapaz  de  manter  valores pressóricos adequados. Esse tipo de desmaio é denominado síncope de exercício ou de  esforço.  Contudo, a PA também pode diminuir quando a pessoa está desidratada, em decorrência  de exercícios físicos intensos, diarréia ou vômitos incoercíveis.  Às  vezes,  a  ansiedade  leva  ao  aumento  da  freqüência  respiratória,  fazendo  com  que  o  nível  de  gás  carbônico  no  sangue  diminua  e  o  de  oxigênio  aumente.  Nessa  situação,  os  vasos  sangüíneos  do  cérebro  se  contraem  e  o  indivíduo  pode  ter  uma  sensação  de  desmaio,  mas,  muitas vezes, não chega a perder a consciência.  A hipotensão ortostática é a queda excessiva da PA quando a pessoa fica em pé a partir de  uma posição sentada ou até mesmo deitada. Nessa situação, há diminuição do fluxo sangüíneo  para  o  cérebro  e  o  desmaio  é  comum.  Não  se  trata  de  uma  doença  específica,  mas  uma  incapacidade  de  regular  rapidamente  a  PA  na  mudança  da  posição  corporal.  As  causas  são  várias,  porém,  basicamente,  o  que  ocorre  quando  o  indivíduo  assume  a  posição  em  pé,  abruptamente,  é  o  acúmulo  de  sangue  nas  veias  dos  membros  inferiores  e  na  parte  inferior  do  corpo pela  gravidade.  Isso  reduz  discretamente o  volume  sangüíneo, que  retorna  ao  coração e,  conseqüentemente,  a  quantidade  bombeada.  Em  conseqüência,  ocorre  uma  queda  da  PA  momentânea.

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Em um indivíduo normal, há compensação imediata em que: o coração bate mais rápido e  suas contrações tornam­se mais fortes e os vasos sangüíneos se contraem. Se essas respostas  compensatórias não ocorrerem ou forem lentas, o indivíduo apresentará hipotensão ortostática.  A  hipotensão  pode  ocorrer  em  pessoas  saudáveis,  porém  pode  estar  associada  a  enfermidades  graves,  como:  ataque  cardíaco  (infarto  agudo  do  miocárdio),  hemorragias  graves,  acidente vascular cerebral, estados de choque. 
Reconhecimento:  • Fraqueza;  • Tontura;  • Visão turva;  • Náuseas/vômitos;  • Sudorese (suor excessivo);  • Dor de cabeça;  • Extremidades frias;  • Pulso fino. 

O que fazer:  • Deite a vítima em um local arejado.  • Não eleve a cabeça. Mantenha as pernas elevadas.  • Se a vítima sentar­se com demasiada rapidez ou se for carregada em posição ereta,  pode ocorrer desmaio.  • Aqueça a vítima. Previna a perda de calor.  •  Em vítimas  conscientes,  com  história  de má  alimentação  e  baixa ingesta  de  líquidos  em dias quentes, forneça bebidas isotônicas.

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Geralmente,  nos  indivíduos  jovens,  não  são  necessárias  investigações  diagnósticas.  Entretanto,  nas  pessoas  idosas,  o  desmaio  pode  ser  decorrente  de  diversos  problemas  que  impedem  o  ajuste  adequado do  coração  e dos  vasos sangüíneos  a  uma  redução na PA.  Nesse  caso, o tratamento dependerá da causa, que deverá ser investigada com mais detalhes. 

Aumento da Pressão Arterial (emergências hipertensivas) 
A  PA  pode  aumentar  por  causas  simples,  como  estresse  emocional,  ou  por  fatores  potencialmente  fatais,  que  devem  ser  identificados  rapidamente.  O  aumento  da  PA  pode  estar  relacionado  a  sérios  danos  em  órgãos,  como  o  coração,  o  cérebro  ou  os  rins,  acarretando  seqüelas permanentes ou risco de vida, exigindo uma imediata redução através de drogas por via  intravenosa (as chamadas emergências hipertensivas).  O quadro clínico depende principalmente dos órgãos envolvidos. A avaliação médica deve  ser  providenciada  o  quanto  antes  em  vítimas  que  apresentem  valores  pressóricos  elevados  associados a:  • Dor no peito;  • Falta de ar intensa;  • Alteração da consciência;  • Confusão mental;  • Perda ou alteração nos movimentos de membros;
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• Visão borrada.  Lembrar  que  algumas  gestantes  podem  desenvolver  hipertensão  severa,  caracterizando  uma emergência hipertensiva chamada ECLÂMPSIA. As urgências hipertensivas, por outro lado,  são  aquelas  situações  que  necessitam  de  redução  da  PA,  porém  em  algumas  horas,  e  os  medicamentos administrados são, geralmente, por via oral e de ação curta. 

Conduta nos casos de urgências e emergências hipertensivas: 
• Mantenha a vítima deitada em local arejado e calmo.  • Eleve a cabeça e o tórax em torno de 30 a 45 graus. Deixe a vítima confortável.  • Evite movimentá­la.  •  Chame  o  serviço  médico  o  quanto  antes,  pois  a  compensação  da  PA  só  será  possível  através  de  medicamentos.  A  compensação  do  quadro  clínico,  dependendo  do  caso,  é  realizada em unidade de terapia intensiva (UTI). 

