Centro de Tecnologia Mineral Ministério da Ciência e Tecnologia Coordenação de Inovação Tecnológica – CTEC Serviço de Processamento Mineral - SEPM

DESENVOLVIMENTO DE FLUXOGRAMA DE BENEFICIAMENTO MINERAL PARA RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Adão Benvindo da Luz Engº. de Minas, D. Sc. Maurício Leonardo Torem Ricardo F. Lanzellotti

Rio de Janeiro Junho / 2004 CT2004-014-00 Comunicação Técnica elaborada para o XX Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Mineralogia Extrativa. 15 a 18 de Junho de 2004 – Florianópolis – SC. Págs 351 - 358, Volume 2.

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com o intuito de compreender as condições ideais para possibilitar seu uso de forma racional e otimizada na substituição de agregados naturais em qualquer etapa da constrição civil.gov. Reciclagem. o objetivo do trabalho é analisar propostas de desenvolvimento de fluxogramas de beneficiamento mineral aplicados a esta particular matéria-prima. Postal 38097 – 22453-900 – Rio de Janeiro – RJ. muito destes resíduos são depositados clandestinamente em aterros irregulares.br .DESENVOLVIMENTO DE FLUXOGRAMA DE BENEFICIAMENTO MINERAL PARA RESÍDUOS SÓLIDOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL Lanzellotti. Entulho. A. colaborando com o agravamento de enchentes. Considerando os aspectos citados. R. obstruindo córregos e rede de drenagens. Além disto. 225 – Gávea Cx.puc-rio. Área Temática: Reciclagem . Pesquisas internacionais indicam que esta quantidade oscila entre 0. Torem.B2 (1) Departamento de Ciências dos Materiais e Metalurgia –Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – Rua Marques de São Vicente. especialmente aqueles próximos aos grandes centros urbanos.puc-rio.RJ aluz@cetem. 900 – Ilha da Cidade Universitária – 21941-590 – Rio de Janeiro .F.1 .ano. Palavras-chave: Matérias-Primas .1.br Os resíduos sólidos gerados nas diversas etapas da construção civil tem sido motivo de especial atenção dos órgãos ambientais.L. O volume de entulho de construção e demolição gerado é até duas vezes maior que o volume de lixo sólido urbano. Luz.br (2) Centro de Tecnologia Mineral – Av. torem@dcmm. Fluxograma de Beneficiamento. favorecendo a proliferação de mosquitos e outros vetores. M. estes resíduos não reciclados são depositados em aterros sanitários que ocupam espaços cada vez mais valorizados. levando boa parte das prefeituras a gastar um volume de recursos públicos na sua remoção. Ipê.7 a 1 ton/habitante. lanzelot@dcmm. tendo em vista que esta atividade é certamente a maior geradora de resíduos de toda a sociedade.

A baixa qualidade do agregado produzido. sendo a quantidade de resíduos duas vezes maior que a de outros sólidos municipais (Pera. Apesar destas dificuldades. Entretanto. de que reciclado tem uma qualidade inferior. Anteriormente as pesquisas se baseavam no estudo do desperdício dos materiais no canteiro de obra.INTRODUÇÃO O reaproveitamento de resíduos para o uso em construção é praticado desde a Grécia antiga. 1997). utensílios. as quais estão cada vez mais escassas e com valor agregado maior. tomando como base a pesquisa acima e adotando o valor médio de construção civil por metro quadrado no Rio de Janeiro (Pini. Nas últimas décadas. A reciclagem de resíduos de construção em escala significativa é prática recente no Brasil.00. em uma construção de 200m² teríamos uma perda de R$ 37. o estudo das propriedades e utilização deste tipo de resíduo está começando agora. como sub-base para pavimentação. meio-fios. utilizados na construção de 175 mil unidades habitacionais (De Paw & Lauritzen. como aglomerantes aproveitando as propriedades pozolânicas do material (Santos. na Argélia. briquetes. Segundo as estimativas. tijolos. 1997). transporte e destinação deste resíduo. pode ocorrer que a velocidade do uso seja maior que a das pesquisas e da normatização. vários países vêm adotando medidas que levaram a um maior desenvolvimento da pesquisa e normatização dos produtos resultantes.0 t/hab. totatalmente errôneo. Na década de 90 iniciou-se a implantação de usinas recicladoras por iniciativas de Prefeituras Municipais do Sul e Sudeste para reciclagem dos resíduos produzidos em suas regiões aplicando estes produtos em serviços simplificados. iniciada com a utilização de pequenos moinhos em construção de edifícios para o reaproveitamento dos resíduos de alvenaria para a produção de argamassa para aplicação em emboço e reboco (Zordan. tendo sido iniciado com mais ênfase a partir da segunda metade da década de 90. a reciclagem tende a avançar pois o resíduo é gerado em grande quantidade e demanda grandes áreas para sua destinação. No Brasil. substituição de cascalho para cobrimento de vias secundárias e como agregados para fabricação de peças pré-moldadas (blocos. Na Alemanha. foi após o terremoto que destruiu a cidade de Asnam. principalmente por razões ambientais.15. a falta de conhecimento das características de composição e o teor de contaminantes provocam uma utilização simplificada que impede o crescimento do consumo como produto alternativo. Na Europa a geração de resíduos corresponde a aproximadamente 1. segundo o I&T (1995) este desperdício representa aproximadamente 55% em massa do total de résíduos sólidos urbanos em municípios de médio e grande porte.ano. etc. em 1980. 1994). etc).086. Há relatos da presença de rejeitos cerâmicos (telhas. mesmo apresentando um custo atraente. Para termos uma idéia do valor desperdiçado em uma obra. não sendo contabilizado o custo da retirada. 1994). que motivou uma pesquisa internacional para o aproveitamento dos rejeitos na fabricação de blocos de concreto. causando prejuízos econômicos e de credibilidade do material. . Com a instalação de usinas pelas prefeituras devido as vantagens econômicas proporcionadas. à serem utilizados na reconstrução das casas (De Paw & Lauritzen. durante a Segunda Guerra.1975). ocasionando possíveis erros de uso. agregando ao material o conceito. poderiam ter sido fabricados aproximadamente 50 milhões de blocos. onde pesquisas realizadas chegam a conclusão que 20% (em massa) do material empregado é desperdiçado.) como agregados em concretos rudimentares e . foram reciclados aproximadamente 115 milhões de m³ de resíduos de construção e demolição. out/2003) que é de R$ 927. moídos.