Hipoglicemia 
A  glicose  é  um  tipo  de  açúcar  utilizado  como  fonte  energética  no  nosso  organismo.  Basicamente, seus níveis no sangue (glicemia) são controlados por uma variedade de hormônios  que  agem  na  utilização  de  glicose  pelas  células,  sua  produção  e  seu  armazenamento  em  determinados órgãos (como os músculos e o fígado).  Dentre estes, a Insulina é responsável pela diminuição da glicemia e é o foco do problema  dos  diabéticos  que  não  têm  esse  controle  adequado,  pois  não  produzem  esse  hormônio  em  quantidade suficiente, além de apresentarem outros distúrbios relacionados à própria ação dele.  Dessa  maneira,  precisam  compensar  esse  controle  glicêmico  com  medicamentos  chamados  hipoglicemiantes  orais  ou  uso  de  Insulina  injetável,  conforme o  caso.  O  grande problema  é que  uma  vez  administrados,  inevitavelmente  ocorrerão  processos  metabólicos  que  irão  diminuir  a  glicemia.  Para  que  o  nível  de  glicose  no  sangue  se  mantenha  normal,  o  paciente  deverá  se  alimentar adequadamente. Quando essa alimentação não acontece, ocorre a hipoglicemia.  Fonte  de energia  importante  principalmente  para  o  cérebro,  a  glicose desempenha  papel  fundamental em nosso metabolismo e sua diminuição excessiva pode levar a um estado de coma.

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A  vítima  torna­se  inconsciente  e  só  a  administração  suplementar  e  rápida  de  glicose  poderá  restabelecê­la.  Existem  diversas  causas  para  a  hipoglicemia,  porém  a  mais  comum  é  o  uso  de  medicamentos hipoglicemiantes orais e Insulina. 
Reconhecimento:  • Fraqueza;  • Tontura;  • Desmaio;  • Sudorese (suor excessivo);  • Dor de cabeça;  • Coma. 

O que fazer:  • Forneça glicose o quanto antes. O ideal é identificar a hipoglicemia em seus estágios  precoces antes do rebaixamento da consciência. Pode­se oferecer glicose na forma de  açúcar  ou  mel.  A  equipe  médica  habitualmente  administra  glicose  hipertônica  de  uso  endovenoso.  •  Preferencialmente,  verifique  a  glicemia  através  de  glicosímetros,  confirmando  a  hipoglicemia e monitorando os níveis após a administração de glicose. Níveis abaixo de  60 mg/dL ou 3,3 mmol/L associados a sintomas são indicativos de hipoglicemia.  • Sempre cuide da respiração e da circulação através do suporte básico de vida.

Exercícios 
1. A exaustão pelo calor é uma condição potencialmente letal resultante de uma exposição longa  ao  calor,  em  que  a  pessoa  não  pode  suar  o  suficiente  para  baixar  a  temperatura  corpórea.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

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2. Nos casos de hipertensão arterial associado a sinais, como dor no peito e falta de ar, o correto  é  manter  a  vítima  em  repouso,  deitada,  com  as  pernas  elevadas  e  chamar  a  ajuda  imediatamente. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. A exaustão pelo calor é uma condição potencialmente letal resultante de uma exposição longa ao calor, em que a pessoa não pode  suar o suficiente para baixar a temperatura corpórea. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Essa  colocação  está  errada  quando  relaciona  esses  sinais  e  sintomas  à  exaustão,  quando,  na  verdade,  eles  se  referem  à  intermação.  2.  Nos  casos  de  hipertensão  arterial  associado  a  sinais,  como  dor  no  peito  e  falta  de  ar,  o  correto  é  manter  a  vítima  em  repouso,  deitada, com as pernas elevadas e chamar a ajuda imediatamente. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  A  posição  de  repouso  descrita  na  frase  está  contra­indicada,  pois  isso  pode  potencializar  o  aumento  de  pressão  no  cérebro,  podendo complicar ainda mais o quadro.

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As emergências clínicas continuam nesta aula. Agora falaremos sobre convulsões,  acidente vascular encefálico (AVE), intoxicações agudas e asma. Aprenderemos a reconhecer  essas emergências e como proceder em cada caso. 

AULA 18 • EMERGÊNCIAS CLÍNICAS II 

Convulsões 
O sistema nervoso central (SNC) é constituído por órgãos responsáveis pelos movimentos  corpóreos,  fala,  atenção,  memória,  sensações,  enfim,  são  o  centro  que  comanda  nosso  organismo. Um de seus componentes mais conhecidos, o cérebro, é dividido em múltiplas áreas  funcionalmente distintas, isto é, cada parte dele é responsável por cada função que executamos  no nosso dia­a­dia, como sentimentos, movimentos dos braços e assim por diante.  Quando  pensamos  em  pegar  uma  caneta,  por  exemplo,  são  gerados  estímulos  elétricos  em determinadas regiões do SNC, que são conduzidos até os músculos envolvidos, fazendo com  que  se  contraiam  de  maneira  coordenada  para  realizar  o  objetivo.  De  maneira  semelhante,  um  estímulo  doloroso  na  mão  envolve  nervos  que  levam  essa  informação  ao  SNC,  que  interpreta  como uma sensação de dor, ativando a atenção, os músculos responsáveis pela retirada da mão  e tudo o que está relacionado aos atos de defesa. Tudo funciona de forma altamente organizada.  Determinadas  causas  podem  provocar  distúrbios  nas  atividades  elétricas  normais  do  cérebro e levam a uma situação caótica com vários impulsos gerados, que percorrem o órgão em  diversos  sentidos  de  forma  totalmente  desorganizada.  Isso  provoca  estímulos  das  diversas  regiões  cerebrais,  desencadeando  as  funções  por  elas  estabelecidas  de  uma  vez  só.  O  que  ocorre,  então,  são  movimentos,  sensações  e  atos  não  desejados  pelo  paciente,  de  modo  involuntário. Portanto, a pessoa que está convulsionando não tem controle do que está fazendo e,  na maioria das vezes, nem tem consciência.  Convulsão  é  um  distúrbio  neurológico  transitório  decorrente  de  uma  descarga  neuronal  paroxística  no  cérebro.  Epilepsia  denota  qualquer  desordem  caracterizada  por  convulsões  recorrentes.

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As causas são muitas e a avaliação deverá ser realizada por um médico. Como exemplos,  podemos  citar:  trauma,  infecções  que  envolvem  o  SNC  (meningite),  oxigenação  insuficiente  do  cérebro, baixos níveis de glicose no sangue, acidente vascular cerebral (derrame), tumor cerebral  e drogas, como anfetaminas, cocaína. Entre as principais causas, temos: abstinência alcoólica ou  modificações  nas  doses  das  medicações.  As  convulsões  podem  ser  classificadas  em  generalizadas e parciais.  As  crises  generalizadas  caracterizam­se  pelo  envolvimento  difuso  de  todo  o  cérebro  desde  o  início.  São  os  casos  em  que  a  vítima  apresenta  um  quadro  exuberante  com  amplos  movimentos  de  todo  o  corpo.  É  o  quadro  mais  comumente  encontrado.  Nas  crises  parciais,  apenas uma parte limitada do cérebro é ativada, podendo generalizar­se posteriormente. Pode ser  classificada em simples, em que a consciência é preservada, e complexa, com alteração do nível  de consciência. Os sinais e sintomas podem ser motores, sensoriais ou psíquicos, de acordo com  a área estimulada. 
A vítima deve receber atendimento médico o quanto antes nos casos de convulsões que  duram  continuamente  por  mais  de  5  minutos  ou  2,  ou  mais  crises,  sem  que  haja  recuperação da consciência entre elas. 

Reconhecimento:  • As convulsões, freqüentemente, são precedidas por sensações de odores, sabores ou  visões, sem motivo aparente, chamadas de auras.  •  Contrações  descoordenadas,  desde  espasmos  leves  a  movimentos  bruscos  com  os  membros.  • Em geral, a vítima não tem consciência no momento da crise convulsiva.  • Pode urinar ou defecar.  • Salivação excessiva.

O que fazer no momento da convulsão:  • Proteja a vítima de lesões, afastando­a dos objetos à sua volta.  • Tome cuidado em especial com a cabeça da vítima. Segure­a evitando traumas no chão  e, se possível, vire­a de lado para evitar aspiração de secreções. 
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• Não tente imobilizar a vítima.  • Não coloque nada no interior da boca dela.  • Não dê nada para ingerir. 

Após a convulsão:  • Deite­a de lado, de preferência para o esquerdo.  • Na maioria das vezes, a vítima apresenta um quadro de confusão mental e sonolência.  • Aplique o suporte básico de vida, se necessário. Cuidado com a parada respiratória.  • Cuide da privacidade da vítima que se recompõe, pois ela pode se sentir constrangida. 

Acidente Vascular Cerebral (AVC) 
O AVC é uma emergência médica responsável por um grande número de mortes em todo  o mundo, e uma das principais causas de incapacidade funcional. Trata­se de eventos súbitos que  envolvem  o  sistema  nervoso  central,  relacionados  a  distúrbios  que  acometem  os  vasos  sangüíneos,  como  obstrução  das  artérias,  que  provocam  o  infarto  cerebral  ou  hemorragias  intracranianas.  A idade e a hipertensão arterial têm sido os maiores fatores de risco para a ocorrência do  AVC, entre outros.

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Trata­se de uma síndrome de início abrupto. A grande maioria (85% dos casos) é do tipo  isquêmico, sendo o restante do tipo hemorrágico. 

Isquêmico 
A  obstrução  de  ramos  das  artérias  que  irrigam  o  SNC  provoca  o  infarto  cerebral,  isto  é,  morte  das  células  nervosas  que  causa  distúrbios  no  organismo  conforme  o  local  afetado  e  sua  extensão.  O  quadro  clínico  varia  desde  um  déficit  neurológico,  com  perda  de  movimentos  de  membros, até morte súbita. Geralmente, essa obstrução é causada pelo processo de trombose ou  por  pequenos  fragmentos  de  coágulos  (embolia),  oriundos  do  coração  ou  das  carótidas,  com  determinadas patologias. 

Hemorrágico 
A  hemorragia  intracraniana,  por  rompimento  dos  vasos  sangüíneos  cerebrais,  provoca  aumento  da  pressão  dentro  do  crânio  com  compressão  do  cérebro  e  os  outros  órgãos.  Essa  hipertensão intracraniana costuma provocar um quadro grave já desde o início, com rebaixamento  significativo do nível de consciência e dor de cabeça intensa.  O quadro básico de uma vítima com AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico, é:  • Distúrbios motores (incapacidade) que geralmente acometem um só lado da vítima, isto  é, diminuição da força ou paralisia de todo o lado direito ou esquerdo.  • Distúrbios da fala (fala “enrolada”).  • Alteração do nível de consciência: confusão, rebaixamento.  • Dor de cabeça intensa.

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• Alteração sensitiva (formigamentos, diminuição da sensibilidade).  • Alterações visuais (borramento da visão).  Para  identificar  uma  vítima  que  esteja  tendo  um  AVC,  existem  diversos  métodos  de  avaliação, porém um simples é a escala de Cincinnati:  • Peça para a pessoa estender os braços na altura dos ombros e fechar os olhos por 10  segundos;  • Peça para ela falar uma frase;  • Peça para ela sorrir. 

Caso  um  destes  itens  esteja  alterado,  isto  é,  fala  “enrolada”,  ou  não  sustenta  um  dos  braços, ou o sorriso é desviado para um lado, há uma chance significativa de ser uma vítima de  AVC. Quanto mais alterações, maiores são as chances. Nesse momento, acione o serviço médico  de emergência o quanto antes, pois todas as vítimas de AVC são consideradas graves.  Enquanto aguarda o socorro, esteja preparado para aplicar o suporte básico de vida. 