Segundo Ângulo et al. lajes e pisos a dimensões que os tornem passíveis de transporte. efetuar somente uma classificação granulométrica do material. materiais betuminosos. rocha. os remanescentes de moagem com granulometria mais fina. sobram areia e finos de argamassa. Pinto & Agopyan (1994) classificaram a composição dos resíduos de construção no Brasil da seguinte forma: Argamassa – 64. etc. sendo este o resíduo predominante em todas as regiões do país. em geral são formados por vários materiais tais como concretos. Isto pode também implicar obtenção de materiais com diferente comportamento mecânico. como vermelho.60% Concreto – 4. não se reduz a granulometrias finas.etc. madeira.00% Produtos Cerâmicos – 31. a própria operação da planta e maximização de sua produtividade.20% Solo – 0. existindo uma predominância das frações mais finas (brita 1.COMPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS Os resíduos de construção. se necessário. a média dos materiais que compõem permanecem dentro da faixa. componentes orgânicos. ou seja. ou seja. branco e misto. a maioria do material precisa sofrer uma operação de britagem antes da classificação granulométrica.(2002) 95% dos resíduos da cidade de São Paulo são de interesse para reciclagem como agregados para a construção civil. A partir dos experimentos concluímos que os resíduos de construção são compostos predominantemente de materiais minerais inertes (cerâmica.) com uma predominância de argamassas e materiais cerâmicos tendo a argamassa uma variação considerável devido ao tipo de obra onde o resíduo foi gerado. o único objetivo é reduzir o tamanho de paredes. refere-se a caracterização dos entulhos por meio da cor do agregado produzido. pedrisco e areia). em construções novas. Ou seja. deve prever um layout adequado a. plásticos. mas sim a blocos passíveis de carregamento e transferência para fora do local de demolição.20% Zordan et al (2000) concluíram que apesar da composição do resíduo variar com o tempo. argamassas. A composição granulométrica do resíduo varia em função de sua origem. caracterizados como classe A na resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). areia. As primeiras implicações para o processo é que grande parte do material oriundo de construções novas é passível de separação por um simples peneiramento. enquanto isto. aglomerantes) e de impurezas (plásticos. Já na demolição. economizando energia na operação de cominuição tornando ainda mais econômico o processo de beneficiamento. papel. BENEFICIAMENTO A experiência existente no Brasil e registrada em trabalhos anteriores. na demolição. com conseqüente redução de custo. cerâmicas. bem como aparas de acabamento cerâmico e outros. .