Intoxicações agudas 
Intoxicações  agudas  são  aquelas  decorrentes  de  exposição  única  ou  repetida  a  agentes  químicos em um período de até 24 h.  As  fontes  comuns  de  venenos  incluem  drogas,  produtos  domésticos,  produtos  agrícolas,  plantas, produtos químicos industriais e substâncias alimentícias. A identificação do produto tóxico
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e a avaliação exata do perigo envolvido são fundamentais para um tratamento eficaz. Informações  sobre  o  tratamento  de  intoxicações,  por  várias  substâncias,  podem  ser  obtidas  no  Centro  de  Controle de Intoxicações mais próximo, cujo número telefônico encontra­se no catálogo local ou  pode ser obtido com o auxílio da telefonista.  A  intoxicação  pode  ser  um  acidente  ou  uma  tentativa  deliberada  de  assassinato  ou  de  suicídio. As crianças, especialmente aquelas com menos de 3 anos de idade, são particularmente  vulneráveis  à  intoxicação  acidental,  assim  como  as  pessoas  idosas  (porque  se  confundem  em  relação  aos  seus  medicamentos),  os  pacientes  hospitalizados  (por  erros  de  medicação)  e  os  trabalhadores da indústria (pela exposição a produtos químicos tóxicos).  Os  sintomas  de  intoxicação  dependem  do  produto  tóxico,  da  quantidade  ingerida  e  de  certas características da pessoa que o ingeriu. Alguns produtos tóxicos não são muito potentes e  exigem  uma  exposição  prolongada  ou  ingestões  repetidas  de  grandes  quantidades  para  que  ocorram problemas.  Outros produtos tóxicos  são  tão  potentes que basta  uma  gota  sobre a pele  para causar uma lesão grave.  Os sintomas podem ser pouco importantes, mas desagradáveis (prurido, boca seca, visão  borrada  e  dor),  ou  podem  ser  graves  (confusão  mental,  coma,  arritmias  cardíacas,  dificuldade  respiratória  e  agitação  intensa).  Alguns  produtos  tóxicos  produzem  sintomas  em  segundos,  enquanto outros somente produzem sintomas após horas ou mesmo dias. 
Produtos de uso doméstico e agrícola  Água sanitária, cloro  Álcool (fricção)  Amônia  Naftalina  DDT  Desodorantes  Gasolina  Herbicidas  Limpadores de vasos sanitários  Líquidos de limpeza  Pesticidas (venenos para formigas, ratos e baratas)

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Querosene  Solventes de tinta  Verniz, Esmalte de unhas e removedores  Xampus

Orientações gerais:  •  O  socorrista  deve  proteger­se  contra  exposições  aos  agentes  tóxicos  utilizando  equipamentos de proteção individual adequados antes de iniciar o atendimento.  • Avalie a vítima e forneça suporte básico de vida, se necessário.  •  Como  o  tratamento  é  realizado  de  forma  mais  adequada  quando  o  produto  tóxico  é  conhecido,  os  recipientes  e  amostras  de  vômito  devem  ser  guardados  e  entregues  ao  médico.  •  Na  maioria  das  embalagens dos produtos, há um  número  de  telefone  para  orientações  sobre as condutas nos casos de intoxicações agudas.  •  Ligue  imediatamente  procurando  por  ajuda.  Caso  não  identifique  o  número  de  emergência na embalagem, ligue para o centro de controle de intoxicações (CCI) local.  • Não é recomendada a indução de vômitos.  •  Não  dê  substâncias  visando  neutralizar  o  tóxico.  Cremes,  gelatinas,  clara  de  ovos  e  outros agentes, como antiácidos, suco de limão e vinagre, não têm ação benéfica.  • Remova as vestes contaminadas com cuidado para não se expor ao tóxico. Utilize água  corrente por, pelo menos, 20 minutos para a descontaminação.  •  Os  casos  de  intoxicações  agudas  são  divididos  em  síndromes  tóxicas,  devidamente  avaliadas  pela  equipe  médica,  e  para  cada  agente  identificado  há  um  tratamento  específico. Portanto, o transporte para o hospital deve ser realizado o quanto antes. 

Asma – Broncoespasmo 
Pacientes  asmáticos  são  aqueles  que  apresentam  reações  inflamatórias  crônicas,  com  exacerbações  na  forma  de  crises,  que  culminam  em  espasmos  da  musculatura  da  árvore 

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brônquica.  O  resultado  disso  é  a  diminuição  da  passagem  de  ar,  que  prejudica  a  ventilação,  provocando uma insuficiência respiratória.  O exercício físico atua como um estímulo no desencadeamento do broncoespasmo, e isso  pode  ser  fatal  em  alguns  casos.  Normalmente,  os  pacientes  asmáticos  recebem  orientações  médicas do que fazer antes, durante e após as atividades físicas. Já estão habituados a lidar com  o broncoespasmo, utilizando­se de medicamentos chamados broncodilatadores.  Estes são de fácil aplicação e geralmente têm um efeito imediato no alívio da falta de ar.  Entretanto, não resolvem todas as situações e, nesses casos, pode ocorrer uma fatalidade. 
Reconhecimento:  • Falta de ar;  • “Chiado no peito”;  • Coloração azulada da pele;  • Rebaixamento do nível de consciência;  • História prévia de asma.

O que fazer:  • Procure por medicamentos broncodilatadores (“bombinhas”) junto à vítima. Normalmente,  asmáticos andam com suas medicações por perto.  • Tente acalmá­la. Qualquer esforço pode piorar o quadro.  • Deite­a com o decúbito elevado, isto é, deixe­a quase sentada.  • Se possível, forneça oxigênio à vítima através de máscaras.  Providencie socorro médico nos casos em que a falta de ar seja intensa, com alteração da  coloração  da  pele  ou  do  nível  de  consciência,  ou  quando  a  medicação  habitual  não  aliviar  o  quadro. 

Exercícios 
1. No atendimento a uma vítima que esteja convulsionando, proteja­a de lesões, afastando­a dos  objetos  à  sua  volta;  tome  cuidado,  em  especial,  com  a  cabeça  da  vítima,  segure­a  evitando  traumas no chão; se possível, vire­a de lado para evitar aspiração de secreções e contenha os  seus movimentos. Pode­se dizer que essa idéia está: 
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a) Correta.  b) Incorreta.  2. Após o reconhecimento do AVE, acione o serviço médico de emergência o quanto antes, pois  todas as vítimas de AVE são consideradas graves. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1. No atendimento a uma vítima que esteja convulsionando, proteja­a de lesões, afastando­a dos objetos à sua volta; tome cuidado, em  especial, com a cabeça da vítima, segure­a evitando traumas no chão; se possível, vire­a de lado para evitar aspiração de secreções  e contenha os seus movimentos. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Não  devemos  conter  os  movimentos  da  vítima,  pois  isso  pode  causar  grande  exaustão  muscular  após  a  vítima  retomar  a  consciência.  2.  Após  o  reconhecimento  do  AVE,  acione  o  serviço  médico  de  emergência  o  quanto  antes,  pois  todas  as  vítimas  de  AVE  são  consideradas graves. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  De  fato  essas  vítimas  precisam  de  cuidados  médicos  imediatos,  pois  quanto  antes  eles  forem  providenciados  menores  serão  as  seqüelas.

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As queimaduras mais comuns do dia­a­dia são as causadas por calor. As causas são  diversas: contato com objetos quentes (panela no fogão, por exemplo), vapor, água fervente,  explosões, incêndios, etc. Entretanto, diversos outros tipos de queimaduras podem ser  observados, embora com uma menor freqüência; é o exemplo das queimaduras químicas e  elétricas. Nesta aula, conheceremos e discutiremos os tipos de queimaduras, suas classificações  e como agir de forma emergencial nesses casos. 

AULA 19 • QUEIMADURAS 
Os principais tipos de queimadura são: por calor, química e elétrica.  As  queimaduras  elétricas  costumam  apresentar  orifícios  de  entrada  (região  em  contato  com a fonte) e de saída (normalmente, a região em contato com o solo) que representam o início  e  o  fim  do  trajeto  percorrido  pela  corrente  elétrica  no  organismo.  Lesões  internas  devastadoras  podem  estar  presentes,  assim  como  distúrbios  nos  funcionamentos  cardíaco  e  respiratório  representados  por  arritmias  cardíacas  e  parada  respiratória,  respectivamente.  Além  disso,  contrações  vigorosas  de  grupos  musculares  podem  causar  até  fraturas.  Em  determinadas  situações,  o  corpo  humano  pode  funcionar  como  um  arco  voltaico,  ocasionando,  nesses  casos,  queimaduras de pele, principalmente.  Outro  grupo  de  queimaduras  é  a  química.  Diversas  substâncias  podem  causar  queimaduras ao entrar em contato com a pele ou se forem ingeridas. Exemplos: 
• Ácidos como Ácido Clorídrico (muito utilizado em limpezas de pisos), Sulfúrico (como  solução de bateria de carro);  • Álcalis como Soda Cáustica, Cal virgem, Amônia (“Ajax”);  • Outras substâncias como solventes orgânicos (“Thinner”).

Álcalis penetram mais no tecido causando lesões mais profundas.  As  queimaduras  mais  comuns  do  dia­a­dia  são  as  causadas  por  calor.  As  causas  são  diversas:  contato  com  objetos  quentes  (panela  no  fogão,  por  exemplo),  vapor,  água  fervente,  explosões, incêndios, etc. 

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Classificação 
As queimaduras são classificadas de acordo com a extensão (pela regra dos Nove) e pela  profundidade (primeiro, segundo e terceiro grau):  Primeiro Grau: dor e vermelhidão. Exemplo ilustrativo: na praia, quando as costas ficam  vermelhas após tomar muito sol.  Segundo  Grau:  dor,  vermelhidão  e  bolhas.  O  quadro  acima,  só  que  a  lesão  é  mais  profunda. Por isso, há o aparecimento de bolhas.  Terceiro  Grau:  Indolor,  áreas  escuras  ou  brancas.  Queimadura  grave.  Necessita  de  tratamento médico emergencial.  Lembre­se de que nos casos de queimadura de terceiro grau coexistem as de primeiro e  segundo. Nota:  nas  queimaduras  de  terceiro  grau,  as  áreas  são  indolores  devido  às  terminações  nervosas estarem lesadas. 

Extensão: 
A palma da mão da vítima equivale a 1% de sua superfície corporal, independente da  idade. Pode­se estimar com mais facilidade a área queimada do que a regra dos nove: 
Área  Cabeça e pescoço  Membros superiores  Tronco anterior  Tronco posterior  Genitais  Membros inferiores  ADULTO  9%  9%  18%  18%  1%  18%  CRIANÇA  18%  9%  18%  18%  ­  14%

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Vapores, gases e fumaça – Lesão por inalação 
A lesão inalatória é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após a inalação  de  produtos  da  combustão,  e  é  a  principal  responsável  pela  mortalidade  das  vítimas  de  queimaduras.  Cerca  de  33%  dos  pacientes  com  queimaduras  extensas  apresentam  lesão  inalatória e o risco aumenta progressivamente com o aumento da superfície corpórea queimada. A  presença  de  lesão  inalatória,  por  si,  aumenta  em  20%  a  mortalidade  associada  à  extensão  da  queimadura.  Geralmente, o ar não conduz calor o suficiente para causar queimaduras nas vias aéreas,  mas o Vapor pode provocar tais lesões mais comumente. O acometimento costuma ser da laringe  ou das cordas vocais, limitando­se nas vias aéreas superiores. A obstrução das vias aéreas pode  ocorrer  até  24  horas  após  o  acidente.  Em  alguns  casos,  a  intubação  orotraqueal  não  deve  ser  adiada.  As  partículas  da  fumaça  inaladas  são  a  principal  causa  de  lesão  pulmonar.  O  socorrista  deve  utilizar  equipamentos  de  proteção  adequados  ao  entrar  em  locais  cheios  de  fumaça  para  prestar o atendimento.  A  combustão  de  alguns  materiais  pode  liberar  substâncias  tóxicas  voláteis  (cianeto,  por  exemplo) que, se inaladas, costumam causar danos celulares em todo o sistema respiratório. Os  sintomas podem não ser evidentes no início, agravando­se após 12 a 36 horas.  Muitas  vítimas  perdem  suas  vidas  devido  à  inalação  de  gases  tóxicos  ou  falta  de  oxigenação do ambiente. Tais mortes não estão relacionadas diretamente às queimaduras.  Procure por sinais de lesão por inalação:  • Queimaduras na face e tórax superior;  • Pêlos da face e do nariz chamuscados;  • Escarro carbonáceo (enegrecido);  • Estridor.  Considere  vítimas  de  incêndios em  locais  confinados  como  intoxicadas  por  monóxido  de  carbono.  Os  sinais  e  sintomas  principais  são:  dor  de  cabeça  e  estado  neurológico  alterado.  Oxímetros de pulso podem não ser confiáveis nessa situação.  Vítimas  intoxicadas  por  monóxido  de  carbono  ou  cianeto  são  beneficiadas  com  oxigênio  em altas concentrações próximas de 100% (máscara com reservatório).