How-Ji Chen et al (2002) desenvolveu um fluxograma de beneficiamento baseado nas características físicas de componentes cerâmicos presentes no resíduo (fig 01) e na classificação granulométrica menor que 5mm. em fução da quantidade de material cerâmico (Tabela 1 e 2) chegando a resultados que demonstram esta influência nas propriedades mecânicas. deve adequar-se a diversidade de aplicações do agregado reciclado onde critérios de classificação. afetando diretamente o fator água/cimento. determinam a eficiência do uso e. How-Ji Chen et al (2002) analisou o resultado dos ensaios de corpos de provas com variações da blenda do agregado reciclado. . alterando a hidratação do cimento e conseqüentemente sua resistência aos esforços. Alimentação Britagem Peneira <300mm >300mm Separação Magnética Peneira >5mm <5mm Pilha Classificador pneumático Separação Manual Britagem Agregado Reciclado Figura 1 – Produção de agregados reciclados . O desenvolvimento de fluxogramas para o beneficiamento deste material baseado na experiência do tratamenteto de minérios.How-Ji Chen et al (2002). tais como granulometria e composição ( relação de concreto e cerâmica ). desta forma. A determinação da composição da blenda é de suma importância nas propriedades mecânicas do concreto e da argamassa a ser produzida com o agregado reciclado pois estudos demonstram que a quantidade de materiais cerâmicos presentes no agregado determinam o fator de redução da resistência à tração e flexão do material . desenvolver o traço ideal da blenda.

que proíbe a utilização de aterros sanitário para depósito de resíduos da construção e demolição. estradas. conseqüentemente. Com a entrada em vigor da resolução 307 do CONAMA. aliado ao crescimento da população e. leitos de rios e lagoas serão tranformados em aterros. o problema se agrava pois se não houver uma fiscalização eficiente. a utilização do reciclado pode proporcionar benefícios não só ambientais. mas viabilizar economicamente o crescimento urbano. porém é necessário um estudo mais aprofundado das propriedades deste produto viabilizando sua utilização de forma segura e adequada. mas em todo o mundo.Tabela 1 – Resitência a compressão normal do concreto Tabela 2 – Resitência a flexão do concreto CONSIDERAÇÕES FINAIS A reciclagem dos resíduos da construção e demolição é uma necessidade não só no Brasil. A solução a curto prazo que apresenta . a necessidade de se executarem obras de infra-estrutura urbana e habitacionais. Com a atual crise financeira que passam os municípios.

Programa de Gestão Diferenciada de Resíduos de Construção no Município de São José dos Campos/SP. na confecção do concreto. Italy. Londres. structural assessment. Recycling of masonry rubble. se faz necessário um conhecimento maior das propriedades fisico-químicas das partículas para. outubro. E&FN Spon. a partir disto. USA.R. processado e apto a substituir os agregados naturais na construção civil. 1997 . R. INFORMAÇÕES E TÉCNICAS EM CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA. P. Faculdade de Engenharia Civil.K. E.State of the art . 2003. São Paulo.THE SOLID WASTE ASSOCIATION OF NORTH AMERICA . 1975 SCHULZ. 27. 1995 PAOLINI. (editado por T. Universidade Estadual de Campinas. J. EPUSP/ANTAC. São Paulo. MARCO. Construction wastes as raw materials for low-cost constructions products.. . 1994 SANTOS. Recycling of demolished concrete and masonry. Fornecendo a nova matéria –prima.o melhor custo benefício é o reaproveitamento deste material.).RABINDER . HENDRICKS.Construction waste & demolition debris recycling . Universidade de São Paulo. In: RECICLAGEM E REUTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS COMO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL (Workshop). São Paulo. Para que o agregado reciclado de construção e demolição possa ter uma aplicação que atenda a demanda e as normas da ABNT para concreto. (1992). . CIB TG 16. Londres.. confiabilidade para o uso e conseqüentemente. Anais. C. 33. LAURITZEN. PINI. AGOPYAN. Construção e Mercado. T. F. I&T / documento interno . V.A utilização do entulho como agregado. São Paulo.A. REFERÊNCIAS DE PAUW. Campinas. Dissertação (mestrado). ed. E&FN Spon . . ampliando o mercado da reciclagem com produtos de qualidade e durabilidade. 140p. demolition and recycling (RILEM REPORT 9). São Paulo.use of waste materials in construction in Western Europe. P. Florida. P 1-20. 125132. desenvolver-se um fluxograma de beneficiamento que possibilite a produção de agregados próprios para cada tipo de necessidade. SWANA . 221-229. |Florida.Cement and Concrete Composites.. KHURANA. 20. 1998 PERA.S. Disaster planning. Proceedings. In: FIRST INTERNATIONAL CONFERENCE ON SUSTAINABLE CONSTRUCTION. C. Part 2. Sergio. 1993 ZORDAN. Tecnologia das argilas aplicada às argilas brasileiras. KUANG-HUNG CHEN – Cement and Concrete Research.1994. 1997. Hansen). 2003 PINTO. HOW-JI CHEN. TSONG YEN. Taiwan.

Freitas Lins Diretor em Exercício . Salvador de Almeida Chefe Substituto do Serviço de Processamento Mineral . 30 de junho de 2004.CTEC Fernando A.Rio de Janeiro.SEPM Adão Benvindo da Luz Chefe Substituto da Coordenação de Inovação Tecnológica .

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