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Queimadura por calor: 
O que fazer?  1) Esfrie o local com água corrente (15 a 30 minutos);  2) Remova adornos e vestes;  3) Aplique curativo antiaderente. Não utilizar curativos que deixam partículas nas lesões ou  com soluções, cremes e pomadas;  4) Proteja a vítima da hipotermia nas queimaduras extensas.  O  resfriamento  diminui  a  inflamação  reduzindo  o  inchaço  e  a  dor.  Uma  vez  diminuída  a  temperatura, o cuidado deverá ser com a perda excessiva de calor que pode levar a vítima a um  estado de hipotermia, principalmente nos casos mais graves.  O que Não fazer em queimaduras:  1) Furar as bolhas;  2) Aplicar cremes ou pomadas;  3) Dar líquidos e alimentos nos casos de queimaduras graves;  4) Remover à força as vestes aderidas à pele;  5) Resfriar mais de 10% da superfície corporal em adultos;  6) O debridamento não deve ser realizado no local.  Cuidado  com  o  gelo,  pois  este  pode  causar  lesões  secundárias  pelo  frio,  piorando  a  situação da vítima. As bolhas mantêm a integridade da pele e seu rompimento significa o contato  com o meio ambiente, propiciando infecções.  Pomadas,  cremes  e  outras  substâncias  devem  ser  evitados,  pois  podem  comprometer  a  avaliação médica ou piorar o quadro pelas reações alérgicas que podem ocorrer.  O resfriamento com produtos úmidos não deverá ultrapassar 10% da superfície corporal da  vítima  nem  deverá  ser  em  tempo  maior  do  que  10  a  15  minutos.  Extremo  cuidado  com  a  hipotermia.  A  retirada  de  tecidos  mortos  (debris)  será  realizada  em  ambiente  hospitalar.  Priorize  o  transporte.  Existem diversos produtos no mercado como o BURNSHIELD que, além de promover um  rápido resfriamento, protege a área lesada, funcionando como  curativos.
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Queimaduras químicas 
1) Jamais se esqueça de sua proteção (luvas, óculos de proteção, etc).  2) Lavar com grande quantidade de água, sempre cuidando para que o socorrista também  não  seja  acometido.  Procure  retirar  as  vestes  da  vítima,  assim  como  os  calçados  (podem reter a água com a substância tóxica).  3) O tempo exato de irrigação não está determinado. Recomenda­se que seja iniciado no  local e interrompido na chegada ao hospital. Mínimo por 20 minutos.  4) Para facilitar a equipe médica do hospital, procure identificar a substância nociva.  5)  Não  utilizar  agentes  neutralizadores,  pois  pode  ocorrer  liberação  de  calor  no  local,  agravando a lesão tecidual.  6)  Caso  o  produto  químico  seja  em  forma  de  pó  seco,  remova­o  escovando  a  área  acometida gentilmente com pano limpo. 

Queimadura química nos olhos: 
1)  Lavar  com  grande  quantidade  de  solução  salina.  Recomenda­se  conter  as  mãos  da  vítima  pela  falta  de  colaboração  em  grande  parte  dos  casos.  Cuidado  para  não  acometer o olho sadio no momento da irrigação.  2) Agentes anestésicos tópicos podem ser utilizados, se necessário.

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Queimadura elétrica 
1) Cuidado para não ser eletrocutado!!! Desligue a fonte.  2) Monitorize a vítima.  3)  Não  caia  em  armadilhas!!!  Lembre­se  de  que  lesões  internas  graves  podem  estar  presentes. 

Casos que requerem avaliação médica imediata: 
1) Queimaduras em articulações, genitais, mãos, pés e face.  2) Suspeita de queimadura das vias aéreas (lesão por inalação).  3) Queimaduras circunferenciais em tórax ou extremidades.  4) Queimadura do terceiro grau independente da extensão.  5) Queimadura de segundo grau maior do que 10% da superfície corporal da vítima.  6) Queimaduras elétricas ou químicas. 

Eletricidade 
A gravidade da lesão, que pode variar desde uma queimadura de pouca importância, até a  morte, é determinada  pelo  tipo e força da  corrente,  resistência  do  corpo  à  corrente  no ponto  de  entrada, caminho da corrente através do corpo e duração de exposição à corrente.  Em geral, a corrente contínua (CC) é menos perigosa que a corrente alternada (CA). Os  efeitos  da  corrente alternada  no  organismo  dependem  em  grande  parte da  velocidade  com  que  ela se alterna (isto é, sua freqüência), que é medida em ciclos por segundo (hertz).  As  correntes  de  baixa  freqüência  (60  hertz  comumente  utilizadas  no  Brasil)  são  mais  perigosas que correntes de alta freqüência. A corrente alternada a 60 hertz, freqüentemente, faz  com  que  os  músculos  permaneçam  contraídos  na  posição  impedindo  que  as  vítimas  consigam  soltar  a  fonte  de  corrente.  Em  decorrência  disso,  a  exposição  pode  ser  prolongada,  causando  queimaduras  graves.  Geralmente,  quanto  mais  alta  a  voltagem  e  a  amperagem,  maior  a  lesão,  independentemente do tipo de corrente.

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PRIMEIROS SOCORROS 

Exercícios 
1. Em queimaduras elétricas, devemos imediatamente retirar a vitima do contato com a fonte de  energia elétrica utilizando luvas próprias. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2. Em queimaduras pelo calor o procedimento correto é:  1) Esfriar o local com água corrente (15 a 30 minutos);  2) Remover adornos e vestes;  3) Aplicar curativo antiaderente. Não utilizar curativos que deixam partículas nas lesões ou com  soluções, cremes e pomadas;  4) Proteger a vítima da hipotermia nas queimaduras extensas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1.  Em  queimaduras  elétricas,  devemos  imediatamente  retirar  a  vitima  do  contato  com  a  fonte  de  energia  elétrica  utilizando  luvas  próprias. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Em primeiro lugar, o socorrista deve ter o cuidado de não ser eletrocutado. O correto é, antes de tudo, desligar a fonte de energia.  2. Em queimaduras pelo calor o procedimento correto é:  1) Esfriar o local com água corrente (15 a 30 minutos);  2) Remover adornos e vestes;  3) Aplicar curativo antiaderente. Não utilizar curativos que deixam partículas nas lesões ou com soluções, cremes e pomadas;  4) Proteger a vítima da hipotermia nas queimaduras extensas.  Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  A seqüência de ações está correta.

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Mordeduras e picadas de animais podem ocorrer no nosso dia­a­dia em situações de lazer,  trabalho, enfim, em qualquer lugar e a qualquer hora. Nesta aula, falaremos sobre mordeduras e  picadas, causadas por acidentes com cobras, aranhas, escorpiões e insetos. A aula ainda trata da  incidência desses acidentes em âmbito nacional, riscos e conseqüências do contato com esses  animais e como podemos ajudar essas vítimas. 

AULA 20 • MORDEDURAS E PICADAS 
Mordeduras e picadas de insetos podem ocorrer no nosso dia­a­dia em situações de lazer,  trabalho, enfim, em qualquer lugar e a qualquer hora.  Insetos  podem  provocar  uma  ligeira  coceira,  mas  também  reações  alérgicas  tão  graves  com risco de morte.  Acidentes  com  aranhas  ou  escorpiões  podem  ser  fatais  para  o  ser  humano,  porém  a  grande  maioria  não  provoca  além  de  dor,  inchaço  leve  e  vermelhidão  local.  Anualmente,  registram­se  cerca  de  5.000  acidentes  com  aranhas  e  8.000  com  escorpiões  no  país.  A  mortalidade é baixa, sendo sempre maior em idosos e crianças.  Carrapatos  podem  transmitir  doenças  como  a  Febre  Maculosa  ou  a  Doença  de  Lyme. A  Febre  Maculosa  pode  levar  à  morte  em  até  20%  dos  casos  não­tratados  adequadamente.  A  Doença de Lyme pode causar complicações tardias em nervos, articulações e coração.  Cobras  venenosas  podem  provocar  a  morte  em  pouco  tempo  se  a  vítima  não  receber  tratamento específico. Todo ano são notificados cerca de 20.000 casos de acidentes ofídicos.  Em qualquer das situações acima, o socorro imediato é essencial para evitar complicações  e até mesmo a morte. 

Mordeduras de animais: 
Deve­se ter o máximo cuidado com animais raivosos. Suspeite caso o animal ataque sem  ser provocado ou aja de modo não­habitual (um animal geralmente dócil apresenta­se agressivo

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sem  motivo  aparente).  Considere  também  os  casos  de  ataques  por  espécies  silvestres,  como  morcegos, gambás, guaxinins e macacos.  A Raiva é uma doença viral transmitida por mordeduras ou arranhaduras e lambeduras em  mucosas por animais infectados. Uma vez manifestado o quadro clínico, a morte é praticamente  certa.  Portanto,  deve­se  instituir  o  quanto  antes  o  tratamento  específico  em  centros  especializados. 

O que fazer em caso de mordedura de animais: 
• Mantenha sua segurança: cuidado para não ser atacado por animais raivosos;  • Ative o serviço médico de emergência;  • Estanque hemorragias;  • Lave a ferida com água e sabão.  Obs.:  os  procedimentos  nos  casos  de  mordeduras  humanas  são  os  mesmos.  Vale  ressaltar que, nesse caso, o risco de infecção é elevado, pois a boca contém muitas bactérias. 

Mordeduras de cobras: 
No Brasil, as principais cobras que atacam o homem são: 
Cascavel  Coral  Jararaca  Surucucu

Acidentes ofídicos registrados: 
Os  acidentes  causados  por  Jararacas  são  os  mais  comuns,  seguidos  por  Cascavéis  e  Corais:  Jararaca: 86%  Cascavel: 12,9%  Coral: 1,1% 

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A mortalidade geral é baixa, em torno de 0,4%. O acidente crotálico (Cascavel) tem maior  mortalidade do que o botrópico (Jararaca). 

Prevenção de acidentes ofídicos 
Os pés e os tornozelos têm sido os locais mais comumente acometidos (52%). Para evitar  acidentes ofídicos:  • Mantenha a área em volta de casa sempre limpa e livre de entulhos;  • Use sapatos, botinas ou botas de cano alto;  •  Não  coloque  as  mãos  em  buracos  de  terra,  madeira  oca  e  outros  locais  sem  boa  visibilidade;  •  Examine  o  local  antes  de  ultrapassar  um  obstáculo,  como  pedras  ou  troncos  caídos  e  locais próximos a barrancos ou margens de rios, lagos ou represas. 

Sinais de envenenamento em acidentes ofídicos 
As  substâncias  tóxicas  inoculadas  pelas  serpentes  peçonhentas  ganham  a  circulação  sangüínea e provocam reações como:  • Náuseas / Vômitos;  • Sensação de fraqueza;  • Queda da pálpebra;  • Dor muscular generalizada;  • Diminuição do volume urinário;  • Sensação de fraqueza.  Diante  desses  sinais  e  sintomas,  providencie  avaliação  médica  o  quanto  antes,  pois  o  veneno já ganhou a corrente sangüínea e pode provocar reações cada vez mais graves. 

O que fazer em caso de picada de cobra?  • Cuide da vítima. Não vá a busca do animal.

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•  A  vítima  deve  permanecer  em  repouso.  Quanto  menos  esforço  físico,  menor  será  a  circulação do veneno.  • Lave o local com água e sabão, gentilmente.  • Faça curativo enrolando ataduras sobre a mordida, no caso de acidente por coral.  O que Não fazer?  • Torniquete;  • Aplicar frio ou gelo;  • Cortar e chupar o veneno;  • Choque elétrico;  • Pomadas, cremes, etc. 

Picadas de insetos: 
Podem  provocar  desde  pequenos  incômodos,  como  coceiras,  dor  leve,  vermelhidão,  um  pouco de inchaço a quadros alérgicos graves com risco de morte.  Existem pessoas que apresentam reações alérgicas exacerbadas (anafilaxia) quando são  picadas  por  insetos,  mais  comumente  abelhas.  Se  essas  vítimas  não  forem  tratadas  imediatamente, a morte é inevitável.  Nesses  casos,  a  administração  de  medicamentos  injetáveis  é  mandatória  em  hospital.  Algumas  pessoas  alérgicas  sabem  que  correm  o  risco  de  uma  reação  anafilática  e  andam  preparadas com injetores portáteis de Adrenalina (parecidas com canetas) para que elas mesmas  possam se auto­injetar.  Vale  sempre  ressaltar  que  o  socorrista  leigo  nunca  deve  administrar  quaisquer  medicamentos à vítima. Apenas deve ajudá­la a se medicar. 

Atenção aos sinais de reação alérgica grave:  • Inchaço da língua e da face;  • Dificuldade em respirar;  • Choque: queda de pressão, fraqueza, pulso fino e rápido, sudorese.

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Mordeduras de aranhas e escorpiões: 
As aranhas mais nocivas ao homem são:  • Viúva­negra  • Aranha marrom  Entretanto, a mortalidade tem sido baixa nesses tipos de acidentes: 0,03%.  O acidente mais freqüente é causado pela Armadeira: 60,7%. Esta aranha abriga­se em  cachos de bananas e calçados, por isso os locais mais acometidos são mãos e pés.  A  aranha  Caranguejeira,  apesar  de  seu  tamanho  e  aparência  assustadora  para  muitas  pessoas,  não  têm  aparelho  inoculador,  portanto,  não  picam.  Entretanto,  seus  pêlos  podem  provocar reações alérgicas devido a certas substâncias presentes neles.  O Escorpião marrom é mais encontrado na região de SP e é o causador dos acidentes  mais graves. Porém, a mortalidade é baixa. 

O que fazer nos casos de acidentes com aranhas e escorpiões:  • Lave o local acometido com água e sabão;  • Esfrie o local com uma bolsa de gelo sobre uma toalha. 
Qualquer dúvida, entre em contato com o Hospital Vital Brasil:  Av. Vital Brasil, 1.500 ­ Butantã ­ São Paulo ­ SP  Fone: (0xx11) 3726­7962  3726­7222 (r. 2002 ou 2000)

Carrapatos: 
São comumente encontrados em zonas rurais e podem transmitir doenças, como a Febre  Maculosa e a Doença de Lyme.  Algumas dicas para remover um carrapato fixo à pele:  • Removê­lo com os dedos ou uma pinça, evitando apertar o carrapato;  • Levante­o e aguarde por alguns segundos que ele irá se soltar; 
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• Lave o local com água e sabão;  • Esfrie o local.  O que Não fazer:  • Usar vaselina;  • Friccionar com álcool ou gasolina;  • Palito de fósforo quente.  Alguns exemplos de carrapatos transmissores de doenças:  Carrapato  Estrela:  Transmite  a  Febre  Maculosa  –  manchas  róseas  na  pele,  sangramentos, necrose das lesões de pele, mortalidade de 20%.  Carrapato Ixodes: Transmite a Doença de Lyme – meningite, encefalite, danos de nervos,  artrites, pericardite, mortalidade baixa – complicações tardias. 

Exercícios 
1. As mordeduras humanas são menos perigosas do que as de animais, pois o risco de infecção é  menor. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta.  2.  Existem  pessoas  que  apresentam  reações  alérgicas  exacerbadas  (anafilaxia)  quando  são  picadas  por  insetos,  mais  comumente  por  abelhas.  Se  essas  vítimas  não  forem  tratadas  imediatamente, a morte é inevitável. Pode­se dizer que essa idéia está:  a) Correta.  b) Incorreta. 

Respostas dos Exercícios 
1.  As  mordeduras  humanas  são  menos  perigosas  do  que  as  de  animais,  pois  o  risco  de  infecção  é  menor.  Pode­se  dizer  que  essa  idéia está:  RESPOSTA CORRETA: B  Na verdade, o risco de infecção é elevado, pois a boca contém muitas bactérias.  2. Existem pessoas que apresentam reações alérgicas exacerbadas (anafilaxia) quando são picadas por insetos, mais comumente por  abelhas. Se essas vítimas não forem tratadas imediatamente, a morte é inevitável. Pode­se dizer que essa idéia está:  RESPOSTA CORRETA: A  De  fato  essas  pessoas  devem  ser  atendidas  de  forma  imediata,  pois  a  reversão  do  quadro  só  se  dá  através  de  medicamentos.  Acionar o socorro e monitorar a vítima são as atitudes corretas.

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